Watchman nee a verdadeira vida cristã (tradução)

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Watchman nee a verdadeira vida cristã (tradução)

  1. 1. A VERDADEIRA VIDA CRISTÃ "Não mais eu... mas Cristo" Watchman Nee
  2. 2. Tradução do italiano: Daniela Raffo Baixado da Internet de esnips Em quarta-feira, 29 de agosto de 2007, 15:05:14 Terminado de traduzir em terça-feira, 11 de dezembro de 2007,12:57:29 Disponível em http://digilander.iol.it/camminocristiano/2
  3. 3. CAPÍTULO 1 – O SANGUE DE CRISTO Em que consiste a verdadeira vida cristã? Faremos bem em considerar esta questãodesde o início. O objetivo destes estudos é demonstrar quanto ela é diferente da vida damaior partes dos cristãos. De fato, uma meditação da Palavra escrita de Deus —porexemplo, o Sermão da Montanha— deveria impulsionar-nos a nos perguntar se umasemelhante vida tenha sido jamais vivida sobre a terra, aparte do Filho de Deus mesmo.A resposta encontra-se justamente nesta última afirmação. O apóstolo Paulo nos dá a sua definição da vida cristã na carta aos Gálatas, nocapítulo 2, versículo 20: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, masCristo vive em mim". O apóstolo, aqui, não expõe uma maneira de viver particular, umcristianismo de alto nível, mas apresenta simplesmente aquilo que Deus pede de cadacristão. Deus nos revela em sua Palavra que Ele tem somente uma resposta para cadanecessidade humana: seu Filho Jesus Cristo. Em cada relação dEle conosco Ele operacolocando-nos aparte e pondo Cristo em nosso lugar. O Filho de Deus morreu em nosso lugar para o nosso perdão, e vive, em nosso lugar,para a nossa liberação. Podemos assim falar de duas substituições: um Substituto sobrea Cruz que nos procura o perdão, e um Substituto dentro de nós, que nos assegura avitória. Nos ajudará enormemente e ficaremos protegidos de muitas confusões, se noslembrarmos sempre deste fato: Deus resolverá todos os nossos problemas de uma únicaforma, ou seja, com a revelação sempre mais profunda do seu Filho. O NOSSO DUPLO PROBLEMA: OS PECADOS E O PECADO Tomaremos como ponto de partida pelo nosso estudo sobre a verdadeira vida cristã ogrande ensino que nos é apresentado nos primeiros oito capítulos da epístola aosRomanos, e enfrentaremos nosso projeto desde um ponto de vista prático. Será útil, dequalquer forma, ressaltar a divisão natural desta seção bíblica em duas partes, econsiderarmos aquelas que emerjam nos temas tratados em cada uma delas. Os primeiros oito capítulos da carta aos Romanos constituem um todo em si mesmo.Os primeiros quatro, junto com os versículos 1-11 do quinto, formam a primeira parte, eos outros três capítulos e meio (5:12 – 8:39) formam a segunda parte deste conjunto.Uma leitura atenta nos mostrará que o argumento tratado na primeira metade édiferente daquele tratado na segunda. Por exemplo, na primeira metade podemos relevaro uso preponderante da palavra "pecados", em plural. Na segunda metade, ao contrário,já não é mais assim, porque enquanto a palavra "pecados" aparece somente uma vez, apalavra "pecado", em singular, repete-se muitas vezes e si constitui no principal tematratado. Por que acontece isto? Porque na primeira parte trata-se dos pecados que eu tenho cometido diante de Deus,pecados numerosos e que podem ser contados; enquanto na segunda, o pecado éexaminado como o princípio que opera em mim. Qualquer seja o número de pecado queeu tenha cometido, aquilo que age em mim é sempre o mesmo princípio de pecado. Eupreciso de perdão pelos meus pecados, mas necessito também ser liberado do poder dopecado. O perdão diz respeito a minha consciência, a liberação concerne a minha vida.Posso receber o perdão de todos os meus pecados, mas, a causa do "meu" pecado, nãoencontro paz duradoura no meu espírito. Quando a luz de Deus penetrou pela primeira vez em meu coração, meu primeirodesejo foi o de ser perdoado, porque compreendi que tinha pecado diante dEle; masdepois de ter recebido o perdão dos pecados fiz um novo descobrimento, aquele dopecado, e percebi que não somente havia pecado diante de Deus, mas que dentro demim existe alguma coisa injusta. Descobri a minha natureza de pecador. Existe em mim uma tendência natural para opecado, um poder superior que me arrasta ao pecado. Quando esta força maléfica semanifesta, eu peco. Posso procurar de receber o perdão, mas ainda assim continuareipecando. A minha vida continua então num círculo viçoso: peco, sou perdoado, porémvolto pecar. Alegro-me considerando a bênção do perdão de Deus, mas preciso dealguma coisa a mais: eu preciso da liberação. Necessito do perdão por aquilo que eu fiz,mas preciso também de ser liberado daquilo que eu sou. 3
  4. 4. O DUPLO REMÉDIO DE DEUS: O SANGUE E A CRUZ Portanto, os oito primeiros capítulos da Epístola aos Romanos nos apresentam doisaspectos da salvação: primeiro o perdão dos nossos pecados, e depois a liberação dopecado. Porém agora, levando em conta este fato, devemos considerar mais umadiferença. Na primeira parte de Romanos 1-8 (versículos de 1:1 até 5:11) menciona-se duasvezes o sangue de Jesus, no versículo 3:25 e no versículo 5:9. Na segunda parte(versículos de 5:12 até 8:38) é introduzida, no versículo 6:6, uma nova idéia, quandonos é dito que nós fomos "crucificados" com Cristo. O tema tratado na primeira seçãoconcentra-se sobre aquele aspecto da obra do Senhor Jesus, que é representado pelo"sangue" vertido pela nossa justificação através da "remissão dos pecados". Estaterminologia já não é utilizada na segunda seção, onde o tema se concentra sobre oaspecto de sua obra, representado pela "Cruz", ou seja, pela nossa união com Cristo emsua morte, em sua sepultura e em sua ressurreição. Esta distinção tem um grande valor.Veremos assim que o sangue tem a ver com o que temos feito, enquanto que a Cruzrefere-se ao que somos. O sangue cancela nossos pecados, ao passo que a Cruz seocupa da origem de nossa natureza pecaminosa. Este último aspecto será a substânciade nossa meditação, nos capítulos que se seguem. O PROBLEMA DOS NOSSOS PECADOS Comecemos, então, a considerar o sangue precioso do Senhor Jesus Cristo e o seuvalor para nós, em quanto cancela os nossos pecados e nos justifica diante dos olhos deDeus. Este aspecto é apresentado nos seguintes passos: "todos pecaram" (Rm 3:23). "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nósainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue,seremos por ele salvos da ira" (Rm 5:8-9). "Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CristoJesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar asua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; parademonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificadordaquele que tem fé em Jesus." (Rm 3:24-26). Mais adiante no curso do nosso estudo mostraremos a verdadeira natureza da queda esobre como sermos salvos. Aqui lembraremos, simplesmente, que o pecado se reveloucomo um ato de desobediência a Deus (Rm 5:19). Devemos lembrar agora que adesobediência é imediatamente seguida da culpa. O pecado manifesta-se, então, como uma desobediência, e cria uma separação entreDeus e o homem, a continuação do qual o homem é expulso longe de Deus. Deus nãopode ter mais comunhão com ele, porque tem penetrado um obstáculo ao qual aEscritura dá o nome de "pecado". Assim Deus estabelece, antes que nada, que "todosestão debaixo do pecado" (Rm 3:9), sendo então que o pecado, que de agora em dianteconstitui um obstáculo à comunhão do homem com Deus, dá origem no homem a umsentido de culpa pelo distanciamento de Deus. Então o homem, seguindo a suaconsciência redescoberta, diz: "Pequei" (Lc 15:18). Porém isto não é tudo, porque opecado fornece também uma razão para o adversário acusar o homem diante de Deus,enquanto o nosso sentido de culpa lhe dá a razão para acusar-nos em nosso coração,convertendo-o assim, finalmente, no "acusador dos irmãos" (Ap 12:10), que lhes diz:"Vocês pecaram". Era necessário, então, que o Senhor Jesus, para introduzir-nos novamente no planode Deus, cumprisse a sua obra no que respeita a estes três aspectos: o pecado, a culpa ea acusação de Satanás contra nós. Precisava-se, antes que nada, que os nossos pecadosfossem cancelados, e isto foi cumprido pelo precioso sangue de Cristo. Necessitava-se,depois, que a nossa culpa fosse perdoada, e que a nossa consciência fosse tranqüilizadamediante a revelação do valor daquele sangue. Finalmente, era necessário enfrentar osataques no inimigo e responder as suas acusações. Nos é mostrado, nas Escrituras, queo sangue de Cristo age eficazmente nestas três direções: para Deus, para o homem epara Satanás. Se quisermos avançar, devemos absolutamente apropriar-nos das virtudes daquelesangue. Esta é a primeira condição essencial. Devemos ter uma consciência fundamentaldo fato que o Senhor Jesus morreu na Cruz em nosso lugar, e uma clara compreensão daeficácia do seu sangue em cancelar nossos pecados.4
  5. 5. Se não temos esta consciência, não podemos dizer que estejamos encaminhados emnossa via. Examinaremos estes três temas mais de perto. PRIMEIRAMENTE O SANGUE TEM VALOR DIANTE DE DEUS O sangue foi vertido pela expiação e é ligado à nossa posição diante de Deus. Paranão cair sob juízo, precisamos do perdão pelos pecados que temos cometido, e os nossospecados nos são perdoados não porque Deus feche seus olhos ao mal que temoscometido, mas porque Ele vê o sangue do seu Filho. O sangue não é, então,primariamente "para nós" mas "para Deus". Se eu desejo conhecer o valor do sanguepara mim, devo aceitar tudo aquilo que ele significa para Deus; se eu não conheço ovalor que o sangue tem para Deus, não conhecerei nunca o valor que ele tem para mim.Somente quando o Espírito Santo tenha me revelado o preço que Deus atribui ao sanguede Cristo, penetrará em mim o benefício de sua virtude e compreenderei o seu preciosovalor para mim. Mas o primeiro aspecto do sangue é para Deus. Na Antiga e na NovaAliança, a palavra "sangue", usada em conexão com a idéia de expiação, é adotada masde cem vezes, e é sempre apresentada como de grande valor diante de Deus. Existe no calendário do Antigo Testamento um dia que se encontra em estreita relaçãocom o argumento dos nossos pecados: é o Dia da Expiação. Nada explica este problemados pecados tão bem quanto a descrição deste dia. No capítulo 16 de Levítico lemos que,no Dia da Expiação, o sangue era tomado das ofertas pelos pecados e levado no LugarSantíssimo para ser aspergido sete vezes diante do Eterno. É necessário compreenderisto muito claramente. Naquele dia, o sacrifício pelos pecados era oferecido publicamenteno átrio do Tabernáculo. Tudo era feito abertamente e podia ser visto por todos. mas oSenhor tinha ordenado severamente que ninguém entrasse no Tabernáculo, a exceção doSumo Sacerdote. Ele só tomava o sangue depois de ter entrado no Lugar Santíssimo erealizava a aspersão diante do Senhor. Por quê? Porque ele era figura do Senhor Jesusem sua obra redentora: "Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por