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Lamentos

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Poemas Depressivos de um Adolescente em Crise

Poemas Depressivos de um Adolescente em Crise

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  • 1. De: Daniel P. FontesEm: 1996-1997Tipo: Livro de PoemasNome: LamentosObs.: Alguns poemas não tem nomeVultos distorcidos, imagens de meu infernoA dor e o ódio corroem minha almaE o mundo é tão vago, tão vago...E as pessoas tão ruinsO doce aroma do fracassoSe mistura com minhas lágrimas de derrotaOfuscado pelo brilho do vencedorO amargo amor pela vitóriaTudo acabando em melancoliaTristeza e choro em minha vidaTudo de que me lembroTudo que possuoTudo que não quero18 anos de vida18 anos de fracasso06/08/96Aos gemidos minha alma me imploraAlegria alegria, a vida é bonitaMas que droga, tudo é cinza e vermelhoO Sol já não brilha, e a dor se dispersaO amor eu não conheçoE que dúvida me aparece agoraTudo se transforma em raivaChoro como os grandes o fizeramO gelo milenar que chamo de coraçãoPulsa fraco por mais atençãoNada é como antesA dor se foi, mas voltaráQue triste é o destino de se sofrerSem ao menos se saber o porque06/08/96Possuo sentimentos sem nomeQue se movem por todo o meu corpoLogo a dor irá voltar, e então eu morrereiMas antes nada deverá ser vistoPêlos olhos que me fitam agoraTudo pelo que lutei algum dia
  • 2. Se foi com o ódio discreto de minhas derrotasCorro em busca de minha pazMas nada encontro em meu coraçãoVazio como o espaço que nos cercaMe debato e então agonizoAs lágrimas nada são a não ser convitesPara o nada que é minha vidaE o ódio, correndo como energiaQue me move e me saciaOh! Vil entidade que me controlaChore, ante minha derrota06/08/96Pulsos interminates, sangue em meu corpoCorrendo dentro de meus sonhosTrevas eternas, canções proféticasDesespero e ódio, raiva com medoSustos e surpresas, malditas, malditasA mente sendo esmagada pêlos homensO animal retornando novamente ao seu larExplosões solares, entre Vênus, entre UranoA não existência completa de tudoNenhuma luz, nenhum amorNada que seja tangívelCordas e correntes, ganchos e espadasCortam minha carne, cortam minha almaE do fundo deste ser pensanteO Inferno parece ser sua vidaE em seu leito de morte, o alívioPor saber que nada no futuroPoderá ser pior que o presente08/08/96Correndo, correndo, voar para láEm terras podres eu piso a vida inteiraMas amo a terra podre, que me alimentaQue me castiga, que me humilhaQue me judia, e judia, e judia...Que tanto me fez sofrer e chorarQue tanto me fez matarPiedade, piedade. Sofra e então choreNadando em um mar de lamaVocê contempla o paraíso, e então vai parar no InfernoE seu sangue se mistura ao suorE suas lágrimas à sua dorCavando sempre para baixo, inquietoO coveiro lhe convida a entrarEm sua casa, que é a terra09/08/96
  • 3. Eu voava por um céu de enxofreE caía em um mar avermelhado como sangue quenteMinha pele era de aço, mas eu derretiE sem asas para voar a dor me abate, certeiraComo se eu nunca houvesse me conhecidoAs asas me foram arrancadasFoi amarrado e acorrentadoNão pude mais brincar ou ser felizMeu peito ardeu, meu corpo ardeuMe ardi de emoção ao ferir profundamenteMeu próprio corpo morto que anda por aíMeus sonhos foram mortos por toda a sociedadeA mesma sociedade para quem os construíA mesma que eu tanto amavaAh! Se um dia eu voltar a ser felizQue seja pela dor de meu companheiroOu pelo amor de uma mulherPara mim, ambos são iguais20/08/96Em folhas em brancoTento dispersar toda minha dorEm busca daquilo que queriaNada achei, só o que repudiavaCores abundantes, várias, dançam a noite todaEm camera lenta eu vejo teus passosE corro para os braços de minha donaAcabo com todas as chances que tinhaDe ser feliz,e caio em uma depressão eternaPoucos são os que me viram felizFico cansado só em pensarComo seria a alegria de serUma pessoa normal, e terTudo que eu sempre quis terSer feliz e ter amigosNamorar, casar e ter filhosTrabalhar, sofrer, e morrerAssim como o gelo, eu fui frio a vida todaO ódio me guia, o ódio me dominaE com meus ossos partidosEu caminho para trás, e para trás ...Dando as costas ao destino que possuíaMeu coração se parte com um leve toqueE dentre as emoções que já sentiA mais poderosa e terrível que sentiFoi, sem sombra de dúvidaO Amor10/08/96
  • 4. Toda minha dor se traduz em dorPelo chão está escorrendo a minha vidaSangue em que me banho todo o tempoMe visto com meu medo deste mundoCorrendo como maluco, ofegando, parandoA morte, sedutora que me quer tantoBanha em ódio minha alma, que chora, e gemeTento ser o que nunca sereiEu trilho a vida, que é meu caminhoSeu fim não verei, nunca mais o vereiSe desse ao menos para sonharE talvez ser melhor do que souEu seria meu próprio sonhoSeria o rei deste mundoSeria o senhor da minha vidaQueria tentar ser o que não souMas não tento, sem saber por quêMeu coração descompassa, como um moribundoMas morto eu ainda não estouAinda tenho pessoas que me cercam, mas sou sóCorto os meus laços, corto os meus pulsosSonho, e então choro por ser apenas um sonhoEstas idéias serão lidas um diaE eu já terei morridoPorém, viverei em seu espíritoE degustarei de tua felicidadePois serei teu cão guiaNas trevas que são esta vida10/08/96Nunca mais me humilhará novamenteJá estou com nojo desta vida rastejanteQueria morrer logo e não sofrer tantoQueria ficar sozinho, isolado destes humanosVocê nunca gostou mesmo de mimEnxugue estas falsas lágrimasVocê mal sabia o meu nome, portanto pare de me torturarNunca mais olharas em meus olhosNão ira mais me excitarNunca poderei sentir o calor de seu corpo no meuEu poderia chorar, mas todas já secaramA morte vem, galopando em seu corcel negroSua foice corta o ar, e eu posso sentir sua respiraçãoNão tenho mais tempo, portanto me fale logoA vida é curta, e você também morreráNão vamos mais nos preocupar em agradarNão queria morrer sem antes experimentar vocêNão posso mais suportar , tenho que te perguntarAlgum dia você já amou?05/04/94
  • 5. Cavalos selvagens correm pelas planícies sem fimA paz me beija, como se estivesse me esperandoComo se soubesse que você seria o que éQue sabe dos segredos negros que escondem a alma humanaOs nossos fantasmas nos assombram todas as noitesAs noites são escuras, e negras são as lembranças que nos corroemE ao melancólico som das pessoas se amando em volta de mimMe faz chorar sem vergonhas ou pudoresNunca fracasse, e nunca regresseA não ser que venha aos meus pés, e me implore perdãoPerdão por ser um humanoSe você tiver que fazer, você virá e o faráE não reclame da vida, pois ela é boa, meu amigoPense na fome que mata, e na guerra que desgraçaQue desgraça a nossa vida, a vida de todos nósDe todos nós daqui do Brasil da AméricaDe todo mundo, de meu negro coraçãoE desta vergonha todos nós nos banhamosE uma vez banhados seremos impuros e humilhadosNão é sem querer que eu reclamo desta droga de mundoQue podia ser tão bonito, e puro, e limpo, e calmoSem pessoas para então os estraga-lo10/07/94Se um cemitério enterra pessoasO meu coração enterra horroresNão penso mais no meu fimPois a cada instante eu recomeçoE não mais cesso em minhas idéiasViajo por todo o Universo, por todo que é vivoE choro de ódio ao ver o desprezo egoístaQue nos corroem, a todos nós, como câncerPois que venham os anjos, e nos purifiquem de todo o malSem fronteiras e sem barreiras, e nos coloquem de igual para igualNos purifiquem com fogo e sanguePois as palavras não nos afetam maisToquem nossos corações com metais perfurantesNos levem para voar, e nos joguem lá do céusOs anjos vingadores, tão puros e justosLimpam nossas almas com seu próprio sangueNos gelam com seu olhar e nos machucam com espadasE então sepultam nossos corpos em cemitérios carnaisNos condenando a presos ficarmos aos nossos restos mortais26/07/94O cheiro da morte pairava no arEra todo amargo, cheiro e gosto amargoPodia até mesmo ser a morte, aliMas ela deveria ser mais belaEla deveria ser bem mais bela
  • 6. Mais bela do que uma rosa negraQue nasce em meio a rosas brancasQue nascem em meio a rosas vermelhas mortasMais especial do que o 106º elementoMais mística do que o alinhamento das duas luas de MarteMais perfeita do que a vida em seus últimos suspirosMas ela não éDeus, como queria que fosseMas não é19/09/96Um gosto doce desce minha gargantaEla paira como uma névoa em meu estômagoE meu corpo todo vibra e se inflamaContra esta auto-mutilação física e psicológicaEu caio em um abismo grande e profundoE minha vida é arruinada conforme caio, e caio, e caioSofro com cada investida, mas persistoPersisto como um homem sem amorEm busca de felicidade em um mundo infelizE sem lágrimas para mais chorarEu me contorço, e gemo, sem nada falarAs luzes, fracas, se apagam por completoUma negritude total invade tudoE eu me deixo levarPelas criaturas que se alimentamDe minha fraqueza, minha solidão19/09/96Meus olhos se fecham, como as portas da minha menteViajo para meu passado, para minhas lembrançasVisito amigos esquecidos, amores renegadosMas nada disto é real. NadaE não poderei mais ser felizPois nada disto é realNão poderei mais viverPois minha vida não é realNão posso mais sonharPois agora tudo é realE meus sonhos nada representamA não ser a esperança de um homemQue um dia queria amarMas este direito lhe foi negadoE, condenado, ele vaga pelo mundoQue lhe foi duro e rudeA vida lhe doeu até o último diaNo qual ele contempla toda sua existênciaPara então chorar, chorar...Nada fez em sua pequena vidaNada de que se orgulheApenas coisas de que se arrepende
  • 7. Apenas coisas insólitas, coisas pequenasCoisas fúteis, que lhe distorcePor que ele nunca foi o homem que gostaria de serMas era o homem que eraEra um homem comumEste homem era euEste homem sou eu16/09/96O sentido de tudo se perdeEnquanto eu penso em besteirasE meus amigos todos já se foramApenas eu fiquei para olharA noite que vai morrendoE o dia que vai nascendoNinguém para abraçarApenas lembranças de um dia felizEm que nós fomos vistos separadosApenas gestos fabricadosE nada mais do que istoO Sol me cega com seu primeiro raio de luzE me desperta para o vasto deserto que é minha vidaPequenos oásis nada são comparados ao grande desertoApenas poças de esperança, que um dia secamSomente alívios temporários, pausas de minha dorNada que possa ser levado a sérioPois nada poder me arrancar esta dorQue nasceu comigo, e me mata a cada diaAgora só vai anoitecer de novo mês que vemE então eu poderei descansar novamenteDesta dor que tanto me afligePoderei deitar meu corpo e então pararPara então finalmente compreenderQue minha dor é eterna21/09/96Nuvens escuras encobrem meu sonharPois agora densas são minhas idéias, meus delíriosE de uma chuva negra e triste se embebe minha vidaQue se vê viva por um instante, para então murcharE voltar a ser aquilo que sempre foi: nadaAté os portões do inferno se fecharam para mimE nomes nada significam agora que estou morrendoPorque nunca pude viver meus sonhosQue eu tanto queria viver realmenteMas nenhum deles pude saborearPorque a vida não foi longa o bastanteE eu nunca fui bom o suficientePara as por em prática, para as viverO mundo se escora em mim, para não cairNa mesma desgraça em que caí
  • 8. A desgraça de ser infeliz, de ser ruimE de ser infiel a si mesmoDe amar alguém que não lhe conheceDe matar seus sentimentos mais íntimosDe amarrar seu coração no pé da mesaE só soltá-lo quando for tarde demaisE assim, como um velho lobo expulso da matilhaTer que viver sozinho, e logo morrerPor não ter mais forças para caçarA sua felicidade30/09/96As correntes se quebraram, se partiramMas eu não posso mais fugirDurante anos eu sonhei com este diaE agora que ele chegou eu não sei o que fazerAlguém me diga, por favorEu não sei mais como é ser livrePorquê eu nunca soubeE todas as respostas eu queria terMas tenho apenas as perguntasQual será a verdade que me é escondidaPois tudo que eu conheço é mentiraTudo que faço é erradoTudo que queria não possuoMinha única companheira é a dorE o meu desejo, um amorPorém, meus sonhos nunca se realizamE eu continuo nesta escura prisãoQue não tem mais paredes e nem correntesEla me prende pois me deixou com medoAgora eu tenho medo de viverTenho medo de ser felizMe ajudem, me ajudem, eu imploroMe ajudem a ser normalMe ensinem a ser felizPorquê eu nunca poderia esquecerO que eu nunca soubeEu só queria ser amadoEu só queria amar e ser feliz08/10/96Não é tão difícil quanto pareceSer feliz só é diferenteUma emoção cantante e legalQue rasga como luz as trevas da vida e da morteÉ a consumação de todo o prazer de um ser humanoSe resume ao último suspiro de dorOu ao primeiro de amorAh, felicidade fictícia. Me descubraÉs tão pura e utópica, velha amiga
  • 9. Tão distante e brilhanteNão poderei mais te desfrutarPorquê o destino me condenaA eternamente infeliz eu serSem motivos para mais viverEu deixo tudo de lado e desistoNão penso e não existoNão ando, não me movoDeixo a todos, e então morro09/10/96Lágrimas na escuridão caem de meu rostoSe não posso te ter não posso mais amarSó posso sofrer e gritar, em pararNão posso mais dormir, só sonharE nos sonhos sou solitário como aquiEsta emergente angústia me faz chorarEu queria fugir daqui, mas estou presoEstou preso neste mundo, como vocêPelo menos estou preso com vocêMas nada disso adianta. NadaO sangue escorre pela minha cabeçaE a morte suga minha pequena vidaE morro, enfim, para então dizerQue nada pode ser melhorDo que curtir o completo nada com você09/10/96És uma paixão ardente, que corre dentro de mimQue me mutila e me faz infelizPorquê a primavera está acabadaE o Verão já se foiSó me resta o Outono e os desejosPois logo será o invernoE então tudo será como o infernoAonde eu sofro todo que possoAonde minha alma arde e se contorceE meu coração canta tristemente uma velha cançãoAonde eu vejo todos se divertindoEnquanto eu choro e me isoloE onde eu vejo a ti, sem mim se alegrandoEu me vejo triste, e chorandoA agonia se faz então minha própria vidaE eu volto então para a curta Primavera10/10/96Pairando no ar, oh, vil objetoÉs tão misterioso e intriganteO que serias de mim sem ti?
