Entrevista: Jonathan Jenkins | Exit 28_2012 (pt)

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Entrevista: Jonathan Jenkins | Exit 28_2012 (pt)

  1. 1. REVISTA EXIT® 28ª edição “Da Inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” Jan-Dec 2012 Entrevista | Jonathan Jenkins, Chief Executive, The Social Investment Business (Londres, Reino Unido)Dianova: A mensuração / avaliação é um tema quente nos dias que correm no sector social, com cadavez mais financiadores a quererem saber exactamente de que forma é que o seu dinheiro está a serutilizado, e com as organizações sem fins lucrativos a efectuarem avaliações rigorosas para provar queos seus programas funcionam e atraem fundos para o seu crescimento. Isto é suficiente para atrairnovos investidores sociais? Ou é necessário adoptar outras métricas de avaliação para alcançar umamaior confiança no investimento por parte dos novos investidores?Jonathan Jenkins: É verdade que as organizações sem fins lucrativos estão a ver cada vez mais de queforma poderão demonstrar o impacto do seu trabalho nas pessoas que beneficiam do seu trabalho,sendo igualmente correcto que os doadores e investidores estão a perguntar cada vez mais por essainformação.Neste domínio, existem dois desafios que se colocam actualmente aos líderes das organizações sem finslucrativos. Primeiro, quanto investir neste tipo de métrica. Pode tornar-se caro, quer ao nível monetário,quer ao nível de tempo. Para evitar trabalho desnecessário e a duplicação do mesmo, é preferível queessa medição do impacto seja integrada no próprio quadro de medição do desempenho da organização.Como é que esse quadro é desenvolvido diz respeito ao segundo desafio, que se prende com quemetodologia utilizar. Só no Reino Unido existe agora uma série de instrumentos que ajudam a medir oimpacto social, do retorno no investimento social aos resultados alcançados. Estas ferramentasdesempenham diferentes papéis e são adequadas para transmitir determinadas informações para Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 1
  2. 2. determinados públicos. Por isso, é importante que os líderes das organizações sem fins lucrativosescolham qual a metodologia mais apropriada para cada um deles.Para um investidor tem pouco sentido tentar ser prescritivo acerca da metodologia a usar, e forçar umametodologia desadequada poderá ser um desperdício. Além disso, a maior parte dos investidores nosector investem através de fundos, estando, por isso, a financiar uma série de organizações distintas. Oque importa para o investidor é o desempenho do portefólio como um todo e, consequentemente, énecessário agregar a análise à medição do impacto que as organizações se comprometeram fazer paraproduzir este portefólio.A análise do impacto é uma tarefa dos intermediários da finança social, como o SIB Group. Para levá-la acabo, estes usam o The Good Analyst, desenvolvido pelos nossos parceiros “Investing for Good”. Esteprocesso permite que as várias formas através das quais as organizações escolhem comunicar o seuimpacto sejam agrupadas para que o investidor possa ver o retorno social combinado do seuinvestimento.Para mais informações acerca do The Good Analyst: http://www.investingforgood.co.uk/thegoodanalystDianova: Os doadores enfrentam um difícil dilema, a propósito da medição. Querem assegurar-se queos seus fundos estão a fazer a diferença e, para tal, exigem compreensivelmente relatórios. Até queponto é que a falta de rigor nas métricas de avaliação leva a um fraco investimento social neste tipode organizações? O que precisam de fazer estas organizações para ganharem a confiança dosinvestidores?Jonathan Jenkins: É correcto dizer que o mercado de investimento social precisa de crescer e,efectivamente, medir o impacto é uma maneira importante de estimular o crescimento.Dianova: O “Investimento Social” ou o “Investimento de Impacto”, como muitas vezes é chamada esta forma de financiamento, representa um complemento importante às bolsas e às subvenções governamentais. Os investidores sociais investem tipicamente em organizações com uma robusta missão de mudança social, que gera receita, mas que ainda não são considerados comercialmente atractivos. Como mudar o paradigma de investimento nas grandes organizações do terceiro sector?Jonathan Jenkins: Claro que os investidores sociais têm muita vontade de apoiar organizações queatinjam um nível elevado de impacto social. Porém, é importante ter em mente que o investimentosocial tem a ver com um retorno combinado, o que significa que os investidores terão em conta duas Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 2