ummaior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, Nempor sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez nosantuário, havendo efetuado uma eterna redenção" (Hb 9:11-12). Assim sendo, ninguémsenão o Sumo Sacerdote podia se aproximar e penetrar no Santuário. Alem disso, eleentrava para cumprir um único gesto: apresentar a Deus o sangue como uma ofertaaceitável, na qual Deus podia ter satisfação. Era uma transação entre o Sumo Sacerdotee Deus no segredo do Lugar Santíssimo, longe dos olhares dos homens que deviamresultar beneficiados. O Senhor o requeria assim. O sangue é, então, o primeiro lugarnão "para nós", mas "para Ele". Já antes achamos descrita a efusão do sangue docordeiro pascual no Egito para o resgate de Israel. "E aquele sangue vos será por sinalnas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haveráentre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito" (Êx 12:13). Aquela éainda, penso, uma das figuras mais claras da nossa redenção que possamos achar noAntigo Testamento. O sangue era colocado sobre as ombreiras e na verga das portas,enquanto o carne dos cordeiros era comido no interior das casas. E Deus disse: "vendoeu sangue, passarei por cima de vós". Temos aqui uma outra ilustração do fato que o sangue não deve ser apresentado aohomem, mas a Deus, porque o sangue era colocado no exterior da casa e aqueles quecelebravam a festa no interior não podiam vê-lo. DEUS É SATISFEITO A santidade de Deus e a justiça de Deus requerem que uma vida sem pecado sejaentregue pelo homem. A vida está no sangue e aquele sangue deve ser vertido por mima causa dos meus pecados. É Deus quem o reclama, Deus é Aquele que pede que osangue seja oferecido, para satisfazer a sua justiça; é Ele mesmo que declara: "vendo eusangue, passarei por cima de vós". O sangue de Cristo satisfaz plenamente a Deus. Gostaria aqui de dar uma palavra aos meus mais jovens irmãos no Senhor, porque éneste ponto que achamos, com freqüência, dificuldades. Antes de acreditar em Cristo,talvez nunca tenhamos sido turbados pelas nossas consciências, até que a Palavra deDeus não começou despertá-la. A nossa consciência estava morta e Deus não pode fazernada com aqueles cuja consciência está morta. Porém mais tarde, quando cremos, anossa consciência acordada tornou-se extremamente sensível e isto pode constituir-senum verdadeiro problema para nós. O sentimento do pecado e da culpa pode tornar-setão grande e tão terrível, que pode até chegar a paralisar-nos, fazendo-nos perder devista a verdadeira eficácia do sangue. Nos parece, então, que os nossos pecados sejam 5
  6. 6. muito reais, e qualquer pecado em particular pode atormentar-nos tão freqüentementeque pode fazer-nos acreditar que os nossos pecados sejam maiores que o sangue deCristo. Ora, todas as nossas dificuldades provêm disto: provar a sentir o valor do sanguee estimar subjetivamente o que ele significa para nós. Mas não podemos fazer isto,porque não é assim que se fazem as coisas. É Deus quem, antes que nada, deve ver osangue. Depois, nós devemos aceitar em seguida o valor que Deus lhe dá. somenteentão compreenderemos o valor que tem para nós. Se, ao contrário, tratamos de avaliá-lo segundo o nosso modo de pensar, não obteremos nada, ficaremos no escuro. É umaquestão de fé na Palavra de Deus, devemos acreditar que o sangue de Cristo é preciosodiante de Deus, porque Ele disse que assim era. "Sabendo que não foi com coisascorruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da sua vã maneira de viver quepor tradição recebestes dos seus pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como deum cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foiconhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempospor amor de vós" (1 Pe 1:18-20). Se Deus pode aceitar o sangue de Cristo como umaexpiação dos nossos pecados e como preço da nossa redenção, podemos estar segurosque a dívida ficou paga. Se Deus está satisfeito com o sangue, quer dizer que o sangue éaceitável. O valor que nós atribuímos ao sangue deve se corresponder com o que Deuslhe atribui, nem mais nem menos. Não pode certamente ser mais alto, mas também nãodeve ser mas baixo. Lembremos que Deus é Santo e justo, e que um Deus justo e santotem o direito de declarar que o sangue de Cristo O tem agradado o satisfeitoplenamente. A VIA PELA QUAL O CRENTE VAI A DEUS O sangue de Jesus satisfez Deus, mas deve satisfazer também a nós. Existe, então,um segundo valor, que é para o homem, em quanto que purifica a nossa consciência.Meditando sobre a Epístola aos Hebreus achamos aquilo que o sangue fez. Ele conseguiupara nós "corações purificados da má consciência" (Hb 10:22). Isto é muito importante. Consideremos atentamente o que está escrito. O autor nãonos diz somente que o sangue do Senhor Jesus purifica o nosso coração; não pára nestadeclaração. É um erro relacionar o coração com o sangue desta maneira. Assim demonstramosnão compreender a esfera na qual opera o sangue, quando apregoamos: "Senhor,purifica o meu coração do pecado com o Teu sangue"; o coração, Deus diz, é "enganoso"e "perverso" (Jr 17:9). Deus deve então fazer alguma coisa mais eficaz que purificá-lo: Ele deve nos dar umcoração novo. Nós nunca pensaremos em lavar e passar o ferro numa roupa que seja para jogarfora. Como veremos mais adiante, a "carne" é demasiadamente corrupta para serpurificada: ela deve ser crucificada. A obra de Deus em nós deve ser uma coisa completamente nova: "E dar-vos-ei umcoração novo, e porei dentro de vós um espírito novo" (Ez 36:26). Não, eu não acho nenhum versículo no qual seja declarado que o sangue de Cristopurifica o coração. A sua obra não é subjetiva neste sentido, mas inteiramente objetiva,diante de Deus. É verdade que a obra da purificação do sangue, segundo Hebreus 10,toca nosso coração, mas é em relação com a nossa consciência. "...tendo os coraçõespurificados da má consciência" (Hb 10:22): o que significa isto? Significa que umobstáculo foi introduzido entre eu e Deus, criando em mim uma má consciência queadvirto a cada vez que tento me aproximar dEle. Ela me lembra constantemente abarreira que foi criada entre Ele e eu. Porém agora, a obra do sangue precioso eliminouaquela barreira, e Deus me fez conhecer este fato mediante a sua Palavra. Devido a que eu cri e aceitei Jesus, a minha consciência foi purificada e o meu sentidode culpa desapareceu; já não tenho uma má consciência diante de Deus. Cada um de nós sabe quanto é precioso ter, em nossa relação com Deus, umaconsciência pura de cada mácula de pecado. Sim, um coração cheio de fé e umaconsciência limpa de todas as acusações são duas coisas essenciais para nós, e umaacompanha a outra. Quando perdemos a paz da consciência, a nossa fé naufraga, esentimos em seguida que não podemos nos aproximar de Deus. mas para podercontinuar a caminhar com Deus devemos conhecer sempre o valor atual do sangue. Deustem uma contabilidade muito precisa, e é pelo sangue de Cristo que nós podemos, acada dia, cada hora e cada minuto, nos aproximar dEle. O sangue não perde nunca a suaeficácia como nossa base de acesso ao trono da graça, e nós confiamos inteiramente6
  7. 7. nisso. Então, quando entramos no Lugar Santíssimo, sobre qual fundamento além dosangue ousaremos nos apoiar? Eu preciso me fazer esta pergunta: procuro verdadeiramente ir a Deus através dosangue, ou me confio em qualquer outra coisa? O que entendo quando digo: "através dosangue"? Quero dizer, simplesmente, que eu reconheço os meus pecados, que necessitopurificação e expiação, e que me aproximo de Deus apoiando-me só em seus méritos, enunca confiando nas minhas próprias forças. Nunca, por exemplo, fundando-me no fatode ter sido particularmente amável ou paciente durante o dia, ou de ter feito qualquercoisa pelo Senhor nesta manhã. Devo me aproximar de Deus sempre pela via do sanguede seu Filho. A tentação, para muitos de nós, quando queremos nos achegar a Deus, é ade pensar que, já que Deus tem agido em nós, nos fez conhecer alguma coisa de maissobre Ele e nos abriu os olhos acerca de lições mais profundas a respeito da Cruz, temcolocado assim diante de nós novas normas de vida, e que somente nos submetendo aelas poderemos ter uma consciência pura diante dEle. Não! Uma consciência pura não está nunca baseada sobre uma vitória que tenhamosconseguido; ela só pode ser estabelecida sobre a obra que o Senhor Jesus cumpriuvertendo o seu sangue. Posso errar, mas tenho a impressão muito forte que alguns de nós temos, às vezes,sentimentos como estes: "Hoje eu fui mais amável; hoje eu agi melhor; esta manhã li aPalavra de Deus de forma mais recolhida, então posso orar melhor!", ou, ainda: "Hoje eutive algumas dificuldades com a minha família, comecei o dia de péssimo humor, semjeito, e agora não me sinto tão cômodo assim; parece que alguma coisa não está indobem; não posso, porém, me aproximar de Deus". Qual é, afinal, a base sobre a qual vocês se aproximam de Deus? Vão a Ele sobre ofundamento incerto dos seus sentimentos, pensando que hoje conseguiram fazer algumacoisa para Ele? Ou vocês se apóiam sobre um fundamento muito mais seguro, ou seja,sobre o fato que o sangue foi vertido e que, vendo esse sangue, Deus está satisfeito?Naturalmente, se tivesse sido possível conceber que a virtude do sangue pudesse sermudada, a base sobre a qual nos aproximamos de Deus seria menos digna de confiança.Porém, a virtude do sangue nunca mudou e nunca mudará. Podemos, então, nos achegarsempre a Deus com certeza, e esta segurança a obtemos através do sangue, e nuncapelos nossos méritos pessoais. Qualquer seja a medida dos nossos méritos de hoje, deontem ou de anteontem, apenas nos chegamos com plena consciência ao lugar trêsvezes santo, é preciso imediatamente que nos apoiemos sobre o terreno seguro e únicodo sangue vertido. Se o nosso dia foi bom ou ruim, se pecamos a sabendas ou não, ofundamento sobre o qual nos aproximamos a Deus é o mesmo: o sangue de Cristo. Ofato de este sangue ser agradável a Deus permanece a única base sobre a qual podemosentrar em sua presença; não existem outras. Como em muitas outras etapas da nossa experiência cristã, este fato do acesso aDeus se compõe de duas fases, uma inicial e uma sucessiva. A primeira estárepresentada em Efésios 2, e a segunda em Hebreus 10. No início, a nossa posiçãodiante de Deus é assegurada pelo sangue, porque nós fomos "aproximados pelo sanguede Cristo" (Ef 2:13). E imediatamente a base do nosso contínuo acesso a Deus subsisteainda no sangue; portanto o apóstolo nos exorta assim: "Tendo, pois, irmãos, ousadiapara entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, (...) Cheguemo-nos" (Hb 10:19,22).Para começar fui re-aproximado pelo sangue, e a continuação, nesta nova relação comDeus devo sempre recorrer ao sangue. Não que eu tenha sido salvado sobre uma certabase e que depois mantenha a minha comunhão com Deus sobre uma outra base. Vocêsdirão: "Isto é muito simples; é o ABC do Evangelho". Sim, porém é um fato que muitosde nós nos temos distanciado deste ABC. Temos pensado de ter feito progressos e de tê-lo assim superado, mas nunca poderemos fazer isto. Não, eu me aproximei de Deus aprimeira vez através do sangue, e a cada vez que me apresento a Ele é pelo mesmomeio. Até o fim será assim, sempre e unicamente sobre a base do sangue de Cristo. Isto não significa de maneira alguma que devamos viver uma vida despreocupada; defato, estudaremos mais tarde um outro aspecto da morte de Cristo, que mostrará avocês uma coisa completamente diferente. Porém de momento, contentemo-nos com osangue que está conosco e nos é suficiente. Podemos ser fracos, mas considerando anossa debilidade não ficaremos mais fortes. Nem também não tentando de sentir a nossamiséria e fazendo penitência nos tornaremos mais santos. Não encontraremos nenhumaajuda neste sentido. Tenhamos então a coragem de encostar-nos em Deus confiando nosangue, e digamos: "Senhor, eu não conheço bem o valor do sangue, mas sei que osangue tem Te satisfeito, portanto, o sangue me basta, e é o meu único refúgio. Vejo 7
