Maria Aparecida da Silva    Pedagoga, Psicopedagoga EspecialistaEm Orientação, Supervisão e Gestão Educacional
JUSTIFICATIVAConhecer a vida e a obra de Monteiro Lobato, é muitomais que um dever escolar, é um grande prazer econtribui ...
OBJETIVOS GERAIS•Conhecer a obra e a vida de Monteiro Lobato;• Avançar nas hipóteses de leitura e escrita;• Despertar o pr...
OBJETIVOS ESPECÍFICOS•Desenvolver agilidade, rapidez e discriminação auditiva, visual e motora.•Desenvolver a noção de esp...
CONTEÚDOSPORTUGUÊS•Automatizar o emprego dos símbolos gráficos na escrita dirigida.•Letra inicial dos personagens•Produzir...
METODOLOGIALeitura e apresentação da biografia de Monteiro Lobato. Após a leitura, explicarque eles irão participar de um ...
INFORMAÇÕES PARA O PROFESSOR                       MONTEIRO LOBATO                                BIOGRAFIAJosé Bento Rena...
No ano seguinte, a 13 de junho de 1898, perdeu o pai, José Bento MarcondesLobato, vítima de congestão pulmonar. Decidiu, p...
artigos do Weekly Times para o jornal O Estado de São Paulo, e obras daliteratura universal, também enviando artigos para ...
“Coitado do meu patrício! Apesar dos governos os outros caipiras se vãoendireitando à custa do próprio esforço, ignorantes...
O editor e o escritorO editor               Em 1918, Monteiro Lobato comprou a Revista do Brasil e passou adar espaço para...
doações, tornando-se um fato inédito na indústria editorial. Fora atendendo umpedido do presidente de São Paulo, Dr. Washi...
renomado jurista João Luís Alves. Na primeira, recebera um voto no terceiroescrutínio, e, na segunda, dois votos no quarto...
Com a deposição de Washington Luís e o impedimento da posse de JúlioPrestes, começa a antipatia de Lobato por Getúlio Varg...
Ver artigo principal: Companhia Petróleos do BrasilCuriosamente o petróleo no Brasil seria encontrado, por uma ironiada hi...
O fim               Mesmo em liberdade, Monteiro Lobato não teve mais tranquilidade,e seu filho mais velho, Edgar, morreu ...
Ilustrada por Vincenzo Nicoletti. Em maio A Menina do Narizinho Arrebitado foitransformada em radionovela para crianças pe...
Sua vida e sua obra ainda hoje servem de inspiração e exemplo para milhares decrianças, jovens e adultos do Brasil.Disputa...
No entanto, as aventuras na maioria se passam em outros lugares: ou num mundode fantasia inventados pelas crianças, ou em ...
•1928 - Aventuras do príncipe (incluído em Reinações de Narizinho)•1928 - O Gato Félix (incluído em Reinações de Narizinho...
InfluênciasO Gato Félix, clássico da animação, teve um sósia impostor nas histórias do Sítio.  Popeye apareceu nos livros ...
pois não havia, na época, transmissão em rede nacional, nem transmissão deimagens via tronco de micro-ondas da Embratel. P...
ARITMÉTICA DA EMÍLIATrata de operações com frações e sistema decimal, entre outros temas.MEMÓRIAS DA EMÍLIANeste livro, Em...
A REFORMA DA NATUREZA     Emília aproveita uma viagem de D. Benta para mudar algumas coisas da natureza.     Põe abóboras ...
•LOBATO, Monteiro. Histórias das invenções.•LOBATO, Monteiro. Fábulas•LOBATO, Monteiro. Histórias diversasLivros sobre as ...
Autor: Koshiyama, Alice M. Editora: EduspMonteiro Lobato - Pensamento Americano Autor: Martinez, Paulo Editora: IconeMonte...
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Projeto monteiro lobato

  1. 1. Maria Aparecida da Silva Pedagoga, Psicopedagoga EspecialistaEm Orientação, Supervisão e Gestão Educacional
  2. 2. JUSTIFICATIVAConhecer a vida e a obra de Monteiro Lobato, é muitomais que um dever escolar, é um grande prazer econtribui para a construção da cidadania trabalhandocom ludicidade. Lobato significa literatura de muita qualidade e história.Não ler sua obra significa abrir mão de livros quesimbolizam nossa própria identidade cultural. TrabalharMonteiro Lobato, é vivenciar dentro da Literatura Infantilum mundo rico em cultura, em um mundo mágico de personagens que encantam as crianças, os jovens e osadultos. “Através da Emília, que diz tudo o que pensa, doVisconde de Sabugosa que é um sábio. Dona Benta que éa contadora de história e aceita a imaginação criadoradas crianças, Tia Nastácia que é o folclore em pessoa,Narizinho e Pedrinho representando as crianças deontem e de hoje, sempre abertas a tudo e querendo serfelizes. O pó de Pirlim Pim Pim continuará a transportarcrianças do mundo inteiro ao Sítio do Picapau Amarelo,onde não há horizontes limitados por muros concretos ede idéias tacanhas.” É preciso também viver e entender Monteiro Lobato, que com seu espírito jovem esua coragem está vivo no coração de cada criança e cadaAdulto que viajou nas histórias de Monteiro Lobato .PUBLIICO ALVO:Pré, 1º ao 5º ano e EJADURAÇÃO: 4 semanas mês de abril
  3. 3. OBJETIVOS GERAIS•Conhecer a obra e a vida de Monteiro Lobato;• Avançar nas hipóteses de leitura e escrita;• Despertar o prazer por ler e ouvir histórias;• Produzir e revisar pequenos textos;•Desenvolver a imaginação,a fantasia, criação e o sonho nos educandos;•Desenvolver a linguagem oral;•Enriquecer a leitura.•Automatizar o emprego dos símbolos gráficos.•Trabalhar a psicomtricidade•Desenvolver o racicínio
  4. 4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS•Desenvolver agilidade, rapidez e discriminação auditiva, visual e motora.•Desenvolver a noção de espaço temporal e sistemas de medidas.•Compreender a importância dos valores.•Reconhecer numerais e seus vizinhos.•Conscientizar sobre os perigos da Dengue.•Reconhecer as figuras geométricas.•Fixar palavras no grupo ortográfico.•Fazer a recontagem de histórias.•Identificar os órgãos dos sentidos.•Fixar a formação de números.•Conscientizar sobre a preservação do meio ambiente.•Trabalhar a lateralidade.•Trabalhar personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo, através de pequenasbiografias de cada um.•Fazer escrita dirigida sobre os personagens.• Identificar as músicas temas dos personagens do CD do Sítio do Pica-pauAmarelo•Produzir textos com os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo•Produzir texto coletivo. ( séries iniciais)•Desenvolver a coordenação motora;•Despertar para as artes;
