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Business Reporter February 2012

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  • 1. nr.01 // 15 de Fevereiro 2012 // edição especial distribuída com o jornal e não pode ser vendida separadamenteBusiness reporteriniciativa accenturee o país económicodebate estratégiaspara alcançar umcrescimento sustentadoentrevista com investimento tendênciaspresidente da cta em África de gestãoRogério Manuel fala dos África assume um papel crescente Os pilares da gestãonovos desafios que se colocam no diálogo global sobre crescimento moderna e estratégias para oao tecido empresarial e oportunidades económicas desenvolvimento de Moçambique
  • 2. notas soltasCom os olhosno merCado Jeremias langa, director do jornal “o País”A revista que tem em mãos é um notável projecto da SOICO e taxas de crescimento económico mais robustas de todos osda Editando. A SOICO é um grupo moçambicano privado de tempos dos chamados países emergentes, urge que as socie-comunicação social, proprietário do jornal “O País”, da rádio dades económicas encontrem formas de resolver os problemasSFM e da televisão STV. A Editando é uma empresa portuguesa económicos fundamentais daí decorrentes. Esta reflexãoque actua na área da comunicação e da edição. também se impõe em Moçambique, país que conhece, há prati-Em conjunto, as duas empresas decidiram unir esforços e camente uma década, níveis de crescimento acima dos 7% mascapacidades para lançar uma iniciativa que se pretende afirmar cujo abrandamento dos índices de pobreza não é directamentecomo uma publicação de referência de conteúdos económicos e proporcional ao ‘boom’ da economia.financeiros. A escolha deste tema alinha-se a umaPara o Grupo SOICO, que já tem no “O outra parceria de prestígio, que a SOICO,País Económico” uma publicação semanal a Business reporter, através do jornal “O País”, está a iniciarpara o mercado moçambicano, este novo com a Accenture, uma consultora interna- procurará colocar-se naprojecto significa uma aposta editorial ain- cional de gestão. Refiro-me à organizaçãoda mais evidente no sentido das activida- vanguarda das grandes de uma conferência, no hotel Polana, comdes empresariais. A revista vai trazer mui- questões económicas os CEO e os gestores de topo das maioresta informação, análises, entrevistas com e financeiras, sempre empresas com operação em Moçambiquedecisores, mas sobretudo espera fazer o para precisamente discutirem “Estra-enquadramento sectorial das actividades com o intuito de tégias para alcançar um crescimentoeconómicas para uma melhor compreen- apontar caminhos. sustentado”. Esta conferência conta comsão de quem investe ou pretende investir a presença de personalidades políticasna economia moçambicana. moçambicanas da primeira linha e do key-Por isso, a Business Reporter procurará assumir-se exclusiva- note speaker Luís Pedro Duarte, administrador da Accenture,mente como uma publicação cujo conteúdo reflectirá o funcio- responsável pela área de consultoria estratégica em Portugal,namento de uma economia de mercado. Tentará vincar a sua Angola e Moçambique, que aborda as estratégias e desafios queligação à qualidade da informação produzida pelas empresas, enfrentam as organizações empresariais para alcançar cresci-afirmando-se, deste modo, como uma ferramenta de trabalho mento sustentado nos seus negócios, num mundo em mutação.e de tomada decisão indispensável para empresários e quadros Prática regular e de prestígio em Portugal, por juntar gestoresde empresas, ao disponibilizar-lhes informação económica de primeira linha, a iniciativa CEO Experience rapidamente foicondizente com as suas necessidades, enquanto consumidores experimentada com igual sucesso em Angola e chegou, agora,regulares dessa informação e que a querem profissional e fiável, por via da parceria Accenture e SOICO, a Moçambique, com anum misto de informação técnica e de actualidade. convicção de que tenha aqui a mesma aceitação que conheceuPara esta primeira edição escolhemos a conferência “CEO naqueles dois países.Experience Moçambique”, uma iniciativa promovida pela Voltando à revista, a Business Reporter, guiar-se-á por critériosAccenture e pelo jornal “O País Económico”, sob o tema de rigor, exigência e qualidade, e procurará colocar-se na van-“Estratégias para alcançar um crescimento sustentado”. Num guarda da problematização das grandes questões económicas emundo mais global, que alia uma das mais contundentes crise financeiras, sempre com o intuito de apontar caminhos. económica e financeira dos tempos modernos do Ocidente às Business RepoRteR | n.º01 | Fevereiro 2012 paRceRia // editoRa executiva cristina casaleiro // Redacção andreia seguro sanches, Fátima azevedo, Manuela sousa Guerreiro, paula Girão // FotoGRaFia dR // desiGn Filipa andersen // paGinação Filipa andersen, vasco costa // colaBoRações accenture, eMRc, prof. dr. Ragendra de sousa // dpto. coMeRcial cristina lopes, isabel do carmo, Maria do carmo santos // contactos t. +351 21 358 44 60 | F. +351 21 358 44 61 | editando@editando.pt // dl n.º 339745/12 // iMpRessão idG – imagem digital Gráfica, lda. // tiRaGeM 5000 exemplares // todos os direitos reservados. fevereiro 2012 | Business reporter 1
  • 3. índice 04 em cima do acontecimento previsões, investimentos e números que irão marcar 2012 Radar 08 a atracção por África 12 sadc com infra-estruturas e comércio na agenda 14 empreendedorismo e crescimento do sector privado em África opinião 18 Reflexões sobre o modelo de desenvolvimento de Moçambique 20 talento: uma fonte de valor e sustentabilidade tendências 24 capitalizar oportunidades de crescimento 26 o mercado de consumo na África subsariana 28 organizações devem reavaliar estratégias 30 entrevista Rogério Manuel, 34 presidente da cta ceo experience Moçambique 33 conferência de ceo discute estratégias de crescimento 34 entrevista luís pedro duarte, administrador da accenture Business Reporter, uma Gestão positiva publicação de referência 38 Bci investir nas competências de gestão de conteúdos económicos 40 edM aumento da rede e financeiros. 08 eléctrica em marcha 42 servitrade expansão e crescimento sustentados 44 a fechar comunicação: o investimento confundido como custo em Moçambique 18 42 30 262 Business reporter | fevereiro 2012
  • 4. em cima do acontecimento Previsões, investimentos, números que irão marcar a diferença em Moçambique e no mundo, no decorrer de 2012. MoçaMBique 4ª econoMia Mais dinâMica do Mundo de acordo com o Fundo Monetário internacional (FMi), Moçambique foi a sétima economia mais dinâmica no período compreendido entre 2001 e 2010, e será a quarta entre 2011 e 2015. as projecções da instituição financeira multilateral apontam ReseRvas BancÁRias cResceM para um crescimento As reservas bancárias e as reservas internacionais económico na ordem líquidas moçambicanas registaram um aumento dos 7,7% nesse no final de Dezembro de 2011, de acordo com os período, contra os dados apresentados pelo Banco de Moçambique. As 7,9% registados entre reservas bancárias cifraram-se nos 12.418,7 milhões 2001 e 2010. de meticais, o que representa um aumento de 130,9 pes pRevê cResciMento de 7,5% eM 2012 números que milhões de meticais em relação ao início do mês de A economia moçambicana deverá crescer cerca demonstram a Dezembro. de 7,5% em 2012, enquanto que a inflação deverá vitalidade da economia fixar-se numa taxa média anual de 7,2%, segundo de Moçambique, que os indicadores macro-económicos que constam nos próximos cinco pRodução de eneRGia eléctRica do Plano Económico e Social (PES). As metas anos conseguirá vai auMentaR 4,3% são ambiciosas e o volume global de exportações níveis de crescimento a produção de energia eléctrica em Moçambique vai de bens deverá atingir os 3.020 milhões de USD. superiores a países crescer 4,3% em 2012, face aos valores registados A concretizar-se, representará um aumento como a tanzânia em 2011. de acordo com o plano económico e social significativo face a 2011, ano em que o volume de (7,2%), o vietname (pes), este ano o país deverá atingir uma produção exportações chegou aos 2.4 milhões de USD. (7,2%), o Gana e o de15 537 GWh, valor que compara com os 12 520 As prioridades do Executivo para 2012 são a congo (7%). acima GWh produzidos em 2011. criação de oportunidades de emprego e de um deverão ficar a china a produção de energia a partir das centrais ambiente favorável ao investimento privado e ao (com um crescimento a térmicas controladas pela empresa electricidade de desenvolvimento do empresariado nacional; a rondar os 9,5%), a Índia Moçambique poderá vir a representar cerca de 47% melhoria da qualidade dos serviços públicos de (com 8,2%), e a etiópia do total. as projecções do Governo têm por base educação, saúde, água e saneamento, infra- (8,1%). a expectativa de desempenho positivo das centrais -estruturas e energia; e, ainda, a continuação dos abastecidas a gás natural na província de inhambane. trabalhos para que a administração local do Estado e as autarquias estejam cada vez mais ao serviço do cidadão. centRal de cRédito avança a central de risco de crédito que o Banco de Moçambique está a desenvolver vai contar com a colaboração das diversas instituições financeiras que operam no país. o objectivo da central de risco de crédito é o de reduzir o risco de crédito e, consequentemente, as taxas de juro. de acordo com a autoridade monetária, a redução da taxa de juro vai impulsionar o crédito comercial que, neste momento, está a ser induzido através de uma política que incentiva a criação e a constituição de micro-financeiras nas zonas rurais. o Fundo de apoio à Reabilitação económica é a entidade que tem estado a financiar a banca comercial e algumas instituições de micro-finanças por forma a que estas desenvolvam actividades de crédito e micro-crédito e ajudem a impulsionar a economia.4 Business reporter | fevereiro 2012
  • 5. em cima do acontecimento apenas 15,6% das teRRas estão cultivadas 48 m a área cultivada em Moçambique aumentou 47% na última década, um ritmo “impressionante” para meticais o economist intelligence unit mas que está longe (1,7 milhões de dólares) de esgotar os recursos disponíveis do país. no seu vão ser investidos no mais recente relatório sobre Moçambique, divulgado projecto turístico de em Janeiro, o eiu sublinha ainda que o número capulana em 2012, total de explorações agrícolas cresceu menos do de acordo com o que a área cultivada, 25%, mostrando um aumento orçamento de estado no tamanho mais do que no número de unidades de Moçambique produtivas. “apesar de um crescimento tão impressionante, 149 m será a Moçambique ainda mantém um grande excedente produção de gás de terras”, estando apenas em uso 15,6% dos natural em Pande e terrenos potencialmente cultiváveis, adianta. Temane 50 m UsD vão ser investidos na produçãoeducação: 2012 coM e processamento de6,4 Milhões de alunos arroz na Zambéziao ano lectivo de 2012 iniciou-se com a presença de6,4 milhões de alunos no ensino geral, distribuídos 43% é opor cerca de 12 mil escolas. as aulas são asseguradas crescimento que sepor cerca de 100 mil professores, o que perfaz um prevê da pesca darácio global de 64 alunos por professor, um número gamba. A capturalonge do desejável (30 alunos por professor). ainda poderá atingir as 1450assim, de registar a ligeira redução relativamente a toneladas em 2012anos anteriores, em que o rácio se situava nos 65,8 diÁloGo entRe estadoalunos por professor. e pRivados Mais eFiciente A Confederação das Associações Económicas de 18 mil toneladas+ 940 escolas no paÍs Moçambique (CTA) propôs ao Governo é quanto o país deveráO Ministério da Educação tem prevista a que os Secretários Permanentes dos Ministérios exportar de camarão deabertura de mais 940 escolas de todos os níveis passem a ser os interlocutores privilegiados no aquacultura em 2012,de escolaridade durante o ano de 2012, o que a diálogo com o sector privado. O objectivo é o de mais 8 mil toneladasconcretizar-se representa mais 1400 salas de aula dinamizar e consolidar as relações entre as partes, que em 2011. asdevidamente equipadas. Dados do Ministério da medida que a CTA considera fundamental para que previsões de produçãoEducação apontam também para a contratação de o país melhore o seu posicionamento no “Doing pesqueira são também8500 professores com formação psico-pedagógica, Business” de 2013, uma vez que desceu sete lugares muito positivas, comsendo na sua maioria para o ensino primário. em 2011. a pesca artesanal a pesar fortemente no crescimento de 18,4% previsto pelas autoridades. as novas FÁBRicas capturas deverão situar- de ciMento se acima das 211 mil vão entRaR eM toneladas, cabendo 175 FuncionaMento mil toneladas à pesca até ao final de 2012, a artesanal e cerca de 36 indústria moçambicana mil toneladas à pesca irá ganhar três novas comercial fábricas de cimento, o que irá aumentar a capacidade de 108º é a posição que Moçambique ocupa no produção deste material MoçaMBique acolhe toRneio ranking das economias de construção e, de apuRaMento de Mundial mais livres do mundo consequentemente, de Futsal Masculino em 2012, de um total de reduzir o seu preço no Moçambique foi o palco escolhido para o torneio 179 países avaliados, mercado interno. de apuramento para o Campeonato do Mundo de segundo a Heritage Futsal Masculino, agendado para Março ou Abril. Foundation As selecções de Angola, Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Egipto, Guiné Equatorial, Líbia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Senegal, África do Sul, Tunísia e Zimbabwe irão lutar pelas três vagas que dão acesso ao Campeonato do Mundo da modalidade, que irá decorrer na Malásia, entre Setembro e Outubro. fevereiro 2012 | Business reporter 5
  • 6. em cima do acontecimento 200 Milhões de usd no vale do ZaMBeZe a agência de desenvolvimento do vale do Zambeze vai investir cerca de 200 milhões de dólares em projectos destinados a promover o desenvolvimento económico e social, naquela região de Moçambique, durante o triénio 2012/2014. os projectos incidem nas áreas da agricultura, pescas, mecanização agrícola, agro-processamento, agro-indústrias, planeamento territorial e infra-estruturas, incluindo acções de relevo como o estabelecimento de uma unidade de montagem de tractores, em Murraça, na província de sofala. estRatéGia nacional de chineses na hcB? desenvolviMento eM pRepaRação A empresa China A Estratégia nacional de desenvolvimento é o State Grid está bem documento onde constam as acções determinantes posicionada para que irão permitir a Moçambique, num horizonte se tornar no maior temporal de 20 anos, assegurar um crescimento accionista do grupo económico sustentável. português Redes A estratégia nacional deverá constituir uma Energéticas Nacionais plataforma orientadora para intervenções de (REN) e, por esta via, vir médio prazo, emanadas através de diversos a deter uma participação documentos, incluindo os planos quinquenais do na Hidroeléctrica de Governo, políticas e estratégias sectoriais, assentes Cahora Bassa (HCB). no Sistema Nacional de Planificação e com um De acordo com notícias programa integrado de investimento público. avançadas pela Africa A industrialização deverá, neste contexto, constituir Monitor, o Estado um factor de força para a dinamização da economia, português deverá ceder aumento da produção e da produtividade, bem metade dos 15% que como da competitividade económica do país. ainda detém na HCB à REN, caso o Governo moçambicano, que controla a empresa, dê o seu aval à transacção. Com a entrada na HCB a REN poderá participar no chamado Projecto Cesul, no qual, até 2016, serão investidos 2,4 mil milhões de USD na construção de um sistema de transporte de electricidade entre a província de Tete e o sul do país, mas também para nações vizinhas. De acordo com a Africa Monitor “a China State Grid manifestou-se desde o início interessada na privatização da REN influenciada por expectativas de implantação da empresa em Moçambique”. investiMento BRasileiRo cResce os investimentos de empresas brasileiras em Moçambique ultrapassam já os 5,2 mil milhões de usd. Grande parte do investimento foi efectuado pela empresa opeRadoR econóMico autoRiZado mineira vale, que o plano de implementação da figura de operador canalizou para os seus económico autorizado, pela autoridade tributária projectos no país cerca de Moçambique (at), encontra-se a decorrer por um de 4,9 mil milhões período de seis meses, com a realização do projecto- de usd. -piloto no terminal internacional Marítimo (tiMaR) a registar ainda que, no porto de Maputo. até agosto deste ano, o operador económico autorizado é aquele que, deverá entrar em após avaliação do cumprimento dos critérios funcionamento a fábrica estabelecidos pela administração aduaneira no de medicamentos anti- exercício das suas actividades, é considerado um expansão BancÁRia eM MoçaMBique -retrovirais financiada operador fiável e que pode beneficiar de vantagens Embora o número de distritos com agências tenha pelo Governo brasileiro. adicionais no processo de desembargo aduaneiro. subido de 28 em 2007 para 58 em 2011, a verdade é a par com a implementação desta nova figura, foi que a taxa de cobertura distrital ainda é incipiente, já concertado com o sector privado a criação de rondando os 45%, em todo o país. um modelo do formulário de adesão, que aguarda Daí que uma das prioridades do Banco de a aprovação através de diploma ministerial, para Moçambique continue a ser a expansão da a concretização do canal azul da janela Única actividade bancária, como salientou recentemente, electrónica. Ernesto Gove, governador do banco central.6 Business reporter | fevereiro 2012
