Watchman nee as três atitudes do crente

  • 3,866 views
Uploaded on

 

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
No Downloads

Views

Total Views
3,866
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2

Actions

Shares
Downloads
111
Comments
0
Likes
1

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. Digitalizado por Luis Carlos
  • 2. A EDITORA VIDA é uma missão internacional cujo propósito é prover literatura adequada para evangelizar com as boas novas de Jesus Cristo, fazer discípulos e preparar para o ministério o maior número de pessoas, no menor tempo possível. ISBN 0-8297-1808-7 Categoria: Estudo Bíblico Este livro foi publicado em inglês com o título Sit, Walk, Stand por Kingsway Publications © 1994 por Kingsway Publications © 1995 por Editora Vida Traduzido por Oswaldo RamosTodos os direitos reservados na língua portuguesa por Editora Vida. Av. da Liberdade. 902 São Paulo, SP 01502-001Telefone: (011) 278-5388 — Fax (011) 278-1798As citações bíblicas foram extraídas da Edição.Contemporânea da Tradução de João Ferreira de Almeida, publicada pela Editora Vida.Capa: Missão Evangélica de Comunicação Visual
  • 3. ÍndicePrefácio..........................04Introdução......................0501- Assentar...................0902- Andeis......................2703- Firmes......................56
  • 4. Prefácio As Três Atitudes do Crente é uma reunião de trechos de mensagens de Watchman Nee (Nee To-sheng). Este livro foi publicado primeiramente em Bombaim, e continua a emocionar os corações dos leitores devido à sua mensagem cativante. Embora tenha tido sucessivas edições, o texto original é basicamente o mesmo de quando foi redigido — os gloriosos dias do testemunho evangelístico de Watchman Nee na China, um pouco antes da guerra com o Japão. Naquela época, o autor e seus companheiros cristãos desfrutavam de liberdade no serviço de Deus, algo que viria a tornar-se raro, até hoje. Este livro contém mensagens queexpressam a triunfante certeza e confiança naobra consumada de Cristo, e o sentimentohumilde dos cristãos a respeito das elevadasqualidades que o Senhor exige de seusservos, assuntos que apresentam novarelevância para nós, hoje, quando a obracristã enfrenta provações por toda parte. Que Deus nos dê sua graça não só paraenfrentar os desafios da obra cristã, mas tam-bém para descobrir métodos, enquanto hátempo, de aplicar as lições de Cristo emnossas próprias esferas de oportunidades. Angus I. Kinnear
  • 5. IntroduçãoPara. que a vida de um crente seja agradávela Deus, é preciso que esteja adequadamenteajustada ao Senhor, em todos os sentidos. Émuito freqüente colocarmos toda ênfase,quando nos dedicamos à aplicação desseprincípio, em algum pormenor solitário denosso comportamento ou de nosso trabalhocristão.É por isso que falhamos, com freqüência, aonão conseguir apreciar devidamente toda aextensão do ajustamento requerido peloSenhor, ou às vezes, não descobrirmos oponto por onde deveríamos começar.Entretanto, Deus avalia todas as coisas, doprincípio ao fim, segundo a perfeição de seuFilho. As Escrituras afirmam com clareza quea alegria do Senhor está em "fazer convergirem Cristo todas as coisas... em quem tambémfomos feitos herança" (Efésios 1:9-11). Eis, pois, minha oração fervorosa: Que nas páginas que se seguem, nossos olhos possam ser abertos de modo especial para que consigamos ver que só podemos perceber o propósito divino para nós quando colocamostoda a ênfase nele. Isto também está resumido em Efésios (1:12): "a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo".
  • 6. Como contexto de nossos pensamentos, to-maremos a carta de Paulo aos Efésios.À semelhança de várias das cartas de Paulo,esta se divide de modo natural em duasseções: a doutrinária e a prática. A seçãodoutrinária (capítulos 1 a 3) relaciona-seprincipalmente com os grandes fatos daredenção que Deus executou para nós emCristo. A seção prática (capítulos 4 a 6)prossegue apresentando-nos as exigências,em termos de conduta e zelo cristãos, queDeus impõe sobre nós à luz da redenção.Essas duas seções relacionam-seintimamente, mas veremos que a ênfasedifere em cada seção.A segunda porção da carta, obviamente maisprática, pode ser subdividida para nossaconveniência, de acordo com o assunto, emduas seções: a primeira é longa, indo de 4:1até 6:9, e a segunda bem mais curta, vai de6:10 até o fim. A primeira parte trata de nossavida neste mundo; a segunda, de nossoconflito com o diabo.Assim é que temos, ao todo, três divisões nacarta aos Efésios, as quais estabelecem:(1) a posição do crente em Cristo (1-3:21);(2) a vida do crente neste mundo (4:1-6:9); e(3) a atitude do crente diante do inimigo(6:10-24). Podemos resumir isto da seguintemaneira:EFÉSIOSA. Doutrina (capítulos 1 a 3)1. Nossa posição em Cristo (1:1-3:21)
  • 7. B. Prática (Capítulos 4 a 6)2. Nossa vida no mundo (4:1-6:9)3. Nossa atitude com relação ao inimigo(6:10-24)Dentre todas as cartas de Paulo, Efésios éaquela em que encontramos as mais elevadasverdades espirituais a respeito da vida cristã.A carta é rica de gemas espirituais e, aomesmo tempo, é intensamente prática. Aprimeira metade da carta revela nossa vidaem Cristo como sendo vida de união com Elenos mais elevados reinos celestiais. Asegunda metade da carta nos mostra, emtermos práticos, como tal vida celestial deveser vivida aqui na terra. Não nos propomosestudar a carta em todas as suas minúcias.Entretanto, abordaremos alguns princípiosque fundamentam seu conteúdo, o coração dacarta. Para esse propósito, selecionaremosuma palavra-chave de cada uma de suasseções, a fim de expressar o que acreditamosser sua principal idéia.Na primeira seção da carta notamos a palavraassentar (2:6), a palavra-chave dessa seção, osegredo da verdadeira experiência cristã.Deus nos fez assentar com Cristo nos lugarescelestiais, de modo que todo crente devecomeçar sua vida espiritual ali, nesse lugar derepouso.Na segunda parte, selecionamos a palavraandeis (4:1), a qual exprime nossa vida nestemundo, assunto dessa seção. Somos
  • 8. desafiados aqui a demonstrar nossa condutacristã, nosso comportamento coerente comtão elevada vocação.Finalmente, na terceira seção, encontramos achave de nossa atitude perante nosso inimigo,a qual está contida na palavra firmes (6:11), aqual expressa nosso triunfo final. Assim éque temos, então:1. Nossa posição em Cristo - assentar (2:6)2. Nossa vida no mundo - andeis (4:1)3. Nossa atitude para com o inimigo - firmes(6:11)A vida do crente sempre apresenta estes trêsaspectos: um que se refere a Deus, outro aoser humano e o outro aos poderes satânicos.Se ele quiser ser útil nas mãos de Deus, deveajustar-se de modo adequado com respeito aesses três aspectos: sua posição, sua vida esua guerra. O crente deixa de atender àsexigências de Deus a partir do momento emque subestima a importância de qualquerdesses elementos, pois, cada um delesconstitui um campo no qual Deus expressa"louvor e glória da sua graça, a qual nos deugratuitamente no Amado" (1:6). Tomaremos,pois, essas três palavras — assentar, andeis,firmes — como guias para o ensino total dacarta aos Efésios, e como o texto onde seinsere a mensagem para nossos corações.Verificaremos que será sumamente instrutivoobservar a ordem em que aparecem, bemcomo as conexões que as unem entre si.
  • 9. 1"Assentar"Para que o Deus de nosso Senhor JesusCristo... que manifestou em Cristo,ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, acima detodo principado, e autoridade, e poder, edomínio, e de todo nome que se nomeia, nãosó neste século, mas também no vindouro(1:17-21).E nos ressuscitou juntamente com ele, e nosfez ASSENTAR nas regiões celestiais, emCristo Jesus... pois é pela graça que soissalvos, por meio da fé -e isto não vem de vós,é dom de Deus — não das obras, para queninguém se glorie (2:6-9)."Deus... ressuscitando-o dentre os mortos,fazendo-o sentar-se ... e nos fez ASSENTAR
  • 10. nas regiões celestiais [com] Cristo Jesus".Como dissemos, esta passagem revela osegredo de uma vida celestial. A vida cristãnão começa com o andar; começa com oassentar.A era cristã iniciou-se com Cristo. SobreCristo ficamos sabendo que depois de ter"feito por si mesmo a purificação dos nossospecados, assentou-se à destra da Majestadenas alturas" (Hebreus 1:3). Com a mesma dose de verdade Podemosdizer que o crente inicia sua vida cristã "emCristo", isto é, quando pela fé ele se vê assentado ao lado de Cristo no céu.A maioria dos crentes comete o erro de tentarandar para tornar-se capaz de assentar-se, oque contraria a verdadeira ordem. Nossoraciocínio natural nos pergunta: se nãoandamos, de que modo vamos atingir o alvo?Que é que vamos conseguir sem esforço?Como chegaremos a qualquer destino se nãonos movemos? Todavia, a vida cristã éengraçada! Se logo de inicio tentamos fazeralguma coisa, nada obtemos; se procuramosatingir algo, perdemos tudo. É que ocristianismo não começa com um grandeFAÇA, mas com um grandioso JÁ FOIFEITO. Assim é que Efésios se inicia com adeclaração de que Deus "nos abençoou comtodas as bênçãos espirituais nas regiõescelestiais em Cristo" (1:3), e somos
  • 11. convidados, logo de início, a assentar-nos eusufruir de tudo quanto Deus já fez por nós. Não devemos lançar-nos e tentar conseguiras coisas por nós mesmos.Andar implica esforço, mas Deus nos diz que somos salvos não pelas obras, mas "pelagraça... por meio da fé" (2:8). Estamosconstantemente falando de "salvação pela fé", mas quequeremos dizer com isso? Queremos dizer oseguinte: Que somos salvos quandorepousamos em Jesus Cristo. Nada fizemos,absolutamente, para salvar-nos a nósmesmos; apenas depositamos no Senhor ofardo de nossas almas sobrecarregadas depecado. Iniciamos nossa vida cristã, nãodependendo de nós mesmos, de algo quefazemos, mas na dependência do que Cristojá fez. Enquanto a pessoa não proceder assim,não é um cristão.Se alguém disser: "Nada posso fazer a fim desalvar-me; mas pela sua graça Deus já feztudo para mim, em Cristo", terá dado oprimeiro passo na vida de fé. A vida cristã, doinício até o fim, baseia-se no princípio danossa total dependência do Senhor Jesus. Nãohá limite para a graça que Deus desejaderramar sobre nós. Ele quer dar-nos tudo,mas nada poderemos receber, a não ser quedescansemos nele. Assentar é uma atitude dedescanso. Algo foi terminado; o trabalho é
  • 12. paralisado, e nós nos assentamos. Éparadoxal, mas verdadeiro: nós só avançamosna vida cristã se aprendermos em primeirolugar a assentar-nos.Que significa de fato assentar-nos? Quandocaminhamos ou ficamos de pé, suportamosem nossas pernas todo o peso de. nossocorpo, mas quando nos assentamos, todonosso peso descansa sobre a cadeira, ou osofá em que nos sentamos. Nós nos cansamosdepois de caminhar, ou ficar de pé, massentimo-nos repousados se nos sentarmosdurante algum tempo. Caminhando ouficando de pé, despendemos muita energia,mas quando nos sentamos, nós relaxamoscompletamente, visto que o peso não recaisobre nossos músculos e nervos, mas sobrealgo fora de nós mesmos. Assim ocorretambém no reino espiritual: Assentarmo-nosequivale a depositar nosso peso total — anossa pessoa, nosso futuro, nossas aflições,tudo — sobre o Senhor. Deixamos que Eleassuma a responsabilidade e descansamos;deixamos de carregar aquele fardo.Essa foi a norma de Deus, desde o início. Nacriação, Deus trabalhou desde o primeiro diaaté o sexto, e descansou no sétimo. Podemosdizer, sem faltar à verdade, que o Senhortrabalhou, esteve muito ocupado, duranteaqueles primeiros seis dias. A seguir, tendoterminado a obra, Ele parou de trabalhar. O
  • 13. sétimo dia tornou-se o dia de descanso doSenhor; foi o repouso do Senhor. Mas que diremos de Adão? Qual teria sidosua posição em relação ao descanso de Deus?Ficamos sabendo que Adão foi criado nosexto dia. Fica bem claro, então, que Adãonada teve que ver com os primeiros seis diasde trabalho, visto que ele só veio a existir nofim da obra. O sétimo dia de Deus foi, naverdade, o primeiro dia de Adão.Deus trabalhou seis dias e depois dissousufruiu seu descanso. Adão iniciou sua vidacom o descanso; Deus trabalhou antes dedescansar, mas o homem precisa primeiroentrar no descanso de Deus, e só depois dissoé que pode trabalhar. Além do mais, sóporque a obra de Deus na criação estavaterminada é que a vida de Adão poderiainiciar-se com o repouso. E aqui temos oevangelho: Deus caminhou um pouco mais ecompletou também a obra de redenção, e nósnada podemos (nem precisamos) fazer paramerecê-la, mas podemos pela fé receber asbênçãos de sua obra terminada.É claro que nós sabemos que entre esses doisfatos históricos, entre o repouso de Deus nacriação e o repouso de Deus na redenção, estátoda a história trágica do pecado e julgamentode Adão, e do labor incessante e improdutivodo homem, e da vinda do Filho de Deus, como objetivo de trabalhar duramente e entregar-
  • 14. se por nós, até que nossa posição perdidafosse recuperada."Meu pai trabalha até agora, e eu trabalhotambém", explicou o Senhor, durante seuministério. Só depois de pago o preço daexpiação, poderia Jesus dizer: "Estáconsumado".A analogia que estamos traçando só éverdadeira, entretanto, por causa desseclamor de triunfo. O cristianismo na verdadesignifica que Deus fez tudo em Cristo, e quenós apenas penetramos nessa realidade parausufruí-la, mediante a fé. A palavra-chaveaqui não é, evidentemente, no contexto, aordem para que nos "assentemos", mas quenos vejamos "assentados" em Cristo.Paulo ora para que os olhos de nossoentendimento sejam iluminados (1:18), a fimde compreendermos tudo a respeito dessefato duplo: Que Deus, pelo seu infinito poder,primeiro fê-lo (a Cristo) "sentar-se à suadireita nos céus" (1:20) e, depois, pela suagraça, "nos fez assentar nas regiões celestiais,em Cristo Jesus" (2:6). A primeira lição quedevemos aprender, portanto, é esta: Que otrabalho não é inicialmente nosso, mas doSenhor.Não se trata de nós trabalharmos para Deus,mas de Deus trabalhar para nós. Deus nos dánossa posição de repouso. Ele nos traz a obraterminada de seu Filho e no-la apresenta,dizendo: "Por favor, sente-se". Penso que a
  • 15. oferta de Deus a nós não pode ser expressa demelhor forma do que nas palavras do convitepara o grandioso banquete: "Vinde, pois tudojá está pronto" (Lucas 14:17). Nossa vidacristã inicia -se com a descoberta das coisasque Deus já havia providenciado para nós.A EXTENSÃO DA OBRA DE DEUS TERMINADAA partir deste ponto, a experiência cristãcontinua da forma como iniciou, não combase em nosso próprio trabalho, mas semprebaseada na obra concluída de Cristo. Todasas novas experiências espirituais se iniciamcom a aceitarão pela fé da obra realizada porDeus — se você preferir, com um novo"assentar-se". Este é um princípio da vida,algo que o próprio Deus determinou; e doprincípio ao fim, cada estágio sucessivo davida cristã obedece ao mesmo princípioestipulado por Deus.Como posso eu receber o poder do Espírito,para o serviço? Devo pôr-me a trabalhar eesforçar-me a fim de recebê-lo? Devoimplorar a Deus que me conceda? Devoafligir minha alma com jejuns e autonegaçõesa fim de merecê-lo? Jamais! Não é esse oensino das Escrituras. Pense um pouco:Como foi que recebemos o perdão de nossospecados? Diz-nos Paulo que foi "segundo asriquezas da sua graça" que Ele "nos deu
  • 16. gratuitamente no Amado" (1:6-7). Nadafizemos para merecê-lo. Fomos redimidospelo sangue de Cristo, ou seja, temosredenção pelo que o Senhor fez.Qual é, então, o critério de Deus para oderramamento de seu Espírito? É a exaltaçãodo Senhor Jesus (Atos 2:33). Porque Cristomorreu na cruz, meus pecados foramperdoados; porque Ele foi exaltado ecolocado no trono, recebo poder do alto. Nemuma nem outra dádiva dependem do que eusou, nem do que eu faço. Jamais mereci operdão, e jamais mereci o dom do Espírito.Recebo tudo, não mediante o andar, masmediante o assentar, não pelo que eu faço,mas porque eu descanso no Senhor. Daí seconclui que assim como não há necessidadede esperar pela experiência inicial dasalvação, tampouco há necessidade deesperar o derramamento do Espírito.Permita-me assegurar-lhe que você nãoprecisa implorar a Deus essa dádiva, vocênão precisa agonizar, nem engajar-se em"reuniões demoradas de espera". Essa dádivalhe pertence não por causa de algo que vocêtenha feito, mas por causa da exaltação deCristo, pois "tendo nele crido, fostes seladoscom o Espírito Santo da promessa". Este selo,tanto quanto o perdão de pecados, já vemembutido no "evangelho da vossa salvação"(1:13).
