TAO TE CHING                          O Livro do Caminho e da Virtude                                                Lao T...
O termo taoísta é formado por dois ideogramas chineses: Tao que significa caminho,exprimindo a idéia de origem de todas as...
novamente à terra, encarnado como filho único do senhor Li Po Yang da província Shu.Na sua nova jornada veio acompanhado d...
CAPÍTULO 1O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constanteO nome que pode ser enunciado não é o Nome constanteSem...
CAPÍTULO 2Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como beloEntão isso já se tornou um malE reconhecendo o bem como bem...
CAPÍTULO 3Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputaNão enobrecendo a matéria de difícil aquisição, ma...
CAPÍTULO 4O Caminho é o Vazio14E seu uso jamais o esgotaÉ imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seres...
CAPÍTULO 5O céu e a terra não são bondososTratam os dez mil seres como cães de palha 16O Homem Sagrado não é bondosoTrata ...
CAPÍTULO 6O Espírito do Vale 18 nunca morreIsso se chama Orifício Misterioso19A porta do Orifício Misterioso é a raiz do c...
CAPÍTULO 7O céu é constante, a terra é duradouraO que permite a constância e a duração do céu e da terraÉ o não criar para...
CAPÍTULO 8A bondade sublime é como a água 21A água, na sua bondade, beneficia os dez mil seres sem preferênciaPermanece no...
CAPÍTULO 9O que é mantido cheio não permanece até o fimO que é intencionalmente polido não é um tesouro eternoUma sala che...
CAPÍTULO 10Quem conduz a realização do corpo por abraçar a unidadePode tornar-se indivisívelQuem respira com pureza por al...
CAPÍTULO 11Trinta raios convergem ao vazio do centro da rodaAtravés dessa não-existênciaExiste a utilidade do veículoA arg...
CAPÍTULO 12As cinco cores tornam os olhos do homem cegosAs cinco notas tornam os ouvidos do homem surdosOs cinco sabores t...
CAPÍTULO 13O prestígio e a humilhação geram sustoA nobreza e a grande preocupação situam-se no corpoO que são prestígio e ...
CAPÍTULO 14Aquilo que se olha e não se vê, chama-se invisívelAquilo que se escuta e não se ouve, chama-se inaudívelAquilo ...
CAPÍTULO 15Os bons realizadores da antiguidade eram sutisMaravilhosos, misteriosos e despertadosEram profundos e não podia...
CAPÍTULO 16Alcançando o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietudeOs dez mil seres se manifestam simulta...
CAPÍTULO 17Do supremo, o inferior tem apenas ciência da existênciaDo estado que o sucede, intimidade ou admiraçãoDo estado...
CAPÍTULO 18Quando se perde o Grande CaminhoSurgem a bondade e a justiça26Quando aparece a inteligênciaSurge a grande hipoc...
CAPÍTULO 19Anule o sagrado e abandone a inteligênciaE o povo cem vezes se beneficiaráAnule a bondade e abandone a justiçaE...
CAPÍTULO 20No ensinamento pela supressão não há preocupaçõesEntre aceitar e repudiar qual a diferença?Entre apreciar e des...
CAPÍTULO 21A abrangência da virtude do orifício30 é seguir apenas o CaminhoO Caminho, enquanto existência é indistinguível...
CAPÍTULO 22Curvar-se permite a plenitudeSubmeter-se permite a retidãoEsvaziar-se permite o preenchimentoRomper permite a r...
CAPÍTULO 23Falar pouco é o naturalUm redemoinho não dura uma manhãUma rajada de chuva não dura um diaDe onde provêm essas ...
CAPÍTULO 24Quem respira apressado não duraQuem alarga os passos não caminhaQuem vê por si não se iluminaQuem aprova por si...
CAPÍTULO 25Há algo completamente entorpecidoAnterior à criação do céu e da terraQuieto e êrmoIndependente e inalterávelMov...
CAPÍTULO 26A ponderação torna enraizado o levianoA quietude torna governado o inquietoPor isso o Homem Superior34 termina ...
CAPÍTULO 27A boa caminhada não deixa rastros ou pegadasA boa palavra não deixa imperfeição para críticasO bom cálculo não ...
CAPÍTULO 28Conhecendo o masculino, resguardando o femininoSendo a ravina sob o céuSem se afastar da Virtude EternaRetornar...
CAPÍTULO 29Para quem deseja possuir o mundo e age para issoVejo, não o conseguiráO mundo é um recipiente espiritualQue não...
CAPÍTULO 30Aquele que utiliza o Caminho para auxiliar o senhor dos homensNão utiliza a arma e a força, sob o céuPois esta ...
CAPÍTULO 31As boas armasSão recipientes de desventuraOs seres as detestamPor issoOs que guardam o Caminho não as compartil...
CAPÍTULO 32O Caminho é eterno e não tem nomeÉ genuíno e, embora pequeno,O mundo não tem coragem de dominá-loSe reis e prín...
CAPÍTULO 33Quem conhece os homens é inteligenteQuem conhece a si mesmo é iluminadoVencer os homens é ter forçaQuem vence a...
CAPÍTULO 34O Grande Caminho é vastoPode ser encontrado na esquerda e na direitaOs dez mil seres dele dependem para viverE ...
CAPÍTULO 35Conservando a Grande ImagemO mundo passaPassa sem danosCom tranqüilidade, serenidade e supremaciaA música e as ...
CAPÍTULO 36Para querer iniciar o recolhimentoÉ necessário consolidar a expansãoPara querer iniciar o enfraquecimentoÉ nece...
CAPÍTULO 37O Caminho é uma constante não-açãoQue nada deixa por realizarSe reis e príncipes pudessem resguardá-loOs dez mi...
CAPÍTULO 38A Virtude Superior não é virtudeAssim, possui a VirtudeA Virtude Inferior não perde a virtudeAssim, não possui ...
CAPÍTULO 39Esses adquiriram o Um na antiguidade:O céu adquiriu o Um e tornou-se transparenteA terra adquiriu o Um e tornou...
CAPÍTULO 40O retorno é o movimento do CaminhoA suavidade é a atuação do CaminhoOs seres sob o céu nascem da existênciaE a ...
CAPÍTULO 41O homem superior ao ouvir sobre o CaminhoEsforça-se para poder realizá-loO homem mediano ao ouvir sobre o Camin...
CAPÍTULO 42O Caminho gera o umO um gera o doisO dois gera o trêsO três gera os dez mil seresOs dez mil seres se cobrem com...
CAPÍTULO 43Sob o céuO mais suave cavalga sobre o mais duro sob o céuA não-existência pode penetrar no sem-espaçoPor isso c...
CAPÍTULO 44A fama ou o corpo, o que mais se ama?O corpo ou a riqueza, o que vale mais?Ganhar ou perder, o que mais adoece?...
CAPÍTULO 45A suprema conclusão parece incompletaSua utilização não danificaA suprema abundância parece vaziaSua utilização...
CAPÍTULO 46Existindo o Caminho sob o céuConduzem-se os cavalos para estercarNão existindo o Caminho sob o céuArmam-se os c...
CAPÍTULO 47Sem sair da portaPode-se conhecer o mundoSem ver através da janelaPode-se conhecer o Caminho do céuQuanto mais ...
CAPÍTULO 48A realização através dos estudos é expandir dia após diaA realização através do Caminho é simplificar dia após ...
CAPÍTULO 49O Homem Sagrado não tem coraçãoToma o povo como seu coraçãoCom os bons faço o bemCom os que não são bons faço o...
CAPÍTULO 50Nascer na vida, entrar na morteDos que pertencem ao nascimento, entre dez, há trêsDos que pertencem à morte, en...
CAPÍTULO 51O Caminho geraA Virtude criaA matéria formaA conclusão completaPor isso os dez mil seres veneram o Caminho e es...
CAPÍTULO 52Sob o céu há um princípioQue age como mãe do mundoJá que existe a mãePode-se conhecer o filhoJá que se conhece ...
CAPÍTULO 53Torne-me naturalmente firme e possuidor do saberPercorrendo o Grande CaminhoTemendo apenas o desperdícioO Grand...
CAPÍTULO 54Bem plantado, não se desarraigaBem abraçado, não se apartaAssimFilhos e netos não cessam de cultuarRestaure seu...
CAPÍTULO 55Quem possui a Virtude em abundânciaÉ como um recém-nascidoOs insetos não o picamAs aves de rapina e os animais ...
CAPÍTULO 56O que é da compreensão não é a palavraO que é da palavra não é a compreensãoFechando a bocaTrancando a portaCeg...
CAPÍTULO 57Através da retidão organiza-se o reinoAtravés da singularidade dirige-se a guerraAtravés da não-atividade adqui...
