Monografia do Seminário_Ensino religioso

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Monografia do Seminário_Ensino religioso

  1. 1. 3 SEMINÁRIO TEOLÓGICO DA MISSÃO JUVEP Dafiana do Socorro Soares VicenteESCOLA BÍBLICA: o esforço de desenvolver uma ação educativa em que o evangelho seja vivido na realidade atual da sociedade. JOÃO PESSOA/PB 2010 Dafiana do Socorro Soares Vicente
  2. 2. 4ESCOLA BÍBLICA: o esforço de desenvolver uma ação educativa em que o evangelho seja vivido na realidade atual da sociedade. Monografia apresentada à diretoria do Seminário Teológico da Missão JUVEP, referente ao Curso Teologia, como requisito parcial para a obtenção do certificado de Bacharel em Teologia, sob a orientação do Pastor Rubemar de Sousa de Andrade. JOÃO PESSOA/PB 2010
  3. 3. 5DEDICATÓRIAPrimeiramente, dedico a Deus, pelo seu imenso amor, pelasua graça inefável, pela salvação em Cristo Jesus, pelosustento nos momentos de dificuldades, pelas alegrias evitórias conquistadas;A minha amiga Rosângela Batista de Morais, por suavaliosa amizade, que contribuiu para meu crescimentoespiritual e pessoal;Aos meus familiares, que aceitaram e apoiaram minhavocação;Aos meus mantenedores, pelo investimento no chamado,para o qual fui escolhida, e ao Pr. Rodolpho de AlmeidaEloy, amigo verdadeiro em todos os momentos. Obrigadapelas suas orações e incentivo.
  4. 4. 6 AGRADECIMENTOSAo meu mestre e orientador maior, Jesus Cristo, por me fortalecer nos momentos de dificuldades;Aos meus pais, pelo amor, cuidado e incentivo na minha caminhada cristã, fazendo-me perseverarnos meus objetivos;Aos meus familiares, que sempre acreditaram nos meus objetivos, incentivando-me e contribuindopara que tivesse um melhor aproveitamento;Ao Grupo Miora, pelas intercessões feitas em meu favor para a realização deste sonho;À JUVEP, pelo apoio e encorajamento contínuo durante a elaboração da pesquisa;Aos Mestres desta casa de profeta, pelos conhecimentos transmitidos;À Diretoria, pelo apoio institucional e pelas facilidades oferecidas;Ao Pastor Rodolpho Eloy, pela sua determinação em me fazer avançar. Obrigada por acreditar emmeu potencial.
  5. 5. 7A tarefa do professor é despertar a mente do aluno, éestimular idéias através do exemplo, da simpatia pessoal ede todos os meios que puder utilizar para isso. Isto é,fornecendo-lhe lições objetivas para os sentidos e fatos paraa inteligência. Jesus, o maior dos mestres, disse: A sementeé a Palavra. O verdadeiro professor é o que revolve a terra eplanta a semente. (John Milton Gregory)
  6. 6. 8 RESUMO Este trabalho tem o objetivo de refletir sobre as ações da Escola BíblicaDominical nas instituições evangélicas, mediante a necessidade de enfrentarmos asproblemáticas nesse lócus, devido às diversas mudanças ocorridas no campoeducacional brasileiro. No Brasil, o ensino religioso sempre esteve presente, desde avinda dos jesuítas, que tinham o papel de alfabetizar e catequizar os ―selvagens‖.Com a expulsão dos jesuítas no período pombalino, a educação passou a ser vistacomo responsabilidade e dever do Estado em ofertá-la a todos os cidadãos. Apesardessa ruptura embrionária, o ensino religioso sempre se manteve restrito aos templos―sagrados‖. Com o avanço do Cristianismo, na contemporaneidade, as igrejas e osseminários, seja protestantes ou católicos, têm investido na formação teológica deseus membros, visando maior aprofundamento e dedicação à fé cristã. Diante dessarealidade, o texto em tela tem a intenção de dialogar com diferentes teóricos,protestantes e pedagogos, visando fornecer subsídios para se pensar e fazer umaEscola Bíblica relevante na sociedade hodierna.PALAVRAS-CHAVES: Educação Cristã. Escola Bíblica. Ser padrão.
  7. 7. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO................................................................................................................................... 08CAPITULO IOS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ..................................................................................... 09CAPITULO IIEDUCAÇÃO CRISTÃ: objetivos, fundamentos e princípios educacionais e bíblicos numaperspectiva cristã, para a construção de uma escola bíblicaeficiente................................................................................................ .......................... 112.1. Fundamentos teológicos para uma educação cristã relevante...................................... 142.2. Jesus, o exemplo de mestre perfeito para o exercício do magistério eclesiástico....................... 20CAPÍTULO IIIO EDUCADOR DE ESCOLA BÍBLICA COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO:COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E CAPACITAÇÃO DOCENTE......................................... 283.1. O papel da comunicação do educador no processo de aprendizagem......................... 283.2. A relevância do planejamento educacional para a Escola Bíblica............................. 323.3. A importância da capacitação do educador da Escola Bíblica................................... 403.4. A construção do currículo na Escola Bíblica Dominical....... .................................... 43CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 48REFERÊNCIAS ................................................................................... ............................ 50ANEXOS........................................................................................................................ 52 INTRODUÇÃO
  8. 8. 10 A educação, na contemporaneidade, tem sido problematizada nos diversos contextos, tanto emescolas seculares, quanto em organizações não governamentais, no plenário brasileiro, nascomunidades e nas igrejas. Essa temática tem atraído os olhares dos diversos atores sociais, pelo fatode a Educação ser um direito público subjetivo a todo cidadão brasileiro. Ou seja, todos têm direito auma educação de qualidade e igualitária. É nesse cenário que a igreja está inserida, e como a educação tem passado por constantesmutações, ela deve estar atenta a esta realidade concreta. Nesse sentido, várias inquietações devempermear as igrejas evangélicas na sociedade hodierna, entre elas, podemos refletir sobre algumas: Quetipo de educação cristã as igrejas têm ofertado aos seus membros? Como se tem planejado o ensinonessas instituições? Como a formação dos educadores tem acontecido nas escolas bíblicas? Esseseducadores têm seguido o exemplo de Cristo ao ensinar seus alunos? Como se dá a relação entreeducador e alunos em sala de aula? Qual o nível de seriedade com que as escolas bíblicas são tratadasnas igrejas? Tais inquietações se configuraram em constantes reflexões, que ocasionaram naconstrução deste trabalho de conclusão de curso de Teologia, por entendermos que muitas das igrejasnão têm dado o devido valor e importância ao ensino eclesiástico, assim como Cristo o fez, a pontode, demasiadamente, ser chamado pelos seus discípulos de MESTRE. Portanto, o presente trabalho está dividido em quatro momentos: o primeiro traz uma brevediscussão sobre os caminhos que a educação cristã deve percorrer; o segundo faz uma abordagemsobre a definição e os objetivos da educação nas igrejas, retratando os fundamentos teológicos daeducação cristã, fundamentada na visão cristocêntrica, por ser esta um fundamento na prática domagistério do educador nas comunidades eclesiásticas; no terceiro momento, procede-se a umadiscussão sobre o papel do educador como agente de transformação, o que implica acomunicabilidade com os alunos, o planejamento e sua capacitação para o exercício doministério/magistério nas igrejas.
  9. 9. 11 Este preâmbulo visa descrever sinteticamente a intencionalidade do presente trabalho. Portanto,fica o desejo de que este material traga contribuições substanciais para as escolas bíblicas, acarretandoem crescimento saudável, tanto nos aspectos quantitativos (com maior quantidade de membrosassíduos nas escolas bíblicas) quanto nos aspectos qualitativos (membros maduros na comunidade,que saibam responder quanto à razão da vossa fé, desejosos em servir e amar uns aos outros). Aeducação cristã deve ser pensada considerando-se todas as implicações que decorrem dela, para queos alunos pratiquem o conteúdo ensinado na Escola Bíblica. Nisso, os educadores devem sercapacitados para desenvolver suas funções com competência pedagógica, dentro ou fora da igreja. 1. OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ Uma das tarefas mais nobres é o ensino. Contudo, é comum entendermos oprocesso de aprendizagem numa igreja através dos princípios e padrões do sistema escolartradicional de educação que, geralmente, é orientado pelo conteúdo e pelo saber, tendo ointelecto como um fim em si mesmo. Assim, o ensino na igreja passa, muitas vezes, a seresumir na transmissão de conhecimentos abstratos e conceituais sem imediata aplicaçãopara a vida cotidiana. Mas, a educação cristã, por essa sua característica, não se preocupaapenas com o saber, mas também com o ser, o sentir, o conviver, o fazer e o ter. Preocupa -se, enfim, com a integridade da pessoa. Na educação secular tradicional, temos as técnicas para a transmissão doconhecimento, enquanto que a preocupação da educação cristã não e stá apenas nainformação precisa de conteúdos, mas também na formação do caráter e na transformação doque precisa ser redimido. Ao escolher doze pessoas para estarem com Ele - ―Então designou 8doze para estarem com Ele e para enviá-los a pregar‖ - Jesus deixou-nos o ponto departida, pois, enquanto a educação secular leva o aluno a SABER o que o educador sabe, aeducação cristã procura levar as pessoas a SABEREM e SEREM o que o seu Mestre é.8 Marcos 3:14
  10. 10. 12 Nas muitas experiências da vida real do relacionamento interpessoal entre mestree aluno, há um processo de aprendizagem mais profundo e compromissado , que leva oeducando a ser como o Supremo mestre, Cristo. O apóstolo Paulo, ao escrever aos gálatas,fala, com precisão, quanto ao objetivo do ensino cristão: ―Meus filhos, por quem de novo 9.sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós‖ Para que isso se potencialize, épreciso haver transmissão de vida entre educador e educando, em que é necessário que oeducador reparta o seu modo de viver, que deve ser semelhante ao de Cristo , para que oaluno, tendo-o como modelo concreto, alcance o concreto modelo de Cristo, em dou trina,atitudes, valores éticos, emocionais etc. Isso requer um modelo, um exemplo, um padrão,uma referência a seguir. Em uma das bibliografias sobre o ministério e a pessoa de Cristo, oautor João, ao escrever o quarto Evangelho, expôs, com clareza, as afirmações do próprioMestre, sobre ele ser o modelo e exemplo perfeito a ser seguido. ―Ora, se eu, sendo o Senhore Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei 10o exemplo para que, como eu fiz, façais vós também‖ . Esse é o motivo pelo qual Cristo pode dizer aos seus alunos: ―Siga-me‖ 11. Asatitudes, o conhecimento e os valores do Mestre hão de se encarnar na personalidade de seusalunos. Portanto, temos uma educação vivencial entre o Mestre e os educandos. Não temcomo negar a importância de tendências ou técnicas adotadas para o ensino na EscolaBíblica, mas não são suficientes para o ensino na igreja, já que, na igreja, o processoeducacional na educação cristã é mais laborioso e demorado, pois o que está em jogo é maisdo que um conjunto de informações, mas transformações de vidas. Sendo assim, não existemsoluções mágicas e em curto prazo para os dilemas da educação nas igrejas. Não é difícilprogramar uma estrutura de ensino, posto que a educação moderna tem muitos instrumentospara isso, o difícil é entender que a vontade da s pessoas não é programável, uma vez que a9 Gálatas 4:1910 João 13:14-1511 Mateus 9:9
