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Esse método tem aplicabilidade hoje? Quem pode aplicar a PedagogiaCavanis? E onde?      A partir de uma peculiar intuição ...
longo de um período histórico de 200 anos. A pesquisa é concluída no século XXI,refletindo a aplicabilidade e validade da ...
1º CAPÍTULO                            PRINCÍPIOS ILUMINADORES                                          “A perfeição não c...
apresentavam aos congregados como modelo a ser seguido. (SANTA CRUZ, 1993,p.50-51)        Esse primeiro capítulo será fina...
Seu trabalho apostólico consistia em circular pelas ruas, esquinas, mercadose praças de Sant’Angelo. Sua personalidade atr...
Estudante em Roma abandona os estudos vendendo os livros para dedicar-setotalmente a atividades beneficentes. Após três an...
Felipe Néri auxiliado por outros sacerdotes dirigia conferências na Igreja deSan Girolano e para acomodar os que o assisti...
Foi em seu quarto, que ele confirmou seu apostolado quando a idadeavançada e as enfermidades crescentes o impediram de cir...
sentiu que o filho exultava de alegria no ventre materno. Voltou depressa para casa.Percebeu que a hora chegava. Uma amiga...
tinha juízo. Era cabeça quente, brigava com os enfermos por qualquer ninharia,discutia com os enfermeiros, e perdia o temp...
O fundador sentia também o desejo de congregar a esse grupo, sacerdotesseculares, que fossem piedosos para o serviço dos e...
Numa tarde de dezembro de 1583, encontra um senhor ilustre, nobre romano,Fermo Calvi, que apenas o conhecia de vista. Troc...
do Senhor, e fomos favorecidos com esta visita de Deus, afim de que aprendamoscom a nossa própria doença, e nos tornemos m...
desejo de adquiri-la. O velho templo pertencia a um nobre senhor amigo de Camiloque não hesitou em lhe conceder o santuári...
que proporcionou a Camilo uma alegria imensa. Ele reuniu na capela todos osreligiosos e colocando sobre o altar o document...
teve grande devoção a Nossa Senhora. Aprendeu a amá-la com a mãe. Em 2 defevereiro de 1575, na festa da Purificação, ele p...
3   SÃO LUIS GONZAGA      São Luís Gonzaga nasceu em Castiglione, Itália, a 9 de março de 1586, filhoprimogênito de D. Fer...
vergonha e tristeza, chorou amargamente essa involuntária falta, que nunca deixoude lamentar como uma das mais graves de s...
línguas clássicas, chegando a escrever elegantemente em latim. Foi nessa línguaque fez um discurso de saudação ao monarca ...
ingressar nos jesuítas, seu pai, que levara uma vida muito voltada às coisas domundo, preparou-se tão bem para a morte, qu...
na oitava de Corpus Christi, nos dias subseqüentes ele recitava o Te Deum em açãode graças. Por volta da meia noite, entre...
com isso obter do pai consentimento para a sua ordenação. Francisco pôs a vesteeclesiástica no mesmo dia em que seu pai lh...
Os   missionários   pregavam   diariamente   em      Thonom,   estendendo-segradualmente aos povoados vizinhos da região. ...
Sua diocese tornou-se conhecida na Europa por motivo de sua organizaçãoeficiente, seu clero zeloso e os leigos bem esclare...
5   SÃO JOSÉ DE CALAZANS       Nasceu no Castelo de seu pai em Peralta de la Sal, diocese de Urgel, emAragão, Espanha, no ...
José foi, secretário e Familiar do Bispo de Lérida, Dom Gaspar João daFigueira, em Monzon, perto de Peralta.      O Bispo ...
José procurou ajuda junto ao Capitólio romano, sede das autoridadesmunicipais de Roma, não conseguiu o que esperava, tenta...
Em 1605, a escola mudou-se para a casa que pertencia a Otávio Mannini, nafrente da Igreja de São Pantaleão, nesse novo est...
obstinada e perversa, sendo um incômodo para os irmãos, mas conquistouinfluencia e boa reputação junto ao Santo Ofício e a...
Em julho de 1648, Calasanz sofreu um outro acidente. Tropeçou em frente aoPalácio dos Medicis, machucou o pé e como a feri...
determinado crime (...). As monitórias eram lidas pelos párocos no momento daprédica da missa dominical por três domingos ...
qual o conde de Gondi era general, nesse lugar em 1622 pregou missão para oscondenados.      A senhora de Gondi persuadiu ...
essas instituições ele organizou sob uma regulamentação comum. (THURSTON;ATTWATER, 1989, p.183)       Fez um esquema espec...
A Pedagogia Cavanis - Pe. Márcio Campos
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  1. 1. INSTITUTO DE FILOSOFIA E TEOLOGIA MATER ECCLESIAE – IFITEME – A PEDAGOGIA CAVANISE A FORMAÇÃO INTEGRAL DO HOMEM PONTA GROSSA 2004
  2. 2. Ir. MÁRCIO CAMPOS DA SILVA, CSCh. A PEDAGOGIA CAVANISE A FORMAÇÃO INTEGRAL DO HOMEM Monografia apresentada como requisito do Curso de Filosofia, do Instituto de Filosofia e Teologia Mater Ecclesiae - IFITEME. Orientadora: Prof. Hilda L. Bilek PONTA GROSSA 2004
  3. 3. Dedico este trabalho a todas as pessoas que acreditam que através da educação se projeta e constrói o futuro da humanidade; a todos que acreditam que a educação é meio de integração e promoção social; os que crêem que a possibilidade da existência humana na Terra depende da importância que se dá e prepara a educação das futuras gerações e finalizando dedico a todos Cavanis, sejam esses leigos ou religiosos que buscam a promoção dos jovens e crianças através de uma dedicação total,buscando e utilizando-se de todos os meios possíveis para alcançar o objetivo de um homem mais humano, justo, solidário e feliz. ii
  4. 4. AGRADECIMENTOSNa certeza de que minhas palavras serão poucas, pobres e pequenas, paraexpressar, tamanha e inesquecível gratidão a todos que de uma maneiradireta ou indireta me ajudaram na construção deste trabalho. Sinto que nãodeveria citar nomes mesmo que alguns de maneira particular tenham setornado mais presentes nesse período fatigoso de pesquisas. Para não correro risco de me esquecer ao longo dos anos que seguirão farei alusão a algunsque através dos tempos manterão vivas em minhas lembranças a recordaçãode outros. Primeiramente agradeço à Deus que me conduz, agradeço asdificuldades e limitações que enfrentei e que me ajudaram a reconhecer suapresença e amor de Pai. Também não poderia esquecer de expressar minhaeterna gratidão a Congregação das Escolas de Caridade, que custeou meusestudos e ao longo desses 10 anos vem sendo o instrumento e voz doCriador em minha vida. Agradeço com afeto às Irmãs Cavanis residentes emPonta Grossa, que familiarmente me acolheram e a Irmã Tereza que muitome ajudou nas traduções do italiano. A comunidade religiosa que convivi: Pe.Vanderlei Pavan, Ir. Renato Rothen e Jean A. Bezerra, que pacientementeacompanharam-me ao longo desse ano marcante em minha vida. Aosfuncionários e alunos da Casa do Menor Irmãos Cavanis que representaram amotivação maior para o desenvolvimento dessa pesquisa. E finalmente aosprofessores do Instituto de Filosofia e Teologia Mater Ecclesiae – IFITEME -que me prepararam para esse momento decisivo e conclusivo em mais umaetapa de minha vida, dentre esse agradeço minha orientadora de métodos,professora Lea Tereza Abibe e minha orientadora de pesquisas, companheirae amiga ao longo desses cinco anos a professora Hilda L. Bilek. iii
  5. 5. RESUMOA pedagogia dos Cavanis entendida como meio de formação integral, atual ehumana do homem. Para entender e conhecer sua origem, busca fazer um resgatehistórico na vida de personagens que para os Irmãos Cavanis tiveram relevanteimportância na estruturação de sua nova prática educativa. Esse resgate refletesobre a vida de São Felipe Néri, que em pleno período renascentista forma umgrupo de religiosos que exercitam seu carisma através de catequeses, pregações eretiros para os cristãos em vista de vencerem ao paganismo. Surge assim a ordemdo horto ou os Oratorianos. Também apresenta a vida de São Camilo de Lelis quecontemporâneo a Felipe fez uma revolução no conceito de atendimento hospitalar,seu forte caráter e espírito de liderança fizeram nascer na sociedade a Congregaçãodos Camilianos, religiosos dedicados a tratar os doentes com dignidade e respeitoacreditando neles se fazer presente o próprio Cristo. Outro personagem marcante navida dos Cavanis foi o jovem São Luiz Gonzaga, que tendo nascido em uma famílianobre abandona as regalias de seu mundo para viver a simplicidade dos quepossuem a Deus e por ser um santo jovem tornou-se modelo e padroeiro dajuventude. Os Irmãos Cavanis recordavam também de São Francisco de Sales, comele aprenderam a confiar na providência divina. A lembrança deste também aparecequando eles em 1808 iniciaram a tipografia, pois o Santo em sua épocaevangelizava através de periódicos de sua autoria. A vida e o jeito de São José deCalasanz é tão presente na vida e na obra dos dois manos tanto que se corre o riscode confundi-las, sendo que os irmãos o elegeram como padroeiro de sua obraeducativa. Já, São Vicente de Paulo é tomado como modelo a ser seguido, a vida dopai da caridade marcou tanto a vida dos dois a ponto de denominarem sua obracomo Congregação das Escolas de Caridade. De certa forma, os Irmãos Cavanissão como um apanhado de cada um desses personagens históricos a ponto deconsiderar-se um novo estilo de vida religiosa distinta das anteriores. Sua pedagogiaaconteceu de maneira natural e manteve-se ao longo dos séculos como atual erenovadora. Assim a pesquisa se limitará em apresentar restritamente suas práticaspedagógicas em meio aos jovens sem esquecer de contrapô-las a pensamentos ereflexões contemporâneas. Tal reflexão fará menção a conceitos psicológicos,sociais, morais e afetivos, indispensáveis na Pedagogia dos Cavanis. Analisa-seainda o conceito de educação para o século XXI, segundo o Relatório Delors para aUNESCO, e confirma-se que a pedagogia iniciada pelos Cavanis a mais de 200anos continua atual e sua aplicabilidade é válida para os dias de hoje. iv
  6. 6. RESUMOLa pedagogía de los Cavanis entendida como medio de formación integral, actual yhumana del hombre. Para entender y conocer su origen, busca hacer un rescatehistórico en la vida de personajes que para los hermanos Cavanis tuvieran relevanteimportancia en la estructuración de su nueva practica educativa. Este rescatereflexiona sobre la vida de San Felipe Neri que en pleno periodo renacentista formaun grupo de religiosos que ejercitan su carisma a través de: catequesis prelaciones yretiros para los cristianos, en vista de vencer el paganismo. Surge así la Orden dehuerto o los Oratorianos. Tambien presenta la vida de San Camilo de Lelis quecontemporáneo a Felipe hace una revolución en el concepto de atención hospitalar.Su fuerte carácter y espíritu de lideranza hicieran nacer en la sociedad laCongregación de los Camilianos, religiosos dedicados a tratar los enfermos condignidad y respeto acreditando en ellos la presencia del propio Cristo. Otropersonaje marchante en la vida de los Cavanis fue el joven San Luis Gonzaga, quehabiendo nacido en una familia noble abandona las regalías de su mundo para vivirla simplicidad de los que poseen a Dios por ser un santo joven tornose modelo ypatrono de la juventud. Los Cavanis recordaban también la vida de San Francisco deSales, de esto aprendieran a confiar en la Divina providencia. El recuerdo del santotambién aparece cuando ellos en 1808 iniciaron la tipografía, pues el Santo en suépoca evangelizaba a través de periódicos de su autoría. La vida y el modo de SanJosé de Calasanz está presente en la vida de los dos hermanos, tanto que se correel siego de confundidlas, siendo que los hermanos la eligieron como patrono de suobra educativa. San Vicente de Paul es tomado como modelo a ser seguido, la vidadel padre de la caridad marco tanto la vida de los dos hermanos a punto dedenominar su obra como Congregación de las Escuelas de Caridad. De cierta forma,los hermanos Cavanis san como un compendio de cada uno de estos personajeshistóricos a punto de considerarse un nuevo estilo de vida religiosa distinta de lasanteriores. Su pedagogía aconteció de manera natural y mantuvo se a lo largo de lossiglos como actual y renovada. Así la investigacion se limitará en presentarestrictamente sus prácticas pedagógicas en medio de los jóvenes sin olvidar decontraponer pensamientos y reflexiones contemporáneas. Tal reflexión tendrá lucesa conceptos psicológicos, sociales, morales y afectivos, indispensables en lapedagogía de los Cavanis. Analizase todavía el concepto de educación para el sigloXXI, según el velatorio Delors para a UNESCO, y confirmase que la pedagogíainiciada por los Cavanis a más de doscientos años continua actual y su aplicabilidades válida para los días actuales v
