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contra manifestantes desarmados, matando dezenas de         SURPRESA: A TUNÍSIA ERA1        UMA DITADURA                  ...
tropas da Otan não param Israel? Que interesses estão em jogo                                                             ...
no destino do mundo. De um jeito ou de outro, os rios correm                                                              ...
firmas ocidentais", acrescentou. Kadhafi também disse que a                                                               ...
líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli.                                                      Estima-se...
quem afirmaria, em outubro de 1989, que em 9 de                                                                  novembro ...
De volta às ruas. Os manifestantes egípcios ensinaram uma lição: é                                                        ...
essa ferramenta seria responsável por revoluções. O trecho de um                                                          ...
Outro defensor da ideia de que blogs, redes e afins podem atuar comopropagadores de informação, Clay Shirky, professor de ...
Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina   Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
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Vários mundo árabe

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  1. 1. contra manifestantes desarmados, matando dezenas de SURPRESA: A TUNÍSIA ERA1 UMA DITADURA jovens, o presidente estadunidense Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary permaneceram em silêncio. Não Clinton, Quando eu ingressei como redator na editoria de abriram a boca nem mesmo paraassuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega tentar conter o massacre. Só seveterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre manifestaram depois que Ben Alias centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam fugiu do país, como um rato, carregando na bagagem maismerecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. "É só de uma tonelada de ouro.olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham Mohamed Bouazizi ateou fogo em si mesmo na cidademais importante", sentenciou. Pragmático, ele adotava esse de Sidi Bouzid (centro do país) quando policiais impedirammétodo como um meio seguro de evitar que o noticiário da que ele vendesse vegetais em uma banca de rua semFolha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua permissão.vez, se comportavam do mesmo modo. Na realidade, O caso da Tunísia não é o único na região. No vizinhoportanto, quem pautava a cobertura internacional da Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarakimprensa brasileira era um restrito grupo de três agência governa ditatorialmente desde 1981. Suas prisões estãonoticiosas -- Reuters, Associated Press e United Press lotadas de opositores políticos e as eleições ocorrem emInternational, todas afinadíssimas com as prioridades meio à fraude e à violência, o que garante ao governo quasegeopolíticas dos Estados Unidos. todas as cadeiras parlamentares. Mas o que importa, para o Passadas mais de duas décadas, a cobertura "Ocidente", é o apoio da ditadura egípcia às posiçõesinternacional da mídia brasileira ainda se orienta por estadunidenses no Oriente Médio, em especial suadiretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as conivência com o expansionismo israelense.agências enfrentam a competição de outros fornecedores de Por isso, a ausência de democracia em países comoinformação, como a CNN e os serviços de empresas como a a Tunísia e o Egito nunca recebe a atenção da mídiaBBC e o New York Times, oferecidos pela internet. Mas o convencional, ao contrário da condenação sistemática deconteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações regimes autoritários não-alinhados com os EUA, como o Irãinternacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com e o Zimbábue. É sempre assim: dois pesos, duas medidas.mínimas variações em todos os continentes, são quasesempre aquelas que correspondem aos interesses de *Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato. Igor Fuser é jornalista, doutorando emWashingon. Ciência Política na USP, professor na Faculdade Cásper Líbero e membro do Conselho Editorial Quem confia nessa agenda está condenado uma do Brasil de Fato.visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revelaquando ocorrem "surpresas" como a rebelião popular quederrubou o governo da Tunísia. De repente, o mundo tomouconhecimento de que a Tunísia -- um país totalmenteintegrado à ordem neoliberal e um dos destinos favoritosdos turistas europeus -- era governada há 23 anos por umditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como é queninguém sabia disso? A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísiaporque se tratava de um regime servil aos interessespolíticos e econômicos dos EUA. O ditador Ben Ali nunca foirepreendido por violações aos direitos humanos e, mesmoquando ordenou que suas forças repressivas abrissem fogo Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  2. 