Dossiê Adolescentes                         Saúde Sexual e ReprodutivaPesquisaSylvia CavasinColaboraçãoJosé Roberto Simone...
Garantia de acesso a educação, informação e serviços   28 de Maio é o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher. Nest...
ConteúdoPanorama sobre a saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes             04Fecundidade das adolescentes        ...
Panorama sobre a saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes 50% das novas infecções pelo HIV no mundo estão ocorrendo ...
No Brasil, o percentual de utilização de métodos contraceptivos entre jovens é bastantereduzido: apenas 14% das jovens de ...
Fecundidade das adolescentes         Há pouca disponibilidade de informações relativas à vida reprodutiva de mulheres abai...
Gravidez precoce   A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde de 1996 revela que 18% das adolescentesbrasileiras já tive...
Partos por faixa etária. Brasil, 1993 – 1997              Totais de partos no SUS               % de partos de adolescente...
A tabela acima mostra o número de partos e cesáreas realizadas em meninas de 10 a 14 anose adolescentes de 15 a 19 anos. A...
Início precoce das relações sexuais e baixo uso de métodos contraceptivos   O percentual de utilização de métodos contrace...
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Morbidade e mortalidade de mulheres jovens   As adolescentes com vida sexual ativa enfrentam uma variedade de riscos, dent...
Internações por parto e curetagem pós-aborto de adolescentes no SUS, 1998Procedimento                          Idade      ...
AIDS entre jovens   O crescimento da incidência de AIDS entre os jovens vem sendo sublinhado por diferentesestudos. Dados ...
Sexo          Grupo etário (anos)                   Masculino                  Feminino                   Total           ...
Recomendações da ONU sobre saúde sexual e reprodutiva   Na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, re...
Cairo + 5 e o Fórum de Jovens em Haia   A Organização das Nações Unidas está promovendo neste ano uma série de eventos a f...
reprodutiva, opondo-se à inclusão das expressões “orientação sexual” e “aborto”. A íntegra doRelatório do Fórum de Jovens ...
Fontes consultadasCNPD – Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, Jovens Acontecendo na Trilha dasPolíticas Públi...
Referências bibliográficasALAN Guttmacher Institute, The. Into a New World. Young Women’s Sexual and Reproductive Lives.  ...
COELHO DE SOUZA, M.M. “A Maternidade nas Mulheres de 15 a 19 Anos como Desvantagem  Social”, in Seminário Gravidez na Adol...
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Dossiê adolescentes saúde sexual e reprodutiva 1

  1. 1. Dossiê Adolescentes Saúde Sexual e ReprodutivaPesquisaSylvia CavasinColaboraçãoJosé Roberto SimonettiEdição de TextoJacira MeloRevisãoMarisa SanematsuArtePaulo BatistaApoioFundação Ford
  2. 2. Garantia de acesso a educação, informação e serviços 28 de Maio é o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher. Neste ano de 1999, asações do movimento internacional de mulheres pela saúde estarão enfocando os direitos sexuaise reprodutivos dos/as adolescentes. Estima-se que haja atualmente mais de 1 bilhão de pessoas com idades entre 10 e 19 anos, oque representa quase 20% da população mundial. Destes jovens, muitos não têm acesso ainformações e serviços que protejam sua saúde e permitam que tomem decisões de maneira livree responsável. As jovens estão extremamente vulneráveis à gravidez , à violência sexual e àsdoenças sexualmente transmissíveis, inclusive HIV/AIDS. As menores de 18 anos apresentammaior risco de morbidade e mortalidade materna. No Brasil, há cerca de 32 milhões de jovens de ambos os sexos entre 10 e 19 anos, o quesignifica, segundo dados de 1991 do IBGE, 21,84% da população total do país.
