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  • 1. Coordenação do Projeto / AutoriaInstituto PROMUNDO é uma organização não- uma organização não-governamental brasileiragovernamental com escritórios no Rio de Janeiro e afiliada ao John Snow Research and TrainingBrasília que procura aplicar conceitos das áreas de Institute e a John Snow do Brasil. Suas áreasdesenvolvimento humano, marketing social e específicas de atuação incluem: prevenção dedireitos da criança através de pesquisa, apoio violência, fortalecimento de sistemas comunitáriostécnico, capacitação e disseminação de resultados de apoio para crianças e adolescentes; gênero,de estratégias efetivas e integrais que contribuam saúde e adolescência; e crianças e famílias afetadaspara a melhoria das condições de vida de crianças, pela AIDS.jovens e suas famílias. PROMUNDO executaestudos de avaliação; oferece treinamento para Contatos: Gary Barker / Marcos Nascimento Rua Francisco Serrador, 2 / sala 702 - Centroorganizações trabalhando nas áreas relacionadas Rio de Janeiro, RJ, 20031-060, Brasilao bem-estar de crianças, jovens e famílias; e Tel: (21) 2544-3114 / 2544-3115trabalha com organizações parceiras que Fax: (21) 2220-3511desenvolvam serviços e intervenções inovadoras E-mail: g.barker@promundo.org.brpara crianças, jovens e famílias. PROMUNDO é Website: www.promundo.org.brApoioIPPF/WHR – International Planned Parenthood regionais para envolver aos homens na saúde sexualFederation Western Hemisphere Region é uma e reprodutiva e para dirigir esforços na área daorganização sem fins lucrativos que trabalha na violência de gênero. IPPF/RHO tem sido tambémAmérica Latina e no Caribe através de 44 pioneiro no desenvolvimento de serviços paraorganizações afiliadas, provendo serviços na área jovens.do Planejamento Familiar e outras áreas de saúde 120 Wall Street, 9th Floorsexual e reprodutiva para mulheres, homens e New York, NY 10005jovens da região. IPPF/WHR tem colocado Tel: (212) 248-6400particular ênfase em incorporar perspectivas de Fax: (212) 248-4221gênero e de direitos na provisão dos serviços. Esta E-mail: info@ippfwhr.orgênfase, por sua vez, tem sido motor de projetos Website: www.ippfwhr.orgOs direitos deste material são reservados aos autores, podendo ser reproduzidos desde que se cite a fonte.2001 ©- Instituto PROMUNDO e colaboradores
  • 2. ColaboraçãoECOS-Comunicação em Sexualidade é uma incluir em suas práticas educativas e deorganização não-governamental que, desde 1989, comunicação, de maneira inovadora, a ótica devem incentivando trabalhos nas áreas de advocacy, jovens e adultos do sexo masculino.pesquisa, educação pública e produção de materiais Contato: Silvani Arrudaeducativos em sexualidade e saúde reprodutiva. A Rua do Paraíso 592 - Paraísoexperiência acumulada tem apontado para a São Paulo, SP, 04103-001, Brasilnecessidade de construção de um olhar de gênero Tel/Fax. (11) 3171-0503 / 3171-3315que considere a perspectiva de masculina sobre E-mail: ecos@uol.com.brsexualidade e saúde reprodutiva. Isto significou Website: www.ecos.org.brO Programa PAPAI é uma instituição civil sem fins manas e Sociais, além de inúmeros colaboradoreslucrativos que desenvolve pesquisas e ações e colaboradoras, diretos e indiretos.educativas no campo das relações de gênero, saú- Principais temas de trabalho: paternidade na adolescên-de, educação e ação social, em parceria com a Uni- cia, prevenção de DST e Aids, comunicação e saúde,versidade Federal de Pernambuco. Promovemos ati- violência de gênero, redução de danos e drogas.vidades de intervenção social junto a homens, jo-vens e adultos, em Recife, nordeste brasileiro, bem Contatos: Jorge Lyra / Benedito Medradocomo estudos e pesquisas sobre masculinidades, a Rua Mardonio Nascimento, 119 - Várzeapartir do enfoque de gênero, em nível nacional e Recife, PE, 50741-380, Brasilinternacional. Nossa equipe é composta por ho- Tel/Fax: (81) 3271-4804mens e mulheres: profissionais (graduados e pós- E-mail: papai@npd.ufpe.brgraduados) e estudantes da área de Ciências Hu- Website: www.ufpe.br/papaiSalud y Género é uma associação civil, formada Curso em Gênero e Saúde, desenhamos epor mulheres e homens de distintas profissões e elaboramos materiais educativos e promovemos aexperiências de trabalho que se mesclam para incorporação do enfoque de gênero nas políticasdesenvolver propostas educativas e de participação públicas nas áreas de saúde, educação e população.social inovadoras no campo da saúde e gênero.Contamos com dois escritórios: um em Xalapa,Veracruz, e outro em Querétaro, Querétaro, Contato: Benno de Keijzer/Gerardo AyalaMéxico. Salud y Género se desenvolve em umcampo complexo e transformador, utilizamos a Em Xalapa: Carlos Miguel Palacios # 59perspectiva de gênero como instrumento de nosso Col. Venustiano Carranzatrabalho, pois nos permite ver possibilidades de Xalapa, Veracruz, México.transformação nas relações entre homens e CP 91070mulheres. Através de nossas ações, pretendemos Tel/Fax: (52 8) 18 93 24 E-mail: salygen@infosel.net.mxcontribuir a uma melhor saúde e qualidade de vidade mulheres e homens nas áreas da saúde mental, Em Querétaro: Escobedo # 16-5sexual e reprodutiva, considerando que a eqüidade Centro, Querétaro, Querétaro, México.e a democracia são uma meta e responsabilidade CP 76000compartilhada. Desenvolvemos oficinas educativas Tel/Fax: (52 4) 2 14 08 84no México e na América Latina, oferecemos um E-mail: salgen@att.net.mxColaboradores nas Provas de Campo: cinco ONGs colaboraram para validar estes cadernos em campo, sendo:BEMFAM (Brasil), INPPARES (Peru), MEXFAM (México), PROFAMILIA (Colômbia) e Save the Children – US(Bolívia). No módulo 3 se encontra uma descrição de cada uma delas e informação para contato.
  • 3. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA AGRADECIMENTOS ....................................................................................................... 05 INTRODUÇÃO: Como foi elaborado e como usar este caderno. ..................................... 07 MÓDULO 1: O QUÊ E O PORQUÊ. Uma introdução ao tema da violência, convivência e homens jovens. .......................................................................................... 19 O que é violência? .......................................................................................................... 21 É melhor falar da prevenção da violência ou na promoção da convivência? ................... 22 Qual é a dimensão da violência “masculina” nas Américas? ........................................... 23 Os homens são “naturalmente” mais violentos que as mulheres? Ou seja, existe uma “causa” biológica para a violência masculina? ................................................................ 24 Se os rapazes são socializados para serem violentos, como é que isto acontece? ................. 25 Estar fora da escola é uma causa de violência para os rapazes? ....................................... 28 Violência é só coisa de homens jovens de baixa renda? .................................................. 29 De onde vem a violência dos homens contra as mulheres? ............................................. 30 Que sabemos sobre a violência sexual de homens jovens contra mulheres?..................... 32 O que concluímos .......................................................................................................... 33 MÓDULO 2: COMO. Como trabalhar a prevenção da violência com homens jovens.......................................................................................................... 35 Técnica 1: O Bastão Falante ............................................................................................. 37 Técnica 2: O Varal da Violência ....................................................................................... 41 Técnica 3: Otário Vivo ou Valente Morto: A Honra Masculina ........................................... 43 Técnica 4: A Violência à Minha Volta .............................................................................. 46 Técnica 5: Diversidade e Direitos: Eu e os Outros............................................................. 48 Técnica 6: Risco e Violência: as Provas de Coragem ............................................................. 50 Técnica 7: Violência Sexual: é ou não é? ......................................................................... 52 Técnica 8: Da Violência para Respeito na Relação Íntima ................................................ 55 Técnica 9: Homofobia: Homem Pode Gostar de Outro Homem? .................................... 57 Técnica 10: Que Faço Quando Estou com Raiva? .............................................................. 60 Técnica 11: Cidadania: O que Posso Fazer para Promover a Paz? ................................ 63 MÓDULO 3: ONDE. Onde procurar mais informação. ................................................. 67 Recursos .......................................................................................................................... 69 Relato de uma Experiência: Instituto PROMUNDO ......................................................... 73 Organizações Colaboradoras na Avaliação dos Cadernos ............................................... 76 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................... 78 ANEXO: Prova de Campo dos Cadernos ......................................................................... 804
  • 4. AGRADECIMENTOSOs autores deste caderno são Gary Barker e Marcos Nascimento, do Instituto PROMUNDO.Contudo, queremos enfatizar que a sua elaboração foi um processo coletivo que envolveucolegas e amigos de diversas instituições: Judith Helzner e Humberto Arango, International Planned Parenthood Federation/ Western Hemisphere Region (IPPF/WHR) Benedito Medrado e Jorge Lyra, Programa PAPAI Margareth Arilha e Silvani Arruda, Comunicação em Sexualidade (ECOS) Benno de Keijzer e Gerardo Ayala, Salud y Género Reginaldo Bianco, 3Laranjas Comunicação Os jovens do projeto “De Jovem para Jovem”, Bangu e Maré, Rio de Janeiro Luiz dos Santos Costa, Waldemir Correa e Cláudio Santiago, Grupo Consciência Masculina Paul Bloem, Organização Mundial de Saúde Matilde Maddaleno, Organização Panamericana de Saúde Angela Sebastiani, INPPARES Liliana Schmitz, PROFAMILIA Mônica Almeida, Ney Costa e Gilvani Granjeiro, BEMFAM Elizabeth Arteaga e Fernando Cerezo, Save the Children (Bolívia) José Angel Aguilar, MEXFAM Miguel Fontes e Cecília Studart, John Snow do Brasil e Soraya Oliveira, do Instituto PROMUNDO Carlos Zuma e Fernando Acosta, Instituto NOOSApoio financeiro e material: International Planned Parenthood Federation/Western Hemisphere Region (IPPF/WHR) Summit Foundation Moriah Fund Gates Foundation US Agency for International Development Organização Mundial de Saúde/Organização Panamericana de Saúde 5
  • 5. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA6
  • 6. INTRODUÇÃOComo foi elaboradoe como usar este caderno 7
  • 7. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA8
  • 8. INTRODUÇÃO melhorar o status de mulheres e meninas. O Programa de Ação da CIPD, por exemplo, procura “promover a equidade de gênero em todas as esferas da vida, incluindo família e comunidade, levando os homens a assumir sua parcela de responsabilidade por seu comportamento nas esferas sexual e reprodutiva bem como por seus papéis sociais e familiares”. Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu prestar uma maior atenção nas1- Por que focar necessidades dos homens adolescentes, reconhecendo que muitas vezes não houve umatenção nos rapazes? olhar mais cuidadoso por parte dos programas sobre as questões de saúde dos rapazes. Um Por muito tempo, assumiu-se documento de “advocacy” sobreque os homens adolescentes homens adolescentes, preparadoiam bem e que tinham e impresso pela OMS emmenos necessidades do colaboração com o Institutoque as meninas em PROMUNDO, está incluídotermos de saúde. neste caderno. A UNAIDSOutras vezes, dedicou a campanha depensava-se que AIDS 2000-2001 aostrabalhar com rapazes homens, incluindo osera difícil, por eles homens jovens, eserem agressivos e não se reconhecendo quepreocuparem com a saúde. o comportamentoFreqüentemente, eram vistos deles constitui umcomo violentos – violentos fator que oscontra outros rapazes, contra coloca emsi mesmos e contra as meninas. situações de risco,Pesquisas recentes e novas bem como às suasperspectivas chamam a atenção para parceiras e parceiros. Éum entendimento mais apurado de como os necessário engajá-los de forma positiva tanto narapazes são socializados, do que eles precisam prevenção do HIV/AIDS quanto no suporte paraem termos de um desenvolvimento saudável, aqueles que vivem com AIDS.e o que os educadores de saúde e outrosprofissionais podem fazer para atendê-los de Nos últimos anos, houve um aumentoforma mais apropriada. considerável no reconhecimento dos custos de alguns aspectos tradicionais da masculinidade Passados 20 anos, inúmeras iniciativas tanto para homens adultos quanto para osprocuraram um maior “empowerment” das rapazes – o pouco envolvimento com omulheres e diminuir a hierarquia entre os cuidado com as crianças; maiores taxas degêneros. Muitas formas de “advocacy” morte por acidentes de tráfego, suicídio emostraram a importância de engajar os violência do que as meninas, assim como ohomens, adultos e jovens, no bem-estar das consumo de álcool e drogas. Os rapazes têmmulheres, tanto adultas como jovens. A inúmeras necessidades no campo da saúde oConferência Internacional sobre População e que requer usar esta perspectiva de gênero.Desenvolvimento (CIPD, 1994) e a IVConferência Mundial sobre Mulheres em O que significa aplicar a “perspectiva deBeijing (1995) enfatizaram a importância de gênero” para trabalhar com homensse incluirem os homens nos esforços de adolescentes e jovens? 9
  • 9. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Gênero se refere às formas como somos Na maior parte dos contextos, os meninos socializados, como nos comportamos e são criados para serem auto-suficientes, não se agimos, tornando-nos homens e mulheres; preocuparem com sua saúde e não procurarem refere-se também à forma como estes papéis e ajuda quando enfrentam situações de stress. Ter modelos, usualmente estereotipados, são com quem falar e procurar algum tipo de suporte internalizados, pensados e reforçados. A é um fator de proteção contra uso de drogas e origem de muitos dos comportamentos dos envolvimento com violência – o que explica em homens e rapazes –negociação ou não do uso parte por que os meninos são mais propensos a de preservativo, cuidado ou não das crianças se envolverem em episódios de violência e a quando são pais, utilização ou não da consumir drogas que as meninas. Pesquisas violência contra sua parceira – muitas vezes é confirmam que a forma como os homens são encontrada na forma como os meninos foram socializados trazem conseqüências diretas para socializados. Por vezes, assume-se que sua saúde. Um levantamento nacional, com determinados comportamentos são da homens adolescentes entre 15 e 19 anos, “natureza do homem”, ou que “homem é realizado nos EUA, concluiu que jovens que assim mesmo”. Contudo, a violência praticada tinham padrões sexistas e tradicionais de por rapazes, o uso abusivo de drogas, o masculinidade eram mais propensos ao uso de suicídio e o comportamento desrespeitoso em drogas, ao envolvimento com violência e relação à sua parceira, estão relacionados à delinqüência e a comportamentos sexuais de forma como as famílias, e de um modo mais risco do que outros homens jovens que possuíam amplo, a sociedade, educam meninos e visões mais flexíveis sobre o que um “homem meninas. Mudar a forma como educamos e de verdade” pode realmente fazer1 . percebemos os rapazes não é tarefa fácil, mas é necessária para a mudança de aspectos Com estas considerações, aplicar a negativos de algumas formas de perspectiva de gênero ao trabalhar com masculinidade. homens jovens implica: Muitas culturas promovem a idéia de que (a) EQÜIDADE DE GÊNERO: Engajar os ser um “homem de verdade” significa ser homens na discussão e reflexão sobre a provedor e protetor. Incentivam os meninos hierarquia de gênero com objetivo de levá-los a serem agressivos e competitivos – o que a assumir sua parcela de responsabilidade no é útil na formação de provedores e cuidado com os filhos, nas questões de saúde protetores – o que leva, por vezes, as reprodutiva e nas tarefas domésticas. meninas a aceitarem a dominação masculina. Por outro lado, os meninos (b) ESPECIFICIDADE DE GÊNERO: Olhar geralmente são criados para aderir a rígidos para as necessidades específicas que os jovens códigos de honra, que os obrigam a possuem em termos de saúde e competir e a usar violência entre si para desenvolvimento por conta de seu processo provarem que são “homens de verdade”. de socialização. Isto significa, por exemplo, Meninos que mostram interesse em cuidar engajar os rapazes em discussões sobre uso de crianças, que executam tarefas de drogas ou comportamentos de risco, ajudá- domésticas, que têm amizades com los a entender por que se sentem pressionados meninas, que demonstram suas emoções e a se comportarem desta ou daquela forma. que ainda não tiveram relações sexuais, em regra, são ridicularizados por suas famílias Este caderno incorpora estas duas e companheiros como sendo “viadinhos”. perspectivas. 1 Courtenay, W. H. Better to die than cry? A longitudinal and constructionist study of masculinity and the health risk behavior of young American men [Doctoral dissertation]. University of California at Berkeley, Dissertation Abstracts10 International, 1998.
  • 10. INTRODUÇÃO2- Do homem jovem ser taxado como delinqüente pelos pais, professores e outros adultos. Rapaz que secomo obstáculo, ao sente rotulado e categorizado como delinqüente tem mais probabilidade de ser umhomem jovem como delinqüente. Se, esperamos rapazes violentos, se esperamos que eles não se envolvam comaliado cuidados com seus filhos e que não participem de temas ligados à saúde sexual e reprodutiva de uma forma respeitosa e comprometida, Discussões sobre meninos e homens jovens, então criamos profecias que se autocumprem.freqüentemente, têm focado sua atenção nosproblemas – sua pouca participação nas Estes cadernos partem da premissa de quequestões de saúde sexual e reprodutiva e em os jovens devem ser vistos como aliados. É fatoaspectos violentos de seu comportamento. que alguns jovens são violentos com os outrosAlgumas iniciativas nas áreas de saúde do e consigo mesmos. Mas acreditamos que éadolescente têm encarado os rapazes como imperioso começar a perceber o que osobstáculos ou como agressores. De fato, alguns homens jovens fazem de positivo e humano erapazes são violentos com suas parceiras ou acreditar no potencial de outros homens jovensparceiros. Alguns são violentos entre si. Muitos de fazer o mesmo.jovens não participam do cuidado dos seusfilhos, e não têm uma participação adequadaem relação às suas necessidades de saúdesexual e reprodutiva, nem de suas parceiras.Mas existe uma outra parcela de homensadolescentes e jovens que participa do cuidado 3- Sobre a série decom as crianças, e que é respeitosa nas suasrelações de intimidade. Ao mesmo tempo, é cadernos de trabalhoimportante lembrar que ninguém é apenas deum único jeito o tempo todo; um homem Este caderno sobre violência e convivênciajovem pode ser violento com o/a parceiro/a e é parte de uma série de cinco cadernosmostrar-se cuidadoso com os filhos, ou chamada “Trabalhando com Homens Jovens”.violento em alguns contextos e em outros não. Esse material foi elaborado para educadores de saúde, professores e/ou outros profissionais ou Este caderno parte do princípio que os voluntários que desejem ou já estejamhomens devem ser vistos como aliados – atuais trabalhando com homens jovens. Isto incluiou potenciais – e não como obstáculos. Os tanto aqueles profissionais interessados emrapazes, mesmo aqueles que por vezes tenham trabalhar, como aqueles que já vêm trabalhandosido violentos ou que não tenham com homens adolescentes e jovens entre 15 edemonstrado respeito com suas parceiras, 24 anos, faixa que corresponde à “juventude”,possuem potencial para serem respeitosos e segundo definições da OMS. Sabemos que estacuidadosos com elas, para negociar em suas faixa é bastante ampla, e não necessariamenterelações com diálogo e respeito, para assumir estamos recomendando que se trabalhe emresponsabilidades por seus filhos, e para grupos com jovens de 15 a 24 anos no mesmointeragir e viver de forma harmoniosa ao invés grupo. Porém, as técnicas incluídas aqui foramde forma violenta. testadas e elaboradas para trabalhar com homens jovens nesta faixa de idade e em Tanto pesquisas como nossa experiência diversos locais e contextos.pessoal como educadores, pais, professores eprofissionais de saúde demonstram que os Os cinco cadernos desta série são:rapazes respondem muitas vezes segundo asexpectativas que se tem deles. Pesquisas sobre a) Sexualidade e Saúde Reprodutiva: emdelinqüência mostram que um dos fatores busca dos direitos sexuais e reprodutivos dosassociados ao comportamento delinqüente é homens jovens 11
  • 11. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA b) Paternidade e Cuidado e) Prevenindo e Vivendo com HIV/AIDS c) Da Violência para Convivência: um caderno Cada caderno contém uma série de técnicas, para trabalhar a prevenção de violência, incluindo com duração entre 45 minutos e 2 horas violência de gênero, com homens jovens. planejadas para uso em grupos de homens d) Razões e Emoções. Caderno para jovens, e que, com algumas adaptações, podem trabalhar saúde mental com homens jovens. ser usadas para grupos mistos. Recomendamos se exponham, não se abram ou deixam que as mulheres falem mais sobre assuntos íntimos. Em alguns grupos vemos que as mulheres chegam a O que nós recomendamos: trabalhar com ser "embaixadoras" emocionais dos homens, ou homens jovens em grupos só de rapazes ou em seja, os homens não expressam suas emoções, grupos mistos (rapazes e meninas)? Nossa res- delegando esse papel às mulheres. posta é: as duas formas. Como organizações que vêm trabalhando com grupos de homens, jovens Na aplicação destas técnicas, em cinco paí- e adultos, bem como com grupos de mulheres e ses, ficou confirmado que para muitos dos homens grupos mistos, acreditamos que para alguns te- presentes foi a primeira vez que tinham participa- mas é útil trabalhar com grupos separados, ou do de um grupo só de homens. Embora alguns seja, somente de rapazes. Alguns rapazes e ho- dissessem que havia sido difícil no início, depois mens jovens se sentem mais à vontade em dis- acharam que era importante ter algum tempo só cutir temas como sexualidade e raiva, em expor com grupos de rapazes. suas emoções sem uma presença feminina. Num contexto de grupo, com um facilitador e outros Contudo, ao mesmo tempo, recomendamos homens jovens, alguns homens são capazes de que pelo menos uma parte do tempo seja dedicada falar sobre sentimentos e temas que nunca havi- a trabalhar com meninos e meninas juntos. Ho- am falado antes. mens e mulheres vivem juntos, trabalham juntos; alguns formam parcerias afetivas e famílias das Em nossa experiência, alguns homens jovens mais diversas formas e arranjos. Nós acreditamos reclamam ou se mostram pouco interessados se que, como educadores, professores e profissionais não há mulheres no grupo. Claro que ter meni- que trabalham com jovens, devemos promover na pode fazer um grupo mais interessante. Mas interações que propiciem respeito e equidade. O também vemos em muitas ocasiões que a pre- que significa que, pelo menos em uma parte do sença de mulheres faz com que os rapazes não tempo, devemos trabalhar com grupos mistos. 4- Como as atividades Todas estas atividades foram testadas, em foram desenvolvidas cinco países da América Latina, com 172 ho- mens jovens entre 15 e 24 anos, em colabora- ção com IPPF/WHR: As técnicas incluídas nestes cadernos sur- giram da experiência coletiva de trabalho com a) INPPARES, em Lima, Peru; homens jovens das organizações colaborado- b) PROFAMILIA, em Bogotá, Colômbia; ras, nos temas de equidade de gênero e saú- c) MEXFAM, México, DF; de. Muitas atividades foram desenvolvidas e d) Save the Children, em Oruro, Bolívia; e testadas com a participação e colaboração de e) BEMFAM, Rio Grande do Norte, Cea- homens jovens. Outras atividades foram adap- rá e Paraíba, Brasil. tadas de materiais já existentes de trabalho com jovens. Neste caso, fizemos referências ao cré- Os resultados desta prova de campo se en-12 dito devido. contram no Anexo deste caderno.
  • 12. INTRODUÇÃO5- Objetivos doscadernos e dastécnicas O que nós esperamos com estasatividades? É importante afirmar quesimplesmente trabalhar com homens jovensem grupo não resolve as necessidadesenvolvidas pelos temas tratados. Seprocuramos mudar o comportamento dealguns homens jovens, é importante apontarque mudança de comportamento requer maisdo que uma participação por um período detempo em algumas técnicas de grupo. Vemos Os objetivos para os homens jovensesses cadernos como uma ferramenta que participantes nas técnicas sobre prevenção dapode ser usada por educadores de saúde, violência são:professores e outros profissionais como parte Introduzir formas alternativas dede um leque de atividades mais amplo de convivência que incluem diálogo e respeito.engajar homens jovens. Entender as formas de violência que praticamos e que sofremos. Esses cadernos têm de fato dois níveis de Refletir e questionar como a socializaçãoobjetivos: (a) Objetivos para os educadores que masculina muitas vezes fomenta violência.vão usar o material; (b) Objetivos para os Questionar como a violência é usada contrahomens jovens participantes nas técnicas a mulheres e diversas grupos minoritários (porseguir: exemplo, homens gays entre outros), e entre os próprios jovens. Os objetivos específicos para os educadoresque vão usar o material são: Esperamos e acreditamos que as técnicas incluídas aqui possam de fato mudar Fornecer um “background” para comportamentos em alguns casos com algunseducadores de saúde, professores e homens jovens. Contudo, para afirmarprofissionais que trabalhem com jovens nas mudanças de comportamento em razão daquestões de saúde e de desenvolvimento que participação nestas técnicas, íamos precisar deos rapazes e homens jovens enfrentam. mais tempo de avaliação e condições para uma Fornecer exemplos concretos de avaliação de impacto com grupos de controleexperiências de programas para engajar e longitudinais, que não dispomos nohomens jovens nestes temas. momento. O que podemos afirmar via os testes Proporcionar exemplos detalhados de de campo realizados é que usar estas técnicastécnicas que educadores de saúde, professores como parte de um processo grupal come outros profissionais podem executar com homens jovens fomenta mudanças de atitudesgrupos de homens jovens sobre estes temas. e aquisição de novos conhecimentos frente à Fornecer uma lista de fontes, em forma de violência e à necessidade de maior igualdadeestudos, informações prévias, vídeos, material entre homens e mulheres, seja entre homenseducativo e contato com organizações que jovens no âmbito público, seja entre homenspossam prover informações adicionais sobre as jovens e seus/suas parceiros/as nas relaçõesnecessidades de saúde de homens jovens. íntimas. 13
  • 13. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Acreditem no diálogo e na negociação em vez de violência para solucionar conflitos, e de que de fato demonstram o uso de diálogo e negociação nas suas relações interpessoais. Mostram respeito para com as pessoas de diferentes contextos e estilos de vida e que questionam as pessoas que não mostram este respeito. Mostram respeito em suas relações íntimas e que buscam relações com base na equidade e respeito mútuo, seja no caso de homens jovens que se definem como heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. No caso de homens que se definem como heterossexuais, que participem das decisões referentes à reprodução, conversando com a parceira(s) sobre saúde reprodutiva e sexo mais seguro, usando ou colaborando com a parceira(s) no uso de preservativos e/ou outros métodos quando não desejam ter filhos. No caso de homens que se definem como homossexuais ou bissexuais ou que tenham relações sexuais com outros homens, que conversem com seu parceiro ou parceiros 6- Qual é o perfil sobre sexo mais seguro e uso ou colaboração com o parceiro(s) da prática de sexo seguro. do homem jovem Não acreditem e nem usem violência contra que todos os seus parceiros/as íntimos/as. queremos? Acreditem que cuidar de outros seres humanos é também atributo de homens e mostram a habilidade de cuidar de alguém, Os objetivos dos cinco cadernos estão sejam amigos, familiares, parceiro/as e os baseados em pressupostos sobre o que nós – próprios filhos no caso de homens jovens que educadores, pais, amigos, parceiros, parceiras já sejam pais. e famílias – queremos que os homens jovens sejam. Também os trabalhos nas áreas de Acreditem que os homens também podem equidade de gênero, prevenção de violência, expressar emoções além da raiva, e que saúde mental e prevenção da HIV/AIDS têm mostrem habilidade de expressar emoções e objetivos comuns sobre o que acreditamos buscar ajuda – seja de amigos, seja de sobre o que os homens devem chegar a ser. E profissionais – quando for necessário para por último – e mais importante – a expressão questões de saúde em geral e também de saúde dos desejos dos próprios homens jovens – de mental. como querem ser e de como ser tratados por seus pares masculinos. Com tudo isto, as Acreditem na importância e que mostrem técnicas incluídas nestes cinco cadernos têm a habilidade de cuidar de seus próprios corpos por meta geral de promover um perfil de e da própria saúde, incluindo pessoas vivendo14 homens jovens que: com HIV/AIDS.
  • 14. INTRODUÇÃO7- Como usar estas atividades? Notas para facilitadores A experiência na utilização destes materiais consenso e respeito à diferença de opiniões. indica que é preferível usar as técnicas em seu O trabalho deve ir se aprofundando, aten- conjunto e não de forma isolada. tando sempre para ir além de um possível "dis- É interessante que haja, sempre que possí- curso politicamente correto". vel, a presença de dois facilitadores. É bom lembrar que nem sempre o contato Deve-se usar um espaço adequado para o físico é fácil para os rapazes. Atividades que exi- trabalho com os jovens propiciando que as ati- jam toque físico podem e devem ser colocadas vidades sejam realizadas sem restrição na movi- com alternativas de participação ou não, respei- mentação deles. tando os limites de cada um. Deve-se proporcionar um ambiente livre, res- Os pontos de discussão, sugeridos nas técni- peitoso, onde não haja julgamentos ou críticas cas apresentadas, não precisam ser usados ne- a priori das atitudes, falas ou posturas dos jo- cessariamente no final das técnicas, mas podem vens. ser utilizadas durante a execução das mesmas, Situações de conflito podem acontecer. Cabe conforme o facilitador acredite que seja mais aos facilitadores intervir tentando estabelecer um apropriado. O ponto central destes cadernos é constituído incluídas aqui tratam de temas pessoais profundospor uma série de técnicas para trabalhar com e complexos como a promoção da convivência,homens jovens em grupos. Estas atividades foram a sexualidade e a saúde mental. Nósdesenvolvidas e testadas com grupos de 15 a 30 recomendamos que estas atividades sejamparticipantes. Nossa experiência demonstra que facilitadas por pessoas que se sintam confortáveiso uso deste material para grupos menores (15 a em trabalhar com estes temas, que tenham20 participantes) é mais produtivo, mas o experiência de trabalho com jovens e que tenhamfacilitador também pode usar as técnicas descritas suporte de suas organizações e/ou de outrospara grupos maiores. Muitas das atividades adultos para executar tais atividades. Reconhecemos que aplicar estas atividades não é sempre uma tarefa fácil e nem sempre previsível. Onde e como Os temas são complexos e sensíveis – violência, sexualidade, saúde mental, paternidade, AIDS. trabalhar com Pode haver grupos de rapazes que se abram e se expressem profundamente durante o processo, rapazes? assim como outros que não queiram falar. Não sugerimos o uso destas técnicas como terapia Pode e deve usar estas técnicas em diver- grupal. Devem ser vistos como parte de um sas circunstancias - na escola, grupos processo de reflexão e educação participativa. A desportivos, clubes juvenis, quartéis militares, chave deste processo é o/a educador/a ou o/a em centros de jovens em conflito com a lei, grupos comunitários etc. Também podem ser facilitador/a. Cabe a ele/a saber se se sente usados com grupos de jovens numa sala de confortável com estas temas e capaz de administrar espera de uma clínica ou posto de saúde. O as técnicas. A proposta deste tipo de intervenção é que precisa é um espaço privado, tempo dis- ir além desta etapa, propiciando reflexões e ponível, facilitadores dispostos. mudanças de atitudes. Como mencionaremos mais Lembrando que os rapazes, geralmente, adiante, as quatro organizações autoras oferecem estão em fase de crescimento, recomenda-se oficinas de capacitação no uso dos cadernos. Os também que se ofereça algum tipo de lanche interessados devem entrar em contato com o ou merenda e que disponham de atividades Instituto PROMUNDO ou com uma das outras 15 físicas e/ou de movimento. organizações colaboradoras.
  • 15. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA 9- Como este caderno está organizado Este caderno está organizado em três módulos: MÓDULO 1: O QUÊ E O PORQUÊ Este módulo traz uma introdução sobre o tema de convivência, violência e homens jovens, apresentando uma breve análise sobre a relação entre socialização masculina e violência. Como complemento a este módulo, está incluído neste conjunto de cadernos, um documento da OMS, “Boys in the Picture/Los 8- Facilitadores Muchachos en la Mira/Em Foco, os Rapazes” que traz informações adicionais sobre homens ou mulheres? violência e os outros temas abordados nos outros cadernos. Quem deve facilitar atividades de grupo MÓDULO 2: COMO O que o educador com homens jovens? Somente homens podem pode fazer. Este módulo traz 11 técnicas ser facilitadores para trabalhar com rapazes? elaboradas e testadas para trabalho direto com A experiência das organizações colaboradoras homens jovens (15-24 anos) na promoção da é que em alguns contextos, os rapazes convivência e a prevenção da violência, preferem a oportunidade de trabalhar e incluindo violência de gênero. Cada técnica interagir com um homem como facilitador, que traz dicas para facilitadores e comentários poderá escutá-los e, ao mesmo tempo, servir sobre a aplicação desta técnica em diversos de modelo em alguns aspectos para pensar o contextos. significado de ser homem. Contudo, nossa experiência coletiva sugere que a qualidade MÓDULO 3: ONDE Onde procurar mais do facilitador – a habilidade, do homem e da informação? Este módulo apresenta uma lista mulher enquanto facilitadores, de engajar o de recursos, incluindo fontes de informação, grupo, de escutá-los e de motivá-los – são contatos com organizações que poderão fatores mais importantes que o sexo do prover informações adicionais sobre o tema, facilitador. Nós também acreditamos que seja lista de vídeos e outros recursos que poderão útil ter facilitadores trabalhando em pares, às ser úteis no trabalho do tema com os homens vezes em pares mistos (homem e mulher), o jovens. Este módulo também apresenta que traz importantes contribuições para algumas descrições sobre trabalho direto com mostrar aos homens jovens, homens e homens jovens na área da promoção da mulheres trabalhando juntos para construção convivência, incluindo um estudo de caso do16 de igualdade e respeito. trabalho do Instituto PROMUNDO.
  • 16. INTRODUÇÃO10- O vídeo”Minha Vida de João” Este conjunto de cadernos vem com umacópia de um vídeo em desenho animado, semfalas, chamado “Minha Vida de João”. O vídeoapresenta a história de um rapaz, João, e seusdesafios de rapaz tornando-se homem. Eleenfrenta o machismo, a violência intrafamiliar,a homofobia, as dúvidas em relação àsexualidade, a primeira relação sexual,gravidez, uma DST (doença sexualmentetransmissível) e paternidade. De forma lúdica,o vídeo introduz os temas tratados noscadernos. Recomendamos o vídeo para uso tanto parafacilitadores e/ou outros membros da equipede sua organização, como para os própriosrapazes. O vídeo serve como uma boa 12- Adaptando ointrodução aos temas e às técnicas. A reaçãodos rapazes ao vídeo pode ser um bom material“diagnóstico” para o facilitador saber o que osrapazes pensam sobre os vários temas. Queremos que este material seja utilizado e adaptado da forma mais ampla possível. Também permitimos que o material seja reimpresso mediante solicitação de permissão ao Instituto PROMUNDO e demais11- Mantendo contato organizações colaboradoras. Caso tenham interesse em reimprimir o material com o nome As organizações colaboradoras formaram e logotipo de sua organização, entre emuma rede de aprendizado para a troca contínua contato com o PROMUNDO. É permitida ade informações de trabalho com homens jovens reprodução do material desde que citando asobre estes temas. Gostaríamos contar com fonte.sugestões e com sua participação nesta rede.Organizaremos seminários nacionais e regionaissobre o tema, bem como faremos workshopsem vários países da América Latina. Estamosdisponíveis para workshops de treinamentoadicionais na utilização deste material e emtrabalhos com homens jovens. Queremos ouvi-lo a respeito da utilização destas atividades.Escreva para qualquer uma das organizaçõescolaboradoras listadas na primeira página paraparticipar da rede, para compartilhar suasexperiências e para sugestões. 17
  • 17. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA18
  • 18. MÓDULO 1 1O Quê e o PorquêUma introdução ao tema deviolência, convivência e homensjovens. 19
  • 19. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA um aspecto importante: a maioria dos atos de violência interpessoal na esfera pública Este módulo provê informações sobre as é cometida por homens jovens contra ou- raízes da violência, chamando a atenção tros homens jovens e, na esfera privada, por para os aspectos de gênero envolvidos nes- homens contra mulheres. Por que a maioria ta questão. Muitos estudos sobre violência dos autores de atos de violência é de ho- e programas que trabalham na área de pre- mens jovens? E o que podemos fazer em venção de violência deixam de considerar relação à violência masculina?20
  • 20. MÓDULO 1 “Um homem não fica violento à toa. Mas às vezes, uma situação machuca um homem ... e ele faz coisas que não queria fazer.” (Homem jovem, Rio de Janeiro) “Eu não quero matar, mas este lugar me faz querer matar…”(Personagem principal do filme ‘O Boxeador’, sobre a violência e o sectarismo na Irlanda do Norte)O que é violência? nossa região e, também, geradora de violência interpessoal. Contudo, a violência interpessoal em si mesma é um grande problema nessa Num nível simples, violência pode ser região, e é o foco deste caderno.definida como “o uso da força física ou ameaçado uso da força com intenção de prejudicar Ao definir violência, é importante afirmarfisicamente uma pessoa ou um grupo”1. Essa que ela ocorre mais freqüentemente em algunsdefinição está focada em atos de violência contextos do que em outros, e é mais provávelinterpessoal, ou seja, de indivíduos contra de ser cometida por e contra homens –outros indivíduos. Mas a violência também se preferencialmente homens jovens. Nosapresenta como o uso do poder de um grupo espaços públicos, os homens jovens sãosobre outro, chamado de violência autores e vítimas de violência. Nos espaçosinstitucional. A dominação masculina sobre privados, ou seja, na casa, é mais freqüenteas mulheres, através dos séculos em alguns que os homens sejam autores de violência,contextos, também pode ser considerada como enquanto as mulheres são mais vítimas.uma forma de violência. A dominação de um Pesquisas que mostram as causas da violênciagrupo étnico sobre outro, ou de uma classe preenchem volumes de livros, e têm sido alvosocial sobre outra, também pode ser chamada de muitos estudos. Mas o que freqüentementede violência. Violência institucional – se deixa de lado nestas discussões é o aspectoparticularmente a distribuição desigual de de gênero, que está associado à violência – orenda e a manutenção de um quadro de fato de que homens, sobretudo homens jovens,pobreza em muitas regiões da América – é, são mais passíveis de usar a violência doprovavelmente, a maior forma de violência de qualquer outro grupo. 21
  • 21. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA É melhor falar da prevenção da violência ou na promoção da convivência? Achamos importante falar principalmente promover uma convivência pacifista, e não sobre uma convivência pacifista. É muito apenas falar sobre “como combater a comum, ouvirmos “campanhas contra a violência”. A UNESCO vem promovendo uma violência”, “pacto contra a violência”, mesmo campanha internacional de “Cultura de Paz”, “luta contra violência” ou “combate à justamente procurando incentivar atitudes e violência”. A linguagem utilizada encontra-se condições favoráveis à paz. Porém, muitas carregada de violência. Muitas vezes, queremos pessoas acham que homens jovens não combater e punir, violentamente, quem faz uso querem falar de paz. Contudo, quando da violência. Nas escolas e comunidades, conseguimos ir além da “face de durão”, que ouvimos pessoas dizer que querem punir e às vezes os rapazes apresentam, encontramos reprimir os jovens que cometem violência – homens jovens que, quando se permite que muitas vezes dando pouca atenção para pensar se expressem, estão assustados e preocupados no aspecto da prevenção da violência. A região com a violência que cometeram ou com a das Américas – com a Rússia – tem a infeliz violência de que foram vítimas. Muitos deles distinção de ter a maior proporção de pessoas tiveram experiências de violência ou foram em prisões (97% dos quais são homens) do que testemunhas de violência, e estão disponíveis qualquer outra região do mundo, geralmente para conversar sobre como negociar, sobre em condições que são violentas. Ou seja, ao como repensar as relações de poder, sobre enfrentar a violência, nossas respostas muitas como resolver os conflitos de forma alternativa. vezes são também violentas. Nas atividades incluídas aqui, queremos promover condições para que os homens Para prevenir a violência com homens jovens não falem somente sobre competição, jovens, achamos fundamental imaginar, poder, força e violência – mas também sobre22 visualizar e criar com eles condições para paz e construção de uma convivência pacifista.
  • 22. MÓDULO 1Qual é a dimensão da violência “masculina”nas Américas? Revendo os dados sobre violência na região jovens entre 15 e 24 anos mais do que qualquerdas Américas, chegamos a uma conclusão outra faixa etária nas Américas.perturbadora: homens jovens são maisprováveis de matar outro homem jovem do A violência se concentra em determinadasque em qualquer outra parte do mundo. A taxa áreas, geralmente nas áreas urbanasde homicídio na América Latina é em torno marginalizadas. No Rio de Janeiro, porde 20 para cada 10.000 ao ano, a maior do exemplo, em 1995, houve 183,6 mortes emmundo. A taxa mais elevada na região é na cada 10.000 homens adolescentes entre 15 eColômbia, onde, entre 1991 e 1995, houve 19 anos, quase um em cada 507.112.000 homicídios, dos quais 41.000 foramde jovens, e a grande maioria homens jovens2. Homicídio não é a única forma de violência masculina, mas certamente é a mais divulgada. Esse elevado índice de violência entre De fato, outras formas “menores” de violênciahomens é um tremendo ônus para a economia – brigas, assaltos, violência doméstica – sãoda região. O custo público e privado associado muito mais comuns e afetam muito mais osà violência representa até 15 % do produto jovens que o homicídio. Um estudo sobreinterno de alguns países na região3. Um estudo jovens de uma comunidade de baixa renda nosugere que na Colômbia, a renda per capita Rio de Janeiro encontrou que 30% delespodia ser até 33 % maior se não fossem as estiveram envolvidos em brigas, a maioriaelevadas taxas de violência e crimes dos últimos rapazes 8. Nos EUA, um estudo nacional10 anos4. A Organização Panamericana de encontrou que 14,9% de rapazes comparadosSaúde e outros órgãos internacionais confirmam com 5,8% de meninas foram autores de peloque a violência entre adolescentes é um dos menos uma forma de comportamentomais importantes problemas de saúde pública delinqüente no ano anterior9.na região5. Finalmente, quando examinamos os Estatísticas confirmam que ferimentos números da violência, é importante que nãoresultantes de violência (seguidos por acidentes superestimemos o tema. A maioria dos homensem algumas regiões) estão entre as principais jovens não usa violência contra os outros.causas de morbidade e mortalidade entre Muitos deles são encorajados por seushomens adolescentes e homens jovens. companheiros de grupo a ter umHomicídio é a terceira causa de morte entre comportamento violento. Outros silenciamadolescentes entre 10 e 19 anos nos Estados quando vêem seus companheiros usaremUnidos, e representa 42% da causa de mortes violência. Violência é o principal tema deentre homens jovens negros nos últimos 10 debate neste caderno, mas temos que ter emanos6. Dois terços das mortes entre jovens de mente o potencial dos homens jovens para15 a 19 anos no Brasil são por causas externas interagirem sob uma forma pacifista. A– homicídio, acidentes de tráfego e outras violência está nas manchetes. A paz raramentecausas violentas. A violência afeta homens está. 23
  • 23. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Os homens são “naturalmente” mais violentos que as mulheres? Ou seja, existe uma “causa” biológica para a violência masculina? Existem estudos que sugerem que a meninos não são “naturalmente” ou biologia pode estar envolvida na violência biologicamente mais violentos. Eles “masculina”, mas num sentido muito aprendem a ser violentos. limitado. Algumas pesquisas afirmam que existem diferenças biológicas entre meninos Também, ouvimos argumentos que dizem e meninas em termos de temperamento. Os que ser violento faz parte do desenvolvimento meninos teriam uma taxa mais alta de falta “natural” ou “normal” dos rapazes, ou seja, de controle de impulsos, hiperatividade e que é “normal” os rapazes serem violentos outras características como reatividade e durante a adolescência. Se é verdade que os irritabilidade – traços que podem ser rapazes desenvolvem esses comportamentos precursores de agressividade 10. Pesquisas violentos e delinqüentes mais que as mulheres apontam ainda que desde os quatro meses adolescentes, não há nada que seja natural, de idade os meninos mostram mais normal ou inevitável nisso. Pesquisas de várias irritabilidade do que as meninas, que esse partes do mundo confirmam que a violência é fator está associado à hiperatividade e à um comportamento aprendido e repetido por agressividade deles11. Porém, alguns estudos alguns homens jovens em certos contextos e, apontam que os meninos são mais irritadiços como tal, pode ser desaprendido e prevenido. porque os pesquisadores “esperam” que eles Achar que os homens jovens são naturalmente sejam mais irritadiços, ou então por que seus mais violentos, ou esperar que os rapazes pais, demonstrando atitudes estereotipadas de abandonem um comportamento violento gênero, estimulam os meninos das mais quando se tornarem adultos não é uma forma variadas formas, ou ainda não procuram apropriada ou realista de responder à violência. acalmá-los da mesma forma que o fazem com as meninas. Mas o importante é isso: Finalmente, quando revisamos os dados sobre Pesquisadores sobre violência em quase sua violência e agressão, é importante que tenhamos totalidade afirmam que os aspectos em mente que as meninas também mostram biológicos têm um papel mínimo na agressividade e violência. Estudos mostram que explicação do comportamento violento, os rapazes são mais propensos a usar agressão enfatizando que os fatores sociais e culturais física, ou seja, bater ou chutar, enquanto as durante a infância e a adolescência são, de meninas utilizam agressões indiretas – mentindo, fato, os responsáveis pelo comportamento ignorando alguém ou rejeitando outros membros24 violento de alguns rapazes. Em suma, os do grupo social, outras tantas formas de agressão.
