Apostila 2009
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  • 1. M L F Lab Manejo Florestal NOÇÕES BÁSICAS DE MANEJO FLORESTAL Versão 2008 ApoioCNPq e Fapeam
  • 2. Organizadores Niro Higuchi Joaquim dos SantosRoseana Pereira da Silva Adriano N. Lima Liliane M. Teixeira Vilany M.C. CarneiroCristina A. Felsemburgh Edgard S. Tribuzy 2
  • 3. Índice GeralConteúdo pág.Parte I – O mínimo de ecologia para o manejo florestal (MF) 4Capítulo 1 – Conceitos básicos 5Capítulo 2 – A árvore 72.1. A espécie vegetal no complexo ambiental 72.2. Fatores ambientais 92.3. Interações 17Capítulo 3 – Comunidades florestais 19Capítulo 4 – Dinâmica florestal (introdução) 22Capítulo 5 – Dinâmica florestal (sucessão) 26Capítulo 6 – Análise de dimensão, NPP e ciclagem de nutrientes 32Capítulo 7 – Desenvolvimento e crescimento de plantas 36Parte II – O mínimo de estatística para o manejo florestal 42Capítulo 8 – Conceitos gerais 428.1. Natureza da estatística 428.2. Conceitos básicos 45Capítulo 9 – Organização dos dados 49Capítulo 10 – Medidas descritivas 5410.1. Medidas de tendência central 5410.2. Medidas de dispersão 5610.3. Medidas de relacionamento 58Fórmulas úteis 61Capítulo 11 – Distribuição amostral da média 62Teorema de limite central 65Capítulo 12 – Estimando a média da população 70Intervalos de confiança 70Capítulo 13 – Algumas variáveis aleatórias importantes para o manejo florestal 7913.1. Diâmetro à altura do peito (DAP) 7913.2. Área basal 8213.3. Volume 8313.4. Biomassa 87Anexo 4: Distribuição de Weibull 90Anexo 5: Artigo sobre biomassa 95Capítulo 14 – Cadeia de Markov 108Parte III – Manejo Florestal na Amazônia 124Capítulo 15 – Amazônia: visão geral 125Capítulo 16 – Principais tipos florestais 143Capítulo 17 – Desenvolvimento sustentável 151Capítulo 18 – Manejo florestal sustentável 167Capítulo 19 – Setor florestal brasileiro 183Capítulo 20 – Convenções, acordos internacionais e certificação florestal 200Capítulo 21 – Legislações florestais brasileiras 227Capítulo 22 – Lei Estadual de Mudanças Climáticas 256Capítulo 23 – Exploração florestal na Amazônia 259 3
  • 4. PARTE I O MÍNIMO DE ECOLOGIA PARA O MANEJO FLORESTAL A floresta é o conjunto de árvores. Algumas são bem conhecidas e são amplamenteutilizadas na indústria florestal. A maioria, nem tanto. Da árvore, tudo poderia ser aproveitado(raiz, caule, casca, galhos, folhas e frutos). No entanto, a madeira do caule é o principal produtoatualmente; tem escala de mercado e liquidez financeira. Aproveitável ou não, a árvore para sobreviver e se desenvolver tem que interagir com osoutros seres vivos, sem perder de vista a relação intrínseca com os fatores do ambiente e do solo.Tentar manejar uma floresta sem este conhecimento, é apostar no fracasso. A floresta que estásendo explorada na Amazônia tem, aproximadamente, 1500 anos de idade, que foi desenvolvidasobre solos pobres em nutrientes. A exuberância da floresta em contraste com a fertilidade dossolos pode ser explicada pela capacidade da floresta em conservar e reciclar nutrientes. Entender o que é apresentado na Parte I da apostila de manejo florestal não significa quevocê vai se transformar em ecólogo. No entanto, se você considerar este mínimo deconhecimento ecológico, antes e durante o manejo florestal, você poderá minimizar os impactosambientais ... e isto é econômico. A combinação de economia e minimização de impactos ambientais pode ser obtidautilizando-se das melhores técnicas de manejo florestal, da exploração florestal até aindustrialização. A grade curricular dos cursos de engenharia florestal já contempla todas essasetapas ... tudo é uma questão de foco. Portanto, dos quatro pilares da sustentabilidade do manejoflorestal (técnico, econômico, ecológico e social), fica faltando apenas o social. Infelizmente, estetema não será abordado nesta apostila. A recomendação é colocar como questão de fundo para oseu manejo florestal, o conceito de desenvolvimento sustentável, que é apresentado na Parte III.Assuma o compromisso em deixar para as futuras gerações, a mesma oportunidade que você estátendo, hoje, em aproveitar os recursos florestais. 4
  • 5. Capítulo 1 - conceitos básicos1. Ecologia: é o estudo dos organismos vivos e suas relações com o meio ambiente.2. Meio ambiente: é a soma de todos os fatores bióticos (vivos) e abióticos que rodeiam epotencialmente influenciam um organismo.3. Ecossistema: é a soma das comunidades de plantas e de animais e o meio ambiente, numaregião particular ou habitat ou fatores bióticos + abióticos.4. Fisiologia da planta: é o estudo dos processos da vida de várias partes da planta.5. Citologia da planta: é a investigação dos eventos que ocorrem dentro das células.6. Bioquímica: é a análise da estrutura química final dos seres vivos e os processos da vida.7. Auto-ecologia: lida com a adaptação e comportamento da espécie individual ou população emrelação ao seu meio ambiente. Pode ser interpretado como sinônimo de ecologia fisiológica ouecofisiologia.8. Sinecologia: é o estudo das comunidades em relação ao meio ambiente. Sinônimos: ecologiade comunidade, fitossociologia, geobotânica ou ecologia da vegetação.9. Vegetação: consiste de todas as espécies de plantas numa região (flora) e se refere ao padrãode como todas as espécies estão espacial e temporalmente distribuída.10. Forma de vida: (i) o tamanho, a duração da vida, a presença de lenho de um táxon; (ii) o graude independência de um táxon; (iii) a morfologia de um táxon; (iv) os traços das folhas do táxon;(v) a localização dos brotos perenes e (vi) fenologia11. Fisionomia: é a combinação da aparência externa + estrutura vertical incluindo arquitetura decopas + forma de vida das taxa dominantes.12. Formação: um tipo de vegetação que se estende sobre uma grande região. A formação podeser subdividida em associações.13. Associação: é a coleção de todas as populações de plantas co-existindo com um dadoambiente. A associação tem os seguintes atributos: (i) composição florística relativamente fixa;(ii) exibe uma fisionomia relativamente uniforme e (iii) ocorre num tipo de habitat relativamenteconsistente. 5
  • 6. 14. População: é um grupo de indivíduos de mesma espécie ocupando um pequeno habitat capazde permitir o cruzamento entre todos os membros do grupo.15. Sociologia de plantas: a descrição e o mapeamento dos tipos de vegetação e comunidades.16. Dinâmica de comunidades: uma outra fase de sinecologia que inclui processos comotransferência de nutrientes e energia entre membros, relações antagônicas e simbióticas entremembros e os processos e causas da sucessão. 6
  • 7. Capítulo 2 – A árvore Para Hallé et al. (1978), a árvore não pode considerada meramente como um indivíduonum determinado ponto no tempo, mas como um indivíduo geneticamente diverso em processode desenvolvimento e mudanças, que responde, de várias maneiras, às flutuações do clima emicro-clima, à incidência de insetos, fungos e outros parasitas, particularmente às mudanças aoredor dela mesma. A árvore é então vista como uma unidade ativa e adaptável e, a floresta, é feitade um vasto número de tais unidades interagindo entre si e com os fatores do solo e do clima. A função de uma árvore em sua eco-unidade (unidade de regeneração) florestal deve serconsiderada, pois a árvore participa na construção da eco-unidade e contribui com asobrevivência da mesma, ou seja, a árvore reage a todos os inputs bióticos e abióticos vindos deseu biótipo natural (Oldeman, 1991). O ambiente da árvore não consiste apenas de fatoresabióticos determinados pelos fatores climáticos e de solos (Oldeman, 1991). Esses fatores sãofiltrados pela vegetação circundante composta de um mosaico de fragmentos (manchas) defloresta jovem, em construção, madura e em decomposição. E, dentro de uma particular mancha,os nutrientes e a energia são filtrados novamente por vários organismos, antes de alcançar aárvore sob consideração.2.1. A espécie vegetal no complexo ambiental: (i) A Lei do Mínimo A presença e o sucesso de um organismo ou de um grupo de organismo dependem de umcomplexo de condições. Diz-se que qualquer condição que se aproxime de ou exceda os limitesde tolerância é uma condição limitante ou um fator limitante.“O crescimento e/ou a distribuição da espécie é dependente de um fator ambiental maiscriticamente em demanda”. (ii) A teoria da tolerância “Toda espécie de planta é capaz de existir e reproduzir com sucesso somente dentro de umlimite definido de condições ambientais.” Os organismos podem apresentar uma larga faixa de tolerância para um fator e umaestreita para outro; os organismos que tenham faixas de tolerância longas para todos os fatoresserão provavelmente os mais amplamente distribuídos; quando as condições não são ótimas para 7
  • 8. uma determinada espécie em relação a um fator ecológico, os limites de tolerância poderão serreduzidos para outros fatores ecológicos. Os limites de tolerância não podem ser determinados apartir de um exame dos fatores morfológicos; em vez disso, eles são relacionados com os fatoresfisiológicos que podem ser somente medidos experimentalmente. A distribuição relativa da espécie com limites similares de tolerância aos fatores físicos édeterminada finalmente pelo resultado da competição (ou outra interação biótica) entre asespécies. Ex: testes de estresse, realizados em laboratórios ou no campo, nos quais os organismossão submetidos a uma variedade experimental de condições. (iii) A espécie taxonômica: Uma espécie consiste de grupos de indivíduos morfológica e ecologicamente similaresque podem ou não ser cruzados, mas que são reprodutivamente isolados de outros grupos. Otaxonomista tradicional enfatiza a morfologia (aparências externas), mas os biosistematas dãomais ênfase à isolação reprodutiva. (iv) A espécie ecológica: É o produto da resposta genética de uma população a um habitat – ecótipo ou tipoecológico ou raça ecológica. São populações de uma mesma espécie que apresentam grandedispersão geográfica, mas que estão fisicamente separadas. (v) População: Conjunto de indivíduos da mesma espécie que vive em um território cujos limites são emgeral delimitados pelo ecossistema no qual essa população está presente. As populações sãoentidades reais cujos atributos distribuição espacial, densidade, estrutura etária, taxas decrescimento (produto líquido entre taxas de natalidade, mortalidade e migração) bem como suasrelações de interdependência (simbioses) podem ser estimadas quantitativamente em condiçõesnaturais ou experimentais. (vi) Habitat Lugar onde uma espécie (ou mais de uma) vive. Neste local, os organismos encontrarão,além do abrigo das intempéries do meio físico e de eventuais ameaças biológicas (predação),alimento e condições para reprodução. (vii) Nicho ecológico: 8
  • 9. Papel que determinada espécie desempenha em um habitat; papel funcional nacomunidade. Na realidade, o conceito pode ser desdobrado em vários outros, dependendo domodo como é descrita a distribuição da espécie. Podem ser usados critérios ligados ao uso doespaço, à posição do organismo na cadeia alimentar ou ainda um conjunto de diferentes fatoresambientais, ex: temperatura, umidade, pH, solo, etc.2.2. Fatores ambientais: (i) Radiação solar: Do sol vem, direta ou indiretamente, a luz que torna possível a fotossíntese, e o calor queaquece o ar e o solo permitindo a continuação dos processos de vida da planta. A árvore precisade, pelo menos, 1 a 2% de plena luz para se manter. A briga permanente é ter o máximo de luzpara acentuar os ganhos pela fotossíntese em cima das perdas pela respiração. Por meio doprocesso fotossintético, a energia radiante é fixada em energia química potencial utilizada portodos os componentes da cadeia alimentar para realizar os processos vitais. a) A natureza da radiação solar que atinge a Terra: A radiação solar fundamentalmente governa a temperatura do ar e, desse modo,indiretamente determina as condições térmicas ao redor e dentro da planta. A quantidade e aqualidade de luz são muito importantes para a fotossíntese. A radiação solar controla muitosprocessos do desenvolvimento, agindo como um sinal para, por exemplo, a germinação, ocrescimento direcionado e a forma externa da planta. b) O balanço de energia: O ambiente por meio dos fatores climáticos, transfere energia para todos os seres vivos.Este fluxo de energia que determina o balanço de energia da planta e que afeta a sua temperaturaé acompanhado primariamente pela radiação solar e terrestre, convecção e transpiração. Cadaprocesso pelo qual a energia é transferida entre uma planta e o meio ambiente pode causar ganhoou perda de energia, mas a soma total da energia transferida tem que estar equilibrada. A energiaganhada pela planta do ambiente pode ser armazenada como calor ou convertida em energiafotoquímica pela fotossíntese; e pode ser perdida ao ambiente pela radiação da planta, pelacondução do calor ou convecção ou pela evapotranspiração (combinação da evaporação dasuperfície do solo e a transpiração das plantas). c) A luz e o crescimento das árvores 9
  • 10. A biosfera recebe a radiação solar em comprimentos de onda de 0.3µm aaproximadamente 3.0µm. Em média, 45% da radiação proveniente do Sol se encontra dentro deuma faixa espectral de 0.18-0.71µm, a qual é utilizada para a fotossíntese das plantas (radiaçãofotossinteticamente ativa, RFA). A importância mais óbvia da radiação solar é a dependência da vida em relação àfotossíntese, a qual, por sua vez, depende da luz. A luz é a radiação solar nas bandas do visível doespectro eletromagnético. As bandas do visível vão de 0,4 a 0,7µm (1 µm = 1 x 10-6 m), com ascores visíveis entre 0,4-0,5 (azul); 0,5-0,6 (verde) e 0,6-0,7 (vermelho). A cor, a forma e o arranjodas folhas afetam a habilidade relativa de diferentes espécies em competir sob dada condição deluz. Ponto de compensação => é o nível de CO2 que está em perfeito equilíbrio (nem tira enem coloca), ou seja, é o ponto que os ganhos fotossintéticos se equilibram com as perdas pelarespiração. d) A luz e a morfologia da árvore As plantas que crescem sob sombra desenvolvem estrutura e aparência diferentes daquelasque crescem sob plena luz. Quando as folhas sob sombra são repentinamente expostas à plenaluz, no caso de desmatamento (por exemplo), elas são incapazes de sobreviver. A parte aérea das plantas recebe radiação de vários tipos e por todos os lados: radiaçãosolar direta, radiação que sofre espalhamento na atmosfera, radiação difusa em dias nublados eradiação refletida da superfície do solo. A forma de crescimento, tipo de ramificação, e a posiçãoda folha condicionam a luminosidade da copa. A maioria das plantas ordena sua superfície deassimilação de forma que poucas folhas recebam radiação solar direta permanentemente, assim amaior parte das folhas se encontra parcialmente sombreada (Lacher, 2000). As plantas se adaptam de forma modificativa de acordo com as condições de radiaçãopreponderante durante a morfogênese. A diferenciação fenotípica de órgãos e tecidos geralmentenão é reversível. Se as condições de radiação mudam no caso de desmatamento (por exemplo),posteriormente, novos ramos são produzidos e as folhas dos ramos originais não adaptadassenescem e sofrem abscisão. e) Fotocontrole e a resposta da planta 10
  • 11. Fotoperiodismo => é a resposta da planta ao comprimento relativo do dia e da noite e asmudanças neste relacionamento ao longo do ano. A duração do período luminoso de um dia édenominada fotoperíodo enquanto que o período escuro corresponde ao nictoperíodo. Asrespostas sazonais são possíveis porque os organismos vegetais são capazes de “perceber” operíodo do ano em que se encontram, pela detecção do comprimento do dia.(ii) Temperatura Pouca atividade biológica ocorre abaixo de zero e acima de 50º C. Os fatores queinfluenciam a variação em temperatura são: latitude, altitude, topografia, proximidade à água,cobertura de nuvem e vegetação. A capacidade de grandes corpos d’água de absorver a energiasolar e re-transmitir mais lentamente faz com que os extremos de temperaturas do dia e da noitenão sejam tão acentuados, ou seja, verão e inverno menos rigorosos. O oposto ocorre no deserto,por exemplo, aonde a reflectância da luz é maior e a absorção é menor, deixando o dia muitoquente e a noite muita fria, ou seja, da mesma maneira (velocidade) que o ambiente é aquecido, adissipação do calor, quando cessa a incidência de luz, é igualmente rápida. As plantas regulam as suas temperaturas pela dissipação da energia absorvida e, dessamaneira, previnem-se da excessiva acumulação de calor e morte. Os 3 principais mecanismossão: re-radiação, transpiração e convecção. a) Temperatura na superfície do solo A exata temperatura da superfície do solo depende da taxa de absorção da energia solar ea taxa com que é dissipada, uma vez absorvida. Isto, por sua vez, depende primariamente daquantidade de vegetação e cobertura da serapilheira e, em segundo, da cor, conteúdo de água eoutros fatores físicos do solo, se exposto. b) Temperatura dentro da floresta Quando as árvores estão com todas as folhas, os extremos dentro da floresta sãogeralmente menores do que fora da mesma e a diminuição da radiação dentro da floresta poderesultar em menores médias da temperatura do ar. c) A temperatura e o crescimento da planta Os processos mais influenciados pela temperatura são: - a atividade enzimática que catalisa as reações bioquímicas, especialmente fotossíntese erespiração. 11
  • 12. - a solubilidade do CO2 e o O nas células das plantas - transpiração - a habilidade de raízes em absorver água e minerais do solo. Todas as fases dos diferentes regimes de temperatura – temperatura do dia, temperatura danoite, somas de calor e termoperiodismo (diferença entre as temperaturas do dia e da noite) –também afetam o crescimento da planta. O arranjo das folhas e a orientação das mesmas, uma resposta à intensidade da luz, podemreduzir a quantidade de energia solar absorvida podendo impedir o superaquecimento da folha. d) Formas de vida A importância da sobrevivência durante os períodos desfavoráveis tem levado a umaclassificação ecológica das formas de vida baseada na condição de dormência da planta sobcondições climáticas desfavoráveis para o crescimento. Exemplo de classificação: sempre verde,decíduas, perenes e anuais.(iii) Água A água é a substância inorgânica mais requisitada pelas plantas e a sua presença nasmesmas é muito grande, em média 40% de seu peso total. A precipitação é a principal fonte daumidade do solo, que é a principal fonte d’água que alcança a árvore. Na atmosfera, a água estásempre presente na forma de vapor d’água. A troca de vapor d’água entre a planta e a atmosferaacontece ao longo dos gradientes da pressão do vapor. A transpiração ocorre quando a água évaporizada e se move para fora das folhas (alta pressão) e se misturando com o ar circundante(baixa pressão). A precipitação ocorre quando a massa de ar quente é esfriada abaixo do seu pontocondensação. Este esfriamento pode resultar de correntes de ar que chegam a altas elevaçõescomo ocorre quando as massas de ar frio estão presas sob o ar quente ou quando o ar quenteavança sobre o ar frio (frente quente); isto ocorre quando o ar úmido passa por cima dassuperfícies quentes da Terra (precipitação convencional) e quando as correntes de ar passam porcima das massas de terra elevada (precipitação orográfica). Se a condensação ocorre abaixo doponto de congelamento, a neve é formada; se acima deste ponto, ocorre a chuva. A proximidade ao oceano, a temperatura e os teores de umidade das massas de ar, aelevação, latitude e o relacionamento entre as mudanças sazonais determinam a quantidade, tipo e 12
  • 13. distribuição da precipitação. Na floresta, 20% da chuva é comumente interceptada pela copa, deonde pode ser absorvida pela folhagem, ser evaporada, pode pingar diretamente para o solo ouescorrer pelo tronco. A água no solo disponível à planta existe na categoria gravitacional. O fornecimento daágua à planta é realizado pela matriz sólida e a água do material poroso interagindo com acapilaridade (conjunto de fenômenos que se passam quando num capilar se forma uma interfacelíquido-vapor) e a adsorção (fixação das moléculas de uma substância na superfície de outrasubstância). O movimento da água no solo depende da interação entre o potencial da água no soloe condutividade hidráulica. Alguns mecanismos que as plantas usam para minimizar o efeito do estresse hídrico: (i)decíduas de seca (folhas presentes somente durante os períodos de baixo estresse), (ii) efêmeras(dormentes, como sementes, durante o período de estresse), (iii) ripárias (aquelas que crescemperto de áreas com grande disponibilidade de água); (iv) sempre verde (quando há uma fonteperene de água). a) As relações da água da planta O solo vai secando gradualmente conforme a água é removida das raízes adjacentes; dessamaneira, restringe a absorção até que a planta não pode mais extrair a água do solo (potencialosmótico da planta = potencial da água do solo) – isto é o ponto que a planta alcança uma pressãode turgescência igual a zero e murcha. Mantendo este processo de secagem do solo, a fotossíntese gradualmente diminui comouma resistência ao aumento da tomada de CO2 por causa do fechamento dos estômatos. Isso vaicausar a diminuição do crescimento porque a pressão de turgescência é necessária para aexpansão total de novas células. Sob severo estresse hídrico, são inibidas: a respiração, a síntese de proteínas e váriosoutros processos envolvendo as reações químicas – por causa da desnaturação da proteína. b) Troca de vapor d’água entre a planta e a atmosfera A água se moverá da planta para a atmosfera quando a pressão do vapor da planta é maiordo que a da atmosfera. Isto é normal durante o dia sem chuvas. A água pode também mover daatmosfera para a planta quando as pressões de vapor são inversas, como num dia chuvoso ou 13
  • 14. quando o orvalho cobrir uma planta que não esteja completamente túrgida. Normalmente, não hátroca de vapor d’água durante a noite. Como o ar dentro da folha é normalmente saturado sob condições de crescimento, o vapormoverá das folhas para o ar circundante a menos que o ar externo esteja também saturado namesma ou numa temperatura maior => a transpiração acaba ocorrendo. A taxa de transpiração é diretamente dependente da planta e da temperatura do ar, daumidade relativa do ar e o movimento do ar que afeta a espessura da camada de ar que circunda asuperfície da folha. A transpiração é similar a evaporação, exceto quando o movimento do vapor d’água dacélula da planta é controlado a ponto de afetar a resistência das folhas que não estão envolvidasna evaporação. Este é o processo dominante na relação da água das plantas porque é assim que éfornecido o gradiente de energia que causa o movimento para dentro e por meio das plantas.(iv) A floresta e o clima da Amazônia A floresta tem uma relação intrínseca com o clima. Os processos biológicos e ecológicosque determinam a produção e a produtividade de uma floresta dependem do clima e dos solos. Oclima, por sua vez, é influenciado pela floresta da seguinte maneira: diminuição da temperaturaem seu interior e acima dela; diminuição da umidade relativa do ar e possível alteração noregime de chuvas em áreas com cobertura florestal. Atualmente, sob as chancelas da Convençãodo Clima e Protocolo de Quioto, a interação floresta x clima passou a ser oportunidades denegócios e motivos de disputas políticas entre países ricos e pobres. As plantas que originalmente se desenvolveram graças às condições primárias doecossistema em evolução, hoje são partes integrantes e fundamentais para o equilíbrioestabelecido, fornecendo por meio da evapotranspiração os 50% do vapor dágua necessário paragerar o atual nível de precipitação. Outros 50% vêm do Oceano Atlântico (Salati e Ribeiro,1979). Para esses autores, embora não se tenham ainda dados que permitam prever com precisãoas conseqüências da substituição ou simples destruição da cobertura florestal da região, algumasprevisões são possíveis: - O desmatamento reduzirá o tempo de permanência da água na bacia, por diminuir apermeabilidade do solo e conseqüentemente o seu armazenamento em reservatórios subterrâneos. 14
  • 15. A redução do período de trânsito das águas determinará inundações mais intensas durante osperíodos chuvosos, enquanto que a diminuição dos reservatórios subterrâneos, reduzirá a vazãodos rios nos períodos secos. - 50% da precipitação da região é proveniente da evapotranspiração da floresta. Por meiodeste processo, a floresta aumenta o tempo de permanência da água no sistema, devolvendo paraa atmosfera na forma de vapor, a água presente no solo. Uma outra cobertura, cujaevapotranspiração não substitua a inicial da região determinará uma menor disponibilidade devapor na atmosfera e, em conseqüência, uma redução na precipitação, especialmente nos períodosmais secos. - Uma redução da precipitação de 10 a 20% será suficiente para induzir profundasmodificações nos atuais ecossistemas. - A energia solar que incide na região é em média 425 cal/cm2/dia e é, em grande parte(50 a 60%), utilizada no trabalho de evaporação das águas, por meio de da transpiração dasplantas. No caso de desmatamento em grande escala, o balanço de energia será alterado. Dessamaneira, parte da energia que hoje é utilizada neste processo, será utilizada no processo deaquecimento do solo e do ar, fazendo aumentar a temperatura do ar. - As regiões tropicais absorvem mais radiação solar do que perdem por emissão de ondaslongas. No caso de desmatamento, os padrões de evapotranspiração irão se alterar(provavelmente diminuirão). Tais mudanças acarretarão sensíveis modificações no micro, meso eclima global por meio da alteração do balanço de energia de circulação (transporte do calor dostrópicos para os pólos - células de Hadley). - A pressão parcial do CO2 na atmosfera é determinada pela interação deste gás com ooceano que libera e absorve CO2 numa velocidade muito grande. Em apenas algumas dezenas deanos, todo o CO2 da atmosfera é renovado por meio deste dinâmico processo de interação portroca molecular com o oceano. No entanto, a partir do início deste século, o equilíbrio desteprocesso foi rompido pela atividade humana. As causas deste aumento são principalmente aqueima de combustíveis fósseis, o aumento populacional e a destruição das florestas. A florestaamazônica representa aproximadamente 20% do reservatório de carbono da biomassa do planeta. De acordo com Victória et al. (1991), do total de gases causadores do efeito estufaemitidos para a atmosfera, o CO2 contribui com cerca de 50% que, por sua vez, é o gás que temas fontes de origem mais bem definidas e estudadas. Do total de CO2 emitido, cerca de 80% vem 15
  • 16. da queima de combustíveis fósseis e 20% da queima de florestas, principalmente de paísestropicais em desenvolvimento.(v) Fatores do solo O solo tem um papel de fundamental importância nos ciclos da natureza, participando,direta e indiretamente da maioria das atividades que ocorrem no planeta. A qualidade do solopode ser amplamente definida como a capacidade do solo de aceitar, estocar e reciclar água,nutrientes e energia. O solo além de sustentar fisicamente as plantas, é intermediário no fornecimento de água,oxigênio e nutrientes às plantas, através das raízes. Seus componentes são: grãos minerais,matéria orgânica, água e ar. A primeira fase da formação do solo é a intemperização da rochamatriz e, a segunda, é a intemperização bioquímica. A formação do solo depende do clima,organismos, topografia, rocha matriz e tempo, conforme o desenvolvimento do perfil do solo, quese fecha com o desenvolvimento dos horizontes do solo. Em regiões temperadas, 4 horizontes são típicos em perfil de solo bem drenado: orgânico(O), lixiviado (A), enriquecido (B) e o horizonte não afetado (C). Os solos de regiões tropicais são normalmente altamente intemperizados e laterizados, ouseja, os horizontes não são nítidos ou paraticamente não existem. Os solos da Amazônia, porexemplo, são antigos, intemperizados e pobres em nutrientes, possuindo uma baixa capacidade detroca catiônica. A biota do solo é composta pela macrobiota (participam da estruturação do solofacilitando a infiltração de água e a aeração do solo; é composta em sua maioria por anelídeos ecupins); a mesobiota (fragmentadores de matéria orgânica, facilitam a decomposição; compostapor protozoários, nematóides, formigas e colêmbolas) microbiota (da qual fazem parte fungos ebactérias, são responsáveis pela decomposição de matéria orgânica, transformando-aquimicamente). A biota do solo pode refletir o equilíbrio biológico resultante da ação de todas aspropriedades físicas e químicas do solo e do ambiente. A principal rota de ciclagem de nutrientes da floresta amazônica se dá pela decomposiçãoda serapilheira, cuja velocidade depende principalmente da época do ano. Na estação seca adecomposição é mais lenta, e ocorre acúmulo da matéria orgânica, enquanto que na estaçãochuvosa a decomposição é mais rápida. Outros fatores que podem influenciar na velocidade da 16
  • 17. decomposição são: a natureza da matéria orgânica, pH do solo, natureza da fração mineral,umidade e acessibilidade dos decompositores.2.3. Interações As interações das espécies podem ser negativas ou positivas; a distribuição espacial daplanta pode dar uma boa pista para certificar-se da interação – v. quadro 1. 17
  • 18. Quadro 1 – tipos de interações, interação e exemplos. TIPOS DEFINIÇÃO EXEMPLOSCOMPETIÇÃO INTER- Ambas as espécies são prejudicadas. Para GAFANHOTO/GADO (-) (-)ESPECÍFICA diminuir a competição as espécies ocupam Vivem em um campo alimentando-se de capim, competem por esse recurso. nichos ecológicos diferentes.COMPETIÇÃO INTRA- Competição entre indivíduos da mesma PLANTAS ENDÊMICAS (-)(-)ESPECÍFICA espécie. Competem entre si, mas são restritas aos habitats severos porque elas são competidoras fracas em sítios menos severos.AMENSALISMO É uma interação que prejudica um organismo FUNGOS/BACTÉRIAS (0)(-) enquanto o outro permanece estável. O fungo libera substâncias antibióticas que matam bactérias, assim o fungo evita que as bactérias venham a competir com ele por alimento.COMENSALISMO (alimento) Apenas os indivíduos de uma das espécies são HIENAS/LEÕES (+)(+) beneficiados, e os de outra espécie não têm, As hienas acompanham, à distância, os bandos de leões, servindo-se dos restos daINQUILINISMO (local) aparentemente, nenhum prejuízo ou benefício. caça abandonados por eles. EPÍFITAS/ÁRVORES (+)(+) As epífitas vivem habitualmente instaladas como “inquilinas” sobre árvores de grande porte que não sofrem qualquer prejuízo, e as epífitas conseguem, dessa maneira luminosidade. São verdes e fotossintetizantes.PROTOCOOPERAÇÃO Benefícios para ambas as espécies ainda que AVE/CAVALO (+) (+) não seja obrigatória, ou seja, o crescimento A ave come os carrapatos do cavalo. continua ... mesmo na ausência da interaçãoMUTUALISMO É uma interação obrigatória, ou seja, a ausência MICORRIZAS/PLANTAS (+)(+) da interação prejudica os dois parceiros. Fixação simbiótica do nitrogênio (bactéria do gênero Rhyzobium) em plantas leguminosas.HERBIVORISMO É o consumo de parte ou do total de uma planta GIRAFA/PLANTAS (+) (-) por um consumidor. As girafas se alimentam das plantas, existindo, então, prejuízo para as plantas, que são devoradas parcial ou totalmente por eles. 18
  • 19. Capítulo 3 - Comunidades florestais (conceitos) Comunidade é um termo geral usado para designar as unidades sociológicas de certograu de extensão e de complexidade. Formação é a maior e o mais compreensivo tipo decomunidade de plantas, como boreal, temperada, tropical etc. Cada formação é composta devárias outras comunidades distintas denominadas de associações (ex.: beech-maple, oak-hickory, pinheiro-imbuia etc.). O termo tipo florestal se refere a uma comunidade florestal definida somente pelacomposição do dossel. Como a comunidade ou associação pode ou não ser definida pela somatotal do ecossistema, a sua designação normalmente leva em conta as características dasplantas inferiores também ou, alternativamente, as características do sítio. As comunidades não são compostas de arranjos de espécies sucessivos e mutuamenteexclusivos. Espécies individuais têm diferentes tolerâncias fisiológicas e genéticas e podemexistir em várias comunidades diferentes. A natureza de uma dada comunidade florestal é governada pela interação de 3 gruposde fatores: (a) o sítio ou habitat disponível para o crescimento da planta; (b) as plantas e os animais disponíveis para colonizar e ocupar o sítio; (c) as mudanças no sítio e na biota durante um certo período de tempo, capaz deinfluenciar as estações do ano, os climas, os solos, a vegetação e os animais => em outraspalavras, a história do habitat. As descrições de comunidades baseadas na fisionomia, forma de vida, superposição denicho e outros traços funcionais são úteis porque permitem comparações de povoamentos bemseparados que tem pouco ou nenhuma similaridade florística. Os tipos de chaparral daCalifórnia e do Chile, por ex., têm poucas similaridades florísticas, mesmo em nível defamília, mas exibem similares números de espécies, formas de crescimento, tamanho efenologia das folhas e a % de cobertura do dossel pelas espécies suculentas e espinhentas.(i) Associação: Associação é um tipo, particular, de comunidade, que tem: (a) uma composiçãoflorística relativamente consistente, (b) uma fisionomia uniforme e (c) uma distribuição que écaracterística de um habitat particular. (a) A visão discreta: 19
  • 20. As espécies numa associação têm os limites similares de distribuição ao longo de eixohorizontal e a maioria delas se eleva à máxima abundância no mesmo ponto – MODA. Osecótonos (cinturões de transição) entre associações adjacentes são estreitos com uma pequenasuperposição do limite das espécies, exceto para poucos taxa onipresentes em váriasassociações. (b) A visão do continuum: Continuum significa que todas as comunidades de tipo de vegetação, por ex., florestaou campo, poderiam ser organizadas ou ordenadas numa série abstrata da qual a composiçãode espécies muda gradual-tipicamente ao longo de um ou mais gradientes ambientais. A vegetação num continuum é o produto de um continuum no espaço (espécies ecomunidades influenciadas pelos fatores ambientais e bióticos) e um continuum em tempo(sucessão). Entretanto, há objeções substantivas à abordagem do continuum. Alguns estudosmostram que nem a dominância de um táxon simples e nem a presença e abundância degrupos de espécies mudam abruptamente ao longo do gradiente ambiental.(ii) Métodos de amostragem de comunidades de plantas: (a) Método “releve” Cada povoamento é representado por um grande quadrado cujo tamanho tem queencontrar a exigência da área mínima. Os dados coletados incluem: cobertura, sociabilidade,vitalidade e periodicidade (importância estacional). A tabela resumo revela os traçossintetizados (presença e constância). Se a espécie X ocorre em 8 dos 10 quadrados, estaespécie tem 80% de presença. Constância, em contraste, é baseada nas espécies encontradasem transectos. A espécie X estando presente em 8 quadrados, mas em somente 6 dos 10transectos, a constância será de 60%. (b) Métodos dos quadrados aleatórios (c) Método da distância(iii) Métodos para descrever a comunidade de plantas: (a) Tabelas As associações são definidas na base dos diferenciais ou nas espécies característicasque têm altos valores confiáveis e consistentes. As associações são apresentadas numa grandetabela diferenciada que é manejada para preservar a maioria dos dados originais das espéciese dos povoamentos. 20
  • 21. (b) Ordenação Os dados amostrados são reduzidos em 1 ou 2 gráficos que mostra os povoamentoscomo pontos no espaço. Algumas limitações da forma mais simples de ordenação sãoparcialmente corrigidas, mas a um custo mais elevado e, às vezes, o resultado é difícil de serinterpretado ecologicamente. (c) Gradiente direto A importância das espécies é uma função de cada posição do povoamento nogradiente. Geralmente, curvas não-sincronizadas para todas espécies são produzidas. Sendoassim, o gráfico não serve para a classificação. (d) Análise de agrupamentos É o uso dos pares de coeficientes dos povoamentos para construir o dendrograma(padrões de similaridade). (e) Análise de associação Também produz um dendrograma dos relacionamentos povoamento a povoamento,mas a sua construção é baseada nas espécies diferenciais em vez dos valores dos coeficientesda comunidade. 21
  • 22. Capítulo 4 - Dinâmica florestal (introdução) A população de plantas tem atributos que permite usá-los como ferramentas paraavaliar o meio ambiente. Esses fatores incluem o arranjo dos indivíduos no espaço dentro deuma dada comunidade, o arranjo dos indivíduos no tempo, que é a estrutura de idade e a taxade crescimento de uma população e o padrão de alocação de recursos dos indivíduos quecaracteriza o modo de sobrevivência de uma população em um ambiente particular. Depois do corte raso, o espaço antes ocupado pela floresta, passa pelas seguintes fases:reorganização, acumulação, transição e steady-state (estabilização).(i) O arranjo dos indivíduos no espaço a) Densidade É o número de indivíduos por unidade de área. Daí = ni/A b) Padrão de distribuição O padrão de distribuição espacial de uma espécie refere-se à distribuição no espaçodos indivíduos pertencentes à dita espécie. Os indivíduos de uma espécie podem apresentar-se: aleatoriamente distribuídos, regularmente distribuídos e em grupos ou agregados. A distribuição do Poisson é usada para verificar se a distribuição é aleatória ou não. Seo teste qui-quadrado for não significante, o padrão é aleatório; caso contrário, pode seragregado ou regular (ou uniforme). Se a população for agregada, vários quadrados poderiamter zero ou mais do que uma planta e poucas poderia ter uma planta. Por dedução, se apopulação não é aleatória e nem agregada, ela é regular. O tipo de distribuição pode refletir otipo de reprodução, irregularidade no micro-clima, os graus de competitividade e o estágio dasucessão. Uma vez que as comunidades vegetais são constituídas por um conjunto de variáveiscom maior ou menor grau de inter-relação e com densidade absoluta (abundância) variável,desde comuns até raras, e dado que a maioria dos estudos fitossociológicos, se baseia emanálises florísticas provenientes de amostras de comunidades que se estudam, é importanteconhecer algumas das características da vegetação vinculadas ao padrão espacial das espéciese à distribuição de freqüências.(ii) Arranjo dos indivíduos no tempo: demografia 22
  • 23. Demografia é a ciência ou estudo das estatísticas vitais: nascimentos, mortes, taxasreprodutivas e idades dos indivíduos na população. Diferentemente dos animais, que cessa o crescimento quando maduro (adulto), asplantas perenes possuem os meristemas primário e secundário, que, teoricamente, permitem ocrescimento contínuo em comprimento e largura para sempre. Além disso, muitas plantas têma habilidade de reproduzir-se assexuadamente. a) Ciclos de vida - Plantas anuais - Plantas bianuais - Herbáceas perenes - Arbóreas perenes - Arbustos b) Distribuições de idade 1) sementes viáveis 2) mudas 3) juvenis 4) imatura, vegetativa 5) madura, vegetativa 6) reprodutiva inicial 7) máximo vigor (reprodutiva e vegetativa) 8) senescente - se uma população apresentar apenas os primeiros 4 ou 5 estados, é óbvio que ela éinvasora e é parte de uma comunidade seral (em evolução). - se uma população apresentar todos os 8 estados, ela é estável e é muito provável queseja parte de uma comunidade clímax (comunidade que ganha ocupação permanente dohabitat e se perpetua por si só nesse local indefinidamente). - se ela apresentar apenas os 4 últimos estados, ela pode não manter sozinha e pode serparte de uma comunidade seral. c) Tabelas de vida 23
  • 24. - Tipo I: populações têm baixa mortalidade quando jovem - Tipo II: mortalidade constante em todas idades - Tipo III: alta mortalidade quando jovem.(iii) Comportamento dos indivíduos: alocação de recursos A espécie de planta tem um padrão de alocação de recursos que minimiza as suaschances de extinção. Tais padrões têm sido mantidos e melhorados durante o processo deseleção natural. O padrão de alocação determina, em parte, o nicho de uma espécie – seuendereço funcional numa comunidade. Os organismos têm uma quantidade limitada de tempo e energia para completar ociclo de vida. O tempo, por si só, não é alocado, mas é importante no ganho de energiafotossintética e na utilização de energia para a sua manutenção. Uma fração da energia totaldisponível é distribuída para cada atividade no ciclo de vida: a quantidade de tempo gasto noestado de dormência, na fase juvenil, no estágio vegetativo ou na fase madura etc. O organismo parece ficar sobre um continuum entre dois extremos de alocação derecursos: r e k. Seleção – r => planta de vida curta que amadurece rapidamente, ocupa um habitataberto numa comunidade seral e gasta uma grande fração de seus recursos fotossintéticos paraproduzir flores, frutos e sementes. O tamanho de suas populações é densidade-independente,isto é, elas são reguladas por fatores físicos como fogo, inundação, congelamento, seca etc. Seleção – k => planta de vida longa que tem um prolongado estágio vegetativo, ocupauma comunidade fechada, seral tardia ou clímax e gasta uma pequena fração de seus recursospara reprodução. O tamanho de suas populações é densidade-dependente, isto é, elas sãoreguladas por interações bióticas como a competição. 24
  • 25. Características morfofisiológicas das estratégias evolutivas r e k (O’BRIEN & O’BRIEN, 1985) Seleção r Seleção k Oportunistas EquilíbrioHabitat Florestas sujeitas a mudanças bruscas, instáveis, Florestas estáveis e previsíveis, com teia de teia alimentar simples alimentar complexaEstágio de sucessão Início FinalMortalidade Densidade, independente, não direcionada ou Densidade, dependente, mais direcionada catastróficaTamanho da população Não mostra equilíbrio, usualmente abaixo da Em equilíbrio, constante ao longo do tempo, capacidade de suporte do ambiente, próximo da capacidade de suporte do comunidades insaturadas, recolonização ambiente, sem necessidade de recolonização periódicaCompetição Variável, usualmente frouxa Usualmente forteO que a seleção favorece - Crescimento rápido - Crescimento lento - Alto índice de aumento populacional - Baixo índice de aumento populacional - Reprodução cedo - Reprodução tardia - Porte menor - Porte maior - Reprodução sem padrão determinado - Reprodução cíclica, repetida - Diásporas pequenas em grande quantidade - Diásporas grandes em pequena quantidadeDispersão Longa distância LocalLongevidade Curta, poucos anos Longa, mais de 20 anosLeva à Produtividade Eficiência 25
  • 26. Capítulo 5 - Dinâmica florestal (sucessão) Aos olhos dos seres humanos, a floresta amazônica parece ser estática, sem nenhumamudança perceptível, resultando em uma paisagem monótona. Entretanto, incríveis mudançassão processadas, a todo instante, dentro de um ecossistema florestal. Seguindo a morte natural de uma árvore e sua queda, muitas outras são envolvidas e,ao final, aparece uma clareira. Na seqüência, há um aumento em quantidade e mudança dequalidade de luz, aumento na temperatura do solo, diminuição na umidade relativa e umidadeda superfície do solo, mudanças nas propriedades do solo incluindo o aumento no processo dedecomposição e disponibilidade de nutrientes, o solo mineral é exposto, mudas estabelecidasmorrem, plântulas começam a surgir, varas e arvoretas são injuriadas, outras respondempositivamente às mudanças, as árvores crescem, a floresta é reconstruída naquela clareira, odossel se fecha, a clareira desaparece etc. (Shuggart, 1984). Tudo muda numa clareira. A primeira resposta às mudanças é o aparecimento demudas. Algumas são provenientes do banco de sementes, que ficam adormecidas até que ascondições microclimáticas sejam favoráveis à germinação. Outras são trazidas pelo vento eencontram as condições favoráveis e germinam. E tem também a rebrota a partir de raízes oude troncos danificados. Atrás das folhas novas e brotos surgem os animais herbívoros e atrásdesses, os carnívoros .... e, o resto é como no final do filme “O Rei Leão”. Para muitos ecólogos, a sucessão envolve a mudança no sistema natural e oentendimento das causas e das direções de tal mudança. “A sucessão da planta é umamudança cumulativa direcional (em direção ao clímax) na espécie que ocupa uma dada área,com o tempo” (Barbour et al., 1980). Se mudanças significativas na composição de espécies para uma dada área não ocorrerdentro de um certo período, a comunidade é considerada MADURA ou CLIMAX.Comunidades clímax não são estáticas. As mudanças ocorrem, mas elas não são cumulativasnos seus efeitos. Se uma comunidade exibe alguma mudança direcional, cumulativa e não aleatória emum período de 1 a 500 anos, ela é considerada SUCESSIONAL ou SERAL. As comunidadesserais ou espécies serão substituídas até que a comunidade CLIMAX é alcançada. Aprogressão inteira dos estágios serais, da primeira espécie que ocupa o chão desnudo(comunidade pioneira) até a clímax, é chamada de SUCESSÃO. 26
  • 27. Os estádios sucessionais podem ser iniciais médios e avançados, nos quais pode-seobservar diferentes fisionomias, distribuição diamétrica, ausência ou presença de sub-bosque,espessura da serrapilheira e diversidade biológica. (i) Tipos de sucessão: a) Primária versus secundária Primária => estabelecimento de plantas sobre áreas previamente não vegetadas. Secundária => é a invasão da terra que foi previamente vegetada; a vegetação pré-existente tendo sido destruída por perturbações naturais ou humanas. b) Autógena versus alógena Autógena (biótica) => quando a mudança do ambiente e da comunidade é causadapelas atividades dos organismos da própria comunidade. Alógena => causada pelas mudanças ambientais que vão além do controle dosorganismos nativos. c) Progressiva versus regressiva Progressiva => quando a sucessão leva às comunidades a uma maior complexidade emaior acúmulo de biomassa; os habitats com mais e mais umidade (mesófilo). Regressiva => leva à direção oposta, em direção a algo mais simples, a umacomunidade mais empobrecida (com poucas espécies) e em direção a um habitat maishidrófilo (úmido) ou a um mais xerófilo (seco) d) Cíclica versus direcional Direcional é caracterizada por uma acumulação de mudanças que levam às mudançasde comunidades amplas. Mesmo em comunidade clímax, entretanto, as mudanças sucessionais cíclicas ocorremem uma escala muito local. Essas mudanças ocorrem porque o ciclo de vida das plantas dedossel é finito e o desaparecimento delas do dossel podem abrir o sítio para invasão de novasespécies. Em algumas comunidades clímax, as formas juvenis das plantas de dossel são bemadaptadas à vida sob a árvore matriz e, quando esta morrer, ela a substituirá no dossel; em talsituação, não há sucessão local (ou cíclica). Quando o dossel pode inibir o crescimento de 27
  • 28. juvenis sob o mesmo – de sua própria espécie ou de outras – vai ocorrer a sucessão localquando a matriz morrer. e) Cronosseqüência versus toposseqüência Cronosseqüência => quando o mosaico reflete uma perturbação local e periódica ouquando reflete a exposição progressiva da nova terra, como a retração glacial – representadiferentes estágios de recuperação (estágios serais) do fogo, ventanias ou outro tipo deperturbação. Toposseqüência => quando o mosaico reflete as diferenças topográficas, como asencostas frente-sul versus frente-norte, bacias com drenagens pobres e solos de textura finaversus encostas altas com boa drenagem e solos de textura grossa etc.(ii) Métodos para documentar a sucessão A sucessão pode ser documentada usando medidas repetidas numa parcela simples oupela referência do histórico da parcela (sítio). Um método indireto é amostragem da vegetaçãoem várias parcelas separadas de diferentes idades. Também, a composição de espécies demudas e arvoretas pode ser comparada com o estrato do dossel.(iii) Tendências gerais durante a sucessão a) Vegetação e qualidade do sítio - A biomassa aumenta durante a sucessão - A fisionomia aumenta em complexidade porque a variação das formas decrescimento aumenta conforme a sucessão vai avançando. - A maior armazenagem de nutrientes do sítio se move do solo para a biomassa daplanta. - O papel dos desintegradores no ciclo de nutrientes é potencializado durante asucessão porque os nutrientes do solo são empobrecidos e vão ser armazenados por longoperíodo de tempo na biomassa da planta. - A velocidade do ciclo de nutrientes do solo à planta e vice-versa diminui durante asucessão porque vários nutrientes são armazenados em partes, ainda que inertes, das plantasde longa vida. - A produção primária diminui com a sucessão - O ambiente se torna mais mesófilo (úmido) durante a sucessão. 28
  • 29. b) Estabilidade e diversidade Estabilidade = falta de mudanças => aumenta com a sucessão. Estabilidade = resistência às menores mudanças no micro-ambiente => aumenta Estabilidade = a habilidade para retornar rapidamente ao ponto de equilíbrio(homeostase) seguindo a perturbação recorrente => as comunidades pré-clímax são maisestáveis; as clímax são menos estáveis e podem levar séculos para retornar. A diversidade de espécies de plantas aumenta no início da sucessão, mas decresce emzonas temperadas na sucessão tardia conforme o dossel se fecha e um pequeno número deespécies domina o dossel. c) Autoecologia Em geral, as interações planta-animal, planta-planta e planta-micróbios ocorrem maisna sucessão tardia do que na inicial.(iv) Forças motrizes da sucessão O revezamento florístico pode ser descrito por um processo de 6 passos: 1) Desnudamento => a exposição de uma nova superfície na sucessão primária ou decorte raso na sucessão secundária. 2) Migração => de sementes, de esporos, propágulos vegetativos de áreas adjacentes;na secundária muito desses materiais já estão presentes no solo. 3) Germinação, crescimento inicial e estabelecimento de plantas. 4) Competição => entre as plantas estabelecidas 5) Reação => os efeitos autógenos das plantas sobre o habitat 6) Estabilização => clímax O conceito mais simples de sucessão é aquele que a considera como um fenômeno dapopulação que envolve a substituição gradual e inevitável de espécies oportunistas (seleção –r) com espécies de equilíbrio (seleção – k). Na ausência de qualquer perturbação, as espécies– k estão sempre em vantagem competitiva, como dominantes, sobre as espécies – r. Afreqüência de perturbação espacial e temporal, entretanto, tem sido suficientemente grandepara manter as espécies oportunistas e as clímax.(v) Modelos estatísticos para a sucessão florestal A maioria dos modelos tem as seguintes variáveis: 29
  • 30. - Recrutamento => brotação, produção de sementes, dispersão de sementes,germinação e crescimento de mudas até que a planta seja suficientemente grande para serconsiderada como árvore. - Crescimento => aumento em altura e diâmetro da árvore - Competição geométrica => interações espaciais das árvores relacionadas à geometriaatual da estrutura da árvore. Em geral, os indivíduos maiores são favorecidos na competiçãogeométrica. - Competição por recursos => fatores limitantes de crescimento que podem limitar odesenvolvimento de todas as árvores numa floresta em um dado sítio. - Mortalidade => a morte da árvore.(vi) Modelos de clareiras Este tipo de modelo lida com nascimento ou recrutamento, crescimento e mortalidade.É muito usado para simular a composição de espécies e comportamento com o passar dotempo, em resposta às condições ambientais alteradas e para fornecer informações qualitativasdas florestas. Clareira se refere a uma abertura na floresta criada pela morte de uma árvore dedossel. O ecossistema florestal maduro poderia ser visto como uma média das respostas dadinâmica de tais clareiras. A floresta é composta de um mosaico de clareiras; portanto,entendendo a dinâmica da clareira, fica mais fácil entender a dinâmica da floresta. As clareiras variam em tamanho (que influencia as condições microclimáticas dentroda clareira) e nas freqüências de ocorrências temporais e espaciais (que afetam aprobabilidade de um propágulo alcançar uma clareira de um tamanho particular). a) Regeneração e tamanho da clareira A queda de uma grande árvore produz uma mudança abrupta no chão da floresta emrelação às seguintes variáveis: - a luz é dramaticamente aumentada em quantidade e é também alterada a qualidadecom mais radiação no vermelho final do espectro eletromagnético e menos no azul final. - aumento na temperatura do solo e diminuição da umidade relativa e da superfície dosolo. - mudanças nas propriedades do solo depois da formação da clareira incluindo oaumento da decomposição e a disponibilidade de nutrientes. O solo mineral é exposto. 30
  • 31. A mudança repentina nessas e em outras importantes variáveis podem matar mudas jáestabelecidas que se adaptaram ao micro-clima e favorecer novas mudas, provavelmente deoutras espécies. Quando uma pequena árvore cai, a clareira é pequena e pode ser preenchida pelocrescimento de árvores que estão presentes na área. Em florestas tropicais, há 3 categorias de clareira: 1) Especialistas de clareiras grandes => a semente germina sob alta temperatura e luz de grandes clareiras – as sementes são altamente intolerantes. 2) Especialistas de clareiras pequenas => as sementes são capazes de germinar sob sombra, mas exige a presença de uma clareira para crescer até o dossel. 3) Especialistas de sub-bosque => aparentemente não exigem clareiras para germinar e nem para crescer até os tamanhos reprodutivos. b) O papel das espécies na determinação dos tamanhos de clareira O tamanho da árvore que morre e produz a clareira influencia a regeneração (queinfluencia a composição do dossel). Portanto, há influência entre a composição do dossel e otamanho da clareira; logo, os traços das espécies fecham este ciclo (loop) causal. Por ex., deuma espécie de árvore que exige grande clareira para regeneração espera-se um crescimentodiferenciado (grande) até a sua morte. 31
  • 32. Capítulo 6 - Análise de dimensão e produção primária líquida e Ciclagem de minerais Este capítulo é paraticamente dedicado aos estudos de biomassa (acima do nível dosolo e abaixo do nível do solo) e a sua dinâmica. Neste caso, o grupo de manejo florestalsuperou o da ecologia. Há vários trabalhos publicados e serão discutidos na Parte III (ManejoFlorestal) desta apostila.6.1. Importância dos estudos de biomassa6.2. Como estimar a biomassa6.3. Modelos alométricos6.4. Produção primária líquida (NPP) a) Estimativa de biomassa b) Produção abaixo do nível do solo6.5. Distribuição da biomassa6.6. Ciclagem de nutrientes Grande parte da floresta amazônica desenvolve-se sobre solos muito pobres emnutrientes e a sua manutenção depende, fundamentalmente de sua capacidade de conservar ereciclar os principais elementos que necessita por meio de mecanismos capazes de compensaras perdas de nutrientes (Schubart et al., 1984). Essas características podem dar, à primeira vista, a impressão de uma contradição coma sua exuberante cobertura florestal (Walter, 1979). De fato, quase todas as reservas denutrientes exigidas pela floresta estão contidas na fitomassa acima do nível do solo. Cada ano,uma parte dessa fitomassa cai, é rapidamente mineralizada e, os nutrientes liberados, sãoimediatamente reabsorvidos pelas raízes. As grandes reservas nutricionais contidas nafitomassa das florestas virgens dependem de seu capital acumulado durante o tempo que arocha matriz não estava ainda intemperizada. A elevada eficiência na reciclagem de nutrientes minerais é correlacionada com altadiversidade biológica. A reciclagem de nutrientes se contrapõe à lixiviação dos solos, poisrepresenta um mecanismo de conservação de nutrientes no ecossistema; ao mesmo tempo,promove a produtividade biológica, mantendo o bom estado nutricional das plantas. Oconhecimento disponível permite concluir que a manipulação dos recursos florestais da 32
  • 33. Amazônia no sentido de uma redução drástica da sua diversidade biológica poderá terconseqüências indesejáveis, tanto ecológicas quanto econômicas (Schubart et al., 1984). Diante dessas condições, Jordan (1991) questiona: como as florestas tropicais úmidassobrevivem num ambiente que tem um grande potencial para perdas de nutrientes? Pareceque um número de mecanismos se desenvolveu nas espécies tropicais que as capacitam aminimizar as perdas. Alguns dos mais importantes mecanismos de conservação de nutrientesde espécies tropicais são as árvores e o ecossistema subterrâneo. Das árvores, os mecanismos são: (i) grande biomassa das raízes; (ii) concentração deraízes perto da superfície; (iii) raízes aéreas; (iv) o relacionamento simbiótico entre as raízesde plantas superiores e os fungos micorrízicos; (v) tolerância aos solos ácidos; (vi) a cinéticada tomada de nutrientes - como a disponibilidade de nutrientes no solo é baixa, as espéciescom baixa exigência sobreviverão e crescerão, ao contrário de espécies com alta exigênciacomo culturas anuais e pastagens; (vii) longa vida das espécies tropicais, que permite atomada de nutrientes além de suas necessidades imediatas durante as estações de abundânciade nutrientes, para usar mais tarde em períodos de escassez; (viii) morfologia e fisiologia dafolha que reduzem a necessidade de absorção de nutrientes em substituição de folhas quecaíram ou foram comidas; (ix) alelopatia; (x) translocação rápida de nutrientes das folhas paraos ramos; (xi) eficiência do uso de nutrientes; (xii) padrão reprodutivo que não somenteregula o uso de nutrientes como também pode manter populações de predadores de sementesem níveis relativamente baixos; (xiii) alta concentração de sílica na superfície do solo podeser um importante mecanismo para assegurar um suprimento de fosfato para as raízessuperficiais; (xiv) epífitas que têm um relacionamento mutualístico com as árvores, de talmaneira que as folhas fornecem suporte físico para as epífitas que, por sua vez, aumentam adisponibilidade de nutrientes para as folhas; (xv) "drip tips" que podem reduzir a quantidadede água sobre a folha e, conseqüentemente, a lixiviação potencial. Segundo ainda Jordan (1991), o mecanismo anterior de conservação de nutrientesparece ter evoluído em espécies como um resultado das pressões de seleção em ambientespobres em nutrientes. Os mecanismos parecem capacitar indivíduos para superar, em parte, aslimitações impostas pela baixa fertilidade do solo e baixo pH. Há um outro mecanismo emflorestas naturais que também conserva nutrientes. Em contraste com os mecanismosassociados com espécies de árvores, este mecanismo pode ou não ter sido desenvolvido comoum resultado das pressões seletivas num ambiente de baixa fertilidade. Independente disso,ele serve para reduzir as perdas de nutrientes do ecossistema inteiro e parece ser maisimportante em solos pobres em nutrientes do que em solos ricos em nutrientes. Este 33
  • 34. mecanismo é a comunidade de organismos que vivem sobre a superfície do solo e dentro doambiente do solo mineral. Em florestas não perturbadas, os nutrientes liberados pelas plantas e animais mortosnormalmente não movem diretamente as micorrizas e raízes das árvores, mas, em vez disso,passam por uma série inteira de ciclos de pequena escala ou "espirais" dentro da porção dematéria orgânica do solo, similares aos espirais de nutrientes em igarapés. Os ciclos às vezescomeçam com os artrópodes. As partículas passam pelos seus sistemas digestivos, oscompostos orgânicos são trocados, freqüentemente por simbiose, por compostos mais simplesque são mais facilmente utilizados por outros organismos do solo. A decomposição podetambém começar com a invasão do tecido por bactérias e fungos. Se as concentrações denutrientes nos tecidos são baixas, os fungos podem ser os primeiros invasores. Como asexoenzimas excretadas das hifas dos fungos quebram os compostos orgânicos complexos, acolonização de bacteriana pode ser favorecida. Os nutrientes no solo são relativamente susceptíveis a perdas quando eles estão nasolução do solo, ou quando são adsorvidos sobre superfícies de argila mineral. Em contraste,os nutrientes incorporados nos tecidos de organismos da comunidade subterrânea podem nãoser facilmente perdidos pela lixiviação, volatilização ou reação com ferro e alumínio, no casodo fósforo. 34
  • 35. Bibliografia:Barbour, M.G., Burk, J.H. e Pitts, W.D. 1980. Terrestrial plant ecology. The Benjamin/ Cummings Publishing Co. 604p.Hallé, F., Oldeman, R.A.A. e Tomlinson, P.B. 1978. Tropical Trees and Forests: An Architectural Analysis. Springer-Verlag Berlin Heidelberg New York. 441 p.Jordan, C.F. 1991. Nutrient Cycling Processes and Tropical Forest Management. In: Rain Forest Regeneration and Management, A. Gómez-Pompa, T.C. Whitmore e M. Hadley (eds.). UNESCO. The Parthenon Publishing Group Limited. pp.159-180.Lacher, W. 2000. Ecofisiologia Vegetal. São Carlos. Rima. 532p.O’BRIEN, M.J.P, O’BRIEN. 1985. Aspectos Evolutivos da Fenologia Reprodutiva das Árvores Tropicais. pp. 6-23.Oldeman, R.A.A. e van Dijk, J.. 1991. Diagnosis of the Temperament of Tropical Rain Forest Trees.In: Rain Forest Regeneration and Management, A. Gómez-Pompa, T.C. Whitmore e M. Hadley (eds.). UNESCO. The Parthenon Publishing Group Limited. pp.21-66.Pinto-Coelho, R.M. 2000. Fundamentos em ecologia. Editora Artes Médicas Sul Ltda. 252 p.Salati, E., Ribeiro, M.N.G, Absy, M.L e Nelson, B.W. 1991. Clima da Amazônia: Presente, Passado e Futuro. In: Bases Científicas para Estratégias de Preservação e Desenvolvimento da Amazônia - Fatos e Perspectivas, A.L. Val, R. Figliuolo e E. Feldberg (eds.). pp.21-34.Schubart, H.O.R., Franken, W. e Luizão, F.J. 1984. Uma Floresta sobre Solos Pobres. Ciência Hoje 2(10):26-32.Shuggart, H.H. 1984. A Theory of Forest Dynamics: The Ecological for Succession Model. Springer-Verlag Inc. New York. 278p.Victória, R.L., Brown, I.F., Martinelli, L.A e Salati, E.. 1991. In: Bases Científicas para Estratégias de Preservação e Desenvolvimento da Amazônia - Fatos e Perspectivas, A.L. Val, R. Figliuolo e E. Feldberg (eds.). pp.9-20.Walter, H. 1979. Vegetation of the Earth and Ecological Systems of the Geo-Biosphere. Springer-Verlag. New York. 274 p. 35
  • 36. Capítulo 7 - Desenvolvimento e crescimento de plantas Normalmente as plantas da floresta para chegar ao estágio de corte devem um dia tercomeçado como sementes viáveis, germinado passando pelo estágio de planta juvenil, depoisde algum tempo alcançado a maturidade e finalmente chegando a senescência. E como se dáeste processo crescer, desenvolver e morrer? GERMINAÇÃO Existem dois tipos de sementes uma com reservas de açúcares e outra com reservas degorduras, que são chamadas recalcitrantes e ortodoxas, respectivamente. As primeiras podem,sob condições de baixa umidade no tecido, suprir energia para o embrião por um grandeperíodo, enquanto a última devido a sua composição, perde pouca umidade e sua principalfonte de energia é utilizada rapidamente pelo o embrião. Considerando as condições climáticas da floresta amazônica que apresentamtemperaturas elevadas, altas umidades relativas do ar e altos índices de precipitação, seriapouco sensato do ponto de vista evolutivo se a floresta investisse em um banco de sementesque precisam estar secas para dispersar propágulos. Assim, geralmente a floresta investe emsementes grandes ricas em reservas de gordura com algum tipo de dormência (geralmentemecânica) e ao invés de um banco de semente na floresta é mais comum um banco deplântulas. Para chegar à plântula a semente precisa germinar. A germinação começa com ointumescimento da semente que embebida de água aumenta a respiração dos tecidoscotiledonares e fornece energia e esqueletos de carbono para o desenvolvimento do embrião,que promove o desenvolvimento de caulículo e radícula. E até que a reserva da semente seesgote, o caulículo e a radícula crescerão a ponto de mudas quando poderão começar a obterenergia do meio ambiente. BANCO DE PLÂNTULAS Alcançando o estágio de plântulas os indivíduos na floresta começam a fazer afotossíntese para fornecer açúcares que serão respirados para os processos de manutençãodos tecidos, principais vias metabólicas e o que sobra pode ser direcionado para oCRESCIMENTO da muda. Pensando em uma plântula da floresta podemos verificar que háum sombreamento natural devido às copas das árvores adultas e isso diminui as taxasfotossintéticas e, dependendo da situação, muitas vezes a fotossíntese é insuficiente atémesmo para gerar energia para a manutenção. 36
  • 37. Algumas plântulas “privilegiadas” têm a possibilidade de ter um balanço de taxas deassimilação e liberação do CO2 nulo ou pouco maior que zero; para o primeiro caso, asplantas permanecem neste estado até que alguma condição ambiental favoreça o seucrescimento, enquanto as segundas crescem lentamente e, na medida em que se desenvolvem,alcançam melhores condições para suprimento de energia para manutenção de tecidos,processos e crescimento. Os dois processos levam a um indivíduo que irá compor o dosselflorestal, cada qual no seu nicho ecológico. PLANTAS QUE ALCANÇAM O DOSSEL Quando damos uma volta na floresta podemos observar os diferentes níveis dedesenvolvimento das plantas. Olhando com cuidado encontramos sementes dispersas no solo,sem muita atenção é possível matar algumas plântulas, aquelas do banco de plântulas, poissão muito comuns no solo e são menos plantas que alcançam o nível de dossel, entre estas sepode notar que nem todas possuem o mesmo diâmetro. Estas plantas que alcançam a partesuperior do dossel também têm que desenvolver para chegar a senescer. O desenvolvimento das plantas no dossel passa pelos processos de juvenilidade atéalcançar a maturidade, quando desempenham o principal papel do ser vivo que é a reproduçãoe finalmente chegam a senescer. Na busca pela manutenção dos seus genes as plantasprecisam disputar recursos e espaço. Portanto é necessário DESENVOLVER para completaro seu ciclo. Os diferentes tamanhos de árvores é o resultado do desenvolvimento das plantas nomeio, por exemplo, árvores de grande porte são rodeadas de outras várias de pequeno porteque estão tentando desenvolver mais para completar seu ciclo perpetuando seus genes, ouseja, cada uma “querendo seu lugar ao sol” literalmente falando. Isto relata o quê e como ocorre o processo de desenvolvimento, mas explica muitopouco sobre a soma de processos que levam uma semente a se tornar um indivíduo adultocomplexo (e grande o suficiente para que possa ser manejado). Assim é necessário falar destesprocessos que estão envolvidos com o desenvolvimento das plantas. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO O crescimento é todo aumento em volume que seja irreversível. Quando se fala deplantas é importante lembrar o caráter irreversível, pois muitas das variações de volume dostecidos podem não ser permanente e ocorrem principalmente devido ao estado de turgidez dotecido vegetal. 37
