Revista C&S 21 junho/julho 2012

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Ciclomídia na Revista Comércio & Serviços, início da matéria na página 29.

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Revista C&S 21 junho/julho 2012

  1. 1. ISSN 1983-1390 00021 9 771983 139001revista comércio & serviços publicação da federação do comércio de bens, serviços e turismo do estado de são paulo ANO 21 • Nº 21 • JUNHO/JULHO • 2012 se ja bem-v indo Taxas em Inves t ir em mão de obra liquidação qu alif ic ad a f ideliza clientes, sabia? Como o varejo e o consumidor devem tirar proveito da onda de cortes dos juros a r e na a lv inegr a C & S v isita obra s do es tádio do Cor inthians, templo d a ab er t ura d a Copa 2014 5X 2X aceitamos voos a lTos crédito P r ivat izaç ão e aumento de %off demand a vão mud ar os negó c ios nos aerop or tos. Aproveite ... ... suaves 000 xxx parcelas.. di v er sida de bel a Revelamos como o merc ado de nicho p o de at rair to dos os t ip os de consumidores
  2. 2. ÕESQUER SOLUÇ O ESTIMENTBUSCA INV Aqui, 15 e 16 tudo gira out.2012 em torno 12h às 20h Exposição e Conferência de Inovação e Empreendedorismo de Base Tecnológica da inovação. Apoio
  3. 3. ES TEM SOLUÇÕ TIDOR BUSCA INVES Um grande mapeamento da inovação no Brasil: se você busca novos negócios, já sabe onde vai encontrar. A Expocietec 2012 vai reunir quem pensa, faz, promove e busca inovação nas startups. Será o grande ponto de encontro de incubadoras, parques tecnológicos, novos empreendedores, compradores e investidores do Brasil. Um evento voltado para quem quer fazer negócios com serviços, produtos e oportunidades inovadoras. Uma vitrine de possibilidades para você. Participe e inscreva-se. Exposição – Seed Forum – Rodadas de Negócios – Palestras – Espaços de Fomento Entrada Franca. Cadastre-se antecipadamente pelo site www.expocietec.com.brFecomercioSP - Rua Doutor Plínio Barreto, 285 CEP: 01313-020 - Bela Vista - São Paulo - SP Realização
  4. 4. C A RTA AO L EI TORCortar mais,para crescer Aqui tem a presença do comercioA taxa Selic no patamar de 8,5% au- importante que o Senac moldou cur- Presidente Abram Szajman Diretor Executivo Antonio Carlos Borgesmentou o movimento de emprésti- so sobre técnicas de comércio, com omos dos bancos. São pessoas tanto objetivo de formar profissionais defísica como jurídica interessadas excelência na área, além de oferecerem novos financiamentos, a custos aconselhamento sobre o tema. Os Conselho Editorialmenos salgados. Os líderes dessas lojistas que fazem a diferença são Ives Gandra Martins, José Goldemberg, Paulo Rabelloofertas são os bancos estatais. O exemplos de sucesso de vendas. Por de Castro, Cláudio Lembo, Renato Opice Blum, José Pastore, Adolfo Melito, Jeanine Pires, Paulo Feldmann,Banco do Brasil promoveu um apor- sua importância para o comércio, o Pedro Guasti, Antonio Carlos Borges, Luciana Fischer,te adicional de R$ 27 bilhões para as assunto é focado em duas reporta- Luiz Antonio Flora, Romeu Bueno de Camargo, Fabio Pina e Guilherme Dietzelinhas voltadas às micro e peque- gens e também se destaca na entre-nas empresas. Outros R$ 16 bilhões vista de Jaime Drummond, criador e Editoradestinaram-se a pessoas físicas. Na presidente da Mahogany. Diretor de comunicação e editor chefe Jander RamonCaixa Econômica Federal, somente Diretor de conteúdo André Rochaem maio, foram abertas mais de 280 Atentar para oportunidades de ne- Editora executiva Selma Panazzomil novas contas de pessoas atraídas gócios é outro ponto vital para o Editora assistente Denise Ramiropela redução nos juros. Uma evo- lojista. Esta edição de C&S mostra Projeto gráficolução de 26,3% em relação a abril. três nichos exemplares. O segmentoO incremento no ritmo de abertura de moda diferenciada, que atende a atendimento@designtutu.com.brde contas para empresas também tamanhos plus size, consumidoras Editores de Arte Clara Voegeli e Demian Russofoi expressivo. Foram 42 mil contas evangélicas e pessoas anãs; lojas Chefe de Arte Carolina Lusser Designer Ângela Baconabertas em maio, ou 39,3% a mais próximas a ciclovias, que oferecem Assistentes de Arte Camila Marques e Cristina Sanoque no mês anterior. Esse movimen- tratamento personalizado aos ci- Publicidadeto, contudo, ainda não está dissemi- clistas e estabelecimentos que fun- Original Brasil - Tel.: (11) 2283-2365 comercioeservicos@originaldobrasil.com.brnado por todo o mercado financeiro, cionam dentro dos aeroportos, em Colaboram nesta ediçãoque continua justificando a alta dos espaços que se tornaram ainda mais Andrea Ramos Bueno, Didú Russo, Enzo Bertolini,juros pelo custo dos insumos e risco valorizados a partir da privatização. Gabriel Pelosi, Juliano Lencioni, Patricia Queiroz, Paulo Feldmann, Raphael Ferrari e Thiago Rufinode inadimplência. Embora o consu- Fotos Ed Viggiani, Christian Gaul, Felipe Araújo Lima,midor esteja tomador de emprésti- O comércio, responsável por 4% do PIB, Olicio Pelosi, Pedro Curi e Ricardo Lisboamo, estudos da FecomercioSP já pro- continua com perspectiva de desempe- Jornalista responsável Jander Ramon MTB 29269varam que não está esgotada a sua nho positivo. A queda dos juros básicos Impressão Gráfica IBEPcapacidade de endividamento. Essa traz alento, embora ainda não tenha Fale com a gente cs@fecomercio.com.brnova realidade do crédito e qual é sido repassada integralmente Redaçãoseu fôlego são o tema da reportagem ao consumidor. Novos cortes, Rua Itapeva,26, 11º andarde capa desta edição. não apenas da Selic, mas, so- Bela Vista – CEP 01332-000 - São Paulo/SP Tel.: (11) 2361 1571 bretudo, dos juros cobradosO comércio deve ficar atento para pelos bancos, são o cami- Errata: A grafia correta do nome da presidente da Sorridents – entrevistada da C&S nº 20 – éconquistar e fidelizar esse cliente nho para garantir um Dra. Carla Renata Sarni.mais ávido por compras. Para isso não crescimento com- Permitida a trascrição de matéria desde que citada a fonte. Registro Civil de Pessoas Jurídicas, Livro B-3,bastam vitrines chamativas e promo- patível com as sob o número 2904. Nota: as declaraçõesções. O mercado vendedor precisa en- potencialidades consubstanciadas em artigos assinados não são de responsabilidade da FecomercioSP.cantar o consumidor com um atendi- e necessidades Abram Szajmanmento diferenciado. Esse ponto é tão do País. Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entidade que administra o Sesc e o Senac no Estado4 2012 • edição 21 • junho / julho
  5. 5. ÍNDICE 18 o custo do dinheiro Taxas de juros recuam mas ainda é difícil conseguir crédito na praça Jaime Drummond A renovação dos aeroportos 8 Presidente da Mahogany comenta 46 Lojasprivatização e aumentonovos negócios com em aeroportos atraem de movimento o setor de produtos de beleza Do PP ao extra GG, Servimos bem para servir sempre o que importa é vestir bem 14 Lojistas investem em treinamentocliente para 52 Comércio especializado em nichos atraem cada vez mais consumidores qualificar atendimento e fidelizar Atual lei eleitoral Franquia em casa prejudica a pequena empresa 26 Paulo Roberto Feldmann analisa o efeito 56 O home-based éoumanuma modalidade de franquia que transforma lar nova central de negócios do período eleitoral nas pequenas empresas Vai fazer compras? Vá de bike São Paulo do futuro 28 Comércio se prepara para atender 58 O Plano SP2040 prevê melhorias o consumidor ciclista que cresce na cidade para a população paulistana Da Zona Leste para o mundo AGENDA CIRCUITO 32 C&S visita as obras da arena do Corinthians 60 CULTURAL 62 DE festas que receberá o jogo de abertura da Copa de 2014 juninas MIXLEGAL ECONOMIX O vinho e as salvaguardas 38 39 64 Didú Russo analisa os efeitos das salvaguardas na importação de vinhos e o impacto no setor Devedores do ICMS terão juros menores Medida apesar de positiva pode ser Comunicação nas 40 ineficiente para diminuir inadimplência 65 mais variadas formas Soluções simples, grandes resultados Sinal dos tempos Ataques virtuais requerem investimentos 66 42 em segurança para evitar perdas 2012 • edição 21 • junho / julho 5
