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BLOGOSFERA DE TECNOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL
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Monografia apresentada à Universidade Veiga de Almeida como critério de conclusão do curso de Comunicação Social - habilitação em jornalismo no primeiro semestre de 2012. O material conta com …

Monografia apresentada à Universidade Veiga de Almeida como critério de conclusão do curso de Comunicação Social - habilitação em jornalismo no primeiro semestre de 2012. O material conta com entrevista dos blogueiros Wallace Pereira, Gabriel Subtil do Tambotech e Thiago Mobilon do Tecnoblog

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  • 1. UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA COMUNICAÇÃO SOCIAL JORNALISMO FILIPE OLIVEIRA XAVIER BLOGOSFERA DE TECNOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL Rio de Janeiro 2012
  • 2. iii ‘UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA COMUNICAÇÃO SOCIAL JORNALISMO FILIPE OLIVEIRA XAVIER BLOGOSFERA DE TECNOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL Monografia apresentada como requisito de conclusão do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo para a conclusão do curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo. Orientado pelo professor Márcio Ferreira Rio de Janeiro 2012
  • 3. iv FILIPE OLIVEIRA XAVIER BLOGOSFERA DE TECNOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL Trabalho de conclusão de curso submetido à Universidade Veiga de Almeida, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do Grau de Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo. ___________________________ Orientador Título/Instituição ___________________________ Examinador Título/Instituição ___________________________ Examinador Título/Instituição Rio de Janeiro Rio de Janeiro, _____ de ________________________________ de _________
  • 4. v Dedico aos meus pais, pelo incentivo por todos esses anos de luta e confiança depositada em meus estudos.
  • 5. vi AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, Deus, que iluminou meu caminho e confortou meu espírito nesta caminhada. Agradeço a família por toda ajuda ao longo dos últimos anos - em especial – meu irmão de coração, Tiago Oliveira, por me arrancar sorrisos e resmungar a cada vez que eu solicitava o uso do meu próprio computador. A Bárbara Perrut, Gustavo Beroli e Glória de Brito por todas as dúvidas respondidas e indicações para pesquisa. Ao meu orientador Márcio Ferreira pela paciência e empenho. Agradeço à Stephanie Carvalho por fazer companhia, mesmo que virtual, em longas noites de sono escasso. Aos amigos Anderson Ferreira, Cláudio Rodrigo, Jéssica Lima e Peterson Souza– a quem considero como irmão – pelo companheirismo. Claro que não posso esquecer os colegas da graduação, agora amigos, Camilla Monteiro, Fernanda Teixeira, Karen Nascimento e em especial, a inseparável, Gabriela Sant’Anna, por todos os conselhos e puxões de orelha.
  • 6. vii “Ao dar às pessoas o poder de partilhar, estamos tornando o mundo mais transparente.” Mark Zuckerberg - 2010
  • 7. viii RESUMO O estudo a seguir foi feito com finalidade de analisar e debater sobre o movimento dos blogs tecnológicos no país. Logo, deve-se abordar o início do movimento a nível global, para enfim, focar em nosso objeto de estudo. Logo, se faz necessário resgatar os principais eventos da evolução sofrida pelo weblog em todo o seu tempo de existência, e assim, refletir a relevância dos blogs, sua estrutura, linguagem e conceitos comunicacionais empregados para atrair a audiência. Palavras chave: Blogosfera, blog, internet, wordpress, tecnologia, redes sociais
  • 8. ix ABSTRACT The following study was done in order to analyze the technology blogs movements in Brasil. We approach the beginning of the movement at a global level, to finally focus on our subject. Therefore, it is necessary to rescue the major events of evolution suffered by the blog around the time, and thus reflect the relevance of blogs, their structure, communication and language concepts employed to attract the audience. Keywords: Blogosphere, blog, internet, wordpress, technology, social networking
  • 9. x SUMÁRIO SUMÁRIO................................................................................................................................................x INTRODUÇÃO......................................................................................................................................10 ...............................................................................................................................................................12 1. TECNOLOGIA VICE-LÍDER DAS BUSCAS...................................................................................12 1.1 SURGE UMA NOVA REVOLUÇÃO NA COMUNICAÇÃO.......................................................................12 1.2 A SOCIEDADE VIVENCIA A CIBERCULTURA........................................................................................14 1.3 O NASCIMENTO DOS BLOGS.............................................................................................................16 1.3.1 O SURGIMENTO DOS NICHOS NOS BLOGS...........................................................................17 2. A OPINIÃO INDEPENDENTE PODE SUPERAR OS GRANDES PORTAIS.................................27 2.1 NOVOS HÁBITOS PARA O CONSUMO DO CONTEÚDO VIRTUAL........................................................27 2.1.1 OS PERCALÇOS NA MANUTENÇÃO DE UM BLOG.................................................................30 2.2 OS DESAFIOS PARA POPULARIZAR O BLOG.......................................................................................32 2.2.2 O BLOGUEIRO E O CAMINHO PARA OBTER RELEVÂNCIA.....................................................35 3.QUANDO O BLOG ULTRAPASSA A BARREIRA DA BLOGOSFERA........................................38 3.1 A ASCENSÃO DA BLOGOSFERA NACIONAL........................................................................................38 3.1.2 A PROFISSIONALIZAÇÃO DA BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL E NO MUNDO....................39 3.2 CASES: BLOGS DE TECNOLOGIA DO BRASIL.......................................................................................40 3.3 O PANORAMA DA BLOGOSFERA TECNOLÓGICA DO BRASIL.............................................................43 CONCLUSÃO........................................................................................................................................45 ...............................................................................................................................................................45 REFERÊNCIAS......................................................................................................................................47 INTERNET................................................................................................................................................49 Glossário.................................................................................................................................................51 ANEXO A..............................................................................................................................................53 ANEXO B...............................................................................................................................................55
  • 10. xi ANEXO C...............................................................................................................................................57
  • 11. 10 INTRODUÇÃO O trabalho a seguir foi motivado por uma série de experiências pessoais do autor ao longo de três anos na blogosfera de tecnologia com o blog Pitacos Modernos. Os blogs já fazem parte do nosso cotidiano envolvido pela cibercultura tão abordada por Pierre Lévy. O universo dos blogs já é capaz de alterar nossas rotinas, criar bordões e moldar à velha mídia, tão resistente as inevitáveis mudanças na comunicação moderna. No meio deste contexto, a blogosfera ainda apresenta participação ativa como um grande agregador das novidades virtuais. Há tempos que o blog perdeu a alcunha de “diários pessoais”, assim, os sítios eletrônicos e de simples publicação caminharam para especialização e segmentação dos assuntos abordados. O surgimento dos nichos tornou esses blogs verdadeiros “espaços coletivos de interação” (PRIMO, 2008, p. 123). Essas páginas foram responsáveis pelo surgimento de diversas comunidades conectadas, aptas a debater todo o tipo de assunto proposto no ambiente online. O primeiro capítulo buscou posicionar o surgimento da blogosfera como uma ferramenta de conversação, protesto e debate gerados pela “emergência do ciberespaço” (Lévy, 1999, p.118). A partir deste fato, há o início uma análise sobre o primeiro caso de blogs que obtiveram êxito em atingir a velha mídia e até mesmo, influenciar na disputada corrida presidencial norte-americana. O estudo segue com destaque da batalha enfrentada pela blogosfera com a antiga mídia que passa a tratá-la como inimiga do jornalismo profissional, capaz até mesmo de levantar um debate recorrente entre os profissionais da comunicação: Seria o blogueiro um jornalista?
  • 12. 11 O estudo segue ao abordar o impacto da gerado pela alta relevância de alguns blogs na mídia e no cotidiano dos internautas, para enfim, voltar-se ao blogueiro no estudo das dificuldades enfrentadas pelo mesmo na incessante busca da popularização do seu espaço virtual, incluindo as técnicas mais utilizadas pelo publicador para obter mais visitas em sua página pessoal. O terceiro capítulo aborda os blogs de sucesso no Brasil e no exterior, cujo tema, seja a tecnologia e suas variantes. Apresentamos uma linha do tempo que traça a aceitação do blog em grandes corporações que voltaram seus investimentos à internet, além de debater as características fundamentais da blogosfera de tecnologia e seu futuro em um mundo repleto de novidades da cultura tech e cada vez mais conectado. Este trabalho teve a finalidade de traçar um panorama da blogosfera tecnológica nacional, e assim, colaborar efetivamente na identificação de hábitos e características presentes neste segmento de nichos, bem como, do internauta que o acessa e consome a informação lançada por essas páginas.
  • 13. 12 1. TECNOLOGIA VICE-LÍDER DAS BUSCAS 1.1 SURGE UMA NOVA REVOLUÇÃO NA COMUNICAÇÃO Evidencia-se o modo como o desenvolvimento da comunicação contribuiu na evolução da humanidade ao longo da história. Tais mudanças no processo comunicacional são descritas em três grandes eras por Melvin L. DeFleur e Sandra Ball-Rokeach (1993, p.22). Os símbolos e sinais estão relacionados como a mais rudimentar comunicação reconhecida pelo homem. O ser humano emitia sinais e gestos passados de geração em geração (1993, p.24). A cerca de 40 mil anos atrás, os sons estranhos e gestos foram substituídos pela fala. Essa por sua vez foi primordial para evolução da raça humana, uma vez que a comunicação oral permite abordagens mais complexas – exterminando assim – as limitações presentes na comunicação por sinais (1993, p.31). Anos mais tarde, acontece o surgimento das primeiras formas de arte, como a rupestre. Já a terceira etapa é a que vivenciamos até hoje, a Era da Escrita. A necessidade de armazenar as informações de modo físico e compreensivo as demais gerações criou o esboço de escrita – e mais tarde – a escrita fonética empregada no alfabeto sumério. "Não obstante, o uso de caracteres para representar sílabas foi o primeiro passo na criação da escrita fonética e foi um grande avanço na comunicação humana. Particularmente, tonou imensamente mais fácil a alfabetização. A pessoa tinha apenas de lembrar mais ou menos uma centena de símbolos para as várias sílabas da língua”. (Melvin L. DeFleur e Sandra Ball-Rokeach 1993 p.34). No século XV o alemão Johannes Gutenberg desenvolve um dispositivo voltado à impressão em superfícies como papel e tecido. A prensa de tipos móveis – conhecida como imprensa – entrou para história da humanidade como um aparelho que revolucionou
  • 14. 13 as comunicações no mundo (1993, p.92). O modo de impressão criado pelo alemão encurtou o tempo utilizado na confecção de livros, uma vez que o método anterior envolvia o processo manual executado por monges católicos. A Bíblia de Gutenberg é certamente a mais aclamada obra do alemão, responsável pela produção de livros em massa, o que abriu os caminhos não só para difusão do conhecimento, como também, para uma nova era religiosa marcada pelo movimento protestante, iniciado por Martin Lutero. É importante salientar que o mundo viveu ainda uma segunda revolução no meio impresso, com o surgimento dos primeiros jornais periódicos datados no século XVII, seguido pela revolução radiofônica no inicio do século XX. Em 1922 ocorreu o início da grande explosão radiofônica em território norte-americano, com o advento de redes como a ABC (American Broadcasting Company), CBS (Columbia Broadcasting System) e NBC (National Broadcasting Company), sobreviventes do sistema de rádios e impulsionadoras do sistema televisivo durante a década de 30. O que admitimos, hoje, como internet, teve seu início anos mais tarde em um dos programas militares impulsionados pela Guerra Fria entre Estados Unidos da América e a União Soviética. O governo estadunidense temia ataques soviéticos em suas bases militares, capazes de vazar sigilosas informações de guerra. Era necessário descentralizar a informação em uma espécie de rede com documentos compartilhados pelas forças armadas (LAMBERT, 2005, p.61) Surgia a ARPANET (do inglês Advanced Research Projects Agency) cujo projeto, foi estendido às instituições acadêmicas no final da mesma década, registrando o que pode ser considerado o primeiro e-mail da internet. Já sem fins militares, a ARPANET dividiu-se em dois grupos: A MILNET, sem fins militares e a nova ARPANET, que manteve as informações de segurança do governo norte-americano (2005 p.1972). Em 1992 o cientista, Tim Berners-Lee criou a linguagem HTTPS (HyperText Transfer Protocol Secure), possibilitando o envio de dados criptografados pela grande rede. O projeto concebeu ainda o primeiro navegador da história e a linguagem HTML (HyperText Markup Language) desenvolvida para construção de páginas e sua adequação na internet. A internet revoluciona as comunicações e ganha cada vez mais adeptos. A explosão dos PC’s pessoais ocorreu com o desenvolvimento da interface gráfica nos sistemas operacionais Windows e MAC OS, grandes responsáveis pela invasão da internet nos lares do Estados Unidos (2005, p.4). Pesquisas escolares e acadêmicas tornam-se muito
  • 15. 14 simples, o resultado de uma dúvida está a poucos cliques e hiperlinks no interior de um aparelho com um modem, uma pequena placa utilizada para conectar o PC à internet. No final da década de 90 as chamadas empresas “ponto com” receberam investimentos milionários, representando grande parte dos investimentos da Nasdaq. O mundo vivencia a explosão de um movimento sem precedentes, a internet influencia não só a rotina, como a economia e a sociedade de modo geral. 1.2 A SOCIEDADE VIVENCIA A CIBERCULTURA Exemplificar a cibercultura é mergulhar em um novo contexto vivenciado pela sociedade que engloba mudanças nos âmbito cultural e comunicacional. Trata-se de um processo de comunicação flexível, capaz de aproximar pessoas do mundo inteiro com interesses iguais e de direcionar novos hábitos a rotina da população. Cartões de crédito, GPS, internet banking e pendrive são apenas alguns exemplos de aparelhos e serviços integrados a população de maneira tão cômoda, que hoje somos incapazes de pensar em nossas atividades sem o auxilio destas tecnologias. O ser humano – talvez por sua capacidade de evolução e adaptação ao meio em que vive – responde positivamente aos impulsos gerados pela revolução tecnológica implantada pela indústria. No entanto, Levy, Pierré conclui que “cada um nós se encontra em maior ou menor grau nesse estado de desapossamento”. A aceleração é tão forte e tão generalizada que até mesmo os mais ‘ligados’ encontram-se, em graus diversos, ultrapassados pela mudança’(1999, p28). A nova realidade propaga as informações em ritmo acelerado, o desenvolvimento de novas linguagens e dispositivos, a comunicação se torna instantânea. A internet quebrou as barreiras de tempo e espaço físico aos indivíduos, agora, um jovem estudante conectado a internet é capaz de acompanhar a palestra de um físico oferecido aos alunos de Havard, dispensando assim, o translado até o local e todas as despesas de burocracias envolvidas em uma viagem internacional.
