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Apostila do 2º ano 3º e 4º bi

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  • 1. ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO “SIMÃO JACINTO DOS REIS” Profª.: ElzaAluno(a):______________________________________________Série: 2º Ano - 3º e 4º bimestre Apostila de Filosofia Assunto: Estética e Filosofia da Arte O conhecimento através dos sentidos e do belo Baseado nessa etimologia, Kant definiu a estética, tempos depois, como a ciência que trata das condições das percepções pelos sentidos. Foi, no entanto, o alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) quem a utilizou pela primeira vez no sentido que ela tem hoje, isto é, como teoria do belo e das suas manifestaçõesatravés da arte. Como ciência (a teoria do belo), a estética pretende alcançar um tipo especifico de conhecimento: aqueleque é captado pelos sentidos. Por esse motivo, ela difere e se contrapõe,radicalmente, a lógica e a matemática.Essas duas disciplinas partem da razão, e não dos sentidos, para estabelecer um conhecimento que é "claro edistinto", conforme o ideal de saber proposto por Descartes. A estética, por sua vez, parte da experiência sensorial, da sensação, da percepção sensível, pare chegar a umresultado que se poderia dizer "confuso" e "obscuro", que não apresenta a mesma clareza e distinção lógico-racional. Seu principal objeto de investigação é a obra de arte. Ocupando-se, também, da obra de arte encontramos a filosofia da arte, que procure investigar odesenvolvimento artístico em busca do "sentido" da historia da arte. Assim, poderíamos dizer então que:tomando como ponto de referencia a obra de arte, procuraria a estética teorizar princípios pertinentes ao belo,ao passo que a filosofia da arte passaria a analisar os aspectos histórico-culturais presente nas diversasmanifestações artísticas. Como ligação de interdependência entre as duas epistemologias, encontraríamossempre a obra de arte, pois a sue existência que possibilita, simultaneamente, princípios estéticos e aspectosartístico-culturais. Em outras palavras: os princípios estéticos são estabelecidos na medida em que existe aobra de arte, a qual, por sue vez, esta de maneira imprescindível inserida num determinado contexto histórico-cultural. Da mesma forma, os aspectos artístico-culturais se manifestam na medida em que existe a obra dearte, a qual, por sua vez, esta também de maneira imprescindível disposta mediante princípios estéticos. Emsuma: em torno da obra de arte, complementam-se a estética (ou filosofia do belo) e a filosofia da arte (ouciência geral da arte). O bom e o belo: a estética na educação Por diversos ângulos e com diferentes enfoques, as discussões sobre a beleza e o estético tiveram uma presença marcante no pensamento de vários autores, desde a Antiguidade grega até os nossos dias. Muitas dessas especulações tomaram o rumo de associar o belo ao bom, entrelaçando os campos filosóficos da estética e da moral. Sócrates e Platão, por exemplo, já diziam que o que é bom é belo, e, o que é belo é bom. Não precisamos, porém, ir tão longe: o próprio senso comum (as pessoas em geral) faz essa ligação. Quando um indivíduo age mal, costuma-se dizer: "Que feio!" Se ele age de maneira ética, corretamente, fala-se que ele teve uma atitude "bonita". Inversamente, se o belo pode também despertar o bom no individuo, deve fazer parte de sua educação. Assim, além da educação ética, o escritor e pensador alemão Schiller (1759-1805) propôs a educação estética como Profª.:Elza Página 1
  • 2. forma de harmonizar e aperfeiçoar o mundo e de o individuo alcançar a sua liberdade. Nas suas palavras: Parachegar a uma solução, mesmo em questões políticas, o caminho da estética deve ser buscado, porque é pelabeleza que chegamos a liberdade. Através do belo, portanto, o mundo material se reconciliaria com a forma superior da moralidade. E essa seriaa grande missão da arte. A arte e seu permanente fascínio O encontro da eternidade na criação artística do homem Desde os tempos pré-históricos, o ser humano constroi no mundo suas próprias coisas, demonstrando maiorou menor habilidade. A esse conjunto de coisas feitas pelo homem a que se distingue por revelarem capricho,talento, perícia, beleza e eficiência podemos associar o nome arte. Em algum momento de nossas vidas, todos já sentimos o agradável efeito de alguma obra de arte: umamística, um romance, uma pintura, uma dança, um poema. Entretanto, não é nada fácil explicar, exatamente, oque nos encanta numa obra de arte, ou entender as razões pelas quais milhões de seres humanos, ao longo dahistoria, são atraídos pela arte. Mas, afinal, o que a arte? Para a pensadora norte-americana Susanne Langer, a arte pode ser definida como a prática de criar formasperceptíveis expressivas do sentimento humano. Analisemos, então, o conteúdo essencial dos termos dessadefinição: Prática de criar: a arte é produto do fazer humano. Deve combinar a habilidade desenvolvida no trabalho(prática) com a imaginação (criação). Formas perceptíveis: a arte se concretize em formas capazes de serem percebidas por nossa mente. Essasformas podem ser estáticas (uma obra arquitetônica, uma escultura), ou dinâmicas (uma música, uma dança).