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Fic  fe - o rompimento
 

Fic fe - o rompimento

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Fic - FE - "O Rompimento"

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    Fic  fe - o rompimento Fic fe - o rompimento Document Transcript

    • “O Rompimento”Capítulo IDepois que Esther soube por Danielle que não poderia também gerar um filho com seusóvulos, Paulo fica ainda mais intrigado pela esposa continuar se encontrando com amédica:- Você estava com aquela doutora de novo? – Paulo pergunta quando vê Estherchegando no escritório da Fio Carioca.- Sim, fui tomar um café com ela, conversar... – Esther coloca sua bolsa na cadeira.- Hum. – Paulo a olha com frieza e se vira, olhando alguns papéis sobre a mesa.- O que foi, Paulo? Não é de hoje que você me trata desse jeito toda vez que toco nonome da Danielle.- Danielle? Nem doutora é mais? Vocês já estão melhores amigas...estão confabulandoo que agora? Tentando encontrar um homem e uma mulher pra fazer essa inseminação?- Paulo! Não fala assim.- Mas é... Eu cansei disso, Esther...Cansei. Não sei onde você quer chegar com tudoisso...- Você concordou em pesquisar sobre esse assunto comigo. Lembra? Por isso que euainda continuo tendo esperanças. – Esther diz e se senta, chateada.- Eu sei, eu sei que eu dei carta verde pra tudo isso...Mas Esther, você também não podeter filhos. Isso tudo é uma loucura.- Mas Paulo...Eu estava justamente conversando com a Danielle sobre isso...Seria comouma adoção se a gente... – Paulo a interrompe, nervoso:- Chega! Chega Esther. Cansei desse assunto...Eu não posso te dar um filho, entendeu?Não consigo entender, aceitar em fazer um procedimento desses....E essa doutora fica teincentivando a isso? Eu te proíbo de ver essa mulher de novo.- Como assim? Me proíbe? – Esther se levanta, desacreditada nas palavras do marido. –Eu não estou te reconhecendo, Paulo.- É, talvez seja isso. Depois de tantos anos de casados, nós fomos nos conhecer mesmosó agora... Eu vou sair um pouco...Pra respirar.Esther olha Paulo sair pela porta e se senta novamente, quase chorando.Paulo sai do escritório e é abordado por Marcela – jornalista que conheceu há algunsdias atrás quando foi sozinho na divulgação da nova coleção da Fio Carioca em SãoPaulo:- Paulo! Como vai?- O...Oi, Marcela! Que surpresa boa! – Paulo diz, ainda atordoado com a conversa quetivera com a esposa.- E aí? Por que não tomamos um café juntos, está ocupado?- Não, não! Estava mesmo precisando de um café, conversar...Aqueles dias em SPforam tão bacanas, né?- Pois é! Também adorei sua companhia!- Então...Vamos?Paulo e Marcela caminham conversando até um café próximo ao escritório.- Mas me fala...Que rugas de preocupação são essas na sua testa? Pelo que sei a FioCarioca vai muito bem.
    • - Sim, está tudo ótimo com a Fio Carioca...- Hum, então são outros problemas.- É, ou eu sou muito transparente ou você me conhece muito bem há tão pouco tempo.- Transparente você não é...Pelo contrário...Estou achando até curioso conseguir quevocê se abra comigo, que tenha aceitado meu convite pro café.- Eu sei que você não é como as outras...Sempre me abordou de um jeito muitoprofissional, respeitador.- Fazer o que! Eu sou assim! – Marcela começa a rir junto com Paulo.- E o melhor de tudo é que você me faz rir... Ah, Marcela! Não queria te chatear com osmeus problemas conjugais.- Ih, não se preocupa. Eu sou “exper” em assuntos desse tipo. Tenho meu próprio divã eé de graça!Paulo começa a rir e diz:- Sério? Se é de graça, então vou me consultar.- Fique à vontade!- Na verdade eu não sei o que anda acontecendo, parece que está tudodesmoronando...Eu sempre tive um relacionamento maravilhoso com a minha mulher.Sabe aquelas histórias de filme, que só faltava a Torre Eiffel atrás e uma trilha sonorahollywoodyana pra ficar perfeita?- Sei! – Marcela sorri.- Então... Agora parece que foi tudo uma mentira. – Paulo diz, triste.- Por que? Você não sente mais nada por ela?- Não, pelo contrário. A cada dia eu amo mais aquela mulher. Mas não dá mais, a gentesó se desentende ultimamente, e eu sinto que se não dermos um tempo agora, aí sim,vamos perder todo esse amor que construímos por tantos anos.- Eu já ouvi falar muito da estória de vocês, e admito que admiro muito vocês dois...Éuma surpresa escutar isso.- É, tá sendo pra mim também. Uma surpresa desagradável.- Se eu puder ajudar...- Será que eu posso confiar em você? – Paulo brinca com Marcela.- Não sei, o que você acha? – Marcela joga um olhar sedutor para Paulo e nessemomento, Esther aparece no café.- Olá!- Esther! – Paulo diz, surpreso.- Oi! – Marcela diz, sem graça.- Essa é a Marcela, jornalista de São Paulo, fez uma entrevista comigo, lembra quecomentei com você? – Paulo a apresenta para Marcela.- Lembro sim. Prazer, Marcela.- Prazer!- É... – Esther fica nervosa e pensativa ao falar. - Paulo, eu estava passando por aqui e tevi...Seu celular está desligado. Só queria dizer que essa noite eu tenho um jantar comalguns fornecedores...Nós tínhamos combinado de dividir as tarefas, lembra?- Claro, claro.- Eu já estou indo. Chego mais tarde em casa...- Esther diz, friamente.- Tudo bem, até mais. – Paulo sorri, de leve.- Até logo. – Esther se despede de Marcela.- Até mais. – Marcela responde.Paulo suspira e coloca as mãos sobre a cabeça, depois diz:- Viu só? Há alguns tempos atrás nós nunca nos despediríamos dessa forma. Tão fria.
    • - É assim mesmo, querido. Todo casamento precisa de um desentendimento de vez emquando. Senão ficaria muito chato.- Não...Não com a gente. Você não tem ideia.- É, acho que não. Mas tenho certeza que tudo vai se resolver.- Tomara...Paulo e Marcela conversam por mais algum tempo e ele se despede dela:- Obrigado pela ótima companhia, Marcela! Eu estava precisando.- Imagina! Vou ficar agora no RJ por alguns meses. Nos vemos depois em outrosencontros triviais.- Com certeza!- E ânimo! Se quiser desabafar, é só me ligar! – Marcela entrega seu cartão para ele. – Ese tiver uma pauta sobre moda, estou às ordens também!- Combinado! – Paulo beija o rosto de Marcela e vai embora. Ela fica o olhando partir.Capítulo IIDepois de um tempo, Paulo chega na casa de sua irmã Tereza Cristina:- Paulo! Cadê a sua querida esposa?- Ah, a Esther está em um jantar com fornecedores.- E você não está junto com ela? Meu Deus! Vai chover canivete. Você ouviu issoRené?- Ouvi...Deixa seu irmão, Tereza.- Nós decidimos dividir algumas tarefas, só isso...- Hum, sei. E essa sua cara de acabado? É por que?- Tereza! – René a repreende.- Deixa, René! Eu tô acostumado com a minha irmã! Essa minha cara é de cansaço, sóisso.- Sei...Não é de hoje que eu venho notando uma distância entre você e a Esther. Tenhocerteza que aí tem coisa.- Tereza...Por que a gente não toma alguma coisa, né? Você quer beber o que, Paulo?- Eu aceito um vinho, por favor.- Vou te acompanhar. – René vai buscar as bebidas e Tereza continua fixando seu olharno irmão.- Não vai me contar mesmo?- Não tem nada pra contar, Tereza. Quando tiver, você vai ser a primeira a saber, tudobem?- Ai, grosso!Paulo começa a rir e pega a taça de vinho que Renê traz para eles.Renê e Paulo começam a conversar sobre negócios e Tereza fica entediada:- Ai, que assunto chato hein. Nessas horas que eu sinto uma falta imensa daEsther...Trata de se reconciliar com ela logo, meu querido. E nem venha com a notíciaque vocês dois se separaram e me traga uma outra mulherzinha aqui pra casa, que euacabo com você!- Paulo, a Tereza hoje está impossível...Desculpa.- Não se preocupa, Renê. E Tereza, isso não vai acontecer...- Eu espero mesmo. Com licença, vou subir... Crô!!!!!!!!!!!Cadê você? – Tereza Cristinasobe as escadas chamando o empregado.Paulo e René começam a rir e continuam a conversa, até que depois de um tempo Renêdiz:
    • - Desculpa tocar nesse assunto, Paulo. Mas também percebi que você anda um poucopreocupado...Aconteceu alguma coisa?- Ah, nada, é só que...Infelizmente eu comecei a entender o que é passar por problemasconjugais. Mas não comenta nada com a Tereza, por favor. Ela sempre aumenta ascoisas.- Claro...Tudo bem.Nesse instante, Tereza Cristina escuta a conversa atrás das cortinas sem que eles notem,e diz em voz baixa:- Eu sabia...Esther chega cansada em casa depois do jantar e Paulo ainda não havia chegado. Elatoma um banho e se deita para ler um livro. Depois de alguns minutos, Paulo finalmentechega e vai até a cozinha, sem coragem de enfrentar uma conversa com Esther. Elepensa sozinho:- Meu Deus, o que está acontecendo? Eu, me sentindo mal em encontrar minha esposa.Com medo...Ele bebe um copo de água e em seguida segue para o quarto, respirando fundo. Aoentrar, ele olha para Esther já na cama, concentrada em seu livro:- Oi, boa noite.- Oi. Tudo bem?- Sim. Estava na casa da Tereza.- Hum.- E o jantar?- Foi tudo bem. Consegui fechar com os fornecedores, naquele valor que tínhamoscombinado.- Que bom, que bom! – Paulo sorri e vai até o lado da cama onde estava Esther e a beijano rosto. Ela o olha séria e depois sorri rapidamente, voltando à sua leitura.- Eu vou tomar um banho...- Tudo bem. – Esther diz e quando ele fecha a porta, ela coloca o livro ao lado e suspira,dizendo consigo mesma:- Isso não pode estar acontecendo...Um tempo se passa e Paulo volta do banho. Ele se deita e os dois ficam um tempocalados. Esther coloca seu livro novamente na mesa ao lado e fica pensativa, encostadana cabeceira da cama. Paulo se vira para ela, se encosta também e diz:- Acho que a gente precisa conversar, né...- É...- Nós nunca passamos por um tempo tão longo assim de desentendimento, tudo está tãoestranho... – Paulo diz, nervoso. – Eu não queria ficar assim com você... – Ele toca orosto de Esther carinhosamente e ela concorda:- Eu também, meu amor. Está sendo tão difícil esses dias...Eu estou confusa, minhacabeça está um turbilhão.- Eu sei, eu sei...Eu cheguei a ser estúpido com você, autoritário, mas, eu não consigoentender essa sua proximidade com aquela mulher. Não encontro motivos.- Como não, Paulo? A gente conversou tanto sobre isso esses dias. Olha só, eu acho queentendo esse seu medo, essa insegurança...Mas se por acaso der certo essa inseminação,eu vou ter essa criança dentro de mim, como se fosse minha, como se fosse sua...- Não é bem assim, Esther. Você confia mesmo nessa doutora?- Sim, ela é tão competente, uma profissional renomada, conhecida.- Sei...
    • - Eu acho que você precisa conhecê-la melhor, só isso.- Não Esther, eu já tive muita boa vontade, eu queria estar do teu lado nessa decisão,mas desde o momento que eu soube que você também não podia ter mais filhos...Issonão fez mais sentido. Você quer adotar, então? Podemos adotar...- Paulo, é diferente. Eu vou poder ter essa realização de realmente ser mãe, de sentiressa criança dentro de mim...Você entende?- Mas ela não vai ser sua! – Paulo aumenta o tom de voz e Esther fica paralisadaolhando para ele, por alguns instantes.- Acho melhor a gente parar essa conversa por aqui. – Esther consegue dizer, chateada.Paulo tenta contornar a situação, buscando as palavras certas, mas não consegue. A suavontade era de beijá-la, abraçá-la e pedir desculpas, mas o orgulho e a frustração pornão poder dar à ela o que ela queria, eram maiores.Esther vira para o lado e se deita. Paulo faz o mesmo e os dois, depois de muitopensarem, adormecem.Já é de manhã e Esther levanta mais cedo. Ela toma um banho e depois toma café juntocom Paulo. Eles não trocam nenhuma palavra, porém o desejo de ambos é de passar porcima de todos os problemas e se renderem um ao outro. Mas nenhum deles fazem nada.Eles seguem de carro para o escritório e quando estão na entrada, Marcela aparece:- Oi! Como vocês estão?- Marcela! Tudo bem!- Oi, tudo bem. – Esther responde, com um olhar desconfiado, se colocando mais aolado de Paulo, quase tocando a mão dele.Capítulo III- Eu vim trazer seu celular, Paulo. Você esqueceu ontem comigo no café.- Ah, sim...Que cabeça a minha. Muito obrigado, Marcela.- Por nada. A gente se fala...Um abraço. Tchau...- Até mais. – Paulo se despede e os dois sobem de elevador.Esther quebra o silêncio enquanto subiam de elevador e diz:- Você e essa...Marcela...Se conheciam antes de SP?- Como? – Paulo sorri, estranhando a pergunta. – Claro que não. Disse à você que nosconhecemos naquela entrevista.- Tudo bem...Foi só curiosidade.- Por favor, Esther, não tente encontrar motivos pra...- Paulo! Foi só uma pergunta...Não quero motivos para nada.- Só acho que do mesmo jeito que você tem o direito de ter suas amigas, eu tambémtenho.- Pelo amor de deus, Paulo. Não vou discutir com você...- Esther diz, chateada, e sai doelevador antes dele.- Bom dia! – Ela diz para os funcionários, friamente, e todos percebem o clima entre ocasal.- Bom dia...- Paulo diz logo em seguida e entra no escritório fechando a porta.- Escuta, Esther. Não dá mais pra gente continuar assim. Tenho certeza que vocêconcorda comigo...- Sim...Eu não sei o que está acontecendo, mas...tá tão difícil.
    • - Muito...muito difícil. – Paulo diz, quase sussurrando, chegando cada vez mais perto deEsther. – Eu sinto tanta falta de você, meu amor. Tanta falta, de te beijar, de sentir tuapele...De rir com você, de passar por cima de todos os problemas...Mas não está dando.- Não...- Ela diz, olhando para ele com tristeza. Paulo se aproxima cada vez mais e elesquase se rendem a um beijo quando o celular de Paulo toca. Ele retira sua mão, queestava quase no rosto de Esther, se afasta e atende o celular:- Alô. Oi, César. Tudo bem...Não, já estou indo até aí. Até mais... – Ele desliga e diz:- Era o César, vamos fechar aquele contrato com uma nova loja na Zona Leste.- Que bom...- Esther diz, mordendo os lábios.- Eu...- Paulo continua a conversa e se aproxima um pouco dela...- Eu achei que omelhor seria a gente dar...um tempo...pra nós dois. Pra não acabar com todo esse amorque nós temos, que eu sei que ainda temos...Esther apenas concorda com a cabeça e deixa escapar uma lágrima, que é rapidamenteretirada de seu rosto pelas suas mãos.- Tudo bem. É o melhor...- Por enquanto...- Paulo acrescenta. – E eu vou pra um flat, hoje ainda.- Hoje? – Esther questiona, sem pensar.- É, é o melhor...Mas nada disso pode e vai afetar nossa sociedade na Fio Carioca.- Claro. Tantos anos nos dedicando a esse negócio...- Eu não quis dizer que a Fio Carioca está em primeiro plano, mas...- Não, eu entendi. – Esther o interrompe. – Acho melhor eu...ir...Preciso resolveralgumas coisas lá fora... – Ela diz, tropeçando nas palavras, e sai da sala.Paulo espera Esther sair e esmurra o encosto da cadeira na sua frente, dizendo:- Droga...Eu te amo tanto, Esther, tanto...A tarde cai e Esther já está em casa. Ela havia chegado antes de Paulo, que estava numareunião com César, visitando pontos das lojas inaugurais na Zona Leste.Esther resolve tomar um banho, temendo encontrar Paulo. Ela preferia não encontrá-lofazendo as malas e partindo. Seria ainda mais doloroso.Enquanto isso, Paulo tenta se livrar rapidamente da reunião, para justamente nãoencontrar a esposa em casa e não correr o risco de desistir da decisão que havia tomado.Ele sai correndo de carro e chega em alguns minutos. Esther ainda estava no banho...Paulo vai até o armário e coloca algumas roupas dentro da mala, sentindo um grandeaperto no peito. Depois que havia terminado de arrumar seus pertences, ele se aproximada porta do banheiro e a empurra de leve, movido por uma vontade imensa de verEsther... Ela estava no banho e era possível ver refletido na porta do box a sua silhueta.Paulo se aproxima cada vez mais e não resiste, abrindo a porta:- Paulo?! O que você...- Não diz nada...- Ele diz, já tirando suas roupas e entrando rapidamente no box juntodela. – Não fala nada, meu amor. Eu só preciso de você agora...do teu beijo. – Paulo nãofala mais nada e a puxa para perto dele, segurando com firmeza a nuca dela contra seurosto, alcançando os lábios de Esther e a beijando cheio de urgência.Ela retribui o beijo e os dois sentem que aquele momento era uma despedida e o iníciode uma nova fase em suas vidas.Ainda no banho, Paulo se desprende dela depois do beijo e a encosta na parede,beijando-a no pescoço. Esther fecha os olhos mas de repente o afasta:
    • - Não, não...Paulo, é melhor você ir de uma vez. Ou tudo vai voltar a ser como antese ...- Tá, tá certo. – Paulo diz, eufórico, tentando se desprender dos braços da esposa. –Você tem razão. Eu preciso ir embora, não é?- Precisa.Esther se afasta dele com dificuldade e alcança uma toalha, a envolvendo em seu corpo.Paulo faz o mesmo, colocando a toalha amarrada em sua cintura. Ela tenta se desviar dePaulo, que estava em sua frente, mas ele não deixa, a prendendo em seus braços:- Esther, calma...Eu não vou conseguir, por favor, desiste dessa história toda deinseminação, pode ser tudo uma enganação dessa médica...por favor.- Paulo, o problema é que você não permite ouvir outras opiniões. Só o que você pensaestá certo. Essa é a nossa última oportunidade, você não vê? Eu não quero ter esse filhosozinha, eu quero ter com você! Esse filho é nosso!- Esse filho não existe, Esther! Entende isso...Desse jeito que você quer, não dá. Euestraguei tudo, eu sou estéril e obriguei você a esperar esse tempo todo, e agora é tarde.Esther consegue se desfazer dos braços dele e vai até o quarto:- Eu não vou desistir, Paulo. Eu não vou perder essa oportunidade, não agora...Comtudo na mão.- Isso quer dizer o que?- Isso quer dizer que eu gostaria imensamente que você me apoiasse, mas...mas se isso éimpossível, eu sigo sozinha.Capítulo IV- Então o filho é só seu, agora?- Paulo, eu não vou discutir mais...Por favor. Acho melhor você ir...- Esther diz,olhando para baixo e abrindo a porta do quarto.Paulo suspira como se tivesse perdido uma batalha e veste suas roupas, com os olhoscheios de lágrimas.Ele pega a mala, pára perto da porta onde estava Esther, ainda com os cabelos molhadose envolvida pela toalha, e diz:- Eu nunca vou deixar de te amar.Esther apenas continua olhando para baixo e não contém as lágrimas. Paulo também seemociona, pega a mala do chão, hesita mais um instante dando a impressão que voltariapara trás, mas segue em frente sem olhar para Esther.Esther solta a maçaneta da porta e vai deslizando lentamente até se sentar no chão. Elacoloca a cabeça por entre as pernas, segurando os cabelos para trás e chora, com umsentimento de perda, culpa e impotência.O dia amanhece e Esther acorda com dor de cabeça. Ela se recorda da noite anterior e selevanta com má vontade. Era o primeiro dia sem Paulo, sem acordar ao lado dele, semtomar o café da manhã observando ele ler o jornal e adoçar o café com 4 gotas deadoçante. Ela percebe que nada mais havia sentido, a não ser sua vontade imensa, quecrescia a cada dia, de ter um filho:- Mas esse filho sem o Paulo, não vai ter sentido... – Ela diz, colocando seus pensamosem voz alta.Esther se levanta e vai se arrumar, com medo do primeiro dia de trabalho ao lado de umsócio que não era mais seu companheiro.
