José coelho sobrinho

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  • 1. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - Escola de Comunicações e Artes Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação Área: Interfaces Sociais da Comunicação Linha: Educomunicação Disciplina: Educomunicação – Fundamentos, Áreas e Metodologias Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares Um educador que defende o ensino centrado no educando Autora Neide Arruda Sumário 1. Introdução.............................................................................................1 2. Da contabilidade para o jornalismo...........................................................2 3. A volta dos colegas cassados...................................................................3 4. Importância das atividades cientificas no jornalismo....................................4 5. Lutando por mudança no currículo............................................................6 6. Projeto desenvolvido no exterior...............................................................8 7. Livros.................................................................................................9 1) Introdução Quem circula na Escola de Comunicações e Artes de São Paulo – ECA, quem participa dos Congressos e Seminários nacionais e internacionais de Jornalismo, sabe quem é José Coelho Sobrinho ou como é mais conhecido, professor Coelho. Sua fala é mansa, sua atenção para com os alunos e os amigos é extremamente fraternal. Quando o assunto é a educação com o uso dos meios de comunicação ele é um defensor da Educomunicação.  A comunicação era usada na educação como um simples instrumento, hoje é visto como elemento de formação do cidadão e isso é muito bom. Todas as manifestações emitidas pelos meios de comunicação e como sua influencia reflete na sociedade precisam ser vista com uma leitura crítica. O uso dos meios de comunicação na educação implica numa melhor qualidade de ensino e deveria ser posto em prática, já a partir do ensino fundamental”. As justificativas para que os meios de comunicação façam parte da educação no Brasil, já a partir do ensino fundamental, são muitas, e ele cita algumas que acredita facilitarão na formação do cidadão.  O número de pessoas que não sabem interpretar uma comunicação, seja ela qual for, não é pouco. Essas pessoas terminam sendo o resultado daquilo que ouvem, 1
  • 2. assistem ou vêem. Um bom exemplo são as novelas exibidas no Brasil, onde não são raros os jovens copiarem desde o vestuário até o comportamento dos atores. O mais grave, são os valores ocultos que assimilam e que não dá para serem observados de imediato. A moçada aceita tudo como uma doutrinação, sem fazer uma leitura critica da informação que está recebendo. No que diz respeito ao jornalismo, seja ele impresso, televisado ou on-line, não importa, a rapidez da informação – checagem das fontes – tem levado a muitos erros de interpretação por parte do emissor e também por parte do receptor. O importante é ensinar a não só fazer a leitura critica dos veículos, mas também educar usando os meios de comunicação, como elemento na formação do cidadão. Chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA, José Coelho Sobrinho freqüenta a Universidade de São Paulo desde de 1968, quando passou no vestibular para o curso de Jornalismo. Depois veio o Mestrado, com a dissertação, Legibilidade e Visibilidade dos Tipos de na Comunicação Impressa – análise tipológica de jornais diários de São Paulo (março de 1980), o Doutorado, onde defendeu a tese: A liberdade como pressuposto para a Aprendizagem – A integração professor/aluno no aprendizado de Artes Gráficas (outubro/1986) e o Livre-docência, em 2001. 