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Apostila Filosofia

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  • 1. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE diferentemente, as cosmologias são conhecimento a DISCIPLINA: FILOSOFIA respeito de elementos primordiais, mas naturais. O PROFESSOR: FÁBIO DOS SANTOS pensamento cosmológico remete à phýsis, a palavra grega que tem a ver com o que é eterno e de onde tudo surge,Aula 1 - Filosofia e mito nasce, brota. Trata-se de um element imperecível, que se elemento gera todos os outros elementos naturais, que são perecíveis. A filosofia ocidental teve seu início na Grécia antiga. A palavra "filosofia" - philosophia - é uma Filosofia – definição. palavra de origem grega. Philo vem de philia que tem philia, a ver com companheirismo, amor fraterno, amizade. É difícil dar-se uma definição genérica de filosofia, já se Sophia vem de sophos, que quer dizer sábio. Assim, , que esta varia não só quanto a cada filósofo ou corrente em geral, quando se parte da etimologia da palavra, filosófica, mas também em relação a cada período temos que "filosofia" é o amor ao saber, a amizade histórico. Atribui-se a Pitágoras a distinção entre a sophia, se profunda à sabedoria; e o filósofo, então, é aquele que o saber, e a philosophia, que seria a "amizade ao saber", a , tem um apreço especial pela sabedoria. A filosofia, busca do saber. Com isso se estabeleceu, já desde sua nesta perspectiva grega, é uma atividade que visa tiva origem, uma diferença de natureza entre a ciência, levar ao saber. E sua história, para a maioria dos enquanto saber específico, conhecimento sobre um r manuais, tem como primeiro adversário o mito, que, domínio do real, e a filosofia que teria um caráter mais aos olhos do filósofo, não estaria preocupado em levar geral, mais abstrato, mais reflexivo, no sentido da busca ao saber, ao conhecimento, tomando aqui a palavra dos princípios que tornam possível o próprio saber. No conhecimento como saber verdadeiro, não entanto, no desenvolvimento da tradição filosófica o termo filosófica, contraditório, que não busca causas em relações "filosofia" foi freqüente-mente usado para designar a mente sobrenaturais, mas em relações naturais. A palavra totalidade do saber, a ciência em geral, sendo a metafísica a mito também tem uma origem grega, ela vem de ciência dos primeiros princípios, estabelecendo os mythos. Há dois verbos que confluem para mythos: fundamentos dos demais saberes. O período medieval foi mytheo, que tem a ver com a convers conversação e a marcado pelas sucessivas tentativas de conciliação entre designação, e mytheyo, que tem a ver com a narração, , razão e fé, entre a filosofia e os dogmas da religião com o contar algo para outro. O mito narra algo revelada, passando a filosofia a ser considerada ancilla que é inquestionável para quem está inserido theologiae, a serva da teologia, na medida em que fornecia , fielmente na atividade de ouvi-lo. Ele tem a função de lo. as bases racionais e argumentativas para a construção de dizer algo que tal pessoa acredita sem que venha um sistema teológico, sem, contudo, poder questionar a pensar muito de modo a colocá-lo em dúvida. Seu lo própria fé. O pensamento moderno recupera o sentido da papel é de informar e dar sentido à existência de quem filosofia como investigação dos primeiros princípios, crê nele, mas, principalmente, o de socializar as tendo, portanto, um papel de fundamento da ciência e de pessoas e criar uma comunidade que forma o "nós", os justificação da ação humana. A f filosofia crítica, principal- que se organizam socialmente da mesma f forma, mente a partir do Iluminismo, vai atribuir à filosofia exatamente porque, entre o que possuem de comum, o exatamente esse papel de investigação de pressupostos, de mito é não só alguma coisa forte, mas é exatamente a consciência de limites, de crítica da ciência e da cultura. narrativa (única) que diz o que é comum para este Pode-se supor que essa concepção, mais contemporâne se contemporânea, "nós". tem raízes no ceticismo, que, ao duvidar da possibilidade da ciência e do conhecimento, atribuiu à filosofia um papel Cosmogonia e cosmologia quase que exclusivamente questionados. Na filosofia contemporânea, encontramos assim, ainda que em As cosmogonias são de certa forma, narrativas sobre as diferentes correntes e perspectivas, um sentido de filosofiaorigens do mundo. Em geral elas estão presentes nos mitos, ns como investigação crítica, situando situando-se, portanto, em umisto quando não são a sua essência. Falam de união sexual nível essencialmente distinto do da ciência, emboraentre deuses, que geram o mundo, ou união sexual entre intimamente relacionado a esta, já que descobertasdeuses e humanos, que em geral criam situações complexas científicas muitas vezes suscitam questões e reflexõese dão o enredo a uma história que explica divisões, guerras, e filosóficas e freqüentemente problematizam teorias qüentementeciúmes, paixões, disputas sobre a justiça, etc. As científicas. Essa relação reflexiva entre a filosofia e oscosmologias já estão mais para o campo do pensamento outros campos do saber fica clara, sobretudo, nas chamadasfilosófico do que para o pensamento mitológico. Para "filosofia de": filosofia da ciência, filosofia da arte,vários autores da história da filosofia, elas são a origem do filosofia da história, filosofia da educação, f filosofia dapensamento filosófico, e outros, mais propensos a verem to matemática, filosofia do direito etc.continuidade do que rupturas na história do pensamentotendem a ver as cosmologias como o início do pensamentocientífico. As cosmologias são teorias a respeito danatureza do mundo. As cosmogonias são genea genealogias, Mito (gr. mythos: narrativa, lenda)Filosofia 1
  • 2. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular 1. Narrativa lendária, pertencente à tradição cultural de limite / infinito). A ordem do mundo surgiu do caos emum povo, que explica através do apelo ao sobrenatural, ao virtude deste princípio. Assim, o apeiron seria o princípiodivino e ao misterioso, a origem do universo, o original de todos os seres, tanto de seu aparecimento quanto de sua dissolução.funcionamento da natureza e a origem e os valores básicosdo próprio povo. Ex.: o mito de Ísis e Osíris, o mito de Anaxímenes de Mileto (588 (588-524 a.C.) – Segundo estePrometeu etc. O surgimento do pensamento filosófico filosófico- pensador, o elemento gerador de tudo é o ar. Através dacientífico na Grécia antiga (séc.Vl a.C.) é visto como uma rarefação e da condensação, o ar forma tudo o que existe.ruptura com o pensamento mítico, já que a realidade passa ico, “Da mesma maneira que a nossa alma, que é ar, nosa ser explicada a partir da consideração da natureza pela mantém vivos, também o sopro e o ar mantém o mundoprópria, a qual pode ser conhecida racionalmente pelo inteiro”.homem, podendo essa explicação ser objeto de crítica ereformulação; daí a oposição tradicional entre mito e logos logos. Heráclito de Éfeso (séc. VI- a.C.) - É conhecido como o -V2. Por extensão, crença não-justificada, comumente aceita e justificada, filósofo do devir, da mudança. De acordo com Heráclito, oque, no entanto, pode e deve ser questionada do ponto de logos (razão/inteligência /discurso / pensamento) governavista filosófico. Ex.: o mito da neutralidade científica, o todas as coisas, e está associado ao fogo, gerador domito do bom selvagem, o mito da superioridade da raça processo cósmico. Tudo está em incessante trans transformação:branca etc. A critica ao mito, nesse sentido_ produziria uma “panta rei” (tudo flui). As coisas estão, pois, em constantedesmistificação dessas crenças. 3. Discurso alegórico que movimento, nada permanece o mesmo (“não nos banhamosvisa transmitir uma doutrina através de uma representação duas vezes no mesmo rio”). Todavia, não se deve deduzirsimbólica. Ex.: o mito ou alegoria da caverna e o mito do dessa afirmação que Heráclito defendeu uma teoria daSol, na República de Platão. mudança contínua desregrada. Ao contrário, ele entendia rada. que havia uma lógica - o logos - governando tal mudançaAula 2 – Os pré-socráticos contínua. Os pensadores pré-socráticos viveram no "mundo socráticos Parmênides de Eléia (544-524 a.C.) – Para Parmênides, o 524grego", mas nem todos antes de Sócrates. Alguns sim, ser é uno, imóvel, eterno, imutável Desse modo, o devir, a imutável.outros não. Eles viveram entre o século sete e o meio do mudança, seria ilusão e simples aparência o movimento é, aparência;século quarto A.C. Sócrates nasceu em 470 e morreu em assim, engano dos nossos sentidos “O ser é, o não-ser não sentidos.399 A.C. (todas as datas, antes de Cristo, são, na sua tes é”. Ou seja: o ser imutável, eterno, permanente das coisas, ”.maioria, estimativas). Uma boa parte desses pensadores é o único que existe, enquanto o não não-ser, que seria aforam, antes de tudo, cosmólogos. E vários deles mudança, não existe.trabalharam em um sentido reducionista, isto é, tentaramencontrar uma substância única, ou força exclusiva, ou Pré-socráticos - Definiçãoprincípio básico capaz de ser apresentado como o elemento icoefetivamente real e primordial do cosmos. A filosofia dos Termo que designa, na história da filosofia, os primeiros igna,Pré-socráticos (Filósofos da Natureza) voltava o seu socráticos filósofos gregos anteriores a Sócrates, tambémpensamento para a origem (racional) do mundo, do cosmos. denominados fisiólogos por se ocuparem com oOu seja, estes filósofos dedicavam-se às in se investigações conhecimento do mundo natural (physis). Tales de Miletocosmológicas, buscando a arché (o princípio fundamental (640-c. 548 a.C.) é considerado, já por Aristóteles, como ode todas as coisas). De seus escritos quase tudo se perdeu, "primeiro filósofo", devido à sua busca de um primeiro imeirorestando apenas poucos fragmentos. Cosmologia: estudo, princípio natural que explicasse a origem de todas asteoria ou descrição dos cosmos, do universo. coisas. Tales é tido como fundador da escola jônica, que inclui seu discípulo Anaximandro. As principais escolasAlguns filósofos filosóficas pré-socráticas, além da e socráticas, escola jônica, são: a atomista, incluindo Leucipo (450 (450-420 a.C.) e DemócritoTales de Mileto (640-548 a.C.) – É considerado “o pai da (c.460-c. 370 a.C.); a pitagórica, fundada por Pitágoras de c.filosofia grega”. Para ele a água seria o elemento Samos (século VI a.C.); a Eleata, de Xenófanes (século VIprimordial (a arché) de tudo o que existe. Atribui ) Atribui-se a a.C.) e Parmênides (c.510 a.C.) e seu discípulo Zenão; a mobilista, de Heráclito (c.480 a.C.). Com Sócrates e os ista,Tales a demonstração do primeiro teorema de geometria sofistas, a filosofia grega toma novo rumo, sendo que a(embora o estudo sistemático desta ciência tenh realmente tenha preocupação cosmológica deixa de ser predominante,começado na escola de Pitágoras, no séc. VI a.C.). dando Lugar a uma preocupação maior com a experiência humana, o domínio dos valores e o problema d doAnaximandro de Mileto (610-547 a.C.) – O princípio 547 conhecimento. Ver jônica, escola; atomismo; pitagorismo;gerador de todas as coisas, segundo Anaximandro, seria o eleatas; mobilismo; sofista.apeiron (ilimitado / indeterminado / que não temFilosofia 2
  • 3. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularAula 3 – Sócrates e os sofistas filósofo dá à luz idéias. O filósofo deveria, portanto, segundo Sócrates, provocar nos indivíduos oSócrates (c.470-399 a.C.) desenvolvimento de seu pensamento de modo que estes viessem a superar sua própria ignorância, mas através da A vida de Sócrates nos é contada por Xenofonte (em descoberta, por si próprios, com o auxílio do "parteiro", dasuas Memorabilia) e por Platão, que faz dele o person personagem verdade que trazem em si.central de seus diálogos, sobretudo Apologia de Sócrates eFédon. Ele nasceu em Atenas. Sua mãe era parteira, seu pai 2. Enquanto método filosófico, praticado por Sócrates, aescultor. Recebeu uma educação tradicional aprendizagem tradicional: maiêutica consiste em um procedimento dialético no qualda leitura e da escrita a partir da obra de Homero. Sócrates, partindo das opiniões que seu interlocutor temConhecedor das doutrinas filosóficas anteriores e sobre algo, procura fazê-lo cair em contradição ao defender locontemporâneas (Parmênides, Zenão, Heráclito), participou seus pontos de vista, vindo assim a reconhecer suado movimento de renovação da cultura empreendido pelossofistas, mas se revelou um inimigo destes. Consolidador ignorância acerca daquilo que julgava saber. A partir doda filosofia, nada deixou escrito. Participou ativamente da reconhecimento da ignorância, trata trata-se então de descobrir,vida da cidade, dominada pela desordem intelectual e pela razão, a verdade que temos em nós. Ver dialética;social, submetida à demagogia dos que sabiam falar bem. reminiscência: método.Convidado a fazer parte do Conselho dos 500, manifestousua liberdade de espírito combatendo as medidas que 3. 0 modelo pedagógico conhecido como "socrático" ojulgava injustas. Permaneceu independen em relação às independente inspira-se na maiêutica como forma de ensinar os selutas travadas entre os partidários da democracia e da indivíduos a descobrirem as coisas por eles mesmos.aristocracia. Acreditando obedecer a uma voz interior,realizou uma tarefa de educa-dor público e gratuito. dor Ironia (lat. ironia, do gr. eironeia: dissimulação)Colocou os homens em face da seguinte evidência oculta:as opiniões não são verdades, pois não resistem ao diálogo Recurso de expressão que parece indicar o oposto docritico. São contraditórias. Acreditamos saber, mas que se pensa sobre algo. Ex.: elogia elogia-se quando se querprecisamos descobrir que não sabemos. A verdade, depreciar, chama-se de "grande" algo obviamente pequeno seescondida em cada um de nós, só é visível aos olhos darazão. etc. A ironia como forma de argumentação é utilizada por Sócrates para revelar a seu interlocutor sua própria Acusado de introduzir novos deuses em Atenas e de ignorância, relacionando-se, portanto, à maiêutica. "Na se,corromper a juventude, foi condenado pela cidade. Irritou ironia, o homem anula. na unidade de um mesmo ato,seus juízes com sua mordaz ironia. Morreu tomando cicuta. aquilo que coloca, faz crer para não ser acreditado, afirmaE conhecido seu famoso método, sua arte de interrogar, sua para negar e nega para afirmar" (Sartre)."maiêutica", que consiste em forçar o interlocutor adesenvolver seu pensamento sobre uma questão que ele Metafísica – definiçõespensa conhecer, para conduzi-lo, de conseqüência em lo,conseqüência, a contradizer-se, e, portanto, a confessar que se, 1. O termo "metafísica" origina origina-se do título dado pornada sabe. As etapas do saber são: a) ignorar sua Andronico de Rodes, principal organizador da obra de nicoignorância; b) conhecer sua ignorância; c) ignorar seu Aristóteles, por volta do ano 50 a.C., a um conjunto desaber; d) conhecer seu saber. Sua famosa expressão nhecer"conhece-te a ti mesmo" não é uma investigação te textos aristotélicos — ta meta ta physikd — que se seguiampsicológica, mas um método de se adquirir a ciência dos ao tratado da fisica, significando literalmente "após avalores que o homem traz em si. "O homem mais justo de física", e passando a significar depodepois, devido a suaseu tempo", diz Platão, foi conde-nado à morte sob a nado temática, "aquilo que está além da física, que a transcende".acusação de impiedade e de corrupção da juventude. ão 2. Na tradição clássica e escolástica, a meta meta-física é a Seria sua morte o fracasso da filosofia diante da parte mais central da filosofia, a ontologia geral, o tratadoviolência dos homens? Ou não indicaria ela que o filósofo é cio ser enquanto ser. A metafísica define-se assim comoum servidor da razão, e não da violência, acreditando mais filosofia primeira, como ponto de partida do sistemana força das idéias do que na força das armas? as filosófico, tratando daquilo que é pressuposto por todas as outras partes do sistema, na medida em que examina osMaiêutica (do gr. maieutiké: arte do parto) princípios e causas primeiras, e que se constitui como 1. No Teeteto, Platão mostra Sócrates definindo sua doutrina do ser em geral, e não de suas determinaçõestarefa filosófica por analogia à de urna parteira (profissão particulares; inclui ainda a doutrina do Ser Divino ou dode sua mãe), sendo que, ao invés de dar à luz crianças, o Ser Supremo.Filosofia 3
  • 4. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular 3. Na tradição escolástica, especificamente, temos uma no Ocidente. Foram inúmeros os comentários a esta obra,distinção entre a metafísica geral, a ontologia propriamente tanto na tradição do helenismo quanto entre os árabes e osdita, que examina o conceito geral de ser e a realidade em escolásticos medievais.seu sentido transcendente: e a metafísica especial, que tratade domínios específicos do real e que se subdivide, por sua Sofista (lat. sophista, do gr. sophistes)vez, em cosmologia, ou filosofia natural — o tratado do Na Grécia clássica, os sofistas foram os mestres damundo e da essência da realidade material; psicologia retórica e oratória, professores itinerantes que ensinavamracional, ou tratado da alma, de sua natureza e al, sua arte aos cidadãos interessados em dominar melhor apropriedades; e teologia racional ou natural, que trata do técnica do discurso, instrumento político fundamental paraconhecimento de Deus e das provas de sua existência os debates e discussões públicas, já que na pólis grega as tesatravés da razão humana (e não apenas pelo apelo à fé). decisões políticas eram tomadas nas assembléias. 4. No pensamento moderno, a metafísica pe perde. em Contemporâneos de Sócrates, Platão e Aristóteles, foramgrande parte, seu lugar central no sistema filosófico, uma combatidos por esses filósofos, que condenavam ovez que as questões sobre o conhecimento passam a ser relativismo dos sofistas e sua defesa da idéia de que atratadas como logicamente anteriores à questão do ser, ao verdade é resultado da persuasão e do consenso entre osproblema ontológico. A problemática da consciência e da homens. A metafísica se constitui assim, nesse momento,subjetividade torna-se assim mais fundamental. No e em grande parte em oposição à sofística. Devido a isso e aodesenvolvimento desse pensamento, sobretudo com Kant, a triunfo da metafísica na tradição filosófica, ficou ficou-nos umafilosofia crítica irá impor limites às pretensões de imagem negativa dos sofistas como "produtores do falso" sconhecimento da metafísica, considerando que devemos (segundo Platão em O sofista), manipuladores de opiniões,distinguir o domínio da razão, que produz conhecimento, criadores de ilusões. Estudos mais recentes, entretanto,que possui objetos da experiência, que constitui a ciência, i buscam revalorizar de forma mais isenta o pensamento dosportanto, do domínio da razão especulativa, em que esta se sofistas, mostrando que seu relativismo baseav baseava-se em umapõe questões que, em última análise, não pode solucionar, doutrina da natureza humana e de sua relação com o real,embora essas questões sejam inevitáveis. Teríamos, bem como indicando a importância da contribuição dosportanto, a metafísica. Kant vê solução para as pretensões ão sofistas para os estudos de gramática, retórica e oratória,da metafísica apenas no campo da razão prática. Isto é, não para o conhecimento da língua grega e para odo conhecimento, mas da ação, da moral. "A metafísica, desenvolvimento de teorias do discurso. Não se pode falar,conhecimento especulativo da razão isolada e que se eleva contudo em uma doutrina única, comum a todos os sofistas,completamente para além dos ensinamentos da experiência mas apenas em certos pontos de contato entre váriasatravés de simples conceitos... (Kant). "Por metafísica és concepções bastante heterogêneas.entendo toda pretensão a conhecimento que busque Dentre os principais sofistas destacaram Górgias, destacaram-seultrapassar o campo da experiência possível, e, por Protágoras e Hípias de Elida. Das principais obras dosconseguinte, a natureza, ou a aparência das coisas tal como sofistas só chegaram até nós fragmentos, muitas vezesnos é dada, para nos fornecer aberturas àqui pelo qual àquilo citados através de seus adversários, como Platão.esta é condicionada; ou para falar de forma mais popular,sobre aquilo que se oculta por trás da natureza, e a torna Protágoras (séc. V a.C.)possível... “A diferença (entre a física e a metafísica)repousa, grosso modo, sobre a distinção kantiana entre O grego Protágoras (nascido em Abdera) é um dos ágorasfenômeno e coisa-em-si” (Schopenhauer). Metafísica Obra filósofos sofistas preocupado não com as cosmogonias e osde Aristóteles, na verdade reunião de 12 tratados editados sistemas, mas com a introdução de certo "humanismo" napor Andrônico de Rodes, que lhes atribui este título e filosofia. Ele prega uma espécie de relativismo ou deacabou por denominar uma das áreas mais centrais da subjetivismo. De sua obra, ficou apenas uma frase: "Ofilosofia. Nestes tratados, Aristóteles discute o problema do homem é a medida de todas as coisas, do ser daquilo que é,conhecimento e a noção de filosofia, introduzindo e do não-ser daquilo que não é". Quer dizer: todo serconceituando algumas das noções mais centrais da filosofia conhecimento depende do indivíduo que conhece; o ventocomo substância, essência e acidente, necessidade e só é frio para mim e no momento em que sinto frio; ascontingência, verdade etc. Teve grande in in-fluência no qualidades do mundo variam com os indiv indivíduos e nodesenvolvimento da tradição filosófica, sobretudo a partir ão mesmo indivíduo; o aspecto do mundo não é sempre odo séc.XII1, quando a obra de Aristóteles é reintroduzida mesmo; não há verdade nem erro: valem apenas asFilosofia 4
