Rma ed30-abril-2010

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Rma ed30-abril-2010

  1. 1. revista do meio amBiente Rebia Rede Brasileira de Informação Ambiental Mãe Terra, perdoa-nos 30 Alternativas para acabar com as favelas Projeto sem fins lucrativos Distribuição gratuita Mapa da injustiça ambiental ano IV • abril 2010 A greve verde dos servidores públicos Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental Acesse: www.portaldomeioambiente.org.br
  2. 2. nesta edição 5 Especial Momento crítico no planeta por Marcelo Bancalero Rebia – Rede Brasileira de Informação Ambiental: organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicada à democratização da informação ambiental Dia do Índio, Dia da Terra e Belo Monte com a proposta de colaborar na formação e mobilização da Cidadania Ambiental por Eloy Fassi Casagrande Jr. planetária através da edição e distribuição gratuita da Revista do Meio Ambiente, Portal do Meio Ambiente e do boletim digital Notícias do Meio Ambiente. Fórum Stop a destruição do mundo CNPJ: 05.291.019/0001-58. Sede: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - CEP 24370-290 www.rebia.org.br Dia do Índio? Conselho Consultivo e Editorial por J. Rosha Aristides Arthur Soffiati, Bernardo Niskier, Carlos Alberto Muniz, David Man Wai Zee, Flávio Lemos de Souza, Keylah Tavares, Luiz Prado, Paulo Braga, Raul Mazzei, Ricardo Harduim, Rogério Álvaro Serra de Castro, Roberto Henrique de Gold Hortale (Petrópolis, RJ) e Rogério Ruschel Diretoria Executiva Presidente do Conselho Diretor: Vilmar Sidnei Demamam Berna, 10 escritor e jornalista Presidente do Conselho Deliberativo: Alternativas para acabar com as favelas • 10 JC Moreira, jornalista Presidente do Conselho Fiscal: Tecnologias sociais e o cenário externo • 12 Flávio Lemos, psicólogo Água suja mata mais que guerras • 14 Superintendente Executivo Gustavo da Silva Demaman Berna, Energia limpa ao alcance de todos • 15 biólogo pós-graduado em meio ambiente Mapa da injustiça ambiental é lançado • 16 (Coppe/UFRJ) e especialista em resíduos sólidos • (21) 7826-2326 ID 11605*1 Nestlé financia a destruição • 18 16 gustavo@rebia.org.br Animais ameaçados de extinção • 19 Moderadores dos Fóruns Rebia Rebia Nacional (rebia-subscribe@ O que é hoarding? • 20 yahoogrupos.com.br): Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista ambiental Discursos vazios nas enchentes do Rio • 21 Rebia Norte (rebianorte-subscribe@ Servidores públicos em greve verde • 22 yahoogrupos.com.br) – Rebia Acre: Evandro J. L. Ferreira, pesquisador do INPA/UFAC Jogo sujo de petroleira • 24 • Rebia Manaus: Demis Lima, gestor Boicote ruralista contra patrocínio a ONGs • 25 ambiental • Rebia Pará: José Varella, escritor 26 Rebia Nordeste (rebianordeste-subscribe@ III Congresso de Jornalismo Ambiental • 26 yahoogrupos.com.br) – Coordenador: Efraim A dignidade do planeta • 28 Neto, jornalista ambiental • Rebia Bahia: Liliana Peixinho, jornalista ambiental e Espaço infantil • 29 educadora ambiental • Rebia Alagoas: Carlos Roberto, jornalista ambiental • Rebia Ceará: Guia do Meio Ambiente • 30 Zacharias B. de Oliveira, jornalista, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente • Os artigos, ensaios, análises e reportagens assinadas expressam a Rebia Piauí: Dionísio Carvalho, jornalista opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o ambiental • Rebia Paraíba: Ronilson José ponto de vista das organizações parceiras e da Rebia. da Paz, mestre em Biologia • Rebia Natal: Luciana Maia Xavier, jornalista ambiental A linha fina da atmosfera da Terra e do sol são destaques nesta imagem fotografada Rebia Centro-Oeste (rebiacentrooeste- subscribe@yahoogrupos.com.br): Eric por um membro da tripulação a Estação Espacial Internacional, enquanto ônibus Fischer Rempe, consultor técnico (Brasília) espacial Atlantis (STS-129) permanece ancorada com a estação. Crédito: ©Nasa e Ivan Ruela, gestor ambiental (Cuiabá) Redação: Tv. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - 24370-290 • Tel.: (21) 2620-2272 Rebia Sudeste (rebiasudeste-subscribe@ yahoogrupos.com.br) - Rebia Espírito Santo: Editor e Redator-chefe: Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista. Sebastião Francisco Alves, biólogo Em 1999 recebeu o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em Rebia Sul (rebiasul-subscribe@yahoogrupos. 2003, o Prêmio Verde das Américas www.escritorvilmarberna.com.br com.br) - Coordenador regional: Paulo Pizzi, http://escritorvilmarberna.blogspot.com/ Contatos: vilmar@rebia.org.br • biólogo • Rebia Paraná: Juliano Raramilho, Celulares (21) 9994-7634 e7883-5913 ID 12*88990 biólogo • Rebia Santa Catarina: Germano Editor Científico: Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista, mestre em Ciência Woehl Junior, mestre e doutor em Física. Ambiental, especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde Pessoa Jurídica Pública • (21) 2710-5798 / 9509-3960 • MSN: fabricioangelo@hotmail.com A Rebia mantém parceria com uma rede Skype: fabricioangelo • www.midiaemeioambiente.blogspot.com solidária de OSCIPs (Organização da Produção gráfica: Sociedade Civil de Interesse Público) que Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Mutum • (11) 3852-5489 respondem juridicamente pela finanças dos Skype: estudio.mutum • contato@estudiomutum.com.br veículos de comunicação e projetos da Rebia: Impressão: Imprinta Express Gráfica e Editora Ltda. • Associação Ecológica Piratingaúna CNPJ nº 03.744.280/0001-30 – Sede à Rua Portal do Meio Ambiente Maria Luiza Gonzaga, nº 217 - no bairro www.portaldomeioambiente.org.br Ano Bom - Barra Mansa, RJ • CEP: 27323-300 Webmaster: Rodrigo Oliveira da Silva • webmaster@rebia.org.br – Utilidade Pública Municipal e isenta das Estagiário: Leandro Maia • consultor@rebia.org.br inscrições estadual e municipal Comercial • Prima – Mata Atlântica e Sustentabilidade Linha direta com o editor: vilmar@rebia.org.br • Celular (21) 7883-5913 (Ministério da Justiça - registro nº ID 12*88990 e 9994-7634 • Telfax: (21) 2610-2272 08015.011781/2003-61) – CNPJ nº Diretor: Maurício Cabral • (21) 7872-9293 ID 10*96559 • mauriciocabral@ 06.034.803/0001-43 – Sede à Rua Fagundes revistadomeioambiente.org.br e mauriciocabral@rebia.org.br Varela, nº 305/1032, Ingá, Niterói, RJ - Representação em Brasília: Minas de Ideias Comunicação Integrada (Emília CEP: 24210-520 – Inscrição estadual: Isenta Rabello e Agatha Carnielli • Brasília (61) 3408-4361 / 9556-4242 e inscrição Municipal: 131974-0 Rio de Janeiro: (21) 2558-3751 / 9114-7707 • brasilia@minasdeideias.com.br www.prima.org.br Skype: agatha.cn • www.minasdeideias.com.br revista do meio ambiente abr 2010
