História em Quadrinhos HQ's - Eduardo Borile Junior

3,374 views

Published on

Trabalho realizado no curso de COMUNICAÇÂO SOCIAL - JORNALISMO, no primeiro semestre do ano de 2011, em parceria com GISELE DE OLIVEIRA NOZARI, JENNIFER BAUER EME, LUÍSA BIONDO, MAÍRA SPRICIGO MORAES e NATÁLIA SUSIN CECHINATO para a Disciplina INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO SOCIAL, ministrada pelo professor Marcelo Wasserman, da Universidade de Caxias do Sul

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
3,374
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
243
Actions
Shares
0
Downloads
1
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

História em Quadrinhos HQ's - Eduardo Borile Junior

  1. 1. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL CENTRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃOCURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO EDUARDO BORILE JUNIOR GISELE DE OLIVEIRA NOZARI JENNIFER BAUER EME LUÍSA BIONDO MAÍRA SPRICIGO MORAES NATÁLIA SUSIN CECHINATO AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS Trabalho realizado para a disciplina “Introdução a Comunicação Social”. Prof. Marcelo Wasserman Caxias do Sul, Julho de 2011.
  2. 2. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS .......................................................................... 5As HQs no mundo ................................................................................................... 5As HQs no Brasil ..................................................................................................... 7As HQs norte-americanas ....................................................................................... 8Os grandes heróis.................................................................................................. 13Ideologia ................................................................................................................ 20Maniqueísmo .......................................................................................................... 22Mafalda ................................................................................................................... 23Charlie Brown......................................................................................................... 26CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 30REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 32ANEXOS .................................................................................................................. 34
  3. 3. 3INTRODUÇÃO “As Histórias em Quadrinhos, como todas as formas de arte, fazem parte docontexto histórico e social que as cercam. Elas não surgem isoladas e isentas deinfluências. Na verdade, as ideologias e o momento político moldam, de maneiradecisiva, até mesmo o mais descompromissado dos gibis. (...)” Joatan Preis Dutra Em algum momento da vida, o ser humano fica frente a frente com umdaqueles coloridos livros, compostos de desenhos simples e falas óbvias. Se ainda écriança, aqueles símbolos dentro de balões e quadrados passariam pordespercebido, e o que lhe interessa são apenas os desenhos. Com o passar dotempo, aqueles “rabiscos misteriosos” recebem um sentido e aprendemos que ashistórias em quadrinhos (HQs) são muito mais do que desenhos e falas. As HQsrompem o limite da arte e transmitem uma ideologia que forma opiniões no mesmoritmo que soma fãs. A melhor definição para História em Quadrinhos está em sua própriadenominação: um ato contado em quadros. Por essas figuras geométricas passaramheróis, históricos vilões e magníficos enredos que posteriormente serviram deinspiração para filmes.
  4. 4. 4 Talvez seja exagero dizer que as HQs surgiram na pré-história, mas éinegável ignorar que o desenho é uma das formas mais primitivas de expressão dohomem. Com a ausência da escrita, tornou-se mais fácil reproduzir o que seobservava: as experiências de vida, os diferentes animais, as florestas. Essa formade expressão, tatuada nas paredes, serviu de base para as culturas egípcias, ondeas pinturas retratavam as aventuras dos deuses da mitologia. Milênios depois, com aorigem da escrita e a ascensão do papel, essas histórias encontraram o habitatperfeito para se estabelecer e evoluir, até o livro que chega as nossas mãos, hoje.
  5. 5. 5 AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS As HQs no mundo As histórias em quadrinhos modernas nasceram da disputa entre doisgrandes jornais norte-americanos de Nova York, no final do século 19. Em 1894, oseditores do The New York World acharam que elas poderiam ajudar a vender maisjornal e decidiram publicar, pela primeira vez em cores, uma página inteira comhistórias em quadrinhos. Dois anos depois, em 1896, o jornal concorrente, o MorningJournal, passou a publicar um suplemento semanal com 8 páginas. Esses doisjornais deram o pontapé inicial às histórias em quadrinhos, como as conhecemoshoje. Foi a partir de então, que a narrativa foi colocada dentro do balão, e opersonagem principal e seus companheiros passaram a ter vidas próprias. Mas se as HQs modernas surgiram somente no final do século 19, a “pré-história” delas começou muito antes. Na verdade, as HQs estão diretamentevinculadas à história da imprensa, ou seja, ao desenvolvimento da arte e da técnicade reproduzir textos e imagens em papel. Por volta de 1550, elas tinham pouco texto e imagem e contavam a históriados santos e dos mártires da igreja Cristã. Devido a esta finalidade religiosa,
  6. 6. 6também se imprimiam pequenas histórias para falar sobre religião e o amor de Deus.Tratava-se de histórias com algumas figuras impressas numa única página e umanarrativa bem fácil, com pouco texto, palavras simples, pois o alvo eram leitores quemal sabiam ler ou que tinham acabado de aprender a ler. Os ingleses foram um dos primeiros a perceber que esse tipo de história compouco texto e imagens podia servir para as crianças. Começaram, então, a colocarem seus jornais grandes ilustrações com pequenos textos dirigidos aos pais. A revistinha tal como a conhecemos hoje foi inventada em 1933. Era um tipode livro com uma encadernação muito barata, presa por grampos, e foi inicialmentedistribuída como brinde. Depois passou a ser vendida à preço baixo, fácil de ler e deacompanhar, inspirada em personagens populares. O crack da Bolsa de Valores em 1939 foi um ponto importante da história emquadrinhos, e na década de 30 nasceu grande parte dos personagens ainda vivosno imaginário popular. Com a famosa Golden Age – Era de Ouro, nas primeirashistórias, os Quadrinhos eram essencialmente humorísticos, e essa é a explicaçãopara o nome que elas carregam até hoje: comics (cômicos). O primeiro heróiuniformizado foi Fantasma (Anexo 1), escrito por Lee Falk e desenhado por RayMoore. Na década de 40, o campo evoluiu, expandindo suas fronteiras e tornando-separte da cultura de massa. Foi nessa época que vários personagens se alistaram eforam para a II Guerra Mundial, e os Quadrinhos se tornaram armas ideológicaspara elevar o moral dos soldados e do povo. Nos anos 1960, começou a Silver Age – Era de Prata, dos Quadrinhos. Nasdécadas de 60, 70 e 80, surgem os Flistones (Anexo 2) , de Hanna e Barbera, osurgimento do fenômeno Walt Disney e as primeiras revistinhas da Turma da Mônica(Anexo 3), de Maurício de Souza, assim como os Tundercats e He-Man, quetrocaram a televisão pelo gibi. A década de 90, não apresentou grandes lançamentos. Houve renovação depersonagens e histórias que ressurgiram para agradar os fãs. Foi nesse período que
  7. 7. 7os Quadrinhos invadiram a televisão. Primeiramente como desenho animado, edepois no cinema. As HQs no Brasil No Brasil, as HQs surgiram adotando um estilo satírico conhecido comocartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabeleceria com aspopulares tiras. A publicação de revistas próprias de histórias equadrinhos no Brasil começou no início do século XX. Mas, apesar do país contarcom grandes artistas durante a história, a influência estrangeira sempre foi muitogrande nessa área, com o mercado editorial dominado pelas publicações dequadrinhos americanos, europeus e japoneses. Atualmente, o estilo comicsdos super-heróis americanos é predominante, mas vem perdendo espaço para umaexpansão muito rápida dos quadrinhos japoneses (conhecidos como Mangá).Artistas brasileiros têm trabalhado com ambos os estilos. No caso dos comics algunsjá conquistaram fama internacional (como Roger Cruz que desenhou X-Men e MikeDeodato que desenhou Thor, Mulher Maravilha (Anexo 4) e outros). A única vertente dos quadrinhos da qual se pode dizer que se desenvolveuum conjunto de características profundamente nacional é a tira. Apesar de não seroriginária do Brasil, no país ela desenvolveu características diferenciadas. Sob ainfluência da rebeldia contra a ditadura durante os anos 1960 e mais tarde degrandes nomes dos quadrinhos underground nos 80 (muitos dos quais ainda ematividade), a tira brasileira ganhou uma personalidade muito mais "ácida" e menoscomportada do que a americana. Destacam-se a Turma da Mônica, o Menino Maluquinho, de Ziraldo, Seninhae Zé Carioca.