  • 16. 15 Agora o conhecimento é livremente difundido entre as comunidades ao redor do globo, capaz de desconstruir modelos ultrapassados e quebrar hierarquias políticas. A inteligência coletiva é um dos pontos analisados por Levy. Segundo o autor, o desenvolvimento da cibercultura não é capaz de influenciar automaticamente a evolução da inteligência coletiva, uma vez que o movimento pode ser excludente a aqueles que não se adaptam as novas formas, assim, “a inteligência coletiva que favorece a cibercultura é ao mesmo tempo um veneno para aqueles que dela não participam (e ninguém pode participar completamente dela, de tão vasta e multiforme que é)” (1999, p.30). O avanço em pesquisas associadas ao ramo da informática criou o micro processador, pontapé inicial para a criação dos primeiros computadores pessoais, logo, o mesmo aparelho ganhou novas aplicações e tecnologias capazes de redirecionar suas funções. Essa evolução parte de uma necessidade coletiva do ser humano. Trata-se do fator emergencial que Levy discorre em seu livro “Cibercultura”: A emergência do ciberespaço acompanhada, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas. E digo condicionada, não determinada. Essa diferença é fundamental. A invenção do estribo, permitiu o desenvolvimento de uma nova forma de cavalaria pesada, a partir do qual foram construídas o imaginário da cavalaria e as estruturas políticas do feudalismo. No entanto, o estribo, enquanto dispositivo material, não é a “causa” do feudalismo europeu. Não há uma “causa” identificável para um estado de fato social ou cultural, mas sim, um conjunto infinitamente complexo e parcialmente indeterminado de processos em interação que se auto - sustentam ou se inibem. Com base nessas observações, podemos supor que a origem da blogosfera vem de uma iminente necessidade do desenvolvimento de um espaço amplo, propicio ao debate das informações levantadas por meio da expansão do conhecimento criado no espaço virtual – e que por esta condição primordial – apresenta ferramentas interativas capazes de levantar a intercomunicação entre os usuários da plataforma.
  • 17. 16 1.3 O NASCIMENTO DOS BLOGS Em meados 1997 surgiu o aquilo que é considerado como o primeiro weblog da história. A página criada por Jorn Barger – The Robot Wisdom - é perceptivelmente, ultrapassada, se compararmos a tecnologia empregada para criação de páginas eletrônicas na atualidade. O weblog (Contração do termo inglês Web log que significa diário da web) surgiu como uma ferramenta para que o internauta relatasse sua rotina em textos divididos em uma página com ordem cronológica (HUGH, 2007 p.99). Mais tarde, o blogueiro Peter Merholz, desmembrou o termo weblog para formar a frase we blog (do inglês ”nós blogamos”) na barra lateral da sua página eletrônica, surgindo desse modo, a nomenclatura na qual reconhecemos esse ambiente virtual nos dias de hoje. O termo de origem norte-americana foi o primeiro a revolucionar a comunicação que vivenciamos na atualidade. Os blogs atingiram a popularidade em 1999, quando muitos internautas utilizaram plataformas virtuais que não exigiam conhecimento em linguagens de programação - surgiam assim - os blogueiros, conforme destaca o artigo “A História dos Blogs”, escrito por Caio Novaes: No final do ano de 1999, tudo ficou mais fácil para pessoas que não sabiam nem o básico de linguagem de programação, ou seja, não eram expert no assunto, porém gostariam de ter um blog. Os Blogs se tornaram uma preciosa fonte de renda para empresas, que começaram a investir em sua automatização, ou seja, a partir de um template pronto e um backoffice uma pessoa leiga no assunto poderia muito bem desenvolver um blog. Uma das pioneiras a desenvolver um sistema capaz de converter a linguagem textual em HTML de modo automático para a publicação de páginas virtuais foi o Blogger, agora, qualquer internauta comum é capaz de construir seu próprio conteúdo para o ambiente virtual. A plataforma Blogger conta com ferramentas simples e de fácil aprendizado, que exigem pouco mais de 30 minutos para desvendá-las. Assim, muitas pessoas com idade acima de 12 anos já conseguiam facilmente criar o seu próprio blog a
  • 18. 17 custo de criação, edição e atualização zero, desse modo, o sistema de blogs se popularizou rapidamente. Os antigos blogueiros utilizavam suas páginas para compartilhar links de sites e/ou outros blogs interessantes, já que esse sistema de troca era visto como uma maneira de interagir com outros blogs sobre assuntos que talvez fosse interessante para um maior número de pessoas, formando assim, uma comunidade de interesses (PRIMO, SMANIOTTO, p. 6/16). Com o tempo, aquelas simples páginas de HTML agregaram ainda mais o contexto pessoal do blogueiro. Os internautas passaram a compartilhar parte do seu cotidiano com amigos, parentes e pessoas que dividem o mesmo hábito de vida dos blogueiros, criando assim, diários virtuais que ajudaram a descredenciar a blogosfera no futuro. No começo do ano 2000, o Blogger ofereceu aos internautas a opção do hiperlink, ou seja, a partir de agora, cada post do seu blog passa a ter uma única url definida por um endereço como www.seublog.com.br/ano_mes_dia.html. A criação do permalink contribuiu demasiadamente para o compartilhamento de conteúdo e divulgação da página. A partir de agora, o blogueiro tinha a opção de divulgar uma única postagem, além de manter o debate por maior espaço de tempo. A url única para cada texto foi de suma importância para alimentar debates e redirecionar o comportamento do blogueiro como um produtor de conteúdo, segundo analisa Caio Novaes. Com essa nova ferramenta de interação, ou seja, com o sistema de comentários, os blogueiros se tornaram mais escritores do que simplesmente blogueiros. Seus textos deixaram de ser apenas um texto jogado na internet para ser algo comentado por pessoas muitas vezes criticas e diretas que denunciavam até mesmo um simples erro de português, como se o seu blog tivesse a obrigação de passar uma informação seguindo os padrões de um livro, por exemplo, com direito a revisões e tudo antes de publicar um post. 1.3.1 O SURGIMENTO DOS NICHOS NOS BLOGS
  • 19. 18 De acordo com o estudo realizado por Hugh Hewitt, em seu livro “Blog, Entenda a Revolução Que Vai Mudar Seu Mundo”, somente em 2001, na cobertura midiática dos atentados terroristas ao centro empresarial do World Trade Center que grande parte da mídia percebeu que poderia explorar as informações independentes com intuito de adicionar o que suas equipes jornalísticas apuravam ao redor da cidade e nos principais centros do poder estadunidense. Fotos, depoimentos e pequenos vídeos surgiam a todo instante e cada conteúdo foi reproduzido, ao vivo, pelas gigantes do telejornalismo: CNN, NBC e Fox News. O ataque terrorista mudou muitos rumos na história mundial. Historiadores consideram o evento como o ponto de início do século XXI na história recente. Já era de se esperar que a mídia e a internet sofressem modificações com o evento. A partir de agora, os blogs passam a tratar de questões mais limitadas e assuntos de interesse geral, é o surgimento de um movimento conhecido como “blogs de guerra”, capazes até mesmo, de interferir na disputa eleitoral do país. No livro “Blog: Entenda a Revolução Que Vai Mudar Seu Mundo”, Hugh Hewitt, descreve a nova organização comunicacional gerada pela nova ferramenta: O que realmente está acontecendo é uma revolução na informação, semelhante em suas consequências, à Reforma que dividiu a cristandade no século XVI... Hoje não temos um cânone, mas temos sede de informação, temos uma nova tecnologia de distribuição e um milhão de fornecedores de conteúdo. A velha guarda da velha mídia está em uma situação semelhante à da Igreja Católica Romana quando Lutero se ergueu para questionar a autoridade do papa. Assim que a centelha de Lutero acendeu o fogo, a disponibilidade de edições da Bíblia tornou o inevitável o colapso da autoridade da Igreja, embora a luta tenha sido longa e frequentemente sangrenta (2007, p.17). A revolução na comunicação pela web tomou fôlego com ferramentas de publicação simples e aparelhos portáteis capazes de produzir conteúdo similar ao grande conglomerado da mídia. Tornou-se real a possibilidade de cada pessoa ter um veículo de comunicação na rede, como se cada um montasse a própria emissora de televisão e decidisse sobre a programação.
  • 20. 19 A explosão de celulares com câmera e aparelhos digitais com lentes ajudou a iniciar um movimento irreversível, onde a mídia começa a reconhecer a audiência como produtora de conteúdo. Um fenômeno sem precedentes, capaz de gerar uma revolução midiática muito bem descrita por Ana Foschini e Roberto Taddei na “Coleção Conquiste a Rede” – edição Flog e Vlog, (...) O mundo ganhou muitos autores e cidadãos jornalistas que, mesmo não sendo profissionais da comunicação, divulgam notícias. Há momentos em que os amadores são os únicos capazes de obter imagens de momentos importantes. É uma questão de estar com equipamento no lugar certo e na hora certa e de ter a presença de espírito de registrar o momento. Foi assim que vimos as imagens do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center em 2001, o tsunami no Oceano Índico em 2004 e o impacto da explosão de bombas dentro de trens do metrô de Londres em 2005, por exemplo. (2006, p.13). Os casos citados acima são alguns dos inúmeros registros já feitos por pessoas anônimas, que por meio de seus dispositivos móveis, ultrapassaram o poder dos grandes conglomerados midiáticos, que sem opção, cederam à pressão dessa mídia nova e a todo o dinamismo da informação gerada pelos meios eletrônicos. As emissoras de televisão abrem ainda mais espaço para produções realizadas por amadores em seus telejornais e programas de variedades. Quadros que destacam os vídeos da internet são apresentados em emissoras do mundo inteiro, manchetes como a do enforcamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein - condenado pela morte de 148 civis xiitas na década oitenta - chegaram primeiro ao Youtube. Mais uma vez, o furo jornalístico veio das mãos de um cinegrafista amador, portado de um celular e conexão a internet. A imagem da pena submetida ao ex-governante árabe percorreu o mundo em poucas horas por meio das agências de noticias1 . A facilidade e agilidade empregada pelas plataformas de blogs tornaram-no um veículo com disposição a segmentação de conteúdo em acordo com os assuntos e interesses definidos por cada blogueiro, isso fez com que o número de páginas disparasse a 1 New York Times. 29/12/2006: “Redes de TV nos EUA tentam definir como mostrar execução de Saddam”. Disponível em: < http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1403685-5602,00.html>
  • 21. 20 cada mês. Um efeito sem volta, iniciado principalmente, pelo Blogger que por anos se firmou como a mais popular plataforma de weblog (RECUERO p.27), e que mais tarde, foi adquirida pelo Google, já reconhecida como a companhia que revolucionou as buscas virtuais por meio de seu algoritmo. Muitos passaram a usar o blog como um espaço opinativo sobre diferentes questões e temas, como: televisão, música, gastronomia, artes, literatura e fotografia. Só em abril de 2007, o Technorati (Principal ferramenta de indexação de blogs, com aspecto semelhantes ao de uma rede social, muito utilizada como um agregador de notícias e de troca de links entre os internautas) registrava 175 mil blogs por dia e cerca de 1,6 milhão de postagens publicadas diariamente, ou seja, o equivalente a 18 atualizações por segundo. Tais números são capazes de impressionar até os mais céticos, ainda mais, se o compararmos a antigos veículos de mídia e comunicação, como os citados em “O Leitor de Blogs: Um estudo com Base nos blogs mais acessados do Brasil”. Assim, para atingir um milhão de usuários, a telefonia fixa demorou 74 anos; o rádio, 38 anos; os computadores, 16 anos; os celulares, 5 anos, a Internet, 4 anos. A grande variedade de assuntos disponíveis e antes não explorados abre o caminho para uma nova fase no ciberespaço (Termo criado pelo escritor norte-americano William Gibson em 1984. Amplamente utilizado para definir um ambiente onde o homem tem acesso à informação sem estar presente fisicamente). Esse processo de segmentação dos blogs por assuntos foi batizado como “nicho”. As páginas dedicadas a uma só linha editorial despontaram como os mais buscados pelos internautas. O Technorati, aproveita-se da sua base de clientes cadastrados para estudar os mais diversos aspectos da blogosfera mundial relatórios anuais nomeados como “The State of Blogosphere” que apresenta registros para destacar humor, política e a tecnologia entre os assuntos que impulsionaram a nova fase vivenciadas na reconhecida blogosfera (termo cunhado em 10 de setembro de 1999 pelo blogueiro Brad L. Graham. Ele foi recunhado em 2002, rapidamente adotado e propagado pela comunidade de blogs sobre guerras em curso (warblogs). Na mídia estadunidense o termo passou a ser empregado para caracterizar a opinião da audiência sobre a ofensiva norte-americana no Oriente Médio).