CAPÍTULO 58Onde governa a tolerânciaO povo tem tranqüilidadeOnde governa a discriminaçãoO povo tem insatisfaçãoÉ na desgra...
CAPÍTULO 59Para reger o homem e servir o céuNada como ser o modeloSomente sendo o modeloPode-se dominar cedoDominar cedo s...
CAPÍTULO 60Governar um grande reino é como cozinhar um pequeno peixeAtuando sob o céu através do CaminhoSeus demônios não ...
CAPÍTULO 61O grande reino é aquele corrente abaixoÉ um campo sob o céuNum campo sob o céuA fêmea sempre vence o macho atra...
CAPÍTULO 62O Caminho é o segredo dos dez mil seresTesouro do homem benevolenteÉ o que o homem não-benevolente não guardaPa...
CAPÍTULO 63Ação através da não-açãoAtividade através da não-atividadeSabor através do não-saborGrande como pequeno, muito ...
CAPÍTULO 64O que tem paz é fácil de manterO que é anterior ao despertar é fácil de planejarO que é frágil é fácil de quebr...
CAPÍTULO 65Na antiguidade, os bons realizadores do CaminhoNão o utilizavam para esclarecer o povoUtilizavam-no para alegrá...
CAPÍTULO 66O que pode tornar os rios e mares reis dos cem valesE saber situar-se embaixoPor isso podem ser os reis dos cem...
CAPÍTULO 67Sob o céu todos se consideram o grandeNão rio dissoO grande sendo grandePor isso não riSe risseHa muito teria s...
CAPÍTULO 68Na antiguidade, os bons praticantes de cavalheirismoNão eram belicososBons em guerrear, sem iraBons em vencer o...
CAPÍTULO 69Sobre o uso da arma ha um provérbio“Não me encorajo a agir como anfitriãoPrefiro agir como hóspedeNão me encora...
CAPÍTULO 70Minha palavra é bastante fácil de compreenderBastante fácil de praticarMas, sob o céu, ninguém consegue compree...
CAPÍTULO 71Saber do não-saber é sublimeNão saber do saber é doençaAssim, o Homem Sagrado não adoecePor considerar doença a...
CAPÍTULO 72Quando o povo não tem medo do temívelEntão, o grande temor chegaNão estreite sua moradaNão despreze sua vidaPoi...
CAPÍTULO 73Quem tem coragem de ser valente terá a morteQuem tem coragem de ser cauteloso terá a vidaE esses dois são ora b...
CAPÍTULO 74O povo constante não teme a morteComo se pode intimidá-lo usando a morte?Se considero estranho esse constante q...
CAPÍTULO 75A fome do homemÉ devida a seu superior alimentar-se de impostos em demasiaPor isso existe a fomeA difícil gover...
CAPÍTULO 76O homem ao nascer é tenro e brandoAo morrer é rígido e duroA erva, a madeira e os dez mil seres ao brotaremSão ...
CAPÍTULO 77O Caminho do Céu é como o retesar do arcoA parte superior abaixa, a parte inferior sobeA parte que possui sobra...
CAPÍTULO 78Sob o CéuNada é mais suave e brando que a águaNo entanto, para atacar o que é rígido e duroNada pode se adianta...
CAPÍTULO 79Ao se conciliar um grande rancorCertamente ainda se terá um resto de rancorEntão como se pode agir bem?Sendo as...
CAPÍTULO 80Um pequeno reino de poucos habitantesMesmo que possua um utensílio para dezenas de centenas não o usaFaça o pov...
CAPÍTULO 81Palavras confiáveis não são belasPalavras belas não são confiáveisQuem sabe não é abrangenteQuem é abrangente n...
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Tao te ching lao tse

  1. 1. TAO TE CHING O Livro do Caminho e da Virtude Lao Tse Tradução do Mestre Wu Jyn Cherng Sociedade Taoísta do Brasil (http://www.taoismo.org.br) AGRADECIMENTOSEste trabalho é dedicado ao meu mestre, Sr. Maa Ho Yang, ao qual sou muito grato portudo que me ensinou. Wu Juh CherngGostaria de expressar meus sinceros agradecimentos à Andréa de Moraes, MônicaSimas e Francisco Mourão pela atenciosa revisão. Wu Juh Cherng INTRODUÇÃOO Tao Te Ching é um texto profundo e ao mesmo tempo simples porque apresenta pormeio da linguagem aquilo que se experimenta na sua ausência. A profundidade é opróprio caminho do mistério, a experiência do sagrado que corresponde à vivênciaespiritual. A simplicidade, um dos três tesouros 1 dos ensinamentos de Lao Tse, conduzà naturalidade que orienta o indivíduo no macrocosmo. Portanto, a leitura do Tao TeChing implica um desafio: esvaziar-se e ser natural como a água que flui no vale. Odesvendamento do texto deve fluir gradualmente, levando à contemplação de suaspalavras. Se estas não parecem suficientemente claras, isso se deve ao fato de asociedade contemporânea, na qual prolifera o pensamento, dificultar a ampliação daconsciência. Nesse contexto, a contemplação já é por si um ato transgressor.Esta tradução do Tao Te Ching, diretamente do chinês para o português, resgata atradição taoísta e oferece a decifração necessária de conceitos fundamentais, respeitandoa estrutura original do texto em chinês clássico em detrimento de frases maisconvencionais em língua portuguesa. Desse modo, o leitor pode estabelecer nexos,coordenar e reconstituir relações entre os conceitos, traduzindo-os em experiências eproporcionando à leitura a suave alegria da vivência de um ensinamento.Reverenciado como escritura sagrada pelos mistérios que revela, o ensinamento contidoneste livro corresponde a uma tradição que integra filosofia, ciência e religião àexperiência.1 Os três tesouros segundo a tradição taoísta são: humildade, simplicidade e afetividade.
  2. 2. O termo taoísta é formado por dois ideogramas chineses: Tao que significa caminho,exprimindo a idéia de origem de todas as coisas; e Diao que significa ensinamento.Portanto, taoísmo corresponde à tradição que vem do passado, que revela a origem. Porisso, o Caminho da Imortalidade, objetivo dos taoístas, é denominado Via doRetorno, indicando a volta ao princípio. Nesse caminho, a virtude se efetiva através damediação de consciência e da compreensão dinâmica do universo para resgatar a ordemnatural da vida.A escola taoísta tem como base o estudo de três obras, simbolizadas na imagem de umaárvore. A raiz é o I Ching – O Livro das Mutações, o tronco é o Tao Te Ching –Livro do Caminho e da Virtude e a flor é o Nan Hua Ching – O Livro da Flor doSul. O Tao Te Ching é a estrutura central do taoísmo.Lao Tse revela um ensinamento que abrange o tempo infinito. Lao Tse corresponde àtransmissão e conservação da tradição taoísta na imagem do mestre, manifestação doabsoluto.Segundo o cânon taoísta, Lao Tse nasceu na província de Na Hue, na cidade de GuoYang, no 25º dia da segunda lua do ano Ken-Tzen da era Wu-Tin (no período entre1324 – 1408 A.C.). As circunstâncias do seu nascimento foram extraordinárias. Deacordo com a tradição, sua gestação demorou oitenta e um anos. Lao Tse foi concebidoquando sua mãe engoliu uma pérola de luz, transformação da Transparência Sublime2 em sopro, através da essência do Sol. Seu pai era um famoso alquimista da dinastia Sanque ascencionou com mais de cem anos, envolvido pelos dragões celestiais. Sua mãeera considerada a encarnação do Sopro Yin do Céu-Anterior, sendo ao mesmo temposua mestra. Lao Tse nasceu do lado esquerdo das costelas da sagrada mãe, no jardim dafamília sob uma árvore de nome Li (ameixeira), com cabelos brancos e orelhas grandes.Por isso, recebeu o nome de Lao Tse (filho velho) e Li Er (orelha grande da ameixeira).Lao Tse tem também sentido de Senhor do Fim e do Princípio, já que velho representao fim enquanto filho representa o início.Sua juventude foi vivida no condado de K´u localizado entre Long San (Monte Dragão)e Guo Sue (Rio Guo). Quando o imperador tirano Zhou assumiu o poder, Lao Tsemudou-se para a região sul do Chi San, no território do Rei Wen, fundador da dinastiaChou. Foi convidado p rei Wen para ser responsável pela biblioteca real. Mais tarde, elofoi nomeado para o cargo de historiador real, permanecendo como tal até o 19º dia daquinta lua do 25º ano da era do rei Zhao, quando solicitou dispensa e retornou à suaterra natal, acompanhado do escudeiro Shü Jia. No mesmo ano, Lao Tse iniciou suagrande viagem para o ocidente, com intuito de chegar aos reinos da atual Índia,Afeganistão e Itália. Durante a viagem, permaneceu algum tempo na fronteira de YüMen e aceitou o oficial-chefe da fronteira como discípulo. Ditou-lhe vários escritos,entre eles o Tao Te Ching. Muitos anos depois, teve sua ascensão no deserto de Gobi,durante a qual emanou raios de luz em cinco cores, transformando-se em corpo de luzdourada e desaparecendo no céu. Após sua ascensão, Lao Tse habitou o Tai Wei Gon(Palácio da Sublime Sutileza) do Céu-Anterior e dividiu seu corpo para retornar2 A Transparência Sublime (Tai Chin): a Transparência de Jade (Yü Chin) e a Transparência Superior(São Chin) formam o conceito teológico de Absoluto taoísta. 2
