unesp    UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA                     “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”                 Campus de Rosana - S...
NAGISA MIGITAIMAGENS DO BRASIL NO CINEMA: Paraíso, Sensual        e Selvagem, a Visão Norte-Americana                     ...
Migita, Nagisa         Imagens do Brasil no Cinema: Paraíso, Sensual e Selvagem,           a visão Norte Americana / Nagis...
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Nagisa MigitaIMAGENS DO BRASIL NO CINEMA: Paraíso, Sensual                     e Selvagem, a Visão Norte-Americana        ...
À minha família e aos seus sacrifícios que tornaram real o meu sonho.
AGRADECIMENTOSMeus agradecimentos vão para os atores de minha vida Hollywoodiana,Ao grande e melhor ator, meu pai Mitsutom...
“[...] a arte nada mais é que a materialização do anseio humano pela imortalidade, pois a grande angústia existencial do h...
RESUMOO presente trabalho advém de uma preocupação pautada na relação cinema e imagens turísticas,procurando depreender ma...
ABSTRACTThis work stems from a concern based in the movies and pictures regarding tourist, seeking tounderstand more fully...
LISTA DE QUADROSQuadro 1 - Características dos filmes .......................................................................
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASBR – BrasilECO 92 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o DesenvolvimentoEM...
LISTA DE FIGURASFigura 1 - Taumatrópio.......................................................................................
ÍNDICE FILMOGRÁFICO007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE                        51A LISTA DE SCHINDLER                            ...
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES                    40ORQUÍDEA SELVAGEM                           49,50,69OS MERCENÁRIOS       ...
SUMARIOINTRODUÇÃO                                                                               16I CAPÍTULO – CINEMA     ...
16INTRODUÇÃO        Atualmente vivemos um período no qual a tecnologia tornou-se indispensável, na saúde,hospedagem, trans...
17turistas, individual ou coletivamente, e, por meio de grandes produções, sejam estas televisivasou cinematográficas, o t...
18americanos são especialistas e por serem estes os gêneros de maior arrecadação de bilheteria,como ação, aventura, comédi...
19I CAPÍTULO – CINEMA         Neste capítulo discutiremos algumas questões necessárias para a compreensão dasimagens turís...
20iluministas2 foram aperfeiçoando as invenções realizadas pelos seus antecessores. Deaperfeiçoamentos e descobertas desde...
21através de uma abertura quadrada, redonda ou triangular produz sempre uma imagem circular,contudo o filósofo não consegu...
22escura, a Lanterna disponibilizava a escolha pela paisagem a ser vista, de acordo com a placa aqual instalássemos. E por...
23             Os pesquisadores do século XIX estudavam o fenômeno da Persistência Retiniana, ouPersistência da Visão. Est...
24                                          Figura 1 - TaumatrópioFonte: Disponível em http://courses.ncssm.edu/gallery/co...
25                                            Figura 2 - Taumatrópio             Fonte: Disponível em http://www.precinema...
26                                        Figura 3 - FenaquistiscópioFonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Fic...
27de um eixo vertical. O cilindro era perfurado e, em seu interior havia imagens representando fasescontínuas de um movime...
28        Émile Reynald, fotógrafo de Paris, criou em 1877 o Praxinoscópio (Figura 6).Fundamentado no Zoótropo, o Praxinos...
29         Conforme a citação de Mannoni o instrumento tinha, portanto o formato e elementos deum rifle, visor e gatilho. ...
30                                         Figura 7 - Cinetoscópio           Fonte:                                  Dispo...
31que era uma caixa de madeira, movia-se por uma manivela ligada a uma árvore central, operadamanualmente, que fazia avanç...
32século XX, a indústria do cinema já registrava em 1903, um catálogo de 2.113 títulos, cerca de 20metros cada um. Essa me...
33alguns astros do cinema mudo, como por exemplo, Charlie Chaplin (HAYATA; MADRIL,2009).          A música continuou a faz...
341.3 A INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA        Entretenimento, curiosidade, meio de comunicação social, uma indústria que fatura...
35grandes empresas como a: Paramount, Metro Goldwyn Mayer, 20th Century Fox, Warner Bross,RKO, Universal, Columbia e Unite...
36acontece a montagem das cenas, onde os efeitos especiais são criados, o som e a trilha sonoraaplicada, ou seja, quando o...
37         Nos primeiros anos da cinematografia norte-americana, ainda quando o cinema eramudo e a Europa controlava a ind...
38                         os gêneros cinematográficos bem específicos, como o policial, o musical e o western,           ...
39extremo cuidado na preparação das tarefas e a estrita divisão do trabalho entre concepção eexecução.         Apesar da c...
40da produção, seja esta de automóveis, de comida ou de máquinas, mas devemos nos situar que acrise financeira do país foi...
41        São vários, portanto, os gêneros Hollywoodianos desde faroeste ao modernista, porém,todos eles ensinam que o din...
42demonstravam e focalizavam problemas como os enfrentados por imigrantes e estrangeiros arespeito do seu modo de vida. Co...
43          O filme também abordava o ideal de parte da classe média que estava encolhendo comoconsequência da crise dos a...
44                       Em 2005, as chamadas majors, Warner Bros., BuenaVista, Columbia Tristar, Fox,                    ...
451.5 O CENÁRIO BRASILEIRO EM FILMES NORTE-AMERICANOS         Como anteriormente apontado, o cinema americano é uma indúst...
46com a nova realidade. Por exemplo, quando afirmam que o Brasil é o Éden, a metáfora não maisse relaciona a beleza da nat...
47jurídica entre as nações do continente, além de propor a cooperação por todos os meios para obem-estar dos povos da Amér...
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  1. 1. unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Campus de Rosana - SP NAGISA MIGITAIMAGENS DO BRASIL NO CINEMA: Paraíso, Sensual e Selvagem, a Visão Norte-Americana ROSANA– SÃO PAULO 2011
  2. 2. NAGISA MIGITAIMAGENS DO BRASIL NO CINEMA: Paraíso, Sensual e Selvagem, a Visão Norte-Americana Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Turismo – Unesp/Rosana, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Turismo. Orientadora: FABIANE NAGABE ROSANA – SÃO PAULO 2011
  3. 3. Migita, Nagisa Imagens do Brasil no Cinema: Paraíso, Sensual e Selvagem, a visão Norte Americana / Nagisa Migita. – Rosana - SP xxx f : il. ; xx cm Trabalho de Conclusão de Curso - TCC (Graduação) –– Universidade Estadual Paulista, Rosana, 2011.1 Descritor. 2. Descritor.3 . Descritor. I. Autor II. Título
  4. 4. ERRATAPágina Linha Onde se lê Leia-se
  5. 5. Nagisa MigitaIMAGENS DO BRASIL NO CINEMA: Paraíso, Sensual e Selvagem, a Visão Norte-Americana Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Turismo – Unesp/Rosana, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Turismo. Orientador: FABIANE NAGABEData de aprovação: ___/___/____MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA:Presidente e Orientador: Profa Ms. Fabiane Nagabe Unesp.Membro Titular: Profa Dra Patrícia Alves Ramiro Unesp.Membro Titular: Prof.ª Ms. Savanna da Rosa Ramos Unesp.Local: Universidade Estadual PaulistaUNESP – Campus Experimental de Rosana
  6. 6. À minha família e aos seus sacrifícios que tornaram real o meu sonho.
  7. 7. AGRADECIMENTOSMeus agradecimentos vão para os atores de minha vida Hollywoodiana,Ao grande e melhor ator, meu pai Mitsutomo Migita,A grande atriz e mulher da minha vida, minha avó Teruyo Migita,A atriz coadjuvante e amiga para todas as horas, minha irmã Natacha Azussa Migita,Ao atores coadjuvantes e símbolos do sucesso, meus irmãos Rogério Tsukassa Migita e EduardoYutaka Migita,Ao melhor roteiro de amizade: Polyana Cristina Paro, Damaris Ribeiro de Paula, Glaucia PedrosoArruda, Renata Barros de Melo, Gabriel Marchioli, Débora Faria, Marcela Manhani, Eric Kooro,Felipe Bastos Maranezzi, Renata (Latina), Flávia (Poia), Renan (Zé), Hatus, Felipe (Chicken),Rafael (Palmito), André Miranda, Bruno (da Gal), Karoline, Tiago, Lucas (Crécia), Mei,Zacarias, Vitiligo, Mariana Souza e Miriam (Nina)Ao melhor filme de curta metragem, aos moradores de Primavera,Ao melhor efeito especial, Kyon,A melhor direção, a minha orientadora Fabiane Nagabe,A melhor direção de arte, aos professores Serginho, Patrícia Ramiro, Rosângela, Claudinha,Eduardo Romero, Fernando Protti Bueno, Vagner, Danielle e Savanna.A melhor assistência, Nilson, Nielson, Tiago, Val, Silvanira, Dallan, Gilnei, Ivani, Mônica, Sr.Gama, Éder, Cinthya, Júlios, Jefferson, Alan, Luiz, Fábio, Edimilson e aos guardinhas.
  8. 8. “[...] a arte nada mais é que a materialização do anseio humano pela imortalidade, pois a grande angústia existencial do homem é a morte, que a fotografia e depois o cinema lograriam vencer” (MANNONI, 2003, p.12).
  9. 9. RESUMOO presente trabalho advém de uma preocupação pautada na relação cinema e imagens turísticas,procurando depreender mais a fundo o objeto de estudo desta pesquisa, o cinema. Os motivos quenorteiam nossa inquietação giram em torno, da necessidade de se entender quais são as imagensturísticas expostas em cinco produções cinematográficas norte-americanas a respeito do Brasil.Para tal, vimos à necessidade de analisarmos algumas das produções americanas paraconstatarmos as principais imagens que representam o Brasil. E utilizando bibliografias deautores como Bignami Sá, Tunico Amâncio, Laurant Mannoni, Jonni Langer entre outros quetratam a respeito de cinema, imagens, turismo e a metodologia de análise de filmes conseguimosobter base referencial para a compreensão da importância das imagens para os destinos turísticos,uma vez que, a imagem é uma característica importante do produto turístico para atração defluxos turísticos; captação de negócios e capitais no exterior e expansão das exportações(ITUASSU; OLIVEIRA, 2004). Estas referências também colaboraram para realizarmos umamelhor análise dos filmes selecionados para esta pesquisa. E por meio da análise individual doscinco filmes selecionados, “Lambada a dança proibida”, “Anaconda”, “Sabor da Paixão”,“Turistas” e Velozes e Furiosos 5: operação Rio”, produções cinematográficas presentes norecorte temporal de 1990 a 2011 e tomando por base a narrativa do filme, à dinâmica dospersonagens no quadro, as interações da banda sonora e as articulações dos pontos de vista e aanálise composta destas películas conseguimos sintetizar as imagens presentes nestes filmes emalgumas palavras: o Brasil paraíso, sensual e selvagem.Palavras – chave: Cinema e Imagens Turísticas
  10. 10. ABSTRACTThis work stems from a concern based in the movies and pictures regarding tourist, seeking tounderstand more fully the object of this research, the cinema. The reasons that guide our concernsrevolve around, the need to understand what are the tourist images exhibited in five U.S. filmproductions about Brazil. To this end, we saw the need to review some of the Americanproductions only to find the key images that represent Brazil. And using bibliographies of writerssuch as Sá Bignami, Tunico Amancio, Laurent Mannoni, Jonni Langer and others that deal aboutmovies, pictures, tourism and film analysis methodology able to obtain basic framework forunderstanding the importance of images for tourist destinations , since the image is an importantfeature of the tourism product to attract tourism; attracting business and capital abroad andexpanding exports (ITUASSU; OLIVEIRA, 2004). These references also collaborated to conducta better analysis of the films selected for this research. And through the individual analysis of fiveselected films, "Lambada the forbidden dance," "Anaconda", "Woman on Top", "Paradise Lost"and “Fast and Furious 5: Operation Rio”, filmmaking present in the time frame of 1990 2011 andbuilding on the films narrative, the dynamics of the characters in the picture, the interactions inthe soundtrack and the joints of the views and analysis of these composite films can synthesizeimages present in these films in a few words: Brazil paradise, sensual and wild.Keywords: Film and Tourism Images.
