Os segredos de_um_bom_assessor_de_imprensa

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Os segredos de_um_bom_assessor_de_imprensa

  1. 1. Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa Sêmia Mauad *Índice de redação e por alguns veículos de comuni- cação, é de grande importância. É por meio1. Introdução 1 desse profissional que empresas (públicas e2. O surgimento da assessoria de impren- privadas), e artistas são projetados junto à sa 2 imprensa. O bom assessor, além de promover3. O começo da assessoria de imprensa a imagem de seu assessorado, o auxilia nos no Brasil 3 momentos de crise. Há particularidades que4. Assessor de imprensa ou relações distinguem seu trabalho e suas funções vão públicas? 3 além da preparação de press releases e press5. As ações desenvolvidas pela assesso- kits. ria de imprensa 46. Press releases 57. Mailing List 7 1. Introdução8. Clipping 7 The public be damed (O público9. Press Kits 8 que se dane)10. ollow up F 8 Willian Henry Vanderbilt, 1882.11. ntrevistas coletivas e individuais E 912. erenciamento de crise G 913. om relacionamento com a mídia B 10 Foi assim que Willian Henry Vanderbilt14. edia Trainning M 10 respondeu quando indagado sobre a qual-15. onsiderações finais C 11 idade dos serviços prestados por suas fer-16. eferências Bibliográficas R 12 rovias nos Estados Unidos. Naquela época, a divulgação de informações ainda causou re- sistência.Resumo Segundo Maristela Mafei “a frase entrou O trabalho de assessoria de imprensa, ape- para a história como péssimo exemplo desar de não ser bem quisto pelos jornalistas como as empresas lidavam com os interesses * públicos e com seus usuários e consumi- * Bacharel em Comunicação Social - HabilitaçãoJornalismo - pela Faculdade Governador Ozanam dores”. (MAFEI, 2008: 32).Coelho (Fagoc) e pós-graduada em Criação e Pro- Esse foi o início das buscas por seusdução em Mídia Eletrônica, pelo Centro Universitário serviços profissionais que projetassem umade Belo Horizonte (UNI-BH). melhor exposição na mídia, não ferindo a in- tegridade dos proprietários das empresas.
  2. 2. 2 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa2. O surgimento da assessoria de A imprensa sindical avançava e a imprensa transparência era cada vez mais exigida. “A comunicação empresarial surge como Foi no século XX (1906) que o jornalista uma tentativa de dar uma resposta, umaamericano Ivy Lee deu início a atividade de satisfação a essas cobranças”, afirmou aassessoria de imprensa. jornalista Maristela Mafei. (MAFEI, 2008: John Rockfeller, proprietário da Colorado 33).Fuel and Iron C.O, foi seu primeiro cliente. Lee conseguiu que as informações envi-A tarefa não foi nada fácil. John foi acusado adas a imprensa fossem divulgadas segundode mandar atirar contra seus empregados, en- o seguinte critério: levar o jornalista a se in-quanto estavam em greve. teressar pelo assunto e o apurar. Ele passava O jornalista conseguiu reverter à crise per- credibilidade à notícia. Sendo assim, os jor-ante a opinião pública por meio de ações, ori- nalistas publicavam. Seus argumentos eramentando seu cliente a dispensar os guarda- de informação de qualidade, gratuita, exata ecostas e colaborar nos trabalhos de inves- de interesse público.tigação. Além disso, foram encaminhadas Durante a 1o Guerra Mundial (1914-aos editores de jornais, algumas notícias rel- 1918), o trabalho de assessoria de imprensaevantes para a população. foi muito utilizado com o objetivo de ar- Para as autoras Cláudia Carvalho e Léa recadar recursos financeiros e ressaltar o pa-Maria Aarão Reis, Ivy Lee foi o “primeiro triotismo.assessor de imprensa dedicado à solução de Já na 2o Guerra Mundial (1939-1945),crises através de ações de transparência e “as atividades de assessoria de imprensapragmatismo”: voltaram a ser muito utilizadas, acomodadas aos interesses autoritários das propagandas Com essa postura, Lee criou na im- fascista e nazista”. (MAFEI, 2008: 34). prensa americana uma espécie de tol- A publicidade intensa nesse período se erância aos acidentes e problemas de aproximou das técnicas de propaganda grande repercussão. Ele abriu as por- política: “uma mentira repetida sistematica- tas das empresas e indústrias para as mente poderia ser absorvida como verdade quais trabalhava, e mostrou os proces- pelo grande público”. (CHINEN, 2003: 21). sos produtivos, maquinários e profission- ais técnicos que, por sua vez, não se fur- O livro Assessoria de Imprensa: Como se taram a dar explicações sobre o funciona- relacionar com a mídia, ainda traz alguns da- mento dessas empresas. Tais iniciativas dos relevantes sobre as atividades do profis- complementaram-se com o estímulo do sional: contato entre dirigentes e jornalistas. Es- tavam criadas as condições para um am- A pesquisadora norte-americana biente de comunicação aberto entre as Monique Augras conta que, nos Es- empresas e os jornais. (CARVALHO; tados Unidos, em 1936, seis em cada REIS, 2009: 85-86). grupo de 300 empresas tinham serviços de relações públicas e assessoria de www.bocc.ubi.pt
  3. 3. Sêmia Mauad 3 imprensa. Em 1961, essa relação passou assessoria de imprensa foram intensificadas. para 250 em cada 300 e, a partir dos anos 70, alcançou patamar próximo dos O Departamento de Imprensa e Propa- 100%. (MAFEI, 2008: 34). ganda (DIP) foi criado. A divulgação e a censura se fundiram. O Estado Novo findou em 1945 e o DIP foi extinto.3. O começo da assessoria de Durante a ditadura militar, a assessoria imprensa no Brasil de imprensa ganhava cada vez mais espaço. O início do século XX marcou a prática No governo de Emílio Garrastazu Médicede assessoria de imprensa no Brasil. A ini- (1969-1975) foi criada a AERP (Assessoriaciativa foi do Ministério da Agricultura, In- Especial de Relações Públicas). Seu obje-dústria e Comércio. O então presidente Nilo tivo era de fazer propaganda do regime au-Peçanha (1909-1910) lançou o informativo toritário. Eram enviados press releases ofici-“Secção de Publicações e Bibliotheca”. ais a imprensa: A empresa Light (The São Paulo Tran- A avalanche de textos que chegavam assway Light and Power) fundou o Boletim redações, a grande maioria mal redigi-Ligh, o 1o house organ no Brasil, no ano de dos, cheios de adjetivos elogiosos aos1923. governantes e sem conter notícias de A GM do Brasil também desenvolveu a re- interesse público, contribuiu para quevista General Motors, em 1926. muitos jornalistas tratassem os assessores Mas o trabalho de assessoria de imprensa de imprensa com preconceito ou indifer-no Brasil não se limitou apenas às empresas ença. (MAFEI, 2008: 35).privadas e públicas. As atividades chegaramna política: 4. Assessor de imprensa ou Com a revolução de 1930 e a chegada de relações públicas? Getúlio Vargas ao poder, logo o Brasil as- sistiria ao maior esforço até então real- As funções do assessor de imprensa e izado para unir práticas de relações públi- do relações públicas só vieram a existir no cas e de assessoria de imprensa com o ob- fim do século XIX e início do século XX, jetivo de erguer a imagem pública ou um período de consolidação do capitalismo. governante. A Voz do Brasil, que con- Segundo o autor Rivaldo Chinem, “a as- hecemos até hoje, por exemplo, foi cri- sessoria de imprensa, longe de executar uma ada nessa ocasião, mais especificamente tarefa rotineira, enfadonha e repetitiva, exige em 1934, para reforçar a estratégia per- conhecimentos técnicos e uma consciência sonalista de poder. (MAFEI, 2008: 35). ética de suas influências na opinião pública”. (CHINEM, 2003: 11). O profissional deve estar antenado e man- Em 1937, Getúlio Vargas através de um ter o contato com jornalistas e conhecer todagolpe, instituiu o Estado Novo. As ações da a rotina de uma redação. Além disso, ele é o intermediário entre a organização e o públicowww.bocc.ubi.pt
