ManualOncologico OK.p65   1   24/11/2005, 15:06
ManualOncologico OK.p65   2   24/11/2005, 15:06
Manual do Paciente Oncológico




                          NAPACAN - Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer
             ...
Para a criação deste manual contamos com a
           colaboração de:


           Dra. Graça Marques Ibiapino: Psicoterap...
ÍÍ n d i c e
                                                                                                             ...
ManualOncologico OK.p65   6   24/11/2005, 15:06
Parte I
                                                                                                       Parte I
   ...
Manual do Paciente Oncológico



           sentam os cânceres que se originam dos tecidos co-          do câncer e melhor...
O que você precisa saber sobre Câncer •      Parte I


             ♦     Poluentes atmosféricos6: presentes na fuma-     ...
Manual do Paciente Oncológico



           organismo suscetível a doenças inúmeras, por isso        Sarcoma é um câncer?
...
O que você precisa saber sobre Câncer •   Parte I


             Para onde os sarcomas podem                              ...
Manual do Paciente Oncológico



           ta a predisposição ao sarcoma. Por exemplo: um            to poderá ser cirúrg...
O que você precisa saber sobre Câncer •       Parte I


                   O tratamento depende do tipo de câncer de pul- ...
Manual do Paciente Oncológico



           tumores que, se diagnosticados precoces, podem ser            Observe a pele d...
O que você precisa saber sobre Câncer •   Parte I


                   5. manter higiene adequada, escovando os den-      ...
Manual do Paciente Oncológico



           plementar após a retirada do tumor primário. Embora                  O Tabaco ...
O que você precisa saber sobre Câncer •   Parte I


             menos desenvolvidos encontramos índices mais ele-        ...
18


ManualOncologico OK.p65   18   24/11/2005, 15:06
Parte II
                                                                                                       Parte II
 ...
Manual do Paciente Oncológico



           e/ou radioterapia, isso diminuirá a probabilidade de       objetivo do tratame...
O que você precisa saber sobre os tratamentos •   Parte II


             ♦     Devido à ansiedade ou preocupação com a do...
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02

5,155 views
5,060 views

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
5,155
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
140
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Livro De Receitas PrevençãO Do Cancer 02