  3. 3. novamente à terra, encarnado como filho único do senhor Li Po Yang da província Shu.Na sua nova jornada veio acompanhado do dragão azul do Imperador Celestial ChinHua, transformado em carneiro azul. Depois de uma longa peregrinação, seu discípuloYi Shi, o oficial da fronteira, foi atraído por um carneiro de pêlo azul dourado. Yi Shiencontrou, na aldeia da família Li, a nova encarnação de Lao Tse. Diante de seudiscípulo, a criança Lao Tse, de três anos de idade, revelou sua verdadeira imagem. Seucorpo cresceu, transformando-se em luz dourada branca. Cercado de inúmeros imortaiscelestiais, Lao Tse pronunciou mais um ensinamento: o Tratado Maravilhoso doPrincípio Solar do Tesouro do Espírito (Ling Bao Yuan Yang Miao Ching). Apósconcluir seu ensinamento, os duzentos membros da família Li ascencionaram seguidospor Lao Tse e Yi Shi. Isso aconteceu no dia 28 de abril de 1118 A.C.Depois do segundo nascimento e ascensão, Lao Tse ainda retornou inúmeras vezes paratransmitir os ensinamentos e para ordenar as novas tradições. Por isso, é chamado pelostaoístas como Sublime Patriarca do Caminho.Lao Tse propõe a apreensão do mistério: suas palavras superam a própria forma, opróprio texto. O desvendamento gradual do ensinamento, aqui oferecido, tenta trazer aapreensão daquilo que, para ele, constitui exatamente o indizível. Wu Juh CherngCRÉDITOS:Wu Jyh Cherng – nascido em Taiwan – República da China, é Sacerdote Taoísta daOrdem Ortodoxa-Unitária. Especialista em ritos, alquimia, I Ching e medicina Taoísta.Autor de Tai Chi Chuan – Alquimia dos Movimentos e I Ching – Alquimia dosnúmeros.Se você tiver interessado em conhecer mais sobre o taoísmo ou conhecimentos afins,entre em contato com a Sociedade Taoísta do Brasil. No Rio de Janeiro na Rua CosmeVelho, 355, Cosme Velho - (0xx21) 2225-2887/2205-1272. Em São Paulo na RuaÁgata, 49, Aclimação - (0xx11) 3271 1647.http://www.taoismo.org.br 3
  4. 4. CAPÍTULO 1O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constanteO nome que pode ser enunciado não é o Nome constanteSem-Nome é o princípio do céu e da terraCom-Nome é a mãe de dez mil coisasAssim, a constante não-aspiração3 é contemplar as Maravilhas4E a constante aspiração5 é contemplar o Orifício6Ambos são distintos em seus nomes mas têm a mesma origemO comum entre os dois se chama Mistério 7O Mistério dos Mistérios é o Portal para todas as Maravilhas3 Não-aspiração: significa a ausência de intenção.4 MIAO: Maravilha, significa as manifestações do Caminho.5 Aspiração: significa a manutenção da vontade.6 CHIAO: tem dois sentidos, 1º) Luz, Claridade ou Cor Branca; 2º) Orifício, Cova ou Abertura.7 SHUEN: tem dois sentidos, 1º) Mistério; 2º) Cor Negra. SHUEN é a convergência e a anulação dosopostos. 4
  5. 5. CAPÍTULO 2Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como beloEntão isso já se tornou um malE reconhecendo o bem como bemEntão já não seria um bemA existência e a inexistência geram-se uma pela outraO difícil e o fácil completam-se um ao outroO longo e o curto estabelecem-se um pelo outroO alto e o baixo inclinam-se um pelo outroO som e a tonalidade são juntos um com o outroO antes e o depois seguem-se um ao outroPortantoO Homem Sagrado8 realiza a obra pela não-ação9E pratica o ensinamento através da não-palavra10Os dez mil seres fazem, mas não para se realizarIniciam a realização mas não a possuemConcluem a obra sem se apegarE justamente por realizarem sem apegoNão passam8 SEM ZEN: Homem Sagrado. Originado no conceito da sagração do homem, que tem sentido de uniãoda Consciência Pura com a Vida Infinita.9 WU WEI: Não-Ação; tem sentido de ação sem intenção.10 WU YEN: Não-Palavra; tem sentido de palavra sem intenção. 5
  6. 6. CAPÍTULO 3Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputaNão enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mantém-se o povo alheio à cobiçaNão admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordemO Homem Sagrado governaEsvazia seu coração11Enche seu ventre12Enfraquece suas vontades13Robustece seus ossosMantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejosFaz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajamSendo assimNada fica sem governo11 SHIN: Coração tem sentido de razão, emoção e intenção.12 FU: Ventre tem sentido de vitalidade.13 DZE: Vontades tem sentido de desejos. 6
  7. 7. CAPÍTULO 4O Caminho é o Vazio14E seu uso jamais o esgotaÉ imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seresCegando o corteDesatando o nóHarmonizando-se à luzIgualando-se à poeiraLímpido como a existência eternaNão sei de quem sou filhoVenho de antes do Rei Celeste1514 CHUN: Vazio ou Harmonia. Vazio é a Natureza do Caminho; Harmonia é a Manifestação do Caminho.15 HSIAN TI: HSIAN significa Imagem ou Forma; TI significa Rei. “HSIAN TI” é o nome atribuído aoRei Celeste – Deus Onipotente criador de todas as formas. 7
  8. 8. CAPÍTULO 5O céu e a terra não são bondososTratam os dez mil seres como cães de palha 16O Homem Sagrado não é bondosoTrata os homens como cães de palhaO espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um foleÉ um vazio que não distorceSeu movimento é a contínua criaçãoO excesso de conhecimento conduz ao esgotamentoE não é melhor do que manter-se no centro1716 DZOU GO: Cão de Palha representa no sacrifício o desapego do ser.17 CHUN: Centro, Meio ou Interior. 8
  9. 9. CAPÍTULO 6O Espírito do Vale 18 nunca morreIsso se chama Orifício Misterioso19A porta do Orifício Misterioso é a raiz do céu e da terraSeja suave e constanteUsufruindo sem se apressar18 GU SHIEN: GU significa Vale; SHEN significa Espírito. Espírito do Vale representa a Conciencia doVazio.19 SHUEN SHUE: SHUE significa Orificio. Orificio Misterioso é o espaço onde o universo se cria e sedestrói. É o SHUEN GUAN (Portal Negro) da alquimia taoísta. 9
  10. 10. CAPÍTULO 7O céu é constante, a terra é duradouraO que permite a constância e a duração do céu e da terraÉ o não criar para siPor isso são constantes e duradourosAssimO Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo20 avançaAlém do corpo, o Corpo permaneceAtravés do não-corpo, conclui o Corpo20 SZE: O Corpo aqui tem sentido de corpo espiritual. 10
  11. 11. CAPÍTULO 8A bondade sublime é como a água 21A água, na sua bondade, beneficia os dez mil seres sem preferênciaPermanece nos lugares desprezados pelos outrosPor isso assemelha-se ao CaminhoViva com bondade na terraPense com bondade, como um lagoConviva com bondade, como irmãosFale com a bondade de quem tem palavraGoverne com a bondade de quem tem ordemRealize com a bondade de quem é capazAja com bondade todo o tempoNão dispute, assim não haverá rivalidade21 SUE: Água. No I Ching, é o primeiro elemento da natureza, representa o princípio. Na alquimia taoístacorresponde ao Sopro Primordial. 11
  12. 12. CAPÍTULO 9O que é mantido cheio não permanece até o fimO que é intencionalmente polido não é um tesouro eternoUma sala cheia de ouro e jade é difícil de ser guardadaRiqueza e nobreza somadas à arrogânciaTrazem para si a própria culpaConcluir o nome, terminar a obra, retirar o corpoEste é o Caminho do Céu 12