  11. 11. 13educação cristã tem como preocupação a estruturação da vontade e do caráter da pessoa àsemelhança de Cristo. 2. SOBRE A EDUCAÇÃO CRISTÃ: objetivos, fundamentos e princípios educacionais e bíblicos numa perspectiva cristã, para a construção de uma escola bíblica eficiente . A educação cristã é um ingrediente essencial em toda a vivência eclesiástica, pois oconceito que a igreja tem quanto a sua natureza vai determinar o que realiza. Por isso, oensino na Igreja visa não apenas oferecer conhecimentos literários, doutrinários e teológicosaos crentes, mas também instrumentalizá-los ao serviço e a uma vivência piedosa e éticacompatível com os princípios cristãos delineados nas Sagradas Escrituras. Mas, acima detudo, todo processo de ensino deve objetivar o desenvolvimento total do ser humano,prosseguindo para o alvo, Jesus Cristo. Ele é o model o ideal de personalidade. Dormas(1999, p.35), ao definir o significado da educação cristã, demonstra forte preocupação empreservar Cristo como o objetivo Maior, para se obter uma educação relevante para a igrejahodierna. A educação religiosa tem por objetivo a formação de uma consciência que orienta a conduta docristão à luz da Palavra de Deus e desenvolver o seu caráter de modo a reproduzir nele o Caráter deCristo na adoração, no comportamento ético em todos os aspectos de seu viver e na submissão aopropósito redutivo do amor de Deus 12. A educação cristã não deve ser instrumento de dominação ideológica oumesmo da formação de uma mentalidade amorfa e sem identidade. É uma educação que develevar o aluno a desenvolver uma leitura crítica de uma realidade através da construção doseu ser, sentir, fazer e conviver, à luz da razão de ser de todos nós, isto é, vivendo para aglória de Deus 13.12 DORMAS. L. A nova EBD, a EBD de sempre. JUERP, 1999.13 Isaías 43:7 e I Co. 10:31
  12. 12. 14 Por isso a participação de cada um na construção do conh ecimento, acompreensão e a vivência a respeito do reino de Deus é requerida, a fim de que sejamos nãomeros instrumentos da realidade cotidiana, mas participantes de sua construção. Como a Igreja está inserida em uma sociedade e é influenciada por ela, a educação cristã,muitas vezes, passa a caminhar de acordo com os padrões educacionais que prevalecem nas escolasseculares. No Século XVII, época em que viveu Comênio, e nos séculos seguintes, o que prevaleciana educação eram as práticas escolares da Idade Média, sendo um ensino intelectualista, verbalista edogmático, memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do educador. Nessas escolas, nãohavia espaço para ideias próprias dos alunos, porquanto o ensino era separado da vida, mesmo porqueainda era grande o poder da religião católica na vida social. Tal ideia formou as bases da PedagogiaTradicional, que ainda exerce forte influência no processo de ensino nas escolas seculares e é práticana educação cristã nas igrejas. Portanto, como a educação cristã visa à mudança do indivíduo em sua totalidade e nãoapenas transmitir conhecimento mecânico, precisamos rever as práticas pedagógicas adotadas em salade aula. Nesse sentido, o ensino não deve estar desassociado da vida do aluno, porque, na perspectivacristã, atinge outros níveis, posto que deve também formar o caráter do aluno. Isso denota que o nossocaráter precisa passar por processos de reengenharia total e precisamos ser reconstruídos para serchamados de novas criaturas. ―E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura, as coisas velhas jápassaram, eis que tudo se fizeram novas‖14. Vale salientar que as nossas decisões são produtos de todo o processo elaboradointernamente pela nossa estrutura mental, emocional e intuitiva, e diversas influências externas sãoresponsáveis pela configuração dessas estruturas, tais como a cultura, o grupo em que vivemos e umaideologia hegemônica.14 II Co. 5:17
  13. 13. 15 Esses conteúdos internos, que fazem parte das nossas decisões, precisam serreconstruídos ou reformulados, conforme nos ensina o apóstolo Paulo, em sua carta aosRomanos, quando fala da renovação da mente. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que possais experimentar qual seja a boa, a agradável e perfeita vontade de Deus (12:02 - Bíblia de estudo Genebra, versão revista e atualizada). Assim, a educação cristã tem uma natureza formativa, isto é, uma reforma internana personalidade do indivíduo, a ponto de refletir sobre a vontade de Deus, através denossas decisões e escolhas diárias de nosso cotidiano, sejam pessoais, familiares,profissionais, sentimentais ou sociais. Entretanto, podemo s definir os verbos que expressamo processo educacional cristão como ser, sentir e pensar. Mas a formação proporcionada pela educação cristã também visa prepararoperacionalmente o crente para o exercício de seus dons no desempenho de seu ministériona obra de Deus e se preocupa em transformar o aluno. Esse processo ocorre nademonstração vivencial, através dos atos concretos transformados, que são frutos de umcaráter reconstruído. Enquanto a formação do caráter é interior, a força motriz, atransformação é o produto externo desse interior mudado. É a religião a prática da qualTiago (1:21-22) fala em sua carta. ...Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolheu com mansidão a Palavra em vós plantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas. Tornai-vos pois praticantes da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Esse complexo processo de informação, formação e transformação não ocorre poracaso, automaticamente ou como num passe de mágica. É produto de muita dedicação. E aoperacionalidade desse processo todo requer planejamento e estratégia séria e bemcuidadosa, implementação técnica, capacitação e treinamento especializado. É um processoque deve prever o futuro e prover os recursos necessários para informar e formar o aluno nabusca de uma contínua transformação concreta de sua vida.
  14. 14. 16 A educação cristã envolve ―gente‖ atendendo ―gente‖, é um processo demorado epaciente, mas que poderá não se realizar, se houver uma busca pelo ativismo, que apenaspreencherá um calendário, e manter ocupados os participantes do processo educacional,comprometendo o verdadeiro objetivo da educação cristã.2.1. Fundamentos teológicos para uma educação cristã relevante Teologia e educação são duas palavras que se casam, pois toda boa educação vem de Deus, etoda Teologia é educação. Há um grande interesse de Deus em despertar vidas, que se dediquem aoestudo sistemático de sua palavra e que sejam teólogos-educadores. Esse interesse divino é acentuadoem várias passagens bíblicas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No Antigo Testamento, a educação cristã é vista nas Escrituras hebraicas. A principal palavraque significa ensinar ou educar é "Torah‖. É interessante observar que essa palavra também significa"lei. Deriva-se de um verbo que significa "apontar, mostrar e orientar". Um novo verbo, mais recente,significa "disciplinar, corrigir, admoestar". Outros termos atribuídos à educação, no AntigoTestamento, expressam ideias de discernimento, sabedoria, conhecimento, iluminação, visão einspiração15. Quando falamos em educação, normalmente nos vem à memória a intelectualidade dosmestres. No entanto, constatamos que há uma grande diferença entre esse conceito e os ensinos doAntigo Testamento, pois cada vez que se ensina alguma coisa, destaca-se a prioridade da vida, que é oponto de partida para toda forma de educação. O ensino do Antigo Testamento não é aplicado apenaspara o desenvolvimento do intelecto, mas para comunicar e ensinar o indivíduo a viver de acordo comsuas crenças e necessidades. ―Além da palavra "Torah", citada anteriormente, temos mais trêspalavras hebraicas que expressam a ideia de ensino no Antigo Testamento. São elas: “YADAH , com15 Sobre maior conhecimento no campo da língua hebraica, ver. VINE W. E.; UNGER, Merril F.; WHITER, William Jr.Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Trad.Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro. Editora CPAD, 2002.
  15. 15. 17significado semelhante a "vir a conhecer". Inclui a ideia de que a experiência ensina (Ver Jó, 32.7);YARAH, que significa "mostrar, dirigir, ensinar". Essa palavra tem uma importância prática bemdefinida (Sl 86.11;25.8; 119.102); e LAMAD, talvez a única palavra que parece enfocar o objeto dacompreensão, porém expressa também, com muita nitidez, o desenvolvimento de técnicas de guerra(Dt 4.5,18;Ed 7.10;Jr 32.33;2 Sm 22.344; Sl 18.3,4)16‖. Portanto, o incentivo à educação teológica é uma constante no Antigo Testamento. Podemosainda tomar como exemplo o Salmo 78.3-7, em que o povo de Deus promete que vai ensinarfielmente a cada geração vindoura "os feitos gloriosos do Senhor" (v. 4). Encontramos várias citaçõesindicando que o próprio Deus é o verdadeiro educador, como por exemplo, em Is 30.20, onde seupovo é incitado a buscar instrução Nele (Deus) e em sua Palavra (Sl 78.1;119.27; Is 8.19,10;54.13; Jr31.33-34). No entanto, põe-se ênfase no fato de que Deus utiliza os homens, por meio dos quaiscomunica sua mensagem (Dt 5.1-5). Repetidamente, diz-se que Deus ordenou aos homens e osinspirou para ensinar. Já o Novo Testamento reúne os acontecimentos do Antigo Testamento e gera novosacontecimentos objetivando a educação. Toda teologia do Novo Testamento é direcionada para aeducação. Essa é a constante meta de Deus. Em um sentido bem real, a educação do AntigoTestamento preparou o caminho para o programa didático do Novo Testamento. Jesus é o destaque, oMestre por excelência. Tanto através de exemplos quanto por mandamentos, Jesus enfatiza aimportância do magistério em seu ministério. Ele próprio era fundamentalmente um Mestre, vindo deDeus (Jo 3.2). Durante sua missão terrena, era chamado de "Mestre" com mais frequência quequalquer outra designação. Nos quatro evangelhos, é mencionado como Mestre oitenta e nove vezes;como pregador, apenas doze vezes. Naturalmente, sua doutrina e pregação se fundiam, mas sua obradidática era fundamental em tudo o que fazia. A maior escola que já existiu consistia em ter Jesuscomo educador, e os doze apóstolos, como alunos. Ele também ensinava as multidões. Os seusprincipais métodos constituem o ideal em direção ao qual os educadores devem empenhar-se.16 Sobre maior conhecimento no campo da língua hebraica, ver. VINE W. E.; UNGER, Merril F.; WHITER, William Jr.Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Trad.Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro. Editora CPAD, 2002.
