A sustentabilidade socioambiental em sala de aula - Sérgio Adas
 

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A sustentabilidade socioambiental em sala de aula - Sérgio Adas

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Palestra ministrada pelo professor Sérgio Adas a professores de ensino público, em evento promovido pela Editora Moderna para o PNLD 2011

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A sustentabilidade socioambiental em sala de aula - Sérgio Adas Presentation Transcript

  • 1. A sustentabilidade socioambiental em sala de aula Sérgio Adas Bacharel e Licenciado em Filosofia (FFLCH-USP) Doutor em Geografia Humana (FFLCH-SP) Pós-doutorando em Educação (FE-USP)
  • 2. PARTE I O educar para a sustentabilidade: valores e práticas
  • 3. “ Havendo um jardineiro, cedo ou tarde, um jardim aparecerá. Mas um jardim sem jardineiro, cedo ou tarde, desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro.” (Rubem Alves)
  • 4. Resgatar o objeto-mundo passando da curiosidade ingênua à epistemológica
  • 5. PEDAGOGIA DA TERRA ou ECOPEDAGOGIA (Instituto Paulo Freire: ipf@paulofreire.org) Moacir Gadotti. “Pedagogia da Terra” (2000) Categorias essenciais: planetaridade e sustentabilidade. Características essenciais da “Travessia do Milênio”: avanço tecnológico aliado à imaturidade política, falta de alternativas e crise de inteligibilidade.
  • 6. Os horizontes políticos clássicos ou tradicionais: neoliberalismo e estatismo socialista burocrático e autoritário. Alternativa para além destes dois modelos clássicos: fortalecer o controle cidadão diante do Estado e do mercado e a capacidade da sociedade governar-se e controlar o seu desenvolvimento. Educação e cidadania ativa.
  • 7. “ DEMOCRACIA ECOSSOCIALISTA” (Boaventura de Sousa Santos - “Pela mão de Alice”, 1995:336) Conflito contemporâneo: limite entre um ecossistema finito e uma acumulação capitalista tendenciosamente infinita.
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  • 10. CANS SEURAT (2007) Representa 106.000 latas de alumínio. O número consumido a cada 30 segundos nos Estados Unidos.
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  • 13. SACOS DE PAPEL (2007) Representa 1,14 milhão de sacos marrons de papel de supermercado. O número consumido a cada hora nos Estados Unidos.
  • 14. PEDAGOGIA DA TERRA: VALORES E COMPROMISSOS Prevenção: é mais barato prevenir a degradação do que consertar o estrago. Precaução: avaliar as conseqüências, o impacto ambiental de uma ação. Cooperação: de todos no planejamento e na implementação de ações ambientais (participação).
  • 15. Compromisso: com a melhoria contínua, dentro do ecossistema. Responsabilidade: os governos locais são responsáveis perante as comunidades que servem. Transparência e democracia: a comunidade deve ter o controle. Formar cidadãos capazes de escolher os indicadores de qualidade do seu futuro!
  • 16. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA PEDAGOGIA FREIREANA Método de aprendizagem a partir do cotidiano dos educandos. Partir das necessidades dos alunos (curiosidade e condições gnosiológicas da prática educativa). Relação dialógica professor-aluno na busca do descobrimento rigoroso da razão de ser das coisas, porém de forma imaginativa.
  • 17. Educação como produção e não como transmissão e acumulação de conhecimentos (noção de uma ciência aberta às necessidades populares). Educação para a liberdade por intermédio de uma escola cidadã e da pedagogia da autonomia (planejamento comunitário e participativo). “ Paradigma da ação comunicativa” (Jürgen Habermas) ou “paradigma da ação dialógica” (Paulo Freire) associado ao “paradigma do conflito” (Karl Marx)
  • 18. ALGUNS OBJETIVOS E PRÁTICAS
  • 19. Mudar comportamentos (educandos e comunidade); Combinar elementos científicos e teóricos com experimentação, práticas e conhecimentos externos à escola; Popularizar e ensinar por intermédio de práticas expeditas: decibilímetro (medidor de ruídos), medidor de monóxido de carbono (CO 2 ) e o papel do tornassol para medir a acidez da água;
  • 20. Levar os educandos a produzir indicadores ambientais: aprendizado sobre a origem da poluição e as medidas necessárias para diminuí-la; Conduzir à participação em movimentos ecológicos de caráter local (Educação Ambiental Informal); Constatar problemas sócio-ambientais para advertir órgãos ambientais.
  • 21. ESTUDO DO MEIO Promover o estudo do meio, ou seja, trazer a realidade para dentro da sala de aula, tirando a turma de dentro dela. Eixos principais da atividade: interdisciplinaridade e caráter complexo da realidade; Mistura entre ensino e pesquisa; Noções de cidadania e alargamento da consciência social e ambiental.
  • 22. “ A Terra é nossa mãe, a águia, nossa prima. A árvore bombeia nosso sangue e a erva cresce. Disseram-nos os seres ancestrais: agora que fizemos todas essas coisas, cabe a vós zelar para que elas permaneçam para sempre. Foi assim que os seres humanos foram nomeados guardiões do planeta.” (Relato Gagudju da Criação - Austrália)
  • 23. PARTE II Meio Ambiente, Território e Sociedade
  • 24. “ (...) as ciências sociais proporcionam a compreensão que dá sentido e justificação à explicação das ciências naturais e, por isso, as ciências sociais são epistemologicamente prioritárias em relação às ciências naturais.” (Boaventura de Souza Santos. Introdução a uma ciência pós-moderna , 1989:68)