  13. 13. CAPÍTULO 10Quem conduz a realização do corpo por abraçar a unidadePode tornar-se indivisívelQuem respira com pureza por alcançar a suavidadePode tornar-se criançaQuem purifica através do conhecimento do mistérioPode tornar-se imaculadoAme o povo e governe o reino através do não-conhecimento22Ilumine e clareie os quatro cantos através da não-açãoAbra e feche a porta do céu através da ação femininaO que gera e criaGera mas sem se apossarAge sem querer para siCultiva mas sem dominarChama-se Misteriosa Virtude2322 WU DZE: Não-Conhecimento tem sentido de conhecimento sem engenhosidade e malícia.23 SHUEN TE: Misteriosa Virtude tem sentido de virtude oculta – um bem que ao é reconhecível pelosoutros. 13
  14. 14. CAPÍTULO 11Trinta raios convergem ao vazio do centro da rodaAtravés dessa não-existênciaExiste a utilidade do veículoA argila é trabalhada na forma de vasosAtravés da não-existênciaExiste a utilidade do objetoPortas e janelas são abertas na construção da casaAtravés da não-existênciaExiste a utilidade da casaAssim, da existência vem o valorE da não-existência, a utilidade 14
  15. 15. CAPÍTULO 12As cinco cores tornam os olhos do homem cegosAs cinco notas tornam os ouvidos do homem surdosOs cinco sabores tornam a boca do homem insensível24Carreiras de caça no campo tornam o coração do homem enlouquecidoOs bens de difícil obtenção tornam a caminhada do homem prejudicadaPor isso, o Homem Sagrado se realiza pelo ventre e não pelo olhoAssim, afasta este e escolhe aquele24 A relação entre cor, nota (musical) e sabor com os Cinco Movimentos:Madeira = Azul = Mi = ÁcidoFogo = Vermelho = Sol = AmargoTerra = Amarelo = Dó – DoceMetal = Branco = Ré = PicanteÁgua = Preto = Lá = Salgado 15
  16. 16. CAPÍTULO 13O prestígio e a humilhação geram sustoA nobreza e a grande preocupação situam-se no corpoO que são prestígio e humilhação?Prestígio é inferiorAo obtê-lo ficamos assustadosAo perdê-lo ficamos assustadosIsto é o que quer dizer “o prestígio e a humilhação geram susto”O que quer dizer “a nobreza e a grande preocupação situam-se no corpo” ?A razão de eu ter esta “grande preocupação” é ter um corpoSe não tivesse um corpoCom que teria que me preocupar?Por issoNobre é aquele que entrega o corpo ao mundoA este o mundo pode se entregarQuem ama faz do mundo o seu corpoNeste o mundo pode confiar 16
  17. 17. CAPÍTULO 14Aquilo que se olha e não se vê, chama-se invisívelAquilo que se escuta e não se ouve, chama-se inaudívelAquilo que se abraça e não se possui, chama-se impalpávelEstes três não podem ser reveladosPor isso se fundem e se tornam umEnquanto superior não é luminosoEnquanto inferior não é vagoO Constante que não pode ser nomeadoÉ o retorno à não-existênciaÉ a expressão da não-expressãoÉ a imagem da não-existênciaA isso se chama indeterminadoEncarando-o, não se vê sua faceSeguindo-o, não se vê suas costasQuem mantém o Caminho AncestralPoderá governar a existência presenteQuem conhece o Princípio AncestralEncontrará a ordem do Caminho 17
  18. 18. CAPÍTULO 15Os bons realizadores da antiguidade eram sutisMaravilhosos, misteriosos e despertadosEram profundos e não podiam ser compreendidosE justamente por não poderem ser compreendidosÉ preciso esforçar-se para ilustrá-losReceosos como quem atravessa um rio no invernoCautelosos como quem teme seus vizinhosReservados como o hóspedeSolúveis como o gelo fundenteGenuínos como a madeira brutaVazios como os valesEntorpecidos como as águas turvasO turvo, através da quietude, torna-se gradualmente límpidoO quieto, através do movimento, torna-se gradualmente criativoAquele que resguarda este Caminho não tem desejo de se enaltecerE justamente por não se enaltecer, mesmo envelhecido, pode voltar a criar 18
  19. 19. CAPÍTULO 16Alcançando o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietudeOs dez mil seres se manifestam simultaneamenteE, através disso, contemplamos o seu retorno 25Apesar da diversidade dos seresCada um deles pode retornar a sua raizO regresso à raiz se chama quietudeQuietude se chama retornar a viverRetornar a viver se chama constânciaConhecer a constância se chama iluminaçãoDesconhecer a constância é a impropriedade que provoca o infortúnioQuem conhece a constância é abrangenteQuem é abrangente pode ser coletivoO coletivo tem o poder da criaçãoA criação tem o poder do céuO céu tem o poder do CaminhoO Caminho tem o poder do eternoAssim,Mesmo perdendo o corpo, não irá perecer25 FU: Retorno – Hexagrama FU do I Ching, representa, no auge da quietude, o nascimento da atividade. 19
  20. 20. CAPÍTULO 17Do supremo, o inferior tem apenas ciência da existênciaDo estado que o sucede, intimidade ou admiraçãoDo estado seguinte, temor ou desprezoNão havendo suficiente confiança, surge a desconfiançaQuem valoriza a palavra, realiza a obra sem deixar rastrosAssim, o povo achará que surgiu por si, naturalmente 20
  21. 21. CAPÍTULO 18Quando se perde o Grande CaminhoSurgem a bondade e a justiça26Quando aparece a inteligênciaSurge a grande hipocrisiaQuando os seis parentes27 não estão em pazSurgem o amor filial e o amor paternalQuando há desordem e confusão no reinoSurge o patriota26 São duas das cinco virtudes do taoísmo: bondade, justiça, sabedoria, polidez e fidelidade.27 Seis Parentes: mãe-filho representa a relação superior-inferior, irmão-irmão representa a relação emmesmo nível, marido-esposa representa a relação interno-externo. 21
  22. 22. CAPÍTULO 19Anule o sagrado e abandone a inteligênciaE o povo cem vezes se beneficiaráAnule a bondade e abandone a justiçaE o povo retornará ao amor filial e ao amor paternalAnule a engenhosidade e abandone o interesseE não haverá mais ladrões nem roubosSe estas três frases ditas não são o suficienteEntão faça existir aquilo em que se possa confiarEncontrando e abraçando a simplicidadeReduzindo o egoísmo e diminuindo os desejos 22
  23. 23. CAPÍTULO 20No ensinamento pela supressão não há preocupaçõesEntre aceitar e repudiar qual a diferença?Entre apreciar e desprezar qual a distância?O que os homens temem, poderiam não temer?Abandone isso antes que se esgote!Os homens se agitam como um festejo na grande prisãoOu como subir à varanda na primaveraMeu corpo não tem expressãoComo uma criança antes de nascerComo a estrela Kuei28 que não tem onde se apoiarAs pessoas todas possuem em excessoSomente eu aparento estar perdendoSou como um ignorante que tem o coração puroOs medíocres vivem lúcidosSomente eu aparento estar confusoOs medíocres vivem lúcidosSomente eu estou introspectivoIndefinido como uma infinita noite silenciosaAs pessoas todas têm um egoSomente eu o ignoro considerando-o precárioO que quero que me distinga dos demaisÉ valorizar o alimentar-se da Mãe2928 KUEI: Alfa da constelação Ursa Maior. Representa o Espírito Primordial dos seres.29 “Alimentar-se da Mãe” refere-se a alimentar-se daquilo que antecede tudo, é o Sopro Uno do Céu-Anterior da alquimia taoísta. 23
  24. 24. CAPÍTULO 21A abrangência da virtude do orifício30 é seguir apenas o CaminhoO Caminho, enquanto existência é indistinguível e indescritívelDentro do indistinguível e indescritível há uma existênciaDentro do indistinguível e indescritível há uma imagemE dentro dessa profunda obscuridade há uma essência 31Essa essência é absolutamente autênticaE dentro dela há uma prova 32Desde a antiguidade até hoje o seu nome nunca foi esquecidoE ele pode observar a beleza e a bondade de tudoComo posso saber a causa da beleza e da bondade de tudo?É através da prova30 “Virtude do Orifício” significa a virtude do Vazio, da Não-Ação.31 CHIN: Essência do Universo Manifestado.32 HSIN: Prova; algo real e fiel à natureza do Caminho. 24