  • 5. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularrepresentações que são proveitosas e salutares. Temos aí doutrina da imortalidade da alma, demonstrada no Fédon.uma espécie de "pragmatismo" humanista. Das obras de Platão, as mais importantes são: Apologia de Sócrates (trata-se do discurso que Sócrates pode se poderia terSofística (do lat. sophisticus, do gr. sophistike sophistike) pronunciado diante de seus juízes; descreve seu itinerário, Denominação genérica do conjunto de doutrinas de seu método e sua ação); Hippias Maior (o que é o belo?);filósofos contemporâneos de Sócrates e Platão, conhecidos Eutifron (o que é a piedade?); Menon (o que é a virtude?como sofistas. A sofística se caracteriza pela preocupação Pode ser ensinada? São os diálogos constituindo o exemplocom questões práticas e concretas da vida da cidade, pelo perfeito da maiêutica; são aporéticos: a questão colocada utica;relativismo em relação à moral e ao conhecimento, pelo não é resolvida, o leitor é convidado a prosseguir aantropocentrismo, pela valorização da retórica e da oratória pesquisa após ter purificado seu falso saber); Teeteto (o quecomo instrumentos da persuasão que caracterizava a função é a ciência? Expõe e faz a crítica da tese que faz derivar ado sofista, e, em conseqüência, pelo conhecimento da ciência da sensação e que afirma ser o homem a medida delinguagem e domínio do discurso, essenciais para o todas as coisas); Fédon (sobre a imortalidade da alma;desenvolvimento da argumentação sofística. A sofistica esenvolvimento diálogo que relata os últimos dias de Sócrates e trata danão chegou a constituir propriamente uma escola, porém o atitude do filósofo diante da morte); Crátilo (quais astermo é utilizado, freqüentemente com sentido negativo, relações entre as coisas e os nomes que lhes são dados? Hásobretudo para designar o contraste entre o racionalismo denominações naturais ou elas dependem todas da õesteórico e especulativo da filosofia de Sócrates, Platão e fia convenção?); O banquete (do amor das belas coisas aoAristóteles, com a atitude pragmática e antimetafísica dos amor do belo em si. Papel pedagógico do amor); Górgiassofistas. (sobre a retórica; estuda a forma particular de violência que pode ser exercida pelo domínio da retórica e op opõe aAula 4 – Platão e o mundo do outro sofística à filosofia); A república (da justiça; definição do homem justo a partir do estudo da cidade justa; a cidadePlatão (c.427-348 ou 347 a.C.) ideal, papel da educação, lugar do filósofo na cidade; como o regime ideal é levado a degenerar degenerar-se). Na República, no Filósofo grego, discípulo de Sócrates, Platão deixou Político e nas Leis, Platão enuncia as condições da cidadeAtenas depois da condenação e morte de seu mestre (399 e harmoniosa, governada pelo filósofo rei, personalidade quea.C.) Peregrinou doze anos. Conheceu, entre outros, os governa com autoridade, mas com abnegação de si, com ospitagóricos. Retornou a Atenas em 387 a.C, com 40 anos, olhos fixos na idéia do bem. A virtude suprema consiste noprocurando reabilitar Sócrates, de quem guardava a "desapego" do mundo sensível e dos be exteriores a fim bensmemória e o ensinamento. Retomou a teoria de seu mestre de orientar-se para a contemplação das idéias, notadamente sesobre a "idéia", e deu-lhe um sentido novo: a idéia é mais lhe da idéia do bem, e realizar esse ideal de perfeição que é odo que um conhecimento verdadeiro: ela é o ser mesmo, a bem. Abaixo dessa virtude quase divina situasitua-se a virtuderealidade verdadeira, absoluta e eterna, existindo fora e propriamente humana: a justiça, que consiste na harmoniaalém de nós, cujos objetos visíveis são apenas reflexos. A interior da alma. Outros livros ou diálogos: Críton, Fedro, teriordoutrina central de Platão é a distinção de dois mundos: o Parmênides, Timeu e Filebo. Toda a doutrina de Platãomundo visível, sensível ou mundo dos reflexos, e o mundo pode ser interpretada como uma crítica em relação ao dadoinvisível, inteligível ou mundo das idéias. A essa sensível, social ou político, e com uma exortação aconcepção dos dois mundos se ligam as outras partes de transformá-lo se inspirando nas id lo idéias, cuja açãoseu sistema: a) o método é a dialética, consistindo em que o (cognitiva, moral e política) deve reproduzir, o maisespírito se eleve do mundo sensível ao mundo verdadeiro, o fielmente possível, a ordem perfeita no mundo do futuro.mundo inteligível, o mundo das idéias; ele se eleva por Para realizar seu "projeto" filosófico, Platão funda aetapas, passando das simples aparências aos objetos, em Academia, assim chamada por situar situar-se nos jardins doseguida dos objetos às idéias abstratas e, enfim, dessas herói ateniense Academos.idéias as idéias verdadeiras que são seres re que existem reaisfora de nosso espírito; b) a teoria da reminiscência: Mundo sensível: realidade material, constituída pelosvivemos no mundo das idéias antes de nossa encarnação" objetos da percepção sensorial; mundo da experiência.em nosso corpo atual e contemplamos face a face às idéias Especialmente em Platão, o mundo sensível opõe opõe-se aoem sua pureza; dessa visão, guardamos uma mudança mundo inteligível, do qual é cópia.confusa; nós a reencontramos, pelo trabalho da inteligência, ramos,a partir dos dados sensíveis, por "reminiscência"; c) aFilosofia 5
  • 6. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular Mundo inteligível: mundo das idéias ou fo formas, em o fechamento das escolas filosóficas pagãs. O pensamentoPlatão entendido como tendo uma realidade autônoma, da Academia, entretanto, passa por períodos distintos, nãotanto em relação ao mundo sensível, do qual constitui o se limitando a uma simples preservação, comentário emodelo perfeito, quanto ao pensamento humano, que no que, difusão do pensamento de Platão, mas interpretando de interpretando-oentanto o atinge pela dialética. diferentes maneiras, incluindo uma fase cética. O platonismo não se restringe, contudo, apenas à doutrinaAlegoria da Caverna transmitida pela Academia. Sua importância durante o No livro VII da República, Platão narra uma história helenismo é muito grande, dando origem aoque se tornou célebre com o nome de mito ou alegoria da neoplatonismo. Também o desenvolvimento da filosofiacaverna. Seu objetivo é fazer compreender a diferença entre cristã com a escola de Alexandria, a escola de Capadócia eo conhecimento grosseiro, que vem de nossos sentidos e de o pensamento de Santo Agostinho são diretamentenossas opiniões (doxa), e o conhecimento verdadeiro, ou influenciados pelo platonismo. Durante todo o período mo.seja, aquele que sabe apreender, sob a aparência das coisas, medieval, até pratica-mente o século XII, quando a obra de mentea idéia das coisas. Numa caverna, cuja entrada é aberta à Aristóteles torna-se mais conhecida no Ocidente, o seluz, encontram-se alguns homens acorrentados desde sua se platonismo foi a filosofia predominante, devidoinfância, com os olhos voltados para o fundo, não podendo basicamente à influência do pensamento de Santolocomover-se nem virar as cabeças. Um fogo brilha no se Agostinho. Por sua vez, o fechamento da Academia em 529exterior, iluminando toda a caverna. Entre o fogo e a acarretou a emigração dos filósofos platônicos para ocaverna passa uma estrada, ladeada por um muro da altura Oriente, sobretudo para a Pérsia, fazendo com que ode um homem. Na estrada, por detrás do muro, vários platonismo tivesse também posteriormente grandehomens passam conversando e levando nas cabeças figuras ndo importância na formação do pensamento árabe. Embora perca, em parte, sua influência a partir do séc.XIII, devidode homens e de animais, projetadas no fundo da caverna.Assim, tudo o que os acorrentados conhecem do mundo são ascensão do aristotelismo, o platonismo ressurge durante osombras de objetos fabricados. Mas como não sabem o que Renascimento. Mesmo no pensamento moderno ese passa atrás deles, tomam essas sombras por seres vivos contemporâneo, muitas das questões tratadas nos diálogos de Platão continuam a ser discutidas, e esses diálog diálogosque se movem e falam, mostrando serem homens que nãoatingiram o conhecimento verdadeiro. Platão descreve o continuam a ser estudados e comentados.processo dialético através do qual o prisioneiro se liberta e, 3. 0 platonismo, no entanto, não está ligado apenas àlutando contra o hábito que tornava mais cômoda sua obra e ao pensamento de Platão, mas, em linhas gerais,situação de prisioneiro, sai em busca do conhecimento da o caracteriza-se pelo dualismo entre corpo e alma, matéria e severdade, passando por diversos e sucessivos graus de espírito, inteligência e sensação: pela crença em um mundoconversão de sua alma, até chegar à visão da idéia de hem. de formas ou objetos abstratos, autônomo de nossoUma vez alcançado esse conhecimento, o prisioneiro, agora conhecimento; pelo espiritualismo e a crença em umatransformado em sábio, deve retornar à caverna para doutrina da reminiscência: pelo recurso à dialética comoensinar o caminho aos outros prisioneiros, arriscando o arriscando-se, forma de elevação do espírito para além do mundoinclusive, a ser rejeitado por eles. sensível; por uma visão polít política que defende uma aristocracia do espírito nos moldes da República. EmPlatonismo – definições muitos dos filósofos que podem ser considerados 1. Denominação da filosofia de Platão e de seus representantes do platonismo podemos encontrar,seguidores, ou de qualquer pensamento filosófico freqüentemente, uma ou algumas dessas características,influenciado por Platão. Foi imensa a influência d Platão de embora não necessariamente todas E nesse sentido, por todas.na formação da tradição filosófica ocidental, sendo que exemplo, que podemos falar contemporaneamente emWhitehead chegou mesmo a afirmar que toda a filosofia filosofia da matemática, no platonismo de Frege, na medidaocidental não passa de um conjunto de notas de pé de em que este considera os objetos matemáticos (tais comopágina à obra de Platão. os números) existentes independentemente de nosso pensamento e de nosso conhecimento sobre eles. so 2. Historicamente, o platonismo desenvolveu desenvolveu-sejuntamente com a Academia fundada por Platão em 338 nte Dialética (lat. dialectica, do gr. dialektike: discussão)a.C., existindo até o ano 529 da era cristã, quando oimperador romano Justiniano, em Constantinopla, ordenouFilosofia 6
  • 7. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular Em nossos dias, utiliza-se bastante o termo "dialética" se do materialismo e no processo do movimento histórico quepara se dar uma aparência de racionalidade aos modos de considera a Natureza: a) como um todo coerente em que osexplicação e demonstração confusos e aproximativos. M Mas fenômenos se condicionam reciprocamente; b) como uma tradição filosófica lhe dá significados bem precisos. estado de mudança e de movimento: c) como o lugar onde o processo de crescimento das mudanças quantitativas gera, 1. Em Platão, a dialética é o processo pelo qual a alma por acumulação e por saltos, mutações de ordemse eleva, por degraus, das aparências sensíveis às realidades qualitativa: d) como a sede das contradiçõe internas, seus contradiçõesinteligíveis ou idéias. Ele emprega o verbo dialeghestai em fenômenos tendo um lado positivo e o outro negativo, umseu sentido etimológico de "dialogar", isto é, de fazer imológico passado e um futuro, o que provoca a luta das tendênciaspassar o logos na troca entre dois interlocutores. A dialética contrárias que gera o progresso (Marx (Marx-Engels).é um instrumento de busca da verdade, uma pedagogiacientífica do diálogo graças ao qual o aprendiz de filósofo, Aula 5 - Aristóteles (384-322 a.C.) 322tendo conseguido dominar suas pulsões corporais e vencera crença nos dados do mundo sensível, utiliza Filósofo grego nascido em Estagïra, M Macedônia.sistematicamente o discurso para chegar à percepção das Discípulo de Platão na Academia. Preceptor de Alexandreessências, isto é, à ordem da verdade. Magno. Construiu um grande laboratório, graças à amizade com Felipe e seu filho Alexandre. Aos cinqüenta anos, 2. Em Aristóteles, a dialética é a dedução feita a partir funda sua própria escola, o Liceu, perto de um bosquede premissas apenas prováveis. Ele opõe ao silogismo e dedicado a Apolo Líelo. Daí o nome de seus alunos: os aícientífico, fundado em premissas consideradas verdadeiras peripatéticos. Seus últimos anos são entremeados de lutase concluindo necessariamente pela "força da forma", o políticas. O partido nacional retoma o poder em Atenas.silogismo dialético que possui a mesma estrutura de Aristóteles se exila na Eubéia, onde morre. Sua obra abordanecessidade, mas tendo apenas premissas prováveis, todos os ramos do saber: lógica, física, filosofia, b botânica,concluindo apenas de modo provável. zoologia, metafísica etc. Seus 3. Em Hegel. a dialética é o movimento racional que nos livros fundamentais: Retórica, Ética a Nicômaco, Ética apermite superar uma contradição. Não é um método, mas Eudemo, Órganon: conjunto de tratados da lógica, Física,um movimento conjunto do pensamento e do real: Política e Metafísica. Para Aristóteles, contrariamente a"Chamamos de dialética o movimento racional superior em Platão, que ele critica, a idéia não possui uma existênciafavor do qual esses termos na aparência separados (o ser e mos separada. Só são reais os indivíduos concretos. A idéia sóo nada) passam espontaneamente uns nos outros, em existe nos seres individuais: ele a chama de "forma".virtude mesmo daquilo que eles são, encontrando encontrando-se Preocupado com as primeiras causas e com os primeiroseliminada a hipótese de sua separação". Para pensarmos a princípios de tudo, dessacraliza o "ideal" platônico,história, diz Hegel, importa-nos concebê-la como sucessão la realizando as idéias nas coisas. O primado é o dade momentos, cada um deles formando uma totalidade, omentos, experiência. Os caminhos do conhecimento são os da vida.momento que só se apresenta opondo-se ao momento que o se Sua teoria capital é a distinção entre potência e ato. O queprecedeu: ele o nega manifestando suas insuficiências e seu leva à segunda distinção básica, entre matéria e forma: "acaráter parcial; e o supera na medida em que eleva a um substância é a forma". Daí sua concepção de Deus cornoestágio superior, para resolvê-los_ os problemas não s não- Ato puro, Primeiro Motor do mundo, motor imóvel,resolvidos. E na medida em que afirma urna propriedade Inteligência, Pensamento que ignora o mundo e só pensa acomum do pensamento e das coisas, a dialética pretende ser si mesmo. Quanto ao homem, é um "animal político"a chave do saber absoluto: do movimento do pensamento, submetido ao Estado que, pela educação, obriga obriga-o apoderemos deduzir o movimento do mundo: logo, o pensa pensa- realizar a vida moral, pela prática das vir virtudes: a vida socialmento humano pode conhecer a totalidade do mundo é uni meio, não o fim da vida moral. A felicidade suprema(caráter metafísico da dialética). consiste na contemplação da realização de nossa forma essencial. A política aparece como um prolongamento da 4. Marx faz da dialética um método. Insiste na moral. A virtude não se confunde com o heroísmo, mas énecessidade de considerarmos a realidade socioeconômica uma atividade racional por excelência. O equilíbrio dade determinada época como um todo articulado, conduta só se realiza na vida social: a verdadeiraatravessado por contradições específicas, entre as quais a ficas, humanidade só é adquirida na sociabilidade.da luta de classes. A partir dele, mas graças, sobretudo, àcontribuição de Engels, a dialética se converte no método Ato (lat. actum: fato realizado)Filosofia 7
  • 8. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular 1. Todo exercício voluntário de poder material, ou Matéria (lat. materia)espiritual, por parte do homem. Ex.: ato de coragem, ato de m.violência etc. 1. Substância sólida, corpórea. Substância da qual algo é feito, constituinte físico de algo. Oposto a forma, espírito. 2. Um ser em ato é um ser plenamente realizado, poroposição a um ser em potência de devir ou em 2. Nas cosmogonias dos pré ias pré-socráticos, a matéria sepotencialidade (Aristóteles). Ex.: a planta é o ato da constituía dos quatro elementos (água, terra, ar, fogo)semente, que permanece em potência enquanto não for primordiais, de cuja combinação resultava toda a natureza.plantada. Diferentes correntes privilegiaram um ou outro elemento como mais central, e essa visão teve forte in in-fluência nas 3. Ato puro é o Ser que não comp comporta nenhuma ciências da Antiguidade.potencialidade e que se subtrai a todo e qualquer devir:Deus. 3. Em Aristóteles e na tradição escolástica, a matéria é a realidade sensível, princípio indeterminado de que o mundo 4. Na linguagem filosófica, ato se distingue da ação: físico é composto, caracterizando caracterizando-se a partir de suasação designa um processo que pode comportar vários atos. determinações como "matéria de" algo. Nesse sentido, a"Passar ao ato" é fazer algo preciso. "Passar à ação" é matéria é sempre relativa à forma. A matéria é o princípioempreender algo mais amplo. Por sua vez, ato e ação se er da individuação, sendo que dois indivíduos da mesmaopõem a pensamento ou palavra: pensar e falar não podem espécie são diferentes entre si não quanto à sua forma, queter efeito sobre a matéria, ao passo que agir tem um efeito. é a mesma, mas quanto à matéria.Claro que nas relações entre os homens, pensar e falar sãomodos de agir. Finalmente, ato se opõe a potência: o ato 6. Na lógica aristotélica, a matéri de um juízo é o seu matériadesigna aquilo que existe efetivamente; a potência designa conteúdo, ou seja, os conceitos designados pelo sujeito eaquilo que pode ser ou que deve ser. pelo predicado, enquanto a forma é o tipo de relação estabelecida. Ex.: os juízos "Este homem é branco" e "EstePotência (lat. potentia) homem não é branco" são iguais do ponto de vista material, diferindo pela forma, sendo o primeiro particular indo Em um sentido genérico, possibilidade, afirmativo e o segundo particular negativo.faculdade. Forma (lat. forma) Na filosofia aristotélica e na escolástica, a noção de olástica,potência opõe-se à de ato, caracterizando o estado virtual se Princípio que determina a matéria, fazendo dela tal coisado ser. "O ato é o fato de uma coisa existir na realidade, e determinada: aquilo que, num ser, é inteligível. A matéria enão do modo como dizemos que existe uma potência, a forma constituem o par central da física aristotélica. A arquando dizemos, por exemplo, que Hermes está em forma é aquilo que, na coisa, é inteligível, podendo serpotência na madeira" (Aristóteles, Metafísica, IX, 1048). ra" conhecido pela razão (objeto da ciência): a essência, oHá várias formas de se dizer que algo está em potência. Um "definível”. A matéria é considerada como um substratofruto está em potência na semente, já que na natureza da passivo que deve tomar forma para se tornar tal coi coisa.semente há a possibilidade de esta gerar o fruto, ou seja, Matéria e forma só podem ser dissociadas pelocomo um desenvolvimento natural. A estát de Hermes estátua pensamento.está em potência no bloco de madeira, já que este contém apossibilidade de ser transformada cm uma estátua. Lógica (lat. logica, do gr. logike, de logos: razão)Aristotelismo I. Em um sentido amplo, a lógica é o estudo da estrutura e dos princípios relativos à argumentação válida, sobretudo Tradição que se baseia no conjunto do sistema filosófico da inferência dedutiva e dos métodos de prova e ivade Aristóteles e de seus discípulos, também conhecido pe pelo demonstração, dedução; implicação.nome de "peripatetismo" porque o mestre ensinavapasseando (peripatein: passear). 2. Tradicionalmente, há três maneiras gerais de se conceber a lógica: a) Como ciência do real: ou seja, as categorias (como sujeito e predicado) e princípios lógicos (como a lei da identidade e a lei do terceiro excluído) dade refletiriam categorias e princípios ontológicos; seriam,Filosofia 8