2) Da contabilidade para o jornalismo O jornalista, Profº Dr. José Coelho Sobrinho, nasceu no dia 21 de setembro de 1944, em Alfredo Castilho, interior de São Paulo, já ministrou aulas na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal e seminários na Universidade Antonona de Barcelona, na Espanha. Foi professor do curso de Jornalismo da Unesp – Bauru (SP) e de módulos de Pós-graduação da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (SP). É diretor da Associação Brasileira das Escolas de Comunicação – Abecom e orientador de Mestrado e Doutorado da ECA. Sua trajetória profissional começou cedo, como todo garoto que sonha com uma vida melhor, aos 12 anos conseguiu seu primeiro emprego e logo descobriu que os valores morais e religiosos, adquiridos no meio familiar seriam testados no mundo que começava a conhecer.  Minha vida profissional começou em um escritório de Contabilidade em Andradina (SP), aos 12 anos. Foi a primeira vez que os valores morais, éticos e religiosos, obtidos no seio da família foram contestados e, no meu entender, enriquecido pela sabedoria oriental e pelo senso de justiça e honestidade de Mario Kuga. Aos 16 anos era auxiliar de contabilidade na Fazenda Primavera, de propriedade de João José Abdalla, onde comecei a perceber as formas de exploração do homem do campo. Aos 19 anos, ingressei no Banco do Brasil como escriturário e, seis meses depois, era Chefe de Cadastro Interino. Posteriormente fui nomeado Investigador de Cadastro, cargo que ocupei até ser transferido para São Paulo, 1967, para a agencia Brás. Em 1968 fui transferido para agencia Ceasa, a fim de auxiliar no processo de montagem daquela filial. No mesmo ano prestei vestibulares e fui aprovado para os cursos de Ciências Sociais e Comunicação Culturais, na USP e em Propaganda, na Escola Superior de Propaganda. No mesmo ano, desisti no curso de Direito da PUC- SP. Estava no 4º ano. Em 1969 abandonei os cursos de Ciência Sociais e de Propaganda para dedicar-me ao curso de Jornalismo e à minha carreira bancária, porque estava comissionado como Caixa Executivo e Coordenador substituto do período noturno da agencia Ceasa, que funcionava 24 horas todos os dias da semana. Em 1973 solicitei a minha demissão do Banco do Brasil para dedicar-me integralmente à carreira docente na Escola de Comunicação e Artes – ECA/USP. Faltava pouco mais de um mês para que completasse dez anos de carreira funcional naquela instituição. 2
  • 3. 3) A volta dos colegas cassados Na década de 70, já como professor da ECA, ele dividiu alegrias e tristezas com outros colegas. Um inimigo comum na sociedade e no jornalismo se instalou na universidade, era ditadura militar que levou vários professores da USP a cassação e a desilusão profissional de muitos. Coelho não sofreu cassação, mas sofreu com o afastamento dos amigos e passou por situações difíceis para driblar as perseguições dentro da escola. Para ele o retorno dos colegas cassados deveria ter sido motivos de muitas comemorações.  A alegria da volta dos colegas cassados, com abertura democrática, no início dos anos 80, é um dos fatos, no meu entender, que deveria ser comemorado pela ECA como um marco importante em sua história. Infelizmente não cultuamos determinados episódios e personagens que foram importantes para a vida institucional e política da Universidade. Esta falta de memória impede que continuemos a construir a ECA sobre bases sólidas. Este vácuo talvez seja uma das causas do atual estagio das relações docentes. Os mesmos personagens, que se uniram para lutar contra a ditadura e que cerraram fileiras em favor das eleições diretas, hoje, sob o mesmo teto, na falta de um inimigo comum, pelejam por alguns cargos, sem um projeto que lhes justifiquem a intenção. E, ironicamente, com as mesmas armas que foram condenadas durante o regime militar: a falta de ética e a busca do poder para fins nem sempre explícitos. Mas, a volta da democracia não trouxe de volta a tranqüilidade para o curso de jornalismo da ECA, principalmente para quem estudava no período da noite. A qualidade do curso estava tão a quem do padrão de ensino da época, na escola, que foi aí que Coelho começou sua briga por uma mudança curricular no curso.  