  • 7. radar Investimentos a atraCção Por áfriCa durante décadas apelidado de ‘continente perdido’, África tem vindo a assumir um papel crescente no diálogo global sobre crescimento e oportunidades económicas. Mas quais são os factores críticos da atracção do continente? e serão estes sustentáveis no futuro? C om o mundo ocidental mergulha- atractiva entre os mercados emergentes, do numa crise de crescimento e à frente dos países asiáticos. Esta é a caracterizado por uma elevada tendência que poderá mudar o destino dos volatilidade e incerteza, o continente afri- grandes fundos. cano emerge como protagonista no diálogo Este inquérito teve como objectivo avaliar global sobre crescimento e oportunidades as ideias pré-existentes sobre os mercados económicas. A última década foi decisiva de fronteira e quantificar as estratégias de para a ascensão de África. Entre 2002 e investimento nestes destinos. Por enquan- 2008, África foi a segunda região do mundo to, no que toca a alocação dos activos, as com o mais rápido crescimento a nível percentagens são ainda muito reduzidas mundial. No mesmo período, 13 países afri- quer no que concerne aos mercados de canos registaram um produto interno bruto fronteira quer apenas a África. Dos inqui- per capita superior ao da China e outros ridos, cuja maioria mantém uma relação 22 alcançaram um PIB per capita maior activa com esta gestora de fundos e acom- do que o da Índia. África parece apostada panha estes mercados há alguns anos, mais em ultrapassar os BRIC (Brasil, Rússia, de 40% disseram ter menos de 2% das suas Índia e China). Aliás, segundo o FMI e The carteiras expostas a mercados de fron- Economist, apenas um país dos BRIC, a teira. Especificamente no caso de África, China, surge entre as dez economias que cerca de 70% tem menos de 2% alocados. mais cresceram na última década. Seis pa- Contudo, os especialistas não têm dúvidas íses africanos surgem nesta lista, incluindo de que no futuro os investidores actuarão o novo dinamismo económico africano. Moçambique, com 7,9%. mais com base nas suas convicções, o que Desde 2005 que a região atrai mais fluxos Com os países africanos a recuperar bem se traduzirá numa maior aposta em África de IDE do que de APD. A percentagem de da crise financeira - a crise económica e enquanto destino do investimento. África nos fluxos globais de IDE passou de financeira global de 2008/2009 interrom- Num plano mais alargado, este sentimento 0,7% em 2000, para 4,5% em 2010. “Estes peu o período de grande crescimento do já é visível. Impulsionada pelo crescimento dados são um impressionante testemunho PIB africano, que nessa altura passou de das economias africanas, a última década do papel de África no mundo e da sua uma taxa de cerca de 6% para 3,1% -, tudo foi marcada também por mudanças signifi- crescente capacidade para tirar partido das indica que África vai continuar a crescer cativas no volume e composição dos fluxos oportunidades da globalização”, sublinha o nas preferências dos investidores. financeiros dirigidos a África. Segundo o último African Economic Outlook. Um inquérito recente da Silk Invest, uma “African Economic Outlook 2011”, BAD, Segundo o mesmo relatório, nas últimas empresa especializada na gestão de fundos OCDE, PNUD e Comissão Económica para décadas a percentagem de IDE na for- dedicados a África, Médio Oriente e Ásia, África da UE, entre 2000 e 2010 o total de mação líquida de capital físico em África junto dos respectivos investidores (origi- investimento directo estrangeiro (IDE), alcançou os 20% - o dobro da média global. nários da Europa, EUA e Médio Oriente), investimento de carteira e ajuda pública O IDE canalizado para os países africanos revelou que estes têm uma visão muito ao investimento (APD) praticamente atingiu o seu pico em 2008, com 72 mil positiva das oportunidades de investimento quintuplicou, passando de 27 mil milhões milhões de USD (volume que caiu em 2010 nos mercados africanos. Inclusive, a grande de USD para cerca de 126 mil milhões de para cerca de 50 mil milhões de USD). maioria dos inquiridos considerou mesmo USD. Porém, é a alteração da composi- Em termos de sectores, os serviços, lide- o continente africano como a região mais ção destes fluxos que melhor representa rados pela indústria de telecomunicações8 Business reporter | fevereiro 2012
  • 8. radara percentagem de áfrica nos fluxos globais de ide capital e inovação. De acordo com este estudo da Accenture, África possui o quepassou de 0,7% em 2000, para 4,5% em 2010. este as organizações internacionais necessitamdado é um testemunho do papel de áfrica no mundo para prosperar - a começar por uma classee da sua crescente capacidade para tirar partido das média emergente. O continente é um dos mais populososoportunidades da globalização. do mundo e apresenta um crescimento impressionante no consumo privado,foram, em 2009, os maiores receptores Os 5 factOres De atracçãO bem como dos investimentos em capitalde IDE e atraíram a maior fatia de fusões Mas será todo este crescimento sustentá- por parte das empresas que pretendeme aquisições transfronteiriças em África, vel? Uma pergunta tanto mais pertinente aumentar a capacidade de produção pararefere o “World Investment Report 2011” quando muitos países africanos sofrem satisfazerem a crescente procura. Os nú-da UNCTAD. ainda com graves problemas estruturais. meros comprovam-no. Entre 2000 e 2007É verdade que em 2010 quase um terço de Para a consultora de gestão Accenture, o os gastos dos consumidores em África du-todo o IDE foi canalizado para os países recente crescimento económico de África plicaram, ao passarem de 376 mil milhõesprodutores de petróleo, como Angola ou veio para ficar. Um optimismo assente na de USD para 761 mil milhões de USD. Ea Nigéria. Mas, em contra ponto, um dos observação de cinco factores chave, que em 2008 representavam já mais de 60% dopaíses que registará um dos maiores cresci- coincidem com os aspectos críticos das PIB do continente.mentos no continente é a Etiópia, que não operações empresariais bem sucedidas: As disparidades continuam a existir, umaexporta uma única gota de petróleo. consumidores, recursos naturais, talento, vez que pelo menos metade da população fevereiro 2012 | Business reporter 9
  • 9. radar de África vive ainda abaixo do limiar de pobreza, mas existe uma classe média em crescimento que está a estimular a procura de serviços, um sector que representa actualmente mais de 40% do PIB do conti- nente, contra 30% na década de 80. Além disso, África possui a maior taxa de urbanização do mundo, o que, por sua vez, está a fomentar a concentração geográfica e a crescente afluência aos mercados de consumidores, hoje mais acessíveis graças às novas comunidades económicas regio- nais e aos acordos de comércio bilateral. recUrsOs, talentO e capital Há muito que o potencial do rico subsolo africano é conhecido e a sua importância tem aumentado na mesma proporção em que começa a escassear noutras partes do mundo. O petróleo surge no topo dos recursos naturais, mas o continente é rico em madeira, solos férteis, água potável e reservas minerais. A um nível crescente, a procura destes produtos está a gerar rendimentos para as economias nacionais e a atrair investimento estrangeiro. A recuperação e o crescimento registados nos últimos dois anos em África foram, sobretudo, impulsionados pelo volume das exportações e pelos elevados preços das commodities. Em 2010 as exportações cresceram 3,1%, após um declínio de 2,5% em 2009. Alguns países ricos em recursos, como o Botswana, a Argélia, o Chade, o Gabão e a Nigéria estão a canalizar os rendimentos adicionais provenientes dos recursos naturais para financiar os gastos governamentais de investimento em infra- -estruturas e no consumo público. Esta abundância de recursos atraiu o interesse dos países emergentes, designa- damente da China. A ligação China-África constituiu “um ponto-chave do realinha- mento da economia mundial na última dé- cada”, como considera o African Economic Outlook. “É fácil subestimar a importância das novas forças económicas para África. As pessoas conhecem a China, a Índia e o resto são elementos da paisagem econó- + 17% mica africana, mas será que conhecem a magnitude desta importância, particular- mente em termos comerciais?”, questiona Nos últimos 10 anos a população activa de África o documento. “Devido à sua importância aumentou 17%. O capital humano é um importante como parceiro comercial e ao número de países em que está envolvida, a China está driver do crescimento sustentado do continente africano. inquestionavelmente a liderar o caminho das potências emergentes em África. Não10 Business reporter | fevereiro 2012
  • 10. radarsó porque está no centro da mudança da 1970 e 2010, os países com pior classi- inOvar para crescerriqueza global, mas também porque o seu ficação melhoraram o seu desempenho Chegado aqui, a questão que se coloca écomportamento e o seu discurso ajudaram total em termos de IDH em 82%, o dobro outra: Como vai África assegurar o seua mudar as percepções sobre o continente. da média global. Os progressos obtidos lugar entre os intervenientes da economiaA China e as outras potências emergentes verificam-se em vários níveis, incluindo o global? Na opinião da Accenture, um dosnão vêem África como o continente ‘sem da educação. Desde 1975 que as matrículas maiores desafios diz respeito à capacidadeesperança’ descrito pelo The Economist nos estabelecimentos de ensino superior dos países africanos para potenciaremem 2000, mas sim como um continente de têm vindo a aumentar a uma taxa anual novas áreas de crescimento através daoportunidades e um destino de investimen- de 12%. Uma taxa de crescimento que se inovação contínua. O incremento dato. Esta atitude está a ter efeitos mesmo encontra entre as mais elevadas do mundo. inovação vai ter reflexos no crescimentonas potências tradicionais, cujo interesse Nos últimos 10 anos a população activa de do PIB africano, provocando um impactopor África está a renascer”. África aumentou 17%. Vários países africa- nos investimentos e no consumo privado.No seu estudo “África, a nova fronteira nos estão a empenhar-se para melhorarem O entusiasmo africano na utilização depara o crescimento”, a consultora Accen- a formação em competências vocacionais. telemóveis é exemplo disso mesmo. Emture considera que esta procura externa Ao mesmo tempo que o crescimento sem pouco tempo África ultrapassou o númeroacabará por ser suplantada por uma precedentes de algumas regiões está a de utilizadores de telemóvel nos continen-crescente procura interna, como resultado originar o regresso de profissionais qualifi- tes americanos e europeu. A procura dedo desenvolvimento dos mercados domés- cados, anteriormente expatriados. telemóveis conduziu ao investimento cres-ticos. Mercados estes que, por sua vez, vão Não obstante, são muitos os desafios que cente em infra-estruturas e em serviços de comunicação sem fios. Actualmente, as infra-estruturas de suporte às telecomuni-devido à sua importância como parceiro comercial cações e às tecnologias de informação eme ao número de países em que está envolvida, a China África registaram avanços consideráveis, incluindo novas tecnologias móveis e váriosestá inquestionavelmente a liderar o caminho das cabos de fibra óptica submarinos, quepotências emergentes em áfrica. permitem o acesso à banda larga a preços mais acessíveis. “Além disso”, sublinhabeneficiar da maior procura global, por via África tem ainda de ultrapassar neste a Accenture, “os africanos demonstramdo apoio dado às economias locais. “O ob- domínio, incluindo os baixos níveis de adoptar rapidamente as novas tecnologias,jectivo central desta prática é desenvolver literacia e de qualificações e a emigração o que incentivou o desenvolvimento demais actividades a jusante, como o corte e generalizada dos trabalhadores melhores novos modelos de negócio. Por exemplo,o polimento de diamantes ou a refinação qualificados. no Quénia mais de 6 milhões de pessoasdo petróleo em bruto na economia local Sem capital não há investimento. Mas, utilizam os serviços bancários via telemó-onde os recursos são extraídos”. fruto de reformas positivas na regulamen- vel.” Outra indicação definitiva do desen-Um terceiro driver do crescimento susten- tação, do aumento significativo do investi- volvimento de competências inovadorastado do continente africano é o seu capital mento directo estrangeiro, da diminuição em África é o crescente volume de ideiashumano. Segundo a Accenture, o potencial da dívida externa e do crescimento do co- próprias, que já deram origem a novosde crescimento de um país é melhor aferi- mércio intra-continental, este não só chega serviços e a soluções.do pelo seu talento e pelo capital humano em maior abundância como circula mais O avanço significativo nestes cinco factoresdo que pelos seus bens e recursos. Isto livremente, facilitando o comércio. Vários - consumidores, recursos naturais, talento,deve-se ao facto dos indivíduos, à medida factores estão a estimular transformações capital e inovação - está a transformarque se alfabetizam e desenvolvem novas nesta área. Nos últimos anos, África assis- África num mercado atractivo e com umcompetências, aumentarem os seus rendi- tiu ao fortalecimento dos seus mercados grande potencial de crescimento. “Existementos e a procura de bens e serviços. Por financeiros, com o aumento da sofisticação uma janela de oportunidade para quesua vez, esta procura gera um ambiente fa- e da eficiência e com uma maior estabili- as organizações ocupem um lugar devorável para os empreendedores, indepen- dade em geral. Os mercados financeiros destaque neste mercado em expansão edentemente da sua dimensão. A criação africanos estão a liberalizar-se, com melhor esta nova fronteira para o crescimento estádestas novas empresas atrai investimentos regulamentação e políticas de protecção ao a atrair o interesse de organizações umdo Governo, de empresários privados e até capital. Factores que contribuíram para um pouco por todo o mundo. As empresas quede entidades internacionais. aumento exponencial do afluxo de capital não planearem nem agirem neste momentoO último relatório de desenvolvimento privado entre 2000 e 2007. vão ficar para trás. Para as organizaçõeshumano do Programa de Desenvolvimento “A conjugação de vários factores financei- empenhadas em agarrar a próxima grandedas Nações Unidas (PNUD) mostra que, de ros está a valorizar o continente africano oportunidade de crescimento, este é oentre todas as regiões do mundo, a África enquanto mercado, a dinamizar a sua momento certo para agir”, defende aSubsariana teve o maior incremento do atractividade enquanto espaço para fazer consultora de gestão Accenture.  textoIDH (Índice de Desenvolvimento Humano) negócios e a potenciar a sua integração na Manuela sousa GueRReiRomédio ao longo da última década. Entre economia global”, sustenta a Accenture. fevereiro 2012 | Business reporter 11
  • 11. radar sadC Com infra-estruturas e ComérCio na agenda desenvolver as infra-estruturas e acelerar o investimento e o comércio são os pilares em que assenta o novo edifício da integração regional na África austral. O s 15 estados membros da SADC evidenciam maior robustez económica, com o PIB a crescer, em média, 4,9%, face aos 2,4% de 2009. O reforço do investimento estrangeiro, de 22 para 24,9% do PIB, e o abrandamento da inflação, de 12,4% para 7,5% em 2010, são sinais promissores. Mas os riscos globais reflectem a volatilidade das economias desenvolvidas, sendo fundamental que os países membros da comunidade africana possam trabalhar mecanismos que prote- jam as respectivas economias dos choques externos e consigam avançar no desafio maior: a erradicação da pobreza. Passadas três décadas, a SADC ganhou estabilidade e segurança mas ainda tem metade da população abaixo do limiar de pobreza. Daí que o objectivo seja melhorar o acesso à água, à educação, à saúde, à alimentação e à habitação dos mais de 250 milhões de habitantes da região. Na Cimeira de Luanda, que decorreu entre 16 e 18 de Agosto de 2011 e que teve por tema “consolidar as bases de integração re- gional: Desenvolvimento das infra-estrutu- ras para facilitar as trocas comerciais e a liberalização económica”, foi analisado o ‘estado de arte’ do programa de infra- -estruturas, nomeadamente os projectos de electricidade, os corredores regionais, que incluem a Ponte de Kazungula, o Posto Fronteiriço de Paragem Única em Chirun- inter-países só é possível com uma rede de denciarem um maior dinamismo, a SADC do, o interconector Zimbabwe-Zâmbia- infra-estruturas de transporte e comuni- pode aspirar a um maior protagonismo no Botswana-Namíbia e os Projectos EASy, cações de qualidade internacional. E sem desenvolvimento de África e também do bem como as Tecnologias de Informação e esquecer a energia. A região apresenta um mundo. Porém, para que tal se concretize, Comunicação. As infra-estruturas têm um défice energético, não obstante as enormes o processo de integração na região austral contributo incontornável não apenas em potencialidades naturais. deverá atender aos interesses de todas termos de crescimento como, sobretudo, as nações, num compromisso sustenta- em termos de coesão social e regional. interesse nUma maiOr do e equilibrado. A revisão do Programa Razão por que este foco na qualidade das integraçãO regiOnal Indicativo Estratégico de Desenvolvimento infra-estruturas é determinante para faci- Com os países desenvolvidos mergulhados Regional (RISP), que constitui o núcleo litar a livre circulação de pessoas e bens. numa crise económica e financeira e as do Programa de Acção da SADC, deverá A rápida e eficaz conectividade interna e economias dos países emergentes a evi- propiciar o aumento da competitividade12 Business reporter | fevereiro 2012