  • 38. H2O Variação da turgidez celular Ocorrendo o fenômeno como na figura acima não é crescimento, pois conforme assetas indicam as células podem voltar ao volume inicial se houver a perda de água dosvacúolos. H2O + outras substancias Crescimento por alongamento Divisão celular Crescimento por divisão celular Basicamente é o crescimento com o processo de alongamento celular e divisão celularsimples. Os tecidos da planta que são responsáveis por este crescimento são os meristemasque podem ser primários ou secundários. O meristema primário é aquele que está nas gemasapicais de galhos e raízes, promovendo o aumento em comprimento destes tecidos, enquantoo secundário é o que promove o crescimento em diâmetro e se localiza abaixo da casca dasplantas. 38
  • 39. Meristema Apical Meristema secundário (Circulo pontilhado) Assim o crescimento nada mais é que uma seqüência de divisões seguidas dealongamento celular, causando o aumento de massa e volume dos tecidos em questão. O DESENVOLVIMENTO é o processo de crescimento adicionando os processos dediferenciação, pois uma planta precisa de diferentes tipos de tecido para manter suas funções.Assim para o aparecimento de uma nova folha, ou flor e fruto é necessário que o meristema sediferencie para compor o novo tecido. Para que ocorra o desenvolvimento é necessário ofuncionamento de todo o metabolismo da planta, principalmente fotossíntese e respiração, quesão os eixos centrais do metabolismo. FOTOSSÍNTESE As plantas precisam se alimentar para poder crescer e a fotossíntese é a forma com queelas fazem isto. Este processo na realidade é a soma de ações metabólicas que ocorrem aonível de cloroplastos das partes verdes da planta que compreendem reações luminosas ebioquímicas da fotossíntese, que utilizando H2O, CO2 e luz formam glicose e liberam O2. A luz é absorvida por uma antena de pigmentos compostos por carotenóides eclorofilas a e b, que conduzem a energia para um centro de reação, fotossistema II e I (PS II ePS I). Esta transferência de energia do fóton conduzido pela antena até o PS II eposteriormente ao PS I ocorre ao nível de parede do tilacóide. E é basicamente um conjuntode reações de óxido-redução, que pela hidrólise libera elétrons que segue conforme o esquemaem Z aumentando o valor de redução das moléculas, possibilitando a formação de moléculasricas em energia. Esse elétron passa pela feofitina que o transfere para as plastoquinonas (Q a e Qb), ocomplexo citocromo b6f, plastocianina que reduz o PS I, este caminhamento de elétrons porum diferencial de energia torna o sistema capaz de reduzir o nicotinamida-di-fosfato (NADP +) 39
  • 40. a nicotinamida-di-fosfato reduzida (NADPH) e formação de dois grupamentos adenosinastrifosfatos (ATP) a partir de dois adenosina di-fosfato (ADP). Estes compostos energéticos formados na fase "clara" da fotossíntese serão utilizadospara as fases bioquímicas que são: a carboxilação, redução e regeneração da ribulose 1,5 bis-fosfato (RUBP). Estas fases ocorrem no estroma dos cloroplastos. A carboxilação do CO2 é mediada pela atividade da ribulose 1,5 bis-fosfatocarboxilase-oxigenase (RUBISCO) e não utiliza energia formada na fase luminosa dafotossíntese. A RUBISCO utiliza 1 RUBP e fixa a este 1 CO2, formando 2 fosfoglicerato quecom o gasto de 1 ATP e 1 NADPH são levados a uma molécula de gliceraldeido-3-fosfatoliberando um grupo CH2O que com seis voltas deste ciclo formam glicose (C6H12O6), aredução do CO2 a carboidrato. E finalmente utilizando o último ATP criado na fase luminosada fotossíntese há a síntese da RUBP, a regeneração. Desta forma, a planta pode formar açúcares para ser utilizados como energia nosprocessos de manutenção de tecidos ou atividades metabólicas e para o crescimento edesenvolvimento da planta. RESPIRAÇÃO A fotossíntese fornece as unidades orgânicas básicas das quais dependem as plantas (equase todos os tipos de vida). Com o seu metabolismo de carbono associado, a respiraçãolibera, de maneira controlada, a energia armazenada nos compostos de carbono para usocelular. Grosseiramente a respiração é um processo de óxido-redução, que fornece energia naforma de ATP, nicotinamida dinucleotídeo reduzida (NADH) e flavina adenina di-nucleotídeoreduzido (FADH) gerando energia de 2880 kJ/mol de glicose. E libera também esqueletos decarbono para formação de compostos do metabolismo secundário do carbono e demais açõesmetabólicas da planta. A respiração celular ocorre em três etapas: (i) a glicólise, catalisada por enzimassolúveis localizadas no citoplasma, permite a oxidação de uma glicose, produzindo 2piruvatos, ATP e gerando NADH; (ii) o ciclo dos ácidos tricarboxílicos (Ciclo de Krebs ouciclo do ácido cítrico), que ocorre na matriz mitocondrial, por meio do qual o piruvato éoxidado completamente liberando CO2 gerando ATP e uma considerável quantidade deNADH e (iii) a cadeia de transporte de elétrons que ocorre na membrana interna das 40
  • 41. mitocôndrias, através da qual são transferidos elétrons do NADH para o O2 gerando-se umgradiente eletroquímico de prótons, que permite a síntese de ATP via enzima ATP-sintase. A respiração de manutenção dos tecidos é o direcionamento da energia para manter aintegridade das membranas dos tecidos vivos da planta; a respiração de manutenção das açõesmetabólicas é a energia que é gasta para manter a pré-síntese de enzimas e metabólitos paraque possam ocorrer todos os processos e haver a síntese de novo das enzimas com menorgasto de energia. Esta respiração também é chamada de respiração de perda, pois não se podecalcular o quanto é gasto de energia para este fim; e a energia que é utilizada para formaçãode novos tecidos é chamada de respiração de crescimento. 41
  • 42. PARTE IIO MÍNIMO DE ESTATÍSTICA PARA O MANEJO FLORESTAL Capítulo 8 – Conceitos gerais A estatística é uma ferramenta importante para o manejo florestal, seja pra quem estáinteressado em trabalhar em pesquisas ou pra quem tem a responsabilidade de planejar,executar e acompanhar um projeto. Difícil é separar a estatística pra essas duas frentes. Oobjetivo desta Parte da apostila é aprofundar em conceitos dos indicadores estatísticos maisfreqüentemente utilizados pelos florestais e ajudar na interpretação dos resultados. Estatística é um ramo do conhecimento científico que consta de conjunto de processosque têm por objeto a observação, a classificação formal e a análise dos fenômenos coletivosou de massa (finalidade descritiva) e, por fim, investigar a possibilidade de fazer inferênciasindutivas válidas a partir dos dados observados e buscar métodos capazes de permitir estainferência (finalidade indutiva). Em inventário florestal, produto sem estatística não é produto. Em inventários, oprincipal produto é o intervalo de confiança para a média estimada. Na pesquisa científica, aestatística pode ser vista como um instrumento de comunicação. O seu uso é absolutamenteopcional. Quanto mais você a usa, mais você se comunica e, quanto melhor você a usa,melhor é a sua comunicação no meio científico. Às vezes, o seu uso é desnecessário, mas issoé raro. Assim como a revolução industrial mexeu com as comunicações, mexeu também coma estatística, na mesma proporção. Como dizia grande Chacrinha “quem não se comunica, setrumbica.” Já foi o tempo que a estatística consistia meramente de coleta de dados e apresentaçõesem gráficos e tabelas. Hoje ela é parte da ciência que se baseia em dados observados,processamento e análise, os quais são fundamentais em tomadas de decisões, face àsincertezas inerentes ao universo que trabalhamos. Isso é válido para um leque enorme deatuação, desde incertezas no cara-e-coroa ou quando o professor compara a habilidade dediferentes estudantes, quando o controle de qualidade aceita ou rejeita um produto 42
  • 43. manufaturado, quando um jornal ou revista faz previsão de uma eleição, quando umpesquisador projeta a dinâmica de uma floresta etc. É evidente que a estatística não é, por si só, capaz de resolver todos os problemas queenvolvem incertezas, mas novas técnicas são constantemente desenvolvidas e a estatísticamoderna pode, pelo menos, te ajudar a olhar essas incertezas de uma maneira mais lógica esistemática. Em outras palavras, a estatística fornece os modelos que são necessários paraestudar as situações que envolvem incertezas, mas a palavra final é sua. O exercício, a análise e a interpretação do pensamento científico normalmente sãofeitos por meio da linguagem operacional dos conceitos e hipóteses científicas. Isso implicana formulação de hipóteses estatísticas e estabelecimento dos procedimentos de observaçõesdiretas ou de medições. Linguagem teórica: “quanto mais grossa é a árvore, mais madeira será oferecida àindústria de transformação.” Neste caso, dois conceitos são envolvidos: espessura e madeira.Com definir esses dois conceitos? Espessura pode ser o diâmetro de uma árvore. Madeirapode ser a quantidade de material lenhoso disponível para a indústria. E daí? Que fazemos agora? Temos que operacionalizar as observações e medições deespessura e madeira. Espessura pode ser traduzida operacionalmente, por exemplo, emcentímetros de diâmetro à altura do peito (DAP), medido a 1,3 m do solo. E a madeira, porsua vez, pode ser traduzida como volume cúbico da árvore. Agora, a hipótese científica pode ser enunciada, em termos de hipótese estatística, daseguinte maneira: “Quanto maior o DAP, maior será o volume da árvore.” Dessa forma, o“pica-pau” fica mais à vontade. Depois de formulada a hipótese, o passo seguinte consiste em testá-la. Para se testar ashipóteses serão precisos: planejar a coleta de dados, coletar os dados, tratar os dados,processar os dados, analisar os resultados e, finalmente, tomar decisões para rejeitar ou não ahipótese estatística formulada. O papel da estatística na pesquisa científica é ajudar o pesquisador “pica-pau” aformular as hipóteses e a fixar as regras de decisão. Entretanto, é importante não perder devista que a estatística de inferência não é obrigatória. Quando você sentir que, empiricamente,é capaz de separar o bom do ruim, o bonito do feio, do quente do frio .. você pode dispensaros testes estatísticos.Um pouco de filosofia. 43
  • 44. - Aristóteles escreveu: “A verdade é um alvo tão grande que dificilmente alguém deixará de tocá-lo, mas, ao mesmo tempo, ninguém será capaz de acertá-lo em cheio, num só tiro.” - A meta da ciência é a organização sistemática do conhecimento sobre o universo, baseado nos princípios explanatórios que são genuinamente testáveis. - O pesquisador tem os dons da instituição e criatividade para saber que o problema é importante e quais questões devem ser levantadas; a estatística, por sua vez, o assistirá por meio da maximização de output não ambíguos enquanto minimiza os inputs. - O pesquisador tem que ter em mente que a pesquisa freqüentemente levanta mais questões do que respostas. Os resultados quase sempre são meramente uma demonstração de nossa ignorância e uma declaração mais clara do que não sabemos. - O pesquisador tem que manter os olhos abertos, sua mente flexível e estar preparado para surpresas. - A pesquisa está na cabeça do pesquisador; o laboratório ou o campo meramente confirma ou rejeita o que a sua mente concebeu. A sabedoria consiste em conhecer mais as questões certas para fazer e não nas certas respostas. - A aplicação indiscriminada dos métodos quantitativos sobre inesgotáveis quantidades de dados não significa que o entendimento científico vai emergir só por causa disso.8.1. A Natureza da Estatística: Basicamente, são dois tipos de estatística: descritiva e de inferência. A ciência da estatística inclui ambas, descritiva e de inferência. A estatística descritiva apareceu primeiro, nos censos feitos na época do império romano. A de Inferência é mais recente e é baseada na teoria da probabilidade que, por sua vez, não se estabeleceu antes da metade do século XVII. a) Estatística descritiva => consiste de métodos para organizar e sumarizar as informações. O propósito da organização e sumarização é te ajudar na interpretação de um monte de informações. Os métodos descritivos incluem a construção de gráficos, figuras e tabelas, como também, o cálculo de vários tipos de médias e índices. Exemplo: resultado final de uma eleição apresentado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), censo do IBGE etc. b) Estatística de inferência => consiste de métodos para inferir sobre uma população baseada na informação de uma amostra da população. A estatística de inferência moderna praticamente surgiu após as publicações científicas de 44
  • 45. Karl Pearson e Ronald Fisher, no início do século passado (XX). Depois disso, houve uma evolução fantástica dessa ciência, tornando-se aplicável a várias áreas de conhecimento, tais como: Eng. Florestal, Agronomia, Biologia, História, Física, Química, Psicologia etc. Exemplo 1: Pesquisas de opinião realizadas pelas empresas (DATAFOLHA, IBOPE, VOX POPULI etc), pouco antes de eleições. Esta parte da estatística de inferência evoluiu muito no Brasil. A prova disso são os resultados finais do primeiro e do segundo turno da eleição presidencial de 2002 que tem muito a ver com as previsões feitas pelas pesquisas de opinião dos vários institutos. O sucesso tem que ser creditado principalmente pela escolha correta do tipo de amostragem, coleta de dados e processamento & análise dos resultados A evolução da informática também contribuiu muito para o sucesso das pesquisas; o rápido processamento e, conseqüente, análise dos resultados, permitiu a repetição em intervalos de tempo menores – isso é fundamental para a validação dos métodos utilizados que, por sua vez, dá a robustez necessária para a pesquisa e a sociedade ganha com a maior precisão e confiabilidade das pesquisas de opinião. Exemplo 2: Resultados de inventários florestais. Exemplo 3: Todos os trabalhos de equações de volume que utilizam os modelos destrutivos (na maioria das vezes) para ajustar os dados de volume real observado em modelos matemáticos que serão utilizados, posteriormente, para estimar o volume da árvore em pé. Para concluir a discussão, em torno da natureza da estatística, é importante não perder de vista que a opção por uma das duas estatísticas pode ser pessoal. Entretanto, se a escolha recair sobre a de inferência, o pesquisador deve se sujeitar as suas regras e condicionantes. A estatística de inferência, por sua vez, deve ficar sob as condicionantes da teoria da probabilidade, da normalidade e da independência; a violação de uma dessas condicionantes implica em um comprometimento muito sério de todo o seu trabalho.8.2. Conceitos Básicos: Talvez, os conceitos mais importantes para os florestais são erros amostrais e não amostrais. Se você conseguir distinguir esses dois conceitos, você sempre fará um trabalho confiável e, por conseguinte, a estatística será uma ferramenta útil na execução de seus trabalhos de pesquisa, encurtando caminhos para a produção de ciência e de resultados de inventário florestal. (i) Erro Amostral => é o erro que você comete por não medir toda a população. Este 45
  • 46. parâmetro é mensurável e, dependendo da escolha dos métodos, você tem condições de aumentarou diminuir este erro. De qualquer modo, trata-se de um parâmetro que pode ser controlado eavaliado por você. É o desvio padrão da média ou, simplesmente, erro padrão e tem fórmula parao seu cálculo. É a única medida de precisão, por mais paradoxal que possa parecer, em qualquertrabalho de pesquisa ou de inventário florestal. (ii) Erro não-amostral => é o erro humano, que pode ser cometido acidental oudeliberadamente. É o tipo de erro que você comete ao alocar uma amostra no lugar errado – ex.:no escritório você faz a opção pela amostragem inteiramente aleatória e sorteia as unidadesamostrais e distribui em sua área estudo; no campo, entretanto, você não consegue alocá-las deacordo com as coordenadas pré-estabelecidas e alocá-as em outro lugar. Você também cometeerro não-amostral quando utiliza um equipamento defeituoso ou, por preguiça, você “chuta” asmedidas de uma determinada variável. O problema desse erro é que você não conseguedimensioná-lo e, neste caso, não há estatística que dê jeito para consertar o mal-feito. Aestatística e o computador só são úteis na interpretação de fenômenos observados quando osdados são de absoluta confiança e sem erros não-amostrais. Moral: Busque sempre a melhor metodologia para conseguir a maior precisão de seutrabalho sem, contudo, aumentar a possibilidade de cometer erros não-amostrais. BOMPESQUISADOR é aquele que não entrega sua coleta de dados para qualquer “PEÃO”. (iii) Populações, Parâmetros e EstimativasA noção central em qualquer problema de amostragem é a existência de uma população. Penseem uma população como um agregado de valores unitários, onde a “unidade” é a coisa sobre aqual a observação é feita e o “valor” é a propriedade observada sobre aquela coisa. População éentão o conjunto de todos os indivíduos ou itens sob consideração. Ou ainda: população é ouniverso de seu interesse.Ilustrando:- se você está interessado em estudar o potencial quantitativo da floresta da Reserva Ducke, aPOPULAÇÃO é o conjunto de todas as árvores acima de um determinado DAP, existentesnaquela área de 10.000 hectares. - se para você potencial quantitativo significa volume cúbico obtido de equações simples(DAP como variável independente), o volume médio (por hectare, por ex.) de todas as árvores daReserva Ducke é o PARÂMETRO. - se você, no entanto, decidir pela avaliação por amostragem e lançar naquela área 46
  • 47. algumas amostras (ex.: 10 amostras de 1000 m2, aleatoriamente distribuídas), o volume médiodessas amostras é a ESTIMATIVA.AMOSTRA é aquela parte da população da qual a informação é coletada. (iv) Tendência (bias), Exatidão e PrecisãoTENDÊNCIA ou VIÉS (bias, em inglês) é uma distorção sistemática. Ela pode ser devido aalguma falha na medição, ou no método de selecionar a amostra, ou na técnica de estimar oparâmetro. Se você medir o DAP com uma fita diamétrica faltando um pedaço na ponta (2 cm), vocêmedirá todas as árvores com 2 cm a mais, ou seja, você superestimará esta variável. Umamaneira prática de minimizar as tendências em medições é por meio de checagens periódicas dosinstrumentos, treinamento adequado para o pessoal que usa os instrumentos e cuidado com eles.Tendência devido o método de amostragem ocorre quando certas unidades ganham maior oumenor representação na amostra do que na população. Ex.: se você excluir 20 metros debordadura do lado oeste da Reserva Ducke por causa de um igarapé. Neste caso, você estáintroduzindo tendência em sua avaliação simplesmente porque você não deu a mesmaoportunidade, para as árvores que ocorrem naquela faixa, em aparecer no seu trabalho. Outroexemplo: quando a equipe econômica faz uma pesquisa nos supermercados do centro- sul eextrapola o custo de vida para todo o Brasil; isso é uma medida tendenciosa que não reflete o quese passa em Manaus.Tendência na forma de estimar determinado parâmetro pode ser introduzida quando você, porexemplo, toma o volume médio da Reserva Ducke e junta com o volume médio do DistritoAgropecuário da SUFRAMA (600.000 hectares), para avaliar o potencial madeireiro da regiãode Manaus. Um volume médio não tendencioso seria uma média ponderada considerando osdiferentes tamanhos de cada área, em vez de usar a média aritmética simples (tendenciosa, nestecaso).Importante: A tendência é a mãe do erro não-amostral, por esta razão, evitá-la é sinal deprudência e sensatez.PRECISÃO E EXATIDÃO – uma estimativa tendenciosa pode ser PRECISA, mas nuncaEXATA. Ainda que o Aurélio (dicionário) pense diferente, para os estatísticos, EXATIDÃOrefere-se ao sucesso em estimar o valor verdadeiro de uma quantidade; PRECISÃO refere-se àdistribuição dos valores amostrais em torno de sua própria média que, se for tendenciosa, nãopode ser o valor verdadeiro. Exatidão ou estreiteza ao valor verdadeiro pode estar ausente por 47
  • 48. causa da tendência, falta de precisão ou por causa de ambas. 48
  • 49. Capítulo 9 – Organização dos dados9.1 Dados: A informação coletada e analisada pelo estatístico é chamada de DADOS. Há váriostipos de dados e a escolha da metodologia, pelo estatístico é, parcialmente, determinada pelotipo de dados que ele tem em mãos. Exemplo 1: No exame de seleção para turma 90/91 do Manejo Florestal, tivemos 15candidatos, 13 homens e 2 mulheres. Do total, apenas 7 fizeram o exame. Foram aprovados 6candidatos, 5 homens e 1 mulher. João da Silva tirou o primeiro lugar com nota 6,7 e JoaquimMoreira tirou o último lugar com a nota 5,0. No exemplo acima, nós podemos destacar os seguintes tipos de dados: QUALITATIVO – o tipo mais simples de dados, é a informação que coloca cadacandidato em uma das duas categorias “homem ou mulher” ou “tipo florestal I ou tipo II” ou“estocada ou não estocada” etc. Esses dados dão informações sobre um indivíduo ou um item. ORDINAL – A informação sobre classificação, dados que colocam os indivíduos ouobjetos em ordem, “rankeados”. No exemplo, as classificações de João e Joaquim são dadosordinais. MÉTRICO – O termo métrico se refere aos dados mensuráveis e não deve serconfundido com os dados em unidades métricas. No exemplo, as notas dos candidatos (6,7 e5,0 e outras notas) são dados métricos. Resumindo: Dados qualitativos: dados que se referem à qualidade não numéricas ou atributos, taiscomo: tipo florestal, gênero ou espécie florestal, cor de alguma coisa etc. Dados ordinais: dados sobre classificação, ordem ou “rank”, tais como: classificaçãode toras, ordem de chegada etc. Dados métricos: dados obtidos de medições de certas quantidades como: tempo,altura, DAP, volume, peso etc. Um outro importante tipo de dados é o chamado DADOS CONTÁVEIS. A contagemdo numero de indivíduos ou itens que caem em várias categorias, tais como “homem” e“mulher” fornece os dados contáveis. Por exemplo, a informação dada no exemplo anteriorque foram aprovados 5 homens e 1 mulher, são dados contáveis. 49
  • 50. DADOS CONTÁVEIS são dados sobre o número de indivíduos ou itens que caemem certas categorias ou classes, que podem ser obtidos de quaisquer tipos de dados(qualitativo, ordinal ou métrico). Os dados QUALITATIVO e ORDINAL são referidos pelos estatísticos como dadosDISCRETOS porque eles classificam coisas em classes separadas e discretas. Naclassificação dos candidatos ao mestrado não há como colocar ninguém entre o primeiro lugare o segundo. Também não há como classificar ninguém entre “homem” e “mulher.” Sãoexemplos típicos de dados discretos, porque não há como dizer que alguém ficou em“primeiro lugar e meio” ou o que fulano é “homem e meio”. No caso de ordem de chegada ou“rank” há possibilidade de empate, mas isso é outra coisa e será discutido na estatística não-paramétrica. Por outro lado, a maioria dos dados métricos é considerada DADOS CONTÍNUOSporque eles envolvem medições sobre uma escala contínua. A escala fica por conta daprecisão do aparelho de medição: na suta ou na fita diamétrica, o máximo que podemoschegar é décimo de centímetros, ou seja, entre os DAPs 20 e 21 cm nós podemos ter DAPscom 20.1, 20.2, ... , 20.9; nos cronômetros da Fórmula – 1, no entanto, o nível de precisão éimpensável para os nossos relógios de pulso.9.2 Dados grupados: A quantidade de dados que pode ser coletada do “mundo-real” é simplesmentefantástica. Exemplo 1: O censo brasileiro. Você já imaginou a trabalheira que dá para cadastraraproximadamente 180 milhões de pessoas, anotando o nome, sexo, idade, ocupação,escolaridade etc. Apenas para ilustrar, se você usar qualquer software (Excel ou Word) paralistar toda essa gente, você gastará mais de 600 quilômetros de papel apenas para imprimir asinformações básicas, é Manaus-Itacoatiara-Manaus. Com todo esse papel, dificilmente vocêteria uma boa fotografia da população brasileira. Então, o que fazem os especialistas doIBGE? Eles nos proporcionam variadas informações: quantidades de homens e de mulheres(X1); X1 por classe idade (X2); X2 por estado e por região; X1 por nível de escolaridade;população ativa etc. Isso é um exemplo típico da aplicação da estatística DESCRITIVA, por meio daorganização e simplificação dos dados. 50
  • 51. Exemplo 2: Dados sobre DAP das árvores da parcela-testemunha do bloco 2 (apenasas 40 primeiras árvores). Os “pica-paus” normalmente pensam no DAP em classes de 10, 20, 30, 40 cm etc.Para ver quantos DAPs há em cada classe você faz o seguinte: Quadro 9.1. Dados de DAPs de 40 árvores. árv. nº DAP árv. nº DAP árv. nº DAP árv. nº DAP 1 25.0 11 33.0 21 32.0 31 37.0 2 27.0 12 38.5 22 63.0 32 41.0 3 45.0 13 31.8 23 34.0 33 40.0 4 36.0 14 52.0 24 30.0 34 32.0 5 39.0 15 37.0 25 29.0 35 58.0 6 36.0 16 27.7 26 32.0 36 28.0 7 33.0 17 35.0 27 27.0 37 58.0 8 47.0 18 33.0 28 28.0 38 58.0 9 34.0 19 47.0 29 27,0 39 43.0 10 53.0 20 33.0 30 40.0 40 30.0Quadro 9.2. Cálculo de freqüência de cada classe de diâmetro. classes de DAP contagem nº de árvores (f) 20 < 30 IIIII III 8 30 < 40 IIIII IIIII IIIII IIII 19 40 < 50 IIIII II 7 50 < 60 IIII 4 60 < 70 I 1 70 < 80 I 1 total 40 O número de indivíduos (árvores) em cada categoria ou de DAP é chamada deFREQUÊNCIA daquela classe. O quadro 9.2 é uma tabela de distribuição de freqüência. Nãoconfundir distribuição de freqüência em estatística com o termo freqüência da EcologiaVegetal. Algumas “dicas” para estabelecer distribuições de freqüência: - o número de classes não deve ser nem muito pequeno e nem muito grande, aocontrário, no meio. Sugere-se um número entre 5 e 12 – regra do “olhômetro.” Outra forma éatravés da seguinte fórmula: n classes ≅ 1 + 3,33 log N (N = número de dados) 51
  • 52. - cada classe tem que ter a mesma dimensão. Do quadro 9.2, as dimensões são: 20 a29.9, 30 a 39.9 etc. - cada pedaço de dados tem que pertencer a apenas a uma única classe. Essa lista poderia continuar, mas isso seria artificial. O propósito de grupar dados édistribuí-los em um número razoável de classes de igual tamanho para facilitar a interpretaçãodos mesmos. Se possível, os intervalos que tem uma interpretação natural, devem serutilizados, como por exemplo: dados em DAP que são normalmente divididos em múltiplosde 10. A freqüência pode ser também apresentada em porcentagem ou decimal, conhecidacomo FREQUÊNCIA RELATIVA. No quadro 9.3 para obter a freqüência relativa de cadaclasse, bastou dividir a freqüência de cada classe por 40 (número total de indivíduoscontados). Se multiplicarmos essas frações por 100, teremos a freqüência em %, casocontrário, em decimais.Quadro 9.3. - Distribuição de Freqüência relativa. classes DAP pt médio freq freq rel 20 < 30 25 8 0,200 30 < 40 35 19 0,475 40 < 50 45 7 0,175 50 < 60 55 4 0,100 60 < 70 65 1 0,025 70 < 80 75 1 0,025 Algumas terminologias: Classe – uma categoria para o grupamento de dados. Freqüência – o número de indivíduos ou objetos numa classe. A freqüência da classe30-39.9 é 19. Freqüência relativa – a porcentagem, expressa como um decimal, do número total deindivíduos de uma determinada classe. A freqüência relativa da classe 50-59.9 é 0.1 ou 10%. Freqüência acumulada – é a soma das freqüências dos valores inferiores ou iguais avalor dado. Distribuição de Freqüência – a listagem das classes com suas freqüências. Limite inferior da classe – o menor valor que pode ir dentro de uma classe. Na classe20-29.9 o limite inferior é 20. 52
  • 53. Limite superior da classe – o maior valor que pode ir dentro de uma classe. Na classe20-29.9 o limite superior é 29.9. Se a precisão fosse de duas casas decimais, o limite superiorpoderia ser 29.99 e assim por diante. Intervalo de classe – é a diferença entre o limite superior e o limite inferior de umadada classe. No nosso exemplo, o intervalo é 10, ou seja, 30 – 20 =10. Ponto médio da classe – é a média aritmética entre o limite superior e limite inferiorda classe. Assim, se a classe for: (20+29.99)/2 = 25. Da classe 30-39.9 o ponto médio é 35 eassim por diante.9.3 Gráficos e figuras: Uma outra maneira de dar sentido a um conjunto de dados é por meio da representaçãográfica dos mesmos. O gráfico mais simples dos dados é o HISTOGRAMA DE FREQUÊNCIA. A alturade cada barra é igual a freqüência que ela representa. Tem também o HISTOGRAMA DEFREQUÊNCIA RELATIVA. Há muitas outras formas de representação gráfica de seusdados. Hoje em dia, uma forma muito usada é a PIE (torta). De qualquer modo, fique avontade e use de sua imaginação para dar a representação mais conveniente dos seus dados. 53
  • 54. Capítulo 10 – Medidas descritivas Há muitos critérios, por sinal, bem avançados, para a descrição sucinta dos fenômenosnaturais. Apesar disso, a maioria das características usadas na estatística, para descrever asvariáveis aleatórias, em populações particulares, caem em uma das três categorias: (1)medidas da tendência central (alocação de um valor ordinário); (2) medidas de dispersão(distância relativa de valores extremos de um valor central); (3) medidas de relacionamentoentre as variáveis (grau de similaridade ou dissimilaridade em magnitude). Em geral, o volume de dados de uma pesquisa é muito grande. Os métodos de gráficose grupamento de dados são úteis no manuseio de um grande conjunto de dados. Uma outraforma de sumarizar os dados é por meio da computação de um número, tal como a média, aqual substitui um grande volume de dados por um simples número.10.1 Medidas de tendência central: As medidas de alocação mais comumente utilizadas são média aritmética e a mediana.Menos freqüentemente usadas são: moda, percentil, média geométrica e média harmônica. A média comum ou média aritmética ou simplesmente média, é a mais freqüentementeusada de todas as medidas estatísticas. Média – é simplesmente a soma de todas observações (DAP, altura, idade) divididapelo número total de observações. É a medida que tem a menor variabilidade de amostra paraamostra, é fácil de ser manuseada matematicamente e tem as propriedades mais desejáveis emconexão com as distribuições de probabilidade. Mediana – é o valor de uma variável aleatória que, em ordem crescente oudecrescente, está “rankeado” no meio, entre os valores maiores e menores. Em amostras comnúmero par de observações, a mediana é a média aritmética dos 2 valores que estão“rankeados” no meio. Estimativas da mediana de pequenas amostras não são muitoconfiáveis. Moda – é o valor mais freqüente, ou seja, é a categoria ou classe com a maiorfreqüência. É uma medida fácil e rápida de ser obtida, mas, pôr outro lado, fica sempre sujeitaa variação extrema de uma amostra para outra, ao menos que a amostra seja bem grande. Percentil – para um melhor entendimento pense na mediana como o 50-ésimopercentil. 54
  • 55. Média geométrica – é a n-ésima raiz de um produto de n valores, ou antilog da médiaaritmética dos logs de um conjunto de valores e é sempre tão pequeno ou menor que a médiado mesmo conjunto de dados. Média harmônica – é a recíproca da média de um conjunto de dados recíprocos e étão pequena ou menor que a média geométrica para um mesmo conjunto de dados. Para dados ordinais, é preferível utilizar-se da mediana, apesar de que a média é, asvezes, utilizada. Para dados métricos pode ser usada a média ou a mediana. Como com dados ordinais,a mediana é preferida para propósitos descritivos. A maioria das teorias estatísticas para dadosmétricos usa a média.Computação de Média, Mediana e Moda Média – a estimativa da média, x ou y, do parâmetro µ, é obtida da seguinte maneira: Dos dados do quadro 9.1, a média será: ( x 1 + x 2 + .... + x 40 ) x = 40 x = 38.225 Mediana – do quadro 9.1, primeiro é preciso ordenar em ordem crescente, (1ª) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) 25 27 27 27 27.7 28 28 29 30 30 (11) (12) (13) (14) (15) (16) (17) (18) (19) (20) 31.8 32 32 32 33 33 33 33 34 34 (21) (22) (23) (24) (25) (26) (27) (28) (29) (30) 35 36 36 37 37 38.5 39 40 40 41 (31) (32) (33) (34) (35) (36) (37) (38) (39) (40ª) 43 45 47 47 52 53 58 58 63 77 Neste caso, o número total de observações, n, é par, a mediana será a média aritméticados vigésimo e vigésimo-primeiro valores, ou seja, (34 + 35)/2 = 34.5. 55
  • 56. Moda – é simplesmente o ponto médio da classe que tem a maior freqüência, que nonosso caso, quadro 9.2, é 35, que tem a freqüência = 19. Resumo das estimativas das medidas: Média = 38.225 Mediana = 34.5 Moda = 35.0 Interpretação: um conjunto de dados pode ter mais de uma moda, mas sempre terásomente uma média ou mediana. Como você pode ver, de um mesmo conjunto de dados, vocêtem diferentes medidas de tendência central. Qual delas é a melhor? A decisão vai depender,principalmente, do objetivo de sua informação. Quando a gente vende madeira em volume,normalmente truncada a um determinado diâmetro mínimo, a média deve prevalecer tendo emvista a maior facilidade para os cálculos posteriores. Se a árvore é vendida em pé, a modapode ser mais interessante, porque ela dá uma noção também da distribuição de freqüência. Autilização da mediana é mais prática na tomada de decisões quanto a tratamentossilviculturais, desbastes etc., quando você precisa priorizar o tamanho que precisa sofrerintervenções.10.2. Medidas de dispersão: Uma medida de dispersão é um número usado para mostrar quanto de variação existenum conjunto de dados. Até agora discutimos somente as medidas de tendência central. Entretanto, 2 conjuntosde dados podem ter a mesma média ou a mesma mediana e, mesmo assim, ser bastantediferente. Exemplo 1: Dois conjuntos de dados (turmas de Manejo e Ecologia), no quadro 10.1Quadro 10.1. Idades de alunos dos cursos de manejo e ecologia do INPA Manejo (CFT) Ecologia aluno idade aluno idade 1 25 1 22 2 28 2 30 3 30 3 28 4 29 4 21 5 28 5 39 média 28 média 28 56
  • 57. As médias dos dois grupos são iguais. No entanto, é claro que estamos nos referindo adois grupos diferentes em idade. Dá para perceber que o grupo do Manejo é mais uniformeem termos de idade. Neste caso, para ver a variação que há dentro de cada conjunto de dados,podemos usar a amplitude total ou o desvio padrão, as duas medidas de dispersão maiscomuns. AMPLITUDE TOTAL – é a medida da variação olhando apenas a diferença entre omaior e o menor valor. Esta medida é de fácil computação porque depende apenas do maior edo menor valor, mas, em compensação ela não diz o que acontece entre esses dois valores.Além disso, é considerada muito limita, sendo uma medida que depende apenas dos valoresexternos, é instável, não sendo afetada pela dispersão dos valores internos. Do quadro 10.1, as amplitudes são: - Manejo: 30 – 25 = 5 - Ecologia: 39 – 21 = 18 DESVIO PADRÃO – nos dá a dispersão dos indivíduos em relação à média. Ele nosdá uma idéia se os dados estão próximos da média ou muito longe. O desvio padrão dosindivíduos de uma população é freqüentemente simbolizado pela letra grega minúscula (σ).Dificilmente a gente trabalha com o parâmetro. Entretanto, dado uma amostra de valoresindividuais de uma população, podemos fazer uma estimativa de σ que é comumentesimbolizada por s. n 2 ∑ (x i - x) i= 1 Fórmula : s = ± n -1 n 2 n 2 ∑ x i - (( ∑ x i ) ) / n i= 1 i= 1 ou , mais simples : s = ± n -1 Por que o denominador é (n-1) em vez (n)? Porque os n desvios, (xi – ), são ¯necessariamente conectados pela relação linear ∑ ( xi – ) = 0. Se você especifica o valor dee os ( n-1 ) valores de xi, então o valor do último xi é fixo; isto é, é uma informaçãoredundante. Por esta razão, ao usar a média amostral em vez da média da população µcomo um ponto central no cálculo de s, você perde um grau de liberdade (gl) e a estimativa deσ é dita ter ( n – 1 ) gl associados com ela. O uso de (n – 1) em vez de (n) no cálculo de s 57
  • 58. também fornece uma estimativa não-tendenciosa; isto é, em uma série infinita de amostrasaleatórias, o valor médio do estimador é igual a σ. Os desvios padrões dos dados do quadro 10.1 são: - Manejo: s = 1.87 - Ecologia: s = 7.25 Resumindo: quanto maior a variação dentro de um conjunto de dados, maior será odesvio padrão. Do exemplo 2 nós constatamos agora, que apesar dos dois terem as mesmasmedidas de tendência central, média e mediana, as medidas de dispersão são totalmentediferentes. Isto quer dizer que o grupo de Manejo é mais homogêneo em idade, comprovadapela menor variação encontrada.Cálculo da média e desvio dos dados grupados: A média é calculada da seguinte maneira: _ x = ( ∑ xi * fi ) / nonde: xi = ponto médio da classe, fi = freqüência de cada classe e n = número de classes E o desvio padrão segue o mesmo princípio da média em relação às classes. Do quadro 9.2, essas medidas serão: _ x = 38,5 e s = 11,4510.3. Medidas de relacionamento: As medidas mais comumente utilizadas para relacionamento são correlação eregressão. Vários tipos de correlação podem ser usados para medir o grau de associação(similaridade ou dissimilaridade) entre 2 (ou mais) variáveis aleatórias, independente dasunidades de medida e mudanças lineares em escala. Estas medidas serão vistas, em detalhe,num capítulo específico.10.4 Percentil: Nós já vimos um exemplo de percentil. A mediana divide um conjunto de dados emduas partes, 50% de um lado e 50% de outro, depois de colocá-los em ordem crescente. Poresta razão ela se refere ao qüinquagésimo percentil de um conjunto de dados. Além dospercentils, que pode dividir os dados de acordo com qualquer valor percentual, o pesquisadorpode também querer encontrar o quartil e o decil. 58
  • 59. Quartil é a separatriz que divide a área de uma distribuição de freqüência em domínios de área igual a múltiplos inteiros de um quarto da área total. Decil é a separatriz correspondente ao valor do argumento que divide a distribuição numa razão decimal. Exemplo: dados do quadro 9.1 em ordem crescente. Primeiro quarto25 27 27 27 27.7 28 28 29 30 30 Segundo quarto31.8 32 32 32 33 33 33 33 34 34 Terceiro quarto35 36 36 37 37 38.5 39 40 40 41 Quarto quarto43 45 47 47 52 53 58 58 63 77 Computações: Primeiro quartil = (30 + 31.8) / 2 = 30.9 Segundo quartil = (34 + 35) / 2 = 34.5 Terceiro quartil = (41 + 43) / 2 = 42.0 10.5. Considerações finais: Neste capítulo não poderíamos deixar de mencionar três outros conceitos muito importantes na nossa área de conhecimento, coeficiente de variação, variância e covariância. COEFICIENTE DE VARIAÇÃO – é a razão entre o desvio padrão e a média. Ele nos dá uma idéia de variação relativa de nossa população, permitindo a comparação de 2 populações diferentes independentes das unidades de medida. Do quadro 10.1, estimamos as médias (28 para manejo e 28 para Ecologia) e os desvios padrões (1.87 e 7.25). Agora temos o coeficiente de variação (CV), CV = 1.87/28 = 0.0668 ou 6.68 % - Manejo CV = 7.25/28 = 0.2589 ou 25.89 % - Ecologia Do nosso exemplo do quadro 10.1, temos uma população de árvores, com as seguintes estimativas: média = 38.225 e desvio = 11.28. 59
  • 60. CV = 11.28/38.225 = 0.2951 ou 29.51 % Mesmo se tratando de populações diferentes podemos concluir com base nos CVs: Apopulação Manejo é mais homogênea e a mais heterogênea é a Ecologia. Isto é possívelporque o CV é uma medida relativa, que independente da unidade de medida utilizada. VARIÂNCIA - Variância é uma medida da dispersão dos valores unitários individuaisem torno de sua média. A variância não só parece com o desvio padrão, como é o próprio,apenas “ao quadrado” . Se você tirar da fórmula do desvio, a raiz quadrada, você tem afórmula da variância. Por que “ao quadrado”? Simplesmente porque a soma de todos osdesvios tem que se anular, tendendo a zero e, daí, você não teria condições de ver a amplitudede variação dos seus dados em relação a média. COVARIÂNCIA - é uma medida de como 2 variáveis variam juntas, emrelacionamento (covariabilidade). Suponha duas variáveis x e y. Se os maiores valores de xtende a ser associados com os maiores valores y, nós dizemos que a covariância é positiva.Quando os maiores se associam com os menores, ou vice-versa, a covariância é negativa.Quando não há uma associação particular de x e y, a covariância tende a zero. As fórmulas são: Variância, s2 = SQCx /(n-1) Covariância, sxy = SPCxy / (n-1) 60
  • 61. Fórmulas úteisMédia aritmética Variância n n ∑ xi ∑ ( xi - x )2 i=1 s2 = i=1 x = n n-1Desvio padrão Erro padrão s = ± √ s2 sx = s / √ n n n ( ∑ xi ) 2 ( ∑ yi ) 2 n i= n i=SQCx = ∑ xi2 - 1 SQCy = ∑ yi2 - 1 i= i= 1 n 1 n n ( ∑xi ) ( ∑yi )SPCxy = ∑ xi yi - i=1 nCoeficiente de correlação SPCxyr = √ SQCx SQCy 61
  • 62. Capítulo 11 – Distribuição amostral da média ( ) Todo eng florestal sabe que o inventário florestal é o primeiro passo para planejar omanejo sentido lato de uma floresta, nativa ou artificial. O inventário, por sua vez, consisteem obter uma média representativa da população de interesse, seja em termos de volume, áreabasal ou outra variável de interesse. O que é uma média representativa? Por analogia, média (volume) de uma floresta é o mesmo que a “média” usada paradefinir café-com-leite em muitos bares do sul e sudeste do Brasil. Em um copo de 100 ml,uma média deveria ter 50 ml de café e 50 de leite. Certo? Errado ... porque se fosse assim, obalconista não teria na ponta da língua aquela pergunta: “mais café ou mais leite?” Mais leiteou mais café vai depender do gosto do freguês e da mão do balconista. Você tem que confiarou parar de tomar aquela “média” naquele bar. De qualquer modo, o total do copo não passaráde 100 ml, ou seja, o excedente de café (+) será anulado pelo que falta de leite (-) ou vice-versa. Vamos mostrar neste capítulo que a estimativa de uma média tende sempre a serparecida com a média verdadeira da população. O que muda é o desvio padrão, que é base decálculo da incerteza. A tendência é diminuir a incerteza (que é bom) com o aumento daintensidade de amostragem. Portanto, média representativa é aquela que proporcionaconfiança (incerteza sob controle) e conforto ($) pra quem vai usá-la.11.1 Amostras aleatórias Amostra pode ser um único indivíduo ou um conjunto deles. No caso de pesquisas deopinião, cada eleitor é uma amostra. No caso de inventário florestal, um conjunto de árvorescorresponde a uma amostra. Na Amazônia, vários estudos apontam que parcela de 2.500 m2 ésuficiente para cobrir as variações (volume) de uma determinada área florestal com DAP ≥ 20cm, ou seja, um conjunto com aproximadamente 50 árvores. Em geral, as amostras têm que ser tomadas de forma aleatória, pois foi assim que aestatística de inferência foi concebida. No entanto, a amostragem aleatória pode serdesdobrada em: inteiramente aleatória e aleatória restrita. Tanto nos inventários, como empesquisas de opinião, a aleatória restrita é a mais utilizada por causa dos custos de coletas dedados e tem produzido bons resultados. No caso de eleições presidenciais, a população deeleitores brasileiros é estratificada por sexo, idade e, principalmente, por densidade eleitoral.Em inventários na Amazônia, a maioria utiliza a amostragem em dois estágios, ou seja, 62
  • 63. seleciona aleatoriamente a unidade primária e distribui as unidades secundárias de formasistemática. Intensidade de amostragem é o número total de amostras ( n ) dividido pelo númerototal de possíveis amostras em uma população ( N ). Por exemplo: os institutos de pesquisas(Ibope, Datafolha etc.) ao realizar uma pesquisa de opinião sobre eleições presidenciais noBrasil, têm utilizado em torno de 4.000 eleitores de um total de 115 milhões; neste caso, n =4.000 e N = 115 milhões. No nosso caso, se você tem uma área de 1.000 hectares e querinstalar 100 amostras de 2.500 m2 cada (¼ hectare) para realizar o inventário florestal; nestecaso n = 100 e N = 4.000 (nº total de possíveis amostras de, ¼ ha, ou seja, 20x125m). Do ponto de vista teórico, vamos mostrar como calcular as probabilidades de usandoas áreas sob as curvas normais. Isso quer dizer que temos que determinar a distribuição da _ _probabilidade da variável aleatória x . A distribuição de probabilidade de x é chamada dedistribuição amostral da média. _11.2 A média da média ( x ) e o desvio padrão de ӯ (σ ) O primeiro passo para descrever a distribuição amostral da média é saber como _encontrar a média e o desvio padrão da variável aleatória x . Isto é necessário para usar os _métodos da curva normal para encontrar as probabilidades para x . As fórmulas para calcular essas duas variáveis são: _ _ µ = ∑ (xi ) ( p xi ) e _ _ _ σ x = √ ∑ ( i - µ x )2 (p x i ) Vamos ver isso por meio de um exemplo meio irreal. Vamos considerar as idades(congelada em 2003) de cada membro de minha família (eu, mulher e 3 filhos) como umapopulação, ou seja, N = 5. Esta situação nunca será encontrada na vida real porque pra saber aidade média dessa família basta somar as 5 idades e dividir por 5 ... ninguém vai utilizar osrecursos da amostragem. No entanto, se você entender o significado da estimativa da médiada população e o comportamento do erro padrão da média conforme se aumenta intensidadede amostragem, para uma pequena população (N = 5), fica mais fácil entender essas duas 63
  • 64. variáveis aleatórias quando for trabalhar com uma população grande ou infinita (número deeleitores do Brasil, N = 115 milhões, floresta da ZF-2 etc.). Temos 3 situações ilustrando a utilização de 3 intensidades diferentes de amostragem– anexos 1, 2 e 3. A situação 1 se refere a uma amostragem considerando n = 2, ou seja,escolha aleatória de 2 pessoas para estimar a média da população. Primeiro você tem quesaber quantas combinações são possíveis ao sortear 2 (n) de um conjunto de 5 (N) pessoas. Sópra lembrar: fatorial de zero (0!) é igual a 1 e fatorial de números negativos ou não inteirosnão existe. Isto é mostrado na página que ilustra a situação 1. Depois disso, você tem que _estimar a média de cada combinação possível. Aplicando a fórmula de µ x você vai encontrara média da média de todas as possíveis combinações. Você vai notar que a média da média éexatamente igual à média verdadeira da população. Repetindo as mesmas operações para as situações 2 e 3, respectivamente, amostragensde n = 3 e n = 4, você vai notar que a média da média será sempre igual à média dapopulação, mudando apenas o desvio padrão da média. Resumindo: a média da amostra serásempre muito parecida com a da população e conforme você aumenta o n, o desvio padrão damédia (ou erro ou incerteza) diminui. Você se convenceu desta afirmativa? Se não, é melhortentar a vida em outra praia. Se sim, vamos pensar agora em termos de população de verdade. Vamos falar deeleitores brasileiros. Em geral, os institutos utilizam aproximadamente 4.000 eleitores parainferir sobre a população de 115 milhões de eleitores brasileiros. Quantas possíveiscombinações são possíveis quando a gente utiliza n = 4000 de N = 115 milhões? É só fazer ascontas ... mas não as faça. 115.000.000 115.000.000! = ------------------------------------- possíveis combinações 4.000 4.000! (115.000.000-4.000)! É óbvio que ninguém vai fazer todas as possíveis combinações. Se fizesse, a média damédia seria exatamente igual à média da população. Então, o que é feito? As empresas tomamapenas uma única combinação de 4000 eleitores pra inferir sobre a população de eleitorespressupondo que a média estimada na pesquisa será igual à da população e que n = 4000produzirá uma incerteza (erro) menor que n = 3.999. Em uma floresta de porte médio como a da ZF-2, por exemplo, com 21.000 hectares,temos N = 84.000 (21000 x 4) de amostras possíveis de ¼ ha cada. Se a gente usar n = 50, 64
  • 65. quantas possíveis combinações seriam possíveis? Várias. Quantas combinações a gente fariano caso de um inventário florestal? Certamente, apenas uma. A nossa expectativa é ter umamédia (volume ou outra variável) representativa da população com uma margem de erroaceitável. A média é importante porque sem ela não há planejamento. No entanto, maisimportante mesmo é saber com que margem de erro (incerteza) a gente está trabalhando. Éimportante também não perder de vista que a intensidade de amostragem está diretamenterelacionada com os custos. No caso de inventários, você tem duas alternativas: (1) fixa aincerteza e libera os custos ou (2) fixa os custos e libera a incerteza. Em geral, a segundaalternativa é a mais freqüente. Há meios para se prevenir de incertezas indesejadas. Em inventários florestais, você pode se prevenir utilizando boas imagens, bons mapas,bons equipamentos e métodos adequados de amostragem, em combinação com planejamentode coleta e processamento dos dados. Estamos falando de erros de amostragem (o erro quevocê comete por medir apenas parte da população). Não confundir com erros não-amostrais(humanos, principalmente), que não são tratados aqui. Não esquecer também que n édenominador.11.3. Teorema do limite central Vimos até aqui que a confiança na média passa pela confiança nas probabilidades quea gente trabalha. No próximo capítulo vamos ver como calcula a incerteza de uma estimativa.Aqui, vamos nos concentrar nas probabilidades obtidas usando as áreas sob as curvasnormais. Temos a curva normal padrão com µ = 0 e σ = 1. Com a integração da função quedescreve esta curva, a gente obtém as probabilidades. Estas áreas já foram calculadas porvários autores e estão disponíveis em apêndices de livros de estatística, tabela-z. No mundoreal, a curva normal com estas características não existe. Por esta razão, a gente tem quepadronizar as possíveis curvas normais pra utilizar a tabela-z. As curvas normais podem ser,dentro de limites bem definidos, assimétricas ou achatadas, diferentes da forma de sino. Paraisso, há testes pra saber se as suas variáveis de interesse estão dentro desses limites. Difícil mesmo é fazer a nossa variável ficar dentro dos limites da distribuição normal.Não entre em pânico ainda! O remédio para essa situação é o “teorema do limite central”. Oque diz este teorema? 65
  • 66. “Quando uma amostragem aleatória de tamanho n (onde n é pelo menos igual a 30) é _ _tomada de uma população, a x é aproximadamente normalmente distribuída com µ x = µ e _desvio padrão da média σ = σ/ n . Nestas condições, as probabilidades para x podem serencontradas, aproximadamente, utilizando as áreas sob a curva normal com os parâmetros µ e _σ x .” Isto quer dizer que: independentemente da forma que a distribuição de sua variávelaleatória assumir, você pode calcular as probabilidades usando a tabela-z, desde que n ≥ 30.Significa também que para as amostras aleatórias de qualquer distribuição com média µ e _desvio padrão σ x , a média amostral dessas unidades de tamanho n é aproximadamentenormal e esta aproximação melhora conforme se aumenta o n. Para se chegar a este “númeromágico” igual a 30, foram feitas inúmeras simulações até constatar que acima deste númeronão se percebe diferenças entre as áreas sob a curva normal e de outras funções. Tanto em trabalhos de pesquisas ou de inventários florestais, o ideal é utilizar umaamostragem com, pelo menos, 30 unidades amostrais. Se você fizer assim, a incerteza quevocê encontrar, é consistente; caso contrário, você terá que comprovar a normalidade antes deinferir. A propósito, uma amostragem com n < 30 é considerada “pequena” e a curva-t é a quetem que ser utilizada para a obtenção das probabilidades. 66
  • 67. Anexo 1 Situação 1 Tomando uma amostragem com n = 2 de uma população com N = 5 Quantas combinações são possíveis? N N! 5! 120 = -------------- = --------------- = --------- = 10 combinações n n! (N-n)! 2! (5 – 2)! 12População Amostragem _ _nome idade comb. idade1 idade2 x p x*p desvio NH 51 1 51 46 48,5 0,1 4,85 33,49MIGH 46 2 51 22 36,5 0,1 3,65 3,97 IGH 22 3 51 20 35,5 0,1 3,55 2,81 FGH 20 4 51 12 31,5 0,1 3,15 0,17GGH 12 5 46 22 34,0 0,1 3,40 1,44média 30,2 6 46 20 33,0 0,1 3,30 0,78desvio 17,21 7 46 12 29,0 0,1 2,90 0,14 8 22 20 21,0 0,1 2,10 8,46 9 22 12 17,0 0,1 1,70 17,42 10 20 12 16,0 0,1 1,60 20,16 µ 88,86 30,2 _ σx 9,43µ = 30,2 _µ x = 30,2Coincidência? Não! 67
  • 68. Anexo 2 Situação 2 Amostragem de n = 3 da população com N = 5 Quantas combinações são possíveis? N N! 5! 120 = -------------- = --------------- = --------- = 10 combinações n n! (N-n)! 3! (5 – 3)! 12População Amostragem _ _nome idade comb. idade1 idade2 idade3 x x*p desvio NH 51 1 51 46 22 39,67 3,97 8,96MIGH 46 2 51 46 20 39,00 3,90 7,74IGH 22 3 51 46 12 36,33 3,63 3,76FGH 20 4 51 22 20 31,00 3,10 0,06GGH 12 5 51 22 12 28,33 2,83 0,35média 30,2 6 51 20 12 27,67 2,77 0,64desvio 17,21 7 46 22 20 29,33 2,93 0,08 8 46 22 12 26,67 2,67 1,25 9 46 20 12 26,00 2,60 1,76 10 22 20 12 18,00 1,80 14,88 _ µx 30,20 39,49 _ σx 6,28µ = 30,2 _µ x = 30,2Coincidência de novo? Não! 68
  • 69. Anexo 3 Situação 3 Amostragem de n = 4 da população de N = 5 Quantas combinações são possíveis? N N! 5! 120 = -------------- = --------------- = --------- = 5 combinações n n! (N-n)! 4! (5 – 4)! 24População Amostragem _ _nome idade idade1 idade2 idade3 idade4 x x*p desvio NH 51 51 46 22 20 34,75 6,95 4,141MIGH 46 51 46 22 12 32,75 6,55 1,301 IGH 22 51 46 20 12 32,25 6,45 0,841FGH 20 51 22 20 12 26,25 5,25 3,121GGH 12 46 22 20 12 25 5 5,408 _média 30,2 µx 30,2 14,810desvio 17,21 _ σx 3,85µ = 30,2 _µ x = 30,2Coincidência? Não! Por que não? _ 1) Se você usar todas as possíveis combinações, a média da média µ x será sempre igual a média da população µ, independentemente do tamanho da amostragem. 2) O que muda é o desvio padrão da média ou erro padrão, ou seja, conforme aumenta a intensidade de amostragem, diminui o erro, aumenta a precisão e diminui a incerteza da sua estimativa. 69
  • 70. Capítulo 12 - Estimando a média da população As duas curvas, normal e t, têm em comum as seguintes características: (i) sãosimétricas em torno de zero e (ii) se estendem indefinidamente em ambas às direções(caudas). A principal diferença entre as duas curvas é a forma; a normal é mesmaindependentemente da intensidade de amostragem (n) e a t varia conforme varia n. Paraintervalo de confiança, isto quer dizer que a área sob a curva tem que ser obtida olhando asduas caudas, ou seja, para inferir usando um determinado nível crítico (por ex., α = 0,05),você tem que procurar o valor de z ou t para a área igual a α/2 (ou 0,025 do exemplo). Emgeral, os livros textos de estatística apresentam uma tabela bi-caudal, para α/2; os deinventário florestal, em geral, dão direto a área sob a curva para α. Como você estáacostumado com livros de inventário, é preciso prestar muita atenção quando for utilizarlivros de estatística. Em inventários, você utiliza n < 30 ou n ≥ 30, pequenas ou grandes amostras. Sob opreciosismo da estatística, estas duas intensidades são distintas e, por esta razão, você tem queusar tabelas diferentes, ou seja, tabela-t e tabela-z, respectivamente para n < 30 e n ≥ 30. Vejaisso: usando n = 30 e α = 0,05, t = 2,04 e z = 1,96. Muita diferença? Nem tanto! De qualquermodo, é importante ter consciência dessa diferença. Não esquecer também que t ou z é aconstante que multiplica o erro padrão e este produto dividido pela média de sua variávelaleatória é o nível de incerteza de seu trabalho de inventário. Cochran (1977)1, uma das principais fontes da teoria de amostragem para inventários,diz o seguinte: "Se n < 50, o valor t pode ser tirado da tabela-t com n-1 graus de liberdade. Adistribuição t é perfeita somente se a variável aleatória for normalmente distribuída e N éinfinito. Afastamentos moderados da normalidade não afetam muito o resultado final." Conselho final: use sempre n ≥ 30 pra evitar o teste da normalidade. E vou fornecer osvalores de z para os níveis críticos mais freqüentes, α = 0,10, α = 0,05 e α = 0,01, que são,respectivamente, 1,64, 1,96 e 2,57. Não esquecer também que n (tamanho da amostragem) édenominador, ou seja, aumentando n você estará forçando o erro pra baixo ... e este é oobjetivo final de seu trabalho de inventário, que é fornecer uma estimativa da média parecidacom a média verdadeira da população com o mínimo de incerteza.12.1. Intervalos de confiança:1 Cochran, W.G. 1977. Sampling Techniques. 3ª edição. John Wiley & Sons. 428p. 70
  • 71. _ Vimos que é razoável usar uma média amostral x para estimar a média da população (µ ). Especificamente, a Lei dos Grandes Números diz que: se uma “grande” amostragem _aleatória é tomada de uma população, a x “tende” a ser “parecida” com µ. No capítulo anterior discutimos o Teorema de Limite Central que diz: se umaamostragem aleatória de tamanho n ( n ≥ 30) é tomada de uma população com média µ e _ _desvio padrão σ x , então x é (aproximadamente) normalmente distribuída e, por esta razão, _podemos encontrar as probabilidades para x usando as áreas sob a curva normal comparâmetros µ e σ/ n. E AGORA?? _ Qual é a confiança sobre a precisão envolvida ao usar x para estimar µ ? Estamos falando do Intervalo de Confiança (IC), que será definido com exemplos. Exemplo 1: Um florestal está interessado em obter informações sobre a média emDAP de uma população, µ , de todos os indivíduos dos dois transectos da ZF-2. Com base em experiência anterior ele sabe que o σ é igual a 11,91 cm. Se ele tomar _uma amostragem aleatória de 30 indivíduos, qual é a probabilidade do DAP médio x estardentro de 5 cm do DAP médio da população, µ ? _ Solução: Queremos encontrar a probabilidade da x estar dentro de 5 cm de µ; que é, _P(µ-5< x < µ + 5 ). Como n > 30, recorremos ao Teorema de Limite Central para _encontrar as probabilidades para x usando as áreas sob a curva normal com parâmetros µ(que não conhecemos) e σ / n = 11,91 / 30 = 2,17. _ Então, para encontrar P ( µ - 5 < x < µ + 5 ), precisamos encontrar a área sob acurva normal (com parâmetros µ e 2,17) entre µ - 5 e µ + 5. Podemos resolver o problema pela padronização de nossa variável aleatória, daseguinte maneira: _ z = [ x - µ ] / 2,17 71
  • 72. _O valor de z para x = µ - 5 é z = [ (µ - 5) - µ ] / 2,17 = -5 / 2,17 = -2,30 _E o valor de z para x = µ + 5 é z = [ (µ + 5) - µ ] / 2,17 = 5 / 2,17 = 2,30 Da tabela 1, tiramos as áreas sob a curva para z = -2,30 e z = 2,30, que sãorespectivamente 0,0107 e 0,9893. A área, então, compreendida entre -2,17 e 2,17 é: área = 0,9893 - 0,0107 = 0,9786Conseqüentemente, _ P ( µ - 5 < x < µ + 5 ) = 0,9786 _Quer dizer: a probabilidade da x estar entre 5 cm da µ é de 0,9786 ou 97,86%. _ Vamos colocar a expressão anterior de outra maneira: que a x deve estar 5 cm da _µ, que é o mesmo que dizer que “µ está entre 5 cm de x .” Isto pode ser re-escrito daseguinte maneira: _ _ P ( x - 5 < µ < x + 5) = 0,9786Em outras palavras, sabemos que se uma amostragem aleatória de 30 indivíduos arbóreos _ _da ZF-2 é tomada, então a probabilidade do intervalo de x - 5 a x + 5 conter µ é de0,9786. Suponha, agora, por exemplo, que o florestal ao tomar uma amostragem aleatória, ele _consegue x = 25 cm, então _ _ x - 5 = 25 – 5 = 20 e x + 5 = 25 + 5 = 30Ele sabe que, 97,86% destes intervalos conterão µ e, por esta razão, ele pode estar 97,86%certo de que a µ estará entre 20 e 30 cm. Desta forma, o intervalo de 20 a 30 é chamado deIC 97,86% para µ.12.2. Especificando o nível de confiança: 72
  • 73. Na seção anterior vimos como encontrar o IC para uma média da população µ, com _base na informação obtida de média amostral x . No exemplo anterior especificamos otamanho da amostragem e a forma do IC e, com estas especificações, calculamos a confiança.Entretanto, freqüentemente é desejável especificar a confiança a priori. Exemplo 2: A companhia de telefone está interessada em obter informações sobre otempo médio, µ, de cada chamada. Um levantamento preliminar indicou que o desvio padrãodas chamadas é σ = 4,4 minutos. Ao monitorar (não grampear) aleatoriamente 100 _chamadas, n = 100, chegou-se a um tempo médio x = 5,8 minutos. _ Sabendo que = 5,8, encontrar o IC 95% para µ x Nesta questão (ao contrário das questões consideradas previamente) a confiança éespecificada a priori: queremos um IC a 95%. A solução para este problema é o inverso doprocedimento usado para resolver o exemplo 1, o que implica em usar a tabela 1 no sentidoinverso, ou seja, você tem a área sob a curva (área = 0,05) e precisa encontrar o valor de z. Solução: Encontrar o valor-z, para o qual a área sob a CNP (curva normal padrão) àdireita deste z, é 0,025 (área/2) e à esquerda de z. Note que a área total sob a CNP é 1, entãoestamos falando de uma área equivalente a [1 - 0,025 ] = 0,975 e 0,025. Dessa maneira, pararesolver este problema precisamos encontrar o valor-z que tem uma área entre 0,975 e 0,025 àsua esquerda. Na tabela 1, o valor-z que tem uma área de 0,975 à sua esquerda é 1,96 - no encontroda linha 1,9 com a coluna 6, você tem uma área de 0,9750. Neste caso, você tem o valorexato de 0,9750 (1 - 0,025) na tabela. Se o valor exato não for encontrado, faça interpolações.O valor-z que tem uma área de 0,025 à sua esquerda é -1,96. Agora, voltando à companhia telefônica: sabemos que n = 100 e, em função podemos _recorrer ao TLC (teorema de limite central) para assumir que x é aproximadamente _normalmente distribuída com µ x = µ (que não conhecemos) e o desvio padrão: _ σx = σ / n = 4,4 / 100 = 0,44Assim, a variável aleatória z terá a seguinte fórmula 73
  • 74. _ z = [ x - µ ] / 0,44e terá aproximadamente uma distribuição normal padrão. Como queremos o IC 95% para µ , podemos colocá-lo da seguinte maneira: P ( -1,96 < z < 1,96 ) = 0,95 _ P ( -1,96 < [ x - µ ] / 0,44 < 1,96 ) = 0,95 _ _ P ( x - 1,96*0,44 < µ < x + 1,96*0,44 ) = 0,95 _ _ P ( x - 0,86 < µ < x + 0,86 ) = 0,95 _substituindo o valor de x = 5,8, teremos os seguintes intervalos: _ x - 0,86 = 5,8 - 0,86 = 4,94 e _ x + 0,86 = 5,8 + 0,86 = 6,66Concluindo que o intervalo entre 4,94 e 6,66 minutos é o IC 95% para µ. A companhia podeter 95% de confiança que a duração média de uma chamada, µ, da cidade está entre 4,94 e6,66 minutos.12.3. Intervalos de confiança para médias: grandes amostras No exemplo anterior encontramos o IC 95%. O número 0,95 é conhecido como onível de confiança ou coeficiente de confiança. Em estatística, costuma-se escrever 0,95como 1 - 0,05. Este número é subtraído de 1 para obter o nível de confiança que érepresentado pela letra grega α . Para IC 95%, α = 0,05; para IC 90%, o nível de confiança éα = 0,10 e assim por diante. _ Procedimento para encontrar o IC para µ, baseado em x : Requisitos: (1) n ≥ 30 e (2) σ conhecido Passo 1: Se o nível de confiança desejado é 1 - α, use a tabela 1 para encontrar z α/2 Passo 2: O IC desejado para µ é: _ _ x -z α/2 *(σ/ n ) para x + z α/2 *(σ/ n ) 74
  • 75. onde z α/2 é obtido seguindo o passo 1, n é o tamanho da amostragem e _x é obtida dos dados da amostragem. Exemplo 3: Uma empresa florestal está interessada em obter informações sobre odiâmetro médio, µ , de sua floresta. Um estudo preliminar indicou que σ = 10 cm. Oempresário decidiu verificar esta informação com base em uma amostragem de 30 árvores. _Ele encontrou uma média amostral das 30 árvores, x = 40 cm. Baseado nestas informações,vamos encontrar o IC 90% para a µ . Solução: Checando primeiro: n ≥ 30 - OK!; e σ é conhecido. Podemos, então,aplicar os passos necessários: 1. O nível de confiança é 0,90 = 1 - 0,90; logo α = 0,10 e da tabela 1 tiramos z α/2 = z 0,05 = 1,64 _ 2. Desde que z α/2 = 1,64, n = 30, σ = 10 e x = 40, o IC 90% para µ será: _ _ x - z α/2 * σ/ n a x + z α/2 * σ/ nsubstituindo os valores conhecidos 40 - 1,64 * 10 / 30 a 40 + 1,64 * 10 / 30 37 a 43 Concluindo: o empresário pode ter 90% de confiança que o diâmetro médio, µ , de suafloresta está entre 37 a 43 cm. O produto, ± 1,64 * 10 / 30 ou ± 2,99, dividido pela médiade sua variável aleatória será a incerteza do seu trabalho. Até agora assumimos que o σ é conhecido. Entretanto, na maioria dos casos, istonão é possível. Uma maneira de lidar com isto é fazer um levantamento piloto para estimaro σ. Quer dizer: podemos usar o desvio padrão amostral s no lugar do σ. Isto é aceitávelporque, para grandes amostras ( n ≥ 30 ), o valor de s é extremamente parecido a ser umaboa aproximação de σ. A conseqüência matemática disso é a seguinte (recorrendo tambémaoTLC): _ _ x - µ x - µ -------- em vez de --------- s/ n σ/ n 75
  • 76. E os outros procedimentos são os mesmos apresentados no quadro anterior, substituindoapenas σ por s .12.4. A distribuição t (de Student): Nas seções anteriores deste capítulo vimos como encontrar o IC para µ, quandolidamos com grandes amostras ( n ≥ 30 ). Entretanto, em muitos casos, quando grandesamostras não estão disponíveis, extremamente caras ou, por alguma razão, simplesmenteindesejáveis, você tem que dar outro jeito porque a curva-z não se aplica nestas condições. Neste caso, recorremos à curva-t em vez da curva-z. Detalhe importante: para obter IC para a média da população, a partir de pequenasamostras ( n < 30 ), a população, por si só, tem que ser aproximadamente normalmentedistribuída. Se n < 30, não podemos usar a CNP para encontrar as probabilidades para o IC.Entretanto, um pesquisador chamado W.S. Gosset desenvolveu curvas de probabilidade quepodem ser usadas, em vez da CNP. Estas curvas são conhecidas como curvas-t de student ousimplesmente curvas-t. A forma de uma curva-t depende do tamanho da amostra. Se aamostra é de tamanho n, nós identificamos a curva-t em questão dizendo que é a curva-t com(n-1) graus de liberdade. Se tomarmos uma amostra aleatória de tamanho n de uma população que éaproximadamente normalmente distribuída com média µ, a variável aleatória _ t = [x - µ] / [ s / n ]tem a distribuição-t com (n - 1) graus de liberdade. As probabilidades para esta variávelaleatória podem ser encontradas usando as áreas sob a curva-t com (n - 1) graus de liberdade- tabela 2. As curvas-t variam conforme os graus de liberdade. As curvas-t têm as seguintespropriedades: 1. A área total sob qualquer curva-t é igual a 1. 2. As curvas-t são simétricas em torno de zero. 3. As curvas-t se estendem indefinidamente em ambas às direções. 76
  • 77. 4. Conforme aumenta o número de graus de liberdade, as curvas-t ficam maisparecidas com a CNP. A maneira de encontrar a área sob a curva-t é a mesma usada na CNP.12.5. Intervalos de confiança para médias - pequenas amostras: _ Vamos ver agora os procedimentos para encontrar os IC para µ baseada em x,quando o tamanho da amostra é menor que 30 ( n < 30 ). Vamos ilustrar o procedimento comum exemplo. _ Procedimento para encontrar o IC para µ, baseado em x : Requisitos: População normal Passo 1: Se o nível de confiança desejado é 1 - α, use a tabela 2 para encontrar t α/2 Passo 2: O IC desejado para µ é: _ _ x -t α/2 *(s/ n ) para x + t α/2 *(s/ n ) _ onde t α/2 é obtido seguindo o passo 1, n é o tamanho da amostragem e x e ssão obtidas dos dados da amostragem. Exemplo 4: Um vendedor de pneus está interessado em obter informações a respeitoda durabilidade média ( µ ) de uma nova marca. O fabricante diz que a nova marca foi feitapara aguentar 40.000 milhas, ou seja, µ = 40.000. O vendedor quer testar, por sua conta, adurabilidade dos pneus. Para isto, ele decide tomar uma amostragem aleatória de 16 pneus e conferiu amilhagem de cada um.Os resultados deste teste é o seguinte: pneu milhagem pneu milhagem pneu milhagem 1 43.725 7 37.396 13 39.686 2 40.652 8 42.200 14 44.019 3 37.732 9 39.783 15 40.220 4 41.868 10 44.652 16 40.742 5 44.473 11 38.740 6 43.097 12 39.385 Usando estes dados, vamos encontrar o IC 95% para µ, considerando que adurabilidade do pneu é normalmente distribuída. 77