  3. 3. ConteúdoPanorama sobre a saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes 04Fecundidade das adolescentes 06Gravidez precoce 07Início precoce das relações sexuais e baixo uso de métodos contraceptivos 10Aborto na adolescência 12Morbidade e mortalidade de mulheres jovens 13AIDS entre jovens 15Recomendações da ONU sobre saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes 17Cairo + 5 e o Fórum de Jovens em Haia 18Fontes consultadas 20Referências Bibliográficas sobre o tema 21O que é a RedeSaúde 23
  4. 4. Panorama sobre a saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes 50% das novas infecções pelo HIV no mundo estão ocorrendo em pessoas de 10 a 24 anos. A cada minuto, cinco jovens se contaminam com o HIV, o que representa um total de 7 mil contágios diários e mais de 2,6 milhões ao ano. Calcula-se que, a cada ano, mais de 14 milhões de adolescentes dão à luz no mundo. Aproporção de mulheres que têm seu primeiro filho em torno de 18 anos varia de 1% no Japão a53% na Nigéria. Se hoje as adolescentes tivessem seu primeiro filho dois anos e meio depoisdessa idade, o crescimento da população mundial no ano 2100 seria 10% menor do que se estatendência permanecer.Fonte: Alan Guttmacher Institute, 1998. 10% dos abortos realizados a cada ano no mundo são praticados por mulheres entre 15 e 19anos. Estima-se que, a cada dia, são realizados 55 mil abortos inseguros no mundo, sendoque 95% desse total ocorrem em países em desenvolvimento.Fonte: OMS, 1997. Na América Latina e no Caribe, calcula-se que uma entre dez mulheres hospitalizadas paracorrigir abortos malsucedidos tem menos de 20 anos de idade. Nessa faixa etária estão tambémum terço das mulheres com infecções mais sérias.Fonte: Alan Guttmacher Institute, 1998. No Brasil, o parto representa a primeira causa de internação de meninas no sistemapúblico de saúde. Na faixa de 15 a 19 anos, o principal motivo de internação das mulheres é agravidez, parto e pós-parto. Em todas as regiões do país, 80,3% das internações são por essemotivo: Norte - 79,5%; Nordeste - 81,1%; Sudeste - 80,9%; Sul - 77,6%; e Centro-Oeste - 80,2%.Fonte: Ministério da Saúde – SIH/SUS, 1996; Ecos – Sylvia Cavasin.
  5. 5. No Brasil, o percentual de utilização de métodos contraceptivos entre jovens é bastantereduzido: apenas 14% das jovens de 15 a 19 anos usam algum tipo de método. A pílula é utilizadapor 7,9% das mulheres nessa faixa etária.Fonte: Dados do Demography Health Survey – DHS/96; FNUAP – Brasil. População residente estimada de 10 a 24 anos, por faixa etária e sexo Brasil, 1998 Idade População Sexo Masculino Sexo Feminino N % N % 10-14 18.040.252 9.105.946 50,47 8.934.306 49,53 15-19 17.186.076 8.595.667 50,01 8.590.409 49,99 20-24 14.862.119 7.364.306 49,55 7.497.813 50,45 Total 50.088.447 25.065.919 25.022.528
  6. 6. Fecundidade das adolescentes Há pouca disponibilidade de informações relativas à vida reprodutiva de mulheres abaixo de 15 anos. Amostras como a Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS) excluem as mulheres abaixo dessa idade no levantamento de informações sobre fecundidade. Cerca de 14% das mulheres abaixo de 15 anos, entrevistadas na PNDS de 1996, já tinham ao menos 1 filho. Fonte: PNDS, 1996; Bemfam, 1997. A fecundidade total no Brasil tem apresentado uma curva descendente sistemática e significativa. No entanto, para a faixa de mulheres de 15 a 19 anos, essa taxa segue em sentido inverso, tendo apresentado um aumento de 26%, de 1970 a 1991. Fonte: Censos Demográficos, IBGE; FNUAP – Brasil. Taxas de fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos, por nível de renda, segundo as regiões brasileiras, 1986 – 1991 Regiões Grupo de renda GR1 GR2 GR3 GR4 GR5 GR6 TotalNorte 0,167 0,116 0,079 0,065 0,038 0,027 0,108Nordeste 0,109 0,050 0,037 0,028 0,019 0,016 0,080Sudeste 0,140 0,093 0,074 0,043 0,021 0,009 0,067Sul 0,138 0,094 0,062 0,042 0,022 0,013 0,072Centro-Oeste 0,182 0,123 0,068 0,050 0,031 0,018 0,094Brasil 0,128 0,082 0,064 0,042 0,023 0,013 0,077 Fonte dos dados brutos: IBGE, Censo Demográfico 1991. Elaboração: DIPOS/IPEA. Publicação: CNPD, Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas, vol. 1, p. 122. Nota: GR1 – menor que 1 salário mínimo e sem rendimento; GR2 - de 1 a 2 s.m.; GR3 - de 2 a 3 s.m; GR4 - de 3 a 5 s.m.; GR5 – de 5 até 10 s.m.; e GR6 - 10 s.m. e mais.