  7. 7. RIASSUNTOLa pedagogia dei Cavanis intesa come mezzo di formazione integrale, attuale eumana dell’uomo. Per intendere e conoscere la sua origine si cerca di fare unarivalutazione storica della vita dei personaggi che ebbero un rilievo importante nellastrutturazione della nuova pratica educativa dei fratelli Cavanis. Questa rivalutazioneci riporta alla vita di San Filippo Neri che in pieno periodo rinascentista forma ungruppo di religiosi che si esercitano nel loro carisma attraverso il catechismo,prediche e ritiri per i cristiani per sconfiggere il paganesimo. Sorge cosí L’ordinedell’Oratorio o degli Oratoriani. Anche appresenta la vita di San Camillo de Lellis,contemporaneo di Filippo che fece uma rivoluzione negli ospedali, quanto al modo diricevere e trattare gli ammalati. Il suo forte carattere e spirito di lideranza fecero siche nascesse la Congregazione dei Camilliani, religiosi dedicati a trattare gliammalati con dignitá e rispetto, credendo che in loro si fa presente il proprio Cristo.Un altro personaggio marcante nella vita dei Cavanis fu il giovane San luigi Gonzagache, nato in una famiglia nobile, abbandona il benessere del mondo per vivere nellasemplicitá di quelli che possiedono Dio e, per essere un Santo giovane, divennemodello e protettore della gioventú. I Fratelli Cavanis furono influenziati anche daSan Francesco di Sales; da lui impararono a confidare nella Providenza Divina. Ilricordo di San Francesco di Sales appare anche quando i Cavanis, nel 1808,iniziarono la tipografia pubblicando riviste e scritti del Santo. La vita, anzi, lo stile divita di San Giuseppe Calasanzio era cosi presente nella vita e nelle opere dei dueFratelli, che quasi si corre il rischio di confonderla, tanto che lo elessero patronodella loro opera educativa. Giá San Vincenzo di Paoli, scelto come modello daessere imitato, e la sua vita fondata e guidata influí tanto nella vita dei due fratelliche derono il nome alla loro opera di Congregazione delle Scuole di Caritá. Di certaforma, i Fratelli Cavanis sono un poco di ciascuno di tutti questi personaggi storici atal punto di concepire un nuovo stile di vita religiosa differente dalle anteriori. La loropedagogia si formó e sviluppó naturalmente e si mantenne attuale e innovatricedurante i secoli. Cosi la ricerca si limiterá a presentare strettamente la sua praticapedagogia in mezzo ai giovani senza dimenticare di contraporla al pensiero eideologia contemporanei. La dará alcuni cenni ai concelti psicologici, sociali, morali eafettivi, indispensabili e inerenti alla Padagogia Cavanis. So oltre a questo saráanalizzato il concetto di educazione nel secolo XXI, secondo il relatorio Delors perL’UNESCO, e si afferma che la pedagogia iniziata dai Cavanis da piú di 200 anni facontinua attuale e la sua applicazione é valida per i nostri giorni. vi
  8. 8. SUMÁRIORESUMO.................................................................................................................... ivRESUMO..................................................................................................................... vRIASSUNTO .............................................................................................................. viINTRODUÇÃO ............................................................................................................1CAPÍTULO I PRINCÍPIOS ILUMINADORES ..............................................................4CONSIDERAÇÕES INICIAIS......................................................................................41 SÃO FELIPE NERI ................................................................................................52 SÃO CAMILO DE LELLIS.....................................................................................93 SÃO LUIS GONZAGA.........................................................................................184 SÃO FRANCISCO DE SALES ............................................................................225 SÃO JOSÉ DE CALAZANS ................................................................................266 SÃO VICENTE DE PAULO .................................................................................317 IRMÃOS CAVANIS .............................................................................................347.1 TEMPERAMENTOS DIFERENTES ..................................................................41CAPÍTULO II PILARES PEDAGÓGICOS.................................................................43APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA ........................................................................431 O EDUCADOR CAVANIS ...................................................................................452 EDUCAÇÃO GRATUITA.....................................................................................453 AMOR PATERNO AOS JOVENS .......................................................................484 O MÉTODO .........................................................................................................494.1 VIGILÂNCIA CONTÍNUA ..................................................................................494.2 CONGREGAÇÃO MARIANA ............................................................................504.3 CATEQUESE ....................................................................................................514.4 HORTO (RECREIO)..........................................................................................514.5 ORATÓRIO .......................................................................................................534.5.1 Exercícios Espirituais......................................................................................535 INSTITUTO FEMININO........................................................................................546 PROFISSIONALIZAÇÃO ....................................................................................547 A PERFEITA INSTRUÇÃO DOS JOVENS .........................................................548 DISCIPLINA.........................................................................................................55CAPÍTULO III A PEDAGOGIA CAVANIS E A EDUCAÇÃO CONTÊMPORANEA ..58CONSIDERAÇÕES INICIAIS....................................................................................581 APRENDER A CONHECER E A PENSAR .........................................................592 APRENDER A FAZER ........................................................................................613 APRENDER A CONVIVER..................................................................................634 APRENDER A SER .............................................................................................64CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................66REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS ...........................................................................68ANEXOS ...................................................................................................................69 vii
  9. 9. INTRODUÇÃO “A educação é um trabalho que exige a ocupação da pessoa o tempo todo (…), os operários, portanto devem ser bem treinados para este ministério; livres de outras ocupações para dedicar-se a ele inteiramente”. (IRMÃOS CAVANIS 28/05/1814) Ao iniciar um trabalho de pesquisa acadêmica surgem diversas questões, ogrande desejo de responder essas dúvidas que povoam a mente humana e que aolongo da história trouxeram à humanidade o que chama-se de futuro ou pós-modernidade em busca de um desejo natural de realizar-se sonhos do passado quede certa forma conduziram o homem ao desenvolvimento. Nem todo saber éconhecido e nem tudo do que é conhecido é saber. Baseado nessa idéia encontram-se velados na história da humanidade e de maneira particular na história daeducação, veneziana, dois personagens de relevante importância. Herdeiros de umtítulo de nobreza dois irmãos Antonio e Marcos, os condes Cavanis, constituíram ummarco em sua época. Num contexto de diversos conflitos político de governosopressores e oprimidos e dentro do avassalador império napoleônico elespermaneceram fiéis ao seu sonho de possibilitar vida digna de cultura, educação ereligião aos que delas não podiam desfrutar de forma plena, pelo simples fato deterem nascidos menos afortunados. Essa pesquisa acadêmica quer ao mesmo tempo em que pretende refletir nosideais Cavanis ela o faz levando em conta a inserção do ser humano no contextoatual. Para tanto será preciso questionar para compreender o que vem a serpedagogia. Quando um método de trabalho educativo pode ser considerado comopedagógico? Qual é a pedagogia dos Cavanis?
  10. 10. Esse método tem aplicabilidade hoje? Quem pode aplicar a PedagogiaCavanis? E onde? A partir de uma peculiar intuição pedagógica os Irmãos Cavanis condensaramem seu estilo próprio de interagir dentre os jovens princípios iluminadores depersonagens que deixaram marcas em sua época como: Felipe Néri, fundador daordem do horto; São Camilo de Lelis, que fundou uma congregação para ajudar econfortar os doentes; São Luis Gonzaga, que os inspirou na pureza da mente e docoração; São Francisco de Sales, exemplo de confiança na providência e exímioescritor de temas espirituais; São José de Calasanz que foi um sacerdote espanholque oferecia educação às crianças pobres da periferia de Roma, o qual os IrmãosCavanis escolheram como padroeiro de sua obra educativa e São Vicente de Paulo,fundador dos lazaristas e das Irmãs da Caridade, que escolheram como modelo aser seguido, assim os irmãos Cavanis apresentaram como paradigma de seu projetoeducativo o próprio Cristo. Assim este trabalho de pesquisa pretende apresentar os Irmãos Cavaniscomo dois verdadeiros visionários, como dois homens que estiveram à frente de seutempo, sobretudo no campo da educação das crianças e dos jovens. Como ensinar, como formar sem estar aberto ao contorno geográfico e socialdos educandos? (FREIRE, 1996, p.137). Eles diziam que “Não adianta esperar por uma mudança na sociedade semcuidar como convém das crianças e dos jovens; é preciso usar os meios aptos paraconseguir o fim”. ad. tempora A metodologia utilizada nesse trabalho foi através de reflexão feita sobre ascartas escritas pelos IRMÃOS CAVANIS sendo selecionadas as que mais dizemrespeito ao espírito e a finalidade de sua obra educativa como a pedagogiadesenvolvida. Também foram analisado autores contemporâneos que refletem sobreo tema pedagogia e educação. O trabalho inicia sua pesquisa sobre os princípiosiluminadores que inspiraram o desenvolvimento da pedagogia dos Cavanis. Paratanto essa pesquisa direcionou-se sobre a vida de SÃO FELIPE NERI, SÃOCAMILO DE LELIS,SÃO LUIZ GONZAGA, SÃO FRANCISCO DE SALES, SÃOJOSÉ DE CALAZANS e SÃO VICENTE DE PAULO. Num segundo momento apesquisa direciona seu foco na possibilidade da FORMAÇÃO INTEGRAL DOHOMEM através da teoria educacional desenvolvida e praticada pelos Cavanis ao 2
  11. 11. longo de um período histórico de 200 anos. A pesquisa é concluída no século XXI,refletindo a aplicabilidade e validade da Pedagogia Cavanis na pós-modernidade. A pedagogia Cavanis surge com o desejo de suprimir uma carência de afeto eeducação que vive as crianças e jovens do século XVII na cidade de Veneza.Alvorece como luz educativa dentro do período iluminista e tem em seu interiorcontribuições de saberes e valores históricos de sua época como a revoluçãofrancesa em 1789 e o alvorecer do período moderno. E que ainda hoje faz-seconvidativo para uma intensa meditação. A centralidade dessa Pedagogia Cavanisencontra-se no próprio homem Percebendo a atual escassez de material em português sobre a pedagogiaCavanis bem como a sua origem, esse trabalho quer ser um instrumento prático eacessível a todos, que possibilite conhecimento histórico e pedagógico para umamelhor aplicabilidade dela hoje. 3