Por volta de 1987 nosso curso de jornalismo noturno não funcionava direito, não estou dizendo que funciona direito, hoje. As dificuldades eram muitas, não havia secretaria funcionando, não tinha laboratório, ou seja, não havia condição do curso funcionar. Então compramos uma briga quando decidimos suspender por um período o curso até ter condições normais para funcionamento. Os alunos entraram em greve alegando que estávamos preparando um curso elitista e a confusão se formou. Alguns professores chegaram a cogitar a possibilidade de haver dois cursos de jornalismo. O diurno dentro da normalidade e o noturno, usando só o que dava para funciona. Então eu disse não. Deixei claro que não concordava com a diferença entre o curso diurno e o noturno. O aluno que passasse no vestibular teria o direito de fazer o curso de jornalismo dentro do padrão da universidade, não importando em que período do dia. Na opinião de Coelho, as atividades de planejamentos ligadas à docência, representa uma parte da facilitação da aprendizagem. Durante 18 anos ele foi responsável direto pelo Laboratório de Artes Gráficas e Processos de Impressão (Lagri), do Departamento de Jornalismo e Editoração, onde realizou vários trabalhos práticos, dando prioridade às necessidades pedagógicas.  A implementação de orientações e supervisões pedagógicas representou um período muito rico do Departamento de Jornalismo e Editoração, não só nas relações docentes, mas também no crescimento intelectual dos professores e no avanço acadêmico do curso de Jornalismo. Esta prática pedagógica permitia que as disciplina tivessem convergência de programas e os alunos, desta forma, ganhavam com a conexão dos conteúdos, porque sentiam haver uma coluna dorsal que orientavam as disciplinas e sistematizava as matérias.Entretanto, aos poucos foram perdendo importância na medida em que o ensino de jornalismo foi se transformando em uma atividade 3
  • 4. preferencialmente profissionalizante. Esta mudança de orientação do projeto acadêmico, que reduziu a importância das categorias cognitivas de avaliação e síntese para dar maior ênfase ao adestramento profissional, no meu entender, representa um retrocesso pedagógico do curso de Jornalismo. 4) Importância das atividades cientificas no jornalismo Para o professor Coelho, as atividades cientificas do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA tiveram muita importância para o desenvolvimento e surgimento de associação cientificas nacionais da área.  Foi a partir de semanas de jornalismo que nasceram a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação – ABEPEC; a Sociedade Brasileira de Assuntos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom e o Instituto de Pesquisa em Comunicação Jornalística e Editorial – IPCJE, procurando integrar professores e pesquisadores em torno de idéias comuns. Entretanto, algumas dessas entidades acabam se tornando hegemônicas e sufocam o aparecimento de outras instituições ou impedem a renovação da massa critica de pesquisa, porque a disputa por verba de agencias de fomento criam confrarias perigosas para o desenvolvimento cientifico nacional. O mais lamentável, entretanto, é quando as disputas eleitorais internas do Departamento criam antagonismos que prejudicam a realização desses eventos. A Semana de Jornalismo que tratou do “Jornalismo Sensacionalista”, foi um marco importante na discussão da ética e no desenvolvimento de seu conceito em nosso meio. Da mesma forma, os temas das outras semanas tiveram também importância, porque despertaram pesquisadores para alguns detalhes que estavam encobertos por assuntos mais gerais. Contrário ao conservadorismo no ensino superior de comunicação, Coelho briga até hoje para obter êxito na mudança curricular e as disciplinas ministradas por ele no Pós-graduação têm sido importantes para o amadurecimento de suas propostas.  