(Qualquer que seja sua forma de expressão, cada obra de arte é sempre um todo perceptível), com identidadeprópria. A palavra perceptível não se refere as formas captadas apenas pelos sentidos exteriores, mas tambémpela imaginação. Um romance, por exemplo, é usualmente lido em silêncio, com os olhos, porém não é feito paraa visão, como é um quadro; e conquanto o som represente papel vital na poesia, as palavras, mesmo em poema,não são estruturas sonoras como a música. Expressão do sentimento humano: a arte é sempre a manifestação (expressão) dos sentimentos humanos.Esses sentimentos podem revelar a emoção diante daquilo que amamos, ou a revolta em face dos problemas queatingem uma sociedade. Sentimentos de alegria, esperança, agonia ou decepção diante da vida. A funçãoprimordial da arte, para Susanne Langer, é objetivar o sentimento de modo que possamos contemplá-lo eentendê-lo. É a formulação da chamada "experiência interior", da "vida interior", que é impossível atingir pelopensamento discursivo. Durante a Idade Média, o Cristianismo difundiu uma nova concepção da beleza, tendo como fundamento aidentificação de Deus com a beleza, o bem e a verdade. Para Santo Agostinho, dentro da filosofia Patrística, a beleza do mundo não é mais do que o reflexo dasuprema beleza de Deus, onde tudo emana. A partir da beleza das coisas podemos chegar à beleza Suprema(a Deus). A Escolástica foi uma Escola filosófica medieval que inspirou-se no idealismo de Platão e no realismo deAristóteles. Para os escolásticos, a arte é uma virtude do intelecto prático, um hábito de ordem intelectual queconsiste em imprimir uma ideia a determinada matéria. Dentro da Escolástica, São Tomás de Aquino definia abeleza como "aquilo cuja visão agrada", cujos requisitos são a proporção ou harmonia, a integridade ou unidade Profª.:Elza Página 2
  • 3. e a clareza ou luminosidade. Assim, São Tomás de Aquino identificou a beleza com o Bem. As coisas belaspossuem três características ou condições fundamentais: a) Integridade ou perfeição (o inacabado ou fragmentário é feio); b) a proporção ou harmonia (a congruência das partes); c) a claridade ou luminosidade. Como em Santo Agostinho, a beleza perfeita identifica-se com Deus. Idade Moderna: no Renascimento (séculos XV só em Itália,e XVI em toda a Europa), os artistas adquirem a dimensão de verdadeiros criadores. Os gênios têm o poder de criar obras únicas, irrepetíveis. Começa a desenvolver-se uma concepção elitista da obra de arte: a verdadeira arte é aquela que foi criada unicamente para o nosso deleite estético, e não possui qualquer utilidade. Entre as novas idéias estéticas que então se desenvolveram são de destacar as seguintes: a) Difusão de concepções relativistas sobre a beleza. O belo deixa de ser visto como algo em si, para serencarado como algo que varia de país para país, ou conforme o estatuto social dos indivíduos. Surge o conceitode "gosto". b) Difusão de uma concepção misteriosa da beleza, ligada à simbologia das formas geométricas e aos números,inspirada no pitagorismo (o pitagorismo é uma escola de sábios e filósofos, é uma seita religiosa fundada porPitágoras em Crotona) e neoplatonismo. c) Difusão de uma interpretação normativa da estética aristotélica. Estabelecem-se regras e padrões fixos paraa produção e a apreciação da arte. Entre os séculos XVI e XVIII predominam as estéticas de inspiração aristotélica. Procura-se definir as regraspara atingir a perfeição na arte. As academias que se difundem a partir do século XVII, velam pelo seu estudo eaplicação. No final da Idade Moderna, na segunda metade do século XVIII, a sociedade européia atravessa umaprofunda convulsão. O começo da revolução industrial, a guerra da Independência Americana e a RevoluçãoFrancesa criaram um clima propício ao aparecimento de novas idéias. O principal movimento artístico desteperíodo foi o neoclacissismo, que toma como fonte de inspiração a antiga Grécia e Roma. A arte neoclássica seráutilizada de forma propagandística durante a Revolução Francesa e no Império napoleônico. É neste contexto que surge I. Kant, o principal criador da estética contemporânea. Na sua obra Crítica do juízo(ou da faculdade de julgar), noção que examina os juízos estéticos ao referir-se aos objetos belos da natureza eda arte, Kant concebe o juízo estético como resultado do livre jogo do intelecto e da imaginação e não comoproduto do intelecto (ou seja, da capacidade humana de formar conceitos), nem como produto de intuiçãosensível. O juízo estético provém do prazer que se alcança no objeto como tal. Exprime uma satisfação diferentedaquela que é proporcionada pelo agradável, pelo bem e pelo útil. Para Kant, os nossos juízos estéticos têm umfundamento subjetivo; este é um dado que não se pode apoiar em conceitos determinados. A satisfação só éestética, porém, quando gratuita e desligada de qualquer fim subjetivo (interesse) ou objetivo (conceito).Ocritério de beleza que nesses juízos estéticos se exprimem é o do prazer desinteressado que suscita a nossaadesão. Apesar de subjetivo, o juízo estético aspira à universalidade. O belo, diz Kant, "é o que agradauniversalmente, sem relação com qualquer conceito". O belo existe enquanto fim em si mesmo: agrada pelaforma, mas não depende da atração sensível nem do conceito de utilidade ou de perfeição. Quanto às origens daarte, Kant diz que a imaginação é compelida a criar (causalidade livre) o que não encontra na natureza. A arte é,pois, a produção da beleza não pela necessidade natural, mas pela liberdade humana. Kant propõe umaclassificação das "belas-artes" em artes da palavra (eloqüência e poesia), figurativas (escultura, arquitetura epintura), e as que produzem um "belo jogo de sensações", como a música. Todas se encontram na arte dramáticae, de modo especial, na ópera. Profª.:Elza Página 3
