Antropologia: O trabalho de campo etnográfico

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Aula sobre o trabalho de campo antropológico e o método de pesquisa etnográfico.

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Antropologia: O trabalho de campo etnográfico

  1. 1. ANTROPOLOGIA <ul><li>O trabalho de campo etnográfico </li></ul>
  2. 2. A antropologia e seu método Vimos como Franz Boas e Bronislaw Malinowski foram os fundadores do trabalho de campo na Antropologia. Rompendo com a prespectiva evolucionista, propõem o estudo profundo, contínuo, baseado na interação e observação direta de micro-sociedades não ocidentais.
  3. 3. Bronislaw Malinowski <ul><li>Na introdução ao seu livro “Os argonautas do Pacífico Ocidental”, apresenta e sistematiza os fundamentos do método etnográfico. </li></ul>
  4. 4. Ilhas Trobriand <ul><li>Para pesquisar, Malinowski foi viver entre os trobiandeses na Melanésia </li></ul>
  5. 5. Melanésia (do grego &quot;ilhas dos negros&quot;) <ul><li>é uma região da Oceania, no extremo oeste do Oceano Pacífico e nordeste da Austrália, que inclui os territórios das ilhas Molucas, Nova Guiné, ilhas Salomão, Vanuatu, Nova Caledónia e Fiji. </li></ul>
  6. 6. Os argonautas do Pacífico Ocidental <ul><li>“ Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical perto de uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista ... Suponhamos ... que você seja apenas um principiante, sem nenhuma experiência, sem roteiro e sem ninguém que o possa auxiliar ...” (Malinowski, 1984) </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Imagine-se estacionando seu carro particular na rua de um bairro pobre cujo nome permaneceria nas manchetes dos jornais como um dos focos da violência urbana, um antro de marginais e de bandidos. Você não conhece ninguém que lhe possa indicar os caminhos e prestar-lhe as informações de que necessita para mover-se sem riscos desnecessários. Você nem sabe muito bem onde procurar o que tem em mente (...) Comecei a invejar intensamente Malinowski, que aportou a uma praia longínqua nos mares da Oceania para estudar um povo tribal sem saber-lhe a língua, mas convicto de que iria deparar-se com uma cultura diferente e autônoma, harmoniosamente coerente e aceita por todos. Ali estava eu bem no meio da dissensão e dos conflitos que, segundo os jornais, rasgavam a vida pacifica do povo carioca e manchavam de sangue a vida brasileira. </li></ul><ul><li>A sensação mais forte que tive naquele momento foi a de medo. Não o medo comum que qualquer ser humano sente diante do desconhecido, mas um medo construído pela leitura diária dos jornais que apresentavam os habitantes daquele local como definitivamente perdidos para o convívio social ... </li></ul><ul><li>Olhando para trás, percebo que junto com o medo explicável, havia certa ambigüidade na minha postura cujas raízes não consegui deslindar na época. O que me atraía e repelia ao mesmo tempo era a possibilidade de romper uma barreira, cuja visibilidade não é posta ao alcance do olho nu, mas cuja força se faz sempre presente nos menores gestos, nos olhares, nos rituais da dominação, nos hábitos diários de comer, falar, andar e vestir, a barreira que separa a classe trabalhadora pobre das outras classes sociais que gozam de inúmeros privilégios, entre eles o de receber “educação”. </li></ul><ul><li>(Zaluar, 1985) </li></ul>
  8. 8. Etnografia <ul><li>Eu não tinha interesse por bruxaria quando fui para a terra Zande, mas os Azande tinha; de forma que tive de me deixar guiar por eles. </li></ul><ul><li>(Evans Pritchard, 1978:300) </li></ul><ul><li>Edward Evan (E. E.) Evans-Pritchard (21 de Setembro de 1902 — 11 de Setembro de 1973) foi um antropólogo britânico, fundamental para o desenvolvimento da Antropologia Social naquele país. Ele lecionou antropologia social em Oxford de 1946 à 1970. (Wikipédia) </li></ul>
  9. 9. TRABALHO DE CAMPO ETNOGRÁFICO (conforme Malinowski) 1. Estar a par dos valores e critérios da etnologia contemporânea = conhecer profundamente a teoria 2. Ter boas condições de pesquisa: Estabelecer uma vivência prolongada e profunda entre os “nativos”; Experimentar a solidão existencial – procurar não manter contato com outros “homens brancos”. Viver entre os nativos da sociedade escolhida e compartilhar com eles seus alimentos, seus hábitos, aprender a sua língua – em outras palavras aculturar-se – fazer um mergulho na sociedade e no modo de vida do outro = implica a observação participante.
  10. 10. <ul><li>3. Aplicar algumas técnicas de coleta e registro de dados: </li></ul><ul><li>OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE: </li></ul><ul><li>Examinar todo tipo de evento dentro de um contexto determinado: ambiente, comportamento e interação de um grupo ou indivíduo (postura corporal, normas de condutas explícitas e implícitas, linguagem verbal e não verbal, vocabulário êmico, seqüência de eventos, diferentes momentos do objeto investigado...) </li></ul>