  • 22. 21 1.3.2 WEBJORNALISMO CONTRA OS BLOGS DE NICHO Como observado pelos estudiosos, Ravi Kumar, Prabhakar Raghavan, Jasmine Novak e Andrew Talkins no artigo acadêmico “On the bursty evolution of blogspace” é perceptível como os blogueiros estão frequentemente envolvidos em grupos pequenos que são capazes de impor leituras similares a seus leitores, formando assim, pequenas redes de conteúdo com interesses similares. A grande mídia nunca foi capaz de agradar aos diferentes interesses do público, mesmo diante do dito jornalismo especializado. O nicho na blogosfera foi capaz de suprir uma antiga necessidade, uma vez que o blogueiro tem a opinião pessoal e a liberdade como importantes aliados. Características capazes de gerar polêmica entre alguns estudiosos que observaram o fenômeno gerado pelos “blogs de guerra”. Ao observar como o blogueiro é capaz de atrair audiência e aprimorar seu espaço para transmitir cada vez mais informação especializada, pesquisadores como Allysson Martins e Cláudio Paiva demonstram na publicação “As Ferramentas da Blogosfera e as Características do Webjornalismo” passaram a questionar a relação entre o blog de nicho e o webjornalismo, mas os principais estudos fincaram os grandes portais e sites como objetos exemplificadores da questão. Assim, devemos observar que a grande mídia é pautada pelo denominado interesse público, uma série de assuntos, julgados em reuniões de pauta, pelos editores e jornalistas ligados ao veículo. Mas a reunião de pautas pode estar suscetível aos interesses comercias ou até mesmo, pessoais e políticos dos grupos e proprietários do jornalismo tradicional. Enquanto o blogueiro pauta-se por aquilo que ele julga como relevante em seu nicho. Surge assim, o que pode ser considerando como novo gatewatching. Este conceito de tamanha importância foi profundamente analisado por Bruns, Axel ao destacar o novo momento vivenciado pela comunicação ao destacar a profusão de espaço a ser utilizado no ambiente online. O pesquisador considera que o alto e crescente volume de dados supera as limitações empregadas pela publicidade presente em veículos como rádio e televisão.
  • 23. 22 A internet apresenta a democratização de todo esse espaço, já que a mesma não está presa a nenhuma limitação comum em outros veículos de mídia, e assim, as notícias antes rejeitadas ou não publicadas, ganham espaço no mundo virtual. No entanto, deve-se destacar que as informações consideradas mais importantes em um website ou blog ganham algum destaque na home page ou sidebar da página, com hiperlinks e chamadas que possam atrair a atenção do internauta, um processo já utilizado por publicações impressas e que Bruns nomeia como publicizing. Ao observar o comportamento do internauta e editores o pesquisador conclui ainda que o webjornalista não é mais um profissional que vai às ruas para apurar o fato e levá-lo ao ar. Agora, o jornalista coleta dados em sua posição na redação, transformando os em uma espécie de “bibliotecário” um profissional que trabalha na publicação de notas jornalísticas e na coleção do maior número possível de documentos. Mas ao perceber o engajamento do profissional Bruns é capaz de encontrar um novo termo ao “novo gatekeeper”, seria o gatewatcher, capaz de observar e definir a relevância das informações e torná-la disponíveis ao seu público (Bruns, 2005 p.11). Pode-se dizer então, que o blogueiro quebra uma série de paradigmas presentes no embrionário jornalismo digital atrelado aos veículos impressos, rádios e redes televisivas. Mielniczuk, Luciana caracteriza, o então, jornalismo novo como “versões de jornais já existentes no papel, seções de notícias em portais ou produtos desenvolvidos especificamente para a web”. Em acordo com essas informações, é possível dividir o webjornalismo em duas fases distintas. A primeira geração destaca-se no início da popularização da internet, seguido por uma fase de transição para o jornalismo digital semelhante ao que vivenciamos no presente: Essa fase de transposição acontece quando o produto da web é igual ao do jornal impresso, isto é, a empresa copia literalmente o conteúdo veiculado no papel. Na segunda geração, a fase da metáfora, o produto do webjornalismo ainda se baseia no veículo impresso, mas começa a utilizar algumas das características que vão marcar o webjornalismo de terceira geração, como a hipertextualidade, através de links como menu para navegação. Por fim, na fase do webjornalismo, os produtos não têm vínculos com o veículo impresso. É nessa geração que nascem os dispositivos propriamente da web. (MARTINS: PAIVA, 2009, p4)
  • 24. 23 Assim, pode-se concluir, que o blog está inserido na última fase do webjornalismo, uma vez que o weblog é um produto específico da internet, cujo material é produzido especialmente para o ambiente em que está com formatação e até mesmo redação muito bem definidas para meio online. Mas é perceptível o fato que a grande mídia não conviveria bem com a nova concorrente. No Brasil, o caso de maior repercussão foi dá série de campanhas do impresso Jornal Estado de São Paulo contra a blogosfera. As peças publicitárias e campanhas de televisão foram levadas ao ar em agosto de 2007 atacando os autores de blogs. A mensagem generalista atacava a credibilidade dos blogueiros, ao afirmar sua falta de experiência e especialização. Já a campanha televisiva comparava o blogueiro a um macaco de laboratório devidamente estudado e sem vontade ou opinião própria2 . A campanha do jornal foi interpretada de modo agressivo pela blogosfera brasileira, que por sua vez, concebeu uma ofensiva contra o veículo por meio de imagens e posts como o de Carlos Merigo para o Brainstorm 9, que abordou a questão de modo pontual, ao destacar o momento vivenciado pela blogosfera na ocasião: Milhares de blogs ao redor do mundo estão conseguindo trazer, antes, informações relevantes para um determinado público, ditando tendências e decisões estratégicas de grandes marcas. Mas o mais curioso, é que o O Estado de São Paulo parece ir contra o seu próprio mercado, onde jornais estão integrando as ferramentas da web e trazendo os leitores para dentro do jornal, convidando-os a participar. A mídia tradicional sempre estará aí, será a líder, mas alguns membros desse segmento ainda terão que aprender a lidar com o novo, pois não tratam-se de “diários virtuais de adolescentes ociosos”, mas de uma mudança social mais do que consolidada. O weblog apresentava-se cada vez mais integrado aos veículos de massa. O Estado de São Paulo se posicionou contra o próprio mercado que começou a explorar o 2 A campanha está disponível no Youtube pela url: http://www.youtube.com/watch?v=QfrxH9sGlfs
  • 25. 24 blog como uma ferramenta para oferecer conteúdo complementar ao leitor internauta. Veículos impressos transferiram colunistas para o ciberespaço, com uma frequência maior de atualizações, e consequentemente, maior interação vinda do público por meio das ferramentas de comentários disponíveis no rodapé das atualizações A repercussão do episódio fez com que o veículo promovesse um evento chamado Responsabilidade e Conteúdo Digital, uma mesa-redonda com um único propósito: Desculpar-se da campanha repleta de estigmas. Em relato no blog “Jornalirismo”, Guilherme Azevedo descreve o pedido de desculpas do tradicional veiculo feito – na ocasião – pelo jornalista especial Roberto Godoy: "A campanha não teve o objetivo da ofensa ou da irritação... Amamos os blogs", resumiu. 1.3.3 A BLOGOSFERA GANHA RELEVÂNCIA Mais tarde, onde o blog passa a ser visto como uma mídia especializada por muitos internautas e até pelo marketing de certas companhias interessadas no dinamismo na produção de conteúdo dos blogueiros, que ao utilizar câmeras, filmadoras, webcams e gravadores digitais para publicar seu ponto de vista crítico sobre as novidades do mercado tecnológico elevaram os blogs a categoria de veículos de publicidade e marketing espontâneo na visão de algumas companhias do Vale do Silício. Uma das pioneiras no uso da blogosfera como mídia especializada foi a Apple de Steve Jobs. A companhia do Vale do Silício foi a quem do seu tempo e percebeu o potencial do blogueiro tecnológico, ao categorizar o mesmo como um importante formador de opinião. Desde então, blogueiros e jornalistas dividem espaço nas convenções da empresa que desse modo, obtêm até hoje, um grande buzz no lançamento de seus produtos, uma vez que a blogosfera e a mídia tradicional transmitem em tempo real as conferências e a apresentação de aparelhos desenvolvidos pela companhia. Alguns, como Maristela Alves, apontam a blogosfera como à grande responsável pela repercussão na apresentação do primeiro iPhone, lançado no dia 29 de junho de 2007.
  • 26. 25 Ninguém explora melhor este potencial do que Steve Jobs. Se no ano passado o grande hype que se formou em torno do lançamento do iPhone, em 2008 a onda do momento foi o propalado lançamento do Mac Book Air, o notebook que cabe num envelope de papel pardo. O MacWorld anualmente provoca uma onda "viral", disseminada pelos blogs que faziam a cobertura do evento, e fez com que um verbete sobre o iPhone já aparecesse na Wikipedia minutos após a palestra de Steve Jobs sobre o lançamento do produto no ano passado, e que fossem publicados no YouTube mais vídeos sobre o gadget da Apple do que sobre a Gucci ou o Papa Bento XVI3 .. A empresa de Steve Jobs não tratou somente o blogger como um formador de opinião e influenciador, mas também, como uma grande ferramenta de marketing decisiva para aquisição de seus produtos. A companhia tratou de distribuir informações relevantes e precisas aos editores de weblog. Onde todos, recebiam em um release, imagens, tutoriais e todas as especificações possíveis dos produtos da marca. Ao agir assim, a empresa tende a impedir que informações erradas, capazes de exercer a desistência na compra de um aparelho da companhia, fossem publicadas. A estratégia de voltar os olhos à blogosfera foi crucial, uma vez que o iPhone era visto por analistas como um aparelho desacreditado, antes mesmo do lançamento, o que gerou inúmeras previsões de fracassos e desconfiança do mercado. Em entrevista a rede de telenotícias norte-americana CNBC-TV – o então Presidente Executivo da Microsoft, Steve Ballmer – no cargo desde 1998 chegou a prever o fracasso do aparelho, classificando a invenção como um gagdget de nicho, incapaz de atrair os executivos pela ausência do teclado físico, fundamental para o envio de e-mails seguindo4 . A mídia classificava o aparelho como um gadget caro e que não faria sentido com o momento tecnológico. As previsões geraram expectativa, e resultaram em um absurdo sucesso de vendas e uma referência de mercado. A multinacional representada pela logomarca de uma maça mordida surpreendeu o mundo ao disponibilizar um aparelho 3 Vide ALVES, Maristela em Referências. 4 O vídeo com o trecho da entrevista e sua descrição está disponível em: http://articles.businessinsider.com/2010-06-30/tech/29972743_1_phones-macworld-interviewer, acessado em 12/02/2012.
  • 27. 26 de uso simples e intuitivo e repleto de aplicativos (pequenos softwares que desempenham funções determinadas no aparelho). Ao olhar para o passado, percebe-se que o iPod e o iPhone inauguram uma nova forma de tratar e relacionar-se com os dispositivos móveis e internet. A tecnologia de ponta ultrapassa a barreira das grandes máquinas e torna-se compacta, por meio de aparelhos que podem ser levados para onde o usuário desejar. A revolução digital inicia uma nova corrida industrial entre a Apple e as concorrentes, que agora investem grandes quantias de dinheiro na tentativa de recuperar a fatia do mercado obtida pela “maça”. A competição dos bastidores ganha à blogosfera que destaca o feito da Apple adotar a integração na fabricação e desenvolvimento de suas patentes, fator responsável em grande parte, pelo a admiração que envolve os aparelhos e sistemas operacionais da companhia. (Leander. Kahney, p.30) Em 2007, a Revista “Time” cedeu ao aparelho celular da Apple, o “título de invenção do ano” por compreender navegador web e player de mídia em um gadget compacto, de design atraente e tela sensível ao toque. Assim, o revolucionário telefone celular modificou todo o traçado da tecnologia móvel, que anos mais tarde, presenciaria o lançamento de computadores portáteis, com opções mais complexas do que as oferecidas nos chamados smartphones. Em um formato de prancheta, os tablets despontam na atualidade como a revolução do mercado no uso de computadores pessoais.