  • 4. Na Idade Contemporânea a arte atravessa, ao longo do século XIX, profundas mudanças. O objeto daestética, segundo o filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), é o belo artístico, criado pelo homem. Araiz da arte está na necessidade que tem o homem de objetivar seu espírito, transformando o mundo e setransformando. Não se trata de imitar a natureza, mas de transformá-la, a fim de que, pela arte, possa o homemexprimir a consciência que tem de si mesmo. O academismo, no século XIX, é posto em cheque por artistas como Courbet, Monet, Manet, Cézanne ouVan Gogh, que abrem uma ruptura com as normas e convenções tradicionais na arte,preparando desta maneira o terreno para a emergência da Arte Moderna (ou modernista). Surge entãomúltiplas correntes estéticas, sendo de destacar as seguintes: a) A romântica – que proclama um valor supremo para a arte (F. Schiller, Schlegel, Schelling, etc). Exalta opoder dos artistas, os quais através das suas obras revelam a forma suprema do espírito humano. O romantismofoi um movimento artístico ocorrido na Europa por volta de 1800, que representa as mudanças no planoindividual, destacando a personalidade, sensibilidade, emoção e os valores interiores. Atingiu primeiro aliteratura e a filosofia, para depois se expressar através das artes plásticas. A arte romântica se opôs aoracionalismo da época da Revolução Francesa e de seus ideais, propondo a elevação dos sentimentos acima dopensamento. Curiosamente, não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dosartistas se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temáticadas obras. b) A realista – surgiu imediatamente após o romantismo; defende o envolvimento da arte nos combatessociais. As obras de arte assumem, muitas vezes, um conteúdo político manifesto. O homem europeu, que tinhaaprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se deque precisava ser realista inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivasda realidade, revelando assim seus aspectos mais característicos e expressivos. A arte passa a ser, assim, um meiopara denunciar uma ordem social considerada injusta, manifestando-se como protesto em favor dos oprimidos.Em seu sentido mais amplo, a palavra realismo designa uma maneira de agir, de interpretar a realidade. Essecomportamento caracteriza-se pela objetividade, por uma atitude racional das coisas (e pode ocorrer emqualquer tempo da história). O século XX foi a todos os níveis um século de rupturas. No domínio das práticas artísticas, ocorremimportantes mudanças no entendimento da própria arte, em resultado de uma multiplicidade de fatores,nomeadamente: a) A integração no domínio da arte de novas manifestações criativas. Umas já existiam, mas estavam desvalorizadas; outras são relativamente recentes. Esta integração permitiu diminuir as fronteiras entre a arte erudita e a arte para grandes massas. Entre as primeiras destacam-se as artes decorativas, a art naïf (arte ingênua ), a arte dos povos primitivos atuais, o artesanato urbano e rural. Entre as segundas destacam-se a fotografia, o cinema, o design, a moda, o rádio, a TV etc. Todas estas artes são hoje colocadas em pé de igualdade com as artes consagradas, como a pintura, escultura etc.(as chamadas"Belas Artes"). b) Os movimentos artísticos que desde finais do século XIX têm aparecido em todo o mundo têm reveladouma mesma atitude desconstrutiva em relação a todas as categorias estéticas. Todos os conceitos sãocontestados, e todas as fronteiras entre as artes são postas em causa. A arte foi dessacralizada, perdeu a suacarga mítica e iniciática de que se revestiu em épocas anteriores, tornando-se freqüentemente um mero produtode consumo. Quase tudo pode ser considerado como arte, basta para tanto que seja "consagrado" por umartista. c) No domínio teórico aparecem inúmeras teorias que defendem novos critérios para apreciação da arte. Nopanorama das teorias estéticas podemos destacar três correntes fundamentais: 1ª - As estéticas normativas concebem a beleza fundamentada em princípios inalteráveis. Entre elas sobressaia estética fenomenológica de Edmund Husserl (1859-1938). Segundo Husserl, as coisas caracterizam-se pelo seu Profª.:Elza Página 4