  • 78. Solução: Vamos usar o procedimento definido anteriormente; neste caso com n = 16. 1. O nível de confiança desejado é 0.95, isto é, α = 0,05. Usando a tabela 2 para (16-1)= 15 graus de liberdade. t α/2 = t 0,025 = 2,13 2. O IC 95% é: _ _ x - 2,13*( s / n ) para x + 2,13*( s / n )Dos dados deste exemplo (dos pneus) temos: _ x = 41.148,13 s = 2.360,32Conseqüentemente _ x - 2,13*( s / n ) = 41.148,13 - 2,13 * (2.360,32/ 16 = 39.891,26 _ x + 2,13*( s / n ) = 41.148,13 + 2,13 * (2.360,32/ 16 = 42.405,00 Isto quer dizer que o vendedor pode ter 95% de confiança que a µ (durabilidade médiada nova marca) está entre 39.891 a 42.405 milhas. Desta forma, o fabricante está correto emafirmar que a nova marca tem µ = 40.000 milhas. 78
  • 79. Capítulo 13 – Algumas variáveis aleatórias utilizadas em manejo florestal13.1 Diâmetro à altura do peito (DAP)13.1.1 Notas preliminares Na engenharia florestal, o diâmetro da árvore é DAP e ponto final. DAP se mede a 1,3m acima do nível do solo. O objetivo desta seção não é ensinar como medir o DAP porqueisto está muito bem explicado nos livros de Machado & Figueiredo Filho (2003)2 e Campos &Leite (2002)3. Em plantios de eucalipto, o DAP tende a ser medido quase sempre a 1,3 m dosolo. Na Amazônia, a situação é um pouco diferente porque há sapopemas e outrasirregularidades no tronco que nem sempre a parte a 1,3 m do solo está disponível para medir. Em inventários em uma única ocasião, esta situação pode ser superada utilizandoequipamentos especiais ou a projeção do diâmetro à altura do DAP. Por compensação deerros, o resultado final não será afetado. Em inventários contínuos, a subjetividade namedição de um mesmo indivíduo em ocasiões sucessivas, não é bem-vinda. Neste caso, énecessário medir sempre no mesmo local (altura em relação ao solo) e aí o recurso é mediraonde é possível e marcar (com tinta) este ponto da medição. Dessa forma, será possívelestimar as mudanças ocorridas entre duas ou mais ocasiões. Como é a pronúncia correta desta variável tão importante para a engenharia florestal;D-A-P ou Dape ou Dapi? Segundo o Manual de Estilos da Abril, temos os seguintesconceitos: Sigla é a reunião das iniciais de um nome próprio composto de várias palavras e deveir, quase sempre, em caixa alta: CNBB, CPI, CPMF, IBGE, BNDS, CBF etc. Certas siglassilabáveis, mesmo estrangeira, são escritas em caixa alta e baixa: Vasp, Ibope, Inpa, Incra,Aids etc. Diante disso, o nosso diâmetro à altura do peito tem que ser pronunciado como Dapeou Dapi. Certos estão os biólogos, ecólogos e outros não florestais e errados estão osengenheiros florestais. Por conta disso, quero dedicar esta seção àqueles que pronunciamerrado esta variável, D-A-P. Não critiquem (e nem tripudiem) àqueles que falam Dape ou2 Machado, S.A. e Figueiredo Filho, A. 2003. Dendrometria. 309p.3 Campos, J.C.C. e Leite, H.G. 2002. Mensuração florestal. UFV. 407p. 79
  • 80. Dapi porque eles estão certos, mas continuem pronunciando D-A-P., que é uma tradiçãoflorestal de mais de 40 anos no Brasil. Acrônimo é a reunião de elementos (iniciais, primeiras letras e sílabas) doscomponentes de um nome, com a intenção de formar uma palavra silabável e, deve ir, sempre,em caixa alta e baixa: Ibama, Cacex, Varig etc. Chichuá é um acrônimo.13.1.2 DAP usado na estrutura da floresta A curva do tipo J-invertido é a que melhor descreve a estrutura diamétrica dasflorestas da região amazônica. Os valores observados de DAP podem ser ajustados porfunções matemáticas que produzem curvas que se assemelham ao tipo J-invertido. A maispopular na Amazônia é a função de Weibull. No anexo 4 está disponível uma revisão sobre asfunções Weibull e exponencial. Como o DAP é a principal variável independente para o setor florestal da Amazônia,uma função de distribuição bem ajustada pode facilitar o inventário florestal sem perder aprecisão. Com uma boa função, que apresenta a distribuição de probabilidade de cada classede DAP, o inventário usando a contagem de indivíduos por unidade de área é perfeitamentepossível. Dessa forma, o tempo de coleta seria muito mais rápido e, conseqüentemente, oinventário ficaria mais barato.13.1.3 DAP como variável independente de equações de volume e debiomassa Tanto para volume e biomassa os seguintes modelos logarítmicos podem ser utilizadospara descrever a relação entre volume e DAP e ou H e biomassa e DAP e ou HT: 1) ln V = a + b ln D ou ln PF = a + b ln D 2) ln V = a + b ln D + c ln H ou ln PF = a + b ln D + c ln HTonde: V = volume do tronco em m3 D = DAP em cm H = altura comercial ou comprimento do tronco em m PF = peso fresco da parte aérea em kg HT = altura total da árvore em m ln = logaritmo natural 80
  • 81. Todo o desenvolvimento desses modelos será detalhado na próxima seção. Aqui,queremos apenas mostrar os indicadores usados na escolha do melhor modelo, como erropadrão da estimativa syx, coeficiente de correlação (r) e coeficiente de determinação (r2), paraadvogar em favor do uso do DAP apenas. Vamos considerar modelo 1 como aquele que temapenas o DAP como variável independente e modelo 2 o que tem DAP e altura (comercial outotal), separadamente para volume e biomassa. Volume (n = 959): Modelo 1: syx = 1,46% r = 0,971 r2 = 0,943 Modelo 2: syx = 1,04% r = 0,988 r2 = 0,977 Biomassa (n = 498): Modelo 1: syx = 6,54% r = 0,984 r2 = 0,967 Modelo 2: syx = 5,32% r = 0,989 r2 = 0,978 Você vê alguma diferença entre os modelos 1 e 2, para volume e biomassa? Nestecapítulo queremos enfatizar apenas essas diferenças, sem se preocupar com o significado decada indicador (será explicado na próxima seção). No caso do volume, acrescentar a variávelH significa um ganho muito pequeno na precisão. O mesmo acontece com a biomassa. Entretanto, acrescentar a altura (H ou HT) ao modelo é uma outra coisa. Em umhectare de floresta amazônica primária podemos ter: (i) 600-700 indivíduos arbóreos comDAP≥ 10 cm dividindo o espaço com lianas, epífitas e palmeiras; (ii) alta diversidade emespécies; (iii) arquitetura de copa de múltiplas formas; (iv) dossel com vários estratos emaltura; (v) espécies com idades diferentes, que podem variar de 1 a 1400 anos. Como medir a altura desses indivíduos? Para o desenvolvimento dos modelos, ométodo destrutivo é empregado; portanto, temos as árvores no chão e medimos as alturas(comprimentos) com trena. Durante o inventário florestal, a situação é outra, ou seja, temosque medir as alturas da árvore em pé. Mesmo com equipamentos sofisticados, é muito difícil,senão impossível, medir precisamente a altura total. A altura comercial pode até ser medidaprecisamente com equipamentos, mas diferentes medidores podem apresentar diferentesmedidas para a mesma árvore por causa da subjetividade em definir o que é "alturacomercial". Nunca, mas nunca mesmo, "chutar" a altura para utilizar o modelo 2. Nos exemplos com equações de volume e de biomassa, temos o seguinte: (i)acrescentar a altura comercial (H) ao modelo 1, significa melhorar a precisão em 0,42% (1,46 81
  • 82. – 1,04) e (ii) acrescentar altura total (HT) ao modelo, significa melhorar a precisão em 1,22%(6,54 – 5,32). Vale a pena acrescentar a altura? Pense nisso, sobretudo, nos custos de coleta dedados para o inventário florestal.13.2. Área basal É a projeção dos DAPs ao solo, que indica a densidade da floresta. Do ponto de vistatécnico, é a soma da área transversal de todos os indivíduos em um hectare. Área transversal éa área do círculo à altura do DAP. Isto é conseguido fazendo (imaginário) um cortetransversal no DAP e medindo o raio ou o diâmetro do círculo. É a área de um plano sobre otronco, disposto em ângulo reto ao eixo longitudinal. Portanto, a área transversal(classicamente representada pela letra "g") é obtida da seguinte maneira: g = (π/4) d2e a área basal, então: AB = ∑ gi (i = 1, 2, ... n) Na área experimental de manejo florestal da ZF-2, a área basal média está em torno de 230 m /ha. Isso quer dizer que se projetarmos todos os DAPs ≥ 10 cm sobre uma área de10.000 m2 (um hectare), as árvores ocuparão 30 m2. Algumas estimativas (m2/ha) paradiferentes sítios na Amazônia: UHE de Santa Izabel (região do Araguaia) = 15,2; Projeto RioArinos (norte de MT) = 13,6; Floresta Estadual do Antimary (Acre) = 15,2, Trombetas (Pará)= 24,8; PIC Altamira (Pará) = 22, Sul de Roraima = 20,9 e Alto Solimões (Fonte Boa e Jutaíno AM) = 27 m2/ha. Com esses poucos exemplos, podemos dizer que a floresta da ZF-2 é mais densa doque as outras florestas. A estimativa de área basal, de forma isolada, diz muito pouco sobreuma determinada floresta. Com esses poucos exemplos, é difícil afirmar que a floresta daZF-2, por exemplo, é muito densa ou pouco ou médio, porque deve haver florestas maisdensas do que esta. De qualquer modo, não custa nada estimar a área basal da áreainventariada já que as medições de DAP são obrigatórias em inventários florestais. Antigamente (até início dos anos 90), era comum ver inventários florestais comvolumes estimados a partir da área basal, ou seja, AB x altura x fator de forma. O fator deforma utilizado era igual a 0,7 proposto por peritos da FAO (Food and AgricultureOrganization) que realizaram os primeiros inventários na Amazônia nas décadas de 50 e 60. A 82
  • 83. altura era, invariavelmente, "chutada". O engenheiro florestal deve utilizar-se de equaçõespróprias para estimar o volume de madeira.13.3. Volume No setor florestal, as decisões são tomadas baseadas no volume de madeira. Isto é tãoforte que, muitas vezes, o engenheiro florestal até se esquece que numa floresta há muitasoutras coisas além da madeira. Aqui, o objetivo é mostrar como se estima o volume demadeira nos inventários florestais. Para isto, você precisa ter equações confiáveis e usá-laspara estimar o volume de árvores em pé medidas em parcelas fixas do inventário florestal.Volume real Para desenvolver equações de volume, você precisa ter o volume real de váriosindivíduos. Este volume pode ser obtido por meio do método destrutivo (aproveitando áreasexploradas ou desmatadas, autorizadas pelo Ibama) ou utilizando o relascópio de Bitterlich(por exemplo). O mais comum é o método destrutivo. Antes de derrubar a árvore, o DAP émedido. Com a árvore no chão, as alturas ou comprimentos (comercial e total) sãodeterminados e o tronco é dividido em pequenas toras, tentando se aproximar à forma docilindro. Em geral, o tronco é dividido em 10 toras (ou seções) e duas medidas de DAP sãotomadas em cada tora, na base e no topo. Com estas duas medidas, você tem condições decalcular as áreas transversais da base e do topo; aí, você estima a média (g da base + g do topodividido por 2) e multiplica pelo comprimento da tora < m2 de g vezes m do comprimento,você terá m3 > para ter o volume da tora ou seção. A soma dos volumes das 10 toras éconsiderada "volume real" da árvore. Melhores explicações você vai encontrar nos livros deMachado & Figueiredo Filho (2003) e Campos & Leite (2002). Quantas árvores são necessárias para desenvolver os modelos estatísticos paravolume ou equações de volume ou modelos alométricos? Alometria => (do grego: allos é outra e metron é medida) => é o estudo dasvariações das formas e dos processos dos organismos e tem dois significados: (i) ocrescimento de uma parte do organismo em relação ao crescimento do organismo inteiro oude parte dele e (ii) o estudo das conseqüências do tamanho sobre as formas e os processos. Você pode usar uma função conhecida de distribuição em diâmetro (Weibull, porexemplo) e ver se os dados já coletados se ajustam a esta função. Teste simples como o qui- 83
  • 84. quadrado (confrontação entre freqüência esperada e freqüência observada) dá conta disso. Seo teste for significante, colete mais dados das classes que estão faltando e refaça o teste qui-quadrado. Se o resultado for não significante, você tem, em mãos, uma amostra representativade sua população de interesse. Há também a possibilidade de utilizar-se do recurso doinventário florestal quanto à intensidade de amostragem; neste caso, cada indivíduo é umaamostra. A fórmula é a seguinte: n = ( t2 s2 ) / ε2sendo: t = valor obtido na tabela-t ( p = 0,05 ou outro e n-1 graus de liberdade) s2 = estimativa da variância ε2 = expectativa do erro = (LE x média)2. Em geral, o LE (limite de erro) é igual a 0,10 ou 10%.Observações: use z em vez de t. Como vimos anteriormente, os valores de z para os níveiscríticos mais freqüentes, α = 0,10, α = 0,05 e α = 0,01 são, respectivamente, 1,64, 1,96 e2,57. Outra coisa: há também o fator de correção para populações finitas, ou seja, neste casoao denominador da fórmula (ε2) deve ser acrescentado ( 1 – n/N ). A população é consideradafinita quando a fração n/N é menor do que 0,05, segundo Freese (1962)4. Equações de volume ou modelo alométrico O passo seguinte é testar modelos matemáticos. Antigamente (fim dos anos 70), ogrande desafio era encontrar o melhor modelo para descrever a função V = f (DAP, H).Depois de várias dissertações e artigos científicos, verificou-se que qualquer modelo, seja desimples entrada (apenas DAP como variável independente) ou de dupla entrada (DAP e Hcomo variáveis independentes, combinadas ou não) produzem bons ajustes. A decisão paraescolher o melhor modelo ficou nos detalhes. Hoje em dia, qualquer modelo que você venha a testar, utilizando DAP e H, você vaiconseguir uma alta e significativa correlação, um modelo que explica mais de 75% davariação de seus dados (r2) e um erro padrão de estimativa aceitável. O padrão de hoje é omodelo que apresenta r > 0,90, r2 > 0,90 e syx (%) < 10. Além disso, o modelo tem que ter umaboa distribuição de resíduos, que é: as diferenças entre os valores estimados e observados,positivos e negativos, têm que se distribuir uniformemente ao longo da curva (ou reta)4 Freese, F. 1962. Elementary forest sampling. Agriculture Handbook nº 232. USDA-Forest Service. 91p. 84
  • 85. estimada, ou seja, estas diferenças não podem aumentar (ou diminuir) conforme aumenta otamanho da árvore. Por exemplo: se o seu modelo produzir uma diferença de 0,5 m 3 para umaárvore com DAP = 10 cm, esta mesma diferença (mais ou menos) tem que ser verificada paraoutra árvore com DAP = 70 cm ou DAP = 150 m. Os modelos que apresentam as melhores distribuições de resíduos são os modeloslogarítmicos. Os mais usados são os seguintes, do item 13.1.3: 1) ln V = a + b ln D 2) ln V = a + b ln D + c ln H A abordagem para estimar os coeficientes de regressão é a do método dos mínimosquadráticos (MMQ) e depois da obtenção das equações normais, os coeficientes podem serestimados usando o método da substituição ou por meio do cálculo matricial. As explicaçõessobre as operações necessárias para se chegar aos coeficientes podem ser encontradas emqualquer livro de estatística básica. No computador, basta entrar com as variáveis ln V, ln D eln H e você terá, além dos coeficientes de regressão, erro padrão de estimativa, coeficiente decorrelação, coeficiente de determinação e distribuição de resíduos. Regressão => descreve apenas o relacionamento linear entre uma variável dependente(Y) e uma ou mais variáveis independentes (X1 = DAP, X2 = altura etc.). Antes de derivar a equação em relação a a e b, primeiro é preciso linearizar asvariáveis aleatórias, da seguinte maneira: ln V = Y, ln D = X 1 e ln H = X2. Para o modelo 1, asequações normais são: an + b ∑ X1 = ∑ Y a ∑ X1 + b ∑ X12 = ∑ X1Y Pelo método de substituição, os coeficientes serão: a = [ ∑ Y - b ∑ X1 ] / n b = [ SPCX1Y ] / [ SQCX1 ] Para o modelo 2, as equações normais são an + b ∑ X1 + c ∑ X2 = ∑Y a ∑ X1 + b ∑ X12 + c ∑ X1 X2 = ∑ X1 Y a ∑ X2 + b ∑ X1 X2 + b ∑ X22 = ∑ X2 Y 85
  • 86. Neste caso, é melhor estimar os coeficientes apelando para o cálculo matricial. matriz de Y (nx1) = matriz de X (nxp) x matriz de coeficientes "b" (px1) (XX) b = XY b = (XX)-1 XY Hoje, com o Excel ficou fácil inverter matrizes de qualquer tamanho e a multiplicaçãoé mais fácil ainda. Mesmo assim, não há necessidade de trabalhar com matrizes para aobtenção dos coeficientes. Os programas de estatística, em geral, calculam automaticamenteos coeficientes. Sei que para regressões simples (com dois coeficientes), o Excel dá conta dorecado. Para regressões múltiplas e as não lineares, é melhor usar outro software (Systat, SASetc.). Vamos aproveitar as saídas (outputs) do Systat, por exemplo, para explicar ossignificados de alguns indicadores da regressão. 1) Coeficiente de correlação => r => a regressão descreve o relacionamento e estecoeficiente mostra o grau de estreiteza que existe entre as variáveis Y e X 1, X2 etc.. Estecoeficiente varia de -1 a +1. Igual a -1 ou +1, há uma correlação perfeita, ou seja, a cadaunidade acrescentada à X, haverá um aumento proporcional em Y (uma, duas, ou menos 2unidades). Sinal (-) significa que os menores valores de Y tendem aos maiores valores de Xou vice-versa. Sinal (+) significa que os menores Y tendem aos menores X e os maiores Ytendem aos maiores X. O teste-t é geralmente utilizado para testar a significância de r. 2) Coeficiente de determinação => r2 => multiplicado por 100 mostra a percentagemda variação dos dados que é explicada pelo modelo testado. No caso de regressão múltipla,prefira sempre o coeficiente ajustado. 3) Erro padrão de estimativa => syx => é a raiz quadrada da média quadrática dosresíduos (MQR), logo é o desvio padrão da relação. Ao comparar duas equações, o uso desteindicador é direto, ou seja, aquela que apresentar o menor erro é a melhor. Isoladamente, épreciso ainda alguns cálculos. Dividindo syx pela raiz quadrada de n você terá o erro padrão damédia e dividindo o mesmo pela média da variável dependente Y, você terá o seu erro empercentagem. Melhor ainda é apresentar a incerteza de seu modelo. Neste caso, você temestimar o intervalo de confiança (IC) e aquela porção (z * erro padrão) dividida pela médiavai te fornecer a incerteza de seu modelo. Em geral, uma incerteza de 10% é consideradaaceitável. 86
  • 87. 4) Coeficientes de regressão => O Systat apresenta a constante ( a ) e os coeficientesassociados às outras variáveis independentes (b, c, d etc.) => o Systat apresenta também asignificância de cada coeficiente; se for não significante, você removê-lo do modelo. 5) Análise de variância (ANOVA) => a regressão descreve, a correlação mostra aestreiteza entre as variáveis e a ANOVA mostra a significância do seu modelo de regressão. Oteste-F é o que determina se o modelo é significante ou não. No Systat, o valor p é o mesmoque α, ou seja, é o valor crítico para a tomada de decisão. Os valores clássicos de p são 0,01,0,05 e 0,10; portanto quando o p < 0,01, o modelo testado é significante para os três níveis. 6) Durbin-Watson D Statistics e First Order Autocorrelation => No caso deequações de volume (e biomassa), não há envolvimento de séries temporais. Portanto, nãoprecisa se preocupar com isto. Estes dois testes são usados para verificar se os termos doserros no modelo de regressão não são correlacionados e nem dependentes. Os termos doserros correlacionados com o passar do tempo são conhecidos como "autocorrelacionados" ou"serialmente correlacionados". 7) Distribuição de resíduos => o gráfico pode ser interpretado diferentemente pordiferentes eng florestais, mas ele é fundamental para a decisão final do melhor modelo –conforme foi explicado anteriormente. Aplicação da equação de volume Com o melhor modelo em mãos, você vai aplicá-lo em inventários florestais. Numinventário na Amazônia, para árvores com DAP ≥ 10 cm, você deve utilizar uma parcela de,no mínimo, 2.500 m2 (10 x 250 m ou 20 x 125 m). Numa parcela deste tamanho, você deveencontrar entre 100 e 150 indivíduos. Lembre-se que, de acordo com o conceito de intervalode confiança (IC), em 95 vezes (se o seu p = 0,05, por exemplo) a sua estimativa estará dentrodo seu IC e em 5 vezes, a estimativa estará fora do IC. Portanto, não se surpreenda e confie naestatística (na incerteza que o seu modelo declarou). Não esquecer que os seus modelos sãologarítmicos e, por esta razão, ao estimar o volume de madeira você tem que usar o inverso dologaritmo natural que é a exponencial.13.4. Biomassa Estimar a biomassa é importante para compreender a produção primária de umecossistema e avaliar o potencial de uma floresta para produção de energia. No manejoflorestal sustentável na Amazônia, a biomassa é usada para estimar a quantidade de nutrientes 87
  • 88. que é exportada do sistema via exploração de madeira e que é devolvida via inputsatmosféricos. No entanto, depois da Rio-92, a biomassa ganhou uma nova dimensão. Ocarbono da vegetação passou a ser um elemento importante nas mudanças climáticas globais.O eng florestal sabe (ou deveria saber) que aproximadamente 50% da madeira secada (emestufa) é carbono e que os compostos de carbono são: celulose (45%), hemicelulose (28%) elignina (25%). De acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), oscomponentes de biomassa e carbono da vegetação são: (i) biomassa ou C na matéria vivaacima do nível do solo (tronco, galhos, folhas, frutos e flores); (ii) biomassa ou C na matériaviva abaixo do nível do solo (raízes) e (iii) biomassa ou C na matéria morta em pé ou no chão. Quem foi treinado para estimar o volume de madeira tem todas as condições paraestimar a biomassa também. O anexo 5 é um artigo (manuscrito) sobre biomassa que já foipublicado na Acta Amazonica5. Este artigo cobre o componente 1 do IPCC. O componente 2 envolve raízes e isto está sendo realizado pelo LMF (laboratório demanejo florestal do INPA) e será incluído em uma tese de doutorado. O trabalho de campopara obtenção do peso de raízes é muito trabalhoso, mas nada que assuste o verdadeiro engflorestal. Como o solo da Amazônia é muito pobre em nutrientes, as árvores tendem adesenvolver raízes superficiais – raramente ultrapassam 50 cm de profundidade. Mesmo naAmazônia, em regiões que têm as estações do ano (chuvosa e seca) bem definidas, as árvorestendem a desenvolver raízes mais profundas para procurar água, o que não é o caso daAmazônia Central. O componente 3 pode ser estimado com precisão combinando as taxas de mortalidadecom os modelos usados no componente 1. Coleta de dados => verdade de campo => método destrutivo Os procedimentos para o componente 1 são apresentados no Anexo 2. Ao incluir ocomponente 2 em coletas de biomassa, é preciso incluir as raízes. É preciso escavar, separaras raízes do tronco e pesá-las. A metodologia de coleta de amostras para as determinações dosteores (concentrações) de água e carbono é a mesma utilizada na parte aérea. Aqui também,exige-se mais transpiração do que inspiração. Equações de biomassa5 Higuchi, N., Santos, J. dos, Ribeiro, R.J., Minette, L. e Biot, Y. 1998. Biomassa da parte aérea da vegetação dafloresta tropical úmida de terra-firme da Amazônia brasileira. Acta Amazonica, 28(2):152-166. 88
  • 89. Procedimentos iguais aos de volume. Aplicação da equação de biomassa O parágrafo apresentado para o volume deve ser repetido aqui. Para o caso de biomassa, cabem ainda as seguintes considerações: (i) você estima opeso fresco; portanto, você tem que transformá-lo em peso seco e depois em carbono – bastamultiplicar o peso pelas concentrações de água e carbono obtidas em laboratório; (ii) ocarbono como commodity (mercadoria) em bolsas de mercadorias significa estoque ediferença de estoque; portanto, você precisa trabalha com inventário florestal contínuo com,pelo menos, duas ocasiões; (iii) você precisa separar o peso nos três componentes definidospelo IPCC. 89
  • 90. Anexo 4 Distribuição de diâmetro: Weibull versus Exponencial1. Introdução: Como a altura da árvore é difícil de ser medida, com precisão, o diâmetro passa a ser avariável mais importante e mais segura para estimar o volume e a biomassa de florestastropicais de uma região como a Amazônia. Além disso, o diâmetro consagrou-se como umavariável importante na descrição da estrutura florestal, como também na comercialização demadeira. Assim, a quantificação de distribuições de diâmetro é fundamental para oentendimento da estrutura da floresta e do estoque da floresta, que são pré-requisitos nasdecisões do manejo florestal. Bailey and Dell (1973), Clutter et al. (1983) e Higuchi (1987) apresentam revisõescompreensivas sobre distribuições de diâmetro. De acordo com Clutter et al. (1983) eLawrence e Shier (1981), entre as várias distribuições estatísticas, a distribuição Weibull temsido a mais usada pelo setor florestal, depois da distribuição exponencial. A introdução da função de distribuição Weibull aos problemas relacionados comsilvicultura e manejo florestal, é atribuída à Bailey e Dell em 1973 (Zarnoch et al., 1982;Little, 1983; Clutter et al., 1983 e Zarnoch e Dell, 1985). Desde então, esta distribuição temsido extensivamente utilizada para descrever a distribuição de diâmetro, tanto empovoamentos equianos como multianos, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, especialmente na floresta amazônica, a Weibull foi utilizada por Higuchi(1987), Umana (1998), mas segundo Barros et al. (1979) e Hosokawa (1981), a distribuiçãomais popular é a exponencial.2. As funções de distribuição de diâmetro: Nesta comparação entre Weibull e exponencial, usaremos a metodologia proposta porZarnoch e Dell (1985), Cohen (1965) e Einsensmith (1985), respectivamente técnica dospercentis, da máxima verossimilhança e exponencial, para a obtenção estimadores(coeficientes) das funções. (i) Weibull – Máxima Verossimilhança (WMV) A distribuição Weibull, que tem a seguinte função de densidade probabilística: 90
  • 91. f(x) = (c/b)xc-1 exp (-(x)c/b; para x≥0, c>0 e b>0 = 0, em outras circunstânciastem a seguinte função de verossimilhança para uma amostragem de n observaçõesL (xi, ....., xn; c, b) = n (c/b) xic-1 exp (-xic/b) (1)Tirando o logaritmo de (1), teremosln L = Σ ln [(c/b)xic-1 exp (-xic/b)]ln L = Σ [ln (c/b) + ln xic-1 – (xic/b)]ln L = n ln (c/b) + Σ (c-1) ln xi – (1/b) Σ xic Por meio da diferenciação em relação a c e b e igualando a zero as derivadas, asseguintes equações serão obtidas:d ln L/d c = n/c + Σ ln xi – (1/b) Σ xic ln xi = 0 (2)d ln L/d b = -(n/b) + (1/b2) Σ xic = 0 (3) Tirando b de (3), temosb = (Σ xic ) / n (4)e substituindo em (2), temosn/c + Σ ln xi – [1/(Σxic/n)] Σxic ln xi = 0n [(1/c) – (Σ xic ln xi) / Σ xic] = - Σ ln xi[(Σ xic ln xi) / Σ xic] – (1/c) = (1/n) Σ ln xi (5) Dessa forma, o coeficiente c pode ser estimado por meio de qualquer processoiterativo ou via tentativa-e-erro para igualar os dois lados da equação (5). O coeficiente bpode ser estimado pela equação (4), depois de estimado o c. A freqüência esperada pode ser determinada através da seguinte função de distribuiçãocumulativa de Weibul, F(x), que, por sua vez, pode ser encontrada integrando a sua função dedensidade probabilística, f(x), do DAP mínimo até o máximo (Zarnoch et al., 1982) F(x) = 1 – exp { - [ ( x - a ) / b ] c 91
  • 92. ii. Weibull Percentis (PERC): A função de Weibull usando o método dos percentis, tem a seguinte função dedensidade probabilística f (x) = (c/b) [(x-a)/b)c-1 exp {-[(x-a)/b]c; para x≥a≥0, b>0 e c>0 f (x) = 0, em outras circunstâncias Os parâmetros a, b e c são estimados da seguinte maneira:a = [ x1 xn – x22 ] / [ x1 + xn – 2x2 ]b = - a + x (0,63n) ln { [ ln (1 – pk )]/ [ ln (1 – pi ) ] }c = ----------------------------------------- ln { [ x n*pk – a ] / [x n*pi – a ] }onde:x i ( i = 1, 2, ... n) = é o i-ésimo DAP em ordem crescentex 1 = é o menor DAP e x n = é o último DAP, ou seja, o maior DAP.x (0,63n) = é o DAP rankeado em ( 0,63 * número total de DAP observados). Exemplo: numconjunto de dados de 100 DAPs, x (0,63n) é o 63° DAP.p i = 0,16731 e p k = 0,97366 A freqüência esperada pode ser determinada por meio da seguinte função dedistribuição cumulativa de Weibul, F(x), que, por sua vez, pode ser encontrada integrando asua função de densidade probabilística, f(x), do DAP mínimo até o máximo (Zarnoch et al.,1982). F(x) = 1 – exp { - [ ( x – a ) / b ] c (iii) Exponencial: As estimativas dos parâmetros da primeira ordem da função exponencial Y = a e bxpodem ser obtidos pela linearização (série de Taylor) ou por meio do método iterativo(Marquardt, por exemplo), segundo Draper e Smith (1981). O software Systat pode calcularos coeficientes pelos dois métodos. 92
  • 93. 3. Cálculo das probabilidades (freqüência esperada): caso Weibull percentis para DAP≥10cmP (x < 10) = 1 – {exp – [(10 – a)/b]c}P ( 10 ≤ x < 20 ) = {exp – [(10 – a)/b]c} - {exp – [(20 – a)/b]c}P ( 20 ≤ x < 30 ) = {exp – [(20 – a)/b]c} - {exp – [(30 – a)/b]c}P ( 30 ≤ x < 40 ) = {exp – [(30 – a)/b]c} - {exp – [(40 – a)/b]c}etc … até o último intervalo. 93
  • 94. Bibliografia:Bailey, R.L. e T.R. Dell. 1973. Quantifying Diameter Distributions with the Weibull Function. Forest Science 19:97-104.Barros, P.L.C., S.A. Machado, D. Burger e J.D.P. Siqueira. 1979. Comparação de Modelos Descritivos da Distribuição Diamétrica em uma Floresta Tropical. Floresta 10(2):19-31.Clutter, J.L., J.C. Fortson, L.V. Pienaar, G.H. Brister e R.L. Bailey. 1983. Timber Management: A Quantitative Approach. John Wiley and Sons, Inc. New York. 333p.Cohen, A.C. 1965. Maximum Likelihood Estimation in the Weibull Distribution Based on Complete and on Censored Samples. Technometrics 7(4):579-588.Draper, N.R. e H. Smith. 1981. Applied Regression Analysis. John Wiley and Sons, Inc. New York. Segunda edição. 709p.Einsesmith, S.P. 1985. PLOTIT: User’s Guide.Higuchi, N. 1987. Short-term Growth of an Undisturbed Tropical Moist Forest in the Brazilian Amazon. Tese de Doutor, Michigan State University. 129p.Hosokawa, R.T. 1981. Manejo de Florestas Tropicais Úmidas em Regime de Rendimento Sustentado. UFPr, Relatório Técnico.Lawrence, K.D. e D.R. Shier. 1981. A Comparison of Least Squares and Least Absolute Deviation Regression Models for Estimating Weibull Parameters. Commun. Statist. – Simula Computa. B10(3):315-326.Little, S.N. 1983. Weibull Diameter Distribution for Mixed Stands of Western Confiers. Can.J.For.Res. 13:85-88.Umana, C.L.A. e Alencar, J.C. 1998. Distribuições Diamétricas da Floresta Tropical Úmida em uma Área no Município de Itacoatiara – AM. Acta Amazonica 28(2): 167-190.Zarnoch, S.J., C.W. Ramm, V.J. Rudolph e MW. Day. 1982. The effects of Red Pine Thinning Regimes on Diameter Distribution Fitterd to Weibull Function. MSU Agricultural Experiment Station East Lansing. RI-423. 11p.Zarnoch, S.J. e T.R. Dell. 1973. An Evaluation of Percentile and Maximum Likelihood Estimators of Weibull Parameters. 94
  • 95. Anexo 5Biomassa da Parte Aérea da Vegetação da Floresta Tropical Úmida de Terra- Firme da Amazônia Brasileira. Niro Higuchi1 , Joaquim dos Santos1 , Ralfh João Ribeiro1, Luciano Minette1 e Yvan Biot2 Resumo Usando um banco de dados com 315 árvores, com DAP≥5 cm, foram testados quatromodelos estatísticos - linear, não linear e dois logarítmicos - para estimar a biomassa deárvores em pé. Os dados foram coletados, de forma destrutiva, na região de Manaus, Estadodo Amazonas, em um sítio coberto por floresta de terra-firme sobre platôs de latossoloamarelo. Em diferentes simulações com diferentes intensidades de amostragem, os quatromodelos estimam precisamente a biomassa, sendo que o afastamento entre a média observadae a estimada, em nenhuma ocasião ultrapassou 5%. As equações para estimar a biomassa deárvores individuais em uma parcela fixa, distintamente para árvores com 5≤DAP<20 cm ecom DAP≥20 cm, são mais consistentes do que o uso de uma única equação para estimar,genericamente, todas as árvores com DAP≥5 cm. O modelo logarítmico com apenas umavariável independente, o DAP, apresenta resultados tão consistentes e precisos quanto osmodelos que se utilizam também da variável altura total da árvore. Além do modeloestatístico para estimar o peso da massa fresca total de uma árvore, outras informações sãoapresentadas, estratificadas nos diferentes compartimentos (tronco, galho grosso, galho fino,folhas e, eventualmente, flores e frutos) de uma árvore, como: concentração de água paraestimar o peso da massa seca, concentração carbono e a contribuição do peso de cadacompartimento no peso total.palavras-chaves: Carbono, manejo florestal, modelo estatístico. Aboveground Biomass of the Brazilian Amazon RainforestAbstract Data set with 315 trees with diameter at breast height (dbh) greater than 5 cm was used totest four statistical models - linear, non-linear and two logarithmics - to estimate abovegroundbiomass of standing trees. The data were collected destructively in Manaus region, CentralAmazonia, in a site covered by a typical dense “terra-firme” moist forest on plateausdominated by yellow latosols. The difference between observed and estimated biomass wasalways below 5%. The logarithmic model using a single independent variable (dbh) producedresults as consistent and precise as those with double-entry (dbh and total height). Besidesstatistical models to estimate aboveground biomass, the following information are alsopresented in this paper: the contribution of each tree compartment (stem, branch, twigs, leavesand flowers or fruits) to the total weight of a standing tree, water concentration to estimate thedry weight and carbon concentration of each tree compartment.Key words: Carbon, forest management, statistical modelIntrodução:1 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Cx. Postal, 478 - Manaus - Am.2 U. K. Overseas Development Administration (ODA). Victoria Street, 94 - London. SW1E5JL - England. 95
  • 96. O objetivo deste trabalho é o desenvolvimento de modelos estatísticos para estimar abiomassa individual, de árvores em pé, de espécies da floresta densa de terra-firme, região deManaus (AM), assim como a apresentação de informações necessárias para a conversão demassa fresca para massa seca e de biomassa para estoque de carbono. São testados quatromodelos, linear, não-linear e dois logarítmicos, tendo como variável dependente, o peso damassa fresca (não seca) e, como variáveis independentes, diâmetro à altura do peito (DAP) ealtura total, de árvores individuais. O principal atributo dos modelos testados é o tamanho daárvore e, por esta razão, têm que absorver a alta diversidade florística e as diferentesassociações botânicas, distribuições espaciais e densidades da madeira (intra einterespecíficas), da vegetação de terra-firme. As estimativas de biomassa florestal são informações imprescindíveis nas questõesligadas, entre outras, às áreas de manejo florestal e de clima. No primeiro caso, a biomassaestá relacionada com os estoques de macro e micronutrientes da vegetação, que são obtidospelo produto da massa pelas concentrações de cada mineral. No caso do clima, a biomassa éusada para estimar os estoques de Carbono, que, por sua vez, são utilizados para estimar aquantidade de CO2 que é liberada à atmosfera durante um processo de queimadas. O manejo florestal está associado ao uso sustentável dos recursos florestais existentes,para atender às demandas da sociedade, por produtos madeireiros e não-madeireiros.Tratando-se de Amazônia, os cuidados têm que ser redobrados porque estes recursos estão emecossistemas heterogêneos, complexos e frágeis. Os solos da Amazônia são antigos e, em suamaioria, pobres em nutrientes (especialmente para a agropecuária) e ácidos. A contrastanteexuberância de sua cobertura florestal está associada às estratégias de conservação e deciclagem de nutrientes dentro do próprio sistema. É importante conhecer a distribuição denutrientes nos diferentes compartimentos (tronco, galho, casca, folha), para controlar aexportação dos mesmos pela colheita florestal e entrada via “inputs” atmosféricos e, com isto,minimizar os impactos ambientais da produção madeireira. Para as questões climáticas, há grande interesse em quantificar a biomassa que éconvertida, principalmente em dióxido de carbono, pelas diferentes formas de uso do soloamazônico (Fearnside et al., 1993, Foster Brown et al., 1995, Higuchi & Carvalho Jr., 1994,Skole et al., 1994, Schroeder & Winjum, 1995 e Fearnside, 1996). Esta informação énecessária para uma correta avaliação da contribuição dos projetos de desenvolvimento daregião, no processo de mudanças climáticas globais, no âmbito da Convenção do Clima,assinada pelo Governo Brasileiro durante a Conferência das Nações Unidas sobreDesenvolvimento e Meio Ambiente, Rio-92. As estimativas de biomassa, atualmente disponíveis na literatura, dos diversos tiposflorestais da Amazônia, vêm de estudos que se utilizam de métodos diretos e indiretos. Ométodo direto consiste na derrubada e pesagem de todas as árvores que ocorrem em parcelasfixas, fornecendo estimativas, que segundo Brown et al. (1989), não são confiáveis porquebaseiam-se em poucas parcelas, pequenas e tendenciosamente escolhidas. No método indireto,as estimativas têm sido produzidas a partir de dados de inventários florestais, que foramexecutados com a finalidade de planejar a exploração e o manejo florestal, sendo o volume damadeira, a principal variável. Neste método, a biomassa é estimada a partir do volume damadeira, usando-se a densidade média da madeira e um fator de correção para árvores comDAP < 25 cm. Estes dois métodos ainda geram muita polêmica e controvérsias e produzemestimativas desencontradas, mesmo quando se usa o mesmo banco de dados (Fearnside et al.,1993, Brown et al., 1989 e Higuchi et al., 1994 e Foster Brown et al., 1995). A tabela 1 ilustrao que foi posto anteriormente. Esta tabela foi parcialmente reproduzida de FEARNSIDE et al. 96
  • 97. (1993), considerando apenas a biomassa viva acima do nível do solo. São produzidasestimativas diferentes, com o passar do tempo, pelos mesmos autores e para o mesmo bancode dados (montado nos anos 70). Além disso, Foster Brown et al. (1995) criticam estesbancos de dados, afirmando que as alturas das árvores foram obtidas sem aparelhos demedição e que, estes erros não amostrais não são mencionados. O consenso existente entre os pesquisadores que trabalham com biomassa é de que épraticamente impossível determinar a biomassa de cada árvore, pelo método direto, aoexecutar um inventário florestal. Por esta razão, os recursos da análise de regressão para odesenvolvimento de modelos estatísticos, para estimar a biomassa de árvores em pé, devemser empregados para superar este problema. Salomão et al. (1996) citam apenas dois modelosestatísticos utilizados na Amazônia; um proposto por Sandra Brown e colaboradores e, outro,proposto por Christopher Uhl e colaboradores. O primeiro requer o conhecimento dadensidade da madeira de cada indivíduo, que é praticamente impossível obte-la durante oinventário; e o segundo, é recomendado para florestas secundárias. Além destes, há o modelode Overman et al. (1994), para a floresta amazônica colombiana, desenvolvido principalmentepara árvores de pequenos diâmetros.Materiais e Métodos(i) Coleta de Dados: Os dados foram coletados na Estação Experimental de Silvicultura Tropical (EEST)do INPA, aproximadamente 90 km ao norte de Manaus, em áreas derrubadas paraexperimentos com liberação de dióxido de carbono, usando-se queimadas tradicionalmentepraticadas por pequenos produtores da região, e em áreas especialmente designadas para estapesquisa. Nos dois casos foram escolhidas áreas de platôs sobre latossolo amarelo. Estesdados constituem o banco de dados de biomassa do INPA. No total, foram derrubadas e pesadas 315 árvores-amostras com DAP≥5 cm. O pesototal de todos os indivíduos amostrados foi compartimentado em tronco e copa (incluindogalhos e folhas e, eventualmente, frutos). Além do peso da árvore, foram também medidos oDAP, altura total, altura comercial, altura da copa e diâmetro da copa. A distribuição defreqüência e a estatística descritiva dos dados observados encontram-se nas tabelas 2a e 2b).Na tabela 2c observam-se as estatísticas descritivas para as variáveis DAP, altura total e pesototal, quando os dados são divididos em algumas classes de diâmetro. Nesta tabela ficaevidente que a variável peso total tem uma variabilidade natural bem maior que as outras duasvariáveis, mesmo em mais classes de diâmetro. Para obtenção das concentrações de água e nutrientes de cada compartimento daárvores, 38 indivíduos (dos 315 amostrados) foram coletados diferentemente, baseando-se noesquema apresentado por Higuchi & Carvalho Jr. (1994) e Santos (1996). Foram retiradasamostras (discos) a 0% (base), 25, 50, 75 e 100% (topo) do tronco e do galho grosso(diâmetro de base≥10 cm). Do tronco foi retirado também um disco à altura do DAP. Todosos discos retirados foram imediatamente pesados e enviados ao laboratório para secagem emestufas calibradas a 105o C. O mesmo procedimento foi adotado para os galhos finos e folhas,mas que em vez de discos, foram retiradas, de várias partes da copa, amostras de 5 e 3 kg,respectivamente. A estimativa da concentração de carbono na vegetação das espécies maisabundantes, no sítio estudado, foi feita tendo ainda as amostras coletadas por Higuchi &Carvalho Jr. (1994). O peso total de cada uma destas 38 árvores foi compartimentado em tronco, casca,galho grosso, galho fino (diâmetro<10 cm), folha e, eventualmente, flores e frutos. Alémdestas concentrações, a coleta compartimentada permite ainda a determinação da contribuição 97
  • 98. de cada um dos compartimentos no peso total da árvore. A estatística descritiva destes dados ea contribuição de cada compartimento no peso total e a porcentagem do Peso da massa frescaque é transformado em Peso da massa seca, visualizam-se nas tabelas 3a e 3b. Um desdobramento da pesquisa de Nutrientes é o estudo de densidade da madeira(g/cm3), nos sentidos base-topo e casca-medula da árvore (utilizando-se das amostrascoletadas a 0, 25, 50, 75 e 100% da altura comercial e do DAP). Resultados preliminaresdeste estudo encontram-se na tabela 4, de 12 árvores analisadas. O banco de dados de biomassa do INPA vem sendo completado ao longo do tempo ejá foi utilizado preliminarmente por Higuchi et al. (1994), Higuchi & Carvalho Jr. (1994),Araújo (1995) e Santos (1996).(ii) Modelos Testados: Os modelos estatísticos foram selecionados a partir do trabalho de SANTOS (1996),que testou 34 diferentes modelos em diferentes combinações. O banco de dados foi dividido em dois, para árvores com 5≤DAP<20 cm e DAP≥20cm. Foram testados os seguintes modelos estatísticos, para todas as árvores com DAP≥5 cm,equação única, e para as duas classes de tamanho, (a) 5≤DAP<20 cm e (b) DAP≥20 cm: 1. ln Pi = β0 + β1 ln Di + ln εi 2. ln Pi = β0 + β1 ln Di + β2 ln Hi + ln εi 3. Pi = β0 + β1 Di2Hi + εi 4. Pi = β0 D β1 H β2 + εipara i = 1, 2, ... 315 - equação única i = 1, 2, ... 244 - equação (a) i = 1, 2, ... 71 - equação (b)onde: Pi = peso da massa fresca de cada árvore, em quilograma (para modelos 1, 2 e 4) e emtoneladas métricas (para o modelo 3). Di= diâmetro à altura do peito de cada árvore, DAP, em centímetros (para modelos 1,2 e 4) e em metros (para o modelo 3) Hi = altura total de cada árvore, em metros β0, β1 e β2 = coeficientes de regressão εi = erro aleatório ln = logarítimo natural Os modelos estatísticos propostos por Brown e Lugo (Foster Brown et al., 1995,Salomão et al., 1996) e aqueles que apresentaram os melhores resultados no trabalho deSaldarriaga et al. (1988), que incluem densidade da madeira, não foram testados porque estavariável é de difícil obtenção para cada indivíduo em pé. Além disso, segundo Higuchi &Carvalho Jr. (1994), a densidade da madeira (g/cm3) apresenta significativas variações intra einter-específicas. Pelas mesmas razões, Overman et al. (1994) descartam esta variável, apesardo bom desempenho dos modelos que a contém. Na tabela 4, onde visualizam-se as densidades de 12 árvores, observa-se que: a menordensidade é de 0,480 e a maior é de 1,031; a densidade tende a diminuir no sentido base-topo; 98
  • 99. a densidade média, considerando base-topo, é de 0,756; e esta última variável é sempre menorque a densidade média obtida na altura do DAP. A densidade média do DAP é igual a 0,803,que, por sua vez, é diferente de todas as estimativas fornecidas por Foster Brown et al. (1995)e a de Saldarriaga et al. (1988). As variações no sentido casca-medula também sãosignificativas (Higuchi & Carvalho Jr., 1994).(iii) Escolha do Melhor Modelo Estatístico: Para a escolha do melhor modelo estatístico visando-se estimar a biomassa em pé daárea em estudo, foram adotados os procedimentos tradicionais da ciência florestal, que são:maior coeficiente de determinação, menor erro padrão de estimativa e melhor distribuição dosresíduos (Santos, 1996). Além destes procedimentos, foram simuladas amostras de diferentesintensidades, para testar a consistência dos modelos na estimativa da biomassa. Foramtomadas 15 amostras com 50 árvores selecionadas aleatoriamente do banco de dados original;10 amostras com n = 100; 5 amostras com n = 200; e 5 amostras com n = 300.Resultados e Discussão: Do trabalho de Higuchi & Carvalho Jr. (1994), as seguintes informações quantitativasdo sítio estudado são importantes para uma melhor interpretação destes resultados e parafuturas comparações com outros sítios: - Em uma parcela fixa de 2.000 m2, o peso da biomassa fresca distribui-se da seguintemaneira, em relação ao peso total: a vegetação (exceto cipós) com DAP≥5 cm contribui com86,9% do peso total; a vegetação com DAP<5 cm contribui com 2,4%; os cipós contribuemcom 1,3% e a liteira (toda a vegetação morta sobre a superfície do solo) contribui com 9,4%. - Os teores médios de carbono são os seguintes: tronco (48%), galhos grossos (48%),galhos finos (47%), folhas (39%), plântulas - até 50 cm de altura - (47%), mudas - altura>50cm e DAP<5 cm - (49%), cipós (48%) e liteira (39%). Os coeficientes de regressão e de determinação e os erros padrões de estimativa detodos os quatro modelos estatísticos testados (árvores com DAP≥5 cm), incluindo asvariações (a) para árvores com 5≤DAP<20 cm e (b) DAP≥20 cm, verificam-se na tabela 5. Deum modo geral, os quatro modelos (incluindo as variações a e b) estão aprovados nos quesitoscoeficiente de determinação (r2) e erro padrão de estimativa (sy.x) e, por esta razão, poderiamser utilizados para estimar a biomassa de árvores em pé da área em estudo. Todos os modelos apresentam coeficientes de correlação (r) altamente significantes(α<0,01). De um modo geral, os modelos únicos para árvores com DAP ≥ 5 cm apresentamos maiores coeficientes de determinação (r2), exceto para o modelo 3. Com relação ao (sy.x), omodelo 4 é o que tem o melhor desempenho, apresentado os menores erros, seguido domodelo 2. Combinando as equações a e b, no mesmo banco de dados, os erros (emquilogramas) produzidos foram: 949, 693, 356 e 537, respectivamente para os modelos 1, 2, 3e 4. Nesta situação, o melhor desempenho é do modelo 3, seguido do modelo 4. O exame da distribuição dos resíduos mostra que os modelos 1, 2 e 3 não apresentamnenhum padrão, distribuindo-se aleatoriamente ao longo do eixo da biomassa observada eestimada, ordenada de forma crescente pela variável DAP. O modelo 4, no entanto, apresentaum claro padrão, aumentando os desvios conforme aumentam os DAP’s. As equações resultantes são:Modelo 1: - Equações a & b: (a) ln P = -1,754 + 2,665 ln D; para 5≤DAP<20 cm 99
  • 100. (b) ln P = -0,151 + 2,170 ln D; para DAP≥20 cm - Equação única: ln P = -1,497 + 2,548 ln D; para para DAP≥5 cmModelo2: - Equações a & b: (a) ln P = -2,668 + 2,081 ln D + 0,852 ln H; para 5≤DAP<20 (b) ln P = -2,088 + 1,837 ln D + 0,939 ln H; para DAP≥20 cm - Equação única: ln P = -2,694 + 2,038 ln D + 0,902 ln H; para DAP≥5 cmModelo 3: - Equações a & b: (a) P = 0,0056 + 0,621 D2H; para 0,05≤DAP<0,20 m (b) P = 0,393 + 0,473 D2H; para DAP≥0,20 m - Equação única: P = 0,077 + 0,492 D2H; para DAP≥0,05 mModelo 4: - Equações a & b: (a) P = 0,0336 * D2,171*H1,038; para 5≤DAP<20 cm (b) P = 0,0009 * D1,585*H2,651; para DAP≥20 cm - Equação única: P = 0,001 * D1,579*H2,621; para DAP≥5 cm A verificação da consistência de cada um dos modelos estatísticos para estimar abiomassa em pé, sobre amostras simuladas (tiradas aleatoriamente do banco de dadosoriginal), encontram-se na tabela 6. Nesta tabela verificam-se as médias observadas eestimadas em cada simulação. A análise é feita sobre o afastamento da média estimada emrelação à observada, em percentagem, utilizando-se equações distintas para estimar abiomassa de árvores com 5≤DAP<20 cm e DAP≥20 cm e uma única equação para todas asárvores contidas na amostra com DAP≥5 cm. (i) Modelo 1: - Usando as equações a e b, para estimar a biomassa do banco de dados original, amédia estimada afasta-se -1,9% da média observada, ou seja, o desvio6 é de -1,9%. Quandoutiliza-se uma só equação para estimar a biomassa das duas classes de diâmetro, odesempenho anterior não é repetido, apresentando um desvio de +16%. Excepcionalmente, nasimulação com n = 50, o uso de uma só equação resulta em um desvio médio de +2,8%, quepoderia ser considerado bom se não fosse a amplitude de variação entre o menor e o maiordesvio, que foi de 0,1 a 24,9%. - Este modelo (equações a e b) demonstra a mesma consistência nas simulações com n= 300, n = 200 e n = 100, respectivamente, com desvios de -1,9% (1,6 e 2,3, menor e maiordesvio, em valores absolutos), +0,5% (2,7 e 11,6) e +2,6% (3,7 e 22,1). A simulação com n =50, o desvio médio é de -10,2%. - A equação única para estimar a biomassa, usando este modelo estatístico, não éalternativa para as duas equações, ou seja, o uso deste modelo requer as duas equações paraestimar a biomassa de árvores com 5≤DAP<20 cm e DAP≥20 cm, separadamente.6 Desvio é afastamento, em %, do peso médio estimado pelas diferentes equações, em relação ao peso médioobservado. Entre parêntesis, os desvios aparecem em valores absolutos e o primeiro é sempre o menor e, osegundo, o maior desvio. 100
  • 101. - Trata-se de um modelo com apenas o DAP como variável independente, que é umavariável fácil de ser medida no campo, sem erros não amostrais. O único problema destemodelo é que o peso será sempre o mesmo, para um determinado diâmetro,independentemente da altura da árvore, da espécie e de outros atributos da árvore. (ii) Modelo 2: - Usando as equações a e b, para estimar a biomassa do banco de dados original, amédia estimada afasta-se -3,6% da média observada. Quando utiliza-se uma só equação paraestimar a biomassa das duas classes de diâmetro, o seu desempenho é melhor do que oanterior, com desvio de +2,9%. - Este modelo (equações a e b) demonstra a mesma consistência nas simulações com n= 300, n = 200 e n = 100, respectivamente, com desvios de -3,6% (3,2 e 4,3, menor e maiordesvio, em valores absolutos), -1,8% (5,2 e 6,7) e -1,1% (0,9 e 12,7). A simulação com n =50, o desvio médio é de –9,4%. O uso de uma só equação tem um desempenho razoável paratodas as simulações, que exceto para n = 50, apresenta desvio menor do que quando seutilizam as equações a e b. - Apesar do bom desempenho da equação única, em relação aos desvios médios, ondeas diferenças são negligíveis, as amplitudes de variação dos mesmos nas equações a e b sãomenores, sendo, por esta razão, mais apropriadas para a estimativa da biomassa. - A incorporação da altura total neste modelo permite estimar diferentes pesos paraiguais DAP’s, ao contrário do modelo 1. (iii) Modelo 3: - Usando as equações a e b, para estimar a biomassa do banco de dados original, amédia estimada afasta-se +1,2% da média observada. Quando se utiliza uma só equação paraestimar a biomassa das duas classes de diâmetro, o seu desempenho é melhor do que oanterior, com desvio de +0,1%. Apesar de um claro padrão na distribuição dos resíduos, estemodelo tem uma boa capacidade de compensação quando se utiliza todo o banco de dados,tanto com as equações a e b como com a equação única para as duas classes de diâmetro. - Este modelo (equações a e b) demonstra a mesma consistência nas simulações com n= 300, n = 200, n = 100 e n = 50, respectivamente, com desvios de +1,2% (0,4 e 1,6, menor emaior desvio, em valores absolutos), +3,1% (1,1 e 13,7), +3,8% (0,8 e 20,3) e -4,8% (0,4 e19,4). O uso de uma só equação tem um desempenho tão consistente quanto ao anterior, comdesvios de +0,1% (0,2 e 0,9), +2,2% (0,6 e 11,5), +2,4% (0,7 e 17,6) e -6,8% (0,4 e 16,2),respectivamente para n = 300, n = 200, n = 100 e n = 50. - A equação única para este modelo é a melhor alternativa para estimar a biomassa,principalmente considerando apenas a estimativa da biomassa média de uma parcela fixa, sempreocupar-se com as estimativas individuais. Em todos os tamanhos da amostragem, estaequação demonstrou-se bastante consistente e precisa. - Sem preocupar-se com as estimativas individuais, prestando atenção apenas no totalou na média das parcelas fixas, este é o melhor modelo entre os testados. De um modo geral,este modelo superestima o peso das menores classes de diâmetro. Para grandes inventáriospara estimativa de biomassa, este modelo é o mais preciso. (iv) Modelo 4: - Usando as equações a e b, para estimar a biomassa do banco de dados original, amédia estimada afasta-se -4,6% da média observada. Quando utiliza-se uma só equação para 101
  • 102. estimar a biomassa das duas classes de diâmetro, o desempenho anterior não é repetido, comdesvio de -7,3%. - Este modelo (equações a e b) demonstra a mesma consistência nas simulações com n= 300, n = 200, n = 100 e n = 50, respectivamente, com desvios de -4,3% (3,4 e 5,1, menor emaior desvio, em valores absolutos), +0,3% (0,6 e 3,7), -4,0% (1,2 e 7,6) e -7,7% (4,2 e 16,1).O uso de uma só equação tem um desempenho inferior a todos os outros modelos testados e,por esta razão, não é uma alternativa para as duas equações. Neste caso, a opção tem que serpelas duas equações, 4 a para árvores com 5≤DAP<20 cm e 4b para DAP≥20 cm. - De todos os modelos testados, este modelo é o que apresenta as menores amplitudesde variação, demonstrando uma boa consistência na estimativa da biomassa. É um modelobastante conservador e que apresenta poucas surpresas na estimativa da biomassa dasdiferentes classes de diâmetro. Considerações finais: 1. Os quatro modelos estatísticos testados produzem estimativas confiáveis debiomassa de árvore em pé, todos com desvios inferiores a 5% em relação à média. 2. As equações distintas para árvores com 5≤DAP<20 cm e com DAP≥20 cm sãomais consistentes que a equação única para todas as árvores com DAP≥5 cm. 3. Dentre os modelos testados, os melhores são os modelos 1 e 4, respectivamente comas seguintes equações: (a) ln P = -1,754 + 2,665 ln D; para 5≤DAP<20 cm (b) ln P = -0,151 + 2,170 ln D; para DAP≥20 cm e (a) P = 0,0336 * D2,171*H1,038; para 5≤DAP<20 cm (b) P = 0,0009 * D1,585*H2,651; para DAP≥20 cm - O modelo 1 tem a vantagem de ser dependente de apenas uma variável, oDAP, que é uma variável fácil de ser medida no campo, com poucos riscos de erros nãoamostrais; - O modelo 4 tem a vantagem de ser muito consistente e de poder estimar maisrealisticamente árvores individuais, com mesmos DAP’s e diferentes alturas. Além disso, estemodelo já foi preliminarmente utilizado por ARAUJO (1995), em Tomé-Açu (Pará), paraconfrontar com os resultados obtidos pelo método direto. Em Tomé-Açu, a biomassa estimadapor este modelo ficou também a menos de 5% da observada. 4. A eficiência das equações está associada à utilização de parcelas fixas para oinventário de biomassa de um determinado sítio, com as dimensões mínimas recomendadaspara os inventários florestais na Amazônia. 5. O peso do tronco seco corresponde a 61% de seu peso antes da secagem; e o dacopa corresponde a 58% de seu peso fresco. 6. Do peso total de uma árvore, 65,6% é tronco e 34,4% é copa. A contribuição decada compartimento da árvore em seu peso total é a seguinte: tronco (65,6%), galho grosso(17,8%), galho fino (14,5%), folhas (2,03%) e flores/frutos (0,01%). 7. Os teores médios de carbono são os seguintes: tronco (48%), galhos grossos (48%),galhos finos (47%) e folhas (39%). 102
  • 103. Tabela 1: Algumas estimativas de biomassa para a floresta densa da Amazônia brasileira*. Tipo de floresta local biomassa (t) fonteDensa (RADAMBRASIL) Amazônia 268 Brown & Lugo (1992a) ) – cf. fonte* Densa (FAO) Amazônia 162 Brown & Lugo (1992a) - cf. fonte*Densa (RADAMBRASIL) Amazônia 289 Brown & Lugo (1992b) - cf. fonte* Densa (FAO) Amazônia 227 Brown & Lugo (1992b) - cf. fonte* Densa (presente) Amazônia 142.3 Fearnside (1992a) - cf. fonte* Densa (presente) Amazônia 319.9 Fearnside (unpub. 1993) - cf. fonte*(*) Fonte: parcialmente reproduzida de Fearnside et al. (1993)Tabela 2: Banco de Dados de Biomassa, do INPA (n = 315).(a) Distribuição de Freqüência dos Dados Observados (n = 315). Limites de classe Freq. % 5 < 10 154 48,89 10 < 20 90 28,57 20< 30 28 8,89 30< 40 18 5,71 40< 50 9 2,86 50< 60 8 2,54 60< 70 3 0,95 70< 80 3 0,95 80< 90 0 - 90< 100 1 0,32 100< 110 0 - 110< 120 0 - 120< 130 1 0,32 total 315 100(b) Estatística Descritiva dos Dados Observados: variável média desvio CV(%) mínimo máximoDAP (cm) 16,0 15,3 96 5,0 120,0H-total (m) 17,0 7,7 45 5,6 41,4H-com (m) 10,7 5,2 49 2,4 26,1P-tronco (kg) 476,3 1299,3 273 4,5 12736,5P-copa (kg) 306,4 1031,5 337 0,6 12897,9P-total (kg) 782,7 2271,1 290 9,1 25634,4copa (%) 31 14 45 2 70 103
  • 104. (c) Estatística Descritiva dos Dados Observados, Divididos em Algumas Classes de Diâmetro: Classes de número DAP altura Total Peso Total diâmetro casos média CV(%) Média CV(%) média CV(%) 5 < 10 154 7,0 20 11,4 27 35,7 68 10 < 15 62 12,0 12 16,4 20 135,0 42 15 < 20 28 17,5 9 20,8 18 407,5 34 20 < 30 28 23,6 11 23,7 13 852,0 43 30 < 50 27 37,2 14 29,3 11 2449,2 35 >= 50 16 65,9 29 34,1 10 8205,4 72Tabela 3: Dados Utilizados para estudos de Nutrientes (n = 38).(a) Estatística Descritiva dos Dados Observados: variável média desvio CV(%) mínimo máximoDAP (cm) 39,9 20,3 51 9,5 98,0alt. total (m) 28,8 6,0 56 11,4 41,4alt. com (m) 17,3 3,7 22 7,5 25,0P-tronco (kg) 2147,4 2449,1 114 48,7 12736,5P-copa (kg) 1595,3 2429,5 152 15,2 12898,3P-total (kg) 3742,6 3005,4 128 63,9 25634,4copa (%) 34 14 22 9 63(b) Contribuição de cada compartimento (tronco, galho grosso, galho fino, folhas eflor/frutos) no peso total de uma árvore e % do PF de cada um que é transformado em PS: PESOS tronco g.grosso g.fino folhas flor/frutos TOTAL m 2147,36 1109,68 434,24 50,30 1,07 3742,61VERDE s 2449,14 1985,66 432,65 48,87 5,41 4793,77 n 38 38(34) 38 38 38(8) 38 m 65,60 17,83 14,52 2,03 0,01% total s 14,19 13,43 7,21 1,28 0,03 n 38 38(34) 38 38 38(8) m 1301,65 665,63 246,64 23,58 0,80 2238,30 SECO s 1552,45 1243,55 253,6 23,01 4,60 3005,38 n 38 38(34) 38 38 38(8) 38 m 61,11 60,56 57,22 47,56 36,73 60,28 % PF s 8,27 7,98 5,75 7,21 20,62 7,41 n 38 34 38 38 8 38m = média aritmética; s = desvio padrão amostral; n = número de observações.% total = contribuição do peso de cada compartimento da árvore em relação ao seu peso total.% PF = é % do Peso Fresco da árvore ou do compartimento que corresponde ao Peso Seco. 104
  • 105. Tabela 4: Informações sobre Densidade da Madeira.Espécie 0% 25% 50% 75% 100% média DAP 1 0,856 0,790 0,757 0,753 0,718 0,775 0,824 2 0,696 0,697 0,683 0,650 0,684 0,682 0,706 3 0,879 0,903 0,866 0,741 0,724 0,823 0,913 4 0,536 0,521 0,509 0,499 0,471 0,507 0,546 5 0,681 0,678 0,640 0,640 0,615 0,651 0,700 6 0,818 0,807 0,806 0,653 0,704 0,758 0,838 7 0,725 0,707 0,711 0,693 0,704 0,708 0,717 8 1,027 0,990 0,946 0,929 0,961 0,971 1,015 9 0,891 0,870 0,862 0,862 0,846 0,866 0,896 10 0,571 0,533 0,485 0,445 0,367 0,480 0,528 11 1,077 1,033 1,000 0,987 1,056 1,031 1,059 12 0,891 0,870 0,807 0,716 0,846 0,826 0,896 média 0,804 0,783 0,756 0,714 0,725 0,756 0,803desvio 0,167 0,163 0,159 0,159 0,191 0,165 0,168 mín. 0,536 0,521 0,485 0,445 0,367 0,480 0,528 máx. 1,077 1,033 1,000 0,987 1,056 1,031 1,059Tabela 5: Coeficientes de Regressão e de Determinação, Erro Padrão de Estimativa dosModelos Estatísticos para Estimar a Biomassa (Peso total) de Árvores em pé. Modelo b0 b1 b2 r2 sy.x 1 -1,497 2,548 0,97 1729 1a -1,754 2,665 0,92 43 1b -0,151 2,170 0,90 2035 2 -2,694 2,038 0,902 0,98 812 2a -2,668 2,081 0,852 0,95 35 2b -2,088 1,837 0,939 0,91 1497 3 0,077 0,492 0,90 716 3a 0,0056 0,621 0,94 34 3b 0,393 0,473 0,86 1508 4 0,001 1,579 2,621 0,94 540 4a 0,0336 2,171 1,038 0,94 31 4b 0,0009 1,585 2,651 0,92 1159b0, b1 e b2 = estimadores dos parâmetros β0, β1 e β2, respectivamente.r 2 = coeficiente de determinação ajustadory.x = erro padrão de estimativa.- modelo 1: ln Pi = b0 + b1 ln Di; sendo (1) para DAP≥5 cm e i = 1,..., 315; (1a) para5≤DAP<20 cm e i = 1,..., 244; e (1b) para DAP≥20 cm e i = 1,..., 71.- modelo 2: ln Pi = b0 + b1 ln Di + b2 ln Hi; sendo (2) para DAP≥5 cm e i = 1,..., 315; (2a) para5≤DAP<20 cm e i = 1,..., 244; e (2b) para DAP≥20 cm e i = 1,..., 71.- modelo 3: Pi = b0 + b1 Di2Hi; sendo (3) para DAP≥0,05 m e i = 1,..., 315; (3a) para0,05≤DAP<0,20 m e i = 1,..., 244; e (3b) para DAP ≥ 0,20 m e i = 1,..., 71.- modelo 4: Pi = b0 D b1 H b2; sendo (1) para DAP≥5 cm e i = 1,..., 315; (1a) para 5≤DAP<20cm e i = 1,..., 244; e (1b) para DAP≥20 cm e i = 1,..., 71. 105
  • 106. Tabela 6: Resumo das simulações utilizando diferentes intensidades de amostragem (tomadasaleatoriamente do banco de dados). Biomassa observada (observada e estimada) Equações a & b equação única observada 782,7 banco de dados modelo 1 768,2 [ -1,9 ] 907,7 [+16,0 ] modelo 2 754,6 [ -3,6 ] 805,2 [ +2,9 ] (n = 315) modelo 3 792,1 [ +1,2 ] 783,3 [ +0,1 ] modelo 4 746,9 [ -4,6 ] 725,3 [ -7,3 ] observada 794,1amostra com n = 300 modelo 1 779,1 [ -1,9 ] 924,1 [ +16,4 ] modelo 2 765,5 [ -3,6 ] 817,0 [ +2,9 ] (5 repetições) modelo 3 803,3 [ +1,2 ] 794,7 [ +0,1 ] modelo 4 760,2 [ -4,3 ] 738,9 [ -7,0 ] observada 784,2amostra com n = 200 modelo 1 788,3 [ +0,5 ] 944,2 [ +20,4 ] modelo 2 770,0 [ -1,8 ] 826,4 [ +5,4 ] (5 repetições) modelo 3 808,1 [ +3,1 ] 801,3 [ +2,2 ] modelo 4 786,3 [ +0,3 ] 740,2 [ -5,6 ] observada 844,8amostra com n = 100 modelo 1 866,9 [ +2,6 ] 1052,4 [ +24,6 ] modelo 2 835,4 [ -1,1 ] 900,5 [ +6,6 ] (10 repetições) modelo 3 876,6 [+3,8 ] 865,1 [ +2,4 ] modelo 4 811,3 [ -4,0 ] 790,8 [ -6,4 ] observada 836,2 amostra com n = 50 modelo 1 750,8 [ -10,2 ] 859,3 [ +2,8 ] modelo 2 757,2 [ -9,4 ] 799,8 [ -4,4 ] (15 repetições) modelo 3 795,8 [ -4,8 ] 779,1 [ -6,8 ] modelo 4 771,8 [ -7,7 ] 750,8 [ -10,2 ] 106
  • 107. BibliografiaAraújo, T.M. 1995. Investigação das Taxas de Dióxido de Carbono Gerado em Queimadas na Região Amazônica. Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 212 p..Brown, S., A.J.R. Gillespie e A.E. Lugo. 1989. Biomass Estimation Methods for Tropical Forests with Applications to Forest Inventory Data. Forest Science, 35(4):881-902.Carvalho Jr., J.A., J.M. Santos, J.C. Santos, M.M. Leitão e N. Higuchi. 1995. A Tropical Rainforest Clearing Experiment by Biomass Burning in the Manaus Region. Atmospheric Environment 29(17):2301-2309.Fearnside, P.M., N. Leal Filho e F.M Fernandes. 1993. Rainforest Burning and the Global Budget: Biomass, Combustion Efficiency, and Charcoal Formation in the Brazilian Amazon. J. of Geophysical Research, 98(D9):16733-16743.Fearnside, P.M. 1996. Amazonian Deforestation and Global Warming: Carbon Stocks in Vegetation Replacing Brazil’s Amazon Forest. Forest Ecology and Management 80:21-34.Foster Brown, I., D.C. Nepstad, I.O. Pires, L.M. Luz e A.S. Alechandre. 1992. Carbon Storage and Land-use in Extractive Reserves, Acre, Brazil. Environmental Conservation 19(4):307-315.Foster Brown, I., L.A. Martinelli, W. Wayt Thomas, M.Z. Moreira, C.A. Cid Ferreira e R.A. Victoria. 1995. Uncertainty in the Biomass of Amazonian Forests: an Example from Rondônia, Brazil. Forest Ecology and Management, 75:175-189.Higuchi, N. e J.A. Carvalho Jr. 1994. Fitomassa e Conteúdo de Carbono de Espécies Arbóreas da Amazônia. Em: Anais do Seminário “Emissão x Seqüestro de CO2 - Uma Nova Oportunidade de Negócios para o Brasil”:127-153.Higuchi, N., J.M. dos Santos, M. Imanaga e S. Yoshida. 1994. Aboveground Biomass Estimate for Amazonian Dense Tropical Moist Forests. Memoirs of the Faculty of Agriculture, Kagoshima, 30(39):43-54.Overman, J.P.M., H.J.L. Witte e J.G. Saldarriaga. 1994. Evaluation of Regression Models for Above-ground Biomass Determination in Amazonia Rainforest. Forest Ecology and Management, 10:207-218.Saldarriaga, J.G., D.C. West, M.L. Tharp e C. Uhl. 1988. Long-term Chronosequence of Forest Sucession in the Upper Rio Negro of Colombia and Venezuela. Journal of Ecology 76:938-958.Salomão, R.P., D.C. Nepstad e I.C.G. Vieira. 1996. Como a Biomassa de Florestas Tropicais Influi no Efeito Estufa. Ciência Hoje, 21(122):38-47.Santos, J. dos. 1996. Análise de Modelos de Regressão para Estimar a Fitomassa da Floresta Tropical Úmida de Terra-firme da Amazônia Brasileira. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Viçosa, 121 p..Schroeder, P.E. e J.K. Winjum. 1995. Assessing Brazil’s Carbon Budget: II. Biotic Fluxes and Net Carbon Balance. Forest Ecology and Management, 75(87-99).Skole, D.L., W.H. Chomentowski, W.A. Salas e A.D. Nobre. 1994. Physical and Human Dimensions of Deforestation in Amazonia. BioScience, 44(5):314-321. 107
  • 108. Capítulo 14 Cadeia de Markov para predizer a dinâmica da floresta amazônica1. Introdução: Estudar a dinâmica da floresta tropical úmida amazônica, manejada ou não, é umgrande desafio para os florestais. Os modelos clássicos de produção florestal foramdesenvolvidos para florestas temperadas e têm como principais variáveis, o índice de sítio eidade da árvore ou do povoamento (Sullivan e Clutter, 1972; Ferguson e Leech, 1978; Alder,1980; Smith, 1983 e Clutter et al., 1983). Essas duas variáveis são limitantes para odesenvolvimento de modelos de produção para as florestas da Amazônia porque sãopraticamente indisponíveis para o setor florestal, num curto prazo. Apesar de inúmerastentativas, por meio da dendrocronologia ou da datação com 14C, a determinação das idadesdas inúmeras espécies que ocorrem numa determinada área, continua sendo um grandeobstáculo para a ciência florestal. Sem a idade da árvore ou do povoamento ou com muita dificuldade para obte-la, aalternativa é prognosticar a dinâmica da floresta com o uso de parcelas permanentes. NaAmazônia, entretanto, as parcelas instaladas e devidamente monitoradas são poucas, maldistribuídas e recentes (as mais antigas estão na Flona de Tapajós, desde 1978). Considerandoque as idades de árvores com DAP > 50 cm, na região de Manaus, podem variar de 200 a1400 anos, segundo Chambers et al. (1998), 20-30 anos de observações podem parecerinsuficientes para descrever, com confiança, a dinâmica de uma floresta da Amazônia. Apesar de todas essas dificuldades, aproximadamente 1 milhão de hectares de florestaamazônica são manejados, anualmente, para produção madeireira sob algum tipo de manejoem regime de rendimento sustentável. É difícil imaginar como os empresários florestais vãoplanejar os ciclos de corte subseqüentes, sem um modelo de produção. Se nada for feito, omanejo florestal tomará a mesma forma da agricultura itinerante. A melhor saída para estasituação é usar modelos de curto prazo que dependem exclusivamente da situaçãoimediatamente anterior ao atual, tendo como objetivo a projeção apenas para uma situaçãoimediatamente posterior. Dentre os vários modelos disponíveis, o que melhor se ajusta àscaracterísticas das florestas da Amazônia, é a cadeia de Markov. 108