  25. 25. CAPÍTULO 22Curvar-se permite a plenitudeSubmeter-se permite a retidãoEsvaziar-se permite o preenchimentoRomper permite a renovaçãoPossuir pouco permite a aquisiçãoPossuir muito permite a ganânciaPor isso, o Homem Sagrado abraça a unidadeTornando-a o modelo sob o céuNão julga por si, por isso é óbvioNão vê por si, por isso é resplandecenteNão se vangloria, por isso há realizaçãoNão se exalta, por isso cresceSó por não disputar, nada pode disputar com eleAntigamente se dizia: “Curvar-se permite a plenitude”Como poderiam ser palavras vazias?Assim, ao alcançar a plenitude encontra-se o retorno 25
  26. 26. CAPÍTULO 23Falar pouco é o naturalUm redemoinho não dura uma manhãUma rajada de chuva não dura um diaDe onde provêm essas coisas?Do céu e da terraSe nem o céu e a terra podem produzir coisas duráveisQuanto mais os seres humanos!Por isso, quem segue e realiza através do Caminho adquire o CaminhoQuem se iguala à Virtude adquire a VirtudeQuem se iguala à perda, perde o CaminhoConvicção insuficiente leva à não convicção 26
  27. 27. CAPÍTULO 24Quem respira apressado não duraQuem alarga os passos não caminhaQuem vê por si não se iluminaQuem aprova por si não resplandeceQuem se auto-enriquece não cria a obraQuem se exalta não cresceEsses, para o Caminho, são como os restos de alimento de uma oferendaCoisas desprezadas por todosPor isso, quem possui o Caminho não atua desse modo 27
  28. 28. CAPÍTULO 25Há algo completamente entorpecidoAnterior à criação do céu e da terraQuieto e êrmoIndependente e inalterávelMove-se em círculo e não se exaurePode-se considerá-lo a Mãe sob o céuEu não conheço seu nomeChamo-o de CaminhoEsforçando-me por denominá-lo, chamo-o de GrandeGrande significa IrIr significa DistanteDistante significa RetornarO Caminho é grandeO céu é grandeA terra é grandeO rei33 é grandeDentro do universo há quatro grandes, e o rei é um delesO homem se orienta pela terraA terra se orienta pelo céuO céu se orienta pelo CaminhoO Caminho se orienta por sua própria natureza33 WANG: Rei-Celeste (Deus-onipotente); simboliza a Consciência Real que está em toda parte. 28
  29. 29. CAPÍTULO 26A ponderação torna enraizado o levianoA quietude torna governado o inquietoPor isso o Homem Superior34 termina o dia de caminhada sem se afastar da ponderaçãoe dos recursosEmbora existam maravilhas em perspectivaPermanece quieto e naturalmente transcendenteComo pode um senhor de dez mil veículos35 utilizar seu corpo levianamente sob o céu?Ao ser leviano, perderia a raizAo ser inquieto, perderia o governo34 Djuen Tzé: Homem Superior – o homem que possui virtude e poder.35 Na china corresponde ao senhor feudal; aquele que possui riqueza e responsabilidade. 29
  30. 30. CAPÍTULO 27A boa caminhada não deixa rastros ou pegadasA boa palavra não deixa imperfeição para críticasO bom cálculo não utiliza medida nem númeroA boa porta não necessita de ferrolho para ser fechadaE não pode ser abertaO bom nó não necessita de corda para ser atadoE não pode ser desatadoAssim, o Homem SagradoÉ constante e bondosoSalva os homens e não abandona os homensÉ constante e bondosoSalva coisas e não abandona coisasIsso se chama herdar a luzO homem bom é mestre daquele que não é bomO homem que não é bom é o recurso daquele que é bomQuem não valoriza seu mestre e quem não ama seu recursoMesmo inteligente, permanece enormemente desorientadoA tudo isso denomina-se Maravilha Essencial 30
  31. 31. CAPÍTULO 28Conhecendo o masculino, resguardando o femininoSendo a ravina sob o céuSem se afastar da Virtude EternaRetornará a ser criança.Conhecendo o branco, resguardando o negroSendo o modelo sob o céuSem se enganar com a Virtude EternaRetornará à Extremidade-Inexistente36Conhecendo a glória, resguardando a humildadeSendo o vale sob o céuSendo o vale sob o céu, completará a Virtude EternaE retornará a ser madeira brutaA madeira bruta partida transforma-se em instrumentosE o Homem Sagrado utiliza-os através de um regenteIsto tudo é um grande corte sem incisão36 WU DJI: Extremidade-Inexistente; termo originado do I Ching, é o estado anterior da criação douniverso. 31
  32. 32. CAPÍTULO 29Para quem deseja possuir o mundo e age para issoVejo, não o conseguiráO mundo é um recipiente espiritualQue não se pode manipularQuem o manipula, destróiQuem o retém, perdePois as coisasCaminham ou acompanhamSopram quente ou sopram frioSão rígidas ou flexíveisLigam-se ou rompem-sePor isso, o Homem SagradoElimina o excessoElimina a opulênciaElimina a complacência 32
  33. 33. CAPÍTULO 30Aquele que utiliza o Caminho para auxiliar o senhor dos homensNão utiliza a arma e a força, sob o céuPois esta atividade beneficia o revideOnde o exército se instala, surgem espinhos e ervas secasPor issoO homem bom é determinado, porém cautelosoNão utiliza a força para conquistarÉ determinado sem se orgulharÉ determinado sem se envaidecerÉ determinado sem se glorificarÉ determinado sem se tornar excessivoIsto é, determinado, porém sem se esforçarCoisas exuberantes dirigem-se à velhiceIsso se chama negar o CaminhoNegando o Caminho irá falecer cedo 33
  34. 34. CAPÍTULO 31As boas armasSão recipientes de desventuraOs seres as detestamPor issoOs que guardam o Caminho não as compartilhamO Homem Superior, na residência, honra o esquerdoNa utilização da arma honra o direitoA arma é o recipiente da desventuraNão é o recipiente do Homem SuperiorSeu uso é apenas para o inevitávelO superior é como uma chama serenaPor isso, não se maravilhaAo maravilhar-se certamente teria prazerTal prazer mata o homemAquele que tem prazer em matarNão pode triunfar sob o céuPor issoAssuntos venturosos valorizam o esquerdoAssuntos funestos valorizam o direitoSendo assimO general-auxiliar encontra-se à esquerdaO general-superior encontra-se à direita37Suas palavras são tratadas como rito fúnebreMatam muitas pessoasPor estas, chora-se de tristezaA guerra vencida é tratada como rito fúnebre37 No simbolismo do I Ching, a direção norte está nas costas do homem enquanto a direção sul está nafrente. Sendo assim, a direção à esquerda é leste, corresponde à aurora, o lado da vida. A direção à direitaé oeste, corresponde ao acaso, o lado da morte. 34
  35. 35. CAPÍTULO 32O Caminho é eterno e não tem nomeÉ genuíno e, embora pequeno,O mundo não tem coragem de dominá-loSe reis e príncipes pudessem preservá-loOs dez mil seres iriam por si próprios obedecerQuando o céu e a terra unem-sePara escorrer o doce orvalhoO povo não pode interferir nisso, que por si é uniformeO princípio domina a existência e o nomeEntão o nome passa a existirE irá também saber cessarSabendo cessar não pereceráA relação do mundo com o CaminhoÉ como a dos riachos e valesCom os rios e mares 35
  36. 36. CAPÍTULO 33Quem conhece os homens é inteligenteQuem conhece a si mesmo é iluminadoVencer os homens é ter forçaQuem vence a si mesmo é forteQuem sabe contentar-se é ricoAgir fortemente é ter vontadeQuem não perde a sua residência, perduraQuem morre mas não perece, eterniza-se 36
  37. 37. CAPÍTULO 34O Grande Caminho é vastoPode ser encontrado na esquerda e na direitaOs dez mil seres dele dependem para viverE ele não os rechaçaConclui a obra sem mostrar a sua existênciaÉ o manto que cobre os dez mil seres, sem agir como senhorPodendo ser chamado de pequenoOs dez mil seres voltam para ele, sem que aja como senhorPodendo ser chamado de grandeAssim o Homem Sagrado nunca age como grandePor isso pode atingir sua grandeza 37
  38. 38. CAPÍTULO 35Conservando a Grande ImagemO mundo passaPassa sem danosCom tranqüilidade, serenidade e supremaciaA música e as iguariasParam o viajanteAs palavras que nascem do CaminhoSão insossas, carecem de saborOlhar não é suficiente para vê-loEscutar não é suficiente para ouví-loUsar não é suficiente para esgotá-lo 38
  39. 39. CAPÍTULO 36Para querer iniciar o recolhimentoÉ necessário consolidar a expansãoPara querer iniciar o enfraquecimentoÉ necessário consolidar o fortalecimentoPara querer iniciar o abandonoÉ necessário consolidar o amparoPara querer iniciar a subtraçãoÉ necessário consolidar o aumentoIsto se chama breve iluminação38O suave e o fraco vencem o rígido e o forteOs peixes não podem separar-se do lagoO reino que tem o instrumento afiadoNão pode colocá-lo à vista do homem38 MING: iluminação, tem sentido de ampliação da consciência ou o enriquecimento de uma cultura. 39