  8. 8. agora que, tenha eu realizados progressos ou não, tenha eu melhorado ou não, nãoposso nunca me apresentar diante de Ti senão sobre o fundamento do precioso sangue".Então a nossa consciência ficará verdadeiramente livre diante de Deus. nenhumaconsciência poderá nunca ser purificada fora do sangue. É o sangue que nos dásegurança diante de Deus; "De outra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque,purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado", esta é apoderosa expressão de Hebreus 10:2. Somos purificados de cada pecado; podemos fazereco com Paulo às palavras de Davi: "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor nãoimputa o pecado" (Romanos 4:8). A VITÓRIA SOBRE O ACUSADOR Depois de tudo que já temos considerado, podemos agora enfrentar o inimigo, porqueexiste ainda um outro aspecto da virtude do sangue, aquele que nos resguarda deSatanás. A atividade mais viva de Satanás neste tempo consiste em ser o acusador doscrentes: "...porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nossoDeus os acusava de dia e de noite" (Apocalipse 12:10). É nesta ação sua que o nosso Senhor o enfrenta com o seu particular ministério deSumo Sacerdote, "por meio do seu próprio sangue" (Hb 9:12). Qual é, então, a obra do sangue contra Satanás? Ela consiste em colocar a Deus departe do homem, contra Satanás. A queda produziu no homem uma condição que tempermitido o adversário entrar em contato com ele, com o resultado de forçar Deus a seretirar. O homem está agora fora do Jardim do Éden, já não pode ver mais a glória deDeus: "...todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23), porque,inteiramente, o homem transformou-se num estranho para Deus. Como conseqüência doque o homem tem feito, existe agora alguma coisa nele que impede Deus de defendê-lo,até que o obstáculo seja removido. Mas o sangue de Cristo tirou esta barreira; restituiu ohomem a Deus e Deus ao homem. O homem está agora sob a proteção divina, e devidoa que Deus o acompanha, Ele pode sem temor enfrentar Satanás. Vocês se lembrarão daquele versículo da primeira epístola de João, e esta é atradução que eu prefiro: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de cada pecado" (1Jo 1:7). Não é exatamente "todos os pecados", no sentido geral, mas de cada pecado,cada um detalhadamente. O que significa isto? É uma coisa maravilhosa! Deus está na luz, e se caminhamos com Ele na luz, tudo fica exposto e descobertodiante desta luz, e assim Deus pode ver tudo perfeitamente, enquanto o sangue deCristo pode purificar-nos de cada pecado. Que purificação! Isto não significa que eu nãoconheça profundamente a mim mesmo, ou que Deus não me reconheça perfeitamente.Não é que eu procure escondê-Lhe alguma coisa, nem que tente de não vê-Lo. Não,acontece que Ele é a luz, que também eu estou na luz e que ali o sangue precioso mepurifica de cada pecado. O sangue tem condições de fazer isto! Alguém, oprimido pela sua debilidade, poderia ser tentado a pensar que existempecados imperdoáveis. Lembremo-nos então destas palavras: "O sangue de Jesus Cristo,seu Filho, nos purifica de cada pecado". Grandes pecados, pequenos pecados, pecadosque podem parecer tão pretos e pecados que não nos parecem tão graves, pecados queeu acredito possam ser perdoados e pecados que achamos imperdoáveis, sim, todos ospecados, conscientes ou inconscientes, tanto aqueles de que eu me lembro como aquelesque já esqueci, estão contidos nestas palavras: "cada pecado". "O sangue de JesusCristo, seu Filho, nos purifica de cada pecado". E pode fazê-lo porque em primeiro lugarsatisfaz o Pai. E se Deus, que vê todos os nossos pecados à luz, pode perdoá-los graças ao sangue,qual fundamento de acusação resta a Satanás? Ele pode nos acusar diante de Deus,porém, "se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8:31). Deus lhe mostra o sangue de seu Filho dileto e esta é a resposta suficiente à qualSatanás não pode replicar de maneira alguma. "Quem intentará acusação contra osescolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quemmorreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, etambém intercede por nós." (Rm 8:33-34). Temos ainda, no obstante, a necessidade dereconhecer a eficácia absoluta do sangue precioso. "Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdotedos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é,não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue,entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção." (Hb 9:11-12).8
  9. 9. Ele foi Redentor uma vez, e agora, quase dois mil anos depois, é Sumo Sacerdote eAdvogado. Ele está na presença de Deus e é a "propiciação pelos nossos pecados" (1 Jo2:1). Notemos bem as palavras de Hebreus 9:14: "Quanto mais o sangue de Cristo (...)purificará as suas consciências...". Estas palavras sublinham a eficácia perfeita do seuministério, que é suficiente perante Deus. Qual deverá ser a nossa postura a respeito deSatanás? Esta pergunta é importante porque o inimigo nos acusa não somente diante deDeus, mas também em nossas próprias consciências: "Você pecou e continua a pecar.Você é fraco, e Deus não pode fazer nada por você". Estas são as armas das quais seserve Satanás. Então somos tentados de olhar dentro de nós, para tratar de achar em nós mesmos,em nossos sentimentos ou em nossa conduta, uma razão para acreditar que Satanásestá errado; ou então somos tentados a reconhecer a nossa debilidade e, indo até ooutro extremo, de abandonar-nos ao desencorajamento e à desesperação. A acusaçãoconverte-se assim em uma arma de Satanás, a mais forte e eficaz. Ele nos mostranossos pecados e procura acusar-nos diante de Deus, e se não reconhecemos a fraquezadas suas acusações, caímos em seguida em desespero. Ora, a razão pela qual aceitamostão facilmente as acusações de Satanás é que esperamos ainda achar alguma justiça emnós. Mas o fundamento de nossa esperança é falso e assim o adversário alcançou seuobjetivo, que consiste em fazer-nos olhar para a direção errada, dando-lhe assim o modode nos deixar sem forças para resistir. Porém, se temos aprendido a não confiar nacarne, não ficaremos surpresos quando cairmos em algum pecado, porque a naturezaprópria da carne é o pecado. Compreendem o que quero dizer? Porque não conseguimosainda conhecer a nossa verdadeira natureza, nem ver o impotente que somos, temosainda alguma confiança em nós mesmos, e somos ainda esmagados pelas acusações deSatanás. Deus tem o poder de regularizar a questão dos nossos pecados, mas nada podefazer por um homem que está sob acusação, até que este homem não colocacompletamente a sua confiança no sangue de Cristo. O sangue fala em seu favor, porémo homem dá ouvidos a Satanás. Cristo é o nosso advogado, mas nós, os acusados, nossentamos ao lado do nosso acusador. Não compreendemos que somos dignos somentede morte; que, como veremos em seguida, só podemos ser crucificados de todas asmaneiras. Não temos ainda compreendido que somente Deus pode responder aoacusador e que já o fez com o sangue precioso de seu Filho. A nossa salvação consisteem voltar o nosso olhar ao Senhor Jesus, e em ver que o sangue do Cordeiro temenfrentado toda a situação gerada pelo nosso pecado, e a tem resolvido. Este é o fundamento seguro com o qual podemos contar. Não deveremos nuncaprocurar responder a Satanás com a nossa boa conduta, mas sempre com o sangue deJesus. Sim, somos pecadores, mas —louvado seja Deus!—, o sangue nos purifica de cadapecado. Deus olha para o sangue pelo qual seu Filho respondeu a acusação, e Satanásnão tem mais base para nos atacar. A nossa fé no precioso sangue e a nossa recusa deabandonar esta segura posição podem, sozinhas, reduzir ao silencio as acusações deSatanás e pô-lo em fuga. "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre osmortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." (Rm 8:33-34). E assim será até o fim: "E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra doseu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte" (Ap 12:11). Que liberaçãopara nós discernirmos melhor o valor que tem, aos olhos de Deus, o sangue precioso deseu Filho dileto! CAPÍTULO 2 – A CRUZ DE CRISTO Temos visto que os oito primeiros capítulos da epístola aos Romanos podem serdivididos em duas partes. Foi-nos mostrado, na primeira parte, que o sangue age segundo o que temos feito;enquanto, na segunda parte, veremos que a Cruz1 age segundo o que nós somos. 1 O autor aqui, e através deste estudo, usa o termo "a Cruz" num sentido particular. Muitosleitores conhecerão bem o uso da expressão "a Cruz" para significar, em primeiro lugar, a inteiraobra redentora cumprida historicamente na morte, sepultura, ressurreição e ascensão do SenhorJesus (Fp 2:8-9); e, em segundo lugar, num sentido mais amplo, a união dos crentes com Eleatravés da graça (Romanos 6:4; Efésios 2:5-6). Desde o ponto de vista de Deus, neste uso dotermo, a função de "o sangue" em relação ao perdão dos pecados (como tratado no capítulo 9