  7. 7. Gravidez precoce A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde de 1996 revela que 18% das adolescentesbrasileiras já tiveram pelo menos um filho ou estão grávidas. Este percentual foi mais elevadonas áreas rurais (24%) do que nas áreas urbanas (17%). A Região Norte registra a porcentagemmais elevada de gestações nesta faixa etária, ou seja, de 24%, e os índices mais baixos foramverificados na Região Centro-Leste, de 13%. Diferenciais ainda mais expressivos são encontrados quando se introduz a variável anos deescolaridade. Aproximadamente metade das jovens de 14 a 19 anos sem nenhum ano deescolaridade já havia sido mãe, enquanto apenas 4% daquelas que tinham entre 9 e 11 anos deescolaridade haviam engravidado alguma vez.Fonte: PNDS, 1996; CNPD, 1997. Essa mesma pesquisa revela que 54,4% das meninas entre 15 a 19 anos, sem escolarização,já haviam ficado grávidas. Entre as meninas com pelo menos nove anos de estudo, esse índice éde 6,4%.Fonte: PNDS, 1996.Parto: primeira causa de internação de meninas de 10 a 14 No caso das adolescentes entre 10 e 14 anos, não se dispõem de dados de cobertura nacionalsobre a incidência da gravidez. Entretanto, os dados de atendimento pelo Sistema Único de Saúde(SUS) mostram que, entre 1993 e 1997, houve um aumento de 20% no total de partos emmulheres de 10 a 14 anos. O parto constitui a primeira causa de internação de meninas nessafaixa etária no sistema público de saúde.Fonte: Dados do SUS; FNUAP – Brasil.
  8. 8. Partos por faixa etária. Brasil, 1993 – 1997 Totais de partos no SUS % de partos de adolescentes Outras Ano (todos os tipos) (todos os tipos) idades 10-14 anos 15-19 anos 20-24 anos1993 2.856.255 0,93% 21,41% 32,91% 44,75%1994 2.852.834 0,93% 22,27% 32,85% 43,95%1995 2.821.211 1,00% 23,44% 32,47% 43,09%1996 2.743.141 1,16% 24,63% 32,33% 41,88%1997 2.718.265 1,23% 25,27% 73,50%Fonte: Ministério da Saúde – DATASUS/FNS. Em 1994 os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) realizaram 2,85 milhões de partos;destes, 0,93% ocorreu em meninas entre 10 e 14 anos e 22%, em jovens entre 15 a 19 anos. Em1997 o número de partos realizados pelo SUS caiu para 2,71 milhões; mas, deste total, 1,23% foirealizado em meninas entre 10 a 14 anos. O número de mães jovens aumentou, atingindo 26,6%do total de partos. Com relação à prática da cesárea na população jovem, calcula-se que 25,27% dospartos/cesáreas sejam realizados em adolescentes de 15 a 19 anos. Número de partos e cesáreas nas faixas etárias de 10 a 14 anos e 15 a 19 anos na rede do SUS, 1997 Procedimento 10-14 anos 15-19 anos TotalPartos 24.662 509.480 1.849.296Cesáreas 8.872 177.324 868.969Total geral 33.534 686.804 2.718.265Fonte: Saúde na Adolescência/DGPE/SPS/MS, 1997.