2. tropas da Otan não param Israel? Que interesses estão em jogo neste tabuleiro árabe? Creio que mesmo com as poucas UMA PALAVRINHA SOBRE AS informações que temos pode-se fazer uma análise mínima.2 LUTAS NO MUNDO ÁRABE E a esquerda? Bem lembra Carlos Terán que a esquerda mais ortodoxa sempre se negou a ver como processo revolucionário o que aconteceu na Venezuela, na Bolívia. Por que agora esse povoHesitei um pouco em escrever sobre o que ocorre hoje no mundo se põe a saudar como “revolução, revolução” o que ocorre noárabe. Tudo é muito distante de nós e as informações precisam ser mundo árabe? Sendo que, no geral, na verdade, praticamentemuito bem checadas para não dizermos besteiras. Mas há coisas nada está mudando, a não ser o nome dos governantes. Osque são gritantes. Mais do que nunca o estudo feito por Chomsky projetos seguem sendo os mesmos.há décadas se faz absurdamente real. É incrível como a mídia, de Correndo o risco de ter de prestar contas à história eu merepente, descobriu que havia ditadores no mundo árabe. Do nada, dou ao direito de observar melhor, com mais calma, estudandoessa palavra começa a pipocar em todos os jornais e revistas. Até mais o modo de ser do mundo árabe, que é muito diferente doentão, para os meios de comunicação, ditador mesmo era só o nosso. Mas sem nunca deixar de fazer as perguntas que precisamFidel, em Cuba. No geral, lá para as bandas do mundo árabe, eram ser feitas. Nos anos 70 estive bastante ligada às propostas quetodos amigos dos Estados Unidos e como lembra Chomsky, vinham da Líbia, da Palestina, apoiando a luta daqueles que sequando são os “amigos” os que cometem crimes, o tom das levantavam para garantir soberania e outra forma de organizar adenúncias muda de figura. Gente ruim era a turma dos palestinos, vida. Hoje, vejo com tristeza o desmonte de mais um reduto dedada a violência gratuita. Mas os homens do poder dos países resistência ao império estadunidense. Não tenho medo de usar aárabes “amigos” eram tudo gente boa, democrática, que palavra revolução. Mas, espero que seja de fato, um processo deofereciam vida farta ao seu povo. Quem nunca viu na “vênus mudança o que está em curso.platinada” os documentários sobre a Arábia Saudita ou Dubai? Só A famosa democracia, tão proclamada pelos Estadosbelezas! Kadafi, por outro lado, sempre foi mostrado como um Unidos quando é para fazer com que as coisas sejam do seu jeito,“terrorista”, a exemplo do velho Arafat. É que eles não estavam não é modelo para ninguém. Vide Afeganistão e Iraque, onde asalinhados ao governo estadunidense, logo, todas as suas sujeiras tropas estadunidenses implantaram a “democracia”. Votar a cadasempre receberam muita luz. Como já disse, Chomsky mostrou quatro anos tampouco é democracia. Essa palavra tão desgastadaisso muito bem no seu livro “Os guardiões da liberdade”. pede adjetivos e pede participação real dos povos. Derrubar um Agora, diante das mobilizações populares que homem é coisa possível. Derrubar um jeito de organizar a vida équestionaram vários destes governos sustentados há décadas pelo outra coisa. Até agora, as lutas populares que estiveram em altapoder estadunidense, nas tramóias da ganância sobre o petróleo, no mundo árabe derrubaram pessoas. O sistema se mantéma mídia começa a falar das sujeiras. Mas tudo muito rapidamente. incólume. O que espero, com profunda reverência revolucionária,A luz vai sendo colocada nas mobilizações e nas medidas imediatas é que esta mesma gente seja capaz de mudar as estruturas. Deque são tomadas para barrar os “banhos de sangue”. Diante dos garantir a participação real e cotidiana, de criar o novo. Aí sim,fatos, o que mais se vê é o que diz o presidente dos Estados temos revolução!Unidos. “Obama exige que Mubarak renuncie”. Mas ora vá, que Elaine Tavares é jornalista (Brasil de fato)tem Obama a ver com isso? A Globo não explica muito bem. Porque motivo o presidente de uma nação vem querer cantar de galoem outra? Quais as ligações que unem esses seres? “Os rumores sobre mim são falsos. Agora, a bola da vez é o Kadafi. Um homem que nadécada de 60 ousou falar de nacionalismo árabe, que afrontou os Não nasci numa manjedoura.Estados Unidos e que deu outra dinâmica para a vida naqueleespaço geográfico. Um homem que não se propôs a fazer na Líbia Na verdade, eu nasci em Kryptono socialismo sonhado por boa parte da esquerda, mas que tentoucomandar seu país dentro da lógica da sua cultura e do seu desejo E fui enviado para salvar o planetade ser livre. Outra dinâmica, muitas vezes incognoscível para nós,da cultura ocidental. Nos dias atuais, fala-se das suas excessivas Terra.”ligações com países europeus e com multinacionais. Estava lá ele Barack Obama -tentando manter seu país no jogo dos negócios mundiais. Coisa 2008para analisarmos com mais cuidado. Pois diante dos protestos que ocorrem agora em todo opaís, no rastro de pólvora iniciado pelo povo tunisiano, Kadafi sevê ameaçado de invasão por tropas da Otan. E quem foi que deuessa idéia brilhante? Obama! De novo, o presidente de um paísque invadiu o Iraque e matou quase sete milhões de pessoas,grande parte civis. Por que a mídia nunca reagiu com tantaveemência diante dos crimes dos EUA? Por que as gentes doIraque não merecem o mesmo respeito que estão tendo agora opovo da Tunísia, do Egito, do Baheim? Em que o povo que lutadesesperadamente pela liberdade no Iraque é diferente? Por quenão vemos a mesma indignação nos olhos dos âncoras da TVquando os palestinos são massacrados diariamente? Por que as Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  3. 