  3. 3. linhas de fundo – verem as provas de um impacto social significativo, mas também procurarem obterrendimento financeiro dos seus investimentos.O mercado do investimento social torna-se mais forte devido à diversidade deempreendimentos/projectos sociais na calha – das organizações locais aparentemente “não-financiáveis” que procuram aumentar o capital para um edifício para a comunidade, até empresassociais comercialmente sólidas que celebram contractos de vários milhões de libras. A maioria dosempreendimentos sociais, bem como outras PMEs privadas, têm negócios para gerir, mas estão focadasno retorno do impacto social. É o caso do HCT Group, que compete no ramo da indústria transportadorano Reino Unido com os maiores players comerciais (como o Arriva e o First Group) e gere uma série deserviços de transporte, incluindo alguns dos itinerários dos icónicos autocarros vermelhos, o transporteescolar, o Park and Ride e outros transportes públicos.As organizações que apresentam o retorno do impacto social já não são mais vistas como “organizaçõesdo Terceiro Sector”, sendo percepcionadas como inovadoras, que aderem ao empreendedorismo ecapitalizam novas oportunidades surgidas do desinvestimento do sector público. Estesempreendimentos sociais podem ser registados como instituições de solidariedade social, empresassociais, mutualidades, cooperativas, bem como empresas de propriedade privada que procuramaumentar o seu impacto social.A prioridade número um para desenvolver o mercado é fazer aumentar o número de empreendimentosde investimento social. Apoiar a disponibilidade para o investimento é crucial e, para a maioria, para talacontecer, é necessário que sejam financiadas através de bolsas que permitam às organizaçõesdesenvolver as suas competências, processos e plano de negócio. Em última análise, alguns destessubsídios podem ser reembolsáveis, mal a organização tenha assegurado o investimento. No ReinoUnido, estamos a gerir um fundo de investimento de £10m, apoiado pelo Governo, no qualfornecedores autorizados trabalham de perto com as organizações com vista a construírem capacidadede desenvolver propostas de investimento.Dianova: Quais são as principais motivações dos investidores sociais? Pensa que o fazem por caridade, para passarem uma boa imagem pública ou simplesmente porque acreditam verdadeiramente nos projectos e na organização que contribui para solucionar um problema?Jonathan Jenkins: Surgem investidores sociais de todas as formas e tamanhos e com diferentesmotivações no mercado. Por exemplo, o Governo inglês tem sido uma peça-chave no financiamento deprojectos ligados à inovação e apostou o seu dinheiro num conceito, tal como fizem com o Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 3
  4. 4. “Futurebuilders England”. Outros intermediários da finança social, como o Big Issue Invest, BridgesVentures, Triodos Bank e o Social Investment Business, têm estado sobretudo envolvidos no negóciodos empréstimos a empreendimentos sociais (social ventures) para apoiar projectos de filantropia bemsucedidos, mas que não conseguiam aumentar o capital. Tal deu a intermediários como nós umprofundo conhecimento dos modelos de negócio que permitem um retorno misto. Principiantes nestemercado, como o Deutsche Bank, foram atraídos por este tipo de retorno.O investimento social tem sido amplamente apregoado como uma nova classe de activos emergentes(Impact Investments: an emerging asset class J P Morgan 2010) e 2012 é o ano decisivo, com olançamento do Big Society Capital, que vai canalizar mais do que £600m para os intermediários dafinança social criarem uma gama de produtos para os empreendimentos sociais e construírem umaestrutura de mercado. Os gestores tradicionais começam a ver os investimentos sociais de formadiferente – para além da Responsabilidade Social Corporativa.Todo este novo capital significa igualmente novos produtos, como o “Investing for Good’s CharityProgramme”, que ajudou a Scope a angariar £20m para expandir a sua rede de lojas de caridade. Temosigualmente vontade de mudar para o universo do retalho, o que significa que poderíamos falar cominvestidores que seriam depois capazes de incluir um produto de investimento social no seu portfólio deinvestimento. O