Panorama Do Teatro Ocidental Im

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História do Teatro Medieval e do Renascimento - estilos, características, atores, dramaturgia, festas populares

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Panorama Do Teatro Ocidental Im

  1. 1. Panorama do teatro Ocidental Teatro Medieval Teatro do Renascimento By Claudia Venturi
  2. 2. Teatro Medieval <ul><li>Idade Média – séc V – XV </li></ul><ul><li>Influencia da Igreja – Drama Cristão </li></ul><ul><li>Folclore e ritos </li></ul><ul><li>Bufões, príncipes e intelectuais </li></ul>
  3. 3. Drama Cristão <ul><li>Considerava o teatro romano pouco honrado, atividade de escravos e libertos. Idolatria de deuses pagãos. Espetáculos imorais para desencadear paixões violentas e impulsos bestiais que degradam o homem. </li></ul><ul><li>Condena: máscara (esconde a identidade do ator e o confunde com o diabo – permitida para esse personagem), interpretação = fingimento (perigo à moralidade, é lascivo e profano). </li></ul><ul><li>Local sagrado – igreja e locais públicos. Espaços específicos para o teatro eram profanos e foram destruídos – não há relatos sobre o estilo. </li></ul>
  4. 4. 1)Primeira porta, 2)Inferno, 3)Getsemani, 4)Monte das Olivas, 5)Segunda porta, 6)Herodes, 7)Pilatos, 8)Coluna da Flagelação, 9)Coluna do galo, 10) Caifa, 11)Ana, 12)Última ceia, 13)terceira porta, 14 a 17)Tumba, 18 e 19)Cruz dos ladrões, 20)Cruz de Cristo, 21)Santo Sepulcro, 22) Céu
  5. 5. <ul><li>A história substitui o mito, o rosto a máscara – princípio da realidade. </li></ul><ul><li>Teatro de todos – rito teatral = grego </li></ul><ul><li>Razão do público – não apenas assistir, mas compartilhar do sofrimento para absorver as necessidades dos outros. </li></ul><ul><li>Re-apresentação (real) / representação (fingimento). </li></ul><ul><li>Re-apresentação dos mistérios cristãos. </li></ul><ul><li>Bode espiatório – Cristo (?) </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Dramas Litúrgicos – do séc. IV, quando acabam as perseguições e o cristianismo passa a ser religião de estado. Inicia a dramatização dos ritos, particularmente os da semana santa. </li></ul><ul><li>No início a dramatização previa a utilização de 3 tons: grave (Cristo), médio (narrador) e alto (outros personagens). </li></ul><ul><li>A partir do séc. X, auge, surgem ações representadas ou dialogadas. Aos poucos os dramas se estendem também a outros ritos – natal, ascensão, pentecostes, ciclo dos santos. </li></ul><ul><li>O local da representação era contemporaneamente presente e distribuído dentro da igreja. Parece ter influenciado as representações fora da igreja. </li></ul><ul><li>Carmina Burana (monastério) – Nativitate, Antichristo e Passione. </li></ul><ul><li>Clero – protagonistas e destinatários – cantados em língua desconhecida do público. </li></ul>
  7. 8. <ul><li>Paixão de Cristo – a partir do séc. XII – praças e jardins públicos – para os leigos. </li></ul><ul><li>O dentro não é o mistério glorioso da ressurreição, mas o doloroso da Paixão. </li></ul><ul><li>Interpretação realista introduzida pelos leigos, difere daquela dos clérigos. Alguns desses ritos dramáticos ainda são realizados na Sardenha. Tal realismo causava reação do público que criou um ressentimento contra os judeus – assassinos de Cristo. </li></ul><ul><li>Teatro religioso dos leigos tem origem em associações de burgueses – novo protagonista da sociedade medieval – que se reuniam com finalidade religiosa ou assistencial, em grupos familiares ou políticos. </li></ul><ul><li>Eram também encenadas parábolas e milagres. </li></ul><ul><li>Espetáculo imponente – atores, máquinas, canto e músicas. </li></ul><ul><li>1400 e 1500 – imponentes espetáculos financiados pelo governo. </li></ul><ul><li>Passione + famosa – de Arnoul Gréban (1410-1471) </li></ul>
  8. 10. <ul><li>Santos e Madona – No teatro religioso francês – Mistério (episódios bíblicos) e Milagres (dedicado aos santos), a Madona aparece em ambos. </li></ul><ul><li>Usava-se o “voo” – suspensão de imagens e pessoas – ascensão de Cristo e da Madona, descida do Espírito Santo etc. </li></ul><ul><li>A figura da virgem misericordiosa se opunha a ira de Deus e os salvava da “danação”. </li></ul><ul><li>Os santos, amigos, podiam melhor interceder pelas necessidades dos devotos. O + venerado S. Nicolau (ancestral de Papai Noel) </li></ul><ul><li>O culto de um santo diferenciava uma igreja (região, cidade, reino), da outra. </li></ul><ul><li>Festa patronal – benevolência divina, procissões e oferendas de tributos aos santos = cidade (pão e circo?) </li></ul>