Quando resolvi oferecer a disciplina de Taxionomia dos Objetivos Educacionais aplicada ao Jornalismo fiquei com receio de ser criticado por estar usando um conceito da área de Educação surgido em 1954. Se elas foram feitas, não chegaram aos meus ouvidos e não me permitiram defender a atualidade da proposta de Bloom e seu grupo. De alunos que passaram pela disciplina, até criticando o título, alegando que ele afasta o publico da disciplina, tenho tido bons retornos. Alguns acreditam que melhoram o desempenho em sala de aula porque sistematiza o conteúdo com mais coerência; outros creditam às aulas o aprendizado da montagem de uma estrutura curricular dentro das diretrizes divulgadas pelo MEC, em no inicio do ano 2000, há aqueles que preferem destacar o conhecimento que tiveram das propostas de Cal Rogers. Hoje estou sendo cobrado para oferecer uma disciplina que trate dos domínios afetivos, mas ainda não me sinto suficientemente preparado para empreender esse desafio. Ampliando seus horizontes acadêmicos, ele encontrou no jornalismo empresarial uma forma de ministrar as novas tecnologias, no curso de Pós-graduação de instituições estranhas a ECA.  O jornalismo empresarial foi renovado com as novas tecnologias e os novos mercados profissionais. E este foi o principal motivo que me levou à Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero para ministrar este curso de pós-graduação latu- 4
  • 5. senso. Eram 60 profissionais das mais variadas origens. As discussões sobre ética e produção jornalística foram ricas como fonte de projetos científicos na área. Como defensor do ensino com qualidade e centrado no aluno, o professor Coelho não esconde sua atração em ministrar palestras a adolescentes que pretendem prestar vestibular, para que os mesmo não se frustrem na escolha do curso depois.  Dar palestras para adolescente que estão se preparando para o vestibular, me atrai muito.Em primeiro lugar, porque é um momento decisivo na vida do jovem. Ajuda-lo a decidir sobre o futuro profissional, respondendo perguntas sobre as suas inquietações, é uma forma de preparação intelectual para acolher as novas turmas que chegarão à universidade depois do vestibular. Em segundo lugar, porque o custo da vaga na universidade publica já está pago pela sociedade e a escolha mal feita pode onerar ainda mais esse custo social com o abandono do curso por estudantes mal informados. No que diz respeito à área curricular, o professor é um defensor da necessidade da sistematização da grade dentro de princípios taxionômicos de objetivos educacionais claros e precisos.  Sou de parecer que, assim como o professor tem uma carreira docente, o aluno deva ter uma carreira discente que leve em consideração a conquista de sua maturidade acadêmica. Em um dos meus artigos argumento que a formação do comunicador não é responsabilidade isolada da ECA, mas de toda a Universidade, levando em conta que o futuro profissional terá uma atividade de mediação. Adepto a escola de Bloom que trabalhou de 1948 a 1954, na área de educação e ficou taxado de grupo que via a educação como uma forma de dominação das pessoas, Coelho colocou em prática no curso de Jornalismo da ECA, uma disciplina que examinasse a escola Bloom e desse outra interpretação, já idealizando uma mudança no currículo disciplinar de jornalismo.  Começamos a examinar a escola Bloom dentro de uma disciplina chamada Metodologia do ensino aplicado ao Jornalismo, onde foi possível dar uma nova interpretação, aproveitando a sistematização que ele faz do aprendizado e não levando em consideração, como outras pessoas argumentam (fazendo uma análise do discurso da época). No meu ponto de vista, o importante na escola dele é sistematizar o aprendizado, ou seja: o aluno não aprende de cima para baixo e sim, de baixo para cima. É um acumulo de conceito. Com isso eu imaginava fazer o seguinte diagrama: o aluno vai do mais geral (que chamo de conhecimento) para o particular. Ou seja, começando pelas disciplinas do conhecimento, evoluindo até chegar as disciplinas de síntese, passando em seguida para as disciplinas profissionalizantes ou técnicas. O aluno não começaria fazendo um jornal sem não sabe o que é uma diagramação, uma tipologia etc. Ele começaria com disciplina simples até chegar no final com uma evolução, com uma bagagem teórica e prática completa. Algumas pessoas confundem evolução com parte histórica. Antes, para se fazer televisão, em geral o aluno precisava conhecer e estudar o rádio porque ele dava uma base para que ele conhecesse e soubesse como funcionava o som, por exemplo. Hoje, as pessoas imaginam, como a internet foi última que apareceu, então o jornalismo on-line é o último a estudar. Mas é justamente o contrário é o primeiro, porque o aluno tem que conhecer alguma coisa para depois fazer o jornalismo multimídia, um jornalismo de interação, um jornalismo digital. Só depois ele vai para o rádio, a televisão, porque daí já conhece o som e a imagem. Voltando em seguida para internet, mas já com a bagagem suficiente. 5