  16. 16. 18 Os métodos utilizados pelo Mestre Jesus são explicitados na sua prática pedagógica na suavivência com os discípulos e com a multidão que o seguia. Segundo Price (1980, p.74), o Mestre, porexcelência, fez uso de objetos e coisas; da dramatização e das histórias e parábolas. Sobre o uso de objetos e coisas, Jesus ensinou mediante lições objetivas 17. Ele buscou fazer daverdade uma coisa concreta e viva. Esse método, naturalmente, deu resultado. Um exemplo dissopodemos destacar quando Jesus tomou um menino e o pôs no meio dos discípulos, para ensinar qualatitude que devemos tomar para com o Reino de Deus (Mat. 18:1-4). Os discípulos pensavam que oReino era algo com escalas e ordens hierárquicas, e, portanto, com promoções e distinções especiais.Assim, ambições e egoísmos ocupavam seus corações e já discutiam qual deles seria o maior. DaíCristo perguntou: "Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?" (v. 1). Ao que parece, semqualquer outra palavra de explicação ou de discussão, chamou uma criança e a pôs no meio deles.Vendo eles a modéstia, o desinteresse e a humildade exemplificados na criança, Jesus lhes disse quedeviam tomar a atitude da criança para poderem entrar no Reino. E acrescentou: "Quem, pois, setornar humilde como este menino, esse será o maior no reino dos céus" (v. 4). Era a maior lição sobrea modéstia e contra o mal do orgulho que a humanidade recebia naquela hora. Já ao método da dramatização18, das muitas atividades do Mestre em que Ele usou essemétodo, podemos destacar o momento em que Jesus expulsou os mercadores do Templo (Mat. 21:12-16). Ele notara que os judeus estavam abusando do privilégio de vender animais e aves para ossacrifícios àqueles que não os tinham e estavam fazendo aquilo mais para se locupletar (enriquecer)17 Quando se fala em lições objetivas, pensamos logo no uso de coisas que simbolizam ou sugerem a verdade a serensinada. Isso inclui modelos, quadros, desenhos, mapas e outros materiais semelhantes. Um modelo da arca de Noé, oudo tabernáculo, ou do conjunto duma missão estrangeira é valiosa ajuda para aclarar e avivar a cena a ser discutida.Também o uso de bons quadros ou de desenhos no quadro-negro ajuda bastante a apresentação de cenas bíblicas oumissionárias, como de outras verdades. Note-se, porém, que objetos simbólicos, como um bocado de pão para representarque Cristo é o Pão da Vida, cu clarear um copo de água escura ou turva por meio de elementos químicos para mostrarcomo a regeneração limpa o coração do pecador, são métodos não muito recomendáveis porque as crianças podem tomaro figurado pelo real.18 A dramatização traz consigo a ideia da reconstituição de uma cena. Ela é a reprodução de um acontecimento históricoou a representação de uma atividade ou fato de nossos dias. Noutras palavras, é o esforço que se faz para representar, demaneira mais precisa, em um ambiente apropriado, em uma situação histórica ou a vida de nossos dias. A dramatização,portanto, é, primeiramente, uma atividade de imitação ou de reprodução. Contudo, o termo é empregado com significaçãomais larga, chegando a abranger tanto a apresentação de verdades como a reprodução de fatos. Assim, podemos concebê-la com a representação duma verdade ou lição, sem se levar em conta se o fato tem ou não base definida. As atividadesdramáticas podem incluir incidentes bíblicos, feitos de missionários, lições de temperança e outros mais eventos a seremapresentados, bem como lições a serem ensinadas. Um elemento de dramatização pode entrar em qualquer lição.
  17. 17. 19do que para servir ao povo. Assim, tomou um chicote de cordéis e expulsou os mercadores,espalhando as aves e os animais, derrubando as moedas no chão, e dizendo: "Minha casa seráchamada casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões" (v. 13). Dessa forma, Jesusproclamou dramaticamente a santidade do Templo e do culto a Deus. "A purificação do templo nãofoi tanto por causa do próprio edifício, e, sim, mais para ensinar ao povo a grande lição dareverência." Por último, o método mais lembrado e mais usado por Jesus é o da historicidade 19 e dasparábolas20. É o método que toma o primeiro lugar em seus ensinos. Jesus o usou tanto que julgamosser isso o que mais o caracterizou como Mestre; e as histórias que ele contou são sempre maislembradas que outros ensinos dele. Inquestionavelmente, Jesus foi o maior contador de histórias que omundo já teve. Cerca de um quarto das palavras de Jesus, registradas por Marcos, e cerca de metade dasregistradas por Lucas têm a forma de parábolas. O vocábulo parábola aparece cinquenta vezes noNovo Testamento. Um exemplo de ter Ele iniciado uma lição com uma história ou parábola é aquele em que nosfala de quatro qualidades de terra e da resposta que a terra semeada deu ao lavrador (Mat. 13:1-9). OMestre, posteriormente, esclareceu a lição baseada na parábola. A terra à beira da estrada representa oouvinte preocupado ou desatento, do qual a verdade saltita como saraiva no telhado. A terra cheia depedras representa a pessoa superficial e emotiva, que responde prontamente, mas sem convicçõesfirmes, e que, por isso, abandona a verdade, quando esta o leva para caminhos difíceis. A terra deespinhos representa o indivíduo preocupado, que deixa que o serviço e as diversões o empolguem porcompleto, deixando-o sem frutos espirituais. A terra boa representa aqueles que ouvem a verdade,recebem-na de todo o coração e a praticam sempre. Ninguém, por certo, esquecerá essa história, nemo seu profundo significado.19 O método de histórias é de grande valor no ensino. É coisa concreta, apela à imaginação, tem estilo fácil e livre, assazeficiente e interessante.20 O termo parábola significa, literalmente, projetado ao lado de alguma coisa. É uma. história ou ilustração tirada dealgum caso conhecido ou comum da vida, para lançar luz sobre outro caso não muita conhecido.
  18. 18. 20 Diante do explicitado, podemos afirmar que Jesus foi Mestre consumado no uso de liçõesobjetivas, bem como no emprego do método de dramatizações, de histórias e de parábolas. Usando-as,a par de sua maravilhosa personalidade, conseguiu atrair as multidões para si, fazendo com que essasverdades fossem lembradas e repetidas através dos séculos. Bem faremos nós estudando os modos eos meios de empregar figuras, comparações e parábolas em nossas lições. Auxílios visuais,dramáticos e ilustrativos devem secundar o nosso ensino. Esses princípios de Educação religiosa continuam em todo o Novo Testamento. Há umaconvocação do próprio Cristo na chamada "grande comissão" em Mt 28.19,20. Em Atos 2.42, vemosque a Igreja primitiva cumpria sua missão de ensinar. O ensino era tão profundo que, "em cada alma,havia temor." O Apóstolo Paulo, depois de sua experiência com Cristo, segue o mesmo método didático,gerando discípulos e incitando-os ao estudo e à educação. Escrevendo ao seu filho Timóteo, ele diz:"Persiste em ler, ensinar e exortar, até que eu vá" ( I Tm 4.13). Com essas palavras, o apóstolo mostraum caminho pedagógico para o jovem pastor no exercício da educação religiosa, através destas quatropalavras-chaves do verso citado: na primeira, "persiste" (do grego: Prósekhe), o tempo presente doverbo pede uma ação contínua, traduzido como "persiste, aplica-te"; a segunda, "ler" (do grego:Anagnósei ,"leitura", usada como verbo, implica uma sábia escolha de passagens a serem lidas; leituraaudível, o poder de expor corretamente"; a terceira palavra, "exortar" (do grego: Paraklései,exortação, encorajamento, tem a mesma raiz de consolador), e a quarta palavra, "ensinar" (do grego:Didaskalia, significa ensino, doutrina)21. O Apóstolo Paulo, com essa instrução a Timóteo, criou um vocabulário para aresponsabilidade educacional. Primeiramente, sinaliza o dever da aprendizagem através da leitura oudo estudo e, depois, a missão de educar, ensinando o que se aprendeu. Esse pensamento está emconcordância com os princípios ensinados por Jesus, pois, primeiramente, ele chamou: "vinde a21 Sobre maior conhecimento no campo da língua grega, ver. VINE W. E.; UNGER, Merril F.; WHITER, William Jr.Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Trad.Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro. Editora CPAD, 2002.
