Carta pastoral sobre os 10 anos da aapsjmv

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Carta pastoral sobre os 10 anos da aapsjmv

  1. 1. (CJillS.1f~ MmllliNL JP @J@J])o D o ~_~ ~@rr@ ~ ~ [@~ ~~~~@~l11I~~ &.IZ"lIL.ILM "fI.~ W--.-..tL.OL ....,. 1O anes de (jJtaÇa ((~, ~ e JJtU,~oo"
  2. 2. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA2 SÃO JOÃO MARIA VIANNEY Carta do Papa Bento XVI congratulando-se com os 10 anos da Administração Apostólica São João Maria Vianney Excelentíssimo e Reverendíssimo 1lBOM jf ERNANDO ~RÊAS lL,IFAN Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney Informado de que no dia 18 de agosto de 2012 a Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney estará comemorando o seu primeiro decênio de criação, inspirada pelo lema dessa ocorrência jubilar 4<10anos de graças: gratidão, reflexão e missão", Sua Santidade o Papa Bento XVI deseja associar-se ao jubiloso canto de ação de graças recordando com especial gratidão a Deus todos os sacerdotes e fiéis leigos dessa Administração que se dedicam à edificação do Corpo Místico de. Cristo, na fidelidade ao Sucessor de Pedro, na certeza de que a Igreja é o «edifício espiritual ... ... construí do sobre Cristo como pedra angular e, n~ sua dimensão terrena e histórica, sobre a rocha de Pedro» (Bento XVI, Homilia de 29/VI/2012). A fim de que se produza sempre o fruto almejado de uma fecunda evangelização nessa porção do Povo de Deus confiada aos cuidados pastorais de Vossa Excelência, o Sucessor de Pedro implora do Altíssimo graças especiais de intenso fervor espiritual e de autêntica renovação ec1esial sobre as paróquias, suas iniciativas pastorais e obras de aposto lado e em sinal de Sua paterna benevolência e como prova de íntima participação nas solenidades, de todo o coração o Santo Padre concede a todos uma especial Bênção Apostólica. Vaticano, 15 de julho de 2012. ffi Angelo Becciu Substituto da Secretaria de Estado de Sua Santidade
  3. 3. 3 Dom Fernando Arêas Rifan Bispo Titular de Cedamusa Administrador Apostólico Carta a toral Aos sacerdotes e fiéis da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney sobre os dez anosda Administração Apostólica Pe oal São João Maria Vianney 10 anos de graça: ..... ....... "Gratidão, Reflexão e Missão" "Misericordias Domini, in aeternum cantabo." "Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor" (Salmo 88, 2)
  4. 4. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY J flieja 8>"incipa~ élaadtninÍ6 tsação. ap 0-6 Wlic:a Caríssimos colaboradores e amados filhos, Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe, Maria Santíssima! A todos desejo muita paz espiritual, com a alegria de serem filhos da Santa Igreja e a tranquilidade de consciência por estarem na sua plena comunhão, e que recebam muitas graças e bênçãos de Deus, sob a proteção de Maria Santíssima, a Mãe da Igreja. Neste ano de 2012, celebramos com muito júbilo os dez anos da nossa querida Administração Apostólica e os dez anos da minha Ordenação Episcopal. Esco- lhemos humildemente para a celebração deste evento como tema: "J O anos de graças: gratidão, reflexão e missão" e, como lema, a frase do salmo 88, 2: "Mise- ricordias Domini in aeternum cantabo " - "Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor". ,. ." Escrevo-lhes com o coração cheio de regozijo, pe- dindo a todos que se unam à minha oração de ação de graças, às minhas reflexões sobre essa grande mercê a nós concedida pela Igreja e sobre a missão que ela nos deu. Oração Ó Deus, que corrigis os erros, unis os que andam dispersos e conservais os que estão unidos, infundi com bondade sobre o povo cristão, nós vos pedimos, a graça da vossa união, a fim de que, rejeitadas as divi- sões e unindo-se ao verdadeiro Pastor da vossa Igreja, possa servir-vos dignamente. Por Cristo, Nosso Se- nhor. Amém. (Oração da Missa "pro Ecclesiae unitate")
  5. 5. 10 ANOS DI; GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO I - Gratidão1. Recordando a nossa história passada Para compreendermos melhor tão grande misericórdiade Deus e da Igreja para conosco, que estamos agradecen-do, vamos recordar um pouco da nossa história. A grandealegria que agora temos, de estarmos na plena comunhãoda Igreja e sermos reconhecidos como católicos, foi prece-dida de tristes antecedentes. Mas Deus soube nos conduzire, como sempre, tirar do mal um grande bem. Graças aDeus! Tivemos acertos e erros: é preciso corrigir os erros econservar os acertos. "Haec olim meminisse juvabit!" - Será oportuno recor-dar essas coisas. "Vamos contar à geração seguinte asglórias do Senhor, o seu poder e os prodigios que operou"(Salmo 78, 4). 1. Fatos antecedentes: considerações 1.1 - Crise mundial civil e religiosa Na segunda metade do século XX, fruto de várias ide-ologias, mudanças comportamentais e também reflexo dasduas guerras mundiais, grande crise cultural e civilizacionalse instalou no mundo contemporâneo, com repercussõesna área religiosa. Assim, antes, durante e principalmentedepois do Concílio Vaticano lI, como em outros períodosda sua história, grande crise instalou-se também na Igreja,com apostas ias em grande escala de padres e religiosos,dessacralização da liturgia, laicização do clero, diminuiçãode vocações, esvaziamento dos seminários, mundanização, ecumenismo irenista, sincretismo religioso, etc. Como dis- se o Papa João Paulo II sobre esse período: "...foram espa- lhadas a mãos cheias ideias contrárias à verdade revelada e sempre ensinada; propagaram-se verdadeiras heresias nos campos dogmático e moral... também a Liturgia foi violada" (Discurso no Congresso das Missões, 6/2/1981) Com relação ao período pó~éílio Vaticano lI, o Papa Bento XVI, fazendo uma analogia, lembrou o co- mentário de São Basílio que descreveu o que aconteceu após o Concílio de Nicéia, comparando aquele período a uma batalha naval na escuridão da tempestade, onde o grito rouco daqueles que, pela discórdia, se levantam uns contra os outros, os palavreados incompreensíveis e o ru- ido confuso dos clamores ininterruptos já enche- ram quase toda a Igreja,falsificando, por excesso ou por defeito, a reta dou- trina da fé ... (De Spiritu Sancto, XXX, 77; PG 32, 213 A; Sch 17 bis, pág. 524)" (Bento XVI, dis- curso à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2005).
  6. 6. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY 1.2 - Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos Em 1948, foi nomeado bispo de Campos Dom Antônio de Castro Mayer, professor, doutor em Teo- logia, formado pela Universidade Gregoriana de Roma, muito fiel ao Magistério da Igreja. Dom Antônio, através dos seus sermões, artigos e sobretudo brilhantes Cartas Pasto- rais, alertava continuamente seus padres e diocesanos contra os erros atuais, já condenados pela Igreja, que se infiltravam por toda a parte. E nesse espírito de fidelidade à Igreja e sua disciplina Dom Antônio formava seus padres. Além do seu exemplo pessoal de uma vida santa, somos-lhe gra- tíssimos pela formação católica que nos legou. Dom Antônio participou do Concílio Vaticano 11, de 1962 a 1965, e assinou, junto com o Papa Paulo VI e os Bispos conciliares, a promulgação dos seus documentos. Durante e após o Concílio, Dom Antônio procurou dar aos padres e fiéis a legítima interpretação do "aggiornamen- to" desejado pelo Papa João XXIII, advertindo contra os que, aproveitando-se do Concílio, procuravam fazer re- viver na Igreja o modernismo e seu conjunto de heresias, caracterizando o que foi denunciado pelo Papa Paulo VI como a "autodemolição da Igreja". Escreveu então três Cartas Pastorais sobre a correta interpretação do Concílio: Carta Pastoral sobre os Documentos conciliares: sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium) e instrumen-, tos de comunicação social (Inter mirifica), em 8/12/1953; Instrução Pastoral sobre a Igreja (Lumen gentium), onde explica bem a colegialidade, em 2/3/1965; Carta Pastoral Considerações a propósito da aplicação dos Documentos promulgados pelo Concílio Ecumênico Vaticano Il, após o término do Concílio, em 19/3/1966. 1.3 - A Reforma Litúrgica pós Conciliar Após o Concílio, aconteceu a reforma na Liturgia, de- sejada por todos, como preconizara a Sacrossanctum Con- cilium. Mas, assim como o Concílio Vaticano II, a Refor- ma Litúrgica dele provinda, tendo ocorrido num período conturbado de grande crise na Igreja, serviu de ocasião e pretexto para grandes abusos e erros, cometidos e propa- gados em seu nome. Os abusos e erros foram tantos que levaram muitos a confundi-Ios com o próprio Concílio e com a Reforma Litúrgica enquanto tais, como se essa fosse a sua verdadeira aplicação e interpretação. Já o Papa Paulo VI lamentava: "Em matéria litúrgica, as próprias Conferências Episcopais vão às vezes, por suaCapela em construção
