01   O SEGREDO DA AMIZADE                       Rodrigo Vaz
“Nunca mais abrirei mão de minha liberdade, ela foi o bemmais precioso que eu já conquistei em minha vida”      Ser uma pr...
asa e as duas contornadas de um verde metálico, nunca tinha visto umaborboleta daquela cor, era gritantemente diferente da...
feita alguma coisa de ruim comigo e se tivesse feito, este era um homemmorto - não liguei muito para o que o rei estava di...
ele poderia realmente ler os minha mente, porém eu ignorei pois eledeveria apenas estar me testando.        - Não é nada p...
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01 o segredo da amizade

  1. 1. 01 O SEGREDO DA AMIZADE Rodrigo Vaz
  2. 2. “Nunca mais abrirei mão de minha liberdade, ela foi o bemmais precioso que eu já conquistei em minha vida” Ser uma princesa, herdeira de um castelo colossal com cortinas deseda, piso do mais transparente azulejo e colunas de mármore, onde atéos mais simples detalhes cotidianamente imperceptíveis são trabalhadosmanualmente em ouro, seu pai um bondoso e amoroso rei, criados que nãolhe deixassem fazer nem um tipo de esforço, e ainda a todo o momentoestar rodeada de belos e fortes cavaleiros prontos para lhe servir no quefosse preciso. Sem duvidas esse é o sonho da maioria das meninas,adolescentes e até mulheres por aí, com uma exceção, eu. Minha vida toda foi esse castelo, nunca pude sair dele nem que poralgumas horas e seja lá que motivo eu inventasse meu pai só tinha umaresposta: o mundo lá fora é perigoso demais. Não estava nem ligando paraisso, estava me sentindo um dos canários de meu pai, que apesar de teremuma gaiola maior que o meu quarto e a sala de jantar juntos, aindaestavam presos. O castelo é tão apavorantemente enorme que mesmo passando meusdezesseis anos inteiros vivendo nele ainda sim não foi o suficiente paraconhecê-lo por completo. Estava cansada de tudo isso, poderia terdezenas de cômodos para eu estar nas horas livres – todas as tarefas queuma menina normal teria que fazer eu tinha alguém para fazer por mimentão me sobravam muitas horas livres – eu preferia estar no pomar. Não sei por que motivo ao certo, mas eu sempre gostei muito deborboletas, passo horas admirando-as, fico encantada com as suas cores,asas, simplicidade e acima a liberdade. Queria mesmo ser igual a elas eelas também gostam de mim – pelo menos eu acho – elas não se incomodamcomigo e as vezes pousam em mim, são minhas amigas, por isso passo tantotempo com elas. Certa vez um delas se destacou entre as outras, tinhaasas em um tom rosa quase branco, detalhes vermelhos sangue em cada01 – O Segredo da Amizade Página 1
  3. 3. asa e as duas contornadas de um verde metálico, nunca tinha visto umaborboleta daquela cor, era gritantemente diferente das outras e quasecomo um imã atraiu minha atenção. Aquele inseto alado de belezahipnotizante aterrissou de seu majestoso vôo em meu ombro, parou poralguns segundos e voou, para longe, levando minha atenção consigo etambém um pedaço de mim. Sabia que nunca mais veria uma amiga assim, principalmente se euficasse presa nesse maldito castelo, foi neste momento que eu tive opensamento mais decidido da minha vida, vou fugir! Se a minha linda amiga de asas verdes poderia voar além dohorizonte, por que eu não poderia escapar desses muros colossais edessas torres que pareciam atravessar as nuvens? Estava definitivamentedecidida e nenhum pensamento iria me abalar, comecei a tramar um planoinfalível, que quanto mais eu tentava torná-lo infalível mais ele pareciafalível para mim. Porém eu já estava objetivada e me concentrei nosmínimos detalhes, fui até egoísta, pois havia dezenas de borboletas aomeu redor, mas eu estava tão concentrada que não percebia mais nadaalém do vento que bagunçava cada vez mais meu cabelo. Só fui acordar de minha realidade projetada pela minha fértilimaginação quando minha criada veio me avisar que