  • 12. radarde cada Estado, alicerçado no desenvolvi-mento de infra-estruturas que constituam A rede que nos (des)uneum estímulo adicional para o crescimentoeconómico e, especialmente, para o inves- as infra-estruras regionais nos de Km, dos quais apenas 20% setimento e o desenvolvimento do comércio. sectores dos transportes, das encontram pavimentados. comunicações, da energia e dos o desenvolvimento dos caminhos-Decidida que ficou, em 2006, a criação de serviços, sobretudo, são peças -de-ferro é ainda menos satisfatório.uma Zona de Comércio Livre da SADC, fundamentais para o crescimento a rede ferroviária de áfricahoje o debate aponta para a criação da económico, para o desenvolvimento consiste em cerca de 89.000 Km,grande zona de comércio livre COMESA e para uma maior coesão social dentro de uma área de cerca de(Mercado Comum de África Oriental e e regional. Contudo, áfrica, em 29,6 milhões de Km2. Cerca de 14Austral) - EAC (Comunidade de África particular a áfrica subsariana, países africanos não têm linhas apresenta um elevado défice de de comboios ou secções de linhasOriental) - SADC, integrando as regiões infra-estruturas, o que constitui um internacionais, ao mesmo tempo dos principais constrangimentos ao que as redes ferroviárias existentes aproveitamento das potencialidades estão envelhecidas e tecnicamente económicas do continente. desactualizadas. as estimativas internacionais na energia o cenário não é melhor. sustentam que áfrica necessitaria, nos a capacidade eléctrica instalada em próximos 10 anos, de investimentos 48 países da áfrica ao sul do saara anuais em infra-estruturas na ordem totaliza cerca de 68 gigawatts, o dos 93 mil milhões de usd apenas que equivale aproximadamente à para alcançar os níveis dos parques capacidade de espanha. e desta, infra-estruturais existentes no mundo cerca de um quarto não se encontra desenvolvido. mas o montante disponível devido à falta de previsto para este fim deverá manutenção e à elevada antiguidade rondar pouco mais de metade desse dos sistemas. valor. ainda assim, são esperados o défice existente no sector das investimentos anuais na ordem dos infra-estruturas neste continente 45 mil milhões de usd, que deverão é um desafio para os governos ser canalizados para os sectores africanos mas, simultaneamente, de energia, água, tecnologias de representa uma enorme janela de informação e comunicação e, em oportunidade para as empresas especial, para o desenvolvimento (nacionais e transnacionais), para da rede de transportes, onde as os bancos e outras instituições necessidades são muito amplas. Por financeiras, em especial pela exemplo, a extensão total das redes disponibilidade internacional (das de estradas cartografadas em áfrica instituições multilaterais e não só) está estimada em 2,3 mil milhões para as financiar. mitigar, pelo que o processo de integração economia, desenvolvimento de infra-estru- terá de ser gradual. Aliás, basta analisar turas (estradas, pontes, caminhos-de-ferro, os fundamentos da actual crise europeia - telecomunicações, logística, centrais de consideráveis diferenças estruturais entre armazenamento, circuitos de distribuição e os países mais fortes e os mais vulneráveis, comercialização), bem como na educação, como Portugal ou a Grécia, que têm enor- na investigação, no investimento tecnológi- mes dificuldades em lidar com uma moeda co e na consolidação macroeconómica. forte como o Euro - para entender a impor- A combinação virtuosa entre o desenvolvi- tância de graduar o processo de integração mento das infra-estruturas, a liberalizaçãoleste e austral do continente africano. entre os países da SADC. económica e a industrialização catapultaráA abertura de fronteiras contribuirá As conclusões da Cimeira de Luanda são a região para fases mais avançadas nas ca-para expandir os mercados, desbloque- sintomáticas do desejo de apostar na coe- deias de produção globais e para outro tipoar o potencial produtivo e aumentar o são como eixo central do desenvolvimento de influência na nova ordem global, ondecomércio regional, ao mesmo tempo que da integração. Se assim for, os países mem- os países emergentes estão a ganhar terre-facilitará a livre circulação de empresários bros terão bases sólidas para avançar para no. Por isso, um fundo de desenvolvimentoe potenciará as economias de escala, o um mercado comum, uma união monetária será decisivo para fomentar a industrializa-que não deixará de ser um factor atractivo e uma união política. E para assim ser, ção dos países membros menos avançados.para a captação de investimento directo as metas de convergência nacional, num  texto FÁtiMa aZevedo e Manuela sousa GueRReiRoestrangeiro. contexto comunitário, devem evidenciarNo entanto, a realidade nos países da objectivos relativos à industrialização,região mostra assimetrias que importa diversificação produtiva, bancarização da fevereiro 2012 | Business reporter 13
  • 13. radar emPreendedorismo e CresCimento do seCtor Privado em áfriCa durante a última década, a comunidade internacional virou a sua atenção para África por razões que não se prendem com a tradicional ajuda humanitária. o focus recai agora no pragmatismo dos negócios e no aumento das relações comerciais com o efervescente tecido empresarial do continente africano. O s princípios do G20 para a Inclusão Financeira Inovadora reconheceram a importância do sector das PME (Peque- nas e Médias Empresas) estabelecida no Plano do Grupo de Trabalho sobre Finanças das PME para 2011. Foi reconhecido que o sector privado tem um papel central a desempenhar de forma a garantir um crescimento económico sustentável em África. No entanto, existem factores-chave essenciais que ainda são obstá- culos ao sucesso do empreendedorismo em economias emergentes, entre eles a estabilidade política, os mecanismos de desburocrati- zação, a corrupção, a falta de infra-estruturas, entre outras. Bobby Pittman, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvi- mento (BAD), durante a sua apresentação no Fórum PME - EMRC- - BAD 2011 em Lisboa, que se realizou no passado mês de Junho, destacou o papel fundamental que desempenham as PME, citando como exemplo os países da OCDE, onde 50% do emprego criado por ano vem deste sector em particular. Pittman destacou dois grandes obstáculos que as PME em África têm de enfrentar: a falta de infra-estruturas e a dificuldade de acesso ao financiamento. Mas, para se ter uma noção concreta sobre as consequências que estes obstáculos representam para o empreendedor africano na realidade do seu quotidiano, demos a palavra a uma empresária que vive e trabalha no continente, mais concretamente em Moçam- bique. Judite Macuacua, fundadora e gestora da empresa Wissa, localizada na província de Nampula, é um exemplo que ilustra bem o dia-a-dia e os desafios que um empreendedor em África, em especial uma mulher, tem de enfrentar. Moçambique pode considerar-se um exemplo de uma típica economia emergente africana. Segundo o BAD (Banco Africano o sector privado tem um papel central de Desenvolvimento), de 1993 a 2009, Moçambique registou um crescimento económico de 7,5 % por ano, o maior de entre os a desempenhar de forma a garantir um países da África Subsariana que não produzem petróleo. Este cres- crescimento económico sustentável em cimento deveu-se, essencialmente, a um considerável volume de áfrica, mas ainda existem obstáculos ao investimento estrangeiro ligado ao desenvolvimento dos recursos naturais, aos esforços governamentais no que toca a desenvol- sucesso do empreendedorismo. vimento económico e ao esforço para garantir o crescimento14 Business reporter | fevereiro 2012
  • 14. radar agrícola. Contudo, o país ainda enfrenta muitas dificuldades, principalmente devido à falta de diversificação da sua economia, instituições fracas, o alto custo dos instrumentos financeiros e fracas infra-estruturas. Segundo a empresária Judite Macuacua, que representa tantas outras empreendedoras em Moçambique, “o clima de estabilidade e paz permitiu o crescimento da economia moçambicana através de investimentos dos locais, como eu, e dos investidores estrangeiros. Mas, para um crescimento a longo termo é preciso fazer muito Judite macuacua é um exemplo mais, principalmente para a economia local, e criar mais e melho- de empreendedorismo. Criou res condições.” um negócio que nasceu de uma paixão e que emprega 14 pessoas, Judite Macuacua já alcançou muito desde que em 2008 participou essencialmente mulheres, e numa campanha de formação profissional promovida pelo Governo envolve a população rural de de Moçambique para incentivar a produção agrícola, para fazer nampula face à escassez de cereais no país. Foi essa base que lhe permitiu ter os conhecimentos O que é a EMRC? técnicos necessários para avan- Criada em Bruxelas em 1992, a emrC é uma organização internacional sem fins lucrativos çar com o sonho, a visão que que reúne empresários, consultores, representantes do sector privado e membros do tinha de investir no desenvolvi- governo de cerca de 100 países. a emrC tem sido um catalisador para a promoção de mento do seu país e garantir a relações económicas e comerciais entre empresários com interesses específicos em áfrica, sua independência económica. tendo como missão a expansão das relações de negócios entre os seus membros. a emrC Criou um negócio que nasceu de tem procurado contribuir, através dos seus fóruns empresariais, missões de negócios e uma paixão e que hoje emprega Projectos costumizados, para o desenvolvimento sustentável do continente africano. 14 pessoas, principalmente mu- lheres, e envolve também toda a população rural de Nampula neste projecto. Actualmente, Judite produz apenas 200-300 kg por mês, que vende na cidade de Nampula e noutras regiões do país, como Maputo, mas já está a receber propostas para exportar para fora do país. “Para iniciar o meu projecto de negócio tive de depender somente do meu esforço pessoal, sem apoios. Eu financio o meu projecto com dinheiros próprios, porque na banca os juros são demasiado altos. A falta de capital impede-me de expandir o meu negócio, apesar de haver mercado. Teria de investir em infra-estruturas, pessoas e formação e isto requer dinheiro que ainda não tenho.” Esta ambição e determinação para se estabelecer a nível nacional e local e continuar a crescer foi reforçada ao participar no Fórum AgriBusiness em 2011, que teve lugar em Joanesburgo, co-organi- zado pela EMRC e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Segundo ela, este foi um ponto de viragem que e ínumeros recursos naturais. Há uma grande necessidade de lhe permitiu alargar horizontes no mundo dos negócios: “Criei uma reforçar o know-how e a capacitação humana que permitem o uso rede de contactos, dei a conhecer o meu projecto e encontrei consciente das ferramentas ao seu alcance para avançarem com encorajamento ao ver o interesse dos financiadores e a partilha sucesso nos seus projectos. Para isso acontecer é necessário haver de experiências com os meus congéneres.” E, continua: “este tipo uma maior abertura internacional que permita não só mais negó- de iniciativas promovidas por organizações internacionais como a cios entre norte-sul, mas também partilha de conhecimentos para EMRC, permitem, a pessoas como eu, ter uma visão concreta do reforçar o mercado interno africano.  texto eMRc inteRnacional mercado e mostrar as oportunidades que existem ao nosso alcance. Encontrei pessoalmente responsáveis de topo de grandes empre- fontes sas e bancos que, de outra forma, não teria oportunidade de o fazer http://www.afdb.org/fileadmin/uploads/afdb/documents/Policy- e consegui apresentar o meu projecto e captar o interesse deles.” documents/mozambique%20-%20dsP%202011-15.pdf Judite Macuacua é o exemplo do espírito combativo e empreende- http://www.afdb.org/fileadmin/uploads/afdb/documents/Policy- documents/mozambique%20-%20dsP%202011-15.pdf dor que caracteriza o continente africano e com o qual a EMRC se http://www.emrc.be/documents/document/20110802135639-afdb_ tem vindo a cruzar ao longo dos últimos 20 anos de existência. conferencereport_2011_eng_low_res.pdf http://www.emrc.be/documents/document/20110802135639-afdb_ É sempre importante lembrar que África é o continente mais jovem conferencereport_2011_eng_low_res.pdf do mundo com uma mão-de-obra abundante, um mercado imenso16 Business reporter | fevereiro 2012
  • 15. opinião reflexões soBre o modelo de desenvolvimento de moçamBique “sem um povo educado e saudável pode haver crescimento económico mas não há desenvolvimento” N os últimos cinquenta anos, os A agricultura, embora pouca desenvolvida, moçambicanos experimentaram empregava mais de 80% da população e transformações políticas, económi- tinha uma contribuição significativa para cas e sociais profundas dignas de realce. o PIB. Em Moçambique, mesmo com esta Passaram por uma guerra de libertação na- estrutura económica frágil, o PIB real per texto RaGendRa de sousa, ph. d. cional contra um regime fascista que durou capita de 1960 foi estimado em 1154US$, dez anos; logo a seguir à proclamação da enquanto os da Tailândia e da República independência nacional experimentaram da Coreia eram de 943US$ e 904US$, um modelo de economia planificada do tipo respectivamente1. Treze anos mais tarde, era notória a maior aceleração dos asiáti- Marxista-leninista associado a uma nova em 1973, o PIB real per capita de Mo- cos, resultado de políticas de investimento guerra interna, que durou dezasseis anos çambique subiu para 1681US$, um pouco no capital humano, o que não aconteceu e levou à destruição massiva de bens, de acima do da Tailândia, no patamar dos em Moçambique. Com a saída massiva dos pessoas e do tecido social. 1648US$, mas muito abaixo do da Repú- portugueses, a economia enfrentou sérias Em 1984 dão-se os primeiros passos para a blica da Coreia, que entretanto subiu para dificuldades por falta de capital humano. mudança de política económica, mais virada “O desenvolvimento para uma economia de mercado, partindo do pressuposto, quase inexistente, da dispo- económico é muito mais do que uma nibilidade dos agentes económicos privados para liderarem a transformação da econo- mia. Contudo, basta um breve olhar sobre o passado para facilmente se reconhecer que mera transformação tecnológica ou física a maioria da população de Moçambique não tinha acesso à educação, nem tão pouco de factores de produção.” lhe era permitido exercer uma actividade económica fora da relacionada com mão-de- 2066US$. Em 1992, o PIB real per capita Após o acordo geral de paz, Moçambique obra assalariada ou a agricultura familiar. A do país tinha descido para 711US$, menos tornou-se um país com um crescimento estrutura económica herdada era profun- de metade do valor de 1973. económico assinalável e destino de gran- damente dual, com um desenvolvimento Embora o país tenha começado o seu de- des investimentos directos estrangeiros incipiente de indústrias transformadoras de senvolvimento económico ao mesmo nível (IDE). Esta entrada “massiva” de recursos substituição de importações. de alguns dos ‘tigres asiáticos’, já em 1973 produtivos externos é responsável por18 Business reporter | fevereiro 2012
  • 16. opiniãoeste rápido crescimento económico, não permita às pessoas ajudarem-se entre si particularmente eficaz para enfrentar osobstante o Orçamento do Estado continuar para fazerem o melhor uso das tecnologias limites do mercado interno e impulsionara ser financiado em quase 50% pela ajuda disponíveis. a inovação e a acumulação. Sempre queinternacional. O Estado tem concentrado O desenvolvimento económico é muito este processo de integração com o exterioros seus esforços na provisão de serviços mais do que uma mera transformação tec- for controlado por agentes internos esociais e infra-estruturais básicos da eco- nológica ou física de factores de produção. determinado pelos seus interesses (daí anomia, sendo, na prática, um dos maiores É, fundamentalmente, uma transformação importância das Instituições), o desenvol-investidores do país, situação muito organizacional de maneiras antigas de vida vimento decorrente do mesmo é, com todocomum em economias no mesmo nível de e de trabalho para novas regras de com- o sentido, endógeno.desenvolvimento. portamento impessoais. E isto, por sua vez, O modelo de desenvolvimento aconselhá-A estrutura etária indica que o país tem só é possível na medida em que as pessoas vel ao país nesta fase, deve ter como base auma população muito jovem, com mais de forem capazes de rever o seu património agricultura, sector em que labuta e reside50% de pessoas com idade inferior a 35 de convicções básicas a respeito dos tipos mais de 75% da população, e servir deanos, e uma escolaridade média de 6 grau de regras interpessoais que merecem o seu alavanca dinamizadora tanto da indústriaprimário. respeito e apoio. transformadora, como da extractiva. AoEmbora sendo conhecido desde os anos O desenvolvimento económico como um Estado compete essencialmente melhorarcinquenta, o efectivo valor comercial dos processo de ampliação sustentável (nos o ambiente de negócios, investir devastos recursos naturais do país só recen- planos económico, social e ambiental2) da forma séria, permanente e consistente natemente foi divulgado. oferta e da apropriação de bens materiais elevação da qualidade da mão-de-obra ePorém, esta indústria, pela sua natureza e e culturais por parte de uma determinada providenciar infra-estruturas básicas paratecnologia actualmente disponível, tende comunidade deve ser endógeno. No senti- o desenvolvimento. Para os casos de mo-a ser de capital intensivo, com um rácio do mais amplo e de acordo com a tradição nopólio natural, compete ao Estado cobrircapital/trabalho muito alto. Por outro lado, que vai de Adam Smith a Douglas North essa lacuna.o progresso técnico-científico dos nossos (passando por Rosa Luxemburgo, Michal Sem um povo educado e saudável podedias mostra claramente a nossa fraqueza Kalecki e João Cardoso de Melo), entende- haver crescimento económico mas não háem termos de mão-de-obra qualificada para se que a exportação é um instrumento desenvolvimento. participar plenamente nestes processos.O modelo de desenvolvimento para Mo- 1 Pen World Tables, 5,7.çambique tem que ter em consideração 2 A sustentabilidade no plano económico, pressupõe que o volume de bens e serviços consumidos seja menor ou igualestas variáveis e complexidades, para que (não aconselhável) ao volume de bens e serviços produzidos. A sustentabilidade no plano social, pressupõe que a distribuição da produção ampliada seja percebida como “justa” pelos produtores. O que, como afirmaram Aristótelesseja inclusivo, acelerado e abrangente. (1979), Marx (1983) e Rawls (2000), pressupõe “equidade” distributiva. Sobre a relação entre equidade distributiva,Para uma melhor compreensão do presen- acumulação de capital social e sustentabilidade do desenvolvimento, veja Paiva (2004c). Finalmente, a sustentabilidade ambiental, pressupõe a reprodução e reposição dos recursos extraídos “a natureza”.te argumento e pela sua universalidade,usemos a função de produção Ricardianacom os seus três factores de produção, referênCiasnomeadamente, Capital, Trabalho e Terra,à qual acrescento Instituições, também aristÓteles (1979): ética a nicômaco. são Paulo: abril Cultural, p. 129 (Colecção os Pensadores). BinsWanger, hans P. e mCintire John (1987): Behavioral and material determinants ofconhecido por capital social. Production relations in land abundant tropical agriculture. iPri, Washington dC.O Capital, embora com algumas restrições, BoseruP, e. (1981): Population and technological Change: a study of long term trends. Chicago: university of Chicago Press.ainda está disponível no mercado mundial; de sousa, ragendra. (2010): reflection on major Components’ of rural development strategyno que respeita ao Trabalho, e para que o in mozambique.desenvolvimento seja endógeno e abran- nKonYa, et al (2004): strategies for sustainable livelihoods and land management in uganda. ifPri. Washington dC.gente, deveria ser dada toda a preferência omamo, steven (1998): institutional economic Perspectives on african agriculturalà mão-de-obra nacional, podendo, numa development, J.f. Kirsten, ed. Pp.75-110, ifPri. Washington dC. Paiva, C.a. (2003): estrutura e gargalos da economia gaúcha: uma analise a partir da miP-rs/98fase inicial, aceitar-se a contratação de e da Pia-200. in: ensaios: fee. vol. 24, n0 1.estrangeiros; a Terra, como factor de Paiva, C.a. (2004a): Como identificar e mobilizar o Potencial de uma região para o desenvolvimento endógeno. Porto alegre: fundação de economia e estatísticas (documentosprodução, é essencialmente uma variável fee, n 59).constante; e, por fim, as Instituições, que Paiva, C.a. (2004b): smith, Kalecki e north e os fundamentos de uma teoria geral dodevem ser capazes de gerir os grandes desenvolvimento de regiões periféricas em transição para o capitalismo. in: anais do ii encontro de economia gaúcha. Porto alegre: Cd-rom fee/PuC-rs (www.fee.rs.gov.br).desafios que o país enfrenta. Paiva, C.a. (2004c): o que é uma região de panejamento com vista ao desenvolvimentoPara uma economia como a nossa, a essên- endógeno sustentável. aula número 6. (www.fee.eche.br/sitefee/dowload/jornadas/2/e4-07.pdf). Porto alegre: Cd-rom fee/PuC-rs.cia do desenvolvimento económico não é a Paiva, C.a. (2004e): Capital social, Comunidades, democracia e Planejamento doprodução de tecnologias melhoradas mas desenvolvimento no rio grande do sul. in: Wittmnan, m. e ramos, m. (orgs) desenvolvimento regional: Capital social, redes e Planejamento. santa Cruz do sul. edunisc.sim, e acima de tudo, um desafio institu- Putnam, r. (1996): Comunidade e democracia: a experiencia da itália moderna. são Paulo; fgv.cional e organizacional que combine e har- raWls, J. (2000): uma teoria da Justiça. são Paulo: martins fontes.monize o comportamento humano dentro WeBer, m. (1984): economia y sociedad. méxico: fondo de Cultura económica. WeBer, m. (2001): a ética Protestante e o espírito do Capitalismo. são Paulo: Pioneira.de novas regras sociais de produção e que fevereiro 2012 | Business reporter 19
