As Intrigas da Alma Humana

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As Intrigas da Alma Humana

  1. 1. De: Daniel P. FontesEm: 1997 e 1998Tipo: Livro de PoemasNome: As Intrigas da Alma HumanaOs Trilhos do Abismo - 29/09/97O caminho iluminado outrora pelo SolEnegrece-se ao contato com meus olhosPara que minha visão seja de total embaraçoDiante de destino tão estranhoE as garras da vida se aprofundam em minha carneE meus gemidos não podem ser ouvidosEu estou preso neste abismoQue na verdade esta em mim mesmoE como uma locomotiva desgovernadaEu corro por seus trilhos, ensandecidoPara me chocar contra a crista rochosa logo abaixoE abandonar a todos, naturalmenteE abandonar-me a mim mesmoEm meus medos e credos comunsE meus dedos a tatear o gelado estranho mundoOnde até mesmo a dor é algo a se gostarPor que pior é não ter o que sentirE gosto mesmo é de desabafar sem ninguém me ouvirPor que assim, e só assimPoderei me livrar dos pecados me infectamE buscar a grande bênção que almejoE cortar-me não me ajudará agoraE nem daqui a anosPor que sou de pedra, e mais , sou de ferroComo os grilhões que sustentam estes trilhosTrilhos pelos quais me dirijo agoraA Mescla Entre a Dor e o Amor - 29/09/97Não me peças para compreenderPor que isso é dorE não vou mais suporta-laNão me importo se você chorarPor que me basta a dúvidaPara deixar-te ir emboraE as lágrimas não são mais falsasE o adeus também não éE não me importa se é dor ou se é amorPor que ambos são irmãosA nos dizer suas palavras de praxeE não é mais tão simples quanto ontemQuando eu dizia que sangrava por dentro
  2. 2. Por que também era verdadeComo meu Eu a te quererMas não vou mais me prejudicarNem ao menos por um instantePor que não merecesNem meu amor e nem minha dorDe mim não mereces mais nadaSomente meu repúdio e meu ódioAs Dunas da Misericórdia - 24/09/97Bate em teu peito a forte lança do desejoPerfura a tua carne sem te sangrarPara que a misericórdia eterna pulse em seu coraçãoO arder das chamas da purificaçãoIrão te adornar a alma como jóias adornam o teu corpoE te permitirão apreciar os confins do UniversoDurma. E descanse seus braços sob o macio de sua camaRepouse sua cabeça em teus ideais mais profundosE não temas mais as coisas que te assustamPor que és a verdade que somente você conheceE mesmo que tua voz se caleSerá possível ouvir-te por todos os cantosPor que és a resposta para todos os rancoresPara todas as tristezas, para todo o malÉs o bálsamo cristalizado das eras eternasE também é a delicadeza do azul do céuQue a brilhar juntamente com o SolÉ o fixo e permanente final do diaComo uma Fênix, perseveranteComo um bravo, poderosoComo um humano, um fracoLevanta-te, e abrigue-me em tua almaPara que as dunas da misericórdia parem de se moverLentamente, eternamenteE seja a força que tantos desejam terO poder que todos aguardam ansiososA mesma dor que arde em nossos coraçõesComo estrelas na longínqua PlêiadesAlgo insólito, distante e beloCarregado de magia e belezaAguardando-nos em nossos sonhosMedo - 29/09/97...As palavras me metem medo...As pessoas me dão medo...
  3. 3. Eu sinto medo de mim mesmoPor que não existe redenção sem sofrimento...E nunca imaginei-me em desgraçasSomente e tristezas e melancolias opacas...Só me perdoem por deixar-me lhes dizerQue tenho muito medo de viver...Só me perdoem por ter tanto medo...Medo...O Cintilar dos Pedaços da Minha Alma - 04/10/97Os seres da agonia pousaram sobre minha iraE meu peito em chamas se acalentou solitariamenteEu me deito em meu chão imundo para chorar escondidoDiante dos demais que não mais me dão atençãoAs lágrimas se secam por si sóMas minha alma esta estilhaçadaE só vou cola-la amanhã de manhãPor que agora eu quero sofrer sóPortanto me deixe em paz, aqui sozinhoA não ser que queiram me mostrar mais dorPara que eu possa me deixar ir emboraE os pedaços da minha alma a brilharem em sua dorA lembrar-lhes de suas próprias alegrias passadasE seus sorrisos brancos contra meus olhos negrosE minhas trêmulas tentativas, esquivadas com gargalhadasE agora virão vocês abraçar meu corpo vazioPor que não mais estou ali naquela cascaEstava lá quando me deixaram sóQuando ansiava por carinho e companhiaE agora tudo o que tenho é dorPor que vocês pisaram sobre meus fragmentosCom sua própria indiferença disfarçada em esquecimentoPois agora se dêem as mãos adornadas com alianças falsasE sorriam para minha morte socialPor que fui esquecido por vocês, de quem tanto precisavaE ainda mais, de você, a quem tanto amavaOs pedaços se racharam em mais partesE estas se trincaram até o póE é para este que retornará a minha alma estilhaçadaPara o recanto dos esquecidos e não amadosPara aqueles que nunca tiveram a oportunidade de amarPara o limbo dos desgraçados e famintosDe sentimentos puros e limpos como este
  4. 4. Não Preciso de Mais Ninguém - 05/10/97 IEu era como vós, sedento por afetosAnsioso por carinhos e palavras de confortoMas não sou mais um corpo com almaCansado de sofrer pelos desejos insatisfeitosE pela agonia da esperaAbdico-me da alegria, do amor e da amizadeE mesmo vendo que a vida não mais terá sentidoEu continuo sem me questionarPor que nunca houve algo que fizesse valer a penaE agora continua a não haverE me diga se é errado não ter mais esperançasE te mostrarei as dores que ela me causouAs esperas e lagrimas, as negações e derrotasNão, não mais lutarei pelo amor que tanto caceiPor que desta guerra eu já sai derrotadoE só me basta agora esperar pela morte que em breve viráE neste meio tempo simplesmente agüentarE ir perdendo todos os meus escrúpulos e valoresUm por umE quando eu chorar a noite por ter feito a escolha erradaTentarei me lembrar de algoQue é bem melhor do que chorar por uma mulher que me despreza IISe lhe choca o fato de que não mais preciso de genteNão leia mais estas palavras aflitas e desesperadasPor que não preciso nem mais de você, que as lêSó me basta o fato de sofrerPor que é a única coisa que possuoE não me venha com pena ou com cuidadosPor que sou um bastardo desalmadoE dificilmente serei normal mais uma vezTudo por que nunca tive o que todos temE não chore ao pensar que a culpa pode ser tuaPor que é a verdade, e nada pode mudar issoEu só queria o toque em meu rostoE uma mão para poder segurar durante uma caminhadaMas não tive o prazer de ter alguém ao meu ladoE nem por perto quando precisavaPortanto vá-se juntamente com os outrosE me deixe aqui sozinho, por que sempre foi assimE não existe nada que possa mudar essa situaçãoA não ser o calor das palavras sincerasQue brotariam de um coração realmente apaixonadoE basta para mim ver-me lágrimas de sangue por minha facePor que não mais sentirei pena de mimAssim como ninguém sentiu
  5. 5. Tédio Monótono - 08/12/97Tudo exatamente como antesOlhos úmidos, mãos trêmulasSoluços angustiantes e solidão a milBarcos ao horizonte, esparsosE eu aqui parado, na praia de areias negrasOnde pássaros pousarão jamaisTriste fim és o meuPassar o eterno a ter tédioE a monotonia seria minha vidaA não ser pelas vivas golfadas de ar frescoQue logo se viciam e se apodrecemSou o arauto da monotonia em movimentoAs ondas do pecado a bater em rochas friasE eu tão quente a conter-me no secoNão quero me molhar e por isso secareiE por insólitas inquietudes me atiro ao marPara quebrar a monótono tédioMas a água é fria por demaisE não me admirar eu afundarPor que existem leis que não podemos violentarAurora de um ser humano - 22/12/97Garrafas frias, garotas quentesNoites negras sem luz algumaTormento puro em nossas vidasNão ha saída desta agoniaOs carros andam amontoadosE os ocupantes gritam alucinadosÉ a cidade mais infiel que antesAs pessoas não se descontraemSem ser pecado ou desgraçaAs mulheres são prostitutasE os homens são viciadosNão ha saída, não ha desculpasNão existem meios, e nem visõesSó existe dor, só existe medoE só temos a nós mesmosE ninguém mais para ajudarFoi-se o dia, e veio a noiteNão temos mais no que sonharPor que todos os sonhos já foram sonhadosPor todos os lados, e por todos nósE não existem desculpasSó preconceitosE não temos desejos
