Apostila de Didática II

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Apostila para disciplina Didática II junto ao curso de formação superior em Pedagogia.

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Apostila de Didática II

  1. 1. APOSTILA DE DIDÁTICA II Prof. Msc. Diego Ventura Magalhães ORGANIZADOR Material de apoio para disciplina junto aos cursos de formação superior. 2011 SUMÁRIO. I - DIDÁTICA: UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA.
  2. 2. 1.1 Primórdios da Didática: O período de 1549/ 1930 1.2 A Didática nos Cursos de Formação de Professores a partir de 1930 1.3 O período de 1930/1945: A Didática é tradicional, cumpre renová-la. 1.4 O Período de 1945/ 1960: o predomínio das novas idéias e a Didática 1.5 O período pós 1964: os descaminhos da Didática 1.6 A década de 80: momento atual da Didática II – PRÁTICA EDUCATIVA, PEDAGÓGICA E DIDÁTICA. 2.1 Prática educativa e sociedade III- DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO. 3.1 A Didática como atividade pedagógica escolar. 3.2 Objeto de estudo: os processos da instrução e do ensino. 3.3 Os componentes do processo didático. 3.4 Desenvolvimento histórico da Didática e as tendências pedagógicas. 3.5 A Didática e as tarefas do professor. IV- O ALUNO E O PROFESSOR COMO PESSOAS. V- O PLANEJAMENTO ESCOLAR. 5.1 Planejamento educacional, de currículo e de ensino 5.1.1Planejamento educacional 5.1.2 Planejamento de currículo 5.2.3 Planejamento de ensino 5.2 A importância do planejamento escolar. 5.3 Etapas do planejamento de ensino 5.3.1 conhecimento da realidade: 5.3.2 requisitos para o planejamento 5.3.3elaboração do plano: 5.3.1.4 execução do plano: 5.3.1.5 avaliação e aperfeiçoamento do plano 5.4 O Plano da Escola. 5.4.1 Roteiro para elaboração do plano da escola 5.5 Componentes básicos do planejamento de ensino 5.6 Planejamento de Aula
  3. 3. INTRODUÇÃO O enfoque central da disciplina será a discussão do papel social do professor e gestor educacional e seu compromisso com o processo de aprendizagem dos alunos da Educação
  4. 4. Básica. O desenvolvimento do estudo se dará com temas e textos selecionados que instiguem o aluno a refletir o significado de “ Didática como ação” e pertencente a ciência da Pedagogia que por sua vez, investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a prática social global. A ênfase recairá sobre a comunicação docente e sua importância no processo ensino- aprendizagem, bem como suas implicações no desenvolvimento do ser humano – cognitivo, social, emocional e espiritual. Os alunos deverão experienciar a elaboração e intervenção prática ( em sala de aula) de um plano de ensino e plano de aula em forma de projeto, com tema atualizado e relacionado ao estágio prático de licenciatura. I- DIDÁTICA: UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA Ilma Passos Alencar Castro Veiga A retrospectiva histórica da Didática abrange duas partes: na primeira é abordado o papel da disciplina antes de sua inclusão nos cursos de formação de professores a nível superior, compreendendo o período de 1549 até 1930; a segunda parte procura reconstruir a trajetória da Didática a partir da década de 30 até o dias atuais. São destacados os aspectos sócio-econômicos, políticos e educacionais que servem de pano de fundo para identificar as propostas pedagógicas presentes na educação, bem como os enfoques do papel da Didática. 1. Primórdios da Didática: O período de 1549/ 1930 Os jesuítas foram os principais educadores de quase todo o período colonial, atuando, aqui no Brasil de 1549 à 1759. No contexto de uma sociedade de economia agrário-exportadora dependente, explorada pela Metrópole, a educação não era considerada um valor social importante. A tarefa educativa estava voltada para a catequese e instrução dos indígenas, mas, para a elite colonial, outro tipo de educação era oferecido.
  5. 5. O plano de instrução era a formação do homem universal, humanista e cristão. A educação se preocupava com o ensino humanista de cultura geral, enciclopédico e alheio à realidade da vida da Colônia. Esses eram os alicerces da Pedagogia Tradicional na vertente religiosa que, de acordo com SAVIANI (1984, p. 12), é marcada por uma “visão essencialista de homem, isto é, o homem constituído por uma essência universal e imutável”. A essência humana é considerada criação divina e, assim, o homem deve se empenhar para atingir a perfeição, “para fazer por merecer a dádiva da vida sobrenatural”. (Ibid., p. 12). A ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas formas autoritárias (dogmáticas??) de pensamento, contra o pensamento crítico. Privilegiavam o exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio; dedicavam atenção ao preparo dos padre-mestres, dando ênfase à formação do caráter e sua formação psicológica para conhecimento de si mesmo e do aluno. Desta formação, não se poderia pensar em uma prática pedagógica e muito mesmo em uma didática que buscasse um perspectiva transformadora na educação. Os pressupostos didáticos diluídos no “Ratio” enfocavam instrumentos e regras metodológicas compreendendo o estudo privado, em que o mestre prescrevia o método de estudo, a matéria e o horário; as aulas ministradas de forma expositiva; a repetição visando repetir, decorar e expor em aula; o desafio, estimulando a competição; a disputa, outro recurso metodológico era visto como defesa de tese. Os exames eram orais e escritos, visando avaliar o aproveitamento do aluno, O enfoque sobre o papel da Didática, ou melhor, da Metodologia de Ensino, como é denominada no Código pedagógico dos jesuítas, está centrado no seu caráter meramente formal, tendo por base o intelecto, o conhecimento e marcado pela visão essencialista de homem. A Metodologia de Ensino (Didática) é entendida como um conjunto de regras e normas prescritivas visando a orientação do ensino e do estudo. Como afirma PAIVA (1981, p. 11), “um conjunto de normas metodológicas referentes à aula, seja na ordem das questões, no ritmo do desenvolvimento e seja, ainda, no próprio processo de ensino”. Após os jesuítas, não ocorreram no país grandes movimentos pedagógicos, como são poucas as mudanças sofridas pela sociedade e durante o Império e a República. A nova organização instituída por Pombal, pedagogicamente, representou um retrocesso. Professores leigos começaram a ser admitidos para as “aulas-régias” introduzidas pela reforma pombalina.
  6. 6. Por volta de 1870, época de expansão cafeeira e da passagem de um período agrário- exportador para um urbano-comercial-exportador, o Brasil vive seu período do de “iluminismo”. Segundo SAVIANI (1984, p. 275), “tomam corpo movimentos cada vez mais independentes da influência religiosa”. No campo educacional, suprime-se religioso nas escolas públicas, passando o Estado a assumir a laicidade. É aprovada a retorna de Benjamim Constant (1890) sob a influência do positivismo. A escola busca disseminar uma visão burguesa de mundo e sociedade, a fim de garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominada. Os incidentes de penetração da Pedagogia Tradicional em sua vertente leiga são os Pareceres de Rui Barbosa, de 1882 e a primeira reforma republicana, a de Benjamim Constant, em 1890. Esta vertente leiga da Pedagogia Tradicional matem a visão essencialista de homem, não como criação divina, mas aliada à noção de natureza humana, essencial racional. Essa vertente inspirou a criação da escola pública, laica, universal e gratuita. SAVIANI (1984, p. 274). A essa teoria pedagógica correspondiam as seguintes características: a ênfase ao ensino humanístico de cultura geral, centrada no professor, que transmite a todos os alunos indistintamente a verdade universal e enciclopédica; a relação pedagógica que se desenvolve de forma hierarquizada e verticalista, onde o aluno é educado para seguir atentamente a exposição do professor: o método de ensino, calcado nos cinco passos formais de Herbart (preparação apresentação, comparação, assimilação, generalização e aplicação). É assim que a Didática, no bojo da Pedagogia Tradicional leiga, está centrada no intelecto, na essência, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos; os métodos são princípios dogmáticos aos conteúdos; os métodos são princípios universais e lógicos; o professor se torna o centro do processo de aprendizagem, concebendo o aluno como um ser perceptivo e passivo. A disciplina é a forma de garantir a tenção, o silêncio e a ordem. A Didática é compreendida como um conjunto de regras, visando assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente. A atividade docente é entendida como inteiramente autônoma face à política, dissociada das questões entre escola e sociedade. Uma Didática que separa teoria e prática. A Pedagogia Tradicionalista leiga refletia-se nas disciplinas de natureza pedagógica do currículo das Escolas Normais desde o início de sua criação, em 1835.
  7. 7. A inclusão da Didática como disciplina em cursos de formação de professores para o então ensino secundário, ocorreu quase um século depois, ou seja em 1934. 2 – A Didática nos Cursos de Formação de Professores a partir de 1930 2.1. O período de 1930/1945: A Didática é tradicional, cumpre renová-la. Na década de 30, a sociedade brasileira sofre profundas transformações, motivadas basicamente pela modificação de modelo sócio-econômico. A crise mundial da economia capitalista provoca no Brasil a crise cafeeira, instalando-se o modelo-econômico de substituição de importações. Paralelamente desencadea-se o movimento de reorganização das forças econômicas e políticas o que resultou de um conflito: a Revolução de 30, marco comumente empregado para indicar o inicio de uma nova fase na história da República do Brasil. No âmbito educacional, durante o governo revolucionário de 1930, Vargas constitui o Ministério de Educação e Saúde Pública. Em 1932 é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, preconizando a reconstrução social da escola na sociedade urbana e industrial. Entre os anos de 1931 e 1932 efetivou-se a Reforma Francisco Campos. Organiza-se o ensino comercial; adota-se o regime universitário para o ensino superior, bem como organiza-se a primeira universidade brasileira. A Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo foi o primeiro instituto de ensino superior que funcionou de acordo com o modelo Francisco Campos. A origem da Didática como disciplina dos cursos de formação de professores a nível superior está vinculada à referida Faculdade, em 1934, sabendo-se que a qualificação do magistério era colocada como ponto central para a renovação do ensino. No início, a parte pedagógica existente nos cursos de formação de professores era realizada no Instituto de Educação, sendo aí incluída a disciplina “Metodologia o Ensino Secundário”, equivalente à Didática hoje nos cursos de licenciatura. Por forças do art. 20 do Decreto- Lei n°. 1190/39, a Didática foi instituída como curso e disciplina secundária, com duração de um ano. A legislação educacional foi introduzida alterações para, em 1941, o curso de Didática ser considerado um curso independente, realizado após o término do bacharelado (esquema três + um).