  5. 5. CONTEÚDOSPORTUGUÊS•Automatizar o emprego dos símbolos gráficos na escrita dirigida.•Letra inicial dos personagens•Produzir e reproduzir textosReconhecer os diferentes tipos de textosMATEMÁTICA•Trabalhar a noção de tempo.•Reconhecer numerais e seus vizinhos.•Fixar a formação de números•Trabalhar medidas de comprimento.•Fixar formas geométricas.EDUCAÇÃO AMBIENTAL•Conscientizar sobre os perigos da dengue.•Conscientizar sobre a preservação do meio ambiente.CIÊNCIAS•Animais.•Meio ambiente•Água•Sistema solarHISTÓRIA/GEOGRAFIA•Identidade•Trabalho com árvore genealógica.•Área urbana e Área ruralÉTICA•Trabalhar valores e pluralidade culturalARTES•Criatividade• Musicalização•teatro•Confeccionar personagens com sucatas, colorir, montar quebra cabeça, etcRECURSOS•Livros•Vídeos e CDs•Ilustrações•Atividades para colorir, recortar e montar, quebra-cabeças, caça-palavras,cruzadinhas e outros.•Data show
  6. 6. METODOLOGIALeitura e apresentação da biografia de Monteiro Lobato. Após a leitura, explicarque eles irão participar de um projeto sobre o mesmo, onde terão oportunidade deconhecer um sobre a vida de Monteiro Lobato e seus principais personagens(Pedrinho, Narizinho, Dona Benta, Tia Nástacia, Visconde, Quindim, Cuca, SaciEmília), e principalmente a importância de Lobato na literatura infantil e suacontribuição na formação das crianças. Sendo que cada série terá um ou maistemas diferentes de acordo com o nível do aluno e interesse de trabalhar ashistórias de cada professora.RECURSOS didáticos: Filmes, DVDS, CDs e tocas cds, tinta guache,televisão,Xerox, EVAs, pinsél atômicoAVALIAÇÃO: será contínua e com a apresentação dos trabalhosnuma culminância com encerramento do projeto
  7. 7. INFORMAÇÕES PARA O PROFESSOR MONTEIRO LOBATO BIOGRAFIAJosé Bento Renato Monteiro Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 – SãoPaulo, 4 de julho de 1948)[1] foi um dos mais influentes escritores brasileiros doséculo XX. Foi um importante editor de livros inéditos e autor de importantestraduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos daCarochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente conhecido peloconjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamentea metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos(geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, crônicas, prefácios, cartas,um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um único romance, OPresidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obraspara crianças, que entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho(1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).A CARREIRAOs primeiros anos Criado em um sítio, Monteiro Lobato foi alfabetizado pela mãeOlímpia Augusta Lobato e depois por um professor particular. Aos sete anos,entrou em um colégio. Nessa idade descobrira os livros de seu avô materno, oVisconde de Tremembé, dono de uma biblioteca imensa no interior da casa. Leutudo o que havia para crianças em língua portuguesa. Nos primeiros anos deestudante já escrevia pequenos contos para os jornaizinhos das escolas quefrequentou. Aos onze anos, em 1893, foi transferido para o Colégio São JoãoEvangelista. Ao receber como herança antecipada uma bengala do pai, quetrazia gravada no castão as iniciais J.B.M.L., mudou seu nome de José Renatopara José Bento, a fim de utilizá-la. No ano seguinte, os pais o presentearamcom uma calça comprida, que usou bastante envergonhado. Em dezembro de1896 foi para São Paulo e, em janeiro de 1897, prestou exames das matériasestudadas na cidade natal, mas foi reprovado no curso preparatório e retornou aTaubaté. Quando retornou ao Colégio Paulista, fez as suas primeirasincursões literárias como colaborador dos jornaizinhos "Pátria", "H2S" e "OGuarany", sob o pseudônimo de Josben e Nhô Dito. Passou a colecionaravidamente textos e recortes que o interessavam, e lia bastante. Em dezembroprestou novamente os exames para o curso preparatório e foi aprovado.Escreveu minuciosas cartas à família, descrevendo a cidade de São Paulo.Colaborou com "O Patriota" e "A Pátria". Então, se mudou de vez para SãoPaulo, e tornou-se estudante interno do Instituto Ciências e Letras.
  8. 8. No ano seguinte, a 13 de junho de 1898, perdeu o pai, José Bento MarcondesLobato, vítima de congestão pulmonar. Decidiu, pela primeira vez, participar dassessões do Grêmio Literário Álvares de Azevedo do Instituto Ciências e Letras.Sua mãe, vítima de uma depressão profunda, veio a falecer no dia 22 de junhode 1899. Tendo forte talento para o desenho, pois desde menino retrata aFazenda Buquira, tornou-se desenhista e caricaturista(como fonte de renda)nessa época. Em busca de aproveitar as suas duas maiores paixões, decidiu irpara São Paulo após completar 17 anos.Seu sonho era a Faculdade de Belas-Artes, mas, por imposição do avô, que otinha como um sucessor na administração de seus negócios, acabouingressando na Faculdade do Largo de São Francisco para cursar Direito.Mesmo assim seguiu colaborando em diversas publicações estudantis e fundou,com os colegas de sua turma, a "Arcádia Acadêmica", em cuja sessão inauguralfez um discurso intitulado: Ontem e Hoje. Lobato, a essas alturas, já era elogiadopor todos como um comentarista original e dono de um senso fino e sutil, de um"espírito à francesa" e de um "humor inglês" imbatível, que carregou pela vidaafora. Dois anos depois, foi eleito presidente da Arcádia Acadêmica, e colaboroucom o jornal "Onze de Agosto", onde escreveu artigos sobre teatro. De taisestudos surgiu, em 1903, o grupo O Cenáculo, fundado junto com RicardoGonçalves, Cândido Negreiros, Godofredo Rangel, Raul de Freitas, Tito LívioBrasil, Lino Moreira e José Antônio Nogueira. Era anticonvencional por excelência, dizendo sempre o quepensava, agradasse ou não. Defendia a sua verdade com unhas e dentes, contratudo e todos, quaisquer que fossem as consequências. Venceu um concurso decontos, sendo que o texto Gens Ennuyeux foi publicado no jornal "Onze deAgosto". (11/08).O advogado Em 1904 diplomou-se bacharel em Direito e regressou a Taubaté.No ano seguinte fez planos de fundar uma fábrica de geleias, em sociedade comum amigo, mas passou a ocupar interinamente a promotoria de Taubaté econheceu Maria Pureza da Natividade ("Purezinha"). Em maio de 1907 foinomeado promotor público em Areias, e casou-se com Purezinha, a 28 de marçode 1908. Exatamente um ano depois nasceu Marta, a primogênita do casal.Insatisfeito com a vida bucólica de Areias, planejou abrir um estabelecimentocomercial de secos e molhados. Em 1910 associou-se a um negócio de estradas de ferro e nasceuo seu segundo filho, Edgar. Viveu no interior e nas cidades pequenas da região,escrevendo paralelamente para jornais e revistas, como "Tribuna de Santos","Gazeta de Notícias" do Rio de Janeiro e a revista Fon-Fon, para onde tambémmandava caricaturas e desenhos. Passou a traduzir