  • 10. Leve-me daqui contigo, companheiroPois estou tão só e tristeE todas as pessoas são cruéisLeva-me daqui, leva-me para longeLeva-me contigo, por favorE tu, em formas abundantes me apareceRedondo, oval, cumprido ou triangularTira-me daqui, leve-me para o teu larCompanheiro de descrenças, amigo meuSei que tu existes, pois existo tambémÉs um grande segredo, como meu coraçãoFlutua, grande peça de sei lá o quêE faça-me um pouco mais normal10/10/96Uma voz sussurrou meu nomeTentei responder, mas as palavras me fugiramAo invés, apenas tive medo de tudoApenas por não compreender nadaTalvez mesmo que um dia compreendaEu ainda sentirei medoPorquê o conhecimento nos faz enxergar o mundo de verdadeE sei que a visão não deve ser nem um pouco belaPoderia ser a morte a me chamarOu um demônio a me tentarQuem sabe um anjo para me salvarNada mais importa, não para mimA vida é ruim, as vezes insuportávelNão sei se agüento até o fimAfinal, está doendo tanto...E para mim são privadas as coisasTantos sentimentos não sentidosTantas risadas não dadasTantos beijos não conquistados...Mas meu coração se apertaE eu sorrio, chorandoSozinho, sem ninguém ao meu ladoEu me lembro destas coisasSomente para lamentar por tudoQue fiz e não fiz. Mais pelo que não fizSou um covarde, e tenho vergonhaPois só seria verdadeiramente honradoSe cumprisse minhas promessas de fim de anoE dentre todas elas estava um pedido em comumSer feliz e amar, mas como vejo, não devo ter palavraPois estou mais sozinho do que quando nasciE somente quando for tarde demais eu poderei saberQuem me chamou naquele diaSe a voz tivesse as respostas que precisoNada disso eu teria escritoEla continua a falar, mas nada dizSó me resta enfim ser feliz
  • 11. Ou então fazer uma lobotomia10/10/96São todos meus amigosQue um dia me deixaramNão pude fazer nadaA não ser chorarPor pessoas que um diaEu cheguei mesmo a amarMas que hoje não são mais nadaSomente obstáculos na ruaDos quais vivo a desviarTalvez não fossem amigosEram apenas ilusõesComo aquelas que eu tenhoEnquanto estou dormindoSó que eram tão realQue eu até mesmo jurariaQue tudo aconteceuMas como tudo em minha vidaForam somente os meus sonhosQue se extravasavam para o mundo realEm forma de poesia, amizade e tristezaRevejo tudo como um filmeE como dói me lembrarQue um dia fui alegre e felizE que como areia deixei tudo escaparPor entre meus dedosE que antes eu reclamava por nadaE que hoje eu continuo reclamandoPor coisas fúteis e pequenasComo não amar, e não ser felizComo querer se matarPara enfim poder sorrir14/10/96E quando o Sol se pôrA muito eu terei partidoPara ver as nuvens se secandoE por ti ficar chorandoQuando o Sol nascerEu já terei ido emboraPara viver apenas em tuas lembrançasComo algo distante e incorretoAfinal do que me vale ser felizSe todos estão chorando?O espírito humano não é mais o mesmoPorquê as pessoas já estão mortasComo árvores no meio de uma queimada
  • 12. Que o fogo não pode extinguirE quando o Sol de apagarTodos nós nos encontraremos na escuridãoPara então cantarmos e dançarmosSobre o alvo luar que paira no arE então os acólitos da noite a nós se unirãoPara celebrarmos o fim do mundoBeberemos muito, será legalLogo o frio dará lugar a um aconchegante calorAonde poderemos desfrutar da felicidadeAonde seremos enfim nobres e compreendidosPois estaremos todos mortos16/10/96Oh! Poderosa droga que me vicia! Faz de mim teu fiel escravoContanto que me sirva a viagem pela tua vontadeMe leve pra Saturno, me leve para a felicidadeQue é curta e passageira, e me despeje, depois neste mundo cruelTHC, Morfina, Crack, HeroínaMe leve daqui, para nunca mais voltarMeus olhos, se fechando levementePorém, as luzes não param de piscarCorrem como cobras famintas e poderosasCheias de Veneno, cheias de vocêQue corre em minhas veias, afetando meu cérebroE me fazendo levitar por campos verdes e bonitosPara acordar no escuro e frio destino, a realidadeOh! Viajem química! Quem te prova não quer te deixarOu te deixa obrigado ou te deixa mortoQuem te ama uma vez te ama eternamenteQuem te quer agora é minha menteQue não consegue parar de pensar em tiOh! Viagem química psicodélica viciante21/08/96Minhas desculpas são lamúriasQue ecoam pelo tempo e pelo espaçoTão ruidoso é o meu penarQue já esqueci de onde ele vemTalvez seja eu que goste de sofrerMas me olho e perceboQue isto seria erradoMinhas desculpas são súplicasQue se molham e se secamQue se cuidam sem minha ajudaPersistentes como são, nunca me deixarãoE eu as odeio tanto...Queria ser você, queria ser normalQueria ser feliz, queria ser banal
  • 13. Mas meu destino é um barco sem velaQue é levado conforme a correntezaE que é virado com o mais leve ventoMinhas desculpas são lamúriasQue carrego comigo desde a infânciaAdormecidas elas nasceram em mimE despertaram com minha primeira dorQueria morrer a viver e sofrerMas não quero mais ser covardeCaminho então pela vida, acompanhadoSomente acompanhado pelo meu destinoSomente acompanhado pela minha dorE sem nenhum ou qualquer amor15/09/96O sono embriagante me invadeE nada mais no mundo importaSó quero dormir mais um poucoPara escapar da realidadeE sonhar apenas com coisas belasPois no meu sonho não existem pesadelosJá me basta viver em umDormir mais um pouco apenasNada mais que issoAdentrar em uma enorme escuridãoE dormir sem nunca acordarNunca mais despertarMorrer de sonoMorrer dormindo inocentementeQual não deve ser o prazerDe se deixar levar pela morteEnquanto Morfeu observaE aplaude de pé17/10/96Pura indefinição é minha vidaContemplo o passado e nada vejoObservo o presente e nada compreendoSuponho o futuro, e de nada tenho certezaAfinal, seria o homem dono de seu amanhãOu condenado estaria, desde o primeiro diaA um destino certo seguir?Infelizes como eu serão aquelesQue não lutam por nadaPorquê uma vitória só será saboreadaSe o sangue de inocentes e impuros for derramadoE a dor invadir todo o seu corpoNada cai do céuSomente morte e desgraça
  • 14. E a felicidade, rara como OuroTambém se encontra das profundezasSó que da alma humana17/10/96Destruição por toda a partePessoas gritando de dorOutras implorando por amorMas o mundo acabou agoraE de nada mais adianta sorrirSó nos resta chorarAo vermos nossos amigos mortosE gargalhar ao vermos nossos inimigosQue estão em covas rasasSó que de nada vale maisSorrir ou se sentir bemTodos estão morrendo lentamenteNesta guerra malditaQue temos que travarNesta guerra malditaQue chamamos de vida22/10/96Os mares vão secarE toda a terra morreráAs pessoas desaparecerãoE só restará silêncioIsto é somente meu pequeno sonhoQue um dia desejo realizarPois estou cansado de viver entre tolosQue se vangloriam por serem humanosCaminho pelas noites, arrogante como sempreE o céu é minha vitrine sideralOlho para o céu sabendo que uma estrela não é estrelaE sim uma coisa na qual ninguém mais crêUma coisa que existe, mas ninguém admiteComo tantas outras do dia-a-diaCrianças que vivem pelas ruasOu as pessoas que vão morrendo por esta vidaOu pessoas torturadas pela sociedadeE as criaturas que a controlamPessoas que as vezes me questionamO motivo de todo este ódioE então eu respondo que o sintoPor causa de pessoas como elasQue conseguiram acabar com meu amorQue estupraram meu único sonhoQue destruíram minha felicidadeQue me tornaram o que sou
  • 15. Sou um ser humano que enfim descobriuQue toda sua raça foi um erroE que esta deveria morrerE que o espírito não existeSó existem fantasmasQue assombram a vida das pessoasQue as faz serem boas ou másMas agora já é tardeNão existe mais desculpasPara o crime que foi cometidoPorem crianças inocentesNeste mundo corrompidoDeus, oh, DeusBebeste quando nos criou?Se não, por que tudo isso?Por que tanto sofrimento, tanta dor?Deus, por favor, pareNão nos abandone agoraSe não podes mais nos salvarPelo menos acabe com nossa dorNão nos permita mais saberO quão longe podemos irNão nos permita maisPare agora, e cale-se para sempreTua fraqueza foi tua misericórdiaDeus, pare agoraE não ouse derramar uma só lágrimaPor uma vida humanaPois nenhuma vale issoOu qualquer coisa maisSó lhe peço uma coisa a mais, DeusComesse esta matança por mim18/10/96A terra está sugando o sangueDaqueles que lutaram tantoPara no final morrerPessoas que sofreram tantoPor acreditar que um diaTudo poderia mudarSó que no final sua recompensa é a morrerE aqueles que nunca sentiramA paixão de uma luta em seus coraçõesDe nada aproveitaram esta vidaPorquê ela corre por seu corpoE te faz sentir bemPor te fazer se sentir vivoPor que de nada adianta lutar agoraPois a morte é sua recompensaO céu cristalino observa sinistramenteAs pessoas que vivem sob sua proteção
  • 16. Sabe que de nada adianta os acolherPorquê, no final, morrerá como todosE nada poderia fazerAssim como todos os outrosNão será possível sobreviverAssim como eu, assim como vocêsAssim como todos nósNo final nada terá valido a penaPorquê a morte será nossa recompensaDo que adiantou lutar tantoDo que valeu sofrer desse jeitoPara no final morrerSeria mais fácil sermos apenas felizesPara fazer a vida valer a penaPorquê ela só já dói tantoQue eu preferia não ter nascidoPara ter como recompensa, no finalApenas a minha morte22/10/96Nada sou perante o UniversoE nada sou perante vocêsPorquê sou apenas umEntre o infinitoE queria tanto poder ser alguémMas não souAssim como queria ser legalE ser feliz, e amigávelNão sou nada distoSou um grão de areia no desertoUma gota de água no oceanoEnquanto você é bem maisÉs uma estrela no espaçoÉ o destino da vida de alguémVocê é tudoE eu sou nadaÉ engraçado pensarQue no fim somos a mesma pessoa22/10/96Não quero mais me lembrarQue posso amarNão quero lembrarQue posso me machucarPode ser bom durante o atoMas no final alguém sempre se magoaE eu não quero mais me magoarPorquê nunca pude suportarA dor de se despedir
  • 17. A mágoa que me faz chorarO medo de ser infelizE o ódio por se deixar levarPor emoções tão primáriasQuanto o amor e a paixãoQueria não poder sentir nadaNem amor, nem ódioSomente pazQue persigo tantoSem nunca alcançar24/10/96É tão odioso passar os diasDentre 4 paredes brancas e chão sujoAonde heróis cretinos tentam, incertosMartelar idéias sem sentido em nossa menteLavar nosso cérebro, e se possível nossa almaPessoas ou zumbisControladas como bonecos pela sociedadeE que tentam desesperadamenteAmarrar-nos cordões de controlePara sermos manipulados tambémNada de real aprendemosApenas coisas que nunca usaremosSomente lixo culturalQue todos insistem em dizerQue é ouroMais vale se viver uma guerraE levar tiros e estilhaçosDo que se deixar levarPor simples bonecosE passar os dias atrás dos livrosQue falam sem nada me dizerNada que queira aprenderNada que possa aproveitarJá esqueci até mesmo meus sentimentosPor causa desta maldita lavagemQue conseguiu estragar minha doce vidaQue deveria ter o verde dos camposE o azul dos céusE agora é só preto e brancoDe meus livros de colégioDe meus cadernos rabiscadosDas anotações deste poemaDa minha carta de suicídioE de meu testamentoTudo por causa desta lavagemDesta maldita escolaDa maldita escola da vida05/09/96