3. no destino do mundo. De um jeito ou de outro, os rios correm para o mar. De um jeito ou de outro, os povos do mundo, de modo particular 3 LIÇÕES DAS MULTIDÕES os pobres do mundo, estão percebendo que o mundo só tem ÁRABES salvação por eles mesmos. Um olhar profundo e generoso sobre a humanidade só pode vir deles. É este o significado que deve ser Emiliano José 10 de março de 2011 às acolhido não apenas pelos árabes, mas por todos os que imaginem10:39h uma Terra mais justa, mais acolhedora, mais respeitadora dos direitos humanos. Mais globalizada para todos.Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas. A Não se queira tolher participações populares. É inútil. Há umafrase foi recolhida de um muro de Quito por Eduardo Galeano, e torrente globalizada, de uma sociedade em rede, de pobres que seestá em seu saboroso Palavras Andantes, e tem o condão de nos articulam, de multidões que não se conformam mais em ficar àcolocar diante do mundo de hoje, do atual mundo, atualíssimo margem do destino do território onde vivem, em ficar à margemmundo, e suas revoluções. Tínhamos, queríamos ter, todas as da história. Não se trata de uma profecia. Nem deve assustarrespostas, especialmente nós, de esquerda, acostumados a ninguém.alguma regras que os manuais nos ensinavam, e que agora vão Trata-se de saudar esse novo momento na história, recolher ossendo subvertidas pela realidade, dura e maravilhosa realidade ares e lições desse novo admirável mundo novo, e compreenderdos povos em luta. As multidões não leram os nossos manuais. E que a democracia não pode ser apenas a democracia de eleições.as nossas regras, coitadas, tão perfeitas, perderam atualidade. Ou Tem que ser muito mais. Tem que admitir a participação direta dosnão? Quem sabe… povos. E com urgência. As labaredas árabes estão a nos ensinar.A direita, também, e mais do que nós da esquerda, anda tonta. Ninguém pode dizer que não foi avisado.Desde que Fukuyama andou falando besteiras em tempo de No caso brasileiro, é verdade aquilo que o professor dosucesso do neoliberalismo. Se é verdade que a história não Departamento de Ciência Política da Universidade Federal decaminha para nenhum fim predeterminado e glorioso, como Minas Gerais, Leonardo Avritzer, disse à CartaCapital de 2/3/2011,imaginávamos nós em tempos não tão remotos, também é sobre o fato de a sociedade civil não ser nem tão apática quantoabsolutamente verdadeiro que a história não terminou, como se supõe, nem tão alijada como se imagina. Sem dúvida alguma,imaginou Fukuyama no seu delírio e prostração diante do deus como ele diz, tem aumentado a influência da sociedade civil namercado. elaboração das políticas públicas. Cresceu a participação dosAs insurreições dos países árabes revelam não apenas o admirável conselhos. Não há uma sociedade amorfa, como querem algunsmundo novo das novas tecnologias, mas a vontade política das desesperançados na política.multidões a sacudir as nações, subverter ordens, suscitar novas E a participação da sociedade civil tende a crescer, o protagonismoperguntas, desafiar o pensamento revolucionário e democrático do povo tende a se acentuar. As multidões se movimentam. Noda humanidade. mundo e no Brasil. As lições do Oriente estão quentes. Os queNo pensamento ocidental, havia quase que uma sacralização da governam, os que estão no Legislativo, no Executivo, no Judiciárioordem árabe, de suas estruturas autoritárias, como se nada não devem perder isso de vista. Não podem se isolar em seuspudesse perturbá-la ou como se uma eventual perturbação gabinetes. Têm de escutar o clamor das multidões, mesmo quandopolítico-social nunca pudesse ultrapassar a lógica interna de suas o barulho não seja tão grande. Escutar a voz das ruas é umculturas, como se a democracia não pudesse contaminar aquele conselho sábio, e que vem de tempos imemoriais. Ainda paramundo. Entre nós havia até uma aceitação quase passiva de recorrer à entrevista do professor Avritzer, não custaria, porpráticas profundamente desumanas e contrárias aos direitos exemplo, ao Judiciário permitir a participação da sociedade civil nahumanos mais elementares, e cito o tratamento dado às sabatina dos juízes indicados ao Supremo e até outrosmulheres. Não tenho ilusões sobre mudanças súbitas na mecanismos que garantissem uma participação mais decisiva doconcepção de vida árabe, porque as coisas nunca se dão assim. A povo na organização do poder judiciário.cultura é bela e é resistente. Mas, as revoluções árabes nos A reforma política, ora em andamento no Congresso Nacional,permitem dizer com tranqüilidade que nada será como antes. No deveria levar em conta com muito carinho a questão damundo árabe e no restante do mundo. participação popular, quem sabe aperfeiçoando e radicalizandoÉ provável que alguns dos nossos à esquerda queiram refletir aspectos da participação direta da população. Cada vez