  • 5. inacabamento, pela possibilidade de sempre serem visadas por noesis (a operação do nous, pensar) novas que asenriquecem e as modificam. 2ª - As estéticas marxistas e neomarxistas marcadas por uma orientação nitidamente sociológica. O realismocontinuou a ser a expressão que melhor se adéqua às idéias defendidas por esta corrente.A arte nos países socialistas, por exemplo, cumpria através de imagens realistas uma importante função:antecipar a "realidade" da sociedade socialista, transformando-a numa utopia concreta. 3ª - A estética informativa que deriva das teorias matemáticas da informação. Esta estética procura constituirum sistema de avaliação dos conteúdos inovadores presentes numa obra de arte. O século XX foi palco de dois grandes movimentos gerais na arte que receberam o nome de Arte Moderna(ou Modernista) – do início do século até por volta de 1950, cinco anos após a 2ª Guerra Mundial e Arte Pós-Moderna (de 1950 em diante). Arte Moderna: alguns estudiosos marcam seu começo em meados do séc. XIX, com o Impressionismo; outros,no final do séc. XIX, com o Pós-Impressionismo. Mais certo, na minha opinião, seria datar seu início com apesquisa de Cézanne (final do século XIX) ou com o Fauvismo (a utilização de cores fortes no início do séc. XX). Os artistas daquela época queriam algo que não fosse parecido com o clássico e nem que copiasse a natureza. Cores fortes colocadas livremente sobre o suporte, traços vigorosos, tendência à geometrização, desprezo pelasleis da perspectiva e do escorço, expressividade gestual; paulatinamente o ambiente retratado se torna maisurbano que rural. Nas raízes do movimento modernista estão: a Revolução Industrial, a invenção da fotografia, apesquisa sobre arte primitiva e a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), pois só depois desta é que o movimentomodernista toma corpo e é aceito pelos amantes da arte. Arte pós-moderna: aplicamos este nome às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedadesavançadas desde 1950 quando, por convenção, se encerra o modernismo. Ele nasce com a arquitetura e acomputação nos anos 50. Toma corpo com a Arte Pop (anos 60); cresce através da filosofia nos anos 70 comocrítica da cultura ocidental. Amadurece até os dias de hoje e incrementa-se com a tecnociência: computadores eprogramas sofisticados, telefones celulares, câmeras digitais, instrumentos musicais sintetizados. O que Duchampfizera no início do século XX, preconizou o que a arte faz agora: tudo pode ser arte, e arte é o que o artista dizque é. ARTE E SOCIEDADE Há estudiosos que vêem na obra de arte uma manifestação pura e simples dos sentimentos individuais do artista. Outros a encaram como uma atividade plenamente lúdica, gratuita, livre de quaisquer preocupações utilitárias ou condicionamentos exteriores à sua própria criação. Não é preciso negar totalmente a validade de cada uma dessas concepções para reconhecer na atividade artística algo que vai mais além: o fato de que a arte é um fenômeno social. Isso significa que é praticamente impossível situar uma obra de arte sem estabelecer umvínculo com uma determinada sociedade. A arte é um fenômeno social porque:  O artista é um ser social: como ser social, o artista reflete na obra de arte sua própria maneira de sentir o mundo em que vive, as alegrias e angustias, os problemas e as esperanças de seu momento histórico. Para Lukács: O artista vive em sociedade e - queira ou não - existe uma influência recíproca entre ele e a sociedade. O artista - queira ou não - se apóia numa determinada concepção do mundo, que ele exprime igualmente em seu estilo. Profª.:Elza Página 5
  • 6.  A obra de arte é percebida socialmente pelo público: por mais íntima e subjetiva que seja a experiência do artista deixada em sua obra, esta será sempre percebida de alguma maneira pelas pessoas. A obra de arte será, então, um elemento social de comunicação da mensagem de seu criador. Assim, como afirmou Lukacs: uma arte que seja por definição sem eco, incompreensível para os outros - uma arte que tenha o caráter de puro monólogo só seria possível num asilo de loucos (...) A necessidade de repercussão, tanto do ponto de vista da forma, quanto do conteúdo, é a característica inseparável, o traço essencial de toda obra de arte autêntica em todos os tempos. Como fenômeno social, a arte possui relações com a sociedade. Essas relações não são estáticas e imutáveismas, ao contrario, são dinâmicas, modificando-se historicamente. No que diz respeito ao artista, as relações da sua arte para com a sociedade podem ser de paz e harmonia,de fuga e ilusão, de protestos e revolta. Quanto à sociedade - considerando principalmente o Estado -, seurelacionamento com determinada arte pode ser de ajuda e incentivo, ou de censura e limitação à atividadecriadora. Afirmar que a arte é um fenômeno social não significa reduzi-la a mero produto de condicionamentoshistóricos e ideológicos. Não há duvida de que esses condicionamentos existem e atuam sobre o artista. Mas, narealização da obra de arte, todos os elementos que a envolvem precisam ser resolvidos artisticamente, isto é,precisam ser traduzidos em termos de criação estética. Nessa criação é que reside o valor essencial de todagrande obra de arte. Ocorre nela um rompimento com o tempo e um encontro do homem com a eternidade. Pela criação estética, a obra tende a se universalizar, a permanecer viva através dos tempos, anunciando umamensagem artística que, independentemente de seu conteúdo ideológico, expressa profunda sensibilidade. Porisso, ela é capaz de atrair homens de