  3. 3. editorial Progresso texto Vilmar Sidnei Demamam Berna* e meio ambiente Não é o meio ambiente que ‘atrapalha’ o progresso, como tem afirmado em alto e bom som o Deputado Aldo Rebelo, ou disse e desdisse a candidata do Lula à Presidência! rança de que com um órgão especifico para cui- dar do meio ambiente então estará bem! O ad- ministrador que pretender mudar isso terá de ter coragem e resistir ao chororo e às tentativas de boicotes do próprio nicho ambiental! E isso é bem humano e compreensível pois tende- mos a temer e a reagir ao que desconhecemos! Numa administração ecologizada os técnicos ambientais teriam muito mais oportunidades Caramba 4u (SXC) que numa administração ambiental comparti- mentalizada, pois mais órgãos terão de deman- dar esses conhecimentos ambientais! E enquanto isso não acontecer, continuare- mos assistindo a administrações ambientais O problema está na forma como o meio ambiente vem sendo compre- fracas e isoladas dentro de administrações que endido! Em vez dos governantes ou administradores públicos ou pri- não se consideram comprometidas com o meio vados ecologizarem todas as suas ações, principalmente a partir da ambiente tanto quanto se acham comprometi- década de 80, preferiram copiar modelos estrangeiros. Surgiram então das com o desenvolvimento. E continuaremos os ‘compartimentos estanques’ e por vezes impermeáveis com a preten- assistindo administrações ambientais que fa- são de ‘cuidar’ do meio ambiente. lam apenas para o próprio umbigo, que espe- Calou-se, assim, todo um segmento da sociedade que teve suas ener- cializaram-se em dizer o que NÃO se pode fa- gias e esperanças canalizadas numa direção, além de se criarem verda- zer com o meio ambiente, em vez de dizer o que deiros nichos de emprego para técnicos e profissionais do setor e mes- pode ser feito com ele sem destruí-lo! mo nichos políticos para representantes ambientalistas da sociedade. Nenhum ambientalista sensato quer a natu- Aparentemente, tudo parecia bem, entretanto, esta é uma situação pa- reza apenas para as plantas e os bichos, pois radoxal por principio e que se mostra inadequada para tratar de um tema nossa espécie também faz parte da natureza e transversal, horizontal e multidisciplinar como o meio ambiente. tem todo direito ao desenvolvimento, à supera- Ao se adotar este modelo criou-se, por um lado, um órgão para preser- ção da miséria e à qualidade de vida. var o meio ambiente, e por outro, na mesma administração, vários outros Por outro lado, nenhum desenvolvimen- órgãos para destruí-lo, ou que não levam o meio ambiente em conta em tista sensato quer um tipo de progresso que suas ações e políticas! E pior, que ficam impedidos de cuidar da questão resulte numa terra arrasada atrás de si e de ambiental já que existe, na mesma administração, um órgão para isso. seus empreendimentos! Ou porque na titularidade do órgão ambiental estão desafetos políticos Entretanto, buscar a possível e desejável com- ou o órgão ambiental ‘pertence’ politicamente a um outro partido da patibilizacao entre progresso e meio ambiente base de sustentação da Administração. diante de administrações compartimentali- O ideal seria uma administração ‘ecologista’ onde cada um e TODOS os ór- zadas e quase sempre estanques entre si será gãos de uma mesma administração tivessem responsabilidades de acordo uma perda enorme de talentos e de energias, com sua especificidade. Só para citar um exemplo disso, educação ambiental que poderiam estar sendo empregados para seria responsabilidade dos setores de Educação. Logo de cara essa proposta encontrar soluções em vez de tentarem se des- vai na contramão do que está aí, principalmente dos atuais detentores de car- qualificar e demonizar mutuamente. gos e posições políticas em setores ambientais. Então, não será nada fácil eco- * Vilmar é escritor, autor de 20 livros, entre eles logizar uma administração depois que ela construiu áreas de conforto para A administração com consciência ambiental, das Edições técnicos e políticos ligados ao setor ambiental e deu à sociedade e a espe- Paulinas. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br abr 2010 revista do meio ambiente
  4. 4. especial texto Marcelo Bancalero* (marcelobancalero@bol.com.br) Sofamonkez (SXC) Estamos vivendo um momento crítico entre a nossa civilização e o planeta Terra A própria linha fina já é quase a conclu- são a que se propõe este texto dissertativo. Onde se ousa a falar de um assunto que já virou como que uma máxima nos meios de Momento crítico comunicação. De repente, todo mundo re- solve falar sobre a cruel situação em que a humanidade deixou o planeta. Todo mundo quer aliviar a própria consciência, arrotando palavras em defesa à Natureza, contra os que colaboram com o aquecimento global e tudo o mais. Como se não tivéssemos todos, uma parcela de culpa em tudo isso. Se formos analisar de um modo mais sincero, Contudo, é necessário saber até que ponto uma visão mais imparcial. Entenderemos que estamos decididos a mudar nosso estilo de a situação chegou a esse ponto, devido à cobi- vida. Quanto estaremos dispostos a renunciar ça (ou entenda-se estupidez), da humanidade em nome da salvação do planeta. E o princi- como um todo. Desde o descaso das grandes in- pal, quantos de nós estamos preparados para dustrias e nações. Até mesmo o nosso próprio essa mudança radical. descaso. Que vai do mal uso da água, energia A Terra tem segundo a ciência, milhões de elétrica e a fumaça de nossos carros até ao nos- anos. E a Natureza sempre deu um jeito de man- so consumismo desenfreado, que faz com que ter a vida. Até que um dia não muito longe, o as indústrias queiram produzir ainda mais. homem apareceu por aqui. Mas quando esse E assim o ciclo se renova, e a destruição segue “bicho destacado da Natureza” (nas palavras de seu curso (agora quase natural). Edgar Morin), descobre do que é capaz, a coisa Então, a solução não é somente nos unirmos começou a mudar. E devida à ganância dessa ao Greenpeace e ong’s por aí afora, vestindo humanidade que recebe o adjetivo de “racional”, camisas com frases de denúncias, colando chegamos a essa situação. E agora ou nunca. adesivos em nossos automóveis, artefatos es- Devemos nos unir de uma maneira mais verda- tes que também incitam a indústria a conti- deira. Pois podemos estar vivendo um momen- nuar a destruição. Não basta ficarmos indig- to crucial, onde algo de mais real de vê ser feito. *O autor é escritor, poeta nados com a situação como se não fôssemos Assim, termino minhas palavras com a con- e estudante de Psicologia. também responsáveis por ela. A indignação é clusão já anunciada na linha fina: “Estamos Aprendeu o segredo da sim legítima, desde que possamos compreen- vivendo um momento crítico entre a nossa superação ao voltar a estudar der as nossas parcelas de culpa. civilização e o planeta Terra”. aos 30 anos na 5ª série do 1ºgrau revista do meio ambiente abr 2010