  11. 11. LISTA DE QUADROSQuadro 1 - Características dos filmes ........................................................................................ 99
  12. 12. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASBR – BrasilECO 92 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o DesenvolvimentoEMBRATUR – Instituto Brasileiro de TurismoEUA – Estados Unidos da AméricaFBI – Federal Bureau of InvestigationFR - FrançaING – InglaterraOMT – Organização Mundial de TurismoPCC – Primeiro Comando da Capital
  13. 13. LISTA DE FIGURASFigura 1 - Taumatrópio............................................................................................................... 24Figura 2 - Taumatrópio............................................................................................................... 25Figura 3 - Fenaquistiscópio......................................................................................................... 26Figura 5 - Zootrópio .................................................................................................................... 27Figura 4 - Zootrópio .................................................................................................................... 27Figura 6 - Praxinoscópio ............................................................................................................. 28Figura 7 - Cinetoscópio ............................................................................................................... 30Figura 8 - Lambada a dança proibida ....................................................................................... 74Figura 9 - Anaconda .................................................................................................................... 78Figura 10 - Sabor da Paixão ....................................................................................................... 82Figura 12 - Turistas ..................................................................................................................... 86Figura 14 - Velozes e furiosos 5: Operação Rio ........................................................................ 93
  14. 14. ÍNDICE FILMOGRÁFICO007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE 51A LISTA DE SCHINDLER 43ALÔ AMIGOS 47,69AMANHECER 49A MISSÃO 51ANACONDA 51,69,71,78,99,100AS AVENTURAS DE DOLIIE 37A SERENATA TROPICAL 47,69A SAGA 51BANANA DA TERRA 46BRENDA STARR 47,48CASABLANCA 41CIDADÃO KANE 40CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU 42E O VENTO LEVOU 40EXTERMINADOR DO FUTURO 43FEITIÇO NO RIO 49,53,69GUERRA NAS ESTRELAS 42INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL 51INFERNO NA TORRE 42JURASSIC PARK 43LAMBADA A DANÇA PROIBIDA 49,69,71,74,99,100MATRIX 43O CANTOR DE JAZZ 39O DESTINO DO POSEIDON 42O GRANDE ROUBO DO TREM 37O GORDO E O MAGRO 38O INCRÍVEL HULK 49,69O MISTÉRIO DA ILHA DE VÊNUS 48,69
  15. 15. O MORRO DOS VENTOS UIVANTES 40ORQUÍDEA SELVAGEM 49,50,69OS MERCENÁRIOS 49,69PRÓXIMA PARADA, WONDERLAND 48,50,69RAMBO 42RIO 49,69SABOR DA PAIXÃO 49,51,69,71,72,82,99,100SALVO DE UM NINHO DE ÁGUIA 37SE VOCÊ VAI AO RIO 82SUPERMAN 42TEMPO DE VIOLÊNCIA 40,43TITANIC 42PRIMAVERA PARA HITLER 51TURISTAS 49,69,71,72,86,99,100VELOZES E FURIOSOS 5: OPERAÇÃO RIO 49,69,71,72,93,99,100VOANDO PARA O RIO 46,49,69VOCÊ JÁ FOI A BAHIA? 47,69X- MEN 43
  16. 16. SUMARIOINTRODUÇÃO 16I CAPÍTULO – CINEMA 19 1.1 História do surgimento do cinema 19 1.2 A Pré-História do Cinema 20 1.3 A indústria Cinematográfica 34 1.4 American Way of Life: A importância da indústria cinematográfica norte-americana 36 1.5 O cenário brasileiro em filmes norte-americanos 45II CAPÍTULO – CLAQUETE, AÇÃO!: METODOLOGIA E CONSTRUÇÃO TEÓRICA 57 2.1 Imagem e Turismo 57III METODOLOGIA: CAMINHOS SEGUIDOS 69 3.1 Análise dos filmes: contextos de produção e cenários 73 3.1.1 Lambada a dança proibida - “The Forbidden dance” 73 3.1.2 Anaconda 77 3.1.3 Sabor da paixão – “Woman Top” 81 3.1.4 Turistas – “Paradise Lost” 86 3.1.5 Velozes e furiosos 5: operação Rio – “Fast and Furious 5 – Rio Heist”. 92 3.2 Visão geral 98CONSIDERAÇÕES FINAIS 102REFERÊNCIAS 105REFERÊNCIAS FILMOGRÁFICAS 110ANEXOS 114 Lambada a dança proibida - “The Forbidden dance” 114 Anaconda 114 Sabor da paixão – “Woman Top” 115 Turistas – “Tourists” 115 Velozes e furiosos 5: operação Rio – “Fast and Furious 5 – Rio Heist”. 115
  17. 17. 16INTRODUÇÃO Atualmente vivemos um período no qual a tecnologia tornou-se indispensável, na saúde,hospedagem, transporte, comunicação, e o seu rápido desenvolvimento garante e reforça adivulgação da informação, por meio dos progressos técnicos nos sistemas de reprodução gráfica,através de um vasto material, livros, mapas, periódicos, guias, que facilitam o deslocamento dosviajantes e, sobretudo, incentivam a imaginação e o desejo do potencial turista (RODRIGUES,2002). Desta forma, a publicidade invade cada interstício da sociedade e do território. Cria-se,assim, uma vocação de consumo que antecede à produção material e imaterial e que, ressaltandoa oposição entre trabalho e não trabalho busca despertar a necessidade de lazer (SILVEIRA,2002). No entanto, as pessoas não mais se contentam em conseguir apenas o lazer, pois, As pessoas não querem apenas ser felizes, querem curtir essa felicidade. E no centro desse propósito espera-se que as empresas que habitam o mercado de turismo estejam aptas, não apenas a fornecer produtos e serviços para satisfazer as necessidades, mas que sejam capazes de ir além, surpreendendo; realizando desejos, sonhos e fantasias (COBRA, 2001, p.68). Verificamos, portanto, que as pessoas buscam por meio dos produtos e serviçosturísticos satisfazer suas necessidades mais profundas, aquelas em que envolvem a realização dedesejos, sonhos e fantasias. No entanto, a realidade jamais poderá propiciar os prazeresaperfeiçoados dos devaneios de cada individuo, tornando cada compra uma desilusão ou ummaior anseio por produtos mais novos (URRY apud CORIOLANO, 2002, p. 120). Dentro destecontexto onde o consumidor se torna cada vez mais exigente e refinado, o marketing vem seaprimorando, utilizando de diversas ferramentas para continuar neste mercado competitivo(SILVA, 2007) e dentre estas ferramentas está o cinema. O cinema é considerado uma ferramenta sofisticada e inovadora no marketing turístico,pois é um meio de comunicação em massa, que traz importantes elementos para a criação, adivulgação e a consolidação de uma imagem turística local, uma vez que, principalmente poratingir um maior número de pessoas, passa a ser um dos maiores divulgadores e consolidadoresde imagens (ALFONSO, 2006). É ainda, uma ferramenta muito útil à estratégia de recuperaçãode um destino, pois estimula o interesse do turista, uma vez que os filmes são as ferramentaseficientes para influenciar a percepção das pessoas (GLAESSER, 2008). O cinema também podefuncionar como reforço de poderosos símbolos que influenciam a escolha dos destinos de
  18. 18. 17turistas, individual ou coletivamente, e, por meio de grandes produções, sejam estas televisivasou cinematográficas, o telespectador pode incorporar em seu imaginário pessoal os cenários ondese desenvolveram suas tramas favoritas (BRASIL, 2007). Considerando a importância do cinemapara a divulgação das imagens turísticas, utilizamos esta ferramenta como nosso objeto de estudo. O presente trabalho advém, então, de uma preocupação pautada na relação cinema eimagens turísticas. Os motivos que norteiam nossa inquietação, além da grande paixão pelo tema,giram em torno da necessidade de se entender a seguinte problemática: As imagens veiculadaspelo cinema podem influenciar na formatação e promoção de um destino turístico? Parachegarmos a uma resposta a respeito desta questão, observamos que teríamos grandesdificuldades, uma vez que a indústria cinematográfica é muito ampla. Desta forma, vimos ànecessidade de focalizar em uma única indústria cinematográfica: a norte-americana. A escolhapela indústria cinematográfica norte-americana se deu primordialmente, por apresentar-se como omais robusto mercado de audiovisual do mundo, “sendo a produção de programas de televisão efilmes de longa-metragem considerado um dos mais vitais e valorizados recursos da nação”(BRASIL, Ministério do Turismo, 2011, p.24). Neste trabalho, portanto, temos como objetivo geral pesquisar quais imagens turísticassão expostas nas cinco produções cinematográficas norte-americanas analisadas, cujo recortetemporal se dá de 1990 a 2011. Para alcançarmos este objetivo verificamos a necessidade deinicialmente compreendermos o cinema e a indústria cinematográfica norte-americana, para entãodescrevermos e analisarmos seus filmes, e finalmente, constatar as imagens turísticas presentesnestas produções. No entanto, é importante salientarmos que em vista da vasta quantidade deproduções norte-americanas que possuem imagens turísticas a respeito do Brasil tivemos queescolher certo número de produções para serem analisados e ainda delimitar um recorte temporal,no qual se inserem as produções cinematográficas norte-americanas lançadas entre os anos 1990e 2011. Analisamos, especificamente, cinco produções americanas: “Lambada a dança proibida”(EUA, 1990), “Anaconda” (EUA, 1997), “Sabor da paixão” (EUA, 2000), “Turistas” (EUA,2006) e “Velozes e Furiosos 5: operação Rio” (EUA, 2011). Selecionamos estes cinco filmesdentre 43 filmes citados nesta pesquisa, uma vez que estas apresentavam o conteúdo narrativo arespeito do Brasil e imagens representativas, além de que estas produções cinematográficas seencontravam dentro do recorte temporal estabelecido. Outra justificativa para a seleção destaspelículas foi, devido, a estas pertencerem a gêneros cinematográficos dos quais os norte-
  19. 19. 18americanos são especialistas e por serem estes os gêneros de maior arrecadação de bilheteria,como ação, aventura, comédia romântica e suspense/terror. Com a verificação individual dosfilmes foi possível à identificação de algumas imagens já presentes na formação histórica docontinente, e, desta forma percebemos a necessidade da análise dos elementos filmográficos decada produção conjuntamente, ao qual denominamos visão geral, pois trata-se de um processocomparativo. Vislumbrando uma resposta fidedigna a esta problemática utilizamos na pesquisa osseguintes procedimentos: o estado da arte e a pesquisa documental (DENCKER, 1998), ondeforam realizadas a revisão da literatura de publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros,pesquisas, monografias, teses e audiovisuais como filmes e documentários. A bibliografia em quenos embasamos foi basicamente a respeito de assuntos relacionados a imagem, imagem turística,imagem do Brasil no turismo, o cinema e a indústria cinematográfica norte-americana. Tambémforam utilizados audiovisuais como o documentário de Lúcia Murat: “Olhar estrangeiro: umpersonagem chamado Brasil” para melhor compreensão das imagens a respeito do país. Nesta pesquisa, portanto, estudamos as imagens turísticas veiculadas pelo cinema, quesegundo Alexandre Busko Valim (2006) é um fenômeno complexo, mas que ganhou importâncianos últimos anos. Neste contexto, esta pesquisa busca investigar o cinema, observando o quantoela pode contribuir para a formatação da imagem de um destino turístico, exportando imagens evalores positivos do Brasil. Vislumbramos ainda com este trabalho somar dados, ampliar visões ediscussões a respeito do tema para que se possa auxiliar no desenvolvimento de diversas outraspesquisas.