  • 109. 2. Cadeia de Markov: A cadeia de Markov de primeira ordem é um processo estocástico no qual asprobabilidades de transição durante o intervalo de tempo (t e t+1) dependem apenas no estadodo indivíduo no tempo t ou no conhecimento do passado imediato no tempo t+1 e não emqualquer outro estado prévio (Horn, 1975; Chiang, 1980 e Bruner e Moser, 1973). Shugart(1984) enfatiza que a natureza “invariável em tempo” de cada uma das probabilidades detransição é uma importante característica da cadeia de Markov, tendo muita afinidade com ocomportamento dos ecossistemas florestais. De acordo com Bierzychudek (1982), um modelo de matriz de transição é um modeloclassificado em tamanho ou uma forma da matriz de Leslie. A única exigência deste modelo édivisibilidade da população em grupo de estados e que existam probabilidades de movimento deum estado para outro, com o passar do tempo (Enright e Ogden, 1979). Shugart e West (1981) apontam que a importância do entendimento dos ecossistemasflorestais não é baseada nas idades, mas sim nas mudanças conhecidas no presente. Osmodelos determinísticos consistindo de uma simples função matemática (linear, polinomialou exponencial) não demonstraram ainda que são comprovadamente adequados, quandoséries de tempo são envolvidas (Morrison, 1976). Segundo Enright e Ogden (1979), nas florestas tropicais, o atributo tamanho pode sermais importante do que a idade. Uma razão para isso é que o tamanho pode ser maisecologicamente informativo do que a idade, quando esta é difícil de ser obtida com precisão.Além disso, segundo ainda os mesmos autores, a divisão de ciclos de vida em estágios dedesenvolvimento pode permitir a predição do comportamento futuro mais precisamente doque a divisão em puras classes de idade. Usher (1966) usou o atributo tamanho no lugar daidade para desenvolver um modelo para o manejo de recursos renováveis. Ele afirma que umorganismo que está na i-ésima classe no tempo t, pode permanecer na mesma classe, mudarpara a classe seguinte (mais de uma classe também) ou morrer, no tempo t+1. Os modelos que usam matriz de transição são apropriados para análise de muitosproblemas biológicos, principalmente em estudos relacionados com a dinâmica da floresta(Enright e Ogden, 1979). Esses modelos têm sido usados intensivamente em estudos dedinâmica de populações de plantas ou animais em várias regiões do mundo. Alguns exemplossão: a demografia do jack-in-the-pulpit em Nova York (Bierzychudek, 1982); dinâmicaflorestal de uma população de Araucaria numa floresta tropical úmida de Papua Nova Guinea 109
  • 110. e Nothofagus em floresta montana temperada da Nova Zelândia (Enright e Ogden, 1979);sucessão de térmitas em Gana (Usher, 1979); sucessão florestal na Nova Jersey (Horn, 1975);aplicação da Cadeia de Markov em estudos de dinâmica florestal em florestas tropicais(Acevedo, 1981) e a aplicação de Markov para predizer o desenvolvimento de umpovoamento florestal (Usher, 1966; Usher, 1969, Bruner e Moser, 1973; Peden et al., 1973 eBuogiorno e Michie, 1980). Alder (1980) também descreve a matriz de transição como uma possível ferramentapara análise de dados de crescimento e incremento de povoamentos multianos de florestastropicais mistas. Na região de Manaus, Higuchi (1987) usou Markov para estudar a dinâmicadas parcelas testemunhas do projeto de manejo florestal (Projeto Bionte) e Rocha (2001) nostransectos do projeto Jacaranda. A maioria dos trabalhos citados anteriormente inclui revisõesrazoáveis da teoria do método de Markov. Há também outras leituras úteis sobre o assunto,como Grossman e Turner (1974), Chiang (1980) e Anderson e Goodman (1957).3. Aplicação de Markov aos dados das parcelas permanentes da ZF-2: Primeiro vamos considerar: (i) estados i e j = 1, 2, ..., m; (ii) tempos de observação t =0, 1, .., T; (iii) p ij (t+1) (i, j = 1, 2, ..., m) = probabilidade do estado j no tempo t+1, dado oestado i no tempo t. Um processo Markov é considerado homogêneo em relação ao tempo ou tempohomogêneo, se a probabilidade de transição p ij (t, t+1) = Pr [x(t+1) = j | x(t) = i], para i, j = 1, 2, ...., m.depender apenas da diferença entre t e t+1, mas não de t e t+1 separadamente (Chiang, 1980). A montagem da matriz começa com o cálculo de p ij = n ij / n jonde: n ij = número de indivíduos na classe j no tempo t+1, dada a classe i no tempo t e n j =número total de indivíduos na classe i no tempo t. 110
  • 111. A matriz de transição probabilística de uma cadeia de Markov para um processo de nestados pode ser montada da seguinte maneira: j=1 j=2 j=3 ...... j=m i=1 p11 p12 p13 ...... p1m i=2 p21 p22 p23 ...... p2m P = (p ij) = i =3 p31 p32 p33 ...... p3m . . . . . . . . . . . . i=m pm1 pm2 pm3 ...... pmmsendo que as probabilidades p ij são não-negativos e a soma de pi1 + pi2 + ... + pim deve serigual a 1. A probabilidade de transição p ij pode ser de n passos, tomando a forma de p ij (n) onden indica o número de tentativas, ou seja, a probabilidade que a população vai de um estado ide uma tentativa para o estado j, n tentativas depois.Exemplo didático: Projeções da dinâmica do Bionte usando Markov (base: tratamentointermediário, T2, do bloco 2, sub-bloco 4 – T2-B2SB4) No caso dos dados da parcela permanente do exemplo, vamos considerar 15 estados (i,j = 1, 2, ...15), onde: estado 1 = recrutamento (R) estados de 2 a 14 = classes de diâmetro. As classes de DAP são de 5-5 cm e vão de 10,passando pela classe truncada DAP ≥ 65 e a classe “próxima” depois de DAP ≥ 65. Amovimentação de uma classe para outra, no caso da classe DAP ≥ 65, pode ser uma árvorecom DAP = 78, em 1990, que passou para a classe seguinte (podendo ser DAP = 80 ou DAP= 81), em 1997 ou também uma com DAP = 119, em 1990, que passou para a classe seguinte,em 1997. estado 15 = mortalidade (M) são considerados: t = 1990 e t+1 = 1997.Passos para o cálculo matricial: 1. Matriz A (Quadro 1) => transição entre a 1ª ocasião (1990) e 2ª ocasião (1997) =>tabelas dinâmicas do Excel (V. Box). Daqui uns 10 anos, é bem provável que alguém não vejanenhuma importância nas instruções contidas no Box por achar completamente obsoleta.Hoje, em 2005, apesar deste recurso ser pouco conhecido pelos florestais, é um poderoso e 111
  • 112. prático instrumento para organizar os dados. Quando se trabalha com parcelas permanentes,re-medidas em várias ocasiões sucessivas, a tabela dinâmica serve também para conferir oarquivo de dados. A matriz A é simétrica; portanto, há 17 colunas e 17 linhas. 1.1. => total 1ª ocasião = (total, freqüência da linha 17 e coluna 17 ou f17,17 = 673) menos recrutas (R, linha 1 e coluna 17 ou f1,17 = 189) = 484 1.2. => total 2ª ocasião = (total, f17,17 = 673) menos mortas (M, f17,16 = 45) = 6282. Matriz B1 e B2 (Quadro 2) => probabilidades de mudanças de um estado (i) para outro (j).A matriz de probabilidade é repetida pra facilitar a multiplicação de matrizes no Excel.Portanto B1 = B2. 2.1. Recrutas (R) => das 189 árvores recrutadas em 1997 => 160, 22, 3, 3 e 1, respectivamente, foram recrutadas para a 1ª classe (10<15), 2ª (15<20), 3ª (20<25), 4ª (25<30) e 5ª classe (30<35). 2.2. Probabilidades de 2.1. => 160/189, 22/189, ... 1/189. 2.3. 1ª classe (10<15) => das 180 árvores que estavam na 1ª classe na 1ª ocasião (1990) => na 2ª ocasião (1997), 116 permaneceram na 1ª classe, 48 mudaram para a 2ª classe, 1 passou para a 3ª classe e 15 morreram. 2.4. Probabilidades de 2.3. => 116/180, 48/180, 1/180 e 15/180. 2.5. 2ª classe (15<20) => das 101 árvores que estavam na 2ª classe na 1ª ocasião (1990) => na 2ª ocasião (1997), 69 permaneceram na 2ª classe, 21 mudaram para a 3ª classe, 1 passou para a 4ª classe e 10 morreram. 2.6. Probabilidades de 2.5. => 69/101, 21/101, 1/101 e 10/101.3. Matriz de probabilidade 2 passos adiante (Quadro 3) => até 2004 => matriz de transiçãoprobabilística elevada ao quadrado (2) => Se quiser 3 passos adiante, a matriz de transiçãoprobabilística será elevada ao cubo (3) => Matriz C 3.1. Multiplicação de matrizes (B1*B2) => No Excel: - antes ir à função, blocar um espaço igual à matriz que será multiplicada (B1 ou B2). - definir matriz 1 (B1) “blocando-a” (passando o cursor em toda a sua extensão). - definir matriz 2 (B2) e OK 112
  • 113. - truque pra ver o resultado (matriz C) => segurar juntos Ctrl e Shift e apertar Enter mantendo o cursor sobre a função (Fx).4. Projeção para 2004 => Matriz D (Quadro 4) => 4.1. Copiar os totais da coluna Q (Q4 a Q 16) ao final da matriz C (recriando a coluna Q para esta matriz). 4.2. Freqüência da classe 10<15 => C63*Q63 + C64*Q64 = 0,545561 * 189 + 0,415309 * 180 = 103,1111 + 74,75556 = 177,8667. 4.3. Freqüência da classe 15<20 => D63*Q63 + D64*Q64 + D65*Q65 = 0,305272 * 189 + 0,35403 * 180 + 0,466719 * 101 = 168,56045. Ajustes necessários (5a) => a cadeia de Markov não faz projeções do recrutamento.Portanto, há necessidade de fazer ajustes para o recrutamento e mortalidade das árvoresrecrutas. 5.1. Recrutamento (em diferentes classes de diâmetro) => Enquanto não tiver uma série histórica de recrutamento, o único recurso é usar o nº de indivíduos recrutados de uma ocasião para outra. Se 3 ocasiões estão disponíveis, o certo é usar a média [ R = (R1+R2)/2 ], sendo que R1 é o nº indivíduos recrutados entre a 1ª e 2ª ocasião e R2 é o nº entre a 2ª e 3ª ocasião. Exemplo: usando três ocasiões => duas medidas de recrutamento R1 => 10<15, 15<20, 20<25, 25<30 => 160, 22, 3, 3 e 1 R2 => 10<15 e 15<20 => 122 e 8 Resultados => ajuste R => 1ª CD = (160+122)/2 = 141 2ª CD = (22+8)/2 = 15 3ª CD = (3+0)/2 = 1,5 4ª CD = (3+0)/2 = 1,5 5ª CD = (1+0)/2 = 0,5 5.2. Classe “PRÓX.” => esta classe é criada apenas para descrever a dinâmica das árvores truncadas ao DAP ≥ 65 cm. Na tabela com as freqüências esperadas (E), a freqüência da classe “PRÓX” deve ser acrescentada à classe DAP ≥ 65 cm. 113
  • 114. 6. Freqüências esperadas (E) para a 3ª ocasião (Quadro 5b) => Projeção feita + recrutamentoajustado.7. Comparação entre freqüências esperadas (E), para 2004, fornecida pela Cadeia de Markove as freqüências observadas de fato em 2004 (Quadro 6) => uso do teste qui-quadrado ( χ2 ). Este quadro final é apenas para ilustrar a eficiência da Cadeia de Markov para fazerprojeções. Isso foi feito porque há uma série histórica longa o suficiente para este tipo deexercício. Como se tem verdade de campo, que são as re-medições realizadas em 2004, épossível comparar a projeção com os valores observados de fato. Neste exemplo, como o χ2tabelado com 11 graus de liberdade e p = 0,10 é igual a 17,28, isso significa dizer que háfracas evidências para afirmar que E seja diferente de O. Usando p = 0,05, o valor de χ2 éigual a 19,68 e, do ponto de vista de estatística, pode-se afirmar que o teste é não significante. O certo seria usar a transição probabilística de 1990 a 2004 (e não 1997) para fazerprojeções para um período imediatamente posterior, de 14 anos, ou seja, para 2028 e acreditarna eficiência de Markov. O exemplo foi usado para comprovar que Markov é eficiente parafazer projeções da dinâmica de uma floresta manejada. Essa comprovação já tinha sidorealizada em florestas não perturbadas (Rocha, 2001). 114
  • 115. Bibliografia:Acevedo, M.F. 1981. On Horn’s Markovian Model of Forest Dynamics with Particular Reference to Tropical Forests. Theoretical Population Biology 19:230-250.Alder, D. 1980. Forest Volume Estimation and Yield Prediction. V.2 – Yield Prediction. FAO Forestry Paper 22/2. 194 p.Anderson, T.W. e L.A. Goodman. 1957. Statistical Inference about Markov Chains. Annals of Mathematical Statistics 28:89-110.Bierzychudek, P. 1982. The Demography of Jack-in-the-pulpit, a Forest Perennial that Changes Sex. Ecol. Monographs 52(4):333-351.Bruner, H.D. e J.W. Moser Jr.. 1973. A Markov Chain Approach to the Prediction of Diameter Distributions in Uneven-aged Forest Stands. Can.J.For.Res. 3:409-417.Buogiorno, J. e B.C. Michie. 1980. A Matrix Model of Unever-aged Forest Management. Forest Science 26:609-625.Chambers, J.Q., N. Higuchi e J.P. Schimel. 1998. Ancient Trees in Amazonia. Nature, 391:135-136.Chiang, C.L. 1980. An Introduction to Stochastic Processes and their Applications. Robert E. Krieger Publ. Co., Huntington, New York.Clutter, J.L., J.C. Fortson, L.V. Pienaar, G.H. Brister e R.L. Bailey. 1983. Timber Management: A Quantitative Approach. John Wiley and Sons, Inc. New York. 333p.Enright, N. e J. Ogden. 1979. Applications of Transition Matrix Models in Forest Dynamics: Araucaria in Papua New Guinea and Nothofagus in New Zealand. Australian J. of Ecology 4:3-23.Ferguson, I.S. e J.W. Leech. 1978. Generalized Least Squares Estimation of Yield Functions. Forest Science 24:27-42.Grossman, S.I. e J.E. Turner. 1974. Mathematics for the Biological Sciences. Macmillan Publ. Co., Inc. New York. 512p.Higuchi. N. 1987. Short-term Growth of an Undisturbed Tropical Moist Forest in the Brazilian Amazon. Tese de Doutor. MSU. 129p.Horn, H.S. 1975. Markovian Properties of Forest Succession. In: Ecology and Evolution of Communities (M. Cody e J. Diamond, editores), pp.196-211. Harvard University Press. Cambridge, Mass.Morrison, D.F. 1976. Multivariate Statistical Methods. McGraw-Hill Inc.. 415p.Peden, L.M., J.S. Williams e W.E. Frayer. 1973. A Markov Model for Stand Projection. Forest Science 19:303-314.Rocha, R.M. 2001. Taxas de recrutamento e mortalidade da floresta de terra-firme da bacia do rio Cueiras na região de Manaus-AM. Dissertação de mestrado CFT-INPA. 49p.Shugart, H.H. 1984. A Theory of Forest Dynamics: The Ecological Forest Succession Models. Springer-Verlag Inc. New York. 278p.Shugart, H.H. e D.C. West. 1981. Long-term Dynamics of Forest Ecosystems. Am. Scientist 69:647-652. 115
  • 116. Smith, V.G. 1983. Compatible Basal Area Growth and Yield Models Consistent with Forest Growth Theory. Forest Science 29:279-288.Sullivan, A.D. e J.L. Clutter. 1972. A Simultaneous Growth and Yield Model for Loblolly Pine. Forest Science 18:76-86.Usher, M.B. 1966. A Matrix Approach to the Management of Renewable Resources, with Special Reference to Selection Forests. J. of Applied Ecology 3(2):355-367.Usher, M.B. 1969. A Matrix Model for Forest Management. Biometrics, June:309-315.Usher, M.B. 1979. Markovian Approaches to Ecological Succession. J. of Animal Ecology 48:413-426. 116
  • 117. Box 1 Tabela dinâmica do Excel usando o mesmo arquivo de dados do T2-B2SB4.Passos necessários:1. Neste arquivo há as seguintes colunas: nome comum da espécie, DAP90, DAP97 eDAP042. Inserir três novas colunas entre DAP90 e DAP97, entre DAP97 e DAP04 e depois deDAP04 e nomear como CD1, CD2 e CD3, respectivamente.3. Clicar em DADOS => FILTRAR => AUTO-FILTRO => apenas para a transição entre1990 e 1997. Para a transição entre 1997e 2004, o procedimento é o mesmo.4. Identificar as recrutas => são células que aparecem em “branco” ou “zero” na coluna doDAP90 em DAPs registrados na coluna DAP97 => clicar em DAP90▼ e procurar “branco”e “zero” e nomear com R na própria coluna DAP90 e na coluna CD1 atribuir o código “1”=> para todas as árvores nessas condições.5. Calcular as freqüências das classes 10<15, 15<20 ... até ≥ 65 => continuar com oFILTRAR nas colunas DAP90 e DAP97. Começar com 1990 clicando em DAP90▼ e irpara PERSONALIZAR. Lembrar que a primeira classe (10<15) é o segundo estado. EmPERSONALIZAR, a primeira condição é “maior ou igual a” “10” (digitando) e a segunda é“menor do que” “15” (digitando). Depois de OK, digitar em CD1 o número da classe (2,neste caso). Repetir isso até a última classe (≥ 65), que será a classe número 13.6. Identificar as mortas => são células que aparecem em “branco” ou “zero” na coluna doDAP97 e tinham DAPs na coluna DAP90 => clicar em DAP97▼ e nomear com M naprópria coluna DAP97 e na coluna CD2 atribuir o código “15” => para todas as árvoresnessas condições.7. Repetir passo 5 para DAP97. Em DAP97 tem que incluir a classe 14 (PRÓX). Nestecaso, o trabalho tem que ser feito manualmente (no olho), ou seja, tem que olhar para ascolunas DAP90 e DAP97 e verificar quais árvores que estavam na classe 13 em 1990 emudaram de classe em 1997.8. Ir pra DADOS, clicar em FILTRAR e retirar o AUTO-FILTRO.9. Em DADOS, clicar em RELATÓRIOS DE TABELA E GRÁFICOS DINÂMICOS eseguir as instruções lógicas.10. Pra ter a tabela dinâmica: - arrastar CD1 até a coluna onde está escrito “solte campos de linha aqui” - arrastar CD2 até a linha onde está escrito “solte campos de coluna aqui” - arrastar DAP97 em cima de “solte itens de dados aqui” 117
  • 118. Quadro 1: Matriz (A) => transição do estado i para o estado j durante o período de 1990 e 1997. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 R 10<1 15<2 20<2 25<3 30<3 35<4 40<4 45<5 50<5 55<6 60<6 >=65 PRÓ M TOT 5 0 5 0 5 0 5 0 5 0 5 X 1 R 160 22 3 3 1 189 2 10<15 116 48 1 15 180 3 15<20 69 21 1 10 101 4 20<25 33 25 6 64 5 25<30 19 15 1 4 39 6 30<35 21 10 7 38 7 35<40 19 5 1 25 8 40<45 8 2 10 9 45<50 7 6 1 14 10 50<55 2 2 1 5 11 55<60 1 1 1 1 4 12 60<65 2 2 13 >=65 1 1 2 14 PRÓX 15 M 16 TOT 276 139 58 48 37 30 13 10 8 3 3 2 1 45 673 118
  • 119. Quadro 2: Matriz B (B1 e B2) – transição probabilística do estado i para o estado j durante o período de 1990 e 1997. R 10<15 15<20 20<25 25<30 30<35 35<40 40<45 45<50 50<55 55<60 60<65 >=65 próx M R 0 0,8466 0,1164 0,0159 0,0159 0,0053 0 0 0 0 0 0 0 0 010<15 0 0,6444 0,2667 0,0056 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,083315<20 0 0 0,6832 0,2079 0,0099 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,09920<25 0 0 0 0,5156 0,3906 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,093825<30 0 0 0 0 0,4872 0,3846 0,0256 0 0 0 0 0 0 0 0,102630<35 0 0 0 0 0 0,5526 0,2632 0 0 0 0 0 0 0 0,184235<40 0 0 0 0 0 0 0,76 0,2 0,04 0 0 0 0 0 040<45 0 0 0 0 0 0 0 0,8 0,2 0 0 0 0 0 045<50 0 0 0 0 0 0 0 0 0,5 0,4286 0 0 0 0 0,071450<55 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,4 0,4 0 0 0 0,255<60 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,25 0,25 0,25 0 0,2560<65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 >=65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,5 0,5 0 próx 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 119
  • 120. Quadro 3: Matriz C ou [ B ]2 – transição probabilística dois passos adiante, até 2004. R 10<15 15<20 20<25 25<30 30<35 35<40 40<45 45<50 50<55 55<60 60<65 >=65 próx M totR 0 0,5456 0,3053 0,0371 0,0151 0,009 0,0018 0 0 0 0 0 0 0 0,0862 18910<15 0 0,4153 0,354 0,0619 0,0048 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,0806 18015<20 0 0 0,4667 0,2493 0,0928 0,0038 0,0003 0 0 0 0 0 0 0 0,0881 10120<25 0 0 0 0,2659 0,3917 0,1502 0,01 0 0 0 0 0 0 0 0,0884 6425<30 0 0 0 0 0,2373 0,3999 0,1332 0,0051 0,001 0 0 0 0 0 0,1208 3930<35 0 0 0 0 0 0,3054 0,3454 0,0526 0,0105 0 0 0 0 0 0,1018 3835<40 0 0 0 0 0 0 0,5776 0,312 0,0904 0,0171 0 0 0 0 0,0029 2540<45 0 0 0 0 0 0 0 0,64 0,26 0,0857 0 0 0 0 0,0143 1045<50 0 0 0 0 0 0 0 0 0,25 0,3857 0,1714 0 0 0 0,1214 1450<55 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,16 0,26 0,1 0,1 0 0,18 555<60 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,0625 0,3125 0,1875 0,125 0,0625 460<65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 2>=65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,25 0,25 0 2próx 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0M 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 120
  • 121. Quadro 4: Matriz D – Cálculo das freqüências esperadas de cada classe ou estado 10<15 15<20 20<25 25<30 30<35 35<40 40<45 45<50 50<55 55<60 60<65 >=65 próx MR 103,11 57,696 7,01 2,8512 1,7065 0,3401 0 0 0 0 0 0 0 16,28510<15 74,756 63,725 11,14 0,8659 0 0 0 0 0 0 0 0 0 14,51315<20 0 47,139 25,175 9,3735 0,3846 0,0256 0 0 0 0 0 0 0 8,90320<25 0 0 17,016 25,07 9,6154 0,641 0 0 0 0 0 0 0 5,657925<30 0 0 0 9,2564 15,597 5,1945 0,2 0,04 0 0 0 0 0 4,711930<35 0 0 0 0 11,605 13,126 2 0,4 0 0 0 0 0 3,868435<40 0 0 0 0 0 14,44 7,8 2,26 0,4286 0 0 0 0 0,071440<45 0 0 0 0 0 0 6,4 2,6 0,8571 0 0 0 0 0,142945<50 0 0 0 0 0 0 0 3,5 5,4 2,4 0 0 0 1,750<55 0 0 0 0 0 0 0 0 0,8 1,3 0,5 0,5 0 0,955<60 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,25 1,25 0,75 0,5 0,2560<65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0>=65 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,5 0,5 0próx 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0M 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0tot 177,87 168,56 60,341 47,417 38,909 33,768 16,4 8,8 7,4857 3,95 3,75 1,75 1 57,003 121
  • 122. Quadro 5a: Ajustes aplicados para R em diferentes classes de diâmetro (CD). CD R-1997 R-2004 média 10<15 160 122 141 15<20 22 8 15 20<25 3 0 1,5 25<30 3 0 1,5 30<35 1 0 0,5Quadro 5b: Freqüências esperadas (E) para 2004 incluindo ajustes feitos para o recrutamento(R) estado projeção Recrut E(2004) 10<15 177,87 141 318,87 15<20 168,56 15 183,56 20<25 60,341 1,5 61,841 25<30 47,417 1,5 48,917 30<35 38,909 0,5 39,409 35<40 33,768 33,768 40<45 16,4 16,4 45<50 8,8 8,8 50<55 7,4857 7,4857 55<60 3,95 3,95 60<65 3,75 3,75 >=65 2,75 2,75 tot 570 729,5 122
  • 123. Quadro 6: Comparação entre freqüências observadas (O) e esperadas (E) em 2004. estado 1990 1997 O(2004) E(2004) χ2 10<15 180 276 281 319 4,496 15<20 101 139 166 184 1,679 20<25 64 58 71 62 1,356 25<30 39 48 52 49 0,194 30<35 38 37 37 39 0,147 35<40 25 30 21 34 4,827 40<45 10 13 21 16 1,290 45<50 14 10 11 9 0,550 50<55 5 8 9 7 0,306 55<60 4 3 2 4 0,962 60<65 2 3 3 4 0,150 ≥ 65 2 3 4 3 0,568 total 484 628 678 729 16,529χ20,10, 11 gl = 17,28 e χ20,05, 11 gl = 19,68 123
  • 124. Parte III Manejo florestal na Amazônia Esta Parte ainda está em construção, assim como as Partes I e II. Aqui, as principaislacunas estão ligadas à exploração florestal e aos aspectos sócio-econômicos do manejoflorestal. O nosso desafio é preencher estas lacunas já na próxima versão da apostila. Noúltimo capítulo desta apostila estamos incluindo a primeira versão sobre a exploraçãoflorestal. A parte teórica da exploração está sendo elaborada pelo Prof. Luciano Minette daUFV. Se ele entregar antes do início do curso, nós mandaremos aos alunos que deverãoimprimi-lo novamente, sem prejudicar a seqüência da apostila. Depois de revisada, nós vamosinserir na apostila numa seqüência lógica. 124
  • 125. Capítulo 15 Amazônia7: Mitos, as várias Amazônias e Potencialidades1. Introdução: Para os seres humanos, a Amazônia é um símbolo nostálgico de um mundo muitomodificado; rios e igarapés retos completamente urbanizados, florestas uniformes com umaúnica espécie, avançada desertificação em vários lugares do Planeta, poluição do ar e daságuas e extinção de muitas formas de vida. Grande parte das pressões para proteger aAmazônia, a qualquer custo, tem origem nesse sentimento. A região sempre viveu de mitos; começando pelo nome que deriva das míticasAmazonas – as mulheres mais fortes e mais corajosas nunca vistas. O quê essas mulheresofereciam aos antigos, a região oferece aos modernos: um pacote de mal-entendidos e sonhos,um objeto de meias-verdades e desejos – em síntese, uma terra de mitos, de desejos e desonhos. O papel da ciência & tecnologia é produzir conhecimentos primários sobre a estruturae funcionamento dos ecossistemas amazônicos, em condições naturais. Sabendo disso, aavaliação dos impactos causados por projetos de desenvolvimento regional pode ser ordenadae sistematizada, sem paixão.2. Alguns Mitos: (i) Mito da Homogeneidade: Quase sempre a Amazônia é vista apenas como um grande tapete verde cortado porrios e igarapés. No entanto, ela contém uma fantástica diversidade (biológica, social ecultural). Da mesma forma, imagina-se que a Amazônia é plana – isso é meia-verdade.Exemplo: a altitude do município de Manaus é de aproximadamente 100 m acima do nível domar (a.n.m.), mas tem depressões que chegam quase ao nível do mar; os platôs dessa regiãovariam em torno de 500 m de raio. É comum ouvir mundo afora que a Amazônia é Brasil e o Brasil é a própriaAmazônia. Por essa razão, nas cidades do Brasil encontram-se cobras, onças e outros bichos;desmatamento e queimadas por toda à parte; o único responsável pela destruição da florestaamazônica, perda da biodiversidade e alteração do clima global. Apesar de responder por7 Tirado parcialmente do livro “Amazonia Without Miths,” editado em 1992 pela Comission on Developmentand Environment for Amazonia, do Tratado de Cooperação Amazônica. 125
  • 126. quase 60% do território nacional, o Brasil têm outros 17 estados; da mesma forma, apesar deresponder por mais de 65 % do território amazônico, há outros 7 países que compõem aregião. (ii) Mito da Riqueza e da Pobreza: A exuberância da floresta amazônica criou o mito de que os solos fossem igualmentericos e apropriados para a agropecuária. Isso foi o principal argumento para se tentar resolveros problemas fundiários e da produção de grãos e proteínas do Brasil. Depois de algunsfracassos, radicalizou-se de novo, ou seja, a Amazônia não serve para nada e o seudesenvolvimento é impossível. Enquanto o mito “riqueza” diz que a região é um paraíso que transborda abundância eriquezas – o eldorado – o da “pobreza” pinta também com cores exageradas – contemplaçãoapenas -; cada lado engajado em meias-verdades para defender a sua posição. (iii) Pulmão do Mundo: O planeta Terra é envolto por uma camada gasosa conhecida como atmosfera. Aatmosfera é composta de Nitrogênio (78,1%), Oxigênio (21%) e traços de muitos outros gases(inclusive CO2 – 0,033%) que são extremamente importantes para a manutenção da vida naTerra. No processo de fotossíntese & respiração, as plantas têm a capacidade de absorver gáscarbônico e liberar oxigênio. Em condições naturais, a tendência é de equilíbrio entreabsorção e liberação. Estudos recentes sobre a interação biosfera e atmosfera, realizados na Amazônia,indicam que nos últimos 20 anos, a floresta primária tem seqüestrado mais carbono do queemitido. Algum desavisado poderia até ressuscitar o mito do “pulmão do mundo” pelotamanho da floresta amazônica. No entanto, tudo é uma questão de escala. As proporções deOxigênio e Carbono na atmosfera são completamente diferentes; qualquer grande liberação deOxigênio na Amazônia, ainda seria insignificante para alterar o estoque na atmosfera. (iv) O Mito da Amazônia vazia: Apesar da densidade populacional ser baixa, se comparada com outras regiões doBrasil e do mundo, a Amazônia não é vazia. No Estado de São Paulo, por exemplo, adensidade populacional é de 120 habitantes por km2, enquanto que no Amazonas, é de 2habitantes por km2. Os quadros 15.1 e 15.2 dão uma idéia da ocupação da Amazônia. Osgrupos indígenas estão distribuídos em toda a região, sem uma clara correlação entredensidade e tipos de vegetação ou solos ou água. O Estado do Acre é praticamente todo 126
  • 127. ocupado por seringueiros. Ocupações recentes mostram concentrações de acordo com acapacidade de suporte dos sítios. (v) O Mito da Internacionalização: Hoje, isso é mais mito do que realidade. No entanto, no começo deste século e logodepois da Segunda Guerra, importantes movimentos aconteceram em direção àinternacionalização da Amazônia. O INPA, por exemplo, é uma resposta do GovernoBrasileiro à proposta de criação de um instituto internacional da Hiléia Amazônica.Internacionalizar significa transformar a Amazônia naquilo que é hoje a Antártica. Éimportante não confundir internacionalização com invasão ou ocupação ou imperialismo. (vi) Mito do Boto Tucuxi e do Mapinguari: Será o Boto Tucuxi apenas um mito ou uma lenda ou uma realidade? Quanto aoMapinguari8, depois que um pesquisador do MPEG saiu caçando-o pelas florestas do Acre,acompanhado pela mídia, esta figura perdeu o status de lenda ou mito.3. As Várias Amazônias: Na América do Sul há duas Amazônias: o território amazônico e a bacia amazônica. Oterritório estende-se além da bacia, até a região do Orinoco e nas Guianas. O quadro 15.1apresenta o tamanho do território amazônico e a contribuição de cada país ao território e o quêa Amazônia representa em cada território nacional. Olhando essas estatísticas, é fácil entenderporquê a Amazônia é confundida com o Brasil e Brasil é confundido com a Amazônia. Outrodetalhe é o fato que a Amazônia cobre quase 60% do território nacional. No Brasil, temos duas Amazônias também: a Legal, divisão geopolítica cobrindo umaárea de 4.988.939 km2 e a Bacia cobrindo uma área de 3.940.000 km2. O quadro 15.3apresenta a área de cada Estado da Amazônia Legal, com suas coberturas originais, floresta ecerrado. O quadro 15.4 apresenta a Bacia Amazônica estratificada pelos diferentes tiposflorestais e não florestais. (i) A Heterogeneidade Física da Amazônia: O rio principal da Bacia é composto pelo eixo Amazonas-Solimões-Ucayali, que nasceno Monte Huagra, Peru, a 5.281 m. a.n.m., 195 km da costa do Pacífico. O eixo tem 6.762 kmde comprimento e, nos primeiros 965 km de sua nascente, ele cai 4.786 m, enquanto que, nosrestantes 5.797 km, a queda até o nível do mar é de apenas 306 m. O eixo Amazonas-8 Segundo o Dic. Aurélio, Mapinguari é “gigante lendário semelhante ao homem, porém coberto de pêlos, e queusa uma armadura de casca de tartaruga – o dono da floresta.” 127
  • 128. Solimões-Ucayali tem a maior descarga de água doce do mundo, contribuindo sozinho comquase 15% com descarga total – quadro 15.5. (ii) Clima e Solos da Amazônia Brasileira: As temperaturas não variam muito na Amazônia. Belém, a 100 km do Atlântico, atemperatura média anual é de 25º C; Manaus, a 1500 km da costa, a temperatura média é de27º C e Taraquá, 3000 km da costa, a temperatura é de 25º C. As temperaturas máximas ficamem torno de 37-40º C com variação diurna de 10º C. A precipitação mostra mais variabilidade do que a temperatura. A precipitação anualmédia na costa do Atlântico é em torno de 3000 mm/ano; 3500 mm em Taraquá; 2000 mmem Manaus; 1500 mm em Boa Vista (RR) e 1600 mm em Conceição do Araguaia (PA). Asvariações sazonais são determinadas pela quantidade de chuva; distinguindo apenas duasestações, seca e chuvosa. Os solos na Amazônia são antigos, alcançando a era Paleozóica. A região é compostapor uma bacia sedimentar (vale amazônico), entre os escudos guianense e brasileiro. Osescudos são compostos de rochas ígneas do pré-Cambriano e metamórficas do Cambriano-Ordoviciano, que contém algumas manchas de sedimentos da Paleozóica-Mesozóica (60 a400 milhões de anos atrás). O Vale é formado por sedimentos fluviais de textura grossa,depositados entre o Cretáceo e Terciário. Em síntese, este é o processo de formação dos solosde terra-firme. As várzeas são formadas pelas planícies holocênicas dos rios Solimões e Amazonas edos seus afluentes de água branca (ou barrenta). Onde a região é inundada por águas negrasou claras, a formação é chamada de igapó. As principais ordens do solo são: latossolos amarelos (46%) e podzólicos vermelho-amarelo (30%). Os solos são ácidos (pH de 4,5 a 5,5) e pobres em nutrientes.4. Potencialidades da Amazônia: A seguir, serão apresentadas estatísticas dos principais recursos naturais da Amazôniae discutidas as suas potencialidades. Antes de pensar nos cifrões que podem gerados com oaproveitamento desses recursos, é importante refletir sobre as seguintes questões: (1) Praquem vamos produzir? e (2) Como serão investidos os cifrões gerados? De qualquer modo, oaproveitamento dos recursos amazônicos tem que estar apoiado nos 4 pilares dasustentabilidade: técnico, econômico, ecológico e social. 128
  • 129. Estudos de benefícios e custos de qualquer atividade envolvendo o aproveitamento dosrecursos naturais são imprescindíveis para tomadas de decisão. Em nome do desenvolvimentoregional e da produção de alimentos, principalmente, já foram desmatados quase 60 milhõesde hectares de florestas primárias. A região é auto-suficiente em alimentos e em outros artigosde primeira necessidade? A quantidade de gases de efeito estufa emitida para a atmosfera pelouso do solo amazônico justifica a contribuição regional ao PIB nacional? No Amazonas, por exemplo, a emissão de Carbono para atmosfera, média anual dosúltimos 20 anos, é de aproximadamente 10 milhões de toneladas via desmatamento, enquantoque a emissão via queima de combustível fóssil é de aproximadamente 1,5 milhão. Grandeparte do combustível queimado é usada para funcionar o distrito industrial de Manaus, que,por sua vez, contribui com aproximadamente US$ 10 milhões ao PIB do Amazonas. Usandoregra de três simples, o setor primário deveria contribuir com aproximadamente US$ 65milhões. Se isso está acontecendo, ninguém percebeu. (i) Madeira:Entre os vários recursos naturais da Amazônia, a madeira é, sem dúvida, é o que tem a maior liquidez. A madeira deve ser considerada como produto de primeira necessidade; importante quando a gente nasce (berços) e quando a gente morre (urnas funerárias). Ver capítulos “Principais Tipos Florestais da Amazônia Brasileira” e “O Setor Florestal da Amazônia Brasileira: Exploração Florestal Seletiva e o Mercado Internacional de Madeira Dura Tropical.” O Quadro 15.4 apresenta os tipos florestais e não florestais da Bacia Amazônica. Segundo o cenário de Grainger (1987), a situação do setor de madeira tropical é aseguinte: “a produção do sudeste asiático alcançará o seu pico em meados dos anos 90,sendo, a seguir, substituída pela América Latina, especialmente a Amazônia, para suprir osmercados da Europa, Japão e América do Norte.” Esse cenário começa a fazer algumsentido ao analisar a dinâmica da exportação de madeira tropical no período 1989-1995, pelosmaiores produtores mundiais; o suprimento de madeira pelos países asiáticos vem diminuindocom o passar do tempo, enquanto que cresce a participação do Brasil no mercadointernacional. Além disso, juntando as estimativas de áreas florestais fornecidas pela FAO (Schmidt,1991) e os níveis médios de produção, obtidos durante o período 1988-95, é razoável preverque os estoques de madeira da Malásia e Indonésia poderão ser exauridos em menos de 10 e20 anos, respectivamente. A demanda mundial por madeira tropical é de aproximadamente 60 129
  • 130. milhões de m3 de madeira em toras por ano. O estoque de madeira comercial da Amazônia éde aproximadamente 4 bilhões m3. Neste ritmo, ainda na primeira década de 2000, a Amazônia passará a figurar na listados maiores produtores de madeira dura tropical e, rapidamente, liderá-la. Isso pode sersentido com a presença de empresários madeireiros na Amazônia, principalmente do sudesteasiático, à procura de terras para comprar na região. Por causa de sua grande extensãoterritorial ainda não explorada, atualmente o Estado do Amazonas é o mais visado pelosempresários madeireiros, não só pelos estrangeiros, como também por brasileiros quecomeçam a abandonar outras regiões da Amazônia, especialmente sul do Pará. (ii) Biodiversidade: A biodiversidade da Amazônia é produto de um processo evolutivo de milhões deanos. Sobre o valor da biodiversidade, aparentemente, ninguém tem dúvidas. Difícil e caro étransformar a biodiversidade em recurso (produto) natural. Quando se fala da fantásticabiodiversidade da Amazônia, imediatamente vem à cabeça de qualquer brasileiro, a simplestransformação da mesma em remédios para todos os males e drogas. Nos EUA, por exemplo,25% das receitas médicas são de remédios derivados de plantas tropicais, num mercado deaproximadamente US$ 8 bilhões por ano. O Brasil não tem nenhum remédio patenteado. Segundo Macilwain (1998)9, grosso modo, 100 amostras em 100.000 apresentamalguma atividade promissora; 10 dessas 100 amostras promissoras podem chegar aos testesclínicos; e 1 dessas 10 podem chegar ao mercado. Esse autor estima que apenas uma amostraem 250.000 produzirá uma droga comercial. Segundo uma companhia química, consultadapelo autor, uma amostra tem que ter pelo menos 1 kg e pode custar US$ 500 para coletar,transportar e armazenar. Outra possibilidade de uso da biodiversidade, igualmente cara, écomo informação genética tanto para a medicina como para a biotecnologia agrícola.Portanto, a copaíba, por exemplo, para alcançar a condição de droga comercial, haveránecessidade de um investimento líquido (sem pessoal e infra-estrutura laboratorial) deaproximadamente US$ 125 milhões. Mesmo com poucos recursos, o Brasil não tem outra saída a não ser proteger abiodiversidade. Enquanto aguarda recursos financeiros para investir em bioprospecções, oBrasil deveria tentar entender o quê a evolução tem produzido. Temos que priorizar oentendimento da biodiversidade como modelos genéticos para inovações tecnológicas emquímica, farmacologia, medicina e agricultura.9 Macilwain, C. 1998. When Rhetoric Hits Reality in Debate on Bioprospecting. Nature 392:535-540. 130
  • 131. O Quadro 15.6 apresenta a diversidade de alguns grupos importantes (mamíferos,pássaros, répteis, anfíbios, borboletas e angiospermas), principalmente do mundo tropical. OBrasil está em primeiro lugar em relação aos anfíbios e as Angiospermas. É importanteressaltar que a biodiversidade não se encerra com esses grupos; a maior diversidade seencontra entre os microorganismos e, para esses, não há ainda estatísticas confiáveis. (iii) Recursos Minerais e energéticos da Amazônia brasileira: Alguns minérios importantes e recursos energéticos são apresentados no Quadro 15.7.Ao contrário de projetos agropecuários, os projetos de mineração geralmente não cobremgrandes extensões de área, mas, em compensação, o impacto é muito maior. Alguns impactossão diretos, enquanto que outros são indiretos e, às vezes, fora do controle do Estado (garimpode pedras preciosas, por exemplo). (iv) Recursos Pesqueiros: Segundo Pereira Filho10, a ictiofauna de água doce mais rica do mundo se encontra naAmazônia, com mais de 1300 espécies já descritas. Apesar da grande diversidade daictiofauna e de sua importância como fonte de alimentos, ainda são poucas espéciescomercializadas. No Amazonas, por exemplo, apenas 36 espécies apresentam algum interesseeconômico e, dessas, apenas 13 apresentam produção em escala comercial. No Amazonas, asprincipais espécies comercializadas são: tambaqui, jaraqui, curimatã, pirarucu, tucunaré,sardinha e pacu. Os peixes ornamentais têm também grande importância econômica para a região. OAmazonas é responsável sozinho por 90% da exportação de peixes ornamentais da região. Ospeixes mais explorados são: cardinal e disco. (v) Recursos não madeireiros: São vários recursos não madeireiros valiosos na Amazônia, como: óleos de copaíba ede andiroba, linalol do pau-rosa, castanha-do-pará, borracha, vários cipós usados emartesanatos e em chás, orquídeas e bromélias, taninos, corantes, frutos variados. Como é tãocaro para obter esses produtos, por que os mesmos têm contribuições insignificantes aoproduto interno bruto (PIB) da região? (vi) Paisagem & Turismo:10 Pereira Filho, M., S.F. Guimarães, A. Storti Filho e E.W. Graef. 1991. Piscicultura na Amazônia Brasileira:Entraves ao seu Desenvolvimento. Em: Bases Científicas para Estratégias de Preservação e Desenvolvimento daAmazônia: Fatos e Perspectivas. Editado por A.L. Val, R. Figlioulo e E. Feldberg. pp.373-380. 131
  • 132. Ao contrário de outros recursos, a exploração da paisagem & turismo requer baixosinvestimentos em infra-estrutura. Tantos os amazonenses nascidos no bairro da Cachoeirinha,como os brasileiros de outras regiões e os estrangeiros estão interessados em ver a naturezacomo ela é. Esse tipo de visitante não está interessado em “shopping” e outros luxos domundo globalizado. Pra ver animais exóticos, este tipo de turista vai ao CIGS (turista nascidona Cachoeirinha) ou nos grandes zoológicos do Brasil e do mundo; os mais abastadosparticipam de safári na África. No Amazonas, há várias expedições de turistas que passam poucos dias na cidade deManaus pra ver o Teatro Amazonas e o Mercadão e, várias semanas no interior, pescando econtemplando a natureza – há grupos de turista que aproveitam a viagem para executar algumtipo de trabalho social com os ribeirinhos. A pesca esportiva no Amazonas tem crescidosignificativamente no Amazonas, mas a organização é, normalmente, feita fora do país. Essetipo de turismo não está preocupado com infra-estrutura sofisticada; bastam barcos limpos egente educada para acompanhamento, considerando que o Eduardo Gomes é suficiente para odesembarque e os satélites sofisticados garantem a comunicação necessária. O comércio de qualquer produto é, invariavelmente, feito à base de trocas, ou seja, éuma estrada de mão dupla; uma pista para levar os nossos produtos e outra para trazer algumacoisa produzida em outra região (para minimizar e racionalizar o custo do transporte). Nocaso do turismo, não há essa troca; o mesmo turista vem e volta sem colocar em risco osestoques de nossos recursos naturais. O turismo é, talvez, a atividade com maior chance de sersustentável na região porque requer o desenvolvimento de outros setores para que o mesmoprospere. (vii) Serviços Ambientais: Os principais serviços ambientais da floresta amazônica são: - Abrigo às outras formas de vida - Regulação de cheias e enchentes - Controle da erosão do solo - Proteção de bacias hidrográficas e áreas de coleta d’água - Recargas dos aqüíferos subterrâneos - Conservação dos recursos genéticos e da biodiversidade - Oportunidades recreacionais 132
  • 133. - Valores estéticos Infelizmente, essas riquezas só são percebidas quando são perdidas ou quando se falados custos de recuperação de áreas degradadas, de despoluição de rios e igarapés, de umeletrodoméstico perdido durante uma enchente etc.. Geralmente, a população local nem chegaa perceber os benefícios efêmeros de alguns projetos de desenvolvimento. No caso do ouro de Serra Pelada, por exemplo: o quê ficou para a população?Provavelmente mais doenças, ruptura das tradições locais, degradação ambiental etc. O quêdizer dos mais de 60 milhões hectares desmatados em toda a Amazônia? Aumentou a rendaper capita do Estados campeões de desmatamento, como Pará e Rondônia? Certamente, não.Por enquanto, não há um plano concreto para recuperação de áreas degradadas e, por essarazão, não temos noção exata de quanto custará para a recuperação. A Amazônia, especialmente o Estado do Amazonas, precisa ter sabedoria para propormedidas de manutenção dos serviços ambientais, enquanto há fartura. Os argumentos maisimportantes são os exemplos de países desenvolvidos e, mesmo no Brasil, dos estados maisindustrializados, que gastaram verdadeiras fortunas para recuperar áreas degradadas edespoluir rios e igarapés.5. Usos do Solo: Os principais usos do solo amazônico são: agropecuária, exploração seletiva demadeira, produção de energia (hidrelétricas, petróleo e gás natural) e extrativismo. Essesdiferentes usos do solo já provocaram desmatamento total na Amazônia Legal (até 2006) de66.439.500 hectares. O Quadro 15.8 apresenta as áreas desmatadas de cada Estado da região,até 2000. As taxas têm picos cíclicos, sem uma definição clara do motivo para os altos ou paraos baixos picos. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) fornece as áreasdesmatadas, anualmente, por Estado da Amazônia, em seu site www.inpe.br. O desmatamentoanual corresponde o período de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Normalmente, aárea do ano em questão é provisória e é corrigida no ano seguinte. Exemplo: a área desmatadade 13.000 km2 de 2006 (agosto de 1005 a julho de 2006) será corrigida em 2007 (agosto 2006a julho 2007). Logo após a primeira avaliação oficial em 1989, quando o mundo foi surpreendidocom a fantástica taxa anual de 21.130 km2, a reação do Brasil foi a introdução de váriasmedidas para contenção do desmatamento na Amazônia, entre elas, o Programa NossaNatureza (criação do Ibama). Durante o Governo Collor, antecedendo a Rio-92, praticamentetodos os incentivos fiscais para projetos de desenvolvimento na Amazônia foram extintos. 133
  • 134. Com o Programa Nossa Natureza e mais as medidas do Governo Collor, o desmatamento foireduzido substancialmente. A partir de 1992, com o afrouxamento no cumprimento da legislação ambientalcombinado com consolidação do Plano Real, as áreas desmatadas voltam a crescer, com umpico de 29.059 km2, em 1995. Novamente o Governo Brasileiro toma medidas duras paraconter o desmatamento com a edição de uma medida provisória, em 1996 (ainda válida em2004), que alterou a área permitida de corte raso, de 50% para 20%. Ao final do GovernoFHC, novo pico de 23.266 km2 ocorreu em 2002. No primeiro ano do Governo Lula, novopico de 27.200 km2 ocorreu em 2003; ao final deste Governo, o desmatamento era de 13.000km2 (informação tirada da campanha presidencial).5.1. Pastagem e Agricultura: - A partir da década de 60, a agricultura e pecuária incentivadas começam adesempenhar papel importante na alteração da paisagem da Amazônia. - Preparo de solo para agropecuária inclui derrubada e queimada. - Esses usos do solo, certamente são os maiores responsáveis (em torno de 80%) peloalto desmatamento na Amazônia Legal, 66.439.500 hectares até 2006, e destes, 50% podemser, hoje, áreas abandonadas cobertas por vegetação secundária (capoeiras).Impactos: - Perda da biodiversidade - Emissão de gases de efeito estufa (principalmente CO e CO2). - Ameaça aos serviços ambientais (controle de erosão, temperatura, umidade,assoreamento etc.).5.2. Exploração Seletiva de Madeira: - Apesar da falta de estatísticas confiáveis, a produção de madeira na Amazônia temcrescido substancialmente. Atualmente, a produção madeireira anual é de aproximadamente30 milhões m3 em toras. O Quadro 9 apresenta a produção madeireira de cada Estado daAmazônia, no período 1975 a 1985. - Até a década de 80, a madeira era considerada como subproduto de projetosagropecuários. Hoje, em regiões como a do Sul do Pará, a madeira atua como pré-investimento aos projetos agropecuários, substituindo os subsídios oficiais quedesapareceram. 134
  • 135. - Artigo 15 do Código Florestal (Lei nº 4771 de 15/9/65), é finalmente regulamentadoem 1991 (IN/80), mais tarde transformada em Decreto, nº 2788 (28/9/98) que altera diversosartigos do Decreto nº 1282 (19/10/94). Em 2007, com aprovação da Lei de Gestão deFlorestas Públicas (Lei 11.284 de 02/03/06), o Decreto 2.788 foi substituído pelo Decreto5.975 de 30/11/06.Impactos: - Erosão genética - Riscos de incêndios5.3. Hidrelétricas: - O plano ELN 2010 previa várias hidrelétricas na Amazônia totalizando 10 milhõeshectares de lagos. - Hoje temos: Tucuruí, Balbina, Samuel.Impactos: - Emissão de GEEs. - Perda da biodiversidade - Ameaça aos serviços ambientais (controle de erosão, temperatura, umidade,assoreamento etc.).5.4. Mineração: - Alguns impactos são diretos, enquanto que outros são indiretos. - Ao contrário de projetos agropecuários, os projetos de mineração geralmente nãocobrem grandes extensões de área, mas, em compensação, o impacto é muito maior. - Ferro: Carajás, grandes extensões de florestas primárias são derrubadas paraprodução de carvão. - Ouro: Serra Pelada e nos rios da Amazônia. - Cassiterita, Bauxita, Manganês etc.Impactos: - Poluição do ar e dos rios (Mercúrio). - Sociais, principalmente do garimpo. - Indiretos de longo prazo – perigosos. 135
  • 136. Quadro 15.1: Amazônia na América do Sul: área e população de cada País.País área (km2) % TN % TA PopulaçãoBolívia 824.000 75.0 10.9 344.000Brasil 4.988.939 58.7 65.7 17.000.000Colômbia 406.000 36.0 5.3 450.000Equador 123.000 45.0 1.6 410.000Guiana 5.870 2.7 0.1 798.000Peru 956.751 74.4 12.6 2.400.000Venezuela 53.000 5.8 0.7 9.000Suriname(*) 142.800 100 1.9 352.000Guiana Francesa(*) 91.000 100 1.2 90.000Total 7.591.360 100 21.853.000Fonte: TCA (1992).(*) não influenciado pela Bacia Amazônica.TN = território nacionalTA = território amazônicoQuadro 15.2: Grupos étnicos, populações indígenas da Amazônia.País Grupos Popul. indígena área ocupada (ha)Bolívia 31 171.827 2.053.000Brasil 200 213.352 74.466.149Colômbia 52 70.000 18.507.793Equador 6 94.700 1.918.706Peru 60 300.000 3.822.302Guiana 9 40.000 ndSuriname 5 7.400 ndVenezuela 16 386.700 8.870.000Total 379 935.949Fonte: TCA (1992). 136
  • 137. Quadro 15.3: Amazônia Legal - área florestal (em km2) de cada estado brasileiro. ESTADO VEGETAÇÃO ORIGINAL FLORESTA CERRADO Acre 152.589 - Amapá 99.525 42.834 Amazonas 1.562.488 5.465 Maranhão 139.215 121.017 Mato Grosso 572.669 308.332 Pará 1.180.004 66.829 Rondônia 215.259 27.785 Roraima 173.282 51.735 Tocantins/Goiás 100.629 169.282 TOTAL 4.195.660 793.279Fonte: Fearnside et al. (1990)Quadro 15.4: Bacia Amazônica - área (em km2) dos principais tipos florestais e não florestais. TIPOS FLORESTAIS E NÃO FLORESTAIS ÁREA (km2)1. Florestas de Terra-Firme - Florestas Densas 3.303.000 - Florestas Densas com lianas 100.000 - Florestas Abertas com bambus 85.000 - Florestas de Encosta 10.000 - Campina Alta ou Campinarana 30.000 - Florestas Secas 15.0002. Florestas de Várzea 55.0003. Florestas de Igapó 15.0004. Florestas de Mangue 1.0005. Campinas 34.000 sub-total (áreas florestais) 3.648.0006. Campos de Várzea 15.0007. Campos de Terra-Firme 150.0008. Vegetação Serrana 26.0009. Vegetação de Restinga 1.00010. Água 100.000 sub-total (áreas não florestais) 292.000 TOTAL BACIA AMAZÔNICA 3.940.000Fonte: Braga (1979). 137
  • 138. Quadro 15.5: Descargas (m3/sec.) dos principais rios do mundo.Rio descarga %Amazonas 176.000 14,97Zaire 40.000 3,40Orinoco 36.000 3,06Mississipi 17.000 1,44Outros 907.000 77,13Total 1.176.000Fonte: TCA (1992).Quadro 15.6: Países com as maiores diversidades (número de espécies). Mamíferos Pássaros Répteis1. Indonésia 515 1. Colômbia 1721 1. México 7172. México 449 2. Peru 1703 2. Austrália 6863. Brasil 428 3. Brasil 1622 3. Indonésia 6004. Zaire 409 4. Indonésia 1519 4. Brasil 4675. China 394 5. Equador 1447 5. Índia 4536. Peru 361 6. Venezuela 1275 6. Colômbia 3837. Colômbia 359 7. Bolívia 1250 7. Equador 3458. Índia 350 8. Índia 1200 8. Peru 2979. Uganda 311 9. Malásia 1200 9. Malásia 29410. Tanzânia 310 10. China 1195 10. Tailândia 282 Anfíbios Borboletas Angiospermas1. Brasil 516 1. Indonésia 121 1. Brasil 55.0002. Colômbia 407 2. China 104 2. Colômbia 45.0003. Equador 358 3. Índia 77 3. China 27.0004. México 282 4. Brasil 74 4. México 25.0005. Indonésia 270 5. Birmânia 68 5. Austrália 23.0006. China 265 6. Equador 64 6. África do Sul 21.0007. Peru 251 7. Colômbia 59 7. Indonésia 20.0008. Zaire 216 8. Peru 59 8. Venezuela 20.0009. EUA 216 9. Malásia 56 9. Peru 20.00010. Venezuela 197 10. México 52 10. Rússia 20.000Fonte: TCA (1992). 138
  • 139. Quadro 15.5: Descargas (m3/sec.) dos principais rios do mundo.Rio descarga %Amazonas 176.000 14,97Zaire 40.000 3,40Orinoco 36.000 3,06Mississipi 17.000 1,44Outros 907.000 77,13Total 1.176.000Fonte: TCA (1992).Quadro 15.6: Países com as maiores diversidades (número de espécies). Mamíferos Pássaros Répteis1. Indonésia 515 1. Colômbia 1721 1. México 7172. México 449 2. Peru 1703 2. Austrália 6863. Brasil 428 3. Brasil 1622 3. Indonésia 6004. Zaire 409 4. Indonésia 1519 4. Brasil 4675. China 394 5. Equador 1447 5. Índia 4536. Peru 361 6. Venezuela 1275 6. Colômbia 3837. Colômbia 359 7. Bolívia 1250 7. Equador 3458. Índia 350 8. Índia 1200 8. Peru 2979. Uganda 311 9. Malásia 1200 9. Malásia 29410. Tanzânia 310 10. China 1195 10. Tailândia 282 Anfíbios Borboletas Angiospermas1. Brasil 516 1. Indonésia 121 1. Brasil 55.0002. Colômbia 407 2. China 104 2. Colômbia 45.0003. Equador 358 3. Índia 77 3. China 27.0004. México 282 4. Brasil 74 4. México 25.0005. Indonésia 270 5. Birmânia 68 5. Austrália 23.0006. China 265 6. Equador 64 6. África do Sul 21.0007. Peru 251 7. Colômbia 59 7. Indonésia 20.0008. Zaire 216 8. Peru 59 8. Venezuela 20.0009. EUA 216 9. Malásia 56 9. Peru 20.00010. Venezuela 197 10. México 52 10. Rússia 20.000Fonte: TCA (1992). 139
  • 140. Quadro 15.7: Alguns Minerais e Recursos Energéticos da Amazônia Brasileira.Minério Localização Reserva (Produção)Sal-Gema Manaus e Santarém não determinada (nd)Gipsita Altamira 1 bi toneladas (t) Itaituba 1,3 bi tBauxita Xingu e Manaus 4 bi t Paragominas 1 bi tCaolim Manaus 500 mi t Rio Jari (Amapá) 365 mi tFerro Jatapu 80 mi t Amapá 100 mi t Carajás 19 bi t Xingu 100 mi tLignita Rio Javari ndManganês Serra do Navio 50 mi t Carajás 60 mi tCobre Carajás 1 bi tNíquel Carajás 120 mi tDiamante Marabá ndZinco Rio Madeira (RO) 100 mil tCassiterita PF (AM) e Javari (RO) ndGás natural Urucu (AM) 1,3 bi t Pirapema (AP) 1,3 bi tPetróleo Urucu (AM) 6 bi tNióbio 81 mi tCálcio 950 mi tPotássio 335 mi tFonte: TCA (1992). 140
  • 141. Quadro 15.8: Desmatamento bruto (km2/ano) na Amazônia Legal, de 1978 a 2000.Estado 78/87 87-89 89/90 90/91 91/92 92/94 94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00Acre 620 540 550 380 400 482 1.208 433 358 536 441 547Amapá 60 130 250 410 36 0 9 0 18 30 0 0Amazonas 1.510 1.180 520 980 799 370 2.114 1.023 589 670 720 612Maranhão 2.450 1.420 1.100 670 1.135 372 1.745 1.061 409 1.012 1.230 1.065Mt Grosso 5.140 5.960 4.020 2.840 4.674 6.220 10.391 6.543 5.271 6.466 6.963 6.369Pará 6.990 5.750 4.890 3.780 3.787 4.284 7.845 6.135 4.139 5.829 5.111 6.671Rondônia 2.340 1.430 1.670 1.110 2.665 2.595 4.730 2.432 1.986 2.041 2.368 2.465Roraima 290 630 150 420 281 240 220 214 184 223 220 253Tocantins 1.650 730 580 440 409 333 797 320 273 576 216 244TOTAL 21.130 17.860 13.810 11.130 13.786 14.896 29.059 18.161 13.227 17.383 17.269 18.226Fontes: INPE (2002). Atualizar no www.inpe.brObs.: Nos anos 00/01, 01/02 e 02/03, as áreas desmatadas foram, respectivamente, 18.165 km2, 23.266 e 24.497km2. Em 03/04, 04/05 e 05/06, as áreas desmatadas foram, respectivamente, 27.200 km2, 18.900 e 13.000 km2.Quadro 15.9: Produção de Madeira em toras de Florestas Nativas da Amazônia para FinsIndustriais, por Estado, entre 1975 a 1985 (em 1.000 m3). ESTADO 1975 1980 1985 Acre 31 87 23 Amapá 330 400 413 Amazonas 135 325 1.382 Pará 3.942 10.283 16.361 Rondônia 60 307 1.320 Roraima 14 72 39 Tocantins - - - TOTAL 4.512 11.474 19.538Fonte: IBGE (1992) e Deusdará Filho (1996). 141
  • 142. BibliografiaBraga, P.I.S. 1979. Subdivisão Fitogeográfica, Tipos de Vegetação, Conservação e Inventário Florístico da Floresta Amazônica. Acta Amazonica 9(4):53-80.Deusdará Filho, R. 1996. Diagnóstico e Avaliação do Setor Florestal Brasileiro - Região Norte. Relatório Preliminar (Sumário Executivo). 59p.Fearnside, P.M., A.T.Tardin e L.G. Meira Filho. 1990. Deforestation Rate in Brazilian Amazon. 8p.Grainger, A. 1987. Tropform: A Model of Future Tropical Timber Hardwood Supplies. Em: CINTRAFOR Symposium in Forest Sector and Trade Models. University of Washington, Seattle.IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 1992. Anuário Estatístico, Capítulo 44: Extração Vegetal e Silvicultura.INPE. 2002. Projeto de Desflorestamento (PRODES) – Desflorestamento da Amazônia. Homepage INPE (www.inpe.br).Schmidt, R.C. 1991. Tropical Rainforest Management: a Status Report. Em: Rainforest Regeneration and Management. A. Gomez-Pompa, T.C. Whitmore e M. Hadlely (editores). UNESCO, vol. 6, pp. 181-203.TCA (Tratado de Cooperação Amazônica). 1992. Amazonia without miths. Comission on Development and Environment for Amazônia. 99 p. 142
  • 143. CAPÍTULO 16 Principais tipos florestais da Amazônia brasileiraTIPOLOGIA FLORESTAL Características fisionômicas: A principal característica da floresta amazônica é a sua considerável diversidadevegetacional, apesar de, à primeira vista, dar impressão de homogeneidade. A maioria daliteratura reporta que há em torno de 10.000 diferentes espécies de plantas, das quais 1/4 sãoespécies de árvores que atingem tamanho comercial. Há muitas teorias para explicar estadiversidade. Uma delas é a isolação genética dentro de populações separadas depois de umlongo período seco que ocorreu no final do Pleistoceno e pós-Pleistoceno. Outra é o processoevolutivo descrito por três principais categorias de fatores: geográficos, interações dentro daspróprias comunidades e instabilidade dinâmica. Outros fatores que podem explicar a altadiversidade são: amenidade do clima, alto grau de especiação em relação à extinção, fortesinterações competitivas, diversidade ambiental, freqüência da perturbação e herbivoria. Há uma evidente correlação entre tipos florestais e bacias hidrográficas, levando àindicação que a divisão florística da hiléia amazônica é associada aos rios, solos e topografia.As classificações das florestas tendem a ser feitas de acordo com padrões fisionômicos ou dapaisagem que são praticamente diferenciados e nomeados pelas populações locais. A classificação prática que é usada regionalmente é baseada primariamente no relevo,sendo reconhecidos dois principais tipos de floresta: terra-firme e florestas inundáveis (várzeae igapó). E de acordo com a classificação de Holdridge e as observações climatológicas doIBGE, duas formas de vida podem ser encontradas na Amazônia: floresta tropical úmida(biotemperatura média anual superior a 24oC e precipitação média anual entre 2.000 e 4.000mm) e floresta tropical semi-úmida (biotemperatura média anual superior a 24oC eprecipitação entre 1.000 a 2.000 mm). Peculiaridades da floresta amazônica: O estrato superior pode alcançar 40 m, ocasionalmente 50 m, com dificuldades paradistinguir os estratos superior, médio e inferior. Como regra, o estrato superior não écompacto, mas consiste de solitárias árvores emergentes. O sub-bosque é normalmente limpo.O tronco é geralmente cilíndrico, reto e com casca fina; a copa é relativamente pequena 143
  • 144. devido ao elevado número de indivíduos por unidade de área. Poucas raízes (em torno de 5%)atingem profundidades superiores a 2,5 m. Algumas árvores grandes conseguem se manter empé com ajuda das sapopemas. Quanto mais úmido e mais quente o clima, maior é a folha dasárvores. A fenofase é uma particularidade de cada espécie e, mesmo dentro da mesma,algumas variações são observadas, o que significa, por exemplo, que o período de floração dafloresta amazônica não é definido, apesar de ter sempre uma ou outra árvore florescendo. Háespécies que florescem uma única vez e morrem como a Tachigalia myrmecophila. As floressão grandes e bonitas, mas inconspícuas, predominando o verde na paisagem. Muitas espéciesexibem o fenômeno da caulifloria onde as flores se desenvolvem em galhos velhos ou sobreos troncos. Na floresta amazônica não se observa uma dominância absoluta por uma ou outraespécie, mas sim por meio de grupo de espécies, ou morfo-espécies de duas ou três famíliasbotânicas diferentes. Outra peculiaridade é a abundância e a diversidade de palmeiras, lianas eepífitas. Principais tipos florestais e respectivas áreas: O Quadro 16.1 apresenta o sumário das áreas florestais e não florestais da baciaamazônica. As tipologias florestais definidas são produtos de vários trabalhos de fitogeografiae de inventários florestais na Amazônia, realizados por diferentes autores, como IBGE (1977),Braga (1979), Silva et al. (1977) e Pires e Prance (1985). As estimativas das áreas de cadatipo florestal foram obtidas de mapas disponíveis de vegetação, planimetradas por Braga(1979). Descrição dos Principais Tipos Florestais: (i) Florestas de Terra-Firme: Nessa forma de vida predomina o tipo florestal: floresta densa ou floresta ombrófiladensa, também denominada de floresta pluvial tropical latifoliada. Estende-se por vasta áreada Depressão da Amazônia Setentrional, grande parte do Planalto do Amazonas-Orinoco aoNorte de Roraima e recobre praticamente toda a superfície da Amazônia Central, abrangendogrande parte dos estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Amapá e Roraima. Floresta densa: O estrato superior deste tipo florestal é composto de árvores cujas alturas variam de 30a 40 m, com apenas poucas espécies que podem ultrapassar este limite. As exceções são 144
  • 145. Cedrelinga catenaeformis (Cedrorana), Dinizia excelsa (Angelim pedra) e Bertholletiaexcelsa (Castanha do Pará), que alcançam mais de 50 m de altura. O sub-bosque é geralmentelimpo, sem emaranhados de cipós. Para árvores com diâmetro maior ou igual a 20 cm, estetipo florestal apresenta volume médio comercial entre 150 a 400 m3/ha e área basal médiaentre 20 a 40 m2/ha. As espécies florestais que caracterizam este tipo florestal são: Dinizia excelsa(Angelim pedra), Bowdichia nitida (Sucupira preta), Anacardium giganteum (Cajuaçu),Caryocar villosum (Piquiá), várias espécies de Manilkara (Maçaranduba), Parkia pendula(Visgueiro), Pithecolobium racemosum (Angelim rajado), Vochysia maxima (Quaruba),Bertholletia excelsa, várias espécies de Diplotropis (Sucupiras), Clarisia racemosa(Guariúba), Scleronema micranthum (Cardeiro), várias espécies de Tabebuia (Ipê ou Paudarco), várias espécies de Ocotea (Louros), várias espécies de Protium e Tetragastris(Breus), várias espécies de Eschweilera (Matá-matá), Minquartia guianensis (Acariquara-roxa), Aniba rosaedora (Pau-rosa) e várias espécies de Abiurana (Sapotaceae). As espécies que caracterizam as sub-regiões são: Delta do rio Amazonas: várias espécies de Parkia, Vatairea guianensis, Erismafuscum, Vochysia guianensis e várias espécies de Manilkara e Pradosia. Nordeste da Amazônia: várias espécies de Micropholis, Ecclinusa, Chrysophylum,Manilkara, Eperua, Swartzia, Ormosia, Tachigalia, Inga, Iryanthera, Qualea e Goupiaglabra (Cupiúba). Rios Tocantins e Gurupi: Swietenia macrophylla (Mogno), Cedrela odorata (Cedro),Carapa guianensis (Andiroba), Hevea brasiliensis (Seringueira), Platymiscium duckei,Vouacapoua americana (Acapu), Cordia goeldiana (Freijó), Mezilaurus itauba (Itaúba),Jacaranda copaia (Pará-Pará ou Caroba) e várias espécies de Piptadenia, Peltogyne eAstronium. Rios Xingu e Tapajós: as espécies que caracterizam esta sub-região são as mesmas daanterior. Rios Madeira e Purus: Swietenia macrophylla, Carapa guianensis, Hymenolobiumexcelsum, Peltogyne densiflora, Cordia goeldiana, Manilkara huberi (Maçaranduba),Cariniana micrantha (Castanha de Macaco), Hevea brasiliensis e algumas espécies deEperua e Elizabetha. 145
  • 146. Hiléia Ocidental (do rio Juruá até os limites do território brasileiro): várias espécies deLeguminosae, Myristicaceae, Bombacaceae, Lauraceae, Vochysiaceae e Rubiaceae. Noroeste da Hiléia (rio Negro ao Trombetas): Carapa guianensis, Cedrela odorata,Cariniana micrantha e espécies dos gêneros Dimorphandra, Peltogyne, Eperua,Heterostomon, Elizabetha, Dicorynia, Aldina, Macrolobium, Swartzia. Acre: Torresea acreana (Cerejeira), Hevea brasiliensis e Swietenia macrophylla. Floresta com Cipós: Caracterizada por uma fitomassa mediana, sub-bosque obstruído por cipós e pobresem epífitas. Este tipo florestal ocorre em abundância ao longo da Rodovia Transamazônica,de Marabá até o rio Xingu e, em menor freqüência, até o rio Tapajós. Ao Sul, estende-se até olimite da Amazônia com o Brasil Central. Manchas deste tipo ocorre ocasionalmente nosestados do Amazonas, Rondônia e Roraima. A floresta com cipós está associada com terrenosantigos de altitude elevada e ricos em depósitos minerais como ferro, alumínio, manganês,níquel e ouro. As famílias de cipós típicos e mais importantes são Leguminosae, Bignoniaceae,Malpighiaceae e Menispermaceae. O gênero Bauhinia (Leguminosae) é o mais representativo. Espécies arbóreas gigantes ocorrem esporadicamente nesse tipo florestal. As principaissão: Bertholletia excelsa, Hymenaea parvifolia, Bagassa guianensis, Tetragastris altissima,Astronium gracile e Ampuleia molaris. Em lugares mais baixos e mais úmidos, pertos depequenos igarapés, Swietenia macrophylla ocorre com certa freqüência. Outras espéciescomuns são: Acacia polyphylla, Sapium marmieri, Castilla ulei e Myrocarpus frondosus. Floresta Aberta com Bambu: Fitomassa mediana com presença esporádica de espécies como Hevea brasiliensis,Bertholletia excelsa, Swietenia macrophylla, Torresea acreana e Manilkara huberi, além dasvárias espécies de Breus dos gêneros Tetragastris e Protium. Este tipo ocorre nos estados doAcre, Rondônia e Sudeste do estado do Amazonas. O bambu do gênero Bambusa é dominante neste tipo florestal, tendo dois subgênerosGuadua e Myrostachis. No estado do Acre predomina Guadua werberbaueri com densidadeespecífica de 0,49 g/cm3, que pode ser utilizado em papel e celulose, construção civil,artesanato, móveis e carvão. Floresta de Encosta: 146
  • 147. É o próprio contraste com a altitude predominante da região que, apesar de haverextensas áreas sobre terrenos ondulados, não ultrapassa 200 m s.n.m. As formações da florestade encosta são caracterizadas e diferenciadas conforme a altitude e pelos solos rochosos. Avegetação é típica de lugares rochosos e pode ser floresta ou formações abertas. Quanto maioré a altitude, mais esparsa é a vegetação por causa da reduzida capacidade de retenção de água.É significante o endemismo neste tipo florestal. Algumas espécies características da floresta de encosta são: algumas espécies deDydimopanax, Manilkara e Tabebuia, Ocotea roraimae e Qualea schomburkiana. Campina Alta ou Campinarana: Contém muitas espécies endêmicas, adaptadas em solos Podzol hidromórfico e AreiasQuartzosas hidromórficas. Esse tipo é rico em epífitas. Tem uma flora bastante peculiar que érefletida em sua fisionomia diferente dos outros tipos florestais amazônicos. O número deespécies por unidade de área é relativamente baixo, mas desde que a Campinarana ofereceuma grande variedade de diferentes habitats de um local para outro, a soma total é uma floraextremamente rica. A Campinarana tem um aspecto xeromórfico, folhas e cascas espessas euma abundância de líquens e musgos sobre os galhos e sobre a superfície do solo. As campinaranas se distribuem em forma de "ilhas" no meio da floresta densa,contrastando pelo tamanho das árvores, estrutura e fisionomia. Essas "ilhas" são comuns nabacia do rio Negro e em outras áreas ao Norte do rio Amazonas, mas praticamente ausentes aoSul deste rio. As espécies florestais que caracterizam este tipo florestal são: Aldina discolor, Eperualeucantha, Hymenolobium nitidum, Clusia spathulaefolia, Couma catingae, Hevea rigidifolia,Sacoglottis heterocarpa e Scleronema spruceanum. Floresta Seca: Essa é uma formação de transição que é ocasionalmente encontrada ao Sudeste daAmazônia nos limites desta com o Brasil Central. Pode ser encontrada também no estado deRoraima. Nessas regiões o clima é mais sazonal e, por esta razão, a tendência é ter florestassemi-deciduais. Ao longo dos rios ou igarapés, em áreas inundáveis, a vegetação é parecidacom a da "várzea" e não é decídua. Este tipo não é rico em espécies endêmicas. Algumas espécies comuns na floresta seca são: Geissospermum sericeum, Cenostigmamacrophyllum, Physocalymma scaberrimum, Lafoensia pacari, Magonia glabrescens, 147
