Elis regina letras
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Elis regina letras Elis regina letras Document Transcript

  • ElisReginaTodas as letras
  • Pesquisa, organização e diagramação: Vladimir Araújo Projeto gráfico: Juliana Mesquita e Juliana Palezi
  • ElisReginaTodas as letras
  • Dá sorte Eleu Salvador Viva a Brotolândia – 1961 Samba feito para mim Paulo Tito Dá sorte fazer o que eu digo Viva a Brotolândia – 1961 Dá sorte querer seu amor Dá sorte cantar comigo Pedi pra fazerem um samba para mim. Pra desabafar meu coração. Cante então a canção que eu fiz para ser feliz Tenho tanta coisa pra dizer de mim. Cante então a canção que eu fiz para ser feliz Como eu gostaria de falar numa canção. Creio no supremo poder Sei que o mundo é mau, jamais vai entender, Gosto de quem gosta de mim Que este samba vive de hum sofrer Serei tudo que quero ser Tu serás O tema é meu. Nasceu assim. Sou feliz, tenho alguem que me quer e que eu quero bem Era preciso fazerem um samba pra mim. Amei alguém. Fui só de alguém. Ângela Martignoni/Othon Russo Viva a Brotolândia – 1961 O mundo não procurou compreender. Sonhando Tu serás a vida e o meu destino Então pedi para fazerem um samba assim. E este samba foi feito todinho pra mim. (Dream) Tu serás angústia e tormento Tu serás a chama que ilumina O eterno fogo de minha alma B. de Vorzon/T. Ellis/Vs. Juvenal Fernandes Viva a Brotolândia – 1961 E na noite escura, minha estrela Sonho Tu serás… tu serás Eu sempre sonho Estrela que mostra o meu caminho Que o amor irei buscar Tu serás… somente tu. Sigo Vivo para amar-te e adorar-te Uma alameda Pois és a razão dos meus desejos E alquém é o meu par E se em ti não penso a todo instante Não posso acalmar o meu tormento2 Alguém que eu venero Que tanto quero Não sei quem é Sonho Fala-me de amor E no meu sonho Sigo com um certo alguém (Take me in your arms) Markus/Rotter/Vs. Max Gold Viva a Brotolândia – 1961 Murmúrio Fala-me de amor, Mesmo que seja pra mentir Fala-me de amor, Djalma Ferreira/Luiz Antônio Se vais partir. Viva a Brotolândia – 1961 Um beijo louco Vai nesta canção Para lembrar o que passou Meu último adeus Dura tão pouco Coração sonha em vão Mesmo que seja o fim Com os beijos seus Aperta-me assim E nos braços teus Foi esta canção Toda magia viverei Que eu murmurei Beija-me assim Tu também longe amei Depois adeus! Murmuraste eu sei. Eu queria sentir teu beijo Há neste murmúrio huma saudade Com carinho e emocão A vontade louca de voltar E guardar este amor tão puro Ser como era antes mesmo por instantes No fundo do coração E depois morrer para não chorar
  • Baby face As coisas que eu gosto (My favorite things) Davis/Asket/Vs. Fred Jorge Hammerstein/Rodgers/Vs. Fernando César Viva a Brotolândia – 1961 Viva a Brotolândia – 1961 Baby face As coisas que eu gosto eu vou lhe dizer Esse rostinho lindo São coisas bonitas que vêm de você Baby face É o céu de um sorriso embriagador Parece ingênuo E esses seus olhos lembrando o amor Não é isso não Baby face Nem sei como pode você ser assimQue encontrei sorrindo e me deixou sonhando E ter tudo, tudo que é bom para mim Nem de encomenda eu ia achar Baby face Outro igual a você para amar Esse seu modo estranho de olhar pra mim Mesmo de mentira Me faz acreditar Os seus olhos Que você sabe amar Seu sorriso Mentindo Que bonitos são Baby Face. Carlos Imperial Você não existe Viva a Brotolândia – 1961 Na certa sonhei Quando inventei você Diz mesmo de mentira Que eu sou tudo pra você Diz mesmo de mentira Que ao seu lado eu vou viver Garoto último tipo Diz. Prefiro a mentira (Puppy Love) Pois a verdade é ruim Diz mesmo de mentira Paul Anka/Vs. Fred Jorge Diz que você gosta de mim Viva a Brotolândia – 1961 Quero viver na ilusão Hoje eu vi um tal brotinho Pois afinal não machuca o coração Que o meu coração 3 Se a verdade me faz mal Foi logo conquistando Eu não vou fazer da minha vida um carnaval E eu nem disse não Mente Garoto último tipo É melhor assim Broto sensação Diz que você gosta de mim Não sei porque Amor, amor Dei meu coração Saiu pra rua (Love, love) Trânsito parou Dor de Covelo Bill Caesar/Vs. Carlos Imperial E pra mim o olhar mandou Viva a Brotolândia – 1961 Que garotinho Amor, amor Mas que tipão João Roberto Kelly Quero um amor que não tenha fim E roubou meu coração Viva a Brotolândia – 1961 Amor, amor Quero um amor pra mim Beber pra esquecer é teimosia Hoje muito whisky, muita alegria, Amor, amor Amanhã ressaca, saco de gelo Quero um amor que me queira bem O bar não é doutor que cure a dor de cotovelo Amor, amor Eu reciso amar alguém A dor pra curar não tem receita É corcunda que se deita Vivo a sonhar Sem achar a posição Que estou a beijar E sentir saudade não faz mal O meu grande amor Não é no fundo do copo Que você vai encontrar sua moral Sempre a esperar Quem me queira amar Beber pra esquecer... O meu peito agora diz Eu preciso de um amor Só assim serei feliz
  • Poema Fernando Dias Poema de Amor – 1962 Poema É a noite cheia de amargura Poema É a luz que brilha lá no céu Poema4 É ter saudade de alguém Que a gente quer e que não vem Poema É o cantar de um passarinho Que vive ao leú, perdeu seu ninho É a esperança de o encontrar Poema É a solidão da madrugada Um ébrio triste na calçada Querendo a lua namorar
  • Dá-me um beijo (Kiss me, Kiss me) Trovajoli/Daniell/Vs. Romeu Nunes Pororó-Popó Poema de Amor – 1962 Dá-me um beijo Um só João Roberto Kelly Um só Poema de Amor – 1962 Mata meu desejo Bate bate bate constante De mim Meu pequeno mundo de ilusão Pororó-popó Tem dó Dançando na festa, beijinho na testa e só Pois num beijo só você poderá sentir (My little corner of the world) Seu telefone eu anotei O que sinto é desejo sim de mim Cupido me laçou E apertou o nó Dá-me dá-me um beijo Poró-poroporó Mais um Hilliard/Pockriss/Vs. José Mauro Pires Poema de Amor – 1962 Só um Todo dia eu discava Ó vem meu doce bem Poró-poroporó E vamos depois Ao meu pequeno mundo de ilusão Discava escondida da mamãe e da vovó Os dois São teus os sonhos meus Os dois No meu pequeno mundo de ilusão Tudo começou de brincadeira E eu fiquei brincando a vida inteira Pela vida nos deixando com ardor Só tu então Serás a inspiração Para sempre E neste mundo Sempre Terás meu coração Amor E se, meu doce bem, Vieres aplacar esta paixão Serão somente teus Nos teus lábios 5 O meu pequeno mundo e a ilusão Eu sempre quis Contigo, coração, Haroldo Eiras/Ataliba Santos Poema de Amor – 1962 Viver feliz Em meu mundo de ilusão Vou comprar um coração Nos teus olhos Vejo a luz com que sempre sonhei Nos teus lábios Sinto os beijos que as vezes roubei Vem de novo Saudade é recordar A saudade em meu peito apertar Paulo Tito/Romeu Nunes E por isso eu canto Poema de Amor – 1962 Nos teus olhos Vou comprar um coração Renan França/Verinha Falcão As estrelas refletem o brilhar Para trocar por este meu Poema de Amor – 1962 Dos teus lábios Porque sem ilusão não sei viver Beijos mil me fazem lembrar E este meu coração cansou de amar De que vale o que tenho Só tristezas pra contar Desde então Com um novo coração E tristeza é ter saudade Não sonho e nem vivo Vou repetir os erros meus Saudade é recordar Porque, amor, só posso encontrar Fazer oque já fizNos teus lábios e os teus olhos quero olhar. Amar em vão Tu cruzaste o meu caminho Ser infeliz mais uma vez. Quando eu era a própria dor Sim os teus olhos quero olhar Hoje deixo o teu carinho Por amor ao teu amor
  • Confissão Podes voltar Umberto Silva/Paulo Aguiar/Luiz Maranhão Othon Russo/Nazareno de Brito Poema de Amor – 1962 Poema de Amor – 1962 Vai nesta cancão Deixa passar a incerteza que te afasta de mim A confissão De alguém que hoje é feliz, feliz Quero pensar que ainda me queres como ontem, e assim Quero guardar esta ilusão Vai dizer também Adormecer e contigo sonhar Que só alguém Que ninguém mais faz infeliz Las O que passou, passou Se tu soubesses que torturas em minha alma sem ti secretárias Pepe Luis/Vs. Martha Almeida Sei que não volta mais Eis o consolo eneletivo dos meus ais Pra que lembrança sem esperança? Noites inteiras a pensar que havia outra qualquer Mas mesmo assim haja o que houver Podes voltar outra vez para mim Poema de Amor – 1962 Se um é pouco, dois é bom, três é demais Pizzicato Pizzicati Cha Cha Cha Para o secretário Cha Cha Cha Canção Para estenodatilografar Cha Cha Cha Para o secretário Cha Cha Cha de enganar despedida Cha Cha Cha Como é bom bailar Stern/Marnay/Vs. Fred Jorge Poema de Amor – 1962 Quando eu ouvi tocar um doce pizzicati6 Necessito secretário competente Quase desandou Com experiência e boa apresentação e quase parou Solicito homem jovem e bonito O pobre coração que só palpita por ti E com carta de recomendação Walter/Joluz E sempre te adorou Que domine o idioma Italiano Poema de Amor – 1962 Teu olhar Em doce pizzicato o coração pulsou O Francês e o Inglês com perfeição Meu olhar E alegre saltou Nao me importa seja loiro ou moreno Nosso olhar E alegre cantou Mas que tenha bem alegre o coração E como um violino doido a suspirar Tuas mãos Sonhou… sonhou… sonhou… Quando formos de manhã para o trabalho Minhas mãos E a tarde na hora de regressar A emoção Plum plum plum Que beleza eu e o meu secretário Que delicioso Caminhando e cantando o cha cha cha A noite a se perder nos faz, Plum plum plum Meu amor, Maravilhoso Outra vez Amar Minha cancão de amor nasceu no meu coração Sonhar Só para ti Minha paixão É manhã Em doce pizzicato eu vou levar-te a emoção Na manhã do adeus O meu amor sem fim Repousa A canção que eu canto Teus lábios nos meus É por ti meu bem É um doce pizzicato Um beijo irá fazer Sempre a saltitar Teu olhar Meu olhar Plum plum plum Outra vez Amar Chorar
  • A Virgem de Macareña (La Virgen de la Macareña) Dengosa Tango italiano B. B. Munterde/Calero/A. Bourget Elis Regina – 1963 Castro Perret Elis Regina – 1963 À noite quando me deito Eu sou dengosa Eu rezo à Virgem de Macareña Malgoni/Baretta/Palessi/Romeo Nunes Gosto de carinho Assim sozinho em meu quarto Elis Regina – 1963 Amor pra mim Falo à Virgem Santa todo o meu tormento Tem que ter denguinho Um tango italiano É de coração que eu peço O nosso tango Eu sou assim Que alguém um dia me queira Quero um dia dançar Dengosa para amar Que me abraçe com ternura E sonhar novamente Procuro aguém dengoso E me beije com doçura Para ser meu par Um tango italiano Ó Virgem Santa Um terno tango Amar com dengo Ó Virgem Santa porque sofro tanto Como aquele que viu começar Dá gosto da gente amar Ouvi o que pede Nosso amor tão distante Beijar com dengo Ouvi o que pede a angústia do meu pranto Dá gosto de se beijar E nos teus braços Porque, ó Santa querida, Rodando ao compasso do tango a recordar Amor com dengoNão encontro na vida alguém para meu amor? Torna mais gostoso o carinho Nosso passado Mas para amar com dengo Porque, ó Santa querida, E o amor esquecido veremos retornar É preciso ter jeitinhoNão encontro na vida alguém para meu amor? Alguém que seja ternura Um tango italano E viva comigo os sonhos que sonhei E os teus braços O meu corpo de novo estreitar É de coração que eu peço E teus olhos de novo encontrar Que alguém um dia me queira 7 Que me abraçe com ternura E no céu de teus olhos buscar E me beije com doçura A aventura perdida Ouvi o que pede Ouvi o que pede minha alma aflita Minha Virgem Santa Outra vez (Again) Cochran/Newman Minha Virgem Santa de Macareña Tristeza de carnaval Elis Regina – 1963 Jamais O meu amor tu terás Bidú/Mutinho Não te darei novamente Elis Regina – 1963 A boca ardente, oh, não! O carnaval Verás Sempre faz feliz alguém Que o sonho que se desfaz Formiguinha triste As vezes traz tristeza Nem deixa rastro na alma E a alegria foge E acalma a ilusão de um coração Tudo é quarta-feira Eu não quero Joãozinho Tudo é sempre cinza De novo sofrer Elis Regina – 1963 Pra quem amou foi muito bom Tal como eu já sofri Pra quem perdeu chorou demais Era uma vez uma triste formiguinha Depois voltou o carnaval Eu não quero de novo viver Que vivia tão sozinha tocando seu violão Na fantasia de sol No amargor em que já vivi Tão simplezinha era sua morada E a esperança de encontrar Mas existia lugar pra mais alguém Um novo amor O sonho que se desfez No carnaval Não deixou rastro em minha alma Mas certo dia, como diz a lenda, No carnaval Não sonharei outra vez Tudo lá no quintal se iluminou No carnaval Formiguinha encontrou outra Inverno sozinha não passou
  • Silêncio À noite Berstein/Roberto Côrte Real Túlio Paiva Elis Regina – 1963 Elis Regina – 1963 balançou 1, 2, 3, Silêncio! À noite, amor Atenção! Vou ver o meu amor O samba já tem outra marcação A lua há de brilhar Pra nós dois O pandeiro já não faz o que fazia Violão só é na base da harmonia Nazareno de Brito/Alcyr Pires Vermelho À noite, amor Elis Regina – 1963 Silêncio! Vou ver o meu amor Atenção! 1, 2, 3, balançou 1, 2, 3, o meu samba quero assim E pra nós as estrelas virão Requebra e vai por mim Porque o samba já tem outra marcação 1, 2, 3, vai não vai A roda do mundo sempre vai girando E o sol que sabe que eu espero Vai girando sem parar 1, 2, 3, ouve o prato a marcar Que só a noite eu quero Tudo nessa vida se renova O nosso balançar Compreende e já se vai Faz um passo todo figurado A bossa velha deu lugar à bossa nova E segue o rebolado O samba já tem outra marcação A onda do balanço me enrolou Ó Deus, fazei E essa é nova marcação Eu não posso parar Fazei que a noite seja Vejo o tempo correr sem me cansar Sem fim pra mim Você pode notar8 Batam palmas para quem gostou Do meu samba que a ninguem negou Ressurreicão Adeus amor De todo coração Sensação enquanto balançou Marino Pinto/Pernambuco Almeida Rêgo/Newton Ramalho Elis Regina – 1963 Elis Regina – 1963 Ressurreição, meu amor do passado Adeus amor Tu és a razão do meu porvir Eu tenho de partir Eu sonho em vão por que sonho acordada Eu sei que vou sentir Quisera saber o que há de vir Uma saudade imensa de você A chama que se apaga Que vai ficar Flertei Sempre mata a esperença Sozinho como eu Minha chama de esperar-te A remoer lembranças do passado Não se cansa Meu Deus como é que eu vou ficar Ressurreição, me levou ao passado Castro Perret Sem ter você pra me abraçar? E curou de uma vez a minha dor Elis Regina – 1963 Sem ter aqueles beijos que são meus? Milagre do amor Só meus Agora sim estou certinha com um só Tanto brinquei que Cupido me acertou Adeus amor Eu tive tantos mas a nenhum eu amei Eu voltarei, querido, E, no entanto, sem querer, gamei pra recomeçar a nossa vida Veja você, eu que nunca pensei em amar Eu que flertava apenas para brincar Mas fui brincar de amor quem soube entender meu coracão E o flerte transformou-se em gamação
  • Alô saudade Paulo Aguiar/Umberto Silva O Bem do Amor – 1963 carinho Saudade e Telefonei para a saudade Dizendo a ela o que sentia Como ela trouxe a solução Meu coração logo esqueceu toda a paixão Acreditei no que me foi prescrito E em tudo o que eu não acreditava Renan Franca/Verinha Maranhão O Bem do Amor – 1963 Sem teu amor Depois do tempo em que levei sofrendo assim Felicidade voltou pra mim Saudade e carinho Ai que vontade de amar! Todo amor tem o seu ninho Luiz Mauro O meu amor, onde andará? O Bem do Amor – 1963 Meu coração não pode mais viver assim Tantos amores eu já tive Se você quiser Sem teu amor Quantos amores mais terei? Meu coracão vive chorando triste assim Nenhum, porém, comigo vive Sem teu amor Sozinha sempre viverei Baden Powell/Mario Telles Tudo acabou O Bem do Amor – 1963 Fiquei sozinhaVocê quer que eu te conte o que é o amor, Sem teu querer Feito para dois amar, Manhã de Feito de sorriso e flor? Tudo mudou E, sem carinho, AMOR Você quer. Não sei viver Mas será que você quer? Caminhar neste luar para eu te mostrar. Meu coracão hoje só vive de ansiedade 9 Vem. Por você Espero em vão o fim de toda essa saudade Sergio Malta/Joluz Você quer ver na luz do meu olhar, De você O Bem do Amor – 1963 Como eu te quero bem, Como eu te quero amar? Vou esperar É manhã Ó, meu querido, Vem o sol Eu não sei. Volte pr favor Vem trazer o calor Eu não sei se você quer. Que aquece a emoção Eu posso te dar amor, Meu coracão De um olhar Se vocie quiser. Não vai viver toda esta vida De um aperto de mão Sem teu amor Vem a chuva também Vem chorar a alegria Do retorno de alguém De um amor Numa terna ilusão E se faz lá no céu O enlace da chuva e do solMania de gostar A natureza sorri É tão lindo o matiz do arrebolLuis MauroO Bem do Amor – 1963 Já se fez a manhã do amor Já se pôs o arco-iris além Vem a chuvaMania boba é essa da gente de gostar de alguém. Alguém que nos faz um pouquinho feliz quando vem.Alguém que quando vai não diz pra onde nem porque. Parte deixando saudade. Fazendo a gente sofrer. Vem o sol Com eles, meu bem.Não vai outra vez meu amor, não vá pra longe de mim. Esse negócio de saudade não foi feito pra mim.Com você aqui bem perto. Juntinho do meu coração. Não viverei mais nesta solidão.
  • Há uma história triste Othon Russo/Niquinho O Bem do Amor – 1963 Há uma história triste pelo ar História que não tem “era uma vez…” Há uma história triste pra contar História que começa com “talvez” Foi, talvez, amor que acabou Foi, talvez, um sonho que apagou Restos de lembrança e amargura Rugas de saudade e de ternura Retorno Meus olhos Aécio Kauffmann Sergio Napp O Bem do Amor – 1963 O Bem do Amor – 1963 Meu bem eu agora voltarei Meus olhos Bem sei que estarás a me esperar Saudades que eu trago Do amor de você Deixei meu coração cheio de amor juntinho ao teu E só me acompanhou a saudade em seu lugar Meus olhos Silêncios na espera Agora voltarei novamente aos braços teus De alguém que não vem E tu sempre estarás eternamente nos braços meus Ah, se você entendesse10 Na estrada desta vida A beleza de amar Nunca mais Que eles trazem em si Nunca mais sozinha Longe amor Ah, se você compreendesse Dos teus carinhos O que escondem meus olhos Voltaria pra mim Domingo em Copacabana Roberto Faissal/Paulo Tito O Bem do Amor – 1963 Copacabana cheia Bom é domingo mesmo Dias de sol vem alegrar o nosso amor Mar azul Onda azul Vem beijar meus amores Copacabana bela Lua de luz acesa Ando calçada cheia sem pensar Ai, rio até sozinha Da beleza do meu Rio Da TV Rio até o Forte Gente que passa sem ter norte Copacabana eu vou sonhar junto de ti
  • O bem do amor Rildo Hora/Clóvis Mello O Bem do Amor – 1963 Se você pensava Bem no amor achar O bem no amor encontrará E quando você quiser Vá buscar ternura No amor que existe Num lugar feito pra dois Sim, vá buscar Tem perfume a flor que nasce No jardim ao sol De ver tanto encanto na flor Fui pedir a rosa viva e multicor Perfume e cor Fiz nosso amor E o mundo prá nós dois 11 É pra frente que se anda Caminhando sem olhar pra trás É pra frente que se anda Caminhando sem olhar pra trás É como a roda da história Que nunca pode parar Há um turbilhão de anseios Despertando a nossa voz Há um mundo de esperança Esperando, Esperado por nós E a gente vai seguindo Olhando só pra frente Sem se voltar pra trásMundo de paz Procurando nosso mundo Mundo de paz Túlio Paiva O Bem do Amor – 1963
  • O MORRO NÃO TEM VEZ DIZ QUE FUI POR AÍ (Tom Jobim/Vinícius de Morais) (Zé Keti/H. Rocha) O morro não tem vez Se alguém perguntar por mim E o que ele fez já foi demais Diz que fui por aí Pout Pourri Mas olhem bem voces, quando derem vez ao morro Levando o violão debaixo do braco Toda a cidade vai cantar Em qualquer esquina eu paro Em qualquer botequim eu entro E se houver motivo, é mais um samba que eu faço ESSE MUNDO É MEU Se quiserem saber se eu volto, diga que sim (Sérgio Ricardo/Ruy Guerra) Mas só depois que a saudade se afastar de mim Mas só depois que a saudade se afastar de mim Escravo no mundo em que sou Escravo no reino em que estou Dois na Bossa 1 – 1963 (Com Jair Rodrigues) Mas acorrentado ninguém pode amar ACENDER AS VELAS Mas acorrentado ninguém pode amar (Zé Keti) Acender as velas, já é profissão FEIO NAO É BONITO Quando nao tem samba, tem desilusão (Carlos Lyra/Gianfrancesco Guarnieri) Acender as velas, já é profissão ESSE MUNDO É MEU Quando nao sou eu, é Nara Leão Feio, nao é bonito (Sérgio Ricardo/Ruy Guerra) O morro existe mas pede pra se acabar Canta, mas canta triste Saravá, Ogum, mandinga da gente continua Cade o despacho pra acabá A VOZ DO MORRO Porque tristeza é só o que tem pra cantar (Zé Keti) Chora, mas chora rindo Santo guerrero na floresta Porque é valente e nunca se deixa quebrar Se você nao vem eu mesma vou brigá Eu sou o samba Ama, o morro ama Se voce nao vem eu mesma vou brigá A voz do morro sou eu mesmo, sim senhor Amor bonito, amor aflito Quero mostrar ao mundo que tenho valor Que pede outra história Eu sou o rei do terreiro12 A FELICIDADE Eu sou o samba (Tom Jobim/Vinícius de Morais) Sou natural daqui do Rio de Janeiro SAMBA DO CARIOCA A felicidade é como a pluma Sou eu quem leva alegria (Carlos Lyra/Vinícius de Morais) Que o vento vai levando pelo ar Para milhões de corações brasileiros Vamos, carioca, Brilha tão leve, mas tem a vida breve sai do teu sono devagar Precisa que haja vento sem parar O MORRO NAO TEM VEZ O dia já vem vindo aí (Tom Jobim/Vinícius de Morais) E o sol já vai raiar Sao Jorge, teu padrinho, SAMBA DE NEGRO O morro não tem vez te dê cana pra tomar (Roberto Correa/Sylvio Son) E o que ele fez já foi demais Xango, teu pai, te dê Mas olhem bem voces muitas mulheres para amar Subi lá no morro só pra ver Quando derem vez ao morro O que o nêgo tem Toda a cidade vai cantar Pra cantar assim gostoso Vai cantar, vai cantar E fazer samba como ninguém Vai cantar, vai cantar VOU ANDAR POR AÍ (Newton Chaves) Vou andar por aí, perguntar por aí Pra ver se eu encontro A paz que perdi O SOL NASCERÁ (A sorrir) (Cartola/Elton Medeiros) A sorrir eu pretendo levar a vida Pois chorando eu vi a mocidade perdida
  • Preciso aprender a ser sóMarcos Valle/Paulo Sergio ValleDois na Bossa 1 – 1965Samba eu canto assim – 1965Ah! se eu te pudesse fazer entender ArrastãoSem teu amor eu não posso viver Edu Lobo/Vinícius de Morais Dois na Bossa 1 – 1965Que sem nós dois o que resta sou euE u a s s i m t ã o s ó Eh... tem jangada no marE eu preciso aprender a ser só Eh, eh, eh... hoje tem arrastãoPoder dormir sem sentir teu amor Eh... todo mundo pescarA ver que foi só um sonho e passou Chega de sombra JoãoA h ! o a m o r Jovi, olha o arrastão entrando no mar sem fimQuando é demais ao findar leva a paz Ê meu irmão me traz Yemanjá pra mimMe entreguei sem pensarQue a saudade existe e se vem é tão tristeVê, meus olhos choram a falta dos teus Minha Santa BárbaraEsses teus olhos que foram tão meus Me abençoaiPor Deus, entenda que assim eu não vivo Quero me casar com JanaínaEu morro pensando no nosso amorPor Deus, entenda que assim eu não vivoEu morro pensando no nosso amor Eh... puxa bem devagar 13 Eh, eh, eh... já vem vindo o arrastãoA h ! o a m o r Eh... é a Rainha do MarQuando é demais ao findar leva a paz Vem, vem na rede JoãoMe entreguei sem pensar Pra mim!Que a saudade existe e se vem é tão tristeVê, meus olhos choram a falta dos teusEsses teus olhos que foram tão meus Valha-me Deus Nosso Senhor do BonfimPor Deus, entenda que assim eu não vivo Nunca, jamais se viu tanto peixe assimEu morro pensando no nosso amorPor Deus, entenda que assim eu não vivoEu morro pensando no nosso amorTerra de Segue nessa marcha triste Anda.Teu caminho é longo Pára no final da tarde Mas...ninguém Seu caminho aflito Cheio de incerteza Tomba já cansado O dia vai chegar Leva só saudade Tudo é só pobreza Cai um nordestino Que o mundo vai saber E a injustiça Tudo é só tristeza Reza uma oração Não se vive sem se dar Que só lhe foi feita Tudo é terra morta Prá voltar um dia Quem trabalha é que temMarcos Valle/Paulo Sergio Valle Desde que nasceu Onde a terra é boa E criar coragem Direito de viverDois na Bossa 1 – 1965Saudade do Brasil – 1980 Pelo mundo inteiro O senhor é dono Prá poder lutar Pois a terra é de(Com Marcos Valle) Que nada lhe deu Não deixa passar Pelo que é seu n i n g u é m
  • Sem Deus com a família César Roldão Vieira Dois na Bossa 1 – 1965 Sapato de pobre é tamanco Menino das laranjas A vida não tem solução Morada da rico é palácio E casa de pobre é barracão Reza Théo de Barros Dois na Bossa 1 – 1965 (Com Jair Rodrigues) Quem é pobre sempre sofre, Samba eu canto assim – 1965 Vive sempre a trabalhar Menino que vai pra feira Edu Lobo/Ruy Guerra Dois na Bossa 1 – 1965 Vender sua laranja até acabar Mas eu sofro só de dia, Samba eu canto assim – 1965 Filho de mãe solteira Cuja ignorância tem que sustentar De noite eu vivo pra sambar Por amor andei já Tanto chão e mar É madrugada, vai sentindo frio Senhor já nem sei Porque se o cesto não voltar vazio Se o amor não é mais A mãe arranja um outro prá laranja Bastante pra vencer E esse filho vai ter que apanhar A mulher de branco é esposa Eu já sei o que vou fazer Meu Senhor Compra laranja E a esposa do preto é mulher Uma oração Menino que vai pra feira14 Mas minha mulher é só minha, Vou cantar para ver se vai valer É madrugada vai sentindo frio Laia ladaia sabadana ave-maria Porque se o cesto não voltar vazio Do branco eu nem sei se só dele é Laia ladaia sabadana ave-maria A mãe arranja um outro prá laranja E esse filho vai ter que apanhar Ah! meu santo defensor Traga o meu amor Compra laranja doutor Branco fica atormentado Ainda dou uma de quebra pro senhor Laia ladaia sabadana ave-maria E nem tem tempo pra pensar Laia ladaia sabadana ave-maria Lá no morro a gente acorda cedo Que é só trabalhar Se é praga ou oração Comida é pouca e muita roupa Mas o preto é mais que branco Mil vezes cantarei Que a cidade manda pra lavar pra mãe d’água Iemanjá Laia ladaia sabadana ave-maria De madrugada ele menino Laia ladaia sabadana ave-maria Acorda cedo tentando encontrar Um pouco pra comer, viver até crescer E a vida melhorar A terra do dono é só dele Compra laranja doutor E ali ninguém pode mandar Ainda dou uma de quebra pro senhor Mas se eu não pegar na enxada Não tem ninguém pra plantar Eu semeio tanto milho e a colheita é do senhor Mas o dia da igualdade tá chegando seu doutor.