  8. 8. Em 1937, ao se consolidar no poder com o auxílio de grupos militantes e apoiados pela classe burguesa, Vargas implanta o Estado Novo, ditatorial, que persistiu até 1945. Os debates educacionais são paralisados e o “prestígio dos educadores passa a condicionar-se às respectivas posições políticas”, como afirma PAIVA (1973, p. 125). O período situado entre 1930 e 1945 é marcado pelo equilíbrio entre as influências da concepção humanista tradicional (representada pelos católicos) e humanistas moderna (representada pelos pioneiros). Para SAVIANI (1985, p. 276)a concepção humanista moderna se baseia em uma “visão de homem centrada na existência, na vida, na atividade”. Há predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico. O escolanovismo propõe um novo tipo de homem, defende os princípios democráticos, isto é, todos tem direito a assim se desenvolverem. No entanto, isso é feito em uma diferença entre o dominador e as classes subalternas. Assim, as possibilidades de se concretizar este ideal de homem se voltam para aqueles pertencentes a classe dominante. características mais marcantes do escolanovismo e a valorização da criança vista com ser dotado de poderes individuais, cuja liberdade, iniciativa, autonomia e interesses devem ser respeitada. O movimento escolanovista preconizava a solução de problemas educacionais em uma perspectiva interna da escola, sem considerar a realidade brasileira nos seus aspectos político, econômico e social. O problema educacional passa a ser escolar e técnica. A ênfase recai no ensinar bem, mesmo que a uma minoria. Devido a predominância da influência da Pedagogia Nova na legislação educacional e nos cursos de formação para o magistério, o professor absorveu seu ideário. Consequentemente, nesse momento, a Didática também sofre a influência, passando a acentuar o caráter prático- técnico do processo ensino-aprendizagem, onde teoria e prática são justapostas. O ensino é concebido como um processo de pesquisa, partindo do pressuposto de que os assuntos de que tratam o ensino são problemas. Para CANDAÚ (1982, p. 22), os métodos e técnicas mais difundidos pela Didática reparada são: “centros de interesse, estudo dirigido, unidades didáticas métodos dos projetos, a técnica de fichas didáticas, o contrato de ensino, etc...”. A Didática é entendida como um conjunto de idéias e métodos, privilegiando a dimensão técnica do processo de ensino, fundamentada nos pressupostos psicológicos,
  9. 9. psicopedagógicos e experimentais, cientificamente validados na experiência e constituídos em teoria ignorando o contexto sócio-político-econômico. A Didática, assim concebida propiciou a formação de um novo perfil de professor: o técnico. 2.2 – O Período de 1945/ 1960: o predomínio das novas idéias e a Didática Esta fase corresponde à aceleração e diversificação do processo de substituição de importações e à penetração do capital estrangeiro. O modelo político é baseado nos princípio da democracia liberal com crescente participação das massas. É o Estado populista – desenvolvimentalista, representando uma aliança entre o empresariado e setores populares, contra a oligarquia. No fim do período, começa delinear uma polarização, deixando entrever dois caminhos para o desenvolvimento: a tendência populista e a tendência antipopulista. Nesse contexto insere-se a educação. A política educacional, que caracteriza essa fase reflete muito bem a “ambivalência dos grupos no poder” como destaca FREITAG (1979, p.54). Em 1946 o Decreto-Lei n°. 9053 desobrigava o curso de Didática e, já sob a vigência da Lei Diretrizes e Bases, Lei 4024/61, o esquema de três mais um foi instinto pelo Parecer n°. 242/62, do Conselho Federal de Educação. A Didática perdeu seus qualificativos geral e especial introduz-se a prática de ensino sob a forma de estágio supervisionado. Entre 1948-1961, desenvolvem-se lutas ideológicas em torno da posição entre escola particular e defensores da escola pública. A disseminação das idéias novas ganha mais força com a ação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). As escolas católicas se inserem no movimento renovador, difundindo o método de Montessori e Lubienska. Outros indícios renovadores começam a ser disseminados nessa década, entre os quais se destacam o Ginásio Orientado para o Trabalho (GOT), os Ginásios Pluricurriculares, os Ginásios Vocacionais. Paralelamente a essas iniciativas renovadoras que começaram a ser implantadas, um outro redirecionamento vinha sendo dado à escola renovada, fortemente marcada pela ênfase metodológica, que culminou com as reformas promovidas no sistema escolar brasileiro no período de 1968/1971.
  10. 10. Por força do convênio celebrado entre o MEC/Governo de Minas Gerais – Missão de Operações dos Estados Unidos (PONTO IV) criou-se o PABAEE (Programa Americano Brasileiro de Auxílio ao Ensino Elementar), voltado para o aperfeiçoamento de professores do Curso Normal. Nesses cursos, começaram a ser introduzidos os princípios de uma tecnologia educacional importada dos Estados Unidos. Dado o seu caráter multiplicador, o ideário renovador-tecnicista foi-se difundindo. É importante frisar que, nesta fase, o ensino de Didática também se inspirava no liberalismo e no pragmatismo, acentuando a predominância dos processos metodológicos em detrimento da própria aquisição do conhecimento. A Didática se voltava para as variáveis do processo de ensino sem considerar o contexto politicio-social. Acentuava-se, desta forma, o enfoque renovador-tecnicista da Didática na esteira do movimento escolanovista. 2.3- O período pós 1964: os descaminhos da Didática O quadro que se instalou no pais com o movimento 1964 aliterou a ideologia política, a forma de governo e conseqüentemente, a educação.O modelo político-economico tinha como característica fundamental um projeto desenvolvimentista que buscava acelerar o crescimento sócio-economico do país. Educação desempenhava importante papel na preparação adequada de recursos humanos necessários a incrementação do crescimento econômico e tecnológico da sociedade de acordo com a concepção econimicista de educação. O sistema educacional era marcado pela influencia dos acordos MEC/USAID, que serviram de sustentáculo as reformas do ensino superior e posteriormente do ensino de primeiro e segundos graus por influencia também dos educadores americanos foi implantada, pelo Parecer nº 252/69 e Resolução nº 12/69 do Conselho Federal de Educação, a disciplina currículos e programas nos cursos de pedagogia, o que de certa forma provocou a superposição de conteúdos da nova disciplina com a Didática. O período compreendido entre 1960 e 1968 foi marcado pela crise da Pedagogia Nova e articulação da tendencia tecnicista, assumida pelo grupo militar e tecnocrata. O pressuposto que embasou esta pedagogia está na neutralidade cientifica, inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade. Buscou-se a objetivação do trabalho
  11. 11. pedagógico da mesma maneira que ocorreu no trabalho fabril. Instalou-se na escola a divisão do trabalho sob a justificativa de produtividade, propiciando a fragmentação do processo e , com isso, acentuando as distâncias entre quem planeja e quem executa. A Pedagogia Tecnicista está relacionada com a concepção analítica de Filosofia da Educação, mas não como conseqüência sua. SAVIANI (1984, P. 179), explica que a concepção analítica “ (....) não tem por objeto a realidade.Refere-se, pois, á clareza e consistência dos enunciados relativos aos fenômenos eles mesmos. ( ...) A ela cabe fazer a assepsia da linguagem , depura-la de suas inconsistências e ambiguidades. Não é sua tarefa produzir enunciados e muito menos práticas.” A afinidade entre as duas encontra-se, não no plano das conseqüências, mas no plano dos pressupostos de objetividade, racionalidade e neutralidade. O enfoque do papel da Didática a partir dos pressupostos de Pedagogia Tecnicista procura desenvolver uma alternativa não psicológica, situando-se no âmbito da tecnologia educacional, tendo como preocupação básica a eficácia do processo de ensino. Essa Didática tem como pano de fundo uma perspectiva realmente ingênua de neutralidade científica. Neste enfoque, os conteúdos dos cursos de Didática centram-se na organização racional do processo de ensino, isto é, no planejamento didático formal, e na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis. O processo é que define o que professores e alunos devem fazer, quando e como o farão. Na Didática Tecnicista, a desvinculação entre teoria e prática é mais acentuada. O professor torna-se mero executor de objetivos instrucionais, de estratégias de ensino e avaliação. Acentua-se o formalismo didático através dos planos elaborados segundo normas pré-fixadas. A Didática é concebida como estratégias para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem. A partir de 1974, época em que tem início a abertura gradual do regime político autoritário instalado em 1964, surgiram estudos empenhados em fazer a crítica da educação dominante, evidenciando as funções reais da política educacional, acobertada pelo discurso político-pedagógico oficial.
