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GASOLINA AUTOMOTIVA7 - ESPECIFICAÇÕES. MÉTODOS DE ANÁLISE E SEU SIGNIFICADOA qualidade de um produto pode ser definida em ...
GASOLINA AUTOMOTIVA      Tabela de Especificação      Segundo o regulamento técnico ANP n°05 de 2001.                     ...
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GASOLINA AUTOMOTIVA7.1 - ÁlcoolEste tópico é abordado com detalhes no item 6.9.7.2 - CorEsta propriedade já teve importânc...
GASOLINA AUTOMOTIVAA especificação da gasolina assinala as temperaturas máximas nas quais 10%,50% e 90%do combustível deve...
GASOLINA AUTOMOTIVAA temperatura correspondente aos 90% evaporados e ao ponto final de ebulição: assimcomo a porcentagem d...
GASOLINA AUTOMOTIVAAlém dos inconvenientes citados, uma temperatura de 90% evaporados muito altaprovocará depósitos excess...
GASOLINA AUTOMOTIVAA ação do ar e do calor faz com que a gasolina sofra reações de oxidação e polimerizaçãoformando goma, ...
GASOLINA AUTOMOTIVAEsse relacionamento varia de um tipo de motor para outro e pode mesmo ser diferentepara motores de uma ...
GASOLINA AUTOMOTIVAA estrutura química dos hidrocarbonetos do combustível tem enorme influência natendência a causar deton...
GASOLINA AUTOMOTIVAA sensibilidade depende da natureza do petróleo e do tipo de processo de refinação, ouseja, dos tipos d...
GASOLINA AUTOMOTIVA7.8 - Período de induçãoPara verificar a tendência à formação de goma durante a armazenagem, isto é, ae...
GASOLINA AUTOMOTIVAA amostragem e o manuseio da amostra devem ser feitos com cuidados especiais no casodo ensaio de pressã...
GASOLINA AUTOMOTIVANo Brasil, a adição de álcool (etanol) anidro à gasolina é feita há muitos anos. Atualmente,usa-se 25% ...
GASOLINA AUTOMOTIVA- A proporção ideal de álcool nas misturas é de 15% em volume, conforme estudostécnicos realizados em v...
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Gasolina automotiva

  1. 1. GASOLINA AUTOMOTIVA1 - INTRODUÇÃOAs gasolinas automotivas são os combustíveis usados nos motores de combustão internacom ignição por centelha, isto é, que operam segundo o ciclo Otto. São constituídas porhidrocarbonetos derivados do petróleo e podem conter aditivos selecionados que conferemimportantes características específicas à gasolina oriundas das refinarias.As propriedades das gasolinas comerciais são influenciadas pelos processos de refinaçãoutilizados e também pela natureza dos petróleos que as originaram. As gasolinasmodernas são bastante complexas porque a mistura final para venda é composta porvárias frações de composição química variável.2 - NATUREZA E COMPOSIÇÃOA gasolina automotiva é uma mistura complexa de hidrocarbonetos variando de quatro adoze átomos de carbono e tendo pontos de ebulição entre 30 e 225°C. A faixa dedestilação da gasolina tem sofrido modificação com a evolução da indústria petrolífera edos motores de combustão interna. No Brasil, tipicamente, ela varia de 30 a 220°C.Os hidrocarbonetos componentes da gasolina são membros das séries parafínica,olefínica, naftênica e aromática, e suas proporções relativas dependem dos petróleos eprocessos de produção utilizados. Atualmente, as gasolinas que saem das refinariasdotadas de vários processos de refino, são constituídas de misturas criteriosamentebalanceadas desses hidrocarbonetos, visando atender aos requisitos de desempenho nosmotores.Uma gasolina para consumo é constituída pela mistura de dois, três ou mais componentesobtidos nesses diferentes processos de refino, podendo ainda receber a adição de outroscompostos como o tolueno ou xileno, etanol, além de outros aditivos especiais comfinalidades específicas, entre os quais podemos citar antioxidantes, antidetonantes,detergentes, anticongelantes, desativadores de metal, corantes, etc.Com o agravamento da poluição causada pelos gases de escape dos veículos, a partir dadécada de 1970 foram intensificados os esforços, em todo o mundo, para diminuí-los. Asentidades governamentais de proteção ao meio ambiente estabeleceram limites para aemissão dos principais poluentes: o CO (monóxido de carbono), os HC (hidrocarbonetosnão queimados) e os NOx (óxidos de nitrogênio).Essas limitações, cada vez mais severas, obrigaram os fabricantes de veículos aaprimorarem os projetos de seus motores e a lançarem mão de dispositivos especiais, osconversores catalíticos, para reduzir os poluentes. Isso trouxe, como conseqüência, aeliminação dos derivados de chumbo da gasolina, já que esse metal envenena oscatalisadores utiIizados. A composição da gasolina sofreu novas alterações, já que erapreciso manter a octanagem elevada sem usar CTE ou CTM (chumbotetraetila ouchumbotetrametila). 1
  2. 2. GASOLINA AUTOMOTIVACom a necessidade de reduzir ainda mais a poluição ambiental causada por veículos, foiestabelecido em 1986 o PROCONVE - Programa Nacional para Controle da Poluiçãocausada por Veículos, com o objetivo de reduzir a poluição em grandes cidades,promovendo o desenvolvimento tecnológico dos veículos e a melhoria da qualidade doscombustíveis.3 - OBTENÇÃOVários processos podem ser usados para obter a gasolina a partir do petróleo: Osprocessos de refino sofreram uma contínua evolução simultaneamente com o progressodos motores; à medida que o projeto dos mesmos sofria modificações, principalmente comrelação a sua taxa de compressão, visando maior potência, os refinadores aperfeiçoavamos processos de fabricação da gasolina a fim de satisfazer os requisitos de qualidade damesma, que se tornavam cada vez mais exigentes. Ao mesmo tempo, o maior consumo degasolina levou ao desenvolvimento de processos permitindo maiores rendimentos. Essasmetas levaram ao estado atual da indústria do refino do petróleo, constituindo uma dasmais eficientes e complexas tecnologias.Os principais processos usados para a produção de gasolina são:3.1 - DestilaçãoO petróleo aquecido a 350°C - 400°C é bombeado para uma torre de fracionamento onde,a pressão atmosférica, é separado em várias frações: gasolina de destilação direta ouprimária, querosene, aguarrás, óleo diesel, gasóleo e cru reduzido (1).