  • Influência do Jazz Formosa Carlos Lyra Elis no Fino da Bossa 1965-1967 Baden Powell/Vinícius de Morais Pobre samba meu Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Baden Powell e Ciro Monteiro) Foi se misturando se modernizando, e se perdeu E o rebolado cadê?, não tem mais Formosa, não faz assim Cadê o tal gingado que mexe com a gente Carinho não é ruim Coitado do meu samba mudou de repente Mulher que nega Influência do jazz Não sabe não Tem uma coisa de menos Quase que morreu No seu coração E acaba morrendo, está quase morrendo, não percebeu Que o samba balança de um lado pro outro A gente nasce, a gente cresce O jazz é diferente, pra frente pra trás A gente quer amar E o samba meio morto ficou meio torto Mulher que nega Influência do jazz Nega o que não é para negar A gente pega, a gente entrega No afro-cubano, vai complicando A gente quer morrer Vai pelo cano, vai Discussão Ninguém tem nada de bom Vai entortando, vai sem descanso Sem sofrer Vai, sai, cai... no balanço! Formosa mulher! Pobre samba meu Tom Jobim/Newton Mendonça Volta lá pro morro e pede socorro onde nasceu Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com pery Ribeiro) Pra não ser um samba com notas demais Samba do avião Não ser um samba torto pra frente pra trás Se você pretende sustentar opinião Vai ter que se virar pra poder se livrar E discutir por discutir Da influência do jazz Só prá ganhar a discussão Tom Jobim Eu lhe asseguro pode crer Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com lennie Dale) Que quando fala o coração As vezes é melhor perderVem Balançar Eparrê, Do que ganhar, você vai ver 15 Aroeira beira de mar Já percebi a confusão Salve Deus e Tiago e Humaitá Você quer ver prevalecer Eta, costão de pedra dos home brabo do mar A opinião sobre a razãoWalter Santos/Tereza Souza Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar Não pode ser, não pode serElis no Fino da Bossa 1965-1967 Prá quê trocar o sim por não Minha alma canta Se o resultado é a solidãoQuem vem lá? Vejo o Rio de Janeiro Em vez de amorQuem vem lá? Estou morrendo de saudade Uma saudade vai dizer quem tem razão Rio, teu mar, praias sem fimSe é de samba pode se chegar Rio, você foi feito pra mimNo meu samba tem sempre lugar Cristo RedentorPrá quem vem balançando Devagar com a louça Braços abertos sobre a GuanabaraQuerendo sambar Este samba é só porque Rio, eu gosto de vocêQuem vem lá? A morena vai sambarQuem vem lá? Seu corpo todo balançar Luiz Reis/Haroldo Barbosa Rio de sol, de céu, de mar Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Elza Soares)Se é de samba pode se chegar Dentro de mais um minuto estaremos no GaleãoNo meu samba tem sempre lugar Devagar com a louça que eu conheço a moça, Rio de Janeiro,Prá quem vem balançando vai devagar moçinha, devagar ei. Rio de JaneiroQuerendo sambar Eu conheço a moça, devagar com a louça, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro vai devagar, prá não errar.Pra quem Devagar com a louça que eu conheço a moça, Cristo RedentorTraga o samba redondinho, vai devagar. Braços abertos sobre a Guanabarabem certinho assim E eu conheço a moça, devagar com a louça. Este samba é só porquetodinho solto Vai, prá não errar. Rio, eu gosto de você A morena vai sambarMas não venha contando mentira rapaz Ela é mais enrolada do que linha em carretel, Seu corpo todo balançarNão ponha no meu samba tão fácil demais ja viu, mais você nessa jogada, hehe, vira bola de papel. Aperte o cinto, vamos chegar Água brilhando, olha a pista chegando Dê o fora dessa louça, peça logo o seu boné. E vamos nós Você vai ficar de touca, quem avisa amigo é, pois é.. Aterrar
  • Bocochê Amor em paz Baden Powell/Vinícius de Moraes Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Baden Powell) Tom Jobim/Vinícius de Moraes Elis no Fino da Bossa 1965-1967 Menina bonita, pra onde é "quocê" vai Mulata Menina bonita, pra onde é "quocê" vai Eu amei Vou procurar o meu lindo amor Assanhada E amei, ai de mim, muito mais do que devia amar No fundo do mar E chorei Vou procurar o meu lindo amor Ao sentir que iria sofrer e me desesperar No fundo do mar Ataulfo Alves Foi então Nhem, nhem, nhem Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Ataulfo Alves) Que da minha infinita tristeza aconteceu você É onda que vai Encontrei Ô, mulata assanhada Nhem, nhem, nhem Em você a razão de viver e de amar em paz Que passa com graça É onda que vem E não sofrer mais Fazendo pirraça Nhem, nhem, nhem Nunca mais Fingindo inocente Tristeza que vai Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz Tirando o sossego da gente! Nhem, nhem, nhem Tristeza que vem O amor é a coisa mais triste quando se desfaz Ah! Mulata se eu pudesse E se meu dinheiro desse Foi e nunca mais voltou Eu te dava sem pensar Nunca mais! Nunca mais Esta terra, este céu, este mar Triste, triste me deixou E ela finge que não sabe Nhem, nhem, nhem Agora Ninguém Chora Mais Que tem feitiço no olhar! É onda que vai Ai, meu Deus, que bom seria Nhem, nhem, nhem Se voltasse a escravidão É a vida que vem Eu pegava a escurinha Jorge Ben Nhem, nhem, nhem E prendia no meu coração!... Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Jorge Bem Jor e Zinho) É a vida que vai E depois a pretoria Nhem, nhem, nhem16 Resolvia aquestão! Chorava todo mundo Não volta ninguém Mas agora ninguém chora mais Chora mais, chora mais Menina bonita, não vá para o mar Chorava todo mundo Menina bonita, não vá para o mar Mas agora ninguém chora mais Chora mais Vou me casar com o meu lindo amor ô, ô, ô, ô No fundo do mar Vou me casar com o meu lindo amor Mas Que Nada Chorava mãe, chorava pai No fundo do mar Na hora da partida Mas era uma beleza Nhem, nhem, nhem Em vez de tristeza É onda que vai Jorge Ben Elis no Fino da Bossa 1965-1967 Mas era uma beleza Nhem, nhem, nhem Em vez de tristeza É onda que vem Mas, que nada ô, ô, ô, ô Nhem, nhem, nhem Sai da minha frente Chorava mãe, chorava pai É a vida que vai Que eu quero passar Chorava todo mundo Nhem, nhem, nhem Pois o samba está animado Mas agora ninguém chora mais Não volta ninguém E o que eu quero é sambar Este samba Mas pois o menino voltou Menina bonita que foi para o mar Que é misto de maracatu Voltou homem, voltou doutor Menina bonita que foi para o mar É samba de preto velho Menino que é bom não cai Dorme, meu bem Samba de preto tu Pois já nasceu com a estrela Que você também é Iemanjá Mas, que nada E sempre a mente sã Dorme, meu bem Um samba como esse tão legal Menino que é bom não cai Que você também é Iemanjá Você não vai querer Pois é protegido de Iansã Que eu chegue no final Chorava todo mundo Mas agora ninguém chora mais Chora mais, chora mais
  • Telefone Falsa Baiana Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Os Cariocas) Plém plém plém plém plém plém plém plém plém Geraldo Pereira Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Wilson Simonal) Plém plém Ocupado pela décima vez Baiana que entra no samba e só fica parada Plém plém Não samba, não dança, não bole nem nada Telefono e não consigo falar Não sabe deixar a mocidade louca Plém plém Baiana é aquela que entra no samba de qualquer Estou ouvindo há muito mais de um mês maneira Plém plém Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras Já começa quando eu penso discar Deixando a moçada com água na boca Eu já estou desconfiado A falsa baiana quando entra no samba Que ela deu meu telefone prá mim Ninguém se incomoda, ninguém bate palma Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba Plém plém Salve a Bahia, senhor E dizer que a vida inteira esperei Mas a gente gosta quando uma baiana Plém plém Somewhere Samba direitinho, de cima embaixo Que dei duro e me matei prá encontrar Revira os olhinhos dizendo Plém plém Eu sou fiilha de São Salvador Toda a lista quase que eu decorei Plém plém Dia e noite não parei de discar Stephen Sondheim/Leonard Bernstein Elis no Fino da Bossa 1965-1967 E só vendo com que jeito Theres a place for usEu só queria saber Pedia prá eu ligar Plém plém plém plém Somewhere a place for us Não entendo mais nada Peace and quiet and open air Prá que é que eu fui topar? Wait for us Miriam Ribeiro/Vera Brasil Somewhere 17 Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Claudete soares) Trimm trimm Não me diga que agora atendeu Theres a time for us Eu só queria ser Será que eu… eu consegui? Agora encontrar? Some day a time for us Um só dos teus anseios O moço atendeu… alô! Time together and time to spare Eu só queria ser Time to look, time to care Um só dos teus momentos Someday Eu só queria ser Somewhere Dentro de ti Well find a new way of living Se acaso você chegasse A brisa que passou Well find theres a way of forgiving Uma canção me trouxe Somewhere A brisa que passou Passou e não me trouxe Felisberto Martins/Lupicínio Rodrigues Theres a place for us O sol de um meigo olhar Elis no Fino da Bossa 1965-1967 (Com Elza Soares e Jair Rodrigues) A time and place for us Na escuridão Hold my hand and were halfway there Se acaso você chegasse Hold my hand and Ill take you there Só nesta solidão No meu chatô e encontrasse Somehow Sofre o meu coração Aquela mulher Someday Cativo da canção que passou Que você gostou Somewhere Será que tinha coragem Eu só queria ser De trocar nossa amizade Theres a place for us Um só dos teus anseios Por ela que já Hold my hand and were halfway there Eu só queria ser Lhe abandonou? Hold my hand and Ill take you there Um só dos teus momentos Somehow Eu só queria ser Eu falo porque essa dona Someday Dentro de ti Já mora no meu barraco Somewhere À beira de um regato E um bosque em flor De dia me lava a roupa De noite me beija a boca E assim nós vamos Vivendo de amor
  • Zambi Edu Lobo/Vinícius de Morais O fino do fino – 1965 É Zambi no açoite, ei, ei é Zambi... É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi... É Zambi na noite, ei, ei, é Zambi... É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi... Chega de sofrer... Eh! Zambi gritou. Sangue a correr é a mesma cor É o mesmo adeus e a mesma dor. É Zambi se armando, ei, ei é Zambi... É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi... É Zambi lutando, ei, ei, é Zambi... É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi...18 Chega de viver na escravidão. É o mesmo céu. O mesmo chão. O mesmo amor. Mesma paixão. Ganga-Zumba ei, ei, ei, vai fugir... Vai lutar tui, tui, tui, tui, com Zambi... E Zambi gritou ei, ei, meu irmão... Mesmo céu, tui, tui, tui, tui, mesmo chão. Vem filho meu, meu capitão. Ganga-Zumba... Liberdade! Liberdade! Ganga-Zumba vem meu irmão. É Zambi lutando, é lutador. Faca cortando, talho sem dor. É o mesmo sangue e a mesma dor. É Zambi morrendo, ei, ei é Zambi... É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi... Ganga-Zumba, ei, ei, vem aí... Ganga-Zumba, tui, tui, tui, tui, é Zambi...
  • Esse mundo é meu Sergio Ricardo/Ruy Guerra O fino do Fino – 1965 Elis no Fino da Bossa 1965-1967 Té o sol raiar (Tempo feliz) Baden Powell/Vinícius de Morais Esse mundo é meu O fino do Fino – 1965 Esse mundo é meu Feliz o tempo que passou, passou Tempo tão cheio de recordações Fui escravo no reino e sou Tantas canções ele deixou,deixou Escravo no mundo em que estou Trazendo paz a tantos corações Mas acorrentado ninguém pode amar Que sons mais lindos tinha pelo ar Saravá, Ogum, mandinga prá gente continua Quanta alegria de viver Cade o despacho pra acabá Ah, meu amor, que tristeza me dá Santo guerrero da floresta Vendo o dia querendo amanhecer Se você nao vem eu mesma vou brigá E ninguem cantar Se voce nao vem eu mesma vou brigá Resolução Mas meu bem Escravo do reino e sou Deixa estar Escravo do mundo em que estou Tempo vai, tempo vem Mas acorrentado ninguém pode amar E quando um dia esse tempo voltar Edu Lobo/Lula Freire Eu nem quero pensar o que vai ser Saravá, Ogum, mandinga prá gente continua O fino do Fino – 1965 Até o sol raiar Cade o despacho pra acabá Samba eu canto assim – 1965 Santo guerrero da floresta Se você nao vem eu mesma vou brigá Se voce nao vem eu mesma vou ficar É, vou contar o que há. É tempo de dizer quem sou Sim. Eu cansei de lutar E agora quero descansar 19Canção do amanhecer Tanto eu esperei para vencer E agora vejo que perder Nada mais é do que cansar Edu Lobo/Vinícius de Morais O fino do fino – 1965 Eu cansei e perdi Em tanta coisa acreditei Ouve Se ninguém viu o que eu vi Fecha os olhos, meu amor Ninguém sabe mais do que eu sei É noite ainda Que silêncio! Mas se a esperança vai me deixar E nós dois E nem mais vou saber chorar Na tristeza de depois Nem sorrir sem amor para dar A contemplar O grande céu do adeus Não. É preciso não morrer Ah! É preciso decidir de uma vez Não existe paz O que é pra fazer Quando o adeus existe E é tão triste o nosso amor Ou viver ou morrer Ah! Vem comigo Há tanto para se fazer Em silêncio Ou viver ou morrer Vem olhar Há tanto para se fazer Esta noite amanhecer Iluminar Todas as canções que eu já cantei Os nossos passos tão sozinhos Agora tem de me valer Todos os caminhos E me fazer acreditar Todos os carinhos Vem raiando a madrugada Que é preciso viver Música no céu! E o resto é só deixar pra lá E, mesmo só, vou seguir E nada me fará mudar
  • Chegança Amor demais Edu Lobo/Oduvaldo Vianna Filho Silvio César/Ed Lincoln O fino do Fino – 1965 O fino do Fino – 1965 Estamos chegando daqui e dali A canção é o lamento do amor demais E de todo lugar que se tem pra partir Quem chorou Estamos chegando daqui e dali Quem sofreu Maria do Maranhão E de todo lugar que se tem pra partir Quem perdeu a paz Trazendo na chegança Venho dizer Foice velha, mulher nova Na canção E uma quadra de esperança O que chorou Carlos Lyra/Nelson L. de Barros E uma quadra de esperança Seu coração Samba eu canto assim – 1965 Ah, se viver fosse chegar Vem Maria, pobre Maria Ah, se viver fosse chegar A noite é linda Maria do Maranhão Vem cantar Que vive por onde anda Chegar sem parar, parar pra casar E anda de pé no chão Casar e os filhos espalhar Vem Por um mundo num tal de rodar Toda tristeza Maria desceu escada Por um mundo num tal de rodar Vai passar Atravessou o país Procurava muito pouco Só assim tu terás Muito pouco ser feliz Amor sem fim Amor demais Nem feliz queria ser maior Por um amor Que feliz não pode ser Quem anda pelas estradas Atravessando o país Maria, pobre Maria Maria do Maranhão Que vive por onde anda Francis Hime/Ruy Guerra João Valentão é brigão E anda de pé no chão20 Samba eu canto assim – 1965 Pra dar bofetão Vim, eu vim te dizer Não presta atenção e nem pensa na vida Maria seguiu estrada Eu vim te lembrar A todos João intimida A estrada de uma estrela Que a vida não é só tristeza e dor Faz coisas que até Deus duvida Maria não viu a estrela Mas tem seu momento na vida Maria é só na estrada Sou sem paz É pobre quem tem medo de falar O mundo que quer É quando o sol vai quebrando Mas muita gente seguiu E depois não dá o amor que guardou Lá pro fim do mundo pra noite chegar A estrela que ela não viu É quando se ouve mais forte E vai dizer pra maria Sim, eu vim te dizer O ronco das ondas na beira do mar Que tudo tem solução Adilson Godoy Samba eu canto assim – 1965 Eu vim te falar É quando o cansaço da lida da vida Que o amor pra ser bom Obriga João descansar Até mesmo pra Maria Tento em mim seu amor Pra não ser qualquer É quando a morena se enrosca Maria do Maranhão Nasceu como uma flor cantando bem Precisa gritar a força que tem Do lado da gente Que vive por onde anda E ninguém jamais amou assim De tudo mudar Querendo agradar E anda de pé no chão Nunca assim Vem, meu amor Se a noite é de lua Sofro sem tudo em mim Vem, que amar é vencer A vontade é de contar mentira É só tristeza e dor Mas amar é também É de se espreguiçar É só você e a felicidade que se foi É de se deitar na areia da praia Que se foi Gente que vai e vem Que acaba onde a vista Gente que também quer Não pode alcançar Você fugiu de mim Ver este mundo melhor E assim adormece esse homem E triste, amor, eu canto assim Que nunca precisa dormir pra sonhar E a saudade em mim Que o povo é assim Porque não há sonho mais lindo E dá o que tem Do que sua terra, não há Volte então, sou sem paz É o povo que faz Com o seu amor e a felicidade que virá João Valentão A vida maior Dorival Caymmi Que virá Samba eu canto assim – 1965
  • Consolação/Berimbau/Tem dó Baden Powell/Vinícius de Morais Samba eu canto assim – 1965 Saveiros Se não tivesse o amor Se não tivesse essa dor E se não tivesse o sofrer E se não tivesse o chorar Dory Caymmi/Nelson Motta … Compacto duplo – 1966 Capoeira me mandou Nem bem a noite terminouEternidade Dizer que já chegou Vão os saveiros para o mar Chegou para lutar Levam no dia que amanhece As mesmas esperanças Berimbau me confirmou Do dia que passouLuiz Chaves/Adilson Godoy Vai ter briga de amor Quantos partiram de manhãSamba eu canto assim – 1965 Tristeza camará Quem sabe quantos vão voltar Só quando o sol descansar,Se ele é mais que céu … E se os ventos deixarem,É mais que luz Os barcos vão voltarÉ mais que amor Ah! Tem dó Quantas histórias pra contar Quem viveu junto não pode nunca viver só E em cada vela que apareceSinto o infinito Ah! Tem dó Um canto de alegriaDa paz que vem Mesmo porque você não vai ter coisa melhor De quem venceu no marNascendo em mimE sinto, enfim Não me venha achar ruimQue é mais que tudo Porque você me conheceu assim AleluiaÉ mais que o mundo Me diga agora, ora, oraMe ensinou Não foi assim que você gamou?Paz que eu tanto amei, chorando Você sabe muito bem Edu Lobo/Ruy GuerraNão, não se vá Que mesmosendo louca, assim Samba eu canto assim – 1965Nossa eternidade Gamei também 21 Elis no Fino da Bossa – 1994 (Com Edu Lobo)Que sempre sonhei Me diga agora, ora, oraNasceu no que sou Será que alguém não foi quem mudou? Barco deitado na areia Não dá pra viver, não dáSim, é mais que tudo Lua bonita sozinha Não faz o amor, não faz Último cantoÉ mais que o mundoMe ensinou Toma decisão, aleluia! Que um dia o céu vai mudar Francis Hime/Ruy Guerra Quem viveu a vida da gente Samba eu canto assim – 1965 Tem que se arriscar Vou acender uma vela Amanhã é teu dia Vou só cantar o meu canto Amanhã é teu mar, teu mar E vou cantar da maneira E se o vento da terra A mais singela Que traz teu amor, já vem E só depois Toma decisão, aleluia! Vou te esquecer Lança o teu saveiro no mar E só depois Beabá de pesca é coragem Vou te esquecer Ganha o teu lugar Vou acender uma vela Mesmo com a morte esperando Vou só chorar o meu pranto Eu me largo pro mar, eu vou E vou chorar da maneira Tudo o que sei é viver A mais singela E vivendo é que eu vou morrer E só depois Toma decisão, tá na hora! Quero esquecer Que um dia o céu vai mudar Quem não tem mais nada a perder Quando um amor acaba em pranto Só vai poder ganhar É o mesmo que alguém morrer Vou acender esta vela Que é por mim e é por ela
  • Ensaio geral Gilberto Gil Jogo de roda Compacto duplo – 1966 O Rancho do Novo Dia O Cordão da Liberdade Edu Lobo/Ruy Guerra E o Bloco da Mocidade Compacto duplo – 1966 Vão sair no carnaval É preciso ir à rua É ô lê, é hora Esperar pela passagem É ô lê, de roda É preciso ter coragem E aplaudir o pessoal Jogo a vida O Rancho do Novo Dia Jogo a tarde Vem com mais de mil pastoras Jogo a faca e a razão Todas elas detentoras Jogo o mundo à sua sorte De um sorriso sem igual E a mentira eu jogo ao chão O Cordão da Liberdade Canto triste Ensaiado com carinho A roda vai rodar Pelo Zé Redemoinho E eu jogo o meu amor então Pelo Chico Vendaval E se eu puder Oh, que linda fantasia Entro na roda e vou rodar também Edu Lobo/Vinícius de Morais Do Bloco da Mocidade Compacto duplo – 1966 Colorida de ousadia Gira a roda Costurada de amizade Porque sempre foste a primavera em minha vida Roda o tempo Vai ser lindo ver o bloco Volta pra mim Nasce um samba em minha mão Desfilar pela cidade Desponta novamente no meu canto Olho a praia Minha gente, vamos lá Eu te amo tanto mais, te quero tanto mais Chamo o vento Nossa turma vai sair Há quanto tempo faz partiste Abro os braços e a canção Nossa escola vai sambar Como a primavera que também te viu partir Vai cantar pra gente ouvir Sem um adeus sequer Eu sei aonde estou Tá na hora, vamos lá E nada existe mais em minha vida E sei onde é que eu quero ir Carnaval é pra valer E quem quiser22 Como um carinho teu, como um silêncio teu Nossa turma é da verdade Lembro um sorriso teu tão triste Entre na roda e vá rodar também E a verdade vai vencer Ah, Lua sem compaixão, sempre a vagar no céu Onde se esconde a minha bem-amada Ó, meu amor Onde a minha namorada O mundo assim não pode ser Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço É só tristeza e noite pra se ver Peço apenas Sozinha estou num mundo Rosa morena Que ela lembre as nossas horas de poesia Em que o mal é rei Das noites de paixão Mas o meu canto vem fora de lei E diz-lhe da saudade em que me viste Que estou sozinho e só existe Ó, meu amor Meu canto triste Vem prá perto de mim cantar Dorival Caymmi/Antônio de Almeida Compacto simples – 1966 Na solidão Que nessa roda a dor vai se entregar A minha voz é fraca Rosa morena Mas em meu olhar Onde vais morena rosa O novo mundo roda sem parar Com essa rosa no cabelo Sem parar E esse andar de moça prosa Sem parar Morena, morena rosa A rodar A rodar Rosa morena o samba está esperando A rodar Esperando p’rá te ver Deixa de lado essa coisa de dengosa E assim tenho um norte Anda rosa, vem me ver Tenho a vida Tenho um samba de cordão Deixa de lado essa pose Tenho a noite já vencida Vem pro samba, vem sambar Na palma de minha mão Que o pessoal está cansado de esperar Meu samba já chegou Tanta tristeza quer também E o teu amor Samba na roda do meu coração
  • Canto de Ossanha Baden Powell/Vinícius de Morais Compacto simples – 1966 Dois na bossa 2 – 1966 Elis, como e porque – 1969 Aquarela do Brasil – 1969 O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi já não quis O homem que diz "sou" não é, porque quem é mesmo é "não sou" O homem que diz "tô" não tá, porque ninguém tá quando quer Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai... não vou! Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer 23 a tristeza de um amor que passou Não , eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amorAmigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer Se é canto de Ossanha, não vá, que muito vai se arrepender Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer Vai, vai, vai, vai, amar sofrer Vai, vai, vai, Vai, vai, vai, vai, chorar dizer Vai, vai, vai, due eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer a tristeza de um amor que passou Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amor
  • Poutpourri de Louvação introdução SAMBA DE MUDAR Gilberto Gil/Torquato Neto (Geraldo Vandré) Dois na bossa 2 – 1966 (Com Jair Rodrigues) Samba eu canto assim Samba eu faço asism Vou fazer a louvação Louvação, louvação Só quem sofreu Do que deve ser louvado Quem chorou Ser louvado, ser louvado Dois na bossa 2 – 1966 (Com Jair Rodrigues) Meu samba vai ouvir Meu povo, preste atenção Meu samba vai cantar Atenção, atenção Repare se estou errado SAMBA DE MUDAR Só na tristeza e na dor (Geraldo Vandré) Alguém pode entender Louvando o que bem merece, deixo o que é ruim de lado. Que a dor vai se acabar Só quem sofreu E assim somente Quem chorou E louvo, pra começar, da vida o que é bem maior. Meu samba vai ouvir Louvo a esperança da gente na vida, pra ser melhor. Meu samba vai cantar Quem espera sempre alcança. Três vezes salve a esperança! NÃO ME DIGA ADEUS (Paquito/L. Soberano/J. C. Silva) Só na tristeza e na dor Louvo quem espera sabendo que pra melhor esperar. Não Alguém pode entender Procede bem quem não pára de sempre mais trabalhar. Não me diga adeus Que a dor vai se acabar Que só espera sentado quem se acha conformado. Pense nos sofrimentos meus E assim somente Vou fazendo a louvação VOLTA POR CIMA ENQUANTO A TRISTEZA NÃO VEM Louvação, louvação Do que deve ser louvado (Paulo Vanzolini) (Sérgio Ricardo) Ser louvado, ser louvado Ali onde eu chorei Por isso canta, canta Quem tiver me escutando Qualquer um chorava Nasceu uma rosa na favela Atenção, atenção Dar a volta por cima que eu dei Canta, canta Que me escute com cuidado Quero ver quem dava Nasceu uma rosa na favela Louvando o que bem merece, deixo o que é ruim de lado. O NEGUINHO E A SENHORITA CARNAVAL24 (Noel Rosa/A. da Silva) Louvo agora e louvo sempre o que grande sempre é. (D. Ferreira/Ataulfo Alves) Louvo a força do homem e a beleza da mulher. Eu gostei da filha da madame Lê lê lê Louvo a paz pra haver na terra. Louvo o amor que espanta a guerra. Que nós tratamos de sinhá A rainha do samba chegou Lê lê lê Louvo a amizade do amigo que comigo há de morrer. A sinhazinha também gostou do neguinho O batuque do nêgo enfezou Louvo a vida merecida de quem morre pra viver. O crioulinho não tem dinheiro pra gastar Louvo a luta repetida. A vida pra não morrer. NA GINGA DO SAMBA Mas a madame tem preconceito de cor (Ataulfo Alves) Vou fazendo a louvação Louvação, louvação E DAÍ É na ginga bonita que o samba tem Do que deve ser louvado (Miguel Gustavo) Quem não tem ginga, no samba não se dá bem Ser louvado, ser louvado De todos peço atenção Proibiram que eu te amasse GUARDA A SANDÁLIA DELA Atenção, atenção Proibiram que eu te visse (Sereno/Germano Mathias) Falo de peito lavado Proibiram que eu saisse E perguntasse a alguém por ti Guarda a sandália dela Louvando o que bem merece, deixo o que é ruim de lado. Que o samba sem ela não pode ficar Proibiram tudo Diga também pra ela Louvo a casa onde se mora de junto da companheira. Proibam muito mais! Que a escola sem ela não pode sambar Louvo o jardim que se planta pra ver crescer a roseira. Preguem avisos! Louvo a canção que se canta prá chamar a primavera. Fechem portas! SAMBA DE MUDAR Ponham guizos! (Geraldo Vandré) Louvo quem canta e não canta, porque não sabe cantar. Nosso amor perguntará, Mas que cantará na certa quando enfim se apresentar. E daí? Porque o samba é o samba bom O dia certo e preciso de toda a gente cantar. O samba é meu Da nossa dor E assim fiz a louvação É um samba de sofrer Louvação, louvação Samba de querer Do que vi pra ser louvado Samba de... Ser louvado, ser louvado Samba de mudar Se me ouviram com atenção Atenção, atenção Saberão se estive errado Louvando o que bem merece. Deixando o ruim de lado.
  • Amor até o fim Upa, neguinho Gilberto Gil Dois na bossa 2 – 1966 Montreaux Jazz Festival – 1982 Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri Amor não tem que se acabar Dois na bossa 2 – 1966 Eu quero e sei que vou ficar Compacto simples – 1968 Elis especial – 1968 Até o fim eu vou te amar Elis Regina in London – 1969 Até que a vida em mim resolva se apagar Montreaux Jazz Festival – 1982 O amor é como a rosa num jardim Upa, neguinho na estrada A gente cuida, a gente olha Upa, pra lá e pra cá A gente deixa o sol bater Virge, que coisa mais linda! Pra crescer, pra crescer Upa, neguinho começando a andá Começando a andá, começando a andá A rosa do amor tem sempre que crescer A rosa do amor não vai despetalar E já começa a apanhá Pra quem cuida bem da rosa Pra quem sabe cultivar Cresce, neguinho e me abraça Cresce e me ensina a cantá Amor não tem que se acabar Eu vim de tanta desgraça Até o fim da minha vida eu vou te amar Mas muito te posso ensiná Eu sei que o amor não tem, não tem que se apagar Até o fim da minha vida eu vou te amar Capoeira, posso ensiná Eu sei que o amor não tem que se apagar Ziquizira, posso tirá Valentia, posso emprestáTristeza que Mas liberdade só posso esperá Pra dizer adeus Patá tá tri se foi Tri tri tri Trá trá trá 25 Adilson Godoy Samba Dois na bossa 2 – 1966 Edu Lobo/Torquato Neto Elis – 1966 Toda tristeza já passou Elis no Fino da Bossa 1965-1967 em E agora um novo amor vem surgindo Adeus Sorrindo Vou pra não voltar paz E onde quer que eu váPor isso bem feliz eu sei que Sei que vou sozinha Toda tristeza já passou E que agora um novo amor Tão sozinha amor Vem surgindo Nem é bom pensar Sorrindo Que eu não volto mais Desse meu caminho Por isso vou Caetano Veloso Vou cantando agora Elis – 1966 Ah, pena eu não saber Vou levando agora Como te contar A beleza de um novo amor O samba vai vencer Que o amor foi tanto Que me nasceu Quando o povo perceber E no entanto eu queria dizer Que é o dono da jogada Vou cantando agora Vem Vou levando agora O samba vai crescer Eu só sei dizer Felicidade só Pelas ruas vai correr Vem Uma grande batucada Nem que seja só Prá dizer adeus Samba não vai chorar mais Toda gente vai cantar O mundo vai mudar E o povo vai cantar Um grande samba em paz
  • Meu povo, preste atenção Na roda que eu te fiz Quero mostrar a quem vem Aquilo que o povo diz Posso falar, pois eu sei Eu tiro os outros por mim Quando almoço, não janto E quando canto é assim Agora vou divertir Agora vou começar Quero ver quem vai sair Quero ver quem vai ficar Não é obrigado a me ouvir Quem não quiser escutar Quem tem dinheiro no mundo Quanto mais tem, quer ganhar E a gente que não tem nada Lunik 9 Gilberto Gil Elis – 1966 Fica pior do que está Elis no Fino da Bossa 1965-1967 Seu moço, tenha vergonha Acabe a descaração Poetas, seresteiros, namorados, correi Deixe o dinheiro do pobre É chegada a hora de escrever e cantar Roda E roube outro ladrão Talvez as derradeiras noites de luar Agora vou divertir Momento histórico, simples resultado do desenvolvimento da ciência viva Agora vou prosseguir Quero ver quem vai ficar Afirmação do homem normal, gradativa sobre o universo natural Quero ver quem vai sair Sei lá que mais Não é obrigado a escutar Quem não quiser me ouvir Ah, sim! Os místicos também profetizando em tudo o fim do mundo Se morre o rico e o pobre E em tudo o início dos tempos do além Enterre o rico e eu Em cada consciência, em todos os confins Quero ver quem que separa Da nova guerra ouvem-se os clarins O pó do rico do meu Se lá embaixo há igualdade Aqui em cima há de haver Guerra diferente das tradicionais, Quem quer ser mais do que é Guerra de astronautas nos espaços siderais Um dia há de sofrer E tudo isso em meio às discussões,26 já! Muitos palpites, mil opiniões Agora vou divertir Um fato só já existe que ninguém pode negar 1... Gilberto Gil/João Augusto Agora vou prosseguir 3... 2... Elis – 1966 Quero ver quem vai ficar Quero ver quem vai sair 5... 4... Não é obrigado a escutar Quem não quiser me ouvir 7... 6.. Seu moço, tenha cuidado Com sua exploração E lá se foi o homem conquistar os mundos, lá se foi Se não lhe dou de presente Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi A sua cova no chão Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão: Quero ver quem vai dizer Quero ver quem vai mentir A lua foi alcançada afinal, Quero ver quem vai negar Muito bem, confesso que estou contente também Aquilo que eu disse aqui Agora vou divertir A mim me resta disso tudo uma tristeza só Agora vou terminar Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção Quero ver quem vai sair O que será do verso sem luar? Quero ver quem vai ficar O que será do mar, da flor, do violão? Não é obrigado a me ouvir Tenho pensado tanto, mas nem sei Quem não quiser escutar Poetas, seresteiros, namorados, correi Agora vou terminar É chegada a hora de escrever e cantar Agora vou discorrer Quem sabe tudo e diz logo Talvez as derradeiras noites de luar Fica sem nada a dizer Quero ver quem vai voltar Quero ver quem vai fugir Quero ver quem vai ficar Quero ver quem vai trair Por isso eu fecho essa roda A roda que eu te fiz A roda que é do povo Onde se diz o que diz... Onde se diz o que diz...