  12. 12. 1º CAPÍTULO PRINCÍPIOS ILUMINADORES “A perfeição não consiste em fazer grandes coisas que nos fazem parecer grandes diante dos olhos dos homens, mas em ser grande diante dos olhos de Deus, fazendo tudo conforme sua Vontade”. (Pe. ANTONIO CAVANIS 11/1843))CONSIDERAÇÕES INICIAIS Entende-se por princípios iluminadores as fontes que inspiraram e motivaramos irmãos Antonio Ângelo Maria Cavanis e Marcos Antônio Maria Cavanis adesenvolverem uma obra educativa através da escola que a posteriori herdará onome de Congregação das Escolas de Caridade-Cavanis. Esses focos luminosos condensados na pedagogia Cavanis, constituíram oque eles denominaram de formação integral do homem. Para tanto se torna necessário uma análise objetiva desses princípios queinspiraram e motivaram os Irmãos Cavanis. Para desenvolver um paralelo entre:Igreja, Estado, educação e sociedade e refletir sobre a vida de personagens quepara os Irmãos Cavanis tiveram com seu pensamento relevante importância nahistória da educação de sua época. Essa análise histórica passará na ótica filosófica pelos períodos renascentistaabrangendo o século XV e XVI, contextualizando os personagens: Felipe Neri (1515-1595), Camilo de Lelis (1550 – 1614), Luis Gonzaga (1560 – 1591) e na segundametade do século XVI adentrando o século XVII encontra-se Francisco de Sales(1567 – 1622), José de Calazans (1556 – 1643), este escolhido pelos IrmãosCavanis como padroeiro da obra Cavanis e Vicente de Paulo (1580 – 1660),popularmente conhecido como pai da caridade e que os Irmãos Cavanis
  13. 13. apresentavam aos congregados como modelo a ser seguido. (SANTA CRUZ, 1993,p.50-51) Esse primeiro capítulo será finalizado com uma análise sobre os IrmãosCavanis, observando a centralidade de sua pedagogia e contextualizando-a nafilosofia e na história do período iluminista destacando o império napoleônico com arevolução francesa e o pensamento histórico contemporâneo, iniciado por EmanuelKant.1 SÃO FELIPE NERI São Felipe Neri, missionário e fundador da Congregação do Oratório, Nasceuem 22 de julho de 1515 em Florença, Itália como Phillipe Romolo Neri. Filho dotabelião Francisco Néri; estudou sob influência dos Dominicanos em São Marcos, noVeneto e aos dezoito anos foi mandado para São Germano, a um seu parente semfilhos, que se supunha ter um negócio florescente e do qual se esperava que oficasse seu herdeiro. (THURSTON,H.J.; ATTWATER,D.,1988, p.237.) Eleabandonou os negócios em 1533, foi para Roma. Hospedou-se no salão da casa deGaleotto Caccia, oficial da alfândega. Em troca da hospitalidade, dava aulas a doisfilhos do oficial. Ibid., p.238 Estudou dois anos com profundidade a partir de 1533 teologia e filosofia. Aregião onde residia se recuperava do saque de 1527. As escolhas e decisões daIgreja eram controladas pelos Médici e os cardeais com raras exceções erampríncipes de Estado, mais do que propriamente da Igreja. id. O entusiasmo pelos autores clássicos, estimulados pela Renascençasubstituiu, aos poucos as idéias cristãs por idéias pagãs, fazendo baixar o padrãomoral e enfraquecendo a fé. Pairava nessa época do período renascentista, sob a influência dopragmatismo, no clero romano uma indiferença e um abandono, deixando suasigrejas cair em ruínas e não havia acompanhamento de seu rebanho, fato quelevava o povo ao semi-ateísmo. Reevangelizar Roma foi a obra da vida de Felipe, eele executou com êxito, merecendo receber posteriormente o título de apóstolo deRoma. Em pleno clima de reforma e contra reforma, Felipe expressou a sua opiniãoa respeitos “É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar asantidade com as instituições”. (SGARBOSSA, M.; GIOVANNINI, L., 1983, p.165) 5
  14. 14. Seu trabalho apostólico consistia em circular pelas ruas, esquinas, mercadose praças de Sant’Angelo. Sua personalidade atraente acompanhava seu senso dehumor que facilmente cativava um ouvinte. Seus conhecimentos e suaespiritualidade ajudavam-no a dizer uma palavra no momento adequado com quemconversava, quando não falava do amor de Deus ou de sua vida espiritual. Dessamaneira, convencia muitos a abandonar seus maus costumes e a modificar suasvidas. Felipe tinha uma saudação costumeira: “Bem, irmãos quando é quecomeçareis praticar o bem?”(loc. cit.) Assim ele conseguia levar muitos a cuidar dosdoentes nos hospitais e a visitar as Igrejas. O que sustentava essa vida em favor dos menos favorecidos e em defesa daIgreja era a sua constante vida de oração. Retirava-se para a oração: “Se quisermosnos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmosnem tempo nem espaço” SGARBOSSA, M.; GIOVANNINI, L., (1983, p.165). Assimpassava a noite ora no pórtico de alguma igreja, ora, nas catacumbas de SãoSebastião, junto a via Ápia. Em suas orações noturnas, em certa ocasião véspera de Pentecostes, em1544, pedindo fervorosamente os dons do Espírito Santo, experimentou um êxtaseque dilatou seu coração apareceu-lhe um como globo de fogo que entrou pela bocadilatou-lhe o peito. Imediatamente foi tomado de um paradoxismo de amor divino,que rolou pelo chão, exclamando “basta, basta, Senhor, eu não posso maissuportar!” op. cit, p.239 Ao levantar-se sentiu-se mais recomposto, e assim quando pôs a mão sobreo coração, percebeu um inchaço do tamanho do punho de um homem, o qual nemno momento ou posteriormente lhe causou sofrimento. Mas, desde aquele momentoa qualquer emoção espiritual era facilmente surpreendido por violentas pulsaçõesque faziam todo o seu corpo tremer e algumas vezes sacudiam violentamente acadeira ou a cama onde se encontrava. Sentia também em suas consolaçõesespirituais calor no peito que o levava a desnudá-lo com o intuito de abrandar-lhe ocalor, assim, em suas orações pedia a Deus que amenizasse essas sensações,caso contrário morreria de amor. Após sua morte descobriu-se que duas das costelas do santo, se haviampartido e formavam um arco que aumentava o espaço normal para as batidas docoração. 6
  15. 15. Estudante em Roma abandona os estudos vendendo os livros para dedicar-setotalmente a atividades beneficentes. Após três anos passou a organizar uma ordemde Irmãos Leigos. No ano de 1548, com o auxílio de seu confessor, o padrePersiano Rosa, que vivia em San Girolano della Carita, Felipe devotado ao seuapostolado fundou uma comunidade, a "Confraria da Mais Santa Trindade" paraexercícios espirituais na Igreja de San Salvatore in Campo para orarem juntos,cuidarem dos doentes e peregrinos que vinham para Roma, também recolheramconsigo meninos turbulentos dos subúrbios romanos e os educavam divertindo-os. Aquem se queixava do barulho respondia: “Contanto que não pratiquem o mal, ficariasatisfeito até se me quebrassem paus na cabeça”. (SGARBOSSA, M ; GIOVANNINI,L., 1983, p.165). Ficou muito conhecido pela sua bondade e simpatia. Ele popularizou a devoção das 40 horas em Roma, devoção essa que aindahoje é muito comum, consiste em dois dias de adoração ao Santíssimo Sacramentoque pode ser feita em preparação ou após a festa de Corpus Christi. Essa obradesenvolveu-se até o ponto de tornar-se o hospital de Santa Trinitá dei Pellegrini. Aocompletar 34 anos, Felipe Néri já havia realizado obras religiosas de atendimentoaos pobres, peregrinos e crianças, grupos de orações que permanecem até aatualidade. Embora em sua humildade o fizesse evitar o pensamento de tornar-sepadre, submetido ao desejo de seu confessor no dia vinte e três de maio de 1551, foiordenado, com trinta e seis anos. Já desde antes do despontar da manhã até o meiodia e muitas vezes de novo a tarde ele atendia uma multidão de penitentes de todasas idades e condições. De acordo com THURSTON,H.J.; ATTWATER,D loc. cit., eletinha a capacidade de ler o pensamento dos que o recorriam, realizando assimconversões. Visando ao bem dos penitentes, ele costumava realizar conferênciasinformais e discussões, seguidas depois de visita as comunidades. Néri tinha o hábito de ler em voz alta a vida dos mártires e missionários.Meditando sobre o relato da vida e morte de São Francisco Xavier, impressionou-sede tal maneira a ponto de oferecer-se como voluntário para trabalhar nas missões noestrangeiro. Mas, um cisterciense que ele consultou garantiu-lhe que Roma era asua Índia, e Felipe acatou a orientação. Para ajudar os mais necessitados nãohesitava em pedir esmolas nas estradas. Um dia um indivíduo sentindo-seimportunado, deu-lhe um soco. Ao que Felipe respondeu: “Este é para mim? Agorame dê algum dinheiro para meus meninos”. op. cit. 7
  16. 16. Felipe Néri auxiliado por outros sacerdotes dirigia conferências na Igreja deSan Girolano e para acomodar os que o assistiam, construiu-se uma grande salasobre a nave da Igreja. Esse grupo recebeu o nome de oratorianos, porque elestocavam um sininho para convocar os fiéis às orações em seu oratório. Mas osverdadeiros fundamentos da Congregação desse nome só foram lançados anosdepois, quando Felipe apresentou cinco de seus jovens discípulos para a ordenaçãosacerdotal, entre os quais se achava César Barônio, e os mandou servir a Igreja deSan Girolano. Felipe compôs algumas regras simples de vida. Eles participavam de umamesa comum e de exercícios espirituais sob sua obediência, mas, proibiu-lhes quese vinculassem a esse estado, pelos votos, os seus bens materiais, casopossuíssem algum. Outros vieram juntar-se a eles e sua organização e obra se desenvolveramrapidamente, justamente pelo fato de encontrarem oposição e até mesmoperseguição por parte de setores da Igreja. Contudo em 1575, a nova sociedadeobteve aprovação formal do Papa Gregório XIII, que lhe doou a Igreja de Sant Mariaem Vallicella. As regras de sua Constituição foram aprovadas pelo Papa Paulo V em1612. A Congregação do Oratório se espalhou por toda a Europa e América do Sul.O Papa Gregório XIV tentou fazer dele um cardeal, mas Filipe recusou. Felipe era um homem de saúde delicada e tinha a capacidade de predizeracontecimentos, vivia em contato com o sobrenatural e ao recitar o Ofício e celebrara Missa por diversas vezes caía em êxtase. Pessoas que conviveram com eletestemunharam que, Felipe irradiava uma luz celeste. Depois dos 75 anos de idadelimitou sua atividade ao confessionário e a direção espiritual. SGARBOSSA, M.;GIOVANNINI, L., (1983, p.165) Em 1577 a Congregação do Oratório mudou-se para a Igreja de Sant Mariaem Vallicella, somente em 1584 é que Néri passou a morar em Vallicella atendendopedido expresso do Papa. O povo romano tinha por ele veneração, e nos últimosanos de sua vida, todo o colégio cardinalício recorria a ele, buscando conselhos erevigoramento espiritual e tão grande era a sua fama que os estrangeiros vindospara Roma desejavam ser apresentados a ele. id. Respeitado e amado em Roma foi um conselheiro de Papas, Reis, Bispos,Cardeais e igualmente confessor e conselheiro de leigos e do povo mais simples deRoma . 8