(1) Há os que preferem adotar a designação genérica de naftas para as frações maisleves que os gasóleos, reservando o termo gasolina. Por exemplo, para o produto final(acabado).Tanto a quantidade como a composição de hidrocarbonetos da gasolina primáriadependem do tipo de petróleo destilado. Assim sendo, estas gasolinas diferem bastanteem suas propriedades, como densidade, características de vaporização, poderantidetonante, etc. Ela é usada como um dos componentes da gasolina final.3.2 - Recuperação de gasolina naturalO gás proveniente dos poços petrolíferos arrasta uma certa quantidade de hidrocarbonetosda faixa da gasolina. Estes hidrocarbonetos constituem a gasolina natural que pode serrecuperada por vários processos como compressão seguida de resfriamento econdensação, ou absorção em frações mais pesadas chamadas óleo de absorção que,depois de enriquecidas a gasolina natural, são submetidas a uma destilação, usando-sevapor de arraste para separar a gasolina do óleo de absorção. 2
  3. 3. GASOLINA AUTOMOTIVAA gasolina natural é altamente volátil por ser constituída de hidrocarbonetos muito leves eo seu poder antidetonante não é dos melhores, já que; contém grande quantidade dehidrocarbonetos parafínicos de cadeia linear. Por estes motivos, sua inclusão na gasolinafinal é feita em quantidade limitada.3.3 - CraqueamentoEste processo consiste em provocar a ruptura ou quebra das moléculas dehidrocarbonetos de alto ponto de ebulição, para produzir outros de menor ponto deebulição na faixa da gasolina. Pode-se utilizar o processo térmico ou catalítico.O uso do craqueamento térmico, visando obter maior volume de gasolina, data de 1913 erapidamente se expandiu. As frações mais pesadas são submetidas a temperaturaselevadas, sob pressão e durante um determinado tempo. Vários são os processos usadose as condições de operação variam com os mesmos. São empregadas temperaturas até538°C (1000°F) e pressões da ordem de 24,5 a 70 kgf/cm2 (350 - 1000 psi). No processode craqueamento também se formam gases leves e coque.O craqueamento catalítico, usado modernamente, permite o uso de pressões mais baixas.Os catalisadores empregados são vários, como argilas naturais ou compostos sintéticoscontendo sílica.O catalisador pode ser usado em forma de grânulos, pérolas etc, ou finamente dividido,comportando-se como um fluido - (craqueamento fluido). O depósito de carbono formadona superfície do catalisador durante o craqueamento é queimado, regenerando-se destaforma o catalisador. Deste modo, a operação é contínua.A gasolina de craqueamento catalítico constitui um excelente componente para a misturafinal, pois tem elevado índice de octano. Os hidrocarbonetos parafínicos e naftênicos dacarga de alimentação, de baixa octanagem, são convertidos em sua maioria, em olefinas,e aromáticos de alto índice de octano. Assim, o craqueamento além de aumentar aprodução de gasolina, serve como processo para melhorar a octanagem da mesma.3.4 - HidrocraqueamentoConsiste em craquear em presença de hidrogênio e de um catalisador.Este processo aumenta a flexibilidade dos refinadores permitindo operar uma grandevariedade de cargas como gasóleos virgens, óleos de reciclagem, gasóleos decraqueamento, etc.As frações produzidas no hidrocraqueamento são muito estáveis; entretanto, se elas foremconstituir parte substancial da gasolina final, deverão ser submetidas aos processo dereformação para melhorar o índice de octano, porque elas não possuem as olefinas de altaoctanagem que estão presentes nos produtos oriundos do craqueamento catalítico. 3
  4. 4. GASOLINA AUTOMOTIVA .3.5 - ReformaTodos os processos de reforma têm a mesma finalidade - converter, frações dehidrocarbonetos de baixa octanagem da faixa da gasolina em frações de octanagemelevada.Normalmente, as cargas das unidades de reforma são destilados primários de faixa 93 a204°C (200 a 400°F), pois as frações mais leves não são adequadas.A reforma térmica (não catalítica), que foi quase totalmente substituída pela reformacatalítica, usa equipamento e condições de operação semelhantes às do craqueamentotérmico. A melhoria de octanagem advém, principalmente, do craqueamento das parafinaspesadas de baixa octanagem, formando parafinas e olefinas mais leves de elevadaoctanagem. Somente cerca de 80% da carga, em volume, são recuperados como gasolina,porque nas reações produz-se substancial quantidade de gases.Na reforma catalítica entretanto, as reações de melhoria de octanagem incluem rearranjosmoleculares, bem como, ruptura de moléculas. Dependendo do catalisador utilizado e dascondições de operação, as seguintes reações ocorrem:- os naftênicos perdem hidrogênio para transformarem-se nos aromáticoscorrespondentes, que apresentam uma octanagem mais alta;- as parafinas de cadeia normal sofrem rearranjos para dar seus isômeros de cadeiaramificada;- as parafinas pesadas de baixo índice de octano são hidrocraqueadas para dar parafinasmais leves de maior octanagem;- as parafinas pesadas perdem hidrogênio e formam anéis para transformarem-se emaromáticos de elevada octanagem.Uma parte do hidrogênio liberado por estas reações é reciclada através de uma unidadede reforma para minimizar a deposição de carbono sobre o catalisador. Este hidrogênioreage, também, com os compostos de enxofre, formando gás sulfídrico que é facilmenteremovido. A maioria dos catalisadores de reforma consiste de platina ou platina e rêniosobre um suporte, como a alumina ou sílica-alumina.3.6 - Alquilação ou alcoilaçãoEm contraposição, a alquilação produz hidrocarbonetos de cadeia maior partindo de outrosmenores, isto é, produz líquidos na faixa da gasolina, partindo de gases de refinaria. É umprocesso caro, mas o produto final alquilado tem excelentes características antidetonantes.Foi muito usada durante a Segunda Guerra Mundial, para produzir gasolina de aviação dealta octanagem. Ao terminar a guerra, com a diminuição da demanda de gasolina deaviação, as unidades de alquilação passaram a fornecer componentes de alta octanagempara as gasolinas automotivas. 4