  • Veleiro Edu Lobo/Torquato neto Elis – 1966 Ê... ô... tá na hora e no tempo Vamos lá que esse vento traz Recado de partir Beira de praia Não faz mal que se deixe Boa palavra Se o caminho da gente vai pro mar Caetano Veloso Elis – 1966 Eu vou, tanta praia deixando Sem saber até quando eu vou Aprendeu sozinho Quando eu vou,quando eu volto Na areia, no chão A brincar sozinho Estatuinha Eu vou pra terra distante Sem a mão de um irmão Não tem mar que me espante Não tem, não Aprendeu com o vento Que o sono passou Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri Anda, vem comigo que é tempo E acordou sozinho Elis – 1966 Vem depressa que eu tenho No solo sem amor Braço forte e o rumo certo Se a mão livre do negro tocar na argila Tava dormindo, acordei O que é que vai nascer? Aqui o dia está perto Para acertar o namoro E é preciso ir embora Me deram o que de beber Vai nascer pote pra gente beber Ah! vem comigo nesse veleiro Numa caneca de ouro Nasce panela pra gente comer Nasce vazinho, nasce parede Tá na hora e no tempo, ê... ô... Não lhe deram nada Nasce estatuinha bonita de se ver Vamos embora no vento ê... ô... Não é seu este chão Deita olhando o céu Se a mão livre do negro tocar na onça Que o céu não tem dono, não O que é que vai nascer? 27 Como um passarinho Sonho de MariaVai nascer pele pra cobrir nossas vergonhas Aprende a voar Nasce tapete pra cobrir o nosso chão Solta o pensamento Nasce caminha pra se ter nossa ialê Num braço de mar Nasce atabaque pra se ter onde bater Marcos Valle/Paulo Sergio Valle Elis – 1966 Voou pra beira do rio Se a mão liver do negro tocar na palmeira Pousou num poço dourado O que é que vai nascer? Tanta roupa pra lavar Moça com seu namorado Tanto barraco pra arrumar Rico com seu empregado Nasce choupana prá gente morar Tanta coisa pra esperar Nasce rede pra gente se embalar Aprendeu sozinho Nasce esteira pra gente se deitar Todo o morro a sambar Deitado no chão Nasce os abanos pra gente abanar Tanta gente pra invejar A esperar sozinho Nenhum sonho pra sonhar Tempo de encontrar irmão Maria parou de trabalhar Inda a madrugada No ar uma voz chamou Espera nascer Maria olhou o céu Não lhe deram nada Maria desejou o céu Mas não quer morrer A vida é uma canção para se cantar Boa palavra, rapaz Mas é tarde pra voltar Boa palavra, rapaz Maria deixou a criança chorar Boa palavra, rapaz Uma estrela deixou de brilhar É assim que um homem faz Chorou. Chorou o céu. Chorou E a lágrima do céu apagou Tudo o que maria deixou E maria pra sempre acabou
  • Tem mais samba Chico Buarque Elis – 1966 Tereza sabe sambar Tem mais samba no encontro que na espera Tem mais samba a maldade que a ferida Tem mais samba no porto que na vela Tem mais samba o perdão que a despedida Francis Hime/Vinícius de Morais Tem mais samba nas mãos do que nos olhos Elis – 1966 Tem mais samba no chão do que na lua Tem mais samba no homem que trabalha Chegou, chegou, sim senhor Tem mais samba no som que vem da rua Chegou sem anunciar Fez um alô pro tiô Tem mais samba no peito de quem chora Fez um olá pra tiá Tem mais samba no pranto de quem vê Depois dançou e dançou Que o bom samba não tem lugar nem hora Até o dia raiar O coração de fora samba sem querer E não contente enturmou Com as cabrochas de lá Vem que passa teu sofrer E não contente enturmou Canção do sal Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver Com as cabrochas de lá Salve, salve a Dona Tereza Ela vai pro céu Ela tem aquela nobreza Que tinha Izabel Carinhoso Milton Nascimento Elis – 1966 Compacto simples – 1968 Branquinha igual assim não pode existir Balanço igual eu juro que nunca vi Trabalhando o sal No carnaval nós vamos nos divertir A turma tá que tá que não cabe em si É amor, o suor que me sai Pixinguinha/João de Barro Elis – 196628 Vou viver cantando Porque Tereza enturmou Meu coração Não sei porque O dia tão quente que faz Depois foi-se embora Tereza Homem ver criança Foi como um luar Bate feliz, quando te vê Foi deixando tanta tristeza Buscando conchinhas no mar E os meus olhos ficam sorrindo Na turma de lá E pelas ruas vão te seguindo Mas mesmo assim, foges de mim Trabalho o dia inteiro A gafieira já fez “subiscrição” Ah! Se tu soubesses Pra vida de gente levar Pra passar cera e dar uma caiação Como sou tão carinhoso A turma tá que tá que não sai de lá E muito e muito que te quero E como é sincero o meu amor Água vira sal lá na salina Tereza um dia pode querer voltar Eu sei que tu não fugirias mais de mim Quem diminuiu água do mar? Porque Tereza enturmou Água enfrenta o sol lá na salina Porque Tereza enturmou Vem!.. vem!... vem!.... vem!... Voltou, voltou sim senhor Sol que vai queimando até queimar Voltou sem anunciar Vem sentir o calor Fez um alô pro tiô Dos lábios meus Fez um olá pra tiá À procura dos teus Trabalhando o sal Tereza é branca na cor Mas isso diexa pra lá Vem matar esta paixão Que me devora o coração Pra ver a mulher se vestir Porque Tereza enturmou E só assim então E ao chegar em casa Porque ela sabe sambar Serei feliz, bem feliz Tereza sabe sambar Encontrar a família a sorrir Tereza sabe sambar Filho vir da escola Problema maior é o de estudar Que pra não ter meu trabalho E vida de gente levar
  • ImagemCanção de não cantar Luiz Eça/Ronaldo Bôscoli Dois na Bossa 3 – 1967 Cantador Sérgio Bittencourt Bom Festival dos festivais – 1966 Ai, que bom é ver vocês Guardo o meu violão. E cada vez que eu volto Dory Caymmi/Nelson Motta Já nos faltam canções. Festival da Música Popular Brasileira Volume 2 – 1967 É para dizer São muitas as razões, Que sem ter vocês que temos pra cantar, Amanhece, preciso ir Sem ver vocês mas hoje, amor, melhor Meu caminho é sem volta e sem ninguém Eu vou pra onde a estrada levar Não sou ninguém é não cantar, enquanto houver em nós Cantador, só sei cantar vontade de fugir de um canto Canta que na voz não vai saber mentir.Ah! eu canto a dor Que a vida passa Canto a vida e a morte E, se ela passa Meu canto para ser um canto certo, Canto o amor Melhor cantar vai ter que nascer liberto e morar no assobio Cantador não escolhe o seu cantar É de vocês do ocupado e do vadio Canta o mundo que vê O meu cantar do alegre e do mais triste E pro mundo que vi meu canto é dor só há canto quando existe Mas é forte pra espantar a morte É só pra vocês muito tempo e muito espaço Prá todos ouvirem minha voz Nosso cantar pra canção ficar se eu passo Mesmo longe e dizer o que eu não disse. Enquanto a nossa meta não for atingida, Ah que bom se eu ouvisse De que servem meu canto e eu continuamos gritando o nosso canto. o meu canto por ai. Se em meu peito há um amor que não morreu Ah! se eu soubesse ao menos chorar Enquanto nossa música não voltar ao que é, nós lutamos. Por isso o violão Cantador, só sei cantar Faz escuro, mas nós cantamos. prefere emudecer. E vem pedir perdão Ah! Eu canto a dor O amanhã está breve. por não poder cantar De uma vida perdida sem amor Vamos cantar, logo logo, o que é nosso. 29 que hoje, amor, melhor Porque, mais que nunca, é preciso cantar o que é nosso. é não cantar.MANGUEIRA MUNDO DE ZINCO DESPEDIDA DA MANGUEIRA(Assis Valente/Zequinha Reis) (Nássara/Wilson Batista) (Aldo Cabral/Bendito Lacerda)Nao há, nem pode haver Aquele mundo de Zinco que é Mangueira Em Mangueira na hora da minha despedidaComo Magueira não há Desperta com o apito do trem Todo mundo chorou, todo mundo chorouO samba vem de lá, alegria também Uma cabrocha e uma esteira Foi pra mim a maior emoção da minha vidaMorena faceira só Mangueira tem Um barracão de madeira pois em Mangueira o meu coracao ficou Qualquer malandro em Mangueira temFALA, MANGUEIRA! PRA MACHUCAR MEU CORAÇÃO(Mirabeau/Milton de Oliveira) Mangueira fica pertinho do céu, Elis (Ary Barroso) Mangueira vai assistir o meu fimFala, Mangueira, fala E deixa o nome na história Ficou pra machucar meu coracao!Mostra a força da tua tradição O samba foi minha glóriaCom licença da Portela, Pout-pourri Eu sei que muitas cabrochasFavela Mangueira mora no meu coração Vão chorar por mim MangueiraEXALTACÃO À MANGUEIRA de(Enéas Brites da silva/Aloisio A. Costa) LEVANTA MANGUEIRA (Luiz Antonio)Mangueira teu cenário é uma belezaQua a natureza criou, ô ô Levanta, Mangueira, a poeira do chãoO morro com seus barracões de zinco Samba de coraçãoQuando amanhece, que esplendor! Ai, mostra a sandália de prata da mulata Dois na Bossa 3 – 1967 (Com Jair Rodrigues)Todo mundo te conhece ao longe Acorda a cuíca e o tamborimPelo som do teu tamborim Mostra que o samba nasceu em Mangueira,simE o rufar do teu tambor Levanta Mangueira, a poeira do chãoChegou ô ô a Mangueira, chegou! Samba de coração
  • Cruz de cinza, cruz de sal Manifesto zinho Rocha Walter Santos/Teresa Souza Dois na Bossa 3 – 1967 Compacto simples – 1968 Marcha de Guto/Mario Dois na Bossa 3 – 1967 Santa Clara clareai, quarta-feira de cinzas mensagem Carlos Lyra/Vinícius de Morais minha músi ca não traz fria São Domingo alumiai Dois na Bossa 3 – 1967 Vai chuva, vem sol A ou guerra chantagem E não faz Vai chuva, vem sol ia em ideolog E nem fala Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Sol, vem sol, vem sol, vem sol es falar as para lh Ninguém passa mais brincando feliz Eu vim apen De uma gra nde perda eita ou da esquerda Que o menino quer E nos corações Que nem se i se é da dir Brincar, brincar Saudades e cinzas foi o que restou nsura cort a Tanto que chamou rta se a ce Vem sol, vem sol Pelas ruas o que se vê Que me impo é vermelha Tudo que já fez to dela se É uma gente que nem se vê Pois eu gos Cruz de cinza, cruz de sal, a Que nem se sorri de e amarel Ou se é ver Casca de ovo no quintal Se beija e se abraça , amigo E sai caminhando companheiro camarada, Tudo que chamou Oh, Dançando e cantando cantigas de amor bora Ela foi em Vem sol, vem sol tigo E o pior que foi con Santa Clara clareai E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar Vem sol, vem sol de golpe i um gran Para mim fo É preciso cantar e alegrar a cidade E a trizteza do menino o de esta do ou armad Não sei se Ou talvez de coração São Domingo alumiai A tristeza que a gente tem o grande Vem sol, vem com tanto azul no céu Qualquer dia vai se acabar or foi muit Só sei diz er que a d sformou-se Pra criança se perder de tanto rir Todos vão sorrir Pro menino se alegrar e o céu cair teira tran Voltou a esperança ha vida in Nessa rua onde o brinquedo é só você. E min e agitação É o povo que dança Numa enorm Contente da vida, feliz a cantar andato Sol, vem sol, vem sol, vem sol ina meu m Porque são tantas coisas azuis Já que assim term deportado Que o menino quer E há tão grandes promessas de luz i cassado e Pois eu fu Brincar, brincar ocê Tanto amor para amar de que a gente nem sabe nge de v Pra bem lo Tanto que chamou30 e dizer Quem me dera viver pra ver inha amad a, quero lh Vem sol, vem sol E brincar outros carnavais Tudo que já fez Oh, m teu amor Que sem o Com a beleza dos velhos carnavais Eu posso até morrer Cruz de cinza, cruz de sal, Que marchas tão lindas Casca de ovo no quintal E o povo cantando seu canto de paz Seu canto de paz MINHA NAMORADA EU SEI QUE VOU TE AMAR A VOLTA MINHA NAMORADA (Carlos Lyra/Vinícius de Morais) (Tom Jobim/Vinícius de Morais) (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli) (Carlos Lyra/Vinícius de Morais) Meu amor eu hoje estou contente Eu sei que vou te amar Mas quero que você me fale Os seus olhos têm que ser Todo mundo, de repente, Por toda minha vida vou te amar Que você me cale só dos meus olhos Ficou lindo, ficou lindo de morrer Em cada despedida eu vou te amar Caso eu perguntar Os seus braços o meu ninho Desesperadamente eu sei que vou te amar Se o que a faz tão linda No silêncio de depois Hoje eu estou rindo E cada verso meu será Foi tua pressa de voltar E você tem que ser a estrela derradeira Nem eu mesma sei do quê Pra te dizer que eu sei que vou te amar Minha amiga e companheira Porque eu recebi Por toda minha vida Levanta e vem correndo No infinito de nós dois Uma cartinhazinha de você Me abraça e sem sofrer Que diz assim: MINHA NAMORADA Me beija longamente PRIMAVERA (Carlos Lyra/Vinícius de Morais) (Carlos Lyra/Vinícius de Morais) Se você quer ser minha namorada O quanto a solidão precisa para morrer? Oh, que linda namorada, Mas se em vez de minha namorada Amor, eu lhe direi Você poderia ser! Você quer ser minha amada Amor que eu tanto procurei Minha amada mais amada pra valer Ah, quem me dera eu pudesse ser Se quiser ser somente minha A tua primavera Pout-pourri romântico Exatamente essa coisinha Aquela amada E depois morrer Essa coisa toda minha Pelo amor predestinada De ninguém mais pode ser Sem a qual a vida é nada Sem a quel se quer morrer. Você tem que vir comigo em meu caminho E talvez o meu caminho seja triste pra você Dois na Bossa 3 – 1967 (Com Jair Rodrigues)
  • Yê-melê Samba da benção (Samba saravah) Chico Feitosa/Luiz Carlos Vinhas Compacto simples – 1968 Yê-melê ari ará Yê-melê ará Lapinha Ye-melê ari ará Baden Powell/Vinícius de Moraes/Vs. Pierre Barouh Compacto simples – 1968 Canto de Yemanjá Etre heureux cest plus ou moins ce quon cherche Zauê zaua Jaime rire chanter et je nempêche Melê Mela Pas les gens qui sont bien dêtre joyeux Indê olá Pourtant sil est une samba sans tristesse Onda do mar Cest un vin qui donne pas livresse Un vin qui ne donne pas livresse A rainha mãe do mar Non ce nest pas la samba que je veux Traz o seu amor Sua benção vem me dar Baden Powell/Paulo César Pinheiro Jen connais que la chanson incommode E eu dou uma flor Compacto simples – 1968 Dautres pour qui ce nest rien quune mode Quando eu morrer me enterre na Lapinha Dautres qui en profitent sans laimer Quando eu morrer me enterre na Lapinha Moi je laime et jai parcouru le monde Zauê zaua Calça, culote, palitó almofadinha En cherchant ses racines vagabondes Melê Mela Calça, culote, palitó almofadinha Cest la chanson de samba quil faut chanter Indê olá Onda do mar Vai, meu lamento vai contar On ma dit quelle venait de Bahia Toda tristeza de viver Quelle doit son rythme et sa poésie Algum dia vai chegar Ai, a verdade sempre trai À des siècles de danses et de douleur Que eu vou ouvir E às vezes traz um mal a mais Mais quel que soit le sentiment quelle exprime Esse canto de Yemanjá Ai, só me fez dilacerar Elle est blanche de forme et de rimes Vai do mar sair Ver tanta gente se entregar Blanche de forme et de rimes Mas não me conformei Elle est nègre bien nègre dans son coeur Zauê zaua Melê Mela Indo contra lei Sei que não me arrependi Mais quel que soit le sentiment quelle exprime Indê olá Tenho um pedido só Elle est blanche de forme et de rimes Onda do mar 31 Último talvez, antes de partir Blanche de forme et de rimes Elle est nègre bien nègre dans son coeur Quando eu morrer me enterre na LapinhaSamba do perdão Quando eu morrer me enterre na Lapinha Mais quel que soit le sentiment quelle exprime Calça, culote, palitó almofadinha Elle est blanche de forme et de rimes Calça, culote, palitó almofadinha Blanche de forme et de rimes Elle est nègre bien nègre dans son coeurBaden Powell/Paulo César Pinheiro Sai, minha mágoa Elle est nègre bien nègre dans son coeurElis especial – 1968 Sai de mim Há tanto coração ruimMais uma vez amor Ai, é tão desesperadorA dor chegou sem me dizer O amor perder do desamorAgora que existe a paixão Ah, tanto erro eu vi, luteiA hora não é de sofrer E como perdedor gritei Que eu sou um homem sóMas quem quer pedir perdão Sem saber mudarNão deixa a tristeza saber Nunca mais vou lastimarE no entando a tua falta Tenho um pedido sóVem vazar meu coração Último talvez, antes de partirMas a vida ensina a crer e a perdoar Quando eu morrer me enterre na LapinhaQuando um amor valer Quando eu morrer me enterre na LapinhaE o nosso é tão grande que já nem sei Calça, culote, palitó almofadinhaTenha pena das penas que eu penei Calça, culote, palitó almofadinhaNão despreze mais meu padecer Adeus Bahia, zum-zum-zumAfasta a melancolia e a solidão Cordão de ouroJá não cabem mais no meu violão Eu vou partir porque mataram meu besouroTanta mágoa, sim, que eu vou morrerSoluço eterno, pedir do coraçãoSó quem morre de amor pede perdão
  • Tributo ao Tom Jobim Tom Jobim Elis especial – 1968 De onde vens Bom tempo Dory Caymmi/Nelson Motta Chico Buarque VOU TE CONTAR (WAVE) Elis especial – 1968 Elis especial – 1968 Vou te contar Ah, quanta dor vejo em teus olhos Um marinheiro me contou Os olhos já não podem ver Tanto pranto em teu sorriso Q u e a b o a b r i s a l h e s o p ro u Coisas que só o coração pode entender Tão vazias as tuas mãos Que vem aí bom tempo De onde vens assim cansada Fundamental é mesmo o amor De que dor, de qual distância O pescador me confirmou É impossível ser feliz sozinho De que terras,de que mar Que um passarinho lhe cantou Que vem aí bom tempo OUTRA VEZ Só quem partiu pode voltar E eu voltei prá te contar Outra vez sem você Dou duro toda a semana Dos caminhos onde andei Outra vez sem amor Senão pergunte à Joana Fiz do riso amargo pranto Outra vez vou sofrer Que não me deixa mentir No olhar sempre teus olhos Vou chorar Mas, finalmente é domingo No peito aberto uma canção Até você voltar Naturalmente, me vingo VOU TE CONTAR (WAVE) Eu vou me espalhar por aí Se eu pudesse de repente te mostrar meu coração Saberias num momento quanta dor há dentro dele Dor de amor quando não passa No compasso do samba A primeira vez era a cidade É porque o amor valeu E u d i s f a r ç o o Da segunda, o cais e a eternidade c a n s a ç o J o a n a d e b a i x o FOTOGRAFIA d o b r a ç o Carregadinha de amor Eu, você, nós dois Da cor do pecado V o u q u e v o u Aqui nesse terraço a beira-mar Pela estrada que dá numa O sol já vai caindo a o seu olhar p r a i a d o u r a d a Parece acompanhar a cor do mar Que dá num tal de f a z e r n a d a Você tem de ir embora Bororó32 Como a natureza mandou A tarde cai em cores Elis especial – 1968 V o u Se desfaz Esse corpo moreno, S a t i s f e i t o, a l e g r i a b a t e n d o Escureceu Cheiroso e gostoso n o p e i t o O sol caiu no mar Que você tem O radinho contando E aquela luz… É um corpo delgado, d i r e i t o Da cor do pecado, VOU TE CONTAR (WAVE) A vitória do meu tricolor Que faz tão bem V o u q u e v o u L á n o a l t o So close your eyes… Esse beijo molhado, O sol quente me leva Laralara… Escandalizado, n u m s a l t o …fundamental é mesmo o amor Que você deu É impossível ser feliz sozinho Pro lado contrário Tem sabor diferente, Sozinho… d o a s f a l t o Que a boca da gente Sozinho… Pro lado contrário da dor Vou te contar Jamais esqueceu Um marinheiro me contou E quando você me responde Os olhos já não podem ver Q u e a b o a b r i s a l h e s o p ro u Umas coisas com graça, Coisas que só o coração pode entender Que vem aí bom tempo A vergonha se esconde Fundamental é mesmo o amor É impossível ser feliz sozinho Porque se revela Um pescador me confirmou A maldade da raça. Que um passarinho lhe cantou O resto é mar Esse corpo, de fato, Que vem aí bom tempo É tudo que não sei contar São coisas lindas que eu tenho pra te dar Vem de mansinho a brisa e me diz Tem cheiro de mato, É impossível ser feliz sozinho Saudade, tristeza, Ando cansado da lida Essa simples beleza. Preocupada, corrida, When I saw your first the time was half past three Esse corpo moreno, s u r r a d a , b a t i d a When your eyes met mine it was eternity Morena enlouquece. d o s d i a s m e u s Eu não sei bem porque Mas uma vez na vida Agora sei Só sinto na vida Eu vou viver a vida Da onda que seguiu no mar O que vem de você que eu pedi a Deus E das estrelas que esquecemos de contar O amor se deixa surpreender Enquanto a noite vem nos envolver
  • Corrida de jangada Mangueira Edu Lobo/José Carlos Capinam Elis especial – 1968 Carta ao mar Tributo à Aquarela do Brasil – 1969 Elis Regina in London – 1969 Meu mestre deu a partida é hora, vamos embora Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli Pros rumos do litoral, vamos embora Elis especial – 1968 Elis especial – 1968 Na volta eu venho ligeiro, vamos embora Eu venho primeiro pra tomar seu coração Me multiplicando em sol MANGUEIRA Tento uma canção pra você (Assis Valente/Zequinha Reis) É hora, Trago flores, girassóis Não me importa mal me querer Nao há, nem pode haver É hora, vamos embora Como Magueira não háÉ hora, vamos embora, é hora vamos embora O que vai de mim, vem O samba vem de lá, alegria também Vamos embora, ora vamos embora De um desejo imenso de ser outra vez Morena faceira só Mangueira tem É hora, vamos embora, é hora Um barco, um azul vamos embora Outra vez, de tarde, morrer FALA, MANGUEIRA! (Mirabeau/Milton de Oliveira) Viração, virando vai Céu sem naves espaciais Olha o vento, a embarcação Flores, só naturais Fala, Mangueira, fala Minha jangada não é navio, não Só nós dois e as coisas banais Mostra a força da tua tradição Não é vapor nem avião Mas não, pra quê Com licença da Portela, Mas carrega tanto amor Favela Mangueira mora no meu coração Dentro do meu coração Pra que mundo, segue o mundo Sem o mar, sem amar EXALTACAO À MANGUEIRA Sou seu mestre, meu proeiro (Enéias B. da Silva/Aloísio A. Costa) Sou segundo, sou primeiro De que vale o som sideral Olha a reta de chegar, olha a reta de chegar Ou a rima mais genial Mangueira teu cenário é uma beleza Mestre, proeiro, segundo, primeiro Se o amor está aqui neste sal Qua a natureza criou, ô ô Reta de chegar, reta de chegar Neste encontro franco e frontal O morro com seus barracões de zinco Meu barco é procissão Quando amanhece, que esplendor! minha terra é minha igreja Nesse barco longe do mundo Todo mundo te conhece ao longe 33 Noiva é meu rosário Toda a nossa vida e um segundo Pelo som do teu tamborim No seu corpo vou rezar Pra dizer do amar que voltei E o rufar do teu tambor Minha noiva é meu rosário Que sou do mar Chegou ô ô a Mangueira, chegou! No seu corpo vou rezar Sou do mar Do mar LEVANTA MANGUEIRA Ora, (Luis Antonio) Ora vamos embora Levanta, Mangueira, a poeira do chão Vamos embora,vamos embora Samba de coração Vamos embora,vamos embora Ai, mostra a sandália de prata da mulataÉ hora, vamos embora, é hora vamos embora Acorda a cuíca e o tamborim Nego, vamos embora Mostra que o samba nasceu em Mangueira,sim Velho, vamos embora, nego, vamos embora Vira Levanta Mangueira, a poeira do chão Vamos, vamos embora, ora, vamos embora Samba de coração mundo É hora, vamos embora,é hora vamos embora DESPEDIDA DA MANGUEIRA Gilberto Gil/José Carlos Capinam Elis especial – 1968 (Aldo Cabral/Benedito Lacerda) Sou viramundo virado Em Mangueira na hora da minha despedida Nas rondas da maravilha Todo mundo chorou, todo mundo chorou Cortando a faca e facão Foi pra mim a maior emoção da minha vida Os desatinos da vida Sou viramundo virado pois em Mangueira o meu coracao ficou Gritando para assustar Pelo mundo do sertão A coragem da inimiga Mas inda viro este mundo PRA MACHUCAR MEU CORAÇÃO Pulando pra não ser preso Em festa, trabalho e pão (Ary Barroso) Pelas cadeias da intriga Virado será o mundo Prefiro ter toda a vida E viramundo verão Ficou pra machucar meu coracao! A vida como inimiga O virador deste mundo A ter na morte da vida Astuto, mau e ladrão Minha sorte decidida Ser virado pelo mundo Que virou com certidão Ainda viro este mundo Em festa, trabalho e pão
  • Noite dos mascarados Noite dos Mascarados (La nuit des masques) Chico Buarque Quando o carnaval chegar – 1972 (Com Chico Buarque) Chico Buarque/Vs. Pierre Barouh Elis Regina em Paris – 1968 (Com Pierre Barouh) Ele: Quem é você? Ela: Adivinhe, se gosta de mim Os dois: Hoje os dois mascarados Qui êtes-vous? dois deviner tu Procuram os seus namorados Perguntando assim: Si tu maimes, tous les deux on se cache Ele: Quem é você, diga logo Ela: Que eu quero saber o seu jogo Aujourdhui asques Ele: Que eu quero morrer no seu bloco Derrière nos mnder Ela: Que eu quero me arder no seu fogo Ele: Eu sou seresteiro Pour se dema Poeta e cantor Ela: O meu tempo inteiro ite Só zombo do amor Qu i êtes-vous? Dxites vminvites Ele: Eu tenho um pandeiro Ela: Só quero um violão u tu Dis-moi à quel ejefondre à ta suite Ele: Eu nado em dinheiro Ela:Não tenho um tostão Je voudrais m quon prenne la fuite Fui porta-estandarte Je voudrais Não sei mais dançar Ele: Eu, modéstia à parte et hanteur gabonde, poète ènecau bonheur Nasci pra sambar Ela: Eu sou tão menina Moi, je va onde qui m Ele: Meu tempo passou r Jai perdu la rs les routes Ela: Eu sou Colombina Ele: Eu sou Pierrot Moi, je cou moi Os dois: Mas é carnaval Não me diga mais quem é você Je reste chez déroute34 Amanhã, tudo volta ao normal Lamour me pas... Deixe a festa acabar Deixe o barco correr Je ny croyais Deixe o dia raiar Que hoje eu sou un dr peau anfare je porte du pipaeau Da maneira que você me quer O que você pedir Moi, dans la f rt, je joue bien Eu lhe dou Modestie à paragile Seja você quem for Seja o que Deus quiser Je suis si f trop Seja você quem for e Seja o que Deus quiser Jai dix ans dmbine Je suis colo rot Je suis pier i tu es n val et quimporte aujourdhui qu Mais cést Carevaiendra normal ed Demain tout rut va finir, laissons le temps courir Demain to ur sa lumière Laisse au jo urdhui je suis ce que tu attends de moi Aujo verra Si tu veu x laissons faire, ronrouvera P ain on se et eut-être que demdemain on se reconnaîtra Peut-être que La, la, la, la...
  • Deixa Aquarela do Brasil /Baden Powell/Vinícius de MoraisElis Regina em Paris – 1968 Nega do cabelo duro Um novo rumoDeixa, Elis, como e porque – 1969 Aquarela do Brasil – 1969 Artur Verocal/Geraldo FlachFale quem quiser falar, meu bem. I Festival Universitario da Musica Popular Brasileira (1968) Saudade do Brasil – 1980Deixa,Deixe o coração falar também, AQUARELA DO BRASILPorque ele tem razão demais quando se queixa. Vou caminhando sem caminho (Ary Barroso)Então a gente deixa, deixa, deixa, Em cada passo vou levando meu cansaçoDeixa, O que me espera? Ô, ôi essas fontes murmurantesNinguém vive mais do que uma vez. Ôi onde eu mato a minha sede Uma terra, um desencontroDeixa, E onde a lua vem brincá A cidade, a claridadeDiz que sim prá não dizer talvez. Ôi, esse Brasil lindo e trigueiro E essa estrada não tem voltaDeixa, É o meu Brasil brasileiro Lá se solta o fim do mundoA paixão também existe. Terra de samba e pandeiro Um fim incerto que me assustaDeixa, Brasil! Brasil!Não me deixe ficar triste. Longe ou perto, se prepara Prá mim... prá mim... Ninguém para para pensar Para olhar a dor que chora a morte NÊGA DO CABELO DURO De um valente lutador (Rubens Soares/David Nasser) A noite do meu bem Nêga do cabelo duro, Quem fui, já não sou Qual é o pente que te penteia ? (La nuit de mon amour) Qual é o pente que te penteia ? Qual é o pente que te penteia ? Vou chegando à encruzilhada descobrir Um caminho e uma nova direção Dolores Duran/Vs. Pierre Barouh Onde piso vou deixando o que não sou Elis Regina em Paris – 1968 Quando tu entras na roda, 35 Vou para luta O teu cabelo serpenteia, Ce soir Não paro não O teu cabelo está na moda, Je veux trouver la rose la plus belle Vou para luta, agora eu vou Qual é o pente que te penteia ? Et la première étoile qui mappelle Não paro não Pour célébrer la nuit de mon amour Tem tanta gente que se vai Ce soir A imensidão do seu querer Je veux la paix des enfants qui sendorment Querendo vida sem a morte Je veux lécho dune vie qui se forme Ser mais forte sem sofrer Pour célébrer la nuit de mon amour E ter certeza sem buscar Tristeza Ce soir Ganhar o amigo sem se dar Je veux la joie dun voilier qui sélance Sem semear, colher o amor Et labandon dune main qui savance O amor ferido pela guerra Pour célébrer la nuit de mon amour Haroldo Lobo/Niltinho Quem na terra desconhece Elis Regina em Paris – 1968 Aparece sem valor Ce soir Ergo meu braço qual alguém Je voudrais toute la beauté du monde Tristeza, Que já caiu mas levantou Pour que ce soit la nuit la plus profonde Por favor vai embora, Puisquelle sera la nuit de mon amour Minha alma que chora, Quem fui, já não sou Está vendo o meu fim, Pourtant Ces joies soudain me semblent incertaines Fez do meu coração a sua moradia, Vou chegando à encruzilhada descobrir Je ne peux croire quelle serait vaine Já é demais o meu penar, Um caminho e uma nova direção Cette espérance qui me vient de toi Quero voltar àquela vida de alegria, Onde piso vou deixando o que não sou Quero de novo cantar. Vou para luta Ah... Não paro não Mais cet amour tant me tarde à venir La, ra, ra, ra, Vou para luta, agora eu vou Que je ne sais plus comment retenir La, ra, ra, ra, ra, ra, Não paro não Cette tendresse La, ra, ra, ra, ra, ra, Que je veux offrir... Quero de novo cantar.