  4. 4. 4 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensaem geral, levando informações esclarecedo- instituição e seus públicos, conciliar in-ras e de interesse público. teresses, estabelecer integração e o diál- A discussão entre assessor de imprensa e ogo. Dentro desse escopo, estão embu-relações públicas levanta muitas hipóteses. tidas as atividades de assessoria de im-Uma delas é que os profissionais de RP não prensa, que se dirigem especificamente aestão preparados para lidar com a imprensa, interlocução com a mídia noticiosa, me-como disse Maristela Mafei: diadora, por sua vez, do relacionamento entre a organização e seus públicos mais Até a década de 90, grande parte dos as- amplos. (MAFEI, 2008: 41). sessores de imprensa era formada por re- lações públicas, com uma cultura voltada mais para a administração de relaciona- 5. As ações desenvolvidas pela mentos do que de informações. Com esse assessoria de imprensa perfil, acabavam por não se ater ao con- As atividades de uma assessoria de im- ceito de notícia na hora de intermediar prensa não devem ser baseadas no impro- o “diálogo” com seus assessorados, con- viso e sim, ter como norma a organização tribuindo assim para aquilo que os jornal- e a constante avaliação dos resultados. O istas chamavam de “despreparo” para li- planejamento assume, dessa forma, uma dar com a imprensa. (MAFEI, 2008: 39). importância fundamental, evitando que até mesmo as situações mais inesperadas peguem o profissional totalmente despre- Apesar das diferenças, a autora defende venido.ainda que as práticas (assessor e relações (CHINEM, 2003: 33)públicas) se complementam: A primeira coisa a fazer é planejar. É Se você deixar de lado as questões cor- avaliar as idéias, informações e atividades de porativas, de interesse de grupos específi- forma ordenada, e ainda determinar prazos cos, verá que ambas as práticas são com- para a execução das ações: plementares e indispensáveis. Hoje não se concebe a existência de um bom as- É um processo abrangente, que define sessor de imprensa que possa prescindir metas, objetivos, público-alvo da institu- de uma gama de instrumentos da área de ição e, acima de tudo, as políticas de co- comunicação, todos abrigados sob o con- municação a serem adotadas. (CHINEM, ceito do que se poderia chamar relações 2003: 33). públicas. (MAFEI, 2008: 40). O planejamento também deve trazer A autora ainda complementa: planos e providências a serem tomadas, in- clusive, em períodos de crise da empresa: (...) O ofício das relações públicas abrange buscar a compreensão entre a As estratégicas seriam aquelas táticas que precisam ser aplicadas inesperadamente www.bocc.ubi.pt
  5. 5. Sêmia Mauad 5 quando determinada situação envolve o matéria, como um aviso de algum evento”. assessorado e exige ações especiais por (CHINEM, 2003: 67). parte do profissional, seja ele jornal- O release é um texto jornalístico enviado ista, relações-públicas, ou publicitários. a redação sobre assuntos de interesse da em- (CHINEM, 2003: 34). presa: Após a elaboração do planejamento, o O fato de apresentar os assuntos sob apróximo passo é recorrer a ações específicas ótica da instituição não impede que sedo trabalho de assessoria de imprensa. Entre caracterize como texto jornalístico, aliás,as principais atividades estão: é preciso que ele tenha a linguagem jor- nalística para ser mais bem compreen- 1. Envio de press releases; dido pela outra ponta, o pessoal das redações de jornais. (CHINEM, 2003: 2. Manter o mailing atualizado; 67). 