  17. 17. Foi em seu quarto, que ele confirmou seu apostolado quando a idadeavançada e as enfermidades crescentes o impediram de circular livremente. Ricos epobres visitavam seus aposentos e para todos dava um conselho adequado a suasnecessidades particulares. Dois anos antes de morrer ele conseguiu demitir-se do cargo de superior emfavor do seu discípulo Barônio. Obteve também permissão de celebrar a missadiariamente em um pequeno oratório unido a seu quarto. Na festa de Corpus Christi , dia 25 de maio de 1595, Felipe apresentou-seradiante de felicidade que beirava a exultação, e seu médico lhe disse que não o viaassim a dez anos . Durante todo o dia ouviu confissões e recebeu visitas, como decostume e ao meio dia disse: “Ao cabo de tudo, devemos morrer” segundo o relatode seus congregados, citado por (THURSTON,H.J.; ATTWATER,D, 1988, p.241.) Por volta da meia noite sofreu um ataque de hemorragia que os padres foramchamados. Era evidente que estava para morrer assim Barônio que lia as oraçõesda encomendação, pedia a ele que dissesse uma palavra de despedida, ou pelomenos abençoasse seus filhos. Embora Felipe não conseguisse mais falar, levantoua mão e expirou enquanto abençoava. Ele estava com oitenta anos. Seu corpo foisepultado na Igreja nova de Vallicella onde os oratorianos servem até os dias dehoje. Ibid., p.241 Foi beatificado em 1615 pelo Papa Paulo V, e canonizado em 1622 pelo PapaGregório XV . Seu símbolo na liturgia da Igreja é um lírio e um anjo com um livro. Sua imagem está entalhada em um santuário na Casa Matriz da Igreja deSanta Maria, em Vallicella . A mais famosa pintura dele foi feita por Guido Reni, queserviu de base para as subseqüentes apresentações de suas fotos-pintura. Sua festa é celebrada no dia 26 de maio.2 SÃO CAMILO DE LELLIS No ano santo de 1550, os peregrinos de diversas partes do mundo afluíam aRoma e o concílio de Trento recomeçava as suas sessões sob o Pontificado de JúlioIII. Em Bucchianico celebrava-se a festa do padroeiro do lugar, Santo Urbano, em 25de maio. Camila sempre mui devota foi logo cedo à Missa chamada Messa picola,porque não podia, como estava, assistir à missa solene da grande festa. Enquantoadorava Jesus Hóstia, no instante da consagração, como Isabel, a Mãe do Batista, 9
  18. 18. sentiu que o filho exultava de alegria no ventre materno. Voltou depressa para casa.Percebeu que a hora chegava. Uma amiga aconselhou-a a recorrer a São Franciscoe descer até a estrebaria, onde também nascera Jesus em Belém, e o SantoPatriarca em Assis. Camila naquela angústia assim o fez, e gemendo de dorestendeu-se sobre a palha, o feno dos animais, e ali nasceu a criança. A notíciacorreu célere. O milagre andava de boca em boca. A velha Dona Camila era mãeaos sessenta anos! Afluiu muita gente à casa “De Lellis”. A pobre mãe não cabia emsi de tão feliz, porém, sentia-se ruborizada com aquele parto em idade tão avançada.Mas essa piedosa mãe não viveu muitos anos mais. Em 1563, com quase 73 anosde idade, expirou santamente. O pai, agora comandante da fortaleza de Pescara,poucas vezes vinha a Bucchianico, e o filho fora entregue aos cuidados deestranhos. (BRANDÃO 1978, p.13-15) Camilo aproveitando da liberdade e em más companhias aprendeu a jogar. Afamília que o adotou o colocou em uma escola onde tirou proveito, pois não obstanteas vadiações e peraltices era inteligentíssimo. Tinha boa memória, recitava muitobem e gozava de grande prestígio entre os colegas de classe. Aos dezessete anosresolveu se alistar entre os venezianos que em 1567 andavam assalariando naguerra contra os turcos. Camilo lutou ao lado do pai junto dos habitantes de Venezacontra os turcos, mas logo após a morte do pai que ocorreu nas vizinhanças doSantuário de Loreto, no castelo de São Lupo, Camilo contraiu uma doença incomodae repulsiva, que posteriormente denominou de a primeira misericórdia, era umachaga no peito do pé direito, que não a tratou bem e após ter infeccionado tornou-seprofunda e incurável. Ibid, p.17 Um dia sentado à beira do caminho, Camilo viu passar dois padres da OrdemFranciscana. A modéstia dos religiosos o impressionou. Chegou mesmo a fazer ovoto de entrar para um convento franciscano. Dirigiu-se para Áquila e foi bater àporta do convento de São Bernadino. Expôs ao guardião o padre Frei PauloLoretano, seu tio materno, todas as suas desgraças e o desejo de se converter efazer penitência. O tio franciscano o ouviu comovido, mas não o quis receber.Camilo descansou ali alguns dias, tratou-se um pouco e resolveu partir para Roma,chagando lá procurou um hospital para curar-se. Em 1569, foi internado no hospital da San Giacomo (São Tiago) em Romapara doentes incuráveis, ficando lá como paciente serviçal. Passado nove meses, foidemitido, entre outros motivos por causa de suas reclamações, pois o rapaz não 10
  19. 19. tinha juízo. Era cabeça quente, brigava com os enfermos por qualquer ninharia,discutia com os enfermeiros, e perdia o tempo no jogo. Assim a diretoria do hospitalo dispensou do serviço como incorrigível e inepto para o ofício de enfermeiro. id. Voltou para o serviço ativo na guerra contra os turcos. Camilo referia-secomo um grande pecador, seu maior vício era o da jogatina que constantemente olevava à penúria e a vergonha. (THURSTON; ATTWATER, 1989, p.172) No verão de 1571, Camilo foi transferido para a guarnição da Ilha de Corfú.Local que se travaria a histórica batalha de Lepanto. Ocorrera terrível epidemia aqual Camilo contraiu e tendo ficado gravemente doente recebeu a unção dosenfermos, melhorou sensivelmente. No ano seguinte, em 1572, alistou-se de novono exército e partiu para a luta. Quase perdeu a vida no combate dos turcos emCastelnuovo. Em março de 1573, restabeleceu a paz, Camilo se põe a serviço daEspanha. Após naufrágio junto à Ilha de Capri, chegou a Nápoles. Em outubro de1574, devido ao vício da jogatina, apostou sua camisa e perdendo foi obrigado àhumilhação de tirá-la em praça pública. Assim chegou ao extremo da miséria.(BRANDÃO 1978, p.19-20) No dia 15 de agosto de 1582, festa da Assunção da Virgem Maria, Camilovelava os doentes e enquanto isso meditava que era triste ver tantos doentesabandonados, sem assistência material e espiritual, entregue às vezes em mãos demercenários. Como remediar tantos males? Sente assim em seu coração a pulsãode instituir uma companhia de homens piedosos que aceitassem generosamente amissão de socorrer aos enfermos, sem esperarem recompensa ou paga, e ofizessem com a ternura de Mãe. Essa companhia teria como distintivo uma cruzvermelha ou outro distintivo qualquer. Essa foi a primeira inspiração que sentiu emseu coração. Camilo convicto dessa inspiração dispõe-se a convidar alguns amigos, entreeles estava o Pe. Francisco Profeta da Sicília, capelão de São Giacomo, homem degrande ciência e virtude, Bernardino Norcino di Amatrice, Cruzio Lodi, LudovicoAltobelli e Benigno Sauri, que trabalhavam no hospital. As palavras de Camilo e asua maneira de apresentar suas motivações entusiasmaram esses companheirosque tomaram o amigo como seu mestre e guia. Assim dentro do hospital prepararamum espaço que continha um altar e um crucifixo para suas orações em comum e emmomentos livres lá se encontravam para combinar como levarem adiante essa obra. 11
  20. 20. O fundador sentia também o desejo de congregar a esse grupo, sacerdotesseculares, que fossem piedosos para o serviço dos enfermos, principalmente paralhes ministrarem os sacramentos como a Unção dos enfermos e o Viáticoprontamente quando necessário e, além disso, que realmente tivessem verdadeiroamor e afeto para com os agonizantes. Camilo pensava que assim poderia salvarmuitas almas e conceder-lhes atendimento digno, para que se sentissemverdadeiramente amados e que não se encontravam sós. Camilo retornou os estudos, aos trinta e dois anos, com dois sacerdotes, eandava com a gramática latina por toda parte, no mesmo ano de 1582 passou afreqüentar aulas no Colégio Romano onde se encontravam célebres teólogos esábios da Companhia de Jesus como São Roberto Belarmino, Vasquez e Suarez,filósofo da contra reforma. O programa dos estudos constava de gramática, retórica e humanidades. Ocurso filosófico de três anos e o teológico de quatro anos. Nesse ano da matrículaele entrou no curso inferior onde estavam os que apenas sabiam ler e escrever eaprendiam rudimentos de latim. Era uma turma com meninos de 12 e 13 anos deidade. A criançada o ridicularizava e repetia: Tarde venisti! Tarde tarde venisti! Umdia o mestre Pe. Cornélio Ciprioto, ao ver a gozação disse aos meninos: “Estehomem que é objeto de vossa zombaria, há de fazer grandes coisas na Igreja deDeus!” Sendo assim cessaram-se as zombarias e começaram a admirar a virtude ea boa vontade do aluno de trinta e dois anos. Os padres Jesuítas empenharam-se para vê-lo adiantado na instituição. Noano de 1583 julgaram suficientemente instruído para receber as ordens menores.(BRANDÃO, 1978, p.38) No dia 2 de fevereiro de 1583, Ele se reveste do hábito clerical e recebe aTonsura. Nos três domingos seguintes recebeu as ordens menores das mãos dovice-regente de Roma, Tomás Goldwell, bispo de São Asaph, último bispo exilado daantiga hierarquia inglesa. (THURSTON; ATTWATER, 1989 p.174) Para receber as ordens maiores, diaconato e presbiterado encontrou novadificuldade onde o candidato que não fosse religioso professo deveria ter umpatrimônio ou título equivalente que assegurasse a honesta sustentação. Camilo erapobre e os honorários que recebia como mordomo de São Giacomo, dispensava emfavor dos pobres. 12
  21. 21. Numa tarde de dezembro de 1583, encontra um senhor ilustre, nobre romano,Fermo Calvi, que apenas o conhecia de vista. Trocando conversas chegaram àsdificuldades que Camilo se encontrava para ser ordenado. O senhor generoso edotado de enorme fortuna, de imediato ofereceu a quantia necessária para talempréstimo e posteriormente veio a ser um grande benfeitor da obra, terminandoseus dias no seio da família camiliana. Sábado, 26 de maio de 1584, na oitava de pentecostes, Camilo foi ordenadosacerdote. Após esta graça quis entrar em retiro, no silêncio e na oração, a fim de sepreparar melhor para subir ao altar. Passou duas semanas recolhido, orando efazendo penitência recebeu apenas a visita de São Felipe Néri, seu diretor espiritual.No domingo, 10 de junho do mesmo ano, terceiro domingo de pentecostes, celebroua primeira missa na capela de Santa Maria Porta Padadisi. Seu benfeitor Fermo Calvi ofereceu-lhe um cálice, um missal, três casulas eoutros paramentos. Padre Camilo ainda freqüentava as aulas e estas ocuparam cinco horas pordia, continuava na direção do hospital e fora nomeado capelão de uma Igrejinha denossa senhora, Maria Donnina dei Miracole. (BRANDÃO, 1978, p.41) A atividade do novo sacerdote era intensa, pois estudos, direção do hospital ea capelinha lhe absorviam o dia todo e parte das noites. A Companhia dos enfermeiros foi iniciada em 15 de setembro de 1584, noreferido santuário da Virgem, sendo três os primeiros camilianos: Cruzio Lodi,Bernadino Norcino e o Padre Francisco Profeta a quem Camilo deu o hábito clerical.Estabeleceram um regulamento a ser observado, e foram trabalhar no hospital doEspírito Santo onde assistiam os doentes com tanto afeto e cuidado que se tornavavisível a todos quantos os observavam que eles consideravam como se fosse opróprio Cristo aquele que estava ali deitado, doente ou ferido, em seus membros.(THURSTON; ATTWATER, 1989, p.173). Os três companheiros desligaram-se doscompromissos de São Giacomo. A primeira grande tribulação foi quando São Felipe Néri deixa de ser diretorespiritual de Camilo a única segurança que Camilo encontra é no seu crucifixo quesentia lhe dizer “caminha avante, pois a obra é minha” (BRANDÃO 1978, p.44) A segunda grande prova veio de uma enfermidade que abateu Camilo eCruzio, devido a umidade vinda do Tibre, e a vida pobre e sem conforto emMadonnina. Camilo conforta o amigo com essas palavras: “Esta enfermidade, vem 13