  • O barquinho Roberto menescal/Ronaldo Bôscoli Elis, como e porque – 1969 Aquarela do Brasil – 1969 Récit de Cassard Elis Regina in London – 1969 Michel Legrand/Jacques Deny Elis, como e porque – 1969 Dia de luz festa de sol E o barquinho a navegar Autrefois, jai aimé une femme Vera Cruz No macio azul do mar Elle ne maimait pas, on lappellait Lola Tudo é verão o amor se faz Autrefois. Num barquinho pelo mar Que desliza sem parar Milton Nascimento/Márcio Borges Déçu, jai voulu loublier Elis, como e porque – 1969 Alors jai quitté la France, Sem intenção nossa canção je suis allé au bout du monde Hoje foi que a perdi Vai saindo deste mar e o sol Mas onde, já nem sei Beija o barco e luz, dias tão azuis je ne pense quà elle Me levo para o mar Em Vera me larguei Festa do mar, desmaia o sol jai voulu vous parler franchement E deito nesta dor E o barquinho a deslizar vous ne men voulez pas Meu corpo, sem lugar O sonho E a vontade de cantar il nest pas question dinfluencer Genevieve, Ah! quisera esquecer Céu tão azul, ilhas do sul Genevieve est libre A moça que se foi E o barquinho coração De nossa Vera Cruz Egberto Gismonti Deslizando na canção E o pranto que ficou Elis, como e porque – 1969 Do norte que sonhei Aquarela do Brasil – 1969 Tudo isso é paz, tudo isso traz Das coisas do lugar Uma calma de verão e então Sinto que é hora Giro O barquinho vai, a tardinha cai Nos rios me larguei Salto O barquinho vai Correndo sem parar Meu foguete some queimando espaço Buscava Vera Cruz Tudo vejo e abraço Nos campos e no mar A vaidade36 Mas ela se soltou Estou morando em pleno céu Pra longe se perdeu Namorando o azul Andança Quero em outra mansidão Ando no espaço louco Um dia ancorar Meu foguete segue deixando traços E ao vento me esquecer Entre estrelas vejo a liberdade Antonio Adolfo/Tibério Gaspar Que ao vento me amarrei E fotografo todo o céu Danilo Caymmi/Edmundo Souto Elis, como e porque – 1969 Elis Regina in London – 1969 E nele vou partir E revelo paz Elis, como e porque – 1969 Atrás de Vera Cruz Hoje a cidade inteira se enfeitou Busco cores e imagens Vim.Tanta areia andei Coberta de alegria, a noite serenou Ah! quisera encontrar Faltam pássaros e flores Da lua cheia eu sei A casa branca, praça e chafariz A moça que se foi Uma saudade imensa Da rua principal à porta da matriz Do lar de Vera Cruz Coração na mão Vagando em verso eu vim E o pranto que ficou Corpo solto Vestida de cetim Tem lua acesa clareando o chão Do norte que perdi Estou entre estrelas Na mão direita rosas vou levar Tem moça pra dançar de saia de algodão Das coisas do lugar Vou deitar neste luar Tem violeiro violando o amor Me dá amor Cantando em verso a paz, desponta um cantador Indo de encontro ao riso Amor Do quarto minguante Me leva amor De ponta a ponta E o sol queimando Por onde for quero ser seu par Bandas e cordões A pele branca E a lua tonta Despertando Rodei de roda andei Gira os corações Vejo a cama e meu amor Dança da moda eu sei Acordado estou Cansei de se sozinha No giro, dança Choro… Verso encantado usei Quem quer se alegrar Choro… Meu namorado é rei Velho ou criança Choro… Nas lendas do caminho onde andei Vem que tem lugar Me dá amor Sobe o foguete acarinhando o céu Amor E a rua floresceu bandeiras de papel Me leva amor A vida em festa num giro girou Por onde for quero ser seu par Tristeza adormeceu e a noite serenou
  • Memórias de Marta Saré Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri Elis, como e porque – 1969 A casa lá da fazenda A lua clareando a porta Samba da Pergunta A volta Deixando o brilho claro Nas pedras dos degraus Cristal de lua Pingarrilho/Marcos Vasconcelos Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli Elis, como e porque – 1969 Aquarela do Brasil – 1969 Elis Regina in London – 1969 Pra dentro Marta Saré Ela agora mora só no pensamento Pra dentro Marta Saré Ou então no firmamento Quero ouvir a sua voz Em tudo que no ceu viaja E quero que a canção seja você Pra dentro Marta Saré Pode ser um astronauta E quero, em cada vez que espero Pra dentro Um passarinho Desesperar, se não te vir Pé de vento O rosário obrigatório É triste a solidão Pipa de papel de seda É longe o não te achar Quem sabe um balãozinho Que lindo é o seu perdão A janta lá na cozinha Ou estar num asteróide Que festa é o seu voltar Todo dia à mesma hora Na estrela Dalva que daqui se olha As estórias de Dorinha Mas quero que você me fale Pode estar morando em Marte Que você me cale Nunca mais se soube dela Caso eu perguntar Desapareceu Se o que a faz tão linda Pra dentro Marta Saré Foi sua pressa de voltar Pra dentro Marta Saré Levanta e vem correndo 37 Pra dentro Marta Saré Pra dentro, pra dentro Me abraça e sem sofrer Me beija longamente A lanterna azul partida O quanto a solidão precisa para morrer A dor, a palmatória, a raiva Wave A cantiga mais sentida Um galope de cavalo A time for love Tom Jobim Mestre severino Aquarela do Brasil – 1969 Saudade do Brasil – 1980 Pra dentro Marta Saré Webster/John Mandel Vou te contar, Pra dentro Marta Saré Elis Regina in London – 1969 Os olhos já não podem ver Pra dentro Marta Saré Coisas que só o coração pode entender Pra dentro, pra dentro A time for summer skies Fundamental é mesmo o amor For humming-birds and butterflies É impossível ser feliz sozinho Bate forte o coração For tender words that harmonize with love O resto é mar, A time for climbing hills Dor no peito magoado É tudo que eu nem sei contar O sorriso mais sem jeito For leaning out of window sills São coisas lindas que eu tenho pra te dar Do primeiro namorado Admiring the daffodils above. Vem de mansinho a brisa e me diz É impossível ser feliz sozinho A time for holding hands together A time for rainbow colored weather Pra dentro Marta Saré Da primeira vez era a cidade Pra dentro Marta Saré A time of make believe that weve been draming of Da segunda o cais e a eternidade Pra dentro Marta Saré As time goes drifting by Agora eu já sei The willow bends and so do I Pra dentro, pra dentro Da onda que se ergueu no mar But oh, my friends, what ever sky above E das estrelas que esquecemos de contar Moço Severino Ive known a time for spring, a time for fall O amor se deixa surpreender Por do sol But best of all Enquanto a noite vem nos envolver Pra dentro Marta Saré A time for love
  • Se você pensa Minha Roberto Carlos/Erasmo Carlos Elis Regina in London – 1969 Francis Hime/Ruy Guerra Elis no Teatro de Praia – 1970 Elis no Teatro de Praia – 1970 Watch Minha Se você pensa que vai fazer de mim what Vai ser minha O que faz com todo mundo que te ama Desde a hora Acho bom saber que pra ficar comigo vai ter que mudar happens Que nasceste Norman Gimbel/Michel Legrand Elis Regina in London – 1969 Minha Você tem a vida inteira pra viver Não te encontro E saber o que é bom e o que é ruim Só sei que estas perto E tão longe Let someone start believing in you, Acho bom pensar depressa e escolher antes do fim Let him hold out his hand No silêncio Let him touch you and watch what happens Noutro amor Ou numa estrada Daqui pra frente, tudo vai ser diferente Você tem que aprender a ser gente Que não deixa O teu orgulho não vale nada One someone who can look in your eyes, Seres minha And see into your heart Como sejas Onde estejas Vou te achar Você não sabe Let him find you and watch what happens Nem nunca procurou saber Vou me entregar Que quando a gente ama pra valer Cold, no I wont believe your heart is cold Vou te amar O bom é ser feliz e mais nada E é tanto, tanto amor Maybe just afraid to be broken again Que até pode assustar Let someone with a deep love to give Não temas essa imensa sede Que ao teu corpo vou levar How insensitive Give that deep love to you, (Insensatez) Minha és e sou só teu And what magic youll see Sai de onde estás pra eu te ver Tom Jobim/Vinícius de Morais/Vs. Norman Gimbel Pois tudo tem que acontecer Tem de ser Let someone give his heart, someone who cares like me Elis Regina in London – 196938 Let someone give his heart who cares like me Tem de ser How insensitive Vem para sempre I must have seemed Para sempre When he told me that he loved me Perdão não tem How unmoved and cold Irene Vexamão I must have seemed When he told me so sincerely Why he must have asked Edson Arantes do Nascimento Did I just turn and stare in icy silence What was I to say? Tabelinha, Elis x Pelé – 1969 (Com Pelé) Edson Arantes do Nascimento Tabelinha, Elis x Pelé – 1969 (Com Pelé) Não What can you say Não vá embora não When a love affair is over? Outro dia Porque a saudade Caetano Veloso Me pegaram de surpresa Vai ficar em seu lugar Why he must have asked Elis no Teatro de Praia – 1970 Did I just turn and stare in icy silence Me deram um violão E fizeram eu cantar What was I to do? Não me faça sofrer A sua ausência Eu quero ir, minha gente Eu todo desajeitado What can one do Tenha paciiencia Cantando tudo errado When a love affair is over? Não vá embora Eu não sou daqui Sem saber como parar So now hes gone away Não me deixes não Eu não tenho nada Foi um tremendo de um vexame Quando você chegou And Im alone Mas o engraçado Foi recebida de braços abertos With a memory of her last look Quero ver irene rir É que eu cantava errado Jurava me dar amor Vague and drawn and sad E os “puxa” achava bom Ser boazinha I see it still Quero ver irene dar sua risada E não falar em ir embora Estava o rádio All the heartbreak in his last look Jornal e a televisão How he must have asked, Agora depois de tanto tempo E eu todo sem graça Could I just turn and stare in icy silence Quer partir sem dizer qual a razão Só fazia láralá What was I to do? Não vá, meu bem Porque depois, perdão não tem What can one do When a love affair is over?
  • Aquele abraço Can’t take my eyes off you B. Crewe/B. Gaudio Elis no Teatro de Praia – 1970 Youre just too good to be true. Gilberto Gil Cant take my eyes off you. Elis no Teatro de Praia – 1970 Youd be like Heaven to touch. Este samba vai para Dorival Caymmi, I wanna hold you so much. João Gilberto e Caetano Veloso. At long last love has arrived And I thank God Im alive. O Rio de Janeiro continua lindo, O Rio de Janeiro continua sendo Youre just too good to be true. O Rio de Janeiro, fevereiro e março, Cant take my eyes off you. Alô, alô Realengo, Aquele abraço, Pardon the way that I stare. Alô torcida do flamengo, Theres nothing else to compare. Aquele abraço! Alô, Alô Realengo, The sight of you leaves me weak. Aquele abraço, There are no words left to speak, Alô torcida do flamengo, But if you feel like I feel, Aquele abraço! Please let me know that its real. Zazueira Chacrinha continua balançando a pança, Youre just too good to be true.E buzinando a moça e comandando a massa, Cant take my eyes off you. E continua dando as ordens no terreiro, Alô, alô seu Chacrinha Velho Guerreiro, I love you, baby, Alô, alô Terezinha, Rio de Janeiro, And if its quite alright, Alô, alô seu Chacrinha velho palha ço, Jorge Ben 39 Elis Regina in London – 1969 Alô, alô Terezinha, Aquele abraço, I need you, baby, Elis no Teatro de Praia – 1970 Alô moçada da favela, aquele abraço, To warm a lonely night. Todo mundo da Portela, aquele abraço, Ela vem chegando (ela vem chegando) I love you, baby. Todo mês de fevereiro, aquele passo, E feliz vou esperando (e feliz vou esperando) Trust in me when I say: Alô Banda de Ipanema, aquele abraço, A espera é difícil (a espera é difícil)Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço, Oh, pretty baby, Mas eu espero sambando (eu espero sambando) A Bahia já me deu régua e compasso, Dont bring me down, I pray. Quem sabe de mim sou eu, aquele abraço, Menina bonita do céu azul Oh, pretty baby, now that I found you, stay Pra você que me esqueceu, aquele abraço, Ela é uma beleza And let me love you, baby. Alô Rio de Janeiro, aquele abraço! Menina bonita, você é demais Let me love you. Alegria na minha tristeza Zazueira Youre just too good to be true. Zazueira Cant take my eyes off you. Zazueira Youd be like Heaven to touch. I wanna hold you so much. Ela vem chegando (ela vem chegando) At long last love has arrived E feliz vou esperando (e feliz vou esperando) A espera é difícil (a espera é difícil) And I thank God Im alive. Mas eu espero sonhando (eu espero sonhando) Youre just too good to be true. Cant take my eyes off you. Uma flor é uma rosa Uma rosa é uma flor É um amor esta menina I love you, baby, Esta menina é meu amor And if its quite alright, I need you, baby, Zazueira To warm a lonely night. Zazueira I love you, baby. Zazueira Trust in me when I say: Oh, pretty baby, Dont bring me down, I pray. Oh, pretty baby, now that I found you, stay.
  • As curvas da Estrada de Santos Roberto Carlos/Erasmo Carlos Em pleno verão – 1970 Se você pretende saber que m eu sou eu posso lhe dizer. Entre no meu carro e na est rada de Santos você vai me conhecer. Você vai pensar que eu nã o gosto nem mesmo de mim. E que na minha idade só a velocidade anda junto a mim. Só ando sozinho e no meu caminho o tempo é cada vez menor. Preciso de ajuda. Por favor me acuda. Eu vivo muito só.40 Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo, eu piso mais fundo, corrij o num segundo, não posso parar. Eu prefiro as curvas da est rada de Santos onde eu ten to esquecer um amor que eu tive e vi pelo espelho na distância se perder Mas se o amor que perdi eu novamente encontrar, as curvas se acabam e na estrada de Santos eu não vou mais passar. Não, não vou mais passar.
  • Bicho do matoe rolarVou deitar Jorge Ben Em pleno verão – 1970 Frevo Bicho do mato Tom Jobim/Vinícius de Morais Em pleno verão – 1970Baden Powell/Paulo César Pinheiro Nego teve aíEm pleno verão – 1970 Bicho do mato Vem, vamos dançar ao sol Vem, que a banda vai passar Devagar pra não cair Vem, ouvir o toque dos clarinsNão venha querer me consolarQue agora não dá mais pé Anunciando o carnavalNem nunca mais vai dar Bicho do matoTambém quem mandou se levantar Bicho bonito danado E vão brilhando os seus metaisQuem levantou pra sair Bicho do matoPerde o lugar Nego teve aí Por entre cores mil Verde mar, céu de anilE agora, cadê teu novo amor E disse assim: Nunca se viu tanta belezaCadê que ele nunca funcionou Ai, meu Deus Bicho do matoCadê que nada resolveu Que lindo o meu Brasil!Quaquaraquaquá, quem riu Quero você para mimQuaquaraquaquá, fui eu Eu só vou emboraQuaquaraquaquá, quem riu Se você disser que simQuaquaraquaquá, fui eu Fechado pra Mas eu só ponho o meu bonéAinda sou mais eu Onde eu posso apanhar Devagar se vai ao longe balançoVocê já entrou na de voltar Devagar eu chego láAgora fica na tuaQue é melhor ficarPorque vai ser fogo me aturar Bicho do matoQuem cai na chuva Nego teve aí Gilberto Gil Bicho do mato 41 Em pleno verão – 1970Só tem que se molhar Devagar pra não cair Fechado pra balançoE agora cadê, cadê você Deve ser bom, deve ser bomCadê que eu não vejo mais, cadê Tô fechado pra balançoPois é quem te viu e quem te vê Meu saldo deve ser bom Até aí morreu Neves Deve ser bomQuaquaraquaquá, quem riuQuaquaraquaquá, fui eu Vou sambar de roda um poucoQuaquaraquaquá, quem riu Um xaxado bem guardadoQuaquaraquaquá, fui eu Jorge Ben Em pleno verão – 1970 E mais algum trocado Se tiver gingado eu tô, eu tô, eu tôTodo mundo se admira Se segura malandro Eu tô de corpo fechado, eu tô, eu tôDa mancada que a Terezinha deu Pois malandro que é malandro não se estoura Deve ser bom, deve ser bomQue deu no pira Se segura malandro Tô fechado pra balançoE ficou sem nada ter de seu Meu saldo deve ser bomEla não quis fazer fé Pois um dia há de chegar a tua horaNa virada da maré Vai cantar, vai brincar sem fantasia Um pouco da minha grana Você vai chorar de alegria Vais ter saudade, baianaBreque! Pois ela vai voltar pra alegrar o seu coração Ponho sempre por semana Cinco cartas no correioMas que malandro sou eu Pois malandro que é malandro não se estoura não Gasto sola de sapatoPra ficar dando colher de chá Mas aqui custa baratoSe eu não tiver colher? Porque até aí morreu Neves Cada sola de sapatoVou deitar e rolar! Até aí morreu Neves Custa um samba, um samba e meio Até aí morreu das NevesO vento que venta aqui Até aí morreu das Neves O resto...É o mesmo que venta lá O resto não dá despesaE volta pro mandingueiro Devegar malandro Viver não me custa nadaA mandinga de quem mandigá Devagar, cuidado! Viver só me custa a vida Afobado come cru E a minha vida foi dada Devagar se vai ao longe
  • Comunicação These are the songs Tim Maia Em pleno verão – 1970 (Com Tim Mais) Edson Alencar/Hélio Matheus Em pleno verão – 1970 These are the songs (Roda, roda e avisa!) Não tenha medo I want to sing These are the songs Sigo o anúncio e vejo Em forma de desejo o sabonete Em forma de sorvete acordo e durmo na televisão. I want to play Caetano Veloso I will sing it every time Em pleno verão – 1970 Creme dental, saúde E vivo num sorriso, paraíso And I sing it every day Tenha medo, não, tenha medo, não These are the songs Quase que jogado, impulsionado, no comercial. Não tenha medo não, tenha medo, não Só tomava chá I want to sing and play Nada é pior do que tudo Quase que forcado vou tomar café Nada é pior do que tudo Ligo o aparelho, vejo o Rei Pelé Vamos entao repetir o gol! Esta é a canção que eu vou ouvir Nem um não, nenhum senão Esta é a canção que eu vou cantar Nem um ladrão, nem uma escuridão E na lua sou Mais um astronauta-patrocinador Fala de você, meu bem Nada é pior do que tudo Que você já tem no seu coração mudo Do nosso amor também Chego atrasado perco o meu amor Mais um anúncio sensacional! Osanah Sei que você vai gostar Nem um cão, nem um dragão Nem um avião, nem uma assombração Ponho um aditivo dentro da panela, gasolina Nada é pior do que tudo Passo na janela da cozinha tem mais um fogão Que você já tem no seu coração mudo Tony Osanah Tocam a campainha Nem um chão, nem um porão Compacto duplo – 1970 Mais uma pesquisa e eu respondo nem uma prisão, nem uma solidão Que enlouquecendo, já sou fã do comercial! Nada é pior do que tudo Sei prá onde vou Que você já tem no seu coração mudo Agora eu sei quem sou (Na Brastel, tudo a preço de banana! Sei do meu caminho42 Quem não se comunica, se trumbica! Eu sei com quem eu vou Tereeziiinha...! Copacabana Estamos pensando em bloco... Descubro riso Conheça o Brasil pela Varig! Invento a luz Ducal... meu nome é Gal!... Ducal!....) Tudo é claro para quem quer ver velha de guerra Osanah, Osanah, Osanah Osanah, Osanah, Osanah Nada será como antes Joyce/Sérgio Flackman Pela vida afora eu vou jogando fora Milton Nascimento/Ronaldo Bastos Em pleno verão – 1970 As coisas que eu guardei por guardar Compacto duplo – 1970 Elis – 1972 Nós estamos por aí, sem medo Um passo à frente Nós, sem medo, estamos por aí Ou volto atrás Mas não fico no meusmo lugar Eu já estou com o pé nessa estrada Qualquer dia gente se vê Qualquer sorte me espera Sei que nada será como antes, amanhã E a tarde talvez vá me mostrar Osanah, Osanah, Osanah Treze ventos nas janelas Osanah, Osanah, Osanah Que notícias me dão dos amigos E as praças do mundo a me chamar Que notícias me dão de você Não me importa o tempo Eu fico aqui e agora Sei que nada será como está Sou mais um na multidão Amanhã ou depois de amanhã Na vitrine dos magazines E quero tudo que houver prá querer O que é passado nào volta mais Resistindo na boca da noite um gosto de sol Procurando uma camisa da cor do mar E o futuro ainda não chegou Num domingo qualquer, qualquer hora Mão no bolso, riso lento Ventania em qualquer direção E a tarde passando devagar Osanah, Osanah, Osanah Osanah, Osanah, Osanah Sei que nada será como antes, amanhã Não me encontro na vitrine Não ligo, é difícil me encontrar Que notícias me dão dos amigos Que notícias me dão de você Sou só eu na multidão Sei que nada será como está E eu queria me ver passar Amanhã ou depois de amanhã Desfilando com a camisa da cor do mar Resistindo na boca da noite um gosto de sol Olha eu lá!