  • 18. Queria tanto poder te falarQue já não sou uma criançaE que choro por tolicesQue choro pelo seu amorMas as palavras me viciaramE eu não sei mais falarSó o que sei fazerÉ amar vocêPor favor, olhe para mimE me diga se pode algo assimAmar como estou amando a tiTeu gosto imagino em minha bocaE tua pele eu sinto em meus sonhosQueria tanto te tocarMas você está tão longeE de nada me valeráDizer que um dia amei assimSe nada fazer para te terE é por isso que eu choroPor seu um covarde que amaQue tem medo de ser rejeitadoE assim evitar a dorSó queria olhar em teus olhosE ignorar tudo ao redorE olhar em tua almaE te abrir meu coraçãoE mostrar toda esta dorQue agora morreuPor causa do amorComo uma flor que nasce no invernoE dura até o verãoEste sou eu agoraSou eu chorando de emoçãoQueria só dizerQue te amo mais que tudoMas as palavras não queriam sairAté desmaiei de prazerPorquê sonhei com vocêDesmaiei ao acordarSaí de meus sonhos profundosAonde você ma amavaTanto quanto eu te amo agoraMeu sonho é esta realidadeAonde nada posso mudarNada a não serO amor que sinto por vocêNão quero mais te chamar a atençãoSó quero dizer o que já disseSó quero acreditarQue posso ter esperançasDe que um dia, talvezNós possamos ser mais do que amigos
  • 19. Porquê algo assim não é passageiroÉ coisa para vida inteiraMeu coração a sangrarE a pulsar esta paixãoQue me fez chorarE novamente perder as palavrasE nada te dizerSomente a coisa que você já sabeSomente coisas legaisNão sei se você gosta de mimMas isto não me preocupaNão maisPois se você estiver felizEu estarei tambémE se quiser que eu me caleEu não falo maisEu não quero que vocêFique triste por mimSe não me queresTudo bemSó te peço uma coisaPreste atençãoSe não podes me dar teu amorDê-me carinho e compreensãoNão tenho ninguém nesta vidaSomente a mim e minha menteSomente meus irmãosSó uma dor no coraçãoQue agora voltouJá que meu amor não pode ser possívelNão pode ser verdadeAlguém te amar como eu te amoMas me parece tão realQue eu não sei se posso acreditarAfinal vivo meus sonhosMas este amor é de verdadeChega a ser palpávelPra não dizer tangívelNão é absurdo dizerQue eu amo vocêPode ser mentiraTalvez eu esteja sonhandoNada poderia ser tão bonitoNeste mundo real e cruelNada poderia ser tão bonito quanto vocêSó este amor galopanteE eu que tinha vergonha de te dizerQue sentia algo tão bonitoQuanto o amorAgora imagino como seriaSe eu realmente lhe disserEu sonho toda noiteEm te dizer tudo isso
  • 20. Mas ainda não seiSe é o momento idealSó sei que te amo tantoQue estou quase a morrerE de nada irá valerVocê saber e não quererO meu amor por ti05/11/96Deixarei de sofrer no dia em que morrerOu no dia em que acordarDeste pesadelo horrívelQue é minha curta vidaE ao abrir os olhos eu não vi vocêE por causa disso eu chorei de medoPor pensar que você havia me deixadoMas então percebiNão havíamos nem sequer nos achadoNeste mundo cãoQue me separa de meu amorAmor que nem conheço o rostoMas sei que existe em algum lugarE que está também a me procurarSerá que é verdade ou sonhoQue um dia nos encontraremos de verdadeE nosso sofrimento acabaráMeu amor pode estar ao meu ladoE cego de amor eu não posso enxergarPois procuro uma beleza que não se pode verPorquê não posso me perder agoraQue estou tão perto de ser felizAgora que o amor bateu em minha portaEu não posso me perder de ti agoraQue eu te encontreiE mesmo que você não me acheEu juro que um dia hei de te acharSe já não acheiDentre pessoas tão próximasAs grades estão se abrindoE meu coração poderá voar de novoSe é que algum dia já voouEu não me lembro se isso ocorreuEu só quero o que é meuO direito de amar livrementeE o direito de ser amado por alguémEu só queria poder te beijarMas antes terei que te conquistarComo é injusto amar assimSem poder ser amado por quem se amaÉ triste e gelado o meu amor agoraA chama que outrora aquecia tudo
  • 21. Se apagou por não ter mais o que queimarMas eu tento continuar a teimarEm ser um pouco mais felizDesgraças eu vejo todos os diasE vivo sempre a reclamarMas talvez no dia em que eu te acharVocê venha até mim e me beijeE eu serei feliz novamenteE poderei cantar e dançarTeus olhos são verdesE tua pele é macia e quenteTão quente que me ascendeu novamenteA chama da vida e do amor05/11/96No Inferno gemidos ecoam altoE meu nome é gritado com forçaEu sou só mais um diabo na TerraEu sou um diabo que queria ser anjoMas como diabo eu só posso ser ruimMeu peito se aperta em dorE eu não posso mais conter este ardorQue queima minha alma e minha menteQue me faz querer matar toda esta genteNão posso mais conter meu grito de dorEu quero gritar para me livrar deste carmaNão posso mais te levar adiante meu amorPorquê daqui o abismo não possui mais voltaE eu quero cair sozinho, meu bemPortanto procure outro buracoQue não seja eu para se afundarNão quero mais te machucarNão mais, meu amor, não maisTalvez tenha sido um erro seuPensar que eu sou como os outrosSó sei que normal eu não souPorquê eu devo ser um demônioQue se encharca de sangue de fetos inocentesE dança a noite toda entre labaredasE que ama sofrer com toda esta dorMas isto nada quer dizer, meu amorSó quero dizer que eu sofroPorquê sei que eu te amo mais do que a mimE que você me ama mais aindaMas nunca terá coragem de me dizer14/11/96O céu está escuro como a noiteMais o Sol ainda brilha
  • 22. Meus olhos estão abertosMas não posso enxergar vocêMe perdoe por te fazer sofrerAcredite, foi sem quererNão queria que você soubesseO quanto dói não ser amadoNão que eu quisesseMas eu já me sinto ultrapassadoSe não posso mais te verDo que valeu viverSe não posso mais te sentirDo que adiantou eu nascerDesculpe, mas prometi a mim mesmoQue nunca iria chorar por esta dorSe você vai embora, vá agoraE nunca mais olhe para trazPorque você pode se arrepender um diaE pode querer voltarMas com certeza já será tarde demaisE a chuva molhará minha sepultura cinzaE a chuva se misturará com tuas lágrimasA partir daí você sentirá o que eu senti14/11/96Gosto de escrever coisasQue ninguém leráAssim não tenho que me preocuparEm ser bonito ou descontraídoOu então ter que tudo rimarAssim posso ser eu mesmoAssim posso chorarMinhas lágrimas são a tinta desta escritaE esta escrita , minha alma despidaSem enfeites ou belezasSomente minha almaSem maquiagem , sem brilhoNão é bonita , não é legalMas posso garantirÉ puramente realPois posso gritarE ninguém ouviráAssim como em minha vida realReal é esta escrita malditaQue me vivia como cocaínaE que me tenta como um demônioMe tenta a escrever os versosVersos perfeitos , diabólicosOs versos mais perfeitos do mundoMas nada disso posso fazerSomente desejarSomente idealizar
  • 23. Os versos que queria tanto cantarE as coisas que eu queria falarA areia é escaldante e claraE meus pés eu já não sintoEu caminho , para a frenteNão amigo , eu não mintoMinha jornada está chegando ao fimE a vida eu tenho que aproveitarNão fique preocupada por mimAgora eu vou poder sonharMinha alma está logo a frenteE por mim ela clamaMe sinto tão contenteOuso uma voz que me chamaJá caminhei muito até aquiE voltar está fora de questãoSó voltarei por você , amorE por mais ninguémSó que talvez seja tarde demaisE eu não possa mais voltarDesta viagem loucaQue todos falam que é viverPor favor , amor , me chameMe dê um motivo para viverAgora que encontrei minha almaEu vejo que ela está mortaE só meu corpo oco vaga pelo caminhoQue abri em sua buscaMe chame de volta , por favorE preencha o espaço que foi de minha almaCom o teu mais puro amor19/11/96Nesta tarde de OutonoMinha lágrimas molham como a chuva que cai lá foraE meu coração ferve de dor por mais uma vezPor ter sido traído por meus sentimentosPor mais uma vez ser rejeitado sutilmenteE seguir meu caminho olhando pra trazSomente para chorar por coisas assimQue só me fazem sentir malNão posso viver só com o amor de DeusÉ muito mas falta uma coisa aindaMe falta o amor de uma mulher de verdadeQue me queira como souE que goste de ouvir Rockn RollE que chore ao ouvir meu coraçãoQue grita nestas letras de emoçãoE que aceite que eu também a ameAssim como eu nunca ameiEu só quero alguém pra vida inteira
  • 24. E já não estou nem aíSe eu morrer agoraPorquê não tenho ninguémAssim como ninguém me temEu não queria mais chorarMas é tão difícil quanto matarMatar um coração que pulsaPor outro que pulsa tambémE calar aqueles que se amamPara não invejar este amorPara não invejar o que não tenhoPara nunca lembrar deste diaEm que meu coração tanto sangrouE amargo é o sangue que veio a minha bocaE que não o cuspi por medoDe esquecer que um dia sofri por amorE por isso esquecer que um dia ameiE assim não lembrar que sou como todo mundoSó que mais infeliz e tristeE desprovido de sorte emotivaQueria morrer e deixar tudo pra trazMeu bom Deus, que me ama tantoPorquê não posso amar ao próximo?Porquê não posso ser feliz?Porquê não posso sorrir de verdadeE beijar aquela que amei?Porquê não poderei ter filhos?Porquê sou assim?Tão complicado assim?Queria entender estas coisasE queria não ter que perguntarSeria mais fácil eu não ser euE sim outra alma em meu corpoOutra pessoa vivendo minha vidaOu então um milagre de JesusAh, JesusMostre-me o caminho para longe daquiMostre-me o caminho para a felicidadeMostre-me o caminho para o amor de uma mulherPorquê o seu eu já possuo20/11/96Tudo já se foiDe um jeito gostoso e fabulosoAgora encontrei minha razãoAntes não havia harmoniaAgora entendo por queTudo já se foiPara dar lugar a algo maior em meu coraçãoPara esquecer meus problemasMas ainda sim não ser de todo feliz
  • 25. Já não choro por meras tolicesMas ainda sofro por não possuir o que quase todos temRecuperei minha verdadeira vidaAquela em que sei que Deus e Jesus me amamMas que nenhuma humana seria capazDe querer compartilharÉ verdade, ainda choro por um amorMas não como antesAntes havia dor desejadaAgora só tenho dor repelidaDor que realmente não queria dentro de mimMas que tenho que conviverMas que tenho que combaterTudo que peço é uma mulherTudo que peço é uma mulher que me ameComo eu a amariaO amor por Jesus é infinito, eu seiMas meu coração é ainda maiorSe não, por que tamanha tristezaPor que tamanha dorPor que tamanho desejoTudo que tenho a oferecer é minha dedicaçãoJá nem tenho mais vergonha de implorarPelo amor de uma mulherE Deus ouve isto de mim todas as noitesE somente ele sabe por que não posso27/11/96Não ouças minhas palavrasNão ouças minhas suplicasApenas ouça meu coraçãoEstá a pulsar, forte, firmeMas não serás assim para sempreUm dia deixarás de baterAssim como o teuE de que terá me valido viver, ó SenhorSe nenhum amor além do teu eu tiveSe não fui capaz de despertar amor em mulheresTalvez eu não seja digno do teuPois assim sendo, eu não sei o que é amorSe não posso sentir o que os outros sentemIsto me torna um aleijadoÉ. É isso. Eu sou um aleijadoUm aleijado que não sabe andarUma pessoa que não sabe amarSeria a morte minha amante?Não. Tão sinistra e bela, dama da morteEla é assim como eu. DestituídaSem direito ao amor27/11/96