  9. 11. <ul><li>Corpus Domini (Christi) – a partir de 1317 – presença dogmática do corpo e do sangue de Cristo. </li></ul><ul><li>Representado em toda a Europa relatava os episódios bíblicos: queda dos anjos rebeldes, a criação e o pecado original, Caim e Abel, Noé e o dilúvio, Natividade, Paixão, ressurreição e ascensão, o juízo final. </li></ul><ul><li>A história da salvação é dividida em 3: Passado (da queda de Adão a encarnação – homens, bons ou maus, estão nas mãos de Satanás); presente (Redenção – quem crê em Cristo e o segue pode se salvar); futuro (juízo final – os benditos separados para sempre dos danados). </li></ul><ul><li>Sacro ao profano – autores começaram a “criar” com os personagens menores (soldados, vendedores), com o objetivo de envolver melhor os espectadores. </li></ul>
  10. 12. Queda do teatro religioso medieval <ul><li>Representações sacras se diluíam dando espaço a temas mais realistas e políticos. </li></ul><ul><li>Começaram a inserir romances exóticos e de cavaleiros. Desejo de um teatro profano. </li></ul><ul><li>Movimentos anti rituais – humanismo e reforma protestante. </li></ul><ul><li>Reforma católica - Exaltação da palavra (leituras, sermões e cantos). Distinção entre elementos sagrado e profano (espetáculo, cômico, corpo e palavras leigos, ator e realidade cotidianos) que estavam juntos na I. M. </li></ul><ul><li>Teatro religioso se mantém em alguns países católicos. </li></ul>
  11. 13. <ul><li>A Igreja tenta inserir as suas festas de forma a suprimir, substituir e adaptar as festas pagãs. Essa interação deu origem ao folclore com a persistência de rituais e crenças mágicas na Europa. </li></ul><ul><li>Festa dos loucos (entre Natal e Epifania – 6/01) – breve período de desordem para justificar a ordem e a obediência. Algumas práticas não contrárias a fé conseguiram resistir e recuperar esse tipo de festa – brincadeiras, jogos, recreações e teatro. </li></ul><ul><li>Carnaval – maior festa popular – banquetes, fantasias e abusos. Nos últimos dias 3 tipos de divertimento: Cortejos com carros, máscaras e fantasias; competições e torneios; Espetáculo burlesco, farsa (paródias de ritos sociais), temas normalmente excluídos dos assuntos cristãos – comida, sexualidade, carnalidade, máscaras, riso etc. Apresentações improvisadas sem roteiro e sem ensaio. Desencadeia violência, estupros, roubos e excessos. É necessário retomar a ordem através do sacrifício do bode expiatório. </li></ul><ul><li>Farsa – mundo mágico, choro associado a morte, riso a vida, então procurado através da obscenidade. Evitam enredos complexos. Escatologia e erotismo. </li></ul>
  12. 14. Giullari
  13. 15. Bufões, príncipes e Intelectuais <ul><li>Ator condenado, recebe muitos nomes neste período. </li></ul><ul><li>Joculador (giullare) – muitas habilidades – músico, cantor, bailarino, acrobata, saltimbanco, bufão e ator. Suas sátiras normalmente eram contra o inimigo de quem lhes pagava. Sem texto escrito. </li></ul><ul><li>Condenado por: itinerante (não possui enquadramento social); trabalho vão, inútil, incapaz de suscitar o cuidado com próximo. Exalta a ilusão, o diabólico e a corruptilidade do corpo. </li></ul><ul><li>No séc. XII, Ugo di San Vittore define a Arte do Espetáculo como scientia ludorum e a profissão do divertimento. Posição compartilhada por outros teólogos e moralistas. </li></ul><ul><li>Trovador – jovem culto, de boa família, que traduzia romances épicos e líricos em língua moderna. Para representar as suas histórias, recorriam aos profissionais da cena. </li></ul>
  14. 16. Bobo de corte Trovadores
  15. 17. <ul><li>Bobos da corte – geralmente anões ou pessoas deformadas fisicamente, já eram motivo de riso pelo sua aparência. Sua posição permitia uma liberdade de expressão e crítica social e moral normalmente impossíveis em ambientes de corte. </li></ul><ul><li>Entrada dos soberanos na sociedade abriu caminho para grandes espetáculos. Competições, guerreiros. Lentamente diminuindo a violência, morte inicial – ferimento, desarme, substituição do concorrente por um fantoche, habilidade contra um animal. </li></ul><ul><li>Festas de corte, baile de máscaras </li></ul>