  7. 7. lO-ANOS DE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃOprópria conta, além dos justos limites. Acontece igualmen-te que sefazem experiências arbitrárias ou que se introdu-zam ritos que estão em oposição flagrante com as regrasestabelecidas pela Igreja" (Discurso de S.S. Paulo VI naXI Plenária do Consilium, 14 de outubro de 1968). o Cardeal Antonelli, membro da Comissão Pontificia para aReforma Litúrgica, confessa que a reforma estava sendo feita por "pessoas ... avançadas nas trilhas das novidades ..., sem nenhumamor e nenhuma veneração por aquilo que nosfoi transmitido"(Il CardoFerdinando Antonelli e gli sviluppi delia riforma liturgi-ca dai 1948 ai 1970 - Studia Anselmiana - Roma - 1998). Nesse clima, muitos preferiram conservar a liturgia nasua forma antiga. O mesmo fez, por questão de consciên-cia, Dom Antônio de Castro Mayer. Ademais, no seu Motu Proprio Summorum Pontificum,de 7 de julho de 2007, no qual libera oficialmente o usodo Missal Romano promulgado por São Pio V para toda aIgreja, o Papa Bento XVI afirma: "...Por isso é lícito cele-brar o Sacrificio da Missa segundo a edição típica do Mis-sal Romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962,que não foi ab-rogado nunca, como forma extraordináriada Liturgia da Igreja". E na Carta aos Bispos que acompa-nha o Motu Proprio, ele reforça que "este Missal (de SãoPio V) nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequente-mente, em princípio, sempre continuou permitido". Nessa presunção de direito, Dom Antônio de CastroMayer conservou também na Diocese de Campos a formalitúrgica antiga do Rito Romano. Observe-se, porém, que, no tempo do episcopado de Dom Antônio, que preferia e celebrava a Missa no rito an- tigo, no período de 1969 (quando foi promulgada a Nova Missa) até 1981 (quando Dom Antônio se tomou emérito), havia na diocese de Campos paróquias e Igrejas onde se ce- lebrava a Missa de São Pio V ao lado de paróquias e Igrejas onde se celebrava a Missa de Paulo VI, com a permissão do Bispo Diocesano, que conservou, e chegou mesmo a no- mear párocos, sacerdotes que só celebravam no novo rito. Sem negar as vantagens da Reforma Litúrgica, existem muitas razões de se conservar a forma antiga, razões ecle- siais históricas, teológicas, litúrgicas, espirituais e estéti- cas. O então Cardeal Ratzinger, hoje nosso Papa Bento XVI, assim confessava: "Se bem que haja numerosos moti- vos que possam ter levado um grande número de fiéis a en- contrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado" (Conferência aos Bispos chilenos, Santiago, 13/7/ 1988). O mesmo Cardeal Ratzinger escreveu que, quandofoi promulgado o novo Ordo, "ficou consternado com aproibição do antigo missal, pois isso nunca se tinha vistoem toda a história da liturgia ... O decreto de interdição
  8. 8. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYdo missal que se tinha desenvolvido no curso dos séculos,deste o tempo dos sacramentários da antiga Igreja, signifi-cou uma ruptura na história da liturgia, cujas consequên-cias só poderiam ser trágicas" (Joseph Ratzinger, La miavita, Edizioni San Paolo, pág. 111 e 112). E ele acrescen-tava: "A meu ver, devia-se deixar seguir o rito antigo commuito mais generosidade àqueles que o desejam. Não secompreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável.Uma comunidade põe a si mesma em xeque quando decla-ra como estritamente proibido o que até então tinha tidocomo mais sagrado e o mais elevado, e quando considera,por assim dizer, impróprio o desejo dessa coisa ... Infeliz-mente, entre nós, a tolerância de experiências aventureirasé quase ilimitada; contudo, a tolerância da liturgia antigaé praticamente inexistente. Desse modo, está-se certamen-te no caminho errado" (Cardeal Joseph Ratzinger, O Salda Terra, Imago, pág. 141-142). 1.4 - Dom Carlos Alberto Navarro, Bispo de Campos Na Diocese de Campos, com achegada do novo Bispo, Dom CarlosAlberto Navarro, sucessor imediatode Dom Antônio de Castro Mayer, asituação anterior mudou, pois o novoBispo, por decreto, proibiu a Missana forma antiga. Seu decreto, assina-do em 25 de agosto de 1982, apenasnove meses após sua posse ocorridaem 15 de novembro de 1981, orde- ......nava "a partir de 25 de outubro de .. 1982, o uso EXCLUSIVO (as maiúsculas são do texto dodecreto) dos Livros Litúrgicos aprovados pela Sé Apostóli-ca, e em vigor na Igreja Latina, jazendo-se especial men-ção da Constituição Apostólica do Santo Padre Paulo VI,de três de abril de 1969, que promulga o Missal Romanorestaurado ... ". Com a ameaça: "Se algum presbítero ousardesobedecer a quanto se prescreve neste Decreto, o queesperamos não aconteça, fica desde já canonicamente ad-vertido de que seremos obrigados a dar cumprimento aosSagrados Cânones, com especial menção dos cc. 2331 §§1 e 2 e/ou 2337 (censuras e penas canônicas, que vão até àretirada das dignidades e cargos) ". Essa proibição, que constemou no seu tempo ao CardealRatzinger, acima citado, entristeceu e abalou também mui-tos padres e fiéis na Diocese de Campos. E, como o CardealRatzinger também disse, as consequências seriam trágicas. Como esses padres, alegando questão de consciência,continuaram a celebrar na forma antiga, o Bispo cumpriu aameaça, retirando-os das paróquias. Esses padres formaram a União Sacerdotal São JoãoMaria Vianney. Considerando-se em estado de necessida-
  9. 9. 1Q ANOS D~ GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃOde, continuaram atendendo o povo, numa situação canoni-camente anormal e mesmo irregular, com grande risco dese formar um cisma. 1.5- Afirmaçõeseatitudesequivocadas Nessa difícil situação na qual sofremos perseguições einjúrias, houve também da nossa parte comportamentos eafirmações dissonantes das normas e ensino da Igreja, dasquais já nos penitenciamos e que corrigimos. Tais exagerose atitudes erradas com relação ao Magistério e à hierarquiada Igreja infelizmente serviram para aumentar a separaçãoentre nós e a autoridade diocesana, provocando suas pe-nas canônicas e destituições. Essas afirmações e atitudes,- estávamos em outras circunstâncias e em outro contextodiferente do atual -, devemos examiná-Ias e retificá-Ias à luz do Magistério perene e vivo da Igreja, que é o critério de verdade, ortodoxia e comportamento para o católico. Se hoje, comparada com as anteriores, mudamos alguma atitude nossa, foi para nos adequarmos às orientações do Magistério. Alguns podem erroneamente pensar que o que foi feito, dito ou vivido num período de exceção e irregu- laridade seja o ideal e o normal para um católico. Não! O normal para todo católico é viver de acordo com o Ma- gistério vivo da Igreja, unido e submisso à sua hierarquia. Não se pode apelar para aqueles antigos comportamentos ou afirmações dissonantes do Magistério, como argumento de terem sido adotados antes, como se tais atitudes ou afir- mações fossem os únicos critérios de verdade, infalíveis e nunca passíveis de correção e melhor expressão. Quantos santos, mesmo doutores da Igreja, não erraram em doutrina e em comportamento! Por isso, nos ensina Santo Tomás de Aquino que "devemos nos apoiar, antes, na autoridade da Igreja do que na de Agostinho, de Jerônimo ou de qualquer outro doutor" (Summa Theologica, lI-lI, q. 10, a. 12). A maioria desses erros era cometida não pela falta dereta intenção, mas pela má direção nos ataques, porque hojecontinuamos a combater esses erros, agora, porém, na dire-ção correta. É preciso sempre ajustar a prática aos princípiosque defendemos. Se reconhecemos as autoridades da Igreja,é necessário respeitá-Ias como tais, sem jamais, ao atacar oserros, desprestigiá-las. Os princípios, a adesão às verdadesda nossa Fé e a rejeição aos erros condenados pela Igrejacontinuam os mesmos. O que se deve evitar são as generali-
  10. 10. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYzações, ampliações e atribuições indevidas e injustas. Mui-tas vezes, na ânsia de defender coisas corretas e sob pres-são dos ataques dos opositores, mesmo com reta intençãopodem-se cometer erros e exageros que, após um período demaior reflexão, devem ser retificados e corrigidos. Erros po-dem ser compreendidos e explicados, mas não justificados. 1.6 - Explicando essas atitudes Mas, verdade seja dita, no maior período da crise, muitosenganos nossos de julgamento foram provocados por afirma-ções e ações erradas que víamos difundidas por quase todaa Igreja, muitas das quais, infelizmente, continuam. Assim,se, por um lado, nós confessamos que houve exagero e mádireção nas críticas feitas ao Concílio Vaticano II e ao NovoOrdo da Missa, devemos, por outro, admitir que isso acon-teceu não só por causa do clima apaixonado e polêmico da época, mas também, sobretudo, devido ao ostracismo brutale à perseguição da qual a antiga liturgia foi vítima e dos abu-sos cometidos em nome do Concílio, o que levava a muitos aatribuí-los equivocadamente ao próprio Magistério da Igreja. Ademais, a questão é mais profunda do que parece: elaatinge também dogmas da nossa fé. A Missa na forma anti-ga, dita de São Pio V, é fruto do Concílio de Trento e é umaclara expressão dos dogmas eucarísticos, especialmentesobre o Santo Sacrificio da Missa, tão bem formuladosnesse grande concílio que condenou os erros protestantes.Daí se segue que o ódio sistemático contra a Missa na for-ma antiga suscitou uma reação, que alguns podem julgarexagerada, mas que foi motivada por razões de fé. . .. Alusivas a isso, citamos as sérias e impressionantes pa~lavras do então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Con-gregação para a Doutrina da Fé. Após citar uma análise deStephan Orth, que constata que "hojemuitos católicos ratificam eles mes-mos o veredicto e as conclusões deMartinho Lutero, para quem falar desacrificio é o maior e mais espantosohorror e uma maldita impiedade ",comentava o então Cardeal JosephRatzinger: "Um grupo considerávelde liturgistas católicos parece terpraticamente chegado à conclusãode que Lutero, ao invés de Trento,estava substancialmente certo no debate do século XVI...Alguém pode observar bem a mesma posição nas discus-sões pós-conciliares sobre sacerdócio. É só neste fundo dedesqualificação prática de Trento, que se pode entendera exasperação da luta contra a possibilidade de celebrarainda, depois da reforma litúrgica, a Missa de acordo como Missal de 1962 ... A possibilidade de tal celebração cons-titui a mais forte, e, por conseguinte, a mais intolerávelcontradição da opinião daqueles que acreditam que a féna Eucaristia formulada por Trento perdeu seu valor. .. ".