  6. 6. Só temos indiferençaE a dor é tão profundaE o medo é tão vastoAs fronteiras são tão largasE as rédeas são tão curtasQue me pergunto aonde irei chegarSe não aqui mesmo onde estouSem progresso e sem perdãoSem pedidos e sem paixãoNão me diga em que acreditarPor que acredito nestas palavrasE nada mais poderá apaga-lasNem mesmo as mais belas precesPor que são fortes como o açoE são afiadas como espadasForjadas nas fornalhas do ódioEsfriadas nas águas do medoE afiadas nas pedras da descrençaE prontas a cortar tudo o que se oponha a elasPor que estas palavras tem sede de sangueE banha-las nesta seiva é seu deverLago onde os Anjos Pescavam Estrelas - 31/12/97Atrás das montanhas negrasPróximo ao negrume do fim das erasNa morada dos guardiões das trevasÉ onde repousa o Lago da GaláxiaO Lago onde os Anjos Pescavam EstrelasE onde nadavam coisas inacreditáveisEram poemas meticulososEram criaturas alucinantesE poderes inacreditáveisOnde um homem provou o infinitoE na verdade não era nadaA não ser uma gota ao vazioE como nenhum homem mais conseguiuEle olhou os anjos face a faceE foi pescado como uma estrelaE posto ao lado daquelas mais especiaisEra um mundo aonde planetas eram átomosE onde o Universo era um corpoE um humano nada eraSome somente matéria escuraE houve controvérsias sobre a lei do espaço tempoUma vez que o ciclo nunca se acabariaE foi aí que os anjos compreenderamQue acaram a lei do infinitoE que eles mesmos nada eram
  7. 7. Pescadores de estrelas em um lago negroEram matéria escura tambémEm um átomo de outro alguémE a loucura lhes dominouE compreender é perigosoUma vez que por maior que sejaNada és a não ser o nada que integra a tudoE delirantes com o poder da sabedoriaOs anjos continuam sua pescariaEm busca de algo que não mais importaPor que também se tratava de nadaOs Lírios da Cidade - 31/12/97Não sou como as ondas do mar a bater nas pedrasSou como os Lírios da Cidade, fracos e debilitadosNão sou como o antigo jovem que conheciasSou o Jovem velho que conhece agoraSem poder para crer-te em mim as dores da morteE não quero assustar ao outros com meus pensamentosPor que eu sou fogo dor e ódioPor não ter o que todos temEu sou medo choro e solidãoComo as vozes que não param de gritarE pedir que eu diga que não sou mais o mesmoPois sou como os lírios que a tanto já faleiE dai-me a pena para ter o que dizerUma vez que não sou mais o líder das minhas razõesUma lágrima dela iria me salvar a almaMas não és capaz de chorar por mimPor que eu não mereço ser salvoE talvez eu não o queiraPois ser ruim é fácil e agrada muitoOs Tristes Mendigos - 05/01/98Era tarde nas noites friasOnde lágrimas escarlates escorriam sobre a peleSenhores da pobreza luxuosa do espíritoPisavam sobre a riqueza da pobreza materialEra motivo para tanta alienaçãoE nem eram os bastardos abandonados pelas mãesEram os velhos que dormiam sem seu teto antigoE eram eles os que no fim mais sofriamPor que a morte era fria como a noite que passavamE seus dedos nada mais sentiamSomente dor e fome bruta, sem falar na hipocrisiaEram todos sós em seus cantos sujosEm suas tralhas e suas roupas imundas
  8. 8. E seu cheiro forte era claro como o diaMas as noites eram o seu único larJamais roubar, jamais pedir, somente lutarE batalhar junto aos outros um prato de comidaSomente o coma e o sono os satisfaziamSem ter o que dizer eles se calam por si sósE caminham, lado a lado, rumo ao ontemE uma ponte lhes será o abrigo da noiteE ao amanhecer perceberam que mais um se foiE que agora contam todos menos o que a morte tomouNão ha mais choro e nem lamentaçãoSomente olhares de preocupaçãoO corpo inerte, morto e duro é ali deixadoSem enterro e sem velas, e sem uma oraçãoAbandonado como um trapo ou como um jornalDepois de dias é enterrado como indigenteMas era gente aquele corpo a apodrecerO Vácuo Intelectual - 05/01/98Era o povo um fraco oponente para a vulgaridadeA soberania da beleza foi tomada pela breguiceHoje as pessoas assistem novelasE não lêem mais bons livrosVão até boates para se embebedarE não são capazes de ir até o TeatroO povo esta condenado ao limbo das erasAo esquecimento de por que estamos aquiE do por que é que fazemos tantas coisasEstamos parados na corrida da benfeitoriaEstamos engasgados em nossas próprias históriasSomos vítimas da onda que nos importamSomos bardos sem trovas para cantarSomos ilhados sem perspectivas de melhoriaE o povo continua a se chafurdar mais a cada instanteA cada minuto se tornando mais e mais lixoAo ponto de atingir o vácuo intelectualOnde nada se sabe e tudo se aceitaMúsicas artificiais, interpretações sem emoçãoPoesias sem sinceridade, amor sem paixãoÉ uma era negra para o bom gostoSem dúvida, um tempo de regressãoOnde homens são privados de pensarE onde o povo não sabe mais opinarPois somos um povo esquecido em nossas satisfações momentâneasE esquecemos que nossos futuros se enegrecem a cada passo dadoE que a cada metro a volta será mais dolorosaE que chegará o dia que nossas mentes esquecerão do que sãoE lá será o tão maldito vácuo que hoje apreciamos tanto
  9. 9. Cinco Dedos e Uma Palma - 05/01/98Tenho minha mão5 dedos e uma palmaA segurar o teu conjunto idemA acariciar teu rostoTeus dois olhos, um nariz e uma bocaE meus mesmos 5 dedos e uma palmaA trabalhar fortemente para te alegrarE também a agilmente se balançarPara pegar e agarrar o teu corpoO teu conjunto inteiro:Uma cabeça, dois braços, duas pernas e um troncoFogo - 05/01/98Do Inferno o demo assopra maldadesE com o fogo que lhe queima eternamenteE com o fogo que lhe arde fortementeEle sopra dezenas de almas destruídasE gargalha lava derretidaO fogo que queima o corpoOs espinhos lhe cortam a carneE ele ainda assim gargalha sangue terrestreO fogo que queima até a águaA arder no inferno as chamas dos pecadosE na terra a arder os pecados da humanidadePor que o fogo queima e pune pela eternidadeE não existem coisas que suportem seu calorPor que o fogo a tudo destrói com voracidadeE é por isso que ele arde o infernoPara destruir as almas impurasE o medo é tamanho que o fogo aumenta sua labaredaE arde cada vez mais intensoA ponto de derreter até mesmo nossos pensamentosA luz e todas as demais coisas do UniversoO fogo desgraça a tudo o que vê a sua frenteMata e queima até se matar por si sóSua tarefa é exterminar a todo que possaE ele pode exterminar tudoO Poder do Pecado - 08/01/98Os carros entravados nas ruas lotadas de pessoasMendigos pedindo dinheiroProstitutas oferecendo amorE os pecados servem como pontos positivosA ganância é vista com bons olhos
  10. 10. O individualismo como statusE o dinheiro como DeusPor isso os pobres são pecadores e mundanosPor que não tem acesso a este mesmo DeusE continuando a caminharAs ruas se escurecem ante o símbolo do pecadoUm grande banco esconde o SolE mesmo assim estamos presos no trânsitoCom os vidros fechados e o ar condicionado ligadoRezando para não sermos assaltadosA fumaça não entra e o ar não circulaE estamos presos na selva que criamosCom cheiradores de cola e coisas maisBolsas de água não retiram sua dorPor que sente dor em seu espíritoPelo poder do pecado que invade a todosOnde quer que se váFale-se lá com quemEstamos concretizados com cimentoE erguidos com escorasSomos prédios implodindo aos poucosSomos o templo deste deus pagãoE a cidade continua aparentemente quadro a quadroE nós continuamos parados no meio do nadaO vento corre rápido e o sol se põe em segundosHomens de olham com ódio e é dia novamenteE estamos presos dentro do pecadoAinda dentro deleOs Gemidos da Vida - 26/01/98Não se sinta mal ao ver-te chulo em teu reflexoPor que é você a se ver de verdadeNão somos belos e tão pouco humildesSomos malditos que se escoram dentro da dorE os gemidos são tão fortes que não se pode ouvirE as dores tão intensas que não são mais sentidasEmbriagados em nossas agonizantes vidasSonhamos com os sonhos de outras pessoasVocê não é capaz de sonharNão é capaz de criar o seu mundoNão pode lutar pelos seus ideaisPor que não os temE não nos olhe como pagãos, uma vez que pagãos são vocêsQue não sabem acreditar no que é tão realEstamos todos gemendo de frio ou de fomeOu ainda, gememos por um pouco de amorE também por conforto e pazJulga-se o dono de tua vida
  11. 11. Se diz o eleito de teu próprio reinoSe intitula o líder de seu individualismoSe proclama senhor do teu próprio destinoPois não és nem a sombra do grande que querNão é centelha e nem fração do que pensas serNão é nada a não ser um feto abortado da vidaA gemer cada vez mais baixo até se calarA Falha dos Seres Inferiores - 26/01/98Somos falhos, todos falhosSem virtudes, sem afetosSomos falhosComo ratos rastejamosE como Homens nos matamosSomos falhosComo a morte nos tememosComo espelhos nos revemosSomos falhosTemos medo das maldadesMas cometemos crueldadesSomos falhosTodos impuros em seu sangueComo a vida baixa lá dos manguesSomos falhosFazemos guerras, e lutamosFazemos a paz, e sonhamosSomos falhosTemos ódio em nossas vidasTemos medo em nossas alegriasSomos falhosTemos falhas, muitas estranhasSomos maus até as entranhasSomos falhosTemos força, temos garraE estamos presos a fracas amarrasSomos falhosEstamos morrendo, chegando ao fimTodos tem medo, tenho medo de mimSomos falhosPor que falhas são humanasE não somos mais humanosE esta é nossa maior falhaNão poder falharA Derrota - 05/02/98O cansaço em sua face emudecida