  • 24. MÓDULO 1Se os rapazes são socializados para seremviolentos, como é que isto acontece? As respostas são várias: vendo pais e irmãos “delinqüentes” ou “violentos” outerem comportamentos violentos; sendo “problemáticos” são mais propensos a serencorajados a brincar com armas e a brigar; violentos. Em muitos contextos, os rapazes têmaprendendo que para ser um “homem de mais probabilidades do que as meninas a terverdade” é preciso brigar com quem o insulta; um comportamento problemático, porsendo tratados de forma violenta por seus exemplo, ser rebeldes em salas de aula oucompanheiros e familiares; sendo encorajados serem hiperativos. Pais e professoresa tomar atitudes violentas pelo seu grupo de freqüentemente rotulam meninos deamigos; e sendo ridicularizados quando não problemáticos e lidam com eles de formao fazem. Ensinado-lhes que é correto expressar autoritária. Quando se acredita que os rapazesraiva e agredir outros, mas não os educando a são violentos ou delinqüentes, elesexpressar tristeza e remorso, por exemplo. freqüentemente se tornam violentos e delinqüentes. Por quê? Em parte, porque Os pais e as famílias têm um papel quando pais e professores rotulam os rapazesfundamental em encorajar ou não de “agressivos” ou “problemáticos”, comcomportamentos violentos de meninos e homens freqüência excluem estes meninos dejovens. Em comunidades de baixa renda, onde atividades que podem ser positivas eas famílias podem estar mais estressadas por “socializadoras” como o esporte, por exemplo.conta das dificuldades decorrentes do E também, porque se um professor ou pai achasubemprego e da pobreza, elas às vezes têm que um rapaz é ou será violento, geralmentemenos habilidade de cuidar de suas crianças, o trata de forma violenta.particularmente filhos, e monitorar aonde vão ecom quem saem. Pais estressados, de todas as Rapazes que testemunharam violência ouclasses sociais, tendem a usar mais coerção e foram vítimas de violência são mais propensosdisciplina física contra seus filhos em geral, e a ser violentos. Assistir a atos de violênciamais ainda contra os filhos homens, o que pode muitas vezes afeta meninos e meninas decausar uma rebeldia por parte dos meninos. Por diferentes formas. Para os meninos, os traumasoutro lado, homens jovens que são acolhidos relacionados ao testemunhar a violência sãopor suas famílias, que participam de atividades mais passíveis de serem externalizados dejunto com elas e são acompanhados de perto forma violenta do que as meninas12. Muitostêm menos chance de se tornarem violentos ou meninos são educados a não expressar medodelinqüentes, seja em comunidades de baixa e tristeza, mas são incentivados a expressarrenda ou de classe média. raiva e agressividade. Ao mesmo tempo, em muitas partes do mundo, os meninos tendem Mas a família não é a responsável pela a ser vítimas de abuso físico (não incluindoviolência de alguns rapazes. Além da família, abuso sexual) em suas casas e de violênciahá outros espaços onde os homens jovens física fora de casa mais de que as meninas13.podem ser socializados de forma a serem Um estudo com jovens entre 11 e 17 anos noviolentos, como a escola, por exemplo, ou via Rio de Janeiro encontrou que 61% dosatividades esportivas que encorajem os rapazes meninos contra 47% de meninas haviam sidoa usar a força para resolver tudo, ou ainda, vítimas de violência em suas casas14. Homensquando se enfatiza o uso de violência como jovens que experimentaram e assistiram asendo um atributo masculino positivo. cenas de violência em suas casas e fora delas podem achar que violência é uma maneira A forma com que lidamos ou rotulamos os “natural” de resolver conflitos.rapazes também pode encorajá-los à violência.Rapazes que são rotulados como Como vemos na fala do personagem do 25
  • 25. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA filme “O Boxeador” – um filme sobre a rapazes que têm um comportamento violento violência sectária na Irlanda do Norte que percebem as atitudes de outros como violentas, mostra homens tentando não ser violentos num ainda que não sejam15. Rapazes violentos têm contexto de violência, o lugar onde os homens dificuldade com a “inteligência emocional”, isto jovens vivem é também um dos principais é, com a habilidade de “ler”, entender e fatores relacionados à violência. Como já foi expressar emoções de forma apropriada. mencionado anteriormente, algumas regiões Rapazes que usam violência tendem a das Américas apresentam níveis mais elevados interpretar equivocadamente atitudes de outros de violência do que outras regiões: como como sendo hostis. Além disso, tendem a partes de Colômbia, Brasil, EUA, por exemplo. justificar a violência responsabilizando os outros Meninos que cresceram em lugares de conflito e freqüentemente desqualificando as vítimas. armado que envolviam homens e rapazes estarão mais propensos a usar violência e Alguns jovens se tornam violentos contra serem vítimas de violência. Pesquisas com pessoas que eles percebem como diferentes “gangues” no México, na América Central, no deles – seja por conta de raça ou por orientação Brasil e nos EUA sugerem que estes grupos sexual. Espancamentos e mortes de gays e de emergem quando outras instituições sociais – minorias étnicas são, lamentavelmente, governo, família, organizações comunitárias, ocorrências comuns na América Latina. Muitos escolas – são fracas. [Veja o Box mais adiante] desses espancamentos e mortes ocorrem em Mas devemos lembrar que mesmo em grupos de rapazes que percebem outras contextos onde a violência prevalece, nem pessoas como tendo um comportamento todos os homens jovens são violentos. inaceitável ou sendo diferentes. O grupo de amigos e colegas com quem os Igualmente, jovens que são socializados a jovens andam é um outro fator importante que ter um senso de honra exagerado tendem a contribui para um comportamento violento. ser mais violentos. Muitos dos casos de Estudos nos EUA apontaram que acompanhar homicídios entre homens começaram com um grupo de delinqüentes ou de companheiros brigas ou discussões triviais, geralmente um violentos é um dos principais fatores insulto em bares ou em outros espaços associados ao comportamento violento. Porém públicos, e que chegam até níveis letais. seria simplista dizer que basta andar com Manchetes de assassinatos na América Latina amigos violentos para se tornar um jovem freqüentemente repetem estórias sobre brigas violento. Os jovens procuram outros jovens que começam com troca de palavras ofensivas como eles próprios para serem seus amigos. É num bar ou numa discoteca (muitas vezes mais provável que jovens violentos procurem acompanhados pelo uso de álcool) e acabam outros jovens violentos. Mas certamente, a em morte. Em muitas partes das Américas, “turma” é um fator que deve ser levado em homens jovens são socializados para usar consideração. É um fato que os rapazes violência em resposta a um insulto, como se a geralmente passam a maior parte do tempo “honra” fosse mais importante do que a vida. fora de casa na rua ou em outros espaços onde encontram sua turma masculina – cuja relação Em algumas partes da América Latina, o muitas vezes está baseada na competição e fácil acesso a armas também é parte do na disputa pelo poder. As meninas por sua problema. Ter acesso a armas não causa vez, em geral são socializadas de forma a estar violência, mas certamente contribui para torná- mais em casa. Ou seja, quando socializamos la mais letal. Uma briga por conta de um os meninos mais na rua e as meninas mais em insulto ou por causa de uma garota é mais fácil casa, muitas vezes – mas nem sempre – de se tornar um homicídio quando os expomos mais os meninos à violência e à falta envolvidos têm uma arma de fogo ou uma faca. de proteção da família do que as meninas. Na maior parte da América Latina, os rapazes são mais propensos a ter acesso a armas. Em Rapazes que são socializados a perceberem alguns contextos, aprender a usar e brincar intenções hostis por parte de outros tendem a com armas – principalmente facas e armas de26 ser violentos. Estudos nos EUA apontam que fogo – faz parte da socialização dos meninos.
  • 26. MÓDULO 1Gangues, Quadrilhas e Comandos Em várias partes das Américas, existem gru- geralmente via formas de repressão policial.pos organizados de narcotráfico – Colômbia, Portanto, diversas experiências na região suge-Brasil, México, os Estados Unidos, entre outros. rem que a repressão não tem sido adequada.Em algumas comunidades estes grupos têm che- Experiências mais promissoras para intervir nasgado a se constituir como um “poder paralelo”, gangues ou comandos mostram a importânciaou seja, como uma instituição comunitária em de oferecer alternativas para os rapazes que par-lugares onde o poder do Estado é fraco ou limi- ticipam ou talvez que cheguem a participar ne-tado ante as necessidades que a comunidade las: atividades culturais, acesso ao trabalho, opor-demanda. Em alguns locais, os líderes destes gru- tunidades para ter uma participação comunitá-pos chegam a ser vistos como heróis. Neste sen- ria, e espaços para sentirem unidos a outros jo-tido, os grupos de narcotráfico podem ser fortes vens – desviando o foco da repressão.“socializadores” dos homens jovens, recrutan-do-os e convidando-os a participar nas suas ati- Fica claro que para alguns jovens, ser violento évidades. Estes grupos têm nomes diversos – uma forma de definir sua identidade. Para muitos, agangues, quadrilhas, comandos. adolescência é o tempo da vida para pensar: quem sou eu? Isto significa que pode se definir como um Mas é importante mencionar que nem todo gru- bom aluno, um religioso, um atleta, um trabalha-po chamado “gangue” ou algo parecido necessari- dor, um artista, um mago da informática, ou váriasamente está envolvido no narcotráfico ou em ativi- outras coisas. Mas também se pode definir comodades ilegais. Esses grupos variam muito de local bandido. Pesquisas com jovens que participam nes-para local, e é tes grupos violentos nos EUA e no Brasil concluí-importante ram que os homens jovens envol-entender o contexto vidos nestes grupos encon-em que se inserem. tram um sentido deTambém, vale a pertencimento epena mencionar identidade queque as pesqui- não encontraramsas com rapa- em nenhum ou-zes que par- tro lugar16.ticipam nasgangues ou Para mui-comandos tos jovens demostram que baixa rendanão é só po- em contextosbreza ou a falta urbanos, excluídosde emprego socialmente, pertencer aque leva um jovem a participar num grupo organi- um grupo violento é uma forma de sobreviver ezado de narcotráfico, mas são vários fatores – indi- de achar significado e sentido para suas vidas.viduais, da família e do contexto local – que levam Por outro lado, quando os jovens encontram suaum homem jovem a se integrar nesses grupos. Tam- identidade em alguma outra coisa, seja comobém vale ressaltar que mesmo em comunidades estudantes, pais, companheiros ou maridos, naonde as gangues ou comandos são fortes, nem todo música, no trabalho, no esporte, na política (de-homem jovem participa. Geralmente é só uma mi- pendendo é claro de que tipo de política), nanoria que se envolve. religião (igualmente depende de que tipo de re- ligião) ou ainda na combinação destes – eles Em várias partes da região, houve e ainda há, geralmente ficam fora de gangues ou grupos vio-várias tentativas para erradicação destes grupos, lentos17. 27
  • 27. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA A mídia e a Estar fora da escola é violência juvenil uma causa de Alguns estudos sugerem que assistir a cenas e imagens violentas na mídia, incluindo vídeos violência para os ou jogos de computador pode estar associado à prática de atos violentos, embora não seja rapazes? possível fazer uma relação direta de causa e efeito18. Assistir a cenas de violência na TV ou em filmes certamente não causa violência, mas Rapazes que têm um baixo desempenho sem dúvida contribui para a crença dos rapa- escolar ou que não se enquadram no zes de que a violência dos homens é normal, até "branda" ou banal. É preciso estimular os contexto da escola ou ainda que se sentem jovens a terem uma visão crítica do que é mos- excluídos pela escola tendem a ser mais trado pela mídia para que não se tornem me- violentos ou delinqüentes. Em áreas urbanas ros receptores. da América Latina, completar o nível secundário é cada vez mais um requisito para entrar no mercado de trabalho. Inúmeros estudos apontam que baixo desempenho escolar, evasão escolar e sentimento de não pertencer à escola estão excluídos ou ainda tratados como desajustados associados à delinqüência e a outras formas pela escola são mais propensos a ser violentos. de comportamento violento. Em várias áreas Em suma, a escola – como uma das mais da América Latina, o nível de evasão escolar importantes instituições sociais em que os dos meninos é maior que das meninas. jovens se inserem – pode ser lugar de encorajar ou de prevenir contra a violência. Contudo estar na escola não é suficiente. Devemos procurar engajar os rapazes, mesmo Para alguns jovens, a escola é um espaço de aqueles considerados difíceis, em atividades encontrar e interagir com outros jovens que se nas quais aprendam negociação, respeito e utilizam da violência. Outros estudos sugerem habilidades para a vida – seja dentro e fora que rapazes que são marginalizados ou do sistema escolar. Resiliência e a prevenção da violência juvenil Como podemos explicar que alguns Esses estudos freqüentemente se referem ao jovens de certos contextos se insiram em conceito de resiliência, que trata da “adaptação atividades violentas como as gangues, e bem sucedida a despeito dos riscos e outros, do mesmo contexto, não o façam? adversidades”. Resiliência significa que alguns Em várias partes da América, existem jovens, mesmo em circunstâncias difíceis, pesquisas recentes sobre características encontram alternativas para superar de maneira individuais e familiares de jovens de baixa positiva os riscos que os circundam. Em um renda, em situações de alto risco, que foram estudo comparativo entre homens jovens no Rio bem sucedidos na escola e no trabalho, e de Janeiro que eram delinqüentes juvenis e seus que não se envolveram em gangues ou primos e irmãos que não o eram, a autora outros grupos violentos. identificou uma série de fatores protetores que28
  • 28. MÓDULO 1Violência é só coisa de homens jovens debaixa renda? É importante afirmar que a violência não julgamento etc. – do que um jovem de classese encontra apenas associada a jovens de baixa média que muitas vezes será levado para umarenda. Certamente existe uma associação entre terapia, por exemplo, em casos de violênciapobreza e altas taxas de violência. Pobreza em familiar ou de delinqüência em contextos desi é uma forma de violência social que gera classe média19. O que acaba acontecendo comstress e tensão que pode levar a violência, mas mais freqüência é que os jovens de baixa rendaa pobreza em si só não é a causa da violência estão mais expostos a receberem punição legalinterpessoal. Jovens de classe média também e à repressão policial e repressão extrajudicialse envolvem com a violência e, também são do que jovens da classe média.socializados para usar a violência como formade expressar emoções e resolver conflitos. Da É importante reconhecer que nenhum dosmesma forma, encontramos jovens de fatores associados à violência – seja condiçõescamadas de baixa renda que não são autores familiares, sendo vítimas de violência oude violência. estando fora da escola – significa que necessariamente estes homens jovens serão Nas comunidades e famílias de classe média, violentos. Muitos destes jovens enfrentam estesatos que seriam considerados como violentos fatores de risco e não são violentos. Emboraem camadas de baixa renda, sequer são estes fatores estejam ligados à violência, osregistrados como violência e nem fazem parte jovens também constroem suas realidades –de dados do sistema legal. É mais provável que não são meros “receptores” ou vítimas de suasum jovem pobre envolvido em uma situação realidades. Nosso desfio é trabalhar comde violência seja confrontado com o sistema homens jovens para construir realidadesjudiciário formal – quer dizer polícia, pacifistas e não violentas.favorecem a não-delinqüência por parte dos construir significados positivos em face dashomens jovens. Nesse estudo, os jovens não adversidades e de se ter grupos de pares nãodelinqüentes ou resilientes: (1) mostraram maior violentos como formas de jovens de baixaotimismo em relação aos seus contextos de renda se manterem afastados dos gruposvida;(2) maior capacidade de expressão verbal; violentos20.(3) eram os mais velhos ou os caçulas de suasfamílias;(4) tinham um temperamento calmo; e Resiliência é um conceito que nos ajuda(5) apresentavam forte ligação afetiva com seus a compreender as realidades subjetivas e aspais ou professores. De forma semelhante, outra diferenças individuais que os jovenspesquisa no Brasil, com rapazes num bairro apresentam, e que oferece “insights” emonde os comandos tinham forte presença, como estimular formas positivas deidentificou a importância de modelos superação de adversidades em contextosalternativos, da habilidade para refletir e particularmente difíceis. 29
  • 29. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA representa parte da socialização masculina. Estudos com estudantes universitários norte- americanos afirmam que entre 20 e 50% de homens e mulheres relataram que já tinham tido episódio de agressão física durante namoro (ainda que a violência de homens contra as mulheres seja normalmente mais grave). Num projeto de PROMUNDO com homens jovens em comunidades de baixa renda no Brasil, os rapazes relataram inúmeros incidentes com uso de violência em relação às suas parceiras – e alguns incidentes de violência de suas parceiras contra eles. Isto mostra que é necessário trabalhar com os De onde vem a homens jovens sobre suas atitudes frente ao gênero e as formas como constituem relações violência dos homens de intimidade ainda quando são jovens. contra as mulheres? Pesquisas de várias partes da América Latina mostram que a violência doméstica, assim como a violência sexual, faz parte dos “scripts” Até agora temos falado principalmente sexuais ou de gênero, nos quais a violência sobre violência entre rapazes, mas qual é a doméstica é justificada pelos homens quando dimensão da violência interpessoal que os as mulheres quebram as “regras” do jogo – seja homens e homens jovens cometem contra por terem relações extraconjugais ou por não mulheres, ou seja a violência de gênero? cumprirem suas “obrigações domésticas”. Segundo as Nações Unidas, a violência de Muitos rapazes são socializados a acreditarem gênero se refere a “qualquer ato de violência que as mulheres e meninas os devem coisas: que resulte, ou possa resultar num dano físico, cuidar da casa, cuidar dos filhos, ou ter sexual ou psicológico e sofrimento para as relações sexuais com eles, mesmo quando elas mulheres, incluindo as ameaças de tais atos, não querem. Pesquisas também mostram que coerção ou privações arbitrárias de liberdade, os colegas ou amigos às vezes apóiam o rapaz que ocorrem no âmbito público ou privado.” quando ele usa violência contra sua namorada ou parceira. Isto mostra a importância de A violência de homens contra mulheres é ajudar os rapazes de analisar criticamente os um problema internacional de saúde pública modelos de relações de gênero que lhes são e direitos humanos que merece uma grande apresentados. atenção. Cerca de 30 estudos no mundo, muitos deles na América Latina, apontam que Os homens são, via de regra, socializados entre 20 a 50% de mulheres entrevistadas para reprimir suas emoções, sendo a raiva e até afirmaram que foram vítimas de violência física a violência física umas das formas socialmente pelo seu parceiro 21 . Na América Latina, aceitas para que eles expressarem seus governos e ONGs têm dado atenção – embora sentimentos. Muitos homens não aprendem não seja suficiente – em proteger as mulheres como se expressar verbalmente de forma deste tipo de violência, e iniciaram uma série adequada para resolver conflitos – seja na casa, de programas para as mulheres que foram seja na rua – mediante o diálogo e a conversa. E vítimas de violência doméstica nos últimos 10 assim como no caso da violência entre homens, anos. Mas pouca atenção tem sido dada em pesquisas mostram que homens que trabalhar com homens jovens e adultos para testemunharam cenas de violência doméstica em prevenir a violência contra as mulheres. suas próprias famílias, ou que foram vítimas de abuso ou violência em casa, são mais prováveis Freqüentemente a violência de homens de usar violência contra suas parceiras e crianças30 contra as mulheres começa desde a infância e – criando um ciclo de violência doméstica.
  • 30. MÓDULO 1 Para alguns homens, a violência domésticaestá freqüentemente associada ao stresseconômico. Alguns homens, quando não sesentem capazes de cumprir seu papeltradicional de provedor, recorrem a violênciapara reafirmar seu poder tradicional de homem.Ou seja, se sentem “menos homem” por nãoestarem trabalhando e reagem com violênciacontra as pessoas que se encontram mais perto.Dados de um hospital de atendimento à mulhervítima de violência doméstica no Rio de Janeiromostram que 1 em cada 3 parceiros que havia maioria afirma que não se sentia em condiçõesusado violência contra suas companheiras, de falar sobre a violência de homens contrasestava desempregado. mulheres que viram outros homens cometerem. Com freqüência, usam o ditado O silêncio dos homens jovens sobre a de que “em briga de marido e mulher, ninguémviolência de outros homens também contribui mete a colher”. Eles dizem que separa a violência doméstica. Uma pesquisa feita interviessem, podiam ser eles as vítimas dapor PROMUNDO em uma comunidade de violência. Superar o silêncio dos homens quebaixa renda no Rio de janeiro aponta que pelo foram testemunhas de atos de violência demenos a metade de 25 jovens entrevistados outros homens com as mulheres é o ponto defoi testemunha de violência em suas casas. A partida do nosso trabalho. Como se pode prevenir a violência de homens contra mulheres? A violência dos homens contra as mulheres no Canadá, é uma campanha internacional de pode ser prevenida quando os homens conscientização entre homens contra a violência começarem a se responsabilizar por este tipo de de homens contra mulheres – vencendo o violência. Existe um grande número de iniciativas silêncio em relação à violência de outros homens em várias partes do mundo, incluindo a região contra as mulheres. A Campanha vem das Américas – que começam a trabalhar com alcançando vários países do mundo, usando o homens na questão da prevenção da violência laço branco como um símbolo da garantia doméstica. Alguns destes grupos de masculina em não cometer atos de violência conscientização acontecem com recrutas contra as mulheres e não eximir de militares e policiais, em locais de esporte e em responsabilidade quem o faça. Nos dois escolas com o objetivo de ampliar a consciência primeiros meses da campanha, 100.000 homens destes homens jovens sobre este tema e de criar no Canadá usaram o laço branco. A campanha uma “pressão positiva” de que este tipo de atitude agora partiu para os EUA, Espanha, Noruega, é inaceitável. Em alguns países da América Austrália, Namíbia e Finlândia, e tem inspirado Latina, algumas ONGs começaram grupos de campanhas no México, na Nicarágua e no Brasil. discussão com homens jovens sobre atos de No Módulo 3, apresentamos alguns estudos de violência que haviam cometido e prevenir que caso e exemplos de trabalhos com homens tais atos aconteçam no futuro. A Campanha do jovens na prevenção de violência contra Laço Branco (White Ribbon Campaign), iniciada mulheres. 31
  • 31. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Muitos estudos confirmam que as meninas são mais vítimas de abuso físico e sexual do que os meninos, mas inúmeros estudos confirmam que os meninos também sofrem de abuso sexual. Um estudo recente nos EUA mostrou que 3,4 % de meninos e 13% de meninas tiveram alguma experiência de violência sexual – ou seja, contato sexual ou relações sexuais contra sua vontade23. Num estudo com jovens entre 16 e 18 anos no Caribe, 16% dos rapazes disseram que foram abusados sexualmente 24 . Num estudo na Que sabemos sobre a Nicarágua, 27% das mulheres e 19% dos homens relataram ter sido vítimas de abuso violência sexual de sexual na infância ou adolescência25. Um outro estudo realizado no Peru mostrou que um entre homens jovens contra cada dez jovens dos dois últimos anos do ensino secundário havia sido vítima de abuso mulheres? sexual em algum momento de suas vidas e a proporção era de duas mulheres para cada Como vimos anteriormente, a violência homem violentado26. sexual também faz parte de violência de gênero. Vemos também por meio de várias pesquisas Dentre as várias implicações que têm ser que alguns rapazes são socializados acreditando vítima de violência doméstica ou sexual, que as mulheres devem sexo a eles, ou que usar ambas, violência doméstica e sexual, a força ou coerção para obter sexo é normal representam um problema de saúde sexual e nas relações de intimidade. Um estudo de 1992 reprodutiva. Estudos comparativos sobre com adolescentes norte-americanos entre 15 e violência sexual na adolescência na África do 18 anos, apontou que 4,8% dos meninos, Sul, no Brasil e nos EUA, revelam que a comparados com 1,3 % das meninas haviam coerção sexual e a violência nas relações forçado alguém a ter relações sexuais pelo íntimas estão associadas ao baixo uso de menos uma vez22. Estudos também mostram preservativo. Pesquisas com mulheres uma forte conexão entre homens jovens terem hispânicas nos EUA apontam que as mulheres sido vítimas de abuso, incluindo abuso sexual, que foram vítimas de violência doméstica são em casa ou em conseqüência de uma violência menos propensas a se sentirem seguras para sexual e o uso da violência sexual em momentos negociar o uso do preservativo ou de outro32 posteriores da vida. tipo de contraceptivo.