  • 28. 27 2. A OPINIÃO INDEPENDENTE PODE SUPERAR OS GRANDES PORTAIS 2.1 NOVOS HÁBITOS PARA O CONSUMO DO CONTEÚDO VIRTUAL Maristela é efusiva ao destacar em seu artigo o movimento inverso gerado no jornalismo. Agora o blogueiro passa a ser uma fonte da mídia tradicional. O número de jornalistas monitorando blogs para obter notícias foi crescente. Esses profissionais procuram informações, aprofundadas, capazes de acrescentar suas reportagens tecnológicas. O público tende a exigir ainda mais especialização na blogosfera e no jornalismo tecnológico. Aqueles que não acompanham a tendência submergem sua imagem com a exigente audiência, fruto de um mundo, agora, dominado pela presença de inúmeros aparelhos voltados ao trabalho e entretenimento. Em 2010 o mundo é apresentado ao iPad, um novo dispositivo já reconhecido no mercado como tablet. A inovação criativa da equipe de Steve Jobs segue a mesma fórmula de sucesso dos smartphones, associados, estes aparelhos demonstram o como a informação está acessível, a tecnologia não é mais um artigo de luxo ou de exclusividade dos amantes da tecnologia. Agora, ela mergulha em nossas rotinas, agrega plataformas e atrai atenção de todos os tipos de consumidores. A edição número 77 da revista Dicas Info Exame, referência nacional em jornalismo tecnológico, dedicou espaço para sintetizar o novo momento da cibercultura, capaz de elevar os nerds ao topo da pirâmide do conhecimento. Representados, anteriormente, pelo mercado do entretenimento, como impopulares e potenciais vitimas de bullying, os nerds e geeks, invertem a imagem recrida nas telas e publicações. Agora, os entendidos da tecnologia representam uma nova elite cultural, capaz de causar admiração e influenciar diferentes setores: O bastão do poder passou por diferentes mãos ao longo da história. Na antiguidade, os homens que influenciavam a vida das pessoas eram os donos de terra. Tome como exemplo o imperador romano Júlio César. Nascido em 100 a.C conquistou um território que começava em Roma e ia até o Oceano Atlântico, passando pelo norte da África. Juntas, as terras somavam 2,75 milhões de quilômetros quadrados.
  • 29. 28 Mas adiante, nos séculos 18 e 19 a revolução industrial fez com que o poder se transferisse para os grandes grupos econômicos. Um dos empresários que se beneficiaram com a mudança foi Henry Ford, fundador da montadora que leva seu nome. Agora, na era da informação, poder é sinônimo de conhecimento (Info Exame, Ed. 303, p.48). Jovens brilhantes como Mark Zuckerberg, cofundador da maior rede social do mundo, o Facebook (cuja história foi retratada no livro “Bilionário Por Acaso – A Criação do Facebook. Uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição”, cujo roteiro foi adaptado para o filme “A Rede Social” lançado em 2010), serve de inspiração ao estilo, comportamento e os sonhos de muitos jovens da chamada geração Y, conceito sociológico que identifica os nascidos na década de 1980 a meados da década seguinte. Frutos de um período repleto de grandes avanços tecnológicos, prosperidade econômica e a quebra de paradigmas religiosos e culturais. Presidentes e fundadores das principais companhias tecnológicas do Vale do Silício tornam-se verdadeiras celebridades em um mundo cuja tecnologia criada por estas mentes impulsiona um fenômeno que é gerado pela quantidade de informação ao qual a pessoa é submetida diariamente. Essa avalanche de informações é capaz de instituir novos hábitos ao internauta que passa a empregar, até mesmo, o uso da “memória externa”. A pesquisadora Sparrow Betsy, professora da Universidade de Columbia (Nova York – Estados Unidos da América), sugere que a população jovem utiliza os serviços de buscas como uma extensão memorial, tornando o homem cada vez mais dependente das informações disponíveis na rede. O internauta memoriza as informações mais importantes em pesquisa e arquiva em sua memória o caminho para obter mais informações quando for preciso. O efeito de “googlar” as palavras como uma extensão do pensamento humano é somente uma das interferências da tecnologia estudadas no plano sensorial. Já outro relatório, realizado em 2009, pela Universidade da Califórnia em San Diego, calcula que cada cidadão norte-americano consome o equivalente a 34 Gigabytes de informação diária entre o consumo de vídeos, mensagens sonoras e escritas5 . 5 Agência EFE. 09/12/2009: População consome 34 Gb de informação diária. Disponível em: < http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/americanos-consomem-34-gigabytes-de- informacao-por-dia-20091210.html >
  • 30. 29 Dados assim, tão precisos, ajudam a confirmar a complexidade que é atrair a atenção da audiência na atualidade. Agora o “público é o editor” (Hugh Hewitt, 2007, p.140) e tem a sua disposição ferramentas para filtrar o excesso de informações diárias, além de segmentar o que mais interessa para sua leitura cotidiana. Assim, leitores de feed, agregadores de redes sociais, listas, grupos e sincronizadores de redes sociais são pequenos exemplos levantados pela reportagem “Overdose de Informação” da Revista Dicas Info, edição n° 77 p 56. Nota-se que o blogueiro precisa utilizar técnicas distintas para combater o excesso de informação, a extensão digital da memória e filtro pessoal – comportamentos impostos pelo movimento da cibercultura – desse modo, além de demonstrar-se um grande especialista no que aborda e conhecer a fundo os principais termos do universo que o mesmo analisa. Já outros se dedicam a transmitir mais tutoriais e dicas ao internauta, como é o caso do Techtudo, site que reúne uma vasta equipe de blogueiros e especialistas em tecnologia, agregado ao portal de notícias Globo.com, empresa pertencente ao conglomerado midiático das Organizações Globo. Porém, alguns bloggers se veem obrigados a segmentar ainda mais seus nichos, tratando de fabricantes específicas de celular, por exemplo, além de aperfeiçoar palavras chaves para obter maior relevância em ferramentas de busca, como o Google. Assim, o blogueiro pode objetivar e atrair mais visitas a sua página, bem como, desenvolver uma comunidade ampla e participativa em volta do seu blog. O Jovem Nerd pode ser apresentado como o caso mais representativo de blog com uma comunidade ativa e exigente. Fundado em 2002, o blog recebe cerca de 50 mil visitas por dia, seu público é composto basicamente por jovens de 18 a 35 anos, 85% da audiência representativa de sua página. Em 2006, a página de humor geek lançou um podcast (um formato de programa de rádio editado exclusivamente para internet. O ouvinte pode reproduzir o arquivo direto de uma página ou proceder com o download do arquivo MP3) batizado como “NerdCast”. O podcast trata-se de uma “mesa-redonda” sobre variáveis assuntos do cotidiano nerd a vida de personalidades, como o comunicador Silvio Santos. O Jovem Nerd é um complexo exemplo de blogs que produzem conteúdo para diferentes plataformas e que transformam seus criadores em formadores de opinião
  • 31. 30 cultuados por um público muito segmentado, ao ponto de formar uma empresa. A Pazos & Ottoni Ltda coordena o trabalho de conteúdo que envolve o Nerdcast “baixado” cerca de oitenta mil vezes por semana, o programa de vídeo do Jovem Nerd para o Youtube, o Nerd Office, recebe mais de cem mil visualizações a cada semana de divulgação, a página oficial no Facebook reúne cerca de setenta mil fãs e seu profile no microblog Twitter conta com mais de cem mil seguidores6 . Em estudo realizado pela Boo-Box no primeiro trimestre de 2011 demonstrou que a maioria da audiência dos blogs brasileiros é composta por uma maioria feminina que consome 68% de entretenimento contra 17% de informações relacionadas à tecnologia. Ao combinar o entretenimento, humor, informação e tecnologia, o Jovem Nerd desponta como um comovente case de sucesso da blogosfera aqui estudada. 2.1.1 OS PERCALÇOS NA MANUTENÇÃO DE UM BLOG Antes de analisar as questões relevantes à blogosfera de tecnologia, deve-se entender que atualizar um blog vai muito além de escrever artigos, pesquisar e construir conteúdo. Muitas páginas nascem de modo despretensioso, trata-se do seu dono compartilhando opiniões sobre um assunto que o mesmo tenha mais afinidade. Já o blogueiro que opta pela profissionalização da sua página, não deve manter seu foco só nos artigos, é necessário o conhecimento em HTML, para fins de publicação na ferramenta, edição de imagens, conhecimento mínimo em outros idiomas com o objetivo de formar uma lista de boas fontes nacionais e internacionais, além de estar a par das otimizações e ferramentas voltadas ao uso dos publishers. Certamente, a monetização é um assunto que é cada vez mais debatido entre os blogueiros que buscam a profissionalização. No entanto, “desde 2007-2008, com o boom de blogs na internet brasileira, ficou entendido que blog profissional é a pessoa que consegue viver só com o blog, ou seja, ganhar dinheiro com o blog.” (Mobilon7 ), um pensamento que não condiz com a realidade, uma vez que uma simples acomodação de 6 Parte dos dados obtidos por observação das redes sociais do blog e pelo mídia-kit disponível para consulta pelo seguinte sítio eletrônico: http://www.ftpidigital.com.br/portifolios/midiakit_jovemnerd.pdf. última revisão de dados realizada em 26/05/2012.
  • 32. 31 banner em um layout pode ser o suficiente para gerar rede em um espaço eletrônico, que é sujeito, claro, a quantidade de tráfego recebida pela página. Faustino pondera em seu livro “De desconhecido a Problogger”, todo o caminho que um editor enfrenta ao profissionalizar e gerar lucros com a sua página. Entre os principais, está a falta de investimentos no próprio meio eletrônico. O mito sobre a gratuidade no uso das plataformas de blogs faz com que muitos pensem que um site não é passível de investimentos. Mero engano daqueles que se impressionam com as cifras geradas por empresas 2.0. 1. Um blog deve ter objectivos definidos desde o início. Não ter objectivos definidos significa perder dinheiro, não ter orientação e/ou não saber para onde se caminha. 2. Um blog não pode ter sucesso se não tiver uma audiência alvo definida. Os anúncios dispersam-se com a falta de foco, e a homepage do seu blog provavelmente estará relacionada com tudo e com nada Ao analisar as citações anteriores, podemos concluir que a manutenção de um blog depende de todo um planejamento conduzido por metas e estudos da audiência. Mas é evidente que editor da página enfrenta um demasiado volume de informações e distrações proporcionadas pela tecnologia atual. O blogueiro Gabriel Subtil, em entrevista concedida para esse estudo aponta seus maiores problemas ao produzir conteúdo voltado ao ambiente virtual. “A maior dificuldade é conseguir juntar tempo, paciência e me livrar da distração que a internet traz”. Manter-se em um ambiente repleto de informações, interação e hiperlinks pode contribuir de modo significativo com a ausência de concentração. Manter o foco é essencial na árdua tarefa a desenvolver conteúdo virtual. Publicadores especializados em ajudar blogueiros são específicos ao apontar a necessidade de um plano de negócios traçado pelo editor. “Não há um único plano a ser seguido, imutável. Mas cada etapa precisa ser revista, novas metas precisam ser traçadas e o que foi feito tem que ser avaliado.” (Lemos, 2009) 7 Palestra de Thiago Mobilon, fundador do Tecnoblog, realizada na Campus Party 2011. Link para o vídeo disponível em < http://www.ustream.tv/recorded/12152271>
  • 33. 32 2.2 OS DESAFIOS PARA POPULARIZAR O BLOG Nota-se que o blogueiro utiliza-se de fórmulas diferenciadas e adaptadas por cada editor para alavancar a audiência de sua página pessoal, na tentativa iminente de popularizar seu blog, e assim, torna-se um influenciador capaz de impulsionar a marca da sua página virtual para variadas plataformas na busca por atingir um grupo maior de internautas. A blogosfera tecnológica, no entanto, diferencia-se dos demais nichos, basicamente, pelo elevado número de páginas, seguindo a declaração do blogueiro Wallace Gonçalves Pereira, 28 anos, em entrevista: “Hoje vejo a blogosfera de tecnologia diversificada e muito competitiva. Por mais que digam que não existe, há competição sim, afinal o leitor não vai querer visitar diversos blogs e ver as mesmas notícias em todos. Não há apenas blogs para tecnologia em geral, mas há um bom número voltado para assuntos específicos, como telefones e câmeras”. O blogueiro subentende que a página e o conteúdo que ele apresenta devem dispor da sua opinião. Como abordado anteriormente, o expressivo volume de informações disponíveis, atualmente, pela rede mundial de computadores, faz com que o internauta desenvolva poderosos filtros. O especialista, quando capaz de transmitir seus conhecimentos de modo compreensível e aprofundado ao público em geral, tende a despontar dos blogs que costumam pautar exatamente o que os grandes portais noticiam. Seja uma simples seleção de imagens ou links, o weblog trata-se de um sítio que apresenta formas de publicação diferenciadas no ciberespaço é de responsabilidade do blogueiro, impor sua personalidade e modo de escrita diferenciada para ao benefício do seu visitante. Efimova e Hendrick apontam que os weblogs estão se tornando de forma cada vez maior, a digitalização da personalidade marcante de seus autores. “A maioria dos weblogs não são formais, sem face, sites corporativos ou fontes de notícias: eles são autorais por indivíduos (conhecidos como blogueiros), e percebidos como ‘vozes pessoais não editadas” 8 . 8 Tradução das autoras: “Weblogs are increasingly becoming the online identities of their authors. Most weblogs are not formal, faceless, corporate sites or news sources: they are authored by individuals (known as webloggers or bloggers), and perceived as ‘unedited personal voices’” (Efimova e Hendrick, 2005:2). Disponível em: https://doc.telin.nl/dscgi/ds.py/Get/File46041. Acesso no dia 20/03/2012.