  • 17. Vamos ainda considerar outro assunto, algoque constitui um tema especial de Efésios: Deque forma nos tornamos membros de Cristo?Que é que faz que sejamos dignos de nostornarmos parte daquele Corpo de que Paulofala, como sendo "a plenitude daquele queenche tudo em todos" (1:23)? É certo quejamais chegaríamos a tal ponto andando. Nãome uno ao Senhor mediante meus própriosesforços. "Há um só corpo e um só Espírito,como também fostes chamados em uma sóesperança da vossa vocação" (4:4).Efésios estabelece a realidade. Esta começaem Jesus Cristo, e com o fato de que Deusnos escolheu nele antes da fundação domundo (1:4). Quando o Espírito Santo nosrevela Cristo e nós cremos nele,imediatamente, sem que haja necessidade dequalquer ato de nossa parte, inicia-se umavida de união com o Senhor.Todavia, se todas essas coisas se tornamnossas apenas pela fé, que diremos a respeitoda questão importantíssima e muito prática denossa santificação? De que forma podemosconhecer a libertação real, agora, daescravidão do Pecado? De que modo o "velhohomem", que nos Perseguiu e nos perturboudurante tantos anos. Pode ser "crucificado",deslocado e descartado? Novamentedescobrimos que o segredo não está emandar, mas em assentar-nos; não em fazer
  • 18. algo, mas em descansar em algo que já foifeito."Estamos mortos para o pecado". "Fomosbatizados na sua morte". "Fomos sepultadoscom ele". [Deus] "nos ressuscitou juntamentecom Cristo" (Romanos 6:2,3,4; Efésios 2:5).Todos esses acontecimentos estão descritosno passado. Por quê? Porque o Senhor Jesusfoi crucificado fora de Jerusalém há quase2.000 anos, e eu fui crucificado com ele. Eiso grandioso fato histórico. A experiência deCristo tornou-se minha história espiritual, eDeus pode referir-se a mim como tendo eu játodas as coisas "nele".Tudo quanto eu tenho agora, eu o tenho "emCristo". Nas Escrituras nós nuncaencontramos estes fatos descritos no futuro, etampouco como sendo desejadas no presente.São fatos históricos de Cristo, e nós, os quecremos, penetramos neles pela fé. "Com Cristo" — crucificados, mortos,ressurretos, assentados nas regiões celestiais.Para mente humana, todas.estas idéias são tãoenigmáticas quanto aquelas palavras de Jesus,dirigidas a Nicodemos, em João 3:3. Ali aquestão era como nascer de novo. Aqui, trata-se de algo mais improvável ainda: algo quenão só deve realizar-se em nós, como o novonascimento, mas que deve ser visto e aceitocomo pertencente a nós, porque já se realizouem alguém, em Cristo, há muito.
  • 19. Como podem essas coisas todas ser assim?Que milagre é esse? Não podemos explicá-lo.Devemos recebê-lo da parte de Deus comoalgo que o Senhor mesmo fez. Nós nãonascemos com Cristo, mas fomoscrucificados com ele (Gálatas 2:20). Portanto,nossa união com Cristo teve início em suamorte. Deus nos incluiu em Cristo, na mortede cruz. Estávamos "com Ele" porqueestávamos "nele".Mas como posso ter certeza de que estou "emCristo"? Posso ter certeza porque a Bíbliaafirma que assim é, e que foi Deus quem mepôs nele. "Vós sois dele [de Deus] em JesusCristo" (1 Coríntios 1:30). "Aquele que nosconfirma convosco em Cristo... é Deus" (2Coríntios 1:21). Trata-se de algo realizadopor Deus, em sua soberana sabedoria, paraser visto, crido, aceito e usufruído por nós.Se eu colocar uma nota de um real entre aspáginas de uma revista, e em seguida, se euqueimar essa revista, onde foi parar a nota deum real? Recebeu o mesmo destino da revista— transformou-se em cinzas. Aonde vai um,vai o outro. A história de ambos tornou-seuma só. Da mesma forma, efetivamente Deusnos colocou em Cristo. O que aconteceu aCristo, aconteceu a nós também. Todas asexperiências de Cristo tornaram-se nossasexperiências também, em Cristo. "O nossovelho homem foi com ele crucificado, para
  • 20. que o corpo do pecado seja desfeito, a fim denão servirmos mais ao pecado" (Romanos 6:6).Esta não é uma exortação para que lutemos.Tudo isto é história: Nossa história foi escritaem Cristo antes que houvéssemos nascido.Você crê nesta realidade? É a verdade! Nossacrucificação com Cristo é um glorioso fatohistórico. Nossa libertação do pecadobaseia-se não naquilo que podemos fazer,nem naquilo que Deus vai fazer Por nós, masnaquilo que Ele já fez por nós em Cristo.Quando este fato penetra em nossaconsciência e nós repousamos nele(Romanos 6:11), temos descoberto o segredoda vida santificada. Mas a verdade é queconhecemos muito pouco a respeito dessarealidade, em nossa própria experiência.Considere este exemplo. Se alguém fizeruma observação mordaz a seu respeito, e emsua presença, como você enfrenta a situação?Você aperta os lábios, morde-se por dentro,"engole um sapo" e se controla; se com muitoesforço você consegue controlar todos ossinais de seu ressentimento e mostrar-serazoavelmente polido, em troca do desaforo,você acha que alcançou uma grande vitória.Entretanto, o ressentimento ainda está lá; foiapenas coberto. Às vezes você nem sequerconsegue disfarçá-lo bem.Qual é o problema? O problema é que vocêtentou andar antes de assentar; é aí que está,
  • 21. com toda certeza, a derrota. Permita-merepetir: Nenhuma experiência cristã inicia-secom o caminhar, mas sempre com umdefinitivo assentar. O segredo da libertaçãodo pecado não está em a pessoa fazer algo,mas em descansar naquilo que Deus já fez.Um engenheiro que morava numa grande cidade no ocidente saiu de sua terra e foipara o oriente. Ele esteve longe de casadurante dois ou três anos e, durante suaausência, sua esposa lhe foi infiel. Cometeuadultério com um dos melhores amigos domarido. Quando o marido voltou a casa,descobriu que havia perdido a esposa, seusdois filhos e seu melhor amigo. No final deuma reunião em que eu havia falado, essehomem ferido desabafou para mim. "Faz doisanos que todos os dias e todas as noites meucoração tem estado cheio de ódio", disse-meele. "Eu sou cristão, e sei que devo perdoar aminha esposa e ao meu amigo, mas emboraeu tente perdoar-lhes, e continue tentando,simplesmente não consigo. Todos os diasresolvo perdoar-lhes e todos os dias eu falho.Que é que eu posso fazer?" Eu lhe disse:"Não faça absolutamente nada". "Que é que osenhor quer dizer com isso?" perguntou-meele, espantado. "Devo continuar odiando-os?"Então eu lhe expliquei: "A solução de seuproblema está aqui, em que quando Jesusmorreu na cruz, não apenas Ele levou consigoos seus pecados, mas levou você junto.
  • 22. Quando Ele foi crucificado, seu velho homemfoi crucificado nele, de modo que aquelapessoa "em você" que não consegue perdoar,o velho homem que não consegue amar aosque o prejudicaram tão gravemente, foi tiradodo caminho, quando Cristo morreu. Deuscuidou dessa situação horrorosa quandoCristo morreu na cruz, nada sobrando paravocê fazer. Simplesmente diga a Ele:"Senhor, não consigo amar, e desisto de ficartentando, tentando sem parar, mas confio emteu perfeito amor. Não consigo perdoar, masconfio em que tu podes perdoar em meulugar, e fazer isso daqui por diante, em mim".O homem ficou ali, sentado, muito espantado,dizendo: "Isso é novidade para mim. Achoque devo fazer alguma coisa." A seguir, umpouco depois, ele acrescentou: "Mas que éque eu posso fazer?" Disse-lhe eu, então:"Deus está esperando que você pare de tentarfazer alguma coisa. Você já tentou salvaruma pessoa que se afogava? O problema doafogado é que seu medo o impede de confiarplenamente em você. Nesse caso, há apenasdois caminhos a tomar: ou você lhe dá umsoco de modo que ele fique inconsciente, evocê consiga arrastá-lo para fora da água, ouvocê o deixa lutar e gritar até que suas forçasse acabem, e você possa então salvá-lo. Sevocê tentar salvar o afogado que ainda estácheio de força, ele se agarrará a você, em seuterror, e o arrastará para o fundo, e os dois,
  • 23. você e ele, perecerão afogados. Deus estáesperando que suas forças se esgotem detodo, antes de poder salvá-lo. Desde que vocêtenha cessado de lutar, Deus fará a obra.Deus está esperando que você perca toda aesperança".Meu amigo engenheiro deu um salto. "Ir-mão," disse-me ele, "já entendi tudo.Louvado seja Deus, as coisas estão clarasagora. Não há nada que eu possa fazer. Ele jáfez tudo, tudo!" De face radiante, ele partiu,cheio de regozijo. DEUS, QUE NOS DÁ TUDO De todas as parábolas dos evangelhos, a dofilho pródigo constitui, creio eu, a supremailustração da maneira de agradarmos a Deus.Assim disse o pai: "Era justo alegrarmo-nos efolgarmos" (Lucas 15:32). Com estaspalavras Jesus nos revela o que é que, demodo supremo, na esfera da redenção, alegrao coração de seu Pai. Não é o irmão maisvelho que trabalha sem cessar para o pai, maso irmão mais novo que permite que o pai façatudo por ele. Não é o irmão mais velho quesempre quer ser aquele que dá, mas o irmãomais novo que está sempre disposto receber. Quando o pródigo voltou para casa, tendoDespendido suas forças e seus bens, numavida de dissolução, o pai não proferiu umapalavra de recriminação contra a passadaluxúria do filho, nem uma única palavra a
  • 24. respeito da perda dos bens. O pai não seentristeceu por causa das perdas; apenasalegrou-se pela oportunidade que o retornodo filho lhe concedia de gastar mais aindacom ele.Deus é tão rico que sua principal alegriaconsiste em dar. Suas câmaras de tesourosestão tão repletas que lhe dói o fato de nósnos recusarmos a dar-lhe a oportunidade dedespejar sobre nossas vidas as riquezas queEle armazenou para os seus servos. A alegriado pai foi poder ver no filho pródigo alguémque poderia usar a melhor túnica, o anel, assandálias e ser homenageado com umbanquete. A tristeza do pai foi que o filhomais velho não se posicionou para recebertantas bênçãos.Há tristeza para o Pai quando nós tentamosfazer coisas para Ele. Ele é riquíssimo.Dá-lhe verdadeira e imensa alegria o fato depermitirmos a Ele que nos dê, e continue adar-nos sem parar. Constitui grande tristezapara o Senhor o fato de nós tentarmos jazercoisas para Ele, pois Deus é absolutamentecapaz, e soberano. Ele almeja que nós apenasdeixemos que Ele faça, e vá fazendo econtinue a fazer coisas por nós. Deus quer sereternamente aquele que nos dá. Ele quer sereternamente aquele que faz coisas por nós. Seapenas pudéssemos ver como Ele é rico,como é grandioso, deixaríamos em suas mãosa tarefa de dar e de fazer.
  • 25. Crê você que se parar de tentar agradar a Deus, seu bom comportamento vai cessar?Se você interromper a tentativa de dar, e atentativa de fazer coisas, e deixar tudo nasmãos de Deus, você acha que os resultadosserão menos satisfatórios do que se você seesforçasse nessas atividades para Deus?Quando nós procuramos fazer essas coisaspor nós mesmos, colocamo-nos de voltadebaixo da lei. Todavia as obras da lei, aindaque sejam nossas melhores obras, nossosmelhores esforços, não passam de "obrasmortas", abomináveis diante de Deus, porquenão são eficazes. Nessa parábola, ambos os filhos estavamigualmente longe das alegrias do lar providopelo Pai. É verdade que o filho mais velhonão estava longe, num país estrangeiro; masestava em casa apenas teoricamente. "Olha,sirvo-te há tantos anos, sem nunca transgrediro teu mandamento, e nunca me deste..." Ocoração desse filho nunca encontroudescanso. Sua posição teórica jamais poderiaconstituir motivo de gozo, como era o casodo irmão menor, visto que o irmão maisvelho estava preso às suas boas obras. Então, pare de "dar" e você comprovará queDeus gosta de dar. Pare de "trabalhar" e vocêdescobrirá que Deus trabalha por você. Ofilho mais novo estava bastante errado, masvoltou para casa e encontrou descanso, e é aíque a vida cristã se inicia.