  8. 8. 8 As HQs norte-americanas Os Quadrinhos americanos fazem parte da cultura mundial, e nos últimoscinqüenta anos, fizeram parte da história. Através deles os autorescompartilham com seu público, personagens com os mais variados sonhosdramas e aventuras. O mercado americano de Quadrinhos desenvolveu umprocesso muito profissional e lucrativo por décadas. Basicamente este mercado écomposto por três grandes editoras com anos de mercado: Marvel, DC eImage. MARVEL Comics A Marvel (Anexo 5) surgiu na década de 1930. Os Estados Unidos seencontravam em profunda crise econômica, e Martin Goodman editor de quadrinhoshá muito desempregado começou a trabalhar no “Independent News”. No jornal eletrabalhava com outros grandes nomes dos Quadrinhos americanos. Com o final da crise econômica e com o crescente sucesso dos quadrinhosGoodman viu a necessidade de vender essas histórias em grandes volumes. Depoisde muito esforço em outubro de 1939, Goodman lançou a Marvel Comics #1,obtendo cerca de oitenta mil exemplares vendidos naquele mês e aproximadamenteoitocentos mil no mês seguinte. Sua idéia de escala de produção funcionou de formasurpreendente. Com isso Goodman criou sua própria empresa, a TimelyPublications. Nascia a fundação do conglomerado de empresas de mídia que maistarde tornaria-se a MARVEL Entertainment. A empresa crescia a cada ano quepassava, e Goodman se via obrigado a contratar novos funcionários, daí surgirammuitos nomes conhecidos do mundo dos quadrinhos mundial. Joe Simon, JackKirby, Stan Lee (Anexo 6) foram alguns dos contratados de Martin Goodman, noperíodo que ficou conhecido como a era de ouro dos Quadrinhos “Golden Age”.
  9. 9. 9 No final dos anos 1950, o mercado editorial americano começou a apresentardesgaste e entrou em declínio e as editoras estavam buscando sobreviver a todocusto. Neste período, Gooldman publicou diversas edições fora do mundo dosQuadrinhos, que variaram desde edições para o público infantil terror, romance atérevistas de mistério. Nesta década de 1950, devido a forte influência política e de interessesdiversos, os Quadrinhos começaram a chamar a atenção do grande público porpessoas e grupos que entendiam que os Quadrinhos estavam trazendo possíveisproblemas aos jovens, devido ao seu conteúdo e os Quadrinhos foram quaseproibidos de circularem. Para sobreviverem ao declínio de suas vendas muitasempresas se juntaram e formaram o “Comics Code Authority” em 1955. Nos anos 1960 os Quadrinhos voltaram com força total. Surgia então umanova era dos Quadrinhos, a “Silver Age”. A Timely Comics voltou a ser MarvelComics, e pressionados pela concorrência, seus editores criaram novospersonagens. Nasceu então o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Hulk, Homemde Ferro, Demolidor, Thor, Surfista Prateado, Dr. Estranho (Anexo 7) , X-Men, ejunto com eles surgiram também muitos artistas hoje famosos por suas criações:John Romita Jr, Gene Colan, John Buscema, Roy Thomas, Dom Heck. . Na década de 1970 a Marvel continuou crescendo e em 1972 MartinGoodman deixa a direção do grupo passando-a à Stan Lee. A Comics Code Authority começou a atualizar seus critérios e regulamentos,permitindo às editoras uma maior abrangência em assuntos antes consideradospolêmicos ou impróprios, e nessa época surgem personagens como Conan-oBárbaro, Drácula, Star Wars (Anexo 8). Stan Lee estava com todos os negócios daMarvel nas mãos, mas precisava de mais tempo em sua agenda. Surge então maisum grande nome dessa história: Jim Shooter, editor chefe. Shooter assumiu o cargoe elevou a Marvel a um novo patamar de eficiência e profissionalismo. Foi em suagestão que a Marvel corrigiu graves erros de edição, prazos de entrega, acordoscom artistas e, principalmente, alinhamento com o mercado. A Marvel foi a primeira
  10. 10. 10editora americana a trazer material pronto de outros países para publicação nosEstados Unidos, como por exemplo, Akira, um mangá japonês. Com Jim Shooter nocomando, a Marvel fechou contrato com fabricantes de brinquedos e teve um deseus maiores sucessos ao fabricar a linha completa dos personagens queparticiparam da edição de Quadrinhos Secret Wars (Guerras Secretas). Em 1989, Jim Shooter decide deixar a Marvel, e junto com ele vão muitosoutros editores, desenhistas e roteiristas também. A Marvel passou por um mau período com a saída de tantos artistas, afalência só não aconteceu porque a empresa tinha contratos com produtoras de TV.A empresa ganhou novo nome, passando a ser chamada de Marvel Productions, ecomeçou a produzir para a TV séries não só de seus próprios personagens, mastambém de personagens de outras empresas. Seguindo as oportunidades de negócios e pressionada pelos baixoslucros da época, a Marvel Productions foi vendida alguns anos depoispara a New World Entertainment e posteriormente revendida para aMacAndrews and Forbes. Com a saída de seus maiores talentos para a DC no final dos anos 1980, aMarvel investiu em novos talentos nos anos 1990, como Todd Macfarlane, Jim Lee,Marc Silvestri, Erik Larsen e Barry Windsor Smith. Esses artistas conseguiram mudaro gosto dos leitores, antes presos aos enredos das aventuras, para apreciar edesejar desenhos mais trabalhados, formas perfeitas e em tamanhos maiores. Masem 1992 este grupo de desenhistas e roteiristas deixou a Marvel para criarem suaprópria editora. Com a virada de século a Marvel conseguiu colocar a suas finanças emordem. De olho no futuro a Marvel em 2007 criou a Marvel Digital Comics Unlimited,que permite acesso a um enorme acervo de edições por sessentas dólares por ano.Desde o lançamento da Marvel Digital Comics Unlimited, a Marvel fechou negóciosno mundo digital também para telefones celulares, smartphones e tablets.
