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15 coesao referencial

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  • 1. COESÃO REFERENCIAL
  • 2. REFERENCIAÇÃO
    • Processamento do discurso, por ser realizado por sujeitos ativos. Ademais, é estratégico, isto é, implica, da parte dos interlocutores, a realização de escolhas significativas entre as múltiplas possibilidades que a língua oferece. Diz respeito às operações efetuadas pelos sujeitos à medida que o discurso se desenvolve; e que o discurso constrói os “objetos” a que faz remissão, ao mesmo tempo que é tributário dessa construção.
  • 3. Em outras palavras:
    • A referenciação constitui, assim, uma atividade discursiva. O sujeito, na interação, opera sobre o material lingüístico que tem à sua disposição, operando escolhas significativas para representar estados de coisas, com vistas à concretização do seu projeto de dizer (Koch, 1999; 2002). Isto é, os processos de referenciação são escolhas do sujeito em função de um querer-dizer.
  • 4. Estão envolvidas, enquanto operações básicas, as seguintes estratégias de referenciação:
    • 1. construção: pela qual um ‘objeto’ textual até então não mencionado é introduzido, passando a preencher um nódulo (“endereço” cognitivo, locação) na rede conceptual do texto.
    • 2. reconstrução: um nódulo já presente na memória discursiva é reintroduzido na memória operacional, por meio de uma forma referencial, de modo que o objeto-de-discurso permanece saliente.
  • 5.
    • “ Endereços” ou nódulos cognitivos já existentes podem ser, a todo momento, modificados ou expandidos, de modo que, durante o processo de compreensão, desdobra-se uma unidade de representação extremamente complexa, pelo acréscimo sucessivo de novas categorizações e/ou avaliações acerca do referente.
    • Por exemplo:
    • Com a perigosa progressão da demência bélica de Bush 2º [construção] cabe uma indagação: para que serve a ONU? Criada logo após a 2ª Guerra Mundial, como substituta da Liga das Nações (...)
    • É. Sem guerra não dá. Num mundo de paz, como iriam ganhar seu honrado dinheirinho os industriais de armas que pagaram a duvidosa eleição de Bush 2º, o Aloprado? (...) [nova construção a partir de uma reativação]
    • (Jornal do Commercio, Recife, 08/02/2003).
  • 6. Reconstrução ou manutenção no modelo textual
    • Os referentes modificam-se ao longo do texto. Para manter o controle sobre o que foi dito a respeito deles, usamos constantemente termos/expressões que retomam outros termos/expressões do próprio texto, constituindo, assim, cadeias referenciais. É nesse processo que dois indivíduos, ao interagirem lingüisticamente, chegam a saber do que estão falando e como estão construindo seus referentes (Marcuschi, 2002).
  • 7. Papel do sujeito na referenciação
    • Ao que escreve cabe a tarefa de delimitar o referente, ou seja, enquadrá-lo em uma classe, torná-lo reconhecível. Ao leitor compete a tarefa de identificar o referente, lançando mão, para alcançar esse objetivo, de toda informação tornada disponível no enunciado. A organização referencial é aspecto central da textualização, pois dá continuidade e estabilidade ao texto, contribuindo decididamente para a coerência discursiva.
  • 8. Recursos referenciais
    • Pelo fato de o objeto encontrar-se ativado no modelo textual, ele pode realizar-se por meio de recursos de:
    • Ordem gramatical (pronomes, numerais, etc)
    • Ordem lexical (reiteração de itens lexicais, sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos, etc.).
  • 9. Mecanismos referenciais
    • Há dois tipos de mecanismos referenciais:
    • relativos ao texto (anáfora/catáfora)
    • relativos à situação de enunciação (dêixis)
  • 10. Progressão referencial
    • O processamento textual se dá numa oscilação entre vários movimentos, um para frente (projetivo) e outro para trás (retrospectivo), representáveis parcialmente pela catáfora e anáfora . Em sentido estrito, pode-se dizer que a progressão textual se dá com base no já dito , no que será dito e no que é sugerido , que se co-determinam progressivamente.
  • 11. ANÁFORA
    • A coesão do texto depende em parte de retomadas. Há expressões que, no texto, se reportam a outras expressões, enunciados, conteúdos ou contextos, contribuindo para a continuidade tópica.
  • 12. Anáfora e correferencialidade
    • Reconhece-se que a anáfora não é necessariamente correferencial e que o referente de uma expressão anafórica não é sempre explicitamente denotado por um termo anterior. A anáfora vem sendo estudada como um fenômeno de natureza inferencial.
    • Ele jogou seu cigarro no jardim e acendeu um outro .
    • Em Porto Alegre, eles têm orgulho do pôr do sol.
    • Quando Maria disse que ia se casar , perguntaram-lhe o que ele faz.
  • 13. Algumas considerações sobre a anáfora
    • o pronome não é a única classe de palavras que pode se constituir como anáfora;
    • inexiste uma classe de palavras funcionalmente definida como anafórica;
    • a anáfora é um fenômeno de semântica textual de natureza inferencial e não um simples fenômeno de correferencialidade;
    • a anáfora não apenas retoma referentes, mas pode também ativar novos referentes.
  • 14. Exemplos de tipos de anáfora:
    • por Sinonímia:
    • Era um manuscrito de umas cinqüenta páginas . Cedo compreendi que essas folhas traziam ensinamentos valiosos.
    • por Hiponímia:
    • O salão foi todo decorado com gérberas vermelhas . As flores foram a atração da festa.
  • 15.
    • Verbal:
    • Clarice Lispector inovou nos aspectos formais e temáticos. Hoje outros autores fazem o mesmo
    • Resumitiva (conceitual /avaliativa)
    • (...) o sistema imunológico dos pacientes reconheceu os anticorpos do rato e o rejeitou. Isto
    • significa que eles não permanecem no sistema por tempo suficiente para se tornarem completamente eficazes. A segunda geração de anticorpos agora em desenvolvimento é uma tentativa de contornar este problema através da “humanização” dos anticorpos do rato, usando uma técnica desenvolvida por (...)
  • 16. Catáfora
    • Fala-se de catáfora na situação mais rara, e também bem menos conhecida, em que o interpretante aparece em segunda posição.
    • Isto me espanta: que ele tenha recuado .
    • Seu cotidiano sempre foi marcado pela luta. Primeiro, pela sobrevivência. Agora, pelo desenvolvimento no campo e por uma melhor qualidade de vida para as famílias extrativistas. Trabalhadora rural e quebradeira de coco babaçu , ela persegue o que, para alguns, é uma utopia: uma vida melhor para o povo brasileiro e, especialmente, para as mulheres. A saga de Raimunda pode ser encontrada em reportagem publicada na Revista “Primeira Impressão” de dezembro de 2001.