meu pai queria falarcomigo. Seu jeito de falar era tão doce e meigo que poderia acalmar atéum animal selvagem, mas devido a minha distração pequei um susto tãogrande como se eu tivesse avistado um urso enorme furioso vindo emminha direção. Fiquei muito pálida e meu coração deve ter dobrado osbatimentos, além disso, quase matei a coitada da menina de susto, leveium instante para me acalmar e acompanhei-a até o castelo, ainda estavapálida e criada me perguntando a cada minuto se eu estava bem, sentia-seculpada por eu quase ter um ataque cardíaco, mal ela sabia que a únicaculpada pelo meu susto era minha loucura. Meu pai quando viu minha cor começou uma sequência interminável deperguntas - ciumento ao extremo, perguntou mil vezes se alguém tinha01 – O Segredo da Amizade Página 2
  4. 4. feita alguma coisa de ruim comigo e se tivesse feito, este era um homemmorto - não liguei muito para o que o rei estava dizendo, não meinteressava em nada daquela baboseira que eu já sabia de trás parafrente. Não queria saber de nada naquele momento queria meu quarto,minha cama parecia uma idéia cada vez melhor à medida que meu paisoltava suas suposições. Alguns minutos tiveram que passar para que o rei Julian me deixasseir para meu quarto, acho que eu nunca me senti tão feliz em avistar minhacama, mas foi só uma alegria passageira, pois assim que eu deitei a mesmamenina de voz doce que veio me chamar no pomar disse que meu pai meesperava no salão de jantar, estava começando a odiar essa criada mastratei de ajeitar meu cabelo e fui ver o que ele queria. Cheguei ao salão eele estava me esperando imponente sentado a mesa como um legitimo rei. - Sente-se. - Ele disse para mim de uma forma carinhosa,contrastando com o jeito autoritário com o qual ele falou comigo hápoucos minutos, mas apesar de seu jeito adocicado de falar, seu olharestava penetrante e vibrante, era como se eu estivesse olhando diretopara uma fogueira em chamas. Eu apenas me sentei à mesa e esperei ele falar, apesar de estarmeio assustada e ansiosa – poucas vezes vi seus olhos assim, posso dizerque foi só uma vez quando estava prestes a conquistar mais um feudo –,não esperei por muito tempo e ele começou logo a falar, no começo rodeouo bastante para eu não me lembrar direito de suas palavras exatas, maseu lembro muito bem quando ele perguntou: - O que você está sentindo? Sei que seus pensamentos não estão emestado normal minha filha, não tente me esconder nada pois sabe que nãovai conseguir. O modo que ele falou me fez pensar que estava adivinhando os meuspensamentos, ele sempre criava milhões de teorias mas nunca foi tãoseguro de suas palavras ao falar comigo, por um momento eu pensei que01 – O Segredo da Amizade Página 3
  5. 5. ele poderia realmente ler os minha mente, porém eu ignorei pois eledeveria apenas estar me testando. - Não é nada pai, está tudo bem como sempre, só estou um poucocansada. – resolvi não me jogar na possível armadilha dele, esperei elerebater usando a mesma estratégia. - Bem seja como for é melhor não adentrar muito no bosque, soubeque alguns vultos estão circulando por lá, nunca se sabe quando essesmalditos batedores podem agir. – ele falou de certo modo que ainda nãofinalizara a conversa. - Tudo bem pai não vou muito além do jardim mesmo e meassegurarei de ter sempre um guarda por perto. – menti é claro porqueodiava a idéia de ter um guarda-costas comigo mas não poderia mais darmotivos para sermões. - Agora me deixe falar uma coisa séria com você. – quando ele disseisso meu coração começou a bater um pouco mais rápido, e aumentandogradativamente à medida que eu ouvia a palavra "séria" saindo da bocadele. - O que o senhor tem para me falar é tão serio assim mesmo? – acheimelhor ficar na defensiva. - Bem, vou deixar você julgar minha querida. Continua...01 – O Segredo da Amizade Página 4

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