  9. 9. A tabela acima mostra o número de partos e cesáreas realizadas em meninas de 10 a 14 anose adolescentes de 15 a 19 anos. Ao todo, foram 2.718.265 casos de partos e cesáreas em 1997.Chama a atenção o fato de que as cesáreas correspondem a 32% do total de intervençõesrealizadas.Fonte: Ecos – Sylvia Cavasin.
  10. 10. Início precoce das relações sexuais e baixo uso de métodos contraceptivos O percentual de utilização de métodos contraceptivos por jovens encontrado pelo DemographyHealth Survey – DHS/96 é ainda reduzido: apenas 14% das jovens de 15 a 19 anos e 42%daquelas entre 20 e 24 anos estavam usando algum tipo de método. A pílula, campeãabsoluta de uso, era utilizada por 7,9% das mulheres de 15 a 19 anos e por 23,8% das de 20 a 24anos.Fonte: Dados do DHS/96; FNUAP – Brasil. A Pesquisa do DHS/96 sugere, também, que viver em união favorece a utilização decontraceptivos, pois a proporção de uso entre as jovens unidas é substancialmente maior queentre todas as jovens na faixa etária. Com relação ao uso de métodos contraceptivos por jovens, a média nacional não correspondeà realidade em várias partes do país. Por exemplo, em 1996, no Rio de Janeiro 23% das meninasunidas de 15 a 19 anos eram não-usuárias de contracepção; já no Nordeste o percentual chegavaa 59%.Fonte: Dados do DHS/96; FNUAP – Brasil.
  11. 11. Distribuição percentual das mulheres de 15 a 24 anos por utilização de métodos anticoncepcionais e estado conjugal segundo as regiões Unidas Todas Não-Uso Pílula Outros Não-Uso Pílula Outros15-19 anos % % % % % %Rio de Janeiro 22,7 45,5 31,8 79,5 13,7 6,8São Paulo 40,0 40,0 20,0 82,8 10,2 7,0Sul 42,1 47,4 10,5 80,4 12,7 6,9Centro-Leste 38,7 54,8 6,5 87,1 8,8 4,1Nordeste 59,4 25,2 15,5 88,9 5,6 5,5Norte 51,1 15,6 33,3 86,3 3,5 10,2Centro-Oeste 50,0 42,1 7,9 85,4 11,0 3,7Brasil 49,9 33,1 17,0 86,0 7,9 6,120-24 anosRio de Janeiro 23,7 50,0 26,3 48,6 38,5 12,8São Paulo 29,5 46,3 24,2 53,3 27,9 18,8Sul 24,5 60,6 14,9 44,8 42,9 12,3Centro-Leste 38,4 39,7 21,9 60,3 25,5 14,1Nordeste 43,5 26,9 29,6 65,4 15,7 18,9Norte 42,7 30,0 27,3 60,9 17,6 21,4Centro-Oeste 23,5 42,9 33,6 45,5 30,8 23,7Brasil 36,4 36,6 27,1 57,9 23,8 18,3Fonte: Bemfam; DHS, 1996. Publicação: CNPD – Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas, vol. 1, p.131.
  12. 12. Aborto na adolescênciaO número de curetagens decorrentes de abortos malfeitos em adolescentes aumenta na mesma proporção em que aumentam os casos de gravidez na adolescência. O número de adolescentes que passam pelos serviços do SUS para corrigir as seqüelas doaborto malfeito está crescendo a cada ano. De 1993 a 1997, as curetagens feitas pelo SUS emadolescentes depois de abortos passaram de 19% para 22% do total de procedimentos, umcrescimento considerado significativo pelos/as técnicos/as do Ministério da Saúde.O número estimado de abortamentos em jovens de 10 a 19 anos, em 1996, foi de 241.392 casos.Fonte: Programa Saúde do Adolescente/Ministério da Saúde, 1996. Aproximadamente 10 milhões de mulheres estão expostas à gravidez indesejada, seja por usoinadequado de métodos anticoncepcionais ou mesmo por falta de conhecimento e/ou acesso aosmesmos. Estima-se que ocorram no país de 1 a 1,2 milhão de abortamentos ao ano, queconstituem a 5ª causa de internação na rede do SUS e são responsáveis por 9% das mortesmaternas e 25% das esterilidades por causa tubária.Fonte: Programa Saúde da Mulher/Ministério da Saúde, 8/3/99. Meninas e jovens de até 19 anos fazem 48% das interrupções nos serviços de abortoprevisto por lei, segundo levantamento realizado pela Rede Feminista de Saúde junto aoshospitais públicos que mantêm serviços de aborto legal. No Hospital do Jabaquara (SP), 46% dasinterrupções foram realizadas em menores de 19 anos. No Hospital Pérola Byington (SP), 56%das interrupções de gravidez realizadas pelo Serviço de Violência Sexual foram feitas emmulheres adolescentes.Fonte: Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, 1998.