3. Preparar o clipping; Não há segredos para a redação de um bom release. Ele precisa apenas ser exato e 4. Montar o press kits; rico de informações. O jornalista ainda deve se basear no próprio texto jornalístico. Uti- 5. Follou up; lizar lead, manchete e subtítulo: 6. Realizar entrevistas coletivas e individ- Das definições da notícia, a que mais se uais; aplica a nossa atividade é a de coisa nova, 7. Gerenciar crises; novidade. O release pode se transformar em uma matéria jornalística se tratar de 8. Manter um bom relacionamento com a algo novo, inédito, um assunto que con- mídia; siga se destacar no conteúdo da mídia que diariamente é apresentado aos leitores, 9. Preparar Media Trainning para os seus telespectadores, ouvintes e usuários da assessorados. Internet. (CARVALHO; REIS, 2009: 1).6. Press releases É inevitável que releases de caráter de in- O release é o primeiro passo a ser dado teresse coletivo não seja aproveitado. A in- pelo assessor de imprensa para transfor- formação deverá ser inédita. mar uma informação, com potencial para Um padrão também deve ser seguido em virar notícia, em um texto. E esse passo relação a forma do release. Estabeleça uma tem que ser dado com pé direito. fonte e tamanho para o seu material. O lead (CARVALHO; REIS, 2009: 1). deve chamar a atenção e trazer informações relevantes. Os jornalistas se referem aos press re- Normalmente, o release deve ter entre 25leases como material. O fato é que o e 30 linhas. É raro releases contendo mais derelease é o “ponto de partida para uma uma página:www.bocc.ubi.pt
  6. 6. 6 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa O press release deve cumprir a função de É importante ressaltar ainda que o release subsidiar ou complementar o trabalho de é apenas um direcionamento para o trabalho levantamento de informações do repórter. efetivo do repórter. É uma sugestão de pauta, Tem ainda a função de provocar, suscitar como afirmou Chinem: entre os profissionais da redação do jor- nal, interesse pelo assunto que quer di- De modo geral, o press release funciona vulgar. (CHINEM, 2003: 68). como uma sugestão de pauta, o ponto de partida do trabalho do repórter, a quem A autora Maristela Mafei apresentou al- cabe dar seqüência as demais etapas daguns itens para a redação de um bom release reportagem, que são entrevista, consulta,e que poderá ser utilizado como direciona- checagem de informação e redação domento para o próprio assessor de imprensa: texto final da matéria. Entre a redação de uma reportagem e a forma com que ela chega ao público há um trabalho intenso. 1. Ser redigido como se fosse uma matéria (CHINEM, 2003: 68). jornalística, com parágrafo inicial con- tendo as perguntas básicas (formando o O press release é importante ressaltar que famoso lead), título, subtítulo ou linha é utilizado para se tornar uma pauta. E uma fina; pauta que vire notícia e dê informações ver- dadeiras: 2. Primar pela clareza, concisão e correção gramatical (erros de língua portuguesa Não se pode associar o press release à au- são inconcebíveis!); topromoção da empresa, informação des- tinada a “vender” uma imagem irreal da 3. Ser redigido com palavras simples, fras- instituição em detrimento da divulgação es e parágrafos curtos, do fato de interesse jornalístico. Para isso, existe a publicidade, a matéria paga. 4. Conter no máximo duas páginas; (CHINEM, 2003: 68). 5. Trazer com destaque datas e locais de eventos divulgados; O release está pronto. Agora é hora de enviá-lo a jornalistas, editores, produtores, 6. Ter os nomes de empresas, porta-vozes colunistas, enfim, aos veículos de comuni- e locais escritos corretamente; cação: 7. Destacar contatos da assessoria de im- O release deve ainda adequar-se à ed- prensa; itoria do veículo-alvo da divulgação. Fica proibido “atirar para qualquer lado”, 8. Trazer o logotipo da assessoria e da or- mandando o texto para diferentes edito- ganização; rias dentro de um mesmo veículo, a não 9. Ser datado. ser quando o assunto, de maneira com- provada, interessar a mais de um seg- (MAFEI, 2008: 70). mento. (MAFEI, 2008: 70). www.bocc.ubi.pt