  20. 20. 19I CAPÍTULO – CINEMA Neste capítulo discutiremos algumas questões necessárias para a compreensão dasimagens turísticas do Brasil no cinema: a visão norte-americana. Objetivamos, inicialmente,entender o nosso objeto de estudo. Vimos também à importância da reflexão e estudo da indústriacinematográfica norte-americana e como a mesma apresenta e representa o Brasil em seus filmes.Nesse sentido dividimos o capítulo em três partes: a história do surgimento do cinema, a indústriacinematográfica norte-americana e o cenário brasileiro em filmes norte-americanos. Essadigressão é realizada com intuito de se compreender que as imagens focalizadas serão aquelas arespeito do Brasil transmitidas pela indústria cinematográfica norte-americana.1.1 HISTÓRIA DO SURGIMENTO DO CINEMA Para a reflexão das questões a respeito do cinema, é necessário primeiramentecompreender como foi o processo histórico de seu surgimento. Portanto, pretendemos abordarnesta primeira parte, a história do surgimento do cinema, dividida em duas partes: a pré-históriado cinema e a indústria cinematográfica. Observaremos que para a formação desta história foramnecessários milênios de desenvolvimento mental e técnico para pretendermos, tentarmos econseguirmos captar a imagem em movimento. Inicialmente relataremos brevemente a pré-história do cinema, que se inicia com oshomens da era paleolítica1 que tentavam fixar em cavernas, pedras, madeira, entre outros, o seucotidiano com rabiscos e desenhos. Séculos mais tarde filósofos como Aristóteles realizaramestudos de grande importância, constatando a aparição de imagens por meio de feixes de luz. Taisdescobertas possibilitaram que inventores dos séculos seguintes desenvolvessem instrumentosonde poderiam visualizar as imagens em diferentes formas e tamanhos. Muitos inventores1 Conforme o dicionário Michaelis a era paleolítica é o primeiro período da Idade da Pedra, também denominadaIdade da Pedra Lascada.
  21. 21. 20iluministas2 foram aperfeiçoando as invenções realizadas pelos seus antecessores. Deaperfeiçoamentos e descobertas desde os feixes de luz de Aristóteles, passaram invenções como aCâmara Escura, a Lanterna Mágica, entre outros para finalmente a criação do aparelhocinematográfico. Verificamos que após uma longa cadeia de pesquisadores, foi finalmente nasmãos de três personagens, o americano Thomas Alva Edison e os dois irmãos franceses Lumiére,que o aparelho cinematográfico conseguiu dar seus primeiros passos para a sua comercialização. A partir da comercialização dos filmes cinematográficos, vimos à importância dacompreensão do cinema como indústria. Descrevemos, portanto na segunda parte da história dosurgimento do cinema, a respeito da indústria cinematográfica. Destacaremos nesta parte asempresas de cinema que ganharam notoriedade, da evolução da indústria cinematográfica e comoé a produção de uma película. É importante ressaltarmos que neste último item não abordaremosem sua totalidade, pois é algo muito além das possibilidades deste trabalho.1.2 A PRÉ-HISTÓRIA DO CINEMA Os homens paleolíticos registravam em suas cavernas com rabiscos e gravuras o seucotidiano sequencialmente. Da mesma forma, os egípcios também desenhavam sequencias desuas ações nos muros de templos e nas paredes de túmulos. Segundo Sarmento Hayata e MaríliaMadril (2009) esses seriam os primeiros indícios da intenção do movimento, que em gregosignifica Kínema. O cinema teve em sua Pré-História, antes de ser e fazer História séculos de descobertas einvenções que abrangeram os campos da Física, Química e Biologia (HAYATA; MADRIL,2009). Foi devido aos estudos de filósofos gregos como Aristóteles (384-322 a.C) queconseguimos criar uma imagem. Aristóteles estudou o fenômeno da projeção dos raiosluminosos, conhecido desde a Antiguidade. Observou primeiramente a passagem de um feixe deluz através de uma abertura qualquer. Em seguida observou que a projeção dos raios solares2 Denominação concedida às pessoas que viveram a partir do século XVIII, devido ao movimento filosóficochamado Iluminismo ocorrido na França.
  22. 22. 21através de uma abertura quadrada, redonda ou triangular produz sempre uma imagem circular,contudo o filósofo não conseguiu decifrar o fenômeno (MANNONI, 2003). Anos mais tarde utilizando esses estudos dos filósofos gregos, a respeito dos raiosluminosos criou-se na França no século XIII, a Câmara Escura. O princípio da Câmara Escura éexplicado por Laurent Mannoni (2003) no seu livro “A grande arte da luz e da sombra”. Segundoo autor, a técnica segue a utilização do seguinte processo: [...] em um pequeno orifício na parede ou na janela de uma sala mergulhada na escuridão, a paisagem ou qualquer objeto exterior serão projetados no interior da sala, na parede oposta ao orifício. Se a tela for feita com um pedaço de papel ou um pano branco, a imagem fica ainda melhor. Se a tela estiver perto da abertura, a imagem fica pequena, porém nítida; se estiver distante, ela aumenta, mas perde em definição e colorido. De qualquer forma, ela é projetada de cabeça para baixo, porque os raios que partem dos pontos mais altos e mais baixos da cena exterior, propagando-se em linha reta, cruzam- se ao passar pelo orifício. O resultado é uma dupla inversão da imagem, de cima para baixo e da esquerda para a direita (MANNONI, 2003, p.32). Esse processo foi um recurso simples e prático, pois são utilizados apenas uma salaescura, uma abertura improvisada em uma parede ou em uma janela para deixar os raiosluminosos atravessarem, projetando as imagens da paisagem de fora da sala escura em uma telade papel ou pano branco. No entanto, havia problemas quanto à imagem ser sempre invertida, ouseja, a paisagem ou os objetos eram ainda sempre projetados de cabeça para baixo. O princípio e a construção da câmara escura não mudaram do século XIII ao começo doséculo XVI: a abertura era feita numa parede ou numa janela, era só o que variava. Com osprincípios da Câmara Escura, abertura em uma das paredes, sala escura e tela branca, criou-se noséculo XVII a Lanterna Mágica. A Lanterna Mágica, criada por Christiaan Huygens, foi segundoMannoni (2003) a ideia-mestra que antecedeu o nascimento do cinema, uma vez que,diferentemente da Câmara Escura este instrumento possibilitava o movimento do assuntorepresentado. Este aparelho [...] Trata-se de uma caixa óptica de madeira, folha de ferro, cobre ou cartão, de forma cúbica, esférica ou cilíndrica, que projeta sobre uma tela branca (tecido, parede caiada ou mesmo couro branco, no século XVIII), numa sala escurecida, imagens pintadas sobre uma placa de vidro. [...] A imagem é “fixa” ou “animada”, pois a placa comporta um sistema mecânico que permite dar movimento ao assunto representado (MANNONI, 2003, p.58). A Lanterna Mágica representava imagens pintadas sobre uma placa de vidro, ou seja,diferentemente da Câmara Escura que representava a paisagem imposta pelo lado de fora da sala
  23. 23. 22escura, a Lanterna disponibilizava a escolha pela paisagem a ser vista, de acordo com a placa aqual instalássemos. E por possuir um sistema mecânico a Lanterna possibilitava ao espectadorvisualizar as sequencia das ações apresentado, oferecendo consequentemente, o movimento. Oseu princípio permaneceu o mesmo, com algumas modificações do século XVII ao fim do séculoXIX. No século XVIII com o aprimoramento da Lanterna Mágica foi criado um novo gênerode espetáculo luminoso, a Fantasmagoria. Étienne – Gaspard Robert, ou mais conhecido comoRobertson, e Léonard André Clisorius pugnavam pela exclusividade da exploração dafantasmagoria. A Lanterna Mágica aperfeiçoada do século XVIII possuía a retroprojeção maisnítida, devido ao aprimoramento do seu tubo óptico. O instrumento também era equipado comum diafragma que permitia o ajuste da posição das lentes. Para permitir o deslocamento dalanterna ao longo de trilhos ou sobre rodas os inventores utilizaram uma barra dentada(MANNONI, 2003). No começo do século XIX, ainda utilizando os princípios da Câmara Escura o inventorfrancês Joseph-Nicéphore Nièpce (1765 – 1833) deu início às pesquisas3 acerca da fixação dasimagens observadas dentro de uma Câmara Escura. Por meio dos estudos do professor deMedicina da Universidade de Halle, Johamnn H. Schulze, no século XVIII, onde nota que os saisde prata 4eram sensíveis à luz, Nièpce consegue criar uma Câmara que apreende imagensimobilizadas fixando-as em uma placa de vidro impregnada de Colódio Úmido5. Obtendo seuprimeiro negativo em cinco de maio de 1816 (MANNONI, 2003). E após tirar sua primeirafotografia registra no ano de 1822, a patente de seu invento, denominado Heliógrafo. Foi a partirdestas constatações que surge a fotografia e consequentemente os fotógrafos (HAYATA;MADRIL, 2009). Apesar do nascimento da fotografia, muitos pesquisadores continuaram no decorrer doséculo XIX, com suas tentativas de projetar figuras animadas, pintadas à mão, outros, porém,sonhavam obter imagens fotográficas Movimentadas. Por fim, as técnicas da Lanternadesenvolvida por Huygens fundiram-se às da Câmera Fotográfica (MANNONI, 2003).3 Essas pesquisas realizadas pelo inventor francês Joseph-Nicéphore Nièpce (1765 – 1833) foram iniciadasprecisamente no ano de 1816, segundo o autor Mannoni (2003).4 Tais sais mais tarde nas mãos de Nièpce tornaria se elemento base para a fotografia (HAYATA; MADRIL, 2009).5 O Colódio Úmido foi um elemento importante para unir os sais de prata nas placas de vidro, uma vez que, para seobter os negativos era necessário algo que contivesse, numa massa uniforme, os sais de prata sensíveis à luz, paraque não dissolvessem durante a revelação (PROCESSO FOTOGRÁFICO, 2011).