  • 26. "Deus, que é riquíssimo em misericórdia,pelo seu muito amor com que nos amou... nosfez assentar nas regiões celestiais, em CristoJesus" (Efésios 2:4,6). "Era justoalegrarmo-nos e folgarmos"!
  • 27. 2“Andeis”Procuramos deixar bem claro que a vidacristã não se inicia com o andar, mas com oassentar. Todas as vezes que invertemos aordem, os resultados são desastrosos. OSenhor Jesus fez tudo por nós, e nossanecessidade agora é de descanso confiantenele. O Senhor está assentado em seu trono, esomos conduzidos pelo seu poder. Todaexperiência espiritual verdadeira,santificadora, começa nesse descanso.Todavia, a vida cristã não termina aqui.Embora a vida cristã comece no processo deassentar, esse assentar sempre é seguido doandar. Só depois de havermos assentado deverdade, e havermos descoberto nossa forçano ato de assentar, é que de fato podemos
  • 28. começar a andar. O assentar representa nossaposição em Cristo, no céu. O andar em Cristorepresenta nosso desempenho dessa posiçãodivina aqui na terra. Sendo um povo celestial,de nós Deus exige que exibamos o selo dessahabitação celestial em nossa conduta terrena,e isso levanta; novos problemas.Devemos, portanto, perguntar-nos: Que é queEfésios tem a dizer-nos a respeito de nossoandar? Descobriremos que essa carta nos exorta afazer duas coisas: Trataremos agora da primeiradelas. Portanto, como prisioneiro do Senhor, rogo-vosque andeis como é digno da vocação com quefosteschamados, com toda humildade e mansidão, comlonganimidade, suportando-vos uns aos outrosem amor... (4:1.2)Portanto, digo isto... que não andeis mais comoandam os outros gentios, na vaidade, do seupensamento... e vos renoveis no espírito do vossoentendimento (4:17,23). Andai em amor, como também Cristo vosamou, e se entregou a si mesmo por nós (5:2).Andai como filhos da luz... descobrindo o que éagradável ao Senhor(5:8, 10). A palavra "andar" é usada oito vezes emEfésios. Significa literalmente "andar ao redor",sendo usada aqui de modo figurado por Paulo,
  • 29. para significar "transportar-se a si próprio","ordenar alguém seu próprio comportamento".Tal sentido traz imediatamente diante de nós oassunto da conduta cristã, de que a segunda parteda carta trata com profundidade. Todavia, vimosanteriormente que o Corpo de Cristo, acomunidade dos crentes em Cristo, é o outrogrande tema da carta aos Efésios.Agora, no capítulo 4, é em função de talcomunidade que encontramos essa questão deandar piedosamente. E prossegue Paulo, à luz denossa vocação celestial, a desafiar-nos no campototal de nossos relacionamentos domésticos epúblicos, quando os crentes se relacionam comvizinhos, os maridos com suas esposas, quandonos relacionamos com pais e filhos, com patrões eempregados — tudo isso da forma mais realpossível.Vamos deixar bem claro que o Corpo de Cristonão é algo remoto e irreal, que expressaríamosapenas em termos celestiais. É algo bem presentee muito prático, e encontra o teste real de nossaconduta em nosso relacionamento com os outros.É verdade que somos um povo celestial, mas denada adianta falar muito do céu distante. Se nãotrouxermos o céu ao nosso lar e ao nosso local detrabalho, à nossa loja e à nossa cozinha, e ali opraticarmos, o céu não terá o menor sentido.Posso então sugerir, queridos amigos, que quem épai ou mãe, e quem é filho, que procure no NovoTestamento e verifique como os pais devem ser, ecomo os filhos devem agir? Talvez nossurpreendamos, pois receio que muitos de nós,que dizemos estar assentados no céu, em Cristo,
  • 30. demonstramos um comportamento bastantequestionável em nosso ambiente.Ouçam, maridos, ouçam, esposas: Há uma porçãode passagens bíblicas para vocês. Leiam Efésios5, e depois 1 Coríntios 7. Todo marido e todaesposa fariam bem em ler 1 Coríntios 7 a fim desaber o que é que o casamento cristão exige: umavida espiritual diante de Deus, e não apenas nateoria, mas na prática também. Não ousetransformar em mera teoria algo que é tãoprático Veja agora, no campo dos relacionamentosCristãos, como os mandamentos de Deus destaseção à nossa frente são diretos e objetivos.rogo-vos que andeis ... com longanimidade,suportando-vos uns aos outros em amor.""Deixai a mentira, e falai a verdade cada um como seu próximo.""Irai-vos e não pequeis.""Aquele que furtava, não furte mais". "Toda aamargura... e toda malícia sejam tiradas deentre vós"."Sede uns para com os outros benignos...perdoando-vos uns aos outros"."Não provoqueis à ira"."Obedecei". "[Deixai] as ameaças". Nada poderia ser mais objetivo do que estalista de imperativos. Permita-me lembrar avocê que o Senhor Jesus iniciou seu ensinonesse mesmo tom. Observe com cuidado alinguagem desta passagem do sermão domonte:Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente
  • 31. por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistaisao homem mau. Se alguém te bater na facedireita, oferece-lhe também a outra.E se alguém quiser demandar contigo e tirar- te a túnica deixa-lhe também a capa.Se alguém te obrigar a caminhar uma milha,vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desviesdaquele que quiser que lhe emprestes.Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo,e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossosinimigos e orai pelos que vos perseguem,para que sejais filhos do vosso Pai que estános céus. Ele faz que o seu sol se levantesobre maus e bons, e envia a chuva sobrejustos e injustos.Se amardes os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem oscobradores de impostos também o mesmo?E se saudardes somente os vossos irmãos,que fazeis de mais? Não fazem os gentiostambém assim? Sede vós, pois, perfeitos,como perfeito é o vosso Pai que está nos céus(Mateus 5:38-48).Diz você, porém: "Eu não consigo fazer isso.São exigências impossíveis". Talvez, àsemelhança de meu amigo engenheiro, vocêentenda que foi injustiçado e prejudicado —talvez terrivelmente prejudicado — e vocênão consegue perdoar. Você tem toda razão, ea ação de seu inimigo foi totalmente injusta.
  • 32. Amá-lo seria o ideal; porém, não é um idealimpossível.A PERFEIÇÃO DO PAIA partir daquele dia em que Adão e Evacomeram do fruto proibido do conhecimentodo bem e do mal, o ser humano tem estadoengajado na discussão do que é o bem e o queé o mal.O homem natural produziu seus própriospadrões do que é certo e do que é errado, doque é justiça e do que é injustiça, e tem lutadopor viver de acordo com tais padrões. É claroque sendo cristãos, somos diferentes. Mas,em que somos diferentes? Desde que nosconvertemos, vem-se desenvolvendo em nósum novo sentido de justiça e, como resultado,e isso é correto. temos estado às voltas com aquestão do que é bem e o que é mal. Mas seráque percebemos que para nós o ponto departida é diferente? Para nós a árvore da vidaé Cristo. Nós não começamos a partir da éticado certo e do errado. Não iniciamos com aoutra árvore. Iniciamos com ele; a questãotoda para nós diz respeito à Vida.Nada tem produzido maiores danos ao nossotestemunho cristão do que nossa tentativa desermos corretos e exigir correção dos outros.Nós nos tornamos demasiado preocupadoscom o que é reto e o que é torto, com o certoe o errado. "Nós nos perguntamos: Fomos
  • 33. tratados com justiça ou com injustiça? Epensamos assim em reivindicar nossas ações.Todavia, esse não é o nosso padrão. Averdadeira questão para nós gira em torno dequem carrega a cruz. Você me pergunta: "Écerto que alguém me fira a face?" Respondoeu: "Claro que não! Mas a questão é: Vocêquer apenas estar certo?" Como cristãos,nosso padrão de vida jamais pode resumir-seem "certo ou errado" — mas resume-se nacruz. O princípio da cruz é nosso princípio deconduta. Louve a Deus porque Ele deixa o solbrilhar sobre os bons e sobre os maus. ParaDeus a questão é de graça, e não do que écerto ou errado. Todavia, esse deve ser nossopadrão também: "Perdoando-vos uns aosoutros, como também Deus vos perdoou emCristo" (4:32). O princípio do "certo ouerrado" é dos gentios e publicanos. Minhavida deve ser governada pelo princípio dacruz e da perfeição do Pai: "Sede vós, pois,perfeitos, como perfeito é o vosso Pai queestá nos céus". Um irmão no sul da China tinha um campode arroz no meio da encosta de uma colina.Em tempos de seca ele usava uma bombadágua, movida por um moinho de vento, oqual fazia elevar a água de um regato até seucampo. Um vizinho possuía dois campos queficavam em nível inferior ao do campo desseirmão. Em certa noite, o vizinho desfez abarreira que represava a água, drenando-a
  • 34. toda para si. Nosso irmão preparou a brechana barreira e bombeou mais água para suarepresa, mas o vizinho voltou a praticar omesmo malefício outras três ou quatro vezes. Então ele consultou seus irmãos,perguntando-lhes: "Tenho procurado terpaciência e não me vingar", disse. "Mas issoé certo?" Depois de haverem orado a respeitodo problema, um dos irmãos replicou: "Seapenas tentarmos fazer o que é certo, comtoda certeza seremos cristãos muito pobres.Precisamos fazer algo mais do que sim-plesmente o que é certo".Nosso irmão ficou impressionado. Na manhãseguinte, ele bombeou água para os doiscampos lá embaixo e, de tarde, bombeouágua para seu próprio campo. Depois disso, aágua permaneceu em sua represa, paramolhar seu campo. O vizinho ficou tãoimpressionado com a ação bondosa do crenteque investigou suas razões, e no devidotempo veio ele próprio a tornar-se um cristão.Assim sendo, meu caro irmão, não finque péem seus direitos. Não pense que porque vocêcaminhou a segunda milha, já fez o que éjusto. A segunda milha é apenas preparaçãopara a terceira e quarta milhas. O princípio éo da conformidade com Cristo. Nada temospor que lutar, nada a pedir e nada a exigir. Sótemos a dar. Quando o Senhor Jesus morreuna cruz, Ele não o fez a fim de defendernossos "direitos"; foi a graça que o levou à
  • 35. cruz. Agora, como seguidores de Jesus, filhosde Deus, sempre tentamos dar aos outros oque lhes pertence, e mais ainda. Precisamoslembrar-nos de que com freqüência nãotemos razão. Fracassamos, e é sempre bomque aprendamos com nossos erros, queestejamos sempre prontos a confessar edispostos a ir além do que é necessário paraque confessemos. O Senhor requer isto denós. Por quê? "Para que sejais filhos do vossoPai que está nos céus" (Mateus 5:45). É umaquestão de filiação prática. Sim, é verdadeque Deus "nos predestinou para sermos filhosde adoção por Jesus Cristo" (1:5), mascometemos o erro de pensar que "já temosidade para ter juízo", que já somos filhosamadurecidos. O sermão do monte nos ensinaque os filhos correspondem àresponsabilidade de filhos na medida em quemanifestam afinidade de espírito e de atitudecom seu Pai. Fomos chamados para sermos"perfeitos" em amor, demonstrando suagraça. Por isso é que Paulo escreve: "Sede,pois, imitadores de Deus, como filhosamados e andai em amor, como tambémCristo vos amou, e se entregou a si mesmopor nós" (5:1-2).Enfrentamos um desafio. Mateus 5 estabeleceum padrão que podemos julgar impossível deser atingido, por ser demasiado elevado; ePaulo, nesta passagem de Efésios, oconfirma. O problema é que nós não
  • 36. conseguimos encontrar em nós mesmos, pornatureza, os meios de atender a esse padrão— o andar "como convém a santos". Onde,então, está a resposta para o nosso problema,o das exigências rigorosas de Deus?Nas palavras de Paulo descobrimos osegredo: "[Deus] é poderoso para fazer tudomuito mais abundantemente além daquilo quepedimos ou pensamos, segundo o poder queem nós opera" (3:20). Numa passagemparalela (Colossenses 1:29), Paulo diz: "Paraisto também trabalho, combatendo segundo asua eficácia, que opera em mimpoderosamente".Eis-nos de volta à primeira seção de Efésios.Qual é o segredo da força que move a vidacristã? De onde vem esse poder? Deixe-medar-lhe a resposta em uma sentença: Osegredo do cristão está em ele descansar emCristo. O poder do cristão vem da posiçãoque Deus lhe deu. Todos quantos seassentarem poderão andar. No pensamento deDeus, o andar vem depois do assentar,espontaneamente.Nós nos assentamos para sempre com Cristopara que possamos andar continuamentediante dos homens. Se abandonarmos por uminstante nosso lugar de descanso em Cristo,caímos imediatamente e prejudicamos nossotestemunho perante o mundo. Mas enquantohabitarmos em Cristo, nossa posição no
  • 37. Senhor nos assegura o poder de andardignamente aqui.Se você quer uma ilustração desse tipo deprogresso, pense, em primeiro lugar, não emum atleta forte que participa de uma corridade 10 mil metros, mas pense em um anciãoque dirige um carro ou, melhor ainda, de umhomem coxo sentado numa cadeira de rodas.Que faz esse pobre aleijado? Ele anda porqueestá assentado. O coxo consegue continuarmovendo-se porque continua sentado. Todo opercurso feito se deve à posição assumidapelo coxo. É claro que esta ilustração épaupérrima, quando queremos retratar a vidacristã, mas talvez sirva para lembrar-nos deque nossa conduta e comportamentodependem fundamentalmente de nossodescanso íntimo em Cristo.Isto explica a linguagem de Paulo, aqui. Eleprimeiro aprendeu a assentar-se. Encontrouum lugar de descanso em Cristo. O resultadoé que Paulo andava, não baseado em seuspróprios esforços, mas na operação poderosade Deus dentro dele. Ali estava o segredo deseu poder. Paulo viu-se a si mesmo assentadoem Cristo. Por isso, seu comportamento (seuandar) diante dos homens assumiu o caráterdo Cristo que nele habitava. Não é deadmirar, pois, que ele ore assim pelos efésios:"Cristo habite pela fé nos vossos corações"(3:17).