  9. 9. artigos do Weekly Times para o jornal O Estado de São Paulo, e obras daliteratura universal, também enviando artigos para um jornal de Caçapava.Contudo, era visível a sua insatisfação com a vida que levava e com osnegócios que não prosperavam. No ano seguinte, aos 29 anos, Lobato recebeu a notícia dofalecimento de seu avô, o Visconde de Tremembé, tornando-se então herdeiroda Fazenda Buquira, para onde se mudou com toda a família. De promotor afazendeiro, dedicou-se à modernização da lavoura e à criação. Com o lucro dosnegócios, abriu um externato em Taubaté, que confiou aos cuidados de seucunhado. Em 1912 nasceu Guilherme, o seu terceiro filho. Ainda insatisfeito,mas desta vez com a vida na fazenda, planejou explorar comercialmente oViaduto do Chá, na cidade de São Paulo, em parceria com Ricardo Gonçalves.A fama Em 12 de novembro de 1914, o jornal O Estado de São Paulo, nasua edição vespertina (O Estadinho), publicou o seu artigo Velha Praga. Eravéspera de Natal quando o mesmo jornal publicou um conto daquele que maistarde seria o seu primeiro livro, Urupês. Na Vila de Buquira, , hoje município deMonteiro Lobato (São Paulo), nessa mesma época, envolveu-se com a política elogo a deixou de lado. Sua quarta e última filha, Rute, nasceu em fevereiro de1916, quando iniciava colaboração na recém fundada Revista do Brasil. Erauma publicação nacionalista que agradou em cheio o gosto de Lobato. Somente em 1914, como fazendeiro em Buquira, um fato definiriade vez a sua carreira literária: durante o inverno seco daquele ano, cansado deenfrentar as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, o fazendeiroescreveu uma "indignação" intitulada Velha Praga, e a enviou para a seçãoQueixas e Reclamações do jornal O Estado de S. Paulo, edição da tarde, o"Estadinho". O jornal, percebendo o valor daquela carta, publicou-a fora daseção que era destinada aos leitores, no que acertou, pois a carta provocoupolêmica e fez com que Lobato escrevesse outros artigos como, por exemplo,Urupês, dando vida a um de seus mais famosos personagens, o Jeca Tatu. Jeca era um grande preguiçoso, totalmente diferente dos caipirase índios idealizados pela literatura romântica de então. Seu aparecimento gerouuma enorme polêmica, em todo o país, pois o personagem era símbolo doatraso e da miséria que representava o campo no Brasil. Monteiro Lobatoconheceu apenas o caipira caboclo, e generalizou o comportamento destespara todos os caipiras, causando então muita polêmica. Foi apoiado por RuiBarbosa e contraditado pelo especialista em caipiras, o folclorista CornélioPires, que explicou que Lobato só conheceu o caipira caboclo:
  10. 10. “Coitado do meu patrício! Apesar dos governos os outros caipiras se vãoendireitando à custa do próprio esforço, ignorantes de noções de higiene... Sóele, o caboclo, ficou mumbava, sujo e ruim! Ele não tem culpa... Ele nada sabe.Foi um desses indivíduos que Monteiro Lobato estudou, criando o JecaTatu, erradamente dado como representante do caipira em geral! Cornélio Pires. “A partir daí, os fatos se sucederam: a geada, (sobre a qual deixou uma crônica), eas dificuldades financeiras levaram-no a vender a fazenda Buquira, em 1916, e apartir com a família para São Paulo, com o intuito de tornar-se um "escritor-jornalista". Fundou, em Caçapava, a revista "Paraíba", e organizou, para o jornal"O Estado de São Paulo", uma imensa e acalentada pesquisa sobre o saci.Lobato percorreu o interior de São Paulo, durante a Grande Geada de1918, escrevendo um importante crônica a respeito, impressionado que ficou coma queima dos cafezais paulistas. Ainda em 1918, ano dos 4 G (Geada, Greve, IGuerra Mundial e Gripe espanhola), Lobato, escrevia no jornal "O Estado de S.Paulo", o mais importante jornal da capital, e, como todos os editorialistasacabaram pegando a gripe espanhola, vários editoriais do jornal "OEstado", daqueles dias, foram escritos unicamente por Lobato. A Fazenda Buquira, a qual Lobato visitava na infância quandopertencia a seu avô, o Visconde de Tremembé, e onde Lobato viu a geada,conheceu o caipira caboclo, e teve inspiração para seus personagens e paisagensde seus livros (como a pequena cachoeira que inspirou o Reino das ÁguasClaras), é atualmente centro de visitação, sendo que a casa-sede da fazendaainda se encontra em seu estado original, situada à margem da rodoviaatualmente denominada "Estrada do Livro", que liga a cidade de Monteiro Lobatoà Caçapava. Em 20 de dezembro publicou Paranoia ou Mistificação, a famosacrítica desfavorável à exposição de pintura de Anita Malfatti, que culminaria como oestopim para a criação da Semana de Arte Moderna de 1922. Muitos passaram aver Lobato como reacionário, inclusive os modernistas, mas hoje, após tantosanos, percebe-se que o que Lobato criticava eram os "ismos" que vinham daEuropa: cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo, que ele achava que eram"colonialismos", "europeizações", assim como ocorrera com os acadêmicos dasgerações anteriores. Lobato era a favor de uma arte devidamente brasileira, autóctone,criada aqui. Por isso criticou Anita Malfatti, embora admitisse que ela fossetalentosa. Isso tudo gerou o estranhamento entre ele e os modernistas mas, nofundo, todos eles tinham razão, apenas viam as coisas de ângulos diferentes.Mesmo assim Oswald de Andrade continuou a ser um profundo admirador deLobato: quando ocorrera a Semana de Arte Moderna, as provas de Urupêsficaram dois dias em cima do sofá da garçonière onde Oswald de Andrade seencontrava com os amigos.