  1. 1. ManualOncologico OK.p65 1 24/11/2005, 15:06
  2. 2. ManualOncologico OK.p65 2 24/11/2005, 15:06
  3. 3. Manual do Paciente Oncológico NAPACAN - Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer CNPJ 03.538.703/0001-66 Cidadania em Cancerologia Corpo Diretivo e Conselho do Napacan Presidente Psicoterapeuta Graça Marques Ibiapino Vice Presidente Dra. Nise H. Yamaguchi Diretor Científico Dr Paulo Jorge Valentim 1ª Secretária Dra. Edina Vasconcelos Desde 1999 distribuímos 85.000 exemplares. www.napacan.org.br napacan@napacan.org.br Tel.: (11) 3151-2945 ManualOncologico OK.p65 3 24/11/2005, 15:06
  4. 4. Para a criação deste manual contamos com a colaboração de: Dra. Graça Marques Ibiapino: Psicoterapeuta, psico oncologista e editora científica deste manual; Dra. Nise Yamaguchi: Mestra e doutora em oncologia; Enfermeira Lúcia Marta G. da Silva e Profª. Dra. Maria Tereza C. Laganá: (Escola de enfermagem do HIAE); Dra. Alisson Monteiro: Médica e cirurgiã Oncológica; Dr. Paulo Jorge Valentim: Médico e cirurgião oncológico; Dra. Edina Vasconcelos: Advogada e voluntária do napacan; Dra. Nívea Froes: Mestre e Doutora em Genética pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Pós-doutora pela Universidade do Texas, Departamento de Medicina Preventiva, Ramo Médico de Galveston - EUA ex-paciente de câncer. ManualOncologico OK.p65 4 24/11/2005, 15:06
  5. 5. ÍÍ n d i c e ndice • Ácidos Graxos 28 Parte I • Açúcares (glicídios) e amidos 28 O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE CÂNCER 7 • Vitaminas 28 1. O que é câncer e quais são as suas causas? 7 • Enzimas 29 • Sais Minerais 29 2. (A e B) Tipos de cânceres 10 • Lactobacilos acidófilos e absorção de micro 3. Estou com câncer, o que devo fazer? 17 nutrientes 29 2. Cuidados no manuseio e preparo de alimentos 31 Parte II 3. O que deve ser evitado na alimentação do O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE Paciente com Câncer 32 MODOS DE TRATAMENTO 19 4. Então, o que Comer? 34 1. Internação Hospitalar 19 5. Indisposição gástrica devido a Quimioterapia? 38 2. Sistema de Atendimento Ambulatorial 19 3. O que é Quimioterapia? 19 • Modo de aplicação dos medicamentos Parte IV quimioterápicos 20 O QUE É QUALIDADE DE VIDA? 41 • Auto cuidado durante o tratamento quimioterápico 20 • Cuidados nos dias da aplicação 21 1. Introdução 41 • Paciente com Catéter Implantado (“porte”): 2. Cuide da qualidade de Vida 42 o que é, como é implantado e para que? 22 3. Cuidados com sua saúde emocional e • Auto cuidado com o “porte” 22 espiritual 43 • Quimioterapia através de veias periféricas (mãos e braços) 22 4. Recomendações aos Familiares (e Amigos) e ao Paciente 43 4. O que é Radioterapia? 23 • Simulação e planejamento do tratamento 23 5. Prezado paciente 44 • Efeitos colaterais da Radioterapia 24 • Auto cuidado durante o tratamento radioterápico 24 5. O que é Hormonioterapia? 25 Parte V VOCÊ É UM SOBREVIVENTE, LUTE, RECLAME E SEJA GRATO PELA VIDA 45 Parte III 1. Reclame pelos seus direitos, faça denúncias 46 O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE 2. Apoio Espiritual 63 ALIMENTAÇÃO (NUTRIÇÃO) 27 3. Quem Somos 65 1. Por que nos Alimentamos? 27 • O que são Micronutrientes 27 4. Fontes de Pesquisas e Links 66 • Aminoácidos 27 5. Vida Sexual e Fertilidade do paciente 67 APÊNDICE Sugestões aos Familiares do Paciente e Tipos de Exames Preventivos; Um direito do usuário - Denuncie; Reclame, Tire Dúvidas; Onde receber tratamento; Telefones úteis... Direitos e Deveres do Paciente; Apoios; Agradecimentos; Quem somos. ManualOncologico OK.p65 5 24/11/2005, 15:06
  6. 6. ManualOncologico OK.p65 6 24/11/2005, 15:06
  7. 7. Parte I Parte I O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE CÂNCER Nos últimos cem anos, o ser humano tem sido não mais obedece aos sinais internos. Deste modo, exposto a uma quantidade cada vez maior de inúme- a célula mutada passa a agir independentemente em ros compostos químicos novos (resultantes da ativida- vez de cooperativamente, dividindo-se de modo des- de industrial), amplamente distribuídos no ambien- controlado, até formar uma massa celular denomi- te e capazes de induzir danos ou lesões no material nada tumor. genético. Um tumor é denominado benigno quando ele O corpo humano contém trilhões de células agru- não invade os tecidos vizinhos ou se transloca, via padas para formar tecidos, como os músculos, ossos sangüínea, para outros locais. Esses tumores são e pele. A maioria das células normais cresce, se re- quase sempre facilmente removidos cirurgicamente. produz e morre em resposta aos sinais internos e externos ao corpo. Se esses processos ocorrerem de modo equilibrado e de forma ordenada, o corpo 1. O QUE É CÂNCER E QUAIS AS permanece saudável executando suas funções nor- SUAS CAUSAS? mais. No entanto, uma célula normal pode tor- nar-se uma célula alterada e isso ocorre quan- Por outro lado, se as células tumorais crescem e do o material genético é danificado. se dividem, invadindo outros locais, são denominadas malignas ou cancerosas. Essas células podem ter a Material genético é toda a informação contida habilidade de se espalhar pelos tecidos sadios do cor- nos genes, formados pelo ácido desoxirribonucléico po, por um processo conhecido como metástase, ou DNA e localizados no núcleo celular. Os genes invadindo outros órgãos e formando novos tumores. são responsáveis pela produção de todas as nossas proteínas, que determinam tudo, isto é, desde a Portanto, o câncer (neoplasia maligna) pode ser estrutura à função do nosso corpo, bem como o com- definido como uma doença degenerativa resultante portamento e aparência normal das células, além do acúmulo de lesões no material genético das célu- de conferir todas as características físicas únicas que las, que induz o processo de crescimento, reprodução formam o conjunto de cada indivíduo. e dispersão anormal das células (metástase). A partir do momento em que uma célula carrega Existem aproximadamente 200 tipos diferentes uma lesão em seu material genético (DNA), ela passa de câncer, muitos deles curáveis, se detectados pre- a ser uma célula alterada, sendo denominada muta- cocemente. Três são as principais categorias dos cân- da. Uma vez lesado o DNA, o corpo consegue, quase ceres conhecidos: carcinomas, sarcomas, leuce- sempre, promover o reparo desses danos através mias e linfomas. Os carcinomas incluem os cânceres de eficientes mecanismos que recompõem as ativida- que se originam de células que formam a epiderme - des celulares. Com o passar dos anos as alterações tal como o câncer de pele - ou tecidos que revestem que não foram reparadas vão se acumulando e, even- os órgãos internos, por exemplo o carcinoma de pul- tualmente, podem levar à perda de controle dos pro- mão ou, ainda, formam as glândulas, como no caso cessos vitais da célula, uma vez que a célula mutada do câncer de mama. Os sarcomas, por sua vez, repre- 7 ManualOncologico OK.p65 7 24/11/2005, 15:06