  13. 13. Morbidade e mortalidade de mulheres jovens As adolescentes com vida sexual ativa enfrentam uma variedade de riscos, dentre os quais osde estarem expostas à gravidez não desejada, ao aborto clandestino e às doenças sexualmentetransmissíveis, que ameaçam sua saúde sexual e reprodutiva e podem afetar de forma irreversívelsua fertilidade futura. As mulheres jovens, quando enfrentam uma gravidez indesejada, muitas vezes buscam oabortamento clandestino, pondo em risco sua saúde e, o que é ainda mais grave, colocando suavida em perigo. As infecções relacionadas ao abortamento são particularmente comuns em paísesonde esta prática é ilegal. As adolescentes constituem uma grande parcela das pacienteshospitalizadas por complicações advindas do abortamento clandestino. As taxas de abortamento entre adolescentes variam de país para país, registrando-se desdetaxas muito baixas, como na Alemanha (3 abortamentos em cada 1.000 mulheres na faixa etáriade 15-19 anos) e Japão (6 em cada 1.000), até taxas muito mais altas, como no Brasil (32 emcada 1.000) e Estados Unidos (36 em cada 1.000). Na América Latina e no Caribe, calcula-se que uma entre dez mulheres hospitalizadas paracorrigir abortos malsucedidos tem menos de 20 anos de idade. Nessa faixa etária estãotambém um terço das mulheres com infecções mais sérias.Fonte: Alan Guttmacher Institute, 1998.
  14. 14. Internações por parto e curetagem pós-aborto de adolescentes no SUS, 1998Procedimento Idade % sobre total de partos e curetagens 10-14 15-19 10-19 em todas as idadesParto normal 24.305 516.035 540.340 28,85Cesariana 7.552 150.547 158.099 21,24Total de partos 31.857 666.582 698.439 26,68Curetagem 2.753 47.915 50.668 22,05Total de partos e 34.610 714.497 749.107 26,31curetagemFonte: DataSUS/MS, 1998; FNUAP – Brasil. Esta tabela é bastante significativa, pois aponta a real situação das jovens de 10 a 19 anos emrelação a sua saúde reprodutiva. Das jovens nessa faixa etária, 26,31% engravidaram e fizeramcuretagem ou tiveram filhos. As causas de morte conhecidas como causas maternas se destacam entre os três primeirosgrandes grupos de causas na mortalidade feminina em 1980, em 1985 e em 1990. Em 1995, 13%dos óbitos de mulheres jovens entre 15 e 19 anos e 22% dos óbitos na faixa etária de 20 a 24anos se deveram a causas registradas como maternas. O aborto representou 16% das mortesmaternas de mulheres de 15 a 24 anos nas regiões mais pobres do país.Fonte: CNPD, 1997.