    • Chegando no escritório, Paulo demonstra claramente que não havia dormido bem. Eleestava com olheiras e aparentemente cansado:- Bom dia. – Ele diz, quase sem voz, para os funcionários da recepção.Ao entrar na sua sala, ele se depara com Tereza Cristina sentada em sua cadeira:- Bom dia, meu querido!- Tereza? O que você faz aqui?- Nada...Vim só dar um jeito nessa sua vida bagunçada. – Ela diz, se levantando.- Do que você está falando?- Meu bem, não tente esconde nada de mim. Eu sei o que está acontecendo entre você ea Esther.- Hum,o René te contou?- Não, eu ouvi a conversa de vocês dois...Mesmo se não tivesse escutado, eu teriadescoberto sozinha.- É, não duvido disso.- Pois então, querido. Eu havia encontrado a Esther muitas vezes em companhia daquelamédica...Meio bizarra ela, não é? – Tereza diz, fazendo uma cara de espanto.- E... – Paulo tenta desenrolar o assunto.- E eu descobri que ela é especialista em fertilização in vitro.Paulo fica apreensivo e começa a andar de um lado para o outro, sem dizer nada.- Meu irmão..Vocês não podem ter filhos, né? Eu desconfiava disso...E essa briga devocês, é por isso.- É, Tereza. Você descobriu, parabéns. – Paulo diz sorrindo, de forma irônica.- Hum. Não precisa falar assim...Eu só quero ajudar.- Não tem como ajudar. O melhor que se tem a fazer é não mexer nisso...Eu não queroque você fale com a Esther, entendeu?- Calma! Eu não vou falar...Mas eu acho interessante essa ideia...E vai ser um filho dela,da mulher que você ama, não é?- Não. Ela não pode ter filhos...- Não? Então o filho seria de desconhecidos?- Exatamente..- Hum...Complexo isso, hein. Agora eu já não sei...- Tereza diz, pensativa.Nesse instante, Esther entra na sala e os dois a olham, apreensivos. Esther percebe umclima estranho e já imagina que Paulo tenha contado da briga dos dois para a irmã:- Oi Tereza, como vai?- Querida! Estou ótima...Vim só fazer uma pequena visitinha...Já que você não aparecemais lá em casa.- Ah, pois é, eu ando muito...- Esther olha para Paulo..- ocupada.- Eu sei disso, meu amor. Vou deixar vocês dois sozinhos, acho que vocês precisamconversar...Um beijo. – Tereza se despede de Esther e Paulo com um beijo, e sai dasala.Esther olha Tereza sair da sala e olha para Paulo com um ar de insatisfação, colocandosua bolsa na mesa:- Aposto que ela veio comentar sobre nós dois, não foi? Vocês já conversaram sobreisso?- Eu não contei...Ela já tinha percebido.Esther fica em silêncio e se senta, arrumando alguns papéis. Paulo fica a observando poralgum tempo e finalmente diz:
    • - Você...você está bem?- Sim...E você?- Também. Um pouco...cansado. Não dormi...- Nem eu. – Esther diz, engolindo a seco.Nesse momento, alguns colegas de trabalho aparecem na sala para uma reunião e osdois terminam a conversa, passando a maior parte do tempo trocando olhares, cheios desaudade.Enquanto isso, Tereza Cristina vai até o restaurante de René:- Descobri, meu amor! O motivo da briga do Paulo com a Esther.- Descobriu como?- Não foi por você, porque você não me conta nada... Descobri por ele.- Hum, e ele está bem?- Arrasado...E a Esther também, com uma cara péssima. Os dois cheio de olheiras...- Complicado isso...Essa questão de não poder ter filhos, nem imagino como deve ser.- Como assim? Então você sabia o motivo do desentendimento deles? E não me contou?Pensei que você só sabia da briga, seu traidor.- Meu amor, calma. Era um assunto particular do seu irmão, não sabia se podia contar...- Ai essa cumplicidade entre homens...Mas então, ele te contou que era estéril?- Sim. Há uns dias atrás.- Quem sabe eles não adotam...Uma criança de meses de vida, eles criam como sefossem deles.- Não sei não. Acho que o Paulo, apesar de tudo, não quer ter filhos...- Não? Ai, que estranho isso. Não me imagino sem meus filhotes.- Pois é, mas cada um com suas escolhas.- E a Esther? A Esther anda até vendo esses médicos de fertilização....Será que é porisso a briga? Ele não quer, e ela quer?- Certamente. Mas não devemos nos meter nisso, Tereza.- Mas René...A gente tem que ajudar. Eu vou abrir a cabeça desse meu irmão...Apesarque ter um filho que não é do nosso sangue, não é uma boa ideia. Vai que essa criançavira um pivete?- Tereza! Que maneira de dizer...Claro que não.- Sei lá, né? Preciso pensar mais sobre isso. Vou indo, meu amor. Beijinho. – Tereza sedespede de René com um beijo e vai para casa.Capítulo VQuando a reunião termina, Esther sai para conversar com uma das suas secretárias ePaulo caminha junto dela, até que a recepcionista diz, ao atender um telefonema:- Pra você, Seu Paulo. É a Dona Marcela.Esther lança rapidamente o olhar para ele, que percebe. Paulo atende o telefone, semgraça:- Oi, Marcela? Não, não. Tudo bem...Já estou descendo. – Ele desliga e se volta para assecretárias e Esther. – Eu vou tomar um café, já volto.Esther não diz nada e continua seu trabalho.Chegando no café, Paulo se encontra com Marcela:
    • - Ai, desculpa ficar no seu pé assim. É que tenho uma surpresa. – Marcela mostra à ele oresultado final da entrevista que ele fizera em São Paulo para um jornal muitoimportante.- Que maravilha! Vamos sentar, quero ler com calma.Depois de ler a matéria feita por Marcela, Paulo diz:- Está perfeita! Maravilhosa essa matéria.- Ai, não fala assim que eu fico sem graça. E claro, o entrevistado ajudou muito pra isso.- Ah, que nada! A Fio Carioca é o único motivo, e o seu talento!- Obrigada! – Marcela diz e fica um tempo olhando para ele e Paulo tenta mudar oclima:- E então? Como anda tudo?- Tudo ótimo...Só você que não parece tão bem assim...- Ah, aposto que são minhas olheiras! – Ele brinca.- É, também...O que foi que tirou seu sono, hein?- Adivinha..- Hum, esposa?- Touché! Eu já não sei mais o que fazer...Resolvemos dar um tempo..- Hum. Sinto muito...De verdade.- Acho que vai ser melhor assim, por enquanto. Mas está sendo muito difícil ficar longedela.- Mas qual é o real motivo pra esse desentendimento, se você a ama tanto?Paulo fica em silêncio e Marcela se desculpa:- Ai, desculpa. Estou sendo muito intrometida né? Não precisa responder.- Não, tudo bem. Já não é mais segredo algum, mesmo. É que eu sou estéril, e a Estherquer muito ter um filho, só que ao mesmo tempo descobrimos que agora é tarde demaispra ela também ter filhos...Daí em meio a isso tudo surgiu uma tal médica especialistaem fertilização que fica colocando idéias na cabeça da Esther. Enfim...- Entendi... É complicado, eu confesso que pensei que fosse mais simples.- Pois é...- Mas por que vocês não arriscam essa fertilização? Você não quer?- Eu acho essa ideia muito maluca, não consigo entender que esse filho seria realmentenosso, sabe? E além de tudo, eu não quero ter filhos...Seria um transtorno, umincômodo, nesse momento.Nisso, Tereza e Esther chegam e escutam o que Paulo havia falado. Paulo se assusta aover irmã e esposa ao seu lado:- Esther? O que vocês fazem aqui? – Ele diz assustado, temendo que Esther tenhaescutado.- Eu a trouxe pra cá, pensei em sentarmos nós três ( Tereza enfatiza o “três”, com umolhar fuzilador para Marcela) pra tomarmos um café, mas parece que não chegamos emboa hora.Quando Tereza termina de dizer, Esther vai embora apressadamente, em silêncio. Paulodeixa Marcela e Tereza e corre atrás da mulher:- Esther, Esther! Espera! – Paulo grita, tentando alcançar a esposa.- Me deixa, Paulo.- Calma, calma...A gente precisa conversar. – Paulo puxa Esther pelo braço.- Me larga, Paulo. Eu não quero mais tocar nesse assunto.- Entra aqui, por favor – Paulo abre a porta do seu carro, que estava estacionado logo àfrente, e pede para Esther entrar. Ela o obedece, sem vontade.
    • Quando Paulo entra no carro, Esther não diz nada, apenas fixa seu olhar para frente,com os olhos marejados. Ele respira fundo e fala:- Meu amor, eu...Eu sei que esse desejo seu de ter filhos é completamentecompreensível. Você é mulher, você é uma mulher maravilhosa, tem o direito de terquantos filhos quiser...E eu estraguei tudo...- Não fala mais nada, Paulo, por favor... Você acabou de dizer para aquela mulher queter um filho comigo seria um incômodo.- Não foi bem assim...- Foi! Pelo amor de deus, eu escutei....você dizer aquilo, com todas as palavras.- Eu sei, eu sei...Mas isso é coisa minha, eu admito, admito que eu não tenho esse desejoagora, que pra mim o nosso casamento tava perfeito, tava maravilhoso...Mas eu te adorotanto, eu te amo tanto...Que eu cheguei sim a concordar com essa ideia de fertilização,pra te ver feliz.- Não, você não entende...Eu queria um filho nosso, e não só meu. Se você tivesse medito desde o começo, Paulo...Se você tivesse se aberto comigo. Mas você mentiu pramim, você ficou alimentando essa minha vontade, sugeriu que adotássemos, sendo quevocê nunca, nunca quis ter um filho.- Não, não é bem assim. Eu já pensei em ter filhos, há alguns anos. Mas já faz tantotempo que eu já tinha me acostumado com esse meu problema...que eu não tinhacogitado mais em ter filhos, que eu pensei que estaria tudo bem, que continuaríamos nosamando como sempre...Como sempre foi..Perfeito....Mas de uns tempos pra cá, desdequando você começou a ter contato com essa Danielle, você mudou, fica distante, sóconversava com ela sobre seus problemas, esquecia de nós dois...- Não fala isso. Eu nunca esqueci de nós dois. Eu nunca pensei um segundo sequer emter esse filho sozinha, você sabe disso...- Eu sei... É que às vezes acho que estou te prendendo nesse casamento.- Que isso? Eu nunca te culpei, Paulo. Nunca... Mas você só sabe fazer isso , todo otempo...Se culpar.- Tudo bem...eu errei em não me abrir com você, não é?- Sim...Você preferiu se abrir com ela...com aquela mulher....- Esther fica em silênciopor alguns minutos e depois diz: - Eu preciso sair daqui, respirar.- Calma, não vai. Por favor..Me perdoa, meu amor. Eu te amo tanto, Esther. Eu fariatudo por você, pra te ver feliz...Mas tenta entender, seria tão complicado pra mim.- Eu não consigo entender. Me desculpa, mas...não dá.- Não, Esther, espera. Não sai assim... – Paulo segura o braço dela e se aproxima ,tentando tocá-la no rosto, porém Esther se desfaz dos braços de Paulo:- Por favor, me deixa... – Ela se solta e sai do carro.Paulo abaixa a cabeça no volante do carro e depois empurra sua mão contra ele,nervoso.Capítulo VINo dia seguinte, é o aniversário de René, e os preparativos da festa estão a todo vapor.Tereza Cristina e Crô estavam cuidando de todos os detalhes, e fizeram questão queRené descansasse, sem nem mesmo opinar no cardápio do jantar.Ele e Paulo saem para conversar no restaurante:- Quero você lá em casa hoje à noite, hein.- Sim... - Paulo diz, desanimado e pensativo.- Essa preocupação toda é por conta da Esther, não é?
    • - Pois é..Não sei como seria um evento desses sem a Esther ou com ela do meu lado,nessa situação.- Imagino. Mas a Tereza já a convidou.- Não, eu sei disso. É claro que vocês têm que convidá-la.- Você acha que vai ser desconfortável? Se for, não tem problema vocês não irem.- Que isso... Eu vou, com certeza. Afinal, não é sempre que a gente chega na terceiraidade! – Paulo ri para descontrair.- Epa! Tá longe disso acontecer, hein! – René ri junto com Paulo.- É!- Mas, se anima aí. Vai dar tudo certo.René bate nas costas de Paulo e eles se despedem.Esther estava no escritório conversando com um dos funcionários e Paulo ainda nãohavia chegado. Meia hora depois, ele aparece:- Olá, olá!Quando ele chega até Esther, ela continua concentrada em seu trabalho até elecumprimentá-la:- Oi...Tudo bem?- Oi. Sim...- Ela diz, transparecendo em seu olhar o amor, o desejo e a saudade quesentia por ele, apesar de tudo. Paulo olha para os lados, pensando no que dizer efinalmente fala:- É...Eu estava no restaurante com o René. Hoje vai ser a festa de aniversário...- Pois é. A Tereza me ligou mesmo.- Você...vai?- Eu preferia não ir...Mas a sua irmã insistiu e...se você não quiser que eu... vá...- Imagina! Eu nunca pediria isso. Acho que nós temos que ir...- É, tudo bem...- Eu posso passar pra te pegar? Pra irmos juntos?- Acho melhor não, Paulo...- Tá...Tudo bem. – Paulo diz, triste. – Eu vou ali, ver como andam os banners prasnovas lojas.- Certo.Paulo a olha por mais alguns minutos e sai, ainda triste, e Esther tenta esconder osofrimento, voltando ao trabalho.O casal passa a maior parte do tempo afastado no escritório da Fio Carioca, e nosmomentos que estão próximos sempre há mais alguém por perto, o que os deixa aindamais tensos e inconformados com a separação. Há pouco tempo, os dois estariam seabraçando e se beijando diante de todos do escritório, em meio a risadas e declaraçõesapaixonadas. Mas tudo estava estranho.Já é noite e Paulo encontra Esther arrumando suas coisas na mesa e pegando sua bolsapara ir embora:- Oi...Posso entrar? – Ele bate de leve na porta.- Claro...Essa sala também é sua. – Ela diz, sorrindo, ainda olhando para suas coisas,evitando o olhar de Paulo.- Você já está indo?- Sim, preciso me arrumar pra festa...- É, eu também. Você quer que eu te leve, pra não se atrasar?- Não...não precisa. Eu estou de carro hoje.
    • - Hum. Tudo bem, então...Vamos? Eu te acompanho até o estacionamento.- Certo. – Esther sorri e Paulo toca os ombros dela, a acompanhando até o lado de fora.Os dois caminham até o estacionamento e Paulo pára diante do carro dela, seaproximando, e fazendo com que ela encostasse no carro. Ele apóia o braço no carro eabaixa a cabeça, olhando para os pés e dizendo:- Esther...Me desculpa por ontem. Eu falei coisas que não queria.- Não..não vamos mais falar sobre isso. Você sabe que não dá certo.- Eu sei, só queria me desculpar.- Tá tudo bem. Melhor a gente ir, senão vamos nos atrasar...Do jeito que você demorano banho. – Esther começa a rir e Paulo ri junto com ela.- Pois é! Você é tão mais prática do que eu e faz tudo com tanta perfeição. – Ele a olhafundo nos olhos enquanto diz e os dois ficam um tempo se olhando em silêncio. Pauloendireita seu corpo e se aproxima mais ainda de Esther. Os dois trocam olhares,desejando imensamente que acontecesse um beijo, mas pessoas começam a chegar nolocal e eles se dispersam.- Bom, eu...já vou...- Esther se desfaz do clima com dificuldade e entra no carro. Paulodiz tchau e se afasta, a observando ir embora.São 21 horas e todos já estão reunidos na casa de Tereza, inclusive Paulo, que haviachegado antes de Esther. Todos estranham a ausência da esposa ao seu lado, porémninguém comenta a separação dos dois.Em meio a conversas, Paulo tenta esconder seu desânimo, quando de repente a porta seabre e Esther aparece com um vestido preto com detalhes discretos na cor vinho. Omodelo era padronizado, seguindo o seu gosto por decotes avantajados nas costas. Pauloa olha maravilhado, aumentando ainda mais a saudade que estava sentindo.Esther cumprimenta todos e Paulo logo se levanta:- Oi! – Ele diz sorrindo.- Oi! – Esther se aproxima dele e o beija rapidamente no rosto.Todos percebem o clima e tentam descontrair, puxando conversa e oferecendo bebidas.Esther entrega o presente à René e o abraça, desejando felicidades.Capítulo VIIO jantar começa e Tereza havia separado uma cadeira para Paulo ao lado de Esther,propositalmente. Os dois se sentam, um pouco sem jeito, e ficam o jantar todo sem sefalar e evitando olhares, porém era impossível que alguns olhares furtivosacontecessem. Tereza então, em meio à outras conversas, engata uma provocação:- Esther, meu bem, você não comeu quase nada. Não me diga que está de regime comosuas modelos?- Não, meus tempos de regime já se foram. A comida está ótima, eu é que estou umpouco sem fome.- Aposto que isso é culpa do meu irmão.- Tereza! – René a repreende.- Mas é...Eu canso de aconselhar o Paulo, mas ele não me ouve.Esther e Paulo se entreolham e ficam em silêncio. René logo muda de assunto e todosdescentralizam a atenção do casal, menos eles próprios.