  22. 22. do Senhor, e fomos favorecidos com esta visita de Deus, afim de que aprendamoscom a nossa própria doença, e nos tornemos mestres na escola do sofrimento paranos tornarmos mais fervorosos e compassivos em socorrer o próximo enfermo”.Ibid., p. 45 Devido a umidade e insalubridade da casa, Camilo e seus companheirosprecisavam mudar-se de Madonnina e confiando na providência alugaram uma outracasa que exigia cinqüenta escudos anuais e um semestre adiantado; ajudados porPompeo Baratelli outro amigo e benfeitor estabeleceram-se na Via Delle BottegereOscure, em janeiro de 1585. Este era um ambiente melhor, mais saudável e central.Puseram-se a trabalhar em dois hospitais o de São Giacomo e o do Espírito Santo,Camilo preferiu trabalhar onde exerciaeria os trabalhos mais humildes, trataria dosrepugnantes, os mais imundos, os mais grosseiros e difíceis. Sofria dolorosashumilhações. O hospital não era muito organizado, mas ocorriam graves abusos,como o de levarem doentes ainda vivos para o necrotério. (BRANDÃO 1978, p.47) Camilo acolhia em sua companhia quantos manifestassem vocação.Entretanto fazia-os passar duras provações e os experimentava rigorosamente perignem et águam provas de água e fogo nos hospitais e no trabalho. Nem todosperseveraram e resistiam às provas. id. Os religiosos camilianos destacaram-se no seu apostolado, pois atendiamtambém os enfermos no seu domicílio, trabalho esse que trouxe maior prestígio àCompanhia dos enfermeiros. O nome camilianos não era aceito por Camilo e suahumildade, assim preferiu denominá-los de Ministros dos Enfermos, no entanto aspessoas mais comumente os denominavam padres da boa morte ou do bem morrer. A regra religiosa dessa Congregação escrita pelo fundador compreende duaspartes: a primeira estabelecia as práticas para a observância dos conselhosevangélicos, a consagração total de suas vidas a Deus expressada através dosvotos de pobreza, castidade e obediência e a segunda a assistência aos enfermos. Logo no início a congregação sofre com a perda de um confrade, BernardinoNorcino, homem de oração e penitência que veio a falecer no dia 16 de agosto de1585. O seu corpo foi sepultado na Igreja do Gesú dos padres jesuítas daCompanhia de Jesus. Ibid., p.49) A nova comunidade crescia de maneira expressiva e se via a necessidade deuma habitação maior. Na festa de Santa Madalena Camilo visitou seu santuário econtemplou com amargura os estragos e a pobreza da Igreja em ruínas. Sentiu o 14
  23. 23. desejo de adquiri-la. O velho templo pertencia a um nobre senhor amigo de Camiloque não hesitou em lhe conceder o santuário, restando a Camilo o encargo dequase reconstruí-lo. As autoridades atendendo aos benefícios que os ministrosprestavam ao povo deram trezentos escudos para a reforma. E assim essa se tornoua casa mãe da ordem. No ano de 1585, morre o Papa Gregório XIII e o conclave elegeu para seusucessor Sisto V, que foi um reformador enérgico e decidido. Camilo teve receio depedir a aprovação da nova ordem sem um bom protetor. Tendo encontrado oCardeal Vicente Lauro, Bispo de Mondovi, e homem de grande influência junto aoSanto Padre e de valor, pediu-lhe a aprovação da ordem sem rodeios, mas comsimplicidade foi logo advogando o que queria. O Cardeal simpatizando-se comCamilo e informou-se da idoneidade do instituto, pediu as constituições e semdemora apresentou-se ao Papa Sisto V, com os documentos e advogou a causa danova Ordem. O cardeal admirou-se da sabedoria da regra, escrita por um homemsem cultura. Tanto elogiou e defendeu que foi nomeado protetor da obra.(BRANDÃO 1978, p.51) O Breve de 18 de maio de 1586 aprovou a nova Congregação Religiosa,concedendo aos ministros dos enfermos a licença de professarem os votos depobreza, castidade, obediência e o serviço aos enfermos, mesmo os empestados. OPadre Camilo fora eleito o primeiro superior. Em 1588, Camilo e mais seis companheiros fundaram uma comunidade emNápoles. Nesse mesmo ano ocorreu que algumas galeras, tinham a tripulaçãoinfectada pela peste e foram proibidas de atracarem no porto. Desse modo, osministros da saúde, novo nome atribuído a Camilo e seus companheiros emNápoles, subiram a bordo e lá davam assistência aos doentes. Numa dessasocasiões, dois dos seus membros morreram por causa da peste, sendo os primeirosmártires da caridade dessa instituição. O fundador demonstrou o mesmo espírito decaridade em Roma, quando uma febre provocada pela peste eliminou um grandenúmero de habitantes em outra época quando essa cidade foi visitada por umaviolenta carestia. Em 22 de setembro de 1591, o Papa Gregório XIV assinou uma bula queelevou a congregação à condição de Ordem Religiosa para o serviço perpétuo aosdoentes. No dia 15 do mês seguinte morre o Papa e os dois Pontífices que osucederam não admitiam a aprovação de novas Ordens. Fato esse da providência 15
  24. 24. que proporcionou a Camilo uma alegria imensa. Ele reuniu na capela todos osreligiosos e colocando sobre o altar o documento papal entre lágrimas rezou: Dou-vos graças, meu senhor, em nome de todos estes filhos, que formei pelas entranhasde vossa piedade, porque vos dignastes consolar-me inspirando ao Santo Padre onosso Papa Gregório, a estabilidade desta plantinha, cultivada não por mim, maspela vossa mão poderosa. (BRANDÃO 1978, p.63) Mais tarde em 1595 e 1601, alguns de seus religiosos foram enviados juntoàs tropas que estavam lutando na Hungria e na Croácia, formando assim a primeiraassistência ambulatorial junto às tropas militares de que se tem registro. A cruzvermelha só veio a ser criada por Henry Dunant em 1859, após ele ter assistido asangrenta Batalha de Solferino, que foi travada no norte da Itália, entre o exércitoimperial austríaco e as forças aliadas da França e da Sardenha e da qual resultaram40 mil vítimas mortais. Henry Dunant rapidamente reuniu mulheres das aldeias maispróximas para que prestassem auxílio humanitário às vítimas da guerra.(THURSTON; ATTWATER, 1989, p.173) O trabalho de caridade dos ministros dos enfermos destaca-se não apenas naassistência imediata aos enfermos, mas também no respeito e paciência junto aosdoentes. Certa vez estava o fundador servindo um doente no hospital do EspíritoSanto quando o Monsenhor e Comendador chefe da obra mandou chamá-lo, Camiloassim respondeu ao enviado: Diga ao Monsenhor, que estou ocupado com JesusCristo, e quando terminar esta obra de caridade estarei às ordens de sua excelência. Quanto a paciência essa era uma grande virtude de Camilo quando aingratidão era o seu cálice do dia dia. Para animar seus filhos espirituais napaciência para com os enfermos ele lhes dizia: Coragem vençam todas asingratidões e maus tratos dos enfermos! Eu mesmo já recebi socos, bofetadas einsultos de toda espécie. E me foram motivo de grande alegria... Os enfermos nãosó podem me dar ordens, como também me insultar. São meus verdadeiros elegítimos patrões. Outrora dizia: Servir ao doente é servir a Jesus Cristo e nãomerecemos tanta honra. op. cit., p.74-75 As regras para servir aos doentes de São Camilo constituem um verdadeiromanual de administração hospitalar. Ali se encontram normas e rotinas, ditadas pelasua intuição, que são recomendadas pela administração científica de hoje. A regraorienta que para ajudarem os que sofrem e, sobretudo os agonizantes é necessáriouma boa instrução e conhecimento das coisas espirituais. Desde a infância Camilo 16
  25. 25. teve grande devoção a Nossa Senhora. Aprendeu a amá-la com a mãe. Em 2 defevereiro de 1575, na festa da Purificação, ele pobre pecador se converte parasempre. Em 15 de agosto de 1582 em Madonnina dei Miracoli nasce a obraCamiliana. Na oitava da Natividade, os primeiros camilianos vestem o hábito e nafesta da Imaculada Conceição, 8 de dezembro de 1591, Camilo e vinte e cincocompanheiros pronunciam os votos solenes. Por esses acontecimentos NossaSenhora foi chamada Rainha dos Ministros dos Enfermos. Camilo teve cinco misericórdias, assim chamava as cinco fontes depadecimentos de sua vida heróica. A primeira misericórdia, era a chaga do pé queno espaço de quarenta anos lhe roia as carnes como se fosse um cancro, feria osmúsculos e tendões e tocava os ossos. Não produzia febre e nunca fechava. Asegunda misericórdia era uma hérnia inguinal que o fez sofrer durante trinta e oitoanos, e segundo o uso do tempo obrigaram-lhe os médicos a trazer uma cinta deferro incômoda. A terceira eram dois calos na planta dos pés, doloridos e enormesCamilo tinha a impressão de pisar sobre espinho. A quarta misericórdia eram asfreqüentes cólicas renais que sofreu durante dez anos e em 1606 o levaram àsportas da morte. A quinta misericórdia era uma falta de apetite permanente que o fezperder o gosto por todo alimento nos últimos meses de vida. E o homem quesegundo o testemunho dos médicos deveria ter passado longos anos de cama e sobtratamento, foi um prodígio de atividade e modelo dos enfermeiros. (BRANDÃO1978, p.86) O santo deixou a direção canônica da Ordem em 1607. Mas tomou parte nocapítulo geral de Roma, em 1613. Depois do capítulo geral, com o novo superiorgeral, visitava as casas, dando a todos as últimas exortações. Em Gênova, ficou doente beirando o fim; recuperou-se a ponto de poderconcluir as visitas aos hospitais, porém logo recaiu, sendo desenganado. Recebeu os últimos sacramentos das mãos do Cardeal Ginnasi, e ao recebera extrema-unção fez uma exortação comovente aos irmãos. Expirou em 14 de julho de 1614, aos sessenta e quatro anos de idade. Foi canonizado em 1746, sendo juntamente com São João de Deus declaradopadroeiro dos doentes pelo Papa Leão XIII, e das associações de enfermeiros e dosencarregados da enfermagem pelo Papa Pio XI. (THURSTON; ATTWATER, 1989,p.174 v. VII) 17
  26. 26. 3 SÃO LUIS GONZAGA São Luís Gonzaga nasceu em Castiglione, Itália, a 9 de março de 1586, filhoprimogênito de D. Fernando Gonzaga, príncipe do Império, e de D. Marta TanaSantena. A dinastia dos Gonzaga, uma das mais ilustres de toda a Itália, com domíniosde Mântua a Bréscia, e de Ferrara à fronteira da Lombardia, ao longo dos anosacumulara riquezas, altos cargos eclesiásticos e principados em sua aristocráticalinhagem. Fernando, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império,conhecera Marta na corte da Espanha, onde ela era dama da Rainha Isabel deFrança. Esta soberana, auxiliada por seu esposo, o grande Felipe II, estimando avirtude e as qualidades morais de Dona Marta, a escolhera para sua dama de honra.Se o Marquês tinha no sangue o espírito combativo e militar de seus ancestrais, aMarquesa completava o espírito guerreiro do marido com uma profunda piedade. ELuís recebeu a influência dos dois. (THURSTON; ATTWATER, 1989, p. 212) Desde muito pequeno, gostava de ouvir, falar e pensar em Deus. Teve assim,quase desde o berço, um dom muito elevado de oração. Unido a essa felizpropensão de seu caráter e à sua piedade precoce, podia-se perceber nele oespírito guerreiro do sangue ancestral. Assim é que o Marquês deu-lhe umapequena armadura, elmo, espadinha e um pequeno arcabuz de verdade quandotinha apenas quatro anos, que levou ao acampamento de Casalmaggiiore, ondedeveria passar em revista as tropas cerca de três mil soldados que estavam sendotreinados para a guerra do rei espanhol contra Túnis. Um dia Luís, disparando seuarcabuz, chamuscou o rosto. O pai então o proibiu de utilizar pólvora. Mas ele,travesso e valente, noutro dia, na hora do repouso após o almoço, conseguiuescapar à vigilância de seu tutor, aproximar-se de um canhão e acender-lhe o pavio.O acampamento todo foi despertado com o estrondo, e encontraram o pequenopríncipe estirado ao solo, vítima do coice que recebeu da possante arma. Luísgostava de estar junto aos tércios espanhóis tomava parte nas paradas marchandoà frente de um pelotão, com uma lança ao ombro imitando seu passo marcial. Nocontato com os soldados aprendeu o uso das armas e palavras de baixo calão quealguns deles falavam. Voltando para casa seu tutor chamou-lhe a atenção, dizendo-lhe que aquela linguagem não era somente vulgar, mas lamentavelmente blasfeme.Embora o menino de cinco anos não entendesse seu sentido, foi tomado de 18
