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Extracto miolo druidas
 

Extracto miolo druidas

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Uma obra que os dois mais conceituados especialistas franceses da matéria, Léon Denis e Henri d'Arbois de Jubainville, escrevem sobre os países celtas e a instituição druídica, estabelecendo as ...

Uma obra que os dois mais conceituados especialistas franceses da matéria, Léon Denis e Henri d'Arbois de Jubainville, escrevem sobre os países celtas e a instituição druídica, estabelecendo as principais categorias de sacerdotes. As Tríades cujos extractos são abordados na obra formam uma espécie de bíblia druídica, cuja origem se perde na noite dos tempos.

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    Extracto miolo druidas Extracto miolo druidas Document Transcript

    • TítuloOs Druidas e o Génio CeltaTítulo originalLe Génie Celtique et le Monde Invisible (Livro I) &Les Druides et les Dieux Celtiques à Forme dAnimaux (Livro II)AutoresLéon Denis & Henri DArbois de JubainvilleDirector EditorialEduardo AmaranteCoordenaçãoDulce Leal AbaladaTradutorAlberto Figueiredo (Livro I)Eduardo Amarante (Livro II)RevisãoIsabel NunesGrafismo, Paginação e Arte finalDivAlmeida Atelier Gráficowww.divalmeida.com/atelierIlustração e Técnica da capaGabriela Marques da CostaArte Digital / Assemblage DigitalO Druidismo Celta – 2010gabriela.marques.costa@gmail.comwww.gabrielamarquescosta.wordpress.comwww.facebook.com/home.php?#!/pages/Gabriela-Marques-da-Costa/134735599901538+351 915960299Impressão e AcabamentoEspaço Gráfico, Lda.www.espacografico.ptDistribuiçãoCESODILIVROSGrupo Coimbra Editora, SAcomercial@coimbraeditora.pt1ª edição – Janeiro 2011ISBN 978-989-8447-05-0Depósito Legal©Apeiron EdiçõesReservados todos os direitos de reprodução, total ou parcial, porqualquer meio, seja mecânico, electrónico ou fotográficosem a prévia autorização do editor.Projecto Apeiron, Lda.www.projectoapeiron.blogspot.comapeiron.edicoes@gmail.comPortimão - Algarve
    • Léon DenisHenri dArbois de Jubainville apeiron edições
    • Os Druidas e o Génio Celta A LINGUAGEM SIMBÓLICA DAS ILUSTRAÇÕES DE OS DRUIDAS E O GÉNIO CELTA Gabriela Marques da Costa (a pintora) Quando se pensa em realizar uma capa com a temática dos druidas e dos celtas, o que salta logo à imagina- ção é a cor verde, pois imagina-se as paisagens verdes com o orvalho da manhã, as clareiras dos bosques, os recantos onde as ervas medicinais eram apanhadas, o cheiro a terra hú- mida, o som do balançar dos ramos ao vento, entre outros sentidos des- pontados pela beleza verdejante. O Druida por si só representa toda a sabedoria ancestral que lhe era pas- Pintura de Gabriela Marques da Costa Capa e Contracapa sada por boca e que era secreta. Re- presenta o conselheiro espiritual, o fi- lósofo, o contador de histórias, o mé- dico, o adivinho e até mesmo o exem- plo a seguir por todo o povo celta que o respeitava. O punhal que este tem junto ao peito é uma boline, pois é o instru- mento de corte que acompanha sem- pre o Druida aquando da apanha das ervas mágicas. Contudo este punhal, para mim representa tanto a boline como o athame, pois o Druida tem-no encostado ao peito, símbolo do sen- timento puro. O athame não possui nenhum uso de corte; apenas é usado para direc- cionar energias num ritual. O olhar dodruida é um olhar de experiência e ao mesmo tempo de conver-sação bilateral com os elementais da natureza. Isso salienta-se nosopro da sílfide direccionado ao druida, simbolizando por parte doelemental a doação de intuição, discernimento e inteligência. As ondinas estão representadas na água, no alguidar mágico;as salamandras no fogo que crepita, no fogo que faz ferver os lí- Apeiron Edições | 7