  12. 12. Tais estudos foram agrupados e denominados por SAVIANI (1983, p.19) de “teorias crítico-reprodutivistas”, que, apesar de considerar a educação a partir dos seus aspectos sociais, concluem que sua função primordial é a de reproduzir as condições sociais vigentes. Elas se empenham em fazer a denúncia do caráter reprodutor da escola. Há uma predominância dos aspectos políticos, enquanto as questões didático-pedagógicas são minimizadas. Em conseqüência, a Didática passou também a fazer o discurso reprodutivista, ou seja, a apontar o seu conteúdo ideológico, buscando sua desmistificação de certa forma relevante, porém relegando a segundo plano, sua especificidade. CANDAU (1982, p. 28) afirma que: “(...) junto com esta postura de denúncia e de explicitação do compromisso com o ‘status quo’ do técnico aparentemente neutro, alguns autores chegaram à negação da própria dimensão da prática docente”. Sob esta ótica, a Didática nos cursos de formação de professores passou a assumir o discurso sociológico, filosófico e histórico, secundarizando a sua dimensão técnica, comprometendo, de certa forma, a sua identidade, acentuando uma postura pessimista e de descrédito relativo à sua contribuição quanto à prática pedagógica do futuro professor. Contudo pode-se perceber que se, de um lado, a teoria crítico-reprodutivista contribui para acentuar uma postura de pessimismo, por outro lado, a atitude crítica passou a ser exigida pelos alunos e os professores procuraram rever sua própria prática pedagógica a fim de torná-la mais coerente com a realidade sócio-cultural. A Didática é questionada e os movimentos em torno de sua revisão apontam a busca de novos rumos. 2.4. A década de 80: momento atual da Didática Ao longo dos ano 80 a situação sócio-econômica do país tem dificultado a vida do povo brasileiro com a elevação da inflação, elevação do índice de desemprego, agravado mais com o aumento da dívida externa e pela política recessionista, orientada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na primeira metade da década de 80, instala-se a Nova República, iniciando-se, desta forma, uma nova fase na vida do país. A ascenção do governo civil da Aliança Democrática assinala o fim da ditadura militar, porém conserva inúmeros aspectos dela, so formas e meios diferentes (FALCÃO, 1986. p. 27).
  13. 13. A luta operária ganha força passando a se penalizar por outras categorias profissionais e dentre elas, os professores. É nessa década que os professores se empenham para a reconquista do direito e dever de participarem na definição da política educacional e na luta pela recuperação da escola pública. A realização da I Conferência Brasileira de Educação foi um marco importante na história da educação brasileira. Constitui um espaço para discutir e disseminar a concepção crítica de educação, pois, como afirma SAVIANI (1984, p. 24), “a preocupação com a perspectiva dialética ultrapassa, na filosofia da educação, aquele empenho individual de sistematização e se objeto de um reforço coletivo”. A concepção dialética ou crítica não foi dominante no nosso contexto educacional. Ela se organizou com a maior nitidez a partir de 1979. Para a concepção dialética de Filosofia da Educação, não existe um homem dado “a priori”, pois não coloca como ponto de partida uma determinada visão de homem. Interessa-se pelo ser concreto. A tarefa da filosofia é explicitar os problemas educacionais e compreende-los a partir do contexto histórico em que estão inseridos (SAVIANI, 1984, p. 24). A educação não está centrada no professor ou no aluno, mesma questão central da formação do homem e sua realização em sociedade. Nesse sentido, GADOTTI afirma que, no bojo de uma Pedagogia Crítica, “a educação se identifica com o processo de humanização. A educação é o que se pode fazer do homem de amanhã”. (1983, p. 149). É uma pedagogia que se compromete com os interesses do homem das camadas economicamente desfavorecidas. A escola se organiza como espaço de negação de dominação e não mero instrumento para reproduzir a estrutura social vigente. Nesse sentido, agir no interior da escola é contribuir para transformar a própria sociedade. Ora, no meu entender a Didática tem uma importante contribuição a dar em função de clarificar o papel sócio-político da educação, da escola e, mais especificamente, do ensino. Assim, o enfoque da Didática, de acordo com os pressupostos de Pedagogia Crítica, é o de trabalhar no sentido de ir além dos métodos e técnicas, procurando associar escola- sociedade, teoria-prática, conteúdo-forma, técnico-político, ensino-pesquisa, professor-aluno. Ela deve contribuir para ampliar a visão do professor quanto às perspectivas didático-pedagógica mais coerentes, com nossa realidade educacional, ao analisar as contradições entre o que é
  14. 14. realmente o cotidiano da sala de aula e o ideário pedagógico calcado nos princípios da teoria liberal, arraigado na prática dos professores. Na década de 80, esboçam-se os primeiros estudos em busca da alternativa para a Didática, a partir dos pressupostos da Pedagogia Crítica. A Didática no âmbito desta pedagogia auxilia no processo de politização do futuro professor, de modo que ele possa perceber a ideologia que inspirou a natureza do conhecimento usado e a prática desenvolvida na escola. Neste sentido, a Didática crítica busca superar o intelectualismo formal do enfoque tradicional, evitar os efeitos do espontaneísmo escolanovista, combater a orientação desmobilizadora do tecnicismo e recuperar as tarefas especificamente pedagógicas, desprestigiadas a partir do discurso reprodutivista. Procura, ainda, compreender e analisar a realidade social onde está inserida a escola. É preciso uma Didática que proponha mudanças no modo de pensar e agir do professor e que este tenha presente a necessidade de democratizar o ensino. Este é concebido como um processo sistemático e intencional da transmissão e elaboração de conteúdos culturais e científicos. É evidente que a Didática, por si, não é condição suficiente para a formação do professor crítico. Não resta dúvida de que a tomada de consciência e o desvelamento das contradições que permeiam a dinâmica da sala de aula são pontos de partida para a construção de uma Didática crítica, contextualizada e socialmente comprometida com a formação do professor. SINTETIZANDO .... I- Ao fazer uma leitura do breve histórico da Didática ao longo dos anos, sintetize abaixo as principais características de cada período relacionado: • período de 1549- 1930: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________
  15. 15. • período de 1930-1945: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ • período de 1945-1960: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ • período pós 1964: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ • década de 80: momento atual: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________
  16. 16. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ II- PRÁTICA EDUCATIVA, PEDAGOGIA E DIDÁTICA José Carlos Libâneo Iniciamos nosso estudo de Didática situando-a no conjunto dos conhecimentos pedagógicos e esclarecendo seu papel na formação profissional para o exercício do magistério. Do mesmo modo que o professor, na fase inicial de cada aula, deve propor e examinar com os alunos os objetivos, conteúdos e atividades que serão desenvolvidos, preparando-os para o estudo da disciplina, também neste livro cada capítulo se inicia com o delineamento dos temas, indicando objetivos a alcançar no processo de assimilação consciente de conhecimentos e habilidades. Este capítulo tem como objetivos compreender a Didática como um dos ramos de estudo da Pedagogia, justificar a subordinação do processo didático a finalidades educacionais e indicar os conhecimentos teóricos e práticos necessários para orientar a ação padagógico-didática na escola. Consideraremos, em primeiro lugar, que o processo de ensino- objeto de estudo da Didática – não pode ser tratado como atividade restrita ao espaço da sala de aula. O trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade. Para compreendermos a importância do ensino na formação humana, é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas educativas exigidas pela vida em sociedade. A ciência que investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a prática social global é a Pedagogia. Sendo a Didática uma disciplina que estuda os objetivos, os conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino tendo em vista finalidades educacionais, que são sempre sociais, ela se fundamenta na Pedagogia; é, assim, uma disciplina pedagógica.