  11. 11. 11 Depois de décadas à frente da empresa, este ano, 2011, Stan Lee decidiuoficialmente deixar a empresa. Em 2007 a Marvel completou setenta anos de vida, um marco no mundo dosQuadrinhos. Ao longo de décadas a editora criou um universo de personagens euma longa série de complexas histórias, com tramas de longa duração, inúmerasreviravoltas e grandes aventuras. Seus personagens são os mais populares dahistória dos quadrinhos. A história da Marvel é alternada por momentos de sucessoe fracasso, de muita popularidade e, principalmente de muito talento e inovação. AMarvel Entertainment abrange o mundo com seus produtos e é hoje uma fortegeradora de recursos. Mais do que uma fábrica de sonhos e aventuras, a Marvel éum marco, uma referência na indústria dos Quadrinhos. DC Comics A DC Comics (Anexo 9) nasceu em 1934, criada por Major Malcolm Wheeler-Nicholson e publicava a More Fun Comics/Fun: The Big Comic Magazine, mais tardeconhecida como New Fun e More Fun. A DC Comics faz parte da grande empresaTime Warner, a maior na área do entretenimento. A editora demorou algumas décadas para se consolidar no mundo dosQuadrinhos e desde sua origem é a maior rival da Marvel. Inicialmente a DC Comicsera chamada de National Comics, e assumiu a sigla DC em referência a uma dassuas maiores publicações, a Detective Comics, que entre outras publicações traziaem suas páginas as aventuras de Batman. Mas esse não é o único grandepersonagem da editora, a DC também tem em seu elenco todos os personagens daLiga da Justiça da América (Anexo 10), os Novos Titãs, a Patrulha do Destino, aLegião dos Super-Heróis, entre outros. Na época da “Golden Age”, 1930, dos Quadrinhos a DC Comics se chamavaNew Comics. E em 1937 a editora assumiu o nome Detective Comics, DC, e quasedez anos depois, em 1944 a empresa se uniu National Allied Publications,
  12. 12. 12responsável pela edição da Action Comics onde o Superman apareceu pela primeiravez. A junção dessas duas empresas passou a ter o nome de National Comics, masconhecida popularmente por DC Comics, até o nome ser oficializado publicamente. Com Superman, a DC Comics conquistou fama e se consolida no mercado,tendo uma grande participação na “Golden Age” dos Quadrinhos. O Superman deuforça para que a editora criasse mais heróis, o Batman teve mais espaço, e aMulher-Maravilha conquistou o seu. Apareceram também os heróis da Sociedade daJustiça da América. Na denominada “Silver Age” a DC repaginou alguns de seus antigospersonagens, e The Flash e Lanterna Verde se transformaram em heróis maismodernos. A intenção desta adaptação era apagar as raízes místicas desses seresfictícios e torná-los mais concretos e condizentes com os tempos atuais. A DCcontratou mais artistas, para assim poder concorrer com a Marvel, como MarvWolfman e Georfe Pérez. Nas décadas de 1970 e 1980 a DC começou uma nova fase em sua história:introduzir mini-séries em suas publicações, o que lhe garantia a possibilidade detornar as sequências de suas histórias mais maleáveis.Novas experiências foram empreendidas na chegada dos anos 1990, mas osucesso foi instável. Ao que parece os leitores não gostaram doseventos como a morte do Superman e o aleijamento do Batman. Nos anos seguintes mais precisamente em 2003, a DC publicou a extensasérie conhecida como Elfquest (Anexo 11). Em 2004 a editora passou a lançartambém mangás traduzidos para o inglês. Em 2006 a série All-Star dá margem paraque os melhores criadores dos quadrinhos – entre eles Frank Miller, Jim Lee e GrantMorrison – narrem suas próprias visões dos famosos heróis. Em setembro de 2009, a Warner Bros anunciou que a DC Comics faria parteda DC Entertainment. Assim como sua maior rival Marvel, a DC Comics é uma grande geradora dedinheiro no mercado dos Quadrinhos, e referência nesse meio.
  13. 13. 13 IMAGE Comics A Image Comics (Anexo 12) é a mais recente das editoras de sucesso nomundo dos Quadrinhos, esta foi fundada em 1992 por um grupo de roteiristas edesenhistas que deixaram seus empregos na Marvel. Inicialmente a Image era umselo da Malibu Comics, editora se tornou um meio onde os autores podiam publicarsuas histórias sem ter que vender os direitos autorais de seus personagens. O sucesso da editora mudou significativamente a posição dos criadores naindústria dos Quadrinhos, mas alguns conflitos entre seus sócios e a falta deexperiência dos envolvidos contribuíram para a vinda de fortunas voláteis para acompanhia. Nos primeiros anos de sua criação chegou a almejar a posição de “segundamaior editora”, tendo ocasionalmente ultrapassado a DC Comics na quantidade deedições vendidas. Atualmente se posiciona regularmente como a terceira maior domercado e compete historicamente com a Dark Horse. (Anexo 13) Suas séries mais conhecidas incluem Gen, Savage Dragon (Anexo 14),Spawn, Shadowhawk, e mais recentemente Invincible e The Walking Dead. O mercado dos Quadrinhos americanos move milhares de dólares por ano.Além de sua longa história e sua forte influência na cultura mundial das HQs, osQuadrinhos americanos são uma potência econômica. Os grandes heróis Muitos heróis figuram a imaginação dos fãs dos Quadrinhos até hoje.Calcula-se que cerca de quatrocentos super-heróis foram criados no período de1940 a 1945, mas nem todos sobreviveram. Como o universo dos Quadrinhos évasto, tomemos por base alguns super-heróis marcantes nesse campo: HomemAranha e Capitão América da MARVEL Comics e Batman e Super-Homem da DCcomics.