  19. 19. 21mim..." ( Mt 11.28 a) ; "vinde após mim..." (Mt 4.19 a); "ficai, porém, na cidade de Jerusalém..." ( Lc24.49 b), etc. Depois os envia conforme vemos em (Mc 16.l5 ): "Ide por todo mundo..."; e (Mt 28.19):"Ide e ensinai todas as nações..." A experiência da educação religiosa, na atualidade, ocorre num tipo especial de contexto,inicialmente, educativo, mas, basicamente, teológico. Esse contexto é a comunidade cristã naqualidade de Igreja organizada, uma koinonia ou irmandade, que exerce a sua finalidade em JesusCristo e no sacerdócio individual do crente, que goza de um relacionamento íntimo com o criador eredentor. No âmago da educação religiosa, existe uma mensagem, uma missão e um mandamento acomunicar. Essa comunicação funciona melhor quando proferida dentro da comunidade cristã comamor. É, por certo, educativa, mas fundamentada em fortes bases teológicas. A forte dimensão teológica da experiência da educação religiosa não pode ser menosprezada,pois é a dimensão que se encontra no âmago do processo de equipagem e amadurecimento. Quantomais a comunidade de aprendizes puder se aproximar da verdadeira natureza da Igreja, mais eficientese torna o seu ministério de equipagem e amadurecimento. A interpretação inicial do evangelhocomunicado é a fé individual dos crentes, fundamentada nesse evangelho, com o privilégio e o poderde se encontrarem com o criador num nível de sacerdócio e serviço pessoal. Esse serviço se expressaem termos de atividades próprias da comunidade cristã. É realmente a vivência de uma teologia de fé,que se demonstra no evangelismo, nos ministérios sociais, nas missões, no serviço cristão, naeducação e no culto. O ministério da educação na igreja procura implementar os ministérios nomundo e para ele. Nesse sentido teológico, o crente é afetado e se torna eficiente, por meio do envolvimentopessoal com Deus. Ele se torna o centro do processo de comunicação. O empenho em se comunicaremana de um desejo de fidelidade a um mandamento de desafio e a uma posição de responsabilidade.Centraliza-se no impulso básico do ímpeto educativo e no imperativo teológico de alcançar e ensinar.O cristão está no ápice do serviço quando sua vida demonstra a realização do imperativo de Cristo. Quando o testemunho, a educação e a equipagem se tornam os imperativos dinâmicos daigreja, o cristão começa a imaginar os resultados significativos de sua própria experiência rumo ao
  20. 20. 22 discipulado cristão, bem como a responsabilidade de levar outras pessoas a se tornarem parte do processo redentor do evangelho. A pessoa se torna capacitada a trabalhar e a testemunhar com os significados e valores do evangelho como base para os relacionamentos totais. Em concordância com esse fato, conhecer a ação de Cristo como Mestre é fundamental para o educador cristão, já que Cristo é o exemplo de mestre perfeito. Para tal conhecimento, o próximo capítulo visa mergulhar o leitor na vida ministerial do Homem mais extraordinário que viveu entre nós, o Verbo de Deus - Cristo 2.2. Jesus, o exemplo de mestre perfeito para o exercício do magistério eclesiástico. Quando a educação se torna instrumento de análise, não há como fugir do passado.Grandes homens que surgiram na história da humanidade influenciaram a e ducação secular desua época. Aristóteles (384-322 a. C.) criou a pedagogia da virtude, segundo a qual o propósitoda vida humana é obter felicidade e ser útil à comunidade. A virtude seria a forma mais plena deexcelência moral. Para Sócrates (469-399 a.C.), a educação tinha a responsabilidade de conduziras pessoas, por meio do autoconhecimento, a sabedoria e a prática do bem, e tinha o diálogocomo método relevante para a aprendizagem. Na história das ideias ou idealismo platônico,Platão (427-347 a. C.) entendia a educação como um caminho pelo qual é formado o homemmoral e político. Já Martinho Lutero (1483-1546), precursor da Reforma Protestante, defendia oprogresso da educação para todos, pois, segundo ele, quando a escola progride, tudo progride.Ao longo da história, muitos outros, como Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Kant, Descartes,Galileu, Rousseu, Shakespeare, Hegel, Marx, Freud, Piaget, Vygotsky, Einstein, Pestalo zzi,Decroly, Dewey, Maria Montessori, Fernando Azevedo, Anísio Teixeira, Paulo Freire, entreoutros, brilhavam em suas inteligências, o que influenciou e contribuiu com o processo deeducação, mas nenhum deles, apesar de suas grandes descobertas terem beneficiado a educação,causando mudança na sociedade, conseguiram causar um impacto de transformação na vida daspessoas, como fez o Mestre dos mestres. Portanto, esse Mestre , que viveu há muitos séculos,não apenas surpreendeu em sua inteligência, mas teve uma personalidade fascinante. Ele
  21. 21. 23conquistou uma fama indescritível, porquanto destilava uma sabedoria que atraía multidões.Esse Homem é Jesus Cristo. Jesus Cristo foi o homem que nasceu em uma manjedoura , em vez de nascer em umberço de ouro; que andou em um jumento, em vez de andar em uma ostensiva carruagem real;foi conhecido como Aquele que andava com os pecadores, em vez de andar com os ―mestres‖ daLei, com os ―sábios‖ da época; foi o Mestre que ensinava as classes desfavorecidas, em vez deensinar a elite aristocrática. Jesus viu no ensino a gloriosa oportunidade de formar os ideais, asatitudes e a conduta do povo em geral. Ele não se distinguiu , primeiramente, como orador, comoreformador nem como chefe, mas como mestre. Vemos perfeitamente que ele não pertenceu àclasse dos escribas e rabinos que interpretavam minuciosamente a Lei. Ele ensinou. De formaalguma foi visto como "agitador da massa popular". Não comprometeu sua Causa com apelosem reuniões populares, com práticas ritualistas ou com manobras políticas. Ele confiou suaCausa aos prolongados e pacientes processos de ensino e de treinamento. Jesus lançou mão dométodo educativo, e não, do método de força política, ou de propaganda, ou do poder. Aprincipal ocupação de Jesus foi o ensino. Algumas vezes, agiu como curador, outras vezes,operou milagres, pregou frequentemente, mas foi sempre o Mestre. Ele não se pôs a ensinarporque não tivesse outra coisa a fazer, mas, quando não estava ensinando, estava fazendoqualquer outra coisa. Sim, Ele fez do ensino o agente principal da redenção. A ênfase que Jesusdeu ao ensino ressalta o fato de, em geral, ser Ele reconhecido como Mestre. "À luz dosEvangelhos, vemos que seus discípulos e contemporâneos o tornavam como mestre. ‖ Ele foimesmo chamado Mestre, Educador ou Rabi. E tudo isso traz, em seu bojo, a mesma ideia geralexpressa por Nicodemos, quando disse:: "Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus"(João 3:2). Nos Evangelhos, Jesus é chamado mestre nada menos de quarenta e cinco vezes. Fala-se em Jesus ensinando, quarenta e cinco vezes; e onze apenas pregand o, e, assim mesmo,pregando e ensinando, como vemos em Mateus 4:23 — "ensinando em suas sinagogas e
  22. 22. 24pregando o evangelho do reino". Chamavam -no mestre não apenas os doze discípulos, mastambém outros mais discípulos seus. Vale salientar que Jesus a si mesmo se chamava Mestre, dizendo: "Vós me chamaisMestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou" (João 13:13). Também dizia ser "a luz",vocábulo que traz a ideia de instrução. Nessa linha de pensamento, interessante é notar que JoãoBatista sempre foi mais chamado pregador que mestre. Outra indicação dessa ênfase sobre oensino é a terminologia empregada para descrever os seguidores e a mensagem de Jesus. Nãosão eles chamados súditos, servidores ou camaradas. ―A palavra discípulo, que significa alunoou aprendiz, empregada 243 vezes, refere-se aos seguidores de Jesus, seus alunos queridos. Amensagem de Jesus diz-se ser ensino (39 vezes) e sabedoria (seis vezes), sem denotar a ideia depreleção ou sermão. A expressão Sermão do Monte não é usada pelos escritores do NovoTestamento. Mateus apenas diz — ―E ele se pôs a ensiná-los, dizendo..." (Mat. 5:2). Tal peçadeve ser intitulada — O Ensino do Monte, e não, O Sermão do Monte‖ 22. Todos os caminhos que o Mestre percorria marcava a vidas das pessoas e atraíamultidões. Todos ansiavam por ouvir seus ensinamentos, pois Ele ensinava com a vida, e não,com conteúdos desvinculados de sua prática e da realidade. Enquanto isso, os outros mestresficavam estarrecidos com o impacto que os ensinamentos do Mestre operavam na sociedade e sesentiam ameaçados. Jesus era um pedagogo que transformava a hi stória em um espetáculo davida e que, diferentemente da maioria dos mestres de seu tempo, que ensinavam as Escriturasdesvinculada da vida das pessoas, com conhecimentos prontos, fechados e fragmentados, que aoinvés de libertar vidas, tornava-as escravas, Ele ensinava com autoridade e com verdade,conforme relata Cury (2001, p. 134): ...Cristo era um mestre fascinante. Muitos corriam para ouvi -lo, para serem ensinados por Ele. Era diferente da grande maioria dos demais mestres, mesmo os da atualidade, que transmite o conhecimento sem prazer e desafio, transmite o conhecimento pronto, acabado e despersonalizado, ou seja sem comentar as dores, frustrações e aventuras que os pensado res viveram enquanto produziram: 22 Sobre esse assunto, ler: PRICE, J. M. A Pedagogia de Jesus: o Mestre por excelência .Trad. Ver. Waldemar W. Wey, 3ª edição. Rio de Janeiro – RJ. JUERP: 1980, p.10-11.