  • 17. opinião Gestão de talento uma fonte de valor e sustentaBilidade texto ana cRistina silva, adMinistRadoRa da accentuRe ResponsÁvel pela ÁRea a maioria dos executivos de topo está ciente da importância dos colaboradores de Gestão de talento e oRGaniZação eM poRtuGal, para os resultados de negócio, mas são poucos os que sabem o que é necessário anGola e MoçaMBique fazer para converter o seu talento num activo diferenciador. U ma ‘Organização de Talento’ é dade. Mas a realidade é que, hoje em dia, rentabilizar O aquela que, para maximizar o seu há ainda muitas organizações que não só factOr DiversiDaDe rendimento, trata o capital humano desconhecem de que forma os seus colabo- Tal como comprovam algumas pesquisas como um activo estratégico, desenvolven- radores adicionam valor, como nem sabem da Accenture nesta área, as ‘Organizações do-o internamente de forma diferenciada de que forma investir no seu desenvolvi- de Talento’ conseguem identificar as com- e contínua. Para o fazer, as organizações mento para alcançar melhores resultados, petências mais importantes de que os seus têm de ser capazes de gerar e multiplicar ou, ainda, como obter o seu compromisso. colaboradores necessitam, antecipam-se o talento com que contam para poderem Na base destas dificuldades encontram- a essas mesmas necessidades, descobrem alcançar níveis superiores de compromisso, -se, muitas vezes, estratégias de negócio novas fontes de talento, são competentes de competência e de criatividade. E devem pouco orientadas à criação de vantagens na gestão da força de trabalho, etnica- fazê-lo mediante o cumprimento de cinco competitivas sustentadas no talento e no mente diversificada e multi-geracional, grandes linhas de actuação. desenvolvimento de competências nuclea- e encaram as diferenças geográficas e res diferenciadoras da concorrência. demográficas como vantagens competiti- talentO cOmO Um O capital humano deve, então, surgir como vas. Mais ainda, direccionam os esforços activO estratégicO um activo de relevância estratégica que para a retenção das pessoas com conheci- As organizações devem ter plena consci- contribui para a definição e orientação dos mento e com capacidades críticas que se ência de que os colaboradores são a sua esforços dos colaboradores na criação de destacam face à restante força de trabalho, principal fonte de valor e de sustentabili- valor e sucesso. e impulsionam novas práticas de gestão20 Business reporter | fevereiro 2012
  • 18. opinião Alinhamento força de trabalho/negócio DESCOBRIR fontes de talento DEFINIR DESENVOLVER Estratégia Estratégia Resultados Resultados necessidades potencial de negócio de talento de desempenho de negócio de talento de talento ALOCAR talento, no local certo, no momento certo Renovação da força de trabalho Fonte: Accenture do talento, como a segmentação ou outras qualquer organização sintam responsáveis e a encarem como um propostas criativas de valor a oferecer ao parâmetro do seu próprio desempenho. colaborador. deve considerar Esta postura deve partir, antes de mais, a formação e o da direcção de topo, que deve assumir e pOtenciar Os cOnhecimentOs desenvolvimento demonstrar um claro compromisso com e a aprenDizagem o cumprimento dessa premissa. Somente Não obstante o facto de a contratação de de capacidades como assim os executivos poderão gerar uma novos talentos ser uma vertente crucial, algo crucial. mentalidade e uma cultura organizacional assegurar que a força de trabalho actual fortemente sustentada no capital humano. adquire novas capacidades é também Por sua vez, a área de Recursos Humanos muito importante. Frequentemente, a vez mais diversificadas (flexibilidade das deve trabalhar de forma eficiente e efectiva escassez de capital humano junta-se à de propostas de valor, programas de recom- junto de toda a organização, no sentido conhecimentos, consequência muitas vezes pensa, opções de carreira, entre outras) e de capacitar correctamente os processos decorrente de uma formação académica procuram, inclusive, importar os conceitos de gestão do talento requeridos e de criar demasiado genérica, que leva a que os subjacentes ao chamado ‘marketing perso- propostas de valor flexíveis e adequadas às jovens recém-licenciados não estejam nalizado’ para identificarem, de forma clara necessidades diversificadas dos colabora- devidamente preparados para iniciar a vida e direccionada, as prioridades individuais e dores.  profissional. a elas se ajustarem. A resposta das organizações a estes desa- fios tem de passar pelo desenvolvimento de a gestãO DO talentO acções paralelas, designadamente para dar é Da respOnsabiliDaDe continuidade à formação da força de traba- De tODa a OrganizaçãO lho, quer na perspectiva de reciclagem de De acordo com a experiência da Accen- informação quer na de obtenção de novos ture junto dos seus clientes, a gestão do conhecimentos, quer, ainda, na transfor- talento, pela a sua importância estratégica, mação do modelo (estrutura e método) deve ser responsabilidade de todos os de formação. Qualquer organização deve colaboradores de cada um dos níveis da considerar a formação e o desenvolvimento organização, de modo a que todos se de capacidades como algo crucial e, se pos- sível, recorrer a tecnologias modernas que gerem benefícios de eficiência e eficácia. incrementar O cOmprOmissO para melhOrar O DesempenhO e a retençãO De talentO Nunca é demais reiterar que as ‘Orga- nizações de Talento’ aplicam políticas inovadoras como alavancas de gestão dos recursos humanos. Estas políticas são cada22 Business reporter | fevereiro 2012
  • 19. Comunicamos as suas ideiasA Editando é uma agência especializada em produçãode conteúdos, presta consultoria em comunicação aempresas e/ou organizações e concebe, desenvolvee produz eventos de referência em vários mercados.Trabalhamos com Moçambique há mais de 20 anos. www.editando.pt • editando@editando.pt T. +351 21 358 44 60 • F. +351 21 358 44 61
  • 20. tendências identificar as características que definem e sustentam a excelência operacional. Uma larga maioria das organizações avaliadas apontou a excelência na gestão global das operações como crucial para a sua estratégia de negócio, tendência que poderá ser ainda mais acentuada nos próximos anos. As empresas que apresentam melhores resultados são aquelas que estão a criar as competências que lhes permitem apro- veitar e capitalizar as oportunidades de crescimento facultadas pela globalização, ao mesmo tempo que optimizam a sua estrutura de custos e mitigam os riscos associados. Da análise às empresas, que mais sucesso obtêm na gestão das respectivas operações à escala global, é possível retirar diversas conclusões mas, de acordo com a Accentu- re, há pelo menos cinco grandes princípios orientadores a reter: o enfoque no valor e não nos activos; a implementação de uma Num mundo cada vez mais global correcta organização; alinhamento e racio- nalização dos processos e das estruturas de decisão; desenvolvimento do talento local; CaPitalizar e, ainda, a gestão do risco e adaptabilidade. enfOqUe nO valOr oPortunidades e nãO nOs activOs O sucesso de uma empresa está depen- de CresCimento dente da capacidade de gerir as suas operações, fundamentada na melhoria do seu desempenho financeiro e no atingir dos objectivos estratégicos – sejam estes a as empresas competem hoje num mundo multi-polar, onde os países inovação e o desenvolvimento de produtos, emergentes deixaram há muito de ser apenas fonte de matéria-prima a eficiência operacional ou o crescimento e de mão-de-obra a baixo custo. Muitos destes países são, inclusive, da sua carteira de clientes. ávidos consumidores de bens e de serviços provenientes dos países Num mundo multi-polar as empresas ditos desenvolvidos. devem repensar as operações, passando a preocupação da gestão dos seus activos para a gestão do valor. Ao redireccionar o O s centros de decisão e de poder Como resultado deste novo cenário empre- enfoque da gestão e o controlo dos seus económico deixaram de estar sarial, as operações respondem hoje a um activos para o controlo dos processos que exclusivamente nos EUA, na Eu- maior número de variáveis, tornando-se, asseguram a qualidade, o serviço, o custo ropa e no Japão e expandiram-se para um por isso, bastante mais complexas. As em- e o acesso aos mercados, muitas empresas conjunto de países emergentes. presas devem mudar a forma como operam conseguem gerir de forma muito mais A pressão da globalização para a redução nos diferentes mercados e adaptar-se ao eficiente as suas operações globais, ao de custos é agora acompanhada pela cenário de integração a nível global dos mesmo tempo que limitam as respectivas necessidade de responder ao aumento da processos de inovação e de desenvolvi- necessidades de investimento. procura nos mercados emergentes, que é mento, de sourcing, de produção, de A evolução dos mercados e as restrições superior à registada nos mercados desen- distribuição, de marketing e de venda de no acesso ao capital levaram, assim, volvidos. Do mesmo modo, as organizações bens e serviços. muitas empresas a recorrerem, de forma têm de fazer face ao risco de serem ultra- A consultora de gestão Accenture realizou sistemática, a mecanismos de outsourcing passadas nos seus próprios mercados, por uma pesquisa junto de mais de 250 empre- e de subcontratação. Nestes mecanismos, empresas oriundas dos países emergentes sas a nível mundial para conhecer e avaliar nos quais se entrega parte das operações que disputam o mercado à escala global. o estado da gestão das operações e para a parceiros especializados, estabelecem-se24 Business reporter | fevereiro 2012
  • 21. tendênciasacordos que asseguram, entre outros, a principais são tomadas a nível corporativo competência para gerir grossistas e distri-qualidade, o nível de serviço e a integração global, as decisões operacionais do dia-a- buidores locais como elementos intrínsecosde processos com as próprias actividades e dia são tomadas a nível local e as orienta- da cadeia de abastecimento pode significarferramentas, sem a necessidade de possuir ções estratégicas devem receber o input e a diferença entre um acesso limitado aose controlar os activos próprios. ter a participação de ambas as estruturas, mercados ou um acesso total que assegure por forma a equilibrar os requisitos locais o crescimento do negócio em todo o seuimplementaçãO De Uma com os objectivos globais de redução potencial.cOrrecta OrganizaçãO de custos, de eficiência e de acesso aosAs empresas que apresentam operações mercados. gestãO DO riscOglobais extremamente eficazes globalizam e aDaptabiliDaDetipicamente toda a cadeia de valor de um DesenvOlvimentO Globalizar as operações e estar presenteproduto (ou linha de produtos), em vez de DO talentO lOcal em vários mercados acarreta um riscoo fazerem apenas para uma determinada Idealmente, cada empresa deveria ter os operacional muito superior ao de operarfunção, como as compras, a logística ou melhores recursos a gerir as suas opera- apenas no mercado doméstico. Desde asa produção. Ao fazê-lo, estas empresas ções em cada localização. Estes recursos mudanças sociais e políticas que alteramconseguem gerir um portefólio de produtos deveriam ser gestores experientes, com o enquadramento de vários países atélocais, regionais ou globais, como uma muito bom conhecimento do mercado acontecimentos correntes, como a variaçãocadeia de abastecimento optimizada para local, assim como com fortes ligações à cambial ou a simples mal-entendidos porcada produto ou linha de produtos. sede. Tal perfil exigiria descentralizar os dificuldades de comunicação, existemVisto que as organizações têm de se ajustar melhores recursos e colocá-los a gerir muitos factores de difícil previsão queconstantemente às mudanças do mercado os mercados locais ao invés de os ter na podem acarretar perdas significativas para– ainda que mantendo sempre uma visão sede – algo que vai contra a filosofia de o negócio.clara da sua estratégia a longo prazo – a muitas organizações. Com esta abordagem As metodologias de gestão de risco tradi-reorganização das operações deverá ser descentralizada, as empresas mostram aos cionais, com as quais se avaliam apenasimplementada de forma gradual e contro- mercados locais a sua intenção de estabe- algumas variáveis – como a probabilidade elada, dando pequenos passos que tornem lecerem uma forte presença e de ajudarem a magnitude do impacto – não fornecem osglobal a cadeia de valor. a desenvolver os recursos locais. instrumentos necessários à efectiva protec- O estudo da Accenture identificou que, em ção do negócio.alinhamentO e muitas das regiões com forte crescimento A pesquisa da Accenture revelou a granderaciOnalizaçãO DOs prOcessOs do índice de negócios, as empresas de necessidade de implementação de com-e Das estrUtUras De DecisãO maior sucesso estão a colocar executivos petências mais sofisticadas – contínuas eÀ medida que uma empresa implementa experientes, que funcionam como proactivas – de gestão do risco.a sua estratégia de globalização é funda- embriões para ajudar no desenvolvimento Num ambiente económico e social volátil emental que assegure a responsabilização dos recursos locais através da constituição em constante evolução algo parece certo:das estruturas de gestão e o correcto equi- de equipas de gestão mistas. a previsão a longo prazo das tendênciaslíbrio entre objectivos locais, regionais eglobais. Não existe, no entanto, uma únicasolução para o modelo a implementar. Narealidade, várias empresas globais aplicam À medida que uma empresa implementa a suacom sucesso distintos modelos de gestão. estratégia de globalização é fundamental queAlgumas empresas dispõem de uma única assegure a responsabilização das estruturas de gestãopessoa ou de um único departamento comtotal responsabilidade por um determinado e o correcto equilíbrio entre objectivos locais, regionaisprocesso (por exemplo: Departamento de e globais.Sourcing Global, responsável por encontraras melhores ofertas a nível mundial).Noutras empresas estes órgãos globais A constituição de equipas de gestão mistas será cada vez mais difícil. Assim, e em de-operam em estreita ligação com os líderes (globais e locais) ajuda também as em- trimento do planeamento, aspectos como alocais ou regionais, no sentido de melhor presas a perceberem melhor as diferenças flexibilidade e a adaptabilidade serão cadacompatibilizar as necessidades locais com culturais dos vários mercados, a considerá- vez mais importantes.as orientações globais (desenvolvimento -las nas suas decisões estratégicas centrais Uma das chaves para o sucesso serádo produto orientado para as necessidades e a incorporá-las nas suas operações. Por tornar a empresa flexível, no sentido dede um determinado mercado). exemplo, em muitos dos mercados menos implementar processos que lhe permitamEm qualquer cenário, os inputs locais para desenvolvidos a parceria com grossistas e detectar atempadamente as mudanças e deas operações globais são fundamentais e distribuidores é fundamental para assegu- a elas se adaptar da forma mais apropriadaestabelece-se, geralmente, uma tensão po- rar a colocação dos respectivos produtos e para o negócio.  texto paula GiRãositiva entre ambas estruturas. As decisões serviços. O desenvolvimento de uma forte fevereiro 2012 | Business reporter 25