  14. 14. 14 Homem-Aranha Nome real: Peter Benjamin Parker Local de Nascimento: Forest Hills, Nova York Primeira aparição: Amazing Fantasy # 15 (1962) Criadores: Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko Peter Parker foi criado por seu tio Ben e sua tia May, possuia talento paraciência e era muito tímido. Aos quinze anos foi a uma exposição de ciência, onde foimordido por uma aranha radioativa, capacitando a Peter uma força descomunal,agilidade, capacidade de se agarrar a quase qualquer superfície e um “sextosentido” para o perigo iminente. No início da trama, Peter ele não se preocupava com todos, apenas consigomesmo, e seus tios. Porém, após a morte de tio Ben por um ladrão, ele assume aidentidade de Homem-Aranha (Anexo 15), e vai atrás do assasino. A culpa oconsume encontrar o assassino: um bandido que ele não tentou deter dias antes.Finalmente sente o poder que possui e relembrando o que seu tio havia dito-lhe umdia, torna-se consciente percebendo que com grande poderes vêm grandesresponsabilidades. Como Peter e sua tia May passavam por problemas finaceiros ele começou atrabalhar no Clarim Diário, um jornal sensacionalista da cidade de Nova York, ondetirava fotos de si mesmo como Homem-Aranha e vendia para J. Johan Jameson. Ao contrário de outros super-heróis, no começo o Homem-Aranha era temidopela população. Foi no Clarim que ele conheceu seu primeiro amor, a secretáriaBetty Brant. Durante a faculdade Peter namorou Gwen Stacy, que morre ao serjogada de uma ponte por Norman Osborn, o Duende Verde, principal vilão dahistória. Porém, foi Mary Jane Watson, apresentada pela tia May, quem realmenteroubou o coração de Peter, a ponto de Harry Osborn, seu melhor amigo tornar-se oDuende Macabro, para duelerem pelo amor da jovem donzela.
  15. 15. 15 Durante toda saga, Homem Aranha enfrenta muitas realidades e inúmerosvilões, tais como Camaleão, Abutre, Dr. Octopus, Consertador, Homem-Areia,Lagarto, Electro, Mysterio, Duende Verde, Kraven (Anexo 16), Escorpião, Rei doCrime, Morbius (Primeiro personagem vampiro na história dos HQs depois darevisão do Código de Censura.), Chaca, Duende Macabro, Venom, Carnificina eKaine (o resultado da primeira tentativa do professor Miles Warren, o Chacal, declonar Peter Parker.) Dentre as principais HQs destacam-se as séries Amazing Fantasy, AmazingSpider-Man, Ultimate Spider-Man, uma participação em Os Novos Vingadores e emNovo Quarteto Fantástico. Capitão América Nome real: Steven "Steve" Rogers Local de nascimento: New York, New York Primeira aparição: (Captain America) Captain America Comics #1 (1941) (Nomad) Captain America #180 (1974); (Captain) Criadores: Joe Simons e Jack Kirby O Capitão América (Anexo 17) é o mais conhecido herói patriota e surgiudurante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente luta principalmente contra oterrorismo. Steve Rogers era um estudante que gostaria de se alistar ao exército noinício de 1940 para combater a Alemanha nazista, porém não possuíacaracterísticas físicas para o combate. Foi então convidado pelo professor AbrahamErskine para participar da Operação Renascimento, que baseada nas descobertasdo professor transformaria os soldados de exército em super soldados. Ele aceitouser a primeira cobaia do projeto, e após a injeção do “Soro Super Soldado” teve seufísico melhorado, ganhando força, agilidade, reflexos, resistência e imunidade
  16. 16. 16fisiológica. Logo após o acontecimento o professor Erskine foi morto por um agenteduplo, nazista, deixando assim Steve como o único super soldado. Rogers foi designado para como um agente de contra-inteligência e um heróidos EUA simbólico para combater a propaganda da Alemanha nazista, apósdiversos sucessos comandados pelo arquiinimigo, Caveira Vermelha (Anexo 18). Vestindo um traje baseado em seu próprio projeto, modelado a partirbandeira americana, Steve recebeu um escudo triangular à prova de balas, umaarma pessoal e o codinome Capitão América, o Sentinela da Liberdade. Em umamissão em Wakanda,ele ganhou um novo escudo, desta vez redondo, indestrutível eimpossível de ser duplicado. Possuía uma identidade falsa como uma infantaria desajeitada, em CampLehigh, na Virgínia. Seus oponentes, incluindo o Caveira Vermelha tentaram muitasvezes copiar a fórmula do professor Erskine para ter também super soldados. Após uma batalha no fim da Segunda Guerra, Capitão América foi dadocomo morto, porém seu corpo estava congelado e ele sobreviveu devido a suaresistência fisiológica. Ele teve cinco mortes e retornos ao longo de sua história,inclusive houve um momento em que seu inimigo, Caveira Vermelha utilizou ospoderes do Cubo Cósmico para trocar de corpo com o herói. Houve sete diferentes fases do “Capitão América”, Ele chegou a ser oNômade, pois estava cansado da corrupção nos Estados Unidos, fato que contribuipara que abandonasse seu antigo codinome. Durante seu trajeto ele teve a ajuda por muitos anos de Bucky, que setornou o principal parceiro no acampamento do exército, pois, descobriu a duplaidentidade de Rogers. Capitão América namorou a Agente 13 da S.H.I.E.L. D - SupremeHeadquarters of International Espionage and Law-Enforcement Division (Quartel-general Supremo de Espionagem Internacional e Divisão de Execução da Lei) e élíder dos Vingadores, onde fez amizade com Thor, Homem de Ferro (Tony Stark),Giant-Man (Hank Pym), a Vespa, e mordomo dos Vingadores Edwin Jarvis.
