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Igrejas Evangelicas - Livro Igreja UTI
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Igrejas Evangelicas - Livro Igreja UTI

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Igreja UTI …

Igreja UTI

Autor: Jônatas Cunha
Tamanho: 14x21 cm 140 pgs.

Na medida em que as civilizações evoluem, o mesmo também ocorre com os seus problemas.

Mudamos as estruturas sociais e os métodos de trabalho, mas os problemas continuam.

Concorrem para o incremento das dificuldades fatores como o esfriamento do amor, a insensibilidade e a falta de misericórdia, entre outros.

Imperam o isolamento, a agressividade, o medo e a síndrome do pânico, que representam alguns dos problemas montados pela sociedade contemporânea.

A Igreja está inserida em uma sociedade que viaja em um trem descarrilado, caminhando rumo a um futuro não muito bem delineado. Talvez para uma UTI.

Em meio a esta pandemia, nenhuma outra entidade seria tão eficiente para exercer ações de cura quanto a Igreja.

A Igreja UTI é um instrumento de trabalho a ser colocado nas mãos da liderança e dos que necessitam de tratamento.

Uma proposta que deverá ser considerada seriamente.

Lançamento da Editora Naós

Mais informações : www.editoranaos.com.br

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Transcript

  • 1. Igreja UTI Uma proposta urgente Jônatas F. Cunha
  • 2. Igreja UTI ! Categoria: Vida Cristã – Testemunho – Ministério ! Diagramação e Editoração: Ubirajara Crespo Av. Fuad Lutfalla, 1226 ! 02968-000 / São Paulo – SP Revisão de Texto: Tel/Fax (11) 3992-8016 João e Edna Guimarães www.editoranaos.com.br editoranaos@editoranaos.com.br ! ! 1 Edição: a Copyright © 2009 por Editora Naós Setembro de 2009 ! ! Todos os direitos são reservados. Deverá Autoria: ser pedida a permissão por escrito para a Jônatas F. Cunha Editora Naós para usar ou reproduzir este ! livro, exceto por citações breves, críticas, ISBN: revistas ou artigos. 978-85-7795-044-7 235.4 Cunha, Jônatas M764c Igreja UTIs/ Jônatas Cunha. São Paulo: Naós, 2009. 142 p. ISBN:978-85-7795-044-7 1. Ministérios 2. Cura Interior 3. Igreja I. Título. CDD 18ª. ed.
  • 3. “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento” Lucas 5.31,32. “ igreja tem, por sua missão, restaurar almas e A apresentar cada homem a Deus, conforme a “estatura completa de Cristo”. Esta busca de completude sem dúvida abrange o reconhecimento e o suprimento das necessidades emocionais das pessoas. O papel da igreja é o de uma “comunidade terapêutica”, um corpo que promove cura e recuperação de pessoas em sofrimento.” Denise Machado Duran Gutierrez, psicóloga.
  • 4. Sumário 1 – Lista de figuras 2 – Colocando o assunto 3 – Uma resposta urgente de igreja 4 – Como ser igreja UTI? 5 – Aprendendo a entrar na frequência de Deus 6 – Educando crianças num mundo hostil 7 – Educar como oficina de caráter 8 – Modelos de educadores UTI 9 – Vencendo o desmancha-prazer da depressão 10 – Uma “alto-ajuda” que vem do alto 11 – Curando a si mesmo para um viver saudável 12 – Restaurando casamentos sem mitos 13 – Anjos do asfalto 14 – Vencendo o egoísmo e aprendendo a generosidade 15 – Desmistificando o mito do dinheiro 16 – Aprendendo a andar por cima das crises 17- Abrindo o jogo sobre as drogas e como sair da sua dependência 18 – Exorcizando os maus espíritos sem reality show 19 – Deficientes físicos nos ensinam lições de eficiência 20 – A igreja UTI e a questão da homofobia 21 – Atendendo a chamadas de SOS 22 – Valorizando os que chegam à igreja UTI 23 – Conclusão
  • 5. 1 Listas de figuras Figura 1 : Cristo (o médico dos médicos) Figura 2 : O templo (um hospital psicossomático) Figura 3 : Os bancos do templo (leitos de restauração) Figura 4 : Os membros da igreja (paramédicos de Cristo) Figura 5 : O tratamento nesta igreja (O soro da Bíblia e do afeto)