  11. 11. <ul><li>DIÁRIO DE CAMPO: </li></ul><ul><li>Anotar todos os detalhes observados no cotidiano da tribo , observar as regularidades da vida tribal, assim como seus imponderáveis, buscar apreender não apenas o esqueleto da vida tribal (ORGANIZAÇÃO SOCIAL), mas também a carne e o sangue (VISÃO DE MUNDO); </li></ul><ul><li>Mapa da aldeia, censos, registros de todo e qualquer documento, as expressões nativas para descrever os acontecimentos, sistemas de parentesco. </li></ul><ul><li>Todos os detalhes observados devem ser registrados, sobretudo o contexto no qual o observador recolheu o dado, constituindo-se o material bruto, de onde, depois de analisados e interpretados, irão tomar a forma textual de uma descrição o mais densa possível e que recebe o nome de etnografia. </li></ul><ul><li>HISTÓRIAS DE VIDA </li></ul><ul><li>GENEALOGIAS </li></ul><ul><li>QUADROS SINÓPTICOS </li></ul>
  12. 12. Alguns Pontos Importantes da etnografia: A observação participante: convívio continuado com dado grupo social que inclui métodos especiais de coleta e registro. O Antropólogo anota suas observações (bloco de notas, diário de campo), colhe depoimentos, faz entrevistas (gravadas ou não), faz registros visuais (vídeo, fotografia), levanta genealogias, desenhos croquis conforme os interesses de sua pesquisa ou do grupo estudado.
  13. 13. Alguns Pontos Importantes da etnografia: É a partir desses registros (feitos dentro de uma postura metodológica diferente do simples viajante ou turista) é que o etnógrafo escreve a cultura ou prática cultural observada. Essa escrita difere também do registro meramente folclórico, porque está preocupado em apresentar a lógica que estrutura dada cultura ou prática cultural numa descrição em que os dados aparecem densamente entrelaçados (Geertz, 1978).
  14. 14. <ul><li> A etnografia não é etnocêntrica: procura entender a cultura estudada a partir de sua própria lógica. A etnografia se estrutura partindo das próprias explicações nativas. O Antropólogo tem que abrir mão de seus próprios (pré) conceitos. (Metáfora do escaler se afastando de uma ilha tropical) </li></ul><ul><li>A etnografia é calcada numa ciência, por excelência, do concreto. O ponto de partida deste método é a interação entre o pesquisador e seus objetos de estudo, “nativos em carne e osso”. (Fonseca, 1999) </li></ul><ul><li> Etnografia só se aprende a fazer ... Fazendo </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Código de Ética </li></ul><ul><li>CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGO - Criado na Gestão 1986-1988 </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Constituem direitos dos antropólogos, enquanto pesquisadores: </li></ul><ul><li>1. Direito ao pleno exercício da pesquisa, livre de qualquer tipo de censura no que diga respeito ao tema, à metodologia e ao objeto da investigação. </li></ul><ul><li>2. Direito de acesso às populações e às fontes com as quais o pesquisador precisa trabalhar. </li></ul><ul><li>3. Direito de preservar informações confidenciais. </li></ul><ul><li>4. Reconhecimento do direito de autoria, mesmo quando o trabalho constitua encomenda de orgãos públicos ou privados e proteção contra a utilização sem a necessária citação. </li></ul><ul><li>5. O direito de autoria implica o direito de publicação e divulgação do resultado de seu trabalho. </li></ul><ul><li>6. Os direitos dos antropólogos devem estar subordinados aos direitos das populações que são objeto de pesquisa e têm como contrapartida as responsabilidades inerentes ao exercício da atividade científica. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Constituem direitos das populações que são objeto de pesquisa a serem </li></ul><ul><li>respeitados pelos antropólogos: </li></ul><ul><li>1. Direito de ser informadas sobre a natureza da pesquisa. </li></ul><ul><li>2. Direito de recusar-se a participar de uma pesquisa. </li></ul><ul><li>3. Direito de preservação de sua intimidade, de acordo com seus padrões culturais. </li></ul><ul><li>4. Garantia de que a colaboração prestada à investigação não seja utilizada com o intuito de prejudicar o grupo investigado. </li></ul><ul><li>5. Direito de acesso aos resultados da investigação. </li></ul><ul><li>6. Direito de autoria das populações sobre sua própria produção cultural. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Constituem responsabilidades dos antropólogos: </li></ul><ul><li>1. Oferecer informações objetivas sobre suas qualificações profissionais e a de seus colegas sempre que for necessário para o trabalho a ser executado. </li></ul><ul><li>2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes, a não ser nos casos previstos anteriormente. </li></ul><ul><li>3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objetividade e rigor inerentes à prática científica. </li></ul>

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