diferentes paises, culturas ou sociedades. Como escreveu Ernst Fischer:toda arte é condicionada pelo seu tempo e representa a humanidade em consonância com idéias e aspirações,as necessidades e as esperanças de uma situação histórica particular. Mas, ao mesmo tempo, a arte superaessa limitação e, dentro do momento histórico, cria também um momento de humanidade que prometeconstância no desenvolvimento. Assim, as circunstancias particulares que estão presentes na criação artística se unem, harmoniosamente, aelementos de universalidade, que penetram profundamente no espírito humano, gerando um sentido depermanente fascínio. FUNÇÕES DA ARTE Ao longo da História, nem sempre a arte teve a mesma função. A arte serviu para aplacar a ira dos deuses,para contar uma história, rememorar acontecimentos importantes, despertar um sentimento religioso, aclamarvirtudes morais, despertar sentimentos cívicos. Só no final do século XIX e início do século XX é que a arte foidesvinculada desses interesses não-artísticos e considerada um objeto propiciador de experiência estética comvalores intrínsecos. Assim, repassando pelas mais diversas situações e épocas, podemos distinguir três funçõesprincipais para a arte:A) Função pragmática ou utilitária – quando ela é um meio para alcançar outra finalidade. Exemplos:1) nas igrejas medievais, as paredes pintadas ensinavam à população (que era analfabeta) as histórias de Cristo edos santos;2) no início do séc. XX, os socialistas viam na arte um meio para despertar sentimento cívico e manter a lealdadeda população. Ou seja: a obra seria “boa” se correspondesse à sua finalidade.B) Função naturalista – quando a obra apenas retrata, imita, copia, enviando-nos para o mundo dos objetos. É ocaso dos retratos de figuras políticas ou das imagens fiéis da natureza. Essa função surge na Antigüidade com osgregos e caminhou até o século XIX, quando surgiu a fotografia. Profª.:Elza Página 6
  • 7. C) Função formalista – quando a preocupação é com a forma de apresentação da obra, sendo esta a função quese preocupa unicamente com a forma artística como tal. Assim, qualquer que seja o tipo de obra analisado:pintura, escultura, literatura, cinema, música, teatro etc., todos comportam uma estruturação interna de signosselecionados a partir de um código específico. É esta função que é capaz de sustentar e análise de um espectadorcuja sensibilidade seja educada e madura. Existe na arte contemporânea, mas também existe na arte de todos osséculos anteriores, pois mesmo que a função da obra tenha sido utilitária ou formalista, o senso estético doartista fazia o melhor que podia. Mas é bom que saibamos que esta distinção das funções é meramente didática, pois sabemos quefreqüentemente há mais de uma função em uma só obra. Estética e Indústria Cultural Indústria cultural é um termo difundida por Adorno e Horkheirmer para designar a indústria da diversão vulgar, veiculada pela televisão, rádio, revistas, jornais, músicas, propagandas, etc. Através da indústria cultural da diversão se obteria a homogeneização dos comportamentos, a massificação das pessoas. A falta de perspectiva de transformação social levou Adorno a se refugiar na teoria estética, por entender que o campo da arte é o único reduto autêntico da razão emancipa tória e da crítica opressão social. A indústria de lazer e divertimento investe em determinados produtos culturais que agradam às massas deforma imediata. Ela não está preocupada com a educação estética, ou seja, com a criação de condições para quea maioria das pessoas possa receber manifestações artísticas de maior quantidade. A indústria cultural lucra maiscom investimentos baratos e com produções artísticas (músicas, filmes, etc.) de pouca qualidade e deentretenimento fácil, que não trazem para o público nenhum enriquecimento pessoal e nenhuma contribuição aoquestionamento das coisas, à reflexão. É a indústria do simples divertimento, da distração e, por isso mesmo, da perpetuação das atuais condições deexistência. Indústria que pela difusão de suas “mercadorias culturais” (filmes, músicas, shows, revistas) vende osvalores dominantes do capitalismo, promovendo uma “colonização do espírito” dos consumidores dessesprodutos. Assim, a indústria cultural cria a cultura de massa, ou seja, cultura destinada às massas. Isso não tem nada que ver com cultura popular, que seria a cultura própria e espontânea de um povo, refletindo as suas particularidades regionais e recuperando a tradição e os valores autênticos de um dado grupo. A cultura de massa, ao contrário, homogeniza as manifestações artísticas ao oferecer à exaustão um determinado fenômeno de venda e veicular sempre o mesmo, o que desestimula o espírito inovador e empobrece o cenário cultural. Embora Adorno tenha retratado com pessimismo o cenário cultural contemporâneo ao apontar como atecnologia de comunicação perverte o sentido da arte ao transformar tudo em negócio, ele reservou ainda umaesperança na existência de uma arte verdadeira que não sucumba aos ditames do mercado. O Fetiche do Consumo Para explicar essa depravação da arte, em decorrência da falta de critérios de gosto, por parte do público, e odeclínio da aura da obra de arte, Adorno resgatou de início o conceito de “fetiche” empregado por Hegel na Profª.:Elza Página 7