  • 32. MÓDULO 1O que concluímos As pesquisas apresentadas na seçãoanterior, e a própria experiência doPROMUNDO como uma ONG que atuadiretamente com jovens na área de prevençãoda violência, apresentam um número desugestões que devemos ter em mente quandotrabalhamos a questão da prevenção daviolência com homens jovens, várias das quaisincluímos no Módulo 3. As pesquisas citadasaqui sobre homens jovens e violência servempara questionar a tendência de seguir nadireção da punição e repressão quando se tratade prevenção de violência. Em muitos casos,as políticas e o planejamento de programastêm optado por entradas punitivas como formade prevenção de violência. A saúde públicapor vezes tem simplificado questões, nãolevando em conta a experiência subjetiva dosjovens, ou seja, que nem todo jovem reage damesma forma nas mesmas circunstâncias, ouque nem todo homem jovem que foi vítimade violência irá se tornar violento. As pesquisasapresentadas neste módulo procuraram levar Em sumaem consideração uma perspectiva dodesenvolvimento humano e da ecologia As causas e fatores associados àhumana em relação à prevenção de violência, violência dos homens jovens contrauma entrada que leva em conta os desafios e outros jovens e contra as mulheres sãoriscos do desenvolvimento, o contexto e múltiplos e interconectados. Umsuporte social e familiar, a experiência ponto importante é que temos umasubjetiva individual de cada jovem e os papéis quantidade enorme de pesquisasde gênero na socialização. sobre violência e jovens. O desafio está em usar esta informação para Finalmente, no tocante à violência, criar mecanismos fortes e sustentáveisdevemos encorajar os homens jovens a para promover a paz entre os jovensrefletirem sobre a violência, não somente do (rapazes e meninas), construindo eponto de vista interpessoal, ou seja, a violência apoiando versões de masculinidadeentre indivíduos, mas também a violência que incluam a paz e o respeito e nãoestrutural. Como facilitadores, devemos ter o a violência. No módulo 2, tentamoscuidado de não emitir mensagens do tipo “a incluir os resultados destas pesquisasviolência é o comportamento deles” e, para construir o conjunto deportanto, sua culpa. A violência é complexa e dinâmicas apresentadas.tem múltiplas causas e manifestações. Nós nãodevemos culpá-los e sim ajudá-los acompreender esta complexidade. 33
  • 33. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA 1 McAlister, A. (1998). La violencia juvenil en las Americas: Estudios innovadores de investigación, diagnostico y prevención. Washington, D.C.: Organización Panamericana de la Salud. 2 World Bank. (1997). “Crime and violence as development issues in Latin America and the Caribbean.” Paper prepared for the Conference on Urban Crime and Violence, Rio de Janeiro, Brazil, March 2-4, 1997. 3 Banco Interamericano de Desenvolvimento (1999). Citado em Fontes, M., May, R., Santos, S. (1999) Construindo o Ciclo da Paz. Brasília, Brasil: Instituto PROMUNDO. 4 World Bank. (1997). “Crime and violence as development issues in Latin America and the Caribbean.” Paper prepared for the Conference on Urban Crime and Violence, Rio de Janeiro, Brazil, March 2-4, 1997. 5 McAlister, A. (1998). La violencia juvenil en las Americas: Estudios innovadores de investigación, diagnostico y prevención. Washington, D.C.: Organización Panamericana de la Salud. 6 U.S. Department of Health and Human Services. (1991). Vol 2, Part A “Mortality” Page 51. Tables 1-9. “Death Rates for 72 Selected Caused by 5-Year Age groups, Race and Sex, U.S. 1988.” Washington, DC: Author. 7 Minayo, C., Assis, S., Souza, E., Njaine, K. Deslandes, S. Et al (1999). Fala galera: Juventude, violência e cidadania na Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: UNESCO. 8 Ruzany, M., Peres, E., Asmus, C., Mathias, C., Linhales, S., Meireles, Z., Barros, C., Castro, D. & Cromack, L. (1996). Urban violence and social participation: A profile of adolescents in Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Adolescent Health Unit, State University of Rio de Janeiro. [Relatório de pesquisa não publicado] 9 U.S. Department of Justice (1997). The Prevalence and Consequences of Child Victimication. NIJ Reserch Preveiw. Washington, DC: National Institutes of Justice. 10 Miedzian, M. (1991). Boys will be boys: Breaking the link between masculinity and violence. New York: Anchor Books, e Earls, F. (1991). A developmental approach to understanding and controlling violence. In H. Fitzgerald, et al, Eds., Theory and Research in Behavioral Pediatrics, Vol. 5. New York: Plenum Press. 11 Stormont-Spurgin, M. & Zentall, S. (1995). Contributing factors in the manifestation of aggression in preschoolers with hyperactivity. J. Child Psychol. Psychiat. Vol. 36, No. 3, pp. 491-509. 12 U.S. Department of Justice (1997). The Prevalence and Consequences of Child Victimication. NIJ Reserch Preveiw. Washington, DC: National Institutes of Justice. 13 Blum, R. & Rinehart, P. (1997). Reducing the risk: Connections that make a difference in the lives of youth. Bethesda, Maryland: Add Health. UNICEF. (1998). Knowledge, attitudes and practices of basic life skills among Jordanian parents and youth: A national study (draft). Amman, Jordan: Author. 14 Assis, S. (1999). Traçando caminhos em uma sociedade violenta: A vida de jovens infratores e de seus irmãos não-infratores. Rio de Janeiro, Brasil: Editora Fiocruz. 15 McAlister, A. (1998). La violencia juvenil en las Americas: Estudios innovadores de investigación, diagnostico y prevención. Washington, D.C.: Organización Panamericana de la Salud. 16 Barker, G. & Loewenstein, I. (1997). “Where the boys are: Attitudes related to masculinity, fatherhood and violence toward women among low income adolescent and young adult males in Rio de Janeiro, Brazil”. Youth and Society, 29/2, 166-196. 17 Barker, 2000. Gender equitable boys in a gender inequitable world: Reflections from qualitative research and programme development in Rio de Janeiro. Sexual and Relationship Therapy, 15/3, 263-282. 18 McAlister, A. (1998). La violencia juvenil en las Americas: Estudios innovadores de investigación, diagnostico y prevención. Washington, D.C.: Organización Panamericana de la Salud. 19 Hawkins, D. (1996). Ethnicity, Race, Class and Adolescent Violence. Boulder, Colorado: Center for the Study and Prevention of Violence, Institute for Behavioral Sciences, University of Colorado, Boulder. 20 Barker, G. (2001). Peace boys in a war zone: identity and coping among adolescent men in favela, Rio de Janeiro, Brazil [Doctoral dissertation, Erikson Institute, Chicago, USA] 21 Heise, L. (1994). Gender-based abuse: The global epidemic. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro 10 (Supl. 1). 1994. 135-145. 22 American Academy of Pediatrics (1997). Study reveals factors that prevent teens from sexually aggressive behavior. Chicago, Il: Author. 23 U.S. Department of Justice (1997). The Prevalence and Consequences of Child Victimication. NIJ Reserch Preveiw. Washington, DC: National Institutes of Justice. 24 Lundgren, R. (1999). Research protocols to study sexual and reproductive health of male adolescents and young adults in Latin America. Prepared for Division of Health Promotion and Protection, Family Health and Population Program, Pan American Health Organization, Washington, D.C. 25 FOCUS on Young Adults (1998). Sexual abuse and young adult reproductive health. In In Focus. September 1998. Pp 1-4.34 Washington, DC: FOCUS. 26 Sebastiani, Segil et al (1996). Que saben, que hacen, que sienten los y las adolescentes de Lima sobre su sexualidad. INPPARES, Peru.
  • 34. MÓDULO 2 2ComoComo trabalhar a prevenção deviolência com homens jovens. 35
  • 35. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA de reflexão em grupo seja útil, não é necessariamente suficiente para mudar o comportamento dos jovens. No entanto, Este módulo apresenta uma série de percebemos na prática que essas atividades em grupo, preparadas e testadas atividades servem para facilitar mudanças em campo, para ser aplicadas em grupos de atitudes dos jovens a curto prazo. Assim de homens jovens sobre o tema de sendo, recomendamos o uso dessas prevenção de violência e promoção da atividades como parte de um programa paz. Essas atividades, na medida do mais amplo e integrado de prevenção de possível, levaram em consideração as violência e promoção da paz que inclua pesquisas sobre violência e homens jovens as famílias, as comunidades, a escola, a e os fatores associados à violência equipe das organizações para jovens, a mencionados no Módulo 1. Contudo, mídia, os formadores de políticas públicas, ainda que a participação em atividades e claro, os próprios jovens.36
  • 36. MÓDULO 2 ta uma a apresen Esta técnic para facilitar e ia metodolog ito na incentiv ar o respe grupo, nicação dentro do comu dicional bastão tra utilizando um ando. de m ou bastão 1 O Bastão FalanteObjetivo: Promover uma comunicação e diálogo ba- borduna) usado em cerimônias (que foi a origem destaseado em respeito entre os jovens. técnica), o mais importante é o significado que o grupo dará ao bastão. O grupo pode também criar seu pró-Materiais necessários: Um pedaço de pau, preferen- prio bastão, escrevendo seus nomes ou o nome do gru-cialmente madeira trabalhada ou cerimonial. po ou pintá-lo. Essa técnica é boa para iniciar o pro- cesso, porque também pode ser usada para criar re-Tempo recomendado: Uma hora. gras para o funcionamento do grupo. Enquanto estão falando sobre as regras do ritual do bastão, pode-seDicas/notas para planejamento: Em muitos países da perguntar para o grupo se há outras regras de convi-América Latina, é possível encontrar um bastão (ou vência ou de funcionamento do grupo que eles gosta-borduna) usado em cerimônias por grupos indígenas. riam de incluir.Se não for possível encontrá-lo, improvise-se um. Pode-se usar um pedaço de cano, um taco de beisebol, um Em alguns grupos pode parecer que essa técnica sejarolo de macarrão, ou um bastão feito de madeira ou rígida e que só serve para uma sessão. Em outros gru-metal. Mesmo um cabo de vassoura pode servir. Ain- pos, pode ser interessante sua utilização para as téc-da que seja interessante ter um bastão indígena (ou nicas seguintes ou voltar a ela de vez em quando. 37
  • 37. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Em muitos casos, o bastão também pode ser usado como uma arma. É um pedaço de madeira ou uma clava pesada1 que também pode ser usado para defender alguém ou atacar uma pessoa ou animal. A pessoa que segura o bastão tem em suas mãos uma arma em potencial. O relacionamento e as discussões entre as pessoas têm um sentido semelhante: com nossas palavras e nosso corpo podemos construir relações baseadas no respeito ou podemos agredir alguém. A mesma habilidade de falar e nos expressar pode trazer as pessoas para perto ou pode também produzir insultos. A mesma mão que pode afagar outra pessoa ou dar um abraço também pode bater. O bastão falante pode ser usado pelo grupo como um símbolo de cooperação ou como uma arma. O objetivo do bastão falante é promover o entendimento e diálogo, distribuindo o poder A história do entre todos. Cada membro do grupo tem o direito de pedir o bastão, e deve respeitar a bastão falante pessoa que está de posse dele, esperando que ela acabe de falar. E cada um que segura o bastão deve abrir mão dele também. A idéia do bastão falante começou com grupos indígenas norte-americanos que o Essa técnica foi utilizada inicialmente com usavam em cerimônias como uma espécie de um grupo de homens jovens na periferia do cetro. Às vezes, grupos de homens da tribo Rio de Janeiro. Os rapazes não tinham o hábito sentavam em círculo ao final do dia para discutir de esperar a sua vez para falar, e pouco desentendimentos ocorridos ou para os índios respeitavam a fala do outro, seja adulto ou um mais velhos passarem informações e tradições amigo jovem. A conversa ou discussão entre orais para os mais novos. O bastão falante eles, às vezes chegava a ameaças de uso de representava o poder do chefe, cacique ou do força ainda que leves, a críticas e risos sobre a líder. Quando ele tomava o bastão, era um sinal fala dos demais. Com o uso da técnica do de que os outros deveriam ficar quietos e escutar bastão falante, vimos uma clara mudança de suas palavras. Quando um outro homem queria atitudes nas reuniões de grupo. Começaram a a palavra, ele pedia permissão para segurar o escutar os outros e os próprios jovens bastão, e então era reconhecido pelos demais começavam a cobrar entre eles o uso do bastão como tendo o direito de falar naquele momento. e o cumprimento das regras. Depois de algum Simbolicamente, passar o bastão adiante tempo (mais de seis meses) paramos de usar o significa passar o poder e o direito de ser ouvido bastão porque a prática do diálogo já tinha sido também pelos outros membros da tribo. incorporada pelo grupo. 1 Talvez seja bom incluir aqui uma explicação, por exemplo: É como o cetro utilizado por Reis, mas de madeira, ou as madeiras utilizadas para fazer ginástica, ou as madeiras utilizadas pelos malabaristas para fazer seu38 espetáculo.
  • 38. MÓDULO 2 Esta técnica pode ser útil para todos os outros manuais nesta série. Ela procura introduzir um estilo de diálogo – de escutar o outro e respeitar a fala do outro – que é necessária para todas as técnicas.Procedimento Perguntas para1- Pedir ao grupo que se sente em círculo. discussão2- Segurando o bastão na sua frente, contar ahistória do bastão falante para o grupo.3- Passar o bastão em torno de todo o grupo, Como o uso do bastão falante afeta vocêmostrando que todos têm a chance de tê-lo na discussão desses temas?nas mãos. Como se sente quando está segurando o4- Quando o bastão retornar a você, pedir ao bastão, ou quando mais alguém pede o di-grupo que fale sobre o que pensam sobre o reito de falar?uso do bastão como uma forma de começar a Quando você está num grupo de amigos,discussão. Use esta pergunta como uma como é que as discussões acontecem?oportunidade de introduzir o ritual do bastão Quando estamos discutindo um determi-falante. Os participantes que quiserem falar nado tema ou um caso no grupo, todosdevem dirigir-se a você para pedir o bastão, e devem concordar?então, o próximo participante deve se dirigir a Qual a diferença entre consenso e unani-quem tem o bastão no momento para pedi-lo midade? É possível chegar a um consensoe assim por diante. Como facilitador do grupo, mesmo quando nem todo mundo concor-o bastão não deve retornar a você a cada vez. de com a decisão ou opinião final?Ele deve ser passado diretamente entre os Por que às vezes não queremos falar nomembros do grupo, permitindo que eles grupo?mesmos controlem a discussão. Quando o Pensando nos exemplos desses casos rela-facilitador quiser falar, deve pedir a vez a quem tados, o que é violência? Existe uma defini-estiver com o bastão. ção clara ou simples?5- Explicar ao grupo que você irá ler uma sériede casos ou histórias para discutir no grupo.Usando o bastão, pedir aos membros do grupoque discutam cada caso, colocando suasopiniões. Se os participantes quiserem falar Pergunte ao grupo se eles querem continuarsem pedir o bastão antes, reforçar as regras do usando o bastão falante em outras técnicas.ritual. Você pode também perguntar ao grupo se6- Se o tempo permitir, e dependendo do grupo eles querem responsabilizar-se pela guardae do facilitador, discuta casos adicionais da do bastão falante entre as sessões.mesma forma.7- Discuta as questões a seguir. 39
  • 39. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Exemplos de violência para discussão No Bras il, exist e um mov imen to polít ico chamado de Movimento dos Sem Teto, que representa pessoas sem renda e que não têm nem terra, nem casas. Periodicamente eles orga niza m inva sões de terra s, e, nas área s urba nas, orga niza m prot esto s cham ando atenção para as necessidades das famíl ias de baix a rend a e para a desi gual dade distribuição de renda no Brasil. No Rio da Você está dançando com um grupo de amigos. Janeiro, recentemente, umas 50 pesso de Quando vocês estavam prestes a sair, você vê grup o entr aram num hipe rmer cado as do um casal (um rapaz e uma moça, aparentemente começaram a encher os carrinhos com e namorados) discutindo na porta de saída. Ele a produtos. Os consumidores que estavam vários chama de vaca, e pergunta por que ela estava merc ado, assu stado s, com eçar am a sair. no flertando com aquele cara. Ela diz que: “Eu não equipe de funcionários do mercado não sabia A estava olhand o para ele ... e mesmo que que fazer. O grupo que organizou o prote o estivesse, eu não estou com você?”. Ele grita todos de baixa renda sem casa, chegou sto, com ela de novo. Finalmente ela diz: “Eu não caixas registradoras e tentou pagar com até as sou propriedade sua”. Ele bate nela e ela cai. cheque chamado “cheque miséria”, um cheq um Ela grita com ele, dizendo que ele não tinha simbólico que não tinha nenhum valor em ue direito de fazer isto. O que você faria? Iria mas que representava milhões de dólares reais, embora? Diria alguma coisa? Seria diferente se desvio de dinheiro do governo por conta de um fosse um rapaz batendo em outro rapaz? de corrupção. O que você pensa sobre a tática deste grupo? Se você fosse o gerente deste merc ado, o que você faria? Sua mãe na escola. um dia difícil as suas no tas e Pedro teve or conta d a William convid com ele p sair esta noite. N tarde. Eles conv ou Susana para passearem uma está brava o poderia que ele nã unta ersaram um po disse que er uma perg e William a co uco, lancharam be respond aula, nvidou para ir , aula, ele não sou pátio , depois da dizendo que el a um motel, ra lhe fez. No e dro, ri dele e tinha dinheiro a professo turma de P algumas horas para passarem a garota da a pergunta foram para o m lá. Susana diss e que sim. Eles Sandra, um o soube responder um ente tão nã alm otel e começar por que ele . Você é re William começ am a se beijar. muito fácil calar e a ou a tirar a su tão fácil. “Era edro diz para ela se Susana disse a roupa. Então ssim?” P zangada a ele que não estúpido a andra fica William ficou queria transar . ontra a parede. S vo, você v ai transtornado. Disse a ela qu empurra c car de no havia gastado m e v ocê me to ai v er é você”. uito dinheiro pa e diz: “Se e: “Quem v e disse: “O qu ra estarem ali, ro respond ai embora. e é que os meu ver...”. Ped pa, vira a s costas e v di ze r? ” El e qu s amigos vão um ta is velho, o er ia fo rç ar um Ele lhe dá u irmão ma convencê-la. O a ba rr a pa ra ta para Luis, se a Pedro no fim do que você pensa Sandra con contr fazer? O que vo que ele deveria eu. Luiz en e fazer? O que Luiz cê pensa que el a deveria fazer? q ue acontec edro) dev ele (P dia. O que deve fazer?40
  • 40. MÓDULO 2 em a consiste Esta técnic ente sobre am falar abert ue sofremos a vio lência q os. e praticam 2 O Varal da Violênciaobjetvo: Identificar as formas violência que pratica- mos. Falar sobre violência que eles tinham cometi-mos ou que são cometidas contra nós. do, foi mais difícil ainda. Primeiro, porque sempre queriam justificar-se, colocando a culpa no outroMateriais necessários: Barbante para o varal. Fita. como sendo o agressor. Esta técnica forneceu con-Três pedaços de papel (tamanho A4 ou equivalente) teúdo para duas sessões de trabalho. Caso sinta quepara cada participante. Prendedores. os participantes não estão à vontade em se expor, pense em alternativas que exigem menos exposição.Tempo recomendado: Uma hora e meia. Como mencionado no Módulo 1, ser vítima de vio-Dicas/notas para planejamento: Quando se fala em lência interpessoal está associado a cometer atos deviolência, pensa-se muito em agressão física. É im- violência mais tarde. Ajudar os jovens a compreen-portante discutir outras formas de violência que não der esta conexão, e pensar sobre a dor que a violên-só a violência física. Também é importante ajudar os cia causou neles, é uma forma potencial de inter-jovens a pensar nos atos de violência que comete- romper o ciclo da violência de vítima para o agressor.mos, já que muitas vezes pensamos nos outros como Se algum jovem relatar estar sofrendo algum tipo deviolentos, mas nunca em nós mesmos. Com o uso violência ou ter sofrido recentemente algum tipo dedessa técnica, vimos que para os jovens com os quais abuso - incluindo abuso sexual ou abuso físico siste-trabalhamos era mais fácil falar sobre violências que mático em sua casa - e tiver menos de 18 anos detinham sofrido. Relatar atos de violência - especial- idade, em alguns países, o facilitador é obrigado amente os que aconteceram fora de suas casas - era denunciar o fato às autoridades de proteção à infân-fácil. Até percebemos que eles sentiram um certo alí- cia e adolescência. Antes de executar qualquer tare-vio em poder relatar estas experiências e que sobrevi- fa desse manual, o facilitador deve procurar os res-veram a elas. Comentar ou contar violências cometi- ponsáveis pela sua organização para esclarecer so-das contra eles dentro de suas casas foi mais delica- bre os aspectos éticos e legais de seu país no que sedo. Alguns comentaram sobre a violência em casa, refere a maltrato e violência contra jovens com me-mas não queriam falar sobre detalhes, e não insisti- nos de 18 anos. 41
  • 41. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Procedimento Perguntas para 1- Explicar que a proposta é falar sobre a discussão violência que praticamos, aquela praticada contra nós, e conversar sobre nossos Qual é o tipo mais comum de violência que sentimentos em relação a isto. se comete contra nós? 2- Explicar que colocaremos 4 varais e que Como cada um se sente em ser vítima des- todos os participantes deverão escrever te tipo de violência? algumas poucas palavras nas folhas de papel Que tipo de violência é mais comum co- e prendê-las no varal. metermos contra os outros? 3- Dar a cada participante 4 folhas de papel Como sabemos se de fato cometemos vio- (tamanho A4). lência contra alguém? 4- Colocar em cada varal os seguintes títulos: Existe alguma conexão entre a violência que praticamos e a violência de que somos ví- Violências praticadas contra mim timas? Violências que eu pratico Como nos sentimos quando praticamos Como eu sinto quando pratico violência violência? Como eu sinto quando violência é praticada Existe alguma violência que seja pior do contra mim que outra? Geralmente, quando somos violentos ou 5. Pedir a cada participante para pensar um quando sofremos violência, nós falamos so- pouco e escrever em poucas palavras uma bre isso? Denunciamos? Falamos sobre resposta para cada item. Cada um deve como nos sentimos? Se não, por quê? escrever pelo menos uma resposta para cada Alguns pesquisadores dizem que a violên- um dos varais (ou categorias). Dar cerca de 10 cia é como um ciclo, ou seja, quem é víti- minutos para esta tarefa. Explicar a eles que ma de violência é mais provável que co- não devem escrever muito, e sim, poucas meta atos de violência depois. Se isto está palavras ou uma frase, e colocar no varal correto, como podemos interromper este correspondente. ciclo da violência? 6. Pedir aos participantes, um a um, para colocar no varal correspondente, lendo sua resposta para o grupo. Eles podem dar outras explicações que se façam necessárias e os outros participantes poderão fazer perguntas sobre sua resposta. 7. Depois de cada um ter colocado suas respostas no varal, discutir as questões a seguir, usando o bastão falante caso deseje. Alguns jovens podem sentir que querem fazer alguma coisa contra a violência a sua volta, depois de participar nesta técnica. Referir-se ou utilizar-se de outras técnicas, particularmente as técnicas 4 e 11, que procuram fazer Perguntar ao grupo como foi para eles falar so- isto. bre a violência que experimentaram. Se nin- guém do grupo mostrar necessidade de uma atenção especial por conta de uma violência que sofreu, o facilitador pode considerar que os recursos de ajuda que o jovem teve supriu42 esta demanda.
