A VIDA NA IDADE MÉDIA
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    A VIDA NA IDADE MÉDIA A VIDA NA IDADE MÉDIA Document Transcript

    • A Vida na Idade Média - Geneviève D’Haurcourt - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA UNEB – Campus XVIIIDisciplina: Europa Medieval: Imaginário, Cultura e Sociedade.Docente: Maria Sandra GamaAcadêmicos: André Lima Dandara Silva Danilo Serafim José Odair Marcio Ramalho Marisa Martins Neide Gonçalves Priscilla Saturnino Zeny Sena A Vida na Idade Média - Geneviève D’Haurcourt -
    • Introdução Genevieve Marie Gabrielle DHaucourt nasceu 03 de dezembro de 1904 na França.Estudou em um momento em que era rara a presença de mulheres no meio acadêmico.Formou-se em Licenciatura em Direito e foi à primeira mulher advogada em Rennes, umacomunidade francesa na região administrativa da Bretanha. Morou nos Estados Unidos por 30 anos onde trabalhou no FMI e foi professorauniversitária em Chicago. Publicou em 1951 seu livro “A Vida na Idade Média” e teve outrasobras. Em 1970 voltou para a França e lá veio a falecer em 24 de setembro de 2000 aos 96anos. No contexto histórico, o milênio que começa por volta do ano 500 e se estende atécerca de 1500 assistiu ao nascimento da Europa, com eventos que vão desde as invasõesbárbaras até a queda do império Bizantino. Terminado este período, a maior parte das naçõesmodernas havia adquirido forma, nome e língua e estava cimentada por todo um passadohistórico particular. Esse período, que nos deixou tantos monumentos, tantos documentosestudados por excelentes historiadores, é ainda muito mal conhecido pelo grande público, oque traz à tona expressões tais como “Idade das Trevas” que na verdade não passam de meratolice. No livro “A Vida na Idade Média”, Geneviève D Haucourt fala sobre o cotidiano europeuno período que abrange a Idade Média, onde focaliza os pequenos detalhes do dia a diaem cada esfera social. Na introdução do livro, a autora descreve aspectos importantes dacivilização e do Império Romano, segundo ela “uma magnífica criação política de Roma”; eressalta que a vocação romana era de ordem, de técnica, de organização, de direito e que osromanos adaptavam sua arte e cultura à arte e cultura a dos gregos. Esta civilização alicerçadasobre uma camada escrava que se alimentava por guerras e pelo comércio era urbana esituava-se em belas cidades ornadas com lindas estátuas, fontes, termas; apreciada pelaaristocracia rica que era a classe social dominante uma vez que ocupavam os altos cargose títulos importantes. Estas cidades eram interligadas por meio de estradas, o que favoreciao comércio entre elas e atraía comerciantes de diversas partes que vinham comprar e trazerprodutos e matéria-prima. No entanto, os saques eram inevitáveis. Com isso, as cidades construíram muralhasao seu redor, o que não impedia, mas dificultava o acesso de invasores. Como muitos daaristocracia retornaram ao campo, posteriormente muitas invenções na área agrícola facilitaramem muito a vida agrícola na Idade Média. A inserção da força dos animais, a manufatura doferro, as novas técnicas para o arado da terra, enfim, trouxe significativo progresso em umasociedade basicamente feudal que buscava sentido à vida na Igreja por meio dos costumes etradições religiosas. Capítulo I - A VIDA MATERIAL No primeiro capítulo a autora nos trás alguns aspectos do cotidiano na idade média.Toda a população desta época era rural. Independia que fosse nobre ou não. Ela conta quediferentemente de hoje, as condições naturais se sobrepunham a todas as outras e o cidadãotinha que se adaptar ao ritmo da natureza. Trabalhava-se mais durante o verão e repousava-semais no inverno. Não sendo a luz artificial de boa qualidade, a luz do sol indicava a extensãoda jornada de trabalho no campo e eram poucas as profissões que se permitia o trabalho