  • 9. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularportanto, derivados da própria natureza e estrutura do real. através do termo médio (no exemplo, "homens"), queEsta é essencialmente a concepção aristotélica, que permite relacionar os outros termos (no exemplo, "gregos"predomina em grande parte no pensamento antigo e e "mortais") aí contidos, formando uma nova proposição.medieval, embora sobreviva em certas concepções dieval, Segundo as regras do silogismo válido, não é possível quecontemporâneas como o platonismo de Frege. b) Como as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Aciência do pensamento: ou seja, as categorias e princípios teoria do silogismo de Aristóteles sofreu uma série delógicos refletiriam a estrutura e o modo de operar de nosso modificações e desenvolvimentos na escola aristotélica e napensamento, especificamente de nosso rac raciocínio dedutivo; escolástica. No período moderno sua importância vai sendoseriam o resultado da explicitação e sistematização dessas progressivamente menor até dar lugar, no séc.XIX, à lógicacategorias e princípios. Essa visão é característica do matemática e aos cálculos proposicionais e dos predicadospensamento moderno, sendo representada principalmente formulados inicialmente por Frege.pela Logique de Port-Royal (1662), de Antoine Arnauld e RoyalPierre Nicole, inspirada no racionalismo cartesiano, e cujo , Aula 6 – Entre a fé e a razãosubtítulo era precisamente "a arte de pensar". O O cristianismo poderia ter se mantido exclusivamenteintuicionismo contemporâneo, ao menos com Brouwer, no terreno da fé. Ao contrário da razão, que exige provas emantém urna visão próxima a esta. c) Mais demonstrações, a fé basta a si mesma. Crê Crê-se, é ocontemporaneamente, a lógica é vista, sobretudo, como suficiente. O cristianismo, porém, não se satisfez com ociência da linguagem, ou seja, como ciência das linguagens nguagem, credo. Entrou no terreno da filosofia. Mais do que isso, fo foifor-mais, e das categorias e princípios que utilizamos para a mais, a forma que a filosofia assumiu por mais de um milênio.construção de sistemas formais, para operar com esses Em contrapartida, a fé cristã assimilou procedimentossistemas e para fundamentar sua validade. racionais. A lógica formal ou aristotélica consiste em uma Esse encontro, marcado por tensões entre a fé e a razão,investigação das categorias e princípios através dos quais iniciou-se no Império Romano, que propiciava a mescla de sepensamos sobre as coisas, do ponto de vista apenas da diversos valores culturais, e prolongou por toda a Idade prolongou-seestrutura formal desse pensamento, abstração feita de seu Média, quando a Igreja se tornaria preponderante.conteúdo. Divide-se em lógica Historicamente, o cristianismo origina das pregações tianismo origina-sedo conceito, ou seja, dos termos ou categorias que usa usamos; de Jesus de Nazaré pela Judéia, então anexada ao Impériológica das proposições, ou seja, do modo como formamos Romano. Sua mensagem é simples: amar ao próximo,nossos juízos relacionando os conceitos e expressando expressando-os praticar a bondade e desprezar os valores deste mundo, poisem proposições; e uma lógica do raciocínio, ou do a verdadeira morada do homem é o reino dos céus. Jesus s sesilogismo, que examina como relacionamos declarava filho de Deus, enviado ao mundo para redimir oinferencialmente as proposições para delas extra extrair homem dos pecados. Sua crucificação seria, nessa medida,conclusões. O caráter formal da lógica aristotélica pode ser o sacrifício do próprio Deus encarnado para salvar osrepresentado pelo uso de variáveis. Assim, da proposição homens."todo A é B" podemos deduzir corretamente que "algum Bé A", mas não que "todo B é A", quaisquer que sejam os Após a morte de Jesus (e sua ressurreição, de acordoAA e BB a que nos referimos. com o Novo Testamento), essas idéias conquistaram o), inúmeros adeptos em várias regiões do Império. NessaSilogismo (lat. syllogismmts, do gr. svllogismós) difusão – para a qual concorreu o infatigável trabalho dos Método de dedução de uma conclusão a partir de duas apóstolos –, a mensagem de Jesus passou a se expressar em ,premissas, por implicação lógica. Para Aristóteles, vários idiomas, como o grego e, mais tarde, o latim. Oconsiderado o primeiro formulador da teoria do silogismo, próprio termo “Cristo”, incorporado ao nome de Jesus, é de róprio"o silogismo é um argumento em que, estabelecidas certas , origem grega e significa “ungido”.coisas, resulta necessariamente delas, por serem o que são, A filosofia, um “erro vazio”outra coisa distinta do anteriormente estabelecido"(Primeiros analíticos, I, 24). Ex.: "Todos os homens são A difusão do cristianismo trouxe, como era de esperar,mortais, todos os gregos são homens, logo, todos os gregos um confronto entre a fé e a razão. O apóstolo Paulo (séculosão mortais". A conclusão se obtém assim por um processo ortais". I) é o primeiro a enfrentar essa questão. Ele estavade combinação dos elementos contidos nas premissas habilitado para isso: judeu, mas cidadão romano, educou educou-seFilosofia 9
  • 10. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularnum ambiente imerso na cultura helenística. Por isso, não a filosofia, é absurda a idéia de um deus que ama o homem ese intimidou quando, em Atenas, viu-se diante de “filósofos se que se sacrifica por ele. Assim, o cristianismo só podeepicureus e estóicos”, como narra o livro Atos, do Novo combater a filosofia.Testamento: “Atenienses, tudo indica que sois de umareligiosidade sem igual. (...) Encontrei inclusive um alta altar Por outro lado, porém, a conciliação é possível. Pois ocom a inscrição: ‘Ao deus desconhecido’. Pois bem! Evangelho Segundo São João não se inicia com a célebreJustamente aqui estou para vos anunciar este Deus que frase: “No princípio era o Verbo”? E o que é o verbo senãoadorais sem conhecer. O Deus que fez o mundo e tudo o o logos? Há inúmeros outros pontos em comum entre a s?que nele existe (...)”. filosofia e o cristianismo, principalmente no uso de certas palavras – ainda que fosse freqüente a adulteração de Mas, quando Paulo entrou no terreno cristão, os vocábulos, na tradução da Bíblia do hebraico para o grego.atenienses não o compreenderam. A idéia de que Deus ompreenderam. O esforço dos padres apologistas – muitos eram filósofosenviara um homem para julgar o mundo, e que, como prova antes da conversão – dirige-se no sentido de tecer, a partir sedisso, ressuscitara esse mesmo homem entre os mortos, desses pontos de contato, um pensamento que acomode oprovocou risos. Paulo foi obrigado a retirar retirar-se, embora o cristianismo e a tradição filosófica, a fé e a razão. Aorelato também afirme que ele conquistou alguns fiéis. mesmo tempo, vários filósofos também passaram a incorporar elementos bíblicos na elaboração de seu ntos Outra é a atitude do apóstolo na Primeira Carta aos pensamento.Coríntios. Em vez de empregar os argumentos dosadversários – como havia feito com os atenienses –, Paulo Mais destacado dos padres apologistas é Clemente departe para o confronto direto: “Onde está o sábio? Onde Alexandria (c. 150-215), que introduz uma série de termos 215),está o letrado? Onde o pesquisador da coisas desse das gregos (e portanto filosóficos) na linguagem cristão. Dentremundo? Não é verdade que Deus mudou a sabedoria do eles está a palavra gnosis (conhe (conhecimento), que indicaria amundo em falta de bom senso? (...) Pois a loucura de Deus perfeição do cristianismo.é mais sábia que os homens (...). Anunciamos a sabedoriade Deus, misteriosa e oculta (...)”. Mas isso logo se revelou uma faca de dois gumes: a gnosis, incorporada ao cristianismo, deu asas ao , Por fim, quando utiliza deliberadamente a palavra amente gnosticismo, uma seita secreta e esotérica. O gnosticismo“filosofia”, não deixa nenhuma margem de dúvida: “Ficai logo ultrapassaria os limites do cristia cristianismo, afirmandoatentos, para que ninguém vos arme uma cilada com a possuir o conhecimento dos mistérios divinos. A Igreja,filosofia, esse erro vazio que segue a tradição dos homens e cada vez mais institucionalizada, acabaria achando umos elementos do mundo, e não segue Cristo” (Carta aos meio de combater essas pretensões de um conhecimentoColossenses). superior, acima da fé. As duas atitudes de Paulo – a de converter os gregos, Santo Agostinho (354-430)conciliando-se com seus valores, e a de confronto – secoexistem nesse período inicial do cristianismo. De modo Aurélio Agostinho, bispo de Hipona, nasceu em spogeral, o confronto corresponde a períodos em que os Tagaste, hoje Souk-Ahras, na Argélia, e é um dos mais Ahras,cristãos sofrem violenta perseguição, enquanto a importantes iniciadores da tradição platônica no surgimentoconciliação representa os momentos em que o cristianismo da filosofia cristã, sendo um dos principais responsáveisé tolerado. É o que fazem os padres apologistas, que, no pela síntese entre o pensamento filosófico clássico e ofinal do século II, enviam inúmeras apologias (defesa e cristianismo. Estudou em Cartago, e depois em Roma e stianismo.justificação) do cristianismo ao imperador. Argumentam Milão, tendo sido professor de retórica. Reconverteu ao Reconverteu-secom valores greco-romanos, afirmando, por exemplo, que manos, cristianismo, que fora a religião de sua infância, em 386,Heráclito e Sócrates eram cristãos antes mesmo de Cristo. após ter passado pelo maniqueísmo e pelo ceticismo. Regressou então à Africa (388), fund fundando uma comunidade Do ponto de vista teórico, ambas as atitudes são viáveis. religiosa. Suas obras mais conhecidas são As confissõesDe um lado, a idéia cristã de Deus que se fez homem e que (400), de caráter autobiográfico, e A cidade de Deus,se deixou crucificar é um escândalo não só para as religiões composta entre 412 e 427. Santo Agostinho sofreu grandepagãs, mas sobretudo para a filosofia, que havia construído influência do pensamento grego, sobretudo da tradiçãoa noção de um deus abstrato, indiferente ao mundo, ou, no platônica, através da escola de Alexandria e do ésmelhor dos casos, coincidente com o próprio mundo. Para a neoplatonismo, com sua interpretação espiritualista deFilosofia 10
  • 11. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularPlatão. Sua filosofia tem como preocupação central a mas não age diretamente nos fatos da criação: Ele instaurourelação entre a fé e a razão, mostrando que sem a fé a razão um sistema de leis, causas segundas, ordenando cada umé incapaz de promover a salvação do homem e de trazer trazer-lhe dos domínios naturais segundo sua especificidade própria. sfelicidade. A razão funciona assim como auxiliar da Deus é o primeiro motor imóvel, é a primeira causa eficiente, é o único Ser necessário, é o Ser absoluto, o Serfé, permitindo esclarecer, tornar inteligível, aquilo que a fé cuja Providência governa o mundo. Santorevela de forma intuitiva. Este o sentido da célebre fórmulaagostiniana Credo ut intelligam (Creio para que possa Tomás mostra que há, em Aristóteles, uma filosof filosofiaentender). Na Cidade de Deus, Santo Agostinho interpreta verdadeiramente autônoma e independente do dogma, masa história da humanidade como conflito entre a Cidade de em harmonia com ele. Assim, Santo Tomás introduz noDeus, inspirada no amor a Deus e nos valores cristãos, e a teísmo cristão o rigor do naturalismo peripatético. Porém,Cidade Humana, baseada exclusivamente nos fins e distingue o Estado e a Igreja, o direito e a moral, a filosofiainteresses mundanos e imediatistas. Ao final do processo e a teologia, a natureza e o sobrenatural. "A últimahistórico, a Cidade de Deus deveria triunfar. Devido a esse felicidade do homem não se encontra nos bens exteriores.tipo de análise, Santo Agostinho é considerado um dos nem nos bens do corpo, nem nos da alma: só podeprimeiros filósofos da história, um precursor da formulação encontrar-se na contemplação da verdade." sedos conceitos de historicidade e de tempo histórico. Ainfluência do pensamento agostiniano foi decisiva na ostiniano Aula 7 – Idade Moderna - Racionalismoformação e no desenvolvimento da filosofia cristã no “Primeiramente, considero haver em n certas noções nósperíodo medieval, sobretudo na linha do platonismo. Tanto primitivas, as quais são comoas Confissões quanto as Retratações (escritas no final desua vida) fazem dele um precursor de Descartes, de originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outrosRousseau e do existencialismo: "Se eu me engano, eu conhecimentos” (Descartes)existo". “De onde apreende todos os materiais da razão e doSanto Tomás de Aquino (1227-1274) conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência” (Locke). Nasceu na Itália, de família nobre, e entrou cedo naOrdem dos Dominicanos. Percorreu toda a Europa “... penso não haver mais dúvida que não há princípiosmedieval. Depois dos estudos em Nápoles, Paris e Colônia práticos com os quais todos os(onde teve por mestre Alberto Magno), ensina em Paris e venos Estados do papa. Morreu quando se dirigia ao Concílio homens concordam e, portanto, nenhum é inato” (Locke).de Lyon. Sua imensa obra compreende duas Sumas: Suma O século XVII representa, na história do homem, acontra os gentios e Suma teológica, vários tratados e , culminação de um processo em que se subverteu a ima imagemcomentários sobre Aristóteles, a Bíblia, Bo Boécio etc. O que ele tinha de si próprio e do mundo. A emergência dapensamento de Santo Tomás está profundamente ligado ao nova classe dos burgueses determina a produção de umade Aristóteles, que ele, por assim dizer, "cristianiza". Seu nova realidade cultural, a ciência física, que se exprimepapel principal foi o de organizar as verdades da religião e matematicamente. A atividade filosófica, a partir daí,de harmonizá-las com a síntese filosófica de Aristóteles, las reinicia um novo trajeto: ela se desdobra como umademonstrando que não há ponto de conflito entre fé e ndo reflexão cujo pano de fundo é a existência dessa ciência. Arazão. Sua teoria do conhecimento pretende ser, ao mesmo revolução científica determinou a quebra do modelo detempo, universal (estende-se a todos os conhecimentos) e se inteligibilidade apresentado pelo aristotelismo, o quecrítica (determina os limites e as condições do provocou, nos novos pensadores, o receio de enganarenganar-seconhecimento humano). O conhecimento verdadeiro s seria novamente. A procura da maneira de evitar o erro faz surgiruma "adequação da inteligência á coisa". Retomando a a principal característica do pensamento moderno: afísica e a metafísica de Aristóteles, estabelece as cinco questão do método. Essa preocupação centraliza as"vias" que nos conduzem a afirmar racionalmente a reflexões não apenas no conhecimento do ser (metafísica),existência de Deus: a partir dos "efeitos", afirmamos a mas, sobretudo, no problema do conhecimento (t (teoria docausa. Estabelece sua concepção de natureza como ordem conhecimento ou epistemologia). Podemos dizer que atédo mundo. ordem decifrável nas coisas e que permite fixar então a filosofia tem uma atitude realista, no sentido de nãofins particulares a cada uma delas. Deus é a causa de tudo, colocar em questão a existência do objeto, a realidade doFilosofia 11
  • 12. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularmundo. A Idade Moderna inverte o pólo de atenção, espírito por si mesmo, que se percebe que existe comocentralizando no sujeito a questão do conhecimento. Se o o sujeito: eis a primeira verdade descoberta para opensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o fundamento da metafísica e cuja evidência fornece oobjeto, dá-se o conhecimento. Mas qual é o critério para se se critério da idéia verdadeira. Assim, a metafísica éter certeza de que o pensamento concorda com o objeto? fundadora de todo saber verdadeiro. undadoraIsto é, "um dos problemas que a teoria do conheciment conhecimentoterá que propor e solucionar é aquele de saber quais são os Racionalismocritérios, as maneiras, os métodos de que se pode valer o Corrente filosófica que enfatiza o papel da razão comohomem para ver se um conhecimento é ou não verdadeiro. fundamento do modo de conhecer a realidade. Nesta As soluções apresentadas a essas questões vão originar perspectiva, a razão vai possibilitar a apreensão e aduas correntes, o racionalismo e o empirismo. ionalismo justificação do conhecimento sem o recurso da experiência sensorial interferindo no processo do conhecimento. AO racionalismo de René Descartes (1596- -1650) razão é, assim, a única fonte de qualquer conhecimento, e é ainda capaz de, sozinha, chegar à verdade absoluta das René Descartes nasceu na França, de família nobre. coisas.Aos oito anos, órfão de mãe, é enviado para o colégio dosjesuítas de La Flèche, onde se revela um aluno brilhante. , Dúvida metódica:Termina o secundário em 1612, contente com seus mestres,mas descontente consigo mesmo, pois não havia descoberto É o método de conhecimento que tem por obj objetivoa Verdade que tanto procurava nos livros. Decide procurá procurá- descobrir a verdade, consistindo em considerarla no mundo, Viaja muito. Alista-se nas tropas h se holandesas provisoriamente como falso tudo aquilo cuja verdade nãode Maurício de Nassau (1618). Sob a influência de se encontra assegurada. Trata Trata-se da dúvida cartesiana,Beeckmann, entra em contato com a física copernicana. Em destinada a ser um método utilizado para atingir umaseguida, alista-se nas tropas do imperador da Baviera. Para se certeza maior do que as certezas da vid cotidiana, vidareceber a herança da mãe, retorna a Paris, onde freqüenta caracterizada pelo fato de ser indubitável. O cogito ergoos meios intelectuais. Aconselhado pelo cardeal Bérulle, . sum será o indubitável, correspondendo, intelectualmente, àdedica-se ao estudo da filosofia, com o objetivo de se alavanca de Arquimedes e permitindo eliminar eliminar-se todaconciliar a nova ciência com as verdades do cristianismo. A possibilidade de dúvida. O caráter voluntário e metódicofim de evitar problemas coro a Inquisição, vai para a dessa dúvida aparece claramente no recurso ao "gênio areceHolanda (1629), onde estuda matemática e física. Escre Escreve maligno", simples hipótese usada por Descartes paramuitos livros e cartas. Os mais famosos: O discurso do permanecer na dúvida enquanto não consegue encontrar ométodo, As meditações metafísicas, Os princípios de indubitável.filosofia, O tratado do homem e o Tratado do mando. Cogito (do lat. cogitare: cogitar, pensar; cogito: penso)Convidado pela rainha Cristina, vai passar uns tempos emEstocolmo, onde morre de pneumonia um ano depois. Suas Para Descartes, o cogito ergo sum ("penso logo existo")frases mais conhecidas: "Toda filosofia é como uma árvore é o primeiro princípio da filosofia, inaugurando umacujas raízes são a metafísica e as ciências os ramos"; "O revolução que consiste em partir da presença dobom senso (ou razão) é o que existe de mais bem repartido pensamento e não da presença do mundo. E na segundano mundo"; "Jamais devemos admitir alguma coisa como Meditação metafísica que ele afirma essa verdade " "cogito,verdadeira a não ser que a conheçamos evidentemente sum" (penso, existo): a primeira verdade, o modelo de todacomo tal"; "A proposição Penso, logo existo é a primeira e verdade e o lugar da autenticidade consistem nessamais certa que se apresenta àquele que conduz seus percepção que o sujeito presente tem de sua própriapensamentos com ordem". Toda a obra de Descartes visa existência, nessa luz de si a si: "Esta proposição, eu sou, eumostrar que o conhecimento requer, para ser válido, um existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que afundamento metafísico. Ele parte da *dúvida metódica: se pronuncio ou que a concebo em meu espírito."eu duvido de tudo Aula 8 – Idade Moderna – Empirismoo que me vem pelos sentidos, e se duvido até mesmo dasverdades matemáticas, não posso duvidar de que tenho É a doutrina ou teoria do conhecimento segundo a qualconsciência de duvidar, portanto, de que existo enquanto todo conhecimento humano deriva, direta ou indiretamente,tenho essa consciência. O *cogito é, pois, a descoberta do onsciência. da experiência sensível externa ou interna. Freqüentem FreqüentementeFilosofia 12
