1                          UNIVERSIDADE FUMEC            FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E     FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQ...
2                                                                SumárioI. INTRODUÇÃO .......................................
3         3.2.3 Estrutura do jornal – Online ................................................................................
4         3.4.1 Posicionamento da marca .....................................................................................
5         3.6.4 Códigos de superfície .......................................................................................
6  I. INTRODUÇÃOUma transformação tecnológica de dimensões comparáveis ao surgimento do alfabeto estámudando profundamente...
7  grandes jornais brasileiros, em suas vertentes impressas e online (Estado de S. Paulo, Folha deS.Paulo, Estado de Minas...
8  Ampliando ainda mais os espaços de interação entre os participantes do processo decomunicação, a Web 2.0, como segunda ...
9  pensamento desde as sociedades orais, passando pelo surgimento da escrita alfabética, odesenvolvimento dos meios de com...
10  II. REFERENCIAL TEÓRICO: DA CULTURA ORAL À CIBERCULTURA 2.0Tanto a linguagem - como instrumento de propagação da memór...
11  2.1. Cultura oral e cultura escrita    Levy, em As tecnologias da Inteligência (1993), lembra que nas sociedades orais...
12                        acessadas, comparadas e transportadas em suportes materiais, criando a noção do tempo linear,   ...
13                                vivas e grupos atuantes                        2. Predominância da memória de           ...
14                          Ambos (planejamento industrial e planos militares) são moldados pelo                        al...
15  2.2 Cultura de massas e cultura de mídiasSegundo Santaella (2003, p. 79), a cultura de massas (Quadro 2) originou-se c...
16                           Com o telégrafo, deu-se uma revolução no método de captar e apresentar as                    ...
17  Como relembra Castells (1999, p. 358), foi a TV que inaugurou uma modalidade decomunicação totalmente nova, “caracteri...
18                            individualização, a partir do momento em que a tecnologia, empresas e                       ...
19                            CULTURA DE MASSA                            CULTURA DE MÍDIASTIPO DE CULTURA                ...
20  2.3 Cibercultura – Convergência de mídiasPara Levy (1999, p.17), um novo meio de comunicação surgiu a partir da interc...
21  interconexão condiciona a comunidade virtual, que é uma inteligência coletiva em potencial.”(Ibid, p. 134).Levy ponder...
22  cientista Vannevar Bush (1945) para solucionar o já crescente problema de armazenamento erecuperação de documentos. Em...
23  da atenção, e conseqüente necessidade de elementos de orientação para melhor acessoaos documentos. Por sua capacidade ...
24  O segundo conceito original da cibercultura é o mundo virtual, formado por imagens de síntese,também chamadas de infog...
25  Sobre            a       infra-estrutura                  técnica   do   virtual,   Levy    destaca     os     program...
26  Novas práticas sociais têm emergido deste cenário em que o indivíduo tem acesso à rede pormeio de dispositivos sem fio...
27  Lemos (2008) prefere o termo “territórios informacionais” para definir estas “áreas de controledo fluxo informacional ...
28                            CIBERCULTURATIPO DE CULTURA                   Primeira Fase                             Segu...
29        DO TEMPO                      Declínio do estatuto de verdade e da crítica (uso de simuladores e modelos operaci...
30  III. ESTUDO EMPÍRICOO referencial teórico aqui estudado nos permitiu compreender melhor que caminhosseguir no trabalho...
31  Códigos de superfície: (cores, gráficos, ilustrações, fotografias, infográficos, etc)Alguma transformação pode ser not...
32  3.1. Jornal Estado de MinasNos jornais do período de 1985 a 2001 não foram aplicadas os critérios as categorias de ana...
33  O Estado de Minas em 1985Os cadernos existentes na época eram: Turismo, (figura 01) 2º Seção, Agropecuário(complemento...
34  O uso de fotos e recursos gráficos não era tão freqüente quanto no jornal atual, porém emcadernos como “fim de semana”...
35  uma seção chamada “telemania” com novidades sobre o universo televiso, além de comentáriosfeitos por um especialista. ...
36  O Estado de Minas de 1996Foi a partir da queda da “Lei de reserva de mercado para Informática” em 1992, que o Estadode...
37  Minas, que aparece bem timidamente no final da última coluna, no rodapé da página (marcação1).Figura 8 - Capa de 1996N...
38  Figura 9Figura 10 - InfográficoA interatividade com o leitor também aumenta nesse período. O jornal passa a dedicar ma...
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Cibercultura e práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo impresso e online

  1. 1. 1   UNIVERSIDADE FUMEC FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA Coordenadores: Denise Eler, Dunya Azevedo Bolsistas: Francisco Machado, Karine Feibelmann, Pedro Leone , Rosiane Benini Cibercultura e práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo impresso e online Propic 2009/2010 Belo Horizonte 2010
  2. 2. 2   SumárioI. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 06II. REFERENCIAL TEÓRICO: DA CULTURA ORAL À CIBERCULTURA ....................... 10 2.1 Cultura oral e cultura escrita ............................................................................................ 11 2.2 Cultura de massas e cultura de mídias.............................................................................. 15 2.3 Cibercultura – Convergência de mídias .......................................................................... 20 2.3.1 O hipertexto ............................................................................................................... 21 2.3.2 Elementos originais da cibercultura – bancos de dados, imagens de síntese e programas ............................................................................................................................ 23 2.3.3 Cibercultura ............................................................................................................... 25III. ESTUDO EMPÍRICO .......................................................................................................... 30 3.1. Estado de Minas ............................................................................................................. 32 3.1.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 43 3.1.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 44 3.1.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 44 3.1.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 45 3.1.3 Estrutura do jornal - Online ....................................................................................... 46 3.1.4 Elementos de hipertextualidade – Impresso .............................................................. 50 3.1.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 50 3.1.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 51 3.1.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 54 3.1.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 54 3.1.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 54 3.1.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 56 3.1.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 56 3.1.12 Presença online extra site ........................................................................................ 57 3.1.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 57 3.1.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 58 3.1.15 Publicidade – Online ............................................................................................... 58 3.2. Folha de São Paulo .......................................................................................................... 59 3.2.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 59 3.2.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 60 3.2.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 60 3.2.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 60
  3. 3. 3   3.2.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 61 3.2.3.1 Seções ................................................................................................................ 61 3.2.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 63 3.2.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 64 3.2.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 65 3.2.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 67 3.2.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 71 3.2.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 74 3.2.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 74 3.2.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 75 3.2.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 76 3.2.12 Presença online extra site ........................................................................................ 77 3.2.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 78 3.2.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 79 3.2.15 Publicidade – Online ............................................................................................... 80 3.3. Estado de São Paulo ........................................................................................................ 80 3.3.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 80 3.3.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 82 3.3.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 82 3.3.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 82 3.3.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 83 3.3.3.1 Seções ................................................................................................................ 83 3.3.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 85 3.3.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 86 3.3.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 86 3.3.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 87 3.3.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 89 3.3.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 91 3.3.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 91 3.3.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 92 3.3.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 92 3.3.12 Presença online extra site ........................................................................................ 92 3.3.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 92 3.3.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 93 3.3.15 Publicidade - Online ................................................................................................ 93 3.4. O Globo ........................................................................................................................... 94
  4. 4. 4   3.4.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 94 3.4.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 95 3.4.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 95 3.4.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 95 3.4.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 96 3.4.3.1 Seções ................................................................................................................ 96 3.4.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 98 3.4.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 99 3.4.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 99 3.4.6 Códigos de superfície – Impresso ........................................................................... 101 3.4.7 Códigos de superfície – Online ............................................................................... 102 3.4.8 Interação com o leitor – Impresso ........................................................................... 105 3.4.9 Interação com o leitor – Online ............................................................................... 105 3.4.10 Convergência de mídias – Impresso ...................................................................... 106 3.4.11 Convergência de mídias – Online ......................................................................... 107 3.4.12 Presença online extra site ...................................................................................... 108 3.4.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ....................................... 110 3.4.14 Publicidade – Impresso ......................................................................................... 110 3.4.15 Publicidade - Online .............................................................................................. 111 3.5. The New York Times .................................................................................................... 112 3.5.1 Posicionamento da marca ........................................................................................ 112 3.5.2 Estrutura do jornal ................................................................................................... 112 3.5.2.1 Seções .............................................................................................................. 112 3.5.2.2 Primeira Página ............................................................................................... 113 3.5.3 Elementos de hipertextualidade .............................................................................. 114 3.5.4 Códigos de superfície .............................................................................................. 114 3.5.5 Interação com o leitor .............................................................................................. 117 3.5.6 Convergência de mídias .......................................................................................... 120 3.5.7 Presença online extra site ........................................................................................ 120 3.5.8 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 120 3.5.9 Publicidade .............................................................................................................. 123 3.6. G1 ................................................................................................................................... 123 3.6.1 Posicionamento da marca ........................................................................................ 123 3.6.2 Estrutura do jornal ................................................................................................... 124 3.6.2.1 Primeira Página ............................................................................................... 124 3.6.3 Elementos de hipertextualidade ............................................................................... 128
  5. 5. 5   3.6.4 Códigos de superfície .............................................................................................. 132 3.6.5 Interação com o leitor .............................................................................................. 133 3.6.6 Convergência de mídias .......................................................................................... 137 3.6.7 Presença online extra site ........................................................................................ 137 3.6.8 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 140 3.6.9 Publicidade .............................................................................................................. 141IV. PRÁTICAS ESTABELECIDAS E TENDÊNCIAS NO JORNALISMO IMPRESSO EONLINE .................................................................................................................................... 142V. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 151VI. BIBLOGRAFIA ................................................................................................................. 154VII. ANEXOS ................................................................................................................................ 7.1. Wireframes e Gráficos .......................................................................................................... 7.2. Glossário...............................................................................................................................