  5. 5. texto Eloy Fassi Casagrande Jr., PhD (eloy.casagrande@gmail.com) especial (Roosewelt Pinheiro/ABr) Em Brasília, manifestantes do Greenpeace despejam um caminhão de esterco na porta da Aneel, em protesto contra o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte Dia do Índio, Dia da Terra e Belo monte momento que atravessa o Planeta, da urgência de se adotar um novo modelo de desenvolvimen- to, de gerar energia, de lidar com as questões da água e da uso da terra. De ser sustentável! Oposto a isto, vimos declarações de figuras Na mesma semana que o embate sobre a pro- Queremos as públicas defendendo a construção da usi- teção ambiental e desenvolvimento a qual- benesses do na de Belo Monte, como do deputado Delfim quer custo aumentam, em relação a cons- Neto, chamando aos que se opõe ao proje- trução da usina hidrelétrica de Belo Mon- BNDES e to, de oposição ideológica, de um “bando de te, vimos imagens e mensagens produzidas da isenção de pessoas que vivem na idade da pedra, mas para comemorações do Dia do Índio e o Dia impostos que querem andar de automóvel”. da Terra, 19 e 22 de abril, respectivamente. o governo oferece Nada mais retrógrado e representativo do Estas datas se complementam, a medida que que esta visão de um ministro da época da a cultura indígena esteve sempre associada a para construir ditadura militar. Do tempo dos mega-proje- preservação da natureza, no seu estilo de vida Belo Monte. Com tos, de hidrelétricas para alimentar multina- respeitando a floresta, no seu convívio com a metade disto se cionais produtoras de alumínio. De quando fauna e flora, sem a ameaça de um predador, pode construir se pregava o crescimento do bolo para poder identificado como o homem branco. distribuir, se referindo a economia que crescia Não faltaram belas imagens de seus rituais, dezenas de usinas com a dívida externa e que transformou o mi- de suas crianças brincando nos rios, de sua luta solares e parques lagre econômico dos anos 70, em pesadelo da para manter suas tradições, lembrando o quan- eólicos para década perdida dos anos 80! to a cultura indígena contribuiu para a língua gerar energia Daquele que participou ativamente dos ve- portuguesa-brasileira, para nossos hábitos ali- lhos slogans, “Brasil ame-o ou deixe-o”, “Prá mentares e para formação do nosso povo. verdadeiramente frente Brasil”, “Ninguém mais segura este país”! Depoimentos de especialistas e ambientalistas limpa ao Brasil Lembro de um slogan, este do povo, de um bloco chamaram a atenção do público para o delicado de carnaval de rua em Olinda, em 1980: “Delfim abr 2010 revista do meio ambiente
  6. 6. 7 Pela cura do no bolso do povo”! O tempo passa e a visão pro- gressista pura de Brasília não se renova, apesar de completar 50 anos em pleno Século XXI! E a sustentabilidade, senhor deputado? O mundo mudou. Os brasileiros querem an- dar de carro sim, mas um carro elétrico-solar, movido a células de hidrogênio ou a ar com- primido, tecnologias que já estão resolvidas, mundo basta ultrapassar o lobby do petróleo para se- Nos tempos mais difíceis, rem implantadas. Também queremos energia uma luz para a humanidade: para nosso conforto, a eólica, a solar, as das marés, a de biomassa, todas renováveis e que a descoberta da Inversão não contribuem para o aquecimento global. Queremos as benesses do BNDES e da isenção Pela primeira vez um grupo de pessoas vindas de diversos países, de impostos que o governo oferece para cons- profissões e religiões reúnem-se em São Paulo, de 13 a 15 de maio, truir Belo Monte. Com metade disto se pode para debruçar-se sobre o estudo da causa primeira da destruição construir dezenas de usinas solares e parques do mundo e da humanidade: o ser humano. eólicos para gerar energia verdadeiramente Por detrás de todo desastre e sofrimento existe um principal respon- limpa ao Brasil. Sem inundar mais de 500 km2 sável: o ser humano – que, inconsciente de sua psicopatologia (maus de terras cultiváveis, sem destruir florestas, sem sentimentos, más intenções, valores invertidos, corrupção etc.), age destruir habitats indígenas, sem desviar rios e sem freios, numa empreitada suicida e homicida. criar problemas ambientais ainda maiores. Um dos sinais mais claros de que o ser humano criou uma sociedade Queremos que o dinheiro público seja bem invertida para viver é o fato de ele ter se deixado escravizar pela fan- empregado, sem ir para as mesmas emprei- tasia do dinheiro. Não é o dinheiro que faz a riqueza, nem a saúde e teiras, que desde o regime militar acumulam muito menos o bem-estar e felicidade da humanidade, mas são as ati- riqueza sem distribuir. Deputado, sua receita tudes éticas, humanitárias, estéticas, espiritualizadas que fornecem nunca funcionou, o bolo não foi dividido, e o tudo de bom a todos, inclusive a riqueza material. senhor insiste na mesma fórmula petrificada! Outro exemplo são as leis que deveriam proteger e agilizar o cumpri- O modelo de geração de energia deve ser revis- mento dos direitos humanos em todas as classes e nações. No entanto, o to no Brasil. Estudos demonstram que cada me- que se tem verificado é que elas vêm sendo elaboradas para preservar o tro quadrado de painel fotovoltaico evita a inun- poder e os privilégios daqueles que nem sempre dão o melhor exemplo. dação de cerca de 60 metros quadrados para a A inversão que prioriza o ter em relação ao ser vem causando a geração elétrica. Se toda a superfície do lago a grande mediocrização da civilização, que passou a colocar o consu- ser formado pela Usina de Belo Monte fosse co- mo daquilo que agrada os cinco sentidos em primeiro plano e a rejei- berta com painéis fotovoltaicos, seriam geradas tar o campo do conhecimento, da ciência, da tecnologia sustentável, cerca de 44 GWp (gigawatts potência), ou seja, das artes, da espiritualidade. cerca de 20% da energia consumida no país. Há muito poderíamos ter tido a solução para problemas como o câncer, A proposta não é cobrir áreas tão extensas com doenças hereditárias e autoimunes, cardiovasculares, psiquiátricas, entre painéis, mas é um exemplo de seu potencial, outras, se o lucro da indústria médico-farmacêutica não dominasse a pes- onde novos modelos devem gerar energia de quisa e a prática médica. Problemas de tóxico-dependência também es- forma descentralizada. A cobertura de um está- tariam resolvidos se a estrutura social fosse organizada de forma a prover dio de futebol pode virar uma usina ou mesmo os elementos básicos para a segurança, saúde e bem-estar dos cidadãos. os telhados de vinte casas de um condomínio. Estamos entrando numa era da humanidade em que deparamos com No final da década de 70, cada watt produ- uma encruzilhada: ou nos tornamos seres mais conscientes, conhecedo- zido por meio de células fotovoltaicas custa- res dos nossos problemas interiores e responsáveis por nossos semelhan- va 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 tes e pela sociedade em que vivemos, dando início a uma era de incrí- dólares. Especialistas estimam que quando o vel desenvolvimento sustentável, saúde e prosperidade, ou assistiremos valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, a ener- (de forma ativa ou omissa) a extinção da vida no planeta Terra.Uma era gia solar conseguirá competir com qualquer em que a trilogia da beleza, verdade e bondade passará a estar presente outro tipo de energia. no nosso cotidiano ao invés da violência, da fome e da injustiça. Ao adotarmos medidas mais sustentáveis, todos ganham. O índio ficará com suas ter- Serviço: ras, rios e florestas serão preservados, a agri- Fórum Psico-Social Curando o Mundo pela Consciência (da Inversão) cultura aumentará sua produção e deputa- Data: 13 a 15 de Maio de 2010 dos economistas se aposentarão, retornan- Local: Colégio Stella Maris – São Paulo do às suas cavernas! Informações: www.stopforum.org Eloy é Coordenador do Escritório Verde da Universidade Fone: (11)3034.1550 Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR revista do meio ambiente abr 2010