  17. 17. Ao estudar a educação nos seus aspectos sociais, políticos, econômicos, psicológicos, para descrever e explicar o fenômeno educativo, a Pedagogia recorre à contribuição de outras ciências como a Filosofia, a História, a Sociologia, a Psicologia, a Economia. Esses estudos acabam por convergir na Didática, uma vez que esta reúne em seu campo de conhecimentos objetivos e modos de ação pedagógicas na escola. Além disso, sendo a educação uma prática social que acontece numa grande variedade de instituições e atividades humanas (na família, na escola, no trabalho, nas igrejas, nas organizações políticas e sindicais, nos meios de comunicação de massa etc.), podemos falar de uma pedagogia escolar. Nesse caso, constituem-se disciplinas propriamente pedagógicas tais como Teoria da Educação, Teoria da Escola, Organização Escolar, destacando-se Didática comoTeoria do Ensino. Nesse conjunto de estudos indispensáveis à formação teórica e prática dos professores, a Didática ocupa um lugar especial. Com efeito, a atividade principal do profissional do magistério é o ensino, que consiste em dirigir, organizar, orientar e estimular a aprendizagem escolar dos alunos. É em função da condição do processo de ensinar, de suas finalidades, modos e condições, que se mobilizam os conhecimentos pedagógicos gerais e específicos. PRÁTICA EDUCATIVA E SOCIEDADE O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global pelo qual os membros da sociedade são preparados para a participação na vida social. A educação – ou seja, a prática educativa - é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar do desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade, mas também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e a transformá-lo em função de necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade. Através da ação educativa o meio social exerce influência sobre os indivíduos e estes, ao assimilarem e recriarem essas influências, tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. Tais influências se manifestam através de
  18. 18. conhecimento, experiências, valores, crenças, modos de agir, técnicas e costumes acumulados por muitas gerações de indivíduos e grupos, transmitidos, assimilados e recriados pelas novas gerações. Em sentido amplo,a educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social, nos quais os indivíduos estão envolvidos de modo necessário e inevitável pelo simples fato de existirem socialmente; neste sentido, a prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica, política e legal de uma sociedade, da religião, dos costumes, das formas de convivência humana. Em sentido estrito, a educação ocorre em instituições específicas, escolares ou não, com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada, embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais. Os estudos ligados as diversas modalidades de educação costumam caracterizar as influências educativas como não-intencionais e intencionais. A educação não-intencional refere- se às influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. Tais influências, também denominadas de educação informal, correspondem a processos, que não estão ligados especificamente a uma instituição e nem são intencionais conscientes. São situações e experiências, por assim dizer, casuais, espontâneas, não organizadas, embora influam na formação humana. É o caso, por exemplo, das formas econômicas, e políticas de organização social da sociedade, das relações humanas na família, no trabalho, na comunidade, dos grupos de convivência humana, do clima sócio-cultural da sociedade. A educação intencional refere-se a influência em que há intenções e objetivos definidos conscientemente, como é o caso da educação escolar e extra-escolar. Há uma intencionalidade, uma consciência por parte do educador quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir, seja ele o pai, o professor, ou adultos e geral – estes, muitas vezes, invisíveis atrás de um canal de televisão, do rádio, do cartaz de propaganda, do computador etc. Há métodos, técnicas, lugares e condições específicas prévias criadas deliberadamente para suscitar idéias, conhecimentos, valores, atitudes, comportamentos. São muitas as formas de educação intencional e, conforme o objetivo pretendido, variam os meios. Podemos falar da educação não-formal quando se trata de atividade educativa estruturada fora do sistema escolar convencional (como é o caso de movimentos sociais organizados, dos meios de comunicação em massa etc.) e da educação formal que se realiza nas escolas ou outras agências de instrução e educação (igrejas, sindicatos, partidos, empresas) implicando ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos,
  19. 19. sistematização, procedimentos didáticos. Cumpre acentuar, no entanto, que a educação propriamente escolar se destaca entre as demais formas de educação intencional por ser suporte e requisito delas. Com efeito, é a escolarização básica que possibilita aos indivíduos aproveitar e interpretar, consciente e criticamente, outras influências educativas. É possível, na sociedade atual, com o progresso dos conhecimentos científicos e técnicos, e com o peso cada vez maior de outras influências educativas (mormente os meios de comunicação de massa), a participação efetiva dos indivíduos e grupos nas decisões que permeiam a sociedade sem a educação intencional sistematizada promovida pela educação escolar. As formas que assume a prática educativa, sejam não-intencionais ou intencionais, formais ou não-formais, escolares ou extra-escolares se interpenetram. O processo educativo, onde quer que se dê, é sempre contextualizado social e politicamente; há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação. Vejamos mais de perto como se estabelecem os vínculos entre sociedade e educação. Conforme dissemos, a educação é um fenômeno social. Isso significa que é parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma determinada sociedade. Na sociedade brasileira atual, a estrutura social se apresenta dividida em classes e grupos sociais com interesses distintos e antagônicos; esse fato repercute tanto na organização econômica e política quanto na prática educativa. Assim, as finalidades e meios da educação subordinam-se à estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais ou seja, são socialmente determinados. Que significa a expressão “a educação é socialmente determinada?” significa que a prática educativa e, especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente, estão determinados por fins e exigências sociais, política, ideológicas. Com efeito,a prática educativa que ocorre em várias instâncias da sociedade – assim como os acontecimentos da vida cotidiana, os fatos políticos e econômicos etc. – é determinada por valores, normas e particularidades da estrutura social a que está subordinada. A estrutura social e as formas sociais pelas quais a sociedade se organiza são uma decorrência do fato de que, desde o início da sua existência, os homens vivem em grupos; sua vida está na dependência da vida de outros membros do grupo social, ou seja, a história humana, a história da sua vida e a história da sociedade se constituem e se desenvolvem na dinâmica das relações sociais. Este fato é fundamental para se compreender que a organização da sociedade, a existência das classes sociais, o papel da educação estão
  20. 20. implicados nas formas que as relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta dos homens. Desde o início da história da humanidade, os indivíduos e grupos travam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência. Essas relações vão passando por transformações, criando novas necessidades, novas as formas de organização do trabalho e, especificamente, uma divisão do trabalho conforme sexo, idade, ocupação, de modo a existir uma distribuição ds atividades entre os envolvidos no processo de trabalho. na história da sociedade, nem sempre houve uma distribuição por igual dos produtos do trabalho, tanto materiais quanto espirituais. Com isso, vai surgindo nas relações sociais a desigualdade econômica e de classes. Nas formas primitivas de relações sociais, os indivíduos tem igual usufruto do trabalho comum. Entretanto, nas etapas seguintes da história da sociedade, cada vez mais se acentua a distribuição desigual dos indivíduos em distintas atividades, bem como do produto dessas atividades. A divisão do trbalho vai fazendo com que os indivíduos passem a ocupar diferentes lugares na atividade produtiva. Na sociedade escravista, os meios de trabalho e o próprio trabalhador (escravo) são propriedade dos donos de terras; na sociedade feudal, o trbalhadores (servo) são obrigados a trabalhar gratuitamente as terras do senhora feudal ou pagar-lhe tributos. Séculos mais tarde, na sociedade capitalista, ocorreu uma divisão entre os proprietários privados dos meios de produção a sua força de trabalha para obter os meios da sua subsistência, os trabalhadores que vivem do salário. As relações sociais no capitalismo são, assim, fortemente marcadas pela divisão da sociedade em classes, onde capitalistas e trabalhadores ocupam lugares opostos e antagônicos no processo de produção. A classe social proprietária dos meios de produção retira seus lucros da exploração do trabalho da classe trabalhadora. Esta à qual pertence cerca de 70% da produção brasileira, é obrigada a trocar sua capacidade de trabalho por um salário que não cobre as suas necessidades vitais e fica privada, também da satisfação de suas necessidades espirituais e culturais. A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos trabalhadores, que é ao mesmo tempo uma alienação espiritual, determina desigualdade social e consequências decisivas nas condições de vida da grande maioria da população trabalhadora. Este é o traço fundamental do sistema de organização das relações sociais em nossa sociedade. A desigualdade entre os homens, que na origem é uma desigualdade econômica no seio das relações entre as classes sociais, determina não apenas as condições materiais de vida e
  21. 21. de trabalho dos indivíduos mas também a diferenciação no acesso à cultura espiritual, à educação. Com efeito a classe social dominante retém os meios de produção material como também os meios de produção cultural e da sua difusão, tendendo a colocá-la a serviço dos seus interesses. Assim, a educação que os trabalhadores recebem visa principalmente prepará-los para trabalho físico, para atitudes conformistas, devendo contentar-se com uma escolarização deficiente. Além disso, a minoria dominante dispõe de meios de difundir a sua própria concepção de mundo (idéias, valores, práticas sobre a vida, o trabalho, as relações humanas etc.) para justificar, ao seu modo, o sistema de relações sociais que caracteriza a sociedade capitalista. Tais idéias, valores e práticas, apresentados pela minoria dominante como representativo dos interesses de todas as classes sociais, são o que se acostuma denominar de ideologia. O sistema educativo, incluindo as escolas, as igrejas, as agências de formação profissional, os meios de comunicação de massa, é um meio privilegiado para o repasse da ideologia dominante. Consideremos algumas afirmações que são passadas nas conversas, nas aulas, nos livros didáticos: " O Governo sempre faz o que é possivel; as pessoas é que não colaboram"; " Os professores não têm que se preocupar com política; o que devem fazer é cumprir sua obrigação na escola"; " A educação é a mola do sucesso, para subir na vida"; " Nossa sociedade é democrática porque dá oportunidade iguais a todos. Se a pessoa não tem bom emprego ou não consegue estudar é porque tem limitações individuais"; " As crianças repetem de ano porque não se esforçam; tudo na vida depende de esforço pessoal"; " Bom aluno é aquele que sabe obedecer". Essas e outras opiniões mostram idéias e valores que não condizem com a realidade social. Fica parecendo que o governo se põe acima dos conflitos entre as classes sociais e das desigualdades, fazendo recair os problemas na incompetência das pessoas, e que a escolarização pode reduzir as diferenças sociais, porque dá oportunidade a todos. Problemas que são decorrentes da estrutura são tomados como problemas individuais. Entretanto, são meias- verdades, são concepções parciais das coisas. Pessoas desativadas acabam assumindo essas crenças, valores e práticas, como se fizessem parte da normalidade da vida; acabam acreditando que a sociedade é boa, os indivíduos é que destoam.