  8. 8. Manual do Paciente Oncológico sentam os cânceres que se originam dos tecidos co- do câncer e melhorar sobremaneira, outros aspectos nectivos como os ossos e cartilagens (osteossarcoma da saúde. Além disso, exames preventivos devem ou câncer do osso) ou tecidos musculares (rabdomios- ser realizados periodicamente, para aumentar a sarcoma ou tumor maligno do músculo esquelético). chance de diagnóstico precoce (ou seja, de se des- cobrir uma lesão cancerosa ainda na fase inicial). As leucemias e os linfomas estão relacionados, res- Por exemplo, exame de próstata, Papanicolau, ma- pectivamente, aos cânceres originados das células for- mografia, ultrasonografias, hemograma completo, madoras do sangue e das células do sistema imunoló- CA 15-3, radiografias e outros de acordo com a con- gico ou de defesa. Como exemplo de leucemia, temos duta de seu médico. Sempre consulte uma segunda a leucemia granulocítica que é o câncer das células opinião se houver dúvidas. brancas do sangue; e de linfoma, o câncer que aco- mete os linfonodos, denominado linfoma de Hodgkins. A mutação genética pode ser causada por repeti- das exposições do organismo humano, em nosso co- O câncer constitui importante causa de mortalida- tidiano, aos inúmeros agentes físicos, químicos ou de em todo o planeta, sendo a segunda causa de biológicos a que ele se expõe, quer por inalação, morte no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovas- por ingestão ou por contato da pele. Alguns exemplos culares. Sabe-se hoje que cerca de 1% de todos os de fatores de exposição que podem causar mutações cânceres são de origem hereditária1 e 16% são atri- são dados a seguir: buídos a agentes infecciosos 2. Contudo, existem evi- ♦ Fatores biológicos: Pessoas que não herdaram dências substanciais de que na origem de 80 a 90% genes mutados podem desenvolver câncer devido de todos os tipos de cânceres haja o envolvimento a alterações genéticas provocadas por certas dos agentes ambientais representados por compos- infecções por vírus ou bactérias, tais como tos químicos oriundos do tabagismo, alcoolismo e o câncer de fígado devido a hepatites B ou C infecções parasitárias e, principalmente da dieta ali- (provocadas por vírus), câncer de colo uterino e mentar, bem como de agentes físicos representados cervical nas mulheres ou de pênis (causados por pela luz ultra-violeta ou solar, causa principal do cân- infecção por papiloma vírus), câncer de estômago cer de pele. Assim sendo, as medidas preventivas (devido à infecção por bactéria Helicobacter py- devem incluir mudanças no estilo de vida. lorii prolongada e não tratada) 3. Alguns indivíduos estão geneticamente predis- ♦ Agrotóxicos: Também podemos desenvolver postos a desenvolver um tipo particular de câncer câncer quando nosso corpo é exposto a peque- em algum estágio de suas vidas, independente da nas doses diárias de inseticidas como o BHC ação do ambiente. Esses são ditos suscetíveis ou e o DDT – tanto de uso caseiro quanto por conta- predispostos. No entanto, pessoas que herdaram minação de cereais, frutas e legumes nas lavou- um gene mutado, podem não desenvolver a doença. ras – ao longo dos anos. Esses e outros agrotó- Existem hoje testes e medidas preventivas eficazes xicos acumulam-se em glândulas (como o fígado, no aconselhamento de pessoas que possuem históri- as glândulas mamárias, a próstata, os testículos, co familiar de câncer. etc.) e no sangue e, ao atingir certos níveis, cau- Em muitos casos, os sintomas do câncer só apa- sam mutações genéticas que podem resultar em recem após a doença ter se instalado. Embora o câncer de mama, de próstata, de ovário, etc. corpo humano possua mecanismos de defesa natu- Nos Estados Unidos, o uso desses inseticidas está rais, nosso estilo de vida e hábitos nocivos à saúde proibido desde 19724,5. podem suplantar a capacidade desses mecanismos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ de defesa da célula contra a mutação. No entanto, 1 OMS/IARC, 1998. cada um de nós deve ter em mente de que nunca é 2 OMS/IARC, 1998. tarde para melhorar nossos hábitos de vida. Tal atitu- 3 Robert A. Weinstein. New and Emerging Pathogens: Watching Our Food and Water. 39 th Interscience Conference on Antimicrobial Agents de ajudará a reduzir as chances de desenvolvimento and Chemotherapy - ICAAC: Day 2 – September 27, 1999. 8 ManualOncologico OK.p65 8 24/11/2005, 15:06
  9. 9. O que você precisa saber sobre Câncer • Parte I ♦ Poluentes atmosféricos6: presentes na fuma- a pele ao sol (bronzeamento, vermelhidão, resse- ça do escapamento de veículos movidos a óleo camento ou bolhas e descamação), lesões acon- diesel, gasolina e álcool e outros aditivos que tecem nas camadas mais profundas que não são são misturados a eles, bem como o cigarro e os reparadas. Essas lesões vão se acumulando, com vapores químicos de indústrias diversas (de refi- a repetição da exposição aos raios ultravioletas no de petróleo, de tratamento de madeiras, de da luz do sol (mesmo em dias nublados) e podem solventes industriais, etc.) o pó de amianto, os acabar produzindo mutações malignas, principal- vapores de chumbo e outros químicos presentes mente em pessoas de pele clara. nas tintas de parede, vernizes, tinturas de cabelo, Um estilo de vida com muitas tensões emocio- etc., também podem atuar como um dos fatores nais, pressões, má alimentação, sono irregular, trau- para o desenvolvimento de diversos tipos de tu- mas ou episódios profundos e prolongados de depres- mores malignos. são, podem contribuir para que todos os fatores já ♦ Alcoolismo e Tabagismo: Indivíduos que bebem mencionados - ou vários deles - causem uma muta- diariamente (“happy hour”) e/ou fumam, aumen- ção maligna em algum órgão, em algum ponto de tam em até 60% suas chances de desenvolver nossas vidas. câncer de pulmão, câncer de estômago, de fíga- Teoricamente, o câncer deveria ser mais comum do, câncer de laringe e boca, câncer de bexiga na velhice, quando nosso corpo já acumulou muitas ou de próstata7. O álcool, além de retirar do corpo lesões devido ao estresse, poluição, contaminação nutrientes importantes é, do ponto de vista bio- com diversos cancerígenos e, ao mesmo tempo, tem químico, uma substância tóxica e alucinógena, as suas defesas naturais enfraquecidas devido à pró- pois tem uma atuação no cérebro semelhante pria idade avançada. No entanto, os níveis crescentes ao alcalóide da maconha (responsável pelo efeito de poluição (do ar, das águas e dos alimentos), con- relaxante desta erva): impede que as células ner- taminação alimentar por carcinogênicos, alimentação vosas do cérebro utilizem a glicose (açúcar) para rica em frituras, gorduras e alimentos artificiais e gerar a energia necessária ao seu bom funcio- conservados com químicos nocivos à saúde, o câncer namento 8. está aparecendo no mundo moderno cada vez mais ♦ Alimentação rica em gorduras e frituras e cedo e em um número crescente de indivíduos. Leve pobre em verduras, frutas e cereais inte- em conta que sua vida emocional e espiritual po- grais9 também predispõe a diversos tipos de cân- dem contribuir positiva ou negativamente para sua ceres, como os de intestino, mama, fígado, testí- saúde. Excesso de atividade física e falta de carinho culos, etc.. Carnes de boi e aves engordados com fragilizam seu sistema imunológico, deixam seu hormônios e peixes, camarão, lula, polvo, lagosta e crustáceos (marisco, ostra, vieira, vongolli, ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 4 Estrogens in the Environment. III Proceedings of the Symposium in etc.) contaminados com mercúrio, inseticidas e Environmental Health Perspectives Supplements. John McLachlan outros detritos químicos domésticos e industriais and Kenneth Korach (eds.), 1995. 5 Wolff, M.S. et al., 1994 – Mount Sinai Medical Center, Ny., Ny; and despejados em rios (que por sua vez levam a Krieger, N.K. et al., 1994 – Kaiser Foundation Institute, Oakland, CA. 6 poluição para as águas litorâneas), também con- Perera F P, Weinstein I B. Molecular Epidemiology and Carcinogen- DNA Adduct Detection: New Approaches to Studies of Human Can- tribuem de forma importante para o aparecimen- cer Causation. Journal of Chronic Diseases, Vol. 35: 581-600; 1982. 7 Albano E, Clot P, Tabone M, Aricó S, Ingleman-Sundberg M. Oxi- to do câncer. dative damage and human alcoholic liver diseases: Experimental and Clinical Evidence. In: Poli G, Albano E, Dianzani UM, eds. Free ♦ Exposição prolongada ao sol – principalmente Radicals: from basic science to medicine. Basel: Birkkhäuser Verlag. 1992; pp 310-322. na infância e adolescência – pode resultar em 8 Barron F, Jarvik M E, Bunnel Jr. S. Drogas Alucinógenas. In: Psico- biologia – as bases biológicas do comportamento: pp.389-398; Editora câncer de pele e melanoma (um tipo mais agres- da Universidade de São Paulo, 1996. sivo de câncer de pele) na idade adulta. É impor- 9 Stähelin H B, Gey K F, Eichholzer M, et al. Plasma antioxidant vitamins and subsequent cancer mortality in the 12-year follow-up of tante compreender que, cada vez que irritamos the Prospective Basel Study. Am. J. Epidemiol. 132: 857-870; 1991. 9 ManualOncologico OK.p65 9 24/11/2005, 15:06