  27. 27. vergonha e tristeza, chorou amargamente essa involuntária falta, que nunca deixoude lamentar como uma das mais graves de sua vida. E disse que a partir desseepisódio teve início sua conversão. loc. cit Desde então, essa criança começou um processo de sério afervoramentoespiritual. Segundo o parecer de outro Santo, São Roberto Belarmino, Doutor daIgreja e futuro confessor do primogênito do Marquês de Castiglione. Para SãoRoberto Belarmino: “na idade de sete anos é que Luís começou a conhecer mais aDeus, desprezar o mundo e empreender uma vida de perfeição. Ele mesmo comfreqüência me repetia que o sétimo ano de sua idade marcava a data da suaconversão”. id. Aos oito anos o pai levou-o com seu irmão Rodolfo à Florença, para viveremna corte do Grão-duque da Toscana Francisco de Médicis, afim de melhorar Rodolfoe Luís o latim e aprender a falar o italiano puro da Toscana, isso se deu em 1577.Obrigados pela etiqueta, deveriam aparecer com freqüência na corte grão-ducal. Elese via mergulhado no que descreveu como “uma sociedade da fraude, do punhal, doveneno e da mais luxúria”. Em decorrência disso despertou dentro de si um zelointenso pela virtude da castidade. Aumentou então seus atos de devoção àSantíssima Virgem, de tal modo que fez, aos nove anos de idade, voto de castidadeperpétua. Ibid., p. 212-213 Quando tinha 10 anos, numa ausência do pai, recebeu certo dia emCastiglione o Cardeal-Arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu. Esse ficouencantado com sua pureza e santidade, tendo declarado “que jamais encontrarajovem que em tal idade atingisse tão elevada perfeição”. Ele mesmo administrou-lhea Primeira Comunhão, aconselhando-o a praticar a comunhão freqüente e a leiturado Catecismo Romano. Após dois anos em Florença o pai os levou para a corte doduque de Mantua, que o havia nomeado recentemente como governador deMonserrate, em 1579, quando Luis estava com onze anos e oito meses. op. cit. Sua infância transcorreu de castelo em castelo, de corte em corte, de festaem festa, mantendo, contudo, sempre o coração ancorado em Deus. Provou, assim,que era perfeitamente possível cultivar a santidade em meio aos esplendores danobreza. Com efeito, aos 12 anos já atingira alta contemplação. Para isso lhe fora demuita ajuda um livro de São Pedro Canísio, apóstolo da Alemanha. A meditaçãocontínua tornou-se para ele quase uma segunda natureza e por isso tinha umdomínio total de si mesmo. Vivendo em plena época do Renascimento, estudou as 19
  28. 28. línguas clássicas, chegando a escrever elegantemente em latim. Foi nessa línguaque fez um discurso de saudação ao monarca espanhol Felipe II quando suas armasforam vitoriosas em Portugal. Espírito alerta, perspicaz e sério, triunfou facilmentenos estudos. Ele aliava nobreza, cultura, inteligência e a santidade. Como primeiro passo para uma futura atividade missionária, ele começou adar aulas de catecismo aos meninos pobres de Castilione, durante as férias deverão. Em Casale-Monferrato, onde passou o inverno, freqüentava as igrejas doscapuchinhos e barnabitas. Também praticou as austeridades de um monge,jejuando três dias na semana a pão e água, açoitando-se e se levantando à meia-noite para rezar ajoelhado sobre o pavimento de pedra de um quarto em que nãopermitia que se acendesse fogo, por mais rigoroso que fosse o inverno.(THURSTON; ATTWATER, 1989, p. 213) Em 1581, Dom Ferrante foi chamado para acompanhar a imperatriz Maria daÁustria em sua viagem da Boêmia à Espanha. Sua família o acompanhou, e aochegarem à Espanha, Luis e Rodolfo seu irmão foram designados para pajens deDom Diego, Príncipe das Astúrias. Embora servisse o príncipe e partilhando de seusestudos, Luis jamais omitiu ou reduziu suas devoções. Impôs-se a si mesmo a tarefadiária de fazer uma hora de meditação, sem distração, o que lhe exigia várias horasde concentração contínua. Na corte de um dos mais poderosos soberanos da Terra,afirma-se no coração de Luís o desejo de apartar-se do mundo e dedicar-setotalmente a Deus. Estava decidido a tornar-se jesuíta. Tendo cumprido já os 16anos, decidiu falar sobre isso com seu pai. O marquês, que encantado com asqualidades do filho sonhava com um brilhante futuro para ele e respondeu semrodeios um não e furioso ameaçou de mandar açoitá-lo. id. Para convencê-lo disso, enviou-o de volta à Itália, com missão junto a váriospríncipes. Esperava que, em meio aristocracia da Itália renascentista,desaparecesse no filho o desejo de fazer-se religioso. Luís cumpriu com tanto êxitoas várias tarefas, que o pai mais se firmou no desejo de tê-lo como seu sucessor. Mas, graças a interferência de amigos o marquês cedeu a ponto de dar-lhepermissão relutante e provisória, como príncipe do Sacro-Império, obtido apermissão do Imperador, pôde abdicar de todos seus direitos dinásticos em favor deseu irmão Rodolfo, e assim entrar no noviciado de Sant’Andrea da Companhia deJesus no dia 25 de novembro de 1585 em Roma, com 18 anos incompletos. Seismeses depois morre Dom Ferrante, a partir do momento que o filho o deixou para 20
  29. 29. ingressar nos jesuítas, seu pai, que levara uma vida muito voltada às coisas domundo, preparou-se tão bem para a morte, que atribuiu esses sentimentos àsorações do filho. O marques reformara a sua maneira de viver. Pouco depois do seufalecimento, Luís teve que ir a Castiglione resolver uma áspera disputa entre seuirmão Rodolfo e seu tio, a propósito de terras. Sua mãe, que o venerava muito, ecom sentimentos de verdadeira nobreza, recebeu-o de joelhos. (THURSTON;ATTWATER, 1989, p. 214) Dentro do noviciado jesuíta, Luís continuou a ser motivo de edificação paratodos. Por causa da saúde fraca seus superiores tiveram que moderar a seu fervorreligioso e pôr limites às suas grandes penitências: Para ele, era uma alegria sairpelas ruas de Roma, com um saco às costas, pedindo esmolas para o convento. Eratambém enviado a ajudar na cozinha e na limpeza da casa. Não sentia repugnânciaem fazer atos tão humildes, pois tinha diante dos olhos a Jesus Cristo humilhadopelos pecados dos homens, e a recompensa eterna que Ele dá àqueles que serebaixa por amor a Deus. Visitava os doentes e os encarcerados. Mesmo nessasocasiões, mantinha seu recolhimento em Deus e cumpria seus atos de devoção.Dizia que “aquele que não é homem de oração não chegará jamais a um alto graude santidade nem triunfará jamais sobre si mesmo; e toda a preguiça e falta demortificação que se vê em almas religiosas procedem da negligência na meditação,que é o meio mais curto e eficaz para se adquirir as virtudes”. Ficou proibido derezar ou meditar fora dos períodos estabelecidos. id. Uma de suas devoções especiais era a Via Sacra, a qual tornou-se objetocontínuo de suas meditações. Tinha também especial devoção à Virgem, aos SantosAnjos, especialmente a seu Anjo da Guarda, e escreveu um estudo sobre eles. OSantíssimo Sacramento era objeto de suas afeições. Passava horas diante dosacrário em adoração. Quando estava hospedado no colégio da Companhia, emMilão, teve a revelação de que em breve morreria. Em 1591, os jesuítas abriram um hospital em Roma, para cuidar dosempestados numa terrível epidemia, no qual o próprio geral e muitos membros daordem prestaram serviço. Luis foi incluído entre eles, e se encarregou de instruir eanimar os pacientes lavava-os, arrumava-lhes a cama e executava, com zelo, osofícios mais humildes do hospital. No contato com os empestados Luis contraiu dapeste e passou a sentir uma febre persistente que em três meses o reduziu a umestado de grande fraqueza. Em uma oração recebeu a premunição de que morreria 21
  30. 30. na oitava de Corpus Christi, nos dias subseqüentes ele recitava o Te Deum em açãode graças. Por volta da meia noite, entre 20 e 21 de junho de 1591, com os olhosfixos no crucifixo e com o nome de Jesus nos lábios morreu. Contava vinte e trêsanos e oito meses de idade. Suas relíquias repousam atualmente no altar da capelaLancellotti da Igreja de Santo Inácio em Roma. Luis foi canonizado em 1726.(THURSTON; ATTWATER, 1989, p. 215 v. VI)4 SÃO FRANCISCO DE SALES Os anos convulsionados na França, depois da Reforma Protestante séc XVI,formaram o pano de fundo da vida de Francisco de Sales. Ele nasceu no dia 21 de agosto de 1567no castelo de Sales, no reino daSabóia, situado entre a França, Itália e Suíça. Foi batizado com o nome de Francisco Boaventura. Teve como padroeiro desua vida Francisco de Assis. Sua mãe assumiu a sua educação ajudada pelo padre Diagi. Com oito anosentra para o colégio de Annecy, aos 14 anos seu pai o manda para a grandeUniversidade de Paris, antes estava na universidade de Navarro, para os filhos denobres. Aos 18 anos passa por uma terrível crise, a de ter perdido a graça de Deus,fez o pedido de estudar no Colégio de Clermont dos Jesuítas, em Paris. Destacou-se em retórica e filosofia e estudou com empenho teologia e com24 anos doutorou-se na Universidade de Pádua, em Direito Canônico e Civil. Seu pai esperava que ele se casasse e a noiva destinada a ele era umajovem herdeira, vizinha da família, mas para satisfazer o pai, tomou aulas deequitação, dança e esgrima. Fez voto perpétuo de castidade, e colocou-se sob aproteção de Maria. Seu pai era um homem de caráter forte e achava que seus filhos deviamconsiderar sua vontade expressa como coisa definitiva. Francisco foi indicado paraprepósito do capítulo de Genebra pelo Côn. Luís de Sales, e isso poderia abrandar aposição do pai. Ajudado por Claud de Granier, bispo de Genebra, mas sem consultarninguém da família, recorreu ao papa, de quem dependia a nomeação, e emseguida vieram às cartas de Roma instituindo Francisco preposto do capítulo. Elesurpreendeu-se, e só com relutância foi que aceitou a inesperada honra, esperando 22
  31. 31. com isso obter do pai consentimento para a sua ordenação. Francisco pôs a vesteeclesiástica no mesmo dia em que seu pai lhe deu consentimento, e seis mesesdepois, a 18 de dezembro de 1593, foi ordenado padre. Serviu os pobres com amor e zelo, e no confessionário dedicou-se aos maispobres e humildes com especial predileção. Seu estilo era tão simples que encantava os ouvintes, e mesmo sendo umerudito, evitava encher seus sermões de citações gregas e latinas. (THURSTON;ATTWATER, 1984, p. 248-249) Devido a hostilidades armadas e invasões do protestantismo, a situaçãoreligiosa do povo de Chablais, na orla Sul do lago de Genebra, ficou lamentável,assim o Duque de Sabóia solicitou ao bispo de Granier que enviasse missionáriosque fossem capazes de reconduzir seus súditos para a Igreja. O bispo fez uma primeira tentativa infrutífera e logo o padre foi forçado aretirar-se. Ciente da gravidade da tarefa, Luis oferece-se com essas palavras: Meusenhor, se me julgas capaz de cumprir, manda-me ir. Estou pronto para partir, eficaria feliz em ser escolhido. O bispo aceitou imediatamente. Mas seu pai considerava que aquilo era o mesmo que condenar Francisco àmorte. Ajoelhando-se aos pés do bispo, exclamou: Meu senhor, eu entreguei meufilho mais velho, esperança da minha casa, da minha velhice, da minha vida, paradedicar-se ao serviço da Igreja como confessor, mas não posso dá-lo para sermártir! O bispo tentou influenciar o pai que lhe respondeu: Eu não quero resistir avontade de Deus, mas não tenciono ser assassino de meu filho! Eu não possoconcordar com este risco de vida! Possa Deus fazer o que for do seu agrado, masem relação a este empreendimento, nunca haverá sanção de minha parte! Assim Francisco teve a decepção de iniciar o seu trabalho sem a benção doseu pai. Era 14 de setembro de 1594, dia da Santa Cruz, quando viajando a pé eacompanhado apenas de seu primo, o Côn. Luís de Sales, partiram parareconquistar Chablais. Ficaram hospedados no castelo de Allinges, a seis ou setemilhas de Thonom, onde deviam retornar todas as noites, pois ali o governador daprovíncia havia se estabelecido com a guarnição. Em Thonom, o que restou da população católica eram 20 indivíduosdispersos, e muito amedrontados com a violência para se declararem abertamente. A esses Francisco exortou a terem coragem e perseverança. 23
  32. 32. Os missionários pregavam diariamente em Thonom, estendendo-segradualmente aos povoados vizinhos da região. A volta para Allinges era perigosa eainda o inverno. Francisco converteu uma família de calvinistas que lhe prestousocorro, quando numa noite voltando para Allinges, escapou do ataque de lobospassando a noite sobre uma árvore. No dia seguinte essa família o acolheu eprestou socorro em sua choupana, reanimando-o com comida e aquecimento, aoagradecer o visitante falou palavras de esclarecimento e caridade levando todosposteriormente a conversão. (THURSTON; ATTWATER, 1984, p. 250 v. I) Seu pai continuamente enviava-lhe cartas ora ordenando, ora implorando pelasua volta. E o filho respondia que sem a aceitação do bispo ele não tinha direito delargar seu posto. Francisco em meio a tantas dificuldades escreveu: “Nós estamosapenas começando. Vou prosseguir com toda coragem, e espero em Deus contratoda esperança humana”. id. Procurando novos meios de atingir o coração e a mente do povo, começou aescrever, em cada momento livre, folhetos que copiados a mão expunha oensinamento da Igreja em oposição aos erros do Calvinismo. Os seus escritos dessaépoca foram publicados com o título Controvérsias e a Defesa do Estandarte daSanta Cruz. Os folhetos silenciosamente faziam o seu trabalho e as conversõestornaram-se cada vez mais freqüentes com os católicos procurando a reconciliaçãocom a Igreja. Ao finalizar o seu apostolado de missionário, ele tinha persuadidocerca de 72 mil Calvinistas a voltar para a Igreja Católica. Após quatro anos o bispo de Granier em visita a missão, onde foi bemacolhido e pode administrar a confirmação. A fé e o culto foram restabelecidos naprovíncia e Francisco recebeu o nome de apóstolo de Chablais. Dom Granier oconvidou para seu auxiliar e sucessor. Foi para Roma, onde o papa Clemente VIII,desejava que ele fosse examinado em sua presença. Reuniu-se uma assembléiaque se fizeram presentes além do papa, Barônio, Belarmino, o Cardeal FredericoBorromeu, primo do São Carlos Borromeu, e outros sábios teólogos e homens degrande inteligência. Sua nomeação foi confirmada e ele foi ordenado bispo de Genebra em 1602,mas residia em Annecy (agora situada na França), já que Genebra estava sob odomínio dos Calvinistas e ficou fechada para ele. Gozava de favores do rei HenriqueIV. id. 24
  33. 33. Sua diocese tornou-se conhecida na Europa por motivo de sua organizaçãoeficiente, seu clero zeloso e os leigos bem esclarecidos. A sua fama, como diretorespiritual e escritor aumentaram. Convenceram-no que se reunisse, organizasse eexpandisse suas muitas cartas sobre assuntos espirituais e as publicasse. E foi oque ele fez em 1609, com o título Introdução à Vida Devota. Essa se tornou a suaobra mais famosa e, ainda hoje, é uma obra clássica que se encontra nas livrariasno mundo inteiro. Mas o seu projeto especial foi o escrito do Tratado do Amor deDeus, fruto de anos de oração e trabalho que continua sendo publicado hoje. Elequeria escrever também uma obra paralela ao Tratado, ou seja, sobre o amor aopróximo, mas a sua morte no dia 28 de dezembro de 1622, aos 55 anos de idade, oimpossibilitou. Além das obras mencionadas acima, suas cartas, pregações epalestras ocupam cerca de 30 volumes. O valor permanente e a popularidade dosseus escritos levaram a Igreja a conceder-lhe o título de Padroeiro de EscritoresCatólicos. (THURSTON; ATTWATER, 1984, p. 251-252 v. I) Francisco aceitou em sua casa um jovem com dificuldade de audição e criouuma linguagem de símbolos para possibilitar a comunicação. Essa obra de caridadeconduziu a Igreja a dar-lhe um outro título, ou seja, o de Padroeiro dos de DifícilAudição. http://oblatosamlat.cybermeme.net/intpg2.html (11/09/2004) Ele colaborou com Santa Francisca de Chantal na fundação da ordemreligiosa das Irmãs da Visitação de Santa Maria, conhecidas pela simplicidade dasua regra e tradições e por sua abertura especial a viúvas. Uns 250 anos mais tarde,através da persistência de uma dessas irmãs, a Madre Maria de Sales Chappuis,que um sacerdote de Troyes, na França, Luís Brisson, fundou os Oblatos de SãoFrancisco de Sales, uma comunidade de sacerdotes e irmãos, dedicados à vida edivulgação do espírito e dos ensinamentos de São Francisco de Sales. PadreBrisson fundou também uma comunidade de irmãs com o mesmo nome, Oblatas deSão Francisco de Sales. id. O espírito e a fama de Francisco e a influência dos seus escritos seestenderam rapidamente depois de sua morte. A Igreja o declarou santoformalmente em 1665 e deu-lhe o título excepcional de Doutor da Igreja em 1867.Sua festa a Igreja celebra no dia 24 de janeiro. (THURSTON; ATTWATER, 1984, p.251-252 v. I) 25
  34. 34. 5 SÃO JOSÉ DE CALAZANS Nasceu no Castelo de seu pai em Peralta de la Sal, diocese de Urgel, emAragão, Espanha, no ano de 1557(56), filho do casal Pedro Calasanz e MariaGaston. Aprendeu a ler e escrever com um tutor, e ao completar 11 anos, seus pais oenviaram para estudar humanidades em Estadilha, com os padres trinitários, ondepermaneceu até os 14 anos. Continuou seus estudos na Universidade de Lérida, onde iniciou o seucaminho de vida eclesiástica. Recebeu a tonsura no dia 17 de abril de 1575, dasmãos do Bispo de Urgel, na Igreja de Santo Cristo de Almatá, em Balaguer. Aos 21anos doutorou-se em direito em Lérida. Estudou Teologia em Valência, lá foi contratado como secretário de umamulher da nobreza que quis induzi-lo a pecar com ela, assim resolveu terminar seusestudos de Teologia em Alcalá. Os 42 anos de reinado de Felipe II, não foram para a Espanha um tempo depaz. Pedro, o irmão mais velho de José, partiu para a guerra foi assassinado pelosrebeldes em 1579. José terminara o segundo ano de Teologia e retornou a Peralta e passou umano completo lá. A morte do irmão herdeiro do sobrenome e de todos os bensmudou os planos do pai que quis dissuadir José a abandonar a vocação sacerdotalpara fundar uma família. Pouco depois a morte do primogênito, morre a mãe. Após esses acontecimentos e a pressão do pai para que o único filho homemque restara na família levasse adiante o seu sobrenome, deixaram José gravementedoente. E o pai nessa ocasião fez uma promessa a Nossa Senhora, de que se ofilho restabelecesse a saúde poderia ser padre com a sua benção. E isso se deu nodia 17 de outubro de 1582, quando José recebeu as ordens menores e recebeutambém o subdiaconato em Huesca pelas mãos do Bispo Dom Pedro Frago. Efinalmente no dia 17 de dezembro de 1583, foi ordenado sacerdote pelo seu BispoFrei Hugo Ambrosio de Moncada. Em 1585, José fazia parte dos Familiares, homensde confiança do Bispo dominicano de Barbastro, Frei Felipe de Urries.(TELLECHEA, 1996, p.3-8) 26
  35. 35. José foi, secretário e Familiar do Bispo de Lérida, Dom Gaspar João daFigueira, em Monzon, perto de Peralta. O Bispo fora nomeado visitador apostólico do Mosteiro de Montserrat e no dia28 de outubro de 1585 ele chegou ao mosteiro com sua comitiva, do qual fazia parteJosé de Calazans. No dia 13 de fevereiro de 1586, o Bispo visitador foi assassinadoem Montserrat, José volta para casa com o intuito de cuidar de seu pai, e ficou juntodele até o dia de sua morte, no início de 1597. No dia 12 de fevereiro de 1587, José assume o cargo de secretário doCabido, corporação dos cônegos da catedral de Urgel e mestre de cerimônias. Nestemomento Urgel estava sem Bispo. No dia 12 de novembro de 1588, foi nomeado pároco de Claverol e Ortoneda,duas aldeias perdidas entre as montanhas. No dia 28 de junho de 1589, foi nomeado assistente eclesiástico de Tremp, oqual lhe possibilitou conhecer melhor a índole do povo. Sua vocação de educador foi sugerida pelo cônego Pedro Gervás, que juntocom o Bispo de Urgel, queriam fundar colégios, dirigidos por religiosos. José emvista disso parte para Roma passando por Barcelona. O objetivo é conseguir ocanonicato, mas ficando a serviço da diocese. De Barcelona parte de navio para Itália, desembarca em Civita Vecchia,concluindo sua viagem a pé como peregrino. Chega a Roma por volta de fevereiro de 1592, levando às congregaçõesromanas, cartas de recomendação do seu Bispo. Foi morar no Palácio do CardealMarcantonio Colona que lhe confiou a educação dos seus sobrinhos, príncipesMarcantonio e Felipo. Perto do Palácio Colona, estava a Igreja dos doze apóstolos,cuja confraria tinha por objetivo socorrer pobres e doentes. José inscreveu-se nessaconfraria a passou a ajudar pobres e doentes. Em 1596(95), houve uma epidemia que assolou Roma. José destacou-se noserviço dos enfermos na administração dos últimos sacramentos, e a ajudar enterraros mortos, sem perder de vista o desejo de instrução das crianças. A peste agravou-se, gerando uma multidão de órfãos, viúvos e viúvas, e as crianças semacompanhamento, tornando-se marginais. José conclui que a única maneira dereverter essa situação seria através da educação e assim busca ajuda para taltarefa. (TELLECHEA, 1996, p.8-15) 27
  36. 36. José procurou ajuda junto ao Capitólio romano, sede das autoridadesmunicipais de Roma, não conseguiu o que esperava, tenta então ajuda junto aosjesuítas e aos dominicanos que tinham colégios, mas nenhum dos dois quiseram seenvolver com escolas populares. Em abril de 1597, Calasanz se encontrou com o pároco de Santa Dorotéia opadre Antonio Brandini e descobriu que anexa a essa Igreja, havia uma escolaparoquial que acolhia crianças que pagavam e outras gratuitamente. Teve então aidéia de um projeto educativo, uma escola onde pudesse estudar gratuitamentesomente as crianças pobres, e ele se encarregaria de arcar com as despesas. Vieram muitas crianças, a metodologia consistia em além do catecismo,esses aprendiam a ler, escrever, gramática e aritmética. Isto se deu em 1597. Assimnasceu a primeira escola popular gratuita, nasciam as escolas pias. No ano de 1598 houve uma enchente no rio Tiber que atingiu a Igreja deSanta Dorotéia e a escola, o número dos meninos, vindos dos os bairros da cidadeque crescia. Duas salas estavam ocupadas e José já tinha alugado uma casavizinha para escola. Em 1600, com a morte do padre Brandini, José toma a decisão de mudar-seao centro da cidade, pois estavam com um número de 500, meninos. Em 1601, mudou-se para o Palácio Vestri. Em 1602, Calasanz reuniu os seus companheiros em uma associaçãoreligiosa que denominaram de Congregação das Escolas Pias. Nessas escolastrabalhavam professores assalariados. Calasanz com freqüência acompanhava as crianças até suas casas, logoapós as aulas. O papa Clemente VIII tendo ouvido falar dessa obra de caridade, enviou doiscardeais para visitá-la. O relatório dos cardeais foi tão positivo que o paparesponsabilizou-se pelo aluguel do palácio até a sua morte. E também deu ajudasque permitiram manter a instituição, graças a essa ajuda o número dos alunoschegou a passar de 700. Com tantos alunos José resolveu instalar um sino paraanunciar o início e o término das aulas, e sofreu um acidente onde quebrou umaperna, que o deixou defeituoso para o resto de sua vida. (TELLECHEA 1996 p. 16-27) 28
  37. 37. Em 1605, a escola mudou-se para a casa que pertencia a Otávio Mannini, nafrente da Igreja de São Pantaleão, nesse novo estabelecimento acolheram mais de700 crianças. Para tentar suprir as dívidas instalaram à frente do Palácio uma caixa paracoletas que comprovou a generosidade e a aceitação da escola nesse novo local. No início de 1612, compraram, com a ajuda de Cardeais, um outro edifíciopróximo da Igreja de São Pantaleão, que o Papa Paulo V confiou aos padresescolápios e sugeriu que a nova casa recebesse o nome de São Pantaleão, nessacasa São José viveu mais 36 anos. Em 1617, surgiu na Igreja, a Congregação Paulina dos Pobres da Mãe deDeus das Escolas Pias. No dia 25 de março o cardeal Giustiniani presidiu acerimônia na qual os primeiros escolápios vestiram o hábito religioso. Em 1619, os Cardeais utilizaram a casa dos escolápios como alojamento,entre esses o cardeal Alexandre Ludovisi que posteriormente foi eleito PapaGregório XV, a quem José solicitou a aprovação das constituições e a elevação daCongregação a Ordem Religiosa. José levou três meses para redigir as constituiçõese no dia 18 de novembro de 1621 as Escolas Pias obtiveram o título de OrdemReligiosa. (TELLECHEA 1996 p. 28-31) Os escolápios estenderam-se para Nápoles e Sicília, com professores,noviços, padres tendo como superior padre Alacchi, que tinha plenos poderes parafundar novas casas, de Nápoles a Santiago de Compostela, foram barrados apenasem Veneza por uma epidemia de peste. Thomas Campanella, amigo de Calasanz, era filósofo acusado de rebelde eherege, ficou hospedado na casa de Frascati e a pedido de José ministrou filosofiaaos congregados enquanto esteve lá. Em 1630, os escolápios estabeleceram-se em Florença, o superior foi o padreFrancisco Castelli, que estava acompanhado pelos padres Michelini e Seltimi,amigos e discípulos de Galileu Galilei. Calasanz via com bons olhos o relacionamento de seus congregados com ossábios florentinos, apesar dos processos e condenações que Galileu sofria do santoofício. Essa comunidade de Florença acolheu alunos de Galileu e padres cultos. Foi admitido um sacerdote de meia idade não muito culto de nome MarioSozzi, que a seu tempo fez a profissão. Durante anos esse demonstrou uma conduta 29