  • 26. E quando a chuva de minha vida acabaMinha primavera se esvai em agoniaO outono me torna mau e arrogantePois minha chama se apaga a cada diaO inverno adentra em mim ainda jovemE se perlonga até o infinitoO verão ainda não chegou aquiNem frutas e nem flores, nada é bonitoO vinho que provas é meu sonho de liberdadeTe embriaga e te enoja, te vicia e te destróiMonta em ti como cavalo de montariaTe domina como potro, te comanda como donoE correndo ao lado do abismo da loucuraVocê contempla a insanidade e se questionaSe quem é louco é você ou são os outrosOlha o teu medo com os olhos fechadosE o sente se aproximar e te devorar até a almaConfuso você se acha uma vítimaMas no fundo você é o pai desta criaturaEla surge das profundezas de sua menteE mastiga seus pensamentos como pãoTe castiga para sempreA ser somente mais um dentre muitosE enquanto você lamenta, sua vida se acabaEscorre como lama pútrida para o fim de uma ruaCorre em direção ao infinitoE tudo que encontra é o nada absolutoSurpreso com a idéia você dá gargalhadasE chora de medo por estar loucoA loucuraA loucura é uma bostaUma merda em que você se atola todoPara nunca mais poder sairApenas afundar, afundar...Para emergir em um mar sagradoOnde pessoas foram sacrificadasPor outras que dizem amar a DeusMas que só querem é poderE nada mais resta no mundo para ser corrompidoA não ser meu coração loucamente insanoQue pode não ser o mais perfeitoE que é imaculado como uma virgemPorquê ele ainda é virgemAssim como meu corpo esguioQue deseja tanto mas não é desejadoE que agora abdica deste sofrimento eternoA que essa loucura me condenouTodos estão loucos, todosSó me restou minha insanidadeMas não posso mais me dar ao luxoDe amar pessoas adoráveisQue não querem me amar
  • 27. Por isso sou loucoSou louco porquê cansei de sofrerSou louco porquê cansei de amar29/11/96Estou loucoEnlouqueci completamenteNão posso mais viver assimPorquê estou loucoMinha loucura é palavra não ditaÉ morte contidaDentro de uma sepulturaSou louco por acreditar em CydoniaE na foto 35A72Sou louco por acreditar nas pessoasSou louco por pensarQue um dia viveremos juntosCom amor e prosperidadeEnquanto que a realidadeGrita-me que nãoGrita-me que sou loucoPois você nunca me amaráComo amo a tiPerguntei ao PajéSe podia enlouquecer um diaE ele me disse que eu já estava loucoSó por perguntarTalvez os donos desta casaMe deixem morar aqui mais um poucoE assim eu possa sonhar maisSomente com vocêE assim vou abastecendo minha insanidadeQue se ergueu de minha fraquezasE de minha chagas no coraçãoQue vem pulsando fracoMas contínuo e compassadoAtrás de você que me viciouSei que nunca mais nos veremosSei que nunca lerá istoMas saiba que ainda penso em vocêMesmo agora, tanto tempo depoisE fico a imaginar como teria sidoSe eu não fosse o covarde que fuiCom medo de te perder por completoMe perdoe por não dizer que te amoMe perdoe por ser louco10/12/96Fim da Ilusão - Realidade Bruta
  • 28. Era só o que eu não queriaFicar em pé e te olharTão bela e graciosaAmando a outro e não a mimPode até ser egoísmoMas não quero mais me trairJá chorei por ti durante a noiteE sofrer sem gritar é ruimMeu coração não sabe falarSó sabe escrever e ouvirE é por isso que sou assimÉ por isso que não sou felizPorquê feliz seria euSe te fizer acreditarQue tenho um amor que nunca morreráAo contrário, como agoraSó poderá continuar a crescerSem nunca mais pararÉ tão difícil de dizerQue te gosto mais que a mimE escrevi tudo isso para tiSó para dizer que meu coraçãoSe espanca por você todo segundoE que meus pensamentosNão me dizem mais nadaA não ser o teu nomeA não ser tua imagemE eu aqui, tão triste e sóQuerendo lhe entregarCoisas que são de seu pertenceMinha almaMeu amorMinha vidaQueria tanto te ver assimTão bonita, tão forteTão minha musa e minha paixãoJá chorei por muito tempoE quero te ter comigoMas sei que não possoPorquê você parece tão feliz com o outroMas acalento esperanças tolasDe que você volte atrásE me pegue em suas mãosE me deixe te fazer felizAssim como eu queria que fosseMeu sonho de criançaTe ter comigo, bem pertoE sentir esse teu perfume, único e tentadorE tua pele, um veludoMe abraçaria uma vezE eu estaria felizAssim como és agora, desejo
  • 29. E eu seria o que na verdade eu souSeria um homem felizQue te amaria ao máximoQue um homem pode amar uma mulherEu queria parar de sofrer assimPara degustar do prazer que seriaSer teu par pelo resto da vidaNão serão estas palavras que te convencerãoMas sim meus atosPorém, não sei o que é necessárioPara te fazer em mim crerEm minha adoração e amor por tiPensei em um beijoUm simples e molhado beijoMas me contive, infinitas vezesPara não acabar com o pouco conquistadoEu te amava e amo tanto...Mas não tenho coragem de tentar te beijar assimPois é tanto o amorQue tenho medo de desagradarEu sonho em te tocarE te sentir em mimEm meu corpo, em minha almaPois estou em uma agonia tremendaAntes eu pensava em você durante o diaAgora penso também durante a noiteSem contar em meus sonhosAntes pensava em você na colégioAgora penso também no trabalhoSem contar em meu descansoNão consigo te apagar de mimNão quero parar de pensar em vocêPois descobri que te amoQuando penso em você, nada mais importaO mundo pode acabar ou pegar fogoMas só você me importaPois é só a você que eu amo assimPor que você me drenou tudo de ruimE me acolheu quando eu mais necessitavaEm teus braços amigosMas agora eu te quero todaPor que te amo de um modo diferenteDaquele que você queriaEu te amo mais que tudoNão sei se é errado amar-te assimSe for, peço desculpasMas agora é tarde para evitarNão sei o que fazerE não quero te forçar a nadaSó peço teu amorO mesmo amor que tenho por vocêEste amor que ultrapassa meus obstáculosE me faz ter esperanças em tudo
  • 30. Sobretudo em vocêEu queria poder te beijarTanto é meu desejo por vocêQue acho que vou chorarDe dor e sofrimento por este amorTão grande e bonitoQue nasceu em meu peitoE está quase a explodirEu quero te abraçar, te amarMas temo que seja improvávelQue você deixe a aconchegante e segura luzQue é teu romance com teu amorPara se aventurar nas sombras distantesQue são meus sentimentos de paixãoQue possuem um único guia:Meu amor por vocêNão queria te implorar teu amorSó queria que tudo pudesse ser diferenteE que nós fossemos amantes eternosE que fossemos parte um do outroMas devo ter chegado tardeSó queria que soubesseQue te amo muito mais do que pude explicarE muito mais do que seria possívelSe não tivesse te encontrado02/12/96Monastério de Coração AbertoQuem te disse que eu gosto de preto e branco?Ou que sou contente com o que tenho?Ninguém sabe, ninguém pode dizerNinguém pode mais me conterEu quero explodir como um vulcãoE mergulhar na lava, tal qual minha paixãoSó com você, e sem mais ninguémQuero me matar, quero te terQuero te possuirPara poder parar de gemerE enfim poder viverTalvez ninguém possa responderPor que não pode ser assimAlgo como uma nova pessoaTipo o cara que conquista a todasMas o problema é que eu quero vocêE é você que tem que ser minhaPor que eu já sou seuDesde o dia em que te conheciTe desejei, me apaixoneiAssim como poucos são capazes de fazerComo eu vivo este amor tão grande e forte
  • 31. Que rasga-me por dentro como lâminasQueria te beijar, te apertar, te afagarQueria você dentro de mimSó espero que um diaVocê venha a me querer dentro de vocêPara que eu possa deixar para trásTodos os dias em que viviSó para curtir o amanhã ao teu ladoSem ligar para os outrosMas você é tão cruelPodia bem largar tudo para ficar comigoDeixar para trás essa paz e segurançaDe um romance subjetivamente furadoE se aventurar pela vida comigoE juntos seríamos felizes e alegresTão forte é tudo isso que possuoDentro de meu peitoTão forte é esse desejo louco por vocêTão bruta e fatal é esta paixãoSolte-se destas amarrasEm que você se aprisionouIgnore o que sua mente lhe dizE siga seu coração até o meuNão quero pena, quero amorOu isso ou nada maisJá cansei de ser bomNão quero mais implorarSó que eu nunca imploreiE também nunca faleiDevia ser mais fácilSe abrir para a mulher que se amaMesmo que esta já tenha outroDevia ser mais fácilDizer a verdade e agir corretamenteSe expandir invariavelmentePara cima e para dentro de si mesmoDevia se mais fácilDizer que te amoE ser feliz com vocêE passar o resto de minha vida ao teu ladoÉ mais que um sonho, é uma juraMas sou um condenadoA passar meus dias solitárioPor ser tão burro assimE ainda assim nutrir esperançasDe que um dia você me queiraComo homem, como amantePor que não paro de pensar em tiE em como eu seria completoSe você me aceitasse como o que quero serComo teu tudo, como tua baseComo teu amor eterno, como seu homemPara te amar pela eternidade
  • 32. Antes que eu deixe-me levarPelas águas que transbordaramDo rio chamado vida04/12/96A chuva não parou aindaE nunca mais vai pararA chuva vai molhar a tudo e todosE continuará até o amanhãEstá não é a previsão do tempoÉ a previsão de minha pobre alma10/12/96Já derramei muita coisa nesta vidaE perdi tantas outrasSangue e lágrimasAmor e pazMas desistir é tão difícil agoraQue vislumbro o horizonte avermelhadoE vejo nele meu destinoO de caminhar sempre a frenteMas dando as costas ao amanhãNão estou mais amarguradoMe sinto até um tanto anestesiadoPor ter sofrido tanto em tão pouco tempoE ao mesmo tempo tudo ser tão bomNão sei o nome desta coisaQue me faz sorrir e chorarQue me fez tanto desejarSer melhor e felizViver de verdade, como todosNão sei se é bom ter esperançasSó sei que as tenho novamenteVou me machucarAssim como já me machucoSó não sei se vale a penaPensar assim novamenteMas eu pensoPenso em como perco tempoPenso em quanto eu poderia ser felizMas eu não fuiSó fui triste, como agoraMas é tudo tão diferente agoraPrometi que não ia mais fugirE não é agora que vou emboraNão é agora que darei-te as costasNão é agora que deixarei de lutarLutar por você, doce criançaQue insisto em chamar de mulherQueria saber no que pensas
  • 33. Já que não pensas em mimE eu só pensando em vocêAntes de dormir, depois de acordarDurante sonhos confusosTeu rosto alivia minha desgraçaPor que posso sentirMesmo sem você me tocarSó que não posso te fazer me amarPor eu ser o que não souSó sei que estou sóO que me deixa desoladoPor que eu quero te abraçarMas outro te abraça agoraEu queria te beijarMas outro te beija agoraSó me resta lamentarPois esta é uma lutaQue só posso ganhar em seu coração29/11/96Morcegos da Meia NoiteEu disse nãoPara as coisas boasEu disse adeusAntes de dizer oláE a chuva cai sobre o campoE chove tanto agoraQue não sei se alguma coisaSerá capaz de suportar tal forçaE a chuva forma poçasE as poças se unemE juntas formam um lagoQue logo depois vira um oceanoQue escorre para dentro de si mesmoAssim como as coisas que abandoneiMesmo antes de conhecerLamentei todos os diasMas não posso olhar para trásPor que você nunca entenderiaPor que fiz o que fizSofro por não sofrerO que eu devia sofrerE nem curtir minhas dores pudePor que todos tentam me anestesiarDessa dor que não tem causaE nada posso saberSem beber o teu sangue mornoSem possuir o que te faz viverSem compreender as coisas estranhasQue se passam por minha cabeça
  • 34. E que eu não compreendoAgora abandono o jogoAgora largo tudo para me despedirJá que você não vai mais me verSe é que viu algum diaDuvido que seja assimTão triste e estupendoTão ardente e bonitoMas meus desejos não importamO que importa é vocêSe é que é vocêNão sei se devoTe chatear com meus medosMas agora eu já chateeiFoi sem quererE agora eu nunca mais te vereiAtrás do espelho em que me vejo todos os diasE nem na frente das pessoas com quem convivoNão mais te idolatrarei em meu templo , meu quartoA noite, no escuro e sozinhoA pensar em vocêE minha cama vira uma jaulaAonde eu estou preso sem ninguémE aonde os morcegos me fazem companhiaEnquanto o relógio bate 12 vezesAssim como pulsa meu sangueAssim como vagam meus pensamentosAssim como meu corpo morre a cada segundoEu lembro de você durante todo o tempoE não faço força para tentar esquecerPor que eu estou no InfernoE lembrar de você é bomMeus lençóis tomam vidaE tentam me matarMas eu não ligo maisPor que tudo perdeu o sentidoNo dia em que nasciNo dia em que te conheciNo dia em que me apaixoneiE agora só voltará a ter sentido quando eu morrerE talvez assim as coisas voltemA ser diferentes novamenteAgora é tudo tão normalQue nada me surpreendeSó vocêEu não devia lamentarPor coisas imprudentesQue realizo durante minha caminhadaPara a morte finalMas dói tanto ser privadoDe coisas tão primáriasQue me sinto roubadoPor pessoas sujas e anãs