    • No final da festa, acontece também a queima de fogos. Todos vão para o jardim eEsther hesita, pois se lembra da última vez que estivera na mesma situação, porém,junto de Paulo.Eles seguem para o jardim e ficam de braços cruzados, um do lado do outro. Paulo nãoresiste e se aproxima, dizendo:- A noite está linda, não está?Esther sorri levemente e concorda:- Pois é. Linda...- Não mais do que você...Você tá maravilhosa.- Obrigada. – Esther agradece, sem jeito.Paulo não tira os olhos dela, que tenta desviar seu olhar e prestar atenção nos fogos. Osdois continuam um do lado do outro, em silêncio, sentindo apenas um frio na barriga,como se fossem dois estranhos descobrindo o amor.Terminado a queima de fogos, Paulo ainda continua observando Esther, quando eles sãointerrompidos por Tereza:- Queridos! Vamos entrar?Paulo sorri e Esther vai logo na frente. Já na sala, todos se sentam e conversam mais umpouco. Paulo se senta ao lado de Esther, porém, mantendo uma certa distância. Elaparticipa da conversa dele com René:- E a Fio Carioca? Está a todo vapor?- Sim. Cada dia melhor. – Paulo diz.- E quando vamos ter outro desfile daqueles? – Tereza pergunta. – Quero ficar emêxtase de novo com novos modelitos.- Pra esse ano fica difícil. Vamos ver o que acontece no primeiro semestre do ano quevem. – Esther responde.- Ah, vai demorar muito. E vê se não engravida ano que vem, pra adiar mais ainda...-Tereza começa a rir.- Tereza! – René a repreende, a puxando de lado.- Ai, René. Eu só... – René a interrompe novamente:- E então? Vocês querem mais alguma bebida?- Não, eu na verdade já vou indo. Amanhã preciso acordar cedo. – Esther diz, séria.Paulo a olha, desconcertado com a brincadeira da irmã e levanta junto com ela.- Eu também vou indo, gente. Também trabalho.- Ah, mas que pena. Estava tão bom. – Tereza diz.- A festa estava ótima! Mais uma vez, parabéns René, tudo de bom! – Esther ocumprimenta e em seguida se despede de Tereza Cristina, seguindo até a porta. Paulo sedespede rapidamente dos dois, a fim de alcançar Esther.Quando a estilista já está dentro do carro, quase dando partida, Paulo entra rapidamente,a assustando:- Paulo?!- Me deixa ir com você...Por favor. – Paulo pede.Esther tenta dizer algo mas não consegue, apenas fica o olhando, sentindo tudo aomesmo tempo: a descoberta do imenso amor que sentia por aquele homem, a vontade deabraçá-lo, a falta que ele fazia e a decepção que sentira há tão pouco tempo atrás.Ela continua sem dizer nada e apenas liga o carro, indo para casa junto com Paulo.Tereza os observa pela janela e diz para René, longe dos convidados:- Esses dois nunca vão conseguir ficar separados. Não adianta... Mas se a Esthercontinuar com essa ideia maluca, não sei não...
    • - Como assim? Achei que você estava apoiando a Esther.- Ai, não sei. Pensei melhor sobre isso tudo de fertilização, é tão estranho. Essa criançater pais desconhecidos e a Esther ser hospedeira. Estranho demais.- Ai, Tereza! Você é muito inconstante!- Mas...Melhor ter um sobrinho bastardo do que o Paulo trazer outra mulher pra cá.- Você não tem jeito, Tereza Cristina. Vamos pra lá, vai.Os dois vão até a sala e continuam a conversa com os convidados.Esther estaciona o carro na garagem do condomínio e eles sobem juntos, calados. Pauloa observa todo o tempo.Chegando em casa, Esther entra, deixando a chave do carro em cima da mesa e Paulofecha a porta.Ela fica de frente para ele e os dois trocam olhares por alguns minutos, até que Paulo seaproxima cada vez mais. Os dois fixam o olhar nos lábios um do outro, e tomados porum silêncio ensurdecedor, eles entendem que naquele momento nenhuma palavra eranecessária. O desejo de estarem juntos era tão grande, que eles esquecem de tudo,deixando que o amor que eles conservaram há tantos anos tomasse conta delesnovamente. Sem pensar em nada, Esther se aproxima mais ainda de Paulo e consegueemitir a única frase que fazia sentido naquela hora:- Te amo...Capítulo VIIIPaulo não espera nem um segundo e puxa o corpo de Esther para junto do seu. Elepercorre as costas dela com as mãos, sentindo a sua pele, a fazendo arrepiar. Estherfecha os olhos e se deixa tomar pelo momento, como se fosse se entregar pela primeiravez nos braços de Paulo.O desejo é tanto que depois de sentirem a pele um do outro, apenas se tocando com orosto e com as mãos, eles se rendem a um beijo ardente, cheio de saudade. Enquanto sebeijavam, eles iam caminhando até o quarto, se esbarrando nos móveis da sala. Esthersorri e olha para Paulo, que retribui. Ela puxa o colarinho do terno de Paulo o trazendopara perto, em mais um beijo. Eles continuam se abraçando até chegarem no quarto.Paulo abaixa as alças do vestido de Esther , beijando o pescoço dela,descendo até seusombros. Ele caminha, a deixando de costas para ele, e beija sua nuca. Esther sorri efecha os olhos, levando suas mãos para trás, tocando os cabelos de Paulo. Ele acaricia ascostas de Esther, a beijando por todas as partes, e aproveita para descer o restante dovestido dela, que cai no chão. Ela se volta para ele e o ajuda a retirar suas roupas. Ocasal caminha até a cama e finalmente se ama.Depois de se amarem, eles ficam abraçados na cama envoltos pelo lençol, sem dizernada. Esther acaricia o peito de Paulo e ele beija os cabelos dela. Depois de um tempoela diz:- O que aconteceu aqui?- Hum...- Paulo diz, pensando. – Nós simplesmente nos amamos... de novo. E foimaravilhoso.- É...- Esther concorda e continua. – Me diz...Por que eu não consigo ficar longe devocê? – Ela pergunta e se desprende dos braços deles, o olhando.- Porque você me ama, assim como eu te amo.Esther sorri e toca o rosto de Paulo:- O que a gente faz?
    • - Não sei...não sei. – Paulo diz, olhando para ela. – Eu só sei que eu não vou conseguirme controlar toda vez que eu te ver, não dá mais pra ficar perto de você, ver esse teusorriso lindo – Paulo sorri junto com ela - ... sem te beijar, sem te tocar... Eu te amo,Esther... muito! - Paulo diz e beija o pescoço de Esther por todas as partes, a abraçando.Os dois riem e caem na cama, aos beijos.O dia amanhece e Esther está dormindo. Ela rola seu corpo para o lado, tentandoalcançar o corpo de Paulo, mas ele não estava lá. Esther abre os olhos e pensa ter sidotudo um sonho, mas não era...Foi real e o cheiro de Paulo ainda estava nos lençóis. Elalevanta, ainda com sono e esfregando os olhos, colocando os sapatos e caminhando atéa sala. Paulo estava lá, sentado, olhando para o vazio. Quando ele percebe a presença deEsther, diante da porta, ele se levanta e a olha. Os dois ficam um bom tempo trocandoolhares, lamentando que o dia tenha amanhecido e a noite que parecia eterna e perfeita,tinha terminado.Paulo diz, sorrindo levemente:- Bom dia. Não quis te acordar...Você estava dormindo tão bem...Esther apenas sorri e se aproxima dele, receosa em tocá-lo. Paulo percebe o climaestranho e diz:- Eu estava pensando... Como vai ser daqui pra frente.- Eu também...- Esther diz, olhando para baixo e Paulo alcança o rosto dela, a tocandocom carinho, fazendo com que ela o olhasse:- A gente se ama tanto Esther...Por que isso tudo foi acontecer?- Ai Paulo..- Esther desabafa, quase chorando...- Eu sofri tanto quando soube que nãopoderia ter um filho realmente meu... e seu...Que todas as minhas esperanças tinham idopor água abaixo. Depois eu pensei que seria a mesma experiência, a mesma realização,se eu tivesse esse filho... Que mesmo sendo geneticamente de outra pessoa, essa criançaia ser nossa, não é?- Esther...Eu... - Paulo tenta encontrar as palavras certas - ... você sabe...- Esther ointerrompe:- Eu sei, eu sei que você pensa diferente. Mas eu sinto que se eu não fizer isso, eu voume arrepender pro resto da vida. Eu iria criar essa criança, e a partir do momento queela estivesse dentro de mim, ela já seria minha...nossa...se você quisesse. Agora tudodesmoronou, você mentiu pra mim, Paulo...Por que você me apoiou se não era umacoisa que você queria?- Porque eu te amo. Porque eu queria ver você feliz...Mas eu vi que eu não conseguia,que eu não consigo pensar como você, desejar o mesmo...Esther apenas assente com a cabeça e caminha pela sala, entrelaçando os dedos entre oscabelos, se sentindo sem chão:- Desculpa Paulo, eu preciso tentar...com ou sem o seu apoio. Você entende?- Então você prefere abandonar tudo o que a gente construiu? Essa noite não significounada?- Paulo, por favor...- Eu preciso pensar, Esther. Eu não sei como seria minha vida agora com uma criança, eainda mais nessa situação...Você sabe que eu também não confio nessa doutoraDanielle.- Eu sei, mas eu confio.- Você a conheceu há tão pouco tempo.- Ela nunca demonstrou nenhum motivo que eu pudesse desconfiar...Ela é tão íntegra,profissional...
    • - Tudo bem, Esther. Eu não quero discutir com você, eu fico péssimo, cansado. O queeu quero é lembrar dessa noite, pra sempre. Foi tão especial, como se fosse nossaprimeira vez juntos.- Eu também me senti assim. Só que eu não vou suportar passar por isso novamente. Omelhor é ficarmos separados, realmente darmos um tempo...- Certo... E você vai continuar encontrando aquela médica, vai fazer o procedimento?- Não sei, não sei...- Esther diz, triste.- Eu vou indo..então.- Tá..Paulo olha para Esther por mais algum tempo, que estava com a cabeça baixa e apoiadano encosto do sofá, e finalmente diz:- Mesmo indo embora, mesmo não tendo o mesmo desejo que o seu, eu não canso dedizer...que eu vou continuar te amando incondicionalmente... pro resto da minha vida.(Música – “Problemas”)Capítulo IXEsther olha para ele, chorando. Paulo também se emociona e não se contém, indo até elae segurando seu rosto com as duas mãos. Ele não diz nada, apenas a olha por mais umtempo e a beija intensamente. Ele a beija várias vezes, indo até o pescoço e a abraçando.Os dois ficam um bom tempo envolvidos no abraço, de olhos fechados, até que Paulo seafasta, demorando para soltar das mãos dela.Por fim, ele lança um último olhar, retribuído por Esther, e vai embora, fechando aporta.Esther desaba, sentindo que agora tinha realmente perdido o apoio de seu marido. Ela iacomeçar uma vida sozinha, ou melhor, uma vida nova, quem sabe em companhia do seufilho e do seu amor por Paulo – que nunca ia acabar.Paulo resolve ir até o restaurante de René, para conversarem:- E aí, cara? O que foi que aconteceu?- Por que? Está tão óbvio assim que estou acabado?- Ih, já vi tudo. Esther?Paulo não responde, apenas suspira e pede:- Vamos sentar? Ou você está muito ocupado? Posso voltar outra hora...- Nada disso! O movimento ainda está tranqüilo...Vem, vamos sentar aqui...René aponta a mesa logo à frente e eles se sentam:- E então? O que aconteceu depois da festa de ontem? Vi vocês indo embora juntos...- Pois é. O que aconteceu foi que, tivemos uma recaída, mesmo ainda estando casados.– Paulo começa a rir. – Acho que nunca ouvi falar de uma história assim...Um casal quese ama, fazendo o possível pra resistir um ao outro.- É...Eu também não. – René ri e concorda. – Mas vocês passaram a noite juntos e...- E...Não adiantou de nada...Resolvemos manter o “trato” de continuarmos separados,mas eu sinto que vai ser mais difícil daqui pra frente. Parece que hoje foi umadespedida.- Ei, não diz isso. Vocês dois se amam tanto. Será que não tem uma solução pra tudoisso?- Não conseguimos encontrar nenhuma, por enquanto...- Que pena. Eu torço muito pra que tudo volte a ser como antes.- E eu...Eu penso nisso todos os dias.
    • René se levanta e dá um abraço no cunhado, nisso, o telefone de Paulo toca:- Licença... – Paulo pede à René e atende:- Oi, Marcela! Como vai? Que bom...É...Tudo bem, pode ser. Nos vemos lá, então. Umbeijo. - Paulo desliga.- Hum. Marcela? – René pergunta, desconfiado.- É...Uma jornalista que conheci em São Paulo. Estamos bem próximos...- Paulo, Paulo...Isso não é perigoso, não?- Imagina, por que seria? É só uma amiga...- Tudo bem, então. Afinal de contas, você só tem olhos pra sua mulher, não é?- Claro. Eu não me imagino com outra mulher...Nem estando separado dela, eu não vejominha vida sem a Esther.- Eu sei disso. Mas...Toma cuidado que às vezes nem a nossa certeza escapa decertos...imprevistos.- Imagina! - Paulo diz, sorrindo e convicto.René olha para ele ainda preocupado com o telefonema da tal amiga misteriosa e os doisse despedem.Paulo já estava na Fio Carioca e olhava todo o tempo para o relógio. Esther nunca haviase atrasado tanto, sem deixar recado. Ele fica preocupado, mas tenta se distrair, dandoordens aos funcionários e fazendo alguns telefonemas. Enquanto isso, Esther procuraDanielle no novo consultório que ela havia montado no Rio de Janeiro:- Por favor, a doutora Danielle está? Não marquei hora... – Esther diz à secretária.- Quem gostaria?- Diz que é a Esther.Depois de alguns poucos minutos, a secretária retorna da sala de Danielle:- Pode me acompanhar, ela vai atendê-la agora mesmo.- Obrigada! Com licença...Chegando no consultório, Danielle logo se levanta cumprimenta Esther com dois beijosno rosto, pegando em sua mão:- Querida! Como você está? Suas mãos estão geladas, aconteceu alguma coisa?Esther a olha sem dizer nada, transparecendo nervosismo e preocupação, e diz:- Posso me sentar?- Claro que sim...Por favor.- Desculpa vir sem avisar, sei que você é muito ocupada.- Imagina...Você sabe que pode vir a qualquer hora.Esther sorri levemente mas logo fica séria, dizendo:- Eu e o Paulo...Nós nos desentendemos de novo...E parece que agora é definitivo.- Eu...sinto muito, Esther. Mas você então...Vai desistir?- Não sei...Eu estou confusa, porque sem o Paulo essa fertilização não vai fazer sentido,mas ao mesmo tempo eu penso que se eu não fizer, vou me arrepender pro resto da vida.- Posso dar minha opinião, independente de ser médica, de ser “a” médica responsávelpor esse procedimento?- Claro, por favor...Qualquer opinião agora vai ser mais lúcida do que a minha própria.- Eu acho, querida, que você deve tentar. Afinal, o que você perderia tendo um filhocom o qual você sempre sonhou? E eu acredito que o Paulo irá voltar atrás quando tever grávida, quando a criança nascer. – Danielle sorri.- É, eu pensei nisso. Acho que talvez ele esteja com medo, mas depois que ele perceberque está tudo bem, que essa gravidez pode ser maravilhosa para nós dois...Talvez eleentenda.- Claro! Eu acredito que sim! – Danielle concorda.
    • - Então... podemos começar?Danielle sorri ainda mais, com um brilho nos olhos jamais visto por Esther:- Com certeza! Você fez uma sábia escolha, e eu vou fazer de tudo para dar certo...Epode ter certeza que vai!- Que bom! – Esther diz, ainda insegura.- Eu já tenho doadores, com os genes perfeitos para você.As duas conversam um longo tempo sobre a fertlização e Esther não percebe o tempopassar. Depois de algumas horas, a secretária pede licença e as interrompe:- Doutora, a paciente das 15 horas já chegou.- Nossa! Já são 3 horas? Nem vi o tempo passar...Preciso ir! - Esther diz.- A conversa estava tão boa, que também não reparei. – Danielle sorri.- Bom, obrigada Danielle...por tudo. – Esther aperta a mão de Danielle, que se levanta evai até ela, segurando em suas mãos e dizendo:- Vai dar tudo certo, viu?Esther sorri, ainda confusa com sua decisão e retribui o sorriso:- Tomara!Danielle a olha e lhe dá um abraço. Esther retribui, um pouco acanhada e se despede:- Vou indo...Obrigada de novo, até mais. Te ligo depois...- Combinado, fico esperando ansiosa.Esther vai embora e Danielle se senta, sorrindo e pensativa.Capítulo XO trânsito faz com que Esther se atrase ainda mais para chegar na Fio Carioca, e Paulofica cada vez mais aflito, esquecendo do seu encontro com Marcela. Ele a deixaesperando no café, até que ela liga para ele:- Ah! Deve ser a Esther...- Paulo diz, antes de ver o número no celular. Quando ele vêque é Marcela, se lembra do encontro:- Ih, nossa. Que droga... – E atende:- Alô, oi Marcela...Me desculpa. Eu acabei tendo uns problemas aqui noescritório...Estou descendo, tudo bem? Ok, desculpa de novo...Um beijo.Paulo olha para o relógio novamente, sem tirar Esther da cabeça, e segue para seuencontro com Marcela.Esther está passando de carro e vê Paulo entrar no café em frente ao escritório. Elaestaciona por perto e o vê junto com Marcela. Nesse momento, Esther sente que estavadeixando o caminho livre para Paulo, e se sente sem chão, pensando se a decisão quetomou era a correta. Ela liga o carro e entra no estacionamento, tentando ignorar o queestava lhe machucando.Enquanto isso, Paulo conversa com Marcela:- E aí? Fiquei preocupada com você...E com sua esposa. Vocês já estão bem?- Eu cheguei a pensar uma hora que estava tudo bem, que tudo tinha voltado aonormal...Mas não...Acho que dessa vez estamos mesmo separados.- Poxa, que pena, Paulo. Você não merece sofrer.- A Esther não merece... - Ele a corrige.Marcela fica em silêncio e depois diz:- Bom, eu não quero que você me leve a mal, mas separei uns convites pro SP FashionWeek pra você. Ganhei ontem e pensei em te dar...Achei que ia gostar.
    • - Sério? Muito obrigado, Marcela. Mas eu acho que não estou com cabeça...e naverdade eu também tenho alguns convites... - Paulo diz, desconcertado.- Ai, que cabeça a minha, é claro que você tem convites! O dono da Fio Carioca!- É, mas eu não vou..Não posso deixar o trabalho agora, com a nova coleção a todovapor.- Eu imagino...Mas, fica aqui o meu convite ainda...- Claro! – Paulo sorri. – Obrigado, mesmo assim.- Tudo bem! Vamos fazer o seguinte? Amanhã eu posso te ligar pra confrmar que vocêrealmente não vai nesse desfile?- Hum...- Pode ser sincero. Se você pedir que eu não ligue nunca mais, que eu estou sendo chatae inconveniente eu juro que vou levar numa boa!Paulo começa a rir:- Ai, Marcela! Só por conta dessa descontração eu deixo você me ligar, ok?- Ótimo!Paulo sorri e de repente fica quieto. Marcela pergunta:- O que foi?- Nada...É que pensei...que faz tanto tempo que não converso assim com a Esther, quenão rimos juntos...- Sei...- Marcela diz, sem saber como continuar.- Desculpa, eu não consigo mudar de assunto...Eu não tiro ela da minha cabeça.- Imagina, eu entendo. De verdade... O que você precisar, é só me chamar! – Marceladiz e se levanta, já indo embora.- Obrigado!- Até amanhã! – Marcela sorri e dá um beijo rápido no rosto de Paulo. Ele ri levementee volta a pensar em Esther, apreensivo.Enquanto isso, Esther está na Fio Carioca, sem conseguir tirar de sua cabeça, a imagemde Paulo e Marcela juntos. Ela senta e começa a esboçar alguns desenhos, quando Pauloaparece, batendo na porta:- Oi...Posso? – Ele pergunta antes de entrar.- Claro... – Ela diz, sentindo seu coração disparar.- Está tudo bem? Você demorou...- Tá...tá tudo bem. Eu acabei pegando um trânsito quando estava vindo da clínica...- Hum. Então você foi...Já pra fazer...- Esther o interrompe:- Não...Ainda não fiz nada.Paulo fica em silêncio, tentando dizer algo para ela. Os dois ficam se olhando até queEsther se levanta e entrega para Paulo:- Você esqueceu seu radio em casa. – Esther devolve o aparelho para ele, e os dois setocam, sentindo um desejo enorme de quebrarem o trato.Esther logo se solta dele, voltando para sua mesa e ele diz:- Obrigado. Eu nem tinha percebido.Esther sorri levemente e o telefone de sua mesa toca. Ela liga o viva-voz:- Oi, já estou indo Celeste. – Ela diz para uma das funcionárias que a chamava paraverificar os biquínis no corpo das modelos.Ela desliga o telefone e diz:- Bom, vou até lá, ver a prova das peças...- Tudo bem. – Paulo responde e a olha sair da sala, passando as mãos nos lábios,suspirando:- Ai, Esther, Esther...