  7. 7. Sêmia Mauad 7 E a autora ainda ressalta: É praticamente generalizada a impressão de que o clipping é a mera atividade Nessa hipótese, o press release deve de coleta de textos. Esse trabalho, ser “personalizado”. Isso significa que no passado, era confundido com a au- o texto deve ser modificado de acordo tomática operação de recorte e colagem com o interesse principal da editoria para de matérias. Hoje, ele é muito mais es- quem você envia. (MAFEI, 2008: 70). tratégico, se tiver certo grau de sofisti- cação. (MAFEI, 2008: 72). Isso não significa que o material não possaser enviado a outros jornalistas, com o ob- Para Maristela Mafei, o clipping tem po-jetivo de apenas ficarem atentos ao assunto. tencial estratégico, e os profissionais que en-Nesses casos é interessante perguntar ao tenderem a sua importância, farão melhor oprofissional se ele deseja receber o release seu uso:antes de enviar. Sua função para as organizações pode7. Mailing List ser muito mais estratégica do que apenas registrar as inserções obtidas pelas asses- O bom mailing deve ser atualizado diari- sorias de comunicação. Contudo, a maio-amente. Deve conter o nome e os contatos ria das equipes de assessores continuados jornalistas de redação, ficando mais fácil fazendo do clipping apenas um mecan-a identificação e o envio do material: ismo para mostrar o resultado do próprio trabalho. (MAFEI, 2008: 73). Trata-se de uma lista que contém a re- lação dos veículos e dos jornalistas con- A organização do clipping é uma tarefa tatados para divulgação, com dados bási- muito importante. É ali que estará a indi- cos, como o nome completo, cargo, edi- cação das notícias em suas respectivas ed- toria, número de telefone e fax, email e itorias, o nome dos repórteres e a data da endereço. (MAFEI, 2008: 68). publicação da matéria. Para fazer essa ativi- Para manter um bom mailling, o asses- dade os assessores tinham que chegar cedosor de imprensa deverá “realizar o trabalho e verificar junto a portais de notícias e jor-repetitivo de telefonar para as redações e nais todas as reportagens que citavam a in-buscar todos os dados daquele jornalista para stituição. Com o avanço das novas tecnolo-futuros contatos”. (MAFEI, 2008: 69). gias, esse trabalho ficou mais fácil, pois, já existem empresas especializadas nesse tipo de trabalho:8. Clipping (...) O mercado hoje possui empresas Todo o material divulgado nas diferentes especializadas na produção de clippingmídias (TV, jornais, revistas, sites e rádio) e com um grau de sofisticação muitoé reunido e encaminhado ao cliente. Masengana-se o profissional que ainda acha que grande quando esse “recorte” vem acom-o clipping é apenas a coleta de textos: panhado de análises técnicas e até dewww.bocc.ubi.pt
  8. 8. 8 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa números que convertem o espaço ocu- (O Press Kit) É um material que tem a fi- pado pelo cliente, no veículo, para val- nalidade de ajudar o jornalista na hora de ores. (...) Mede-se o tamanho da matéria ele escrever a reportagem. Ao redigir a do jornal em centímetros e colunas e entrevista ele pode esquecer de algum de- converte-se esse espaço para números talhe, e um material bem preparado pode utilizando a tabela comercial do veículo, ajudar e muito. Para isso é feito o press ou seja, aquela que fornece preços para kit. Não confundir material publicitário, anúncios ou comerciais publicitários (no os folders, em que se procura dar