  6. 6. 50% Planos até mais barato.2SulAmérica: Unimed Paulistana: Omint:
  7. 7. Meu plano de saúde não cobre o médico e o hospital que eu prefiro pra me tratar. E agora? Empregador do Comércio: não se preocupe. Com a parceria da FECOMERCIO-SP com a Qualicorp, os planos de saúde que oferecem os melhores médicos, hospitais e laboratórios do Brasil já estão ao seu alcance.1 Ligue e confira: 0800 777 4004 Ou acesse: www.qualicorp.com.brPlanos de saúde coletivos por adesão, conforme as regras da ANS. Informações resumidas. Condições contratuais Qualicorp Adm.disponíveis para análise. 1A comercialização dos planos respeita a área de abrangência da respectiva operadora. A coberturade hospitais e laboratórios, bem como de honorários profissionais, se dá conforme a disponibilidade da rede médica e as de Benefícios:condições contratuais de cada operadora e categoria de plano. ²Em comparação a produtos similares no mercado de planosde saúde individuais (tabela de maio/2012 – Omint). Junho/2012
  8. 8. EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho gany POR Patrícia Queiroz fOTOs ed viggiani o segredo está no atendimentoe ngenheiro mecânico formadopela Universidade Federal do Rio de ria é de franqueadas de uma rede que ele mesmo criou. Com previsão deJaneiro (UFRJ), esse carioca de 63 anos faturamento este ano na casa dos R$viu no setor a chance de um negócio 50 milhões, a companhia viu, no anopróspero. Começou em 1981 em so- passado, aproximadamente 1,5 milhãociedade com um cunhado comercia- de clientes circularem em suas insta-lizando desodorantes, bronzeadores e lações franqueadas e próprias. As lo-fragrâncias para grandes redes varejis- jas terceirizadas devem ter receita emtas. Anos depois optou por voo solo e torno dos R$ 100 milhões neste ano. “Ofundou empresa própria, a Mahogany, segredo, além do bom produto, está noque tinha o mesmo foco de produção. bom atendimento”, conta.Alguns tropeços pelo caminho o fi- Vendas diretas ou mais investimen-zeram rever os planos. Hoje, 20 anos tos em lojas próprias não fazem partedepois, comemora uma história de su- dos seus planos, ao menos por agora.cesso: dos pequenos pontos de venda “Uma rede franqueada com um siste-instalados timidamente em farmá- ma de qualidade e que funcione, alémcias e perfumarias contabiliza151 lojas da atenção constante que o negócioinstaladas em 70 cidades ao redor do requer, gera retornos já bastante ali-País. Desse total, a esmagadora maio- nhados às nossas perspectivas”, avalia.8 2012 • edição 21 • junho / julho
  9. 9. apaiXonado por kart, Jaime drummond, Criador e preSidente de uma daS marCaS de CoSmétiCoSqueridinhaS do merCado – a mahoGanY –, tira daS piStaS anaLoGia de Como Ganhar poSição 2012 • edição 21 • junho / julho 9
  10. 10. EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho gany “ C&S engenheiro mecÂnico de formaÇão, como foi sua entra- da no mercado de cosméticos? a mahogany conta hoje com 420 produtos, Jaime drummond Concluí no Rio mas estamos sempre pensando em novas de Janeiro, em 1971, o curso de enge- nharia mecânica pela UFRJ. Durante oportunidades para inovar. no ano passado, 10 anos trabalhei na área, mas, em por exemplo, lançamos 108 novos. todos pensados 1980, resolvi vir com minha então es- osasco, na grande São paulo. “ e desenvolvidos no nosso parque industrial, de posa tentar algo novo em São Paulo. Na capital, ela tinha um irmão que trabalhava como representante de perfumaria artesanal. Achei o negó- cio interessante e apostei. Decidimos juntos profissionalizar essa oferta de perfumes, organizando os fornece- dores e dando a eles a oportunidade de trabalhar para as grandes e mais importantes cadeias varejistas da época, como Mesbla e Mappin. A em- presa se chamava Cabeça Feita e era focada sempre no midlemarket. Che- gamos a ser um dos cinco maiores fabricantes de desodorante, o segun- do maior fabricante de bronzeador e ainda o quinto maior fabricante de fragrâncias no Brasil. Atuamos juntos dessa forma por 10 anos com bastante sucesso. como nasceu a mahogany? Em 1991 conversamos e resolvemos acabar a sociedade. Já com experiên- cia no ramo, resolvi manter a aposta e desenvolvi uma empresa própria, a Mahogany. A proposta era preencher uma demanda onde o varejo ainda era fraco, a de cuidados pessoais. Desenvolvemos então itens diversos acessíveis no preço e de alta quali- dade, como sabonetes, hidratantes e produtos capilares. Tudo voltado para homens e mulheres. Nessa época, mantivemos o que era desenvolvido na Cabeça Feita com a venda de nos- sos produtos para grandes redes de todo o Brasil. Durante oito anos a em-10 2012 • edição 21 • junho / julho
  11. 11. presa prosperou amplamente. Entre de Que forma isso ocorreu? Prova disso é que, no final de 2006, jáos anos de 1998 e 1999, infelizmente, Partimos para outro modelo, com es- tínhamos 10 lojas, localizadas entre Riotodo o setor varejista sofreu perdas paços próprios reservados em lojas, de Janeiro, São Paulo, Recife e Brasília,com as turbulências de mercado e como perfumarias e algumas farmá- sendo apenas uma própria, a de Sãopraticamente todas as lojas grandes cias. Chegamos a ter 200 desses tipos Paulo. A estratégia deu resultado. Provade departamento quebraram. Com de quiosques em todo o País e manti- disso é que, no final de 2006, já tínha-isso, perdemos 60% do nosso fatu- vemos esse tipo de negócio até 2004. mos 10 lojas, localizadas entre Rio deramento em um ano. Não tinha jeito. Com o tempo, vimos que não havia Janeiro, São Paulo, Recife e Brasília, sen-Tivemos que procurar outros canais uma parceria efetiva como o lojis- do apenas uma própria, a de São Paulo.de venda para não quebrar. ta. Isso porque a Mahogany cedia os produtos e uma série de vantagens Quantos produtos possuiQual era o tamanho da ao lojista com o compromisso dele atualmente?empresa na época? de reposição dos produtos tão logo A Mahogany conta hoje com 420Tínhamos 60 funcionários e receita de fossem comercializados. O que acon- produtos, mas estamos sempre pen-aproximadamente R$ 5 milhões anuais. tecia na prática era que o lojista não sando em novas oportunidades para repunha o nosso produto e ainda co- inovar. No ano passado, por exemplo,de Que forma locava outros no nosso espaço reser- lançamos 108 novos. Todos pensados eo negócio evoluiu? vado. Percebemos, novamente, que desenvolvidos no nosso parque indus-Hoje, internamente, o nosso negócio esse modelo não estava dando resul- trial, de Osasco, na grande São Paulo.