  12. 12. O corpo escasso em atitude decenteOs olhos estáticos a olhar para o nadaE a boca paralisada, imprecisa e caladaAs mãos trêmulas, o sabor amargoA escuridão dos dias e o fim do bem estarDerrotado pelo próprio fracassoEra esta a verdade escondidaO homem se afasta com medo das palavrasSe isola para agonizar em sua dor solitáriaA DerrotaDifícil de se ter, amaldiçoado estadoPerdedor de seus delírios, de seus planosDerrotado, abandonado, baixo , pequenoO mundo se encolhe em seu estômagoUm calafrio lhe percorre a espinhaE acreditar no fato lhe demora algum tempoAté constatar que aquilo pelo que lutouLhe levou a mais uma maldita derrotaO abalo é inevitável, a proeza é um martírioPor que não foste capaz de realizar o que pretendiasFalhou, não conseguiu, não serviuÉ um súbito destino o de se perder para si mesmoPor que só podemos culpar a nós mesmosO destino estava certoSua perícia estava erradaE a incerteza da vitória lhe causa pavorAs Vozes do Amanhecer - 09/02/98O sono estremece tuas forçasEscancarar os olhos é martírio sofridoCaminhar é dolorido, falar é uma torturaSeu interior queria sonoUma cama macia, um corpo a que se abraçarUm cabelo com que brincarUm lábio para tocar com o teuUma mão para segurarNa escuridão aconchegante do descansoTeu corpo trucidado se arrasta ao banheiroTua barba é cortada, seus dentes são escovadosSeu rosto é molhado e teu corpo é lavadoForra-se de comida leve e bebe teu líquido negro quenteEntra em teu monstro de poluiçãoArranca a milhão para o lugar impuroTelefona, fala, escuta, desligaChora, sorri, faz, lhe fazemSe vai, para casa, desmantelar-se uma vez maisVoltar para o nicho esquecido o dia inteiroLembrança silenciada pelas vozes da manhãNão existem morais e nem mesmo éticasSó existe o sono e a vontade de não se despertar do sonho
  13. 13. O sonhoNéctar da alma, fada das felicidades, a esperança dos mortosO doce da primavera esquecida de nossa juventudeSomos frutas velhas e murchas, azedas, sem sementesRestos - 11/02/98Sois vós os mestres que governamSomos nós os malditos a se estreparFadados ao frio ardente do anoitecerAo eterno desgosto, à agonia gritanteMe pergunto se lembras de mimQuestiono se seria capaz de recordarForam dias inteiros, meses completosQue para você foram apenas restosTomei-te em minha alma ao fim do entardecerE a instalei em meu coraçãoVocê não o aceitou naquela noitePor que achava que era restoAssim como minhas mãos para lhe segurarE meu corpo para se apoiarVocê achava que eu não passava de restoSendo que o resto era vocêDei-me a ti em meu passadoDou-te o resto de minhas lembranças neste presentePois no futuro não pretendo me recordarDe nada que me faça chorarPor que de restos todos estamos fartosMas só existem restos e nada inteiroPortanto não temos o que escolherSó temos que aceitarO resto de nós vai embora sem perceberQue verdadeiramente não existe poremNem mesmo meio termoSó temos a nós mesmos, e mesmo assim, somos restoSignificados - 11/02/98Sou um garoto a brincar em meio ao nadaSó tenho minhas mãos a cavoucar a terra úmidaAs unhas estão sujas, e não quero lavar-lasAgora temos um buracoO buraco foi feito com minhas mãos
  14. 14. O buraco é meu por que eu o fizCarros se desviarão, água ficará presaPessoas virão tampa-lo e outros dirão que é naturalMas é meu buracoE no mesmo caso construo uma armaA arma é minha, pois eu a construíBalas cuspirão de seu canoE seus mecanismos estarão muito bem lubrificadosEla um dia matará alguma coisaE só então cumprirá sua missãoMas sou apenas uma criançaNão tenho molas e tão pouco pólvoraEntão eu me levanto e vou emboraCaminho até minha casaSeio onde está a minha procuradaA pego e a aprecioEra bela e perfeita, seu peso era grandeCabo de marfim, tambor roliçoO estrondo, um trovão da morteEla cumpre sua missãoPois a escuridão que vejo é totalE meu sangue, espalhado pela cama de meus paisSe coagula e se endureceA bala se crava na paredeE minha vida se esvai com meu próprio medoO Desejo - 12/02/98Quero sentir a dor de que tanto falamDa agonia e da desgraça que praguejamQuero chorar de alegria e sofrer com uma perdaQuero abraçar um corpo morto de alguém que me amavaQuero sucumbir diante do inevitávelE de tudo contra o que gostaria de lutarQuero abandonar uma oportunidadeQuero me ferir diante de vocêGostaria de correr para minha morteE de ver lágrimas escaparem-me da faceQuero destruir alguma coisa que eu construíQueria brigar com alguém que prezoE ignorar alguém que me desejeQuero dizer adeus a alguémQuero viajar para outra cidadeGostaria realmente de voar para o espaçoE nunca mais voltarQueria saber como se sente outra pessoaQueria me olhar no espelho sem ter que me olharSeria interessante ter uma arma para dispararOu ainda um alvo a que acertarMeu desejo é banir-me de tudo o que presoPor que não preso nada
  15. 15. Gostaria de perder coisas que não tenhoPor que se as perdesse eu conseqüentemente as teria tidoQueria sofrerPor que se sofrer significa que um dia tive prazerQuero abandonar alguémPara que eu saiba que já tive quem a mim amasseE meu desejo é rasgar meu corpo em pedaçosE minha vida e átomosPara que eu possa saber que nunca os tive realmenteNão são meus, pois a matéria é de DeusE se fossemos a matériaEm sete anos seriamos outro alguémDas Estrelas de Orion - 12/02/98Diamantes cravados na extensa cortina da noiteEstrelas belas brilham na escuridão cósmicaDistantes como o amor que almejoVindas das Estrelas de OrionLuzes eternas, de movimentação estranhaA esperança de que enfim exista algo a que esperarO brilho continua forteE ao amanhecer elas permanecerão por láAté que a noite as revele novamenteComo meus desejos e minhas doresAs nuvens podem esconder-lhe o brilhoMas eternas são as luzesBombas nucleares a queimar seu combustívelCercadas de vácuo, despejando radiaçãoComo despejamos sangue em nosso chãoLínguas de fogo quântico lambem o frio espacialComo a tua lambe minha boca fria e especialReações pulsantes de contração e expansãoComo meu corpo em teu interiorNos Dias em que Desejava Minha Morte - 16/02/98Era uma época bárbara em que pessoas se digladiavamAs pessoas eram meus sentimentosE havia sangue espalhado pelo soloLágrimas sobre meu rostoEra entardecer eterno, sem previsão de amanhãCrepúsculo incessante, desespero e depressãoNão havia a quem recorrer, não haviam conhecidosTudo o que tinha era minha batalha internaNão havia meios de se fugir, tive que me confrontarE naquele instante desejei minha morteApareceu alguém com olhos brilhantes e rosto angelicalMas ela se foi sem me dar a chance que deixei escapar
  16. 16. Me aprofundei em meu interior, mergulhei em minha almaE novamente me quis ver mortoEra doentio acalentar-me em esperanças tolasSabia bem que o Sol não nasceria para mimMas a tarde caiu e enfim veio a noiteAs estrelas lá do alto me olhavam furiosasE temi pelo que me desejassemVeio então um aglomerado de nuvens e as escondeu de mimEstava sozinho naquele mesmo solo ensangüentadoO frio penetrava em meus ossosE eu pensava que meu sofrimento acabariaMas outros anjos costumam aparecer para me abastecerMais uma vezCom a tola esperança de que o Sol nascerá ao leste de minha vidaTolos são os anjos que a mim se dirigemPois não tenho mais uma alma a ser salvaTudo o que tenho é minha tristeza e solidãoE a morte, desejo insano de um jovem abandonadoCostuma me visitar em sonhos de tempos em temposE acordar em dias de chuva forte são comuns agoraPortanto estamos juntos nesta cruzada para o fim de tudoUma vez que sabemos que o que deseja é o mesmo que euTudo o que deseja é não ser mais nada a não ser você mesmoTudo o que anseia é a morteAs Batidas de Teu Coração - 16/02/98Segue-se a rotina de bater a tudo o que senteAo ver-te em sua plenitude, ao amar alguém plenamenteMas você nunca se recordará da batida que a mim pertenceAquela em ocorreu ao você me verAquela que parou ao me abandonarBate uma vez para bater a segunda e a terceiraRitmado o compasso do desprezo a meus sentimentosA quinta, a sexta e a sétima. A quarta a mim pertenceAquela que sentiu tão forte anteriormenteFora estranho para você, disso eu sei tão bem ...Mas o fato, afinal, era que sentira o que lhe disseSe sou um maníaco , que diga isso a todosSou um maníaco que é dono de uma batida de teu coraçãoE não penses que é divertido para mim, ingrataPois queria ser dono de todas as batidas de teu coraçãoE de todo o corpo que ele alimenta com seus pulsos de sangueO Doce Gosto da Desgraça - 30/12/97Frágil é a vida de um ser tristeFrágil é sua esperança fosca