  40. 40. CAPÍTULO 37O Caminho é uma constante não-açãoQue nada deixa por realizarSe reis e príncipes pudessem resguardá-loOs dez mil seres iriam se transformariam por siPorém, se na transformação despertassem desejosEu iria estabilizá-los através da simplicidade do sem-nomeA simplicidade do sem-nome também se inicia no não-desejoO não-desejo traz quietudeO céu e a terra, por si, estarão em retidão 40
  41. 41. CAPÍTULO 38A Virtude Superior não é virtudeAssim, possui a VirtudeA Virtude Inferior não perde a virtudeAssim, não possui a VirtudeA Virtude Superior é não-açãoPois não utiliza açãoA Virtude Inferior é açãoQue faz uso da açãoA Bondade Superior é açãoPorém não utiliza a açãoA Justiça Superior é açãoQue faz uso da açãoA Suprema Polidez é ação que,se não obtém correspondência,repele usando o braço como reaçãoPor isso, à perda do Caminho segue-se então a VirtudeÀ perda da Virtude segue-se então a BondadeÀ perda da Bondade segue-se então a JustiçaÀ perda da Justiça segue-se então a PolidezAssim a Polidez é o empobrecimento da fidelidade e da confiançaÉ o princípio da confusãoAquele de conhecimentos avançadosComo a flor do CaminhoÉ o princípio da estupidezPor isso, o Grande HomemColoca-se no consistente e não coloca-se no rarefeitoHabita no Fruto e não habita na FlorPor isso, afasta esta e persiste naquele 41
  42. 42. CAPÍTULO 39Esses adquiriram o Um na antiguidade:O céu adquiriu o Um e tornou-se transparenteA terra adquiriu o Um e tornou-se tranqüilaO espírito adquiriu o Um e tornou-se despertoOs vales adquiriram o Um e tornaram-se opulentosOs dez mil seres adquiriram o Um e tornaram-se vivosOs príncipes e reis adquiriram o Um e tornaram-se o eixo do mundoEsses alcançaram a supremaciaO céu não se tornando transparente temerá rachar-seA terra não se tornando tranqüila temerá estremecerO espírito não se tornando desperto temerá exaurir-seOs vales não se tornando opulentos temerão secarOs dez mil seres não se tornando vivos temerão extinguir-seOs príncipes e os reis não se tornando nobres temerão a derrotaPor issoO nobre utiliza a humildade como princípioO alto utiliza o baixo como baseSendo assimOs príncipes e os reis denominam-se a si mesmos de órfãos, carentes e indignosIsto seria utilizar a humildade como princípio, não seria?Por isso, alcançar o valor é aproximar-se do não-elogioNão desejando o vulgar, como o jadeSendo simples como a pedra 42
  43. 43. CAPÍTULO 40O retorno é o movimento do CaminhoA suavidade é a atuação do CaminhoOs seres sob o céu nascem da existênciaE a existência nasce da não-existência 43
  44. 44. CAPÍTULO 41O homem superior ao ouvir sobre o CaminhoEsforça-se para poder realizá-loO homem mediano ao ouvir sobre o CaminhoÀs vezes o resguarda, às vezes o perdeO homem inferior ao ouvir sobre o CaminhoTrata-o às gargalhadasSe não fosse tratado às gargalhadasNão seria suficiente para ser o CaminhoPor isso, as seguintes palavras sugerem:A iluminação do Caminho é como se fosse a obscuridadeO avanço do Caminho é como se fosse o retrocessoAs planícies do Caminho são como se fossem iguaisA Virtude superior é como se fosse o comumA grande brancura é como se fosse o sujoA Virtude ampla é como se fosse insuficienteConstruir a Virtude é como se fosse roubarA consistência verdadeira é como se fosse o instávelO grande quadrado não tem ângulosO grande recipiente conclui-se tardeO grande som carece de ruídoA grande imagem não tem formaO Caminho é invisível e não tem nomeAssim, apenas o Caminho é bom em auxiliar e concluir 44
  45. 45. CAPÍTULO 42O Caminho gera o umO um gera o doisO dois gera o trêsO três gera os dez mil seresOs dez mil seres se cobrem com o obscuro e abraçam o claroE se harmonizam através do esplêndido sopro39O que os homens detestamSão os órfãos, os carentes e os indignosMas é assim que os reis e príncipes se denominamPor isso as coisasAo serem diminuídas, irão aumentarAumentadas, irão diminuirO que os homens ensinaram eu também ensino com o mesmo sentido:Os rígidos troncos não merecerão a sua morteEu irei utilizar isto como o pai do ensinamento39 CHUN CHI: CHUN é explêndido, CHI é sopro. É a energia do Absoluto. 45
  46. 46. CAPÍTULO 43Sob o céuO mais suave cavalga sobre o mais duro sob o céuA não-existência pode penetrar no sem-espaçoPor isso conheço o benefício da não-açãoO ensinamento da não-palavraO benefício da não-açãoSob o céu, são poucos que os alcançam 46
  47. 47. CAPÍTULO 44A fama ou o corpo, o que mais se ama?O corpo ou a riqueza, o que vale mais?Ganhar ou perder, o que mais adoece?Por isso o excesso de desejo causará um grande desgasteE o excesso de acúmulos causará uma morte ricaQuem sabe se contentar não se humilhaQuem sabe se conter não irá se exaurirSendo assim, poderá viver longamente 47
  48. 48. CAPÍTULO 45A suprema conclusão parece incompletaSua utilização não danificaA suprema abundância parece vaziaSua utilização não esgotaA suprema retidão parece tortuosaA suprema habilidade parece canhestraA suprema eloqüência parece tartamudearO movimento vence o frioA quietude vence o calorA transparência e a quietude atuam governando sob o céu 48
  49. 49. CAPÍTULO 46Existindo o Caminho sob o céuConduzem-se os cavalos para estercarNão existindo o Caminho sob o céuArmam-se os cavalos para viver nas fronteirasNão há delito maior do que estimar os desejosNão há calamidade maior em não saber se contentarNão há erro maior do que desejar possuirPor isso, com a suficiência de quem sabe que é suficienteTerá sempre o suficiente 49
  50. 50. CAPÍTULO 47Sem sair da portaPode-se conhecer o mundoSem ver através da janelaPode-se conhecer o Caminho do céuQuanto mais longe saímosTanto menos conhecemosPor isso, o Homem SagradoConhece sem caminharReconhece sem verRealiza sem agir 50
  51. 51. CAPÍTULO 48A realização através dos estudos é expandir dia após diaA realização através do Caminho é simplificar dia após diaSimplificando e simplificando maisAté alcançar a não-açãoNa não-ação não há o que não possa ser feitoApoderar-se do mundo é permanecer através da não-atividade40Ao surgir a atividadeJá não é mais suficiente para apoderar-se do mundo40 WU SZE: não-atividade é atitude sem apego. 51
  52. 52. CAPÍTULO 49O Homem Sagrado não tem coraçãoToma o povo como seu coraçãoCom os bons faço o bemCom os que não são bons faço o bem tambémAdquirindo o bemCom os sinceros sou sinceroCom os que não são sinceros sou sincero tambémAdquirindo a sinceridadeO Homem Sagrado sob o céuAge cautelosamente fundindo os corações do mundoO povo todo com olhos e ouvidos atentosO Homem Sagrado os trata como crianças 52
  53. 53. CAPÍTULO 50Nascer na vida, entrar na morteDos que pertencem ao nascimento, entre dez, há trêsDos que pertencem à morte, entre dez há trêsDos homens vivosOs que se movem para a terra da morte, entre dez, há trêsE qual é a causa?Suas vidas são vividas em excessoOuvi dizer que o bom cultivador da vidaViaja pela terra e não se confronta com rinocerontes nem tigresE atravessa um exército sem armadura nem armasOs rinocerontes não têm onde enfiar o chifreOs tigres não têm onde cravar as garrasE as armas não têm onde alojar as lâminasE qual a causa?Nele não existe lugar para a morte 53
  54. 54. CAPÍTULO 51O Caminho geraA Virtude criaA matéria formaA conclusão completaPor isso os dez mil seres veneram o Caminho e estimam a VirtudeO Caminho é venerável, a Virtude é estimávelPois eles não segregam e são constantemente naturaisAssim, o Caminho gera, a Virtude criaFazem crescer, fazem nutrirFazem completar, fazem concluirFazem o sustento e fazem a coberturaGeram, porém não se apossamAgem, porém não retêmCultivam, porém não controlamIsto chama-se Misteriosa Virtude 54