  • 148. Sterculia striata, Erythrina ulei, Vochysia haenkeana, Vochysia pyramidata, Combretumleprosum, Bowdichia virgilioides. Em Roraima, ainda que bastante similar fisionomicamente,a floresta seca apresenta as seguintes espécies mais comuns: Centrolobium paraensi, Mimosaschomburgkii, Richardella surumuensis e Cassia moschata. (ii) Floresta de Várzea: Fitomassa mediana, menor que a floresta densa de terra-firme, com sub-bosquerelativamente limpo. As raízes tabulares são comuns, como também certas raízespneumatóforas ou respiratórias. A várzea é formada pela inundação de rios de águas barrentascomo do Solimões, Amazonas e Madeira. As várzeas têm solos muito mais férteis do que a maioria dos solos amazônicos porquesão originados da região andina. Os solos são Aluviais e Hidromórficos Gleizados,desenvolvidos em sedimentos argilo-siltosos referidos ao Holoceno. As várzeas do AltoAmazonas (Rio Solimões) são mais ricas do que as do Baixo Amazonas. Entre os rios Japuráe Içá há uma grande área dessas várzeas que são ligadas entre si por paranás, igarapés, furos eum grande número de lagos, transformando os rios principais mais largos durante a estaçãochuvosa. As espécies das várzeas tendem a ter madeiras mais moles do que as de terra-firme.Predominam as espécies de rápido crescimento e de casca lisa. As sementes são geralmenteleves e têm diferentes mecanismos para flutuar como tecido esponjoso ou áreas ocas ou umleve mesocarpo. Em alguns casos é a própria semente que flutua como é o caso da Heveabrasiliensis. Em outros casos, é o fruto inteiro que flutua como é o caso da Montrichardia,uma Araceae ribeirinha. Algumas dessas sementes flutuantes são coletadas comercialmentecomo Carapa guianensis (Andiroba) e Iryanthera surinamensis (Ucuúba). As espécies florestais que caracterizam as florestas de várzea em toda a sua extensãosão: Ceiba petandra (Sumaúma), Copaifera sp. (Copaíba), Virola surinamensis (Virola ouUcuúba), Hura crepitans (Açacu), Carapa guianensis (Andiroba), Calophyllum brasiliense(Jacareúba), Naucleopsis caloneura (Muiratinga), Pseudobombax munguba (Munguba),Mora paraensis (Pracuúba), Nectandra amazonum (Louro da Várzea), Piranhea trifoliata(Piranheira), Vochysia maxima (Quaruba), Hevea brasiliensis (Seringueira), Manilkaraamazonica (Maparajuba), Aldina heterophylla (Macucu de Paca), Aspidosperma album(Araracanga ou Piquiá-marfim), Pithecolobium racemosum (Angelim-rajado), Salixhumboldtiana var. martiana (oeirana), Platymiscium paraense (Macacaúba da Várzea), 148
  • 149. Cedrelinga cateniformis (Cedrorana), Hymenaea courbaril (Jutaí-açu), Tabebuia sp., Parkiasp. (iii) Floresta de Igapó: O Igapó é formado pela inundação pelos rios de águas claras ou negras semsedimentos como o Negro, Tapajós e Arapiuns. Trata-se de um tipo florestal relativamentepobre em biomassa, com vegetação bastante especializada e com pouca diversidade específicae, em algumas áreas, ricas em endemismos. Entre as espécies mais comuns do igapó estão os vários membros da famíliaMyrtaceae, Triplaris surinamensis (Tachi) e as espécies Piranhea trifoliata (Piranheira),Copaifera martii (Copaíba) e Alchornea castaniifolia. (iv) Floresta de Manguezal: Fitomassa baixa, vegetação muito uniforme sem grande interesse florístico e pobre emepífitas. Acompanha toda a costa brasileira, não só da Amazônia. Nos locais onde o manguevermelho é substituído pelo siriúba, o manguezal passa a ser Siriubal. (v) Campina: Vegetação raquítica com escleromorfismo acentuado sobre solos extremamentearenoso e lavado (Podzol Hidromórfico ou areias quartzosas). Fisionomicamente seassemelha às restingas litorâneas, mas muito diferente do ponto de composição e origem. Emgeral, em cada região, as campinas apresentam um grande número de epífitas e endemismomuito peculiar. As espécies típicas desse tipo florestal são: Aldina heterophylla, Clusia grandiflora,Eugenia patrisii, Manilkara amazonica, Protium heptaphyllum, Qualea retusa e Swartziadolichopoda. 149
  • 150. Bibliografia:Braga, P.I.S. 1979. Subdivisão Fitogeográfica, Tipos de Vegetação, Conservação e Inventário Florístico da Floresta Amazônica. Supl Acta Amazonica 9(4):53-80.Huek, K. 1978. Los Bosques de Sudamérica. GTZ. Hoehl-Druck. 476p.IBGE. 1977. Geografia do Brasil. Sergraf-IBGE. volumes 1 e 4.Pires, J.M. e G.T. Prance. 1985. The Vegetation Types of the Brazilian Amazon. In: Key Environments - AMAZONIA by Prance, G.T. e T.E. Lovejoy (eds.). Pergamon Press. 442p.Silva, M.F., Lisboa, P.L. e Lisboa, R.C.L. 1977. Nomes vulgares de plantas amazônicas. INPA. 222p.Walter, H. 1979. Vegetation of the Earth and Ecological Systems of the Geo-biosphere. Springer-Verlag. New York. 2nd. Ed. 274p. 150
  • 151. CAPÍTULO 17 Desenvolvimento sustentável: a experiência do setor madeireiro11 Resumo O setor madeireiro é um exemplo bem sugestivo para discutir e refletir sobre oconceito de desenvolvimento sustentável. Tanto a matéria-prima madeira, como todos osoutros produtos que dependem do abrigo da floresta, têm tido uma forte interação com osseres humanos, desde o surgimento do gênero Homo neste planeta. Em todos os países, semexceção, esta coexistência teve um início muito parecido; a floresta era usada para caça ecoleta de outros produtos extrativistas, de lenha para energia e de material para moradias eoutras construções. Com o aumento da população, o gênero Homo foi forçado a aprender adomesticar determinadas plantas e animais e, em função disso, a floresta transformou-se emobstáculo, sendo, invariavelmente, derrubada e queimada. Em conseqüência do mau uso dasflorestas, algumas civilizações praticamente desapareceram da face da Terra. Nos paísestropicais, há quase dois séculos, o desafio da sustentabilidade da produção madeireira vemsendo tentada, somando mais fracassos do que sucessos. Neste trabalho, apresentamos umpouco do histórico do setor florestal, tentando inseri-lo no contexto do desenvolvimentosustentável.1. Introdução: O conceito Desenvolvimento Sustentável, popularizado a partir do relatório intitulado“Our Common Future” da WCED12 (WCED, 1987), e ratificado pela UNCED13, em 1992(Johnson, 1993), tem a seguinte definição: “desenvolvimento que atenda as necessidadesatuais, sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender as suas própriasnecessidades.” O documento da WCED, também conhecido como Relatório de Brundtland(nome da coordenadora da Comissão), tem o crédito para a definição de desenvolvimentosustentável, segundo Gow (1992), Dykstra e Heinrich (1992), Maini (1992), Lanly (1995),Reid (1995), Hurka (1996) e WWF (1996). Segundo Hurka (1996), desenvolvimento sustentável é uma tentativa de equilibrarduas demandas morais; sendo a primeira por “desenvolvimento,” principalmente para os maisnecessitados e a segunda por “sustentabilidade,” para assegurar que não sacrifique o futuro11 Projeto BIONTE (Convênio INPA/ODA)12 WCED = World Comission on Environment and Development13 UNCED = United Nations Conference on Environment and Development, Rio-92. 151
  • 152. em nome dos ganhos do presente. Hurka considera muita vaga a definição da WCED e sugerea separação entre “necessidades” de “supérfluos ou luxos” e que, a geração atual deixe para afutura, oportunidades para atender as suas “necessidades.” O respeito pelos recursos naturais deve ser acompanhado pelo respeito para asnecessidades humanas (Gow, 1992). Segundo este autor, o conceito de desenvolvimentosustentável deve considerar a dinâmica do comportamento do recurso em questão,particularmente em resposta às condições ambientais, às atividades humanas e às interaçõesentre os diferentes usos e os aspectos do mesmo recurso; combinando, de um lado, a proteçãodo recurso e, de outro, a qualidade de vida. Em síntese, é o desenvolvimento economicamenteviável, ecologicamente sadio e socialmente justo.2. Desenvolvimento Sustentável e Manejo Florestal: Durante a UNCED, Rio-92, o conceito de desenvolvimento sustentável foiespecificado para as questões florestais na Declaração de Princípios para um ConsensoMundial sobre o Manejo, Conservação e Desenvolvimento Sustentável de todos os TiposFlorestais. Em relação às florestas tropicais, este documento complementa outros importantesacordos internacionais estabelecidos para disciplinar o manejo florestal, tais como:ITTO-2000, que estabelece que a partir do ano 2000, somente a madeira oriunda de planos demanejo florestal sustentável será comercializada sob os auspícios desta organização,apresentando, ao mesmo tempo, os critérios de avaliação dos mesmos (ITTO, 1992); e oacordo de Tapapoto, que estabelece critérios e indicadores de sustentabilidade,especificamente para a região amazônica (TCA, 1995). A certificação florestal, que vem sendo coordenada pelo FSC14, surge como umaconseqüência natural, tendo em vista a necessidade de cumprir todos os acordosestabelecidos. Segundo Baharuddin (1995), a certificação é um atestado de origem damatéria-prima madeira, que inclui dois componentes: certificação da sustentabilidade latosensu do manejo florestal (saúde da floresta) e a certificação do produto (qualidade doproduto comercializado). A FAO (Food and Agriculture Organization) sugere que os critériospara certificação devam contemplar os seguintes conceitos fundamentais: recursos florestais,funções da floresta, necessidades sociais e de desenvolvimento e questões institucionais(Lowe, 1995).14 FSC = The Forest Stewardship Council, “Conselho do Guardião da Floresta,” organização não governamentalque tem o papel de credenciar empresas de certificação florestal. 152
  • 153. Segundo WWF (1996), a certificação é não obrigatória, portanto, não substitui aslegislações existentes em cada país. Segundo ainda esta fonte, quatro organizações nãogovernamentais já foram credenciadas pelo FSC: Forest Conservation Program of ScientificCertification Systems (americana, com fins lucrativos), SGS Forestry Program (britânica, comfins lucrativos), Smart Wood Certification Program of Rainforest Alliance (americana, semfins lucrativos) e Woodmark of the Soil Association (britânica, sem fins lucrativos). NoBrasil, desde 1992 o setor privado vem desenvolvendo, com o apoio de instituições depesquisa tecnológica, a metodologia de um processo de certificação relacionado com a origemda matéria prima plantada (Deusdará, 1997). Este trabalho resultou no Conselho deCertificação Florestal - CERFLOR, o qual seguirá orientações da Associação Brasileira deNormas Técnicas - ABNT. Existe ainda, o Grupo de Trabalho do WWF, que agrega asorganizações não governamentais responsáveis pela discussão da certificação seguindo osprincípios da FSC. Segundo Viana (1997), na década de 90, com o advento da certificação, surgiu anecessidade de traduzir o conceito de “manejo florestal sustentável” para algo mais prático,passível de passar por uma avaliação objetiva e replicável. Surgiu, então, o conceito de “bommanejo florestal” (good forest management” ou “forest stewardship”), que representa asmelhores práticas de manejo capazes de promover a conservação ambiental e a melhoria daqualidade de vida das comunidades locais, considerando a viabilidade econômica e o estadoda arte do conhecimento científico e tradicional. Este conceito é importante desde quepreserve todos princípios e regras contidas no Decreto 1.282, e que, efetivamente, não sejausado como subterfúgio para proliferação da “indústria” de certificação. Segundo Kiekens (1995), apesar da certificação florestal ser inevitável, não hánenhuma garantia que isto melhorará o manejo florestal. Além disso, é errado levantar falsaexpectativa de que os critérios e indicadores de sustentabilidade da certificação, nívelnacional, terão influências diretas no manejo florestal (Lowe, 1995). Além de documentos, acordos e instrumentos de medida, não obrigatórios, todos ospaíses têm suas próprias legislações ambientais ou florestais. No Brasil, por exemplo, oCódigo Florestal é o instrumento legal que disciplina o uso de seus recursos florestais. Nocaso da Amazônia, o artigo 15 do Código Florestal, que trata do manejo florestal da região,foi regulamentado em 1994, Decreto no 1.282, definindo as regras e as condições para oaproveitamento de seus recursos florestais, que são baseadas nos princípios dodesenvolvimento sustentável; no entanto, com eficácia bastante limitada. V. Capítulo 22 153
  • 154. (Legislação florestal brasileira atualizada em 2007). Estima-se que menos de 1% da produçãomadeireira é oriunda de áreas onde se pratica o manejo florestal (MMA/IBAMA, 1997). Segundo Leslie (1994), a transição de manejo em regime de produção sustentável(madeira) para um sistema mais amplo, que combina produção madeireira e produtos nãomadeireiros com a preservação e conservação de muitos outros produtos não madeireiros,serviços ambientais e funções ecológicas da floresta - manejo florestal sustentável -, é o novoparadigma do setor florestal. O setor florestal está, de certa forma, acostumado a trabalhar numa perspectiva delongo prazo; está relativamente bem familiarizado com os princípios de produção sustentável;tem alguma noção sobre as respostas do meio ambiente às perturbações naturais e antrópicas;e, em alguns casos, tem tentado praticar o uso múltiplo e integrado da floresta (Maini, 1994).Comparado com outros setores produtivos, o setor florestal não teria grandes dificuldadespara ampliar o conceito de produção sustentável para desenvolvimento sustentável, bastandotransformar manejo florestal em manejo do ecossistema florestal. Para Maini,desenvolvimento florestal sustentável, por estas razões, significa reconhecimento dos limitesda floresta às mudanças ambientais, individualmente ou coletivamente, e o manejo dasatividades humanas para produzir o máximo nível de benefícios obtíveis dentro destes limites. Segundo Dykstra e Heinrich (1992), a definição de manejo florestal sustentável daFAO é a seguinte: “manejo e conservação da base dos recursos naturais e a orientaçãotecnológica, que proporcionem a realização e a satisfação contínua das necessidades humanaspara a atual e futuras gerações.” Segundo estes autores, as operações delineadas paraatenderem os requisitos de sustentabilidade pode, simultaneamente, reduzir custos em funçãode um planejamento melhorado e controle técnico. A chave para promover a sustentabilidadeda floresta tropical durante a exploração florestal é utilizar o melhor conhecimento disponívelem relação a 5 críticos elementos: planejamento da exploração, estradas florestais, derrubada,arraste e avaliações pós-exploração. Para Lanly (1995), desenvolvimento sustentável na área florestal significa também aconservação da terra, água e o patrimônio genético, e a utilização de métodos tecnicamenteapropriados, economicamente viáveis e socialmente aceitáveis. Segundo ainda este autor, sãoos seguintes critérios da FAO na caracterização do manejo florestal sustentável: (i)concernentes à qualidade e quantidade do ecossistema florestal: extensão dos recursosflorestais; conservação da diversidade biológica (níveis de ecossistema, espécie e 154
  • 155. intraespecífica); saúde da floresta e vitalidade; (ii) concernentes às funções do ecossistemaflorestal: funções produtivas da floresta; funções protetivas da floresta; (iii) ligado à economiaflorestal e às necessidades sociais. De acordo com Leslie (1994), o manejo sustentável tem que incluir a produçãomadeireira sustentável com colheita de baixo impacto. Isto pode ser alcançado seguindo asseguintes condições: (i) derrubada de poucas árvores por ha; (ii) danos negligíveis à florestaresidual (árvores designadas para o corte subseqüente e regeneração natural estabelecida); (iii)retenção e proteção de todos os tipos de vegetação que têm papel importante nofuncionamento do ecossistema e nos processos ecológicos. Estas três condições dependem dasseguintes condições: (1) não usar máquinas pesadas para arraste; (2) derrubada orientada; (3)estradas e trilhas de escoamento e arraste devem ser bem planejadas; (4) não trabalhar duranteo período chuvoso. Uma conseqüência inevitável será o aumento dos custos de exploraçãoflorestal, quando comparados com os métodos usuais na maioria dos países tropicais.Contudo, esses custos adicionais, podem ser abatidos com o aumento da eficiência daexploração (Uhl et al. 1996) O manejo florestal para ser sustentável tem que contemplar também a conservação dosrecursos genéticos. Isto requer a manutenção dos componentes essenciais de funcionamentodo ecossistema (Kemp, 1992) e, por conseguinte, várias complexas interações, como porexemplo, a interação entre a espécie de árvore e seus animais polinizadores e dispersores desementes. O não cumprimento de prescrições adequadas para a conservação genética, durantea execução de um plano de manejo florestal, compromete imediatamente o estoque emcrescimento e a capacidade de regeneração natural da floresta residual. A diversidade genéticados ecossistemas florestais é a base para o desenvolvimento sustentável e para o manejoflorestal, e é o tampão para tais ecossistemas contra as mudanças ambientais (Kemp ePalmberg-Lerche, 1994). Associada às variações dentro e entre espécies, a diversidadegenética é a base para a adaptação das espécies ao stress ambiental. Os sistemas de manejo florestal que têm intenções de combinar produção madeireiracom conservação dos recursos genéticos requerem algum entendimento da dinâmica dafloresta e da estrutura genética de espécies e de populações. Segundo Kemp e Palmberg-Lerche (1994), as informações sobre estrutura genética são praticamente inexistentes emflorestas tropicais. Segundo ainda estes autores, a estrutura genética de uma espécie resulta demigração, mutação, seleção e fluxo de genes entre populações separadas, e é fortemente 155
  • 156. influenciada pelo sistema genético (sistema de reprodução e mecanismos de dispersão depólen ou semente). Kageyama & Gandara (1993) mencionam que o manejo florestal sustentável, nodecorrer do processo, deve considerar tanto a manutenção da produtividade como amanutenção da integridade genética das populações. Desta forma, a exploração do recurso deuma ou mais espécies da mata deve ter sob controle as populações das espécies sob manejo,como também considerar um mínimo de monitoramento sobre as outras muitas espécies quecoexistem no local, principalmente aquelas raras e de difícil controle. O desafio da conservação dos recursos genéticos não é selecionar, estabelecer eguardar as áreas contendo recursos genéticos, nem só preservar semente, pólen ou tecido nobanco de sementes; mas sim, a manutenção da variabilidade genética de espécies-alvos dentrode um mosaico de opções de uso do solo, econômica e socialmente aceitáveis, e reservasflorestais manejadas (Kemp e Palmberg-Lerche, 1994). Segundo Kemp e Palmberg-Lerche(1994), não é absolutamente necessário conservar todos os níveis da diversidade genética emtodas as áreas; podendo conservar uma parte para a conservação do ecossistema, enquanto,outras poderiam ser manejadas para conservar as variações intraespecíficas como parte deuma rede de conservação de áreas contendo espécies-alvos ou populações. A conservaçãogenética in situ dentro de um ecossistema florestal natural parece ser a única estratégiapossível para a grande maioria das espécies em florestas complexas como as tropicais úmidas(Kemp e Palmberg-Lerche, 1994). Dependendo do sistema de manejo florestal e do grau de entendimento da dinâmicaflorestal, a diversidade genética e os recursos genéticos específicos podem ser melhorados oureduzidos pela intervenção humana (Kemp e Palmberg-Larche, 1994). Onde a demanda domercado é extremamente seletiva, concentrada em algumas espécies, na extração nosmelhores fenótipos das espécies mais desejáveis, a tendência é resultar numa progressivadeterioração na qualidade genética do povoamento (Kemp e Palmberg-Lerche, 1994). Alémdisso, Segundo Kemp (1992), o florestal deve estar atento às questões da biologia reprodutiva(polinização, dispersão e predação de sementes) e da dinâmica da regeneração natural (bancosde sementes, plântulas e mudas estabelecidas), ao elaborar um plano de manejo florestal. Para Leslie (1994), os seguintes elementos precisam ser coordenados para alcançar asustentabilidade: incremento; distribuição das classes de tamanho e idade das espéciesmanejadas; a definição dos métodos de substituição das árvores que serão retiradas durante a 156
  • 157. exploração florestal e salvaguardar o suprimento de outros produtos e serviços,principalmente durante a exploração e as operações de tratamentos silviculturais. De acordocom Leslie (1994), não há muitas alternativas disponíveis para obtenção de incremento defloresta tropical; parcelas permanentes são as mais apropriadas formas de obter estimativasconfiáveis de incremento. No entanto, não é qualquer país que pode bancar a manutenção deparcelas permanentes; por esta razão, a aproximação, estimativa e extrapolação de poucosbancos de dados tornaram-se o procedimento padrão, do tipo incremento médio anualvariando de 1 a 3 m3/ha. As florestas serão, de forma crescente, manejadas em situações de complexasinterações e interdependências com outros usos do solo e parâmetros sócio-econômicos. Istoimplica que o manejo florestal sustentável só pode ser implementado e perseguido através deabordagens interdisciplinares, bem coordenadas, dentro das políticas e regulamentações dodesenvolvimento rural (Montalembert e Schmithüsen, 1993). Segundo ainda estes autores,nenhum manejo florestal sustentável será viável se os benefícios não ocorrerem nos setorescorrelatos. “Quando a expressão sustentabilidade começou a aparecer no papel, houve umaexplosão geral de alegria: agora sabemos o quê e como fazer, agora temos a chave parasolução do problema - sustentando a produtividade da terra, o desenvolvimento serásustentável e isto levará à uma sociedade sustentável. Isto foi uma memorável surpresa paratodos, menos para os florestais que conhecem bem esta estória, mas que foram incapazes (oudesinteressados) de vendê-la.” - Declaração feita em 1994, contida em Lanly (1994), de umexperiente engenheiro florestal, Oscar Fugalli, que trabalhou na FAO entre 1951 a 1982. Este pretensioso depoimento de um profissional da antiga escola de EngenhariaFlorestal não coincide com a situação do setor florestal em todo o mundo. A freqüência comque o termo é usado no meio florestal é incompatível com as ações tomadas em direção àsustentabilidade, mesmo apenas em termos de rendimento sustentável (Gane, 1992). ParaLeslie (1994), o princípio do manejo florestal sustentável é mais fácil declarar do que aplicar.Segundo ainda o mesmo autor, se a produção madeireira sustentável tem tido dificuldadespara ser implementada, a concretização do conceito de desenvolvimento sustentável no setorflorestal, parece mais distante ainda. A avaliação de Lamprecht (1990) é de que o mundotropical é carente de experiências de longo prazo e, pelo passado histórico da silviculturatropical, os resultados práticos são poucos e incipientes. Historicamente, a exploraçãoflorestal realizada dentro dos princípios de manejo florestal sustentável tem demonstrado ser 157
  • 158. incompatível com a sustentabilidade quanto à regeneração natural e aos outros serviços efunções da floresta tropical (Dykstra e Heinrich, 1992). Shah (1994a), ao analisar os 150 anos de manejo florestal na Índia, conclui: o sistemade corte raso falhou; o manejo florestal das agências governamentais falhou; os objetivos daprodução sustentada de madeira e da proteção das florestas não foram alcançados; a práticaisolada (desarticulada) da silvicultura falhou; os sistemas silviculturais empregados até agora,entre outras mazelas, criou uma tragédia humana para 60 milhões de tribais. Por último, oautor incita os peritos a reiventarem a silvicultura tropical. Segundo Maser (1994), liquidar as florestas maduras não é manejo florestal; ésimplesmente espoliar a nossa herança e roubar das futuras gerações. Da mesma forma,monocultura também não é manejo. Manejo florestal sustentável significa, enfim, que o totalé maior que a soma de suas partes.3. Experiências de alguns países no trato com os seus recursos florestais: Maser (1994) usa os exemplos do Canyon Chaco (Arizona, EUA), Ilha da Páscoa(pequena ilha no Pacífico Sul, aproximadamente 3.500 km da costa da América do Sul) e aregião de Petén (norte da Guatemala), para ilustrar como os efeitos do desmatamento podemser irreversíveis. A história da Ilha da Páscoa é também mencionada por Ponting (1991), queconcorda com a abordagem de Maser. Maser (1994) e Pontig (1991) fazem um históricocompreensivo sobre o uso (e, principalmente, abuso) das florestas de várias regiões domundo, mostrando que a decadência dos povos está diretamente relacionada com o mau usode seus recursos florestais. Lanly (1995) chama a atenção para necessidade de analisar historicamente as florestasjá desaparecidas, que só foram notadas quando as necessidades humanas já não eram maispossíveis de serem atendidas; a abundância de floresta foi sempre uma péssima referência e asociedade, em geral, tem sido pouco eficiente na antecipação da escassez. Alguns paísesreagiram pro-ativamente para superar este problema como Japão, Alemanha, Suécia, França,mas a maioria, nada fez; alguns acentuaram o estado de pobreza geral e outros, maisabastados, preferiram importar de países com abundantes recursos florestais.3.2. Países Temperados: Maser (1994) faz uma especial ênfase na Alemanha, que no início do século passado,as suas florestas mistas (coníferas e folhosas) foram substituídas por plantios de coníferas derápido crescimento, numa tentativa de re-equilibrar a oferta-procura de madeira. Os grandes 158
  • 159. reflorestamentos da Alemanha sempre usados como bons exemplos de silvicultura,principalmente pelo bom desempenho e alta produtividade do Spruce norueguês durante aprimeira rotação. Na segunda rotação, segundo ainda Maser (1994), esta espécie não conseguerepetir a mesma performance, mostrando os primeiros sinais de declínio e de stress, após maisde um século do primeiro plantio puro. Na Suécia, segundo Hägglund (1994), apesar de problemas de super-exploração desuas florestas, no século passado, atualmente tem uma situação bem equilibrada em termos demadeira; a produção anual é de 65 milhões de m3, de um estoque de crescimento equivalente a85 milhões de m3, ou seja, há uma sobra de aproximadamente 30% por ano do estoquenecessário para manter a sustentabilidade da produção de madeira do País. No Japão, em meados do século XVII o desmatamento atingia 80% do territórionacional; quando foi dado início aos grandes plantios de coníferas, principalmenteCryptomeria japonica D. Don e Chamaecyparis obtusa S. et Z. (Higuchi, 1995). Atualmente,o Japão tem mais de 2/3 do território coberto por florestas, sendo que, deste, 1/3 é dereflorestamento. Por razões próprias, o Japão importa aproximadamente 80% de sua demandadoméstica por produtos madeireiros (estimada em 120 milhões de m3 equivalentes em toras,por ano). Em função desta dependência externa para atender a sua demanda interna, o Japãopode ser usado como exemplo de como recuperar áreas desmatadas, dentro de um horizontede 250-300 anos, mas não como um país que maneja os seus recursos florestais de formasustentável.3.1. Países Tropicais: Nos países tropicais, manejo florestal sustentável sempre esteve associado ao conceitode silvicultura tropical, que nada mais é do que uma adaptação, nos trópicos, da silviculturadesenvolvida na Europa Central. Os sistemas silviculturais foram desenvolvidos tendo comopressuposto a produção sustentada de madeira. Segundo Lamprecht (1990), o botânicoalemão Dietrich Brandis foi o autor do primeiro plano de ordenamento da teca (Tectonagrandis), em 1860, na Índia, sendo, por esta razão, considerado como o criador do manejoflorestal tropical. Na África e América tropicais, as primeiras atividades de silviculturatropical aconteceram no início do século XX, e intensificadas após a segunda guerra mundial. Segundo Palmer (1989), pouca coisa evoluiu desde então, não havendo nada novo naliteratura relacionada com manejo florestal; a maioria das recentes publicações são merasrevisões. Os velhos manuais de silvicultura e manejo, escritos no final dos anos 50 e início 159
  • 160. dos anos 70, na África e Sudeste Asiático, continuam sendo as mais relevantes publicaçõespara o setor florestal. As experiências com aplicação de sistemas silviculturais em florestastropicais somam-se mais fracassos do que sucessos. Em geral, o culpado tem sido a mudançada política do uso do solo, de floresta para agricultura. Teoricamente, não há um só caso deinsucesso atribuído às questões técnicas, mas sempre às políticas. Como resultado, oabastecimento de madeira dura tropical tem sido feito com o primeiro corte de florestasprimárias (Poore, 1989) ou de secundárias quando novas espécies são introduzidas nomercado madeireiro. Leslie (1994) estima que não mais de 5% das florestas tropicais úmidas estão sendomanejadas de forma sustentável. Laird (1995), com base em revisão de literatura, apresentaesta estimativa em valores absolutos, ou seja, 1 milhão de hectares estão sendo manejados deforma sustentável no mundo tropical; sendo que no neotrópico, para cada 35.000 hectares nãomanejados, há um hectare sendo manejado em regime de rendimento sustentado. Wadsworth(1987) afirma que 37 milhões hectares de florestas da Ásia e África estavam sob algumaforma de manejo florestal, até provavelmente 1987. Estas informações conflitantesexemplificam como as estatísticas são tratadas nas regiões tropicais. Usando as estatísticas deLaird (1995) ou de Wadsworth (1987) com a taxa estimada por Leslie (1994), o mundo teria,na pior das hipóteses, pelo menos um milhão de hectares manejados de forma sustentável. Oquê ninguém diz é onde estão estes hectares e nem quando começaram estes projetos. Nummundo carente e ansioso por informações sobre a sustentabilidade do manejo florestal, ummilhão de hectares, não passariam tão despercebidos assim. Shah (1994b) faz uma análise dos aspectos ecológicos do manejo florestal empregadona Índia, desde o período pré-colonial até 1993-94. O autor chega às mesmas conclusões deShah (1994a) e, com ironia, diz que os florestais indianos não admitem a crise no setorflorestal e o máximo que eles fazem, como os políticos, é culpar o crescimento da populaçãopor qualquer problema no setor. O autor aponta ainda algumas falácias que o manejo florestalna Índia baseou-se: (i) tudo aquilo que não tem mercado, não merece ser preservado; (ii) asflorestas podem ser manejadas em regime de produção sustentada para um número limitadode espécies; (iii) os reflorestamentos dão a máxima produção; (iv) o Governo é quem melhorsabe de manejo florestal; (v) as práticas tradicionais são primitivas e não científicas; (vi) ospovos da florestas são analfabetos e ignorantes; não sabem nada de ecologia das florestas;(vii) as florestas podem ser manejadas independentemente da vida silvestre e do bem-estartribal; (viii) floresta e agricultura são dois usos do solo mutuamente independentes; (ix) a 160
  • 161. pesquisa florestal é importante para preservar os departamentos florestais e os institutos depesquisa; (x) todos os problemas florestais têm soluções puramente técnicas. Na Malásia (Peninsular, Sabah e Sarawak), o setor florestal contribuiu com 6.8% doPIB nacional, em 1983, e apesar da longa experiência com manejo florestal baseado nosprincípios do rendimento sustentável, a regeneração de suas florestas está ainda coberta deincertezas (Tang, 1987). Apesar de acumular quase um século de experiência, o autorreconhece que a incerteza sobre o manejo e a renovação das florestas de Dipterocarpaceae éainda devida basicamente à falta de evidências experimentais sobre a natureza e a dinâmicadestas florestas, antes e depois da exploração florestal. Tang sugere que a prioridade éresolver a discrepância entre os sistemas silviculturais concebidos, que são sadios, e ossistemas que de fato praticados na Malásia, que não são sadios. A sua previsão, mantida a taxade exploração florestal à época, as reservas de florestas produtivas da Malásia estariamesgotadas em 18 anos, aproximadamente em 2005. Daryadi (1994) apresenta uma revisão compreensiva do setor florestal da Indonésia,que exportou em 1989, US$ 4 bilhões e, produziu neste mesmo ano, 31.4 milhões m 3 demadeira. Trata-se de um setor que tem uma expressiva participação, tanto no produto internobruto como na geração de empregos. Desde 1970, a Indonésia vem trabalhando com base emplanos nacionais qüinqüenais, que são parcialmente revisões do plano nacional para o períodode 1975-2000, que contemplam não só o manejo das florestas, como também as questõesambientais e sociais. Segundo ainda este autor, as florestas da Indonésia têm sido,historicamente, associadas com seu povo; a floresta tem contribuído significativamente àeconomia e ao bem-estar da população, especialmente nos últimos 25 anos; e que o manejo dafloresta natural tem melhorado consideravelmente, apesar de reconhecer que há desafios pelafrente e problemas para serem resolvidos. No entanto, ao analisar os últimos 25 anos do setorflorestal, o autor critica o baixo retorno dos lucros produzidos pelo madeira, em forma dereinvestimento, na manutenção e desenvolvimento das florestas naturais. A maior parte dolucro vai para o setor industrial como de laminado, polpa e papel e serraria. As razões para obaixo investimento na floresta são: a falta de conhecimento e tecnologia de manejo florestaldo setor privado; oportunidades de melhores negócios fora do setor florestal; baixa qualidadee quantidade de mão-de-obra nas áreas de exploração florestal; fraca supervisão do governo; epouco interesse internacional em valorizar os recursos naturais de países em desenvolvimento.Para Daryadi (1994), nos anos 70 o setor florestal negligenciou os objetivos dodesenvolvimento nacional: harmonizar desenvolvimento florestal com meio ambiente; 161
  • 162. manejar de forma sustentável; distribuir renda eqüitativamente, principalmente aos povoslocais; aumentar o emprego e oportunidades de negócios para toda a população; melhorar oconhecimento e a tecnologia de manejo florestal; melhorar a produção florestal; e desenvolveras indústrias de base florestal. Além disso, a ênfase em extração de madeira em vez de manejoflorestal, reduziu o potencial de oportunidade de empregos, como também, a oportunidade dedesenvolver a habilidade e capacidade gerencial na área de manejo florestal. Na África, as florestas tropicais produtivas concentram-se na parte oeste docontinente. Segundo Asabere (1987), em Gana, os sistemas silviculturais praticados têmpouco a ver com os sistemas preconizados, apesar de ser considerado por Leslie (1994) comouma exceção dentro do continente africano em termos de manejo florestal. Leslie (1994)refere-se às áreas designadas como reservas florestais, incluindo parques nacionais, que,segundo Sargent et al. (1994), representam menos de 10% de seu território. Asabere (1987)critica a falta de confiabilidade dos resultados de crescimento e incremento das florestasmanejadas, considera o ciclo de corte muito curto (15 anos) e que o sistema de seleçãoadotado é uma negação aos princípios silviculturais porque permite a remoção dos melhoresfenótipos e genótipos. Na Nigéria, a aplicação de métodos de regeneração natural paramelhorar a produtividade das florestas nativas não tem produzido resultados satisfatórios e,alguns casos, em vez de favorecer as espécies desejáveis, tem favorecido as espécies nãocomerciais e a proliferação de cipós (Kio e Ekwebelan, 1987). No Brasil, apesar da legislação ambiental preconizar o manejo florestal desde meadosda década de 60, as iniciativas promissoras de manejo florestal na região amazônica são raras.As principais causas da exploração insustentável incluem (i) a falta de políticas adequadas esistema de estímulos para manejo sustentável; (ii) a ineficácia e ineficiência domonitoramento e controle da exploração madeireira; (iii) a oferta clandestina associada aoaumento da fronteira agrícola; (iv) abundância do recurso florestal; e (v) a falta de modelosdemonstrativos (MMA/IBAMA, 1997). Em recente avaliação dos projetos de manejoflorestal, na microrregião de Paragominas (PA), coordenada pela EMBRAPA/CPATU, emrelatório preparado por Silva et. al (1996), a conclusão é muito clara: a situação ésimplesmente caótica. Poucas diferenças em relação à execução dos planos de manejo serãoencontradas em outras microrregiões do Pará, ou mesmo em outros estados amazônicos;provavelmente, mudam apenas a intensidade e a duração da intervenção. Segundo Prado (1997), a atual “equação econômica” do uso dos recursos florestais naAmazônia se compõe da superabundância de estoques; da disponibilização do recurso pelo 162
  • 163. desmatamento; pelo acesso itinerante, predatório, descontrolado em terras privadas, públicas,e em terras que, em sua maioria, não são uma coisa nem outra; de elevados índices dedesperdício, tanto na exploração florestal, como no processamento industrial; da resultante deum preço vil da madeira e de outros produtos não madeireiros e, por consequência, de umbaixo retorno econômico, social e ambiental.4. Conclusão: Pelo tempo que se pratica a exploração de madeira, sob algum tipo de sistema quepreconiza o manejo sustentável, na Ásia tropical, pelo menos, grande parte do abastecimentodeveria ser feito por florestas secundárias (segundo ou terceiro ciclo de corte). Se isto estáacontecendo, não há registros. O quê observa-se é a pratica do nomadismo também nestesetor; com o esgotamento das reservas, procura-se uma nova fonte de abastecimento.Atualmente, o alvo é a Amazônia, que é, aparentemente, a última fronteira florestal. Oabastecimento de madeira dura tropical, centrado na floresta primária, é um indicativoirrefutável contra a prática de manejo sustentável das florestas tropicais. É possível produzir a madeira de forma sustentável? A resposta é sim, mas tudo temque ser modificado para que isto aconteça. A “conscientização” per se da necessidade depraticar o manejo florestal sustentável não é suficiente; é preciso assumir o “compromisso”em praticá-lo. Além disso, é preciso saber se realmente vale a pena (esforço e dinheiro)investir no manejo sustentável. Na Amazônia precisamos ainda fazer uma análise decusto/benefício e responder a pergunta “para quem estaremos produzindo?”. De um modogeral, os países que priorizaram a exportação de seus recursos florestais, continuam pobres esem as suas reservas florestais. Ao Poder Público, cabe a responsabilidade de fazer cumprir alegislação vigente e remover os obstáculos que dificultam a implementação do manejoflorestal sustentável. 163
  • 164. BibliografiaAsabere, P.K. 1987. Attempts at Sustained Yield Management in the Tropical High Forests of Ghana. Em: Natural Management of Tropical Moist Forests - Silvicultural and Management Prospects of Sustained Utilization (editado por F. Mergen e J.R. Vincent). Yale University, pp. 47-69.Baharuddin, H.G. 1995. Timber Certification: an Overview. Unasylva, 183(46):18-24.Daryadi, L. 1994. Indonesia’s Experience in Sustainable Forest Management. Em: Readings in Sustainable Forest Management. FAO Forestry Paper 122:201-213.Deusdará Filho, R. (1997). Certificação de produtos Florestais “Uma Perspectiva Brasileira”. In: Seminário sobre Certificação Florestal. Brasília.DF. Setembro/97, mimeo. 4p.Dykstra, D.P. e R. Heinirch. 1992. Sustaining Tropical Forests through Environmentally Sound Harvesting Practices. Unasylva, 169(43):9-15.Gane, M.. 1992. Sustainable Forestry. Commonwealth Forestry Review, 71(2):83-90.Gow, D.D. 1992. Forestry for Sustainable Development: the Social Dimension. Unasylva, 169(43):41-45.Hägglund, B. Sweden: Using the Forest as a Renewable Resource. Em: Readings in Sustainable Forest Management. FAO Forestry Paper 122:215-224.Higuchi, N. 1995. O Setor Florestal Japonês. Palestra apresentada durante a Semana do Meio Ambiente, como parte da Comemoração do Centenário de Amizade Brasil e Japão, promovida pelo Consulado Geral do Japão em Manaus. Manaus, Am.Hurka, T. 1996. Sustainable Development: What do we Owe to Future Generations? Unasylva, 187(47):38-43.ITTO (International Tropical Timber Organization), 1992. Criterios para la Evaluacion de la Ordenacion Sostenible de los Bosques Tropicales. Série ITTO de Desarrollo de Políticas no 3, 6p.Johnson, S.P. 1993. The Earth Summit: The United Nations Conference on Environment and Development (UNCED). Editora Graham & Trotman/Martinus Nijhoff, Série “International Environmental Law and Policy.”Kageyama, P. & F.B. Gandara. 1993. Dinâmica de Populações de Espécies Arbóreas: Implicações para o manejo e a conservação. Em: III Simpósio de Ecossistemas da Costa Brasileira. Anais. Volume II. Serra Negra-SP. p. 2-9.Kemp, R.H. 1992. The Conservation of Genetic Resources in Managed Tropical Forests. Unsylva, 169(43):34-40.Kemp, R.H. e C. Palmberg-Lerche. 1994. Conserving Genetic Resources in Forest Ecosystems. Em: Readings in Sustainable Forest Management. FAO Forestry Paper 122:101-117.Kiekens, J.P. 1995. Timber Certification: a Critique. Unasylva, 183(46):27-28.Kio, P.R.O. e S.A. Ekwebelan. 1987. Plantations versus Natural Forests for Meeting Nigeria’s Wood Needs. Em: Natural Management of Tropical Moist Forests - Silvicultural and Management Prospects of Sustained Utilization (editado por F. Mergen e J.R. Vincent). Yale University, pp. 149-176. 164
  • 165. Laird, S. 1995. The Natural Management of Tropical Forests for Timber and Non-Timber Products. O.F.I. Occasional Papers número 49. 63p.Lamprecht, H. 1990. Silvicultura nos Trópicos: Ecossistemas Florestais e Respectivas Espécies Arbóreas - Possibilidades e Métodos de Aproveitamento Sustentado. GTZ GmbH, Eschborn. 343p.Lanly, J.P. 1995. Sustainable Forest Management: Lessons of History and Recent Developments. Unasylva, 182(46):38-45.Leslie, A . J. 1994. Sustainable Management of Tropical Moist Forest for Wood. In: Readings in Sustainable Forest Management. FAO Forestry Paper 122:17-32.Lowe, P.D.. 1995. The Limits to the Use of Criteria and Indicators for Sustainable Forest Management. Commonwealth Forestry Review, 74(4):343-349.Maini, J.S. 1992. Sustainable Development of Forests. Unasylva, 169(43):3-8.Maser, C. 1994. Sustainable Forestry: Philosophy, Science, and Economics. St. Lucie Press. 373p.MMA/IBAMA. 1997. Documentos do Projeto Apoio ao Manejo Florestal na Amazônia (ProManejo). Mimeografado.Montalembert, M.R. e F. Schmithüsen. 1993. Policy and Legal Aspects of Sustainable Forest Management. Unasylva, 175(44):3-9.Palmer, J. 1989. Management of Natural Forest for Sustainable Timber Production. Em: No Timber Without Trees - Sustainability in the Tropical Forest (Poore, D., P. Burgess, J. Palmer, S. Rietbergen e T. Synnott - editores). Earthscan Publications Ltd., London. Pp 154-189.Ponting, C. 1991. A Green History of the World: the Environment and the Collapse of Great Civilizations. Penguin Books, New York. 430p.Poore, D. 1989. The Sustainable Management of Tropical Forest: the Issues. Em: No Timber Without Trees - Sustainability in the Tropical Forest (Poore, D., P. Burgess, J. Palmer, S. Rietbergen e T. Synnott - editores). Earthscan Publications Ltd., London. pp. 1-27.Prado, A. C. 1997. Uso sustentável dos recursos florestais no Brasil. mimeo. 27p.Reid, D. 1995. Sustainable Development: na Introductory Guide. Earthscan Publications Ltd.. London. 261p.Sargent, C., T. Husain, N.A. Kotey, J. Mayers, E. Prah, M. Richards e T. Treue. Incentives for the Sustainable Management of the Tropical High Forest in Ghana. Commonwealth Forestry Review, 73(3):155-163.Shah, S.A. 1994a. Reinventing Tropical Forest Management in India. The Indian Forester, June:471-476.Shah, S.A. 1994b. Ecological Aspects of Tropical Forest Management (the Case of India). The Indian Forester, November:981-999.Silva, J.N.M. et al. 1996. Diagnóstico dos Projetos de Manejo Florestal no Estado do Pará. Fase Paragominas. 87 p.Tang, H.T. 1987. Problems and Strategies for Regenerating Dipterocarp Forests in Malaysia. Em: Natural Management of Tropical Moist Forests - Silvicultural and Management 165
  • 166. Prospects of Sustained Utilization (editado por F. Mergen e J.R. Vincent). Yale University, pp. 24-45.TCA (Tratado de Cooperação Amazônica), 1995. Proposal of Criteria and Indicators for Sustainability of the Amazon Forest (Results of the Regional Workshop in Tarapoto). 149p.Uhl et al. 1996. Uma Abordagem Integrada de Pesquisa sobre o Manejo dos Recursos Naturais na Amazônia. Em: A Expansão da Atividade Madeireira na Amazônia: Impactos e Perspectivas para o Desenvolvimento do Setor Florestal no Pará. Belém. IMAZON. 143-164p.Viana, V.M. 1997. Certificação Socioambiental, Bom Manejo Florestal e Políticas Públicas. Workshop “Políticas Florestais e Desenvolvimento Sustentável na Amazônia. Rio de Janeiro. FBDS. mimeo. 15 p.Wadsworth, F.H. 1987. Applicability of Asian and African Silviculture Systems to Naturally Regenerated Forests of the Neotropics. Em: Natural Management of Tropical Moist Forests - Silvicultural and Management Prospects of Sustained Utilization (editado por F. Mergen e J.R. Vincent). Yale University, pp.93-111.WCED. 1987. Our Common Future. Oxford University Press. 400p.WWF (World Wildlife Fund for Nature). 1996. Structural Adjustment, the Environment, and Sustainable Development. Editado por David Reed. Earthscan Publications Ltd.. London. 386p.WWF (World Wildlife Fund for Nature). 1996. WWF Guide to Forest Certification. WWF- UK. 36p. 166
  • 167. CAPÍTULO 18 Manejo florestal sustentável na Amazônia brasileira Resumo Neste trabalho é apresentada uma revisão das atividades de manejo de florestas tropicaisúmidas, incluindo conceitos, histórico, aplicações e pesquisas experimentais sobre o tema, emimportantes países tropicais da Ásia, África e América, com ênfase na Amazônia brasileira. Étambém apresentada uma análise da situação das florestas tropicais úmidas e das perspectivasquanto ao desenvolvimento florestal da região amazônica, depois da Rio-92 e de outrosimportantes movimentos ambientalistas que ocorreram nos últimos anos. Manejar a floresta sobregime de rendimento sustentado é uma forma inteligente de uso do solo amazônico. É aplicávelem muitas sub-regiões da Amazônia, mas não para a região toda. Não há modelo específico demanejo para as distintas indústrias madeireiras e, a tendência atual, é a diversificação de produtospara que a sustentabilidade econômica do manejo seja mais facilmente alcançada.1. CONCEITOS Manejo Florestal é parte da ciência florestal que trata do conjunto de princípios,técnicas e normas, que tem por fim ORGANIZAR as ações necessárias para ORDENAR osfatores de produção e CONTROLAR a sua produtividade e eficiência, para alcançar objetivosdefinidos. Detalhes técnicos deste conceito são apresentados no Capítulo 19. Princípios: Produção contínua e sustentada dos produtos madeireiros por meio dodesenvolvimento cognitivo, dinâmico e iterativo. Isto significa admitir que a floresta contémalgo mais do que árvores e, o seu potencial, representa algo mais do que madeira. Dentro deuma floresta há inúmeros organismos vivos (homens, inclusive) que se interagem e interagemcom o ambiente natural e que precisam ser, cuidadosamente, considerados antes de qualquerintervenção. O próximo capítulo faz uma abordagem compreensiva sobre o conceito desustentabilidade e desenvolvimento sustentável e como o setor florestal tem lidado como esteconceito ao longo de quase 150 anos de existência. Técnicas: Uso de sistemas silviculturais apropriados para a região amazônica. Esses sistemas serãodiscutidos com mais detalhes na apresentação da evolução histórica e de alguns resultados de 167
  • 168. pesquisas sobre o manejo de florestas tropicais úmidas, neste capítulo. Além disso, temos noCapítulo 22, resultados de pesquisas de manejo florestal e de ecologia que devem auxiliar naelaboração de planos de manejo florestal. Normas: Na Amazônia, o artigo 15 do Código Florestal (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de1965), que trata do manejo florestal da região, foi regulamentado em 1994, Decreto no 1.282 ealterado em 28/09/98 (Decreto 2.788), definindo as regras e as condições para oaproveitamento de seus recursos florestais, que são baseadas nos princípios dodesenvolvimento sustentável. A Portaria nº 48, de 10 de julho de 1995 regulamenta osDecretos e apresenta um roteiro básico para apresentação de planos de manejo florestal. Em2007, as normas são outras. O Capítulo 21 destaca pontos importantes desses documentosfederais obrigatórios atualizados em 2007. Há também documentos não obrigatórios comoConvenções assinadas durante a Rio-92 e outros acordos internacionais e a certificaçãoflorestal, que são apresentados no Capítulo 20. MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL - MFS - é também MANEJO FLORESTALSOB REGIME DE RENDIMENTO SUSTENTÁVEL, é a condução de um povoamentoflorestal aproveitando apenas aquilo que ele é capaz de produzir, ao longo de um determinadoperíodo de tempo, sem comprometer a sua estrutura natural e o seu capital inicial. O Manejo Florestal Sustentável, às vezes, confundido como SILVICULTURATROPICAL, tem tido esta conotação porque praticamente não há como manejar de formasustentada sem a aplicação dos clássicos sistemas silviculturais adaptados aos países tropicais.MFS é visto também como sinônimo de manejo da regeneração natural do povoamentoremanescente da exploração comercial. MFS é, enfim, a aplicação de sistemas silviculturais em florestas destinadas à produçãomadeireira e a condução da regeneração natural do povoamento remanescente, de modo agarantir a contínua operação da capacidade instalada para o desdobro do produto da floresta. OEngenheiro Florestal ou assemelhado, no exercício de sua profissão, objetiva por meio do MFS aconversão de uma floresta heterogênea, complexa e irregular, a uma mais homogênea (semcolocar em risco a biodiversidade), menos complexa e que tenha uma quantidade maior deespécies comercialmente desejáveis. Há dois tipos de MFS: monocíclico (uniforme) e policíclico (cortes sucessivos). MFSmonocíclico, praticamente extinto, pressupõe a exploração florestal em um único corte e o 168
  • 169. retorno após cumprido o período de rotação da floresta. O Sistema Uniforme Malaio é o exemplode MFS monocíclico. MFS policíclico, geralmente bicíclico, pressupõe cortes sucessivos comretorno de acordo com o ciclo de corte arbitrado.2. HISTÓRICO DO MFS Os sistemas silviculturais utilizados para o MFS nos países com florestas tropicais são, narealidade, adaptações dos modelos clássicos (principalmente europeus) desenvolvidos para asflorestas temperadas. As primeiras experiências silviculturais voltadas ao MFS foram executadasna Índia e Myanmar (antiga Birmânia), em meados do século XIX. Segundo Lamprecht (1990), a história do MFS nos trópicos só começou a ser contadadepois do surgimento dos reinos coloniais europeus. O botânico alemão Dietrich Brandisescreveu em 1860, na Índia, o primeiro plano de ordenamento para a Teca (Tectona grandis) deMyanmar, desenvolve o método de "taungya" e funda o serviço florestal indiano. A revista "TheIndian Forester" começou a ser publicada em 1875. O primeiro manual de silvicultura tropicalfoi publicado em 1888, na Índia. Em 1883 foi criado o primeiro Serviço Florestal na Malásia, que tinha como principaisatividades: controle do extrativismo madeireiro, manutenção de reservas florestais, legislação eadministração, não tendo praticamente nada de manejo florestal. Na Malásia Peninsular, entre1910 e 1922, uma série de tratamentos silviculturais, conhecidos como Cortes de Melhoramento,foram implementados para favorecer uma única espécie, Palaquium gutta. O látex desta espécietinha uma participação significativa na economia do país. As árvores eram derrubadas para fazera extração. Já naquela época foi observado que em vez de plantios, a condução da regeneraçãonatural pré-existente era muito mais conveniente. Este sistema foi o precursor do Sistema Uniforme Malaio (SUM), que se consolidou em1948, depois de aposentar o Sistema de Corte de Melhoramento da Regeneração. Isto aconteceudurante o período de reaquecimento da economia mundial e, em particular, com a alta dademanda de produtos madeireiros de florestas tropicais. O desenvolvimento do SMU se deu, fortuitamente, quando foi verificada a regeneraçãoabundante de espécies desejáveis, depois de um longo período de ocupação militar japonesa econseqüente destruição de florestas naturais, por meio de cortes rasos ou aberturas de grandesclareiras. Foi então concluído que as espécies desejáveis necessitavam de grandes aberturas parao desenvolvimento da RN. A primeira versão do SMU preconizava o corte de todas as árvores 169
  • 170. com DAP > 45 cm e a eliminação, posterior, de todas as indesejáveis que competiam com aregeneração natural (RN) das desejáveis. Nas florestas com predominância da família botânica Dipterocarpaceae, o SMU foi,inicialmente, executado com êxito na Malásia Peninsular. Até 1976, aproximadamente 300.000hectares tinham sido manejados pelo SMU. Em florestas altas, onde espécies daDipterocarpaceae não eram abundantes, o SMU fracassou. Em função disso, várias alternativasforam introduzidas para o manejo dessas florestas. Segundo FAO (1989), na África, as experiências silviculturais são registradas desde oinício do século XX. As primeiras pesquisas foram implantadas em Togo e Camarões, colôniasalemãs, em 1908. Entre 1920 e 1930, na África Ocidental Britânica, os ingleses instalaram osprimeiros experimentos florestais na região. Os franceses atuaram mais na Costa do Marfim, em1930. O Sistema Tropical Shelterwood (STS) consolidou-se em 1944, na Nigéria. Este sistemafoi inspirado em sistemas que favoreciam a RN de espécies desejáveis, sob as árvores matrizes,por meio de corte de cipós e eliminação de indesejáveis. A primeira versão do STS era umaadaptação do SMU. O STS consistia de abertura gradual do dossel por meio de envenenamento (com arsenitode sódio) de espécies não comerciais e também corte de cipós e limpezas para controlar ainfestação de cipós e ervas daninhas, para promover a sobrevivência e o crescimento da RN deespécies desejáveis. Depois de manejar, aproximadamente, 200.000 hectares de florestasprimárias nigerianas com STS, este sistema foi abandonado. A razão principal foi que aprodução de madeira não competia com outras formas de uso do solo. Onde havia algumapreocupação com o uso múltiplo da floresta, o STS conseguiu se consolidar. Os sistemas seletivos vieram depois e hoje são os que predominam no MFS. Uma raraexceção é o Sistema de Faixas de Colheita, utilizado experimentalmente no Vale do Rio Palcazu,no Peru - mais recentemente. A evolução histórica do MFS é apresentada na Figura 18.1. Os Quadros 18.1, 18.2, 18.3e 18.4 apresentam, respectivamente, resumos das operações do SMU, do STS, de um sistemaseletivo e do sistema CPATU-EMBRAPA. No continente americano, o exemplo vem das experiências silviculturais, primeiramente,instaladas em Trinidade, entre 1890 e 1900, pelos florestais ingleses. Entretanto, segundoBudowski (1976), não há um só exemplo de floresta tropical úmida da América que está sendomanejada sob regime de rendimento sustentado, se comparado com as condições do sudeste 170
  • 171. asiático e do oeste africano. Nos países amazônicos, no início da década de 80, foram planejadasvárias áreas de demonstração de manejo florestal, totalizando aproximadamente um milhão dehectares, mas que até hoje não foram implementadas. No Brasil, o conceito de manejo florestal em regime de rendimento sustentado foi,primeiramente, introduzido com a realização dos primeiros inventários florestais, executados porperitos da FAO, em fins de 1950s. O primeiro e único plano de manejo foi feito para a FLONAde Tapajós, em 1978, para uma área de 130.000 ha, mas que ainda não foi implementado. Aprincipal razão foi falta de competitividade com outras formas de uso do solo. Provavelmente, háalgum plano de manejo em regime de rendimento sustentado sendo executado na Amazônia,porém sem registros.3. MFS NO MUNDO TROPICAL – UMA AVALIAÇÃO Os principais sistemas silviculturais utilizados no manejo florestal em regime derendimento sustentado foram: Malaio Uniforme (original), Tropical Shelterwood (original),Seletivo (original), Malaio Uniforme Modificado das Filipinas, Malaio Uniforme Modificado daIndonésia, Malaio Uniforme Modificado de Sabah, Desbaste de Liberação de Sarawak, SeletivoModificado da Malásia Peninsular, Seletivo Modificado das Filipinas, Seletivo Modificado daIndonésia, Diâmetro Mínimo, Seletivo da Tailândia, Tropical Shelterwood de Gana, SeletivoModificado de Gana, Melhoramento da População Natural da Costa do Marfim, Seletivo dePorto Rico, Tropical Shelterwood de Trinidade, CELOS do Suriname, Melhoramento daPopulação Natural da Guiana Francesa e Faixas de Colheita do Peru. Depois de quase um século de experiência: qual é o sistema mais bem sucedido durantetodo este tempo? A resposta é nenhum. Em reunião ocorrida na Universidade de Yale, EstadosUnidos, os especialistas em Manejo Florestal dão uma boa visão de como está a situação dasatividades florestais em vários países do sudeste asiático e do oeste africano, mas nenhum delesaponta um caso confirmado de sucesso da prática de manejo florestal (Mergen e Vincent, 1987).As razões são as mais variadas possíveis, como invasões pelos sem-terra, mudança de política deuso do solo, catástrofes naturais ou artificiais (guerras e guerrilhas), golpes de Estado (militaresou não), falta de pessoal treinado, falta de financiamentos etc. Entretanto, praticamente não háregistros de insucesso creditado aos aspectos técnicos na aplicação desses sistemas no MFS. Do ponto de vista financeiro, a atividade florestal representa para os países produtores dosudeste asiático e do oeste africano, aproximadamente 10% do PIB daqueles países. NaAmazônia brasileira, as indústrias exportadoras de madeira faturaram, em 1990, US$ 170 171
  • 172. milhões, do qual o Estado do Pará sozinho contribuiu com 80% (segundo AIMEX, Associaçãodas Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará e Território Federal do Amapá). NoEstado do Amazonas, praticamente 100% das exportações são de laminado e compensado. NoAmazonas, o setor florestal contribuiu, em 2000, com apenas 0,4% do PIB Estadual. SegundoHiguchi et al. (2006), a atividade madeireira na região amazônica tem correlação direta com odesmatamento (r = 0,99, p < 0,00001) e quase nenhuma com a distribuição de renda (r = 0,17, p> 0,9999). Enquanto isso, verifica-se uma diminuição constante dos estoques de madeira tropical,concomitante a um aumento preocupante de áreas degradadas em todo o mundo tropical. OQuadro 18.5 dá uma idéia de como está o estoque de florestas tropicais, até 1985, nos principaispaíses produtores de madeira. A situação nos países do sudeste asiático e oeste africano deve teragravado nos últimos 15 anos, porque a demanda por produtos madeireiros tropicais nãodiminuiu durante este período, ao contrário, tem-se aumentado exponencialmente. No Capítulo 4temos uma análise do setor florestal e da perspectiva do MFS no mundo tropical. No Brasil, na região amazônica, a situação também não é nada confortável, apesar dotamanho de nossas reservas florestais. Segundo Fearnside et al. (1990), até 1989, 478.882 km2(47.888.200 hectares) de florestas nativas foram transformados em outras formas de uso dosolo, na Amazônia Legal, em nome do desenvolvimento da região. Em 2006, o desmatamentoacumulado alcançou 66.439.500 de hectares (www.inpe.br). Os principais projetos de“desenvolvimento,” normalmente incentivados (subsidiados) pelo Governo Federal, comrecursos levantados junto à comunidade financeira internacional, foram: agropecuária,mineração e hidrelétricas. Até o final dos anos 90, os florestais e os madeireiros aindaconseguiam eximir-se da responsabilidade pelos desmatamentos na Amazônia. Hoje, entretanto,a exploração florestal tem uma participação significativa para o crescimento de áreas degradadasda região. A exploração florestal deixou, definitivamente, de ser subproduto de projetos dedesenvolvimento. No sul do Pará, por exemplo, a exploração, vem servindo como subsídio paraa implantação de pastagens e projetos agrícolas. Mesmo onde há exploração seletiva,praticamente, não nenhuma indicação que está sendo praticado o manejo florestal em regime derendimento sustentado. Durante a Rio-92, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresentou asseguintes estatísticas de desmatamento na região, atualizadas até 1991: período de 1978 a1988, 21.130 km2 por ano; em 1989, 17.860 km2/ano; em 1990, 13.810 km2/ano; e em 1991,11.130 km2/ano (INPE, 1992). Neste trabalho são também apresentadas as taxas de 172
  • 173. desmatamento para cada Estado. Houve uma queda das taxas de desmatamento, a partir de1988, estabilizando-se, a partir de 1990, em torno de 12.000 km2 anuais. As razões para aqueda de 21.130 km2 (1978-1988) para 11.130 km2/ano (1991), foram principalmente: políticaambiental do Brasil e falta de recursos financeiros como forma de subsídios para projetos de“desenvolvimento” na Amazônia. Segundo Nepstad et al. (1999), a exploração seletiva demadeira alterou entre 9.730 e 15.090 km2, na safra de 1996-97, de cobertura florestal originalda Amazônia brasileira, que, provavelmente, não está contabilizada como desmatamento peloINPE. V. quadro 15.8 (Capítulo 15), que não tem as áreas desmatadas de cada Estado a partirde 2000, mas tem os acumulados de toda região até 2006. Asner et al. (2005) afirmaram que aexploração seletiva de madeira poderia aumentar de 60 a 123% a área desmatada naAmazônia, com base em estudos no período de 1999 a 2002.4. PESQUISAS COM MFS Nesse aspecto, o Brasil não fica devendo nada aos países do sudeste asiático e oesteafricano. Na Amazônia brasileira há registros de pesquisas desde fins dos anos 50. De modogeral, as pesquisas florestais quase que, invariavelmente, são multidisciplinares, com umcrescente aumento de conscientização quanto aos aspectos ecológicos e sociais do manejoflorestal. Especificamente sobre sistemas silviculturais, as pesquisas iniciaram-se em fins dos anos70 e começo dos anos 80. As principais experiências estão sendo executadas nas seguintesregiões: FLONA de Tapajós (CPATU-EMBRAPA), Curuá-Una (SUDAM/FCAP), Projeto Jari(JARI/ CPATU-EMBRAPA), Buriticupu e Marabá (CVRD), Manaus (INPA), Abufari(CAROLINA), Antimari (FUNTAC), Comunidade Pedro Peixoto no Acre (EMBRAPA) e emParagominas (Imazon). Em 2007, são mantidas apenas as da FLONA, Jarí, Manaus, PedroPeixoto e Paragominas. Há várias revisões sobre este assunto, publicadas em revistas científicas e anais deencontros e congressos florestais. Uma das mais recentes é de Higuchi (1991), publicada nosanais do Seminário "O Desafio das Floresta Neotropicais," pela Universidade Federal do Paraná.Outras revisões importantes estão disponíveis em Pandolfo (1979), Carvalho (1987), Yared etal. (1988), Synnott (1989), Souza (1989), Siqueira (1989) e Barros (1990). Essas experiências inspiraram dois sistemas silviculturais para a Amazônia Brasileira,sendo um sugerido por Silva e Whitmore (1990) e, outro, o sistema SEL (Seleção de EspéciesListadas), desenvolvido pelo INPA (Higuchi et al., 1991a). Esses dois sistemas são do tipo 173
  • 174. policíclico e de uso múltiplo e têm em comum os princípios dos sistemas precursores, Malaio eShelterwood Tropical, que utilizam a regeneração natural para garantir ciclos de cortesubseqüentes. Os países vizinhos, politicamente incluídos na região amazônica, têm também feitograndes investimentos em pesquisas florestais. Os sistemas investigados no Suriname (CELOS)e na Guiana Francesa (Melhoramento da População Natural) devem ser considerados emqualquer tomada de decisão quanto à escolha de sistemas silviculturais para o manejo da florestaamazônica. Outros países como Peru, Costa Rica e Honduras, também investiram em pesquisascom manejo florestal nos últimos anos. Na Amazônia brasileira, além das pesquisas silviculturais e de manejo florestal, muitosestudos básicos têm sido realizados na região, principalmente em áreas de conhecimento comoecofisiologia, fenologia, sistemas de reprodução, estrutura natural da floresta, balanços de água enutrientes, fitossociologia e outros - das principais espécies arbóreas amazônicas (BIONTE,1997 e EMBRAPA-CPATU, 1999). O sumário executivo do Projeto BIONTE é apresentado noCapítulo 22. Depois do Congresso Florestal Mundial da IUFRO, em 1990 no Canadá, a área desociologia florestal está também se integrando ao conceito de manejo florestal na Amazônia.5. CONCLUSÃO: Apesar da quantidade de sistemas silviculturais desenvolvidos com base nos princípiosdo manejo florestal sob regime de rendimento sustentado, os resultados práticos sãodesanimadores. Isto é um contra-senso se consideradas todas as pesquisas desenvolvidas e opapel que a floresta desempenha na manutenção da qualidade de vida do planeta terra. No sudeste asiático, a maioria das ricas florestas, principalmente de Dipterocarpaceae,que foram submetidas à exploração florestal sob qualquer tipo de sistema silvicultural, estão hojedegradadas. A cada dia que passa aumenta a produção e diminui o ciclo de corte. O mesmoocorre no oeste africano. Ao contrário da Amazônia brasileira, nessas duas regiões há grandesdensidades demográficas, que têm contribuído significativamente para o insucesso do manejoflorestal. No Brasil, outra vantagem é que nunca se falou que estava utilizando este ou aquelesistema para o manejo florestal, até 1989. Mesmo assim temos hoje cerca de 65 milhões dehectares de floresta amazônica, se não totalmente degradados, pelo menos seriamentecomprometidos em termos de sucessão florestal. A partir de 1989, com a exigência do plano demanejo (OS no 001/89-DIREN de 7/8/89) e outras instruções por parte do IBAMA, milhares de 174
  • 175. hectares de floresta amazônica já foram explorados sob algum nome de algum sistemasilvicultural clássico. A floresta amazônica remanescente é ainda muito grande, mas seria muita irresponsabilidade dosflorestais e madeireiros acharem que isto seja suficiente para acomodação. Por outro lado, apesar de todos os"defeitos" impostos à floresta amazônica, como cor da madeira, peso específico e má distribuição espacial, aprocura por madeira tropical se voltará para esta região, ainda na primeira década deste século. Usando cominteligência as áreas vocacionadas para produção madeireira, a floresta amazônica será conservada. As pesquisasindicam que as injúrias causadas pelas explorações florestais são rapidamente cicatrizadas, as clareiras sãocolonizadas de acordo com orientações técnicas, a floresta residual responde positivamente aos tratamentossilviculturais e que o manejo florestal, enfim, pode fazer bem a floresta natural. Outro aspecto alvissareiro é a conscientização ecológica e, conseqüente pressão dosconsumidores de madeira tropical do mundo todo e também do Brasil. Muito em breve, oconsumo se restringirá ao produto oriundo de áreas manejadas sob regime de rendimentosustentável. Quando isto acontecer, apenas aqueles que trabalham com base no conhecimento,sobreviverão. Os empresários florestais têm que ter em mente, no exercício de suas atividades,não só as exigências do IBAMA, mas também o bem-estar das futuras gerações.Definitivamente, apenas por meio do conhecimento se chegará a tão almejada sustentabilidadedos projetos de manejo florestal. 175
  • 176. Figura 18.1: Evolução histórica do Manejo Florestal sob Regime de Rendimento Sustentado, de forma esquemática. Índia e Birmânia (Experiências Silviculturais, Século XIX) Ilhas Andanan, 1930s Malásia, 1930s Sri Lanka, 1933 (Bosques Abrigados) (Cortes de Melhoramento) (Corte Seletivo) Trinidade, 1939 Malásia, 1927 Nigéria, 1944 STS (Cortes Melhoramento RN) 1º STS Porto Rico, 1948 Filipinas, 1953 Borneo do Norte Indonésia, 1972 Nigéria, 1953 Gana, 1945 Seletivo Seletivo SUM, 1955 Seletivo 2º STS STS Sabah/Sarawak Nigéria, 1961 Gana, SUM modificado, 1968 3º STS Seletivo Sabah/Sarawak Bi-cíclico, 1980Fonte: Wyatt-Smith (1986). 176