  24. 24. 23 Os pesquisadores do século XIX estudavam o fenômeno da Persistência Retiniana, ouPersistência da Visão. Este fenômeno foi inicialmente verificado no século XVII, pelo religiosoNollet. Ele constatou que “os olhos humanos são capazes de reter imagem no fundo da retina”(HAYATA; MADRIL, 2009). Isto significava que poderíamos trocar uma figura por outra semque nossos olhos percebessem, desde que a troca fosse realizada rapidamente. A averiguação deNollet instigou a curiosidade dos pesquisadores do século XIX que persistiram nos estudos, echegaram a compreender que ao captar uma imagem o olho humano levaria uma fracção detempo para esquecê-la, pois a imagem persistiria na retina por uma fração de segundo após a suapercepção. Porém, as imagens projetadas a um ritmo superior a 16 por segundo, associam-se naretina sem interrupção (PERSISTÊNCIA DA VISÃO, WIKIPÉDIA). Ou seja, ao apresentarmosimagens diferentes rapidamente criaríamos a ilusão de movimento. Estudos a respeito da Persistência da Visão, e, os das impressões luminosas deramalicerce para muitas invenções dos anos de 1820 e 1830. A grande maioria dessas invenções erafundamentada em Discos com figuras para se obter a ilusão do movimento. Foram realizadosuma série de Discos experimentais: a Roda de Faraday, o Estroboscópio6 de Simon Stampfer e oFenaquistiscópio7de Joseph Plateau. Esses dois últimos Discos, datados do final de 1832, davamao olho a ilusão perfeita do movimento (MANNONI, 2003). Outros Discos foram construídos ao longo do século XIX, no entanto, aqui destacamos oinvento do Dr. John Ayrton Paris, que construiu, por volta de 1825, o seu Taumatrópio (Figuras 1e 2). O instrumento era feito de um disco com figuras diferentes e invertidas desenhadas em cadalado que, girando com velocidade suficiente, dava a impressão de que as duas figuras estavam emum mesmo plano (HAYATA; MADRIL, 2009).6 Conforme Mannoni (2003) a palavra Estroboscópio é originário do grego Strobos, “rotação”.7 Ibidem a palavra Fenaquistiscópio é originário do grego Phenas, “enganador”, “ilusório”, e Skopêo, “eu olho”.
  25. 25. 24 Figura 1 - TaumatrópioFonte: Disponível em http://courses.ncssm.edu/gallery/collections/toys/images/dogbirds.jpg Na figura acima John Paris utiliza duas imagens a de um cachorro e a de dois pássaros.Na imagem que possui o cachorro há uma frase que considera: Why is a pointer dog like ahighwayman 8 a resposta parece surgir na frase que contém a imagem dos pássaros: Because he isin quest of pres9. Na segunda figura do Taumatrópio, o Disco de Paris apresenta de um lado aimagem de uma gaiola e do outro lado a de um pássaro. Ao girarmos o Disco perceberíamos queo pássaro se encontraria dentro da gaiola.8 A tradução da frase:Why is a pointer dog like a high way man em português seria “Por que um cão ponteiro écomo um salteador”.9 A tradução da frase: Because he is in quest of pres em português seria “Porque ele está em busca de mais”.
  26. 26. 25 Figura 2 - Taumatrópio Fonte: Disponível em http://www.precinemahistory.net/images/thaumatrope_1825.gif Da mesma forma que o Dr. John Ayrton Paris, Joseph Antoine Ferdinand Plateau ficoufascinado pelo fenômeno da Persistência da Visão. Arquitetou então, a partir de 1827, uma sériede dispositivos a discos destinados a esclarecer e testar o fenômeno da Persistência dasimpressões luminosas. Apenas dois deles foram comercializados: o Anortoscópio10, concebidoem 1828 e posto à venda no começo de 1836, e o Fenaquistiscópio, idealizado em dezembro de1832 e entregue ao público no ano seguinte (MANNONI, 2003). O Fenaquistiscópio (figura 3) de Plateau foi o primeiro disco que reproduziaperfeitamente a ilusão do movimento. O instrumento era constituído por dois discos de papelãopreso no centro por um arame que, girando em direções diferentes, enganavam o olho doespectador criando-lhe a miragem do movimento das figuras impressas nas rodas do disco(HAYATA; MADRIL, 2009). Na figura a seguir Plateau apresenta desenhos de uma mulher e umhomem, em diferentes posições, no intuito de simular o movimento de dança.10 Conforme Mannoni (2003) a palavra Anortoscópio surgiu do grego anorthô, “eu corrijo”, e skopêo, “eu olho”.
  27. 27. 26 Figura 3 - FenaquistiscópioFonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Phenakistoscope_3g07690u.jpg Mannoni explica a ilusão criada pelo Fenaquistiscópio da seguinte forma: [...] se várias figuras, separadas regularmente e diferindo ligeiramente entre si em forma e posição, forem sucessivamente mostradas ao olho, a intervalos de tempo muito curtos e próximos, as impressões sucessivas que produzem no cérebro (na “retina”, pensava Plateau) conectam-se sem se fundir. Resultado: cremos ver um único objeto gradualmente mudando de forma e posição (2003, p.223). No Disco de Plateau, portanto, as figuras estão em um mesmo plano, no entanto, a umadistância relativa uma da outra, para que quando iniciado o movimento do Disco as imagenspareçam estar mudando de posição. O autor anteriormente citado observa ainda que, o aparelhode Plateau ganhou grande destaque entre as pessoas da sua época. Colaborando intensamente nahistória do cinema, uma vez que “Esse avanço intermitente de uma imagem e sua obturaçãodurante a mudança de posição constitui o princípio fundamental da técnica cinematográfica”(2003, p.238). Como tínhamos dito anteriormente, o Fenaquistiscópio de Plateau e outro Disco, oZootrópio de William George Horner, foram os instrumentos que melhor representavam a ilusãodo movimento. O Zootrópio (Figuras 4 e 5) foi criado em 1834, por William George Horner. Oaparelho que aperfeiçoava o invento de Plateau proporcionava a “observação do espetáculo” avárias pessoas ao mesmo tempo. O Zootrópio possuía uma forma cilíndrica que girava em torno
  28. 28. 27de um eixo vertical. O cilindro era perfurado e, em seu interior havia imagens representando fasescontínuas de um movimento (HAYATA; MADRIL, 2009). Nas duas figuras do Zootrópiopodemos visualizar que o instrumento utiliza de uma imagem em diferentes posições, como oFenaquistiscópio de Plateau. O Zootrópio se diferencia do Disco de Plateau, em forma eapresentação, uma vez que o instrumento possibilitava a visualização da atração a várias pessoasao mesmo tempo. Figura 5 - Zootrópio Figura 4 - ZootrópioFonte: Disponível em http://www.earlycinema.com/images/technology/zoetrope_large.jpg Alguns anos mais tarde o cientista inglês Charles Wheatstone (1802 – 1875) inventou oEstereoscópio11. O Estereoscópio se compunha de duas imagens planas, desenhadas oufotografadas, mas ligeiramente diferentes justapostas verticalmente na caixa, em oposição a duaslentes. O usuário olhava através de ambas as lentes e via as duas imagens reunidas em uma só,superpostas pela visão binocular (MANNONI, 2003). “A fotografia movimentada finalmentesaíra do limbo”, como afirma Mannoni (2003), e embora alguns engenheiros e ópticos houvessemtomado o rumo da estereoscopia individual animada, outros persistiam no sonho de umespetáculo coletivo e popular, como foi o caso do francês Émile Reynald e do americano ThomasAlva Edison.11 O Estereoscópio inventado pelo inglês Charles Wheatstone (1802 – 1875) consistia basicamente em uma CaixaÓptica que oferecia certa sensação de tridimensionalidade (MANNONI, 2003).
  29. 29. 28 Émile Reynald, fotógrafo de Paris, criou em 1877 o Praxinoscópio (Figura 6).Fundamentado no Zoótropo, o Praxinoscópio se diferenciava pelos seus jogos de espelhos poronde se observam as imagens animadas (HAYATA; MADRIL, 2009). Como podemos observaro Praxinoscópio de Reynald possuía um formato quadrado, criado de madeira e com umaabertura de metal por onde visualizávamos as imagens. Figura 6 - Praxinoscópio Fonte: Disponível em http://abelhudos.files.wordpress.com/2008/08/photo.jpg Ainda no século XIX, já nos prelúdios da cinematografia, percebemos que ospesquisadores continuam na expectativa de captar a ilusão perfeita do movimento. Foiprocurando captar a imagem perfeita da realidade que no inverno de 1881-1882 o fisiologistaÉtienne – Jules Marey criou o Rifle Fotográfico. Marey tinha a intenção de captar a imagem deum pombo. O Rifle Fotográfico é descrito da seguinte forma, por Mannoni. [...] A lente ajustável ficava alojada no cano. Na parte de trás, montada na coronha, uma larga culatra cilíndrica abrigava uma engrenagem de relojoaria. A mira era feita através de um visor preso à coronha. Quando se pressionava o gatilho, a engrenagem começava a girar, acionando um eixo central, que fazia 12 rotações por segundo e movimentava todas as demais partes móveis. Primeiro utilizou-se um disco opaco, com uma estreita janela que deixava passar a luz a 720 centésimos de segundo aproximadamente, 12 vezes por segundo. Atrás desse obturador, e sobre o mesmo eixo, havia um segundo disco com 12 pequenas aberturas e com dentes regularmente espaçados À volta de sua circunferência. Finalmente, uma “caixa de mudança” contendo 25 chapas fotográficas ficava alojada sobre o rifle, deixando cair às chapas, uma a uma, no interior do dispositivo, prontas para serem expostas à luz (MANNONI, 2003, p330).
  30. 30. 29 Conforme a citação de Mannoni o instrumento tinha, portanto o formato e elementos deum rifle, visor e gatilho. Quando acionado o gatilho, a engrenagem de relojoaria permitia que, aoinvés de disparar balas o aparelho registrasse imagens. Marey continuou suas pesquisas na áreafotográfica. Pouco tempo depois nomeou seu assistente, Georges Demeny (1850 – 1917) seudiscípulo. Com a assistência de Demeny, Marey iniciava o verdadeiro período fílmico de sua obra,criando o Cronofotógrafo de filme em celuloide no ano de 1890. Nesse mesmo ano, Mareyrompeu os trabalhos que realizara com Demeny, devido a muitos problemas, em especial aoespírito mercantilista de Demeny. Em 27 de julho de 1891 Demeny apresenta o Fonoscópio. Este aparelho se propunha“reproduzir a ilusão do movimento das palavras e da fisionomia de uma pessoa falando”(MANNONI, 2003). No ano anterior, em 1890, o fisiologista Étienne – Jules Marey apontou aobjetiva de sua câmera Cronofotográfica para uma cena animada e obteve uma série de imagenssucessivas em uma película de celuloide (com significativas ajuda de seu ex- assistente,Demeny). Finalmente, o movimento real da vida havia sido captado e fixado, em todas as suasfases, num suporte transparente, flexível e sensível: o filme. Estava inventada a técnicacinematográfica. É verdade que, ainda lhe faltavam alguns aperfeiçoamentos para a criação doverdadeiro aparelho cinematográfico, que viriam mais tarde, ainda no mesmo século, por meiodas invenções de Thomas Alva Edison e os irmãos Lumiére (MANNONI, 2003). Foi então quenos Estados Unidos a cronofotografia de Marey deixou de ser puramente científica para tornar-seum verdadeiro espetáculo popular. Isso só foi possível, devido à invenção de Thomas Edison, oQuinetoscópio (MANNONI, 2003). Thomas Alva Edison (1847 – 1931) registrou em 1892, uma longa série de imagensfotográficas em uma fita de celuloide dotada de perfurações marginais, que corria por meio deroldanas no interior de uma caixa, alta e estreita. Essas imagens surgiam através de uma “janelailuminada” colocada no alto da caixa, proporcionando a observação para uma pessoa de cada vez(HAYATA; MADRIL, 2009). O Quinetoscópio ou Cinetoscópio (Figura 7), cujo nome aparecenos escritos de Edison em 1888, só foi explorado comercialmente em 1894 (MANNONI, 2003).Na figura a seguir, visualizamos um homem utilizando o Cinetoscópio. Percebemos que oinstrumento pode somente ser utilizado por uma pessoa por vez.