  5. 5. GASOLINA AUTOMOTIVAO processo de alquilação usa como catalisador o ácido sulfúrico ou o ácido fluorídrico. Areação consiste em combinar um gás olefínico com um gás parafínico para produzirhidrocarbonetos líquidos parafínicos de cadeia ramificada. A temperatura é baixa, daordem de 0° a 38°C (32 a 100°F), e a pressão moderada - atmosférica a 10,5 kgf/cm2(atmosférica a 150 psi).Usa-se o isobutano como gás parafínico e a carga olefínica preferida consiste de buteno,embora se possa usar o propeno e os pentenos. A reação do isobutano com os butenosproduz, principalmente, os octanos ramificados. Quando se usa o propeno como gásolefínico, o produto final consiste, principalmente, de heptanos ramificados. O produto dealquilação tem alto índice de octano: 95 sem álcool e 106/107 com álcool.(RON).3.7 - PolimerizaçãoDe modo semelhante à alquilação, a polimerização é um processo para fazer gasolinapartindo de gases de refinaria. Mas, na polimerização, somente reagem os gasesolefínicos, ligando suas moléculas para formar líquidos olefínicos. Os gases parafínicos dealimentação passam através do processo sem se alterarem. Uma polimerização típica é ade duas moléculas de isobuteno combinando-se para formar uma molécula de octeno decadeia ramificada.Nos processos de polimerização para produzir componentes de gasolinas automotivas, osgases de refinaria ricos em propeno e butenos são submetidos a temperaturas de 149 a232°C (300 a 450° F) e pressões de 10,5 a 84 kgf/cm2 (150 a 1200 psi), em presença deum catalísador, em geral o ácido fosfórico.3.8 - IsomerizaçãoEste processo converte hidrocarbonetos de cadeia linear em seus isômeros de cadeiaramificada. O composto sofre uma reestruturação sem modificar seu peso molecular.Assim, o heptano normal que tem um índice de octano zero (um dos padrões na escala deíndice de octano) pode ser isomerizado dando uma mistura de isoheptanos, alguns dosquais possui em índice de octano superior a 100.Na prática, as refinarias usam em ampla escala a conversão do butano normal aisobutano, que é utilizado como carga de alimentação na alquilação. A isomerizaçãotambém é usada para melhorar a qualidade da gasolina natural e das frações leves dagasolina de destilação direta, convertendo o pentano normal e hexano normal aisopentanos e isohexanos.Os catalisadores de isomerização incluem o cloreto de alumínio, cloreto de antimônio,platina e outros metais e compostos metálicos. As condições da reação variam de acordocom o catalisador usado e com o tipo de carga de alimentação processada. A variaçãousual é de 38 a 482°C (100 a 900OF) e 7 a 52 kgf/cm2 (100 a 750 psi). As fraçõesisomerizadas possuem excelente poder antidetonante e sua octanagem é da ordem de 93a 107 (RON) 5
  6. 6. GASOLINA AUTOMOTIVASendo a gasolina final constituída pela mistura das gasolinas (naftas) obtidas nos váriosprocessos,de produção, sua composição dependerá das proporções em que estesconstituintes entram.4 - TIPOSCom base no seu índice de octano, as gasolinas automotivas têm sido classificadas, demodo geral, em dois tipos - regular e prêmio. No Brasil, A ANP especifica dois tipos degasolina - tipo A (sem álcool) e tipo C (com álcool), em regular e Premium.5 - UTILIZAÇÃOAs gasolinas automotivas são usadas como combustível para o motores de combustãointerna com ignição por centelha. O seu maior emprego é em carros de passageiros,caminhões de carga e veículos utilitários; entretanto são muito usadas em equipamentosagrícolas, motores marítimos de dois e quatro tempos, motores a explosão fixos terrestrese outros motores empregados em diversas outras aplicações.Ainda com relação à segurança, convém lembrar que a gasolina emite vapores inflamáveismesmo a temperatura ambiente. Seu ponto de fulgor é de -43°C e os seus limites deexplosividade são 1,4% a 7.6% em volume. Abaixo de 1,4% a mistura é dita pobre e acimade 7,6% é chamada rica, não oferecendo perigo de inflamação.6 - CARACTERÍSTICAS E REQUISITOS DE DESEMPENHOOs principais requisitos a que deve atender uma gasolina para assegurar um desempenhosatisfatório no motor são os seguintes:- Partida rápida e fácil em qualquer clima, facilidade de partida a frio. - Aquecimento rápidodo motor.- Boas características de aceleração.- Menor tendência a causar tamponamento (vapor lock) em tempo quente.Essas características relacionam-se com os ensaios de destilação e pressão de vapor.- Ausência de frações pesadas, a fim de evitar diluição do óleo do cárter, característicarelacionada com o ensaio de destilação e em alguns casos, com o ensaio de goma. .- Boas características antidetonantes, o que proporciona um máximo de potência com ummínimo de consumo - propriedade relacionada com o índice de octano .- Ausência de goma e menor tendência a produzi-Ia quando em armazenamento -características relacionadas, respectivamente, com os ensaios de goma e período deindução.- Ausência de compostos corrosivos de enxofre - característica relacionada com osensaios de corrosividade e teor de enxofre. 6
  7. 7. GASOLINA AUTOMOTIVA7 - ESPECIFICAÇÕES. MÉTODOS DE ANÁLISE E SEU SIGNIFICADOA qualidade de um produto pode ser definida em termos de adequabilidade paradeterminada aplicação. O controle de qualidade é feito por intermédio de análises eensaios apropriados. Estes ensaios devem ser relativamente simples e ter boa precisão ereprodutibilidade.Geralmente, o usuário ou consumidor julga a qualidade de um produto pelo seudesempenho em função do custo.Para garantir a qualidade do produto e um desempenho satisfatório a que se destina, e auniformidade de fabricação, são estabelecidas as especificações. Uma especificaçãoeficiente pode ser definida como aquela que dá um controle adequado da qualidade doproduto, sem ser demasiadamente restritiva e ao mesmo tempo envolvendo um mínimo deesforço para testá-la.A especificação brasileira para a gasolina automotiva é estabelecida,atualmente, pelaportaria ANP n° 309 de 27 de dezembro de 2001.A seguir veremos, com maior detalhe, o significado das várias característicasespecificadas: 7