  • 22. tendências o merCado de Consumo na áfriCa suBsariana de acordo com o estudo da uma classe média emergente, que tende e da urbanização vai colocar, igualmente, accenture intitulado “the a tornar-se mais exigente, à medida que constrangimentos adicionais ao nível dos dynamic african consumer os níveis de rendimento e de consumo requisitos infra-estruturais, uma vez que aumentam. Este crescimento do consumo vai ser necessário mais planeamento e Market: exploring Growth assenta em três factores-chave: o aumento investimento, logo mais participação dos opportunities in sub-saharan da população, que irá alcançar os 2 biliões sectores público e privado. africa”, os novos consumidores em 2050; o significativo decréscimo da po- Em relação às tendências chave que africanos representam uma breza; e a rápida urbanização. As previsões facilitarão o acesso entre consumidores e oportunidade que nenhuma apontam ainda para um aumento da po- empresas e o aumento do consumo, são organização pode ignorar. pulação activa, entre 2010 e 2050, de 56% referidas as tecnologias móveis, um am- para 66%, ou seja, um enorme contraste biente empresarial mais estável e saudável face a outros continentes, cujas populações e ainda a perda das restrições ao comércio. estão a envelhecer rapidamente. Esta ex- Por volta de 2012, quase 50% dos africanos pansão da população activa vai certamente (mais de 500 milhões de pessoas) vão ter D esde o ano 2000, a África Sub- conduzir ao aumento da procura de bens e um telemóvel, comparativamente aos 30% sariana tem registado um rápido serviços. registados em 2008. Esta forte e rápida crescimento no consumo privado, A Accenture estima que por volta de 2020 adesão às tendências da mobilidade faci- uma evolução de 4% ao ano, alcançando o indicador de níveis de pobreza caia litou o acesso das empresas aos consumi- cerca de 600 mil milhões de dólares em para os 20%, contra os 45% registados na dores, através de acções de marketing ou 2010. E os números continuam a apontar década de oitenta. E são níveis que irão de promoções específicas para este canal. nesse sentido, prevendo-se que em 2020, verificar-se por todo o continente africano, Por outro lado, os consumidores passaram este mercado possa já valer um bilião de independentemente da riqueza, posição a estar mais informados e menos isolados dólares. geográfica e história recente de cada um do resto do mundo. Em paralelo, são A importância dos recursos naturais irá dos países. criadas oportunidades para um boom das manter-se, no entanto os factores mais sig- Em 2050, quase dois terços da população indústrias em torno das novas tecnologias, nificativos de crescimento estão a mudar, africana vai viver em cidades, em contraste que oferecem emprego e rendimento a um com menos enfoque nas exportações e um com os 40% actuais. A urbanização, por número elevado de pessoas, de que são maior impacto relativamente à procura. sua vez, vai levar a que os consumidores exemplo os já existentes call centers no Apesar do rendimento per capita ser comprem mais bens e serviços, o que irá Quénia. ainda baixo, o valor médio deste indicador impulsionar o desenvolvimento das empre- No entanto, outras barreiras estão a ser tem vindo a aumentar, dando origem a sas. O rápido crescimento da população derrubadas, como é o caso das restrições26 Business reporter | fevereiro 2012
  • 23. tendênciasao comércio e das taxas alfandegárias Caracterização dos consumidores do continente africanocobradas às importações. África formalizouuma série de acordos comerciais, quecatalisaram a perda de restrições comer- consumidores de produtos básicosciais entre estados membros e a economia este segmento, composto pela maioria da população africana,global em geral. caracteriza-se pelo seu baixo rendimento. Por norma, residem nas áreas mais degradadas dos centros urbanos ou em áreas rurais e tomam as suas decisões de consumo para satisfazerOs segmentOs De necessidades básicas.cOnsUmiDOres em ÁfricaA dimensão e a diversidade da populaçãoafricana torna mais difícil pôr em prática asestratégias empresariais utilizadas noutros famílias com baixo rendimento Constituem o segundo maior grupo de consumidores nomercados mundiais, pelo que o primeiro continente. Concentram os seus hábitos de consumo naspasso é determinar onde residem as maio- necessidades dos filhos e valorizam a estabilidade e a rotinares oportunidades na África Subsariana. das suas vidas.A análise da Accenture mostra que, em2020, o consumo no continente deveráascender aos 938 mil milhões de dólares,com dez países a contribuir com quase três classe média emergentequartos do total deste valor: a sul, liderado estes consumidores são tipicamente emergentes dos primeiros dois segmentos, tendo adquirido um poder de compra superiorpela África do Sul, no leste, pela Etiópia e a graças ao acesso ao crédito ou a outros recursos. aquilo que maisoeste encabeçado pela Nigéria. valorizam é a crescente mobilidade e baseiam os seus gastos naNestes atractivos mercados existe um conveniência e qualidade dos produtos, entre outros factores.leque alargado de grupos de consumidores,para os quais as empresas devem criarofertas diferenciadas e personalizadas. profissionais executivosNo quadro ao lado estão classificados os residentes nas áreas urbanas mais cosmopolitas, estes profissionais dão grande importância à sua carreira,segmentos de consumidores da África dedicando-lhe a maior parte do seu tempo, mas na maioriaSubsariana, bem como os respectivos com- das vezes têm vidas sociais activas. desta forma, estesportamentos de consumo de acordo com executivos apostam em produtos pragmáticos, tendo em contaos seus rendimentos. o valor das marcas e sendo influenciados pelos media.estratégias eficazes rUmOaO crescimentO sUstentaDO classe altaAs empresas estão a criar e a cimentar a classe alta do continente africano possui um poder deestratégias de crescimento em mercados compra muito elevado e o seu nível de riqueza é notórioemergentes, ao mesmo tempo que o consu- em qualquer parte do mundo. este grupo é extremamente reduzido e instável.mo nos mercados mais maduros luta paraatingir os níveis da pré-recessão, para, des-ta forma, equilibrarem os seus resultados. fonte: accenture, “the dynamic african Consumer market: exploring growth opportunitiesÁfrica é, talvez, a última fronteira de in sub-saharan africa”, 2011crescimento do consumo. Até há poucotempo, era difícil investir na região, devidoa factores como a instabilidade política ou À medida que a economia africana se As organizações que entrarem mais cedoo ambiente económico, a falta de infra- torna mais atractiva, as empresas estão neste mercado e que criarem novas cate-estruturas e a pobreza. Ao mesmo tempo, também a ser mais criativas, de forma a gorias de produtos ganham uma vantagema predominância de mercados informais e darem resposta às exigências específicas significativa em relação aos seus concor-as transacções em dinheiro impediam uma dos consumidores e, simultaneamente, rentes.análise dos consumidores e das economias. obterem maiores receitas e lucros. Foco e Ao focarem-se em necessidades distintas,O continente está agora mais receptivo disciplina são as chaves para este objecti- comportamentos e preferências dos seg-às empresas. O ambiente de negócio tem vo. As empresas devem direccionar-se para mentos de consumidores e ao aplicaremvindo a melhorar, as infra-estruturas estão os segmentos de consumo - desde os Con- uma aproximação sistemática ao mercado,mais fortes, existem mais consumidores sumidores de produtos básicos à Classe as empresas podem aproveitar a oportu-com rendimentos superiores, ao mesmo muito alta - e aplicarem uma aproximação nidade africana, de forma a protegerem astempo que são desenvolvidos mais produ- estruturada que entenda os consumidores margens e a fazerem crescer as receitas,tos e serviços que vão ao encontro das suas e como obter um negócio próspero. obtendo desta forma um crescimentoaspirações. É também importante agir com rapidez. sustentado.  texto paula GiRão fevereiro 2012 | Business reporter 27
  • 24. tendências Crescer nos mercados emergentes organizações devem reavaliar estratégias cerca de 80% dos 588 executivos inquiridos pela accenture em cerca de 6,5 biliões de euros de rendimen- 85 países acredita que o foco principal para o crescimento das suas to adicional para as famílias. empresas está nas economias emergentes, mas, 40% dos executivos Entre os exemplos de ritmo e diversidade diz não ter uma estratégia ou mesmo as capacidades operacionais de crescimento identificados pelo estudo estão: para tirar partido de oportunidades nos mercados-alvo de grande • São inúmeros os factores externos que crescimento. podem causar uma divergência entre os gastos expectáveis e reais do consumi- A s conclusões constam do relatório dos, preferindo muitas vezes poupar ou dor. Um desses factores é a alteração na da Accenture lançado recentemen- mesmo abandonar alguns locais até que o distribuição de rendimentos. Por exem- te em Davos “Fast Forward to Gro- ambiente económico global se torne mais plo, na África do Sul uma das metas wth: Seizing opportunities in high-growth claro. Muitas organizações estão a manter políticas é obter uma maior igualdade markets”, que também revela que 73% reservas de dinheiro avultadas que podem nos rendimentos das famílias, de forma dos inquiridos acredita que, para obter ser usadas para expandir o seu negócio, e a aumentar o potencial de crescimento quota de mercado suficiente nos mercados na pesquisa da Accenture foram identifi- do país; emergentes, deve acelerar os seus esfor- cados países com mercados de consumo • Apesar da dimensão e da taxa de cres- ços, caso contrário, pode ser tarde demais de elevado crescimento que podem vir a cimento da China, em 2010, 21 outras para o fazer. Este documento indica, ainda, representar oportunidades significativas. economias emergentes – incluindo a que 57% dos líderes mundiais ausculta- Ainda assim, as empresas continuam a ter Polónia, Colômbia, Malásia, Nigéria e dos acredita que a sua empresa terá de dúvidas, e essa hesitação pode ser um dos Cazaquistão – tinham um número mais “reavaliar” ou “repensar profundamente” grandes riscos do ambiente competitivo de elevado de famílias com um rendimento as abordagens e as capacidades de que ne- hoje. O primeiro passo é conhecer melhor anual de 40.000 euros; cessita para competir nestes mercados. Os os novos mercados. • Em 2010, a China estava classificada dados não revelam diferenças significativas Nesse sentido, África está rapidamente a como a 28.ª entre os países com ren- entre empresas de mercados maduros e de assumir um lugar central nas discussões dimentos familiares de, pelo menos, mercados emergentes quanto ao grau de sobre as novas fronteiras de crescimento. 23.000 euros. Contudo, até 2020, é preparação para obter quota de mercado Este é um mercado com grande potencial esperado que se situe na 4ª posição, nestas geografias. e ainda é relativamente inexplorado. O logo após os Estados Unidos, Japão e O relatório analisa a diversidade de taxas continente está a vivenciar uma urbani- Alemanha; de crescimento dos rendimentos familiares zação extremamente rápida, o que tem • Até 2020, entre os mercados emergen- em determinadas economias e sugere impulsionado o forte crescimento das suas tes, a Turquia terá o maior crescimento que existem oportunidades significati- necessidades de infra-estruturas, como absoluto no rendimento, com as famílias vas em mercados que são muitas vezes redes de geração de energia, transporte e a ganharem mais de 40.000 euros. Um pouco compreendidas pelas empresas tecnologia, e Moçambique não é excepção. aumento de quase 150%, que representa multinacionais. De forma a potenciar estas 500 mil milhões de euros; oportunidades, o relatório recomenda renDimentO Das famílias • Outros países vão oferecer oportu- como prioridade máxima o investimento reDefine priOriDaDes nidades significativas. Em 2020, por no acompanhamento e na previsão de A análise constante do relatório sobre os exemplo, espera-se que o número de alterações rápidas no poder de compra e futuros rendimentos familiares em 64 eco- agregados familiares no Cazaquistão com das tendências de consumo nos mercados nomias, desenvolvida em colaboração com rendimentos superiores a 40.000 euros, emergentes, assim como da concorrência a Oxford Economics, sugere que 87% dos duplique, para cerca de 590.000. Mais nestas geografias. 124 milhões de novos agregados familiares do que o número combinado de famílias Segundo a Accenture, as empresas tendem que vão integrar a economia mundial até com rendimentos daquele nível na Indo- a hesitar quando definem as prioridades 2020 vão estar situados nas economias nésia, Filipinas, Vietname, Paquistão e dos seus investimentos em novos merca- emergentes e vão representar, pelo menos, Egipto.28 Business reporter | fevereiro 2012
  • 25. tendências De acordo com a Accenture, outro método consiste no desenvolvimento de planos de negócio baseados no potencial que pode ser encontrado em cidades ou regiões, em vez de países. Por exemplo, uma empresa chinesa de bebidas assegurou uma vanta- gem de mercado ao definir como alvo 600 cidades mais pequenas, em vez de entrar em cidades maiores onde a concorrência é mais agressiva. Ao utilizar os canais de dis- tribuição local tradicionais nestas cidades mais pequenas, a empresa beneficiou de uma taxa de crescimento anual composta de mais de 100% desde 2005. DimensiOnar e segmentar nOvOs mercaDOs Para além de defender o uso de variáveis diferentes de segmentação para descobrir novos grupos de consumidores e definirrecessãO acelerOU olhar para além das opções óbvias, como novos mercados-alvo, o relatório da Ac-vOlUme De trOcas nOs os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) centure identifica medidas para acelerar amercaDOs emergentes quando desenvolvem os seus planos de selecção destes mercados:Para além dos resultados apresentados, crescimento. A diversidade de taxas de • Desenvolver previsões de consumo para o estudo contém ainda uma pesquisa que crescimento entre as diferentes geografias múltiplos mercados para ajudar a decidirindica que, se a tendência actual continuar, significa que as empresas devem analisar como, e quando, entrar nas economiaso valor das trocas comerciais entre as uma série mais alargada de oportunidades seleccionadas;economias emergentes (E2E) irá superar e tornarem-se mais específicas na sua • Maximizar o valor dos dados de clientes pela primeira vez, até ao final de 2013, o segmentação do mercado. em geografias onde a informação devalor deste indicador entre os mercados mercado é escassa;desenvolvidos (D2D). Até há pouco tempo, DescObrir nOvOs • Recolher dados locais fiáveis através as trocas D2D dominaram o volume global segmentOs De mercaDO de novas técnicas, como as aplicaçõesde trocas e, até ao ano 2000, as trocas E2E O relatório da Accenture demonstra como móveis ou as redes sociais, ajudando aeram a componente mais pequena dos as empresas terão de olhar para além dos construir novas relações com os consu-fluxos de mercado global. De acordo com a segmentos de mercado convencionais para midores. Por exemplo a SABMiller, uma empresa cervejeira mundial com origem na Áfricao continente africano está a vivenciar uma do Sul, abriu recentemente uma fábrica nourbanização extremamente rápida, o que tem sul do Sudão. A vasta experiência desta empresa em mercados emergentes (operaimpulsionado o forte crescimento das suas em 17 países africanos, incluindo Moçambi-necessidades de infra-estruturas, como redes de que), deu-lhe confiança para apostar nestegeração de energia, transporte e tecnologia, mercado pouco óbvio, apesar das fortese moçambique não é excepção. barreiras ao nível de infra-estruturas deste país. A pesquisa da Accenture torna claro que asAccenture, a mudança tem sido acelerada conquistar novos grupos de consumidores. multinacionais não podem manter a abor-pela recessão económica. Um dos métodos passa por desenvolver dagem de business-as-usual, especialmenteÀ medida que o volume de trocas comer- segmentos comuns aos vários países com quando se trata de obter e manter umaciais se transfere para os mercados de necessidades e preferências similares. posição sustentada no mundo emergente.grande crescimento, também as empresas Por exemplo, uma empresa multinacional As organizações capazes de dimensionar,devem posicionar-se nestes mercados, sob teve sucesso ao identificar as necessidades calendarizar e priorizar oportunidades,pena de não capitalizarem esta tendência, dos consumidores masculinos em áreas desenvolver e proteger a procura futuratal como revela a pesquisa da Accenture. com escasso acesso a água e desenvolveu em mercados de elevado crescimento eNo entanto, o cenário dos mercados de produtos de higiene pessoal especificamen- construir capacidades operacionais ágeisconsumo de elevado crescimento está a te para este grupo de consumidores, que e flexíveis, terão melhores hipóteses demudar rapidamente e as empresas devem replicou em vários mercados. sucesso a longo prazo.  texto paula GiRão fevereiro 2012 | Business reporter 29
  • 26. entrevista Rogério Manuel presidente da CTA emPresas enfrentam novos desafios é preciso pensar a economia nacional e as relações empresariais à luz dos novos desafios globais. o país tem os recursos, mas é necessário acelerar reformas e incentivar novas parcerias. neste contexto, “é fundamental desenvolver e consolidar o diálogo público-privado”, afirma o presidente da confederação das associações económicas de Moçambique (cta). o continente africano tem hoje um maior protagonismo na o tecido empresarial nacional está ciente das novas oportunidades economia global. como vê o papel de Moçambique neste novo e desses novos desafios? contexto internacional? A maior parte das empresas moçambicanas são de pequena escala Moçambique faz parte das economias emergentes, a sua dinâmica (micro a médias empresas, empregando entre 1 a 99 trabalhado- em termos de crescimento económico e oportunidades de negócios res) e parte significativa opera no regime informal. A globalização é extraordinária. Temos a oitava maior taxa de crescimento do traz desafios às economias emergentes, como é o caso de Moçambi- mundo. A descoberta e a exploração de recursos minerais veio que. Um dos exemplos mais recentes advém da crise económica e aumentar o leque de oportunidades que financeira internacional que, tendo começado nos Estados Unidos Moçambique possui. Todavia, da América, acabou por contagiar outras economias à escala existem desafios para o empre- mundial. O interesse actual do capital para com África pode ficar sariado local, alguns estrutu- a dever-se à crise no Ocidente, mas não só. Devido à saturação rais e outros de natureza desses mercados, o continente africano é visto como um terreno conjuntural. Por exemplo, fértil para o investimento estrangeiro. As nossas empresas fazem a informalidade da um enorme esforço para sobreviverem à concorrência internacio- economia e a escala das nal, ao mesmo tempo que se debatem com sérios problemas, como empresas constituem sejam o limitado acesso ao financiamento, a falta de tecnologias limitações ao acesso a competitivas e de capacidade técnica. Neste cenário, o papel do determinadas oportu- Governo e das políticas públicas de apoio e promoção ao sector nidades existentes no privado nacional são fundamentais. A CTA tem lutado muito pela mercado. melhoria do ambiente de negócios e pela promoção de parcerias empresariais que possam servir de alavanca à competitividade das empresas locais, mas sentimos que o caminho a percorrer ainda é longo. Precisamos de mais apoios e de estabelecer novas parcerias. que medidas considera fundamentais para melhorar o ambiente de negócios no país e a competitividade da economia? O mais importante é o desenvolvimento e a consolidação de um diálogo efectivo entre o Governo e o sector privado, procurando sempre os melhores modelos de diálogo. Este mecanismo permite hierarquizar e calendarizar os problemas e as soluções com que o empresariado se debate. A flexibilização da legislação laboral, a re- dução dos custos de transacção, a introdução da Lei de Insolvência e Recuperação de Empresas Comerciais, o registo e colateralização de propriedade e a simplificação do sistema fiscal e a redução da carga, são algumas das acções que vemos como prioritárias. Mas é30 Business reporter | fevereiro 2012