  • 38. Como funciona o seu relógio? Será que eleprimeiro se movimenta, ou primeiro émovido? É claro que ele funciona porqueuma bateria foi instalada nele, que lhefornece a energia para mover-se. Os relógiosantigos precisavam de que se lhes dessecorda, e só depois passavam a trabalhar. Háobras que foram preparadas para nós: "Somosfeitura sua, criados em Cristo Jesus para asboas obras, as quais Deus preparou para queandássemos nelas" (2:10)."Efetuai a vossa salvação com temor etremor", escreve Paulo aos Filipenses, "poisDeus é o que opera em vós tanto o querercomo o efetuar, segundo a sua boa vontade"(2:12, 13). Deus está operando em vós!Efetuai a vossa salvação! Aqui está osegredo. Enquanto não permitirmos que Deusopere em nós, é inútil que nós nosdediquemos a efetuar a nossa salvação.Frequentemente tentamos ser humildes epiedosos, sem saber o que significa permitirque Deus opere em nós a humildade e apiedade de Cristo. Tentamos demonstraramor, mas ao descobrir que não temos amor,pedimo-lo ao Senhor. Então, nós nossurpreendemos porque aparentemente oSenhor não nos quer dar.Permita-me trazer de novo outra ilustração.Talvez haja um irmão que você considerauma verdadeira provação. Você estáconstantemente tendo problemas com ele.
  • 39. Sempre que você se encontra com esse irmão,ele faz ou diz algo que fatalmente lheprovoca ressentimentos. Isso preocupa você.E você diz: "Sendo cristão, eu devo amá-lo.Eu quero amá-lo. Na verdade, estoudeterminado a amá-lo!" E assim é que vocêora com todo fervor: "Senhor, aumenta meuamor por essa pessoa. Ó Deus, dá-me amor!"A seguir, reunindo todas as forçasdisponíveis, conclamando toda a sua força devontade, você vai com um sincero ímpeto dedemonstrar àquela pessoa todo o amor peloqual você orou. Mas, que horror! quandovocê entra na presença da tal pessoa, algoacontece que faz com que todas as suas boasintenções se desmoronem e dêem em nada. Areação da pessoa perante você de modoalgum é encorajadora, mas ao contrário,desanimadora, e de imediato o velhoressentimento surge à superfície e, de novo, omáximo que você consegue fazer é ser polidopara com ela. Por que acontece isso?Certamente você não estava errado aoprocurar amor em Deus, estava? Não, masvocê estava errado ao buscar amor como umfim em si mesmo, uma espécie de mercadoriaembrulhada, quando o plano de Deus é que oamor de seu Filho seja expressoatravés de você.Deus nos deu Cristo. Agoranada mais há para nós recebermos; basta-nosCristo.O Espírito Santo foi enviado a fim deproduzir o que Cristo é, em nós; o Espírito
  • 40. não produzirá uma coisa alheia a Cristo, nemalgo fora de Cristo. Nós somos "fortalecidoscom poder pelo seu Espírito no homeminterior... [para] conhecer o amor de Cristo"(3:16, 19). Mostramos externamente o queDeus colocou em nós internamente.Lembremo-nos de novo daquelas grandiosaspalavras de 1 Coríntios 1:30. Não só Deuscolocou-nos "em Cristo", mas "vós sois dele,em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito porDeus sabedoria, e justiça, e santificação, eredenção". Esta é uma das maiores e maisgloriosas declamações das Escrituras. Ele"para nós foi feito por Deus..." Se crermosnisto, podemos ter qualquer coisa queprecisarmos, podemos ter certeza de queDeus é quem o promete, pois, mediante oEspírito Santo dentro de nós. o próprioSenhor Jesus presente dentro de nós dá-nosqualquer coisa de que necessitamos. Estamosacostumados a ver na santidade uma virtude,na humildade uma graça e no amor, um domque devemos buscar em Deus. Todavia, oCristo de Deus é ele mesmo tudo de querealmente nós precisamos.Muitas vezes em minhas necessidades eucostumava pensar em Cristo como umaPessoa à parte, e eu deixava de identificá-locorretamente; eu o confundia com as "coisas"de que eu precisava com tanta ansiedade.Durante dois anos fiquei apalpando nastrevas, procurando reunir as virtudes que eu
  • 41. julgava constituírem a vida cristã, e duranteesse tempo não cheguei a parte alguma. Então, em certo dia — isso aconteceu em1933 — a luz do céu veio a mim, e vi oCristo vindo da parte de Deus dentro de mim,o Cristo integral. Que diferença! Ah! o vaziodas "coisas"! Estão mortas se, manejadas pornós, nenhum relacionamento tiverem comCristo. A partir do momento em quepercebermos isto, haverá um novo começopara nós. uma nova vida. Teremos umaverdadeira santidade de vida, um novo amor.O próprio Cristo se revela a nós como aresposta a todas as exigências de Deus.Volte, agora, àquele irmão difícil. Mas destavez, antes de você ir a ele, fale a Deus destaforma: "Senhor, ficou claro para mim,finalmente, que por mim mesmo eu nãoconseguirei amar a essa pessoa; mas agora eusei que existe uma vida dentro de mim, a vidade teu Filho, e sei que a lei dessa vida é oamor. Amor a Cristo." Você não precisaesforçar-se demais. Descanse em Cristo.Conte com a vida dele em você. Ouse, então,ir àquele irmão e fale a ele — e eis que vaiacontecer uma coisa espantosa!Inconscientemente (enfatizo a palavra"inconscientemente", pois a consciência sóadvém mais tarde) você se vê conversandocom a pessoa de modo muito agradável;inconscientemente você passa a amar aquelapessoa; inconscientemente você a considera
  • 42. como um irmão. Você conversa com a pessoalivremente, em perfeita comunhão; você se dáconta de que ao voltar para casa, estádizendo: "Ora, não fiquei nem um poucoansioso, e tampouco me senti irritado! Dealguma forma que não consigo descrever, oSenhor esteve comigo e seu amor triunfou."A operação da vida de Cristo em nós, numsentido verdadeiro é espontânea, quero dizer,não exige esforço de nossa parte. A regraimportantíssima é não "tentar", mas"confiar"; não depender de nossas própriasforças, mas do poder do Senhor. Porque é ofluxo de vida que revela o que somosverdadeiramente "em Cristo". A água doceemana da Fonte da Vida.Muitos crentes — muitos mesmo — são apa-nhados agindo como crentes. A vida demuitos crentes de hoje em grande parte é umjogo de faz-de-conta. Vivem uma vida"espiritual", falam uma linguagem"espiritual", adotam atitudes "espirituais",mas estão fazendo tudo isso por si mesmos. Otremendo esforço que despendem deveriarevelar-lhes que algo está errado. Eles seprecisamos buscar sabedoria. Não precisamosapelar para a árvore do conhecimento. Nós temos Cristo, o qual foi feito em nós sabedoriade Deus. A lei do Espírito de vida em CristoJesus comunica a nós continuamente ospadrões do Senhor quanto ao que é certo e o
  • 43. que é errado e, com eles, a atitude espiritualcom que a situaçãodifícil deve ser enfrentada. Inúmeras coisassurgirão para ferir nosso senso cristão dejustiça, e para testar nossasreações: De que modo reagiremos?Precisamos aprender o princípio da cruz, poisnosso padrão deixou de ser o velho homem, etornou-se o novo homem: "quanto ao tratopassado, vos despojeis do velho homem, quese corrompe pelas concupiscências doengano; e vos renoveis no espíritodo vosso entendimento; e vos revistais donovo homem, que segundo Deus é criado emverdadeira justiça e santidade" (4:22-24)."Senhor, não tenho direito nenhum adefender. Tudo quanto tenho me veio pela tuagraça, e tudo está em Ti!" Conheci uma anciã, uma senhora japonesa,crente, que havia ficado perturbada por causade um ladrão que lhe entrara em casa. À suamaneira, com fé simples, mas prática, noSenhor, ela preparou uma refeição para ohomem e depois lhe ofereceu suas chaves.Ele se envergonhou de sua ação criminosa eDeus lhe falou à consciência. Por causa dotestemunho daquela cristã, o ex-ladrão hoje écrente em Cristo. Um número muito elevadode cristãos tem excelente doutrina, mas suasvidas são uma contradição de tudo.Conhecem muito bem os capítulos 1 a 3 deEfésios, mas não põem em ação os capítulos
  • 44. 4 a 6. Seria melhor não ter doutrina algumado que viver uma contradição. Ordenou-lheDeus alguma coisa? Volte-se para Deus,atire-se a Ele, e busque nele os meios de fazero que exige de você. Que o Senhor nos ensineque o princípio integral da vida cristã é quenos projetemos para além do que ésimplesmente certo, e façamos o que lheagrada.REMINDO O TEMPOTodavia, ainda persiste algo que precisamosacrescentar ao que dissemos acima, quanto aoassunto de nosso andar em Cristo. Esse verbo"andar" tem, como pode parecer óbvio, outrosentido adicional. É palavra que significaprimordialmente conduta, ou comportamento,mas também contém a idéia de progresso."Andar" é "prosseguir", "continuarseguindo", pelo que gostaríamos de elaborarum pouco mais essa questão de nossa jornadana direção de um objetivo."Portanto, vede prudentemente como andais,não como néscios, mas como sábios, remindoo tempo, porque os dias sãos maus. Pelo quenão sejais insensatos, mas entendei qual sejaa vontade do Senhor" (5:15-17).Você vai notar que nos versículos acimaexiste uma associação entre a idéia de tempoe a diferença entre sabedoria e insensatez."Andais... como sábios, remindo o tempo...
  • 45. não sejais insensatos." Isto é deverasimportante. Desejo agora trazer à suamemória duas outras passagens em que estascoisas são semelhantemente relacionadasentre si:"Então o reino dos céus será semelhante adez virgens... Cinco eram insensatas e cinco,prudentes. As insensatas, ao tomarem as suaslâmpadas, não levaram azeite consigo... Mas,à meia-noite ouviu-se um grito: Ai vem onoivo, saí ao seu encontro. Então todasaquelas virgens se levantaram e prepararamas suas lâmpadas. E as insensatas disseram: ...as nossas lâmpadas se apagam... E, tendo elasido comprá-lo, chegou o noivo. As virgensque estavam preparadas entraram com elepara as bodas. E fechou-se a porta. Maistarde, chegaram também as outras virgens..."(Mateus 25:1-13)."Então olhei, e vi o Cordeiro em pé sobre omonte Sião, e com ele cento e quarenta equatro mil, que traziam escrito na testa o seunome e o nome de seu Pai ... Estes são os quenão se contaminaram com mulheres, pois sãovirgens. Estes são os que seguem o Cordeiropara onde quer que vai. Estes são os quedentre os homens foram comprados para seras primícias para Deus e para o Cordeiro. Nasua boca não se achou engano; sãoirrepreensíveis" (Apocalipse 14:1-5). Há muitas passagens nas Escrituras que nosgarantem que o que Deus iniciou Ele vai
  • 46. terminar. O nosso Salvador é o Salvadormáximo. nenhum crente se salvará "pelametade", ainda que esta expressão possa hojeser usada a nosso respeito, em algum sentido.Deus vai aperfeiçoar todo e qualquer serhumano que nele depositou sua fé.É nisto que cremos, e temos que manter emmente essa doutrina como o contexto daquiloque vamos dizer a seguir. Oremosfirmemente, juntamente com Paulo, que"aquele que em vós começou a boa obra aaperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus"(Filipenses 1:6). Não há limites para o poder de Deus. Ele écapaz e "poderoso para vos guardar detropeçar, e apresentar-vos jubilosos eimaculados diante da sua glória" (Judas 24; eveja ainda 2 Timóteo 1:12; Efésios 3:20).Entretanto, é quando nos voltamos para oaspecto objetivo desta questão — para suarealização prática em nossas vidas, aqui eagora, na terra — que nos defrontamos com afaceta do tempo. Em Apocalipse 14 há asprimícias (v. 4) e há a colheita (v. 15). Qual éa diferença entre primícias e colheita?Certamente a diferença não está na qualidade,porque os frutos todos são da mesma época emesmo local. A diferença está apenas nomomento em que amadurecem no campo.Alguns frutos atingem a maturidade antes dosdemais e por isso se tornam as "primícias".