  6. 6. 6  I. INTRODUÇÃOUma transformação tecnológica de dimensões comparáveis ao surgimento do alfabeto estámudando profundamente o caráter da comunicação na sociedade contemporânea. Por integrartextos, imagens, áudio em uma rede interativa global, que pode ser acessada e modificada devários pontos do planeta, a internet altera de forma fundamental a nossa cultura.A informação é a matéria prima da sociedade globalizada, definida por Manuel Castells comosociedade informacional - caracterizada por toda a conjuntura que permeia o mundo a partir dosanos 1990 e que possibilita a convergência das mídias de forma ampla e multicêntrica, em umsistema comunicacional interativo. Vivemos em uma sociedade profundamente influenciadapela cibercultura - conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, atitudes, de modosde pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da rede mundialde computadores (LEVY, 1999).De acordo com Castells (1999, p. 79), a produção, distribuição e intercâmbio de dadosdigitalizados através de um sistema integrado de comunicação traz conseqüências importantespara os processos sociais. A inclusão da maioria das expressões culturais na internet“enfraquece de maneira considerável o poder simbólico dos emissores tradicionais fora dosistema, transmitindo por meio de hábitos sociais historicamente codificados: religião,moralidade, autoridade, valores tradicionais, ideologia política”.Neste contexto, em que a informação é o maior bem simbólico e espinha dorsal da sociedade, ojornalismo sofre profundas transformações. O advento da internet está provocando grandesmudanças nas empresas jornalísticas, deslocando leitores e anunciantes para o ambiente online,onde a participação do usuário e a interatividade ganham dimensões sem precedentes. Osegmento está passando por um período de transição para se adaptar às novas configurações domercado e a um novo perfil de público. Paralelamente à expansão do jornalismo online a partirda década de 1990, inicia-se um movimento de redefinição das funções do jornal impresso. Aredução das receitas com publicidade tem provocado uma crise no setor editorial, onde váriaspublicações têm procurado solucionar seus problemas financeiros com fusões e aquisições deempresas.Tendo como base estudos teóricos para a compreensão do fenômeno da cibercultura, estapesquisa investiga as práticas emergentes relativas aos aspectos formais e interativos de quatro
  7. 7. 7  grandes jornais brasileiros, em suas vertentes impressas e online (Estado de S. Paulo, Folha deS.Paulo, Estado de Minas, O Globo), e também o jornal nativo da web G1 O estudo é completocom uma análise da versão online do The New York Times, por ter sido precursor no uso dainternet em 1970 e por ser referência nas formas de apropriação do ambiente web.A partir de categorias de análises definidas na fase de estudos teóricos, fazemos uma descriçãode como os elementos se estruturam no meio digital e no impresso para entendermos como estesse relacionam, ou não, para ampliar as potencialidades da informação. É nosso objetivo tambémverificar como o jornalismo online explora o potencial que o novo suporte oferece. Embora oconteúdo textual tenha tomado características específicas no meio digital, esta pesquisa seconcentra na estrutura e na visualização do conteúdo jornalístico. Um estudo do textodemandaria maior tempo de pesquisa.Com quase duas décadas de existência, o jornal online ainda está explorando formas demelhorar a interatividade com o leitor. Também o jornal impresso, assim como todos os outrosveículos de comunicação, vem passando por várias transformações ao longo de sua história,para se adequar a novas necessidades de uma sociedade em constante transformação. De longosblocos de texto, cuja ênfase era dada ao conteúdo escrito, o jornal diário impresso - muitoinfluenciado pela TV, principalmente na década de 1960 - passou a apresentar blocos menoresde textos intercalados com fotos, intertítulos, títulos secundários e outros elementos editoriais,quebrando a lógica da linearidade textual rígida. A divisão dos jornais em seções, cadernos,encartes, suplementos dirigidos a públicos específicos, o aumento dos recursoseditoriais/visuais, a capa construída como uma espécie de mosaico modernizaram o jornal e otornaram um produto de consumo massivo. No ambiente online, o hipertexto cujos elementosessenciais são os links, reforça o processo de fragmentação iniciado pelo jornal moderno e pelaTV. A interatividade, já latente na mídia tradicional, ganha contornos inéditos.Um dos indicadores de mudança na forma de tratamento da informação pode ser notado no usocrescente de infográficos no jornal impresso, apontados como um novo gênero jornalístico pordiversos autores (CAIRO, 2008; DE PABLOS, 1999). No ambiente online, fala-se dosinfográficos de segunda geração, onde o acesso instantâneo a um banco de dados amplia aspossibilidades de manipulação das informações, elevando-o ao nível de simuladores desituações, como no caso dos premiados infográficos do New York Times. “As infografias dosmeios digitais se tornaram peças jornalísticas depuradas, que integram textos, imagens estáticase dinâmicas, 3D, sons, e cada vez maiores doses de interatividade” (SALAVERRIA, 2007, p.3). Tendo o New York Times como referência, as análises de versões online dos grandes jornaisimpressos citados e do G1, nesta pesquisa, têm como objetivo também constatar se essesrecursos são explorados ou não pelos nacionais.
  8. 8. 8  Ampliando ainda mais os espaços de interação entre os participantes do processo decomunicação, a Web 2.0, como segunda geração de serviços online, caracteriza-se porpotencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações. A Web2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas, mas também a umconjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelocomputador. (PRIMO, 2007). Como advento da segunda geração de tecnologias web,destacam-se os blogs (sites pessoais ou corporativos atualizados diariamente, abertos acomentários de usuários e à postagem de novos tópicos por seus membros), o tagging (sistemaque permite ao usuário identificar documentos na internet segundo próprio vocabulário), opodcasting (produção e publicação de arquivos de áudio e vídeo que podem ser descarregadosautomaticamente na internet) e o microblogging (blog de mensagens curtas e disseminaçãoinstantânea para a rede de seguidores do serviço, via web ou celular) (ELER, 2007).Estas tecnologias têm provocado uma mudança cultural e econômica sem precedentes aoampliar e pulverizar as fontes de conteúdo na internet, dotando qualquer usuário de poder paracriação, publicação, distribuição, edição e interação com outros usuários. O fenômeno éconhecido como “A Cauda Longa” (ANDERSON, 2006) e descreve modelos de negócio e decomportamentos viabilizados pela internet, onde as barreiras físicas para estocagem de produtossão superadas pela natureza digital destes e, principalmente, onde mercados de nichos sãopotencializados. O estudo de Anderson mostra como a tecnologia digital em redes está“convertendo o mercado de massa (hits) em milhões de nichos”. Se o primeiro modelo épautado pela escassez na oferta, pela concentração de títulos e de distribuidores de produtos, aeconomia da Cauda Longa é sustentada justamente pela abundância de oferta de produtos, pelapulverização das fontes de informação (os distribuidores) e pela liberdade de escolha dosusuários, agora elevados, a interatores. No caso do jornalismo, o fenômeno pode ser notado nosurgimento do jornalismo colaborativo, onde pessoas sem formação específica colaboram comprofissionais na produção de notícias, utilizando-se de ferramentas como blogs, wikis, celularese câmeras digitais. Esta prática se insere em um novo conceito de produção baseado nacontribuição coletiva, descentralizada e autônoma de indivíduos, intitulada Crowdsourcing(HOWE, 2006).Nosso trabalho de pesquisa contempla então estas duas etapas: o estudo teórico e a observaçãoempírica. A revisão bibliográfica nos auxiliou na compreensão do fenômeno da cibercultura,segundo quatro autores principais: Castells (1999; 2003), Levy (1993; 1996; 1999; 1998),Lemos (1999; 2004) e Santaella (2007). No segundo capítulo, primeiramente, procuramosdefinir como o desenvolvimento tecnológico estrutura e molda o pensamento de determinadaépoca em que se insere. Para isso, foi necessário o entendimento do modo de armazenamento deinformações e o efeito das tecnologias desenvolvidas para tais armazenamentos na estrutura do
  9. 9. 9  pensamento desde as sociedades orais, passando pelo surgimento da escrita alfabética, odesenvolvimento dos meios de comunicação de massa até a cultura digital. Na segunda partedeste capítulo, nos concentramos nos conceitos ligados à Cibercultura: convergência de mídias,hipertexto, bancos de dados, imagens de síntese e programas. Esta etapa nos auxiliou naidentificação de categorias de análise para a pesquisa empírica, cujos resultados sãoapresentados no Capítulo 2 e analisados criticamente no Capítulo 3, onde são identificadospadrões de comportamento e práticas emergentes no jornalismo contemporâneo, segundo oobservado nas amostras dos jornais já mencionados. Se muitas das questões iniciais foramsatisfatoriamente respondidas por esta pesquisa, outras tantas surgiram à medida que ideias pré-concebidas foram desmistificadas, gerando o desejo de aprofundamento em assuntos específicoscomo a infografia analítica de segunda geração, a produção de conteúdo específico paratelefones celulares, os novos perfis profissionais demandados pela área e o papel da EducaçãoSuperior neste processo. Estas e outras inquietações são compartilhadas no último capítulo.