  • 6. 2 Colocando o Assunto omecei os meus passos da carreira cristã numa igreja C relativamente grande. E a primeira igreja que pastoreei tinha menos de quarenta membros. Quando aceitei o desafio para pastoreá-la, meu desejo era, igual ao de todo pastor, vê-la crescer, conforme Atos 9:31: “Caminhando no temor do Senhor e no conforto do Espírito Santo, crescia em número”. O grande conflito em minha busca era encontrar uma forma de crescer como igreja genuinamente saudável. Nos primeiros anos de trabalho como comunidade cristã no bairro, arregaçamos as mangas e entramos em ação. Tentamos células, evangelismo ao ar livre com músicas, abrimos as portas para os problemas sociais do bairro, oramos nas praças, distribuímos panfletos, tivemos farmácia comunitária, assistimos o sanatório de doentes mentais, oficiamos cultos fúnebres no velódromo do bairro, enviamos centenas de correspondências e tantos outros projetos. Com o passar do tempo, demos conta de que estávamos oferecendo o que as pessoas queriam, não o que elas precisavam. Estávamos na visão de conquistar popularidade ainda que nos tornássemos impopulares aos olhos de Deus. Foi um choque perceber que do lado de fora havia uma sociedade cada vez mais pluralista, descrente, midiática e doente. E que nela o pecado já não representava mais um grande problema. O pecado chegava a ser glamourizado. O que no passado era socialmente repudiado, hoje era visto até como virtude. Pior ainda, demos conta de que, com o avanço da ciência, o pecado estava fugindo da alçada teológica, transformando-se em enfermidades psíquicas. Concluímos que precisávamos trabalhar no sentido de convencer as pessoas que o pecado era uma transgressão a
  • 7. 8 Igreja UTI, Uma Proposta Urgente Deus. E que não se podia diagnosticá-lo com terapias e Prozac, por tratar-se de um problema espiritual. Outro fator agravante que nos forçou a repensar nosso trabalho foi tentar descobrir as pessoas para poder lidar com elas. O dramaturgo inglês William Shakespeare descreveu a vida como um palco, onde todos nós somos atores. Nossa passagem pelo palco da vida é nossa história real. Não existem coadjuvantes para a história de cada um. Nós somos atores principais e insubstituíveis. Quando nascemos, o script de cada trama já está escrito por Deus, o Escritor da nossa vida. O grande problema nesta trama é atinar que neste palco somos uma trindade de pessoas. No cotidiano somos aquilo que as pessoas imaginam que somos, mas que na verdade não somos. Uma das premissas prediletas de Sócrates era: “Fala para que eu te conheça”. Quantas vezes nós fazemos “pré-juízos” de uma pessoa, e quando ela começa a falar descobrimos o quanto estávamos enganados a respeito dela. É falando que conhecemos e nos deixamos revelar aos outros. Já em nossas particularidades, muitas vezes somos um ser de angústias. Isto ocorre quando alguém deseja ser aquilo que não pode ser, mas que luta com todas as suas forças para tentar. Quantas pessoas sofrem caladas tentando imitar, ser igual e ter o que o outro tem. Mas quando todos adentram suas portas e olham para o espelho sem máscaras e sem maquiagens, deparam com sua realidade nua e crua. Cremos que uma igreja para estar pronta a desempenhar seu papel atualmente precisa compreender esta complexidade humana. Precisa crer que o ser em que Deus deseja trabalhar é o do espelho. Foi nesta particularidade que homens como Davi, Jacó, Jó e tantos outros tiveram suas curas. Como a igreja na pós-modernidade deve ver o homem? Do ponto de vista da antropologia, conforme o antropólogo mineiro Juvenal Arduini, ele é um mistério. Na sociedade atual o homem é medido pela sua utilidade. Ele vale de acordo com o seu aproveitamento utilitarista. É como um utensílio ou mercadoria. O Dr. Victor Frankl, médico e psicanalista que viveu no campo de concentração em Auschwitz, aconselhava seus companheiros