  • 13. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularfala-se do "empírico" como daquilo que se refere à se consegue atingir certezas morais: suas verdades são daexperiência, às sensações e às percepções, relativamente ordem da probabilidade; c) não há causalidade objetiva,aos encadeamentos da razão. O empirismo, sobretudo de pois nem sempre as mesmas causas produzem os mesmosLocke e de Hume, demonstra que não há outra fonte do efeitos; d) convém que substituamos toda certeza pelaconhecimento senão a experiência e a sensação. As idéias probabilidade. Eis seu ceticismo, a condição da tolerância esó nascem de um enfraquecimento da sensação, e não da coexistência pacífica entre os homens. Trata Trata-se de umpodem ser inatas. Daí o empirismo rejeitar todas as ceticismo teórico, não válido na vida prática.especulações como vãs e impossíveis de circunscrever. Seugrande argumento: "Nada se encontra no espírito que não Fenomenísmo - definiçãotenha, antes, estado nos sentidos." "A não ser o próprio do Concepção filosófica atribuída, sobretudo, a Hume, que icaespírito", responde Leibniz. Kant tenta resolver o debate: não admite a existência de nenhuma substância,todos os nossos conhecimentos, diz ele, provêm da considerando a realidade como composta exclusivamenteexperiência, mas segundo quadros e formas a priori que são de fenômenos e das percepções e idéias que formamospróprios de nosso espírito. Com isso, tenta evita o perigo evitar destes. Oposto a substancialismo substancialismo.do dogmatismo e do empirismo. John Locke (1632-1704)David Hume (1711-1776) John Locke nasceu perto de Bristol, Inglaterra. Estudou n O filósofo e historiador escocês David Hume nasceu em medicina e foi secretário político de vários homens deEdimburgo. Estudou filosofia e se interessou pelas letras. Estado. Fez várias viagens ao exterior. Até os 38 anos, nãoAbandonou o curso de direito e dedicou dedicou-se ao comércio, manifestou nenhuma vocação filosófica. Foi somente empassando três anos na França (1734-1737). Retornou à 1737). 1670171 que seu pensamento tomou u novo rumo: umInglaterra, tornou-se secretário do general Saint Clair e o se surgiu-lhe a idéia de sua grande obra: An Essay concerning lheacompanhou a Viena e Turim. Em 1744, candidatou candidatou-se a Human Understanding (Ensaio sobre o entendimentouma cadeira de filosofia em Edimburgo, foi acusado de humano. 1690). No mesmo ano, escreveu An Essayateísmo e não nomeado. Posterior-mente, candidatou mente, candidatou-se à concerning Toleration (Ensaio sobre a tolerância). Emcadeira de lógica em Glasgow, para substituir Adam Smith, 1693, publicou The Reasonableness christianity (Ae fracassou novamente. Conseguiu ser nomeado razoabilidade do Cristianismo). Sua obra é uma reaçãobibliotecário da faculdade de direito, onde se dedicou a contra Descartes e sua doutrina das idéias inatas. Aouma grande atividade literária. Em 1763, re re-tornou à descrever a formação de nossas idéias, Locke mostra queFrança como secretário da embaixada, ond conheceu onde todas elas têm por fonte a experiência. Ele defende oRousseau. Voltou á Inglaterra e tornou-se subsecretário de se empirismo contra o racionalismo cartesiano. O essencial de ionalismoEstado (1767-1768). No ano seguinte (1769), regressou 1768). sua doutrina é sua teoria do conhecimento: a) todoentão a Edimburgo, onde permaneceu até sua morte. A conhecimento humano tem sua origem na sensação: "nadafilosofia de David Hume caracteriza caracteriza-se como um há na inteligência que, antes, não tenha estado nos*fenomenísmo que procede ao mesmo tempo do empirismo sentidos"; não há idéias inatas no espírito; b) a partir dosde Locke e do *idealismo de Berkeley: também é dados da experiência, o entendimento vai produzir novas adosconhecida por ser um *ceticismo, na medida em que reduz idéias por abstração; c) se o entendimento humano éos princípios racionais a ligações de idéias fortificadas pelo passivo na origem, pois é tributário dos sentidos, tem umhábito e o eu a uma coleção de estados de consciência. papel ativo, pois pode combinar as idéias simples e formarSuas obras principais são: A Treatise of Human Nature idéias complexas. Assim, seu empempirismo leva-o a conferir à(1739), Essays Moral and Political (1741), An Enquiry probabilidade um papel essencial no conhecimento. QuantoConcerning Human Understanding (inicialmente intitulado à política, parte da seguinte idéia: "Os homens são todos,Philosophical Essays Concerning Human Understanding) por natureza, livres, iguais e independentes, e ninguém(1748), Political Discourses (1752), History of EnglanEngland pode ser despossuído de seus bens nem submetido ao poderduring the Reigns of James I and Charles I (1754 ss.), político sem seu consentimento". A conseqüência de seuDialogues on Natural Religion (1779), póstuma. Abordam empirismo se revela na concepção do Estado social e doos seguintes temas fundamentais: a) não é possível poder político: em primeiro lugar, refuta o direito divino enenhuma teoria geral da realidade: o homem não pode criar o absolutismo, pois trata trata-se de renunciar a essasidéias, pois está inteiramente submetido aos sentidos; todos etido especulações para se voltar às cois mesmas; em seguida, coisasos nossos conhecimentos vêm dos sentidos; b) a ciência só declara que o poder só é legitimo quando é a emanação daFilosofia 13
  • 14. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularvontade popular, pois a soberania pertence ao povo que a 2. Historicamente, o ceticismo surge na filosofia gregadelega a uma assembléia ou a um monarca; finalmente, com Pirro ele Elida. Há, no entanto, várias vertentes noantecipa Marx declarando que o fundamento da ceticismo clássico. Sexto Empírico, seu principalpropriedade é o trabalho. sistematizador, defende a posição da Nova Academia, segundo a qual se a certeza é imposs impossível, devemosDogmatismo renunciar às tentativas de conhecimento do ceticismo 1. Toda doutrina ou toda atitude que professa a pirrônico, o qual embora reconhecesse a impossibilidade dacapacidade do homem atingir a certeza absoluta; certeza, achava necessário continuar buscando buscando-a.filosoficamente, por oposição ao ceticismo, o dogmatismo Tradicionalmente distinguem no ceticismo três etapas: a distinguem-seé a atitude que consiste em admitir a possibilidade, para a epoche. a suspensão do juízo que resulta da dúvida; arazão humana, de chegar a verdades absolutamente certas e egar zétesis, a busca incessante da certeza: e a ataraxia, aseguras. tranqüilidade ou imperturbabilidade que resulta do reconhecimento da impossibilidade de se atingir a certeza e 2. No sentido vulgar, atitude que consiste em afirmar da superação do conflito de opiniões entre os homens. Naalguma coisa, de modo intransigente e contundente, sem concepção cética, portanto, a especulação filosóficaprovas nem fundamento. retornaria ao senso comum e à vida prática. 3. Toda atitude de conhecimento que consiste em 3.No pensamento moderno, sobretudo com Montaigne eacreditar estar de posse da certeza ou da verdade antes de os humanistas do Renascimento, o ceticismo é retomadofazer a crítica da faculdade de conhecer (Kant). como forma de se atacar o dogmatismo da escolásti escolástica, o que leva à adoção de uma concepção de conhecimento 4. A tradição marxista utiliza o termo "dogmatismo" relativo. Há também nesse período uma corrente dopara qualificar a tendência de se congelar uma teoria em chamado ceticismo fideísta, que argumenta que, sendo afórmulas estereotipadas, cortando-as da prática e da análise as razão incapaz de atingir a verdade, deve deve-se então apelarconcreta: "O marxismo não é um dogma. mas um guia para para a fé e a revelação como fontes d verdade. A dúvida daa ação" (Engels). cartesiana pode ser considerada como tendo se inspirado na noção cética de suspensão de juízo, a epoché, noção esta 5. Observemos que, desde a Antigüidade, existem os também retomada mais tarde pela fenomenologia.filósofos céticos e os filósofos dogmáticos. Os primeiros serecusam a crer nas verdades estabelecidas, enquanto os 4. Pode-se considerar que o ceticismo inspira em grande sesegundos defendem as verdades de sua "escola". E com a gundos parte a atitude crítica e questionadora da filosofiarepresentação kantiana da história da filosofia que o termo contemporânea. Por exemplo, as questões da relatividade"dogmatismo" adquire um sentido novo: o criticismo só se do conhecimento e dos limites da razão e da ciência, que adefine opondo-se aos dois perigos inversos, o empirismo e se epistemologia contemporânea trata, têm raízes no ceticismoo dogmatismo. O dogmatismo consiste em crer que a razão onsiste clássico e no moderno.pode edificar sistemas sólidos sem ter sido antes depuradapela crítica (cf. sentido 3). Kant visa às filosofias de Aula 9 – Idealismo de Kant (1724 (1724-1804)Leibniz e de Wolf, nas quais o conhecimento se desenvolve Um dos filósofos que mais profundamente influenciou aa priori, sem recorrer à experiência: visa também aoempirismo, que reduz tudo à experiência, sem se inter mpirismo, inter- formação da filosofia contemporânea, Kant nasceu emrogar sobre as formas a priori. Konigsberg, na Prússia Oriental (Alemanha), atualm atualmente Kaliningrado na Rússia. onde passou toda a sua vida, tendo chegado a reitor da Universidade de Konigsberg, onde foi estudante e professor. O pensamento de Kant éCeticismo (do gr. skeptikós: aquele que investiga) tradicionalmente dividido em duas fases: a pré pré-crítica (1755-1780) e a crítica (1781 em d 1780) diante), que se inicia com 1. Concepção segundo a qual o conhecimento do real é a publicação da Crítica da razão pura sua obra capital. Na pura,impossível à razão humana. Portanto, o homem deve fase pré-crítica o pensamento kantiano está totalmente críticarenunciar à certeza, suspender seu juízo sobre as coisas e inserido na tradição do sistema metafísico de Leibniz esubmeter toda afirmação a uma dúvida constante. Oposto a Wolff, então dominante nos meios acadêmicos alemães.dogmatismo. Ter relativismo. Sua principal obra nesse período é a Dissertação de 1770, incipal com a qual tornou-se catedrático da universidade, e que, seFilosofia 14
  • 15. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularembora elaborada dentro do quadro conceituai da quais são esses valores. Na Crítica da faculdade de julgarmetafísica tradicional, prenuncia alguns dos temas centrais (1790), Kant procura estabelecer as bases objetivas para oda fase crítica, como a questão dos limites da razão e da ites juízo estético, em um princípio semelhante ao ético. Nasolução dos problemas metafísicos. A fase crítica se inicia, verdade, essa obra vai além da questão da estética,nas palavras do próprio Kant, por influência de suas envolvendo todo juízo teleológico e o reconhecimento de odoleituras dos empiristas ingleses, sobretudo de Hume. E um fim ou propósito que daria sentido à natureza. Assim,famosa sua afirmação nos Prolegómenos de que "1 "1-lume "a beleza é a forma da finalidade em um objeto, percebida,despertou-me de meu sono dogmático". As objeções céticas entretanto, separadamente da representação de um fim".de Hume ao racionalismo dogmático e à metafísicaespeculativa levaram Kant a questionar e reconsiderar essa Idealismo (do lat. tardio idealis)tradição, ao mesmo tempo procurando defender a Em um sentido geral, "idealismo" significa dedicação,possibilidade da ciência e da moral, contra o ceticismo engajamento, compromisso com um ideal, semarrasador de Hume. A filosofia crítica se resume, asador preocupação prática necessariamente, ou sem visar suaportanto, a quatro grandes questões: I) o que podemos concretização imediata. Ex.: o idealismo de fulano. Osaber? 2) o que devemos fazer? 3) o que temos o direito de termo "idealismo" engloba, na história da filosofi filosofia,esperar? e 4) o que é o homem? Em sua Lógica (1800), diferentes correntes de pensamento que têm em comum aKant afirma que "a filosofia ... é por um llado a ciência da interpretação da realidade do mundo exterior ou materialrelação entre todo conhecimento e todo uso da razão; e, por em termos do mundo interior, subjetivo ou espiritual. Dooutro, do fim último da razão humana, fim este ao qual ponto de vista da problemática do conhecimento, otodos os outros se encontram subordinados e para o qual idealismo implica a redução do obje do conhecimento ao objetodevem se unificar". A primeira questão é tratada sujeito conhecedor; e. no sentido ontológico, equivale àessencialmente na Crítica da razão pura, em que Kant rítica redução da matéria ao pensamento ou ao espírito. Oinvestiga os limites do emprego da razão no conhecimento, idealismo radical acaba por levar ao solipsismo.procurando estabelecer as condições de possibilidade do A teoria das idéias, de Platão, é, por vezes,conhecimento e assim distinguir os usos legítimos da razão impropriamente chamada de idealismo. Na verdade, devena produção de conhecimento, dos usos especulativ da especulativos ser considerada um "realismo das idéias", já que pararazão que, embora inevitáveis. não produzem Platão as idéias constituem uma realidade autônoma — oconhecimento e devem ser distinguidos da ciência. São mundo inteligível — existente por siduas as fontes do conhecimento humano: a sensibilidade eo entendimento. Através da primeira, os objetos nos são mesma, independente de nosso conhecimento oudados; através do segundo, são pensados Só pela pensados. pensamento.conjugação desses dois elementos é possível a experiênciado real. Por outro lado, nossa experiência da realidade é Idealismo transcendental Doutrina kantiana, também ntal.condicionada por essa estrutura em que se combinam conhecida como idealismo crítico, que considera os objetossensibilidade e entendimento, de tal forma que só de nossa experiência, enquanto dados no espaço e noconhecemos realmente o mundo dos fenômenos, da tempo, como fenômenos, isto é, aparências, devendoexperiência, dos objetos enquanto se relacionam a nós, distinguir-se da coisa-em-si a realidade enquanto tal — que sisujeitos, e não a realidade em si, tal qual ela é, é para nós incognoscível. O objeto é algo, portanto, que sóindependentemente de qualquer relação de conhecimento. existe em uma relação de conhecimento. "Chamo deO método transcendental, que Kant então formula, idealismo transcendental de todos os fenômenos a doutrinacaracteriza-se precisamente como análise das condições de segundo a qual nós os consideramos sem exceção comopossibilidade do conhecimento, ou seja, como reflexão simples representações, e não como cois coisas-em-si" (Kant).crítica sobre os fundamentos da ciência e da experiência em Idealismo alemão pós-kantiano. É o desenvolvimento kantiano.geral. A Crítica da razão prática (1788) analisa os da doutrina kantiana, sobretudo por Fichte e Schelling, que,fundamentos da lei moral, formulando o famoso princípio no entanto, deram a essa doutrina uma interpretação maisdo imperativo categórico: "age de tal forma que a norma de mperativo subjetiva e menos crítica, prescindindo da noção de coisa coisa-tua ação possa ser tomada como lei universal". Trata de Trata-se em-si e considerando o real como constituído pelaum princípio formal e universal, estabelecendo que só consciência.devemos basear nossa conduta em valores que todospossam adotar, embora não prescrevendo especifica-menteFilosofia 15
  • 16. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular Idealismo absoluto. Termo empregado por Hegel para caráter necessário, mas ao mesmo tempo representandocaracterizar sua metafísica. segundo a qual o real é a idéia, conhecimento, ex.: os juízos da matemática e as leis g geraisentendida contudo não em um sentido subjetivo, mas da física: e juízos sintéticos a posteriori, aqueles que sãoabsoluto. simplesmente derivados da experiência. Ainda segundo Kant, os juízos podem ser caracterizados: quanto à Na tradição filosófica, o idealismo se opõe ilosófica, qualidade: afirmativos: "S é P" ("Sócrates é sábio");fundamentalmente ao materialismo, na medida em que, negativos: "S não é P" ("Sócrat não é sábio"); indefinidos ("Sócratespara ele, o universo se reduz, seja a dois princípios ou limitativos: "S é não P" ("Sócrates é não não-sábio"), emheterogêneos, a matéria e o pensamento, seja a um único que se nega uma qualidade, sem, contudo atribuir umaprincípio, o pensamento. Neste caso, os objetos materiais outra que caracterize o sujeito. A distinção entre negativo esão apenas representações de nosso espírito, ou seja, o ser penas limitativo não é encontrada geralmente na tradição, se sendodas coisas nada mais é do que a idéia que o espírito delas específica ao sistema kantiano, nem sempre aceita forapossui. Opõe-se ainda, neste sentido, a empirismo e a se dele. Quanto à quantidade: universais: "Todo S é P" ("Todorealismo. homem é mortal"); particulares: "Algum S é P" ("Alguns Contemporaneamente, sob influência da crítica vertebrados são mamíferos"); singulares: "Esse S é P"marxista, o termo "idealismo" designa uma concepção o" ("Este homem é brasileiro"). Quanto à relação: categóricos:generosa ou ambiciosa, mas irrealizável ou utópica. "S é P” ("Brasília é a capital do Brasil"); hipotéticos: "Se S,Especialmente na moral, freqüentemente significa uma então P" ("Se chover, ele não virá"); disjuntivos: "Ou S, ouignorância das condições concretas do agir humano. P" ("Ou ele virá ou não virá"). Quanto à modalidade: assertóricos: "S é P" ("José é carioca"); probl problemáticos: "EJuízo (lat. judicium: julgamento, discernimento) possível que S seja P" ("E possível que João seja eleito"); apodíticos: "E necessário que S seja P" ("Todo triângulo 1. Ato de julgar ou decidir sobre algo. Ex.: fazer mau tem como soma de seus ângulos internos 180°"). 6. Ajuízo de alguém. Capacidade de pensar ou discernir. "Como discussão sobre a natureza do juízo, se lógica ou sepodemos relacionar todos os atos do entendimento a juízos, psicológica, relaciona-se às tentativas de redução do seo entendimento em geral pode ser representado como uma pensamento à linguagem, ou vice-versa, vice efaculdade de julgar(Kant). Equilíbrio, racional racionalidade: ele contemporaneamente, sobretudo na filosofia da linguagem,tem juízo. tem levado à tese de que o juízo se exprime sempre através de uma proposição, ou seja, tem uma estrutura 2. Relação que se estabelece através do pensamento necessariamente lingüística.entre diferentes conceitos, constituindo na atribuição de umpredicado ou propriedade a um sujeito e tendo a forma Aula 10 – Baruch Espinosa (1632 (1632-1677)lógica básica "S é P" (juízo predicativo). "Chamamosjulgar a ação de nosso espírito, através da qual, unindo ção De família judia portuguesa, o filósofo Baruch Espinosadiversas idéias, este afirma de uma algo que pertence a nasceu em Amsterdam. Holanda. Estudou o hebreu, ooutra, como quando tendo a idéia de Terra e a idéia de Talmude e a Bíblia. Aprendeu espanhol, português.redondo, afirmo sobre a Terra que esta é redonda, ou nego holandês e francês. Logo rompeu com a ortodoxia judaica,que seja redonda". (Logique de Port-Roya de Antoine Royal. mas sem se aproximar do cristianismo. Acusado de judeu eArnauld e Pierre Nicole). de ateu, de ímpio e de fatalista, tentou explicar seu ponto de vista sobre a religião. Em seu Tratado teológico teológico-político 3. Faculdade fundamental do pensamento humano que (1670), colocou o problema das relações entre religião econsiste no conjunto de condições que tornam possível o Estado. Reconheceu ao Estado, poder soberano, o direito e onheceufuncionamento do pensa-mento e sua aplicação a objetos. mento o dever de fazer reinar a paz interior na comunidade, bem como de organizar as ações exteriores. A ética, 4. Na filosofia contemporânea a noção de juí juízo demonstrada segundo o método geométrico (1677) é suaderivada, sobretudo, de Kant, que estabelece as seguintes obra principal. Uma demonstração rigorosa, ordenad ordenadadistinções: l) juízo analítico: juízo em que o predicado ou numa impecável série de teoremas. revela seu aspectoatributo está incluído na essência ou definição do sujeito. polêmico: trata-se de uma máquina de guerra contra a seEx.: Todos os corpos são extensos; 2) juízo sintético: filosofia dominante, sobretudo contra a teoria do sujeitoquando o predicado acrescenta algo à compreensão do crescenta voluntário, pela qual o homem pretende converter converter-se emsujeito. Ex.: Os corpos são pesados. Os juízos sintéticos, mestre e possuidor da natureza. A e essa vontade livre,por sua vez, se dividem em sintéticos a priori, possuindoFilosofia 16