  • 6. 5) Lutando por mudança no currículo Há quase três décadas Coelho luta pela mudança no currículo disciplinar para o jornalismo, mas nunca recebeu apoio total dos professores da área, na ECA, o que até hoje, não consegue entender.  Não tive apoio, mas também não tem ninguém contra. Se alguém prova que você está errado, o melhor e pegar o boné e se retirar. Mas quando não se tem um argumento contra, mesmo assim você não recebe aprovação, é porque tem algo de estranho. Por isso continuo brigando até hoje, não por remendos no currículo, mas por uma mudança curricular. Mesmo sem ter o apóio desejado, o professor buscou alternativas para melhorar a qualidade do ensino na área.  Depois disso a gente ampliou o conjunto de disciplina que são optativas para permitir que o aluno desenvolva sua criatividade. Hoje, com a internet, não da mais para não se pensar numa especialização. O professor tem que centrar o conhecimento do estudante até que ele descubra o seu caminho profissional. Para isso o aluno precisa ter também uma disciplina de linguagem. E o que uma disciplina de linguagem? Não simplesmente a linguagem gramatical, ele trabalhar mais com análise, com abordagem, argumento, conteúdo. Essa proposta não é minha, estou tentando recuperar um currículo disciplinar que é de 1954, ou seja, mais de 50 anos. Minha participação na defesa é na parte de adaptação para os tempos atuais. Depois, vejo a questão como algo dinâmico, isso significa que não é um currículo engessado, assim como as matérias optativas também não são fechadas. O aprendizado do meu ponto de vista é da natureza humana. Você precisa ter uma organização para poder aprender. Por exemplo, a disciplina optativa não pode ser aquela, onde professor dar o conhecimento geral, o aluno tem que buscar. Já o conhecimento específico para que ele possa desenvolver sua criatividade e aquilo que a profissão exige, não enquanto profissão de mercado, mas enquanto espaço dentro da sociedade, o aluno não pode abrir mão. Isso permite um dinamismo no aprendizado. Na visão do professor Coelho, o educador tem a obrigação de preparar o aluno que entra na universidade para que ele saia, melhor qualificado do que quando entrou.  Lembro quando fui usar o programa page make, fiquei 36 horas para aprender a manejar a ferramentas básicas. Hoje se eu for passar isso para os meus alunos, não vou precisar de mais de 4 horas. Isso não é porque sou um grande professor e sim porque estou reconhecendo os conhecimentos de informática que eles já adquirem antes. Depois tem um outro fator, que é o que há de atual, levando em consideração a lei de diretrizes iguais. Se o aluno conhece toda parte de sistema de comunicação, porque ele precisa fazer essa disciplina? Vamos libera-lo para fazer outra disciplina. Isso é um aproveitamento do saber que esse aluno tem e permitir que ele adquira outro dentro da própria universidade. Então o currículo disciplinar tem que ser um pouco mais maleável, mais flexível, já que sabemos que as pessoas que estão aqui não são todas iguais e o nivelamento do conhecimento é muito prejudicial. Quando você trabalha centrado no aluno, é fácil dar para ele aquilo que ele precisar. E quando você não sabe, você tem obrigação de ir buscar ou de encaminha-lo para que outro professor que tenha mais condições que você possa melhorar o nível do aluno. O professor tem que ter essa consciência. Isso não uma utopia, veja bem: aqui mesmo dentro da ECA eu já passei por isso. 6