  • 47. Minha cidade natal, Fuquiem, é famosa pelassuas laranjas. Eu diria (e duvido que estejasendo vítima de bairrismo preconceituoso)que dificilmente existem laranjas semelhantesa essas no mundo todo. Quando vocêcontempla as colinas, no início da estaçãoprópria das laranjas, todas as árvores estãoverdes. Mas se você olhar com muito cuidadoconseguirá detectar, espalhadas aqui e ali,laranjas douradas que brilham ao sol. É umavista maravilhosa aquelas imensas filas delaranjeiras verdes, salpicadas de uns pontosdourados, as laranjas maduras que vãoaparecendo. É quando as primícias sãocolhidas. Logo depois todas as árvoresestarão cobertas de ouro: as laranjas madurasrecobrem os campos. Mas só os primeirosfrutos foram cuidadosamente colhidos a mão,e alcançam os maiores preços no mercado,com freqüência três vezes o preço normal dacolheita.Todos os crentes atingirão a maturidade, decerta forma. Mas o Cordeiro de Deus procuraas primícias. As moças "prudentes" de nossaparábola não são as que se saíram melhor,mas são as que agiram bem, comantecedência, bem cedo. As demais tambémeram virgens, mas eram "insensatas".Insensatas, mas não falsas. Foram ao lado dasprudentes esperar o noivo. Também tinhamazeite em suas lâmpadas, as quais estavamqueimando e iluminando. Contudo, não
  • 48. imaginaram a demora do noivo. E agora quesuas lâmpadas estavam quase apagadas, nãodispunham de reserva de azeite, e tampoucoas demais moças podiam emprestar-lhescombustível.Algumas pessoas ficam perturbadas nesteponto da história pelas palavras do Senhordirigidas a essas virgens insensatas: "Não vosconheço". Perguntam essas pessoas como oSenhor poderia afirmar isso a respeito delas,se representam suas verdadeiras filhas:"Tenho-vos preparado para vos apresentarcomo uma virgem pura a um marido, a saber,a Cristo"? (2 Coríntios 11:2). Todavia,devemos reconhecer a amplitude total doensino desta parábola, o qual é com todacerteza o de que existem privilégios em servira Cristo, que seus filhos podem perder, pelofato de não estarem preparados logo deinício, para o serviço.Diz a parábola que as cinco chegaram à portae disseram: "Senhor, senhor, abre-nos aporta!" Que porta? Certamente não é a portada salvação. Se você estiver perdido, jamaispoderá chegar à porta do céu e nela bater.Portanto, quando o Senhor diz: "Não vosconheço", é certo que Ele usa essas palavrasem algum sentido limitado, como na seguinteilustração:Em Xangai, o filho de um juiz de cortecriminal foi apanhado dirigindo seu carro demodo imprudente. O rapaz foi conduzido a
  • 49. uma corte e deparou com seu pai assentadona cadeira de juiz, no tribunal. Osprocedimentos legais dentro de um tribunalsão mais ou menos os mesmos no mundotodo, de modo que o juiz perguntou ao rapaz:"Qual é seu nome? Seu endereço? Suaocupação?" e assim por diante.Espantado, o moço voltou-se para seu pai:"Pai, você está dizendo que não meconhece?" Batendo com o martelo, o juiz(pai) respondeu severamente: "Jovem, eu nãoo conheço. Qual é o seu nome? Qual é o seuendereço?" É claro que o juiz não quissalientar com isso que desconhecia o própriofilho. Na família e no lar ele o conhecia, masnaquele lugar e naquele momento ele não oconhecia. Embora ele ainda fosse o filhodaquele pai, o moço deveria ser processado epagar sua multa.Sim, todas as dez virgens tinham azeite emsuas lâmpadas. O que distinguia as insensatasfoi que não dispunham de reserva de azeite.Sendo verdadeiras cristãs, têm vida emCristo, e dão seu testemunho diante doshomens. Mas que testemunho pobre o delas,pelo fato de viverem, digamo-lo assim, demão no queixo! Têm o Espírito, mas nãoestão cheias do Espírito. Ao chegar uma criseprecisam sair para comprar mais azeite.E claro que, finalmente, todas as dezchegaram a ter suficiente azeite. A diferença,contudo, está em que as cinco prudentes
  • 50. tinham azeite suficiente a tempo, enquanto asinsensatas, quando por fim arranjaram azeitebastante, haviam perdido o propósito para oqual o combustível fora criado. A questãotoda gira em torno do tempo. Esse é o pontocentral do ensino do Senhor, no fim daparábola, quando Ele admoesta seusdiscípulos a não serem meros discípulos, masdiscípulos vigilantes."Não vos embriagueis com vinho, em que hádevassidão, mas enchei-vos do Espírito"(5:18). Em Mateus 25, a questão maisimportante não é se as pessoas receberam aJesus Cristo ou não, e tampouco se o EspíritoSanto veio sobre elas ou não, com seus donscarismáticos espirituais. A questão todaresume-se no azeite extra, a vasilha dereserva. A questão era que a luz deveria sermantida, durante uma longa espera, nãoimporta quão longa, por causa da demora doNoivo. A luz deve brilhar mediante osuprimento miraculoso do Espírito no íntimodo crente. (Embora na parábola haja doiselementos diferentes, lâmpadas e vasilhas, narealidade nós os crentes somos ao mesmotempo lâmpadas e vasilhas).Que crente poderia viver na eternidade no céusem ter conhecido essa plenitude do Espíritoaqui? Será que nenhuma virgem consegueescapar dessa falta? Assim é que o Senhorestá dando passos — todos os passospossíveis — para que fiquemos sabendo que
  • 51. precisamos agora da plenitude do Espírito."Portanto, vigiai, porque não sabeis o dianem a hora em que o Filho do homem há devir"."Esteja sendo enchido" (plerousthe) é a expressão incomum usada aqui (5:18), comrelação ao Espírito Santo. "Permiti que sejaiscontinuamente enchidos". Não se trata deuma crise, como no caso do Pentecoste, masuma condição que deve caracterizar-nos otempo todo. Não se trata de algo externo, masinterno. Nada tem que ver com donsespirituais, carismáticos, manifestaçõesexternas, mas a presença e a ação pessoal doEspírito Santo dentro de seu espírito, o quegarante que a luz de sua lâmpada brilharácom força, até depois da meia-noite, e até aaurora, se necessário.Além de tudo, não se trata de algo pessoal.Como o indica o versículo seguinte, com todacerteza (5:19), trata-se de algo quepartilhamos com outros cristãos, emdependência mútua. É que estar "cheio doEspírito Santo" significa, na linguagem desseversículo, não meramente que os crentesestejam "cantando e salmodiando ao Senhor"mas que estejam "falando entre vós comsalmos e hinos, e cânticos espirituais".Alguns de nós podemos achar fácil cantarsolos, mas muito difícil cantarharmoniosamente num quarteto, ou mesmonum dueto. No entanto, a mensagem da
  • 52. unidade do Espírito está bem no âmago destasegunda seção de Efésios (veja-se 4:3, 15,16). A plenitude do Espírito nos é dada paraque cantemos juntos um novo cântico diantedo trono (Apocalipse 14:3).Mas, sustentemos nossa principal ênfase:Permita-me repetir o conceito de que ainsensatez ou a prudência giram em tornodeste ponto. Se você é prudente, vai procurara plenitude bem depressa, o mais cedopossível. Mas se você é insensato, vai adiá-laindefinidamente. Alguns de nós somos paisde crianças. As crianças têm grandesdiferenças de temperamento, não é mesmo?Esta obedece de imediato; aquela acha queadiando a obediência, poderá chegar a nãoprecisar obedecer. Veja bem: se você é tãofraco que permite à criança um meio de nãoobedecer prontamente, e ela consegue evitar aobediência, então essa é a criança prudente,porque adia a ação que você exige dela, eacaba não a fazendo. Todavia, se sua palavravale bastante, se sua ordem não é de"mentirinha", mas para ser acatada, para serobedecida, a criança prudente é a queobedece de imediato.Tenha absoluta certeza a respeito da vontadede Deus. Se as ordens de Deus podem sermanobradas, talvez você não seja nem umpouco insensato se tentar escapar dasimplicações da desobediência. Todavia, seDeus é um Deus imutável, cuja vontade é
  • 53. imutável, seja prudente, amigo! Vamos remiro tempo. Procure acima de tudo ter aquelavasilha de azeite extra... "para que sejaischeios de toda a plenitude de Deus" (3:19).Esta parábola não nos responde a todas asnossas perguntas. Onde e como as virgens in-sensatas compram azeite? Não ficamossabendo. Não nos é dito que outrasprovidências Deus terá tomado para quetodos os seus filhos finalmente fiquemamadurecidos. Este assunto não é de nossacompetência. Compete-nos aqui estudar asprimícias. Somos admoestados a prosseguir;não somos admoestados a especular arespeito do que poderá acontecer se nãoprosseguirmos.Você não pode, ao evitar a questão, impedir achegada da maturidade, e tampouco deixar depagar o preço. Todavia, a sabedoria estáligada ao passar do tempo. Os prudentes"compram" o tempo. Assim como eu usouma caneta-tinteiro antiga, que agora estácheia de tinta, em minha mão, pronta para serusada, assim também os prudentes, aocooperarem com o Senhor, apresentam-secomo Deus os deseja: instrumentos dóceis àsua total disposição.Considere o apóstolo Paulo. Ei-lo sempretomado de uma paixão inflamada pelasalmas. Ele viu que o propósito de Deus paranós estava envolto "na plenitude dos tempos"(1:10). Ele é um daqueles que dizem: "De
  • 54. antemão esperamos em Cristo", ao descansarnuma salvação que ainda será completamenterevelada "nos séculos vindouros" (1:12; 2:7).E à vista de tudo isso, que é que ele faz? Eleanda. E não anda, apenas: Ele corre."Prossigo para o alvo, pelo prêmio dasoberana vocação de Deus em Cristo Jesus"(Filipenses 3:14).Frequentemente, quando algumas almaschegam à compreensão das coisas espirituaise começam a seguir ao Senhor, o sentimentoem meu coração é: "Ah! se houvessemchegado a esta conclusão cinco anos antes!"O tempo é tão curto, ainda quandoprosseguimos no trabalhar Há pressão eurgência. Lembre-se, não se trata do que éque extraímos da experiência. A questãoprincipal é: que é que o Senhor deve receberagora? O Senhor precisa agora é disso: deinstrumentos dóceis e disponíveis. Por quê?"Porque os dias são maus". A situação édesesperadora até mesmo entre os crentes.Ah! se nos fora dado ver essa realidade!Talvez o Senhor tenha de tratar de nós demodo drástico. Disse Paulo: "Sou umaborto." Ele havia vivido crises tremendas —as quais o levaram ao ponto em que estavaagora — mas Prosseguia em frente. Aquestão é sempre de tempo. Deus precisa darum jeito em nós, depressa! O tempo passarapidamente. Mas Deus tem que operar emnós. Que nosso coração possa ser iluminado
  • 55. de modo que saibamos "qual seja a esperançada sua vocação", e a seguir, que possamoscaminhar — na verdade, correr — comocrentes que sabem "qual seja a vontade doSenhor" (1:18; 5:17). O Senhor sempre seagradou de almas desesperadas.
  • 56. 3"Firmes""No demais, irmãos meus, fortalecei-vos noSenhor e na força do seu poder. Revesti-vosde toda a armadura de Deus, para quepossais estar firmes contra as astutas ciladasdo diabo... para que possais resistir no diamau e, tendo feito tudo, ficar firmes. Estai,pois, firmes, tendo cingidos os vossos lomboscom a verdade, e vestida a couraça dajustiça, e calçados os pés na preparação doevangelho da paz, tomando... o escudo dafé... o capacete da salvação, e a espada doEspírito... orai... vigiai" (6:10-11, 13-18).A experiência cristã inicia-se com um
  • 57. assentar e continua com um andar, mas nãopara aí. Todo crente precisa aprender a ficarfirme. Todos nós, crentes, precisamos estarprontos para o conflito. Precisamos sabercomo assentar-nos em Cristo nos lugarescelestiais, e precisamos saber como andarcondignamente, em Cristo, aqui na terra. Masprecisamos também saber como resistirfirmes diante do inimigo. A questão doconflito nós a examinaremos agora, nestaterceira seção de Efésios (6:10-20). É o quePaulo chama de "estar firmes contra asastutas ciladas do diabo".Contudo, vamos relembrar de novo a ordemem que Efésios apresenta estas questões paranós. A seqüência é "assentar... andeis...firmes". É que nenhum cristão pode esperarengajar-se na guerra espiritual, no conflitodas eras, sem primeiro descansar em Cristo enaquilo que Ele fez por nós. A seguir,mediante o poder do Espírito agindo dentrodo cristão, ele passa a seguir a Cristomediante uma vida prática e santa aqui naterra. Se o crente for deficiente em umadestas duas áreas, descobrirá que toda aconversa a respeito de uma guerra espiritualnão passa realmente de conversa; ele jamaisconhecerá a realidade dessa luta.Satanás pode dar-se ao luxo de desprezar essecrente, porque este, na verdade, para nadaserve. No entanto, esse mesmo crente podefortalecer-se "no Senhor, na força de seu
  • 58. poder" ao tomar conhecimento, em primeirolugar, dos valores de sua exaltação aos céuse, depois, de ter andado com Cristo (compare6:10 com 3:16). Tendo estas duas lições bemaprendidas, o crente passa a apreciar oterceiro princípio da vida cristã, agoraresumido numa única palavra: "firmes".Deus tem um arquiinimigo, sob cujo poderestão incontáveis hostes de demônios e anjosdecaídos, os quais procuram dominar omundo e excluir Deus de seu próprio reino.Esse é o sentido do v. 12. É uma explicaçãodas coisas que estão acontecendo ao nossoredor. Nós só vemos "carne e sangue"armados contra nós, ou seja, um sistemamundial de reis e governos hostis, depecadores e pessoas perversas.Todavia, diz-nos Paulo que não é assim.Nossa luta, diz ele, é "contra as astutasciladas do diabo... contra as potestades,contra os poderes deste mundo tenebroso,contra as forças espirituais da maldade nasregiões celestes", em suma, contra os enganosdo próprio Satanás. Dois tronos encontram-seem guerra. Deus afirma seu domínio da terra,e Satanás procura usurpar a autoridade deDeus. A Igreja é chamada para desalojar odiabo de seu reino, e tornar Cristo o supremoSenhor de todos. Que estamos fazendo arespeito dessa guerra?Desejo agora tratar deste assunto de nossaguerra, primeiramente em termos gerais, com
  • 59. relação à nossa vida cristã e, depois, demaneira especial, com relação à obra que oSenhor confiou a nós. Satanás desfere muitosataques diretos contra os filhos de Deus. Éclaro que não devemos atribuir ao diaboaqueles problemas que são o resultado denossa própria e deliberada quebra das leis deDeus. Por esta altura deveríamos saber comoordenar estas coisas.Recebemos, porém, ataques físicos,desferidos contra os santos, da parte do diabo,contra seus corpos e mentes, e precisamosestar bem conscientes disso. É certo quemuitos crentes ignoram o inimigo, crentesque não sabem nada sobre os assaltos delecontra nossa vida espiritual. Deixaremos queesses ataques fiquem sem resposta?Temos nossa posição no Senhor, no céu, eestamos aprendendo como andar com Ele,perante o mundo; mas, como devemosproceder na presença do adversário de Deus enosso? Diz-nos a Palavra de Deus: "Ficaifirmes". "Revesti-vos de toda a armadura deDeus, para que Possais estar firmes contra asastutas ciladas do diabo". No grego é umverbo, "estar firmes", acompanhado de umapreposição "contra", no v. ll o qual realmentesignifica "manter o território". Nesta ordemde Deus existe uma verdade precisa, oculta.Não se trata de uma ordem para queinvadamos um território estrangeiro.