  • 17. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularEspinosa opõe uma única necessidade, vida interna de todo exceção no século XVII, representa por Spinoza. Baruch representadao universo: todas as coisas (inclusive os homens) são Spinoza (1632-1677) era judeu holandês e sofreu inúmeros 1677)modos da substância única que é Deus. A inteligência pode reveses em sua vida. Cedo foi expulso da sinagoga,chegar ao saber absoluto; a essência de Deus e das coisas é acusado de heresia. Deserdado pela família, ocupou ocupou-setotalmente inteligível; Deus é a natureza concebida como nte como polidor de lentes, a fim de garantir a sobrevivência etotalidade; dessa totalidade, o entendimento humano só dedicar-se à reflexão. Escreveu Trotado teológico teológico-político epode conceber dois atributos: o pensamento e a extensão; Ética, entre várias obras mal compreendidas e quase nuncamas as coisas singulares existem realmente; todo lidas, tanto no seu século como nos subseqüentes. Sempreconhecimento verdadeiro se realiza por uma de dedução de sofreu acusações, ora de ateísmo, ora de panteísmo.tipo geométrico: a idéia não consiste na imagem nem naspalavras, mas no exercício do intelecto que coincide com Considerado por muitos um filósofo determinista, noseu objeto: o homem não é um império num império, mas sentido de que negaria a liberdade humana, o que Spinozaestá submetido às leis comuns da natureza. Precisamos faz, ao contrário, é a crítica a toda forma de poder, queranalisar as diferentes instituições em seu funcionamento: tituições político, quer religioso, na tentativa de elucidar osque poder as produz? Quais são seus efeitos? Eis o objetivo obstáculos à vida, ao pensamento e à política livres. Eleda obra inacabada Tratado político (1677). A alegria, a quer descobrir o que leva o homem à servidão e à brirtristeza e o desejo são três afeições primitivas das quais obediência. Sua análise teórica a respeito da superstiçãonascem todas as outras. O bem, o mal, o belo e o feio não tem características que a aproximam do conceito marxistaconstituem propriedades das coisas, mas modos de de ideologia, elaborado dois séculos depois. Por isso, aoimaginar. Como a superstição constitui a grande ameaça do analisar o comportamento moral, Spinoza proc procura o quehomem, a tarefa do filósofo é eminentemente política: possibilita e o que impede o exercício da liberdade.denunciar os sistemas políticos que só se impõem aos Ao mostrar as possibilidades de expressão da liberdade,homens inspirando-lhes paixões tristes. E na cidade que o istes. Spinoza desenvolve uma teoria absolutamente nova no seuhomem realiza sua liberdade: "O sábio é mais livre na tempo e que desafia uma tradição vinda dos gregos. Vimoscidade, onde obedece à lei comum, do que na solidão onde que Platão dicotomiza corpo- -consciência, dando ao espíritosó obedece às suas paixões": "Não devemos confundir o a superioridade e o poder de dominar as paixões, comosentido de um discurso com a verdade das coisas". Se o condição da própria humanização. Também em DescartesDeus sirve Natura “de Espinosa não é um Deus criador, de persiste o dualismo psicofísico, a hierarquização e opessoal e juiz, nem por isso pode ser dissolvido no mundo princípio de causalidade. Essa posição, levada às últim últimas(panteísmo). conseqüências, abre caminho para a concepção materialistaEspinosismo do corpo. A novidade de Spinoza é a teoria do paralelismo, segundo a qual não há nenhuma relação de causalidade ou Nome genérico dado ao destino póstumo da filosofia de de hierarquia entre corpo e espírito. Ou seja, nem o espíritoEspinosa. fundada num racionalismo integral que recusa é superior ao corpo, como queriam os idealistas, nem o o,toda distinção "moral", toda subjetividade, toda finalidade moral", corpo determina a consciência, como dizem osda natureza e que concebe o homem como um simples materialistas. A relação entre um e outro não é de"modo finito da substância infinita" e não mais como o causalidade, mas de expressão e simples correspondência.centro e o fim do universo. O espinosismo, rejeitado no O que se passa em um deles se exprime no outro: a alma eséc.XVIII como um "sistema ateu" e reabilitado no o corpo exprimem, no seu modo próprio, o mesmo evento. xprimem,séc.XIX como uma filosofia panteísta da natureza. opõe éc.XIX opõe-se Nesse sentido, também não convém dizer que o corpo évigorosamente ao irracionalismo, pois entende que tudo o passivo enquanto a alma é ativa, ou vice versa. Tanto aque existe deve ter uma explicação racional. Marx, alma como o corpo podem ser, por sua vez, ativos ouNietzsche e Freud, na medida em que elaboram uma visão passivos. Quando passivos, o somos de corpo e alm alma.naturalista do homem e do mundo, adotam uma postura tam Quando ativos, o somos de corpo e alma. Somos ativosespinosista. quando autônomos, senhores de nossa ação, e passivos quando o que ocorre em nosso corpo ou alma tem umaA relação corpo-espírito para Spinoza causa externa mais poderosa que nossa força interna, daí decorrendo a heteronomia. Embora só no século XX tenham surgido correntesfilosóficas que visam superar a dicotomia corpocorpo-consciência, restabelecendo a unidade humana, há umaFilosofia 17
  • 18. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular Ora, a virtude da alma, no sentido primitivo de força, irtude vontade absoluta ou livre". Em Kant, o determinismo deixa .poder, consiste na atividade de de ser metafísico para fazer parte da legislação que o espírito impõe às coisas para conhecê s conhecê-las. Não há oposiçãopensar, conhecer. Portanto, a sua fraqueza é a ignorância. entre o determinismo e a liberdade, porque ele pertence àQuando a alma se volta para si mesma e se reconhece capaz ordem dos fenômenos, enquanto a liberdade pertence àde produzir idéias, passa a uma perfeição maior e é, ordem numenal.portanto, afetada pela alegria. Mas, se em dada situação, a o,alma não consegue entender, a descoberta de sua Aula 11 - Hegel: A teoria do Estadoimpotência causa sentimento de diminuição do ser e,portanto, provoca tristeza. Nesse caso, a alma está passiva. “O pensamento, o conceito de direito fez de repente fez-seJá nas relações entre os corpos, resultam afecções, na valer e o velho edifício de iniqüidade não lhe pode resistirmedida em que é da natureza do corpo afetar outros corpos (...). Desde que o sol está no firmamento (...) não se tinhae ser afetado por eles. A maneira pela qual um corpo afeta visto o homem (...) basear basear-se numa idéia e construiroutro determina duas situações diferentes. Se o corpo que segundo ela a realidade (...). Trata de Trata-se, portanto, de umnos afeta se "compõe" com o nosso, a sua potência (ou soberbo nascer do sol. Todos os seres pensantescapacidade de agir) se adiciona à nossa, o que provoca celebraram essa época. Reinou nesse tempo uma emoçãoaumento da nossa potência; passando a uma perfeição sublime, o entusiasmo do espírito fez estremecer o mundo,maior, o resultado é a alegria. Ao contrário, se há um "mau como se só nesse momento se tivesse chegado à verdadeiraencontro", quando o outro corpo não se compõe com o reconciliação do divino com o mundo”. nciliaçãonosso (por exemplo, no caso da tirania), há uma sub subtração (Hegel)da nossa potência, que, diminuída, gera tristeza. Spinozachama de paixões a tristeza e a alegria, que, no sentido De que fala Friedrich Hegel (1770 (1770-1831) no texto emetimológico da palavra, significa "padecer", "sofrer". Ao epígrafe? Relembra a Revolução Francesa (1789), eventopadecer, não somos nós que agimos, mas a ação tem uma notável que ocorreu quando ele tinha dezenove anos. Nacausa exterior, e nós permanecemos passivos. A diferença Alemanha, acompanhou apaixonadamente osentre paixão triste e paixão alegre é que esta, ao aumentar o acontecimentos que marcaram um ponto de ruptura da imentosnosso ser e a nossa potência de agir, nos aproxima do ponto história: a derrocada do mundo feudal e o fortalecimento daem que nos tornaremos senhores dela e, portanto, dignos de ordem burguesa. É esta a contradição dialética cujaação. A paixão triste nos afasta cada ve mais da nossa vez resolução Hegel aponta como sendo a tarefa da Razão.potência de agir, sendo geradora de ódio, aversão, temor, Sendo alemão, Hegel continuará vivendo essa con contradição,desespero, indignação, inveja, crueldade, ressentimento. na medida em que a Alemanha se acha, de certa forma,Como fazer para evitar a paixão triste e propiciar a paixão ainda mergulhada na ordem feudal, estandoalegre? Aí reside a originalidade de Spinoza: "Nem o corpopode determinar a alma a pensar, nem a alma determinar o eterminar politicamente dividida em diversos Estados não unificados.corpo ao movimento ou ao repouso ou a qualquer outra Diz Roger Garaudy, marxista francês: "O método quecoisa (se acaso existe outra coisa). elaborou para tentar vencer as dilaceraçõ dilacerações e as contradições do seu tempo - a dialética idealista - só podeDeterminismo(do al. Determinismus) ser compreendido a partir da experiência viva e do drama vivido que suscitaram nele a exigência filosófica". Como princípio segundo o qual os fenômenos danatureza são regidos por leis, o determinismo é a condição R. Garaudy, O pensamento de Hegel, p. 8.de possibilidade da ciência: "A definição do determinismopela previsão rigorosa dos fenômenos parece a única que a A dialética idealistafísica pode aceitar, por ser a única realmente verificável" Como vimos na Terceira Parte do Capítulo 10 (Teoria(Louis de Broglie). do conhecimento), a filosofia de Hegel é uma filosofia do Doutrina filosófica que implica a negação do livrelivre- devir (do movimento, do vir vir-a-ser). Para compreender aarbítrio e segundo a qual tudo, no universo, inclusive a realidade em constante processo, Hegel abandona a lógicavontade humana, está submetido à necessidade. Com tradicional, aristotélica, que considera inad inadequada para aDescartes, a natureza é matemática em sua e essência: uma explicação do movimento. Estabelece os princípios de umanatureza que não fosse matemática contradiria a idéia de nova lógica: a dialética (se necessário, ver a Segunda Parteperfeição divina. Para Espinosa. “não há na alma nenhuma do Capítulo 9 - Instrumentos do conhecimento). Segundo aFilosofia 18
  • 19. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibulardialética, todas as coisas e idéias morrem. Como diz homem em estado de natureza, pois o homem é sempre umGoethe: "Tudo o que existe merece desaparecer Mas essa desaparecer". indivíduo social. O Estado sintetiza, numa realidadeforça destruidora é também a força motriz do processo coletiva, a totalidade dos interesses contr contraditórios entre oshistórico. indivíduos. Assim como a família é a síntese dos interesses contraditórios entre seus membros, e a sociedade civil a O movimento da dialética se faz em três etapas: tese, síntese que supera as divergências entre as diversasantítese e síntese. A antítese é a famílias, o Estado representa a unidade final, a síntese maisnegação da tese, e a síntese é a superação da contradi contradição perfeita que supera a contradição existente entre o privado itaentre tese e antítese. e o público. No movimento dialético as esferas da família e da sociedade civil não devem ser entendidas como formas Da abordagem dialética resulta um novo conceito de anteriores ou exteriores ao Estado, pois na verdade sóhistória. O presente é retomado existem e se desenvolvem no Es Estado. Quando Hegel usa a expressão sociedade civil, lhe dá um sentido novo,como resultado de longo e dramático processo; a história correspondente à esfera intermediária entre a família e onão é a simples acumulação e justaposição de fatos Estado. A sociedade civil é o lugar das atividadesacontecidos no tempo, mas é resultado de verdadeiro tado econômicas, e, portanto, onde prevalecem os interessesengendramento, de um processo cujo motor interno é a privados, sempre antagônicos entre si. Por isso mesmo é ocontradição dialética. Ao explicar o movimento gerador da lugar das diferenças sociais e conflituosas entre ricos erealidade, Hegel desenvolve a dialética idealista: no pobres e da rivalidade dos profissionais entre si. Parasistema hegeliano, a racionalidade não é mais um modelo a superar as contradições que põem em perigo a coletividade,se aplicar, "mas é o próprio tecido do real e do as é preciso reconhecer a soberania do Estad Nele, cada um Estado.pensamento". O mundo é a manifestação da Idéia, "o real é . tem a clara consciência de agir em busca do bem coletivo,racional sendo, assim, por excelência,e o racional é real". "A história universal nada mais é do a esfera dos interesses públicos e universais. A importânciaque a manifestação da Razão”. do Estado na filosofia política de Hegel levou a interpretações diversas, inclusive a de q ele teria sido o que No movimento dialético, a Razão passa por diversos teórico do absolutismo prussiano, o que, em última análise,graus, desde a natureza inorgânica até as formas mais sde justificaria o Estado totalitário do século XX. Várioscomplexas da vida social. Entre estas, Hegel se refere ao filósofos se insurgiram contra essa simplificaçãoEspírito objetivo, ou seja, o espírito exterior do homem deformadora do seu pensamento, desde o próprio Marx atéenquanto expressão da vontade coletiva por meio da moral, o contemporâneo Eric Weil.do direito, da política: o Espírito objetivo se realiza naquilo jetivoque se chama mundo da cultura. Pelo menos até o momento histórico vivido por Hegel, a monarquia constitucional representa para ele a melhor Para Hegel, o Estado é uma das mais altas sínteses do forma de governo, a que melhor corresponde ao "espíritoEspírito objetivo. É o que explicaremos a seguir. do tempo". Com ela não se corre o risco de pôr o indivíduoA concepção de Estado em primeiro plano, já que o domínio do monarca não é no, autônomo e independente, mas regido pelas leis e pelo bem As teorias sobre o Estado foram desenvolvidas por do Estado. Isso seria possível pelo fato de a monarquiaHegel na obra Filosofia do direito, onde critica a tradição , constitucional opor-se ao despotismo, não sendo, portanto, senaturalista típica dos filósofos contratualistas. Estes, ao o governo de um só e os poderes do Estado se encontraremelaborarem a hipótese do homem em estado de natureza, divididos e exercidos por diversos órgãos.desenvolveram a concepção de que a sociedade é compostapor indivíduos isolados que se reúnem motivados por um A influência da filosofia hegelianapacto, a fim de formar artificialmente o Estado e garantir a Hegel exerceu grande influência no desenvolvimento doliberdade individual e a propriedade privada. Ao contrário pensamento político posterior, e seus seguidores dividiram dividiram-das teorias contratualistas, a concepção hegeliana nega a se em dois grupos opostos, denominados esquerd e direita esquerdaanterioridade dos indivíduos, pois é o Estado que hegeliana. Essa cisão foi provocada por uma querela defundamenta a sociedade. Não é o indivíduo que escolhe o origem religiosa incitada por David F. Strauss, teólogo eEstado, mas sim é por ele constituído. Ou seja, não existe oFilosofia 19
  • 20. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularautor de Vida de Jesus, na interpretação do pensamento de comunidade que o criou, só podendo ser compreendidoHegel. numa perspectiva histórica. Os da direita são os discípulos conservadores e mantêm Sob sua aparência liberal, essa teoria é bastantea filosofia idealista do mestre; na política, defendem o sofia reacionária, pois faz do direito a estrutura inconsciente deestado prussiano e, na religião, seguem o luteranismo. Os uma comunidade sacralizada por seu próprio passado.da esquerda transformam a filosofia idealista emmaterialista; na política, defendem a anarquia ou um 3. Convém distinguir entre historicismo filosófico eregime socialista e, na religião, são ateus o anticristãos. ou historicismo epistemológico ou met metodológico. O primeiroEntre estes estão Feuerbach e, posteriormente, Marx e faz da história o fundamento de uma concepção geral doEngels, os quais, ao realizarem a inversão do idealismo mundo ou, então, considera que todos os fenômenos sociaishegeliano, assentam as bases do materialismo dialético: "A e humanos só são inteligíveis mediante o recurso dadialética de Hegel foi colocada com a cabeça para cima ou, categoria "história" (freqüentemente fundada numadizendo melhor, ela que se tinha apoiado exclusivamente or, oposição radical entre natureza e história). O segundo tresobre sua cabeça, foi de novo reposta sobre seus pés. recusa toda e qualquer concepção do mundo, vendo na história apenas uma das condições de inteligibilidade do Outra divergência se encontra na concepção de Marx, real.para quem o Estado não representa a síntese que superariaos interesses contraditórios da sociedade civil, mas estaria a ivil, Aula 12 – Filosofia contemporânea – Karl Marxserviço da classe dominante. Marx, Karl (1818-1883) Filósofo alemão, nascido em 1883)Hegelianismo Trier de uma família judia convertida ao protestantismo. er Sua obra teve um grande impacto em sua época e na Nome genérico atribuído ao destino póstumo da formação do pensamento social e político contemporâneo.filosofia de Hegel, que formou um grande número de Estudou direito nas Universidades de Bonn e de Berlim,discípulos que logo se dividiram em dois grupos: os doutorando-se pela Universidade de Iena ( se (1841), com umahegelianos de direita e os hegelianos de esquerda. Assim, o e tese sobre a filosofia da natureza de Demócrito e deimpacto do sistema hegeliano sobre a filosofia foi inegável. Epicuro. Ligou-se aos "jovens hegelianos de esquerda", seEsse sistema, que se esforça por reunir o espírito e a escrevendo em jornais socialistas. Depois de um intensonatureza, o universal e o particular, o ideal e o real, foi período de militância política, marcado pela fundação datomado como referência, tanto por pensadores "liga" dos comunistas (1847) e pela redação, com Engels, sconservadores (de direita) quanto por revolucionários (de do Manifesto do Partido Comunista (1848), exilou-se naesquerda), tanto por crentes quanto por ateus. Os Inglaterra (1849), onde viveu até a sua morte,hegelianos de direita se tornaram os campeões do desenvolvendo suas pesquisas e escrevendo grande parte deliberalismo. Quanto aos hegelianos de esquerda, apoiando apoiando- sua obra na biblioteca do Museu Britânico, em Londres.se na teoria da religião e da sociedade, converteram em converteram-se Sua obra não se restringe ao campo da filosofia apenas,defensores ardorosos da transformação revolucionária da mas abrange ainda sobretudo os campos da história, dasociedade. Entre estes últimos, Feuerbach e Marx foram os ciência política e da economia. O pensamento de Marxmais ilustres. Lenin dizia: "Para se compreender Marx, é desenvolve-se a partir do contato com a obra dos sepreciso ter compreendido Hegel”. economistas ingleses como Adam Smith e David Ric Ricardo, e da ruptura com o pensamento hegeliano e com a tradiçãoHistoricismo idealista da filosofia alemã. E então que surge o *materialismo histórico, segundo o qual 1. Método filosófico que tenta explicar sistematicamentepela história, isto é, pelas circunstâncias da evolução das as relações sociais são determinadas pela satisfação dasidéias e dos costumes ou pelas transformações das necessidades da vida humana, não sendo apenas umaestruturas econômicas, todos os acontecimentos relevantes forma, dentre outras, da atividade humana, mas a condiçãodo direito, da moral, da religião e de todas as formas de fundamental de toda a história. Logo, a economia política,progresso da consciência. que estuda a natureza dessas relações de produção, deve ser 2. De modo especial, teoria segundo a qual o direito, a base de todo estudo sobre o homem sua vida social e sua expressão cultural. Grande parte das obras de Marx foram l.como produto de uma criação coletiva, evolui com a escritas em colaboração com Engels, sendo por vezesFilosofia 20
  • 21. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibulardifícil separar as idéias de um e as de outro. Apesar de ter a sociedade capitalista para construir o socialismo, aelaborado um grande número de obras teóricas nos mais sociedade sem classes, chegando ao fim do Estad "Os Estado.diversos campos da filosofia e das ciências socia Marx sociais, filósofos sempre se preocuparam em interpretar a realidade,nunca abandonou a militância política, nem a convicção de é preciso agora transformá-la." O marxismo se desenvolveu la."que a tarefa de uma filosofia, que se queira em várias correntes que podemos subdividir em políticas everdadeiramente crítica, deve ser a transformação da teóricas, embora nem sempre a fronteira entre ambas sejarealidade. Escreveu também um grande número de artigos muito nítida. Dentre as correntes políticas temos, p.ex., o ntrepara jornais, meio como ganhou a vida em Londres. c de a marxismo-leninismo, ou simplesmente leninismo, também leninismo,textos em que analisou os eventos históricos e políticos de chamado de marxismo ortodoxo, ou materialismo dialético,sua época como as comunas de Paris. Suas principais obras que se tornou a doutrina oficial na União Soviética, após asão: A crítica da filosofia do direito de Hegel (1843, revolução de 1917; o trotskismo, de Leon Trotski, quepublicada postumamente); A sagrada família (1845) em (1845),colaboração com Engels; A ideologia alemã (1845 (1845-1846), defendeu contra o leninismo a teoria da revoluçãoem colaboração com Engels, também publicada permanente: o maoísmo, doutrina desenvolvida por Maopostumamente; A miséria da filosofia: resposta à filosofia Tsé-tung, que chegou ao poder na China após a revolução tung,da miséria de Proudhon (1847); A luta de classes na de 1947. Dentre as correntes teóricas, podemos destacar osFrança (1850); 0 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852); seguintes pensadores e escolas: o alemão Karl Kautsky colas:Critica da economia política (1859); 0 capital, 3 vols. (1854-1938), um dos principais seguidores de Marx, 1938),(1867-1895), tendo Engels colaborado na edição desta defensor de um marxismo revolucionário, contraobra. tendências revisionistas como a de Eduard Bernstein; o húngaro Georg Lukács (1885 (1885-1971), que propõe umaMarxismo interpretação de Marx valorizando suas raízes hegelianas: o orizando alemão Karl Korsch (1889(1889-1961). que enfatiza a base Termo que designa tanto o pensa-mento de Karl Marx e mento filosófica da teoria social e política de Marx; o austro austro-de seu principal colaborador Friedrich Engels, como marxismo de, dentre outros, Max Adler (1873 (1873-1937), quetambém as diferentes correntes que se desenvolveram a incorpora elementos kantianos à sua interpretação de Marx Marx;partir do pensamento de Marx, levando a se distinguir, por o alemão Ernst Bloch (1885- -1977), que insere o marxismovezes, entre o marxismo (relativo a asses na tradição do idealismo alemão; o italiano Antoniodesenvolvimentos) e o pensamento marxiano (do próprio Gramsci (1891-1937), fundador do Partido Comunista 1937),Marx). A obra de Marx estende-se em múltiplas direções, se Italiano e que desenvolve uma filosofia da praxis; o francêsincluindo não só a filosofia, como a economia, a ciência ão Louispolítica, a história etc.; e sua imensa influência se encontraem todas essas áreas. O marxismo é, por vezes, também Althusser (19I 8-90), que faz uma leitura de Marx em uma zconhecido como materialismo histórico, materialismo perspectiva estruturalista; o marxismo de Sartre; odialético e socialismo científico (termo empregado por marxismo da escola de Frankfurt de Adorno. Horkheimer,Engels). O pensa-mento filosófico de Marx desenvolve a mento desenvolve-se Benjamin e posteriormente Marcuse e Habermas, que separtir de uma critica da filosofia hegeliana e da tradição volta para a análise da sociedade industrial, do capitalismoracionalista. Considera que essa tradição, por manter suas avançado e de sua produção cultural. Muitas dessas doanálises no plano das idéias, do espírito, da consciência correntes encontram-se inclusive em conflito, cada uma sehumana, não chegava a ser suficientemente crítica por não buscando ser mais fiel ao pensamento autêntico de Marx;atingir a verdadeira origem dessas idéias — a qual estaria porém umas enfatizam seu aspecto econômico e político,na base material da sociedade, am sua estrutura econômica outras a análise histórica, outras ainda o ca caráter filosófico:e nas relações de produção que esta mantém. Isto umas destacam a influência de Hegel, outras a doutrinaequivaleria, segundo Marx, a "co-locar o homem de Hegel revolucionária. Um dos aspectos mais polêmicos dade cabeça para baixo". Seria, portanto, necessário analisar o interpretação do pensamento de Marx diz respeito à suacapitalismo — modo de produção da sociedade atualidade, ou seja. à validade da análise marxista, voltadacontemporânea para Marx — a fim de revelar sua natureza para a realidade do surgimento do capitalismo no séc.XIX,de dominação e exploração do proletariado, e desmascará desmascará- cm sua aplicação agora à sociedade contemporânea com ola. O pensamento de Marx, entretanto, não se restringe a rx, capitalismo avançado, que possui características não não-unta análise teórica, mas busca formular os princípios de previstas pelo próprio Marx. isso faz com que várias dessasuma prática política voltada para a revolução que destruiria correntes se denominem "neomarxistas", na medid em que medidaFilosofia 21