    • Léon Denis, Henri dArbois de Jubainvillequidos mágicos, no fogo da chama espiritual. A dríade que é umafêmea humanóide de aparência lenhosa encontra-se camuflada, eem cima do cromeleque representa a força da vida vegetal doplaneta; as árvores são a sua morada, nomeadamente os carva-lhos. Estes encontram-se representados em toda a capa, sim-bolizando o conhecimento antigo, o respeito, e de certo modo es-tão directamente ligados aos druidas pelo paralelismo do conheci-mento antigo. O cromeleque em marca de água representa Stonehenge, quenaquele tempo era como o santuário mais mariano dos nossosdias. Este, na imagem, está como que a circunscrever o culto lu-nar representado, neste caso, pela Mãe Tríplice. A Mãe Tríplice é um dos elementos mais importantes para acultura Celta e para o Druidismo. Esta representa em específicoas fases da lua (que na cultura eram apenas três; a lua nova eraignorada). Assim, estas três fases da lua representavam, acima detudo, a Deusa Mãe dos Celtas, mediante as três fases da vida: Adonzela - o crescente lunar, virginal e delicado; A mãe - a LuaCheia, com seu ventre inchado de vida; e a anciã - a Lua emQuarto Minguante, sábia e poderosa, que desaparece na noite es-cura da morte. À frente do alguidar mágico tem o símbolo da triqueta, quepode parecer um pleonasmo já com a existência do símbolo daMãe Tríplice, mas não são propriamente iguais. A triqueta também representa os três aspectos da GrandeMãe, a energia criadora do universo, cujas três faces são a Vir-gem, a Mãe e a Anciã. Mas esta representa também as estaçõesdo ano, que antigamente eram divididas em três fases: Primavera,Verão e Inverno. Este símbolo da tríplice é utilizado desde umtempo anterior a 700 anos a.C. Representa também o solo daterra - o mundo; o Céu - o mundo dos Deuses; e o mar - o mun-do dos mortos. A anciã celta que aparece a mostrar o fogo nas suas mãosrepresenta o respeito do homem pela mulher naquela cultura. Naantiga sociedade celta, o feminino tinha uma posição central. Asmulheres eram vistas como o aspecto vivo da criação. Seus ciclos,para a cosmologia céltica, estavam ligados ao universo e às suasenergias, estando conectados de forma simbólica e prática, deacordo com o ciclo menstrual, ao processo da vida, morte e re-nascimento dos seres vivos. A hera que cai pelos ombros da anciã celta de cabelos ruivosrepresenta as plantas medicinais. O nome hera significa “grandesenhora”; a planta em si significa fertilidade. Finalizando, falta-me falar de um pequeno apontamento muito8 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio Celtaimportante para esta cultura que vivia e venerava a Mãe Natu-reza. O Green Man é um antigo símbolo celta que com o passardos tempos passou a um símbolo pré-cristão encontrado gravadona madeira e na pedra de templos e sepulturas pagãs, de igrejase de catedrais medievais, e usado como ícone arquitectural da EraVitoriana, numa área que se estende desde a Irlanda até ao Lesteda Rússia. Este representa o mestre da colheita e de toda aNatureza cultivada. Simboliza o dominador da vida e do cresci-mento das plantas, desempenhando vários papéis, principalmenteo de Filho e Amante da Deusa. Outros elementos suplementares de interpretação (Dulce Leal Abalada) Quando se fala de Druidas e Celtas salta naturalmente à nos-sa mente cenários de bosques sagrados, de florestas densas efrondosas, prenhes de húmida seiva vivificante, envoltas em té-nues mantos nebulosos de tons cristalinos e diáfanos outorgandoa este lugar uma magia muito especial: o mistério da vida pu-lulante onde, nas folhagens vibrantes e coloridas pintadas de ver-de