  • 60. A guerra implicaria, no falar comum, emordem para que "marchemos". Os exércitosmarcham e invadem outros países a fim desubjugá-los e ocupá-los. Deus não nosordenou que agíssemos dessa forma. Nãodevemos marchar, mas "ficar firmes". A expressão "ficar firmes" implica que oterritório disputado pelo inimigo realmentepertence a Deus e, portanto, pertence a nós.Não precisamos lutar a fim de estabelecer umforte nesse terreno.Quase todas as armas de nossa guerra,descritas em Efésios, são puramentedefensivas. Até mesmo a espada pode serusada tanto para a defesa como para o ataque.A diferença entre a guerra defensiva e aofensiva está aqui: na defensiva retemos oterritório, e basta-nos defendê-lo; na ofensiva,não temos território e lutamos a fim deobtê-lo. E essa é exatamente a diferençaexistente entre a guerra promovida peloSenhor Jesus e a guerra que nóspromovemos. A guerra de Cristo é ofensiva;a nossa, defensiva, em essência. Cristo lutoucontra Satanás a fim de vencê-lo, e dar-nos avitória. Mediante a cruz, o Senhor levou abatalha ao âmago do próprio inferno, e assimlevou cativo o cativeiro (4:8, 9). Hoje aguerra contra Satanás nós a mantemos apenaspara preservar e consolidar a vitória que Elejá obteve para nós e nos entregou. Mediante aressurreição. Deus proclamou seu Filho
  • 61. vitorioso, pois venceu o reino das trevas. Oterritório conquistado por Cristo, o Senhorno-lo concedeu. Não precisamos lutarpara conquistá-lo. Basta-nos que o mantenha-mos, expulsando todos os que o desafiam.Nossa tarefa consiste em manter nossa posi-ção, não em atacar. Não se trata de fazeraumentar o território de Cristo, mas depermanecer no território de Cristo. Deusconquistou aquele terreno, mediante JesusCristo. O Senhor a seguir nos deu aquelavitória, para que a mantivéssemos firmes.Dentro do território de Cristo, a derrota doinimigo é um fato consumado, e a Igreja foicolocada nesse território a fim de manter aderrota do diabo. O inimigo deve ser mantidoderrotado. Satanás é quem se empenha emcontra-atacar, e seus esforços procuramdesalojar-nos da esfera de Cristo. De nossaparte, não precisamos lutar para ocupar umterreno que já é nosso. Em Cristo nós somosconquistadores. Vencedores. "Mais do quevencedores" (Romanos 8:37). É nele,portanto, que estamos firmes. , Assim é queagora nós batalhamos, não para obter avitória. Lutamos porque já temos a vitória.Não lutamos objetivando conseguir umavitória, porque em Cristo já a ganhamos. Osvencedores são aqueles que descansam navitória alcançada para eles por seu Deus, emCristo. Se você quiser lutar a fim de obter avitória, já está derrotado antes de iniciar a
  • 62. luta. Vamos supor que Satanás se empenheem assaltá-lo em sua casa, ou em seutrabalho. Surgem dificuldades, crescem osmal-entendidos, é uma situação que você nãoconsegue controlar, e tampouco dela escapar.E ameaça destruí-lo. Você se põe a orar, vocêjejua, luta e resiste durante muito tempo, masnada acontece. Por quê? Porque você estálutando a fim de obter uma vitória e, aofazê-lo, está devolvendo ao inimigo todo oterreno que já pertence a você. A vitória, lheparece um alvo distante demais, muito longede você, fora do seu alcance.Eu próprio me vi nessa situação, certa vez,mas Deus me trouxe à mente sua palavracontida em 2 Tessalonicenses, a respeito dohomem do pecado, "o iníquo", a quem oSenhor Jesus "desfará pelo sopro de suaboca" (2 Tessalonicenses 2:8). Veio-me estepensamento: Só precisarei de um sopro daboca do Senhor para liquidá-lo de vez; noentanto, aqui estou eu tentando produzir umtufão! Não foi Satanás uma vez por todasderrotado? Então essa vitória também já estáganha.Só os que se assentam podem permanecerfirmes. O poder que nos vem para quefiquemos firmes, tanto quanto para queandemos, está em que primeiro nosassentamos com Cristo no céu. O andar e oguerrear do crente dependem do poder de suaposição em Cristo. Se o cristão não se assenta
  • 63. perante Deus, não pode esperar ficar firmediante do inimigo.O primordial objetivo de Satanás não é induzir-nos a pecar, mas simplesmentefacilitar para nós o pecado, fazendo-nos sairdo território do triunfo perfeito para ondeCristo nos levou. Ao longo da avenida denosso intelecto, ou de nosso coração,mediante nossa mente ou nossos sentimentos,o diabo nos assalta no descanso queusufruímos em Cristo ou em nosso andar noEspírito. Todavia, há proteção para nós, umaarmadura defensiva para cada parte de nósque for atacada: o capacete, o cinturão, acouraça, o calçado e, cobrindo-noscompletamente, o escudo da fé que desvia osdardos inflamados. Afiança-nos a fé: Cristo éexaltado. Diz mais a fé: Somos salvos pelagraça de Deus. Continua a fé: Temos livreacesso ao Pai. E termina a fé: Ele habita emnós pelo seu Espírito (veja-se 1:20; 2:8;3:12,17).Visto que a vitória é do Senhor, ela se tornanossa. Basta-nos que não pretendamosconquistar uma vitória, mas simplesmentemantê-la: veremos o inimigo perecer em totaldestruição. Não devemos pedir a Deus quenos capacite a vencer o inimigo, e tampoucoque possamos olhar para Jesus a fim devencer o inimigo, mas devemos louvá-loporque Ele já fez essa obra em nosso lugar. OSenhor é o vitorioso. É uma simples questão
  • 64. de termos fé nele. Se cremos no Senhor, nãovamos orar tanto quanto vamos louvá-lo.Quanto mais simples e mais clara for nossa féno Senhor, menos oraremos em situações deguerra, e mais o louvaremos pela vitória jáobtida.Vou repeti-lo: em Cristo já somosvencedores. Não é então óbvio, uma vez quejá temos a vitória, que simplesmente devemosorar agradecendo a vitória? E que essa oraçãoseja feita em forma de louvor em vez de pôrem risco nossa posição fundamental, vindo aperdê-la em derrota? Permita-me que lhepergunte: A derrota tem sido a suaexperiência? Você se viu esperando que umdia haveria de ser suficientemente forte parapoder vencer? Nesse caso, minha oração porvocê não pode ser outra senão a do apóstoloPaulo, em prol de seus leitores efésios. E aoração em que o apóstolo pede que "sejamiluminados os olhos do vosso entendimento,para que saibais qual seja a esperança da suavocação".Que você consiga ver-se assentado comCristo, que foi "sentar-se à sua direita [deDeus] nos céus, acima de todo principado, eautoridade, e poder, e domínio, e de todonome que se nomeia" (1: 20, 21). Talvez asdificuldades ao seu redor não se alterem; oleão poderá rugir com muito furor, comosempre; mas você não precisa ter esperança
  • 65. de vencer. Em Cristo Jesus você é ovencedor.EM SEU NOMEEntretanto, isto não é tudo. Efésios 6preocupa-se com algo mais do que o ladopessoal de nossa guerra. Relaciona-setambém com a obra de Deus que a nós foiconfiada, a expressão do mistério doevangelho de que Paulo tem tanto que falar(veja-se 3:1-13). Para isto recebemos duasarmas, a espada do Espírito e a oração."Tomai... a espada do Espírito, que é apalavra de Deus. E orai em todo o tempocom toda a oração e súplica no Espírito.Vigiai nisto com toda a perseverança esúplica por todos os santos. Orai tambémpor mim, para que me seja dada, no abrir daminha boca, a palavra com confiança, paracom intrepidez fazer conhecer o mistério doevangelho, pelo qual sou embaixador emcadeias, para que possa falar delelivremente, como devo falar" (6:17-20).Desejo dizer algo mais à respeito destaguerra, em relação a nossa obra para Deus,porque aqui podemos encontrar umadificuldade. É verdade, por um lado, quenosso Senhor Jesus está sentado "acima detodo principado, e autoridade", e que
  • 66. "sujeitou todas as coisas debaixo dos seuspés" (1:21, 22). Fica bem claro que é a luzdessa vitória completa que devemos dar"graças sempre por tudo a nosso Deus ePai,em nome de nosso Senhor JesusCristo" (5:20).Entretanto, precisamos admitir que ainda nãoconseguimos ver todas as coisas sujeitas aCristo. Ainda há, no dizer de Paulo, hostes deespíritos maus nos lugares celestiais, poderesdas trevas, malignos, por trás dessaspotestades, que ocupam territórios que dejustiça pertencem a Cristo. Até que pontoestamos certos em chamar essa guerra dedefensiva? Não queremos ser presunçosos,vitimados pela falsidade. Então, quando e sobquais circunstâncias somos nós justificadosem ocupar o território que externamentepertence ao inimigo, mantendo-o em nome doSenhor Jesus?Vamos consultar a Palavra de Deus("Tomai... a palavra de Deus"), paraobtermos ajuda aqui. Que é que a Bíblia nosdiz a respeito da oração e da ação "no nomede Jesus"? Consideremos primeiro as duaspassagens seguintes: "Em verdade vos digoque tudo o que ligares na terra, será ligado nocéu, e tudo o que desligardes na terra, serádesligado no céu. Também vos digo que sedois de vós concordarem na terra acerca dequalquer coisa que pedirem, ser-lhes-á
  • 67. concedida por meu Pai que está nos céus.Pois onde estiverem dois ou três reunidos emmeu nome, ali estou eu no meio deles"(Mateus 18:18-20)."Naquele dia nada me perguntareis. Emverdade, em verdade vos digo que tudo o quepedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vosdará. Até agora nada pedistes em meu nome.Pedi e recebereis, para que a vossa alegriaseja completa... Naquele dia pedireis em meunome" (João 16:23, 24, 26).Ninguém pode salvar-se sem o conhecimentodo nome de Jesus, e ninguém podeefetivamente ser usado por Deus semconhecer a autoridade desse nome. Oapóstolo Paulo deixa a questão bemesclarecida de que o "nome" a que Jesusalude nessa passagem acima não ésimplesmente o nome pelo qual Ele eraconhecido enquanto esteve na terra entre oshomens. Trata-se, na verdade, de nomeindicativo de sua humanidade, seu nomeinvestido de um título e de uma autoridadeque lhe foram conferidos por Deus, o Pai,pela sua obediência até à morte (Filipenses2:6-10). Resume o resultado de seussofrimentos, o nome de sua exaltação eglória; e hoje é nesse "nome que é sobre todoo nome" que nós nos reunimos e pelo qualrogamos ao Senhor Deus.A distinção é feita não só por Paulo, mas pelopróprio Jesus na segunda passagem
  • 68. mencionada acima: " Até agora nada pedistesem meu nome... Naquele dia pedireis em meunome" (vv. 24, 26). Para os discípulos"aquele dia" será diferente do "agora" do v.22. Algo que eles não têm agora terãonaquele dia, e tendo-o recebido, o usarão.Esse algo é a autoridade que acompanha onome de Cristo.Nossos olhos devem abrir-se para que possamos ver a poderosa mudançaocasionada pela ascensão. O nome de Jesuscertamente estabelece a identidade daqueleque está no trono com o carpinteiro deNazaré, mas isto vai além. Representa opoder e o domínio dado a Jesus pelo Pai, umpoder e um domínio perante os quais todos osjoelhos nos céus e na terra deverão dobrar-se.Até os líderes judaicos reconheciam que essetipo de significado poderia estar presente emum mero nome, ao perguntarem aosdiscípulos a respeito da cura do homem coxo:"Com que poder, ou em nome de quemfizestes isto?" (Atos 4:7).Hoje esse nome nos diz que Deus entregoutoda autoridade a seu Filho, de tal modo queem seu nome há poder. Mas precisamos notarmais ainda, que nas Escrituras a expressãoque se repete é "em nome", ou seja, notemoso uso que os apóstolos faziam desse nome.Não se trata apenas do fato de o Senhor teresse nome, mas de nós podermos usá-lo. Emtrês passagens em seu último sermão, o
  • 69. Senhor Jesus repetiu as palavras "pedir emmeu nome" (veja-se João 14.13. 14; 15:16;16:23-26). O Senhor colocou essa autoridadeem nossas mãos para nosso uso. Não só essaautoridade é de Cristo, como também foi"dada entre os homens" (Atos 4:12). Se nãosoubermos nossa parte, sofreremos grandeperda.O poder de seu nome opera em três direçõesEm nossa pregação, ele é eficaz na salvaçãodas pessoas (Atos 4:10-12), pela remissão deseus pecados, e pela sua purificação,justificação e santificação perante Deus(Lucas 24:47; Atos 10:43; 1 Coríntios 6:11).Em nossa guerra espiritual, ele é poderosocontra os poderes satânicos, para amarrá-los esujeitá-los (Marcos 16:17; Lucas 10:17-19;Atos 16:18). E como já vimos, em nossospedidos o nome é eficaz diante de Deus, vistoque duas vezes o Senhor nos disse: "E fareitudo o que pedirdes em meu nome..." e duasvezes "tudo o que em meu nome pedirdes..."(João 14:13, 14; 15:16; 16:23). Diante de taispalavras desafiadoras, podemos dizer comtoda reverência: "Senhor, tua coragem égrandiosa!" É algo tremendo que Deus secomprometa dessa forma perante seus servos.Vamos agora dar uma olhada em trêsincidentes em Atos que servem para ilustraresta lição: "Disse Pedro:...Em nome de JesusCristo, o nazareno, levanta-te e anda" (Atos3:6). "Paulo... disse ao espírito: Em nome de
  • 70. Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela. E namesma hora saiu" (Atos 16:18). "Alguns dosexorcistas judeus., tentavam invocar o nomedo Senhor Jesus sobre os que estavampossessos de espíritos malignos, dizendo:Esconjuro-vos por Jesus a quem Pauloprega... Respondeu, porém, o espíritomaligno: Conheço a Jesus, e bem sei quem éPaulo, mas vós quem sois?" (Atos 19:13, 15).Observemos primeiro a ação de Pedro aotratar do homem coxo na porta Formosa. Elenão se ajoelhou, nem orou, nem pediu amente de Cristo, em primeiro lugar. Deimediato ele disse: "Levanta-te e anda."Pedro usa o nome como se lhe pertencesse,para usá-lo à vontade. Não era algo distante,no céu. Com Paulo em Filipos, ocorreu omesmo. Ele sente em seu espírito que a açãosatânica foi longe demais. Não somosinformados de que Paulo houvesse feito umapausa para orar. Não. Paulo anda em verdadediante de Deus e, por causa disto, é umguardião do nome santo, pelo que atua comose o poder fosse seu mesmo. Ele ordena e oespírito mau foge: "E na mesma hora saiu".Que é isso? É apenas um exemplo do quechamo de "compromisso" de Deus com o ho-mem. Deus se comprometeu com seus servosa agir através deles, pois podem dar ordens"em seu nome". E os discípulos, que fazemeles? Fica bem claro que nada fazem de simesmos. Apenas usam o nome. Fica
  • 71. igualmente claro que nenhum outro nome,seja deles mesmos, como apóstolos, seja o dealguém diferente, terá o mesmo efeito. Tudoquanto acontece é resultado do impacto donome do Senhor Jesus sobre a situação; osapóstolos oram autorizados a usar seu nome.Deus contempla seu Filho na glória, não olhapara nós aqui na terra. E porque ele nos vêassentados com Cristo lá no céu, seu nome esua autoridade podem ser confiados a nós,aqui. Uma simples ilustração ajudará aesclarecer este ponto.Há algum tempo um de meus companheirosde trabalho enviou-me um pedido dedinheiro. Eu li sua carta, preparei o que eleme pediu e entreguei o dinheiro aomensageiro. Estava eu certo? Sim, claro! Acarta trazia a assinatura de meu amigo e, paramim, isso era suficiente. Deveria eu, em vezdisso, perguntar ao mensageiro qual era seunome e idade e função e lugar de nascimentoe a seguir, talvez, mandá-lo embora por ter euobjetado quanto ao que ele era? Não, demodo algum. Ele havia vindo em nome demeu amigo, e eu honrei aquele nome.O COMPROMISSO DIVINOQue coisa extraordinária fez Deus, aocomprometer-se com sua Igreja! Ele secomprometeu a confiar a seus servos o maiorpoder do universo. Ele nos deu o poder de
  • 72. seu governo "acima de todo principado, eautoridade, e poder, e domínio, e de todo onome que se nomeia, não só neste século,mas também no vindouro" (1:21). Jesus estáagora exaltado no céu, e toda a sua obra édedicada a salvar as pessoas, a falar a seuscorações, e a operar milagres de sua graça, eé feita mediante seus servos, em seu nome.Assim, a obra da Igreja é a obra de Cristo. Naverdade, o nome de Jesus é o maior legado deherança para a igreja, visto que onde ocompromisso de Deus está operando, opróprio Cristo assume a responsabilidadedaquilo que se faz em seu nome. E quiscomprometer-se conosco, porque nãoinstituiu nenhum outro meio pelo qual suaobra deva ser realizada.Nenhuma obra é digna de ser chamada deobra de Deus se o próprio Deus não estivercomprometido, nesse sentido, com ela. O quevale é a autorização para que usemos seunome. Devemos ser capazes de levantar-nos efalar em seu nome. Se não, nosso trabalhosofrerá a falta de impacto espiritual. Masdeixe-me adverti-lo: isto não é algo que sepode "fazer em tempo de crise". Na verdade,é o fruto da obediência a Deus, e de umaposição espiritual resultante da obediência,conhecida e mantida. Trata-se de algo quedevemos possuir sempre, para que esteja ànossa disposição em época de necessidade.