  • 22. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularconstituem tentativas de desenvolvimento e adaptação do Segundo o marxismo, conf conflito existente na sociedadepensamento de Marx a essa nova realidade. capitalista entre a classe dominante, detentora do controle dos meios de produção, e a classe dominada — oA mais-valia proletariado — que vive de seu trabalho, a serviço dos Conceito fundamental utilizado por Marx para sublinhar interesses da classe dominante. Nas situaçõesa exploração imposta ao proletariado pelo proprietário dos revolucionárias, este conflito, geral e geral-mente latente, semeios de produção: a força de trabalho dos operários é o o: explicita gerando uma crise e urna revolta. "Nossa época, aúnico valor de uso capaz de multiplicar o valor. Ao vender época da burguesia, se distingue pelo fato de tersua força de trabalho ao empregador, em troca de um simplificado os antagonismos de classe. Toda a sociedadesalário, ela se torna um valor da troca como qualquer outra se divide, cada vez mais, em dois campos inimigos, emmercadoria: "o valor da força de trabalho é determinado duas grandes classes diretamente opostas urna à outra: apela quantidade de trabalho necessária à sua produção". burguesia e o proletariado" (K. Marx e F. Engels,Todavia, o empregador prolonga ao máximo a duração do Manifesto do partido comunista).trabalho do operário. Este sobretrabalho cria um Socialismosobreproduto, uma mais-valia que não é paga ao valiatrabalhador, que lhe é subtraída e marca a sua exploração. ca Termo que designa, sobretudo a partir do séc.XIX,Quando a mais-valia é aumentada pela introdução de valia diferentes doutrinas políticas tais como o socia socialismo demáquinas mais aperfeiçoadas, por um controle maior da Marx. de Saint-Simon, de Fourier, de Proudhon etc. Todas Simon,produção individual ou por uma aceleração do ritmo de essas doutrinas têm, entretanto, em comum, uma propostatrabalho, falamos de mais-valia relativa. E o único modo, valia de mudança da organização econômica e política dasegundo a teoria marxista, de se acabar com a mais arxista, mais-valia, é sociedade, visando o interesse geral, contra o interesse desubstituir a propriedade privada pela propriedade coletiva urna ou mais classes privilegiadas, com base nas idéias de vilegiadas,dos meios de produção. igualdade e justiça social. Distingue Distingue-se o socialismo democrático, que prega essas mudanças por via ,Materialismo dialético institucional, através de reformas defendidas c realizadas Termo utilizado inicialmente pelo filósofo marxista corno parte do processo democrático, do socialismorusso Plekhanov (1857-1918), sendo empregado posteri 1918), posterior- revolucionário, que defende a necessidade de mudanças ,mente por Lenin para caracterizar sua doutrina, que radicais através de um processo revolucionário deinterpreta o pensamento de Marx em ter ter-mos de um transformação da sociedade.socialismo proletário, enfatizando o método dialético em Comunismooposição ao materialismo mecanicista. Todo regime político (ou teoria política) fundado naMaterialismo histórico colocação cm comum dos bens ou que absorve osTermo utilizado na filosofia marxista para designar a ista indivíduos na coletividade. Na teoria marxista, o ividade.concepção materialista da história, segundo a qual os comunismo, sinônimo de marxismo marxismo-leninismo, tanto pode designar a doutrina revolucionária que visa à emancipaçãoprocessos de transformação social se dão através do do proletário pela apropriação coletiva elos meios deconflito entre os interesses das diferentes classes sociais:"Até o presente toda a história tem sido a história da luta produção quanto o regime políticopolítico-econômico de tipoentre as classes, as classes sociais em luta umas com as coletivista no qual a ditadura do proletariado se estabelece istaoutras são sempre o produto das relações de produção e pela destruição total da burguesia, pela abolição das classes sociais e pelo desenvolvimento das forças de produçãotroca, em uma palavra, das relações econômicas de suaépoca; e assim, a cada momento, a estrutura econômica da segundo a fórmula: a cada um segundo seu trabalho ou asociedade constitui o fundamento real pel qual devem-se pelo cada um segundo suas obras" ( (fase do socialismo); numaexplicar em última análise toda a superestrutura das segunda fase, a realização de uma sociedade da abundância deve levar à supressão total do Estado, segundo a fórmula:instituições jurídicas e políticas bem como as concepções "a cada um segundo suas necessidades". Esta é a fase doreligiosas, filosóficas e outras de todo período histórico"(Engels, Anti-Dühring). comunismo propriamente dito: "O proletariado se apodera do poder público e. em virtude desse poder, transforma os oLuta de classes meios de produção sociais, que escapam das mãos da burguesia, em propriedade pública. Por esse ato, ele liberaFilosofia 22
  • 23. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularos meios de produção de sua qualidade anterior de capital limites do humano"). À moral aristocrática, moral d dee dá ao seu caráter social segundo um plano determinado. undo senhores, que é sadia e voltada para os instintos da vida,Na medida em que desaparece a anarquia da produção Nietzsche contrapõe o pensamento socrático socrático-platônico (quesocial, a autoridade política do Estado também provoca a ruptura entre o trágico e o racional) e a tradiçãodesaparece" (Engels). da religião judaico-cristã. A moral que deriva daí é a moral cristã. de escravos, moral decadente porque baseada na tentativa ral Comunismo primitivo: expressão fazendo derivar de subjugação dos instintos pela razão, O homem homem-fera,logicamente toda sociedade de uma forma de organização animal de rapina, é transformado em animal doméstico ousócio-econômica fundada na ausência de propriedade cordeiro. A moral plebéia estabelece um sistema de juízosprivada. que considera o bem e o mal valores metafísico metafísicos transcendentes, isto é, independentes da situação concretaAula 13 – Nietzsche: a transvaloração dos valores vivida pelo homem. O pensamento de Nietzsche (1844-1900) se orienta no 1900)sentido de recuperar as forças A moral de escravos nega os valores vitais e resulta na passividade, na procura da paz e do repouso. O homem seinconscientes, vitais, instintivas subjugadas pela razão torna enfraquecido e diminuído em sua potência.durante séculos. Para tanto, critica Sócrates por terencaminhado pela primeira vez a reflexão moral em A alegria é transformada em ódio à vida, o ódio dosdireção ao controle racional das paixões. Segundo impotentes. A conduta humana,Nietzsche, nasce aí o homem desconfiado de se instintos, seus orientada pelo ideal ascético, torna torna-se marcada pelotendo essa tendência culminado com o cristianismo, que ressentimento e pela má consciência. O ressentimentoacelerou a "domesticação" do homem. Em diversas obras, nasce da fraqueza e é nocivo ao fraco. O homemcomo Sobre a genealogia da moral, Para além do bem e do ressentido, incapaz de esquecer, é como o dispéptico: ficamal e Crepúsculo dos ídolos, em estilo apaixonado e "envenenado" pela sua inveja e impotência de vingança. Aomordaz, Nietzsche faz a análise histórica da moral e contrário, o homem nobre sabe "digerir" suas experiências,denuncia a incompatibilidade entre esta e a vida. Em outras e esquecer é uma das condições de manter manter-se saudável. Apalavras, o homem, sob o domínio da moral, se enfraquece, má consciência ou sentimento de culpa é o ressentimento voltado contra si mesmo, daí fazendo nascer a noção detornando-se doentio e culpado. Nietzsche relembra a Grécia sehomérica, do tempo das epopéias e das tragédias, pecado, que inibe a ação. O ideal ascético nega a alegria daconsiderando-a como o momento em que predominam os a vida e coloca a mortificação como meio para alcançar averdadeiros valores aristocráticos, quando a virtude reside outra vida num mundo superior, do além. Assim, asna força e na potência, sendo atributo do guerreiro belo e o práticas de altruísmo destroem o amor de si, domesticando os instintos e produzindo gerações de fracos. "É por issobom, amado dos deuses. Nessa perspectiva, o inimigo não é que contra o enfraquecimento do homem, contra amau: "Em Homero, tanto o grego quanto o troiano sãobons. Não passa por mau aquele que nos inflige algum transformação de fortes em fracos - tema constante dadano, mas aquele que é desprezível". Ao fazer a crítica da reflexão nietzschiana - é necessário assumir uma perspectiva além de bem e mal, isto é, "além da moral".moral tradicional, Nietzsche preconiza a "transvaloração de ional, Mas, por outro lado, para além de bem e mal não significatodos os valores". Denuncia a falsa moral, "decadente", "derebanho", "de escravos", cujos valores seriam a bondade, a para além de bom e mau. A dimensão das forças, doshumildade, a piedade e o amor ao próximo. Contrapõe a ela instintos, da vontade de potência, permanece fundamental.a moral "de senhores", uma moral positiva que visa à l "O que é bom? Tudo que intensifica no homem o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria entoconservação da vida e dos seus instintos fundamentais. potência. O que é mau? Tudo que provém da fraqueza."A moral de senhores é positiva, porque baseada no sim àvida, e se configura sob o signo da plenitude, do acréscimo. (R. Machado, Nietzsche e a verdade, p. 77).Por isso se funda na capacidade de criação, de invenção, Moral (lat. moralis, de mor-, mos: costume) - definições ,cujo resultado é a alegria, conseqüência da afirmação dapotência. O homem que consegue superarsuperar-se é o Super- 1. Em um sentido amplo, sinônimo de ética como teoriahomem ( Uber,nensch, expressão alemã que significa dos valores que regem a ação ou conduta humana, tendo"além-do-homem", "sobre-humano", "que transpõe os humano", um caráter normativo ou prescritivo. Em um sentido maisFilosofia 23
  • 24. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularestrito, a moral diz respeito aos costumes, valores e normas Termo utilizado por Nietzsche, derivado do deusde conduta específicos de urna sociedade ou cultura, Dioniso, deus da embriaguez, da inspiração e doenquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto sidera entusiasmo, para designar a vontade de potência, cujode vista valorativo e normativo, em uni sentido mais enfraquecimento podemos encontrar na massa do rebanho:genérico e abstrato. ela é a pulsão fundamental da vida. Contra a m moral do pecado, precisamos querer viver, declara Nietzsche, pois é 2. Pode-se distinguir entre uma moral do bem, que visa se o "instinto" que representa o poder criador da vida. Aoestabelecer o que é o bem para o homem — a sua combater a transcendência, defende a idéia de que ofelicidade, realização, prazer etc., e como se pode atingi mo atingi-lo; homem deve ser ultrapassado num esforço de criaçãoe uma moral do dever, que representa a lei moral como um pessoal. Donde a necessidade d uma transmutação dos deimperativo categórico, necessária, objetiva e valores: o bem encontra-se na exaltação do sentimento de seuniversalmente válida: “0 dever é uma necessidade de se poder: o mal, em tudo que o contraria. Oposto a apolíneo.realizar uma ação por respeito à lei" (Kant). Aula 14 – Michel Foucault (1926 (1926-1984) - verdade e poder Segundo Kant, a moral é a esfera da razão prática queresponde à pergunta: "O que devemos fazer? A temática verdade e poder, desenvolvida por Foucault, tem seu desenvolvimento no cenário de plena ditadura emAforismo (gr. aphorismós: definição) militar. O panorama internacional de Guerra Fria (marcado Máxima que exprime de forma concisa um pensamento por profunda competição ideológica, política e econômica)filosófico, geralmente de caráter moral. Ex.: Os faz o filósofo interessar-se pela microfísica dos poderes em se jogo nas sociedades moderna modernas.pensamentos de Marco Aurélio, e os aforis aforismos deSchopenhauer, intitulados Parerga und paraliponiena O poder em Foucault não pode ser localizado numa(Acessórios e restos). O estilo aforismático é característico instituição ou no Estado, visão esta que permeava a épocade filósofos e pensadores tão diversos quanto, por ex., clássica. O poder não é considerado como algo que oNietzsche e Wittgenstein, e reflete, sobretudo, no indivíduo cede a um soberano; nem pode possuir umpensamento moderno e contemporâneo, uma concepção orâneo, caráter economicista nem contratual, is é, ser associado a istofilosófica mais questionadora, provocativa e sugestiva do um poder que pode ser possuído e, por conseqüência,que propriamente teórica e sistemática. transacionado e mantenedor de relações de produção e dominação de classes – visão marxista. Para Foucault,Amor deve-se tratá-lo como relação de forças, estando ele em lo Nietzsche retoma dos estóicos a expressão "amor fati", todas as partes, perpassa os sujeitos até as instituições e dasliteralmente "amor do destino" (implicando tuna idéia de instituições aos sujeitos. O poder confere significado àsfatalidade), para designar a alegria e o desejo do filósofo ara instituições, porém, estas só o exercem através dos sujeitospor aquilo que deve acontecer: o futuro. que são seus portadores. Não se pode localizar o poder nisto ou naquilo, pois Ele é ação. Foucault desejava comApolíneo/ apolinismo essa nova concepção de poder a busca da quebra da sua centralidade, além de mostrar que Ele não somente Termos criados por Nietzsche e derivados de Apolo, que reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber.ele opõe a Dioniso. Segundo Nietzsche, Apolo é o deus damedida e da harmonia, enquanto Dioniso é o deus da Foucault ao ir de encontro a essa centralização doembriaguez, da inspiração e do entusiasmo. Apolíneo, diz poder, encarnado na figura do Estado constitui, a partir de aNietzsche, significa "contemplativo, que é fonte de críticas, ofensivas dispersas e descontínuas, utilizando utilizando-seharmonia e beleza", enquanto dionisíaco significa "de da reafirmação de saberes históricos desqualificados eexaltação trágica e patética da vida". A palavra apolinismo esquecidos. A constituição de um discurso legitimador dosdesigna a contemplação extasiada de um inundo de templação micropoderes formula um novo estatuto epiepistemológico deimaginação e de sonho, do mundo da bela aparência que conhecimento e entendimento da sociedade. Com seusnos liberta do devir; por sua vez, o dionisismo concebe estudos sobre as prisões, o manicômio, etc.; verifica queativamente o devir, sente-o objetivamente como a "volúpia o existe um conjunto de saberes históricos esquecidos ecuriosa do criador" (Nietzsche). reputados como desqualificados por apontarem as falhas do projeto de sociedade legitimada pelo discurso científico.DionisíacoFilosofia 24
  • 25. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular Esse retorno ao saber, não cientificista, permitiu a usa dos valores morais e das categorias filosóficas quecrítica ganhar força; pois encontrou resultados positivos ao mascaram esses valores a serviço de interesses particula particulares.se pautar em modelos desprivilegiados de saber. Demonstra O empreendimento genealógico supõe que valores oua possibilidade de se conhecer a sociedade descartando o edade verdades não devam ser considerados em si mesmos, poisdiscurso científico e se amparando pela visualização do só possuem sentido quando ligados à sua origem. Essapoder nos micros sujeitos históricos. origem é derivada. A "genealogia da moral", indo "para além do bem e do mal", utiliza um méto de interpretação método Como exemplo do que foi proposto no parágrafo da hierarquia dos valores, mas invertendo invertendo-os: são os fracosanterior, Foucault, em sua dissertação sobre a loucura, e os escravos que dão um sentido aos valores morais. Osconclui que constituição da psiquiatria como ciência deve tria deve- atuais valores mascaram sua decadência e sua ausência dese antes ao acúmulo de saber adquirido através das querer-viver. O ressentimento e a denegação constituem a viver.instituições, do que a uma evolução do saber médico sobre base da positividade dos valores. Michel Foucault retoma o aa loucura. método genealógico inaugurado por Nietzsche, mas para Outra forma de se constituir saberes é através de um investigar os processos de formação dos discursos, suapoder específico, que para Foucault será o poder formação ao mesmo tempo dispersa, descontínua e regular.disciplinar. Se afastando do poder repressor do antigo plinar. A genealogia passa a ser uma arqueolo arqueologia dos conjuntosregime, em que a punição era transformada num espetáculo conceituais, que ele considera como um tipo novo dede pura crueldade, o poder na modernidade projeta luz a epistemologia histórica, englobando tanto a filosofia, aessa “escuridão”. A disciplina possibilita o controle, o literatura e as artes quanto os métodos científicos. Esseregistro e o acúmulo de saber sobre os indivíduos vigiados, estudo se distingue da genealogia pelo fato de não procurartornado-os dóceis e úteis à sociedade. Faz crescer e os as origens e as continuidades históricas, mas de detectar, para uma fase dada, as mais fortes estruturas: as formaçõesaumentar tudo, sobretudo a produtividade, não só âmbitoeconômico mas também na produção de saber e de aptidões culturais deixam de ser consideradas documentos" e senas escolas, de saúde nos hospitais e de força no convertem em "monumentos".exército.Para Foucault a disciplina tem então a função de cault Aula 15 – Sartre (1905-1980) e o existencialismo 1980)intensificar efeitos do poder e ampliar a docilidade e autilidade dos indivíduos. “Ser livre não é ter o poder de fazer não importa o quê, é poder ultrapassar o dado para um A idéia de poder em Foucault é a de demonstrar quesuas relações não se passam fundamentalmente nem ao futuro aberto”nível do direito, nem da violência; nem são basicamente acontratuais, nem unicamente repressivas. O poder (Simone de Beauvoir)disciplinar introduz uma concepção positiva de poder. “O importante não é o que fazem do homem, mas o que eleEpisteme faz do que fizeram dele”. O termo grego episteme, que significa ciência, por (Sartre)oposição a doxa (opinião) e a techné (arte, habilidade), foi Principal representante do chamado existenciali existencialismoreintroduzido na linguagem filosófica por Michel Foucault francês, Sartre foi um dos pensadores mais famosos destecom um sentido novo, para designar o "espaço" século, destacando-se não só como filósofo, mas como sehistoricamente situado onde se reparte o conjunto dos romancista, autor de peças teatrais de grande sucesso eenunciados que se referem a territórios empíricos militante político. Nasceu em Paris, onde estudou na Escolaconstituindo o objeto de um conhecimento positivo (não e (não- Normal Superior. Após um p período de estudos decientífico). Fazer a arqueologia dessa episteme é descobrir fenomenologia c da obra de Heidegger na Alemanha, foias regras de organização mantidas por tais enunciados. professor de liceu em várias cidades do interior da França,Genealogia (gr. genealogia) militou na resistência francesa, tendo sido preso pelos alemães, e em 1945 fundou a influente revista Les temps Em seu sentido corrente, designa o estudo e a definição modernes, passando a dedicar à atividade literária. Sartre dedicar-seda filiação de certas idéias. O conceito de genealogia s foi um dos poucos filósofos importantes de nossa época aaparece na filosofia com a obra de Nietzsche (Genealogia não pertencer ao mundo acadêmico. Inicialmente marcadoda moral) como uma forma crítica que questiona a origem pela fenomenologia de Husserl, à qual dedicou algumasFilosofia 25