  22. 22. A prática educativa, portanto, é parte integrante da dinâmica das relações sociais, das formas da organização social. Suas finalidades e processos são determinados por interesses antagônicos das classes sociais. No trabalho docente, sendo manifestação a prática educativa, estão presentes interesses de toda ordem - sociais, políticos, econômicos, culturais - que precisam ser compreendidos pelos professores. Por outro lado, é preciso compreender, também que as relações sociais existentes na nossa sociedade não são estáticas, imutáveis, estabelecidas para sempre. Elas são dinâmicas, uma vez que as relações sociais podem ser transformadas pelos próprios indivíduos que a integram. Portanto, na sociedade de classes, não é apenas a minoria dominante que põe em prática os seus interesses. Também as classes trabalhadoras podem elaborar e organizar concretamente os seus interesses e formular objetivos e meios do processo educativo alinhados com as lutas pela transformação do sistema de relações sociais vigentes. O que devemos ter em mente é que uma educação voltada para os interesses majoritários da sociedade efetivamente se defronta com limites impostos pelas relações de poder no seio da sociedade. Por isso mesmo, o reconhecimento do papel político do trabalho docente implica a luta pela modificação dessas relações de poder. Fizemos essas considerações para mostrar que a prática educativa, a vida cotidiana,as relações professor-alunos, os objetivos da educação, o trabalho docente, nossa percepção do aluno estão carregados de significados sociais que se constituem na dinâmica das relações entre classes, entre raças, entre grupos religiosos, entre homens e mulheres, jovens e adultos. São seres humanos que, na diversidade das relações recíprocas que travam em vários contextos, dão significados às coisas, às pessoas, às idéias; é socialmente que se formam idéias, opiniões, ideologias. Este fato é fundamental para compreender como cada sociedade se produz e se desenvolve, como se organiza e como encaminha a prática educativa através dos seus conflitos e suas contradições. Para quem lida com a educação tendo em vista a formação humana dos indivíduos vivendo em contextos sociais determinados, é imprescindível que desenvolva a capacidade de descobrir as relações sociais reais implicados em cada acontecimento, em cada situação real da sua vida e da sua profissão, em cada matéria que ensina como também nos discursos, nos meios de comunicação de massa,nas relações cotidianas na família e no trabalho. O campo específico de atuação profissional e política do professor é a escola, à qual cabem tarefas de assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimento e habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de pensamento independente, crítico e
  23. 23. criativo. Tais tarefas representam um significativa contribuição para a formação de cidadãos ativos, criativos e críticos, capazes de participar nas lutas pelas transformações sociais. Podemos dizer que, quanto mais se diversificam as formas de educação extra-escolar e quanto mais a minoria dominante refina os meios de difusão da ideologia burguesa, tanto mais a educação escolar adquire importância, principalmente para as classes trabalhadoras. Vê-se que a responsabilidade social da escola e dos professores é muito grande, pois cabe-lhes escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser trazida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessários à compreensão da realidade social e à atividade prática na profissão, na politica, nos movimentos sociais. Ao mesmo tempo que cumpre objetivos e exigências da sociedade conforme interesse de grupos e classes sociais que a constituem, o ensino cria condições e metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de conhecimento e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sociais. II- EDUCAÇÃO, INSTRUÇÃO E ENSINO Antes de prosseguirmos nossas considerações, convém esclarecer o significado dos termos educação e ensino. Educação é um conceito amplo que se refere ao processo de desenvolvimento unilateral da personalidade, envolvendo a formação de qualidades - físicas, morais, intelectuais, estéticas - tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o meio social, num determinado contexto de relações sociais. A educação corresponde, pois, a toda modalidade de influência e inter-relações que convergem para a formação de traços de personalidade social e di caráter, implicando uma concepção de mundo, ideais, valores, modos de agir, que se traduzem em convicções ideológicas, morais, politicas, princípios de ação frente a situação reais desafios da vida prática. Nesse sentido, educação é instituição social que se ordena no sistema educacional de um país, num determinado momento histórico; é um produto, significando os resultados obtidos da ação educativa conforme propositos sociais e políticos pretendidos; é processo para consistir de transformação sucessivas tanto no sentido histórico quanto no de desenvolvimento da personalidade.
  24. 24. A instrução se refere à formação intelectual, formação e desenvolvimento das capacidades cognoscitivas mediante o domínio de certo nível de conhecimentos sistematizados. O ensino corresponde a ações, meios e condições para realização da instrução; contém pois, a instrução. Há uma relação de subordinação da instrução à educação, uma vez que o processo e o resultado da instrução sao orientados para o desenvolvimento das qualidades específicas da personalidade. Portanto, a instrução, mediante, o ensino, tem resultados formativos quando converge para o objetivo educativo, isto é, quando os conhecimentos, habilidades e capacidade propiciados pelo ensino se tornam princípios reguladores da ação humana, em convicções e atitudes reais frente á realidade. Há, pois, uma unidade entre educação e instrução, embora sejam processos diferentes; pode-se instruir sem educar, e educar sem instruir; conhecer os conteúdos de uma matéria, conhecer, conhecer os princípios morais e normas de conduta não leva necessariamente e praticá-los, isto é, a transformá-los em convicções e atitudes efetivas frente aos problemas e desafios da realidade. Ou seja, o objetivo educativo não é um resultado natural e colateral do ensino, devendo-se supor por parte do educador um propósito intencional e explícito de orientar a instrução e o ensino para objetivos educativos. Cumpre acentuar, entretanto, que o ensino é o principal meio e fator da educação - ainda que não o único - e, por isso, destaca-se como campo principal da instrução e educação. Neste sentido, quando mencionamos o termo educação escolar, referimos a ensino. Conforme estudaremos adiante, a educação é o objeto de estudo da Pedagogia, colocando a ação educativa como objeto de reflexão, visando descrever e explicar sua natureza, seus determinantes, seus processos e modos de atuar. O processo pedagógico orienta a educação para as suas finalidades específicas, determinadas socialmente, mediante a teoria e a metodologia da tarefa de ensinar - é uma modalidade de trabalho pedagógico e dele se ocupa a Didática. SINTETIZANDO... 1- Os estudos que tratam das diversas modalidades de educação costumam caracterizar as influencias como intencionais e não – intencionais.Quais as diferenças?
  25. 25. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2- Por que a Educação é um fenômeno e um processo social? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 3- Quais as relações entre Pedagogia e Didática? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ III- EDUCAÇÃO ESCOLAR, PEDAGOGIA E DIDÁTICA Como vimos, a atividade acontece nas mais variadas esferas da vida social (nas famílias, nos grupos sociais, nas instituições educacionais ou assistenciais, nas associações
  26. 26. profissionais, sindicais e comunitárias, nas igrejas, nas empresas, nos meios de comunicação de massa etc.) e assume diferentes formas de organização. A educação escolar constitui-se num sistema de instrução e ensino com propósitos intencionais, práticas sistematizadas e alto grau de organização, ligados intimamente às demais práticas sociais. Pela educação escolar democratizam-se os conhecimentos, sendo na escola que os trabalhadores continuam tendo a oportunidade de prover escolarização formal aos seus filhos, adquirindo conhecimentos científicos e formando a capacidade de pensar criticamente os problemas e desafios postos pela realidade social. O processo educativo que se desenvolve na escola pela instrução e ensino consiste na assimilação de conhecimento e experiências acumulados pelas gerações anteriores no discurso do desenvolvimento histórico-social. Entretanto, o processo educativo está condicionado pelas relações sociais em cujo interior se desenvolve; e as condições sociais, políticas e econômicas só existentes influenciam decisivamente o processo de ensino e aprendizagem. As finalidades educativas subordinam-se, pois, a escolhas feitas frente a interesses de classe determinados pela forma de organização das relações sociais. Por isso, a prática educativa requer uma direção de sentido para a formação humana dos indivíduos e processos que assegurem a atividade prática que lhes corresponde. Em outras palavras, para tornar efetivo o processo educativo, é preciso dar-lhe uma orientação sobre as finalidades e meios da sua realização, conforme opções que se façam quanto ao tipo de homem que se deseja formar e ao tipo de sociedade a que se aspira. Esta tarefa pertence à Pedagogia como teoria a prática do processo educativo. A Pedagogia é um campo de conhecimento que investiga a natureza das finalidades da educação numa sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social. Uma vez que a prática educativa é o processo pelo qual são assimilados conhecimentos e experiências acumulados pela prática social da humanidade, cabe à Pedagogia assegurá-lo, orientando-o para finalidades sociais e políticas e, criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo. O caráter pedagógico da prática educativa se verifica como ação consciente, intencional e planejada no processo de formação humana, através de objetivos e meio estabelecidos por critérios socialmente determinados e que indicam o tipo de homem a formar, para qual sociedade, com que propósito. Vincula-se, pois, a opções sociais e políticas referentes
  27. 27. ao papel da educação num determinado sistema de relações sociais. A partir daí a Pedagogia pode dirigir e orientar a formulação de objetivo e meios do processo educativo. Podemos agora, explicitar as relações entre educação escolar, Pedagogia e ensino: a educação escola, manifestação peculiar do processo educativo global; a Pedagogia como determinação do rumo desse processo em suas finalidades e meios de ação; o ensino como campo específico da instrução e educação escolar. Podemos dizer que o processo de ensino- aprendizagem é, fundamentalmente, um trabalho pedagógico no qual se conjugam fatores externos e internos. De um lado, atuam na formação humana como direção consciente e planejadas, através de objetivos/conteúdos/métodos e formas de organização propostos pela escola e pelos professores; de outro, essa influência externa depende de fatores internos, tais como as condições fisicas, psíquicas e sócio-culturais dos alunos. A Pedagogia, sendo ciência da e para a educação, estuda a educação, a instrução e o ensino. Para tanto compõe-se e ramos de estudo prórpios como a Teoria da Educação, a Didática, a Organização Escolar e a História da Educação e da Pedagogia. ao mesmo tempo, busca em outras ciência os conhecimentos teóricos e práticos que concorrem em outras ciências do seu objeto, o fenômeno educativo. São elas a Filosofia, da Educação, Sociologia da Educação, Psicologia da Educação, Biologia da Educação, Economia da Educação e outras. O conjunto desses estudos permite aos futuros professores uma compreensão global do fenômeno educativo, especialmente de suas manifestações no âmbito escolar. Essa compreensão diz respeito a aspectos sócio-políticos da escola na dinâmica das relações sociais; dimensões filosóficas da educação (natureza, significado e finalidades, em conexão com a totalidade da vida humana); relações entre prática escolar e a sociedade no sentido de explicitar objetivos político-pedagógicos em condições históricas e sociais determinados e as condições concretas do ensino; o processo do desenvolvimento humano e o processo da cognição; bases científicas para seleção e organização dos conteúdos, dos métodos e formas de organização do ensino; articulação entre a mediação escolar e objetivos/conteúdos/ métodos e os processos internos atinentes ao ensino e à aprendizagem. A Didática é o principal ramo de estudo da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, condições e modos da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sócio- políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das