mais, ésobre a espontaneidade dos movimentos árabes e sobre as necessário encarar essa participação como um aspecto essencialdúvidas que cercam o futuro. Já houve quem o fizesse. O essencial, da democracia contemporânea. Ela pode oxigenar a vidano entanto, é que tais movimentos, e salve, salve a democrática, torná-la mais de acordo com os tempos que vivemos,espontaneidade das multidões, revelam a sede profunda de nos quais o protagonismo do povo cresce, o papel das multidõesdemocracia e de liberdade que se espraia pelo mundo. E essa sede torna-se cada vez mais decisivo. Ignorar isso é pecado mortal. Éé derivada não de uma conspiração proveniente dos centros trabalhar contra a democracia, que não pode ser mais apenas ehegemônicos do mundo, menos ainda dos EUA, que estavam tão somente o regime de eleições formais, tal e qual nosafinados com muitos dos regimes árabes que caíram ou que estão acostumamos. É preciso dar outros passos. Para assegurar,claudicando neste momento. usemos uma palavra da moda, a sustentabilidade democrática.Não se trata apenas de reivindicações em torno de uma *jornalista, escritor, deputado federal. emiljose@uol.com.brdemocracia formal. Não se trata apenas de eleições livres, embora www.emilianojose.com.brelas sejam fundamentais. O que está em jogo nessamovimentação, que não é apenas árabe, é um desejo muito maisprofundo de participação dos povos no destino de suas nações e Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  4. 4. firmas ocidentais", acrescentou. Kadhafi também disse que a produção petroleira do país se encontra em seu nível mais baixo KADHAFI DISCURSA, CULPA AL-QAEDA por causa da saída dos funcionários estrangeiros das companhias4 E AMEAÇA COMPANHIAS PETROLEIRAS petroleiras depois do início da rebelião. Kadhafi alegou ainda que o povo da cidade de Benghazi, que teve um papel-chave na rebelião, pediu ajuda ao governo para "se livrar das gangues". A cerimônia foi transmitida logo depois que os rebeldes informaram que haviam repelido um ataque das forçasDitador prometeu combater "até o último homem e a de Kadhafi na cidade de Brega na véspera, com testemunhasúltima mulher" reportando dois civis mortos. O evento foi para marcar o aniversário do lançamento dos Comitês do Povo, de acordo com o locutor da TV estatal.O dirigente líbio Muamar Kadhafi voltou a discursar nesta quarta-feira, durante uma cerimônia pública em Trípoli, quando negou Lendo um texto preparado, o discurso Kadhafi foi várias vezesque existam rebeliões em seu país, acusou a Al-Qaeda pelos interrompido por aplausos dos partidários do dirigente. Kadhafidistúrbios e descartou deixar o poder, uma vez que não possui criticou as informações sobre as demissões de oficiais superiores"poder de verdade". Ele também ameaçou que haverá milhares de de seu regime, incluindo chefes militares e embaixadores. "Asmortos em caso de intervenção estrangeira em seu país. renúncias lá fora, as declarações de dentro (da Líbia)... não acreditem nelas", afirmou. "No que diz respeito à Líbia... nada aconteceu... e é estranho que o mundo receba notícias de correspondentes e TVs que não estão presentes na Líbia. Eles não querem notícias verdadeiras da Líbia", enfatizou. "Não existem prisioneiros políticos na Líbia", acrescentou. "Quando os Comitês do Povo determinam algo, se torna lei e é implementada para todos os líbios. Ninguém pode declarar guerra ou paz a menos que os Comitês do Povo assim decidam", afirmou ainda. "Muamar não tem poder de verdade para renunciar a ele". Intervenção Kadhafi pediu que a comunidade internacional que estabeleçaMas pediu que a ONU envie uma missão de verificação a seu país e uma comissão de verificação para confirmar se há mesmos maisprometeu: "Combateremos até o último homem e a última de mil mortos nas mãos de suas forças. "Pedimos ao mundo, àsmulher". Kadhafi afirmou que o objetivo da Al-Qaeda é controlar a Nações Unidas, que enviem uma equipe de verificação paraterra da Líbia e seu petróleo. "Células adormecidas da Al-Qaeda, investigar". Ele afirmou nesta quarta-feira que haverá milhares deseus elementos, se infiltraram gradualmente... Eles acreditam que mortos em caso de intervenção estrangeira em seu país.o mundo é deles, lutam em qualquer lugar, os serviços deinteligência os conhecem pelo nome", acusou o líder líbio a umaatenta audiência. (FONTE:Isto É)"Começou de repente na cidade de Al-Baida... As célulasadormecidas receberam ordens de atacar o batalhão... e roubaramas armas das delegacias", contou Kadhafi. "As mulheres fugiram...havia balas para todo lado. Foi a mesma situação em Benghazi",afirmou, referindo-se à cidade do leste sob controle das forçasrebeldes. "Não há demonstrações pacíficas na Líbia. Se houvesse,por que os estrangeiros estão fugindo, as embaixadas estãofechando em Trípoli, funcionários de companhias petroleiras estãofugindo do deserto?", questionou.A respeito da indústria do petróleo, afirmou que as companhiaspetroleiras estão amedrontadas e a produção parou. "A produçãode petróleo está em seu menor nível", afirmou. "A conspiração setornou clara", disse ainda. O líder líbio ameaçou substituir ascompanhias petroleiras ocidentais que operam em seu país porsociedades da Índia e China. "Morreremos todos para defender opetróleo, e aqueles que ameaçarem nosso petróleo devemcompreender isso", afirmou em seu discurso em Trípoli. "Estamosdispostos a fazer vir companhias indianas ou chineas no lugar das Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  5. 5. líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e OCIDENTE CONSIDERA INTERVIR NA LÍBIA; EUA policiais, tenham morrido. 5 ENVIAM TROPAS Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos O exército americano posiciona forças pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio navais e aéreas em torno do país Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais deDo Portal Terra uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. (FONTE:Isto É)O exército americano posiciona forças navais e aéreas em torno daLíbia, informou o Pentágono nesta segunda-feira, no momento emque potências ocidentais analisam a possibilidade de umaintervenção militar contra o regime do coronel Muammar Kadafi.Segundo o porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan, oexército americano está estudando "vários planos decontingência". "Como parte disso, estamos reposicionando forças,para que ofereçam essa flexibilidade uma vez que as decisõesforem tomadas", declarou o porta-voz à imprensa.A mobilização de "forças navais e aéreas" daria ao presidenteamericano Barack Obama um leque de possibilidades diante dacrise, disse Lapan, sem especificar que navios ou aviões receberama ordem de se reposicionar, nem que possíveis ações estariamsendo consideradas.Depois da repressão da oposição pelas forças leais a Kadafi, oslíderes europeus e americanos estão planejando impor uma zonade proteção aérea sobre a Líbia, para impedir que o líder líbiobombardeie seus inimigos.Líbios enfrentam repressão e desafiam KadafiImpulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e doEgito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líderMuammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. Asmanifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e,em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades deBenghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entremanifestantes e o exército.Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crerque a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta doque as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. Apopulação tem enfrentado uma dura repressão das forçasarmadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  6. 6. quem afirmaria, em outubro de 1989, que em 9 de novembro cairia o Muro de Berlim? Os manifestantes árabes, principalmente os jovens, não reclamam apenas reformas econômicas. Manifestam uma revolta “REVOLUÇÃO ÁRABE” incontrolável contra regimes que, durante décadas,6 ANUNCIA NOVAS TRAGÉDIAS oprimiram, torturaram, perseguiram, assassinaram os seus opositores, além de terem devotado uma submissão canina a um sistema imperialista que construiu um imenso edifício de preconceito, ódio e segregação ao mundo árabe e islâmico.A grande incógnita é saber qual força política vailiderar o processo de mudanças, se gruposnacionalistas ou islâmicos.Por José Arbex Jr.A revolução árabe” começou a ser deflagrada em 17 dedezembro, por um singular mas trágico incidente:Mohammed Bouazizi, 25 anos, vendedor ambulante dehortaliças, ao ter as suas mercadorias apreendidas pelapolícia (cena, aliás, bastante comum em São Paulo, Rio deJaneiro e outras capitais brasileiras), foi levado ao desesperoe imolou-se em fogo, na localidade de Sidi Buzid (perto deTúnis). O auto sacrifício incendiou o país: manifestações derevolta na capital, cidades e vilarejos derrubaram o ditadorZine Ben Ali (no poder desde novembro de 1987), expulsofinalmente da Tunísia em 14 de janeiro. Foi o sinal para quegrandiosas manifestações eclodissem sem aviso na Argélia,na Jordânia, no Iêmen e, sobretudo, no Egito. Centenas demilhares de jovens, trabalhadores e trabalhadoras, donas decasa, intelectuais, artistas e pequenos comerciantes saíramàs ruas contra odiosas ditaduras e monarquias. Em 1 defevereiro, no Cairo, Alexandria e outras cidades, pelo menos1 milhão exigiram a renúncia imediata de Hosni Mubarak, hátrês décadas um servo fiel das determinações da CasaBranca. O espectro da revolta sacode o Oriente Médio e onorte da África e cria imensas indagações sobre os novoscenários geopolítico, econômico e financeiro do mundocontemporâneo.À primeira vista, o grandioso tsunami árabe é inexplicável.Assume a aparência de um evento fortuito, que tenderá adesaparecer com a mesma rapidez com que eclodiu. Nadapoderia ser mais equivocado. Se o sacrifício de um jovemambulante é capaz de incendiar uma região inteira doplaneta, isso se deve a determinações profundas,inconscientes, muitas vezes invisíveis, mas que se combinamde forma explosiva e imprevisível em determinadosmomentos históricos. Ninguém controla ou domestica ahistória, diria grande revolucionária polonesa RosaLuxemburgo, cujas análises sobre a Revolução Russaoferecem a chave para entender o que acontece hoje noOriente Médio. Quem diria, até o final de novembro de2001, que, em menos de quinze dias, uma multidãoenfurecida, incluindo senhoras de classe média, muito bemvestidas, saquearia supermercados e bancos em BuenosAires, e expulsaria os inquilinos eleitos da Casa Rosada? Ou Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  7. 