  • 35. E isso me ira por completoTodos tem o direito de sofrer pelo que fizeramE eu só sofro pelo que nunca pude fazerNão há sofrimento piorDo que gostar de alguémE não ser capaz de lhe dizer tal coisaSeu coração se aperta tantoQue parece que vai sangrarE eu rolo pela cama, sem conseguir dormirE tenho terror quando vejo que é meia noiteE que todos estão se divertindoE que eu estou aqui a me martirizarPor coisas tão profundas e vagasTão ríspidas e imprópriasPara uma pessoa como euQue nunca se deixou machucar assimComo você me machucou agoraMachucado bom e gostosoMas ao mesmo tempo diferenteE estranho e doloridoEu era virgem desse sentimento tão grandeAgora sou completamente maculadoE cansado de sofrer resolvo abrir minha jaulaE deixo os morcegos entraremPara sugarem-me todo o sangueSó assim posso descansar desse sofrimentoDe te desejar sem poder te possuir, para sempreSó assim vou esquecer que te amo14/12/96Meia HoraJá era cinco e meia quando me toqueiQue nunca havia feito nadaEra cinco e meiaE eu não era nadaLembrei que devia ter feito coisasMas nada foi feito por minhas mãosQue não sei como eu amarreiE agora tento livrarEram cinco e quarenta e cincoQuinze minutos de solidãoEm que eu tentava me libertarDe minha armadilha, minha prisãoEm que correntes me cortam a carneEu ainda estava presoDentro daquele limbo escuroOnde eu não via nadaA não ser medoCinco e cinqüentaMais cinco minutos
  • 36. Neste claustro escuro e afóbicoAonde meu suor molha minhas roupasE meu sangue escorre e pingaCom um ar grosso e pesadoDifícil de se tragarParece um pesadeloMas é verdade mesmoSomos todos nós, presos em nós mesmosImersos em nossas pretensõesE às seis em pontoSeremos capazes de entender isso14/12/96A Mística dos Senhores da VerdadeSublinho coisas esquecidas pelas pessoasQue queriam esquecer coisas esquecíveisMas não podiam por serem coisas inesquecíveisSó Deus sabe a profundidade de nossas almasSomente nós mesmos poderemos ir até o fundoE refletir em como mudaremos nossas vidasE em como seremos esquecidos no futuroAssim como milhares de pessoasTodos os dias e meses e anosEsquecidas como as tragédiasComo as coisas pequenas e singelasComo a dor física e a vidaSó lembraremos do que importaDo dinheiro, da arrogância e da misériaNão somos estes monstros que criamosSomos algo mais sórdido e idiotaSomos humanos que pensam que são DeusSomos simples e pequenos idiotasQue possuem arreios e não podem olhar para os ladosE assim não podem ver os irmãos sofrerem16/12/96Lágrimas SecasEu rezo toda noitePara que Deus me perdoeEu oro por meu futuroPois temo meu amanhãPor que sou fracoE os fracos não sobrevivemA cruz me confortaComo confortou JesusQueria sentir aquela dorPara não lembrar das outras
  • 37. Que me atormentam a vidaPequeno como um tudoÉ assim que me sintoPequeno como tudo que é pequenoComo tudo que é baixoComo tudo que é fracoFelicidade? Talvez um diaAgora curto minha embriaguesPelo excesso de raiva e medoE dor e sofrimentoMe benzo mais uma fezMinha fé parece reflexoMinha vida vai perdendo sentidoSem uma âncora nessa terraSem uma mulher que me ameEu quero é me matar de novoEu quero é acabar com essa espera malditaEu quero largar tudo agoraE sumir para longe de tudoE ir para algum lugarOnde eu não fique triste e só14/12/96Na Beira do CaosJamais queira me dizerQue não sou esta figura decadentePor que sei que souJamais tente me obrigarA ser o que não souJamais venha até mimApenas para sentir pena de alguémJamais me digaO quanto é ruim ficar sem ninguémEu já sei a muito tempoEu jamais mentiQuanto ao fato de ser infelizOu o de desejar ser amadoOu ainda o de querer morrerPara por fim a este absurdoQue é a vida em que vivoVendo gente feliz, gente tristeGente rica, gente pobreGente boa, gente ruimE não ter coragem para fazer nada16/12/96As Últimas DescobertasAgora estou aqui
  • 38. Agora eu realmente estou aquiAgora acordei de meu sonhoAgora acordei para esta desgraçaNão posso mais olhar com os mesmos olhosQue olhava antes tudo que havia no mundoNão quero mais sofrer em ter que chorarPara provar que me importo com tudo issoEnquanto que na verdade não ligo para nadaNão mais, não maisAntes eu era um sonhador, esperançosoAgora estou aqui de verdadePosso sentir a realidade me atropelarPosso ver meu passado se distanciando de mimEnquanto que eu aceno para elaE sinto algo indescritível dentro de mimÉ medo e tristeza de perder tudo aquiloInclusive pessoas com quem me preocupavaE que agora me viram as costasPor erros cometidos em um passado sombrioCujo objetivo era apenas me ferirAh, meu passado, minha infânciaMinha tristeza imensamente grandeE meu ardente desejo de amor contidoQuantas foram as que desejei e nunca possuíQuantos foram minhas paixões friasQue explodiam dentro de mimE que eu não era capaz de liberarE de todas, a maiorA última, a atual, a eternaA única, condensada paixãoTão lírica e poética esta criaTão jovial e alegreMas ao mesmo tempo triste e infelizEm não poder ser expressaPor minha boca, por meu corpoDesejo infinito contido em mimInfinito sentimento, infinita dorTardio foi meu desencadearPois ao encontrar o que acredito ser a certaPercebo que nada mais vale a penaPois não sou feliz em dizerQue cheguei tarde demaisE que nada no mundo vai me confortarEm saber que eras tu minha metadeQue é minha metadePronta para me amar e ser amada em dobroMas tarde e infeliz foi minha descobertaResta-me sentar aqui e esperar pela morteJá que você não pode ser minhaResta-me me arrastar até o inícioE vislumbrar novamente meu passadoPara enfim compreender para que foi que nasciMeu passado...
  • 39. Amigos largados pelo caminhoSinceridade à flor da peleEnergia absoluta correndo dentro de mimPara no final não serem úteis a nadaNem ao menos a mimQue não fui capaz de realizar nadaNem o básico do básicoFelicidadeFelicidade é igual a paz e amorÉ igual a labuta e a vocêE eu não fui capaz de nada dissoAssim como em toda minha vidaMeu passado, meu presente, meu futuroMinhas descobertas pessoaisNunca deixei ninguém ler-mePor que não achava boa idéiaMas agora eu acho que devoNão só pedir, mas também implorarPor tudo que eu sempre quisMas eu não possoMeu passado me obriga a ser assimTão impuro e indignoTão casto e complexoSó consigo afastar aos que amoE atrair pessoas ruins e pensamentos maléficoMas cansei de ser este pedaço de carne podreCansei de me cansar de tudoNão posso me cansar de coisas tão belasDe coisas tão boas e felizesDe coisas simples e inocentesDe coisas legais, e inteligentesDe coisas como vocêAgora o passado se foi por completoE eu estou livre para sonhar de novoAgora eu posso mais uma vezMachucar meu coração e gemerPosso mais uma vez desejarE gostar e curtir tudo que não tenhoPara mais uma vez cair em minhas próprias razõesE acordar de novo em minha cama a noiteCom medo e sozinho, para sempre?Meus sonhos me dão esperanças novas e verdesQue quase nunca se enraízam em minha almaEsperanças puras, límpidasDe que um dia eu possa ter-te comigoE assim eu não possa mais chorarE nem mais nada temer, só te perderHaveria comigo algum carmaDe não poder viver em paz sem amor?Eu olho para a escuridão, e vejo meu passado novamenteCorro para longe, mas ele me acompanhaSó quero ajuda para mudar tudo issoQuero ajuda para mudar meu passado
  • 40. Quero ajuda para me mudar por completoQuero ajuda amor, para conter minhas descobertasQuero ajuda amor16/12/96AndarilhoTodos os lugares estão desertosEnquanto eu caminho em direção ao Sol poenteTodos estão escondidos e com medoE eu vago por entre os mortos que sobraramNão estou com medo, mas assim mesmo esperoEncontrar minha morte logo a frenteE isso é o que não queroAinda tenho muito o que fazerVárias coisas para terminarE tantas outras para começarEstou com sede e fome, mas não paroContinuo a caminhar pela estrada, solitárioNão vejo nada de que gosteE por isso eu não paro em lugar nenhumTalvez um dia eu enxugue o suor de minha testaE descanse meu corpo fadigadoMas até lá eu devo caminhar em frenteSem nada encontrarExplorado, humilhado, violentadoA vida toda, a toda horaConfuso eu deixo de andar e paroPara lembrar por que estou aquiProcurava algo que esqueciE toda a prova não consigo me lembrarDeixo de pensar besteirasE continuo a caminhadaAfinal amanhã é outro diaE haverá muito o que andar17/12/96CrençaEnegreceu-se tudo de repenteSeu rosto, minha almaEu não pude lutar contra aquiloAté que tudo passou rápidoE despertamos de um sono profundoAcordamos em meio ao deserto urbanoOnde só tínhamos um ao outroE mais ninguém ligava para nadaSó nós doisOnde as pessoas esqueceram de como eram
  • 41. Antes de serem apáticas e metódicasVenha comigo para uma nova épocaOnde não existe medo e erradoOnde podemos voar por entre as nuvensE caminhar por sobre a águaE acariciar Leopardos tranqüilamenteE onde nos entregamos por completo um ao outroUm lugar onde tudo é abençoadoE ao mesmo tempo profanadoMas um lugar bom e aconcheganteQuente e sinceroUm local de amor ardente e livreSem controle, totalTal lugar existeE está bem aquiDentro de cada um de nósHabitáveis em nossos corações17/12/96DesgraçasOntem a noite eu queria encontrarCoisas que um dia imagineiQue podia até gostarMas eu estava com tanto medoDe sair e não encontrarEu já passei por maus bocadosE sangrei até chorarPor pura falta de vergonhaPor pudores e forças infinitasQue me guiavam para este marE eu aqui não sei nem nadarMas estou cansado de penarEstou a fim de sair e curtirMas tenho tanto medo de não serComo eu gostaria de serE por isso sofrer, sofrer, sofrer...Já cansei disso agora mesmoNão quero mais saber destas desgraçasSó sei que foi bom encontrar alguémE só sei que é bom ser bomEu não quero mais saberEu não quero mais ouvirDesgraças como essaTão tristes e débeisAbraçar alguémVocêAmarrar meus braços e lamentarPor não ter esperado mais um poucoOu por ter esperado demaisOu ainda por ter chegado na hora
  • 42. E mais uma vez ser fracoMais uma vez ser o que souE não fazer nada dissoNada que mude as coisasSomente causar desgraçasEm nossas vidas tristesEm nossas almas tristesEm nossos pobres coraçõesTão machucados e sofridosTão amargurados e presos em nossas cidadesTodos são assimUns são mais que os outrosMas todos são assimNão se pode esconder a verdadeSomos todos assimSolitários em nossas almasE tristes em nossas mentesNão diga que nãoPelo menos um dia em nossas vidasTodos fomos assimE ainda somosCom nossas próprias desgraçasE nossas próprias ilusõesAinda somos assimAinda somos tristesE como dói ser assim tão sóE como é chato não estar bemPois só fazemos desgraçasPara nossos pequenos coraçõesE só ligamos para nós mesmosNinguém mais esta preocupadoEstamos todos desesperadosPara encontrarmos uma soluçãoNão sei se é possível acreditar de novoQue eu possa sair desta desgraçaQue eu possa sorrir por estar felizE não por estar nervosoGastei minhas forças tentando explicarCoisas que ninguém quer saberPor que no fundo todos sabemQue é errado ser assim tão frioMas agora é tarde demaisE as luzes já estão de apagandoNão resta mais tempo para pensarSó para rezarE para tentar esquecerDas desgraças que ainda vão acontecerMas não podemos mais lembrar do passadoPara não nos assustarmos tanto com nós mesmosPor que de desgraças é feita a vidaE nossas próprias vidas são uma provaDe que tudo é possívelDesde que se queira de verdade
