Texto 2
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Texto 2

on

  • 3,201 views

 

Statistics

Views

Total Views
3,201
Views on SlideShare
3,201
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
53
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Microsoft Word

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Texto 2 Texto 2 Document Transcript

  • INTERDISCIPLINARIDADE E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA Cristina d’Ávila Maheu UNIFACS: NUPPEAD/NPP UFBA (FACED) e UNEB (Deptº de Educação I)Antes mesmo do conceito, interdisciplinaridade tem sido uma palavra malcompreendida nos meios acadêmicos. Fala-se muito em interdisciplinaridade,até para se emprestar um significado mais burilado aos projetos em educação,mas a ação pedagógica propriamente interdisciplinar tem sido relegada àspraticas multi e pluridisciplinares.Em poucas palavras, a multi e a pluridisciplinaridade referem-se à justaposiçãode duas ou mais disciplinas de um curso, sem que sejam definidos objetivospedagógicos comuns, portanto, sem que haja interconexão entre as disciplinas.O resultado de práticas dessa natureza tem sido, muitas vezes, desastroso: oesfacelamento de conteúdos, o descontentamento de alunos e professores queperdem o norte da ação, a improvisação e os maus resultados escolares.Podemos mesmo afirmar que a indefinição sobre o termo interdisciplinaridade éprecedida pela incompreensão do conceito de disciplina. Com efeito, disciplinavem a ser uma parte desse todo complexo e sincrético a que chamamosconhecimento da realidade. Do ponto de vista epistemológico, disciplina vem aser Domínio estruturado do saber que possui um objeto de estudo próprio, umesquema conceitual, um vocabulário especializado e, ainda, um conjunto depostulados, conceitos, fenômenos particulares, métodos e leis. Conjuntoespecífico de conhecimentos que têm características próprias sob o plano doensino, da formulação, dos métodos e das matérias.A etimologia da palavra é a base substancial para a compreensão do seusignificado e, por conseguinte, do seu conceito. Assim, para darmos conta doesclarecimento do conceito (que vem a ser uma abstração do real), recorremosao significado do signo lingüístico: do latim discere, disciplina quer dizeraprender e, de seu derivado, discipulus, aquele que aprende.Disciplina significa também, no campo da pedagogia, um conjunto de normasde conduta estabelecidas com vistas a manter a ordem e o desenvolvimentonormal das atividades numa classe ou numa escola. Todavia, do ponto de vista
  • da ciência, disciplina é um tipo de saber específico e possui um objetodeterminado e reconhecido, bem como conhecimentos e saberes relativos aeste objeto e métodos próprios. A noção de disciplina científica (diferentementeda disciplina escolar) está ligada, pois, ao conhecimento científico. Constitui-sea partir de uma determinada subdivisão de um domínio específico doconhecimento. A tentativa de estabelecer relações entre as disciplinas é que dáorigem ao que chamamos interdisciplinaridade.O saber escolar e, por conseqüência, as disciplinas escolares não seconstituem de uma transposição direta do saber científico ou do saber eruditopara as matérias escolares. Representam um conhecimento organizado eordenado didaticamente, classificado por graus de dificuldades e dirigidos apúblicos com idades e capacidades cognitivas diferenciadas.Portanto, as finalidades e os objetos das disciplinas escolares sãocompletamente diferentes dos referenciais das disciplinas científicas. A lógicacientífica é compartilhada pelos dois tipos de disciplina, mas isso não as tornaidênticas. A interdisciplinaridade, assim como a disciplinaridade, pode ser, naorigem, científica ou, por sua aplicabilidade na prática escolar, pedagógica.Com efeito: A disciplinaridade e ensino por disciplinas dissociadas se constrói mediante a aplicação dos princípios da delimitação interna, da fixidez no objeto próprio de análise, pela decomposição de problemas em partes separadas e sua ordenação posterior, pelo raciocínio lógico formal (Descartes), caracterizado pela regra da exclusão do que é, e do que não é (princípio da certeza). Por conseguinte, constitui numa visão limitada para orientar a compreensão da realidade complexa dos tempos modernos e da atuação em seu contexto. (LUCK, 1994 : 49).Inicialmente devemos afirmar que o conceito de interdisciplinaridade só podeser compreendido no contexto disciplinar. Com efeito, a interdisciplinaridadepressupõe a existência de inter-relações entre duas ou mais disciplinas;interdisciplinaridade significa, portanto, a essência dessa relação.BREVE HISTÓRICO DA INTERDISCIPLINARIDADE