  8. 8. GASOLINA AUTOMOTIVA Tabela de Especificação Segundo o regulamento técnico ANP n°05 de 2001. ESPECIFICAÇÃO MÉTODO CARACTERÍSTICA UNIDADE Gasolina Comum Gasolina Premium Tipo A Tipo C Tipo A Tipo C ABNT ASTMCor - (1) (2) (1) (2) visual (3)Aspecto - (4) (4) (4) (4)Álcool Etílico Anidro %vol 1 máx (5). (6) 1 máx. (5) (6) NBR 13992Combustível - AEACMassa específica a 20ºC Kg/m³ anotar anotar anotar anotar NBR 7148 D 1298 NBR 14065 D 4052Destilação NBR 9619 D 8610% evaporado, máx. ºC 65,0 65,0 65,0 65,050% evaporado, máx. ºC 120,0 80,0 120,0 80,090% evaporado, máx.(7) ºC 190,0 190,0 190,0 190,0PFE, máx. ºC 220,0 220,0 220,0 220,0Resíduo, máx. %vol 2,0 2,0 2,0 2,0Nº de Octano Motor – MON, - (8) (9) 82,0 (9) - - MB 457 D 2700mín.Índice Antidetonante – IAD, - (8) 87,0 (8) 91,0 MB 457 D 2699mín.(10) D 2700Pressão de Vapor a kPa 45,0 a 62,0 69,0 máx. 45,0 a 62,0 69,0 máx. NBR 4149 D 495337,8 ºC (11) NBR 14156 D 5190 D 5191 D 5482Goma Atual Lavada, máx. mg/100 mL 5 5 5 5 NBR 14525 D 381Período de Indução a 100ºC, min (12)(13) 360 (12)(13) 360 NBR 14478 D 525mín.Corrosividade ao Cobre a 50ºC, - 1 1 1 1 NBR 14359 D 1303h, máx.Enxofre, máx. (14) % massa 0,12 0,10 0,12 0,10 NBR 6563 D 1266 NBR 14533 D 2622 D 3120 D 4294 D 5453Benzeno, máx. (14) %vol 1,2 1,0 1,9 1,5 - D 3606 D 5443 D 6277Chumbo, máx. (5) g/L 0,005 0,005 0,005 0,005 - D 3237Aditivos (15) - - - - - - -Hidrocarbonetos: %vol MB 424 D 1319 (14) (16)Aromáticos, máx. (17) 57 45 57 45Olefínicos, máx. (17) 38 30 38 30 8
  9. 9. GASOLINA AUTOMOTIVA(1) De incolor a amarelada, isenta de corante.(2) De incolor a amarelada se isenta de corante cuja utilização é permitida no teor máximode 50 ppm com exceção da cor azul, restrita à gasolina de aviação(3) A visualização será realizada em proveta de vidro, conforme a utilizada no Método NBR7148 ou ASTM D 1298.(4) Límpido e isento de impurezas.(5) Proibida a adição. Deve ser medido quando houver dúvida quanto à ocorrência decontaminação.(6) O AEAC a ser misturado às gasolinas automotivas para produção da gasolina C deveráestar em conformidade com o teor e a especificação estabelecidos pela legislação emvigor.(7) No intuito de coibir eventual presença de contaminantes o valor da temperatura para90% de produto evaporado não poderá ser inferior à 155 ºC para gasolina A e 145°C paragasolina C.(8) A Refinaria, a Central de Matérias-Primas Petroquímicas, o Importador e o Formuladordeverão reportar o valor das octanagem MON e do IAD da mistura de gasolina A, de suaprodução ou importada, com AEAC no teor mínimo estabelecido pela legislação em vigor.(9) Fica permitida a comercialização de gasolina automotiva com MON igual ou superior a80 até 30/06/2002.(10) Índice antidetonante é a média aritmética dos valores das octanagens determinadaspelos métodos MON e RON.(11) Para os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio deJaneiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás eTocantins, bem como para o Distrito Federal, admite-se, nos meses de abril a novembro,um acréscimo de 7,0 kPa ao valor máximo especificado para a Pressão de Vapor.(12) A Refinaria, a Central de Matérias-Primas Petroquímicas, o Importador e o Formuladordeverão reportar o valor do Período de Indução da mistura de gasolina A, de sua produçãoou importada, com AEAC no teor máximo estabelecido pela legislação em vigor.(13) O ensaio do Período de Indução só deve interrompido após 720 minutos, quandoaplicável, em pelo menos 20% das bateladas comercializadas. Neste caso, e seinterrompido antes do final, deverá ser reportado o valor de 720 minutos.(14) Os teores máximos de Enxofre, Benzeno, Hidrocarbonetos Aromáticos eHidrocarbonetos Olefínicos permitidos para a gasolina A referem-se àquela quetransformar-se-á em gasolina C através da adição de 22%±1% de álcool. No caso dealteração legal do teor de álcool na gasolina os teores máximos permitidos para oscomponentes acima referidos serão automaticamente corrigidos proporcionalmente aonovo teor de álcool regulamentado.(15) Utilização permitida conforme legislação em vigor, sendo proibidos os aditivos a basede metais pesados.(16) Fica permitida alternativamente a determinação dos hidrocarbonetos aromáticos eolefínicos por cromatografia gasosa. Em caso de desacordo entre resultados prevalecerãoos valores determinados pelos ensaios MB424 e D1319.(17) Até 30/06/2002 os teores de Hidrocarbonetos Aromáticos e Olefínicos podem serapenas informados. 9
  10. 10. GASOLINA AUTOMOTIVA7.1 - ÁlcoolEste tópico é abordado com detalhes no item 6.9.7.2 - CorEsta propriedade já teve importância maior no passado, quando a cor era indicativa daeficiência do tratamento químico após o processo de refinacão e, até certo ponto, daestabilidade da gasolina. No caso da gasolina tipo A e tipo C, sem aditivo, a cor podevariar de incolor a amarelada. Quando a gasolina é aditivada, ela recebe um corante paradiferencia-lá das demais, podendo apresentar qualquer cor, exceto azul(reservada paragasolina de aviação) e rosa (reservada para a mistura formada pelo metanol, etanol egasolina-MEG). Alterações na cor da gasolina podem ocorrer devido à presença decontaminantes ou devido à oxidação de compostos instáveis nela presentes (olefinas ecompostos nitrogenados)7.3 - CorrosividadeOs produtos de petróleo são freqüentemente usados em contato com metais, sendo assimimportante que estes não sofram corrosão.Certos metais, como o cobre e a prata, são muito sensíveis ao ataque por enxofreelementar ou compostos de enxofre, sendo por este motivo, muito usados para detectar acorrosividade de produtos de petróleo. No caso da gasolina, utiliza-se uma lâmina de cobrerecentemente polida, que é imersa na amostra por três horas à temperatura de 50°C, emcondições padronizadas pelo método NBR 14359. Decorrido o período de ensaio, a lâminaé lavada e comparada com padrões especiais, sendo o resultado expresso em funçãodessa comparação.O ensaio de corrosividade pela lâmina de cobre permite apenas uma avaliação qualitativade enxofre elementar ou de certos compostos agressivos de enxofre. É importante evitar ocontato da lâmina de cobre, durante ou após o ensaio, com água ou com produtos vindosdo tratamento da gasolina como, por exemplo, soda arrastada (nas refinarias), o quepoderá manchar a lâmina, dificultando sua interpretação.7.4 - DestilaçãoO ensaio de destilação, efetuado de acordo com o método NBR9619, propicia uma medidaem termos de volatilidade, das proporções relativas de todos os hidrocarbonetoscomponentes de uma gasolina.Consiste o ensaio em destilar 100 mL de gasolina, condensar o destilado e registrar astemperaturas nas quais as várias porcentagens destilam. 10