  • 8. Filosofia da História. Fetiche era a tradução francesa para a palavra feitiço que os portugueses usavam quandodesignavam o objeto ao qual os africanos atribuíam algum poder mágico. Na interpretação de Hegel, o gênio, ouespírito, seria incorporado em uma coisa qualquer – pedra, madeira, animais ou imagem. Tal retificação não seriaindependente, portanto, de uma religião, nem do trabalho de criação artística do feiticeiro, embora fosseresultante da imaginação arbitrária de seu criador, que pensava ter o controle completo do feitiço. O caráter de culto original, que havia sido perdido pela reprodução, na visão de Adorno, estaria sendo, poucoa pouco, renovado pela retificação do valor de troca da mercadoria fornecida pela produção artísticacontemporânea. Um ritual mágico se iniciava com a implantação do consumo imediato e repetitivo. A arte deconsumo rápido promete prazer instantâneo, ao passo que nega a duração da felicidade que antes fazia partedas pretensões estéticas e morais. Na era da reprodução da arte ligeira, a passividade das massas proporcionavaa necessidade de aquisição de objetos descartáveis, além da satisfação das carências objetivas do consumidor,cujas exigências pessoais passam a ser encaradas como ilusórias. Todos devem se acomodar aos padrões geraisdisponíveis. Aquele autor, a quem Benjamin convocava ao engajamento político, tornara-se “estrela” ou celebridade deum sistema totalitário. O simples fato de ser mais conhecido ou famoso é suficiente para garantir o sucesso ealimentar o círculo vicioso da cultura. Não se requer mais o talento virtuoso ou o domínio de uma técnica que sedestaque por seu próprio valor, mas a posse de um mero conteúdo que sirva de matéria moldável ao comércio –o rosto do artista ou sua voz, por exemplo. O consumidor não precisa, portanto se esforçar em saber nada maissobre as qualidades específicas de cada gênero artístico, apenas se está na lista dos mais vendidos. Como todamercadoria, basta que a obra de arte esteja pronta para ser consumida sem maiores esforços, por parte doproprietário. Os critérios de sucesso seguem assim as normas do mercado, vinculadas à renda apurada na vendaou resultado de bilheteria. Com isso, a participação do público restringe-se em comprar e possuir as últimasmarcas e modelos lançados e que estão na moda. O indivíduo deve agora se ater à rotina das compras daquiloque é sucesso. Naquela que deveria ser a época áurea do predomínio do gosto universal, o que prevaleceu, para Adorno, foia completa falta de gosto subjetivo. A perda da aura abriu espaço para que outros rituais fossem engendradospor interesses alheios ao objeto artístico. Houve uma deterioração do poder criativo, em favor de uma satisfaçãodas necessidades das massas, na suposição que atendiam os desejos de um indivíduo mediano imaginado a partirdas estatísticas e leis de probabilidade. Tudo é feito para ser entendido superficialmente sem maioresconseqüências ou esforço interpretativo do consumidor que não contempla mais a obra, mas se distraidespreocupado. O fetichismo do objeto sufoca as tentativas de improvisação espontânea que, quando existem,devem ser previstas plenamente. O autor e intérprete têm à disposição todo instrumental para exercer o domíniodo público que deve reagir conforme suas intervenções. O público, dominado pelo fetiche, agora se identifica com os produtos lançados no mercado. Seucomportamento diante da obra não é mais contemplativo, porém a sua descontração possibilita que a música dequalidade sofrível sirva como fundo musical e o quadro como cenário de festa e reuniões sociais tambémsuperficiais. Nesse processo de simplificação e decoração do objeto artístico, os critérios de consumo vão sendorebaixados e o adulto regride a preferências pueris (superficiais). A reflexão necessária da razão pode sersubstituída pela mera percepção sensível a qual se agrada ou não de imediato. Todo o processo de formação dogosto passa a ser regido por um sistema que busca alienar as massas e eliminar toda forma de individualismo quepreservasse a identidade de cada um. Assim, a distração que poderia inibir a incorporação à totalidade écompensada pelo aniquilamento do indivíduo. As tentativas de conciliação com o coletivo são fracassadas. Todaarte industrial compromete-se apenas com seu próprio ambiente de massificação. Ao invés de revolucionar asrelações de sociedade, tal indústria se constituiu na mais séria ameaça aos valores culturais. Apenas o abandonoda rotina de padronização seria a alternativa viável para o retorno ao processo de conscientização e retomada daliberdade. Contudo, o caráter nostálgico dessa opção revela que o que na verdade resta ao indivíduo é asubmissão aos poderes que o destroi. Profª.:Elza Página 8