  11. 11. O editor e o escritorO editor Em 1918, Monteiro Lobato comprou a Revista do Brasil e passou adar espaço para novos talentos, ao lado de pessoas famosas. Tornou-se, dessaforma, um intelectual engajado na causa do nacionalismo, a qual dedicou umapreocupação fundamental, tanto na ficção quanto no ensaio e no panfleto. Críticode costumes, no qual não faltava a nota do sarcasmo e da caricatura, de suaobra elevou-se largo sopro de humanidade e brasileirismo. Nas mãos deMonteiro Lobato, a Revista do Brasil prosperou e ele pode montar uma empresaeditorial, sempre dando espaço para os novatos e divulgando obras de artistasmodernistas.Lobato também foi precursor de algumas ideias muito interessantes no campoeditorial. Ele dizia que "livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz dofreguês". Com isso em mente, passou a tratar os livros como produtos deconsumo, com capas coloridas e atraentes, e uma produção gráfica impecável.Criou também uma política de distribuição, novidade na época: vendedoresautônomos e distribuidores espalhados por todo o país. Logo fundou a editoraMonteiro Lobato & Cia., depois chamada Companhia Editora Nacional, com aobra O Problema Vital, um conjunto de artigos sobre a saúde pública, seguidopela tese O Saci Pererê: Resultado de um Inquérito. Privilegiava a edição deautores estreantes como a senhora Leandro Dupré, com o sucesso "ÉramosSeis". Traduziu também muitos livros e editou obras importantes e polêmicascomo "A Luta pelo Petróleo", de Essad Bey, para o qual fez uma introduçãotratando da questão do petróleo no Brasil. Em julho de 1918, dois meses depois da compra, publicou emforma de livro Urupês, com retumbante sucesso e alcançando granderepercussão ao dividir o país sobre a veracidade da figura do caipira, fiel paraalguns, exagerada para outros. O livro chamou a atenção de Rui Barbosa que,num discurso, em 1919, durante a sua campanha eleitoral, reacendeu a polêmicaao citar Jeca Tatu como um "protótipo do camponês brasileiro, abandonado àmiséria pelos poderes públicos". A popularidade fez com que Lobato publicasse,nesse mesmo ano, Cidades Mortas e Ideias de Jeca Tatu. Em 1920, o conto Os Faroleiros serviu de argumento para um filmedirigido pelos cineastas Antônio Leite e Miguel Milani. Meses depois, publicouNegrinha e A Menina do Narizinho Arrebitado, sua primeira obra infantil, e quedeu origem a Lúcia, mais conhecida como a Narizinho do Sítio do PicapauAmarelo. O livro foi lançado em dezembro de 1920 visando aproveitar a época deNatal. A capa e os desenhos eram de Lemmo Lemmi, um famoso ilustrador daépoca. Em janeiro de 1921, os anúncios na imprensa noticiaram adistribuição de exemplares gratuitos de A Menina do Narizinho Arrebitado nasescolas, num total de 500
  12. 12. doações, tornando-se um fato inédito na indústria editorial. Fora atendendo umpedido do presidente de São Paulo, Dr. Washington Luís que Lobato eraadmirador, que fizera o livro. O sucesso entre as crianças gerou continuações:Fábulas de Narizinho (1921), O Saci (1921), O Marquês de Rabicó (1922), ACaçada da Onça (1924), O Noivado de Narizinho (1924), Jeca Tatuzinho (1924) eO Garimpeiro do Rio das Garças (1924), entre outros. Tais novidades repercutiram em altas tiragens dos livros queeditava, a ponto de dedicar-se à editora em tempo integral, entregando a direçãoda Revista do Brasil a Paulo Prado e Sérgio Millet. A demanda pelos livros eratão grande que ele importou mais máquinas dos Estados Unidos e da Europapara aumentar seu parque gráfico. Porém, uma grave seca cortou o fornecimentode energia elétrica, e a gráfica só podia funcionar dois dias por semana. Por fim,o presidente Artur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redescontode títulos pelo Banco do Brasil, gerando um enorme rombo financeiro e muitasdívidas ao escritor.Lobato só teve uma escolha: entrou com pedido de falência em julho de 1925.Mesmo assim não significou o fim de seu projeto editorial. Ele já se preparavapara abrir outra empresa, a Companhia Editora Nacional, em sociedade comOctalles Marcondes e, em vista disso, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Os "produtos" dessa nova editora abrangiam uma variedade detítulos, inclusive traduções de Hans Staden e Jean de Léry. Além disso, os livrosgarantiam o "selo de qualidade" de Monteiro Lobato, tendo projetos gráficosmuito bons e com enorme sucesso de público. A partir daí, Lobato continuou escrevendo livros infantis de sucesso,especialmente com Narizinho e outros personagens, como Dona Benta,Pedrinho, Tia Nastácia, o boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa eEmília, a boneca de pano. Além disso, por não gostar muito das traduções dos livros europeuspara crianças, e sendo um nacionalista convicto, criou aventuras compersonagens bem ligados à cultura brasileira, recuperando inclusive costumes daroça e lendas do folclore. Mas não parou por aí. Monteiro Lobato pegou essa mistura depersonagens brasileiros e os enriqueceu, "misturando-os" a personagens daliteratura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. Também foipioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, deforma divertida.Em Nova York Em 1926, Lobato concorreu a uma vaga na Academia Brasileira deLetras, mas acabou derrotado. Era a segunda vez que isso acontecia. Naprimeira vez, em 1921, iria concorrer á vaga de Pedro Lessa, mas desistiu antesda eleição, por não querer fazer as visitas de praxe aos acadêmicos para pedirseus votos. Desta vez, estava concorrendo à vaga do
  13. 13. renomado jurista João Luís Alves. Na primeira, recebera um voto no terceiroescrutínio, e, na segunda, dois votos no quarto. Em artigo à imprensa, Múcio Leãochegou a afirmar que esse "escritor de talento fora duas vezes repelido". Nomesmo ano saíram em folhetim os livros O Presidente Negro (1926) e "How HenryFord is Regarded in Brazil (1926). Depois, enviou uma carta ao recém empossado Washington Luís,onde defendeu os interesses da indústria editorial. O presidente, reconhecendonele um representante promissor dos interesses culturais do país, nomeou-o adidocomercial nos Estados Unidos, em 1927. Lobato escreve confirmando a tese deWashington Luís de que "Governar é abrir Estradas", as quais Lobato atribui oprogresso dos Estados Unidos. Lobato ficara impressionado com a quantidade equalidade das estradas norte americanas. Monteiro Lobato mudou-se para NovaYork e deixou a Companhia sob a direção de seu sócio, Octalles MarcondesFerreira. Entusiasmado com o progresso material que viu nos Estados Unidos,passou a acompanhar todas as inovações tecnológicas estadunidenses e fez detudo para convencer o governo brasileiro a propiciar a criação de atividadessemelhantes no Brasil. Com interesses voltados no que diz respeito às questõesde petróleo e ferro, planejou a fundação da Tupy Publishing Company. Em Nova York escreveu Mr. Slang e o Brasil (1927), As Aventuras deHans Staden (1927), Aventuras