  55. 55. CAPÍTULO 52Sob o céu há um princípioQue age como mãe do mundoJá que existe a mãePode-se conhecer o filhoJá que se conhece o filhoVolte a preservar a mãeAssimO fim do corpo não conduzirá à morteFechando a bocaTrancando a portaAté o fim do corpo, sem desgasteAbrindo a bocaFavorecendo a atividadeAté o fim do corpo, sem salvaçãoVer o pequeno se chama iluminaçãoUsar a suavidade se chama forçaUse de volta sua luz para voltar a iluminar-seAssim, não restará dano ao corpoIsto se chama herdar o constante 55
  56. 56. CAPÍTULO 53Torne-me naturalmente firme e possuidor do saberPercorrendo o Grande CaminhoTemendo apenas o desperdícioO Grande Caminho é bastante tranqüiloMas os homens gostam bastante de trilhasGoverno com excesso de degrausCampo com excesso de erva daninhaArmazém com excesso de vaziosVestir bordados coloridosCarregar espada afiadaSatisfazer-se comendo e bebendoPossuir moedas e bens em excessoIsto chama-se roubo e auto-encantamentoRoubo e auto-encantamento negam o Caminho 56
  57. 57. CAPÍTULO 54Bem plantado, não se desarraigaBem abraçado, não se apartaAssimFilhos e netos não cessam de cultuarRestaure seu corpoSua virtude será autênticaRestaure sua casaSua virtude será abundanteRestaure sua provínciaSua virtude será crescenteRestaure seu reinoSua virtude será fartaRestaure seu mundoSua virtude será vastaAssim, através do corpo percebe-se o corpoAtravés da casa percebe-se a casaAtravés da província percebe-se a provínciaAtravés do reino percebe-se o reinoAtravés do mundo percebe-se o mundoComo posso saber da natureza do mundo?É através disso 57
  58. 58. CAPÍTULO 55Quem possui a Virtude em abundânciaÉ como um recém-nascidoOs insetos não o picamAs aves de rapina e os animais bravios não o agarramTem ossos leves e cartilagens maciasMas pegam com firmezaDesconhece a união de macho e fêmeaMas seu órgão se desperta, pela plenitude da essênciaGrita até o fim do diaMas não fica rouco, pela plenitude da harmoniaConhecer a harmonia chama-se constânciaConhecer a constância chama-se iluminarEnriquecer a vida chama-se esclarecerE o coração que ordena o sopro chama-se forçaAs coisas no seu auge tornam-se velhasIsso chama-se negar o CaminhoNegando o Caminho, rapidamente falecem 58
  59. 59. CAPÍTULO 56O que é da compreensão não é a palavraO que é da palavra não é a compreensãoFechando a bocaTrancando a portaCegando o corteDesatando o nóHarmonizando-se à luzIgualando-se à poeiraIsto chama-se o Mistério Comum41Com o qualNão se pode encontrar aproximaçãoNão se pode encontrar afastamentoNão se pode encontrar benefícioNão se pode encontrar malefícioNão se pode encontrar valorizaçãoNão se pode encontrar desvalorizaçãoPor isso age como nobre sob o céu41 SHUEN TON: O Mistério Comum; significa a união com o Todo. 59
  60. 60. CAPÍTULO 57Através da retidão organiza-se o reinoAtravés da singularidade dirige-se a guerraAtravés da não-atividade adquire-se o mundoComo posso saber da natureza do mundo?É através dissoMuitas restrições e omissões no mundoTornam completamente pobre o povoMuitos instrumentos afiados entre o povoFazem crescer a confusão no reino e na famíliaMuito conhecimento engenhoso entre o povoFaz crescer o surgimento de objetos estranhosLeis e coisas crescendo visivelmenteFazem surgir muitos ladrões e salteadoresPor isso o Homem Sagrado dizia:Eu não agindo, o povo se transformaEu sem atividade, o povo se enriqueceEu bem tranqüilo, o povo se retificaEu sem desejos, o povo se simplifica 60
  61. 61. CAPÍTULO 58Onde governa a tolerânciaO povo tem tranqüilidadeOnde governa a discriminaçãoO povo tem insatisfaçãoÉ na desgraça que se encontra a felicidadeÉ na felicidade que se esconde a desgraçaQuem é capaz de conhecer estes extremos?Na ausência de governoO governo passa a agir como estranhoA bondade passa a agir como maldadeA ilusão do homem tem seu dia consolidado longamenteSeja quadrado sem corteSeja honesto sem humilharSeja reto sem abusoSeja luminoso sem ofuscar 61
  62. 62. CAPÍTULO 59Para reger o homem e servir o céuNada como ser o modeloSomente sendo o modeloPode-se dominar cedoDominar cedo significa aumentar o acúmulo de VirtudeAumentando o acúmulo de VirtudeEntão não há o que não se possa vencerNão havendo o que não se possa vencerNão se conhece seu extremoPodendo conhecer seus extremosPode-se possuir o reinoPossuindo a mãe do reinoPode-se ser constanteIsto é uma raiz profunda e um pedúnculo sólidoÉ o Caminho da vida constante e visão duradoura 62
  63. 63. CAPÍTULO 60Governar um grande reino é como cozinhar um pequeno peixeAtuando sob o céu através do CaminhoSeus demônios não são despertadosNão que seus demônios não sejam despertadosSeu despertar não fere o homemNão apenas que seu despertar não fira o homemO Homem Sagrado também não fere o homemSendo que os dois não se feremAssim suas Virtudes se unem e retornam 63
  64. 64. CAPÍTULO 61O grande reino é aquele corrente abaixoÉ um campo sob o céuNum campo sob o céuA fêmea sempre vence o macho através da quietudePor isso, o grande reino estando abaixo do pequeno reinoConquista o pequeno reinoO pequeno reino estando abaixo do grande reinoAbsorve o grande reinoAssimOu por estar abaixo para conquistarOu por estar abaixo para absorverO grande reino apenas deseja unir e cultivar os homensO pequeno reino apenas deseja integrar e servir aos homensCada um destes dois encontra o local para seu desejoPortanto, o grande deve estar abaixo 64
  65. 65. CAPÍTULO 62O Caminho é o segredo dos dez mil seresTesouro do homem benevolenteÉ o que o homem não-benevolente não guardaPalavras bonitas podem ser negociadasAtitudes reverentes podem aumentar um homemMesmo com a não-benevolência do homemComo se poderia abandoná-lo?Por isso, ergue-se o filho do céu42Ordenam-se o três duquesMesmo possuindo o jade de oferenda43 , antes de quatro cavalos44Nada se compara a sentar e entrar no CaminhoPor que motivo antigamente se valorizava o Caminho?Não diziam que quem busca pode adquirir?Quem possui culpa pode ser absolvido?Por isso é valioso sob o céu42 Os reis eram chamados de “Filhos do Céu”.43 É um objeto de arte antiga feito de jade, representa as jóias preciosas.44 Antigamente, os carros de quatro cavalos pertenciam aos nobres. 65
  66. 66. CAPÍTULO 63Ação através da não-açãoAtividade através da não-atividadeSabor através do não-saborGrande como pequeno, muito como poucoRetribuir injustiça através da VirtudePlanejar o difícil a partir do fácilRealizar o grande a partir do pequenoSob o céuA difícil atividade se realiza certamente a partir da fácilA grande atividade se realiza certamente a partir da pequenaPromessas levianas certamente carecem de confiançaExcesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldadesSendo assim,O Homem Sagrado assemelha-se ao difícilE, por isso, até o fim, não tem dificuldades 66
  67. 67. CAPÍTULO 64O que tem paz é fácil de manterO que é anterior ao despertar é fácil de planejarO que é frágil é fácil de quebrarO que é pequeno é fácil de dissolverRealiza-se a partir da existênciaOrganiza-se a partir de antes da desordemUma árvore de grande abraço gera-se de uma fina mudaUma torre de nove andares levanta-se de um acúmulo de terraUma viagem de mil léguas inicia-se debaixo dos pésQuem age fracassaQuem se apega perdeAssim, o Homem Sagrado não age, por isso, não fracassaNão se apega, por isso não perdeOs homens, na realização das atividadesSempre fracassam em suas quase-conclusõesCautela tanto no fim como no princípioConduz à atividade sem fracassoAssim, o Homem Sagrado deseja através do não-desejoNão valoriza as coisas de difícil aquisiçãoAprende através do não-aprenderPossui o que ultrapassa todos os homensPara auxiliar a naturalidade dos dez mil seresE não encorajar a ação 67