    • noturno. Durante o inverno usavam madeiras que havia em abundância nas florestas próximasas suas moradias, para se aquecerem e davam preferência ao carvão pra cozerem seusalimentos. Também usavam cobertores e se vestiam de roupas forradas para se protegeremdo frio. O verão era estação mais crucial para se vencer principalmente por conta das roupaspesadas que usavam. A falta de segurança nas estradas, considerada um problema político foi superada apartir do momento que se impôs um poder forte que criou uma milícia e tornou senhoresencarregados por territórios responsáveis por indenizarem as vítimas de ataques dossalteadores. Adiante a autora analisa o problema das distancias considerando os caminhos e osmeios de transportes. Segundo ela, não faltavam pistas ou atalhos e que alguns destesremontavam a época da pré-história e aos primeiros povoados, mas que a negligência comfalta de manutenção tornava-nas precárias durante as estações de chuvas que viajantes emcharretes preferiam usar os acostamentos. Os rios eram bastante aproveitados, sobretudo parao transporte de materiais pesados como pedra, madeira, areia grãos, vinhos etc. Através dele otransporte se fazia de um modo mais rápido. Aliás, a água, mar ou rio, representou umimportante meio de comunicação. As cidades só podiam se formar e expandir-se se houvesse meios de satisfazer suasnecessidades de sobrevivência. As pequenas eram muradas e em seus interiores eramcultivado hortaliças e celeiros onde armazenavam as colheitas do ano. As maiores erampovoadas não apenas por agricultores, mas por artesãos, comerciantes e administradores efuncionavam como abastecedoras para os vilarejos vizinhos. A manutenção deste comércio erafeita a pé, a cavalo ou em charretes que percorriam distâncias de até 8 km até o destino finaldas mercadorias. As cidades eram ricas o bastante para assegurar a manutenção dessasestradas e das milícias protetoras. Para as aglomerações crescerem ainda mais era necessário que dependesse de umacidade inda maior, que tivesse solo fértil, boas relações com a cidade, transporte e terabundância de rios. Graças a estas qualidades Paris desta época conseguiu manter mais de100.000 habitantes. Nesta época a força mecânica não era aproveitada nos meios detransporte. No mar utilizava-se dos ventos nos rios a força humana ou animais. As guerras feudais até os tempos de São Luiz eram quase sempre lutas de um domíniocontra o outro. O serviço militar era obrigação dos súditos para com o seu suserano, mas eraestabelecido um período máximo de quarenta dias para este trabalho e podiam se recusar asair dos limites do feudo. As cidades maiores de 20.000 habitantes apresentavam uma auto-suficiênciaeconômica enquanto que as menores praticavam o somente o consumo local. A dificuldadecom o transporte e a distribuição econômica explica o porquê à economia era voltada parasatisfazer as necessidades locais e não para a venda ou lucro. Cada um vivia de acordo sua possibilidade. Mas por vezes sofriam dificuldadesconseqüentes dos obstáculos em estocarem seus alimentos. Nestas ocasiões eram socorridaspelas abadias que eram empresas agrícolas ricas e que tinha por obrigação a prática dacaridade cristã. Foi a partir destas práticas pouco comerciais e não capitalista que consideravao lucro como pecado e da dificuldade de alimentar os grupos não produtores de alimentos quesurgiu a prática da policultura (pág.20) Capitulo II - O Ritmo do Tempo O dia da Idade Média começava para os clérigos à meia-noite, para os homensdo campo, de madrugada. O dia era regulado pelo sol, nas cidades e burgos com igrejascolegiadas ou mosteiros pelo soar dos sinos, que eram basicamente o “despertador” dasociedade medieval.