  10. 10. Precisamos do sangue de Jesus para o perdão; e precisamos da Cruz para ser liberados.Tratamos brevemente nas páginas precedentes o primeiro aspecto e nos deteremosagora no segundo; porém, antes de fazê-lo, consideraremos ainda algum outro passoimportante, referente em toda esta seção que sublinha a diferença entre o tema tratadoe os pensamentos seguidos nestas duas partes. OUTRA DISTINÇÃO Dois aspectos da ressurreição são mencionados nas duas partes, com referências aoscapítulos 4 e 6. na epístola aos Romanos, 4:25, a ressurreição do Senhor Jesus estáligada à nossa justificação: "O qual (Jesus) por nossos pecados foi entregue, eressuscitou para nossa justificação." O tema em vista neste fragmento é a nossa posiçãodiante de Deus. mas em Romanos 6:4 a nossa ressurreição nos é mostrada como o domde uma nova vida, com vistas a um caminho santificado: "...para que, como Cristo foiressuscitado (...) assim andemos nós também em novidade de vida". A palavra que estáaqui diante de nós tem a ver com o nosso caminho diante de Deus. Por outra parte, sefala da paz nos capítulos 5 e 8. Romanos 5 fala da paz com Deus que é o fruto dajustificação mediante a fé em seu sangue: "Tendo sido, pois, justificados pela fé, temospaz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1). Isto significa que havendo eurecebido o perdão pelos meus pecados, Deus já não mais será para mim causa de terrore de angústia. Eu, que era inimigo de Deus, fui "reconciliado com Ele pela morte de seuFilho" (Rm 5:10). Porém, em seguida, me lembro que estou por mim mesmo sujeito agrande tormento. Existe ainda incerteza em mim, porque há no fundo do meu "eu"alguma coisa que me empurra a pecar. Tenho a paz com Deus, mas não tenho a pazcomigo mesmo. Existe, de fato, a guerra no meu coração. Há uma descrição muito claraem Romanos 7, onde a carne e o espírito desencadearam um conflito mortal em mim.Mas partindo daqui, a Palavra nos conduz ao capítulo 8, à paz interior pelo caminhosegundo o Espírito. "Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito évida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita àlei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8:6-7). Prosseguindo ainda no nosso estudo, vemos que a primeira metade da segunda seçãotrata em geral da questão da justificação. Veja por exemplo: "Sendo justificadosgratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deuspropôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pelaremissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração dasua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que temfé em Jesus." (Romanos 3:24-26). E ainda: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua félhe é imputada como justiça (...) Mas também por nós, a quem será tomado em conta,os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; o qualpor nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação." (Romanos4:5,24-25). A segunda metade da seção tratada, pelo contrário, tem como sujeito principal ointerrogativo correspondente à santificação. De fato, em Romanos 6:19 e 22 diz: "...poisque, assim como apresentastes os seus membros para servirem à imundícia, e àmaldade para maldade, assim apresentai agora os seus membros para servirem à justiçapara santificação (...) Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes oseu fruto para santificação, e por fim a vida eterna". Então, quando conhecemos apreciosa verdade da justificação pela fé, conhecemos somente a metade. Temosresolvido somente o problema de nossa posição diante de Deus mas, à medida queavançamos no conhecimento, Deus tem alguma coisa a mais para nos oferecer; ou seja,a solução do problema de nossa conduta. O desenvolvimento do pensamento, nestescapítulos da epístola aos Romanos, sublinha a importância deste ponto. O segundo passoé o resultado do primeiro e se nós ficamos no primeiro teremos uma vida cristã aindaimperfeita, ou por debaixo do normal.precedente), é claramente incluída (com tudo que se segue neste estudo) como uma parte da obrada Cruz. Neste e nos seguintes capítulos, contudo, o autor foi constrangido, por falta de um termoalternativo, a utilizar "a Cruz" num sentido doutrinário muito mais particular e limitado, a fim detraçar uma útil distinção entre a substituição e a identificação, como sendo, de um ponto de vistahumano, dois aspectos separados da doutrina da redenção. Portanto, o nome do inteiro e usado por uma das partes. O leitor deverá ter presente isto nostextos que se segue (N. do E.).10
  11. 11. Como podemos, então, viver uma vida cristã normal? Como poderemos fazer? Épreciso, naturalmente, começar por resolver o perdão dos pecados; é necessária ajustificação e a paz com Deus: isto constitui um fundamento indispensável. Porém, umavez estabelecida esta base como o nosso primeiro ato de fé em Cristo, fica claro, do queprecede, que devemos avançar para alguma coisa a mais. Assim vemos que o sanguetem efeito sobre os nossos pecados. O Senhor Jesus os levou em nosso lugar sobre aCruz, como nosso substituto, e assim obteve o perdão para nós, a justificação e areconciliação. Mas devemos, agora, dar um passo adiante no conhecimento do plano deDeus para compreender como age sobre o princípio do pecado que há em nós. O sanguepode cancelar os meus pecados, mas não pode suprimir meu "velho homem". É precisoque a Cruz o faça morrer. O sangue deixa os pecados de lado, mas é necessária a Cruzpara pôr de lado o pecador. Acharemos raramente a palavra "pecador" nos primeiros quatro capítulos da epístolaaos Romanos, porque não são os pecadores o alvo principal, mas o pecado que têmcometido. A palavra "pecador" aparece pela primeira vez no capítulo 5, e é importanteobservar como é introduzida a idéia do pecador. Diz-se neste capítulo que o pecador éassim porque nasceu pecador, e não porque cometeu pecados. A diferença é importante.É verdade que amiúde, para convencer o homem da rua de que é um pecador, o servodo Senhor utiliza a instância bem conhecida de Romanos 3:23, onde diz que "todospecaram"; mas o uso deste texto não está estritamente de acordo com as Escrituras. Osversículos que são utilizados assim comumente podem, às vezes, pôr em perigo aintegração e conduzir a uma conclusão errada. De fato, a epístola aos Romanos nãoensina que sejamos pecadores porque cometemos pecados, senão que cometemospecado porque somos pecadores. Somos pecadores por natureza, antes que pelo nossocomportamento. Como declara Romanos 5:19: "pela desobediência de um só homem,muitos foram feitos pecadores". Como nos convertemos em pecadores? Peladesobediência de Adão. Nós não nos convertemos em pecadores por aquilo que fizemos,mas a causa daquilo que Adão fez e daquilo em que se converteu. Eu falo inglês, masisso não me converte num inglês. Eu sou em verdade chinês. Assim, o capítulo 3 chamaa nossa atenção para o que temos feito. "Todos pecaram", mas não é porque pecamosque nos convertemos em pecadores. Um dia fiz esta pergunta a uma aula de escolares:"Quem é um pecador?" A resposta imediata deles foi: "Aquele que peca". Sim, aqueleque peca é um pecador, mas o fato de que peca é simplesmente a prova de que ele já éum pecador, não é a causa. Aquele que peca é um pecador, porém também é verdadeque aquele que não peca, mas pertence à raça de Adão, é igualmente um pecador eprecisa de redenção. Vocês me seguem? Existem maus pecadores e também bons;existem pecadores "morais" e pecadores "corruptos"; porém todos são igualmentepecadores. Nós pensamos, às vezes, que se não tivéssemos feito certas coisas, tudo iriamelhor; mas o mal está escondido muito mais profundamente que naquilo que nós temoscometido: está dentro de nós. Um chinês pode ter nascido em América e ser incapaz defalar uma palavra em chinês, mas isto não evita que fique chinês pelo fato de que ele échinês. É o nascimento, a origem o que conta. Assim, eu sou um pecador porque nasciem Adão. Não é pela minha conduta, mas pela minha herança, pela minha ascendência.Não sou um pecador porque peco, mas peco porque desço de uma cepa malvada. Eupeco porque sou um pecador. Nós nos inclinamos a pensar que aquilo que temoscometido é muito mau, porém que nós mesmos não somos tão maus. No entanto, oSenhor quer nos fazer compreender que a nossa natureza é malvada, fundamentalmentemalvada. A raiz do mal é o pecado; é necessário agir sobre ele. Os nossos pecados sãolavados pelo sangue, porém quanto a nós mesmos, devemos morrer sobre a Cruz. Osangue nos assegura o perdão para tudo o que temos feito; a Cruz nos assegura aliberação daquilo que somos. A CONDIÇÃO NATURAL DO HOMEM Temos assim chegado a Romanos 5:12: "Portanto, como por um homem entrou opecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos oshomens por isso que todos pecaram." Nesta grande passagem, a graça é colocada em contraste com o pecado, e aobediência de Cristo é oposta à desobediência de Adão. Este fragmento fica no início dasegunda parte da carta aos Romanos (de 5:12 até 8:3) de que, agora, nos ocuparemosmais particularmente, e o tema que aqui é tratado conduz de uma conclusão que será abase de todas as meditações que seguirão. Qual é esta conclusão? A achamos noversículo 19, citado acima: "Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos 11
  12. 12. foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos". OEspírito de Deus busca aqui mostrar-nos como éramos antes e no que nos convertemosdepois. No inicio de nossa vida cristã estamos preocupados com as nossas ações e não com anossa natureza; estamos entristecidos mais com aquilo que temos feito que com aquiloque somos. Imaginamos que se pudéssemos só reparar certas ações, poderíamos serbons cristãos e nos esforçamos, então, para mudar nossa maneira de agir. Mas oresultado não é o que esperamos. Reparamos, desalentados, que o mal não provémsomente das dificuldades exteriores, mas que há, em efeito, uma causa mais grave emnosso interior. Desejamos que o Senhor goste de nós, mas achamos em nós algumacoisa que não deseja gostar dEle. Buscamos de sermos humildes, mas há alguma coisaem nossa natureza que rejeita a humildade. Desejamos amar, mas não há amor em nós.Sorrimos e procuramos aparecer muito amáveis, mas intimamente nos sentimos muitolonge da verdadeira bondade. Porém tentamos corrigir o nosso exterior, mais reparamosquão profundas são as raízes do mal. Então, vamos ao Senhor e lhe dizemos: "Senhor,agora vejo! Não é só que faço o mal; eu mesmo sou malvado". A conclusão de Romanos 5:19 começa a iluminar o nosso coração. Somos pecadores.Somos membros de uma raça de criaturas que, pela sua constituição, são muitodiferentes daquilo que Deus tinha planejado. A causa da queda, uma mudançafundamental si produziu no caráter de Adão, que o converteu num pecador, num homemincapaz, por natureza, de gostar a Deus; o parecido que nós temos com a família não ésimplesmente superficial, senão que abrange inteiramente a nossa natureza interior.Fomos "constituídos pecadores". Como chegamos a isto? "Pela desobediência de um só",diz o apóstolo. Permitam-me ilustrar este fato com uma analogia. O meu nome é Nee. É um nomechinês muito comum. Como eu o recebi? Não fui eu que o escolhi. Não examinei a listade nomes chineses para eleger este. O fato que o meu nome seja Nee não depende emnada de mim, e meu pai era Nee porque meu avô era Nee, etc... Se eu atuo como umNee sou um Nee, e se não atuo como um Nee, igualmente sou um Nee. Se eu virassePresidente da República China serei Nee, e se me tornasse mendigo ainda seria Nee.Nada do que eu faça ou deixe de fazer poderá me converter numa outra coisa que nãoseja Nee. Nós somos pecadores não a causa de nós mesmos, mas por causa de Adão. Eusou pecador não porque peco individualmente, mas porque eu estava em Adão quandoele pecou. Porque desço de Adão, sou uma parte dele. E, ainda mais, não posso fazernada para mudar isso. Nem sequer melhorando a minha conduta posso fazer de mimmesmo outra coisa que não seja uma parte de Adão, ou seja, um pecador. Um