  • 27. entrevistaurgente também assegurar o financiamento para as PME, melhorara qualidade da energia eléctrica e o atendimento e a prestação dos Missão: fortalecerserviços públicos. Esta última questão, relativa ao atendimentopúblico, é fundamental para os negócios. Não há melhor reforma o sector privado nacionalque um investimento no capital humano. O Estado deve capacitar organização económica, não governamental, a Ctaos seus recursos humanos para prestarem um serviço cada vez agrega 40 das maiores e mais representativas associaçõesmelhor e com maior qualidade. económicas moçambicanas. Plataforma de diálogo entre o governo e o sector privado, a Cta trabalha em prolDiÁlOgO públicO-privaDO cOm resUltaDOs da melhoria do ambiente de negócios em moçambique, promovendo e protegendo as oportunidades dea cta assumiu um papel activo na promoção e capacitação do negócios através da reforma de políticas económicas eempresariado nacional. que resultados gostaria de destacar? reguladoras. o seu objectivo máximo visa a criação deDesenvolvemos já um intenso trabalho na promoção de programas um sector empresarial privado dinâmico e competitivo.de capacitação nos domínios de gestão empresarial, capacitaçãotecnológica, técnicas de negociação, fiscalidade, liderança emassociativismo, comércio internacional, organização de missõesempresariais para promoção de parcerias de negócios e pesquisade mercados. Devo aqui destacar o projecto PoDE, que beneficiou aspectos como a diminuição dos prazos de pagamento e de reem-muitas empresas através de programas de matching grant bolso pelo Estado (de contratos e do IVA); a revisão das tarifas dos(fundos de comparticipação). A CTA criou ainda a Enterprise Scanners, a criação do órgão regulador do sector dos transportes,Mozambique, Lda., uma organização vocacionada para a promoção a coordenação efectiva das inspecções às actividades empresariais,de programas de capacitação de empresas que beneficiou da a conclusão da regulamentação da Lei do Trabalho, o acesso aoexistência de vários programas e fundos de apoio neste domínio, financiamento ou, ainda, a revisão dos estatutos do INSS, de modovindos de organizações parceiras como o Banco Mundial, a USAID, a permitir uma gestão mais eficiente e sem interferências e noa UNIDO, entre outras. Estas experiências e actividades despole- reforço da capacidade de controlo fitossanitário (plantas e gado),taram o crescimento das empresas e também da própria CTA, bem só para citar alguns exemplos.como uma maior fluidez no diálogo público-privado, mercê de ummelhor entendimento das variáveis abordadas e de uma melhor ca- ceO experience é Um fórUm privilegiaDOpacidade de inserção das empresas moçambicanas em mecanismos o que espera da conferência ceo experience, que se realiza pelainternacionais, como o Protocolo Comercial da SADC, o Acordo primeira vez em Moçambique?de Parceria Económica com a União Europeia (EPA) e o African Em primeiro lugar devo realçar que a realização da CEOGrowth Opportunity Act (AGOA). Experience Moçambique traduz uma inserção cada vez maior do país no mundo dos negócios à escala internacional. É um eventoesta será uma das actividades que gostaria de reforçar no futuro? em que gestores e líderes empresariais partilham conhecimen-Sem dúvida. Os programas de capacitação trazem uma mais-valia tos, pelo que se torna um fórum privilegiado para conhecer anão só às empresas como à eco-nomia em geral. Vamos continuarcom este tipo de programas e,para isso, contamos com o apoiodo DANIDA (Fundo de Apoio aos “A CTA tem lutado muito pela melhoriaNegócios), da USAID (Projecto do ambiente de negócios e pela promoção de parcerias empresariais masSPEED), da OIT - OrganizaçãoInternacional do Trabalho e doBanco Mundial, através do Projec-to de Apoio à Competitividade e sentimos que o caminho ainda é longo.”Desenvolvimento Empresarial.que avaliação faz do diálogo existente entre o Governo e o sector multiplicidade e similaridade de experiências e de soluções paraprivado? os problemas com que os gestores se debatem. Esta partilha deO diálogo entre o Governo e o sector privado está num bom cami- conhecimento contribui muito para eliminar a ideia de que osnho. É nossa prioridade revitalizar o modelo de diálogo, de forma problemas de cada empresa são uma realidade isolada, ao mesmoa orientá-lo para a produção de resultados com alguma celeridade. tempo que possibilita que se crie uma maior confiança nos cami-Isto implicará a reformulação das formas e canais de contacto, nhos a adoptar no dia-a-dia.ampliando e especializando os assuntos a tratar dentro da CTA, eum cada vez maior envolvimento das empresas, bem como das suas que mais-valias poderão os empresários moçambicanos retirarassociações e federações. desta troca de experiências?Este ano vamos igualmente concentrar-nos na melhoria dos indi- A minha expectativa é a de que o evento venha despertar muitocadores que compõem o Doing Business de 2013 e na melhoria de interesse nos gestores seniores moçambicanos sobre áreas que fevereiro 2012 | Business reporter 31
  • 28. entrevista normalmente são descuradas em detrimento do lucro. Falo desenvolvimento de infra-estruturas, sobretudo estradas, aeródro- concretamente da necessidade de preservação do meio ambiente, mos e aeroportos, sistemas de abastecimento de água e de energia governação corporativa e transparência, bem como da “inclusivida- eléctrica nas zonas com maior potencial turístico. de” nos negócios. As discussões e troca de experiências em vários Um segundo sector que implica investimentos massivos e que já domínios constituirão uma mais-valia para os participantes. está em franco desenvolvimento é o mineiro, que pode criar novas oportunidades para as empresas nacionais se as políticas forem é precisa Uma maiOr parceria bem traçadas, nomeadamente no que diz respeito aos regimes de entre as pme e Os granDes prOjectOs concessão mineira, logística e transformação e aproveitamento dos como analisa a situação económica do país? produtos mineiros no país. O grande desafio com que Moçambique ainda se debate é o Com a crise alimentar e a falta de opções para agricultura em equilíbrio das contas internas e das contas externas, o que várias partes do mundo, Moçambique oferece oportunidades influencia as taxas de câmbio e as taxas de juro e tem reais efeitos ímpares e um potencial enorme para o crescimento da agricultura. sobre os negócios. É necessário que a economia caminhe para Contudo, o arranque deste sector está condicionado à reformu- uma situação de equilíbrio, tanto do orçamento geral do estado (OGE) como das contas externas, de modo a criar uma maior confiança nos empresários nos domínios da poupança e do investimento. Os resultados conseguidos pelo Executivo apontam para uma melhoria na gestão do OGE, que passou de uma dependência ex- terna de 60% a 70% nos últimos 5-10 anos para a situação actual, em que os recursos externos do OGE situam-se entre 40% e 50%. A taxa de câmbio, que constituiu uma fonte de instabilidade nos finais de 2010 e princípio lação das políticas e à forma como a actividade tem vindo a ser de 2011, tem vindo a estabilizar graças às políticas monetárias res- desenvolvida. É necessário que as actividades relaccionadas com ponsáveis. O Banco Central contribuiu também para que a inflação os Institutos de Investigação Agrária, assistência técnica para a se situasse abaixo dos níveis previstos. Encorajamos o Executivo a fertilização, fornecimento de sementes adequadas, sistemas de caminhar para um cenário de um OGE autónomo e de uma maior rega, com a assistência técnica aos equipamentos nos campos, nas equidade tributária do sector privado, sobretudo na dicotomia das estradas, entre outras, sejam abordadas de forma integrada, por micro, pequenas e médias empresas e os grandes projectos. forma a aproveitar melhor as capacidades, os recursos e o trabalho já desenvolvido. Mas a economia nacional apresenta ainda alguns desequilíbrios... Sentimos que alguma coisa está a falhar nas políticas públicas, de que forma é que vê a entrada de um número crescente de sobretudo a nível sectorial e no seu enquadramento na estratégia empresas estrangeiras no país? global de desenvolvimento. Por exemplo, temos uma explosão A entrada de empresas estrangeiras é positiva na medida em que no sector mineiro, mas faltam quadros qualificados (técnicos e estas trazem novas tecnologias e experiências, para além de que o engenheiros) para responder a esta dinâmica. A logística para este seu investimento contribui para a melhoria das contas nacionais e sector, e não só, já que o mesmo problema se verifica no sector amplia a oferta de emprego e, consequentemente, os rendimentos alimentar, em que o país tem também um enorme potencial, está familiares. Contudo, é preciso que se estabeleçam mais parcerias a ser garantida por empresas sul-africanas, com todos os custos entre empresas nacionais e estrangeiras e que se canalizem esses inerentes. Em Tete, o maior centro industrial mineiro do país, falta investimentos para os sectores que deles mais carecem. A defini- tudo, incluindo apartamentos para habitação e escritórios. Mas isto ção de políticas claras em relação ao investimento estrangeiro e são apenas alguns exemplos que mostram que a coordenação de seu relacionamento com investimento local é fundamental para políticas intersectoriais e a partilha de informações entre o Gover- evitar qualquer tipo de conflito.  texto Manuela sousa GueRReiRo no e o sector privado e entre os grandes projectos e as empresas locais deve ser encorajada. quais os sectores com maiores potencialidades de desenvolvimento? São vários e alguns estão interligados. Por exemplo, o sector turís- tico é uma indústria do futuro, mas o seu crescimento carece de32 Business reporter | fevereiro 2012
  • 29. CEO Experience MoçambiqueUma iniciativa Accenture e O País EconómicoConferênCia de CeodisCute estratégiasde CresCimentoS ob o lema “Estratégias para Alcan- nistração das principais empresas a operar na- çar um Crescimento Sustentado”, quele país. Motivada pelo seu enorme sucesso a Accenture e O País Económico, e adesão, a consultora tem procurado expandirdo grupo SOICO, organizam a 1ª edição a sua realização a outros países, como é o casodo CEO Experience Moçambique, de Angola, onde já conta com duas ediçõesuma conferência dirigida aos CEO das realizadas, e agora a Moçambique.principais organizações a operar no país. Em Angola, esta iniciativa, co-Esta iniciativa conta com a presença de -organizada pela Accenture e peloaltas personalidades governamentais de jornal económico Expansão, detidoMoçambique e de alguns dos CEO das pelo grupo Score Media, contou commaiores organizações com operação no a presença dos mais altos responsáveispaís. políticos e de alguns dos líderes dasO evento visa a partilha de experiências principais empresas angolanas.e a promoção do debate em torno de Para além do continente africano, atemas estruturantes e desafiantes para as Accenture pretende, num futuro próximo,organizações, tendo em conta o cresci- realizar a 1ª edição do CEO Experiencemento da economia moçambicana e a sua na América do Sul, nomeadamenteposição estratégica no contexto da SADC no Brasil.e no continente. Até hoje, nas suas cinco edições,O CEO Experience nasceu em Portugal, participaram na conferência CEOhá quatro anos, de uma parceria entre a Experience mais de 500 executivos deAccenture e o Diário Económico, do gru- topo, entre eles cerca de 250 CEO daspo Ongoing, posicionando-se desde cedo principais empresas a operar nos paísescomo o evento anual de referência para onde se realiza. CEO e membros dos conselhos de admi-nas suas cinco edições, participaram naconferência Ceo experience mais de 500executivos de topo, entre eles cerca de 250Ceo das principais empresas a operar nospaíses onde se realiza. fevereiro 2012 | Business reporter 33
  • 30. CEO Experience Moçambique Entrevista com Luís Pedro Duarte Administrador da Accenture moçamBique na linha do CresCimento “é impossível desenvolver sectores estratégicos ou de aposta do ponto de vista económico, se não existirem infra-estruturas capazes de suportar esse crescimento. há que conseguir encontrar o justo equilíbrio entre a aposta nas soft skills (educação e qualificação do capital humano) e as hard skills (infra-estruturas, recursos naturais, etc.)”, defende luís pedro duarte, administrador da accenture responsável pela área de estratégia para portugal, angola e Moçambique. como é que enquadra África na economia global? A evolução do continente africano nesta última década, sobretudo nos últimos três a quatros anos, é bastante interessante, como comprova a experiência da Accentu- re nos países africanos onde tem operação. se pensada em termos de pirâmide etária para o curto e médio prazos são bastante África, pela dimensão e heterogeneidade futura. As projecções apontam para um optimistas, ao contrário de regiões como a do continente do ponto de vista político, continente populoso e jovem (estima-se Europa e os EUA. O FMI estima um cres- social e, inclusive, religioso ou, ainda, pela que nos próximos 40 anos a população cimento de 6% para 2012 no continente perspectiva do crescimento económico, aumente em 3 mil milhões e que metade africano, mais uma vez, muito idêntico tem realidades muito diferentes. No desse aumento seja em África). Esta ao que se estima para a Ásia. Os índices entanto, julgo importante salientar que, na tendência tem semelhanças com o que se de estabilidade política têm evoluído última década, no conjunto de países que tem passado na Ásia e, de alguma forma, favoravelmente. E a essa estabilidade não mais cresceram em todo o mundo estão na América Latina, regiões que começam a é alheio o contributo das organizações seis economias africanas; em oito dos últi- retirar dividendos da entrada em força das internacionais multilaterais da região, mos 10 anos, África cresceu mais do que o camadas mais jovens no mercado de traba- e, em especial, os avanços nos domínios continente asiático. lho. A Índia claramente já está a beneficiar político e económico de algumas delas, A taxa de natalidade em África é outro disso e a China também. como é o caso da Southern African Deve- indicador de referência, nomeadamente Se olharmos para o futuro, as perspectivas lopment Community (SADC). Porém, há34 Business reporter | fevereiro 2012
  • 31. CEO Experience Moçambique considera que a exploração intensiva dos recursos naturais corre o risco de pôr em perigo o crescimento sustentável do país? É de facto uma questão muito crítica, que estará a ser devidamente ponderada pelas autoridades governamentais. A par dos recursos naturais, Moçambique está a investir simultaneamente em estratégias e políticas que visam claramente o desenvol- vimento social, a geração de emprego e a formação de talento. O sector do turismo é um bom exemplo. Foi uma aposta delibe- rada do Governo logo que a paz foi estabe- lecida, numa altura em que porventura não seria tão evidente o potencial dos recursos minerais do país. Este sector tem tido uma progressão assinalável, a que também não será alheio o facto de Moçambique ser considerado um país seguro, tranquilo e hospitaleiro, nem o facto de, desde o início, ter sido delineada uma estratégia de gestão equilibrada dos recursos. Entre 2005 e 2009, o sector teve um crescimento médio anual de 40%. na sua opinião, quais devem ser as apostas estratégicas do país? Desde logo as infra-estruturas. São absolu- tamente cruciais para o crescimento interno e para que Moçambique beneficie do posicionamento geoestratégico privile- giado que tem no continente africano. É que, não estamos a falar somente das infra- -estruturas de Moçambique, mas também das de todos os países vizinhos, inclusive através da concretização de investimentos conjuntos que permitam igualmente um usufruto conjunto. E nesse domínio, os portos, as estradas, o caminho-de-ferro e a rede de transporte de energia eléctrica são claramente estratégicos. Moçambique é dos poucos países que detém portos de águas profundas na costaum caminho a percorrer na clarificação e A base de crescimento de Moçambique oriental de África, o que é extraordina-aprofundamento das relações económicas tem sido pequena (em termos absolutos riamente importante no comércio com osentre os países africanos. do PIB que o país gera), mas, mesmo no países do hinterland, com a África do Sul contexto da África Subsariana, é dos países e com a Ásia.e como é que posiciona Moçambique nesse que mais tem crescido. Tem crescido O porto de Maputo hoje em dia já éenquadramento? acima da média e é expectável que assim usado quer para importação quer para aNeste vector da estabilidade, Moçambique continue. Isto não é neutro, em especial exportação de mercadorias directamenteé desde logo um grande exemplo. Tem se conjugado com o índice de estabilida- relacionados com a economia sul africana,conseguido níveis de estabilidade política de social e política, e com o potencial de o que na prática significa que o país benefi-e social muito interessantes, criou e cultiva desenvolvimento dos recursos naturais do cia da proximidade geográfica com a Áfricauma cultura de paz, algo que é extraordi- país (carvão e gás natural): as projecções do Sul, com quem, além do mais, mantémnariamente positivo para a sociedade e, apontam para que Moçambique se torne muitas afinidades tanto histórica comosobretudo, um elemento diferenciador do uma das grandes potências mundiais como culturalmente falando.país no continente. produtor de carvão e gás natural. A proximidade do sudoeste asiático é fevereiro 2012 | Business reporter 35