    • As horas canônicas eram de um modo geral a grande divisão do tempo, que podia serflexível conforme a estação do ano importava mais separar o dia de 24 horas em dia e noiteque dividi-lo em seções; os relógios, apesar de raros, não eram absolutamente desconhecidos,quando se precisava medir o tempo, recorria-se a diversos meios: ampulhetas, velas quedividiam a noite e serviam como duração para algumas preces. Ao acordar, faziam-se três sinais da cruz, em homenagem a Trindade, e uma prece.Depois as pessoas se vestiam na seguinte ordem: vestia a camisa, calçava as ceroulas, vestiauma espécie de colete, o capuz ridículo, calçava as meias, os sapatos, depois as roupas decima apertavam a correia (cinto). As pessoas só se lavavam depois de vestidas e então selimitavam a limpar as partes do corpo que ainda permaneciam visíveis, ou seja, o rosto e asmãos, muitas pessoas dividiam o mesmo quarto e não havia gabinetes privativos ou toaletes.Uma toalete completa se fazia com o tronco nu diante de um balde de água. Muitos nas cortes senhoriais, nas cidades e vilarejos, começavam o seu dia compreces na igreja e assistindo à missa, uma silenciosa, para os mortos, outra, cantada, para odia, tanto para um cristão comum quanto para um nobre religioso contava no seu programadiário, missas, rezas, jejuns que não poderiam ser quebrados e quem o assim fizesse eraconsiderado um dissoluto. Tais costumes entravam tão eficazmente nos hábitos diários que jánem constituía um indício de devoção, algumas praticas devocionais aliava-se a uma vida bemmediocremente fervorosa. Ao voltar da igreja, por volta das seis horas, tomava-se o desjejum,comia-se novamente às nove horas para começar então a jornada de trabalho, indefinidamentevariável segundo as condições, a fortuna, o sexo, o meio rural ou urbano. Na corte, dava-se audiência aos numerosos solicitantes que vinham lhe expor algumcaso, na cidade, o artesão comerciante abria sua loja, trabalhava com seus ajudantes ouaprendizes, enquanto a mulher limpava a casa ou ia às compras ou ainda ajudava seu marido;e as crianças com o alfabeto pendurado no cinto, partiam para a escola. Nas praças ficavamos trabalhadores não especializados à procura de trabalho, o médico sai para as consultas,o magistrado vai à audiência, os professores começam suas leituras. As ruas estreitasficam cheias de gente, os mercados abastecidos; os pequenos artesãos, que não tem lojas,passam nas ruas com suas mercadorias nas costas, gritando para chamar a clientela, osgritos publicitários se entrecruzam. Nas cidades menores é uma animação: as mulheres vãobuscar água na fonte, as moças vão ao lavadouro, ao mercado, pára-se para conversar com acomadre devota que centraliza e distribui todos os mexericos. Por volta do meio-dia já era a hora do jantar. Em todo lugar, ao cair à noite, o trabalhocessava, salvo raras exceções, as corporações, temiam os ricos de incêndio, a iluminação erafortemente precária. Nos campos ou na cidade, as pessoas se contentavam com as chamasirregulares da lareira. Os perigos de incêndio era um dos mais graves que podia ameaçaras cidades que eram extremamente apertadas e construídas, em sua maioria, em madeira etaipa. As pessoas na Idade Média dormiam nuas e muitas vezes aglomeradas; e por questãode pudor só acabavam de se despir depois de deitadas. Durante a noite e a madrugada, osmonges levantavam uma ou duas vezes para cantar matinas e os vigias nas torres, muros eruas das cidades velavam pela segurança. O calendário medieval é o das festas da Igreja, o ano litúrgico começa no Natal, cujociclo cerimonial começa com o Advento. Quanto ao ano civil, cada um tem seus costumes eo calendário pode variar de acordo a região. O Natal é a mais alegre das festas, no inicio doséculo XIII, São Francisco de Assis popularizou o presépio. Primeiro de janeiro, Festa da Circuncisão e do nome de Jesus, é também, desde aAntiguidade, o dia dos presentes e das praticas supersticiosas. A Epifania, (décimo terceirodia) é o dia de Reis, a corte do rei celebra com brilho essa festa que serve de importanteponto de referencia no calendário administrativo, é também uma das datas em que sequitam os impostos. Até a quaresma, o mundo cristão permanecia festivo, compensando-seantecipadamente das penitências que viriam.