  7. 7. especial Dia do texto J. Rosha (www.adital.com.br) índio? outras coisas, de uma organização social nos moldes em que eles, colonizadores, conheciam. O que se fez, a partir daí, foi uma verdadei- ra “limpeza étnica” no território brasileiro. Os povos indígenas foram – e continuam sendo – agredidos das formas mais impiedosas para dar lugar ao modelo capitalista de “desenvol- vimento” de tal sorte que nos 70 o governo militar previa a completa eliminação deles até o fim do século XX. Para o bem do povo brasileiro e dos povos indígenas, a ditadura militar de 64 não resistiu às pressões popula- res e teve seu fim na metade dos anos 80. De cerca de 100 mil que eram nos anos 70, na primeira década do século XXI eles pas- saram a ser mais de 700 mil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A partir das mobilizações para a Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), as lutas do movimento indígena passaram a ter maior É preciso desfazer visibilidade. Precisamente a partir daí alguns esse equívoco: conflitos ganham maior espaço nos notici- Rubens Nemitz Jr (www. fotopontocom.com) não existe e nunca ários e, em muitos municípios onde antes se existiu índio no dizia que não existiam mais indígenas, eles surgem com muita força, incomodando prin- Brasil. Esse termo cipalmente os grandes latifundiários. Torna- tem sido usado ram-se alvo de campanhas difamatórias em- ao longo de cinco preendidas por fazendeiros, mineradoras, mi- séculos com uma litares e políticos. A luta pela demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Rorai- violenta carga ma, é um dos exemplos disso. de preconceito Com a Constituição de 1988 vem o reconheci- mento, pelo Estado Brasileiro, dos direitos dos “Índio”, enquanto conceito para designar os primeiros habitantes, povos indígenas à terra tradicionalmente ocu- é um termo genérico, impreciso. Quando os primeiros colonizadores pada e a viver de acordo com seus costumes e chegaram, não encontraram “índios”, mas os Tupiniquim, Guarani, tradições. Foram reconhecidas também suas Xukuru, Xavante e muitos outros que formavam uma população de formas próprias de organização, mas isso tem mais de cinco milhões de pessoas de vários povos e culturas diferentes. ficado só no papel. Na prática, o estado tem fa- Não foi só homens “pardos, ...nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas lhado em formular políticas públicas que ga- vergonhas” – como escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal – que a rantam e viabilizem esses direitos. A situação tripulação de Pedro Álvares Cabral encontrou. Foi muito mais que isso. Eles da saúde é a que com muita propriedade ilus- encontram um tipo de organização social para o qual não tinham paradigma. tra essa afirmação e a que tem causado maiores Para eles, a forma de organização social conhecida era o Estado – uma insti- transtornos aos indígenas nos últimos anos. tuição ainda em formação naquele momento da história da Humanidade. Desfazer o equívoco e o preconceito é, portan- Portanto, uma terra onde não havia um rei, um estado ou um exército para to, um passo para compreender a importância repelir os invasores, era uma terra pronta para ser ocupada e dominada. que têm os indígenas no mundo de hoje e sua E para que pudessem ocupar o território e tomar posse dele, era preciso, contribuição para outros povos do planeta. primeiro, negar aos indígenas a sua condição de povos pela ausência, dentre Fonte: CIMI Norte 2 abr 2010 revista do meio ambiente
  8. 8. Estrutura completa para eventos 2 Salões de eventos: • Capacidade para até 120 PAX • Luz natural • Ar condicionado • Wireless LAN Gastronomia: • Regional e mineira • Receptivos a beira da piscina • Cafés da manhã, almoços e jantares no nosso aconchegante restaurante “da fazenda” • Coffee breaks temáticos em áreas verdes e varandas tranquilas A apenas 1h30 do Rio de Janeiro www.hotelfazendagalovermelho.com.br / gv@hotelfazendagalovermelho.com.br e 3h30 de São Paulo. Entre em contato conosco e peça já a sua proposta. Telefone: (24) 2491-9501 / 2491-9502
  9. 9. texto Zínia Baeta (Jornal Valor) 10 ecologia humana Favela nunca mais Juiz encontra alternativas para acabar com favelas jurídica e físico-territorial) – que deu origem ao Moradia Legal – encarregado de fazer um São 10h30 da manhã de uma segunda-feira, quase 30 graus em Ribeirão raio-X das favelas, levantar o número de famí- Preto (SP). O juiz João Gandini, titular da 2ª Vara de Fazenda do município, lias e a situação de cada uma. deixa por algumas horas o conforto do ar-condicionado do gabinete e os “Cada barraco foi numerado e os nomes das fa- 34 mil processos sob sua responsabilidade para acompanhar a última etapa mílias registrados”, afirma. O resultado do “cen- do projeto de urbanização de uma das mais antigas favelas da cidade – agora, so” foi a constatação da existência de 4,5 mil fa- o bairro Monte Alegre. No local, não há mais barracos de madeira, mas casas mílias, ou 20 mil pessoas nessas comunidades. de alvenaria. As 330 famílias que moram no bairro possuem água encanada Em uma segunda etapa do projeto, foram esco- e energia elétrica. Com a demolição de 90 barracos, os becos deram passagem lhidos os núcleos que deveriam ter prioridade e, a ruas, o que permite a coleta semanal de lixo, algo impensável até então. a partir daí, buscou-se recursos para a retirada A urbanização da favela não foi proposta pelo Poder Executivo – apesar de famílias de áreas de risco e ainda a urbaniza- de contar com verbas públicas e implementação técnica da Cohab – mas ção das favelas onde a medida fosse viável. pelo magistrado, que há quatro anos idealizou o projeto Moradia Legal, Foi necessário também propor alterações na responsável pelo encaminhamento de 1,7 mil famílias de Ribeirão Preto legislação do município sobre o uso e ocupa- que vivem em situação precária. ção do solo, com a criação de áreas de interesse O magistrado passou parte de sua vida no Jardim Ângela, bairro da zona social – o que permite a concessão de isenções sul da cidade de São Paulo, que já foi considerado um dos mais violentos do tributárias – e normas que coibissem a cons- país. Filho de um pequeno agricultor de Adolfo, cidade do interior de São trução em áreas irregulares, para evitar o sur- Paulo, Gandini mudou-se com a família para a capital quando tinha dez gimento de novas favelas. anos. Para ajudar nas despesas de casa, foi catador de papelão e vendedor Quatro anos após o início do Moradia Legal, de sorvete, mas acabou realizando o grande sonho: aos 21 anos, entrou na os resultados são animadores. Uma das áreas faculdade do Largo São Francisco. Gandini, que superou inúmeros obstácu- escolhidas pelo programa está no entorno do los para chegar à magistratura, diz que gosta de solucionar o drama por trás aeroporto do município. De lá serão retiradas de cada ação. “O processo é frio, um livro onde há um drama humano. O juiz 720 famílias, das quais 29 já estão instaladas tem que solucionar esse drama e não apenas o processo”, diz. em casas