  15. 15. AIDS entre jovens O crescimento da incidência de AIDS entre os jovens vem sendo sublinhado por diferentesestudos. Dados nacionais de 1996 informam que, entre os jovens contaminados, cerca de 1/3tinha entre 15 e 17 anos e 2/3, 18 ou 19 anos. A maior causa de contaminação entre os jovensde sexo masculino vem sendo o uso de drogas injetáveis (43% entre os homens jovens e 3%entre as jovens mulheres). No caso das mulheres jovens, a principal causa tem sido as relaçõesheterossexuais, sendo que cerca de 72% das jovens HIV positivas vivem na Região Sudeste.Fonte: CNPD, 1997. Casos de AIDS na adolescência Faixa etária Nº de casos %10-19 2.879 2,520-24 12.668 10,925-29 24.726 21,2Total de casos 116.389Fonte: DATASUS/FNS/MS – Programa Saúde do Adolescente/Ministério da Saúde, 1996. Dados de 1998 revelam que, na faixa etária de 15 a 24 anos, foi verificada a existência deum homem infectado com o HIV para cada mulher. A média nas outras faixas etárias é de doiscasos entre homens para um caso em mulher. Em 1986, a razão era de 16 para um.Fonte: Rede Nacional de Direitos Humanos em HIV/AIDS (RNDH), 1998. Doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV/AIDS, constituem a principal causa dosproblemas no aparelho reprodutivo, ameaçando a fertilidade, a saúde e a própria vida das jovensmulheres. As DSTs afetam também a saúde dos recém-nascidos, pois são largamenteresponsáveis por partos prematuros e nascituros de baixo peso e com maior suscetibilidade ainfecções e doenças.Fonte: Alan Guttmacher Institute, 1998. Distribuição proporcional dos casos de AIDS, segundo sexo e idade. Brasil, 1980-1998*
  16. 16. Sexo Grupo etário (anos) Masculino Feminino Total Nº % Nº % Nº %Menor de 1 1.089 1,0 985 3,0 2.074 1,41a4 945 0,8 1.050 3,2 1.995 1,45a9 380 0,3 262 0,8 642 0,410 a 12 170 0,2 58 0,2 228 0,213 a 14 172 0,2 38 0,1 210 0,115 a 19 2.243 2,0 952 2,9 3.195 2,220 a 24 11.268 10,0 4.543 13,8 15.811 10,925 a 29 23.415 20,8 7.115 21,6 30.530 21,030 a 34 25.970 23,1 6.501 19,7 32.471 22,335 a 39 19.272 17,1 4.514 13,7 23.786 16,440 a 44 12.278 10,9 2.908 8,8 15.186 10,445 a 49 6.851 6,1 1.640 5,0 8.491 5,850 a 54 3.615 3,2 1.052 3,2 4.667 3,255 a 59 2.103 1,9 597 1,8 2.700 1,960 e mais 2.246 2,0 636 1,9 2.882 2,0Ignorado 384 0,3 75 0,2 459 0,3Total 112.401 100,0 32.926 100,0 145.327 100,0Fonte: Ministério da Saúde – Coordenação Nacional de DST/AIDS.(*) Para 1998, os dados são preliminares até a semana 47, encerrada em 28/11. Dados sujeitos a revisão.
  17. 17. Recomendações da ONU sobre saúde sexual e reprodutiva Na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada em 1994 nacidade do Cairo, a saúde e os direitos reprodutivos dos/as jovens receberam destaque especial noparágrafo E, do capítulo VII, que incluía temas como a gravidez não desejada, o aborto inseguro eas DST/AIDS. As recomendações desta Conferência prevêem: • o encorajamento de um comportamento reprodutivo e sexual responsável e saudável, incluindo a abstinência voluntária e a disponibilidade de serviços e aconselhamento adequados, especificamente destinados a esse grupo etário; • os países devem garantir que os programas e atitudes dos agentes de medicina não limitem o acesso dos/as adolescentes aos serviços e informação de que necessitam. Estes serviços devem salvaguardar o direito dos/as adolescentes à privacidade, confidencialidade, respeito e consentimento expresso, ao mesmo tempo em que se respeitam os valores culturais e as crenças religiosas, bem como os direitos, deveres e responsabilidades dos pais; • os países devem proteger e promover o direito dos/as adolescentes a educação, informação e cuidados de saúde reprodutiva e reduzir consideravelmente o número de casos de gravidez na adolescência; • os governos, em colaboração com as ONGs, devem estabelecer mecanismos apropriados para responder às necessidades especiais dos/as adolescentes. Representantes de mais de 175 países de todo o mundo assinaram documento endossandoessas recomendações. O governo brasileiro também é signatário do Programa de Ação do Cairo,tendo se comprometido com a implementação de políticas voltadas à saúde e aos direitos sexuaise reprodutivos dos/as adolescentes.