  • Ih! Meu Deus do céu!A fia de Chico Brito Ivan Lins/Ronaldo Monteiro de Souza Ela – 1971 Ih! Meu Deus do céu! Estou rindo à toaChico Anysio Ih! Meu Deus do céu!Compacto duplo – 1970 Ela me afeiçoaSou filha de Chico Brito EspontaneidadePai de oito filho maior Eu sou, eu souNascida em Baturité Na mesticidadeCriada a carne de sol Eu vou, eu vouSete homem e eu mulher A sorte e a morteOito filho prá criá Ocorrem subitamenteSete homem prá peixeiraE a mulher prá… Estou diante dela A felicidadeDos oito filho do velho Exijo a parcela Casa no campoTem sete que se casou Da cumplicidadeOs homem fez casamento Lá vem o crimeE cinco já procriou Se animeSó eu é que tô sobrando Zé Rodrix/Tavito É hora de matar a saudadeNa certa Deus se enganou Compacto duplo – 1970Acabo me abilolando Elis 1972Porque meu caso é casarE caso de quarquer jeito Eu quero uma casa no campo 43Caso inté no… Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha somente a certezaSou filha de Chico Brito Dos amigos do peito e nada maisPai de oito filho maiorNascida em Baturité Eu quero uma casa no campoCriada a carne de sol Onde eu possa ficar no tamanho da paz E tenha somente a certezaSete homem e eu mulher Dos limites do corpo e nada mais Golden slumbersOito filho prá criáSete homem prá peixeira Eu quero carneiros e cabras John Lennon/Paul McCartney Ela – 1971E a mulher prá… Pastando solenes no meu jardim Eu quero o silêncio das línguas cansadasDe tanto piscar o os olhos Eu quero a esperança de óculos Once there was a way to get back homewardJá tô ficando zarolha E um filho de cuca legalDe tanto chamar com a mão Eu quero plantar e colher com a mão Once there was a way to get back homeNa mão já tenho inté bolha A pimenta e o sal Sleep pretty darling do not cryJá fiz duzenta novenaJá me cansei de rezar Eu quero uma casa no campo And I will sing a lullabyMeus cotovelo tá inchado Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapéDe no portão debruçar Onde eu possa plantar meus amigosMas caso de quarquer jeito Meus discos e livros Golden slumbers fill your eyesCaso inté no… E nada mais Smiles awake you when you arise Sleep pretty darling do not cry And I will sing a lullaby Boy, you gonna carry that weigth Carry that weight a long time
  • Madalena Cinema Olympia Ivan Lins/Ronaldo Monteiro de Souza Ela – 1971 Caetano Veloso Ela – 1971 Oh, Madalena Não quero mais O meu peito percebeu Essas tardes mornais, normais Que o mar é uma gota Não quero mais Comparado ao pranto meu Video-tapes, mormaço, março, abril Fique certa Eu quero pulgas mil na geral Quando o nosso amor desperta Eu quero a geral Logo o sol se desespera Eu quero ouvir gargalhada geral Quero um lugar para mim, pra você E se esconde lá na serra Na matiné do cinema Olympia Eh Madalena Tom Mix, Buck Jones O que é meu não se divide Tela e palco Nem tão pouco se admite Sorvetes e vedetes Quem do nosso amor duvide. Socos e coladas Pernas e gatilhos Até a lua se arrisca num palpite Atilhos e gargalhada geral Que o nosso amor existe Do meio-dia até o amanhecer Na matiné do cinema Olympia Forte ou fraco, alegre ou triste Oh, Madalena, Madalena, Madalena, Madalena Oh Ma, oh Mada, oh Madale44 Oh Madale, le, le, le oh Ma, oh Mada Falei e disse Aviso aos navegantes Black is beautiful Baden Powell/Paulo César Pinheiro Baden Powell/Paulo César Pinheiro Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle Ela – 1971 Ela – 1971 Ela – 1971 Mulher, se Deus não criasse você Esse ano vai sobrar um Hoje cedo na rua do Ouvidor Ele próprio custava a crer Quem falou já morreu Quantos brancos horríveis eu vi Mas só que tem que não dá pé você Quem sabe dele sou eu Eu quero esse homem de cor Ser a mulher de quem Vinícius falou A vida quem dá é Deus Um Deus Negro do Congo ou daqui Formosa, não faz assim Quem é malandro não dá Carinho não é ruim Vidinha boa à ninguém Hoje cedo amante negro eu vou Malandro traz no cantar Enfeitar o meu corpo no seu Eu avisei bem, não faça ingratidão A pinta que o canto tem Eu quero esse homem de cor Porque eu também sei dançar Briga com quem sabe mais conforme a canção Não dá camisa a ninguém Um Deus Negro do Congo ou daqui E quem vai embora agora sou eu Olha, aqui você faz Que se integre no meu sangue europeu Adeus pra quem já me esqueceu Aqui mesmo vai entrar bem Black is beautiful black is beautiful Tá acabada essa parada Black beauty so beautiful E agora cada qual no seu lugar I wanna a black I wanna a beautiful Não tem nada se a jogada dela I wanna a black I wanna a beautiful É ver a lua em vez de um lar Que se integre no meu sangue europeu Teresa é nome de mulher Black is beautiful black is beautiful Ah, que pena que me dá Black beauty so beautiful Ela não ser mais Teresa mulher I wanna a black I wanna a beautiful I wanna a black I wanna a beautiful
  • Mundo desertoElaCésar Costa Filho/Aldir BlancEla – 1971Ela sente a solidão do oitavo andar Roberto Carlos/Erasmo CarlosTodo dia à hora triste do jantar Ela – 1971 Num mundo deserto de almas negrasSó um copo, só um pratoE ao lado um só talher Me visto de branco Me curo da vida sofrida, sentidaTudo é um em seu pequeno mundo Que deram pra mim Num mundo deserto de almas negrasDe mulher Sorriso não nego Mas vejo um sol cegoSurge a esperança na vida Querendo queimar o que resta de mim Vivo num mundo deserto de almas negrasEla que dança e convida alguémAo elevador do oitavo andar Na vontade da verdade eu quero ficar E não acredito no dito malditoPro primeiro amor do oitavo andar Que o amor já morreuEla e ele qualquer Tenho fé que o meu país Ainda vai dar amor pro mundo Um amor tão profundo, tão grandeEla duela o pranto do amorCom ele qualquer Que vai reviver quem morreuDesce e se esquece no elevador Vivo num mundo deserto de almas negrasCom ele qualquer 45 Os argonautasEla lembra a vida do interiorEla na varanda espera seus irmãos Caetano Veloso Estrada do solMesa posta, luz de velas, canções Ela – 1971Ela brinca de princesa O barco, meu coração não aguenta Tanta tormenta, alegria Meu coração não contentaE vem o carnaval Tom Jobim/Dolores DuranPassa a Páscoa em paz consigo, no quintal Ela – 1971 O dia, o marco, meu coração O porto, não Quero que você me dê a mãoOs dias frios de junho Vamos sair Navegar é preciso, viver não é precisoAs rendas brancas nos punhos, balões É de manhã, vem o sol, O barco, noite no céu tão bonito Mas os pingos da chuva que ontem caiu Sorriso solto perdido Ainda estão a brilhar, Horizonte, madrugadaE um dia no teatro do localEla é a virgem no presépio de Natal Ainda estão a dançar O riso, o arco, da madrugada Ao vento alegre O porto, nada Que me traz esta canção. Navegar é preciso, viver não é preciso Quero que você me dê a mão,Ela e um dia qualquerÉ na varanda, Páscoa, Natal Vamos sair por aí O barco, o automóvel brilhante Sem pensar no que foi O trilho solto, o barulhoCom um ele qualquer que sonhei, Do meu dente em tua veia Que chorei, que sofri, O sangue, o charco, barulho lento Pois a nossa manhã O porto silêncioEla duela o pranto do amor Já me fez esquecer, Me dê a mão, vamos sair prá ver o sol. Navegar é preciso, viver não é precisoSozinha outra vezNo oitavo andar onde tudo é um
  • Alô, alô. Bala bala Taí Carmem Miranda Heitor/Maneco/Wilson Diabo com Os maiores sambas enredos de todos os tempos – 1971 Uma pequena notável Cantou muito samba Tiradentes João Bosco/Aldir Blanc É motivo de carnaval Elis – 1972 Pandeiro, camisa listrada A sala cala Tornou a baiana internacional E o jornal prepara Décio Antonio Carlos/Penteado/Estanislau Silva Os maiores sambas enredos de todos os tempos Volume 2 – 1972 Quem está na sala Seu nome corria chão Com pipoca e bala Na boca de toda gente Joaquim José da Silva Xavier E o urubu sai voando Que grilo é esse? Morreu a 21 de abril Manso Pela independência do Brasil Vou embarcar nessa onda Foi traído e não traiu jamais É o Império Serrano que canta A inconfidência de Minas Gerais O tempo corre Dando uma de Carmem Miranda E o suor escorre, Joaquim José da Silva Xavier Era o nome de Tiradentes Vem alguém de porre Cai, cai, cai, cai E há um corre-corre Foi sacrificado pela nossa liberdade Quem mandou escorregar Esse grande herói pra sempre deve ser lembrado E o mocinho chegando Cai, cai, cai, cai Dando É melhor se levantar, oi 20 anos blue Eu esqueço sempre nesta hora, Linda, loura Minha velha fuga em todo impasse46 Eu esqueço sempre nesta hora, Linda, loura Mucuripe Sueli Costa/Vitor Martins Quanto me custa dar a outra face Elis – 1972 O tapa estala Hoje de manhã quando acordei Fagner/Belchior No balacobaco Olhei pra vida e me espantei Elis – 1972 E é bala com bala Eu tenho mais de vinte anos As velas do Mucuripe E é fala com fala Eu tenho mais de mil perguntas sem respostas Vão sair para pescar E o galã se espalhando Estou ligada num futuro blue Vou levar as minhas mágoas Dando Pras águas fundas do mar Hoje à noite namorar Os meus pais nas minhas costas Sem ter medo de saudade No rala-rala As raízes na marquise Sem vontade de casar Quando acaba a bala Eu tenho mais de vinte muros É faca com faca Calça nova de riscado O sangue jorra pelos furos Paletó de linho branco É rapa com rapa Eu me realizando Pelas veias de um jornal Que até o mês passado Lá no campo inda era flor Bambo Eu não te quero, eu te quero mal Sob o meu chapéu quebrado O sorriso ingênuo e franco Quando a luz acende é uma tristeza Essa calma que inventei, bem sei De um rapaz novo encantado Trapo, presa Com vinte anos de amor Custou as contas que contei Minha coragem muda em cansaço Eu tenho mais de vinte anos Aquela estrela é dela Toda fita em série que se preza Eu quero as cores e os colírios Vida, vento, vela leva-me daqui. Dizem, reza Meus delírios Acaba sempre no melhor pedaço Estou ligada num futuro blue
  • Olhos abertosZé Rodrix/Guttenberg GuarabyraElis – 1972Atravessando uma ponte, de noiteNo meio da chuvaCercada pelo silêncioDaquela cidade do interior Atrás da portaDepois da ponte, uma estrada de terraMolhada de chuvaCercada pelo silêncioE sem nenhum pedaço de amor Francis Hime/Chico Buarque Elis – 1972Vendo os olhares desertosDe tantas pessoas antigas Quando olhaste bem nos olhos meusTantas pessoas amigas E o teu olhar era de adeusQuerendo um cigarro e um carinho Juro que não acreditei, eu te estranhei Me debrucei sobre teu corpo e duvideiGente que puxa uma briga na estrada E me arrastei e te arranheiCom os olhos brilhando E me agarrei nos teus cabelosPrecisa só de um abraço No teu peito, teu pijamaBem forte e bem dado Nos teus pés ao pé da cama Sem carinho, sem cobertaE eu quero encontrar as pessoas No tapete atrás da portaDe mãos e de olhos abertos Reclamei baixinhoSem me preocuparCom dinheiro e posição Dei pra maldizer o nosso lar Pra sujar teu nome, te humilhar 47Eu preciso encontrar as pessoas E me vingar a qualquer preçoFicar de mãos dadas com elas Te adorando pelo avessoConversar com a boca Pra mostrar que ainda sou tua Cais Vida de bailarinaE os olhos do coração Só pra provar que inda sou tua Milton Nascimento/Ronaldo Monteiro Américo Seixas/Dorival Silva Elis – 1972 Elis – 1972 Para quem quer se soltar Quem descerrar a cortina Invento o cais Da vida da bailarina Invento mais que a solidão me dá Há de ver cheio de horror Invento a lua nova a clarear Que no fundo do seu peito Invento o amor Abriga um sonho desfeito E sei a dor de me lançar Ou a desgraça de um amor Eu queria ser feliz invento o mar Os que compram o desejo Invento em mim o sonhador Pagando amor a varejo Vão falando sem saber Para quem quer me seguir Que ela é forçada a enganar Eu quero mais Não vivendo pra dançar Tenho o caminho que sempre quis Mas dançando pra viver E um saveiro pronto prá partir Invento o cais E sei a vez de me lançar
  • Águas de março Tom Jobim Elis – 1972 Elis & Tom – 1974 (Com Tom Jobim) Montreaux jazz Festival – 1982 É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol É peroba no campo, é o nó da madeira Caingá candeia, é o matita-pereira É madeira de vento, tombo da ribanceira É o mistério profundo, é o queira ou não queira É o vento ventando, é o fim da ladeira É a viga, é o vão, festa da cumeeira É a chuva chovendo, é conversa ribeira Das águas de março, é o fim da canseira É o pé, é o chão, é a marcha estradeira Passarinho na mao, pedra de atiradeira É uma ave no céu, é uma ave no chão É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto um desgosto, é um pouco sozinho É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto48 É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando É a luz da manha, é o tijolo chegando É a lenha, é o dia, é o fim da picada É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um resto de mato na luz da manhã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É uma cobra, é um pau, é João, é José É um espinho na mão, é um corte no pé São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um belo horizonte, é uma febre terçã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho
  • Doente morena Gilberto Gil/Duda Elis – 1973 Luz das Estrelas – 1984 De manhã cedo ela sai Leva a chave Me deixa trancado O dia inteiro Não ligo Deito sobre os trilhos E vejo o trem passar Entre brinquedos, cigarros O Tesouro da Juventude Em não sei quantos volumes E quando canto Deixo a imaginação voar Mas ontem à noite A mão sobre meus cabelos Ela me disse: "Meu bem, não tenha medo No verão que vem Nós vamos à praia" 49Me deixa em paz Boa noite, amor OrienteIvan Lins/Ronaldo Monteiro de Souza Maria José de Abreu/Francisco Matoso Gilberto GilElis – 1972 Elis – 1972 Elis – 1973Paz! Boa noite amor Meu grande amor Se oriente, rapaz Pela constelação do Cruzeiro do SulQue eu já não aguento mais Contigo sonharei Se oriente, rapazMe deixa em paz Pela constatação de que a aranhaSai de mim E a minha dor esquecerei Vive do que teceMe deixa em paz Se eu souber que o sonho teu Vê se não se esquece Foi o mesmo sonho meu Pela simples razão de que tudo mereceVai! Boa noite, amor ConsideraçãoHoje o fogo se apagou E sonhe enfim Considere, rapazNosso jogo terminou Pensando sempre em mim A possibilidade de ir pro JapãoVai prá onde Deus quizer Num cargueiro do Lloyd lavando o porãoJá é hora de Na carícia de um beijo Pela curiosidade de verDe voce partir Que ficou no desejo Onde o sol se escondeNão adianta mais ficar Boa noite, meu grande amor. Vê se compreende Pela simples razão de que tudo depende De determinação Determine, rapaz Onde vai ser seu curso de pós-graduação Se oriente, rapaz Pela rotação da Terra em torno do Sol Sorridente, rapaz Pela continuidade do sonho de Adão
  • O caçador de esmeralda Agnus sei João Bosco/Aldir Blanc/Cláudio Tolomei Elis – 1973 Verde que te quiero oro Bandeiras removendo a terra campo Esmeralda que aguarda agora No riacho além de Tordesilhas Meio de João Bosco/Aldir Blanc E Fernão se apaixonou como um selvagem Elis – 1973 Pela sereia do sertão Na água, imagem virgem Faces sob o sol, os olhos na cruz Miragem esverdeada Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã Gilberto Gil Vão levar ao reino dos minaretes No mel das abelhas e nos frutos Elis – 1973 A paz na ponta dos arietes O gosto dela, febre da paixão A conversão para os infiéis Prezado amigo Afonsinho Fernão se esmerava na conquista De esmeralda, inferno de Fernão Eu continuo aqui mesmo Para trás ficou a marca da cruz Aperfeiçoando o imperfeito Na fumaça negra vinda na brisa da manhã Dando tempo, dando um jeito E um dia no Fusca duas portas, dois amantes Ah, como é difícil tornar-se herói Desprezando a perfeição Fernão louco, Esmeralda desvairada Só quem tentou sabe como dói Que a perfeição é uma meta O enleio dos delirantes Vencer Satã só com orações Defendida pelo goleiro No Recreio dos Bandeirantes Que joga na seleção Ê andá pa Catarandá que Deus tudo vê E eu não sou Pelé, nem nada Ê andá pa Catarandá que Deus tudo vê Se muito for eu sou um Tostão Cabaré Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não!50 Fazer um gol nesta partida não é fácil, meu irmão Dominus dominium juros além Entrou de bola, e tudo! Todos esses anos agnus sei que sou também Mas ovelha negra me desgarrei João Bosco/Aldir Blanc O meu pastor não sabe que eu sei Elis – 1973 Da arma oculta na sua mão Na porta lentas luzes de neon Meu profano amor eu prefiro assim Na mesa flores murchas de crepon À nudez sem véus diante da Santa Inquisição E a luz grená filtrada entre conversas Ah, o tribunal não recordará Inventa um novo amor, loucas promessas Dos fugitivos de Shangri-Lá O tempo vence toda a ilusão De tomara-que-caia surge a crooner do norte Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte Ê andá pa Catarandá que Deus tudo vê Ê andá pa Catarandá que Deus tudo vê Ah, quem sabe de si nesses bares escuros Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não! Quem sabe dos outros, das grades, dos muros No drama sufocado em cada rosto A lama de não ser o que se quis A chama quase morta de um sol posto A dama de um passado mais feliz Um cuba-libre treme na mão fria Ao triste strip-tease da agonia De cada um que deixa o cabaré Lá fora a luz do dia fere os olhos Ah, quem sabe de si nesses bares escuros Quem sabe dos outros
  • Ladeira da Preguiça Gilberto Gil Elis – 1973 Comadre Essa ladeira Que ladeira é essa? Essa é a Ladeira da Preguiça João Bosco/Aldir Blanc Preguiça que eu tive sempre Folhas secas Elis – 1973 De escrever para a família Em tudo o que me acontecer E de mandar contar pra casa O dedo da comadre tá Que esse mundo é uma maravilha Na corda quando escurecer E pra saber se a menina já conta as estrelas Nélson Cavaquinho/Guilherme de Brito Anágua da comadre lá Elis – 1973 E sabe a segunda cartilha E pra saber se o menino já canta cantigas Branco de doer Quando eu piso em folhas secas E já não bota mais a mão na barguilha Me convidando a imaginar Caídas de uma mangueira E pra falar do mundo, falar uma besteira Se o vento bater Penso na minha escola Formenteira é uma ilha A ginga que a comadre dá E nos poetas da minha Estação Primeira Onde se chega de barco, mãe E a ginga da comadre tá Não sei quantas vezes Que nem lá Em tudo que me acontecer Subi o morro cantando Na Ilha do MedoNo copo que eu me embriagar Sempre o sol me queimando Que nem lá E assim vou me acabando Na Ilha do Frade Se relampejar Que nem lá Se eu adoecer Quando o tempo avisar Na Ilha de Maré Se a febre aumentar Que eu não posso mais sambar Que nem lá A comadre vem Sei que vou sentir saudade Salina das Margaridas Ao lado do meu violão Na palha que eu adormecer Da minha mocidade Essa ladeiraNas águas em que eu me lavar Que ladeira é essa? E na pitanga que eu morder Quando eu piso em folhas secas Essa é a Ladeira da Preguiça Na arapuca que eu armar Caídas de uma mangueira 51 Penso na minha escola Ela não é de hoje Onde eu me esconder E nos poetas da minha Estação Primeira Ela é desde quandoEm tudo quanto eu pude olhar Se amarrava cachorro com linguiça No que ouvi dizer Não sei quantas vezes A ginga da comadre tá Subi o morro cantando Sempre o sol me queimando É com esse que eu vouNo samba que eu me exceder E assim vou me acabando No doce que eu me lambuzar E assim vou me acabando Na hora que eu endoidecer E assim vou me acabando Pedro Caetano Se o sangue espirrar Elis – 1973 Se a ferida arder Se a boca chupar É com esse que eu vou A comadre vem Sambar até cair no chão É com esse que eu vou Desabafar na multidão Se ninguém se animar Eu vou quebrar meu tamborim Mas se a turma gostar Vai ser pra mim Eu quero ver O ronca ronca da cuíca Gente pobre, gente rica Deputado, senador Quebra, quebra Quero ver uma cabrocha boa No piano da patroa Batucando É com esse que eu vou
  • Conversando no bar Milton Nascimento/Fernando Brant Na batucada da vida Elis – 1974 Saudade do Brasil – 1980 Ary Barroso Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira Ponta de areia Elis – 1974 E o motorneiro parava a orquestra um minuto No dia em que eu apareci no mundo Para me contar casos da campanha da Itália Juntou uma porção de vagabundo Da orgia E de um tiro que ele não levou Milton Nascimento/Fernando Brant De noite, teve samba e batucada Levei um susto imenso nas asas da Pan Air Elis – 1974 Que acabou de madrugada Montreaux Jazz Festival – 1982 Em grossa pancadaria Descobri que as coisas mudam E que o mundo é pequeno nas asas da Pan Air Ponta de areia, ponto final Depois do meu batismo de fumaça Da Bahia à Minas, estrada natural Mamei um litro e meio de cachaça Que ligava Minas ao porto, ao mar Bem puxado E lá vai menino xingando padre e pedra Caminho do ferro mandaram arrancar E fui adormecer como um despacho Velho maquinista com seu boné Deitadinha no capacho na porta dos enjeitados Lembra o povo alegre que vinha cortejar E lá vai menino lambendo podre delícia E lá vai menino senhor de todo fruto Maria Fumaça, não canta mais Cresci olhando a vida sem malícia Para moças, flores, janelas e quintais Na praça vazia, um grito um ai Sem nenhum pecado, sem pavor Quando um cabo de polícia Despertou meu coração O medo em minha vida nasceu muito depois Casas esquecidas, viúvas nos portais E como eu fui pra ele muito boa Descobri que a minha arma Me soltou na rua à toa Desprezada como um cão É o que a memória guarda dos tempos da Pan Air O mestre-sala E hoje que eu sou mesmo da virada E que eu não tenho nada, nada Nada existe que não se esqueça dos mares E por Deus fui esquecida52 Alguém insiste e fala ao coração Irei cada vez mais me esmulambando Seguirei sempre cantando Tudo de triste existe que não se esquece Na batucada da vida Alguém insiste e fere o coração João Bosco/Aldir Blanc Travessia Nada de novo existe neste planeta Elis – 1974 Que não se fale aqui na mesa de bar Luz das estrelas – 1984 Há muito tempo nas águas da Guanabara Milton Nascimento/Fernando Brant E aquela briga e aquela fome de bola O dragão do mar apareceu Elis – 1974 Na figura de um bravo feiticeiro A quem a história não esqueceu E aquele tango e aquela dama da noite Quando você foi embora E aquela mancha e a fala oculta Conhecido como navegante negro Fez-se noite em meu viver Tinha a dignidade de um mestre-sala Forte eu sou, mas não tem jeito E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas Que no fundo do quintal morreu Hoje eu tenho que chorar Morri a cada dia dos dias que vivi Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Minha casa não é minha Jovens polacas e por batalhões de mulatas E nem é meu este lugar Cerveja que tomo hoje Estou só e não tem resisto É apenas em memória dos tempos da Pan Air Rubras cascatas Muito tenho pra falar Jorravam das costas dos santos Entre cantos e chibatas A primeira Coca-Cola foi, Solto a voz nas estradas, já não quero parar Me lembro bem agora, nas asas da Pan Air Inundando o coração Meu caminho é de pedra, como posso sonhar? Do pessoal do porão Sonho feito de brisa vento vem terminar Que a exemplo do feiticeiro gritava, então: A maior das maravilhas foi Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar Voando sobre o mundo nas asas da Pan Air Glória aos piratas, às mulatas, às sereias, Vou seguindo pela vida Glória à farofa, à cachaça, às baleias, Me esquecendo de você Em volta dessa mesa velhos e moços lembrando o que já foi Glória a todas as lutas inglórias Eu não quero mais a morte Que através da nossa história Tenho muito que viver Não esquecemos jamais. Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual Vou querer amar de novo Em volta dessas mesas existe a rua vivendo o seu normal E se não der não vou sofrer Salve o navegante negro Já não sonho, hoje faço Que tem por monumento Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais Com meu braço o meu viver Em volta da cidade... As pedras pisadas do cais
  • Dois Caça à raposa prá lá,dois João Bosco/Aldir Blanc Elis – 1974 prá ca O olhar dos cães A mão nas rédeas E o verde da florestaJoão Bosco/Aldir BlancElis – 1974 Dentes brancos, cães A trompa ao longe, o risoSentindo frio em minhalma Os cães, a mão na testaTe c onv i d e i p r a d a n ç a rA t u a vo z m e a c a l m av a Maria Rosa O olhar procura, antecipaSão dois pra lá, dois pra cá A dor no coração vermelho Senhorita e seus anéis, corcéisMeu coração traiçoeiro E a dor no coração vermelhoBatia mais que o bongô Lupicínio Rodrigues/Alcides GonçalvesTremia mais que as maracas Elis – 1974 O rebenque estala, um leque aponta: foi por láDescompassado de amor Vocês estão vendo aquela mulher de cabelos brancos Um olhar de cãoM i n h a c a b e ç a ro d a n d o Vestindo farrapos calçando tamancos As mãos são pernasRodava mais que os casais Pedindo nas portas pedaços de pão ? E o verde da florestaO teu perfume gardênia A conheci quando moça era um anjo de formosaE não me pergunte mais Seu nome: Maria Rosa, seu sobrenome: Paixão Oh, manhã entre manhãs A trompa em cima, os cãesA tua mão no pescoço Os trapos de suas vestes não é só necessidade Nenhuma frestaAs tuas costas macias Cada um, para ela, representa uma saudadePor quanto tempo rondaram Ou de um vestido de baile, ou de um presente , talvez O olhar se fecha, uma lembrançaA s min h a s n o i te s v a z i a s Que algum dos seus apaixonados lhe fez Afaga o coração vermelho Uma cabeleira sobre o fenoNo dedo um falso brilhante Quis certo dia Maria por a fantasia de tempos passados Afoga o coração vermelhoB rin c os i g u a i s a o c o l a r Por em sua galeria uns novos apaixonados 53E a ponta de um torturante Esta mulher que outrora a tanta gente encantou Montarias freiam, dentes brancos: terminouB an d- a i d n o c a l c a n h a r Nenhum olhar teve agora, nenhum sorriso encontrou Línguas rubras dos amantesEu hoje me embriagando E então dos velhos vestidos que foram outrora sua predileção Sonhos sempre incandescentesDe whisky com guaraná Mandou fazer essa capa de recordação Recomeçam desde instantesOuvi tua voz sussurrando Vocês Marias de agora, amem somente uma vez Que os julgamos mais ausentesSão dois pra lá, dois pra cá. Prá que mais tarde esta capa não sirva em vocês. Ah! recomecar, recomecar Como canções e epidemias Ah! recomeçar como as colheitas Como a lua e a covardia Ah! recomeçar como a paixão e o fogo E o fogo, e o fogo... O compositor me disse Gilberto Gil Elis – 1974 Compositor me disse que eu cantasse distraidamente essa canção. Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca vindo do pulmão. E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento, jogando as palavras pelo ar. O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento, sem ligar pras coisas que ele quis dizer. Que eu não pensasse em mim nem em você. Que eu cantasse distraidamente como bate o coração. E que eu parasse aqui. Assim..
  • Pois é Tom Jobim/Chico Buarque Elis & Tom – 1974 Modinha Tom Jobim/Vinícius de Morais Elis & Tom – 1974 Pois é... Fica o dito e o redito por não dito. E é difícil dizer que foi bonito. É inútil cantar o que perdi. Taí.. Nosso mais-que-perfeito está desfeito. E o que me parecia tão direito. Caiu desse jeito sem perdão. Não Não pode mais meu coração Então... Disfarçar minha dor eu não consigo. Dizer: – somos sempre bons amigos, é muita mentira para mim Viver assim dilacerado Escravizado a uma ilusão Que é só Desilusão Enfim... Hoje na solidão ainda custo a entender como o amor foi tão injusto pra quem só lhe foi dedicação. Ah, não seja a vida sempre assim Pois é... e então ... Como um luar desesperado A derramar melancolia em mim Poesia em mim Vai, triste canção, sai do meu peito E semeia a emoção Que chora dentro do meu coração Coração Só tinha de ser com você Tom Jobim/Chico Buarque Elis & Tom – 1974 É... só eu sei quanto amor eu guardei Triste54 Corcovado Sem saber que era só pra você É. Só tinha de ser com você Tom Jobim Elis & Tom – 1974 Tom Jobim havia de ser prá você Elis & Tom – 1974 Luz das estrelas – 1984 Montreaux Jazz Festival – 1982 Senão era mais uma dor Triste é viver na solidão Um cantinho, um violão Na dor cruel de uma paixão Este amor, uma canção Triste é saber que ninguém pode Senão não seria o amor Pra fazer feliz a quem se ama Viver de ilusão Que nunca vai ser Aquele que o mundo não vê O amor que chegou para dar Muita calma pra pensar Nunca vai dar E ter tempo pra sonhar O sonhador tem que acordar O que ninguém deu pra você Da janela vê se o Corcovado O Redentor, que lindo Tua beleza é um avião Demais pra um pobre coração Quero a vida sempre assim Que para pra te ver passar Só pra me maltratar É. Você que é feita de azul Com você perto de mim Me deixa morar nesse azul Até o apagar da velha chama Triste é viver na solidão Me deixa encontrar minha paz E eu que era triste Triste é viver na solidão Descrente desse mundo Na dor cruel de uma paixão Você que é bonita demais Ao encontrar você eu conheci Triste é saber que ninguém pode O que é felicidade, meu amor Viver de ilusão Que nunca vai ser Se ao menos pudesse saber Que eu sempre fui só de você Nunca vai dar O sonhador tem que acordar. Você sempre foi só de mim
  • Retrato em branco e preto InútilTom Jobim/Chico BuarqueElis & Tom – 1974 paisagemJá conheço os passos dessa estrada,Sei que não vai dar em nada,Seus segredos sei de cor.Já conheço as pedras do caminhoE sei também que ali sozinho Tom Jobim/Aloysio de OliveiraEu vou ficar tanto pior, Elis & Tom – 1974O que é que eu posso contra o encanto Mas pra que?Desse amor que eu nego tanto, evito tanto Pra que tanto céu? Pra que tanto mar, pra que?E que no entanto volta sempre a enfeitiçar De que serve esta onda que quebra e o vento da tarde?Com seus mesmos tristes velhos fatos De que serve a tarde? Inútil paisagemQue num álbum de retratos eu teimo em colecionar. Pode ser que nao venhas maisLá vou eu de novo como um tolo, Que não voltes nunca mais De que servem as flores que nascem pelos caminhosProcurar o desconsolo Se o meu caminho sozinho é nada?Que cansei de conhecer.Novos dias tristes, noites claras,Versos, cartas,Minha cara, ainda volto a lhe escreverPra lhe dizer que isso é pecado, Brigas nunca mais 55Eu trago o peito tão marcadoDe lembranças do passadoE você sabe a razão. Tom Jobim/Vinícius de MoraisVou colecionar mais um soneto, Elis & Tom – 1974Outro retrato em branco e preto Chegou, sorriu,A maltratar meu coração. Venceu, depois chorou. Então fui eu Quem consolou sua tristeza, Na certeza de que o amor O que tinha de ser Por toda minha vida Tem dessas fazes más, Que é bom para fazer as pazes Mas depois fui eu Tom Jobim/Vinícius de Morais Tom Jobim/Vinícius de Morais Elis & Tom – 1974 Quem dela precisou, Elis & Tom – 1974 E ela então me socorreu. Porque foste na vida E o nosso amor Meu bem-amado A última esperança Mostrou que veio pra ficar Quero fazer-te um juramento uma canção Encontrar-te me fez criança Mais uma vez, por toda a vida. Eu prometo, por toda a minha vida Porque já eras meu Bom é mesmo amar em paz, Ser somente tua e amar-te como nunca Sem eu saber sequer Brigas, nunca mais Ninguém jamais amou, ninguém Porque és o meu homem E eu tua mulher Meu bem-amado Estrela pura aparecida Porque tu me chegaste Eu te amo e te proclamo Sem me dizer que vinhas O meu amor E tuas mãos foram minhas com calma O meu amor Porque foste em minhalma Maior que tudo quanto existe Como um amanhecer Oh, meu amor Porque foste o que tinha de ser
  • Soneto de Chovendo na roseira Tom Jobim/Vinícius de Morais Elis & Tom – 1974 De repente do riso fez-se o pranto Tom Jobim Silencioso e branco como a bruma Elis & Tom – 1974 E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto Olha, está chovendo na roseira Que só dá rosa mas não cheira De repente da calma fez-se o vento A frescura das gotas úmidas Que dos olhos desfez a última chama Que é de Luísa E da paixão fez-se o pressentimento Que é de Paulinho E do momento imóvel fez-se o drama Que é de João Que é de ninguém De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante Pétalas de rosa carregadas pelo vento E de sozinho o que se fez contente Um amor tão puro carregou meu pensamento Fotografia Fez-se do amigo próximo, distante separação Olha, um tico-tico mora ao lado Fez-se da vida uma aventura errante E, passeando no molhado, De repente, não mais que de repente Adivinhou a primavera Tom Jobim Olha, que chuva boa, prazenteira Elis & Tom – 1974 Que vem molhar minha roseira Chuva boa, criadeira Eu, você, nós dois Que molha a terra Aqui neste terraço à beira-mar Que enche o rio O sol já vai caindo Cadeira vazia Que limpa o céu E o seu olhar Que traz o azul Parece acompanhar a cor do mar Pétalas de rosa carregadas pelo vento Você tem que ir embora56 Um amor tão puro carregou meu pensamento A tarde cai Lupicínio Rodrigues/Alcides Gonçalves Em cores se desfaz, Lupiscinio Rodrigues na Interpretacao de: – 1974 Olha, um tico-tico mora ao lado Escureceu E passeando no molhado O sol caiu no mar Entra meu amor fica a vontade Adivinhou a primavera E aquela luz E diz com sinceridade Lá em baixo se acendeu O que desejas de mim Olha, o jasmineiro está florido Entra podes entrar a casa é tua E o riachinho de água esperta Você e eu Já q u e c an saste d e v i ve r n a r u a Se lança embaixo do rio de águas calmas E teus sonhos chegaram ao fim Eu, você, nós dois Ah… você é de ninguém Sozinhos neste bar à meia-luz Eu sofri demais quando partiste E uma grande lua saiu do mar Passei tantas horas triste Parece que este bar já vai fechar Que nem devo lembrar esse dia Mas de uma coisa podes ter certeza E há sempre uma canção Que teu lugar aqui na minha mesa Para contar Tu a c a d e i r a a i n d a e s t á v a z i a Aquela velha história De um desejo Tu é s a f i l h a p r ó d i g a q u e v o l t a Que todas as canções Procurando em minha porta Têm pra contar O que o mundo não te deu E faz de conta que sou o teu paizinho E veio aquele beijo Que tanto tempo aqui fiquei sozinho Aquele beijo A esperar por um carinho teu Aquele beijo Voltaste, estás bem, estou contente Só que me encontraste muito diferente Vo u t e f a l a r d e t o d o o c o r a ç ã o N ão t e dare i c a r i n h o n e m a fe to Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto Prá te alimentar podes comer meu pão
  • Alto da Bronze Boi barroso Homens de pretoPaulo Coelho/Foquinha Folclore Paulo RuschelMúsica popular do sul – 1975 Música popular do sul – 1975 Música popular do sul – 1975Alto da Bronze, Eu mandei fazer um laço do couro do jacaré Os homens de preto trazendo a boiadaCabeça quebrada, Pra laçar o boi barroso, num cavalo pangaré Vêm rindo, cantando, dando gargalhadaPraça querida Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fezSempre lembrada Meu Boi Barroso, meu Boi PitangaA praça 11 da molecada O teu lugar, ai, é lá na canga Os homens de preto trazendo a boiadaPraça sem branco Vêm rindo, cantando, dando gargalhadaDo rato branco e do futebol Eu mandei fazer um laço do couro da jacutinga E o bicho coitado não pensa em nadaDa garotada endiabrada Pra laçar o boi barroso, lá no alto da restinga Só vai pela estrada direto a charqueadaDas manhãs de sol Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fezGuardo a eterna lembrança Meu Boi Barroso, meu Boi PitangaDo tempo feliz em que eu era criança O teu lugar, ai, é lá na canga Os homens de preto trazendo a boiadaDo tempo em que a vida era Vêm rindo, cantando, dando gargalhadaDa minha infância a grande quimera Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fezHoje eu, pobre profano,Me lembro de ti e dos meus desenganos Os homens de preto trazendo a boiadaÓ, meu Alto da Bronze dos meus oito anos Vêm rindo, cantando, dando gargalhada E o bicho coitado não pensa em nada Só vem pela estrada, vem, berrando, berrando, vem berrando 57 O gado coitado, nasceu, foi marcado Aí vai condenado na estrada berrando A querência deixando Os homens marvado empurrando e gritando Toca boi, toca boi O gado coitado, nasceu foi marcado Aí vai condenado direto a charqueada Mas manda a poeira no rumo de Deus Berrando pra ele dizendo pra Deus Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez Os homens de preto, empurrando a boiada Vêm rindo, cantando, dando gargalhada Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez
  • Como nossos pais Belchior Falso brilhante – 1976 Não quero lhe falar, meu grande amor Das coisas que aprendi nos discos Quero lhe contar como eu vivi E tudo o que aconteceu comigo Viver é melhor que sonhar E eu sei que o amor é uma coisa boa Mas também sei que qualquer canto É menor do que a vida de qualquer pessoa Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina Eles venceram e o sinal está fechado pra nós Que somos jovens Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz Você me pergunta pela minha paixão Digo que estou encantado com uma nova invenção Velha roupa colorida Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão Belchior Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação Falso brilhante – 1976 Eu sei de tudo da ferida viva no meu coração Já faz tempo eu vi você na rua Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo Voce não sente, não vê Cabelo ao vento e gente jovem reunida Que uma nova mudança em breve vai acontecer Na parede da memória58 Essa lembrança é o quadro que dói mais O que há algum tempo era novo e jovem Minha dor é perceber E precisamos todos rejuvenescer Hoje é antigo Que apesar de termos feito tudo que fizemos Ainda somos os mesmos e vivemos Nunca mais seu pai falou "Shes leaving home" Como nossos pais E meteu o pé na estrada "Like a Rolling Stone..." Nossos ídolos ainda são os mesmos Para correr no seu carro Nunca mais você buscou sua menina E as aparências não se enganam, não Loucura, chiclete e som Você diz que depois deles Não apareceu mais ninguém Nunca mais você saiu a rua em grupo reunido Você pode até dizer que tou por fora Cabelo ao vento O dedo em V Ou então que tou inventando Amor e flor Mas é você que ama o passado e que não vê Que é do cartaz É você que ama o passado e que não vê Que o novo sempre vem No presente a mente, o corpo é diferente Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia E o passado é uma roupa que não nos serve mais De uma nova consciência e juventude Como Poe, poeta louco americano, Está em casa guardado por Deus Eu pergunto ao passarinho blackbird, o que se faz? Contando o vil metal Minha dor é perceber Blackbird me responde: E raven, never, raven, never, raven Que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos "Tudo ja ficou pra trás" Nós ainda somos os mesmos e vivemos E raven, never, raven, never, raven Ainda somos os mesmos e vivemos Assum preto me responde: Como os nossos pais "O passado, nunca mais!"
