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Revista C&S 21 junho/julho 2012
 

Revista C&S 21 junho/julho 2012

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Ciclomídia na Revista Comércio & Serviços, início da matéria na página 29.

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    Revista C&S 21 junho/julho 2012 Revista C&S 21 junho/julho 2012 Document Transcript

    • ISSN 1983-1390 00021 9 771983 139001revista comércio & serviços publicação da federação do comércio de bens, serviços e turismo do estado de são paulo ANO 21 • Nº 21 • JUNHO/JULHO • 2012 se ja bem-v indo Taxas em Inves t ir em mão de obra liquidação qu alif ic ad a f ideliza clientes, sabia? Como o varejo e o consumidor devem tirar proveito da onda de cortes dos juros a r e na a lv inegr a C & S v isita obra s do es tádio do Cor inthians, templo d a ab er t ura d a Copa 2014 5X 2X aceitamos voos a lTos crédito P r ivat izaç ão e aumento de %off demand a vão mud ar os negó c ios nos aerop or tos. Aproveite ... ... suaves 000 xxx parcelas.. di v er sida de bel a Revelamos como o merc ado de nicho p o de at rair to dos os t ip os de consumidores
    • ÕESQUER SOLUÇ O ESTIMENTBUSCA INV Aqui, 15 e 16 tudo gira out.2012 em torno 12h às 20h Exposição e Conferência de Inovação e Empreendedorismo de Base Tecnológica da inovação. Apoio
    • ES TEM SOLUÇÕ TIDOR BUSCA INVES Um grande mapeamento da inovação no Brasil: se você busca novos negócios, já sabe onde vai encontrar. A Expocietec 2012 vai reunir quem pensa, faz, promove e busca inovação nas startups. Será o grande ponto de encontro de incubadoras, parques tecnológicos, novos empreendedores, compradores e investidores do Brasil. Um evento voltado para quem quer fazer negócios com serviços, produtos e oportunidades inovadoras. Uma vitrine de possibilidades para você. Participe e inscreva-se. Exposição – Seed Forum – Rodadas de Negócios – Palestras – Espaços de Fomento Entrada Franca. Cadastre-se antecipadamente pelo site www.expocietec.com.brFecomercioSP - Rua Doutor Plínio Barreto, 285 CEP: 01313-020 - Bela Vista - São Paulo - SP Realização
    • C A RTA AO L EI TORCortar mais,para crescer Aqui tem a presença do comercioA taxa Selic no patamar de 8,5% au- importante que o Senac moldou cur- Presidente Abram Szajman Diretor Executivo Antonio Carlos Borgesmentou o movimento de emprésti- so sobre técnicas de comércio, com omos dos bancos. São pessoas tanto objetivo de formar profissionais defísica como jurídica interessadas excelência na área, além de oferecerem novos financiamentos, a custos aconselhamento sobre o tema. Os Conselho Editorialmenos salgados. Os líderes dessas lojistas que fazem a diferença são Ives Gandra Martins, José Goldemberg, Paulo Rabelloofertas são os bancos estatais. O exemplos de sucesso de vendas. Por de Castro, Cláudio Lembo, Renato Opice Blum, José Pastore, Adolfo Melito, Jeanine Pires, Paulo Feldmann,Banco do Brasil promoveu um apor- sua importância para o comércio, o Pedro Guasti, Antonio Carlos Borges, Luciana Fischer,te adicional de R$ 27 bilhões para as assunto é focado em duas reporta- Luiz Antonio Flora, Romeu Bueno de Camargo, Fabio Pina e Guilherme Dietzelinhas voltadas às micro e peque- gens e também se destaca na entre-nas empresas. Outros R$ 16 bilhões vista de Jaime Drummond, criador e Editoradestinaram-se a pessoas físicas. Na presidente da Mahogany. Diretor de comunicação e editor chefe Jander RamonCaixa Econômica Federal, somente Diretor de conteúdo André Rochaem maio, foram abertas mais de 280 Atentar para oportunidades de ne- Editora executiva Selma Panazzomil novas contas de pessoas atraídas gócios é outro ponto vital para o Editora assistente Denise Ramiropela redução nos juros. Uma evo- lojista. Esta edição de C&S mostra Projeto gráficolução de 26,3% em relação a abril. três nichos exemplares. O segmentoO incremento no ritmo de abertura de moda diferenciada, que atende a atendimento@designtutu.com.brde contas para empresas também tamanhos plus size, consumidoras Editores de Arte Clara Voegeli e Demian Russofoi expressivo. Foram 42 mil contas evangélicas e pessoas anãs; lojas Chefe de Arte Carolina Lusser Designer Ângela Baconabertas em maio, ou 39,3% a mais próximas a ciclovias, que oferecem Assistentes de Arte Camila Marques e Cristina Sanoque no mês anterior. Esse movimen- tratamento personalizado aos ci- Publicidadeto, contudo, ainda não está dissemi- clistas e estabelecimentos que fun- Original Brasil - Tel.: (11) 2283-2365 comercioeservicos@originaldobrasil.com.brnado por todo o mercado financeiro, cionam dentro dos aeroportos, em Colaboram nesta ediçãoque continua justificando a alta dos espaços que se tornaram ainda mais Andrea Ramos Bueno, Didú Russo, Enzo Bertolini,juros pelo custo dos insumos e risco valorizados a partir da privatização. Gabriel Pelosi, Juliano Lencioni, Patricia Queiroz, Paulo Feldmann, Raphael Ferrari e Thiago Rufinode inadimplência. Embora o consu- Fotos Ed Viggiani, Christian Gaul, Felipe Araújo Lima,midor esteja tomador de emprésti- O comércio, responsável por 4% do PIB, Olicio Pelosi, Pedro Curi e Ricardo Lisboamo, estudos da FecomercioSP já pro- continua com perspectiva de desempe- Jornalista responsável Jander Ramon MTB 29269varam que não está esgotada a sua nho positivo. A queda dos juros básicos Impressão Gráfica IBEPcapacidade de endividamento. Essa traz alento, embora ainda não tenha Fale com a gente cs@fecomercio.com.brnova realidade do crédito e qual é sido repassada integralmente Redaçãoseu fôlego são o tema da reportagem ao consumidor. Novos cortes, Rua Itapeva,26, 11º andarde capa desta edição. não apenas da Selic, mas, so- Bela Vista – CEP 01332-000 - São Paulo/SP Tel.: (11) 2361 1571 bretudo, dos juros cobradosO comércio deve ficar atento para pelos bancos, são o cami- Errata: A grafia correta do nome da presidente da Sorridents – entrevistada da C&S nº 20 – éconquistar e fidelizar esse cliente nho para garantir um Dra. Carla Renata Sarni.mais ávido por compras. Para isso não crescimento com- Permitida a trascrição de matéria desde que citada a fonte. Registro Civil de Pessoas Jurídicas, Livro B-3,bastam vitrines chamativas e promo- patível com as sob o número 2904. Nota: as declaraçõesções. O mercado vendedor precisa en- potencialidades consubstanciadas em artigos assinados não são de responsabilidade da FecomercioSP.cantar o consumidor com um atendi- e necessidades Abram Szajmanmento diferenciado. Esse ponto é tão do País. Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entidade que administra o Sesc e o Senac no Estado4 2012 • edição 21 • junho / julho
    • ÍNDICE 18 o custo do dinheiro Taxas de juros recuam mas ainda é difícil conseguir crédito na praça Jaime Drummond A renovação dos aeroportos 8 Presidente da Mahogany comenta 46 Lojasprivatização e aumentonovos negócios com em aeroportos atraem de movimento o setor de produtos de beleza Do PP ao extra GG, Servimos bem para servir sempre o que importa é vestir bem 14 Lojistas investem em treinamentocliente para 52 Comércio especializado em nichos atraem cada vez mais consumidores qualificar atendimento e fidelizar Atual lei eleitoral Franquia em casa prejudica a pequena empresa 26 Paulo Roberto Feldmann analisa o efeito 56 O home-based éoumanuma modalidade de franquia que transforma lar nova central de negócios do período eleitoral nas pequenas empresas Vai fazer compras? Vá de bike São Paulo do futuro 28 Comércio se prepara para atender 58 O Plano SP2040 prevê melhorias o consumidor ciclista que cresce na cidade para a população paulistana Da Zona Leste para o mundo AGENDA CIRCUITO 32 C&S visita as obras da arena do Corinthians 60 CULTURAL 62 DE festas que receberá o jogo de abertura da Copa de 2014 juninas MIXLEGAL ECONOMIX O vinho e as salvaguardas 38 39 64 Didú Russo analisa os efeitos das salvaguardas na importação de vinhos e o impacto no setor Devedores do ICMS terão juros menores Medida apesar de positiva pode ser Comunicação nas 40 ineficiente para diminuir inadimplência 65 mais variadas formas Soluções simples, grandes resultados Sinal dos tempos Ataques virtuais requerem investimentos 66 42 em segurança para evitar perdas 2012 • edição 21 • junho / julho 5
    • 50% Planos até mais barato.2SulAmérica: Unimed Paulistana: Omint:
    • Meu plano de saúde não cobre o médico e o hospital que eu prefiro pra me tratar. E agora? Empregador do Comércio: não se preocupe. Com a parceria da FECOMERCIO-SP com a Qualicorp, os planos de saúde que oferecem os melhores médicos, hospitais e laboratórios do Brasil já estão ao seu alcance.1 Ligue e confira: 0800 777 4004 Ou acesse: www.qualicorp.com.brPlanos de saúde coletivos por adesão, conforme as regras da ANS. Informações resumidas. Condições contratuais Qualicorp Adm.disponíveis para análise. 1A comercialização dos planos respeita a área de abrangência da respectiva operadora. A coberturade hospitais e laboratórios, bem como de honorários profissionais, se dá conforme a disponibilidade da rede médica e as de Benefícios:condições contratuais de cada operadora e categoria de plano. ²Em comparação a produtos similares no mercado de planosde saúde individuais (tabela de maio/2012 – Omint). Junho/2012
    • EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho gany POR Patrícia Queiroz fOTOs ed viggiani o segredo está no atendimentoe ngenheiro mecânico formadopela Universidade Federal do Rio de ria é de franqueadas de uma rede que ele mesmo criou. Com previsão deJaneiro (UFRJ), esse carioca de 63 anos faturamento este ano na casa dos R$viu no setor a chance de um negócio 50 milhões, a companhia viu, no anopróspero. Começou em 1981 em so- passado, aproximadamente 1,5 milhãociedade com um cunhado comercia- de clientes circularem em suas insta-lizando desodorantes, bronzeadores e lações franqueadas e próprias. As lo-fragrâncias para grandes redes varejis- jas terceirizadas devem ter receita emtas. Anos depois optou por voo solo e torno dos R$ 100 milhões neste ano. “Ofundou empresa própria, a Mahogany, segredo, além do bom produto, está noque tinha o mesmo foco de produção. bom atendimento”, conta.Alguns tropeços pelo caminho o fi- Vendas diretas ou mais investimen-zeram rever os planos. Hoje, 20 anos tos em lojas próprias não fazem partedepois, comemora uma história de su- dos seus planos, ao menos por agora.cesso: dos pequenos pontos de venda “Uma rede franqueada com um siste-instalados timidamente em farmá- ma de qualidade e que funcione, alémcias e perfumarias contabiliza151 lojas da atenção constante que o negócioinstaladas em 70 cidades ao redor do requer, gera retornos já bastante ali-País. Desse total, a esmagadora maio- nhados às nossas perspectivas”, avalia.8 2012 • edição 21 • junho / julho
    • apaiXonado por kart, Jaime drummond, Criador e preSidente de uma daS marCaS de CoSmétiCoSqueridinhaS do merCado – a mahoGanY –, tira daS piStaS anaLoGia de Como Ganhar poSição 2012 • edição 21 • junho / julho 9
    • EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho gany “ C&S engenheiro mecÂnico de formaÇão, como foi sua entra- da no mercado de cosméticos? a mahogany conta hoje com 420 produtos, Jaime drummond Concluí no Rio mas estamos sempre pensando em novas de Janeiro, em 1971, o curso de enge- nharia mecânica pela UFRJ. Durante oportunidades para inovar. no ano passado, 10 anos trabalhei na área, mas, em por exemplo, lançamos 108 novos. todos pensados 1980, resolvi vir com minha então es- osasco, na grande São paulo. “ e desenvolvidos no nosso parque industrial, de posa tentar algo novo em São Paulo. Na capital, ela tinha um irmão que trabalhava como representante de perfumaria artesanal. Achei o negó- cio interessante e apostei. Decidimos juntos profissionalizar essa oferta de perfumes, organizando os fornece- dores e dando a eles a oportunidade de trabalhar para as grandes e mais importantes cadeias varejistas da época, como Mesbla e Mappin. A em- presa se chamava Cabeça Feita e era focada sempre no midlemarket. Che- gamos a ser um dos cinco maiores fabricantes de desodorante, o segun- do maior fabricante de bronzeador e ainda o quinto maior fabricante de fragrâncias no Brasil. Atuamos juntos dessa forma por 10 anos com bastante sucesso. como nasceu a mahogany? Em 1991 conversamos e resolvemos acabar a sociedade. Já com experiên- cia no ramo, resolvi manter a aposta e desenvolvi uma empresa própria, a Mahogany. A proposta era preencher uma demanda onde o varejo ainda era fraco, a de cuidados pessoais. Desenvolvemos então itens diversos acessíveis no preço e de alta quali- dade, como sabonetes, hidratantes e produtos capilares. Tudo voltado para homens e mulheres. Nessa época, mantivemos o que era desenvolvido na Cabeça Feita com a venda de nos- sos produtos para grandes redes de todo o Brasil. Durante oito anos a em-10 2012 • edição 21 • junho / julho
    • presa prosperou amplamente. Entre de Que forma isso ocorreu? Prova disso é que, no final de 2006, jáos anos de 1998 e 1999, infelizmente, Partimos para outro modelo, com es- tínhamos 10 lojas, localizadas entre Riotodo o setor varejista sofreu perdas paços próprios reservados em lojas, de Janeiro, São Paulo, Recife e Brasília,com as turbulências de mercado e como perfumarias e algumas farmá- sendo apenas uma própria, a de Sãopraticamente todas as lojas grandes cias. Chegamos a ter 200 desses tipos Paulo. A estratégia deu resultado. Provade departamento quebraram. Com de quiosques em todo o País e manti- disso é que, no final de 2006, já tínha-isso, perdemos 60% do nosso fatu- vemos esse tipo de negócio até 2004. mos 10 lojas, localizadas entre Rio deramento em um ano. Não tinha jeito. Com o tempo, vimos que não havia Janeiro, São Paulo, Recife e Brasília, sen-Tivemos que procurar outros canais uma parceria efetiva como o lojis- do apenas uma própria, a de São Paulo.de venda para não quebrar. ta. Isso porque a Mahogany cedia os produtos e uma série de vantagens Quantos produtos possuiQual era o tamanho da ao lojista com o compromisso dele atualmente?empresa na época? de reposição dos produtos tão logo A Mahogany conta hoje com 420Tínhamos 60 funcionários e receita de fossem comercializados. O que acon- produtos, mas estamos sempre pen-aproximadamente R$ 5 milhões anuais. tecia na prática era que o lojista não sando em novas oportunidades para repunha o nosso produto e ainda co- inovar. No ano passado, por exemplo,de Que forma locava outros no nosso espaço reser- lançamos 108 novos. Todos pensados eo negócio evoluiu? vado. Percebemos, novamente, que desenvolvidos no nosso parque indus-Hoje, internamente, o nosso negócio esse modelo não estava dando resul- trial, de Osasco, na grande São Paulo.é focado sempre no desenvolvimen- tados financeiros e para a construçãoto da marca e de novos produtos, da marcar. Novamente, vimos que com esse volume de produtosalém de toda a questão promocional lançávamos produtos, mas tínhamos e lojas, Quais as estimativase, claro, da qualidade. Trazemos o que o entrave com os pontos de venda. financeiras da mahogany?há de melhor no mundo no que diz No que diz respeito ao interesse porrespeito ao desenvolvimento de em- como a empresa solucionou novas franquias e seguindo nossobalagens e válvulas especiais essa Questão? movimento natural, devemos man- Em 2005 procuramos a Cherto, consul- ter uma evolução em torno de 15 acomo a mahogany sobreviveu toria local especializada em franquias, 20 lojas novas por ano. Essa rede,a essa Quebradeira dos e fizemos um estudo de viabilidade em 2011, faturou R$ 90 milhões e,varejistas? para tornar a marca uma rede franque- este ano, deve ter receita na casaResolvemos procurar outros canais adora. Com ela formatamos a arquite- dos R$ 100 milhões. Já a companhiade venda, como farmácias e autos- tura das lojas, dos uniformes, os tipos deve faturar algo em torno dos R$serviços, onde ficamos até aproxima- de contratos e, claro, toda a imagem e 50 milhões, com uma evolução anu-damente 2001. Logo percebemos que produção visual que as lojas deveriam al em torno dos 12% a 15% ano. Hojeesse trabalho com autosserviços, que ter. Partimos para o mercado em busca são 150 funcionários. O volume depraticamente ocupou o lugar das va- de candidatos a franqueados. Paramos clientes também é expressivo. Fo-rejistas, não gerava ganhos expressi- por um detalhe: não tínhamos nada ram cerca de 1,5 milhão de pessoasvos e ainda prejudicava a construção para mostrar porque simplesmente circulando nas lojas em 2011, anteda nossa marca porque nossos pro- não tínhamos loja alguma. Sofremos 1,2 milhão em 2010.dutos ficavam justamente ao lado, durante seis meses sem que houvessefazendo par, com outros com menor qualquer interesse. Foi quando resol- há possibilidade de expansãovalor agregado. Então pensamos que vemos abrir duas lojas próprias: uma da companhia via novosse não havia rendimentos satisfató- na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, investidores?rios tampouco construção de marca, e outra no Ibirapuera, em São Paulo. Por enquanto não existe essa possi-tínhamos que rever nosso negócio. Assim ficou mais fácil mostrar nossas bilidade. Já fomos bastante procu-Foi o que fizemos. propostas. A estratégia deu resultado. rados por vários fundos de private 2012 • edição 21 • junho / julho 11