esperança, se oculta o maravilhoso mundo dos seres da natu-reza. O patrono desta beleza natural é Cernunnos, representadona parte superior da ilustração da capa, o deus da flora que es-tabelece a harmonia deste mundo e o protege dos olhares curio-sos dos humanos. Este guardião, semi-deus da floresta, é repre-sentado por uma face em forma de folha seca, envelhecida pelostempos, com galhos em seu redor com os tons predominantes daflora envolvente que guarda. Esta moldura rendilhada de porme-nores celtas, em que vemos nós estilizados e entrelaçados em tri-quetas, símbolo da flor da vida, nas suas três fases, vida, morte erenascimento, transmite um ambiente profícuo celto-druídico. Se atentarmos melhor na imagem notaremos que a formacircular da floresta é indelevelmente sobreposta por um crome-leque, Stonehenge, transmitindo a ideia da sacralidade do lugaronde se realizavam os cultos e as cerimónias dos sacerdotes drui-das. Na ilustração vemos em grande plano um sacerdote druida noseu traje branco munido de um athame (forma de punhal) decabo branco (boline), símbolo do poder masculino (o falo) asso-ciado a outro poder feminino presente, o útero, representado pelo“caldeirão mágico”, onde consta a triqueta inscrita no círculo,símbolo do universo incriado, conferindo a esta imagem um signi-ficado mais amplo, pois com a presença da mulher trajada debranco portando o fogo em suas mãos e ao pescoço e cabeça co- Apeiron Edições | 9
    • Léon Denis, Henri dArbois de Jubainvillelares de vegetação, simboliza a vida manifestada no mundo tridi-mensional: a Grande Mãe, deusa lunar, personificação das trêsfases lunares (similar à representação das moiras do pensamentogrego que teciam o fio da vida: o nascimento, a vida e a morte).Nesta ilustração damo-nos conta da presença dos quatro ele-mentos da Terra: em baixo o elemento Fogo, a salamandra querege este elemento; em cima o elemento Ar (representado por umaface que exala o sopro, o vento; os silfos); do outro lado o serelemental da natureza, representando a Terra, os duendes e gno-mos e, por último, a água representada pela ondina dentro docaldeirão.10 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio Celta ÍNDICEIntróito- Benção e Preces celtas e druidas 15LIVRO IO GÉNIO CELTA E O MUNDO INVISÍVELLéon DenisIntrodução 21PRIMEIRA PARTE - Os países celtasCapítulo IA origem dos celtas. A guerra dos gauleses.A decadência e a queda. A longa noite; odespertar. O movimento pancelta 25Capítulo IIA Irlanda 38Capítulo IIIO País de Gales. A Escócia. A obra dosbardos 44Capítulo IVA Bretanha francesa. Lembranças druídicas 51Capítulo VA Auvergne. Vercingétorix, Gergovie e Alésia 59Capítulo VIA Lorraine e os Vosges. Joana dArc, almacelta 68SEGUNDA PARTE - O DruidismoCapítulo VIISíntese dos druidas. As Tríades; objeções ecomentários 77 Apeiron Edições | 11
    • Léon Denis, Henri dArbois de Jubainville Capítulo VIII Palingénese: preexistências e vidas suces- sivas. A lei das reencarnações 88 Capítulo IX Religião dos celtas, o culto, os sacrifícios, a ideia da morte 111 Capítulo X Considerações políticas e sociais. Papel da mulher. A influência celta. As artes. Liber- dade e livre-arbítrio 121 Conclusão 127 LIVRO II OS DRUIDAS E OS DEUSES CELTAS SOB FORMA DE ANIMAIS Henri dArbois de Jubainville Prefácio 131 Advertência 135 PRIMEIRA PARTE - OS DRUIDAS Capítulo I Os Druidas comparados aos Gutuatri e aos Uâtîs 137 Capítulo II Os Druidas foram na sua origem uma ins- tituição goidélica 143 Capítulo III Qual a diferença entre os Goidélicos e os Gauleses? 