Your SlideShare is downloading. ×
  • Like
Público 1 autarquicas democracia 07.01.2013
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Now you can save presentations on your phone or tablet

Available for both IPhone and Android

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

Público 1 autarquicas democracia 07.01.2013

  • 271 views
Published

 

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
271
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
9

Actions

Shares
Downloads
1
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. Elísio Estanque*Jornal PÚBLICO, 07.01.2013 As autárquicas e a democracia de baixo para cima Já parece uma década mas há apenas cerca de ano e meio desde o pedido de resgate. Aausteridade mudou o ritmo e alterou a noção do tempo. A espiral negativa apoderou-se dosacontecimentos à medida que o tempo corre, a cada mês, semana ou mesmo a cada dia,tornando real a ideia de que “um pessimista não é senão um otimista esclarecido”. Porém, oexcesso de negativismo está a levar-nos à exaustão e pode tornar-se paralisante. Haverá umreverso para tanto pessimismo? A situação de anomia e o cerco em que nos encontramos noplano financeiro e económico poderão propiciar ruturas e viragens de sinal positivo na nossavida coletiva (que, de outro modo, poderiam nunca vir a ocorrer)? Parece evidente que o contexto de crise que se vive no país e na Europa irá permanecerno centro do debate público nos próximos tempos. É pois no quadro de austeridade violentaque se avizinha para 2013, que irão decorrer as eleições autárquicas (deixando por ora de ladoum eventual cenário de eleições parlamentares antecipadas), pelo que essa campanha poderáoferecer-se como uma oportunidade de revitalização democrática. Mais, num momento emque os cidadãos rejeitam a política formal e a cidadania se assume sobretudo fora dasinstituições e dos partidos (ou mesmo contra eles) é tempo de reinventar a democracia a partirde baixo, promovendo o mérito, a transparência e o sentido ético que vêm escasseando na vidapolítica. Os projetos e movimentos de cidadãos com vista à apresentação de candidaturasindependentes às eleições municipais de 2013 podem revelar-se um excelente tónico nessesentido (a não ser nos casos em que tais candidaturas replicam os mesmos vícios dos aparelhospartidários) e contribuir para abrir novos caminhos que respondam às gritantes carências daspopulações. Para além do tempo de “vacas magras” que hoje vivemos, medidas recentes como aextinção de freguesias, a criação das “comunidades intermunicipais” e a lei do limite demandatos nos municípios, no modo como estão a ser concebidas e interpretadas, podemdescredibilizar ainda mais a vida política ou acicatar a rebelião coletiva. Tudo seria mais fácil seas forças políticas do arco do poder – em especial as estruturas locais – soubessem interpretar
  • 2. os sinais dos tempos e vissem para além dos estreitos horizontes dos seus aparelhos. Mas, emvez disso, o que se assiste é, de um lado, aos movimentos de alguns “dinossauros” que sepreparam para transitar da sua velha autarquia para a do lado a fim de se perpetuarem nopoder (ou para as futuras estruturas intermunicipais, que se apresentam como “more jobs forthe boys”) e, de outro lado, vemos os aparelhos partidários a alimentar alegremente a corrosãoda democracia representativa, teimando no calculismo eleitoralista em vez da renovação e daabertura à sociedade. Em Coimbra, por exemplo – onde o poder municipal, detido pelo PSD desde 2001, égerido desde há dois anos por um Presidente não eleito, que era nº 2 de Carlos Encarnação,cuja desistência foi previamente negociada com a direção do partido – o que fez o principalpartido da oposição (PS)? Na ansia de recuperar a câmara (e na ilusão de que o consegue semgrandes dificuldades) não foi capaz de apresentar outro candidato senão ir “ressuscitar”Manuel Machado, o mesmo que, tendo sido eleito por três vezes se deixou perder (para CarlosEncarnação) há onze anos atrás e cujo último mandato foi tão apagado que teve como principalcondão suscitar a mobilização das forças vivas da cidade – nomeadamente através doCongresso da Cidade, da associação Pro Urbe e do Conselho da Cidade – contra a sua gestão“de mercearia”. Esta é, sem dúvida uma opção tosca e talvez “suicida” para o PS. É sem dúvidao resultado de uma visão estreita, calculista e prisioneira do aparelhismo instalado nasestruturas locais deste partido, que se recusou a, em devido tempo, preparar uma candidaturamais abrangente e credível. Ora, perante este cenário, aos cidadãos de esquerda em geral e aos eleitores e militantessocialistas em particular só restam duas atitudes: ou resignam-se a esta realidade e acomodam-se, abstendo-se ou votando rotineiramente nos “emblemas” do costume; ou respondem aestas manobras promovendo uma alternativa, uma candidatura de unidade com base nummovimento independente e dinâmico, capaz de congregar apoios em diversos setores dacidade. O PCP e o BE têm aqui, aliás, uma boa oportunidade para mostrar que põem osinteresses da cidade e da região acima dos tacticismos partidários. Uma força política deesquerda que se paute pela coerência não pode criticar o poder central e ser ao mesmo tempocúmplice de um poder local do partido do governo, a troco de um lugar de vereador. Além domais, no quadro em que vamos ter de viver no ano de 2013 seria estimulante que Coimbrasoubesse dar o exemplo com um projeto aliciante de desenvolvimento local dirigido àspopulações (urbanas e rurais) que contrariasse o desânimo instalado e a austeridade galopante,mobilizando o seu potencial tecnológico e científico em benefício da cidade e do distrito. E issorequer liderança, conhecimento e visão estratégica.__* Investigador do Centro de Estudos Sociais e professor daFaculdade de Economia da Universidade de Coimbra