  • A idéia de repartição do saber aparece desde a Antigüidade clássica, quandose separava as humanidades das ciências, separação esta que correspondia àdivisão entre o trivium (gramática, retórica e lógica) e o quadrivium (geometria,aritmética, música e astronomia), formando assim as sete artes liberais.A diferenciação dos saberes nos tempos antigos não significava umrompimento; as ciências não eram vistas como fragmentos do saber. Antes,compunham ligações, como no caso da matemática e da música juntas, dafilosofia e da física que formavam a “filosofia natural” etc.A separação das disciplinas científicas da filosofia é um fenômeno que se tornaagudo sobretudo no séc. XIX, com o advento do positivismo. Como disseSchwartzman (1997): Com o tempo, no entanto, as diferenças foram-se aprofundando, não só pela quantidade de informação e especialização que cada uma requeria como principalmente pela diferença de estilos cognitivos e modelos intelectuais típicos das “duas culturas” do conhecimento. De um lado, uma cultura baseada no uso extenso de várias línguas e na familiaridade com tradições literárias extensas e sutis; do outro, o uso do raciocínio abstrato e dedutivo, a organização sistemática das informações, o uso cada vez maior de instrumentos e a manipulação direta da natureza. (SCHWATZMAN: 1997: 60).A epistemologia positivista (cuja idéia central concedia ao fato observável aautoridade da “verdade científica”) dá lugar às reflexões sobre a fragmentaçãodas ciências. Portanto, as discussões sobre a temática não são nada recentes.De forma mais concreta, entretanto, o movimento interdisciplinar surge naEuropa (França e Itália) em idos dos anos 60, mesma época dos movimentosestudantis franceses de cunho marxista, que reivindicavam mudançasestruturais nas instituições escolares. É nessa época, portanto, que as críticascontra um saber oferecido em “migalhas” se fez ecoar. Diz Ivani Fazenda(1995): Esse posicionamento nasceu como oposição a todo o conhecimento que privilegiava o capitalismo epistemológico de certas ciências, como oposição à
  • alienação da academia às questões da cotidianeidade, às organizações curriculares que evidenciavam a excessiva especialização e a toda e qualquer proposta de conhecimento que incitava o olhar do aluno numa única, restrita e limitada direção, a uma patologia do saber (FAZENDA, 1995: 19).A discussão teórica nesta época sobre o papel humanista da ciência acaboupor encaminhar as primeiras discussões sobre a interdisciplinaridade. Gusdorf(1978) inaugura as reflexões sobre o tema a partir da categoria de totalidade,quando apresentou um projeto de pesquisa interdisciplinar à UNESCO em1961. O autor previa a diminuição da distância teórica entre as ciênciashumanas no seu projeto.Desde muito tempo, Marx já sustentava a historicidade como fundamento dasciências. Para ele a totalidade seria alcançada através do referencial histórico.A epistemologia construtivista de Piaget busca o desvendamento do processode construção do conhecimento, fundamentando assim, a unidade dasciências. Para Piaget (1972) a interdisciplinaridade é uma forma de pensar euma forma de se alcançar a transdisciplinaridade (que ultrapassa a integraçãoe reciprocidade entre as ciências e se transpõe para um espaço ondedesapareceriam as fronteiras entre as ciências.A década de 70 no Brasil representou o período filosófico de explicitaçõesterminológicas neste campo. Nesse período, Hilton Japiassú se ocupou doideário interdisciplinar no terreno epistemológico e Ivani Fazenda, no campo daeducação. Nesse período Hilton Japiassú publicava um livro, apresentandouma síntese das principais questões interdisciplinares e anuncia ospressupostos de uma metodologia interdisciplinar.Para ele, essa metodologia consistia em tornar possível um projetointerdisciplinar para as ciências humanas, a partir dos recursos disponíveispara este fim. Portanto, ele cuidava das condições de realização de um projetodessa natureza para as ciências humanas, estudando as relações e inter-relações entre as ciências.Ivani Fazenda desenvolveu sua pesquisa de mestrado a partir dos estudos deJapiassú e de outros estudiosos europeus Nesse estudo buscou conceituar ainterdisciplinaridade numa época de reformas educacionais no Brasil (1973). Aautora vislumbrou o caos em que estava mergulhada a educação escolarbrasileira naquele período, o que se reflete, sobremaneira até os nossos dias.