  23. 23. 25 Mas, o que torna Cristo diferente dos outros mestres? O que Ele tinha, a ponto de atrairmultidões? O que contribuiu para que Ele fosse aceito pela sociedade? Como seus discípulos,será que podemos ser iguais ao nosso Mestre? Como podemos ensinar na Escola Bíblica comoJesus ensinou? Eis as inquietações que não se calam e que, humildemente, iremos abordar, paraque tenhamos uma compreensão plausível e transformadora na vida daqueles que são chamadospara o ensino da palavra, ou seja, todos nós. Na época de Cristo, o povo de Israel vivia sob o domínio do Império Romano.Sobreviver era difícil. A fome e a miséria faziam parte daquele contexto. A produção dealimentos era pouca e, ainda assim, as pessoas tinham de pagar pesados impostos, pois haviacoletores (publicanos) espalhados por todo o território de Israel. Diante dessa historicidade, seolharmos a miséria do povo de Israel, constataremos que Cristo não veio na melhor época paraexpor seus ensinamentos e um audacioso projeto para transformar o indivíduo, em suatotalidade. O povo vivia à margem da sociedade, a exclusão era uma realidade contundente navida social, mas o Mestre não desanimou e teve um brilhante plano: escolher ajudadores,auxiliadores para efetuarem o seu plano. Ele teve uma estratégia, pois, diante da demanda, tinhaconsciência de que precisava formar pessoas para darem continuidade a sua missão, quandofosse o tempo de ―ausentar-se‖. Jesus, então, passou a selecionar os discípulos. Se fôssemosnós, indubitavelmente, escolheríamos os mais brilhantes, os mais inteligentes, os maiscapacitados, os mais carismáticos, os mais persuasivos, os mais influentes, os que tivessemmaior poder aquisitivo, os mais fortes ou os mais bonitos. Porém, o Mestre, mais uma vez,contrariou a ideologia da sociedade excludente em vigor e formou uma equipe totalmentedesclassificada, o que caracteriza Sua postura de valorizar a inclusão, porquanto não tinhapreconceito, conforme Cury (2001, p. 127;143;144) comenta: Cristo não tinha preconceito. Ele falava em qualquer ambiente com as pessoas. Não perdia uma oportunidade para conduzir o ser humano a se interiorizar. Por onde passava, atuava como Mestre e iniciava sua escola. [..] Estranhamente, Cristo não escolheu paras ser seus discípulos e, conseqüentemente, para revelar seu propósito e executar seu projeto um grupo de intelectuais da época, representados pelos escribas e fariseus. Esses tinham a grande vantagem de
  24. 24. 26 possuírem uma cultura milenar e uma refinada capacidade de racioci nar. Porém pesava contra eles o orgulho, a auto -suficiência, o que impedia que se abrissem para outras possibilidade de pensar. [...] Cristo tomou uma atitude arriscada , corajosa e desafiadora. Ele teve uma escolha incomum para levar a cabo se complexo desejo. Escolheu um grupo de homens iletrados e sem grandes virtudes intelectuais para transformá-los em engenheiros da inteligência e torná -los propagadores de um plano que abalaria o mundo, atravessaria os séculos e conquistaria centenas de milhões de pessoas de todos os níveis culturais e econômicos. Para sermos bons educadores na Escola Bíblica, devemos assumir uma postura comcaráter de inclusão, valorizando cada aluno, respeitando sua subjetividade, ou seja, suaslimitações, suas particularidades, suas singularidades, e sermos altruístas como o nossoMestre. Depois que o Mestre escolheu seus seguidores, passou a ensinar-lhes. Os discípulosvivenciaram um extenso treinamento de três anos (um mestrado teológico) com o maior Mestreda história da humanidade, Aquele que detém toda sabedoria. O diálogo era bastante utilizadopor Cristo, mas isso não significava que Ele dava as respostas prontas, pelo contrário, odiscurso visava despertar a curiosidade, a dúvida e a reflexão, fazendo com que seus alunosobtivessem autonomia no pensar e criticidade, instigando-lhes a inteligência. As parábolastinham essa intencionalidade. É importante frisar que o diálogo não castra a autoridade doeducador, mas é uma ferramenta educacional relevante, principal mente diante da sociedade naqual estamos inseridos, onde as relações familiares e interpessoais estão cada vez maiscomprometidas e fragilizadas. Jesus entendia que essa ferramenta era fundamental e que o fatode utilizá-la não impedia nem ameaçava a sua autoridade de Mestre, pois a mesma era regadade afetividade, de amor, de compaixão. ―O diálogo é uma ferramenta educacionalinsubstituível. Deve haver autoridade entre a relação de educador e aluno, mas a verdadeiraautoridade é conquistada com inteligência e amor‖ ( Ibid. 2003, p. 90). O silêncio era outra estratégia utilizada com essa configuração, que conduzia os alunosa encontrarem respostas as suas indagações, ou seja, quando o Mestre não lhes dava respo stasreflexivas, o silêncio Dele também tinha esse oficio pedagógico. Mas tanto o diálogo quanto o
  25. 25. 27 silêncio do grande Pedagogo não eram algo banal, pelo contrário, era cheio de calor humano, de amor, de solidariedade, de altruísmo, de compaixão, de graça, de autoridade e de verdade. Cristo instigava a inteligência daqueles que convivia com ele. Ele os inspirava na formação de engenheiros do pensamento marcando a história de seus íntimos, mas também os gestos e os momentos de silêncio foram tão eloqüentes que modificaram a trajetória da vida deles. Ele andava pelas cidades, vilas e lugarejos e proclamava o reino dos céus e o seu projeto de transformação interior. Suas biografias indicam que falava de maneira arrebatadora. O seu falar despertava algo nas pessoas, uma sede interior. Embora fosse o carpinteiro de Nazaré e se vestisse de modo simples, seus ouvintes ficavam impressionados com a dimensão de sua eloqüência. Com o decorrer dos meses, Cristo não precisava procurar as pessoas para falar-lhes. O seu falar era tão cativante que ele passou a ser procurado pelas multidões (Ibid: 134). Diferentemente dos escribas e fariseus, Cristo, apesar de ser o grande Mestre e ter umasabedoria inigualável, não demonstrava uma postura arrogante , prepotente ou orgulhosa. Ele nãopermitiu que os seus conhecimentos afasta ssem as pessoas de sua companhia, de sua presença,porquanto sua inteligência era uma ponte, era a mediação entre Ele e as pessoas, que motivava,que valorizava o ser humano, que impulsionava as pessoas a terem esp eranças, mesmo diante darealidade caótica vigente. Cristo não tolhia a criatividade de seus seguidores, não manipulava suas mentes nemcontrolava as suas vidas, como se fossem marionetes, subjugando -as, como se faz naquelabrincadeira do ―mestre mandar‖, em que o mestre manda, e os súditos obedecem, e caso nãosejam obedientes, serão penalizados. Jesus não despertava medo nas pessoas, não as oprimia,não alienava as suas mentes. Havia uma interação entre o docente e os discentes. ―Que vosparece?‖ Era uma das expressões preferidas de Jesus. Os quatro evangelhos registram mais decem perguntas que Ele fez. Por que Jesus fazia tantas perguntas? Porque Ele sabia que uma boapergunta prenderia a atenção e desafiaria o raciocínio. Para Cury, o mestre deve instigar ainteligência dos alunos, ao invés de bloqueá-la; o mestre deve estimular a arte de pensar, em vezde transmitir conhecimentos prontos e acabados que alienam; o mestre deve atrair seus alunos,para que eles tenham prazer de desfrutar de sua companhia, em vez de afastá -los; o mestre nãodeve ser lembrado pelos seus educandos apenas no passado, mas também no presente e nofuturo.
  26. 26. 28 Um bom mestre possui eloqüência, mas um excelente mestre possui mais do que isso; possui a capacidade de surpreender seus alunos, instigar -lhes a inteligência. O bom mestre transmite o conhecimento com dedicação, enquanto um excelente mestre estimula a arte de pensar. Um bom mestre procura os seus alunos porque quer educá-los, mas um excelente mestre lhes inspira tanto a inteligência que é procurado e apreciado por ele s. Um bom mestre é valorizado e lembrado durante o tempo de escola, enquanto um excelente mestre jamais é esquecido, marcando para sempre a história dos seus alunos (Ibid - 2001: 134). Jesus não queria que Seus seguidores fossem meros refletores das opini ões alheias.Desejava que tivessem pensamentos próprios. Os educadores devem induzir os alunos a pensar ea entender claramente a verdade por si mesmos. Não basta ao mestre explicar, ou ao aluno crer;cumpre suscitar o espírito de investigação, e o aluno ser atraído e enunciar a verdade em suaprópria linguagem. Esse princípio está em harmonia com o que há de melhor nas atuais teoriassobre o ensino. Muitos alunos encontram dificuldades para ordenar seu pensamento, a menosque tenham a possibilidade de expressar oralmente sua confusão e declarar seus conceitos. Asperguntas abrem caminho para a discussão e levam o estudante a participar. Elas o ajudam apensar e a lidar com as grandes ideias. No tempo de Cristo, as escolas não tinham acesso à variedade de ma teriais pedagógicosde que dispomos atualmente, mas, nem por isso, o Mestre foi medíocre em exercer seu oficio.Ele aproveitou todas as oportunidades para ensinar as boas novas do Evangelho, e o método quemais utilizava, alem do discurso, da oratória, era o proximal, ou seja, a aproximidade com aspessoas, o relacionamento. Ele fazia questão de estar perto de seus alunos, de ouvi -los, dealimentá-los, de tocá-los, de ajudá-los a superar seus medos, frustrações e dificuldades. Nãohavia quadro branco, retroprojetor, cadeiras, data-show, computadores e livros. Mas havia oMestre, sua presença graciosa, sua afetividade e generosidade pelos aluno. No entanto,atualmente, apesar de termos uma avalanche tecnológica, faltam-nos mestres que, realmente,tenham a sensibilidade de amar seus alunos a ponto de ouvi-los, de respeitar suassubjetividades, de valorizar seus conhecimentos, de ajudá -los a superar seus limites, de ensiná -los com a própria vida. Este trabalho não tem a pretensão de ser contra a tecnologia na
  27. 27. 29atualidade, nem desconsidera o devido valor dos vários materiais facilitadores de aprendizagem,mas postula que os mesmos não substituem a pessoa do educador, como facilitador e comoajudador, e, principalmente, como afetivo. Vidas precisam de vidas; pessoas precisam de pessoas; e conhecimento precisa sercompartilhado, mas, para que tal processo se efetive, precisamos de gente, e não apenas demateriais pedagógicos, que não substituem o educador. Os métodos educativos sãoimportantes, mas o caráter e a atitude do mestre são vitais. Portanto, que relevância tem umeducador eloquente, que transmite conhecimentos através dos mais avançados instrumentostecnológicos, se não conhece seus alunos, não senta com eles no momento do lanche, nãodemonstra interesse com suas vidas? Convém enfatizar que, apesar de Cristo ter umainteligência incomparável e de não ter acesso aos mais avançados instrumentos pedagógicos, aspessoas se sentiam atraídas por Ele, não apenas pelo seu lindo sermão expositivo, mas peloamor demonstrado em seu olhar, em suas palavras, em suas atitudes, em suas ações, em suavida. Cristo fazia e fez parte da vida daqueles que seguem seus ensinamentos, Ele é umeducador pessoal, o Deus pessoal e presente, que desceu de sua glória para viver como homem,entre homens, fazendo questão de se relacionar com pecadores, ainda que estes não sejam tãosábios, tão estudiosos, tão inteligentes, tão ricos, tão obedientes. Porém, se há em nós o anseiode ensinar como o Mestre devemos imitá-lo, abrindo mão de nosso orgulho, despindo-nos daarrogância teológico-intelectual, passando a viver o que ensinamos, e não, ensinando o que nãovivemos. Tendo e vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou com usurpação o s er igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo , tornando -se em semelhança de homem; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Fl. 2:5-8) A prática pedagógica de Cristo fazia com que as pessoas se sentissem íntimas Dele,posto que era um aprendizado prazeroso, e todos ficavam atentos as suas palavras, não queriamperder nada; nem uma palavra, nem um gesto, nem um olhar seu, a ponto de subirem em árvorespara avistá-lo de longe. Todos desejavam desfrutar de sua graciosa presença, confirmando sua