  • 43. 19/12/96Nove Pessoas em Nove LugaresPassados os dias estranhosTodos estão indo para o trabalhoA manhã é chuvosa mas bonitaE ninguém se lembra mais de ontemOnde todos estavam juntosOnde tudo era ilusão e realidade belaE ninguém mais se lembra de ontemTodos esqueceram dos outros oitoQue agora estão em oito lugares diferentesA pensarem em coisas diferentesTudo bem, não deveriam lembrarPara não sentirem saudades ou mágoasDaquele seleto grupo de amigos antigosQue agora esqueceram uns dos outros23/12/96Festa 1 - SOLLITUNA fumaça dos cigarros invade meus pulmõesE a bebida fria e forte desce por meu pescoçoMinha visão se turva como uma névoaPor onde escorrem minhas esperançasMinha dor, oh, minha dorMinha anestesia é esta noite empolganteOnde eu não posso mais gritarOnde eu não quero mais viverEste mundo podre e escasso de alegriaEm que eu não sei o que fazerOnde eu não identifico os sinaisDe que todos falam e falam tantoA respeito de tanta coisa boaMas eu só sei de coisas ruinsEu queria prazer, eu queria dançarMas só posso me arrancar sangueQue corre por veias vivasE que eu não quero mais ouvir pulsarCoisas estranhas e incompreensíveisEu queria correr e gritar para pararMas não podia gritarAo contrário, só podia me esconderE me viciar e distorcer a vidaAs pessoas ainda a falar tanta coisaE eu não entendo nadaSó entendo meu copo vazioE uma mão macia a me acariciar
  • 44. Oh, como eu queria que fosse tua a mãoMas não eraEu esqueço então tudo o que sabiaE até mesmo coisas que temiaMas que agora não tem sentidoSó sei que estas pessoas se divertemE eu estou sentado olhando tudo passarAssim como em nossas vidas simplesSem nada a fazer, só observarE ver o destino frio a segurar uma foiceÉ igual para todo mundoE ver ainda a felicidade e a paz encarnarem uma só entidadeA perfeiçãoE sentados, como na festaA observarmos como um quadro caroQue não podemos tocar ou comprarApenas a admirar, como na festaTanta coisa para se fazerE tantos lugares para irE a festa continua mesmo com sua partidaE dura até o infinitoMas um dia você voltaráE só Deus pode dizer para queSe para sofrer ou desfrutarOu ainda apenas para observarAssim como agora e antesA fumaça cessaA bebida acabaE todos vão emboraE deixam para trás suas felicidades e desastresDeixam para trás sua lucidez momentâneaE voltam para a loucura diária de suas vidasOnde elas tem que ser elas mesmas22/12/96The Book is On the TableA vidaComo um caderno de estudanteOutrora branco e imaculadoE agora riscado e usadoAs pessoas são cadernosE é Deus que escreve em nósHistórias loucas, alegres e tristesDeus é um grande escritorE o destino final de todos nósÉ criar novos cadernos para ele escreverNossos filhosE cada um é uma história diferenteE no final todos acabam igualmenteTodos vão para a biblioteca
  • 45. O cemitérioDeus escreve epopéias para unsE tragédias para outrosOu ainda ardentes romancesOu histórias idiotas como a minhaA maioria é parecidaE poucas possuem poesiaMas todos são escritos pela mesma penaE também pela mesma mãoE criados pela mesma cabeçaQue escreve em nossos corpos mortaisHistórias únicas e divinasCom a tinta de seu sangue, o espíritoE o ardor de seu amor, nós25/12/96Mata-meMata-me por ter pecadoContra tudo em que acreditavaMata-me por ter amadoE por não ter sido bomE por ter errado tantoQue agora é tarde para voltarE alguém perdoarMata-me agoraTira-me esta vida injusta e doloridaAcaba logo com minha agonia tristeMata-me26/12/96Festa II - PÓS MORTEMOh, que simples tragédia é a vidaÉ singela a agonia em nossos corposDefinhando aos poucos por amorE você está tão longe e tão pertoDe mim mesmoOu será que estou mais longe que você ?Só não entendo o que quis dizerQuando falou sem nada eu entenderVocê está tão longeE eu sei que está bemMas eu não quero ser felizNão hoje, dia santoEu queria estar contigoMas não posso nem estar comigoSem você, aqui em mim
  • 46. Do que me valerá comerE manter meu corpo frioFrio e tão caladoQueria tanto lhe tocarMas não ontem, e hojeQuem sabe amanhãAgora mesmo, esperoE ainda ouso lhe falarQue estão todos aquiMinha família, meus amigosMas falta alguémSou euQue sem você não sou euNão sou euSó me esforço para não brigarE deixo tudo caminharPara o fim que vejo pertoE para trás só esta você e euE ainda assim tão separadosPor teu coração ingratoEu só não quero estar aquiE ver todos alegres e tristes assimJesus morreuMas voltou e vive em nósSó que eu não sou mais euNão até você virNão até você voltarPara onde nunca foiMeu pequeno coraçãoE até lá não será Jesus que iráEntrar neleQueria tanto sair dessaMas não posso maisSó no dia em que vocêVier até aquiE me deixar ir até aíEstou cansado de ser tão sóQuero passar as noites abraçado a tiE os natais e anos novosSó com vocêE você não sabe nem se estou vivoE nem quer saberE pouco importa a tiO meu amorQue descanse em paz o coitadoNasceu tão pequeno e pobreE morreu de forma tão bestaDescanse em pazPois a festa esta apenas começandoE tudo em que você teve crençaPor toda sua inútil vidaMorreu bestamenteAssim como Jesus em sua justiça
  • 47. E a dor que antes era amorAgora só resta ser mais umOu então tornar-se mestre de algoDono de algo, amo de algoPois não é possível que seja assimTão inútil e idiota e triste e bastadoEsta vida, esta vivênciaEm que tudo em que nos apoiamosÉ em nossas idéias e nossa féE que por uma besteiraDescobrimos que desabaram a temposE que agora nada mais importaSó o sangue e a dorSó nossos remorsosSem dores de despedidasSem partidas ou temoresSó desgraças imprevistasÉ de deixar-se abalarSaber que tudo pelo que lutouNão passa de besteira e ilusãoE que você um dia acreditou do fundo de sua almaE que por isso esta coisa se tornou realApenas por um milionésimo de segundoA festa nem sequer aconteceuToda a ceia apodreceu para as moscasE ninguém compareceuEu fiquei, como sempre , sóSentado em uma cadeira no centro do salãoIluminado apenas pela chama de uma velaEsperançaLevanto e apago a velaÉ hora de afundar de vez no InfernoE parar de lamentarÉ hora de abraçar tudo que repudiavaE curtir minha "vida" em outro lugarÉ tempo de largar minhas crençasElas não me levaram a lugar algumSó a dor e a sofrimentoEu já cansei de dar festas em meu coraçãoEm que a convidada principalNunca comparece25/12/96InterlúdioTodos me pedem calmaMe pedem para parar com issoPara parar de falar besteirasE de não fazer o que devoMas eu não posso maisSei que um dia eu pude
  • 48. Mas agora eu não posso maisNão agora que me olho no espelhoE vejo alguém de quem sinto penaUma pessoa triste e solitáriaQue esta fadada a morrer sóQue triste é tal destinoSer privado do que mais se desejaDo que mais se precisaE não poder falar com ninguémSó consigo mesmoE se martirizar por issoE mastigar e remoer toda a coisaEm que só sei viverA vida, eterna e doceFruto de um pecado bomO amor, o sexoE privado do prazerEstá a pessoa no espelhoA vida, um vinho tintoDe longa safra e portuguêsEmbriaga-o em um só goleNão existem esperanças para tal malA eternidade é sua aliadaE sua sentença nesta sina sinistraSer meia almaCuja outra metade não existeOu ser uma alma inteiraQue precisa ardentemente de outraAssim como a pessoa no espelhoAssim como euDesejar aos outros tudo que me é privadoE sorrir ao ver os outros felizesNão por estar feliz em siMas por desejar felicidade alheiaJá que não posso ser feliz por mimMas isso ainda não é o suficienteTalvez agora eu vá em direção ao desconhecidoE forçar uma viajem sem voltaJá que de nada vale ficar aquiSe nada me deseja como queroSe nada me ama como queroDo que me vale estar vivo?E eu respondoVale pela esperança que estava vivaE que agora jaz morta neste soloEla esta morta assim como eu em breveAssim como meu único amor realQue nasceu morto como um feto fracoNão existe mais sentido nissoSó me deixe morrer agoraPara nunca mais poder encararAs pessoas que tanto amei um diaSerem felizes com outros
  • 49. Mesmo eu desejando isso26/12/96ChegaNão quero mais me lembrarQue posso amarNão quero lembrarQue posso me machucarPode ser bom durante o atoMas no final alguém sempre se magoaE eu não quero mais me magoarPorquê nunca pude suportarA dor de se despedirA mágoa que me faz chorarO medo de ser infelizE o ódio por se deixar levarPor emoções tão primáriasQuanto o amor e a paixãoQueria poder não sentir nadaNem amor, nem ódioSomente pazQue persigo tantoSem nunca alcançar27/12/96Fundo NegroUtopias são vontades totais e lindasPerfeições distantes e vagasTerras onde homens não podem pisarPois a fúria é gigantescaPelo mal que todos vivenciamE a alma vai se dissolvendoAté só restar ódio e desesperoOnde havia luz só existem trevasE o medo de se perder é grandeMas agora é tardePois estamos todos perdidosNesta escuridão em nossos coraçõesNos perdermos por sermos fracosOu por não sei o quêOu ainda, assim como euNos perdemos por que queremosCansados desta vida sem sentidoMergulhamos mais e maisAté chegar ao fundo de nossas almasE podermos tocar nossas vastas emoçõesPara despertarmos na escuridão da noite
  • 50. Que nunca mais cessaráÉ noite em nossas vidasE será eternamenteA esperança já acabouE você morreu para mimAgora é hora de largar tudoE cair, cair e cairAté chegar ao fundo novamenteE de lá nunca mais sair28/12/96SuspirosCorte meus pulsosMe sangre até a morteEu não posso mais suportarA espera maldita em meu choroPela morte que espreita, tão pertoE que agora ri de minha situaçãoEla esta colhendo almasE eu já devo estar maduroSua foice logo cortará o frágil fioQue me sustenta a força da vidaQue eu insisto em podarPor que dói ao extremoSer esperto e burro assimTão sensível e brutoA ponto de não compreenderQue tudo tinha que ser assimLouco e cruelDolorido e traumáticoJá abandonei-me faz tempoE vivo só por viverA tempos vivia por outras pessoasMas agora acho que era besteiraSofrer tanto por tão poucoE ainda assim acreditar em DeusSó que eu sou meio esquecidoE é por isso que blasfemo tantoNão quero mais lembrar do passadoPor isso devo morrer logoE me unir aos meus amigos mortosE deixar a vida para quem goste28/12/96Afoguei-meJá era tarde demais para mimE agora tudo me sufoca
  • 51. Me afoga ver tanta insanidadeEm um mundo considerado sanoSó espero que tudo deixe de ser assimE que crianças possam brincar de novoAo invés de atirarem com fuzis de verdadeE que tudo seja como em meus sonhosE que eu deixe de ser assim tão submerso30/12/96ConsumoAntes as coisas não faziam sentidoMas agora tudo é tão confusoQue mal posso esperarPara cair no chão e me machucarPois só assim terei de novoComo me encontrar dentro destas trevasMachucado e sangrandoGemendo e gritandoEstendendo as mãos, procurando algoQue não posso descreverLembranças de meu passado remotoEm que tudo o que provava era docePrincipalmente o amorQuando viver era bomE nada enevoava meus pensamentosUma época de ouro, e diamantesLágrimas de felicidade cristalizadasEu ainda era puro e felizMas não conhecia a vida como agoraAinda bem, se não sempre teria sido assimUm corpo nu embrulhado para presenteEm um mundo onde só se sabe olhar por foraSó me faltam os laços de enfeitePara ser mais um presente bonitoEsquecido em uma grande prateleiraA felicidade é um produto escasso e caroQue poucos podem comprar ou terPronto! Terminaram de me embrulharE agora pareço um homem de verdadeMas na verdade sou um corpo vazioA procura da paixão que me preencha a alma30/12/96Feliz Ano Novo, Suicida"carta de morte de um adolescente em crise"Agora mesmo eu devo estar morto