  17. 17. Frágil é sua alma fria e secaE é frágil seu coração pequenoAs vezes se quer sumir do mundoDeixar de existir, simplesmente evaporar-seVislumbrar-se com algo já é meio difícilE com algo esquisito é pior aindaNão quero mais a dor, não quero mais lembrarQue eu sou o fracasso que tanto temia outroraGostaria que estas palavras fossem falsasMas a falsidade é minha verdade a muito tempoOs ossos não se quebram, os músculos não se contraemE assim mesmo eu me sinto ferido e cansadoSofrido com todas as feridas e lesões possíveisEu sou um fraco abandonado por mim mesmoTraidor de princípios, aliado de meu inimigoEu sou a porta para a desgraça e o fim da ressurreiçãoEu sou o faminto devorador de almasPor que nunca senti o doce gosto daO doce gosto daApreensão - 07/01/98Tenho medo de renunciar meu caminho por tiMas não vejo motivos para crer que o fareiPor que você não vêPor que você não ouvePor que você não falaNada do que eu queria escutarE não me tenha ódio por ser assim tão meuQue culpa tenho se nasci sem saber me exprimirE quem é você para me dizer o que fazerUma vez que sofre como eu sofri a dor de um amorSomente para recordar as lágrimas daqueles diasE que medo é esse de que tanto faloSe não o que todos temos , o de acabar sem começarO de morrer sem poder curtirO de sorrir ao ver-se morrerE o de sentar ao esperar o que nunca vai chegarÉ como o sonho das noite friasOnde casas são mais do que moradasE quando damas se tornam mundanasÉ onde vive o temor e apreensãoOnde estamos sozinhos sentados no chão
  18. 18. Na palma da sua mãoDepositarei minhas riquezasEm seu coraçãoDeixarei somente tristezasTão famintas quanto cães do infernoEu sou só, estou comigo aquiE sozinho caminho adiante em instantesSem alguém para dizer algo que valha a penaSou um só que deseja juntar-se em siE sonhar com multidões de pessoasMudo de Minhas Percepções - 25/06/97As mãos trêmulas tateiam o escuro em busca do objeto perdidoSombras brincam pela escuridãoQue as tornam invisíveisE sem achar o que estava a procurarO homem só se deita no chãoE sobre a escuridão desatina um choro de criançaQue se estende até sua alma desencantadaOnde estão todos agora que tento necessito de apoio?Onde estão os meus amigos?Onde estão os meus companheiros?Não ha mais ninguém para me ouvir, e nem para me alegrarSó existe escuridão e solidão, vorazes, famintasE elas me encontraram, e me saboreiam delicadamenteMas nem por isso eu posso me esquecer que perdi pessoasPor pura indestreza de minha parteForam-se os que eu tanto gostavaOs grandes, os pequenos, os homens, as mulheresNão sobrou nenhum para me consolar de minha desgraçaPor que minha desgraça foi perder a todos por ignorânciaE lamentar só me fará piorar as coisasEu queria tanto um amigo de verdadeQue não o reconheci quando apareceu diante de mimE frustrado, cometi o erro fatal de me atormentar e de machucar aos outrosE agora, sozinho e rindo, eu aceito a solidão como amigaMas esta logo me abandona também, assim como a própria vidaOs Dias - 07/01/98Os dias vão-se logo como horasDe forma brusca e bela se encerramCom angústia e medo o Sol se põePara as estrelar revelar em sua noiteNão são distúrbios vagos as estrelas
  19. 19. São pontos de esperança em um mundo escuroE cada um de nada adiantaSem outro para perfazer seu brilhoOs dias passam-se tão úmbriosOs dias correm para se expirarE cada um é um como nós somos nósE não ha disparidades, somente contrastesOs dias vem, os dias vãoMas sempre ficarão suas recordaçõesDias claros e alegresDias nublados e sorumbáticosDias quentes, dias friosDias monótonos, dias estressantesAurora da noite, crepúsculo das erasOs dias estão fadados a sempre se acabaremAssim como a vidas das pessoasOu como a dor ante ao ópioO fim é certo para tudoAté mesmo ao próprio tempoEnsaio contra a Violência - 07/01/98Bastam as pedras e basta o culpadoPedras voando e sangue escoandoSangue culpado ou sangue inocenteSomente o que valeÉ o castigo que inventaramFoi-se o pau-de-araraE foi-se os demaisVeio a cadeira elétricaE a câmara de gásCorpos culpadosAlmas queridasSujeitos bastardosCrianças perdidasNinguém tem o poderMas as vidas se vãoNinguém devia sofrerAfinal somos ou não irmãos?Pistolas e facasCanivetes e espadasClavas e pedras
  20. 20. Morte na certaOssos quebradosSentimentos partidosRéus julgadosCorações famintosSão os sonhos mortos e desfeitosContra nossas esperançasNa verdade só temos este defeitoSomos apenas criançasLiberte sua culpa de seus pecadosE se prenda à felicidade latenteNão podem nos julgar culpadosOs que isso fazem são dementesEsqueça a violência em qualquer cantoE diga basta ao passado e olá ao futuroSe cubra da vergonha com um mantoSejamos o que somos, apenas seres humanosFeridas e mortes, corpos e criptasCoisas profanas, coisas malditasPalavras vulgares, versos de esperançaNão haverá escapatória de toda a matançaEscravo das Conquistas - 05/01/98Quem dera ser o dono de mim mesmoQuem me dera poder ser dono de alguémEu seria o dono de vocêE você seria a dona de minha vidaQuem dera ser só mais um serSimples a viver e a cantarolarMotivos de alegria e de descontraçãoQuem dera ser como vocêAmiga e companheira e minha paixãoQueria ser como os homens não sãoQueria tanto ir ai e enfim te abraçarMas não posso, por que este não sou euQuem dera ser como as folhas no outonoTão triste e sozinhas no sacrifício ao futuroQuem dera ser um outro eu que não euQuem me dera ser como os meu donosQueria ser como o ar que corre sem alguém o ver
  21. 21. Queria ser como o dia que ninguém consegue escurecerE ser como o tempo que domina a tudo e nunca acabaE como os dias infindáveis que passei a sonharE as conquistas que tanto lutei para terQueria ser como a íris das novas leisA trancos mais súbitos e ao dia incerto da morteAo fim enlouquecido na loucura inebrianteDa galopante vida triste e morta de mimEu e você - 29/12/97Eu sonhei, eu cresci, eu sou euNão tenho nada para lhe dizerSó que eu sou euE nada vai mudarNada vai ameaçarSomente eu posso ser euE mais ninguém, somente euNinguém mais, assim como você só pode ser vocêE ninguém mais, ninguém maisEu sou eu, e ninguém maisSomente eu em mim mesmoE somos todos nós mesmosE somos todos os mesmos até morrerE ninguém mais, por mais que tentemosNunca deixaremos de ser nós mesmosA não ser que você não seja euEu serei você se você for euE ninguém mais poderá saberQue eu fui você e que você foi euNinguém mais poderá fazer tal loucuraDe ser si mesmo e ao mesmo tempo ser outro euSomente eu sendo euE somente eu posso ser eu mesmoUma vez que só existe um euE você, o que vai serSerá você ou será eu?Não me diga, eu não posso saberSe você for eu ou se eu sou vocêPor favor, seja vocêMas e se você for eu, terei que ser vocêMas eu quero ser eu mesmo uma vez sóE não mais você, por que tem que ser euEu sou eu, e você é vocêNão tente mudar a lei dos eusNão pergunte o que quer serSe pergunte o que você éNão pergunte quem se pode serSe pergunte se pode ser você
  22. 22. Não se mude de pessoa por favorPor que eu quero ser eu e te encontrar sendo vocêNão se perca nesta fuga insanaSó tente ser vocêNão tente ser outro alguémTente ser vocêUm pouco apenas, só por um instanteSeja apenas vocêLetargia - 13/06/97Letargia angustiante é esta que sufoca meus pensamentosQue drena minha emoção ao ponto de me deixar completamente nuEntre centelhas de ódio e dor infinitasO trauma é tanto que tenho medo agora de deixar o pequeno casulo que é minha vidaPara adentrar no espaço aberto que existe fora delaUm mundo de agonias púrpuras em que a desordem governa com mão de ferroOnde tudo é confuso como as palavras que lhe declamo agoraNão, lágrimas não são bem vindasNem tanto desespero cético em relação aos outros penitenciadosNeste mundo grosso e escasso de palmas para coisas tão grandiosasComo o simples fato de viver e serTrucidado por idéias que não posso explicar ao certoTento desabafar em prosa toda a minha fúriaEm relação a todos os que em mim botaram féMinha mente, embriagada pelas mãos ágeis da sabedoriaMe nega fogo quando mais necessito dela , agoraEm que quero entender ao certo o que estou falandoNão tenho idéia de como ou por que estou falando tantoMas compreendo minha dor contida em um único corpo humanoO meu, que é pequeno para tantas confusões e erros seguidosJamais, jamais será como era antes minha vida incerta em ser eu mesmoNunca mais serei como em minha antiga infânciaOnde eu podia sair de meu corpo para brincarE só por isso já ser eu mesmo, só que ao mesmo tempo outro euSim. Aos poucos vai ficando claroUma alma esperta me deu o dom de descrever tal conflito interiorQue se passa dentro de cada um de nósUma luta titânica entre monstros seculares que antes eram escravosE agora são mestresSim, sentado ao pé de uma cerejeira eu posso vislumbrar uma folha fina e delicada, ela caíaos poucosPara enfim tocar o chão e apodrecer até nada mais restarSomos todos folhas mortas no chãoSomos frutos invioláveisProdutos de um poderio incompreensível de frases aleatórias que nos criaramCarro, árvore, bola, jamanta ...Nada faz sentido, sendo que nós mesmos somos o sentido de tudoNão somos o que deveríamos serSomos apenas projetos inacabados de pessoas sérias que podiamUm dia, voltar a ser nós mesmos