dia na China, eu falava sobre isto e fiz esta afirmação: "Nós todos pecamos emAdão". Um homem disse: "Não entendo". Eu tentarei então de me explicar deste modo:"Todos os chineses têm a sua origem em Huang-Ti. Quatro mil anos atrás, entrou emguerra com Si-Iu. Seu inimigo era fortíssimo, porém, Huang-Ti venceu Si-Iu e o matou.Depois disso, Huang-Ti fundou a nação chinesa. Ora, onde nós estaríamos se Huang-Tinão tivesse vencido e matado seu inimigo, mas tivesse sido morto ele mesmo? Ondeestariam vocês?" "Eu não existiria", disse o meu interlocutor. "Ah, não! Huang-Ti podiamorrer sua morte, porém vocês podiam de qualquer jeito viver as suas vidas"."Impossível!", gritou aquele homem. "Se ele tivesse morrido, eu nunca poderia tervivido, porque é dele que eu recebi a vida, de sua descendência". Vemos nós a unidade da vida humana? A nossa vida vem de Adão. Se seu avô fossemorto na idade de três anos, onde estariam vocês? Teriam morrido nele! A sua existênciaestá ligada à dele. Ora, exatamente da mesma maneira a existência de cada um devocês está ligada à de Adão. Ninguém pode dizer: "Eu nunca estive no Éden", porquevirtualmente nós estávamos lá quando Adão cedeu às palavras da serpente. Estamos,então, todos implicados no pecado de Adão, e a causa do nosso nascimento em Adãoherdamos dele todo aquilo em que ele se converteu como conseqüência do seu pecado,ou seja, a natureza de Adão, que é a natureza do pecador. Temos recebido dele a nossaexistência física e, como sua vida se converteu numa vida de pecado, numa naturezapecaminosa, a natureza que nós temos dele é também pecaminosa. Assim, como jádissemos, o mal é a nossa herança, não somente no nosso agir. A menos que possamosmudar o nosso nascimento, não há liberação para nós. Mas é precisamente nesta direçãoque acharemos a solução do nosso problema, porque é exatamente assim que Deus ofez. COMO EM ADÃO, ASSIM EM CRISTO12
  13. 13. Em Romanos 5:12-21 não si fala somente de Adão; também se fala do Senhor Jesus."Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte,assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram". Em Adãorecebemos tudo o que é de Adão; em Cristo recebemos tudo o que é de Cristo. As expressões "em Adão" e "em Cristo" são suficientemente entendidas pelos cristãose, a risco de me repetir, gostaria de sublinhar ainda com uma demonstração o significadohereditário e racial da expressão "em Cristo". Esta demonstração encontra-se na cartaaos Hebreus. Vocês se lembram que, na 1° parte desta carta, o autor trata dedemonstrar que Melquisedeque é maior que Levi? Recordarão que o argumento parademonstrar é que o sacerdócio de Cristo é maior que aquele de Arão, que pertencia àtribo de Levi. Ora, para demonstrar isto, o autor deve provar que o sacerdócio deMelquisedeque é maior do que aquele de Levi, pela simples razão que o sacerdócio deCristo é "segundo a ordem de Melquisedeque". É bem notório que o nosso Senhor surgiuda tribo da Judá, acerca da qual Moisés nada disse que concernisse ao sacerdócio. E acoisa é ainda mais evidente se surge, a semelhança de Melquisedeque, um outroSacerdote que foi feito tal não em teor de uma lei de prescrições humanas, mas emvirtude do poder de uma vida indissolúvel; porque lhe é rendido este testemunho: "Tu éssacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 7:17). Ao contrário, osacerdócio de Arão foi, naturalmente, segundo a ordem de Levi. Se o autor pode nosdemonstrar que Melquisedeque, aos olhos de Deus, é maior que Levi, ele conseguiu oseu objetivo e o prova de maneira notável. No capítulo 7 dos Hebreus se diz que Abraão, um dia, voltando da batalha dos Reis(Gênesis 14), ofereceu a décima parte do seu botim a Melquisedeque e foi por eleabençoado. Se Abraão ofereceu a décima parte a Melquisedeque, significa que Levi eramenos importante que Melquisedeque. Por quê? O fato de que Abraão fez a ofertasignifica também que Isaque, "em Abraão", ofereceu a Melquisedeque. Mas se isso eraverdade, então também Jacó "em Abraão", o que, pela sua vez, significa que tambémLevi "em Abraão" fez a sua oferta a Melquisedeque. Ora, sem contradição, o inferior éabençoado pelo superior (Hebreus 7:7). Levi está numa posição inferior à deMelquisedeque, e portanto o sacerdócio de Arão é inferior àquele do Senhor Jesus. Levi,na época da batalha dos Reis, não tinha sido ainda nem sequer concebido, porém jáestava "nos lombos de seu pai (Abraão)" e, por assim dizer, através de Abraão ele"pagou dízimos" (Hebreus 7:9-10). Este é de fato o exato significado do termo "em Cristo". Abraão, como cabeça da família da fé, inclui em si mesmo a inteira família. Quandoele fez a sua oferta a Melquisedeque, a inteira família fez aquela oferta nele. Eles nãoofereceram separadamente como indivíduos, mas estavam nele, portanto ao fazer a suaoferta ele incluiu em si a sua descendência. Assim, nos é apresentada uma novapossibilidade. Em Adão todos estamos perdidos. Através da desobediência de um homemnós fomos todos constituídos pecadores. Por meio dele entrou o pecado e, através dopecado, a morte; e através de toda a raça o pecado reinou, daquele dia em diante, paraa morte. Mas agora um raio de luz foi jogado sobre a cena. Através da obediência de umOutro nós podemos ser constituídos justos. Onde o pecado abundou, a graçasuperabundou, e como o pecado reinou dando a morte, assim pode a graça reinaratravés da justiça, dando a vida eterna por meio de Jesus Cristo nosso Senhor (Rm5:19-21). A nossa desesperança está em Adão; a nossa esperança, em Cristo. O MEIO DIVINO DA LIBERAÇÃO Deus deseja certamente que esta consideração nos conduza à liberação prática dopecado. Paulo o mostra muito claramente quando inicia o capítulo 6 de sua carta aosRomanos com esta pergunta: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado?" todo seuser se rebela diante do pensamento de uma tal possibilidade. "De modo nenhum!",exclama. Como poderia um Deus Santo estar satisfeito de ter filhos impuros eencadeados ao pecado? Assim, "como viveremos ainda nele (no pecado)?" (Rm 6:1-2).Deus tem, então, providenciado um meio poderoso e eficaz para liberar-nos do domíniodo pecado. Mas é esse o nosso problema; nascemos pecadores, como podemos eliminara nossa herança de pecado? Se somos nascidos em Adão, como poderemos sair deAdão? Deixem-me dizê-lo em seguida, o sangue de Cristo não pode nos fazer sair deAdão. Solo nos resta um único meio. Já que entramos na raça de Adão através donascimento, só poderemos sair através da morte. Para pôr fim a nossa naturezapecaminosa é necessário pôr fim a nossa vida. A escravidão do pecado veio pelonascimento; a liberação do pecado vem com a morte —e é esse precisamente o meio de 13
  14. 14. liberação que Deus dispus. A morte é o segredo da liberação. "Nós, que estamos mortospara o pecado..." (Rm 6:1). Mas como podemos morrer? Muitos de nós, talvez, temos realizado enormes esforçospara livrar-nos deste estado de pecado, só para achá-lo ainda mas tenaz. Qual será,então, a saída? Não certamente tratando de matar-se, senão somente com oreconhecimento de que Deus tem resolvido o nosso problema "em Cristo". Isto éretomado na declaração sucessiva do apóstolo Paulo: "...todos quantos fomos batizadosem Jesus Cristo fomos batizados na sua morte" (Rm 6:3). Todavia se Deus temprovidenciado a nossa morte "em Jesus Cristo", é necessário que nós sejamos "nEle"para que isto seja verdade; e isto parece um problema tão difícil. Como podemos sercolocados "em Cristo"? Também aqui Deus vem em nosso auxílio. De fato, nós nãopossuímos meio algum de assumir a nossa posição em Cristo, porém, e o que é maisimportante, não temos a necessidade de procurar fazê-lo, porque já estamos "emCristo". Isso que nós não podíamos fazer por nós mesmos, Deus tem realizado por nós.Ele nos colocou em Cristo. Lembrem de 1 Coríntios 1:30. Acredito que este seja um dosmais preciosos versículos de todo o Novo Testamento: "Vós sois dele, em Jesus Cristo".Como? Por meio dEle: "...o qual para nós foi feito por Deus" Louvado seja Deus! Não nos deu a preocupação de procurarmos um meio para sermos"em Cristo". Não precisamos predispor a nossa nova posição. Deus o tem feito por nós; enão somente tem predisposto a nossa posição em Cristo, mas também a cumpriu.Estamos já em Cristo; não temos, então, necessidade de esforçar-nos para estar nEle.Este é um fato divino, e foi cumprido. Ora, se isto é verdade, então se seguem algumascoisas. Na demonstração de Hebreus 7, que temos já considerado, vimos que "emAbraão" todo Israel —e portanto Levi, que ainda não tinha nascido— ofereceu o dizimo aMelquisedeque. Não ofereceram separada ou individualmente, mas estavam em Abraãoquando ele ofereceu, e a sua oferta abrangeu toda a sua progênie. Esta, então, é averdadeira figura de nós mesmos "em Cristo". Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz,todos nós morremos —não separadamente, porque não tínhamos ainda nascido—, masmorremos nEle porque já éramos nEle. "Um morreu por todos, logo todos morreram" (2Coríntios 5:14). Quando Ele foi crucificado, todos nós fomos crucificados, lá, com Ele.Freqüentemente, quando se predica nas cidades chinesas, é necessário usar exemplosmuito simples para verdades divinas muito profundas. Lembro-me que um dia peguei umlivro, coloquei nele um pedacinho de papel, e disse àquelas pessoas tão símplices:"Agora prestem muita atenção. Pego um pedacinho de papel. Ele tem uma identidadecompletamente diferente da do livro. Neste momento não o necessito, e o guardo dentrodo livro. Agora faço alguma coisa com este livro. O envio para Xangai. Não envio opedacinho de papel, porém o pedacinho de papel foi colocado dentro do livro. O queacontece com o pedacinho de papel? Poderá o livro ir para Xangai e o pedacinho de papelque está dentro dele ficar aqui? Pode o pedacinho de papel levar uma sorte diferente àdo livro, se está dentro dele? Não! Aonde vá o livro, lá irá igualmente o pedacinho depapel. Se deixar cair o livro no rio, também o pedacinho de papel cairá nele, e se euvolto pegá-lo rapidamente, salvarei também o pedacinho de papel, porque ele estádentro do livro. Assim, "vós sois dele (de Deus), em Jesus Cristo". O Senhor Deus mesmo nos colocou em Cristo, e o que Ele fez a Jesus Cristo, Ele o fezà humanidade toda. O nosso destino está ligado ao dele. Aquilo que Ele atravessou, nóso atravessamos também, porque "estar em Cristo" quer dizer estar identificados com Eleem sua morte e ressurreição. Ele foi crucificado; então, o que será de nós? Pediremos aDeus para que nos crucifique a nós também? Nunca! Já que Cristo foi crucificado, todosnós fomos já crucificados nEle; e como a sua crucifixão já aconteceu, a nossa não podeainda estar no futuro. Duvido que vocês possam achar no Novo Testamento um únicotexto no qual se diga que a nossa crucifixão ainda deve acontecer. Todas as referências a ela estão na forma "aoristo", do verbo grego que indica aquiloque aconteceu "uma vez para sempre", aquilo que aconteceu "eternamente no passado"(veja Rm 6:6; Gl 2:20; 5:24; 6:14). E como ninguém pode matar-se por meio da Cruz,porque é materialmente impossível, assim também sob o ponto de vista espiritual, Deusnão nos pede para nos crucificar a nós mesmos. Já fomos crucificados quando Cristo foicrucificado, porque Deus nos colocou nEle. O fato de que estejamos mortos em Cristonão é simplesmente uma posição doutrinária, mas uma realidade eterna e inegável. O QUE A SUA MORTE E RESSURREIÇÃO REPRESENTAM E ABRANGEM O Senhor Jesus, quando morreu na Cruz, verteu seu sangue; doava assim a sua vidasem pecado para expiar os nossos pecados e satisfazer a justiça e santidade de Deus.14
  15. 15. somente o Filho de Deus podia cumprir esta obra. Nenhum homem pode ter parte nela.As Escrituras nunca tem falado que nós tenhamos vertido o nosso sangue com Cristo. Emsua obra expiatória diante de Deus, foi sozinho; mais ninguém poderia participar. Mas oSenhor não morreu somente para verter o seu sangue; Ele morreu para que nóspudéssemos morrer. Ele morreu como o nosso representante. Em sua morte, Ele abraçatodos nós, vocês e eu. Adotamos amiúde os termos "justificação" e "identificação" para descrever estes doisaspectos da morte de Cristo. Na maior parte dos casos, a palavra "identificação" é exata. Mas "identificação"poderia fazer pensar que a iniciativa seja nossa: que seja eu que me esforço emidentificar-me com o Senhor. Reconheço que o termo é apropriado, mas deveria seradotado mais além. É melhor começar pelo fato que o Senhor me incluiu em sua morte.É a morte inclusiva do Senhor o que me dá o modo de me identificar; não sou eu que meidentifico por ser incluído em sua morte. O que importa é que Deus tem me incluído emCristo. Isto é uma coisa que Deus realizou. Por esta razão, aquelas duas palavras doNovo Testamento, "em Cristo", são sempre tão preciosas ao meu coração. A morte doSenhor Jesus nos abraça, nos liga. A ressurreição do Senhor Jesus é igualmenteinclusiva. Nós paramos no primeiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios, paraestabelecer o fato de que estamos "em Jesus Cristo". Agora iremos até o fim dessamesma epístola, para ver mais profundamente o que significa isto. Em 1 Coríntios15:45-47, dois nomes ou títulos são adotados para indicar o Senhor Jesus. Ele échamado "o último Adão" e ainda "o segundo homem". As Escrituras não falam dElecomo do segundo Adão, mas como "o último Adão"; elas não falam nunca dEle como doúltimo homem, mas como "o segundo homem". É preciso sublinhar esta distinção,porque ela confirma uma cada de grande valore. Como último Adão, Cristo abrange em sitoda a humanidade; como segundo homem se converte na cabeça de uma nova raça.Achamos aqui, então, uma dupla união, uma relativa à sua morte e a outra à suaressurreição. Em primeiro lugar, a sua união com a raça como "o último Adão" iniciou-sehistoricamente em Belém para terminar na Cruz e no túmulo. Por ela Ele recolheu em simesmo tudo o que havia em Adão para levá-lo a juízo e à morte. Em segundo lugar, anossa união com Ele como "segundo homem" inicia da ressurreição para terminar naeternidade —ou seja, para não acabar nunca—, porque tendo em sua morte deixado delado o primeiro homem, no qual o desígnio de Deus não se cumpriu, Ele ressurgiu comoCabeça de uma nova raça de homens, na qual aquele desígnio será finalmenteplenamente realizado. Assim, quando o Senhor Jesus foi crucificado na Cruz, o foi como oúltimo Adão. Tudo o que estava no primeiro Adão foi recolhido e destruído com Ele.Também nós. Como último Adão, Ele cancelou a velha raça; e como segundo homem,introduziu a nova raça. Em sua ressurreição Ele avança como o segundo homem, etambém aqui nós estamos compreendidos. "Porque, se fomos plantados juntamente comele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição" (Rm 6:5). Nós morremos nEle quando era o último Adão; vivemos nEle agora que é o segundohomem. A Cruz é assim o poder de Deus que nos faz passar de Adão a Cristo. CAPÍTULO 3 – O CAMINHO PARA IR ALÉM: SABER A nossa velha vida terminou sobre a Cruz;a nossa nova vida começa na Ressurreição."Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eisque tudo se fez novo" (2 Coríntios 5:17). A Cruz dá um fim à primeira criação, e damorte surge uma nova criação em Cristo, o segundo homem. Se formos "em Adão", tudoaquilo que há em Adão nos é forçosamente transmitido; tudo se faz nossoinvoluntariamente, porque não devemos fazer nada para nos apropriarmos disso. Nãotemos necessidade de tomar uma decisão para irar-nos, ou para cometer qualquer outropecado, porque tudo nos chega espontaneamente, queiramos ou não. Do mesmo jeito,se formos "em Cristo", tudo aquilo que é "em Cristo" é nosso pela graça, sem esforçoalgum de nossa parte, mas sobre a base da simples fé. Porém dizer que tudo o que precisamos é nosso "em Cristo" por pura graça, ainda queseja verdade, pode parecer impossível de se atuar na prática. Como acontece isso navida? Como pode converter-se em real em nossa própria experiência? Estudando os capítulos 6, 7 e 8 da epístola aos Romanos, veremos que existem quatrocondições necessárias para uma vida cristã normal. Elas são: 1) Saber; 2) Considerar; 3)Confiar em Deus; 4) Caminhar segundo o Espírito; na ordem em que são apresentadas. 15
  16. 16. Se nós desejamos viver aquela vida, deveremos aceitar e submeter-nos a estas quatrocondições, não cumprir somente uma ou duas, ou três, senão todas, as quatro. Ao passoque estudemos cada uma delas, confiemo-nos no Senhor para que Ele ilumine a nossainteligência com o seu Santo Espírito e peçamos agora o Seu auxílio para realizar oprimeiro grande passo, examinando a primeira condição: Saber. A NOSSA MORTE COM CRISTO É UM FATO HISTÓRICO O passo que está agora diante de nós está em Romanos 6:1-11: "Que diremos pois?Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, queestamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todosquantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?..." Nestesversículos fica claramente demonstrado que em sua morte o Senhor Jesus foi o nossorepresentante e que incluiu todos nós. Em sua morte todos nós morremos. Ninguémpode progredir espiritualmente se não compreende isto. Como não poderemos serjustificados se não vemos que Ele carregou os nossos pecados na Cruz, assim tambémnão poderemos realizar a santificação se não temos assumido que nós morremos na Cruzcom Ele. Não somente os nossos pecados foram colocados sobre Ele, mas nós mesmosfomos colocados dentro dEle. Como vocês receberam o perdão? Porque vocês compreenderam que o Senhor Jesusmorreu como seu substituto, e que levou sobre Ele os seus pecados e que o Seu sanguefoi vertido para lavar as suas iniqüidades. Quando viram que os seus pecados foramcancelados sobre a Cruz, o que fizeram? Dizeram: "Senhor Jesus, te suplico, vem morrerpelos meus pecados?" Não, não Lhe pediram nada; vocês simplesmente agradeceram.Não Lhe pediram de morrer por vocês, porque entenderam que Ele já o tinha feito. Ora, se é verdade que vocês já receberam o perdão, é também verdade que foramliberados. A obra foi cumprida. Não é necessário mais pedir, mas somente louvar. Deusnos colocou a todos em Cristo para que, mediante sua crucifixão, nós fossemoscrucificados com Ele. Não temos, então, mais necessidade de pedir: "Eu sou uma criatura tão malvada,Senhor, te rogo, crucifica-me". Isto não seria justo. Vocês não pediram, antes, pelosseus pecados; por que pedir, agora, por vocês mesmos? Os seus pecados foramcancelados pelo sangue de Cristo, e a sua natureza foi renovada com a sua Cruz. É umfato cumprido. Tudo quanto resta é louvar ao Senhor, porque quando Cristo morreuvocês também morreram; morreram nEle. Louvem-No por isso tudo, e vivam em sua luz!"Então creram nas suas palavras, e cantaram os seus louvores" (Salmo 106:12). Acreditam na morte de Cristo? Naturalmente que vocês acreditam. Mas a mesmaSanta Escritura que nos diz que Ele morreu por nós, diz também que nós morremos comEle. Voltemos ler: "Cristo morreu por nós" (Rm 5:8). Esta primeira asserção ésuficientemente clara; as seguintes o serão menos? "O nosso homem velho foi com elecrucificado" (Rm 6:6). "Já morremos com Cristo" (Rm 6:8). Quando fomos crucificados com Ele? Qual é a data da crucifixão do nosso velhohomem? Será amanhã? Foi ontem? Ou talvez hoje? Para responder estas perguntastalvez seja útil ler a declaração de Paulo sob uma outra forma: "Cristo foi crucificado com(ou seja, ao mesmo tempo) o nosso velho homem". Alguns de vocês chegaram aquijunto com alguém. Vocês fizeram o caminho juntos até aqui. Podem dizer: "O meu amigoveio aqui comigo", mas também poderiam dizer: "Eu vim aqui com o meu amigo", osignificado é o mesmo. Se um de vocês tivesse chegado aqui três dias atrás e o outrotivesse chegado somente hoje, vocês já não poderiam falar assim; porém, como vocêschegaram juntos, podem expressar o fato de um modo ou de outro, sendo os doisigualmente verdadeiros, porque as duas afirmações expressam a mesma realidade.Assim também no fato histórico podemos dizer, com o máximo respeito, porém com amesma exatidão: "Eu fui crucificado quando Cristo foi crucificado", ou então "Cristo foicrucificado quando eu fui crucificado", porque não são dois acontecimentos separados nahistória, mas um só 2. Cristo foi crucificado! Pode ser então de outra forma para mim? Ese Ele foi crucificado quase dois mil anos atrás, e eu com Ele, posso dizer que a minhacrucifixão acontecerá amanhã? A sua pode ser no passado e a minha no presente ou nofuturo? Que o Senhor seja louvado! Quando Ele morria sobre a Cruz, eu morri com Ele.Não somente Ele morria no meu lugar, mas me levou com Ele sobre a Cruz, a fim que,enquanto Ele morria, eu mesmo morresse com Ele. E se eu acredito na morte do Senhor 2 A expressão "com Ele" de Rm 6:6 inclui, naturalmente, um sentido doutrinário e um sentidohistórico (ou temporal). Só no sentido histórico a afirmação é reversível (W.N.).16