  • 34. 33 A jornada pelo reconhecimento, respeito e influência costuma ser duradoura. É de obrigatoriedade do blogueiro, ainda, executar o bom uso das ferramentas de publicação dos seus textos na rede, bem como, aperfeiçoar as ferramentas utilizadas para divulgação e métricas. Produzir conteúdo relevante, e por fim, mover sua audiência de modo a interagir com seu público, ao ponto de constituir sua comunidade, conforme destaca o pesquisador Primo, Alex (2008, p. 123). Deve ficar claro que blogs são muito mais que uma simples interface facilitada para a publicação individual, como são frequentemente definidos. Faço tal alerta não apenas para criticar uma definição que se resume à descrição do meio, mas também para lembrar que os blogs são espaços coletivos de interação. Ou seja, blogs/espaço podem converte-se em um ponto de encontro. Tem razão De Kerckhove quando afirma: “Não creio que seja uma exibição do eu, mas antes da relação com os outros”. Como a maior parte dos posts apresenta um link para o serviço de comentários, tal apontador funciona como um convite para a conversação. A observação empírica das conversações em blogs não é trivial, por utilizarem apenas a escrita, ocorrerem de forma assíncrona e por vezes “escorrerem” para outros blogs e interfaces de comunicação. A concorrência, além do número já reconhecido de blogs populares entre os internautas que pesquisam sobre os assuntos abordados nesse nicho, criam a necessidade de elementos que possam diferenciar o blog dos demais é um desafio onde à experiência por parte de quem administra a página, tende a ser um fator crucial na busca pela relevância no ambiente online. Hoje, a forte aceleração econômica dos países emergentes pode parecer pequena, se comparada aos avanços do mundo digital ocorridos nos últimos cinco anos onde “sites e aplicações podem atingir a popularidade e reconhecimento dos internautas em questão de dias ou horas e decretarem a falência na mesma velocidade na qual essas empresas surgem” (Lariu, Alessandra Revista Info Exame, Ed 315, p.30) O autor do blog que busca popularizar sua página em meio à agilidade da informação no ciberespaço deve dominar técnicas únicas para distinguir suas páginas das demais. Um artifício que pode ser utilizado pelo blogueiro na busca do diferencial é utilizar em sua página o conceito multiplataforma, uma vez que o internauta tem a sua
  • 35. 34 disposição vídeos, textos, áudio e muitos artifícios gráficos, disponíveis na grande rede. Percebe-se que essa gama de conteúdo foi capaz de desenvolver novos hábitos no consumo da informação. Se antes, um livro era escrito e lançado, hoje, percebe-se a necessidade de apoio comunicacional nas mídias sociais com intuito de despertar a atenção do futuro leitor, bem como, situar o mesmo do lançamento do livro para que o leitor obtenha o interesse e venha adquirir à publicação. Muito empregado em portais de notícias como o G1 (pertencente às organizações Globo e que engloba todas as emissoras e veículos de comunicação do grupo, além de sites e blogs devidamente selecionados) e Folha.com (Portal da Folha de São Paulo, atrelado ao UOL, disponibiliza a íntegra da publicação imprensa, além de vídeos. Fotos e mídias complementares aos assuntos abordoados.), os infográficos, vídeos e podcasts são capazes de complementar a informação, atrair atenção do leitor e mantê-los por mais tempo na página. O blogueiro Gabriel Subtil, responsável pela página Tambotech, analisa essa questão de modo estratégico e que difere a cada nicho. “É como uma guerra, precisamos de várias ferramentas para conseguir comunicar com o público. Usar outras mídias faz você consegui falar com seu público de diversas maneiras e ao mesmo tempo dá ao blogueiro uma ferramenta para diversificar o conteúdo que muitas vezes não é completamente aproveitado em texto”.
  • 36. 35 2.2.2 O BLOGUEIRO E O CAMINHO PARA OBTER RELEVÂNCIA Recuero aborda mais uma vez a insatisfação do leitor do impresso com o tradicional jornalismo empregado nos meios de comunicação como uma das principais justificativas da relevância jornalística alcançada por alguns blogs. Observa-se a blogosfera como um “observatório da imprensa”, capaz de apontar erros com a colaboração de uma comunidade ativa. Os blogs de guerra são exemplos práticos da insatisfação coletiva com os meios de comunicação, segundo Recuero, a influência desses blogs se tornou evidente no início da ofensiva norte-americana no Iraque em março de 2003. Os editores dos blogs, ainda vistos como simples diários virtuais, abordavam a sua visão do conflito no decorrer da guerra. Os blogs começaram a ganhar espaço em outros meios digitais, até atingir a mídia tradicional. Na visão de Feltrin, isso é reflexo da personalidade e do relato do blogueiro, que traz à tona os fatos para contextualizar a notícia de modo aprofundado. Pode-se dizer que os blogs estão trazendo isso também porque eles próprios são frutos diretos de uma resposta à reivindicação da sociedade atual por uma informação mais complexa. O advento do uso dos weblogs como fonte de informação de relevância jornalística, em 2001 veio para responder a uma demanda da sociedade de ter ou trás visões dos acontecimentos, articulando os fatos como um todo e explicando o contexto em que eles estão inseridos. A relevância de alguns blogueiros frente aos veículos de massa fez com que alguns examinassem o trabalho executado pelas páginas como uma forma de “jornalismo amador” (Lasica -- 2002), que se destaca pela opinião do blogueiro, contra a tão advogada imparcialidade empregada nas redações de grandes veículos. Outro ponto alto para blogs diz respeito ao testemunho pessoal do blogueiro, capaz de posicionar o internauta com seu discurso direto e firme, característico a quem, vivenciou e esteve próximo ao fato relatado. A tecnologia empregada nos dispositivos móveis permitiu que o editor fosse às ruas acompanhar operações, coletivas de imprensa, o trânsito... Enfim, questões pontuais que traçam o cotidiano da população de modo geral.
  • 37. 36 Evidencia-se que a blogosfera tecnológica não estaria atrás dos demais editores, assim, a cobertura de grandes eventos e feiras do setor passam a pautar os blogs de tecnologia, demonstrando conteúdo até então, tratado de forma leviana ou ineficaz pela grande mídia. O blogger nesse tipo de cobertura costuma utilizar vídeos e fotos, a descrição da programação do evento, muita das vezes, fica em segundo plano. O objetivo nestes casos é integrar o internauta que não compareceu a localidade. Transformar o blog em uma mídia independente e bem estruturada oferece confiabilidade ao internauta, que por sua vez, tende a retornar para a página e indicá-la aos seus contatos. Um movimento natural, importante para propagação de qualquer tipo de conteúdo na web. Por isso, implantar identidade e o blog atual são passos primordiais para obter a relevância do blog, e assim, acompanhar a indicação do seu conteúdo para um número superior de pessoas na rede. Mas o processo para alcançar o “respeito” dentro do ambiente virtual pode ser árduo e complicado. Assim o blogueiro se vê obrigado a por em prática uma série de manobras evolutivas para, de fato, elevar a sua página no ambiente virtual. Entre as técnicas, destacadas por Faustino, Paulo podemos destacar: 1. Parceria: Uma remota prática da blogosfera para atrair tráfego, e empregada por muitos. Este exemplo em grande parte das vezes era constituído de um acordo bilateral entre os publicadores. Cada blog envolvido na parceria apresenta um link ou uma pequena imagem com a logomarca (banner) do blog parceiro, esse sistema vingou nos primórdios da blogosfera e vive um novo momento em tempos que a profissionalização e rentabilidade atingiram uma expressiva parcela dos blogs de nichos. Este diálogo entre blogs considerados parceiros ganha novos contextos e significados, se anteriormente, o link representava um voto de confiança, uma admiração praticada por ambas as partes, agora, pode ser negociado em páginas com acentuado número de visitantes. Uma das práticas de monetização atuais é a venda hiperlinks na barra lateral do blog, assim como, banners e até mesmo a indicação de links externos no interior de posts. Já em 1978, Enzesberger defendia a influência recíproca entre os emissores de conteúdo e do emissor ao receptor (PRIMO, 2003 p.2/17). Este princípio pode ser aproveitado por blogueiros que buscam investir para tornar o site fundamentalmente conhecido pelo público. O hiperlink é elemento forte capaz de agregar muito valor ao blog que o recebe, uma vez o que a página que estabelece o link está o indicando para os demais internautas,
  • 38. 37 um comportamento caracteristicamente humano, mas que é decifrado de modo semelhante pelos robots e scripts empregados nos principais buscadores da rede. 2. PageRank: O sistema do Google classifica cada página virtual com uma pontuação chamada PageRank, que determina por meios técnicos, a importância da página que aborda aquele assunto. Cada link recebido pelo site equivale a um ponto de confiança que é interpretado pelos robots da companhia, logo, a ferramenta leva em consideração dois fatores para classificar o site: O número de links que ele recebe e a quantidade de páginas que linkam o mesmo, assim, o Google consegue definir qual página será privilegiada nos seus resultados, para potencializar a probabilidade de encabeçar a primeira página em uma pesquisa, é que existe toda uma série de estudos sobre o SEO. 3. SEO (Search Enginer Optmization): uma das primeiras exigências abordadas por livros e blogs que se dispõem a auxiliar os autores. O SEO trata-se, basicamente, da busca por posições melhores em mecanismos de pesquisa ao utilizar palavras chaves e links que possam aumentar a relevância da página no algoritmo do Google (Faustino, 2010 p26). 4. Web Analytics: São ferramentas para análise de dados referentes a blogs e sites. Estas ferramentas apresentam de forma simples, tendências e análises sobre os visitantes da página, sendo capazes até, de apontar a região do globo que mais visita o blog, o navegador utilizado pela audiência e até o tempo médio por visita. Dados fundamentais para traçar metas, estratégias e direcionar o conteúdo da página (Faustino, 2010 p.6). 5. Conteúdo relevante: A internet exige, ainda, o refinamento do conteúdo utilizado pelo blogueiro da atualidade. O blogueiro que busca a especialização tende a ajustar seu conteúdo com as redes sociais, além de empregar a linguagem especifica ao seu público e conhecer o que agrada o mesmo. O bom conteúdo é replicado entre as redes sociais e blogs, o que pode submeter o mesmo ao “efeito viral”, ou seja, um conteúdo que é espalhado de forma descontrolada pela rede até atingir um surpreendente número de visualizações capaz de torna-se, até mesmo, um referência no ambiente virtual (Faustino, 2010 p.59).