  • 177. Quadro 18.1: Seqüência de Operações do Sistema Malaio Uniforme (SMU), versão original.Cronologia Operações7 ou 2 anos antes de Anelamento e Envenenamento de Indesejáveis com copas densasE (n-7 ou n-2) dos dosseis inferior e médio (indesejáveis do dossel superior, se necessário). Corte de cipós.n-1.5 Avaliação da RN (plântulas e mudas estabelecidas, método de Milliacre, LSM, quadrados de 2 x 2m.n-0.5 IF das árvores grandesE Exploração Florestal (a concluir em menos de dois anos)logo após E Anelamento e Envenenamento de árvores Indesejáveis e Corte de cipósn+2 até n+3 Limpeza do sub-bosque para favorecer RN de desejáveis e Corte de cipós.n+4 até n+5 Inventário das varas usando LS l/4, quadrados de 5 x 5m.logo após LS 1/4 Tratamentos silviculturais incluindo anelamento e envenenamento de indesejáveis, corte de cipós e semear desejáveis, se necessário.n+10 Inventário das arvoretas, LS 1/2, quadrados de 10 x 10m.logo após LS 1/2 Tratamentos silviculturais, se necessários. Considerar regenerado se o IE > 60%.n+20 Desbaste. A ser executado depois em intervalos de 10 a 15 anos, até a rotação final.Fonte: Wyatt-Smith, J. (1986).LS = Linear Sampling; IE = Índice de Estoque; E = ExploraçãoIF = Inventário Florestal; RN = Regeneração NaturalObs.: A rotação inicial era de 70 anos. 177
  • 178. Quadro 18.2: Seqüência de operações do Sistema Tropical Shelterwood (STS), versão original.CRONOLOGIA OPERAÇÕESE-5 Marcação da área. Corte de lianas e de indesejáveis, arbustos e herbáceas do estrato inferior.E-4 Segundo corte de lianas etc. Envenenamento do estrato intermediário (estação seca). Primeira Contagem da RN (estação chuvosa).E-3 Segunda abertura do dossel (estação seca). Primeira e Segunda Limpezas (estação chuvosa).E-2 Terceira Limpeza. Segunda Contagem da RN. Quarta Limpeza.E-1 Quinta Limpeza (estação chuvosa)E Exploração florestal. Primeira Limpeza pós-exploração.E+9 Segunda Limpeza pós-exploração.E+10 Remoção das árvores que serviram de abrigo para a RN de desejáveis. Quarta contagem da RN.E+14 Terceira Limpeza pós-exploração.E+19 Quarta Limpeza pós-exploração.etc Nova exploração florestal 100 anos depois.Fonte: Lowe, R.G. (1978).Quadro 18.3: Seqüência de Operações de um Sistema Seletivo.CRONOLOGIA OPERAÇÕESE-1 a E-2 Inventário Florestal pré-exploratório usando amostragem sistemática. Determinação dos ciclos de corte.E a E-1 Corte de cipós para reduzir danos durante a exploração florestal. Marcação das árvores que serão derrubadas de acordo com direção de queda.E Corte de todas as árvores marcadas conforme o plano de corte.E+2 a E+5 Inventário Florestal pós-exploratório usando amostragem sistemática para avaliar o estoque residual e para prescrever os tratamentos silviculturais.Fonte: Leslie, A.J. 1986. 178
  • 179. Quadro 18.4: Seqüência de Operações do Sistema CPATU-EMBRAPA.CRONOLOGIA OPERAÇÕESE-2 Inventário pré-exploratório a 100% das árvores com DAP≥60 cm. Preparação dos mapas de exploraçãoE-1 Seleção das árvores que serão derrubadas. Evitar grandes clareiras. Marcar árvores que serão derrubadas e que serão reservadas para as próximas colheitas. Corte de cipós, se necessário. Instalação das parcelas permanentes (PP).E Exploração Florestal. Observar direção de queda. Intensidade de exploração = 30-40 m3/ha e DAP mínimo de 60 cm.E+1 Re-medição das PPs para estimar os danos de exploração e o estoque da floresta residualE+2 Envenamento/anelamento de espécies não comerciais ou comerciais severamente danificadas. Reduzir área basal em 1/3 da original. Incluir as reduções devidas à exploração e aos danos da exploração.E+3 Re-medição das PPs.E+5 Re-medição das PPs.E+10 Refinamento para melhorar o crescimento das espécies comerciais remanescentes. Re-medição das PPs. Repetir as medições cada 5 anos e aplicar tratamentos silviculturais cada 10 anos.Fonte: Silva e Whitmore (1990). 179
  • 180. Quadro 18.5: Áreas de florestas produtivas dos principais países produtores de madeira tropical (emmilhões de hectares), até 1985.PAÍS ÁREA TOTAL EXPLORADA % REMANESCENTEBrasil 295,5 13,5 95,4Malásia 14,4 5,7 60,4Indonésia 67,5 34,5 48,9Filipinas 6,3 3,7 41,3Birmânia 21,8 5,5 74,8Vietnã 3,5 2,3 34,3Tailândia 2,9 2,9 0Laos 2,4 2,4 0India 37,8 3,9 89,2Sri Lanka 1,0 1,0 0Zaire 79,2 0,4 99,5Gabão 19,8 9,9 50,0Congo 13,6 3,4 75,0Mdagascar 6,0 4,6 23,3Rep. África Central 3,4 0,4 88,2Costa do Marfim 1,8 1,8 0Nigéria 1,6 1,5 6,3Camarões 16,6 10,6 36,1Peru 42,8 6,4 85,0Colômbia 36,0 0,8 97,8Venezuela 18,8 11,4 39,4Guiana 13,5 1,4 89,6Suriname 11,4 0,5 95,6Equador 9,7 0,1 99,0Bolívia 17,0 2,0 88,2Guiana Francesa 7,6 0,2 97,4Fonte: Schmidt, R.C. (1991). 180
  • 181. 6. Bibliografia:Asner, G.P., Knapp, D.E., Broadbent, E.N., Oliveira, P.J.C., Keller, M. e Silva, J.N.M. 2005. Selective logging in the Brazilian Amazon. Science, 310: 480-482.Barros, P.L.C. 1990. As Atividades de Pesquisa dos Convênios SUDAM/FCAP como Suporte as Atividades em Silvicultura e Manejo Florestal. Trabalho apresentado no treinamento em "Manejo de Florestas Tropicais Naturais," SUDAM/FCAP, 3 a 14 de Dezembro/90. Balém, Pará. 15p.BIONTE. 1997. Biomassa e Nutrientes Florestais – Relatório Final. INPA/DFID. 345p.Budowski, G. 1976. Los Recursos Naturales en el Desarrollo del Tropico Humedo. Reunion sobre Desarrollo Regional del Tropico Americano. IICA-Tropicos. Belém, Pará, Brasil.Carvalho, J.O.P. 1987. Subsídios para o Manejo de Florestas Naturais na Amazônia Brasileira: Resultados de Pesquisa da EMBRAPA/IBDF-PNPF. EMBRAPA-CPATU, Documentos, 43. 35p.EMBRAPA-CPATU. 1999. Silvicultura na Amazônia Central: Contribuições do Projeto Embrapa/DFID. 304p.FAO. 1989. Management of Tropical Moist Forests in Africa. FAO Forestry Paper 88. 165p.Fearnside, P.M., A.T. Tardin e L.G. Meira Filho. 1990. Deforestation Rate in the Brazilian Amazonia. INPE/INPA. 8p.Higuchi, N. e T.W.W. Wood. 1987. The Management of Natural Regeneration in the Tropical Moist Forests. Acta For. Bras., 2:81-91.Higuchi, N. e G. Vieira. 1990. Manejo Sustentado da Floresta Tropical Úmida de Terra-firme na Região de Manaus - um projeto de pesquisa do INPA. Em: Anais do 6o. Congresso Florestal Brasileiro. pp 34-37. Campos do Jordão, SP.Higuchi, N. 1991. Experiências e Resultados de Intervenções Silviculturais na Floresta Tropical Úmida Brasileira. Em: Anais do Seminário "O Desafio das Florestas Neotropicais." pp 138-151. Curitiba, PR.Higuchi, N., G. Vieira, L.J. Minette, J.V. de Freitas e F.C.S. Jardim. 1991a. Sistema SEL (Seleção de Espécies Listadas) para Manejar a Floresta Tropical Úmida de Terra-firme da Amazônia. Em: Val, A.L., R. Figlioulo e E. Feldberg (editores). Bases Científicas para Estratégias de Preservação e Desenvolvimento: Fatos e Perspectivas. Volume I: 197-206.Higuchi, N., Santos, J., Teixeira, L.M. e Lima, A.J.N. 2006. O mercado internacional de madeira tropical está à beira do colapso. SBPN Scientific Journal, (1-2): 33-41.INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 1992. Deforestation in Brazilian Amazon. Poster apresentado durante a Conferência de Meio Ambiente das Nações Unidas, Rio-92.INPE. 1998. Projeto de Desflorestamento (PRODES) – Desflorestamento da Amazônia (1995-1997). Homepage INPE.Lamprecht, H. 1990. Silvicultura nos Trópicos: Ecossistemas Florestais e Respectivas Espécies Arbóreas - Possibilidades e Método de Aproveitamento Sustentado. GTZ, Eschborn. 343p.Leslie, A.J. 1986. Forest Management Systems in the Tropical Mixed Forests of Asia. FAO Report 01/86. 230p. 181
  • 182. Lowe, R.G. 1978. Experience with the Tropical Shelterwood System of Regeneration in Natural Forest in Nigeria. Forest Ecology and Management, 1: 193-212.Mergen, F. e J.R. Vincent (editores). 1987. Natural Management of Tropical Moist Forests: Silvicultural and Management Prospects of Sustained Utilization. 211p.Nepstad, D.C., A. Veríssimo, A. Alencar, C. Nobre, E. Lima, P. Lefebvre, P. Schlesinger, C. Potter, P. Moutinho, E. Mendonza. M. Cochrane e V. Brooks. 1999. Large-Scale Impoverishment of Amazonian Forests by Logging and Fire. Nature, 398:505-508.Pandolfo, C. 1979. A Amazônia Brasileira e suas Potencialidades. SUDAM. Belém, Pará. 74p.Schmidt, R.C. 1991. Tropical Rainforest Management: a Status Report. Em: Rainforest Regeneration and Management. A. Gomez-Pompa, T.C. Whitmore e M. Hadley (editores). UNESCO, Vol. 6. pp 181-203.Silva, J.N.M. e T.C. Whitmore. 1990. Prospects of Sustained Yield Management in the Brazilian Amazon. Em: Anais do "Atelier sur laménagement et la conservation lécosysteme forestier tropical humide." Cayena, Guiana Francesa.Siqueira, J.D.P. 1989. Sustained Forest Management in the Amazon: Needs versus Research. Em: Anais do Simpósio Internacional sobre "Amazonia: Facts, Problems and Solutions: 372-413. SP.Souza, A.L. 1989. Análise Multivariada para Manejo de Florestas Naturais: Alternativas de Produção Sustentada de Madeiras para Serrarias. Tese de Doutor pela UFPr. 255p.Synnott, T. 1989. South America and the Caribbean. In: No Timber Without Trees - Sustainability in the Tropical Forest. Duncan Poore (editor). Earthscan Publications Ltd. London. 252p.Wyatt-Smith, J. 1986. Sistemas de Manejo (Silvicultural) de Asia sur-este y Africa Usando Regeneracion Natural. Em: Anais do Primeiro Seminario Internacional "Manejo de Bosque Tropical Humedo en la Region Centro America." Tegucicalpa, Honduras.Yared, J.A.G., S. Brienza Jr., J.O.P. Carvalho, J.C. Lopes, O.J.R. Aguiar e P.P. Costa Filho. Silvicultura como Atividade Econômica na Região Amazônica. Em: Anais do I Encontro Brasileiro de Economia Florestal: 15-41. Curitiba. 182
  • 183. CAPÍTULO 19 O Setor Florestal da Amazônia Brasileira: Exploração Florestal Seletiva e o Mercado Internacional de Madeira Dura Tropical15Resumo A exploração seletiva de madeira começa a desempenhar papel importante, tanto naalteração da paisagem, como na manutenção das atuais taxas de desmatamento na Amazônia. Atérecentemente, fins dos anos 80 e início dos anos 90, a madeira era considerada como subprodutode projetos de desenvolvimento na Amazônia, principalmente agropecuários. Pouco antes e emseguida ao advento Rio-92, os incentivos fiscais para a agropecuária na região foramescasseando, chegando, inclusive, a quase extinção dos mesmos, nos dias atuais. Em funçãodestas medidas governamentais, a expectativa era manter as taxas de desmatamento inferiores àsde 1990 e 1991. Entretanto, a madeira dura amazônica começou a valorizar-se, tanto no mercadonacional como no internacional, substituindo os extintos subsídios e, por conseguinte,contribuindo não só para a manutenção das taxas de 1990 e 1991, como para o recrudescimentodo desmatamento. Hoje, o dono da terra vende a madeira em pé; o madeireiro faz a exploraçãoseletiva; o dono completa a derrubada e implanta o seu projeto agropecuário. Este trabalho fazuma abordagem sobre a questão madeireira da Amazônia, o mercado internacional de madeiradura tropical, o manejo florestal sustentável e a relação entre este uso do solo e o desmatamento.O fundo desta abordagem tem: de um lado, um mercado internacional de madeira dura tropicalpraticamente estável, em torno de 65 milhões de m3 equivalentes em toras, por ano; de outro, umadiminuição inexorável das reservas florestais dos principais fornecedores de madeira tropical; e,entre estes dois lados, a Amazônia brasileira, praticamente intacta e ainda sem uma participaçãosignificativa neste mercado.Introdução Hoje, as discussões sobre a biodiversidade, mudanças climáticas globais e sobre oabastecimento do mercado de madeira dura tropical do planeta Terra, passam, invariavelmentepela Amazônia. Esta região, considerada como a maior reserva contínua de floresta tropicalúmida do mundo, cobre uma área de aproximadamente 5 milhões km2, que corresponde a 60% do15 Trabalho financiado pelo Projeto BIONTE (Convênio INPA/DFID), Em: BIONTE – Relatório Final; pp. 15-30. 183
  • 184. território brasileiro. Até 2006, o desmatamento acumulado era de mais de 650.000 km2, 65milhões de hectares, incluindo áreas de Cerrado (quadro 15.8 do Capítulo 15). A área florestal da Amazônia brasileira é de 3.648.000 km2 ou 364.800.000 de hectares(Quadro 19.2). Predominam-se as florestas densas de terra-firme, apesar das florestas de várzeadesempenharem um papel importante na economia de vários estados amazônicos. As famíliasbotânicas dominantes são Leguminosae, Lecythidaceae e Sapotaceae - na terra-firme - eMyristicaceae nas várzeas. O mogno (Swietenia macrophylla) é a mais importante espéciemadeireira, do ponto de vista comercial. A castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e a seringueira(Hevea sp) são também importantes, porém como produtos não madeireiros. O volume total demadeira na Amazônia é estimado em 50 bilhões de m3, dos quais 10% têm condições de seremaproveitados pela indústria madeireira. Trata-se de uma região que desperta ainda muita curiosidade, paixão, cobiça, respeito eum legítimo interesse em protegê-la. Já há algum tempo, as florestas deixaram de ser empecilhospara o desenvolvimento econômico regional, ao contrário, a madeira disponível tem sido usadano lugar dos incentivos fiscais que desapareceram. Além disso, o mercado internacional demadeira dura tropical começa a mover-se do sudeste asiático para a região amazônica.Desmatamento na Amazônia brasileira Segundo Fearnside et al. (1990), até 1989, 478.882 km2 (47.888.200 hectares) de florestasnativas tinham sido transformados em outras formas de uso do solo, na Amazônia Legal, emnome do desenvolvimento da região. Os principais projetos de “desenvolvimento,” normalmenteincentivados (subsidiados) pelo Governo Federal, com recursos levantados junto à comunidadefinanceira internacional, foram: agropecuária, mineração e hidrelétricas. Em 2006, odesmatamento acumulado já era de 66.439.500 hectares (www.inpe.br). Durante a Rio-92, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresentou asseguintes estatísticas de desmatamento na região, atualizadas até 1991: período de 1978 a 1988,21.130 km2 por ano; em 1989, 17.860 km2/ano; em 1990, 13.810 km2/ano; e em 1991, 11.130km2/ano (INPE, 1992). Neste trabalho são também apresentadas as taxas de desmatamento paracada Estado amazônico – V. Quadro 15.8 do Capítulo 15. Houve uma queda das taxas dedesmatamento, a partir de 1988, estabilizando-se, a partir de 1990, em torno de 12.000 km2anuais. As razões para a queda de 21.130 km2 (1978-1988) para 11.130 km2/ano (1991), foramprincipalmente: política ambiental do Brasil e falta de recursos financeiros como forma de 184
  • 185. subsídios para projetos de “desenvolvimento” na Amazônia. As estatísticas atualizadas até 1997,segundo o INPE (1998) são as seguintes: 13.786 km2/ano para o período 91/92, 14.896 km2/anopara 92/94, 29.059 km2/ano para 94/95 e 18.161 km2/ano para 95/96. Nos 3 primeiros anos doGoverno Lula, as áreas foram 27.200 km2, 18.900 km2 e 13.000 km2, respectivamente, 03/04,04/05 e 05/06.Produção de Madeira Dura Tropical (Tropical Hardwood) No Brasil, até meados dos anos 80, os madeireiros e o setor florestal, conseguiam eximir-se da responsabilidade pelo mau uso do solo amazônico, porque a madeira era considerada comosubproduto dos outros projetos de “desenvolvimento.” No início dos anos 90, entretanto, asituação mudou completamente, ou seja, a madeira passou a ser o substituto dos incentivos fiscaisoficiais que desapareceram. Além disso, este produto começou a ter uma maior liquidez, tanto nomercado nacional como no mercado internacional. No entanto, analisar a produção de madeira na Amazônia é uma tarefa muito difícil. Asestatísticas mais organizadas são fornecidas por duas organizações multilaterais: (1) ITTO(International Tropical Timber Organization), que congrega produtores e consumidores demadeira tropical e (2) FAO (Food and Agriculture Organization) da ONU (Organização dasNações Unidas). O problema é com quem abastece estas organizações, que é o Ibama (InstitutoBrasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que nunca sistematizou acoleta e análise da produção de madeira amazônica. No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística) mantém, com relativa atualização, a dinâmica da produção de madeira;até 1989, por meio de anuário estatístico impresso e de 1990 até o presente, eletronicamente noendereço www.ibge.gov.br. Ocasionalmente, há trabalhos individuais de pesquisadores, como osde Nepstad et al. (1999) sobre a safra de 1996-97 e de Lentini et al. (2005) sobre a safra de 2004. O Quadro 19.2 apresenta a evolução da produção de madeira em toras para uso industrial,da região amazônica, durante o período 1975-2004, em intervalos de 4-5 anos. Este quadro foimontado com as melhores estatísticas disponíveis. Em que pesem todas as dificuldades em seobter estatísticas confiáveis deste setor, é possível observar crescimento da produção de madeiraaté 1991 e com tendência de queda de 1991 até 2004. Considerando os trabalhos de Nepstad et al.(1999) e Lentini et al. (2005), que envolveram “verdade de campo”, é razoável adotar comoprodução anual atual de madeira em tora como aproximadamente 25 milhões de m3.Mercado Mundial de Madeira Dura Tropical 185
  • 186. A ITTO consolida anualmente, desde 1988, as estatísticas florestais dos países signatários,incluindo dados de produção, consumo, exportação e valores de mercado. Até 1995, a ITTOapresentava estas estatísticas em relatórios impressos anuais ou bianuais; a partir de então, asestatísticas podem ser obtidas no endereço www.itto.or.jp. São consideradas três grandes regiõestropicais: (1) África, (2) América Latina e Caribe e (3) Ásia e Pacífico. As estatísticas sobre ovolume da madeira são fornecidas em metros cúbicos equivalentes em tora, usando os seguintesfatores de conversão: ⇒ 1,82 para madeira serrada, ou seja, o volume de madeira serrada que cada país produzé multiplicado por este fator para ter a estimativa do equivalente em toras que foi retirado dafloresta; ou ainda, 55% do volume de uma tora, média mundial, é transformado em tábuas ououtro produto serrado; ⇒ 2,3 para compensado, ou seja, 43% do volume de uma tora, média mundial, étransformado em compensado; ⇒ 1,9 para laminados, ou seja, 53% do volume de uma tora, média mundial, étransformado em laminado. (i) Produtores: As estatísticas apresentadas a seguir foram montadas a partir de consultas nos volumesdos anos 1990-91, 1992, 1993-94 e 1995 do “Annual Review and Assessment of the WorldTropical Timber Situation” da ITTO e, de 1995 a 2004, usando o site da organização. A produçãoanual do mundo tropical, ao longo do período (1988-2004), tem se mantido estável, igual a 134,4milhões de m3 ± 2,4 mi (IC 95%) em toras – incerteza de 1,7%. As produções anuais de serrado,compensado e laminado foram, respectivamente, 40 milhões de m3 ± 1,35 mi (IC 95%), 14,7 mim3 ± 0,75 mi (IC 95%) e 2,2 milhões de m3 ± 0,26 mi (IC 95%). A região Ásia/Pacífico, apesar de uma queda de produção de 7,5%, de 1988 para 2004,em equivalentes em tora, é ainda a maior produtora de madeira dura tropical. As duas outrasregiões, América Latina/Caribe e África, mantiveram-se estáveis, porém, com uma participaçãobem inferior à da Ásia/Pacífico. A participação de cada grande região tropical à produção média(1988-2004) anual é a seguinte: Ásia/Pacífico (67%), América Latina/Caribe (25%) e África(8%). 186
  • 187. Com base na média anual (1988-2004), os três maiores produtores individuais têm sido:Indonésia com 66.143.000 m3/ano (27%), Malásia com 52.168.000 m3/ano (21%) e Brasil com48.598.000 m3/ano (20%). Aqui, é importante ressaltar que a produção brasileira vai além daregião amazônica. Estes três países representam 68% da produção mundial de madeira duratropical. A Figura 19.1 apresenta a dinâmica de produção destes produtores durante o período1988-2004. Há uma clara tendência de queda (28% de queda), em relação ao pico de produção daIndonésia e Malásia (35%) e um aumento (em relação ao mínimo) do Brasil, em torno de 75% daprodução de 1988. (ii) Exportação (e importação) de madeira tropical: Os países exportam praticamente 50% das produções, na forma de serrados, compensadose laminados e, ocasionalmente, toras sem nenhum beneficiamento. o Brasil exportaaproximadamente 5% de sua produção anual. Com base na exportação média anual do período1988-2004, a região Ásia/Pacífico participou com 81% de toda a exportação do mundo tropicalenquanto que as regiões América Latina/Caribe e África participaram, respectivamente, com 6%e 13%. Os dois maiores exportadores individuais foram Malásia com 23.883.000 m3 ± 2.723.000(IC 95%) e Indonésia com 16.770.000 m3 ± 1.543.000 (IC 95%), contribuindo sozinhos com 70%do total exportado pelos países tropicais. A importação anual média do período foi de 51.763.000 m3 ± 1.421.000 (IC 95%)equivalentes em tora. Os principais importadores individuais foram: Japão (33,3%), UniãoEuropéia (21,3%), China (17,5%), Coréia do Sul (9,2%), Taiwan (8,7%) e EUA (6,4%). Estespaíses respondem com mais de 90% das importações de madeira tropical. A Figura 19.2 ilustra ocomportamento da importação do Japão, União Européia e China, aonde se pode observar que aChina superou o Japão em 2001, passando a ser o maior importador individual de madeiratropical; a UE se mantém estável. Em 1993, os países tropicais faturaram com exportação de madeira o montante de US$ 12bilhões. Malásia e Indonésia faturaram respectivamente US$ 4,45 (37%) e US$ 4,59 bilhões(38%). O Brasil faturou apenas US$ 560 milhões (4,5%), segundo Carvalho (1995). A contribuição da Amazônia ao mercado internacional tem sido muito modesta, apesarde produzir, aproximadamente, 25 milhões m3 por ano. Isto significa que, em um mercadointernacional de, aproximadamente, 50 milhões m3 de madeira (equivalente em tora), a Amazôniacontribui com pouco mais de 5%. As razões para isto são várias, podendo ser destacadas as 187
  • 188. seguintes: melhor acesso e infra-estrutura dos países do sudeste asiático, predominância depoucas famílias de grande valor comercial das florestas asiáticas e, principalmente, a baixaqualidade da madeira produzida na Amazônia. Como no Brasil é proibida a exportação de toras, atecnologia utilizada para a transformação das mesmas, não consegue atingir os padrões dequalidade exigidos pelo mercado internacional, principalmente Europa, Estados Unidos e Japão. Uma única espécie da Amazônia, mogno (Swietenia macrophylla), contribui sozinha com10% do volume total de madeira, comercializado no exterior (Carvalho, 1995). A contribuição sónão é maior porque, desde 1990, a quantidade permitida para exportação da mesma écontingenciada pelo Poder Público. O volume de madeira contingenciado vem decrescendogradativamente, iniciando com 150.000 m3, em 1990, e havendo em 1995, a exportação limitadaem 90.000 m3 por ano. Mais recentemente, foi decretada moratória para a extração do mogno deflorestas nativas do Brasil. Geralmente, o estado do Pará contribui com 2/3 da produção demogno exportada para outros países. (iii) Tendências do Mercado Internacional de Madeira Dura Tropical: Segundo o cenário de Grainger (1987), a situação do setor de madeira dura tropical é aseguinte: “a produção do sudeste asiático alcançará o seu pico em meados dos anos 90, sendo,a seguir, substituída pela América Latina, especialmente a Amazônia, para suprir os mercadosda Europa, Japão e América do Norte.” Este cenário começa a fazer algum sentido ao prestaratenção na dinâmica de produção de madeira tropical no período 1989-2004, pelos maioresprodutores mundiais (Figura 19.2); apenas não confirmando o papel do Brasil no mercadointernacional. De acordo com www.rainforests.mongabay.com (consultado em outubro 2005): “Duranteas últimas duas décadas de exploração das florestas da Malásia, o manejo florestal tem sido não-existente. A política florestal, Ato Florestal Nacional de 1984, falhou completamente por falta deaplicação da lei. As florestas primárias da Malásia Peninsular já foram completamente dizimadase as secundárias, cobrem apenas uma fração das antigas áreas de florestas tropicais úmidas. Naspartes da Malásia na Ilha de Borneo, Sabah e Sarawak, ainda há florestas primárias, mas devemdesaparecer em 5 – 8 anos”. No mesmo site, no relatório dos países tropicais, a situação da Indonésia, em 1995, era aseguinte: floresta remanescente = 63 milhões de hectares sob concessões florestais; exploraçãoautorizada = 700 mil ha por ano; exploração não autorizada = 500 mil por ano; desmatamento 188
  • 189. anual = 5,4 milhões de ha. Hoje, em 2005, é quase certo que as reservas florestais nativas daIndonésia estejam praticamente dizimadas. Ajustando os dados de exportação dos três principais produtores atuais (Malásia,Indonésia e Brasil) e de importação (demanda do mercado internacional), durante o período1988-2004, os seguintes modelos foram produzidos por Higuchi et al. (2006): Malásia => Y = 32.204 – 1035,74 X => r = 0,91 e sy.x = 2412 Indonésia => Y = 21091 – 480,14 X => r = 0,75 e sy.x = 2227 Brasil => Y = 1418 + 151,59 X => r = 0,75 e sy.x = 695 Mercado => Y 54578 – 331 X => r = 0,54 e sy.x = 2518sendo: Y = volume em milhões de m3 equivalente em tora e X = ano A figura 19.3 ilustra o uso dos modelos para projeções até 2036. Em termos de exportaçãode madeira, o Brasil supera a Malásia em 2012 e a Indonésia em 2017. Em 2018, a Malásia deixade exportar e a Indonésia em 2030. O Brasil só conseguirá atender a demanda internacional em2097. Este cenário indica que o mercado entra em colapso antes de 2010.Manejo Florestal na Amazônia Brasileira: avaliações Apesar da legislação ambiental brasileira ser moderna e o artigo 15 (manejo florestal naAmazônia) ter sido finalmente regulamentado em 1994, é difícil encontrar um plano de manejoflorestal em regime de rendimento sustentado sendo executado na região. Os planos sãoaprovados pelas superintendências estaduais do IBAMA, mas com problemas de falta de pessoale recursos para deslocamentos de fiscais, poucos projetos são devidamente fiscalizados. (i) Estado do Pará: Em recente avaliação dos projetos de manejo florestal aprovados pelo IBAMA, namicrorregião de Paragominas (PA), coordenada pela EMBRAPA-CPATU, a conclusão é muitoclara: a situação nesta microrregião é simplesmente caótica; as estimativas de volume dosprojetos não batem com as de campo e nem com os volumes realmente extraídos da área doprojeto; os projetos são mal formulados; as equipes técnicas das empresas não estão devidamentepreparados para praticar silvicultura tropical; nenhum projeto avaliado atende as exigências doDecreto 1282 (Manejo Florestal Sustentado para a Amazônia) e nem as da ITTO-2000 (meta daOrganização Internacional de Madeira Tropical), que só vai comercializar madeira oriunda de 189
  • 190. planos de manejo em regime de rendimento sustentado. O relatório preliminar deste trabalho,preparado por Silva et al. (1996), foi discutido com todos os setores envolvidos, em Paragominas,em março/96. A microrregião Paragominas representa 40,3% dos projetos de manejo florestal,dos 576 aprovados pelo IBAMA, entre 1981 a julho/1995, para o estado do Pará. Poucas diferenças em relação à execução dos planos de manejo florestal serãoencontradas em outras microrregiões do Pará, ou mesmo em outros estados amazônicos.Provavelmente, mudam apenas a intensidade e a duração da intervenção. Nas várzeas do estadodo Amazonas, onde se concentram a principal fonte de abastecimento da matéria-prima madeirado estado, por exemplo, as questões técnicas e legais envolvidas em um plano de manejo, sãosimilares às de Paragominas. Nas várzeas do Amazonas, a exploração é muito mais seletiva e, poresta razão, o volume extraído por unidade de área é menor do que o de Paragominas. (ii) Estado do Amazonas: Na Figura 19.4 é apresentado um fluxograma do sumário da análise de problemas do setorflorestal do estado do Amazonas, ainda não consolidado, produzido a partir de um “brain storm”ou “toró de palpites” promovido pelo Projeto BIONTE (INPA/ODA), em Manaus, abrill/96, compesquisadores, professores, Poder Público, empresários, associações de classes e ONGsambientais. Desta reunião foi concluído que o problema central do manejo florestal no estado doAmazonas é que a produção madeireira não está sendo feita de forma sustentável. Comoconseqüência, tem-se de um lado, o risco de faltar o produto madeireiro no mercado, e de outro, aameaça à integridade dos ecossistemas amazônicos. A causa principal é o fato que os planos demanejo florestal sustentável não são devidamente implementados. As principais razões para a não implementação dos planos de manejo são: Domínio implementação: a) exploração florestal mal feita (falta de pessoal qualificadoem todos os níveis, remuneração baixa, equipamentos inadequados, falta de assistência técnica);b) investidores só pensam em uma colheita (cultura imediatista, o tamanho da reserva florestaldisponível, dificuldades naturais, estatísticas não confiáveis, baixo conhecimento tecnológico,falta de conhecimento sobre o mercado, inexistência de análise Custo/Benefício, falta deincentivos para o setor); c) fiscalização/monitoramento inexistente (faltam recursos,equipamentos, orientações e pessoal). 190
  • 191. Domínio conhecimento: a) currículo das escolas de engenharia florestal é inadequado;b) comunicação entre ensino & pesquisa e setor produtivo é ruim (linhas de pesquisas sãodefinidas por pesquisadores - de universidades e de institutos de pesquisa -, pesquisadorespublicam para colegas, não há programas de extensão, empresários investem muito pouco empesquisas); c) falta de conhecimento básico e aplicado (silvicultura tropical, tecnologia damadeira, ergonomia, economia, comercialização & mercado, impactos ambientais, impactossociais e culturais). Domínio política setorial: a) política setorial fragmentada (falta do zoneamentoecológico-econômico, conflitos entre as diferentes regras do uso do solo, estatísticas nãoconfiáveis); b) legislações não cumpridas (normas mudam com muita facilidade, falta de sistemade validação das normas estabelecidas, falta de fiscalização).Conclusão O velho e surrado chavão “Os recursos naturais da Amazônia são super-explorados e sub-utilizados,” ainda é bastante atual e apropriado para esta região. São impostas alterações emvários hectares de florestas primárias, para retirar uma única árvore para produzir madeira; sãofeitos cortes rasos em extensas áreas para projetos agropecuários de baixa produtividade; sãoinundados vários hectares de floresta para formação de lagos para a produção de energia elétrica;e são desnudados totalmente os solos florestais para a produção de minérios, com o mínimo debeneficiamento. Poucas dessas formas de uso do solo seriam aprovadas em uma análise decusto/benefício. A área desmatada na Amazônia, mais de 50 milhões de hectares já desmatados,não a fez mais rica e nem a ser o celeiro do mundo. Por outro lado, os impactos ambientais são bem conhecidos e têm preocupado toda asociedade. Os mais importantes impactos são: emissão de gases do efeito-estufa à atmosfera,principalmente pelas queimadas e pela decomposição de árvores em pé nos lagos dashidrelétricas; potencial alteração no ciclo d’água pela retirada da cobertura florestal; erosãogenética, tanto pelo corte raso, como pela exploração seletiva de madeira; perda dabiodiversidade; e sedimentação e poluição dos rios e igarapés. Menos conhecidos que os impactos ambientais, os impactos sociais e culturais são, porém,igualmente importantes. Há casos de imposição de indenizações e de transferências para outrasáreas, aos povos autóctones, em nome de um projeto de “desenvolvimento.” Tanto o intercâmbiode doenças, como a disseminação das mesmas são problemas sérios na região. Doenças comuns 191
  • 192. como gripe e sarampo, são devastadoras aos povos autóctones. Da mesma forma, doençasendêmicas como malária e leishimaniose causam problemas sérios aos colonizadores. Problemasde terra (e sem-terra) na Amazônia, apesar do tamanho de seu território, têm também aumentadona região e repercutido no mundo inteiro. Com a drástica redução dos incentivos fiscais, em 1990, principalmente para os projetosagropecuários, a expectativa era ter eliminado a principal causa do desmatamento na Amazônia.Em tese, a agropecuária na região, sem subsídios, tornar-se-ia pouco atraente e não competitiva,com a mesma atividade, em outras regiões do Brasil. O freio, no entanto, durou muito poucoporque, enquanto reduziam-se os incentivos, o aproveitamento da madeira viabilizava-seoperacional e economicamente, transformando-se, inclusive, em pré-investimentos para aagropecuária. A madeira começou a cobrir, pelo menos, os investimentos mínimos em infra-estrutura, feitos para a sua exploração. Com isto, o madeireiro contribuía duplamente com oagropecuarista, ou seja, com a própria infra-estrutura viária e com a redução da densidade evolume da floresta primária, facilitando o corte raso e preparação do solo para a implantação depastagens. Em menos de 10 anos, o mercado internacional de madeira dura tropical entra em colapsoe muita gente vai ficar sem madeira. Alguns países importadores vão ter que apelar para as suaspróprias reservas, mas a grande maioria, inclusive, os antigos fornecedores vão ter que buscaralternativas. Isto vai acontecer porque os principais fornecedores não praticaram manejo florestale foram até a exaustão de suas reservas. É importante não perder de vista que a madeira é umartigo de primeira necessidade; ela é importante quando a gente nasce (berço) e quando morre(urna funerária), além de ser matéria-prima do papel. Em condições normais, a Amazônia Legal não conseguirá atender a demanda do mercadoporque não tem tecnologia de manejo e nem de transformação de toras em produtos madeireiros(serrado, laminado e compensado). Além disso, o mercado internacional não gosta de negociarprodutos ilegalmente produzidos. Isto é outro gargalo na Amazônia porque para ser legal, oempreendedor precisa ter a posse da terra e isto está ficando cada dia mais difícil. Grosso modo,na Amazônia há 25% de terras sob domínio privado e 75% de terras públicas. As terras privadasestão praticamente no fim e, sem posse, não há plano de manejo florestal. Para o Brasil, este cenário é “oportunidade” ou “ameaça”? Olhando as repercussões dohistórico de uso do solo amazônico, atender a demanda do mercado internacional é mais uma 192
  • 193. ameaça do que oportunidade. Apesar de já ter desmatado mais de 60 milhões de hectares eproduzir, anualmente, 25 milhões de m3 de madeira, a Amazônia Legal participou com apenas7,2% (ano-base 2002) na composição do produto interno bruto (PIB) brasileiro(www.ibge.gov.br). Menos de 10% da madeira produzida vem de plano de manejo florestal(Higuchi et al., 2003). Nesta região, a correlação é quase perfeita entre produção de madeira edesmatamento (r = 0,99, p < 0,00001), ao contrário da correlação (r = 0,17, p = 0,999) entreprodução e PIB per capita. Portanto, baseado nestas estatísticas, é melhor deixar a florestaamazônica para as futuras gerações e esquecer o mercado enquanto não dominar a tecnologia demanejo florestal sustentável. Neste momento é preciso ter sabedoria para antecipar-se à eminente escassez. Comovantagem, o Brasil tem todos os instrumentos de medida necessários para a correta utilização dosrecursos florestais da Amazônia. O manejo florestal e o uso alternativo estão regulamentados(Decretos 1.282, 2.788 e 5.975), com normas claras (IN 05) e penas definidas para aqueles quedescumprem as leis e as normas (Lei 9605, crimes ambientais). Por último, não se pode perder de vista a imperiosa necessidade de concluir o zoneamentoecológico-econômico para a região, com áreas especialmente designadas para determinados fins(produção madeireira, por exemplo). Além disso, tem-se que repensar (principalmente unificar)as políticas de outros usos do solo amazônico e de exploração dos recursos minerais. Da mesmaforma, é preciso também repensar a questão de liquidez, principalmente no curto prazo e devalores agregados, para determinados produtos amazônicos. Ações estratégicas são necessáriaspara valorizar a madeira em pé, nem que seja pela brusca diminuição da oferta deste produto.Enquanto isso, as árvores caídas poderiam entrar como oferta de madeira ou de matéria-primapara obras de arte e artesanato. 193
  • 194. Quadro 19.1: Bacia Amazônica - área (em km2) dos principais tipos florestais e não florestais. TIPOS FLORESTAIS E NÃO FLORESTAIS ÁREA (km2)1. Florestas de Terra-Firme - Florestas Densas 3.303.000 - Florestas Densas com lianas 100.000 - Florestas Abertas com bambus 85.000 - Florestas de Encosta 10.000 - Campina Alta ou Campinarana 30.000 - Florestas Secas 15.0002. Florestas de Várzea 55.0003. Florestas de Igapó 15.0004. Florestas de Mangue 1.0005. Campinas 34.000 sub-total (áreas florestais) 3.648.0006. Campos de Várzea 15.0007. Campos de Terra-Firme 150.0008. Vegetação Serrana 26.0009. Vegetação de Restinga 1.00010. Água 100.000 sub-total (áreas não florestais) 292.000 TOTAL BACIA AMAZÔNICA 3.940.000Fonte: Braga (1979).Quadro 19.2: Produção de madeira em tora de florestas nativas da Amazônia para fins industriais, porEstado, entre 1975 a 2004 (em 1.000 m3).Estado 19751 19801 19852 19911 19963 19994 20045Acre 31 87 23 305 300 210 420Amapá 330 400 413 353 200 83 130Amazonas 135 325 1.382 181 700 793 490Maranhão 931 700 541 430Mato Grosso 2.875 9.800 2.637 8.010Pará 3.942 10.283 16.361 28.370 11.900 11.325 11.150Rondônia 60 307 1.320 1.027 3.900 750 3.700Roraima 14 72 39 36 200 27 130Tocantins 483 100 100 0Amazônia 4.512 11.474 19.538 34.561 27.800 16.464 24.460Fontes: 1/ IBGE (1992), 2/ Deusdará Filho (1996), 3/ Nepstad (1999), 4/www.ibge.gov.br (14/09/05) e5 /Lentini et al. (2005) 194
  • 195. Figura 19.1: Dinâmica da produção de madeira tropical (em 1.000 m 3 equivalente em tora) dos trêsprincipais produtores individuais. 90.000 80.000 70.000 volume (1.000 m3) 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 10.000 1990 1991 1992 1996 2000 2001 2002 1988 1989 1993 1994 1995 1997 1998 1999 2003 2004 ano Brasil Malásia IndonésiaFonte: Higuchi et al. (2006) 195
  • 196. Figura 19.2: Dinâmica (1989-2004) da importação de madeira equivalente em toras dos três principaisconsumidores. 25000 20000 volume (1000 m3) 15000 10000 5000 0 1990 1989 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 ano China Japão UEFonte: Higuchi et al. (2006) 196
  • 197. Figura 19.3: Projeções sobre o suprimento de madeira tropical ao mercado internacional. 60.000 50.000 mercado 40.000 30.000 M alá sia volume (1.000 m3) 20.000 Indonésia 10.000 Brasil Brasil Indoné 0 sia -10.000 M al ásia -20.000 -30.000 1988 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2004 2005 2006 2007 2008 2010 2012 2016 2018 2022 2026 2028 2030 2032 2034 2036 2003 2014 2020 2024 anoFonte: Higuchi et al. (2006) 197
  • 198. Figura 19.4: Sumário da Análise de Problemas de Manejo Florestal no Estado do Amazonas. EFEITOS ATIVIDADE INVIABILIZADA, FALTA DO PRODUTO NO MERCADO, AMEAÇA À INTEGRIDADE DOS ECOSSISTEMAS AMAZÔNICOS  PROBLEMA CENTRAL A PRODUÇÃO MADEIREIRA NO AMAZONAS NÃO ESTÁ SENDO FEITA DE FORMA SUSTENTÁVEL  CAUSAS OS PLANOS DE MFS NÃO SÃO DEVIDAMENTE IMPLEMENTADOS 198
  • 199. Bibliografia:Braga, P.I.S. 1979. Subdivisão Fitogeográfica, Tipos de Vegetação, Conservação e Inventário Florístico da Floresta Amazônica. Acta Amazonica 9(4):53-80.Carvalho, G. 1995. Comercialização e Exportação de Madeiras. Em: Anais do I Simpósio de Política Florestal no Estado do Amazonas. pp. 69-73.Deusdará Filho, R. 1996. Diagnóstico e Avaliação do Setor Florestal Brasileiro - Região Norte. Relatório Preliminar (Sumário Executivo). 59p.Fearnside, P.M., A.T.Tardin e L.G. Meira Filho. 1990. Deforestation Rate in Brazilian Amazon. 8p.Grainger, A. 1987. Tropform: A Model of Future Tropical Timber Hardwood Supplies. Em: CINTRAFOR Symposium in Forest Sector and Trade Models. University of Washington, Seattle.Higuchi, N., Santos, J., Sampaio, P.T.B. e Marenco, R.A. 2003. Projeto Jacaranda Fase II – Pesquisas Florestais na Amazônia Central. N. Higuchi (editor). 252 p.Higuchi, N., Santos, J., Teixeira, L.M. e Lima, A.J.N. 2006. O mercado internacional de madeira tropical está à beira do colapso. SBPN Scientific Journal, (1-2): 33-41.IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 1992. Anuário Estatístico, Capítulo 44: Extração Vegetal e Silvicultura.INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 1992. Deforestation in Brazilian Amazon. Poster apresentado durante a Conferência de Meio Ambiente das Nações Unidas, Rio-92.Lentini, M., Veríssimo, A. e Pereira, D. 2005. A expansão madeireira na Amazônia. O Estado da Amazônia, 2:1-4.Nepstad, D.C., A. Veríssimo, A. Alencar, C. Nobre, E. Lima, P. Lefebvre, P. Schlesinger, C. Potter, P. Moutinho, E. Mendonza. M. Cochrane e V. Brooks. 1999. Large-Scale Impoverishment of Amazonian Forests by Logging and Fire. Nature, 398:505-508.Silva, J.N.M. et al.. 1996. Diagnóstico dos Projetos de Manejo Florestal no Estado do Pará - Fase Paragominas. 87p. 199
  • 200. CAPÍTULO 20 CONVENÇÕES, ACORDOS INTERNACIONAIS E CERTIFICAÇÃO Neste capítulo incluímos as Convenções (trechos mais relacionados com o setor florestal)sobre o Clima (e o Protocolo de Kyoto) e da Biodiversidade, assinadas por mais de 150 países,durante a Rio-92. Depois de ratificadas pelo Senado Federal, essas Convenções se transformaramem leis internacionais. Temos também o acordo informal sobre os princípios para a conservação emanejo sustentável de todos os tipos florestais, que apesar de não força de lei, tem o desejopolítico de todos os países signatários. Além disso, apresentamos um resumo de outros acordosnão obrigatórios como ITTO-2000 e Acordo de Tarapoto. Por último, apresentamos sucintamentealgumas informações sobre certificação florestal. Em todos casos, o engenheiro florestal tem importante papel na implementação dosacordos, especialmente, naqueles relacionados com as questões climáticas. Na interação biosfera-atmosfera, a floresta é a protagonista; ora no papel de “mocinha” seqüestrando Carbono daatmosfera, ora como “vilã” emitindo Carbono, principalmente, via desmatamento. O eng florestalé treinado para realizar inventários florestais, estimar o volume da madeira e manejar a floresta.Quem sabe tudo isto, saberá também trabalhar com o Carbono da vegetação. A adaptação é muitosimples, talvez, um pouco mais trabalhosa; basta trocar o volume por biomassa e estimar oCarbono. Talvez, a principal modificação esteja na cabeça do eng florestal, ou seja, a máximafixação do Carbono não poderá ficar apenas no tronco; a fixação tem que ser analisada para aárvore toda. A principal unidade de medida é tonelada métrica de Carbono; mais tarde, é feita atransformação para os gases específicos (CO, CO2, CH4 etc.). 200
  • 201. 7.1. CONVENÇÃO-QUADRO INTERNACIONAL SOBRE MUDANÇASCLIMÁTICAS (UNFCCC) Esta Convenção foi assinada no dia 4/6/92, durante a Rio-92. O objetivo desta Convençãoé estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa (GEE) aos níveis que impeçam que asatividades humanas afetem perigosamente o sistema climático global. A data de ratificação peloSenado da República e publicação no Diário Oficial da União do Texto da Convenção - D.O.U -04/02/1994 - Seção - Decreto Legislativo nº 01. O texto completo, em Português, pode serencontrado no link abaixo: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4069.html No site do Ministério de Ciência e Tecnologia - MCT (www.mct.gov.br), na seção de“mudanças climáticas” é possível encontrar documentos obrigatórios e não obrigatóriosrelacionados com as mudanças climáticas globais. Há, inclusive, importantes publicações como:(i) inventário nacional de emissões; (ii) relatórios de referências; (iii) guia de orientação para oMDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e (iv) manual de procedimentos para submeterprojetos sob o MDL. No plano internacional, a estrutura de comando da Convenção é a seguinte:  O Secretário-Geral das Nações Unidas é o fiel depositário da Convenção.  O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima), que é subordinado à WWO (Organização Mundial de Meteorologia) e UNEP (Programa de Meio Ambiente) – ambas da ONU – é o responsável pela parte científica da Convenção. No Brasil, o MCT é a correspondência do IPCC.  As decisões são tomadas em Conferências das Partes (COP). Uma parte pode um país isolado (Brasil, EUA etc.) ou grupo (Comunidade Européia). Um outro site importante (aliás, o mais importante) sobre as questões climáticas é owww.ipcc.ch. Além dos textos originais da Convenção e do Protocolo de Kyoto, há várias outrasinformações e publicações. Entre as principais publicações, são destacadas: (i) 1º, 2º e 3ºrelatórios de avaliação; (ii) do polêmico 4º relatório, apenas o sumário executivo está disponívelno site do IPCC (em maio de 2007); (iii) guia de inventários nacionais de emissões e (iv) relatórioespecial de uso do solo, mudanças de uso do solo e silvicultura. O eng florestal que quiser 201
  • 202. trabalhar em projetos de mudanças climáticas precisa estar atento às informações contidas nossites do MCT e do IPCC. O mundo se mobilizou no Rio de Janeiro, em 1992, motivado pela publicação do cicloglobal do Carbono do período 1980 a 1989 – quadro 20.1. Hoje, o tamanho do C perdido jádiminuiu bastante por conta das absorções das florestas boreais e tropicais. A absorção pelaatmosfera causou um aumento da concentração de CO2; atualmente, os estudos indicam que asconcentrações deste gás saltaram de 280 ppm, antes da revolução industrial iniciada em 1850,para 379 ppm, em 2005.Quadro 20.1. Ciclo global do Carbono do período 1980 – 1989 em Pg (Pg = peta grama = 1 x1015 g). EMISSÃO ABSORÇÃOFonte Quantidade Destinação QuantidadeCombustível fóssil 5,4 ± 0,5 Bacia oceânica 2,0 ± 0,5Uso do solo 1,6 ± 1,0 Atmosfera 3,2 ± 0,2Total 7,0 C perdido (?) 1,8 ± 1,2 É fácil imaginar o papel da floresta amazônica no contexto das mudanças climáticasglobais. O estoque de Carbono na floresta amazônica é estimado em mais de 70 bilhões detoneladas ou 70 Pg. Se 7 Pg mobilizou o mundo inteiro para aprovar uma ConvençãoInternacional, 70 Pg podem dar a dimensão do papel e da preocupação que a Amazôniaproporciona ao clima global.O principal objetivo desta Convenção e de todo instrumento jurídico adotado pela Conferência das Partes, é conseguir, de acordo com os dispositivos pertinentes à Convenção, a estabilização das concentrações de GEEs na atmosfera a um nível que impeça as interferências antrópicas no sistema climático. Este nível deverá acontecer dentro de um prazo suficiente para permitir que os ecossistemas se adaptem naturalmente à mudança climática, assegurar que a produção de alimentos não seja ameaçada e permitir que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável. A seguir, apresentamos pontos importantes contidos na Convenção. 202
  • 203. (i) O princípio da Convenção é o da responsabilidade comum, mas diferenciada. Quer dizer: todos os países (ricos e pobres) são responsáveis pela proteção do clima global, mas os países que emitiram mais têm obrigações diferenciadas. (ii) Há os países que têm obrigações de reduções e aqueles que não obrigações (Brasil, por ex.). Mesmo os países que têm obrigações, há duas categorias baseadas em obrigações diferenciadas, definidas no Anexo I16 e Anexo II17. (iii). Por “sistema climático” se entende a totalidade da atmosfera, hidrosfera, biosfera e a geosfera e as suas interações. (iv)Os gases de efeito estufa (GEEs) considerados pela Convenção são: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Hidrofluocarbonos (HFCs), Perfluocarbonos (PFCs) e Sulfurhexafluoride (SF6). A Convenção trata os gases diferentemente, mas os principais são CO2, CH4 e N2O, com maior ênfase à emissão antrópica do CO2. (v) O Ozônio é tratado na Convenção de Viena para a proteção da camada de Ozônio (1985) e o Protocolo de Montreal (1987), ajustado e emendado em 29/06/90. (vi)Por “fonte” se entende como qualquer processo ou atividade que libera um GEE, um aerosol ou um precursor de um GEE da atmosfera. (vii)Por “sumidouro” se entende como qualquer processo, atividade ou mecanismo que absorve um GEE, um aerosol ou um precursor de um GEE da atmosfera. (viii)As Partes que são países desenvolvidos e as demais Partes desenvolvidas que figuram no Anexo II tomarão todas as medidas possíveis para promover, facilitar e financiar, segundo se proceda, a transferência de tecnologias e conhecimentos práticos ambientalmente sadios, ou o acesso aos mesmos, a outras Partes, especialmente as Partes que são países em desenvolvimento, a fim de possam aplicar as disposições desta Convenção. Neste processo, as Partes que são países desenvolvidos apoiarão o16 Anexo I: Alemanha, Austrália, Austria, Belaurus, Bélgica, Bulgária, Canadá, Comunidade Européia,Checoslovaquia, Dinamarca, Espanha, EUA, Estônia, Rússia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia,Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polônia, Portugal, ReinoUnido, Romênia, Suécia, Suiça, Turquia e Ucrânia.17 Anexo II: Alemanha, Austrália, Austria, Bélgica, Canadá, Comunidade Européia, Dinamarca, Espanha, EUA,Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos,Portugal, Reino Unido, Suécia, Suiça e Turquia. 203
  • 204. desenvolvimento e melhoramento das capacidades e tecnologias endógenas das Partesque são países em desenvolvimento. 204
  • 205. 7.2. PROTOCOLO DE KYOTO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS : umavisão geralResumo: O Protocolo de Kyoto à UNFCCC foi adotado por mais de 160 nações em 11/12/97. Asprovidências mais importantes do Protocolo foram os limites para emissões de GEEs pelos paísesdesenvolvidos (PDs), os maiores responsáveis pelo atual nível de poluição do ar. Ao mesmotempo, o Protocolo cria significantes incentivos para os países em desenvolvimento (PEDs) paracontrolarem as suas emissões em consonância ao crescimento econômico. Fazendo isso, oProtocolo estabeleceu às nações, um caminho em direção ao uso de energia limpa, renovável eeficiente, que fortalecerá a economia global e protegerá o meio ambiente global. O texto completo, em Português, pode ser encontrado no link abaixo http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/28739.html Apesar do significante avanço do Protocolo, há muito trabalho pela frente. As Naçõesprecisam definir manuais para importantes componentes do Tratado, incluindo um regime int’l denegócio com a poluição e medidas para resolver disputas (concordância ou compliances). Amaneira como estes componentes serão definidos, determinará a efetividade do Protocolo emalcançar o objetivo de longo prazo sobre a proteção do meio ambiente e do crescimentoeconômico sustentável.Aspectos Institucionais: O Secretário Geral da ONU é o fiel depositário deste Protocolo. A COP (Conference ofthe Parties) é a encarregada pela implementação deste Protocolo e da UNFCCC. Este Protocoloentrou em vigor 90 dias depois que pelo menos 55 Partes da Convenção - incorporando as Partesconsideradas PDs que contribuíram com 55% das emissões de CO2 em 1990 – depositaram seusinstrumentos de ratificação, aceite e aprovação. Isto acabou acontecendo em fevereiro de 2005.Somente a partir do 3º ano em vigor, a Parte pode sair do Protocolo através de notificação escritaao Depositário. O IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) foi requisitado pelo SBSTA(Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice) da COP, para a UNFCCC, parapreparar um relatório especial sobre “Uso do Solo, Mudança no Uso do Solo e Floresta,” parasubsidiar a COP na tomada de decisões quanto às questões relacionadas com estoques e 205
  • 206. mudanças de estoques de Carbono. Este relatório, entre outras coisas, abordará as implicações dediferentes definições, métodos de avaliação de emissão e seqüestro de Carbono e questõesrelacionadas com contabilidade.Metas e Cronogramas: O Protocolo estabelece limites de emissões de GEEs para 38 PDs, chamados de “Partesdo Anexo B.” Uma Parte do Protocolo pode ser uma simples nação como EUA, como um grupode nações como a Comunidade Européia. Os Países aceitaram metas variadas baseadas noprincípio da “diferenciação,” que reconhece que alguns países são mais capazes de reduzir suasemissões do que outros, na maneira como eles produzem e usam energia, no acesso àstecnologias limpas e aos seus níveis de poluição, entre outros numerosos fatores. As metas de emissões (geralmente de redução) – emissões antrópicas principalmente deCO2 - são apresentadas no Quadro 1, para cada País considerado PD. O cronograma é o seguinte:a média do período 2008-2012 será comparada com a emissão de 1990. Exemplo: os EUA têmque reduzir em média 7% durante o período, em relação àquilo que eles emitiram em 1990. Emgeral, os PDs diminuirão as emissões, em média 5,2% durante o período comprometido, emrelação às emissões de 1990.Gases Considerados: O Protocolo restringe as emissões de 6 GEEs. São eles: Dióxido de Carbono (CO2),Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Hidrofluocarbonos (HFCs), Perfluocarbonos (PFCs) eSulfurhexafluoride (SF6). O Protocolo trata os gases diferentemente, mas os principais são CO2,CH4 e N2O, com maior ênfase à emissão antrópica do CO2.Diminuindo o Custo da Disputa (mecanismos de flexibilização): O Protocolo inclui várias providências (mecanismos de flexibilização) com base nomercado, para diminuir o custo ou reduzir as emissões e acelerar a criação de tecnologia limpa,incluindo o negócio com emissões (bônus), crédito com base em projetos e CDM (CleanDevelopment Mechanism). Apesar de que tudo que está estabelecido no Protocolo, as regras paraimplementação serão definidas posteriormente. (i) Negócio com Bônus para Emissão: Grande parte por causa da insistência dos EUA, oProtocolo permite a criação de sistema int’l de negócio de bônus entre as Partes do Anexo B,similar ao “Clean Air Act” nos EUA. Sob esta providência, uma Parte do Anexo B com emissões 206
  • 207. excedendo os seus limites, será capaz de comprar bônus de uma Parte do Anexo B com emissõesinferiores aos seus limites. (ii) Negócio de Crédito Baseado em Projetos: Também referido como “implementaçãoconjunta,” é estabelecido sob o Protocolo para as Partes do Anexo B. Através desta providência,uma Parte do Anexo B receberá créditos quando estiver apoiando projetos específicos quereduzem emissões em uma outra Parte do Anexo B. Aqui, são incluídos projetos que aumentam aeficiência de uma fábrica ou usina através de assistência financeira ou transferência detecnologia, ou projetos que seqüestram emissões como conservação de florestas. (iii) Clean Development Mechanism (CDM): O CDM é designado para diminuir o custode disputa entre as Partes do Anexo B e promover a participação dos PEDs através da difusãotecnologias limpas. As Partes do Anexo B (igualmente as companhias específicas) terão 2 opçõespara adquirir redução através do CDM. Primeiro, o CDM estende-se a “implementação conjunta”aos PEDs permitindo às Partes do Anexo B ganhar crédito em direção as suas metas de emissõespela parceria com um PED, num projeto para reduzir emissões neste PED. Exemplo: uma Partedo Anexo B pode adquirir reduções ao ajudar um PED distribuir energia solar aos cidadãos quede alguma forma dependem de combustíveis poluentes para a produção de energia. Segundo, asPartes do Anexo B poderão comprar reduções diretamente do CDM. Neste caso, os PDs podemfinanciar projetos para reduzir emissões nos PEDs, assistir as nações ameaçadas pelos impactosdas mudanças climáticas e pagar custos administrativos. O CDM também cria um significanteincentivo para ações antecipadas permitindo às Partes do Anexo B a contar reduções adquiridasatravés do CDM já a partir de 2000.Países em Desenvolvimento (PEDs): O Protocolo inclui providências adicionais que requer e encoraja a participação dos PEDspara desacelerar o crescimento de suas emissões num curto prazo, e cria um roteiro para aquelesque eventualmente aceitam estabelecer limites. As políticas do Protocolo, baseadas no mercado,se designadas adequadamente, criará incentivos para os PEDs participarem mais ativamente, aoprovidenciar capital, tecnologia e manejo dos recursos naturais que possam ajuda-los nocrescimento econômico sustentável. Os PEDs podem participar no CDM imediatamente,bastando adotar os limites de emissões. Para estabelecer limites, os PEDs precisam fazer os seusinventários de estoques e seus relatórios de emissões, e que definam programas nacionais paramitigar e adaptar à mudança climática. 207
  • 208. Sumidouros: Florestas, agricultura e outros sistemas que podem absorver e armazenar Carbono sãochamados de “sumidouros.” O Protocolo reconhece a importância deles ao incluir a preservação edesenvolvimento de “sumidouros” como passos que uma Parte do Anexo B pode tomar paraalcançar as suas metas de emissões. Enquanto que a inclusão de “sumidouros” pode ter umimpacto positivo sobre a proteção da atmosfera e das florestas, a linguagem do Protocolo éambígua e cria tanto incentivos e desincentivos ao MFS. Em particular, o Protocolo poderiapromover a exploração (talvez, a eliminação) de floresta madura, em favor de outros tipos de usodo solo (reflorestamento ou manejo de capoeiras) que podem seqüestrar CO2. As Partesconcordaram em resolver esta ambigüidade desenvolvendo manuais para avaliação desumidouros. 208
  • 209. Países Desenvolvidos (Partes do Anexo B) e MetasPaís MetasAustrália 8% acima 1990Áustria 8% abaixo 1990Bélgica 8% abaixo 1990Bulgária 8% abaixo 1990Canadá 6% abaixo 1990Croácia 5% abaixo (ano-base)República Checa 8% abaixo (ano-base)Dinamarca 8% abaixo 1990Estônia 8% abaixo (ano-base)Comunidade Européia 8% abaixo 1990Finlândia 8% abaixo 1990França 8% abaixo 1990Alemanha 8% abaixo 1990Grécia 8% abaixo 1990Hungria 6% abaixo 1990Iceland igual 1990Irlanda 8% abaixo 1990Itália 8% abaixo 1990Japão 6% abaixo 1990Latvia 8% abaixo (ano-base)Liechtenstein 8% abaixo 1990Lituânia 8% abaixo (ano-base)Luxemburgo 8% abaixo 1990Mônaco 8% abaixo 1990Países Baixos 8% abaixo 1990Nova Zelândia igual 1990Noruega 1% acima 1990Polônia 6% abaixo 1990Portugal 8% abaixo 1990Romênia 8% abaixo 1990Federação Russa igual ano-baseEslováquia 8% abaixo (ano-base)Eslovênia 8% abaixo (ano-base)Espanha 8% abaixo 1990Suécia 8% abaixo 1990Suíça 8% abaixo 1990Ucrânia igual (ano-base)Reino Unido 8% abaixo 1990EUA 7% abaixo 1990 209
  • 210. 7.3. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A BIODIVERSIDADE A Convenção Internacional da Biodiversidade, assinada por Brasil em 5/06/92, em vigorinternacionalmente desde 29/12/93, ratificada pelo Congresso Nacional do Brasil em 03/02/94, epromulgada pelo Dec. 2.519, de 16/03/98.PreâmbuloAs Partes, Conscientes do valor intrínseco da diversidade biológica e dos valores ecológico,genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético da diversidadebiológica e de seus componentes, Conscientes, também, da importância da diversidade biológica para a evolução e para amanutenção dos sistemas necessários a vida da biosfera, Afirmando que a conservação da diversidade biológica é uma preocupação comum ahumanidade, Reafirmando que os Estados têm direitos soberanos sobre os seus próprios recursosbiológicos, ....... Preocupados com a sensível redução da diversidade biológica causada por determinadasatividades humanas, ..... .... Conscientes de que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica é deimportância absoluta para atender as necessidades de alimentação, de saúde e de outra naturezada crescente população mundial, para o que são essenciais o acesso e a repartição de recursosgenéticos e tecnologia, Observando, enfim, que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológicafortalecerão as relações de amizade entre os Estados e contribuirão para a paz da humanidade, ..... 210
  • 211. Determinadas a conservar e utilizar de forma sustentável a diversidade biológica parabenefício das gerações presentes e futuras, Convieram no seguinte: Artigo 1. Objetivos Os objetivos desta Convenção, a serem cumpridos de acordo com as disposições pertinentes, são aconservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativados benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursosgenéticos e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre taisrecursos e tecnologias, e mediante financiamento adequado. Artigo 2. Utilização dos TermosPara os propósitos desta Convenção:Área protegida significa uma área definida geograficamente que é destinada, ou regulamentada, eadministrada para alcançar objetivos específicos de conservação.Biotecnologia significa qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos,organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processo parautilização específica.Condições in-situ significa as condições em que recursos genéticos existem em ecossistemas ehabitats naturais e, no caso de espécies domesticadas ou cultivadas, nos meios onde tenhamdesenvolvido suas propriedades características.Conservação ex-situ significa a conservação de componentes da diversidade biológica fora deseus habitats naturais.Conservação in-situ significa a conservação de ecossistemas e habitats naturais e a manutenção erecuperação de populações viáveis de espécies em seus meios naturais e, no caso de espéciesdomesticadas ou cultivadas, nos meios onde tenham desenvolvido suas propriedadescaracterísticas.Diversidade biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens,compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemasaquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidadedentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. 211
  • 212. Ecossistema significa um complexo dinâmico de comunidades vegetais, animais e demicroorganismos e o seu meio inorgânico que interagem como uma unidade funcional.Espécie domesticada ou cultivada significa espécie em cujo processo de evolução influiu o serhumano para atender suas necessidades.Habitat significa o lugar ou tipo de local onde um organismo ou população ocorre naturalmente.Material genético significa todo material de origem vegetal, animal, microbiana ou outra quecontenha unidades funcionais de hereditariedade.Organização regional de integração econômica significa uma organização constituída deEstados soberanos de uma determinada região, a que os Estados membros transferiramcompetência em relação a assuntos regidos por esta Convenção, e que foi devidamenteautorizada, conforme seus procedimentos internos, a assinar, ratificar, aceitar, aprovar amesma e a ela aderir.País de origem de recursos genéticos significa o país que possui esses recursos genéticos em condições in-situ.País provedor de recursos genéticos significa o país que provê recursos genéticos coletados defontes in-situ, incluindo populações de espécies domesticadas e silvestres, ou obtidas de fontesex-situ, que possam ou não ter sido originados nesse país.Recursos biológicos compreende recursos genéticos, organismos ou partes destes, populações, ouqualquer outro componente biótico de ecossistemas, de real ou potencial utilidade ou valor para ahumanidade.Recursos genéticos significa material genético de valor real ou potencial.Utilização sustentável significa a utilização de componentes da diversidade biológica de modo eem ritmo tais que não levem, no longo prazo, à diminuição da diversidade biológica, mantendoassim seu potencial para atender as necessidades e aspirações das gerações presentes e futuras. Artigo 3. Princípio Os Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e com os princípios deDireito Internacional, têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos segundo suaspolíticas ambientais, e a responsabilidade de assegurar que atividades sob sua jurisdição oucontrole não causem dano ao meio ambiente de outros Estados ou de áreas além dos limites dajurisdição nacional. 212
  • 213. Artigo 4. Âmbito Jurisdicional Artigo 5. Cooperação Artigo 6. Medidas Gerais para a Conservação e a Utilização SustentávelCada Parte deve, de acordo com suas próprias condições e capacidades:(a) Desenvolver estratégias, planos ou programas para a conservação e a utilização sustentável dadiversidade biológica ou adaptar para esse fim estratégias, planos ou programas existentes quedevem refletir, entre outros aspectos, as medidas estabelecidas nesta Convenção concernentes aParte interessada; e(b) Integrar, na medida do possível e conforme o caso, a conservação e a utilização sustentável dadiversidade biológica em planos, programas e políticas setoriais ou intersetoriais pertinentes. Artigo 7. Identificação e Monitoramento Artigo 8. Conservação In-situ Artigo 9. Conservação Ex-situ Artigo 10. Utilização Sustentável de Componentes da Diversidade BiológicaCada Parte deve, na medida do possível e conforme o caso:(a) Incorporar o exame da conservação e utilização sustentável de recursos biológicos noprocesso decisório nacional;(b) Adotar medidas relacionadas à utilização de recursos biológicos para evitar ou minimizarimpactos negativos na diversidade biológica;(c) Proteger e encorajar a utilização costumeira de recursos biológicos de acordo com práticasculturais tradicionais compatíveis com a exigência de conservação ou utilização sustentável;(d) Apoiar populações locais na elaboração e aplicação de medidas corretivas em áreasdegradadas onde a diversidade biológica tenha sido reduzida;(e) Estimular a cooperação entre suas autoridades governamentais e seu setor privado naelaboração de métodos de utilização sustentável de recursos biológicos. Artigo 11. Incentivos Artigo 12. Pesquisa e TreinamentoAs Partes, levando em conta as necessidades especiais dos países em desenvolvimento, devem: 213
  • 214. (a) Estabelecer programas de educação e treinamento científico e técnico sobre medidas para aidentificação, conservação e utilização sustentável da diversidade biológica e seus componentes,e proporcionar apoio a esses programas de educação e treinamento destinados às necessidadesespecíficas dos países em desenvolvimento;(b) Promover e estimular pesquisas que contribuam para a conservação e a utilização sustentávelda diversidade biológica, especialmente nos países em desenvolvimento, conforme, entre outras,as decisões da Conferência das Partes tomadas em conseqüência das recomendações do ÓrgãoSubsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico;(c) Artigo 13. Educação e Conscientização Pública Artigo 14. Avaliação de Impacto e Minimização de Impactos Negativos Artigo 15. Acesso a Recursos Genéticos1. Em reconhecimento dos direitos soberanos dos Estados sobre seus recursos naturais, aautoridade para determinar o acesso a recursos genéticos pertence aos governos nacionais e estásujeita à legislação nacional. Artigo 16. Acesso à Tecnologia e Transferência de Tecnologia Artigo 17. Intercâmbio de Informações1.2. Esse intercâmbio de informações deve incluir o intercâmbio dos resultados de pesquisastécnicas, científicas, e sócio-econômicas, como também informações sobre programas detreinamento e de pesquisa, conhecimento especializado, conhecimento indígena e tradicionalcomo tais e associados às tecnologias a que se refere o parágrafo 1 do artigo 16. Deve também,quando possível, incluir a repatriação das informações. Artigo 18. Cooperação Técnica e Científica1. As Partes devem promover a cooperação técnica e científica internacional no campo da conservação e utilizaçãosustentável da diversidade biológica, caso necessário, por meio de instituições nacionais e internacionaiscompetentes.2. Cada Parte deve, ao implementar esta Convenção, promover a cooperação técnica e científicacom outras Partes, em particular países em desenvolvimento, por meio, entre outros, daelaboração e implementação de políticas nacionais. Ao promover essa cooperação, deve ser dada 214