  • Um por todos (Versão 1) Um por todos (Versão 2) João Bosco/Aldir Blanc Falso brilhante – 1976 João Bosco/Aldir Blanc Los hermanos Do ventre chão da terra mãe Do ventre chão da terra mãe Atahualpa Yupanqui Nasce o herói improvisado Nasce o beato improvisado Falso brilhante – 1976 Querido filho pranteado da fortuna e do acaso Querido filho pranteado da fortuna e do acaso Yo tengo tantos hermanos Avante! Um por todos e todos por um! Avante! Um por todos e todos por um! Que no los puedo contar Ficam, das lutas ao longe, Ficam, das lutas de um homem, En el valle, la montaña Duas medalhas pregadas Bustos de bronze e histórias En la pampa y en el mar Em peito de bronze Que as horas consomem Cada cual con sus trabajos Con sus sueños cada cual E as bandeirinhas e as rifas E as bandeirinhas e as rifas Con la esperanza delante O foguetório e a fanfarra O foguetório e a fanfarra Con los recuerdos detrás Meio velório, meio farra Meio velório, meio farra Yo tengo tantos hermanos O sentimento dos teus pares O sentimento dos teus pares Que no los puedo contar Heróis dos escolares e das lavadeiras Senhor dos escolares e das lavadeiras Gente de mano caliente Oh! Deus das mocas solteiras Oh! Deus das moças solteiras Por eso de la amistad Que rezam ao teu retrato sobre a penteadeira Que rezam ao teu retrato sobre a penteadeira Con un lloro pa llorarlo Con un rezo pa rezar Eu te conheço Eu te conheço Con un horizonte abierto Sei preço da fama e nao esqueço Sei preço da fama e nao esqueço Que siempre esta mas allá Que deitei em tua cama, em teu berço Que deitei em tua cama, em teu berço Y esa fuerza pa buscarlo Eu sei teu preço Eu sei teu preço Con tesón y voluntad Eu te conheço Eu te conheço Cuando parece mas cerca Meu oportuno herói Meu milagroso irmão Es cuando se aleja mas Yo tengo tantos hermanos Eu lavo as mãos Eu lavo as mãos Que no los puedo contar 59 Pôncio cônscio pilhado em flagrante Pôncio cônscio pilhado em flagrante Lavo as mãos e prossigo adiante Lavo as mãos e prossigo adiante Y así seguimos andando Eu por mim mesma Eu por mim mesma Curtidos de soledad Todos por mim Todos por mim Nos perdemos por el mundo Meu oportuno herói Meu milagroso irmão Nos volvemos a encontrar Y así nos reconocemos Por el lejano mirar Por las coplas que mordemos Semillas de inmensidad. Fascinação Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar Y así seguimos andando Curtidos de soledad F. D. Marchetti/M. de Feraudy/Vs. Armando Louzada Falso brilhante – 1976 Y en nosotros nuestros muertos Transversal do tempo – 1978 Pa que nadie quede atrás O teu corpo é luz, sedução Yo tengo tantos hermanos Os sonhos mais lindos sonhei Poema divino cheio de esplendor Que no los puedo contar De quimeras mil um castelos ergui Teu sorriso prende Y una hermana muy hermosaQuero E no teu olhar, tonto de emoção Me enebria, entontece Que se llama libertad Com sofreguidão mil venturas vivi És fascinação amorThomas RothFalso brilhante – 1976Quero ver o sol atrás do muro Quero uma estrada que leve à verdade Quero voar de mãos dadas com você Quero rodar nas asas do girassolQuero um refúgio que seja seguro Quero a floresta em lugar da cidade Ganhar o espaco em bolhas de sabão Fazer cristais com gotas de orvalhoUma nuvem branca, sem pó nem fumaça Uma estrela pura de ar respirável Escorregar pelas cachoeiras Cobrir de flores campos de açoQuero um mundo feito sem porta, vidraça Quero um lago limpo de água potável Pintar o mundo de arco-íris Beijar de leve a face da lua
  • Gracias a la vida Violeta Parra Falso brilhante – 1976 O cavaleiro e os moinhos Gracias a la vida, que me ha dado tanto Me dio dos luceros, que cuando los abro Perfecto distingo lo negro del blanco Y en el alto cielo su fondo estrellado Jardins da infância Y en las multitudes el hombre que yo amo João Bosco/Aldir Blanc Falso brilhante – 1976 Acreditar na existência dourada do sol Gracias a la vida, que me ha dado tanto João Bosco/Aldir Blanc Mesmo que em plena boca Falso brilhante – 1976 Nos bata o açoite contínuo da noite Me ha dado el oído que, en todo su ancho É como um conto de fadas Graba noche y día grillos y canarios Arrebentar a corrente que envolve o amanhã Tem sempre uma bruxa pra apavorar Despertar as espadas Martillos, turbinas, ladridos, chubascos O dragão comendo gente Varrer as esfinges das encruzilhadas A bela adormecida sem acordar Y la voz tan tierna de mi bien amado Tudo o que o mestre mandar Todo esse tempo foi igual a dormir num navio E a cabra cega roda sem enxergar Sem fazer movimento Gracias a la vida, que me ha dado tanto Mas tecendo o fio da água e do vento E você se escondeu Me ha dado el sonido y el abecedario E você esqueceu Eu, baderneiro, me tornei cavaleiro Con él las palabras que pienso y declaro Malandramente pelos caminhos Pique-papos tem distância "Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando Meu companheiro tá armado até os dentes60 Pés pisando em ovos, veja você Já não há mais moinhos como os de antigamente La ruta del alma del que estoy amando Um tal de pular fogueira, Pistolas, morteiros, vejam vocês Pega malhação de judas Tatuagem Gracias a la vida, que me ha dado tanto E quebra-cabeças, vejam vocês Me ha dado la marcha de mis pies cansados E você se escondeu Con ellos anduve ciudades y charcos E você não quis ver Playas y desiertos, montañas y llanos Olha o bobo na berlinda Y la casa tuya, tu calle y tu patio Chico Buarque Olha o pau no gato Falso brilhante – 1976 Polícia e ladrão Tem carniça e palmatória bem no teu portão Quero ficar no teu corpo feito tatuagem Que é pra te dar coragem pra seguir viagem Gracias a la vida que me ha dado tanto Você vive o faz de conta Quando a noite vem Me dio el corazón, que agita su marco Diz que é de mentira E também pra me perpetuar em tua escrava Que você pega, esfrega, nega, mas não lava Cuando miro el fruto del cerebro humano Brinca até cair Cuando miro al bueno tan lejos del malo Chicotinho tá queimando, mamãe posso ir Quero brincar no teu corpo feito bailarina Que logo te alucina, salta e te ilumina Cuando miro el fondo de tus ojos claros Pique-papos tem distância Quando a noite vem Pés pisando em ovos, bruxa, dragão E nos músculos exaustos do teu braço Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço Gracias a la vida que me ha dado tanto Um tal de pular fogueira E a cabra cega vai de roldão Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto Pega malhação de judas Así yo distingo dicha de quebranto Quero pesar feito cruz nas tuas costas E um passarinho morto no chão Que te retalha em postas mas no fundo gostas Quando a noite vem Los dos materiales que forman mi canto E você conheceu Y el canto de ustedes que es el mismo canto Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva E você aprendeu Y el canto de todos que es mi propio canto Marcada a frio, a ferro e fogo em carne viva Corações de mães, arpões Sereias e serpentes Que te rabiscam o corpo todo Mas não sentes...
  • ColagemClaudio Lucci Vecchio novo Claudio Lucci/José Maria PereiraElis – 1977 Elis – 1977Se você com muita calma usar sua raça Amor sem pé nem cabeçaVai surpreender Que vive dentro de nósA surpresa para muitos é uma arma Explode tão facilmentePra se esconder E sem mais nos esquece sóSe esconder não é tão bom Quantos e tantos presságios Que, por instantes, nos fazPra viver, pra morrer Sentir ser forte, moleque E estranhamente encararSe você lembrar que tudo é relativoVai compreender Um belo poema novoMas a compreensão por vezes tão sensata Vecchio de tanto amorVai lhe conter Amar Vecchio em canto novoSe conter não é tão bom Sempre aqui onde estáPra viver, pra morrer Ah, se eu pudesse abarcarSe você tentar despir essa colagem A força da alma vadiaVai se perder Como um costume lealE a perda de si próprio é quase um passo Eu até que não brincariaPra conceder Como um poema novo Vecchio de tanto amor 61Conceder não é tão bom AmarPra viver, pra morrer, pra nascer Vecchio em canto novo Cartomante Sempre aqui onde estáSomos homens sem lugarHomens velhos com raça Amor sem pé nem cabeça Ivan Lins/Vítor MartinsÀ espera de algum descuido Que vive dentro de nósE com cuidado gozamos paz Explode tão Sutilmente Elis – 1977 Transversal do tempo – 1978Somos homens bons demais E, maroto, nos deixa sóSufocados pelo mal Nos dias de hoje é bom que se proteja Ofereça a face pra quem quer que seja Qualquer dia Nos dias de hoje esteja tranqüiloSó queremos acreditar Haja o que houver pense nos seus filhosQue isso tudo pode acabar Ivan Lins/Vítor Martins Não ande nos bares, esqueça os amigos Elis – 1977 Não pare nas praças, não corra perigo Não fale do medo que temos da vida Nessa calma sertaneja Não ponha o dedo na nossa ferida De quem sabe o que fareja Eu te encontro qualquer dia Nos dias de hoje não lhes dê motivo Eu te encontro qualquer dia Porque na verdade eu te quero vivo Tenha paciência, Deus está contigo Já conheço os teus rastros Deus está conosco até o pescoço Já comi no teu prato Já bebi tua cerveja Já está escrito, já está previsto Eu conheço o teu cheiro Por todas as videntes, pelas cartomantes Eu te encontro qualquer dia Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas Ah! Eu te encontro qualquer dia No jogo dos búzios e nas profecias Logo quem me julgava morto Cai o rei de Espadas Mas esquecendo a qualquer custo Cai o rei de Ouros Vai morrer de medo e susto Cai o rei de Paus Quando abrir a porta Cai, não fica nada
  • Morro velho Milton Nascimento Elis – 1977 No sertão da minha terra Fazenda é o camarada que ao chão se deu Fez a obrigação com força Parece até que tudo aquilo ali é seu Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer Orgulhoso camarada de viola em vez de enxada Filho do branco e do preto Correndo pela estrada atrás de passarinho Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos Sempre pequeninos Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver Orgulhoso camarada conta histórias prá moçada Filho do senhor vai embora Tempo de estudos na cidade grande Parte, tem os olhos tristes Deixando o companheiro na estação distante Não esqueça, amigo, eu vou voltar Some longe o trenzinho ao deus-dará Quando volta já é outro Trouxe até sinhá mocinha prá apresentar Linda como a luz da lua Que em lugar nenhum rebrilha como lá Já tem nome de doutor62 E agora na fazenda é quem vai mandar E seu velho camarada já não brinca mais, trabalha Caxangá Milton Nascimento/Fernando Brant Elis – 1977 (Com Milton) Trem azul – 1982 Sempre no coração, haja o que houver A fome de um dia poder moder a carne dessa mulher Veja bem meu patrão como pode ser bom Você trabalharia no sol e eu tomando banho de mar Luto para viver, vivo para morrer Enquanto minha morte não vem eu vivo de brigar contra o rei Em volta do fogo todo mundo abrindo o jogo Conta o que tem pra contar Casos e desejos, coisas dessa vida e da outra Mas nada de assustar Quem não é sincero sai da brincadeira correndo Pois pode se queimar Queimar!!! Saio do trabalho e... volto para casa e... Não lembro de canseira maior Em tudo é o mesmo suor
  • Tr a n s v e r s a l d o t e m p o João Bosco/Aldir Blanc Elis – 1977 As coisas que eu sei de mim são pivetes da cidade. Pedem, insistem e eu me sinto pouco à vontade. Fechada dentro de um táxi, numa transversal do tempo. Acho que o amor é a ausência de engarrafamento. As coisas que eu sei de mim tentam vencer a distância. E é como se aguardassem feridas numa ambulância. As pobres coisas que eu sei podem morrer, mas espero. Como se houvesse um sinal sem sair do amarelo.A dama do apocalipseNatan Marques/Crispin del CistiaElis – 1977 RomariaBranco por cima e o negro de um sorriso herói Sentimental eu ficoTrancam-me a mente e eu nego o quanto a dor destrói Renato TeixeiraRasgam-me o sonho e o mal me põe na vida Elis – 1977 63E a vida me faz sem medo É de sonho e de pó, o destino de um só Renato Teixeira Elis – 1977 Feito eu perdido em pensamentosNos diademas, pragas, anjos de neon Sobre o meu cavalo Sentimental eu fico É de laço e de nó, de gibeira o jiló,Nos holocaustos trompas, flexas, megatons Quando pouso na mesa de um bar Dessa vida cumprida a sol Eu sou um lobo cansado carenteRasgam-me a terra e o fogo traz a vida De cerveja e velhos amigos Sou caipira, PiraporaE a vida não traz segredo Nossa Senhora de Aparecida Na costura da minha vida mais um ponto Ilumina a mina escura e funda No arremate do sorriso mais um nó O trem da minha vida Aqui pra nós cantar não tá pra peixeFecha-se o ar e o sol se nega Tem coisa transformando a água em pó O meu pai foi peão, minha mãe solidãoNega-se o pão e a paz Meus irmãos perderam-se na vida E apesar de estar no bar caçando amores Em busca de aventurasE o amor me cega Eu nego tudo e invento explicações Descasei, joguei, investi, desisti Amigo velho amar não me compete Se há sorte eu não sei, nunca vi Eu quero é destilar as emoçõesSete rajadas correm, somem Me disseram porém que eu viesse aquiE uma mulher Sentimental eu fico Pra pedir em romaria e prece Quando pouso na mesa de um bar Paz nos desaventosSe entrega e se impõe ardente Eu sou um lobo cansado carente Como eu não sei rezar, só queria mostrar De cerveja e velhos amigos Meu olhar, meu olhar, meu olharConstante, serpente, vulgar E os projetos todos tolos combinados Perecerão nas margens da manhãRasga-se o sonho e o corpo sente a dor crescer Uma tontura solta na cabeçaAbre-se a mente e o cego vê a luz nascer Um olho em Deus e outro com satãTrava-se a guerra e o fogo faz a vida E quando o sol raiar desentendidoE a vida não tem segredo Eu vou ferir a vista na manhã E olharei pra quem vai pro trabalho Com os olhos feito os olhos de uma rã
  • O rancho da goiabada João Bosco/Aldir Blanc Transversal do tempo – 1978 Os boias-frias Quando tomam umas biritas Espantando a tristeza Sonham com bife à cavalo, batata-frita E a sobremesa É goiabada cascão Com muito queijo Depois café, cigarro E um beijo de uma mulata Chamada Leonor ou Dagmar Sinal Fechado Amar O rádio de pilha O fogão jacaré A marmita Deus lhe pague Paulinho da Viola O domingo Transversal do tempo – 1978 O bar Onde tantos iguais – Olá, como vai? Se reúnem contando mentiras – Eu vou indo, e você, tudo bem? Chico Buarque Pra poder suportar – Tudo bem, eu vou indo correndo Transversal do tempo – 1978 Pegar meu lugar no futuro. E você? Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras são passistas – Tudo bem, eu vou indo em busca A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir São flagelados, são pingentes, balconistas De um sono tranqüilo, quem sabe? Por me deixar respirar, por me deixar existir Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados – Quanto tempo… Deus lhe pague Dançando, dormindo de olhos abertos à sombra da alegoria – Pois é, quanto tempo… Dos faraós embalsamados64 – Me perdoe a pressa Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí" É a alma dos nossos negócios. Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir – Oh! não tem de quê Um crime pra comentar e um samba pra distrair Eu também só ando a cem – Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí – Pra semana, prometo, talvez nos vejamos – Quem sabe? Deus lhe pague Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi Deus lhe pague Construção Chico Buarque Transversal do tempo – 1978 – Quanto tempo… – Pois é, quanto tempo… Amou daquela vez como se fosse a última Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir Beijou sua mulher como se fosse a última Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir E cada filho seu como se fosse o único – Tanta coisa que eu tinha a dizer Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair E atravessou a rua com seu passo tímido Mas eu sumi na poeira das ruas Deus lhe pague – Eu também tenho algo a dizer Subiu a construção como se fosse máquina Mas me foge a lembrança Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir Ergueu no patamar quatro paredes sólidas – Por favor, telefone, eu preciso beber Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir Tijolo com tijolo num desenho mágico Alguma coisa, rapidamente E pelo grito demente que nos ajuda a fugir Seus olhos embotados de cimento e lágrima – Pra semana... Deus lhe pague – O sinal... Sentou pra descansar como se fosse sábado – Eu procuro você... Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe – Vai abrir... E pelas moscar-bicheiras a nos beijar e cobrir Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago – Prometo, não esqueço E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Dançou e gargalhou como se ouvisse música – Por favor, não esqueça Deus lhe pague – Adeus, E tropeçou no céu como se fosse um bêbado – Não esqueço, adeus. E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
  • Querelas do Brasil Maurício Tapajós/Aldir BlancBoto Transversal do tempo – 1978 O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Cão sem donoTom Jobim/Jararaca Tapi, jabuti, iliana, alamandra, alialaúdeTransversal do tempo – 1978 Piau, ururau, aquiataúde Piau, carioca, moreca, meganhaA praia de dentro tem areia Jobim akarare e jobim açuA praia de fora tem o mar Sueli Costa/Paulo César Pinheiro Oh, oh, oh Transversal do tempo – 1978Um boto casado com sereia Pererê, camará, gororó, olererê É nas noites que eu passo sem sono Piriri, ratatá, karatê, olaráNavega num rio pelo mar Entre o copo, a vitrola e a fumaça Que ergo a torre do meu abandono O Brazil não merece o Brasil E que caio em desgraça O Brazil tá matando o BrasilO corpo dum bicho deu na praia É nas horas em que a noite faz frio Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha E a lembrança ao castigo me arrastaE a alma perdida quer voltar Sertões, guimarães, bachianas, águasCaranguejo conversa com arraia Solidão é o carrasco sombrio E marionaíma, ariraribóia E a saudade a vergasta Na aura das mãos do jobim açuMarcando a viagem pelo ar Oh, oh, oh Se eu cantar a alegria sai falsa Se eu calar a tristeza começa Gererê, sarará, cururu, olerêAinda ontem vim de lá do Pilar E eu prefiro dançar uma valsa Ratatá, bafafá, sururu, olaráOntem vim de lá do Pilar Que ouvir uma peça Do Brasil S.O.S. ao BrasilCom vontade de ir por aí E eu recuo, eu prossigo e eu me ajeito Eu me omito, eu me envolvo e eu me abalo Tinhorão, urutú, sucuri 65 Eu me irrito, eu odeio, eu exito O Jobim, sabiá, bem-te-viNa ilha deserta o sol desmaia Eu reflito e me calo Cabuçu, cordovil, Caxambi, olerêDo alto do morro vê-se o mar Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Pari, olerêPapagaio discute com Jandaia Ipanema e Nova Iguaçu, olaráSe o homem foi feito pra voar Do Brasil S.O.S. ao Brasil Do Brasil S.O.S. ao BrasilInhambu cantou lá na florestaE o velho Jereba fêz-se ao arSapo querendo entrar na festaViola pesada pra voar Saudosa maloca Adoniran BarbosaAinda ontem vim de lá do Pilar Transversal do tempo – 1978Ontem vim de lá do Pilar Se o sinhô não tá lembrado, dá licença de contar.Com vontade de ir por aí Ali onde agora está este adifício arto, era uma casa véia, um palacete assobradado. Foi aqui seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca, construimo nossa maloca. Mais um dia – nóis nem pode se alembrá – veio os home co’as ferramenta e o dono mandô derrubá. Peguemos todas nossas coisa, e fumos pro meio da rua apreciá a demolição.Camiranga, urubu, mestre do ventoUrubu caçador, mestre do ar Que tristeza que nóis sentia. Cada táuba que caía doía no coração. Matogrosso quis gritar, mas por cima eu falei: – Os home tá coa razão. Nóis arranja outro lugar.Urutau cantando num lamentoPra lua redonda navegar Só se conformemo quando o Joca falou: – Deus dá o frio conforme o cobertor. E hoje nóis pega paia nas grama do jardim. E pra esquecer nóis cantemos assim: – Saudosa maloca... maloca querida! Dim dim donde nóis passemo os dias feliz da nossa vida.
  • Meio-termo Lourenço Baeta/Cacaso Transversal do tempo – 1978 Ah! como eu tenho me enganado... Como tenho me matado por ter demais confiado nas evidências do amor. Como tenho andado certo... como tenho andado errado... Por seu carinho inseguro... por meu caminho deserto... Como tenho me encontrado... como tenho descoberto a sombra leve da morte passando sempre por perto. E o sentimento mais breve rola no ar e descreve a eterna cicatriz. Mais uma vez... mais de uma vez... Quase que fui feliz.66 A barra do amor é que ele é meio êrmo. A barra da morte é que ela não tem meio-termo. Corpos Ivan Lins/Vítor Martins Transversal do tempo – 1978 Existem mais mundos, ou altos ou fundos, entre eu e você. Existem mais corpos, ou vivos ou mortos, entre eu e você. Procure saber... procure em você... procure em mim. Procure em todos... na lama, no lodo, na febre, no fogo. Existem mais mundos, ou altos ou fundos, entre eu e você. Existem mais corpos, ou vivos ou mortos, entre eu e você.