ênfase caso de TV). (CARVALHO; REIS, aos aspectos grandiloqüentes da compan- 2009: 24-25). hia, sua imagem unilateral e tendenciosa. (CHINEM, 2003: 73). Mas as autoras ressaltaram que ainda exis-tem empresas (pequeno e médio portes) quenão tem acesso a esse tipo de serviço e que, 10. Follow upcabe ao assessor, ter controle sobre o que O Follow up é uma das ações que o asses-está sendo publicado: sor de imprensa utiliza para o bom desem- penho de seu trabalho. A atividade busca re- (...) No caso de um cliente de porte torno, por telefone, do envio do material aos menor, cuja atividade ou negócio este- jornalistas. O recurso também costuma ser jam restritos a uma única cidade ou es- utilizado para a confirmação de presença dos tado, existem maneiras de monitorar a repórteres em entrevistas coletivas: produção jornalística. (...) Nesse caso o assessor de imprensa mantém certo con- (...) Utilize-se do follow up como forma trole sobre o que sai publicado e pode de se certificar se a mensagem envi- organizar o material. Como a leitura ada (por email, correio ou em mãos) diária de um jornal é obrigatória, esse realmente chegou ao destinatário cor- veículo já está “clipado”. De resto, é lis- reto. Mas jamais para tentar uma in- tar os jornais com edições on-line e fazer serção garantida das informações que uma procura via Internet bem cedo pela você transmitiu a vários profissionais ao manhã. O conteúdo dessas publicações mesmo tempo. Alguns jornalistas costu- sofre mudanças durante o dia numa ve- mam receber dezenas de textos das asses- locidade muito grande. (CARVALHO; sorias de imprensa todos os dias. Geral- REIS, 2009: 25). mente, não tem tempo pra ler todos. As- sim, não percebem a importância que o9. Press Kits seu release possa ter. Portanto, é bom lembrá-lo. E para isso serve o follow up. O Press Kit é idealizado pela assesso- (MAFEI, 2008: 68).ria de imprensa e contém informações queauxiliarão o jornalista na confecção da re-portagem. São dados, artigos, números, tex-tos e fotografias: www.bocc.ubi.pt
  9. 9. Sêmia Mauad 911. Entrevistas coletivas e o mesmo tratamento, direcionado para individuais veículos ou editorias que cubram especi- ficamente os setores das organizações di- As entrevistas individuais poderão ser re- vulgadas. (MAFEI, 2008: 86).alizadas com o intuito de “potencializar oefeito das divulgações” (MAFEI, Maristela, Antes da organização do evento tudo deve2008: 83). ser debatido com o cliente. Se necessário, O que frequentemente acontece é que um o porta-voz deverá receber treinamento es-assunto pode ser importante para determi- pecífico. Além disso, como Maristela Mafeinados segmentos e enquanto para outros defendeu, o assessor deve:não. Muitas das vezes algumas editoriasaproveitam a informação e dão apenas notas 1. Deve-se checar se não haverá outra co-curtas. A entrevista possibilita o aprofunda- letiva no mesmo dia e horário;mento do assunto e garante espaço maior na 2. Providenciar press kit;publicação, ou seja, mais visibilidade. Geralmente, as entrevistas individuais são 3. Agendar o local e o dia do evento;solicitadas pelo jornalista, ou mesmo pelopróprio assessor de imprensa: 4. Os convites só poderão ser emitidos após a confirmação dos preparativos da (...) Pesa consideravelmente o fato de coletiva; se tratar de uma entrevista exclusiva para 5. Na seqüência, a equipe de assessores um veículo e de se ter, durante a con- deve fazer o follow up para confirmar versa, dados únicos e inéditos a serem a presença dos jornalistas. (MAFEI, explorados. É a oportunidade para o jor- 2008: 87). nalista assinar uma matéria única, que ele vai lançar sozinho e à frente de todos os demais colegas de profissão. (MAFEI, 12. Gerenciamento de crise 2008: 84). A reputação de uma pessoa é como a Outra possibilidade