  • 9. A Indústria Cultural Em 1938, ano em que foi publicado O Fetichismo na Música e a Regressão da Audição, Adorno ainda acreditava na possibilidade “dos indivíduos [serem] capazes de representar e defender com conhecimento claro, o genuíno desejo de coletividade face a tais poderes” de massificação. Porém, os desdobramentos dos fatos históricos revelaram o massacre da coletivização promovido pela II Guerra Mundial (1939- 1945). O Esclarecimento não fora forte o suficiente para impedir a destruição do indivíduo e o que se viu foi a mistificação das massas e uma falsa reconciliação do particular com o universal. Foi então que o conceito de indústria cultural se tornou mais evidente. Sobre os escombros de uma antiga civilização romântica ergueu-se uma nova ordem para padronização compulsiva dos consumidores. Aqueles que não se adaptassem seriam simplesmente largados àmargem ou acolhidos por um sistema de bem estar que obrigava o total abandono da individualidade. A primeira edição de Dialética do Esclarecimento surgiu dois anos depois do fim da II Guerra Mundial, em1947. Naquele tempo, Adorno, ao lado de Max Horkheimer (1895-1973), percebeu a mudança para um mundoadministrativo, governado a partir dos gabinetes, no qual tentava preservar os últimos vestígios de liberdade. E,enquanto a dominação completa não se consumava, denunciou o florescimento da indústria cultural, conceitodesenvolvido primeiro nessa obra. Dessa maneira, a despeito da aparência caótica da cultura, o que estava acontecendo era uma constantehomogeneização que conferiu um ar semelhante a todas as coisas lançadas no mercado. Contribuíram paratanto, a formação de um sistema de comunicação envolvendo meios eletrônicos e impressos. Tal unificação fezsupor uma subsunção do particular ao universal, que de fato é falsa. Pois não havia o interesse em concretizar oideal racional kantiano e sim a preocupação em fechar novos negócios. A satisfação de interesses comuns demilhões de pessoas conduziu a uma inevitável produção de bens padronizados, em larga escala. A tecnologiaproporcionava, então, ao economicamente mais forte, dominar a sociedade á vida por ser alimentada comprodutos que estimulavam sua alienação do processo histórico de conscientização, preconizado por Hegel. Aocontrário de promover a emancipação, a seleção de talentos em meio à multidão visava a perpetuação dosistema e não o esclarecimento dos futuros especialistas. A revolução industrial, de início, havia distinguido comnitidez as diversas classes sociais. A indústria cultural, por sua vez, procurou apagar essas diferenças e unificar aconstituição política da sociedade, mantendo os indivíduos agrupados por faixa de poder de compra. Desdeentão, cada classe é induzida ao consumo de produtos condizentes com o padrão que lhe fosse mais adequado. Ao voltar a produção para o atendimento das categorias unificadas, a indústria cultural se sobrepôs ao sistemapolítico. Mesmo em regimes democráticos, a totalização da produção representou uma vitória sobre os gostosdos insubordinados. Toda uma ordem hierárquica passa a ser repensada em favor de uma ideia mais abrangentede classificação que não permite a conexão social, a fim da preservação de uma pretensa harmonia estética. Istoé, todos acabam por serem submetidos aos interesses industriais, o que caracteriza a violência de um processodo qual ninguém escapa. Os movimentos de vanguarda não têm como fugir ao confronto sem perderem suascaracterísticas originais ou deixarem de ser moldados pela produção ou censura. Os produtos culturais sãopreparados para ditar as regras pelas quais um estilo pode ser aceito. Toda tensão entre o universal e o particularé eliminada pelo esvaziamento de qualquer substância própria que a obra de arte pudesse apresentar. O estiloque deve prevalecer é aquele que equivale a uma idéia de universal passível de ser imitado por todos. Ou seja,fazer com que ao sair do horário de seu expediente, o trabalhador consuma os produtos que o mantém preso àempresa e ao seu emprego . A rigidez do estilo da indústria cultural é o resultado distorcido dos objetivos liberais que atacavamaqueles que resistiam à integração ao mercado. Durante longos períodos, a arte ficou protegida do mercado pela Profª.:Elza Página 9
  • 10. intervenção do Estado. Aos poucos, os artistas mais elevados foram sendo incorporados aos estilos ligeiros, a fimde emprestar maior prestígio ao produto de qualidade inferior. Até que não sobrasse outro meio desobrevivência ao artista, senão copiar. Os que se recusavam eram vistos como estranhos pelo público. Todasidéias novas deveriam ser passíveis de renovar a produção. Antes mesmo de ser produzido, o novo projeto deveria ser previamente elaborado no sentido de facilitar suaadaptação à linha de montagem. Por outro lado, até a arte considerada séria passou adotar métodos deentretenimento, pois o que estava em jogo era a capacidade de ser reproduzida e não seu conteúdo. Afinal decontas, a indústria cultural é uma cultura de diversão. Sua ideologia é o negócio rápido que deve subsistir comoprolongamento do trabalho cotidiano. Não surpreende, portanto, que haja um empobrecimento da informaçãotransmitida ou até sua completa falta de sentido. Como um enorme mecanismo, a indústria promove o desgastecontínuo do sujeito, esmagando sua resistência isolada. Seus produtos representam a violência contra ospersonagens de suas histórias como algo a ser usufruído com prazer. Sua tecnologia está voltada para esgotar aspossibilidades de consumo estético, como fim, mas pouco importando o fato de muitos passarem fome a suavolta, desde