7. De volta às ruas. Os manifestantes egípcios ensinaram uma lição: é preciso ocupar o espaço físico, a praça. Não é possível voltar para casa. Protesto para derrubar uma ditadura não tem horário comercial. Mas os opressores iranianos também aprenderam lições: não é possível deixar os manifestantes ocuparem a praça. Os ativistas iranianos tomaram nota e seus manuais de agitação agora recomendam mobilizações ágeis e7 Direitos Humanos, Oriente Médio esparsas antes de tentar chegar numa praça. E aqui repito os sentimentos de solidariedade e ansiedade. A revolta no Irã poderá ser muito sangrenta se persistir. Evidentemente, não vou prever se a ditadura iraniana poderá cair em 18 dias (como no Egito), 18 semanas ou 18 meses (espero que não leve 18 anos).SOMOS TODOS EGÍPCIOS, SOMOS O objetivo imediato dos manifestantes foi alcançado: após 14 meses deTODOS IRANIANOS, SOMOS… silêncio, a oposição mostrou que está viva e desmascarou a farsa orwelliana do regime Khamenei-Ahmadinejad, que saudou a queda de Mubarak como um “despertar islâmico” e um brado de liberdade. O regime de Teerã obviamente nega a seu povo esta liberdade e os manifestantes no Irã querem apressar o crepúsculo desta ditadura islâmica. Em contraste a 2009, quando o governo Obama foi reticente para encorajar os protestos contra o regime dos aiatolás, desta vez existe uma postura mais incisiva. Vale lembrar que o apoio ocidental a manifestantes iranianos pode ser contraprodutivo diante da propaganda do regime islâmico de que o “grande Satã” e seus “aliados sionistas” estão fomentando a rebelião. Mas depois dos acontecimentos na Tunísia e Egito, onde caíram regimes pró-ocidentais, seria esquisito americanos e ocidentais não denunciarem com determinação o que está acontecendo no Irã e não deixarem claro a hipocrisia de Khamenei e Ahmadinejad.Fogo e Sangue em Teerã - foto Efe Mas, de volta às ansiedades. Você estimula protestos contra uma ditaduraComo de hábito, devemos reagir com solidariedade e ansiedade (paternal, odiosa e se os manifestantes são massacrados? Na insurreiçãono meu caso) quando multidões de jovens saem às ruas pedindo anticomunista de Budapeste, em 1956, os ocidentais deixaram na mão osdemocracia e o fim de ditaduras odiosas. No relativismo das coisas, Hosni manifestantes, que tinham escutado palavras de encorajamento (eramMubarak era um ditador suave, um opressor de segunda classe na sua tempos do rádio e não Internet). Há 20 anos, o governo do primeirocategoria de gente. O desfecho até agora (sic) no Egito foi relativamente presidente Bush estimulou e depois se distanciou da sublevação contra apacífico (cerca de 300 mortos) e existem promessas de uma transição ditadura de Saddam Hussein.democrática. Somente para ficar nas vizinhanças, há ditadores não apenaspiores, mas que também não vacilariam em massacrar em escala Mas a história dá umas voltas curiosas. Saddam Hussein era um ditadorpavorosa. Nem estamos falando o que poderiam fazer os chineses com que não vacilava em matar os cidadãos do seu país em larga escala paraum desafio frontal. Nunca se esqueçam da Praça da Paz Celestial, em ficar no poder. Justo perguntar se os xiitas e os curdos se livrariam doPequim, em junho de 1989. genocídio sem a intervenção militar americana do segundo presidente Bush? Talvez apenas sofrendo um genocídio. Não dá para comparar oMubarak era moderado e pró-ocidental. Uma das formas de entender custo humano da ocupação americana com o que Saddam fez com o seueste atributo é que suas barbaridades eram circunscritas. O octogenário povo na era anterior. Foi muito pior.autocrata era monitorado pelos americanos. Hipocrisia ocidental temestas vantagens, embora, é verdade, nem sempre tenha funcionado com Eu adoraria se esta teoria do dominó (de ditaduras caindo lá no Orientealguns aliados. Mas funcionou no Egito, onde também houve o fator Médio) funcionasse com um ditador como Bashar Assad, na Síria. Está aícrucial do cálculo do Exército de não massacrar os manifestantes diante um regime ainda mais tenebroso do que o de Mubarak. Nao é clientedos olhos do mundo. E o que vem pela frente no resto da região, em americano, mas é secular. Basta ver o que fez o papai Hafez, de quempaíses em que a imprensa livre nem pode acompanhar a repressão, como Bashar herdou o poder. Um dos maiores crimes contra a humanidadeno Irã? praticados no Oriente Médio moderno aconteceu em 1982 quando o regime Assad esmagou uma rebelião na cidade de Hama. Morreram entreA Tunísia do destronado ditador Ben Ali inspirou o Egito e o Egito 10 mil e 25 mil pessoas, inclusive mulheres e crianças. Os rebeldes nãoreinspirou os jovens do Movimento Verde no Irã. Eles voltaram às ruas de eram jovens bacanas, ao estilo destes do Cairo ou Teerã. A rebelião eraTeerã e outras cidades iranianas esta semana, numa mobilização acima obra da filial síria da Irmandade Muçulmana, que há 30 anos não fingiadas expectativas, a maior desde que o regime do aiatolá Khamenei e do tanta moderação, como agora no Egito.presidente Mahmoud Ahmadinejad esmagou os protestos contra aseleições fraudulentas de junho de 2009. Desta vez, os protestos não são E aqui temos outra dilema de solidariedade. Revoltas contra tiraniasapenas contra a fraude eleitoral, mas a fraude que é a ditadura deste podem acabar com um belo final, em um fracasso sangrento ou em umaaiatolá. Sayed Ali Khamenei é alvo direto dos protestos. Bacana escutar o outra tirania.slogan rimado “Ben Ali, Mubarak, agora é sua vez, Sayed Ali”. O Egito deMubarak tinha um Parlamento-fantoche, o do Irã de Khamenei temdeputados bandoleiros pedindo a execução dos dois principais líderes de (Fonte: VEJA)oposição. Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  8. 8. essa ferramenta seria responsável por revoluções. O trecho de um editorial do respeitado jornal americano Washington Post captou o clima (otimista) da época: "O imediatismo dos tweets foi emocionante, com um fluxo de atualizações com fotos e vídeos que mostrou um retrato de crise no país. O que estamos vendo é a chama tremulante da liberdade." Um assessor do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush chegou a8 Redes Sociais O TWITTER SÓ NÃO FAZ sugerir que o Twitter fosse indicado ao prêmio Nobel da Paz pelo papel na crise. O governo de Teerã, contudo, não caiu: reprimiu os protestos e bloqueou serviços de internet. O episódio deixou a impressão de que a turma dos ciber-utópicos sobrecarregara de expectativas as asas do Twitter, fazendo do microblog a panaceia antiditaduras. REVOLUÇÃO. MASAJUDA A resposta dos ciber-céticos veio na mesma intensidade, em sentido oposto. O primeiro contra-ataque foi comandado pelo pesquisador iraniano Hamid Tehrani, que tentou colocar os fatos ocorridos no Irã emUso de redes sociais, blogs e celulares em sua real dimensão. "Houve uma sobrevalorização do Twitter. O paíslevantes populares como os ocorridos no contou com menos de 1.000 usuários ativos. O maior volume de informações propagadas no microblog veio do Ocidente, de pessoas queEgito e Tunísia mostra que essas tecnologias não estavam no local. Quando alguém comentou que havia 700.000podem ajudar a coordenar manifestações pessoas protestando em frente a uma mesquita, descobriu-se que apenas cerca de 7.000 pessoas compareceram", escreveu.contra ditaduras, avessas à liberdade deinformação Se os ciber-utópicos haviam jogado a internet e o celular nas alturas, coube ao jornalista e escritor canadense Malcolm Gladwell colocá-losJadyr Pavão Júnior e Rafael Sbarai abaixo do chão, em artigo publicado pela revista New Yorker e entitulado "A revolução não será tuitada". O americano se apoiou em duas teorias clássicas. A primeira defende que o "ativismo de alto risco", aquele em que o indivíduo coloca a própria vida em risco, só é possível quando os participantes mantêm vínculos pessoais fortes – ou seja, depende de tête- à-tête. As redes seriam o inverso disso e só possibilitam vínculos frouxos – daí, a facilidade com que, sentadas na praia, com o notebook no colo, tantas pessoas aderem a abaixo-assinados em favor da independência do Tibete. Além disso, diz Gladwell, as redes, por natureza, conferem a todos os integrantes igual poder e nenhuma hierarquia – e organização e liderança são fundamentais ao ativismo político, prova a história. Levante a levante, contudo, os argumentos dos ciber-céticos são enfraquecidos pela realidade. Ditaduras como Bielorrússia, Moldávia e Tailândia, além de Egito e Tunísia, já conheceram o impacto que aManifestantes utilizam telefone celular durante protestos na Tunísia (Fred tecnologia pode emprestar à oposição. No caso da Tunísia, universitáriosDufour/AFP) lançaram mão de Twitter e Facebook para organizar protestos. O estopim foi a morte de Mohamed Bouazizi, vendedor ambulante que teve suaNas últimas semanas, o mundo assistiu apreensivo e esperançoso ao mercadoria apreendida pela polícia e, desesperado, ateou fogo ao própriosopro de inconformismo que fez balançarem duas ditaduras velhas de corpo na pequena cidade de Sidi Bouzid. A população local protestou.décadas. É uma situação tão rara no mundo árabe quanto a passagem do Para atrair simpatizantes, ativistas compartilharam com concidadãos, viacometa Halley pela vizinhança da Terra. A soma de insatisfações – rede, documentos vazados pelo site WikiLeaks que mostravam casos deincluindo a ausência de liberdade de expressão – fez com que milhares de corrupção no governo. Um dado eloquente: um em cada cinco tunisianospessoas marchassem em protesto pelas ruas de Egito e Tunísia, de onde o está cadastrado no Facebook. Ou seja: ao contrário do Irã, não há razãoditador Zein al-Abidine Ben Ali foi catapultado. Nos dois casos, para duvidar da informação de que a população teve acesso à agitaçãomanifestantes contaram com a ajuda, em graus a serem precisados, de virtual.componentes cada vez mais comuns em situações desse tipo: a internet eo telefone celular. Na Tunísia, ativistas utilizaram Twitter e Facebook para O fato de os céticos estarem errados significa, necessariamente, que osorganizar protestos. No Egito, blogs e também as redes sociais. Os utópicos estão certos? Não. No caso da Tunísia, o movimento antigovernoepisódios reaquecem o debate sobre