  17. 17. 17 Dentre os principais inimigos destacam-se, Barão Zemo, CaveiraVermelha e Ossos Cruzados, I.M.A e Modok, H.I.D.R.A, Víbora e o EsquadrãoSerpente,Doutor Faustus,Império Secreto, Força Nacional, Mecanus,Richard Starkey Batman Nome real: Bruce Wayne Local de Nascimento: Gotham City Primeira aparição: Detective Comics #27 (1939) Criadores: Bob Kan e Bill Finger Batman (Anexo 19) é Bruce Wayne, um bilionário empresário e filantropo. Suamotivação para ser super-herói foi o fato de testemunhar o assassinato de seus paisquando criança teria levando-o a viajar pelo mundo, para assim tentar compreendera mente criminosa. Treinou todo tipo de artes marciais e técnicas de combate, pois otrauma de ver seus pais mortos com tiros de revolver lhe deu aversão a armas defogo, buscando assim a perfeição física e intelectual. Bruce criou seu uniforme baseado numa coisa que o amedrontava quandocriança: Morcegos. Ele queria que os bandidos compartilhassem do mesmo temor. Eassim, passou a lutar contra o crime. Diferentemente de outros super-heróis, Batmannão tem nenhum poder sobre-humano, usa apenas o intelecto, habilidadesinvestigatórias, tecnologia, dinheiro e um físico bem-preparado para lutar contra ocrime. Entre seus recursos para a luta estava o tão conhecido automóvel, o Bat-Móvel Por ser um humano, Batman muitas vezes se feria em suas batalhas, porém,sempre contava com seu mordomo Alfred para lhe ajudar, ele era formado emmedicina de guerra. Além de tratar seus ferimentos, Alfred aparece em alguns doscasos em que Batman se envolve. Bruce teve um romance com a Mulher-gato(Selina Kyle), esta a princípio era uma ladra, mas Batman não a prendia, pois tinhas
  18. 18. 18esperanças de que ela fosse uma boa pessoa, o relacionamento dos dois foiconturbado. Em 1940, Bruce adotou o órfão Dick Grayson, que se tornou seu parceiro,Robin. Em 1980, Grayson abandona o manto de Robin e se torna o Asa Noturna.Surge, então, Jason Todd, assassinado pelo Coringa (Anexo 20) – principal inimigode Batman- em 1986. Três anos depois surge Tim Drake, um adolescente detetiveque conquistou o cargo descobrindo quem, na verdade, era Batman. Em 1986 a minissérie Batman- o Cavaleiro das Trevas traz um Batman maishumano, e seus vilões mais malvados. Em 1988 com a edição de Batman, a PiadaMortal, Coringa deixa o lado cômico abordado durante anos, para assumir opsicótico vilão que conhecemos hoje. Além de Coringa, outros vilões surgem no caminho do Homem-Morcego,entre eles estão Espantalho, Pinguim, Charada, Chapeleiro-Louco, Mr.Freeze, Hera-venenosa, Ras Al Ghul, Killer Croc, Máscara Negra, Ventríloquo e seu marioneteScarface, Bane e Harley Quinn, Silêncio e Duas Caras. Principais HQs Detective Comics #27,Batman Ano Um, O Cavaleiro das Trevas, A PiadaMortal Super-Homem Nome real: Clark Joseph Kent (Nome terrestre) e Kal-El (Nome Kryptoniano) Local de Nascimento: Planeta Krypton Primeira aparição: Action Comics #1 (1938) Criadores: Joe Shuster e Jerry Siegel Kal-El foi enviado por seu pai Jor-El de Krypton para a Terra minutos antes deseu planeta explodir. O foguete foi encontrado por Jonathan e Martha Kent, que
  19. 19. 19adotaram o menino e o chamaram de Clark Kent, vivendo na cidade de Smallville,Kansas. Seus pais começaram a notar seus poderes aos oito anos de idade, quandoele não se machucou ao ser pisoteado por touros. Conforme foi crescendo, Clark foiadquirindo mais habilidades e aos dezessete anos já sabia voar. Aos dezoito anos, seus pais adotivos lhe mostraram os pedaços do foguete,Clark entendia que junto com seus poderes vinham responsabilidades, na noitedesse dia ele revelou seu segredo para sua melhor amiga, que mais tarde setornaria sua namorada, Lana Lang. Depois foi embora de Smallville, viajou pelomundo conhecendo seus poderes e formou-se em jornalismo. Sete anos apos deixar Smallville ele presenciou um ônibus espacial da NASAcaindo, e o salvou. Nesse dia conheceu a repórter Lois Lane, começou a trabalharno mesmo jornal que ela. Mais tarde os dois se casaram. Foi o jornal, Planeta Diário,que lhe deu o nome Super-Homem (Anexo 21), e por isso Clark percebeu queprecisava manter sua identidade secreta, assim com a ajuda de seus pais criou aroupa e começou a usar óculos, tentando distinguir Clark do Super-Homem. O Super-Homem possui seus poderes porque o Sol da Terra é amarelo, e ode Krypton vermelho, assim modificando a freqüência eletromagnética entre eles.Ele é o mais forte entre os super-heróis na terra, pode voar, tem uma grandeinvulnerabilidade, super-audição, supervisão, super-velocidade, visão de raios-X evisão de calor. Seu ponto fraco é a pedra verde e brilhante de seu planeta, ela écapaz até de matá-lo, dependendo do tempo de exposição à mesma. Durante sua existência, Super-Homem, já morreu três vezes. A primeira em1961, a segunda em 1993 e a última em 1998. O homem de aço vem morrendo detempos em tempos, isso para não desgastar a personagem e também para, assim,renovar a força do super-herói. Os principais vilões são: Lex Luthor (Anexo 22), Brainiac, Apocalipse, Mr.Mxyzptlk, Bizzaro e General Zood.
  20. 20. 20 Principais HQs: Action Comics #1, Man of Steel #1, Superman: Birthright #1, Superman:Secret Origin #1, Superman & Batman Magazine #6, Man of Steel #18, JusticeLeague of America #69, Adventures of Superman #497, Superman #75 Ideologia Das cavernas ao século XXI, as histórias em quadrinhos, utilizandopersonagens e enredos, cheios de segunda e terceiras intenções povoaram aimaginação dos leitores. A ideologia por trás de uma HQ varia de acordo com omomento histórico que surge. Vamos avaliar a ideologia por trás de duas históriasda franquia MARVEL: Capitão América e o Quarteto Fantástico. (Anexo 23) O maior ícone do período de Guerra foi o Capitão América, que nasceu nodia 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos. Na capa de sua primeirarevista, ele combatia o próprio Adolf Hitler. Ao contrário de outros heróis que foram“recrutados” para a Segunda Guerra, o Sentinela da Liberdade foi criadoespecialmente com esse objetivo. Desde o início, a única arma que o herói utilizou foi o escudo. Em momentoalgum, o Capitão América usou qualquer outra arma. É com se dissesse, para quetodos ouvissem que a “liberdade” é um valor que deve ser defendido. Elerepresentava, também, a imagem dos EUA, que “apenas” defendia-se de ataques.Justificando que o personagem só atacava para se defender. Em todo caso, seuscompanheiros de luta como o jovem Bucky (Anexo 24) usavam, às vezes,metralhadoras. A origem do arqui-inimigo do Capitão era de que o oponente, CaveiraVermelha, fosse criado pelo próprio Hitler e representava a “raça ariana perfeita”. Com o fim da Segunda Guerra, o Capitão perdeu espaço e teve sua revistacancelada em 1948. Mas com o surgimento da Guerra Fria (entre EUA e a antiga
  21. 21. 21URSS), ele voltou para combater espiões comunistas. O Caveira Vermelha acabou,também, sendo “ressuscitado” e atualizado, transformando-se em um agente espiãosoviético. O Quarteto Fantástico surgiu quando Stan Lee e Jack Kirby, cansados detodos os clichês dos quadrinhos norte-americanos resolvem criar uma família deheróis que não possuíam identidades secretas. Sue e Johnny Storm eram irmãos,Reed Richards, era o noivo de Sue e Bem Grimm o amigo da família. Reed era um cientista que preferia usar seu intelecto a seus podereselásticos. O adolescente Jhonny era o Tocha Humana. Sua irmã Sue, podia tornar-se invisível e projetar campos de força. Bem era um rochoso, o Coisa, dotado deenorme força. Então, estavam os heróis simbolizando os quatro elementos danatureza: água, fogo, ar e terra. Por trás de um grupo de amigos que, vitimados porum “acidente cósmico”, ganham superpoderes, havia um forte paralelo com a maissignificativa questão política daquele momento: a Guerra Fria e a paranóiaanticomunista. Em 12 de Abril de 1961, o astronauta soviético Yuri Gagarin tornou-se oprimeiro ser humano a alcançar o espaço. A notícia surpreendeu os EUA e acirrouos piores temores de seus habitantes. Era o auge da Guerra Fria. O duro golpe faz opresidente John Kennedy jurar que os norte-americanos chegariam à Lua antes dofim da década, derrotando a União Soviética naquela que viria a ser a CorridaEspacial. Quarteto Fantástico foi à resposta dos Quadrinhos ao apelo do dirigente danação. Eles personificaram a nova era espacial, na qual seus heróis estavamdispostos a arriscar tudo, até mesmo a própria vida, para estar a um passo adianteda ameaça vermelha. Nas histórias em quadrinhos outros personagens fomentaram a discussão desua ideologia, entre eles a Mulher Maravilha que, segundo muitos estudiosos,representava o sadomasoquismo e a HQ da dupla Batman e Robin foi acusada dehomossexualidade.
