História Walter Benjamin

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    História Walter Benjamin - Presentation Transcript

    1. Walter Benjamin: Aviso de Incêndio Uma leitura das teses “Sobre o Conceito de História”
    2. Filosofia da História
      • A filosofia da história é classificada de acordo com correntes principais: progressista ou conservadora e revolucionária ou nostálgica;
      • A filosofia de Benjamin escapa a essas classificações;
      • Embora opere a desconstrução do discurso do progresso, a concepção da história de Benjamin não é pós-moderna ;
      • Seu pensamento não é nem moderno nem pós-moderno: consiste em uma crítica moderna à modernidade (capitalista/industrial), inspirada em referências culturais e históricas pré-capitalistas.
    3. Filosofia da História de Benjamin
      • As teses “Sobre o conceito de história” foram publicadas em 1940;
      • Constituem um dos textos filosóficos e políticos mais importantes do séc. XX;
      • A filosofia de Benjamin se apóia em três fontes muito diferentes:
      • - Romantismo alemão
      • - Messianismo Judaico
      • - Marxismo
      • Inventa, a partir dessas 3 perspectivas, uma concepção original;
    4. Romantismo Alemão – fins do séc. XIX
      • Crítica cultural à civilização moderna (capitalista) em nome de valores pré-modernos (pré-capitalistas): contra a quantificação e a mecanização da vida, a reificação das relações sociais, a dissolução da comunidade e o desencantamento do mundo;
      • O objetivo do romantismo revolucionário não é uma volta ao passado , mas um desvio por este , rumo a um futuro utópico;
      • Tentativa de reencantamento do mundo em que a volta do religioso ocupa lugar importante;
      • Aspiração a uma nova religião e a um novo socialismo, cujos profetas se chamam Tolstoi, Nietszche, Strindberg;
      • O ataque à ideologia do progresso não é feito em nome do conservadorismo passadista, mas da revolução.
    5. Messianismo
      • O messianismo está, segundo Benjamin, no cerne da concepção romântica do tempo e da história: esfera do devir histórico x esfera do Messias;
      • Ele opõe a concepção qualitativa do tempo infinito de acordo com a qual a vida da humanidade é um processo de realização e não simplesmente de devir, ao tempo vazio da ideologia do progresso;
      • Nesse tempo infinito os elementos do estado final estão profundamente engastados em todo o presente, não é só tendência amorfa do progresso;
      • A dinâmica do profano (a busca pela libertação) pode favorecer o surgimento do reino messiânico (de Deus): estabelece uma mediação entre as lutas libertadoras, históricas, profanas, dos homens e a realização da promessa messiânica de redenção/felicidade.
    6. Marxismo
      • O marxismo se torna elemento chave da concepção histórica de Benjamin a partir de 1924;
      • Visão do processo histórico através da luta de classes e crítica à ideologia do progresso do marxismo oficial;
      • Ao contrário do marxismo evolucionista, Benjamin não concebe a revolução como o resultado natural do progresso econômico e técnico, mas como a interrupção de uma história que leva à catástrofe causada por esse progresso;
      • Otimismo “sem consciência” da ideologia do progresso x “pessimismo ativo”, organizado, voltado para o objetivo de impedir o advento do pior;
      • Aposta na revolução como possibilidade de uma luta emancipadora.
    7. O Objetivo de Benjamin
      • “ Podemos considerar também como objetivo, metodologicamente buscado neste trabalho, a possibilidade de um materialismo histórico que tenha aniquilado ( annihiliert ) em si mesmo a idéia de progresso. É justamente opondo-se aos hábitos do pensamento burguês que o materialismo histórico encontra suas fontes” (Benjamin apud Lowy, 2005: p.30)
    8. Tese IX Angelus Novus – Paul Klee
    9. Tese IX
      • “ Existe um quadro de Klee intitulado “Angelus Novus”. Nele está representado um anjo, que parece estar a ponto de afastar-se de algo em que crava o seu olhar. Seus olhos estão arregalados, sua boca está aberta e suas asas estão estiradas. O anjo da história tem de parecer assim. Ele tem seu rosto voltado para o passado. Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós , ele enxerga uma única catástrofe, que sem cessar amontoa escombros sobre escombros e os arremessa a seus pés. Ele bem que gostaria de demorar-se, de despertar os mortos e juntar destroços. Mas do paraíso sopra uma tempestade que se emaranhou em suas asas e é tão forte que o anjo não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, para o qual dá as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele cresce até o céu. O que nós chamamos de progresso é essa tempestade.
    10. Tese IX
      • Alegoria baseada em uma correspondência entre o sagrado e o profano, a teologia e a política;
      • O correspondente profano da tempestade que sopra do Paraíso é o Progresso, responsável pela catástrofe e tido como um fenômeno natural;
      • O correspondente profano do paraíso se trata da sociedade primitiva sem classes (comunidades matriarcais antigas);
      • O correspondente profano do inferno é a modernidade (da qual o progresso é resultado)
      • “ O Anjo da História gostaria de parar, cuidar das feridas das vítimas esmagadas sob os escombros amontoados, mas a tempestade o leva inexoravelmente à repetição do passado : novas catástrofes, novas hecatombes, cada vez mais amplas e destruidoras”. (Lowy, 2005: p. 90)
      • Somente o messias poderá fazer o que o Anjo da História não faz, somente por meio da Revolução pode-se deter o progresso/novas catástrofes;
      • A verdadeira história universal, baseada na rememoração universal de todas as vítimas sem excessão – o equivalente profano da ressuirreição dos mortos – somente será possível na futura sociedade sem classes.
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