  10. 10. Manual do Paciente Oncológico organismo suscetível a doenças inúmeras, por isso Sarcoma é um câncer? adote o caminho do meio – O Tao, o equilíbrio de Sim. O sarcoma é um tumor maligno dos tecidos corpo, emoção, mente e espírito (TAO, Transforma- moles do corpo, como gordura, músculos, nervos, ção da Mente e do Corpo – Huai-Chin-Nan; Gestos tendões e veias. Os sarcomas de “partes moles” são de Equilíbrio, Tarthang Tulku). raros. De acordo com a Sociedade Americana de Câncer (American Cancer Society) aproximadamente 8.700 novos casos deste tipo de câncer são diagnos- 2. A: ARTIGOS SOBRE CÂNCER ticados a cada ano em adultos e crianças nos Estados Sarcoma – www.sarcoma.com.br Unidos. No Brasil, não temos ainda estatísticas. Quan- do o sarcoma começa em alguma parte óssea do Sarcoma é um tipo raro de câncer e, por isso organismo é chamado de sarcoma osteogênicon ou, mesmo, geralmente suscita dúvidas e perguntas para ocasionalmente, de chondosarcoma (sarcoma de car- as quais nem sempre achamos esclarecimentos. A tilagens). proposta desta seção de perguntas e respostas é tentar esclarecer, de maneira simples e despreten- Todos os sarcomas são iguais? siosa, as dúvidas mais comuns, aquelas que surgem logo que a pessoa se descobre portadora de Não. Os sarcomas de partes moles englobam sarcoma. uma série de tipos de tumores. Alguns crescem deva- gar, lentamente, outros são mais agressivos, cres- O que é o câncer? cem muito rapidamente e, às vezes, quando feito o diagnóstico, já espalharam pelo corpo todo e podem Todos os tipos de câncer começam de uma célula não ter cura. Cada tipo é um tipo e em cada pessoa em particular que sofre uma mutação. O DNA desta cada tipo pode ter progressão ou comportamento célula muda de forma que ela não pode mais crescer diferente. Mas o fato é que a maioria deles é resisten- dentro das regras do seu tipo de célula e passa a te à quimioterapia e à radioterapia, por isso se diz crescer descontroladamente. O nome do câncer nor- que o melhor tratamento para sarcomas é o cirúrgico. malmente é dado pelo tipo da célula da qual ela cres- ce e se transforma em tumor. Por exemplo, sarcomas Que tipo de pessoa é predisposta de tecidos moles são cânceres nos quais o cresci- a ter sarcoma? mento das células malignas ou cancerosas se origi- nam dos tecidos moles do corpo. Os tecidos moles Os sarcomas podem atacar qualquer pessoa, jo- incluem a gordura, os vasos sanguíneos, nervos, vens ou velhos. Diferentes tipos de sarcoma ocorrem ossos, músculos, pele e cartilagem. em diferentes faixas etárias. Não sabemos se deter- minados tipos de comportamentos ou hábitos dei- O que é um tumor primário? xam a pessoa mais exposta ao risco de desenvolver um sarcoma. E o primeiro tumor - que poderá ou não dar ori- gem a recorrências ou metástases. É onde a doença O que significa o “grau” começou a partir da divisão desgovernada da primei- do sarcoma? ra célula mutante. Se o tumor primário envia células através da corrente sangüínea ou através do sistema Grau é um termo descritivo que o patologista usa linfático, estas funcionam como células sementes que após examinar o tecido do tumor (no caso, do sarco- vão gerar tumores secundários ou metástases. Se o ma). O grau é um indicativo do quão agressivo o tumor primário é removido por meio de cirurgia com tumor poderá vir a ser. Os tumores de baixo grau amplas margens de segurança, pode mesmo assim são menos agressivos e os de alto grau são mais haver uma recorrência ou recidiva no mesmo local. agressivos, crescem mais rapidamente. 10 ManualOncologico OK.p65 10 24/11/2005, 15:06
  11. 11. O que você precisa saber sobre Câncer • Parte I Para onde os sarcomas podem Portador de sarcoma é submetido se espalhar? à quimioterapia? Depende de onde eles começam, de onde se lo- Apesar de os sarcomas serem, normalmente, re- caliza o tumor primário. O mais comum é que a me- sistentes a quimioterápicos, hoje em dia já se sabe tástase seja no pulmão, mas podem também surgir que novas combinações de medicamentos antigos metástases no fígado. Isto depende muito e somente (como taxotere e gemzar) e medicamentos de última o oncologista poderá dizer com mais exatidão. geração (como as pílulas quimioterápicas gleevec e temodar) estão tendo excelente eficácia contra deter- Diagnóstico de sarcoma é minados tipos de sarcomas. Os portadores de sar- sentença de morte? comas são, sim, submetidos a quimioterapia para redução de tumores que serão operados ou em caso Não. A maioria dos pacientes pode conviver com de tumores inoperáveis. Cada caso é um caso e ape- a doença, com excelente qualidade de vida. Cerca nas os oncologistas sabem quando se deve ou não de 90 por cento deles ultrapassam os 5 anos de so- usar a quimioterapia em sarcomas. brevivência após o diagnóstico. As novidades científi- cas e tecnológicas nesta área surgem a cada dia e Portador de sarcoma é submetido os prognósticos podem mudar favoravelmente de à radioterapia? uma hora para outra. Até dois anos atrás os tumores gastrointestinais (GIST) matavam inapelavelmente. A radiação é comumente usada para limitar o Hoje, com o gleevec, podem ser curados. risco de uma recorrência do tumor após sua extir- pação por cirurgia. Há novas técnicas também de Sarcoma dói? radioterapia intraoperatória, onde após a retirada do tumor é aplicada a radioterapia “in loco”, durante Não. Sarcoma não dói e isso é um dos problemas a cirurgia. Há também a braqueterapia, que é a apli- para ser rápido diagnóstico - como não dói, a pessoa cação local de radioterapia através de pequenos não vai ao médico e, geralmente, não descobre cedo tubos implantados sob a pele durante a cirurgia. No- a doença. Raramente o sarcoma causa dor, só quan- vamente, cada caso é um caso e apenas o oncolo- do o tumor está localizado em lugares muito raros e gista, o cirurgião e o radioterapeuta podem definir de difícil acomodação. o melhor tratamento para cada paciente. O que devo perguntar a meu Quando poderei dizer que estou curado? médico antes do tratamento? No caso dos sarcomas de partes moles 70 por O mais importante de tudo é você procurar um cento dos pacientes que tiveram recorrências elas médico que tenha experiência em Sarcoma, este tipo aconteceram nos primeiros dois anos após o surgi- raro e difícil de câncer. Ter um médico que entenda mento do primeiro tumor. Entretanto, pacientes de e tenha experiência no tratamento de sarcoma faz sarcoma costumam ser estadiados (acompanhados toda a diferença na corrida contra este tipo de doen- cuidadosamente, com tomografias) por, no mínimo, ça. Exatamente por a doença ser tão rara é importan- dez anos. Pacientes podem ter recorrências tardias, te você procurar um doutor que conheça este tipo mas quanto mais tardias forem mais favoráveis ao de tumor. Isto é importante não apenas para você tratamento serão. ter o melhor tratamento, mas também para evitar que você seja submetido a tratamentos desnecessá- Os sarcomas são hereditários? rios ou ineficazes. Geralmente os especialistas em sarcomas atuam em equipe multidisciplinar e levam Os sarcomas podem ocorrer em uma mesma fa- em consideração sempre o fato de os sarcomas se- mília, mas isto também é muito raro. Geralmente rem resistentes à quimioterapia e à radioterapia. há uma doença anterior que conhecidamente aumen- 11 ManualOncologico OK.p65 11 24/11/2005, 15:06