145 Capítulo IV A Conquista da Grã-Bretanha pelos Gaule- ses e a introdução do Druidismo na Gália 149 Capítulo V Provas linguísticas da conquista da Grã- -Bretanha pelos Gauleses 15212 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio CeltaPrimeira ParteOs nomes de povos encontrados no Con-tinente 152Capítulo VIProvas linguísticas da conquista da Grã--Bretanha pelos Gauleses 155Segunda ParteO p na Grã-Bretanha nos nomes de outrospovos além dos Parisii, de homens e delugares 155 1. Os Picti 155 2. Os Epidii 157 3. Os Eppillos 158 4. Os Petuarios 158 5. Os Pennocrucium 159 6. Os Maponi 159Capítulo VIIProvas linguísticas da conquista da Grã-Bretanha pelos Gauleses 160Terceira ParteNomes de cidades, de estações romanas e decursos de água que encontramos tanto naGrã-Bretanha quanto no continente gaulês 160Capítulo VIIIProvas linguísticas da conquista da Grã--Bretanha pelos Gauleses 164Quarta ParteO Rei belga e o gaulês Commios na Grã--Bretanha. Os Belgas são os Gauleses 164Capítulo IXOs Druidas na Gália independente durantea guerra empreendida por Júlio César 167Capítulo XOs Druidas na Gália sob o Império Romano 169 Apeiron Edições | 13
    • Léon Denis, Henri dArbois de Jubainville Capítulo XI Os Druidas na Grã-Bretanha fora do Império Romano e quando o Império Romano teve o 178 seu fim 178 Capítulo XII Os Druidas na Irlanda 184 Capítulo XIII Eram monges os Druidas da Irlanda? 193 Capítulo XIV O Ensinamento dos Druidas. A Imortalidade da Alma 197 Capítulo XV A Metempsicose na Irlanda 205 SEGUNDA PARTE - OS DEUSES CELTAS SOB FORMA DE ANIMAIS Capítulo I Noções gerais 209 Capítulo II Os Deuses que tomam a forma de animais na literatura épica da Irlanda 219 1. O Rapto das Vacas de Regamain 219 Nota 222 2. A Geração dos Dois Porqueiros 222 2.1 Os Dois Porqueiros 222 2.2 Os Dois Corvos 223 2.3 As Duas Focas ou Baleias 224 2.4 Os Dois Campeões 225 2.5 Os Dois Fantasmas 228 2.6 Os Dois Vermes 228 2.7 Os Dois Touros 230 3. Comentário 231 Apêndice Júlio César e a Geografia 23314 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio Celta Intróito Os Druidas formavam a classe de sacerdotes entre os celtas e ospré-celtas e eram tidos como intermediários entre os homens e osdeuses, exercendo as funções de sacerdotes, magos, juízes e ins-trutores. O nome, dru-(u)id, significa ―o muito Sábio‖, embora ohistoriador romano Plínio o Velho tenha relacionado a etimologia dapalavra com o grego draj, ―carvalho‖, certamente pela importânciaque esta árvore tinha nos cultos druídicos. Para além das questões religiosas, estes ―homens Sábios‖ desem-penhavam também o papel de conservar por tradição oral o patri-mónio histórico, cultural e religioso ancestral. A sua crença principalera a imortalidade do ser. Entre os conhecimentos transmitidos deforma oral e esotérica pelos druidas contam-se os relativos à magia,ao uso de ervas, águas medicinais e a determinação dos dias fastos enefastos. Segundo a maioria dos estudiosos, os druidas não tinham livrossagrados, transmitindo a sua doutrina e a sua sabedoria de formaoral, se bem que na segunda metade do século XX tivesse sidoencontrado um texto de doze linhas de uma oração a uma divindadedesconhecida, inscrita numa prancha de chumbo, perto de Cler-mont-Ferrand, em França. Anos depois, próximo de Aveyron, tam-bém em França, descobriu-se o chamado Chumbo de Larzac, de 57linhas, onde estava inscrita uma mensagem ao além túmulo quedevia ser transportada por uma druidesa defunta, fazendo-nosrecordar o Livro dos Mortos e os ritos fúnebres egípcios. Importa aqui referir o Calendário de Coligny, encontrado nosfinais do século XIX, gravado numa prancha de bronze com ummetro e meio de comprimento por 80 centímetros de largura, im-portante testemunho dos profundos conhecimentos astronómicosdos druidas da Gália. Uma das principais fontes históricas