  • A década de 80 caracterizou-se como um período de discussão sobre ainterdisciplinaridade e sua ocupação nas ciências humanas e na educação.Diversas práticas interdisciplinares já se desenvolviam em algumas instituiçõesde ensino. Foi o que registrou Ivani Fazenda em pesquisas realizadas em doisperíodos – 1987 a 1989 e entre 1989 a 1991. Suas pesquisas revelaramcaracterísticas interessantes do professor interdisciplinar, como pesquisador,alto grau de comprometimento para com a aprendizagem dos alunos, utilizaçãode novos procedimentos de ensino, etc.No segundo trabalho, buscou desenvolver uma metodologia de trabalhointerdisciplinar e seu principal objetivo residia na conscientização do professorcomo sujeito de sua própria ação. A autora registrou várias práticaspedagógicas de professores desde a pré-escola até o nível superior. Essememorial de experiências interdisciplinares permitiu-lhe a construção de umdenso quadro de referência na área.A partir de 1990 instaurou-se o modismo interdisciplinar no Brasil. Muitaspráticas intuitivas se fizeram e ainda se fazem presentes, o que impulsionaestudos e pesquisas visando ainda esclarecer a temática. Ivani Fazendacomenta: O número de projetos educacionais que se intitulam interdisciplinares vem aumentando no Brasil, numa progressão geométrica, seja em instituições públicas ou privadas, em nível de escola ou de sistema de ensino. Surgem da intuição ou da moda, sem lei, sem regras, sem intenções explícitas, apoiando-se numa literatura provisoriamente difundida. (FAZENDA:, 1995: 34).O problema é quando se nega todo e qualquer caminho pedagógico jápercorrido desde décadas em nome de uma prática sem grandes fundamentos.Este é um bom momento para se propiciar tal discussão.INTRA, PLURI, MULTI E INTERDISCIPLINARIDADEUma prática pedagógica interdisciplinar pode vir a utilizar-se, num primeiromomento, de uma ação intradisciplinar, ou seja, do estabelecimento derelações entre uma matéria (disciplina-mãe, matriz) e demais disciplinasaplicadas.
  • A intradisciplinaridade corresponde, pois, às relações intrínsecas entre amatéria e as disciplinas que derivam da primeira. Assim por exemplo, nasciências da educação, a História pode ser concebida como matéria (matriz) e aHistória Universal da Educação e História da Educação Brasileira, comodisciplinas derivadas, aplicadas.A intradisciplinaridade vem a ser, portanto, uma etapa a ser desencadeada noprocesso pedagógico interdisciplinar. Para Japiassu (1976), a diferença entrepluridisciplinaridade e multidisciplinaridade é quase nula. A multidisciplinaridadese resumiria a um conjunto de disciplinas a serem trabalhadassimultaneamente, sem que as relações entre as partes sejam explícitas pormeio de objetivos pedagógicos claros e bem definidos.A pluridisciplinaridade, para o autor, diz respeito à justaposição de diversasdisciplinas “situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas demodo a fazer aparecer as relações existentes entre elas; [...]interdisciplinaridade é a axiomática comum a um grupo de disciplinas conexase definida no nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz noção definalidade” (Japiassu, 1976, apud Gadotti, 2000:24). O conceito detransdisciplinaridade também tem sido extremamente confundido nos meiosacadêmicos. Para Gadotti : Nas ciências da educação, a transdisciplinaridade é entendida como a coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado sobre a base de uma axiomática geral, ética, política e antropológica. (GADOTTI, 2000 : 224).Isto posto, interdisciplinar vem a ser o resultado da articulação entre duas oumais disciplinas com objetivos pedagógicos comuns, já que as disciplinas nãopodem ser consideradas como ilhas isoladas num arquipélago perdido. São,nessa perspectiva, a unidade do saber que se realiza na especificidade decada uma das disciplinas.INTERDISCIPLINARIDADE ESCOLAR E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICAConsideraremos como tipologia, dois modelos interdisciplinares: o científico e oescolar. O científico refere-se àquela categoria mais geral de ciência eantecede, por definição, a prática puramente escolar. A interdisciplinaridade