  10. 10. 10  II. REFERENCIAL TEÓRICO: DA CULTURA ORAL À CIBERCULTURA 2.0Tanto a linguagem - como instrumento de propagação da memória social e de suasrepresentações -, quanto os processos materiais - que tornam possíveis o armazenamentos destasinformações - atuam como modeladores do tempo. Se a sociedade contemporânea écaracterizada pelo ritmo acelerado das transformações, pelo obsoletismo das informações e dosartefatos, pelas crises de ansiedade e déficit de atenção das pessoas e pela necessidade de estarconectado a tudo e a todos sob o risco de estar desatualizado, certamente há uma relação com astecnologias que suportam tais comportamentos. Este é o cerne do pensamento do filósofo PierreLévy (1993) que procura responder de que forma as tecnologias moldam o estilo de pensamentoe a temporalidade. Para o autor, as novas maneiras de pensar e de representar o mundo naatualidade são conseqüências das inovações tecnológicas oriundas das telecomunicações e dainformática e representam um momento histórico similar ao Renascimento, quando a imprensaalterou profundamente a forma de pensar medieval. No entanto, o autor ressalta que a sucessão da oralidade, da escrita e da informática comomodos fundamentais de gestão social do conhecimento não se dá por simples substituição, masantes por complexificação1 e deslocamento de centros de gravidade. Sua tese é a de que certastécnicas de armazenamento e de processamento das representações tornam possíveis oucondicionam certas evoluções culturais. Lévy propõe então uma teoria de interfaces, onde,ambos, dispositivos sociotécnicos e informações, constituem elementos indissociáveis de umaecologia cognitiva. Dito de outra forma, o significado de uma informação está intimamentecondicionado pela natureza de seu suporte: “traduzir antigos saberes em novas tecnologiasintelectuais equivale a produzir novos saberes” (LEVY, 1993, p. 184). Este pensamento foisintetizado na célebre colocação “o meio é a mensagem”, de Marshall McLuhan (2005) outroimportante teórico da comunicação. Tanto Levy (ênfase na linguagem e nas interações sociais),quanto McLuhan (ênfase nas mídias), defendem a premissa de que as tecnologias condicionamnossa percepção do mundo (LEVY,1993, p.19) (MCLUHAN, 2005, p.102). Para completarnosso referencial teórico, recorremos aos estudos de Lucia Santaella sobre a cultura de massa ea cultura de mídias, ambas essenciais no esforço de entender o advento e particularidades daCibercultura, e André Lemos como principal pesquisador desta área no Brasil.                                                            1 Complexificação: processo pelo qual “uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando naanterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações.” (Santaella, 2008: 13)
  11. 11. 11  2.1. Cultura oral e cultura escrita Levy, em As tecnologias da Inteligência (1993), lembra que nas sociedades orais, onde não existe modo para armazenamento das representações verbais para futuras reutilizações, as comunidades recorrem à prática da repetição das informações sob pena de que estas deixem de existir. As limitações da memória humana, por sua vez condicionam as formas de apresentação destas informações. Predominam as representações de causa e efeito, carregadas de carga emotiva e elementos audiovisuais e sensoriomotores, como os rituais de dança. É sabido hoje, pelos estudos da psicologia cognitiva, que estes artifícios auxiliam os processos mnemônicos de retenção e recuperação de informações. Por sua vez, os agentes da comunicação compartilham uma mesma rede de significados (hipertexto), produzem um conhecimento local e encontram-se geograficamente próximos. Dada à baixa confiabilidade da memória humana em relação ao registro original e as elaborações posteriores acrescidas pelo sujeito em função de condições emocionais, as informações nas sociedades orais são sempre subjetivas e dependentes do contexto e dos indivíduos que as transmitem. O uso das interfaces mente/fala/gestos, para o armazenamento e a comunicação de informações condiciona a percepção do tempo como algo circular, onde a redução das singularidades dos acontecimentos a estereótipos (construção de mitos) auxilia na perenidade das preposições de uma dada cultura. Após esta análise, Levy demonstra como o estilo de temporalidade e os modos de conhecimento então vigentes, foram radicalmente alterados pelo advento de uma nova tecnologia: a escrita. (Quadro 1) "Quando uma circunstância como uma mudança técnica desestabiliza o antigo equilíbrio das forças e das representações, estratégias inéditas e alianças inusitadas tornam-se possíveis.” (LEVY, 1993, p.16) A possibilidade de separar o discurso das circunstâncias particulares em que este foi produzido só foi possível a partir do momento que a humanidade passou a utilizar signos escriturários transmitidos em suportes materiais, tais como cerâmicas, pergaminhos, papiros etc. O uso destas tecnologias provocou uma revolução na forma como a sociedade da época percebia o mundo e seus reflexos são vividos até hoje quando as tecnologias digitais começam a engendrar novas formas de relacionamento com o saber. Ao separar as mensagens das situações de uso originais, as sociedades letradas tiveram como ambição a criação de um texto teórico, ou seja, abstrato e conceitual, cujo sentido não dependesse de um contexto específico. Uma vez deslocados no tempo e no espaço, os sujeitos da comunicação não tinham mais, necessariamente, um hipertexto em comum, nem a possibilidade de interação entre si. Porém, esta objetivação da memória, possibilitou o acúmulo de informações que poderiam ser
  12. 12. 12    acessadas, comparadas e transportadas em suportes materiais, criando a noção do tempo linear, ESCRITATIPO DE CULTURA ORAL Manuscritos Impressa SIGNOS ESCRITURÁRIOSTIPO DE INTERFACE transmitidos em 1.MENTE HUMANA papiro, cerâmica, pergaminho, etc. SIGNOS ESCRITURÁRIOS transmitidos em 2.FALA E GESTOS(suportes de registro etransmissão PAPEL / LIVRO. EXPOSIÇÃOde informações) ESCRITA E ORAL (ainda ligada à forte intermediação humana) Dissociação do contexto de produção da informação Agentes compartilham hipertextos e do tempo e local de recepção da mesma. (rede de significados) próximos e Pressão pelo universalismo e pela objetividade.PRAGMÁTICA DA encontram-se em um mesmo contextoCOMUNICAÇÃO geográfico e histórico. Compartilhamento de abstrações conceituais. Hiato entre letrados e analfabetos MEMÓRIA SUBJETIVACARACTERÍSTICA DA MEMÓRIA OBJETIVAMEMÓRIA 1. Memória encarnada em pessoas ou histórico.
  13. 13. 13    vivas e grupos atuantes 2. Predominância da memória de 1. Grande volume de longo prazo. publicações impossibilita a Problema com a exposição oral, fim das 3. Associação da memória semântica a intermediações humanas qualidade das memórias musicais e sensoriomotoras. diretas. reproduções (dependência do 2. Criação de elementos de talento humano para manuscritos e interface: paginação, imagens) cabeçalho, índice etc 3. Instauração da cultura visual: facilidade de reprodução técnica de imagensPERCEPÇÃO TEMPO CIRCULAR: TEMPO LINEAR, HISTÓRICODO TEMPO redução das singularidades dos acontecimentos a estereótipos atemporais (construção de mitos) Pensamento científico,, universalismo,VALORES Tradição, humano, local, imaginação literacia, registro escrito como documento Discurso indissociável do contexto Objetividade Narrativas míticas,LINGUAGEM Predominância do texto sobre a imagem atemporais Narrativas históricas Representação do mundo por imagens A escrita fonética significou a ruptura entre as experiências auditiva, tátil, e visual do homem e a fragmentação da experiência em unidades uniformes aptas a produzir ações e mudanças formais mais rápidas e menos suscetíveis a interpretações subjetivas de seus destinatários. Mcluhan credita ao alfabeto fonético a criação do “homem civilizado”, na medida em que esta promoveu a separação do indivíduo da tribo, a continuidade do espaço e do tempo e a uniformidade dos códigos - marcas das sociedades letradas e civilizadas. (p.103).