  • 215. especial atenção ao desenvolvimento e fortalecimento dos meios nacionais mediante acapacitação de recursos humanos e fortalecimento institucional.3. 4. 5. Artigo 19. Gestão da Biotecnologia e Distribuição de seus Benefícios1. Cada Parte deve adotar medidas legislativas, administrativas ou políticas, conforme o caso, para permitir aparticipação efetiva, em atividades de pesquisa biotecnológica, das Partes, especialmente países emdesenvolvimento, que provêem os recursos genéticos para essa pesquisa, e se possível nessas Partes.2. Cada Parte deve adotar todas as medidas possíveis para promover e antecipar acessoprioritário, em base justa e eqüitativa das Partes, especialmente países em desenvolvimento, aosresultados e benefícios derivados de biotecnologias baseadas em recursos genéticos providos poressas Partes. Esse acesso deve ser de comum acordo.3.4. Artigo 20. Recursos Financeiros1. Cada Parte compromete-se a proporcionar, de acordo com a sua capacidade, apoio financeiro e incentivosrespectivos às atividades nacionais destinadas a alcançar os objetivos desta Convenção em conformidade com seusplanos, prioridades e programas nacionais.2. As Partes países desenvolvidos devem prover recursos financeiros novos e adicionais para queas Partes países em desenvolvimento possam cobrir integralmente os custos adicionais por elasconcordados decorrentes da implementação de medidas em cumprimento das obrigações destaConvenção, bem como para que se beneficiem de seus dispositivos.3. 4. 5. 6. 7. Artigo 21. Mecanismos Financeiros Artigo 22. Relação com outras Convenções Internacionais Artigo 23. Conferência das Partes Artigo 24. Secretariado Artigo 25. Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico Artigo 26. Relatórios Artigo 27. Soluções de Controvérsias 215
  • 216. Artigo 28. Adoção dos Protocolos Artigo 29. Emendas à Convenção ou Protocolos Artigo 30. Adoção de Anexos e Emendas a Anexos Artigo 31. Direito de Voto Artigo 32. Assinatura Artigo 34. Ratificação, Aceitação ou Aprovação1. Esta Convenção e seus protocolos estão sujeitos à ratificação, aceitação ou aprovação, pelos Estados e pororganizações de integração econômica regional. Os instrumentos de ratificação, aceitação ou aprovação devem serdepositados junto ao Depositário. Artigo 35. Adesão Artigo 36. Entrada em Vigor1. Esta Convenção entra em vigor no nonagésimo dia após a data de depósito do trigésimo instrumento deratificação, aceitação ou aprovação ou adesão. Artigo 37. Reservas Artigo 38. Denúncias Artigo 39. Disposições Financeiras Provisórias Artigo 40. Disposições Transitórias para o Secretariado Artigo 41. DepositárioO Secretário-Geral da ONU deve assumir as funções de Depositário desta Convenção e de seus protocolos. Artigo 42. Textos Autênticos 216
  • 217. 7.4. ACORDO INFORMAL SOBRE OS PRINCÍPIOS PARA ACONSERVAÇÃO E MANEJO SUSTENTÁVEL DE TODOS OS TIPOSFLORESTAIS PRINCÍPIOS / ELEMENTOS 1. Cada País tem, de acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios das leisinternacionais, o direito soberano de explorar os seus recursos conforme as suas próprias políticasambientais, mas tem a responsabilidade de assegurar que as atividades dentro de sua jurisdição oucontroles não causem danos ao ambiente de outros Países. (a) O custo adicional para alcançar os benefícios associados com a conservação edesenvolvimento sustentável exige um aumento na cooperação internacional e deve serigualmente dividido pela comunidade internacional. 2. Cada País tem o soberano e indiscutível direito de utilizar, manejar e desenvolver assuas florestas de acordo com as suas necessidades e condições sócio-econômicas, com base naspolíticas nacionais e legislações consistentes com o desenvolvimento sustentável, incluindo aconversão de tais áreas para outros usos previstos no plano nacional de desenvolvimento sócio-econômico. (a) Os recursos florestais e as terras florestais devem ser manejadas sustentavelmentequanto aos aspectos sociais, econômicos, ecológicos, culturais e espirituais, visando asnecessidades humanas das gerações atual e futura. 3. As políticas e estratégias nacionais devem fornecer um programa com aumento gradualde esforços, incluindo a consolidação e fortalecimento de instituições e programas de manejo,conservação e desenvolvimento sustentável das florestas e terras florestais. 4. DEVE SER RECONHECIDO o papel vital de todos os tipos florestais na manutençãodos processos e equilíbrios ecológicos, em níveis local, nacional, regional e global, para aproteção de ecossistemas frágeis, bacias hidrográficas, mananciais de água doce, biodiversidade,fotossíntese, recursos biológicos e material genético para os produtos biotecnológicos. 5. As políticas nacionais devem reconhecer e, no devido tempo, apoiar a manutenção daidentidade, cultura e os direitos dos povos indígenas, suas comunidades, assim como os povos dafloresta. Condições apropriadas devem ser promovidas para capacitar estes grupos para quepossam ter interesses econômicos no uso florestal, desempenhar as atividades econômicas e 217
  • 218. perseguir e manter a suas identidades culturais e organizações sociais, bem como adequadosníveis de vida e bem-estar por meio da posse da terra. (a) DEVE SER ATIVAMENTE PROMOVIDO a participação total das mulheres emtodos os aspectos do manejo, conservação e desenvolvimento sustentável das florestas. 6. Todos os tipos florestais desempenham papel importante no fornecimento de energiapor meio da provisão de recursos renováveis de bio-energia, particularmente nos países emdesenvolvimento, e os suprimentos para lenha para uso doméstico ou industrial devem ser feitosvia manejo florestal sustentável e reflorestamento. 7. Devem ser feitos esforços para promover uma conduta internacional para odesenvolvimento sustentável e ambientalmente sadio das florestas em todos os países, incluindo,entre outras medidas, a promoção de padrões de sustentabilidade de produção e consumo,erradicação da pobreza e a promoção da segurança alimentar. 8. Devem ser feitos esforços para tornar o mundo mais verde. Todos os países,principalmente os desenvolvidos, devem tomar ações positivas e transparentes visando oreflorestamento, conservação das florestas nativas e outras medidas. 9. Os esforços dos países em desenvolvimento para fortalecer o manejo, a conservação e odesenvolvimento sustentável de seus recursos florestais devem ser apoiados pela comunidadeinternacional, levando em consideração a importância de suas dívidas externas, particularmentequando agravado pela transferência líquida de seus recursos aos países desenvolvidos. 10. Novos e adicionais recursos financeiros devem ser fornecidos aos países emdesenvolvimento. 11. Para melhorar a capacidade local dos países em desenvolvimento em manejar,conservar e desenvolver o setor florestal, DEVEM SER PROMOVIDOS, FACILITADOS EFINANCIADOS o acesso e a transferência de tecnologias ambientalmente sadias e oscorrespondentes “know-how”, em condições favoráveis. 12. Pesquisa científica, inventários florestais e levantamentos executados por instituiçõesnacionais que levam em consideração, quando relevantes, as variáveis biológicas, físicas, sociaise econômicas, assim como o desenvolvimento tecnológico e sua aplicação no campo de manejoflorestal sustentável, conservação e desenvolvimento DEVEM SER FORTALECIDAS, incluindo 218
  • 219. cooperação internacional. Neste contexto, atenção deve ser também dada à pesquisa sobreprodutos não-madeireiros. 13. O comércio de produtos florestais deve ser baseado em regras não discriminatórias e procedimentosconsistentes com práticas e leis de comércio internacional. Neste contexto, comércio internacional aberto e livre deprodutos florestais deve ser facilitado. 14. Medidas unilaterais, incompatíveis com as obrigações internacionais ou acordos, pararestringir e/ou boicotar o comércio internacional de madeira ou outros produtos florestaisDEVEM SER REMOVIDOS OU EVITADOS, para atingir o manejo florestal sustentável aolongo-prazo. 15. Poluentes, particularmente no ar, incluindo àqueles responsáveis pela deposição ácida,que são ameaças à saúde do ecossistema florestal, em níveis local, nacional, regional e globalDEVEM SER CONTROLADOS. 219
  • 220. 7.5. ITTO-2000 ITTO (International Tropical Timber Organization) quer dizer Organização Internacional das MadeirasTropicais e congrega produtores e consumidores de madeira dura tropical. Os países que mais consomem e que maisproduzem madeira tropical são os que têm maior poder dentro da organização. No início dos anos 90, representantesda ITTO e do comércio de madeiras tropicais e as ONGs ambientalistas reuniram-se em Haia, estabelecendo a metada ITTO para o ano 2000. Ficou acordado que a ITTO somente comercializaria produtos madeireiros oriundos deplanos de manejo florestal sustentável. Os critérios para avaliar a sustentabilidade do manejo florestal são os seguintes:(i) Sustentabilidade (Nível Nacional); Critério 1: A base dos recursos florestais: Exemplos de indicadores Possíveis: - Plano global de aproveitamento de terras e disposições para estabelecer o ZEE(Zoneamento Econômico e Ecológico). - Área existente de ZEE com respeito às metas e objetivos nacionais. - Metas para o estabelecimento de plantações, distribuição vigente de classes de idade eregimes anuais de plantação. - Áreas de florestas de proteção e florestas de produção dentro do ZEE. - Representatividade da rede de áreas protegidas e o programa de reservas existente dentrodo planejado. Critério 2: A continuidade do fluxo de produtos florestais: Exemplos de indicadores possíveis: - Estatísticas sobre a produção nacional com o passar do tempo. - Documentação da exploração florestal (área) com o passar do tempo. - Ciclos de corte propostos para os principais tipos florestais e o período de concessãopadrão. - Regulamentação dos índices iniciais de corte com respeito aos ciclos de corte definidos ea área (líquida) das florestas de produção. 220
  • 221. - Regulamentação dos cortes subseqüentes em relação aos ciclos de corte definidos, dadossobre o incremento e a área líquida de florestas de produção. - Medidas tomadas para compatibilizar o primeiro ciclo de corte e os ciclos subseqüentese controlar a transição do primeiro ao segundo ciclo de corte. - Metas para a produção madeireira de diversas fontes com o passar do tempo. - Disponibilidade de normas silviculturais para os principais tipos florestais. Critério 3: Nível de controle ambiental: Indicadores: - Normas de manejo para outros componentes do ZEE não relacionados com a produção. - Disponibilidade de normas para obras de engenharia, proteção de bacias hidrográficas eoutras regras de manejo ambiental para as florestas de produção. - Disponibilidade de procedimentos para a avaliação do impacto ambiental. Critério 4: Efeitos Sócio-econômicos: Indicadores: - Padrões e tendências de emprego - Padrões de geração e distribuição de renda. - Orçamentos nacionais de gastos com o manejo florestal. - Disponibilidade de procedimentos para avaliar o impacto ambiental. Critério 5: Estrutura Institucional: Indicadores: - Existência de uma política florestal nacional. - Compatibilidade da política nacional com as diretrizes da ITTO. - Existência de uma estrutura legislativa adequada para por em prática as políticasflorestais nacionais e os planos de manejo florestal. - Existência de legislação adequada para regulamentar a exploração e administrardocumentos específicos (acordos de concessão florestal, por ex.). 221
  • 222. - Disponibilidade de recursos humanos e financeiros adequados para satisfazer asresponsabilidades legislativas e administrativas em termos de manejo florestal sustentável. - Consultas à comunidade - Existência de planos de manejo e disposições para sua execução.(ii) Sustentabilidade (Nível de Unidade de Manejo Florestal): Critério 1: Segurança dos recursos: Indicadores: - Estabelecimento legal de zonas florestais ou unidades de manejo. - Existência de um plano de manejo. - Demarcação clara dos limites no campo. - Presença ou ausência de exploração ilegal ou usurpação. - Duração dos acordos de concessão. Critério 2: A continuidade da produção madeireira: Indicadores: - Presença de normas de extração claras e oficiais. - Produtividade do solo a longo prazo. - Inventário florestal anterior ao corte. - Número de árvores e/ou volume de madeira a ser extraído por hectare. - Dispositivos para controlar o povoamento residual em pé depois da exploração. - Registros de rendimento anual de produtos com o passar do tempo. - Área produtiva líquida. - Registros das áreas de corte anuais com o passar do tempo. Critério 3: Conservação da Flora e Fauna: Indicadores: - Proteção de ecossistemas na concessão ou unidade de manejo. - Grau de perturbação sobre a vegetação depois da exploração. 222
  • 223. Critério 4: Um nível aceitável de impacto ambiental: Indicadores: - Grau de perturbação no solo. - Área e distribuição geográfica das matas ciliares e outras áreas de proteção de baciashidrográficas. - Grau e gravidade da erosão do solo. - Dispositivos para a proteção de corpos d’água. Critério 5: Benefícios Sócio-Econômicos: Indicadores: - Número de pessoas empregadas. - Natureza e quantidade de benefícios derivados das atividades florestais. Critério 6: Planejamento e Adaptação à Experiência: Indicadores: - Consultas à comunidade - Dispositivos para que o manejo florestal tenha em conta o aproveitamento tradicional dafloresta. 223
  • 224. 7.6. Acordo de TARAPOTO Este Acordo foi tirado de uma reunião promovida pelo TCA (Tratado de CooperaçãoAmazônica), em Tarapoto (Peru), 1995, com apoio da FAO, PNUD e CIDA (CanadianInternational Development Agency). A relação de critérios e indicadores de sustentabilidade da floresta amazônica é colocadada seguinte maneira:I. NÍVEL NACIONALCritério 1: Benefícios Sócio-Econômicos: - Indicadores de Ingresso, Produção e Consumo: - Indicadores sobre Investimento e Crescimento Econômico no Setor Florestal - Indicadores sobre Necessidades e Valores Culturais, Sociais e Espirituais.Critério 2: Políticas e Padrões Jurídicos e Institucionais para o DesenvolvimentoSustentável das Florestas: - IndicadoresCritério 3: Produção Florestal Sustentável: - IndicadoresCritério 4: Conservação da Cobertura Florestal e da Diversidade Biológica - IndicadoresCritério 5: Conservação e Manejo Integral dos Recursos de Água e Solo - IndicadoresCritério 6: Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável das Florestas - IndicadoresCritério 7: Capacidade Institucional para Fomentar o Desenvolvimento Sustentável daAmazônia - IndicadoresII. NÍVEL DE UNIDADE DE MANEJO: 224
  • 225. Critério 8: Padrão Jurídico e Institucional - IndicadoresCritério 9: Produção Florestal Sustentada - IndicadoresCritério 10: Conservação dos Ecossistemas Florestais - IndicadoresCritério 11: Benefícios Sócio-Econômicos - IndicadoresIII. SERVIÇOS (NÍVEL GLOBAL):Critério 12: Serviços Econômicos, Sociais e Ambientais da Floresta Amazônica - Indicadores 225
  • 226. 7.7. CERTIFICAÇÃO FLORESTAL: A certificação florestal, que vem sendo coordenada pelo FSC18, surge como umaconseqüência natural, tendo em vista a necessidade de cumprir todos os acordos estabelecidos. Acertificação é um atestado de origem da matéria-prima madeira, que inclui dois componentes:certificação da sustentabilidade lato sensu do manejo florestal (saúde da floresta) e a certificaçãodo produto (qualidade do produto comercializado). A FAO (Food and Agriculture Organization)sugere que os critérios para certificação devam contemplar os seguintes conceitos fundamentais:recursos florestais, funções da floresta, necessidades sociais e de desenvolvimento e questõesinstitucionais. Segundo WWF19 (1996), a certificação é não obrigatória, portanto, não substitui aslegislações existentes em cada país. Segundo ainda esta fonte, quatro organizações nãogovernamentais já foram credenciadas pelo FSC: Forest Conservation Program of ScientificCertification Systems (americana, com fins lucrativos), SGS Forestry Program (britânica, comfins lucrativos), Smart Wood Certification Program of Rainforest Alliance (americana, sem finslucrativos) e Woodmark of the Soil Association (britânica, sem fins lucrativos). No Brasil, desde1992 o setor privado vem desenvolvendo, com o apoio de instituições de pesquisa tecnológica, ametodologia de um processo de certificação relacionado com a origem da matéria prima plantada.Este trabalho resultou no Conselho de Certificação Florestal - CERFLOR, o qual seguiráorientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Existe ainda, o Grupo deTrabalho do WWF, que agrega as organizações não governamentais responsáveis pela discussãoda certificação seguindo os princípios da FSC.18 FSC = The Forest Stewardship Council, “Conselho do Guardião da Floresta,” organização não governamental quetem o papel de credenciar empresas de certificação florestal.19 WWW Guide to Forest Certification 96. 36p. 226
  • 227. CAPÍTULO 21 LEGISLAÇÕES FLORESTAIS BRASILEIRASResumo: O Código Florestal ainda está em vigor, apesar de inúmeras alterações. Hoje, parasubmeter um projeto de manejo florestal sustentável (PMFS), seja de baixa intensidade ou pleno,o engenheiro florestal precisa estar atento às normas e orientações contidas na Lei de Gestão deFlorestas Públicas, Decreto de regulamentação desta Lei, o novo Decreto que regulamenta o Art15 do Código Florestal e a Instrução Normativa nº 5. Na parte central da Amazônia, há árvorescom até 1500 anos de idade. Há uma enorme diferença entre o tempo gasto para formar umaárvore para a indústria de serraria e a velocidade empregada nas alterações das normas de manejoflorestal. Certamente, as alterações não são realizadas com base no conhecimento. Estaatualização da legislação florestal é de maio de 2007. Isto pode ser considerado, em grande parte,desatualizado daqui um ano. O Art 15, por exemplo, que regulamenta o manejo florestal naAmazônia, ficou adormecido durante 29 anos. Assim que foi regulamentado, em 1994, este artigojá foi alterado 2 vezes. Instruções normativas, portarias e outras resoluções internas do Ibama, doMMA ou do órgão estadual de meio ambiente são, igualmente, alteradas em alta velocidade. Aslegislações estaduais precisam ser consideradas porque estas leis podem ser mais restritivas doque as federais, mas, jamais, mais permissivas. No Estado do Amazonas, por exemplo, oEIA/RIMA ainda é exigido em planos de manejo industrial. Portanto, o engenheiro florestal deveestar sempre atento às alterações consultando os sites do Ibama ou do órgão estadual de meioambiente.21.1. Introdução: A lei que disciplina o setor florestal brasileiro é a Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965,que introduziu o Novo Código Florestal. O Art 1º desta Lei diz o seguinte: “As florestasexistentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade àsterras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-seos direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Leiestabelecem”. Isto quer dizer que, legalmente, a floresta não é apenas madeira; são todos os 227
  • 228. processos evolutivos resultantes que desempenham papéis importantes no funcionamento emanutenção dos ecossistemas e na proteção de outras formas de vida. O texto do Art 1º é amparado pela Constituição brasileira de 1988. O Art 225 do Capítulode Meio Ambiente diz o seguinte: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamenteequilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se aoPoder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futurasgerações”. O MFS é um poderoso instrumento para defender a floresta em pé, desde que alegislação seja cumprida. Neste caso, o engenheiro florestal tem papel fundamental naimplementação do MFS. O Ibama ou o órgão estadual de meio ambiente não podem terceirizareste papel fundamental do Estado e devem monitorar o trabalho do engenheiro florestal. Se estesatores falharem, há o Ministério Público para cobrar o cumprimento da Lei Florestal e, casonecessário, aplicar a Lei de Crimes Ambientais. No que diz respeito à Amazônia, antes de tudo é preciso ter em mente o § 4º do Art 225da Constituição, que declara a floresta amazônica, como patrimônio nacional e a sua utilizaçãofar-se-á na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente. Aquestão do manejo florestal na Amazônia foi tratada, principalmente, no Art 15 do CódigoFlorestal, que deveria ser regulamentado um ano após a aprovação da Lei em 1965. Estaregulamentação ficou adormecida durante 29 anos e somente, em 1994, o Art 15 foiregulamentado. Em 2006, foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei de Gestão de Florestas Públicas.Apesar de ser federal, esta Lei foi inspirada nos problemas de usos do solo amazônico. Aprincipal novidade desta Lei é a introdução do sistema de concessão florestal para o manejoflorestal sustentável (MFS). Para adequar-se à Lei de Gestão, o Decreto 2.788 (regulamentaçãodo Art 15 do Código Florestal) foi substituído pelo Decreto nº 5.975 de 30 de novembro de 2006. Neste capítulo serão apresentadas todas as normas inerentes ao MFS na Amazônia. Sãotambém apresentados os decretos já revogados para que se possa entender melhor a dinâmica dalegislação florestal na Amazônia. Os textos completos de cada documento obrigatório podem serobtidos clicando nos sites indicados. Hoje, para submeter um plano de MFS, o florestal tem queter em mente os seguintes documentos obrigatórios: Código Florestal, Lei de Gestão de FlorestasPúblicas, Decreto nº 5.975 e Instrução Normativa nº 5 do Ministério do Meio Ambiente (MMA).A IN cobre vários pontos do Código Florestal, da Lei de Gestão e da Lei de Crimes Ambientais e 228
  • 229. apresenta o roteiro para a elaboração do plano de manejo florestal sustentável (PMFS). Por estasrazões, a IN é apresentada, na íntegra, no Anexo 21.1. Serão destacados e discutidos alguns pontos da legislação florestal. Todo o viés dadiscussão é para a região amazônica. A Lei de Gestão de Florestas Públicas ganhará maisdestaques porque é a mais recente e que gerou muito polêmica.21.2. Código Florestal: Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965. No endereço http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4771.htm é apresentado o textooriginal da Lei. O bom de ler o texto original neste site é o fato que todas as alterações da Lei sãodestacadas (riscadas) ou remetidas para outros sites (no caso de revogação). Os destaques aquisão os Artigos 15 e 44, além do Art 1º que foi comentado na Introdução. Art. 15 – Fica proibida a exploração sob forma empírica das florestas primitivas da baciaamazônica que só poderão ser utilizadas em observância a planos técnicos de condução e manejoa serem estabelecidos por ato do Poder Público, a ser baixado dentro do prazo de um ano. Este artigo deveria ser regulamentado em 1966, mas acabou ocorrendo apenas em 1994,ou seja, 28 anos além do prazo. Esta regulamentação foi realizada pelo Decreto nº 1.282 (1994),alterado e substituído pelo Decreto nº 2.788 (1998) que, por sua vez, deu lugar ao Decreto nº5.975 (2006), que é o que está em vigor em 2007. Os pontos relevantes destes decretos serãodiscutidos nos itens posteriores. Art. 44 – Na Região Norte e na Parte Norte da região Centro-Oeste, enquanto não forestabelecido o decreto de que trata o Art. 15, a exploração a corte raso só é permissível desde quepermaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Esta razão foi alterada para 20% (corte raso) e 80% (reserva legal), em 1996, por meio daMP nº 2.166. A motivação foi o pico de desmatamento que ocorreu durante a safra de 1995-1996,na Amazônia. Nos primeiros dois anos, a medida governamental obteve o sucesso esperado. Como passar do tempo, o desmatamento voltou a ficar fora de controle. A última republicação destaMP, a 67ª, ocorreu em 24/08/01, MP nº 2166-67.21.3. Decretos e instruções revogados: (i) Decreto nº 1.282 de 19/10/94 229
  • 230. Em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D1282.htm há o textocompleto deste documento. Este Decreto regulamenta os artigos 15, 19, 20 e 21, da Lei nº 4.771,de 15/09/1965 e dá outras providências. O Capitulo I trata da a exploração das Florestas Primitivas e Demais Formas deVegetação Arbórea na Amazônia. Art. 1º. A exploração das florestas primitivas da bacia amazônica de que trata o artigo 15da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), e demais formas de vegetaçãoarbórea natural, somente será permitida sob a forma de manejo florestal sustentável (MFS),segundo os princípios gerais e fundamentos técnicos estabelecidos neste Decreto. § 1º. Para efeito deste Decreto, considera-se bacia amazônica a área abrangida pelosEstados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima, além das regiõessituadas ao Norte do paralelo de 13ºS, nos Estados de Tocantins e Goiás, e a Oeste do meridianode 44ºW, no Estado do Maranhão. § 2º. Entende-se por MFS a administração da floresta para a obtenção de benefícioseconômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto domanejo. Art. 2º. O plano de MFS a que se refere o artigo 1º deste Decreto, atenderá aos seguintesprincípios gerais e fundamentos técnicos: I – princípios gerais: a) conservação dos recursos naturais; b) conservação da estrutura da floresta e de suas funções; c) manutenção da diversidade biológica; d) desenvolvimento sócio-econômico da região. Parágrafo único. A aprovação pelo Ibama, do plano de manejo de que trata o caput desteartigo dispensa a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental – EIA e Relatório de ImpactoAmbiental – RIMA, para projetos com área inferior a 2.000 ha. O Ibama regulamentou este Decreto por meio de uma portaria (Portaria nº 48)introduzindo, ao mesmo tempo, o roteiro básico para apresentação do plano de manejo florestalsustentável (PMFS). Este Decreto ficou adormecido durante 29 anos e teve vida curta, de pouco 230
  • 231. mais de 4 anos. A exigência contida no parágrafo único do Art. 2º (dispensa de EIA/RIMA paraprojetos com área inferior a 2.000 ha) era burlada com projetos em áreas de 1.999 ha. (ii) Portaria nº 48 de 10/08/95 O Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, no usode suas atribuições previstas no artigo 24, incisos I e III da Estrutura Regimental anexa ao Decreto nº 78, de 5 deabril de 1991, e no art. 83, inciso XIV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria Ministerial GM/Minter nº 445,de 16 de agosto de 1989, tendo em vista o disposto no Decreto nº 1.282, de 19 de outubro de 1994, que regulamentaos artigos 15, 19, 20 e 21 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 e considerando a necessidade de disciplinar aexploração florestal na Bacia Amazônica, resolve: Art. 3º - Para o cumprimento do disposto no artigo 2º, o PMFS deve conter o estabelecidono Roteiro Básico para Elaboração de PMFS (Anexo I) e as exigências constantes do Quadro deDocumentos (Anexo II). § 1º - O PMFS deve ser protocolado em 2 (duas) vias na Superintendência Estadual doIBAMA - SUPES ou em sua Unidade Descentralizada. § 2º - Por ocasião da apresentação do PMFS, deve ser incluído o Termo deResponsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada (Anexo III), quando se tratar de áreatitulada, e o Termo de Compromisso para averbação do PMFS (Anexo IV) quando se tratar deárea de justa posse. § 5º - Oficializado da aprovação do PMFS, o interessado deve apresentar na SUPES oTermo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada (Anexo III), devidamenteaverbado à margem da matrícula do imóvel competente, no prazo máximo de 45 (quarenta ecinco) dias, contados da data do recebimento da comunicação, ocasião em que será expedida aAutorização para Exploração do PMFS. Art. 3º. Para o cumprimento do disposto no artigo 2º, o PMFS deve conter o estabelecidono Roteiro Básico para elaboração de PMFS (Anexo I) e as exigências constantes no Quadro deDocumentos (anexo II). Além do roteiro básico, esta Portaria deixava claro que o PMFS somente poderia serimplementado em terras de domínio privado. No fundo, este parágrafo era o instrumento demedida para impedir a grilagem de terras públicas. Talvez, a capacidade institucional não fossesuficiente para o devido cumprimento deste parágrafo, mas o instrumento de medida persistia.Por exemplo, o gerente do Ibama, que autorizar a implementação de PMFS em áreas griladas, 231
  • 232. pode ser punido de acordo com o Art. 67 e Art. 68 da Lei nº 9.605 de 12/02/98 (Lei de CrimesAmbientais), que trata da autorização em desacordo com as normas e omissão sobre a violaçãoconsumada. (iii) Decreto nº 2.788 de 28/09/98 Neste endereço http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D2788.htm, o texto completo original éapresentado. Este decreto altera dispositivos do Decreto nº 1.282, de 19 de outubro de 1994 e dá outras providências. A principal alteração é feita no parágrafo único do Art. 2º, retirando a necessidade de apresentação deEIA/RIMA para qualquer projeto de manejo. Este Decreto explicita melhor os planos de manejo para pequenosprodutores e comunidades de pequenos produtores. No mais, todos os princípios gerais e técnicos são mantidos e nãorevoga a Portaria nº 48.21.4. Lei de Gestão de Florestas Públicas: Lei nº 11.284, de 2 demarço de 2006 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11284.htm é o endereçoeletrônico que disponibiliza o texto original desta Lei. Esta Lei dispõe sobre a gestão de florestaspúblicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, oServiço Florestal Brasileiro - SFB; cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal - FNDF;altera as Leis nos 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.868, de 12 de dezembro de 1972, 9.605, de 12de fevereiro de 1998, 4.771, de 15 de setembro de 1965, 6.938, de 31 de agosto de 1981, e 6.015,de 31 de dezembro de 1973; e dá outras providências. O Art. 3o apresenta, entre outras, as seguintes definições: Florestas públicas: florestas, naturais ou plantadas, localizadas nos diversos biomasbrasileiros, em bens sob o domínio da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal oudas entidades da administração indireta; Concessão florestal: delegação onerosa, feita pelo poder concedente, do direito depraticar MFS para exploração de produtos e serviços numa unidade de manejo, mediantelicitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda às exigências do respectivo edital delicitação e demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazodeterminado; A Seção XI trata do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), que é denatureza contábil, gerido pelo órgão gestor federal, destinado a fomentar o desenvolvimento de 232
  • 233. atividades sustentáveis de base florestal no Brasil e a promover a inovação tecnológica do setor.Os recursos do FNDF serão aplicados prioritariamente em projetos nas seguintes áreas: (i)pesquisa e desenvolvimento tecnológico em manejo florestal; (ii) assistência técnica e extensãoflorestal; (iii) recuperação de áreas degradadas com espécies nativas; (iv) aproveitamentoeconômico racional e sustentável dos recursos florestais; (v) controle e monitoramento dasatividades florestais e desmatamentos; (vi) capacitação em manejo florestal e formação deagentes multiplicadores em atividades florestais; (vii) educação ambiental; (viii) proteção aomeio ambiente e conservação dos recursos naturais. O Capítulo I do Título IV da Lei trata da criação do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), naestrutura básica do MMA. O SFB atua exclusivamente na gestão das florestas públicas e tem porcompetência: (i) exercer a função de órgão gestor das florestas públicas, bem como de órgãogestor do FNDF; (ii) apoiar a criação e gestão de programas de treinamento, capacitação,pesquisa e assistência técnica para a implementação de atividades florestais, incluindo manejoflorestal, processamento de produtos florestais e exploração de serviços florestais; (iii) estimulare fomentar a prática de atividades florestais sustentáveis madeireira, não madeireira e de serviços;(iv) promover estudos de mercado para produtos e serviços gerados pelas florestas; (v) proporplanos de produção florestal sustentável de forma compatível com as demandas da sociedade; (vi)criar e manter o Sistema Nacional de Informações Florestais integrado ao Sistema Nacional deInformações sobre o Meio Ambiente; (vii) gerenciar o Cadastro Nacional de Florestas Públicas;(viii) apoiar e atuar em parceria com os seus congêneres estaduais e municipais21.5. Concessões florestais Convém não perder de vista que os países tropicais que priorizaram a exportação demadeira continuam pobres e sem as suas florestas. E aqueles que adotaram o sistema deconcessões florestais, como os países do oeste africano (Camarões, Nigéria, Gabão, Gana, Costado Marfim, Libéria, República Centro-africana e República Democrática do Congo), da regiãoÁsia/Pacífico (Malásia, Indonésia, Filipinas, Camboja, Tailândia, Fiji e Papua Nova Guiné) e daAmérica tropical (Nicarágua, Guiana, Suriname, Bolívia, Venezuela e Honduras) estãoigualmente pobres. Destes países, a Malásia se encontra em melhor posição; é o 55º no rankingdo IDH de 176 países. De acordo com o Greenpeace, na maior parte desses países, a exploraçãoflorestal esteve sempre ligada à corrupção, conflitos sociais e destruição ambiental. 233
  • 234. Os idealizadores do PL argumentam que há países onde as concessões deram certo e,invariavelmente, citam a Nova Zelândia e Canadá. Manejar as florestas destes dois países écompletamente diferente de manejar as da Amazônia; não servem de comparações. Dos paísestropicais que adotaram os sistemas de concessões, não há contestação sobre os fracassosresultantes; há apenas o último argumento que no Brasil será adotado a Lei 8.666 de 21/06/93(licitações e contratos da Administração Pública) na outorga das concessões. Infelizmente, osmensalões, sanguessugas e outras mazelas da política brasileira aconteceram sob as normasvigentes nesta Lei de Licitações. Do ponto de vista legal, a introdução da concessão florestal em florestas públicas geracontrovérsias. Fernando Borges da Silva, analista processual da Procuradoria Geral da República(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8013), analisando o projeto de lei (PL) começa citando odisposto no Art 1º do Código Florestal para afirmar que as florestas públicas são bens deinteresse comum a todos os habitantes. Sendo bens de interesse comum, as florestas sãoplenamente afetadas ao interesse público e, por conseqüência, inalienáveis. A floresta não podeser vista apenas como produtos e serviços ou como m3 de madeira, mas sim, como uma peçaimportante na conservação e funcionamento dos ecossistemas. Este analista conclui assim “o PL,nas suas linhas atuais, visa maquiar a incapacidade gerencial de se enfrentar com eficácia adevastação da floresta brasileira, notadamente da floresta amazônica. Se aprovado, será umretrocesso na Política Nacional do Meio Ambiente. Melhor seria manter a política atual, ainstitucionalizar a devastação”. Tecnicamente falando, estes bens de interesse comum levaram, pelo menos, 1500 anospara se estabelecerem (Revista Nature de 1998), sendo produto da interação entre solo, clima eoutros seres vivos, que ainda não foi explicada pela ciência. De outro lado, a pesquisa sobre MFSmais antiga na Amazônia tem 29 anos; tempo insuficiente para prescrever medidas que garantama sustentabilidade lato sensu do manejo florestal. Mesmo assim, a meta do Governo é colocar 13milhões de hectares em 10 anos, sob concessão florestal, para o MFS. Na Amazônia, 25% das terras são privadas e 75% são públicas. O desmatamento jáatingiu 13% da região, que, obviamente, deveria ocorrer em terras privadas. Considerando asáreas sob planos de MFS, mais as reservas legais (50% até 1996 e 80% a partir desta) e as áreasde preservação permanente, muita terra pública já foi envolvida também. Resumindo, as terrasprivadas estão se acabado. Sem escrituras, não há plano de MFS porque a sua aprovação dependeda apresentação do Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta, devidamente 234
  • 235. averbado à margem da matrícula do imóvel competente. Sem plano, não há certificação florestal.Sem certificação, vai faltar madeira tropical no mercado internacional. Será que foi este ocombustível que empurrou a máquina que atropelou o Art. 1º do Código Florestal e aprovou tãorapidamente o PL?21.6. Regulamentação da Lei 11.284: Decreto nº 6063 de 20/03/07 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6063.htm contém o textooriginal deste Decreto. Este decreto regulamenta a Lei 11.284 (Lei de Gestão de FlorestasPúblicas). O decreto trata do Cadastro Nacional de Florestas Públicas, considerando apenas asáreas cobertas por florestas até o dia 02/03/06 (aprovação da Lei). Este cadastro constará de 3estágios: identificação, delimitação e demarcação. Importante lembrar que o Plano Anual deOutorga Florestal (PAOF) somente considerará florestas públicas inscritas no Cadastro Nacional. O decreto regulamenta também, em âmbito federal, a destinação de florestas públicas àscomunidades locais. O Art. 14. diz que: antes da realização das licitações para concessãoflorestal, as florestas públicas, em que serão alocadas as unidades de manejo, quando ocupadasou utilizadas por comunidades locais, serão identificadas para destinação a essas comunidades. Oplanejamento das dimensões das florestas públicas a serem destinadas à comunidade local,individual ou coletivamente, deve considerar o uso sustentável dos recursos florestais, bem como obeneficiamento dos produtos extraídos, como a principal fonte de sustentabilidade dosbeneficiários.21.7. Adequação à Lei de Gestão: Decreto nº 5.975 de 30/11/2006 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5975.htm contém o textooriginal deste Decreto. Este decreto alterou o Decreto 2.788 para ajustá-lo a Lei de Gestão deFlorestas Públicas. A principal novidade é a retirada dos princípios do texto do Decreto. A Instrução Normativa IN 05 de 11/12/2006, do Ministério do Meio Ambiente, disciplinao Decreto. Esta IN introduz a Autorização Prévia à Análise Técnica de Plano de Manejo FlorestalSustentável Autorização Prévia à Análise Técnica de Plano de Manejo Florestal Sustentável –APAT. É introduzida também a Autorização para Exploração – AUTEX, documento expedidopelo órgão competente que autoriza o início da exploração da UPA e especifica o volumemáximo por espécie permitido para exploração, com a validade de 12 meses. O Documento deOrigem Florestal-DOF será requerido em relação ao volume efetivamente explorado, observados 235
  • 236. os limites definidos na AUTEX. Este documento substitui, em parte, a extinta ATPF(Autorização de Transporte de Produtos Florestais). Este documento é apresentado, na íntegra, noAnexo 8.1.21.8. Lei de Crimes Ambientais – Lei nº 9.605 de 12/02/98 Neste endereço http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9605.htm há o texto originaldesta Lei. Esta Lei dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas eatividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Esta Lei foi regulamentada pelo Decreto 3.179 de 21/09/99. O endereço eletrônicohttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3179.htm contém o texto original deste Decreto. CAPÍTULO - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES – DECRETO 3.179 Art. 2o As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções: § 11. Nos casos de desmatamento ilegal de vegetação natural, o agente autuante,verificando a necessidade, embargará a prática de atividades econômicas na área ilegalmentedesmatada simultaneamente à lavratura do auto de infração. § 12. O embargo do Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS não exonera seudetentor da execução de atividades de manutenção ou recuperação da floresta, permanecendo oTermo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta válido até o prazo final da vigênciaestabelecida no PMFS. Art. 4o A multa terá por base a unidade, o hectare, o metro cúbico, o quilograma ou outramedida pertinente, de acordo com o objeto jurídico lesado. Art. 5o O valor da multa de que trata este Decreto será corrigido, periodicamente, combase nos índices estabelecidos na legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinqüentareais), e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais). CAPÍTULO II - DAS SANÇÕES APLICÁVEIS ÀS INFRAÇÕES COMETIDASCONTRA O MEIO AMBIENTE Seção II - Das Sanções Aplicáveis às Infrações Contra a Flora Art. 25. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmoque em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: 236
  • 237. Multa de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), porhectare ou fração. Art. 26. Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sempermissão da autoridade competente: Multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), porhectare ou fração, ou R$ 500,00 (quinhentos reais), por metro cúbico. Art. 31. Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada em ato doPoder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ounão, em desacordo com as determinações legais: Multa de R$ 500,00 (quinhentos reais), por metro cúbico. Art. 32. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão eoutros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pelaautoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até finalbeneficiamento: Multa simples de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais), por unidade,estéreo, quilo, mdc ou metro cúbico. Parágrafo único. Incorre nas mesmas multas, quem vende, expõe à venda, tem emdepósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, semlicença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridadecompetente. Art. 35. Comercializar motosserra ou utilizá-la em floresta ou demais formas devegetação, sem licença ou registro da autoridade ambiental competente: Multa simples de R$ 500,00 (quinhentos reais), por unidade comercializada. Art. 38. Explorar vegetação arbórea de origem nativa, localizada em área de reserva legalou fora dela, de domínio público ou privado, sem aprovação prévia do órgão ambientalcompetente ou em desacordo com a aprovação concedida. Multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 300,00 (trezentos reais), por hectare ou fração, oupor unidade, estéreo, quilo, mdc ou metro cúbico. Art. 39. Desmatar, a corte raso, área de reserva legal: 237
  • 238. Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por hectare ou fração. Parágrafo único. Incorre na mesma multa quem desmatar vegetação nativa empercentual superior ao permitido pela Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, ainda que nãotenha sido realizada a averbação da área de reserva legal obrigatória exigida na citada Lei.21.9. Siglas mais comuns:PNMA – Política Nacional do Meio AmbienteZEE – Zoneamento Ecológico-EconômicoCONAMA – Conselho Nacional do Meio AmbienteSNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação da NaturezaMMA – Ministério de Meio AmbienteSISNAMA – Sistema Nacional do Meio AmbienteIBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais RenováveisSFB – Serviço Florestal BrasileiroPAOF – Plano Anual de Outorga FlorestalFNDF – Fundo Nacional de Desenvolvimento FlorestalEIA – Estudo Prévio de Impacto AmbientalRIMA – Relatório de Impacto AmbientalMFS – Manejo Florestal SustentávelPMFS – Plano de Manejo Florestal SustentávelDMC – Diâmetro Mínimo de CorteAPAT – Autorização Prévia à Análise Técnica de PMFSPOA – Plano Operacional AnualUPA – Unidade de Produção AnualAMF – Área de Manejo FlorestalUMF – Unidade de Manejo FlorestalUT – Unidade de TrabalhoAUTEX – Autorização para ExploraçãoDOF – Documento de Origem Florestal (substituiu ATPF)ATPF – Autorização para Transporte de Produtos Florestais 238
  • 239. Anexo 21.1 INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 5, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2006 [ DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO – Seção 1 – nº 228 de 13/12/06 (pp. 154-159) ] Dispõe sobre procedimentos técnicos para elaboração, apresentação, execução e avaliação técnica de Planos de Manejo Florestal Sustentável-PMFSs nas florestas primitivas e suas formas de sucessão na Amazônia Legal, e dá outras providências.A MINISTRA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE, no uso das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafoúnico, inciso II, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 19 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de1965, no Decreto nº 5.975, de 30 de novembro de 2006, no art. 70 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e noart. 38 do Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999, resolve: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARESArt. 1º Os procedimentos técnicos para elaboração, apresentação, execução e avaliação técnica de Planos de ManejoFlorestal Sustentável-PMFSs nas florestas primitivas e suas formas de sucessão na Amazônia Legal observarão odisposto nesta Instrução Normativa.Parágrafo único. A avaliação técnica do PMFS em florestas privadas somente será iniciada após a emissão daAutorização Prévia à Análise Técnica de Plano de Manejo Florestal Sustentável-APAT.Art. 2º Para os fins desta Instrução Normativa, consideram-se:I - Proponente: pessoa física ou jurídica que solicita ao órgão ambiental competente a análise e aprovação do PMFS eque após a aprovação tornar-se-á detentora do PMFS;II - Detentor: pessoa física ou jurídica, ou seus sucessores no caso de transferência, em nome da qual é aprovado oPMFS e que se responsabiliza por sua execução;III - Ciclo de corte: período de tempo, em anos, entre sucessivas colheitas de produtos florestais madeireiros ou não-madeireiros numa mesma área;IV - Intensidade de corte: volume comercial das árvores derrubadas para aproveitamento, estimado por meio deequações volumétricas previstas no PMFS e com base nos dados do inventário florestal a 100%, expresso em metroscúbicos por unidade de área (m3/ha) de efetiva exploração florestal, calculada para cada unidade de trabalho (UT);V - Área de Manejo Florestal-AMF: conjunto de Unidades de Manejo Florestal que compõe o PMFS, contíguas ounão, localizadas em um único Estado;VI - Unidade de Manejo Florestal-UMF: área do imóvel rural a ser utilizada no manejo florestal;VII - Unidade de Produção Anual-UPA: subdivisão da Área de Manejo Florestal, destinada a ser explorada em umano;VIII - Unidade de Trabalho-UT: subdivisão operacional da Unidade de Produção Anual;IX - Área de efetiva exploração florestal: é a área efetivamente explorada na UPA, considerando a exclusão das áreasde preservação permanente, inacessíveis, de infra-estrutura e outras eventualmente protegidas;X - Plano Operacional Anual-POA: documento a ser apresentado ao órgão ambiental competente, contendo asinformações definidas em suas diretrizes técnicas, com a especificação das atividades a serem realizadas no períodode 12 meses;XI - Autorização para Exploração-AUTEX: documento expedido pelo órgão competente que autoriza o início daexploração da UPA e especifica o volume máximo por espécie permitido para exploração, com a validade de 12meses;XII - Relatório de Atividades: documento encaminhado ao órgão ambiental competente, conforme especificado emsuas diretrizes técnicas, com a descrição das atividades realizadas em toda a AMF, o volume explorado na UPAanterior e informações sobre cada uma das Uts;XIII - Vistoria Técnica: é a avaliação de campo para subsidiar a análise, acompanhar e controlar rotineiramente asoperações e atividades envolvidas na AMF, realizada pelo órgão ambiental competente;XIV - Resíduos da exploração florestal: galhos, sapopemas e restos de troncos e árvores caídas, provenientes daexploração florestal, que podem ser utilizados como produtos secundários do manejo florestal para a produção demadeira e energia. 239
  • 240. XV - Regulação da produção florestal: procedimento que permite estabelecer um equilíbrio entre a intensidade decorte e o tempo necessário para o restabelecimento do volume extraído da floresta, de modo a garantir a produçãoflorestal contínua.Art. 3º Os PMFSs e os respectivos POAs, em florestas de domínio público ou privado, dependerão de préviaaprovação pelo órgão estadual competente integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA, nostermos do art. 19 da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965.§ 1º Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA a aprovaçãode que trata o caput deste artigo:I - nas florestas públicas de domínio da União;II - nas unidades de conservação criadas pela União;III - nos empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental nacional ou regional, definidos emresolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA.§ 2º O PMFS e os POAs, cuja atribuição couber ao IBAMA nos termos do § 1o deste artigo, serão submetidos àsunidade do IBAMA, na jurisdição do imóvel.§ 3º Excepcionalmente, quando as UMFs se localizarem em mais de uma jurisdição, o PMFS e os POAs,especificados no § 2º deste artigo, serão submetidos à unidade do IBAMA mais acessível.§ 4º Compete ao órgão ambiental municipal a aprovação de que trata o caput deste artigo:I - nas florestas públicas de domínio do Município;II - nas unidades de conservação criadas pelo Município;III - nos casos que lhe forem delegados por convênio ou outro instrumento admissível, ouvidos, quando couber, osórgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal. CAPÍTULO II DO PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVELSeção I - Das categorias de Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFSArt. 4º Para fins desta Instrução Normativa, das diretrizes técnicas dela decorrentes e para fins de cadastramento, osPMFSs se classificam nas seguintes categorias:I - quanto à dominialidade da floresta:a) PMFS em floresta pública;b) PMFS em floresta privada.II - quanto ao detentor:a) PMFS individual, nos termos do art. 4º, inciso I, alínea “a”, da Instrução Normativa que trata da APAT;b) PMFS empresarial, nos termos do art. 4º, inciso I, alínea “b”, da Instrução Normativa que trata da APAT;c) PMFS comunitário, nos termos do art. 4º, inciso I, alínea “c”, da Instrução Normativa que trata da APAT;d) PMFS em floresta pública, executado pelo concessionário em contratos de concessão florestal, nos termos doCapítulo IV da Lei no 11.284, de 2 de março de 2006;e) PMFS em Floresta Nacional, Estadual ou Municipal, executado pelo órgão ambiental competente, nos termos doCapítulo III da Lei no 11.284, de 2006.III - quanto aos produtos decorrentes do manejo:a) PMFS para a produção madeireira;b) PMFS para a produção de produtos florestais não-madeireiro (PFNM);c) PMFS para múltiplos produtos.IV - quanto à intensidade da exploração no manejo florestal para a produção de madeira:a) PMFS de baixa intensidade;b) PMFS Pleno.V - quanto ao ambiente predominante:a) PMFS em floresta de terra-firme;b) PMFS em floresta de várzea.VI - quanto ao estado natural da floresta manejada:a) PMFS de floresta primária; 240
  • 241. b) PMFS de floresta secundária.§ 1º As categorias em que se adequa serão indicadas no PMFS, que será elaborado e avaliado em observação àsnormas correspondentes, previstas nesta Instrução Normativa e nas diretrizes técnicas dela decorrentes.§ 2º Enquadra-se na categoria de PMFS de Baixa Intensidade, para a produção de madeira, aquele que não utilizamáquinas para o arraste de toras e observará requisitos técnicos previstos nesta Instrução Normativa, em especial, noAnexo I desta Instrução Normativa e nas diretrizes técnicas dela decorrentes.§ 3º Enquadra-se na categoria de PMFS Pleno, para a produção de madeira, aquele que prevê a utilização demáquinas para o arraste de toras e observará requisitos técnicos previstos nesta Instrução Normativa, em especial, noAnexo II desta Instrução Normativa e nas diretrizes técnicas dela decorrentes. CAPÍTULO III DO PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL PARA A PRODUÇÃO DE MADEIRASeção I - Dos parâmetros de limitação e controle da produção para a promoção da sustentabilidadeArt. 5º A intensidade de corte proposta no PMFS será definida de forma a propiciar a regulação da produçãoflorestal, visando garantir a sua sustentabilidade, e levará em consideração os seguintes aspectos:I - estimativa da produtividade anual da floresta manejada (m 3/ha/ano), para o grupo de espécies comerciais, combase em estudos disponíveis na região;II - ciclo de corte inicial de no mínimo 25 anos e de no máximo 35 anos para o PMFS Pleno e de, no mínimo, 10anos para o PMFS de Baixa Intensidade;III - estimativa da capacidade produtiva da floresta, definida pelo estoque comercial disponível (m 3/ha), com aconsideração do seguinte:a) os resultados do inventário florestal da UMF;b) os critérios de seleção de árvores para o corte, previstos no PMFS; ec) os parâmetros que determinam a manutenção de árvores por espécie, estabelecidos nos arts. 6º e 7º desta InstruçãoNormativa.§ 1º Ficam estabelecidas as seguintes intensidades máximas de corte a serem autorizadas pelo órgão ambientalcompetente:I - 30 m3/ha para o PMFS Pleno com ciclo de corte inicial de 35 anos;II - 10 m3/ha para o PMFS de Baixa Intensidade com ciclo de corte inicial de 10 anos;§ 2º Além dos critérios estabelecidos neste artigo, o órgão ambiental competente analisará a intensidade de corteproposta no PMFS Pleno, considerando os meios e a capacidade técnica de execução demonstradas no PMFS,necessários para a redução dos impactos ambientais, conforme as diretrizes técnicas.§ 3º Para os efeitos do disposto no § 2º deste artigo, entende-se por:I - capacidade técnica de execução: disponibilidade do detentor em manter equipe técnica própria ou de terceiros,treinada e em número adequado para a execução de todas as atividades anuais previstas no PMFS e nos PlanosOperacionais Anuais-POAs, conforme diretrizes técnicas;II - meios de execução: a capacidade comprovada, no PMFS e nos POAs, do detentor em utilizar tipos e quantidadede máquinas adequadas à intensidade e à área anual de exploração especificadas no PMFS e no POA.Art. 6º Para os PMFSs de Baixa Iintensidade em áreas de várzea, o órgão ambiental competente, com base emestudos sobre o volume médio por árvore, poderá autorizar a intensidade de corte acima de 10 m 3/ha, limitada a trêsárvores por hectare.Art. 7º O Diâmetro Mínimo de Corte (DMC) será estabelecido por espécie comercial manejada, mediante estudos,que observem as diretrizes técnicas disponíveis, considerando conjuntamente os seguintes aspectos:I - distribuição diamétrica do número de árvores por unidade de área (n/ha), a partir de 10 cm de Diâmetro à Alturado Peito (DAP), resultado do inventário florestal da UMF;II - outras características ecológicas que sejam relevantes para a sua regeneração natural;III - o uso a que se destinam.§ 1º O órgão ambiental competente poderá adotar DMC por espécies quando dispor de estudos técnicos realizados naregião do PMFS, por meio de notas técnicas.§ 2º Fica estabelecido o DMC de 50 cm para todas as espécies, para as quais ainda não se estabeleceu o DMCespecífico, observado o disposto nos incisos I e II deste artigo. 241
  • 242. Art. 8º Quando do planejamento da exploração de cada UPA, a intensidade de corte de que trata o art. 5º destaInstrução Normativa será estipulada observando também os seguintes critérios por espécie:I - manutenção de pelo menos 10% do número de árvores por espécie, na área de efetiva exploração da UPA, queatendam aos critérios de seleção para corte indicados no PMFS, respeitado o limite mínimo de manutenção de 3árvores por espécie por 100 ha;II - manutenção de todas as árvores das espécies cuja abundância de indivíduos com DAP superior ao DMC sejaigual ou inferior a 3 árvores por 100 hectares de área de efetiva exploração da UPA.Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá acatar a definição de percentuais de manutenção por espécieque sejam inferiores aos 10% previstos no inciso I do caput deste artigo, bem como determinar percentuaissuperiores a 10%, desde que observado o disposto nos incisos I e II do art. 7o desta Instrução Normativa.Art. 9º Poderão ser apresentados estudos técnicos para a alteração dos parâmetros definidos nos arts. 5º a 8º noPMFS ou de forma avulsa, mediante justificativas elaboradas por seu responsável técnico, que comprovem aobservância do disposto no art. 3º do Decreto no 5.975, de 30 de novembro de 2006.§ 1º Os estudos técnicos mencionados no caput deverão considerar as especificidades locais e apresentar ofundamento técnico-científico utilizado em sua elaboração.§ 2º O órgão ambiental competente analisará as propostas de alterações dos parâmetros previstos nos arts. 5º a 8ºdesta Instrução Normativa, com amparo em suas diretrizes técnicas.§ 3º Somente poderá ser requerida a redução do ciclo de corte, especificado no art. 5º desta Instrução Normativa,quando comprovada a recuperação da floresta.§ 4º As Câmaras Técnicas de Floresta subsidiarão os órgãos ambientais competentes na análise da alteração dosparâmetros definidos nos arts. 5º a 8º desta Instrução Normativa.Art. 10. É obrigatória a adoção de procedimentos que possibilitem o controle da origem da produção por meio dorastreamento da madeira das árvores exploradas, desde a sua localização na floresta até o seu local dedesdobramento.Parágrafo único. Os procedimentos mencionados no caput deste artigo serão definidos em diretrizes técnicas.Art. 11. O órgão ambiental competente definirá períodos de restrição das atividades de corte e extração florestal noperíodo chuvoso, para os PMFSs em floresta de terra-firme, observada a sazonalidade local.Seção II - Da apresentação do Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFS e do Planos Operacionais Anuais-POAsArt. 12. O PMFS, seus respectivos POA e o Relatório de Atividades serão entregues nas seguintes formas,cumulativamente:I - em meio digital (CD-rom): todo o conteúdo, incluindo textos, tabelas, planilhas eletrônicas e mapas, conformediretrizes técnicas.II - em forma impressa: todos os itens citados no inciso anterior, com exceção do corpo das tabelas e planilhaseletrônicas, contendo os dados originais de campo dos inventários florestais.Parágrafo único. Quando disponibilizados sistemas eletrônicos pelos órgãos ambientais competentes, a entrega pormeio digital dos PMFSs e dos respectivos POAs dar-se-á por formulário eletrônico, pela Rede Mundial deComputadores-Internet, conforme regulamentação.Seção III - Da analise técnica do Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFSArt. 13. A análise técnica do PMFS observará as diretrizes técnicas expedidas pelo IBAMA e concluirá no seguinte:I - aprovação do PMFS; ouII - indicação de pendências a serem cumpridas para a seqüência da análise do PMFS.Seção IV - Da responsabilidade pelo Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFSArt. 14. Aprovado o PMFS, deverá ser apresentado pelo detentor o Termo de Responsabilidade de Manutenção daFloresta, conforme Anexo III desta Instrução Normativa, devidamente averbado à margem da matrícula doimóvel competente.§ 1º O órgão ambiental competente somente emitirá a primeira AUTEX após a apresentação do Termo deResponsabilidade de Manutenção de Floresta, conforme disposto no caput deste artigo.§ 2º O Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta vincula o uso da floresta ao uso sustentável peloperíodo de duração do PMFS e não poderá ser desaverbado até o término desse período.Art. 15. A paralisação temporária da execução do PMFS não exime o detentor do PMFS da responsabilidade pelamanutenção da floresta e da apresentação anual do POA e do Relatório de Atividades.Subseção única - Da responsabilidade técnica pelo Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFS 242
  • 243. Art. 16. O proponente ou detentor de PMFS, conforme o caso, deverá apresentar notação de ResponsabilidadeTécnica-ART, registrada junto ao respectivo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia-CREA,dos responsáveis pela elaboração e pela execução do PMFS, com a indicação dos respectivos prazos de validade.§ 1º As atividades do PMFS não serão executadas sem um responsável técnico.§ 2º A substituição do responsável técnico e da respectiva ART deve ser comunicada oficialmente ao órgãoambiental competente, no prazo de 30 dias após sua efetivação, pelo detentor do PMFS.§ 3º O profissional responsável que efetuar a baixa em sua ART no CREA deve comunicá-la oficialmente ao órgãoambiental competente, no prazo de 10 dias, sob pena de serem tomadas as providências previstas no art. 36 destaInstrução Normativa.Seção V - Da reformulação e da transferência do Plano de Manejo Florestal SustentávelArt. 17. A reformulação do PMFS dependerá de prévia análise técnica e aprovação do órgão competente e poderádecorrer de:I - inclusão de novas áreas na AMF;II - alteração na categoria de PMFS; eIII - da revisão técnica periódica, a ser realizada a cada 5 anos.Parágrafo único. A inclusão de novas áreas na AMF somente será permitida em florestas privadas e após aapresentação de APAT, referente ao imóvel em que se localizar a nova área.Art. 18. A transferência do PMFS para outro detentor dependerá de:I - apresentação de documento comprobatório da transferência, firmado entre as partes envolvidas, incluindo cláusulade transferência de responsabilidade pela execução do PMFS;II - da análise jurídica quanto ao atendimento do disposto na Instrução Normativa relativa a APAT.Seção VI - Do Plano Operacional Anual-POAArt. 19. Anualmente, o detentor do PMFS deverá apresentar o Plano Operacional Anual-POA, referente às próximasatividades que realizará, como condição para receber a AUTEX.§ 1º O formato do POA será definido em diretriz técnica emitida pelo órgão ambiental competente.§ 2º O POA será avaliado pelo órgão ambiental competente, o qual informará as eventuais pendências ao detentor doPMFS.§ 3º A emissão da AUTEX está condicionada à aprovação do POA pelo órgão ambiental competente.§ 4º A partir do segundo POA, o órgão ambiental competente poderá optar pelo POA declaratório, em que a emissãoda AUTEX não está condicionada à aprovação do POA, por até dois POAs consecutivos.§ 5º Quando adotado o procedimento previsto no § 4º deste artigo e forem verificadas pendências no POA, o detentordo PMFS terá o prazo de 30 dias para a correção, findo o qual poderá ser suspensa a AUTEX.Art. 20. A AUTEX será emitida considerando o PMFS e os parâmetros definidos nos arts. 5º a 8º desta InstruçãoNormativa e indicará, no mínimo, o seguinte:I - a lista das espécies autorizadas e seus respectivos volumes e números de árvores, médios por hectare e total;II - nome e CPF ou CNPJ do detentor do PMFS;III - nome, CPF e registro no CREA do responsável técnico;IV - número do PMFS;V - município e Estado de localização do PMFS;VI - coordenadas geográficas do PMFS que permitam identificar sua localização;VII - seu número, ano e datas de emissão e de validade;VIII - área total das propriedades que compoem o PMFS;IX - área do PMFS;X - área da respectiva UPA; eXI - volume de resíduos da exploração florestal autorizado para aproveitamento, total e médio por hectare, quandofor o caso.Art. 21. A inclusão de novas espécies florestais na lista autorizada dependerá de prévia alteração do POA eaprovação do órgão ambiental competente.Parágrafo único. A inclusão de novas espécies para a produção madeireira só será autorizada em áreas ainda nãoexploradas, respeitada a intensidade de corte estabelecida para o ciclo de corte vigente. 243
  • 244. Art. 22. O Documento de Origem Florestal-DOF será requerido em relação ao volume efetivamente explorado,observados os limites definidos na AUTEX.Art. 23. A emissão do DOF poderá se dar em até 90 dias após o fim da vigência da AUTEX.Seção VII - Do Relatório de AtividadesArt. 24. O Relatório de Atividades será apresentado anualmente pelo detentor do PMFS, com as informações sobretoda a área de manejo florestal sustentável, a descrição das atividades já realizadas e o volume efetivamenteexplorado no período anterior de doze meses.§ 1º O formato do Relatório de Atividades será definido em diretriz técnica emitida pelo órgão ambientalcompetente.§ 2º O Relatório de Atividades será avaliado pelo órgão ambiental competente, que informará ao detentor do PMFS aeventual necessidade de esclarecimentos para a expedição da Autex.Art. 25. O Relatório de Atividades será apresentado até 60 dias após o término das atividades descritas no POAanterior.Art. 26. O Relatório de Atividades conterá os requisitos especificados em diretrizes técnicas e apresentará aintensidade de corte efetiva, computada por árvore cortada.Seção VIII - Da vistoria técnica do Plano de Manejo Florestal Sustentável-PMFSArt. 27. Os PMFSs serão vistoriados, por amostragem, com intervalos não superiores a 3 anos por PMFS.Parágrafo único. As vistorias técnicas serão realizadas por profissionais habilitados do quadro técnico do IBAMA ouórgãos estaduais competentes.Seção IX - Do aproveitamento de resíduos da exploração florestalArt. 28. Somente será permitido o aproveitamento de resíduos das árvores exploradas e daquelas derrubadas emfunção da exploração florestal;§ 1º Os métodos e procedimentos a serem adotados para a extração e mensuração dos resíduos da exploraçãoflorestal deverão ser descritos no PMFS, assim como o uso a que se destinam.§ 2º No primeiro ano, a autorização para aproveitamento de resíduos da exploração florestal deverá ser solicitadajunto ao órgão ambiental competente, com base em cubagem pelos métodos mencionados no parágrafo primeirodeste artigo, ou em estudos disponíveis na região quando indicados pelo órgão competente.§ 3º A partir do segundo ano de aproveitamento dos resíduos da exploração florestal, a autorização somente seráemitida com base em relação dendrométrica desenvolvida para a área de manejo ou em inventário de resíduos,definidos conforme diretriz técnica.§ 4º O volume de produtos secundários autorizado não será computado na intensidade de corte prevista no PMFS eno POA para a produção de madeira. CAPÍTULO IV Seção XI - Do PMFS de Produtos Florestais Não-MadeireirosArt. 29. Para a exploração dos produtos não-madeireiros que não necessitam de autorização de transporte, conformeregulamentação específica, o proprietário ou possuidor rural apenas informará ao órgão ambiental competente, pormeio de relatórios anuais, as atividades realizadas, inclusive espécies, produtos e quantidades extraídas, até a ediçãode regulamentação específica para o seu manejo.Parágrafo único. As empresas, associações comunitárias, proprietários ou possuidores rurais deverão cadastrar-se noCadastro Técnico Federal, apresentando os respectivos relatórios anuais, conforme legislação vigente. CAPÍTULO V DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVASArt. 30. Aquele que explorar vegetação arbórea de origem nativa, localizada em área de reserva legal ou fora dela, dedomínio público ou privado, sem aprovação prévia do órgão ambiental competente ou em desacordo com aaprovação concedida, sujeitar-se-á a multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 300,00 (trezentos reais), por hectare oufração, ou por unidade, estéreo, quilo, mdc ou metro cúbico, por infração administrativa, nos termos do 70 da Lei no9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e do art. 38 do Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999.Art. 31. O detentor do PMFS sujeita-se às seguintes sanções administrativas:I - advertência nas hipóteses de descumprimento de diretrizes técnicas de condução do PMFS;II - suspensão da execução do PMFS, nos casos de:a) reincidência em conduta já sancionada com advertência, no período de dois anos da data da aplicação da sanção; 244