  22. 22. 22 Maniqueísmo Trata-se de uma filosofia religiosa dualística, onde o mundo é dividido entre oBem (representado por Deus) e o Mal (representado pelo Diabo). Com adisseminação do termo maniqueísta, passou a ser toda a doutrina fundada nosrespectivos termos. O fundador do tema foi o profeta Mani, que procurava através das figuras deJesus e Buda a explicação divina e a verdade absoluta. Conforme as suas idéiashouve a fusão entre o reino das trevas e o reino dos céus, assim criou-se o mundomaterial, composto fundamentalmente pelo mal e os “pais da justiça”, para se redimirda sua imperfeita existência, teriam vindo a Terra com este fim. Como esta missãonão foi completada, Mani viera para completá-la. As idéias maniqueístas se espalharam pelo mundo e, Mani fora crucificado nofinal do séc. III, os seus adeptos sofreram perseguições na Babilónia e no ImpérioRomano. Apesar de ser uma ideologia discutível, em razão do seu radicalismo o uso domaniqueísmo como linguagem é expressamente sedutor. O bem e mal sempreestiveram presentes na história do homem, por este motivo, facilmentecompreendido por todos. Também há uma uma maior aproximacao com o públicoinfantil, através das histórias em quadrinhos, ou seja, estar de um lado ou de outro,para as criancas, é uma absorção fácil, o que talvez nao acontecesse em outraideologia. Em toda a história em quadrinhos que se conhece o maniqueísmo estáescancarado e, bons exemplos pode-se perceber nas mais famosas como: HomemAranha, Super Homem,Mulher Maravilha,Hulk, Quarteto Fantástico e Batman.Ilustrações com textos já ocorriam com certa intensidade na Europa principalmentena França, Itália e Inglaterra –, mas foi nos EUA que os quadrinhos ganharam força
  23. 23. 23e se desenvolveram. A concorrência entre os jornais New York World e MorningJournal, lideradas por Pulitzer e Hearst respectivamente, foi um dos impulsos para aconsolidação desse tipo de produção nos Estados Unidos. Foi Pulitzer o primeiro a dar oportunidade a um desenhista de quadrinhos.Chamava-se Richard Outcault, e passou a apresentar-se no jornal World. O seupersonagem era The Yellow Kid - O Garoto Amarelo (Anexo 25). As aventuras desse personagem eram mostradas por meio de desenhos emquadros sucessivos. O que mais sensação causou foi o aparecimento do textodentro da própria imagem, circundado por um traço que se fechava apontando paraa boca do personagem. Esse artista lançava assim, em 1896, uma das técnicasfundamentais da história em quadrinhos: o "balão". Um ótimo exemplo do maniqueísmo inserido nas HQs norte-americanas é ofamoso Capitão América, que foi o destaque de uma onda de super-heróis criadossob o patriotismo dos Estados Unidos. Ele surgiu durante a Segunda GuerraMundial, ao lado do seu parceiro Bucky, enfrentou os nazistas, mas após o fim daguerra, o herói caiu na obscuridade. Em Capitão América era retratada a história de um rapaz magro e fraco quenão media esforços para participar da Segunda Guerra, é tão literal esta busca queele se torna parte de um experimento para a criação de soldados superiores emtudo: o "projeto supersoldado", que consistia em um soro especial e a radiação deraios gerando um crescimento físico geral, tornando um ser debilitado como SteveRogers em um superatleta musculoso, veloz e ágil. Mafalda Mafalda (Anexo 26) é uma personagem de quadrinhos, de 6 anos, criada porJoaquín Salvador Lavado, popularmente conhecido como Quino. Mafalda surge naArgentina, dia 29 de setembro de 1964.
  24. 24. 24 A história de Mafalda e sua turma (Anexo 27) começa quando o humoristaMiguel Brascó indica o amigo Quino para a Agens Publicida com o objetivo de criaruma tira cômica com uma publicidade subliminar, para ser divulgada em algum meioe assim promover eletrodomésticos da marca Mansfield, produzidos por Siam DiTella. Brascó sugere a Quino que crie uma história que misturasse Snoopy eBlondie, a mascote da marca. O autor esboça uma família onde todas aspersonagens deveriam começar com a letra “M”. Mas quando a tira iria ser publicada, o jornal Clarin, da Argentina, acabapercebendo a publicidade por trás das tiras de Quino. O acordo então é desfeito, acampanha não é levada adiante, os produtos Mansfield, por outros motivos, nuncachegam ao mercado e está primitiva Mafalda nunca foi publicada. Mais tarde, oseminário Primera Plana pediu a Quino um projeto e o autor apresenta Mafalda. Inicialmente, Mafalda foi publicada em Primera Plana (1964), onde surgiudurante seis meses, tendo depois sido publicada no diário El Mundo, a partir demarço de 1965 e, finalmente, no Siete Dias, desde 1967 até terminar em julho de1973, ao fim de mais de três mil tiras de BD. Mafalda surgiu também em livros, cujo primeiro foi editado em 1966 naArgentina. A primeira edição estrangeira aconteceu na Itália, em 1969, tendo umaintrodução de Umberto Eco. Nos anos seguintes seguiu para Espanha, Portugal,França, Alemanha, Grécia, entre muitos outros países. Mafalda começa subverter a lógica dos quadrinhos por ser uma menina e nãoum menino, abrindo, assim, espaço para questões de gênero. Se antes mulheresapareciam como coadjuvantes, Mafalda mostra o contrário. Outro fator é o caso deMafalda ser uma criança, trazendo a tona os direitos das crianças. O universo de Mafalda não é só atormentado por seu universo familiar. Asquestões do mundo lhe dizem respeito, são tratadas diretamente. A América Latina,o problema da auto-afirmação dos povos, as crises econômicas, as questões domercado de trabalho, tudo interessa a Mafalda, tudo lhe atinge e a confronta. Com
  25. 25. 25poucas palavras, em quadros ágeis, Quino consegue falar do autoritarismo paternoe materno e dos problemas ecológicos. Mafalda é também uma observadora muito perspicaz do que se passa nomundo, sendo uma crítica implacável da sociedade. Está sinceramente preocupadacom o destino do planeta, personificado no seu globo imaginário, com o qual tantofala. Os gostos de Mafalda também ilustram o espírito da época, por exemplo, amenina odeia a injustiça, a guerra, as armas nucleares, o racismo, as absurdasconvenções dos adultos e, obviamente, a sopa, como mostram algumas de suastiras; e tem amor aos os direitos humanos, a democracia e os Beatles. Mafalda não é o único personagem da série. Dentro os mais importantesestão Felipe, um garoto sonhador, tímido, preguiçoso e desligado, às vezes,romântico que odeia a escola. Manolito um menino bruto, ambicioso e materialista, mas que no fundo temum grande coração. É um dos poucos personagens que sabe que sabe exatamenteo que quer da vida. Susanita é uma fofoqueira de plantão. Egoísta e briguenta, a menina, tem oseu futuro totalmente planificado: um casamento magnífico, um marido com umaboa condição econômica e muitos filhos. Miguelito também é sonhador como Felipe, apesar de ser mais egoísta emuito menos tímido. A sua inocência é a base da sua personalidade. O garoto viverefletindo sobre questões sem importância. Detesta ter a idade que tem e não sernotado. É o centro do mundo e ninguém consegue convencê-lo do contrário. Libertad é uma espécie de Mafalda em miniatura, apesar de ser menostolerante. Intelectual, crítica e perspicaz, a garota ama a cultura, as reivindicaçõessociais e as revoluções Guille é o típico representante da idade da inocência, em que tudo está paraser descoberto. Dono de uma ternura marota é o único personagem que cresce deuma tira para outra.