  14. 14. 14   Ambos (planejamento industrial e planos militares) são moldados pelo alfabeto, em sua técnica de transformação e controle e que consiste em tornar todas as situações uniformes e continuas. (MCLUHAN, 2003, p. 105)Este processo foi intensificado pelo advento de outra tecnologia, a prensa mecânica deGutenberg, em 1445. Os antigos manuscritos imitavam a comunicação oral e dependiam muitodo talento do copista para manter a fidedignidade das reproduções à obra original (LEVY, 1993,p. 99). O autor sustenta que a prensa permitiu a instauração de um novo estilo cognitivo porquea partir de então houve uma inspeção periódica de mapas, esquemas, gráficos, tabelas edicionário, elementos que são o centro da atividade científica. Passou-se da discussão verbal,característica da Idade Média, para a demonstração visual.A escrita inaugurou também o pensamento racional a partir do momento em que oconhecimento passou a ser representado de forma modular. Levy afirma que, “com a escrita, asrepresentações perduram em outros formatos que não o canto ou a narrativa”, como no caso dasobservações astronômicas dos sumérios ou os bancos de dados atuais. Historicamente, estasmicro-representações “livres” - fórmulas, símbolos, números, tabelas etc – permitiram umapassagem da dramatização para a sistematização dos saberes que constitui a base doconhecimento científico.Neste ponto, Levy enfatiza o papel dos elementos de interface criados com a popularização dolivro impresso, a partir do século XVI, para facilitar a relação do texto com o leitor: índice,títulos, sumário, numeração regular, notas de rodapé, etc. Estes dispositivos lógicos criaramuma experiência de leitura diferente da proporcionada pelos manuscritos, tais como“possibilidade de exame rápido do conteúdo, de acesso não linear e seletivo do texto, desegmentação do saber em módulos, de conexão múltipla a uma infinidade de outros livros”(LEVY, 1993, p. 34). Além disso, a redução do peso dos livros e de seus tamanhos, alcançadapor uma nova forma de dobradura das folhas, possibilitou sua rápida difusão na sociedade.Como o computador, afirma Levy, “o livro só se tornou uma mídia de massa quando asvariáveis de interface - “tamanho” e “massa” - atingiram um valor suficientemente baixo.”(1993, p. 35). Comparativamente, a interface gráfica dos jornais e revistas impressos éorganizada através de manchetes, chamadas, fotos, legendas de forma a guiar o leitor por suasnotícias, até fisgar a atenção para uma matéria específica.As características da leitura nos suportes impressos e digitais serão estudadas em breve, porémrecorreremos a outros autores para preenchermos um hiato deixado por Levy ao analisar osmodos de cultura engendrados por “tecnologias intelectuais”.
  15. 15. 15  2.2 Cultura de massas e cultura de mídiasSegundo Santaella (2003, p. 79), a cultura de massas (Quadro 2) originou-se com o jornal,acentuou-se com o cinema (recepção coletiva) e solidificou-se com a televisão, na década de1960. Embora o termo seja evocativo de uma grande quantidade de indivíduos alienados eacríticos quanto às mensagens recebidas, Castells (1999; p. 360), relembra os estudos deHumberto Eco sobre o papel do espectador no processo de comunicação televisiva: “A conseqüência dessa análise é que aprendemos uma coisa: não existe uma cultura de massa no sentido imaginado pelos críticos apocalípticos das comunicações de massa, porque esse modelo compete com outros (constituídos por vestígios históricos, cultura de classe, aspectos da alta cultura transmitidos pela educação, etc).” (ECO, apud CASTELLS, 1999, p. 360)O impacto desta descoberta, leva Castells (1999, p.360) a considerar que o conceito de mídia demassa refere-se, na verdade, a um sistema tecnológico, e não a uma forma de cultura. Temosassim, tecnologias de massa, e não, uma cultura de massa. Esta afirmação será especialmenteimportante para entendermos a cultura de mídias mais à frente, onde mostraremos que estemodelo de comunicação tem características próprias e importantes para a compreensão dofenômeno da Cibercultura.Thompson (2002, 32-37) esclarece que, em um sistema de comunicação de massa, o fluxo decomunicação tem um caráter transmissionista, não-dialógico. Ainda que os receptores possaminterferir com eventos e conteúdos durante o processo comunicativo, a profundidade destaparticipação é circunscrita. Esta capacidade de intervenção limitada deriva do modo deestruturação do fluxo de mensagens em sistemas em que a emissão e recepção da mensagemocorrem em contextos distintos. Como conseqüência negativa, tem-se a privação da interaçãodireta, face a face e a riqueza de feedbacks que esta permite. Por outro lado, ocorre uma“ampliação na disponibilização das formas simbólicas no tempo e no espaço.” O caráterinstitucionalizado de produção e difusão generalizada de informações, a pluralidade dedestinatários e o aumento em escala da mercantilização pública de bens simbólicos (a exemplodos espaços publicitários em jornais) marcam este processo comunicativo.Como reflexo do advento das tecnologias de telecomunicação nos meados do Século XIX, emespecial o telégrafo, temos a disjunção entre o espaço e o tempo (“onde o distanciamentoespacial não mais implicava em distanciamento temporal”) e a conseqüente descoberta dasimultaneidade não-espacial (a separação da experiência de simultaneidade de seucondicionamento geográfico). Os efeitos do telégrafo sobre as práticas jornalísticas foramanalisados por McLuhan, conforme veremos a seguir.
  16. 16. 16   Com o telégrafo, deu-se uma revolução no método de captar e apresentar as notícias. Naturalmente, foram espetaculares os efeitos causados na linguagem, no estilo literário e nos assuntos (2005, p.282).”McLuhan (2005, p. 238) enfatiza que o jornal, desde o início, tendeu para uma formaparticipante, em mosaico – e não para a forma livresca. O fato mais importante para aestruturação das informações em “massa de tópicos descontínuos e desconexos”, foi o uso dotelégrafo para a recepção das notícias. A relação direta entre a forma de diagramação doveículo com a era tecnológica vigente é exemplificada pela diferença estrutural de jornalliterário (era mecânica) para um jornal telegráfico (era da eletricidade). Enquanto no primeiro,temos colunas representando um ponto de vista, no segundo “são expostos recortes desconexosnum campo unificado por uma data.” O autor afirma que esta tecnologia libertou a imprensaprovinciana marginal da dependência da grande imprensa metropolitana, descentralizando opoder de comunicação. Tratava-se, então, de um meio que abolia a noção de distância espacialpor permitir a troca instantânea de mensagens. Este poder de aceleração dos processos foi, paraMcLuhan, a causa do enfraquecimento do sistema de jornalismo então vigente, orientado pelasopiniões editoriais, um reflexo da dinâmica natural do livro. No seu lugar, presenciamos oaumento do volume de notícias e a consagração da estrutura mosáiquica. É necessário declarar, de vez, que o ‘interesse humano’ é um termo técnico que designa o que é que acontece quando muitas páginas de um livro ou os múltiplos itens informacionais são dispostos em mosaico numa página. O livro é uma forma provada e confessional que induz ao “ponto de vista”. O jornal é uma forma confessional de grupo que induz à participação comunitária.. (....) é a exposição comunitária diária de múltiplos itens de justaposição que confere ao jornal a sua complexa dimensão de interesse humano. (p.231) Holtzman reconhece no telégrafo um catalisador do desenvolvimento das mídias mosáiquicas(expressão de McLuhan), ou seja, aquelas que apresentam a mensagem de forma descontínua.Para o autor, (...) a primeira página do jornal é um ícone das notícias feitas de muitos momentos e eventos do dia anterior em todo um país e mesmo no mundo. (...) O jornal moderno, enformado pelo telégrafo, pressagiou as qualidades da era digital. (HOLTZMAN 1997, apud SANTAELLA, 2008, p.96)Santaella (2007, p. 82-83) relembra que o jornal impresso foi também percussor na criação desintaxes híbridas, unindo palavra, foto e diagramação para a criação de uma espacialidadeinformacional. A hibridização de meios, códigos e sistemas sígnicos desenvolveu-seespecialmente com o cinema e com a TV, dadas as características audiovisuais destes meios.