para o conhecimento dasactividades dos druidas é o tratado De Bello Gallico (Da Guerra dasGálias), de Júlio César, onde afirma que os druidas constituíam umaespécie de casta de iniciados que deviam receber uma formaçãoesotérica, muito rigorosa e prolongada, nas Ilhas Britânicas. O mes-mo César assinala, igualmente, que os druidas tinham a incum-bência de presidir às cerimónias religiosas, estendendo as suasfunções ao domínio politico e judicial. Segundo César, o druida era um homem considerado Sábio,conhecedor dos segredos da astronomia, da geografia e da natureza,ostentando um enorme prestígio dentro da sua comunidade. Apeiron edições | 15
    • Léon Denis, Henri d’Arbois de Jubainville A autoridade do druida sobrepunha-se muitas vezes à autoridadereal, uma vez que a palavra definitiva era sempre a sua e, naseleições, era o druida quem regulamentava e orientava tão impor-tante escrutínio. Para além de desempenhar a função de juiz le-gislador e penal, o druida podia exercer em muitas ocasiões o papelde árbitro de qualquer questão política ou conflito interno queacontecesse dentro da comunidade, e até mesmo de mediador entrevárias comunidades. Há testemunhos, ainda que escassos, sobre a existência dedruidesas. O historiador romano Pompónio Mela localizou em Sena,junto ao mar da Mancha, uma comunidade formada por nove sa-cerdotisas femininas, virgens semelhantes às pitonisas gregas, voca-cionadas em profetizar não só o futuro e realizar curas mágicas,como também em provocar tempestades. Os ritos realizados pelasfreiras do convento irlandês de Kildare, que mantinham um fogoperpétuo em honra de Santa Brígica, cristianização de uma antigadivindade pré-celta, são, provavelmente, reminiscências destes cultosdruídicos femininos.Bênção e Preces Celtas e Druidas A GRANDE PRECE DRUÍDICA Dá-nos, ó Deus, o Teu apoio. E com Teu apoio, a Força. E com a Força, a Compreensão. E com a Compreensão, a Ciência. E com a Ciência do que é Justo, o Poder de Amar. E com o Poder de Amar, o Amor de todas as coisas viventes. E no Amor de todas as coisas viventes, o AMOR DE DEUS. DE DEUS E DE TODA BONDADE. AWEN A PRECE CELTA Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.16 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio CeltaQue as perdas do teu caminho sejam sempreencaradas como lições de vida.Que a música seja a tua companhia nos mo-mentos secretos de ti mesmo.Que os teus momentos de amor contenham amagia da tua alma eterna em cada beijo.Que os teus olhos sejam dois sóis olhando aluz da vida em cada amanhecer.Que cada dia seja um novo recomeço, onde atua alma dance na luz.Que em cada passo que dês fiquem marcasluminosas da tua passagem em cada coração.Que em cada amigo o teu coração leve ale-gria, que celebre o canto da amizade profun-da que liga as almas.Que nos teus momentos de solidão e cansaço,esteja sempre presente no teu coração a lem-brança de que tudo passa e se transforma,quando a alma é grande e generosa... BENÇÃO DRUIDAQue o caminho seja brando a teus pésQue o vento sopre leve nos teus ombros.Que o sol brilhe cálido sobre o teu rosto.Que as chuvas caiam serenas nos teuscampos,E até que eu te veja de novo,Que os Senhores te guardem nas palmasdas Suas mãos. Apeiron edições | 17
    • LIVRO IO GÉNIO CELTA E O MUNDO INVISÍVEL Léon Denis