  38. 38. obstinada e perversa, sendo um incômodo para os irmãos, mas conquistouinfluencia e boa reputação junto ao Santo Ofício e ao Tribunal da Santa Inquisição. Em 1639, conseguiu para si a nomeação provincial dos clérigos regulares dasescolas pias da Toscana, com poderes extraordinários e independência em relaçãoao superior geral. Dirigiu a província como quis e prejudicou como pode a reputaçãode São José, junto às autoridades romanas e por fim o denunciou junto ao SantoOfício. O Papa Urbano VIII, enraivecido ordenou que José fosse preso. O CardealCesarini, como protetor da Instituição e querendo defender a José, ordenou que osdocumentos e cartas do padre Mário fossem apreendidas, Os mesmos envolviamalguns documentos do Santo Ofício. Monsenhor Albizzi, executa a prisão de Calasanz e seus companheiros,exigindo que Calasanz entregasse os documentos que supostamente foramroubados do padre Sozzi, por ocasião da investigação ordenada por Cesarini. Calasanz nada sabia e o Cardeal interveio em favor dos caluniados que foraminocentados. (TELLECHEA 1996 p. 35-38) Padre Mário ficou ileso e continuou a tramar para conseguir controle de toda ainstituição, apresentou José como idoso e incapaz para essa responsabilidade. Conseguiu através de artifícios afastá-lo do cargo e maquinou para que fossedesignado um visitador apostólico favorável às suas próprias intenções. Essevisitador e padre Mário apoderaram-se do supremo comando da instituição e Josésubmetido ao tratamento mais humilhante, insultuoso e injusto, enquanto a ordemera reduzida a uma confusão e uma impotência total. No final de 1643, Mário veio a falecer, sendo substituído pelo padre Cherubini,que continuou com a mesma política e José suportou com paciência e insistia que aordem obedecesse aos seus perseguidores, pois eles eram de fato autoridades. Atémesmo defendeu Cherubini contra uma oposição violenta desencadeada por algunssacerdotes jovens indignados com a traição. THURSTON; ATTWATER, (1992, p.234) Foi nomeado um representante do Papa para fiscalizar a Ordem. O resultadofoi um decreto assinado em 16 de março de 1646 pelo Papa Inocêncio X, reduzindoa Ordem a Congregação de votos simples, sujeita ao Bispo diocesano. op. cit. 30
  39. 39. Em julho de 1648, Calasanz sofreu um outro acidente. Tropeçou em frente aoPalácio dos Medicis, machucou o pé e como a ferida não curava ficouimpossibilitado de sair de casa. Padre Cherubini ficou encarregado de redigir as novas constituições, porémdentro de alguns meses ele fora acusado pelos auditores da Rota de máadministração do colégio Nazareno,do qual era reitor. Ele se afastou e caiu nadesgraça, mas no ano seguinte antes de morrer se reconciliou com José deCalasanz, que o confortou em seus últimos momentos. Algum mês mais tarde, em 25 de agosto de 1648, faleceu o próprio José,sendo enterrado na Igreja de São Pantaleão. Ele estava com 92 anos e foicanonizado em 1767. O fracasso da Instituição de Calasanz foi apenas aparente, sendo elareconstituída por votos simples em 1656 e restaurada como Ordem religiosa em1669. (THURSTON; ATTWATER, 1992, p. 235 v. VIII) Atualmente, os Clérigos Regulares das Escolas Pias, comumente conhecidospor Piaristas ou Escolápios estão em várias partes do mundo como: Ásia, África, nasAméricas do Norte, Central e do Sul e na Europa.6 SÃO VICENTE DE PAULO Natural de Pony, aldeia próxima a Dax, na Gasconha, França. Seus pais João de Paulo e Beltrana de Moras proprietários de um pequenosítio. Entre seis filhos Vicente era o terceiro de quatro meninos. (IBÁÑEZ, p. 38) O pai reconhecendo a vivacidade de Vicente e sua inteligência coloca-o aoscuidados dos franciscanos reclusos, em Dax. Vicente conclui seus estudos naUniversidade de Tolosa, e no dia 23 de setembro de 1600 é ordenado sacerdote aos20 anos, pelo bispo de Perigeux, Francisco de Bourdeilles, na capela de sua casa decampo, hoje Château L’Evêque. Em 1608 entra pela primeira vez em Paris e mora com um amigo.No ano de 1609 é acusado de roubar 400 escudos por esse seu amigo. Essemagistrado persegue-o juridicamente, exigindo da autoridade eclesiástica quepublicasse contra Vicente, uma monitória que era um mandato da autoridadeeclesiástica, por solicitação de um juiz leigo, para que, sob pena de excomunhão, semanifestasse àquele que, soubesse de determinado fato, geralmente de 31
  40. 40. determinado crime (...). As monitórias eram lidas pelos párocos no momento daprédica da missa dominical por três domingos consecutivos. Vicente foi caluniadodurante seis meses até que o verdadeiro ladrão confessou o roubo. (IBÁÑEZ, p,41) Ele foi em 1610, nomeado capelão da rainha Margarida, esposa repudiada deHenrique IV. Cargo de baixa rentabilidade e de nenhum prestígio social em Valoi.Ibid., p. 42 Em 1612, foi nomeado ministro paroquial pela primeira vez em lichy, depoisde ter decidido não entrar na nova comunidade do Oratório de São Felipe Néri. Em Paris, Vicente adquiriu conhecimento com o sacerdote Pedro de Berulle,superior da ordem do Oratório, mais tarde, Cardeal que tinha grande estima porVicente e que solicitou em 1613 que ele fosse tutor dos filhos de Felipi de Gondi,conde de Joigny onde ficou até 1617. A senhora de o Gondi escolheu como seudiretor espiritual e confessor. Ibid., p. 43 Em 1617, no interior de Folleville, Vicente ao atender a confissão de umcamponês, percebeu quanto necessária se fazia a instrução das pessoas comrelação a esse sacramento, viu o estado espiritual deplorável em que seencontravam as pessoas no interior da França. A senhora de Gondi insistiu aVicente que pregasse na Igreja de Folleville e que desse uma instrução completa aopovo sobre a obrigação de arrepender-se e de confessar os pecados. Após essacatequese, inúmeras pessoas vieram ao seu encontro, ao ponto que ele teve quesolicitar ajuda dos Jesuítas de Amiens para atender as confissões. (THURSTON;ATTWATER, 1989, p.181) Auxiliado pelo padre Berulle, Vicente aos 38 anos deixa a residência dacondessa, em 1617 descobre que somente os pobres é que poderão traçar-lhe ocaminho para encontrar a Deus. Tornar-se pároco em Châtillon-les-Dombes, numaparóquia em situação de miséria. Ali converteu o conde Rougemont e outros. No dia 23 de agosto de 1617, Vicente de Paulo reúne as pessoas maiscomprometidas da paróquia na ação caritativa e funda a primeira Confraria daCaridade ou Conferência Vicentina, que quer dizer, uma organização cristã leiga,sensível a todas as misérias dos pobres, e comprometida através de esforços pararemedia-las. (IBÁÑEZ, p. 53) Voltou a Paris, para exercer seu apostolado junto às galeras que estavamconfinadas na Conciergerie. Foi designado oficialmente capelão da penitenciária, da 32
  41. 41. qual o conde de Gondi era general, nesse lugar em 1622 pregou missão para oscondenados. A senhora de Gondi persuadiu o marido a cooperar com ela na organizaçãode uma associação de missionários bem formados e zelosos, para dar assistênciaaos vassalos e arrendatários no condado e aos habitantes do interior, em geral.Apresentaram esse plano a seu irmão, que era arcebispo de Paris, e o mesmodestinou o Collége de Bons Enfants, para abrigar a nova comunidade. Os membrosdesta deveriam renunciar aos cargos eclesiásticos, dedicar-se às cidades menores eas aldeias, e a se sustentarem de um fundo comum. São Vicente tomou possedessa em abril de 1625. (THURSTON; ATTWATER, 1989, p.182) Em 1633, o prior dos cônegos regulares de São Vitor, doou à Instituição oconvento de São Lázaro, que foi transformado na casa mãe da Congregação. Combase nesse nome, os padres da missão são conhecidos como lazaristas, porém asvezes como vicentinos, segundo o seu fundador. id. Formaram uma Congregação de padres seculares, que se submetem aquatro votos simples: pobreza, castidade, obediência e estabilidade. Dedicam-se amissões, principalmente à população do campo. Atualmente, possuem colégios emissões em todas as partes do mundo. Vicente em vida assistiu à fundação de vintee seis casas instaladas na França, no Piemonte, na Polônia e em outras partes,inclusive em Madagascar. id. Ainda em 29 de novembro de 1633 Vicente de Paulo e Luísa de Marillacfundaram a Companhia das Filhas da Caridade. (IBÁÑEZ, p. 53) Vicente buscava o alívio dos seus semelhantes em qualquer necessidade,tanto espirituais como materiais. Assim organizou a primeira instituição de caridadeem Chântillon, para dar assistência as pessoas pobres e enfermas de cada paróquiae dessas instituições, com a ajuda de Santa Luiza de Marillac, surgiu a Instituiçãodas Irmãs de Caridade, cujo convento é o quarto do doente, sua capela a Igrejaparoquial, seu claustro as ruas da cidade. Essas Instituições de caridade eram mantidas pelas senhoras ricas de Paris,que Vicente organizou com o nome de Damas da Caridade, com a finalidade decoletar fundos para dar assistência às suas obras. Conseguiu a fundação e a direção de diversos hospitais para enfermo,crianças abandonadas e idosas e em Marselha o hospital dos sentenciados. Todas 33
  42. 42. essas instituições ele organizou sob uma regulamentação comum. (THURSTON;ATTWATER, 1989, p.183) Fez um esquema especial de exercícios espirituais para os que estavam parareceber as ordens sacras e um outro tipo para os que desejavam fazer umaconfissão geral. Prescreveu conferências eclesiásticas regulares sobre os deveresdo estado clerical, com a intenção de sanar o relaxamento e abuso s que via ao seuredor. id. Durante as guerras da Lorena, Vicente arrecadou esmolas em Paris paraajudar as vítimas da guerra. Enviou seus missionários aos pobres e doentes daPolônia, Irlanda, Escócia, até as ilhas Hébridas e durante a sua vida, mais de 1 mil eduzentos escravos cristãos foram libertados no norte da África. Foi chamado paraatender o rei Luiz XIII, quando estava a morte, e contava com os favores da rainharegente, Ana da Áustria. A seu intermédio em 1652 as freiras beneditinas inglesasde Ghent receberam permissão para abrir uma casa em Boulogne., id. Vicente pretendia que a humildade fosse a marca da sua congregação e essalição ele não cansava de repetir. Certa vez, apresentaram-se a ele dois candidatoscom uma vasta formação intelectual, ele recusou a ambos dizendo: “Vossasaptidões vos elevam acima de nossa condição. Vossos talentos podem ser úteis emalgum outro lugar. Nossa maior ambição é ensinar aos ignorantes, levar ospecadores ao arrependimento e semear o espírito do Evangelho da Caridade, dahumildade, da mansidão e da simplicidade nos corações dos cristãos”. E sustentava que uma pessoa, dentro do possível, nunca deveria falar de simesma ou de seus próprios problemas. Tal procedimento provinha do coração quealimentava o orgulho e o amor próprio. Ibid., p.184 Preocupou-se com o surto e a proliferação da heresia jansenista e se opôsativamente aos falsos mestres, e não permitia que ficasse na congregaçãosacerdote que professassem suas próprias doutrinas. No fim de sua vida sofreu graves enfermidades. Faleceu no outono de 1660,no dia 27 de setembro, sentado e sua cadeira com oitenta anos. id.7 IRMÃOS CAVANIS A família Cavanis fazia parte da ordem dos secretários da República deVeneza. 34

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