  • 7. Enquanto os currículos disciplinares da maioria das universidades brasileiras continuam engessados, um projeto intitulado “Protocolo de Bolonha” que visa o ensino centrado no estudante e o aprendizado por metas está sendo implantado a partir deste ano, nas universidades de 33 paises da união européia.  Isso me deixa bastante feliz, o Protocolo de Bolonha vai trabalhar exatamente dentro do sistema que sempre defendi. O ensino em sala de aula vai ser reduzido ao mínimo possível, e ampliado ao máximo, o ensino por resultado, por metas. Isso significa que o aluno pode estudar na França, fazer disciplina na Alemanha e estagiar em Portugal. Por esse método o professor vai ter condições e formar grupos de alunos para atingir uma meta. Veja bem, não é uma classe e sim um grupo. Então o professor vai reunir grupos e dizer: nessa área de conhecimento nós temos que atingir tal ponto. Ou seja, é como dizemos aqui na universidade, vai trabalhar de forma interdisciplinar. De 15 a 18 de novembro, vamos debater o protocolo, durante o encontro da ABECOM, em Foz de Iguaçu. Trabalhar de forma interdisciplinar é trabalhar com aconselhamento, com orientação e na ECA isso já é uma prática comum, o que permite um enriquecimento do conhecimento para o aluno.  Já usamos esse método há tempo no nosso Jornal do Campus. Estamos preparando um número especial que é sobre a eleição aqui em São Paulo. Vamos querer saber como a universidade vai votar, para governador. Então, vou precisar do auxilio de professores de outras áreas. E sabe por que? Não sou especializado em pesquisa. É importante que alunos saibam como fazer e como interpretar os dados de uma pesquisa? Claro que sim. Então, fui até a professora Mariângela e disse: meus alunos precisam ter conhecimento de como se interpreta uma pesquisa, você pode recebe- los? Após definirmos a amostra que vai representar o universo, etc., vou precisar de um professor que tem conhecimento das técnicas de estatística, suficiente para aplicar corretamente na pesquisa. Sendo assim, já fui até um professor Adilson que é de estatística e ele já se prontificou em atender esses alunos. Só que tem a parte legal de toda pesquisa eleitoral tem que ser registrada e corremos atrás dos especialistas no assunto. A única coisa que pode ocorrer é se, por ventura, os candidatos não quiserem dar entrevista. Mas a pesquisa vai sair. Se não sair junto desse número especial com as entrevista, sairá em um número normal do Jornal do Campus. Veja bem, isso já aconteceu nos anos 70, mas de forma diferente, o motivo era outro, a ditadura. Vários professores foram cassados e professores e alunos se reuniram para desenvolver vários projetos no curso de Jornalismo. Então é por aí, a gente vem evoluindo, mesmo com todos os contras e esses contras são importante porque a gente aprende. Na Europa esse sistema de ensino está sendo imposto pela Comissão de Educação da Comunidade Européia. O aluno que está na graduação vai saber exatamente qual a sua carreira acadêmica. São três anos de graduação, dois anos de mestrado e três anos de doutorado. Na opinião do professor, o currículo disciplinar do curso de graduação em jornalismo ainda não teve a evolução desejada e o fator que mais tem contribuído para a esta estagnação é a falta de coragem para fazer mudanças.  Ao contrario, piorou porque nós estamos remendando. O aprendizado, do meu ponto de vista, é uma coisa sistêmica e para se fazer com que o sistema funcione se faz necessário a existência de uma tem lincagem, de uma continuidade. E não é o que está acontecendo atualmente. Isso porque, logo no primeiro semestre, ministramos uma disciplina que já faz o jornal. Se no primeiro semestre o aluno já aprende a fazer 7
  • 8. um jornal, bastaria um semestre de curso, não é mesmo? Sou totalmente contra esse currículo atual, porque muitas vezes o aluno não é nem leitor de jornal, não tem conteúdo nem conhecimento geral. Então os remendos que foram feitos até agora no currículo do curso de jornalismo, não atendem a uma boa formação profissional. Não falo em emendas, porque não foram feitas emendas, foram feitos remendos, foram costurando coisas com linhas diferentes e deu no que estamos vendo hoje, um despreparo de quem sai da universidade, apenas com o curso de graduação. Espero que as verdadeiras mudanças aconteçam. E isso não dependerá somente do currículo que poderá ser aplicado na universidade, os alunos também são muito conservadores e têm medo das mudanças. 