  17. 17. 17  Como relembra Castells (1999, p. 358), foi a TV que inaugurou uma modalidade decomunicação totalmente nova, “caracterizada pela sedução, estimulação sensorial da realidade efácil comunicabilidade, na linha do menor esforço psicológico”. Esta última característica temsido transformada após o advento de tecnologias que permitem maior controle do usuário sobreo sistema comunicativo, a exemplo do videocassete e os aparelhos de DVD, e mais,recentemente, dos games, conforme defende Steven Jhonson, em Surpreendente! - A televisão eo videogame nos tornam mais inteligentes (2005). (...) somos uma nação de viciados em reallity shows e maníacos por Nintendo. Perdida nesse relato, encontra-se a tendência mais interessante de todas: a de que a cultura popular tem se tornado cada vez mais complexa durante as últimas décadas, exercitando nossas mentes de forma mais poderosa. (2005, p.11)De qualquer forma, a televisão representou o fim da predominância de um sistema decomunicação formatado pelo sistema tipográfico de Gutenberg e pela ordem do alfabetofonético. (MCLUHAN, 2005; POSTMAN; 1985). Mais que isso, a TV reestruturou todos osoutros meios de comunicação que a antecederam. O rádio perdeu sua centralidade, mas ganhou em penetrabilidade e flexibilidade, adaptando modalidades e temas ao ritmo da vida cotidiana das pessoas. Filmes foram adaptados para atender às audiências televisivas. Jornais e revistas especializaram-se no aprofundamento de conteúdos ou enfoque de sua audiência. Os livros continuaram sendo os livros, embora o desejo inconsciente atrás de muitos deles fosse tornar-se roteiro de TV. (CASTELLS, 1999, p. 355-6)Com a introdução da TV, na década de 1960, e do acirramento da concorrência entre os jornais,grandes periódicos se engajaram em processos de reformas editoriais e gráficas. Essas reformasincluíam mudanças na forma de cobrir os acontecimentos e de redigir as matérias, introdução doplanejamento visual das páginas, edição das fotografias e antecipação do fechamento dasedições. Os jornais aprimoraram a apresentação gráfica, principalmente das capas, onde oselementos editoriais fragmentavam a página, que deixaram de apresentar a monótona exposiçãode matérias em colunas verticais, tornando-se vitrines de conteúdos desenvolvidos no miolo(AZEVEDO, 2007).A TV potencializou a lógica da fragmentação, que se acirrou com o zapping. A mídia de massapassa a segmentar seu público. Conforme CASTELLS (1999): (...) o fato de a audiência não ser objeto passivo, mas sujeito interativo, abriu o caminho para sua diferenciação e subseqüente transformação da mídia que, de comunicação de massa, passou à segmentação, adequação ao público e
  18. 18. 18   individualização, a partir do momento em que a tecnologia, empresas e instituições permitiram essas iniciativas. (CASTELLS, 1999, p. 362) Santaella (1992) propõe o termo “Cultura de Mídias” para definir um período posterior à Cultura de Massas, caracterizado por fenômenos emergentes que flexibilizaram a dinâmica de comunicação midiática, a partir da década de 1970 e mais notadamente na década de 80. Como exemplos de tecnologias promotoras destes novos processos comunicacionais, a autora cita as máquinas de fotocópias e de fax, o videocassete, os videogames, os walkmans e a tv a cabo. O que todos estes meios tinham em comum? Elas ampliavam as escolhas do público, criando a segmentação da audiência, e, consequentemente, minando a experiência massiva. Em síntese, estes meios possibilitaram a descentralização da comunicação. Santaella (2001) lembra que a prática do zapping (mudança de canais através do controle remoto) tornou-se, desde então, uma preocupação central na indústria da publicidade e dos programas de TV. Sabbah (1985, apud Castells 1990) analisou a nova situação da seguinte forma: embora a audiência continuasse quantitativamente massiva, dois pilares da comunicação de massa haviam sido abalados - a simultaneidade e a uniformidade da mensagem recebida. Desta forma, a cultura de mídias deixou de ser mídia de massa “no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa”.Como vimos, este período é marcado pela convivência de mídias, pela hibridização delinguagens, e pela ampliação das ações do receptor da mensagem. Para Santaella, os processosde recepção surgidos por estas tecnologias segmentadoras, prepararam a sensibilidade dosusuários para as formas alineares e participativas da cultura digital. Ao citar esses processoscomunicativos considerados constitutivos de uma cultura das mídias, a autora afirma: Foram eles que nos arrancaram da inércia da recepção de mensagens impostas de fora e nos treinaram para a busca da informação e do entretenimento que desejamos encontrar. Por isso mesmo, foram esses meios e os processos de recepção que eles engendram que prepararam a sensibilidade dos usuários para a chegada dos meios digitais cuja marca principal está na busca dispersa, alinear, fragmentada, mas certamente uma busca individualizada da mensagem e da informação. (SANTAELLA, 2003,p. 15-16).
  19. 19. 19    CULTURA DE MASSA CULTURA DE MÍDIASTIPO DE CULTURA Tecnologias segmentadoras: Tecnologias massivas: jornal impresso, fotocopiadoras, videoclipes, TV a tv, radio, telégrafo cabo, videocassete, jogos eletrônicos,TECNOLOGIAS walkman, etc Agentes são expostos aos mesmos Algumas tecnologias permitem hipertextos, simultaneamente, via um número reduzido de fontes que os usuários do sistema midiático institucionalizadas de produção e tenha uma experiência difusão de informação. As mídias não de comunicação mais segmentadaPRAGMÁTICA DA permitem interações de mão-dupla,COMUNICAÇÃO criando a dicotomia emissor-receptor, e individualizada, devido à prevalecendo a pluralidade dos diversidade de escolha de canais. destinatários e a prática transmissionista de mensagens. O contexto de produção Prevalece a lógica emissão-recepção. é separado do contexto de recepção de mensagens. A memória individual também é passível de registro pela popularização das novas tecnologias, A memória social é objetivada, mas como gravadores de videocassete.CARACTERÍSTICA DA compartilhada por letrados eMEMÓRIA analfabetos Construção da memória individual. Escolha e registro individualizado da informação. Disjunção tempo/espaço ePERCEPÇÃO Fragmentação simultaneidade não-espacialDO TEMPO Escolha/Seletividade / ExperiênciasVALORES Simultaneidade e uniformidade invidualizadasLINGUAGEM Cultura do audiovisual Sintaxes híbridas
  20. 20. 20  2.3 Cibercultura – Convergência de mídiasPara Levy (1999, p.17), um novo meio de comunicação surgiu a partir da interconexão mundialde computadores – o ciberespaço. O conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas,de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com ocrescimento desta rede, é chamado de cibercultura.2 O avanço tecnológico desestabilizador dosistema então vigente é o processo de digitalização, segundo o qual todas as fontes deinformação são passíveis de codificação em dados binários (0 e 1), armazenamento evisualização em dispositivos informáticos. Este processo possibilitou o fenômeno daconvergência de todas as mídias anteriores em um único dispositivo, uma vez que dissociou ainformação de um suporte específico: papel, película, fita magnética, etc. (SANTAELLA, p. 83-84). Uma das vantagens da codificação digital, é a manutenção da integridade das informaçõesquando copiadas e transmitidas, infinitamente. Além disso, em seu estado numérico, asinformações podem se manipuladas, e produzidas, automaticamente, em grande escala erapidez. (LEVY, 1999, p. 52-3). O pixel é a expressão visual, materializada na tela, de um cálculo efetuado pelo computador, conforme as instruções de um programa. Se alguma coisa pré- existe ao pixel e à imagem é o programa, isto é, linguagem e números, e não mais o real. Eis porque a imagem numérica não representa mais o mundo real, ela o simula. (COUCHOT, 1993, p.42)Santaella lembra, no entanto, que o ciberespaço se apropria de todas as linguagens pré-existentes e deste hibridismo emerge uma ordem simbólica específica que “afeta nossaconstituição como sujeitos culturais e os laços sociais que estabelecemos.” (p.125). Esta novalinguagem estrutura a visão de mundo do homem pós-moderno: um sujeito múltiplodisseminado, descentrado e com uma identidade instável. A autora afirma que o advento dascomunidades virtuais e da inteligência coletiva são as principais conseqüências da cibercultura.Embora as comunidades virtuais não sejam uma particularidade desta (STONE, apudSANTAELLA, 2003), a World Wide Web, as potencializa. Por comunidades virtuais, entende-segrupos de pessoas conectadas globalmente na base de interesses e afinidades, em lugar deconexões acidentais ou geográficas. Para Levy (1999, p.129), estas comunidades ampliam asformas de debate público e as possibilidades de interação social, incluindo as presenciais. Eleafirma também que o objetivo último de toda comunidade virtual é desfrutar de uma inteligênciacoletiva. Estes dois fatores – comunidades virtuais e inteligência coletiva - somados àinterconexão dos computadores constituem os três princípios básicos da cibercultura. “A                                                            2 Para maiores informações das origens históricas da cibercultura, consultar Cibercultura, de Pierre Levy.1999
  21. 21. 21  interconexão condiciona a comunidade virtual, que é uma inteligência coletiva em potencial.”(Ibid, p. 134).Levy pondera que o processo de virtualização do mundo teve início com a escrita, que permitiua telecomunicação, a telepresença e a comunicação assíncrona. A novidade, segundo o autor,está na possibilidade de compartilhamento de uma memória comum por determinado grupo, emtempo real, independente da localização geográfica, horários ou número de participantes (1999,p. 43)2.3.1 O hipertextoO termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson para representar a ideia de uma escrita e deuma leitura não linear em um sistema de informática. Porém, de acordo com Lévy (1993, p. 25),o hipertexto pode ser uma metáfora válida para todos os âmbitos da realidade onde significaçõese interpretações estejam presentes. O autor identificou seis princípios do hipertexto, enquantomodelo teórico: I. Principio de metamorfose o A rede hipertextual possui uma configuração dinâmica. II. Princípio de heterogeneidade o Os nós e as conexões de uma rede hipertextual são de natureza heterogênea: analógica, digital, multimodais, etc III. Princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas o O hipertexto possui uma estrutura fractal, ou seja, a análise de cada um de seus nós pode revelar uma rede análoga em escala. IV. Princípio de exterioridade o A modificação da rede depende de um agente exterior indeterminado. V. Princípio de topologia o A forma da rede é determinada pelas associações entre os nós. VI. Princípio de mobilidade dos centros o A rede possui diversos centros móveis, trazendo ao redor de si diversas ramificações.Todos estes princípios se aplicam à forma como o ser humano cria, mentalmente, redes designificados por associação de informações. Não por acaso, este foi o modelo proposto pelo