é focado sempre no desenvolvimen- tados financeiros e para a construçãoto da marca e de novos produtos, da marcar. Novamente, vimos que com esse volume de produtosalém de toda a questão promocional lançávamos produtos, mas tínhamos e lojas, Quais as estimativase, claro, da qualidade. Trazemos o que o entrave com os pontos de venda. financeiras da mahogany?há de melhor no mundo no que diz No que diz respeito ao interesse porrespeito ao desenvolvimento de em- como a empresa solucionou novas franquias e seguindo nossobalagens e válvulas especiais essa Questão? movimento natural, devemos man- Em 2005 procuramos a Cherto, consul- ter uma evolução em torno de 15 acomo a mahogany sobreviveu toria local especializada em franquias, 20 lojas novas por ano. Essa rede,a essa Quebradeira dos e fizemos um estudo de viabilidade em 2011, faturou R$ 90 milhões e,varejistas? para tornar a marca uma rede franque- este ano, deve ter receita na casaResolvemos procurar outros canais adora. Com ela formatamos a arquite- dos R$ 100 milhões. Já a companhiade venda, como farmácias e autos- tura das lojas, dos uniformes, os tipos deve faturar algo em torno dos R$serviços, onde ficamos até aproxima- de contratos e, claro, toda a imagem e 50 milhões, com uma evolução anu-damente 2001. Logo percebemos que produção visual que as lojas deveriam al em torno dos 12% a 15% ano. Hojeesse trabalho com autosserviços, que ter. Partimos para o mercado em busca são 150 funcionários. O volume depraticamente ocupou o lugar das va- de candidatos a franqueados. Paramos clientes também é expressivo. Fo-rejistas, não gerava ganhos expressi- por um detalhe: não tínhamos nada ram cerca de 1,5 milhão de pessoasvos e ainda prejudicava a construção para mostrar porque simplesmente circulando nas lojas em 2011, anteda nossa marca porque nossos pro- não tínhamos loja alguma. Sofremos 1,2 milhão em 2010.dutos ficavam justamente ao lado, durante seis meses sem que houvessefazendo par, com outros com menor qualquer interesse. Foi quando resol- há possibilidade de expansãovalor agregado. Então pensamos que vemos abrir duas lojas próprias: uma da companhia via novosse não havia rendimentos satisfató- na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, investidores?rios tampouco construção de marca, e outra no Ibirapuera, em São Paulo. Por enquanto não existe essa possi-tínhamos que rever nosso negócio. Assim ficou mais fácil mostrar nossas bilidade. Já fomos bastante procu-Foi o que fizemos. propostas. A estratégia deu resultado. rados por vários fundos de private 2012 • edição 21 • junho / julho 11
  12. 12. EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho ganyequity e não fechamos negócio. Por Temos perfis bastante diferentes de susta. Além disso, outro impacto queora, não estamos em negociação com franqueados, formados nas mais di- pode ser encarado como negativo é anenhum deles, até porque as propos- versas profissões. Todos, entretanto, abertura de cada vez mais shoppingstas que recebemos nunca chegaram antes de fecharmos negócio, passam nas grandes cidades. Isso não fidelizaa um nível de satisfação adequado à por entrevistas e análises de perso- clientes, mas sim os divide. Para evi-nossa perspectiva. nalidade para checagem sobre como tar a canibalização de franqueados, se comportam nas adversidades per- estamos em contato direto com elesQual o tamanho desse tinentes ao setor. A partir do pedido acompanhando o mercado. Na Gran-setor no brasil? de franquia até a abertura da loja há de São Paulo e Rio de Janeiro, porEstamos entre os três maiores do mun- uma média que varia em torno dos exemplo, estão fechados para novasdo, atrás apenas de Estados Unidos e seis meses a um ano. lojas justamente para não prejudicarJapão. Aqui, o mercado de cosméticos as que já existem.vem evoluindo muito. De 1998 para cá Qual o investimento iniciala média de crescimento da receita do e perspectiva de retorno? Qual o suporte técnicosetor é de 13,5% anuais. O faturamen- O investimento é de R$ 4,5 mil por Que a empresa forneceto bateu na casa dos R$ 29 bilhões em metro quadrado, sendo que indica- ao franQueado?2011. Atingimos esse posto por vários mos pelo menos 35 metros quadra- Quando uma nova unidade é aber-motivos e um importante deles foi o dos para cada loja. Há, ainda, o in- ta oferecemos treinamento especí-trabalho desenvolvido pela Associação vestimento no ponto de venda. Hoje, fico ao franqueado e sua equipe noBrasileira da Indústria de Higiene Pes- 90% deles estão instalados dentro de próprio local. Depois e a cada seissoal, Perfumaria e Cosméticos junto shoppings. Para o trabalho em si, in- meses, disponibilizamos reciclagemaos governos. O foco foi a redução de dicamos uma média de cinco funcio- que ocorre em cidades polo. Nessecarga tributária e aumentar produção, nários por loja. Já o retorno se dá por trabalho, focado nos gerentes e fun-aumentando assim a arrecadação so- volta dos 36 meses. O grande entrave cionários, nós fazemos a atualizaçãobre a produção. Isso se mostrou bas- para o retorno mais rápido ao fran- de novos produtos e mercado, mas,tante promissor. queado é o custo da locação. O preço principalmente, nas técnicas de ven- do metro quadrado mais que dobrou da e atendimento. O segredo do su-o Que é necessário para ser nos últimos tempos tanto para com- cesso está no bom atendimento e emum franQueado mahogany? pra quanto para aluguel, o que as- saber cativar o cliente. “ estamos entre os três maiores do mundo, atrás apenas de estados unidos e Japão. aqui, o mercado de cosméticos vem evoluindo muito. de 1998 para cá a média de crescimento da receita do setor é de 13,5% anuais “ “12 2012 • edição 21 • junho / julho
  13. 13. em um mercado altamente sete mil pessoas que acompanham há envolvimentocompetitivo, além desse bom a companhia pelo Facebook e outras em projetos sociais?atendimento, como cativar três mil que nos seguem no Twitter. Sim. Do nosso ponto de vista temose fideliZar o cliente? Mantemos ainda um blog com in- que privilegiar a comunidade ondeTemos foco nas classes A e B e aspi- formações sobre lançamentos e toda nossa companhia está inserida. As-racional na C. Portanto, público bas- nossa linha de produtos e um traba- sim, damos apoio a projetos sociaistante qualificado e cada vez mais lho expressivo com blogueiras espe- mantidos por entidades da cidadeexigente. Estamos sempre atentos cializadas em cosméticos. Apostamos que ministram cursos profissionali-às suas demandas. Para tal, fizemos na força das mídias sociais. zantes aos moradores locais. &pesquisa recente com 650 consumi-dores que circulavam em nossas lojasou fora delas em cidades como Rio deJaneiro, São Paulo e Recife. O clienteindicou melhorias significativas naqualidade dos nossos produtos etambém elencou como fundamen-tal a relação custo-benefício. Outrosatributos lembrados pelos clientesforam a característica vibrante e ro-mântica das nossas linhas.Quais as aÇÕes da mahoganynas redes sociais?É um nicho importante de comunica-ção com clientes e demais stakehol-ders. Por isso resolvemos, no últimoano, ampliá-lo e já colhemos resulta-dos expressivos nessa troca de infor-mações. Atualmente temos cerca de 2012 • edição 21 • junho / julho 13
  14. 14. GE sTãO TEXTO andrea ramos BuenoServimosbem paraservirSempre Às vezes só preço não é suficiente para manter a fidelidade do cliente. O bom atendimento é a melhor vitrine14 2012 • edição 21 • junho / julho