  • 25. José Augusto Pádua “ Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista” (2002) “ A história convencional estuda política e economia, mas não presta atenção ao fato de que a dominação colonial é um processo ecológico.”
  • 26. Anchieta e as feras , Óleo de Benedito Calixto (Seminário da Glória-SP)
  • 27. A leitura das cartas de Anchieta revela que a natureza era e devia ser combatida sob o tríplice aspecto de floresta virgem, vida animal e população indígena. A urbanização, a predação sempre se encarregaram de roubar do mato cada vez mais espaço vital, transformando-o em espaço sem vida. A floresta amazônica é a última grande reserva verde do planeta, mas não por muito tempo. Nossa marca de nascença é o corte do pau-brasil, que continuamos simbolicamente a derrubar até hoje.
  • 28.
    • Antonio Carlos Robert Moraes
    • “ Meio Ambiente e Ciências Humanas” (1994)
    • Características essenciais da Formação Brasileira:
    • Conquista territorial;
    • Padrão dilapidador dos recursos;
    • Dependência econômica externa;
    • Concepção estatal geopolítica;
    • Estado Patrimonial;
    • Sociedade excludente;
    • Tensão federativa.
  • 29. Mauro Leonel “ A morte social dos rios” (1998) Degradação ambiental como um processo social; As relações dos homens com a natureza são indissociáveis das relações que os homens mantêm entre si (fatos ecológicos como fatos sociológicos); Danos ambientais causados por diversos usos sociais dos recursos naturais; Comunidades tradicionais e processo endocolonial (sociodiversidade);
  • 30. Amazônia O caráter universalizador do modo de ser da sociedade industrial vem introduzindo uma competição desigual com as populações desfavorecidas em torno do aproveitamento da água e do peixe.
  • 31. Ricardo Toledo Neder “ Crise socioambiental: Estado e sociedade civil no Brasil (1982-1998)” (2002) Ambiental como um artefato humano versus naturalismo revivido e pré-romântico manipulado pela mídia e marketing no plano da psicologia coletiva; O ambiental (suporte da rede da vida na Terra) exige um território que é também domínio organizado de poder (quando o é) constituindo-se em Estado (quando e onde isso de fato ocorre);
  • 32. Ambiental é parte de uma entidade mais ampla ainda, a sociabilidade política entre dominantes e dominados, inimigos e amigos, hegemônicos e contra-hegemônicos presente em toda arena política. Necessidade de interpretação sobre o tema da divisão política, técnica e ética de responsabilidades que determina a crise socioambiental no Brasil versus grande imprensa dos fait-divers sobre as ocorrências de risco no dia-a-dia;
  • 33. Crise contemporânea e segregação socioambiental, econômica e espacial ; Ausência de políticas de regulação fundiária, do uso e da ocupação do solo urbano e de habitação popular; Regulação: implementação de políticas pelo Estado que reproduzem em maior ou menor grau a segregação já existente;
  • 34. Campo dos conflitos socioambientais : interesses econômicos em choque com comunidades e grupos sociais; Caráter paliativo da geopolítica das unidades de conservação e da política de zoneamento industrial/controle ambiental e o ideário da gestão ambiental;
  • 35. Interdependência entre o estado da depleção de recursos naturais de países dependentes como o Brasil, o sistema hegemônico internacional comandado pelas economias do Grupo dos 7 (países mais ricos); Difícil inclusão numa sociedade de classes das comunidades tradicionais (indígenas, caiçaras, ribeirinhos, pescadores, entre outros);
  • 36. Corrente neoconservacionista : observa atores políticos e econômicos a partir da ótica fundante das populações tradicionais. A defesa da sociodiversidade das populações humanas locais, não como “espécies” a preservar, mas algo como complementação, pois a manutenção das populações tradicionais é parte inseparável da biodiversidade.
  • 37. PARTE III Conflitos socioambientais na Amazônia Brasileira
  • 38. Os desertos os sucedem.” (René de Chateaubriand, escritor e poeta francês, 1768-1848) “ As florestas antecedem os povos.
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  • 50. Processo de desmatamento T2 – Perda do sub-bosque T1 – Retirada de madeira T3 – Perda parcial do dossel T4 – Final da degradação = Corte raso
  • 51. Final de degradação = Corte raso Pastagem
  • 52. Questão fundiária: 6.102 títulos de terra registrados nos cartórios estaduais contém irregularidades. Somados, os papéis representam mais de 110 milhões de hectares , ou quase um Pará a mais em áreas possivelmente griladas (o Pará tem 124 milhões de hectares). Áreas irregulares Pará = =
  • 53. Dados do Inpe publicados no site do jornal O Estado de S. Paulo . KM quadrados Ano Pará: o estado que mais desmata na Amazônia
  • 54. R$ 1,2 mil é o custo médio para aumentar a produtividade de 1 ha de pastagem. R$ 800 é o custo médio para derrubar 1 ha de floresta e abrir pastagens ( FONTE : EMBRAPA)
  • 55. O crescimento da pecuária na Amazônia é acompanhado pelo aumento da devastação
  • 56. 78% do desmatamento na Amazônia aconteceu para abrir espaço para os pastos ( Imazon).
  • 57. Desmatamento recente é concentrado nos principais municípios com maiores rebanhos . Desmatamento 2007 (Inpe) x Distribuição do Rebanho (IBGE)
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  • 64. Muito grato pela atenção! sergioadas.blogspot.com twitter.com/sergioadas [email_address] www.sergioadas.pro.br