  22. 22. 22  cientista Vannevar Bush (1945) para solucionar o já crescente problema de armazenamento erecuperação de documentos. Em seu ensaio visionário, “As We May Think”, Bush idealiza umaparato tecnológico constituído por uma rede hipertextual de informações em diversos formatos,chamado Memex. Nossa principal dificuldade em encontrar as informações de que precisamos estão relacionadas à superficialidade dos sistemas de indexação adotados. A informação é normalmente indexada ou em ordem alfabética ou em ordem numérica. Mas a mente humana não funciona dessa forma. Ela não opera por ordenamento alfabético ou numérico. Ela opera por associação. Quando ela apreende um item, ela salta imediatamente para o próximo que lhe é sugerido por associação de idéias, em função de algum processo complexo de elaboração de "trilhas" que é executado pelo seu cérebro. (Bush, 1945, p.)A aliança da metáfora de rede com o suporte informático, deu origem a um tipo de interface que“retoma e transforma antigas interfaces da escrita.” (Levy, 1993, p. 34). Uma interface éconstituída por uma série de dispositivos lógicos, classificatórios e espaciais que determinam otipo de relação do leitor com a informação. Por exemplo, os elementos de interfacedesenvolvidos a partir da técnica de impressão de Gutenberg, tais como páginas de títulos,cabeçalhos, numeração regular, sumários, notas e referências cruzadas possibilitaram o acessonão linear às informações, a segmentação do saber em módulos, a conexão a outras referênciasbibliográficas, etc. Além destes elementos visuais, Levy considera determinantes para aexperiência cognitiva: a natureza do suporte da informação (papiro, papel, argila, pergaminho,etc), a forma como este se apresenta (organização do livro em códex ou em rolos, por exemplo)e a portabilidade dos suportes (favorecendo ou não a mobilidade).A partir dos exemplos de Levy (1993, p.56-57) concluímos que o termo hipertexto – outexto em rede – é um mecanismo de estruturação de informações que flexibiliza oacesso aos documentos de um dado sistema. Os nós (elementos de informação), osconectores (elementos de orientação) e a estrutura não-linear caracterizam umdocumento hipertextual, a exemplo das bibliotecas, notas de rodapé, índices, etc. Osuporte digital em rede possibilitou: a navegação instantânea em hipertextos (e aampliação da escala), a associação de vários formatos de informação (imagem, texto,áudio, vídeo) e a mistura de fusão entre leitura e escrita (na medida em que osdocumentos digitais na web podem ser editáveis por seus leitores). Dentre os problemasdo uso do hipertexto como interface da cibercultura, o autor pontua a perda da noção detotalidade (não há totalidade no ciberespaço). A interface digital da tela doscomputadores oferece uma visão parcial do conteúdo, levando ao aumento da dispersão
  23. 23. 23  da atenção, e conseqüente necessidade de elementos de orientação para melhor acessoaos documentos. Por sua capacidade de tornar os hipertextos “explicitamentedisponíveis, diretamente visíveis e manipuláveis à vontade”, Levy considera “osesquemas, mapas ou diagramas interativos as interfaces mais importantes dastecnologias intelectuais de suporte informático.” O jornal encontra-se todo em open Field, já quase inteiramente desdobrado. A interface informática, por outro lado, nos coloca diante de um pacote terrivelmente redobrado, com pouquíssima superfície que seja diretamente acessível em um mesmo instante. A manipulação deve então substituir o sobrevôo. (LEVY, P. 36)2.3.2 Elementos originais da cibercultura – bancos de dados, imagens de síntese eprogramasAlém da peculiaridade da codificação digital, sistema fundamental de gravação e transmissão deinformações na cibercultura, Levy (1999, p. 62) aponta dois conceitos originais em relação àsmídias já estudadas: a informação em fluxo e o mundo virtual. Ambos são consideradosdispositivos informacionais, pois qualificam a estrutura da mensagem.O espaço de fluxos diz respeito aos dados armazenados em bancos digitais, passíveis deatualização a qualquer momento (tempo real), e recuperáveis graças a sistemas especialistas e aprogramas de simulação. Se comparada à oralidade primária, quando não se dispunha detécnicas de armazenamento exterior ao corpo, e à sociedade histórica, fundada sobre a escrita,LEVY conclui que o saber informatizado afasta-se tanto da memória (o saber de cor), que oconceito de verdade (no sentido de exatidão) perde sua importância em função de outros valorescomo a operacionalidade e a velocidade. (Ibid, p.119). Desta forma, critérios de pertinêncialocal e temporal substituem os de universalidade e objetividade, instaurados pelo pensamentocientífico. Se a função do pensamento teórico é a de explicar ou esclarecer um fenômeno, cabeaos simuladores dizer “como”. (Ibid, p.121) Por analogia com o tempo circular da oralidade primária e o tempo linear das sociedades históricas, poderíamos falar de uma espécie de implosão cronológica, de um tempo pontual instaurado pelas redes de informática. (LEVY 1999, p. 115)
  24. 24. 24  O segundo conceito original da cibercultura é o mundo virtual, formado por imagens de síntese,também chamadas de infografias3, imagens de terceira geração (PLAZA, 1993). Uma imagem éclassificada desta forma se for obtida por processos de síntese numérica digital e, portanto, porter um caráter originalmente virtual4, não mantendo nenhuma relação física com algo pré-existente. O resultado da digitalização de uma fotografia (imagem analógica) não é, portanto,uma imagem de síntese, mas, uma imagem digital. Toda imagem de síntese é também umaimagem digital, mas nem toda imagem digital é uma imagem de síntese. (PARENTE, 1993, p.284). Este método original de produção de imagens, “subverte os conceitos de cópia, de originale de reprodutibilidade” (PLAZA, 1993, p. 284). Quéau (1993, p.93), por sua vez, chama nossaatenção o fato de que estas imagens são essencialmente linguagens com potencial para avisualização, e que nisto reside seu poder: “em sua capacidade de interação com o espectador ena possibilidade de geração em tempo real”.Flusser (2007) propõe um estudo das formas de codificação da informação em duas categorias:linha e superfície. O registro linear foi propiciado pela tecnologia da escrita, como já foi ditotambém por Levy (1999). Os códigos de superfície, por sua vez, propiciam um tipo deexperiência diferente entre sujeito e informação, e caracterizam o modelo predominante denossa época (Ibid, p.102). São imagens de todos os tipos, analógicas ou digitais, dinâmicas ouestáticas e também as cores, por seu poder de transmitir mensagens. O filósofo destaca ainda anatureza numérica das imagens de síntese que propiciou um novo modo de produção imagético.Sobre este fenômeno, Flusser adverte: “temos que aprender a renunciar as explicações causaisem favor do cálculo de probabilidades...” O mundo virtual pode ser considerado, então, como aquarta dimensão da imagem (PARENTE, 1993), um espaço contínuo, com o propósito defavorecer a exploração de simuladores ou modelos por usuários. Este tipo de conhecimento porsimulação digital de um sistema modelado (planilhas, simuladores, games, etc) favorece umaforma de conhecimento distinta do “conhecimento teórico, da experiência prática e do acúmulode uma tradição oral” (LEVY, p.122). Enquanto a escrita é uma tecnologia intelectual queexpande a memória de curto prazo, a informática de simulação e visualização expande aimaginação e a intuição (Ibid, p.126). Trata-se de um conhecimento de cunho operatório, onde ainterpretação (requisito da escrita) dá lugar à exploração.                                                            3 Não confundir com o termo infografia (gráfico informativos), usado para definir uma representaçãodiagramática de dados. (Cairo, 2008; 21).4 Segundo LEVY, "(...) o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao possível,estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças queacompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama umprocesso de resolução: a atualização." (1996, p.16)