  11. 11. GASOLINA AUTOMOTIVAA especificação da gasolina assinala as temperaturas máximas nas quais 10%,50% e 90%do combustível devem estar evaporados sob condições definidas, bem como o ponto finalde ebulição, que é a temperatura máxima observada durante a destilação, e aporcentagem do resíduo. Convém lembrar que o evaporado por cento é a soma dorecuperado por cento e da perda por cento.Estas características da destilação, juntamente com a pressão de vapor definem econtrolam a partida do motor, seu aquecimento, aceleração, tendência ao tamponamento ediluição do óleo do carter e, economia de combustível, bem como a tendência a provocar ocongelamento no carburador, fenômeno que ocorre a baixas temperaturas emdeterminadas condições de umidade.A destilação tem aplicação, também, no que se refere à verificação de contaminaçõesentre produtos de características diferentes, bem como de adulterações propositais.A temperatura de evaporação dos 10% deve ser suficientemente baixa para asseguraruma partida fácil sob condições normais de temperatura ambiente. Geralmente, o pontode 10% deve ser mais baixo no inverno do que no verão. Da volatilidade dos primeiros10% vai depender uma vaporização adequada do produto, a fim de que o motor frio entreem pleno funcionamento com menor número de rotações possível, favorecendo, dessemodo, uma partida fácil e rápida. Entretanto, um ponto de 10% demasiado baixo podecontribuir para o congelamento no carburador e ocasionar o fenômeno do tamponamento(vapor-Iock). Quando duas gasolinas possuem a mesma pressão de vapor, aquela quetem o ponto 10% da destilação mais baixo, usualmente apresenta maior tendência aotamponamento.O excesso de frações leves em uma gasolina favorece a interrupção do fluxo líquido ou otorna descontínuo, podendo provocar a parada do motor ou as falhas conhecidas comoengàsgue. Uma volatilidade exagerada também aumenta as perdas por evaporaçãodurante o armazenamento e manipulação do produto. Por outro lado, quando aporcentagem de frações leves de uma gasolina é baixa, a partida do motor em tempo frioserá mais difícil.O ponto 50% da curva de destilação da gasolina indica a sua capacidade de suprir umamistura adequada de combustível durante o período de aquecimento, particularmentedurante as acelerações nesse período de aquecimento. Quanto mais baixa a temperaturado ponto 50%, mais rapidamente o motor se aquecerá; entretanto, também aumentará atendência ao congelamento no carburador, com a conseqüente possível paralisação domotor. As características de aquecimento rápido são desejáveis tanto para um bomdesempenho do veículo como para evitar o desperdício de combustível. enquanto o. Emresumo, as características de aquecimento e aceleração dependem das fraçõesintermediárias controladas pela temperatura dos 50% evaporados, que, nas gasolinasatuais, se situa em tomo dos 120°C. 11
  12. 12. GASOLINA AUTOMOTIVAA temperatura correspondente aos 90% evaporados e ao ponto final de ebulição: assimcomo a porcentagem do resíduo, indicam a quantidade de componentes da gasolina quepossuem ponto de ebulição relativamente elevados. Com o motor trabalhando natemperatura normal de operação, estes componentes contribuem para uma economia decombustível, mas, por outro lado, eles têm tendência a causar uma distribuição deficienteda mistura no coletor de admissão, bem como a propiciar a diluição do óleo lubrificante nocárter. A diluição do óleo do cárter e a lavagem do óleo lubrificante nas paredes doscilindros ocorrem sempre que a gasolina atinge os cilindros em forma líquida e temoportunidade de fluir para o cárter, passando pelos anéis de segmento. 12
  13. 13. GASOLINA AUTOMOTIVAAlém dos inconvenientes citados, uma temperatura de 90% evaporados muito altaprovocará depósitos excessivos na câmara de combustão, formação de vernizes e borrano motor.7.5 - EnxofreTodos os petróleos contêm compostos de enxofre sob diferentes formas e quantidadesvariáveis, conforme sua origem. Esses compostos são indesejáveis por várias razões:- podem dar odores desagradáveis em alguns produtos;- alguns tipos são corrosivos, atacando os equipamentos de refinação, os tanques dearmazenamento e os motores;- eles são venenos para certos catalisadores usados nos processos de refinação; .- agem como produtos antagônicos em relação aos compostos antidetonantes, reduzindo asua eficiência;- pela combustão formam óxidos de enxofre que vão se constituir em poluentes daatmosfera.Entre os compostos mais prejudiciais encontrados nas gasolinas estão os sulfetos (mono edissulfetos) e os mercaptans. Eles são altamente nocivos à gasolina.Um teor elevado de enxofre na gasolina é sempre indesejável também, porque os óxidosde enxofre podem levar à formação dos ácidos sulfuroso e sulfúrico, devido àcondensação de umidade, o que provocará corrosão no silencioso e na tubulação deescapamento dos gases de exaustão do motor.Nos veículos dotados de catalisador, quando a carga de material catalítico não é adequadaou quando não está devidamente dimensionada, o enxofre pode levar à formação de ácidosulfídrico que é tóxico e apresenta odor desagradável.O teor de enxofre total pode ser determinado pelos métodos NBR 14533 e NBR 6563.7.6 - GomaAs gasolinas modernas contêm em sua composição hidrocarbonetos insaturados quepodem se oxidar em presença do ar. Esta oxidação é muito lenta para certos produtos emais rápida para outros, como os provenientes do craqueamento.Muitas vezes, as gasolinas são armazenadas por tempo relativamente longo e deverãomanter-se estáveis, resistindo a quaisquer modificações tanto durante a permanência notanque de estocagem como no tanque dos veículos, e até chegar aos cilindros do motor. 13