  • 26. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularobras, como L imagination (A imagina imaginação, 1936), 1939), coletânea de contos, e Les chemins de la liberté (OsEsquisse dune théorie des émotions (Esboço de uma teoria caminhos da liberdade, 1944 1944-1949), em 3 volumes; e nasdas emoções, 1939) e Limaginaire (O imaginário, 1940), peças teatrais, algumas de grande sucesso, como LesSartre desenvolveu em seguida sua filosofia da existência, mouches (As moscas), em que revive a tragédia clássica dea partir de uma análise da condição humana, do homem Orestes, e Huis clos (Entre quatro paredes).como "um ser em que a existência precede a essência". ePara Sartre, cujo pensamento é ateísta, a descoberta do Existencialismo (fr. existentialisme) istencialismoabsurdo da vida pelo homem que toma consciência de sua Filosofia contemporânea segundo a qual, no homem, acondição de ser finito, marcado pela morte, deve levar à existência, que se identifica com sua liberdade, precede abusca de uma justificativa, de um sentido para a exi existência essência: por isso, desde nosso nascimento, somos lançadoshumana. O existencialismo é assim um humanismo. A e abandonados no mundo, sem apoio e sem refe referência aconsciência é, portanto, o elemento central dessa busca de , valores; somos nós que devemos criar nossos valoressentido, e é essa consciência que revela a existência do através de nossa própria liberdade e sob nossa própriaoutro, sem o qual ela não pode existir, já que a consciência responsabilidade. Quando Sartre diz que a existênciasó existe através daquilo de que é consciência. Sua uilo precede a essência, quer mostrar que a liberdade é aprincipal obra desse período é Lêtre et le néant (O ser e o essência do homem: "A liberdade do para-si aparece comonada, 1943), que contém o núcleo da filosofia do seu ser." Assim, a filosofia existencialista é centrada sobreexistencialismo. Sartre defende a liberdade como uma das a existência e sobre o homem. Ela privilegia a oposiçãocaracterísticas mais fundamentais da existência humana. entre a existência e a essência. Quanto ao homem, ele eSegundo ele, paradoxalmente, "o homem está condenado a gundo aquilo que cada um faz de sua vida, nos limites dasser livre", e precisa assumir essa liberdade vivendo determinações físicas, psicológicas ou sociais que pesam açõesautenticamente seu projeto de vida — seu engajamento — sobre ele. Mas não existe uma natureza humana da qualrecusando os papéis sociais que lhe são impostos pelas nossa existência seria um simples desenvolvimento. Onormas convencionais da sociedade. E ass assim que "nós cerne do existencialismo é a liberdade, pois cada indivíduosomos aquilo que fazemos do que fazem de nós". A partir é definido por aquilo que ele faz. Daí o interesse ciosda década de 60, Sartre aproximou-se da filosofia marxista, se existencialistas pela política: somos responsáveis por nóspassando a considerar o marxismo como "a filosofia mesmos e por aquilo que nos cerca, notadamente, ainsuperável de nosso tempo", sobretudo como pensamento sociedade: aquilo que nos cerca é nossa obra. Como orevolucionário comprometido com a transformação da etido pensamento filosófico (abstrato e generalizante) nãosociedade. Questionou, porém, o materialismo e o apreende a existência individual, na qual a angústia tem um ividual,determinismo marxistas, continuando a defender o papel papel preponderante, o existencialismo abre abre-se para acentral do homem no pensamento filosófico. Sua obra literatura e para o teatro, fazendo a filosofia despontar emCritique de La raison dialectique (Crítica da razão romances e peças teatrais.dialética, 1960) inaugura a aproximação entre auguraexistencialismo e marxismo. Posteriormente, Sartre O existencialismo é uma moral da ação, porqueretomou os temas mais centrais de seu existencialismo considera que a única coisa que define o homem é o seuinicial, em sua monumental biografia do romancista francês ato. Ato livre por excelência, mesmo que o homem sempreFlaubert, Lidiot de la famille (O idiota da família, 1972), esteja situado em determinado tempo ou lugar. Nãorecorrendo à psicanálise para interpretar, através da rrendo importa o que as circunstâncias fazem do homem, "mas oconsideração de um caso concreto, o sentido da existência que ele faz do que fizeram dele". Vários problemas surgemhumana e de um projeto de vida. Dentre suas obras mais no pensamento sartriano, desencadeados pela consciência ntoimportantes destacam-se, além capaz de criar valores e, ao mesmo tempo, se responsabilizar por toda a humanidade, o que parece gerardas já citadas: Lexistentialisme est un humanisme (O uma contradição indissolúvel. Sartre se coloca nos limitesexistencialismo é um humanismo, 1946), Baudelaire alismo da ambigüidade, pois, se a moral é impossível po porque o(1947), a autobiografia Les mots (As palavras, 1963) e uma rigor de um princípio leva à sua destruição, a realização dodezena de volumes intitulados Situations (Situações, 1947 1947- homem,1976) reunindo artigos e ensaios sobre temas diversos.Alguns consideram que a expressão mais significativa do da sua liberdade, exige o comportamento moral. Sartreexistencialismo sartriano está em sua obra literária: nos sempre prometeu escrever um livro sobre moral, mas nãoromances La nausée (A náusea, 1937), Le mur (O muro, realizou seu projeto. Uma tentativa nesse sentido foi levadaFilosofia 26
  • 27. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibulara efeito por Simone de Beauvoir no livro Moral da r pensamento de Heidegger e o existencialismo de Sartre, eambigüidade. dando origem a importantes desdobramentos na obra de autores como Merleau-Ponty e Ricouer. PontyEssencialismo Morte (lat. mors) Doutrina filosófica que confere, contrariamente aoexistencialismo, o primado à essência sobre a existência, 1. Em seu sentido filosófico, a morte sempre foichegando mesmo, em suas reflexões, a fazer total abstração entendida como o desaparecimento ou cessação dados existentes concretos. Trata-se de uma filosofia do ser se existência humana, mas levando a se pensar o senti da sentidoideal, que prescinde dos seres reais. A filosofia de Hegel vida. Para Platão. "filosofar é aprender a morrer"; e apode ser considerada essencialista. imortalidade da alma é "um belo risco a ser corrido". Na filosofia existencial de Heidegger, a morte é o sinal da Na filosofia contemporânea, a essência não define nem finitude e da individualidade humana que o homem precisarevela a natureza do homem. Porque o homem, ao vir a ser, assumir para escapar da alienação de si e da banalidade do anão possui essência, apenas uma condição, uma situação: o cotidiano: "A morte se desvela como a possibilidade"a essência do ser-aí (Dasein) consiste apenas em sua aí absolutamente própria, incondicional e intransponível".existência" (Heidegger); é o homem mesmo quem produz Contudo, "a limitação de nossa existência peia morte eaquilo que ele é, por sua liberdade: ele é projeto, isto é, sempre decisiva para nossa compreensão e nossaaquilo que ele é capaz de fazer de si mesmo; nele, "a apreciação da vida". Assim, "este fim que designamos pela oexistência precede a essência" (Sartre). morte não significa, para a realidade humana (Dessein), um “ser-terminado”, mas um ser para o fim, que é o ser desse terminado”,Fenomenologia - definições existente. 1. Termo criado no séc. XVIII pelo filósofo J.H.Lambert (1728-1777), designando o estudo puramente 1777), Conceitos: "Temer a morte. atenienses. não é outra coisa senão acreditar-se sábio, sem sê se sê-lo, pois é crer quedescritivo do fenômeno tal qual este se apresenta à nossaexperiência. sabemos o que não sabemos" (Platão). "A crença na necessidade interna da morte não passa de uma das 2. Hegel emprega o termo em sua Fenomenologia do numerosas ilusões que criamos para nos tornar suportávelespírito (1807) para designar o que denomina de ciência o fardo da existência... no fundo, ninguém acredita em suada experiência da consciência , ou seja, o exame do , própria morte ou. o que dá no mesmo, em seu inconsciente priaprocesso dialético de constituição da consciência desde seu cada um está persuadido de sua própria imortalidade”nível mais básico, o sensível, até as formas mais elaboradas ível, (Freud). "A morte não é um acontecimento da vida. Ada consciência de si, que levariam finalmente à apreensão morte não pode ser vivida" (Wittgenstein).do absoluto. Liberdade (lat. libertas) 3.Corrente filosófica, fundada por Husserl, visandoestabelecer um método da fundamentação da ciência e de Condição daquele que é livre. Capacidade de agir por si mesmo. Autodeterminação. Independência. Autonomia.constituição da filosofia como ciência rigorosa. O projeto afenomenológico se define como uma "volta às coisas Em um sentido político, a liberdade civil ou individual émesmas, isto é, aos fenômenos, aquilo que aparece á o exercício, por um indivíduo, de sua cidadania dentro dosconsciência, que se dá como seu objeto intencional. O limites da lei e respeitando os direitos dos outro "A outros.conceito de intencionalidade ocupa um lugar central na liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dofenomenologia, definindo a própria consciência como indo outro" (Spencer).intencional, como voltada para o mundo: "toda consciênciae consciência de alguma coisa" (Husserl). Dessa forma, a Em um sentido ético, trata do direito de escolha pelo trata-sefenomenologia pretende ao mesmo tempo combater o indivíduo de seu modo de agir, independentemente deempirismo e o psicologismo e superar a oposição qualquer determinação externa. "A liberdade consistetradicional entre realismo e idealismo. unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou te enviar o que o entendimento nos prescreve, agimos de A fenomenologia pode ser considerada unha das modo a sentir que, em nenhum momento, qualquer forçaprincipais correntes filosóficas deste século, sobretudo na exterior nos constrange" (Descartes).Alemanha e na França, tendo influenciado fortemente oFilosofia 27
  • 28. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular É discutível, do ponto de vista filosófico, se o homem expressões como: estética renascentista, estética realista,teria realmente a liberdade em um sentido absoluto, dados almente estética socialista etc. Nesses casos, a palavra estética,os condicionamentos biológicos, psicológicos e sociais que usada como substantivo, designa um conjunto deo limitam, Kant considera que a liberdade é a ação em características formais que a arte assume em determinado sconformidade com a lei moral que nos outorgamos a nós período e que poderia, também, ser chamado de estilo.mesmos. A liberdade implica assim a res responsabilidade doindivíduo por seus próprios atos. Resta, ainda, outro significado, mais específico, usado no campo da filosofia. Sob o Sartre, em sua perspectiva existencialista, crê que ohomem é livre, "porque somos aquilo que fazemos do que nome estética enquadramos um ramo da filosofia quefazem de nós". Haveria sempre a possibilidade de escolha a estuda racionalmente o belo e o sentimento que suscita nos tepartir da condição em que nos encontramos, porque o ncontramos, homens. Assim, tradicionalmente, mesmo em filosofia, ahomem nunca é um ser acabado, predeterminado. Ainda estética aparece ligada à noção de beleza. E é exatamentesegundo Sartre, "não há diferença entre o ser do homem e por causa dessa ligação que a arte vai ocupar um lugarseu ser livre". privilegiado na reflexão estética, pois, durant muito durante tempo, ela foi considerada como tendo por funçãoAngústia (lat. angustia: estreiteza, aperto, restrição) primordial exprimir a beleza de modo sensível. Em Kierkegaard, estado de inquietude do existen existente Etimologicamente, a palavra estética vem do gregohumano provocado pelo pressentimento do pecado e aisthesis, com o significado de ,vinculado ao sentimento de sua liberdade. Em Heidegger,insegurança do existente diante do nada: o sentimento de "faculdade de sentir", "compreensão pelos sentidos", compreensãonossa situação original nos mostra que fomos lançados no "percepção totalizante".mundo para nele morrer. Em Sartre, consciência da A ligação da estética com a arte é ainda mais estreita seresponsabilidade universal engajada por cada um de nossos considera que o objeto artístico é aquele que se oferece aoatos: "A angústia se distingue do medo, porque o medo é sentimento e à percepção. Por isso podemos compreendermedo dos seres do mundo, enquanto a angústia é que, enquanto disciplina filosófica, a estética tenha tambémangústia diante de mim". se voltado para as teorias da criação e percepção artísticas. oltadoAula 16 – Estética (Dicionnaire de la philosophie, Paris, Larousse, 1982, p. 91).“A arte é uma série de objetos que provocam emoçõespoética”. O belo e o feio: a questão do gosto(Le Corbusier) O que é a beleza? Será possível defini objetivamente defini-la ou será uma noção eminentemente subje subjetiva, isto é, queConceituação: no uso vulgar, em artes, em filosofia depende de cada um? Fazendo um levantamento do uso comum da palavra De Platão ao classicismo, os filósofos tentaramestética encontramos: Instituto de Estética e Cosmetologia, fundamentar a objetividade da arte e da beleza. Para Platão,estética corporal, estética facial etc. Essas exp expressões dizem a beleza é a única idéia que resplandece no mundo. Se, porrespeito à beleza física e abrangem desde um bom corte de um lado, ele reconhece o caráter sensível do belo, por outrocabelo e maquilagem bem feita a cuidados mais intensos continua a afirmar a sua essência ideal, objetiva. Somos,como ginástica, tratamentos à base de cremes, massagens, assim, obrigados a admitir a existência do "belo em si"chegando, às vezes, à cirurgia plástica. Encontramos ainda independente das obras individuais que, na medida doexpressões como: senso estético, arranjo de flores estético mo: possível, devem se aproximar desse ideal universal.ou decoração estética. Nelas também está presente arelação com a beleza ou, pelo menos, com o agradável; mas O classicismo vai ainda mais longe, pois deduz regras iaqui a palavra estética é usada como adjetivo, isto é, como para o fazer artístico a partir desse belo ideal, fundando aqualidade. estética normativa. É o objeto que passa a ter qualidades que o tornam mais ou menos agradável, independente do Se continuarmos a procurar, saindo agora do uso rar, sujeito que as percebe. Do outro lado da polê polêmica, temoscomum e entrando no campo das artes, encontraremos os filósofos empiristas, como David Hume, que relativizamFilosofia 28
  • 29. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibulara beleza ao gosto de cada um. Aquilo que depende do gosto ser avaliada de acordo com a a autenticidade da sua propostae da opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente, e com sua capacidade de falar ao sentimento. O problemadonde o ditado: "Gosto não se discute". O belo, portanto, do belo e do feio é deslocado do assunto para o modo denão está mais no objeto, mas nas condições de recepção do is representação. E só haverá obras feias na medida em quesujeito. forem mal feitas, isto é, que não corresponderem plenamente à sua proposta. Em outras palavras, quando Kant, numa tentativa de superação dessa dualidade houver uma obra feia - neste último sentido -, não haveráobjetividade-subjetividade, afirma que o belo é "aquilo que subjetividade, uma obra de arte. Antes de seguirmos adiante, queremosagrada universalmente, ainda que não se possa justificá justificá-lo lembrar que o próprio conceito de gosto não deve serintelectualmente". Para ele, o objeto belo é uma ocasião de e, encarado como uma preferência arbitrária e imp imperiosa daprazer, cuja causa reside no sujeito. O princípio do juízo nossa subjetividade.estético, portanto, é o sentimento do sujeito e não oconceito do objeto. No entanto, há a possibilidade de A subjetividade assim entendida refere mais a si mesma refere-seuniversalização desse juízo subjetivo porque as condiçõ condições do que ao mundo dentro do qual ela se forma, e esse tipo desubjetivas da faculdade de julgar são as mesmas em todos julgamento estético decide o que nós preferimos em virtudeos homens. Belo, portanto, é uma qualidade que atribuímos do que somos. Nós passamos a ser a medida absolu de absolutaaos objetos para exprimir um certo estado da nossa tudo, e essa atitude só pode levar ao dogmatismo e aosubjetividade. Sendo assim, não há uma idéia de belo nem preconceito. A subjetividade em relação ao objeto estéticopode haver regras para produzi-lo. Há objetos belos, lo. precisa estar mais interessada em conhecer, entregando entregando-semodelos exemplares e inimitáveis. às particularidades de cada objeto, do que em preferir. Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento o Hegel, em seguida, introduz o conceito de história. A sem preconceitos. É a própria presença da obra de arte quebeleza muda de face e de aspecto através dos tempos. Essa forma o gosto: torna-nos disponíveis, reprime as nosmudança (devir), que se reflete na arte, depende mais da particularidades da subjetividade, converte o particular emcultura e da visão de mundo vigentes do que de uma do universal. A obra de arte "convida a subjetividade a seexigência interna do belo. constituir como olhar puro, livre abertura para o objeto, e o conteúdo particular a se pôr a serviço da compreensão Hoje em dia, de uma perspectiva fenomenológica,consideramos o belo como uma qualidade de certos objetos em lugar de ofuscá-la fazendo prevalecer as suas lasingulares que nos são dados à percepção. Beleza é, inclinações. À medida que o sujeito exerce a aptidão de setambém, a imanência total de um sentido ao sensível. O abrir, desenvolve a aptidão de compreender, de penetrar no mundo aberto pela obra. Gosto é, finalmente,objeto é belo porque realiza o seu destino, é autêntico, é ino,verdadeiramente segundo o seu modo de ser, isto é, é um comunicação com a obra para além de todo saber e deobjeto singular, sensível, que carrega um significado que só toda técnica, O poder de fazer justiça ao objeto estético é apode ser percebido na experiência estética. Não existe mais via da universalidade do julgamento do gosto”.a idéia de um único valor estético a partir do qual julgamo julgamos Aula 17 – Conceitos importantes portantestodas as obras. Cada objeto singular estabelece seu própriotipo de beleza. Arte (lat. ars: talento, saber fazer) - definições O problema do feio está implícito nas colocações que 1. Como sinônimo de técnica, conjunto desão feitas sobre o belo. Por princípio, o feio não pode ser procedimentos visando a um certo resultado prático. Nesseobjeto da arte. No entanto, podemos distinguir, de sentido, fala-se de artesão. Opõe se Opõe-se á ciência,imediato, dois modos de representação do feio: a conhecimento independente das aplicações p práticas, e àrepresentação do assunto "feio" e a forma de representação natureza concebida como princípio in in-terno: "A natureza éfeia. No primeiro caso, embora o assunto "feio” tenha sido princípio da coisa mesma; a arte é princípio em outrabanido do território artístico durante séculos (pelo menos coisa." (Aristóteles)desde a Antiguidade grega até a época medieval), no século edieval),XIX ele vem a ser reabilitado. 2. Atividade cultural que, tanto no domínio religioso quanto no profano, produz coisas re re-conhecidas como belas No momento em que a arte rompe com a idéia de ser por um grupo ou por urna sociedade. A arte recorre sempre"cópia do real" para ser considerada criação autônoma que a uma técnica. Seu fim é o de elaborar uma certatem por função revelar as possibilidades do real, ela passa a estruturação do mundo, mas criando o belo.Filosofia 29