  12. 12. Manual do Paciente Oncológico ta a predisposição ao sarcoma. Por exemplo: um to poderá ser cirúrgico, radioterapia externa ou bra- mioma que transforma-se em um leiomiosarcoma quiterapia. Em todos estes tipos de tratamentos exis- de útero. O médico, especialista em sarcoma, tem tem vantagens e desvantagens. A escolha de qual familiaridade com estas doenças que causam ou terapia utilizar deve ser conjunta do paciente e do transformam-se em sarcoma. médico especialista, pois existem várias nuances a serem consideradas. Para pacientes com doença Por que é difícil diagnosticar sarcomas? avançada o tratamento é o controle da doença com medicações especificas a base de hormônios que Porque os sarcomas são tumores raros. Oncolo- bloqueiam o aumento do tumor. gistas lidam com cânceres todos os dias, mas muitas vezes passam toda a sua vida clínica sem se deparar A prevenção do câncer de próstata passa pela com um sarcoma. adoção de hábitos saudáveis de vida. Atitudes como diminuir o consumo de alimentos ricos em gordura animal e aumentar o consumo dos derivados da soja, B: OUTROS TIPOS DE CÂNCERES dos alimentos ricos em licopeno (tomate), exposição ao sol (que produz um aumento de vitamina D), su- Câncer de Próstata plementação de selênio e vitamina são uma arma contra o câncer de próstata. A próstata é uma glândula presente nos homens Dr. Paulo Jorge Valentim situada abaixo da bexiga urinária. É nessa glândula que se desenvolve um dos tumores mais comuns dos homens após os 50-60 anos: o câncer de próstata. Câncer de Pulmão Homens com parente de primeiro grau com a doença O câncer pulmonar é uma doença grave, que e homens da raça negra apresentam maior risco. muitas vezes poderia ser evitada com eliminação do Acredita-se que uma dieta rica em gordura e pro- hábito de fumar cigarros. Não há dúvidas que o fator teína animal contribua para o desenvolvimento desse mais importante para o desenvolvimento do câncer tumor; e que alimentos ricos em selênio, vitamina de pulmão é o hábito de fumar. A idade na qual a D, vitamina E e licopeno e derivados de soja sejam pessoa começou a fumar e o número de cigarros fatores protetores contra o câncer de próstata. consumidos por dia também interferem no risco de desenvolver a doença. Da mesma forma o fumante Na fase inicial os sintomas não existem ou são passivo apresenta risco de desenvolver câncer de muito discretos. Em geral, o paciente apresenta alte- pulmão. Pacientes não fumantes também desenvol- rações relacionadas com a micção (dificuldade para vem câncer de pulmão, porém isso é mais raro. urinar, retenção de urina). Porém estes sintomas Outros fatores considerados de risco são contato com também são comuns em outras doenças da próstata. asbesto, hereditariedade, história pessoal e algumas Por isso, os exames de rotina para prevenção e diag- doenças pulmonares prévias. nóstico precoces são muito importantes. É importan- te fazer uma consulta com o médico especialista que Os principais sintomas são tosse e dor nas costas fará toque retal e exame de PSA (Antígeno Prostático que não melhoram, falta de ar e cansaço constante, Especifico). Ambos são exames simples passíveis de escarro com sangue, perda de apetite ou emagreci- serem realizados em qualquer ambulatório medico. mento. Como esses sintomas podem aparecer em Essa prevenção é indicada para homens com idade várias doenças do pulmão, é importante consultar superior a 50 anos. Homens negros ou aqueles de um médico especialista. A suspeita do câncer é atra- qualquer raça com história comprovada de câncer vés do exame clínico e radiografia de tórax ou exame em parentes de primeiro grau a idade é 40 anos. do escarro. Para confirmar a presença de câncer de Em caso de alguma suspeita, o médico pedirá exame pulmão e saber qual o tipo celular deverá ser feita de biópsia para confirmar o diagnóstico. O tratamen- uma biópsia. 12 ManualOncologico OK.p65 12 24/11/2005, 15:06
  13. 13. O que você precisa saber sobre Câncer • Parte I O tratamento depende do tipo de câncer de pul- tos comuns. Algumas vezes sangue ou “catarro” são mão, tamanho, localização e extensão do tumor, e visíveis nas fezes. Cólicas ou dor para evacuar, ema- saúde geral do paciente. Combinações entre os trata- grecimento e anemia também são sintomas do cân- mentos também são utilizadas. Podem ser utilizadas cer colo-retal. Na presença desses sintomas deve- a cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Os pacientes se procurar o médico especialista que fará exame necessitam também de fisioterapia pulmonar para clínico e outros exames para afastar ou confirmar o auxiliar o tratamento e melhora da falta de ar. diagnóstico. Nesse processo é importante o “toque A melhor maneira de prevenir o câncer de pulmão retal” (exame de toque pelo ânus), que por si só é parar ou nunca começar a fumar. Nunca é tarde pode diagnosticar um tumor no reto ou ânus. Outros para parar de fumar. Mesmo após o diagnóstico de exames podem ser feitos para realização de biópsia. câncer de pulmão, parar de fumar pode prevenir o O tratamento inclui a cirurgia na maioria das ve- desenvolvimento de um novo câncer. zes. Nos tumores de reto, dependendo da posição Como em todos os cânceres, o acompanhamento do tumor, pode ser necessário a realização de “co- após o tratamento do câncer de pulmão é muito im- lostomia” na cirurgia. A colostomia é a alça do intes- portante para verificar se o câncer está sob controle. tino conectada a parede abdominal para dar vazão Entre as consultas marcadas, as pessoas que tiveram as fezes. Essa alça intestinal ficará coberta por uma câncer devem estar atentas ao surgimento de anor- “Bolsa” própria para a coleta das fezes (“bolsa de malidades: sintomas pulmonares, emagrecimento, colostomia”), podendo ser provisória ou definitiva – fraqueza ou nódulos crescidos no pescoço e axilas. depende de cada caso. Essa situação não limita o convívio social, uma vez que a bolsa está totalmente Dra. Allisson Monteiro da Silva Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Oncológica; oculta sob a roupa. Radioterapia e quimioterapia Especialista em Cirurgia Oncológica pela Sociedade Brasileira de também podem ser utilizadas. Cancerologia; Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço; Mestre Após o tratamento, é importante o paciente reali- em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP; zar exames periódicos de acompanhamento. Durante Colaboradora do Grupo de Biópsia de Linfonodo Sentinela da Disciplina de Cirurgia Plástica - UNIFESP os intervalos desses exames, o paciente deve estar allisson.monteiro@schering.com.br atento a presença de sangue nas fezes, emagreci- mento, fraqueza ou crescimento ou dor na barriga. Câncer de Intestino Como prevenção deve-se optar por dieta rica em Um dos tumores mais comuns no aparelho diges- fibras vegetais. tivo é o câncer do Intestino grosso que pode afetar Dra. Allisson Monteiro da Silva o cólon, reto ou ânus. Portanto é chamado câncer Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Oncológica; Especialista em Cirurgia Oncológica pela Sociedade Brasileira de colo-retal. Normalmente surge em pessoas entre 50- Cancerologia; Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela 70 anos. Algumas vezes pode aparecer em pessoas Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço; Mestre bem mais jovens. Hábitos de dieta são considerados em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP; Colaboradora do Grupo de Biópsia de Linfonodo Sentinela da importantes para o desenvolvimento desse tipo de Disciplina de Cirurgia Plástica - UNIFESP tumor. Sabe-se que pessoas com dieta pobre em allisson.monteiro@schering.com.br fibras apresentam maior chance de desenvolver a doença. Pessoas com antecedentes familiares de Câncer de boca câncer ou portadoras de retocolite ulcerativa ou poli- pose familiar do cólon também apresentam maior Tumores da cavidade oral (boca) ou orofaringe chance de desenvolver câncer de cólon. Os sintomas (parte superior da garganta) podem aparecer nos podem ser variados, mas geralmente afetam os hábi- lábios, língua, soalho da boca, parte interna das bo- tos intestinais do paciente. Pode haver desde consti- chechas, gengivas, pálato mole e pálato duro, região pação até diarréia, que não melhoram com tratamen- das amídalas e parede posterior da garganta. São 13 ManualOncologico OK.p65 13 24/11/2005, 15:06
  14. 14. Manual do Paciente Oncológico tumores que, se diagnosticados precoces, podem ser Observe a pele do rosto e do pescoço, prestando tratados e curados com poucas ou nenhuma seqüela atenção se há alguma alteração. Toque com a ponta funcional. Por outro lado, o tratamento em fases dos dedos toda a região, especialmente se notou avançadas deverá deixar maiores seqüelas e exigir alguma área diferente. maior reabilitação do paciente. Puxe com os dedos, o lábio inferior para baixo, Como a cavidade oral é de fácil acesso, auto exa- observe e palpe sua parte interna, repetindo a opera- mes são estimulados para prevenção e detecção pre- ção com lábio superior. coce de câncer da boca. Da mesma maneira, deve- Com a ponta do dedo indicador, afaste a bochecha se fazer uma revisão com dentista pelo menos uma para examinar a parte interna da mesma, dos dois vez por ano. lados. Tabagismo, alcoolismo, trauma crônico (uso de Com a ponta do dedo indicador, percorra toda a próteses dentárias mal-ajustadas), má higiene oral, gengiva superior e inferior. má conservação dos dentes, baixo consumo de caro- teno e história familiar de câncer são considerados Introduza o dedo indicador por baixo da língua e fatores de risco. o polegar da mesma mão por baixo do queixo e pro- cure palpar todo o assoalho da boca. Atenção especial deve ser dada aos lábios, já que tumores de lábio estão relacionados a exposição Incline a cabeça para trás e abrindo a boca o crônica ao sol, bastante comum em países tropicais máximo possível, examine atentamente o céu da e com atividades rurais, sendo mais comum em pes- boca. Em seguida diga ÁÁÁÁ... e observe o fundo soas brancas e no lábio inferior. da garganta. O câncer na cavidade oral (boca) ou orofaringe Observe e apalpe a parte de cima da língua, bem (garganta) acomete principalmente tabagistas e/ou como suas laterais. alcoólatra, sendo que a associação das duas ativida- Examine o pescoço, comparando os lados direito des aumenta consideravelmente o risco de desenvol- e esquerdo. Veja se existem caroços ou áreas en- vimento da doença, bem como distúrbios de nutrição. durecidas. É mais comum em indivíduos do sexo masculino aci- ma de 50 anos. Devem ser observados sinais como mudança na O principal sintoma deste tipo de câncer é o apa- cor da pele e mucosas, endurecimentos, caroços, recimento de ferida na boca que não cicatriza em feridas, inchaços, áreas dormentes, dentes quebra- uma ou duas semanas. Essas feridas podem ser su- dos ou amolecidos e úlcera rasa, indolor e averme- perficiais ou mais profundas, indolores no início, po- lhada, placas esbranquiçadas. dendo sangrar ou não. Manchas esbranquiçadas ou Como prevenir o câncer de boca: avermelhadas nos lábios ou na boca também são suspeitas. O combate ao tabagismo é um dos pontos mais im- portantes na prevenção deste tipo de câncer. Deve-se: Nos estágios avançados podem surgir dificuldade de fala, mastigação e deglutição; emagrecimento 1. evitar o fumo e o álcool; acentuado, dor e nódulos no pescoço. 2. evitar exposição continuada aos raios solares; Como Fazer o auto exame: 3. utilizar protetor labial, chapéus quando expos- to ao sol por longos períodos; O auto-exame da boca deve ser realizado a cada seis meses, em local bem iluminado, diante do espe- 4. evitar traumas crônicos na mucosa bucal, tais lho. Lave bem a boca e remova próteses dentárias como: prótese mal adaptada, coroas dentais para uma boa observação. fraturadas, raízes residuais; 14 ManualOncologico OK.p65 14 24/11/2005, 15:06
  15. 15. O que você precisa saber sobre Câncer • Parte I 5. manter higiene adequada, escovando os den- liação microscópica do tumor. O retardo no diagnósti- tes 4 vezes ao dia, principalmente após a in- co pode levar à progressão da doença, uma vez que gestão de alimento e fazer uso do fio dental; são neoplasias com intensa duplicação celular e rápi- da progressão. Alguns pacientes referem trauma 6. fazer o auto-exame da boca cada 6 meses; local, porém este não tem relação de causa, apenas 7. fazer alimentação balanceada e completa; chama atenção para um processo já deflagrado. Em 8. procurar seu Dentista ou Médico em caso de fases mais avançadas, sintomas e sinais de metás- aparecimento de qualquer lesão que não regri- tases podem estar presentes como falta de ar, massa da no espaço de 7/14 dias. abdominal e emagrecimento. Com esses cuidados, além de prevenir o câncer As células tumorais produzem substâncias no san- de boca, você também estará colaborando para um gue que podem ser detectadas através de exames estilo de vida bem mais saudável. laboratoriais. Tais exames devem ser sempre dosados inicialmente sendo muito importantes no diagnóstico, Allisson Monteiro da Silva quantificação do grau de comprometimento da doen- Médica Oncologista allisson.monteiro@schering.com.br ça e acompanhamento após o tratamento definitivo. Os diagnósticos diferenciais mais comuns são os Câncer de Testículos processos inflamatórios ou infecciosos do testículo, torção testicular ou hidrocele. A apresentação clínica A grande preocupação com o câncer de testículo difere pouco em todas elas e necessitam de avaliação consiste no fato de ser a neoplasia maligna mais fre- urológica para diagnóstico e tratamento o mais rápi- qüente em homens entre 20 e 34 anos de idade, perío- do possível. do de plena atividade produtiva e reprodutiva. O testí- culo produz a maior parte da testosterona sendo res- A ultrassonografia do testículo tem papel funda- ponsável pela manutenção do libido, além disso, é o mental no diagnóstico, pois caracteriza a presença órgão responsável pela produção dos espermato- do tumor e sua relação com as estruturas vizinhas, zóides e conseqüentemente da fertilidade no homem. além de diferenciar das outras doenças (torção de testículo e inflamação testicular). Outra vantagem Há pouco mais de 10 anos esses tumores eram do ultrassom é a capacidade de mostrar tumores curados em apenas metade dos pacientes, no entan- não palpáveis ao exame físico do urologista, sendo to, devido ao diagnostico precoce e ao tratamento estas lesões diagnosticadas em fases iniciais facili- adequado, a sobrevida em 5 anos nos dias de hoje tando o tratamento desses pacientes. A tomografia aproxima-se de 95% dos pacientes tratados. de abdome é outro exame indispensável na avaliação O principal fator associado ao câncer testicular é pré-operatoria e acompanhamento por diagnosticar a presença dos testículos posicionados fora da bolsa a presença de doença metástase que ocorre princi- testicular, com risco 50 vezes maior para os indivíduos palmente no retroperitônio. com essa anormalidade. Outro grupo com maior inci- O conhecimento da drenagem do testículo é es- dência deste câncer são os homens portadores de sencial no tratamento dos tumores tornando a biós- infertilidade, pois a presença do tumor pode ser a pia de um nódulo testicular contra-indicada pela pos- causa da diminuição da produção de espermatozóides. sibilidade de disseminação da doença no trajeto da agulha. O tratamento correto consiste na retirada O quadro clínico caracteriza-se por aumento do do testículo acometido realizada sempre através de volume testicular ou pela presença de nódulo testicu- abordagem na região inguinal. lar indolor a palpação. Toda massa testicular, princi- palmente em adultos jovens, deve ser considerada Mais da metade dos pacientes com tumor testicular um câncer até que se prove o contrário, apesar disso, tem doença metastática no momento do diagnóstico, o diagnóstico definitivo somente é possível após ava- tornando necessário algum tipo de tratamento com- 15 ManualOncologico OK.p65 15 24/11/2005, 15:06
  16. 16. Manual do Paciente Oncológico plementar após a retirada do tumor primário. Embora O Tabaco e o câncer seja assustadora a alta freqüência de doença dissemi- O tabagismo é o principal responsável pelo de- nada ao diagnóstico inicial, estes pacientes ainda senvolvimento de câncer de pulmão e de laringe. apresentam possibilidade de cura em aproximadamen- Também é associado ao desenvolvimento de câncer te 75% dos casos, devido a resposta favorável desses de cavidade oral, faringe, esôfago, pâncreas, bexiga tumores tanto a quimioterapia como a radioterapia. e colo do útero. Considerando doenças não cancero- Muitos dos pacientes com câncer ainda não pos- sas, o tabagismo se associa a bronquite crônica, enfi- suem uma família constituída, sendo assim, o trata- sema pulmonar, infecções respiratórias, doenças dos mento pode representar um grande impacto na ferti- vaso e do coração, aneurismas, úlceras, impotência lidade desses indivíduos. Após quimioterapia ou ra- sexual, infertilidade, menopausa precoce, dismenor- dioterapia quase todos os pacientes tem a função réia e dependência psíquica. do testículo remanescente gravemente alterada por um período de aproximadamente 2 anos, quando um Cerca de 50% dos tabagistas irão falecer de algu- pouco mais da metade desses apresentam melhora ma doença relacionada ao fumo. O tabagista vive importante com possibilidade de gravidez. Por esse menos que o não fumante, com um índice de mortali- motivo, todos os pacientes, sem família constituída, dade 70% maior para todas as causas de óbito, inclu- podem ter seus espermatozóides congelados antes sive doença coronariana. O cigarro contribui para do tratamento definitivo, permanecendo assim a pos- 22% da mortalidade geral, 30% para a de origem sibilidade de obtenção de gravidez por método de cardiovascular, 30% para o câncer e 30% para as reprodução assistida. doenças respiratórias. Nos Estados Unidos, mais de uma em cada seis mortes é relacionada ao tabagis- Quanto ao aspecto estético, hoje em dia, existem mo. Segundo dados da Organização Mundial da Saú- próteses testiculares colocadas no mesmo ato da reti- de (OMS) o tabaco é a maior causa de doenças e rada do testículo sem deixar cicatrizes e imperceptíveis morte em todo mundo. visualmente quando comparadas ao testículo normal. Além dos danos causados à população, ele tam- O testículo produz a maior parte da testosterona bém é responsável pela poluição ambiental e por no homem e é responsável pela manutenção do libido. prejudicar a saúde de outras pessoas – os fumantes Felizmente, tumores bilaterais ocorrem em menos de passivos. Na fumaça do cigarro existem mais de 1% dos casos, sendo assim, a necessidade de repo- 3.000 elementos nocivos. Para o fumante passivo, a sição hormonal e possível dano na função sexual são simples inalação da fumaça traz 10% de risco. condições extremamente raras. Do ponto de vista econômico, doenças associadas Pela faixa etária jovem de acometimento desses ao cigarro representam milhares de tratamentos, tumores e a alta curabilidade da doença, as conse- que muitas vezes podem durar anos. No aspecto la- qüências do tratamento tornaram-se as principais boral, muitos pacientes se tornam improdutivos e preocupações na atualidade. Cirurgia, radioterapia e irão depender de auxílio financeiro, seja ele do sis- quimioterapia possuem efeitos colaterais potencial- tema de previdência ou não. Recente comunicação mente prejudiciais a longo prazo na qualidade de vida do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos ates- desses pacientes. Sendo assim, os principais avan- ta que o tabagismo custa aos patrões US$ 26 bilhões ços no tratamento concentram-se na diminuição das em perda de produtividade ao ano. A prevenção do conseqüências com permanência de bons resultados. tabagismo representa evitar um grande número de Dr. Jorge Hallak mortes. O cigarro é a causa mortis mais passível de Médico-Assistente Doutor, Divisão de Clínica Urológica e Diretor-Executivo, Centro de Reprodução Humana do Hospital prevenção que existe. das Clínicas da FMUSP; Responsável pela Seção de Reprodução Humana, Infertilidade e Função Sexual da Sociedade Brasileira O hábito de fumar está associado aos níveis de de Cancerologia cultura e educação dos povos, já que em países 16 ManualOncologico OK.p65 16 24/11/2005, 15:06
  17. 17. O que você precisa saber sobre Câncer • Parte I menos desenvolvidos encontramos índices mais ele- hoje em desenvolvimento, com resultados animado- vados. No Brasil e na África os índices de tabagismo res. Entre esses novos recursos de tratamento, en- chegam a estar aumentando. contram-se as terapias rediferenciadoras (com for- mas ácidas da vitamina A e D para alguns tumores e A maioria dos homens do Leste Europeu fuma. o trióxido de arsênico, para alguns tipos de leucemia), Na antiga Alemanha Oriental 40% fumam; já os oci- a hormonioterapia, como tratamento adjuvante para dentais fumam menos. O tabagismo também é co- tumores de próstata e endométrio uterino e mama, mum nas classes sociais mais baixas de Reino Unido, bem como algumas vacinas, como a Theratope ®, que Suíça, China, Filipinas e EUA. No Brasil, um em cada se encontra em fase final de testes na Grã Bretanha, três adultos é fumante. com mais de 900 pacientes com câncer de mama Dentro desse painel, medidas sérias, com partici- avançado. Novos medicamentos imunomoduladores pação do governo e sociedade civil, devem ser toma- que ajudam a aumentar as defesas naturais do corpo das no combate ao tabagismo. Embora legalizado, o (sistema imunológico) a combaterem tumores já fumo causa dependência e incontáveis danos a saúde estão sendo utilizados no Brasil. pública. Além disso, alguns tratamentos tradicionais conti- Paulo Jorge Valentim nuam progredindo, como as diversas novas técnicas Cirurgião Oncologista Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho de diagnóstico precoce, de cirurgia, novos tratamen- tos com medicamentos quimioterápicos e novos avan- ços em radioterapia. Portanto, no caso de diagnóstico de câncer, procure informar-se com seu médico sobre 3. ESTOU COM CÂNCER, as melhores estratégias de tratamento para o seu O QUE DEVO FAZER? caso em particular. Hoje a Medicina já trata com sucesso um número Uma crescente compreensão da importância de cada vez maior de tipos de neoplasias (câncer). O uma alimentação equilibrada e apropriada para o diagnóstico de um tumor em suas fases iniciais de paciente com câncer é outro fator fundamental para desenvolvimento, aumenta a chance de cura total melhorar a resposta aos tratamentos, promover sua da doença. Porém, novos tratamentos para alguns qualidade de vida e diminuir ou evitar certos efeitos cânceres em seu estágio avançado, encontram-se colaterais dos tratamentos. 17 ManualOncologico OK.p65 17 24/11/2005, 15:06
  18. 18. 18 ManualOncologico OK.p65 18 24/11/2005, 15:06
  19. 19. Parte II Parte II O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE OS TRATAMENTOS 1. INTERNAÇÃO HOSPITALAR E 2. SISTEMA DE TRATAMENTO CIRURGIA AMBULATORIAL Dos tratamentos mencionados anteriormente, a É realizado quando o médico responsável e o pa- cirurgia é o tratamento que quase sempre exige in- ciente decidem que o tratamento pode ser feito sem ternação hospitalar, principalmente quando se tratam a necessidade de internação. Tanto a quimioterapia de tumores internos profundos ou em regiões de di- quanto a radioterapia podem ser feitas em ambulató- fícil acesso. Muitas vezes, o paciente de câncer chega rio e o seu médico responsável irá solicitar os servi- ao serviço de saúde em um grau profundo de desnu- ços de quimioterapia ou de radioterapia de um hospi- trição, devido à falta de apetite ou dificuldade em tal ou clínica e orientá-lo(a) a agendar com a enfer- alimentar-se. Nesses casos, o médico responsável magem do serviço os dias e horários em que se deve pode decidir interná-lo por alguns dias para que ele comparecer ao setor para receber o tratamento. Per- possa receber alimentação por via enteral (sonda gunte a seu médico se é conveniente levar um acom- nasoenteral) ou parenteral (veia periférica, ou veia panhante nos dias do tratamento. central), enquanto realiza os exames adicionais ne- cessários para planejar a cirurgia. A cirurgia pode ser realizada com dois objetivos: 3. O QUE É QUIMIOTERAPIA? extrair o tumor e/ou realizar a biópsia (exame que É um tratamento que utiliza medicamentos (re- determina o tipo de tumor) e verificar se existem médios) que eliminam as células de câncer que for- metástases na proximidade dele. (Metástases são mam os tumores e metástases. Quando o tumor é formadas por células que saem do tumor principal e muito grande e se encontra em uma região do corpo invadem outros órgãos ou tecidos). Quando nódulos que não permite sua extração por cirurgia ou permite linfáticos exibem invasão ou metástase, o médico cirurgião extrai estes nódulos também, na maioria apenas a retirada de parte do tumor, a radioterapia das vezes. pode ser utilizada em combinação com a quimiote- rapia ou uma e depois a outra – dependendo do que Uma vez encerrada a etapa cirúrgica, o médico seu médico decidir ser mais recomendável. A quimio- responsável por seu tratamento irá decidir o tipo de terapia pode inclusive servir para diminuir o tumor terapia necessária a seguir: – quimioterapia, radiote- e permitir que ele seja, então, extraído através de rapia ou ambas – ou ainda, uma combinação de uma cirurgia. destas (ou de ambas) com outras terapias, tais como a imunomodulação e/ou uma terapia rediferencia- Tratamento Adjuvante - Uma situação em que dora. Geralmente, esses tratamentos são realizados a quimioterapia e/ou a radioterapia podem ser utili- sem internação, através de atendimento ambulatorial zadas como tratamento preventivo (adjuvante), é – a menos que seu médico decida que é importante quando o tumor foi retirado na cirurgia, mas os estu- mantê-lo internado por mais alguns dias. dos indicam que se o paciente fizer quimioterapia 19 ManualOncologico OK.p65 19 24/11/2005, 15:06