  • 32. CEO Experience Moçambique igualmente relevante. Não é por acaso que apenas 10% tem conta bancária, o que e a educação e qualificação das pessoas? a China e a Índia aparecem já posicionados demonstra o potencial que existe para o o capital humano? entre os cinco maiores parceiros económi- crescimento dos serviços móveis no sector Sim, é claramente um factor que pode cos do país. bancário, como exemplo. fazer a diferença no desenvolvimento e no crescimento de qualquer país. E Moçam- e a indústria e a sua diversificação para Mencionou parcerias eficientes, está a bique não é excepção. A Índia quebrou o além dos megaprojectos? referir-se a modelos de parcerias público- paradigma de que um país só evoluiu se ti- Outra grande área estratégica de aposta, -privadas (ppp)? ver recursos naturais a partir do momento para além do turismo e das infra-estrutu- Ultimamente o conceito de PPP tem sido em que começou a ter uma pirâmide etária ras, deverá ser, de acordo com a experiên- desvirtuado e criticado em alguns países, e populacional que lho permitiu. À medida cia da Accenture, a da indústria. Por um eventualmente por questões políticas, mas, que aumenta a formação e a educação da lado, a montante, todos os ramos relacio- do ponto de vista conceptual, é um modelo população e esta faz parte integrante do nados com a agricultura (apenas 10% do que permite a partilha de investimentos mercado de trabalho, começa a ter mais solo arável do país está efectivamente a ser entre o Estado e o sector privado e é rendimentos e a aumentar o consumo. Isto cultivado, pelo que há também aqui uma perfeitamente aplicável nestas situações. é básico. aposta grande a fazer) e as agro-indústrias, As infra-estruturas são uma área que Importa pois que o país consiga ter pessoas e depois, em todas as indústrias relacio- permite a realização de PPP. É impossível com níveis de qualificação adequados às nadas com as infra-estruturas (novamen- desenvolver sectores estratégicos ou de exigências presentes e futuras. te, a produção e distribuição de energia aposta do ponto de vista económico, se Aliás, neste momento Moçambique pode eléctrica, em especial da rede eléctrica não existirem infra-estruturas capazes de beneficiar de uma oportunidade única: nacional que, mais do que uma opção, é suportar esse crescimento. no hemisfério norte há excesso de mão- imprescindível). Na Accenture, acreditamos que há que -de-obra qualificada disponível, que pode Há ainda o sector dos serviços, que conseguir encontrar o justo equilíbrio perfeitamente aproveitar para acelerar inevitavelmente vai ter de acompanhar entre a aposta nas soft skills (educação e o seu próprio processo de crescimento, o crescimento do país. E refiro-me, por qualificação do capital humano) e as hard captando assim talento que ajude a dar exemplo, às telecomunicações, com tudo skills (infra-estruturas, recursos naturais, o salto mais rapidamente. A educação é o que significam em termos de serviços às etc.). Este é um tema muito interessante uma questão geracional, Moçambique está pessoas, como possibilitar a realização de do ponto de vista académico e, inclusive, a apostar na educação a todos os níveis e diagnósticos médicos, educação e forma- os debates apontam com frequência uma em todo o território, mas as empresas e as ção à distância, para além das funções mais contraposição entre o modelo chinês, organizações moçambicanas podem tirar óbvias de comunicação remota. Mas o seu mais virado para o desenvolvimento das partido do know-how e do talento das crescimento vai depender da capacidade infra-estruturas e da indústria, e o modelo empresas e das organizações que estão a de empresas e operadores privados con- indiano, mais apostado na educação, para investir e a instalar-se no mercado, a criar seguirem estabelecer parcerias eficientes exemplificar. No entanto, na minha pers- postos de trabalho e a apostar na formação com o sector público e serem capazes de pectiva, em Moçambique os dois processos dos recursos locais. inovar. Há países em África em que mais têm necessariamente de decorrer em O talento desenvolve-se mas também pode de 50% da população tem telemóvel mas paralelo. ser acelerado pela partilha e transmissão de know-how por parte de recursos externos. Estes trazem know-how (porque já o têm) mas vêm, sobretudo, ajudar a Perfil do keynote speaker da conferência desenvolver o conhecimento e o talento local. Não têm de ser só o Estado e as CEO Experience Moçambique universidades a ter a missão de educar a luís Pedro duarte é administrador da accenture e o responsável pela área população. As empresas, em especial as de estratégia para Portugal, angola e moçambique. estrangeiras, nesta altura do crescimento ao longo de cerca de 20 anos de experiência profissional este executivo do país, podem e devem ter o papel de liderou vários projectos complexos de consultoria de gestão nas áreas ser fontes super privilegiadas de formação de estratégia corporativa, fusões & aquisições, modelos operativos e de crescimento, sustentabilidade, entre outros, para organizações em angola, de recursos locais e de recrutamento dos Brasil, méxico, reino unido, frança, espanha, Portugal. mesmos. licenciado em organização e gestão de empresas, com formações no Por exemplo, na Accenture criamos e Kellogg school of management e diplomado pela european foundation desenvolvemos capacidades para recrutar for management development, iniciou a sua actividade profissional como e formar internamente os seus recursos consultor e formador no iPe/Cifag, tendo posteriormente sido co-fundador humanos nos países em que estamos ins- de uma consultora na área das Pme. em paralelo foi docente de cursos de pós-graduação em gestão e finanças talados, valorizando assim o talento local. e é autor frequente de artigos de opinião sobre gestão e estratégia em Ao mesmo tempo, prestamos esse tipo diversas publicações. de serviço a empresas e entidades governa- mentais, como já temos em muitos países36 Business reporter | fevereiro 2012
  • 33. CEO Experience Moçambiquedo mundo, aproveitando assim toda umainfra-estrutura e conteúdos já existentes.Os temas da educação e da gestão dotalento são fundamentais e, do nosso pontode vista, críticos para o país.que factores é que acha que sãoimportantes para o sucesso das empresasno mercado moçambicano?Estamos num cenário de crescimentoque proporciona dois tipos ou níveis deoportunidades: para as empresas locaisque estejam interessadas em processos decrescimento ou em alavancar o conheci-mento que têm do mercado local, poderáser fulcral estabelecerem parcerias comempresas oriundas de outros países quequeiram estabelecer-se em Moçambique.Pode haver um aproveitamento mútuomuito importante. Por outro lado, énecessário que existam condições para quea classe média cresça e se desenvolva. Apreocupação não será tanto o de quantifi-car limites de rendimento para classifica-ção mas sim de identificar como é que épossível erradicar ou reduzir ao mínimo ascamadas com rendimentos mais baixos. Asquestões que as autoridades e as empresasdevem colocar são sobretudo as seguintes:como é que captamos valor para o país? E, “Este é o timing perfeito paraainda, que sectores de actividade ou quetipo de indústria é que devem ser incen-tivados para que Moçambique tenha umapolítica equitativa que ponha um númerosignificativo de população em níveis de que tudo aconteça, em especialvida e de rendimento mais altos? para as organizaçaões que encaremqual a principal mensagem que quer Moçambique como destinotransmitir aos empresários moçambicanose aos investidores? privilegiado de investimento.”Não é fácil antecipar muito o que vaiacontecer no futuro, mas estou convencido perfeito para que tudo aconteça, em de consultoria de gestão, tecnologia eque assistimos neste momento a uma especial para as organizações que encarem outsourcing. É esta combinação de umaconfluência de factores favoráveis que é como destino privilegiado de investimento experiência sem paralelo, colaborandoideal para que se criem novas dinâmicas de de médio e longo prazos. com a maioria das principais e mais beminvestimento e de crescimento do país. sucedidas organizações a nível mundial,Por tudo o que referi antes, nomeadamen- que papel pode a accenture desempenhar com uma pesquisa exaustiva das novaste pelo posicionamento geoestratégico em junto das empresas? tendências e modelos nos diversos merca-África e no mundo, pelas relações privi- A Accenture está empenhada em ajudar dos que possibilita à Accenture identificarlegiadas que tem com os países vizinhos, as organizações, privadas ou públicas, a novos negócios e tendências tecnológicas,pela estabilidade social e política e pela inovar para atingir um alto desempenho. desenvolver soluções para ajudar os clien-tolerância que lhe é reconhecida pela Com mais de 244 mil colaboradores a ope- tes a entrar em novos mercados, aumentarcomunidade internacional, pelas condições rar em 120 países nos diversos sectores de as receitas nos mercados existentes,de atracção de investimento estrangeiro actividade e nas várias funções de negócio, melhorar o desempenho operacional ouque oferece, pelo investimento que está a Accenture ajuda as organizações a criar oferecer produtos e serviços de formaa fazer na educação e na redução da valor sustentável para os seus clientes mais inovadora efectiva e eficiente.  textopobreza, na saúde, enfim, este é o timing e accionistas, através dos seus serviços cRistina casaleiRo fevereiro 2012 | Business reporter 37
  • 34. gestão positiva bci investir nas ComPetênCias de gestão em 2012, o Bci tem por objectivo manter o ritmo de crescimento e consolidar a rede de balcões existente, dando especial enfoque à qualidade dos serviços prestados aos clientes, explica ibraimo ibraimo, presidente da comissão executiva. o contexto da economia mundial está em transformação. como se pode garantir o crescimento sustentável de Moçambique neste novo contexto? Moçambique deverá encarar a transformação da economia mun- dial como um desafio e uma oportunidade para melhorar a sua participação na economia mundial. Um crescimento sustentável é assegurado pela diminuição da dependência do exterior e pela que medidas considera fundamentais para melhorar o ambiente capacitação dos recursos internos, tanto em termos de produção de negócios no país e incrementar uma maior competitividade na como de mão-de-obra e de infra-estruturas, pois são os factores economia/indústria moçambicana? que poderão contribuir para a obtenção de um “superavit” da A melhoria das infra-estruturas e serviços do país é certamente Balança de Pagamentos a longo prazo. fundamental para assegurar um ambiente propício aos negócios. Como forma de atingir esses objectivos, deveria ser dada ênfase Um outro factor que deve ser analisado é a burocracia e o ambiente à diversificação das nossas exportações, apostando nos sectores legal, pois é um grande impedimento à competitividade. O índice com maior potencial de crescimento e nos produtos cujos preços “Doing Business” do Banco Mundial avalia o desempenho dos internacionais têm tido uma tendência crescente. O enfoque na países não só em termos da facilidade com que se fazem negócios, agricultura e na produção de produtos alimentícios é vital, pois o mas também em termos de todas as actividades inerentes a país tem um enorme potencial para a produção de certos produtos, estes. Claramente, a burocracia e as condicionantes legais são um de consumo, o que não só diminuirá a nossa dependência das desincentivo a investimentos nacionais e estrangeiros e, como tal, importações como também poderá contribuir para a diversificação à competitividade e ao crescimento. Deve ser feito um esforço das exportações. Do mesmo modo, o nosso potencial energético, para facilitar e agilizar os processos, começando por uma maior especialmente em termos de energia hídrica e gás natural, se coordenação entre as várias entidades envolvidas, bem como a correctamente desenvolvido, permitirá reduzir significativamente a informatização das bases de dados, o que permitirá o cruzamento nossa factura energética, com potencialidade para fornecer energia de dados. Finalmente, uma boa governação, a estabilidade macro- a todo o país e criar postos de trabalho para moçambicanos. económica e um mercado financeiro desenvolvido são essenciais No entanto, não nos podemos esquecer que o desenvolvimento para a continuidade e lucro de um negócio. de todos estes sectores está condicionado ao desenvolvimento de Em termos do mercado financeiro, apesar de Moçambique ter um infra-estruturas de forma equitativa por todo o país, em termos de sector bancário bastante desenvolvido, há ainda muitos passos estradas e comunicações, pois a falta destas condiciona a explora- a dar para aumentar a sua profundidade, de forma a assegurar o ção de negócios por investidores em zonas remotas, o crescimento acesso ao crédito e a instrumentos financeiros diversificados aos de um comércio interprovincial que permitirá tirar partido da pro- investidores, que lhes permitam uma maior eficiência financeira e o dução situada em zonas do interior para efeitos de exportação, e a crescimento do seu negócio. movimentação dos recursos humanos para as zonas onde há maior procura. Finalmente, a essência de um crescimento sustentável DevemOs preparar a ecOnOmia para O impactO são as pessoas, os recursos humanos. O sector de educação de Mo- DO DesenvOlvimentO DOs recUrsOs natUrais çambique tem crescido significativamente nos últimos anos, e há que novos desafios globais se apresentam às empresas que continuar a apostar na educação e na capacitação dos nossos moçambicanas? recursos humanos, que serão o ponto central para o crescimento A crise mundial vem demonstrar a importância das empresas mo- dos vários sectores. çambicanas diminuírem a sua dependência para com o exterior e a38 Business reporter | fevereiro 2012
  • 35. gestão positiva + 377%diversificação dos parceiros de negócios, bem como a necessidadede uma aposta na qualidade de serviços e produtos prestados.Em termos gerais, não só devido às consequências da crisemundial, como também como resultado da maior integração einteracção de Moçambique na economia mundial, as empresas Aumento do número de clientes entre Dezembromoçambicanas devem reconhecer que a aposta na qualidade e de 2008 e Dezembro de 2011eficiência é essencial, não só como forma de fazerem face à concor-rência de investidores estrangeiros em Moçambique, como tambémpara serem competitivos nos novos mercados, nos quais têm agora Esta redefinição da nossa estratégia e da maneira de abordar oa oportunidade de penetrar, como consequência do crescimento do negócio a nível de todos os órgãos estruturais, teve como resultadopaís. O maior desafio ao crescimento e expansão das empresas mo- que o BCI está agora presente em todas as províncias, com um to-çambicanas consiste numa alteração da maneira de fazer negócio, tal de 120 agências, temos aproximadamente 410 mil clientes e uminvestindo em competências de gestão, em capacitação dos seus volume de negócios de aproximadamente MZN 69,458 mios, o querecursos humanos, aumentando assim o nível de produtividade, revela que, entre Dezembro 2008 e Dezembro de 2011, crescemosqualidade e eficiência, e colocando os seus serviços e produtos ao 377% no número de clientes, 115% no volume de negócios, e 140%nível da qualidade global. na nossa rede de agências, ou seja, um resultado declaradamenteFinalmente, a nível nacional, devemos preparar a economia para positivo.o impacto do desenvolvimento do sector dos recursos minerais, Em 2012, esperamos manter o ritmo de crescimento da instituiçãoespecialmente o carvão e o gás natural, pois o aumento da magni- e consolidar a rede existente, com ênfase nos serviços prestadostude destas exportações na nossa Balança de Pagamentos poderá e nos balcões personalizados. O estado da conjuntura financeiralevar à apreciação do metical, o que diminuirá a competitividade internacional actual apresenta desafios para o desenvolvimentodo resto do nosso sector de exportações no mercado mundial da banca, e será um ano difícil em termos financeiros. No entanto,e, efectivamente, poderá levar a uma dependência dos recursos o mercado financeiro nacional tem muita potencialidade, emnaturais a longo termo, o fenómeno denominado “dutch disease” termos de captação de recursos e concessão de crédito, e poderápelos economistas. compensar os constrangimentos a nível internacional, permitindo à banca nacional manter níveis de rentabilidade equiparados aosquais os sectores com maiores potencialidades de desenvolvimento, anos anteriores.num país que continua a apresentar um dos maiores índices decrescimento no continente africano?De forma a manter os níveis de crescimento económico há queapostar em sectores chave, cujo desenvolvimento é essencial.Neste âmbito, como pré-condição e apoio ao desenvolvimentodo sector empresarial, os sectores da energia, dos transportes,especialmente urbano e intra-urbano, bem como o investimentono transporte marítimo e na linha férrea para escoamento demercadorias para exportação, o sector da construção, com enfoquenas infra-estruturas, e o sector das comunicações, são claramenteessenciais e têm um potencial muito grande, por estarem ainda emfases preliminares de desenvolvimento. Por outro lado, é tambémnecessário canalizar investimento para sectores onde Moçambiquetem claramente um potencial que está ainda por explorar, de quesão exemplos os sectores de hotelaria e turismo e a agricultura epescas. o evento ceo experience realiza-se pela primeira vez emNão nos podemos também esquecer do sector dos recursos natu- Moçambique. o que espera deste encontro que promove o debaterais. Felizmente Moçambique detém recursos naturais significa- entre os responsáveis empresariais?tivos, os quais, a serem devidamente explorados, permitirão um O evento providencia um excelente fórum para discussão demelhoramento do nível de vida de todos nós. oportunidades e troca de experiências. A possibilidade de trocar experiências com os principais intervenientes do mundo empresa-a ambiçãO De ser O melhOr rial, e verificar o que é identificado como desafios e oportunidadese O maiOr bancO em mOçambiqUe sob diversos pontos de vista, é extremamente útil para a definiçãoqual tem sido a evolução do Bci nos últimos dois anos e como de estratégias para o futuro, e até a possível redefinição das estra-antevêem 2012? tégias actuais.No âmbito da visualização do futuro do BCI, concebemos em 2008 O encontro oferece uma oportunidade única para uma sessão deum Plano Estratégico de Desenvolvimento para o banco, a 10 “brain storming” entre as várias instituições, da qual podem surgiranos, cujo objectivo é orientar a actividade de todos os órgãos de novas soluções para os desafios que se apresentam a Moçambique,estrutura para o posicionamento do banco como um dos maiores e ao sector bancário e empresarial, em geral, e ao BCI, em particular.melhores bancos universais em Moçambique.  texto paula GiRão fevereiro 2012 | Business reporter 39