do Príncipe (1928), O Gato Félix (1928), A Carade Coruja (1928), O Circo de Escavalinho (1929) e A Pena de Papagaio (1930).As obras infantis que datam dessa época foram publicadas no Brasil e reunidasnum único volume, intitulado Reinações de Narizinho (1931). Foi para Detroit no ano seguinte e, em visita à Ford e a GeneralMotors, organizou uma empresa brasileira para produzir aço pelo processo Smith.Com isso, jogou na Bolsa de Valores de Nova York e perdeu tudo o que tinha coma crise de 1929. Para cobrir suas perdas com a quebra da Bolsa, Lobato vendeusuas ações da Companhia Editora Nacional em 1930. Voltou para São Paulo em1931 e passou a defender que o "tripé" para o progresso brasileiro seria o ferro, opetróleo e as estradas para escoar os produtos. Entusiasmado com Washington Luís e com seu candidato apresidente, em 1930, o Dr. Júlio Prestes, que, como presidente de São Paulo,realizara explorações de petróleo em território paulista, Lobato dá apoio irrestritoao candidato Júlio Prestes nas eleições de 1930.Em 28 de agosto de 1929, em carta ao dr. Júlio Prestes, Monteiro Lobatotransmite-lhe votos pela "vitória na campanha em perspectiva", afirmando que: “ Sua política na presidência significará o que de mais precisa oBrasil: continuidade administrativa!” – Monteiro Lobato
  14. 14. Com a deposição de Washington Luís e o impedimento da posse de JúlioPrestes, começa a antipatia de Lobato por Getúlio Vargas e seu infortúnio.O petróleo Após implantar a Companhia Petróleos do Brasil, e graças à grandefacilidade com que foram subscritas suas ações, Monteiro Lobato fundou váriasempresas para fazer perfuração de petróleo, como a a Companhia PetróleoNacional, a Companhia Petrolífera Brasileira e a Companhia de Petróleo Cruzeirodo Sul, e a maior de todas (fundada em julho de 1938) a Companhia Mato-grossense de Petróleo, que visava perfurar próximo da fronteira com a Bolívia,país vizinho que já havia encontrado petróleo em seu território.[3]. Com issoLobato prejudicou os interesses de gente muito importante na política brasileira, ede grandes empresas estrangeiras. Começava a luta que o deixou pobre, doentee desgostoso. Havia interesse oficial em se dizer que no Brasil não haviapetróleo. Tendo-os como adversários, passou a enfrentá-los publicamente. Por alguns anos, seu tempo foi dedicado integralmente à campanhado petróleo, e a sua sobrevivência garantiu-se pela publicação de históriasinfantis e da tradução magistral de livros estrangeiros, como O Livro da Selva, deRudyard Kipling (1933), O Doutor Negro, de Arthur Conan Doyle (1934), CaninosBrancos (1933) e A Filha da Neve (1934), ambos de Jack London, entre outros.Teimava em dizer que era preciso explorar o petróleo nacional para dar ao povoum padrão de vida à altura de suas necessidades. Tentou, sem êxito, organizaruma companhia petrolífera mediante subscrições populares. Muitas dificuldades apareceram e, mesmo assim, sua produçãoliterária manteve-se e chegou ao ápice. Em América (1932) publicou as suasprimeiras impressões sobre a luta na qual se engajara. Em seguida vieramHistória do Mundo para Crianças (1933), Na Antevéspera e Emília no País daGramática (1934), na qual defendia uma gramática normativa revisada. Mesesdepois, seu livro História do Mundo Para Crianças sofreu crítica, censura eperseguição da Igreja Católica. O padre Sales Brasil escreveu um libelo contraLobato chamado "A literatura infantil de Monteiro Lobato ou comunismo paracrianças". Aceitou o convite para ingressar na Academia Paulista de Letras e,com isso, apresentou um dossiê de sua campanha em prol do petróleo, OEscândalo do Petróleo (1936) [4], no qual acusava o governo de "não perfurar enão deixar que se perfure". O livro esgotou várias edições em menos de um mês.Aturdido, o governo de Getúlio Vargas proibiu e mandou recolher todas asedições. Em seguida, morreu Heitor de Moraes, seu correspondente e grandeamigo. Com isso, criou a União Jornalística Brasileira, uma empresadestinada a redigir e distribuir notícias pelos jornais. Em fevereiro de 1939morreu Guilherme, seu terceiro filho.
  15. 15. Ver artigo principal: Companhia Petróleos do BrasilCuriosamente o petróleo no Brasil seria encontrado, por uma ironiada história, em um local chamado Lobato (Salvador), em 1939, e,justamente pelo então ministro da agricultura Dr. Fernando de SouzaCosta, que fora justamente o secretário da agricultura do Dr. JúlioPrestes, que, na década de 1920, procurara petróleo em São Paulo.
  16. 16. O fim Mesmo em liberdade, Monteiro Lobato não teve mais tranquilidade,e seu filho mais velho, Edgar, morreu em fevereiro de 1942, exatamente trêsanos depois do falecimento de Guilherme. Em 1943 foi fundada a Editora Brasiliense por Caio Prado Júnior,que negociou com Lobato a publicação de suas obras completas. Logo emseguida, por ironia do destino, recusou a indicação para a Academia Brasileira deLetras. Entretanto integrou a delegação paulista do I Congresso Brasileiro deEscritores reunidos em São Paulo, que divulgou, no encerramento, umadeclaração de princípios exigindo legalidade democrática como garantia dacompleta liberdade de expressão do pensamento e redemocratização plena dopaís. Suas companhias foram liquidadas e a censura da ditadura faz comque Lobato se aproximasse dos comunistas, chegando a receber convite doPartido Comunista para integrar a bancada de candidatos. Foi na prisão, noEstado Novo, que Lobato fez seus primeiros contatos com os comunistas. Lobatorecusou o convite para entrar na vida pública, mas enviou uma nota de saudaçãoque foi lida por Luís Carlos Prestes num grande comício realizado em 1945, noestádio do Pacaembu. Meses depois foi publicado Nasino, edição italiana deNarizinho,Abalado, Monteiro Lobato enviou uma carta ao ministro de Agricultura, queprecipitara a abertura de um inquérito sobre o petróleo. Recebeu convite deGetúlio Vargas para dirigir um ministério de Propaganda, mas Lobato recusou.Numa outra carta ao presidente, fez severas críticas à política brasileira deminérios [5]. O teor da carta foi tido como subversivo e desrespeitoso e isso fezcom que fosse detido pelo Estado Novo, acusado de tentar desmoralizar oConselho Nacional do Petróleo, ironicamente presidido à época pelo general HortaBarbosa que foi o responsável por colocar Lobato atrás das grades do PresídioTiradentes [6] e que, abraçando as ideias de Lobato, se tornaria em 1947 um dosmaiores líderes da nacionalista Campanha do Petróleo. Lobato foi condenado aseis meses de prisão, e permaneceu encarcerado de março a junho de 1941. Uma campanha promovida por intelectuais e amigos conseguiu fazercom que Getúlio Vargas concedesse o indulto que o libertaria, reduzindo a penade seis para três meses na prisão. Apesar disso, Lobato continuou sendoperseguido e o governo fazia de tudo para abafar suas ideias. Foi então quepassou a denunciar as torturas e maus tratos praticados pela polícia do EstadoNovo.
  17. 17. Ilustrada por Vincenzo Nicoletti. Em maio A Menina do Narizinho Arrebitado foitransformada em radionovela para crianças pela Rádio Globo no Rio de Janeiro. Tornou-se diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS, mas foiobrigado a se afastar do cargo em setembro de 1945, quando foi levado para seroperado às pressas de um cisto no pulmão. A entrevista que concedeu ao Diáriode São Paulo causou grande repercussão e, em 1946, muda-se para BuenosAires, na Argentina, "atraído pelos belos e gordos bifes, pelo magnífico pãobranco e fugindo da escassez que assolava o Brasil", conforme declarou àimprensa. Antes de partir, tornou-se sócio da Editora Brasiliense a convite deCaio Prado Júnior que, na sua editora, preparava as Obras Completas játraduzidas para o espanhol e editadas na Argentina. Em outubro fundou aEditorial Acteon, com Manuel Barreiro, Miguel Pilato e Ramón Prieto. As obras deLobato caem em domínio público em 2018. Voltou em 1947 por não se ambientar ao clima local e, ementrevista aos repórteres que o aguardavam no aeroporto, classificou o governode Eurico Gaspar Dutra de "Estado Novíssimo, no qual a constituição seriapendurada (suspensa) num ganchinho no quarto dos badulaques". Dessaindignação surgiu o seu último livro Zé Brasil, publicado pela Editorial Vitória, emque Lobato mais uma vez reelaborava o seu personagem Jeca Tatu,transformando-o em trabalhador sem-terra e esmagado pelo latifúndio. Diante daproibição das atividades do Partido Comunista em todo o país, determinada peloministro da Justiça, escreveu A Parábola do Rei Vesgo para um comício deprotesto, lido e aclamado pela multidão reunida no Vale do Anhangabaú, na noitede 18 de junho. O texto refletia o desencanto de Lobato com a democraciarestritiva do general Dutra. Em dezembro foi a Salvador assistir a operetaNarizinho Arrebitado. Lobato escreveria novo libreto para o espetáculo,considerado a sua última criação infantil. Publicou O Problema Econômico deCuba, também a sua última tradução. Em abril de 1948 sofreu um primeiro espasmo vascular que afetoua sua motricidade. Mesmo assim, afiliou-se à revista Fundamentos e publicou osfolhetos De Quem É o Petróleo na Bahia e Georgismo e Comunismo. Dois dias após conceder a Murilo Antunes Alves, da Rádio Record,a sua última entrevista, na qual defendeu a Campanha de O Petróleo é Nosso,Monteiro Lobato sofreu um segundo espasmo cerebral e faleceu às 4 horas damadrugada, no dia 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade. Sob forte comoçãonacional, seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal de São Paulo e osepultamento realizado no Cemitério da Consolação. O Repórter Esso, na voz de Heron Domingues, assim anunciou suamorte, depois de um pequeno silêncio: “E agora uma notícia que entristece a todos: Acaba de falecer ogrande escritor patrício Monteiro Lobato!” – Heron Domingues
  18. 18. Sua vida e sua obra ainda hoje servem de inspiração e exemplo para milhares decrianças, jovens e adultos do Brasil.Disputa Em 1996, os herdeiros de Monteiro Lobato tomaram a iniciativa desugerir à Editora Brasiliense, até então detentora única das obras (conformeacordo assinado entre Lobato e Caio Prado Júnior em 1945) a reformulação doslivros e da coleção infantil, a fim de que apresentassem um aspecto modernocom relação a ilustrações coloridas e nova paginação. Essas tentativas continuaram em 1997 e fracassaram,simplesmente porque a editora não efetuou o investimento necessário,continuando a publicar os livros com ilustrações em branco e preto como fazia hádécadas e continuou a fazer. Com isso, desde 1998, a obra de Monteiro Lobatovirou centro de uma polêmica entre a Brasiliense e os herdeiros, que a acusamde negligenciar a obra. Há o desejo de uma divulgação maior e edições melhores.Entre os editores há o desejo de reciclar o texto dos livros. São várias as ações movidas pelos herdeiros contra a Brasiliense,como contrato de cessão a terceiros (no caso à Editora Saraiva) e a publicaçãode um livro falsamente atribuído a Monteiro Lobato, que a editora intitulou ContosEscolhidos, sem autorização da família. Por outro lado, a Brasiliense alega ter umcontrato ad infinitum assinado por Monteiro Lobato quando vivo.Em setembro de 2007, por meio de acordo com os herdeiros, o STJ estabeleceua rescisão contratual definitiva e concedeu à Editora Globo os direitos exclusivossobre a obra de Monteiro Lobato, até 2018, ano em que o legado do autor deveráentrar em domínio público, pois se passarão 70 anos de sua morte.ObraLivros infantis O livro que lançou Lobato foi "A menina do narizinho arrebitado",em 1920, nunca reeditado, exceto em uma pequena edição fac simile em 1981, ehoje considerada uma obra rara tanto a primeira edição quanto a edição facsimile. A maioria das histórias de seus livros infantis se passavam no Sítio doPicapau Amarelo, um sítio no interior do Brasil, tendo como uma daspersonagens a senhora dona da fazenda Dona Benta, seus netos Narizinho ePedrinho e a empregada Tia Nastácia. Esses personagens foramcomplementados por entidades criadas ou animadas pela imaginação dascrianças na história: a boneca irreverente Emília e o aristocrático boneco desabugo de milho Visconde de Sabugosa, a vaca Mocha, o burro Conselheiro, oporco Rabicó e o rinoceronte Quindim.