  26. 26. 26 Os pais de Mafalda são o típico casal de classe média. Ambos são passivos,limitados e, até mesmo, levemente falidos. O pai trabalha num escritório fazendocontas para chegar ao fim do mês. A mãe abandonou a universidade para formaruma família, coisa que a Mafalda critica sempre que pode. Ele ama as plantas, elavive com o dilema do que cozinhar. As tiras de Mafalda se transformam em um vetor para as ideias que estavamsendo discutidas da década de 1960. Mafalda tem comentários ácidos, mas sutis evão de encontro aos ideais da sociedade de consumo. Ela é uma menina querecoloca questões crucias, numa linguagem radical e simples, aparentementeingênua. É uma criança que se espanta diante do mundo, não aceita as“normalidades e obviedades” da realidade cotidiana. Charlie Brown Charlie Brown (Anexo 28) é um personagem de HQ da série Snoopy criadopor Charles M. Schulz (1922 - 2000). Este personagem de história em quadrinhos secaracteriza por um humor delicado e melancólico. Charlie Brown, de calças curtas ecabeça redonda coroada por uma única mecha de cabelos na frente é um meninosem idade, sempre cheio de preocupações. O personagem apareceu pela primeira vez numa história em quadrinhospublicada em St. Paul Pres. O desenhista logo o incluiu em seu célebre Peanuts,publicado pela primeira vez dia 2 de outubro de 1950. No mesmo ano a UnitedFeature Syndicate comprou a tira e mudou o nome, sob o mais absoluto protesto.“As aventuras e desventuras de Charlie Brown” passaram a sair em oito jornais,todos os dias. Schulz ganhou 90 dólares no primeiro mês, 500 no segundo, mil noterceiro e hoje só os quadrinhos rendem mais de 300 mil dólares por ano, a seusdescendentes.
  27. 27. 27 Charlie Brown, Linus, Lucy, Schroeder, Sally Snoopy e Woodstock (Anexo 29)são os principais personagens dos Peanuts e de uma das mais bem sucedidasaventuras editoriais do nosso tempo Mas Peanuts não foi imediatamente esse sucesso espantoso. Precisou umpouco de tempo antes de engrenar, cerca de cinco anos. Vendo as primeiras tiras, nota-se a diferença: Charlie Brown, no começo, nãoera o perdedor de hoje. Tinha uma personalidade muito mais parecida com a deLinus. Desenvolto e com certa fanfarronice. Quando Lucy chegou, no segundo ano, não era importante. Chegou comouma menina esperta, um pouco baseada na primeira filha do autor. Dizia muitascoisas impertinentes e engraçadas. Mas aos poucos Charlie Brown se tomou maiscomplexado. O beagle Snoopy começou a se tornar um cão-não-cão. Lucy a desenvolversempre mais a sua forte personalidade, o cobertor de Linus começou a se tomaruma obsessão, Snoopy foi para o telhado da sua casinha e chegou Schroeder. E aísim, começou o sucesso. Na Turma do Minduim o herói (ou anti-herói) é CharlieBrown. A aparência é inconfundível Charlie Brown é um menino de cabeça redonda,o que está sempre com a mesma camisa com a barra em ziguezague. Todosexploram o pobre Charlie Brown e se divertem fazendo-o de bobo, mas CharlieBrown não é um bobalhão. Charlie Brown é um ser humano normal, generoso,amoroso, simpático e errado. Errado? Erradíssimo. Charlie Brown é o que se pode chamar um fracasso completo: jamaisconseguiu empinar um papagaio, perde sempre no jogo de damas, nuncacomemorou a vitória do seu time de beisebol (do qual ele é o técnico, o capitão e oprincipal jogador). O menino vive querendo agradar e sua preocupação permanenteem se tornar um garoto popular na sua turma. Vive deprimido, infeliz, tem pena de sipróprio porque sabe que a tarefa é impossível e que ele vai fracassar mais uma vez,como fracassa em tudo. Ainda por cima, acredita na bondade das pessoas e está
  28. 28. 28sempre sendo surpreendido pela maldade da vida. Até mesmo o seu cão nãoacredita muito na sua capacidade de sobreviver. Lucy é uma menina mandona. Muito antes das mulheres estareminteressadas nos movimentos de libertação feminina ela já estava em plenacampanha para tomar o lugar de técnico do time de beisebol. E se recusava a vestircalças compridas para não ficar "com a ridícula aparência de um menino". Egoísta,pretensiosa, fofoqueira, dominadora, vil, traiçoeira, e até egocêntrica, a garota adoraatormentar Charlie Brown. A única pessoa a quem Lucy não agride é o Schroeder. Ele é a paixão da suavida. Enquanto a paixão da vida de Schroeder é a Arte, especialmente a música,particularmente Beethoven, já nasceu pianista e a sua capacidade musical está anosluz à frente do seu desenvolvimento físico. O garoto só pensa em música e passa osdias num piano de brinquedo. Tão apaixonado é que chega ser capaz de esquecer odia do próprio aniversário, mas não admite que esqueçam o aniversário deBeethoven. Ele gosta de tocar só para quem entende: Linus e Snoopy. Linus é um garoto inseguro que vive chupando o dedão e que se agarra aoseu cobertor como um náufrago ao colete salva-vidas. Um cobertor que acabaimundo, mas que ele não larga, e jamais abandonará. Linus é emotivamenteretardado, mas intelectualmente precoce e fiel. Com medo de tudo e de todos, oprincipal medo de Linus é a segurança. Snoopy leva até a última fronteira metafísica, as neuroses decorrentes deuma frustrada adaptação. Snoopy sabe o que é um cão, ontem era um cão, hoje éum cão, amanhã talvez ainda seja um cão. Para ele não há nenhuma esperança de“promoção evolutiva”. Não aceita a si mesmo, e procura ser o que não é. Prefere ser um crocodilo,um canguru, um abutre, um pinguim, uma serpente. Tenta todos os caminhos damistificação, para depois render-se à realidade, por preguiça, fome, sono, timidez,Snoopy tem suas manias também, como dormir em cima da casa "pra ver quando osdiscos voadores começarem a descer