  23. 23. Mas talvez elas já tenham voltado a ser nós mesmos e nós não temos como saberPor que elas são a gente, mas não somos nósNós somos apenas o que somos e prontoNada mais, nada menos. Só issoSomos almas feridas em busca de algo que ainda não sabemos ao certoSomos escravos de nossas almas, somos escravos de nós mesmosEscravos, por que estamos todos presos dentro de nós mesmosDentro de nossos egos inflados pela sociedadeA mesma sociedade que deturpou nosso direito de sermos nós mesmosÉ, é isso. Somos o fino fio condutor de nossas próprias fraquezasSomos o vazio e eterno Universo em expansão e morte simultâneasNão somos nada além da nossa imaginaçãoSomos um jovem e belo cadáver que não faz outra coisa desde que nasceuAlém de morrer, pouco a pouco, dia a diaConfusos dentro de nossas próprias idéias metafóricas de vida e morteDentro de um limitado ponto de vista totalitário, gabando-nos de sermos o que somosAssassinos. Matamos todos os dias, e a todas as horasMatamos o que ha de mais precioso em uma pessoaSuas idéias, suas fantasiasMatamos a nós mesmos quando nos privamos de pensar em nossos próprios sonhosAssim como a pessoa que sonha estar sonhandoSomos todos estes vulcões em erupção visível que queima a tudo o que esta por pertoSomos todos insanos em nossos pensamentos mais secretos e íntimosNão passamos de criaturas desajeitadasEnvolvidas em uma grande besteira que julgamos ser a mais importante das missõesChore. Chore. Chore por que enfim você compreendeuQue no fundo não passa de uma pessoaQue você pode fazer coisas, que tudo pelo que lutar vale a penaCrie asas, e voe para longe, terna criatura terrestre que chamamos de ser humanoVá embora para longe e crie sua vida de acordo com as tábuas sagradasQue você adotou como leisE de noite, sonhe mais uma vez com a loucuraImersa em sanidade que se esconde em sua menteMas que ora ou outra vai se libertar e lhe fazerSer aquilo que você nunca deixou de serVela à Brisa Morna - 08/12/97Ha uma vela na escuridão em que estamosEla brilha forte e balança com o vento morno de podridãoE me lembro que tudo o que eu podia querer eu já tenho, é vocêNão importa se me ferem até os ossos, contanto que você esteja bemE contanto que me ame tambémE que seja minha amiga quando eu precisePor que eu tenho tanto para falar e são poucos os que me querem ouvirNão se pergunte se é o certo, por que não é o que eu quero ver que importaMas sim o meu prazer em tocar vocêE te degustar, assim como você fará comigoPortanto esqueça o que supõe ser corretoPois agora não ha mais sentido em saberNão quero te mentir, mas quero te possuir
  24. 24. E ser seu mais uma vez, e outra tambémE ser feliz, enfim. E torcer para que dure tanto quanto podePor que não quero ter que me matar no fimNão por você, e nem por ninguém, muito menos por mimSó quero saber e sentir, o teu perfume amargoUm jardim de pétalas escarlates e folhas amarelasNão esqueça de mim, nem por um instanteVocê leu meus olhos e ouviu meu coraçãoComo pode ter me dito não?Não que importe, mais é que dói tanto que eu quis saberE tentar me lembrar, do que senti tão forte em mimQuando te vi, e quando senti bater perfeitamenteEm meu peito machucado a dor do amor!Não que seja deveras importante, mas é que o amor é algo realmente perigosoNão quero sentir se não puder saciarE é tão difícil... que não posso arriscarE é assim que vou te implorar para que me toque tambémE me sinta em teu corpo como sonho em te terA Sombra de Meu Eu - 03/06/97Eu não temo mais as sombrasPois também sou um ser de escuridãoNão me preocupo mais com a mortePois sei que na verdade eu já morriE não me pergunto mais qual é o meu objetivoPois sei que ele não existeE deve ser besteira querer descobrir por que eu cheguei até aquiTudo do que me lembro e faço força para recordarÉ de minha maldita dor em meu peitoEu sou a própria dor que me dilacera interiormenteEu sou o verme que me drena a vida aos poucosEu sou minha própria morteEu sou o mal que me dominaNa verdade, sou todos os meus problemasCondensados em mim mesmoE como me livrar de mim mesmo?Eu não poderia me matar mais do que já me mateiE choro ao pensar em me despedir de todos e fugirMas o que custa? Minha vida medíocre, agonizanteEu sou um dos poucos que compreendem que não existe desgraçaNão existe malExiste, sim, um eu poderoso em nosso próprio encalçoUma versão completamente idêntica a nósQue cria o mundo a nossa voltaVocê não é real para mim, assim como eu não sou real para vocêE por que? Por que estamos imersos em nossas própria realidadesNossos reinos sombrios, onde nossa outra versãoNós mesmos, dominamos como monarcas sádicosNada é real, acrediteO mundo e as pessoas com quem você conversa ou abraça
  25. 25. São sonhos em nossas noites intermináveis nos reinos das trevasE temos tido pesadelos muito ruins ultimamenteFaça um favor, acabe com o mundoBasta acordar e parar de sonharVolte para o reino das trevasE lembre-se dos pequenos momentos de prazer que teve em seu sonoE assim como agora, seu maior prazer será o imaginarA Integridade da Alma - 06/04/97Ó, integro ser vibranteGrandioso homem, soberboDeixe cair uma lágrima maisPara que sua alma seja humanaBelo como és, assimNão se importe em demonstrar fraquezaPois no fundo da almaTodo homem é um fracoE dos fracos é o céuSofrendo para não mostrarQue é somente uma pessoaO homem, imaturamenteSe contamina de forma tristePara tornar-se algo compactoNão mais homemNão mais humanoE sim algo vil e frioUm deus do malCriador da morte e do caosSenhor da natureza, controladorEscritor do destinoE que tragédia estas a escreverSe não a sua própriaVersos podres de arrogantes - 18/06/97Tristes canoas rasgam o marE pessoas brincam na solidãoE seus olhos vão se fecharE nada elas imaginarãoSó a tristeza me magoaSó os delírios me viciamNenhuma palavra é boaE as pessoas não me animamSeria o fim da maldadeOu o início da destruição
  26. 26. Estou cansado de piedadeAgora só me resta a diversãoE a letargia outrora angustianteMe lembra como era ser tão eleganteE ser sem cor eu sou agoraBem aqui, neste instanteNão me resta muita energiaE nem me lembro mais o que diziaQueria lembrar que fui um ladrãoMas foi você quem roubou meu coraçãoEsperanças Tolas- 08/12/97Seria bom poder amarSeria divertido estar felizJuntos, nós doisUsando nosso amor como abrigoContra a fria chuva que esta caindoMas não tenho chances sem vocêPor que não és capaz de me amarE eu sei disso por que estou com dorDevia ser mais belo o nascer do solMas agora está tão feioPor que não tem você ao meu ladoÉ só uma estrela a implodir-seCom você seria o Sol!Mas estou sóE não existe ninguém que possa me ajudarA não ser o seu amorQue de manhã me acordaria com sorrisos meigosE beijos tão bons quanto a vida deveria serMas acordo sozinho e com muito frioE meu tempo vai se acabandoPor que estou sem vocêPortanto estou perdendo meu tempoTentando viver em pazEnquanto eu sei que é de você que precisoMas você não esta aquiE por isso eu digo que estou perdendo meu tempoPor que não tenho com o que mata-loJá que só penso em vocêE o mais belo de tudo é que não sei quem ésE mesmo assim te amo muitoPor que o que perco em minha vida a cada segundoGanho em alegria a te imaginar em meu coraçãoMas esta tão frio agora que meu sangue se esvaiQue não consigo mais pensarSó em você
  27. 27. Por que, se for morrerQuero morrer ao teu ladoE tua imagem é a que quero levar pela eternidadePor que nada mais me importaA não ser a sua própria importância para mimQue é todaNão me importo em sentir dor ao teu ladoNão me importo em sentir frio e fomeContanto que possa te ver por um segundoE te tocar com minhas mãosE dizer que nada mais me importaNem mesmo a morte que me embala em seu coloA não ser a tua vida incógnitaA qual amo tanto e queria tanto conhecerMas não possoPor que me é tarde, me é tardeSó me deixe ama-la, por favorÉ o que imploroAntes que eu morra sem ninguémDeixe-me te terAntes que eu morraE que o mundo acabeDe-me esta chanceDe morrer olhando para vocêO Significado da Solidão - 21/01/98A solidão é morte em vida, é infortúnio em sua glóriaÉ a ambigüidade pura da vida por si sóPor que a vida também é somente umaAssim como nós somos somente umE basta uma ponta de esperança para as lágrimas caíremE somente uma dor intensa lhe fará ver que não vale a penaPor que no final alguém sempre se magoaE já nos basta padecer a tanto tempoEmbora achar outra pessoa seja algo singularA expectativa do encontro é sempre doloridaE quase sempre constatamos: estávamos erradosE quase sempre choramos: estávamos enganadosE existem dores que nem o tempo pode acalentarE a solidão só os intensifica cada vez maisForte como a própria união, é o fim certo a todosPor que é maldição e não bênçãoSer sozinho é triste por que sozinhos não somos ninguémE na união do amor entre homem e mulherExiste uma força incrível que é o oposto de tudo o que conhecemosO amor faz a possibilidade da solidão valer a penaSe tiver um só minuto de amor intenso