  15. 15. a frase que intitula a reportagemsempre foi dogma para o varejo e o setor A capacitação para o bom atendimen- to pode ser buscada em cursos téc- A consultora do Sebrae-SP chama atenção para um temor que ronda ade serviços e cada vez mais ela tem tan- nicos. Também vale a orientação do cabeça de muitos empresários quandota relevância quanto o bom preço. próprio empresário ou de um superior, pensam em oferecer treinamento aos conscientizando os empregados da im- seus funcionários: a perda desse pro-O consumidor, com maior poder de portância de fidelizar os clientes. Feld- fissional para o mercado. “E o custo dacompra, mais atento e detentor de fer- mann lembra ainda que esse modelo não qualidade, o desse funcionário nãoramentas rápidas de pesquisa, se torna só será eficaz caso o empresário dê o atrair e ainda espantar clientes, quantomais exigente e a aquisição de um pro- exemplo, tratando não só cliente, mas vale?”, pergunta Beatriz.duto ou serviço não depende só da qua- também seus colaboradores com cor-lidade e de preço competitivo, mas tam- dialidade. “Para o empregado atenderbém da maneira como ele é atendido. bem o cliente, é preciso que ele tenha um clima saudável. Se esse relaciona-E, nesse aspecto, o brasileiro é bastante mento for ruim, certamente isso seráexigente.“Nós damos uma importân- refletido no atendimento”, completa.cia muita grande para essa questãodo relacionamento pessoal e que se O varejista e o prestador de serviçosreflete no atendimento. Queremos ser precisam saber também um pouco dobem atendidos. O comércio eletrônico que vai na cabeça do consumidor. Parano Brasil não avançou tanto quanto o empresário o que mais importa paraem outros países por não ter interati- atrair clientes é o preço. No entanto, avidade. O brasileiro sempre quer ter o realidade vai além disso. A consulto-contato pessoal, mesmo que ele tenha ra sênior de marketing e vendas doacesso à internet, ele quer ver a cara Sebrae-SP, Beatriz Micheletto, cita umado vendedor”, detalha Paulo Feldmann, sondagem feita pelo Procon e a Fun-presidente do Conselho da Pequena dação Getulio Vargas em que foramEmpresa da FecomercioSP. analisados os motivos que fazem uma empresa perder clientes. “Sessenta eOutro aspecto do atendimento, lem- oito por cento das perdas de clientesbrado por Feldmann, é a vantagem que se devem ao mau atendimento; 14% àa pequena empresa tem em relação à má qualidade de produtos e serviços;de maior porte: a proximidade com o 9% ao preço e o restante por outros fa-dono. “Ele está perto e pode acompa- tores que independem da atuação donhar a maneira como o cliente está empresário (morte do cliente, mudan-sendo atendido”, destaca. Isso passa a ça de endereço e a compra de produtosser um diferencial. vendidos por amigos)”, destaca. 2012 • edição 21 • junho / julho 15
  16. 16. GE sTãO Ser v i mos bem pa r a ser v i r sempreHá quem carregue no DNA a arte de “Meu pai ia até as mesas, almoçava com o decote estava incomodando. Ela foiatender bem e ainda acompanha, as pessoas, batia papo. Eu adotei isso embora e eu prometi guardar a peça.desde pequeno, como é que se faz. para o meu negócio. Não faço só o bá- Dias depois ela voltou e comprou oitoA jornalista Cyane Alem, 37 anos, é sico. Se a cliente está com preguiça de peças, menos o vestido”, conta.exemplo disso. Com os pais empre- experimentar a roupa eu experimentosários em Ribeirão Preto adminis- e mostro como ela pode usar. No co- A empresária oferece outros mimostrando um restaurante árabe há 30 quetel em que comemoramos um ano às clientes: não cobra para fazer barra,anos e outro de comida nordestina das atividades da loja, um cliente queria leva e busca a roupa na costureira e jáhá 16, ela acaba de completar um comprar um presente para a namorada. chegou a abrir a loja em um domingo,ano à frente da boutique Benditta, Eu deixei a festa e experimentei a roupa para uma pessoa que iria viajar.também na cidade. Desde criança que ele queria levar”, explica a jornalistavendo a atuação dos pais, ela apren- que também coloca em prática o que Talvez por esse atendimento tão per-deu muito cedo as estratégias para aprendeu com especialistas em gestão, sonalizado, a empresária não invistaganhar e manter clientes. que entrevistou quando era repórter. muito em propaganda. Anuncia em uma revista e o restante se deve às in- Cyane diz ainda que passa um tem- dicações de outras clientes e às redes pão conversando com os clientes du- sociais. “Quando eu posto uma foto já rante o atendimento para saber do vêm várias perguntas. As pessoas que- trabalho, do dia a dia e recomendar o rem saber se tem o número delas. É um que for mais adequado e estiver den- retorno imediato”, comemora. tro das expectativas e do poder aqui- sitivo de quem está comprando. Por A atenção ao atendimento e a capaci- conta dessa observação ela já sugeriu tação dos colaboradores no comércio que uma cliente desistisse do vestido são caminhos obrigatórios a serem que havia experimentado. “Eu vi que percorridos por quem quer se manter ela não estava se sentindo bem, que no mercado e, para quem não teve professores na infância, existem cur- sos bastante direcionados. O Senac e o Sebrae oferecem algumas opções. O curso livre Atendimento ao Clien- Foto: Olício Pelosi te, do Senac, prepara aqueles que vão atuar na área operacional. São“ tratados aspectos como transparên- cia e ética nas relações de consumo e normas sobre direitos do consumidor, além de postura, habilidades e atitu-Salão de cabeleireiro é como pizzaria em São paulo: des pessoais e profissionais.em cada esquina tem um. você tem que fazer diferente Para quem quer seguir carreira nessapara conquistar o cliente. em relação aos meus colaboradores,preciso ser um espelho: varro o chão, sirvo café, limpocadeira e esse comportamento se estende à equipe “ área existe o curso Técnico em Comércio, de nível médio. Ele vai formar um profis- sional que poderá também contribuir para a gestão do negócio. “Essa pessoa poderá auxiliar não só no atendimentoAndrea Guedes ao cliente, mas também em processos deDona do salão Avant Garden armazenagem; definição de preços; ex-16 2012 • edição 21 • junho / julho