  17. 17. Jesus, posso crer na minha própria morte com a mesma certeza com a que acredito nadEle. Porque vocês acreditam que o Senhor morreu? Sobre que coisa baseiam a sua fé? Eporque sentem que morreu? Não! Vocês nunca sentiram isso. Vocês acreditam porque aPalavra de Deus diz isso. Quando o Senhor Jesus foi crucificado, dois malfeitores foramcrucificados ao mesmo tempo. Vocês não têm a mínima dúvida que eles tenham sidocrucificados com Ele, porque as Escrituras o afirmam claramente. Acreditam na morte doSenhor Jesus e acreditam na morte dos dois ladrões com Ele. Ora, o que pensam da suaprópria morte? A sua crucifixão é mais do que a deles. Eles foram crucificados junto como Senhor, mas sobre cruzes diferentes, enquanto vocês estavam nEle que Ele morreu.Como podem sabê-lo? Podem saber porque Deus o disse, e esta é uma razão suficiente.Isso não depende dos seus sentimentos. Se sentem que Cristo morreu, Ele morreu; e senão sentem que Ele tenha morrido, ainda assim Ele morreu; e se não sentem de estarmortos com Ele, ainda assim vocês estão igualmente mortos com Ele. Estes são fatos deordem divina: que Cristo morreu é um fato; que os dois malfeitores morreram, é umfato; e que vocês morreram e também um fato. Permitam-me dizer: Vocês estão mortos!Acabou para vocês. Estão fora. O "eu" que odeiam está sobre a Cruz com Cristo. E"aquele que está morto está justificado do pecado" (Rm 6:7). Este é o Evangelho para oscrentes. Não chegaremos nunca a realizar a nossa crucifixão com a nossa vontade, nempelos nossos esforços, mas somente aceitando aquilo que o Senhor Jesus cumpriu sobrea Cruz. É necessário que os nossos olhos sejam abertos sobre a obra cumprida sobre oCalvário. Talvez, algum de vocês, antes da conversão, tenha tentado obter a salvaçãopor si mesmo. Liam a Bíblia, pregavam, iam à Igreja, davam esmolas. Depois, um dia, osseus olhos foram abertos e viram que a salvação perfeita já tinha sido conquistada paravocês sobre a Cruz. A aceitaram simplesmente e agradeceram a Deus, e a paz e o gozoinundaram seus corações. E agora a boa notícia é que a sua santificação foi feita possívelexatamente sobre as mesmas bases. É-vos oferecida a liberação do pecado com omesmo dom de graça com o qual receberam o perdão dos seus pecados. Porque a viaque Deus segue para liberar-nos do pecado é completamente diferente da via do homem.A via do homem consiste em suprimir o pecado, tentando vencê-lo; a via de Deusconsiste em pôr aparte o pecador. Muitos cristãos se lamentam de suas debilidades,pensando que se fossem mais fortes tudo daria certo. A idéia que não podemos viveruma vida santa a causa de nossas debilidades, e que mais alguma coisa nos é exigida,conduz todo mundo naturalmente ao falso conceito de um meio de liberação. Seestivermos preocupados pela força do pecado que nos domina e pela nossa incapacidadede combatê-lo, concluiremos logicamente que para vencê-lo deveremos ter mais força."Se somente eu fosse mais forte...", dissemos, "poderia dominar os meus acessos decólera", e pedimos ao Senhor para fortificar-nos, a fim que possamos controlar a nossanatureza. Mas este é um erro grave; isto não é cristianismo. Os meios pelos quais Deus noslibera do pecado não consistem no fazer-nos mais fortes, senão no fazer-nos mais fracos.É certamente um modo bastante singular para nos conduzir à vitória, vocês dirão, porémé este o meio de que Deus se serve. O Senhor nos arrancou do poder do pecado não fortificando o nosso velho homem,mas crucificando-o; não o ajudando a conseguir qualquer coisa, mas colocando-o fora decombate. Talvez vocês tenham tentado durante anos, em vão, exercer um controle sobrevocês mesmos, e talvez esta seja ainda hoje a sua experiência, mas quando vejam averdade reconhecerão que são completamente incapazes de fazer qualquer coisa e que,afastando vocês, Deus cumpriu tudo, Ele mesmo no seu Filho. Esta revelação põe fim àslutas e a todos os esforços humanos. O PRIMEIRO PASSO: "SABENDO QUE..." A verdadeira vida cristã deve começar com o "saber" de forma clara e definitiva, o quenão consiste em ter simplesmente uma certa vaga consciência da verdade, nem nacompreensão de qualquer doutrina importante. Não si trata de um conhecimentointelectual, mas é preciso que os olhos de nosso coração se abram para ver o que temosem Cristo. Como sabem que os seus pecados foram perdoados? É porque o seu pastor vos disse?Não, vocês sabem. Semelhante conhecimento nos vem somente por revelação divina.Sem dúvida, o fato do perdão dos pecados encontra-se na Bíblia, mas para que aEscritura se convertesse para vocês na palavra viva de Deus, Ele vos tem dado "em seuconhecimento o espírito de sabedoria e de revelação" (Efésios 1:17). O que vocês 17
  18. 18. precisavam era conhecer Cristo daquele modo, e sempre é assim. Chega um momento, arespeito de qualquer novo conhecimento de Cristo, que quando o "conhecem" em seuscorações, o "vêem" em seu espírito. Uma luz brilhou dentro de vocês e estão plenamentepersuadidos desse fato. Aquilo que é verdade no que respeita ao perdão dos pecados,não é menos verdadeiro quanto à liberação do pecado. Uma vez que a luz de Deusesclareceu seu coração, vocês se vêem "em Cristo". Não é porque qualquer um tenhafalado para vocês, nem simplesmente porque Romanos 6 o diz. Há alguma coisa maisprofunda. Vocês sabem porque o Espírito Santo o revelou a vocês. Podem até não senti-lo ou não compreendê-lo, porém o sabem, porque o têm visto. Uma vez que vocêstenham se visto em Cristo, nada poderá abalar a sua certeza de semelhante realidadeabençoada. Se pedirem a diversos crentes que tenham começado a viver a verdadeira vida cristã,que lhes falem das experiências que os têm guiado, alguns falarão de uma experiênciaespecial, e os outros, de uma outra. Cada um falará o caminho particular que terárecorrido e citará um passo das Escrituras para apoiar as suas afirmações; a pesar disso,muitos crentes apóiam-se em suas experiências pessoais e em seus fragmentos favoritospara combater outros crentes. O fato é que, se os crentes podem alcançar uma vidacristã mais profunda por caminhos diferentes, nós não devemos considerar asexperiências ou as doutrinas que eles sublinham como reciprocamente exclusivas senão,antes bem, como complementárias. Uma coisa é verdade: todas as experiênciasverdadeiras e preciosas aos olhos de Deus devem nascer de uma nova descoberta dosignificado da pessoa e da obra do Senhor Jesus. Esta é a base decisiva e segura. Aqui neste passo, o apóstolo faz depender todas as coisas deste descobrimento."Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo dopecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6:6). A REVELAÇÃO DIVINA É A BASE ESSENCIAL DA CONSCIÊNCIA O primeiro passo que, então, deveremos dar, será pedir ao Senhor um conhecimentoatravés da revelação —não uma revelação de nós mesmos, mas da obra perfeita doSenhor Jesus na Cruz-. Hudson Taylor, o fundador da missão na China (China InlandMission) conheceu a verdadeira vida cristã, e chegou a ela na seguinte maneira. Vocêslembrarão como ele fala do problema que o atormentou por longo tempo, de como "viverem Cristo", como transferir a si mesmo o suco da videira que há nEle. Porque sabia quea vida de Cristo devia se expandir através dele, porém sentia que não a possuía ainda; eentão ele viu claramente que devia estar "em Cristo". "Compreendi", escreveu a sua irmãem 1869 desde Chinkiang, "que se somente tivesse podido demorar em Cristo, tudo teriadado certo, mas não podia". Mais ele se esforçava para entrar na vida verdadeira, mais ele se sentia deslizar fora,por assim dizer, até que um dia a luz brilhou em seu coração, a revelação aconteceu eele viu. Assim ele descreve este fato: "Penso que o segredo esteja aqui: não como eupossa fazer para trazer o suco da videira e transferi-lo em mim, ma em me lembrar queJesus é a videira, a raiz, o tronco, os galhos, os sarmentos, as folhas, as flores, o fruto,ou seja, tudo". Então, citando as palavras de um amigo que o havia ajudado, continua assim: "Nãodevo fazer de mim um galho. O Senhor Jesus me disse que eu sou um galho. Eu souuma parte dEle, e só devo acreditar e agir em conseqüência. Fazia muito tempo que eutinha visto isto na Bíblia, mas só agora o creio como uma verdade viva". Acontece como se alguma coisa que sempre foi verdadeira, de improviso se convertaem tal de um modo novo, para ele pessoalmente, e assim escrevia ainda para a suairmã: "Não sei até que ponto conseguirei me fazer compreender acerca deste tema,porque não há nada de novo, nem de estranho, nem de maravilhoso —e ainda assimtudo é novo! Numa palavra: "então eu era cego, e agora eu vejo...". Eu estou morto esepultado com Cristo —é verdade, e sou também ressurreto e ascendido... Deus meconsidera assim e me pede para me considerar assim... Oh! A alegria de conhecer estaverdade. Eu peço para que os olhos de tua inteligência sejam iluminados, e tu possasconhecer e gostar as riquezas que nos são liberalmente doadas em Cristo" 3 Oh, que alegria vermos que estamos em Cristo! Imaginem como pode ser cômicotentar de entrar num lugar onde já estamos. Pensem que absurdo seria pedir parasermos introduzidos. Se reconhecêssemos que já estamos dentro, não faríamos esforçoalgum para entrarmos. Se temos uma revelação mais profunda, as nossas orações serão 3 Estas citações foram extraídas de "Hudson Taylor e a Missão interna na China".18
  19. 19. mais louvores que pedidos. Pedimos muito para nós mesmos, porque estamos cegos arespeito do que Deus tem realizado para nós. Lembro-me de uma conversação que tive um dia em Xangai com um irmão que estavamuito preocupado com o seu estado espiritual. Ele me dizia: "Existem tantos crentes quetêm uma vida bela e santa. Eu tenho vergonha de mim mesmo. Me chamo cristão, masquando me confronto com os outros, sinto que não o sou para nada. Gostaria conheceresta vida crucificada, esta vida de ressurreição, mas não a conheço e não vejo meioalgum para chegar até ela". Havia um outro irmão presente e os dois nos entretivemospor mais duas horas com este homem, tentando lhe fazer compreender que não poderiater obtido nada fora de Cristo, mas em vão. O nosso amigo disse: "A melhor coisa queum homem pode fazer é orar". "Mas se Deus já nos tem dado tudo, o que podenecessitar pedir?", perguntamos. "Mas não tem me dado tudo", respondeu o homem,"porque eu continuo a me irar e a cometer toda espécie de erros; e por isso que devoorar mais". "E assim", dissemos nós, "você recebeu o que pediu?" "Lamento dizer, porém, que emverdade não tenho recebido nada de nada", replicou ele. Nos esforçamos, então, parafazê-lo compreender que, não tendo absolutamente a certeza de sua justificação, nãopodia fazer mais nada, nem sequer pela sua santificação. Neste ponto, apareceu um terceiro irmão que o Senhor usava muito. Sobre a mesahavia uma garrafa térmica; o irmão a pegou e lhe perguntou: "O que é isto?" "Umtermo". "Bem, suponha por um instante que esta garrafa possa orar, e então comece apedir: —Senhor, eu desejo tanto ser um termo. Você não poderia fazer de mim umagarrafa térmica? Senhor, faze-me a graça de eu me converter num termo. Faze-o, eu teimploro! —, o que você diria disto?" "Acredito que nem sequer uma garrafa térmica possa ser tão louca", respondeu onosso amigo, "é uma bobagem orar assim: ela já é um termo!" "É isso exatamente o quevocê está fazendo", respondeu-lhe então o nosso irmão. "Deus colocou você em Cristo,já faz tempo. Não pode, então, dizer hoje: Quero morrer; quero ser crucificado; queroter a vida e a ressurreição. O Senhor olha para você e simplesmente te diz: Você já estámorto! Você já tem nova vida! toda a maneira de você orar é tão absurda quanto à dagarrafa térmica. Você já não precisa pedir ao Senhor para que faça alguma coisa porvocê; só deve pedir ter os olhos abertos para ver que Ele cumpriu tudo". Este é o ponto essencial. Não precisamos esforçar-nos para morrer, não necessitamosesperar pela nossa morte, nós já estamos mortos. Temos somente necessidade dereconhecer o que o Senhor tem feito por nós, e louvá-lo por isto. A luz iluminou aquelehomem, que com lágrimas nos olhos disse: "Ah, eu te louvo por aquilo