  • 52. Agora sei de tudo o que sempre quis saberO eterno. O infinito. TudoNada mais é segredo para mimPois estou mortoFui covarde, fui fracoMas agora minha dor acabouSerá que para o início de outra maior ainda?Acho que não. Não maisCansei de viver em um mundo estupradorOnde toneladas de sonhos são queimados aleatoriamenteE onde se passa fome, e frio, e dor, e medo, e solidãoAh, solidão, companheira amiga velha!Me amaldiçoou por toda minha vidaMas agora eu estou mortoCreio que vou para um lugar melhor que esteMelhor que o InfernoSim, vivemos no Inferno, só pode serMe entreguei por completo e agora morriDe forma trágica e sanguináriaCom dor e sofrimento grandiososO sangue fluindo para fora de meu corpoJuntamente com minha vida flageladaAcho que tudo foi um grande erro afinalSó que ainda não sei qualEu admirava as árvores, pequenas ou grandesOs pássaros, os animaisMas não ao demônio homemPois o homem não tem o direito de se chamar de BichoAnimais podem não ter alma, mas são animais afinalHomem tem alma e se porta como se não a tivesseIsto é demais para a cabeça de alguém como euPessoas se matando entre si, miséria, guerra...Eu não agüento maisSei que em comparação com a vida de milhões de pessoasA minha foi de reiMas não suporto mais se chamado de homem, de humanoUm mundo todo nas mãos de criaturas como nósE nenhuma esperança pode ser esperadaPor que tudo está erradoFui fraco por não tentar mudar nadaE por isso piorar o planeta todoMas espero que meu ato sirva de lição para todosPois mais que preocupação com guerraCom mortes ou doresO que mais me abalou foi o fato de ter sido sóTalvez por isso o ser humano seja assim tão cruelPor ser só em um mundo louco e estranhoE tão bom para conosco, assassinos delaDeixo minha dor e fracassosE tentativas de felicidade e amorE parto para o desconhecido conhecido além da mortePois tenho fé de que assim sejaPai, Mãe, me perdoem, a culpa não foi de vocês
  • 53. Acho que no final foi só minhaIrmãos, sejam os fortes e felizes que não pude serVivam como nunca pude por não saber comoCrianças, não se tornem os monstros que nós somosSejam puros e alegres com são agora, por favorMundo, deveria ama-lo, mas você está envenenadoEnvenenado pela dor e desespero em ser grande e forteE isso não é nada fácil, nada fácil mesmoEu o odeio por ter me deixado sóE por me forçar a ser coisas que não queria serE ainda assim me deixar sóSó posso lamentar por tudoE rezar para que tudo mudeSou um suicida, e desejo a todos feliz ano novoNão suportava mais tanta vontade insatisfeitaEm ser feliz e encontrar alguémAdeus, e feliz ano novo30/12/96Cheiro da MorteSabe como cheira a Morte?Não é a carniça ou putrefaçãoCheira a Lírios e Crisântemos na PrimaveraEm campos verdes e largos, em dia de céu azulE não existe coisa mais bela do que elaO fim da agonia e desesperoO fim de tudo que é bom e que é malA única justiça cega realÉ o remédio para tudo que sofremosE cuja única contra indicação é a dorOh, dor ardente e devastadoraAgudo e mortífero é teu semblanteComo minha saliva, um molho roseMeu sangue misturado a tudo em meu corpoPensamentos, carne, ossos, vida, mortePingando de meu corpo magro e acabadoCorrendo por veias entre meus tendões que estalamE a morte, doce carrasco este anjoPerfumada ao extremo, lindo delírioSe esgueirando e chegando, pouco a poucoDesde o dia em que nascemosFadados estamos ao encontro finalCom a dama da morte, morte totalEla mesma, encarnada em um corpo irrealTão bela e reluzente, pronta para acabarCom espera tão longa como estaE com seu beijo mortíferoTocar meus lábios, e minha línguaE me fazer o que mulher alguma ainda fezMe amar tanto até me matar
  • 54. Invertendo a dor em prazer meloso e úmidoE o sexo, tão vibrante e deliciosoE a morte, tão linda e perfeitaTotalmente compreensível minha reaçãoA morte me excita mais do que qualquer outra agoraMe embriago em seus doces toquesE sei que não estou sendo enganado, e sim salvoPois é a morte a me amar aquiE a morte a me beijar em minha bocaE a saciar todas os minhas últimas vontadesE seu gosto e cheiro, oh, seu cheiroIndescritivelmente doce e tentadorEstou feliz, pois encontrei na morteO que procurava na vidaO amor de alguémE justamente a morte, doce dama fatalMe fez sentir que conseguiE agora já é hora de deixar este lugar imundoOnde pessoas não me querem consigoE onde eu nunca fui compreendidoE ir para onde minha amante me levarEstou feliz em fimEstou mortoMorto mas felizPor que enfim amei e fui amadoObrigado minha doce e linda senhoraObrigado por me amar assimE seu cheiro ficará impregnado em mim pela eternidadePara todo o sempreAdeus amorAdeus morte01/01/97Alma NuaA noite é dolorida em seu semblanteÉ um momento que torna amargo até o doce melE afugenta a liberdade de esquecerTudo aquilo que me faz sofrerMeu corpo, a rolar pela camaE meu sono, que demora e nunca vemNão são os uivos sombrios ao longeE nem a escuridão a me cercarSão minhas lembranças vivasQue tentam me perturbarE desejos tolos, e choros contidosE meus sonhos, delírios de felicidadeOnde posso me lembrar completamenteDe tudo que ansiava esquecer e não podiaMeu mais terrível medo sendo destroçadoNão tenho medo da morte
  • 55. Ou de dor física ou criaturas sombriasTenho medo de ficar sóE de nunca encontrar-me em outra pessoaMas agora eu acheiE descobri que é tarde demaisE meus sonhos agora são só besteiraEm comparação com a realidade que desejava viverViver juntamente com elaNão, não posso erguer a cabeça e andarNão por um bom tempoPor que era algo de que não posso esquecerPor que amei demaisUm amor marginal e solitárioComo o de um miserável para com uma princesaComo posso esquecer algo que faz parte de meu serSem sofrer mais do que ninguémAinda estou parado a olharO meu passado imperfeito e feioQueria descobrir por que tudo foi assimE por que sempre estrago o que almejoPor que sou privado de meu maior desejoPoder chafurdar neste amor insanamente puroAgora eu devo caminhar ao horizonteE vislumbrar de lá meu passadoE acenar, dizer adeusNão posso obrigar os outros a fazerem o que queroE muito menos a gostar de mimÉ por isso que não posso mais ficar aquiÉ por isso que não tenho motivos para sorrirE eu na cama, ainda a pensar em tudo issoNão durmo e não descanso meu corpoCorpo frágil e fracoSonho novamente e isso me faz malPois ela não me quer no mundo realE quando acordar eu certamente irei chorarE vou levantar e encarar a vidaSem vontade ou meta ou esperançaMas no fim a culpa é minha, como semprePois sou fraco e triste pessoaNão sei de meu futuroSó sei que meu passado é um jovem velhoAssim como eu sou agoraUm jovem envelhecido pela falta de vida e amorFaltas cruciais em meu coração12/01/971º de JaneiroO a é peculiar e essencialmente neutroA paz é respirável por aqueles que se dizem homensEnquanto que sub espécies como eu apenas choram
  • 56. Por que estão sós por mais um maldito anoE as lágrimas, uma vez mais, caem sobre o chãoE uma vez mais tudo deixa de fazer sentidoPara dar lugar, enfim, ao delírioMestre na arte de satisfazer e enlouquecerPor que em meus delírios e ilusões proféticasMe vejo alegre e feliz, amando e sendo amadoMas logo depois acordo para a realidade crua e duraSolidão, profunda e fria coisaMas isso não é nada de maisComparado à dor de te desejar e não te terIsso sim enlouquece, amar mais do que tudo alguémE saber do triste destino de não ser correspondidoE ainda assim sonhar todas as noites com o contrárioÉ primeiro de janeiro, e todos estão dormindoSomente eu estou acordado e encarando o dia tristeTodos estão felizes e satisfeitosE eu estou só, pronto para a morteVou acabar morrendo de desespero e sofrimentoMas não importa, é o primeiro dia, a primeira desgraçaDe tantos outros 364 adianteAinda não estou pronto para encarar tudo issoTalvez em sua companhiaMas não estou, então terei que me virar sozinhoComo sempre sozinhoSó um corpo sem alma ou coração14/01/97Palavras MatamMe fartei por completo desta loucuraDe nada mais adianta a mim viverComo poderei caminhar sem pernasEstirpadas por um golpe certeiro de palavras?Já faz tempo que me pergunto issoE ainda continuo a me arrastarSó que agora estou cansadoMal estou conseguindo respirarMeu corpo calejado, estirado ao chãoPisoteado por mulheres amargasTão insensível a alma de muitasTão doce a de outrasE eu, ignorado ao limite instávelForçado a me trancar em meu próprio corpoDeixar para trás sonhos, esperançasE me lançar ao negro e vazio depressivoQue habita nossos corações hipócritasE afundar cada vez mais e maisNesta depressão interna eternaNeste ódio impiedoso e tristeNesta coisa morna e maléfica
  • 57. De que adianta viver agora amigoSe não existem esperançasDo que vale lutar agoraSe não existem mais desejos em minha almaDo que adianta chorar lágrimas doces de tristezaSe ninguém mais se importa com issoNada mais importa meu caroA luz se apagou faz um minutoE está na hora de afundar um pouco mais14/01/97IdealA bisa, fina e molhada, bate em meu corpoEu estou isolado de toda a matéria agoraSou éter, sou vácuo, sou essênciaNão existem sons, não existem sentimentosA dor é algo inimaginável agoraSem luz, sem calor, sem nadaSomente eu no meio do espaço eternoNão estou mais preocupado, ou triste ou abatidoE não existem memórias, o que é bomNão sei o que sou ou o que fuiE sei que continuarei a não saberIsso me acalma mais aindaChego a um estado de prazer e sensibilidade totalEstou em nirvana astralEntão uma luz avassaladora me cega olhos inexistentesQuando vejo novamente, Deus está a minha frenteÉ um forte senhor, montado em um cavalo cinzaE me olha do alto de sua sabedoria infinitaE exclama fortemente que eu devo voltarVoltar a ser o ser terreno e fraco que souDe repente todo o vazio é preenchidoPela matéria podre terrenaUm infinito de sons ecoa de lá para cáE a luz solar, forte e quenteRompe toda a aconchegante escuridão que me abraçavaEu sou eu novamenteEstou aqui para sofrer e me magoar de novoPara sofrer por amor não correspondidoE para lembrar da centelha de paz que experimenteiA oportunidade de entenderComo deve ser bom ser Deus14/01/97LamentosHoje o dia está tão normal
  • 58. O Sol brilha e os carros gritamE as pessoas andam de lá pra cáTantos choram e poucos sorriemE tem tanto trabalho para poucosEu estou aqui mais uma vezTentando entender por que tudo é tão estranhoPor que não posso ser feliz com vocêE mesmo tentando não consigo esquecerDa paz e alegria de estar ao seu ladoMesmo que em sonhos tão bonsJá faz tempo que esqueci o que é viverJá que agora eu só sei sofrerTento a tanto tempo esquecerMas não tenho forças vitaisPara fazer isso acontecerMe sinto tão ludibriado por todosMe foi prometido uma vida legalMas o que pode ser bom assimSem você para sacramentarEm lágrimas de amor tudo o que façoDo que vai me adiantarEstar sozinho quando conquistar o mundoLamento, mas é assim que pensoNão posso levar adiante esta loucuraNada importa enquanto estiver sem vocêNem vida, nem trabalho ou prazerSó você, só vocêSó você que pode novamente tentarTentar me fazer viver15/01/97Dois Minutos Para Poder PensarSinto muito em informar, meu amigoMas estamos todos mortosNão poderemos mais sorrir de medoOu ainda correr por campinas verdesEstamos todos mortos em nossos coraçõesSomos apenas pedaços de matéria podreQue está apenas se corroendo, lentoPode ser besteira para ti, sábio e filósofoMas é verdade quando falo em morteNinguém irá sobreviver a esta drogaOu a esta dádiva disfarçada em maldiçãoE o que assusta á saber que ninguém fez nadaDe que possamos nos orgulharPor que só lembramos das desgraças, dos defeitosDos horrores e das guerras travadas a anosE esquecemos do quão belo é o nascer do SolOu ainda o alívio de se ouvir bom diaE de pessoas que não só rezam, mas também agemFiquei pensando um bom tempo sobre tudo isso