qual é, afinal, o potencial dessas de fato contou com ajuda das redes. Mas, ao chegar às ruas, ganhou suatecnologias quando o assunto é ativismo político, e opõem dois grupos de própria dinâmica, atingindo a capital, Tunis, e só derrubou o ditador Benanalistas: os "ciber-utópicos", que acham que blogs e celulares tudo Ali após quase um mês de pancadaria no "mundo real". "É questionável apodem, e os "ciber-céticos", que pensam o oposto. Vale adiantar: como é tese de que as redes já têm um papel determinante em uma revolução",de sua natureza, os radicais radicalizam, e o potencial do ativismo via afirma o espanhol Enrique Dans, professor de sistemas de informação datecnologia está em um ponto entre os extremos. IE Business School. "Mas é fato que elas atuam na coordenação de informações e, assim, assumem relevância nessas situações." Não porA turma dos ciber-utópicos fez seu début em junho de 2009, depois que acaso, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, defende que aos iranianos saíram às ruas para protestar contra a eleição fraudulenta liberdade de informação, em geral, e o acesso à internet, em particular,que reconduziu Mahmoud Ahmadinejad à presidência do país controlado são elementos definidores do destino de cidadãos de todo o mundo –pela ditadura dos aiatolás. O assunto foi o mais comentado do ano no especialmente daqueles que vivem sob o jugo de ditaduras.Twitter, superando até a morte do astro pop Michael Jackson, o que levouos utópicos a cunhar a expressão "Revolução do Twitter" e a apostar que Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  9. 9. Outro defensor da ideia de que blogs, redes e afins podem atuar comopropagadores de informação, Clay Shirky, professor de novas mídias daUniversidade de Nova York, aposta que essas ferramentas podemprovocar não apenas vendavais contra ditaduras, mas também brisas parademocracias. O caso exemplar seria a eleição espanhola que se seguiu aosatentados terroristas de 2004. No dia 11 de março, bombas explodiramem trens de Madri, matando cerca de 200 pessoas. O então primeiro-ministro José María Aznar veio a público e atribuiu a ação ao gruposeparatista basco ETA, que há décadas desafia Madri. Alguém desconfiouda versão. Segundo Shirky, o torpedo contra Aznar partiu de umamensagem de texto (SMS) que circulou inicialmente entre cinco pessoas edizia que, com a história, Aznar fazia um cálculo político. A poucos dias daeleição, ele tentava desviar a atenção pública da real mandante dosataques, a Al Qaeda, que se voltara contra a Espanha porque o paísparticipava militarmente da ocupação do Iraque. A mensagem teria sidoreplicada à exaustão entre eleitores. No dia 14 de março, José LuisRodriguez Zapatero, que até então não era favorito na eleição, saiuvitorioso das urnas. A Espanha iniciou a retirada do Iraque naquelemesmo ano.Ditadores nas redes – A força da tecnologia não foi percebida apenaspelos opositores e democratas. Ditadores a conhecem. Às vezes, elestentam usá-la em benefício próprio. Outras, esmagá-la. Nesta semana, osserviços de internet e telefonia móvel foram suspensos no Egito, horasantes de uma manifestação de opositores prevista para acontecer emvárias cidades do país. Foi a expressão do que o ministro egípcio doInterior, Habib al Adly, definira como "medidas drásticas e decisivas" paraconter os protestos. Às vésperas de cair, o ditador tunisiano teria tentadoimpor o mesmo tipo de controle sobre as comunicações - tardiamente,contudo. Teerã levou o bloqueio de serviços a cabo em 2009.Ahmadinejad mostrou também seu lado ardiloso: determinou odesbloqueio do Facebook por um período determinado com o objetivo deidentificar dissidentes. Recentemente, um tribunal do país condenouHossein Derakhshan, um dos primeiros blogueiros locais, a mais de 19anos de prisão por "cooperação com países hostis, propaganda política einsulto a figuras religiosas". Derakhshan ficou conhecido por publicar narede instruções sobre como iniciar um blog no idioma farsi, dando início àexplosão de blogs na língua oficial do Irã.Em outros casos, os governos promovem contra-ataques pelas redes.Fazem perceber que permanece atual o famoso alerta do políticoamericano Hiram Johnson, segundo o qual, na guerra (ainda que virtual), averdade é a primeira vítima. Na Moldávia, em 2009, funcionários dogoverno criaram perfis falsos no Twitter com a missão de espalhar boatose provocar instabilidade no país. O objetivo era justificar medidas de forçapor parte do governo comunista. "O fato de que há governos ditatoriaistentando cercear a liberdade de expressão da população demonstra queas plataformas digitais têm sua importância no embate político", avaliaAdriana Amaral, professora do programa de pós-graduação em ciências dacomunicação na Unisinos. A revolução pode não ser tuitada, como previuMalcolm Gladwell, no sentido de que um Twitter só não faz a revolução.Mas as que acontecerem no século XXI, é certo, passarão pelo Twitter esimilares. (FONTE: VEJA) Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes
  10. 10. Coletânea de textos sobre a CRISE NO MUNDO ÁRABE – Disciplina Atualidades – Professora Fernanda Brum Lopes

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