  11. 11. 10 ANOS DE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO "A gravidade destas teorias vem do fato que frequente-mente elas passam imediatamente para a prática. A tese,segundo a qual é a comunidade que é como talo sujeitoda Liturgia, serve como uma autorização para manipulara Liturgia de acordo com o entendimento de cada um. Aspretensas novas descobertas e as formas que as seguem,são difundidas com uma rapidez surpreendente e com umaobediência a tais modas que há muito não existe com rela-ção às normas da autoridade eclesiástica. Teorias, na áreada Liturgia, se transformam hoje muito rapidamente emprática, e a prática, por sua vez, cria ou destrói modos dese comportar e pensar... Trento não cometeu um engano,apoiou-se no fundamento sólido da Tradição da Igreja. Elecontinua a ser um critério fidedigno ". 1.7 - Ordenações episcopais de Dom MareeI Lefebvre Nesse tempo de confusão doutrinária e de perseguição àMissa na forma antiga e aos católicos que a conservavam,víamos as ordenações sacerdotais e episcopais ilícitas feitaspor Dom Marcel Lefebvre como algo necessário, devido àcrise, um caso de necessidade. Por isso as julgávamos lícitase as apoiamos. Na mesma linha de pensamento, com a in- tenção declarada de não querer fazer qualquer cisma ou diocese paralela, solicitamos aos Bispos da Fratemidade São Pio X que sagrassem Bispo, sem juris- dição, apenas com o poder de Ordem para atender aos fiéis da linha tradicional, um dos nossos padres, Mons. Licínio Rangel (1991). Depois, estudamos melhor os documentos do Magisté- rio, especialmente a Encíclica Ad Apostolorum Principis, de Pio XII, o Motu Proprio Ecclesia Dei Adflicta de João Paulo TI e especialmente a "Nota Explicativa sobre a exco- munhão por cisma em que incorrem os que aderem ao mo- vimento do Bispo Marcel Lefebvre" do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, de 24 de agosto de 1996 (mas da qual só tomamos conhecimento no ano de 2001), sobre a interpretação autêntica desse Motu Proprio Ecclesia Dei. Nesta "Nota Explicativa ", sobre o "estado de necessidade no qual Mons. Lefebvre pensava se encontrar", se explica que "deve-se ter presente que tal estado deve verificar-se objetivamente, e que não se dá jamais uma necessidade de ordenar Bispos contra a vontade do Romano Pontífice, Cabeça do Colégio dos Bispos. Isto de fato significaria apossibilidade de servir a Igreja mediante um atentado contra a sua unidade em matéria conexa com os própriosfundamentos desta unidade ". Então chegamos à conclusão que não se poderia jamaister tomado aquela atitude, que realmente seria contra a
  12. 12. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYdoutrina e a Tradição da Igreja e se constituiu em um atocismático. 1.8 - Situação insuportável para a consciência católica Além disso, a falta de comunhão com a Igreja hierár- quica incomodava cada vez mais a nossa consciência de católicos. Impressionavam-nos as palavras de Santo Agos- tinho: "Ninguém pode encontrar salvação a não ser na Igreja Católica. Fora da Igreja, pode se ter tudo, menos a salvação. Pode-se ter honra, pode se ter sacramentos,pode-se cantar Aleluia, pode-se responder Amém, pode-se ter fé no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, epregar isso também, mas nunca se pode, exceto na Igre-ja Católica, encontrar salvação, " (Sermo ad Caesariensis Ecclesiae plebem). Porque, não bastava ter a Missa, por mais bem celebra-da que fosse, na forma ritual de São Pio V, sem estar na ple-na comunhão com a Igreja hierárquica. O Papa João PauloII nos ensina isso na sua encíclica Ecclesia de Eucharis-tia (n. 35), falando da comunhão visível com a hierarquia: "Somente neste contexto, tem lugar a celebração legítimada Eucaristia e a autêntica participação nela". A recordação de outros ensinamentos do Magistério edos santos começaram também a tomar patente a irregula-ridade da nossa situação: O Concílio Vaticano I definiu que o Papa é o "perpé-tuo princípio e fundamento visível da unidade da Igreja"(Denz-Schõn 3051); de maneira que "guardada a unidadede comunhão e de fi? com o Romano Pontífice, a Igreja} •€f. .Cristo seja um só rebanho sob um só pastor supremo. Estaé a doutrina da verdade católica, da qual ninguém pode sedesviar, sem perda da fé e da salvação" (Pastor Aetemus,Denz-Shõn 3060). Santo Tomás de Aquino: "São chamados cismáticosaqueles que se recusam a se submeter ao Sumo Pontíficee aqueles que se recusam a viver em comunhão com osmembros da Igreja, a ele sujeitos" (2a-2ae, q. 39, art. 1). Papa Pio IX, na Encíclica Etsi multa: "Os próprios ele-mentos da doutrina católica ensinam que ninguém podeser considerado como bispo legítimo, se não estiver unidopela comunhão da fé e da caridade com a pedra sobre aqual Jesus Cristo edificou a sua Igreja". São Pio X: "O primeiro e maior critério da fé, a regrasuprema e inquebrantável da ortodoxia é a obediência aomagistério sempre vivo e infalível da Igreja, estabelecidopor Cristo columna et firmamentum veritatis, a coluna e osustento da verdade. " (Alocução "C um Vera Soddisfazio-ne", 10/5/1 909). Dom Antônio de Castro Mayer nos ensinara: "O Papa é
  13. 13. 10 ANOS DE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLÉXÃO E MiSSÃO o chefe da Igreja e, como tal, o sinal e a causa da unidade visivel da sociedade sobrenatural, internamente dirigida e vivificada pelo Espírito Santo" (Instrução Pastoral sobre a Igreja, 2/3/1965, capo li). E, ele, já durante o pontificado de S. S. João Paulo li, havia nos orientado: "Assim, comofiéis católicos, nas nossas relações com o Papa devemos nos conduzir por um vivo espirito de Fé. E ver no Papa sempre o Vigário de Cristo na terra, cujas palavras, no exercicio de seu múnus, devem ser tomadas como palavras do mesmo Senhor. Por isso, ao Papa devemos respeito, ve- neração e dócil obediência, evitando todo espirito de cri- tica destrutiva. É preciso que nosso procedimento reflita a convicção de nossa Fé que nos aponta no Papa o Vigário do próprio Jesus Cristo" (Veritas, abril- -maio/ 1980). Por isso, Dom Licínio Rangel, o pri-meiro Bispo da nossa AdministraçãoApostólica, íntimo amigo e confidentede Dom Antônio, pôde dizer, em entre-vista à revista internacional "30 Dias": "Foi o nosso amor a Roma e ao Papa,nosso senso católico, fruto da formação que recebemos deDom Antônio de Castro Mayer, que nos levou a sempredesejar a união com a Hierarquia da Santa Igreja. Sempretivemos consciência de que a nossa posição de resistênciapró Tradição, e consequente situação de exceção, deveriaser circunstancial, temporária e restrita a assuntos preci-sos, originários de pontos agudos da crise ... sem nenhu- ma intenção de cisma. Prova disso é que, após a morte de Dom Antônio de Castro Mayer, quando há dez anos recebi o episcopado, de emergência e de suplência para os fiéis da linha tradicional, declarei que esperava que as circuns- tâncias haveriam de mudar e então eu entregaria ao Papa o meu episcopado para que ele dispusesse como ele dese-jasse. Nada, portanto, de ruptura com a Igreja. Assim sem- pre ansiamos por uma regularização e reconhecimento. A oportunidade apareceu após a nossa peregrinação a Roma pelo Jubileu do ano 2000, quando o Santo Padre nomeou o Cardeal Daria Castrillón Hóyos para, em seu nome, iniciar as conversações em vista de nossa regularização. As conversações aconteceram durante todo o ano 2001 e, graças a Deus, chegaram a um bom termo, com nosso ple- no reconhecimento canônico no seio da Santa Igreja". 1.9 - Esclarecimentos do Magistério Nesse período, de 1981 a 2001, muitos documentos emitidos pelo Magistério vieram dissipar dúvidas e inda- gações dos católicos, trazidas pela crise conciliar e pós- -conciliar. Assim, por exemplo, a promulgação do Código de Direito Canônico em 1983; o Catecismo da Igreja Cató- lica em 1992 e 1997; a Carta ApostólicaAd Tuendam Fi- dem com a nova fórmula da Profissão de Fé do Beato Papa João Paulo II em 1998; a Declaração "Dominus Iesus" da Congregação para a Doutrina da Fé no ano 2000; a Notifi-
  14. 14. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY cação da Congregação para a Doutrina da Fé a propósito do :fwtÓ-lJUia livro do Pe. Jacques Dupuis, S.J. "Para uma teologia cristã do pluralismo religioso", de 24 de janeiro de 200 1; a Notafle S. ~ldãO- ~ela doutrinal sobre alguns escritos do R.P. Marciano Vidal, C.SS.R. de 22 e fevereiro de 2001; a Instrução "Liturgiam Autenticam" da Congregação para o Culto Divino em 28 de março de 2001, entre muitos outros. Esses documentos nos fizeram como que recuperar a confiança que sempre deveríamos ter na Santa Sé, como guarda da ortodoxia. 1.10 - Espírito de Fé Enfim, realmente o que nos conduziu à plena comu- nhão foi um crescimento na fé e na confiança nas promes- sas do Divino Salvador de sua assistência contínua à sua Igreja e na indefectibilidade que ele lhe prometeu, fé e con- fiança às vezes abaladas pelas crises. Além disso, impressionava-nos também ver como al- guns dos que antes compartilhavam conosco a mesma po- sição, por caírem no radicalismo, perderam completamente a confiança na Igreja, e até apostataram completamente da fé católica, caindo no cisma formal e na heresia. Eles pen- savam guardar a tradição, mas fora da Igreja hierárquica. Sua queda também nos serviu de alerta de como a nossa situação poderia nos levar à ruina. A situação anômala, pois, em que nos encontrávamos na Igreja muito nos preocupava e não poderia durar inde- finidamente. Todos ansiavam para que tudo voltasse ao normal. Mas não sabíamos como resolver o impasse de conservarmos nossa posição doutrinária e litúrgica, )i.~Q concordando com os erros atuais e abusos e, ao mesmo tempo, sermos inseridos na plena comunhão, reconhecidos pela Hierarquia da Igreja. Nós não sabíamos, mas Deus sa- bia. E tudo dispôs na sua infinita sabedoria e misericórdia. 2. A solução 2.1 - Nossa petição ao Papa No Jubileu do ano 2000, os padres da "União Sacerdo- tal São João Maria Vianney" participaram da peregrinação do Ano Santo em Roma. A partir de então, o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, prefeito da Congregação para o Clero e da Pontificia Co- missão Eccesia Dei, com a aprovação e a bênção do Santo Padre o Papa João Paulo lI, começou as conversações em vista de uma regularização jurídica da situação dos assim chamados padres e fiéis da Tradição. A Santa Sé propôs então uma reconciliação aos padres da União Sacerdotal São João Maria Vianney.