  17. 17. posição de produtos; otimização no pro- criatividade, fluxo de caixa e motiva- Em um período tão curto de existência,cedimento de compras e no tratamento ção de equipe. Detalhes sobre cada um os 14 funcionários já tiveram três cur-com os fornecedores”, detalha o professor desses cursos podem ser vistos no en- sos. Dois ministrados por empresas es-do Senac, Aurisol Sabino de Souza. dereço www.sebraesp.com.br/ead. pecializadas e outro criado por Andrea e uma funcionária que também acu-Esse curso ainda orienta o aluno a de- A cabeleireira Andrea Guedes, 33 anos, mulou experiência em vários salões.senvolver planos de marketing e vendas conhece bem a importância do bome trata de tendências e inovações tec- atendimento e a necessidade de inves- Quando fala sobre atendimento elanológicas na área comercial. “Como vai tir em cursos e treinamento. mostra porque conseguiu rapidamenteser o supermercado daqui alguns anos? seus clientes e como atrai outros. “EuSerá muito diferente do que é hoje e Durante oito anos foi funcionária de oriento as recepcionistas a atenderemesse profissional precisa estar prepara- uma rede de salões de beleza que tem ao telefone sorrindo. Quem está do ou-do pra isso”, destaca Souza. por filosofia tratar o cliente como prio- tro lado já sente que será bem recebido. ridade. A marca investe no bom trata- Além de nos preocuparmos em oferecerOutros 11 cursos são oferecidos pelo Se- mento e bem-estar das pessoas durante produtos de boa qualidade, temos algu-brae-SP. Eles são gratuitos, de curta du- a permanência delas no estabelecimen- mas práticas que utilizamos do primei-ração e feitos à distância. Cada um dos to. Quando Andrea deixou essa rede e ro ao último cliente”, explica.temas tem carga horária de três horas foi trabalhar em outros salões, ela co-e o participante tem 15 dias para con- nheceu uma realidade diferente: “eu vi o Ela considera importante que todo fun-cluí-lo. Ao final desses cursos o aluno que não se deve fazer”, conta. Após anos cionário cumprimente cada cliente comopode imprimir o certificado. Os temas acumulando experiência ela decidiu to- se fosse seu; que mantenha os espaçosvão desde o desenvolvimento de com- mar as rédeas de sua vida profissional e, limpos e organizados e que na chegadapetências empresariais até a sucessão há um ano, comanda o salão Avant Gar- já ofereça café, chá, cappuccino...em empresas familiares, passando por den, na capital paulista. “Salão de cabeleireiro é como pizzaria em São Paulo: em cada esquina tem um. Então você tem que fazer diferen- te para conquistar o cliente. Tenho um assistente de cabeleireiro que, quan- do a cliente está em dúvida quanto ao esmalte, ele testa várias cores nas mãos dele. Eu sinto também que, em relação aos meus colaboradores, pre- ciso ser um espelho. Eu também varro o chão, sirvo café, limpo cadeira e esse comportamento se estende à equipe. Por isso, se eu estou fora, fico tranqui- la, porque sei que o salão está em boas mãos”, ensina Andrea. A dedicação ao atendimento dá à ca- beleireira a segurança para conquistar novos clientes. “Eu costumo dizer que a gente só precisa que a pessoa entre no salão porque nós vamos fazer a di- ferença.” A clientela agradece. & 2012 • edição 21 • junho / julho 17
  18. 18. C A PAPOR Por Raphael Ferrari e Denise RamiroILUSTRAÇÕES ÂNGELA BACON 5X 10X
  19. 19. 000 xxx Governo força O custo do redução dos jurospara o consumidor dinheiro final e mercado financeiro precisase reestruturar para se manter atrativo 15X 8X
  20. 20. C A PA O c u s to do d i n hei rod esde agosto de 2011 o Siste-ma Especial de Liquidação e Custódia áreas importantes como saúde, educa- ção e infraestrutura. Já para as Pessoas bém podem ser vistos como o custo do dinheiro, que no último trimestrejá caiu quatro pontos porcentuais Físicas (PF) e Jurídicas (PJ), a queda da de 2011 eram de 45,2% a.a. recuaram(p.p.), saindo de 12,5% ao ano (a.a.) e Selic tem implicações mais interessan- somente 0,9 p.p., fechando o primeirochegando à 8,5% a.a., a taxa mais bai- tes. Primeiro, com o dinheiro poupado trimestre do ano em 44,3% a.a. para oxa da história. Mas o que significa isso (guardado) rendendo menos, o consu- consumidor na ponta.para o bolso do consumidor? A Selic, mo e os investimentos se tornam maiscomo é mais conhecida, é a taxa bá- atrativos. E mais importante: o crédito A justificativa das instituições finan-sica de juros da economia brasileira se torna mais acessível, mais barato. ceiras para os juros ao consumidorusada como instrumento de política O que permite às famílias financiar a não caírem na mesma proporção quemonetária para o controle da inflação. expansão de suas compras e, por sua a Selic é o receio de um incremento noContudo, quando o Comitê de Política vez, às empresas adquirir bens, equipa- nível de inadimplência, que de acordoMonetária (Copom) anuncia a retra- mentos, aumentar a capacidade insta- como Banco Central (BC) correspondeção ou o aumento da Selic não há uma lada, fazer mais contratações... ao volume de crédito com pagamentomudança direta na inflação, mas uma atrasado há mais de 90 dias. Contudo,série de mudanças no mercado que, Há um ciclo virtuoso entre crescimento ainda de acordo com dados do BC, ateoricamente, devem culminar em do consumo, nível de emprego e renda inadimplência recuou 0,2 p.p. entremais ou menos consumo das famílias que é mantido enquanto houver inves- 2010 e 2011, sendo somente de 7,6%.e, consequentemente, aquecimento ou timentos para que a oferta se mante- Conforme explica Antonio Carlosarrefecimento da atividade interna. nha no mesmo nível, ou até ligeira- Borges, diretor executivo da Feco- mente acima da demanda. Ou pelo mercioSP, entretanto, “hoje, o spreadQuando a Selic é “cortada”, o governo menos isso é o que deveria acontecer. bancário (diferença entre o custo degasta menos com a dívida pública, que captação de recursos e o preço re-é corrigida pela taxa básica de juros – o Na prática, a despeito da redução de passado para o consumidor de crédi-que o deixa com mais recursos dispo- quatro p.p. na taxa Selic, os juros co- to) é, em média, de 33,2%, sendo queníveis para realizar investimentos em brados em financiamentos, que tam- 11% correspondem a taxa de risco de “ a força motriz para lançarmos a campanha de redução de juros foi a constatação de que juros elevados consomem muito a renda mensal das pessoas e levam, consequentemente, ao aumento da inadimplência “ Walter Malieni Diretor de Distribuição do Banco do Brasil Foto: Divulgação
  21. 21. 000 xxx NOVAS TAXAS O movimento de corte dos juros bancários nas operações de crédito ao consumidor caminha de forma tímida CDC - Bens diversos Taxas médias Taxas médias Bancos Variação abril de 2012 maio de 2012 000 xxx Banco do Brasil 1.79% 1.90% 0.11 Caixa Economica Federal 5.93% 5.91% -0.02 Itaú 0.00% 0.00% 0.00 Bradesco 2.78% 3.31% 0.53 Santander 3.83% 2.30% -1.53000 xxx HSBC 4.26% 4.35% 0.09 Cheque Especial Banco do Brasil 8.64% 8.40% -0.24 Caixa Economica Federal 4.34% 4.34% 0.00 Itaú 8.69% 8.77% 0.08 Bradesco 8.78% 8.76% -0.02 Santander 10.34% 10.31% -0.03 15X HSBC 10.11% 10.14% 0.03 Financiamento Veículos Banco do Brasil 1.37% 1.38% 0.01 Caixa Economica Federal 1.82% 1.71% -0.11 Itaú 1.62% 1.58% -0.04 Bradesco 1.60% 1.58% -0.02 Santander 1.68% 1.65% -0.03 HSBC 1.78% 1.54% -0.24 Empréstimo Pessoal Banco do Brasil 2.38% 2.42% 0.04 Caixa Economica Federal 1.93% 1.99% 0.06 Itaú 3.77% 3.60% -0.17 5X Bradesco Santander 4.36% 3.29% 4.39% 3.33% 0.03 0.04 HSBC 4.19% 4.23% 0.04 2012 • edição 21 • junho / julho 21
