Perfis brasileiros em redes sociais: uma análise das imagens de identificação (DAL BELLO; NOMURA) - Confibercom 2011

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Este estudo tem por objetivo investigar a importância da foto de identificação para a composição dos perfis em redes sociais digitais. Para tanto, os pesquisadores analisaram e classificaram 3541 …

Este estudo tem por objetivo investigar a importância da foto de identificação para a composição dos perfis em redes sociais digitais. Para tanto, os pesquisadores analisaram e classificaram 3541 imagens extraídas das três plataformas mais acessadas no Brasil (Orkut, Facebook e Twitter), a partir do que puderam observar semelhanças e diferenças de comportamento de autoexposição imagética (com predominância, em todas, ao culto narcísico do “eu”).

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  • 1. Perfis brasileiros em redes sociais:uma análise das imagens de identificação
    Cíntia Dal Bello
    Jorge Marcelo Nomura
  • 2. Redes sociais digitais no eixo iberoamericano: sobrevoo
    América Latina: após os buscadores (Google), predominância do acesso às redes sociais (acima de emails, sites de entretenimento, instantmessengers). O Facebook lidera (49,1%).
    América Latina: Mais tempo dedicado às redes (5,2 horas semanais) que aos e-mails (4 horas).
    Brasil: 2º país com maior média de “amigos” (231).
    No mapa das redes: Brasil destoa do eixo iberoamericano (Orkut ainda é líder).
    Usuários do Orkut na América Latina passam mais tempo conectados (360,8 minutos), seguido pelo Facebook (203,7 minutos).
    Crescimento do Twitter na região deve-se, principalmente, à audiência brasileira (17%).
  • 3. Redes sociais e o fenômeno glocal: novas nuances no imaginário cibercultural?
    Antes das redes sociais digitais: desbravar o desconhecido, o longínquo, tomar conhecimento do “acontecer” do estranho (e exótico) outro - in live.
    A partir de 2004 – Orkut / Brasil:Ascensão dos territórios espectrais colonizáveis, loteados em comunidades e perfis (plataformas sobre o “mar informacional” em que tudo se dissolve)
    Identificação temporária (nicknames em chats)
    Difícil manutenção (homepages)
    Baixa/nula visibilidade (e-mails)
    Identificação permanente
    Fácil manutenção
    Alta visibilidade
    (perfis em redes sociais)
  • 4. O que é um “perfil”?
    Arranjamentosígnico-imagético que faculta ao usuário sua organicidade aparente, uma espécie de corpo virtual a partir do qual pode atuar no cyberspace. Neste arranjamento, a foto de identificação é o que confere um “rosto” ao dinâmico conjunto, constituindo um dos principais elementos da mecânica de projeção e promoção do eu em espaços/tempos ciberespaciais.
  • 5. Imagem e identificação: da vigilância disciplinar à celebração do individualismo
    Artefatos de identidade: lógica moderna disciplinar (controle e gestão).
    Alfabetização, retratos, fotografias: refinamento dos sistemas de identificação (porte de papeis, antropometria, registro de marcas corporais e digitais).
    Alvo de identificação: operários, domésticos, militares, prostitutas, crianças abandonadas, viajantes, prisioneiros, nômades, comerciantes e industriais itinerantes.
    Conjunto de símbolos reforçadores do eu: espelhos, retratos, fotografias, monogramas, diários íntimos, leitura silenciosa, diplomas.
    Individualidade, introspecção, privacidade, meritocracia, distinção: sujeito moderno.
  • 6. Imagem e identificação: da vigilância disciplinar à celebração do individualismo
    Século XX, cultura de massa: colonização do imaginário coletivo com as imagens das celebridades.
    “Ser famoso, ser reconhecido por desconhecidos, ser uma personalidade pública, é ser feliz”.
    Internet: democratização do direito de “apareSer”? (exposição da intimidade, privacidade anulada).
    Paisagem glocal, existência encenada: perfis são corpos, fotografias são rostos, pessoas são espectros virtuais indexáveis a qualquer tempo.
    Refinação do sistema de identificação/indexação: sobreposição do registro simbólico sobre o icônico, superando a deficiência “panóptica”.
  • 7. Imagem e identificação: da vigilância disciplinar à celebração do individualismo
    O sistema de marcação de fotos, nas redes sociais, convida o usuário a “identificar” cada conjunto de rostos. Compartilhamento de memória fotográfica ao banco de dados.
  • 8. Interfaces do eu: a estrutura dos perfis no Orkut, Facebook e Twitter
    Em primeiro lugar, perfil é sinônimo de acesso. Não é possível utilizar as redes sem ter/ser um perfil. A punição máxima prevista pelos Termos de Uso das redes é a exclusão do perfil (que implica o banimento da plataforma).
    Mas, perfil também é a área específica, no conjunto de páginas, que contém as informações pessoais de identificação.
  • 9. Interfaces do eu: a estrutura dos perfis no Orkut, Facebook e Twitter
    Elementos estruturais de composição do perfil:
    Foto de identificação
    Nome e sobrenome
    Dados de identificação
    Conjunto de conexões diretas (“amigos” ou “seguidores”)
    Ao visitar o perfil de alguém:
    É possível compartilhar textos, fotos, links e vídeos, além de ler suas últimas atualizações.
    Importância da foto de identificação:
    Ao lado do nome e sobrenome, aparece em todas as manifestações (no perfil próprio ou alheio) identificando o usuário.
  • 10. Categorização das fotos de identificação
    Análise (março/2011):
    1534 fotos de identificação do Facebook
    1106 fotos de identificação do Twitter
    901 fotos de identificação do Orkut
  • 11. Categorização das fotos de identificação
  • 12. Categorização das fotos de identificação