  15. 15. 10 !,NOS DE ~RAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO A proposta da Santa Sé foi largamente discutida porDom Licínio com todos os padres, antigos e novos, em vá-rias reuniões, durante cerca de um ano. As tratativas coma Santa Sé duraram de janeiro a dezembro de 200l. Os pa-dres fizeram um retiro de cinco dias, refletiram bastante,discutiram, estudaram as propostas em conjunto e em par-ticular, tiveram tempo de meditar e opinar, e chegaram àconclusão favorável ao entendimento com a Santa Sé e ao necessário reconhecimento. Na ocasião, já era Bispo diocesano de Campos, Dom Roberto Gomes Gui- marães, ordenado sacerdote por Dom Antônio de Castro Mayer e que tinha sido meu professor no Seminário. So- mos muitíssimo gratos a ele pelo apoio que deu à nossa reconciliação. Por ele também nossas orações de gratidão nes-sa comemoração dos nossos dez anos. Em 15 de agosto de 2001, escrevemos uma carta aoPapa, da qual fui portador em 11 de setembro de 2001. Dia22 de setembro, na hora do almoço, o Cardeal Castrillónleu a nossa carta ao Papa, que chorou de emoção. Para nós,era o começo do outro lado da história. Nesta carta, dizíamos: "Beatissimo Padre, humildemente prostrados aos pésde Vossa Santidade, nós, Sacerdotes da União SacerdotalSão João Maria Vianney, da Diocese de Campos ..., pedi-mos vênia para formular ao Vigário de Cristo o nosso pe-dido e manifestar-lhe a nossa gratidão. Não temos nenhumtítulo para Lhe apresentar: somos os últimos sacerdotes doseu presbitério. Não possuímos nem distinções, nem qua-lidades, nem méritos. A nossa condição, honrosa, aliás, deser ovelha desse rebanho basta para atrair a atenção de Vossa Santidade. O único título que, pela graça de Deus,ostentamos com brio é o de católicos apostólicos romanos. E em nome dessa nossa Fé católica apostólica roma-na temos nos esforçado por guardar a Sagrada Tradiçãodoutrinária e litúrgica que a Santa Igreja nos legou e, na Capela de Nossa Senhora do Porto - Morro do Cocomedida das nossas fracas forças e amparados pela gra-ça de Deus, resistir ao que o seu predecessor de egrégiamemória, o Papa Paulo VI, chamou de autodemolição daIgreja, esperando desse modo estar prestando o melhorserviço à Vossa Santidade e à Igreja. Beatissimo Padre, embora sempre nos tenhamos con-siderado dentro da Igreja Católica, da qual nunca jamaistivemos a intenção de nos separar, contudo devido à situa-ção da Igreja e a problemas que afetaram os católicos dalinha tradicional, que são do conhecimento de Vossa San-tidade e cremos, enchem o seu coração e o nosso de dor eangústia, fomos considerados juridicamente à margem daIgreja. É esse o nosso pedido: que sejamos aceitos e reco-
  16. 16. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYnhecidos como católicos. E, vindo ao encontro desse nosso desejo, Vossa Santi-dade encarregou Sua Eminência o Sr. Cardeal Dado Cas-trillón Hoyos, Dignissimo Prefeito da Sagrada Congrega-ção para o Clero, de proceder ao reconhecimento jurídicoda nossa posição de católicos na Igreja. Como somos gratos por isso a Vossa Santidade! Queremos, oficialmente, colaborar com Vossa Santida-de na propagação da Fé e da Doutrina Católica, no zelopela honra da Santa Igreja - Signum levatum in nationes - e no combate aos erros e heresias que tentam destruir aBarca de Pedro, inutilmente porque as portas do infernonão prevalecerão contra Ela . Nas augustas mãos de Vossa Santidade, depomos a nos-sa Profissão de Fé Católica, professando perfeita comu-nhão com a Cátedra de Pedro, de quem Vossa Santidade élegitimo sucessor, reconhecendo o seu Primado e governosobre a Igreja universal, pastores efiéis, e declarando que,por nada neste mundo, queremos nos dissociar da Pedra,sobre a qual Jesus Cristo fundou a sua Igreja. E se, por acaso, no calor da batalha em defesa da ver-dade católica, cometemos algum erro ou causamos algumdesgosto a Vossa Santidade, embora a nossa intenção te-nha sido sempre servir à Santa Igreja, humildemente supli-camos o seu paternal perdão. Renovando os mais profundos sentimentos de venera-ção para com a augusta Pessoa do Vigário de Jesus Cristona terra e suplicando, para nós e para o nosso ministério,o precioso beneficio da Bênção apostólica, somos de VossaSantidade, filhos humildes e obedientes ". 2.2 - A resposta acolhedora do Papa A resposta afirmativa e acolhedora do Papa veio no dia25 de dezembro de 2001, na Carta Autógrafa "Ecclesiaeunitas : "Foi com a maior alegria que recebemos a vossa car-ta..., com a qual a inteira União(Sacerdotal) renovou a própriaprofissão de fé católica , decla-rando plena comunhão com aCátedra de Pedro ... Damos graças ao Senhor,Uno e Trino, por tão boas dispo-sições! Em vista dessas considera-ções e para a maior glória de
  17. 17. 10 ANOS DE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃODeus, o bem da Santa Igreja e aquela lei suprema que é asalus animarum, acolhendo com afeto o vosso pedido deser recebidos na plena comunhão da Igreja Católica, reco-nhecemos canonicamente a vossa pertença a ela". o Papa nos assegura então que nos dará um "documen-to legislativo que estabelecerá a forma jurídica de reco-nhecimento da vossa realidade eclesial, para assegurar orespeito de vossas características peculiares". "Nesse documento", nos garante o Papa, "a União seráerigida canonicamente como Administração Apostólica decaráter pessoal, diretamente dependente desta Sé Apos-tólica ... " E continua: "Será confirmada à AdministraçãoApostólica a faculdade de celebrar a Eucaristia e a Litur-gia das Horas conforme o Rito Romano e a disciplina litúr-gica codificadas pelo nosso predecessor São Pio V, com asadaptações introduzidas pelos seus sucessores até o BeatoJoão )(XIII... ". Beato João Paulo 11, agora no Céu, rogai por nós!2.3-Final feliz: começa uma nova história, "cum Petro et sub Petro" A efetivação dessa vontade do Papa deu-se em 18 dejaneiro de 2002, quando o Cardeal Dom Darío CastrillónHoyos, então Prefeito da Congregação para o Clero, veioa Campos e executou o Decreto "Animarum Bonum" da Congregação para os Bispos, da mesma data, erigindo ca- nonicamente, por ordem de S. S. o Papa Beato João Pau- 10 11,a Administração Apostólica Pessoal São João MariaVianney. O Papa transformava assim a união sacerdotal em Ad-ministração Apostólica, para regularizar aquela situaçãoanômala e conservar na plena comunhão da Igreja essessacerdotes (eram 25) e fiéis ligados às formas litúrgicas edisciplinares anteriores do Rito Romano. Ele mesmo assimo declarou: "Neste tempo forte do vosso ministério epis-copal, que é a visita ad limina, é para mim uma grandealegria acolher a vós que tendes o encargo pastoral daigreja na Região Leste i do Brasil, da qual fazem parte as
  18. 18. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEVdioceses do estado do Rio de Janeiro e a União São JoãoMaria Vianney , que eu quis constituir em Campos comoAdministração Apostólica Pessoal" (Discurso do S. Padreo Papa João Paulo II aos bispos do Regional Leste 1, navisita ad limina, 5 de setembro de 2002). Graças a Deus, então, a história de momentos tristes ter-minou com um final feliz, com a criação da AdministraçãoApostólica Pessoal São João Maria Vianney, que devolveuaos "padres de Campos" a faculdade de ter paróquias e oprivilégio de conservarem a Missa na forma antiga. Guar-damos assim a mesma tradição litúrgica e disciplinar daSanta Igreja, mas cum Petro et sub Petro. Página virada,outra história começava. Os sacerdotes presentes com Dom Licínio Rangel, nomomento da criação da Administração Apostólica eramos seguintes: Mons. Emanuel José Possidente; Mons.José Moacir Pessanha; Mons. Henrique Conrado Fischer;Mons. Eduardo Athayde; Pe. Femando Arêas Rifan; Pe.Élcio Murucci; Pe. José Gualandi; Pe. Jonas dos SantosLisboa; Pe. José Onofre Martins de Abreu; Pe. José Renal-do de Menezes; Pe. Geraldo Gualandi; Pe. Alfredo Gualan-di; Pe. José Paulo Vieira; Pe. Hélio Marcos da Silva Rosa;Pe. José Edílson de Lima; Pe. José de Matos Barbosa; Pe.Gaspar Samuel Coimbra Pelegrini; Pe. Claudiomar SilvaSouza; Pe. Everaldo Bon Robert; Pe. José Geraldo Frei-tas da Silva Júnior; Pe. Marco Antônio Pinheiro Arêas; Pe.Alei de Andrade da Silva; Pe. José Carlos Gualandi D. Es-posti; Pe. Manoel Macedo de Farias; Pe. Rafael Lugão deCarvalho. E final mais feliz ainda: vindo de Roma, a primeira pes-soa a quem eu quis dar a grata notícia da solução do çásofoi Dom Carlos Alberto Navarro, que me deu um grandeabraço fraterno de reconciliaçãoe perdão. E, demonstrando umaprofunda humildade, bondadee grandeza de alma não menorque sua fiel adesão ao Santo Pa-dre, Dom Carlos Alberto Navarroapoiou a criação da Administra-ção Apostólica, esteve presenteao nosso reconhecimento canôni-co e na minha Ordenação episco-pal, suplantando com a caridadecristã qualquer diferença passadahavida entre nós. Nossa reconci-liação foi completa. Que ele recebano Céu a recompensa prometida aos misericordiosos. 2. A Administração Apostólica 1. O que é uma Administração Apostó- lica
  19. 19. 10 ANOS D.E GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO A Administração Apostólica é uma circunscrição eclesi-ástica equiparada a uma Diocese (C.D.C. cânon 368), umaIgreja particular, uma porção do povo de Deus, cujo cui-dado pastoral é confiado a um Administrador Apostólico,que a governa em nome do Sumo Pontífice (cânon 371 §2).Sendo equiparada pelo Direito a uma Diocese, a Adminis-tração Apostólica possui tudo o que normalmente possuiuma Diocese. A particularidade da nossa Administração Apostólica éde natureza pessoal, não territorial. Assim como o Ordi-nariato Militar, cuja jurisdição é sobre os militares e suasfamílias, e as Exarquias do Rito Oriental, cuja jurisdição ésobre os fiéis do Rito Oriental, assim a jurisdição da nossaAdministração Apostólica, embora circunscrita ao territó-rio da Diocese de Campos, é sobre os sacerdotes e fiéis daforma antiga do Rito Romano, tendo o poder de incardinarpresbíteros e diáconos (cf. Decreto Animarum Bonum, VI) O poder do Bispo Administrador Apostólico é pessoal,isto é, sobre as pessoas que fazem parte da AdministraçãoApostólica, ordinário, tanto no foro externo como interno,e cumulativo com o poder do Bispo Diocesano de Campos,uma vez que as pessoas que pertencem à AdministraçãoApostólica são ao mesmo tempo fiéis da Igreja Particularde Campos (cf. Decreto Animarum Bonum, V). A nossa Administração Apostólica, equiparada pelo Di-reito às Dioceses imediatamente sujeitas à Santa Sé, estáno Anuário Pontifício e no Anuário da Igreja do Brasil, per-tencente ao Regional Leste 1 e à Conferência Nacional dosBispos do Brasil. 2. Grande graça A criação da Administração Apostólica pela Santa Sé,na pessoa do Papa João Paulo II, foi uma grande graça anós concedida e a toda a Igreja. Uma "diocese pessoal",com sua cúria, seminário próprio, paróquias, Igrejas, sa-cerdotes, Institutos de vida consagrada (cerca de 100 re-ligiosas), catequistas e fiéis em geral, com o privilégio deter como forma litúrgica própria a antiga forma do RitoRomano, a chamada Missa tradicional, com sua disciplinae costumes. Foi o modo como a Santa Sé resolveu a nossasituação, conservando nossas tradições e nos colocando naplena comunhão católica. 2.1 - Dom licínio Rangel O primeiro Bispo da nossa Administração Apostólicafoi Dom Licínio Rangel, de saudosa memória, a quem tri-butamos imensa gratidão pela sua humildade, grande espí-rito de Fé e confiança na Igreja.