  28. 28. 30autoridade de Mestre por excelência, por entender que o educador não apenas procura os alunos,mas é procurado por eles, e isso era demonstrado em sua prática pedagógica. Contrariando apedagogia de Jesus, em muitas Escolas Bíblicas Dominicais, os alunos, os educadores e oconhecimento que transmitem estão em mundos divergentes, há uma disparidade . Um não entrano mundo do outro. Os alunos não entram na história dos /as educadores/as, os/as educadores/asnão entram no mundo dos alunos, e ambos não entram na história do conhecimento, ou seja, nasdificuldades, nos problemas, mas criam barreiras para um aprendizado teológico relevante navida das pessoas. Porém, Jesus era Mestre em duas importantes áreas da educação: o assunto (apalavra) e o discípulo (as pessoas). Se existe a intencionalidade de seguirmos os métodos doMestre por excelência, não temos que dominar apenas a matéria, mas também conhecer nossoaluno. O apóstolo João disse de Jesus: ―E não precisava de que alguém Lhe desse testemunho arespeito do homem, porque Ele mesmo sabia o que era a natureza humana‖ (João 2:25). Jesusera eficiente como educador porque Seu amor se expressava no olhar, nas palavras e em Seusatos. Ele conhecia em profundidade a natureza dos seus alunos, dos discípulos. Portanto, sequisermos ensinar como Jesus ensinou, devemos ter Seu amor , sua sensibilidade em nossoscorações e em nossa prática pedagógica . 3. O EDUCADOR DE ESCOLA BÍBLICA COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO: COMUNICAÇÃO, PLANEJAMENTO E CAPACITAÇÃO DOCENTE 3.1 O papel da comunicação do educador no processo de aprendizagem A história revela que não há neutralidade em educação, porque ela implica paradigmas que orientam a vida dos indivíduos, da sociedade, pois existe uma proposta de valores que a perpassa. A educação supõe processo de humanização e personalização, aquisição de meios para atuação no contexto social. Indubitavelmente, neste cenário, o educador cristão é imprescindível na potencialização dos conteúdos teológicos na constituição do sujeito, mas a ausência da articulação entre conteúdo teológico e vida de mestre, entre o saber e o ser, entre aluno e educador, é um caminho
  29. 29. 31que conduz o cristão a viver na superficialidade e trivialidade. Um dos fatores, demasiadamenteusado por Cristo, mas utilizado inadequadamente por muitos educadores de Escola Bíblica, é acomunicação. Apesar de vivermos inseridos numa cultura grafocêntrica23, imagética e iconográficaque, constantemente, rege a comunicação nas relações sociais, muitos não sabem usá-la de modorelevante. Comunicar não implica falar e ouvir, mas se fazer entender pelo outro de modo que instigueuma reflexão sobre sua realidade cristã, ou seja, sua vida. Há educadores que, por falta de conhecimento ou sensibilidade docente, não percebem que sãomaus comunicadores. A impressão que temos é de que se preocupam com a medíocre exposição desua matéria em detrimento da educação propriamente dita. O educador acha que sua função consisteem transmitir conhecimentos e que é obrigação do aluno ouvir, compreender e registrá-los em suamemória. Quando as ideias do educador estão desorganizadas, sua mensagem é confusa e insegura.Eles preferem o monólogo, isto é, a criticada ―salivação‖. Outros costumam ensinar partindo daseguinte premissa: ―Se os alunos mais inteligentes dos primeiros assentos entendem o que eu falo,todos os demais também entenderão‖. Ora, isso é simplesmente uma falácia! Em relação à linguagem, muitos são os que costumam utilizar conceitos ou termos que aindanão existem na experiência dos estudantes. Ao contrário desses, há os que assumem uma postura bemmais nociva: não se preocupam em enriquecer o seu vocabulário e o dos alunos. A maneira de expor a matéria é outro problema que dificulta a boa comunicação entreeducadores/as e alunos. Na Escola Bíblica, muitos mestres colocam tantas ideias em cada exposiçãoque somente algumas delas são compreendidas e retidas na mente dos membros. Falar rápido demais,articular mal as palavras, usar voz baixa e em tom monótono são comportamentos igualmenteperniciosos. Se existem educadores que não utilizam meios visuais para expor conceitos ou relações queexigem apresentação gráfica, há também os que fazem uso recursos visuais de forma inadequada. Umexemplo disso é quando empregam o quadro-negro sem planejar, escrevendo e desenhando ora aqui,ora ali, com muita confusão e desordem. Aqui está um resumo dos principais problemas que23 A cultura grafocêntrica é pautada na valorização da escrita.
  30. 30. 32atrapalham a comunicação entre docentes e discentes em qualquer nível do processo ensino-aprendizagem. É importante ressaltar que a eficiência da comunicação resulta, fundamentalmente, declareza, precisão, simplicidade, criatividade e objetividade da mensagem. Outro fator necessário para uma boa comunicação em sala de aula é a arte de ouvir. Oeducador deve ouvir com interesse e atenção as colocações dos alunos na sala de aula. A audiçãointeligente é facilitada ainda mais quando atentamos para a fisionomia e para a gesticulação de quemfala. Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massa quanto a interpessoal, é como oreceptor capta uma mensagem. Raríssimas são as pessoas que procuram ouvir atentamente o que aoutra está dizendo. Ouvir depende de concentração, é perceber através do sentido da audição. Escutarsignifica dirigir a atenção para ouvir. Enquanto uma pessoa normal fala, em média 120 a 150 palavras por minuto, nossopensamento funciona três ou quatro vezes mais depressa. Consequentemente, surge um mau hábito naaudição. Muitas pessoas estão de tal forma ansiosas em provar sua rapidez de apreensão queantecipam os pensamentos antes de ouvi-los dos lábios do interlocutor. Isso ocorre quando ouvimos aprecipitada exclamação: “Já sei o que você vai dizer!” Ouvir, portanto, é muito raro. É necessáriolimpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia. Ouvirimplica dirigir atenção irrestrita ao outro. Daí a dificuldade de as pessoas com raciocínio rápidoefetivamente ouvirem. Sua inteligência em funcionamento e o seu hábito de pensar, avaliar, julgar eanalisar tudo interferem como um ruído, na plena recepção daquilo que lhe está sendo falado. Às vezes, imaginamos ter tanta coisa ―interessante‖ para dizer, nossas ideias são tão originaise atrativas que é um castigo ouvir. Queremos falar, porque falando, aparecemos. Ouvindo, ficamosomissos. Só ouvir, acreditamos, dá aos outros uma impressão desfavorável de nossa inteligência. Porisso falamos, mesmo que nada tenha a dizer. Porém não é esse o conselho da Bíblia. É melhor ouvirque falar, ―...mas todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...‖ (Tg 1.19). É através dos sentidos que a alma humana se comunica com o mundo. No ato de ouvir,percebemos e identificamos os sons pelo sentido da audição. Ouvindo atentamente, interpretamos eassimilamos o sentido do que percebemos. Não é de hoje a dificuldade que as pessoas têm de ouvir
  31. 31. 33atentamente o que os outros falam. Jesus discorreu sobre o tema quando explicava a seus discípulos arazão de falar-lhes por parábolas. Naquela ocasião, o Mestre usou a seguinte expressão: ―Quem temouvidos para ouvir, ouça...‖ (Mt 13.9). Segundo Champlim, (1966) um dos maiores comentaristas doNovo Testamento, essa expressão, inclusive usada por Jesus outras vezes, sob diferentescircunstâncias (Mt 11.15; Mc 4.9,23; Ap 2.7,11,17,29; e 3.6,13,22), era um ditado comum entre osjudeus, empregado especialmente pelos rabinos. O adágio era usado para chamar a atenção sobre a importância do ensino apresentado, o sentido oculto do ensino e a total compreensão do que fica subentendido no ensino. Jesus queria dizer que seus ensinos deveriam ser ouvidos com atenção e diligência, e que por ausência disso, muitos não poderiam compreendê-lo. Naturalmente que os ouvidos foram feitos para ouvir. Jesus usou o pleonasmo para realçarseus verdadeiros propósitos. Não era suficiente apenas ouvir no sentido de identificar os sons daspalavras, era necessário interpretar o sentido delas para praticá-las. Significa ter ouvidos comcapacidade para ouvir e entender os mistérios de Deus. Jesus estava dizendo que, falando porparábolas, nem todos teriam capacidade de ouvir e compreender o pleno sentido de suas palavras.―Ouvindo, não ouvem, nem compreendem‖ (Mt 13.13). Ouviram com os seus ouvidos os seusensinamentos, mas permaneceram surdos para as suas implicações. Isso porque a eficiência doaprendizado, através da audição, depende da predisposição da pessoa. Ou seja, a atitude mental dequem ouve é imprescindível. Toda a argumentação anterior objetiva afirmar que a emissão, a transmissão e a recepção doconteúdo didático-teológico são componentes da rede de comunicação entre educadores e alunos. Énecessário enfatizar que da excelente comunicação dependem não só a aprendizagem, mas também aadmiração mútua, a cooperação e a criatividade em sala de aula. O educador, que também pretendeser bom comunicador, precisa desenvolver empatia, colocar-se no lugar do aluno e, com ele, procuraras melhores respostas para que, ao mesmo tempo em que aprende novos conteúdos, desenvolva suahabilidade de pensar, refletir e vivenciar o aprendido. Essa é a tese principal da educação cristã.
  32. 32. 343.2. A relevância do planejamento educacional para a Escola Bíblica ―Planejar‖ significa fazer planos, projetar ou traçar. Alguns pastores ou líderes têm certaresistência em utilizar esse termo, por considerá-lo empresarial. Mas, atualmente, a expressãoplanejamento encontra-se em todos os setores da atividade humana e nos faz assumir uma atitudeséria e curiosa diante dos problemas que possam surgir, pois, diante de um problema, é necessário quese reflita para decidir quais são as melhores alternativas de ação possíveis para alcançar determinadosobjetivos, posto que planejar não se limita a sistematizar conteúdos, é estudar, ―assumir uma atitudeséria e curiosa diante de um problema‖ (FREIRE, 1979, p. 68-69). Portanto, planejar é umanecessidade em todos os campos da atividade humana, principalmente na educação, já que educar éuma atitude intencional, sistemática e deliberada. O fato de a educação religiosa ocorrer, quase sempre, na Igreja, muitos não valorizam oplanejamento, como se essa prática fosse tolher a ação do Espírito Santo. Todavia, sistematizar oconteúdo que será ministrado na Escola Bíblica promoverá uma compreensão teológica mais apurada,quanto à vontade de Deus para e na vida dos cristãos, tornando-os mais maduros e capacitados pararesponder quanto à razão de sua fé. Isso denota que a ação do Espírito Santo não deixa de agir, seja navida do cristão ou da Igreja, quando se utilizar o planejamento como uma ferramenta pedagógica. O educador cristão dever tem em mente que o planejamento é um processo de racionalização,organização e coordenação da ação docente, que deve articular a atividade em sala de aula, semdesconsiderar a ação do Espírito Santo na elaboração do planejamento na educação cristã, ou seja, aação de planejar não se reduz ao simples preenchimento de formulários para controle administrativo;é, antes, uma atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamentadas tanto em opçõespolítico-pedagógicas (educação formal) quanto teológicas (educação religiosa), e tendo comoreferência permanente as situações didáticas concretas, ou seja, o contexto sócio-historico-cultural emque estão inseridos os alunos, os educadores e a instituição de ensino, neste caso, a igreja.