  • 42. MÓDULO 2 relação a discute a Esta técnic nra ção de ho entre a no tos de violência, ea masculina história da ntando a aprese casos para sculina e honra ma m grupo. utidos e serem disc 3 Otário Vivo ou Valente Morto: A Honra MasculinaObjetivo: Discutir como a suposta "honra" masculina para que se possa avançar, reforçando que eles não pre-está associada à violência e como podemos pensar cisam ser "atores de verdade" e que não precisam seem alternativas à violência quando nos sentimos in- preocupar em ter uma peça ou história bem elaborada.sultados. Como foi discutido anteriormente no Módulo 1, um dos fatores associados à violência entre jovens é aMateriais necessários: Espaço para trabalhar e questão dos insultos e da honra. Pesquisas sugeremcriatividade. Folha de recurso em anexo. que muitas das mortes entre homens jovens começam com discussões verbais - seja sobre jogo de futebol,Tempo recomendado: Duas horas (ou duas sessões com a namorada ou um insulto - e escalam desde umade uma hora cada). troca de socos, chegando a um homicídio. Outras pesquisas sugerem que os jovens são mais propensos a usar violência quando atribuem atitudes hostis emDicas/notas para planejamento: Alguns grupos têm relação a outros jovens. Essa atividade procura ajudardificuldade de construir uma história ou em escolher os jovens a entender porque eles, às vezes agem dessaos atores para uma dramatização. É importante que o forma; como estas atitudes podem ser causa de episó-facilitador esteja atento e ofereça um clima propício dios de violência; e como é possível modificá-las. 43
  • 43. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Procedimento Perguntas para discussão 1- Dividir os participantes em 2 ou 4 grupos de 5 a 6 membros, conforme do número total de participantes. Explicar que eles deverão Estas situações são realistas? criar e apresentar uma pequena história sobre Por que às vezes reagimos desta maneira? a troca de insultos entre rapazes. Quando você se vê diante de uma situação 2- Uma vez que os grupos já estejam formados, semelhante, em que foi insultado, como entregar a cada grupo uma folha de papel com você normalmente reage? uma das seguintes frases: Como você pode reduzir a tensão ou agres- são numa situação como essas? Homem pode fugir de uma briga? m no iscutira e Fábio d por causa Um gru po de a Márcio das aulas de fute m tervalo b a l h o d a e s cola . bol. Ele igos estava nu in lá mesmo s eram m jogo tra aria de um o esper ti to quando m e . U m a b rcedores do d isse que m. Na saída u r ig Márcio resolvere versário m outro jove a c o m e ç o u ra para chegou m do ti fo e .... me ad- la..... da esco Um grupo de amigos estava num bar. Começou uma briga entre um dos jovens e um estranho (outro jovem) quando... Samue le sito em stava parado se no saiu quis vir u carro. Qua trân- ndo ele de amigos ar à dir Um grupo eles, carro v e eio da e ita, um outro ar. Um d squerd para danç ra es- tou, for ça a e o co Leo, viu que um ca mente. ndo-o a parar r- ndo p a ra su a Samue l decid brusca- ta v a o lh a riga come - iu que.. nam orada. A b . o Leo.. . çou quand 3- Explicar que o trabalho consiste em montar uma pequena história a partir do que está escrito na folha entregue a cada grupo. A peça A Folha de Recurso a seguir pode servir para deve ter entre 3 e 5 minutos. Explicar que eles ajudar os jovens a refletir sobre onde vem o podem acrescentar os detalhes que quiserem. conceito de "honra masculina", ou seja, o con- 4- Dar aos participantes cerca de 20 minutos texto histórico e cultural. Muitos homens acham para discutirem entre si e montar a peça. que este tipo de atitude ante um insulto é "natu- ral" e universal. Usando a Folha de Recurso, o 5- Pedir aos grupos para fazerem suas facilitador pode ajudar a desconstruir ou ques- apresentações. Após cada uma, abra espaço tionar este tipo de comportamento masculino. para discussão e comentários. 6- Discutir as questões abaixo. 7- A seguir, leia e discuta a “Folha de Recurso: De onde vem a ‘Honra masculina?’”44
  • 44. MÓDULO 2 Folha de Recurso De onde vem a “honra” masculina?Em muitas culturas, manter um nome, a honra dominação masculina presente em alguns grupose o orgulho é muito importantes, às vezes até étnicos na região. O machismo vem em parte dade forma exagerada. Alguns pesquisadores região mediterrânea da Europa, e está associadasugerem que a “cultura da honra” em algumas à imagem de durão, de ter muitas parceirasregiões das Américas se encontra relacionada (amantes ou mulheres) e de proteger sua ‘honra’,com as regiões de fronteira. Na parte rural do e a um desejo de enfrentar o perigo, muitas vezesMéxico, em partes da América do Sul e partes na forma de disputa, de duelo. Sob a ótica dodo sul dos EUA, alguns homens herdaram machismo, os homens são “predadores sexuais”,animais e terras em regiões cujos limites e e as mulheres “puras e inocentes”. De acordo comfronteiras não estavam bem definidas. Não a cultura machista, o comportamento apropriadohavia sistema judicial ou polícia por perto. (É para uma mulher é ficar em casa, enquanto ocomum nos filmes de faroeste haver disputas homem demonstra sua virilidade com um maiorde terras em que o xerife chegava um dia ou número de conquistas sexuais e com um maiordois depois do conflito iniciado). Para número de filhos. Assim, para o machismo umsobreviver, os homens acreditavam que eles “homem de verdade” é aquele que protege amesmos deviam defender seus interesses. “honra” das mulheres de sua família – sua esposa,Nestes contextos, era preciso que os homens irmãs, mãe. Elas devem ser “puras” e, nenhumafossem vistos pelos outros como alguém com questão sobre suas vida sexual e sua honra devequem “ninguém devia se meter”. Ser visto ser levantada sem que haja uma briga. Umcomo um homem agressivo e até mesmo homem, num bar, que quer brigar com outro,perigoso, significava que ninguém perturbaria. basta, simplesmente, dirigir o olhar para a namorada deste, e a cena de anos de tradição sePara alguns jovens em gangues ou mesmo em repete. O mesmo ocorre, se ele tiver dito algumacontextos violentos urbanos, esse tipo de idéia coisa sobre a mãe ou irmã do outro.permanece. Fazer um nome de durão, aindaque fora de controle, é uma forma de defesa. Devemos pensar que a “honra masculina” faz parteSe você pensa que um rapaz é durão, que talvez de nossa cultura. Quantas vezes não vemos gruposele tenha uma arma, ele pode dizer qualquer de homens trocando insultos? Quantos destescoisa que eu o deixo partir sem incomodá-lo. insultos têm a ver com conquistas sexuais? QuantasEm algumas áreas urbanas da América Latina, piadas e histórias de insultos se relacionam comalguns jovens sabem da importância de manter supostas conquistas sexuais? Pense em quantasuma reputação como essa – o que significa que expressões nós temos para “manchar” a reputaçãoeles serão respeitados, e não serão da mãe do outro. Será uma simples coincidênciaimportunados pelos demais. que para chamarmos a atenção de outro homem dizemos: “filho da puta” ou “foder sua mãe ”? IstoA “cultura da honra” também está presente na é o pior insulto que um “homem de verdade”,América Latina sob a forma de “machismo”, que segundo o machismo, pode-se defrontar – alguémtem origem na colonização européia e na duvidando da honra e pureza de sua mãe. Perguntas para discussão O que significa machismo para nós? O machismo ainda existe? A “cultura da honra” ainda se mantém? Que podemos fazer para mudar esta “cultura da honra”? Sabendo de onde vem a honra masculina, isso nos ajuda a mudar? 45
  • 45. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA a tem um Esta técnic casa" que "dever de re m observa consiste e de mplos anotar exe -a-dia violência do dia erca. que nos c 4 A Violência à Minha Volta Objetivo: Discutir de forma crítica a violência que um caderno a cada um, para seu "diário de campo". vemos na vida cotidiana, incluindo aquela que acon- Em contraste com "O Varal da Violência", essa técni- tece na rua, em nossas casas, na escola, no lugar de ca trata de chamar a atenção para as pequenas vio- trabalho, e na mídia2. lências que observamos no dia-a-dia, particularmen- te imagens de violência de que muitas vezes nem Materiais necessários: Um caderno para cada parti- nos damos conta. Tente encontrar com os participan- cipante. tes exemplos de imagens e atos de violência que ve- mos no dia-a-dia para dar algumas dicas sobre o que Tempo recomendado: Uma hora para a técnica em gru- eles podem observar e anotar em seus "diários de po. Uma semana para fazer o "trabalho de campo". campo". Dicas/notas para planejamento: Essa técnica é para Essa técnica tem por objetivo produzir uma reflexão ser usada como "dever de casa". Os participantes vão crítica sobre as imagens veiculadas e as violências - manter um "diário de campo" durante uma semana pequenas e grandes - que testemunhamos, perceben- sobre formas de violência que eles vêem na sua vida do-as de forma crítica naquilo que se apresenta de cotidiana, seja na rua, em casa, na escola, no lugar maneira explícita ou sutil. Serve também para reco- de trabalho, na mídia e em outros lugares. Este diário nhecer o que o jovem percebe como violência - al- é um pequeno caderno onde o participante deve re- guns hábitos e atitudes já se encontram de tal modo gistrar o que viu, o que sentiu, o que pensou ou pode incorporados que nem se percebem "as pequenas vio- fazer diante de uma situação de violência. O lências de cada dia". Saímos do campo da agressão facilitador deveria apresentar esta técnica uma sema- física, da coerção que intimida, que são exemplos mais na antes do dia da apresentação dos resultados, ex- óbvios, para outras demonstrações mais sutis de vio- plicando aos participantes o objetivo e entregando lência interpessoal, intergrupal ou institucional.46 2 Essa técnica foi inspirada e baseada no vídeo, “Artigo 2º” produzido pela ECOS.
  • 46. MÓDULO 2 sugestões para os participantes como um formatoProcedimento para o diário, por exemplo: (1) o que vi?; (2) o que senti ante esta violência?; (3) o que posso fazer?1- Uma semana antes, explicar para os jovens 3- Na semana seguinte, perguntar aosque eles vão fazer um “diário de campo” sobre participantes como foi fazer o diário e se de fatoa violência que eles vêem a sua volta. Explicar observaram violência e imagens de violência.que a idéia do “diário” é que eles anotem atos 4- Dividir os participantes em grupos menoresde violência ou imagens violentas que eles de 4-5 participantes e pedir que nestes grupos,observam ao seu redor durante uma semana. apresentem seus diários, falando para o grupoSugerir que eles observem nas suas escolas, em sobre as imagens e atos de violência que viram.casa, na rua, nos locais de trabalho, na 5- Ao formar os grupos, pedir que cada grupocomunidade, na mídia (quer dizer na televisão, identifique um relator que vai apresentar aosrevistas, jornais etc.) e nos outros lugares que demais as conclusões do seu grupo.freqüentam. O grau de detalhe do diário depende 6- Dar um tempo entre 20 e 30 minutos paradeles. Podem escrever umas poucas palavras, os grupos discutirem seus diários e conclusões.umas frases ou sentimentos e pensamentos que 7- Formar o grupo grande novamente e pedirtiverem sobre a violência observada. aos relatores de cada grupo para fazer uma2- Perguntar para o grupo se ficou claro o propósito pequena apresentação para todo o grupo (deda técnica e entregar os “diários de campo”. Pedir 2-3 minutos no máximo).ao grupo para pensar em algumas formas de 8- Quando todos os grupos tiveremviolência ou imagens de violência de que eles se apresentado suas conclusões, discutir aslembram ter visto a sua volta. Pode-se acrescentar questões a seguir. Observando esta violência ou imagens dePerguntas para violência, as pessoas violentas eram geralmen- te homens ou mulheres? Jovens ou adultos?discussão E as vítimas? Eram geralmente homens ou mulheres? Jovens ou adultos? Quais são os tipos de violência mais co- Como sentimos, ao observar esta violência, muns que vemos a nossa volta? seja na vida real ou na mídia? Quais são as imagens de violência que ve- Quais seriam os efeitos ou as conseqüências mos na mídia? Por que será que a mídia para nós mesmos de tanta violência em mostra tantas imagens de violência? nossa vida cotidiana? Quais são os lugares onde mais vemos ou Quais seriam os efeitos ou conseqüências observamos violência? de vermos tanta violência na mídia? imagens de violência. Existem, infelizmente, mi- lhares de filmes e vídeos que fazem apologia da Como fechamento, o facilitador poderia usar o violência. Usar um filme pode também incentivar vídeo "Artigo 2º" como uma alternativa. Esse vídeo a discussão com os jovens sobre o tipo de ima- foi produzido em português por ECOS em São gem, o tipo de personagem apresentado etc. Por Paulo, Brasil (veja Módulo 3 para mais informa- exemplo, um filme de Brad Pitt e Edward Norton ções). Se tiver recursos disponíveis, também po- (Clube de Luta) trata de um clube onde um grupo diam preparar um vídeo com várias imagens de de rapazes pratica "luta" e em que cada membro violência da televisão gravada no seu país e de- novo é submetido a um ritual de entrada. Códigos pois comentar estas imagens. Poderia também, se de honra, a demonstração de força física e a capa- houver recursos disponíveis, fechar essa técnica cidade de resistir aos golpes sem demonstrar dor com a exibição de um vídeo popular que inclua ou medo fazem parte da história do filme. 47
  • 47. a utiliza o Esta técnic ara imaginar ap sociodram mos outra s omo seri a se fôsse c te s m diferen pessoas co e realidades. condições 5 Diversidade e Direitos: Eu e os Outros Objetivo: Encorajar a empatia com pessoas de diver- ções sexuais e realidades. Procurar manter um espí- sas realidades e discutir a origem de violência associ- rito leve na técnica, sem censurar os jovens, e fo- ada a pessoas de diferentes grupos étnicos e/ou ori- mentando o respeito para com as diferenças. Usan- entação sexual. do esta atividade com alguns grupos de homens jo- vens, eles pediram que pensássemos em mais frases Materiais necessários: Folhas de papel A4. e usamos essa técnica duas vezes. Usá-la novamen- Marcadores. Fita. te permitiu que fossem tratados temas dos quais eles tinham dúvidas e que necessitavam de esclarecimen- Tempo recomendado: Uma hora e meia. tos: HIV e DSTs, uso de drogas, suicídio, violência doméstica - temas incluídos nesse manual e nos Dicas/notas para planejamento: Essa técnica geral- outros que se seguem. Ou seja, esta atividade é uma mente leva os jovens a rir e a ter que desempenhar forma de trazer os temas tratados nos cinco manuais ou atuar no papel de pessoas de diversas orienta- para discussão. deverão ler a frase sem comentar nada e Procedimento refletir pessoalmente sobre o que eles fariam se estivessem naquela situação. 1- Antes que o grupo comece suas atividades, 3- Pedir a cada um que pegue um pedaço de selecionar frases que você ache que são mais fita e cole na parte da frente de sua camisa. apropriadas de acordo com a relação abaixo. 4- Pedir que todos se levantem e andem Escrever estas frases numa folha de papel, devagar pela sala com o papel colado, lendo selecionar um número suficiente de frases para as frases dos outros participantes, cada participante. Se quiser, criar outras frases, cumprimentando os outros, mas sem falar. outros exemplos ou repetir alguns, se achar 5- Depois pedir aos participantes que fiquem necessário. em círculo e olhem uns para os outros. Explicar 2- Pedir aos participantes para sentar em que cada um deve ser um personagem e círculo e fechar os olhos. Explicar que se inventar uma história que tenha a ver com a colocará uma folha de papel em suas mãos frase que recebeu – uma história que fale sobre onde tem uma palavra ou uma frase escrita. sua condição ou realidade. Dar algum tempo Depois de receber o papel, os participantes para que possam refletir sobre sua história. Sou soropositivo Minha mãe é trabalhadora do sexo Sou bandido (membro de uma gangue Não sei ler ou traficante de drogas) Sou executivo Sou bissexual Tive relações sexuais com outro homem, Meu pai está na cadeia mas não sou gay Minha namorada me traiu Tenho AIDS Sou heterossexual Sou descendente de índios48
  • 48. MÓDULO 26- Perguntar se há algum voluntário paracomeçar. Então, cada um, aleatoriamente ou Perguntas parana ordem do círculo fale sobre sua história atéque todos o tenham feito. Em alguns casos, discussãopode-se permitir que os participantes troquemseu “caso” com outro participante.7- Uma vez que todos tenham relatado sua Você conhece algum jovem que enfren-história, pedir que retornem a seus lugares, tou situação semelhante descrita no papel?permanecendo com o papel colado em suas Como foi para você, viver esse personagem?camisas. Como se sentiu?8- Pedir aos participantes que, mantendo seus Em muitos lugares, um jovem que é “dife-personagens, façam perguntas uns aos outros, rente” ou que representa uma minoria é ob-sobre suas vidas, sua condição naquele jeto de discriminação e violência. Por exem-momento, seus problemas e suas realidades. plo, no Brasil e nos EUA existem grupos dePode-se usar o bastão falante (vide técnica 1) skinheads que espancam gays e negros. Depara facilitar a discussão. Dar um tempo entre onde você acha que esse ódio vem?20 e 30 minutos para discutir. De que forma alguém que é “diferente” de9- Discutir as questões a seguir. nós, pode levar a violência? Pode-se fechar essa técnica perguntando aos jovens sobre outros exemplos de pessoas di- ferentes ou até de minorias que não foram incluídas. Às vezes surgem exemplos de pes- Esta técnica também é soas percebidas como diferentes ou minorias muito útil para discutir a sobre as quais não havíamos pensado, surgin- questões de pessoas viven- do mais conteúdo para as técnicas e o traba- do com HIV/AIDS. lho com jovens.Sou de descendência européia (ou sou branco) Sou menino de ruaSou gay Sou milionárioSou de descendência africana Perdi um braço num acidenteBati na minha namorada Minha namorada me bateuJá tentei me matar Sou pai e cuido dos meus filhosSou viciado em cocaína Sou alcoólatraSou surdo Estou sem emprego 49
  • 49. em a consiste Esta técnic s casos em que un discutir alg em riscos ou os jovens corr por a os a se ex sã o desafiad ga. algum cole riscos por Risco e Violência: 6 as Provas de Coragem Objetivo: Refletir sobre "provas de coragem" e expo- frouxo, careta ou covarde. Outras vezes, a vontade de sição a riscos para demonstrar coragem, virilidade e sentir uma emoção diferente, enfrentando situações de masculinidade, como forma de aceitação pelo grupo desafio e perigo, faz com que os jovens também se de pares (turma de amigos). exponham a riscos. Algumas histórias têm um fim trá- gico, acabando em lesões, algumas graves e Materiais necessários: Espaço para trabalhar e irreversíveis, quando não em morte. O que isso tem a criatividade. ver com homens jovens? Por que a necessidade de "provar que é corajoso"? Essa técnica procura incenti- Tempo recomendado: Uma hora e meia. var uma discussão sobre o tema, já que muitas vezes os jovens têm vergonha de falar, ou não querem falar Dicas/notas para planejamento: Muitas vezes, para ser sobre o assunto. Os exemplos incluídos aqui devem aceito por sua turma de amigos, os jovens tendem a se ser adaptados para cada contexto, pois as "provas de colocar em situações de risco como uma prova de coragem" variam muito de lugar para lugar, por país, coragem e de virilidade. Quem não o faz, é taxado de cidade, classe social, meio urbano ou rural etc. Procedimento 1- Explicar que a técnica se propõe a falar Perguntas para sobre provas de coragem e exposição a situ- ações de risco e perigo. discussão 2- Pedir ao grupo que se divida em grupos me- nores de 4-5 participantes. Cada um dos gru- Que provas de coragem eu já dei? pos receberá uma folha de papel com o início O que eu queria provar e a quem? de uma história, para que o grupo complete a Como é curtir o “perigo”? sua história da maneira que quiser, apresen- Como me senti? tando-a para os demais. De preferência, mon- Já pensou que podia ter acontecido algo er- tar uma pequena peça com a narrativa da his- rado? tória. E se ficar alguma marca no corpo (cicatriz 3- Dar a cada grupo cerca de 20 minutos para ou coisa parecida)? completar essa tarefa. E se eu me recusar a fazer uma destas pro- Pedir para cada grupo fazer suas apresenta- vas, como é que fico? ções e depois abrir a discussão. Abaixo segue Alguém conhece algum caso que tenha50 um roteiro para discussão. acabado mal?
  • 50. MÓDULO 2 Casos para discussão ito. No nadar dire as não sabe velho ra praia, m irmão mais lto. Chico ado semana, a turma do r revo último fim de dia de ma praia num om medo dele re solveu ir à mas Chico estava c prá água, ais velhos Todos iam amigos m Incentiv ado pelos a e quase se de entrar. lhou n´águ rGabriel ia todo fim de semana ao bai- ão, Ch ico mergu de vacilão, pole com seus colegas. Alguns deles sem- de seu irm fo i chamado hico entãopre iam em cima do ônibus curtindo afogou. C .. o s e ficou..um barato diferente. Viviam dizendo seus amigque Gabriel era frouxo porque não Mauro jáqueria ir lá em cima com o resto da era o início da veterano em sua escturma. Um dia, voltando do baile, s aulas, ele ola. Com preparand e sua turmGabriel decidiu que... o o trote a estavam menos”, q da “galeri ue nha mais a uma que agora estava entrando na ou la. Tinh eles queri escola. Só vo na esco do mundo para a no am algo m s era no . To va turma. ais radica Viniciu rande na testa a acontecido. fariam .... Então reso lveram qu l g nh cicatriz ntava o que ti essa cicatriz e lhe pergu gulhava-se d a aventura s or o um Viniciu ue tinha feit ue... dizend o q ontou q trem ade. Então c y” e ia todo dia de de verd Alex era “office bo ra o centro morava pa do subúrbio onde lá em cima, da cidade . Gostava de ir s Lino é fissura desv iando-se dos cabo do por motos . Depois que surfando no trem, ex estava comprou sua um dia que Al Foi convidado moto, não qu er outra vida. de alta tensão. Teve por seus cole mais distraíd o e.... para assistir a gas da escola um “pega” qu num bairro pr e se realizava óximo ao seu. fo i de sa fi ad o No dia, Lino po r um ou tr fazerem manob o ca ra pa ra ras radicais e o melhor. Lino ver quem era se recusou e en tão .... No caderno Razões e Emo- ções há referência à ques- tão do corpo, o autocuidado e autovalorização. homens jovens está relacionado, entre outros fatores, a acidentes causados pela exposição dosPerguntar ao grupo quais suas impressões sobre jovens a situações de risco. Pode-se ainda,essas histórias relatadas, bem como sobre suas refletir se, para ser homem de verdade, épróprias histórias pessoais, estabelecendo uma necessário submeter-se a provas deconexão entre provas de coragem e exposição masculinidade que envolvam risco e violência,a riscos com a questão de ser homem e de e que acabam se constituindo como umaversões de masculinidade. Pode-se terminar violência contra si mesmo. O cuidado com aessa técnica apresentando dados da OMS integridade física, com seu próprio corpo(Organização Mundial de Saúde) que mostram constitui um ponto importante na discussão doque o nível de morbidade e mortalidade entre desenvolvimento e saúde do homem jovem. 51
  • 51. várias apresenta Est a técnica ncia sobre violê situações ando aos licit sexual, so inarem o que jo vens determ violência. não é é e o que 7 Violência Sexual: é ou não é?3 Objetivo: Discutir o que é violência sexual, quais as Pode-se encontrar alguma resistência para se falar condições que a fomenta e como podemos reduzi-la sobre o tema de violência sexual. Em outros locais, ou preveni-la. já existem campanhas sobre violência sexual, e os exemplos incluídos aqui podem ser óbvios demais. Materiais necessários: Papel rotafólio. Marcadores. Da mesma forma que falar sobre outras formas de Fita. violência pode causar constrangimentos, em razão das possíveis conexões com histórias pessoais dos par- Tempo recomendado: Uma hora. ticipantes, no caso da violência sexual podem estar presentes no grupo jovens que sofreram algum tipo Dicas/notas para planejamento: Antes de apresentar de violência sexual na infância ou adolescência e essa técnica, pode ser útil que o facilitador procure que podem precisar de ajuda. Em alguns momentos, dados de sua comunidade ou país sobre diferentes encontramos homens jovens que sofreram violência formas de violência sexual, informação sobre as leis sexual de uma mulher, mas nunca haviam falado com em vigor bem como informação sobre organizações alguém sobre o assunto por vergonha - tinham a cren- que oferecem apoio a pessoas que tenham sofrido ça de que ninguém ia acreditar que um homem pode violência sexual. Estas informações podem ser úteis ser vítima de uma mulher. Outros, em alguns mo- para responder a perguntas que os jovens possam fa- mentos, sabiam de amigas que tinham sido vítimas zer durante ou depois dessa técnica. Também antes de violência sexual. O facilitador deve estar prepara- de aplicar a técnica, o facilitador deve revisar as fra- do para casos sensíveis, até de participantes que po- ses para ver quais ele/ela acha pertinente, e acres- dem precisar de uma ajuda especial, mesmo que isto centar outros exemplos apropriados para seu local. nem sempre ocorra. 2- Explicar aos participantes que você vai ler Procedimento uma série de casos, e que você quer que eles pensem sobre se a situação descrita representa 1- Antes da atividade, escrever as seguintes violência sexual ou não. Falar que, se eles não frases, uma em cada folha de papel: sabem ou não têm certeza, podem dizer. 3- Colar os três “posters” na parede com uma xual boa distância entre eles. Explicar que você lerá É violência se um caso, e que vai perguntar aos participantes para decidir em que “pôster” as frases se Não é violência sexual encaixam, segundo a opinião deles. “É violência sexual”. “Não é violência sexual”. Estou em dúvi da 3 O formato desta técnica foi adaptado da técnica “Escolha de Valores” do curriculum, “Adolescência: Época de Planejar a Vida,” Advocates for Youth, Washington, DC. Para uma cópia do AEPV, consulte o endereço da Advocates52 for Youth no Módulo 3.