  25. 25. 25  Sobre a infra-estrutura técnica do virtual, Levy destaca os programas(em inglês, software) que são listas de instruções codificadas destinadas a fazer com que osprocessadores cumpram determinadas tarefas. O ciberespaço está repleto de programas com asmais diversas funcionalidades. Os programas aplicativos permitem ao computador prestarserviços específicos aos usuários, como editores de textos, planilhas, calculadoras, envio de e-mails, navegadores web, buscas em bancos de dados e blogs5. Por meio de “knowbots”, ou“agentes inteligentes” os usuários podem delegar tarefas para os computadores, substituindo ainteração por manipulação direta por interação com assistentes automatizados. (SANTAELLA,2003, p.109). Este paradigma emergente tem sido chamado de gerenciamento indireto (COSTA,1999) e parece ser uma tendência de interface.Por fim, é importante lembrar que a compatibilidade entre softwares e hardwares6 na rededepende da adoção de padrões como os estabelecidos e regulamentos pela W3C7. Estainterconexão, como vimos, é um dos princípios básicos da cibercultura. É ela quem tornapossível uma civilização de telepresença generalizada.2.3.3 Cibercultura 2.0Santaella (2009) e Lemos (2005) defendem que o advento de um conjunto de processos e detecnologias inauguraram uma nova fase de desenvolvimento da cibercultura, marcada pelacomputação móvel e pervasiva associada aos sistemas de localização geográfica (GIS). Estacombinação deu origem às mídias locativas digitais, em que conteúdos são agregados a umlugar específico, “servindo para funções de monitoramento, vigilância, mapeamento,geoprocessamento, localização, anotação ou jogos.” (LEMOS, 2008). Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. (...) Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”. (Manifesto sobre Mídia Locativa, Lemos, 2009, online)                                                            5 Blog: Abreviação de “web blog” (registro de informações na web), o termo inicialmente se referia a umaplataforma tecnológica que permitia atualização fácil e rápida de conteúdo na web. Cada vez mais, passoua se referir a uma forma de publicação de origem alternativa, em resposta a informações que circulam emoutros blogs ou nas mídias comerciais. (Jenkins; 2008, 330)6 Software: conjunto de instruções em lingaugem de máquina que controlam e determinam ofuncionamento do computador e de seus periféricos. Hardware: qualquer componente físico de umcomputador. (LEVY, 199, 259)7 O Consórcio World Wide Web (W3C) é um consórcio internacional no qual organizações filiadas, umaequipe em tempo integral e o público trabalham juntos para desenvolver padrões para a web. A missão doórgão é conduzir a World Wide Web para que atinja todo seu potencial, desenvolvendo protocolos ediretrizes que garantam seu crescimento de longo prazo. Acessível em: http://www.w3c.br/sobre/
  26. 26. 26  Novas práticas sociais têm emergido deste cenário em que o indivíduo tem acesso à rede pormeio de dispositivos sem fio, e onde intervenções virtuais podem ressignificar a percepção dedeterminado espaço geográfico, como no caso da realidade aumentada. As principais diferençasentre mídias locativas digitais e análogicas estão dispostas no quadro 6.Santaella aponta que nesta segunda fase da cibercultura, a dicotomia real/virtual deixa de fazersentido. O que está em jogo é a emergência de espaços interticiais. Os espaços intersticiais referem-se às bordas entre espaços físicos e digitais, compondo espaços conectados, nos quais se rompe a distinção tradicional entre espaços físicos, de um lado, e digitais, de outro. Assim, um espaço intersticial ou híbrido ocorre quando não mais se precisa “sair” do espaço físico para entrar em contato com ambientes digitais. (Santaella, 2008, p.21) MÍDIA LOCATIVA DIGITAL MÍDIA LOCATIVA ANALÓGICA Informação massiva genérica sem Personalização da informação, identificação feedback ou processamento. do usuário. Mídia “smart”. Dados digitais e bancos de dados com Dados primários estáticos. informações de contexto local. Emissão por redes sem fio e captação em dispositivos Estática, “vista ao acaso”. móveis. Pervasiva e sensitiva. Processamento e customização da informação (controle, monitoramento, personalização). Não processa informação. Dados variáveis e modificáveis em tempo real. Dados estáveis. Quadro 6 - Comparação entre mídias locativas digitais e analógicas – Lemos (2008)
  27. 27. 27  Lemos (2008) prefere o termo “territórios informacionais” para definir estas “áreas de controledo fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaçourbano”. “O ciberespaço é, ao mesmo tempo, lócus de territorialização (mapeamento, controle,máquinas de busca, agentes, vigilância) mas também de reterritorialização (blogs, chats, P2P,tecnologias móveis)” (LEMOS, 2006, p. 15). Se antes as trocas informacionais eram originadasem meios massivos, com a cibercultura a interação entre pessoas passa, também, a ser efetuadapela internet fixa, mas limitada a lugares com estrutura de fios de eletricidade (escritório, lares,escolas). Na fase emergente, a troca de informações emerge de objetos que emitem localmenteinformações, processadas através de artefatos móveis conectados à rede mundial decomputadores. Os próprios artefatos comunicam-se automaticamente entre si, realizando o quetem sido chamado de “internet das coisas”, internet 3.0 e Web 3.0.Dentre as principais tecnologias relacionadas a este feito, destacam-se: “dispositivos móveis(telefones celulares, smartphones, GPS), redes telemáticas sem fio (Wi-Fi, Wi-Max, Bluetooth,GPS) e sensores (RFID, principalmente)” (Lemos, 2009, p. 623). Estes artefatos permitem queinformações locais sejam armazenadas em bases de dados remotos, e recuperadas quando ousuário estiver em uma posição geográfica específica. Em 2008, o jornal New York Times e oGoogle fecharam uma parceira para possibilitar a indexação de notícias no Google Earth,inaugurando a prática do geo-jornalismo online. Desta forma, os leitores do jornal podemnavegarpelas notícias de uma forma completamente nova: geograficamente. Outra prática emergente eem ascensão, é o jornalismo “hiperlocal” que une colaboração de usuários e coberturacomunitária, como o Bairros.com8, do Jornal O Globo.                                                            8 http://oglobo.globo.com/rio/bairros/
  28. 28. 28    CIBERCULTURATIPO DE CULTURA Primeira Fase Segunda Fase Computadores móveis Computador desktop (fixo) + (digitalização da informação) Redes sem fio + + Telecomunicações (rede) Sistemas GIS (tecnologia de mapeamento geográfico)TECNOLOGIAS Convergência de mídias Advento das mídias locativas digitais Internet das pessoas Convergência de mídias Internet das coisas Agentes compartilham hipertextos próximos, mesmo estando geograficamente dispostos. Forma de socialização: comunidades virtuais/redes sociaisPRAGMÁTICA DACOMUNICAÇÃO Exploração da realidade móvel aumentada Exploração da realidade virtual no espaço urbano Desterritorialização Hibridação do espaço físico com o ciberespaço CiberespaçoCARACTERÍSTICA A memória social é objetivada, mas em constante transformação, construída e desconstruídaDA MEMÓRIA coletivamente, intermediada por computadores em rede TEMPO REALPERCEPÇÃO
  29. 29. 29   DO TEMPO Declínio do estatuto de verdade e da crítica (uso de simuladores e modelos operacionais) Valorização da imediatez e da mudança Pertinência local das informações (diminui a pressão pelo universalismo) Simultaneidade e descentralização Multiplicidade de escolhas / exploração Autoria e co-autoria / negociação Fragmentação, dispersão, alinearidade Cultura de acesso e não de posse Identidade instável Interação e iteração ImaginaçãoVALORES Registros em bancos de dados Reterritorializações (territórios informacionais): Novas formas de apropriação do urbano Desterritorialização Importância do Contexto (hiperlocal) Acesso por redes fixas Mobilidade Apropriação do ciberespaço ConectividadeLINGUAGEM Hipertextual / hibridização / Interação
  30. 30. 30  III. ESTUDO EMPÍRICOO referencial teórico aqui estudado nos permitiu compreender melhor que caminhosseguir no trabalho de campo, pois algumas características do jornalismo impresso quejulgávamos ser decorrentes do advento da internet são devidas a tecnologias maisremotas, como o telégrafo, por exemplo. Em decorrência do exposto, foram entãodiscriminadas seis categorias de análise das interfaces impressa e online de O Estado deS. Paulo, Folha de S.Paulo, Estado de Minas e O Globo, e apenas online para os jornaisG1 e New York Times. Por interface, adotamos a definição de Levy: “Uma série dedispositivos lógicos, classificatórios e espaciais que determinam o tipo de relação do serhumano com a informação” (1993, p. 34)Categorias de análise de interfacePosicionamento da marca: público, história, marca (símbolo, slogan e nome) endereçona web. Observar a correlação entre o posicionamento impresso e online e se a forma deacesso online é intuitiva, como o nome do domínio, por exemplo. Verificar se há umaidentidade corporativa entre as duas presenças ou se a imagem da marca é fragmentada.Estrutura do jornal - Cadernos e suplementos: (nomes e número de cadernos e suplementos).Observa se as versões online mantêm a mesma categorização que os impressos e sesurgiram novas categorias como advento da web. - Primeira capa - As capas de jornais impressos sofreram alguma mudançaestrutural e simbólica que possa ser atribuída à cibercultura? (Para jornais em que foipossível analisar edições anteriores à web, comparar antes e depois.) Observar também: o Variedade de assuntos por página o Tamanho dos textos (informação por texto + informação por imagens)Elementos de hipertextualidade: elementos que quebram asequencialidade/linearidade do texto ampliando as informações relativas ao assunto.
  31. 31. 31  Códigos de superfície: (cores, gráficos, ilustrações, fotografias, infográficos, etc)Alguma transformação pode ser notada nos jornais em relação ao uso de recursosimagéticos?Por infográficos, adotamos a definição de Cairo (2008: 21), para o qual infografia é uma“representação diagramática de dados”; bem como sua proposta de classificação (p.29),em infográficos estetizantes (predomínio de ilustrações informativas) e analíticos(visualização de dados; gráficos estatísticos).Interação com o leitor: Observar se há opções para o leitor interagir com o Jornal ecom outros leitores e a presença do Jornal em mídias sociais.Convergência de mídias (tv/rádio/revistas/web etc) O fenômeno da convergência demídias é notada? Por quais indicadores?Presença online extra site – Observar se há formas de o conteúdo do jornal seracessado por outros meios além do site e do jornal impressoFormas opcionais de visualização e filtro do conteúdo - Observar se o jornal onlineoferece outras formas de visualização de seu conteúdo: como simulação da versãoimpressa (flip page) ou acesso por filtros prévios ou livres (ferramenta de busca)Publicidade – Observar os tipos de anúncios em cada meio, a quantidade e o espaçodedicado à publicidade.A seguir, serão apresentadas as respostas a estas perguntas para cada um dos jornaisanalisados. Para fins didáticos, cada categoria será analisada primeiro para a versãoimpressa e, logo depois, para a versão online. No capitulo 4, será feita uma análisecrítica dos resultados aqui apresentados, uma vez que nossa intenção não é comparar osjornais entre si, mas encontrar padrões de comportamento e tendências em suas práticasmais emergentes que nos mostrem qual o estágio de apropriação da web por estesegmento.