    • A noite chega e Esther se encontra com Paulo nos corredores:- Já vai? – Paulo pergunta à ela.- Sim.- Eu acho que amanhã vou até São Paulo, ver o desfile da Fashion Week. Você vai?- Hum...Não. Tenho algumas coisas pra fazer por aqui.- Você vai precisar de mim aqui? Posso cancelar...- Não, não precisa...Apesar da correria, amanhã acho que vai estar tudo tranqüilo.- Tudo bem, então...E...Boa noite. – Paulo se despede, ainda achando estranho adistância entre eles.- Boa noite. – Esther diz, olhando fixamente para os lábios dele.Paulo espera Esther ir na frente e vai logo atrás. Ele fica de longe a olhando sair com ocarro do estacionamento.Quando os dois chegam em casa, eles vão para o banho e depois se sentam no sofá –ela,da sua casa e Paulo, do flat - os dois estavam sem fome, sem vontade alguma para outracoisa a não ser pensarem na besteira que estavam fazendo, continuando separados.Paulo pega uma foto de Esther e diz, sozinho:- Meu amor...Quanta falta você me faz...Que saudade do teu beijo, do teu sorriso. – Eletoca a foto, desejando a mulher em seus braços novamente.Já é dia, e Paulo arruma suas coisas para pegar o vôo até São Paulo, onde Marcela já seencontrava, e Esther segue para o trabalho.Paulo manda uma mensagem de celular para a esposa, que vê assim que chega noescritório:“Estou no aeroporto rumo à São Paulo, para o desfile. Se quiser, ainda dá tempo depegar o vôo comigo. Vamos?”Esther fica tentada em aceitar, mas prefere não ir, pois sabia que teriam outra recaída econsequentemente um novo desentendimento. Afinal, Esther não havia desistido de seusonho.Ela responde a mensagem:“Obrigada pelo convite. Mas terei que ficar por aqui, muito trabalho pela frente.Aproveite por mim. Beijos.”Em seguida, sem demora, Paulo finaliza:“Uma pena. Qualquer problema por aí, me avise. Beijos e saudades.”Esther lê a mensagem e diz sozinha:- Paulo...Por que isso? – Ela senta e abaixa sua cabeça na mesa, já cansada com asituação.Paulo chega em São Paulo e vai direto para o desfile da Fashion Week, onde encontraMarcela à sua espera. Os dois sentam juntos e decidem sair após o evento.Depois de muita conversa e risadas, Marcela o convida para um drink em umrestaurante conhecido:- Acho melhor não, Marcela. Eu preciso voltar ainda hoje pro Rio.- Vai fazer mesmo essa desfeita?Paulo fica pensativo e diz:- Tá bom, vai...Mas só um pouquinho.
    • De repente, uma voz de mulher chama por Marcela. Paulo logo a reconhece:- Tia Íris?Capítulo XI- Paulo, Marcela! Que surpresa boa, meus queridos! – Tia Íris chega, cumprimentandoos dois com um beijo no rosto.- Você conhece a Marcela? – Paulo se surpreende.- Claro! Marcelinha é minha amiga. Nos conhecemos em New York, não é, querida?- Pois é! Que saudades, Íris! Eu que não sabia que vocês se conheciam. Você a chamoude “tia” Íris? – Marcela se volta para Paulo.- Sim! Essa é minha tia querida! – Paulo a abraça.- Nossa! Que coincidência! – Marcela diz, sorrindo para Íris.- Nós estamos indo beberalguma coisa, vamos? – Marcela a convida.- Não, não posso. Vim somente para o desfile, porque o Paulo bem sabe que eu adoroisso tudo....E estou indo direto para o Rio.- Eu também vou, tia. Que horas é seu vôo?- Agorinha mesmo! Não se prendam por mim, eu vou ter que voar para o aeroporto. ATereza Cristina deve estar me esperando.- Ah, então deu tudo certo pra você se hospedar na casa da minha irmã?- Bom, para mim está tudo certo! A Tereza implica comigo, mas no fundo nós nosentendemos bem!- Eu espero que sim! – Paulo diz, desconfiado.- Bom, foi um prazer te rever, minha linda! Tchau! Vejo você no Rio hein, querido? –Ela diz para Paulo e no meio do caminho ela se volta para eles novamente: - Ah,aliás,vocês dois ficam ótimos juntos! Com todo respeito à Esther! Um beijo. – Íris sedespede.- Ai, essa Íris, não tem jeito! – Marcela sorri, sem graça.- Pois é...Eu que o diga!- Fiquei surpresa em saber que minha grande amiga Íris é nada mais, nada menos, quesua tia!- Viu só? Além da simpatia, temos uma conhecida em comum! – Paulo brinca.- É! Vamos, então? – Marcela diz, se dirigindo até um táxi.- Vamos!Os dois entram juntos e seguem para o restaurante.Marcela e Paulo conversam bastante sobre suas vidas. Ele conta o dia que conheceuEsther:- Ela estava deslumbrante...Eu me lembro como se fosse ontem. Ela continua a mesma,maravilhosa, perfeita...- Que sorte a dela, ter um homem assim, como você...- Sorte a minha, com certeza é toda minha...- Paulo fica pensativo e depois inquieto:- Eu, eu acho que já vou indo, Marcela. Bebi um pouco demais, preciso pegar o vôo.- Calma, falta muito ainda pro seu vôo. Queria tanto que você conhecesse meuapartamento. Tenho matérias ótimas sobre moda pra te mostrar.- Será? Não estou muito bem, Marcela.- Por que? Está se sentindo mal?- Não, é o mesmo de sempre. Eu preciso ficar sozinho, entende?- Mas se você ficar sozinho, é pior, querido. Vem, vamos nos distrair. – Marcela paga aconta para os dois e vai com Paulo até seu apartamento.
    • Chegando lá...- Nossa, que mulher contemporânea você, hein! Paga a conta, me trás de carro, paga otáxi.- Viu só? Da próxima vez é você, espertinho! – Marcela e Paulo começam a rir, e ele seapóia no encosto do sofá, tendo uma tontura por conta do excesso de bebida.- Ei, senta aí. Você vai acabar caindo. –Marcela diz e Paulo começa a rir, sem saber omotivo.- O que foi? – Marcela pergunta e ri junto com ele.- Nada...Você me embebedou, hein.- Que nada, isso é só o começo. – Marcela dá um copo de whisky para ele, que sempensar, aceita.- Sabe, Marcela. Eu queria tanto, tanto, que a Esther voltasse pra mim...Mas sem filhonenhum, sabe? Porque eu amo demais aquela mulher, eu faria tudo por ela, mas umfilho agora...- Eu sei...- Marcela diz, se aproximando cada vez mais de Paulo.- Eu...eu..- Paulo tenta dizer, sentindo a proximidade de Marcela, e ficando nervoso.- ...eu queria a Esther pra sempre, mas eu sinto que estou a perdendo, cada vez mais.- Não fica assim. Você merece ser feliz...- Marcela toca o rosto de Paulo e ele seesquiva:- Não, eu preciso ir embora...- Paulo se levanta, mas logo cai no sofá, não suportando opeso do seu corpo por causa da bebida.- Ei, mocinho. Senta aí...- Marcela ri e o ajuda.- Tá...Eu acho que bebi demais. – Paulo abaixa a cabeça e quando levanta, Marcela estána frente dele, pronta para lhe roubar um beijo. Paulo não consegue enxergar mais nadae acaba se rendendo às carícias de Marcela, pensando ser Esther. Os dois se beijam eMarcela cai sobre o corpo de Paulo, tirando a sua roupa. Ele é dominado pelo momentoe ao segurar o rosto de Marcela, ele vê Esther e sorri:- Meu amor, eu te amo tanto, Esther...Marcela finge não escutar o nome de outra, e continua a beijá-lo. Os dois passam a noitejuntos e Paulo perde o vôo para o Rio de Janeiro.Já é de manhã e Esther estranha que Paulo não tenha mandado nenhuma mensagem ouligado. Ao menos para dizer a que horas estaria na Fio Carioca. Ela pensa que poderiater acontecido alguma coisa e liga para o celular dele. O celular toca insistentemente nasala do apartamento de Marcela, onde ela e Paulo ainda dormiam.Chegando na Fio Carioca, Esther se depara com Íris em sua sala:- Tia Íris? – Esther se surpreende.- Oi, meu amor! – Íris se aproxima e lhe dá um abraço.- Nossa! Que surpresa..Não esperava sua visita.- Eu sei, eu gosto de chegar nos lugares sem avisar...Me desculpa a indiscrição.- Imagina! Mas como você está? Tá tudo bem? – Esther pergunta, colocando sua bolsana mesa e pedindo para que Íris se sentasse. Ela se senta e diz:- Estou ótima. Acabo de sair da casa da sua cunhada...Ela me recebeu tão bem!- Jura? Que ótimo! – Esther sorri, achando estranho a suposta receptividade de TerezaCristina com a tia.- Bom, mas e o meu sobrinho predileto? Onde está?- O Paulo? Deve estar se arrumando e vindo pra cá...- Hum, eu o vi ontem à noite em São Paulo, será que ele perdeu o vôo?
    • - Sério? Você o viu aonde?- Saindo do desfile da Fashion Week...Ah, ele está tão bonito, alegre, risonho...Comosempre!- É! – Esther se incomoda.- Ele estava com uma grande amiga minha, que conheci nos bons tempos em NovaYork...A Marcela! Que coincidência, não é?Capítulo XIIQuando Esther escuta o nome de Marcela, ela sente um nó na garganta e uma dor decabeça repentina. Tia Íris continua a dizer:- Eles estavam indo para um restaurante, mas não pude aceitar o convite para ir comeles, ou ia perder o vôo...Achei estranho não te encontrar por lá, afinal de contas, vocêsnão se desgrudam! Com todo respeito, claro.- Eu...eu e o Paulo estamos dando um tempo...- Esther tenta dizer.- Meu Deus, não sabia! Me desculpa, querida. Sinto muito...- Tudo bem...Sem problemas.- Ai, mas a Marcela é uma profissional ótima...Eles estavam com certeza trocandofigurinhas sobre moda...Ela adora moda! É uma jornalista maravilhosa.- É, eu estou sabendo sim, Íris. Bom, eu tenho que me desculpar, mas não vou poder dartanta atenção...Estou numa correria com a nova coleção...- Esther diz, se levantando.- Claro! Que cabeça a minha, fico aqui te atrapalhando...Vim só te dar um beijo e umabraço. Estava com saudades!- Eu também! – Esther sorri levemente e abraça tia Íris, que se despede e sai da sala,sorrindo.Esther fica pálida e estática, pensando no que poderia ter acontecido com Paulo eMarcela em São Paulo.Paulo acorda com uma dor de cabeça infinita, ele olha para os lados, não identificando olugar onde estava:- Que lugar é esse?- Bom dia! – Marcela aparece com uma bandeja nas mãos de café da manhã, vestindoum hobby preto.- Marcela? O que...o que eu tô fazendo aqui, com você?Marcela coloca a bandeja na mesa do quarto e diz:- Desculpa, eu não devia me comportar como se nada tivesse acontecido, mas penseique talvez você fosse se lembrar...- Lembrar, de que? Nós dois...? - Paulo faz um gesto tentando explicar o que não queriadizer, e Marcela concorda:- Sim, nós dormimos juntos.- Eu não lembro...de nada.- É, acho que exageramos na bebida. Foi culpa minha, né?- Não...Não sei o que te dizer, Marcela. Eu preciso ir embora. – Paulo diz, se levantandorapidamente e colocando suas roupas. – Eu não queria ser grosso com você, mas issonão devia ter acontecido de jeito algum. Por favor, esquece tudo isso.- Hum...claro...não se preocupa. – Marcela diz, ironicamente, mas Paulo não percebe.Ele só sabia pensar em Esther e no que havia feito.
    • - Eu vou indo...- Paulo fica sem graça e não sabe como se despedir. Ele não diz maisnada e sai correndo.Marcela dá um leve sorriso.Já é tarde e Esther continua preocupada com o sumiço de Paulo. Ele não dava notícias enem atendia o celular. Quando ela tenta ligar novamente para Paulo, ele aparece em suasala:- Olá.- Paulo! Meu Deus, você demorou tanto, onde você estava?- Eu acabei perdendo o vôo...- Que susto, pensei que tinha acontecido alguma coisa. Você poderia ao menos ter dadoalguma notícia...- Eu sei, me desculpa...Quando vi suas chamadas, eu já estava aqui dentro.Esther não responde nada e se senta. Paulo se aproxima da mesa e ainda de pé ele diz,apreensivo:- Eu...preciso te falar uma coisa.- O que? – Esther já estava preparada para ouvir o que não queria, mas ao mesmo tempolutava contra isso, tentando esquecer as palavras de tia Íris.- Esther eu...eu perdi o vôo porque acabei bebendo demais e... não sei como te falar... –Esther o interrompe:- Foi ela, não foi? A jornalista...?Paulo abaixa a cabeça se apoiando no encosto da cadeira, e fala, ainda de cabeça baixa,evitando o olhar da esposa:- Eu não queria, eu não queria! – Ele diz nervoso. -...eu acordei e não me lembrava denada. – Ele levanta a cabeça e vê Esther estática, olhando para ele, com os olhosmarejados.- Não precisa dizer mais nada. – Esther se levanta e fica de costas para ele.- Esther, eu juro que eu não me lembro, quando eu acordei eu estava lá, com ela...Maseu precisava te contar, entende? Você tinha que saber por mim.Esther se volta para ele:- Muito obrigada por me contar. – Ela diz, ironicamente. - Mas não diz mais nada,nada...Eu não quero ouvir mais, Paulo.- Me perdoa, meu amor. Por favor...- Paulo se desespera e vai até ela. Esther se esquiva,tentando se desviar de Paulo, mas ele a segura:- Diz que me perdoa?- Paulo, me larga. Eu não estou conseguindo pensar em nada agora, eu preciso e queroficar sozinha. Me deixa! – Esther altera o tom de voz e se desprende dele, pegando suabolsa e saindo da sala apressadamente. Paulo a segue e chama pelo seu nome,assustando os funcionários:- Esther, volta aqui.Na saída para o estacionamento, Paulo alcança a mulher e a pega pelo braço:- Eu sei que você precisa de um tempo, mas me escuta...Eu amo você, nada disso fezsentido algum. Acredita em mim.Esther balança a cabeça negativamente e chora:- Me larga! – Ela se solta de Paulo e entra no carro. Paulo vai atrás e fixa suas mãos novidro. Esther dá a partida e ele é obrigado a se afastar do carro, a olhando partir, aosprantos:- Esther! Eu te amo! – Ele grita e vai abaixando o volume de sua voz, repetindo para simesmo:
    • - Eu te amo...Me perdoa, me perdoa...Capítulo XIIIEsther entra no apartamento e pára por um instante, se encostando na porta. Ela deixa asua bolsa cair no chão e chora, abaixando a cabeça e colocando suas mãos no rosto.Depois de um tempo ela se recompõe, enxugando as lágrimas, e faz uma ligação:- Oi...Desculpa te ligar sem avisar, eu preciso muito conversar. Sei, sei...Estou indo praí.Obrigada, um beijo.Ela pega suas coisas e sai novamente de casa.Paulo entra no flat se sentindo completamente sozinho e acabado. A dor era tanta queele não tinha fome e nem cansaço. Sua vontade era sair pela porta e correr atrás deEsther, aceitando o filho que ele não queria ter.Enquanto isso, tia Íris chega de um passeio e chama por Tereza:- Tereza! Onde está você?- A rainha do Nilo está dormindo. – Crô diz.- Então vá chamá-la, agora! O assunto é seríssimo.- Não precisa. Estou aqui...O que você quer, querida tia Íris? – Tereza diz, ironicamente.- Ótimo! Precisamos conversar, meu bem!- Vamos até o escritório, para certos serviçais não ficarem nos atrapalhando. – Terezaimplica com Crô e as duas seguem até o escritório.- O que você quer? Dinheiro? – Tereza é direta.- Calma! Que imagem você faz de mim, hein?Tereza Cristina começa a rir:- Pois é, você é uma vítima não é, tia Íris?- Sou, vítima do seu desprezo...você é tão ingrata...- Desembucha, o que você quer?- É simples...Sabe aquele nosso segredinho?- Não repita isso aqui, entendeu?! – Tereza se desespera e grita com a tia.- Não, não preciso falar em voz alta, porque você sabe muito bem do que se trata...Esabe, eu sou tão compreensiva, gosto tanto dos meus sobrinhos, eu só quero o bem devocês. Por isso, quero que você dê uma ajudinha pro seu irmão.- Que ajuda? Como assim?- Então, é o seguinte...Tenho uma amiga adorável, que conheci em Nova York. O nomedela é Marcela...- E eu com isso? – Tereza não entende.- Bom, soube que o Paulo e a Esther estão separados, não é?- Hum. É...- Então... Vou ser sincera com você, minha querida. Nunca fui com a cara da Esther...Ela e o Paulo nesse casamento perfeito.. Ah! Quanta bobagem! Prova disso é que estãoseparados...De que serve fazer bonito na frente dos outros, se na realidade o buraco ébem mais embaixo.Tereza continua sem entender:- Aonde você quer chegar com isso?- Terminando... Eu soube por fontes seguras que o Paulinho e a Marcela estão seentendendo, se conhecendo melhor.- Ah! Duvido! – Tereza diz, sorrindo.