  • 30. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular 3. Artes liberais: conjunto das "artes" que, na Idade "exame de valor". Do uso kantiano da palavra "critica",Média, compunham o curso completo dos estudos nas deriva o termo criticismo" que designa a filosofia de Kant.universidades, conduzindo ao domínio das artes ecompreendendo o trivium (gramática, retórica, dialética ou Cultura (lat. cultura) - definiçõeslógica) e o quadrivium (aritmética, música, geometria e 1. Conceito que serve para designar tanto a formação doastronomia). espírito humano quanto de toda a personalidade do homem: 4. Hegel define a arte como "o meio entre a insuficiente gosto, sensibilidade, inteligência.existência objetiva e a representação puramente interior: ela ência 2. Tesouro coletivo de saberes possuído pelanos fornece os objetos mesmos, mas tirados do interior... humanidade ou por certas civilizações: a cultura helênica, alimita nosso interesse à abstrata aparência que se apresenta cultura ocidental etc.a um olhar puramente contemplativo". 3. Em oposição a natura (natureza), a cultura possui um içãoConhecer (lat: cognoscere) duplo sentido antropológico: a) é o conjunto das Apreender direta-mente algo: "Conhecer designa um mente representações e dos comportamentos adquiridos pelogênero cujas espécies são constatar, compreender, perceber, homem enquanto ser social. Em outras palavras, é oconceber etc." (A. Lalande). conjunto histórica e geograficamente definido das instituições características de determinada sociedade, çõesConhecimento (do lat. cognoscere: procurar saber, designando "não somente as tradições artísticas, científicas,conhecer) - definições religiosas e filosóficas de uma sociedade, mas também suas técnicas próprias, seus costumes políticos e os mil usos que 1. Função ou ato da vida psíquica que tem por ef efeito caracterizam a vida cotidiana" ( na" (Margaret Mead); b) é otornar um objeto presente aos sentidos ou à inteligência. processo dinâmico de socialização pelo qual todos esses fatos de cultura se comunicam e se impõem em 2. Apropriação intelectual de determinado campoempírico ou ideal de dados, tendo em vista dominá dominá-los e determinada sociedade, seja pelos processos educacionaisutilizá-los. O termo "conhecimento" designa tanto a coisa los. propriamente ditos, seja pela difusão das informações emconhecida quanto o ato de conhecer (subjetivo) e o fato de grande escala, a todas as estruturas sociais, mediante os , meios de comunicação de massa. Nesse sentido, a culturaconhecer. praticamente se identifica com o modo de vida de uma 3. A teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica população determinada, vale dizer, com todo o conjunto deque visa estudar os problemas levantados pela relação entre regras e comportamentos pelos quais as insti instituiçõeso sujeito cognoscente e o objeto conhecido. adquirem um significado para os agentes sociais e através dos quais se encarnam em condutas mais ou menosCrítica (gr. kritiké: arte de julgar) codificadas. 1. Juízo apreciativo, seja do ponto de vista estético (obra 4. Num sentido mais filosófico, a cultura pode serde arte), seja do ponto de vista lógico (raciocínio), seja do considerada como um feixe de representações, de símbolos,ponto de vista intelectual (filosófico ou científico), seja do de imaginário, de atitudes e referências suscetível deponto de vista de uma concepção, de uma teoria, de uma irrigar, de modo bastante desigual, mas globalmente, oexperiência ou de uma conduta. corpo social. 2. Atitude de espírito que não admite nenhuma 5. Cultura de massa é uma expressão, de uso ambíguo,afirmação sem reconhecer sua legitimidade racional. Difere freqüentemente utilizada para designar a possibilidade dedo espírito crítico, ou seja, da atitude de espírito negativa , uma população ter acesso aos be bens e obras culturaisque procura denegrir sistematicamente as opiniões ou as produzidos no passado e no presente, seja o processo deações das outras pessoas. degradação. 3. Na filosofia, a crítica possui o sentido de análise. Democracia (do gr. demos: povo e kratos: poder) -Assim, a filosofia crítica designa o pensamento de Kant e definiçõesde seus sucessores. Suas três obras principais se intitulam:Crítica da razão pura, Crítica da razão prática e Crítica 1. Regime político no qual a soberania é exercida pelodo juízo. Nessas obras, a palavra "crítica" tem o sentido de . povo, pertence ao conjunto dos cidadãos, que eexercem oFilosofia 30
  • 31. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularsufrágio universal. "Quando, na república. o povo detém o 4. Para os empiristas Hobbes e Locke, o Estado é osoberano poder, temos a democracia" (Montesquieu). resultado de um pacto entre os cidadãos para evitar aSegundo Rousseau, a democracia, que realiza a união da autodestruição através da guerra de todos contra todos.moral e da política, é um estado de direito que exprime avontade geral dos cidadãos, que se afirmam como s, Na concepção marxista, o Estad nada mais é do que a , Estadolegisladores e sujeitos das leis. forma de organização que a burguesia se dá no sentido de garantir seus interesses e de manter seu poder ideológico 2. Democracia direta é aquela em que o poder é sobre os homens: "Através da emancipação da propriedadeexercido pelo povo, sem intermediário; democracia privada da comunidade, o Estado adquiriu uma existênciaparlamentar ou representativa é aquela na qual o povo particular, do lado de fora da sociedade civil; mas ele não ular,delega seus poderes a um parlamento eleito; democracia é senão a forma de organização que necessariamente osautoritária é aquela na qual o povo delega a um único burgueses se deram ... com objetivo de garantirindivíduo, por determinado tempo, ou vitaliciamente, o reciprocamente a sua propriedade e seus interesses"conjunto dos poderes. (Marx- 3. Geralmente, as democracias ocidentais constituem Engels). Este Estado-nação se define pela fusão entre o naçãoregimes políticos que, pela separação dos poderes Estado tal como ele se constitui na Europa do séculolegislativo, executivo e judiciário, visam garantir e XVIII, como soberania e administração dos homens e doprofessar os direitos fundamentais da pessoa humana, território que eles ocupam — e uma sociedade civil de tiposobretudo os que se referem à liberdade política dos novo, caracterizada pela propriedade privada burguesa,cidadãos. tendo por fim a rentabilidade, o lucro e o crescimento das abilidade, riquezas.Estado (lat. status, de stare: ficar em pé) Ética (gr. ethike, de ethikós: que diz respeito aos A idéia de "estado" implica as idéias de passividade e de costumes)imobilismo, sendo oposta à Parte da filosofia prática que tem por objetivo elaborarde ação e (:i de movimento. Na física, o estado de um uma reflexão sobre os problemas fundamentais da moralcorpo significa esse corpo em determinado momento. Mas (finalidade e sentido da vida humana, os fundamentos da ao termo "estado" pode ser tomado em vários sentidos: obrigação e do dever, natureza do bem e do mal, o valor da 1. Estado de consciência: é um fato psíquico consciência moral etc.), mas fundada num estudo(sentimento, emoção) consciente. metafísico do conjunto das regras de conduta consideradas como universalmente válidas, Diferentemente da moral, a 2. Estado de natureza: situação, imaginada por certos a: ética está mais preocupada em detectar os princípios de stáfilósofos (Hobbes e Rousseau), na qual seriam encontrados uma vida conforme à sabedoria filosófica, em elaborar umaos homens antes de se organizarem em sociedade — reflexão sobre as razões de se desejar a justiça e a harmoniareconstituição hipotética, sem validade histórica. e sobre os meios de alcançá alcançá-las. A moral está mais preocupada na construção de um conju conjunto de prescrições 3. O Estado: conjunto organizado das instituições destinadas a assegurar uma vida em comum justa epolíticas, jurídicas, policiais, administrativas, econômicas , harmoniosa.etc., sob um governo autônomo e ocupando um territóriopróprio e independente. E diferente de governar (conjunto Linguagem (do lat. lingua)das pessoas às quais a sociedade civil delega, direta ouindiretamente, o poder de dirigir o Estado); diferente ainda 1. Em um sentido genérico, pode definir a linguagem pode-seda sociedade civil (conjunto dos homens ou cidadãos como um sistema de signos convencionais que pretende representar a realidade e que é usa usado na comunicaçãovivendo numa certa sociedade e sob leis comuns); diferente humana. Distinguem-se, em algumas teorias, a língua se,também da nação (conjunto dos homens que possuem umpassado e um futuro comuns, entre outras nações), o Estado empírica, concreta (por ex., o português, o inglês etc.) daconstitui a emanação da sociedade civil e representa a ui linguagem como estrutura lógica, formal e abstrata,nação. subjacente a todas as línguas. Teorias como a de Chomsky, por exemplo, buscam nesse sentido a determinação de cam universais lingüísticos que constituiriam precisamente essaFilosofia 31
  • 32. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularestrutura. Algumas teorias valorizam mais o aspecto que se define pela existência de um contrato social entre oscomunicacional da linguagem, considerando que isso indivíduos que dela fazem parte, e a comunidade quedefine sua natureza; outras definem a linguagem como um possui um caráter mais natural e espontâneo.sistema de signos cujo propósito é a referência ao real - a istemarepresentação da realidade. Trabalho (lat. vulgar tripalium: instrumento de tortura de três paus) 2. A linguagem torna-se um conceito filosoficamente seimportante, sobretudo, na medida em que, a partir do 1. Em um sentido genérico, atividade através da qual o ntidopensamento moderno, passa-se a considerá se considerá-la como homem modifica o mundo, a natureza, de forma conscienteelemento estruturador da relação do homem com o real. A struturador e voluntária, para satisfazer suas necessidades básicaspartir daí afirma-se mesmo a natureza intrinsecamente se (alimentação, habitação, vestimenta etc.). E através dolingüística do pensamento, discussão essa que permanece trabalho que o homem "põe em movimento as fo forças de queem aberto ainda hoje na filosofia. Igualmente, uma vez que seu corpo é dotado... a fim de assimilar a matéria, dando dando-toda teoria tem necessariamente uma formu formulação lhe uma forma útil à vida" (Marx, O capital).lingüística e se constrói lingüisticamente, o problema da 2. A partir das teorias econômicas do séc. XVIII,natureza da linguagem e do significado passa a ser de principalmente com Adam Smith (1723(1723-1790), o trabalhogrande importância para a epistemologia. torna-se a noção central da eco se economia política, em Política (lat. politicos, do gr. politikós) substituição à concepção clássica de que a riqueza de uma nação consistia no ouro que esta possuía. Assim, na Tudo aquilo que diz respeito aos cidadãos e ao governo concepção de Marx, o trabalho "é a condição indispensávelda cidade, aos negócios públicos. da existência do homem. uma necessidade eterna, o mediador da circulação material entre o homem e a ção A filosofia política é assim a análise filosófica da natureza" (O capital).relação entre os cidadãos e a sociedade, as formas de podere as condições em que este se exerce, os sistemas de 3. Na linguagem bíblica, a idéia de trabalho está ligada àgoverno, e a natureza, a validade e a justificação das de sofrimento e de punição: "Ganharás o teu pão com odecisões políticas. Segundo Aristóteles, o homem é um suor do teu rosto" (livro do Gênese). Assim, é por umanimal político, que se define por sua vida na sociedade esforço doloroso que o homem sobrevive na natureza.organizada politicamente. Em sua concepção, e na tradição Enquanto os gregos consideravam o trabalho como a ex ex-clássica em geral, a política corno ciência pertence ao pressão da miséria do homem, os latinos opunham o otiumdomínio do conhecimento prático e é de natureza hecimento (lazer, atividade intelectual) ao vil negotium (trabalho,normativa, estabelecendo os critérios da justiça e do bom negócio). Por sua vez, enquanto para os filósofos modernosgoverno, e examinando as condições sob as quais o homem o trabalho que nos torna "mestres e possuidores dapode atingir a felicidade (o bem-estar) na sociedade, em estar) natureza" (Descartes) foi percebido como o remédio àsua existência coletiva. A República de Platão e a Política alienação primeira do homem, na dialética do senhor e dode Aristóteles estão entre as obras mais famosas da tradição escravo Hegel declara que é por seu trabalho que o escravofilosófica sobre política, podendo-se incluir ainda O se encontra sua liberdade e se torna o ve verdadeiro mestre.príncipe (1512-1513) de Maquiavel, O leviatã (1651) deHobbes, o Segundo tratado do governo (1690) de Locke, O 4. A divisão do trabalho, ou seja, a repartição oucontrato social (1762) de Rousseau, a Filosofia do direito separação das tarefas necessárias à sobrevivência de um(1821) de Hegel, O capital (1867) de Marx e Engels, e o grupo entre os diversos membros desse grupo, embora jáTratado Sobre a liberdade (1859) de Stuart Mill, todos tenha existido nas sociedades pré pré-industriais, desenvolve-seconsiderados obras clássicas na formação da teoria política. consideravelmente com o surgimento da sociedade lmente industrial.Sociedade (lat. societas) Adam Smith foi o primeiro a elaborar uma teoria sobre A sociedade não é um mero conjunto de indivíduos o a repartição dos trabalhadores num espaço dado. Karl Marxvivendo juntos. em um determinado lugar, mas define define-se deu um alcance filosófico a essa expressão, fazendo dela oessencialmente pela existência de uma organização, de fundamento lógico de todas as c contradições econômicas doinstituições e leis que regem a vida desses indivíduos e suas sistema capitalista. A divisão do trabalho atinge seu graurelações mútuas. Algumas teorias distinguem a soci sociedade, máximo com a taylorização, isto é, com a repartiçãoFilosofia 32
  • 33. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibularaltamente racional do "trabalho em cadeia", tentando descobrir pelo pensamento. São proposições da razão, não brirenglobar todos os fatores necessários a uma produtividade de fato. Referem-se, não à existência ou inexistência deste se,ótima. ou daquele ser, mas à vinculação necessária das idéias. Ex.: numa figura de três lados retos, a soma dos ângulos 5. Conceitos: "O trabalho não produz apenas internos é igual a dois ângulos retos; pouco importando semercadorias, ele se produz a si mesmo e produz o operário tal figura existe ou não fora de nosso espírito.como mercadoria, e isto na medida em que produzmercadorias em geral" (Marx). "O trabalho positivo, isto 6. Conceitos: "Quem são os verdadeiros filósofos?é, nossa ação real e útil sobre o mundo exter exterior, constitui Aqueles que amam a verdade" (Platão). "Há dois tipos denecessariamente a fonte inicial de toda riqueza material" verdades: as do raciocínio e as de fato. As verdades do(Comte). raciocínio são necessárias e seu oposto é impossível; e as ão de fato são contingentes e seu oposto é possível" (Leibniz).Verdade (lat. veritas) "A crença forte só prova a sua força, não a verdade 1. Classicamente, a verdade se define como adequação daquilo em que se crê" (Nietzsche). "Não há verdadedo intelecto ao real. Pode-se dizer, portanto, que a verdade se primeira, só há erros primeiros" (Bachelard) (Bachelard).é uma propriedade dos juízos, que podem ser verdadeiros > Questões de Filosofia - PENGE 1ou falsos, dependendo da correspondência entre o queafirmam ou negam e a realidade de que falam. - Observação: as respostas devem ter no máximo cinco 2. Há, entretanto, várias definições de verdade e várias linhas.teorias que pretendem explicar a natureza da verdade. 1) Explique, com as suas palavras, o que é a filosofia e qualSegundo a teoria consensual, a verdade não se estabelece a a sua utilidade.partir da correspondência entre o juízo e o real, mas resulta,antes, do consenso ou do acordo entre os indivíduos de 2) Tendo como ponto de partida a distinção entre instintouma determinada comunidade ou cultura quanto ao que e inteligência, comente a afirmação a seguir: econsideram aceitável ou justificável em sua maneira deencarar o real. A teoria da verdade como coerência “Uma aranha executa operações que se assemelham àsconsidera a verdade de um juízo ou proposição como manipulações do tecelão, e a construção das colméiasresultando de sua coerência com um sistema de crenças ou pelas abelhas poderia envergonhar, por sua perfeição,verdades anteriormente estabelecidas, como preservando mais de um mestre-de-obras. Mas há algo em que o pior obras.assim a ausência de contradição dentro do sistema, sendo, o mestre de obras é superior à melhor abelha, e é o fato de periorportanto, o critério de verdade interno a um sistema ou que, antes de executar a construção ele a projeta em seuteoria determinada. Para a teoria pragmática, a verdade de cérebro”. (Karl Marx)uma proposição ou de um conjunto de proposições seestabelece a partir de seus resultados, de sua aplicação 3) Aponte as principais características do pensamentoprática, concreta, de sua verificação pela experiência. ca, mítico. 3. Verdade necessária: as verdades necessárias são 4) Como é a consciência de si do homem primitivo?aquelas que não dependem da experiência, mas que sãoestabelecidas independentemente desta, a priori: por 5) Mostre como o mito persiste no homem atualmente. rsistedefinição, são, portanto, nesse sentido, verdades analíticas. erdades 6) Qual é a função da razão diante do mito? 4. Verdades primeiras são proposições ou enunciadosconsiderados evidentes e indemonstráveis. Ex.: "O todo é >Questões de Filosofia - PENGE 2maior que suas partes". Sinônimo de princípio ou deaxioma. A "verdade primeira" de alguém ou de algum - Observação: as respostas devem ter no máximo cincogrupo freqüentemente designa uma opinião ou um e linhas.preconceito que não se submete ao questionamento. 1) ) Explique em que sentido o aparecimento da filosofia 5. Verdades eternas designam, na filosofia escolástica, pode ser compreendido a partir d acontecimentos como deprincípios que constituem as leis absolutas dos seres e da o advento da escrita, da moeda, da lei e do cidadão.razão, emanadas da vontade divina e que o homem podeFilosofia 33
  • 34. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular2) Por que não se pode falar em ruptura total da filosofia atual entre assuntos “filosóficos” e assuntoscom o mito? “científicos”? Justifique a sua resposta.3) Contraste as principais características do pensamento 3) Como Platão descreve a realidade na Alegoria damítico com algumas das principais características do Caverna?pensamento filosófico-científico. 4) Tendo como base a Alegoria da Caverna, qual o4) O que é arché? sentido da missão político político-pedagógica do filósofo?5) Explique: “O ser é, o não ser não é” (Parmênides de 5) O pensamento platônico tem como base a teoriaEléia). dos dois mundos: o mundo sensível e o mundo inteligível. Caracterize-os. os.6) Em que consiste a filosofia de Heráclito de Éfeso? 6) O que você acha da filosofia como exercício, como> Questões de Filosofia – PENGE 3. ginástica do espírito, como jogo aberto, como procura da verdade? Partimos da verdade ou caminhamos- Observação: as respostas devem ter no máximo cinco para ela?linhas. > Questões de Filosofia – PENGE 51) Caracterize o contexto do surgimento da sofística. - Observação: as respostas devem ter no máximo cinco2) Você considera sofistas como Protágoras e Górgiasrealmente filósofos ou meros mestres de retórica e linhas.manipuladores de opiniões? Justifique a sua resposta. 1) Quais as características principais da filosofia de3) Que mudança de enfoque os sofistas promovem na Aristóteles?reflexão filosófica, em relação aos pré-socráticos? socráticos? 2) Qual é o problema central da filosofia cristã?4) Qual a contribuição dada pelos sofistas ao 3) Em que sentido a filosofia de Santo Agostinho pode serdesenvolvimento do pensamento e da cultura gregos? entendida como um “platonismo cristão”?5) Como podemos situar Sócrates nesse mesmo contexto 4) Segundo Santo Tomás de Aquino, quais são as cincodo séc. V a.C. em oposição aos sofistas? provas da existência de Deus?6) O que significa a maiêutica socrática?. 5) Em sentido histórico, chama filosofia cristã a filosofia chama-seQuestões de Filosofia - PENGE 4. que, influenciada pelo cristianismo, predominou no ocidente, principalmente na Europa, no período que vai do- Observação: as respostas devem ter no máximo cinco século I ao século XIV. Tal filosofia é composta por doislinhas. períodos. Quais são eles? 1) Algumas questões sobre o universo (como a forma 6) Comente: “Quando, com a oração de Josué, o Sol parou, uando, da Terra, o tamanho, o movimento e as posições a fim de ele concluir vitoriosamente o combate, o Sol relativas aos astros, a formação das nuvens, dos os estava parado, mas o tempo caminhava. Este espaço de ventos, etc.) nasceram “filosóficas” e se tornaram tempo foi o suficiente para executar e para pôr termo ao “científicas”. Mas outras questões sobre o universo combate. Vejo portanto que o tempo é uma certa talvez ainda continuem “filosóficas”, como as questões distenção” (Santo Agostinho, Confissões – Livro XI). stenção” da sua própria origem. Por quê? >Questões de Filosofia - PENGE 6 2) Existe alguma diferença fundamental entre essas questões, diferença essa que teria permitido a cisãoFilosofia 34
  • 35. Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia ibular- Observação: as respostas devem ter no máximo cincolinhas.1) Qual é a preocupação central da reflexão filosófica doséculo XVII?2) O que é a dúvida metódica para Descartes? tes?3) Explique por que a doutrina de Descartes é racionalista.4) Qual é a corrente filosófica do período moderno a que o eríodoracionalismo se contrapõe?5) Explique a teoria de afecções entre os corpos, segundoEspinosa.6) De que modo a filosofia nos torna “mestres epossuidores da Natureza”? > Questões de Filosofia - PENGE 7- Observação: as respostas devem ter no máximo cincolinhas.1) Explique o que é juízo sintético e juízo analítico,segundo Kant.2) Segundo Hegel, o que ensina a dialética?3) Defina: materialismo dialético e materialismo histórico.5) Que tipo de crítica Nietzsche faz à moral tradicional?6) Explique: “A existência precede a essência”.Filosofia 35

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