  31. 31. 30 Figura 7 - Cinetoscópio Fonte: Disponível emhttp://2.bp.blogspot.com/_1uxxN0nZjLY/ReCUrACyvI/AAAAAAAAAB0/usm3O7qNd7E/s400/kinetophone.jpg No final do ano de 1894, todos os elementos estavam reunidos para levar o espetáculocronofotográfico para a tela grande: fitas de ficção estavam sendo elaboradas, as películas já eramperfuradas e diversos sistemas de tração do filme davam resultados satisfatórios, como era o casodo Quinetógrafo de Edison (MANNONI, 2003). E novos pesquisadores vinham aperfeiçoandodiversos tipos de projetores de filme, com maior ou menor êxito, a partir dos modelos doCronofotógrafo de Marey e do Quinetoscópio de Edison, todavia, não caberá a eles o mérito daprimeira projeção pública de fotografias animadas. Personalidades como os Lumiére e Meliés queserão os responsáveis pelo surgimento da indústria e do espetáculo cinematográfico (MANNONI,2003). Segundo Mannoni (2003) foram os Lumiére que encontraram a solução para o problemada projeção de filmes cronofotográficos, pois ninguém na Europa e nos Estados Unidos haviaconseguido o intento com tamanha eficiência antes da sessão histórica de 22 de março de 1895. Em 1895, os filhos de um industrial de Lyon na França, Auguste Lumiére e LouisLumiére combinaram as invenções de Étienne J. Marey o Rifle Fotográfico, uma espécie demetralhadora que era capaz de produzir um conjunto de imagens consecutivas por segundo, e oquinetoscópio de Thomas Edison, registrando em cartório a patente do Cinematographo,conforme a escrita da época (HAYATA; MADRIL, 2009). O mecanismo do aparelho Lumiére,
  32. 32. 31que era uma caixa de madeira, movia-se por uma manivela ligada a uma árvore central, operadamanualmente, que fazia avançar uma fita de celuloide onde se sucediam uma série de fotogramas(como os slides), projetados a uma velocidade de 16 a 18 destes quadrinhos por segundo(HAYATA; MADRIL, 2009). Os dois irmãos costumavam requerer suas patentes conjuntamente,mas fora Louis Lumiére o idealizador do engenhoso mecanismo do Cinematógrafo (MANNONI,2003). O Cinematógrafo, um instrumento capaz de reproduzir a realidade em movimento,inicialmente foi considerado pelos irmãos Lumiére como um entretenimento científico, que nãoteria nenhum futuro (ESPINAL, 1976). No entanto, os irmãos perceberam que o instrumento queos divertia também poderia entreter outras pessoas. Então, no dia 28 de dezembro de 1895, osirmãos Lumiére realizam a primeira sessão pública do Cinematógrafo. O evento reuniu somente33 espectadores e a apresentação durou 20 minutos, onde foram projetados num quadro branco detecido dez filmes curtos, cada um com a duração de aproximadamente um minuto (HAYATA;MADRIL, 2009). Nos dias seguintes, as sessões apresentaram um significativo aumento nonúmero de espectadores, o que levou aos irmãos Lumiére a abrirem franquias nas cidadesFrancesas e em países como: Inglaterra, Bélgica, Itália, Alemanha, Espanha, Rússia e nos EstadosUnidos (HAYATA; MADRIL, 2009). Georges Meliés, conhecedor no assunto de mágicas, propõe a compra da invenção criadapelos irmãos, no entanto recebeu a recusa da venda. Tendo uma resposta negativa à sua oferta,George Meliés mandou construir um projetor, instalando no seu teatro com o intuito de expor ascenas animadas de Thomas Edison. Após um tempo começa a filmar os seus primeiros filmes,utilizando em algumas cenas truques de mágica. Meliés foi então consagrado pai dos efeitosespeciais, visto que, criou sobre um fundo preto, uma enorme variedade de truques, tais como asfusões, câmera lenta, fazer pessoas aparecer e desaparecer, feiticeiras a voar, tornar pessoastransparentes ou invisíveis, cortar-lhes membros do corpo etc. Meliés construiu tempos depois oseu primeiro estúdio cinematográfico, que também seria o primeiro da Europa. Por ser umhomem de muitas habilidades, Meliés foi produtor, diretor, cenarista e ator da maioria dos seusfilmes (HAYATA; MADRIL, 2009). Após os filmes de Thomas Edison e de Meliés muitas outras pessoas, da Europa eEstados Unidos começaram a realizar seus próprios filmes. Do período de Edison até o início do
  33. 33. 32século XX, a indústria do cinema já registrava em 1903, um catálogo de 2.113 títulos, cerca de 20metros cada um. Essa metragem era o máximo que uma câmera poderia conter na época. Inicialmente, os filmes eram projetados em lugares inadequados, como salõescomunitários, feiras, circos e garagens, entre outros. No entanto, devida, a boa frequência dopúblico os exibidores começaram a construção de prédios maiores e luxuosos, verdadeirospalácios que estimulavam a imaginação do espectador ao penetrar no mundo mágico da fantasia(HAYATA; MADRIL, 2009). No inicio do século XX, as rendas criadas pelo cinema caíram e alguns estúdios norte-americanos estavam com a economia abalada. Foi então que em fevereiro de 1913 que ThomasEdison projetou para poucos espectadores uma fita onde as imagens estavam sincronizadas aodisco de um Fonógrafo. Assim não só os personagens moviam os lábios, como podia se ouvir oque falavam. Segundo Hayata e Madril, no ano de 1926, [...] os grandes estúdios como a Paramount, Fox, Metro, United e Universal rejeitaram a proposta da Bell Telephone Co. para adoção de aparelhos para registro e reprodução do som sincronizado com as imagens. Mas, o mesmo felizmente não aconteceu com a Companhia dos irmãos Warner. Estando próximos da falência eles arriscaram, empregando os últimos recursos e créditos na produção de filmes sonoros, adquirindo a patente Vitaphone, da Bell, com direitos e exclusividade. Depois de terem realizado três experiências, em 06 de Outubro de 1927, a Warner Brothers apresenta “O Cantor de Jazz”, de Alain Crosland. Com o grande sucesso obtido, a Warner compra salas exibidoras. Enfim, o cinema que começou mudo se tornou falado (2009, p.40). Conforme a citação das autoras grandes estúdios como a Paramount, Fox, Metro, Unitede Universal negaram a adoção do Fonógrafo. O único estúdio que aceitou o uso do aparelho foi ados irmãos Warner que estavam entrando em falência. Com o aparelho os irmãos produziram omusical o Cantor de Jazz, filme que ofereceu grande sucesso, uma vez que, naquela época osfilmes eram todos mudos, ou seja, não escutávamos em nenhum momento a fala dos personagens. É importante lembrarmos que na época do cinema mudo as películas não possuíam som,os espectadores apenas observavam as cenas. Para que os filmes não fossem tediosos osproprietários de cinema recorriam a pianistas e também a orquestras, para que tocassem duranteas sessões. A música também auxiliava a disfarçar o ruído desagradável gerado pelo projetor.Mas com a adoção de aparelhos para registro e reprodução do som sincronizado econsequentemente a produção de filmes sonoros, como o Cantor de Jazz, em 1930 veio à quedadefinitiva do filme mudo, trazendo consequências trágicas para muitos músicos especializados e
  34. 34. 33alguns astros do cinema mudo, como por exemplo, Charlie Chaplin (HAYATA; MADRIL,2009). A música continuou a fazer parte do cinema após algumas modificações deplanejamento, visto que, nos primeiros filmes sonoros as composições musicais nãoacompanhavam o contexto do filme, ou seja, não havia lógica na música composta pelos músicose os enredos do filme. Posteriormente, com o objetivo de facilitar o preparo de uma adaptação doprograma musical ao enredo eram fornecidos aos músicos aspectos gerais do filme. A partir,desta ação viam-se as primeiras tentativas de uma sincronização entre a obra visual e oacompanhamento acústico. Os editores de música se interessaram por esse novo campo deatividades e logo se especializaram na criação de uma música de fundo padronizada, capaz de seencaixar as diversas cenas: terror, angústia, amor, paixão, violência, ciúme, irritação etc. Por fim, o cinema artesanal se converte em comércio e indústria. Uma indústria querapidamente torna-se arrecadadora de muitos milhões de dólares. E ao se industrializar o cinemaé obrigada a encontrar padronizações, buscando técnicas homogêneas, unificando patentes ecriando uma unidade de passo, formando, portanto, as grandes companhias produtoras(ESPINAL, 1976). Após entendermos a história do cinema que passou por séculos de descobertas,realizações, inúmeros aperfeiçoamentos e aplicações e, ao deslumbrarmos com este espetáculo,que mais parece uma fábrica de sonhos, proporcionado por diretores, atores entre outros,precisamos compreender também o outro lado da sétima arte12, o lado comercial. Pois o objetivoe finalidade do cinema segundo Guido Bilharinho (2003) é meramente comercial, desta formavimos à importância de compreendermos quem são os responsáveis por essa fábrica de sonhosque estão ao alcance de nossas mãos e como são realizados. A resposta para essas questões serãotratadas no tópico a seguir.12 No século XVII iniciaram-se os estudos das manifestações criativas, estas foram classificadas em dois grupos:belas artes e belas letras. As belas artes eram até então seis: arquitetura, escultura, pintura, gravura, música ecoreografia. Somente no início do século XIX o cinema recebeu o título se sétima arte, uma manifestação decriatividade (WIKIPÉDIA, 2011).