  29. 29. 29 Sally é a irmãzinha de Charlie Brown, ela começou nas tirinhas, como umbebê e foi crescendo aos poucos, e como todos os personagens, Sally também tevesua cota de traumas, como o pânico de ter de entrar para o jardim de infância. Suamente criativa perde apenas para a do Snoopy. A melhor amiga de Sally é a escola,o prédio da escola, com o qual ela compartilha a sua visão do mundo e dasociedade e se alguém ousar chamar a Sally de maluca, corre o risco de levar umatijolada na cabeça, pois no mundo dos Peanuts, as escolas são vingativas. Talvez o personagem mais inseguro que Charlie Brown seja o passarinhoWoodstock. Melhor amigo de Snoopy, ao qual trata como confidente e muitas vezesfazendo-o de figura paterna. Durante anos, Woodstock foi um pássaro pedestre: tinha medo de voar. Edesde que perdeu o medo, aprendendo a voar, jamais foi capaz de voar em linhareta, traçando no ar um ziguezague como se carregasse algo muito pesado. Um dos maiores traumas desse simpático pássaro amarelo é a ausência desua mãe. Inconformado com a lei da natureza que separa os pais dos filhotes,mergulha em tristeza e depressão no dia das Mães, por sentir-se abandonado esozinho no mundo. Podemos resumir o mundo dos Peanuts como um microcosmo, umamonstruosa redução infantil de todas as preocupações de um moderno cidadão dacivilização industrial, nessa historinha cheia de personagens cujas fraquezas,angústias e frustrações fazem uma comédia humana que chega aos limites dodesespero.
  30. 30. 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS As histórias em quadrinhos, as HQs, baseiam-se na contextualização dosdesenhos. Para alguns são baixa literatura, para outros a porta de entrada para ela.O contato com as mesmas fascinam crianças e adultos de todas as idades, e omundo da ficção invade o imaginário dos fãs Muito mais que apenas angariar fãs e lucro, as HQs refletem uma ideologia.Assim como ao falar o homem tem a intenção de transmitir uma opinião ou umaidéia os Quadrinhos atuam de forma decisiva para a formação de personalidades,pois os personagens e enredos nascem baseados nas vivências e no temperamentodos humanos. Criadores e criaturas influenciam as gerações. Como, por exemplo, a Mulher-Maravilha, em 1950, simbolizando a expressão feminina. Ou o Capitão América queem meio a Guerra Fria surge com o objetivo de “libertar” a América e o mundo deHitler. O universo HQ supera as barreiras das páginas de papel e servem deinspiração para muitos filmes que invadem as telonas. O cinema encontrou umamina de ouro ao realizar as adaptações dos Quadrinhos. Muitos fãs dos filmessequer conheceram as histórias originais dos seus ídolos.
  31. 31. 31 As HQs instigam desejos misteriosos que habitam a imaginação do serhumano, sejam eles racionais ou inconscientes, na intenção estética ou até mesmomoral, num contexto social ou por simples entretenimento educam uma sociedadeinteira.
  32. 32. REFERÊNCIAS<http://www.espacoacademico.com.br>Acesso em: 18 mai.2011<http://puc-riodigital.com>Acesso em: 20 mai.2011<http://esquadrinhandoquadrinhos.blogspot.com>Acesso em: 25 mai.2011<http://www.legal.adv.br>Acesso em: 01 jun.2011<http://www.imdb.com>Acesso em: 05 jun2011<http://marvel.com/universe/Captain_America>Acesso em: 05 jun.2011<http://www.infopedia.pt/$mafalda,2>Acesso em: 20 jun. 2011<http://www.omelete.com.br/image-comics/?page=2>Acesso em: 20 jun. 2011<http://www.infoescola.com › Artes › Desenho>Acesso em: 20 jun. 2011
  33. 33. <http://www.supermanhomepage.com/comics/comics.php?topic>Acesso em: 21 jun.2011<http://www.omelete.com.br/superman/>Acesso em: 21 jun.2011<http://www.omelete.com.br/quadrinhos/a-morte-do-super-homem/>Acesso em: 21 jun.2011<http://marvel.com/universe/Spider-Man_(Peter_Parker) >Acesso em: 22 jun.2011<http://www.batmanytb.com/bios/heroesbrucewayne/batman_goldenage.php>Acesso em: 26 jun.2011<http://www.historiaemquadrinhos.hpg.ig.com.br/index2.htm>Acesso em: 28 jun.2011<http://marvel.com/universe/Captain_America_(Steve_Rogers)>Acesso em: 29 jun.2011<http://www.omelete.com.br/capitao-america/>Acesso em: 29 jun.2011<http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/n08032007_03. cfm>Acesso em: 29 jun.2011<http://nosgeeks.pop.com.br/wp-content/uploadrs/2011/05/MarvelComics>Acesso em: 30 jun.2011<http://www.mafalda.net/pt/geschichte.php>Acesso em: 30 jun.2011<http://www.overmundo.com.br/overblog/mafalda-a-anti-menina-dos-olhos>Acesso em 30 jun.2011Puxa vida, Charlie Brown! - Ed. ArtenovaGrilo #25 - Arte & Comunicação Ltda.- Não me vejo Lucy, Linus, Snoopy.
  34. 34. ANEXOS Anexo 1 Anexo 2 Anexo 3
  35. 35. Anexo 4Anexo 5
  36. 36. Anexo 6Anexo 7
  37. 37. Anexo 8Anexo 9
  38. 38. Anexo 10Anexo 11
  39. 39. Anexo 12Anexo 13
  40. 40. Anexo 14Anexo 15
  41. 41. Anexo 16Anexo 17
  42. 42. Anexo 18Anexo 19
  43. 43. Anexo 20Anexo 21
  44. 44. Anexo 22Anexo 23
  45. 45. Anexo 24Anexo 25
  46. 46. Anexo 26Anexo 27
  47. 47. Anexo 28Anexo 29

×