construídas pela prefeitura no bair- Foi com essa motivação e também inspirado em sua história de vida que ro Paulo Gomes Romeu. As obras estão sendo Gandini saiu muitas vezes do gabinete para buscar uma solução real para os custeadas pelo município, Estado e União. Se- diversos processos de reintegração de posse de áreas do município, que foram gundo Gandini, R$ 47 milhões são provenien- invadidas e já possuíam alguma decisão judicial, mas sem resultado efetivo. tes do Programa de Aceleração do Crescimen- O magistrado, acompanhado pelo também juiz Júlio César Dominguez, ti- to (PAC) do governo federal. tular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão, mobilizou a sociedade para As demais 692 moradias, que estão em fase de resolver não só os processos que estavam sob sua mesa, mas também para construção da cobertura, devem ser entregues acabar com as 34 favelas da cidade – mapeadas por ele e um fotógrafo, que no máximo até o início de 2011. Para o local de sobrevoaram o município por 51 minutos em um helicóptero. transferência, a infraestrutura já está pronta: há Feito isto, Gandini buscou os governos municipal, estadual e federal, Câ- creches, escolas e postos de saúde funcionando. mara de Vereadores, Ministério Público, empresários, uniu igrejas e contou Outra área cujo projeto já foi finalizado é com muitos voluntários. Montou um grupo dividido por áreas (financeira, o núcleo de Monte Alegre, hoje um bairro do abr 2010 revista do meio ambiente
  10. 10. 11 Alex Wolcott (Flickr) município, reconhecido por lei aprovada na Câ- A urbanização ções na rede elétrica, conhecidas como gatos, mara. Para a urbanização, 90 barracos foram foram solucionadas. O programa de desfaveli- da favela não foi derrubados para a abertura de ruas, canaliza- zação do Monte Alegre foi custeado pelo mu- ção de água, esgoto, instalação de postes de luz proposta pelo Poder nicípio, com uma verba de R$ 3,8 milhões. e a construção de três praças. As famílias, cujas Executivo – apesar Na favela Faiane, distrito de Bonfim Paulis- casas deixaram de existir, foram transferidas ta, a solução para a área de risco veio de uma de contar com para moradias construídas pela Cohab, distan- parceria com a iniciativa privada. Gandini tes cerca de um quilômetro da antiga favela. verbas públicas explica que 44 famílias serão retiradas para As moradias são subsidiadas e as famílias pa- e implementação uma área contígua ao longo dos próximos garão R$ 65,00 por mês, ao longo de dez anos, dois anos. As obras são custeadas por uma técnica da Cohab – para a aquisição do bem. As 330 casas que per- construtora, que está implantando um gran- maneceram no núcleo são de alvenaria. mas pelo magistrado, de empreendimento residencial na região. Segundo Gandini, o programa fechou um que há quatro anos Outros dois núcleos também estão com acordo com a CPFL Energia, que doou para programas em andamento. Em Mangueiras, cada casa do Monte Alegre relógios para a idealizou o projeto zona oeste de Ribeirão, as obras para a cons- medição de energia, geladeiras, postinhos de Moradia Legal, trução de 384 apartamentos estão em fase iluminação, chuveiro e lâmpadas econômi- responsável pelo de licitação pelo governo estadual. A favela cas. Além disso, toda a reforma elétrica inter- de Várzea, zona norte, possui 530 famílias, e na foi realizada pela companhia. encaminhamento passa por estudos geológico e topográfico. O gerente de relações com o poder público de 1,7 mil famílias “Cerca de 1.700 famílias estão com a situa- da CPFL, Luiz Carlos Valli, afirma que, além do de Ribeirão Preto ção resolvida ou encaminhada. Meu objetivo aspecto social da medida – que permitirá aos é que não existam mais favelas em Ribeirão moradores terem contas de energia e forma que vivem em em alguns anos”, afirma o juiz. de comprovação de endereço –, as adultera- situação precária Fonte: IHU Online / Jornal Valor • Carimbos automáticos • Cartões e panfletos coloridos • Impressos em geral • Placas de aço, metal, acrílico e outros • Crachás, broches, botons e acessórios • Sinalização de segurança e vias públicas • Imã de geladeira e carro • Chaveiros e brindes em geral • Xerox, encadernação, plastificação (22) 2762-0025 / 2770-4634 • sulimpress@gmail.com revista do meio ambiente abr 2010
  11. 11. texto Jacques Pena (Presidente da Fundação Banco do Brasil) 12 ecologia humana Em Cristalina (GO), unidade demonstrativa do Pais em plena produção O Banco de Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet, reúne mais de 500 tecnologias sociais Marcia Gouthier/Agência Sebrae tecnologias sociais e o cenário internacional Nos últimos 10 anos o Brasil vem se apresentando como um país surgem nesse mesmo contexto, apresentando que se envolve em questões globais, demonstrando interesse em ofe- alternativas de segurança alimentar em um recer apoio aos países que enfrentam problemas socioambientais. país que sofre com a falta de alimentos. Essa aparição geralmente surge com a oferta de soluções que foram O Pais promove um sistema de produção or- aplicadas aqui e obtiveram resultados positivos no enfrentamento de gânica de hortaliças, frutas e pequenos animais, entraves para o desenvolvimento, como a desigualdade social, o acesso tendo como pressupostos a racionalização de re- à educação de qualidade e oportunidades de trabalho. cursos e o manejo ecológico da terra. Toda a pro- Os avanços no Brasil se devem a um fenômeno interessante e importante dução acontece sem o uso de agrotóxicos, propi- de ser observado – uma série de iniciativas feitas pelas próprias comuni- ciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer dades e, às vezes, com o conhecimento técnico de universidades ou outros interferências químicas. Já a irrigação é feita por centros de pesquisa, para beneficiar pequenos grupos de famílias, mas que meio de um sistema de gotejamento, o que evita se expandiram e melhoraram as condições de vida de centenas de pessoas o desperdício de água e possibilita a implanta- e reforçaram as políticas públicas. ção do modelo inclusive em regiões com poucas Esses projetos se tornaram cada vez mais completos e complexos, tendo em reservas hídricas, como é o caso do Haiti. vista a necessidade de se organizarem para abarcar o grande número de ma- Moçambicanos e salvadorenhos também já zelas sociais. Os projetos evoluíram para uma dinâmica diferente chamada demonstraram interesse em conhecer as tec- Tecnologia Social, que considera que produtos, técnicas ou metodologias se- nologias sociais brasileiras. Eles querem saber jam, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efeti- o que as suas comunidades vêm fazendo para vas soluções de transformação social e possam ser reaplicadas em escala. mudar suas realidades. A Fundação Banco do Exemplo dessa evolução de tecnologias sociais, destacamos o Banco de Brasil faz do incentivo à estas tecnologias sua Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet. O BTS, idealizado e man- contribuição para o desenvolvimento do nos- tido pela Fundação Banco do Brasil, reúne mais de 500 tecnologias sociais so país e acredita que elas podem, sim, fazer a de diversas fontes e