  • 13. Categorização das fotos de identificação
  • 14. Categorização das fotos de identificação
  • 15. Categorização das fotos de identificação
  • 16. Imagens de identificação nos perfis das redes sociais digitais
  • 17. Imagens de identificação nos perfis das redes sociais digitais
    DESTAQUES:
    Fotos que retratam o próprio usuário (no Twitter, embora esteja em 1º lugar, apresenta índice mais baixo).
    Logotipos e marcas (2º lugar no Twitter; no Orkut, é irrisório).
    Imagens de casais (maior índice no Orkut e Facebook).
  • 18. Conclusões
    Embora a amostra não tenha a pretensão de refletir o complexo universo brasileiro, a recorrência de “expressões de felicidade” nas imagens investigadas pode ser definidora do estado de espírito de “estar presente” em uma rede social online.
    Aparecer na foto, assim como o clichê “ficar bem na fita”, é tão significativo que diversos blogs e fóruns ensinam os usuários a “sair bonito”.
    A foto de identificação dos perfis também está ganhando outros espaços de exibição (smartphones que migram a agenda do Facebook, por exemplo).
    De todos os elementos do perfil, a foto é o que confere um rosto à composição espectral que projeta o usuário à dimensão de sujeito, esparramando-o à cada interação no ambiente.
    Por que identificar-se, apesar da questão do controle? Sedução dos palcos narcísicos em que o outro é arregimentado como audiência.
  • 19. Referências
    Livros
    BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. São Paulo: Relógio D´Água, 1991.
    BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade das relações humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
    COUCHOT, Edmond. A tecnologia na arte:da fotografia à realidade virtual. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2003.
    FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
    MACHADO, Arlindo. Sujeito na tela: modos de enunciação no cinema e no ciberespaço.São Paulo: Paulus, 2007.
    SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
    TRIVINHO, Eugênio. A dromocraciacibercultural: lógica da vida humana na civilização mediática avançada. São Paulo: Paulus, 2007.
    Capítulo de livro
    CORBIN, Allain. Bastidores. In: PERROT, Michelle et al. (org.). História da vida privada, 4: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
  • 20. Referências
    Artigos online
    BRASILEIROS ficam em segundo em número de amigos em redes sociais: pesquisa abrange cerca de 90% da população mundial online. 10 out. 2010. Ig Tecnologia. Disponível em: http://tecnologia.ig.com.br/noticia/2010/10/10/brasileiros+tem+2+maior+n+de+amigos+em+redes+sociais+diz+estudo+9632067.html. . Acesso em 10 abr. 2011.
    DAL BELLO, Cíntia. Espectros virtuais: a construção de corpos-sígnicos em comunidades virtuais de relacionamento. E-Compós. Brasília: Compós, v. 10, dez-2007. Disponível em: http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/208/209. Acesso em 11 jun. 2011.________. Plataformas hiperespetaculares de publicação de sujeitos: uma análise do Orkut. In: Simpósio Nacional de Cibercultura, 2., 2008. São Paulo: Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura, 2008. Disponível em: http://www.cencib.org/simposioabciber/PDFs/CC/Cintia%20Dal%20Bello.pdf. Acesso em: 11 jun. 2011.  
    DAUER, Nátali. Mapa das redes sociais pelo mundo mostra crescimento e domínio do Facebook. 10 dez. 2010. Geek.com. Disponível em: http://www.geek.com.br/posts/14369-mapa-das-redes-sociais-pelo-mundo-mostra-crescimento-e-dominio-do-Facebook. Acesso em: 11 jun. 2011. 
    IBOPE Mídia. “Many to many”: o fenômeno das redes sociais no Brasil. 4 nov. 2010. Ibope.Disponível em http://www.ibope.com.br/maximidia2010/download/Redes_Sociais.pdf. Acesso em 11 jun. 2011. 
    MACIEL, Rui. Comunidades como Facebook e Orkut tem a preferência de 81,9% dos internautas da região, ficando atrás apenas dos sites de busca. IDG Now! 22 jun. 2010. Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/06/22/redes-sociais-ja-superam-uso-de-e-mail-e-messengers-na-america-latina/. Acesso em: 10 jan. 2011.
    Dissertação de Mestrado
    DAL BELLO, Cíntia. Cibercultura e subjetividade: uma investigação sobre a identidade em plataformas virtuais de hiperespetacularização do eu., 2009. 130 p. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009(a). Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/ arquivo.php? codArquivo=9410.  
  • 21. Cíntia Dal BelloDoutoranda em Comunicação e Semiótica do PEPGCOS-PUC-SP e bolsista CAPES; coordenadora, docente e pesquisadora do curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda da Universidade Nove de Julho; membro do grupo de estudos Plurimídia. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade e visibilidade mediática, com interesse particular pelas emergentes redes sociais digitais. E-mails: pubcintia@yahoo.com.br;cbello@uninove.br.Blog: www.cintiadalbello.blogspot.com.
    Jorge Marcelo NomuraMestre em Administração de Empresas pela Universidade Nove de Julho, MBA em Marketing pela Madia Marketing School, bacharel em Publicidade e Propagandapela FAAP. Consultor de marketing pela Total Marketing, Madia Mundo Marketing e Sebrae–SP, com passagem pelas agênciasBrilharte, JWT Portugal e McCannErickson Brasil. É docente do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda da Universidade Nove de Julhoe membro dos grupos de pesquisa Plurimídia e Comins. Sua pesquisa estáorientada para redes sociais, convergência de mídias, novas tecnologias em mídia, marketing e comunicação integrada. E-mail: mnomura1@yahoo.com.br.
  • 22. Cíntia Dal Bello
    Jorge Marcelo Nomura