  35. 35. 341.3 A INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA Entretenimento, curiosidade, meio de comunicação social, uma indústria que faturamilhões, o Cinema é, além de um meio de informação e lazer, uma ferramenta inovadora nadisseminação e afirmação das identidades culturais (SANTOS, 2009). Um audiovisual de grandeimportância, que mesmo após sua descoberta passa ainda por modificações, possibilitando aoespectador fantasia e emoções diferenciadas. Neste tópico, a indústria cinematográfica,abordaremos esta indústria crescente que permite ao espectador essas fantasias e emoções.Tentaremos de forma breve apresentar os responsáveis por essa fábrica de sonhos. Trataremostambém a respeito do processo da produção de uma película. Após o cinema artesanal se converter em indústria, já no século XX, houve umaampliação do mercado exibidor de cinema e aumento significativo no número de espectadores.Surgiram então, vários estúdios cinematográficos pelo mundo. Com o advento da primeiraGuerra Mundial (1914-1918) alguns desses estúdios ficaram enfraquecidos ou mesmo foram àfalência. Na Europa, por exemplo, a indústria cinematográfica ficou enfraquecida em todos osaspectos, sobretudo, na etapa da produção. Os reflexos desta situação incidiram também naAmérica Latina, pois foram impossibilitados de comprar filmes virgens e equipamentos compreços acessíveis no mercado europeu, consequentemente afetando a produção de filmes em seupaís (MACHADO, 2009). Esse cenário proporcionado pela Segunda Guerra Mundial possibilitou aos EstadosUnidos monopolizar a produção, a distribuição e a exibição de filmes, expandindo a sua indústriacinematográfica, uma vez que seu principal concorrente e até então dominadora da indústriacinematográfica, a Europa, estava enfraquecida na produção de filmes. Outro fato que colaboroupara a ascensão da indústria de cinema norte-americana foi à descoberta do cinema sonoro, nofinal dos anos de 1920. Com esse fato o orçamento dos filmes foi elevado, ocasionando a falênciados pequenos estúdios de produção e, assim, abrindo caminho para as grandes corporações deHollywood (MACHADO, 2009). Logo depois da guerra, a alta rentabilidade do setorcinematográfico norte-americano foi comparada à da indústria automobilística, estimulando osinvestidores à criação de grandes grupos (BENHAMOU, 2007). No final da década de 1940, porexemplo, aproximadamente 90% das receitas da indústria do cinema eram controlados por
  36. 36. 35grandes empresas como a: Paramount, Metro Goldwyn Mayer, 20th Century Fox, Warner Bross,RKO, Universal, Columbia e United Artists (BENHAMOU, 2007). Nos início dos anos 1950, chega ao cinema à tela em formato 3D, onde a visãoreproduzida aparentava estar em forma de relevo. Mas esse formato não persistiu por muitotempo. Com a chegada da televisão, para garantir a continuação dos espetáculos, a indústriacinematográfica realizou mais uma modificação: inaugurou os formatos panorâmicos, quefuncionavam com uma câmera, um projetor e um filme padrão de 35 mm (SCIEN, 2008). E como decorrer dos anos e com o avanço da tecnologia ocorreram várias outras mudanças nacinematografia, tornando o cinema uma arte com inúmeras possibilidades. Criação de mundosdiversos, de seres inimagináveis, cenas que nos levam a épocas diferentes, que nos fazem crerque haverá o fim do mundo. E toda essa proeza só é possível, devido a um grande elenco dediretores, produtores, roteiristas, produtores executivos, artistas, músicos, entre outros e a umprocesso intenso de produção da obra fílmica. Conforme a Cartilha Cinematográfica (2007), criada pelo Ministério do TurismoBrasileiro, o cinema é uma das obras audiovisuais que exige maior grau de elaboração. Uma vezque o processo de realização de um filme é demorado e só a fase de pesquisa e preparação podedurar meses ou até anos. A etapa de produção inicia-se com a ideia, e a explicação simplificadadessa ideia, é chamada no meio audiovisual de Sinopse ou Argumento. Em seguida, é necessáriodecidir como contar essa história: o estilo, a abordagem e a narrativa adotada. Essedesenvolvimento é chamado de Tratamento e já pressupõe haver uma pesquisa mais extensa,muitas vezes de campo (BRASIL, 2007). A etapa posterior é o Roteiro, que contém uma descrição mais precisa de cenas e mesmoonde a ação irá ocorrer. Em alguns casos é criado o Storyboard , o desenho do filme cena a cenaque facilita a visualização do estilo narrativo apontado pelo roteiro (BRASIL, 2007). Depois doroteiro pronto, segue-se uma análise técnica, que nada mais é do que um planejamento de tudoque o roteiro demanda em termos de produção. Tais como: quantos dias de filmagem, quantaslocações diferentes, quantos técnicos e figurantes necessários, enfim, é um grande raio-xestrutural do filme. Para que, enfim, se realize um orçamento dos recursos necessários paraviabilizar a obra economicamente (BRASIL, 2007). Com o capital em mãos, iniciam-se a preparação, conhecida como pré-produção, e afilmagem propriamente dita. A finalização, também chamada de pós-produção, é quando
  37. 37. 36acontece a montagem das cenas, onde os efeitos especiais são criados, o som e a trilha sonoraaplicada, ou seja, quando o filme realmente ganha um contorno definido. A etapa final é adistribuição das cópias nas salas de cinema e a comercialização nas demais janelas de exibição(BRASIL, 2007). Com efeito, “a invenção do cinema constitui uma verdadeira jornada nas estrelas”,como narra Mannoni (2003), pois, como dito anteriormente foram necessários milênios dedesenvolvimento mental e técnico, em recíproco influenciamento, para pretendermos, tentarmos econseguirmos captar a imagem em movimento (BILHARINHO, 2003). Todavia, após essaconquista, seu domínio e utilização, observamos que a cada um e a cada geração surgem novaspossibilidades de descobertas e realizações.1.4 AMERICAN WAY OF LIFE: A IMPORTÂNCIA DA INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICANORTE-AMERICANA No que diz respeito ao cinema, podemos afirmar que, a maior indústria cinematográficaé a norte-americana. Isso ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial, quando os europeus, atéentão dominadores desta indústria, tiveram de restringir suas produções filmográficas. Depois daascensão dos Estados Unidos na sétima arte, na época da guerra, o país tem controle da indústriado cinema até os dias atuais. Nesse sentido apontaremos nesta parte do trabalho a importância daindústria cinematográfica norte-americana. Retrataremos como os americanos conseguiram ocontrole sobre essa indústria, quais foram às obras fílmicas de importância produzidas durante asua ascensão e como seus filmes demonstraram o estilo de vida do americano. Os Estados Unidos apresentam-se como o mais robusto mercado de audiovisual domundo, “sendo a produção de programas de televisão e filmes de longa-metragem consideradoum dos mais vitais e valorizados recursos da nação” (BRASIL, Ministério do Turismo, 2011,p.24). De acordo com Mariângela Machado (2009) o cinema, nos Estados Unidos desenvolveudiversos aspectos, derivados de uma cultura popular, que, em algumas décadas, consagrariam oveículo como a mais poderosa arma da indústria do entretenimento. E foi por meio do cinema queos norte-americanos difundem e transmitem sua cultura e estilo de vida, o american way of life(HAYATA; MADRIL, 2009).
  38. 38. 37 Nos primeiros anos da cinematografia norte-americana, ainda quando o cinema eramudo e a Europa controlava a indústria, a maioria dos filmes produzidos nos Estados Unidosforam realizados pelo inventor Thomas Alva Edison. Esses filmes não tiveram grandenotoriedade, pois foram apresentadas a um público pequeno. Ao contrário das produções deEdison, a produção do diretor americano Edwin S. Porter, O “Grande Roubo do Trem” (EUA,1903), de 1903, ganhou destaque entre o público americano, uma vez que o filme apresentavacenas cotidianas, porém que espantavam seus espectadores, devido, a fidelidade com a realidade.Nos anos seguintes foram realizados outros filmes, mas que não ganharam muito destaque, essesforam: “Salvo de um Ninho de Águia” (EUA, 1907) também de “Porter e As Aventuras deDoliie” (EUA, 1908), de David Wark Griffth, do ano de 1908 (CINEMA AMERICANO, 2011). A indústria cinematográfica norte-americana ganhará força e prestígio somente em 1912,nos prelúdios da primeira Guerra Mundial. Com o recesso do cinema europeu, até entãodominadores do mercado cinematográfico, os americanos concentraram as produções de filmesem Hollywood, principalmente na Califórnia, porque tinha sol o ano inteiro e podiam-se filmar aqualquer hora do dia, surgindo, portanto, os primeiros grandes estúdios (MACHADO, 2009)como a Famous Players, futura Paramount e a Keystone Company, criada por Mack Sennett(CINEMA AMERICANO, 2011). No ano de 1913, Thomas Edison torna possível que o cinema mudo seja faladoutilizando o Fonógrafo, aparelho que sincronizava o som com as imagens. Este fato colaboroupara a produção de filmes sonoros e consequentemente para a ascensão da indústria de cinemanorte-americana. Nos anos seguintes, a invenção forneceu o aumento do orçamento de filmes(HAYATA; MADRIL, 2009), levando a atores como Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, MaryPickford e David Wark Griffth criarem em 1919 a United Artists, com o objetivo de enfrentar osaltos salários e custos de produção. O início da década de 1920 marca a abertura da consolidação da indústriacinematográfica americana e os grandes gêneros como: faroeste (western), policial, musical e,principalmente, a comédia, todos ligados diretamente ao estrelismo (Star System) (CINEMAAMERICANO, 2011). O Star System foi o conhecido sistema de "fabricação" de estrelas, ou seja, [...] o instrumento utilizado para promover o produto ‘cinema americano’, divulgando atores e diretores para torná-los importantes para a sociedade. A ideia era transformá-los em estrelas, em mitos adorados pelo público, colocá-los acima dos cidadãos comuns. Já
  39. 39. 38 os gêneros cinematográficos bem específicos, como o policial, o musical e o western, característicos da década de 30 e 40, quando o sistema foi instituído, foram uma forma de contentar todo o tipo de público (SELIGMAN IN KOVARICK et al. apud MACHADO, 2009, p.81). Conforme a citação os filmes americanos dessa época, 1920, privilegiavam produçõesem que os personagens tivessem aspectos admiráveis, para que fossem futuramente adoradospelos seus espectadores. Os filmes também deveriam ser produzidos para almejar um públicogrande. Foram então que os gêneros como o faroeste, o policial e o musical ganharam destaque. Hollywood em 1920, já havia superado em definitivo os franceses, italianos,escandinavos e alemães produzindo grandes filmes de ação, faroeste, policial e comédia. Nesteúltimo gênero, a comédia, o cinema americano apresentou grandes atores, ainda hoje conhecidos,como é o caso do britânico Charles Chaplin e dos atores Oliver Hardy e Stan Laurel, querepresentavam “O Gordo e o Magro” (CINEMA AMERICANO, 2011). De acordo com JoséArbex Júnior (1993) a indústria cinematográfica cresceu com velocidade vertiginosa, compotencial para monopolizar a produção, a distribuição e a exibição, de forma que no final dosanos 1920 aproximadamente 100 milhões de americanos frequentavam o cinema todas assemanas. Um dos fatores que colaborou para o sucesso do cinema americano foi o público paraqual se voltou à atividade. [...] o cinema estadunidense desde o começo puseram-se a buscar públicos amplos; enquanto nas sociedades europeias as artes e a literatura concentravam-se mais nas elites e nas tradições nacionais, nos Estados Unidos absorveram as contribuições de migrantes de todos os continentes para forjar uma cultura popular e de massas, capaz de seduzir amplos setores de outros países (CANCLINI apud MACHADO, 2009, p.81). Segundo Canclini, um dos fatores que ajudou no sucesso dos americanos na indústria decinema é dado, devido à criação de filmes que alcançassem, atingissem o desejo de um públicomaior, um público massificado. Em contraponto a indústria europeia distribuía seus filmes parauma minoria elitizada. No final dessa mesma década, 1920, ainda observávamos as consequências do cinemasonoro, uma vez que os altos custos de produção ocasionavam a falência de pequenos estúdios deprodução. A partir dai criou se o Studio System, que racionalizava significativamente os custos(MACHADO, 2009). Segundo Françoise Benhamou (2007) o Studio System obteve inspiraçõesna indústria manufatureira e possuía algumas características fordistas, como, por exemplo, o