  • escolar, compreendida no seu âmago, diz respeito à atualização pedagógica,na sala de aula e na instituição escolar, das articulações, relações deinterdependência e complementaridade entre as disciplinas do currículo.Yves Lenoir (1997) distingue em 3 a tipologia interdisciplinar do ponto de vistaescolar: a interdisciplinaridade curricular, a interdisciplinaridade didática e apedagógica. À interdisciplinaridade curricular corresponderia uma dimensãomais ampla, capaz de açambarcar a interdisciplinaridade didática – onderepousa a idéia de planejamento da organização, da prática e da avaliaçãoeducativa – e a interdisciplinaridade pedagógica – caracterizada pelaatualização em sala de aula da interdisciplinaridade didática.Por considerarmos excessiva tal tipologia, ainda que esclarecedora, optamospor explicar, no seio da interdisciplinaridade escolar, as interfaces entre ainterdisciplinaridade curricular e a pedagógica, detendo-nos, prioritariamente,sobre a segunda abordagem.Para além da mera integração de conhecimentos, a interdisciplinaridadepedagógica supõe a produção de síntese superadoras, sublinhando, assim, arelação dialética entre dimensões antes dicotômicas do conhecimento:teoria/prática; conteúdo/forma; ação/reflexão; homem/sociedade, etc.A construção contínua de sínteses que superem antigas dicotomias, nãoacontece como um modelo a ser transposto pelo professor no espaço da salade aula. Antes, opera-se em nível mental, por parte dos alunos, a cadamomento em que a aprendizagem se desenvolva significativamente.Assim, a realidade não está fora do sujeito cognoscente, mas faz parteintegrante deste. Num imbricamento dialético, sujeito e realidade sãoelementos que se interinfluenciam. Desse ponto de vista, a interdisciplinaridadeé um tipo de abordagem e conduz a uma ordenação específica do processoensino-aprendizagem, notadamente no plano dos conteúdos e das atividades.Nesse sentido, os professores proporcionam aos alunos uma aprendizagemsimultânea dos saberes e dos métodos comuns a várias disciplinas. Assim, ainterdisciplinaridade reordena conhecimentos diversos e provoca umconhecimento novo. Segundo Gadotti (2000) em termos metodológicos, aprática pedagógica interdisciplinar implica em:a) “integração de conteúdos;
  • b) passar de uma concepção fragmentária para uma concepção unitária doconhecimento;c) superar a dicotomia entre ensino e pesquisa, considerando o estudo e apesquisa, a partir da contribuição das diversas ciências;d) ensino-aprendizagem centrado numa visão que aprendemos ao longo detoda a vida (educação permanente)”. (Gadotti, 2000 : 222).É importante esclarecer aqui a idéia de “integração de conteúdos”, a fim dedirimir eventuais enganos, tão correntes em práticas pedagógicas cotidianas.Freqüentemente a interdisciplinaridade tem sido confundida com essa idéia deintegração. Mas a integração entre os conteúdos de diferentes disciplinas nãoacontece do exterior para o interior. Antes de tudo, constitui-se como umprocesso interno, relativamente ao sujeito que aprende.É um processo construtivo, em que o sujeito cognoscente apropria-se dosobjetos de conhecimento de modo a perceber as interconexões entre osmesmos, tornando-se assim, capaz de vislumbrar, de compreender a realidade,numa perspectiva de totalidade.Portanto, a relação entre interdisciplinaridade e integração é complementar,mas não significam jamais a mesma coisa. Em síntese, para que se efetiveuma mediação pedagógica dentro de prerrogativas interdisciplinares, énecessário antes de mais nada, mudança de postura.Essa mudança implica no abandono de práticas pedagógicas rígidas ereferenciadas exclusivamente na figura do magister ou professor-mestre, paratornar possível a caminhada rumo ao trabalho interdisciplinar, fundadoessencialmente, no trabalho coletivo. Parafraseando Ivani Fazenda, esta é umaperspectiva que se constrói em parceria.CONCLUSÃOO mundo não se constitui de fenômenos isolados, mas complementares entresi. O reconhecimento dessa teia de relações, muitas vezes contraditórias eambíguas, significa, então, um avanço na compreensão dessa realidadecomplexa.Assim, a transcendência dos limites disciplinares do conhecimento é condiçãofundamental ao olhar abrangente da interdisciplinaridade. A gênese do saber