categorias e serve como um pólo disseminador de so- transformação social de milhares de pessoas. luções práticas e de reaplicação fácil para toda a sociedade. Fonte: David Telles - Fundação Banco do Brasil Essas tecnologias são de fácil aplicação e baixo custo, o que as tornam eficazes em cenários de extrema pobreza ou aqueles afetados por desequi- Comentário do leitor do Portal líbrios ambientais. O recente episódio do Haiti reacendeu o debate sobre a Se realmente todos tivessem a consciência social forma como o Brasil pode ajudar a reconstruir aquele país e as tecnologias muita coisa boa iria e vai acontecer no mundo, sociais se mostraram a forma mais adequada. Tecnologias Sociais como a isso é importante para existirmos como planeta Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) – reaplicada em mais neste imenso universo, é preciso tentar, é preciso de 6 mil unidades, em 19 estados, pela Fundação Banco do Brasil em con- arriscar, é preciso agir.... junto com diversos parceiros como BNDES, Petrobras, SEBRAE e governos – Isabela Santos abr 2010 revista do meio ambiente
  12. 12. www.estudiomutum.com.br • (11) 3852-5489 • skype: estudio.mutum
  13. 13. 1 água e saneamento Água suja mata mais que guerras De acordo com o estudo, intitulado “Água do- Na Semana Chang Ha Park / Good Neighbors (www.goodneighbors.org) ente”, a falta de água limpa mata 1,8 milhão Mundial da de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente, o que representa uma morte Água, o alerta a cada 20 segundos. Grande parte do despejo de um relatório de resíduos acontece nos países em desenvol- do Programa do vimento, que lançam 90% da água de esgoto Meio Ambiente sem tratamento. No Brasil, uma das maiores causas de morte associada à falta de sanea- das Nações mento é a diarreia. A doença mata cerca de 2,2 Unidas foi milhões de pessoas em todo o mundo anual- duro: as águas mente. Mais da metade dos leitos de hospital do planeta no planeta, diz o estudo, é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada. estão cada vez “Precisamos nos tornar mais inteligentes so- mais poluídas bre a administração de água de esgoto se pre- e mais pessoas tendemos sobreviver num mundo que cami- morrem hoje nha para ter mais de 9 bilhões de habitantes até 2050”, alertou o diretor do Unep, o brasilei- por causa dessa ro naturalizado alemão Achim Steiner. contaminação do que por Questão de direitos humanos todas as formas O relatório da Unep ressalta que dois milhões de toneladas de resíduos contaminam cerca de de violência, dois bilhões de toneladas de água diariamente, inclusive seja em rios ou oceanos, causando gigantescas as guerras zonas mortas, sufocando recifes de corais e pei- xes. Para tentar solucionar o problema, o Unep recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos para o tratamento de esgoto. Seu es- tudo coincide com outro relatório das Nações Unidas, publicado semana passada, que reve- la que uma entre cada seis pessoas no planeta não tem acesso à água potável e que até 2025, a estimativa é que dois terços da população mundial vão sofrer com a escassez de água. Em mensagem sobre a data, o secretário-ge- ral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a água é uma questão de direitos humanos e está li- gada a todos os objetivos da entidade, entre eles o desenvolvimento sustentável e a adap- tação aos efeitos das mudanças climáticas. Na Suíça, manifestantes espalharam em uma praça em Berna, capital do país, quatro mil ma- madeiras cheias de água poluída. No Reino Unido, ativistas do Greenpeace colocaram um vaso sanitário em frente ao Parlamento britâ- Crianças coletam água nico, em protesto contra a poluição das águas suja em garrafas, na e a falta de tratamento sanitário no planeta. região do Chade, país do Fonte: IHU Online / O Globo centro-norte africano abr 2010 revista do meio ambiente
  14. 14. energia 1 energia limPa texto Paula Gil (Efe) A energia que em um futuro próximo ilumi- nará nossas casas será limpa, barata e, para a felicidade dos ferrenhos consumidores de ao alcance de todos luz, permitirá praticamente se desvincular Gerador caseiro Divulgação das companhias de energia elétrica. promete Pelo menos é o que promete a Bloom Energy, uma empresa californiana que há oito anos tra- revolucionar balha de forma secreta em uma nova fonte de setor energético energia. Esta semana, ela apresentou seu produ- nos EUA to a especialistas do setor e jornalistas. O Bloom Box, como se chama o aparelho, é um inovador gerador que utiliza biocom- bustíveis ou gás para produzir eletricidade e, Gerador de 500 kw segundo seus criadores, permitirá a empresas instalado no eBay e pessoas comuns gerar sua própria energia de forma limpa e econômica. do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de Por enquanto, os geradores têm o tamanho Combustível ao diário “Los Angeles Times”. de um carro pequeno e custam em torno de Os especialistas opinam que ainda há muitas US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista questões por resolver antes de a inovação che- que o investimento inicial pode ser recupera- gar às mãos de todos os consumidores, como do em entre três e cinco anos, o preço não está por exemplo a vida útil do aparelho, que a ao alcance da maioria. A empresa acredita que A grande vantagem Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca du- em dez anos poderá fabricar geradores do ta- ração poderia significar o fracasso da invenção. manho de um tijolo e a um preço em torno de é que o gerador Outros analistas apontaram que a inovação po- US$ 3 mil, transformando cada consumidor permitirá aos deria ter um indesejável efeito sobre o preço do em uma potencial central elétrica. consumidores abrir gás natural ou dos biocombustíveis, disparan- Por enquanto, só grandes empresas têm acesso do o valor pelo aumento na demanda. ao aparelho e algumas companhias como Coca- mão da companhia Alguns temem também que o aparelho se Cola e eBay testaram seu uso nos últimos me- ses. O primeiro cliente da Bloom Energy foi outra elétrica ou usá- transforme em um novo Segway, aquele patine- la só em casos de te elétrico com o qual seus criadores esperavam companhia do Vale do Silício, Google, que tem revolucionar o mundo do transporte há cerca de instalado um gerador de 400 quilowatts em um emergência, apesar dez anos e que hoje é simplesmente uma curio- de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu consumo elétrico desde julho de 2008. de ser necessário sidade para turistas em algumas cidades. Fonte: InfoBio / Folha Online A Bloom Energy não é a única empresa tra- dispor de uma balhando neste promissor setor, mas foi, tal- provisão de gás ou Leia matéria na íntegra em: vez, a mais rápida. “Há provavelmente cerca http:// www.portaldomeioambiente.org.br/ de 100 companhias trabalhando em algo mui- biocombustível para energia/ 3654-gerador-caseiro-promete- to similar”, disse Jack Brower, diretor associado fazê-lo funcionar revolucionar-setor-energetico-nos-eua.html revista do meio ambiente abr 2010