  28. 28. Se dê por satisfeito, pois já sabes o que é viverSe seu sonho se tornou real, dê-se por felizPois não existe nada mais importante que não estar sóSomente uma coisa:Não estar só e estar acompanhado de quem se gostaNão existem rejeições fortes demaisNão existem tardes vazias ao extremoO que temos é a nós mesmosE nada maisE tudo o que sonhamos pode ruir sobre nossos pésPode demorar um dia ou uma vidaMais cedo ou mais tarde aconteceE mesmo que você se sinta só e rejeitadoNão se preocupe:Mais vale se lamentar por coisas feitasDo que por sonhos não realizadosA História de Sérgio Sergipe - 16/02/98Foram 12 dias de agonia a viagem de lá até aqui12 paradas rápidas em postos de beira de estradaA comida pouco e ruim era a única que possuíaSérgio Sergipe chegou de seu terror para viver o nosso aquiDa rodoviária ele via os prédios que seriam seus senhoresEmpregos não haviam e a volta era impossívelAs noites eram frias e os bancos eram durosE foi então que percebeu que o chão era muito maisToda esmola era em pinga e toda pinga era um alívioPor que não mais pensava em desgraçasSó em vultos que seus olhos viam a passarLogo soube roubar e se via marginal matando para sobreviverMatava velho e criança e mulher e playboyzinhos que lhe diziam nãoLogo todos o temiam e até as autoridades dele fugiamEra o dono da cidade o Sergipano SérgioSeu nome era o terror e sua mão era a morteMas seu fim foi planejado e ele foi baleadoLogo a cidade se arrependeuPor que a ordem que havia postoE que aparentava ser um caos acabou por desmoronarOs bandidos atacavam sem escrúpulosE Sérgio lutava contra uma bala na cabeçaLogo a polícia dizia que Sérgio iria sobreviverE a cidade uma vez salva estava aliviadaEm saber que Sérgio Sergipe estava indo malSua vida se salvou mais sua consciência se perdeuSem inteligência e sem atividadeO Sergipano cabra macho uma vez mais a rua foiE lá era só um baleado, somente um pobre coitadoA mendigar uma vez mais para poder beber
  29. 29. E seu terror, esquecido ao passadoRenegado ao terror de ser baleadoEra baba que escorria farta por sua boca assassina IIMorreram mais de 21 ao tentar lhe impedirMas Sérgio se enfureceu ao saber que de fome morreramNo sertão que abandonaraSuas filhas, vitimas da desgraça que renegaraE a desgraça rolaria solta uma vez maisPelo ódio da desgraça Sérgio enfim despertouE mesmo com um tiro na cabeça o diabo iria se rebelarVoltaria para o sertão e salvaria o resto de sua populaçãoMas para tanto seria necessárioAlguma arma para poder ir lutarLhe deram então um trabalhoE ele labutouE logo enviou o dinheiro que havia ganho para a família miserávelE as filhas mortas foram enterradasE as outras sobreviveram mais um tempoMas a grana era pouco e o sol castigavaE não havia mais o que fazerSó lhe restava voltar a matar para poder sobreviverE dinheiro podre, manchado de sangueFoi enviado a família lá no seu sertãoE a grana farta foi salvando suas criasE então a ele elas vieramLá do terror da sertaniaPara o terror da cidadaniaFilhas de índio, donas do sertãoCrianças pobres e filhas ricasEram vadias, eram vadiasFilhas de um ladrãoQue mesmo baleado e abobalhadoConseguiu uma vez mais ser o dono da cidadeE quem lhe odiava, morria com uma balaPor que foi na bala que quase lhe mataramE mesmo assim ele não parouSe recobrouE roubou da sertania a sua alegriaSua famíliaE Sérgio Sergipano, vivo e malandroAgora era rico e poderosoSó que não podia se revelarCaso ocorresse sua família iria pagarIIIPois não foi que o Sergipe virou uma belezuraA chuva veio farta e o verde se espalhouE seu casebre no sertão se transformou em ruínasE sua casa era grande, sua fortuna era suja
  30. 30. Suas filhas engordaram, e sua esposa o traiuAmbos morreram na facaPois Sérgio os flagrouE então suas filhas pariram os seus netosE Sérgio teve então a desgraça de um cãoQue matou um de seus netosE enviuvou uma das filhasEra um demônio e sua vida era estranhaEra só um peão, agora era um chefãoMorreram todos em emboscada sujaFeita por TiaõTião gostou de ver as filhas de seu inimigo a sofrerem e choraremE Sérgio, muito do esperto estava em sua casa humilde no sertãoEra um homem louco com uma bala na cabeçaQue chorava por ter feitoDa desgraça sua vidaE da vida uma desgraçaOutra bala entra em seu crânioO sangue escorre grosso e a vida o abandonaTudo o que quer é nada verE que vê é somente a si mesmoSubstitua - 17/02/98Toda a agonia se troca por alívioToda a raiva, por amorToda a solidão por companhiaToda a miséria por riquezaInverta a fraqueza por tua forçaE mude da tristeza para a alegriaTroque o isolamento por carinhoE a violência pela pazSubstitua a desgraça pela glóriaE o medo pela coragemAbandone o choro e acolha o sorrisoTransforme a dor e ganhe prazerA Doença - 17/02/98As estradas paradas como fotos antigasAs ruas amontoadas de pessoas a andar pelas esquinasOs prédios apagados com pessoas a sonharE logo abaixo existem outras, querendo apenas matarE eu aqui doente sem nada poder fazer
  31. 31. Com soro a minhas veias, e sem nada poder comerPreso à cama e em constante impossibilidadeA deriva em pensamentos sobre minha cidadeE a doença me come, me acabaComo uma peste, uma magia macabraTenho fome mas não posso comerTenho frio mas não posso me esquentarE fico triste por saberQue nada mais posso realizarTenho frio e não me cobremTenho medo e não me acolhemQueria caminhar mas estou entrevadoTenho medo por que sei que já sou do passadoSinto dores e não me dão alívioTenho alucinações e não me permitem suplícioQueria apenas uma mão para segurarE nada tenho, só minha doençaE o que desejam é me matarPelo menos esta é minha crençaSaideira - 17/02/98Não lhes basta me ver aqui sozinhoVocês ainda tem que me humilharDizer ao outros que não passo de um bastardoE é aí então que corro ao meu refúgioO cheiro ébrio invade minha menteE os lábios se secam a procura de bebidaDo balcão me vem uma branquinhaQue escorre ardente por minha gargantaUma após a outra elas vão descendoE só então vou-me esquecendo de quem eu eraDas constantes fugas do serviçoDas gargalhadas dos amigos a me ver cair ao chãoUma garrafa se vai fácilMandam outra e eu já esqueci meu nomeNão quero voltar para aquele lugar bonitoPor que lá me acusarão: bastardoPor ser sozinho a bebida me alivia como companhiaMe aquece no inverno, me apazigua de meu ódioMe eleva ao céu enegrecidoDa noite que não mais terá fim
  32. 32. Já não consigo ficar de péE logo um cão me lamberá a bocaPois na sarjeta irei amanhecerE uma vez mais me chamarão: bastardoA dor me voltará e a vergonha será sua aliadaAs palavras uma vez mais irão ferirE outra vez uma boa pinga me acalmaráUma vez que ela é bastarda como euO Passado Foi Tão Bom - 17/02/98Era um dia como os outrosSó que chovia por demaisE eu te via uma vez maisIa ver o teu amorBeijava-o como a mim um dia fezE eu chorava escondido ao ver tal cenaE as lágrimas se escondiam nas gotas que caiamEntão ninguém percebeu até eu gemerUm casal que passava perguntara se estava tudo bemE eu não tive forças de dizer que nãoEles se foram embora para seu carroPois seu filho os aguardava para ir emboraE ela estava ali parada a beijar o dito outroE eu aqui parado a olhar a felicidade alheiaJá me foi o tempo farto de alegrias nesta vidaSó me basta deseja voltar no tempo uma vez maisE tê-la em meus braços como era antigamenteMas me foi tirada a força pela força do destinoE me ampararam muito malJá que não consegui esquecer o gosto delaE de como eram quentes as suas mãos em dias friosQue passávamos juntos sem nada dizerSomente a se olhar e a se abraçarEram dias belos em que a chuva era belaE naquele tempo, eu digo agora, me apaixoneiPor que nada mais queria além daquiloE nada me fazia mais sentido sem tê-la ao meu ladoE ela se foi como a chuva que se vai ao ver o SolE eu fiquei só, eu fiquei sóE me dói dar as costas a aquela cena tão tristePor que era a mim que abandonava naquele beijo dadoE era meu corpo que caminhava em sentido opostoPois meu coração fico aliQuebrado e molhado pela chuva forte e friaQue molhava a tudo inclusive a mim mesmoE ali ficou meu amor eternoE ali ficou a dor de um passado que foi tão bomMas que se foi com o tempo