  • 59. Dois minutos para lhe ser francoE minutos penosos foram estes, é verdadeMas eu não posso mais pensarEsta na hora de voltar para a hipocrisiaE deixar para lá todos os problemas cretinos da vida25/01/97ConfessionárioPadre, me perdoe porque pequeiJá se faz uma vida desde a última vezHouve uma pessoa de quem gostei muitoE pequei por que tive medo de dizer oláTemi ouvir palavras ásperas e farpadasEu fui covarde e infiel ao meu coraçãoMe perdoe por que pequeiHouve um dia, padreEm que desejei minha morte como puniçãoPunição para minha fraquezaMas entendi que para este casoPunição melhor seria a vida longaEu fui covarde e infiel para com quem amoMe perdoe por que pequeiExistiu uma dor agudaDa qual ainda tenho seqüelasEu chorava a noite por temer a vidaE só agora vejo o tamanho de meu erroEu fui covarde e infiel para comigo mesmoMe perdoe por que pequeiHouve coisas que queria ter feitoE muitas eu nunca sequer inicieiVejo o quanto eu fui toloPor querer simplesmente ser felizEu fui covarde e infiel para com o mundoMe perdoe por que pequeiE só agora eu falo estas coisasPor que sei que é segredo eternoSão meu sangue, minha almaMinha mente, meu ódioAdmito o quão pecador sou e sereiSó que ninguém mais admiteQue errar não é bom, mas sim cruelE que é horrível levar as coisas até o finalDeve ser por isso que nunca terminei nadaAssim como a humanidade nunca encerraSua busca insana e eternaPor algo que já se esqueceu a temposLembrar agora seria desperdício de tempoDevemos continuar a busca agora mesmoE fingir que tudo é normalE que tudo está bem
  • 60. Esquecer a dor eterna de pecar ardentementeTodo santo dia claro e escuroE de tempos em tempos pedir perdão anonimamenteA Deus, sob a forma de um ser terrenoUm padre, que nunca vai abrir o jogo com ninguémAfinal, não quero que todos saibam que sofro tambémAssim como todos eles, em seus íntimos emotivosLembre-se de mim padre, mas não de minhas palavrasLembre-se apenas da mensagem contida nelasAmém25/01/97CorpoMeu corpo cansado, suado e torturadoMinha pele reluzente e rija, intocadaMeus músculos, carne vivaE o sangue, pulsando ardentementeJamais usado em uma vida curta de criançaInviolado o bálsamo que és esta obra de arteMeu corpo virgem e esguioEspreita pela noite como um loboSedento e faminto, pronto para atacarAssassino cruel, alma solitária bem aquiBem aqui em meu peito nuE então será tarde para voltar a ser eu mesmoPor que neste dia não haverá mais voltaE neste dia eu serei imortal em corpo e almaNa mente das pessoas a quem ferirMeu corpo, quente e docePronto para obedecer ao meu comandoMinha casca, meu receptáculoMeu pote de essência espectralMeu salva alma materialMe deram um coração e uma menteE em troca esperam algo que não sei se posso darQue troca injusta é esta que me fizeramSer um homem que não serve para nadaDentro de um corpo que está pronto para fazer tudoMãos que agarram, pés que sustentamPernas feitas para correr até o longeE uma cabeça para poder sonhar com a felicidadeE com o Universo inteiro em um segundoO Universo é meu próprio corpoSempre crescendo desde o seu nascimentoCada segundo é um milênioCada célula é uma galáxiaE cada átomo um sistema solarCada próton um planeta, e cada núcleo um SolE em cada planeta milhões de seres vivosE cada um deles também é um Universo em separado
  • 61. Em que dentro se encontra a mesma ordemO infinitoQue estranho e belo é esta concepção de eternidadeE a morte de um só de nós é a morte do infinitoE de um Universo inteiro e toda a sua vidaE nós somos o Deus deste Universo interiorE nós, assim como eles, vivem dentro do corpo de DeusQue é o Universo inteiroAssim como nós, eles são um sonho na cabeça de DeusQue é a vida por si sóE agora meu corpo ainda é só um corpoTriste e solitário com seu Infinito de vida internaPronto para amar e criar um novo UniversoUm filho03/02/97UniversoOlho para a noite como caça condenadaSó mais um morto entre mortas carcaçasSó uma vítima selvagem de um mundo animalAlimento dos fortes, excremento bem depoisMas não é tarde para poder me confessarSó que pecados marcados, como cartas de tarôEu não tenho e não posso nem sonhar em terNão tenho vícios, doenças ou paixõesAbracei com força toda minha ira e revoltaE as joguei bem longe, mas voltaram e não se foram maisE agora, na hora, esta em tempo de ir-me emboraPartir para um lugar onde ninguém poderá me seguirOnde ninguém poderá mais rir de mimE quando se lembrarem do quanto era bom viverVocês contemplarão o Universo ao seu redorE compreenderão que tudo o que não entendemosÉ o máximo que um dia iremos entenderPor isso eu digo para que não temamIremos todos para um lugar estranhoPode ser que seja o nada ou o tudoMas é para lá que iremosE nada que podemos fazer irá mudar issoÉ o destino marcado pelo UniversoÉ a razão pela qual vivemos e morremosLonge de tudo pelo qual lutamos tantoAlgo sinistro ou bondosoCoisas do fundo de nossas mentes e coraçõesTalvez a alma, o conjugado dos doisNós mesmos em forma de essênciaCheios de nada, éter, vácuoAssim como o Cosmos, vazio visualmenteMas cheio de energia, cheio de poderForças invisíveis que nos fazem ser nós mesmos
  • 62. Coisas as quais você nunca mais ouviráO poderA força eterna que controla a vida no UniversoDeusO julgamento vivo que conduz nossas açõesA consciênciaDestemido anjo que fala em nossas emoçõesRemorsoNossa condenação eterna, chaga em nossos coraçõesA morteDádiva ou maldição?O Universo conduz tudo com total maestriaE tudo que nos pede é poderPoder para poder sonhar conosco nossos sonhosSó que nós só temos pesadelos07/02/97Ondas de AreiaÁgua seca é areia do fundo do marOnde dunas correm como ondasOndas insanas de puro temorOnde a morte surfa agilmenteTomados por forças ocultasCada grão se move sutilmenteA onda vem rápida e altaEsmagando tudo que encontraOndas negras, ferozes caçadorasOndas de energia puraVentos solares, pulsos e espasmosDelírios céticos destituídos de imaginaçãoUm lugar onde o sentimento perde a razãoOnde tudo o que temosPerde seu valorOnde tudo o que sabemosJá foi superadoÉ triste ser cruel assimÉ cruel ser triste assimUm círculo viciosoNa verdade uma reta eternaUma ida sem destino certoSomente o além, o apósO pós moderno e incompreendido artistaCujas idéias só serão lembradas no futuroE assim será só mais um sucesso póstumoE as pessoas dançarão sobre seu túmuloPara esconder a vergonha de não o ter reconhecidoQuando ainda era vivo para talE que agora está submerso nas ondas de areiaAreia quente que devasta o infinito
  • 63. E que nos faz perder os sentidosNos afoga, inunda e imunda nossos corposInvade o sagrado espaço internoE corrompe a vida, a transformando em morteSem lágrimas para o artistaMais cem para sua vidaCujas ondas de água vieram cedo e grandesE levaram sua alma para o mar da tranqüilidadeRiam agora, reles seres mortais e confusosPois seus dias estão contados assim como os meusAssim como Janis, Kurt, Jimmy, Bob e JimAssim como Renato, Cazuza e JuscelinoCujas vidas se apagaram como fogo frágil que eramEngolidas pelas ondas de areia eternaRiam, dancem, aproveitem bemPor que um dia tudo irá acabarJuntamente com suas vidas secasQue serão irrigadas com as ondas do apocalipseFeitas de areia embebida em sangue e fogoE cujo destino é varrer para sempre a humanidade da vida19/02/97As Ultimas Lágrimas do TrovadorVou-me embora deste local sangrentoLugar de guerras demoníacasLugar de dor e sofrimento eternosLugar para o qual me mudei a anosE que agora deixo com dor em meu coraçãoEras um lugar belo anteriormenteMas agora é só ódio e crepúsculoJá chorei muito por esta desgraçaMas estas são minhas ultimas lágrimasNão quero mais sofrer junto com vocêPor que o lugar de que tanto faloÉ o teu coraçãoFerido de batalhas anterioresE eu, que só queria canta-loFui confundido com mais um guerreiroMas eu sou só um trovadorEm busca de paz e de amorCoisas tais que você não pode me dar maisPor que são coisas que nunca teveNão te culpo maisSó não queira minha amizadeNão queira mais minhas cançõesNão deseje mais minhas rimasE nem meus acordesDesisto de tudo, até de vocêDesisto de chorar, de sofrerQuero agora um pouco de prazer
  • 64. Deixar para traz tudo o que vivi contigoE partir para um lugar estranhoDeixar para lá toda a vergonhaDe ter te querido bemE lamentar por ter cruzado o teu caminhoPor ter tocado tua pele, teu rostoTeus lábios, tua almaE só depois descobrir quem eras na verdadeUma alma insólita e vaziaUm corpo belo com mente imundaDesculpe-me por não chorar maisE por largar tudo em que acreditavaMas eu só acreditava em nosso amorE você o matou bem na minha frenteDesculpe-me por esquecer quem éramosE o que significávamosMas cansei de chorar por criatura tão singularCansei de tentar te fazer me amarAgora parto para longe de tiO Trovador se emudecerá por tua causaE será mais uma alma muda no mundoPor tua causa, miserável coração estéreoImpróprio para a criação de algo tão vitalO amor20/02/97OBSCURA ALMA HUMANA : CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE LAMENTOS"Criou Deus, pois , o homem à sua imagem , à imagem de Deus o criou , homem e mulher oscriou" - Gênesis 1:27"Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que eracontinuamente mau todo desígnio de seu coração; então se arrependeu o Senhor de ter feitoo homem na terra e isso lhe pesou no coração. Disse o Senhor: Farei desaparecer da face daterra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis, e as aves dos céus; por que mearrependo de os haver feito." - Gênesis 6:5 a 6:7"Estabeleço minha aliança convosco: não será mais destruída toda a carne por águas dedilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra" - Gênesis 9:11 A idéia contínua em todas as páginas são muito parecidas com a dos trechos tirados da Bíbliaacima mostrados. A maldade do homem, arrependimentos, ira. Tudo é muito pessoal, e aomesmo tempo Universal. A frustração da busca por coisas muito desejadas, como amor,felicidade, paz. O medo e a vergonha em ser parte da espécie humana, uma raça auto-destrutiva que écapaz de provocar uma ira enorme em seu próprio criador e pai, Deus. Uma raça corrompidapelo mau. Que tipo de esperanças e prosperidade podemos esperar de nós mesmos, uma raçacondenada ao extermínio divino por ser simplesmente má? "Lamentos" é uma grande porcaria, mas como está escrito na capa, se trata de um ensaio. Éalgo singular e depressivo, arrogante, cruel e triste, muito triste. Pra começar está muito bom.
  • 65. "Assim como um homem não está sozinho na sociedade a humanidade não está sozinha noUniverso, mas é triste ver que o homem ainda é sozinho dentro de seu próprio coração"Tirado de um episódio de "The X-FILES"

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