  22. 22. C A PA O c u s to do d i n hei roconversando agente se entende 5XJosé Sergio Barbieri roda o País há 35 de seus 53 anos.Caminhoneiro, ele constitui uma pequena empre-sa de uma pessoa só. Mas nem sempre foi assim.Barbieri já teve mais de um caminhão e contratoumotoristas para guiar, mas os problemas de ter umsegundo motorista – inclusive as implicações legaisde ter um funcionário – deram mais “dor de cabeça”do que lucro. Entretanto, há uma trabalhadora que oacompanha por todos esses anos. Sua esposa, MariaAparecida Barbieri, 50 anos, é quem cuida das guiasde recolhimento de tributos, das finanças e do finan-ciamento dos veículos. inadimplência”. Uma taxa abusiva, considerando que o recorde histórico“Já foram mais de 15 financiamentos”, conta de inadimplência, 8,54%, foi registra-Maria. “Somente em 2008, foram cinco. Finan- do em maio de 2009, no pior períodociamos três caminhões e duas carretas”, lembra. da crise econômica internacional. “Es-Sem se preocupar em entender exatamente o que tamos lidando com um valor muitosão os juros, Maria diz que analisa se a parcela acima da realidade”, critica.cabe no orçamento – como a maior parte dos bra-sileiros – e fica de olho em quanto o preço final No setor automotivo, os números cha-do veículo sobe. “Da última vez o banco cobrou mam à atenção. Segundo dados da34,77% a mais do que o valor do caminhão, mas FecomercioSP a taxa de juros cobradacomo foi dividido em quatro anos compensou”, pelos bancos para o financiamento decomenta. A taxa equivale a juros de 8,69% ao ano. automóveis é de 26,6% a.a., sendo que dentro desta taxa está embutido umExperiente, Maria afirma que antes de fechar spread de 17,1% a.a.. Considerando queo financiamento é importante analisar as op- os financiamentos de automóveis têmções – Crédito Pessoal, Leasing, Financiamento saldo de R$ 178 bilhões, somente dede Máquinas e Equipamentos (Finame) –, fazer 000 xxx spread as instituições financeiras rece-simulações em mais de um banco e ficar atento bem cerca de R$ 30 bilhões, ou três ve-aos encargos. “É normal que um financiamento zes o valor devido pelos inadimplentes,custe mais do que o anunciado porque eles nunca R$ 10,5 bilhões (5,9% do total movimen-incluem o custo dos tributos quando falam o pre- tado pelo setor). “Há bastante gorduraço, só quando fecham o negócio”, critica. “O mais para queimar”, sintetiza Borges.importante é sentar com o gerente e negociar,porque você sempre pode conseguir algo melhor A partir de abril, entretanto, o governodo que aquilo que te ofereceram.” começou uma “ofensiva” contra o se- 15X
  23. 23. não há razão para que o custo de um empréstimo no Brasil seja mais de 15 vezes superior ao dos Estados Unidos ou em outros países com economias próximas à nossa. “Somos um ponto fora da curva.” Desde o início da pressão governamen- tal, o Banco do Brasil (BB) já promoveu cinco cortes de juros no crediário para as pessoas físicas e jurídicas. A iniciati- va parece estar dando certo. Com um Foto: Divulgação aporte adicional de R$ 27 bilhões para as linhas voltadas às micro e peque- nas empresas e de outros R$ 16 bilhões para PF, o BB viu crescer a demanda de vários de seus produtos.“ A oferta de crédito também cresceu na Caixa Econômica Federal e, junto com ela, a atração de novos clientes. DeCom a queda da Selic e a maior oferta de acordo com Fábio Lenza, vice-presiden-crédito nos bancos públicos, a tendência te de pessoa física do banco, do começoé que a cada mês as taxas fiquem menores.o melhor, para quem puder, é esperar “ de abril até a terceira semana de maio a Caixa emprestou R$ 7,9 bilhões. Al- guns produtos para pessoas físicas se destacam. A movimentação média di-Miguel de Oliveira ária do Crédito Consignado e o CréditoVice-presidente da Anefac Direto ao Consumidor (CDC) passaram de R$ 60 milhões e R$ 9 milhões, res- pectivamente, para R$ 109 milhões e R$ 25 milhões. Um aumento de 82,3%tor financeiro pressionando para que procura de juros mais razoáveis. “Como e 119,7% no volume médio de emprésti-a queda da Selic seja repassada ao esses bancos têm muita presença no mo diário dessas linhas de crédito.consumidor final e os juros do siste- mercado, a jogada deve dar certo”,ma, como um todo, caiam. A principal opina. “Entretanto, ainda levará algum Na batalha para atrair novos clientes,arma do governo nessa “guerra de ju- tempo para notarmos as mudanças além da redução dos juros, os bancosros” é a concorrência. mais significativas”, completa. estão oferecendo condições especiais para clientes que transferirem suaAndré Mafaro, especialista em Finan- A posição é corroborada por Alcides conta salário para a instituição. Noças e Economia da Moneyfit, explica Leite, professor de Economia da Trevi- Programa Bom Para Todos, do BB, oque ao baixar os juros dos bancos esta- san Escola de Negócios. “É um proces- cliente que recebe seus vencimentostais (Caixa Econômica Federal e Banco so demorado, mas estamos começan- pelo banco paga taxa única de 3,9%do Brasil) o governo espera forçar os do a trazer os juros no País para um no cheque especial – para os demaisbancos privados a reduzirem suas ta- patamar mais razoável em relação à clientes o custo pode chegar a 8,27%.xas para evitar uma fuga de contas à média mundial.” Leite pondera que A postura também foi adotada por 2012 • edição 21 • junho / julho 23
  24. 24. C A PA O c u s to do d i n hei rooutros bancos. No Bradesco, porexemplo, a taxa do cheque especial éde 4,7% para os clientes que têm suaconta salário no banco, e de 8,9% paraos que não têm.Se o movimento de queda dos juros éaplaudido pelo consumidor, o mesmonão acontece com o investidor que Foto: Ed Viggianiaplica em papéis do setor financeiro. Éo caso dos acionistas do BB, por exem-plo, que se mostraram preocupadoscom a possível perda de rentabilidadede suas aplicações. Mas não é essa aconta do BB. Segundo Walter Malieni,diretor de Distribuição do Banco doBrasil em São Paulo, ao trazer os jurospara um patamar mais saudável, asfamílias poderão consumir mais, mo-vimentando a economia. “O volume Juro novo, casa novados negócios vai compensar a quedados juros”, garante. Aos 52 anos de idade o engenheiro da Petro- um dinheiro para completar o valor da bras, Valdemir Antonio Paulucci, deu uma entrada do imóvel. Foi aconselhado peloNo momento, a transição de uma guinada na vida. Separou-se da mulher e gerente do banco a tomar um empréstimoagência a outra ainda é, majoritaria- ficou com a guarda dos dois filhos adoles- consignado, pagando taxa mensal abaixomente, em busca de informações, mas centes. No aspecto financeiro a mudança de 1% durante 60 meses.há números que indicam o quanto as significou a necessidade de comprar umfamílias anseiam por juros mais bai- imóvel para morar com Giovanna, 16 anos, “Foi um processo rápido e simples”, dizxos. “Somente em maio, a Caixa abriu e Julio, 14 anos. Enquanto corria atrás do fi- Paulucci. Ele sabe que essa facilidade vemmais de 280 mil novas contas de PF nanciamento imobiliário, o País assistia ao do fato de ele ser correntista do Banco doatraídas pela redução nos juros”, con- surgimento de um movimento em favor da Brasil desde 1995. Isso porque, com a novata Lenza. “Uma evolução de 26,3% em redução dos juros bancários. realidade de juros no País, os bancos estãorelação a abril”. O incremento no rit- condicionando a concessão de taxas meno-mo de abertura de contas PJ também Paulucci acabou se beneficiando dessa “guer- res para quem tem ou transfere a conta salá-foi expressivo. Foram 42 mil contas ra dos juros”. Assinou o contrato de finan- rio para o banco.abertas em maio, ou 39,3% a mais que ciamento com uma significativa redução deno mês anterior. custo em relação às primeiras simulações fei- Agora, devidamente instalado na nova casa no tas pelo gerente do banco. Fazendo as contas, bairro do Butantã, na capital paulista, Pauluc-O movimento de queda dos juros, Paulucci vai economizar R$ 300,00 por mês ci espera antecipar a quitação da dívida para,contudo, ainda caminha a passos de na prestação, o que significa quase R$ 65 mil quem sabe, assumir outros compromissos.tartaruga, especialmente nos ban- a menos no final do contrato, daqui a 18 anos. “Sou um consumidor controlado”, afirmacos privados. Essa é a avaliação de ele. “Mas agora que as taxas de juros tendemMiguel José Ribeiro de Oliveira, vice- Antes de concluir a operação, porém, a seguir o preço de mercado, é possível pla--presidente da Associação Nacional Paulucci precisou levantar rapidamente nejar melhor o consumo.”dos Executivos de Finanças, Admi-24 2012 • edição 21 • junho / julho