  33. 33. 35 Quando se pretende elaborar um planejamento, é preciso responder às seguintes perguntas: Oque pretendo alcançar? Em quanto tempo pretendo alcançar? Como posso alcançar isso que pretendo?O que fazer e como fazer? Quais os recursos necessários? O que e como analisar a situação a fim deverificar se o que pretendo foi alcançado? Portanto, se uma liderança não se preocupa em levantaresses questionamentos, o processo educativo na igreja passa a ser fragilizado, desorganizado. Na educação, o planejamento se restringe a três etapas: planejamento educacional,planejamento curricular e planejamento de ensino. No que se refere à educação cristã, o planejamentoeducacional consiste na tomada de decisões sobre que tipo de formação teológica (teologia reformada,teologia pentecostal, teologia da prosperidade etc) se pretende alcançar. Por meio do planejamento decurrículo se formulam os objetivos educacionais24, a partir daqueles expressos nos guias curricularesestabelecidos pela instituição de ensino religioso, e, por ultimo, o planejamento de ensino, que é aespecificação do planejamento de currículo e que consiste em traduzir, em termos mais concretos eoperacionais, o que o educador fará na sala de aula, para conduzir os alunos a alcançarem os objetivoseducacionais propostos. Um planejamento de ensino, segundo Piletti, deverá conter: Objetivos específicos (ou instrucionais) estabelecidos a partir dos objetivos educacionais; Conhecimentos a serem adquiridos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos; Procedimentos e recursos de ensino que estimulam as atividades de aprendizagem; Procedimentos de avaliação que possibilitem verificar, de alguma forma, até que ponto os objetivos foram alcançados. (2006, p. 62) As etapas do planejamento de ensino, em qualquer processo educativo, deve considerar: oconhecimento da realidade; elaboração do plano; execução do plano; avaliação e aperfeiçoamento doplano. Essas etapas podem ser visualizadas através do gráfico em anexo. Para poder planejar adequadamente a tarefa de ensino na Escola Bíblica e atender àsnecessidades do aluno, é preciso, primeiro, saber para quem vai se planejar. Por isso, conhecer oaluno e seu ambiente é a primeira etapa do processo de planejamento. É preciso saber quais asaspirações, frustrações, necessidades e possibilidades dos alunos. Agindo assim, estaremos fazendouma sondagem, ou seja, buscando dados importantes não apenas para elaborar o planejamento, mastambém para entender as relações que serão estabelecidas durante o processo educativo.24 Objetivos Educacionais ou gerais são as metas e os valores mais amplos que a instituição de ensino pretende atingir.(2006, p. 65).
  34. 34. 36 Os alunos da Escola Bíblica precisam ser conhecidos não apenas na Escola Bíblica, mas forada instituição eclesiástica, para entender sua realidade diariamente, já que a maioria das escolasbíblicas ocorre um dia na semana. Todavia, quanto maior for o conhecimento da realidade do aluno,maior será a facilidade em contextualizar os conteúdos bíblicos à sua vida prática, já que o ensinobíblico objetiva alcançar a mudança na vida do indivíduo, em sua vivência prática, no seu contexto,seja, no lar, no trabalho, na escola, formando, desse modo, um discípulo. Assim, uma vez realizada tal sondagem, devem-se estudar cuidadosamente os dados coletados.A conclusão a que chegamos, após o estudo dos dados coletados, denomina-se diagnóstico. Sem asondagem e o diagnóstico, corre-se o risco de propor o que é impossível alcançar ou o que nãointeressa ou, ainda, o que já foi alcançado. Portanto, esse procedimento é que definirá e delimitara osobjetivos instrucionais25. A partir dos dados fornecidos pela sondagem e interpretados pelo diagnóstico, temoscondições de estabelecer que é possível alcançar os objetivos 26, como fazer para alcançar o quejulgamos possível e como avaliar os resultados. Por isso, passamos a elaborar o Plano através dosseguintes passos: ―determinação dos objetivos; seleção e organização dos conteúdos, seleção eorganização dos procedimentos de ensino; seleção dos recursos; seleção de procedimentos deavaliação e estruturação do Plano de ensino‖ (ibid, p.64). Ao elaborar o Plano de Ensino, antecipamos, de forma organizada, todas as etapas do trabalhoque será realizado na Escola Bíblica Dominical. Na execução do plano, que consiste nodesenvolvimento das atividades previstas, sempre haverá o elemento não plenamente previsto. Àsvezes, a reação dos alunos ou as circunstâncias geradas em sala de aula pelo conteúdo ministrado(predestinação X arminianismo; escatologia etc.) poderão exigir adaptações e alterações noplanejamento, que é sujeito a mudanças, devido à dinâmica no processo ensino-aprendizagem. Isso éuma normalidade, pois uma das características de um bom planejamento deve ser sua flexibilidade.25 Os objetivos instrucionais são proposições mais específicas referentes às mudanças comportamentais esperadas paraum determinado grupo-classe. (2006, p.65)26 Objetivos e descrição clara do que se pretende alcançar como resultado de nossa atividade. Os objetivos nascem daprópria situação: da comunidade, da escola, da família, da disciplina do educador e, principalmente, do aluno. Osobjetivos, portanto, são sempre do aluno e para o aluno. (2006, p.65)
  35. 35. 37 Ao término da execução do que foi planejado, passamos a avaliar o próprio plano, visando aoreplanejamento. Nessa etapa, a avaliação adquire um sentido diferente da avaliação do ensino-aprendizagem e um significado mais amplo. Isso porque, além de avaliar os resultados do processo deensino e aprendizagem, procuramos avaliar a qualidade do nosso plano e de nossa prática de ensino,ou seja, o educador se autoavaliando, a sua eficiência como educador e a eficiência da Escola Bíblicana Igreja em que ensina. Ao avaliar o ensino na Escola Bíblica, o educador estará avaliando atotalidade do ensino em toda a Igreja, identificando sua eficácia, falácia e fragilidade, visando àmelhoria no ensino e, consequentemente, a formação do caráter cristão em cada membro. Foi destacado anteriormente que, na Escola Bíblica, uma abordagem educacionaleficiente é aquela que pode ser orientada por objetivos educacionais. Isso significa dizer quetoda a Estrutura Educacional é desenhada à luz dos objetivos a serem alcançados. Antes dese elaborar qualquer currículo, conteúdo, estrutura de ensino, processo de avaliação, edemais procedimentos relacionados ao processo educacional, busca m-se traçar os objetivosque nortearão e governarão todos esses detalhes de modo a se esperar que tudo venha aconvergir para o alcance desses objetivos. Neste caso, a Didática, disciplina técnica e quetem como objetivo a técnica de ensino, utiliza dois tipos de objetivos: o objetivo geral e osobjetivos específicos. O objetivo geral abrange o aspecto geral para a formação da pessoa no processoeducacional, a saber: depois de concluído, determina a etapa do processo, e o que esperamosque o educando tenha conquistado, em termos de SER, TER, CONVIVER, SENTIR ESABER, dependerá do tipo de conteúdo ministrado na Escola Bíblica. Já os objetivos específicos contemplam as necessidades específicas dos educandos,tendo em vista o âmbito em que vivem e atuam, as suas características e necessidades ,considerando-se os detalhes de seu perfil específico. Esse tipo de objetivo educacionalcontextualiza a educação, uma vez que o âmbito de atuação do educando e seu perfil éconsiderado. Assim, o desenho da grade curricular e o desenvolvimento do conteúdo na
  36. 36. 38busca de estratégias didáticas devem estar em harmonia com o contexto em que ocorrerá oprocesso educativo. No caso da educação cristã, os objetivos gerais correspondem às aspirações que aBíblia expressa a respeito da pessoa que se converte ao Evangelho, isto é, qual o perfil queDeus espera de uma pessoa cristã? Além de outros aspectos gerais que incluem o preparo dapessoa para agir como cristã na sociedade ou comunidade em que vive. Os objetivosespecíficos detalham a contextualização do próprio processo educacional. Assim, estudandoa Bíblia, descobrimos que Deus deseja que todos os cristãos sejam mordomos de sua vid a.Esse é o objeto geral bíblico. Ao estuda r o perfil do educando, descobre-se comodesenvolver o conteúdo e buscar estratégias didáticas ligadas a esse perfil. Anteriormente, tratamos dos objetivos educacionais. Ao orientar a educação por meiode objetivos, estaremos não apenas contextualizando-a, mas germinando uma série demecanismos que viabilizarão a coesão e a não redundância de conteúdos e práticaseducacionais. Ao planejar a educação e construir toda a sua estrutura, conseguiremosdeterminar com mais precisão cada etapa do processo educacional, que agora está ligado aosobjetivos almejados e, na mesma direção, realizar a sua supervisão e avaliar os seusresultados. Essa deve visar à prática educativa do educador, do aluno e da Escola Bíblica emgeral. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1996, p. 61) , ―Os resultados daavaliação devem ser concebidos como indicadores para a prática educacional e nunca comoum meio de estigmatizar os alunos‖. Andrade (1979, p.91) afirma que ―a inexistência deobjetivos promoveria a instalação da instabilidade, do desnorteamento, da improvisão,enfim, da inexistência de administração educacional‖ . Desde o estudo das mais complexasvariáveis do planejamento educacional, até o trabalho do educador em sala de aula, tudodeve girar em torno dos objetivos educacionais estabelecidos. Assim , a seleção dosconteúdos, dos procedimentos e dos recursos didáticos será governada ou orientada pelosobjetivos.