    • Em fevereiro inicia-se o inverno. Numa data que dependia da contagem do ano litúrgico,chegava a Quaresma “muito detestada pelos pobres”, onde exceto aos domingos, deviamabster-se de carne e jejuar. Quarenta dias se seguiam nesta observação até chegar a SemanaSanta aberta pelo Domingo de Ramos, na Quinta-Feira Santa, os bispos, reis, senhores eoutros bons cristãos faziam questão de receber os pobres e lavava-lhes os pés e os convidavapara sua mesa. Finalmente explodia a alegria pascal: Páscoa da comunhão, também chamadaPáscoa da carne. Os cristãos absolvidos de seus pecados iam à igreja paroquial receber acomunhão, quebrava-se o jejum de quarenta dias com refeições abundantes. Nessa ocasião recomeçava o trabalho dos campos, pois chegara à primavera. No iníciode maio desenrolam-se as pompas litúrgicas: rogações, procissões que passam pelos camposbenzendo as futuras colheitas. Corpus Christi é inaugurado no século XIII. O mês de junhotermina com as festas dos santos particularmente amados e celebrados: dia 24, São JoãoBatista e dia 29, São Pedro e São Paulo. As festas deram origem ao teatro. No século XI, a celebração do ofício de Páscoa, deNatal, deu lugar aos primeiros dramas litúrgicos piedosamente representados pelos clérigos emlatim, depois a imaginação e às vezes o recurso aos apócrifos introduziram novas personagense cenas de comédia. No século XII começa-se a usar a língua vulgar, e o teatro sai da igrejae é representado no adro, no século XIII desenvolve-se um teatro puramente profano comrepresentações misturadas a canções e no século XV são vistas moralidades alegóricase pantomimas. Mas é o teatro religioso o principal, no século XIV espalhou-se por toda acristandade e foram criadas companhias beneficentes pra representar todo o ano o mesmomistério, o repertório compreende historias de santos, mas principalmente mistérios extraídosda história do homem desde sua queda até a Redenção e a Ressurreição, uma obra dirigidacom luxo e, sobretudo coletiva, da qual toda a cidade participa e atrai espectadores vindosde longe. Jamais, desde a Idade Média, o teatro readquiriu o caráter que tivera no tempodos gregos, de arte para todos, do mais humilde ao senhor, do mais simples ao sábio, podiacomungar uma mesma grandiosa celebração. A Renascença separaria a elite do povo. O comércio itinerante prospera com a primavera, pequenas lojas e bancas sãomontadas nos locais onde peregrinos se reúnem, onde ocorrem as festas que é muitas vezessuperada pela feira, que tem origens no século XIII, onde ocorre a maior manifestação docomércio internacional. Os pregadores ambulantes precedidos de boa reputação viajamseguidos por uma multidão devota. Os administradores também aproveitam do bom tempopara fazer suas visitas de inspeção das quais virão prestar contas aos parlamentos do Dia deTodos os Santos. A autoridade, munida de sua ordem de missão, se necessário, chega a umalocalidade, às vezes de improviso. Dirigem-se às personagens importantes da região, prefeitoou síndico, conselheiros, jurados ou cônsules em exercício e honorários. No campo, o verão é a estação de grande atividade, da tosa dos animais a colheita dosfrutos a fim de guardá-los para o inverno. Os pobres não são excluídos da abundância da terra,eles apanham os restos nos campos após a colheita. Cada qual garante para si as provisõespara o inverno e o dia de São Miguel é uma grande data para saldar as dívidas. O Dia de Finados e o de Todos os Santos são os últimos grandes pontos de referênciado ano. As escolas reabrem, no campo lavra-se e semeia-se, recolhe-se madeira, abatem-seos porcos, engordam-se os gansos. E eis que novamente o mundo espera pelo Natal. Capítulo III – O Ritmo da Vida A autora pontua que na idade média o nascimento de crianças era motivo de alegria, oque segundo dizia Santo Aquino: “Nenhum lar em que falte o popular de crianças é perfeito”.Ora, não era de se estranhar que as famílias tivessem muitos filhos, afinal era ela quemfornecia homens para as cruzadas, mosteiros e inúmeras guerras do período. Ao nascer,