    • - Mas pra eu ter certeza que isso é verdade, pra ter certeza que o Paulo vai partir praoutra, pra um relacionamento que ele realmente merece...Eu preciso de umreforço...Familiar...Se é que você me entende.- Você quer que...- Exatamente! Você pesca as coisas tão fácil! Eu quero que você dê uma ajudinha proseu irmão sair desse casamento já acabado e dar uma chance pras novas oportunidades!Não sou boazinha com vocês?- De jeito algum! A Esther pode não ser minha melhor amiga, aliás, ela nunca fezquestão de se fazer presente aqui nessa casa, mas eu nunca aceitaria colocar qualqueruma dentro da minha família.- Quem disse que a Marcela é qualquer uma?- Ora! Pra ser sua amiga... - Tereza diz com desdém.- Bom...Se você não quer ajuda, o que eu posso fazer, né? Vou ter que pensar em comocontar tudo aquilo pro René...Ai que canseira.- Escuta aqui!! – Tereza segura o braço de Íris, que reclama de dor. – Você não vai abriressa boca, entendeu?- Me larga! – Íris se solta de Tereza. – Eu não vou abrir minha boca não, minhasobrinha querida. Mas só se você colaborar com a titia.- Ahhhh! – Tereza grita e dá uma volta em torno de si mesma. – Não sei aonde vocêquer chegar com isso. Pra que tanto interesse em se ver livre da Esther?- O caso não é a Esther, já expliquei...- O que é então?- Ah meu bem, eu não sou ingênua como você. Não deixo escapar meus segredinhos!- Víbora!!! – Tereza grita.- Não quero elogios, Tereza! Quero saber se você vai colaborar...E então? Conto comvocê?Tereza fica séria e pensativa, e depois de andar pelo escritório, ela diz, gritando:- Tá bom, tá bom! Mas eu nem conheço essa tal de Marcela, como vou incentivar isso?- Deixa que eu cuido de tudo...Você precisa fazer só a parte mais fácil. Depois que euapresentar você à Marcela, chama o seu irmão pra uma conversa, ressalta os defeitos daEsther, porque ela deve ter, né? E pronto!- Tá...Anda logo então com tudo isso, porque eu não vou ficar esperando suas vontades.- Ah, vai sim! Eu sei que você é obediente! Agora vou subir, estou cansadíssima dopasseio. Tchauzinho! – Íris dá um beijo no rosto de Tereza, que o limpadesesperadamente com as mãos.Algumas horas se passam e Esther já havia subido a serra de carro. Ela chega na clínicade Danielle, que já estava fechada.- Oi, por favor, pode entrar. – A secretária de Danielle a recepciona.- Desculpe chegar tão tarde. A doutora Danielle está...- Danielle aparece e a interrompe:- Oi, querida. Estava aqui te esperando.- Oi! Desculpa vir tão tarde.- Imagina. Vem, vamos entrar.- Doutora, eu já posso ir? – a secretária de Danielle pergunta.- Claro, pode ir. Muito obrigada.Esther entra na sala e Danielle oferece a cadeira. Elas se sentam e Danielle diz:- Fiquei preocupada...Você parecia tão nervosa pelo telefone.- Sim, na verdade eu ainda estou. Eu não sei mais o que fazer, Danielle.- O que foi que aconteceu? – Danielle se preocupa.
    • - O Paulo...Agora eu tenho certeza que não tem mais volta.- Por que?- Ele passou a noite com outra mulher...Ele mesmo me contou hoje, quando chegou deSão Paulo...- Sinto muito, Esther...- Eu vim até aqui decidida a fazer essa inseminação. Mais do que nunca eu precisodesse filho...Mas agora, sem um pai...Eu não sei se seria correto, se eu posso...Capítulo XIV- Você diz “correto” com relação a que? Por ser mãe solteira, se isso teria problemasjudicialmente?- Isso mesmo.- Bom, apesar disso envolver questões éticas e algumas burocracias como acomprovação de que ambas as partes - dos doadores e do receptor – estão de comumacordo perante as decisões também da justiça, de que essa criança que vai ser geradapoderá ser criada somente por você, podemos começar já com os exames médicos.- Ótimo. Eu quero começar os exames o mais breve possível.- Você não está fazendo isso de cabeça quente? Não quer pensar mais um pouco?- Não, eu já esperei uma vida toda...Eu não vou adiar mais isso por conta do Paulo.- Você ainda o ama, não é?Esther fica pensativa e tenta segurar as lágrimas – em vão:- Amo...Mais do que nunca...Mas não dá mais pra aceitar isso calada, não dá...- Calma. – Danielle alcança as mãos de Esther sobre a mesa. – Não fica assim...Tenhocerteza que esse filho vai te fazer muito feliz.- Tomara...Esther se despede de Danielle e resolve passar a noite em Itaipava.Chegando na casa de Itaipava, Esther se senta no sofá, tirando os sapatos e em seguidase deitando. Ao apoiar a cabeça sobre os braços cruzados, ela pensa nas palavras dePaulo, buscando alguma resposta do que fazer nos próximos dias.Nisso, Paulo pega sua chave do carro e sai do flat. Ele segue para a sua casa, atrás deEsther.Quando ele abre a porta, encontra todos os cômodos com a luz apagada e já imagina queEsther esteja dormindo. Ele entra devagar no quarto e não vê ninguém:- Esther? – Ele a chama e fica pensativo ao perceber que não havia ninguém em casa.Pouco tempo depois, ele sai apressado do apartamento e sobe a serra de carro.Enquanto isso, Esther entra no banheiro e só pensa nas palavras do marido, durante obanho:“Esther, eu juro que eu não me lembro, quando eu acordei eu estava lá, com ela...Maseu precisava te contar, entende? Você tinha que saber por mim.”Ela não consegue conter as lágrimas, que se confundem com a água que cai em seurosto.
    • Após o banho, Esther caminha até o closet e coloca uma camisola. Ela vai até a cozinha,prepara uma xícara de chá e segue para a sala.Chegando lá, ela senta de pernas cruzadas no sofá e bebe o chá aos poucos, pensandoainda em Paulo. (música: Problemas).Algum tempo se passa e Paulo chega na casa de Itaipava. Ele abre a porta devagar e sedepara com Esther dormindo no sofá.Ela estava tão cansada que pegou num sono pesado rapidamente. Paulo aproveita e seaproxima, se ajoelhando ao lado dela. Ele a observa dormir e tenta tocá-la, tentando nãoacordá-la.Quando Paulo acaricia os cabelos e o rosto de Esther, ela desperta do sono e olha paraele, ainda sem raciocinar:- Paulo? – Ela diz, com a voz sonolenta e tenta se levantar.- Desculpa, não queria te acordar. – Paulo diz e Esther se senta no sofá sem dizer nada.Ele se aproxima e se ajoelha diante dela, segurando em seus joelhos:- Eu fui até o apartamento e você não estava...Imaginei que estaria aqui.- É...eu precisava ficar sozinha.- Sei que você deve estar chateada ainda, que não é a melhor hora pra gente conversar,mas eu não consigo, Esther...Não consigo ficar parado sem fazer nada...deixando a vidate levar de mim.Esther olha para ele, sem saber o que dizer. O seu amor por Paulo era tão grande quequando eles ficavam juntos, ela perdia toda sua razão, tudo que havia decidido:- Por que isso está acontecendo, Paulo? Eu pensava que a gente ia passar o resto dasnossas vidas juntos, sem pensar em ter outra pessoa...- Não fala assim...Eu nunca, nunca pensei em ter outra pessoa. Tudo que aconteceu foium mal entendido, eu sei que é difícil de entender, mas eu nunca desejei outramulher...Eu amo você, Esther. – Paulo se levanta e sobe suas mãos até as pernas deEsther e a pressiona contra o sofá. Ela não consegue dizer mais nada, se deixandorender às carícias do marido:- Eu te desejo tanto, cada dia mais. Eu não imagino minha vida sem você, sem o nossodia a dia... – Ele diz e segura mais firme o rosto de Esther e a beija várias vezes noslábios e no pescoço, enquanto falava. – Meu corpo não suporta ficar longe do teu. Deixaeu te amar....Fica comigo, meu amor.Paulo termina de dizer e Esther apenas o puxa contra seu corpo, o beijandointensamente. Os dois caem sobre o sofá e vão tirando suas roupas, num desesperocheio de paixão e desejo.Depois de se amarem no sofá, eles se vestem e vão até o quarto, e se abraçam. Paulosegura a nuca de Esther e a olha por algum tempo, depois diz:- Você é tão linda...- Ele sorri levemente e ela retribui.- Ai, Paulo. Eu não sei mais o que fazer...com nós dois. Eu não consigo levar adianteminhas decisões. Só que não adianta, toda vez a gente voltar no mesmo ponto.- Eu sei...Mas agora eu só quero saber se você me perdoa...- Eu ainda estou muito chateada, não é fácil...Eu não vou esquecer tão rápido o queaconteceu, porque eu te amo...Porque eu não gosto de imaginar a nossa vida sendorefeita, você com outra mulher, entende?- Claro..E eu não estou com ninguém, acredita em mim. Foi um momento de totalfraqueza...Mesmo sabendo que não justifica, que eu poderia ter evitado, eu fiz tudo sempensar, sem querer.Esther se desvia de Paulo e caminha pelo quarto, ficando de costas para ele:
    • - Acho que a gente tem que dar um ponto final nisso tudo. O melhor a fazer é realmentedar esse tempo...- Ela diz e se volta para ele: - ...Pra entender o que está acontecendoconosco... Mas de uma coisa eu tenho certeza, Paulo...Eu vou ter esse filho.Paulo a olha com tristeza, e abaixa a cabeça, dizendo:- Você está mesmo decidida a isso, não é?- Sim.- Certo...Então mais uma vez...Vamos dar esse tempo.Os dois ficam um bom tempo se olhando, com vontade de passar por cima de tudo oque foi dito e se entregarem a mais um beijo, porém a racionalidade naquele momentoera maior.- Eu acho melhor ir embora, então. – Paulo diz.- É...é o melhor.Paulo se vira, caminhando para fora do quarto e Esther continua estática, o observando,até que ele volta para Esther rapidamente, sem dizer nada, e a olha eufórico por algunsminutos. Sem resistir, ele segura o rosto dela e a beija com fervor. Esther não conseguenem segurá-lo, permanecendo com as mãos suspensas, rendida à um longo beijo.Após o beijo, o casal se abraça, tentando eternizar aquele momento, sentindo segurançae ao mesmo tempo medo do que estava por vir. Paulo se desprende dela e acaricia o seurosto novamente:- Te amo...eu te amo.Esther apenas abre sua boca, tentando emitir alguma palavra, mas nada sai. Paulo jáhavia se soltado de seus braços e ido embora.Capítulo XVO final de semana chega ao fim, e Esther volta para o Rio de Janeiro pela manhã. Elatroca de roupa no apartamento e vai direto para a "Fio Carioca".No caminho, o seu celular toca:- Oi, Tereza Cristina!- Querida, estava tentando falar com você desde ontem, e nada!- Pois é, eu estava em Itaipava e lá é difícil pegar o celular.- Hum. Bom, eu estou ligando para te convidar pra um almoço hoje, no Le Velmont,que tal?- Algum assunto em especial?- Nada! É só um almoço, informal! Não se preocupa.- Tudo bem. Eu preciso colocar algumas coisas em dia no escritório, acho que desocupolá pelas 14 horas, pode ser?- Perfeito, querida! Te espero lá, hein! Beijinho.- Beijo. Tchau...Esther desliga, achando estranho o convite de Tereza para o almoço. Depois ela sobecorrendo para sua sala.Chegando lá, ela se depara com Paulo conversando com alguns funcionários, que logopára a conversa para observá-la:- Bom dia! – Ele diz à ela.- Bom dia, bom dia....- Esther cumprimenta todos e vai até sua sala. – Com licença.Paulo a segue:- Oi...Eu já comecei a instruir os novos funcionários, está dando tudo certo lá na área deprodução.- Hum, que bom...- Esther sorri levemente, arrumando suas coisas na mesa.- E você? Está tudo bem?
    • - Sim...Tudo bem.- Bom, eu vou indo então, terminar de conversar com o pessoal, qualquer coisa...só mechamar.- Certo. – Esther sorri e volta a arrumar suas coisas.Quando Paulo sai da sala, ela senta esuspira.Algum tempo se passa e Esther e Paulo trocam olhares durante toda a manhã,conversando apenas junto de outras pessoas, evitando palavras direcionadas.Em um momento, os dois se separam e Esther não o encontra:- Luiza, onde está o Paulo? Precisava acertar com eles os horários dos novosfuncionários.- Ele acabou de sair pra almoçar, Dona Esther.- Ai, meu deus. Que horas são? Tava esquecendo do almoço! – Esther olha no relógio ejá era quase a hora do seu almoço com Tereza Cristina. Ela corre para pegar sua bolsa esai apressada da “Fio Carioca”.Alguns minutos se passam e Esther chega no Le Velmont. Tereza já estava a esperando:- Oi, Tereza. Desculpa, me atrasei...- Esther diz, ainda eufórica e cumprimenta Terezacom dois beijos no rosto.- Vamos sentar ali, querida. Já estão todos te esperando.Esther olha confusa para Tereza e depois a segue. Chegando perto da mesa, Esther vêPaulo, tia Íris e...Marcela.- Olá! Esther, que bom te ver! – Íris se levanta e a cumprimenta. Esther fica sem jeito:- Eu...eu não sabia que estariam todos aqui, a Tereza não disse...- Surpresinha, querida! - Tereza ri.- Essa aqui é a Marcela...Acho que já comentei dela com você, não é? – Íris diz,cinicamente.- Ah, sim..Já nos conhecemos... – Esther tenta ao máximo não perder a paciência e logose volta para Paulo, tentando entender a situação em que estava. Ele a olha, sério, ebalança a cabeça negativamente, dando a entender que também não sabia do almoço.- Tudo bem, Esther? – Marcela a cumprimenta ainda sentada, com naturalidade.- Tudo. – Esther diz friamente e se senta, sem olhar para ela.- Vou chamar o René! René, querido, vem até aqui, vamos almoçar! – Tereza grita.- Oi, Tereza. Oi, Esther, como vai? Desculpe, mas não vou poder almoçar comvocês...Preciso dar as ordens na cozinha senão vocês não almoçam hoje!- Tudo bem, querido, não se preocupe. – Íris diz.Esther estava sentada de frente para Paulo, ao lado dele estava Íris e Marcela. A estilistatentava entender porque Tereza havia convidado ela para o almoço, quando Íris começaa conversa:- Eu queria agradecer a Tereza Cristina, minha sobrinha querida, por ter aceitado meuconvite e por ter chamado todos vocês. Não foi uma grande ideia? Um almoço entreamigos no começo da semana?- É...- Paulo diz, ainda sem jeito.- Vamos fazer um brinde? – Íris levanta a taça de vinho e todos brindam.Algum tempo se passa, e Esther não consegue falar uma palavra durante todo o almoço.As principais conversas eram sobre as aventuras de Íris e Marcela em Nova York.Tereza participava da conversa e Paulo fixava seu olhar todo o tempo em Esther,temendo que o clima entre eles piorasse.- Esther, meu bem! Você não disse nada e nem tocou na comida. Está tudo bem? - Írispergunta.- Sim...sim. É que eu preciso voltar logo pro escritório. Já está na minha hora.
    • Esther se levanta e Paulo logo se levanta também, mas tia Íris o segura:- Ai Paulinho, quero conversar com você um instante.- Eu preciso ir também, tia.- Ah, mas a Esther já está indo pro escritório, ela segura as pontas por lá, não é,querida?- Claro. Pode ficar tranqüilo, Paulo. Aproveita o almoço. – Esther sorri ironicamente ese despede sem cumprimentar ninguém com beijos.Paulo fica atônito, sem saber o que fazer, ainda de pé.- Senta, Paulo. – Íris pede.Ele senta e suspira insatisfeito, dizendo:- O que você quer conversar, tia?- Calma, querido. Na verdade é a Marcela quem quer. Vamos, Tereza?- O que? – Tereza pergunta, sem entender.- Vamos sair...- Íris puxa Tereza pelo braço para deixar os dois sozinhos.Paulo fica nervoso e diz:- Foi você quem armou tudo isso, então?- Não...Claro que não. Eu nem sabia desse almoço com todos vocês...Pra mim era umalmoço só com a Íris.- Eu não sei o que está acontecendo aqui. Sinceramente, quando junta a Tereza e aminha tia, aí tem coisa...- O que você acha que é? – Marcela pergunta, fingindo não saber de nada.- Sei lá. A Esther ficou chateada...- A Esther sabe...?- Sim. Eu tive que contar...Eu queria mesmo conversar com você também, Marcela...Oque aconteceu...- Marcela o interrompe:- Eu sei. Eu pedi pra Íris te segurar por aqui, porque queria me desculpar. Foi um erro,nada disso deveria ter acontecido. Você ama a sua mulher, e eu, por mais que tenha umcarinho por você, não sou desse tipo de mulher que vai pra cama com um homem quenem conhece direito. Nós dois estávamos frágeis, sozinhos...E bebemos. Vamosesquecer.- Sim...É isso...Vamos esquecer...Mas, você contou pra minha tia?- Não, claro que não. Inventei agora que queria fazer uma outra entrevista com você.- Hum. Tudo bem...Mas é isso, então. Vamos esquecer. - Paulo diz, nervoso.- Ótimo. Mas eu não queria que você ficasse bravo comigo. Que perdêssemos a nossaamizade.- Não, imagina. A culpa não foi sua. Claro que continuamos amigos.- Que bom! Você é muito especial. - Marcela se insinua para ele.Paulo apenas sorri e fica quieto, depois diz:- Bom, eu preciso ir. – Ele se levanta e Marcela faz o mesmo.- Tudo bem. Desculpa alguma coisa...- Tá tudo certo! – Paulo a beija no rosto rapidamente e vai até René, Tereza e Íris, sedespedindo de todos.Marcela olha discretamente para Íris e sorri. Tereza Cristina percebe e fica desconfiada.No escritório da "Fio Carioca", o casal passa a tarde toda sem se falar, ocupados comassuntos distintos. Quando já é noite, todos vão embora e Esther está na sua sala,arrumando suas coisas para sair. Paulo a observa pelo vidro e resolve entrar.Esther se assusta e pára diante dele, tentando ir embora:- Paulo...- Ela diz, tentando se esquivar.