  20. 20. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY De família humilde, nasci-do na zona rural do Municípiode Campos, em Ponta Grossados Fidalgos, Dom Licínioveio depois para a Cidade deCampos onde trabalhou noramo de farmácia. Congre-gado Mariano, entrou para oSeminário menor diocesanode Campos, tendo cursado fi-losofia e teologia no Seminá-rio diocesano de Diamantina,MG. Sacerdote exemplar, aquem Dom Antônio dedicavaparticular amizade e confian-ça, humilde, zeloso e dedicado ao seu ministério, semprefoi muito querido por todos os sacerdotes. Depois do fale-cimento de Dom Antônio, aceitou ser ordenado Bispo, poruma questão de suplência, devido ao estado de necessidadeem que nós nos encontrávamos e julgávamos exigir tal or-denação. Aceitou com humildade, nunca querendo exercerseu episcopado como se fosse um bispo diocesano com jurisdição, mas apenas como suplência, desejando que a situ- ação se resolvesse e ele pudesse. entregar seu cargo ao Papa .. Enfrentando objeções e ata- ques dos que tomavam nossa inserção na plena comunhão da Igreja Católica como prenúncio de defecção, ele, com sua retidão e visão sobrenatural, incentivõii ~ as conversações e assinou a nos- sa completa regularização. Que Deus lhe dê a recompensa eternapelo grande bem que fez à Igreja. No dia da minha ordenaçãoepiscopal, ele me abraçou e balbuciou ao meu ouvido comoque o seu nunc dimittis: "Graças a Deus!". 2.2 - Sucessão de Dom Licínio Na carta autografa "Ecclesiae unitas ", o Beato JoãoPaulo II garantia a Dom Licínio: "O seu governo (da Ad-ministração Apostólica) lhe será confiado, Venerável Ir-mão, e será assegurada a sua sucessão ". Cumprindo sua palavra, em 28 de junho de 2002, o mes-mo Beato João Paulo II me escreve, nomeando-me Bispocoadjutor de Dom Licínio, com direito à sua sucessão: "Hápouco, o Venerável Irmão, Dom Licinio Rangel, Bispo Titu-lar de Zarna e Administrador Apostólico da AdministraçãoApostólica Pessoal S. João Maria Vianney, no território deCampos, pediu, por não gozar de boa saúde, um coadjutora esta Sé Apostólica par amais aptamente cuidar do bem
  21. 21. .10 ANOS PE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MISSÃO espiritual das almas a ele confiadas. Nós, que desempe- nhamos o gravissimo ministério de Sumo Pontífice, dese-jando atender ao pedido deste Bispo, te julgamos, amadofilho, apto para exercer este oficio. Conforme conselho,portanto, da Congregação para os Bispos, com nosso po- der supremo, te nomeamos Coadjutor da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney, no território de Campos, e ao mesmo tempo, te proclamamos Bispo Titular de Cedamusa, com todos os direitos atribuídos e obrigações impostas conexas com a dignidade episcopal e com tal oficio, segundo a norma do direito ... Mandamos, além disso, que faças cientes desta carta os fiéis da mes- ma Administração Apostólica: aos quais, caríssimos a nós, exortamos que te respeitem. Esforça-te, finalmente, di/etofilho, por trabalhares ali mesmo, estreitamente unido ao referido Venerável Bispo, usando principalmente a carida- de, paciente e benigna (cf. 1 Cor. 13, 4) e rainha de todas as virtudes. Que os dons do Espírito Paráclito, sob os aus- picios da Virgem Maria, te sustentem sempre". Por graça da Santa Sé, portanto, fui ordenado Bispopelo Cardeal Dario Castrillón Hoyos, então prefeito daCongregação para o Clero, que havia sido o artífice da nos- sa reconciliação, em 18 de agosto de 2002, no esplendor da forma antiga do Rito Romano. A ele também nossa imor- redoura gratidão. A belíssima cerimônia contou com a ilustre presença do Cardeal Dom Eugênio Sales, de Dom Carlos Alberto Navar- ro, Dom Manoel Pestana Filho, Dom Licínio Rangel e Dom Alano Maria Penna, ambos consagrantes; Mons. Joaquim Ferreira Sobrinho, vigário geral da Diocese de Campos, re- presentando S. Exa. Dom Roberto Gomes Guimarães, que estava se recuperando de uma cirurgia cardíaca; centenas de sacerdotes vindos da Administração Apostólica, da Diocese de Campos e de várias partes do Brasil e do exterior, com o concurso de sete mil fiéis. Graças sejam dadas a Deus. Dom Licínio Rangel faleceu santamente em 16 de de- zembro de 2002, rezando o "Sub tuum praesidium" (De- baixo de vossa proteção ...), lema do seu episcopado. Que Deus lhe dê a eterna recompensa no Céu.
  22. 22. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY Com o seu falecimento, tornei-me automaticamente,conforme a nomeação do Papa (cân, 409, § 1); o Bispo danossa Administração Apostólica. 3. Dez anos de graças Nestes dez anos, quantas graças recebidas de Deus!Estarmos na plena comunhão da Igreja e conservamos, nobom espírito católico, as tradições litúrgicas e disciplinaresque tanto amamos e pelas quais lutamos, foi e é uma imen-sa graça e misericórdia do Senhor. Durante estes dez anos, a vida nas paróquias tem con-tinuado fervorosa, graças ao zelo dos nossos sacerdotes.Além da vida paroquial, temos missões na zona rural, re-tiros espirituais, assistência aos doentes, catecismo paracrianças, jovens e adultos, assistência aos pobres com di-versas obras sociais, catequese e atendimento às favelas,2 orfanatos, 2 asilos para idosos, 15 escolas, com cerca de200 professores e 3000 alunos. 3.1 - Graças aumentadas Após a criação canônica da nossa Administração Apos-tólica, pelo decreto Animarum Bonum da Congregação paraos Bispos, de 18 de janeiro de 2002, recebemos, através daCongregação para o Clero, em 10 de julho de 2002, umaresposta da Congregação para o Culto Divino e a Discipli-na dos Sacramentos, declarando que "conforme a CartaAutógrafa Ecclesiae Unitas do S. P o Papa João Paulo 11eo Decreto Animarum Bonum, da Congregação para os Bis-pos, o rito litúrgico codificado por São Pio V.. tornou-se orito próprio da Administração Apostólica, de maneira quetodo sacerdote, legitimamente admitido à celebração bá~ .igrejas próprias da Administração Apostólica Pessoal SãoJoão Maria Vianney, não necessita de ulterior autorizaçãopara usar o Missale Romanum na edição típica de 1962 ". Recebemos ademais da Congregação para o Culto Di-vino e Disciplina dos Sacramentos, em 14 de setembro de2002, carta de aprovação do Calendário litúrgico própriode nossa Administração Apostólica. Também, em 16 de novembro de 2002, recebemos daCongregação para o Clero, assinada pelo Cardeal CastrillónHoyos e pelo sub-secretário Mons. Mauro Piacenza, hojeCardeal Prefeito da mesma Congregação, após ter consul-tado outros Dicastérios da Cúria Romana, carta na qual sepermite que sejam nomeados, pelos Bispos de outras Dio-ceses onde se encontram comunidades de fiéis ligados àprecedente tradição litúrgica, sacerdotes da AdministraçãoApostólica para assumir a cura pastoral de paróquias pes-soais, reitorias ou capelanias, que podem ser criadas peloBispo local, o que, segundo a carta, apresenta-se pastoral-mente muito oportuno. 3.2 - Homenagens merecidas
  23. 23. 1Q ANOS D~ GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MISSÃO Em 19 de março de 2003, por uma questão de grati-dão e justa homenagem, escrevi ao Santo Padre, o PapaJoão Paulo II, suplicando-lhe que nomeasse Capelães deSua Santidade, com o título de Monsenhores, três dos sa-cerdotes da nossa Administração Apostólica, insignes pelaidade, experiência e zelo apostólicodemonstrado em muitos anos de tra-balho em prol da salvação das almas: Padre Emanuel José Possiden-te (+ R.I.P.), então Vigário Geral pormim escolhido e membro do Conse-lho de Governo da nossa Administra-ção Apostólica, professor e DiretorEspiritual do Seminário, piedoso, zeloso e querido por to-dos os sacerdotes e seminaristas, dos quais foi o formador.A ele minha especial homenagem de gratidão por lhe dever a minha vocação e ida para o Semi- nário. Padre José Moacir Pessanha, pároco da Paróquia pessoal de Nossa Senhora das Graças em Natividade, RJ, membro do Conselho de Gover- no da nossa Administração Apostóli- ca. Foi Reitor e professor do Semi- nário Diocesano. É zeloso pela Igrejae muito querido dos seus paroquianos e confrades. Foi oReitor que me recebeu no Seminário, a quem devo o auxí-lio nos meus primeiros passos rumoao sacerdócio. Padre Eduardo Athayde, atualpároco da Paróquia pessoal de Nos-sa Senhora do Rosário de Fátima eSanto Antônio em Santo Antônio dePádua, RJ, membro do Conselho deGoverno da nossa AdministraçãoApostólica. Fundador do Instituto deEducação Santo Antônio e da Associação Nossa Senhorado Rosário de Fátima e do Monte Carmelo, zeloso e muitoquerido por seus paroquianos por sua retidão e seriedade de vida. Em 26 de outubro de 2007, fiz o mesmo pedido, agora ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, em favor do Pe. José de Matos Barbosa, a quem eu nomearia Vigário Geral, sucedendo a Mons. José Possidente, enfermo. Sa- cerdote muito estimado por todos osseus confrades, formado em Direito Canônico, ele é o nos-so atual Vigário Geral, presidente da Câmara Eclesiástica eChanceler da Cúria, sucedendo a Mons. Henrique ConradoFischer, a quem devemos especialmente louvor e gratidão.