  • interdisciplinar repousa na idéia de relação entre as partes de um dadoconhecimento. Portanto, se cada matriz curricular, representa um tecido coeso,as disciplinas são as linhas que o tecem. Dito de outro modo,interdisciplinaridade significa: Relação entre as disciplinas, evidenciada por uma abordagem pedagógica particular. Abordagem de ensino em torno de um tema ou de um projeto que serve ao estudo de algumas ou várias disciplinas integradas [… ].Epist. Numa perspectiva mais geralmente aceita e mais abstrata, domínio da ciência, com certa relação de unidade, de relações e de ações recíprocas, de interpenetração entre diversas porções do saber nomeadas disciplinas científicas. (SMIRNOV, S.N., 1983 in Dictionnaire Actuel de lÉducation, op. cit.)A interdisciplinaridade não é uma categoria de conhecimento, mas de ação.Não significa, tampouco, a integração de conteúdos, mas a inter-relação entreas disciplinas, em se considerando seus objetivos e metodologias próprias.Interrelacionar não é integrar, globalizar, perdendo-se de vista a especificidadede cada objeto de conhecimento. Uma ação pedagógica interdisciplinar requer,antes de tudo, uma atitude interdisciplinar. E, no limite, interdisciplinaridade faz-se, antes, entre os indivíduos para, só depois, concretizar-se na inter-relaçãoentre as disciplinas.A interdisciplinaridade busca a ressignificação da idéia de disciplina com seuhipotético objeto formal. Não o nega, mas o fortalece, adquirindo assim umanova forma de acesso ao real. “Essa nova abordagem é possibilitada aosubmetê-la a um tratamento eminentemente pragmático, em que a ação passaa ser o ponto de convergência e partida entre o fazer e o pensar dainterdisciplinaridade”. (FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade : história, teoria epesquisa. São Paulo, Ed. Papirus, 1995, 2a edição, p. 67.)Essa atitude visa, então, o fortalecimento da identidade das disciplinas, edepende do seu desenvolvimento efetivo, da sua maturidade em relacionar-secom as demais. Essa posição desmascara a pretensão de supremacia decertas ciências. De onde, a conclusão de que a interdisciplinaridade é umacategoria de ação e agir implica em ter uma intenção, assumir uma atitude, emse considerando as condições de espaço e de tempo. Implica, pois em um
  • projeto coeso, coerente, de revisão sistemática e permanente dos seuspostulados.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS :COLL, César et all. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ed. Ática,1998.FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade : história, teoria e pesquisa. São Paulo :Ed.Papirus, 1995, 2a edição.FAZENDA, Ivani (org.). Didática e interdisciplinaridade. São Paulo: EditoraPapirus,1997.GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artesmédicas, 2000.LENOIR, Yves. Didática e interdisciplinaridade: uma complementaridadenecessária eincontornável (tradução de Marly de Oliveira) in FAZENDA, Ivani (org). DidáticaeInterdisciplinaridade. São Paulo: Editora Papirus, 1997.MATUI, Jiron. Construtivismo. Teoria construtivista sócio-histórica aplicada aoensino.São Paulo: Ed. Moderna, 1995.SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade, o currículointegrado. PortoAlegre: Editora Artes Médicas, 1998.SCHWARTZMAN, Simon. A redescoberta da cultura, in Ensaios de Cultura,São Paulo:EDUSP, 1997.www.nuppead.unifacs.br/artigos/Interdisciplinaridade.pdf -