  • 52. MÓDULO 2“Estou em dúvida (ou não sei)”. defender seu ponto de vista.4- Explicar que uma vez que eles tenham 5- Antes de iniciar a técnica, pensar no que étomado a decisão, você pedirá a um ou mais mais apropriado e, é claro, incluir e inventarmembros do grupo de cada categoria para outras. Ler um dos parágrafos seguintes. mo a lh o c o u m tr a b o meçou a firma bem F e li p e c ministrativo num tá Pablo e ad es, e es Maria H a ssistente z pou cos mes . Uma há dois elena est ão casad a, fa a e da firm ue ele anos. Às conhecid trabalho em casa ve os ando do ele, Roberto, diz q tarde, e M zes, Pablo chega gost so dormind aria Hele chefe d que o a cha pinto o. Ele a na já est noite, o e Felipe, isse que com ela. acorda p ara ter se á ito d le. Ele d Às vezes, gosta mu xo com e m ele, mesmo ela não c xo e qu eria ter se r em ter sexo co a . É ass transam. im Pablo força oncorda, ncorda a fi rm É violênc a ia sexual? barra e se ele co a rá a c re s c e r n e le o a ju d sexual? violência ha transado. Um anos e nunca tin O Ricky tem 15 e riu dele dizend o que era Todo mun grupo de amigos sempr . Uma noite, do diz qu o não era homem tem cara e Linda virgem e que por iss e pagaram a uma de safada ra um prostíbulo dizendo q ue transa . Ela vive eles o levaram pa ra transar com ele . Ele não ta gente, e com mui- trabalh adora de sexo pa m ela, porque que gosta abou transando co Ela vai à fe de sexo. qu eria transar, mas ac É violência sexual? sta d muito, desm o Pedro, e bebe do pelos amigos. aiando. Pe se sentiu pressiona sexo com dro faz ela, ainda da, e con desmaia- vid para transa a seus amigos rem com bém. É vio ela tam- lência sex ual? Luisa diz que ela quer transar com Fred. Ela tira suas roupas, e está na cama com ele quando decide que não quer mais transar. Ele a força. É violência sexual? umaQuando Leonardo tinha 12 anos,amig a de sua mãe, Alice, às vezes ficava noite.com ele quando seus pais saíam àAlice tem a mes ma idade de sua mãe. tomarUma noite, quando Leonardo foibanho, Alice entrou no chuv eiro com ele. ficou Perguntas paraLeonardo não sabia o que fazer. Ele parado diante dela. Ela disse para ele: “Por em discussão que você está aí parado? Seja um hom de verdade e transe comigo”. Leonardo iu fez sexo com ela. Depois ele se sent Essas situações são realistas? estranho, mas não sabia se podia falar com al? O que é violência sexual? alguém sobre isso. É violência sexu O que é violência de gênero? Toda violência sexual é crime? Que podemos fazer para prevenir a violên- cia sexual? Quem é mais vítima de violência sexual, homem ou mulher? Por quê? Homem também pode ser vítima de vio- lência sexual? Quais seriam as conseqüências de ter so- frido violência sexual? 53
  • 53. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA A questão de violência sexual também traz à tona o tema de aborto e contracepção de emergên- cia, que está incluído no caderno sobre Sexualida- de e Saúde Reprodutiva. cia sexual, para falar com o grupo. Pode ser inte- ressante consultar algumas fontes de informação Depois de comentar as perguntas da discussão, adicionais que falam sobre as conseqüências da dependendo do grau do conhecimento, pode ser violência sexual. Sabemos que muitos dos homens interessante conversar com o grupo sobre o que adultos que são violentos sexualmente também significa violência de gênero e as várias formas, foram vítimas de algum tipo de violência na sua conforme apresentado na Folha de Recursos a se- infância ou adolescência. Mostrar a importância guir. Se for interessante para o grupo, também pode de identificar casos de violência sexual e outras convidar alguém de sua comunidade que é espe- violências contra crianças e adolescentes para po- cialista no tema de violência de gênero ou violên- der interromper o ciclo de violência sexual. Folha de recursos definindo violência de gênero Incesto: relação sexual entre parentes consangüí- Assédio sexual: manifesta-se por meio de pro- neos (pais/filhas, mães/filhos, irmãos etc). postas indecorosas, falas obscenas, pressão para ter relações sexuais que o outro não deseja. Abuso sexual: trata de qualquer tipo de contato físico íntimo entre um adulto e uma criança. Violência emocional: é aquela que se mani- festa por meio de insultos, humilhações, ame- Estupro: uso da força física ou ameaça com in- aças, falta de atenção afetiva etc. Pode ter con- tuito de obter relações sexuais com penetração seqüências para homens e mulheres, como bai- (oral, vaginal ou anal). xa auto-estima, desconfiança e insegurança emocional. Exploração sexual: exploração de crianças e jovens para a satisfação sexual de pessoas adul- Violência física: é aquela que se expressa por tas, envolvendo atividades como prostituição e meio de golpes, chutes, empurrões e outros atos pornografia infantis. que podem provocar lesões, pondo em perigo54 a saúde do homem e da mulher.
  • 54. MÓDULO 2 a usa Esta técnic para sociod ramas de r relações apresenta strando casais, mo speito. violênc ia e re 8 Da Violência para Respeito na Relação Íntima4 Objetivo: Discutir como usamos a violência em nos- sente muito fortemente, no contexto do Brasil, onde sas relações íntimas e refletir sobre o que é de fato trabalhamos, é a impotência que os jovens sentem em uma relação íntima baseada no respeito. responder à violência que eles vêem outros homens praticando. Muitos têm medo de falar sobre a violên- Materiais necessários: Papel rotafólio/flip-chart. cia doméstica, repetindo um ditado comum no Brasil Marcadores. Fita. de que "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Através dessa técnica, o facilitador deve pro- Tempo recomendado: Uma hora e meia. curar falar sobre o silêncio e a impotência que senti- mos ao testemunharmos violência doméstica.Outra coisa que se percebe ao usar essa técnica é que os Dicas/notas para planejamento: Essa técnica usa jovens no contexto onde trabalhamos têm pouco con- dramatização com personagens femininos. Se se está tato ou conhecimento de relações íntimas - seja de trabalhando com um grupo somente de rapazes, al- namoro, seja de casais adultos - com base em respeito guns deles podem-se mostrar relutantes em interpretar mútuo e diálogo. O grau de conflito nas relações no uma personagem feminina. Encorajar o grupo a ser fle- dia-a-dia onde nós trabalhamos é alto, mostrando a xível. Se nenhum dos jovens quiser interpretar a perso- necessidade de trabalhar com homens e mulheres para nagem feminina, você pode pedir que eles descrevam pensar a questão: como podemos formar relações en- as cenas usando o "flip chart", por exemplo. O que se tre os homens e mulheres com base no respeito?Procedimento1- Explicar ao grupo que o propósito é discutir pequena história.e analisar os vários tipos de violência que por 3- Pedir a dois grupos que apresentem umavezes usamos nas nossas relações íntimas, e relação de intimidade – namorado ediscutir formas de mostrar e viver estas relações namorada, marido e mulher, ou namorado ecom respeito. namorado – que mostrem cenas de violência.2- Dividir os participantes em 4 grupos (ou Explicar que a violência pode ser física, masmenos, dependendo do número total de não necessariamente. Pedir para eles tentaremparticipantes de grupo), com um número de 5 ser realistas, usando exemplos de pessoas ea 6 em cada, pedindo que eles criem uma incidentes que tenham presenciado ou de que4 Quando nos referimos a relações íntimas e à intimidade, estamos querendo enfatizar as relações de namoro, de“ficar” ou seja, relações com envolvimento amoroso, afetivo e/ou romântico que pode ou não incluir envolvimentosexual. Preferimos não utilizar “relações de casal” porque nem sempre os jovens associam o “ficar”, o namorar,com uma relação estável de casal. 55
  • 55. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA tenham conhecimento em suas comunidades. 4- Pedir aos outros grupos para apresentar Perguntas para também uma relação de intimidade, mas baseada no respeito em relação ao outro. Pode discussão haver conflitos ou diferenças de opinião, mas que mostrem respeito na relação e que não Os exemplos que foram usados nas históri- contenham cenas de violência. Deixar 15 a as são realistas? Vemos essas coisas no nos- 20 minutos para discutir a história ou as cenas, so dia-a-dia? e pedir que apresentem ao grupo. Para você quais as causas da violência do- 5- Cada grupo deve ter em torno de 5 a 10 méstica ou da violência na relação? minutos para apresentar suas histórias, Somente o homem usa violência física con- permitindo que os outros grupos possam fazer tra a mulher? perguntas. Quando você vê esse tipo de violência, o que 6- Quando todos os grupos tiverem-se você normalmente faz? O que poderia fazer? apresentado, usando o “flip chart”, listar: quais Os exemplos de uma relação saudável que são as características de uma relação violenta? foram mostrados nas histórias são realistas? Encorajar os participantes a refletirem sobre É possível construir uma relação baseada as diversas formas de violência nas relações no respeito? A gente vê isso no nosso coti- íntimas (controle, coerção, gritos...) bem como diano? a violência física. Usar as histórias como Que podemos fazer individualmente para exemplo, perguntando: quais as características construir relações de intimidade saudáveis? individuais ou da própria relação nos casos que foram apresentados, que demonstraram a violência? 7- Colocando a lista na parede, começar a listar o seguinte: quais características que fazem com que uma relação seja saudável? Pedir ao grupo para pensar no que é necessário para uma relação baseada no respeito. 8- Discutir as questões abaixo. des. Pode-se ainda convidar alguém que traba- lhe com mulheres vítimas de violência domésti- Essa técnica tenta encorajar os jovens a discutir a ca ou um grupo de homens que trabalham com realidade da violência doméstica, usando exem- autores de violência contra a mulher. A Campa- plos de seu próprio contexto. Existe uma série de nha do Laço Branco (White Ribbon Campaign) outras técnicas para tratar do assunto da violên- iniciada no Canadá e agora adotada em vários cia doméstica disponíveis na América Latina. países da América Latina, mencionada nas re- Muitas delas usam alguns casos e perguntam aos ferências, oferece uma série de materiais para jovens para atribuírem valores, em uma determi- trabalhar o tema em escolas ou nas comunida- nada escala, baseado no nível de violência en- des com intuito de parar a violência contra as volvida. Consulte a lista de referências, caso queira mulheres. Na América Latina, existem grupos atividades adicionais sobre esse tipo de técnicas. no México, Nicarágua e Brasil listados nas refe- Dependendo do grupo, pode-se encorajar os rências que possuem informações e desenvol- participantes a procurar informações adicionais vem atividades com homens na questão da pre- sobre violência doméstica em suas comunida- venção da violência doméstica.56
  • 56. MÓDULO 2 a procura Esta técnic s participantes ro sensibiliza rências r as prefe a respeita cada um, sexuais de caso. estudos de utilizando 9 Homofobia: Homem Pode Gostar de Outro Homem?5 Objetivo: Promover uma reflexão sobre homossexu- momentos e técnicas desse manual, percebemos alidade e homofobia, procurando sensibilizar os par- mudanças de atitude. O facilitador deve procurar ticipantes a uma maior aceitação da diversidade se- manter a postura de defender o respeito para com xual humana. pessoas de todas orientações sexuais, mas fazer isto sem censurar os jovens, escutando os seus comentá- Materiais necessários: Papel rotafólio/flip-chart. rios - mesmo quando homofóbicos - e questionando- Marcadores. Fita. os, mas sem julgá-los. Tempo recomendado: Uma hora. Pergunta-se se esta técnica cabia no manual de vio- lência. Mas, como foi mencionado no Módulo 1, existem numerosos exemplos do uso de violência Dicas/notas para planejamento: Essa técnica promo- contra gays, bissexuais e lésbicas em várias partes ve uma discussão sobre temas que são considerados da América Latina. A homofobia é espalhada, e é tabu em grande parte do mundo, ou que são nega- um aspecto fundamental do machismo, sendo usa- das, ou que invoca raiva e rejeição. O facilitador que do para encorajar os rapazes a ser violentos para vai discutir esses temas deve, ele mesmo, examinar não ser rotulados de gays. Mesmo quando a violên- suas opiniões e atitudes sobre diversidade sexual e cia física não ocorre, muitos indivíduos de orienta- orientação sexual. Embora introduzindo o tema de ção gay ou bissexual são objeto de ridicularização, homofobia e respeito para as diferenças em vários escárnio ou discriminação.5 Esta técnica foi adaptada da técnica “La historia sin fin,” do manual “Esto es cosa de hombres o de mujeres,” deMEXFAM. Veja no Módulo 3 para a referência completa e para informações sobre como conseguir uma cópia. 57
  • 57. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA história e que eles poderão inventar o resto. Procedimento Introduzir o primeiro caso e seguir o círculo perguntando a cada uma para adicionar detalhes à história. Você pode parar a cada história e 1- Explicar ao grupo que o propósito da perguntar ao grupo: é um fato realista? Por que atividade é discutir e analisar a homofobia. você acha que o grupo conduziu a história dessa Pedir ao grupo para definir homofobia. maneira? (pela natureza dos temas, prefere-se não 2- Explicar ao grupo que você irá discutir exemplos apresentar como uma dramatização, mas em de homens e mulheres jovens representantes de alguns grupos se pode construir uma história e diversas orientações e práticas sexuais. representá-la. A idéia é que cada um coloque 3- Formar um círculo com todos os participantes. detalhes na história inicial). Explicar ao grupo que você irá começar uma 4- Discutir as questões a seguir: Exemplos de histórias Uma noite , Beto tinh um grupo a saído co de amigos, m passeando mesma tu todos da ando ele estava rma no co Uma noite qu amigos, Luis deles, Rog légio. Um um grupo de erio, disse na praia com que seu amig o, : “Vamos barraca bater em u mas bicha fic ou na mesma as ce rvejas uns travest s por aí. V es tomaram um mpre se is na praç i Guilherme. El então ... a. Vamos! a barraca. Luis se ”E antes de ir para Es ta va te ro ss ex ua l. co ns id er ou he namorada e sexo com sua pensando em ra a barraca. quando foi pa a primeira ficou excitado e Luis estava as teve su erme viu qu anos, Tom em, Quando Guilh Aos 18 outro hom meçou a .... xual com ra excitado, co exp eriência se ele sa bia que e de então, nhecer e a partir iros até co uitos parce uito Aos 17 anos, gay. Teve m aram juntos por m ra era bissexual. Fernando acho u que José . Eles fic iram contar pa Ele gostava de ando decid com garotas e sexo tempo, qu e viverem juntos... noite, seu pa com garotos. Uma ias suas famíl outro rapaz, i o viu abraça ndo e quando Fern chegou em ca ando sa seu pai com a gritar com el eçou e... Joana é lésbica, e não esconde isso. Ela deixa claro para seus o amigo chamad amigos, garotas e garotos, que Miguel tem um da sua idade) vem é lésbica e freqüentemente usa Sammy (um jo o. Miguel sem - broches e camisetas que falam por qu em está atraíd tas. Ape- o, sem garo sobre o direito dos gays. Uma pre está sozinh e nunca se vez ela estava indo para casa à sar de já ter transado, el ao fato. Ele não sabe noite, quando um grupo de apaixonou de so significa... rapazes a estava esperando certo o que is perto de casa. Um deles disse: “É ela. É lésbica”. Então, ....58
  • 58. MÓDULO 2Perguntas paradiscussão Esses exemplos são realistas? Vemos esses fatos na vida real? Qual a diferença entre lésbica, gay e bissexual? Uma pessoa pode ter relações com uma pessoa do mesmo sexo e ser heterossexual? Por que é difícil para muitas pessoas aceitar a homossexualidade ou o comportamento Essa técnica encontra-se homossexual? neste caderno por ser a Que tipo de violência contra gays ou homofobia uma forma de lésbicas você já viu ou ouviu falar? violência de gênero. O que você pensa deste tipo de violência? Mas, ela também é rele- Você já foi chamado de gay por algum de vante para os cadernos seus colegas por não fazer alguma coisa, “Sexualidade e Saúde como brigar? O que você acha disso? Reprodutiva” e “Preve- nindo e Vivendo com HIV/AIDS.” Pode-se também trazer exemplos de organiza- ções ou campanhas ou ainda mecanismos legais existentes em algumas partes da América Latina Alguns grupos de homens jovens podem negar a que trabalham com a homofobia e que promo- existência de comportamento homossexual ou de vem a aceitação da diversidade sexual ou os di- indivíduos gays ou bissexuais em suas comunida- reitos de indivíduos gays ou bissexuais. Pode-se des. Explicar ao grupo que o comportamento ho- considerar ainda a possibilidade de convidar um mossexual tem sido registrado em quase todo o membro de um destes grupos ou organizações mundo e que entre 10 e 15% de homens adultos e para fazer uma apresentação de um grupo ou jovens entrevistados em vários países da América sugerir que o grupo visite um deles. Latina disseram que fizeram sexo pelo menos uma vez com outro homem - incluindo aqueles que se Pode-se também voltar ao tema de como a reconhecem como heterossexuais. homofobia faz parte da socialização masculina. 59
  • 59. a procura Esta técnic e os jovens qu fazer com quando rec onheçam mo raiva e co estão com a. expressá-l 10 Que Faço Quando Estou com Raiva?6 Objetivo: Ajudar os participantes a pensar sobre homens são socializados para não falar sobre o que como identificar quando estão com raiva e como sentem. Quando nos sentimos frustrados ou tristes, expressá-la de forma construtiva, e não somos encorajados a não falar sobre isso. Muitas destrutivamente. vezes ao não falar, a frustração ou raiva se intensifica até ser expressa via agressão física ou gritos. Essa Materiais necessários: Papel rotafólio/flip-chart. Pa- técnica procura ajudar os jovens a pensar na questão pel A4. Marcadores. Fita. Cópias da Folha de Recur- de usar bem as palavras - sem agredir com elas - para so para cada participante. expressar raiva e frustração ao invés de agressão físi- ca. Esta técnica pode ser útil e pode ser uma referên- Tempo recomendado: Uma hora. cia para o resto do processo, já que sempre haverá conflitos no grupo. Em caso de conflitos, o facilitador Dicas/notas para planejamento: Em geral, meninos e pode lembrar: "Use palavras, mas sem agredir". Procedimento 1- Comece a técnica com uma pequena 3- Entregar para cada participante uma Folha introdução ao tema, por exemplo: de Recursos (a seguir). Lendo cada pergunta, fazer que os participantes respondam às Muitos jovens e homens confundem raiva e perguntas individualmente, dando-lhes 2-3 violência, achando que são a mesma coisa. É minutos para cada pergunta. importante afirmar que a raiva é uma emoção, 4- Ao terminar de preencher a folha, dividir o uma emoção natural e normal que todo ser grupo em grupos pequenos de 4-5 participantes humano sente em algum momento da vida. no máximo. Em pequenos grupos, pedir que Violência é uma forma de expressar raiva, quer eles comentem, dando um tempo para cada um dizer, é um comportamento que pode expressar contar o que escreveu para os outros do grupo. raiva. Mas existem muitas outras formas de expressar a raiva – formas melhores e mais Dar 20 minutos para este trabalho em grupo. positivas – que a violência. Se aprendermos a 5- Com os participantes ficando nos pequenos expressar nossa raiva quando a sentimos, pode grupos, entregar para cada grupo uma folha de ser melhor do que deixá-la acumular, pois muitas papel rotafólio e pedir que faça uma lista de: vezes quando deixamos a raiva acumular, tendemos a explodir. A) Formas negativas de como reagimos quando estamos com raiva 2- Explicar ao grupo que nessa técnica, vamos B) Formas positivas de como reagimos quando falar sobre como reagimos à raiva. estamos com raiva 6 Esta técnica foi adaptada do manual, “Learning to Live without Violence: A Handbook for Men,” Volcano Press,60 1989. Para pedir uma cópia do manual e ver a referência completa, consulte o Módulo 3 deste caderno.