  24. 24. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEV -- o Santo Padre respondeu afirmativamente ao meu pe-dido e pude conceder a eles, com muita honra, o título deMonsenhores, Capelães de Sua Santidade. 3.3 - Foram para os braços do Pai Durante este período, faleceram pie-dosamente três eminentes sacerdotes danossa Administração: Mons. FranciscoApoliano (+8/4/2005), zeloso vigário deBom Jesus do Itabapoana, onde trabalhoupor cerca de 40 anos, fundador do Abrigodos Velhos José Lima, grande obra sociale caritativa daquela cidade, e do Instituto lmaculado Cora- ção de Maria e São Miguel Arcanjo; Pe. José Paulo Vieira (2/11/2009), zeloso sucessor de Mons. Francisco, pároco da Paróquia do Senhor Bom Jesus Cruci- ficado e Imaculado Coração de Maria, construtor da grandiosa Igreja Matriz e inúmeras capelas, grande benfeitor do nosso Seminário e incansável cura dealmas; Mons. Emanuel José Possi-dente (7/9/2011), grande expoente in-telectual do nosso clero, zeloso diretorespiritual e professor do nosso Semi-nário, sacerdote exemplar e dedicado,a quem deve a formação a maioria dosnossos padres. Por eles a nossa fervo-rosa oração: "Misericordioso Jesus,dai-lhes o descanso eterno ". . .. .. 3.4 - Função de governar:OrganizaçãodaAdministraçãoApostólica Como parte do dever episcopal de governar, Dom Li-cínio erigiu 11 paróquias; eu organizei a Cúria, o Conse-lho de Governo, o Conselho econômico e erigi mais umaparóquia, uma quase-paróquia e três reitorias. Atualmentetemos 12 paróquias, uma quase-paróquia, e 4 reitorias,sendo ao todo 115 Igrejas, além de 12 comunidades emoutras dioceses, atendidas por nossos padres. Fica assimorganizada a Nossa Administração Apostólica: Cúria: Vigário Geral, Chanceler e presidente da CâmaraEclesiástica: Mons. José de Matos Barbosa Chanceler Emérito: Mons. Henrique Conrado Fischer. Notário da Cúria: Pe. José Ronaldo de Menezes. Penitenciário: Pe. Hélio Marcos da Silva Rosa Conselho de Governo: Mons. José de Matos Barbosa Mons. José Moacir Pessanha
  25. 25. 10 ANOS D.E GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO Mons. Eduardo Athayde Pe. Jonas dos Santos Lisboa Pe. Gaspar Samuel Coimbra Pelegrini Pe. Claudiomar Silva Souza, coordenador geral de Pas-toral. Conselho Econômico: Mons. José de Matos Barbosa, ecônomo Pe. Everaldo Bon Robert Sr. Amaro Francisco Fidélis, contabilista Sr. Arindal de Azevedo Zanon, comerciário. Sra. Luzia Aparecida Salvati Zanon, professora Srta. Maria Auxiliadora Cabral da Silva, adm. de em-presas, pedagoga e pós-graduada em gestão escolar. Seminário da Imaculada Conceição: Reitor: Pe. Gaspar Samuel Coimbra Pelegrini Více-Reitor: Pe. Hélio Marcos da Silva Rosa Di~etor espiritual: Pe. Everaldo Bon Robert Paróquia do Imaculado Coração de Nossa Senhorado Rosário de Fátima - Campos Igreja Principal da Administração Apostólica (Matriz e5 Igrejas) Pároco: Pe. Claudiomar Silva Souza Vigário paroquial: Pe. Sidnei Barcelos da Silva Júnior Paróquia de Nossa Senhora do Terço - Campos (Ma-triz e 3 Igrej as) Pároco: Pe. José Gualandi Vigário Paroquial: Pe. José Carlos Gualandi Degli Esposti Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Ururaí (Matriz e 4 Igrejas) Pároco: Pe. Hélio Marcos da Silva Rosa Paróquia São Geraldo Magela - Guarus - Campos (Matriz e 2 Igrejas) Pároco: Pe. José Gualandi Vigário Paroquial: Pe. José Carlos Gualandi Degli Esposti Reitoria: Igreja de Nossa Senhora Aparecida - Campos Reitor: Mons. José de Matos Barbosa Reitoria: Igreja de Nossa Senhora do Carmo (da Ve- nerável Ordem Terceira) - Campos Reitor: Pe. Everaldo Bom Robert Reitoria: Igreja de São José - Campos Reitor: Pe. José Onofre Martins de Abreu Paróquia do Senhor Bom Jesus Crucificado e doImaculado Coração de Maria - Bom Jesus do Itabapo-ana (Matriz e 20 Igrejas) Administrador Paroquial: Pe. Ivoli Femando Latrônico Vigários paroquiais: Pe. Rafael Lugão de Carvalho ePe. Renan Antônio Damaso Menezes
  26. 26. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima eSão Geraldo - Itaperuna (Matriz e 2 Igrejas) Pároco: Pe. Geraldo Gualandi Vigário Paroquial: Pe. Manoel Macedo de Farias Paróquia de Nossa Senhora das Graças - Natividade(Matriz e 4 Igrejas) Pároco: Mons. José Moacir Pessanha Vigários paroquiais: Pe. José Geraldo Freitas da SilvaJúnior e Pe. Alei de Andrade da Silva. Paróquia de Nossa Senhora Aparecida - Porciúncula(Matriz e 2 Igrejas) Pároco: Pe. Alfredo Gualandi Quase-Paróquia de São Judas Tadeu e Santa Clara-Santa Clara (Matriz e 9 Igrejas) uase-Pároco: Pe. Antônio de Pádua Andrade dosSantos Vigário Paroquial: Pe. Alfredo Gualandi Reitoria de Nossa Senhora do Carmo - Varre-Sai (6Igrejas) Reitor: Pe. Élcio Murucci Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima eSanto Antônio - Santo Antônio de Pádua (Matriz e 15Igrejas) Pároco: Mons. Eduardo Athayde Vigário paroquial: Pe. Silvano Salvatte Zanon Paróquia de Nossa Senhora Aparecida e São FidélJs.- São Fidélis (Matriz e 24 Igrejas) . . Pároco: Pe. Jonas dos Santos Lisboa Vigário Paroquial e Administrador: Pe. Marco Antô-nio Pinheiro Arêas Vigário Paroquial: Pe. Adriano Alves Botura Paróquia de Nossa Senhora das Graças - São Joãoda Barra (Matriz e 2 Igrejas) Pároco: Pe. José Eduardo Pereira Vigário Paroquial: Pe. José Ronaldo de Menezes Paróquia de Nossa Senhora das Graças e São Sebas-tião - Varre-Sai (Matriz e 11 Igrejas) Pároco: Pe. Antônio de Pádua Andrade dos Santos Vigários Paroquiais: Pe. João Motta Neto e Pe. BruceLima Pasini Judice. Comunidades fora da Diocese de Campos, atendidaspela Administração Apostólica: Rio de Janeiro - Igreja de Nossa Senhora do Carmo daAntiga Sé Mons. José de Matos Barbosa
  27. 27. 10 ANOS DE.GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃO Nova Iguaçu - Igreja Nossa Senhora do Perpétuo So-corro e São Judas Tadeu Pe. José Edilson de Lima Sepetiba - RJ - Convento Santa Teresinha Pe. José Edilson de Lima Volta Redonda - RJ - Igreja de Nossa Senhora do Per-pétuo Socorro Pe. José Edilson de Lima São João do Meriti - RJ - Comunidade Santa Teresinha Pe. José Edilson de Lima Arraial do Cabo - RJ - Igreja de Nossa Senhora Pe. Antônio de Pádua Andrade dos Santos São Paulo - SP - Igreja de Santa Luzia e do MeninoJesus de Praga e Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte Pe. Jonas dos Santos Lisboa São Bernardo do Campo - SP - Capela de Nossa Se-nhora de Fátima Pe. Jonas dos Santos Lisboa Belo Horizonte - MG - Capela do Colégio Monte Cal-vário Pe. Ivoli Femando Latrônico Guiricema - MG - Santa Montanha Pe. Geraldo Gualandi São Lourenço - MG - Educandário Santa Cecília Pe. José Eduardo Pereira Colatina - MG - Igreja de São Pedro Pe. José Gualandi. Durante esse período várias igrejas foram inauguradase reformadas em nossa zona rural. Constitui e regularizeicanonicamente dois Institutos de Vida Consagrada e cincoAssociações Públicas de fiéis. Instalamos diversas Pasto-rais, tais como Pastoral da Liturgia, com secções de Acó-litos e Música Sacra, Pastoral Familiar, Setor Juventude,Pastoral Carcerária, Pastoral Catequética, Pastoral da Edu-cação, Pastoral Vocacional, Pastoral da Sobriedade, Pasto-ral da Caridade Social e Pastoral da Saúde. 3.6 - Função de santificar Como parte do meu dever de santificar, nesses dez anos jáordenei 18 sacerdotes para a Igreja, sendo 10 para a nossaAd-ministração Apostólica, que tem ao todo 33 sacerdotes. Du-rante as várias visitas pastorais às paróquias da Administraçãoe às doze comunidades atendidas pelos nossos sacerdotes emoutras dioceses, já administrei o Sacramento da Confirmação
  28. 28. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYou Crisma a milhares de fiéis, no Brasil e no exterior. Em nosso Seminário da Imaculada Conceição, aindaem construção e cujà pedra fundamental foi benta peloPapa Beato João Paulo lI, tivemos neste ano a entrada de13 novos candidatos, sendo agora 34 seminaristas ao todo.Dia 8 de dezembro, inauguramos a pedra fundamental dafutura capela do nosso seminário. A formação dos nossosseminaristas é feita por bons sacerdotes e acompanhada deperto por mim. 3.7 - Função de ensinar Como parte do meu dever de ensinar, publiquei, nes-te tempo, diversos escritos, cartas pastorais, orientaçõese artigos periódicos, dirigidos ao nosso clero, aos nossosfiéis, ensinando-lhes a sempre necessária adesão ao Ma-gistério da Igreja, critério da nossa catolicidade.iprincipalcaracterística da nossa Administração: Mensagem Pastoralpelo início do ministério episcopal do novo administradorapostólico, em 5/1/2003; o livro "O Rosário Meditado",segundo a Encíclica Rosarium Virginis Mariae do BeatoJoão Paulo lI, em 2003; Carta circular sobre o comporta- ..mento do católico, quanto à pureza e a decência no trajar,em 6/1/2004; Instrução Pastoral, em forma de catecismo,sobre o Papa e o Magistério da Igreja, no início do Pontifi-cado de Bento XVI, em 24/4/2005, traduzi da também parao espanhol; Orientação Pastoral sobre o Magistério Vivo daIgreja, traduzi da e publicada em francês (Éditions Sainte--Madeleine, Le Barrroux) e espanhol (Fundación GratisDate, Pamplona, Espana), em 6/1/2007; Carta Circularapresentando o Motu Proprio Summorum Pontificum e odocumento da CDF sobre a Igreja, em 16/7/2007; Comuni-cado "Sobre apresentação e comentários da nota doutrinalda congregação para a doutrina da fé sobre alguns aspectosda evangelização, em janeiro de 2008; Carta de princípiosdas nossas Escolas Católicas, de março de 2008; Ensina-mentos diversos sobre a falta de espiritual idade séria, queleva a abusos na liturgia (entrevista), a discussão sobre ascélulas embrionárias, a missão dos bispos e acerca da na-tureza teológica e jurídica das conferências dos bispos, deabril de 2008; Carta Pastoral sobre o Dízimo e as Ofertas,em 30/5/2008; Carta aos jovens, em julho de 2008; Cartaàs Famílias, em outubro de 2008; Carta Circular apresen-tando a Carta Apostólica, em forma de motu proprio, do Santo Padre o Papa Bento XVI, "Ecclesiae Unitatem", em 8/7/2009; o livro "Considerações sobre as formas do Rito