  • 8. Colocando o Assunto 9 a se mostrarem sempre úteis. O homem está perdendo sua humanidade consciente. Aos poucos foi se acostumando com o horror. É capaz de tomar suas refeições assistindo a noticiários de cenas reais de violências. Parece que a barbárie e o sangue humano já não nos incomodam mais. Na definição de Nietzsche, o homem deve lutar para dominar antes de ser dominado. Já Adler o vê como um ser de desejos insaciáveis, e Nicolau Maquiavel, um astuto para sobreviver. Os behavioristas Pavilov e Skinner descrevem o homem como seres condicionáveis. Em suas concepções no futuro breve, as palavras seriam substituídas por símbolos. É interessante como já não precisamos mais de letreiros para anunciar casas de lanches rápidos, supermercados, comidas, lojas, bebidas etc. Basta olhar o símbolo para saber o que se anuncia. O homem é um ser vulnerável tanto para o bem como para o mal. São duas potencialidades intrínsecas em si que podem se desenvolver. É neste grande desafio que a igreja tem o papel de tornar o homem um ser comunitário e não agregado. Os animais vivem agregados porque andam sempre em bandos, mas quando surge o perigo, é cada um por si. O homem precisa do outro, mas não protege o outro. Houve uma grande reviravolta em nossa visão quando percebemos que a igreja protestante precisava também de UTI urgente, para ser novamente reformada. Confesso que tudo isso foi válido como experiências e laboratórios vivos. Sinto que nossa igreja só começou a fazer sentido quando fomos despertados para as maiores necessidades espirituais e emocionais de qualquer pessoa, assim como amor, aceitação, compreensão e salvação. No chamado comportamento seletivo, toda pessoa tenta sufocar seus complexos, relacionando-se com pessoas que lhe ofereçam segurança, principalmente para sua personalidade afetada pelas feridas abertas na alma. É grande o contingente de pessoas correndo atrás de um tempo perdido com ilusões, outras tentando perdoar ou conseguir o perdão de alguém. São pais correndo atrás do amor dos filhos e filhos que jamais tiveram o amor dos pais. É muito comum encontrarmos nas rodovias alguns postos com balanças eletrônicas apenas para caminhões.
  • 9. 10 Igreja UTI, Uma Proposta Urgente Como ficamos aliviados quando a placa só diz caminhões, e não temos que parar. Mas nesta visão de pensar a igreja hoje, seus paramédicos devem estar de plantão, para os que precisam de balanços constantes. Ajudando seus pacientes a fazerem uma lista de suas atitudes e comportamentos, trazendo-os de volta para Deus. Os que tentam ignorar a placa do vinde de Cristo, para um balanço emocional, irão continuar suas viagens carregado cargas irregulares para uma vida nada saudável. A igreja UTI precisa estar pronta para ajudar a sociedade a desacelerar as arrancadas desumanas que seu próprio sistema opressor lhe impõe. Em suas portas deve haver sempre a palavra esperança. Vidas não são cifras, são como encomendas de presentes que Deus envia às igrejas, e tudo vai depender de como cada igreja vai abrir esses presentes. Você pode abrir um presente rasgando impacientemente o embrulho, ou arrebentando rapidamente os laços, como também lendo cuidadosamente a mensagem do cartão, e, depois, abri-lo carinhosamente, valorizando o que você recebeu. Lidar com vidas a partir da fé muitas vezes é como rodar todos os pratos em cima de bastões, sem deixar nenhum cair no chão. E como fazemos isto? O segredo é rodar um de cada vez, colocando mais força naquele que no momento precisar. Isto significa ser mais útil com aqueles que estão perdendo todo o vigor. Quantas vezes é preciso agir como equilibristas rodando todos os pratos ao mesmo tempo. O grande desafio é mantê-los sempre no alto. Quando alguns caem e se quebram, é hora de ajuntar todos os caquinhos, colar e colocá-los novamente em ação. A triste verdade é que pessoas doentes nem sempre são presentes muito agradáveis para algumas igrejas instituídas. A menos que se tenha a mesma paixão Daquele que amou tanto esses presentes, e que pagou caro por eles. Será que sua igreja está pronta para crescer naturalmente e saudável? Ou quem sabe precisa de ambulância? “Os sãos não precisam de médico e, sim, os doentes.”