    • a criança tinha sua cabeça envolta com touca e era massageada para adquirir uma formaelegante; O batizado era pensado três dias após o nascimento para que, em caso de morte,herdasse o céu. Os padrinhos além de escolherem o nome da criança, que poderia ser deSanto ou não, serviam de testemunhas posto que não houvesse nenhum tipo de registro denascimento ou de batismo na época. O resguardo da mãe durava aproximadamente três semanas e neste período, se fosserica, dispunha todo o seu tesouro à vista dos seus visitantes como forma de homenagem aestes que por sua vez levavam presentes ao bebê. Após este período, fazia uma visita à igrejaonde recebia a prece da purificação. “A infância não é apenas a idade da brincadeira, é a época da formação”. (p.83). Naidade média à exceção da formação religiosa, tida como fundamental, desde muito cedo oofício dos pais, seja artesão, doméstico ou camponês, era ensinado às crianças com o objetivode prepará-lo para viver de acordo sua classe social. A cultura pessoal se fazia através daexperiência. Mas a formação exigia uma educação mais aprimorada. O primogênito do camponês, do artesão, do magistrado, do grande proprietário,auxiliava o pai para depois sucedê-lo. O camponês caçula só podia permanecer junto ao paiou irmão mais velho, se produzissem o suficiente para alimentá-lo, do contrário ele deveriaestabelecer-se na cidade como criado, aprendiz ou chefe de guerra na tropa de algum senhor.Alguns se tornavam vendedores ambulantes, fato que os transformou em agentes de umrenascimento das trocas e de uma vida econômica ativa. Quanto às mulheres, as destinadas ao casamento deveriam ter um dote enquantooutras permaneciam na casa da família como auxiliares dedicadas e não recebiam salário.Aquelas destinadas à sociedade eram instruídas num convento, aprendiam a ler escrever,bordar, cantar, tocar um instrumento. As destinadas à vida religiosa cresciam em mosteirosonde também aprendiam a ler, escrever, contar e bordar. Aprendiam, inclusive, latim, gregoe hebraico. Os meninos eram preparados para a vida militar desde pequenos, e seusaprendizados iam sendo aprimorados. Além da educação doméstica, havia a possibilidade da formação escolar. As escolasmonásticas que se proliferaram limitavam-se ao ensino catequista, de canto, a leitura, a escritae um pouco de aritmética nas latinas, onde o latim era a única língua usada e o principal objetode estudo. O latim, língua viva, era considerado o instrumento universal da cultura religiosa,literária, filosófica, jurídica e científica. Era compreendida e falada em toda Europa. Os alunospagavam uma contribuição que era utilizada para remuneração dos mestres, já os “indigentes”eram dispensados. A autoridade religiosa era a responsável por promover a instrução edisciplina. De modo que, segundo a autora, “Desde o início do século XII os vilarejos inglesestinham, diz-se, tantos professores quantos cobradores e funcionários reais.” (p. 92) Nas universidades, de Teologia, Direito Canônico, Medicina, Astronomia, DireitoRomano, Matemática entre outras, os professores utilizavam a metodologia do comentário,analisando frase por frase a obra, cujo estudo servia de base ao ensino. Já as discussões,que como conta a autora, “(...) eram para os imbecis a oportunidade de estabelecer catálogosde opiniões diversas, ficando estes felizes por acompanharem cada enunciado de copiosascitações (...)” (p.93), consistiam em confrontar as teses contrárias sobre o mesmo tema. Para ocomentário os professores utilizavam os textos clássicos de escritores renomados. Os exames consistiam em analogia às defesas de tese do século passado, através dediscussões com os examinadores. A finalização se dava com a colação de graus: bacharelado,licenciatura, mestrado e doutorado. Assim, durante uma cerimônia religiosa, o novo doutorrecebia com o barrete quadrado, um anel, símbolo de sua união com a ciência. Através do casamento eram feitam alianças que garantiam a guerra ou a paz entre duas famílias de grandes proprietários ou de nobres. Logo ao nascer, a criança era prometida em casamento. Este, segundo a autora, para os nascidos da falta de ocupação representava uma formalidade social, para igreja um sacramento conferido aos cônjuges, já para a família
    • representava, sobretudo, algo de relevância econômica e até patrimonial, sendo muitas vezespolítica. Contudo, nem sempre esta união resultava em um novo lar. Por questões financeiras,o novo casal permanecia junto à família dos pais do noivo, caso a noiva tivesse irmãos, elaentão levaria um dote ou o adiantamento da herança; ou na casa dos pais da noiva, se estanão possuísse irmãos, para que assim ajudassem nos negócios da família que constituía aprincipal célula social, sendo responsável pelo pagamento dos impostos e serviço militar. Estemodelo de família em comunidade permaneceu até a Revolução Francesa. Quando a união se dava entre vassalos de senhores diferentes dizia-se do cônjuge queeste estava a empobrecer o seu senhor e a enriquecer outro. Isso se