  19. 19. No entanto, as aventuras na maioria se passam em outros lugares: ou num mundode fantasia inventados pelas crianças, ou em histórias contadas por Dona Benta nocomeço da noite. Esses três universos são interligados para a histórias e lendascontadas pela avó naturalmente se tornarem cenário para o faz-de-conta,incrementado pelo dia-a-dia dos acontecimentos no sítio.Coleção Sítio do Picapau Amarelo•1921 - O Saci•1922 - Fábulas•1927 - As aventuras de Hans Staden•1930 - Peter Pan•1931 - Reinações de Narizinho•1932 - Viagem ao céu•1933 - Caçadas de Pedrinho•1933 - História do mundo para as crianças•1934 - Emília no país da gramática•1935 - Aritmética da Emília•1935 - Geografia de Dona Benta•1935 - História das invenções•1936 - Dom Quixote das crianças•1936 - Memórias da Emília•1937 - Serões de Dona Benta•1937 - O poço do Visconde•1937 - Histórias de Tia Nastácia•1939 - O Picapau Amarelo•1939 - O minotauro•1941 - A reforma da natureza•1942 - A chave do tamanho•1944 - Os doze trabalhos de Hércules (dois volumes)•1947 - Histórias diversasOutros livros infantis. Alguns foram incluídos, posteriormente, nos livros da série OSítio do Picapau Amarelo. Os primeiros foram compilados no volume Reinações deNarizinho, de 1931, em catálogo apenas como tal até os dias atuais.•1920 - A menina do narizinho arrebitado•1921 - Fábulas de Narizinho•1921 - Narizinho arrebitado (incluído em Reinações de Narizinho)•1922 - O marquês de Rabicó (incluído em Reinações de Narizinho)•1924 - A caçada da onça•1924 - Jeca Tatuzinho•1924 - O noivado de Narizinho (incluído em Reinações de Narizinho, com o nome deO casamento de Narizinho)
  20. 20. •1928 - Aventuras do príncipe (incluído em Reinações de Narizinho)•1928 - O Gato Félix (incluído em Reinações de Narizinho)•1928 - A cara de coruja (incluído em Reinações de Narizinho)•1929 - O irmão de Pinóquio (incluído em Reinações de Narizinho)•1929 - O circo de escavalinho (incluído em "Reinações de Narizinho, com o nomeO circo de cavalinhos)•1930 - A pena de papagaio (incluído em Reinações de Narizinho)•1931 - O pó de pirlimpimpim (incluído em Reinações de Narizinho)•1933 - Novas reinações de Narizinho•1938 - O museu da Emília (peça de teatro, incluída no livro Histórias diversas)Livros para adultos•O Saci Pererê: resultado de um inquérito (1918)•Urupês (1918)•Problema vital (1918)•Cidades mortas (1919)•Ideias de Jeca Tatu (1919)•Negrinha (1920)•A onda verde (1921)•O macaco que se fez homem (1923)•Mundo da lua (1923)•Contos escolhidos (1923)•O garimpeiro do Rio das Garças (1924)•O choque (1926)•Mr. Slang e o Brasil (1927)•Ferro (1931)•América (1932)•Na antevéspera (1933)•Contos leves (1935)•O escândalo do petróleo (1936)•Contos pesados (1940)•O espanto das gentes (1941)•Urupês, outros contos e coisas (1943)•A barca de Gleyre (1944)•Zé Brasil (1947)•Prefácios e entrevistas (1947)•Literatura do minarete (1948)•Conferências, artigos e crônicas (1948)•Cartas escolhidas (1948)•Críticas e outras notas (1948)•Cartas de amor (1948)
  21. 21. InfluênciasO Gato Félix, clássico da animação, teve um sósia impostor nas histórias do Sítio. Popeye apareceu nos livros de Lobato como um mau sujeito, porque em 1930 o personagem era um marinheiro encrenqueiro e mal-humorado, e só na metade da década de 1930 é que ele mudou de personalidade Lobato ostensivamente revelava, em seus livros, as influências que recebeu diretamente dos autores de obras infantis, desde os fabulistas clássicos, como Esopo e La Fontaine, aos personagens dos desenhos animados que então surgiam nas telas do cinema, como Popeye e sua trupe, o Gato Félix e outros. As crianças do Sítio visitavam e eram visitados por todas personagens do imaginário literário, e Peter Pan convivia ao lado de figuras folclóricas, como o Saci, tudo isto permeado pela forte presença de uma característica então comum no meio rural: a tradição oral de "contar histórias" - e quase sempre é assim que Tia Nastácia e Dona Benta introduzem aos leitores, os novos assuntos que dão mote aos livros do autor. Dentre os clássico explicitamente citados por Lobato, encontram-se Lewis Carroll, Carlo Collodi (criador do Pinóquio) e J. M. Barrie, além de outros que, presume-se, tenham-no influenciado diretamente, dada as semelhanças, como L. Frank Baum (de O Mágico de Oz) e Wilhelm Busch. O Sítio na televisão Os livros infantis de Monteiro Lobato foram transformados em cinco séries de televisão de bastante sucesso, a primeira na TV Tupi de São Paulo, e que foi exibida de 3 de junho de 1952 a 1962, ao vivo, pois não havia ainda o videotape e foi adaptada pela escritora Tatiana Belinky, sendo a mais fiel ao original de todas as adaptações para a televisão. Nada restando desse programa, exceto algumas fotos, pois seus episódios não eram gravados. Em 1957, a TV Tupi do Rio de Janeiro também transmitiu um Programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, diferente do programa paulista,
  22. 22. pois não havia, na época, transmissão em rede nacional, nem transmissão deimagens via tronco de micro-ondas da Embratel. Participaram do Sítio no Rio deJaneiro: Cláudio Cavalcanti e Daniel Filho. A segunda, na TV Cultura de São Paulo, em 1964. A terceira na RedeBandeirantes, em 12 de dezembro de 1967. A quarta na Rede Globo, de 7 demarço de 1977 a 31 de janeiro de 1986. A quinta, também na Rede Globo, de12 deoutubro de 2001 até 2 de Dezembro de 2007, a série chamada Sítio do PicapauAmarelo. Ambas as séries da Globo misturam histórias originais de Monteiro Lobatocom textos inspirados em temas atuais.A UTILIDADE DE CADA HISTÓRIALobato escreveu 23 obras infantis. hoje elas são publicadas pela editora Brasiliense naColeção Sítio do Picapau Amarelo. Olhe o que você vai encontar em cada um: REINAÇÕES DE NARIZINHOPublicado em 1920 com o titulo de A menina do nariz arrebitado, é a primeira obra infantildo escritor. Comece o trabalho com este livro, que apresenta o sitio e seus personagens empequenas historias. Elas contam grandes aventuras e podem ser lidas isoladamente. Porisso são boas para a fase de alfabetização VIAGENS AO CÉUPedrinho, Narizinho, Emília, Tia Nastácia e o Burro Falante viajam para o espaço sideralusando o mágico pó de pirlimpimpim. A historia pode ser útil para aulas de ciências, poiscontém muitas informações sobre o sistema solar. O SACIO Saci conta como Pedrinho conseguiu prender um saci pererê em uma garrafa. A obra éótima pra apresentar às crianças personagens e histórias do folclore brasileiro. CAÇADAS DE PEDRINHOPerseguindo uma onça pintada as crianças encontram o Rinoceronte Quindim. A história decaçadas é boa para primeiro e segundo anos. AVENTURAS DE HANS STADENAventuras fala do alemão Hans Staden, que naufragou nas costas do Brasil em 1553 e foiprisioneiro dos índios tupinambás. É útil paras as aulas de histórias sobre a chegada doseuropeus ao Brasil. HISTÓRIAS DO MUNDO PARA CRIANÇASO livro ajuda o aluno a ter noção de linha do tempo. è adequado para turmas de 1º a 4ºanos. Fala de acontecimentos importantes, da criação do universo à Segunda GuerraMundial. Trabalhar com trechos pode esclarecer determinados fatos históricos. O textopassa a idéia de que a história é feita por heróis. Uma tese ultrapassada. Discuta essa visãocom a classe. EMÍLIA NO PAÍS DA GRAMÁTICAO pessoal do sitio viaja para o País da Gramática e lá descobre os mecanismos defuncionamento do Português e a origem de algumas palavras.