  14. 14. GASOLINA AUTOMOTIVAA ação do ar e do calor faz com que a gasolina sofra reações de oxidação e polimerizaçãoformando goma, material resinoso que, no estágio primário de sua formação, podepermanecer em solução, mas que depois, por novas reações químicas, pode precipitar. Agoma pode apresentar-se como material resinoso sólido ou semi-sólido que, peloaquecimento, pode se converter em uma espécie de verniz. Quando quente, a goma épegajosa e ao esfriar endurece, lembrando um verniz.A formação da goma parece ser o resultado de uma reação em cadeia, iniciada pelaformação de peróxidos e catalisada pela presença de certos metais, particularmente ocobre, que pode entrar em contato com a gasolina durante as operações de refinação emanuseio.A presença da goma acarreta uma série de problemas: defeito no carburador, depósitosna bomba e sistema de alimentação, nas válvulas e guias, no tanque, acúmulo nos filtrosrestringindo o fluxo de combustível e etc. O motor diminui o seu rendimento.A goma é determinada pelo método NBR 14525 que consiste, essencialmente, nadeterminação do resíduo que permanece após a evaporação da amostra com o auxílio deum jato de ar pré-aquecido e lavagem com heptano normal. Após a secagem e pesagem oresíduo é expresso em mg/100 mL. A lavagem com heptano normal é feita para eliminarqualquer produto não volátil como certos aditivos usados na: gasolina. A goma obtida échamada goma lavada.O máximo de goma atual permitido pela especificação é de 5mg/100mL. Certas gasolinascontendo componentes provenientes de craqueamento térmico têm tendência a aumentaro teor de goma’ relativamente rápido se sofrerem a adição de álcool.7.7 - Índice de octanoA qualidade antidetonante de uma gasolina automotiva é de importância fundamental. Seesse poder antidetonante for baixo, ocorre a detonação.O índice de octano de uma gasolina é uma medida da sua qualidade antidetonante oucapacidade de resistir à detonação e é determinado em um motor padrão que consiste,essencialmente, de um motor monocilíndrico, com taxa de compressão variável e que foidesenvolvido pelo Cooperative Fuel Research comitte- CFR.A eficiência e potência de um motor a gasolina dependem das suas características.Odesenho da câmara de combustão, a mistura combustível,o avanço da ignição, a taxa decompressão, a qualidade da centelha, o tipo de válvulas etc. têm influência sobre apotência obtida durante a fase de expansão ou potência.A detonação é um fenômeno de combustão anormal que depende de complexosprocessos físicos e químicos estreitamente interligados com o projeto do motor e ascondições de operação. Não se pode caracterizar, completamente, o desempenhoantidetonante de uma gasolina por intermédio de um ensaio simples. Esse desempenhoestá intimamente relacionado ao motor onde ela é usada e às condições de operação. 14
  15. 15. GASOLINA AUTOMOTIVAEsse relacionamento varia de um tipo de motor para outro e pode mesmo ser diferentepara motores de uma mesma marca e tipo oriundos de uma mesma linha de fabricação,devido a variações normais em uma produção em série.Na combustão normal, a mistura combustível/ar em cada cilindro do motor deve queimarsuave e uniformemente, em seguida à ignição feita pela vela. Mas, às vezes, enquanto afrente de chama varre a câmara de combustão, a porção ainda não queimada decombustível (gás residual) sofre tal aquecimento e compressão que não resiste, sofrendouma autoignição e detonando violentamente. O pistão, em vez de ser empurrado parabaixo de modo uniforme na fase de potência, sofre uma pancada seca instantânea, à qualele não pode responder por estar ligado ao eixo de manivela, que por sua vez está ligado aoutros pistões em fases diferentes do ciclo do motor, na velocidade mantida no momento.A súbita liberação de energia da detonação na área de gás residual provoca flutuações depressão de elevada freqüência através da câmara de combustão, que são registrados peloouvido como um ruído metálico forte chamado detonação ou batida de pino. Energia docombustível que poderia ser convertida em trabalho útil é dissipada sob forma de ondas depressão e aumento de calor radiante para as peças circundantes do motor e; para a águade refrigeração. Além de produzir um som indesejável e desperdiçar energia docombustível, a detonação prolongada superaquece as válvulas, velas e pistões, o que nãosomente encurta sua vida mas também causa a pré-ignição danosa para o motor(igniçãode mistura combustível/ar antes da ignição pela centelha da vela, isto é, muito antes doinício da fase de potência). Acredita-se que a detonação seja o resultado final de reaçõesquímicas que começam na mistura combustível/ar, praticamente logo depois dela seradmitida no cilindro. À medida que a temperatura da mistura é progressivamente elevadapelas paredes quentes do cilindro - pela compressão antes da fase de potência e peloaquecimento adicional pelos gases que queimam após a ignição dada pela vela - algunsdos hidrocarbonetos do combustível sofrem uma série de reações de oxidação ecraqueamento, convertendo-se em compostos instáveis, suscetíveis à autoignição edetonação instantânea. Em resumo, a presença ou ausência de detonação em um motordepende do resultado de uma corrida entre a frente de chama que avança e certasreações de pré-combustão que ocorrem no gás residual. 15
  16. 16. GASOLINA AUTOMOTIVAA estrutura química dos hidrocarbonetos do combustível tem enorme influência natendência a causar detonação. As parafinas de cadeia linear têm menor resistência àdetonação do que as parafinas de cadeia ramificada as olefinas e hidrocarbonetos cíclicos.Os naftênicos (cíclicos saturados) têm maior tendência à detonação do que os aromáticos(cíclicos insaturados)O poder antidetonante de uma gasolina dependerá, fundamentalmente, de suacomposição química. Assim, uma gasolina de destilação direta, rica em hidrocarbonetos decadeia normal e longa (parafínicos) é, em geral, a que possui maior tendência àdetonação, apresentando baixos valores para o índice de octano. Contrariamente,gasolinas provenientes de reforma catalítica (contendo alto teor de aromáticos eisoparafinas), e de craqueamento catalítico ou térmico (contendo elevado teor de olefinas).possuem baixa tendência à detonação e, por conseguinte, altos valores de índice deoctano.Define-se índice de octano de um combustível como sendo a porcentagem, por volume, deisooctano (2,2,4. trimetilpentano) que se deve misturar com heptano