    • EN T R E V IsTA Ja ime dru mmond, pre sidente da Maho ganyequity e não fechamos negócio. Por Temos perfis bastante diferentes de susta. Além disso, outro impacto queora, não estamos em negociação com franqueados, formados nas mais di- pode ser encarado como negativo é anenhum deles, até porque as propos- versas profissões. Todos, entretanto, abertura de cada vez mais shoppingstas que recebemos nunca chegaram antes de fecharmos negócio, passam nas grandes cidades. Isso não fidelizaa um nível de satisfação adequado à por entrevistas e análises de perso- clientes, mas sim os divide. Para evi-nossa perspectiva. nalidade para checagem sobre como tar a canibalização de franqueados, se comportam nas adversidades per- estamos em contato direto com elesQual o tamanho desse tinentes ao setor. A partir do pedido acompanhando o mercado. Na Gran-setor no brasil? de franquia até a abertura da loja há de São Paulo e Rio de Janeiro, porEstamos entre os três maiores do mun- uma média que varia em torno dos exemplo, estão fechados para novasdo, atrás apenas de Estados Unidos e seis meses a um ano. lojas justamente para não prejudicarJapão. Aqui, o mercado de cosméticos as que já existem.vem evoluindo muito. De 1998 para cá Qual o investimento iniciala média de crescimento da receita do e perspectiva de retorno? Qual o suporte técnicosetor é de 13,5% anuais. O faturamen- O investimento é de R$ 4,5 mil por Que a empresa forneceto bateu na casa dos R$ 29 bilhões em metro quadrado, sendo que indica- ao franQueado?2011. Atingimos esse posto por vários mos pelo menos 35 metros quadra- Quando uma nova unidade é aber-motivos e um importante deles foi o dos para cada loja. Há, ainda, o in- ta oferecemos treinamento especí-trabalho desenvolvido pela Associação vestimento no ponto de venda. Hoje, fico ao franqueado e sua equipe noBrasileira da Indústria de Higiene Pes- 90% deles estão instalados dentro de próprio local. Depois e a cada seissoal, Perfumaria e Cosméticos junto shoppings. Para o trabalho em si, in- meses, disponibilizamos reciclagemaos governos. O foco foi a redução de dicamos uma média de cinco funcio- que ocorre em cidades polo. Nessecarga tributária e aumentar produção, nários por loja. Já o retorno se dá por trabalho, focado nos gerentes e fun-aumentando assim a arrecadação so- volta dos 36 meses. O grande entrave cionários, nós fazemos a atualizaçãobre a produção. Isso se mostrou bas- para o retorno mais rápido ao fran- de novos produtos e mercado, mas,tante promissor. queado é o custo da locação. O preço principalmente, nas técnicas de ven- do metro quadrado mais que dobrou da e atendimento. O segredo do su-o Que é necessário para ser nos últimos tempos tanto para com- cesso está no bom atendimento e emum franQueado mahogany? pra quanto para aluguel, o que as- saber cativar o cliente. “ estamos entre os três maiores do mundo, atrás apenas de estados unidos e Japão. aqui, o mercado de cosméticos vem evoluindo muito. de 1998 para cá a média de crescimento da receita do setor é de 13,5% anuais “ “12 2012 • edição 21 • junho / julho
    • em um mercado altamente sete mil pessoas que acompanham há envolvimentocompetitivo, além desse bom a companhia pelo Facebook e outras em projetos sociais?atendimento, como cativar três mil que nos seguem no Twitter. Sim. Do nosso ponto de vista temose fideliZar o cliente? Mantemos ainda um blog com in- que privilegiar a comunidade ondeTemos foco nas classes A e B e aspi- formações sobre lançamentos e toda nossa companhia está inserida. As-racional na C. Portanto, público bas- nossa linha de produtos e um traba- sim, damos apoio a projetos sociaistante qualificado e cada vez mais lho expressivo com blogueiras espe- mantidos por entidades da cidadeexigente. Estamos sempre atentos cializadas em cosméticos. Apostamos que ministram cursos profissionali-às suas demandas. Para tal, fizemos na força das mídias sociais. zantes aos moradores locais. &pesquisa recente com 650 consumi-dores que circulavam em nossas lojasou fora delas em cidades como Rio deJaneiro, São Paulo e Recife. O clienteindicou melhorias significativas naqualidade dos nossos produtos etambém elencou como fundamen-tal a relação custo-benefício. Outrosatributos lembrados pelos clientesforam a característica vibrante e ro-mântica das nossas linhas.Quais as aÇÕes da mahoganynas redes sociais?É um nicho importante de comunica-ção com clientes e demais stakehol-ders. Por isso resolvemos, no últimoano, ampliá-lo e já colhemos resulta-dos expressivos nessa troca de infor-mações. Atualmente temos cerca de 2012 • edição 21 • junho / julho 13
    • GE sTãO TEXTO andrea ramos BuenoServimosbem paraservirSempre Às vezes só preço não é suficiente para manter a fidelidade do cliente. O bom atendimento é a melhor vitrine14 2012 • edição 21 • junho / julho
    • a frase que intitula a reportagemsempre foi dogma para o varejo e o setor A capacitação para o bom atendimen- to pode ser buscada em cursos téc- A consultora do Sebrae-SP chama atenção para um temor que ronda ade serviços e cada vez mais ela tem tan- nicos. Também vale a orientação do cabeça de muitos empresários quandota relevância quanto o bom preço. próprio empresário ou de um superior, pensam em oferecer treinamento aos conscientizando os empregados da im- seus funcionários: a perda desse pro-O consumidor, com maior poder de portância de fidelizar os clientes. Feld- fissional para o mercado. “E o custo dacompra, mais atento e detentor de fer- mann lembra ainda que esse modelo não qualidade, o desse funcionário nãoramentas rápidas de pesquisa, se torna só será eficaz caso o empresário dê o atrair e ainda espantar clientes, quantomais exigente e a aquisição de um pro- exemplo, tratando não só cliente, mas vale?”, pergunta Beatriz.duto ou serviço não depende só da qua- também seus colaboradores com cor-lidade e de preço competitivo, mas tam- dialidade. “Para o empregado atenderbém da maneira como ele é atendido. bem o cliente, é preciso que ele tenha um clima saudável. Se esse relaciona-E, nesse aspecto, o brasileiro é bastante mento for ruim, certamente isso seráexigente.“Nós damos uma importân- refletido no atendimento”, completa.cia muita grande para essa questãodo relacionamento pessoal e que se O varejista e o prestador de serviçosreflete no atendimento. Queremos ser precisam saber também um pouco dobem atendidos. O comércio eletrônico que vai na cabeça do consumidor. Parano Brasil não avançou tanto quanto o empresário o que mais importa paraem outros países por não ter interati- atrair clientes é o preço. No entanto, avidade. O brasileiro sempre quer ter o realidade vai além disso. A consulto-contato pessoal, mesmo que ele tenha ra sênior de marketing e vendas doacesso à internet, ele quer ver a cara Sebrae-SP, Beatriz Micheletto, cita umado vendedor”, detalha Paulo Feldmann, sondagem feita pelo Procon e a Fun-presidente do Conselho da Pequena dação Getulio Vargas em que foramEmpresa da FecomercioSP. analisados os motivos que fazem uma empresa perder clientes. “Sessenta eOutro aspecto do atendimento, lem- oito por cento das perdas de clientesbrado por Feldmann, é a vantagem que se devem ao mau atendimento; 14% àa pequena empresa tem em relação à má qualidade de produtos e serviços;de maior porte: a proximidade com o 9% ao preço e o restante por outros fa-dono. “Ele está perto e pode acompa- tores que independem da atuação donhar a maneira como o cliente está empresário (morte do cliente, mudan-sendo atendido”, destaca. Isso passa a ça de endereço e a compra de produtosser um diferencial. vendidos por amigos)”, destaca. 2012 • edição 21 • junho / julho 15
    • GE sTãO Ser v i mos bem pa r a ser v i r sempreHá quem carregue no DNA a arte de “Meu pai ia até as mesas, almoçava com o decote estava incomodando. Ela foiatender bem e ainda acompanha, as pessoas, batia papo. Eu adotei isso embora e eu prometi guardar a peça.desde pequeno, como é que se faz. para o meu negócio. Não faço só o bá- Dias depois ela voltou e comprou oitoA jornalista Cyane Alem, 37 anos, é sico. Se a cliente está com preguiça de peças, menos o vestido”, conta.exemplo disso. Com os pais empre- experimentar a roupa eu experimentosários em Ribeirão Preto adminis- e mostro como ela pode usar. No co- A empresária oferece outros mimostrando um restaurante árabe há 30 quetel em que comemoramos um ano às clientes: não cobra para fazer barra,anos e outro de comida nordestina das atividades da loja, um cliente queria leva e busca a roupa na costureira e jáhá 16, ela acaba de completar um comprar um presente para a namorada. chegou a abrir a loja em um domingo,ano à frente da boutique Benditta, Eu deixei a festa e experimentei a roupa para uma pessoa que iria viajar.também na cidade. Desde criança que ele queria levar”, explica a jornalistavendo a atuação dos pais, ela apren- que também coloca em prática o que Talvez por esse atendimento tão per-deu muito cedo as estratégias para aprendeu com especialistas em gestão, sonalizado, a empresária não invistaganhar e manter clientes. que entrevistou quando era repórter. muito em propaganda. Anuncia em uma revista e o restante se deve às in- Cyane diz ainda que passa um tem- dicações de outras clientes e às redes pão conversando com os clientes du- sociais. “Quando eu posto uma foto já rante o atendimento para saber do vêm várias perguntas. As pessoas que- trabalho, do dia a dia e recomendar o rem saber se tem o número delas. É um que for mais adequado e estiver den- retorno imediato”, comemora. tro das expectativas e do poder aqui- sitivo de quem está comprando. Por A atenção ao atendimento e a capaci- conta dessa observação ela já sugeriu tação dos colaboradores no comércio que uma cliente desistisse do vestido são caminhos obrigatórios a serem que havia experimentado. “Eu vi que percorridos por quem quer se manter ela não estava se sentindo bem, que no mercado e, para quem não teve professores na infância, existem cur- sos bastante direcionados. O Senac e o Sebrae oferecem algumas opções. O curso livre Atendimento ao Clien- Foto: Olício Pelosi te, do Senac, prepara aqueles que vão atuar na área operacional. São“ tratados aspectos como transparên- cia e ética nas relações de consumo e normas sobre direitos do consumidor, além de postura, habilidades e atitu-Salão de cabeleireiro é como pizzaria em São paulo: des pessoais e profissionais.em cada esquina tem um. você tem que fazer diferente Para quem quer seguir carreira nessapara conquistar o cliente. em relação aos meus colaboradores,preciso ser um espelho: varro o chão, sirvo café, limpocadeira e esse comportamento se estende à equipe “ área existe o curso Técnico em Comércio, de nível médio. Ele vai formar um profis- sional que poderá também contribuir para a gestão do negócio. “Essa pessoa poderá auxiliar não só no atendimentoAndrea Guedes ao cliente, mas também em processos deDona do salão Avant Garden armazenagem; definição de preços; ex-16 2012 • edição 21 • junho / julho
    • posição de produtos; otimização no pro- criatividade, fluxo de caixa e motiva- Em um período tão curto de existência,cedimento de compras e no tratamento ção de equipe. Detalhes sobre cada um os 14 funcionários já tiveram três cur-com os fornecedores”, detalha o professor desses cursos podem ser vistos no en- sos. Dois ministrados por empresas es-do Senac, Aurisol Sabino de Souza. dereço www.sebraesp.com.br/ead. pecializadas e outro criado por Andrea e uma funcionária que também acu-Esse curso ainda orienta o aluno a de- A cabeleireira Andrea Guedes, 33 anos, mulou experiência em vários salões.senvolver planos de marketing e vendas conhece bem a importância do bome trata de tendências e inovações tec- atendimento e a necessidade de inves- Quando fala sobre atendimento elanológicas na área comercial. “Como vai tir em cursos e treinamento. mostra porque conseguiu rapidamenteser o supermercado daqui alguns anos? seus clientes e como atrai outros. “EuSerá muito diferente do que é hoje e Durante oito anos foi funcionária de oriento as recepcionistas a atenderemesse profissional precisa estar prepara- uma rede de salões de beleza que tem ao telefone sorrindo. Quem está do ou-do pra isso”, destaca Souza. por filosofia tratar o cliente como prio- tro lado já sente que será bem recebido. ridade. A marca investe no bom trata- Além de nos preocuparmos em oferecerOutros 11 cursos são oferecidos pelo Se- mento e bem-estar das pessoas durante produtos de boa qualidade, temos algu-brae-SP. Eles são gratuitos, de curta du- a permanência delas no estabelecimen- mas práticas que utilizamos do primei-ração e feitos à distância. Cada um dos to. Quando Andrea deixou essa rede e ro ao último cliente”, explica.temas tem carga horária de três horas foi trabalhar em outros salões, ela co-e o participante tem 15 dias para con- nheceu uma realidade diferente: “eu vi o Ela considera importante que todo fun-cluí-lo. Ao final desses cursos o aluno que não se deve fazer”, conta. Após anos cionário cumprimente cada cliente comopode imprimir o certificado. Os temas acumulando experiência ela decidiu to- se fosse seu; que mantenha os espaçosvão desde o desenvolvimento de com- mar as rédeas de sua vida profissional e, limpos e organizados e que na chegadapetências empresariais até a sucessão há um ano, comanda o salão Avant Gar- já ofereça café, chá, cappuccino...em empresas familiares, passando por den, na capital paulista. “Salão de cabeleireiro é como pizzaria em São Paulo: em cada esquina tem um. Então você tem que fazer diferen- te para conquistar o cliente. Tenho um assistente de cabeleireiro que, quan- do a cliente está em dúvida quanto ao esmalte, ele testa várias cores nas mãos dele. Eu sinto também que, em relação aos meus colaboradores, pre- ciso ser um espelho. Eu também varro o chão, sirvo café, limpo cadeira e esse comportamento se estende à equipe. Por isso, se eu estou fora, fico tranqui- la, porque sei que o salão está em boas mãos”, ensina Andrea. A dedicação ao atendimento dá à ca- beleireira a segurança para conquistar novos clientes. “Eu costumo dizer que a gente só precisa que a pessoa entre no salão porque nós vamos fazer a di- ferença.” A clientela agradece. & 2012 • edição 21 • junho / julho 17
    • C A PAPOR Por Raphael Ferrari e Denise RamiroILUSTRAÇÕES ÂNGELA BACON 5X 10X
    • 000 xxx Governo força O custo do redução dos jurospara o consumidor dinheiro final e mercado financeiro precisase reestruturar para se manter atrativo 15X 8X
    • C A PA O c u s to do d i n hei rod esde agosto de 2011 o Siste-ma Especial de Liquidação e Custódia áreas importantes como saúde, educa- ção e infraestrutura. Já para as Pessoas bém podem ser vistos como o custo do dinheiro, que no último trimestrejá caiu quatro pontos porcentuais Físicas (PF) e Jurídicas (PJ), a queda da de 2011 eram de 45,2% a.a. recuaram(p.p.), saindo de 12,5% ao ano (a.a.) e Selic tem implicações mais interessan- somente 0,9 p.p., fechando o primeirochegando à 8,5% a.a., a taxa mais bai- tes. Primeiro, com o dinheiro poupado trimestre do ano em 44,3% a.a. para oxa da história. Mas o que significa isso (guardado) rendendo menos, o consu- consumidor na ponta.para o bolso do consumidor? A Selic, mo e os investimentos se tornam maiscomo é mais conhecida, é a taxa bá- atrativos. E mais importante: o crédito A justificativa das instituições finan-sica de juros da economia brasileira se torna mais acessível, mais barato. ceiras para os juros ao consumidorusada como instrumento de política O que permite às famílias financiar a não caírem na mesma proporção quemonetária para o controle da inflação. expansão de suas compras e, por sua a Selic é o receio de um incremento noContudo, quando o Comitê de Política vez, às empresas adquirir bens, equipa- nível de inadimplência, que de acordoMonetária (Copom) anuncia a retra- mentos, aumentar a capacidade insta- como Banco Central (BC) correspondeção ou o aumento da Selic não há uma lada, fazer mais contratações... ao volume de crédito com pagamentomudança direta na inflação, mas uma atrasado há mais de 90 dias. Contudo,série de mudanças no mercado que, Há um ciclo virtuoso entre crescimento ainda de acordo com dados do BC, ateoricamente, devem culminar em do consumo, nível de emprego e renda inadimplência recuou 0,2 p.p. entremais ou menos consumo das famílias que é mantido enquanto houver inves- 2010 e 2011, sendo somente de 7,6%.e, consequentemente, aquecimento ou timentos para que a oferta se mante- Conforme explica Antonio Carlosarrefecimento da atividade interna. nha no mesmo nível, ou até ligeira- Borges, diretor executivo da Feco- mente acima da demanda. Ou pelo mercioSP, entretanto, “hoje, o spreadQuando a Selic é “cortada”, o governo menos isso é o que deveria acontecer. bancário (diferença entre o custo degasta menos com a dívida pública, que captação de recursos e o preço re-é corrigida pela taxa básica de juros – o Na prática, a despeito da redução de passado para o consumidor de crédi-que o deixa com mais recursos dispo- quatro p.p. na taxa Selic, os juros co- to) é, em média, de 33,2%, sendo queníveis para realizar investimentos em brados em financiamentos, que tam- 11% correspondem a taxa de risco de “ a força motriz para lançarmos a campanha de redução de juros foi a constatação de que juros elevados consomem muito a renda mensal das pessoas e levam, consequentemente, ao aumento da inadimplência “ Walter Malieni Diretor de Distribuição do Banco do Brasil Foto: Divulgação