  25. 25. “Sou um consumidor controlado.mas agora que as taxas de juros tendem No mesmo sentido, Leite, daTrevisan Escola de Negócios, afirma que o consu- midor brasileiro está no limite do endi-a seguir o preço de mercado, é possívelplanejar melhor o consumo “ vidamento, não porque a dívida é muito elevada, mas porque seu custo é abusivo. “O endividamento dos brasileiros é baixo em relação aos padrões internacionais,Valdemir Antonio Paulucci só que há uma diferença fundamental.Engenheiro da Petrobras O custo da dívida é extremamente alto.”nistração e Contabilidade (Anefac), banco em busca de taxas menores. De acordo como Mafaro, os juros co-que destaca que, apesar do esforço Até porque, segundo Oliveira, a apro- brados por uma dívida no rotativo dodos bancos estatais para aumentar vação de um contrato de crédito não é cartão de crédito, a modalidade de cré-a oferta de crédito e reduzir as taxas tarefa fácil para o consumidor. “Com a dito mais popular no País, é de 238,3%bancárias, o Brasil ainda tem juros queda da Selic e a maior oferta de cré- a.a.. “Já nos Estados Unidos, os jurosmuito altos. Prova disso é que mes- dito nos bancos públicos, a tendência cobrados pelo mesmo serviço são de,mo após as recentes quedas da Se- é que a cada mês as taxas fiquem me- aproximadamente, 12% a.a.”, compara.lic, a taxa média anual para PF caiu nores”, aposta. “O melhor, para quem Mafaro projeta que em 66 meses (cin-somente 1,88 p.p. entre fevereiro e puder, é esperar.” co anos e meio) uma dívida de R$ 1 milmarço deste ano, atingindo 106,99% no cartão se torna uma dívida de R$ 1a.a.. No caso da PJ, o custo médio para O diretor executivo da FecomercioSP milhão. “Achar uma aplicação na bolsao tomador de crédito caiu de 55,01% pondera que há espaço para uma re- com esse retorno é mais difícil que ga-a.a. para 53,40% a.a., no mesmo pe- dução de até um quarto na taxa atual nhar na loteria”, ironiza.ríodo. “Ainda há muita margem para de juros ao consumidor, passando dosqueda de juros no País”, diz Oliveira. 44,3% a.a. para cerca de 32% a.a.. “So- O fato é que as taxas de juros pratica- mente isso iria significar um acréscimo das hoje no Brasil são abusivas e injus-Ele explica que o preço do crédito é de R$ 45 bilhões na renda disponível tificáveis, principalmente frente aosdeterminado por diversos fatores, para consumo das famílias, elevando bons indicadores de emprego e renda,entre eles, custo de captação do em até 5% as vendas no ano.” e ao serem mantidas estão subsidian-banco, impostos, despesas admi- do a inadimplência e restringindo anistrativas, risco de inadimplência Borges avalia que o barateamento do disseminação de crédito que alavan-e, obviamente, lucro da instituição. crédito também teria repercussões caria o consumo e, consequentemente,Para que os juros caiam para o con- positivas para o nível de inadimplên- o nível da atividade interna. Ao menossumidor final é preciso reduzir os cia. Segundo ele, as famílias brasileiras desta vez parece que o governo estácustos desses insumos. A captação, pagaram R$ 183,5 bilhões apenas em trabalhando para mudar essa situação,por exemplo, tende a ficar mais ba- juros dos seus empréstimos em 2011. e não somente para inglês ver. &rata na medida em que a Selic, que O valor é 30% maior do que o de 2010baliza o preço pago pelos bancos e corresponde a cerca de 20% de todopara tomar dinheiro no mercado, faturamento estimado do varejo na-recua. E o governo dá sinais de que quele ano. “A força motriz para lançar-a trajetória de queda da taxa básica mos a campanha de redução de jurosde juros ainda não acabou. foi, justamente, a constatação de que juros elevados consomem muito a ren-Diante de tudo isso, o consumidor da mensal das pessoas e levam, conse-deve observar o movimento do mer- quentemente, ao aumento da inadim-cado antes de decidir-se por trocar de plência”, concorda Malieni, do BB. 2012 • edição 21 • junho / julho 25
  26. 26. A RT IG O POR Paulo roBerto FeldmannatuaL Lei eLeitoraL nas campanhas são empresas muito grandes. Evidentemente esses grupos,prejudica a que por sinal são muito bem adminis- trados, não são de desperdiçar recur-pequena empresa sos, ou seja, quando põem dinheiro numa campanha eleitoral vão querer o retorno logo depois que o seu candi- dato tomar posse.n Essa é a perversidade de nosso sistema eleitoral, e com ele é possível entender ós brasileiros estamos tão No Brasil não existe nenhum apoio o porquê nada será feito para tirar oscansados da frequência com que ou incentivo para que as pequenas se privilégios das grandes empresas. Nãoaparecem novos escândalos nos unam com a finalidade de exportar podemos chamar de democracia plenajornais que já nem sabemos o que em conjunto, por exemplo. Por isso, o sistema político de um país no qualsentimos: se indignação ou fastio. elas respondem por apenas 1% das o poder econômico é quem decide asSe pararmos para analisar, veremos exportações brasileiras. Na Itália elas eleições. Em países verdadeiramenteque a maioria dos casos que vem à são responsáveis por 43% das expor- democráticos como Alemanha, Sué-tona está relacionado com fundos tações, pois lá existe uma politica go- cia ou Holanda empresas não podemque precisam ser arrecadados para vernamental com esse fim. Aqui é raro apoiar campanhas eleitorais, apenascampanhas eleitorais ou então re- que compras públicas sejam direcio- pessoas físicas. Fica a sugestão paratribuições que parlamentares ou nadas às pequenas como está sendo nossa futura lei eleitoral. &dirigentes públicos eleitos precisam feito neste momento na Inglaterra Paulo Roberto Feldmann é presiden-fazer para quem os apoiou na época nas contratações e licitações para os te do Conselho da Pequena Empresada eleição. Por incrível que pareça a Jogos Olímpicos de Londres. da FecomercioSPlei eleitoral que é a principal respon-sável por gerar essa nefasta situação O que se constata é que tanto nossospara o País é também muito perversa governantes quanto nossos legislado-com as pequenas empresas. res não têm as pequenas empresas em sua agenda e isso é muito fácil deApesar de as pequenas represen- entender, basta verificar quem apoioutarem 99% do total de empresas as campanhas eleitorais dos mesmos.existentes no País elas respondempor apenas 20% do PIB brasileiro, se- A relação dos maiores apoiadores degundo dados do SEBRAE de 2010. Só campanhas eleitorais deveria ser ampla-mesmo países muito pobres, a maio- mente conhecida pela sociedade brasi-ria africanos, apresentam índices leira. No site www.transparencia.org.br étão baixos de participação de suas possível ver a relação dos doadores.pequenas empresas nos respectivosPIBs. Na Alemanha e na França esses Por meio dessa relação de doadoresíndices são de 55 e 58%, respectiva- verificamos que é muito pequena amente. A causa para esta situação é participação das pessoas físicas comoa inexistência no Brasil de politicas apoiadoras das campanhas eleitoraispúblicas que apoiem as pequenas e menor ainda a participação dasempresas, bem ao contrário desses pequenas empresas. Constatamosoutros países mencionados. que quem efetivamente põe dinheiro26 2012 • edição 21 • junho / julho