    • Os Druidas e o Génio Celta Introdução No meio da crise em que vivemos, o pensamento inquieta-se einterroga-se; ele pesquisa as causas profundas do mal que atinge anossa vida social, política, económica e moral. As correntes de ideias, de sentimentos e de interesses chocam--se brutalmente, e dos seus choques resulta um estado de pertur-bação, de confusão e de desordem que paralisa toda a iniciativa ese traduz pela incapacidade de se encontrar o remédio. Parece que a França perdeu a consciência de si própria, da suaorigem, do seu génio e do seu papel no mundo. Enquanto as outrasraças, mais realistas, procuram um objectivo mais preciso e deter-minado por ser mais material, a França sempre hesitou, ao longoda sua história, entre duas concepções opostas. E assim se explicao carácter intermitente da sua acção. Ora diz-se celta, e então apela para esse espírito de liberdade,de rectidão e de justiça que caracteriza a alma da Gália. É àintervenção desta, ao despertar do seu génio, que é preciso atribuira instituição das comunas da Idade Média e a obra da Revolução;ora se crê latina, e então reaparecem todas as formas de opressãomonárquica ou teocrática, a centralização burocrática e administra-tiva, mimitizada dos romanos, com as habilidades, os subterfúgiosda sua política e dos seus vícios, a corrupção dos povos envelhe-cidos. Acrescentai, para além destas concepções, a indiferença dasmassas, a ignorância das tradições, a perda de todo o ideal. É àsalternâncias dessas duas correntes que é preciso atribuir a osci-lação do pensamento francês, os desníveis, as bruscas reviravoltasda sua acção através da história. Para reencontrar a unidade moral, a sua própria consciência, osentido profundo do seu papel e do seu destino, isto é, tudo o quetorna as nações fortes, bastaria à França eliminar as teorias erra-das, os sofismas pelos quais tem falseado o seu julgamento, obscu-recido o seu caminho, e voltar à sua própria natureza, às suas ori-gens étnicas, ao seu génio primitivo, numa palavra, à tradiçãocelta, enriquecida pelo trabalho e o progresso dos séculos. A França é celta, não há qualquer dúvida sobre este ponto. Osnossos mais eminentes historiadores atestam tal facto, e com elesinúmeros escritores e pensadores, entre os quais os dois Thierry,Henri Martin, J. Michelet, Edgar Quinet, Jean Reynaud, Renan, Apeiron edições | 21
    • Léon Denis, Henri d’Arbois de JubainvilleEmile Faguet e muitos outros. Se somos latinos, dizem eles, pelaeducação e pela cultura, somos celtas pelo sangue, pela raça. D’Arbois de Jubainville sempre nos repetiu, tanto nos seus cur-sos no Colégio de França, como nos seus livros: “Há 90% de sangue gaulês nas veias dos franceses.” Com efeito, se estudarmos a história, veremos que, após a que-da do império, os romanos, em massa, ultrapassaram os Alpes eestabeleceram-se muito pouco na Gália. As invasões germânicaspassaram como trombas d’água sobre o nosso país; somente osfrancos, os visigodos e os burgúndios se fixaram aqui por muitotempo para se fundirem com os elementos autóctones. Além domais, os francos não eram senão trinta e oito mil, enquanto a Gáliacontava cerca de cinquenta milhões de habitantes. Pode-se questionar como é que uma vasta terra pôde ser con-quistada com tão fracos meios. Essa questão é-nos explicada porEd. Haraucourt, da Academia Francesa, num artigo substancial,publicado na revista La Lumière, de 15 de Janeiro de 1926, de quetrataremos mais adiante. Todos aqueles que guardaram no coração a lembrança das nos-sas origens desejam evocar as glórias e os reveses desta raçainquieta, aventureira, que é a nossa, em vez de recordarem asdesgraças e as experiências que lhe atraíram tantas simpatias. Atodas essas páginas célebres, escritas sobre esse assunto, eu nãoteria sonhado em acrescentar seja o que for, se não tivesse tido umelemento novo a oferecer ao leitor para elucidar o problema dasnossas origens: a ajuda do mundo invisível. Allan Kardec viveu na Gália, no tempo da independência, e foidruida. O dólmen que, por sua vontade, se eleva sobre o seu tú-mulo no Cemitério