  29. 29. 10 ANOS D.E GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃORomano da Santa Missa", em 20/4/2010; Carta Pastoralsobre os casos de pedofilia na Igreja, em }0/5/2010; CartaPastoral sobre a Visita "ad limina" e a comunhão com aIgreja, em 30/8/2010; "Orientações sobre Política e Elei-ções, em 15/8/2010; além dos artigos semanais dirigidos aopovo em geral, desde 2002 até hoje. A respeito da nossa "Orientação Pastoral sobre o Ma-gistério Vivo da Igreja", de 6/1/2007, recebi uma cartada Congregação para a Doutrina da Fé, de 28 de abril de2008, que apresenta o seguinte parecer: "A resposta e asargumentações contidas na obra de S. Exa. Dom Rifan sãodoutrinariamente válidas e concordes com o Magistério daigreja ... A obra parece também adequada para os fiéis quea lerem sem preconceito ". 3.8 - Ministério fora do território da Diocese de Campos Nesses 10 anos, além da conservação da forma antigado Rito Romano em nossa Administração Apostólica, mui-tas outras dioceses aqui no Brasil têm adotado a mesmaforma litúrgica, através de nossos padres ou por influêncianossa. Nossos sacerdotes atendem, com a Santa Missa edemais ministérios, com o uso de ordens conferido peloBispo local, os fiéis das onze Arquidioceses e Dioceses aci-ma enumeradas. Nosso Seminário serve também de centropara essa expansão. E, tudo ficou mais fácil, depois do Motu Proprio Summo- rum Pontificum de S. S. Bento XVI, em 7 de julho de 2007. o Cardeal Dom Darío Castrillón Hoyos, em seu dis- curso na Assembleia da V Conferência do CELAM, em Aparecida, em 16 de maio de 2007, em referência a nossa Administração Apostólica e a sua influência na decisão do Papa ao promulgar o Motu Proprio, influência que se deveu às boas relações entre a Diocese de Campos e nós, recorda os bons frutos que estas relações produziram depois do nos- so reconhecimento canônico. Estas foram as palavras do Cardeal: "... os fiéis que se inscreveram na Administração Apostólica estão contentes de poder viver em paz em suas comunidades paroquiais. E mais ainda, algumas dioceses do Brasil estabeleceram contatos com a AdministraçãoApostólica de Campos, a qual colocou à sua disposição sa-cerdotes para o cuidado pastoral dos fiéis tradicionalistasde suas igrejas locais. O projeto do Santo Padre já foi par-cialmente experimentado em Campos, onde a coexistênciapacifica das duas formas do único rito romano da Igreja éuma bela realidade. Esperamos que este modelo tambémproduza bons frutos em outros lugares da Igreja, em queconvivem fiéis católicos com diferentes sensibilidades li-túrgicas. E esperamos ademais que esta convivência atraiatambém aqueles tradicionalistas que ainda estão longe". A nossa Administração Apostólica, em parceria com
  30. 30. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY ~e-[J>WílÍCfUia de outras dioceses, promovido pelo Brasil temSanta efwta e S ã~ JJuãift, "Encontros Summorum Pontificum", para in- centivar e ensinar aos Uadeu sacerdotes a Missa na forma extraordinária. O primeiro encontro foi na Diocese de Garanhuns, em 2010, o segundo na Arquidiocese do Rio de Janeiro, em 2011, e o terceiro será na Arquidiocese de Salvador, Bahia, de 14 a 18 de setem- bro próximos, com um dia aberto aos leigos. Estamos pre- parando também cursos práticos de latim litúrgico. Temos recebido muitas cartas de congratulações de Bis- pos e de sacerdotes de outras dioceses. Gostaria de salien- tar uma, de um sacerdote amigo de outra diocese que expri- m com sinceridade sua gratidão: "Uno-me à V. Exa. Rev.-- e ao clero e fieis para agradecer e bendizer a Deus pelos dez anos de criação da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Recordo-me daquele já distante 2002. Tive a notícia pela televisão. Quase não acreditei e, depois, confirmando a veracidade da notícia, que grande felicidade! Uma década depois essafelicidade é maior por ver quanto bem Deus tem feito através dessa abençoada Administração Apostólica. Quantas coisas podemos-ver e quantas outras - creio que mais numerosas - que só Deus sabe! Por tudo isso: bendito seja Deus! Digo, com gran- de alegria, do bem imenso que o contato com o seu clero e fieis faz ao meu ministério sacerdotal. E agradecendo a Deus eu agradeço também à V. Exa. Rev.... Obrigado pelo seu ministério episcopal que atinge também a nos qu« não somos da Administração, mas estamos estreitamente unidos pelo único sacerdócio. Ad multas annos! Peço sua bênção e recomendo-me às suas orações, Pe. Luiz Antônio Reis Costa - Arquidiocese de Mariana/MG". 3.9 - Apoio do Santo Padre, o Papa Na minha última Visita ad Limina, visita oficial do Bis- po ao Papa, em setembro de 2010, quando fui "conferir o meu evangelho com Pedro" (cf. Gil, 18; 2,2), pude ouvir
  31. 31. 10 ANOS QE GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MISSÃOo elogio e receber o apoio do Santo Padre Bento XVI ànossa Administração Apostólica e ao nosso modo de agire nos conduzir. O Papa se mostrou muito contente de quea situação entre a Administração Apostólica, a Diocese deCampos e os outros Bispos esteja em paz. E eu lhe disse: "Santo Padre, em paz e em comunhão ", ao que ele respon-deu: "Isso é muito importante! ". É o que importa e nosconsola: nosso modo de pensar e agir conferido com Pedroe apoiado por ele. Por isso também nos apoiam de todaparte inúmeros amigos, católicos corretos e seguidores daverdadeira Tradição. Por tudo isso, damos muitas graças a Deus e pedimos aEle nos dê zelo, perseverança e amor nessa missão em proldas almas e da Santa Igreja. E agradecemos muitíssimo a todos os que colaboraram,colaboram e colaborarão com essa obra da Igreja, nossaAdministração Apostólica e seu ministério, com suas ora-ções e seu apoio. Deus lhes pague! 11 - REFLEXÃO 1. Fidelidade à graça da comunhão A grande graça que recebemos de estar na plena comu- nhão da Igreja deve ser cuidadosamente cultivada por nós, evitando tudo o que possa nos desviar dela. O critério de verdade adotado por nós, como deve ser para todo católico, é o Magistério vivo da Igreja. "Se alguém se separa dos Pastores, que velam por manter viva a Tradição apostó- lica, é a ligação com Cristo que se encontra irreparavel- mente comprometida" (Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum Veritatis). A doutrina da infalibilida- de pontificia "significa, exatamente, que no cristianismo, na fé católica em todo caso, há uma última instância que decide. Significa que o Papa tem autoridade para decidir, com caráter vinculante, nas questões essenciais, e que nós, definitivamente, podemos ter a certeza de que a herança de Cristo foi interpretada corretamente" (Joseph Ratzin- ger, "La sal de Ia tierra, quién es y como piensa Benedicto XVI", Ediciones Palabra, Madrid, 10a ed., pág 195). 2.Profissão de Fé - Adesão ao Magistério Por isso, recordamos aqui a nossa Profissão de Fé, que faze- mosem circunstâncias especiais, na qual, além do Credo, profes- samosnossa completa adesão ao Magistério da Igreja, ou seja: 2.1 - Creio também firmemente em tudo o que está con- tido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tra- dição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo magistério ordinário e universal, para ser acreditado como
  32. 32. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYdivinamente revelado. Portanto, com assentimento pleno e irrevogável de féteologal baseado na autoridade da Palavra de Deus (fé di-vina e católica), creio nas doutrinas contidas na Palavra deDeus escrita e transmitida, definidas com um juízo sole-ne como verdades divinamente reveladas ou pelo RomanoPontífice, quando fala "ex cathedra", ou pelo Colégio dosBispos reunidos em Concílio, ou então infalivelmente pro-postas pelo Magistério ordinário e universal para se crerem(doutrinas de fide credenda). Assim, com essa fé, eu creio, por exemplo, em todos osartigos de fé do Credo, em todos os dogmas cristo lógicos emarianos, na instituição dos Sacramentos por Jesus Cristoe na sua eficácia em termos de graça, na presença real esubstancial de Cristo na Eucaristia e na natureza sacrificalda celebração eucarística, na fundação da Igreja por von-tade de Cristo, no primado e na infalibilidade do RomanoPontífice, na existência do pecado original, na imortalida-de da alma espiritual e na retribuição imediata depois damorte, na ausência de erros nos textos sagrados inspiradose na doutrina da grave imoralidade do assassínio direto evoluntário de um ser humano inocente. Estou ciente de que se obstinadamente pusesse em dú-vida essas doutrinas ou as negasse, cairia na censura de.heresia, como afirmado pelos correspondentes cânones doDireito Canônico. 2.2 - De igual modo aceito firmemente e guardo tudo oque, acerca da doutrina da fé e dos costumes, é proposto demodo definitivo pela mesma igreja. . .. Por isso, com assentimento pleno e irrevogável, baseá-do na fé na assistência do Espírito Santo ao Magistério e nadoutrina católica da infalibilidade do mesmo Magistério,creio nas verdades relacionadas com o campo dogmáticoou moral, que são necessárias para guardar e expor fiel-mente o depósito da fé - mesmo que não sejam propostaspelo Magistério da Igreja como formalmente reveladas -,quer tenham sido definidas de forma solene pelo RomanoPontífice, quando fala "ex cathedra", ou pelo Colégio dosBispos reunidos em Concílio, quer tenham sido infalivel-mente ensinadas pelo Magistério ordinário e universal daIgreja de modo definitivo (doutrinas de fide tenenda). Deste modo, com este assentimento pleno e irrevogável,aceito as verdades propostas de modo definitivo pelo Magis-tério, sejam verdades que têm conexão necessária com a re-velação por necessidade ou consequência lógica, como, porexemplo, a doutrina da ordenação sacerdotal reservada ex-clusivamente aos homens, a iliceidade da eutanásia, da pros-tituição e da fornicação, sejam verdades em conexão coma revelação em virtude de uma relação histórica, como, porexemplo, a legitimidade da eleição do Sumo Pontífice, a legi-timidade da celebração de um Concílio ecurnênico, as cano-nizações dos santos (fatos dogmáticos) e a invalidade das or-
  33. 33. 10 ANOS DE GRAÇAS: GRATiDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃOdenações anglicanas, assim declaradas pelo Papa Leão XIII. Estou ciente de que, se as negasse, assumiria uma atitu-de de recusa de verdades da doutrina católica e, portanto,já não estaria em plena comunhão com a Igreja Católica. 2.3 - Adiro ainda, com religioso obséquio da vontade eda inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontíficeou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o magis-tério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los comum ato definitivo. Assim, na medida em que o exigem esses ensinamentosda Igreja, embora não tenham sido definidos com um juízosolene nem propostos como definitivos pelo Magistério or-dinário e universal, dou minha adesão - com religiosa sub-missão da vontade e da inteligência, não somente exteriore disciplinar, mas na lógica e sob o estímulo da obediênciada fé - a todas as doutrinas em matéria de fé ou moral apre-sentadas pelo Magistério como verdadeiras e seguras, poissei que a vontade de submissão leal a este ensinamento doMagistério em matéria em si não irreformável, deve ser aregra. E, ademais, acolho todas as intervenções e julga-mentos de caráter prudencial provenientes do Magistérioda Igreja. Assim, com religiosa submissão da vontade e da in- teligência, dou minha adesão à doutrina social oficial da Igreja, aos ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica promulgado pelo Papa João Paulo lI, à doutrina e às leis do Código de Direito Canônico, promulgado pelo mesmo Papa, às encíclicas, exortações apostólicas e demais ensi- namentos do Magistério atual da Igreja, segundo o valor de cada documento, incluindo os decretos das Congregações Romanas aprovados pelo Papa. Por isso, rejeito as proposições contrárias a tais doutri- nas, pois seriam errôneas, ou, tratando-se de ensinamentos de caráter prudencial, temerárias ou perigosas e, por conse- guinte, seguramente não podem ser ensinadas. 2.4 - Professo, pois, de modo firmíssimo, o que foi in- falivelmente definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano I: que a Sé de Pedro permanece imune de todo erro e que a verdade e a Fé nunca faltarão na Cátedra de Pedro e de seus sucessores. "Porque não foi prometido o Espírito Santo aos suces-sores de Pedra para que, por Revelação Sua, manifestassemuma nova doutrina, mas para que, com Sua Assistência,guardassem santamente e expusessem fielmente a Revela-ção transmitida pelos Apóstolos, isto é, o Depósito da Fé.E certamente essa doutrina apostólica todos os Santos Pa-dres a abraçaram e os Santos Doutores de reta doutrina aveneraram e seguiram, sabendo perfeitamente que esta Séde São Pedra permanece imune de todo erro, segundo a pro-messa de Nosso Divino Salvador feita ao Príncipe de SeusApóstolos: Eu roguei por ti, para que tua Fé não desfaleça;