  • 73. "Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo".Louvado seja Deus pela menção do nome dePaulo! Os poderes malignos reconhecem oFilho; os evangelhos dão-nos todas as provasde fato. Mas há as pessoas que estão unidasao Filho, as quais têm valor diante do Hades.A questão é: Pode Deus comprometer-sedessa forma com você?Permita-me dar outra ilustração. Se algodeve ser feito em meu nome, isto significaque eu, dentro de determinadas condições,dei meu nome para que outra pessoa o use.Por isso. estou preparado para assumir totalresponsabilidade pelo que tal pessoa fizer emmeu nome. Pode significar, por exemplo, queeu entrego meu talão de cheques com minhaassinatura, a essa pessoa. É claro que se eusou pobre, e não tenho conta bancária nemprestígio pessoal, meu nome é de pequenaimportância.Lembro-me bem de quando eu era estudantee gostava de gravar meu nome por toda parte,em livros, papéis e em tudo em que eupusesse as mãos. Mas quando, pela primeiravez, tive uma conta bancária e um talão decheques, tornei-me cuidadoso quanto ao usode minha assinatura, por medo de que alguémpudesse falsificá-la e usá-la. Meu nome setornara importante para mim.Como nosso Senhor Jesus Cristo é poderoso erico! Como seu nome lhe é precioso!Portanto, se Ele deve assumir a
  • 74. responsabilidade de tudo quanto acontecepelo uso que fazemos de seu nome, como oSenhor deve ser cuidadoso quanto a esse uso!Eu lhe pergunto de novo: Pode Deuscomprometer-se — comprometer seu "saldobancário", comprometer seu "talão decheques", sua "assinatura" —com você?É preciso que em primeiro lugar esta questãoseja resolvida. Só então você estaráautorizado a usar seu nome livremente. Sóentão "o que ligares na terra será ligado nocéu". A seguir, por causa da realidade do seucompromisso com Deus, você podemovimentar-se como um verdadeirorepresentante de Cristo neste mundo. Esse é ofruto de nossa união com Ele.Estamos nós em tal união com o Senhor queele, por isso, se comprometerá conosco emrelação ao que estamos fazendo? Parece comfreqüência que estamos correndo um granderisco, ao entrarmos numa situação em quecontamos apenas com as promessas de Deuscomo nosso apoio. A questão então é: PodeDeus dar-nos apoio? Quer Deus nos apoiar?Deixe-me delinear de modo breve quatrocaracterísticas essenciais de uma obra com aqual Deus pode comprometer-se de modointegral. A primeira necessidade vital é deuma revelação verdadeira aos nossoscorações sobre os propósitos eternos de Deus.Não podemos sobreviver sem isto. Se euestou trabalhando numa edificação, ainda que
  • 75. eu seja um operário não-qualificado, precisosaber se o objetivo é uma garagem, ou umhangar de avião ou um palácio. Devo tomarconhecimento da planta, porque do contrárionão revelarei inteligência em meu trabalho.Hoje, a maioria dos cristãos presume que oevangelismo é a obra de Deus. Todavia, oevangelismo não pode ser uma atividade semrelação com o plano de Deus em nossasvidas. O evangelismo deve estar integrado noplano total de Deus, visto que não passa deum meio para atingir-se um fim. O objetivoda evangelização é a preeminência do Filhode Deus, uma obra que reúne os filhos deDeus, entre os quais Cristo se torna a figurade maior destaque.Na geração de Paulo, cada crente desfrutavade um relacionamento específico com opropósito eterno de Deus (veja-se de modoespecial 4:11-16). Isso não deveria ser menosverdade a nosso respeito, hoje. Os olhos deDeus voltam-se para a chegada de seu reino.Aquilo que nós conhecemos hoje comocristandade organizada, em breve deveráceder lugar para algo diferente: o reinadosoberano de Cristo. Todavia, à semelhança doreinado de Salomão, agora também há,primeiro, um período de guerra espiritualrepresentado pelo reino de Davi. Deus estáprocurando as pessoas que vão cooperar comEle hoje, nessa guerra preparatória.
  • 76. O problema é a da identificação do meupropósito com o propósito eterno de Deus.Toda obra cristã que não se identifica destamaneira é fragmentária, não mantém relaçãocom Deus, e jamais chegará a parte alguma.Devemos buscar em Deus a revelação paranosso coração, mediante seu Espírito Santo,do "mistério da sua vontade, segundo o seubeneplácito" (veja-se 1:9-12). Depoisdevemos perguntar a nós mesmos algo arespeito da obra a que voltaremos, apóstermos respondido: "Meu trabalho serelaciona com o reino de Deus?" Estabelecidoisto, todas as pequenas questões da orientaçãodivina diária se resolverão por si mesmas.Em segundo lugar, toda a obra efetivasegundo o propósito divino deve serconcebida por Deus. Se nós planejamos aobra e depois pedimos a Deus que a abençoe,não devemos esperar que Deus secomprometa com nosso trabalho. O nome deDeus jamais estará num "carimbo deborracha" que nos autoriza a realizar umtrabalho cujo conceito é nosso. É verdade quepode haver alguma bênção sobre essetrabalho, mas será parcial, jamais completa.Nele não existe a expressão "em nome deJesus". Que tragédia, só haverá o nossonome!"O Filho por si mesmo não pode fazer coisaalguma". Quão frequentemente no livro deAtos encontramos algumas proibições do
  • 77. Espírito Santo! Lemos no capítulo 16 quePaulo e seus companheiros "foram impedidospelo Espírito Santo de anunciar a palavra naÁsia". E de novo: "Mas o Espírito de Jesusnão lho permitiu". Entretanto, este é o livrodos atos do Espírito Santo, não é o livro desuas "inatividades". Com demasiadafreqüência julgamos que fazer coisas é que éimportante. Temos de aprender a lição do"não faça". A lição do ficar quieto napresença de Deus. Devemos aprender que seDeus não se mexe, nós não devemos nosmexer. Quando houvermos aprendido isso,então o Senhor pode enviar-nos comsegurança à obra, para falarmos em seunome.Preciso ter, portanto, certo conhecimento davontade de Deus na minha particular esferade trabalho. O trabalho só deve ser iniciado apartir desse conhecimento. A normapermanente de toda obra verdadeira de Deusé esta: "No princípio Deus..."Em terceiro lugar, todo o trabalho para Deus,para ser eficaz, e para ter continuidade, devedepender do poder de Deus, e de ninguémmais. Que é poder? Frequentemente usamosesta palavra de maneira frívola. Dizemos arespeito de um cidadão qualquer: "Ele é umorador poderoso". Todavia, precisamos fazera nós mesmos a seguinte pergunta: "Quepoder está ele usando? Ele emprega o podernatural, ou o espiritual?"
  • 78. Hoje estamos dando ênfase demais ao poderda natureza empregado na obra de Deus.Precisamos aprender que, ainda quando éDeus quem inicia a obra, se tentarmosexecutá-lo com nosso próprio poder, nossoDeus jamais se comprometerá com nossaobra. Você me pergunta que é que eu entendopor força natural. Descrevendo-a de modomuito simples, eu diria que força natural éaquela que empregamos sem a ajuda de Deus.Atribuímos a uma pessoa a tarefa deorganizar algo — que planeje, por exemplo,uma campanha de evangelização, ou outraatividade qualquer — visto que tal pessoa épor natureza uma pessoa organizada eorganizadora. Mas, nesse caso, qual será adedicação dessa pessoa à oração? Se essapessoa está acostumada a confiar em seusdons naturais, poderá não sentir necessidadede clamar a Deus.O problema que aflige a muitos de nós é quehá muitas coisas que podemos fazer semprecisar confiar em Deus! Precisamos serlevados àquele ponto em que, ainda quesejamos dotados naturalmente de grandestalentos, não ousamos agir, não ousamosfalar, a não ser se estivermos conscientes denossa contínua dependência do Senhor.Estêvão descreveu Moisés, o jovem que rece-bera educação egípcia, da seguinte maneira:"Moisés foi instruído em toda a ciência dosegípcios, e era poderoso em palavras e
  • 79. obras". Entretanto, quando o Senhor entrouem contato com ele, após haver trabalhadonele, Moisés reconheceu: "Ah! Senhor! eununca fui eloqüente, nem antes nem depoisque falaste ao teu servo. Sou pesado de bocae pesado de língua".Quando um orador nato chega a afirmar: "Eunão sei falar", é que aprendeu uma liçãofundamental e encontra-se no caminho daverdadeira utilização da parte que cabe aDeus. Essa descoberta envolve uma crise edepois um processo que dura a vida toda. Talcrise e tal processo estão implícitos com todacerteza na expressão empregada por Lucas:"batizados em nome do Senhor Jesus" (Atos8:16; 19:5). Essa expressão diz a todo crentenovo a necessidade de um conhecimentofundamental sobre a morte e a ressurreição deCristo, no que se relaciona â natureza humanado crente. De certo modo, em nossa históriade relacionamento com Deus, precisamosexperimentar aquele toque inicial da mão deDeus que nos aleija, e nos enfraquece a forçanatural, de tal modo que nos firmamos apenase unicamente na vida da ressurreição deCristo, em cujo território a morte não penetra.Depois disso, o círculo se alarga, à medidaque novas áreas de nossa energia natural,humana, são trazidas â influência da cruz.Trata-se de um método custoso, mas é ométodo eficaz de Deus, que produz frutos emnossa vida e em nosso ministério, e provê ao
  • 80. Senhor o solo de que Ele precisa para dar seuapoio à obra que realizamos no nome de seuFilho.Na obra de Deus dos dias atuais, as coisascom freqüência estão dispostas de tal maneiraque não temos necessidade de confiar emDeus. Entretanto, o veredicto do Senhor arespeito de todas essas obras exclui o seucomprometimento: "Sem mim nada podeisfazer". Toda a obra que a pessoa conseguefazer sem a ajuda de Deus é madeira, feno,palha — materiais de pouco valor — e o fogoprovará nossas obras, comprovando esseprincípio.E que o trabalho de Deus só pode serexecutado com o poder de Deus, e esse podersó pode ser encontrado no Senhor Jesus. Eleestá à nossa disposição na ressurreição, que éoutro lado da cruz. Em outras palavras, équando chegamos ao ponto em quehonestamente dizemos: "Eu não sei falar", edescobrimos que Deus está falando. Quandochegamos ao fim de nossas obras, a obra deDeus se inicia. Deste modo é que o fogo nosdias vindouros e a cruz hoje efetuam amesma obra. O que não suportar a cruz hojenão suportará o fogo amanhã.Se o meu trabalho, que eu faço no meu poder,vier a morrer, que é que sai da sepultura?Nada! Nada, absolutamente nada sobrevive àcruz, senão o que veio integralmente de Deus,em Cristo.