  • Violeta de Belford Roxo João Bosco/Aldir Blanc Elis especial – 1979 Vivia entre bordados Pensativa Violeta Ou bola ou búlicaNoves fora A branca adolescente De raro encanto e mão frias João Bosco/Aldir Blanc Elis especial – 1979 Mão fria, coração quente É tanto nem se discute no meio, tou meia tantã, lélé.Fagner/Belchior Quem te botou quebranto Mas ninguém fica pra sempre na frente de "vejo amanhã" pois é.Elis especial – 1979 Vivia triste no canto Barba, cabelo, bigode, na marra você me arrancou, mas quem Passando as contas do terço tem cabelinho na venta, não senta, não vai nesse andor, morou?Meu Deus! São José tirando a barbaO que é que eu faço? Me lembra alguém que eu conheço Chega, já foi tempo do "tá louca"Tua beleza tá me carregando pelo braço Chega, dá o fora que eu tou nas bocas Um dia um menino cego Chega, eu nunca mais dormi de toucaDa laranja eu quero um gomo Tocou Violeta e viu Chega eu nunca mais, nunca maisDo limão quero um pedaço E depois o surdo ouviuE da menina mais bonita Chagas sumiram, curou-se o coxo Selo, carimbo, estampilha no centro da cuca eu levei, calei.Eu quero um beijo e um abraço Por obra e graça Mas sou marraio no jogo, no tronco ferido eu sou rei, falei. De santa Violeta de Belfort Roxo Tempo há pro tabibitati sotaque só falta engasgar, porqueÉ tudo ou nadaNoves fora nada é bola ou búlica, é fogo esse jogo, não dá pra enganar, nêga. E, milagre dos milagresÉ tudo ou nada Sem jamais haver provado Dá o fora sua louca.Noves fora nada O leito nupcial Eu nunca mais vou dormir de touca. Violeta deu à luzJa rezei até pro meu santo Um bebê de vitral, em meio ao "É hoje só"Na terra Canindé Da terça de carnavalQue me dê amor bem grandeQue pequeno não dá pé 67 O alentado rebento Vai se chamar Juvenal CredoÉ tudo ou nada Por sinal o mesmo nomeNoves fora nada De um sargento do local Dinorah, DinorahÉ tudo ou nadaNoves fora nada Ivan Lins/Vítor Martins Elis especial – 1979A tua falta somadaA minha vida tão diminuida Quando a turma reunia alguém sempre pediaCom esta dor multiplicada Milton Nascimento/Fernando BrantPelo fator despedida Ah, Dinorah, Dinorah Elis especial – 1979 E o malandro descrevia e logo já se viaDeixou minha alma muito dividida Caminhando pela noite de nossa cidade É, Dinorah, DinorahEm frações tão desiguais Acendendo a esperança e apagando a escuridão Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade E até que ela chegasse a um motel de classeE desde a hora Viver derramando a juventude pelos corações Ui, Dinorah, DinorahEm que você foi emboraSou um zero e nada mais Dava um frio na barriga e pé pra muita briga Tenha fé no nosso povo que ele resiste Ui, Dinorah, DinorahUm, dois, trêsEne infinito Tenha fé no nosso povo que ele insiste E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão E nos espelhos ela se despeDo meu lado esquerdoÉ você que é demais Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova Dança nos olhos uma chacrete Viver semeando a liberdade em cada coração E o pessoal na pior: repete! Tenha fé no nosso povo que ele acorda Tenha fé em nosso povo que ele assusta Mas o verdadeiro fato está dentro do quarto Ui, Dinorah, Dinorah Caminhando e vivendo com a alma aberta Ele abre o seu armário e vê no calendário Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal É, Dinorah, Dinorah Vamos, companheiros pelas ruas de nossa cidade E se abraça em frente a ela, o terno, o corpo dela Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real Ui, Dinorah, Dinorah Caminhemos pela noite com a esperança Desenhando na lapela a boca, o beijo dela Caminhemos pela noite com a juventude Ah, Dinorah, Dinorah
  • Joana francesa Chico Buarque Elis especial – 1979 Bodas de prata João Bosco/Aldir Blanc Elis especial – 1979 Tu ris, tu mens trop Luz das estrelas – 1984 Tu pleures, tu meurs trop Você fica deitada de olhos arregalados Ou andando no escuro de peignoir Tu as le tropique Não adiantou nada Cortar os cabelos e jogar no mar Dans le sang et sur la peau Não adiantou nada o banho de ervas Não adiantou nada o nome da outra Geme de loucura e de torpor No pano vermelho pro anjo das trevas Ele vai voltar tarde cheirando à cerveja Já é madrugada Se atirar de sapatos na cama vazia E dormir na hora mormurando: "Dora" Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda Mas você é Maria Você fica deitada com medo do escuro Mata-me de rir Ouvindo bater no ouvido O coração descompassado Fala-me de amor É o tempo, Maria, te comendo feito traça Num vestido de noivado Songes et mensonges Sei de longe e sei de cor Entrudo Geme de prazer e de pavor Já é madrugada68 Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda Carlos Lyra Elis especial – 1979 Bonita Vem, oh minha amada Desce a estrada de rainha Vem molhar meu colo Vou te consolar Num passo de rancho corre o manto Tom Jobim/Gene Lees/Ray Gilbert No medo e espanto morre minha alegria Vem, mulato mole Elis especial – 1979 Vem, oh, fantasia Dance dans mes bras What can I say to you Bonita Arrasta a saia, rasga o dia What magic words would capture you Meu passo é o compasso na avenida Like a soft evasive mist you are Bonita Teu riso que dança, trança, triste e sofrido Vem, moleque me dizer Onde é que está You fly away when love is new What do you ask of me Bonita Se meu abandono Ton soleil, ta braise What part do you want me to play Em cinzas frias amanhece Shall I be the clown for you Bonita Mas o sangue não se cansa I will be anything you say Não se esquece de chamar Bonita Dont run away Bonita E eu abro alas, jogo lanças Quem me enfeitiçou O mar, marée, bateau Bonita Serpentinas de cores feridas Dont be afraid to fall in love with me E rompo estandartes na avenida em dor Tu as le parfum I love you Sem céu, sem luz, sem sol, sem cor I tell you I love you, De la cachaça e de suor Bonita Mas vem, ou tudo ou nada If you love me Meu entrudo, minha espera Life will be beautiful Meus campos de guerra, vem amada Geme de preguiça e de calor Bonita, Bonita De tanto que eu chamo, canto, peço e preciso Já é madrugada Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
  • Cai dentro Baden Powell/Paulo César Pinheiro Essa mulher – 1979 Montreaux Jazz Festival – 1982 Até que eu vou gostar Se de repente combina da gente se cruzar Ora, veja só, pois é, pode apostar Se você gosta de samba, encosta e ve se dáValsa rancho Francis Hime/Chico Buarque Vem Elis especial – 1979 Pode chegar Que vai ter Valsa, rancha Me valsa De balancear Me faz esquecer Me rancha De bambolear Esperar Me faz E aqui no mocó Em mil lágrimas Me deixa Tem que dizer no gogó Mil lágrimas Que criança Pois é, vem Mil lágrimas Que esperança Tem que dar nó, vem Que prazer Rebolar, remexer, requebrar, vem Valsa, rancha Que saudade Me faz responder Que maldade Bota a baiana pra rodar Transbordar Piedade De cima em baixo eu quero ver Em mil lágrimas Que fartura Não sossego o facho até acabar Mil lágrimas Que loucura Diz que isso é com você Mil lágrimas Que cruel tortura Nos carinhos teus Quaquaquá-quará-quaquá Mil abraços Minha santa criatura Mil fracassos Diz que jura Tem nêgo querendo lhe gozar Meu delírio Pela mãe de Deus E logo prá cima de “moi” Teus pedaços E é por isso que nao tem colher de chá... Não dou Teu calor Valsa, rancha Nem vem na cola, que se entrar de sola vai dançar Seja feito Me faz desfazer E é prá nunca mais você poder falar 69 Teu desejo Descansar Que dá na bola porque na bola você não dá.Viu? Seja um beijo De mil lágrimas Seja como for Mil lágrimas Deixa o mundo e o sol entrar Quantos braços Mil lágrimas Mil regaços Valsa rancha Mil e um noites Me faz duvidar Faz um outra vez Delirar Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle Como se ainda fosse Prometer Elis especial – 1979 Como é doce Desatar De repente, vejo bem Como você fez Responder Eu sou alguém com medo de viver Transbordar Sou prisioneiro das coisas que eu amei Devolver Mas não tem sentido estar na vida Me acabar Preso a quem não quero mais Devagar Desmaiar De outro lado está você Com você Nessas promessas vou, quase sem ver Que esse amor aflito, guardado só pra nós De tão grande já não dá no quarto Pede o mundo e a luz do sol Meu passado já morreu Quem veio dele, sei, vai me entender Que o amor existe enquanto há paixão Siga minha amiga pela vida E que eu viva um novo amor De outro lado estamos nós Sem compromissos, vem, sem lar, sem lei Siga minha amante enquanto houver amor Abre as portas todas deste quarto Deixa o mundo e o sol entrar
  • O bêbado e a equilibrista João Bosco/Aldir Blanc Essa mulher – 1979 Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos A lua, tal qual a dona de um bordel Pedia a cada estrela fria Essa mulher Um brilho de aluguel Joyce/Ana Terra Essa mulher – 1979 E nuvens, lá no mata-borrão do céu De manhã cedo essa senhora se conforma Chupavam manchas torturadas Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos Que sufoco! Ah, como essa santa não se esquece Louco! De pedir pelas mulheres, pelos filhos, pelo pão O bêbado com chapéu-coco Depois sorri meio sem graça Fazia irreverências mil E abraça aquele homem, aquele mundo que a faz assim feliz Pra noite do Brasil De tardezinha essa menina se namora Meu Brasil Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal Que sonha com a volta do irmão do Henfil Ah, como essa coisa é tão bonita Com tanta gente que partiu Ser cantora, ser artista, isso tudo é muito bom Num rabo de foguete E chora tanto de prazer e de agonia Chora a nossa pátria, mãe gentil De algum dia, qualquer dia, entender de ser feliz Beguine dodói Choram Marias e Clarices No solo do Brasil De madrugada essa mulher faz tanto estrago Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar Mas sei que uma dor assim pungente Ah, como essa louca se esquece João Bosco/Aldir Blanc/Cláudio Tolomei Não há de ser inutilmente Quanto os homens enlouquece nessa boca, nesse chão Essa mulher – 1979 A esperança Depois parece que acha graça Dança na corda bamba de sombrinha E agradece ao destino aquilo tudo que a faz tão infeliz Olha, meu bem E em cada passo dessa linha O que restou daquele grande herói Pode se machucar70 Essa menina, essa mulher, essa senhora Sem ter amor, enlouqueci e ando dodói Azar! Em quem esbarro a toda hora no espelho casual A esperança equilibrista É feita de sombra e tanta luz Como Tarzan depois da gripe, Sabe que o show de todo artista De tanta lama e tanta cruz que acha tudo natural De emplastro sabiá Tem que continuar Tomando cana nos botequins Eu vou me acabar Espremo cravos defronte ao espelho Lembrando você Basta de clamares inocência Faço novena, tomo gemada Cartola Ah, não dá mais! Essa mulher – 1979 Julio Lousada que me socorra Basta de clamares inocência Nessa aflição mortal Eu sei todo o mal que a mim você fez Maracujina já não resolve Você desconhece consciência Ao recordar Só deseja o mal a quem o bem te fez Meias fumê, ligas vermelhas e um olhar fatal Minha Dalila, volta depressa Basta! Não ajoelhes, vá embora Que o teu Sansão tá mal Se estás arrempedido Vê se chora Quando você partiu Me disse chora Não chorei Caprichosamente fui esquecendo Que te amei Hoje me encontras tão alegre e diferente Jesus não castiga um filho que está inocente Basta não ajoelhes, vá embora Se estás arrependida Vê se chora
  • Altos e baixos Eu, heim, Rosa! Sueli Costa/Aldir Blanc Essa mulher – 1979 João Nogueira/Paulo César Pinheiro Essa mulher – 1979 Bolero Foi, quem sabe, esse disco Esse risco de sombra em teus cílios Foi ou não meu poema no chão Eu, hein, rosa! Se manca, segura essa banca de escrupulosa Eu, hein, rosa! de Ou talvez nossos filhos As sandálias de saltos tão altos O relógio batendo, o sol posto, o relógio O meu jogo é na retranca, área muito perigosa Você parece que nem lembra mais de tempos atrás A tua figura era vergonhosa satã Guinga/Paulo César Pinheiro As sandálias, e eu bantendo em teu rosto Eu me reparti querendo reconstituir Essa mulher – 1979 A quem hoje me vira o rosto assim E a queda dos saltos tão altos Mas eu nem me abalo Você penetrou como o sol da manhã Sobre os nossos filhos Você vai cair do cavalo E em nós começou uma festa pagã Com um raio de sangue no chão Quando precisar de mim Você libertou em você a infernal cortezã Do risco em teus cílios Eu, hein, rosa! E em mim despertou esse amor Foram discos demais, desculpas demais Vem mansa porque a contradança é mais audaciosa Atormentado e mal de Satã Já vão tarde essas tardes e mais tuas aulas Eu, hein, rosa! Meu táxi, whisky, Dietil, Diempax Apela pra ignorancia é coisa indecorosa Você me deixou como o fim da manhãAh, mas há que se louvar entre altos e baixos E em mim começou esse angústia, esse afã O amor quando traz tanta vida Acho que estou é forçando demais as cordas vocais Você me plantou a paixão imortal e mal sã Você naõ merece um dedo de prosa Que se enraizou e será meu maldito final amanhã E pra resumir, faço questão de conferir Se se quebra ou não um vaso ruim E agora me aperta a aflição Saia no pinote Senão vai ser de camarote De chorar louca e só de manhã Que eu vou assistir seu fim É a seta do arco da noite Sangrando-me agora São lágrimas, sangue, veneno 71 Correndo no meu coração Formando-me dentro esse pântano de solidão As aparências enganam Tunai/Sérgio Natureza Essa mulher – 1979 Saudade do Brasil – 1980 As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas São o alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam Poque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera No insistente perfume de alguma coisa chamada amor
  • Pé sem cabeça Danilo Caymmi/Ana Terra Essa mulher – 1979 Você me fez sofrer Ninguém me faz sofrer assim O que era tanta beleza Num pé sem cabeça, você transformou Mas você onde está Não me viu, não será? Que teu sono vai ter paz No céu da vibração Se meu rosto se acender, brilhar Se teu olho te trair, não vai durar Seu porto seguro, seu lugar comum Você navegando pra lugar nenhum Gilberto Gil Quem sabe de tudo 1980 Não sabe o seu fim Mas eu não me quero fugindo daqui Também não te deixo zombando de mim Os homens são mortais Quem sabe de tudo não sabe seu fim Todos os animais Os vegetais também o são Como será Não ser assim? Não precisar O começo, o meio, o fim A encarnação, Deus? Rebento Como será Não estar aqui nem lá E tão somente andar ao léu No céu da vibração? Gilberto Gil Elis – 198072 Para os olhos, fez-se a cor Vento de maio – 1981 Para os ouvidos, o som Montreaux Jazz Festival – 1982 Para os corações, o fogo do amor E para os puros, o que é bom Rebento, substantivo abstrato O ato, a criação e o seu momento Só me resta agradecer Como uma estrela nova e o seu barato E aguardar a ocasião Que só Deus sabe lá no firmamento De tão somente andar ao léu No céu da vibração Rebento, tudo que nasce é rebento Tudo que brota, tudo que vinga, tudo que medra Rebento raro, como flor na pedra Rebento farto, como trigo ao vento Outras vezes rebento simplesmente No presente do indicativo Como a corrente de uma cão furioso Com as mãos de um lavrador ativo Ás vezes mesmo perigosamente Como acidente em forno radioativo Ás vezes só porque fico nervosa Eu Rebento Ou necessariamente só por que estou vivo Rebento, a reação imediata A cada sensação de abatimento Eu Rebento, o coração dizendo bata A cada bofetão do sofrimento Eu Rebento, como um trovão dentro da mata E a imensidão do som desse momento
  • O medo de amar é o medo de ser livre Beto Guedes/Fernando Brant Elis – 1980 Vento de maio – 1981Sai dessa Trem azul – 1982 Nova estação O medo de amar é o medo de ser Livre para o que der e vierNatan Marques/Ana Terra Livre para sempre estar onde o justo estiverElis – 1980Vento de maio – 1981 Luiz Guedes/Thomas Roth O medo de amar é o medo de ter Elis – 1980Trem azul – 1982 De a todo momento escolher Vento de maio – 1981 Com acerto e precisão a melhor direçãoSonhei que existia uma avenida Nova esperançaSem entrada e sem saída pra gente comemorar Bate coração O sol levantou mais cedo e quisToda hora, todo dia, toda vida Renascer cada dia com a luz da manhã Em nossa casa fechada entrarNa tristeza e na alegria, sem platéia e sem patrão Despertar sem medo Prá ficar Enganar a dorHoje eu sonhei que cerveja sai da bica Disfarçar essa mágoa que anda solta no ar O medo de amar é não arriscarNo banheiro não tem fila nem existe contramão Esperando que façam por nósQue o trabalho é ali na nossa esquina Ter que acreditar no regresso da estação O que é nosso dever: recusar o poderE depois do meio dia, nem polícia e nem ladrão Como o sol volta a brilhar, como as chuvas de verão O sol levantou mais cedo e cegou Ter que acreditar só pra ter razãoSonhei, como faço todo dia De sonhar mais uma vez O medo nos olhos de quem foi verComo você não sabia, meu senhor não levo a mal Tanta luzA beleza, o amor, a fantasia Nova esperançaO que tece e o que desfia não se aprende no jornal Bate coração Renascer cada dia com a luz da manhãHoje eu sonhei, mas não vou pedir desculpas Semear a terraE nem vou levar a culpa de ser povo e ser artista Certo de colher da semente o frutoSem essa, moço, por favor não crie clima Depois descansarSeu buraco é mais embaixo, nosso astral é mais em cima 73 Aprendendo a jogar Guilherme Arantes Elis – 1980Só Deus é quem sabe O trem azul Vento de maio – 1981 Trem azul – 1982 Vivendo e aprendendo a jogar Vivendo e aprendendo a jogarGuilherme Arantes Nem sempre ganhando Lô Borges/Ronaldo BastosElis – 1980 Elis – 1980 Nem sempre perdendo Vento de maio – 1981Vento de maio – 1981 Mas, aprendendo a jogar Trem azul – 1982Não, não sei guardar ressentimeto Água mole em pedra dura Coisas que a gente se esquece de dizerEu hoje lembro com ternura cada momento Mas vale que dois voando Frases que o vento tem as vezes me lembrarPromessas de nós dois naqueles dias Se eu nascesse assim pra lua Coisas que ficaram muito tempo por dizerO tempo transformou-as em palavras vazias Não estaria trabalhando Na canção do vento não se cansam de voarÁs vezes a paixão nos traiu Mas em casa de ferreiro Você pega o trem azulÁs vezes foi a voz que mentiu Quem com ferro se fere é bobo O sol na cabeçaMas nada disso importa Cria a fama, deita na cama Você pega o trem azulO que vale é o que sorte escreveu Quero ver o berreiro na hora do lobo Você na cabeçaSó Deus é quem sabe do amorEu não sei nada O sol na cabeça Quem tem amigo cachorroSó sei que a vida nos prepara cada cilada Quer sarna para se coçarE é inútil se tentar fugir da longa estrada Boca fechada não entra besouro Macaco que muito pular quer dançar
  • Vento de maio Telo Borges/Márcio Borges Elis – 1980 (Com Lô Borges) Vento de maio – 1981 (Com Lô Borges) Trem azul – 1982 Vento de raio Rainha de maio Estrela cadente Chegou de repente o fim da viagem Agora já não dá mais pra voltar atrás Rainha de maio, valeu o teu pique Apenas para chover no meu piquenique Assim meu sapato coberto de barro Apenas pra não parar nem voltar atrás Rainha de maio valeu a viagem Agora já não dá mais Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção (Vento solar e estrela do mar…) Sol, girassol, e meus olhos ardendo de tanto cigarro E quase que eu me esqueci Que o tempo não pára, nem vai esperar Vento de maio Rainha dos raios de sol Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez Nem lembro teu nome nem sei74 Estrela qualquer lá no fundo do mar Vento de maio Rainha dos raios de sol Rainha de maio, valeu o teu pique Apenas para chover no meu piquenique Assim meu sapato coberto de barro Apenas pra não parar nem voltar atrás
  • Pra que que eu fui lembrar dos óio dele Jabuticaba madura Coração cabeça-dura Teima, bate até que fura Desconjura e negaceia Feito lobo em lua cheia Na cadeia desse olhar Que arrepia, esfria e me dá Taquicardia, falta de ar É o coração que desde pro calcanhar de aquiles Doce suplício do amor Faquires tiram partido da dor Que bate, come e repinica Maria, Maria Feito fome de lumbriga É um dom, uma certa magia Na barriga da miséria Uma força que nos alerta Coração cabeça velha Uma mulher que merece viver e amar Me virando do avesso Inventei qualquer pretexto Calcanhar Como outra qualquer do planeta Fui pedir para voltar de Aquiles Maria, Maria É o som, é a cor, é o suor Cheguei no prédio, errei de andar Jean Garfunkel/Paulo Garfunkel É a dose mais forte e lenta Elis – 1980 No elevador um gordo me dá Vento de maio – 1981 De uma gente que ri quando deve chorar Um pisão no calo que me enxotou de lá E não vive, apenas agüenta Mancando Sei que esse amor vai ficar sangrando Mas é preciso ter força No peito e no calcanhar de aquiles É preciso ter raçaDoce suplício do amor É preciso ter gana sempreFaquires tiram partido da dor Quem traz no corpo a marcaQue dá lembrar dos olhos dele Maria, Maria Mistura a dor e a alegria Maria Mas é preciso ter manha Maria É preciso ter graça 75 Milton Nascimento É preciso ter sonho sempre Saudade do Brasil – 1980 Quem traz na pele essa marcaAlô, alô marciano Trem azul – 1982 Possui a estranha maniaAqui quem fala é da Terra Montreaux Jazz Festival – 1982 De ter fé na vidaPra variar, estamos em guerra Você não imagina a loucura O ser humano tá na maior fissura porque Tá cada vez mais down no high society! Alô alô Alô, alô marciano A crise tá virando zona marciano Cada um por si, todo mundo na lona Rita Lee/Roberto de Carvalho Amigo é coisa pra se guardar Debaixo de 7 chaves E lá se foi a mordomia Dentro do coração Tem muito rei aí pedindo alforria porque Tá cada vez mais down no high society! Saudade do Brasil – 1980 Trem azul – 1982 Canção da Assim falava a canção Que na América ouvi Alô, alô marciano América Milton Nascimento/Fernando Brant Mas quem cantava chorou Ao ver seu amigo partir A coisa tá ficando ruça Saudade do Brasil – 1980 Muita patrulha, muita bagunça Trem azul – 1982 Mas quem ficou, no pensamento voou O muro começou a pichar Com seu canto que o outro lembrou Tem sempre um aiatolá prá atolá, Aláh! E quem voou, no pensamento ficou Tá cada vez mais down no high society! Com a lembrança que o outro cantou Amigo é coisa pra se guardar No lado esquerdo do peito Mesmo que o tempo e a distância digam não Mesmo esquecendo a canção O que importa é ouvir A voz que vem do coração Pois seja o que vier, venha o que vier Qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
  • O primeiro jornal Sueli Costa/Abel Silva Saudade do Brasil – 1980 Quero cantar pra você Segunda-feira de manhã Agora tá Pelo seu rádio de pilha tão docemente E te ajudar a encarar esse dia mais facilmente Quero juntar minha voz matinal Aos restos dos sons noturnos E aos cheiros domingueiros que ainda boiam Tunai/Sérgio Natureza Saudade do Brasil – 1980 Montreaux Jazz Festival – 1982 Na casa e em você Já que tá aí Para que junto com o café e o pão se dê Pela metade, mas tá Melhor cuidar pra peteca não cair O milagre de ouvir latir o coração Ou quem sabe algum projeto, uma lembrança Uma saudade à toa Venha nascendo com o dia numa boa E estar com você na primeira brasa do cigarro No primeiro jorro da torneira Pra não deixar escapulir Como água no ralo Aquilo que já fez calo Doeu feito joanete Castigou nosso cavalo Onze fitas Fátima Guedes Saudade do Brasil – 1980 Montreaux Jazz Festival – 1982 Nos primeiros aprontos de um guerreiro de manhã Cortou como canivete Feriu, mexeu, mixou Para que saias com alguma alegria bem normal Por engano, vingança ou cortesia Que dure pelo menos até você comprar e ler Nunca comeu melado Tava lá morto e posto, um desgarrado O primeiro jornal Vai lambuzar Onze tiros fizeram a avaria Se vacilar pode cantar pra subir E o morto já tava conformado Porque não dá pra começar Todo rolo de novo Onze tiros e não sei porque tantos Esses tempos não tão pra ninharia76 Se o bolo fica sem ovo Não fosse a vez daquele um outro ia Se a massa não tem fermento Deus o livre morrer assassinado Presidnova bossa ente Se não cozinhar por dentro Vai tudo por água abaixo Eu acho, acho, acho que agora tá Quase no ponto tá No ponto de provar Eu acho que agora tá No ponto de solar Pro seu santo não era um qualquer um Três dias num terreno abandonado Ostentando onze fitas de Ogum Quantas vezes se leu só nesta semana Essa história contada assim por cima Juca Chaves A verdade não rima Saudade do Brasil – 1980 Acho que agora tá A verdade não rima pra lá de pronto tá A verdade não rima Bossa Nova mesmo é ser Presidente acho que agora tá Desta terra descoberta por Cabral, acho que agora tá Para tanto basta ser tão simplesmente já que tá aí Simpático, risonho, original. Depois desfrutar da maravilha De ser o Presidente do Brasil, Voar da velha capta Brasília Ser alvorada e voar de volta ao rei. Voar, voar, voar, Voar, voar pra bem distante A que versales onde duas mineirinhas valsinhas Dançam como duas debutantes, interessante... Mandar parente a jato pro dentista, Almoçar com o tenista campeão, Também poder ser um grande artista exclusivista Tomando com Dilermando umas aulinhas de violão. Isto é viver como se aprova, É ser um Presidente Bossa Nova, Bossa Nova, muito nova, nova mesmo, ultranova.
  • Moda de sangue Jerônimo Jardim/Ivaldo Roque Saudade do Brasil – 1980 Quando te prendo na cadeia dos abraços E te torturo, e te sufoco em meus braços E te fuzilo com os olhos do desejo Te mordendo no gosto do meu beijoMarambaia Quando te arranho, te lanho de ternura Vertendo sangue do teu corpo de malícia Menino Quando te xingo com palavras obcenas Como jurasse as juras mais serenasHenricão/Rubens CamposSaudade do Brasil – 1980 Quando me vingo dos males que me fazesEu tenho uma casinha lá na Marambaia Com frazes de maldade e veneno Milton Nascimento/Fernando Brant Saudade do Brasil – 1980Fica na beira da praia só vendo que beleza Sinto, meu amor, que o amor é issoTem uma trepadeira que na primavera Essas coisas muito fora de juízo Quem cala sobre teu corpoFica toda florescida de brincos de princesa Consente na tua morte Talhada a ferro e fogoQuando chega o verão eu sento na varanda Nas profundezas do cortePego o meu violão e começo a cantar Que a bala riscou no peitoE o meu moreno fica sempre bem dispostoSenta ao meu lado e começa a cantar Quem cala morre contigo Mais morto que estás agoraQuando chega a tarde um bando de andorinhas Relógio no chão da praçaVoa em revoada fazendo verão Batendo, avisando a horaE lá na mata o sabiá gorjeia 77 Que a raiva traçou no tempoLinda melodia pra alegrar meu coraçãoÀs seis horas o sino da capela No incêndio repetidoToca as badaladas da Ave-Maria O brilho do teu cabeloA lua nasce por detrás da serra Quem grita vive contigoAnunciando que acabou o dia Luiz Gonzaga Jr. Saudade do Brasil – 1980 Vou buscar um mundo novo, vida nova E ver se dessa vez faço um final feliz Deixar de lado aquela velha história O verso usado, o canto antigoMundo novo Vida nova Vou dizer adeus Fazer de tudo e todos mera lembrança Deixar de ser só esperança E por minhas mãos lutando Me superar Vou rasgar no tempo O meu próprio caminho E, assim, abrir meu peito ao vento Me libertar De ser somente aquilo que se espera Em forma, jeito, luz e cor E vou... Vou pegar um mundo novo, vida nova Vou buscar um mundo novo, vida nova
  • O pequeno exilado Raul Ellwanger Raul Ellwanger – 1980 Navegas, navegas, navegas Lá do outro lado do oceano Na palma da mão já carrega Vinte m il léguas de sonhos Aos nossos filhos Sabiá Seguingo teu pai que te leva A bordo dos teus nove anos Pequeno exilado sem pátria Ivan Lins/Vítor Martins Tom Jobim/Chico Buarque Saudade do Brasil – 1980 Saudade do Brasil – 1980 Perdoem a cara amarrada Vou voltar Navegas teu barco de enganos Perdoem a falta de abraço Sei que ainda vou voltar Perdoem a falta de espaço Para o meu lugar Navegas teus olhos molhados Os dias eram assim Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Na capital dos franceses Perdoem por tantos perigos Uma sabiá Perdoem a falta de abrigo Cantar uma sabiá Perdoem a falta de amigos Carregas teus olhos chorados Os dias eram assim Vou voltar,78 Contando dias e meses Sei que ainda vou voltar Perdoem a falta de folhas Vou deitar à sombra de uma palmeira Perdoem a falta de ar Que já não há Menino crescido sem terra Perdoem a falta de escolha Colher a flor que já não dá Os dias eram assim E algum amor, talvez possa espantar Teu único plano primeiro As noites que eu não queria E quando passarem a limpo E anunciar o dia E quando cortarem os laços É ver terminar tanta espera É ser cidadão brasileiro E quando soltarem os cintos Vou voltar Façam a festa por mim Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Quando lavarem a mágoa Que fiz tantos planos de me enganar Guerreiro do bairro da Glória Quando lavarem a alma Como fiz enganos de me encontrar Quando lavarem a água Como fiz estradas de me perder Lavem os olhos por mim Fiz de tudo e nada de te esquecer Doende do bairro Floresta Vem cá conhecer nossa história Quando brotarem as flores Malandros, calçadas e festas Quando crescerem as matas Quando colherem os frutos Digam o gosto pra mim Só quero te ver na cidade Cantando em bom Português Canções de gritar liberdade Daquela que usa o Francês Vou me embora vou me embora…
  • Redescobrir Luiz Gonzaga Jr. Saudade do Brasil – 1980 Como se fora brincadeira de roda memória Jogo do trabalho na dança das mãos macias O suor dos corpos na canção da vida história O suor da vida no calor de irmãos magia Como um animal que sabe da floresta memória Redescobrir o sal que está na própria pele, macia Redescobrir o doce no lamber das línguas macias Redescobrir o gosto e o sabor da festa magia 79 Vai o bicho homem fruto da semente memória Renascer da própria força, própria luz e fé memória Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós história Somos a semente, ato, mente e voz magia Não tenha medo, meu menino bobo, memória Tudo principia na própria pessoa beleza Vai como a criança que não teme o tempo mistério Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor magia Como se fora brincadeira de roda memória Jogo do trabalho na dança das mãos macias O suor dos corpos na canção da vida história O suor da vida no calor de irmãos magia
  • O que foi feito devera (de Vera) Milton Nascimento/Fernando Brant Clube da Esquina 2 – 1978 (Com Milton Nascimento) Saudade do Brasil – 1980 Vento de maio – 1981 (Com Milton Nascimento) Trem azul – 1982 O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou? O que foi feito da vida, o que foi feito do amor? Na baixa do sapateiro Quisera encontrar Ary Barroso Aaquele verso menino que escrevi Montreaux Jazz Festival – 1982 Há tantos anos atrás Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia O moreno mais folgado da Bahia Pedi-lhe um beijo, não deu Falo assim com saudade, falo assim por saber Um abraço, sorriu Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu Se muito vale o já feito, mas vale o que será Mas vale o que será Bahia, terra da felicidade Moreno, eu ando louca de saudade E o que foi feito é preciso conhecer Meu Senhor do Bonfim Para melhor prosseguir Arranje outro moreno igualzinho pra mim Outro cais Oh! amor, ai Falo assim sem tristeza, falo por acreditar Amor bobagem que a gente não explica, ai ai Prova um bocadinho, ô Que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer Marilton Borges/Duca Leal Fica envenenado, ô Os Borges – 1980 E pro resto da vida é um tal de sofrer80 Ôlará, ôlerê Nós iremos crescer Vento de maio – 1981 Outros outubros virão, outras manhãs Me atraiu o teu canto Ô Bahia Plenas de sol e de luz Respirei o teu ar Bahia que não me sai do pensamento Te arranquei do teu cais Faço o meu lamento, ô Me lancei no teu mar Na desesperança, ô Alertem todos alarmas que o homem que eu era voltou De encontrar nesse mundo Te cobri com meu manto Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar A tribo toda reunida, ração dividida ao sol Descansei nessas ondas De nossa Vera Cruz Misturamos nosso sangue Ô Bahia Juntos fomos dançar Bahia que não me sai do pensamento Quando o descanso era luta pelo pão E aventura sem parar Tiro ao álvaro Quando o cansaço era rio e rio qualquer dava pé E a cabeça rodava num gira-girar de amor E até mesmo a fé Adoniran Barbosa/Oswaldo Moles Adoniran e convidados – 1980 Não era cega nem nada Vento de maio – 1981 Era só núvem no céu e raiz De tanto levar frechada do teu olhar Meu peito até parece, sabe o que? Táubua de tiro ao álvaro, não tem mais onde furar Hoje essa vida só cabe na palma da minha paixão Devera nunca se acabe, abelha fazendo o seu mel Teu olhar mata mais do que bala de carabina Que veneno estriquinina No pranto que criei Que peixeira de baiano Nem vá dormir como pedra Teu olhar mata mais Que atropelamento de automóver E esquecer o que foi feito de nós Mata mais que bala de revórver
  • Se eu quiser falar com Deus Gilberto Gil Vento de maio – 1981 Trem azul – 1982 Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sós Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz Tenho que encontrar a paz Tenho que folgar os nós dos sapatos Da gravata Dos desejos Dos receiosA corujinha Tenho que esquecer a data Cobra criada Toquinho/Vinícius de Morais Tenho que perder a conta João Bosco/Paulo Emílio Montreaux Jazz Festival – 1982 A arca de noé – 1980 Tenho que ter mãos vazias Corujinha, corujinha Ter a alma e o corpo nus Suco de sururucu Diga lá jacu Que peninha de você Fica toda encolhidinha Se eu quiser falar com Deus Cutia comadreSempre olhando não sei que Tenho que aceitar a dor Posta de pirarucu Tenho que comer o pão 81 Diga lá caju O teu canto de repente Que o diabo amassou Barata cascuda Faz a gente estremecer Tenho que virar um cão Gruta de veiúva negra Tenho que lamber o chão dos palácios Caranguejeira Corujinha, pobrezinha Dos castelos suntuosos dos meus sonhos Saúva coruja Todo mundo que te vê Tenho que me ver tristonho Rastro de jararucu Diz assim, ah! coitadinha Tenho que me achar medonho Jararacoral Que feinha que é você E apesar de um mal tamanho Piranha calunga Alegrar meu coração Diaba de banda retraiQuando a noite vem chegando De carataí Chega o teu amanhecer Se eu quiser falar com Deus Traíra de dente de dá E se o sol vem despontando Tenho que me aventurar E cada dentada que dá Vais voando te esconder Tenho que subir aos céus Cascudo cará Hoje em dia andas vaidosa Sem cordas pra segurar Purús juruá Orgulhosa com quê Tenho que dizer adeus Mordida no maracujá Dar as costas De cobra criada no mar Toda noite tua carinha Caminhar decidido Chocalha no cadê você Aparece na TV Sussurra no bote que dá Corujinha, corujinha Pela estrada que ao findar vai dar em nada Curare de cobra suga e sai Nada, nada, nada, nada Que feinha que é você! Picada de cobra amor não dói Nada, nada, nada, nada Nada, nada, nada, nada Do que eu pensava encontrar
  • Garota de Ipanema Asa branca Tom Jobim/Vinícius de Morais/Vs. Ing. Norman Gimbel Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira Montreaux Jazz Festival – 1982 Montreaux Jazz Festival – 1982 Olha, que coisa mais linda Quando olhei a terra ardendo Mais cheia de graça Qual fogueira de São João É ela, menina, que vem e que passa Eu perguntei a meu Deus do Céu Num doce balanço, a caminho do mar Porque tamanha judiação Moça do corpo dourado Do sol de Ipanema Quando olhei a terra ardendo O seu balançado Qual fogueira de São João É mais que um poema Entonce eu disse: “Adeus Rosinha, É a coisa mais linda Guarda contigo meu coração” Que eu já vi passar Ah, por que estou tão sozinho? Ah, por que tudo é tão triste? Ah, a beleza que existe A beleza que não é só minha Que também passa sozinha Fé cega, faca amolada Ah, se ela soubesse que quando ela passa O mundo inteirinho se enche de graça E fica mais lindo por causa do amor82 Girl from Ipanema Milton Nascimento/Ronaldo Bastos Montreaux Jazz Festival – 1982 Tall and tan and young and lovely Agora eu não pergunto mais aonde vai a estrada The girl from ipanema goes walking Agora eu não espero mais aquela madrugada And when she passes, each one she passes goes – ah Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser, faca amolada O brilho cego de paixão e fé, faca amolada When she walks, she’s like a samba That swings so cool and sways so gentle Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo That when she passes, each one she passes goes – ooh Deixar o seu amor crescer e ser muito tranqüilo Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada (ooh) but I watch her so sadly Um brilho cego de paixão e fé, faca amolada How can I tell her I love her Yes I would give my heart gladly Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia Beber o vinho e renascer na luz de cada dia But each day, when she walks to the sea A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada She looks straight ahead, not at me O chão, o chão, o sal da terra o chão, faca amolada Tall, (and) tan, (and) young, (and) lovely Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia The girl from ipanema goes walking Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia And when she passes, I smile – but she doesn’t see (doesn’t see) Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranqÄilo (she just doesn’t see, she never sees me,...) Um brilho cego de paixão e fé, faca amolada
  • Mancada Samba dobrado Gilberto Gil Djavan Montreaux Jazz Festival – 1982 Montreaux Jazz Festival – 1982 O dinheiro que eu lhe dei Vai ser pior ainda quando amanhecer Pro tamborim Tudo que se tem pra cantar Não vá gastar Não pra embalar nem pra devolver Depois jogar a culpa em mim O direito de escolher A música melhor para se dançar O dinheiro que eu lhe dei Não é meu, não Quem faz parte dessa cena pode rodar É da escola Pra cumprir a mesma pena Por favor, não mete a mão Não é preciso ensaiar Tá combinado Você lembra muito bem Basta aprender a sambar dobrado No outro carnaval Você chorou porque não pôde desfilar A fantasia que eu mandei você comprar Não ficou pronta Porque o dinheiro que eu lhe dei pra costurar Você (hum, hum)... Eu nem vou dizer pra não lhe envergonharMe deixas louca Lança perfume Valsa de Eurídice 83Armando Manzanero/Vs. Paulo Coelho Rita Lee/Roberto de Carvalho Vinícius de MoraisTrem azul – 1982 Trem azul – 1982 Trem azul – 1982Quando caminho pela rua lado a lado com você Lança, lança perfume Tantas vezes já partisteMe deixas louca Lança, lança perfume Que chego a desesperarE quando escuto o som alegre do teu riso Chorei tanto, estou tão tristeQue me dá tanta alegria, me deixas louca Lança menina Que já nem sei mais chorar Lança todo este perfume Oh, meu amado, não partaMe deixas louca quando vejo mais um dia Desbaratina Não parta de mimPouco a pouco entardecer Não dá pra ficar imune Oh, uma partida que não tem fimE chega a hora de ir pro quarto escutar Ao seu amor Não há nada que conforteAs coisas lindas que começas a dizer Que tem cheiro de coisa maluca A falta dos olhos teusMe deixas louca Pensa que a saudade Vem cá meu bem Pode matar-meQuando me pedes por favor que nossa lâmpada se apague Me descola uma carinho AdeusMe deixas louca Eu sou nénémQuando transmites o calor de tuas mãos Só sossego com beijinhoPro meu corpo que te espera E ve se me dáMe deixas louca O prazer de ter prazer comigoE quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas Me aqueçaDesaparecem as palavras, outros sons enchem o espaço Me vira de ponta cabeçaVocê me abraça, a noite passa Me faz de gato e sapato eE me deixas louca Me deixa de quatro no ato Me enche de amor , de amorSinto os teus braços se cruzando em minhas costasDesaparecem as palavras, outros sons enchem o espaço Lança, lança pefumeVocê me abraça, a noite passa oh oh oh oh lança, lança perfumeE me deixas louca Lança perfume
  • Imagino-te já idosa, Frondosa toda a folhagem, Multiplicada a ramagem De agora. Tendo tudo transcorrido, Flores e frutos da imagem Com que faço essa viagem Pelo reino do teu nome, Oh, Flora! Imagino-te jaqueira Prostrada à beira da estrada Velha, forte, farta, bela Senhora. Pelo chão, muitos caroços, Flora84 Como que restos dos nossos Gilberto Gil Trem azul – 1982 Próprios sonhos devorados Pelo pássaro da aurora, Oh, Flora! Imagino-te futura, Ainda mais linda, madura, Pura no sabor de amor e De amora. Toda aquela luz acesa Na doçura e na beleza, Terei sono, com certeza, Debaixo da tua sombra, Oh, Flora!