normal para se obtera mesma intensidade de detonação que a do combustível. Por convenção, ao isooctano foidado o valor cem e ao heptano normal, o valor zero, dado o seu baixo poder antidetonante.A escala de octanagem foi criada pelo Dr. Graham Edgar, da Ethyl Corporation, em 1926,e possibilitava a avaliação de combustíveis com índices de octano entre zero e cem. Como desenvolvimento de novos processos de refinação e o uso de aditivos químicos paraaumentar a octanagem, mais tarde a escala foi ampliada. para permitir testar combustíveiscom índice de octano maior que cem.Existem vários métodos para determinar as características antídetonantes das gasolinas.Os métodos de laboratório usam motores CFR monocilíndricos, mas o desempenho nosmotores multicilíndricos em veículos é determinado em estrada, com aparelhagemespecial, obtendo-se o chamado índice de octano em estrada (Road Octane Number).Também são usados dinamômetros de chassis, que reproduzem as condições da estradaem laboratórios.A ASTM padronizou vários métodos para determinação do poder antidetonante decombustíveis.No Brasil, o método especificado é o Motor, usando-se o MB-457, correspondente aoASTM O 2700.Nos Estados Unidos e na maioria dos demais países, o método mais usado é o RON,entretanto, normalmente são determinados os dois valores – MON e RON.Os dois métodos diferem nas condições operacionais, sendo o método MON mais severodo que o RON.Sendo mais severo, o método MON, dá resultados mais baixos do que o método RON. Adiferença entre os dois resultados chama-se sensibilidade (S). 16
  17. 17. GASOLINA AUTOMOTIVAA sensibilidade depende da natureza do petróleo e do tipo de processo de refinação, ouseja, dos tipos de hidrocarbonetos presentes. As parafinas têm pouca ou nenhumasensibilidade. As olefinas e aromáticos são bastante sensíveis dando assim umasensibilidade apreciável as gasolinas de craqueamento e reforma. Os combustíveis dereferência, por definição, tem o mesmo índice de octano tanto pelo método RON comopelo método MON. De um modo geral, quando dois combustíveis possuem o mesmoíndice de octano RON, aquele que tem a menor sensibilidade terá o melhor desempenhoantidetonante na estrada.O índice de octano RON é determinado em condições relativamente suaves, isto é,temperatura baixa da mistura e velocidade baixa do motor. É indicativo da operação domotor com aceleração plena e velocidades. baixas ou médias. Na prática, essas condiçõesexistem para os veículos de passageiros durante os períodos de operação com aceleraçãosem forçar.Já o MON representa a operação em condições mais severas, isto é, temperatura alta damistura e velocidades relativamente altas, tal como ocorre quando se acelera ao máximopara efetuar ultrapassagens ou subir rampas, lombadas, etc. Presentemente, não existe um modo totalmente satisfatório de correlacionarmosresultados obtidos nos métodos de laboratório MON e RON, com os obtidos em operaçãona estrada para todos os tipos de veículos.Foram desenvolvidas muitas correlações tentando traduzir os resultados de laboratório emtermos de desempenho na estrada (índice de octano na estrada), mas quando muito, taiscorrelações representam, somente, o resultado médio obtido para um número limitado deveículos, quando operados sob determinadas condições específicas. A ASTM passou ausar uma correlação aproximada à qual chamou de índice antidetonante que é definida,em termos dos resultados obtidos nos métodos MON e RON, assim:Indice-Antidetonante (IOM) = (MON + RON).A especificação brasileira usa o MON determinado no motor CFR. 17
  18. 18. GASOLINA AUTOMOTIVA7.8 - Período de induçãoPara verificar a tendência à formação de goma durante a armazenagem, isto é, aestabilidade à goma, emprega-se o método NBR 14478.Este método provoca o envelhecimento prematuro da gasolina ao submeter-se certaquantidade de amostra à ação de oxigênio, a pressão e temperatura determinadas. Ométodo consiste em oxidar a amostra contida em um recipiente adequado, o qual écarregado com oxigênio até uma pressão de 7,0 Kgf/cm2 e aquecido em banho de água auma temperatura de 100°C.A pressão no interior da bomba é medida continuamente e o tempo decorrido entre o iníciodo teste, a colocação da bomba no banho a 100°C e o ponto em que ocorre uma nítidaqueda de pressão - ponto de quebra - inicia a estabilidade da gasolina, sendo chamado deperíodo de indução.O período de indução é expresso em minutos e a especificação exige que ele seja nomínimo de 360 minutos, para garantir um tempo razoável de armazenagem sem que seforme uma quantidade apreciável de goma.7.9 - Pressão de vaporDe um modo geral, a pressão de ,vapor de um líquido volátil é a pressão exercida pelosvapores do mesmo, em um espaço confinado, ou em outras palavras, é a força porunidade de área, exercida sobre as paredes de um recipiente fechado, pela porçãovaporizada do líquido nele contido. No caso da gasolina, as condições do ensaio devemser cuidadosamente estabelecidas uma vez que a pressão de vapor varia com atemperatura, com a quantidade de ar dissolvido e com a relação de vapor para líquidoexistente no recipiente.A pressão de vapor Reid da gasolina, quando medida a37,8°C(100°F) em bomba tendouma relação de ar para líquido de 4/1, é conhecida como pressão de vapor Reid (PVR).A pressão de vapor Reid é expressa em termos de pressão absoluta em Kgf/cm2.Para os produtos de petróleo, exceto para os hidrocarbonetos puros ou praticamentepuros, a pressão de vapor depende não somente da temperatura, mas também dasconcentrações relativas de cada hidrocarboneto presente. Para as gasolinas, dependeparticularmente das concentrações relativas dos hidrocarbonetos que têm pontos deebulição abaixo de 37,8°C.Considerando que a composição do líquido varia à medida que os componentes maisvoláteis se vaporizam, depreende-se que a pressão de vapor do produto variará com ovolume de espaço livre na aparelhagem. 18