6) Projeto desenvolvido no exterior Em 1996 ele recebeu um convite da Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, para desenvolver um projeto no curso de comunicação social. O projeto desenvolvido com quase 300 alunos da universidade teve como objetivo a sistematização pedagógica, visando melhoria na qualidade de ensino.  Desenvolvi o projeto buscando saber o que cada aluno havia estudado, o que tinha visto e onde queriam chegar? Então, decidimos que uma turma iria fazer um jornal interno, outra iria fazer um jornal externo, outra turma, um evento e uma outra iria fazer um livro. Nessa universidade os alunos não são obrigados assistir aula. Então logo no primeiro encontro questionei o que eles queriam fazer. Desenvolvemos um contrato de responsabilidades e montamos um cronograma para atingir os objetivos. Começamos a trabalhar em cima de metas, assim como o projeto de “Protoloco de Bolonha” está implantando na união européia. Com isso nossos objetivos foram atingidos. Produzimos quatro números do jornal interno, quatro do jornal externo, editamos um livro e organizamos um evento. Não sou especialista em eventos, mas procurei uma professora brasileira, infelizmente, hoje está afastada por motivo de saúde. O evento que foi maravilhoso e seguiu todas as tradições portuguesas, o reitor da universidade ficou assustado com o acontecimento. E nome do evento foi Sistematização pedagógica, planejamento didático e qualidade de ensino – O que somos capazes. Então, foi possível fazer os jornais o evento e o livro, tudo isso em quatro meses. O projeto foi um dos mais gratificante que já fiz. O evento, que era para ser interno, se transformou num evento nacional. Havia 256 alunos de Relações Públicas na universidade, apenas dez estava estagiando. Quando o evento terminou, não tínhamos alunos, suficiente para atender demanda de tipos de estágios. Quando o assunto é jornalismo como veiculo de comunicação e educação, ele não vê com olhos a forma como muitos profissionais da área vêem desempenhando suas funções, nas últimas décadas.  Tenho observado que, para alguns profissionais do jornalismo, a profissão passou a ser meramente um emprego, com salário e horário a ser cumprido, seja ele pessoa física ou pessoa jurídica. Estamos perdendo o fio da profissão, que é o compromisso com a sociedade. Perdendo a visão do fato jornalístico e do jornalismo em tempo real. As pessoas estão vivendo por quilômetros. No final da década 60, a ética jornalística ganhou um pico alto de respeito, tínhamos ideais, brigávamos pelos mesmos objetivos, cumpríamos nossa tarefa de levar a informação de forma coerente, superando todas as dificuldades, inclusive no período da ditadura, inimigo comum na sociedade e no jornalismo. Mas em meados dos anos 90, essa ética e o respeito começou a desabar. O jornalismo passou a vestir a cara do sensacionalismo, dos escândalos e começamos a perder o sentido de jornalismo como noticia. Jornalismo hoje é uma ótima forma de 8
  • 9. ganhar dinheiro se comercializando o fato, o que é degradante. A principal característica do jornalismo é o compromisso com sociedade e isso não tem sido levado muito a sério, por muitos profissionais e veículos de comunicação. 7) Livros: COLEHO SOBRINHO, J. Legibilidade e Visibilidade na Comunicação Impressa – Análise Tipológica de Jornais diários de São Paulo. São Paulo: IPCJE/CJE/ECA-USP, 1987. COELHO SOBRINHO, J., SILVA, D. F. N; SILVA, L. C. Produção e Programação Gráfica. São Paulo: Paulus, 1995. COELHO SOBRINHO, J., GUILMAR, J. TAMBUCCI. P.L. (Org.) Esporte e Jornalismo. São Paulo: CEPEUSP, 1997. COELHO SOBRINHO, J., LOPES, D. F., PROENÇA, J. L. (Org.) A evolução do Jornalismo em São Paulo. São Paulo: NJC/ECA-USP/EDITCON, 1998 (2ª Edição). COELHO SOBRINHO, J., LOPES, D. F., PROENÇA, J. L. (Org.) Edição em Jornalismo Impresso. São Paulo, NJC/ECA-USP/EDICON, 1998. COELHO SOBRINHO, J., LOPES, D. F., PROENÇA, J. L. (Org.) Edição em Jornalismo Eletrônico. São Paulo, NJC/ECA-USP/EDICON, 1999. COELHO SOBRINHO, J. Do que somos Capazes! Relato de uma experiência Pedagógica. São Paulo, 2001. 9