que possam adquirir algumas de suas mercadorias. Em conseqüência disto, a promessa de satisfazeros prazeres nunca é cumprida plenamente. Com o fim da aura, a reprodução industrializada do belo anula todaidolatria da beleza. O prazer mistura-se à comercialização. Para frear excessos de ingenuidade e conteúdointelectual, a diversão deve dominar os impulsos e purificar as paixões em uma catarse como a preconizada porAristóteles (384-322 a.C.) para as tragédias. A consolidação da indústria cultural possibilitou o controle total das necessidades dos consumidores, sob opreço da alienação da sua subjetividade. Alguns tipos são selecionados na população para perpetuarem o modelodo gosto médio. O ser humano vira um produto genérico e uma igualdade artificial é imposta a todos que sãoalvos dos materiais descartáveis. Trata-se da ideologia difusa que esvazia todos seus fundamentos, juízos de valore argumentação. O objetivo é estabelecer o culto dos fatos, tais como são apresentados, sem maiores reflexões.As grandes corporações, por sua vez, sufocam as livres iniciativas empresariais e anulam os vestígios do sujeitoque ainda estão presentes na sociedade liberal. A acomodação das necessidades naturais é feita pela previdência social instituída pelo Estado de bem-estar.Quem alimenta a indústria se vê amparado e alimentado por esta, enquanto os marginais são rotulados comoculpados por sua própria condição. A máquina da previdência substitui a solidariedade natural que não pode maisser mobilizada pelas pessoas. A moral do sistema é expressa na punição dos personagens que não cooperam. Ocinema transforma-se em instrumento de educação moral, nesse sentido. Em uma civilização assim montada,todos devem estar empregados e contribuírem para sua manutenção se não quiserem ser mal vistos. Ao eliminaro indivíduo, seu destino trágico também se desfaz na impossibilidade sequer de ruína completa, uma vez que, porironia, sempre será amparado por um programa assistencialista. Uma falsa harmonia é estabelecida pela padronização da identidade, que ainda resta, e o universal totalitário.Do conceito de indivíduo, sobra apenas a decisão de cumprir seus fins particulares. Todo contato social, ao qualeste se relaciona, não ultrapassa a superfície e aparência dos bons modos. A sociedade industrial, assim, acabapor diluir a noção de vida humana. A beleza utilitária está a serviço do tipo mediano e, desse modo, a arte perdesua autonomia, ao ser inserida na lista de objetos de consumo, como uma mercadoria a mais nas gôndolas desupermercado. A finalidade última que lhe era uma exigência idealista passa a ser determinada pelo mercado. Aobra de arte assume, então, seu valor de troca e adequação a um gênero comercial. E assim, tudo que é cultura,seja tradicional ou industrial, está sob suspeita de fraude, em suma. A visão libertadora da arte termina na completa apatia de seus consumidores. Como mercadoria, a arte puraconverte-se em simples propaganda de si mesma. Sua eficácia resume-se à manipulação de pessoas. Nomes esobrenomes de seus produtores viram marcas publicitárias que sinalizam a entrada de um novo produto emcirculação. A divulgação por meios de comunicação provoca um verdadeiro contágio na população que passa arepetir mecanicamente sua expressão como palavra de ordem, ou a nova gíria da moda. O sucesso da arte na indústria cultural foi reduzir as pessoas a simplórias imitadoras compulsivas do hábito deconsumir. O diagnóstico traçado pela Escola de Frankfurt para a arte resultou em uma crítica ao fracasso doEsclarecimento em seu projeto emancipatório. Tal crítica foi equivocadamente interpretada como antecessora da Profª.:Elza Página 10
  • 11. vertente nihilista (da verdade) pós-moderna, do final do século XX. Pelo contrário, em vez de se acomodar aoestado de coisa irracional da cultura contemporânea, desde o início, com Walter Benjamin, houve a preocupaçãode chamar atenção para retomada do rumo do processo de conscientização do sujeito. Mesmo quando as críticastomavam ares negativos, Adorno e Horkheimer não pretendiam um total abandono das utopias iluministas,mas alertar para suas distorções e paradoxos (contradições, absurdos, contra-senso). Uma tentativa de resgatar oprojeto original do modernismo foi retomada por Juergen Habermas, na segunda geração de Frankfurt, queinspirado pela mudança de paradigma lingüístico, procurou uma solução intersubjetiva no discurso e não mais nadesgastada ontologia (desambiguação) do sujeito em sua relação com os objetos. Alguns exemplos de obra de artes: As duas correntes mais destacadas do modernismo 1ª Arte Romântica-Itália Arte Romântica Realismo Realismo Outras características: Impressionismo Expressionismo Arte Moderna Arte cubista Claude Monet Edvard Munch Henri Matisse Futurismo Surrealismo Arte rupestre Realismo( Arte Universal) Neo realismo Pré-histórica “Arte pela arte”BibliográficasADORNO, Th. W. O Fetichismo na Música e a Regressão da Audição; trad. Luiz J. Baraúna. – São Paulo: Abril Cultural, 1983.ADORNO, T. W. & HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento; trad. Guido A. de Almeida. – Rio de Janeiro: Zahar, 1985. Profª.:Elza Página 11

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