    • - Esther, me escuta.- Não...Eu vou embora, me deixa passar?- Por favor. A gente precisa conversar.Capítulo XVI- Eu não tenho nada pra falar com você, Paulo. Depois daquela situação lamentável norestaurante. Eu não acredito até agora....Você ter participado disso, ter ficado quietoenquanto eu passava por tudo aquilo.- Mas eu não sabia também. Eu juro...Eu fiquei tão surpreso quanto você! Imagina aminha situação naquele momento, com você e ela, juntas. Eu sei lá, isso deve ter sidoalguma coincidência desagradável...A tia Íris chamar todo mundo, depois de tudo o queaconteceu...Porque ninguém mais sabe que...enfim. – Paulo não continua.- Coincidência? – Esther questiona e suspira impaciente, e tenta se soltar quando Paulotoca no braço dela:- Me deixa ir, por favor...- Esther, acredita em mim.- Eu acredito em você, Paulo. Só não estou acreditando nas boas intenções da sua tia edaquela amiga de vocês.- A Marcela também não sabia.- Ah, tá. Olha só, Paulo, eu não estou querendo brigar, discutir...Eu quero ir embora pracasa, estou cansada.- Eu não quero discutir também. Eu fiquei tão aflito, nervoso, de pensar que a nossasituação poderia ficar ainda pior depois desse almoço.- Então vamos deixar isso pra lá...Não quero mais falar sobre isso.Esther tenta sair mas Paulo encosta na porta e a tranca.- O que você está fazendo?- Trancando a porta...- Paulo diz e fixa seu olhar nos lábios de Esther. Ele tira a bolsadas mãos da esposa, a colocando no sofá, ainda sem tirar os olhos dela:- Eu não quero brigar com você, eu não estou suportando mais isso tudo. – Ele diz,sussurrando e se aproximando cada vez mais dela.Esther olha para ele, quase chorando:- Eu não aguento mais...Tá sendo tão difícil...Eu não vou suportar passar por isso denovo.- Você não vai...Não vai. – Paulo afirma e segura o rosto dela. – Eu nunca vou cansar dedizer que eu te amo, mais do que tudo nessa vida.- Pára, por favor....- Esther pede, perdendo a respiração com a proximidade de Paulo, etermina: - A gente não pode ficar desse jeito... Nossos desejos, nossas vontades já nãosão mais as mesmas.- O mais importante é igual pra nós dois, Esther. Eu te amo e você também me ama.- Mas parece que isso não está bastando. Não está evitando que a gente se machuque. –Ela diz, triste.Paulo não diz nada e a beija, desesperadamente. Eles vão caminhando e se chocamcontra a parede. Paulo fixa os braços dela para trás e beija o pescoço de Esther,descendo até seu colo e subindo novamente, alcançado os lábios. Os dois se abraçam,ainda aos beijos, e Paulo a conduz até a mesa, empurrando os papéis e os objetos. Ele acoloca em cima da mesa e sobe também, se debruçando sobre o corpo dela. De repente,Tereza Cristina bate no vidro e eles se assustam, saindo da mesa rapidamente.- Meu deus. – Esther se recompõe e fica de pé. Paulo reclama e vai até a porta:
    • - Tereza, o que foi?- Ai, queridos. Me desculpa...Não queria atrapalhar, viu? Eu vim até aqui porquepreciso urgente que você me empreste o seu carro.- Por que?- O imbecil do Baltazar estragou o nosso, ainda bem que quebrou aqui perto. Eu estavasaindo do restaurante, indo pra casa, e não quero esperar o resgaste...Posso pegar? Vocêvai embora com a Esther.- Tudo bem, aqui a chave.Tereza sorri e agradece com um beijo no rosto:- Ai, que maravilha! Obrigada, meu bem! Tchau, Estherzinha!Esther sorri sem vontade e diz tchau, e depois de alguns segundos, Tereza retorna e diz:- Ah, esqueci de dizer uma coisa pra você, meu irmão...Vem aqui...- Tereza puxa Pauloe diz no ouvido dele:- Você e a Esther depois que se separaram ficaram ainda pior nesse agarramento, hein.Cuidado pros funcionários não flagrarem isso. – Tereza começa a rir e sai.Esther faz uma cara de interrogação para Paulo e ele apenas balança a cabeçanegativamente:- A Tereza é maluca.Os dois ficam algum tempo se olhando, até que Esther termina de limpar seus lábioscom as mãos e pega a sua bolsa:- Vamos? Eu te deixo...no flat.- Tá...- Paulo diz a observando sair e indo embora atrás dela.Capítulo XVIIOs dois entram no carro calados e ficam assim até chegarem no flat. Esther estaciona ocarro e Paulo tira o cinto de segurança, se aproximando:- Por que a gente não conversa lá em cima? Você não quer...- Esther não o esperaterminar:- Não. Paulo, desse jeito não tem como a gente continuar...Aquele beijo, não devia teracontecido.- Claro que devia...Você queria tanto quanto eu...Nós ainda nos desejamos, e muito.- Mas isso não basta. E se eu subir no seu flat agora, amanhã as coisas mudam? Amanhãeu vou fazer os exames médicos, já começo o tratamento. Você vai comigo?- Ah, Esther...- Paulo reclama.- Mas é sobre isso que estamos falando, não é? Em vivermos bem, em termos essasrecaídas mas ainda casados, Paulo. Eu não quero viver uma mentira, viver com alguémque não quer compartilhar o mesmo desejo que eu.- Eu sei, eu sei...O problema é que eu quero te apoiar, Esther, mas é uma coisa que medeixa incomodado, eu sei que posso estar sendo egoísta, só que eu não me vejo comuma criança agora... eu não consigo.Esther olha para baixo, lamentando escutar as palavras de Paulo:- Eu sinto muito por isso, Paulo. De verdade. Nossas vidas tomaram rumoscompletamente diferentes, nos machucamos demais, e eu ainda estou tentando esquecertudo que aconteceu entre você e aquela mulher...Paulo a olha e sente um medo enorme de perdê-la:- Eu faria qualquer coisa pra voltar no tempo, pra apagar esse incidente...- Mas já está feito, não é? – Esther lamenta.- Acho melhor eu subir.- Certo...
    • Paulo se vira, dando a entender que abriria a porta, mas não resiste e segura o rosto deEsther, a beijando mais uma vez. Esther retribui o beijo, entrelaçando os dedos entre oscabelos de Paulo, aproximando ainda mais seu corpo do dele. O beijo vai ficando cadavez mais intenso e cheio de paixão. Esther se afasta dele, e ele diz ainda olhando para oslábios dela:- Eu te amo, te desejo...- Ele a beija novamente. – Eu preciso tanto do teu corpo perto domeu, do teu sorriso...dos nossos dias um ao lado do outro.Esther toca as mãos dele, que estavam no seu rosto, e diz, eufórica:- Eu também...Mas você escolheu assim, Paulo. Podia ser diferente... - Ela pára uminstante e termina: - É melhor você ir...Paulo tira suas mãos do rosto de Esther e não diz nada, apenas sai do carro, a olhandopartir.No dia seguinte, Esther e Paulo continuam no mesmo clima, trocando apenas aspalavras necessárias no ambiente de trabalho, entre olhares furtivos, desejando romper aqualquer hora aquela barreira entre eles.Esther sai no meio da tarde e vai até a clínica de Danielle fazer os exames, já que amédica estava no Rio de Janeiro somente por este motivo.Os exames ficam prontos no mesmo dia, e Esther recebe a notícia de que já pode fazer afertilização:- Isso mesmo, querida! Podemos começar agora mesmo. Já posso dar início na escolhado material...é só o tempo de trazê-los aqui pro Rio. - Danielle diz.- Ai, meu deus. Nem acredito! Parecia tudo tão distante desde ontem, e agora parece querecebi a notícia de que já estou grávida! – Esther começa a rir.- Pois é! É praticamente isso! Podemos já começar a escolher o material?- Claro! Podemos...Esther e Danielle discutem sobre as características da criança, analisando um catálogomédico de doadores. O tempo passa rapidamente e Esther não volta ao trabalho,deixando uma mensagem para Paulo no celular:“Paulo, ainda estou clínica, qualquer emergência, é só me avisar. Beijos, E.”Paulo fica longos minutos olhando para a mensagem, sem saber o que pensar. Osentimento era de perda...Ele estava perdendo Esther, cada dia mais.Nisso, o celular toca e ele se assusta, atendendo:- Alô? Oi, oi Tereza...Não, não estou ocupado, pode falar... sei, mas agora? Tá, estouindo. Beijo...Na saída da Fio Carioca, Paulo encontra Tereza na porta, diante do seu carro:- Vim trazer seu carrinho, querido! O Baltazar vem me buscar depois. Vamos tomar umcafé?- Vamos...Tereza e Paulo seguem até o café, em frente ao escritório.- Querido, eu vim também pra conversar muito sério com você.- O que aconteceu?- Eu que pergunto...Você e a Esther estão ou não estão separados?- Ai não, Tereza Cristina. Eu não vou falar mais sobre isso com você.- Credo! Pra que essa grosseria?- Porque eu cansei de ficar explicando tudo isso...Chega!
    • - Calma...Eu só quero o seu bem, irmãozinho. Eu vejo o quanto a Esther está te fazendosofrer. Ela sabe muito bem que um filho agora pra você não seria bom...E insiste em teresse filho sozinha?- Tereza...- Escuta, deixa eu falar... Eu entendo o desejo dela em ser mãe, eu nem sei o que seriade mim sem meus filhos. Mas convenhamos que ter um filho de desconhecidos é nomínimo bizarro. Nem adoção é... E nem sabemos se isso aí é seguro realmente. Vai quedá alguma complicação.- Será? – Paulo fica intrigado.- Não sei...Não é um procedimento tão comum assim...Ainda mais no caso da Esther,que vai só “hospedar” essa criança. Os óvulos nem são dela! – Tereza diz, indignada.- É, eu já comentei isso com ela, mas...ela está decidida.- Pois então. E ontem eu encontro vocês dois se agarrando de novo...Não entendo! Essamulher vai te fazer sofrer, Paulo...Me escuta bem.- Eu amo a Esther. Eu não imagino minha vida sem ela.- Mas tem que imaginar, porque agora ela só está pensando é no filho... “dela”.(Tereza enfatiza o “dela”)- Eu sei...Desde que essa doutora Danielle apareceu, a Esther nunca mais foi a mesmacomigo.- Então... Eu acho que você deveria partir pra outra de uma vez por todas...Eu atécheguei a imaginar que você e aquela amiga adorável da tia Íris estavam juntos.- Você achando uma amiga da tia Íris adorável? O que é isso, Tereza, você bebeu? –Paulo brinca, não acreditando nas palavras da irmã.- Ah! Eu não disse que a tia Íris era adorável, eu disse isso sobre a amiga dela, o que ébem diferente.- Sei...Aquele dia que você e a Esther nos viram juntos, não pareceu que você tinhagostado dela.- Pois é, mas eu mudei de ideia... Depois que conversamos mais naquele almoço, eusimpatizei com ela...Acho que vocês dois combinam.- Deixa de bobagem, Tereza. Vamos pedir esse café logo que eu preciso trabalhar.- Cadê a Estherzinha?- Ela saiu...Foi fazer os exames médicos pra começar o tratamento..- Paulo diz,chateado.- Viu só? Pensa bem no que eu te falei, hein. Você só fica sofrendo se quiser. A vida éfeita de escolhas, meu caro!Tereza sorri e Paulo continua sério, pensando nas palavras da irmã enquanto tomavam ocafé.Capítulo XVIIIEnquanto isso, Esther se despede de Danielle:- Bom, acho que já está tudo certo, não é? Estou tão ansiosa! – Esther começa a sorrir.- Sim! – Danielle sorri junto com ela e pega em suas mãos. – Falta muito pouco pravocê ter o seu filho.- Eu estou tão...feliz, realizada! – Esther fica quieta por algum tempo e depois diz: - Ecom relação às características do bebê, eu não me importo, de verdade! Confio em vocêpra isso...Fiquei tão confusa com essas fichas dos doadores! – Esther ajeita o seu cabelo,aparentando nervosismo, e sorri novamente.
    • - Não se preocupe, querida, vou priorizar o que mais se aproxima das suascaracterísticas. Fico honrada que você confie no meu trabalho, e acima de tudo...naminha amizade. Você sabe que farei esse procedimento tendo a certeza que estareifazendo também a felicidade de uma pessoa muito querida.- Danielle...Muito obrigada, mesmo! – Esther retribui a compreensão da nova amiga ese despede, partindo para o Rio de Janeiro.Esther chega no Rio de Janeiro a tempo de passar na Fio Carioca. Ela chega cansada,mas começa a trabalhar e conversar animadamente com os funcionários:- Luiza, depois você me mostra um resumo de tudo que foi conversado na reunião, ok?Vou pra minha sala, qualquer coisa é só me chamar.Paulo a observa entrar na sala e vai atrás:- Oi...- Ele diz, sorrindo.- Oi. – Esther retribui o sorriso.- E aí? Foi tudo bem por lá?- Você realmente quer falar sobre isso? – Esther pergunta, tentando entender se omarido realmente estava interessado na sua gravidez.- Eu...só fiquei preocupado, sei lá...se não quiser falar...- Não, tudo bem...Foi tudo bem.- Você já começou então...Já está...- Paulo tenta perguntar se Esther já havia feito afertilização.- Não...Ainda não fiz...Só fiz os exames, mas já marquei uma data pro procedimento emsi.Quando Paulo vai comentar, a secretária bate na porta entregando os papéis que Estherhavia pedido, e a conversa termina.Paulo fica observando-a trabalhar, sentindo um aperto no peito.No outro dia, Íris conversa com Tereza Cristina no escritório:-Você começou muito bem, Tereza. Mas a gente precisa dos resultados. Quem garanteque seu poder de persuasão foi tão bom assim?- Eu estou falando pra você que o meu irmão ficou balançado.- Não importa o que você diz, queridinha. Eu quero comprovar com meus própriosolhos que ele e a Esther estão realmente separados.- Ele está morando em um flat... Já não é o bastante?- Não... Pelo que sei eles ainda estão casados, perante Deus, perante todos os santos epapéis legais.- Ah, mas isso vai ser difícil...Uma separação agora, no papel. Só se eles tiverem umabriga horrorosa.- Isso aí, minha sobrinha predileta! Chegou ao ponto que interessa...Uma brigahorrorosa...Eu sei que você tem ótimas ideias.- Ah!!!!! Mas que droga. Eu já fiz tudo o que você me pediu. – Tereza Cristina reclama.- Você não fez nadinha ainda...Ai Tereza, se você continuar preguiçosa assim, eu vouter que conversar seriamente com o René, sobre aquele assunto, sabe?- Sua bruxa!!!! – Esther grita, nervosa, e Crô entra no escritório:- Rainha do Nilo! O que estão fazendo com você?- Nada, Crô. Sai daqui! Sai!- Ai, nossa...- Crô se assusta e sai correndo.- E então? Posso contar com você?- Íris termina a conversa e Tereza concorda, aindahesitante.
    • Alguns dias se passam, e Esther e Paulo continuam no mesmo clima dentro da “FioCarioca”: evitando conversar a sós e trocando olhares ainda apaixonados. Esther tinhacerteza de que Paulo estava com Marcela, pois os dois continuavam saindo juntos ePaulo já não dava mais satisfações com relação a isso. Porém, para ele, Marcela eraapenas uma pessoa com quem ele achava que podia confiar e desabafar.Em um dia normal no escritório, Tereza Cristina aparece:- Onde está o Paulo e a Estherzinha? – Ela pergunta para a secretária.- Oi Tereza...- Paulo aparece e diz, com má vontade. – O que foi que aconteceu?- Nada! Não posso mais vir aqui visitar meu irmão?- Sei...- Bom, além da visita eu vim fazer um convite, mas quero fazer à você e à Esther,juntos.- Hum...A Esther está na sala dela, vamos lá...- Ótimo!Paulo bate na porta antes de entrar e Tereza vai atrás:- Podemos entrar? – Paulo pergunta e Esther diz:- Claro...Entrem.- Estherzinha! Como você está? – Tereza se aproxima dela, cumprimentando combeijos.- Tudo bem. E você, Tereza Cristina?- Apesar da sua distância, ainda mais agora com você e meu irmão separados, tudo bem,né...- Tereza...- Esther não sabe o que dizer.- Bom, Tereza, vamos ao assunto? – Paulo diz, nervoso, desconfiado da simpatia dairmã com Esther, depois da conversa que tiveram sobre ela.- Tá bom, tá bom! Eu vim aqui convidar vocês dois pra festa de aniversário do meufilhote, René Junior. Os meus amores fazem aniversário tão próximos, né. Que nembem terminamos uma festinha e já tem outra!- E você adora, né, Tereza! – Esther brinca e Tereza ri:- Adoro seu espírito esportivo, Esther! Eu gosto mesmo de uma festa! Ainda maisquando é a do meu filho! – Tereza enfatiza ao dizer “filho”, tentando provocar Esther.- Pois é. – Esther concorda, sorrindo sem vontade.- Então, vai ser na minha casa amanhã, ao ar livre, com os amiguinhos dele... Com umalmoço bem descontraído. Que tal?- É...- Esther tenta arranjar uma desculpa mas Tereza percebe e a interrompe:- Nem vem com desculpas hein, querida. Amanhã é sábado e você não trabalha.- Tereza, não fala assim. – Paulo a repreende.- Mas é verdade, credo...Vocês só pensam em trabalho, trabalho, trabalho...- Tá certo, tudo bem, Tereza...Eu vou. - Esther diz.- Ótimo, ótimo! Espero vocês lá, então. Marquei para às 13 horas.- Combinado, Tereza Cristina. Eu te acompanho até lá fora. – Paulo tenta a qualquercusto fazer com que a irmã fosse embora.- Espera, vou me despedir da Esther...Tchau, querida. Você tá linda, hein. Adorei omodelito.- Tchau, Tereza. Você também. Obrigada. – Esther se despede dela e quando os doissaem da sala, ela se senta, suspirando.Capítulo XIX
    • Anoitece, e Esther está na sua sala arrumando alguns papéis para ir embora, quandoPaulo entra:- Esther...- Oi...- É...Você ficou chateada com a Tereza hoje? Se você não quiser ir na festa, nãoprecisa...- Não, eu conheço sua irmã, você sabe. Eu vou sim, tenho um carinho enorme peloRené Junior, não poderia deixar de ir.- Tudo bem, então. – Paulo sorri, um pouco sem graça e termina: - Você já está indo?- Sim, agora mesmo. – Esther diz, pegando sua bolsa. – Vamos?- Sim... – Paulo abre o caminho para Esther passar primeiro.No estacionamento, Esther liga o carro e se despede de Paulo:- Tchau. Nos vemos amanhã, na festa...- Espera. – Paulo segura o braço dela, levemente. – Por que não vamos juntos? Eu passopra te pegar.Esther olha para os lados e tenta evitar o convite, mas Paulo insiste, sem deixá-lacontinuar:- Por favor. Fica até mais fácil pra gente...Não fica? Não ter que passar por nenhumclima como da última vez.Esther fica em silêncio por algum tempo e por fim concorda:- Tudo bem. Eu te espero, então.- Certo! Eu te ligo antes. – Paulo diz, animado.- Boa noite...- Boa noite! Durma bem. – Paulo se despede, olhando fixamente para os lábios deEsther, que respira fundo e entra no carro, desviando o olhar.Já é sábado e Esther se arruma para a o almoço de aniversário, quando seu celular toca:- Oi, Paulo.- Oi, tudo bem? Já está pronta?- Praticamente. Se quiser, já pode vir.- Já estou saindo, então. Um beijo.- Beijo.Esther e Paulo desligam o celular e ficam pensativos.Um tempo se passa e Paulo chega. Ele dá um toque no celular para Esther descer e eladesce apressada.- Oi! – Ela diz, entrando no carro e colocando o presente na parte de trás.- Nossa! – Paulo diz, a olhando.- O que? O que foi? – Esther olha para ele, não entendendo a expressão.- Você tá linda! – Paulo diz e fica a observando, maravilhado, como se fosse o primeiroencontro. Esther o olha também e depois desvia o olhar, tentando evitar que osentimento falasse mais alto:- Obrigada...Vamos?- Vamos...- Paulo liga o carro, ainda a olhando, e eles seguem para a casa de TerezaCristina.A maioria dos convidados já estão reunidos no jardim de Tereza, quando Paulo e Estherchegam juntos. Os primeiros a lançarem o olhar para o casal é Íris, Tereza e...Marcela!