  28. 28. capacidades mentais dos alunos. A Didática está intimamente ligada à Teoria da Educação e à Teoria da Organização Escolar e, de modo muito especial, vincula-se à Teoria do Conhecimento e à Psicologia da Educação. A Didática e as metodologias específica das matérias de ensino formam uma unidade, mantendo entre si relações recíprocas. A Didática trata da teoria geral do ensino. As metodologias específicas, integrando o campo da Didática, ocupam-se dos conteúdos e métodos próprios de cada matéria na sua relação com fins educacionais. A Didática, com base em seus vínculos com a Pedagogia, generaliza processos e procedimentos obtidos na investigação das matérias específicas, das ciências que dão embasamento ao ensino e à aprendizagem e das situações concretas da prática docente. com isso, pode generalizar para todas as matérias, sem prejuízo das peculiaridades metodológicas de cada uma, o que é comum e fundamental no processo educativo escolar. Há também estreita ligação da didática com os demais campos do conhecimento pedagógico. A Filosofia e a História da Educação ajudam a reflexão em torno das teorias educacionais, indagando em que consiste o ato educativo, seus condicionantes externos e internos, seus fins e objetivos; busca os fundamentos da prática educativa. A Sociologia da Educação estuda a educação como processo social e ajuda os professores a reconhecerem as relações entre o trabalho docente e a sociedade. Ensina a ver a realidade social no seu movimento, a partir da dependência mútua entre seus elementos constitutivos, para determinar os nexos constitutivos da realidade educacional. A par disso, estuda a escola como "fenômeno sociológico", isto é, uma organização social que tem a sua estrutura interna de funcionamento interligada ao mesmo tempo com outras organizações sociais (conselhos de pais, associações de bairros, sindicatos, partidos políticos etc.). A prática sala de aula é um ambiente social que forma, junto com a escola como um todo, o ambiente global de criatividade docente organizado para cumprir os objetivos de ensino. A Psicologia da Educação estuda importantes aspectos do processo de ensino e de aprendizagem, como as implicações das fases de desenvolvimento dos alunos conforme idades e os mecanismos psicológicos presentes na assimilação ativa de conhecimentos e habilidades. A Psicologia aborda questões como: o funcionamento da atividade mental, a influência do ensino no desenvolvimento intelectual, a ativação das potencialidades mentais para a aprendizagem, a organização das relações professor-aluno e dos alunos entre si, a estimulação e o despertamento
  29. 29. do gosto pelo estudo etc. A Psicologia, de sua parte, fornece importante contribuição, também, para a orientação educativa dos alunos. A Estrutura e Funcionamento do Ensino inclui questões da organização do sistema escolar nos seus aspectos políticos e legais, administrativos, e aspectos do funcionamento interno da escola como a estrutura organizacional e administrativa, planos e programas, organização do trabalho pedagógico e das atividades discentes etc. A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO PROFESSOR A formação profissional do professor é realizada nos cursos de Habilitação ao Magistério em nível de 2° grau e superior. Compõe-se de um conjunto de disciplinas coordenadas e articuladas entre si, cujos objetivos e conteúdos devem confluir para uma unidade teórico- metodológica do curso. A formação profissional é um processo pedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor ara dirigir competentemente o processo de ensino. A formação do professor abrange, pois, duas dimensões: a formação teórico-científica, incluindo formação acadêmica específica nas disciplinas em que o docente vai especializar-se e a formação pedagógica, que envolve os conhecimentos da Filosofia, Sociologia, História da Educação e da própria Pedagogia que contribuem para o esclarecimento do fenômeno educativo no contexto histórico-social; a formação técnico-prática visando à preparação profissional específica para a docência, incluindo a Didática, as metodologias específicas das matérias, a Psicologia da Educação, a pesquisa educacional e outras. A organização dos conteúdos da formação do professor em aspectos teóricos e práticos de modo algum significa considerá-los isoladamente.São aspectos que devem ser articulados. As disciplinas teórico-científicas são necessariamente realizados no âmbito da formação acadêmica sejam relacionados com os de formação pedagógica que tratam das finalidades da educação e dos condicionamentos históricos, sociais e políticos da escola. Do mesmo modo, os conteúdos das disciplinas específicas precisam ligar-se às suas exigências metodológicas. As disciplinas de formação técnico-prática não se reduzem ao mero domínio de técnicas e regras, mas implicam também os aspectos teóricos, ao mesmo tempo que se fornecem à teoria os problemas e desafios
  30. 30. da prática. A formação profissional do professor implica, pois, uma contínua interpretação entre teoria e prática, a teoria vinculada aos problemas reais postos pela experiência prática e a ação prática orientada teoricamente. Nesse entendimento, a Didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico- científica da educação escolar e a prática docente. Ela opera como que uma ponte entre o "o quê" e o "como" do processo pedagógico escolar. A teoria pedagógica oriente a ação educativa escolar mediante objetivos, conteúdos e tarefas da formação cultural e científica, tendo em vista exigências sociais concretas; por sua vez, a ação educativa somente pode realizar-se pela atividade prática do professor, de modo que as situações didáticas concretas requerem o "como" da intervenção pedagógica. Este papel de síntese entre teoria pedagógica e a prática educativa real assegura a interpenetração e interdependência entre fins e meios da educação escolar e, nessas condições, a Didática pode constituir-se em teoria do ensino. O processo didático efetiva a mediação escolar de objetivos, conteúdos e métodos das matérias de ensino. Em função disso, a Didática descreve e explica os nexos, relações e ligações entre o ensino e a aprendizagem; investiga os fatores co-determinantes desses processos; indica princípios, condições e meios de direção do ensino, tendo m vista a aprendizagem, que são comuns ao ensino das diferentes disciplinas de conteúdos específicos. Para isso recorre às contribuições das ciências auxiliares da Educação e das próprias metodologias específicas. È, pois, uma matéria de estudo que integra e articula conhecimentos teóricos e práticos obtidos na formação acadêmica, formação pedagógica e formação técnico-prática, provendo o que é comum, básico e indispensável para o ensino de todas as demais disciplinas de conteúdo. A formação profissional para o magistério requer, assim, uma sólida formação teórico- prática. Muitas pessoas acreditam que o desempenho satisfatório do professor na sala de aula depende de vocação natural ou somente da experiência prática, destacando-se a teoria. È verdade que muitos professores manifestam especial tendência e gosto pela profissão, assim como se sabe que mais tempo de experiência ajuda no desempenho profissional. Entretanto, o domínio das bases teórico-científicas e técnicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, permitem maior segurança e aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho. Entre os conteúdos básicos da Didática figuram os objetivos e tarefas do ensino na nossa sociedade. A Didática se baseia numa concepção de homem e sociedade e, portanto, subordina-se
  31. 31. a propósitos sociais, políticos e pedagógicos para a educação escolar a serem estabelecidos em função da realidade social brasileira. SINTETIZANDO... 1- Em que consiste o processo educativo que se desenvolve na Escola? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2- Discorra sobre o estudo da Sociologia da Educação. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 3- Discorra sobre o estudo da Psicologia na Educação. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________
  32. 32. IV-O ALUNO E O PROFESOR COMO PESSOAS "Não existe um só método que tenha dado mesmo resultado com todos os alunos...O ensino torna-se mais eficaz quando o professor conhece a natureza das diferenças entre seus alunos." Wilbert J. McKeachie Se perguntarmos aos professores universitários: "você conhece realmente aos alunos? Você saberia explicar por que alguns são bons alunos e outros não?"- o mais provável é que das duas respostas surja uma patética conclusão: o aluno continua sendo o Grande Desconhecido. Talvez pelo desejo subconsciente de simplificar seu trabalho docente, o professor tende, em geram a considerar o "corpo discente" como uma massa homogênea e indiferenciada. É possível que apenas três tipos de estudantes escapem desse anonimato: o estudante brilhante, o estudante badalador e o estudante encrenqueiro. No jogo das relações professor-aluno, com efeito, estes tipos de estudantes fornecem os maiores prêmios e ameaças e, por conseguinte, chamam a atenção do professor. Suponhamos agora que o professor queira, seriamente, olhar e tratar seus alunos como pessoas humanas e adequar seus métodos didáticos as diferenças individuais, visando a uma aprendizagem mais satisfatória e um crescimento integral das personalidades. O problema é que não contamos ainda com suficiente conhecimento de teoria e pesquisa para saber quais são as característica pessoais que mais influenciem sobre a aprendizagem, e de que maneira o fazem. ora, esse conhecimento seria utilíssimo para o professor. Informa McKeachie que "o ensino tornasse mais eficaz quando o professor conhece a natureza as diferenças entre os alunos. Numa experiência em que se deu aos professores de física informação adicional sobre antecedentes pessoais dos seus alunos, estes obtiveram um avanço notável no seu aproveitamento, e consideraram seus professores mais eficazes nas experiências em que os professores estavam bem informados" Como interagem tais diferenças de sexo e de personalidade com os métodos didáticos empregados? A tendência à ansiedade, por exemplo afetará significativamente o resultado de
  33. 33. método didáticos tais como a discussão em grupo? Uma prova, ao criar tensão não colocará em desvantagem os alunos mais ansiosos? SINTETIZANDO... REFLEXÃO. Em resumo o problema analisado neste capitulo pode ser organizado da seguinte forma: a. Quando ensinamos, desejamos que o aluno aprenda e cresça como pessoa humana. b. Para ensinar, definimos certos objetivos e escolhemos certos conteúdos e certas atividades (métodos), que são aplicados na situação docente. c. Mas os alunos não são todos iguais; são, antes de tudo, pessoas diversas e singulares d. por conseguinte, reagirão de forma diferente a: -nós como professores -nossos objetivos -nossos conteúdos (matéria) -nossas formas de relacionamento e métodos de ensino e de avaliação. e. As relações diferentes os levarão a aprender de forma diferente (ou a não aprender) f. Em suma: que características pessoais dos alunos deve merecer a atenção do professor em virtudes de afetarem significativamente o efeito do ensino-aprendizagem? V- PLANEJAMENTO ESCOLAR “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou sua construção”
  34. 34. “Quem ensina, aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (Paulo Freire) O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação. 5.1 – Planejamento educacional, de currículo e de ensino Se qualquer atividade exige planejamento, a educação não foge dessa exigência. Na área da educação temos os seguintes tipos de planejamento: 5.1.1 Planejamento educacional Consiste na tomada de decisões sobre a educação no conjunto do desenvolvimento geral do país. A elaboração desse tipo de planejamento requer a proposição de objetivos em longo prazo que definam uma política da educação. É o realizado pelo Governo Federal, através do Plano Nacional de Educação e da legislação vigente. 5.1.2 Planejamento de currículo O problema central do planejamento curricular é formular objetivos educacionais a partir daqueles expressos nos guias curriculares oficiais. Nesse sentido, a escola não deve simplesmente executar o que é prescrito pelos órgãos oficiais. Embora o currículo seja mais ou menos determinado em linhas gerais, cabe à escola interpretar e operacionalizar estes currículos. A escola deve procurar adaptá-los às situações concretas, selecionando aquelas experiências que mais poderão contribuir para alcançar os objetivos dos alunos, das suas famílias e da comunidade.