de divulgação é a en- credibilidade de uma organização, o seutrevista coletiva, que são mais indicadas para maior patrimônio.comunicar assuntos relevantes: (CHINEM, 2003: 85). Segundo o autor Chinem, “a qualquer situ- A regra é mais ou menos simples: merece ação que escape ao controle da empresa e entrevista coletiva o assunto que mobi- que ganhe visibilidade pública pode ser con- liza as atenções e têm impacto sobre siderada uma crise”. (CHINEM, 2003: 86). a vida da população. Muitas vezes o lançamento de campanhas publicitárias, A crise dentro de uma empresa pode ter de produtos ou a divulgação de bal- efeitos desastrosos: coloca em dúvida a rep- anços financeiros, feiras e eventos de al- utação da organização e a empresa perde lu- guns segmentos também podem receber cros. Por isso, é importante que a situaçãowww.bocc.ubi.pt
  10. 10. 10 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensaseja controlada. O assessor de imprensa, por- (...) Se a organização não tomar a frentetanto, deverá estar preparado para agir em da situação e se tornar a fonte princi-momentos assim e assumir as rédeas do as- pal, alguém tentará cumprir esse papel.sunto: E esse alguém alimentará a imprensa com a própria versão dos acontecimen- (...) Porque crise é como notícia, nunca tos. (MAFEI, 2008: 111). tem hora para acontecer e pega a to- dos desprevenidos. Como uma chama, começa pequena, mas logo cresce numa 13. Bom relacionamento com a proporção nunca imaginada e toma conta mídia de tudo rapidamente. Depois que acon- O relacionamento com a mídia deverá ser tece a tragédia vêm às explicações, mas permanente. A mídia é de extrema importân- se não houver preparo para lidar com cia para que o trabalho de assessoria seja a crise o resultado pode ser ainda pior. feito de forma competente. O assessor de- (CHINEM, 2003: 86). verá manter o contato o profissional. Além disso, visitas as redações também são impor- É comum nos períodos de crise que tantes para o total conhecimento do trabalhomatérias negativas sejam publicadas por di- exercido pelo veículo. Como o autor Rivaldoversos veículos de comunicação. O asses- Chinem ressaltou que o “contato pessoal ésor de imprensa é que irá gerenciar a situ- sempre gratificante por estreitar ainda maisação. A autora Maristela Mafei afirma que os laços de amizade e fazer com que o in-é necessário um plano de contingência para terlocutor não seja apenas mais uma voz doser acionado em situação de crise: outro lado da linha”. (CHINEM, 2003: 90). O assessor deve aconselhar o seu cliente (...) Esse roteiro de ações emergenciais a manter um bom relacionamento com os deve ser implementado quase que auto- jornalistas. Estar solícito aos chamados maticamente – já que, nessas horas, é dos repórteres é sempre uma boa chance de preciso tomar medidas que não paralisem garantir a simpatia, manter proximidade e a instituição e que ajudem as decisões construir credibilidade entre eles. a fluírem melhor, tirando o assessorado da crise o quanto antes. Mas algumas crises não cabem sequer dentro do mais 14. Media Trainning azeitado plano construído. Nesses casos, O Media Training é basicamente um as medidas preventivas servirão apenas treinamento oferecido pela assessoria de im- como referência. (MAFEI, 2008: 109- prensa a seus clientes: 110). Media Trainning é um treinamento elab- É importante dizer ainda que a empresa orado por uma assessoria de imprensadeverá enfrentar as acusações e prestar as in- ou empresa por ela contratada, dirigidoformações necessárias a imprensa, visando o a executivos, políticos e lideranças. Visainteresse público: www.bocc.ubi.pt