relatório da NESTA de 2011 apresenta um quadro promissor para produtos de retalhono mercado do investimento social.Eu disse antes que tenho um sonho, que qualquer pessoa possa tornar-se investidor social, seja o seuorçamento de £5 ou um bónus de £5m. Este sonho está ancorado à minha crença na eficiência dosmercados, e na crescente procura dos investidores de retalho. Apesar de tudo, não me parece um sonhoassim tão absurdo de perseguir.Dianova: Como promover o impacto social nos dias que correm, condicionados por uma profunda crise financeira e por uma sociedade céptica em relação ao seu próprio trabalho humanitário?Jonathan Jenkins: Já não é apenas o sector social que fala de “capitalismo moral” ou de “capitalismoresponsável”. Todos os líderes dos três maiores partidos ingleses falam dele. De facto, até parece que ostrês lutam entre si por este posicionamento. Considerava possível um Primeiro-ministro conservadorreferir que a Responsabilidade Social Corporativa não pode ser uma iniciativa fácil de fazer o bem paraaliviar a consciência corporativa, mas que, ao invés, os valores sociais nucleares deverão ser parteintegrante de uma estratégia de negócio? E mais, que este anunciasse que o Estado irá intervir no Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 4
  5. 5. sistema financeiro e corporativo para legislar onde a moral, a ética e a responsabilidade social sãoultrapassados pela ganância monetária?Mesmo há um ano atrás seria uma grande surpresa, mesmo no auge da “Big Society”. Hoje em dia,graças aos esforços de todos no sector, mas mais importante, graças ao espírito “anti-banca” geral daopinião pública. Estamos a debatermo-nos com a segunda recessão em muitos anos. Esta situação estáa tornar-se num campo de batalha mais mainstream para os corações e mentes dos votantes.Portanto, o que é o “Capitalismo responsável”? É propriedade e controlo – patrões vs trabalhadores,accionistas vs empregados por conta própria? Não integralmente. Isto não tem a ver apenas combanqueiros e cooperativas. E é irrealista esperar que cada organização financie o seu crescimentoatravés de um “employee buy-out”. Então, quem providencia o dinheiro?À medida que a consciência individual das oportunidades aumenta, como a de aplicar as suas poupançase investimentos num fundo, trabalhando para um retorno social e financeiro, e à medida que se tornarmais fácil efectuar estas operações com a criação de fundos e produtos financeiros, estou convencidoque o “Joe-saver” vai entrar no mercado a gosto e antecipar o capital institucional de forma muitogalante e louvada.Finalmente, e mais importante para mim, o Governo necessita de reconhecer o investimento social e osempreendimentos sociais como parte do clássico debate sobre o empreendedorismo. O SocialInvestment Business demorou 10 anos a emprestar dinheiro a empreendimentos sociais viáveis e não-financiáveis pelos bancos tradicionais e estamos felizes ao partilhar essa experiência, tal como tenho acerteza que o Big Issue Invest, o Venturesome, o Bridges, o Triodos, o Key Fund também estarão.Dianova: Onde investir nesta altura? Qual o tipo de organizações que nos trarão um maior impacto social para a sociedade e para os mercados?Jonathan Jenkins: Temos um historial de sucesso de empréstimos a projectos sociais, de saúde,educação e de empreendimentos comunitários. Projectos sociais que possam mostrar um modelo denegócio sustentável e evidenciem o seu impacto social têm muitas oportunidades de mudança no sectorpúblico. Recentemente apoiámos o Center at Threeways na sua missão de transferir activos da maiorcomunidade em Inglaterra, e estamos a planear igualmente transformar a escola Riddings em Overdennum pólo de desenvolvimento empresarial que será propriedade da comunidade.O nosso Investment and Contract Readiness Fund de £10 está a ajudar projectos sociais a abordaráreas-chave do seu negócio, tais como: uma liderança eficaz, plano de negócios e estratégico, finanças, Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 5
  6. 6. governança, políticas e procedimentos de forma para tornar mais atractivos a potenciais investidores ecomissários.Ler versão original (EN) e completa da Revista EXIT 28ª edição Jan-Dez 2012:http://issuu.com/dianovaportugal/docs/exit_magazine_28_jandec2012_dianova Revista EXIT® 28ª Jan-Dez 2012 “Da inovação ao Investimento Social: aliados de propósito sustentável” 6

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