    • 000 xxx NOVAS TAXAS O movimento de corte dos juros bancários nas operações de crédito ao consumidor caminha de forma tímida CDC - Bens diversos Taxas médias Taxas médias Bancos Variação abril de 2012 maio de 2012 000 xxx Banco do Brasil 1.79% 1.90% 0.11 Caixa Economica Federal 5.93% 5.91% -0.02 Itaú 0.00% 0.00% 0.00 Bradesco 2.78% 3.31% 0.53 Santander 3.83% 2.30% -1.53000 xxx HSBC 4.26% 4.35% 0.09 Cheque Especial Banco do Brasil 8.64% 8.40% -0.24 Caixa Economica Federal 4.34% 4.34% 0.00 Itaú 8.69% 8.77% 0.08 Bradesco 8.78% 8.76% -0.02 Santander 10.34% 10.31% -0.03 15X HSBC 10.11% 10.14% 0.03 Financiamento Veículos Banco do Brasil 1.37% 1.38% 0.01 Caixa Economica Federal 1.82% 1.71% -0.11 Itaú 1.62% 1.58% -0.04 Bradesco 1.60% 1.58% -0.02 Santander 1.68% 1.65% -0.03 HSBC 1.78% 1.54% -0.24 Empréstimo Pessoal Banco do Brasil 2.38% 2.42% 0.04 Caixa Economica Federal 1.93% 1.99% 0.06 Itaú 3.77% 3.60% -0.17 5X Bradesco Santander 4.36% 3.29% 4.39% 3.33% 0.03 0.04 HSBC 4.19% 4.23% 0.04 2012 • edição 21 • junho / julho 21
    • C A PA O c u s to do d i n hei roconversando agente se entende 5XJosé Sergio Barbieri roda o País há 35 de seus 53 anos.Caminhoneiro, ele constitui uma pequena empre-sa de uma pessoa só. Mas nem sempre foi assim.Barbieri já teve mais de um caminhão e contratoumotoristas para guiar, mas os problemas de ter umsegundo motorista – inclusive as implicações legaisde ter um funcionário – deram mais “dor de cabeça”do que lucro. Entretanto, há uma trabalhadora que oacompanha por todos esses anos. Sua esposa, MariaAparecida Barbieri, 50 anos, é quem cuida das guiasde recolhimento de tributos, das finanças e do finan-ciamento dos veículos. inadimplência”. Uma taxa abusiva, considerando que o recorde histórico“Já foram mais de 15 financiamentos”, conta de inadimplência, 8,54%, foi registra-Maria. “Somente em 2008, foram cinco. Finan- do em maio de 2009, no pior períodociamos três caminhões e duas carretas”, lembra. da crise econômica internacional. “Es-Sem se preocupar em entender exatamente o que tamos lidando com um valor muitosão os juros, Maria diz que analisa se a parcela acima da realidade”, critica.cabe no orçamento – como a maior parte dos bra-sileiros – e fica de olho em quanto o preço final No setor automotivo, os números cha-do veículo sobe. “Da última vez o banco cobrou mam à atenção. Segundo dados da34,77% a mais do que o valor do caminhão, mas FecomercioSP a taxa de juros cobradacomo foi dividido em quatro anos compensou”, pelos bancos para o financiamento decomenta. A taxa equivale a juros de 8,69% ao ano. automóveis é de 26,6% a.a., sendo que dentro desta taxa está embutido umExperiente, Maria afirma que antes de fechar spread de 17,1% a.a.. Considerando queo financiamento é importante analisar as op- os financiamentos de automóveis têmções – Crédito Pessoal, Leasing, Financiamento saldo de R$ 178 bilhões, somente dede Máquinas e Equipamentos (Finame) –, fazer 000 xxx spread as instituições financeiras rece-simulações em mais de um banco e ficar atento bem cerca de R$ 30 bilhões, ou três ve-aos encargos. “É normal que um financiamento zes o valor devido pelos inadimplentes,custe mais do que o anunciado porque eles nunca R$ 10,5 bilhões (5,9% do total movimen-incluem o custo dos tributos quando falam o pre- tado pelo setor). “Há bastante gorduraço, só quando fecham o negócio”, critica. “O mais para queimar”, sintetiza Borges.importante é sentar com o gerente e negociar,porque você sempre pode conseguir algo melhor A partir de abril, entretanto, o governodo que aquilo que te ofereceram.” começou uma “ofensiva” contra o se- 15X
    • não há razão para que o custo de um empréstimo no Brasil seja mais de 15 vezes superior ao dos Estados Unidos ou em outros países com economias próximas à nossa. “Somos um ponto fora da curva.” Desde o início da pressão governamen- tal, o Banco do Brasil (BB) já promoveu cinco cortes de juros no crediário para as pessoas físicas e jurídicas. A iniciati- va parece estar dando certo. Com um Foto: Divulgação aporte adicional de R$ 27 bilhões para as linhas voltadas às micro e peque- nas empresas e de outros R$ 16 bilhões para PF, o BB viu crescer a demanda de vários de seus produtos.“ A oferta de crédito também cresceu na Caixa Econômica Federal e, junto com ela, a atração de novos clientes. DeCom a queda da Selic e a maior oferta de acordo com Fábio Lenza, vice-presiden-crédito nos bancos públicos, a tendência te de pessoa física do banco, do começoé que a cada mês as taxas fiquem menores.o melhor, para quem puder, é esperar “ de abril até a terceira semana de maio a Caixa emprestou R$ 7,9 bilhões. Al- guns produtos para pessoas físicas se destacam. A movimentação média di-Miguel de Oliveira ária do Crédito Consignado e o CréditoVice-presidente da Anefac Direto ao Consumidor (CDC) passaram de R$ 60 milhões e R$ 9 milhões, res- pectivamente, para R$ 109 milhões e R$ 25 milhões. Um aumento de 82,3%tor financeiro pressionando para que procura de juros mais razoáveis. “Como e 119,7% no volume médio de emprésti-a queda da Selic seja repassada ao esses bancos têm muita presença no mo diário dessas linhas de crédito.consumidor final e os juros do siste- mercado, a jogada deve dar certo”,ma, como um todo, caiam. A principal opina. “Entretanto, ainda levará algum Na batalha para atrair novos clientes,arma do governo nessa “guerra de ju- tempo para notarmos as mudanças além da redução dos juros, os bancosros” é a concorrência. mais significativas”, completa. estão oferecendo condições especiais para clientes que transferirem suaAndré Mafaro, especialista em Finan- A posição é corroborada por Alcides conta salário para a instituição. Noças e Economia da Moneyfit, explica Leite, professor de Economia da Trevi- Programa Bom Para Todos, do BB, oque ao baixar os juros dos bancos esta- san Escola de Negócios. “É um proces- cliente que recebe seus vencimentostais (Caixa Econômica Federal e Banco so demorado, mas estamos começan- pelo banco paga taxa única de 3,9%do Brasil) o governo espera forçar os do a trazer os juros no País para um no cheque especial – para os demaisbancos privados a reduzirem suas ta- patamar mais razoável em relação à clientes o custo pode chegar a 8,27%.xas para evitar uma fuga de contas à média mundial.” Leite pondera que A postura também foi adotada por 2012 • edição 21 • junho / julho 23
    • C A PA O c u s to do d i n hei rooutros bancos. No Bradesco, porexemplo, a taxa do cheque especial éde 4,7% para os clientes que têm suaconta salário no banco, e de 8,9% paraos que não têm.Se o movimento de queda dos juros éaplaudido pelo consumidor, o mesmonão acontece com o investidor que Foto: Ed Viggianiaplica em papéis do setor financeiro. Éo caso dos acionistas do BB, por exem-plo, que se mostraram preocupadoscom a possível perda de rentabilidadede suas aplicações. Mas não é essa aconta do BB. Segundo Walter Malieni,diretor de Distribuição do Banco doBrasil em São Paulo, ao trazer os jurospara um patamar mais saudável, asfamílias poderão consumir mais, mo-vimentando a economia. “O volume Juro novo, casa novados negócios vai compensar a quedados juros”, garante. Aos 52 anos de idade o engenheiro da Petro- um dinheiro para completar o valor da bras, Valdemir Antonio Paulucci, deu uma entrada do imóvel. Foi aconselhado peloNo momento, a transição de uma guinada na vida. Separou-se da mulher e gerente do banco a tomar um empréstimoagência a outra ainda é, majoritaria- ficou com a guarda dos dois filhos adoles- consignado, pagando taxa mensal abaixomente, em busca de informações, mas centes. No aspecto financeiro a mudança de 1% durante 60 meses.há números que indicam o quanto as significou a necessidade de comprar umfamílias anseiam por juros mais bai- imóvel para morar com Giovanna, 16 anos, “Foi um processo rápido e simples”, dizxos. “Somente em maio, a Caixa abriu e Julio, 14 anos. Enquanto corria atrás do fi- Paulucci. Ele sabe que essa facilidade vemmais de 280 mil novas contas de PF nanciamento imobiliário, o País assistia ao do fato de ele ser correntista do Banco doatraídas pela redução nos juros”, con- surgimento de um movimento em favor da Brasil desde 1995. Isso porque, com a novata Lenza. “Uma evolução de 26,3% em redução dos juros bancários. realidade de juros no País, os bancos estãorelação a abril”. O incremento no rit- condicionando a concessão de taxas meno-mo de abertura de contas PJ também Paulucci acabou se beneficiando dessa “guer- res para quem tem ou transfere a conta salá-foi expressivo. Foram 42 mil contas ra dos juros”. Assinou o contrato de finan- rio para o banco.abertas em maio, ou 39,3% a mais que ciamento com uma significativa redução deno mês anterior. custo em relação às primeiras simulações fei- Agora, devidamente instalado na nova casa no tas pelo gerente do banco. Fazendo as contas, bairro do Butantã, na capital paulista, Pauluc-O movimento de queda dos juros, Paulucci vai economizar R$ 300,00 por mês ci espera antecipar a quitação da dívida para,contudo, ainda caminha a passos de na prestação, o que significa quase R$ 65 mil quem sabe, assumir outros compromissos.tartaruga, especialmente nos ban- a menos no final do contrato, daqui a 18 anos. “Sou um consumidor controlado”, afirmacos privados. Essa é a avaliação de ele. “Mas agora que as taxas de juros tendemMiguel José Ribeiro de Oliveira, vice- Antes de concluir a operação, porém, a seguir o preço de mercado, é possível pla--presidente da Associação Nacional Paulucci precisou levantar rapidamente nejar melhor o consumo.”dos Executivos de Finanças, Admi-24 2012 • edição 21 • junho / julho
    • “Sou um consumidor controlado.mas agora que as taxas de juros tendem No mesmo sentido, Leite, daTrevisan Escola de Negócios, afirma que o consu- midor brasileiro está no limite do endi-a seguir o preço de mercado, é possívelplanejar melhor o consumo “ vidamento, não porque a dívida é muito elevada, mas porque seu custo é abusivo. “O endividamento dos brasileiros é baixo em relação aos padrões internacionais,Valdemir Antonio Paulucci só que há uma diferença fundamental.Engenheiro da Petrobras O custo da dívida é extremamente alto.”nistração e Contabilidade (Anefac), banco em busca de taxas menores. De acordo como Mafaro, os juros co-que destaca que, apesar do esforço Até porque, segundo Oliveira, a apro- brados por uma dívida no rotativo dodos bancos estatais para aumentar vação de um contrato de crédito não é cartão de crédito, a modalidade de cré-a oferta de crédito e reduzir as taxas tarefa fácil para o consumidor. “Com a dito mais popular no País, é de 238,3%bancárias, o Brasil ainda tem juros queda da Selic e a maior oferta de cré- a.a.. “Já nos Estados Unidos, os jurosmuito altos. Prova disso é que mes- dito nos bancos públicos, a tendência cobrados pelo mesmo serviço são de,mo após as recentes quedas da Se- é que a cada mês as taxas fiquem me- aproximadamente, 12% a.a.”, compara.lic, a taxa média anual para PF caiu nores”, aposta. “O melhor, para quem Mafaro projeta que em 66 meses (cin-somente 1,88 p.p. entre fevereiro e puder, é esperar.” co anos e meio) uma dívida de R$ 1 milmarço deste ano, atingindo 106,99% no cartão se torna uma dívida de R$ 1a.a.. No caso da PJ, o custo médio para O diretor executivo da FecomercioSP milhão. “Achar uma aplicação na bolsao tomador de crédito caiu de 55,01% pondera que há espaço para uma re- com esse retorno é mais difícil que ga-a.a. para 53,40% a.a., no mesmo pe- dução de até um quarto na taxa atual nhar na loteria”, ironiza.ríodo. “Ainda há muita margem para de juros ao consumidor, passando dosqueda de juros no País”, diz Oliveira. 44,3% a.a. para cerca de 32% a.a.. “So- O fato é que as taxas de juros pratica- mente isso iria significar um acréscimo das hoje no Brasil são abusivas e injus-Ele explica que o preço do crédito é de R$ 45 bilhões na renda disponível tificáveis, principalmente frente aosdeterminado por diversos fatores, para consumo das famílias, elevando bons indicadores de emprego e renda,entre eles, custo de captação do em até 5% as vendas no ano.” e ao serem mantidas estão subsidian-banco, impostos, despesas admi- do a inadimplência e restringindo anistrativas, risco de inadimplência Borges avalia que o barateamento do disseminação de crédito que alavan-e, obviamente, lucro da instituição. crédito também teria repercussões caria o consumo e, consequentemente,Para que os juros caiam para o con- positivas para o nível de inadimplên- o nível da atividade interna. Ao menossumidor final é preciso reduzir os cia. Segundo ele, as famílias brasileiras desta vez parece que o governo estácustos desses insumos. A captação, pagaram R$ 183,5 bilhões apenas em trabalhando para mudar essa situação,por exemplo, tende a ficar mais ba- juros dos seus empréstimos em 2011. e não somente para inglês ver. &rata na medida em que a Selic, que O valor é 30% maior do que o de 2010baliza o preço pago pelos bancos e corresponde a cerca de 20% de todopara tomar dinheiro no mercado, faturamento estimado do varejo na-recua. E o governo dá sinais de que quele ano. “A força motriz para lançar-a trajetória de queda da taxa básica mos a campanha de redução de jurosde juros ainda não acabou. foi, justamente, a constatação de que juros elevados consomem muito a ren-Diante de tudo isso, o consumidor da mensal das pessoas e levam, conse-deve observar o movimento do mer- quentemente, ao aumento da inadim-cado antes de decidir-se por trocar de plência”, concorda Malieni, do BB. 2012 • edição 21 • junho / julho 25
    • A RT IG O POR Paulo roBerto FeldmannatuaL Lei eLeitoraL nas campanhas são empresas muito grandes. Evidentemente esses grupos,prejudica a que por sinal são muito bem adminis- trados, não são de desperdiçar recur-pequena empresa sos, ou seja, quando põem dinheiro numa campanha eleitoral vão querer o retorno logo depois que o seu candi- dato tomar posse.n Essa é a perversidade de nosso sistema eleitoral, e com ele é possível entender ós brasileiros estamos tão No Brasil não existe nenhum apoio o porquê nada será feito para tirar oscansados da frequência com que ou incentivo para que as pequenas se privilégios das grandes empresas. Nãoaparecem novos escândalos nos unam com a finalidade de exportar podemos chamar de democracia plenajornais que já nem sabemos o que em conjunto, por exemplo. Por isso, o sistema político de um país no qualsentimos: se indignação ou fastio. elas respondem por apenas 1% das o poder econômico é quem decide asSe pararmos para analisar, veremos exportações brasileiras. Na Itália elas eleições. Em países verdadeiramenteque a maioria dos casos que vem à são responsáveis por 43% das expor- democráticos como Alemanha, Sué-tona está relacionado com fundos tações, pois lá existe uma politica go- cia ou Holanda empresas não podemque precisam ser arrecadados para vernamental com esse fim. Aqui é raro apoiar campanhas eleitorais, apenascampanhas eleitorais ou então re- que compras públicas sejam direcio- pessoas físicas. Fica a sugestão paratribuições que parlamentares ou nadas às pequenas como está sendo nossa futura lei eleitoral. &dirigentes públicos eleitos precisam feito neste momento na Inglaterra Paulo Roberto Feldmann é presiden-fazer para quem os apoiou na época nas contratações e licitações para os te do Conselho da Pequena Empresada eleição. Por incrível que pareça a Jogos Olímpicos de Londres. da FecomercioSPlei eleitoral que é a principal respon-sável por gerar essa nefasta situação O que se constata é que tanto nossospara o País é também muito perversa governantes quanto nossos legislado-com as pequenas empresas. res não têm as pequenas empresas em sua agenda e isso é muito fácil deApesar de as pequenas represen- entender, basta verificar quem apoioutarem 99% do total de empresas as campanhas eleitorais dos mesmos.existentes no País elas respondempor apenas 20% do PIB brasileiro, se- A relação dos maiores apoiadores degundo dados do SEBRAE de 2010. Só campanhas eleitorais deveria ser ampla-mesmo países muito pobres, a maio- mente conhecida pela sociedade brasi-ria africanos, apresentam índices leira. No site www.transparencia.org.br étão baixos de participação de suas possível ver a relação dos doadores.pequenas empresas nos respectivosPIBs. Na Alemanha e na França esses Por meio dessa relação de doadoresíndices são de 55 e 58%, respectiva- verificamos que é muito pequena amente. A causa para esta situação é participação das pessoas físicas comoa inexistência no Brasil de politicas apoiadoras das campanhas eleitoraispúblicas que apoiem as pequenas e menor ainda a participação dasempresas, bem ao contrário desses pequenas empresas. Constatamosoutros países mencionados. que quem efetivamente põe dinheiro26 2012 • edição 21 • junho / julho
    • NEG ÓCIOSTEXTO ENZO BERTOLINI
    • vai fazer compras?vá de bike Cada vez mais paulistanos estão aderindoo à magrela para deslocamentos e o comércio precisa trânsito caótico e constante de se preparar para receber bem o cliente ciclista.São Paulo tem transformado o ato de ire vir em uma luta diária na vida das mi- Veja testemunhos de quem já aderiu e como fazerlhões de pessoas que vivem e se locomo-vem por uma das maiores metrópolesdo mundo. Segundo dados do Departa-mento Estadual de Trânsito de São Paulo(Detran) em abril – mês com último dado sete quilômetros. Acima dessa distân- O músico e artista escocês David Byrnedisponível –, somente na capital paulista cia, a intermodalidade (bike+ metrô ou (ex-vocalista do Talking Heads), autor dohavia mais de 7,25 milhões de veículos. ônibus) é uma excelente alternativa. livro “Diários de Bicicleta”, diz que andarDesse total, 5,25 milhões são formados Claro que nada impede das pessoas de bicicleta é flertar com a cidade, por-por carros. Além da grande quantidade pedalem distâncias maiores. que não é nem devagar demais, nem rá-de veículos, a taxa média de ocupação pido demais. E é de olho nesse flerte, quepor carro vem caindo ano a ano. Em 2005 Engana-se quem acha que a ausência muitos comerciantes estão acordandoera 1,49 pessoa por carro, em 2009 caiu de ciclovias é um impeditivo para a cir- para o atendimento ao consumidor quepara 1,46 e em 2011 chegou a 1,40. Ou culação de bicicletas. O Código de Trân- utiliza a bicicleta nos seus deslocamen-seja, atualmente, a cada cinco carros em sito Brasileiro (CTB) diz em seu artigo tos diários, também conhecidos comocirculação nos horários de pico, somente 58 que: “Nas vias urbanas e nas rurais bike-commuters na sigla em inglês.sete pessoas são transportadas. de pista dupla, a circulação de bicicle- tas deverá ocorrer, quando não houver De acordo com a pesquisa Origem/Esse caos instalado tem feito mais ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou Destino do Metrô realizada em 2007,pessoas deixarem seus veículos de quando não for possível a utilização 70% dos deslocamentos de bicicletalado e usarem a bicicleta como meio destes, nos bordos da pista de rolamen- em São Paulo têm como motivo princi-preferencial em seus deslocamentos. to, no mesmo sentido de circulação re- pal o transporte. Ainda de acordo comEspecialistas afirmam que a bike é o gulamentado para a via, com preferên- os dados, 57% das viagens utilizandotransporte ideal para distâncias de até cia sobre os veículos automotores”. bicicletas tiveram como motivação a 2012 • edição 21 • junho / julho 29
    • NEG ÓCIOs Va i fa zer compr a s? Vá de bi kepequena distância da viagem e 22% aconchego e por ser palco constante representativo – mostrou que ao utilizara condução alternativa ser considera- de noite de autógrafos. A tradicional a bicicleta como meio de transporte, oda cara. “Os comerciantes ainda não Confeitaria Vera Cruz, localizada no consumidor dá preferência em visitaracordaram para esse público. Tento Tatuapé é outro estabelecimento que comércios instalados em seu própriomostrar que o ciclista é um consumi- disponibiliza paraciclos para o cliente bairro em detrimento de outros maisdor, que usa a bicicleta como meio de ciclista. Com um espaço para amarrar distantes. É o caso do casal Camila Valelocomoção”, diz Eduardo Grigoletto, o cachorro enquanto as compras são e Marco Toscano, usuários frequentesproprietário da Ciclomídia, empresa feitas, o local era utilizado por ciclistas da ciclofaixa da zona Norte, que priorizaespecializada em fornecer estruturas e gerava confusão pela falta de espaço o consumo em estabelecimentos na re-para o estacionamento de bicicletas. para os cachorros, além da localização gião por onde pedala. “A Prefeitura está atrapalhar o fluxo de entrada e saída. começando a ver que já tem muito carroA empresa nasceu em função dessa ne- O proprietário do local, João Orlando na rua e não adianta criar mais pistas ecessidade. Grigoletto que enfrentava Junior, optou então por instalar paraci- viadutos, o melhor é investir na bicicleta.dificuldades em estacionar sua bicicle- clos na calçada em frente à confeitaria. O ciclista é uma forma mais barata deta com segurança ao visitar a maioria “O número de pessoas que frequen- investimento para transporte”, afirmados lugares. “O andar de bicicleta na ci- tam a padaria de bicicleta triplicou aos Toscano. Ao escolher atender melhor odade tem sido bastante abordado, mas finais de semana” diz, Orlando Junior, ciclista, o empresário do comércio tam-o estacionar nem tanto”, complemen- ele também um ciclista. “Queremos bém pode ganhar com a compra por im-ta. Um dos lugares que já contam com instalar mais dois num futuro breve.” pulso. “A velocidade da bicicleta permiteparaciclos instalados pela Ciclomídia uma interação maior entre as vitrines deé a unidade da Fradique Coutinho da Um estudo realizado em 2008 na Holan- lojas de rua e o consumidor, que ao estarLivraria da Vila, espaço famoso por seu da – país onde o deslocamento de bike é em uma bicicleta pode parar mais rápi- do e facilmente na comparação com o automóvel”, exemplifica José Lobo, presi- dente da organização não governamen- tal Transporte Ativo. Paraciclos e Bike Vallet O Coletivo CRU criou recentemente uma plataforma online e colaborativa chamada BikeIT! (www.bikeit.com.br) De acordo com os dados de 2007 da pesquisa Origem/Destino do Metrô, excetuando as para que ciclistas possam postar depoi- viagens de bicicleta de retorno à residência, o principal local de guarda de bicicleta é pri- mentos sobre estabelecimentos dizen- vado, 61%. Os bicicletários gratuitos correspondem a 15% e os locais públicos, 8%. do se aprovam ou reprovam o local de acordo com o atendimento e estrutura Para montar o seu próprio paraciclo, a Transporte Ativo possui um guia de orientação em para ciclistas. O local que possui atendi- seu site. Segundo José Lobo, presidente da entidade, o custo médio da vaga (que comporta mento exemplar em todos os aspectos pelo menos duas bicicletas) é de R$ 150 a R$ 450. “O Maracanã criou 80 vagas com mate- ganham o selo BikeIT!. rial reciclado feito dentro das oficinas do estádio. Essa é a forma mais barata hoje”, conta. ciclofaixas, ciclorrotas Para aqueles que querem mais praticidade, a Ciclomídia faz e monta as estruturas, que e ciclovias possuem diferenciações entre si, desde um modelo simples até a implantação de Bike Val- let para eventos, shows, feiras, congressos e todo tipo de eventos com grande concentra- A cidade de São Paulo conta hoje com ção de pessoas incentivando. “Guardamos a bicicleta e todo o equipamento que o ciclista três tipos de estruturas para ciclistas: ci- quiser com segurança”, finaliza Eduardo Grigoletto. clofaixa, ciclorrota e ciclovia. A diferença entre elas é simples. A ciclovia é um espa- ço para a circulação de bicicletas com se-30 2012 • edição 21 • junho / julho
    • paração física dos demais veículos, comoa do Rio Pinheiros, que possui 21,5km.A ciclorrota é um caminho utilizado “ os comerciantes ainda não acordaram para esse público ciclista. tento mostrarfrequentemente por ciclistas, seja ele si-nalizado ou não, sem separação física eonde há compartilhamento de via com que esse é um consumidor, que usa a bicicleta como meio de locomoção “ “outros veículos. Em São Paulo há um Eduardo Grigolettomapa elaborado pelo Centro Brasilei- Proprietário da Ciclomídiaro de Análise e Planejamento (Cebrap)que aborda os melhores caminhos paraciclistas no centro expandido. Dessespercursos, cinco estão sinalizados pelaCompanhia de Engenharia de Tráfego(CET): Brooklin (15 km), Butantã (840metros), Lapa (18 km), Mooca (8 km) eMoema (6,5 km).Há também a ciclofaixa que é constituí-da de uma faixa pintada no chão, sem se-paração física, apenas com sinalizações Foto: Ricardo Lisboade solo e placas de alerta ao motorista.Há dois modelos na cidade: permanentee de lazer. O único exemplo na modalida-de permanente está em Moema e pos-sui 3,3 km. Ciente da oportunidade querepresentava ter uma ciclofaixa na por-ta de sua loja, a designer Carol Gregori dos nacionais e têm atraído em média padaria. “Estamos realizando orçamen-lançou uma promoção exclusiva para 40 mil pessoas por dia. Além do lazer tos para compra de paraciclos.”consumidores que forem à sua loja de em família e da propagação da consci-bicicleta: 20% de desconto na compra de ência ciclística entre motoristas, os co- Há quatro meses o engenheiro Marcelobijuterias. A vizinha de loja, Design Baeté merciantes próximos dos trajetos das Barros montou a Planet Ciclo, bicicleta-seguiu o exemplo e concede o mesmo ciclofaixas têm percebido um aumen- ria na avenida General Ataliba Leonel,desconto em bolsas. “A repercussão foi to no movimento de consumidores. 239, Santana para atender o público ur-muito boa e conseguimos nos posicio- bano, que utiliza a bicicleta para traba-nar a favor da ideia”, diz Carol. A Dumont Casa de Pães, localizada na lhar. E contou com a sorte. “Nós fizemos Rua Eduardo Silva Espínola, 70, Jardim uma pesquisa de campo para saber umPor fim, há as ciclofaixas de lazer, que São Paulo, tem recebido um volume local carente de bicicletaria e que fossehoje possuem 67 km e estão localiza- considerável de clientes com suas bikes uma rota para o centro. Achamos essedas nas zonas Sul/Oeste (45 km), Norte aos domingos pela manhã e em decor- ponto e depois de dois meses aqui nós(8 km) e Leste (14 km). Em relação às de rência disso está planejando a monta- ficamos sabendo que a ciclofaixa irialazer, as diferenças estão em sua maior gem de uma estrutura para atender passar na frente da loja”, diz. Em decor-largura, separação dos carros com co- ciclistas. “Famílias inteiras param aqui. rência da ciclofaixa a loja passou a abrirnes e localização sempre à esquerda Queremos que eles tenham mais se- aos domingos e o impacto foi imediato.de grandes avenidas. Esses espaços gurança e conforto”, conta Domingos “Só o domingo representa 35% do nossofuncionam todos os domingos e feria- Fernandes Junior, sócio proprietário da faturamento”, finaliza Barros. & 2012 • edição 21 • junho / julho 31
    • U M DI A NA ... TEXTO e fotos Enzo bertolini ...Arena Corinthians32 2012 • edição 21 • junho / julho
    • da zona LeStepara o mundo A c&s visitou a arena que sediará a partida de abertura da Copa do Mundo 2014 e que torna o sonho dos corinthianos realidade com um estádio próprio de 189 mil m2e m Itaquera, na Zona Leste deSão Paulo, está sendo erguida a Are- A cereja do bolo será a realização do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, estacas cravadas e 553 blocos de concreto fixados. Com 40% das obras concluídas,na Corinthians, sonho de consumo de quando estarão presentes pelo menos 244 pilares foram erguidos e 674 degraus10 em cada 10 corinthianos. Fruto de 32 Chefes de Estado e representantes assentados. Além disso, há 100 trabalha-uma parceira entre o clube e a Ode- dos países que disputarão a Copa. Have- dores nas fábricas de pré-moldados ebrecht Infraestrutura a arena terá 48 rá estrutura para o trabalho simultâneo mais 100 na fabricação da cobertura e demil lugares, o que pode ser considera- de 5 mil jornalistas de todas as partes do vigas metálicas. “A tendência é movimen-do pouco dado à enormidade da Fiel, mundo. Arquibancadas provisórias para tarmos mais 250 pessoas na produçãomas que atenderá as necessidades do 20 mil pessoas ainda serão instaladas de instalações de obra, como distribuiçãoclube. São 189 mil m2 de área constru- por ocasião do campeonato mundial. elétrica, hidráulica, bombeiro etc”, explicaída que terão mais de 100 camarotes, Frederico Barbosa, gerente operacionalmais de 60 lojas, auditório, quatro No dia 30 de maio a Arena completou da Odebrecht Infraestrutura. Nos pró-restaurantes, museu, área para con- um ano de obras com números impres- ximos dois meses serão demandadosvenções, estacionamento para mais sionantes. Atualmente são 1.800 traba- mais pessoas para a estrutura metálicade 2.500 carros e cobertura de 90% lhadores em três turnos que preenchem da cobertura, que terá 32.300 m2, e parados assentos. as 24 horas, e são responsáveis pelas 3.631 o acabamento do prédio. 2012 • edição 21 • junho / julho 33
    • U M DI A NA ... A ren a C or i nt h i a n suniformizado Paraiso está há sete meses na obra e ser chamada. A preparação do almoçoe dentro da arena conta que ao elaborar o cardápio tenta começa de madrugada, às 5h.A reportagem de C&S visitou as obras sempre diversificar, mas diz que não po-e conheceu a história de trabalhadores dem faltar carboidratos porque o pesso- Dentro da Arena, meu cicerone foi ode todas as torcidas que têm orgulho al que está na área da obra gasta bas- sinaleiro Robson Lourenço, tambémem dizer que estão construindo a casa tante energia. Entre os pratos preferidos, conhecido como “Artista”, devido às inú-de 33 milhões de fiéis torcedores. feijoada e dobradinha. Os trabalhadores meras entrevistas e participações em têm a disposição café da manhã, almo- matérias de diferentes mídias. Há dezNo refeitório, os trabalhadores têm a ço e dois jantares para atender todos meses na obra ele é responsável pela si-disposição um buffet que sempre conta os turnos. As 35 pessoas que trabalham nalização de áreas de risco. Todos os diascom arroz e feijão, dois tipos de carne, no refeitório servem diariamente 3 mil Lourenço circula pela obra verificando severduras, legumes, sucos, sobremesa e pães, 1 mil litros de suco, 210 quilos de todos estão utilizando os equipamentosfrutas. O pessoal que trabalha direta- arroz, 360 quilos de carne, 120 quilos de proteção individual. “Até o momentomente nas obras começa o almoço às de feijão, 60 dúzias de ovos, 12 caixas não houve acidentes na obra, apenas11h30, enquanto engenheiros e admi- de verduras e 180 quilos de legumes. “O machucados ‘band-aids’”, diz.nistrativos se reúnem a partir das 12h. A pessoal trabalha bastante e precisa senutricionista e corinthianíssima Ailana alimentar bem”, diz Lana, como gosta de estádio de uma nação Adentrando na área de obra, nossa pri- meira parada foi na arquibancada Leste, a parte mais adiantada de toda a arena. Já são dois lances prontos, sendo que na parte inferior algumas cadeiras foram instaladas para teste. Na parte superior da arquibancada é possível ter uma visão magnifica de toda a construção. Enquanto fotografo, encontro a auxiliar de engenharia, Suelen Ungaro, que tra- balha há sete meses e é responsável pelo setor de qualidade. “Eu faço a checagem de todo o processo, desde o recebimen- to do aço, a concretagem da peça até a montagem em toda a área do estádio”, conta. Quando o técnico Tite visitou as obras, não perdeu a oportunidade de cobrá-lo. “Falei para ele tirar o time da re- tranca.” Suelen conta também que o for- mato da arquibancada é um diferencial importante em relação aos outros es- tádios, pois possibilita uma visibilidade melhor, mesmo atrás dos gols. “A emoção de construir nossa casa é muito grande”, diz a corinthiana doente. Na parte inferior, a proximidade com a área onde ficará o gramado impressiona. Apenas sete metros se-34 2012 • edição 21 • junho / julho
    • nhando. No final o juiz criou um pê- nalti e quem cobrou foi o Marcelinho Carioca. Aí é covardia (risos).” Hoje o campo está ocupado por pré- -moldados que são usados para mon- tar os prédios e estruturas das arqui- bancadas. Essas peças são fabricadas dentro da área da obra para otimizar custos e tempo. Descemos até a área onde ficará o campo. As arquibancadas se mostram imponentes e com certeza serão um caldeirão quando a seleção brasileira e o Corinthians ali jogarem. Do outro lado do campo, o prédio do setor Oeste também está bem adian- tado. Nessa área ficará imprensa, área VIP, shopping, espaço de convenções e eventos, além de mais um lance de ar- quibancada na parte inferior. Atrás das áreas Leste e Oeste haverá dois estacio- namentos com capacidade integrada para mais de 2.500 carros. À esquerda da arquibancada Leste, está o setor Sul, com pilares jacarés e placas de concreto sendo instalados. A parte Norte, à direita de onde esta- mos, é a área que menos evoluiu aténo dia 30 de maio a arena completou um ano de obras com o momento. Nesse setor estavam lo-números impressionantes. atualmente são 1.800 trabalhadores calizados os oleodutos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, que foram re-em três turnos que preenchem as 24 horas, e são responsáveis movidos para uma área mais distantepelas 3.631 estacas cravadas e 553 blocos de concreto fixados e elevada dentro do terreno. Os setores Norte e Sul só contam com param o torcedor do gramado. Lou- arquibancadas nos níveis inferiores. renço conta que no início das obras a Para a Copa do Mundo, serão cons- Odebrecht fez a demarcação de onde truídas arquibancadas provisórias ficará o campo e ex-jogadores do Co- acima desses setores, perfazendo 20 rinthians foram convidados para um mil lugares e deixando a Arena Co- jogo de inauguração contra um time rinthians com capacidade para 68 formado por operários. “O juiz fez de mil lugares. “Eu gostaria que essas tudo para o jogo terminar 2x2. Meu arquibancadas ficassem, 48 mil luga- time tinha o Vampeta e estava ga- res para a torcida do Timão é muito 2012 • edição 21 • junho / julho 35
    • U M DI A NA ... A ren a C or i nt h i a n spouco”, confessa Lourenço, corinthia- de 2011 os trens do Metrô e da CPTM Corinthians. “Deixei minha família emno roxo como ele mesmo diz e orgu- terão capacidade de esvaziar a Arena Porto Príncipe para trabalhar no Bra-lhoso por fazer parte da história do Corinthians em cerca de 30 minutos sil”. Ele espera poder trazê-los para Sãoseu clube de coração. após os jogos da Copa do Mundo, pois Paulo em um futuro breve. Segundo possuirão capacidade de transportar ele, a paixão pelo Corinthians nasceumobilidade e haiti 80 mil pessoas por hora. Além disso, antes mesmo de vir para São Paulo porEnquanto conversamos, consigo ob- a Radial Leste será ampliada e novos causa de Ronaldo Fenômeno.servar os trens da CPTM passando acessos serão feitos para que o trajetobem próximos da área da arena. A do Aeroporto de Cumbica, em Guaru- No setor Oeste, o papo com o sinaleirolocalização do estádio é impar em lhos, à arena seja facilitado. de grua Fabio Costa Cruz é o Brasilei-relação a todas as possibilidades con- rinho, campeonato interno que contasideradas pelo Comitê Organizador Em nossa caminhada pelo estádio co- com 40 times de todas as áreas da obraLocal (COL). Segundo declaração do nheço Jean Galden, um haitiano que e juiz da Federação Paulista de FutebolGovernador Geraldo Alckmin, no final trabalha há quatro meses na Arena Society, mesário e regras rígidas. Os jogos são realizados na Arena do as 35 pessoas que trabalham no refeitório Guerreiro, que com sua grama cin- servem diariamente 3 mil pães, 1 mil litros de suco, za – o verde não é bem aceito por lá, obviamente – foi inaugurada na noi- 210 quilos de arroz, 360 quilos de carne, te anterior à visita da reportagem de 120 quilos de feijão, 60 dúzias de ovos, 12 caixas C&S com muita festa nos primeiros jogos, narração ao vivo e cobertura de de verduras e 180 quilos de legumes TVs e rádios. O time de Cruz (Grua FC) ganhou de 3x1 dos Marteleteiros no primeiro jogo da noite. Os times mais famosos são o Barcelama e o Ruim Madrid em uma repetição, em menor nível, do clássico espanhol. Enquanto os funcionários-atletas se preparam para o jogo de abertura da noite, outros aproveitam para jo- gar pebolim e cartas no Recanto do Guerreiro. Ali próximo, a todo vapor, está a Rádio Estádio. Coordenada por Antônio Zuchowski, gerente de sus- tentabilidade, e com locução de Almir Fontenelli, engenheiro de segurança, e Arnaldo Cambraia, engenheiro am- biental, a emissora funciona 24 horas e surgiu para transmitir mensagens de segurança do trabalho, meio am- biente, informações importantes, ani- versariantes do dia e muita música. “O pessoal tem liberdade de chegar aqui e pedir música, fazer a progra-36 2012 • edição 21 • junho / julho
    • mação musical”, diz Cambraia. Dos a rádio estádio está a todo vapor. Coordenadatrês, o único que possui experiência por antônio zuchowski, gerente deprévia é Fontenelli, que trabalhou umano e meio na rádio Sete Cidades AM, sustentabilidade, com locução de almir Fontenelli,no Nordeste. “Abandonei tudo para engenheiro de segurança, e arnaldo Cambraia,seguir meu pai nessa carreira de fun-cionário do mundo e repentinamente engenheiro ambiental, a emissora funciona 24 horasme deparei com o que tinha no passa-do. Posso dizer que profissionalmente O primeiro jogo da noite é o embate ao estádio. Encontro duas mulheres doestou realizado”, diz Fontenelli. Além entre o Só Nós Sem Eles x Sanfona Loka turno da noite: Vanja Helena, que cuidada programação rotineira, a rádio Sait. Cada partida tem 30 minutos de da limpeza, viu uma matéria no SBT etambém está transmitindo ao vivo a duração, com um intervalo. Os dois ti- foi levar seu currículo; Katia Lovisi, téc-maioria dos jogos do Brasileirinho. mes estão nervosos e em pouco tempo nica de qualidade, está há oito meses já reclamam com o árbitro, como todo na obra e diz que conquistou o respeito jogo de futebol. O jogo termina com a dos colegas com trabalho. vitória do Só Nós Sem Eles por 2 a 1 con- tra o Sanfona Loka Sait. Durante minha caminhada até a esta- ção Itaquera do metrô paro na passare- A temperatura caiu bem ao anoitecer. la e dou uma última olhada para trás, Os jogos continuam, mas não perma- para me despedir da arena. A maioria neço para assistir. Junto do sinaleiro das grandes cidades do mundo possui Marcos Andrade, que me acompanha monumentos que são ícones de bele- no momento, vou ao refeitório. Duran- za e representatividade: Paris e a Torre te o jantar ele me conta que é a pri- Eiffel, Nova York e a Estátua da Liber- meira vez na vida que tem registro na dade, Sydney e a Ópera House e o Rio carteira de trabalho. de Janeiro com o Cristo Redentor. São Paulo agora tem a Arena Corinthians, Após o jantar, retomo a caminhada pela palco de abertura da Copa do Mundo e Arena com uma nova perspectiva. A luz de admiração de uma nação de 33 mi- dos refletores traz um brilho especial lhões de pessoas. & 2012 • edição 21 • junho / julho 37
    • Confira aqui na C&S os principais destaques das últimas edições do MixLegalDigital e MixLegal Impresso. As publicações têm dicas e informaçõesde natureza jurídica que podem interferir no dia a dia dos negócios Fecomercio-SP é contra projeto que prevê recolhimento de FGTS de terceirizados O Projeto de Lei 3257/2012, de autoria da deputada federal Éri- ka Kokay (PT), prevê que empresas que contratam outras para prestação de serviços devem ser responsáveis pelo recolhimento mensal do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários terceirizados. A FecomercioSP entende que a aprovação desse projeto seria uma transferência de responsabilidades trabalhistas à empresa tomadora de serviços, quando, na realidade, quem emprega é a terceirizada.Projeto de Lei muda Governo unifica Lei estadual combateapuração do valor alíquotas interestaduais cobranças indevidasvenal dos imóveis do ICMS sobre importados de prestadores de serviçosA Câmara analisa o Projeto de Lei Comple- Publicada no Diário Oficial da União (DOU), Foi publicada no DOU, no dia 10 de abril,mentar (PLP) 108/11, do deputado Cláudio em abril, a Resolução n° 13, de 2012, uni- a sanção da lei estadual número 14.734, dePuty (PT-PA), que torna obrigatória a insti- fica em 4% as alíquotas interestaduais do 2012, que obriga os fornecedores de servi-tuição e o uso de Planta Genérica de Valores Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e ços a realizar o ajuste no valor da conta an-(PGV) para fins de apuração do valor venal Serviços (ICMS) incidentes sobre produtos tes de o consumidor efetivar o pagamento,dos imóveis urbanos, nos municípios com importados a partir de 1° de janeiro de 2013. a partir de 9 de junho.mais de 20 mil habitantes. A nova alíquota se aplica aos bens e mer- A assessoria técnica da FecomercioSP con-Considerando que, segundo dados dos cadorias oriundas do exterior que após seu sidera a Lei 14.734/2012 positiva por acre-IBGE, 84% dos municípios já adotam a desembaraço aduaneiro não tenham sido ditar que ela garantirá maior equidade ecobrança do IPTU com base na PGV, a Fe- submetidos à industrialização como forma transparência na relação entre as empresascomercioSP entende não ser conveniente de matéria-prima ou que são sujeitos a pro- e os consumidores. O que é positivo para oque o projeto prospere, pois a atualização cessos de transformação, beneficiamento, comércio como um todo.da PGV requer grades de estudos e pesqui- montagem, acondicionamento, renovação, A nova lei se aplicará aos fornecedores de águasas no setor imobiliário para acompanhar a resultando em mercadorias ou bens com e luz, às operadoras de telefonia fixa e móvel evalorização ou desvalorização dos imóveis. conteúdo de importação superior a 40%. às administradoras de cartões de crédito.Leia essas notícias na íntegra, além de outras informações, nas edições que estãodisponíveis no site da FecomercioSP: www.fecomercio.com.br (em Serviços/Publicações)38 2012 • edição 21 • junho / julho
    • Confira aqui na C&S os principais destaques das últimas edições do EconoMixDigital e do EconoMix Impresso. As publicações têm dicas e informações voltadaspara a melhoria da gestão dos negócios e compreensão do ambiente macroeconômico Fecomercio-SP aprova mudanças no cálculo do rendimento da poupança Depois de baixar os juros básicos da economia e pressionar os ban- cos a derrubarem as taxas do crédito ao consumidor, corretamente, o governo decidiu mexer na regra de rendimento da caderneta de poupança. Novamente de forma acertada. A FecomercioSP já alertava, em março, para a questão quando lançou a cartilha “O Cálculo da Poupança Precisa Mudar Para o Bem do Brasil”. A nova metodologia é justa com quem já tem recursos e eficiente para inibir a migração de outras aplicações para a poupança.UTILIZAÇÃO DO FGTS PARA MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO PRIMEIRO QUADRIMESTRE –construção, ampliação DO IPI PARA VÁRIOS SETORES CDI E IBOVESPA INVERTERAMe REFORMA DE IMÓVEis DA ECONOMIA PROGNÓSTICOSFoi publicada no dia 10 de fevereiro deste A nova medida para manutenção da redução O CDI está rendendo cada vez menos, po-ano a Instrução Normativa que regula- do Imposto sobre Produtos Industrializados rém a renda fixa perdeu espaço no mundomenta a linha de crédito para aquisição (IPI) foi aprovada pelo Decreto Nº 7.705, de todo. De outro lado, o início alucinante dode material de construção. Os recursos 26 de março de 2012. Além de manter redu- Ibovespa em 2012 parece estar perdendodo FIMAC FGTS - Financiamento de Ma- zido o IPI para os eletrodomésticos, o decreto força rapidamente. O que se pode dizer éterial de Construção - podem ser utiliza- concede a isenção para móveis e o estende a que com a efetiva queda dos juros nominaisdos para construção, ampliação e reforma outros setores até 30 de junho de 2012. e reais no Brasil, ocorrida nos últimos anos,da residência. Além desses setores, no ano passado o De- e acelerada recentemente, viver de rendaPara obter esses recursos deverão ser ob- creto Nº 7.660/11 também manteve a re- agora requer um volume de capitais aplica-servados os seguintes requisitos. Ter no mí- dução do IPI para o setor de materiais de do muito superior ao que era necessário hánimo três anos de trabalho sob o regime do construção que deve vigorar até o final de dois, cinco ou 10 anos.FGTS; estar com contrato de trabalho ativo 2012. O Governo sinalizou que deverá in- Novas opções de investimento somente seou saldo em conta do FGTS de no mínimo cluir mais 30 produtos nessa desoneração. viabilizam quando a renda fixa e a rendade 10% do valor da avaliação do imóvel; não A propostta está em estudo e deverá ser variável deixam de ser tão atrativas comodeter outro financiamento pelo SFH. analisada em breve. foram no Brasil nas três últimas décadas. Leia essas notícias na íntegra, além de outras informações, nas edições que estão disponíveis no site FecomercioSP: www.fecomercio.com.br (em Serviços/Publicações) 2012 • edição 21 • junho / julho 39
    • regulaç ão TEXTO ANDREA RAMOS BUENODevedoresdo ICMS terãojuros menores40 2012 • edição 21 • junho / julho
    • o aumento do número de não pagado- Medida é bem-vinda, res. “Precisamos tomar cuidado para não incentivar a inadimplência. Como mas questionada sobre fica aquele contribuinte que é rigoroso com o pagamento dos seus impostos? a eficácia na redução Qual é o prêmio que ele recebe?”, ques- tiona Chapina. Segundo ele, o governo da inadimplência poderia reduzir significativamente a inadimplência, dando um bônus paraa o contribuinte bom pagador, como a re- dução do ICMS ou do Imposto de Renda. “Essa seria uma forma de incentivar o Resolução nº 31 da Secretaria Segundo o diretor-adjunto de arreca- pagamento em dia”, diz Chapina.da Fazenda do Estado de São Paulo, que dação da Secretaria da Fazenda, Edisonentrou em vigor no dia 1º de maio des- Peceguini, o índice de inadimplentes Outra possibilidade, acrescenta ele,te ano, baixou as taxas de juros para os do ICMS aumentou em 2009 sob o seria aplicar as mesmas taxas de juroscontribuintes que têm dívidas relacio- impacto da crise financeira que atin- utilizadas nas remunerações pagas aonadas ao ICMS. giu fortemente a Europa e os Estados capital do contribuinte, como a pou- Unidos. “Antes da crise, o índice ficava pança, o que reduziria consideravel-A medida beneficia todos os contri- entre 4,5% e 5%, hoje está em 6% a 7%. mente os ônus fiscais.buintes do imposto: os que estão e os Se com essas medidas nós ganharmosque possam se tornar inadimplentes. O dois pontos percentuais, retornaría- O conselheiro da FecomercioSP destacacusto da taxa, que era de 37,42% ao ano, mos aos patamares anteriores à crise também os benefícios da nova taxa. Paradeverá cair para 14,88% em 2012, segun- de 2008”, calcula. ele, a medida é, na verdade, uma reduçãodo projeção da Secretaria da Fazenda. O na carga tributária. “A medida ameniza ospatamar pode variar a critério do órgão De acordo com Peceguini, a Secretaria custos para os inadimplentes. Além disso,estadual, desde que ele não ultrapasse da Fazenda ainda estuda outras medi- eles voltarão a ter regularidade fiscal, po-0,13% ao dia. das com o objetivo de facilitar o parce- dendo obter certidões negativas, o que os lamento de dívidas. torna aptos a participar de concorrênciasDe acordo com a resolução, o teto públicas, por exemplo”, explica Chapina.terá como referência a taxa média de A estratégia do governo paulista, nomercado de alguma modalidade de entanto, levanta uma questão polêmi- O valor da multa moratória continuafinanciamento para pessoa jurídica ca: qual a vantagem para quem paga o igual: 2% por atraso de 30 dias, contados(desconto de duplicatas, desconto de imposto em dia? Para o presidente do da data de recolhimento; 5% no períodonotas promissórias, hot money, conta Conselho de Assuntos Tributários da de 31 a 60 dias, 10% depois de 60 dias degarantida, financiamento para capital FecomercioSP, José Maria Chapina, a re- atraso e 20% a contar da data em quede giro e aquisição de bens). A Secreta- dução da taxa de juros pode incentivar o débito foi inscrito na Dívida Ativa. &ria tem até o dia 20 de cada mês paradivulgar a taxa de juros que será apli-cada no mês seguinte.Com a mudança na taxa do ICMS, o a medida beneficia todos os contribuintes do imposto:Governo de São Paulo estima arreca- os que estão e os que possam se tornar inadimplentes.dar R$ 106,4 bilhões com o tributo este Com a mudança, o Governo de Sp estima arrecadarano, de um total de R$ 122,2 bilhões emreceitas tributárias. r$ 106,4 bilhões com o tributo este ano 2012 • edição 21 • junho / julho 41
    • T ECNOL OGI A TEXTO thiago ruFinoSoluçõessimples,GrandeS Número de ameaças virtuais cresce a cada anoreSuLtadoS e o empresário precisa adotar práticas seguras para evitar perdas de dados e clientesa lém de manter cópias de segu-rança de dados para não perder arqui- qualquer porte estar presente no meio virtual e, sobretudo, nas redes sociais. E cia de perda de dados sofridos por PMEs na América Latina. Além disso,vos fundamentais, a proteção dessas quanto mais utilizadores, maiores são 40% das empresas que trocaram deinformações também merece a mesma as ameaças feitas por criminosos. Um prestadores de serviço em razão deatenção. O recente caso envolvendo a levantamento da McAfee aponta que sistemas de tecnologia da informa-divulgação indevida de fotos íntimas em junho de 2011 o número de ameaças ção pouco confiáveis.da atriz Carolina Dieckmann trouxe virtuais se aproximou de 70 milhões. Eà tona discussões acerca do tema e o cerca de seis mil novos malwares foram empresa em riscoas consequências que podem afetar catalogados diariamente em 2010.diretamente a vida pessoal e profissio- De acordo com a Symantec, a gover-nal do envolvido. O problema ocorrido O mais recente relatório da Symantec nança adequada das ferramentas digi-com a atriz é apenas a face pública da Brasil sobre ameaças à segurança na tais é imprescindível para as empresas:grave invasão de arquivos, crimes cujas internet revela que apesar de o nú- hoje, 50% dos pequenos negócios jáestatísticas tendem a crescer, conside- mero de vulnerabilidades ter diminu- perderam informações críticas que po-rando-se que temos cada vez mais usu- ído 20%, a quantidade de ações mali- dem acarretar em prejuízos de vendasários na internet. ciosas cresceu 81% na América Latina. e clientes. O gerente de segurança de Outro dado alarmante é que 50% dos informações corporativas da EditoraDados da comScore revelam que o ataques direcionados em 2011 tive- Abril, Sergio Roberto Ricupero, ressaltaBrasil é o sétimo maior mercado de ram como alvo pequenas e médias que “estamos diante de um problemainternet do mundo, com 46,3 milhões empresas. A Symantec Brasil estima crescente. É preciso maior agilidade nade usuários. Para atingir esse público, que são causados cerca de US$ 3 mil aprovação dos projetos de lei para tipi-se tornou essencial para empresas de de prejuízo aos clientes em decorrên- ficar os crimes digitais.”42 2012 • edição 21 • junho / julho
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    • T ECNOL OGI A Soluções si mples, g r a nd a s res u lt adosNo Brasil o tema ainda não é tratado Outra questão de constante debate acer- prometem a privacidade e a seguran-com a devida importância, na opinião ca das ameaças digitais é a mudança no ça, entre outros. “O ‘mercado’ de ame-do presidente do Conselho de Tecno- perfil dos softwares maliciosos. “Hoje os aças evoluiu muito, por isso a proteçãologia da Informação da FecomercioSP, hackers que criam ameaças não que- deve aumentar também”, orienta Zani.Renato Opice Blum. “Existe uma sen- rem atacar diversos usuários ao mesmosação de impunidade no País. Estamos tempo, mas, sim, inserir o conteúdo nos Para se proteger dos inúmeros peri-há 15 anos esperando pela aprovação computadores e deixá-los lá para roubar gos eletrônicos o empreendedor devede uma legislação específica para os informações”, afirma o engenheiro de tomar uma série de cuidados e agircrimes virtuais”, destaca. sistemas da McAfee, Bruno Zani. diretamente no elo mais sensível des- te processo. “Em qualquer tamanhoNo ambiente corporativo ainda paira Segundo o especialista, não apenas os de empresa, o usuário é o ponto maiscerta negligência e falta de informa- tipos de vírus mudaram, mas também frágil porque não dá para controlarção a respeito de riscos com vírus e va- a forma como eles tentam se infiltrar quais informações ele pode revelar,zamento de informação. “Metade das no computador do usuário. “Há cin- mesmo sem agir com má-fé”, opinamicro e pequenas empresas acredita co anos, o e-mail era responsável por Zani. Segundo ele, o ideal é “trazer oestar imune aos ataques virtuais, o 95% das infecções”, relembra. Hoje, as funcionário para o lado da empresaque não é verdade”, garante o estrate- pragas virtuais tentam capturar dados conscientizando-o que ele é parte im-gista em segurança da Symantec Bra- por meio de páginas falsas na internet, portante para o processo de segurançasil, André Carraretto. a instalação de aplicativos que com- da organização”, aconselha. vulnerabilidade móvel Dados da McAfee revelam que os malwares para dispositivos móveis se Como se proteger consolidaram como o tipo de ameaça que mais cresceu em 2011 e a tendên- das ameaças cia deve continuar por algum tempo, sobretudo para smartphones. Por se- rem mais populares, os aparelhos mais visados são aqueles que contam com o A fim de orientar empresários de micro e pequenas empresas, a FecomercioSP por meio sistema operacional Android. “Isso por- de seu Conselho de Tecnologia da Informação lançou no dia 25 de abril a cartilha “Se- que os malwares são pensados para al- gurança da Informação para Empresas”. O material foi elaborado com colaboração da cançar as plataformas mais vendidas. Assessoria Técnica da Federação do gerente de segurança de informações corporativas Os menos usados têm menor propor- da Editora Abril, Sergio Roberto Ricupero. A publicação oferece recomendações desde ção de ataques”, exemplifica Zani. os cuidados na escolha e aquisição de equipamentos adequados às necessidades da em- presa até as questões jurídicas que envolvem o tema. Por isso, os cuidados dos empreendedo- res não deve se concentrar apenas nos Na opinião do presidente do Conselho de Tecnologia da Informação, Renato Opice Blum, computadores que estão dentro da em- ainda falta politização e conscientização em relação à segurança da informação no am- presa, mas também nos funcionários biente corporativo. Para ele, a cartilha da FecomercioSP é um meio de orientar os em- que utilizam dispositivos móveis para presários a adotarem medidas mais prudentes no meio digital sem investimento muito acessar o e-mail corporativo, por exem- elevado. “Se no Brasil as micro e pequenas empresas e a sociedade se conscientizarem plo. A popularização de smartphones e a respeito da segurança da informação, os crimes virtuais tenderão a diminuir”, afirma. tablets trouxe uma série de facilidades para as relações corporativas. Porém, esses dispositivos oferecem riscos por44 2012 • edição 21 • junho / julho
    • “serem alvos de eventuais ataques vir-tuais e até mesmo físicos em casos deperda ou furto. “A mobilidade é um re-curso que um funcionário de qualquerempresa quer usar. Justamente por isso, existe uma sensação deo acesso tem que ser seguro”, reforça oengenheiro de sistemas da McAfee. impunidade no país. estamos há 15 anos esperando pela aprovaçãoUm exemplo prático da importânciados cuidados com dispositivos móveis:caso o funcionário use o e-mail corpora-tivo no smartphone e perca o aparelho, de uma legislação específica para os crimes virtuais “qualquer indivíduo mal intencionadopode ter acesso a uma série de informa-ções muitas vezes sigilosas a respeito Renato Opice Blumda empresa. Um levantamento reali- Presidente do Conselho de Tecnologia dazado pela Symantec revela que apenas Informação da FecomercioSP50% das pessoas tentam devolver os te-lefones nesses casos. E 96% delas, antesde procurar o dono, arriscaram acessardados sensíveis, como e-mail, fotos pes-soais, senhas e redes sociais. “A infor-mação presente nos desktops tambémpode estar nos smartphones, por issoela deve ser protegida com a mesmaintensidade”, orienta Carraretto. Foto: DivulgaçãoO estrategista em segurança da Syman-tec indica, inclusive, que o ideal é que oempresário oriente seu funcionário emrelação a quais aplicativos este pode entretanto, os cuidados precisam ser temas pagos são mais confiáveis devidobaixar nos dispositivos móveis, já que constantes. Hoje, o mercado conta com as constantes atualizações e ao suportehá softwares que podem comprometer várias opções de suítes de programas que as prestadoras desse serviço ofere-a privacidade do aparelho e, consequen- integrados que impedem o acesso a cem às empresas. É um caminho semtemente, a segurança dos arquivos. “A sites suspeitos, bloqueiam spams, pro- volta: o investimento nesse tipo de fer-informação é o seu bem mais valioso. tegem e criptografam e-mail, entre ou- ramenta deve fazer parte da governan-Por isso é preciso educar a si próprio e a tras soluções voltadas para empresas ça das organizações atualmente, devidoajudar os funcionários a proteger dados de menor porte. Carraretto reforça que aos graves prejuízos que a negligênciada empresa, independente do dispositi- “quem está adotando a virtualização pode causar nesses casos. Por fim, alémvo ou local de armazenamento”, acon- muitas vezes não se preocupa com a dos softwares desenvolvidos para pro-selha Carraretto. segurança. Os mesmos cuidados do teger computadores e dispositivos mó- mundo físico devem ser aplicados no veis, o ponto principal deste processo é aAntes, apenas o antivírus era suficiente mundo virtual”, orienta. conscientização dos usuários. A melhorpara garantir a tranquilidade digital. opção para as empresas é aliar as ferra-Com a multiplicação de crimes virtuais Apesar de boas opções de programas mentas de proteção a uma boa políticae ameaças cada vez mais sofisticadas, gratuitos disponíveis, certamente sis- de segurança entre os funcionários. & 2012 • edição 21 • junho / julho 45
    • NEG ÓCIOs TEXTO Juliano lencioni a renovação dos aeroportos Com a privatização dos durante os 30 anos da concessão. Um produtos e serviços dentro dos termi- quinto desse valor será desembolsa- nais. “Um evento como a Copa do Mun- principais terminais do até 2014 para atender ao aumento do cria naturalmente uma expectativa do número de turistas que estão sen- de demanda para novos investimentos de passageiros do País, do aguardados para assistir ao maior nos diversos segmentos do mercado, evento esportivo do planeta. gerando um interesse maior nas opor-surgem novas oportunidades tunidades existentes no ambiente aero- Estão previstas reformas, capacitação portuário”, explica Paixão. de investimento de funcionários, aquisição de novas tecnologias e, especialmente, amplia- As reformas contemplam principal- para comerciantes ção dos terminais. Responsáveis por mente os aeroportos que estão relacio- 30% do trânsito de passageiros no Bra- nados às cidades-sede do Mundial – Re- e prestadores de serviços sil, conforme dados da Agência Nacio- cife (PE), Fortaleza (CE), Guarulhos (SP), a nal de Aviação Civil (Anac), os três aero- Congonhas (SP), Viracopos (SP), Confins portos devem aumentar em até 15% a (MG), Pampulha (MG), Brasília (DF), área total dos terminais. Cuiabá (MT), Manaus (AM), Salvador privatização dos principais (BA), Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ), aeroportos brasileiros e a expectativa Diante do leque de oportunidades que Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). com a realização da Copa do Mundo se abrem com os investimentos anun- em 2014 e das Olimpíadas em 2016 ciados, diversas empresas entraram em Mas não é só a Copa que impulsiona prometem mudar a cara dos terminais processos licitatórios para ocupar os as reformas nos terminais. A gerente aéreos de passageiros do País. Os no- novos espaços. De acordo com o geren- regional comercial da Infraero no Nor- vos concessionários dos aeroportos de te de Desenvolvimento Mercadológico deste, Andrea Arrais, afirma que além Brasília (DF), Viracopos-Campinas (SP) e da Infraero, Luciano Paixão, a Copa do do aumento do fluxo de passageiros Cumbica-Guarulhos (SP) planejam in- Mundo traz novas demandas por parte de dentro e de fora do País que viajarão jetar cerca de R$ 16 bilhões na melhoria dos passageiros, o que já vem gerando para assistirem as atrações do evento, o da infraestrutura dos respectivos locais uma corrida para ampliar a oferta de movimento nos aeroportos já vem46 2012 • edição 21 • junho / julho
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    • NEG ÓCIOs A renov aç ão dos aeropor toscrescendo ultimamente em virtude das Segundo o gerente comercial do Aero- Os espaços devem contemplar lojaspromoções de tarifas e da melhoria da porto Internacional de Belém, Francisco variadas, principalmente nas áreas derenda e empregabilidade do brasileiro. das Chagas Ferreira da Silva, mesmo alimentação, varejo, serviços e entre-“A Copa é um evento sazonal, cuja reper- sem ampliar o terminal foram aber- tenimento. “Os planos de expansãocussão ocorrerá apenas nos aeroportos tas algumas vagas para receber novos contemplam atividades que venhamdas cidades-sede dos jogos, enquanto o empreendedores. “Por tratar-se de um complementar o mix comercial instala-crescimento na movimentação de pas- aeroporto com demanda operacional do no aeroporto, de modo a atender àssageiros é um fenômeno nacional liga- bastante confortável, no momento não necessidades dos passageiros e demaisdo à política socioeconômica do País”, temos nenhum plano de expansão. usuários”, explica Andrea, da Infraero.argumenta Andrea, da Infraero. O que estamos realizando são proces- sos licitatórios e de prospecção no mer- Não é novidade o fato de haver par-E as oportunidades são muitas. Em Re- cado para ocupação de algumas áreas ticularidades regionais em um paíscife (PE), o Aeroporto Internacional está que encontram-se desocupadas.” No continental como o Brasil. “Um restau-oferecendo 55 vagas para novos lojistas. total são quatro vagas voltadas para o rante que dá certo no aeroporto do Re-Fortaleza (CE) planeja abrir 27 novos varejo e seis para o setor de serviços. cife pode não ser viável em Fortaleza oupontos comerciais e Natal, no Rio Gran- Natal”, diz Andrea. Mas, no geral, o mixde do Norte, deve ampliar a oferta de Outros aeroportos do País também es- comercial dos aeroportos, guardadas asprodutos e serviços com mais 16 lojas. tão tendo que reorganizar sua planta peculiaridades de cada localidade e o para acomodar novos negócios. É o caso movimento operacional, contempla ati-Mesmo quem não está na lista das do Aeroporto Internacional Presidente vidades voltadas para alimentação, ves-cidades-sede da Copa aderiu ao mo- Castro Pinto, em João Pessoa (PB), que tuário, artesanato local, conveniência,vimento de modernização dos aero- já oferece 14 vagas. Em Juazeiro do Nor- casas de câmbio, lotérica, livrarias, joa-portos. A cidade de Belém, no Pará, por te (CE), o Aeroporto do Cariri já oferece lherias, produtos regionais, lazer, dentreexemplo, ao perceber o aumento do quatro espaços para novos empreendi- outras novas tendências de varejo.fluxo de passageiros em seu aeroporto mentos. Assim como o Aeroporto Sena-internacional decidiu fazer um rear- dor Nilo Coelho, em Petrolina (PE), que Ampliar os espaços para novos empre-ranjo dos espaços. deve receber cinco novas lojas. endimentos nos terminais aeroportu- ários é uma boa notícia para o consu- midor. Só que apenas isso não basta. A melhoria no atendimento Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) vem detectan- do o aumento de reclamação dos pas- sageiros em relação ao alto preço cobra- Além de novas lojas, os aeroportos estão trabalhando na melhoria do ser- do por algumas lojas e restaurantes dos viço de informações aos turistas. A Infraero concluiu na primeira semana terminais. “A Infraero tem detectado de junho um curso intensivo de inglês para os funcionários dos aeroportos reclamações pontuais, mas mesmo as- de Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Salvador (BA). sim a empresa tem adotado as medidas cabíveis, como os processos licitatórios O treinamento foi realizado no Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre e que permitiram a instalação de ven- teve duração de cinco dias, com oito horas diárias de atividade. No total foram capacita- ding machines em diversos aeroportos, dos 13 empregados nesses quatro aeroportos. Além do curso de inglês, o grupo teve aulas bem como a instalação de lanchonetes práticas, exercícios e simulações de atendimentos reais. Os funcionários aprenderam a com alguns preços limitados, como já abordar os estrangeiros e a lidar com situações de emergência. No ano passado, outros vem acontecendo nos aeroportos de 42 empregados das regionais São Paulo, Sul e Nordeste da Infreaero foram treinados nos Curitiba e Londrina”, afirma o gerente cursos presenciais de inglês. Na oficina de espanhol foram 13 capacitações em Brasília. de Desenvolvimento Mercadológico da Infraero, Luciano Paixão.48 2012 • edição 21 • junho / julho
    • A Infraero assinou contrato com trêsempresas para a instalação de vendingmachines – máquinas de venda alimen- comes e bebestos e bebidas – em 12 aeroportos rela-cionados à Copa do Mundo e às Olimpí- Os aeroportos de Curitiba e Londrina oferecem 15 produtosadas, além dos terminais de Congonhas com preços controlados(SP), Santos Dumont (RJ) e da Pampulha(MG). Ao todo, serão 143 pontos de ven- Pão de queijo (porção de 6 unid.) · R$ 3,00 Café simples 50 ml · R$ 1,60nas salas de embarque e desembarque. Pão de queijo 80g a 100g · R$ 2,00 Café expresso curto · R$ 2,70 Pingado (café com leite) Misto quente · R$ 3,30A tendência é que a concorrência en- 300 ml · R$ 2,90 Salgados (80 a 100 gramas) · R$ 3,20tre as empresas de vending machinescresça com o aumento da demanda por Leite 300 ml · R$ 1,30 Sanduiche natural · R$ 3,90novos estabelecimentos comerciais e Suco natural com água 300 ml · R$ 3,20de serviços, conforme prevê a Infraero. Suco caixinha 250 ml · R$ 2,80As máquinas disponibilizarão refrige-rantes, sucos e água – bebidas alcoóli- Suco lata 300 ml · R$ 3,50cas não estarão disponíveis – e lanches Refrigerante lata · R$ 3,20como salgadinhos e sanduíches, além Água mineral sem gás copo 250 ml · R$ 1,50de opções de café e chás. Água mineral sem gás 500 ml · R$ 2,30Outra iniciativa para proteger os pas- “sageiros dos preços abusivos é o con-trole dos valores cobrados por algunsestabelecimentos. Nos aeroportos de um evento como a Copa doCuritiba e Londrina, por exemplo, serão mundo cria naturalmenteinstaladas lanchonetes que terão um uma expectativa de demandavalor máximo estabelecido para 15 pro-dutos (ver tabela). para novos investimentos nos diversos segmentos do mercado,No Aeroporto Internacional de Belém gerando um interesse maior naso problema dos preços é questionadojunto aos lojistas. “Existem ocorrênciasem nosso sistema de ouvidoria, mas for-malizamos através de cartas aos lojistas. oportunidades existentes no ambiente aeroportuário “ “As distorções são tratadas junto aos con- Luciano Paixãocessionários envolvidos”, diz Chagas. Gerente de Desenvolvimento Mercadológico - Infraero Foto: DivulgaçãoO acompanhamento do concessioná-rio é importante para não evitar abu-sos. Em Guarulhos (SP), por exemplo,os preços são salgados. Uma pequenaxícara de café não sai por menos deR$ 4,00. Se a bebida for acompanhade pão de queijo ou croissant a contachega a cerca de R$ 10,00. & 2012 • edição 21 • junho / julho 49
    • DI V ER sIDA DE TEXTO Juliano lencioni ILUsTRAÇãO carolina lusser do pp ao extra GG, o que importa Setor de confecção descobre o nicho de moda personalizada para públicos distintos e conquista consumidores fiéis52 2012 • edição 21 • junho / julho
    • é veStir bemd esculpe, mas nós só vende-mos até o G. A frase é repetida frequen- controu nada que a vestisse bem. “Foi nesse momento que minha mãe falou que muita gente acha que engorda e olha que eu vendo até o tamanho 70”.temente nas lojas de roupa de todo o ‘filha vamos montar uma loja de tama-País. As marcas cada vez mais produ- nhos grandes, é o que falta nesse shop- A falta de opções em tamanhos gran-zem apenas modelos pequenos, inspi- ping’”, conta Mariana. des não é restrita as mulheres, homensrados no “padrão de beleza” das passa- grandes também têm dificuldade pararelas. Até mesmo camisas e camisetas Com manequins gordinhas na vitrine comprar roupas.“G” não servem mais nas pessoas que criou identificação com o público erealmente usam tamanho grande. em pouco tempo o movimento na loja Wilson Chican Falco é proprietário daDesta forma, gordinhos e gordinhas se cresceu. A ideia deu tão certo que em TWP, loja que há quinze anos ofereceveem cada vez mais excluídos das lojas um ano e meio a jovem empresária, peças em tamanhos grandes. Antes detradicionais. Por outro lado, a restrição hoje com 24 anos, abriu uma filial no abrir a TWP a mãe dele, René Falco, erade algumas marcas gerou espaço no Shopping Spazio, em outro bairro de sócia em uma loja de roupas nos tama-mercado para quem quer vender ex- Campinas. Mariana não esperava que nhos tradicionais, mas em 1997 o mari-clusivamente tamanhos grandes. o sucesso viesse em pouco tempo. “Não do de uma das clientes da loja trouxe pensei que fosse crescer tão rápido, dos EUA roupas com tamanhos que ul-A empresária Mariana Cury é um exem- mas nós selecionamos muito bem as trapassavam o GG. As roupas tiveramplo de quem fez sucesso ao apostar no roupas e temos clientes muito fiéis, é o boa saída e Rene resolveu investir. Elapúblico GG. Há três anos quando se for- melhor público”. deixou a sociedade que tinha na épocamou na faculdade de moda a jovem pen- e abriu uma loja própria especializadasava em montar uma loja de bijuterias. Nesses três anos de experiência Ma- em tamanhos grandes. Nascia a TWP. AMas depois de passar uma tarde com a riana afirma que quase tudo que for novidade atraiu o público masculinomãe no Shopping Prado em Campinas, feito em tamanho grande tem saída, que investia não só em roupas sociais,no interior do Estado de São Paulo, a em- poucas coisas não agradam as clientes mas também em modelos esportivos epresária mudou totalmente de ideia. mais cheinhas. “Eu não vendo cintura até sungas de banho. baixa de jeito nenhum, de resto elasMariana fez algumas compras durante compram tudo, tomara-que-caia cur- As mulheres também têm opção na loja.o passeio, enquanto sua mãe não en- tinho, frente única e até roupa branca, “Além de calças e vestidos, vendo bastan- 2012 • edição 21 • junho / julho 53
    • DI V ER sIDA DE Do PP ao e x t r a G G, o i mpor t a nte é ves t i r bemte roupa íntima, cinta-liga, tomara-que- Os anões, que no Brasil correspondem têm que ser personalizadas. “A medida-caia, espartilho e até calcinha e biquíni a 1% da população de acordo com o úl- de cada um é diferente e acabamosfio-dental”, explica o empresário. timo levantamento feito pelo IBGE, até tendo que produzir de forma perso- pouco tempo eram obrigados a usar nalizada com o vestuário adequadoPara o dono da TWP, não há restri- roupas de criança. ao modelo escolhido. Todavia, existemções de roupas, ele explica que se alguns vestuários que se adaptam in-vestir de forma mais ousada não de- A estilista Maria Acir Ferreira Navar- dependentemente de medidas, o quepende do corpo e sim da cabeça do ro percebeu o problema e foi uma proporciona a pronta entrega.”cliente. “Já passou o tempo em que das pioneiras na produção voltadaos fofinhos não queriam usar certas aos anões ao criar a marca Meveste. Costurar sob medida proporcionou aroupas. Desde que a pessoa se sinta “Percebi que o mercado do vestuário Meveste criar modelos nunca antesbem eles usam tudo. Eu tenho uma é carente e tem pouca produção para experimentados por muitos anões. Decliente, por exemplo, que só usa top, esse público. Por isso, surgiu a ideia acordo com Maria, as mulheres, porcom barriga de fora e tudo. Ela está de empreender, pois esse público tem exemplo, não usavam saias “porque asde bem com a vida e pronto”. necessidades específicas e somente re- saias convencionais as deixavam ainda correm a alfaiataria de confiança, para mais baixas”. Esse foi um dos tabus queMas quem passa em frente a TWP não fazer a sua roupa sob medida”, conta a estilista afirma que ajudou a quebrar.percebe que a loja é dirigida a tama- Maria Navarro. “Recordo-me das clientes dizendo quenhos grandes, os manequins da vitrine nunca tinham usado saias. Acabamosexibem corpos esbeltos. Segundo Falco, Diferente do que dizem os vendedores com isso. Uma pessoa de pequena es-a fachada atende uma exigência dos de tamanhos grandes, Maria afirma tatura está apta a se utilizar de qual-próprios clientes. que enfrenta resistência aos se aproxi- quer peça de vestuário, desde que bem mar de novos clientes. “Eles não ficam à projetado em seu corpo”, pontua.Os cuidados do empresário não se re- vontade para conversar sobre suas dife-sumem a vitrine. Durante toda a en- renças e, ainda, sentem-se muitas vezes A moda específica vai além dos limitestrevista o empresário se policiou para excluídos. O que dificulta o trabalho. A do corpo, está ligada também a costu-não usar as palavras gordo e gordinho cumplicidade é de grande valia para mes , crenças e religiões, como no caso dae disse que não faz isso por acaso. “Não um setor destinado exclusivamente a moda evangélica. As marcas dedicadassão todos que levam numa boa, então eles, pois dependo do depoimento e da as evangélicas surgiram timidamentea gente costuma a falar que faz roupas colaboração deles para me adequar às com pequenas confecções, mas hoje jápara fofinhos ou para tamanhos gran- necessidades que eles têm,” confessa. ocupam espaço importante no comércio.des”, diverte-se. O preço também pesa na venda. Mui- Na rua José Paulino, por exemplo, umaE não faltam consumidores. Tanto a TWP tos anões não procuram as roupas es- das principais regiões de comércio deda capital paulista, quanto a Mariana pecíficas porque, mesmo sem saber o roupas na capital paulista, a modaCury de Campinas, têm que abrir sem- valor exato, acham que ela custa mais evangélica já tem lugar garantido. Hápre aos domingos, porque há clientes caro. “Há um temor de quanto isto um ano a loja Jeans Moda abriu as por-que veem de outra cidade e só podem pode custar. Entendemos que um pro- tas vendendo principalmente vestidosfazer compras aos finais de semana. duto e serviço especial tem que ter o e saias para o público evangélico. seu devido e justo valor, o que não sig-nem 8, nem 80 nifica encarecê-lo”, explica Maria. A história da Jeans Moda começou háDa mesma forma que o mercado não se mais de dois anos. Evangélico o empre-preparou 100% para atender o público A estilista, que não é anã, afirma que sário Tom Prates percebeu a dificuldadevoltado ao tamanho grande, não pro- não há como criar tamanhos coringas das mulheres da igreja em conseguirduziu roupas para quem usa modelos que servem para vários anões. Segun- comprar roupas que atendessem os pa-bem menores que os convencionais. do ela, na maioria das vezes as roupas drões da religião e resolveu ir atrás das54 2012 • edição 21 • junho / julho
    • “atendemos clientes de vários estadose até de fora do brasil. muita gente marcas que, de alguma forma, aten- diam os interesses deste público. As roupas devem, principalmente, ser discretas e não expor o corpo. As saiasque não encontra roupa de qualidade, vão até os joelhos e os vestidos cobremmoderna sem ser vulgar, acabouoptando por nossa marca “ as costas e não favorecem decote algum. Prates reuniu as marcas e começou aTom Prates vendê-las pela internet. “No começo foiProprietário da loja Jeans Moda mais difícil, mas aos poucos a marca foi crescendo e há um ano montamos a loja física, o objetivo agora é criar uma rede em São Paulo, até o final do ano pretendemos abrir mais três fi- liais”, afirma. Segundo ele, a carência por roupa volta- da ao público evangélico é um proble- ma mundial, por isso, a loja virtual fez sucesso. “Atendemos clientes de vários Estados e até de fora do Brasil. Muita gente que não encontra roupa de qua- lidade, moderna sem ser vulgar acabou optando por nossa marca”, explica. E o empresário afirma que as irmãs, como ele chama suas clientes, não são nada caretas. “Elas estão ligadas as tendências da moda em geral e que- rem ver essa tendência nas roupas que vestem. São exigentes, querem roupas modernas, jeans, cortes que fujam do padrão e estampas mais joviais”. Depois de conhecer bem o consumidor Prates restringiu seu estoque a cinco marcas e também dá uma atenção especial as clientes mais cheinhas. A loja virtual tem uma sessão especial de tamanhos grandes, inclusive com fotos de modelos que vestem do G para cima. “Não importa a religião, o tamanho ou a idade, a gente tem que se esforçar para que a cliente saia da loja bem ves- Foto: Ed Viggiani tida”, conclui. Uma sábia lição. & 2012 • edição 21 • junho / julho 55
    • NEG ÓCIOS TEXTO Thiago RufinoFranquiaem casa O home-based é a nova modalidade de negócios para empreendedores que querem aliar a praticidade de trabalhar e morar no mesmo lugar sem investir muito56 2012 • edição 21 • junho / julho
    • C ontar com todo o suporte ofe-recido por uma franqueadora na hora em 2009 e já conta com algumas redes de microfranquias. Entre elas, a Doutor parceiras para ensinar inglês aos alu- nos. “No início dava todas as aulas, masde montar o próprio negócio é um dos Faz Tudo, voltada para a manutenção como a demanda cresceu, foi necessá-principais anseios do futuro empreen- rápida e reforma de imóveis. rio buscar uma equipe”, conta. E a maiordedor. No modelo tradicional, porém, a parte dos contatos com os profissionaisaquisição de uma unidade exige inves- Abrir o próprio negócio em casa era que trabalham para Eloisa acontece viatimento alto: escolha do espaço físico, um sonho de Adelino Kitahara. Depois telefone e internet. “Muitas vezes, não écontratação de funcionários e uma sé- de anos atuando no setor de reforma necessário um ponto de encontro pararie de outros procedimentos. Um novo e construção, ele finalmente decidiu, conversarmos sobre as aulas”, diz.tipo de negócio, já bem difundido nos no final do ano passado, levar a ideiaEstados Unidos e que começa a ganhar adiante. “Enquanto trabalhava no Ja- Apesar de contar com demandas vari-força no Brasil, pode tornar a tarefa pão e preparava minha volta ao Bra- áveis ao longo do ano devido às fériasbem mais simples e econômica. Trata- sil pesquisei pela internet a franquia escolares, a procura pelo ensino de-se das franquias home-based. que mais me chamasse a atenção: foi idiomas vem crescendo ultimamen- a Doutor Faz Tudo”, conta o empreen- te. “Temos formato de negócios queTambém conhecidas como microfran- dedor. Segundo Kitahara, os serviços permite ao franqueado atuar semquias, o negócio requer menos investi- mais requisitados na sua empresa são um custo inicial alto. No nosso caso,mento, baixo custo fixo e, geralmente, as reformas em geral e os reparos nos ele começa a gerar receita a partir doflexibilidade na carga horária pela faci- encanamentos e na rede elétrica. momento em que começa a lecionarlidade de trabalhar em casa. O formato em uma escola parceira”, explica Sylviaé ideal para quem busca empreender Mesmo atuando há pouco tempo como Helena Palma de Morais Barros, direto-com poucos recursos. De acordo com franqueado, Kitahara já percebeu que “é ra da rede de franquias The Kids Club.a Associação Brasileira de Franchising preciso ter disciplina para não perder Hoje, o grupo conta com 70 franquea-(ABF), o investimento inicial varia de a concentração no trabalho”. Para ele, dos em todo o País. “Entre 60% a 70%R$ 5 mil a R$ 50 mil. Hoje esse tipo de esse formato de negócios exige, acima dos nossos franqueados não têm es-gestão já representa 5% do mercado de de tudo, organização. A opinião é com- trutura física”, explica. “Às vezes, algunsfranquias no Brasil, com movimentação partilhada por Eloisa Schlithler, fran- alugam um escritório pequeno apenasde R$ 3,6 bilhões por ano. Segundo a queada da The Kids Club, rede criada na para organizar melhor a rotina”, acres-entidade, o País encerrou 2011 com 336 Inglaterra e voltada ao ensino de inglês centa Sylvia.marcas que operam em 12.561 unidades. para crianças a partir de dois anos. “ÉA expectativa da ABF é que em 2012 o preciso determinar algumas horas do Quem deseja iniciar uma microfran-segmento cresça 15%. seu dia para o trabalho, com foco para quia deve buscar um negócio com o não se dispersar”, explica Eloisa. qual se identifique, e não apenas seguirAs vantagens do modelo são evidentes, aquilo que é tendência. Além de todo osobretudo pelo fato de o negócio não A praticidade foi um dos fatores deter- suporte oferecido pelas franqueadoras,demandar uma grande infraestrutura. minantes para que Eloisa investisse em como capacitação técnica e cursos deMas para que a gestão dê certo é preciso uma unidade home-based. “Hoje em aperfeiçoamento, ter a força da marcafocar o trabalho na conquista de novos dia, com os problemas no trânsito, acho traz maior visibilidade à empresa e aju-clientes e ser disciplinado. “É importan- bem prático porque não é preciso se da no resultado financeiro do negócio.te que a pessoa entenda que o sucesso locomover tanto com um escritório em “Esse é um mercado que está em ex-depende somente dela”, destaca Artur casa.” No mercado desde 2002, a fran- pansão. Se optasse por dar aulas parti-Hipólito, sócio-diretor do Grupo Zaiom, queada supervisiona uma equipe com culares, não teria toda essa estrutura econglomerado empresarial que nasceu três professores que vão até as escolas divulgação”, compara Eloisa. & 2012 • edição 21 • junho / julho 57
    • INsT I T UCION A L TEXTO thiago ruFinoSão paulodo Futuro Iniciativa da Prefeitura que pretende trazer profundas mudanças na cidade conta com apoio da FecomercioSP C ongestionamento, violência, ala- gamento, poluição. Quando um paulis- tano é questionado a respeito de quais itens mais o incomodam na cidade, certamente ao menos um desses qua- tro desponta nas primeiras posições. A maior metrópole da América do Sul enfrentou picos de crescimento popu- lacional das décadas de 1970 e 1980, fa- tor que ajudou a formar a cidade como conhecemos atualmente, mas também desencadeou sérios problemas de infra- estrutura, de má distribuição das áreas de habitação e de emprego, e, sobretudo, problemas no trânsito.58 2012 • edição 21 • junho / julho
    • Dados do Ibope apontam que o pau- O plano estabelece dois cenários para e definir metas conjuntas. O presidentelistano gasta, em média, 2h49 diaria- São Paulo nos próximos 30 anos: o do Conselho de Mobilização e Integra-mente para se deslocar pela cidade no tendencial e o desejado. No primeiro, ção Comunitária da FecomercioSP, Jor-trajeto até o trabalho. Os percalços são a população da cidade deve atingir 12,1 ge Carlos Silveira Duarte, espera que oenormes, mas para mudar o panorama milhões de habitantes com padrão de Plano SP2040 “possa irradiar visão deda capital paulista é preciso agir de ma- crescimento periférico e a população futuro para os próximos planos de go-neira precisa e planejada. Para vencer carente vivendo cada vez mais afasta- vernança que surgirem na cidade”.esse desafio, a Prefeitura de São Paulo, da do centro. Caso esse padrão se con-liderada pela Secretaria Municipal de firme, o sistema de transporte exigirá A FecomercioSP apoia a ação desenvolvi-Desenvolvimento Urbano, elaborou o mais investimento e ficará afastado da pela Prefeitura de São Paulo, uma vezPlano SP2040. O projeto foi apresentado dos níveis de qualidade ideais, além que os benefícios serão evidentes para adurante o seminário “SP2040 – A cidade de acarretar perda econômica para capital paulista. Na opinião do diretor-que queremos”, realizado em 11 de abril, o município. Já no cenário desejado -executivo da Federação, Antonio Carlosna sede da FecomercioSP. serão 12,4 milhões de habitantes dis- Borges, a cidade almejada “será aquela tribuídos em uma cidade policêntrica, onde todos possam habitar de formaUma das etapas do projeto aconteceu compacta e competitiva, somada a um solidária, segura e saudável, preservandopor meio de uma pesquisa em campo sistema de transporte articulado ao o meio ambiente”. “E seja um centro depara consultar qual é a cidade que os padrão de crescimento. negócios e inovações, uma capital do co-paulistanos querem. No total foram nhecimento, capaz de formar, atrair mãoouvidas mais de 25 mil pessoas – em Com atuação estabelecida em cinco de obra e investimentos”, acrescenta.workshops nas subprefeituras,tendas, eixos estruturadores, o Plano SP2040além de especialistas nos assuntos. pretende atuar com foco nos quesitos: Segundo a Secretaria Municipal de De-Dentre todos os itens citados, a maio- desenvolvimento urbano, mobilidade senvolvimento, o plano será financiadoria dos participantes deseja que a São e acessibilidade, oportunidade de ne- por fontes tradicionais como bancos ePaulo do futuro seja mais sustentável, gócios, melhoria ambiental e coesão instituições financeiras. Também estãofluida, justa e policêntrica (vários cen- social. Dentro dessa estrutura, estão sendo identificadas novas fontes de re-tros). Agendas que estão de acordo com previstos a implantação de seis projetos curso, como parcerias público-privadasalguns dos projetos catalisadores do catalisadores que devem atender os an- e implementação de tributos específicos.Plano SP2040. A iniciativa conta com a seios dos paulistanos. O levantamentoFecomercioSP como membro do con- realizado pela Prefeitura com a popu- A secretaria ainda garante a continui-selho consultivo para apontar soluções lação revela que as propostas encara- dade do projeto e as estratégias nãoaos pontos críticos da capital, refletindo das como prioridade envolvem melhor deverão ser desviadas pelos próximosa visão da comunidade e do comércio. fluidez do trânsito, despoluição dos rios, ciclos eleitorais. De acordo com Borges, maior integração das regiões periféri- a gestão do Plano SP2040 deve ser efi- cas à cidade e a criação de centros de ciente e contar com a participação de negócios em polos regionais. governantes e sociedade. “Se planejar- mos e trabalharmos desde agora, a São Um dos objetivos da iniciativa é esta- Paulo de 2040 reduzirá distâncias geo- belecer diálogos com a sociedade civil gráficas e sociais”, finaliza. & Capaz de atender mais de 600 alunos por dia, a nova unidade do Senac irá oferecer qualificação profissional para 700 mil pessoas de interlagos, Grajaú 2012 • edição 21 • junho / julho 59