  33. 33. Sem Retorno - 19/02/98Sou só mais um em meio à multidãoUm ponto pobre e esquecido em meio a todosEm breve as portas se fecharãoE sem saídas enfim estareiEm breve estarei dormindo uma vez maisE meus sonhos serão telas negras sem sentidoNão sonharei com as lendas que tanto ouviPor que não tenho mais tempo para elasEnvolto em flanelas quentes eu estouE o frio arde forte afora de minha moradaNão me preocupo com o que possa ocorrer lá foraPor que a fora não pertençoCri que antes dos tempos obscurosMinha alma tivesse saídas dos problemas que me afligemMas os problemas são apenas jogosE os jogos apenas passatemposAssim como passou meu tempo de retornarPor que esta em tempo de me conciliarNão com alguém, mas comigo mesmoEmbora saiba que a muito esteja perdidoO caminho que trilhei até aquiE não ha mais volta do estado em que me encontroPor que estou mais perto de meu fimDo que de meu começoE, cansado, olho a frente e vejo meu finalNa linha de chegada existem emoções que não queriaA solidão, a tristeza e o ódioE ao lado delas, uma sepultura profundaAonde depositarão meu corpo mortoOlho para trás uma vez maisE o começo esta tão distante que não posso vê-loFoi um caminho longo, tortuoso e penosoQue não quero mais reverMe basta o pouco que me falta verPara enfim repousarSó tenho que me arrependerE disso já me noteiUm Momento na Serra - 19/02/98Quero olhar o por do Sol daquiPor que és belo mais do que de láDaqui eu posso ver o mar se esquentarAo contato dele com seu manto quente
  34. 34. Era tarde e o meu carro estava ao ladoA estrada vazia era algo vagoAs árvores e os pássaros ao meu ladoMe faziam crer que era enfim a pazMas lá não estava vocêEra tudo tão perfeito em ti que não quis me recordarEra tudo tão bonito que não quis me perguntarAonde estavas tu naquela horaE onde estavas eu quando foi-te emboraO silêncio respondia com sua palidezE nem mesmo as garrafas a beber me fizeram esquecerQuem era a tua dona, seu bastardoEra aquela que se foi embora para o outro ladoEu quis te visitar, mas me era tão doidoVer teu corpo sepultado e enterrado aos meus pésE era triste pensar que o que mais queriaEra poder lhe beijar uma vez maisTomo entre as mãos minha vida e uma balaNão me resta mais nada a não ser caminharEra tudo tão belo que não tinha medoMas que medo eu poderia terUma vez que eu sabia que você me esperavaLogo ao lado de meu corpo mortoE tua mão tocou a minha e me fez continuarE foi assim que estou aquiOs demais me encontraram na estradaE a serra se tornou uma vez mais uma notíciaDo triste fim de um homem por seu amor que era mortoE sua arma houvera disparado uma vezUm Poema Hardcore - 19/02/98Era noite na selva amedrontadaAs pessoas caminhavam sem sentido pelas ruas amarguradasE um amor era tudo o que lhes importavaMas era a uma arma que tinham em seu lugarE as vezes, em troca do calor de uma garotaRecebiam o calor de uma balaE ao invés da dor de um amor perdidoO que tinham era a dor de um ferimento mortalE os gritos de sua mulher ecoaram por entre os becosE os seus gemidos de dor se calaram diante de sua morteSeu corpo se enrijeceria lentamente
  35. 35. E ao amanhecer ele estaria duroEm alguns instantes estaria inchado e podreE logo os vermes da terra o corroeriam pouco a poucoE seus ossos se pulverizariam durante os séculosE você enfim deixaria de existirBatalha Interna - 19/02/98Segura a minha mão enquanto vamosEra medo o que sentia antes de te conhecerAgora és apenas um sonho antigoEm uma galeria longe, muito longe daquiEra estranho e amedrontador aqueles diasEm que tinha medo de andar pelas ruasMas foi então, e somente entãoQue me deixei segurar-te a mãoE foi naquele instante secularQue vislumbrei o teu incógnito rostoE tuas mãos se revelaram tão maciasE teu rosto, uma verdadeira poesiaE desde então eu sou o que conhecesUm homem pleno e ao mesmo tempo frágilFrágil por que de ti dependoPara poder sobreviver assim tão bemE não me entenda mal quando digoQue és meu mais forte vícioPor isso digo que segure minhas mãos tão fortementePor que não quero escapar de tuas garrasMinha fera mais singela, que és tuNão me deixe escapar de meu amor por tiPor que não posso mais sonharE não posso mais caminhar em frenteNão sem você, não sem vocêA Noite após o Dia - 19/02/98Os fogos claros explodem em dias negrosComo a esperança de um amanhã sangrentoTodos se perguntam, se vale viverSó que a vida é um passo dado ao entardecerE a morte é o anoitecer eterno da bondade de nossas almasE somos obrigados a passar por tantas coisasQue não queríamos passarTemos que fazer algumas coisas chatasComo acordar tão cedo, e estudarOu tomar mais um remédio em um corpo frágilTemos que correr para poder acabar
  36. 36. Tudo aquilo que tivemos que começarSomos obrigados a nada fazerEnquanto assim o fizermosTemos que fazer o que não queremos fazerTemos que dizer que não ha nada o que fazerEmbora seja tão curta nossa vidaFazer o certo é tão difícilE nossas almas estão traídasE nada somos além de crianças perdidasEm um mundo tão vazio de nós mesmosTemos que fazer tudo o que não quisermosE o que desejo fazerÉ contar que não me agradoCom a vida que levo nestes diasCom a miséria das naçõesCom a busca das grandes instituiçõesAtrás de coisas chatas que não queriam buscarTemos que fazer. Temos que obedecerTemos que cumprir e temos que viverTudo o que temos que fazer é ser felizesPor que da noite passada já me farteiE quero o dia tão claro quanto possaNão quero mais olhar para as estrelas tão longínquasE quero poder te olhar nos olhos sem chorarQuero poder, sem medo, lhe abraçarE quero ser feliz, e quero viver bemEu quero abandonar este lugarMas não me dizem nãoMas não dizem simTudo o que me dizem é que talvezE neste talvez me deram a esperançaTola que não quero levarPara a noite que esta a voltarAdormecidos à Vida - 02/03/98Vede a minha mão a abrir o meu caixãoA sede, forte, avassaladoraQuero sangue escorrendo por minha garganta a dentroQuero a morte nos olhos de minha vítimaMeu corpo morto de alimenta do sangue vivoE minha sanidade se mantém por mais um diaLogo o Sol que a tanto já não vejoImpedirá minha caçada e que eu fique saciadoMas as estrelas ainda brilhamE a Besta em minha alma se aquietaJá bastava ser um monstroMas o desejo de ser humano uma vez maisTal como os pobres e miseráveisNãoO sangue me fala mais alto
  37. 37. O desejo pela morte era forteE uma cria seria bem vinda agoraPorém meu senhor me impede de tê-laE agora sou sozinho pela eternidadeUm vampiro se perdendo para si mesmoVeio o dia e meu sarcófago me acolheA noite seria uma vez mais tentadoraJá que nada mais importaA não ser o sangue quente que tens em tuas veiasE a vida que lhe move para acalmar a morte que me dominaCreia em mim quando digo que não existoPor que se souberes, morrerásSerá alimento eterno de seres monstruososServirá de alegria a criaturas sombriasPois o sangue que corre por teu corpoEncerrará a sanidade que tanto buscoEu me tornarei um insanoTemor - 02/03/98A verdade é que tememos a nós mesmosTemos medo de nos libertarPor que sabemos o que somosMas ninguém pode sobrepujar as emoçõesE o instinto é quem nos controlaEle se disfarça de emoçõesTemos medo, fome, sedeTemos desejo insano, paixão, amorE por mais que lutemos contra este animal internoNada pode segura-lo por muito tempoPor que somos este animalE nossa humanidade é apenas um disfarceAlgo para não assustar aos demaisAlgo para não assustar a nós mesmosDestino - 02/03/98Era tão escuro que não podia me verEra difícil encontrar outro alguémTudo por que minha visão estava nulaPor que estava, na verdade, cego de tristezaE ao tocar alguém eu choreiPor que era surdo tambémE só o que podia fazer era sentirE foi então que senti a tua mão
  38. 38. Estava cego a tempos e tu me voltaste com a visãoE que bela tarde era ao constatarQue era a ti que sempre estava a procurarMas era errado pensar que enxergaria outra vezPor que dado ao fato de que você se foiUma vez mais a solidão me escureceu a visãoPalavras de Sangue - 05/03/98Meus olhos negros sobre tua pele brancaTua língua quente em minha boca friaSou mais um na noiteAssim como os corvos em velóriosMal presságio aos que perto estãoDe ti bebi a vidaO desejo não claro de noites a sósOs dias sozinho e escondidoTudo por que de noite eu sou fortePor que é quando você é minhaBebo de ti o que queroDesde sangue até o amorAmor que não podes mais me darBebo da vida que te iluminaDos sorrisos tão maciosE dos olhos tão brilhantesE de tudo o que puder me dar razãoPossui-te a própria morteAguardo a ti com dor em meu peitoPor que seis que morrerá ao me abraçarPor que eu não vou agüentarA vontade que tenho de te ter para mimUma vez que seja, dentro de mimMergulhando Em Teu Olhar - 09/03/98A bruma escura se dissipa diante de teu olharO sol esta brilhando agora juntamente com seu sorrisoSeus olhos são reflexos, tua alma é o teu retrato externoNão existe mais temor, pois estas aquiCaminha entre todos, celebrando a própria vidaPois você mesma é celebração, você é vitóriaDelicada e forte inspiração, você é a própria festaQue todos desejam comemorarNão existem presentes, e não existem palavras