  • 39. 38 3. QUANDO O BLOG ULTRAPASSAA BARREIRA DA BLOGOSFERA 3.1 A ASCENSÃO DA BLOGOSFERA NACIONAL Já no primeiro capítulo desse estudo, apontamos a ascensão dos blogs de guerra, capazes de pautar, até mesmo, à velha mídia como uma grande rede de páginas dispostas ao livre debate sobre a situação enfrentada pelos Estados Unidos, tanto interna, como externa. É de se esperar que o fenômeno fosse capaz de alcançar outras ramificações da blogosfera, acarretando, na popularização de muitos blogs de uma maneira geral. A blogosfera começou a despontar no cenário internacional e sua profissionalização seria nada mais que um processo que exigiria tempo. O Brasil viu a explosão do número de blogs já no início de 2002, quando o IG (afiliado da Brasil Telecom) desenvolveu um publicador próprio voltado, somente, ao cadastro dos seus clientes. O Blig foi só uma das ferramentas nacionais para divulgação de posts na rede, lá, o internauta contava com 50 layouts diferentes e um simples editor de HTML A iniciativa do discador abriu espaço para a versão nacional do Blogger, lançada por meio de uma parceria realizada com a Globo.com, e mais tarde, no UOL Blogs, plataforma mais popular entre os editores do país, que contou com uma grande campanha de marketing ao envolver o apresentador Marcelo Tas, primeiro blogueiro famoso a utilizar a ferramenta do UOL (FELITTI, 2010, p.7). Já em 2003, a blogosfera brasileira vivencia seus primeiros casos de profissionalização de weblogs, quando o “Mundo Perfeito” de Daniela Abade e “Eu Hein”, de Nelito Fernandes assinaram parceria com o Portal Terra. No acordo, a empresa espanhola bancava a hospedagem desses blogs, além de dividir as receitas obtidas para publicidade em banners. Assim, Nelito foi considerado pela jornalista Cora Ronai, o primeiro blogueiro do país a obter dinheiro com sua página e transformá-lo em renda extra. Finalmente alguém encontrou o caminho das pedras! O jornalista Nelito Fernandes, meu colega da “Época”, é o primeiro blogueiro brasileiro a receber pelo fruto do seu trabalho, realizando, assim, o sonho de onze entre dez confrades. Na semana que vem, embolsa um cheque de R$ 1.570,17 pela publicidade veiculada no seu Eu, Hein?. Isso ainda não faz dele um milionário.com, mas já representa um notável progresso em
  • 40. 39 relação a outros blogueiros que, como a vossa escriba, ainda pagam para blogar. (Cora Ronai, O Globo – 28/04/2003) Internautas brasileiros ainda acompanharam a explosão no número de blogueiras que abordam técnicas de maquiagem, seja por meio de posts repletos de imagens autoexplicativas ou videotutoriais. A blogosfera que aborda a beleza feminina tem a audiência muito fiel a blogueira e suas dicas, sem contar que o número de acessos pode surpreender a quem não era capaz de ver muita oferta neste setor. Talvez o primeiro blog nacional a ganhar proporções acima de qualquer pretensão tenha sido o Kibe Loco. A página voltada ao humor foi convidada a integrar a Globo.com, em simples questão de tempo, seus posts ilustravam páginas no caderno de entretenimento do Jornal Extra e seu editor, Antônio Tabet, se tornou redator do Caldeirão do Hulk, atração da TV Globo apresentada por Luciano Hulk. Logo, o número de editores que passam a integrar portais de comunicação aumenta consideravelmente (FELITTI, 2010, p.12). Esta junção caracteriza o crescente profissionalismo da blogosfera nacional. Só o portal IG adicionou Jovem Nerd, Brainstorm 9, Tiago dória e InterNey Blogs à rede. A Globo.com escalou, também, o Blog Instante Posterior e Jacaré Banguela, já o UOL foi precursor em adicionar páginas de alta relevância, mas que de fato, fossem capazes de acrescentar o conteúdo noticioso da página ao destacar o MacMagazine, voltado a noticiar sobre os aparelhos da Apple. 3.1.2 A PROFISSIONALIZAÇÃO DA BLOGOSFERA TECNOLÓGICA NO BRASIL E NO MUNDO Ao abordar o nicho tecnológico na atualidade, consegue-se abordar dois grandes blogs internacionais, de grande relevância, e pertencentes a grandes conglomerados de mídia, mas que enfrentaram o mesmo caminho, característico a muitos editores. O Gizmodo, Mashable, Engadget e Techcrunch são grandes responsáveis por pautar a mídia tradicional quando o assunto envolve o desenvolvimento de aparelhos, mídias sociais e outros aspectos tecnológicos.
  • 41. 40 O Mashable, fundado em 2005 pelo escocês Pete Cashmore, tem como foco principal as mídias sociais em suas páginas. Ao longo do tempo, obteve relevância e visitas suficientes para ser classificado como um dos 25 melhores blogs de 2009, capaz de alcançar 20 milhões de visitantes únicos a cada mês. O “Guia da Mídia Social” 9 preocupou-se em ser muito mais do que um website repleto de conteúdo, constatação perceptível ao observar iniciativas como a Mashable Connect, conferência que reúne profissionais ligados ao marketing, empresários e estudiosos. Em março de 2012, a CNN (Cable News Network) demonstrou interesse estratégico na compra do blog10 . A rede desembolsaria cerca de 200 milhões de dólares para adquirir o blog, e assim, tentar conquistar o público mais jovem e atualizado com as últimas ferramentas sociais. 3.2 CASES: BLOGS DE TECNOLOGIA DO BRASIL Os exemplos nacionais mais próximos do sucesso obtido pelo Mashable são o Gizmodo, Meio Bit e Tecnoblog, páginas pessoais que agora são profissionais e contam com a participação de colaboradores e funcionários. A relevância desses blogs é capaz de impressionar qualquer editor de publicação imprensa e percentual de visitantes capaz de superar seções de grandes portais do mundo virtual. Essas páginas são frequentemente acionadas para encabeçar campanhas de marketing digital, coletivas de imprensa e eventos voltados à área. Logo, questionar o porquê de tamanho sucesso dessas páginas é altamente aceitável, uma vez que os blogs, aqui citados, podem servir de inspiração para o trabalho de blogueiros iniciantes, além de pautar a velha mídia. 3.2.1 GIZMODO 9 Tradução de “The Social Media Guide”. Slogan utilizado pelo blog. 10 CNN negocia compra do Mashable Disponível em <http://www2.valoronline.com.br/empresas/2566354/cnn-negocia-compra-do-mashable-diz-guardian>
  • 42. 41 O Gizmodo é um blog de tecnologia presente em diversos países: Alemanha, Itália, Espanha, França e Reinou Unido são algumas nações que tem suas próprias versões do blog. Só nos Estados Unidos, o Gizmodo conta com mais de 60 milhões de pageviews/ mês. A chegada do Gizmodo ao Brasil aconteceu em setembro de 200811 , manobra que marcou a primeira operação do site na América Latina. Como em muitos blogs tecnológicos, o Gizmodo destaca o mundo dos gadgets, softwares cuja tecnologia de ponta desperta o desejo dos consumidores. São produtos também nomeados como Gizmos, expressão que inspirou o nome do projeto que se alto define “uma igreja aonde os tech lovers e geeks vão para realizar um culto”. Uma característica presente no blog, e comum aos demais, é a constante preocupação em simplificar a linguagem que envolve uma série de termos próprios a um padrão em que todos sejam capazes de compreender. Entretanto, percebe-se que muitas postagens consistem na tradução de artigos escritos em versões estrangeiras do site. O projeto do Gizmodo tem o apoio integral da Gawker Media, atual detentora do blog, já especialista em desenvolver conteúdo de qualidade para diferentes públicos, a Gawker tem sede em Nova York onde administra oito blogs aclamados como o Kotaku e o Lifehacker. A administração de um grupo de mídia pode levar a pensar que o blog tenha se desligado da essência opinativa das páginas pessoais, porém, o conteúdo faz questão de manter artigos opinativos, com muita propriedade e pitadas de humor. No período compreendido entre os dias 20 de maio a 31 de maio de 2012, a média de postagens diárias foi de 18 artigos escritos pela equipe do blog que conta com quatro editores – colaboradores. 11 Blog Gizmodo sai do ar em sua estreia no Brasil, FOLHA DE SÃO PAULO, 01/09/2008 Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u440075.shtml>
  • 43. 42 3.2.2 MEIO BIT O Meio Bit foi fundado em maio de 2004, pelo blogueiro Leonardo Faoro e Luiz Eduardo Nercollini. O blog passou pelo os mesmos caminhos obrigatórios a páginas que não contam com mídia e investimentos iniciais. O tráfego foi crescendo aos poucos, e logo, seus fundadores preocuparam-se em aperfeiçoar a experiência do usuário com um novo layout, logo, a necessidade de contar com mais membros na equipe. Anos de trabalho fizeram com que o Meio Bit tornar-se um dos blogs mais relevantes da blogosfera brasileira. O site conta, hoje em dia, com cinco colaboradores, entre eles, Nick Ellis e Carlos Cardoso, já reconhecidos como grandes nomes da blogosfera nacional. Mesmo com o número considerável de editores, o Meio Bit teve média de três atualizações diárias no período estudado (20/05 a 31/05/2012). Os posts abordam games, mercado mobile, apps, softwares e aparelhos de modo absurdamente claro e simples. O blog mantém uma linha de redação capaz de atingir até os mais leigos. 3.2.3 TECNOBLOG O Tecnoblog foi projetado por Thiago Mobilon, nascido em 10 de julho de 1986, criou o site em 2005, com objetivo inicial de “agregar todas as experiências tecnológicas vividas por seu dono”. O blog foi adquirindo público e relevância com muito trabalho, e atualmente, faz parte da Globo.com. Mesmo assim, Thiago garante manter credibilidade e liberdade para abordar, até mesmo, assuntos que envolvam o grupo de comunicação que seu site integra. As visitas cresceram de modo tão impressionante capaz de demandar a profissionalização do site em vários aspectos O blog passa a empregar linguagem de simples compreensão, mesmo ao tratar os termos mais técnicos que envolvem o mundo da tecnologia, mas percebe-se uma preocupação com relação a redação aprimorada de acordo com certos preceitos jornalísticos.
  • 44. 43 Para se aproximar do mercado publicitário e estar mais próximo das feiras, convenções e coletivas, Mobilon mudou-se de Americana para São Paulo, onde passou a dividir a casa com editores do seu blog. Em palestra durante a Campus Party 2011, Mobilon afiram que a “Techno house” foi um passo importante para a evolução do projeto. Agora seus colaboradores, antes, espalhados por diversas partes do país, iniciaram o processo para obter um ambiente profissional capaz de aprimorar o conteúdo e aspectos essenciais para divulgação e crescimento da página. O Tecnoblog passou por um período turbulento de mudanças e deixou de ser um simples sítio eletrônico com conteúdo digital, para assumir o posto de uma empresa registrada e com funcionários contratados, conforme instituído pela legislação vigente deliberada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, incluindo assim, deveres e benefícios trabalhistas passíveis a qualquer tipo de empresa. O site que virou uma empresa de mídia com sede em um centro comercial no bairro da Vila Mariana, capital do estado de São Paulo, conta com uma equipe de sete pessoas, incluindo editores, redatores, desenvolvedor e colunistas. O site conta com média diária de 10 posts e visitação de 1,1 milhão de visitantes únicos a cada mês12 . . 3.3 O PANORAMA DA BLOGOSFERA TECNOLÓGICA DO BRASIL Percebe-se que os maiores blogs citados apresentam características muito idênticas, uma vez que mantém estrutura de texto simples, para a compreensão dos mais apaixonados, técnicos e até mesmo, leigos do assunto. A estrutura do layout é muito parecida, principalmente, ao observar as cores utilizadas. Nos três casos, o branco e azul predominam sobre outras tonalidades. A posição dos banners ao longo da página pode até, dar a entender, que se trata de um comum acordo entre os editores. Sempre acima das postagens e com espaços demarcados na lateral, evitando qualquer espécie de confronto visual com o texto do blog. Logo, pode-se supor que os blogs seguem um padrão com relação ao layout, técnicas de 12 Dados obtidos em <http://tecnoblog.net/things/apresentacao-tecnoblog.pdf>
  • 45. 44 divulgação de até mesmo, formatação de texto, muito em parte, da série de artigos e metablogs que projetam assistência ao blogueiro iniciante, apresentando uma série de dicas quase unânimes sobre uma série de indagações e conteúdo voltado a blogosfera. O que de fato caracteriza essas páginas é a individualidade empregada nas postagens, o blogueiro ainda é muito fiel as suas convicções. A opinião é um atributo demasiadamente usado, não só para impor a personalidade ao seu endereço eletrônico, como também, para aprofundar em diversas questões e atender seu público da maneira que julgar pertinente. Impor autoconfiança, organização e demonstrar que está muito bem organizado são chamarizes capazes de conquistar o público fiel, cada vez mais complicado. A blogosfera é um veículo de mídia, mesmo que em grandes partes, não associada a extensos grupos de comunicação, sofre com as mesmas previsões submetidas a veículos como o rádio, televisão e jornal. Nem mesmo com os mais modernos avanços tecnológicos foram capazes de trazer esses veículos ao limbo da extinção, no entanto, é muito admirável a cautela ao abordar a internet e suas frequentes transformações. As redes sociais já chegaram a ser vistas como um potencial vilão, fato que agora está em desacordo com o momento da internet, uma vez, que muitos blogs utilizam esses canais para complementar suas informações, fazer a cobertura de eventos e produzir conteúdo exclusivo com a ajuda do seu público. Adequar os blogs as plataformas móveis e ao conceito multimedia é essencial, tona-se uma atitude essencial ao passar do tempo. O Tecnoblog lançou no inicio de 2012 uma versão voltada aos celulares e um podcast. Já é perceptível o resultado destas atitudes, atualmente, o podcast do blog conta com mais de 4,500 downloads por semana, já o número de internautas que acessam o blog pelo smartphone é 40% dos leitores fieis da página. Percebe-se que a blogosfera, tanto tecnológica, tanto de modo geral, caminha para desbravar novas plataformas e maneiras de diversificar seu conteúdo.