  • 36. gestão positiva EDM aumento da rede eléCtriCa em marCha em 2012 a edM prevê investir cerca de 55 milhões de usd no melhoramento da rede de distribuição e 22 milhões de usd na expansão da rede eléctrica para mais regiões do país. o investimento vai ligar mais de 130 mil novos clientes à rede eléctrica nacional. N os últimos cinco anos, a empresa (SADC), os resultados apresentam uma ampliar e intensificar novas ligações do- pública de electricidade de melhoria substancial. Moçambique é, neste miciliares, assim como levar a cabo alguns Moçambique (EDM), perseguin- momento, um dos países com as melhores projectos na área da Energia. É que apesar do os objectivos de melhoria contínua na taxas de cobertura da SADC, ao conseguir do esforço, que tem sido feito na expansão prestação dos seus serviços, tem levado duplicar a cobertura eléctrica nos últimos da rede eléctrica, a cobertura ainda é a cabo um conjunto de acções com vista cinco anos. Neste sentido, o Governo que- incipiente se olharmos para a realidade do à expansão e melhoria da qualidade de rerá a curto e médio prazo consolidar a sua país, onde apenas 18% da população acede fornecimento de energia em todo o país. influente posição de parceiro estratégico à rede eléctrica. Ao todo foram investidos cerca de 2.4 mil junto de países como Zimbabwe, Zâmbia, Maputo concentra a maior parte desse milhões de meticais na expansão de 440 Malawi, Suazilândia, Botswana e África do valor, com 90% dos residentes da capital km de rede de baixa tensão e de 135 km de Sul. E, nesta perspectiva, a EDM terá um a terem acesso à electricidade, segundo rede de média tensão, beneficiando perto papel fulcral nos objectivos preconizados dados da EDM, mas fora da capital ainda de 236 mil munícipes, o que representa um pelo Executivo moçambicano em relação há muito a fazer. aumento de 146 mil munícipes face a 2005. ao sector energético. Aliado a este factor, surge o custo da Também ao nível da Comunidade para Devido ao acelerado crescimento económi- electricidade ainda elevado, uma vez que a o Desenvolvimento da África Austral co e geográfico do país, torna-se imperioso rede de fornecimento de energia eléctrica,40 Business reporter | fevereiro 2012
  • 37. gestão positiva o desenvolvimento do país. O Presidente Armando Guebuza disse que este é “um EDM projecto de transformação social, onde a tecnologia se assume como um factor de fundada em 1977, dois anos após a independência, mudança”. Avaliado em 1.8 biliões de USD, a empresa pública de o projecto prevê a construção de uma linha electricidade de moçambique de transmissão de alta tensão de 1.400 é responsável pela produção, quilómetros, entre a província de Tete e transmissão e distribuição da Maputo, que será a espinha dorsal da Rede energia eléctrica no país. sob o Eléctrica Nacional de Transporte de Ener- lema “com energia construímos o futuro”, a empresa procura gia Eléctrica em Alta Tensão. desenvolver a sua actividade de Trata-se de uma iniciativa que contribuirá forma sustentável promovendo sobretudo para o desenvolvimento das sempre a melhoria da qualidade comunidades e para a expansão, trans- dos serviços prestados à porte e distribuição de energia eléctrica população. para os países vizinhos da África Austral. Ou seja, esta linha centro-sul reforçará a capacidade de fornecimento de energia do país, através, também, da diversificação e exploração dos recursos naturais não ex- distritos estejam ligados à rede eléctrica plorados, incluindo o gás e o carvão, para nacional. Uma meta concretizável, caso a além de viabilizar os projectos de produção empresa continue a apresentar níveis de hidroeléctrica e térmica em curso no Vale desempenho e de gestão aceitáveis. do Zambeze. Ao nível dos projectos em curso, a EDM Com data de conclusão prevista para 2014, espera concluir os acordos comerciais no o projecto prevê a construção de 1.340 que concerne à implementação do Projecto km de linha corrente alternada de 400 kV da Central Termoeléctrica a gás natural de e cerca de 1.250 km de linha em corrente Ressano Garcia de 140 MW, terminar a fase contínua de 500 kV, com capacidade para preparatória do projecto CESUL, após 18 escoar cerca de três mil megawatts, e meses de trabalho e de estudos para a ava- também a edificação de quatro subestações liação dos impactos técnicos-económicos e a ampliação de duas, que vão permitir o e sócio-ambientais e prosseguir com a im- fornecimento eléctrico ao longo das linhas. plementação dos Projectos de Reconversão das Turbinas da Central Eléctrica de Ma- investir para crescer puto, da Central a Gás Natural de Chókwè Actualmente, o país enfrenta múltiplos (Kuvaninga), das Centrais Hidroeléctricas desafios na área da electricidade, incluindo de Alto-Malema e Lúrio e a reabilitação a reestruturação, a reabilitação e o reforço das Centrais Hidroeléctricas de Chicamba das infra-estruturas de transporte e distri- e Mavuzi. buição. Segundo o presidente do Conselho Outra das prioridades é a construção da de Administração (PCA) da EDM, Manuel barragem de Mpandankua, em Tete, e aabastecida pela Hidroeléctrica de Cahora Cuambe, é preciso investir mais para se reabilitação das barragens de Mavuzi eBassa (HCB), passa pela África do Sul, tirar proveito do enorme potencial de Chicamba, na província de Manica.onde a energia é transformada, o que en- recursos energéticos que Moçambique tem No que diz respeito às vendas, a empresacarece os custos de operação e o valor final e que ainda estão por explorar, para que pública espera atingir um volume na ordemda factura dos consumidores. os projectos no sector da energia possam dos 9,18 biliões de meticais.O objectivo do Governo, conjuntamente gerar um desenvolvimento sustentável. Considerada a “Melhor Marca de Moçam-com a EDM, será colmatar estas lacunas a Para 2012, a EDM prevê investir cerca bique”, em 2010, no sector da Energia emédio prazo, sobretudo com a construção de 55 milhões de USD em acções de a terceira melhor marca no ranking geral,de uma linha eléctrica que vai ligar o cen- melhoramento da rede de distribuição e logo a seguir à Nestlé e à Nokia (marcastro e o sul do país, com capacidade para 22 milhões de USD na expansão da rede internacionais), a EDM possui uma grandetransportar três mil MW. eléctrica nacional, ligando mais de 130 mil notoriedade e uma boa imagem junto da novos clientes à rede eléctrica nacional. O população.  texto andReia seGuRo sanchesligar tete a mapUtO que eleverá o número de clientes total paraSob a alçada da EDM, o Projecto Regional 1.140 mil, o que aumenta a percentagemde Transporte de Energia Centro-Sul (CE- de electrificação do país para os 20%. OSUL) é uma das apostas do Governo para desafio é garantir que, até 2014, os 128 fevereiro 2012 | Business reporter 41
  • 38. gestão positiva Servitrade exPansão e CresCimento sustentados dedicada ao aluguer de equipamentos pesados para apoio a obras públicas e privadas de construção em áreas como a prospecção de gás, petróleo, minas, construção de pontes, portos e, ainda, serviços de transportes especiais e de elevação, a servitrade tornou-se uma das maiores empresas moçambicanas em pouco mais de uma década. A pesar de contar com uma força de 2011 foi um ano de consolidação da nossa trabalho composta por mais de 600 posição no mercado”, sublinha José Ale- trabalhadores, a Servitrade não xandre Ascenção. perdeu, contudo, a sua base familiar, sendo Da extensa lista de clientes da Servitrade José Alexandre Ascenção, o sócio funda- constam nomes como a Vale Moçambique dor, o director-geral da empresa. SA, Osel, Construtora Norberto Odebrecht, As perspectivas de crescimento futuro Açucareira de Marromeu , Mota Engil, mantém-se em alta, alicerçadas nos Soares da Costa, Teixeira Duarte , Gabriel projectos de carvão e gás, infra-estruturas Couto, Cimentos de Moçambique, Mozal, rodoviárias, ferroviárias e portuárias que SDV AMI, Anadarko, SB Construções, estão em curso e se antevêem determinan- WBHO,CMC África Austral Lda, Cervejas que atravessa um momento favorável para tes para o desenvolvimento do país. Obras de Moçambique, entre outras. o investimento e para o desenvolvimento estas que, nos últimos anos, têm projecta- Com a sede em Maputo, a empresa possui económico. O país tem recursos naturais, do a imagem de Moçambique no exterior e actualmente delegações espalhadas por uma localização geográfica privilegiada, alavancado a economia nacional. todo o país, não obstante ser em Tete e na estabilidade e vontade política. Factores É com a mesma paixão que em 1999 o le- Beira que se encontra o maior volume de importantes numa altura em que o vou a si e à sua família a fixarem residência máquinas crescimento do mundo, desacelera e os em Moçambique que Alexandre Ascenção “A nossa estratégia está focada na expan- investidores estrangeiros procuram novos fala hoje do negócio que cresce a um forte são para as regiões que são consideradas mercados. ritmo. os principais pontos de desenvolvimento “Acreditamos que este é um momento his- “Essencialmente o nosso negócio é o económico. Temos já uma forte presença tórico que deve ser aproveitado da melhor aluguer de equipamentos pesados. Temos em Maputo, Moatize, Beira, Nacala e em maneira, potenciando o desenvolvimento uma grande diversidade de tipologias de Pemba”, avança o empresário José Alexan- económico e social do país”, considera o máquinas, nomeadamente gruas, bascu- dre Ascenção. empresário. lantes, buldozzers, escavadoras, cilindros, Uma expansão que exige avultados investi- centrais de betão, betoneiras, entre outras. mentos. “O investimento é constante, seja valOrizar recUrsOs internOs Quando criámos a empresa este era um em infra-estruturas ou em equipamentos. é Um trUnfO para crescer sector completamente inexplorado. Hoje Este é um ramo de negócio predominante- Crescer internamente e se possível para podemos orgulhar-nos de sermos uma refe- mente intensivo em capital. Cada contrato lá das fronteiras de Moçambique é o rência. Temos conseguido obter índices que fechamos coloca-nos perante novos que deseja José Alexandre Ascenção. A de crescimento muito favoráveis. Em 2009 desafios e, normalmente, exige importan- internacionalização, sobretudo para alguns o nosso volume de negócios cresceu 66% tes investimentos, para os quais temos que países africanos vizinhos, é um projecto já face a 2008 e em 2010 crescemos 130%, estar preparados”, explica. em curso. No entanto, a principal atenção comparativamente ao período homólogo. Desafios não faltarão no futuro. Moçambi- concentra-se na expansão do mercado42 Business reporter | fevereiro 2012
  • 39. gestão positiva José alexandre ascenção, director-geral da servitrade dentro do grupo e todas trabalham em estreita cooperação. É pois com orgulho que José Alexandre Ascenção recorda o caminho percorrido e os resultados alcançados ao longo dos últimos 14 anos. O forte crescimento dos últimos anos obrigou à introdução de novas e modernas ferramentas de auxílio à gestão, mas é nos recursos humanos que reside grande parte do sucesso da Servi- trade. “A nossa maior força está no valor que atribuímos aos nossos colaboradores e, por isso, investimos na formação contínua, em programas de motivação de equipas, ouvimos as suas sugestões e apoiamos a iniciativa individual. Este é o nosso trunfo”, garante o fundador da Servitrade.nacional. Um mercado que atrai cada trabalhos. “Por exemplo, há situações em A todos os investidores que olham com in-vez mais concorrência. José Alexandre que participamos em projectos de grande teresse para o mercado moçambicano, Joséconsidera no entanto que a concorrência dimensão para os quais recorremos à sub- Alexandre Ascenção deixa ainda outrospode ser saudável e impulsionadora da contratação de alguns dos serviços. Este conselhos: “Liderar pelo exemplo, mantereficiência. trabalho em rede permite-nos cumprir o respeito profundo pelo país, pelas suas“Tendo em conta a dimensão do mercado compromissos, prazos e, simultaneamente, gentes e costumes, cumprir rigorosamentee a vastidão de trabalhos a executar, a satisfazer os clientes, o que proporciona as normas e as leis em vigor e trabalhar,concorrência pode ser favorável uma vez mais-valias para todos os envolvidos”, trabalhar muito e seriamente.”que nos empurra no sentido de melhoria”, reflecte o sócio e director-geral da Servi-  texto Manuela sousa GueRReiRo e cRistinaafirma. Para este espírito muito contribui a trade. casaleiRo“postura de cooperação entre as empresas, A prestação de um serviço global quenacionais e estrangeiras”, no sentido de co- melhor atendesse às necessidades dos seuslaborarem entre si no desenvolvimento dos clientes levou à criação de novas empresas76.500 m2 + 130% 600é a área total de instalações crescimento registado em é o número de colaboradorespróprias que a empresa tem 2010, face ao período homólogo da Servitradeespalhadas pelo país de 2009 fevereiro 2012 | Business reporter 43
  • 40. a fechar Comunicação o investimento Confundido Como Custo em moçamBique “as estratégias e os desafios das organizações com vista ao crescimento sustentado dos negócios” é um tema oportuno e relevante em toda e qualquer economia, pelo que, desde já, gostaria de endereçar as minhas felicitações aos editores desta edição pela escolha do tema de fundo. S e é inquestionável a relevância do da relação esforço/benefício. Se o benefício texto daniel david, tema, menos questionável é o facto de um esforço for percebido num momento pResidente do GRupo soico de o sucesso de qualquer estratégia isolado do tempo (custo), a sua relevância estar, de forma intrínseca e proporcional- é naturalmente inferior do que quando for mente, ligado à forma como as unidades entendido durante um período (investi- concorrenciais (com mais players), como económicas conseguem comunicá-la às mento). o Comércio, Serviços de Gestão, Seguran- várias partes interessadas na sua exis- O ser humano não elimina espontaneamen- ça, Transportes, Logística, Banca e Outros tência, desde os colaboradores, clientes, te cada mensagem que recebe, antes pelo Serviços Financeiros, entre outros, fossem fornecedores, accionistas, Estado, até à contrário, vai construindo uma persona- os principais comunicadores. Não o são, comunidade no seu todo. lidade à volta dos inputs que recebe, daí com excepção da Banca e Outros Serviços Para tornar a comunicação eficiente, sem que o benefício do esforço comunicacional Financeiros, certamente porque a margem perder a eficácia, há necessidade de se deve ser percebido num período e não num de contribuição unitária das suas vendas comunicar com grupos de indivíduos em momento, ou seja, a comunicação é, pela é tão baixa, pela natureza da actividade, simultâneo, por isso, recorre-se a um meio sua natureza, um investimento e não um o que denota, pela relação custo/benefi- de comunicação como canal de mensagem. custo. cio, que a comunicação é pouco rentável. Como qualquer outro meio escasso, os Outro ponto importante é que o beneficio Mas, se esta última fosse percebida pelo meios de comunicação têm um valor que da comunicação não é exclusivamente seu impacto a longo prazo, esses sectores flutua de acordo com a lei da oferta e pro- dependente do canal, a mensagem é funda- posicionar-se-iam de outra forma. Algumas cura. Quanto mais efectividade se procurar mental. A mensagem deve ser consentânea empresas que se posicionaram diferente- numa comunicação, a importância do com o objectivo da comunicação. Por mente nestes sectores, hoje têm colhido canal comunicacional cresce exponencial- exemplo, já assistimos, no mercado, à uti- frutos desse investimento. mente, e, com isso, cresce também o seu lização eficaz do conceito da moçambica- A escolha dos meios de comunicação valor. Por outro lado, quanto maior for a nidade para criar barreiras a um entrante deveria ser mais criteriosa, orientando-se concorrência num sector, a necessidade da de capitais essencialmente estrangeiros. pela relação custo/beneficio, em função do comunicação e a sua importância crescem Assistimos, igualmente, à utilização errada público-alvo que se pretende atingir, pelo significativamente, pressionando igualmen- de uma mensagem de qualidade consubs- que não faz sentido vermos um banco (al- te o seu valor para cima. tanciada em marcas internacionais, com o guns até se posicionam como segmento de Como unidades económicas que procuram fim de posterior introdução de uma marca investimentos) a comunicar-se em meios o máximo valor (lucro, pouco risco e muita própria no mercado, a qual veio a declinar sem credibilidade no mercado. liquidez), as empresas não percebem assim que se decidiu retirar as marcas que Por fim, reiterar que o resultado de uma apenas os benefícios agregados pelo meio, sustentavam a mensagem de qualidade, comunicação eficaz, independentemente mas, sobretudo, os esforços necessários com queda substancial nas vendas e na do mercado, não pode ser medida num para a sua utilização. A percepção do notoriedade. momento isolado do tempo, e deve ter em esforço é tão importante quanto a do Dos pontos apresentados, era de esperar conta a complementaridade entre o canal e benefício, mas o fundamental é a avaliação que, em Moçambique, os sectores mais os outros elementos de comunicação. 44 Business reporter | fevereiro 2012

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