  37. 37. 39 O estabelecimento de objetivos educacionais é um procedimento que antevê e projetaos resultados esperados na vida dos alunos que participarem do processo educativo. SegundoTurra (1995, p. 65), esses objetivos servem como grande benefício para a aprendizagem. Deixa claro o desempenho planejado para que o aluno conquiste; guiam a seleção e a organização curricular e dos conteúdos; orientam a seleção e a organização dos procedimentos necessários em todo o processo educacional; orienta na seleção e busca dos recursos necessários; capacitam o educador a planejar as etapas que serão necessárias em todo o processo pelo qual o aluno deverá passar para conquistar o desempenho almejado; permite maior precisão na avaliação sobre o que se espera dele; possibilitará que a grade curricular e os conteúdos sejam coerentes, simétricos, não-redundantes; e possibilita um enfoque comum aos educadores . Depois do estabelecimento dos objetivos educacionais almejados, é que se poderácuidar de todo o conjunto que envolve a educação, t ais como a estrutura dos cursos, gradecurricular, conteúdos, recursos e estratégias didáticas mais comuns, sistemas de avaliaçãodocente e discente, formação e capacitação do docente, ambiente físico e equipamentoadequado, etc. Os procedimentos educacionais também precisam ser previstos eestabelecidos. Turra define os procedimentos como ―meios para que o aluno atinja osobjetivos‖ (Ibid, p. 66). Os procedimentos deverão ser elaborados levando -se emconsideração princípios pedagógicos (como o aluno apre nde), da psicologia educacional, dapsicologia do desenvolvimento, da ciência da comunicação e de toda ciência ou ramo doconhecimento humano que viabilize a obtenção dos resultados compatíveis c om os objetivosesperados. Turra (Ibid, p. 63) acrescenta que a transformação dos objetivos em realidadesconcretas no trabalho educacional entre aluno e mestre deverá levar em consideração asseguintes variáveis: Maturidade: trata-se de detectar as capacidades e necessidades relacionadas com o que o aluno pode aprender; Aprendizagem atual dos alunos: onde se comprova o nível do aluno em relação aos objetivos que o educador pretende alcançar; Motivação: fenômeno da aprendizagem; Tempo disponível: tanto do aluno, com do sistema educacional, em relação à quantidade de objetivos; Recursos disponíveis: educadores capacitados, meios concretos a disposição do educador para a ministração de suas aulas; Espaço e ambiente físico. Uma vez estabelecidos os objetivos, criados a estrutura educacional necessária, ocurrículo, elaborados os conteúdos, enfim, iniciado o processo educacional na interação
  38. 38. 40aluno, mestre e conteúdo, gera-se a necessidade de se estabelecer um processo de avaliação,seja no discente, seja no docente. É certo que há toda uma fundamentação filosófico-pedagógica que norteia esseprocesso de avaliação. Lamentavelmente, no sistema educacional aplicado às igrejas, esseprocesso avaliativo das ações didático-pedagógicas do educador e do ensino-aprendizagemdos educandos praticamente não existe. O educador vai à sala de aula, ministra o conteúdo -quando utiliza um recurso didático, em geral, é o quadro branco - o aluno ouvepassivamente, alguém dá o sinal, e a aula termina. No próximo domingo, todo esse processose repete, no próximo mês, também, no próximo semestre, dá continuidade à mesma lógica,e assim por diante. Vale destacar que, sem um processo de avaliação, não será possívelaferir se os objetivos educacionais almejados estão sendo conquistados nem saber se osalunos estão sendo formados e conquistando também esses objetivos. Também não serápossível saber se o trabalho do educador está sendo adequado. Enfim, sem a avaliação, écomo navegar num navio sem uma carta de navegação e sem considerar o rumo que se estátomando. É ministrar aula por ministrar. É ter uma Escola Bíblica apenas para se dizer quetem. É ter um programa educacional doméstico só por ter. Iniciado o processo de avaliação, cria-se outro processo chamado de feedback, ourealimentação, que nos fornece dados importantes para a reformulação de objetivos e aprática de ensino. Essa reformulação de objetivos e de práticas de ensino contempla apolítica da qualidade que todas as igrejas devem estabelecer e passa por uma dinâmica quesempre premia a qualidade, afinal, a obra de Deus merece isso. Portanto, pode -se ver maisclaramente no desenho abaixo.
  39. 39. 41 OBJETIVOS O que se espera? REFORMULAÇÃO CRITÉRIOS Objetivos e prática Normas e princípios estruturais AVALIAÇÃO TRABALHO DOCENTE E O que foi feito e o DISCENTE que falta? Na educação não religiosa, em geral, existem três fontes dos objetivos educacionais:primeiro, o aluno, considerando-se suas necessidades e seus interesses ―...e como todo ensinodeve ser um processo intencional, sistemático e deliberado, é preciso conhecer ascaracterísticas de que aprende para conseguir o seu envolvimento‖ (1995:59); segundo, asociedade, pois ―as complexidades da via atual refletem o processo de mutação em que asociedade determina fins e objetivos que visem tipos de aptidões que a pessoa precisadesenvolver para melhor realizar-se‖ (Id, 1b.); e terceiro, os conteúdos, que informarão comoirá contribuir a consecução da educação. Consultando essas três fontes, obteremos os objetivoseducacionais provisórios, que depois serão filtrados por uma filosofia e psicologia daeducação, para que se estabeleçam os objetivos pre cisos do ensino, uma vez que essas duas
  40. 40. 42ciências detêm dados sobre a aprendizagem e estabelecem a cosmovisão necessária aoseducadores, norteando-os com pressupostos seguros e coerentes. Como em nosso modelo educacional partimos do conceito de que Deus é a fonte da verdade eque, através de sua Palavra, deseja restaurar e formar o ser humano, capacitando-o para toda boa obra (IITm. 3:16,17), a fonte primeira da educação cristã passa a ser ele mesmo e sua palavra. Sem dúvida, issopassa a ser considerado a partir de uma educação cristã preocupada com a formação humana, em suainteireza, a formação do indivíduo em sua totalidade, forjando a subjetividade humana, adotando comoparâmetro o Jesus histórico. Portanto, um bom planejamento de ensino é aquele que contém as seguintes características: serelaborado em função das necessidades e das realidades apresentadas pelos alunos; ser flexível, isto é,deve dar margem a possíveis alterações e reajustes sem quebrar sua unidade e continuidade. O planopode ser alterado quando se fizer necessário; ser claro e preciso, isto é, os enunciados devemapresentar indicações bem exatas e sugestões bem concretas para o trabalho a ser realizado; serelaborado em íntima correlação com os objetivos, tendo em vista as condições reais e imediatas delocal, tempo e recursos disponíveis. O educador da Escola Bíblica deve entender que o planejamento é importante porque evita arotina e a improvisação; contribui com a realização dos objetivos propostos; promove a eficiência doensino bíblico; garante maior segurança na direção do ensino na Escola Bíblica e economia de tempoe energia, promovendo mais prazer para quem apreende e para quem ensina, o que torna o magistérioeclesiástico mais qualitativo.3.3. A importância da capacitação do educador da Escola Bíblica O ministério de mestre, daquele que educa, daquele que ensina, irá determinar o rumo daqueleque aprende e, por isso, afirmamos que, na Escola Bíblica, o ensino é de grande relevância. O filósofoEspinosa afirmava que a melhor forma para se dominar o homem é mantê-lo na ignorância. Com isso,ele queria dizer: "É conveniente ao governo manter o seu povo sem instrução, porque um povo
  41. 41. 43ignorante é facilmente manipulado, dominado. "Se esse princípio é válido na política do terceiromundo, ele não pode ser adotada na Igreja de Cristo. A Igreja Cristã não pode aceitar essa filosofiaeducacional. Cabe a ela dar prioridade à educação religiosa. O ensino da Palavra de Deus tem que serrelevante no meio do Seu povo. O Século XX foi marcado pela tecnologia: muita produção, muita rapidez no serviço. Ohomem moderno perdeu a visão, o ideal, a paixão, a esperança. Ele vive para gerar recursos desobrevivência. Na educação secular, desapareceu o educador educacional, idealista, para dar lugar aoeducador profissional, ativista. Infelizmente, esse perfil profissional adentrou as igrejas, e o educadorda Escola Bíblica tornou-se um ativista em suas funções, uma pessoa sem tempo, sem ideal, semesperança. Como minimizar esse mal que atingiu as nossas igrejas? Como trazer de volta aquele educadorda Escola Bíblica preocupado com seu aluno global: físico e espírito, corpo e alma? Como trazer devolta o educador que visitava seu aluno doente, seu aluno faltoso, seu aluno aniversariante? Que tinhatempo suficiente para orar com ele e por ele? O texto áureo da educação cristã: "o que ensina esmere-se em fazê-lo", sugere duas verdades:primeiro, o educador dever ser vocacionado por Deus para o exercício do magistério; segundo, oensino na Escola Bíblica deve ser relevante, e um ensino relevante tem três características: procede deDeus; é feito com esmero, ou seja, gasta-se tempo no ministério, aplicando-se na formação do caráterdo educando; e, por ultimo, é aquele que gera vida. O educador da Escola Bíblica precisa estarcomprometido com a edificação de seu aluno: vida nova, de caráter espiritual, para aqueles que estãomortos em seus delitos e pecados. Conforme Efésios, ―Ele vos deu vida, estando vós mortos nosvossos pecados e delitos‖ (2:1). Vida plena e abundante para aqueles que já nasceram de novo. Deacordo com João 10:10, ―o ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenhamvida e a tenham em abundância‖. No entanto, o educador da Escola Bíblica deve estar preparado parao exercício de uma das mais nobres virtudes do ser humano em todo o tempo, que é o de ensinar. Emtodo o mundo, milhões e milhões de dólares são gastos todos os anos com o ensino e com a formaçãode novos educadores. Na Igreja de Cristo, não devia ser diferente, contudo não vemos a mesma ênfase
  42. 42. 44que o mundo dá aos seus mestres, dentro de nossas igrejas. Para desempenhar bem seu papel, oeducador da Escola Bíblica Dominical precisa estar preparado para ensinar, pronto para discipular epara exercer a liderança no grupo. O educador da Escola Bíblica deve exercer seu ministério comexcelência. A palavra excelência significa qualidade do que é excelente, muito bom. A palavra deDeus nos adverte quanto ao fato de exercermos o ministério relaxadamente, pois ―Maldito aquele quefizer a obra do Senhor relaxadamente‖ (Jr 48:10). Serviço relaxado é o que é feito de qualquermaneira. O mundo atual se prima pela eficácia, pela capacitação, pela excelência. A Igreja de Cristonão pode ficar para trás. O ensino, na Escola Bíblica, não pode ser arcaico, desatualizado. A vocaçãonão exclui a necessidade de se atualizar. Ensinar é uma das missões da igreja. Muitas igrejas se acham anêmicas espiritualmente porquenão têm dado ênfase ao estudo da Palavra de Deus. Por falta de Profeta, o povo se corrompe. O crenteque não conhece a Bíblia está propenso a deixar-se levar por qualquer vento de doutrina que passa. Oapóstolo Paulo tinha grande preocupação em relação à questão do ensino. Em Romanos, ele chamou aatenção sobre isso, escrevendo: ―Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação aoensino‖(12:7). O ministério da educação cristã está associado ao ensino da Palavra de Deus no seio da igreja.Então, ela precisa ter obreiros devidamente preparados e treinados para o exercício desse ministério.Muitas igrejas não têm dado o devido apoio àqueles que vêm se dedicando à Educação Cristã, o quese configura como uma falta muito grande, que é estar omissa em relação às necessidades espirituaisde seus membros. A Escola Bíblica tem como meta o ensino da Palavra de Deus. Todavia, ultimamente, temosconstatado muito descaso nessa área por parte de algumas denominações. Preocupados com oesvaziamento da Escola Bíblica, muitos grupos têm conclamado congressos e simpósios para tratar doassunto, com vistas a buscar meios que promovam uma sensível melhora nessa área. Sabemos que osproblemas na área da Escola Bíblica são muitos e envolvem muitas questões. A frequência à EscolaBíblica dominical tem caído muito nos últimos anos; a qualidade do ensino tem caído quase namesma proporção. Nesse sentido, é preciso motivar as pessoas para que realmente sintam

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