  23. 23. ARITMÉTICA DA EMÍLIATrata de operações com frações e sistema decimal, entre outros temas.MEMÓRIAS DA EMÍLIANeste livro, Emília a boneca da sua opinião sobre valores como verdade, mentira, justiça epoder. Por isso o livro gera discussões éticas.PETER PANAqui Lobato reconta a história do menino que não queria crescer, criado pelo inglês J. M.Barrie. Comparar a obra com filmes e desenhos animados também baseados em Barriemostrará aos alunos que toda história pode ter diferentes versões.GEOGRAFIA DE DONA BENTAA turma do sitio embarca num navio imaginário e vai para vários países. O livro é ótimopara ensinar Geografia em todo o primeiro grau. Além disso, faz referencias a regiões doBrasil. Você pode recomendar a obra toda ou selecionar trechos. Como o livro foi escritoem 1935, compare as informações com a realidade de hoje.SERÕES DE DONA BENTADiversos conceitos de ciências são explicados em linguagem simples por D. Benta emSerõers. Selecione trechos de acordo com os temas que estiver trabalhando.HISTÓRIAS DAS INVENÇÕESMostra como o homem foi evoluindo, da pré-história ao século XX. O professor Raimundode Campos, do Colégio Equipe, escola particular de São Paulo recomenda o livro para 6ªsérie.DOM QUIXOTE DAS CRIANÇASLobato reescreveu o clássico do espanhol Miguel de Cervantes (1547 – 1616). No livro, D.Benta conta a história de Dom Quixote para as crianças. útil em aulas sobre Idade Média eRenascimento. Dom Quixote permite, ainda discussões sobre o estilo de texto e versõesda mesma história.O POÇO DO VISCONDEOrientado pelo Visconde e Sabugosa, a turma do Picapau Amarelo abre um poço depetróleo no sitio. Lobato fez da história um panfleto para defender a nacionalização daprodução de petróleo, campanha em que se empenhou nos anos 30. Aproveite o textocomo partida para aulas de História do Brasil sobre o primeiro governo do presidenteGetúli Vargas (1930-1945)HISTÓRIAS DE TIA NASTÁCIAColetânea de 43 histórias folclóricas que tia Nastácia conta às crianças do sitio. Entreelas, uma versão à brasileira do conto de fadas João e Maria. Com textos curtos eindependentes, o livro é ótimo para leitores iniciantes. Você pode aproveitá-lo paraexplicar o conceito de cultura popular e falar sobre o folclore brasileiro.O PICAPAU AMARELOMistura personagens mitológicos e contos de fadas com o pessoal do sitio. A obra é útilpara ensinar História e Português.O MINOTAUROA turma do sitio visita a Grécia Antiga em O Minotauro. O livro pode entrar em aulas dehistória, mas exige algum conhecimento sobre cultura grega.
  24. 24. A REFORMA DA NATUREZA Emília aproveita uma viagem de D. Benta para mudar algumas coisas da natureza. Põe abóboras em árvores e jabuticabas em plantas rasteiras. Além de discutir temas filosóficos e políticos, o livro é útil para aulas de Ciências e Ecologia. A CHAVE DO TAMANHO Emília diminui a estatura de adultos e crianças a poucos centímetros. Da história podem surgir discussões sobre poder, ética e guerra. (Nova Escola- março 1997) Referências bibliográficas 1.Segundo a obra Monteiro Lobato/ por Paulo Martinez - São Paulo: Ícone, 2000 - (Série pensamento americano/ coordenador da série Wanderley Loconte) e Monteiro Lobato/ por Marcia Kupstas - São Paulo editora Ática, 1988, a data correta seria o dia 5 de julho de 1948, uma diferença de poucas horas entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5 faz as fontes divergirem 2.Nosso Lobato. Jornal da Unicamp 3.MONTEIRO LOBATO, José Bento Renato. O escândalo do petróleo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1ª EDIÇÃO, 1936. 4.MONTEIRO LOBATO, José Bento Renato. Carta ao Presidente Getúlio Vargas. São Paulo: São Paulo, 20 de janeiro de 1935 5.SACCHETA, Vladimir. Petróleo ainda que tarde. 6.A última entrevista de Monteiro Lobato. Página visitada em 7 de novembro de 2010. •AZEVEDO, C. L. de, CAMARGOS, M., SACCHETTA, V., Monteiro Lobato Furacão na Botocúndia, Editora Senac, 1997. •BRASIL, Padre Sales, A literatura infantil de Monteiro Lobato ou comunismo para crianças, Editora Livraria Progresso, 1957. •CAVALHEIRO, Edgar, Monteiro Lobato - Vida e Obra, 2 volumes, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1955. •LAJOLO, Marisa, CECCANTINI, João Luís, Monteiro Lobato Livro a Livro, São Paulo, Edunesp, 2009. REFERÊNCIAS •LOBATO, Monteiro. Pedrinho e o saci. Ed. brasiliense •LOBATO, Monteiro. O nascimento do visconde. Ed. Brasiliense •LOBATO, Monteiro. Histórias de Tia Nastácia. •LOBATO, Monteiro. A Reforma da natureza. •LOBATO, Monteiro. A Pílula falante. •LOBATO, Monteiro. O Saci •LOBATO, Monteiro. As jabuticabas•.
  25. 25. •LOBATO, Monteiro. Histórias das invenções.•LOBATO, Monteiro. Fábulas•LOBATO, Monteiro. Histórias diversasLivros sobre as obras e a vida de Monteiro LobatoMesa com Monteiro Lobato Autor: Camargos, Marcia; Sacchetta, Vladimir Editora: Senac São PauloMonteiro Lobato - Um Brasileiro Sob Medida Autor: Lajolo, Marisa Editora: ModernaJuca e Joyce - Memórias da Neta de Monteiro Lobato - Série Imagem &Texto Autor: Camargos, Marcia Editora: ModernaMonteiro Lobato Furacão na Botocundia Autor: Azevedo, Carmen Lucia de Editora: Senac São PauloMonteiro Lobato - Livro a Livro Autor: Ceccantini, João Luís; Lajolo, Marisa Editora: UNESPAs Águas Claras de Monteiro Lobato: Uma Leitura Psicanalítica Autor: Stella Maris Souza da Mota Editora: EdufalBiografias Brasileiras - Monteiro Lobato Autor: Santa Rosa, Nereide Schilaro Editora: CallisCrianças Famosas - Monteiro Lobato Autor: Santa Rosa, Nereide Schilaro Editora: CallisDireito & Literatura - Anatomia de um Desencanto - Desilusão Jurídica emMonteiro Lobato Autor: Godoy, Arnaldo Sampaio de Moraes Editora: JuruaLobato Humorista - A Construção do Humor nas Obras Infantis de Monteiro Lobato Autor: Duarte, Lia Cupertino Editora: UnespMonteiro Lobato - Intelectual, Empresário, Editor - Coleção Memória Editorial
  26. 26. Autor: Koshiyama, Alice M. Editora: EduspMonteiro Lobato - Pensamento Americano Autor: Martinez, Paulo Editora: IconeMonteiro Lobato : O Editor do Brasil Autor: Nunes, Cassiano Editora: ContrapontoMonteiro Lobato e o Espiritismo Autor: Ribas, Maria Jose Sette Editora: LachatreNem Ponto Nem Vírgula - Estudos Sobre Monteiro Lobato Autor: Silva, Vera Maria Tietzmann Editora: CânoneO Ficcionista, Monteiro Lobato Autor: Barbosa, Alaor Editora: Brasiliense

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