  • 60. Eu estou com raiva porque: MÓDULO 26- Dar aos grupos 15 minutos para fazer umalista de coisas, e depois pedir que cada grupoapresente suas respostas ao grupo grande. Eu gostaria que você:7-É bem provável que estejam na lista de “FormasPositivas” as táticas de: (1) dar uma volta; e (2)usar palavras para expressar o que sentimos semagredir. É importante ressaltar que dar uma voltanão significa sair de carro (se for o caso) em alta Dar um exemplo para o grupovelocidade expondo-se a riscos ou ir para umbar ingerir bebidas alcoólicas. Se estas duas Se a sua namorada chegasse tarde para umtáticas propostas aqui não estiverem em encontro que vocês marcaram, você poderianenhuma das listas apresentadas, explique-as reagir gritando: “Você é uma vagabunda, épara o grupo. Em suma: sempre isso, eu aqui te esperando.”Dar uma volta é simplesmente sair da situação Ou então, procurando usar palavras semde conflito e raiva sair de perto da pessoa de agredir, você pode dizer:quem está sentindo raiva. Pode contar até 10, “Eu estou com raiva porque você chegou tarde.respirar profundamente, andar um pouco ou Eu gostaria que você chegasse na hora ou entãofazer outra atividade física, procurando esfriar que me avisasse que ia atrasar. “a cabeça e ficar calmo. Geralmente, éimportante para a pessoa que tem raiva 8. Discutir as questões a seguir.explicar para o outro que vai dar uma voltaporque está com raiva, algo como: “Estoumuito chateado agora e preciso dar uma volta.Preciso fazer algo agora como andar para não Perguntas paraficar violento ou gritar. Quando estiver com acabeça fria e estiver calmo, vamos poder discussãoconversar para resolver isto.” Em geral é difícil para os homens expres-Usar palavras sem agredir é aprender a sarem raiva sem usar violência? Por quê?expressar duas coisas: (1) Dizer para a outra Muitas vezes sabemos como sair de umpessoa o que te está chateando. E (2) dizer o conflito ou de uma briga, sem usar violên-que você quer da outra pessoa sem agredir ou cia, mas não o fazemos. Por quê?insultar. Por exemplo: É possível “dar uma volta” para reduzir os conflitos? Temos experiência com essa téc- nica? Como resulta? É possível “usar palavras sem agredir”? Se estiver com tempo, uma forma interessan- A técnica sobre te para fechar essa técnica é pedir ao grupo assertividade no caderno para fazer sociodramas ou pensar em outros “Razões e Emoções” exemplos de situações ou frases que também trata do tema de exemplificam a diferença entre gritar ou usar expressar-se sem violência. palavras que agridam e usar palavras que não agridam. 61
  • 61. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Folha de Recurso Que faço quando estou com raiva? 1- Pense numa situação recente quando você estava com raiva. Que aconteceu? Escreva aqui uma pequena descrição do evento (uma ou duas frases). 2- Agora, pensando neste evento de quando você estava com raiva, tente lembrar o que você estava pensando e sentindo. Tente listar aqui uma ou duas sensações que você teve no seu corpo quando estava com raiva: 3- Muitas vezes depois de sentir raiva, começamos a reagir com violência. Isso pode até ser antes de nos darmos conta de que estamos com raiva. Alguns homens reagem logo, gritando, jogando algo no chão, batendo. Às vezes, chegamos a ficar deprimidos, quietos, fechados. Pensando neste evento, quando você sentiu raiva, como demonstrou essa raiva? Qual foi o seu comportamento? (Escreva em uma frase ou algumas palavras como você reagiu, suas ações ou seu comportamento quando estava com raiva.)62
  • 62. MÓDULO 2 mostrar a procura Esta técnic que o grupo do exemplos oà em relaçã p ode fazer ão-violênc ia na da n promoção ade. nid sua comu 11 Cidadania: O que Posso Fazer para Promover a Paz? Objetivo: Encorajar os participantes a pensar num metidos com suas comunidades e escolas são menos projeto em conjunto para chamar a atenção ou redu- propensos a ser violentos ou delinqüentes. Ser parte zir a violência na sua comunidade. da solução é por si só uma forma de prevenção. Materiais necessários: Papel rotafólio. Cópias para Depende do facilitador decidir se o grupo realmente todos os participantes dos tem condições ou está pronto para assumir uma ati- estudos de casos. vidade desta ordem. Essa é a mais solta e flexível de todas as técnicas deste manual. Depende de os Tempo recomendado: Uma hora e meia para iniciar. jovens e facilitadores levarem como quiserem. Em grupo, decidir por quanto tempo depois a campa- Pode ser a técnica que também vai requerer outras nha se mantém. pessoas para colaborar na sua execução. É impor- tante que o facilitador seja realista em termos de Dicas/notas para planejamento: Essa técnica trata de tempo e recursos. Algumas organizações e criar um projeto comunitário com os jovens para pro- facilitadores têm condições para desenvolver um mover a paz nas suas comunidades. Algumas das mais projeto comunitário, outros não. Em nossa experi- promissoras e bem sucedidas formas de prevenir a ência é importante engajar os jovens com parte da violência no mundo inteiro são aquelas criadas pelos solução, mas com realismo. É importante sonhar próprios jovens. Da mesma forma, como foi comen- com esta atividade, porém com asas bem tado no Módulo 1, os jovens que se sentem compro- construídas e pensadas.Procedimento 2- Explicar ao grupo que em várias partes das Américas, os próprios jovens têm colocado em prática suas idéias para chamar a atenção para1- Explicar aos participantes que o propósito é a questão da violência, por exemplo,incentivá-los a discutir em grupos o que eles elaborando propostas para reduzir o nível depoderão fazer em suas comunidades para chamar violência ou propor soluções.a atenção para a violência ou, trabalhando com 3- Explicar aos jovens que eles podem discutiroutros grupos, para reduzir a violência. alguns estudos de caso de projetos que já foram 63
  • 63. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA utilizados por outros jovens em outras jovens em sua comunidade ou escola sobre a comunidades. violência. Peça que eles escrevam ou 4- Distribuir cópias de um ou mais estudos de desenhem suas idéias num “flipchart”. Diga- caso ou incluir estudos de caso que foram feitos lhes que as idéias não precisam estar em seu país ou região. totalmente prontas, mas que listem algumas 5- Dividir o grupo grande em pequenos grupos idéias. Dê cerca de 30 minutos para os para discutir os casos apresentados, e pedir aos trabalhos em grupos. participantes para lê-los. (Dependendo do 8- Pedir aos grupos para retornar, e que cada nível de leitura dos participantes você mesmo um apresente suas idéias. pode ler em voz alta os estudos para eles). 9- Pedir aos participantes para ajudar a 6- Promover uma breve discussão sobre os identificar, dividir as idéias em categorias, por estudos de caso, perguntando, por exemplo: exemplo: (1) ação política/“advocacy”; (2) a) O que você achou do caso apresentado? campanhas de conscientização na comunidade; b) O que você acha que o jovem pode fazer (3) desenvolvimento de materiais educativos e sobre a questão da violência? de informação; (4) execução de um plano local c) Quem mais poderia ser envolvido, se os nas suas escolas e comunidades, etc. jovens quisessem fazer alguma coisa sobre a 10- O próximo passo é estabelecer uma violência? prioridade para as idéias. Quais delas parecem 7- Dividir os participantes em grupos de 5 ou ser mais fáceis no momento? Quais são as mais 6- e pedir que eles façam um “brainstorm” interessantes? Trabalhar com o grupo para sobre o que eles poderiam fazer como grupo concentrar e dar prioridade a uma das idéias, (ainda que um grupo particular), com outros mas deixando a decisão final para eles. Existem várias atividades sobre direitos incluídas nos outros manuais que também podem fornecer idéias sobre iniciativas ou atividades comunitárias sobre violência. casos, o grupo pode querer encontrar-se por conta própria para finalizar o planejamento. Essa A lista de idéias pode ser oferecida como "Pla- técnica é provavelmente a última a ser feita, nejamento de atividade de prevenção da vio- porque depende de os participantes e do lência". Essa lista contém uma série de questões facilitador decidirem o que e como eles farão que o grupo pode fazer quando planejar esta isso. O ponto importante para o facilitador é aju- atividade. O facilitador pode determinar, duran- dar os jovens a desenvolver um plano possível te o trabalho de grupo, um certo tempo para de ser executado para que eles tenham uma sen- desenvolver o planejamento feito. Em outros sação de completude, e não de frustração.64
  • 64. MÓDULO 2 Folha de Recurso“Planejando uma atividade de prevenção de violência”1- Descrição (em 2 ou 3 frases, descreva seu plano)2- ColaboraçãoDe quem mais você precisa de colaboração para tornar este plano realidade?Como você pode assegurar este apoio e colaboração?3- Materiais/RecursosDe que recursos você precisa para executar seu plano?Onde e como conseguir tais recursos?4- CronogramaQuanto tempo você precisa para executar o plano?Passos: Liste em ordem os passos necessários para que o planejamento se realize.5- Avaliação:Como saber de que forma seu plano está funcionando?Que expectativas você tem como resultado de sua atividade?6- Riscos:Quais as coisas que poderão dar errado? 65
  • 65. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Estudos de Casos 1- Projeto Jovem para Jovem Há comunidades na América Latina onde existem grupos armados de tráfico de drogas, que às vezes determinam regras de convivência. Num projeto com jovens numa comunidade deste tipo, eles escreveram uma peça sobre violência doméstica e um rap sobre a violência. Eles vêm apresentando esta peça em escolas, em seminários sobre juventude, para políticos ligados à questão da violência doméstica, e profissionais de saúde. 2- Projeto em New York (NYC): “O que a juventude de NYC sabe sobre a violência” Um grupo de escola secundária em NYC desenvolveu um folder que de um lado era uma bomba que dizia: “O que a juventude de NYC sabe sobre a violência”; no outro lado, era uma lâmpada que dizia: “O que a juventude de NYC sabe sobre o fim da violência”. Este folder foi distribuído em escolas e para os políticos locais como uma forma de promover a discussão sobre as causas e as possíveis soluções para os problemas da violência. 3- Promotores da Paz Em várias escolas em alguns países na América Latina, alguns jovens são treinados a ser agentes multiplicadores para resolução de conflitos e promoção da paz. Em algumas escolas, os próprios alunos elegem os “promotores”. Será que algo assim podia funcionar na sua escola?66
  • 66. MÓDULO 3 3OndeOnde procurar mais informação. 67
  • 67. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Também incluímos neste módulo um estudo de caso sobre o trabalho direto e Este módulo traz algumas descrições de a experiência do Instituto PROMUNDO materiais, sites e organizações que na área de prevenção de violência, podem fornecer mais informações sobre incluindo violência de gênero, com o tema de violência e homens jovens. homens jovens.68
  • 68. MÓDULO 3 Heise, L. Ellsberg, M. & Gottemoeller, M.1- Textos Ending Violence Against Women. Population Reports, Series L, No. 11, Baltimore: Johnsrecomendados Hopkins University School of Public Health, December, 1999.McAlister, A. (1998). La violencia juvenil en Revisão internacional de dados sobre violên-las Americas: Estudios innovadores de cia contra a mulher e apresentação de progra-investigacion, diagnostico y prevención. mas e políticas pertinentes. Disponível em in-Organización Panemaricana de la Salud: glês, espanhol e francês.Washington, DC. Contato: Population Information Program Center for Communication ProgramsRevisão de pesquisas sobre violência juvenil na The Johns Hopkins University School of Publicregião das Américas. Descrição de exemplos Health,de programas de várias partes da região. Dados 111 Market Place, Suite 310, Baltimore, Md 21202estatísticos úteis e uma extensa bibliografia. USA.Cópias disponíveis em inglês e espanhol, semnenhum custo, podem ser solicitadas a: Barker, G. (2000) What about Boys? A OPS, Programa de Familia y Poblacion, Literature Review on the Health and 525 Twenty-third Street, NW, Washington, DC, Development of Adolescent Boys. World 20037, USA Tel: (202) 974-3086 Health Organization, Geneva. Fax: (202) 974-3694 Esta revisão da literatura apresenta dados de E-mail: maddalem@paho.org todo o mundo sobre a saúde e o desenvolvi- mento de homens adolescentes, incluindo dados de pesquisas sobre violência e homensFontes, M., May, R., Santos, S. (1999) Cons- adolescentes. Disponível em inglês, francês etruindo o ciclo da Paz. Brasília, Brasil: Insti- espanhol.tuto PROMUNDO. Coleção Promundo. Contato: Department of Child and Adolescent Health and Development, WHODiscussão das causas da violência segundo um 20 Avenue Appia, 1211, Geneva 27, Switzerlandmodelo ecológico, com sugestões de promoção Tel: (41 22) 791-2632de paz em escolas e com exemplos de progra- Fax: (41 22) 791-4853mas que trabalham com a questão da prevenção E-mail: cah@who.intda violência no Brasil e em outras partes da Amé- Website: www.who.int/child-adolescent-healthrica. Cópias podem ser obtidas com o InstitutoPROMUNDO (ver o endereço na contracapa). 69
  • 69. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA 2- Manuais Men as Partners: A Program for Manual de identificación y promoción de la Supplementing the Training of Life Skills resiliencia en niños y adolescentes. Munist, Educators. Guide for MAP Master Trainers M., Santos, H., Kotliarenco, M., Ojeda, El, and Educators. New York: AVSC International Infante, F. & Grotberg, E. Washington, DC: and the Planned Parenthood Association of PAHO, 1998. South Africa, 1999. Apresenta uma série de dinâmicas para traba- Manual de treinamento para trabalhos com ho- lho direto com crianças e adolescentes na pro- mens, em equidade de gênero e saúde, com uma moção de resiliência, que pode ser considera- grande parte dedicada à prevenção da violên- do um importante fator na prevenção de vio- cia doméstica com homens. Fornece dados úteis lência. Disponível gratuitamente em inglês e sobre o tema, bem como atividades para engajar espanhol. os homens em discussões sobre violência do- OPS, Programa de Familia y Poblacion, méstica. Disponível em inglês. 525 Twenty-third Street, NW, Washington, DC, Contato: Engender Health (anteriormente AVSC 20037, USA International) Tel: (202) 974-3086 79 Madison Ave. New York, NY, 10016, USA Fax: (202) 974-3694 Tel: (212) 561-8000 E-mail: maddalem@paho.org Fax: (212) 779-9489 E-mail: info@avsc.org Aprendendo a ser e a conviver. Serrão, M. & Website: www.engenderhealth.org Baleeiro, M. Salvador: FTD & Fundação Odebrecht, 1999. Life Planning Education/Adolescencia Epoca de Manual com atividades para formação de gru- Planejar a Vida/Como Planear Mi Vida (1992) pos, promoção de liderança, protagonismo Manual com uma série de dinâmicas relacio- juvenil, sexualidade e projeto de vida. Dispo- nadas a planejamento de vida, tomada de de- nível somente em português. cisões, comunicação, valores, gênero, sexua- Contato: Fundação Odebrecht lidade e prevenção do HIV/AIDS, testadas em Av. Tancredo Neves, 450, Ed. Suarez Trade, cinco países da América Latina e disponível 33º andar – Caminho das Árvores, 41827-900, Salvador, BA, Brasil em inglês, espanhol e português. Tel: (71) 340-1556/1423 Contato: Advocates for Youth Fax: (71) 340-1668 1025 Vermont St., NW, Suite 200, Washington, DC, E-mail: fundacao@odb.com.br 20005, USA Tel: (202) 347-5700 Fax: (202) 347-2263 Choose a Future: Issues and Options for Website: www.advocatesforyouth.com Adolescent Boys. A Sourcebook of Participatory Learning Activities. Washington, Esto es cosa de hombres o de mujeres? Series: DC: Centre for Development and Population Hablemos de género. Aguilar, J. & Hernandez, Activities (CEDPA), 1998. B. México: MEXFAM, 1998. Manual com mais de 50 atividades de grupo Manual testado com jovens do México para para trabalho com homens adolescentes so- promoção de discussões sobre gênero, sexua- bre gênero, valores, relações interpessoais, fa- lidade, violência de gênero e homofobia. Con- mílias, participação comunitária, saúde, tra- tém mais de 30 dinâmicas para serem feitas balho e meio ambiente. Disponível somente com grupos de jovens, tanto em grupos só de em inglês. Foi desenvolvido principalmente rapazes e só de meninas, como em grupos para uso em países africanos, mas traz exem- mistos. MEXFAM também produziu um vídeo plos interessantes de atividades que podem ser com o mesmo nome que acompanha o ma- adaptadas para a região da América Latina. nual. Para obter uma cópia contate: Contato: CEDPA MEXFAM 1400 16th Street, NW, Suite 100, Washington, DC, Juarez 208, Tlalpan, C.P. 14000, Mexico, DF, Mexico 20036, USA Tel. (525) 573-7100 E-mail: cmail@cedpa.org. Fax. (525) 573-231870 E-mail: mexfam@ippfwhr.infonet.com
  • 70. MÓDULO 3White Ribbon Campaign: Men AgainstViolence Against Women. Education and 3- VídeosAction Kit. Toronto: White Ribbon Campaign.Este manual contém uma série de atividades Nota: Vários dos centros de referência dispõemelaboradas para professores executarem com de vídeos e filmes não mencionados aqui. Fa-jovens em escolas sobre o tema violência do- vor entrar em contato diretamente para temasméstica e violência nas relações íntimas, como e títulos.também começar uma campanha contra es-ses tipos de violência em suas escolas ou co- Artigo 2º (Artigo Segundo) – ECOSmunidades. Disponível em inglês, mas alguns Este vídeo apresenta uma série de episódiosmateriais podem ser encontrados em espanhol. de violência do cotidiano vistos pela ótica de Contato: The White Ribbon Campaign dois jovens. Ele chama a atenção para formas 365 Bloor Street East, Suite 1600, Toronto, ONT, de violência que são mais sutis e que estão M4W 3L4, Canada E-mail: whiterib@idirect.com. presentes no dia-a-dia. Website: www.whiteribbon.ca Contato: ECOS – Comunicação em Sexualidade Rua do Paraíso, 592 – São Paulo/SP, 04103-001, Brasil Tel/fax: (11) 3171-3315, 3171-0503Learning to Live without Violence: A E-mail: ecos@uol.com.brHandbook for Men, Daniel Jan Sonkin &Michael Durphy, Volcano Press, USA Esto és cosa de hombres o mujeres?Este manual em inglês contém uma série de Vídeo que faz parte do kit da MEXFAM men-dinâmicas elaboradas para homens adultos nas cionado anteriormente.áreas de prevenção de violência doméstica eadministração de raiva. Ainda que elaboradaspara homens adultos, muitas das atividades sãoúteis para trabalho com homens jovens. Contato: Volcano Press, P.O. Box 270, Volcano, CA, 95689, USA Tel: (209) 296-3445 Fax: (202) 296-4515 71
  • 71. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA 4- Websites e Centros UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância de Referência Coordena atividades de prevenção de violên- cia contra mulheres e meninas e trabalha com o tema de educação para a paz. UNICEF House White Ribbon Campaign 3 UN Plaza, New York, NY 10017, USA Campanha internacional de homens contra Website: www.unicef.org violência doméstica, com base na Canadá. 365 Bloor Street East, Suite 1600, Toronto, ONT, NVPP – The Network of Violence Prevention M4W 3L4, Canadá Practioners Tel: (416) 920-6684 NVPP é um membro de uma associação que con- Fax: (416) 920-1678 grega profissionais que trabalham em nível local e E-mail: whiterib@idirect.com Website: www.whiteribbon.ca nacional nos EUA e também em nível internacio- nal na área de prevenção da violência. Para os as- CORIAC – Coletivo de Hombres por Relacio- sociados, existem acessos à troca contínua de in- nes Igualitarias formações, oportunidades de treinamento, pesqui- ONG que trabalha na área da prevenção de sas recentes e diálogo entre profissionais, pesqui- violência doméstica e violência de gênero com sadores e avaliadores de programas. Os materiais homens adultos e jovens estão disponíveis em espanhol e inglês. Diego Arenas Guzman 189 Website: www2.edc.org/nnvpp Col. Iztaccihuatl, C.P. 03520 Delegacion B. Juarez, Mexico, DF CLAVES – Centro Latino-americano de Estu- Tel/fax: (52 5) 5696-3498 dos de Violência e Saúde E-mail: colectivo@coriac.org.mx Website: www.coriac.org.mx Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Central American Women’s Network – Nicarágua Centro de pesquisa que trabalha na área de Este grupo procura novos caminhos para pre- violência e prevenção, com estudos e proje- venção da violência doméstica e o machismo. tos dedicados a violência juvenil no Brasil. Av. Brasil 4036, sl. 702, Manguinhos Elaborou um filme intitulado “Macho”. Este Rio de Janeiro, RJ 21040-361 Brasil filme mostra os esforços feitos na Nicarágua Tel: (21) 2290-4893 para mudar as atitudes dos homens em rela- Fax: (21) 2270-1793 ção à violência contra a mulher. E-mail: cawn@gn.apc.org Instituto NOOS Website: www.mailbase.ac.uk/lists/development- ONG brasileira trabalhando com homens adul- gender/2000-02/0004.html tos na prevenção da violência de gênero e intrafamiliar. OPS – Organização Panamericana de Saúde Rua Martins Ferreira, 28, Botafogo Apóia pesquisas sobre violência, incluindo Rio de Janeiro, RJ 22271-010 Brasil Tel/fax: (21) 2579-2357 violência de gênero, e dispõem de vários do- E-mail: noos@alternex.com.br cumentos e na área de prevenção de violên- cia com jovens. 525 Twenty-third Street, NW, Washington, DC, Instituto PROMUNDO 20037, USA ONG brasileira afiliada ao JSI Research and Tel: (202) 974-3086 Training Institute, Boston, USA, que trabalha Fax: (202) 974-3694 na área de pesquisas e políticas relacionadas Website: www.paho.org a crianças e adolescentes. Tem várias iniciati- vas na área de prevenção de violência com OMS – Organização Mundial de Saúde homens jovens, incluindo violência de gêne- Mantém uma base de dados sobre violência e ro. Veja estudo de caso na próxima seção. prevenção de violência, incluindo violência Rua Francisco Serrador, 2/702, Centro de gênero. Rio de Janeiro, RJ 20031-060 Brasil 20 Avenue Appia, CH-1211, Tels: (21) 2544-3114, 3115 Geneva 27 Switzerland Fax: (21) 2220-351172 Website: www.who.int E-mail: promundo@promundo.org.br Website: www.promundo.org.br
  • 72. MÓDULO 3 todos os programas que se identificam comoIntrodução “prevenção de violência” utilizam o que se sabe das pesquisas sobre violência, e procuramNos últimos anos, muitos dos programas que prevenir a violência com essas informações etrabalham com jovens na região das Américas a participação dos jovens. Além disso, apesartêm sido chamados de “prevenção de de existirem vários programas importantes naviolência”. Programas que trabalham com área de prevenção de violência, apenas algunsesportes, atividades culturais ou outras poucos têm um olhar para a questão do gêneroatividades recreativas associadas ou não com (particularmente a forma como os meninos sãoa escola podem de fato prevenir a violência. socializados) e da violência. Se sabemos queOferecer aos jovens, particularmente aos os rapazes cometem mais violência, devemoshomens jovens, espaços para interação de então pensar na conexão que existe entre aforma positiva e pró-social é de vital forma como eles são socializados em relaçãoimportância. O que deve ficar claro é que nem ao gênero e à violência. 73
  • 73. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA tituto PROMUNDO, tal iniciativa está interligan- As Iniciativas do homens idosos de duas comunidades de bai- xa renda com homens jovens das mesmas comu- Desde 1998, o Instituto PROMUNDO, uma nidades, com o objetivo de prevenir a violência e ONG que trabalha na área social no Brasil, vem fortalecer a comunidade. Quando perguntado aos trabalhando o tema de prevenção de violência, jovens o que eles queriam ouvir dos homens ido- incluindo violência de gênero, com homens jo- sos, eles disseram: “Ouvir as histórias de sua vida”. vens. Os componentes do programa incluem: Outro jovem disse: “Estes homens idosos são le- gais”. Através de dinâmicas de interação e convi- O Projeto De Jovem para Jovem, coordenado pelo vência, os homens jovens e adultos trabalham jun- Instituto PROMUNDO e o Grupo Consciência tos para planejar e desenvolver atividades de pre- Masculina, promove treinamento de homens jo- venção da AIDS e prevenção da violência vens entre 15 e 21 anos de duas comunidades de intrafamiliar na comunidade. baixa renda no Rio de Janeiro para atuar como promotores juvenis nas áreas de saúde sexual e Produção de materiais sobre a prevenção de reprodutiva e na prevenção da violência domésti- violência, e capacitação de profissionais que tra- ca. Pesquisa anterior realizada com homens jovens balham com jovens. Além desta ação direta com mostrou fatores associados à demonstração de ati- jovens em comunidades de baixa renda no Rio tudes mais equitativas de gênero entre eles. Esses de Janeiro, o PROMUNDO vem produzindo fatores foram incorporados no desenho do proje- material sobre violência e jovens, que inclui: to, promovendo reflexões sobre os “custos” de ver- sões tradicionais de masculinidade, incluindo os Construindo o Ciclo da Paz (veja na lista de impactos nas famílias da violência de homens con- recursos) tra mulheres. O recrutamento seletivo destes pro- What about Boys? (veja na lista de recursos, motores foi uma importante estratégia do projeto. produzido por PROMUNDO para a OMS) Foram selecionados aqueles jovens que mostra- A cartilha “Esfria a cabeça rapaz: uma cartilha para vam atitudes mais equitativas de gênero, que de- rapazes sobre violência contra mulheres”, elabo- monstravam respeito na relação com suas namo- rado por e para rapazes sobre violência de gênero. radas e companheiras, que acreditavam que na par- ticipação masculina no campo da saúde sexual e Formando e fortalecendo redes comunitárias e reprodutiva e que tomavam atitude contra a vio- entre organizações. PROMUNDO vem colabo- lência dos homens contra as mulheres. Assim se rando com várias organizações parceiras – entre constituem num exemplo positivo para outros ho- elas a Coordenação de Estudos e Pesquisas sobre mens. Os rapazes escreveram e produziram uma a Infância/Universidade Santa Úrsula e o Instituto peça sobre a violência contra a mulher e elabora- NOOS – na formação e fortalecimento de redes ram uma fotonovela “Esfria a cabeça, rapaz!”, com comunitárias, seja a favor de crianças e jovens, a qual se vêm apresentando em escolas, encontros seja para prevenção da violência intrafamiliar. Essa de jovens, e centros de saúde nas próprias comu- estratégia procura engajar e fortalecer o que as nidades. Até o final de 2000, a peça tinha sido comunidades já fazem ou podem fazer para pre- apresentada a mais de 1000 pessoas no Rio de venir a violência. PROMUNDO também fun- Janeiro e São Paulo, e ganhou um prêmio da Uni- dou no Brasil, junto com outras ONGs, a Campa- versidade de São Paulo, como intervenção na área nha do Laço Branco – movimento de homens pelo de violência intrafamiliar. fim da violência contra a mulher. Projeto de “Mentores”. Reconhecendo que para Conduzindo pesquisas sobre violência de gê- muitos rapazes faltam “modelos” ou referências nero e homens. PROMUNDO, junto com o masculinas positivas, esta iniciativa tem procura- Instituto NOOS, vem conduzindo várias pes- do estabelecer o contato dos jovens com homens quisas – quantitativas e qualitativas – sobre ho- adultos nas mesmas comunidades. Coordenada mens e violência de gênero, utilizando essa in-74 pelo Instituto NOOS em colaboração com o Ins- formação para criar estratégias de prevenção.