  35. 35. 5.2.3 planejamento de ensino: Podemos dizer que o planejamento de ensino é a especificação do planejamento de currículo. Consiste em traduzir em termos mais concretos e operacionais o que o professor fará na sala de aula, para conduzir os alunos a alcançar os objetivos educacionais propostos. Um planejamento de ensino deverá prever: • Objetivos específicos estabelecidos a partir dos objetivos educacionais. • Conhecimentos a serem aprendidos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos. • Procedimentos e recursos de ensino que estimulam, orientam e promovem as atividades de aprendizagem. • Procedimentos de avaliação que possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a função pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle no processo educacional. 5.2- A importância do planejamento escolar. O trabalho docente é uma atividade consciente e sistemática, em cujo centro está a aprendizagem ou o estudo dos alunos sob a direção do professor. O planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes da dinâmica das relações sociais; tudo o que acontece no meio escolar está atravessado por influências econômicas, políticas e culturais que caracterizam a sociedade de classes. Isso significa que os elementos do planejamento escolar – objetivos, conteúdos, métodos – estão recheados de implicações sociais, têm um significado genuinamente político. Por essa razão, o planejamento é uma atividade de reflexão acerca das nossas opções e ações; se não pensarmos detidamente sobre o ruma que devemos dar ano nosso trabalho, ficaremos entregues aos rumos estabelecidos pelos interesses dominantes na sociedade. A ação de planejar é uma atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamentadas em opções
  36. 36. político-pedagógicas, e tendo como referência permanente situações didáticas concretas (isto é, a problemática social, econômica, política e cultural que envolve a escola, os professores, os alunos, os pais, a comunidade, que interagem no processo de ensino). O planejamento escolar tem, assim, as seguintes funções: • Explicitar princípios, diretrizes e procedimentos de trabalho docente que assegurem a articulação entre as tarefas da escola e as exigências do contexto social e do processo de participação democrática. • Expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico, político- pedagógico e profissional, as ações efetivas que o professor irá realizar em sala de aula, através de objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas de ensino. • Assegurar a racionalização, organização e coordenação do trabalho docente, de modo que a previsão das ações docentes possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e evite a improvisação e rotina. • Prever objetivos, conteúdos e métodos a partir da consideração das exigências propostas pela realidade social, do nível de preparo e das condições sócio- culturais e individuais dos alunos. • Assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente, uma vez que torna possível inter-relacionar, num plano, os elementos que compõem o processo de ensino: os objetivos (para que ensinar), os conteúdos (o que ensinar), os alunos e suas possibilidades (a quem ensinar), os métodos e técnicas (como ensinar) e a avaliação, que está intimamente relacionada aos demais. • Atualizar o conteúdo do plano sempre que é revisto, aperfeiçoando-o em relação aos progressos feitos no campo de conhecimentos, adequando-os às condições de aprendizagem dos alunos, aos métodos, técnicas e recursos de ensino que vão sendo incorporados na experiência cotidiana. • Facilitar a preparação das aulas: selecionar o material didático em tempo hábil, saber que tarefas professor e alunos devem executar, replanejar o trabalho frente a novas situações que aparecem no decorrer das aulas. Para que os planos sejam efetivamente instrumentos para a ação, devem ser como um guia de orientação de devem apresentar ordem seqüencial, objetividade, coerência, flexibilidade.
  37. 37. 5.3- Etapas do planejamento de ensino 5.3.1 conhecimento da realidade: Para poder planejar adequadamente a tarefa de ensino e atender às necessidades do aluno é preciso, antes de qualquer coisa, saber para quem se vai planejar. Por isso, conhecer o aluno e seu ambiente é a primeira etapa do processo de planejamento. É preciso saber quais as aspirações, frustrações, necessidades e possibilidades dos alunos. Fazendo isso, estaremos fazendo uma Sondagem, isto é, buscando dados. Uma vez realizada a sondagem, deve-se estudar cuidadosamente os dados coletados. A conclusão a que chegamos, após o estudo dos dados coletados, constitui o Diagnóstico. Sem a sondagem e o diagnóstico corre-se o risco de propor o que é impossível alcançar ou o que não interessa ou, ainda, o que já foi alcançado. 5.3.2 requisitos para o planejamento • Objetivos e tarefas da escola democrática: estão ligados às necessidades de desenvolvimento cultural do povo, de modo a preparar as crianças e jovens para a vida e para o trabalho. • Exigências dos planos e programas oficiais: são as diretrizes gerais, são documentos de referência, a partir dos quais são elaborados os planos didáticos específicos. • Condições prévias para a aprendizagem: está condicionado pelo nível de preparo em que os alunos se encontram em relação ás tarefas de aprendizagem 5.3.3elaboração do plano: A partir dos dados fornecidos pela sondagem e interpretados pelo diagnóstico, temos condições de estabelecer o que é possível alcançarem o que julgamos possíveis e como avaliar os resultados. Por isso, passamos a elaborar o plano através dos seguintes passos: • Determinação dos objetivos.
  38. 38. • Seleção e organização dos conteúdos. • Análise da metodologia de ensino e dos procedimentos adequados. • Seleção de recursos tecnológicos. • Organização das formas de avaliação. • Estruturação do plano de ensino. 5.3.1.4 execução do plano: Ao elaborarmos o plano de ensino, antecipamos, de forma organizada, todas as etapas do trabalho escolar. A execução do plano consiste no desenvolvimento das atividades previstas. Na execução, sempre haverá o elemento não plenamente previsto. Às vezes, a reação dos alunos ou as circunstâncias do ambiente dispensa o planejamento, pois, uma das características de um bom planejamento deve ser a flexibilidade. 5.3.1.5 avaliação e aperfeiçoamento do plano Ao término da execução do que foi planejado, passamos a avaliar o próprio plano com vistas ao replanejamento. Nessa etapa, a avaliação adquire um sentido diferente da avaliação do ensino- aprendizagem e um significado mais amplo. Isso porque, além de avaliar os resultados do ensino- aprendizagem, procuramos avaliar a qualidade do nosso plano, a nossa eficiência como professor e a eficiência do sistema escolar. 5.4 – O Plano da Escola. O plano da escola é o plano pedagógico e administrativo da unidade, onde se explicita a concepção pedagógica do corpo docente, as bases teórico-metodológicas da organização didática, a contextualização social, econômica, política e cultural da escola, a caracterização da clientela escolar, os objetivos educacionais gerais, a estrutura curricular, diretrizes metodológicas gerais, o sistema de avaliação do plano, a estrutura organizacional e administrativa.