  • Amante à moda antigaAqui é o país do futebol (trecho) Roberto Carlos/Erasmo Carlos Trem azul – 1982 Eu sou aquele amante à moda antigaMilton Nascimento/Fernando BrantTrem azul – 1982 Dio tipo que ainda manda flores Apesar do velho tienis e da calça desbotadaBrasil está vazio na tarde de domingo, né? Ainda chamo de querida a namoradaolha o sambão aqui é o país do futebol A minha namorada…No fundo desse paísAo longo das avenidasNos campos de terra e gramaBrasil só é futebol Começar de novo (trecho)Nestes noventa minutosDe emoção e alegriaEsqueço a casa e o trabalhoA vida fica lá fora Ivan Lins/Vítor MartinsA fome fica lá fora Trem azul – 1982Dinheiro fica lá foraA cama fica lá fora Começar de novoFamília fica lá fora E contar comigoA vida fica lá fora Vai valer a pena 85E tudo fica lá fora... Ter amanhecido Ter me rebelado Ter me consumido Ter me machucado Ter sobrevivido(Texto de Fernando Faro)Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.“ Menino do Rio (trecho)Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante.E todas as figuras são assim...Desenhos de luz, agrupamentos de pontos de partículas.Um quadro de impulsos, um processamento de sinais. Caetano VelosoE assim – dizem – recontam a vida. Trem azul – 1982 Menino do RioAgora retiram de mim a cobertura da carne.Escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos. Calor que provoca arrepioE aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo. Dragão tatuado no espaço Calção, corpo aberto no estpaço CoraçãoUm rascunho...Um forma nebulosa, feita de luz e sombra. De eterno flerteComo uma estrela... Adoro ver-te Menino vadioAgora eu sou uma estrela!” Tesão flutuante do Rio Eu peço pra Deus proteger-te
  • Para Lennon No dia em que eu Velho arvoredo & McCartney vim-me embora Caetano Veloso/Gilberto Gil Hélio Delmiro/Paulo César Pinheiro Luz das estrelas – 1984 Luz das estrelas – 1984 Lô Borges/Márcio Borges/Fernando Brant Luz das estrelas – 1984 Eu te esqueci muito cedo No dia em que eu vim-me embora Pelo tempo que passou Por que vocês não sabem do lixo ocidental? Minha mãe chorava em ai Tal como um velho arvoredo Não precisam mais temer Minha irmã chorava em ui Que o vento não derrubou Não precisam da solidão E eu nem olhava pra trás Todo dia é dia de viver Tronco mudado em rochedo No dia que eu vim-me embora Pedra transformada em flor Por que você não verá meu lado ocidental? Não teve nada de mais E eu fui ficando sozinho no pó do caminho Não precisa medo não Me desenganando, sofrendo e chorando Não precisa da timidez Mala de couro forrada Todo dia é dia de viver Com pano forte, brim cáqui E mantendo em segredo Minha vó já quase morta86 Essa minha ilusão Eu sou da América do Sul Minha mãe até a porta Que me escapou de entre os dedos Eu sei, vocês não vão saber Minha irmã até a rua Pra não sei que outras mãos Mas agora sou cowboy E até o porto meu pai Sou do ouro, eu sou vocês E eu me tornei o arremedo Sou do mundo, sou Minas Gerais O qual não disse palavra De tudo aquilo que eu não sou Durante todo o caminho Mas eu jamais retrocedo Por que vocês não sabem do lixo ocidental? E quando eu me vi sozinho O que passou passou Não precisam mais temer Vi que não entendia nada Não precisam da solidão Nem de pro que eu ia indo Já superei, mas só eu sei Todo dia é dia de viver Nem dos sonhos que eu sonhava O mesmo jamais eu serei Feito a madeira o machado inclinando Eu sou da América do Sul Senti apenas que a mala Eu por fora estou cicatrizando Eu sei, vocês não vão saber De couro que eu carregava Mas agora sou cowboy Embora estando forrada E por dentro sangrando, afastado do medo Sou do ouro, eu sou vocês Fedia, cheirava mal Mas sozinho, tal como o velho arvoredo Sou do mundo, sou Minas Gerais Que não serve ao tempo nem ao lenhador Afora isto ia indo, atravessando, seguindo E o vento abandonou Nem chorando nem sorrindo Sozinho pra Capital Nem chorando nem sorrindo Sozinho pra Capital Sozinho pra Capital Sozinho pra Capital Sozinho pra Capital
  • banca do Gol anulado CorsáriodistintoA João Bosco/Aldir Blanc João Bosco/Aldir Blanc Luz das estrelas – 1984 Luz das estrelas – 1984Billy BlancoLuz das estrelas – 1984 Quando você gritou: Mengo! Meu coração tropical está coberto de neveNão fala com pobre, No segundo gol do Zico Mas ferve em seu cofre gelado, a voz vibra e a mão escreve: MarNão dá mão a preto, Tirei sem pensar o cinto Bendita a lâmina grave que fere a paredeNão carrega embrulho. E bati até cansar E traz as febres loucas e breves que mancham o silêncio e o caisPara quê tanta posse doutor?Para que esse orgulho? Três anos vivendo juntos RoseiraisA bruxa que é cega esbarra na gente, E eu sempre disse contente: Nova Granada de EspanhaA vida estanca. Minha preta é uma rainha Por você, eu, teu corsário presoO enfarte te pega Doutor ! Porque não teme o batente Vou partir a geleira azul da solidãoAcaba essa banca ! Se garante na cozinha E buscar a mão do mar E ainda é Vasco doente Me arrastar até o mar 87A vaidade é assim, Procurar o marPõe o tonto no alto, retira a escada. Daquele gol até hoje o meu radio está desligadoFica por perto, esperando sentada, Como se radiasse o silencio de um amor terminado Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o marMais cedo ou mais tarde ele acaba no chão. Eu aprendi que a alegria de quem está apaixonado Meu coração tropical partirá esse gelo e irá É como a falsa euforia de um gol anulado Com as garrafas de náufragos e as rosas partindo o arMais alto o coqueiro maior é o tombo do coco Nova Granada de Espanha e as rosas partindo o arAfinal todo o mundo é igualQuando o tombo termina,Com terra por cima e na horizontal.
  • Lembre-se Sergio Natureza/Tunai Longe Sombras desenhadas no horizonte Cavalos cobertos de ouro e bronze Vassalos de um rei de não sei onde Cavaleiros estrangeiros A bandeira do invasor Noite E um tropel atravessa a fumaça Porto dos casais Tropas Jaime Lewgoy Lubianca É sempre bom lembrar coisas passadas Tropeçando num céu de fogo e prata Rever os lampiões, os ancestrais Singrando o Guaíba, apareceram Os velhos fundadores coloniais O mundo acabou de repente Quando a manhã começava Chegaram tão alegres, alegres por demais A dor começou com o chicote Fundaram este Porto dos Casais Com as esporas com as espadas É porto, Porto Alegre, antigo Dos Casais Saudades dos tempos que não vêm mais Terror88 Das legiões das ambições e praças Chagas General No seio de uma terra abençoada O céu desabou de repente da banda José Alcides/Satiro de Melo/Tancredo Silva Quando a gente levantava Chegou general da banda ê ê O pó levantou sufocando Chegou general da banda ê a Quem vivia respirava Chegou general da banda ê ê Chegou general da banda ê a Mourão, mourão Passou Vara madura que não cai Mourão, mourão, mourão O tempo mas não apagou a marca Catuca por baixo que ele vai Mourão, mourão Marcou Vara madura que não cai Mourão, mourão, mourão Catuca por baixo que ele vai Nos corações nas mentes e nas praças Chegou general da banda ê ê Chegou general da banda ê a Hoje Chegou general da banda ê ê Chegou general da banda ê a Na memória viva de uma raça Um pavor latente e uma ameaça E um canto maior que todo medo Espalhando amor por onde passa
  • Ye s t e r d a yDindi John Lennon/Paul McCartney My Funny Yesterday All my troubles seemed so far away Va l e n t i n e Rodgers/Hart Now it looks as though theyre here to stay Oh, I believe In yesterdayTom Jobim/Aloysio de Oliveira/Ray GilbertCéu, tão grande é o céu My funny valentine SuddenlyE bandos de nuvens que passam ligeiras Sweet comic valentine Im not half the man I used to bePrá onde elas vão You make me smile with my heart Theres a shadow hanging over meAh! eu não sei, não sei Your looks are laughable Oh, yesterdayE o vento que fala nas folhas Unphotographable Came suddenlyContando as histórias Yet you’re my favourite work of artQue são de ninguém Why sheMas que são minhas Is your figure less than greek Had to go I dont knowE de você também Is your mouth a little weak She wouldnt sayAh! Dindi When you open it to speak I saidSe soubesses do bem que eu te quero Something wrong now I long 89 Are you smart?O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi For yesterdayLindo Dindi But don’t change a hair for meAh! Dindi Not if you care for me YesterdaySe um dia você for embora me leva contigo, Dindi Stay little valentine stay Love was such an easy game to playFica, Dindi, olha Dindi Each day is valentine’s day Now I need a place to hide awayE as águas deste rio aonde vão eu não sei Oh, I believeA minha vida inteira esperei, esperei Is your figure less than greek In yesterdayPor você, Dindi Is your mouth a little weakQue é a coisa mais linda que existe When you open it to speak Why sheVocê não existe, Dindi Are you smart? Had to go I dont knowOlha, Dindi She wouldnt sayAdivinha, Dindi But don’t you change one hair for me I saidDeixa, Dindi Not if you care for me Something wrong now I longQue eu te adore, Dindi... Dindi Stay little valentine stay For yesterday Each day is valentine’s day Yesterday Love was such an easy game to play Now I need a place to hide away Oh, I believe In yesterday
  • Mulheres de Atenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas Quando andas, se perfumam Se banham com leite, se arrumam Suas melenas Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem, imploram Chico Buarque Mais duras penas Cadenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas Quando eles embarcam, soldados Elas tecem longos bordados Mil quarentenas E quando eles voltam sedentos Querem arrancar violentos Carícias plenas Obscenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas90 Quando eles se entopem de vinho Costumam buscar o carinho De outras felenas Mas no fim da noite, aos pedaços Quase sempre voltam pros braços De suas pequenas Helenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas Elas não têm gosto ou vontade Nem defeito nem qualidade Têm medo apenas Não têm sonhos, só têm presságios Lindas sirenas Morenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas As jovens viúvas marcadas E as gestantes abandonadas Não fazem cenas Vestem-se de negro, se encolhem Se conformam e se recolhem Às suas novenas Serenas Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas
  • Jesus Cristo Roberto Carlos/Erasmo Carlos Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo eu estou aqui... (bis) Olho pro céu e vejo uma nuvem branca que vai passando Olho pra terra e vejo uma multidão que vai caminhando Como essa nuvem branca essa gente não sabe aonde vai Quem poderá dizer o caminho certo é você meu pai Toda essa multidão tem no peito amor e procura a paz E apesar de tudo a esperança não se desfaz Olhando a flor que nasce no chão daquele que tem amor Olho pro céu e sinto crescer a fé no meu Salvador Em cada esquina eu vejo o olhar perdido de um irmão Em busca do mesmo bem nessa direção caminhando vem É meu desejo ver aumentando sempre essa procissão Para que todos cantem com a mesma voz essa oração Sá Marina San Vicente 91 Antonio Adolfo/Tiberio Gaspar Milton Nascimento/Fernando Brant Descendo a rua da ladeira Coração americano Só quem viu que pode contar Acordei de um sonho estranho Cheirando a flor de laranjeira Um gosto vidro e corte Sá Marina vem pra cantar Um sabor de chocolate De saia branca costumeira No corpo e na cidade Gira o sol que parou pra olhar Um sabor de vida e morte Com seu jeitinho tão faceira Coração americano Fez o povo inteiro cantar Um sabor de vidro e corte Roda pela vida afora A espera da fila imensa E põe pra fora, essa alegria E o corpo negro se esqueceuDança que amanhece o dia pra se cantar Estava em San Vicente Dança que essa gente aflita A cidade, suas luzes Se agita e segue, no seu passo Estava em San Vicente Mostra toda essa poesia no olhar As mulheres e os homens Coração americano Deixando os versos na partida Um sabor de vidro e corte E só cantigas pra se cantar Naquela tarde de domingo As horas não se contavam Fez o povo inteiro cantar E o que era negro anoiteceu Enquanto se esperava E fez o povo inteiro cantar Eu estava em San Vicente E fez o povo inteiro cantar Enquanto acontecia E fez o povo inteiro cantar Eu estava em San Vicente Coração americano Um sabor de vidro e corte
  • Índices
  • 1, 2, 3, balançou20 anos blueA banca do distintoA corujinhaA dama do apocalipse 8 46 87 81 63 Índice geralA fia de Chico Brito 43 Cartomante 61À noite 8 Caso no campo 43A noite do meu bem (La nuit de mon amour) 35 Caxangá 62A time for love 37 Chegança 20A Virgem de Macareña (La Virgen de la Macareña) 7 Chovendo na roseira 56A volta 37 Cinema Olympia 44 Aviso aos navegantes 44Adeus amor 8 Cobra criada 81 Baby Face 3Agnus sei 50 Colagem 61 Bala com bala 46Agora ninguém chora mais 16 Comadre 51 Basta de clamares inocência 70Agora tá 76 Começar de novo 85 Beguine dodói 70Águas de março 48 Como nossos pais 58 Bicho do mato 41Aleluia 21 Comunicação 42 Black is beautiful 44Alô alô marciano 75 Confissão 6 Boa noite, amor 49Alô saudade 9 Consolação/Berimbau/Tem dó 21 Boa palavra 27Alô, alô, taí Carmen Miranda 46 Construção 64 Bocochê 16Alto da Bronze 57 Conversando no bar 52 Bodas de prata 68Altos e baixos 71 Copacabana velha de guerra 42 Boi barroso 57Amante à moda antiga 85 Corcovado 54 Bolero de satã 71Amor até o fim 25 Corpos 66 Bom tempo 32Amor demais 20 Corrida de jangada 33 Bonita 68Amor em paz 16 Corsário 87 93 Boto 65Amor, amor (Love, love) 3 Credo 67 Brigas nunca mais 55Andança 36 Cruz de cinza, cruz de sal 30 Cabaré 50Aos nossos filhos 78 Da cor do pecado 32 Caça à raposa 53Aprendendo a jogar 73 Dá sorte 2 Cadeira vazia 56Aquarela do Brasil 35 Dá-me um beijo (Kiss me, kiss me) 5 Cai dentro 69Aquele abraço 39 De onde vens 32 Cais 47Aqui é o país do futebol 85 Deixa 35 Calcanhar de Aquiles 75Arrastão 13 Deixa o mundo e o sol entrar 69 Cant take my eyes off you 39As aparências enganam 71 Dengosa 7 Canção da América 75As coisas que eu gosto (My favorite things) 3 Deus lhe pague 64 Canção de enganar despedida 6As curvas da estrada de Santos 40 Devagar com a louça 15 Canção de não cantar 29Asa branca 82 Dindi 89 Canção do amanhecer 19Até aí morreu Neves 41 Dinorah, Dinorah 67 Canção do sal 28Atrás da porta 47 Discussão 15 Cantador 29 Canto de Ossanha 23 Canto triste 22 Cão sem dono 65 Carinhoso 28 Carta ao mar 33
  • Imagem 29 Influência do jazz 15 Inútil paisagem 55 Irene 38 Jardins da infância 60 Jesus Cristo 91 Joana francesa 68 Doente morena 49 João valentão 20 Meu pequeno mundo de ilusão (My little corner of the world) 5 Dois prá lá, dois prá cá 53 Jogo de roda 22 Domingo em Copacabana 10 Ladeira da preguiça 51 Meus olhos 10 Dor de Covelo 3 Lança perfume 83 Minha 38 É com esse que eu vou 51 Lapinha 31 Moda de sangue 77 Ela 45 Las secretárias 6 Modinha 54 Ensaio geral 22 Lembre-se 88 Morro velho 62 Entrudo 68 Los hermanos 59 Mucuripe 46 Essa mulher 70 Louvação 24 Mulata assanhada 16 Esse mundo é meu 19 Lunik 9 26 Mulheres de Atenas 90 Estatuinha 27 Madalena 44 Mundo de paz 11 Estrada do sol 45 Mancada 83 Mundo deserto 45 Eternidade 21 Manhã de amor 9 Mundo novo vida nova 77 Eu só queria saber 17 Mania de gostar 9 Murmúrio 2 Eu, heim, Rosa! 71 Manifesto 30 My funny valentine 89 Na baixa do sapateiro 8094 Fala-me de amor (Take me in your arms) 2 Marambaia 77 Falei e disse 44 Marcha de quarta-feira de cinzas 30 Na batucada da vida 52 Falsa Bahiana 17 Maria do Maranhão 20 Nada será como antes 42 Fascinação 59 Maria Maria 75 Não tenha medo 42 Fé cega, faca amolada 82 Maria Rosa 53 Nêga do cabelo duro 35 Fechado pra balanço 41 Mas que nada 16 No céu da vibração 72 Flertei 8 Me deixa em paz 49 No dia em que eu vim-me embora 86 Flora 84 Me deixas louca 83 Noite dos Mascarados 34 Folhas secas 51 Meio de campo 50 Noite dos Mascarados (La nuit des masques) 34 Formiguinha triste 7 Meio-termo 66 Nos teus lábios 5 Formosa 15 Memórias de Marta Saré 37 Nova estação 73 Fotografia 56 Menino 77 Noves fora 67 Frevo 41 Menino das laranjas 14 O barquinho 36 Garota de Ipanema (Girl from Ipanema) 82 Menino do Rio 85 O bêbado e a equilibrista 70 Garoto último tipo (Puppy Love) 3 Mesmo de mentira 3 O bem do amor 11 General da banda 88 O caçador de esmeralda 50 Giro 36 O cavaleiro e os moinhos 60 Glden slumbers 43 O compositor me disse 53 Gol anulado 87 O medo de amar é o medo de ser livre 73 Gracias a la vida 60 O mestre-sala dos mares 52 Há uma história triste 10 O pequeno exilado 78 Homens de preto 57 O primeiro jornal 76 How insensitive (Insensatez) 38 O que foi feito devera (de Vera) 80 Ih! Meu Deus do céu! 43 O que tinha de ser 55 O rancho da goiabada 64
  • Telefone 17 Tem mais samba 28 Tereza sabe sambar 28 Terra de ninguém 13O sonho 36 These are the songs 42O trem azul 73 Tiradentes 46Olhos abertos 47 Tiro ao álvaro 80Onze fitas 76 Transversal do tempo 63Oriente 49 Travessia 52Os argonautas 45 Tributo à Mangueira 33Osanah 42 Tributo a Tom Jobim 32Ou bola ou búlica 67 Retorno 10 Tristeza 35Outra vez (Again) 7 Retrato em branco e preto 55 Tristeza 54Outro cais 80 Reza 14 Tristeza de carnaval 7Para Lennon & McCartney 86 Roda 26 Tristeza que se foi 25Pé sem cabeça 72 Romaria 63 Tu serás 2Perdão não tem 38 Rosa morena 22 Último canto 21Pizzicati pizzicato 6 Sá Marina 91 Um novo rumo 35Podes voltar 6 Sabiá 78 Um por todos 59Poema 4 Sai dessa 73 Upa, neguinho 25Pois é 54 Samba da benção (Samba saravah) 31 Valsa de Eurídice 83Ponta de areia 52 Samba da pergunta 37 Valsa rancho 69Por toda minha vida 55 Samba do avião 15 Vecchio novo 61Por um amor maior 20 Samba do perdão 31 Veleiro 27Pororó-Popó 5 Samba dobrado 83 Velha roupa colorida 58Porto dos casais 88 Samba em paz 25 Velho arvoredo 86 Samba feito para mim 2 95Pout Pourri (2 na bossa) 12 Vem balançar 15Pout Pourri de introcução (2 na Bossa 2) 24 San Vicente 91 Vento de maio 74Pout Pourri de Mangueira 29 Saudade e carinho 9 Vera Cruz 36Pout Pourri Romântico 30 Saudade é recordar 5 Vexamão 38Prá dizer adeus 25 Saudosa maloca 65 Vida de bailarina 47Preciso aprender a ser só 13 Saveiros 21 Violeta de Belford Roxo 67Presidente bossa nova 76 Se acaso você chegasse 17 Viramundo 33Qualquer dia 61 Se eu quiser falar com Deus 81 Vou comprar um coração 5Querelas do Brasil 65 Se você pensa 38 Vou deitar e rolar 41Quero 59 Se você quiser 9 Watch what happens 38Rebento 72 Sem Deus com a família 14 Wave 37Récit de Cassard 36 Sem teu amor 9 Yê-melê 31Redescobrir 79 Sentimental eu fico 63 Yesterday 89Resolução 19 Silêncio 8 Zambi 18Ressurreição 8 Sinal fechado 64 Zazueira 39 Só Deus é quem sabe 73 Só tinha de ser com você 54 Somewhere 17 Soneto de separação 56 Sonhando (Dream) 2 Sonho de Maria 27 Sou sem paz 20 Tango italiano 7 Tatuagem 60 Té o sol raiar 19
  • Principais compositores Caetano Veloso Adoniran Barbosa Boa palavra 27 Cinema Olympia 44 Saudosa maloca 65 Ary Barroso Irene 38 Tiro ao álvaro 80 Menino do Rio 85 Aquarela do Brasil 35 Não tenha medo 42 Na baixa do sapateiro 80 No dia em que eu vim-me embora 86 Na batucada da vida 52 Os argonautas 45 Samba em paz 25 Aldir Blanc Agnus sei 50 Altos e baixos 71 Baden Powell Bala com bala 46 Carlos Lyra Beguine dodói 70 Aviso aos navegantes 4496 Bodas de prata 68 Bocochê 16 Entrudo 68 Cabaré 50 Cai dentro 69 Influência do jazz 15 Caça à raposa 53 Canto de Ossanha 23 Marcha de quarta-feira de cinzas 30 Comadre 51 Consolação/Berimbau/Tem dó 21 Maria do Maranhão 20 Corsário 87 Deixa 35 Dois prá lá, dois prá cá 53 Falei e disse 44 Ela 45 Formosa 15 Gol anulado 87 Lapinha 31 Jardins da infância 60 Samba da benção (Samba saravah) 31 O bêbado e a equilibrista 70 Samba do perdão 31 O caçador de esmeralda 50 Se você quiser 9 O cavaleiro e os moinhos 60 Té o sol raiar 19 O mestre-sala dos mares 52 Vou deitar e rolar Ou bola ou búlica 67 41 Querelas do Brasil 65 Chico Buarque Transversal do tempo 63 Um por todos 59 Atrás da porta 47 Violeta de Belford Roxo 67 Bom tempo 32 Construção 64 Deus lhe pague 64 Joana francesa 68 Ana Terra Mulheres de Atenas 90 Noite dos Mascarados 34 Essa mulher 70 Belchior Noite dos Mascarados (La nuit des masques)34 Pé sem cabeça 72 Pois é 54 Sai dessa 73 Como nossos pais 58 Retrato em branco e preto 55 Mucuripe 46 Sabiá 78 Noves fora 67 Só tinha de ser com você 54 Velha roupa colorida 58 Tatuagem 60 Tem mais samba 28 Valsa rancho 69
  • Claudio LucciColagem 61Vecchio novo 61 Guilherme Arantes Aprendendo a jogar 73 Só Deus é quem sabe 73 Francis Hime Atrás da porta 47 Minha 38 Por um amor maior 20 Tereza sabe sambar 28 Último canto 21Dory Caymmi & Nelson Motta Valsa rancho 69Cantador 29De onde vens 32 Fred Jorge Ivan LinsSaveiros 21 Aos nossos filhos 78 Baby Face 3 Cartomante 61 Garoto último tipo (Puppy Love) 3 Começar de novo 85 Pizzicati pizzicato 6 Corpos 66 Dinorah, Dinorah 67 Ih! Meu Deus do céu! 43 Madalena 44 Me deixa em paz 49 Qualquer dia 61Dorival Caymmi 97João valentão 20Rosa morena 22 Gilberto Gil Amor até o fim 25 Aquele abraço 39 Doente morena 49 Ensaio geral 22 Fechado pra balanço 41 João Bosco Flora 84 Agnus sei 50 Ladeira da preguiça 51 Bala com bala 46 Louvação 24 Beguine dodói 70 Lunik 9 26Edu Lobo Mancada 83 Bodas de prata 68 Cabaré 50 Meio de campo 50Aleluia 21 Caça à raposa 53 No dia em que eu vim-me embora 86Arrastão 13 Cobra criada 81 No céu da vibração 72Canção do amanhecer 19 Comadre 51 O compositor me disse 53Canto triste 22 Corsário 87 Oriente 49Chegança 20 Dois prá lá, dois prá cá 53 Rebento 72Corrida de jangada 33 Gol anulado 87 Roda 26Estatuinha 27 Jardins da infância 60 Se eu quiser falar com Deus 81Jogo de roda 22 O bêbado e a equilibrista 70 Viramundo 33Memórias de Marta Saré 37 O caçador de esmeralda 50Prá dizer adeus 25 O cavaleiro e os moinhos 60Resolução 19 O mestre-sala dos mares 52Reza 14 O rancho da goiabada 64Upa, neguinho 25 Ou bola ou búlica 67Veleiro 27 Transversal do tempo 63Zambi 18 Um por todos 59 Violeta de Belford Roxo 67
  • Milton Nascimento Rita Lee Aqui é o país do futebol 85 Alô alô marciano 75 Cais 47 Lança perfume 83 Canção da América 75 Canção do sal 28 Caxangá 62 Jorge Ben Conversando no bar 52 Credo 67 Agora ninguém chora mais 16 Fé cega, faca amolada 82 Bicho do mato 41 Maria Maria 75 Mas que nada 16 Menino 77 Zazueira 39 Morro velho 62 Nada será como antes 42 O que foi feito devera (de Vera) 80 Roberto & Erasmo Carlos Ponta de areia 52 San Vicente 91 Amante à moda antiga 85 Travessia 52 As curvas da estrada de Santos 40 Vera Cruz 36 Jesus Cristo 91 Mundo deserto 45 Se você pensa 38 Lupicínio Rodrigues98 Cadeira vazia 56 Maria Rosa 53 Paulo César Pinheiro Aviso aos navegantes 44 Roberto Menescal Bolero de satã 71 & Ronaldo Bôscoli Cai dentro 69 Cão sem dono 65 A volta 37 Eu, heim, Rosa! 71 Carta ao mar 33 Falei e disse 44 O barquinho 36 Marcos & Paulo Sérgio Valle Lapinha 31 Telefone 17 Samba do perdão 31 Black is beautiful 44 Velho arvoredo 86 Deixa o mundo e o sol entrar 69 Vou deitar e rolar 41 Preciso aprender a ser só 13 Sonho de Maria 27 Terra de ninguém 13 Ruy Guerra Aleluia 21 Renato Teixeira Esse mundo é meu 19 Jogo de roda 22 Romaria 63 Minha 38 Sentimental eu fico 63 Por um amor maior 20 Reza 14 Último canto 21
  • Torquato Neto Louvação 24 Prá dizer adeus 25 Veleiro 27Sueli Costa20 anos blue 46Altos e baixos 71Cão sem dono 65O primeiro jornal 76 Tunai Agora tá 76 As aparências enganam 71Tom Jobim 99Águas de março 48Amor em paz 16Bonita 68Boto 65 Walter Santos & Tereza SouzaBrigas nunca mais 55 Vinícius de Moraes Cruz de cinza, cruz de sal 30Chovendo na roseira 56Corcovado 54 Vem balançar 15 A corujinha 81Dindi 89 Amor em paz 16Discussão 15 Arrastão 13Estrada do sol 45 Bocochê 16Fotografia 56 Brigas nunca mais 55Frevo 41 Canção do amanhecer 19Garota de Ipanema (Girl from Ipanema) 82 Canto de Ossanha 23How insensitive (Insensatez) 38 Canto triste 22Inútil paisagem 55 Consolação/Berimbau/Tem dó 21Modinha 54 Deixa 35O que tinha de ser 55 Formosa 15Pois é 54 Zé Rodrix Frevo 41Por toda minha vida 55 Garota de Ipanema (Girl from Ipanema) 82Retrato em branco e preto 55 Caso no campo 43 How insensitive (Insensatez) 38Sabiá 78 Olhos abertos 47 Marcha de quarta-feira de cinzas 30Samba do avião 15 Modinha 54Só tinha de ser com você 54 O que tinha de ser 55Soneto de separação 56 Por toda minha vida 55Tributo a Tom Jobim 32 Samba da benção (Samba saravah) 31Tristeza 54 Soneto de separação 56Wave 37 Té o sol raiar 19 Tereza sabe sambar 28 Valsa de Eurídice 83 Zambi 18
  • “ gora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.AAgora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante. E todas as figuras são assim... Desenhos de luz, agrupamentos de pontos de partículas. Um quadro de impulsos, um processamento de sinais. E assim – dizem – recontam a vida. Agora retiram de mim a cobertura da carne. Escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos. E aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo. Um rascunho... Um forma nebulosa, feita de luz e sombra. Como uma estrela... Agora eu sou uma estrela!”