  20. 20. Manual do Paciente Oncológico e/ou radioterapia, isso diminuirá a probabilidade de objetivo do tratamento seja alcançado. Portanto, não células tumorais que possam ter emigrado para falte às sessões de tratamento que foram agendadas. outras regiões desenvolvam novos tumores. É importante seguir corretamente as orientações do médico responsável. Se alguma coisa não ficou clara, Existem muitos tipos de medicamentos quimio- terápicos e aqueles que cada paciente irá receber, não fique constrangido(a) em fazer perguntas. Seu bem como a duração do tratamento, serão estabele- médico, os médicos desse setor e a equipe de enfer- cidos pelo médico responsável. A quimioterapia con- magem, ficarão satisfeitos em respondê-las da forma siste na utilização de agentes químicos (remédios), mais adequada possível. isolados ou em combinação com outros tratamentos, Efeitos Colaterais: A ocorrência de efeitos co- com o objetivo de tratar uma doença. Os aspectos laterais depende fundamentalmente dos tipos de me- particulares sobre seu quadro clínico (doença) deve- dicamentos (remédios) prescritos e do próprio rão ser esclarecidos com o médico responsável. organismo de cada paciente. Isso significa que alguns efeitos colaterais desagradáveis podem ocorrer Modo de aplicação dos com uma pessoa enquanto uma outra nada sente ou medicamentos quimioterápicos os têm de forma mais branda. A equipe de enferma- gem estará continuamente acompanhando o trata- Os medicamentos são preparados e aplicados por mento, para detectar qualquer anormalidade e escla- uma equipe de enfermagem treinada e podem ser recer dúvidas. No caso de dúvidas, pergunte! administrados por várias vias de acesso (locais ou regiões do corpo), tais como: Alguns efeitos de medicamentos quimioterápicos são a diminuição de glóbulos brancos e/ou de glóbulos a) Via Endovenosa (na veia): poderá ser rea- vermelhos e plaquetas. Quando o potencial deste lizado através de uma veia periférica (mãos efeito é muito grande, o seu médico poderá indicar ou braços), ou por um catéter (vide explicação uma medicação subcutânea ou endovenosa (na veia) posterior). que ajude a restaurar esses componentes do sangue. b) Via Intramuscular (dentro do músculo): Certos medicamentos quimioterápicos afetam o cres- nos braços, pernas ou nádegas. cimento de cabelos, pelos do corpo e unhas, causan- do a queda de cabelos e enfraquecimento de unhas. c) Via Subcutânea (na região acima do mús- Porém, na maioria das vezes, esses sintomas são culo): nádegas, barriga, braços ou pernas temporários e, uma vez encerrado o tratamento, eles (coxas). voltam a crescer. Seu médico ou a enfermeira do d) Via oral (tomando comprimidos, cápsulas serviço de oncologia podem orientá-lo sobre isso. ou líqüidos pela boca): seu médico o infor- mará sobre os medicamentos que irá rece- ber, os possíveis efeitos colaterais que podem Auto Cuidado Durante o acompanhar o tratamento e como agir caso Tratamento: estes ocorram. A medicação é tomada em ho- ♦ Durante o período de tratamento com quimiote- rários definidos pelo médico, para facilitar a rápicos, mantenha sua boca e gengivas sempre sua absorção. Por exemplo, 1 hora antes ou limpas e utilize escovas de dente macias, esco- 1 hora e 30 minutos após a refeição. É impor- vando os dentes após ingerir alimentos. Não utili- tante observar a orientação do médico e não ze cremes dentais abrasivos (com branqueado- interromper a medicação sem informá-lo. res) e faça bochechos com 1 colher (de café) de Muitos desses medicamentos precisam ser admi- bicarbonato de sódio dissolvido em um copo de nistrados (tomados), a intervalos específicos (1 vez água à temperatura ambiente (nem quente nem por semana ou a cada 21, 28 dias, etc.) para que o gelada), três vezes ao dia, e após as refeições. 20 ManualOncologico OK.p65 20 24/11/2005, 15:06
  21. 21. O que você precisa saber sobre os tratamentos • Parte II ♦ Devido à ansiedade ou preocupação com a doen- IMPORTANTE: ça e o tratamento, algumas pessoas não se sen- Como os quimioterápicos podem diminuir os glóbulos brancos e as suas defesas contra infec- tem dispostas a manter relações sexuais com seu ções, qualquer sinal de febre, calafrios, parceiro(a). Se este for o caso, converse clara- ardor urinário ou tosse inesperada, deve mente com a outra pessoa. Não deixe no entanto ser comunicado ao médico responsável ou de manter um contato de afeto e carinho, onde à equipe médica. Caso não o encontre, pro- o dar e receber podem ser muito construtivos e cure o Pronto Socorro e peça para entrarem nutritivos para o bem estar emocional de ambos. em contato com seu médico. ♦ Mulheres podem ter seu ciclo menstrual alterado ou ressecamento da vagina durante o tratamento. Evite tomar sol durante a fase de tratamen- Caso isto ocorra, comunique o médico responsá- to quimioterápico. Quando tomar sol, faça uso de vel e siga sua orientação. Mesmo com o ciclo protetores solares. Os medicamentos podem aumen- irregular, pode ocorrer gravidez. Portanto, os cui- tar a sensibilidade ao sol. Avise seu médico. dados de anticoncepção devem continuar, porque a maioria dos quimioterápicos interferem com o Cuidados nos dias da aplicação: crescimento das células e podem causar malfor- Nos dias do tratamento quimioterápico, tome os mações no feto. seguintes cuidados: ♦ Alguns problemas de pele podem ocorrer durante ♦ Coma alimentos mais leves e de fácil diges- o tratamento, tais como pele seca, vermelhidão, tão, sem temperos irritantes (pimentas, mostar- coceira, descamação e acne (espinhas). Portanto da, molho de tomate) e evite frutas ácidas (aba- siga as seguintes instruções: caxi, laranja, morango). Veja no capítulo sobre • Não tome banho muito quente, para evitar o Nutrição do Paciente deste Manual outros alimen- ressecamento da pele; tos que devem ser evitados. • Use sabonetes neutros (sabonetes para bebês ♦ Alimente-se 3 horas antes da sessão de quimio- são os melhores); terapia e leve consigo uma fruta e biscoitos (bola- cha maizena ou Maria, ou biscoitos de água e sal). • Após o banho, hidrate a pele de seu corpo com um creme hidratante testado dermatologica- ♦ Se sentir sede durante a aplicação, peça à enfer- mente (pergunte a seu médico o que ele reco- magem que lhe dê água ou chá (se houver). menda); ♦ No caso de aplicação dos medicamentos por • Se as irritações da pele (coceira, descamação, via endovenosa (na veia), comunique imediata- acne e vermelhidão) forem intensas ou persis- mente à enfermagem qualquer sensação de quei- tentes, fale com seu médico responsável; mação, ardor ou irritação na região da aplicação. • Certos medicamentos podem modificar a colo- ♦ Se sentir enjôo (náuseas) ou vertigem (ton- tura), chame a enfermeira. ração da urina. Portanto, lembre-se de tomar bastante água, chás ou sucos de fruta (ou água ♦ Durante a aplicação dos medicamentos no de coco verde) durante o período de tratamen- ambulatório, procure manter seus pés ele- to. Caso note a presença de sangue em vados, para evitar que seus pés e pernas inchem. sua urina ou fezes; ou tenha sangramen- Algum edema (inchaço) pode ocorrer em pés, to nasal ou gengival, comunique o seu mé- mãos e rosto, devido ao tratamento. Reduza o dico o mais rápido possível. sal de sua alimentação e beba bastante líqüido. 21 ManualOncologico OK.p65 21 24/11/2005, 15:06

×