    • Esther não acredita quando vê que Marcela também foi convidada. Ela vira para Paulo enão se contém, dizendo em voz baixa só para ele:- O que é isso?Paulo balança a cabeça negativamente, nervoso, e não consegue responder pois Terezase aproxima o abraçando:- Oi, meu querido! Que bom que vocês chegaram, só faltava vocês!- Oi, Tereza...- Esther diz, séria. – Onde está o René Junior? Quero entregar o presente àele.- Ele está logo ali com os amigos. – Tereza aponta para uma mesa perto da piscina eEsther sai apressadamente para não ter que cumprimentar Marcela e Íris.Paulo a observa e fica preocupado com o que podia estar por vir durante o almoço.- Oi, Paulo. – Marcela o cumprimenta.- Oi...- Ele diz, seco.- A Marcela veio tirar umas fotos, pedi uma matéria especial dessa festa! – TerezaCristina fala, animada.- Ai, que exagero, Tereza. – Paulo a repreende.- Exagero nada, você me conhece.- Pois é...- Paulo concorda e se afasta. Marcela vai atrás e pisca para Íris.- Paulo...- Marcela tenta conversar com ele.- Marcela, desculpa, mas...você sabe que somos amigos, só que esse clima familiar, evocê aqui...- Eu sei, eu sei. Eu não queria vir, mas a Tereza Cristina insistiu tanto, e você sabe que éo meu trabalho que está em jogo. Eu juro que não queria.- É, eu sei. Essa minha irmã pra ser inconveniente é muito fácil. Me desculpa por isso,também. Por ter sido grosso com você.- Imagina, está tudo bem. Eu prometo que vou tentar fazer o possível pra esse almoçoser o mais agradável possível. Se depender de mim...- Eu sei, não precisa prometer nada. Eu vou ali, abraçar meu sobrinho.- Claro, vai lá!- Licença. – Paulo sorri e toca o ombro dela, se afastando.Paulo se aproxima do lugar onde estava René Junior e Esther. Ele dá um presente para osobrinho:- Nossa! Um nintendo wi-fi! Tava querendo muito um desses. Valeu, tio! – René Jr.abraça o tio e Esther sorri vendo a cena.- E o que você ganhou da tia Esther? – Paulo diz sorrindo.- Olha só! – René Jr. mostra para Paulo - Um iPod novinho. Vou escutar no intervalodas aulas.- No intervalo mesmo, hein? – Esther sorri.- Pode deixar!- Bacana, hein! Sua tia tem bom gosto! – Paulo sorri e Esther desvia o olhar, dizendo:- Bom, divirta-se, querido. Vou até ali, falar com seu pai. – Esther toca o ombro deRené Jr. com carinho e vai até René, cumprimentá-lo. Paulo continua a observá-la.Na hora do almoço, todos se reúnem na mesa e René faz um brinde ao filho. Todosbrindam e almoçam. Durante o almoço, as crianças comem em lugares separados dosadultos, e Tereza puxa conversa, como sempre:- Marcela, eu quero ver essas fotos depois, hein?- Pode deixar, Tereza. Vão ficar lindas.- Ótimo! E você, Estherzinha, faz tanto tempo que não conversamos. Aquela sua amiga,a doutora? Também nunca mais vi.
    • Paulo olha Tereza, não acreditando que estava ouvindo aquele comentário. Estherengole a seco e tenta se controlar:- Pois é, faz tempo mesmo que não nos falamos, Tereza. Como sempre, andotrabalhando demais.- Hum, canso de dizer que não é desculpa. Por exemplo, a Marcela, ela trabalha muitotambém, vive fazendo essas matérias loucas, e arruma um tempinho pra conversarcomigo.Marcela sorri sem graça e Esther diz:- Pois é, infelizmente eu não encontro um tempinho nem pra mim mesma, Tereza. Mashoje eu estou aqui, porque mesmo que você duvide, eu tenho um carinho enorme, háanos, por vocês todos.- Mas é claro que eu acredito! – Tereza Cristina começa a rir. – Era só umabrincadeirinha, boba!- Bom, que tal se a gente for lá pra dentro agora? Acho que todos já almoçaram, não é? -René tenta terminar a conversa.Capítulo XX- Claro, claro! Vamos deixar as crianças se divertirem em paz aqui fora. – Íris concordae sorri para Marcela, se divertindo com a saia justa criada por Tereza.Quando todos estão entrando na casa, Esther fica para trás. Ela vai até René Jr. e sedespede dele, resolvendo ir embora sem falar com ninguém.Paulo percebe e a segue.Enquanto isso, Íris chama Marcela em um canto e diz:- Depois disso, pelo menos da parte da Esther, tenho certeza que o clima vai esquentar!- Com certeza. Você é um gênio, querida. Não existe pessoa melhor pra nos ajudar doque a Tereza Cristina! - Marcela concorda.- E pode ter certeza que vamos ter a ajuda dela por muito tempo.- Você precisa me contar que carta na manga é essa que você tem com sua sobrinha.- Calma, no tempo certo todo mundo vai ficar sabendo. Quando eu não precisar mais deajuda...O que vai demorar!- Hum, sei bem dessas ajudas que você precisa. Já te ajudei muito, agora chegou a suavez de fazer isso!- Eu já estou ajudando, não estou?- Sim! Não tenho do que reclamar por enquanto...- Bom, vamos mudar de assunto que a Tereza está se aproximando.Voltando ao jardim da casa, Paulo corre atrás de Esther, e a segura pelo braço. Os doisconversam longe de todos:- Esther, espera, espera...Aonde você vai?- Aonde você acha, Paulo? Eu vou embora daqui...Eu devia ter só entregado o presentepro René Jr. e já ter ido embora. Devia ter vindo com o meu carro...- Calma, não fica assim...- Chega, Paulo. Não é a primeira vez que isso acontece. Que a Tereza sempre mealfineta, e agora essa outra mulher aqui...Como se fosse melhor amiga da sua irmã.Como você acha que eu estou me sentindo? – Esther diz, quase chorando.- Por favor, não fica assim. Eu também não sabia...Quer dizer, vindo da Tereza, euposso imaginar qualquer coisa.
    • - Pois é. Eu não vou suportar mais isso...Me larga, me deixa ir. – Esther se solta dePaulo, e e ele diz:- Espera, eu te levo, Esther.- Não, eu vou pegar um táxi. – Esther caminha apressada perto da piscina e Paulo seaproxima, pisando sem querer na barra de seu vestido longo. Esther se desequilibra ePaulo tenta segurá-la, mas os dois acabam caindo na piscina.Eles caem abraçados e sobem até a superfície. Esther solta um dos braços e coloca oscabelos para trás, abrindo os olhos, e Paulo fixa seu olhar nela. Depois de um tempoparados, sem acreditar no que havia acontecido, eles não se seguram e começam a rir:- Meu deus, não acredito que isso aconteceu. – Paulo consegue dizer, ainda rindo.Esther bate nos braços dele, e caminha dentro da piscina, com um leve sorriso noslábios:- Foi culpa sua!- Realmente. – Paulo diz, entre risos. – Me desculpa, mas...não consigo parar de rir.Olha só pra nós dois aqui, e se aparece alguém e nos vê... Os meninos...- Vamos sair daqui...- Esther está perto da escada para sair da piscina, quando Paulo apuxa pela cintura, a virando rapidamente e trazendo o corpo dela para perto do seu.Esther se assusta e fixa o olhar nos lábios de Paulo, se segurando no peito dele. O casalesquece de tudo que havia acontecido anteriormente e se entregam ao clima daquelemomento, e à saudade que estavam sentindo um do outro. Ele segura depois o rosto deEsther e a beija intensamente. Os dois se abraçam em um beijo apaixonado, sentindo ocorpo molhado um do outro e um desejo ainda mais intenso. Paulo segura os cabelosdela e a beija no pescoço, a levando até a beira da piscina. Ele a fixa na parede econtinua beijando o pescoço dela, subindo até seus lábios. Esther segura os cabelos deleentre os dedos e retribui o beijo. Depois de alguns minutos, Baltazar e Crô aparecem eflagram os dois, sem que eles percebessem:- Gente, que babado! – Crô diz, adorando a cena e Baltazar fica atônito:- Nossa senhora. O que é isso?- Ah, você não sabe o que é isso não, estrupício? Nunca fez? – Crô brinca com omotorista, que retruca:- Cala essa boca, seu viado, ou eu...- Baltazar parte para cima de Crô, que grita,assustando Paulo e Esther.Esther se solta rapidamente de Paulo e sai da piscina. Baltazar sai do local, fingindo nãoter visto nada e quando Crô também sai, Esther diz:- Crô! Espera...Por favor, não comenta com ninguém isso que aconteceu...O Pauloacabou pisando sem querer no meu vestido e eu...- Crô a interrompe:- Querida, não precisa explicar e nem pedir meu silêncio! Sou um túmulo! – Crô faz umgesto, como se estivesse fechando sua boca e Esther sorri sem graça. Paulo se aproximae Crô se afasta, se abanando e dizendo:- Ui, que calor!Quando Crô vai embora, Esther olha para os lados e Paulo faz o mesmo. Ele seaproxima dela, a segurando em seus braços, e Esther reage:- Paulo, por favor. Que loucura isso tudo...Como eu vou embora assim?- Calma. – Paulo sorri. – Posso te confessar uma coisa? – Ele pergunta baixo, sorrindo.- Hum...- Ela continua olhando para ele.- Eu adorei ter caído nessa piscina com você. Acho que em todos esses anos eu nuncame senti tão...tão atraído por você como agora. Foi uma mistura de sentimentos...- Paulovolta a rir. – E depois o Crô aparecendo aqui!Esther não se contém e também ri com Paulo:
    • - Ai, como você é bobo! Por favor, eu preciso ir embora. Não quero que ninguém nosveja assim.- Espera...Antes só uma coisa...- Paulo a puxa rapidamente, sem dar tempo que elareagisse, e a beija mais uma vez, segurando sua cintura com força, entrelaçando seusdedos nos cabelos dela - ainda molhados. Esther se solta, eufórica:- Paulo! Pelo amor de deus, vamos embora! – Ela diz, nervosa.- Tá bom, tá bom! Vamos! – Paulo ri e a puxa pelo braço. – Olha! Cuidado com ovestido. – Paulo diz olhando para baixo, se divertindo com ela. Esther ri e bate no braçodele, carinhosamente.Na sala, Íris, Marcela e Tereza Cristina notam a ausência do casal.Capítulo XXINa sala, Íris, Marcela e Tereza Cristina notam a ausência do casal.Tereza comenta com todos:- Onde está o Paulo e a Esther?- Eu vi os dois lá fora há um tempo atrás. – Patrícia diz e Marcela e Íris ficamintrigadas.- Que estranho, vou até lá. – Tereza Cristina se levanta e René faz uma cara deinsatisfação, indo atrás da esposa. Marcela e Íris, discretamente, fazem o mesmo.Paulo e Esther ainda estavam no jardim, se dirigindo até a porta, quando Tereza Cristinaos grita:- Paulo, Esther!Esther fecha os olhos, de costas, e pensa: “Não acredito!”Ela e Paulo se viram, ainda molhados, e Tereza, Marcela , Íris, René, Patrícia e algunsconvidados, os olham surpresos:- Mas o que foi que aconteceu com vocês?! Por que estão molhados desse jeito? –Tereza pergunta.- É... – Paulo tenta explicar, pensando no que dizer - ... sem querer eu pisei na barra dovestido da Esther e...caímos na piscina. Mas está tudo bem...René começa a rir e Tereza bate no ombro do marido:- Desculpa, gente! Mas deve ter sido engraçado. – René diz.- Tudo bem! – Paulo ri sem graça e Esther fica atrás, vestindo o casaco dele para cobrira transparência do vestido.Nisso, René Jr e seus amigos também presenciam a cena e comentam entre si:- Nossa cara, não tinha reparado como a sua tia é interessante...Nesse vestido! -Comenta um dos amigos.- Eu hein! Mais respeito! – René Jr pede, também admirando a tia.- Desculpa Tereza Cristina, não queria causar nenhum problema, por isso eu e o Pauloíamos sair sem nos despedir. – Esther diz.- Imagina. Vocês precisam se secar. Vamos lá dentro...- Tereza Cristina diz, seaproximando de Esther, mas ela se recusa:- Não, obrigada. Eu e o Paulo já vamos pra casa, não é?- Sim, já estávamos indo...Nos secamos por lá. - Paulo fica surpreso com as palavras deEsther, gostando da ideia de ir para casa com ela.Marcela e Íris se entreolham, não conseguindo disfarçar a raiva.
    • - Tudo bem, então. Vê se vocês não pegam um resfriado, hein. – Tereza ri.- Tchau, Tereza. – Paulo diz, sério, e vai embora abraçado com Esther, tentandoesquentá-la em seus braços.- Gente! Mas o que foi isso? Queria ter visto essa cena...- René ri e Crô diz:- Eu vi!!! Um babado!- Você viu?! Me conta tudo, agora! – Tereza diz, eufórica.- Ai, eu prometi que não ia dizer...- Conta logo, a gente já viu tudo mesmo...Eu quero detalhes!- Hum..Tá bom, vai. Mas não diz que eu contei...- Abre essa boca logo!- Eu e o Baltazar chegamos bem na hora que os dois estavam no maior beijão de cinemadentro da piscina. Deu até um calor!Marcela escuta e sente raiva, inveja e ciúmes ao mesmo tempo. Ela sai do jardim ecaminha até a casa. Íris vai atrás:- Ei, disfarça esse teu descontentamento.- Estava indo tudo tão bem...O que foi isso?- Não sei. Demos bobeira...Mas calma, a Esther deve estar chateada ainda com oalmoço.- Duvido. Você viu o jeito deles? E essa história do beijo...Ai, que ódio!- Se contenha, Marcela. Por favor! A Tereza está vindo.- Vamos entrar, queridas. Depois dessa, todo mundo perdeu o fôlego, não é mesmo? –Tereza Cristina aproveita para ser irônica com as duas, se divertindo.- Pois é! Vamos entrar...- Íris responde, com um sorriso falso.Paulo dirige até o apartamento dos dois. Eles ficam calados até chegarem, e quandoPaulo estaciona, Esther diz:- Vamos parar no estacionamento. Você precisa se secar...- Tá...Tudo bem. – Paulo diz, tentando disfarçar sua alegria.Os dois chegam até o apartamento e Esther fecha a porta, dizendo:- Fica à vontade. Você sabe onde fica tudo...- Esther...- Ele se aproxima e ela diz:- Por favor, Paulo...Não...Paulo pára e diz, nervoso:- Que droga, Esther. Não dá mais pra te evitar assim... A vontade que eu tenho agora éde te pegar nos meus braços e não te soltar nunca mais.Esther apenas fica olhando para ele, e quando ela caminha para ir até seu quarto, Paulo asegura pelo braço e ela vira o seu rosto, ficando de frente para ele, sentindo suarespiração.Nenhuma palavra é dita. Paulo tira o casaco de Esther, fazendo-o cair no chão, e asegura pela cintura. Ela prende seus braços no ombro dele, e os dois fecham os olhos,não resistindo a mais um beijo.Eles caminham até o quarto e Paulo a deita na cama, desabotoando o vestido dela naparte da frente e deslizando suas mãos aos poucos no colo até a barriga. Ele a beija nopescoço e Esther sorri, puxando o corpo dele para ela. Os dois se beijam e continuam aretirar suas roupas, se amando, ainda molhados.Depois de algum tempo, Esther está deitada no peito de Paulo, sem dizer nada. Eleacaricia os cabelos dela e diz:- Estamos aqui...de novo.- É...- Ela diz, pensativa.
    • Paulo começa a rir e Esther pergunta, olhando para ele:- O que foi?- Nada...Lembrei do acidente na piscina. Na cara da Tereza Cristina.- Ela deve estar falando sobre isso até agora! – Esther sorri junto com ele.- Com certeza...Que falem! Não fizemos nada de errado, não é? Ainda somos casados.Esther fica em silêncio e se encosta na cabeceira da cama, segurando os lençóis contraseu corpo:- Paulo...Eu não vou mais conversar de novo sobre a nossa situação. Sobre o que émelhor...Eu realmente não tenho mais o que te dizer, como explicar tudo isso... – Estherfica um tempo olhando para ele, em silêncio, e se levanta: - Eu vou tomar um banho.Paulo assente com a cabeça e a observa entrar no banheiro, pensativo.Depois do banho, Esther volta para o quarto e Paulo não estava mais lá. Ela suspira esenta na cama, pensando no dia que havia passado ao lado dele.Final – Parte IUm mês se passa e o casal não tivera nenhuma outra recaída, apenas continuaram atroca de olhares e conversas profissionais. Esther já havia ido na clínica de Danielle,realizar a fertilização in vitro, com a transferência dos embriões para seu útero. Amédica pediu repouso de dois dias para Esther, e ela resolveu dizer para Paulo queestava gripada, com medo da reação do marido.No 12º dia, após a transferência do embrião, Esther retorna à clínica de Danielle no RJ,para o diagnóstico da gestação:- Esther...Preparada para os resultados?- Ai, meu deus. Acho que sim! – Esther sorri, nervosa.- Querida, deu positivo!- Ah! – Esther começa a chorar com as mãos nos lábios. – Eu estou tão feliz, Danielle!Só de imaginar que eu já estou grávida, que eu já sou mãe! Muito, muito obrigada poressa felicidade – Danielle se levanta e vai até Esther, que a abraça. As duas choramjuntas.- E eu quero ver esse meu “netinho” crescer, hein. Vou acompanhá-la em todagravidez...Vamos fazendo os exames, pra ver se correu tudo bem. Senta aqui, vouexplicar melhor para você...- Tá bem...- Esther se senta, tentando se recompor.- Daqui sete ou dez dias você vai retornar, para realizarmos uma ecografia transvaginal.Para identificação de saco gestacional intra-uterino e embrião. Após essa comprovaçãoda gestação viável , que é do embrião com batimentos cardíacos, as taxas deabortamento são similares aquelas de gestações obtidas sem procedimentos defertilização in vitro, por isso, é necessário que a gente tome os mesmos cuidados comoqualquer outra gestação. Tudo bem?- Tudo bem. Vou fazer tudo o que você recomendar!- Ótimo! E então, agora é só comemorar!- Sim! – Esther sorri e chora ao mesmo tempo.Enquanto isso, Íris resolve ter uma conversa com Marcela, em um restaurante:- E então? Qual é o motivo dessa conversa? – Marcela pergunta.
    • - Bom, vamos direto ao assunto, não é? Estou muito triste em ter essa conversa comvocê, mas infelizmente vamos ter que desfazer nossa “sociedade”.- O que? Como assim? Você me deve muitos favores, Íris. Não me venha com essaagora.- Muitos não. Só o suficiente para cobrir aquela pequena dívida financeira que tinhacom você.- Pequena dívida? Faça-me o favor Íris. Você bebeu antes de vir pra cá? – Marcela ri.- Não, estou mais sóbria do que nunca! E aqui está no envelope, tudo que eu devia àvocê. – Íris entrega o envelope para Marcela, que abre:- Aonde você conseguiu esse dinheiro? Chantageando a Tereza?- Não te interessa, querida. Somos amigas, mas não somos confidentes. E essa históriado Paulo, acho melhor você desistir. Aqueles dois se amam...Não quero confusão promeu lado. Nunca gostei muito da Esther, mas também não faz diferença.- Meu deus, como eu pude confiar em você? Eu devia ter desconfiado...- Não reclama, meu bem. Aí está o seu dinheiro. Contou direitinho?- Menos mal...- Marcela diz, olhando dentro do envelope. – E também, esses seusplanos não estavam adiantando de nada mesmo...Vou ter que, eu mesma, dar um jeitonessa história. E por favor, não se meta no meu caminho e peça pra Tereza Cristinafechar o bico.- Fica tranqüila. A Tereza está obediente...Quando falei que ela não precisaria mais meajudar, ela ficou aliviada e prometeu não contar nada, se eu também não contassenada...Sabe como é.- Eu ainda vou descobrir esse segredinho da Tereza Cristina...Ia ser um prato cheio prauma pauta.- Hum. De mim é que você não vai arrancar esse segredo. Pelo menos porenquanto...Estou muito bem hospedada na casa da minha sobrinha.- Você não vale nada, mesmo.- Nem você, querida. Estamos quites!As duas começam a rir e terminam ali o plano em conjunto, para separar Esther dePaulo.Porém, Marcela não desiste de investir em Paulo, e passado alguns dias, ela liga paraele:- Oi, Marcela. Podemos sim...Desço em um instante. – Paulo desliga o celular e Estherescuta, fingindo não prestar atenção.- Bom, vou indo almoçar. Você precisa de mim por aqui? – Paulo pergunta para Esther,no escritório da Fio Carioca.- Não, está tudo tranqüilo, pode ir. – Esther diz, sem olhar muito para ele.- Tudo bem, até mais tarde.- Tchau. – Esther se despede e fica pensativa, achando que o melhor era nem tocar noassunto de que já havia feito o procedimento.Depois de almoçarem juntos, Marcela pára Paulo na porta e diz:- Paulo. Desculpa tocar nesse assunto, mas eu preciso muito saber...- O que?- Você e a Esther, vocês voltaram?Paulo sorri, nervoso, e responde:- Ah, Marcela. É tão difícil falar sobre isso...Mas já faz um tempo que não temos umarelação que não seja profissional.