  • 46. 45 CONCLUSÃO O estudo aqui apresentado traçou uma linha evolutiva da comunicação humana para situar os fatores que constituíram o surgimento da blogosfera como um veículo de comunicação, independente e capaz de movimentar uma intensa comunidade para uma série de debates, nunca antes, vivenciado pela matriz do poder. O feito alcançado pela influência da blogosfera de guerra foi a precursora para levantar os debates sobre a relação do blogueiro com o webjornalismo. Logo, percebemos que o blogueiro foi além do que se esperava do jornalismo online em uma época que a internet evoluía a passos largos. O editor foi pioneiro em alimentar a página com informações de interesse segmentado, impor sua opinião e uma série de atributos que tornaram os artigos mais aprofundados nos temas abordados. Mesmo sendo responsável por um novo movimento do webjornalismo, o blogueiro sofreu muitas dificuldades em ser aceito como tal. Seja pelo público, como veículos concorrentes e pelo receoso mercado publicitário. A relevância surgiu aos poucos e ganhou maior repercussão com cases de sucesso de marcas e veículos de mídia que enxergaram além do seu tempo e incluíram os blogs em suas estratégias de mídia. Percebe-se, também, como o desenvolvimento da tecnologia foi fundamental para a ampliação da blogosfera e de debates virtuais que viriam a surgir com a sua ascensão. Smartphones, câmeras digitais – e tantos aparelhos – que ajudaram a propagar mensagens com maior agilidade guiaram um novo momento para a geração de conteúdo online. Em paralelo, o número de pessoas com acesso as novas tecnologias criou uma escala crescente de internautas que buscam conhecer melhor as funções de seus aparelhos, e assim, buscar informações para aperfeiçoar seu uso. O conhecedor destes avanços tecnológicos passou a ter o poder da informação, e assim, influenciar os demais. A geração Y recriou o modo de se relacionar com os demais e compartilhar a informação. Os blogs e as redes sociais passam a ser ainda mais populares e capazes de moldar o vocabulário e desejos de jovens sedentos pelas novidades do mercado tecnológico.
  • 47. 46 Outro ponto constatado foi a dificuldade diária enfrentada pelo editor do conteúdo para popularizar o mesmo. A opinião e identidade bem implantadas não são mais suficientes para atingir o auge na rede, agora, o blogueiro é obrigado a se reinventar diariamente na contínua busca pelo seu reconhecimento – ainda mais em um nicho tão competitivo na blogosfera – a tecnologia gera cada vez mais acesso, no mesmo ritmo em que aumenta o número de blogs dedicados a este nicho. Ao observar a evolução da blogosfera tecnológica internacional e nacional, alcançamos a conclusão que mais uma vez, o Brasil seguiu tendências internacionais, ao ver que o modelo de negócio era sim, capaz de gerar lucratividade e tonar-se autossustentável. Espero que o trabalho aqui exposto enquadra-se como base para estudos ainda mais aprofundados sobre as questões aqui levantadas, os dados apresentados servem como estímulo, também, a criação de novos trabalhos que tenham outros tipos de blogosfera como objeto de estudo. O estudo deve servir como reflexão para os rumos da blogosfera nacional e a necessidade crescente da profissionalização destas páginas.
  • 48. 47 REFERÊNCIAS AMARAL, Adriana; RECUERO, Raquel; Sandra Mortado. Blogs.com: Estudo sobre blogs e comunicação. Ed. Única, São Paulo, Momento Editorial, 2009. BARBOSA, S. Jornalismo Digital de Terceira Geração. ed. única. Covihá, 2007. Esqueça o Previsto e Abrace o Inesperado. REVISTA INFO EXAME, SÃO PAULO, abr. 2012, Ed. 315 p. 30. HEWITT, HUGH. Tradução Alexandre Martins Morais BLOG: Entenda A Revolução Que Vai Mudar Seu Mundo. Edição única, Rio de Janeiro, Thomas Nelson Brasil, 2007. KARNEY, LEANDER. A Cabeça de Steve Jobs. 2° reimpressão, Rio de Janeiro, Agir Editora Ltda. KUMAR, R.; NOVAK, J.; RAGHAVEN, P.; TOMKINS, A. “On the bursty evolution of blogspace”. In: Proceedings of the twelfth international conference on World Wide Web. Budapest, Hungary, p. 568576, 2003. LAMBERT, L. The Internet: A Historical Encyclopedia. Biographies, Volume 1, Santa Barbara ABC-CLIO, 2005. MATTELART, A. Tradução Luiz Paulo Rouanet História Das Teorias Da Comunicação. Ed. 8, Edições Loyola, São Paulo, 2005. MELVIN L, BALL – ROCKEACH S. Tradução. Octavio Alves Velho. Teorias da Comunicação de Massa. Ed.5, Rio de Janeiro, Zahar, 1993. O Império Contra-Ataca. REVISTA INFO EXAME, SÃO PAULO, maio de 2011, Editora Abril, edição 303 p. 42. Paulo Vaz. Uma história da Social Mídia: De Gutenberg à Internet. Tradução 2002 Editora Zahar. BRUNS, AXEL Gatewatching: collaborative online news production. Edição I, New York, Peter Long Publishing, INC 2005,2009.
  • 49. 48 Allysson Martins, Cláudio Paiva. As Ferramentas da Blogosfera e as Características do Webjornalismo. Um Estudo da Experiência Comunicativa de Diogo Mainardi e Marcelo Tas. Universidade Federal da Paraíba. Disponível em < http://www.slideshare.net/allyssonviana/as-ferramentas-da-blogosfera-e-as-caractersticas- do-webjornalismo-um-estudo-da-experincia-comunicativa-de-diogo-mainardi-e-marcelo- tas>. Alves, Maristela. Título: Blog como plataforma de lançamentos de produtos. Disponível em: <http://imasters.com.br/artigo/7905/midiasocial/blogs_como_plataforma_de_lancamento_ de_produtos> Acesso em 12 set. 2011. FAUSTINO, Paulo. Desconhecido a Problogger. ed única .Lisboa: 2010. < http://www.escoladinheiro.com/como-criar-um-blog/ > Fernando Moreno da Silva em “O Leitor de Blogs: Um estudo com base nos blogs mais acessados do Brasil, 2009, Universidade estadual Paulista – UNESP. Programa de Pós Gradução em Linguística e Língua Portuguesa. Disponível em: <http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/bar/33004030009P4/2009/silva_fm_dr _arafcl.pdf> Acesso em 20 mar. 2012. FELITTI Guilherme, Marcos e diferenças: comparando o desenvolvimento da blogosfera nos Estados Unidos e no Brasil. Pontifícia Universidade Católica, São Paulo. Disponível em <http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2010/resumos/R19-1186-1.pdf> Acesso em 31 maio. 2012. Foschini, Ana e Taddei, Roberto. Título: Conquiste a Rede: Flog e Vlog. Disponível em <http://www.anacarmen.com/download/conquiste-a- rede/Conquiste_a_Rede_Flog&Vlog.pdf > GOMES, Marcos. Título: Características da audiência dos Blogs no Brasil no primeiro trimestre de 2011, Disponível em <http://blog.boo-box.com/br/2011/caracteristicas-da- audiencia-dos-blogs-no-brasil-no-primeiro-trimestre-de-2011/>. Acesso em 04 set. 2011. LEMOS, Marcos Título: Trate seu blog como um negócio. Disponível em: <http://www.ferramentasblog.com/2009/11/trate-o-seu-blog-como-um-negocio.html> Acesso em 20 out. 2011. NOVAES, Caio. Título: A História da Blogosfera. Disponível em: <http://www.brogui.com/a-historia-dos-blogs> Acesso em 28 out. 2011.
  • 50. 49 SEVERO, Rafael Henrique. Título: O Desafio de Manter um Blog de Nicho, Disponível em <http://www.bloguinhodasdicas.com/2011/03/o-desafio-de-se-manter-um-blog-de- nicho.html>. Acesso em 20 abr. 2011. INTERNET PRIMO, Alex. Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2008, Natal. Disponível em: <http://intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1199-1.pdf>. Acesso em: 04 abr. 2012. ___________. Os blogs não são diários pessoais online: Matriz para a tipificação da blogosfera - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, - UFRGS, 2008 p 213. Disponível em <http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/revista_famecos.pdf> Acesso em 25 maio. 2012. ___________. Quão interativo é o hipertexto? : Da interface potencial à escrita coletiva. Fronteiras: Estudos Midiáticos, São Leopoldo, v. 5, n. 2, p. 125-142, 2003 Disponível em < http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/quao_interativo_hipertexto.pdf> Acesso em 12 mar. 2012. ___________. F. T.; SMANIOTTO, Ana Maria Reczek . Blogs como espaços de conversação: interações conversacionais na comunidade de blogs insanus. e Compos, v. 1, n. 5, p. 1-21, 2006. Disponível em < http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/conversacao.pdf> Acesso em 14 mar. 2012. ___________ Título: O Fortalecimento das Redes de Nicho. Disponível em: <http://www.novagradiente.com.br/blog/o-fortalecimento-das-redes-de-nicho> Acesso em 24 abr. 2012. Título: CNN negocia compra do Mashable, diz site. Disponível em: <http://www2.valoronline.com.br/empresas/2566354/cnn-negocia-compra-do-mashable- diz-guardian> Acesso em 29 maio. 2012.
  • 51. 50 Título: “Estadão recua e diz a blogueiros: ‘Amamos vocês’” Disponível em: <http://www.jornalirismo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=189> Acesso em 10 abr. 2012. Título: Efeito Google' reduz a memória, diz estudo. Agência EFE. 14/07/2011 Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/saude/efeito-google-reduz-a-memoria> Acesso em 02 maio. 2012. Título: História da Internet: O início, Revista Exame online, Disponível em: <http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/internet/2009/10/29/historia-da-internet-o- inicio> Acesso em 12 maio. 2012 Título: População consome 34 Gb de informação diária. Disponível em: <http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/americanos-consomem-34-gigabytes- de-informacao-por-dia-20091210.html> Acesso em 02 maio. 2012. Título: iPhone: Invention of the year, Time Magazine, 2007, Disponível em: <http://www.time.com/time/specials/2007/article/0,28804,1677329_1678542_1677891,00. html> Acesso em 29 abr. 2012. Título: Redes de TV dos EUA tentam definir como mostrar execução de Sadam Disponível em <http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1403685-5602,00.html> Acesso em 14 maio. 2012. Título: Total de Internautas Cresce 13,9% no Brasil. Disponível em <http://tecnologia.ig.com.br/noticia/2011/05/04/total+de+internautas+cresce+139+no+bras il+em+um+ano+10413441.html >. Acesso em 18 set. 2011.
  • 52. 51 GLOSSÁRIO Algoritmo: Trata-se de uma sequência finita de instruções digitais bem definidas que podem ser executadas mecanicamente num período de tempo determinado. Banner: Formato publicitário simples, de utilização popular em blogs com. Configura-se, geralmente, em imagens estáticas ou sequenciais. Blogosfera: Termo que compreende a comunidade de weblogs Bullying: termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais praticados por um individuo ou grupo de pessoas. Buzz: traduzindo ao pé da letra, buzz significa burburinho. Trata-se de uma mensagem que se propaga imediatamente e atinge um alto nível de pessoas. Gadget: Equipamentos com funções e propósitos definidos. Gatekeeper: Conceito jornalístico que define o que será publicado pelo veículo. Gigabyte: Unidade de medida de informação que equivale a 1 000 000 000 bytes GPS: Global Positioning System ou Sistema de Posicionamento Global. Aparelhagem que emprega o uso de satélites para informar a posição exata em um determinado ponto do mundo. Home Page: Página inicial de algum site na internet. HTML: (HyperText Markup Language) Linguagem universal desenvolvida para a construção de páginas virtuais. HTTPS: (HyperText Transfer Protocol Secure) Camada de segurança aplicada na linguagem HTTP que se comunica com os servidores para obter a posição exata de um site ou arquivo online. Internet Banking: Serviços de internet prestados pelo ambiente online. O cliente pode consultar o extrato, pagar contas e desenvolver outras atividades.