  15. 15. 1 denúncia socioambiental Mapa da injustiça Foi lançado o Mapa de Injustiça Ambiental e A busca por socializar informações, desse modo, Saúde no Brasil. O trabalho, que está dispo- pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo nível na Internet, é resultado de um proje- to desenvolvido em conjunto pela Fundação o monitoramento de ações e projetos que enfrentem Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de situações de injustiças ambientais e problemas Atendimento Socioeducativo (Fase), com o de saúde em diferentes territórios, como cidades, apoio do Departamento de Saúde Ambiental e campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde. O objetivo do mapeamento é apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos em Mapa de exclusão da pesca na Baía de Guanabara seus territórios por projetos e políticas base- adas numa visão de desenvolvimento consi- derada insustentável e prejudicial à saúde. A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permi- tindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças am- bientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras. Os organizadores da iniciativa pedem que os visitantes do mapa preencham a página “Fale conosco”, dedicada a comentários, críticas, com- plementações e/ou correções de dados, assim como novas denúncias e sugestões. “O Mapa é de todas e todos nós. Mas, para que isso se torne uma realidade de fato e de direito, é fundamental que nos apropriemos dele e que, de agora em diante, ele se torne uma construção coletiva a serviço da justiça ambiental, da cidadania, da democracia e con- tra todo tipo de abuso, de exploração e de ra- cismo”, informam os coordenadores do mapa. Mapa da injustiça ambiental Este mapa de conflitos envolvendo injus- tiça ambiental e Saúde no Brasil é resulta- do de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela Fase, com o apoiodo De- partamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde Legenda Hidrografia Ramal ferroviário Comperj APA de Guapimirim O objetivo maior deste mapa é apoiar a luta GLP/GNL - Área Lagos, reservatórios Limite municipal de inúmeras populações e grupos atingidos/as diretamente afetada GLP/GNL - Área de Limites distritais no município em seus territórios por projetos e políticas ba- Áreas alagadas de Itaboraí influência indireta Duto Comperj Sul - Área seadas numa visão de desenvolvimento consi- Estradas Federais Áreas de proteção ambiental diretamente afetada derada insustentável e prejudicial à saúde. Estradas Estaduais Faixa de dutos existente Duto Comperj Sul - Área de influência indireta Nesse sentido, busca socializar informa- Acesso rodoviário principal Faixa de dutos Comperj - Sul Outros existentes - Área diretamente afetada ções, dar visibilidade a denúncias e permitir Áreas urbanas Faixa de dutos Outros existentes - Área de Comperj - Norte influência indireta o monitoramento de ações e de projetos que Polibrasil/Suzano - Área Área da Comperj Outros dutos na Baía enfrentem situações de injustiças ambien- de Guanabara diretamente afetada Ferrovia Reduc - Área tais e problemas de saúde em diferentes ter- diretamente afetada abr 2010 revista do meio ambiente
  16. 16. 17 amBiental Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara Para ter acesso ao laudo técnico do Ibama referente aos empreendimentos da (Ahomar) defendendo o meio ambiente e aqueles Petrobras, na Baía de Guanabara, solicitado pelo MPF/RJ, fruto de representação da que sempre viveram em harmonia de maneira Ahomar), em 2009, faça contato com o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson: sustentável: o pescador artesanal (21) 2631-8289 / (21) 8626-3988, grupohomensdomar@gmail.com ritórios e populações das cidades, campos e acima de tudo, o Mapa está aberto para informar, para receber denúncias florestas, sem esquecer as zonas costeiras. e para monitorar as ações dos diversos níveis do Estado tomadas a respei- Os conflitos foram levantados tendo por base to. Nesse sentido, ele está democraticamente a serviço do público em ge- principalmente as situações de injustiça am- ral e, principalmente, das populações atingidas, dos parceiros solidários e biental discutidas em diferentes fóruns e redes de todos e todas que se preocupam com a justiça social e ambiental. a partir do início de 2006, em particular a Rede O Mapa apresenta cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georre- Brasileira de Justiça Ambiental (www.justica- ferenciados. A busca de casos pode ser feita por Unidade federativa (UF) ou ambiental.org.br). Esse universo não esgota as por palavra chave. Clicando em cima do caso que aparece no mapa por estado inúmeras situações existentes no país, mas re- surge inicialmente uma ficha inicial com os municípios e populações atingi- flete uma parcela importante de casos nos quais das, os riscos e impactos ambientais, bem como os problemas de saúde rela- populações atingidas, movimentos sociais e en- cionados. Clicando na ficha completa do conflito aparecem as informações tidades ambientalistas vêm se posicionando. mais detalhadas, incluindo populações atingidas, danos causados, uma sín- Embora tenha contado com apoio governa- tese resumida, uma síntese ampliada e as fontes de informação utilizadas. mental para a sua realização (e esperamos O Mapa pertence a todos/as os/as interessados/as na construção de uma venha a ser utilizado pelo Ministério da Saú- sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso mesmo, de e por outros órgãos e instâncias - federais, cabe a nós não apenas usá-lo, mas também mantê-lo alimentado de novas estaduais e municipais – na busca de dados informações, fazendo dele um importante instrumento para o aprimora- e diagnósticos para suas políticas e gestões), mento da democracia e para a garantia dos direitos humanos e da cidadania ele é direcionado para a sociedade civil. A ela plena para cada habitante deste País. Sejam bem-vindas/os! e às diferentes entidades que a conformam, Fonte: Ecoagência / Envolverde revista do meio ambiente abr 2010
  17. 17. 1 animais Financiando a destruição O vídeo da campanha do Greenpeace pode ser visto em http:// www. greenpeace.org. br/kitkat/ Frames: ©Greenpeace Nestlé financia destruição de floresta e põe orangotangos no rumo da extinção Protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas se duplicou, alcançando a marca de 320.000 to- que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa neladas que entram em uma enorme gama de devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão produtos, incluindo o chocolate mega popular do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas. KitKat, que não é vendido no Brasil. A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da “Toda vez que você der uma mordida em Indonésia para produzir chocolates como o KitKat, foi o alvo das mani- um KitKat, você pode estar dando uma mor- festações no continente europeu, parte de uma campanha global que dida nas florestas tropicais da Indonésia, que o Greenpeace lançou contra a companhia. A Nestlé por enquanto con- são fundamentais para a sobrevivência dos tinua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam orangotangos. A Nestlé precisa dar aos oran- a destruição das florestas tropicais. gotangos uma pausa e