  39. 39. O plano da escola é um guia de orientação para o planejamento do processo de ensino. Os professores precisam ter em mãos esse plano abrangente, não só para uma orientação do seu trabalho, mas para garantir a unidade teórico-metodológica das atividades escolares. 5.4.1 Roteiro para elaboração do plano da escola • Posicionamento sobre as finalidades da educação escolar na sociedade e na nossa escola • Bases teórico-metodológicas da organização didática e administrativa: tipo de homem que queremos formar, tarefas da educação, o significado pedagógico-didático do trabalho docente, relações entre o ensino e o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos, o sistema de organização e administração da escola. • Caracterização econômica, social, política e cultural do contexto em que está inserida a nossa escola. • Características sócio-culturais dos alunos • Objetivos educacionais gerais da escola • Diretrizes gerais para elaboração do plano de ensino da escola: sistema de matérias – estrutura curricular; critérios de seleção de objetivos e conteúdos; diretrizes metodológicas gerais e formas de organização do ensino e sistemática de avaliação. • Diretrizes quanto à organização e a à administração: estrutura organizacional da escola; atividades coletivas do corpo docente; calendário e horário escolar; sistema de organização de classes, de acompanhamento e aconselhamento de alunos, de trabalho com os pais; atividades extra-classe; sistema de aperfeiçoamento profissional do pessoal docente e administrativo e normas gerais de funcionamento da vida coletiva. 5.5 –Componentes básicos do planejamento de ensino O plano de ensino é um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano ou semestre. É denominado também de plano de curso, plano anual, plano de unidades didáticas e contém os seguintes componentes: ementa da disciplina, justificativa da disciplina em relação ao objetivos gerais da escola e do curso; objetivos gerais; objetivos específicos, conteúdo (com a divisão temática de cada unidade); tempo provável (número de aulas do período de abrangência
  40. 40. do plano); desenvolvimento metodológico (métodos e técnicas pedagógicas específicas da disciplina); recursos tecnológicos; formas de avaliação e referencial teórico (livros, documentos, sites, etc) 5.6– Planejamento de Aula: A aula é a forma predominante de organização didática do processo de ensino. É na aula que organizamos ou criamos as situações docentes, isto é, as condições e meios necessários para que os alunos assimilem ativamente conhecimentos, habilidades e desenvolvam suas capacidades cognoscitivas. O plano de aula é o detalhamento do plano de ensino. As unidades didáticas e subunidades (tópicos) que foram previstas em linhas gerais são agora especificadas e sistematizadas para uma situação didática real. A preparação da aula é uma tarefa indispensável e, assim como o plano de ensino, deve resultar num documento escrito que servirá não só para orientar as ações do professor como também para possibilitar constantes revisões e aprimoramentos de ano para ano. Em todas as profissões o aprimoramento profissional depende da acumulação de experiências conjugando a prática e a reflexão criteriosa sobre a ação e na ação, tendo em vista uma prática constantemente transformadora para melhor. Na elaboração do plano de aula, deve-se levar em consideração, em primeiro lugar, que a aula é um período de tempo variável. Dificilmente completamos numa só aula o desenvolvimento de uma unidade didática ou tópico de unidade, pois o processo de ensino e aprendizagem se compõe de uma seqüência articulada de fases: • Preparação e apresentação dos objetivos, conteúdos e tarefas. • Desenvolvimento da matéria nova. • Consolidação (fixação, exercícios, recapitulação, sistematização). • Síntese integradora e aplicação. • Avaliação. Isto significa que não devemos preparar uma aula, mas um conjunto de aulas.
  41. 41. 7.1 Como elaborar um plano de aula? O primeiro passo é indicar o tema central da aula. Exemplo: matéria-prima e produto. A seguir devem-se estabelecer os objetivos da aula. Exemplo: Ao final das atividades propostas o aluno será capaz de: • Identificar matéria-prima e produto • Compreender os processos de transformação de matéria-prima em produto, relacionando com as questões ambientais. • Destacar as principais indústrias de seu município e a origem das matérias primas. • Listar produtos transformados de matéria-prima, utilizados no seu cotidiano. Em terceiro lugar indica-se o conteúdo que será objeto de estudo. Exemplo: • Matéria-prima. • Produto. • Matéria-prima e sua procedência. • As indústrias do município. Em quarto lugar estabelecem-se os procedimentos e recursos de ensino, isto é, estabelecem-se as formas de utilizar o conteúdo selecionado para atingir os objetivos propostos. Nesse caso, por exemplo, para o aluno identificar matéria-prima, produto e processos de transformação, pode-se programar com eles uma excursão a uma indústria. Assim, o professor pode planejar uma excursão como ponto de referência para ele próprio, mas não deve dar o planejamento pronto aos alunos. Proceder a orientações quanto a conceitos básicos que os alunos devem dominar antes da visita. Deverá, sim, estimula-los para que, com seu auxílio, planejem a excursão. Para isso procurará levantar com seus alunos as questões mais interessantes e sobre as quais gostaria de obter respostas, como, por exemplo: • Nome da fábrica. • Endereço da fábrica. (área industrial, urbana...) • Número de operários da fábrica.
  42. 42. • Diferentes tipos de funções dentro da fábrica. • Salários. • Matéria-prima e sua procedência. • Produtos fabricados. • Utilidade dos produtos. • Qualificação profissional das pessoas que trabalham na fábrica. • Como a fábrica faz a preservação ambiental. • Existem programas de qualidade de vida para os operários e programa sociais. Em quinto lugar, no dia seguinte ao da visita, deve-se fazer uma síntese integradora das informações colhidas pelos alunos. Além disso, outras atividades complementares poderão ser desenvolvidas. Assim, aproveitando a experiência adquirida com a excursão, cada aluno poderá individualmente entrevistar uma pessoa que trabalha em alguma fábrica e obter dela as seguintes informações: • Em que fábrica esta pessoa trabalha. • Qual a função que desempenha e sua formação escolar. • Número de operários que trabalham na fábrica. • Que a fábrica produz. • Material usado na fabricação dos produtos. • Como a empresa preserva o meio ambiente. Ao retornarem das entrevistas o professor deve proporcionar um espaço para troca de idéias, onde cada aluno expõe o achou interessante em sua entrevista, estabelecendo um paralelo com os relatos dos colegas, onde o professor fará a mediação do processo de discussão. Em sexto lugar, o professor proporciona a consolidação com atividades variadas, que pode ser realizada no decorrer do processo e não apenas em um momento específico. Outra atividade que pode ser desenvolvida consiste em investigar que matéria-prima é utilizada na fabricação de uma série de objetos usados pelo próprio aluno, como sapatos, lápis, bola, caderno, livro, etc. Finalmente, o planejamento da aula deve prever como será feita a avaliação. No exemplo que
  43. 43. estamos considerando, não podemos propor apenas questões do tipo: • Que é produto? • Que é matéria-prima? • Que é indústria? Procedendo dessa maneira, estamos avaliando apenas se o aluno memorizou essas definições. Precisamos, nesse caso, propor situações de avaliação que possibilitem verificar se o aluno realmente é capaz de identificar o produto e matéria-prima em situações novas. Poderíamos, por exemplo, propor as seguintes situações de avaliação: • Solicitar que os alunos recortem de jornais e revistas nomes e figuras de matérias-primas para que o aluno indique os produtos que podem ser fabricados a partir delas. • Dar uma relação de produtos conhecidos do aluno para que ele indique a matéria-prima da qual é feito cada um deles, podendo montar jogos da memória a partir da seleção. • Aplicar ao aluno uma série de com questões variadas, para que ele assinale as proposições que correspondam ao conceito de produto e/ou matéria-prima. • Apresentar um texto para que o aluno o interprete e indique o que é produto e/ou matéria- prima. 7.2 Vamos revisar o nosso planejamento: • Releia os objetivos gerais da matéria. • Verifique a seqüência no plano de ensino. • Observe se os alunos estão preparados para o estudo deste conteúdo novo. • O desdobramento do tópico da unidade possui uma seqüência lógica. • Os objetivos específicos estão de acordo com a proposta do plano anual, bimestral... • A idéia central do tópico está clara no conteúdo programado. • O número de aulas é suficiente para o tema proposto. • O desenvolvimento metodológico e interessante e estimula a participação ativa do aluno e prevê: o Preparação e introdução do assunto.
  44. 44. o Desenvolvimento e estudo ativo do assunto. o Sistematização e aplicação. o Tarefas de casa. • Foi previsto a avaliação diagnóstica, formativa e somativa, isto é, no início, durante e no final das atividades. Sabemos que o êxito dos alunos não depende unicamente do professor e de seu método de trabalho, pois a situação docente envolve muitos fatores de natureza social, psicológica, o clima geral da dinâmica da escola, etc. Entretanto o trabalho docente tem um peso significativo ao proporcionar condições efetivas para o êxito escolar dos alunos. Ao fazer a avaliação das aulas, convém ainda levantar questões como estas: • Os objetivos e conteúdos foram adequados à turma? • O tempo de duração da aula foi adequado? • Os métodos e técnicas de ensino foram variados e oportunos para suscitar atividade mental e prática dos alunos? • Foram feitas avaliações da aprendizagens dos alunos no decorrer das aulas (formais e informais)? • O relacionamento professor-aluno foi satisfatório? • Houve uma organização segura das atividades, de modo a ter garantido um clima de trabalho favorável? • Foram propiciadas tarefas de estudo ativo e independente dos alunos? • Os alunos realmente consolidaram a aprendizagem da matéria, num grau suficiente para introduzir matéria nova? SINTETIZANDO... 1- AO fazer um estudo minuncioso sobre planejamento escolar, elabore um plano de aula de acordo com a disciplina que leciona.
  45. 45. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Bibliografia ANTUNES, Celso. Professores e Professauros: reflexão sobre a aula e práticas pedagógicas diversas. Petrópolis,RJ: Vozes, 2007. CAMPOS, Casemiro de Medeiros. Saberes docentes e autonomia dos professores – Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. CANDAU, Vera Maria. A didática em questão. 24 ed. Petrópoles: Vozes, 2008 LIBÂNEO, José Carlos. Profissão Professor ou Adeus professor, Adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 7ª ed. – São Paulo: Cortez, 2003. – (Coleção Questões de Nossa época: v.67). _________. Tendências Pedagógicas e suas manifestações na prática escolar. In Democratização da Escola Pública. São Paulo, Cortez, 1995.
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