Père-Lachaise, tem ali um sentido preciso. Adoutrina de Allan Kardec coincide, nas suas grandes linhas, com oDruidismo e constitui um retorno às nossas verdadeiras tradiçõesétnicas, amplificadas pelo progresso do pensamento e da ciência econfirmadas pelas vozes do Espaço. Essa revelação marca uma dasfases mais altas da evolução humana, uma era fecunda de pene-tração do invisível no visível, a participação de dois mundos numaobra grandiosa de educação moral e de refundação social. Sob esse ponto de vista, as suas consequências são incalculá-veis. Ela oferece ao conhecimento um campo de estudos sem limitessobre a vida universal. Pelo encadeamento das nossas existênciassucessivas e a solidariedade que as une, ela torna mais clara erigorosa a noção dos deveres e das responsabilidades. Mostra que a22 | Apeiron Edições
    • Os Druidas e o Génio Celtajustiça não é uma palavra vã e que a ordem e a harmonia reinamno Cosmos. A que devo atribuir este grande favor de ter sido ajudado, ins-pirado, dirigido pelos espíritos dos grandes celtas do espaço? Na vida actual, com 18 anos, li O Livro dos Espíritos, de AllanKardec, e tive a intuição irresistível da verdade. Parecia ouvir vozeslongínquas ou anteriores que me diziam mil coisas esquecidas.Todo um passado ressuscitava com uma intensidade quase dolo-rosa. E tudo o que vi, observei, aprendi, desde então, só veio confir-mar essa primeira impressão. Este livro pode, então, ser considerado, em grande parte, comouma emanação desse Além, para onde irei retornar em breve. Atodos aqueles que o lerem, possa este livro levar uma radiação donosso pensamento e da nossa fé comum, um raio do Alto que for-tifica as consciências, consola as aflições e eleva as almas para estafonte eterna de toda verdade, de toda sabedoria e de todo amor, queé Deus. Apeiron edições | 23
    • Os Druidas e o Génio Celta PRIMEIRA PARTE – OS PAÍSES CELTAS A origem dos celtas. A guerra dos gauleses. A decadência e a queda. A longa noite; o despertar. O movimento pancelta Nos primeiros vislumbres da História, encontramos os celtasestabelecidos em boa parte da Europa. De onde vieram? Qual o seulugar de origem? Certos historiadores colocam o berço da sua raçanas montanhas de Taurus, no centro da Ásia Menor, nas vizi-nhanças dos caldeus. Quando a população aumentou, teriamtransposto o Ponto Euxino (Mar Negro) e penetrado até ao coraçãoda Europa. Mas, nos nossos dias, essa teoria parece ter caído emdesuso, acontecendo o mesmo com a hipótese dos arianos. Camille Jullian, do Colégio de França, na sua obra mais recente,Histoire de la Gaule, contenta-se em fixar entre 600 e 800 a.C. achegada à Gália dos kymris, ramo mais moderno dos celtas. Teriamvindo, crê-se, da foz do rio Elba e das costas da Jutlândia, nasequência de um forte maremoto, que os obrigou a emigrar emdirecção ao sul. Chegados à Gália, encontraram um ramo mais antigo dos celtas,os gaélicos, que aí se encontravam desde há muito tempo e queeram de estatura menor, geralmente morenos, enquanto que oskymris eram altos e louros. Essas diferenças são ainda sensíveis naArmórica, onde as costas do oceano, no Morbihan, são povoadas dehomens pequenos e morenos, misturados com elementos estran-geiros, atlantes ou bascos, que se fundiram com as populações pri-mitivas, enquanto nas Costas do Norte (Côtes-du-Nord) ou na Man-cha os habitantes eram de estatura mais alta, a que se vieramjuntar os celta-bretões expulsos da grande ilha pelas invasões dosanglo-saxões. As considerações de C. Jullian acham-se confirmadas peloparentesco das línguas celtas e germânicas, semelhantes na suaestrutura, nos sons guturais, no abuso de letras duras como o K, oW, etc. Apeiron edições | 25