    • - Sinto muito...Quer dizer...Você sabe, Paulo. Eu não vou esconder mais de você.Depois daquela noite que não devia ter acontecido, eu confesso que fiquei balançada.Mas longe de mim querer atrapalhar você e sua esposa. Por isso perguntei...- É...Na prática nem somos mais casados mesmo...Acho que falta coragem praoficializar.- Você acha que consegue? Quer dizer...Você quer?- Eu sinto que já não tem mais volta, sabe? Mas ainda é muito complicado.- Eu queria que você soubesse que eu vou estar aqui. Esperando...- Não...Eu não quero que você faça isso, Marcela.- Mas eu quero. Isso que importa, não é?- Não sei...Não é o certo. Eu ainda amo o a Esther. E acho que nunca vou amar outramulher do jeito que eu a amo.- É difícil escutar isso, mas eu sempre soube. E estou disposta a esperar.- Não tenho nem o que dizer.- Não precisa...Vamos embora? – Marcela diz, cinicamente, e sorri.- Vamos...- Paulo concorda, sério.Esther está desenhando em sua sala, tocando em sua barriga e pensando no filho,quando Paulo bate e entra, a assustando:- Eu pensei em fazer uma reunião às 17 horas, pra discutirmos os preparativos pro novodesfile...Está tudo bem? – Paulo percebe o susto de Esther.- Ótimo, sim... está tudo bem.Vamos fazer a reunião.- Certo... – Ele responde, desconfiado.- E aí? Como foi seu almoço? – Esther pergunta, enciumada, e Paulo sorridiscretamente:- Foi bom...Por que?- Nada...Perguntei à toa. – Esther diz e se levanta, indo até a outra mesa pegar algunspapéis, fingindo não se importar. Paulo percebe e a segura pelo braço:- Esse interesse pelo meu almoço significa que você escutou que eu estava indo ver aMarcela e ficou curiosa...não foi?- Por favor, Paulo, me solta. Eu não vou ficar discutindo com você sobre seu almoçocom a Marcela.- Você tá com ciúmes! – Paulo diz, sorrindo.- Que bobagem, Paulo. Me larga, vamos trabalhar...- Esther reclama.- Eu não vou te largar, antes de fazer uma coisa...- Paulo olha para os lábios de Esther esegura em sua nuca. Ela tenta se desprender dos braços de Paulo, mas ele desce suasmãos até a cintura dela, a fazendo fechar os olhos e se render a um beijo.Esther o abraça, ainda o beijando, e eles caminham até o sofá da sala, cheio de tecidosespalhados. O casal se deita por cima dos tecidos e não se importam com osfuncionários lá fora.Paulo beija o pescoço e o colo de Esther, ainda segurando a cintura dela, deslizandosuas mãos até suas pernas. Quando Paulo toca a barriga de Esther e o clima começa aesquentar, ela se desprende, assustada:- Não, pára. Por favor, Paulo...- Ela se levanta limpando os lábios e deixando Paulosentado no sofá, sem reação:- O que foi? Esther...A gente não pode mais fugir disso...Eu fiquei esse tempo todo mesegurando pra não te abraçar, pra não te beijar. E eu sinto....- Paulo se levanta e seaproxima dela. - ...eu sinto que você sente o mesmo, que me ama ainda, tanto quanto eu.- Paulo, por favor, me escuta... – Esther fecha os olhos e caminha para longe dele,continuando:
    • - Eu... – Esther tenta encontrar as palavras certas. - ...Eu já estou grávida, Paulo. – Paulofica atônito, sem palavras, e ela diz:- Eu não conseguiria ficar com você, sem te dizer isso...não ia conseguir.- Você...você já fez o procedimento?Final – Parte II- Sim. – Esther diz, com os olhos marejados. – E eu estou tão feliz, Paulo, mas não osuficiente, porque essa felicidade estaria completa se...enfim...se você estivesserealmente ao meu lado.Paulo fica em silêncio e depois só consegue dizer:a- Eu não sei o que dizer...Eu preciso sair daqui...- Ele sai apressadamente da sala eEsther desaba, chorando no sofá.No dia seguinte, Paulo vai até a Fio Carioca de manhã, e Esther já estava lá. Ele entraem sua sala e diz:- Bom dia...- Oi, bom dia.Eles se olham, ainda nervosos com o que havia acontecido no dia anterior.- Eu vim até aqui pra dizer que vou viajar por uma semana, mas já deixei tudo adiantadocom relação ao desfile, e chego a tempo para ele.Esther fica sem reação, sentindo que perdia o chão. Visivelmente abalada, ela conseguedizer:- Sim...Tudo bem.- Qualquer problema, é só me ligar.Ela não diz nada e Paulo sai da sala, também abalado.Esther coloca suas mãos no rosto, tentando evitar as lágrimas, depois ela toca em suabarriga, dizendo:- Está tudo bem...Vai ficar tudo bem conosco.Paulo a observa do lado de fora da sala e também tenta evitar as lágrimas, com umaimensa vontade de passar por cima de seus sentimentos confusos e abraçar Esther. Masele precisava de um tempo.Marcela fica sabendo por Íris que Esther estava grávida. Tereza Cristina haviadescoberto e contado para ela.Ela resolve ir atrás de Paulo, no flat. Mas ele já estava de saída:- Desculpa, Marcela. Estou saindo agora de viagem. – Ele abre a porta e Marcela entra.- Viagem? Você vai sozinho?- Sim, vou. Preciso de um tempo...- Paulo...Sem querer a Íris contou para mim sobre a gravidez da Esther e...Paulo sorri, nervoso:- Não é possível...Vem cá, você e minha tia Íris ficam por aí fofocando sobre a minhavida? A Esther devia ter razão...- Não...não é isso, Paulo. Razão sobre o que?- Sobre essa proximidade estranha entre você e minha tia. – Paulo diz, nervoso.- Não sei sobre o que você está falando...A única coisa que eu quero é ver você feliz,porque eu gosto de você, sempre gostei...Nunca escondi isso, mesmo que fosse somentepara sermos amigos.
    • - Eu sei, Marcela. Você foi uma grande amiga, sim. Eu não quero ser grosso, mas seriaum erro constante se continuassemos nos vendo...Não quero alimentar nada com relaçãoa nós dois.- Isso quer dizer que não existe nenhuma chance de...- Não. Eu sei que eu posso ter deixado essa questão em aberto durante esse tempo, epeço desculpas. E por mais que meu relacionamento com a Esther esteja abalado, eu nãoconsigo e nem vou ter nada com outra mulher, enquanto não resolver isso dentro demim.- Mas...Eu posso te ajudar. – Marcela se aproxima dele, se insinuando.- Por favor, Marcela. Não faz isso. – Paulo tira as mãos dela que já estavam em seupeito. – Ou eu vou perder todo o respeito que tenho por você.Marcela, de repente, muda sua feição, e fica desesperada:- Você não pode fazer isso comigo! Eu não vou aceitar isso calada, de novo...Você melevou pra cama e depois reagiu como se nada tivesse acontecido. A Esther não quermais nada com você, Paulo! Você não vê que ela ama muito mais esse filho que ela vaiter do que você?Paulo fica perplexo, surpreso com a reação de Marcela:- Meu deus! Finalmente você se revelou, não é? Eu juro que em algumas horas esperavaisso de você...Pelo seu comportamento sempre tão forçado às vezes...E essa amizadecom a tia Íris. Não podia ser coisa boa...- Você é como todos os outros homens, Paulo. Eu te odeio!- Pára com isso, Marcela. Você está sendo ridícula, me desculpa...Mas vou ter quecolocar você pra fora daqui..Por favor...- Tira as mãos de mim...Eu vou sozinha...E só mais uma coisa: você vai se arrependermuito por essa decisão. Ninguém vai te amar de verdade como eu te amo.- Adeus, Marcela. Eu desejo tudo de bom pra você, mesmo! Mas agora eu precisoterminar de arrumar minhas malas. Com licença. – Paulo a empurra levemente e fecha aporta do flat.Marcela chora de raiva e sai correndo, dizendo para si mesma:- Você me paga...Você e sua mulherzinha.Paulo suspira, cansado da conversa com Marcela, e arruma suas coisas, sem parar depensar em Esther:- Ah, Esther. Você é tão perfeita perto dessas mulheres todas que já conheci. O que eufaço? – Ele se pergunta.Chegando em Itaipava, Paulo coloca suas coisas no quarto e vai até a cozinha, tomar umvinho. Ele fica horas pensando, e pega no sono, deitado no sofá.Enquanto isso, Esther está em seu quarto, acariciando sua barriga e também pensandoem Paulo. (Música: “Problemas”)No outro dia, Paulo aparece de surpresa na clínica de Danielle:- Desculpa não marcar horário, mas eu preciso muito falar com a doutora Danielle. Dizque é o Paulo, marido da Esther. – Ele diz para a secretária.- Só um instante, vou ver o que posso fazer por você.Paulo agradece e aguarda na sala de espera, com as mãos no bolso, andando de um ladopara o outro, aparentando nervosismo.Danielle fica surpresa quando a secretária diz que Paulo a esperava, e logo pede para eleentrar:- Oi, Paulo! Que surpresa...Tudo bem? Entre... – Danielle o recebe.
    • - Oi. Desculpa vir sem avisar, mas é urgente...Eu queria que estivesse tudo bem,mas...acho que você já imagina.- Faço uma ideia...Por favor, sente-se. Vamos conversar.Paulo senta e diz:- Eu vou ser bem direto, sem rodeios.- Claro...- A Esther fez mesmo essa fertilização, não fez?- Fez sim, e correu tudo bem.- Eu estou muito confuso. Cheguei a imaginar que você estava fazendo a cabeça daminha mulher contra mim, e que isso tudo era uma grande bobagem.- Imagina... Eu entendo um pouco sua reação, mas, Paulo...A Esther comenta sempre devocê, com tanto carinho. E ela queria tanto passar por essa experiência de ser mãe aoseu lado...- Eu sei...Mas eu achei tão absurdo ela aceitar essa ideia de ter um óvulo fecundado deoutra pessoa...Essa criança não vai ter nada a ver conosco.- É como eu expliquei para a Esther, Paulo. Essa questão levanta tantos tabus, tantadiscussão. Você pode encarar isso de uma maneira completamente diferente, como porexemplo, aceitar que uma criança não precisa necessariamente ser sua somente por ter oseu DNA. A Esther está hospedando uma criança dentro dela, que vai depender deladurante 9 meses, Paulo. Nove meses. Não é muita coisa? O suficiente pra essa criançase acostumar com a respiração, com o humor, com a alimentação da Esther. Esse bebêvai depender dela, e quando nascer, vai continuar dependendo, até quando acontecer onatural da vida...Deixar os filhos viverem sozinhos, por si próprios. Mas ainda assim, aEsther vai continuar sendo a mãe dessa criança, vai ser a mulher que a levou no útero,que passou todos os sintomas de uma gravidez até dar a luz! – Danielle sorri para ele,que presta atenção em cada palavra que ela diz. - Entendeu?- Ai, meu deus...Eu estou tão confuso. Isso tudo faz sentido, mas mesmo assim...- Paulo, você pode ser o pai dessa criança se você quiser. Só depende de você, porqueisso eu posso te garantir que é o que a Esther mais deseja.Paulo fica em silêncio, pensativo.Os dois conversam mais um pouco e Paulo vai embora, se despedindo de Danielle:- Obrigado por ter me recebido, Danielle.- Imagina. Fico feliz que você tenha vindo, que escutou o outro lado da história. Sentique você veio de coração aberto.- Sim. Foi importante essa conversa. Me desculpe por qualquer coisa.- Não precisa se desculpar. Espero receber boas notícias em breve.Paulo sorri e aperta a mão da médica, indo embora.No caminho, Paulo dirige até a casa de Itaipava, lembrando das explicações de Daniellee construindo uma imagem completamente contrária do que fazia anteriormente sobreela.Dois dias se passam e falta pouco para o desfile de uma nova coleção da Fio Carioca.Esther estava animada, apesar de sentir falta de Paulo ao seu lado.Final - Parte IIIEra noite, e ela acabara de chegar do escritório, cansada. Ela coloca suas coisas no sofáe toma um banho.
    • Ao trocar de roupa, Esther vai até a cozinha e prepara um chá. Ela segue até a sala esenta na poltrona, colocando a caneca ao lado e pegando um livro. Sem nem tempo deabrir a página, a campainha do apartamento toca e Esther diz:- Ué, quem será a essa hora? O porteiro nem avisou.Esther abre a porta, receosa, e se depara com Paulo:- Paulo?- Oi...Desculpa vir assim, sem avisar. O Ulisses me deixou subir...- Tudo bem...Entra...- Esther se afasta e fecha a porta assim que Paulo entra.- Faz tempo que você voltou de viagem?- Não, cheguei agora pouco...Estava na nossa casa, em Itaipava.- Ah é? Não sabia que você tinha ido pra lá.- É...Não sou muito criativo! – Paulo sorri e Esther também.- Você quer, beber alguma coisa...? – Esther fica sem saber o que dizer.- Não...Obrigado. – Paulo fica quieto, pensando no que, e como ia dizer. - Na realidadeeu vim ter uma conversa definitiva com você, Esther. Acho que a gente não pode maiscontinuar desse jeito.- É...- Esther concorda, abaixando a cabeça.- Esther...- Ele se aproxima e segura em suas mãos. - ... Eu estive com a doutoraDanielle em Itaipava.- Esteve? – Esther se assusta, se soltando dele.- Eu conversei bastante com ela, e pensei muito sobre tudo o que aconteceu, sobreminhas dúvidas...Quer dizer, na realidade...sobre meus medos.Esther fica em silêncio e continua a escutá-lo, já com os olhos vermelhos:-...Eu sempre tive muito medo de te perder Esther. Acho que isso ajudou muito pra queeu tivesse essa reação egoísta, que eu não te apoiasse nessa decisão...nesse sonho.Esther não consegue segurar por mais tempo as lágrimas que já corriam pelo seu rosto ePaulo continua, se aproximando dela:- Mas isso não justifica, eu sei... – Paulo a toca: - Meu amor... eu não sei se é tardedemais pra eu te pedir desculpas por tudo o que eu te fiz...O que acontece é que eu nãoposso mais continuar mentindo pra mim mesmo, fugindo de um sonho que agora eu sei,também é meu....Eu estava cego com essa vida “moderna” – Paulo ri. – ...que eupensava que eu tinha. Eu tinha uma auto suficiência com relação à esse meu problemade não poder ter filhos e deixei isso acabar com o nosso casamento...mas por mais queeu tenha errado, o meu amor por você nunca, nunca acabou. E isso é impossível, Esther.Porque não existe outra mulher pra mim, não existe um outro alguém que possa mefazer feliz... – Paulo segura novamente as mãos de Esther. – O que eu quero dizer é queeu finalmente entendi que eu sou capaz de mudar minha vida por completo, todos osmeus sonhos...ou melhor, o que eu acreditava que eram realmente meus sonhos...praficar na sua vida...pra ter você de volta pra mim.- Paulo...- Esther diz, chorando, sem conseguir dizer mais nada. Ele toca os lábios dela,dizendo:- Eu amo você, Esther...E o que eu mais quero agora é que você me perdoe e acrediteque eu também quero essa criança...- Paulo toca a barriga de Esther, que se emocionaainda mais e toca a mão dele sobre sua barriga:- Eu acredito! Eu te amo tanto...tanto.Paulo não deixa Esther dizer mais nada e a segura nos braços, a abraçando forte. Osdois ficam um tempo em silêncio, apenas sentindo o corpo um do outro e se soltam.Paulo fixa o olhar nos lábios de Esther e a beija apaixonadamente. Ele repete váriasvezes que a ama e depois a beija no pescoço, sorrindo.- Jura que você me perdoa? Me perdoa por tudo que eu te fiz sofrer...
    • - Não, não vamos mais falar sobre isso. Vamos esquecer...O que interessa é que o queeu mais sonhava aconteceu...E eu não estou nem acreditando.- Eu vou ficar do teu lado, Esther. Vou cuidar do “nosso” filho junto com você. ( Pauloenfatiza o “nosso”).- Eu sou a mulher mais feliz desse mundo!Paulo sorri e a beija novamente. Os dois passam horas namorando e adormecem nacama, abraçados.Alguns meses se passam e Esther já está com a barriga visivelmente grande. Pauloestava ainda mais cuidadoso e carinhoso com a esposa, esbanjando felicidade:- Não, Esther. Eu adiei o desfile justamente pra você curtir mais a gravidez, e foiproposital mesmo, pra deixar você quietinha em casa, enquanto eu trabalho. É melhorvocê não ir...- Paulo! Você ficou maluco? Como eu não vou nesse desfile?- Esther...A Danielle me explicou os cuidados que a gente deve ter e...- Esther começa arir.- O que foi? Por que você tá rindo? – Paulo ri junto com ela.- Ai, desculpa, amor. É que está tão lindo essa preocupação toda. Que eu fico boba...- Bobinha! Vem aqui. – Paulo a puxa e a beija. – Mas não tem conversa, vai ficar emcasa quietinha, depois eu te conto os detalhes.- Paulo! Eu vou trazer a Danielle aqui pra conversar com você. Parece que agora vocêsó escuta ela...Eu já disse que não tem problema algum se eu for só por algunsminutinhos. Eu quero participar pelo menos do encerramento. Nem vou beber...Só água.- É claro que você não vai beber, ficou doida.- Chega, tá decidido. Hoje à noite eu vou com você. Eu ligo pra Danielle, e ela conversacom você. Combinado?- Ai, que mulher teimosa. Tá bom, vai...Mas liga mesmo.- Vou ligar! – Esther sorri.Após a conversa com Danielle, que também vai ao desfile, Paulo fica mais tranqüilo econcorda com a presença da esposa no desfile da nova coleção. Esther presencia todo oevento nos bastidores e no final, ela e Paulo o encerram em meio à aplausos calorosos.Esther estava com um vestido folgado que evidenciava sua barriga, a deixando elegantee ainda mais bonita. Todos a admiravam e no final do evento, a cumprimentavam,elogiando e acariciando sua barriga.Já era tarde e todos tinham ido embora. Esther e Paulo resolvem ficar um pouco mais esobem na passarela, lembrando dos momentos do desfile:- Eu estou tão feliz! – Esther diz e Paulo a abraça, tocando na barriga dela.- Eu também, meu amor. Não tenho nem palavras pra expressar o que eu estou sentindoagora...Junto com as pessoas mais importantes da minha vida...Você e o nosso filho! –Ele abaixa e beija a barriga de Esther, que sorri.- Obrigada. Por tudo...Por me fazer tão feliz e realizada! Te amo!- Te amo! – Paulo diz e a beija intensamente, refletindo toda a felicidade que estavamsentindo na passarela espelhada do salão.FIM!