  11. 11. Sêmia Mauad 11 desenvolver competências comunicati- setor. Os estudos teóricos acerca dessa vas para lidar com a mídia impressa e atividade vêm gerando grandes transfor- eletrônica (jornais, revistas, tevês e rá- mações, aproximando a comunicação à dio), garantindo a representação das em- gestão, inserindo ao trabalho integração presas para o grande público por inter- entre todas as áreas e técnicas de outros médio dos meios de comunicação como setores, como o planejamento e market- instituição de cultura empresarial trans- ing da Administração. Esse desenvolvi- parente e democrática. (CHINEM, 2003: mento da comunicação organizacional 37). ocorre não só em termos de melhora- mento das ações propostas, mas também O Media Trainning possibilita aos asses- em ampliação geográfica de espaços desorados a lidar com microfones e câmeras e, abrangência. Ou seja, o trabalho que teveacima de tudo, ensina os porta-voz a falar início no setor privado, hoje, já está con-com o jornalista da maneira correta: com solidado na área pública e se insere efi-clareza e objetividade. Assim, “o treina- cazmente no terceiro setor. Além disso,mento bem dirigido de um porta-voz ajuda a segue dos grandes centros para o inte-organização a se posicionar com mais cred- rior, ganhando espaço nas cidades de pe-ibilidade perante a mídia”. (MAFEI, 2008: quenos e médios portes. (ALMEIDA;71). ARAÚJO, 2008: 74). O treinamento é realizado de forma indi-vidual ou em grupos. Normalmente, a carga O relacionamento com a mídia fortalece ahorária varia de três a oito horas. credibilidade e as informações concisas. A empresa se fortalece, o profissional se satis- faz, o veículo de comunicação entende, e o15. Considerações finais público em geral ganha com a qualidade da A assessoria de imprensa é que absorve informação.grande parte dos profissionais formados em O assessor de imprensa tem que entenderjornalismo. Não é a toa que as demandas no que seu trabalho é crucial não apenas para asetor aumentam a cada dia. Os empresários melhoria da imagem da organização, mas elee proprietários das organizações (públicas é quem pauta, muitas das vezes, os jornaisou privadas) já reconhecem a importância de circulação. Por isso, as atividades exer-do profissional no fortalecimento da imagem cidas dentro de uma empresa são extrema-empresarial, e isso só tende a valorizar ainda mente relevantes. Um simples release desig-mais a profissão: nado ao veículo certo e bem redigido garante boas matérias e bons espaços editoriais. A comunicação organizacional chega ao As ações realizadas de forma planejada e século XXI com a potencialidade de um competente é que distinguem os bons asses- grande instrumento gerador de eficiên- sores de imprensa de outros simples profis- cia, desenvolvimento e fortalecimento de sionais que apenas cumprem carga horária. imagem para qualquer tipo de organiza- Por isso, em momentos de crise, esse asses- ção, seja privada, pública ou do terceiro sor de imprensa responsável saberá rapida-www.bocc.ubi.pt
  12. 12. 12 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensamente quais as medidas tomar e como prote-ger a organização de problemas maiores e deacusações ainda mais fervorosas.16. Referências BibliográficasALMEIDA, Walace Nolasco, ARAÚJO, José Geraldo Fernandes de (2008), As- sessorias de Comunicação para pe- quenos órgãos públicos: um estudo de caso em cidades da Zona da Mata de Minas Gerais. In: Revista Científica da Fagoc. Minas Gerais.CARVALHO, Cláudia e REIS, Léa Maria Aarão (2009), Manual Prático de As- sessoria de Imprensa. Rio de Janeiro: Elsevier.CHINEM, Rivaldo (2003), Assessoria de Imprensa: como fazer. São Paulo: Summus.DUARTE, Jorge (2003), Assessoria de im- prensa e relacionamento com a mídia. São Paulo: Atlas.MAFEI, Maristela (2008), Assessoria de Im- prensa: como se relacionar com a mí- dia. São Paulo: Contexto. www.bocc.ubi.pt

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