parar de utilizar óleo Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e em- de palma de fornecedores que estão destruin- purrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contri- do as florestas”, disse Daniela Montalto, do buindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular Greenpeace internacional. o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas O lançamento do relatório segue numero- de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera. sas tentativas de convencer a Nestlé a cance- Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha lar seus contratos com a Sinar Mas. Recente- acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo mente, o Greenpeace contactou várias vezes para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destrui- a empresa com provas sobre as práticas da ção de área antes ocupada por florestas na Indonésia. Sinar Mas, mas mesmo assim a Nestlé con- As manifestações concidiram com o lançamento de um novo relatório do tinua usando o óleo de palma da Indonésia Greenpeace – Pega com a mão na cumbuca: como o emprego de óleo de pal- em seus produtos. ma pela Nestlé tem um impacto devastador na floresta tropical, no clima Diversas empresas importantes, incluindo a e nos orangotangos – que expõe os laços entre a Nestlé e fornecedores de Unilever e Kraft, cancelaram os contratos de óleo de palma, como a Sinar Mas, que estão ampliando suas plantações em óleo de palma com a Sinar Mas. A Unilever florestas de turfa (ricas em carbono) e nas florestas tropicias da Indonésia. cancelou um contrato de 30 milhões de dólares Além da produção de óleo de palma, a Sinar Mas também é proprietá- no ano passado. A Kraft cancelou o seu em fe- ria da Ásia celulose, a maior empresa de papel da Indonésia. A empresa vereiro. “Outras grandes empresas estão agin- também infringe a lei da Indonésia ao destruir as florestas protegidas do, mas a Nestlé continua fechando os olhos para cultivar plantações de óleo de palma. para os piores infratores. É tempo de a Nestlé Como todos devem saber, a Nestlé é a maior empresa de alimentos e bebidas cancelar seus contratos com a Sinar Mas e pa- do mundo. O que ninguém sabia até então era que a empresa também é um rar de contribuir com a destruição das floresta grande consumidor de óleo de palma produzido às custas do desmatamento tropical e de turfas,” frisou Montalto. das florestas tropicais. Nos últimos três anos, a utilização anual do óleo qua- Fonte: Greenpeace / Reasul abr 2010 revista do meio ambiente
  18. 18. Extinção 19 texto Marcelo Szpilman, biólogo marinho e diretor do Instituto Ecológico Aqualung (instaqua@uol.com.br) Com o objetivo de chamar a atenção dos gover- nantes e da população para a necessidade de preservação da vida em nosso Planeta, a ONU à vista lançou recentemente uma campanha elegen- do 2010 como o “Ano da Biodiversidade”. Animais ameaçados Em janeiro desse ano, o World Wildlife Fund de extinção no “Ano (WWF) divulgou uma lista com os principais animais ameaçados de extinção. Apesar de da Biodiversidade” achar que nessa lista deveriam constar tam- bém algumas espécies de tubarões vulneráveis e em perigo de extinção, como o grande tuba- rão-branco, vale a pena repassá-la e refletir so- bre o comportamento do ser humano e sua ar- rogante pretensão de se achar mais evoluído e mais importante do que os outros seres que Diane Hammond (Flickr) compartilham o mesmo Planeta. Fora as causas já bastante conhecidas, como o desmatamento e o aquecimento global, am- A borboleta monarca bos diretamente relacionados com atividades é uma das espécies humanas que muitas vezes são inevitáveis mais ameaçadas para proporcionar a todos nós proteção e con- forto nas cidades, pode-se perceber que nessa achar comida. Não à toa, eles têm aparecido nas praias brasileiras, mui- lista existem animais também ameaçados pela tas vezes magros demais ou muito doentes. Das 17 espécies de pinguins, inadmissível perseguição para a extração de 12 já estão ameaçadas pelo aquecimento global. partes de seu corpo para obtenção de produ- 5. Tartaruga-gigante: também conhecida tartaruga-de-couro, são um dos tos supérfluos cujos benefícios apregoados não maiores répteis do planeta e chegam a pesar 700 quilos. Estimativas mostram têm nenhuma base científica comprovada. que há apenas 2,3 mil fêmeas no Oceano Pacífico, seu habitat natural. O au- 1. Tigre: novos levantamentos indicam que mento das temperaturas, a pesca e a poluição têm ameaçado sua procriação. existem menos de 3,2 mil tigres na natureza. 6. Atum-azul: um dos ingredientes principais do sushi de boa qualidade, Hoje, só restam apenas 7% do habitat natu- o atum encontrado nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo está sendo ex- ral destes animais. O extermínio dos tigres tinto por causa da pesca predatória. Uma proibição temporária da pesca também está ligado à falta de informação. desta espécie de atum ajudaria suas populações a voltar a um equilíbrio. Em muitas partes da Ásia, os tigres são caça- 7. Gorila das montanhas: podem deixar de existir na próxima década. dos porque partes do seu corpo são conside- Existem apenas 720 animais vivendo nas florestas da África, e outros 200 radas medicinais. no Parque Nacional de Virunga, a maior área de preservação desta espécie. 2. Urso polar: o urso polar se tornou o principal Em muitas partes da África, os gorilas são caçados porque partes do seu cor- símbolo dos animais que perdem seu habitat po são consideradas medicinais. natural devido ao aquecimento global. A eleva- 8. Borboleta monarca: as temperaturas extremas são a principal amea- ção da temperatura no Ártico é uma das princi- ça destas borboletas, que todo ano cruzam os Estados Unidos em busca do pais ameaças aos ursos, assim como os petrolei- calor mexicano. Elas vivem em florestas de pinheiros, área cada vez mais ros e os derramamentos de óleo na região. ameaçada pelo aquecimento global e urbanização crescente. 3. Morsa: os mais novos animais a entrarem 9. Rinoceronte de Java: existem apenas 60 destes rinocerontes em seus habi- para a lista dos ameaçados, as morsas tam- tat natural. Como seu chifre é usado na medicina tradicional asiática, os rino- bém são diretamente afetadas pelo aqueci- cerontes são caçados de forma predatória. A expansão das plantações também mento global. Em setembro, 200 morsas fo- tem acabado com as florestas que abrigam a espécie. O Vietnã, país que era ram encontradas mortas nas praias do Alasca. um grande habitat dos rinocerontes, abriga apenas 12 animais no momento. Com o derretimento das geleiras, os animais 10. Panda: restam apenas 1,6 mil pandas na natureza, de acordo com o estão ficando sem comida. WWF. Eles vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaça- 4. Pinguim de Magalhães: o aquecimento das pelo crescimento das cidades chinesas. Existe mais de 20 áreas de pro- das correntes marítimas tem forçado os pin- teção ambiental no país para proteger estes animais. Metade dos pandas guins a nadarem cada vez mais longe para vive hoje em áreas protegidas ou em zoológicos. revista do meio ambiente abr 2010

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