  40. 40. 39extremo cuidado na preparação das tarefas e a estrita divisão do trabalho entre concepção eexecução. Apesar da criação do sistema sonoro, ainda muitas empresas rejeitavam a suaimplantação. No entanto, os irmãos Warner, próximos à falência apostaram seu futuro nestearriscado sistema, adquirindo a patente da Vitaphone, da Bell. Assim em 06 de outubro de 1927 aWarner Brothers apresenta o filme “O Cantor de Jazz” (EUA, 1927), que consagraria o chamadocinema falado, logo cantado e dançado em prosas e versos por toda a América (HAYATA;MADRIL, 2009). Dos Estados Unidos, os filmes sonoros se estenderam por todo o mundo, emluta com a estética muda. O cinema se converteu num espetáculo visual e sonoro, destinado a umpúblico maior, e passou a dar mais importância aos elementos narrativos (CINEMAAMERICANO, 2011). O sistema sonoro com certeza foi uma grande evolução para o cinema, noentanto, ao oferecer maior importância aos elementos narrativos, podemos compreender que aarte cinematográfica perdeu sua essência, uma vez que, o movimento das imagens representa asíntese do cinema. Em contraparte, também concordamos com a visão de Machado (2009) de quecom a sonorização foram eliminados os extensos letreiros e efeitos visuais fornecendo aoespectador maior nível de realismo e compreensão. Segundo Novaes (2006), a indústria de cinema de Hollywood, que encontra seu apogeunos anos de 1930, é responsável pela afirmação da vocação do cinema como uma artedirecionada para os olhos e para o subconsciente do espectador, e não voltada “para a razão ouexplanação verbal” (NOVAES apud MACHADO, 2009, p.83). A respeito desta questãoconcordaríamos com Novaes, uma vez que, principalmente, nos filmes estadunidenses de ação,ficção e suspense as cenas e cenários são compostos por imagens que atraem e hipnotizam oolhar do espectador, no entanto, muitos destes filmes são fracos quanto ao seu conteúdonarrativo. Observamos que a década de 1930 é marcada pela grande depressão dos EstadosUnidos. Nesta época, os EUA era o país mais rico do planeta. Além das fábricas de automóveis,os norte-americanos também eram os maiores produtores de aço, comida enlatada, máquinas,petróleo, carvão e cinema (BENHAMOU, 2007). Porém, em 24 de outubro de 1929 a Bolsa deNova York sofreu a sua maior baixa, até então, levando o país a sua pior crise financeira dahistória. Este fato ficou conhecido como Quinta-Feira Negra (BRASIL ESCOLA, 2011).Compreendemos pela citação, que realmente os Estados Unidos, naquela época estavam no auge
  41. 41. 40da produção, seja esta de automóveis, de comida ou de máquinas, mas devemos nos situar que acrise financeira do país foi justamente ocasionada, devido a essa produção contínua e acelerada. A crise, no entanto, não afetou a indústria cinematográfica americana, ao contrário disso,como Sklar (apud MACHADO, 2009, p.83) mesmo afirma, a grande depressão da década de1930 favoreceu a indústria de cinema norte-americana, uma vez que Hollywood fez maioresinvestimentos nas suas produções com o intuito de apaziguar os americanos a respeito daeconomia do país. Não sabemos exatamente, quais foram essas produções realizadas, paraacalmar os americanos quanto à economia, ou mesmo se elas alcançaram o seu objetivo. O quepodemos realmente afirmar é que a produção de filmes, mesmo na crise não diminuiu. O cinema americano em fins da década de 1930 e início da de 1940 demonstravam suapotencialidade por meio de grandes produções, que contrastavam com a atual situação do país,cercados pela crise. A época favoreceu a produção de enredos com dilemas morais e supremaciafeminina, representado em filmes de grande sucesso como “E o Vento Levou” (EUA, 1939) e “OMorro dos Ventos Uivantes” (EUA, 1939) do diretor William Wyler, grande nome da época nogênero romântico (CINEMA AMERICANO, 2011). Na década de 1940, os Estados Unidos ainda movidos por perspectivas de uma mudançaprogressista, anunciavam uma medida mais clara onde o objetivo inicial era a de sustentar aliderança norte-americana sobre a cinematografia, minimizando a influência europeia epromovendo a estabilidade política no continente. Foi então, a partir dessa época que, maisinsistentemente, com as produções filmográficas, o país vendeu e difundiu o estilo americano devida. Tal fato seduzia seus espectadores do mundo a consumirem seus produtos e/ou marcas,como por exemplo, a Coca-Cola (AMANCIO, 2000). A década de 1940 é a chamada era do Cinema Moderno Americano, pois além dosmelodramas, e gêneros como o faroeste, terror, musicais, comédias e outros, surge uma novatendência, o modernista. Os filmes de gênero modernista possuem um enredo não linear, umanarrativa cronológica, profundidade de campo13, tomadas de câmera do solo, filmagens do tetodos ambientes, entre outros aspectos. Filmes como “Cidadão Kane” (EUA, 1941) de OrsonWelles e “Tempo de Violência” (EUA, 1994) de Quentin Tarantino possuem esta estética(CINEMA AMERICANO, 2011).13 A profundidade de campo é apresentada quando são postas em evidência não somente o primeiro, mas o segundo eterceiro plano de uma cena.
  42. 42. 41 São vários, portanto, os gêneros Hollywoodianos desde faroeste ao modernista, porém,todos eles ensinam que o dinheiro e o sucesso são importantes valores e que o estado, a polícia, eo sistema legal são legitimadores do sistema. Nesses gêneros também aprendemos que os valoresestadunidenses e instituições são basicamente leais, benevolentes, e ofertam benefícios para asociedade de modo geral. Mas há um gênero que se difere destas características, o gênero noir. OFilm Noir ou Filme Negro é um termo “cunhado em 1946 por críticos franceses que identificaramem filmes estadunidenses produzidos a partir do início da década de 1940 característicasestéticas, temáticas e técnicas comuns que os distinguiam dos feitos antes da Segunda GuerraMundial” (VALIM, 2006, p.48). Este gênero, o Film Noir trouxe para as telas do cinema ummundo repleto de medos, paranoias, corrupção, personagens violentos e amorais, policiais emarginais de toda espécie (KELLNER apud VALIM, 2006, p.48), ou seja, o gênero apresentavacaracterísticas até então não avistadas nos filmes americanos. Alguns anos mais tarde, depois da crise iniciada em 1930, deu início em 1945, a corridaarmamentista que ofereceu benefícios à economia dos Estados Unidos em seu conjunto. O setorcivil incorporou muitas das tecnologias utilizadas pela indústria bélica e as converteu emmáquinas de tecnologia altamente sofisticada para uso no cotidiano das pessoas. Com o adventodessas tecnologias aumentaram-se ainda mais as produções de Hollywood, década de clássicosconsagrados como “Casablanca” (EUA, 1942) de Michael Curtiz, e de produções que“exportavam para o mundo a ideia de que a felicidade está num carrinho de supermercado”(ARBEX, 1993, p.36). Cinco anos depois, em 1950 pensamentos a respeito da liberação sexual, a propagandado uso das drogas, a difusão do rock’ roll e as ideologias pacifistas começaram a ser abordadas.Esses ideais irão persistir na década de 1960 (ARBEX, 1993). Na década de 1960 o cinema americano cada vez mais se voltava para a crítica social eos problemas humanos. No cinema, o jovem ator “rebelde sem causa” James Dean e o produtor “vagabundo” Dennis Hoper, no filme Easy rider (Sem destino), expunham o mal-estar de uma cultura rica, mas preconceituosa, imensa, mas asfixiada por uma insuportável estratificação de valores. Poucas cenas poderiam representar melhor essa época do que o momento em que, em Easy rider, um interiorano atira contra um motoqueiro, simplesmente por considera-lo um estrangeiro e, por isso, desprezível (ARBEX, 1993, p.55). Por meio da citação de Arbex observamos que os filmes americanos desta época
  43. 43. 42demonstravam e focalizavam problemas como os enfrentados por imigrantes e estrangeiros arespeito do seu modo de vida. Compreendemos também que na época havia choque de culturas, ado norte-americano com seu esplendor e superioridade em contraste com a do estrangeiro fraco eoprimido. Na década de 1970 a reprodução em massa toma conta da indústria hollywoodiana, vistoque, o cinema americano passa a produzir superproduções com efeitos especiais, proporcionadospela tecnologia da época, a fim de seduzir o espectador, no geral crianças e adolescentes. Algunsexemplos dessas produções, voltadas para um público juvenil são: “O destino do Poseidon”(EUA, 1972) de Ronald Neame, “Inferno na torre” (EUA, 1974) de John Guillermin e IrvinAllen, “Guerra nas estrelas” (EUA, 1977) de George Lucas, “Contatos Imediatos do TerceiroGrau” (EUA, 1977) de Steven Spielberg e “Superman” (EUA, 1978) de Richard Donner (SCIEN,2008). Na era de Ronald Reagan, presidente estadunidense eleito em 1980, o personagemcinematográfico de Sylvester Stallone, “Rambo” (EUA, 1980), tornou-se a imagem da América,uma imagem forte e sempre vencedora. Rambo foi um filme idealizado no intuito, de animar oego dos americanos que perderam a Guerra para o Vietnã, ou seja, era um modo de vingança dosque foram feridos e/ou derrotados no Vietnã (ARBEX, 1993, p.72). No filme “Rambo” (EUA,1980) observa-se basicamente [...] um guerreiro destemido, um guerrilheiro armado até os dentes, com metralhadoras, pistolas, morteiros e tudo o que havia de mais sofisticado no arsenal americano. Odiava os comunistas, mas odiava também os “malditos políticos” do Congresso dos Estados Unidos que impunham freios à sua ação justiceira. Rambo queria entrar clandestinamente em lugares como o Vietnã e a Nicarágua para combater os comunistas e fazer justiça com suas próprias mãos. Desgraçadamente, os “janotas de Washington”, isto é, os congressistas, impunham certos limites derivados das relações estabelecidas pelo Direito Internacional (ARBEX, 1993, p.72). Como Arbex (1993) relata, Rambo é um personagem justiceiro que sozinho, utilizandoum variado arsenal de armas enfrenta e tenta vencer os comunistas. O personagem entraclandestinamente em países como o Vietnã e Nicarágua para acabar com os comunistas que tantoodeia e consegue sozinho acabar com todos eles. Fábio Cristian Davi (2010) atribui ao governoamericano da época, a grande influência na narração, na estética e nas imagens do filme. Econcordamos com o autor quando afirma que, o filme tinha como intuito restabelecer a imagemde um país, que mesmo após a derrota pelos vietnamitas, continuam dominantes.
  44. 44. 43 O filme também abordava o ideal de parte da classe média que estava encolhendo comoconsequência da crise dos anos de 1980 (ARBEX, 1993). A crise desta época é justificada pelaincapacidade dos americanos de responder aos novos concorrentes do mercado internacional,vindos da Europa Ocidental e Ásia (Alemanha e Japão), que fixavam seus produtos a um customínimo de produção com um maior valor tecnológico agregado, o que levou os norte-americanosa perder espaço nos seus mercados interno e externo para esses concorrentes (DAVI, 2010). Nas décadas seguintes 1990 e 2000 foram produzidas grandes obras como A “Lista deSchindler” (EUA, 1993) de Steven Spielberg e “Tempo de Violência” (EUA,1994) de QuentinTarantino, mas, entretanto, são os filmes de ficção e ação que obtiveram mais espaço nasproduções, na mídia e na preferência do público, principalmente o infantil (CINEMAAMERICANO, 2011). Alguns exemplos que podemos citar são: “Exterminador do Futuro”(EUA, 1990), “Jurassic Park” (EUA, 1993), “Titanic” (EUA, 1998), “Matrix” (EUA, 1999), “X-Men” (EUA, 2000) entre outros. Devemos compreender que filmes como Exterminador doFuturo e Matrix foram muito divulgados na mídia, porém temos que ressaltar que foram maisdestacados, não pelo seu conteúdo narrativo, ou questões filosóficas, uma vez que, oExterminador aborda pela primeira vez a questão de até onde podemos ir com a tecnologia eMatrix aborda questões filosóficas e existencialistas, mas sim pela sua fotografia, pelo cenário,suas imagens que atraíam o olhar do espectador. Apesar de nas últimas três décadas, o cinema americano ter se caracterizado pelofenômeno Blockbuster, ou, “arrasa quarteirão”, que atingem um público massificado ecaracterizado por serem divertidos e levarem a alienação de seu espectador (SCIEN, 2008), todosos outros filmes, dos mais variados gêneros também demonstram a imponência do mercadocinematográfico americano. É inegável a força do cinema americano em todos os gêneros defilmes, no entanto, percebemos que para a produção de filmes Blockbuster os Estados Unidos sãoespecialistas. Desta forma, segundo João Guilherme Barone (2008) é possível verificar que omercado nacional de cinema é dominado pelas distribuidoras norte-americanas que formam osegmento mais capitalizado da indústria em escala global. São elas ainda, as detentoras dosdireitos de comercialização14 dos filmes e que atuam também no financiamento à produção.Ainda segundo o autor,14 Os direitos de comercialização são referentes às licenças que toda a produção cinematográfica necessita paracircular, ser apresentado dentro de um país.