  32. 32. 32  3.1. Jornal Estado de MinasNos jornais do período de 1985 a 2001 não foram aplicadas os critérios as categorias de analisedefinidas no item três (estudo empírico). Essas categorias só se aplicam aos jornais analisadosem 2009 por estarem inseridos no contexto da web 2.0.Em 2008 o jornal Estado de Minas comemorou 80 anos de existência. Publicado pela primeiravez no dia 7 de março de 1928, esse periódico, considerado um dos mais importantes jornaismineiros, faz parte dos Diários Associados, um poderoso grupo de comunicação, criado porFrancisco de Assis Chateaubriand em 1924. Ao longo dos anos, o EM foi, diversas vezes,premiado internacionalmente pelo seu design gráfico e até hoje é referência nessa área.Nessa pesquisa analisamos exemplares do jornal do período que vai de 1985 até 2009.Iniciamos a analise a partir de 1985 para observar o impresso antes do advento da Internet. Aanálise de edições de 1988 teve como objetivo observar o início da utilização de imagens empolicromia em algumas páginas do jornal, contudo, tirando este fato, a estrutura diagramáticadesse período é muito similar à de 1985. As análises se referem aos anos das reformasocorridas no Estado de Minas.Em 1996 houve uma reforma gráfica (que normalmente ocorre ao mesmo tempo em que areforma editorial), contudo a reforma editorial ocorreu apenas em 1998, portanto levantamosdados sobre esses dois períodos. Em 2001 houve outra reforma gráfica e editorial. E a última foiem 2004. Como o projeto gráfico de 2004 está vigente até hoje, optamos por incluir napesquisas as edições de 2009, ano de publicação deste artigo. Com a finalidade de estudar todosos cadernos publicados em cada período, decidimos analisar edições de todos os dias dasemana, com exceção de 1985 e 1988, quando o jornal não era publicado nas segundas. Dessaforma procuramos entender como a estrutura diagramática do jornal foi se transformando com oobjetivo de adequar a leitura a uma nova dinâmica.As datas das edições analisadas são:1985 – 26/11/85 – 27/11/85 – 28/11/85 – 29/11/85 – 30/11/85 – 01/11/851988 – 20/03/88 – 22/03/88 – 23/03/88 – 24/03/88 – 25/03/88 – 26/03/881996 – 07/03/96 – 08/03/96 – 09/03/96 – 10/03/96 – 11/03/88 – 12/03/88 – 13/03/881998 – 31/05/98 – 01/06/98 – 02/06/98 – 03/06/98 – 04/06/88 – 05/06/88 – 06/06/882001 - 07/03/01 – 08/03/01 – 09/03/88 – 10/03/88 – 11/03/88 – 12/03/88 – 13/03/082009 – 27/10/09 – 28/10/09 – 29/10/09 – 30/10/09 – 31/10/09 – 01/11/09 – 02/11/092009 (edições complementares de domingo) – 31/05/09 – 14/06/09 – 21/06/09 – 05/07/09 –19/07/09 – 20/07/09 – 26/07/09 – 23/08/09 – 13/09/09
  33. 33. 33  O Estado de Minas em 1985Os cadernos existentes na época eram: Turismo, (figura 01) 2º Seção, Agropecuário(complemento), Dinheiro Vivo, Feminino, Fim de Semana, Classificados especiais, Veículos ePequenos anúncios.Figura 1 - Caderno De Turismo Em 1985Na capa do jornal havia algumas notas completas: nesse caso, toda a notícia se encontrava nacapa, não havia indicação para o miolo. Contudo a maior parte delas contava com indicaçõespara a página onde se encontra a matéria completa. Os elementos gráficos na capa serestringiam às fotografias (figura 2).Figura 2 - Capa 1985Os textos da capa eram extensos e organizado em seis colunas. No geral, havia umahierarquização das notícias. Para destacar alguns elementos na página, eram utilizados algunstítulos em itálico, quadros informativos, linhas e tipografia em tamanhos variados. Nesteperíodo, o jornal ainda não era impresso em policromia.
  34. 34. 34  O uso de fotos e recursos gráficos não era tão freqüente quanto no jornal atual, porém emcadernos como “fim de semana” e “feminino” (figura 3) havia uma preocupação maior com ouso de imagens e outros recursos. A maior parte desses elementos eram ilustrações. Haviatambém algumas charges, que ocupavam um espaço ainda tímido na página. Na época já existiaum infográfico sobre previsão do tempo (figura 4). Figura 4 Figura 3 - Caderno Feminino – 1985O espaço para diálogo com o leitor era reduzido, a seção ‘Cartas à redação’ ocupava apenasuma coluna (figura 5). Figura 5 - Cartas à Redação (em destaque)A interação com outros meios de comunicação era grande. Cinema, TV, teatro e música eramassuntos recorrentes na publicação e também havia muita publicidade sobre esses meios. Havia
  35. 35. 35  uma seção chamada “telemania” com novidades sobre o universo televiso, além de comentáriosfeitos por um especialista. Às vezes eram publicadas cartas de leitores, que opinavam sobre umprograma de TV. Essa interação era voltada principalmente para a divulgação de filmes eprogramação das principais emissoras, também havia dicas sobre peças de teatro em cartaz.O Estado de Minas de 1988Em 1988 o jornal usa, pela primeira vez, imagens em policromia na capa do impresso e na capade alguns cadernos (Figura 6). O miolo continuava monocromático. Os cadernos eram osmesmos de 1985, contudo o estilo tipográfico de alguns títulos foi alterado. A capa continuavaapresentando uma predominância textual com poucos recursos gráficos.Os anúncios publicitários eram frequentes, alguns ocupando a página inteira. Os maisrecorrentes eram sobre o Governo de Minas Gerais, no caderno de política, eletrodomésticos eeletrônicos e comunicados.Figura 6 - Imagem policromia – Caderno De Esportes (20/03/1988)
  36. 36. 36  O Estado de Minas de 1996Foi a partir da queda da “Lei de reserva de mercado para Informática” em 1992, que o Estadode Minas começou a investir em páginas visualmente mais atrativas. Foi nessa época tambémque as editorias de arte, infografia e ilustração foram criadas no EM.Com a chegada da internet e de tecnologias gráficas, alguns pontos, como informações visuais einteratividade ganharam importância e projeção. Em 1996 podemos perceber várias mudançasno Estado de Minas. No dia 07 de março de 1996, foi implementada uma reforma gráfica, feitapelo designer cubano Mario Garcia. A reforma começou em novembro e 1995, atingindo,primeiramente, o caderno “Informática” e “Telecomunicações” para depois ser implantada norestante do jornal.Nessa época, a organização das editorias do jornal foi modificada, existia o caderno principal,que era dividido em várias seções, como: Economia, Esportes, Exterior, Indicadores e dólar,Nacional, Opinião, Policia e Política, Local, Ciência e Tecnologia e Consumidor. Além disso,havia vários outros cadernos e suplementos. Eram eles: Especial, Esportes (Figura 7)Espetáculo, Gerais, Pequenos anúncios, Turismo, Gabarito, Gurilândia, Feminino, Veículos,Final de semana, Informática, Agropecuário. As cores eram utilizadas em alguns títulos com oobjetivo de destacar e evidenciar determinados conteúdos.Figura 7 - Capa de caderno em 1996A capa (figura 8) deste período apresenta elementos de alinearidade como índice e chamadascom indicação da página da matéria. Notamos aí a introdução da indicação do site do Estado de
  37. 37. 37  Minas, que aparece bem timidamente no final da última coluna, no rodapé da página (marcação1).Figura 8 - Capa de 1996Nessa época, os recursos gráficos utilizados nas páginas do impresso ganharam mais espaço,como forma de atrair o leitor e facilitar a absorção do conteúdo. A hierarquização dos elementostorna-se mais evidente, recursos como tabelas, cores, títulos de retrancas (Figura 9) foramintroduzidos com o objetivo de hierarquizar o texto e facilitar a leitura.O tamanho da fonte do titulo e do subtítulo na página também reflete a hierarquização. Notamosclaramente a presença de notas, matérias e reportagens, mas os textos se tornaram mais enxutos,já que havia mais elementos gráficos como ilustrações. Nesse momento, a internet já estava emfase de crescimento, e o processo de informatização das redações já havia começado.As imagens passaram a ser usadas mais freqüentemente em todo jornal e o espaço ocupado porelas também passa a ser maior. Havia diversos elementos gráficos que destacavam o texto comolinhas e espaçamentos maiores. Havia também ilustrações, quadros de informações, além dealguns infográficos (figura 10).
  38. 38. 38  Figura 9Figura 10 - InfográficoA interatividade com o leitor também aumenta nesse período. O jornal passa a dedicar maisespaço para a seção Cartas à Redação. Foi criado o Tell Service Cidadão, que permite ainteração do leitor através de pesquisas de opinião, além disso, o Tell Service também éutilizado como um serviço de apoio à sociedade, disponibilizando informações sobre saúde,educação, lazer, entre outros. Por último, através do Tell Service, o EM divulga informações,que por questão de horário, não foram publicadas na edição do jornal do dia anterior, chamadode Jornal Interativo (figura 11). Também há a seção fale com o editor, espaço para que o leitortire dúvidas e dê sugestões. O número do telefone comercial de vários departamentos efuncionários do EM também foram incluídos ao lado do título de algumas seções e cadernos,

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