  • 53. 52 MILNET: Military Network, criada em 1983 foi uma rede que cuidava das informações militares dos Estados Unidos da América (EUA). MP3: Formato de arquivo utilizado para reprodução de músicas no computador e dispositivos portáteis. PageRank: Uma série de algoritmos de análise de rede que dá uma classificação numéricos a uma coleção de hiperlinks para medir a sua importância nesse grupo por meio de um motor de busca. PC: Equipamento de pequeno porte e baixo custo, que se destina ao uso pessoal ou por um pequeno grupo de indivíduos. Pendrive: Dispositivo constituído por memória flash, com aspecto semelhante a um isqueiro e uma ligação USB, capaz de armazenar gigabytes de informação. Permalink: Hyperlink permanente entre páginas. Podcast: áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC, publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. Também pode se referir a série de episódios de algum programa quanto à forma em que este é distribuído. Robots: Linguagem virtual desenvolvida para melhor encontro dos links na rede. SEO: Search Engine Optimization Sidebar: Painel encontrado na lateral de blogs e websites, constituído, geralmente por links w widgets. Smartphone: Telefone com funcionalidades avançadas. Tablet: é um dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à Internet, organização pessoal, visualização de foto. Technorati: Motor de buscas especializado em blogs URL: ( Uniform Resource Locator), em português, é o endereço de um recurso disponível em uma rede,seja ela de qualquer porte. WEB: World Wide Web é uma série de páginas e documentos interligados e executados com a utilização de um navegador e conexão virtual.
  • 54. 53 ANEXO A Entrevista com o blogueiro Wallace Pereira, 28 anos, realizada por e-mail em 2/05/2012 Como você vê a blogosfera de tecnologia no Brasil? Acha muito competitiva? os blogs tem qualidade? O que falta? Hoje vejo a blogosfera de tecnologia diversificada. Não há apenas blogs para tecnologia em geral, mas há um bom número voltados para assuntos específicos, como telefones e câmeras. Por mais que digam que não existe, há competição sim, afinal o leitor não vai querer visitar diversos blogs e ver as mesmas notícias em todos. Quanto a qualidade, digo que tem sim. Os blogueiros experientes souberam valorizar esse espaço e nos tem brindado com blogs com informações confiáveis, para mim, imprescindível na internet. O que falta? Talvez blogs dos próprios fabricantes, de preferência com atualizações constantes. Como você procura dar identidade própria ao seu blog? Receita velha, procuro usar cores únicas para cada categoria. Na sua opinião como blogueiro, o que faz o internauta priorizar um blog na busca pela informação e não um portal ligado a um grande grupo de comunicação ou empresa de internet? Se for um internauta paraquedista, será a sua relevância nos sites de busca, mas para um leitor geek será a relevância do conteúdo. Como você define o que pode ser ou não relevante ao seu leitor? Como você acha que pode produzir conteúdo de qualidade e ao mesmo tempo, estar a frente nas pesquisas do Google? Sem citar números de acesso ou percentuais. No momento, quais são os 5 termos que mais direcionam internautas do Google para o seu site/blog? impressora, deskjet, canon, xerox, laser Quais são as redes sociais e técnicas que você utiliza para divulgar seu blog?
  • 55. 54 Facebook e Twitter. Participação em grupos de interesse em tecnologias de impressã Qual a maior dificuldade em escrever textos que devem agradar os mais experientes, exigentes e conhecedores do assunto ao mesmo tempo que deve informar e situar os mais inexperientes? Buscar utilizar termos nem tão nerds e nem tão noobs. Como um vlog ou podcast pode agregar conteúdo ao seu blog? Acredito que sim. No caso de um vlog, na demonstração da nova tecnologia ou fazendo-se o uso de infográficos seriam de grande valia, principalmente para os mais inexperientes.
  • 56. 55 ANEXO B Entrevista com o Blogueiro Gabriel Subtil, 27 anos, realizada em 2/05/2012. Como você vê a blogosfera de tecnologia no Brasil? Acha muito competitiva? os blogs tem qualidade? O que falta? A Blogosfera no Brasil parece que são grandes corporações pensam nas cifras, SIM tem bastante qualidade, mas falta PARCIALIDADE. Como você procura dar identidade própria ao seu blog? Sendo parcial, se você tem um blog e não coloca a sua opinião, o seu ponto de vista, você não tem um blog. Não tem como dar melhor identidade própria, sendo você mesmo. Na sua opinião como blogueiro, o que faz o internauta priorizar um blog na busca pela informação e não um portal ligado a um grande grupo de comunicação ou empresa de internet? Os Blogs no geral são de pessoas comuns, pessoas que realmente usam os produtos e que falam mal ( E COMO FALAM MAL ) quando precisa, os usuários procuram transparência, uma opinião sincera. A minha primeira coisa que vossa mãe faz ao ver uma propaganda é perguntar para a vizinha ou para a prima o que acham daquele produto ou serviço. Apenas Digitalizamos isso. Como você define o que pode ser ou não relevante ao seu leitor? Relevante é mostrar exatamente o que você pensa, o leitor procura alguém como ele para que possa entender ou compartilhar algo. Como você acha que pode produzir conteúdo de qualidade e ao mesmo tempo, estar a frente nas pesquisas do Google? As pessoas pensam que depende da estrutura técnica do Google para estar a frente em suas pesquisas, produzir um conteúdo que remete diretamente é EXATAMENTE o maior valor da equação para lhe deixar em destaque em pesquisas.
  • 57. 56 Sem citar números de acesso ou percentuais. No momento, quais são os 5 termos que mais direcionam internautas do Google para o seu site/blog? Android, Mobile, 3G, Smartphones, Dicas Quais são as redes sociais e técnicas que você utiliza para divulgar seu blog? Eu priorizo muito a qualidade do conteúdo, divulgo pouco, meço a qualidade justamente vendo quando um post ou vídeo está sendo reverberado. Qual a maior dificuldade em escrever textos que devem agradar os mais experientes, exigentes e conhecedores do assunto ao mesmo tempo em que deve informar e situar os mais inexperientes? Minha maior dificuldade é conseguir juntar tempo, paciência e me livrar da distração que a internet traz. Como um vlog ou podcast pode agregar conteúdo ao seu blog? Cada nicho é atingido de uma maneira, é como uma guerra, precisamos de várias ferramentas para conseguir comunicar com o público. Usar outras mídias faz você consegui falar com seu público de diversas maneiras e ao mesmo tempo dá ao Blogueiro uma ferramenta para diversificar o conteúdo que muitas vezes não é completamente aproveitado em texto.
  • 58. 57 ANEXO C Entrevista com o Blogueiro Thiago Mobilon, 26 anos, fundador e CEO do Tecnoblog, realizada em 20/05/2012, por e-mail. Em que ano surgiu a proposta do Tecnoblog? Como foi o início e que pretensões você tinha com o blog? A nova proposta surgiu em 2008 e foi ao ar em 2009, mas o site nasceu em 2005 e já era lucrativo há bastante tempo. Quando criei não tinha pretensão de transformá-lo no que é hoje. Na verdade, fiquei SUPER feliz quando recebi o primeiro pagamento de 32 reais. Na minha concepção aquilo seria só uma renda extra, então já dava para parcelar um celular em 10x. Na época eu tinha 20 anos. É comum na blogosfera práticas como parcerias e guestposts, você já utilizou essas técnicas para divulgação do blog lá no começo? Quais estratégias você utilizou para divulgar e conseguir linkbulding? No começo eu tinha três ou quatro banners de parceria na sidebar e troca de links. Acho que a maior divulgação, pelo menos na blogosfera, foi participando de eventos, me envolvendo naturalmente com a galera e participando de discussões. Na época não tinha twitter, então os debates rolavam nos blogs mesmo. Um posta daqui, outro rebate de lá e por aí vai.. :) Todo blog passa por muitos desafios e percalços. Qual foi o maior já enfrentado pelo Tecnoblog nesses anos de existência? Ser enxergado e respeitado como um veículo de comunicação sério e comprometido com a ética e credibilidade. O mercado tem um preconceito com a palavra "blog". Muitos trocaram de nome, deram um tapa no layout e hoje se vendem como "portal de conteúdo" para amenizar isso. Nós continuamos com o nome blog e nosso layout será sempre ditado pela experiência do usuário, nunca por um mercado preconceituoso. Dilemas financeiros aparecem no caminho, mas isso é um problema ordinário. Todas as empresas lidam com isso vez ou outra.
  • 59. 58 Investimento, layout e conteúdo são partes do investimento que deve ser feito para o crescimento do blog. Seguindo o exemplo de muitos blogueiros, você investiu muito antes de render monetização? No início investi muito mais em conhecimento. Pesquisei muito, tentei entender como dava certo para os grandes e onde eu poderia me encaixar. Até comprei um livro de PHP e aprendi a programar sozinho (não passei da página 20 no livro hahaha). Em 2009 a história foi diferente. Ao lançar o novo TB investi bastante em contratações, layout, conteúdo, mudança pra São Paulo e ano passado na compra e reforma de um escritório próprio. Agora estamos aqui, onde a tecnologia acontece no Brasil, com acesso a assessorias, agências e tudo o que precisamos para produzir. Em sua palestra na Campus Party 2011 você afirmou somente um dos seus colaboradores estava se formando em jornalismo (Tassius), a situação ainda é a mesma? Como você faz a escolha dos editores do Tecnoblog, quais características você julga fundamental? Duas características são fundamentais: - Escrever bem; - Entender muito de tecnologia. Currículo não quer dizer nada. Já vi muita gente com diploma na mão (alguns até da área) que não sabiam coisas básicas de tecnologia. É claro que o perfil da pessoa tem que bater com a cultura da empresa, mas o essencial aqui definitivamente não é a formação. Em que momento você percebeu que o Tecnoblog podia se tornar algo profissional? Qual foi o primeiro passo para tornar o Tecnoblog o que ele é hoje? Quando o blog se tornou uma empresa registrada? Percebi ainda em 2006, tanto que abri a empresa em janeiro de 2007. Depois ele migrou para outro caminho e fomos nos reinventando, mas ser profissional sempre foi requerimento básico. Seja como um blog com crônicas tecnológicas de um cara só ou como esse veículo que hoje tem uma equipe de umas 12 pessoas e publica pelo menos 10 artigos todos os dias.
  • 60. 59 Ao registrar o blog como uma empresa você teve que enfrentar uma série de tramites burocráticos com relação à legislação brasileira. Como você ficou a par de tudo que foi necessário? Fui atrás de um contador que me orientou durante todo o processo. À primeira vista até assusta a quantidade de coisas chatas que você precisa lidar. Você perde preciosas horas de trabalho resolvendo coisas improdutivas e isso é algo que não muda a longo prazo (a não ser que tenha alguém que faça tudo por você). Agora que o Tecnoblog é um veículo de destaque na internet brasileira, quais são as estratégias para atrair cada vez mais público? Se reinventar sempre, de olho nas tendências do mercado. Novos produtos estão saindo do forno, novas estratégias, reportagens etc. Como você enxerga a blogosfera de tecnologia na atualidade? O que o Tecnoblog faz para se diferenciar e obter destaque? Dois ou três veículos grandes já bem consolidados. Outros dois ou três medianos e com bastante credibilidade e váaaarios novos saindo todos os dias, com a intenção de fazer mais do mesmo: republicar notícias que saem em blogs americanos. Este é o cenário. Pra se destacar é só olhar e responder: como eu posso contribuir? O que eu tenho de valioso para oferecer e como posso fazê-lo de uma forma se destaque em relação aos demais? Fica difícil responder em uma linha o que fazemos já que todo o "modus operandi" é algo em constante mutação. Aprendemos errando e com o tempo o acerto se torna uma coisa natural. Em sua palestra no BlogCamp 2011, você afirma que há todo um cuidado para apurar as notícias no Tecnoblog, ou seja, preceitos jornalísticos que não são empregados em muitos blogs. Como o blog consegue adaptar esses conceitos da velha mídia para o ambiente virtual sem parecer um veículo impresso?
  • 61. 60 A principal diferença de um blog para um jornal é o estilo de escrita e a proximidade com o leitor. Tirando isso, todas as técnicas e conceitos de apuração e escrita são resultado de séculos de estudo da comunicação. Ignorar isso seria pura arrogância. Sendo assim, tudo o que precisamos fazer é adaptar a faze final da produção. Cruzamos preceitos de jornalismo com o comportamento web e levamos o produto ao leitor utilizando uma linguagem mais pessoal. O Tecnoblog faz parte de um grande portal, no que isso interfere no trabalho de vocês? Absolutamente nada. A única coisa que fazemos para a Globo.com é produzir algumas matérias todos os dias. Eles não tem nenhuma influência sobre a nossa linha editorial e nunca utilizamos o nome deles em nenhuma ocasião. Sempre nos apresentemos como "Tecnoblog". Apenas Tecnoblog. Como é a rotina na redação do Tecnoblog? Existe alguma exigência com relação aos horários? Os editores vãos às ruas atrás de alguma informação? Existem reuniões de pauta diariamente? Existem reuniões de pauta semanais e algumas metas de produção. Os horários de entrada e saída são controlados pelos próprios editores, respeitando as 8 horas de trabalho diário da CLT. Sobre ir às ruas, vamos sempre a coletivas de imprensa e eventos de lançamento de novos produtos. Em que blogs internacionais como o Gizmodo e Engadget podem inspirar o Tecnoblog? Honestamente? A blogosfera brasileira é que tem muito a aprender com blogs americanos. O mercado de lá é bem mais maduro, até pelo contato próximo que eles tem com novas tecnologias e com quem faz elas. Talvez tenhamos algo a colaborar, mas deixo isso para os leitores opinarem. :)

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