  68. 68. CAPÍTULO 65Na antiguidade, os bons realizadores do CaminhoNão o utilizavam para esclarecer o povoUtilizavam-no para alegrá-loA dificuldade de se governar o povoÉ devida aos seus conhecimentosPor issoUtilizando o intelecto para governar o reinoTêm-se furtos no reinoNão utilizando o intelecto para governar o reinoTem-se Virtude no reinoAquele que conhece estes doisTambém se orienta por estes modelosO constante conhecimento de orientar-se por estes modelosChama-se Misteriosa VirtudeA Misteriosa Virtude é profunda e longa, inverso das coisasNaturalmente, após isso, alcança-se a grande fluência 68
  69. 69. CAPÍTULO 66O que pode tornar os rios e mares reis dos cem valesE saber situar-se embaixoPor isso podem ser os reis dos cem valesAssimO Homem Sagrado aspirando estar acima dos homensColoca suas palavras abaixo das delesAspirando estar à frente dos homensColoca seu corpo atrás dos delesPortantoSitua-se em cima mas seu povo não sente o pesoSitua-se à frente porém o povo não é lesadoAssim, o mundo alegra-se em exaltá-lo porém sem desgostoComo ele não disputaO mundo não pode disputar com ele 69
  70. 70. CAPÍTULO 67Sob o céu todos se consideram o grandeNão rio dissoO grande sendo grandePor isso não riSe risseHa muito teria se tornado pequenoEu tenho três tesourosQue valorizo e preservo:O primeiro chama-se afetividadeO segundo chama-se simplicidadeE o terceiro chama-seNão encorajar ser o dianteiro sob o céu45AssimAtravés da afetividade pode-se ter coragemAtravés da simplicidade pode-se ter amplitudeNão encorajando ser o dianteiro sob o céuPode-se concluir o instrumento do eternoHojeAbandonando a afetividade e tendo coragemAbandonando a simplicidade e tendo amplitudeAbandonando o ulterior e tornando-se o dianteiroIsso é morrerAtravés da afetividadeCom a manifestação, é ordenada a retidãoCom o resguardo, é ordenada a duraçãoQuando o céu quer salvarUtiliza a afetividade como proteção45 “Não encorajar a ser o dianteiro sob o céu” representa a humildade. 70
  71. 71. CAPÍTULO 68Na antiguidade, os bons praticantes de cavalheirismoNão eram belicososBons em guerrear, sem iraBons em vencer os inimigos, sem disputaBons em empregar os homens, agindo como o inferiorIsso se chama a virtude da não-disputaIsso se chama a força de empregar os homensIsso se chama a supremacia da união com o céu e a antiguidade 71
  72. 72. CAPÍTULO 69Sobre o uso da arma ha um provérbio“Não me encorajo a agir como anfitriãoPrefiro agir como hóspedeNão me encorajo em avançar uma polegadaPrefiro recuar um pé ”Isso se chama mover não movendoAgarrar não abraçandoDefender não lutandoEnfrentar sem inimizadeNão há desgraça maior do que humilhar o inimigoHumilhando o inimigo, entãoArriscamos perder nosso tesouroPor issoNo confronto onde as armas se igualamVence, então, o que está entristecido 72
  73. 73. CAPÍTULO 70Minha palavra é bastante fácil de compreenderBastante fácil de praticarMas, sob o céu, ninguém consegue compreendê-laNinguém consegue praticá-laPalavras têm uma origemAtos têm um regenteE somente através da não-compreensãoNão se tem a compreensão do egoAqueles que me compreendem são poucosAqueles que me seguem são nobresPor issoO Homem Sagrado se cobre com andrajos abraçando um jade 73
  74. 74. CAPÍTULO 71Saber do não-saber é sublimeNão saber do saber é doençaAssim, o Homem Sagrado não adoecePor considerar doença a doençaPor isso, não há doença 74
  75. 75. CAPÍTULO 72Quando o povo não tem medo do temívelEntão, o grande temor chegaNão estreite sua moradaNão despreze sua vidaPois somente não desprezandoPode-se tornar o não-apodrecidoPor isso, o Homem SagradoConhece a si mesmo mas não se evidenciaAma a si mesmo mas não se estimaE, assim, nega isto e admite aquilo 75
  76. 76. CAPÍTULO 73Quem tem coragem de ser valente terá a morteQuem tem coragem de ser cauteloso terá a vidaE esses dois são ora benéficos, ora maléficosQuando o céu repudiaQuem compreenderá a causa?O caminho do céuNão disputa mas é bom em vencerNão fala mas é bom em responderNão é invocado mas por si vemNão fala mas é bom em planejarA teia do céu é grandiosamente grandeLiga-se a tudo e de nada se perde 76
  77. 77. CAPÍTULO 74O povo constante não teme a morteComo se pode intimidá-lo usando a morte?Se considero estranho esse constante que não teme a morteDevo, sinceramente, matarMesmo reconhecendo sua coragem?O Constante possui o encargo de matar e mataO homem que tomar o lugar no encargo de matarSerá como substituir grande lenhador ao serrarO homem que substituir o grande lenhador ao serrarRaramente não machucará a mão 77
  78. 78. CAPÍTULO 75A fome do homemÉ devida a seu superior alimentar-se de impostos em demasiaPor isso existe a fomeA difícil governabilidade de cem famíliasÉ devida a seu superior agir intencionalmentePor isso existe o desgovernoA fácil morte do povoÉ devida a viver-se uma vida de excessosPor isso existe a morte fácilAssim apenas aqueles que não utilizam a vida para agirSão bons em valorizar a vida 78
  79. 79. CAPÍTULO 76O homem ao nascer é tenro e brandoAo morrer é rígido e duroA erva, a madeira e os dez mil seres ao brotaremSão como a suave penugem do ventre do pássaroAo morrer são secos e murchosPor isso, os rígidos e duros são companheiros da morteOs tenros e brandos são companheiros da vidaSendo assimAs armas duras não vencemAs árvores duras são comunsPor isso, os rígidos e duros moram embaixoTenros e brandos situam-se em cima 79
  80. 80. CAPÍTULO 77O Caminho do Céu é como o retesar do arcoA parte superior abaixa, a parte inferior sobeA parte que possui sobra e diminuídaA parte não-suficiente é completadaO Caminho do CéuDiminui a sobra possuídaCompleta o não-suficienteMas o caminho do homem não se orienta assimDiminui do não-suficientePara oferecer ao que possui sobraMas quem pode possuir sobra para oferecer ao mundo?Somente aquele que possui o CaminhoPor isso, o Homem SagradoAge sem querer para siConclui a obra mas não se apegaE não deseja mostrar sua eminência 80
  81. 81. CAPÍTULO 78Sob o CéuNada é mais suave e brando que a águaNo entanto, para atacar o que é rígido e duroNada pode se adiantar a elaNada pode substituí-laAssimA suavidade vence a forçaO brando vence o duroSob o céuNão há quem não o saibaNão há quem possa praticá-loPor isso o Homem Sagrado disse:Aceitar as impurezas do reinoChama-se reger o cereal e a terraAceitar as desventuras do reinoChama-se reinar sob o céuAs palavras corretas parecem contrárias 81
  82. 82. CAPÍTULO 79Ao se conciliar um grande rancorCertamente ainda se terá um resto de rancorEntão como se pode agir bem?Sendo assimO Homem Sagrado toma o Sinal Esquerdo46 e não critica as pessoasPor isso, quem tem Virtude se orienta pelo sinalQuem não tem Virtude se orienta pelo vestígioO Caminho do Céu não cria intimidadeMas acompanha sempre o homem bom46 FU: sinal tem sentido de correspondência; esquerdo é o lado do coração. O Homem Sagrado secorresponde com o mundo através do coração. 82
  83. 83. CAPÍTULO 80Um pequeno reino de poucos habitantesMesmo que possua um utensílio para dezenas de centenas não o usaFaça o povo valorizar a morte e não viajar longePossuindo barcos e carruagens mas não tendo onde usá-losPossuindo armas e armaduras mas não tendo onde enfileirá-lasFaça o povo retornar aos nós em corda e ao seu usoEntão serão doces seus alimentosBelas suas roupasPacíficas suas moradiasAlegres seus costumesQue os reinos vizinhos estejam a vistaQue o som de galos e cachorros sejam ouvidosFaça o povo alcançar a velhice sem ter que ir e vir 83
  84. 84. CAPÍTULO 81Palavras confiáveis não são belasPalavras belas não são confiáveisQuem sabe não é abrangenteQuem é abrangente não sabeQuem é bom não discuteQuem discute não é bomO Homem Sagrado não acumulaQuanto mais faz para os homens, mais temQuanto mais dá aos homens, mais aumentaO Caminho do Céu é favorecer e não prejudicarO Caminho do Homem Sagrado é fazer e não disputar 84

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