  • 245. b) executar a exploração sem possuir a necessária AUTEX;c) prática de ato que embarace, dificulte ou impeça a realização da Vistoria Técnica;d) deixar de cumprir os requisitos estabelecidos em diretrizes técnicas pelo órgão ambiental competente no POA ouprestar informações incorretas;e) executar o PMFS em desacordo com o autorizado ou sem a aprovação de sua reformulação pelo órgão ambientalcompetente;f) deixar de encaminhar o Relatório de Atividades no prazo previsto no art. 24 ou encaminhá-lo com informaçõesfraudulentas;g) transferir o PMFS sem atendimento dos requisitos previstos no art. 18 desta Instrução Normativa;h) substituir os responsáveis pela execução do PMFS e das ARTs sem atendimento dos requisitos previstos no art. 16desta Instrução Normativa;III - embargo do PMFS, nos casos de:a) permanecer suspenso por período superior a 5 anos;b) ação ou omissão dolosa que cause dano aos recursos florestais na AMF, que extrapolem aos danos inerentes aomanejo florestal;c) utilizar a AUTEX para explorar recursos florestais fora da AMF.Art. 32. Nos casos de advertência, o órgão ambiental competente estabelecerá medidas corretivas e prazos para suasexecuções, sem determinar a interrupção na execução do PMFS.Art. 33. A suspensão interrompe a execução do PMFS, incluída a exploração de recursos florestais e o transporte deproduto florestal, até o cumprimento de condicionantes estabelecidas no ato de suspensão.§ 1º Findo o prazo da suspensão, sem o devido cumprimento das condicionantes ou a apresentação de justificativa noprazo estabelecido, deverão ser iniciados os procedimentos para a embargo do Plano.§ 2º A suspensão não dispensa o detentor sancionado do cumprimento das obrigações pertinentes à conservação dafloresta.Art. 34. O embargo do PMFS impede a execução de qualquer atividade de exploração florestal e não exonera seudetentor da execução de atividades de manutenção da floresta, permanecendo o Termo de Responsabilidade deManutenção da Floresta válido até o prazo final da vigência estabelecida no PMFS.Parágrafo único. O detentor do PMFS embargado somente poderá solicitar nova aprovação de autorização para aexecução de exploração floresta no POA depois de transcorridos dois anos da data de publicação da decisão queaplicar a sanção.Art. 35. A suspensão e o embargo do PMFS terão efeito a partir da ciência do detentor do correspondente processoadministrativo.Art. 36. Na suspensão e no embargo do PMFS, o órgão ambiental competente poderá determinar, isoladas oucumulativamente, as seguintes medidas:I - a recuperação da área irregularmente explorada, mediante a apresentação e a execução, após a aprovação peloórgão ambiental competente, de um Plano de Recuperação de Área Degradada-PRAD;II - a reposição florestal correspondente à matéria-prima extraída irregularmente, na forma da legislação pertinente;III - a suspensão do fornecimento do documento hábil para o transporte e armazenamento da matéria-prima florestal.§ 1º No embargo do PMFS imposto pelos casos previstos nas alíneas “b” e “c” do inciso III do art. 31 desta InstruçãoNormativa, serão obrigatoriamente impostas todas as medidas estabelecidas nos incisos I a III do caput deste artigo.§ 2º O desembargo do PMFS só se efetivará após o cumprimento das obrigações determinadas nos termos dosincisos I a III do caput deste artigo.Art. 37. Verificadas irregularidades na execução do PMFS, o órgão ambiental competente aplicará as sançõesprevistas nesta Instrução Normativa e, quando couber:I - oficiará ao Ministério Público;II - representará ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura-CREA, em que estiver registrado o responsáveltécnico pelo PMFS; eIII - efetuará a inibição do registro no Cadastro Técnico Federal- CTF. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 245
  • 246. Art. 38. Fica instituído o Cadastro Nacional de Planos de Manejo Florestal Sustentável-CNPM, no âmbito doIBAMA, que o organizará e manterá, com a colaboração dos órgãos estaduais competentes.Parágrafo único. É obrigatório o registro de todo PMFS no CNPM, no prazo de 10 (dez) dias, contados da data desua aprovação.Art. 39. Todas as informações disponíveis no CNPM serão disponibilizadas na Rede Mundial de Computadores-Internet.Art. 40. A taxa de vistoria de acompanhamento, prevista na legislação vigente, será calculada considerando a área aser explorada no ano, de acordo com o POA.Art. 41. O órgão ambiental competente expedirá as diretrizes técnicas sobre os procedimentos e parâmetros a seremadotados para a implementação desta Instrução Normativa.Art. 42. Todas as informações georreferenciadas apresentadas no PMFS e no POA, cuja competência caiba aoIBAMA, observarão o disposto as Instruções Normativas do IBAMA no 93, de 3 de março de 2006, e no 101, de 19de junho de 2006.Art. 43. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação e se aplica aos novos PMFSs e aos POAsde 2007 dos PMFSs em vigor.MARINA SILVA 246
  • 247. ANEXO I Estrutura básica para elaboração de Documentos Técnicos Categoria de PMFS: de baixa intensidade Produto: Madeira 1. Plano de Manejo Florestal Sustentável1.-INFORMAÇÕES GERAIS1.1 - Categorias de PMFS-Quanto à titularidade da floresta:PMFS em floresta privada ( ) PMFS em floresta pública ( )-Quanto ao detentor:PMFS individual ( ) PMFS comunitário ( )PMFS empresarial ( ) PMFS em floresta pública ( )PMFS público em Floresta Nacional ( )-Quanto ao ambiente predominante:PMFS de terra-firme ( ) PMFS de várzea ( )-Quanto ao estado natural da floresta manejada:PMFS de floresta primária ( ) PMFS de floresta secundária ( )1.2-Responsáveis pelo PMFSProponenteResponsável Técnico elaboração do PMFSResponsável Técnico execução do PMFSPessoa Jurídica (se for o caso)1.3 - Objetivos do PMFS2. INFORMAÇÕES SOBRE A PROPRIEDADE2.1 Localização geográficaMunicípioAcesso2.2 - Descrição do ambienteVegetação (tipologia florestal predominante)Uso atual da terra2.3 - Macrozoneamento da(s) propriedade(s)Áreas produtivas para fins de manejo florestalÁreas de preservação permanente (APP)Área de reserva legalLocalização das UPAS3. INFORMAÇÕES SOBRE O MANEJO FLORESTAL3.1 Sistema Silvicultural3.2 Espécies florestais a manejar e a protegerLista de espécies e grupos de usoLista de espécies protegidas3.3 Regulação da produçãoCiclo de corteIntensidade de corte prevista (m3/ha)Tamanho das UPAsProdução anual programada (m3)3.4 Descrição das atividades pré-exploratórias em cada UPA 247
  • 248. Delimitação permanente da UPAInventário florestal a 100%Corte de cipósCritérios de seleção de árvores3.5 Descrição das atividades de exploraçãoMétodos de corte e derrubadaMétodos de extração da madeiraProcedimentos de controle da origem da madeiraMétodos de extração de resíduos florestais (quando previsto)4. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES4.1 Relações dendrométricas utilizadasEquação de volume utilizada4.2 Mapas requeridosLocalização da propriedadeMacrozoneamento da propriedade PMFS de Baixa Intensidade 2. Plano Operacional Anual-POA1. INFORMAÇÕES GERAIS-Requerente-Responsável pela elaboração-Responsável pela execução2. INFORMAÇÕES SOBRE O PLANO DE MANEJO FLORESTAL-Identificação-Número do protocolo do PMFS-Área de Manejo Florestal (ha)3. DADOS DA PROPRIEDADE-Nome da propriedade-Localização-Município-Estado4. INFORMAÇÕES SOBRE A UPA-Localização e identificação (nomes, números ou códigos)-Area total (ha)-Área de preservação permanente (ha)-Área de efetiva exploração florestal (ha)5. PRODUÇÃO FLORESTAL PLANEJADA5.1-Lista das espécies a serem exploradas indicando:-Nome da espécie-Diâmetro Mínimo de Corte (cm) considerado-Número de árvores acima do DMC da espécie que atendam aos critérios de seleção para corte(UPA)-Porcentagem do número de árvores a serem mantidas na área de efetiva exploração- Volume e número de árvores a serem exploradas(UPA)5.2 Volume de resíduos florestais a serem explorados (quando previsto)6. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NA AMF (PARA O ANO DO POA)6.1-Especificação de todas as atividades previstas para o ano do POA e respectivo cronograma de execução,agrupadas por:-Atividades pré-exploração florestal 248
  • 249. -Atividades de exploração florestal-Atividades pós-exploração florestal7. ANEXOS-Resultados do inventário a 100%: Tabela resumo do inventário a 100% contendo: Número de árvores por espécieinventariada, por classe de DAP de 10cm de amplitude.PMFS de Baixa Intensidade 3. Relatório de Atividades1. INFORMAÇÕES GERAIS-Requerente:-Responsável pela elaboração:-Responsável pela execução2. INFORMAÇÕES SOBRE O PLANO DE MANEJO FLORESTAL-Identificação-Número do protocolo do PMFS-Área de Manejo Florestal (ha)3. DADOS DA(S) PROPRIEDADE(S)-Nome da propriedade-Localização-Município-Estado4. RESUMO DAS ATIVIDADES PLANEJADAS E EXECUTADAS NO ANO DO POA (INDICAR O ANO)-Atividades pré-exploração florestal-Atividades de exploração florestal-Atividades pós-exploração florestal5. RESUMO DOS RESULTADOS DA EXPLORAÇÃO POR UNIDADE DE TRABALHO (UPA)- Área de efetiva exploração (ha), volume explorado (m3 e m3/ha), volume romaneiado (m3)6. RESUMO DOS RESULTADOS DA EXPLORAÇÃO POR ESPÉCIE (UPA)-Volume e número de árvores autorizado (m3), volume e número de árvores explorado (m3)7-Resumo da produção de madeira explorada e transportada à indústria-Espécie, volume e número deárvores autorizados, volume de madeira transportado8. DESCRIÇÃO DE INFORMAÇÕES E ATIVIDADES COMPLEMENTARES-Descrever suscintamente atividades complementares previstas ou não no POA, quando houver ANEXO II Estrutura básica para elaboração de Documentos Técnicos Categoria de PMFS: Pleno Produto: Madeira 1. Plano de Manejo Florestal Sustentável1. INFORMAÇÕES GERAIS1.1 Categorias de PMFSQuanto à titularidade da floresta:( ) PMFS em floresta privada ( ) PMFS em floresta públicaQuanto ao detentor:( ) PMFS individual ( ) PMFS comunitário( ) PMFS empresarial ( ) PMFS em floresta pública( ) PMFS público em Floresta NacionalQuanto ao ambiente predominante:( ) PMFS de terra-firme ( ) PMFS de várzea 249
  • 250. Quanto ao estado natural da floresta manejada:( ) PMFS de floresta primária ( ) PMFS de floresta secundária1.2 Responsáveis pelo PMFSProponenteResponsável Técnico elaboração do PMFSResponsável Técnico execução do PMFSPessoa Jurídica (se for o caso)1.3 Objetivos do PMFSObjetivo geralObjetivos específicos2 INFORMAÇÕES SOBRE A PROPRIEDADE2.1 Localização geográficaMunicípioAcessoRegião2.2 Descrição do ambienteClimaGeologiaTopografia e solosHidrologiaVegetaçãoVida silvestreMeio socioeconômicoInfraestrutura e serviçosUso atual da terra2.3 Macrozoneamento da(s) propriedade(s)Áreas produtivas para fins de manejo florestalÁreas não produtivas ou destinadas a outros usosÁreas de preservação permanente (Área de Preservação Permanente-APP)Áreas reservadas (por exemplo: Áreas de Alto Valor para Conservação; reserva absoluta)Área de reserva legalTipologias florestaisLocalização das UPASEstradas permanentes e de acesso2.4 Descrição dos recursos florestais (inventário florestal amostral)Métodos utilizados no inventárioComposição florísticaDistribuição diamétrica das espécies (Diâmetro à altura do peito = 10 cm) para as variáveisnúmero de árvores, área basal e volume, por classe de qualidade de fusteEstimativa da capacidade produtiva da floresta (análise estatística)3. INFORMAÇÕES SOBRE O MANEJO FLORESTAL3.1 Sistema SilviculturalCronologia das principais atividades do manejo florestal3.2 Espécies florestais a manejar e a protegerLista de espécies e grupos de usoEstratégia de identificação botânica das espécies 250
  • 251. Diâmetros Mínimos de CorteJustificativas técnicas para DMC < 50 cm (quando necessário)Espécies com características ecológicas especiaisLista de espécies protegidas3.3 Regulação da produçãoCiclo de corteIntensidade de corte prevista (m3/ha)Justificativas (quando diferentes do estabelecido nesta Instrução Normativa)Estimativa de produção anual (m3)3.4 Descrição das atividades pré-exploratórias em cada UPADelimitação permanente da UPASubdivisão em UTInventário florestal a 100%MicrozoneamentoCorte de cipósCritérios de seleção de árvores para corte e manutençãoPlanejamento da rede viária3.5 Descrição das atividades de exploraçãoMétodos de corte e derrubadaMétodo de extração da madeiraEquipamentos utilizados na extraçãoCarregamento e transporteDescarregamentoProcedimentos de controle da origem da madeiraMétodos de extração de resíduos florestais (quando previsto)3.6 Descrição das atividades pós-exploratóriasAvaliação de danos (quanto previsto)Tratamentos silviculturais pós-colheita (quando previsto)Monitoramento do crescimento e produção (quanto previsto)4 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES4.1 Relações de dendrométricas utilizadasEquações de volume utilizadasOutras equaçõesAjuste de equações de volume com dados locais4.2 Dimensionamento da Equipe Técnica em relação ao tamanho da UPA (número, composição, funções,estrutura organizacional e hierárquica)Inventário florestal a 100%CorteExtração florestalOutras equipesDiretrizes de segurança no trabalhoCritérios de remuneração da produtividade das equipes (quando previsto)4.3 Dimensionamento de máquinas e equipamentos em relação ao tamanho da UPACorteExtração florestalCarregamento e transporte4.4 Investimentos financeiros e custos para a execução do manejo florestal 251
  • 252. Máquinas e equipamentosInfraestruturaEquipe técnica permanenteTerceirização de atividadesTreinamento e capacitação (situação atual e previsão para os próximos 5 anos)Estimativa de custos e receitas anuais do manejo florestal4.5 Diretrizes para redução de impactosFlorestaSoloÁguaFaunaSociais (mecanismos de comunicação e gerenciamento de conflitos com vizinhos)4.6 Descrição de medidas de proteção da florestaManutenção das UPAs em pousioPrevenção e combate a incêndiosPrevenção contra invasões4.7 Mapas requeridosLocalização da propriedadeMacrozoneamento da propriedade4.8 - Acampamento e infraestruturaCritérios para escolha da localização de acampamentos e oficinasMedidas de destinação de resíduos orgânicos e inorgânicosMedidas para organização e higiene de acampamentos Categoria de PMFS: Pleno 2- Plano Operacional Anual1. INFORMAÇÕES GERAIS-Requerente:-Responsável pela elaboração:-Responsável pela execução2. INFORMAÇÕES SOBRE O PLANO DE MANEJO FLORESTAL-Identificação-Número do protocolo do PMFS-Área de Manejo Florestal (ha)3. DADOS DA(S) PROPRIEDADE(S)-Nome da propriedade-Localização-Município-Estado4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO POA5. INFORMAÇÕES SOBRE A UPA-Identificação (nomes, números ou códigos)-Localização: Coordenadas geográficas dos limites-Subdivisões em UTs (quando previsto)-Resultados do microzoneamento-Area total (ha) e percentual em relação à AMF-Área efetiva de exploração florestal (ha) e percentual em relação à área da UPA 252
  • 253. -Área de preservação permanente (ha)-Áreas inacessíveis (ha)-Áreas reservadas (ha)-Áreas de infraestrutura (ha)6. PRODUÇÃO FLORESTAL PLANEJADA6.1-Especificação do potencial de produção por espécie, considerando a área de efetiva exploração florestalindicando:-Nome da espécie-Diâmetro Mínimo de Corte (cm) considerado-Volume e número de árvores acima do DMC da espécie (UPA)-Volume e número de árvores acima do DMC da espécie que atendam critérios de seleção para corte (UPA)-Porcentagem do número de árvores a serem mantidas na área de efetiva exploração-Número de árvores e volume de árvores de espécies com baixa densidade (UPA)Volume e número de árvores passíveis de serem exploradas (UPA)Volume de resíduos florestais a serem explorados (quando previsto)6.2-Resumo com volume e número de árvores passíveis de serem exploradas(ha) por UT7. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES NA AMF PARA O ANO DO POA7.1-Especificação de todas as atividades previstas para o ano do POA e respectivo cronograma de execução,com indicação dos equipamentos e equipes a serem empregados, e as respectivas quantidades, agrupadas por:-Atividades pré-exploração florestal-Atividades de exploração florestal-Atividades pós-exploração florestal8. ATIVIDADES COMPLEMENTARES (QUANDO PREVISTO)-Coleta de dados para ajuste de equações-Avaliação de danos e outros estudos técnicos- Treinamentos-Ações de melhoria da logística e segurança de trabalho9. ANEXOS9.1-Mapas florestais-Mapa(s) de uso atual do solo na UPA: Escala mínima de 1:10:000 para áreas de até 5.000ha, contendo os limites daUPA, tipologias florestais, rede hidrográfica, rede viária e infra-estrutura, áreas reservadas, áreas inacessíveis e áreasde preservação permanente-Mapa(s) de localização das árvores (mapa de exploração) em cada UT da UPA: Escala de no mínimo 1:25.500 paraáreas de até 100ha, contendo os limites da UT, rede hidrográfica, rede viária e infraestrutura atual e planejada, áreasreservadas, áreas inacessíveis e áreas de preservação permanente.9.2-Resultados do inventário a 100%-Tabela resumo do inventário a 100% contendo: Número de árvores, área basal e volume comercial por espécieinventariada, por classe de DAP de 10 cm de amplitude e por classe de qualidade de fuste Dados coletados (arquivodigital contendo a tabela com os dados primários coletados durante o inventário a 100%, tratados conforme diretrizestécnicas) Categoria de PMFS: Pleno 3. Relatório de Atividades1. INFORMAÇÕES GERAIS- Requerente:- Responsável pela elaboração:- Responsável pela execução2. INFORMAÇÕES SOBRE O PLANO DE MANEJO FLORESTAL- Identificação 253
  • 254. - Número do protocolo do PMFS- Área de Manejo Florestal (ha)3. DADOS DA(S) PROPRIEDADE(S)- Nome da propriedade- Localização- Município- Estado4. RESUMO DAS ATIVIDADES PLANEJADAS E EXECUTADAS NO ANO DO POA (INDICAR O ANO)- Atividades pré-exploração florestal- Atividades de exploração florestal- Atividades pós-exploração florestal5. RESUMO DOS RESULTADOS DA EXPLORAÇÃO POR UNIDADE DE TRABALHO (UT)5.1-Tabela(s) com as seguintes informações por unidade de trabalho (UT):- Área de efetiva exploração (ha), volume explorado (m3 e m3/ha), número de árvores exploradas (n e n/ha), volumeromaneiado (m3 e m3/ha)- Volume selecionado para corte (VS), Volume explorado (VE), Volume romaneiado (VR), VE/VS(%), VR/VS(%) eVR/VE(%)6. RESUMO DOS RESULTADOS DA EXPLORAÇÃO POR ESPÉCIE- Volume e número de árvores autorizado (m3), volume e número de árvores explorado (m3) e respectivos saldos empé (m3)- Volume e número de árvores derrubadas e não arrastadas- Volume e número de toras arrastadas mas não transportadas, deixadas em pátios ou na floresta7-Resumo da produção de madeira explorada e transportada à indústria- Espécie, número de árvores exploradas, número e volume de toras transportados8. DESCRIÇÃO DE INFORMAÇÕES E ATIVIDADES COMPLEMENTARESDescrever suscintamente atividades complementares previstas ou não no POA ANEXO III Termo de Responsabilidade de Manutenção da FlorestaAo órgão ambiental competenteAos ... dias do mês de ... do ano de ..., ...... (NOME), .... (NACIONALIDADE), ...(ESTADO CIVIL), ...(PROFISSÃO), residente ...(endereço), inscrito no CPF/MF ..., portador do RG/Órgão Emissor/ UF, proprietário (oulegítimo possuidor) do imóvel denominado ...município de ... neste Estado, registrado sob o nº ... fls ... do Livro ...,pelo presente Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta, assume o compromisso de destinar a florestaou outra forma de vegetação existente na Área de Manejo Florestal-AMF a atividades que mantenham a estrutura dafloresta, nos termos autorizados pelo órgão ambiental competente e em conformidade com a legislação pertinente.Fica a área referida vinculada ao PMFS pelo período de vigência especificado no Plano.Os mapas de delimitação imóvel e a Área de Manejo Florestal-AMF encontram-se na averbação do presente termo,no Cartório de Registro de Imóveis.DECLARA, finalmente, possuir pleno conhecimento das sanções a que fica sujeito pelo descumprimento desteTERMO.Firma o presente TERMO, em três vias de igual teor e forma, na presença do órgão ambiental competente, quetambém o assina, e das testemunhas abaixo qualificadas, rubricando todos os mapas, anexos a cada via.CARACTERÍSTICAS E SITUAÇÃO DO IMÓVELLIMITES DA AMFSão anexados a este Termo os mapas do imóvel e da AMF.______________________________Assinatura do Proprietário ou legítimo possuidorDe acordo, 254
  • 255. _____________________________________Assinatura do Representante do órgão ambiental competenteTestemunhas:_____________________________CPF/MF nº_____________________________CPF/MF nº 255
  • 256. CAPÍTULO 22 LEI ESTADUAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS Governo do Estado do Amazonas LEI N.º 3.135, DE 05 DE JUNHO DE 2.007 INSTITUI a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, e estabelece outras providências. A íntegra da Lei pode ser obtida no seguinte link http://www.amazonas.am.gov.br/adm/imgeditor/File/LEI_3135_05_2007_CLIMA_assinatura.pdfConsiderando ...Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e Protocolo de Kyoto e assubseqüentes decisões editadasEm consonância com a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental eDesenvolvimento Sustentável do AmazonasConsiderando ...Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e Protocolo de Kyoto e assubseqüentes decisões editadasEm consonância com a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental eDesenvolvimento Sustentável do Amazonas CAPÍTULO II DOS OBJETIVOSArt. 2.° São objetivos da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental eDesenvolvimento Sustentável do Amazonas:I -II - o fomento e a criação de instrumentos de mercado que viabilizem a execução de projetos deredução de emissões do desmatamento (RED), energia limpa (EL), e de emissões líquidas deGEEs, dentro ou fora do PK - MDL, ou outros; 256
  • 257. III - a realização de inventário estadual de emissões, biodiversidade e estoque dos gases quecausam efeito estufa de forma sistematizada e periódica;IV –V - o estímulo aos modelos regionais de desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas,mediante incentivos de natureza financeira e não financeira;VI –VII - a promoção de ações para ampliação da educação ambiental sobre os impactos e asconseqüências das mudanças climáticas para as comunidades tradicionais, comunidades carentese alunos da rede pública escolar, por meio de cursos, publicações impressas e da utilização darede mundial de computadores;VIII – IX – X – XI –XII - a implementação de projetos de pesquisa em Unidades de Conservação, utilizando-se dosinstrumentos administrativos legais em vigor;XIII –XIV - CAPÍTULO IV DOS PROGRAMAS E SISTEMASArt. 5º Para a implementação da Política Estadual de que trata esta Lei, ficam criados osseguintes Programas:I - Programa Estadual de Educação sobre Mudanças Climáticas, com a finalidade de promover adifusão do conhecimento sobre o aquecimento global junto à rede estadual escolar, às instituiçõesde ensino existentes no Estado e à rede mundial de computadores;II - Programa Bolsa Floresta, com o objetivo de instituir o pagamento por serviços e produtosambientais às comunidades tradicionais pelo uso sustentável dos recursos naturais, conservação,proteção ambiental e incentivo às políticas voluntárias de redução de desmatamento;III - Programa Estadual de Monitoramento Ambiental;IV - Programa Estadual de Proteção Ambiental;V - Programa Estadual de Intercâmbio de Tecnologias Limpas e Ambientalmente Responsáveis; 257
  • 258. VI - Programa Estadual de Capacitação de Organismos Públicos e Instituições Privadas,objetivando a difusão da educação ambiental e o conhecimento técnico na área de mudançasclimáticas, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável;VII - Programa Estadual de Incentivo à Utilização de Energias Alternativas Limpas e Redutorasda Emissão de Gases de Efeito Estufa.Parágrafo único. A estrutura, a regulamentação e a execução dos Programas de que trata esteartigo serão definidas por meio de Decreto, no prazo de noventa dias contados da publicaçãodesta Lei. 258
  • 259. CAPÍTULO 23 EXPLORAÇÃO FLORESTAL NA AMAZÔNIA Niro Higuchi, Luciano Minette e Joaquim dos Santos1. Introdução: No dicionário Aurélio, o verbo “explorar” tem vários sentidos. O sentido que mais seaproxima da prática de madeireiros na Amazônia é: tirar proveito de, fazer produzir, empreender,cultivar: explorar uma mina. Para leigos e “newcomer” da área florestal, é este o sentido deexplorar a floresta, ou seja, retirar tudo, abandonar e seguir em frente. Este sentido pejorativo da“exploração florestal” tem se alastrado pelo Brasil, especialmente, na Amazônia. A conseqüênciadisto é o aparecimento de apelidos como “exploração de impacto reduzido”, “exploração debaixo impacto”, quase sempre para contrapor com a prática de exploração “convencional” dasflorestas amazônicas. No entanto, exploração florestal é uma disciplina da Engenharia Florestal. Esta disciplinafoi introduzida com nome de “exploração florestal”, em 1970, no currículo pleno do curso deEngenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (Macedo e Machado, 2003). Emalgumas universidades do Sul e Sudeste do Brasil (UFPr, Esalq, UFV, UFLA e UFES),exploração florestal foi transformada em “colheita florestal”. De qualquer modo, a ementa deexploração ou colheita inclui, no mínimo: planejamento (pátios, estradas etc.), corte(direcionamento de queda, desgalhamento, destopamento etc.), arraste (análise da produtividadedos equipamentos, impactos no solo etc.), transporte florestal e análise de custos. Além disso, amaioria dos cursos de Engenharia Florestal tem enfatizado nesta disciplina as questõesrelacionadas com ergonomia e segurança no trabalho. “Exploração florestal” recebe o código de 01.12-7 do Setor 02.1 (Silvicultura, ExploraçãoFlorestal e serviços relacionados com estas atividades) da Classificação Nacional de AtividadesEconômicas. Esta classificação é utilizada pelo IBGE e CNPq. No CNPq, “exploração florestal”recebe o código de 5.02.03.01-0 da grande área 5.00.00.00-4 (Ciências Agrárias). Este termo estáexplicitado na legislação florestal brasileira começando pelo Artigo 15 do Código Florestal, quedisciplina a exploração florestal na Amazônia. A IN nº 5 do MMA de 11/12/06, que é a últimapalavra em termos de normas do manejo florestal na Amazônia, introduziu a AUTEX(autorização para exploração) aos planos de manejo florestal. Portanto, apesar do sentido ambíguo da palavra, a atividade ou disciplina “exploraçãoflorestal” está bem amparada legalmente e bem estruturada nas ementas dos cursos de EngenhariaFlorestal. Diante disto, as comparações entre “exploração de impacto reduzido” e “exploraçãoconvencional”, não têm sentido. Na Amazônia existe exploração florestal “aprovada” e a “ilegal”.A “aprovada” deveria ser executada de acordo com os fundamentos trazidos da academia e com oplano de manejo aprovado. Se isto não está ocorrendo, somente os órgãos de fiscalizaçãopoderiam responder. Para os engenheiros florestais, para o CNPq e para o Ibama, exploraçãoflorestal é “o conjunto de técnicas que dão forma ao aproveitamento da madeira da floresta, semcomprometer a estrutura da floresta, o piso florestal e a sucessão florestal”. Na Amazônia, há uma relação intrínseca entre exploração florestal e manejo florestal. OArt. 15 do Código Florestal determina que a exploração florestal na Amazônia seja permitidasomente acompanhada de um plano de manejo florestal. Este artigo foi regulamentado em 1994 259
  • 260. (Decreto 1.282), quando introduziu o termo “manejo florestal sustentável (MFS)”, ou seja, paraexplorar a floresta amazônica não basta ter um plano qualquer de manejo, mas sim umsustentável. No Cap. 1º deste decreto foram definidos os princípios gerais e os fundamentostécnicos que deveriam acompanhar qualquer plano de MFS (PMFS). Os princípios do MFS são: (i) conservação dos recursos naturais, (ii) conservação daestrutura da floresta e de suas funções, (iii) manutenção da diversidade biológica e (iv)desenvolvimento sócio-econômico da região. E os fundamentos técnicos e científicos são:(i) caracterização do meio físico e biológico, (ii) determinação do estoque existente, (iii)intensidade de exploração compatível com a capacidade da floresta, (iv) ciclo de corte compatívelcom o tempo de restabelecimento do volume de produto extraído da floresta, (v) promoção daregeneração natural da floresta, (vi) adoção de sistema silvicultural adequado, (vii) adoção desistema de exploração adequado, (viii) monitoramento do desenvolvimento da florestaremanescente e (ix) adoção de medidas mitigadoras dos impactos ambientais e sociais. Além das exigências legais da exploração florestal planejada, resultados preliminares depesquisas indicam que os impactos da exploração são determinantes na sustentabilidadeecológica do manejo florestal. Uma exploração florestal executada sem os fundamentos técnicospode provocar: (i) mais danos à floresta remanescente; (ii) maior compactação do solo; (iii)alterações irreversíveis na biologia, física e na química (hidroquímica, em especial) do solo; (iv)alterações no ciclo hidrológico; (v) comprometimento do trabalho da fauna decompositora e (vi)alterações no estoque e dinâmica dos nutrientes necessários para garantir o segundo ciclo de cortee os ciclos subseqüentes. Da mesma maneira, parece óbvio também que tudo que é ecológico éeconômico também. A principal estratégia para garantir o MFS na Amazônia é a aplicação correta das técnicasaprendidas nas universidades. As técnicas mais importantes são: inventário florestal, exploraçãoflorestal, tecnologia da madeira, comercialização e inventário florestal contínuo. Se isto forrealizado, a lei estará sendo cumprida e o cumprimento lato sensu das leis e normas é a garantiada sustentabilidade do manejo florestal. É papel fundamental do Estado fazer cumprir as leis enormas vigentes. O engenheiro florestal, no exercício de sua profissão, tem que estar preocupadoem aplicar os seus conhecimentos sem se preocupar com rótulos e apelidos do tipo “exploraçãode baixo impacto” e “bom” manejo florestal. Neste capítulo, serão abordados: (i) a teoria da Exploração Florestal como disciplina daEngenharia Florestal e (ii) a prática da teoria em planos de manejo florestal na Amazônia. Ateoria envolverá do planejamento aos estudos ergonômicos da exploração. No item sobre aprática, serão apresentados resultados de alguns estudos implementados na região amazônica.2. A teoria da Exploração Florestal:2.1. Inventário Florestal: (i) Inventário florestal por amostragem: O inventário florestal de uma Unidade de Manejo Florestal (UMF) é a principalferramenta utilizada na preparação do plano de manejo florestal sustentável (PMFS) e, porconseguinte, no planejamento da exploração florestal. O inventário vai estimar os estoques demadeira. Os estoques são utilizados para definir para definir os tamanhos das UPAs (Unidade deProdução Anual) e o ciclo de corte, respeitando os limites para os volumes explorados. Se oPMFS é pleno, o limite é de 30 m3/ha. Além dos estoques, o inventário florestal fornece a base de dados para a análise estrutural,principalmente, na definição do Índice de Valor de Importância (IVI) de cada espécie. Para isto, a 260
  • 261. IN nº 005 recomenda que este inventário florestal seja executado em toda a UMF considerandotodos os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 10 cm. Esta base pode ser utilizada também paramontar a distribuição de diâmetros da UMF. Estas duas informações juntas são chaves na hora daescolha das espécies que serão exploradas e daquelas que deverão ser protegidas paraobservações ou para aproveitamento em ciclos de corte subseqüentes. A identificação de espécies é crítica para um bom planejamento da exploração florestal.Neste caso, há necessidade de juntar o conhecimento empírico com o científico (botânico). Oimportante é saber se o nome comercial da espécie envolve uma única espécie ou de um grupo deespécies (morfo-espécies). O engenheiro florestal tem também que estar atento as diferentessinonímias dos nomes comerciais; daí, a importância de saber a espécies ou espécies que levamaquele determinado nome comercial. A coleta botânica torná-se imprescindível para este tipo deconfirmação. (ii) Inventário florestal a 100%: Depois de definidas as UPAs, o passo seguinte é a realização do inventário florestal a100% nelas. Neste caso, são levantados apenas os indivíduos com DAP ≥ 50 cm em subdivisõesda UPA, que são as UTs (Unidade de Trabalho). As informações resultantes do IF 100% sãoutilizadas para conseguir a AUTEX (Autorização para Exploração) e são determinantes noplanejamento da exploração florestal, principalmente, na definição das trilhas de arraste e dospátios de estocagem das toras. Um IF 100% deve informar corretamente a espécie, a localização(coordenadas geográficas), direção natural de queda, presença de cipós e a classificação do fuste(quantas toras de 4-5 metros, cilíndrico, tortuoso, sem defeitos aparentes etc.).2.1.1. Produtos cartográficos: (i) Mapas da propriedade e da cobertura do solo: Mapas plani-altimétricos combinados com mapas de cobertura do solo da AMF (Área deManejo Florestal) são imprescindíveis para a definição da UMF (Unidade de Manejo Florestal)dentro da propriedade. Hoje, com a evolução dos processos de aquisição de imagens, sejam desatélite ou de radar, estes tipos de mapas são bem mais acessíveis. Além disso, há uma intensapreocupação com o desenvolvimento de algoritmos para racionalizar o uso das diferentesimagens. A evolução e a popularização do GPS têm ajudado muito no melhor aproveitamento dasimagens e nas verificações de campo. O planejamento do PMFS e, por conseguinte, da exploração florestal dependem do usoadequado dos produtos cartográficos. Estes produtos podem ser produzidos a partir dacombinação de imagens de satélites ou de radar com a verdade de campo (inventário florestal). Ocorreto planejamento das estradas primárias, secundárias e trilhas de arraste dependem tambémde bons mapas. Da mesma maneira, o dimensionamento correto dos equipamentos e das equipesde trabalho, utilizados na exploração florestal, depende também deste tipo de produto. Sem isto,estas operações serão mais onerosas e, certamente, vão provocar mais impactos ambientais. Autilização de bons mapas vai ajudar também no planejamento do escoamento da produção. Os mapas contendo as áreas de drenagem são essenciais para o cumprimento da lei demanejo florestal. As áreas de preservação permanente dentro da AMF podem ser definidas apriori. Da mesma maneira, estes mapas podem ser utilizados para estudos de viabilidade para oaproveitamento de rios e igarapés no escoamento da produção, da AMF a um centro consumidor. (ii) Mapas da vegetação: 261
  • 262. O uso correto de mapas da vegetação é crítico na definição das UPAs, que não precisamser, necessariamente, de mesmo tamanho. Além disso, a produção da serraria (por ex.) quedepender apenas da média e do desvio padrão das estimativas de volume pode ser surpreendidatodos os anos. As estimativas baseadas em estratificação por tipos florestais são mais confiáveis econsistentes. Um bom mapa da vegetação melhora a precisão do inventário e diminui os custosde coletas.2.1.2. Métodos de inventário florestal:(equações, tamanho de parcelas, tipos de amostragem, variáveis coletadas, resultados incluindotabela de sortimento).2.1.3. Tabela de sortimento:2.2. Planejamento e organização do trabalho de exploração florestal:2.2.1. volume a ser explorado anualmente, por espécie2.2.2. estudo de tempos e movimentos,2.2.3. trilhas de arraste,2.2.4. estradas2.2.5. escoamento da produção.2.3. Exploração florestal:2.3.1. corte,2.3.2. arraste,2.3.3. transporte (carregamento e descarregamento),2.3.4. tempo e rendimento, impactos sobre o solo,2.3.5. Impactos sobre a floresta residual: Ver item 3 (Exploração Florestal na Amazônia). Em todos os casos são apresentadosalguns impactos ambientais. Preste atenção no caso do BIONTE que conclui que a trilha dearraste é classe de perturbação praticamente irrecuperável.2.4. Análise de custos:2.4.1. custos reais,2.4.2. custos contábeis2.4.3. avaliação sócio-econômica. (i) Viabilidade econômica da exploração florestal na Amazônia: A matéria-prima madeira pode ser considerada com um artigo de primeira necessidade.Ela é importante quando a gente nasce (berços) e quando a gente morre (urnas funerárias). Nomercado internacional, temos softwood e hardwood. Traduzindo literalmente poderiam sermadeira mole e madeira dura, mas não têm estes significados. Na verdade, o mercado estádistinguindo a madeira de coníferas (softwood) e de folhosas (hardwood). Portanto, temossoftwood dura (araucária) e hardwood mole (amapá, caroba, pau-de-balsa). Assim, de acordocom o mercado internacional de madeira, na Amazônia só temos hardwood. 262
  • 263. O trabalho de Higuchi et al. (2006)20 apontam que os dois principais fornecedores demadeira tropical (hardwood) - Malásia e Indonésia - desaparecerão do mercado internacional,respectivamente, em 2012 e 2017. Então, a partir de 2017, a Amazônia será a única em condiçõesde abastecer o mercado internacional de madeira tropical. Neste momento, o tamanho destemercado gira em torno de 55 milhões de m3 de madeira em toras. Apesar da imensa área desmatada até o presente, a área remanescente coberta por florestasprimárias ainda é muito grande. Uma estimativa conservadora aponta para uma área de,aproximadamente, 300 milhões de hectares. Com uma média de 20 m3/ha de madeira comercial,o estoque da Amazônia é de, aproximadamente, 6 bilhões de m3, o que daria para abastecer oatual mercado internacional durante 109 anos. Os dois atuais fornecedores não praticaram manejoflorestal sustentável; por esta razão, eles vão desaparecer do mercado internacional. A Amazônia,se cumprir a Lei, poderá perpetuar a produção e atender o mercado internacionalindefinidamente. Hoje em dia, a madeira amazônica é comercializada a preços muito baixos. Com adiminuição da oferta, os preços tendem a melhorar. Com preços mais justos, os empresários vãodar mais valor a floresta amazônica. Temos florestas, leis rigorosas, um monte de cursos deengenharia florestal, mercado e muita pressão da sociedade para manejar de forma sustentável.Portanto, a Amazônia tem tudo para transformar a atividade florestal em uma atividadeeconômica com grande peso na formação de riquezas desta região, quiçá do País.2.5. Plano operacional anual (POA).3. Exploração Florestal na Amazônia: Na Amazônia, temos que distinguir a exploração florestal nas várzeas da exploração emflorestas de terra-firme. Nos dois tipos de vegetação, temos ainda que considerar a exploraçãomecanizada da não mecanizada. Nas várzeas, a exploração predominante é a não mecanizada. Naterra-firme predominam a exploração mecanizada. Grande parte das informações sobreexploração florestal na Amazônia está em literatura “cinza”, de difícil acesso.3.1. Estudo da SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, já extinta) emCuruá-Una - 1977: Em terra-firme, o estudo pioneiro sobre exploração florestal foi realizado em Curuá-Unapela SUDAM (SUDAM, 1978). Este estudo foi uma aplicação da teoria completa de exploraçãoflorestal em uma floresta amazônica. Foram utilizados 100 hectares de floresta primária daEstação Experimental de Curuá-Una, no Estado do Pará. As avaliações foram realizadas para: (i)operações florestais (planejamento, inventários, estradas, picadas de arraste, pátios, derrubada,extração, traçamento, transporte, carregamento, descarregamento, transporte fluvial,carregamento de balsas e descarregamento de balsas); (ii) técnicas de execução (inventário pré-exploratório, diretrizes para construção de estradas, técnicas de derrubada, operação de skidder);(iii) estrutura básica para a execução da exploração (pessoal, equipamento, manutenção e reparos,segurança e edificação); (iv) produção e (v) custos. O experimento foi realizado em 1977. O trabalho foi executado por peritos da FAO e doPRODEPEF (Projeto de Desenvolvimento e Pesquisa Florestal) do IBDF (atualmente, Ibama). Oestoque disponível para a exploração florestal era de: 8 árvores por ha e volume comercial comcasca de 48 m3/ha.20 Higuchi, N., Santos, J., Teixeira, L.M. e Lima, A.J.N. 2006. O mercado internacional de madeira tropical está àbeira do colapso. SBPN Scientific Journal, 1-2:33-41. 263
  • 264. Para a extração da madeira foram testados dois equipamentos (skidder): Clark Ranger668B de pneus e o Caterpillar D6 de esteiras com arco de arraste. O primeiro foi mais produtivodo que o de esteiras com as seguintes produções por dia e por hora, respectivamente: 160 m 3 demadeira em tora (dia) e 26,7 m3 (hora) e 105 m3 e 17,5 m3. A distância média percorrida empicadas pelo skidder Clark Ranger foi de 293 m e a da D6 foi de 358 m. O custo total por m3 da madeira entregue na indústria foi de R$ 76,43 para um volumemédio comercial de 40 m3/ha; para um volume de 20 m3/ha, o custo passa a ser de R$ 93,54. Oquadro 1 apresenta a reprodução dos custos de exploração do estudo da SUDAM. Os cálculos doscustos foram realizados em maio de 1977. Os custos do quadro 1 foram atualizados para abril de2008 utilizando um divisor de 1,817399 de acordo com os cálculos de correção monetária obtidosno seguinte link: http://www.calculoexato.com.br/adel/indices/atualizacaoCJuros/calc.aspEsta atualização não inclui juros. As considerações finais deste estudo destacaram as seguintes condições necessárias para aexecução da exploração florestal: (i) Um melhor planejamento baseado em bons conhecimentos da área: volume a extrair eas características do terreno. (ii) Uma melhor administração e supervisão para assegurar o uso eficiente da floresta, dasmáquinas e de mão-de-obra. (iii) Uma rede de estrada bem planejada e bem construída: (a) espaçamento correto; (b)fazer diferença entre estrada permanente e estrada temporária; (c) boa drenagem; (d) boamanutenção; (e) construção de estradas bem antes das operações de extração (se for possível, umano antes). (iv) Uma melhor técnica de derrubada e traçamento, especialmente, quanto: (a) derrubadaorientada; (b) o melhor aproveitamento das árvores deixando menos desperdício na floresta; (c)melhor afiação da corrente; (d) ao adequado comprimento do sabre (sendo que a tendência é usarsabres muito compridos). (v) A melhor utilização do skidder por meio de: (a) extração em distâncias corretas; (b)melhor coordenação entre a derrubada e a extração (derrubada orientada); (c) boa rede de picadasde extração preparada pouco antes da derrubada; (d) uso de estropos; (e) utilização integral dacapacidade de carga da máquina e possibilidade de trabalhar durante o ano todo. (vi) Uma melhor manutenção e reparação das máquinas para poder reduzir ao mínimo otempo que estas ficam paradas.3.2. Exploração florestal do experimento de manejo florestal do INPA - 1987: Este componente do manejo florestal foi executado em anos distintos: 24 hectares em1987, 12 ha em 1988 e 12 ha em 1993. A exploração seletiva de madeira foi realizada com baseem três diferentes intensidades de corte: (i) T1 - leve (derrubada de 1/3 da área basal comercial);(ii) T2 - moderada (derrubada de ½ da área basal) e (iii) T3 - pesada (derrubada de 2/3 da áreabasal). Em 1987 foram executados T1 e T3; em 1988, o T3 e, em 1993, o T2 foi repetido paraestabelecer o tempo-zero da exploração em um projeto de pesquisas sobre biomassa e nutrientes(projeto BIONTE). Um resgate histórico do projeto que, hoje, é conhecido como BIONTE é o fato que aequipe da SUDAM é quem deveria executar a exploração florestal. Isto acabou não acontecendo 264
  • 265. por causa de agendas e, de certa maneira, por problemas institucionais. Desde o início, oBIONTE não tinha como objetivo estudar a exploração florestal. O objetivo principal sempre foiavaliar os impactos ambientais da exploração seletiva de madeira. Outra tentativa para terceirizara exploração foi com os fazendeiros do Distrito Agropecuário da Suframa. Naquele tempo, porconta dos incentivos fiscais, preparar o terreno para a agropecuária era mais importante do que oaproveitamento da madeira. Juntando-se aos problemas de cronogramas de pesquisas emecologia e de tecnologia, em cima do BIONTE, a exploração florestal só ocorreu em 1987 nesteprojeto que iniciou em 1980. A exploração florestal do BIONTE foi executada pela própria equipe do laboratório demanejo florestal (LMF) do INPA, com reforço de um engenheiro florestal cedido pelo ConvênioCNPq-Cirad Foret. A descrição e os resultados desta operação está no artigo de Coic et al.(1990). As operações executadas foram: (i) inventário florestal, (ii) planejamento (pátios e trilhasde arraste), (iii) derrubada (orientada) e (iv) arraste até o pátio de estocagem. A madeira retiradafoi subutilizada e desperdiçada. Algumas foram aproveitadas pela Coordenação de Pesquisas emProdutos Florestais para estudos de caracterização tecnológica da madeira. Outras foramdesdobradas com uma serraria portátil. Foram doadas também para as Forças Armadas. Uma única máquina, Catterpillar D6 de esteiras com 140 HP equipado com um “treepusher” e guincho, fez os trabalhos de aberturas de estradas secundárias, trilhas de arraste earraste das toras. A derrubada e o traçamento foram executados com uma motosserra Stihl 051AVE de 90 cc. O transporte das toras, do pátio para Manaus, foi realizado com um caminhãoMercedez Bens 11.13 equipado com um chassi de 5 m e um MUNCK. As equipes foramconstituídas de: 1 operador do trator + 1 ajudante, 1 operador de motosserra + 1 ajudante e 1motorista do caminhão + 1 ajudante. Originalmente, as três intensidades de corte eram a derrubada de 1/3 da área basalcomercial (T1), 50% da área basal (T2) e de 2/3 da área basal (T3). O T4 é o T2 repetido em1993. O quadro 2 apresenta os resultados da exploração florestal, em termos de área basal evolume de madeira. Os níveis de corte atingidos de fato foram: 32% para T1 (OK), 42% para T2(deveria ser 50%), 59% para T3 (deveria ser 66%) e 49% para T4 (OK). As razões entre volumeexplorado e volume de árvores danificadas ou mortas foram: 1 : 1,2 m3, 1 : 0,7, 1 : 0,7 e 1 : 1,respectivamente, para T1, T2, T3 e T4. Os melhores resultados foram obtidos no T2 e T3, ouseja, para cada m3 explorado há uma perda de 0,7 m3 de madeira. Do ponto de vista de número deárvores, as razões foram as seguintes: 1 : 13, 1 : 11, 1: 7 e 1 : 12, respectivamente, T1, T2, T3 eT4. Quer dizer, por exemplo, que no T1 para cada árvore derrubada outras 13 com DAP ≥ 10 cmforam danificadas ou mortas. Com a incorporação das questões ecológicas ao projeto de manejo florestal, a partir de1992, o T2 foi repetido em 1993. Para caracterização dos impactos ambientais da exploraçãoflorestal, as seguintes categorias de perturbação foram consideradas no levantamento pós-exploratório: (1) Extremamente perturbado – trilha de arraste (estrada secundária) (2) Muito perturbado – arraste da tora até a trilha (3) Perturbado – clareira de tronco e copa (4) Pouco perturbado – pequenas clareiras (galhos) (5) Não perturbado – transição entre floresta e clareira 265
  • 266. A categoria (1) é, praticamente, irrecuperável (BIONTE, 1997). A ocorrência desta categoriavariou de 5,9% a 17,7% da área explorada, com média igual a 12,2%. As demais categorias sãorecuperáveis dentro de um horizonte compatível com o ciclo de corte (25 a 30 anos). Outros resultados: - Clareiras: as clareiras variaram de 36 m2 a 2500 m2, com média de, aproximadamente, 2600 m . - O custo operacional da motosserra foi de US$ 12 por hora de trabalho total ou US$ 0,90por m3 derrubado e cortado na ponta mais fina da árvore. - 30% das árvores derrubadas (DAP ≥ 50 cm) eram ocas; espécies como tanimbuca(Buchenavia parvifolia) e angelim pedra (Dinizia excelsa) apresentaram índices de oco de 73% e66%, respectivamente. Por falta de comparadores, estes resultados podem servir de sinais ou metas para órgãosde fiscalização, tomadores de decisão e empresários florestais, como: (i) Um índice de perturbação inferior a 5,9% para a categoria (1) – trilhas de arraste. Isto significa também, fazer as trilhas de arraste as mais permanentes possíveis, ou seja, que nos ciclos de corte subseqüentes as mesmas trilhas sejam utilizadas. (ii) Tamanho máximo de clareira inferior a 600 m2. Derrubar duas árvores comerciais com direções de queda diferentes vai provocar clareira de tamanho indesejável. No primeiro ciclo, derrubar apenas uma delas e guardar a outra para o segundo ciclo. (iii) Não permitir danos superiores a 7 árvores com DAP ≥ 10 cm para cada árvore explorada. (iv) As árvores ocas, certamente, emitem mais do que seqüestram C da atmosfera. Desta forma, estas árvores precisam ser derrubadas para abrir espaços e aumentar a oferta de água, luz e nutrientes para indivíduos mais jovens e saudáveis. Portanto, o primeiro ciclo de corte deverá ser considerado como corte de melhoramento. O relatório final do BIONTE (BIONTE, 1997) apontou, claramente, que a exploraçãoflorestal tem que ser planejada. O planejamento tem que cobrir todas as operações envolvidas naexploração, do inventário ao transporte. Exceto as trilhas de arraste, as demais perturbações sãorecuperáveis no horizonte do ciclo de corte. Nestas categorias de perturbação, o tempo derecuperação depende da intensidade e da duração da perturbação e da sazonalidade (Mello Ivo etal., 1996, Guilherme e Cintra, 2001 e Costa e Magnusson, 2002). Em síntese, a sustentabilidadeecológica do manejo florestal é altamente dependente da qualidade da exploração florestal.3.3. Exploração florestal na Fazenda Cauaxi, Paragominas – Fundação Floresta Tropical(FFT) – 1995 a 1997: EXPLORAÇÃO DE IMPACTO REDUZIDO. É um trabalho muito importante para o desenvolvimento do setor florestal da Amazônia,principalmente, diante dos resultados do BIONTE que indicaram que a sustentabilidade domanejo florestal é dependente da exploração florestal. O objetivo deste trabalho foi comparar oscustos e benefícios financeiros da exploração de impacto reduzido (EIR) e a exploraçãoconvencional. Este trabalho foi publicado por Homes et al. (2002). Apesar do termo EIR teraparecido antes desta publicação em boletins do CIFOR, na prática Homes e colaboradores 266
  • 267. podem ser considerados como pais da nova modalidade de exploração florestal. Uma curiosidadedeste trabalho é a omissão completa da referência SUDAM (1978). Este trabalho foi executado na Fazenda Cauaxi de propriedade da empresa CIKEL BrasilVerde S.A., em Paragominas, Pará. Dos 6 talhões demonstrativos da FFT, neste trabalho foramutilizados 3, sendo um com EIR, um com exploração convencional (EC) e um como controle. Ostalhões são de 100 ha cada. A estimativa do volume comercial do talhão foi de 25,3 m 3/ha. Apesquisa foi executada pela FFT e contou com apoio da USAID, Serviço Florestal Americano ePromanejo (projeto coordenado pelo Ibama e financiado pelo PPG7). O trabalho de campo foirealizado em 1996. O que é considerado como EIR incluiu o planejamento, treinamento de pessoal, inventárioflorestal a 100%, corte de cipós e corte direcionado. O planejamento foi definido 8 meses antesdo início das operações de exploração florestal. Os equipamentos utilizados foram: motosserraStihl AV51, trator de esteiras Catterpillar D6 SR para construção de estradas, skidder de pneusCatterpillar 525 com guincho e gancho para arraste de toras e a carregadeira Catterpillar 938Fpara carregamento e descarregamento. Tudo muito parecido com o trabalho da SUDAM (1978),exceto para o caso das estradas que a SUDAM utilizou, além do trator de esteiras D6,escavadeira, motoniveladora e rolo compressor. Naquilo que é chamado de exploração convencional (EC), os equipamentos forampraticamente os mesmos, com a diferença é que os operadores não foram treinados para EIR. Aexecução ficou por conta de “parceiro industrial” da FFT. O Catterpillar D6 Logger com guinchonão era adaptado para construir estradas ou pátios e para o arraste. As árvores comerciais foramidentificadas na floresta por um mateiro que trabalhava com o operador da motosserra. Astécnicas de corte direcionado não foram utilizadas. Os operadores de motosserra foramremunerados por tora cortada, o que encorajou o corte rápido sem se preocupar com os danos. Asequipes de arraste não receberam informações precisas da equipe de corte sobre a localização dasárvores cortadas. O que é chamado de exploração convencional (EC) tratá-se de uma aberração legal. Naocasião deste estudo, a norma vigente era a Portaria nº 48 de 10/07/95. No Box 1 é apresentada aseqüência de procedimentos relacionados com a exploração florestal, exigidos pelo Ibama paraaprovação de um PMFS. Comparando a descrição deste estudo envolvendo EC com o Box 1,percebe-se que não há nada em comum entre o EC (objeto deste estudo) e a norma vigente. Um resumo dos resultados desta pesquisa é apresentado no quadro 3. Exceto para oscustos relacionados com as atividades pré-exploratórias e preparação da infra-estrutura, a EC temdesempenho melhor do que a EIR. Em todos os demais itens pesquisados, a EIR tem desempenhomelhor do que a EC. Por último, os custos de 1 m 3 colocado no pátio são, respectivamente, US$15,68 e US$ 13,64, para EC e EIR. No câmbio de 17/04/08, o custo de 1 m3 colocado no pátioobtido pela SUDAM seria de US$ 20,54. Fica difícil ter uma noção exata das diferenças decustos dos dois estudos porque o Homes (2002) foi realizado em 1996 e da SUDAM (1978) foirealizado em 1977. De qualquer modo, fica claro que a exploração florestal de acordo com asementas dos cursos de engenharia florestal causa menos impacto ambiental e é mais barata doque a exploração clandestina.3.4. Exploração florestal na várzea – estudo de caso em Lábrea (AM): No início dos anos 90, as indústrias (laminado e compensado) do Estado do Amazonaseram abastecidas por 3 principais fornecedores (conhecidos como compradores) de madeira devárzea. O sistema era o de aviamento. O comprador trabalhava com, aproximadamente, 20prepostos. Cada preposto comandava a exploração florestal, da derrubada ao transporte até os 267
  • 268. principais centros consumidores. O preposto, por sua vez, trabalhava com 30-40 ribeirinhos,principalmente, durante a derrubada. Este estudo envolveu o monitoramento de um preposto trabalhando com 33 ribeirinhos naregião do Rio Mamoriá, região Alto Rio Purus, município de Lábrea, Amazonas. As três fasesdeste estudo foram: derrubada (de 5 a 27 de outubro de 1992), extração das toras (de 19 a 31 demarço de 1993) e chegada da jangada em Manaus (julho 1993). Na safra de 1992-93, as 3principais espécies exploradas foram: sumaúma (Ceiba petandra), Muiratinga (Naucleopsiscaloneura) e copaíba (Copaifera sp.). Detalhes deste estudo foram publicados por Higuchi et al.(1994). Equipamentos utilizados: motosserra Stihl 051 AVE, barco de 33 HP e rebocador de 340HP. Planejamento não existe. O preposto tem apenas uma direção a seguir e explorar omáximo que for possível dentro daquilo que a estação do ano permitir. A derrubada é realizadadurante o período seco. A única pista que apóia a decisão de derrubar ou não uma árvore é amarca d’água no tronco da enchente do ano anterior; se a marca está a 3 m de altura, omotosserrista derruba aquela árvore. A derrubada tem que ser orientada, caso contrário, a tora nãosai da floresta. Ao mesmo tempo da derrubada, é aberta uma picada por onde, durante a cheia, obarco vai passar para recolher as toras derrubadas no período seco. Durante a cheia, pequenas embarcações (motor de 33 HP) entram na floresta alagada pararecolher as árvores derrubadas durante o verão. As toras são trazidas para a margem de um rio oupara um lago, onde são montadas as jangadas. Dependendo da distância entre a área deexploração e a indústria, as jangadas – V. figura 1 - podem assumir 3 formas diferentes: (a)“espinha de peixe” para pequenas e médias distâncias em rios não cauldalosos; (b) “pente” ouparalela para grandes distâncias em rios caudalosos, altamente recomendado para Belém porcausa do efeito da maré e (c) “cabeça” para longas distâncias em rios caudalosos. Os principais resultados deste estudo foram: (i) O corte de uma árvore consumiu 7’21” e uma equipe conseguiu cortar 29,4 m3 por hora de efetivo trabalho. (ii) A jangada monitorada transportou, aproximadamente, 5.000 m3 de toras até Manaus. (iii) O tempo gasto da área de exploração até Manaus foi de 20 dias ininterruptos. (iv) O custo de produção da madeira foi de US$ 6 por m3. (v) Os preços médios alcançados do m3 colocado em Manaus foram: sumaúma (US $ 35), copaíba (US$ 25) e muiratinga (US$ 20).3.5. Outros trabalhos:3.5.1. Flona de Tapajós: A exploração florestal do experimento de manejo florestal conduzido pela Embrapa-CPATU ocorreu em 1979, na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, no município de Santarém,Pará. Segundo Silva e Whitmore (1990), foram removidas 16 árvores por ha e um volume de 75m3/ha. Esta exploração foi considerada pelos próprios autores como uma exploração pesada.Segundo ainda os autores, detalhes das operações da exploração florestal podem ser encontradosna Circular Técnica nº 9 da Embrapa-CPATU de autoria do Dr. Permínio Costa Filho.3.5.2. CPAF-Acre: 268
  • 269. Este experimento foi executado em área de 20 ha da Estação Experimental da Embrapa-Acre, na região de Rio Branco, Acre, em 1992. Segundo Oliveira e Braz (1995), as operaçõesrealizadas foram: (i) inventário florestal a 100%, (ii) elaboração de um mapa plani-altimétricopara construção de estradas e trilhas de arraste; (iii) derrubada orientada e (v) arraste. O volumecomercial retirado foi de 20 m3/ha. Os resultados relevantes foram: (i) para cada árvore comercial explorada, 5,3 árvores porha com DAP ≥ 10 cm foram danificadas; (ii) para cada m3 de madeira explorada, 0,27 m3 foidanificado; (iii) os danos ao dossel causados pela exploração contribuíram com 15%. 269
  • 270. Quadro 1 – produção e custos de exploração florestal em Curuá-Una durante um ano (250 dias de trabalho), terreno plano, solo argiloso, 40 m3 comercial por ha utilizando o skidder Clark Ranger 668B.Atividade Equipe Equipamento Capacidade Consumo/hr produção Custo/m3Inventário de campo 1 mateiro 40 ha/diaPicadas para inventário 1 capataz 4 km/dia 6 braçais 0,28Construção de estradas 5 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 32 m/hPermanente principal 5 ajudantes 1 Escav. Fiat Allis 0,7 m3 9,8 l 90 m/h 2 motoristas 1 Motoniv. HWB 140 140 HP 18,8 l 1 km/10 hs 1 técnico 1 Rolo Comp TTVP 15 1420 VPM 7l 105 m/h 3 braçais 1 Carreg. Case W 20 3,5 t 6,1 l 72 m3/h 1 motosserrista 2 Caçambas Dodge 3 m3 3,5 km/l 4,3 m/h 1 Motosserra Alpina 90 cc 2l 32 m3/h 1,65Construção de estradas 5 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 46 m/hPermanente Secundária 5 ajudantes 1 Escav. Fiat Allis 0,7 m3 9,8 l 25 m/h 2 motoristas 1 Motoniv. HWB 140 140 HP 18,8 l 1 km/ 8 hs 1 técnico 1 Rolo Comp TTVP 15 1420 VPM 7l 7,35hs/km 3 braçais 1 Carreg. Case W 20 3,5 t 6,1 l 72 m3/h 1 motosserrista 2 Caçambas Dodge 3 m3 3,5 km/l 4,3 m/h 1 Motosserra Alpina 90 cc 2l 46 m3/h 3,30Construção de estradas 2 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 80 m/hSecundária temporária 2 ajudantes 1 Motoniv. HWB 140 140 HP 18,8 l 4 h/km 3 braçais 1 técnico 0,41Manutenção de estradas 2 oper. Maq 1 Motoniv. HWB 140 140 HP 18,8 l 2 ajudantes 1 Carreg. Case W 20 3,5 t 6,1 l 2 motoristas 2 Caçambas Dodge 3,5 m3 3,5 km/l 3 braçais 0,54Abrir pátios na mata 2 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 420 m2/h 2 ajudantes 1 Motosserra Alpina 90 cc 2l 1250 m2/h 2 motoristas 5 braçais 4,02Abri pátio beira rio 1 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 300 m2/h 2 ajudantes 1 Motosserra Alpina 90 cc 2l 1000 m2/h 1 motorista 0,47Abrir picadas principais 1 oper. Maq 1 Catterpillar D6 140 HP 25,9 l 500 m2/ha 2 ajudantes 1 Motosserra Alpina 90 cc 2l 1000 m2/h 1 motosserrista 0,56Derrubada 2 motosserr 2 Motoss. Alpina 90 cc 2 14 m3/h 2 ajudantes 2,95Extração (arraste) 1 oper. Maq 1 skidder 668 B 160 HP 12 l 25 m3/h 3 ajudantes 9,31Toramento nos pátios 1 motosserrista 1 motoss. Alpina 90 cc 2 litros 50 m3/hNa Floresta 1 ajudante 0,90Carregamento caminhão 1 operador 1 Carregad. Michigan 85 7,5 t 15 litros 108 m3/h 2,21Transporte rodoviário 1 motorista 1 Scania Vabis 260 HP 2,5 km/l 28 m3/h 1 ajudante com semi reboque 35 t 7,43Toramento pátio 1 motosserrista 1 motoss. Alpina 90 cc 2 litros 50 m3/hBeira rio 1 ajudante 0,90Empilhamento toras 1 oper. Máq. 1 Carreg. Case W20 3,5 t 6,1 l 100 m3Beira rio 1,82Soma dos custos até o pátio beira rio 36,85Imprevistos (10%) 3,69Custo de administração e infra-estrutura (30% 12,16Custo total até beira rio 52,59Carregamento balsa 1 operador 1 Carreg. Case W20 3,5 t 6,1 l 50 m3/hE transporte fluvial 1 rebocador 153 HP 801 l 19,81 1 balsa 80 tSoma dos custos de transporte fluviial 19,81Administração e imprevistos (20%) 4,03Custo total do transporte fluvial 23,84Custo total da madeira (em m3) entregue na indústria 76,43 Custo corrigido para 2008. 270
  • 271. Quadro 2 – Estatística descritiva dos tratamentos do BIONTE.(a) Área basal (m2/ha)Tratamentos T1 T2 T3 T4 (*)Explorada (E) 2,50 3,50 4,91 3,56Estoque EL (DAP≥25 cm) 7,87 8,37 8,44 7,37Intensidade (**) 32 % 42 % 59 % 49 %Razão E : M/D 1,33 0,80 0,77 1,07Morta ou danificada (M/D) 3,33 3,33 2,88 3,84Morta EL (M) 0,85 0,98 0,90 1,00Morta OUT (M) 2,30 1,76 2,60 2,84Danificada (D) 0,18 0,14 0,27 -(b) Volume comercial com casca (m3/ha)Tratamentos T1 T2 T3 T4 (*)Explorada (E) 34,3 49,0 67,5 49,7Estoque EL (DAP≥25 cm) 103,5 112,2 112,8 98,8Intensidade (**) 33 % 44 % 60 % 51 %Razão E : M/D 1,2 0,7 0,7 1,0Morta ou danificada (M/D) 40,8 35,2 46,4 47,7Morta EL (M) 10,3 12,1 10,8 12,2Morta OUT (M) 28,4 21,4 32,2 35,5Danificada (D) 2,2 1,6 3,4 -(*) T2 repetido em 1993(**) intensidade de corte = (E ÷ estoque EL) x 100EL = espécies listadas; OUT = espécies não listadas 271
  • 272. Box 1 Portaria nº 48, de 10 de julho de 19954.3. Sistema de Exploração:4.3.1. Caracterização da área:4.3.1.1. Volume a ser explorado, por espécie;4.3.1.2. Diâmetro mínimo de corte;4.3.1.3. Levantamento expedito com a marcação das árvores que serãoderrubadas;4.3.1.4. Marcação das árvores que serão reservadas para a segunda colheita(número suficiente que garanta a sustentabilidade do manejo, com diâmetroentre 15 cm e o diâmetro de corte).4.3.2. Estrutura da rede de estradas, pátios para estocagem de toras e picadas dearraste.4.3.3. Dimensionamento do pessoal envolvido na exploração florestal.4.3.4. Dimensionamento dos equipamentos.4.3.5. Apresentação da metodologia das operações de exploração florestalquanto a derrubada, arraste e transporte.4.3.6. Cronograma de execução das operações de exploração.4.3.7. Avaliação dos custos e rendimento das operações de exploração florestal. 272
  • 273. Quadro 3 – Resultados do trabalho de Homes et al. (2002) – em talhões de 100 ha.Item pesquisado EC EIRÁrvores rejeitadas, defeitos – marcação (n) 0 217Árvores rejeitadas após teste de defeitos – derrubada (n) 15 126Total de árvores cortadas (n) 425 331Total de árvores não retiradas da floresta (n) 28 3Total de árvores arrastadas até o pátio (n) 397 328Danos no solo – trilhas de arraste (%) 7,66 3,9Danos fatais às árvores remanescentes, DAP ≥ 35 cm (%) 38 17Desperdício (madeira esquecida) – em m3/ha 6,05 1,92Custos pré-exploração (planejamento e infra-estr) – em US$/m3 0,73 1,93Custos de extração – em US$/m3 4,49 3,14Custo total de produção – em US$/m3 15,68 13,84 273
  • 274. Figura 1 (a) – Jangada tipo “pente” para longas distâncias e rios influenciados por marés.Figura 1 (b) – Jangada tipo “espinha de peixe” para curtas distâncias e rios calmosFigura 1 (c) – Jangada tipo “cabeça” para longas distâncias e rios caudalosos. 274
  • 275. Bibliografia:BIONTE (Biomassa e Nutrientes). 1997. Relatório Final do Projeto “Biomassa e Nutrientes Florestais”. Convênio INPA/DFID. 344p.Coic, A., Vieira, G. e Minette, L. 1990. Degats causes par l’exploitation forestiere sur lê dispositif ZF2, Manaus, Bresil. Em: Anais do “Atelier sur l’aménagement et la conservation de l’écosystème forestier tropical humide”. MAB/UNESCO, IUFRO E FAO, Cayenne, Guiana Francesa. Pp. 62-73.Costa, F. e Magnusson, W. 2002. Selective logging effects on abundance, diversity, and composition of tropical understory herbs. Ecological Applications, 12(3):807-819.Guilherme, E. e Cintra, R. 2001. Effects of intensity and age of selective logging and tree girdling on an understory bird community composition in Central Amazonia, Brazil. Biotropica, 7: 77-92.Higuchi, N., Hummel, A.C., Freitas, J.V., Malinovski, J.R. e Stokes, B.J. 1994. Exploração florestal nas várzeas do Estado do Amazonas: seleção de árvores, derrubada e transporte. Em: Anais do VIII Seminário de Atualização sobre sistemas de colheita de madeira e transporte florestal. UFPr/IUFRO, Curitiba, Pr. Pp. 168-193.Homes, T.P., Blate, G.M., Zweede, J.C., Pereira Jr., R., Barreto, P. e Boltz, F. Custos e benefícios financeiros da exploração florestal de impacto reduzido em comparação à exploração florestal convencional na Amazônia Oriental. Fundação Floresta Tropical. 69p.Macedo, J.H.P. e Machado, S.A. 2003. A Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná: história e evolução da primeira do Brasil. Editado pelos autores, UFPr. 513p.Mello Ivo, W., Ferreira, S., Biot, Y. e Ross, S. 1996. Nutrients in soil solution following selective logging of a humid tropical “terra-firme” forest north of Manaus, Brazil. Enviornmental Geochemistry and Health, 18: 69-75.Oliveira, M.V.N. e Braz, E.M. 1995. Reduction of damage to tropical moist Forest through planned harvesting. Commonwealth Forestry Review, 74(3): 208-210.Silva, J.N.M. e Whitmore, T.C. 1990. Prospects of sustained yield management in the Brazilian Amazon. Em: Anais do “Atelier sur l’aménagement et la conservation de l’écosystème forestier tropical humide”. MAB/UNESCO, IUFRO E FAO, Cayenne, Guiana Francesa. Pp. 86-117.SUDAM. 1978. Estudo de viabilidade técnico-econômica da exploração mecanizada em floresta de terra-firme na região de Curuá-Una. PNUD/FAO/IBDF/BRA-76/027. 131 p. 275