  39. 39. Pois você é a vida, você é o despertarÉs teu próprio presente, é tua bençãoPois os que a olham se tornam mais felizesFalar-lhe é suplício, pois palavras não bastamSintoma de vícios de um povo simplesPois tudo o que basta é o que todos fazemBasta admira-la sendo você mesmaQuatro estrofes, já daria uma cançãoMas me faltam acordes para lhe fazer justiçaSeria certo o que todos acham erradoMas a tempos o que é errado é certoPor isso clamam o teu nome na tentativa de se salvaremLembram-se de um rosto, e de um olharMergulham nele para se lavarem de seus pecadosE estão salvos, pois se lembram de como é a vidaLembram-se de como você é"escrito em uma segunda-feira ensolarada"Triste Amalgama de Variações Constantes - 11/03/98Impulso rápido dilacera meus medosMeu corpo corre e sua durante a caçadaInterpreto para obter aquilo que queroSou o príncipe daquilo que te consomeSou o desejo insano, sou a loucuraIncerto e indomável, dentro de cada umSou a tristeza possante que tanto te faz malEra antigamente um ser mais beloSou agora um monstro incerto de minha própria motivaçãoSou um amalgama de emoções constantesUma letargia matinalUm incesto noturnoUm filicídio tardioEu sou a dorSou o odor e a purezaE dentro de mim estão os desejosPois eu possuo cada umEu sou cada umCortes Profundos em Minhas Artérias - 11/03/98O brilho é encantadorLembra-te algo, como diamantes ou mesmo ouro
  40. 40. Mas sabemos: trata-se de açoAfiada lâmina pronta a cortarSedenta, absolutamente em desejoFarta é a dor, mas não paroProfundo é o caminho, mas ainda rasgoAbundante, gotas e mais gotas caem ao chãoLogo temos uma poçaNão paro com uma parteParto para as demais, tão voluptuosasA aorta não é a única, afinalA femoral também é grandeMas lâminas não bastaramTinha que haver algo maisE lembrar-me de suas palavras de negaçãoDo medo, da solidãoE de tudo o que me cortouDe tudo o que me matouO que mais doeuO que mais profundamente me feriuForam tais lembrançasDores Emocionais - 11/03/98Certamente todos assim foramOu se não ainda serãoPor que ninguém esta livre da dorNinguém pode suportar o horrorDores, alucinações e descontroleJúbilos de atrasos que não foram marcadosExcreção do que não é processadoAlívio daquilo que não incomodaMedo. Insuportável medoTensão, adrenalina, suspenseEra a hora de crer que ocorreria em breveE ocorreu que tive dorPor que temia o inevitávelTemia a você, a seus olhosE deve ter doído um tanto em você tambémJá que a dor é como o prazerPois é a vida que se manifesta em siTriste, amarga, acinzentadaEra o medo que tinhaPerder tudo aquilo que tinhaTemer perder a minha vidaMas o que perdi enfimNão foram as palavras, e nem os olharesPerdi você por estar sentindo dorDor emanada de mim mesmoDor que me causoAuto flagelamento emocional
  41. 41. Sem Destino - 11/03/98Abro a porta de minha casaOlho para a rua deserta na madrugadaCaminho até meu serviçoCansado inicio meu trabalhoSucessões de acertos e erros simplesIntrincados relacionamentos superficiaisIntrigas e suspenses, tramóias e tocaiasMeia hora e meia, estou sozinhoAndo até um restaurante e como algo rápidoVolto logo, não ha o que fazer além de me abastecerTrabalho mais, e minhas mãos já doemEstou pronto para partirOs demais organizam caçadas a noiteE a damas se preparam para acompanha-losEu devo voltar a minha toca escuraPois nada ha para mim aqui foraBasta-me ouvir desaforos dias inteirosTudo o que quero é voltar a minha tocaAssustado, sou arrastado por alguns à dita arenaPessoas se empurram e se embebedamInsulto a minha dignidadeTodos sabem o que todos querem aliPara que a mentira então?Para que?Mais algum tempo se passouAs garrafas estavam vaziasMinha visão estava turva e eu pensava:Por que não paro de gargalhar?Visto como alguém normal, posso me despreocuparFicaria em paz mais um anoEm minha toca quenteSozinho ao teu Lado - 12/03/98Posso lhe ver claramenteIsso já me provoca amor ardenteMas estamos juntos apenas superficialmenteIsso se comprova totalmente ineficienteAo teu lado caminhoAo teu lado durmoMas juntos em nossos pensamentosNão estamos a muito tempoTodos os dias começam cedo
  42. 42. E mesmo assim não suporto ficar longe nem por um minutoE eu não posso viver se não estiver ao teu ladoMesmo que seja para estar sóQuero a tua companhiaMesmo que seja para ficar sóEu lhe chamo e você não compreendeEu estou enlouquecendoPor que não lhe encontrar realmenteEstou aqui parado diante de vocêMas não é a mim que lhe interessaMinutos inteiros gastos pela noite sem mimMesmo eu estando ao teu lado o tempo todoDias e anos, tempo gasto a toaEu estou aqui, olhe para mimPor que estou cansado desta solidãoAprisionado ao teu lado como penaSem poder lhe falar ou conversarE sem poder lhe dizer o quanto amoCondenado a viver ao teu ladoSuave Amargura - 01/07/98A porta esconde-me o mundoAbro-a. Escondo-me do mundo entãoTenho as formas que lhe agradaMas antes eu não tivesse que sair de casaPois não é minha alma que podes verÉ o que quero aparentar que vislumbrasMeus modos e maneiras, gestos e atitudesSou um balão cheio de vácuoTenho a forma que desejam-meFlutuo entre os tolos, que sabem que sou vazioJá não me importo maisPodem esvaziar-me do nadaPois ternura é quente e doceSuave amargura dilata meu desejoEngrandece meu sintomaSussurra minha morteProlonga minha torturaAnseia meu amorFinaliza meu temorAbraça-me em teu desespero, ínfimo ser tristeGuarda-me em tua alma, banha-me eu teu medoPonha-me em você para que possas se acalmarLimpa o teu corpo do suor amargo e secoDuro é viver sem aguardar um amanhãBanha-te na secura da luz do amalgama eternaSofra como sofro os dias pardos e nostálgicosDe dias de um passado a tanto abandonadoE lembra-te que foi assim
  43. 43. Um nobre ser que clama solitário em seu poderO destino que traçaste com lápis desapontado e com papéis amassadosOs quais perdeste no caminho torto e perigosoE jamais pode se lembrar qual era a rotaDe sua vida que a tanto perdeu sentidoMonte das Lamentações - 13/07/98Lampejos, vultos, cores amargasTrituração de convulsões ecléticasRelâmpagos a esbravejar ao céu profundoE o vento a lamber-te o corpo debilitadoChoras em busca de um torpor inimaginávelCastiga-te em vontade insana de incestoE lamenta-se das obras que levantasteMurmúrios tímidos ecoam de tua bocaE da minha emanam desejosTeus olhos imploram-me calorE labaredas desgovernadas lhe aquecem a vontadeImplora nua em tua santidadeO frio que lhe matavaMas agora não morrerásPois da vontade se forjou o meu amorE deste fogo ardido surgirá a lamentaçãoPois de desejo se alimenta o fogo que emanoE não mais do amor jocoso que outrora declamavaSimples afago, que me deste em noite incertaE agora cá estou a lamentar sua piedadePois de sofrimento férreo se aguça minha menteE tanto sofri, e tanto lamenteiQue sem forças para correrMe aprofundo neste monte etéreo em minha almaCavando-me mais para o fundo e cobrindo-me da vergonhaPois insanos são meus pensamentosE insano é meu amorDespertar da Noite Rubra - 17/07/98Espantado, melancólico assobia a morte friaO vento sopra e ecoa pelos lastros sideraisE da noite ecoa o grito que não sabes de quem éE é quando acorda insano que percebesÉ tua boca a gritar socorroE banhado em sagre quente lacrimeja por perdãoE os corpos ao seu lado lhe recordarãoAtrocidades e maldades ao cheiro podre do fracassoA morte é vencedora e a vida só compete
  44. 44. Pois a dor te distrai e o prazer lhe devoraSem teus olhos não enxerga o que mais deseja verPois a gosma escorre farta e a terra é escuraDas tuas tripas vem a vida e da cabeça vem a morteTerror das noites rubras é o teu despertarPois é da noite que mais gostas e é lá que vai matarTristes assombram as ruas desertas das calçadas inusitadasE da boca ainda arfa o grito que te bradasJubilo etéreo insano da loucura do desejoCalamidade das estreitas e frias ruas da cidadeGargalhando e engasgando com fábulas esquizofrênicasE da vontade nasce a garra e a garra só existe para trucidarTrucidando as pessoas pela noite que amou-teE ainda podes ouvir teu próprio gritoLongínquo o brado da selvageriaDa morte que emanas de teus próprios porosVida Vazia - 16/11/98Vazio eterno, inerte vácuoDantesca dor embrionária assassinaVíbora venenosa, gloriosa derrocadaBaila em minhas dores como a morte em minha vidaE as ruas enevoadas iluminam-se com o SolMinha alma desperta sórdida e lamenta o amanhecerDecrépita

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