  18. 18. Cairo + 5 e o Fórum de Jovens em Haia A Organização das Nações Unidas está promovendo neste ano uma série de eventos a fim depromover um balanço sobre as iniciativas de implementação das resoluções incluídas noPrograma de Ação do Cairo. Dentro desse processo foi realizado em fevereiro de 1999, em Haia(Holanda), um Fórum Internacional do qual participaram representantes de 177 países, além derepresentantes de órgãos da ONU, organismos internacionais e organizações não-governamentais. O Fórum de Haia foi precedido por outras reuniões, realizadas também em Haia, entre elas oFórum de Jovens, que aconteceu nos dias 6 e 7 de fevereiro. Organizado pela WPF – FundaçãoMundial de População, em conjunto com o FNUAP – Fundo de População das Nações Unidas, eco-patrocinado pelo Conselho Holandês de Juventude e População, esse fórum reuniu 132 jovensde ambos os sexos de 111 países, constituindo uma oportunidade para que jovens de todo omundo manifestassem suas próprias visões e preocupações e compartilhassem suasexperiências. O Fórum de Jovens concentrou suas discussões em torno de quatro temas principais –educação; desenvolvimento individual; saúde sexual e reprodutiva; violência –, que foramdiscutidos em relação a quatro questões – direitos humanos; gênero; governos e democracia;participação de jovens. Em relação aos/às adolescentes, a preocupação maior esteve relacionada com sua saúdereprodutiva, uma área onde ainda há muita resistência por parte de pais, mães, professores/as egrupos religiosos. O Relatório do Fórum de Jovens contém uma série de recomendações formuladas pelos/asparticipantes e aprovadas durante a sessão plenária por uma maioria representada por quase60% dos/as jovens presentes ao fórum. Em outras palavras, mais de 40% dos/as participantesmanifestaram reservas em relação ao texto do relatório que tratava sobre saúde sexual e
  19. 19. reprodutiva, opondo-se à inclusão das expressões “orientação sexual” e “aborto”. A íntegra doRelatório do Fórum de Jovens pode ser obtida em: http://www.ngoforum.org/files/youth/final/toca.htm
  20. 20. Fontes consultadasCNPD – Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, Jovens Acontecendo na Trilha dasPolíticas Públicas, vols. 1 e 2, Brasília, 1998.CNPD – Os Jovens no Brasil: Diagnóstico Nacional. Costa Rica, 1 a 3/12/97, Brasília, 1997.Coordenação Nacional de DST/AIDS, Ministério da Saúde.DATASUS/FNS/Ministério da Saúde.DHS/96; Benfam – Brasil.DHS/96; FNUAP – Brasil.Ecos – Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana.FNUAP – Fundo de População das Nações Unidas – Brasil.IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censos Demográficos.Instituto Alan Guttmacher, relatório de pesquisa realizada em 1997, Into a New World: YoungWomen’s Sexual and Reproductive Lives, Nova York, maio de 1998. Relatório emitido pelo CEPIA– Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação.Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, 1996.Programa Saúde da Mulher, Ministério da Saúde.Programa Saúde do Adolescente, Ministério da Saúde.RNDH – Rede Nacional de Direitos Humanos em HIV/AIDS, Notas, nº 34, dezembro de 1998.Saúde na Adolescência/DGPE/SPS/Ministério da Saúde, 1997.Sites na Internethttp://www.aids.gov.brhttp://www.datasus.gov.brhttp://www.ibge.gov.brhttp://www.mj.gov.brhttp://www.saude.gov.brhttp://www.seade.gov.br