  45. 45. 44 Em 2005, as chamadas majors, Warner Bros., BuenaVista, Columbia Tristar, Fox, Universal (UIP) e Sony controlavam 86% do mercado de distribuição. [...] São as grandes produtoras do cinema global e são também as principais coprodutoras do cinema brasileiro. E em seu mercado doméstico, constituído por mais de 39 mil salas no território norte-americano, as major arrecadam meros 35% das receitas dos filmes que distribuem. Os 65% restantes são arrecadados numa operação planetária de lançamentos de grande porte, o que explica a hegemonia do audiovisual norte-americano (BARONE, 2008, p.09). Conforme aponta Barone as empresas de cinema majoritárias são a Warner Bros.,BuenaVista, Columbia Tristar, Fox, Universal e a Sony. São elas as grandes produtoras docinema mundial e as responsáveis pela grande percentagem da renda de cinema mundial. E foidevido, a sua potencialidade em produções de audiovisuais que o cinema norte-americano,apresentado principalmente por Hollywood, tornou-se fonte inesgotável de mitos e modas(ARBEX, 1993) e impôs um formato de filmes quase único com produções de mais de 10milhões de dólares - nas quais mais da metade destina-se ao marketing, principalmenterepresentado pelos gêneros de ação, promovendo temas de fácil repercussão em todos oscontinentes (CANCLINI apud MACHADO, 2009, p.85). A trajetória construída pelo cinema norte-americano ao longo do século XX influenciouas cinematografias de diversos países, os hábitos de percepção de filmes no mundo todo(MACHADO, 2009). Esta trajetória da história do cinema americano, que se tornou esta forte edominante indústria, ocorreu, porém, devido a anos de produções, inovações e crises. Masdevemos lembrar ainda que aspectos como o enfraquecimento da produção filmográfica de seusconcorrentes, principalmente a Europa, e a influência do governo na produção dos seus filmestambém colaboraram para que os Estados Unidos se tornassem o mais robusto mercado deaudiovisual do mundo, difundindo sua cultura, seus produtos e marcas em escala global comoobservamos nesta parte do trabalho. Ao estudarmos a indústria de cinema norte-americana, descrita de forma breve,obtivemos a percepção do valor do cinema americano. Conseguimos então, verificar a veemênciadas suas produções que criam e difundem imagens, símbolos e mitos em seu país e em outrospaíses como Japão, França, Itália, Brasil entre outros países, oferecendo-nos base referencial paraa compreensão e afirmação da importância do estudo realizado no próximo tópico: O cenáriobrasileiro em filmes norte-americanos.
  46. 46. 451.5 O CENÁRIO BRASILEIRO EM FILMES NORTE-AMERICANOS Como anteriormente apontado, o cinema americano é uma indústria forte e dominanteque difunde por meio de suas produções aspectos culturais, sociais e políticos do seu país.Também cria imagens, símbolos e mitos que são muito aceitos pelo mundo, mesmo que estas nãosejam verídicas. Detentoras das maiores distribuidoras de cinema, os Estados Unidos produzemfilmes que são vistas e apreciadas por todo o mundo. Desta forma, verificamos a importância deentendermos qual a imagem passada pelos filmes norte-americanos a respeito do Brasil. Neste tópico: O cenário brasileiro em filmes norte-americanos, observaremos ediscutiremos a imagem turística transmitida pelos filmes estadunidenses a respeito do Brasil.Consultando principalmente a bibliografia de autores como Bignami Sá (2002), Tunico Amancio(2000), o documentário de Lúcia Murat (2005), e algumas produções filmográficas norte-americanas, tentaremos compreender quais são as imagens turísticas atribuídas comorepresentativas do Brasil. O Brasil, desde a sua descoberta até o século XIX teve sua imagem associada à grandezade território, abundância de vida selvagem e sensualidade como dotes naturais, graças aos relatosdescritos pela carta de Pero Vaz de Caminha e outros tantos viajantes e colonizadores que poraqui passaram (NOVA, 2008). Segundo Bignami Sá tais relatos foram importantes para aformação da identidade nacional, pois, [...] alguns dos enunciados que hoje identificam a nação nada mais são do que cópias de falas já presentes no descobrimento do País. Na realidade, se pode afirmar que algo mudou, fundamentalmente, foram os sentidos dados às categorias que representam o Brasil. Ou seja, de País selvagem do século XVI, devido à crença de populações canibais no território, passou-se a acreditar no País selvagem, devido, à violência urbana; de Éden primordial e natural, dos primeiros relatos, o País passou a ser reconhecido como lugar sensual, pelas belezas naturais e pelas mulheres e cultura exótica (SÁ, 2002, p.37). Conforme salienta Sá, as imagens existentes a respeito do país não mudaram, elasapenas ganharam uma nova versão, um sentido diferente da época dos colonizadores associada
  47. 47. 46com a nova realidade. Por exemplo, quando afirmam que o Brasil é o Éden, a metáfora não maisse relaciona a beleza da natureza, mas a da sensualidade da mulher brasileira. Nos discursos a respeito do Brasil produzidos durante o período do século XIX e iníciodo século XX, a imagem do país irá gradualmente modificar-se para um país cada vez maisrelacionado com o lugar do exótico na cidade e na cultura, da floresta e das paisagens naturais edas urbanas, da fertilidade e fecundidade, representadas tanto pela natureza como pela população.Verificamos que, até o início do século XX, as artes e os relatos de viajantes correspondempraticamente à totalidade de opiniões a respeito do País no exterior. Somente com o cinema ecom a introdução do rádio e da televisão, é que o País iniciou sua trajetória de difusão da suacultura, objetivando a divulgação do Brasil para o mundo (SÁ, 2002). Na década de 1930, por meio do rádio, criou-se uma das personalidades que durantemuitos anos, atuou e ainda atua como símbolo do Brasil no exterior: Carmen Miranda conhecidacomo “A pequena notável” (SÁ, 2002), um ícone do período. Em 1939, no filme “Banana daTerra” (BRA, 1939), onde se vestia de baiana, interpretou com o Bando da Lua, “O que é que aBaiana tem?” de Dorival Caymmi (SÁ, 2002). A artista saltou do teatro para o cinema, estreandoa produção norte-americana “A Serenata Tropical” (EUA, 1940) (NOVA, 2008). Elementos como: Carmen Miranda, a publicação do livro O país do Carnaval de JorgeAmado (1931) e o acontecimento do primeiro concurso de Escolas de Samba, no Rio de Janeiro(1932) levaram a nação brasileira a ser conhecida pela sua sensualidade, sua musicalidade e peloseu carnaval. Essas representações foram exacerbadas, por intermédio de clichês veiculadosprincipalmente no cinema e nos meios de comunicação, como o rádio e televisão (SÁ, 2002). Durante décadas, Hollywood promoveu imagens equivocadas do Brasil. No início dadécada de 1930, filmes como “Voando para o Rio” (EUA, 1933) protagonizado pela mexicanaDolores del Rio retrataram o país de maneira tão sedutora e exótica que a América Latina, comoum todo tornou-se sinônimo de objetos sexuais tentadores (KOTLER et al., 2006). Nessa mesmaépoca o Rio de Janeiro, muito presente nos filmes estrangeiros, “já fazia parte das cidadesturísticas visitadas no mundo, sendo a sua paisagem, sem dúvida alguma, uma das maisrepresentativas do País” (SÁ, 2002, p. 97). Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Franklin Delano Roosevelt era presidentedos Estados Unidos (1933- 1945) foi criada a “política da boa vizinhança”. Esta significava o fimda política de intervenção, o big stick de Theodore Roosevelt. Tal política reconhecia a igualdade
  48. 48. 47jurídica entre as nações do continente, além de propor a cooperação por todos os meios para obem-estar dos povos da América (AMANCIO, 2000). O principal objetivo norte-americano pormeio dessa política era a de conseguir o apoio latino-americano para as Forças Aliadas naSegunda Guerra Mundial. Em 1942, depois da visita de Walt Disney ao Brasil foi criado o personagem animado“Zé Carioca”, um papagaio verde do Rio de Janeiro, fruto da “política de boa vizinhança”instaurada entre o Brasil e os EUA que tinha por objetivo, segundo o governo brasileiro, darvisibilidade ao país (BRASIL, 2006). Contudo, o personagem criado por Disney é caracterizadocomo “malandro, folgado, golpista querendo enganar a todo mundo, passar cheques sem fundos”,formando uma imagem negativa que aos poucos foi se impondo ao brasileiro de um modo geral(SÁ, 2002). Nesse período, o da Segunda Guerra Mundial, Hollywood produziu vários filmesfocalizando a América Latina, em razão da mesma política. No Brasil foram produzidos filmescomo os desenhos animados de Walt Disney “Alô Amigos” (EUA, 1941) e “Você já foi aBahia?” (EUA, 1944). A produção desses filmes foi a única intervenção direta conhecida, emborana grande indústria houvesse uma promessa concreta de estímulo à cooperação interamericanapor meio de filmes (AMANCIO, 2000, p.55). Segundo Bignami Sá, as artes e o cinema contribuíram para a difusão da América Latinae para a proximidade com a América do Norte. No entanto, [...]Não faltam, às representações da época, erros ou imprecisões que viriam a abrir os precedentes para toda uma série de “gafes” a respeito de lugares, países ou fatos relacionados à América do Sul, como confundir o Brasil com a Argentina, afirmar que Buenos Aires é a capital do Brasil, ou que rumba é nossa (SÁ, 2002, p.97). Como afirma Sá, podemos observar que países da América do Sul, como o Brasilpassam a ser conhecidos principalmente por meio dos audiovisuais. No entanto, as representaçõescriadas pelos filmes, a respeito dos países da America do Sul, são em muitos casos errôneas, poisagregam em um só país representações que caracterizam vários, como, por exemplo, afirmar queBuenos Aires é a capital do Brasil, ou considerar que a língua falada no Brasil é o espanhol.Outro exemplo de imagem equivocada transmitida pelo cinema é constatado no filme americano“Brenda Starr” (EUA, 1988). O filme dirigido por Robert Ellis Miller e protagonizado porBrooke Shields conta a história de uma heroína de quadrinhos que vem para o Brasil. O filme

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