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Da reuniao esquerdas ee af_publico_08.06.2013
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  • 1. PÚBLICO,SÁB8JUN2013 | 51 MIGUEL MANSO Da reunião à convergência das esquerdas: porquê, como, para quê? M ário Soares organizou recentemente um encontro alargado de partidos, movimentos e personalidades, sobretudo oriundos da esquerda, sob o lema Libertar Portugal da Austeridade. Pela nossa parte, consideramos que a dita reunião teve um enorme valor simbólico, mesmo se reconhecemos as dificuldades em passar daí a uma convergência política. E pensamos também que vale repensar os motivos históricos (porquê?) para uma convergência, ou para a falta dela, bem como os objetivos (para quê?) e os processos (como?) que, no terreno social e político, a tal podem conduzir. Há vários motivos para a falta de convergência entre as esquerdas. Primeiro, há a memória histórica dos tempos do PREC, nomeadamente as derivas hegemónicas dos comunistas, e da guerra fria, com o alinhamento da esquerda radical com as “democracias populares”. Tais motivos são hoje irrelevantes: as “democracias populares” já não servem de modelo a ninguém (mesmo se o BE foi muito mais longe do que o PCP na crítica do totalitarismo soviético e na adoção do património do liberalismo político), e a guerra fria terminou há muito. Segundo, sabemos bem da importância decisiva dos prolongamentos das clivagens partidárias na sociedade civil organizada, designadamente no campo sindical. E aí a truculência das relações entre a CGTP e a UGT começa desde logo no contexto de consolidação da primeira e simultaneamente é a razão de ser do surgimento da segunda, isto é, referimo- nos ao clima de crispação e de luta sociopolítica do PREC (1974-1975) em que à iminente e “perigosa” hegemonia de uma central considerada “radical” (e ao serviço do PCP) se opôs a fundação de uma outra corrente considerada “moderada”, mas, na realidade, predisposta a assinar (quase todos) os acordos com o patronato, nomeadamente os que a sua rival recusava, funcionando por seu lado sob a dupla égide do PS e do PSD. Ainda hoje esta divisão perdura e dificulta a convergência das esquerdas, embora a recente aproximação entre a CGTP e a UGT abra uma janela de oportunidade. Terceiro, temos as diferenças nas orientações face às políticas: entre um PS mais próximo do centro-direita do que da esquerda radical, nomeadamente em matéria de política europeia. Não há dúvida que tais diferenças existem e que são um obstáculo a entendimentos. Mas há que as relativizar. Primeiro, há na Europa vários exemplos de entendimentos mesmo com distâncias ideológicas entre os sociais-democratas e a esquerda radical equivalentes às que encontramos em Portugal. Segundo, o PS é que está muito mais alinhado ao centro do que a sua família política na Europa; a esquerda radical portuguesa (sobretudo o BE) não é propriamente muito mais radical do que a sua “família comunista e pós-comunista”. Terceiro, se é verdade que há uma forte inflexão nacionalista no PCP, também é conhecido o “europeísmo crítico” do BE. E alguém duvida de que a Europa precisa desesperadamente de uma boa dose de “europeísmo crítico”? Quarto, o movimento do PSD para direita neoliberal radical tornou as esquerdas menos distantes entre si. Resta responder às questões “como” e “para quê?” Já antes desta brutal crise, sabíamos que tal convergência entre as esquerdas poderia contribuir para reduzir as desigualdades, num dos campeões das mesmas na UE (et pour cause), e para uma maior clareza das alternativas, num país onde as alianças preferenciais do PS com as direitas o tornam demasiado parecido com estas. Mas no presente contexto uma aliança de esquerdas deve servir também para reabilitar a democracia aos olhos dos portugueses, perante um Governo que está a dirigir o país sem mandato político (para a liquidação do Estado social que está a empreender) e, portanto, a desvalorizar o papel das eleições. E deve servir também para defender os serviços públicos perante uma direita radical que parece não querer deixar “pedra sobre pedra”. E deve servir ainda para estimular o emprego e o crescimento económico, nomeadamente pela partilha de trabalho/redução de horários (sem custos para as empresas), por mais investimento e por uma suavização significativa da austeridade. Claro que resta a questão da “denúncia” (BE) vs. “renegociação” (PS) do memorando, acompanhada da renegociação da dívida: aqui como noutros pontos, a aproximação entre PS e BE parece mais fácil do que com o PCP (“rasgar o memorando”). Em qualquer caso, deve alicerçar-se no sentir