que fizeste pormim, porque já me colocaste em Cristo! Tudo o que é dEle é meu!" A revelação veio epela fé pode ser firmado; se vocês tivessem encontrado esse irmão mais tarde, teriamconstatado a mudança que tinha ocorrido nele! A CRUZ NA RAIZ DO NOSSO PROBLEMA Permitam-me recordá-lhes ainda a natureza fundamental da obra cumprida peloSenhor sobre a Cruz. Acredito que não possa insistir demasiadamente sobre este ponto,porque é necessário que o examinemos. Suponhamos que o governo de seu país quisesse resolver radicalmente o problema doálcool e decidir a aplicação de proibições em todo o país; como poderá ser aplicada, naprática, uma decisão semelhante? Que ajuda poderemos aportar nós? Se fossemosprocurando, por todo o país, em todas partes, nas lojas, todas as garrafas de vinho, decerveja ou de licores, para seqüestrá-las e destruí-las, isto resolveria o problema?Certamente não. Poderemos limpar o país de cada gota de álcool, mas por detrás daquelas garrafas debebidas alcoólicas estão as fábricas que as produzem, e se nós destruímos só as garrafase deixamos as fábricas, a produção continuará, e não haverá uma solução definitiva parao problema. Não, as fábricas, os bares e as destilarias devem ser fechados em todo opaís para pôr fim, de uma vez para sempre, a este problema do alcoolismo. Nós somos a fábrica; as nossas ações são os produtos. O sangue de Cristo temregularizado o problema dos produtos, vale dizer, dos nossos pecados. A questão daquiloque temos feito fica assim resolvida, mas Deus parará por aqui? O que há da questão doque somos? Somos nós que temos produzido os nossos pecados. Foram afastados, mas oque acontecerá conosco? Acreditam vocês que o Senhor queira nos purificar de todos osnossos pecados e deixe em nossas mãos o assunto de livrar-nos desta fábrica quesomos, produtora de pecados? Acreditam que Ele deseje separar os produtos, deixando a 19
  20. 20. nós a responsabilidade da fonte da produção? Fazer estas perguntas significa járesponder a elas. Deus não tem realizado o trabalho pela metade, abandonando o resto.Não, Ele suspendeu os produtos, e também destruiu a fonte de onde provinham. A obra cumprida por Cristo chegou realmente até a raiz do nosso problema e oresolveu. Para o Senhor não existem meios termos. Ele assumiu provisões completaspara que o domínio do pecado fosse completamente destruído. "Sabendo isto", dissePaulo, "que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecadoseja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6:6). "Sabendo isto!" Sim,mas... Vocês sabem mesmo? "Ou não sabeis?" (Rm 6:3). Que o Senhor, em sua graça,abra os nossos olhos! CAPÍTULO 4 – O CAMINHO PARA IR ALÉM: FAZER DE CONTA DE ESTAR MORTOS Toquemos agora um tema sobre o qual existe uma certa confusão de pensamentoentre os filhos de Deus. Vamos deter-nos sobre tudo nas palavras de Romanos 6:6: "Sabendo isto, que onosso homem velho foi com ele crucificado". O tempo deste verbo é dos mais preciosos, porque localiza o fato exatamente nopassado. Este fato é definitivo, cumprido de uma vez por todas. A coisa foi feita e nãopode ser anulada. O nosso velho homem foi crucificado de uma vez por todas, e nuncamais pode ser tirado da Cruz. Eis aqui o que devemos saber. Quando sabemos isto, o que mais temos a fazer? Voltemos a ler novamente nossotexto. O seguinte passo encontra-se no versículo 11: "Assim também vós considerai-voscomo mortos para o pecado". Estas palavras são claramente a continuação natural doversículo 6. Vamos lê-las de novo juntos: "Sabendo isto, que o nosso homem velho foicom ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamosmais ao pecado (...) Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, masvivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor". Esta é a ordem natural. Uma vez quesabemos que o nosso velho homem foi crucificado em Cristo, o passo seguinte éconsiderá-lo como morto. Apesar disso, apresentando a verdade de nossa união comCristo, demasiadas vezes foi colocado o acento sobre este segundo ponto —considerar-nos como mortos—, como se fosse o ponto de partida, enquanto a ênfase deveria melhorser colocada sobre o "saber-nos mortos". A Palavra de Deus mostra claramente que"saber" deve preceder a "reconhecer-se". "Sabendo que... façam de conta que..." o fatode "considerar-se" deve estar baseado sobre uma revelação divina, de outra forma a fénão terá fundamento sobre o que se apoiar. Quando sabemos, então espontaneamentenos consideramos como mortos. Assim, tratando este argumento, não será preciso remarcar demasiadamente aexigência de considerar-nos mortos. Fomos demasiado tentados a nos considerar semantes saber. Se não temos recebido primeiro uma revelação do fato pelo Espírito etentamos considerar-nos, nos veremos arrastados em todo tipo de dificuldade. Quandochegue a tentação, começaremos a repetir febrilmente: "Eu estou morto, estou morto,estou morto!" Mas pelo mesmo esforço acabaremos por irritar-nos; e então dizemos:"Isto não serve de nada. Romanos 6:11 não pode ser realizado". E devemos admitir queo versículo 11 não pode ser compreendido sem o versículo 6. Chegaremos, então, à seguinte conclusão: até não sabermos que o estar mortos comCristo é um fato, mais nos esforçaremos para nos considerarmos assim, e mais intensoserá o conflito, e mais segura a queda. Durante anos após a minha conversão eu fui ensinado a me considerar como mortoem Cristo. Eu tentei fazê-lo desde 1920 até 1927. Mais me reconhecia morto para opecado, mais me manifestava vivo. Não podia simplesmente acreditar-me morto, e nãopodia procurar a morte. Quando procurei ajuda dos outros, me disseram para lerRomanos 6:11, e mais eu lia esse versículo, tentando aplicá-lo a mim mesmo, mais amorte parecia se distanciar; eu não conseguir chegar. Estava intensamente desejoso deobedecer àquele ensino, de considerar-me morto, mas não conseguia compreender porque não podia conseguir. Devo confessar que este pensamento atormentou-me porlongos meses. Disse ao Senhor: "Se eu não consigo compreender claramente, se nãoconsigo chegar a ver esta verdade fundamental, não farei mais nada. Não maispredicarei; não poderei mais te servir; devo, antes que nada, ser iluminado sobre estascoisas".20
  21. 21. Durante meses continuei a minha busca, às vezes jejuei, mas sem nenhum resultado. Lembro-me de uma manhã: foi uma manhã tão real que nunca poderei esquecê-la. Euestava em meu escritório, sentado em minha escrivaninha, lendo a Palavra de Deus eorando, e disse: "Senhor, abri os meus olhos!" Então, num raio de luz, vi. Vi a minhaunião com Cristo. Vi que eu estava nEle e que quando Ele morreu, também eu morri. Vique a questão da minha morte era um fato do passado e não do futuro, e que eu tinhamorrido verdadeiramente como Ele, porque eu estava nEle quando Ele morreu. A luztinha finalmente esclarecido as minhas trevas e mi iluminava completamente. Estagrande revelação inundou-me de tal gozo que pulei da minha cadeira e gritei: "O Senhorseja louvado, eu estou morto!" Desci as escadas à carreira e me deparei com um dosmeus irmãos que ajudavam na cozinha; eu o peguei do braço e lhe disse: "Irmão, vocêsabe que eu estou morto?" Devo admitir que a sua expressão foi de estupefação. "O quevocê quer dizer?", perguntou-me. Continuei: "Você não sabe que Cristo morreu? Nãosabe que eu morri com Ele? Não sabe que a minha morte é um fato tão verdadeiroquanto à dEle?" Oh, eu estava tão seguro! Tinha vontade de correr por todas as ruas deXangai e proclamar a todos a minha nova descoberta. Daquele dia, nunca mais duvidei,nem por um único instante, da importância definitiva destas palavras: "Já estoucrucificado com Cristo" (Gl 2:20). Não quero dizer que não devamos pô-las em prática. Existem certas aplicações destamorte que consideraremos por um instante, mas temos aqui, antes que qualquer coisa, ofundamento. Eu fui crucificado: este é um fato cumprido. Qual é, então, o segredo que nos conduz a considerar-nos como mortos? Para dizê-lonuma palavra, é uma revelação. É uma revelação do próprio Deus. "Não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16:17);Ef 1:17-18). É necessário que os nossos olhos se abram a esta realidade da nossa uniãocom Cristo; isto é mais que conhecê-la como uma doutrina. Uma semelhante revelaçãonão tem nada de vago ou indefinido. Quase todos nós podemos nos lembrar do dia emque vimos claramente que Cristo morreu por nós; e deveremos estar igualmente segurosdo momento no qual vimos que estamos mortos com Cristo. Isto não deve ser nebulosoou incerto, mas bem preciso, porque é sobre esta base que avançaremos. Não é meconsiderando morto que eu o serei. Mas é porque já estou morto —porque vejo o queDeus tem feito de mim em Cristo— que posso mi considerar morto. Este é o modo justode considerar-se. Não se trata de fazê-lo para chegar à morte, mas considerar-se mortopara avançarmos. O SEGUNDO PASSO: ASSIM, VOCÊS CONSIDEREM-SE COMO... O que significa "considerar-se como"? "Considerar-se" significa, em grego, levar ascontas, fazer a contabilidade. Fazer contas é a única coisa no mundo que nós sereshumanos podemos fazer com precisão. Um pintor pinta uma paisagem. Pode fazê-lo comprecisão matemática? O historiador pode garantir a exatidão absoluta de um tema, ou, ogeógrafo, a fidelidade precisa de um mapa? Podem chegar a fazer as melhoresaproximações. Também na conversação de todos os dias, quando tentamos contar umincidente com a melhor intenção de honestidade e fidelidade, somos incapazes de narrarcom perfeita exatidão. É tão fácil exagerar ou diminuir os fatos, dizer uma palavra a maisou uma a menos. O que pode fazer o homem que seja essencialmente digno deconfiança? A aritmética! Nela não há lugar para erros. Uma cadeira mais uma cadeirasomam duas cadeiras. Isto é verdade tanto em Londres como em São Paulo. Emboravocês vão para o Oeste ou para o Leste, será sempre a mesma coisa. Em tudo o mundo, em todas as épocas, um mais um são dois. Um e um são dois noscéus, sobre a terra e no inferno. Por que Deus disse para nos considerarmos mortos? Porque estamos mortos.Prossigamos a analogia com a contabilidade. Suponhamos que eu tenha R$ 800 no bolso,o que escreverei no meu livro de contas? Posso escrever R$ 700 ou R$ 900? Não!Deverei escrever no meu livro aquilo que realmente tenho no bolso. Levar acontabilidade significa reconhecer os fatos, não é fantasia. Assim, porque eu realmentemorri, Deus me diz para me considerar morto. Deus não poderia pedir-me paraconsiderar-me morto se eu estivesse ainda vivo. Para uma similar ginástica mental, apalavra "considerar-se" não seria apropriada; deveria, melhor, dizer: "não seconsiderar". Considerar-se não é uma forma de pretensão. Isso não significa que se eutenho somente R$ 600 no bolso, reportando erroneamente R$ 700 no meu livro decontabilidade, conseguirei de um modo ou outro compensar a diferença. Para nada! Senão tenho mais que R$ 600, e trato de me persuadir repetindo: "Tenho R$ 700; tenho R$ 21

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