  • 74. MÓDULO 3ConclusõesAs iniciativas do PROMUNDO na área de prevenção de violência têm sidofruto de pesquisas anteriores com jovens. Especificamente, procuramos atra-vés destas pesquisas, identificar os caminhos da paz – seja entre rapazes,seja entre eles e as mulheres – em comunidades violentas. Partimos, não deuma perspectiva de déficit, mas de uma perspectiva de que existe em todacomunidade – por mais violenta que seja – homens jovens que procurampromover a paz, e não a violência. Ou seja, mesmo em contextos em que aviolência é generalizada e em que violência contra a mulher é considerada“normal”, existem jovens que questionam esta violência e acreditam emversões “alternativas” de masculinidade. Esses homens jovens e adultospodem e devem ser considerados aliados na prevenção de violência, comopossíveis modelos, como promotores juvenis ou como mentores. É exata-mente este o caminho que o PROMUNDO vem trilhando no trabalho deprevenção da violência – inter e intragênero. 75
  • 75. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA BEMFAM - Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil MEXFAM - Fundación Mexicana para la Planeación É uma organização não governamental, de ação Familiar social, sem fins lucrativos. Atua prestando servi- MEXFAM (Fundación Mexicana para la Planeación ços à população em 14 Etados do país, através de Familiar) é uma associação civil, dirigida por volun- Pogramas Estaduais, Clinicas de Saúde tários, e sem fins lucrativos, especializada em difun- Reprodutiva, Laboratórios de Citopatologia e Aná- dir a prática da regulação voluntária da fecundidade lise Clínicas. Desenvolve pesquisas na área de entre os setores mais necessitados da população demografia e saúde e presta assessoria técnica a mexicana: os mais pobres, tanto nas áreas urbanas órgão governamentais e não- governamentais. É quanto nas rurais, os jovens e os homens. uma ONG comprometida com o Plano de Ação Foi fundada em 1965 e é o membro mexicano da de Cairo, especialmente na promoção dos direi- IPPF. Sua missão é proporcionar serviços de van- tos sexuais e reprodutivos, na difusão da qualida- guarda e de qualidade nas áreas de planejamento de dos serviços sob a perspectiva da equidade de familiar, saúde e educação sexual, de maneira gênero. prioritária a população mais vulnerável do México. Avenida República do Chile 230 - 17º andar Juárez 208, Tlalpan - C.P. 14000, México D.F. 20031-170 - Rio de Janeiro - Brasil Tel: (52 015) 573-7100 Tel: (21) 2210-2448 Fax: (52 015) 57-2318 / 655-1265 Fax: (21) 2220-4057 E-mail: mexfinfo@mexfam.org.mx E-mail: info@bemfam.org.br Website: www.mexfam.org.mx Website: www.bemfam.org.br PROFAMILIA INPPARES - Instituto Peruano de Paternidad PROFAMILIA é uma entidade privada, sem fins lu- Responsable crativos e que desde sua fundação, há mais de 35 INPPARES (Instituto Peruano de Paternidad anos, se propõe ao bem-estar da família colombiana Responsable) é uma organização não-governamen- em especial, da população de mais baixos recursos. tal, cuja missão é contribuir para a melhoria da qua- Por sua eficiência, na qualidade de prestação de ser- lidade de vida das pessoas, especialmente aquelas viços e de sua missão filantrópica, PROFAMILIA já de classes social e econômica menos favorecidas, recebeu inúmeras distinções nacionais e internacio- oferecendo-lhes educação e serviços integrais com nais, e é considerada um modelo de excelência no ênfase na saúde sexual e reprodutiva. âmbito mundial de programas de planejamento fa- Suas ações são voltadas para mulheres e homens, in- miliar e saúde sexual e reprodutiva, sendo a primeira cluindo populações em situações de risco como cri- instituição deste tipo na América Latina. Atualmente anças, adolescentes, jovens e adultos. Possui sede nas conta com 35 centros situados nas principais cidades principais cidades do Peru e seu trabalho inclui temas do país, nos quais oferece programas clínicos, cirúr- relacionados à prevenção de DST/Aids e à violência, gicos e educativos em saúde sexual e reprodutiva a com enfoque de gênero e de direitos sexuais e mulheres, homens e adolescentes a partir dos 13 anos reprodutivos. INPPARES é o membro peruano da IPPF de idade. Em cinco centros são oferecidos serviços (International Planned Parenthood Federation). de consultoria jurídica. PROFAMILIA é o membro 115 Gregorio Escobedo colombiano da IPPF. Jesús María, Lima, Peru. Calle 34 N. 14-52 - Bogotá, Colômbia Tel: (511)261-5522, 261-5533, 463-5778 Tel: (571) 339-0948 Fax: (511)261-7885 Fax: (571) 339-0946 E-mail: postmast@inppares.org.pe E-mail: info@profamilia.org.co76 Website: www.inppares.org.pe Website: www.profamilia.org.co
  • 76. MÓDULO 3Save the Children - USSave The Children é uma organização internacio-nal sem fins lucrativos, sem inclinação política nemreligiosa. Foi fundada nos Estados Unidos em 1932.Trabalha em 40 países em desenvolvimento na Áfri-ca, Ásia, Europa e América Latina, fortalecendoprocessos compartilhados com as próprias comu-nidades, com intuito de lograr sucesso e obter me-lhores níveis de saúde e educação.Na Bolívia, conhecida pelo nome de Desenvolvi-mento Juvenil Comunitário (DJC), existe desde1990. Todas suas atividades estão dirigidas ao cum-primento de sua missão institucional que consisteem “estabelecer trocas positivas e duradouras nasvidas das crianças e jovens em situação de desvan-tagem, incluindo também suas famílias”.Calle Luis Crespo, 2031Casilla 15120La Paz, BoliviaTel: (591) 241-3011, 591 241-2839Fax: (591) 231-2455E-mail: bolivia@savechildren.orgWebsite: www.savethechildren.org 77
  • 77. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA 1- American Academy of Pediatrics (1997). Study fatherhood and violence toward women reveals factors that prevent teens from sexually among low income adolescent and young aggressive behavior. Chicago, Il: Author. adult males in Rio de Janeiro, Brazil”. Youth and Society, 29/2, 166-196. 2- Banco Interamericano de Desenvolvimento (1999). Citado em Fontes, M., May, R., Santos, 8- Blum, R. & Rinehart, P. (1997). Reducing S. (1999) Construindo o ciclo da Paz. Brasília, the risk: Connections that make a difference Brasil: Instituto PROMUNDO. in the lives of youth. Bethesda, Maryland: Add Health. 3- Barker, G. (2001). Peace boys in a war zone: identity and coping among adolescent men in 9- Courtenay, W. H. (1998).Better to die than favela, Rio de Janeiro, Brazil [Doctoral cry? A longitudinal and constructionist study dissertation]. Erikson Institute, Chicago, USA. of masculinity and the health risk behavior of young American men [Doctoral dissertation]. 4- Barker, G. (2000) What about Boys? A University of California at Berkeley, Literature Review on the Health and Dissertation Abstracts International. Developmental Needs of Adolescent Boys. Geneva: World Health Organization. 10- Earls, F. (1991). “A developmental approach to understanding and controlling 5- Barker, G. (2000). “Gender equitable boys violence”. In: H. Fitzgerald, et al, Eds., Theory in a gender inequitable world: Reflections from and Research in Behavioral Pediatrics, Vol. 5. qualitative research and programme New York: Plenum Press. development in Rio de Janeiro”. Sexual and Relationship Therapy, Vol. 15, No. 3, 263-282. 11- FOCUS on Young Adults (1998). Sexual abuse and young adult reproductive health. In: 6- Barker, G. (1998). “Non-violent males in In Focus. September 1998. 1-4. Washington, violent settings: An exploratory qualitative DC: FOCUS. study of pro-social low income adolescent males in two Chicago (USA) neighborhoods”. 12 -Gonçalves de Assis, S. (1997). Crescer sem Childhood: A Global Journal of Child Research. violência: Um desafio para educadores. Vol. 5(4): 437-461. Brasília: Fundação Oswaldo Cruz/Escola Nacional de Saúde Pública. 7- Barker, G. & Loewenstein, I. (1997). “Where78 the boys are: Attitudes related to masculinity, 13- Hawkins, D. (1996). Ethnicity, Race, Class
  • 78. MÓDULO 3and Adolescent Violence. Boulder, Colorado: D. & Cromack, L. (1996). Urban violence andCenter for the Study and Prevention of social participation: A profile of adolescentsViolence, Institute for Behavioral Sciences, in Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: AdolescentUniversity of Colorado, Boulder. Health Unit, State University of Rio de Janeiro. [Relatório de pesquisa não publicado]14- Heise, L. (1994). Gender-based abuse: Theglobal epidemic. Caderno de Saúde Pública, 20- Stormont-Spurgin, M. & Zentall, S. (1995).Rio de Janeiro 10 (Supl. 1). 1994. 135-145. Contributing factors in the manifestation of aggression in preschoolers with hyperactivity.15- Lundgren, R. (1999). Research protocols J. Child Psychol. Psychiat. Vol. 36, No. 3, 491-to study sexual and reproductive health of male 509.adolescents and young adults in Latin America.Prepared for Division of Health Promotion and 21- UNICEF. (1998). Knowledge, attitudes andProtection, Family Health and Population practices of basic life skills among JordanianProgram, Pan American Health Organization, parents and youth: A national study [draft].Washington, D.C. Amman, Jordan: Author.16- McAlister, A. (1998). La violencia juvenil 22- U.S. Department of Health and Humanen las Americas: Estudios innovadores de Services. (1991). Vol 2, Part A “Mortality” Pageinvestigación, diagnostico y prevención. 51. Tables 1-9. “Death Rates for 72 SelectedWashington, D.C.: Organización Caused by 5-Year Age groups, Race and Sex,Panamericana de la Salud. U.S. 1988.” Washington, DC: Author.17- Miedzian, M. (1991). Boys will be boys: 23- U.S. Department of Justice (1997). TheBreaking the link between masculinity and Prevalence and Consequences of Childviolence. New York: Anchor Books. Victimication. NIJ Reserch Preveiw. Washington, DC: National Institutes of18- Minayo, C., Assis, S., Souza, E., Njaine, K. Justice.Deslandes, S. et al (1999). Fala galera:Juventude, violência e cidadania na Cidade do 24- World Bank. (1997). “Crime and violenceRio de Janeiro. Rio de Janeiro: UNESCO. as development issues in Latin America and the Caribbean.” Paper prepared for the19- Ruzany, M., Peres, E., Asmus, C., Mathias, Conference on Urban Crime and Violence, RioC., Linhales, S., Meireles, Z., Barros, C., Castro, de Janeiro, Brazil, March 2-4, 1997. 79
  • 79. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Prova de Campo dos Cadernos Série “Trabalhando com Homens Jovens” Todas estas atividades foram testadas, em Mencionar o grupo aos seus amigos. cinco países da América Latina, com 172 ho- Como um resultado indireto dos grupos, mens jovens entre 15 e 24 anos, em colabora- muitos participantes disseram que comen- ção com IPPF/WHR: taram sobre o grupo com outros homens jovens de seu círculo de amizade. a) INPPARES, em Lima, Peru; Reconhecimento do ciclo da violência. b) PROFAMILIA, em Bogotá, Colômbia; Em um dos locais do teste de campo, os par- c) MEXFAM, México, DF; ticipantes disseram num grupo focal de d) Save the Children, em Oruro, Bolívia; avaliação que após sua participação nas téc- e) BEMFAM, Rio Grande do Norte, Cea- nicas, perceberam a conexão entre a violên- rá e Paraíba, Brasil. cia que assistiram ou experimentaram e a violência que praticavam. Um dos rapazes Em termos de resultados qualitativos da prova disse que passou a ver a ligação que existia de campo, foram destacados os seguintes pontos: entre a violência que sofrera de seus pais e o fato de cometer violência contra seu ir- Primeira participação em grupos so- mão menor. mente de homens. Em diversos locais, os Mudança no estilo de interação en- participantes mencionaram que foi a pri- tre os rapazes. Em um dos locais da prova meira vez que trabalharam em grupos so- de campo, um rapaz disse que as técnicas mente de homens. A maioria elogiou esse propiciaram uma mudança na forma de fa- tipo de trabalho somente com homens. Dis- lar e de interagir com outros rapazes, sain- seram que conseguiram falar sobre emo- do de uma relação de competitividade e ções, o que geralmente em grupos mistos ameaças para uma relação de honestidade não acontecia. e respeito. Aumento de empatia e atenção com os outros. Em termos de resultados positi- Em termos de recomendações ou as- vos, um dos homens jovens disse que de- pectos que precisam ser melhorados, foi pois de participar das técnicas: “... nós nos mencionado: vimos nos olhos do outro...”. Muitos parti- cipantes mencionaram que haviam refleti- O período de tempo. Quase em to- do sobre os aspectos positivos da atenção dos os locais mencionaram que o tempo foi e cuidado com os outros e questionaram muito curto para a complexidade dos temas por que os homens não cuidam mais das apresentados. Tanto os rapazes como os pessoas e coisas que os cercam. facilitadores demandaram por mais tempo. Questionamento do machismo. Um Usar as atividades somente com gru- dos participantes disse que as técnicas o pos de rapazes e em grupos mistos. Muitos ajudaram a quebrar a “armadura de ser um facilitadores notaram que as atividades po- homem”. Um outro disse que: “Nós come- dem ser ajustadas facilmente para grupos çamos a reconhecer o nosso próprio de meninas e mistos. machismo. Reconhecemos que todos nós Adaptar ao contexto local. Em todos somos machistas”. os locais, foi recomendado que as ativida- Reflexões sobre paternidade. Muitos des sejam adaptadas ao contexto local. grupos elogiaram o fato de se falar sobre o Mais tempo em grupos somente de significado de ser pai, particularmente o sig- homens. Em vários locais, um interesse nificado de seus próprios pais para eles, algo grande nos temas fez com que os rapazes80 que eles nunca haviam feito. requisitassem mais grupos. Em quase todos
  • 80. MÓDULO 3 os locais, os rapazes afirmaram que gos- de conhecimentos após participação nas téc- tariam de ter mais tempo nesse tipo de gru- nicas. Por conta de que diferentes técnicas po para continuar e aprofundar as discus- foram testadas em diferentes contextos, e o sões sobre gênero, masculinidade, violên- número de participantes em cada um foi limi- cia, sexualidade e relacionamentos. tado, as mudanças avaliadas devem ser consi- Mais temas. Em termos de temas adi- deradas preliminares. Além disso, o fato de que cionais que quiseram incluir, muitos gru- o pós-teste foi aplicado imediatamente após a pos sugeriram aqueles relacionados ao re- participação nas técnicas, não podemos afir- lacionamento de casal. [Respondendo a mar mudanças de atitude a longo prazo. Ain- esta demanda, as organizações colabora- da assim, podemos observar mudanças base- doras estão planejando uma série de ma- adas nas questões que se seguem. Cada uma nuais sobre relacionamentos]. destas perguntas foi apresentada como as op- Capacitação para facilitadores. Os ções: concordo plenamente, concordo mais ou 10 facilitadores que executaram o teste de menos, não concordo, não sei. campo das técnicas não receberam nenhum tipo de treinamento prévio na utilização dos 1- “O homem tem que ter muitas mulheres materiais. Eles receberam os manuais, em e divertir-se muito antes de constituir uma sua versão preliminar, e aplicaram as téc- família.” nicas. Embora todos reconhecessem que Houve uma significativa alteração nos eram capacitados para as aplicarem, todos percentuais de “não concordo”, sugerindo que afirmaram que era preferível a capacitação, algum questionamento da percepção tradicio- particularmente para ajudar os facilitadores nal que os homens devem ter muita experiên- a refletir sobre seus próprios valores sobre cia sexual. homens, gênero e masculinidades. [Como resposta a esta demanda, as organizações 2- “O pai que é jovem, sempre é irresponsá- colaboradoras estão promovendo uma sé- vel e nunca assume seu filho.” rie de workshops na utilização destes ma- Aumentou o número de “não concordo”, su- teriais, ainda que estes materiais possam ser gerindo que eles perceberam caminhos em que adquiridos e utilizados sem a necessidade pais jovens podem ser mais envolvidos com o de participação nestes workshops.]. cuidado de seus filhos e serem responsáveis. Tomar cuidado com o “discurso po- liticamente correto”. Os facilitadores men- 3- “As etiquetas ou estereótipos que as pesso- cionaram que às vezes percebiam que os as põem nas outras afetam o desenvolvimento rapazes não estavam de fato refletindo so- pessoal e as relações humanas.” bre os temas tratados nas técnicas, mas que Muitos participantes concordaram com esta estavam simplesmente falando aquilo que afirmação, sugerindo uma compreensão do os facilitadores gostariam de ouvir. Eles su- fato de rotular e culpabilizar. geriram que, falando como facilitadores, em estar trabalhando mais tempo com os jo- 4- “Não há nada que se possa fazer para pre- vens para ultrapassar esta etapa do discur- venir a violência.” so “politicamente correto”. Com esta questão, houve uma significativa al- Fornecer mais informações através teração em “não concordo”. Eles passaram a de apresentações audiovisuais. Muitos acreditar que podiam fazer alguma coisa para facilitadores disseram que além das técni- reduzir a violência. cas, seria útil considerar o uso de apresen- tações básicas com informações sobre vá- 5- “Como o homem é forte, sua vulnerabilidade rios temas como violência, gênero, uso de em relação a AIDS é baixa”. drogas, sexualidade, HIV/AIDS como um Um aumento de respostas “não concordo” com complemento. esta afirmativa, sugere que eles são capazes de perceber o “mito da força masculina”. Em termos de resultados quantitativos, foiusado um instrumento simples de pré e pós 6- “O preservativo diminui o prazer e podeteste para avaliar as mudanças de atitudes e romper-se.” 81
  • 81. DA VIOLÊNCIA PARA A CONVIVÊNCIA Apenas alguns rapazes concordaram com 9- “O corpo do homem é muito simples: pê- esta afirmação. nis e testículos. Somente é necessário lavá-lo e pronto.” 7- “As redes sociais favorecem a saúde men- Poucos rapazes concordaram, sugerindo tal, pois servem para desenvolver vínculos uma maior conscientização da complexidade afetivos, de cuidado e de apoio.” da anatomia masculina. Muitos dos rapazes concordaram com esta afir- mação, sugerindo a possibilidade de aumento Baseados nestes resultados iniciais do teste do comportamento de busca de ajuda. de campo, as organizações colaboradoras es- tão planejando um estudo de avaliação de 8- “Se alguém me insulta, defendo minha hon- impacto a longo prazo para medir e compre- ra pela força se for necessário.” ender o impacto em homens jovens na parti- Apenas alguns rapazes concordaram, sugerin- cipação nas técnicas por um determinado pe- do o questionamento da honra masculina. ríodo de tempo.83
  • 82. Ilustração Newton Foot Edição de arte Gilson Nakazato Samuel Paiva Direção de arte Reginaldo Bianco Projeto editorial e gráfico 3Laranjas Comunicação www.3laranjas.com.br 3laranjas@3laranjas.com.br Rua Mateus Grou, 260 cj 06 Pinheiroscep: 05415-040 São Paulo - SP - Brasil
  • 83. Instituto PROMUNDO é uma organização não-governamental com escritórios no Rio de Janeiro e Brasíliaque procura aplicar conceitos das áreas de desenvolvimentohumano, marketing social e direitos da criança através depesquisa, apoio técnico, capacitação e disseminação deresultados de estratégias efetivas e integrais que contribuampara a melhoria das condições de vida de crianças, jovens esuas famílias. PROMUNDO executa estudos de avaliação;oferece treinamento para organizações trabalhando nas áreasrelacionadas ao bem-estar de crianças, jovens e famílias; etrabalha com organizações parceiras que desenvolvamserviços e intervenções inovadoras para crianças, jovens efamílias. PROMUNDO é uma organização não-governamental brasileira afiliada ao John Snow Research andTraining Institute e a John Snow do Brasil. Suas áreasespecíficas de atuação incluem: prevenção de violência,fortalecimento de sistemas comunitários de apoio paracrianças e adolescentes; gênero, saúde e adolescência; ecrianças e famílias afetadas pela AIDS. Contatos: Gary Barker / Marcos Nascimento Rua Francisco Serrador, 2 / sala 702 - Centro Rio de Janeiro, RJ, 20031-060, Brasil Tel: (21) 2544-3114 / 2544-3115 Fax: (21) 2220-3511 E-mail: g.barker@promundo.org.br Website: www.promundo.org.brA série Trabalhando com Homens Jovens, destinada aeducadores e agentes de saúde, compreende cinco cadernose o vídeo Minha Vida de João. Cada caderno é composto poruma parte teórica e uma série de técnicas participativas parafacilitar o trabalho em grupo com homens jovens (entre 15 e24 anos). No vídeo, em desenho animado, é mostrado, deforma criativa e lúdica, como os homens jovens sãosocializados e como é possível questionar as maneirastradicionais de ser homem. Projeto H - Série Trabalhando com Homens Jovens, na promoção da saúde e da eqüidade de gênero.

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