  21. 21. Referências bibliográficasALAN Guttmacher Institute, The. Into a New World. Young Women’s Sexual and Reproductive Lives. Nova York, The Alan Guttmacher Institute, 1998.ARILHA, Margareth; CALAZANS, Gabriela. “Sexualidade na Adolescência: O que há de novo?”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 2, 1998.BAENINGER, Rosana. “Juventude e Movimentos Migratórios no Brasil”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.BERCOVICH, A.M.; DELLASOPPA, E.; ARRIAGA, E. “’J’adjunte, mais je ne corrige pas’: Jovens, Violência e Demografia no Brasil. Algumas reflexões a partir dos indicadores de violência”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.BERQUÓ, E.; CAMARANO, A.M.; CANNON, L.R.S.; CASTRO, M.G.; CORRÊA, Sonia. “Os Jovens no Brasil. Diagnóstico Nacional”, Reunião Regional da América Latina sobre Saúde Sexual e Reprodutiva dos Adolescentes, Costa Rica, 1 a 3 de dezembro de 1997 / Brasília, 1997.BERQUÓ, Elza. “Quando, Como e Com Quem se Casam os Jovens Brasileiros”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.CAMARANO, Ana Maria. “Fecundidade e Anticoncepção da População de 15 a 19 Anos”, in Seminário Gravidez na Adolescência. Rio de Janeiro, Ministério da Saúde/Family Health International/Associação Saúde Família, 1998.CAMARANO, Ana Maria. “Fecundidade e Anticoncepção da População Jovem”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.CASTILHO, E.A.; SZWARCWALD, C.L. “Mais uma Pedra no Meio do Caminho dos Jovens Brasileiros: a AIDS”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.CAVASIN, Sylvia; ARRUDA, Silvani. “Educação Sexual e Comunicação para Adolescentes”, in Seminário Gravidez na Adolescência. Rio de Janeiro, Ministério da Saúde/Family Health International/Associação Saúde Família, 1998.CNPD – Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, 1997.
  22. 22. COELHO DE SOUZA, M.M. “A Maternidade nas Mulheres de 15 a 19 Anos como Desvantagem Social”, in Seminário Gravidez na Adolescência. Rio de Janeiro, Ministério da Saúde/Family Health International/Associação Saúde Família, 1998.FERRAZ, E; FERREIRA, I.Q. “Início da Atividade Sexual e Características da População Adolescente que Engravida”, in Seminário Gravidez na Adolescência. Rio de Janeiro, Ministério da Saúde/Family Health International/Associação Saúde Família, 1998.JORGE. M.H.P.M. “Como Morrem Nossos Jovens”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.MADEIRA, Felícia R. (org.). Quem Mandou Nascer Mulher?. Rio de Janeiro, Record/Rosa dos Tempos, 1997.MINISTÉRIO da Saúde. Boletim Epidemiológico - Aids. Brasília, dezembro de 1997 a novembro de 1998.TRAVASSOS, Cláudia; LEBRÃO, Maria Lucia. “Morbidade Hospitalar nos Jovens”, in Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília, CNPD, vol. 1, 1998.VIEIRA, Elizabeth M. (org.). Capítulo “Recomendações do Seminário”, in Seminário Gravidez na Adolescência. Rio de Janeiro, Ministério da Saúde/Family Health International/Associação Saúde Família, 1998.
  23. 23. O que é a RedeSaúde A Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos (RedeSaúde) é umaarticulação do movimento de mulheres do Brasil. Fundada em 1991, reúne atualmente 160 gruposfeministas e pesquisadoras que desenvolvem trabalhos políticos e de pesquisa na área da saúdeda mulher e dos direitos reprodutivos. A atuação da RedeSaúde fundamenta-se em três eixosprincipais: • a conceituação dos direitos reprodutivos e sexuais como direitos humanos; • a retomada do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) como referência para a otimização dos serviços; • a luta pela saúde, pelos direitos sexuais e reprodutivos e pelo direito de decidir sobre a realização ou não de um aborto.A RedeSaúde é composta por sete Regionais organizadas nos seguintes estados:• Pará• Rio Grande do Sul• Pernambuco• Minas Gerais• São Paulo• Rio de Janeiro• Distrito Federal Maiores informações: Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos tels.: (011) 813.9767 / 814.4970 fax: (011) 813.8578 e-mail: redesaude@uol.com.br

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