  34. 34. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEYe tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos (Lc 22,32) "."Pois este carisma da verdade e da fé, que nunca falta, foiconferido a Pedro ea seus sucessores nesta cátedra ... " Por isso, rejeito toda e qualquer afirmação que pretendaver nos ensinamentos da Santa Sé proposições contráriasàquilo que a Igreja já definiu. Reitero, portanto, minha humilde submissão à Hierar- quia e ao Magistério da Igreja, coerente com o que nos en- sina o Papa Pio XII: "A norma próxima e universal da ver- dade" é o "Magistério da Igreja ", "visto que a ele confiou Nosso Senhor Jesus Cristo a guarda, a defesa e a interpre- tação do depósito da Fé, ou seja, das Sagradas Escrituras e da Tradição divina ", pois "o Divino Redentor não con-fiou a interpretação autêntica desse Depósito a cada um dos fiéis, nem mesmo aos teólogos, mas exclusivamente ao Magistério da Igreja" (Enc. Humani Generis). Ademais, reconheço os Bispos como os arautos da féque para Deus conduzem novos discípulos, como doutoresautênticos, dotados da autoridade de Cristo, que pregamao povo a eles confiado a fé que se deve crer e aplicar navida prática; ilustrando-a sob a luz do Espírito Santo e ti-rando do tesouro da Revelação coisas novas e antigas (cfr.Mt. 13,52), fazem-no frutificar e solicitamente afastam oserros que ameaçam o seu rebanho (cfr. 2 Tim. 4, 1-4). Ve-nero, pois, os Bispos como testemunhas da verdade divinae católica, quando ensinam em comunhão com o RomanoPontífice, conformando-me ao parecer que o meu Bispoemite em nome de Cristo sobre matéria de fé ou costumes,aderindo a ele com religioso acatamento. . -." • ••• oo 3. A clara posição da nossa Administração Apostólica o Santo Padre, o Papa Bento XVI, na sua Carta aosBispos anexa ao Motu Proprio Summorum Pontificum,tranquilizava os Bispos dizendo-lhes que com a liberaçãouniversal da Missa dita de São Pio V, que ele fazia nesseMotu Proprio, "não tem fundamento o temor de que sejaaqui afetada a autoridade do Concílio Vaticano 11 e queuma das suas decisões essenciais - a reforma litúrgica -seja posta em dúvida "; ademais, "não me parece realmen-te fundado o temor de que uma possibilidade mais amplado uso do Missal de 1962 levasse a desordens ou até adivisões nas comunidades paroquiais ". Nessa mesma carta, o Santo Padre afirma: "Obviamen-te, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes dasComunidades que aderem ao uso antigo, não podem, emlinha de princípio, excluir a celebração segundo os novoslivros. De fato, não seria coerente com o reconhecimentodo valor e da santidade do rito a exclusão total do mesmo ". No que nos diz respeito, essa orientação do Santo Padre
  35. 35. 10 ANOS DI; GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MiSSÃOdeve ser perfeitamente acatada e seguida. Assim, em carta de 13 de março de 2009, que enviei aoSanto Padre Bento XVI, em sinal de comunhão, agradeci-mento e resposta a essa sua Carta aos Bispos que acompa-nha o Motu Proprio Summorum Pontificum, escrevi: "... Por causa dos atuais problemas e circunstâncias,por fidelidade a esse Magistério da Igreja, declaramos re-conhecer o Concílio Vaticano 11 como um dos ConcíliosEcumênicos da Igreja Católica, aceitando dócil e sincera-mente, com religiosa submissão de espírito, seus ensina-mentos (ou seja, a doutrina "compreendida à luz da santaTradição e referida ao perene Magistério da própria Igreja"- S. S. João Paulo lI, Alocução ao Sacro Colégio, 5 novo 1979), tal como nos transmite a Igreja, como dotados daautoridade do magistério ordinário supremo e autêntico". "Por isso, rejeitamos o chamado "pernicioso espíritodo Concilio", ou o seu "antiesplrito ", e toda hermenêuticada descontinuidade e da ruptura e adotamos, com VossaSantidade, a hermenêutica da reforma ou renovação nacontinuidade ". "Declaramos, igualmente, o nosso pleno reconheci-mento do Magistério de Vossa Santidade e de todos os seusantecessores, especialmente dos Papas Beato João XXIII,Paulo VI, João Paulo I e João Paulo 11". "Quanto à Liturgia, em nossa Administração Apostóli-ca Pessoal São João Maria Vianney, por privilégio conce-dido por esta Sé Apostólica, nós conservamos com amor depredileção o rito romano da Missa na sua forma extraor-dinária, como uma das riquezas litúrgicas católicas, pelaqual exprimimos o nosso amor pela Santa Igreja e nossacomunhão com ela". "Declaramos, porém, que, como Vossa Santidade nosensina, para viver a plena comunhão da Igreja, não excluí-mos, em linha de princípio, a celebração segundo os novoslivros litúrgicos promulgados pelo Magistério da Igreja,pois a exclusão total do novo rito não seria coerente como reconhecimento do valor e da santidade dele, que nósreconhecemos ". "Reconhecemos, portanto, que o Missal Romano, esta-belecido pelo Sumo Pontifice Paulo VI para a Igreja uni-versal, foi promulgado pela legítima suma autoridade daSanta Sé, a quem compete na Igreja o direito da legislaçãolitúrgica, e que é, por isso mesmo e em si mesmo, legítimoe católico ". "Evidentemente, rejeitamos todas as "ambigüidades,liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instru-mentalizações" (SS João Paulo 11, enc. Ecclesia de Eu-charistia, nn 10, 52, 61), enfim, todos os usos abusivos doMissal promulgado por S S Paulo VI, especialmente osmencionados na Instrução Redemptionis Sacramentum".
  36. 36. ADMINISTRAÇÃO ApOSTÓLICA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY Ill - A MISSÃO Nossa especial missão na Igreja é, em sua plena co-munhão, sermos fiéis à doutrina católica a nós transmitidapelo Magistério, conservarmos, tal como nos concedeu aSanta Sé, a Liturgia na forma extraordinária, como umadas riquezas da Igreja, empenharmo-nos pela santificaçãodo nosso clero e dos fiéis, pelo cultivo da nossa vida espiri-tual, e pela evangelização e catequese das crianças, jovense adultos, com grande espírito missionário. Tomemos, para nossa reflexão, exame de consciência,programa de vida, diretriz e modelo de nossa ação, o exem-plo dos primeiros cristãos, como nos descrevem os Atosdos Apóstolos: "Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nasreuniões em comum, na fração do pão e nas orações ... to-dos os fiéis viviam unidos ... unidos de coração, frequen-tavam todos os dias o templo ... cativando a simpatia detodo o povo. e o senhor cada dia lhes ajuntava outros, queestavam a caminho da salvação" (At 2, 42-47). "A multi-dão dos fiéis era um só coração e uma só alma ... não havianecessitados entre eles" (At 4, 32, 34). Ou seja, os primeiros cristãos perseveravam:· 1) Na doutrina dos Apóstolos, 2) Na frequência à Santa Missa (fração do pão), 3) Nas orações em comum e individuais, 4) Viviam unidos, em comunhão (koinonia): ... a) Um só coração e uma só alma; .... b) Não havia necessitados entre eles; 5) Tinham espírito missionário: seu número aumen-tava. Conquistavam a simpatia de todos. À luz desse exemplo dos primeiros cristãos, vamos tra-çar as diretrizes para a ação e missão de todos os pertencen-tes à nossa Administração Apostólica, normas que deverãoser lidas, examinadas e observadas, em nossas Assem-bleias, reuniões paroquiais, durante este ano e os seguintes. 1. INSTITUCIONAL - GERAL 1.1 - O Bispo A reforma da nossa Adminis- tração Apostólica deve começar de cima, em primeiro lugar do Bispo e dele, pelo exemplo, se difundir pelos sacerdotes e fiéis. "O Bispo diocesano, lem- brando que está obrigado a dar
  37. 37. 1.0 ANOS D~ GRAÇAS: GRATIDÃO, REFLEXÃO E MISSÃO exemplo de santidade na caridade, na humildade e na sim-plicidade de vida, empenhe-se em promover, com todos os meios, a santidade dos fiéis, de acordo com a vocaçãoprópria de cada um e, sendo o principal dispensador dos mistérios de Deus, se esforce continuamente para que osfiéis confiados a seus cuidados cresçam na graça mediante a celebração dos sacramentos, e conheçam e vivam o mis- tério pascal" (cânon 387). "No desempenho do seu múnus de pastor, o Bispo dio-cesano se mostre solícito com todos osfiéis confiados a seuscuidados ..., preocupando-se apostolicamente com aquelesque, por sua condição de vida, não possam usufruir sufi-cientemente o cuidado pastoral ordinário, e com aquelesque se afastaram da prática religiosa" (cânon 383) - "OBispo diocesano dedique especial solicitude aos presbíte- ros, a quem deve ouvir como auxiliares e conselheiros, de-fender-Ihes os direitos e cuidar que cumpram devidamente as ob~igações próprias de seu estado ... "(cânon 384). Como a santidade do Bispo interessa a todos, peço as orações e o apoio de todos os padres e fiéis para minha san- tificação e o cumprimento do meu múnus episcopal: "Stet et pascat ... ": "que ele fique firme e apascente, na vossafortaleza, Senhor, na sublimidade do vosso nome". 1.2 - O Clero Como colaboradores do Bispo, compartilhando, portan- to, com o seu múnus, os sacerdotes devem compartilhar também com o mesmo dever de santidade. O povo de Deus espera a santidade dos nossos padres. Só assim eles serão realmente "ministros de Cristo e dis- pensadores dos mistérios de Deus" (1 Cor 4,1). "Em seu modo de viver, os clérigos são obrigados porpeculiar razão a procurar a santidade, já que, consagra-dos a Deus por novo título na recepção da ordem, são dis-pensadores dos mistérios de Deus a serviço do povo ... " (cânon 276, §l e 2). 1.2 - Vocações Sacerdotais "O Administrador Apostólico, com a aprovação da Santa Sé, poderá ter seu próprio Seminário, para que sejam prepa-

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