  16. 19. Dramaturgos do clero <ul><li>Rosvita di Gandersheim (935 – 973) – monja alemã, dramaturgia feminista, imitação da comédia latina com uma visão cristã. 6 comédias e 2 dramas </li></ul><ul><li>Vitale e Guglielmo di Blois (sec. XII) – clérigos cultos – veia satírica contra as mulheres e todos os que não pertencem as classes nobres ou clericais. </li></ul>
  17. 20. Teatro renascentista <ul><li>Redescoberta da comédia e da tragédia clássicas; </li></ul><ul><li>Interpretação crítica da Poética de Aristóteles – define um código de composição dramática; </li></ul><ul><li>Estudo e reinvenção da arquitetura teatral romana – perspectiva cênica, salas fechadas; </li></ul><ul><li>Advento do profissionalismo, com os Cômicos dell’Arte – transforma o evento festivo em espetáculo e mercado. </li></ul>
  18. 22. <ul><li>Nascimento de estados regionais (França, Espanha etc.). Cada cidade tem a sua corte e o seu rei. Nasce um teatro de corte, inserido na estrutura do palácio – festa de príncipes e casamentos; </li></ul><ul><li>Espetáculos de 3 a 4 horas, divididos em atos e cenas; </li></ul><ul><li>Separação ator/público – teatro da visão – aparecimento da cortina; </li></ul><ul><li>O teatro se transforma em espetáculo, necessidade de cenário. </li></ul>
  19. 23. Teatro Olímpico a Sabioneta
  20. 24. <ul><li>Comédia – relações efêmeras na perspectiva da cidade ideal. Comportamento privado (sexo e dinheiro). Personagens não são indivíduos, mas tipos, caricatos. – Nicolò Machiavelli (1469 – 1527) – O Príncipe, A Mandrágora </li></ul><ul><li>Tragédia – Paradoxo de Diderot x Poética de Aristóteles – 3 unidades – Ação, tempo e espaço, a catarse como objetivo. – Verossímil – somente aquilo que é como real pode comover e persuadir. </li></ul><ul><li>Pastoral – erótico, pastoral, alegórico e de fábulas. Uma fusão de características da comédia com auto representação da aristocracia que não gostava de ser retratada (fábulas). Introdução de danças e música </li></ul>
  21. 25. Cena satírica Cena pastoral Cena trágica
  22. 26. Espaço teatral <ul><li>Espaço fechado, forma de ferradura (para o público), colunas, parte arredondada e profunda para a orquestra, palco realçado, teto pintado com nuvens (impressão de estar ao ar livre); </li></ul><ul><li>A cidade ideal – cenário em perspectiva, não real, único ponto de fuga pressupõe o ponto de vista do príncipe; </li></ul><ul><li>Cenários fixos: Comédia – ambientes cotidianos e privados (praça); tragédia – palácios, decoração majestosa; Satírica (Pastoral) – bosque, árvores, flores etc. </li></ul>
  23. 27. Cômicos dell’Arte
  24. 28. Commedia dell’Arte <ul><li>Declínio político, econômico, social e cultural constringe os atores a procurar alternativas – teatro deixa de ser propriedade do Senhor e passa a ser bem de consumo. </li></ul><ul><li>Comédia italiana + sucesso fora </li></ul><ul><li>Arte = profissão – preparação específica, habilidades e competências diversificadas. </li></ul><ul><li>Todos os gêneros de teatro – oferecer um espetáculo adaptado ao gosto do público, fosse esse de agricultores ou de príncipes. </li></ul><ul><li>Itinerante – toda a Europa </li></ul>
  25. 29. Máscaras da Commedia dell’arte
  26. 30. <ul><li>Canovacci (roteiro) – dramaturgia ágil e versátil, composto em pouco tempo e prontos para satisfazer a necessidade de novidades; </li></ul><ul><li>Personagens fixos que representavam tipos – Servo (zanni) – arlequim, mulher (bergamasco), velhos –patrões, doutor, capitão (venezianos, bolonheses, espanhol), enamorados (toscanos) – o capitão sem máscara pode ser um enamorado que se dá mal. </li></ul><ul><li>Máscaras – caracterização e voz - menos os enamorados e serva (mulheres não usavam) </li></ul><ul><li>Mulheres em cena – 1565 – diferencial dos outros tipos de teatro – “meretrizes honestas”, cultas, capazes de compor e tocar instrumentos </li></ul>
  27. 31. Servos
  28. 32. Pantaleão Doutor Capitão
  29. 33. <ul><li>Composição e Tradução: </li></ul><ul><li>Claudia Venturi </li></ul><ul><li>Atriz, Diretora e Professora de Teatro </li></ul><ul><li>www.agape.art.br </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano. </li></ul>

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