maioritário dos portugueses/na democracia: uma sondagem recente (IDEFF) mostrava que 41,5% dos inquiridos defenderam a “denúncia do memorando”, 41% “a renegociação” e apenas 10,8% entenderam que o acordo deve ser cumprido. Claro que algumas destas questões extravasam a divisão esquerda- direita, mas dificilmente se compreenderia que a direita que tanto tem combatido a Constituição e o Estado social, e governado sem mandato, fosse logo a seguir reciclada para um Governo liderado pelo PS: é uma questão de sanidade. E os sindicatos e os novos movimentos sociais poderão também ter um papel-chave numa tal solução de convergência. É a nova reaproximação entre reivindicações materiais e imateriais que pode fortalecer a pressão social e levar os novos movimentos que lutam pelo emprego e contra a precariedade a ganharem peso e com isso obrigar a ações conjuntas das duas grandes centrais sindicais sob o impulso de uma sociedade civil cada vez mais impaciente e desejosa de novas linguagens, propostas e protagonistas. Politólogo, professor do ISCTE-IUL Sociólogo, professor da FE-UC DebateCriseealternativas AndréFreireeElísioEstanque Nopresente contexto uma aliançade esquerdas deveservir também para reabilitara democracia aosolhos dosportu- gueses, peranteum Governo queestá adirigiro paíssem mandato político (paraa liquidação doEstado social queestáa empreen- der)e, portanto,a desvalorizar opapeldas eleições Coelho, Portas e o day after H á uma inelutável crise política a envolver o drama social e a tragédia económica que o Governo aprofunda todos os dias. A sua origem está na coligação, bem no seio do executivo de Passos Coelho. Os dois partidos, desde Setembro de 2012, quando espontaneamente as pessoas saíram à rua para contestar a TSU, nunca mais restabeleceram os seus níveis de confiança e atuação solidária. Este último “corte e não corte” das pensões, que se “faz e não faz”, é uma ondulação política promovida pelo CDS, um outro episódio que o PSD aceita para disfarçar o “mal-estar” interno e proteger o exausto Vítor Gaspar. Acontece que só o Governo não quer entender o que toda a gente já percebeu: o primeiro- ministro perdeu o controlo e a legislatura está por um fio. Falta apenas marcar a data das eleições, no outono ou no verão. No fundo e no fim, os dois partidos desafiam-se num controlo de danos, não a pensar no “pós-troika”, como alguém criativamente inventou, mas sim no day after, nas posições relativas de cada um, na oportunidade de ficar perto ou longe do futuro poder. E isto é um comportamento lamentável. O primeiro-ministro não ouve ninguém, está isolado, refém do seu ministro das Finanças, um homem atípico, sem ideologia, que erra todos os dias. Quando um Governo já nem os seus ouve, quando desvaloriza a opinião do Conselho Económico e Social, as previsões da OCDE, os dados do INE, as advertências do Conselho de Finanças Públicas ou os avisos matemáticos da UTAO, é porque o futuro já não vai acontecer. Quando o Governo rasgou unilateralmente todos os contratos sociais, quando já não quer ouvir de viva voz um FMI que confessa ter subestimado os efeitos da austeridade na Grécia, bem como “erros grosseiros” de avaliação na “receita” aplicada, e não tem um gesto de humildade para reconhecer que estamos pior hoje, muito pior, do que há dois anos, é porque temos um primeiro- ministro a quem falta grandeza de alma, patriotismo! A comparação homóloga do 1.º trimestre de 2013 revela que 1530 milhões de euros representam a queda do consumo e cerca de 1250 milhões de euros a quebra do investimento. No total a procura interna caiu cerca de 2780 milhões de euros. E o mesmo exercício reportado aos últimos dois anos (entre o segundo trimestre de 2012 e o primeiro de 2013) dá-nos os seguintes valores: cerca de 13.000 milhões de euros representam a queda do consumo e cerca de 9500 milhões de euros a quebra do investimento. No total a procura interna caiu cerca de 22.500 milhões de euros. Ao mesmo tempo, o emprego recuou até aos anos de 1995, recuou 18 anos. A economia portuguesa está em debandada geral. Que mais precisaria o primeiro-ministro para mudar de rumo? Quando o Governo tem um primeiro-ministro que em delírio político invoca a sua consciência, como algo que existe e pensa estar de boa saúde, e afirma o seu “muito orgulho no trabalho que estou a fazer”, temos de dizer que este pesadelo tem solução e que o primeiro-ministro ainda poderá ser útil ao país, se tiver o rasgo de dar o primeiro passo para a sua saída e a saída voluntária do seu Governo, em nome do futuro e de uma nova esperança. Deputado do Partido Socialista DebateCriseealternativas JoséJunqueiro