  • 10. 3 Igreja UTI como uma resposta urgente Igreja re a medida em que as civilizações evoluem, o mesmo também N ocorre com os seus problemas. Mudam as civilizações, e os problemas jamais deixarão de existir, contextualizados à sua contemporaneidade. Isso ocorre por alguns motivos que nos parecem biblicamente mais agravantes, por exemplo, as implicações da ciência: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta a ciência aumenta tristeza” (Ec 1.18). O esfriamento do amor: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todo” (Mt 24.12). Na ausência do amor imperam o medo e a síndrome do pânico. Segundo Alexandro Secco, autor da matéria “A indústria do medo”, o Brasil tornou-se o terceiro produtor de carros blindados no mundo. Para se proteger hoje dos bandidos, as indústrias, lojas e condomínios mantêm um exército de pessoas trabalhando no país. O mercado de segurança cresce assustadoramente. Para evitar assaltos e fraudes eletrônicas, os bancos gastam bilhões em segurança. Nem todos estes aparatos de proteções têm conseguido amenizar o medo da população. Neste exato momento em que estou escrevendo esta página, ouço mais uma lastimável notícia. Um casal de velejadores australianos que acabava de dar uma meia-volta ao mundo navegando, decidiu ancorar na cidade do Rio de Janeiro. Eles enfrentaram todos os perigos dos mares, mas não conseguiram suportar um assalto dentro do barco ancorado no porto. Outro casal de italianos, seguindo as coordenadas do GPS do carro alugado, caiu no meio de uma favela e foi metralhado. Em pouco tempo de investigação, foi confirmado que os sinais daquele aparelho estavam adulterados. Infelizmente, quando você vê as notícias
  • 11. 12 Igreja UTI, Uma Proposta Urgente da mídia, é isto: violência. “Provisoriamente não cantaremos o amor que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos e cantaremos o medo que esterilizou os abraços. Não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e companheiro. Medo dos sertões, medo dos mares, medo dos desertos, dos ditadores, dos democratas, dos soldados, das mães, das igrejas, da morte. E depois da morte, porque em nossos túmulos nascerão flores amarelas de medo” (Carlos Drummond de Andrade). Escassez de alimentos. “E haverá fomes e terremotos em vários lugares” (Mt 24.7). Não é preciso ser nenhum perito em ciências sociais para perceber que a concentração do capital nos países ricos é a causa da miséria social nos países emergentes. Segundo as últimas informações da ONU, quase metade da população do mundo vive abaixo da linha da pobreza. A lógica é simples e desumana: cada criança que morre por inanição num país emergente é o preço do padrão de vida daquelas que nascem num país de primeiro mundo. A síndrome da incredulidade. “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Sl 14.1). Tendo em vista o tempo presente que já foi pretérito e que será futuro, é possível que a igreja seja a alternativa de esperança social na pós-modernidade. Mas para isto, seria necessário focar a sua vocação em alicerces seguros. Quando Jesus disse a Pedro: “Sobre esta pedra edificarei minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.8), Ele estava falando de uma igreja que transcenderia a todas as épocas. Há quase dois mil anos a Igreja de Cristo vem sendo censurada, dividida, perseguida, mas continua sempre presente e atual, porque a Igreja de Cristo pertencerá sempre ao futuro. Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho” (Mc 16.15). Esse evangelho continua o mesmo, e sempre adequado aos problemas de todas as épocas. A responsabilidade pessoal em nosso modelo proposto de igreja é imprescindível, uma vez que só a ela foi confiado esta tarefa. Examinando a raiz da palavra grega que desafia a igreja a testemunhar, encontramos “8ññõî”, que forma a base da palavra querigma (anúncio da mensagem cristã ao

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