  • 81. Deus jamais nos pede que façamos uma coisaque podemos fazer. Pelo contrário. Ele nospede que vivamos uma vida que jamaispoderemos viver, e que executemos umtrabalho que jamais poderemos executar. Noentanto, pela sua graça, estamos vivendo suavida, e estamos executando o seu trabalho. Avida que vivemos é a vida de Cristo vivida nopoder de Deus, e o trabalho que executamos éo trabalho de Cristo desenvolvido por nossointermédio, mediante seu Espírito, a quemobedecemos. O egoísmo é a única obstruçãoa essa vida e a esse trabalho. Que todos nóspossamos orar em nosso coração: "Ó Senhor,cuida de mim!"Finalmente, o objetivo de todo o trabalhocom o qual Deus pode comprometer-se deveser sua própria glória. Isto significa que nãoconseguimos nada desse trabalho para nósmesmos. Um dos princípios divinos é quequanto menos obtemos de satisfação pessoal,de um trabalho desse tipo, maior é seu valordiante de Deus. Não há lugar para a glória dohomem na obra de Deus. É verdade queexiste uma alegria profunda e preciosa emqualquer serviço que traz satisfação aoSenhor, o que abre a porta para a operaçãodivina, mas a base dessa alegria é "louvor eglória da sua graça" (1:6,12,14).Só quando tais questões são acertadascorretamente entre nós e Deus é que Deus secomprometerá. Na verdade, eu creio que Ele
  • 82. nos permitirá dizer, só depois disso, que oSenhor tem de operar. A experiência naChina nos tem ensinado isto: Se houveralguma dúvida quanto a se determinada obrapertence a Deus, é certo que Deus estárelutante em atender às nossas oraçõesrelativas a essa obra. Todavia, quando a obraé totalmente de Deus, o Senhor secompromete de maneira maravilhosa. Apartir de então você poderá usar o nome deDeus, por estar em total obediência aoSenhor, e até o inferno deverá reconhecer suaautoridade para fazê-lo. Quando Deus secompromete a fazer algo, Ele sobrevêm,cheio de poder, a fim de provar que estácomprometido com a obra, e que Ele próprioé seu autor.O DEUS DE ELIASPermita-me narrar-lhe, para encerrar, umaexperiência que eu vivi no início de meuministério. Alguns anos depois de termosiniciado nossa obra, passamos por umperíodo de teste severo. Foram dias dedesapontamento, quase desespero.Tornamo-nos sujeitos a inúmeras criticas e amuito descrédito por causa da posição queestávamos assumindo, o que resultou emfrieza e constrangimento até mesmo da partedo verdadeiro povo de Deus. Havíamosenfrentado e examinado com honestidade as
  • 83. acusações levantadas contra nós, pois ésempre essencial que todas as críticas sejamanalisadas com seriedade, em vez de ascolocarmos de lado, dizendo: "Ora! essapessoa está apenas criticando meu trabalho!"Entretanto, tínhamos toda razão para crer queo Senhor estava conosco, visto que aqueleano, particularmente difícil, estava chegandoao término, e o Senhor nos havia dado váriascentenas de conversões verdadeiras. Então,no fim do ano, parecia-nos ter atingido umclímax.Todos os anos, na primeira quinzena dejaneiro, era nosso costume realizar umaconvenção na cidade, reunindo todos oscrentes de diferentes origens, de toda aprovíncia. Nesse ano em particular, osanfitriões da convenção me pediram que nãocomparecesse. Esse pedido chegou como umchoque para todos nós. Era uma tentativa,agora eu o percebo, do inimigo, do maligno,para levar-me, a mim e a meus irmãos, aperdermos o equilíbrio e nossa posição dedescanso em Cristo. A questão queenfrentávamos era: Como iremos reagir?As festividades do início do novo ano durammuito tempo; chegam a ocupar quinze dias.Além de ser um ótimo período para umaconvenção, é também a melhor época para aevangelização. Depois de procurarmos desco-brir qual era a vontade do Senhor naqueleepisódio, tornou-se-nos claro que Ele queria
  • 84. que Pregássemos o evangelho. Por isso,planejei levar comigo cinco irmãos para umacampanha de quinze dias de duração, numailha longe da costa sul da China.Quando já estávamos de partida, outro jovemirmão, a quem darei o nome de "irmão Wu,"uniu-se ao grupo. Tinha apenas dezesseisanos de idade e havia sido expulso da escola.Mas, ele havia recentemente nascido de novo,e notava-se grande mudança em seu modo deviver. O . caso é que ele estava ansioso parair conosco, de modo que, depois de algumahesitação, concordei em levá-lo. Agoraéramos sete, ao todo.A ilha era bem grande, tendo uma vila emque moravam 600 famílias. Um antigo coleganosso de escola era o professor do cursoprimário na vila. Escrevi-lhe com antecipaçãopedindo um quarto em que pudéssemosalojar-nos durante nossa estada, que iria deprimeiro de janeiro até o dia 15. Chegamos,finalmente, tarde da noite e em plenaescuridão. Quando meu amigo descobriu quehavíamos ido para pregar o evangelho,recusou-nos as acomodações. Por isso,pusemo-nos a procurar hospedagem na vila,até que, por fim, um especialista chinês emervas teve misericórdia de nós e nos recebeu,deixando-nos bem à vontade, sobre umastábuas e palhas no sótão de sua casa.Não demorou muito e esse especialista emervas tornou-se nosso primeiro convertido a
  • 85. Cristo. Embora trabalhássemossistematicamente, e com muito afinco, e opovo da vila fosse extremamente cortês,nossos frutos na ilha eram escassos, epusemo-nos a querer saber quais seriam asrazões disso.No dia 9 de janeiro estávamos na ruapregando. O irmão Wu e alguns outrospregavam em outra parte da ilha. De súbito,Wu perguntou publicamente:— Por que ninguém dentre vocês aceita Jesuscomo Salvador?Alguém da multidão respondeuimediatamente:— É porque nós já temos um deus. Ta-wang(significa: Grande Rei), e ele nunca nosfalhou. Ele é um deus eficiente.— E como é que você sabe que pode confiarnele? — perguntou Wu.— Nós, habitantes desta ilha, costumamosrealizar uma procissão festiva ao nosso deustodo o mês de janeiro. Essa procissão vemsendo realizada há 286 anos. O dia escolhidonos é revelado por ocultismo-,antecipadamente, e todos os anos, sem falta,o dia de nosso deus é perfeito, sem uma únicanuvem, nem chuvas — foi a resposta.— Quando será a procissão festiva nesteano?— Foi fixada para o dia 11 de janeiro.Imediatamente, houve aclamações calorosasda parte do povo:
  • 86. — Chega! Não queremos ouvir maispregações. Se chover no dia 11, então o seuDeus é Deus!Eu estava noutra parte da vila quando esteincidente aconteceu. Tão logo soube dessefato, verifiquei que ele era da maiorseriedade. A novidade se havia espalhadocomo fogo ardendo encosta acima; logo, maisde vinte mil pessoas estariam a par de tudo.Que deveríamos fazer? Paramosimediatamente de pregar e pusemo-nos aorar. Pedimos ao Senhor que nos perdoasse,se tínhamos avançado indevidamente. Voucontar-lhe a verdade: estávamos sofrendo deansiedade mortal. Que havíamos feito?Teríamos por acaso cometido um erroterrível? Ousaríamos pedir a Deus ummilagre?Quanto mais você almeja uma resposta àssuas orações a Deus, mais você deseja estarem harmonia com Ele. Não pode haverdúvida quanto a sua comunhão com Deus;não pode existir nada a sombreá-la. Se a suafé estiver posta em coincidências, vocêpoderia chegar a criar uma controvérsia como Senhor, não, porém, em nosso caso. Nãonos importávamos de ser expulsos, casohouvéssemos cometido alguma infração.Afinal, você não pode arrastar Deus, exigindodele que faça algo contra sua vontade.Todavia, refletimos, aquilo poderia significaro fim do testemunho cristão na ilha; se não
  • 87. chovesse, Ta-wang reinaria supremo parasempre. Que deveríamos fazer? Sair deimediato e esquecer o desafio?Até então havíamos temido orar pedindochuva. Então, como um raio, veio a mim apalavra: "Onde está agora o Senhor, Deus deElias?" Esta palavra veio-me com tal clarezae poder que eu sabia que vinha de Deus. Comtoda confiança, eu anunciei aos irmãos: "Eutenho a resposta. O Senhor vai mandar chuvano dia 11." Todos juntos ali, demos graças aDeus e depois, com o coração cheio delouvor, saímos para dizer isso a todas aspessoas. Podíamos aceitar o desafio do diaboem nome do Senhor, e deixaríamos por todaparte o comunicado sobre nossa posição.Naquela noite, o perito em ervas nos fez duasobservações prudentes, bem ponderadas."Indubitavelmente", disse ele, "Ta-wang eraum deus eficiente. O diabo estava operandoatravés daquele ídolo. A fé daquele povonesse deus tinha fundamento. Por outro lado,se você preferisse uma explicação racional,aquela era uma vila de pescadores. Durantedois ou três meses, no fim do ano, os homensficavam no mar. Voltavam, e saíam de novono dia 15 de janeiro. Dentre todas as pessoas,aqueles pescadores sabiam se choveria ounão com dois ou três dias de antecedência."Isso nos perturbou. Quando saímos paranossa oração vespertina, começamos todos aorar de novo pedindo chuva — agora! Foi
  • 88. quando sobreveio uma forte admoestação daparte do Senhor: "Onde está agora o Senhor,Deus de Elias?" Iríamos lutar, engajar-nos emnossa batalha, para que nós saíssemosvencedores, ou iríamos descansar na vitóriacompleta já obtida por Cristo? Que fizeraEliseu depois de pronunciar essas palavras?Ele apelou para sua experiência pessoal,diante do milagre que seu mestre, Elias, agorana glória, havia executado. Em termos doNovo Testamento, Eliseu ficou firme em suafé, com base numa obra acabada.Confessamos de novo os nossos pecados."Senhor", dissemos, "não precisamos dechuva até o dia 11 pela manhã." A seguirfomos dormir. Na manhã seguinte (dia 10)partimos para uma ilha das vizinhanças, paraali pregar durante o dia todo. O Senhormostrou-se gracioso, e nesse dia três famíliasentregaram-se a Ele, confessandopublicamente a Cristo e queimando seusídolos. Retornamos tarde, cansados, mascheios de alegria. Poderíamos desfrutar deum descanso prolongado no dia seguinte.Fui acordado pelos raios diretos do sol queatravessavam a única janela de nossoquartinho, no sótão. "Não está chovendo!",disse eu. Já passava das sete horas.Levantei-me, ajoelhei-me, e orei. "Senhor",clamei, "por favor, envia a tua chuva!" E denovo ressoaram em meus ouvidos aspalavras: "Onde está agora o Senhor, Deus de
  • 89. Elias?" Humilhado, desci as escadas emsilêncio diante de Deus. Sentamo-nos à mesapara o café matutino — éramos oito ao todo,contando o nosso hospedeiro — todos muitoquietos. Nenhuma nuvem havia no céu, massabíamos que Deus estava comprometidoconosco. Quando inclinamos nossas cabeçaspara dar graças pelo alimento, eu disse:"Creio que chegou a hora. A chuva deve cairagora. Podemos trazer isto à presença deDeus." Com toda tranqüilidade oramos assim,e desta vez não sentimos nenhuma repreensãoda parte do Senhor."Onde está agora o Senhor, Deus de Elias?"Antes de dizermos amém, ouvimos asprimeiras gotas de chuva no telhado. Caiuuma forte chuva enquanto comíamos nossoarroz, e nos servíamos pela segunda vez."Vamos dar graças de novo", propus, e destavez pedimos ao Senhor que nos enviasse umachuva torrencial. Quando iniciávamos nossosegundo prato de arroz, a chuva já caía emtorrentes. Ao terminarmos nossa refeição, arua estava inundada; três degraus da escada àentrada de nossa casa estavam cobertos deágua.Logo depois soubemos o que aconteceu navila. Nas primeiras gotas de chuva, algunsjovens começaram a dizer abertamente: "ODeus dos cristãos existe; Ta-wang não existemais! A chuva o derrotou". Mas o ídoloperseverou. Foi carregado numa liteira
  • 90. fechada por fiéis que acreditavam que eleconseguiria fazer parar de chover! Foiquando a borrasca despencou de vez do céu.Três dos carregadores do ídolo foram atiradosao chão, depois de cambalear por três ouquatro metros. A liteira caiu dos ombrosdeles e a imagem de Ta-wang se espatifou;quebrou-se-lhe o maxilar e o braço esquerdo.Mas, com máxima determinação, as pessoasconsertaram seu deus em regime deemergência e o recolocaram na cadeirinhatransportadora. A muito custo, escorregandoe tropeçando, os homens carregaram-no pelametade do percurso, ao redor da vila. Foiquando o dilúvio os derrotou de vez. Algunsdos anciãos da vila, velhinhos de 60 a 80anos de idade, de cabeças descobertas, semguarda-chuvas, como o exigia sua fé emTa-wang, o senhor do tempo, haviam caídoao chão e enfrentavam sérias dificuldades. Aprocissão foi interrompida. Levaram o ídolopara uma casa. Alguns se entregaram aconsultas aos espíritos do ocultismo. "Hoje odia foi errado", veio a resposta. "A festa deveser realizada no dia 14. A procissão deveráiniciar-se às dezoito horas."Tão logo ouvimos esta notícia, a certezaentrou em nosso coração: "Deus mandaráchuva no dia 14". Fomos orar. "Senhor, enviaa tua chuva no dia 14 às 18 horas, e dá-nosquatro dias ensolarados até lá". De tarde, océu ficou limpo e tivemos um bom auditório
  • 91. para a pregação do evangelho. O Senhor nosdeu mais de trinta novas conversões —conversões reais — naquela vila e na ilhadurante aqueles três dias. Surgiu o dia 14,outro dia perfeito, ensolarado, e realizamosboas reuniões evangelísticas. Aoaproximar-se a noitinha reunimo-nos e, denovo, trouxemos o assunto perante o trono deDeus. Sem tardança de um minuto sequer, aresposta do Senhor veio na forma de umachuva torrencial, um verdadeiro dilúvio,como antes.No dia seguinte, nosso tempo se findou; nósprecisávamos regressar. Não voltamos maisàquela vila. Outros obreiros pediram trabalhonaquelas ilhas, e nós jamais questionamosalgum privilégio de exclusividade naquelecampo. Para nós o ponto essencial foi que opoder de Satanás naquele ídolo se haviaquebrado, o que é um fato eterno. Ta-wangdeixou de ser "um deus eficiente". Ocorreudepois ali a salvação de muitas almas, maseste fato tornou-se secundário diante dessarealidade vital, imutável.A impressão sobre todos nós foi duradoura.Deus se havia comprometido conosco. Havíamos provado a autoridade do nome queestá sobre todo nome, o nome que detém opoder no céu, na terra e no inferno. Naquelesdias viemos a saber o que significa o quechamávamos de "estar no centro da vontadede Deus". Estas palavras deixaram de ter um
  • 92. sentido vago, um tanto visionário. Descrevemuma experiência que todos vivenciáramos. Ogrupo havia recebido um vislumbre, algosobre "o mistério da sua vontade" (1:9; 3:10).Viveríamos suavemente todos os nossos dias.Anos mais tarde encontrei-me com o "irmãoWu". Eu havia perdido o contato com ele.Depois daquele episódio, ele se tornara pilotoda força aérea. Quando lhe perguntei se eleainda seguia o Senhor, ele me replicou: "Sr.Nee! O senhor acha que depois de tudo o quevivemos naqueles dias eu poderia abandonaro Senhor?"Você entendeu o que significa "estar firme"?Não tentamos ganhar terreno. Meramentepermanecemos no terreno que o Senhor Jesusganhou para nós e, resolutamente, nosrecusamos a sair dali. Quando nossos olhosse abrem a ponto de podermos ver Cristo, oSenhor vitorioso, nosso louvor se desprendeespontânea e livremente. Cantando esalmodiando ao Senhor em nosso coração,damos-lhe graças por tudo, em nome deCristo (5:19-20). O louvor que representa oresultado de esforços tem o travo de nossaspróprias obras, um som sem harmonia. Mas olouvor que flui espontaneamente do coraçãoque repousa no Senhor sempre apresenta umtom doce e puro.A vida cristã consiste em estar assentado comCristo, andar em Cristo e estar firme emCristo. Iniciamos nossa vida espiritual
  • 93. descansando na obra consumada do SenhorJesus. Esse descanso constitui a fonte denossa força, para que possamos andar comtoda coerência e firmeza pelo mundo. Nofinal da terrível guerra contra as hostes dastrevas, encontramo-nos firmes naquele quevenceu por nós, e em plena posse doterritório."A graça seja com todos os que amam, comamor perene, a nosso Senhor Jesus Cristo"."Ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e aglória, e o poder para todo o sempre". *** FIM ***