    • age n da c u lt u r a l TEXTO thiago ruFino estamira – Beira do mundo O EsPETÁCULO TRAZ aos palcos Foto: Felipe Araújo Limaa história da cantora punk Laura Al-bert que, sob o pseudônimo de JT Le-Roy, publicou o livro “autobiográfico”Maldito Coração. O personagem é umadolescente de 16 anos, gay, viciadoem drogas, com problemas mentais,que teria sofrido vários abusos ao Jt leroY – Um conto de fadas punklongo da vida. Para dar vida ao per-sonagem Laura convida sua cunhadaSavanah para ser LeRoy.O livro ganhou fama instantânea e ADAPTAÇãO PARA o teatro do docu- discursos filosóficos entre a lucidezpassou a ser admirado por perso- mentário Estamira, de Marcos Prado, a e a loucura sobre a vida, Deus, trabalhonalidades como Madonna, Bono trama retrata a história real de uma mu- e sociedade.Vox e Winona Rider. Tudo isso, sem lher descoberta pelo cineasta no aterro A montagem recebeu o Prêmio Shellninguém descobrir que era uma farsa. sanitário de Jardim Gramacho (RJ) e que 2011 e o Prêmio Questão de Crítica naLaura e Savanah também enganam se tornou personagem central de seu fil- categoria Melhor Atriz. O espetáculoeditores, produtores de cinema e me. Na peça, Dani Barros interpreta a também foi indicado ao Prêmio Quali-acabam processadas por terem criado catadora de lixo, doente mental crônica, dade Brasil, Prêmio Questão de Crítica euma das maiores travessuras literárias com uma percepção de mundo surpreen- ao Prêmio da Associação dos Produtoresdo século 21. dente e devastadora. de Teatro do Rio (APTR). O monólogo é um depoimento pessoalonde: Sesc Consolação e artístico da atriz, que reconheceu onde: Sesc PompeiaRua Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque na história da personagem parte de Rua Clélia, 93 – PompeiaQuando: Até 15/7. Sextas e sábados, sua experiência de vida. Assim como Quando: De 29/6 a 29/7. Sextasàs 21h. Domingos, às 18h. no documentário, o pano de fundo do e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.Quanto: R$ 32 espetáculo é o lixão. E essa é a entrada Quanto: R$ 24mais informações: 3234-3000 para o universo de Estamira, repleto de mais informações: 3871-770060 2012 • edição 21 • junho / julho
    • um nÚmero COM TEXTO da dramaturga inglesa Caryl Churchill e direção de Pedro Neschling, a peça conta a história de um homem que descobre que existem vários clones dele e que, inclusive ele, também é um clone de um filho original de seu pai – que nunca havia conhecido. A partir dessa premissa, o roteiro explora a questão da intimidade de todos os personagens. Em uma trama cheia de reviravoltas e reve- lações, o encontro entre Salter e seu filho Bernard é marcado pelo rancor. Assim eles veem que a relação entre os dois não é tão simples e nem tudo é tão controlável como eles gostariam. onde: Sesc Belenzinho Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho Quando: De 29/6 a 22/7. Sextas Foto: Pedro Curi e sábados, às 21h. Domingos, às 18h. Quanto: R$ 24 mais informações: 2076-9700Foto: Christian Gaul 2012 • edição 21 • junho / julho 61
    • ROTEIRO SP TEXTO Denise RamiroCircuito de quermessesCom o mês de junho chegam as tradicionais festas caipiras em pátios de igrejas,nas ruas ou nos clubes. Não faltam comida e bebida típicas e brincadeiras de arraial.A C&S selecionou algumas das mais renomadas e animadas para a alegria da família Foto: Divulgação Esporte Clube PinheirosRua Angelina Maffei Vita, 493 - Jd. Europa Período: de 21 a 24 de junho Horário: a partir das 19h (de quinta-feira a sábado); domingo, das 12h às 20h. Horário dos shows: previsto para as 23h (exceto domingo) Ingressos: gratuito para sócios; de R$ 50 a R$ 100 (não sócios) Mais informações: (11) 3598-9700 e www.ecp.org.br Uma das grandes atrações do bairro de Pinheiros, a festa junina do Espor- te Clube Pinheiros este ano aposta na diversidade sertaneja. Entre os dias 21 e 24 de junho, três gerações de artistas subirão ao palco, em dias diferentes: a dupla Edson & Hudson se apresenta nodia 21; Daniel (22) e Luan Santanta (23). Renato Teixeira e Sérgio Reis encerram as festividades no domingo (24). Além dos shows, a festa terá brincadeiras e comidas típicas como arroz doce, canjica,maçã do amor, pipoca, pinhão, entre outros. Assoc. PortuguesaParóquia São Rafael de DesportosLargo de São Rafael, s/nº, MoocaPeríodo: 6 de junho e 5 de julho Rua Com. Nestor Pereira, 33, CanindéHorários: sábados e domingos Período: 2 de junho a 9 de julhodas 19h às 23h Horários: sáb. e dom. a partir das 18hIngressos: grátis Ingressos: R$ 30 (crianças até sete anos nãoMais informações: (11) 2292-4528 pagam e abaixo de 12 pagam meia entrada) Mais informações: (11) 2125-9400A 39ª Festa Junina da Paróquia deSão Rafael terá comidas típicas, Uma das mais famosas da cidade, ela mesclajogos e apresentações musicais. As a tradição caipira e lusitana. O visitantefamílias ainda podem se divertir poderá saborear desde pinhão e canjicajogando bingo. O toque italiano fica até bolinho de bacalhau e pastel de Belém.por conta das barracas que parecem No domingo, 1° de julho, a cantora Paulaverdadeiras cantinas. Fernandes é a grande atração. Foto: Divulgação62 2012 • edição 21 • junho / julho
    • Foto: Divulgação PAULISTANO Rua Honduras, 1.400, Jd. América Período: sábado, 23 de junho, das 20h às 3h da manhã; domingo, 24 de junho, das 15h às 19h Convidados: sábado R$ 100 e mesa R$ 150; domingo R$ 50; grátis para sócios Mais informações: (11) 3065-2000 O arraial será inspirado em músicas e danças folclóricas e terá show da ban- da Reveillon e da Bala de Prata. Atores dançarão a quadrilha, interagindo com o público. Igreja do Calvário Rua Cardeal Arcoverde, 950, Pinheiros Período: 2 de junho e 8 de julho Horários: sábados e domingos das 17h30 às 23h30 Ingressos: R$ 10 (menores São miguel arcanjo de 10 anos não pagam) Mais informações: (11) 3085-1307Rua Sapucaia, altura do nº 172, crepe, além do macarrão italiano. Para esquentar o públi- A tradicional quermesse da capitalao lado da igreja, Mooca co, caldo verde, sopa de milho, vinho quente e quentão. paulista tem vinte barracas com car-Horários: sábado 23 de junho: das 18h às 23h; Barracas de brincadeiras como pescaria e boca do pa- dápio variado: vinho quente, quentão,domingo 24 de junho: das 12h às 22h lhaço prometem divertir as crianças. Haverá ainda apre- fogaça, bolinho de bacalhau, acarajé,Ingressos: grátis sentação de danças, quadrilha e shows nos dois dias da sanduiche de pernil, pamonha, cural,Mais informações: (11) 2692-6798 e www.oarcanjo.net festa. No sábado a dupla Marcos & Edu cantará sucessos doces, entre outras. Duplas de música sertanejos. Na sequência o cantor Carlos Pitty comanda sertaneja garantem a animação eA Paróquia São Miguel Arcanjo realizará sua festa junina a noite com músicas próprias e de outros músicos. No as brincadeira ficam por conta donos dias 23 e 24 de junho, na Mooca, com entrada domingo é a vez de Pik Massaru e o cantor Fabrini. Para correio elegante, quadrilha, jogosgratuita. Entre os quitutes estão pernil, pastel, churrasco, fechar a festa, show com a banda The Beatles Cover. infantis e sorteio de brindes. Foto: Divulgação clube esperia Avenida Santos Dumont, 1.313, Santana Período: sábado, 23 de junho, das 18h às 24 h; domingo, 24de junho, das 12h às 24h Ingressos: R$ 20 para não sócios; grátis para sócios Mais informações: (11) 2223-3342Uma das principais festas da cidade acontece no bairro de Santana, na Zona Norte. A FestaJunina do Esperia tem como atração barracas de salgados e doces típicos e brincadeiras como touro mecânico, tobogã gigante, balão pula-pula, entre outros. O evento terá ainda show do grupo Katinguelê e uma grande queima de fogos no encerramento da festa. 2012 • edição 21 • junho / julho 63
    • ENOGA ST RONOMI A POR DIDÚ RUSSOO vinho e as tas de importação aos vinhos que en-salvaguardas tram no País, mas a redução dos custos internos na indústria do vinho. Não é verdade que não haja bons vinhosS finos no Brasil. Há e muitos; mas quando comparados em sua faixa de preço eles perdem em qualidade para seus pares, olução sobre a questão passa pela de, o vinho fino + espumantes + vinhos dos países vizinhos principalmente.redução dos custos da indústria brasilei- de mesa representam 80% do merca-ra e não pelo aumento dos impostos de do de vinho no País. Para piorar as coisas, houve uma rea-importação ou determinação de cotas ção dos consumidores de vinho nas Os números brasileiros do setor do vi- redes sociais e grandes restaurantesEm julho de 2011 o Instituto Brasileiro nho são os seguintes em 2011: de São Paulo e Rio de Janeiro se enga-do Vinho (Ibravin), a União Brasileira jaram num movimento de boicote aode Vitivinicultura (Uvibra), a Federação 402 milhões de garrafas vendidas; vinho nacional.das Cooperativas do Vinho (Fecovinho) 207 milhões foram de vinhos de mesae o Sindicato da Indústria do Vinho do (tipo garrafão); O assunto neste momento está sob in-Estado do Rio Grande do Sul (Sindivi- 132 milhões foram de vinhos finos vestigação no Ministério do Desenvol-nho) foram ao governo federal solicitar feitos de vitis-viníferas. vimento, Indústria e Comércio Exterior.a abertura de uma investigação para Destes, 97 milhões foram de vinhosaplicação de medidas de salvaguardas importados e 35 milhões de vinhos Na FecomercioSP criou-se o Comitê dosobre as importações de vinho. brasileiros. Vinho que reúne produtores de vinho, importadores de vinho, Ibravin, donos deEles alegam que o vinho brasileiro não O consenso de 99% das pessoas do se- restaurantes, lojistas, supermercadistas,conseguirá subsistir se as importações tor é que a solução dos problemas do professores e especialistas em comuni-continuarem a subir. vinho brasileiro não seria o aumento cação com o objetivo de unir o setor. de impostos ou a determinação de co-O pedido gerou a cizânia no mercado, Neste momento se trabalha pela redu-pois os importadores foram pegos de ção do ICMS do vinho, na implantação dosurpresa uma vez que o assunto deve- Simples para as pequenas vinícolas, pelaria ter sido discutido na Câmara Seto- desburocratização e pela esperança dorial do Vinho e não foi. Ibravin trazer para a mesa plural do Co- mitê os assuntos pendentes para se en-O estudo apresentado pelos produ- contrar o caminho de interesse comum.tores tem uma série de manipula-ções de dados: Enquanto esperamos por dias de tani- nos mais polimerizados para o vinho,1) Referem-se ao setor vinho, mas os as cervejas crescem e as do tipo “gour-números do problema são apenas dos met” já representam dez vezes o volu-vinhos finos tranquilos; me do vinho fino... &2) Referem-se a 20 mil famílias do se-tor quando no vinho fino são apenas Didú Russo é fundador da Confraria dos Sommeliers, autor do livro “Nem Leigo, Nemmil famílias; Expert”, editor do site www.didu.com.br e do3) Falam de uma participação de ape- blogdodidu.zip.net, além de diretor e apre-nas 17% do mercado quando, na verda- sentador do programa TV CELEBRE!.64 2012 • edição 21 • junho / julho
    • PROf IssÕE s DO f U T U RO POR gaBriel Pelosi Penha e Santo Amaro – e na unidade do Senac Taubaté, no interior de São Paulo. Com carga horária de 800 horas di- vididas em cinco módulos, o curso de técnico em multimídia inclui em seu currículo técnicas de criação, tra- tamento e manipulação digital de imagens, produção de interfaces para aplicações web e multimídia, anima- ções e web games, processos que pos-ComuniCação nas sibilitem interatividade com ênfase em web, atuação desde a fase de pla- nejamento até a finalização.mais variadas formas O curso demanda materiais de alta performance como computador de boa configuração com acesso à internet, mesa de luz, tablet, máquina fotográ-Com inovações cada vez mais frequentes, curso de técnico fica, câmera filmadora, entre outros. Todos esses materiais estão disponíveisem multimídia prepara profissional para atuar como nas unidades no decorrer do curso.protagonista das novas tecnologias de comunicação digital É necessário estar cursando, no míni-C mo, a 2ª série do ensino médio, mas não é preciso ter habilidades específi- cas para entrar no curso. No entanto, om tecnologia inovadora, a co- volvendo trabalhos de produção digi- aqueles que possuem conhecimentosmunicação já não se aplica em uma tal, interfaces para web e multimídia, extras, tais como o desenho, se expres-única plataforma, de forma vertical. Os web game e gestão empreendedora sam melhor visualmente.multimeios já não aparecem mais como para comunicação, arte e design.novidade, transitam por plataformas de As situações de aprendizagem previstasmídias offline e online e apresentam ino- Poderá atuar em empresas provedoras para cada módulo têm como eixo con-vações em escala geométrica, contando de conteúdo para internet, agências de dutor um projeto que considera contex-com a participação do leitor, receptor da publicidade, produtoras de vídeo, depar- tos similares àqueles encontrados nasmensagem numa comunicação hori- tamento de comunicação e marketing condições reais de trabalho e estimulazontal. Dominar os mecanismos de in- de empresas, entre outros meios. a participação ativa dos alunos na bus-teração digital relevantes é para poucos. ca de soluções para os desafios que delePor isso, a importância de um profissio- “Existem poucos profissionais capacita- emergem, preparando o profissionalnal técnico em multimídia. dos que possuem base teórica e prática para atuar como protagonista das no- nesse assunto. A demanda é alta, uma vas tecnologias de comunicação digital,O Senac-SP oferece o curso de educa- vez que o mercado digital cresce cons- tão relevantes para os dias atuais.ção profissional técnica que habilita o tantemente”, aponta Matheus da Costaprofissional a trabalhar como técnico Gonçalves, professor do curso que é ofe- Outras informações podem ser obtidasem multimídia, atuando na área de recido em cinco unidades na capital pau- pelo site www.sp.senac.br/cursostecni-web/multimídia e web games, desen- lista – Consolação, Itaquera, Lapa Scipião, cos, ou pelo telefone: 0800-883-2000 & 2012 • edição 21 • junho / julho 65
    • CRÔNIC A POR raPhael Ferrari • JOrnaLISta ILUsTRAÇãO camila marQuesSinal dos tempoSd urante muito tempo meu paie meus tios faziam eu e meus primos nha namorada estava trabalhando em outro Estado; então, sem ter o que fazeracordar sábado de manhã e lavar os sozinho em casa, resolvi comprar um li-carros de toda a família. Talvez por isso, vro. Acabei comprando dois e, já que esta-hoje, eu tenha aversão a acordar cedo va ali, aproveitei para ler a última ediçãopara lavar meu carro. Contudo, semana da “The Economist”. Vi um filme. Vi maispassada o carro estava precisando de um e depois resolvi jantar. Como já esta-um trato e, portanto, acordei um pouco va fácil, à mão, decidi comer um beirute.antes e resolvi dedicar mãos à obra. Masnão as minhas: levei o carro a um lava Logo após fazer o pedido, encontrei umrápido. Afinal, o comércio de serviços amigo que não via há algum tempo eestá aí para isso. passamos quase uma hora conversando.Carro limpo, encerado e com as rodas Até que a campainha tocou.brilhando, fui almoçar com meu irmãona casa da minha mãe. Erámos só nós O quê? Campainha? Sim. Não, você nãotrês, mas a mesa, como a de toda família leu errado. A campainha tocou. Era oitaliana, estava exageradamente farta: beirute que eu havia pedido. A entregarondelli de quatro queijos e de presun- estava atrasada, levou mais de qua-to com muçarela, lasanha à bolonhe- renta minutos, mas isso é São Paulo. O Fomos comer um beirute no chapeirosa, nhoque, canelone de carne moída motoboy passou o cartão e me entre- que persevera na praça já há mais dee conchiglione recheado com ricota e gou o pedido. A livraria e a revista? Os 25 anos. “Seu Pedro, me vê um beiru-nozes. Também tinha petit gateau com filmes que vi? A conversa? Tudo sem sair te...” “Completo. Caprichado no bacon.sorvete para a sobremesa. Mas comida do quarto, com o tablet na mão. Afinal, Sem alface. Faz tempo que não te vejode mãe, somente os molhos de tomate estava chovendo e eu tinha mandado por aqui”, ele diz, sempre sorrindo. Fa-e branco. As massas ela comprou em lavar o carro naquela manhã. zia. Conversando na praça, o sanduícheuma “casa de panquecas”, esquentou e pareceu mais gostoso do que o da noi-adicionou molho. O petit gateau ficou Domingo fui cedinho para o interior e te anterior. Talvez seja o contato com opronto após passar rápidos 30 segun- levei o tablet companheiro. Combinei mundo real.dos no forno de micro-ondas. Não que de encontrar outro amigo. A praça doestivesse ruim, mas em outros tempos coreto estava repleta de pessoas con- Conversa vai, conversa vem, apresenteiisso era impensável para ela. “Ah, meu versando após a missa. O sorveteiro e o tablet para meu amigo. “Dá para verfilho, mas é tão mais prático comprar o pipoqueiro disputando o interesse e filmes, acessar a internet, ler revistas...”tudo assim, pronto.” Acho que depois de o apetite das crianças. Meu amigo me “Legal”, ele respondeu, mais interessa-mandar o carro para lavar eu não tinha esperava em um banco, com o jornal do no movimento da praça. “Prefiro omuita “moral” para comentar nada... na mão. Os dedos sujos da impressão cheiro e o toque do papel. “ Eu também. em papel. Difícil não lembrar de quan- Fico feliz que esta crônica seja publica-Depois do almoço cada qual tinha sua do ainda sujava meus dedos lendo a da em uma revista impressa. Há coisasprogramação, foi um para cada lado. Mi- “The Economist” no mesmo banco. que o sinal dos tempos não capta. &66 2012 • edição 21 • junho / julho