  19. 19. GASOLINA AUTOMOTIVAA amostragem e o manuseio da amostra devem ser feitos com cuidados especiais no casodo ensaio de pressão de vapor, porque senão os resultados serão, mais baixos, devido àevaporação das frações mais leves.O PVR tem grande importância em uma especificação de gasolina, uma vez que estáintimamente relacionada com as características de volatilidade do produto. É importantenas perdas por evaporação, no armazenamento e nos transportes, bem como nomanuseio. Pressões de vapor elevadas e.temperaturas baixas do ponto 10% da curva dedestilação levam à facilidade de partida do motor, entretanto, também aumentam a ten-dência ao tamponamento pelo vapor combustível- vapor lock -durante a operação domotor, aumentando a vaporização no sistema de alimentação do carburador.O método empregado para determinação da PVR é o NBR 4149 ou NBR 14156.8 - ADITIVOSOs aditivos para gasolina são usados para reforçar ou propiciar várias características dedesempenho relacionadas com a operação satisfatória dos motores, bem como tentarminimizar problemas de manuseio e armazenamento. Os aditivos complementam oprocessamento na refinaria, permitindo obter o mais alto nível de desempenho do produto.Existe uma variedade grande de aditivos usados nas gasolinas modernas. No Brasil, esteuso é restrito e apenas alguns distribuidores juntam produtos especiais à gasolina. Nospostos de serviço são encontrados, também, alguns tipos de aditivos, mas o seu uso não étão generalizado como em outros países.9 - MISTURAS COM ÁLCOOL9.1 - HistóricoEm muitos países, principalmente na Europa, fatores de ordem econômica obrigaram, emvárias ocasiões, os governos a adotarem certas medidas no tocante aos carburantes parauso automotivo.De modo geral, as misturas carburantes são baseadas em álcoois como etanol (álcoolanidro) e metanol, ou certos hidrocarbonetos aromáticos, como o xileno, benzeno outolueno.A preferência tem sido para o uso das misturas com etanol, xileno, tolueno e benzeno.Muitos países utilizaram grandes quantidades de álcool anidro e de benzol ou toluolmisturados à gasolina para consumo em motores de combustão interna. Podemos citar aAlemanha, Inglaterra, França, tália, Suécia, Tchecoslováquia, Espanha, Argentina, EstadosUnidos, África do Sul, Austrália etc. 19
  20. 20. GASOLINA AUTOMOTIVANo Brasil, a adição de álcool (etanol) anidro à gasolina é feita há muitos anos. Atualmente,usa-se 25% ± 1% na mistura9.2 - Uso do álcool hidratadoComo o problema de importação de petróleo se tornasse cada vez mais sério; onerando opaís de maneira brutal, foi criado em 1975 um programa chamado Proálcool, em que oBrasil incentivaria o uso do álcool hidratado em veículos com motores projetados parautilizar esse combustível.9.3 - Aspectos técnicosAs vantagens ou desvantagens do uso de misturas gasolina-álcool nos motores decombustão interna têm sido comentadas e discutidas por inúmeros especialistas etécnicos. E farta a literatura existente sobre o assunto e existem duas correntes fortes,uma favorável e outra desfavorável. Mesmo nos Estados Unidos houve adeptos das duasescolas e também os norte-americanos usaram misturas gasolina-álcool e gasolina-benzol.Aceita-se hoje que, em proporções até o máximo de 15% ou 26% de álcool em volume, autilização de misturas de gasolina-álcool traz vantagens apreciáveis. Em verdade, oproblema do uso do álcool anidro é uma questão de preço.Sendo o álcool mais caro etendo usos mais nobres em petroquímica, sua utilização em misturas carburantes vemdiminuindo, ou desaparecendo nos países de indústria petroquímica avançada. Tambémconcorre para isto; o fato de tais países terem processo de refinação que fornecemgasolinas de elevada octanagem, como o craqueamento e reforma catalítica, alquilação,polimerização, isomerização, etc.Os aspectos técnicos mais interessantes de ressaltar na adição de álcool são:- O álcool aumenta a octanagem da gasolina. Esse aumento depende da composição dagasolina e principalmente do nível de octanagem dela. Nos baixos níveis de octanagem, oálcool tem excelente valor de mistura (blending value)- A tolerância das misturas à água é muito baixa. A presença de pequenas quantidades deágua provoca a separação dos dois carburantes. Uma mistura com 5% de álcool separacom apenas 0,1 % de água; uma de 10% de álcool separa com 0,3% de água. A adição debenzol melhora a tolerância a água.- O álcool tem elevado calor latente de vaporização (205 cal/g) comparado com a gasolina(80 cal/g), o que aumenta o resfriamento no motor, influenciando favoravelmente aresistência à detonação.- O álcool é causa de partidas mais difíceis com o motor frio, principalmente em climasfrios. Por outro lado, sendo um produto de ponto de ebulição constante (78,3°C), forma umpatamar na curva de destilação, aumentando a tendência ao tamponamento.- O uso de álcool traz uma economia de dólares por diminuir a importação de cru. Com aatual crise do petróleo e os preços vigentes, esta é uma vantagem importante.- Permite o aproveitamento do excesso de produção de álcool-anidro produzido pelasusinas açucareiras.- A contaminação do álcool com cobre proveniente das colunas de destilação, acarretaproblemas de goma nas misturas com gasolinas ricas em olefinas e diolefinas. 20
  21. 21. GASOLINA AUTOMOTIVA- A proporção ideal de álcool nas misturas é de 15% em volume, conforme estudostécnicos realizados em vários países. -O álcool reduz a poluição ambiental provocada pelas emissões do escapamento dosveículos.Vários estudos realizados tanto no Brasil como no exterior revelaram que as emissões sãomais baixas para o álcool do que para a gasolina. Os norte- americanos e os europeus têmestudado mais o metanol que é mais barato do que o etanol e pode ser produzido a partirde matérias-primas abundantes como o gás natural, o carvão e a madeira.Um cuidadoso estudo efetuado pela Universidade de São Paulo revelou que no caso doetanol a emissão de CO foi 65% menor, a de HC foi 69% menor e a de NOx foi 13%menor. No entanto a emissão de aldeídos aumentou em 400% em relação à gasolina, oque também é motivo de preocupação.A especificação da ANP, atualmente, para a gasolina automotiva prevê uma adição de25% de álcool anidro (etanol), o que melhorava bastante o problema da poluição porveículos nos locais de tráfego intenso como os centros de São Paulo, Rio de Janeiro, BeloHorizonte etc. 21

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