  27. 27. NEG ÓCIOSTEXTO ENZO BERTOLINI
  28. 28. vai fazer compras?vá de bike Cada vez mais paulistanos estão aderindoo à magrela para deslocamentos e o comércio precisa trânsito caótico e constante de se preparar para receber bem o cliente ciclista.São Paulo tem transformado o ato de ire vir em uma luta diária na vida das mi- Veja testemunhos de quem já aderiu e como fazerlhões de pessoas que vivem e se locomo-vem por uma das maiores metrópolesdo mundo. Segundo dados do Departa-mento Estadual de Trânsito de São Paulo(Detran) em abril – mês com último dado sete quilômetros. Acima dessa distân- O músico e artista escocês David Byrnedisponível –, somente na capital paulista cia, a intermodalidade (bike+ metrô ou (ex-vocalista do Talking Heads), autor dohavia mais de 7,25 milhões de veículos. ônibus) é uma excelente alternativa. livro “Diários de Bicicleta”, diz que andarDesse total, 5,25 milhões são formados Claro que nada impede das pessoas de bicicleta é flertar com a cidade, por-por carros. Além da grande quantidade pedalem distâncias maiores. que não é nem devagar demais, nem rá-de veículos, a taxa média de ocupação pido demais. E é de olho nesse flerte, quepor carro vem caindo ano a ano. Em 2005 Engana-se quem acha que a ausência muitos comerciantes estão acordandoera 1,49 pessoa por carro, em 2009 caiu de ciclovias é um impeditivo para a cir- para o atendimento ao consumidor quepara 1,46 e em 2011 chegou a 1,40. Ou culação de bicicletas. O Código de Trân- utiliza a bicicleta nos seus deslocamen-seja, atualmente, a cada cinco carros em sito Brasileiro (CTB) diz em seu artigo tos diários, também conhecidos comocirculação nos horários de pico, somente 58 que: “Nas vias urbanas e nas rurais bike-commuters na sigla em inglês.sete pessoas são transportadas. de pista dupla, a circulação de bicicle- tas deverá ocorrer, quando não houver De acordo com a pesquisa Origem/Esse caos instalado tem feito mais ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou Destino do Metrô realizada em 2007,pessoas deixarem seus veículos de quando não for possível a utilização 70% dos deslocamentos de bicicletalado e usarem a bicicleta como meio destes, nos bordos da pista de rolamen- em São Paulo têm como motivo princi-preferencial em seus deslocamentos. to, no mesmo sentido de circulação re- pal o transporte. Ainda de acordo comEspecialistas afirmam que a bike é o gulamentado para a via, com preferên- os dados, 57% das viagens utilizandotransporte ideal para distâncias de até cia sobre os veículos automotores”. bicicletas tiveram como motivação a 2012 • edição 21 • junho / julho 29
  29. 29. NEG ÓCIOs Va i fa zer compr a s? Vá de bi kepequena distância da viagem e 22% aconchego e por ser palco constante representativo – mostrou que ao utilizara condução alternativa ser considera- de noite de autógrafos. A tradicional a bicicleta como meio de transporte, oda cara. “Os comerciantes ainda não Confeitaria Vera Cruz, localizada no consumidor dá preferência em visitaracordaram para esse público. Tento Tatuapé é outro estabelecimento que comércios instalados em seu própriomostrar que o ciclista é um consumi- disponibiliza paraciclos para o cliente bairro em detrimento de outros maisdor, que usa a bicicleta como meio de ciclista. Com um espaço para amarrar distantes. É o caso do casal Camila Valelocomoção”, diz Eduardo Grigoletto, o cachorro enquanto as compras são e Marco Toscano, usuários frequentesproprietário da Ciclomídia, empresa feitas, o local era utilizado por ciclistas da ciclofaixa da zona Norte, que priorizaespecializada em fornecer estruturas e gerava confusão pela falta de espaço o consumo em estabelecimentos na re-para o estacionamento de bicicletas. para os cachorros, além da localização gião por onde pedala. “A Prefeitura está atrapalhar o fluxo de entrada e saída. começando a ver que já tem muito carroA empresa nasceu em função dessa ne- O proprietário do local, João Orlando na rua e não adianta criar mais pistas ecessidade. Grigoletto que enfrentava Junior, optou então por instalar paraci- viadutos, o melhor é investir na bicicleta.dificuldades em estacionar sua bicicle- clos na calçada em frente à confeitaria. O ciclista é uma forma mais barata deta com segurança ao visitar a maioria “O número de pessoas que frequen- investimento para transporte”, afirmados lugares. “O andar de bicicleta na ci- tam a padaria de bicicleta triplicou aos Toscano. Ao escolher atender melhor odade tem sido bastante abordado, mas finais de semana” diz, Orlando Junior, ciclista, o empresário do comércio tam-o estacionar nem tanto”, complemen- ele também um ciclista. “Queremos bém pode ganhar com a compra por im-ta. Um dos lugares que já contam com instalar mais dois num futuro breve.” pulso. “A velocidade da bicicleta permiteparaciclos instalados pela Ciclomídia uma interação maior entre as vitrines deé a unidade da Fradique Coutinho da Um estudo realizado em 2008 na Holan- lojas de rua e o consumidor, que ao estarLivraria da Vila, espaço famoso por seu da – país onde o deslocamento de bike é em uma bicicleta pode parar mais rápi- do e facilmente na comparação com o automóvel”, exemplifica José Lobo, presi- dente da organização não governamen- tal Transporte Ativo. Paraciclos e Bike Vallet O Coletivo CRU criou recentemente uma plataforma online e colaborativa chamada BikeIT! (www.bikeit.com.br) De acordo com os dados de 2007 da pesquisa Origem/Destino do Metrô, excetuando as para que ciclistas possam postar depoi- viagens de bicicleta de retorno à residência, o principal local de guarda de bicicleta é pri- mentos sobre estabelecimentos dizen- vado, 61%. Os bicicletários gratuitos correspondem a 15% e os locais públicos, 8%. do se aprovam ou reprovam o local de acordo com o atendimento e estrutura Para montar o seu próprio paraciclo, a Transporte Ativo possui um guia de orientação em para ciclistas. O local que possui atendi- seu site. Segundo José Lobo, presidente da entidade, o custo médio da vaga (que comporta mento exemplar em todos os aspectos pelo menos duas bicicletas) é de R$ 150 a R$ 450. “O Maracanã criou 80 vagas com mate- ganham o selo BikeIT!. rial reciclado feito dentro das oficinas do estádio. Essa é a forma mais barata hoje”, conta. ciclofaixas, ciclorrotas Para aqueles que querem mais praticidade, a Ciclomídia faz e monta as estruturas, que e ciclovias possuem diferenciações entre si, desde um modelo simples até a implantação de Bike Val- let para eventos, shows, feiras, congressos e todo tipo de eventos com grande concentra- A cidade de São Paulo conta hoje com ção de pessoas incentivando. “Guardamos a bicicleta e todo o equipamento que o ciclista três tipos de estruturas para ciclistas: ci- quiser com segurança”, finaliza Eduardo Grigoletto. clofaixa, ciclorrota e ciclovia. A diferença entre elas é simples. A ciclovia é um espa- ço para a circulação de bicicletas com se-30 2012 • edição 21 • junho / julho

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