resolvia mediante umpagamento. Em oposição a estas conveniências sociais a igreja proclama que o homem e a mulherse unam por um sacramento indissolúvel e para tanto bastava apenas o consentimentomútuo, independente de suas famílias. Em caso de intolerâncias faziam-se justificativas deimpedimento legal para se obter uma anulação dessa união, o que não significava suaruptura, mas sim a constatação de que nunca existiu. Houve resistência a esta imposição,entretanto a igreja permaneceu convicta de seus princípios e jamais admitiu a ruptura daunião de um casal. Não era bem vista uma candidata a noiva que demonstrasse mais ousadia em conhecermelhor o futuro noivo, esse tipo de comportamento provocava no candidato certa aversão aaquela que poderia vir a ser a sua futura esposa. O noivado precisava ter aprovação da igreja que o formalizava seguindo um ritualonde o casal trocava alianças, firmava-se um compromisso diante dos seus pais e dorepresentante da igreja. Após o noivado dava-se início período dos proclamas, que duravaaproximadamente 40 dias e cuja finalidade era investigar a vida dos noivos para ver sehavia algo que impedisse o casamento. Após este período o casamento era marcado. Acerimônia religiosa era praticamente a repetição dos votos do noivado só que aconteciadiante da multidão. Festas para noivos da realeza, noivos camponeses, viúvos que se casamnovamente, entre outros casos tinham intensa participação popular, obviamente dentro desuas camadas sociais. Da idade média para os dias atuais ainda há preservação no que se refere ao ritual dacerimônia, os proclamas e a proibição do divórcio pela igreja. O relato da autora, mostra quesobre as condições sanitárias da idade média sabe-se que de tempos em tempos vinha aguerra e com ela muita penúria, fome, desnutrição e epidemias. A mais conhecida, a peste(1348-49), que assolou a Europa, matando cerca de um terço de seus habitantes. As doençasmais comuns eram: Lepra, varíola, malária, sífilis. O cultivo da fé religiosa a certeza daimortalidade da alma e da existência do outro mundo, e a crença que os sofrimentos eramtransitórios fazia com tivessem as enfermidades com maior resignação. Os hospitais construídos a fim de abrigar doentes funcionavam também como hotel,albergue que recebiam os peregrinos de passagem, asilo para velhos, maternidade paramulheres e até moradia para estudantes necessitados. Neles havia normas orientando quetodos ali fossem bem cuidados. Médicos e cirurgiões também tratavam os doentes em suas casas, eles enfrentavamconcorrência com barbeiros, especialistas em sangria e charlatões de todo tipo. Tambémos religiosos, especializavam nos “tratamentos” aos doentes em uma arte empírica onde, osdons naturais, o uso de chás e ungüentos, misturavam fórmulas de devoção e superstição. Quando a morte se aproxima, o enfermo se prepara para a vida eterna purificando-se dos seus erros através da confissão. Os que deviam chama então o notário e faz seutestamento, onde ordena ao seu herdeiro restituir os bens adquiridos de forma duvidosa.Quando a restituição se torna impossível, o doente faz uma doação. Perto do último suspiro,os últimos sacramentos lhe eram concedidos. Após sua morte, religiosos ou vizinhos vinhamlavar o corpo e vesti-lo. O corpo era enterrado diretamente na terra ou em caixão de madeira
    • e até chumbo. Corpo enterrado restava agora, regulamentar o patrimônio do defunto. Se os defuntos deixassem dívidas, seus herdeiros as pagavam, tanto para manter a honra da família como para aliviar alma do defunto, que sofria enquanto a justiça não fosse cumprida. Conclusão A obra de Geneviève D’Haucourt traz vários aspectos da vida medieval, destacando detalhadamente cada ponto do cotidiano deste sistema social basicamente fundamentado no feudalismo. A “impregnação religiosa” como coloca a autora se faz presente no dia a dia europeu da época, onde o papel social, político e familiar da igreja eram exercidos quase que de forma absoluta, tendo sob seus domínios o rígido controle da manutenção ético-político- social. Valores como o familiar e o religioso são os pontos norteadores desta sociedade, uma vez que ícones do cotidiano tais como o nascimento, a educação, o modo de se vestir, de se alimentar, o casamento e outros aspectos, giram em torno de heranças romanas e de construções ideológicas dentro de uma vida simples, até mesmo para os nobres. ReferênciasD’HACOURT, Geneviève. A vida na Idade Média. Trad. Marisa Déa. Martins Fontes. SãoPaulo, 1994.ESTE TRABALHO FOI FEITO EM EQUIPE PELOS DISCENTES: