• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Atualidade 2013
 

Atualidade 2013

on

  • 8,939 views

 

Statistics

Views

Total Views
8,939
Views on SlideShare
8,939
Embed Views
0

Actions

Likes
1
Downloads
195
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Atualidade 2013 Atualidade 2013 Document Transcript

    • BANCO DO BRASIL2013ATUALIDADES DO S.F.NProf: Edgar Abreu e Cássio Albernazhttp://acasadoconcurseiro.com.br/
    • A CASA DO CONCURSEIROEstude com o curso que mais aprovou primeiros colocados nos últimos concursos. TRE – RJ (2012): Primeiro colocado do estado TRE – PR (2012): Primeiro Colocado do estado INSS (2012): Primeiro Colocado (Gravataí)CEF 2012: Primeiro colocado nas Microrregiões abaixo1. São Paulo – SP;2. Porto Alegre – RS;3. Cruzeiro do Sul – AC;4. Aracaju – SE;5. Cascavel – PR;6. Patos – PB;7. Osasco - SP;8. Uruaçu – GO;9. Jundiaí; Bacabal – MA;10. Ji-Paraná – RO;11. Vitória - ES ;12. Santarém – PA;13. Teresina – PI;14. Uruguaiana – RS;15. Itumbiara – GO;16. Maringá – PR;17. Santo Antonio de Jesus – BA;18. Caxias do Sul –RS;19. Santo Ângelo – RS;20. Picos – PI;21. Castanhal PAÚltimo concurso do Banco do Brasil: Primeiro colocado nas Microrregiõesabaixo1. Santo Amaro – SP;2. Varginha – BA;3. Bonito – MS;4. Juiz de Fora – MG (PNE);5. Irecê – Vitória da Conquista - BA;6. Jundiaí – SP7. São Paulo - SP;8. Jequié – BA;9. Anápolis – GO ;10. Sete Lagoas – MS;11. Pouso Alegre – MG;12. Lins – SP;13. Paraíso do Tocantins – TO14. Rio de Janeiro – RJ;15. Cabo Frio – RJ;16. Pelotas – RS;17. Novo Hamburgo – RS;18. Rio Branco – AC (2013)19. Epitaciolândia – AC (2013)20. Sobral – CE (2013)21. Aracaju – SE (2013)22. Cacoal – RO (2013)23. Porto Velho – RO (2013)24. Videira – SC (2013)25. Natal – RN (2013)
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 1SUMÁRIO1. NOÇÕES GERAIS DE ATUALIDADES DE ECONOMIA – PROF. CÁSSIO ALBERNAZ.................................................................. 31. INTRODUÇÃO – O QUE É UMA PROVA DE ATUALIDADES?.................................................................................................................... 32. ECONOMIA MUNDIAL .................................................................................................................................................................. 43. PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA MUNDIAL MELHORAM EM 2013 .................................................................................................... 114. PERSPECTIVAS DA ECONOMIA CHINESA.......................................................................................................................................... 135. SUCESSO DOS BRICS GEROU PROLIFERAÇÃO DE ACRÔNIMOS ECONÔMICOS ........................................................................................... 156. CRISE FINANCEIRA AMERICANA .................................................................................................................................................... 177. OBAMA TOMA POSSE E BUSCA ACORDO CONTRA CRISE FISCAL............................................................................................................ 198. EUA APROVAM PROJETO CONTRA "ABISMO FISCAL" E BOLSAS SOBEM.................................................................................................. 219. CRISE FINANCEIRA EUROPÉIA....................................................................................................................................................... 2310. O QUE A GRÉCIA SIGNIFICA..................................................................................................................................................... 2511. G-20: POSIÇÃO DA GRÉCIA NO CENÁRIO DE CRISE EXPÕE DIVISÃO E VULNERABILIDADE DA UNIÃO EUROPEIA.......................................... 2712. PRESIDENTE DE CHIPRE ANUNCIA PACOTE PARA REATIVAR A ECONOMIA .......................................................................................... 2813. CHIPRE: FILA NOS BANCOS...................................................................................................................................................... 2914. CASO DO CHIPRE NÃO É MODELO PARA OUTROS RESGATES, DIZ BCE .............................................................................................. 3015. BLOCOS ECONÔMICOS........................................................................................................................................................... 3016. A VENEZUELA E O MERCOSUL................................................................................................................................................. 3217. O QUE A CRISE DA UNIÃO EUROPEIA ENSINA AO MERCOSUL? ....................................................................................................... 3318. TENDÊNCIAS DA ECONOMIA BRASILEIRA .................................................................................................................................... 3919. IPI CONGELADO RENDE ECONOMIA DE ATÉ R$ 2,4 MIL ................................................................................................................ 4020. INDÚSTRIA ATRASADA, ECONOMIA ENIGMÁTICA ......................................................................................................................... 4121. NÃO HÁ DESINFLAÇÃO GRÁTIS................................................................................................................................................. 4422. INFLAÇÃO EM ALTA, CRESCIMENTO PÍFIO ................................................................................................................................... 4523. BRASIL TEM A 6ª MAIOR ECONOMIA......................................................................................................................................... 4824. MESMO 6ª ECONOMIA, BRASIL CONTINUA POBRE, DIZ ECONOMISTA DA UNCTAD ............................................................................. 4925. DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA FOI MAIOR DO QUE A ESPERADA, MAS AJUDOU BANCO CENTRAL A REDUZIR SELIC.................................. 5126. INADIMPLÊNCIA JÁ PRESSIONA TAXAS........................................................................................................................................ 5227. INFLAÇÃO É MAIOR PARA QUEM GANHA ATÉ 2,5 SALÁRIOS ........................................................................................................... 5328. BB E CAIXA DERRUBAM JUROS PARA ESTIMULAR A ECONOMIA....................................................................................................... 5529. OCDE INDICA QUE BRASIL VAI CRESCER ABAIXO DA TENDÊNCIA ..................................................................................................... 5730. A CRISE EUROPEIA E O PIBINHO DO BRASIL ................................................................................................................................ 5731. ECONOMIA: EM MARCHA LENTA, BRASIL PERDE POSTO DE SEXTA ECONOMIA MUNDIAL...................................................................... 6032. BRASIL E UE TENTAM ACELERAR INVESTIMENTOS........................................................................................................................ 6233. O FIM DA ERA LULA NA ECONOMIA .......................................................................................................................................... 6334. PARA BRASIL CRESCER, DILMA ACENA COM POLÍTICA PROATIVA ................................................................................................... 652. NOÇÕES GERAIS DE ATUALIDADES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – PROF. EDGAR ABREU. .................................. 6735. BANCOS TÊM DE OFERECER SERVIÇOS GRATUITOS; CONHEÇA ESTE E OUTROS DIREITOS ....................................................................... 6736. GOVERNO TORNA PERMANENTE INSTRUMENTO DE CAPTAÇÃO DE BANCOS MENORES......................................................................... 6837. BC E FGC VIRAM RÉUS EM AÇÕES CONTRA O CRUZEIRO DO SUL.................................................................................................... 6938. LEONARDO GOMES PEREIRA É NOMEADO PRESIDENTE DA CVM.................................................................................................... 7139. BC CRIA FUNDO PARA GARANTIR DEPÓSITOS EM COOPERATIVAS DE CRÉDITO.................................................................................... 7140. BANCO PÚBLICO AINDA VAI LIDERAR CRÉDITO EM 2013............................................................................................................... 7241. BB TEM LUCRO LÍQUIDO RECORDE NOMINAL DE R$ 12,2 BILHÕES EM 2012.................................................................................... 7442. O PAPEL DOS BANCOS COMUNITÁRIOS NO PROGRAMA FEDERAL CRESCER ........................................................................................ 7943. ASCENSÃO E QUEDA NA BRASILPREV ........................................................................................................................................ 8044. BANCO DO BRASIL PREVÊ INSTALAÇÃO DE ESCRITÓRIO NA RÚSSIA .................................................................................................. 82
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 2 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu45. JUROS MAIS BAIXOS, LUCROS MAIS ALTOS.................................................................................................................................. 8346. ESTUDO REVELA QUE USUÁRIOS DE BANCO BUSCAM SIMPATIA E ATENDIMENTO................................................................................ 8547. COPOM: ESPECIALISTAS APONTAM QUE OS JUROS PODERÃO SER MANTIDOS ATÉ O FIM DO ANO........................................................... 8548. CAOA BUSCA NOVO PRAZO PARA COMPRAR O BANCO BVA .......................................................................................................... 8749. MOODY’S REBAIXA NOTAS DE BNDES, BNDESPAR E CAIXA ....................................................................................................... 8750. A CORRIDA PELA CREDICARD................................................................................................................................................... 8851. OFERTA SECUNDÁRIA DA BB SEGURIDADE PODE CAPTAR ATÉ R$ 12,15 BILHÕES.............................................................................. 9052. A PARTIR DE AMANHÃ, BANCOS REDUZEM PARA R$ 1 MIL VALOR MÍNIMO DE TED ........................................................................... 9153. BC LISTA 19 BANCOS ESTRANGEIROS NA FILA PARA ENTRAR NO BRASIL ........................................................................................... 9254. BB LEASING EMITIRÁ DEBÊNTURE ............................................................................................................................................ 9455. BB PODE COMPRAR BANCO NA FLÓRIDA ................................................................................................................................... 9556. BB NEGOCIA PARA TER 75% DO CAPITAL TOTAL DO BANCO VOTORANTIM....................................................................................... 9557. BANCO PRIVADO JÁ VÊ CENÁRIO MAIS PESSIMISTA PARA CRÉDITO EM 2013 ..................................................................................... 963. VÍDEOTECA ...................................................................................................................................................................... 9958. REDUÇÃO TAXAS BANCO DO BRASIL ......................................................................................................................................... 9959. DEPÓSITOS EM CADERNETA DE POUPANÇA SUPERAM RETIRADAS EM QUASE R$ 6 BILHÕES EM MARÇO DE 2013..................................... 9960. TAXA DE INADIMPLÊNCIA DAS FAMÍLIAS CAI PELO QUINTO MÊS SEGUIDO.......................................................................................... 9961. MERCADO ACREDITA QUE OS JUROS VÃO COMEÇAR A SUBIR EM MAIO .......................................................................................... 10062. ESPECIALISTA COMENTA O RESULTADO DO PIB DE 2012............................................................................................................ 10063. BRICS FAZEM ACORDO PARA CRIAR BANCO DOS PAÍSES EMERGENTES............................................................................................. 10064. UM DOS MAIORES BANCOS DO CHIPRE SERÁ LIQUIDADO............................................................................................................. 100
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 31.NOÇÕES GERAIS DE ATUALIDADES DE ECONOMIA –PROF. CÁSSIO ALBERNAZ.Prof. Dr. Cássio Albernaz11. Introdução – O que é uma prova de Atualidades?O que é uma prova de Atualidades?Corriqueiramente, concurseiros dos mais diversos níveis se deparam com essa pergunta e aresposta não é tão óbvia quanto parece ser. A origem dessa confusão começa no conteúdo dospróprios programas de provas das diferentes instituições organizadoras. As bancas organizadoraspossuem diferentes compreensões sobre o que vem a ser uma prova de Atualidades. Portanto, aaprovação na prova de Atualidades começa por uma leitura atenta do edital de prova e do seuconteúdo programático.Apesar das dificuldades e das desconfianças que se possa ter com relação a este conteúdoexistem alguns terrenos seguros nos quais podemos nos debruçar. Para desvendar esses “nós”devemos definir algumas prioridades. Inicialmente, é possível entender atualidades como odomínio global de tópicos atuais e relevantes. Nesse sentido, domínio global significa saber situare se situar frente aos temas, algo diferente de “colecionar” e “decorar” fatos da atualidade. Arelevância de tais tópicos se dá em função da “agenda” de debates do momento e do conteúdoprogramático do concurso que se vai realizar. Ou seja, nem tudo interessa para uma prova deAtualidades.Numa prova séria e bem feita de Atualidades (e pasmem elas existem!), o mundo dascelebridades, o vai e vem do mercado futebolístico, o cotidiano do noticiário policial, etc., têmpouco valor como conteúdo de prova. Assim, os fatos só passam a ser conteúdos de provaquando possuem valor histórico, sociológico, e político para compreensão da realidade presente edos seus principais desafios.Dessa forma, o conteúdo de prova refere-se as “atualidades” e seus fatos através de umdesencadeamento global de conhecimentos e noções que se relacionam ao contexto nacional e aointernacional. Portanto, tal conteúdo tem como característica fundamental a interpretação dofenômeno histórico político e social a partir de seus diferentes tópicos: política econômica; políticaambiental; política internacional; política educacional; política tecnológica; políticas públicas;política energética; política governamental; aspectos da sociedade; bem como odesencadeamento de relações entre esses conteúdos e os fatos da atualidade.1Professor da Casa do Concurseiro. cassioalbernaz@hotmail.com; http://www.facebook.com/cassioalbernaz; Quer maisinformações? Veja o meu blog http://saberatualidades.blogspot.com/
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 4 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuDesde já, chama-se a atenção para o fato de que o conteúdo de Atualidades é muito diferente deoutros conteúdos. Não existem fórmulas, macetes, atalhos, “musiquinhas”, ou qualquer outroestratagema capaz de preparar um aluno para tal empreitada. O que existe é interesse e leitura.O que esse material oferece então é o direcionamento para a prova. As chaves de interpretação,modos de pensar e de relacionar os conteúdos serão fornecidos em aula. Assim, colocamos àdisposição textos para informação e reflexão prévia sobre os principais tópicos de Atualidades.Por que estudar Atualidades?Para além da resposta óbvia: - para passar no concurso! O conteúdo de atualidades é hoje umdiferencial em tempos de concursos tão disputados, pois as médias de acertos são elevadas nasmatérias mais tradicionais, como Português, Direitos, etc., os acertos no conteúdo de Atualidadespodem lançar o candidato muitas posições à frente. Esse argumento ganha maior peso porque amaioria dos concurseiros não sabe o que estudar e nem como estudar.Para além desse fato, saber refletir sobre Atualidades é um ato de conscientização política esocial, engajamento, e cidadania, por isso muitos concursos públicos exigem esse conhecimentode forma orientada.Dessa forma, pergunto aos concursandos: - Por que não estudar Atualidades?Atualidades do Mercado FinanceiroEsse material tem por objetivo direcionar os candidatos ao concurso do Banco do Brasil sobretemas ligados a Atualidades do Mercado Financeiro que possuem “força de prova”. Com esseintuito, apresenta-se a seguir um “clipping de notícias” como referência de temas e de abordagensque podem aparecer na prova de Atualidades do Mercado Financeiro.Os textos e os temas aqui elencados foram cuidadosamente selecionados com base nas provaspassadas e na tradição de provas da Fundação Carlos Chagas. Os assuntos foram divididos portemas para uma melhor organização do conteúdo.Bons Estudos!2. Economia mundialEntenda a crise econômica mundialConheça os cinco pontos que ajudam a explicar a turbulência nos mercadosfinanceirosDanielle Assalve, iG São Paulo
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 5O problema da dívida em países na zona do euro “está assustando o mundo”, nas palavras dopresidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Embora esteja no foco das atenções dosinvestidores, a turbulência na Europa é apenas parte da crise econômica mundial .Permanecem no radar o elevado nível de endividamento público americano, a fragilidade dasinstituições financeiras em diversos países e os claros sinais de desaceleração da economiamundial.O iG conversou com especialistas em economia internacional e selecionou cinco pontosfundamentais para entender a crise. Veja a seguir:1- Mais do mesmo“Na verdade, não estamos vivendo uma nova crise mundial. A crise é a mesma que teve início em2008, estamos só em uma nova fase”, afirma Antonio Zoratto Sanvicente, professor do Insper.Naquele ano foi deflagrada a crise das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, com a quebrado banco Lehman Brothers.Basicamente, os problemas começaram porque as instituições financeiras emprestaram dinheirodemais para quem não podia pagar. Isso levou à falência de bancos e à intervençãogovernamental para evitar o colapso do sistema financeiro e uma recessão mais aguda.Ao injetar recursos em bancos e até em empresas, no entanto, os governos aumentaram seusgastos, em um momento em que a economia mundial seguia encolhendo. O resultado não poderiaser outro: aprofundamento do déficit público, que em muitos países já era bastante elevado.Na Grécia, por exemplo, a crise de 2008 ajudou a exacerbar os desequilíbrios fiscais que o país jáapresentava desde sua entrada na zona do euro, diz o economista Raphael Martello, daTendências Consultoria.2- Europa endividadaFaz quase dois anos que a crise da dívida soberana em países da União Europeia tem sidodiscutida nos mercados financeiros. Mas foi nos últimos meses que o problema veio à tona commais intensidade e se tornou um dos maiores desafios que o bloco já enfrentou desde a adoçãodo euro em 2002.Além da Grécia, países como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha sofrem os efeitos doendividamento descontrolado e buscam apoio financeiro da zona do euro e do Fundo MonetárioInternacional.Para receber ajuda, no entanto, precisam adotar medidas de “austeridade fiscal” que, na prática,significam enxugar os gastos públicos, por meio do corte de benefícios sociais e empregos, porexemplo, e elevar a arrecadação por meio de impostos.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 6 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuO problema é que essas medidas deprimem ainda mais a economia e geram descontentamento,greves e manifestações. Nas últimas semanas, os movimentos populares têm se intensificadoespecialmente na Grécia.Em meio ao clima de instabilidade e discussão até mesmo sobre a manutenção desses países nazona do euro, o parlamento alemão aprovou a ampliação do fundo de socorro europeu para umtotal de 440 bilhões de euros.3- Enquanto isso, nos Estados UnidosO déficit público americano já vinha crescendo vertiginosamente nos anos 2000, respondendo emparte aos gastos exorbitantes com a guerra do Iraque, em 2003, e às perdas causadas pelofuracão Katrina, em 2005. “Já existia um problema estrutural, mas com a crise em 2008 ogoverno injetou muito recurso nos bancos e empresas e isso levou a um sério aprofundamento dodéficit”, afirma Martello.O resultado é que a dívida saiu de controle. Nos últimos meses, essa situação criou a necessidadede elevar o limite de endividamento público do país, para evitar que fosse decretado um calote.Isso levou a um prolongado embate político entre democratas e republicanos, que gerou enormeestresse nos mercados financeiros e levou a agência de classificação de risco S&P a rebaixar anota de crédito americana no começo de agosto.Para piorar o cenário, os números revisados do PIB americano no primeiro e segundo trimestreapontam para desaceleração da economia, que também enfrenta altos índices de desemprego.Enquanto isso, a disputa política segue firme nos Estados Unidos, desta vez em torno daaprovação de um pacote proposto por Obama para estimular a geração de empregos no país.Na avaliação do professor José Márcio Camargo, da PUC-RJ, “a proposta do presidente BarackObama de desoneração de impostos deve passar no Congresso americano, mas o aumento degastos em infraestrutura para estimular a economia não deve ter aprovação da maioria. A brigaentre políticos, que reprovam os programas de incentivo financeiro, e o Fed, o Banco Central dosEstados Unidos, pode comprometer a independência da instituição.”4- Bancos em riscoA fragilidade do sistema financeiro na Europa e Estados Unidos continua a tirar o sono dosinvestidores. Se em 2008 os bancos, principalmente americanos, sofreram com a exposição ahipotecas de alto risco, desta vez, instituições de ambos os lados do Atlântico sentem os efeitosda exposição a títulos da dívida soberana de países europeus.É o caso dos bancos franceses, bastante expostos a títulos públicos da Grécia – país que buscacom urgência nova parcela de resgate para evitar o calote.Alguns estudos tentam estimar o volume total de recursos que seria necessário para recapitalizaros bancos europeus em caso de um default da Grécia ou mesmo de outros países, como Portugal.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 7Mas economistas afirmam que não é possível saber exatamente o tamanho do rombo, pois alémdos títulos públicos, os bancos também estão expostos a seguros contra a dívida.Por não ser negociado em mercado formal, ninguém sabe ao certo quanto os bancos perderiamcom esses seguros.5- Mundo em desaceleraçãoSe há alguns meses a inflação mundial era a principal preocupação de líderes e analistas demercado, hoje o tema que domina as conversas é a desaceleração da economia global.Em um relatório recente, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico(OCDE) alertou para evidente desaceleração da atividade econômica em praticamente todos ospaíses.E o Brasil não está imune. Pelo contrário, é a nação que mostra os sinais mais claros deesfriamento da atividade, segundo a OCDE.Na avaliação do Banco Central brasileiro, “observa-se moderação do ritmo de atividade” do País,mas a economia “ainda continuará sendo favorecida pela demanda interna".No cenário internacional, a autoridade monetária vê "possibilidade elevada de recessão" emalguns países devido à crise global, "em especial nas economias maduras".Saiba mais sobre a crise na Europa e entenda quem são os “Piigs”Cinco países altamente endividados estão no centro da maior turbulência econômicana região desde a Segunda GuerraIlton Caldeira, iG São PauloA crise da dívida que afeta a Europa tem reflexos não só no continente, mas em várias outraspartes do mundo, inclusive no Brasil , em um cenário internacional onde as relações econômicas efinanceiras estão cada vez mais interligadas.Mas as fragilidades causadas pelos altos déficits , que ocorrem quando um país gasta mais do quearrecada, são mais latentes e concentradas em cinco países da região que adotou o euro comomoeda única: Portugal , Irlanda , Itália , Grécia e Espanha , batizados de “Piigs”, uma sigladepreciativa criada com a junção das letras iniciais do nome de cada nação, em inglês, e cujasonoridade se assemelha com a palavra “porcos”, no mesmo idioma.O alto risco de um calote nesses países é considerado pelos especialistas como a maior ameaça àeconomia da União Europeia desde a Segunda Guerra Mundial. Esse cenário de medo e incertezastem levado a indagações sobre a real viabilidade futura da união monetária , com reflexos nasprincipais bolsas de valores do mundo , que sofrem com as constantes quedas e fortes oscilaçõesao sabor dos acontecimentos de curto prazo.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 8 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuO motivo de tanta tensão é a dificuldade que alguns países vêm enfrentando para conseguirempréstimos e refinanciar suas dívidas públicas. Essa capacidade de se refinanciar aconteceporque existe um grande desequilíbrio fiscal, com a arrecadação dos governos em queda e osgastos em alta.A União Europeia , sob a liderança da Alemanha , a maior economia do bloco, tem buscado saídaspara a crise, mas a falta de medidas concretas e de grande impacto tem contribuído ainda maiscom clima de incerteza.O resultado dessa falta de ação na vida das pessoas comuns pode ser percebida com a queda devários governos na Europa. A crise econômica já derrubou dez chefes de governo desde 2009,sendo que o último a cair foi o do primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero derrotado naseleições parlamentares de 20 de novembro.Eleitores insatisfeitos com as respostas dadas pelos governos para a crise foram às urnas emudaram o comando de países como Irlanda, Portugal e Espanha. Na Grécia e na Itália, ospremiês, também sob forte pressão, renunciaram a seus mandatos.O sentimento de reprovação às soluções propostas para debelar a crise também pode ser notadonas manifestações de movimentos como o "Indignados" , que tem protestado em diversas cidadesda Europa contra as distorções geradas por um mundo financeiro com instrumentos defiscalização comprovadamente falhos em muitos casos.Veja a seguir alguns pontos para entender a crise que afeta a Europa e os “Piigs”PortugalPortugal enfrenta uma taxa de desemprego superior a 12% e uma economia em contração . Orecém empossado primeiro-ministro Pedro Passos Coelho terá que implantar reformas fiscais esociais amplas e urgentes, incluindo mais medidas de austeridade para restaurar a saúde fiscal dopaís e encorajar o crescimento econômico.Os termos do acordo de ajuda financeira acertado com a União Europeia e credores incluemaumento dos impostos, congelamento de aposentadorias e cortes nos benefícios dos funcionários.O novo governo terá que implementar o pacote econômico que prevê uma ajuda financeira de 78bilhões de euros ao país.Diferentemente de outros países, não houve qualquer estouro de bolha em Portugal. O que houvefoi um processo gradual de perda de competitividade, com o aumento dos salários e redução dastarifas de exportações de baixo valor da Ásia para a Europa.Com o baixo crescimento econômico, o governo tem tido dificuldade para obter a arrecadaçãonecessária para arcar com os gastos públicos crescentes, em parte por causa de uma sucessão deprojetos, incluindo melhorias no setor de transportes, com o objetivo de aumentar acompetitividade portuguesa.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 9Quando estourou a crise financeira global, em setembro de 2008, Portugal passou a enfrentarproblemas com sua dívida pública, que ficou cada vez mais difícil de ser financiada.IrlandaA República da Irlanda foi uma das maiores casos de sucesso recente na Europa, nos anos pré-crise. Tanto que devido a esse fato o país foi apelidado de "Tigre Celta". Mas esse crescimentoeconômico era dependente de uma frágil bolha imobiliária que ruiu em 2008. O país foi do boomao desastre financeiro em um período de apenas três anos.O preço dos imóveis caiu rapidamente cerca de 60% e os empréstimos de risco, concedidosprincipalmente para as construtoras, se acumularam nas carteiras dos principais bancos. Paraajudar as principais instituições financeiras e evitar um colapso em todo o sistema foi necessárioum aporte emergencial de 45 bilhões de euros, mais de R$ 100 bilhões, o que aprofundou aindamais o já elevado déficit no orçamento do governo irlandês.As finanças do país também estão sendo afetadas pela queda na arrecadação de impostos. Àmedida que a economia se retrai, cresce o desemprego e aumentam os temores de que o paísesteja à beira de uma volta à recessão.O país já adotou uma série de programas de austeridade desde o início da crise da dívida, mas ogoverno terá de fazer muito mais nos próximos anos para cumprir as difíceis metas estabelecidaspela União Europeia (UE), pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu(BCE), que são credores do país.Em 7 de novembro, a União Europeia fez uma emissão de bônus dez anos no valor de 3 bilhõesde euros destinados ao programa de assistência financeira à Irlanda. A operação foi realizada pormeio do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), com vencimento dos títulos em 4 defevereiro de 2022 e rentabilidade de 3,6%.ItáliaO agravamento da situação da economia italiana tem colocado em dúvida as soluções propostasaté agora pela União Europeia para a crise. A Itália possui uma dívida de 1,9 trilhão de euros,muito maior que a de Grécia, Irlanda e Portugal juntos.A quebra da Itália , terceira maior economia do bloco, que representa cerca de 20% da UniãoEuropeia, poderia abalar seriamente a estrutura do euro. Para blindar a Itália, os líderes europeusdecidiram em outubro ampliar o Fundo de Estabilidade Financeira (FEEF) para 1 trilhão de euros,mediante um mecanismo que estimule a compra da dívida dos países mais frágeis, oferecendouma garantia de 20% sobre perdas eventuais.Diante da gravidade da situação, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, nomeou em 13 denovembro o economista e ex-comissário da União Europeia Mario Monti como primeiro-ministro dopaís, em substituição a Silvio Berlusconi , que ocupou o cargo por cerca de dez anos, e passava
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 10 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreupor uma crise de credibilidade após se envolver em sucessivos escândalos, além de ter seu nomeassociado em denúncias de corrupção.Monti te como função principal implementar o plano de austeridade aprovado em 12 de novembropelo parlamento italiano. O pacote contém medidas duras para cortar 59,8 bilhões de euros eequilibrar o orçamento do país até 2014.Entre as medidas estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%,congelamento dos salários de servidores até 2014, aumento da idade mínima de aposentadoriapara as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026, maior rigidez naaplicação das leis contra evasão fiscal, além de um imposto especial para o setor de energia.GréciaA Grécia foi uma das maiores beneficiadas com a de adesão ao euro em 2001. Mas o governogrego foi incapaz de gerir a expansão dos gastos públicos que dispararam de forma desordenada.Nesse período, os salários do funcionalismo praticamente dobraram. Agora, a Grécia é o país demaior evidência no grupo de devedores da União Europeia.O país tem hoje uma dívida equivalente a cerca de 142% do Produto Interno Bruto (PIB), a maiorrelação entre os países da zona do euro. O volume de dívida está muito acima do limite de 60%do PIB estabelecido pelo pacto de estabilidade do bloco assinado pelo país para fazer parte doeuro.A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados edeixando a economia cada vez mais exposta aos riscos da crescente dívida. Enquanto os cofrespúblicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos, deixando opaís totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito que veio à tona emsetembro de 2008.Apesar da ajuda da União Europeia, a Grécia segue em dificuldades. Em meados de 2011, foiaprovado um segundo pacote de ajuda, de cerca de 109 bilhões de euros, em recursos da UniãoEuropeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de bancos do setor privado. Um programa derecompra de dívidas deve somar outros 12,6 bilhões de euros vindos de instituições financeirasnão estatais, chegando a cerca de 50 bilhões de euros apenas a contribuição dos credoresprivados.Diante das pressões, tanto internas como da comunidade financeira internacional, no início denovembro o primeiro-ministro grego George Papandreou aceitou renunciar ao cargo para quefosse montado um governo de coalizão no país. Após uma longa negociação entre os partidosgovernistas e de oposição, o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) LucasPapademos foi nomeado em 10 de novembro o novo primeiro-ministro do governo de uniãonacional na Grécia, com a missão de restaurar a confiança do mercado financeiro e estabilizar asituação econômica do país.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 11EspanhaCom a taxa de desemprego mais alta entre os países industrializadas (22% da população ativa),ameaça de resgate financeiro e risco crescente de recessão, a Espanha vive sua pior crise emmais de quatro décadas.A fragilidade econômica vem causando uma rápida mudança social na Espanha, empurrando devolta para a pobreza pessoas que vinham ascendendo economicamente. Segundo o InstitutoNacional de Estatística (INE), mais de um em cada cinco espanhóis, (21% da população), oucerca de 10 milhões de pessoas, era classificado como pobre em julho, e analistas estimam queeste índice chegue a 22% até o fim do ano. Em 1991, o índice era de 14%. Uma em cada quatrofamílias no país não tem dinheiro suficiente para saldar as dívidas no fim de cada mês.Essas estatísticas recentes contrastam com o perfil de um país que até seis anos atrás criavacerca de 500 mil empregos por ano e que em uma década de crescimento contínuo importou 5milhões de imigrantes.Algumas medidas para tentar ajustar o país ao momento de baixo crescimento comocongelamento de pensões, aumento na idade de aposentadoria, que passou dos 65 para 67 anos,corte de 5% nos salários do funcionalismo, aumento de impostos, entre outras, foram decretadasnos últimos meses. Mas essas decisões acabaram com a popularidade dos políticos socialistas, quechegaram ao poder em 2004, num momento de expansão econômica impulsionada pelo que, nofuturo, se transformaria em uma bolha imobiliária. A forte expansão do setor da construção naEspanha fez com que o PIB do país crescesse mais de 60% nos últimos 15 anos. Entre 1994 e2007, os imóveis tiveram uma valorização de mais 170%.Após a realização de eleições parlamentares em 20 de novembro e sob o comando do novoprimeiro-ministro Mariano Rajoy , de perfil conservador, a Espanha deve ter pela frente períodosde mais ajustes fiscais, com cortes de gastos do governo e crescimento mais lento.3. Perspectivas para a economia mundial melhoram em 2013Valor Econômico - 02/01/2013Se existem perspectivas mais animadoras para a economia global em 2013, elas se devemespecialmente ao fato de os bancos centrais corajosos estarem conduzindo os destinos dos paísesdesenvolvidos. Desde 2008, quando uma pavorosa recessão ameaçou o mundo, o FederalReserve (Fed, banco central americano) e, depois, o Banco Central Europeu (BCE) conseguiramevitar a quebra generalizada de bancos dos dois lados do Atlântico e falências de países, no casoda zona do euro. Conseguir afastar os piores perigos, nessas circunstâncias, já seria uma façanha.Fazê-lo sem poder contar com o poderoso auxílio das políticas fiscais - e até remando contra asconsequências delas, em certo sentido - é admirável. Durante os últimos cinco anos o mundodesenvolvido foi regido por juros reais próximos do zero, quando não negativos. Isso por si só
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 12 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreucolocou notáveis desafios para as autoridades monetárias, pois o remédio foi insuficiente paraevitar o colapso de economias inteiras. Os EUA conseguiram navegar relativamente bem apósforte recessão nos últimos meses de 2008 e início de 2009, graças ao ativismo de Ben Bernanke,um estudioso atento da Grande Depressão. O Fed fez o que nunca tinha feito: comprar títulosprivados, aceitar garantias que seriam rechaçadas em tempos normais e inchar seu balanço emmais de US$ 1 trilhão. O Tesouro americano entrou no capital de fortalezas bancárias, como oCitibank. Os grandes bancos levaram uma surra, mas nenhum deles faliu depois da desastrosaderrocada do Lehman Brothers. O epicentro da crise se deslocou para a zona do euro desde 2010e lá permanece. A Grécia quebrou e ameaçou levar a união monetária junto consigo. Os títulossoberanos, considerados os mais seguros, tornaram-se papéis podres diante da montanha dedéficit público acumulada por Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e outros países, em grande partepara evitar uma catástrofe financeira provocada pela ganância e irresponsabilidade dos bancos.Em 2012, a falência combinada de Estados e instituições financeiras esteve prestes a seconcretizar. Os líderes europeus agiram com reticências e tardiamente, deixando um vácuo quefoi preenchido pela ação do Banco Central Europeu. O bloco monetário foi duas vezes salvo porMario Draghi, presidente do BCE. Em um dos picos da crise, no fim de 2011, Draghi tomou adianteira ao dar financiamento ilimitado por três anos, a custo simbólico, para todos os bancosque dele necessitassem. Afastado provisoriamente o risco imediato de quebra bancáriageneralizada, o outro lado do pêndulo da crise se moveu. O custo de financiamento de paísescomo Itália e Espanha, terceira e quarta maiores economias da zona do euro, foi para a lua. Denovo, Draghi, navegando na estreita linha permitida pelos tratados da União Europeia, anunciou acompra dos títulos dos países sob sufoco no mercado secundário, desde que se submetessem aosplanos de austeridade da Comissão Europeia, FMI e BCE. Imediatamente o preço exigido pelosinvestidores para sustentar a rolagem da dívida dos Estados declinou e hoje estásignificativamente abaixo do pico de 2011 - e, o que é mais curioso, sem que o BCE tenha de fatofeito compras maciças de títulos soberanos e Espanha e Itália tenham pedido socorroformalmente. A compra de títulos soberanos foi uma alternativa levantada desde o início da crisedo euro e só foi tomada, ainda assim, com a união monetária à beira do precipício. Além disso, oslíderes europeus finalmente se convenceram de que deveriam salvar a Grécia e manter a unidadeda zona do euro. Aceitaram que seu fundo de estabilização fosse usado para sanear bancos emdificuldades e concordaram em criar uma supervisão bancária única para os grandes bancos, acargo do BCE. Problemas de fundo do bloco monetário subsistem, como a necessidade decoordenação das políticas fiscais, envolvendo significativa perda de soberania dos Estadosmembros. Mas o BCE conseguiu finalmente comprar tempo e deter a escalada fatal da crise. Azona do euro continuará em recessão ao longo de 2013 e uma recuperação econômica plenademorará anos. Se os EUA domarem o abismo fiscal como tudo indica, a China melhorar umpouco sua performance e os demais emergentes se recuperarem, como dão sinais de fazê-lo, odrama europeu, que apavorou os mercados nos últimos anos, se tornará administrável. Por isso,2013 pode ser o ano que marcará o começo do fim da crise global.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 13membros. Mas o BCE conseguiu finalmente comprar tempo e deter a escalada fatal da crise. Azona do euro continuará em recessão ao longo de 2013 e uma recuperação econômica plenademorará anos. Se os EUA domarem o abismo fiscal como tudo indica, a China melhorar umpouco sua performance e os demais emergentes se recuperarem, como dão sinais de fazê-lo, odrama europeu, que apavorou os mercados nos últimos anos, se tornará administrável. Por isso,2013 pode ser o ano que marcará o começo do fim da crise global.4. Perspectivas da economia chinesaAutor(es): Caio Megale e Artur Manoel PassosValor Econômico - 08/05/2012O Brasil teve avanços importantes nos últimos 15 anos. O tripé de política econômica - inflaçãocontrolada, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal - trouxe credibilidade ao país, reduzindo ocusto de captação externo. Reformas, que mudaram as instituições, geraram crescimento eatraíram novos investimentos externos diretos. Ficaram para trás os antigos problemasrecorrentes no balanço de pagamentos que faziam o Brasil ficar sobressaltado a cada criseexterna. Hoje a dívida externa brasileira não existe e as exportações cresceram muito.Uma parte do sucesso nas contas externas deve-se ao expressivo ganho nos termos de troca. AChina teve um papel importante nesse processo. A forte demanda por commodities foi decisiva naelevação dos preços desses produtos no mercado internacional, explicando boa parte deste ganhonos termos de troca.Entender a dinâmica da economia chinesa passou a ser, portanto, fundamental para o Brasil.Como ela se comportará nos próximos anos? O governo chinês dá sinais de estar comprometidocom reformas que modifiquem seu modelo de crescimento. O país deve crescer menos, porém deforma mais sustentável. Ao mesmo tempo, os sinais apontam para um ritmo lento de ajustes,seguindo o gradualismo que marcou o país nas últimas décadas.Estudo sugere que não há espaço para que o investimento continue crescendo mais rápido do queo PIB, sob pena de surgirem projetos de qualidade duvidosa. O consumo, por sua vez, deveráganhar espaço na demanda doméstica.Em 2007, o premiê Wen Jiabao afirmou que o crescimento chinês é "instável, desbalanceado,descoordenado e insustentável", e desde então o governo vem buscando um rebalanceamento. Oúltimo plano quinquenal (2011-2015) reafirma esse diagnóstico e aponta o caminho.Do lado da demanda, o objetivo é fortalecer o consumo doméstico. Do lado oferta, o plano prevêo aumento da participação do setor terciário no Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, ogoverno almeja aumentar o valor agregado das manufaturas e a liberar gradualmente a conta
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 14 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreufinanceira do balanço de pagamentos.A crise de 2008/2009 interrompeu temporariamente o processo. Em resposta à queda nasexportações, o governo expandiu os investimentos, principalmente em infraestrutura e no setorimobiliário. Como consequência, a participação dos investimentos no PIB chegou a quase 50%. Adívida dos governos locais aumentou cerca de 17% do PIB em 2008 para 26% em 2010.Aumentou a incerteza em relação ao pagamento dos empréstimos bancários que financiaram essaexpansão, embora o governo tenha espaço para absorver eventuais perdas e prevenir uma crisebancária.Passada a crise, o rebalanceamento induzido pelo governo foi retomado. Os investimentos aindacrescem mais do que o PIB, mas vêm desacelerando. O superávit na conta corrente do balanço depagamentos declinou de 10% do PIB em 2007 para menos de 3% em 2011, em parte resultadodo aumento da demanda doméstica e da apreciação da taxa de câmbio - embora o baixocrescimento cíclico nos países desenvolvidos também tenha contribuído no ajuste.As reformas devem continuar. A recente redução da meta de crescimento de 8,0% para 7,5% em2012 indica disposição do governo em aceitar um crescimento menor, necessário para viabilizaruma evolução mais sustentável à frente (cabe lembrar, contudo, que o crescimento efetivocostuma ser maior do que a meta). A estrutura tributária deve voltar a ser ajustada em 2012,aumentando a renda disponível das famílias. Ao mesmo tempo, o governo já elevou duas vezes ospreços de gasolina e diesel e prometeu ajustes nos mecanismos que regulam preços deeletricidade e de combustíveis.No setor financeiro, foi anunciado um programa piloto na cidade de Wenzhou que vai viabilizaruma participação maior do setor privado. Apesar da preocupação com os mecanismos definanciamento fora do balanço dos bancos, estes podem ser vistos como um passo na direção dadesregulamentação das taxas para os depósitos e empréstimos, desde que estejam sob umarcabouço regulatório bem desenhado.Por fim, os aumentos da largura da banda de flutuação diária do yuan em relação à taxa dereferência e do programa de investimento em ativos domésticos para investidores qualificados,ambos anunciados em abril, vão na direção de diminuir as restrições nos fluxos de capital.Esses fatores devem levar a uma lenta redução das taxas de crescimento do PIB. A equipe deeconomistas do Itaú publicou um estudo tentando medir o crescimento potencial das principaisregiões do mundo (1). Para a China, o estudo sugere que não há espaço para que o investimentocontinue crescendo mais rápido do que o PIB, sob pena de surgirem projetos de qualidadeduvidosa, como os que apareceram durante a retomada pós-crise de 2008. O consumo, por suavez, deverá ganhar espaço na demanda doméstica.O cenário do Itaú prevê uma diminuição do crescimento potencial a um valor entre 6,5% e 7,0%no final desta década. O crescimento menor decorre da desaceleração dos investimentos e defatores demográficos (força de trabalho crescendo menos). Além disso, há uma tendência derelocação da mão de obra: a migração do campo para a cidade continuará, mas os trabalhadores
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 15irão cada vez mais para o setor de serviços, que é menos produtivo.Em suma, a China continuará avançando, contribuindo para o crescimento mundial e para ademanda por commodities. Mas o ritmo será mais moderado, em resposta a medidasgovernamentais para rebalancear a economia. Este é um cenário ainda favorável para o Brasil,mas que traz desafios. Ganham importância reformas estruturais que acelerem a produtividade daeconomia e abram espaço para aumentar os investimentos em infraestrutura. Desta forma,reduziremos ainda mais a dependência do ambiente internacional. Afinal, os ventos externosfavoráveis não devem ser tão forte como nos últimos 10 anos.(1) Itaú Macro Latam 2020 (março de 2012). Disponível em bit.ly/Macro_Latam_2020Caio Megale e Artur Manoel Passos são economistas do Itaú Unibanco.5. Sucesso dos Brics gerou proliferação de acrônimoseconômicosNos últimos tempos, noticiário econômico e internacional vê cada vez mais novassiglas como Pigs, Civets, Carbs, Cement ou Cassh.BBCOs Brics podem salvar os Pigs? Talvez com a ajuda dos Cement. Com isso, Civets, Mints, Mist,Carbs e Cassh poderão continuar crescendo.No rastro do sucesso do acrônimo Bric, cunhado há dez anos pelo economista-chefe do bancoGoldman Sachs, uma série de novos acrônimos vem aparecendo para denominar grupos de paísescom algo em comum, seja para a felicidade da mídia, que pode usá-los para simplificar conceitose economizar espaço, seja para simplesmente vender os países aos investidores internacionais.Novos acrônimos e siglas vêm sendo apresentados com cada vez mais frequência no noticiárioeconômico ou internacional. Além dos "filhotes" dos Brics, há a proliferação dos já tradicionaisagrupamentos G (G2, G4, G5, G7, G8, G20, G77 etc...).Quando Jim ONeill, do Goldman Sachs, criou os Bric, sua intenção era identificar o grupo dosquatro países de grandes dimensões com crescimento econômico acelerado (Brasil, Rússia, Índiae China) nos quais seus clientes poderiam investir com perspectivas de grandes ganhos futuros.O sucesso do acrônimo, que se utiliza também do trocadilho em inglês com brick (tijolo), numareferência aos blocos de construção do crescimento global, gerou não só uma atenção globalmaior sobre os países como levou-os a institucionalizá-lo, com reuniões de cúpula periódicas emecanismos de consultas diplomáticas para a discussão de posições comuns. No rastro, tambémpopularizou o nome de ONeill.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 16 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuSiglas fáceisUma pesquisa acadêmica citada recentemente pelo diário "The Wall Street Journal" mostra quesiglas fáceis de serem lembradas podem ajudar a vender investimentos. O estudo, publicado em2006, mostrou que as ações cujas siglas formavam sons de palavras comuns reconhecíveis sevalorizaram 8,5% a mais em comparação com as demais.Isso explica em grande parte a proliferação das siglas. O próprio acrônimo Bric já ganhouvariações, com Brics (com a inclusão recente da África do Sul ao grupo institucionalizado) ou Brick(com a inclusão da Coreia do Sul, como defendem alguns analistas).Desde o ano passado, com o agravamento da crise da dívida nos países da Europa, parte da mídiapassou a se referir aos países em dificuldades como Pigs (porcos, em inglês). Fazem parte dogrupo Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Com a contaminação da Itália pela crise, a siglaganhou um novo I e gerou os Piigs.Compreensivelmente e diferentemente dos Brics, porém, nem os Pigs ou os Piigs se assumemcomo tal nem há um "pai" declarado do acrônimo.A maioria dos acrônimos que apareceram nos últimos tempos tem sentido positivo. Os Civets(nome em inglês dos cervos almiscareiros) reúnem Colômbia, Indonésia, Vietnã, Egito, Turquia eÁfrica do Sul. O acrônimo foi criado pela Economist Intelligence Unit (EIU), o braço de pesquisasda revista "The Economist", para agrupar países emergentes com economias dinâmicas ediversificadas e com populações jovens.Os Civets são de alguma maneira complementares aos Brics, da mesma maneira que o grupoCement (cimento em inglês, num trocadilho que envolve também os tijolos Brics). O Cement(Countries in Emerging Markets Excluded by New Terminology, ou Países nos MercadosEmergentes Excluídos pela Nova Terminologia) foi criado pelos críticos dos Brics que afirmam queo crescimento do grupo depende diretamente do crescimento dos demais países emergentes. Paraeles, sem cimento os tijolos não servem para nada.Outra adição recente ao rol dos acrônimos econômicos é o Carbs (abreviação em inglês paracarboidratos), que reúne Canadá, Austrália, Rússia, Brasil e África do Sul. O acrônimo foi cunhadopelo Citigroup, que em um relatório publicado neste mês chamado Carbs make you strong(Carbos deixam você forte) argumentou que os cinco países têm economias e moedasparticularmente sensíveis às variações nos preços das commodities.Outros acrônimos criados nos últimos anos incluem, entre outros, Eagles (Emerging and GrowthLeading Economies), Mints (Malásia, Indonésia, Nova Zelândia, Tailândia e Cingapura), Mist(México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia) e Cassh (Canadá, Austrália, Cingapura, Suíça e HongKong).
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 17A lista não para de crescer. Em alguns casos, porém, quando a lógica do agrupamento dos paísesnão combina com a cunhagem de um acrônimo, outras soluções são necessárias, como no casodos Next-11 (Próximos 11).O grupo, criado também pelo pai dos Bric, Jim ONeill, inclui os países em que ele vê potencialpara se juntar às maiores economias do século 21 - Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, México,Nigéria, Paquistão, Filipinas, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã. Ganha um prêmio quem conseguircriar um acrônimo simples com as iniciais desses países.6. Crise financeira americanaEntenda a crise financeira que atinge a economia dos EUAda Folha OnlineA crise no mercado hipotecário dos EUA é uma decorrência da crise imobiliária pela qual passa opaís, e deu origem, por sua vez, a uma crise mais ampla, no mercado de crédito de modo geral. Oprincipal segmento afetado, que deu origem ao atual estado de coisas, foi o de hipotecaschamadas de "subprime", que embutem um risco maior de inadimplência.O mercado imobiliário americano passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crisedas empresas "pontocom", em 2001. Os juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano) vieramcaindo para que a economia se recuperasse, e o setor imobiliário se aproveitou desse momentode juros baixos. A demanda por imóveis cresceu, devido às taxas baixas de juros nosfinanciamentos imobiliários e nas hipotecas. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram acair para 1% ao ano.Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais deuma) tornou-se um bom negócio, na expectativa de que a valorização dos imóveis fizesse da novacompra um investimento. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar odinheiro do financiamento para quitar dívidas e, também, gastar (mais).As empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário, para aproveitar o bom momentodo mercado, passaram a atender o segmento "subprime". O cliente "subprime" é um cliente derenda muito baixa, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovarrenda. Esse empréstimo tem, assim, uma qualidade mais baixa --ou seja, cujo risco de não serpago é maior, mas oferece uma taxa de retorno mais alta, a fim de compensar esse risco.Em busca de rendimentos maiores, gestores de fundos e bancos compram esses títulos"subprime" das instituições que fizeram o primeiro empréstimo e permitem que uma nova quantiaem dinheiro seja emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Também
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 18 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuinteressado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assimpor diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo denão-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a termedo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez(retração de crédito).Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair: os juros doFed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso,a oferta começa a superar a demanda e desde então o que se viu foi uma espiral descendente novalor dos imóveis.Com os juros altos, o que se temia veio a acontecer: a inadimplência aumentou e o temor denovos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo,desaquecendo a maior economia do planeta --com menos liquidez (dinheiro disponível), menos secompra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativosque vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso opessimismo influencia os mercados globais.FinanciadorasEm setembro do ano passado, o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNPParibas-- congelou cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP ParibasABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia, citando preocupações sobre o setor de crédito subprime(de maior risco) nos EUA. Segundo o banco, os três fundos tiveram suas negociações suspensaspor não ser possível avaliá-los com precisão, devido aos problemas no mercado "subprime"americano.Depois dessa medida, o mercado imobiliário passou a reagir em pânico e algumas das principaisempresas de financiamento imobiliário passaram a sofrer os efeitos da retração; a American HomeMortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dosEUA, pediu concordata. Outra das principais empresas do setor, a Countrywide Financial, registrouprejuízos decorrentes da crise e foi comprada pelo Bank of America.Bancos como Citigroup, UBS e Bear Stearns têm anunciado perdas bilionários e prejuízosdecorrentes da crise. Entre as vítimas mais recentes da crise estão as duas maiores empresashipotecárias americanas, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Consideradas pelo secretário do Tesourodos EUA, Henry Paulson, "tão grandes e tão importantes em nosso sistema financeiro que afalência de qualquer uma delas provocaria uma enorme turbulência no sistema financeiro denosso país e no restante do globo", no dia 7 deste mês foi anunciada uma ajuda de até US$ 200bilhões.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 19As duas empresas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para ahabitação nos EUA; no segundo trimestre, registraram prejuízos de US$ 2,3 bilhões (Fannie Mae)e de US$ 821 milhões (Freddie Mac).Menos sorte teve o Lehman Brothers: o governo não disponibilizou ajuda como a que foidestinada às duas hipotecárias. O banco previu na semana passada um prejuízo de US$ 3,9bilhões e chegou a anunciar uma reestruturação. Antes disso, o banco já havia mantido conversascom o KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul, na sigla em inglês) em busca de venderuma parte sua, mas a negociação terminou sem acordo.O Bank of America e o Barclays também recuaram, depois que ficou claro que o governo não iriadar suporte à compra do Lehman. Restou ao banco entregar à Corte de Falências do Distrito Sulde Nova York um pedido de proteção sob o "Capítulo 11", capítulo da legislação americana queregulamenta falências e concordatas.CombateComo medida emergencial para evitar uma desaceleração ainda maior da economia --o que fazcrescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido peloconsumo--, o presidente americano, George W. Bush, sancionou em fevereiro um pacote deestímulo que incluiu o envio de cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.O pacote estipulou uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de atéUS$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais porfilho. Quem não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, teve direito acheques de US$ 300.7. Obama toma posse e busca acordo contra crise fiscalOBAMA TOMA POSSE EM BUSCA DE DIÁLOGO COM OPOSIÇÃO E DÁ ALARGADA PARA 2016Autor(es): Denise Chrispim MarinO Estado de S. Paulo - 21/01/2013Barack Obama tomou posse oficialmente ontem como presidente dos Estados Unidos, depois deuma cerimônia simples na Casa Branca. Hoje ele presta juramento público perante o Congresso ecomeça, na prática, seu segundo governo com o desafio de melhorar o diálogo com a oposiçãorepublicana e evitar o nó fiscal. Outro tema econômico urgente será a discussão sobre os cortesde gastos públicos até 2022. O democrata tenta preservar os programas sociais que os
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 20 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreurepublicanos pretendem enxugar. Ao mesmo tempo, foi dada a largada para a sua sucessão, em2016. Ontem, o juramento do vice-presidente, Joe Biden, teve mais visibilidade que o do próprioObamaCelebração discreta. Em seu segundo mandato, democrata persegue acordo com republicanos noCongresso para evitar nó fiscal que tornaria inviáveis seus programas sociais e colocaria em riscoo triunfo de seu partido nas próximas eleições presidenciaisO presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, iniciou ontem seu segundo e último mandato emuma cerimônia simples na Casa Branca. Hoje, no Congresso, fará seu juramento público.Terminados os festejos, amanhã, terá o desafio de melhorar o complicado diálogo com a oposiçãorepublicana, para evitar o nó fiscal que levaria ao fracasso de seu segundo governo. Ao mesmotempo, dará a largada para sua sucessão, na eleição de 2016.Apenas a família, 12 convidados, 1 assessor e o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts,diante de quem jurou cumprir a Constituição, assistiram ao juramento de ontem, no Salão Azul daCasa Branca. Não houve discursos nem acenos ao público. "Bom trabalho", disse a filha caçula,Sasha, de 11 anos, ao referir-se aos últimos quatro anos. "Sim, fiz bom trabalho", respondeuObama.O juramento do vice-presidente, Joe Biden, teve mais visibilidade e audiência de políticos e es-trategistas de peso, entre os quais David Axelrod, a deputada Nancy Pelosi, líder democrata naCâmara, e a presidente do Partido Democrata, Debbie Schultz. Sua ambição de concorrer na elei-ção de 2016 foi reforçada no fim da campanha de 2012 e, em seguida, na negociação do acordotributário, no fim de dezembro, e ao compilar o pacote de controle de armas. Biden tem 70 anos."Podemos começar a fazer os cálculos políticos do número de delegados (para o Colégio Eleitoral)necessários para a escolha do candidato democrata. Posso ver um monte de delegados aqui",afirmou à imprensa a estrategista democrata Donna Brazile, presidente na cerimônia noObservatório Naval, em Washington.Obama já perdeu em seu gabinete uma potencial sucessora e concorrente de Biden nas primáriasdemocratas de 2016, Hillary Clinton, ex-primeira-dama e ex-senadora. Hillary promete descansar,depois de quatro anos na liderança do Departamento de Estado e de viagens a mais de cempaíses. Apesar de sua recente internação por uma trombose e de seus 65 anos, ela é tida comouma candidata capaz de obter consenso no partido.Democrata mais apagado, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, também é apontado comopotencial candidato.Manobras políticas de curto prazo terão certamente impacto no jogo eleitoral de 2016. Obamaterminou seu mandato com pobre qualidade de diálogo com a oposição republicana, aindaamarrada pelos radicais do Tea Party. A Casa Branca está em negociação com o Congresso sobredois temas econômicos de suma importância para a sociedade americana e para o restante de suagestão e também sobre sua política para controle de armas.Obama deverá conseguir do Congresso autorização para elevar o limite de endividamento federalantes de meados de fevereiro, quando o atual teto de US$ 16,4 trilhões será alcançado. Portanto,tende a se livrar do risco momentâneo de ser obrigado a declarar a suspensão de pagamentos dadívida, fornecedores, servidores e militares pela primeira vez na história americana.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 21Os efeitos previstos dessa atitude vergonhosa para qualquer governo - como a pressão para oaumento dos juros para o consumidor e o investidor, em prejuízo do consumo e o emprego -serão contornados. Mas Obama ainda está ameaçado de ter seu governo e a sociedade americanaperiodicamente expostos a esse mesmo risco.A bancada democrata na Câmara insiste em aumentar o teto da dívida por apenas três meses eresiste em dar ao presidente o poder para aumentar esse limite quando necessário. Trata-se deuma espécie de torniquete sobre o governo Obama, com poder de limitar o poder de barganha daCasa Branca em outros projetos de seu interesse, como a Reforma da Imigração, a regulamenta-ção das reformas da Saúde e de Wall Street e o fim da guerra do Afeganistão.Em outro tema econômico urgente, o acordo com o Congresso sobre os cortes de gastos públicosaté 2022, Obama tenta preservar os gastos com programas sociais da ansiedade republicana emvê-los enxugados.A discussão se complica pelo alto grau de polarização ideológica dos dois partidos, percebidodesde o início de 2011, e pela baixa tolerância de Obama a fazer concessões. A sociedade ameri-cana sofrerá com qualquer escolha final ou com a ausência de um acordo.Os programas de saúde gratuita para os americanos pobres serão alvo de cortes de gastos públi-cos a partir de 2013, assim como as aposentadorias e pensões da Previdência Social. Despesascom a Defesa não serão poupadas - e isso significará restrições na estratégia americana na guerrado Afeganistão, em futuras ações militares dos EUA no exterior e nas contratações de empresasdo setor. Mesmo dentro do país, já há planos para o fechamento de bases, com repercussãodesastrosa para as economias locais.O peso desses cortes e seus de efeitos dependerá do acordo a ser firmado até 28 de fevereiro. Senão houver consenso, o governo de Obama será obrigado a reduzir em US$ 100 bilhões os gastospúblicos apenas neste ano, sobretudo nas áreas social e de defesa. Entre 2014 e 2022, outrosUS$ 446 bilhões serão podados. A retração do ritmo de recuperação econômica do país, será ine-vitável8. Eua aprovam projeto contra "abismo fiscal" e bolsas sobemACORDO ADIA RISCO DE ‘ABISMO FISCAL’ NOS ESTADOS UNIDOSAutor(es): Denise Chrispim MarinO Estado de S. Paulo - 03/01/2013A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nos últimos minutos do prazo fixado,projeto parcial de ajuste nas contas públicas que evita o chamado “abismo fiscal” e consequentenova recessão. Por 257 votos a favor e 167 contra, os congressistas mantiveram os cortes deimpostos para a classe média e o aumento das taxas sobre os mais ricos. Como não houve acerto
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 22 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreusobre gastos públicos, foi adiado para março o risco de o país enfrentar um corte automático deUS$ 560 bilhões no setor até 2022 – US$ 110 bilhões somente neste ano – e uma possívelsuspensão dos pagamentos das obrigações da dívida, de fornecedores e servidores. Os mercados,tanto nos EUA quanto na Europa, reagiram bem à medida. A nova rodada de negociações será oprimeiro desafio do segundo mandato de Barack Obama, que começa no dia 21. As conversasserão dificultadas pela piora do ambiente para diálogo entre republicanos e democratasSem entendimento sobre os gastos públicos, pacto ficou restrito ao capítulo tributário; corte nosgastos só será negociado em 2 mesesA sanção presidencial ao acordo parcial de ajuste nas contas públicas americanas adiou paramarço o risco de os Estados Unidos enfrentarem um corte automático de US$ 560 bilhões nosgastos públicos e o risco de suspensão dos pagamentos das obrigações da dívida, de fornecedorese servidores públicos. Mesmo incompleto, o acordo saiu nos últimos minutos do prazo fixado etrouxe alívio ao evitar a queda do país no "abismo fiscal" no primeiro dia útil do ano e em umanova recessão.Os mercados foram reabertos ontem, depois dos feriados de ano-novo, mais calmos em todo omundo. O diretor de Relações Internacionais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gerry Rice,parabenizou o Congresso pelo acordo, sem o qual "a recuperação econômica poderia descarrilar"."Entretanto, ainda resta muito a ser feito para colocar as finanças públicas dos EUA de volta emum caminho de sustentabilidade sem ameaçar a ainda frágil recuperação."Aprovado pelo Senado na noite de segunda-feira, o acordo foi tema de debates tensos na Câmarados Deputados no dia seguinte. Os republicanos radicais do Tea Party resistiam a aprová-lo sememendas. No final da noite, recuaram. Em votação concluída às 23I1 (2h de ontem, no horário deBrasília), o texto obteve 257 votos a favor - 87 de republicanos - e 167 contra.Formulado pelos líderes democrata e republicano do Senado, o acordo restringiu-se ao capítulotributário, para impedir uma elevação generalizada dos recolhimentos de impostos logo nosprimeiros dias do ano. Como não houve acerto sobre gastos públicos, o Senado adiou por doismeses a adoção do corte automático de US$ 110 bilhões em despesas apenas em 2013. A medidaseria posta em prática na ausência de um acordo.Novo round. A segunda rodada de negociações deverá começar depois da posse do presidentedos EUA, Barack Obama, em seu segundo mandato, no dia 21. Será seu primeiro desafio. O corteautomático de gastos - US$ 560 bilhões até 2022 e US$ 110 bilhões este ano - em 10 de março sóserá impedido com a aprovação de uma proposta bipartidária alternativa.Nesse mesmo período, o governo terá ainda de extrair do Congresso a autorização para elevar oteto da dívida pública. O tema fora adicionado aos debates do acordo fiscal porque o governoalcançaria em 31 de dezembro o limite de US$ 16,4 trilhões. Mas o Tesouro suspendeu algunsinvestimentos e abriu uma brecha de US$ 200 milhões, que devem se esgotar ao final de doismeses. Sem a autorização do Congresso, o Tesouro terá de suspender os pagamentos, pelaprimeira vez na história."A atmosfera política em Washington continua ruim. Só não impediu que o acordo fosse aprovadoporque havia o risco de uma potencial crise econômica. O governo continua disfuncional", afirmouWardMcGarthy, economista-chefe da Jefferies & Co. "Foi um sombrio começo de 2013.0 acordo
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 23não é bom para a economia. Não faz nada para reduzir o peso dos gastos públicos. Não reformaos programas de benefícios sociais do governo", escreveu o analista conservador Daniel Mitchell,do Gato Institute.O acordo assinado custará um aumento de US$ 4 trilhões na dívida pública até 2022, segundo jprojeções do Escritório de Orça- j mento do Congresso. Tal como está, permitiu a elevação, de35% para 39,6%, da alíquota do imposto de renda para os americanos com renda anual acima deUS$ 400 mil US$ 450 para casais).Houve aumento do imposto sobre ganhos de capital e de propriedade de imóveis para os seg- 1mentos mais ricos. Os trabalha. dores, entretanto, terão de pagar mais imposto sobre salário.O texto manteve o seguro-desemprego para 2 milhões trabalhadores sem ocupação há mais deum ano.9. Crise financeira européiaEntenda a crise da Grécia e suas possíveis consequênciasPaís tem pesadas dívidas e vem recebendo ajuda externa.Papandreou chegou a pedir referendo sobre ajuda financeira, mas recuou.Do G1,A Grécia tem enfrentado dificuldades para refinanciar suas dívidas e despertado preocupaçãoentre investidores de todo o mundo sobre sua situação econômica. Mesmo com seguidos pacotesde ajuste e ajuda financeira externa, o futuro da Grécia ainda é incerto.O país tem hoje uma dívida equivalente a cerca de 142% do Produto Interno Bruto (PIB) do país,a maior relação entre os países da zona do euro. O volume de dívida supera, em muito, o limitede 60% do PIB estabelecido pelo pacto de estabilidade assinado pelo país para fazer parte doeuro.A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados edeixando sua economia refém da crescente dívida. Nesse período, os gastos públicos foram àsalturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão deimpostos – deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise decrédito de 2008.O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje,eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.Ajuda e protestosEm abril de 2010, após intensa pressão externa, o governo grego aceitou um primeiro pacote de
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 24 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuajuda dos países europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 110 bilhões de euros aolongo de três anos.Em contrapartida, o governo grego aprova um plano de austeridade fiscal que inclui alta noimposto de valor agregado (IVA), um aumento de 10% nos impostos de combustíveis, álcool etabaco, além de uma redução de salários no setor público, o que sofre forte rejeição dapopulação.Apesar da ajuda, a Grécia segue com problemas. Em meados de 2011, foi aprovado um segundopacote de ajuda, em recursos da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dosetor privado. A contribuição do setor privado foi estimada em 37 bilhões de euros. Um programade recompra de dívidas deve somar outros 12,6 bilhões de euros vindos do setor privado,chegando a cerca de 50 bilhões de euros.Em outubro, ainda com o país à beira do colapso financeiro, os líderes da zona do euroalcançaram um acordo com os bancos credores, que reduz em 50% a dívida da Grécia,eliminando o último obstáculo para um ambicioso plano de resposta à crise. Com o plano, a dívidagrega terá um alívio de 100 bilhões de euros após a aceitação, pela maior parte dos bancos, deuma redução superior a 50% do valor dos títulos da dívida.No mesmo mês, o país enfrentou violentos protestos nas ruas. A população se revoltou contra umnovo plano de cortes, previdência e mais impostos, demissões de funcionários públicos e reduçãode salários no setor privado, pré-requisito estabelecido pela União Europeia e pelo FMI paraliberar uma nova parcela do plano de resgate, de 8 bilhões de euros.Manifestantes entram emconfronto com a polícia em Atenas (Foto: Reuters)Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, comoespeculadores internacionais e banqueiros da Europa central. Os dois maiores sindicatos do paísclassificaram as medidas de austeridade como “antipopulares” e “bárbaras”.Plebiscito e turbulências no mercadoEm 1º de novembro, o então primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, provocou novasturbulências nos mercados e na zona do euro ao anunciar que convocaria um referendo sobre onovo pacote de ajuda da União Europeia, perguntando aos eleitores se querem adotá-lo ou não.A expectativa do premiê era que o plebiscito “validasse” as medidas de austeridade necessáriaspara receber a ajuda financeira. Uma pesquisa, no entanto, mostrou que aproximadamente 60%dos gregos enxergam a cúpula dos líderes europeus, que acertaram um novo pacote de ajuda de130 bilhões de euros, como negativa ou provavelmente negativa.A convocação de plebiscito enfrentou rejeição da oposição e dos membros do próprio partido dePapandreou. Com isso, o governo ficou enfraquecido, e Papandreu terminou deixando o cargo,sendo substituído por Lucas Papademos.CaloteComo membro da zona do euro, a Grécia enfrenta pressão dos demais membros para colocar
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 25suas contas em ordem e evitar a declaração de moratória – o que significaria deixar de pagar osjuros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte dadívida.No caso da Grécia, isso traria enormes dificuldades. As taxas de juros pagas pelos governos dazona do euro têm sido mantidas baixas ante a presunção de que a UE e o Banco Central Europeuproveriam assistência a países da região, justamente para evitar calotes.Uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo,significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendoque alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiroseriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu.Um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal nãoseguirão o mesmo caminho. O problema real diz respeito ao que acontecerá com a Espanha, quesó tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes.A economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa. Seria muitomais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessadimensão.(Com informações da Reuters, France Presse e BBC)10. O que a Grécia significaAutor(es): agência o globo:Paul KrugmanO Globo - 13/03/2012Então a Grécia deu oficialmente o calote nos credores privados. Foi um calote "ordeiro",negociado ao invés de simplesmente anunciado, o que suponho seja bom. Ainda assim, a históriaestá longe de acabar. Mesmo com esse alívio em sua dívida, a Grécia - como outras naçõeseuropeias forçadas a impor austeridade numa economia deprimida - parece condenada a muitosanos mais de sofrimento.Esta é uma fábula digna de ser contada. Nos últimos dois anos, a história da Grécia tem sido,segundo um recente texto sobre economia política, "interpretada como uma parábola sobre osriscos de irresponsabilidade fiscal". Não passa um dia sem que, nos EUA, algum político oucomentarista entoe, com um ar de grande sabedoria, que é preciso cortar gastos do governoimediatamente, ou vamos acabar como a Grécia, Grécia eu lhes digo.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 26 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuApenas para usar um exemplo recente, quando Mitch Daniels, governador de Indiana, apresentoua resposta republicana ao discurso do presidente Obama sobre o Estado da União, insistiu que"estamos a uma pequena distância de Grécia, Espanha e outros países europeus que hojeenfrentam a catástrofe econômica". Ninguém aparentemente lhe disse que a Espanha tinha baixodéficit governamental e superávit orçamentário às vésperas da crise; o país está em apurosdevido aos excessos do setor privado, não do setor público.Mas o que a experiência da Grécia de fato mostra é que se incorrer em déficits em tempos defartura pode criar problemas - o que é o caso da Grécia, embora não o da Espanha - tentareliminar déficits quando você já está em apuros é uma receita para depressão.Hoje em dia, depressões econômicas induzidas por políticas de austeridade são visíveis em toda aperiferia europeia. A Grécia é o pior caso, com o desemprego escalando para 20% e os serviçospúblicos, incluindo o setor de saúde, entrando em colapso. Mas a Irlanda, que fez tudo o quequeria o pessoal da austeridade, também está em terrível estado, com o desemprego perto dos15% e o PIB em queda de dois dígitos. Portugal e Espanha estão em situação crítica também.Impor austeridade numa crise não inflige apenas grande sofrimento. Há evidência crescente deque é autodestrutivo mesmo em termos puramente fiscais, pois a combinação de receitas emqueda devido à economia deprimida e perspectivas de longo prazo piores reduz a confiança domercado e torna a carga da dívida futura mais difícil de carregar. Deve-se perguntar como paísesque estão sistematicamente negando um futuro a sua juventude - o desemprego entre jovens naIrlanda, que costumava ser menor do que nos EUA, é agora de quase 30%, chegando perto dos50% na Grécia - conseguirão crescimento suficiente para pagar o serviço da dívida.Não é isso o que devia ter acontecido. Há dois anos, quando muitos começaram a pedir um girodo estímulo para a austeridade, prometeram grandes vantagens em troca do sofrimento. "A ideiaque medidas de austeridade possam trazer estagnação é incorreta", declarou, em junho de 2010,Jean-Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu. Ele insistiu que, ao invés disso,a disciplina fiscal inspiraria confiança, e isso levaria ao crescimento econômico.Cada ligeira melhora de um indicador de uma economia em austeridade era aclamada como provade que essa política funciona. A austeridade irlandesa foi proclamada uma história de sucesso,não uma vez, mas duas - a primeira no verão de 2020 e de novo no último outono; em cada vez asuposta boa notícia rapidamente se evaporou.Pode-se perguntar que alternativa países como Grécia e Irlanda tinham, e a resposta é que nãotinham e não têm boas alternativas a não ser deixar o euro, um passo extremo que,realisticamente, seus líderes não podem dar até que todas as outras opções tenham falhado - umestado de coisas tal que, se me perguntarem, diria que a Grécia dele se aproxima rapidamente.A Alemanha e o Banco Central Europeu poderiam ter agido para tornar esse passo extremo menosnecessário, tanto ao exigir menos austeridade quanto ao fazer mais para impulsionar a economiaeuropeia como um todo. Mas o principal ponto é que os EUA de fato têm uma alternativa: temosnossa própria moeda e podemos tomar empréstimos a prazos longos e a juros historicamentebaixos; então, não necessitamos entrar numa espiral descendente de austeridade e contraçãoeconômica.Então, é tempo de parar de invocar a Grécia como um exemplo de cautela diante do perigo dosdéficits; de um ponto de vista americano, a Grécia deveria, ao contrário, ser vista como exemplo
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 27dos perigos de tentar reduzir o déficit rapidamente demais, enquanto a economia ainda estáprofundamente deprimida. (E sim, a despeito de algumas boas notícias ultimamente, nossaeconomia ainda está profundamente deprimida.)Se você quer saber quem está realmente tentando transformar os EUA em Grécia, não são os quedefendem mais estímulos à economia; são os partidários de que imitemos a austeridade ao estilogrego, embora não enfrentemos constrangimentos de crédito ao estilo grego, e assimmergulhemos numa depressão ao estilo grego.11. G-20: Posição da Grécia no cenário de crise expõedivisão e vulnerabilidade da União EuropeiaAo abrir-se a reunião do G-20, em Cannes, sob a presidência da França, os países da zona doeuro e da UE (União Europeia) apresentam-se divididos e vulneráveis às pressões dos EstadosUnidos e dos Brics – grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. Vulnerabilidade que decorre,em grande parte, da posição da Grécia no cenário de crise.Obtido na madrugada do dia 27 de outubro, depois de muitas reuniões técnicas e de intervençõesdiretas da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, o acordosobre a zona euro e a dívida grega foi saudado como uma etapa importante da construçãoeuropeia.Apenas alguns dias depois, tudo parece rolar por água abaixo com a decisão de GeorgePapandreou, o primeiro ministro socialista grego, de submeter o acordo a um referendo nacional.Sem data certa – a imprensa grega diz que o voto popular será provavelmente realizado emjaneiro –, o anúncio do referendo já provocou uma queda nas bolsas e gerou novas tensões naUE.Segundo este acordo, em troca de severas restrições orçamentárias controladas pela UE, o FMI(Fundo Monetário Internacional) e o Banco Central Europeu, a Grécia obteria um abatimento de50% em sua dívida com os bancos europeus e novos empréstimos da União Europeia. Alvo deprotestos em seu país, Papandreou resolveu transferir para o eleitorado grego a responsabilidadepelo acordo que endossou em Bruxelas na quinta feira passada.Questionada por deputados de sua própria legenda, a atitude do primeiro-ministro ameaçanovamente a moeda única europeia. A notícia surpreendeu e irritou os outros governos europeus,já que nada levava a crer que Papandreou fizesse esta altíssima aposta política. De fato, umasondagem recente indicou que 60% dos gregos desaprovam o acordo de Bruxelas. O primeiro-ministro grego pensa que poderá virar o jogo eleitoral e obter uma maioria favorável ao acordo noreferendo do mês de janeiro. Mas os especialistas observam que a Grécia tem pouca experiênciaem referendos e que, num escrutínio de um só turno que exige maioria absoluta, a vitória de
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 28 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuPapandreou não será fácil. Como declarou ao “Financial Times” uma alta fonte da UE, o anúnciodo referendo foi “como um raio num céu azul”. No meio tempo, interveio a notícia da falência dacorretora americana MF Global, causada por seus investimentos nos títulos das dívidas da Bélgica,Itália, Irlanda e Portugal.Mencionada de maneira discreta, a hipótese de uma exclusão da Grécia da zona euro é agoratema de discussão entre as lideranças europeias. Depois de o presidente Sarkozy declarar que oacordo europeu para a adesão de Atenas ao euro, realizado no final dos anos 1990, havia sido“um erro”, um editorial do jornal Le Monde afirma que o anúncio do referendo grego “leva aquestionar a presença da Grécia na zona euro”.Nestas circunstâncias, as dissensões entre os países membros da zona euro aparecem à luz dia.Não se restringindo à Grécia. Numa conferência de imprensa no fim de semana, ao serinterrogado sobre a credibilidade do plano italiano de contenção de despesas públicas, opresidente Sarkozy sorriu ironicamente. Foi o que bastou para surgir uma crise política entre Parise Roma, com o ministro italiano dos negócios estrangeiros, Franco Frattini, acusando a França deatiçar “um ataque dos especuladores” contra a Itália.12. Presidente de Chipre anuncia pacote para reativar aeconomiaAutor(es): NicósiaO Globo - 01/04/2013Um dia depois de o Banco Central estipular as condições que vigorarão sobre os depósitossuperiores a - 100 mil - cujos correntistas perderão 60% de suas economias acima do tetogarantido pelo Estado e receberão 37,5% do valor a descoberto em ações do banco -, opresidente de Chipre, Nicos Anastasiades, anunciou um programa urgente de recuperaçãoeconômica, aplicável em um prazo de três e seis meses. Segundo o jornal espanhol "El País", osdetalhes do plano devem ser apresentados na quinta-feira, quando representantes da troika -Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - visitarem Nicósiapara avaliar o impacto do resgate de ¬ 10 bilhões e duas exigências mínimas: o controle decapitais e a reestruturação do setor bancário cipriota.Anastasiades explicou em entrevista ao jornal "Fileléfzeros" as linhas gerais do plano. Ao contráriodo que espera a maioria da população, o pacote não se baseia em medidas de austeridade, mas,fundamentalmente, em apressar a tramitação de projetos de investimento e em atrair capitalestrangeiro, baixar a elevadíssima conta de luz - muito superior que as irrisórias tarifas detelefonia móvel -, dar incentivos fiscais às empresas que reinvestirem seus lucros e recorrer afundos europeus para combater o desemprego entre jovens, que em dezembro era de 28,4%,
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 29segundo dados da Eurostat. Outra medida prevista é uma reforma legislativa para permitir aabertura de cassinos na ilha.O presidente cipriota assegurou ter negociado com a troika que não haverá reduções salariais,demissão de funcionários públicos ou diminuição de aposentadorias até 2015. Cerca de 60 miltrabalhadores, de uma população de 800 mil, dependem do Estado.- São mensagens contraditórias, nas quais ninguém acredita - disse ao "El País" uma professorade Ensino Médio, que preferiu não se identificar.13. Chipre: fila nos bancosCorreio Braziliense - 29/03/2013Nicósia — Os cipriotas fizeram filas sem tumultos diante dos bancos, que reabriram, ontem, sobum rigoroso controle de saques, destinado a evitar uma fuga de capitais, depois de o governo serforçado a aceitar um pacote de resgate da União Europeia. Os bancos passaram quase duassemanas fechados, enquanto o governo negociava os termos de uma ajuda de 10 bilhões deeuros (US$ 13 bilhões). Foi a primeira vez que um plano de socorro financeiro na Zona do Euroimpôs prejuízos a correntistas bancários.Os saques foram limitados a 300 euros por dia, e os bancos foram proibidos de descontarcheques. Os empregados das instituições chegaram cedo para trabalhar, em Nicósia, onde cédulasde euros eram distribuídas por caminhões blindados.O Banco Central Europeu não comentou rumores de que, para atender a demanda por dinheirovivo, teria enviado mais cédulas de euros à ilha. As autoridades dizem que a restrição aos saquesserá temporária — incialmente por sete dias —, mas economistas afirmam queserá difícil suspendê-la enquanto a economia estiver em crise.MedoEm Nicósia, havia alívio, mas também alguma apreensão. “Você não tem ideia do quanto euestava esperando por isso”, disse o aposentado Froso Kokikou, numa fila do Banco Popular doChipre (Laiki). “Tenho uma sensação de medo e frustração por precisar ficar desse jeito na fila;parece um país de terceiro mundo, mas o que se pode fazer?”, disse Kokikou. “Foi o que nosimpuseram, e temos de conviver com isso.” A Bolsa cipriota permaneceu fechada.Com apenas 860 mil habitantes, Chipre tem 68 bilhões de euros depositados em seus bancos —um sistema financeiro desproporcional ao tamanho do país, que atraía muitos depósitos deestrangeiros, especialmente russos, como um paraíso fiscal. A economia local acaboucontaminada pela crise na vizinha Grécia. O ministro das Relações Exteriores, Ioannis Kasoulides,
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 30 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreudisse que o governo espera suspender completamente o regime de controles de capital sobre seusbancos em cerca de um mês.14. Caso do Chipre não é modelo para outros resgates, dizBCEPublicado em ExameSegundo presidente do banco, sua proposta para a ajuda da ilha não contemplava aparticipação dos depositantesO presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse nesta quinta-feira que oresgate do Chipre "não é um modelo" que será aplicado em outros países e que a proposta dainstituição para a ajuda da ilha não contemplava a participação dos depositantes.O presidente do BCE atribuiu a um "mal-entendido" as controvertidas declarações do chefe doeurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que afirmou que o resgate do Chipre seria um modelo.Draghi explicou que cada um dos países que até agora recorreram a um resgate se encontravamem situações muito "distintas", como por exemplo no caso da "da Irlanda e Espanha".No entanto, o presidente do BCE insistiu na necessidade de se atuar com rapidez em situaçõescomo as vividas na Irlanda, Grécia e Espanha, porque "qualquer demora é extremamentedecepcionante".Draghi conversou com a imprensa após o Conselho do BCE, que além dos assuntos sobre políticamonetária tratou do caso do Chipre.A instituição decidiu manter as taxas de juros na zona do euro em 0,75%, mesmo índice desdejulho de 2012.15. Blocos econômicos10 anos de BricsA força dos emergentesHá dez anos o economista inglês Jim O’Neill cunhou o acrônimo Bric para se referir a quatropaíses de economias em desenvolvimento – Brasil, Rússia, Índia e China – que desempenhariam,nos próximos anos, um papel central na geopolítica e nos negócios internacionais.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 31O acrônimo ganhou uso corrente entre economistas e se tornou um dos maiores símbolos da novaeconomia globalizada. Neste quadro, os países emergentes ganharam maior projeção política eeconômica, desafiando a hegemonia do grupo de nações industrializadas, o G7 (formado porEstados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão).Desde 2009, os líderes dos países membros do Bric realizam conferências anuais. Em abril do anopassado, a África do Sul foi admitida no grupo, adicionando-se um “s” ao acrônimo, que passou aser Brics.No grupo estão 42% da população e 30% do território mundiais. Nos últimos dez anos, os paísesdo Bric apresentaram crescimento além da média mundial. Estima-se que, em 2015, o PIB(Produto Interno Bruto) do Brics corresponda a 22% do PIB mundial; e que, em 2027, ultrapasseas economias do G7.A China é o “gigante” do grupo. A abertura da economia chinesa, mediante um conjunto dereformas, tornou o país a segunda maior economia do planeta, atrás somente dos Estados Unidose ultrapassando Japão e países da Europa.A economia chinesa é maior do que a soma de todas as outras quatro que compõem o grupo. OPIB chinês, em 2010, foi de US$ 5,8 trilhões, superior aos US$ 5,5 da soma de todas as outras –Brasil (US$ 2 trilhões), Rússia (US$ 1,5), Índia (US$ 1,6) e África do Sul (US$ 364 bilhões).Mas os chineses enfrentam hoje desafios em áreas como meio ambiente e política, alvos dapressão internacional.BrasilA inclusão do Brasil no Brics trouxe uma projeção internacional positiva, que dificilmente seriaalcançada de outro modo e em um curto período. Como resultado, o país tem hoje representaçãonas principais cúpulas internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU (Organização dasNações Unidas) e o G20.O Brasil entrou no grupo em razão do crescimento econômico, ocorrido principalmente a partir de2005. Esse crescimento foi possível por causa do controle da inflação, com a implantação do PlanoReal, em 1994, e o aumento das exportações para países como China, principal parceirocomercial, a partir de 2001.Com a estabilidade econômica, veio a confiança do mercado e o aumento do crédito paraempresas e consumidores. O setor privado contratou mais gente, gerando mais empregos, ehouve aumento de salários, fazendo que, entre 2005 e 2006, 30 milhões de brasileiros migrassemdas classes D e E para a C, a classe média. Contribuíam também, para isso, programas sociaiscomo o Bolsa Família. Assim, mais pessoas passaram a consumir, aquecendo o mercado devarejo.Desigualdade
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 32 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuOs programas do governo Lula também tiveram reflexos no âmbito da justiça social. Na últimadécada e meia, o país foi o único entre os Brics a reduzir a desigualdade, de acordo com a OCDE(Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Porém, mesmo assim, adistância entre ricos e pobres no Brasil ainda é a maior entre os países emergentes.A desigualdade é medida pelo índice Gini, que caiu de 0,61 para 0,55 entre 1993 e 2008 (quantomenor o valor, melhor o índice). Nos demais países do Brics, houve aumento. Mesmo assim, oGini do Brasil é o maior entre eles e o dobro da média dos países ricos: no Brasil, 10% dos maisricos ganham 50 vezes mais do que os 10% mais pobres.Outro desafio para o país é fazer ajustes na política econômica. A divulgação do resultado do PIBdo terceiro trimestre deste ano, que registrou uma variação zero em relação ao trimestre anterior,apontou a desaceleração da economia. Para sair da estagnação, o governo terá que fazerreformas, inclusive no sistema de tributação, para estimular o investimento por parte do setorprivado.16. A Venezuela e o MercosulRenata Giraldi e Mariana Tokarnia - Repórteres da Agência BrasilOs chanceleres do Mercosul conseguiram hoje (6) fechar uma série de negociações para garantirque, em 5 de abril de 2013, a Venezuela terá atendido às principais exigências para ser integradade forma plena ao bloco. Até lá, um terço dos produtos venezuelanos estarão dentro danomenclatura e das normas do Mercosul.Os ministros anunciaram também que, paralelamente, o Mercosul buscará o chamadofortalecimento produtivo, para incentivar o desenvolvimento do comércio e da economia naregião.Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o fortalecimento produtivo se referea incrementar a capacidade tecnológica e adotar medidas que incentivem a competitividadeindustrial e leve ao desenvolvimento do comércio estratégico. “A reunião foi muito produtiva eestamos avançando de forma acelerada”, disse ele.Patriota acrescentou ainda que, durante as discussões que ocorreram hoje, no Conselho doMercado Comum (CMC), foi definido o Sistema Integrado do Mercosul (SIM) que se refere àimplementação de ações que incentivem o intercâmbio de estudantes em nível superior –graduação e pós-graduação na região.Também foram discutidas a ampliação do Programa Ciência sem Fronteiras, a aproximação dosetor privado com os órgãos públicos, a rede de agricultura familiar e a realização da Cúpula
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 33Social. As reuniões do CMC foram divididas em duas etapas – pela manhã, com chanceleres eembaixadores, e à tarde, com os ministros da Economia e presidentes de bancos centrais daregião.Os chanceleres adiaram a retomada da reunião, na parte da tarde, para irem ao velório doarquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, que foi homenageado pelo grupo na primeira etapa dereuniões. Os ministros e embaixadores saíram juntos do Palácio Itamaraty em direção ao Paláciodo Planalto – onde o arquiteto está sendo velado.17. O que a crise da União Europeia ensina ao Mercosul?IPEAMarco Aurélio Weissheimer – de Porto AlegreA integração entre nações é, essencialmente, um projeto político. Não há acordo comercial que dêconta de superar as contradições provocadas pelas desigualdades entre povos e nações. “Fazer aEuropa é fazer a paz”, gostava de repetir o francês Jean Monnet (1888-1979), um dos precursoresda união continental. Os conflitos sociais que voltaram a tomar as ruas de diversas cidadeseuropeias atualizam o pensamento do político francês e lançam uma alerta para os construtoresda integração social, política e econômica na América do SulNos últimos meses, multiplicam- -se os diagnósticos pessimistas a respeito do futuro do euro, daUnião Europeia e do processo de integração continental. Os efeitos avassaladores da criseeconômico-financeira de 2008 jogaram países como Grécia, Islândia, Irlanda, Portugal e Espanhaà beira de um precipício que ameaça dissolver direitos sociais e trabalhistas que marcam a históriado Estado de Bem-Estar Social europeu. A Grécia já tinha situação fiscal deteriorada antes dacrise. No caso da Irlanda, a queda de receita decorrente da crise e os gastos realizados paraatenuar seu impacto no sistema bancário e no nível de emprego transformaram a crise privadaem uma crise das finanças públicas. Em Portugal e na Espanha, que vinham tendo desempenhoeconômico mais fraco que a média européia, a situação se agrava. Um conjunto de turbulênciasdomésticas espalhou-se pelo continente, no bojo da união monetária.A crise econômica vem acompanhada de notícias que compõem um cenário quase surreal. No dia10 de junho, por exemplo, a Comissão Europeia cortou quase 80% da ajuda alimentar para ospobres, reduzindo o programa de ajuda alimentar de 500 milhões de euros para 113 milhões deeuros. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares e organizações de ajuda humanitáriaadvertiram que essa medida pode agravar o problema da fome no continente. Cerca de 43
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 34 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreumilhões de pessoas enfrentam hoje o risco de pobreza alimentar no território europeu. Elas nãoconseguem pagar uma refeição adequada a cada dois dias. Uma realidade incompatível com oprojeto de integração no velho continente.LIÇÕES DA TUBURLÊNCIA Considerado o mais avançado processo de unidade entre países dahistória, o projeto da União Europeia está em crise e os seus problemas estão sendoacompanhados com atenção por lideranças envolvidas em outros processos de integração nomundo. Aqui na América do Sul, uma pergunta adquire crescente importância: o que a criseeuropeia tem a ensinar aos países do Mercosul que, em março, completou vinte anos? Natentativa de responder tal questão é preciso, obviamente, levar em conta as importantesdiferenças existentes entre os processos europeu e latino- -americano. Apesar das diferenças, háum importante elemento em comum: a conjuntura político-econômica mundial e suas crises nãodeixam nenhum continente ileso. Há muitos tópicos semelhantes e, mesmo nas diferenças, háformas de responder a esses problemas que podem ser mais ou menos eficazes.Professor na Universidade de Harvard e Prêmio Nobel de Economia em 1998, Amartya Sen,advertiu, em um recente artigo publicado no jornal inglês The Guardian, que está em jogo naEuropa não apenas o euro, mas a própria ideia de democracia. O economista resume assim operigo que estaria rondando o Velho Mundo:“A Europa liderou o mundo no que diz respeito à prática da democracia. É, portanto, preocupanteque os perigos para a governabilidade democrática de hoje, que entram pela porta traseira dasprioridades financeiras, não recebam a atenção que merecem”.AMEAÇA DAS AGÊNCIAS DE RISCO A Grécia, assinala Amartya Sen, ilustra o perigo depermitir que agências de classificação de risco dominem o terreno político. O economista chama aatenção para a temeridade de se submeter processos e práticas políticas constitutivas dademocracia à lógica do sistema financeiro internacional:“Há questões de fundo que devem ser enfrentadas a respeito de como o governo democrático daEuropa pode ser minado pelo papel enormemente aumentado das instituições financeiras e dasagências de classificação de riscos, que hoje se apropriaram de certas partes do terreno políticoda Europa. Deter a marginalização da tradição democrática na Europa envolve uma urgência queé difícil de exagerar.”O Prêmio Nobel de Economia aponta ainda uma lição da crise atual que deveria ser levada emconta em outros processos de integração pelo mundo. Para eles, os países do euro entraram euuma situação complicada na direção de uma moeda única, sem promover uma maior integraçãopolítica e econômica. Ele resume:“A pressa em inaugurar uma casa que estava em construção acabou resultando numa receitadesastrosa. Obrigou-se a incorporar à maravilhosa ideia de uma Europa democrática unida um
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 35precário programa de incoerente fusão financeira”.IRONIAS HISTÓRICAS A história costuma ser rica em paradoxos e ironias. A crise que atingegravemente hoje diversos países europeus fornece novos exemplos. Durante aproximadamenteduas décadas, entre os anos 1980 e 1990, diversos países da América Latina aplicaram os pacotesde austeridade propostos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e outrasinstituições financeiras como solução para superar recorrentes crises econômicas. Esses pacotestrouxeram consigo políticas de privatizações, de demissão de funcionários públicos, de arrochosalarial. A guinada progressista na região, a partir dos anos 2000 deu-se, em larga medida, comouma reação aos efeitos perversos dessas políticas. Agora, são os gregos, portugueses, espanhóis,italianos e irlandeses, entre outras nacionalidades europeias, que começam a conviver com taispolíticas.Na avaliação de Antonio Lassance, professor de Ciência Política e pesquisador do Ipea, nomomento atual, o Mercosul reúne mais razões de otimismo que os demais blocos:“A União Europeia, sob crise aguda, vive um de seus piores momentos. O North America FreeTrade Agreement (Nafta) acentuou os problemas da economia mexicana, e os Estados Unidospatinam para superar a recessão. A Ásia Pacific Economic Cooperation (Apec), além de muitoheterogênea e pouco institucionalizada, pouco avançou diante da competição entre seus países,que disputam muitas vezes o mesmo espaço”.“A crise mostrou a falência dos modelos neoliberais tanto em nossos países comonos desenvolvidos. As regras financeiras devem permitir espaço para os desenvolvimentosnacionais e o mesmo deve acontecer com as regras sobre comércio e meio ambiente”CASO EXEMPLAR Lassance cita um estudo de Charles Kupchan, especialista em RelaçõesInternacionais da Universidade de Georgetown, que destaca a arquitetura política e institucionaldo Mercosul como um caso exemplar. Kupchan dedica parte de seu livro How Enemies BecomeFriends (Princeton University, 2010) ao processo de reaproximação entre Brasil e Argentina, nosanos 1980, que acabou atraindo, na década seguinte, o Paraguai e o Uruguai. Trata-se de umcaso, segundo Kupchan, de antigos inimigos que conseguiram se entender e passaram a se tratarcomo atores confiáveis. A Europa, certamente, não é inexperiente neste ponto. Após duasgrandes guerras, para não falar de outros longos e sangrentos conflitos passados, nações queforam inimigas de morte conseguiram fazer avançar um processo de integração política eeconômica. Mas as fragilidades que aparecem agora mostram que essa é uma condiçãonecessária, mas não suficiente, para um processo de integração dar certo.Neste aspecto, Kupchan ecoa uma posição de Amartya Sen: a economia deve ficar subordinada àpolítica e não o contrário. A mão invisível do liberalismo é incapaz de produzir a arquitetura de umprocesso de integração, destaca Lassance:
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 36 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu“Ela deve ser induzida por projetos nacionais e tudo deve começar com um dos atores, em geral ode maior peso, dispondo- -se a fazer concessões. É a diplomacia que impulsiona a economia, enão o contrário. Ela constrói o ambiente que produz saldos comerciais e financeiros positivos nolongo prazo, facilita a inserção de empresas e enraíza a interdependência econômica”.“NÃO REPETIR ERROS DOS IMPÉRIOS” Em entrevista ao jornal argentino Página/12, o AltoRepresentante do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães, defendeu essa posição, destacando queo Brasil não vai “repetir os erros dos impérios”. Maior país em extensão territorial e população eprincipal economia da região, o País, assegurou Guimarães, quer associar-se e cooperar com seusdez vizinhos e com outros países em desenvolvimento, segundo uma lógica que não éexclusivamente econômica:“Temos interesses em comum com os países mais pobres, os países em desenvolvimento, paramudar as regras do mundo. A crise que vivemos mostrou a falência dos modelos neoliberais tantoem nossos países como nos desenvolvidos. As regras financeiras devem permitir espaço para osdesenvolvimentos nacionais e o mesmo deve acontecer com as regras sobre comércio e meioambiente.”Esse é, justamente, o problema que a União Europeia enfrenta hoje, conforme a advertência deAmartya Sen: as regras financeiras não só não vem permitindo espaço para os desenvolvimentosnacionais, como vem solapando os próprios espaços de soberania política. E um processo deintegração regional é entre outras coisas, uma construção política e institucional que tem odesafio de integrar diferentes espaços de soberania nacional.REJEIÇÃO DA ALCA O processo de integração sul-americano é muito mais jovem que o europeue pode tentar evitar o caminho da subordinação a uma determinada lógica econômica. SamuelPinheiro Guimarães integrou um governo que, em conjunto com a Argentina e outros países,rejeitou o modelo da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) defendido pelos Estados Unidos.“Nós não quisemos a Alca, em 2005, não somente por razões comerciais. A Alca era uma políticaeconômica completa, que envolvia comércio, investimentos, negócios e propriedade intelectual”,observa o ex-secretário geral do Itamaraty.A rejeição do projeto dos EUA veio acompanhada da implementação de diferentes movimentos deintegração regional: além do Mercosul, do Pacto Andino e de outras alianças regionais, surgiram aAlba (Aliança Bolivariana para os Povos da América, integrada hoje por Venezuela, Cuba, Bolívia,República Dominicana, Nicarágua, Equador, San Vicente e Granadinas, Antigua e Barbuda) e aUnasul (União de Nações Sul-Americanas, formada pelos doze países da América do Sul). Essesmovimentos expressam a diversidade política e econômica da região e, até aqui, não se revelaramexcludentes. Pelo contrário, o objetivo é que sejam complementares. “A Unasul é um modo demanter próximos países que, comercialmente, optaram por outras políticas. É bom que todosintegremos o Conselho Sul-Americano de Defesa”, disse Pinheiro Guimarães ao jornal Página/12.POLÍTICA SOBERANA A posição do Brasil será fundamental para determinar as possibilidades
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 37de êxito dessa articulação de diferentes movimentos integracionistas. No prefácio ao livroRelações Brasil-Estados Unidos no contexto da globalização: rivalidade emergente, de Luiz AlbertoMoniz Bandeira, o Alto Representante do Mercosul resume assim a “receita” brasileira para queisso se torne realidade:“(Desenvolvemos) uma política altiva, ativa, soberana, não intervencionista, não impositiva, nãohegemônica, que luta pela paz e pela cooperação política, econômica e social, em especial com ospaíses vizinhos e irmãos sul-americanos, começando pelos países sócios do Brasil no Mercosul, umdestino comum que nos une, com os países da costa ocidental da África, também nossos vizinhos,e com países semelhantes: com mega-populações, mega-territoriais, mega-diversos, mega-ambientais, megaenergéticos, mega-subdesenvolvidos, mega-desiguais. Nossos verdadeirosaliados são nossos vizinhos, daqui e de ultramar, com os quais nosso destino político e econômicoestá definitivamente entrelaçado, e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia”.Essa dimensão política do Mercosul e de outros espaços de integração ainda está engatinhando. OParlamento do Mercosul está em processo de formação. A Venezuela aguarda decisão doCongresso paraguaio para ser admitida como membro pleno do Mercosul e o Brasil promulgou noinício de julho o decreto que estabelece a adesão do país a Unasul.O fortalecimento desses espaços políticos e institucionais constitui uma condição fundamentalpara enfrentar desafios e problemas estruturais do bloco, tais como as assimetrias entre os paísesque compõem o Mercosul, o problema das tarifas aduaneiras e a perspectiva da adoção de umamoeda comum no futuro.CRESCIMENTO ECONÔMICO No terreno estritamente comercial o desempenho do bloco épositivo. A economia do Mercosul cresceu 8% em 2010, superando todas as outras uniõesaduaneiras ou associações de livro comércio do mundo. Após vinte anos de Mercosul, houvetambém um aumento significativo do intercâmbio comercial, que passou de US$ 4,5 bilhões em1991 para US$ 45 bilhões em 2010. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, AntonioPatriota, a expectativa para 2011 é superar a casa dos US$ 50 bilhões. “O intercâmbio comercialcresceu mil por cento”, acrescentou o subsecretário-geral para América do Sul, Central e Caribe,embaixador Antônio José Simões. Segundo ele, esse desempenho é superior ao de outros acordosde livre comércio, como o assinado há sete anos por Chile e Estados Unidos.EXPANSÃO COMERCIAL Ao anunciar esses projetos de expansão, em 28 de junho, durante a41ª Cúpula do bloco, no Paraguai, Antonio Patriota rebateu as críticas de que o Mercosul perdeuforça e não conseguiu transformar-se em um verdadeiro projeto de integração política, econômicae comercial, como a União Europeia. Patriota lembrou a crise vivida hoje pela União Europeia e ofato de o Mercosul ter superado, em crescimento, a Associação de Nações do Sudeste Asiático(Asean).Ex-presidente do Parlamento do Mercosul, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) defende essa
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 38 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuestratégia de expansão, assinalando que as exportações extrazona (para terceiros Estados) dobloco sul-americano aumentaram 200% entre 2002 e 2008, bem acima da média de crescimentodo comércio mundial, que foi de 147%. No mesmo período, acrescenta o parlamentar brasileiro,as exportações dentro do bloco aumentaram 300% e os investimentos diretos subiram deaproximadamente US$ 15 bilhões, em 2003, para US$ 57 bilhões, em 2008. E essa elevação deinvestimentos, destaca o Dr. Rosinha, ocorreu sem recurso a privatizações, tal como aconteceunas décadas de 1980 e 1990 na América Latina.O futuro do Mercosul, assim como o seu nascimento há vinte anos, tem um olhar ligado aodestino da União Europeia. O bloco sulamericano foi concebido para ser um verdadeiro mercadocomum, por meio da constituição de uma união aduaneira, mediante a Tarifa Externa Comum. ADeclaração de Assunção estabelece, no seu artigo 1°, que a adoção de uma tarifa externa comume de uma política comercial comum em relação a terceiros Estados são dimensões essenciais econstitutivas do processo de integração. Mas a integração que o Mercosul busca não se esgota aí,propondo também a livre circulação de pessoas, a harmonização das legislações, a constituição deinstituições supranacionais, de um Parlamento sul-americano e a formação de uma cidadaniacomum.LIMITAÇÃO EUROPEIAS Esse é, em linhas gerais, o modelo que inspirou também a criação daUnião Europeia que hoje se encontra em uma encruzilhada. A incorporação de países comeconomias mais frágeis, as dificuldades colocadas pela unidade monetária resultante da criação doeuro e a limitação da capacidade de os Estados definirem suas políticas econômicas internamentetrazem desafios cuja solução passa, inevitavelmente, pela esfera política.Na avaliação do economista Michael Hudson, pesquisador na Universidade do Missouri epresidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends (Islet), o que está em jogona crise atual da UE é se a Grécia, a Irlanda, Espanha, Portugal e o resto da Europa terminarãopor destruir a agenda de um reformismo democrático e derivar para uma oligarquia financeira.Repetindo a preocupação de Amartya Sen com o futuro da democracia europeia, Hudson afirma:“O objetivo financeiro é evitar os parlamentos para exigir um ‘consenso’ que dê prioridade aoscredores estrangeiros a custo do conjunto da economia. Exige-se dos parlamentos que abdiquemde seu poder político legislativo. O significado do ‘mercado livre’, neste momento, é planificaçãocentral nas mãos dos banqueiros centrais. Essa é a nova via rumo à servidão pela dívida a queestão levando os ‘mercados livres’ financeirizados: mercados ‘livres’ para que os privatizadorescobrem preços monopolistas por serviços básicos ‘livres’ de regulações de preços e de regulaçõesantioligopólicas, ‘livres’ de limitações ao crédito para proteger os devedores e, sobretudo, ‘livres’de interferências por parte dos parlamentos eleitos”.A concentração do poder político nas mãos do setor financeiro ameaça o projeto de integraçãoeuropeia, do ponto de vista da continuidade da construção de uma comunidade democrática novelho continente. As limitações políticas são gritantes e crescentes, aponta ainda Hudson:
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 39“O Banco Central Europeu não tem atrás de si nenhum governo eleito que possa arrecadarimpostos. A Constituição da UE proíbe ao BCE o resgate de governos. E os artigos do acordo como FMI proíbem também que esta ofereça apoio fiscal aos déficits orçamentários nacionais”.UNIR PESSOAS A crise atual da União Europeia atualiza as palavras de um de seus principaisdefensores, o francês Jean Monnet. Como consultor de alto nível do governo francês, Monnet foi oprincipal inspirador da Declaração Schuman, de 9 de maio de 1950, que levou à criação daComunidade Europeia do Carvão e do Aço, considerada o ato fundador da União Europeia.Monnet tinha claro que o projeto de unificação não podia se limitar à esfera econômica. Sua fraseque resume esse espírito é bem conhecida. “Mais do que coligar Estados, importa unir oshomens”.Talvez seja essa uma das principais lições que a experiência da União Europeia pode trazer aoMercosul e aos demais movimentos e processos de integração na América do Sul. A integraçãoentre nações é, essencialmente, um projeto político. Não há acordo comercial que dê conta desuperar as contradições provocadas pelas desigualdades entre povos e nações (e intra povos enações). “Fazer a Europa é fazer a paz”, gostava de repetir Monnet. Os conflitos sociais quevoltaram a tomar as ruas de diversas cidades europeias atualizam o pensamento do políticofrancês e lançam uma alerta para os construtores da integração na América do Sul: o principalobjetivo estratégico de um processo de integração é buscar a paz, a solidariedade e a harmoniaentre os povos e não meramente aumentar a balança comercial deste ou daquele país, deste oudaquele bloco regional. Ao presenciar diretamente o que está acontecendo na Europa, o Mercosultem a chance de não repetir esses erros.18. Tendências da economia brasileiraClasse C passou a ser maioria da população brasileira em 2011, mostra pesquisa22/03/2012Marli MoreiraRepórter da Agência BrasilNo ano passado, 2,7 milhões de brasileiros mudaram o perfil de renda, deixando as classes D e Epara fazer parte da classe C. Além disso, 230 mil pessoas saíram da classe C e entraram para asclasses mais ricas (A e B).A maior da parte da população (54%) fazia parte da classe C em 2011, uma mudança em relaçãoao verificado em 2005, quando a maioria (51%) estava na classe D/E. Um total de 22% dos
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 40 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreubrasileiros está no perfil da classe A/B, o que também representa um aumento em comparação aoconstatado em 2005, quando a taxa era 15%.É o que mostra a sétima edição da pesquisa Observador Brasil 2012, feita pela empresa CetelemBGN, do Grupo BNP Paribas, em parceria com o instituto Ipsos Publics Affairs.O levantamento indica ainda que a capacidade de consumo do brasileiro aumentou. A rendadisponível, ou o montante de sobra dos ganhos, descontando-se as despesas, subiu de R$ 368,em 2010, para R$ 449, em 2011, uma alta de pouco mais de 20%. Na classe C, houve umaumento de 50% (de R$ 243 para R$ 363).Enquanto a renda média familiar das classes A/B e D/E ficaram estáveis, na classe C cresceuquase 8%. Mas a pesquisa mostra que em todas as classes houve um aumento da rendadisponível, que ultrapassou R$ 1 mil, entre os mais ricos.“O aumento da renda disponível em todas as classes sociais indica que houve maior contenção degastos”, destaca a equipe técnica responsável pela pesquisa.19. IPI congelado rende economia de até R$ 2,4 milDesconto de até R$ 2,4 mil com IPI congeladoAutor(es): » DECO BANCILLON » VICTOR MARTINS » ROSANA HESSELCorreio Braziliense - 01/04/2013Montadoras esperam ampliar vendas com a decisão do governo de manter imposto até dezembro,mas endividamento alto atrapalhaCom a decisão do governo de congelar o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados(IPI) para automóveis, o consumidor que decidir levar para casa um carro zero-quilômetro deixaráde pagar até R$ 2,4 mil, caso opte pelos modelos mais caros. Essa é a diferença entre o preçomédio cobrado nas concessionárias por um veículo de até 2 mil cilindradas, movido a gasolina,atualmente taxado em 8%, e o que ele passaria a custar a partir de hoje, com 10% de tributo,conforme previa inicialmente o cronograma definido pelo governo.Segundo comunicado divulgado no sábado pelo Ministério da Fazenda, o desconto do IPI serámantido até 31 de dezembro de 2013. Com isso, carros flex e movidos a gasolina de até 1.000cilindradas continuarão sendo tributados em 2%. Sem a prorrogação, a taxação subiria para3,5%. O mesmo vale para veículos flex de 1.000 a 2.000 cilindradas, que atualmente pagam 7%de tributo. Caso o cronograma fosse mantido, a alíquota passaria para 9%. Já para os modelos
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 41movidos a gasolina, que são mais poluentes, o tributo foi congelado em 8% —sem a alteração, noentanto, pagariam 10% de imposto.Fontes do setor automobilístico calculam que o preço médio dos carros subiria entre R$ 300 e R$400 caso o IPI tivesse sido elevado. Com a manutenção do desconto, porém, a expectativa dasmontadoras é de que o consumidor siga comprando, como fez em 2012, quando as vendassubiram 4,6%. Ao todo, foram vendidos 3,8 milhões de carros em 2012. O problema é o elevadonível de endividamento das famílias.ApostaA estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) era deque os emplacamentos crescessem de 3,5% a 4,5% em 2013. Para isso, porém, o ProdutoInterno Bruto (PIB) teria de crescer, pelo menos, 4%, um número que, hoje, parece distante deser alcançado. Pelo último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a previsão do mercadofinanceiro é de avanço de 3%. Mesmo diante dessa expectativa pessimista, o Ministério daFazenda mantém a aposta de que o país retornará o ritmo mais forte do PIB neste ano.Em declarações recentes, o ministro Guido Mantega avaliou que a expansão da economia ficaráentre 4% e 4,5% em 2013. Não é o que pensa o próprio setor automotivo, que está maiscauteloso. “Aparentemente, pelo que temos acompanhado, a projeção da Fazenda não deverá seconcretizar”, argumentou uma fonte do setor. Mesmo dentro do governo, há quem aponteexcesso de otimismo do ministro. É o caso do Banco Central, que prevê incremento de 3,1% parao PIB 2013.Para dar uma forcinha à estimativa da Fazenda, o governo tem concedido diversos incentivostributários, como a prorrogação do IPI para a indústria automobilística, que custará aos cofrespúblicos o equivalente a R$ 2,2 bilhões apenas entre abril e dezembro. A aposta é que o descontodará novo fôlego à produção, já que as montadoras empregam, atualmente, cerca de 130 miltrabalhadores. Pelos cálculos de Mantega, o setor representa 25% da produção nacional.20. Indústria atrasada, economia enigmáticaPublicado em Carta CapitalPor Mario Osava, da IPSA indústria é o órgão enfermo da economia do Brasil. A produção do setor caiu 2,7% em 2012,apesar dos estímulos recebidos do governo, contrariando indicadores relacionados, como a forteexpansão do comércio varejista e o desemprego em seu nível mínimo histórico. O enigma de umaeconomia paralisada, mas com sintomas de crescimento excessivo para as potencialidades dopaís, incluindo escassez da mão de obra e inflação em alta, parece ter sido revelado segundo
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 42 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuvárias explicações apresentadas.Algumas causas com as quais lidam os economistas seriam uma queda na quantidade de jovensque se incorporam ao mercado de trabalho e o excesso de estoques acumulados. A redução daatividade manufatureira é o que mais preocupa o governo de Dilma Rousseff e os operadoreseconômicos, porque acentua uma tendência e coloca em xeque o futuro do país. Adesindustrialização, há anos reconhecida por empresários do setor e poucos economistas, agoraestá difícil de ser negada.As expectativas repousam nas projeções de melhorias para este ano. Mas os baixos investimentosrefletidos no retrocesso de 11,8% na produção de bens de capital em 2012 e o auge inflacionário,que pode provocar medidas do Banco Central para conter a demanda, não permitem esperar quea recuperação tenha o vigor pretendido.Os resultados no fechamento de 2012 foram “uma ducha fria”, frustrando esperanças de retomaro crescimento e indicando que na indústria brasileira “a crise é mais profunda”, não apenas umefeito conjuntural devido aos graves problemas da economia global, afirmou Julio de Almeida,consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O Brasil “nãoacompanhou a evolução industrial do mundo” nos últimos 20 anos, como fizeram China, Coreia doSul e Índia. Assim, sem desenvolver setores mais dinâmicos, como o eletrônico e o farmacêutico,tampouco avançou suficientemente em inovações tecnológicas, disse Almeida à IPS. Além disso,há cerca de 15 anos, a indústria e alguns “serviços organizados” sofrem um acúmulo de custos,sejam logísticos, financeiros ou energéticos, que reduzem sua competitividade.Agravando tudo, os salários aumentaram nos últimos cinco anos muito acima da produtividade.Somente no ano passado, cresceram, em média, 5,8%, enquanto o rendimento caiu 0,8%,segundo o Iedi.É possível sobreviver sendo pouco competitivo se a economia mundial crescer em um bom ritmo,mas os problemas apareceram com a crise iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois seespalhou especialmente para a Europa, que “estreitou o mercado industrial” no mundo e colocouo mercado interno brasileiro sob intensa disputa, observou Almeida.Apesar de tudo, este economista acredita que este ano pode haver uma recuperação, graças àsmedidas governamentais que baratearam a eletricidade e reduziram tributos para alguns setoresindustriais, além de baixar juros, estabilizar a taxa de câmbio e anunciar fortes investimentos eminfraestrutura de transporte. Porém, será necessário aumentar a produtividade com fortesinvestimentos em inovações tecnológicas, especialmente porque o Brasil tem “uma indústriaavantajada”, ressaltou.De fato, a indústria da velha geração metal-mecânica, especialmente a automobilística, épredominante no país, com um peso crescente. Com uma longa cadeia produtiva, incluindo peçasde automóveis e máquinas agrícolas, o segmento de veículos representava 21% do produtoindustrial em 2011, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores(Anfavea).Essa participação duplicou nos últimos 20 anos, enquanto a indústria de transformação, em seuconjunto, transitou o caminho inverso em sua contribuição para o produto interno do país, caindopara 14,6% em 2011. Ou seja, a importância do automóvel para a economia brasileira continuacrescendo.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 43Por isso, a principal medida do governo para atenuar os efeitos recessivos da crise financeirainternacional de 2008 foi reduzir impostos sobre os veículos a partir de dezembro daquele ano,após três meses de abrupta queda nas vendas. É uma fórmula repetida em outras crises. Opetróleo e o aço também continuam sendo elementos fundamentais do esforço brasileiro parareverter a desindustrialização.Agora se busca recuperar a indústria naval, aproveitando o petróleo descoberto debaixo dacamada de sal no leito do Oceano Atlântico, perto da costa brasileira. Para impulsionar a produçãonacional foi criada uma legislação que exige componentes variáveis e crescentes de origemnacional, que podem chegar a até 70% do total da construção de cada navio, plataforma, sonda edemais equipamentos destinados à atividade petroleira.Todo esse esforço, baseado em intervenções do Estado, como estímulos tributários ou financeirosa setores escolhidos e medidas consideradas protecionistas, incluindo barreiras aduaneiras e aimposição de muito conteúdo nacional em produtos como automóveis, além dos naviospetroleiros, provoca a rejeição por parte de muitos analistas de correntes liberais, com forteaudiência entre os operadores e os meios de comunicação especializados em economia.A desindustrialização não é necessariamente uma “doença”, já que “a indústria vai mal, mas oBrasil vai muito bem”, com muito emprego e salários elevados, resumiu o economista EdmarBacha, em entrevistas realizadas no ano passado ao anunciar o livro coletivo que organizou sob otítulo O futuro da indústria no Brasil, publicado este mês.Em sua análise, o setor manufatureiro brasileiro perdeu competitividade principalmente pelaexplosão salarial que elevou custos. A média salarial no Brasil, em dólares, cresceu 14,4% ao anoentre 2006 e 2011, um recorde mundial longe de ser ameaçado por Austrália, que aparece emsegundo lugar com 9%, segundo os coautores do livro, Beny Parnes e Gabriel Hartung.Bacha, que participou de governos anteriores que implantaram políticas econômicas mais liberais,afirmou que a competitividade não se constrói com protecionismos, mas com maior aberturacomercial, que permita a integração com as cadeias produtivas internacionais. O México éapresentado como um exemplo disso.Ampliando o olhar dos especialistas, a única coincidência sobre as causas da perda de capacidadeindustrial é a falta de competitividade. Há divisões tanto na interpretação de suas origens comoem seu significado e remédios, segundo o lugar onde se detém cada observador. Os analistasvinculados ao setor primário, por exemplo, questionam a primazia atribuída à indústria comopromotora do progresso e da inovação. Argumentam que a agricultura agrega hoje muitatecnologia e muito conhecimento, incorporando pesquisa científica e mecanização.Mas no governo brasileiro se destacam os “desenvolvimentistas”, começando pela presidenteDilma Rousseff. Por isso é irônico que a queda da indústria se acentue enquanto o país éadministrado por dirigentes que priorizam o setor e que, para recuperar sua competitividade,adotaram medidas acusadas de serem extremamente intervencionistas pelos partidários desoluções de mercado.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 44 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu21. Não há desinflação grátisAutor(es): Ilan GoldfajnO Estado de S. Paulo - 02/04/2013Está ficando claro que o governo quer combater a inflação via desonerações tributárias, pelomenos parcialmente. Para alguns, é a solução ideal. A redução dos impostos leva a uma queda depreços que alivia a inflação, economizando altas exageradas de juros (e seus efeitos colateraissobre a atividade, o emprego e o salário). Ao mesmo tempo se ataca aelevadíssima cargatributária, um problema estrutural no Brasil. Parece um almoço grátis, contrariando a máxima deque isso não existe em economia. Infelizmente, não é o caso. Vejamos por quê.Para começar, as desonerações não são de graça nas contas públicas. Sem uma compensação viacorte de gastos do governo ou aumento de outros impostos, as desonerações reduzem osuperávit primário, como tem sido o caso recentemente. O superávit primário, quê já atingiuacima de 4% do produto interno bruto (PIB) no passado, caminha para ficar pouco abaixo de 2%este ano, e em direção a 1% no ano que vem. Mesmo com o benefício de juros menores, arelação dívida-PIB começaria a subir no médio prazo se mantida essa política. A estabilidade darelação dívida-PIB (ou melhor, a sua queda) é uma das razões por que a meta de superávitprimário tem sido considerada um dos pilares da política macroeconômica.A essencial redução da carga tributária, para ser sustentável e benéfica para a economia, deve sercalcada na queda dos gastos públicos. O espírito da Lei deResponsabilidade Fiscal requeria exatamente isto: que fossem especificadas compensações paraquedas permanentes de receita. Na contramão, neste ano a Lei de Diretrizes Orçamentáriaspermite que as desonerações sejam abatidas da meta (além dos já tradicionais abatimentos doPAC), tornando a meta de superávit primário de 3,1%, na prática, uma meta de 1,9% do PIB.A redução da carga tributária baseada em piora fiscal tende a ser temporária, já que em algummomento será necessário fazer um ajuste fiscal (isto é, corte de gastos ou volta da cargatributária) para restabelecer a estabilidade da dívida pública no médio prazo e a responsabilidadefiscal.Mas ter custo fiscal não é necessariamente ruim, desde que os benefícios das desonerações sejampalpáveis. Infelizmente, no combate à inflação os benefícios percebidos das desonerações nocurto prazo não se estendem no longo prazo.A queda do superávit primário equivale a uma política expansionista, que gera aumento dademanda e pressiona a inflação. Afinal, corte de impostos é um clássico instrumento de incentivoao consumo: quanto mais repassado ao consumidor, maior o incentivo.Mas não falta consumo no Brasil. Seu crescimento tem sistematicamente excedido a expansão doPIB, principalmente nos últimos dois anos. O Banco Central tem reconhecido nos seusdocumentos oficiais que o crescimento do PIB tem sofrido de problemas de oferta. Ou seja, o
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 45crescimento tem sido limitado pela produção, não pela falta de incentivo ao consumo (oudemanda em geral). Um sinal dessa limitação é que crescentemente a demanda está sendosatisfeita com importações, o que tem piorado sistematicamente a conta corrente no balanço depagamentos (já alcançando um déficit de quase de 3% do PIB, de um superávit de 2% nopassado não tão distante).Esse descompasso entre o crescimento da oferta e demanda é a raiz da parte mais resistente dainflação. Para além dos choques de commodities e dos aumentos de preços temporários dealimentos (devidos a efeitos climáticos) ocorridos, está ficando claro que a inflação se estáestabelecendo num patamar mais alto. Um bom termômetro desse fenômeno é a inflação deserviços, que resiste à queda e se mantém em tomo de 8% ao ano.Ao estimular o consumo, a política de desonerações agrava o descompasso entre a oferta e ademanda e alimenta a inflação no médio prazo.Poder-se-ia argumentar que reduzir impostos estimula a oferta (aumenta a produção), já quereduz os custos das empresas. De fato, se as desonerações tivessem focado nos custos dasempresas, e não nos consumidores, o impacto seria diferente. Com custos menores as empresasproduziriam mais. No entanto, as desonerações estão sendo direcionadas aos consumidores. Háuma pressão para o repasse integral dos benefícios aos preços, o que auxilia na inflação de curtoprazo, mas não auxilia restabelecer a competitividade das empresas. Sem mexer nacompetitividade das empresas dificilmente haverá incentivo a maior produção e investimento. Apolítica de desonerações incentiva o consumo, mas não o investimento, na contramão danecessidade atual da economia brasileira.O peculiar dessa política é que os efeitos no curto prazo são contrários aos efeitos permanentesna inflação. Enquanto no curto prazo a queda dos impostos tende a reduzir os preços e a gerarum alívio temporário, o impacto permanente é de mais inflação. E quanto maior o repasse dobenefício tributário pelas- empresas aos preços, maior será o incentivo ao consumo. Ou seja,quanto mais bem-sucedida a política sobre a inflação no curto prazo, mais difícil será segurar ainflação no médio prazo.Há um certo consenso tio País sobre os objetivos para a economia. É necessário combater ainflação, reduzir a carga tributária e o custo das empresas e incentivar a produção e oinvestimento. Mas o diabo está no desenho das políticas. As desonerações tributárias, serepassadas aos preços, aliviam a inflação no curto prazo, mas a pioram no longo prazo, já queincentivam o consumo, e não o investimento. Desonerações focadas nas empresas, financiadaspor cortes de gastos públicos, teriam efeito benéfico no longo prazo. Da mesma forma, inúmerasreformas que atacam a complexidade de produzir no País, com impacto direto na produtividade,poderiam incentivar o crescimento no Brasil e, simultaneamente, combater a inflação de formapermanente.22. Inflação em alta, crescimento pífio
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 46 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuAutor(es): ROSANA HESSEL » VICTOR MARTINSCorreio Braziliense - 29/03/2013Banco Central admite que vai seguir a cartilha de Dilma e protelar ao máximo a elevação dos jurospara estimular a retomada da atividade produtiva. Pelas suas projeções, o IPCA deste ano será de5,7% e o Produto Interno Bruto terá incremento de 3,1%O Banco Central deixou bem claro ontem que é a presidente Dilma Rousseff quem determina orumo da política monetária. Durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, sinalizouque vai tolerar a continuidade da alta dos preços até que a economia se recupere. Para o diretorde Política Econômica do órgão, Carlos Hamilton Araújo, porém, há um único remédio eficaz paraconter a alta inflação: a taxa básica de juros (Selic). Diante das incertezas no mercado interno eexterno, o BC indicou que deve esperar mais um pouco para tomar qualquer decisão. Na visãodos analistas, esse prazo pode acabar em maio, quando a maioria do mercado espera aumento de0,25 ponto percentual na Selic, de 7,25% para 7,50% ao ano.“No momento, a nossa percepção de inflação é maior que a média. Isso, em parte, se deve aaumentos grandes, e com frequência elevada, de itens que são muito visíveis. Alimentos ecombustíveis são os principais pontos. E quando os aumentos de preços estão concentradosnesses itens, a percepção da população é de que há mais inflação do que o índice de preçosaponta”, justificou Hamilton. Ao explicar sobre as armas necessárias para conter a alta do custode vida, o diretor do BC falou em “remédios ruins” que podem ser usados pelo Comitê de PolíticaMonetária (Copom) e citou o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1940-45 e 1951-55). “Tem várias coisas que podem ser feitas. Consta que, em certa oportunidade, Churchill disseque democracia é o pior sistema de governo com exceção de todos os outros. Para combater ainflação, a taxa de juros é o pior remédio à exclusão de todos os demais”, afirmou CarlosHamilton. “Agora, sobre o que vai ser feito, especificamente, o Copom vai se reunir, e isso é umadecisão do Comitê”, completou.Na avaliação do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, com essa afirmação, o BCsinalizou que vai obedecer à presidente Dilma, apesar de não concordar. “Esse comentário vai emdireção oposta ao que a presidente disse. Neste momento, o melhor é focar no combate dainflação e menos na retomada do crescimento. E os juros são, realmente, a ferramenta maiseficiente para conter a alta de preços”, destacou. Na última quarta-feira, em Durban, na África doSul, Dilma afirmou que “não concorda com políticas de combate à inflação que olhem a questãoda redução do crescimento econômico”. Diante da péssima repercussão entre os investidores, apresidente disse que sua fala foi “manipulada” pela imprensa e pelo mercado.AbandonoNo relatório divulgado ontem, o BC elevou a projeção para o Índice de Preços ao ConsumidorAmplo (IPCA) deste ano de 4,8% para 5,7%. Em 2014, prevê alta de 5,3%. Com isso, o governo
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 47Dilma Rousseff será marcado por um período de forte inflação e de crescimento pífio, com oProduto Interno Bruto (PIB) apontando média de crescimento anual de 2,55%. Nas contas do BC,o avanço do PIB em 2013 será de apenas 3,1%, depois de 2,7% em 2011 e de 0,9% no anopassado. Essa combinação nada confortável, de fraca atividade e custo de vida elevado, mostraque a autoridade monetária praticamente abandonou o compromisso de levar a inflação para ocentro da meta, de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IPCA acumuladoem 12 meses, por sinal, baterá em 6,7% no segundo trimestre deste ano, rompendo o teto dameta, de 6,5%.Na visão do economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, o relatório de 100páginas do BC confirma parte das declarações da presidente Dilma em Durban. “O texto diz que opaís tem um problema de crescimento e de choque de oferta. Enquanto tivermos esse quadro,com a economia patinando, o Banco Central não deverá tomar medidas mais firmes, como oaumento de juros”, disse. “Para que os juros não subam agora, o Ministério da Fazenda vai ajudarno controle da inflação com mais desonerações”, completou. A seu ver, a alta da Selic, se vier,começará apenas em agosto, chegando a 8,5% ao ano em dezembro. “A visão que tenho é deque há um risco inflacionário muito alto. O BC precisar agir, mas o risco de a economia nãocrescer é alto”, afirmou.DUAS PERGUNTAS PARASERGIO VALE, economista-chefe da MB AssociadosO Banco Central vem demorando para aumentar a taxa básica de juros (Selic), mesmo com ainflação se mantendo em um nível preocupante, o que pode custar caro ao país mais à frente. É oque ressalta o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. No entender dele, isso sódemonstra que a autoridade monetária está confortável em trabalhar com uma meta inflacionáriainformal de 5,5% e não de 4,5% ao ano, como foi definido pelo Conselho Monetário Nacional(CMN).Com esta previsão de 5,7% de inflação em 2013 de crescimento de 3,1%, o BC deixa aentender que não deverá elevar os juros como deveria?Ao anunciar projeção de inflação de 5,7% para este ano, o Banco Central deixa a percepção é deque está atrasado para subir a taxa Selic. Esse atraso apenas aumenta as expectativas nãoapenas para 2013, mas para os anos seguintes, pois sinaliza que a instituição está confortávelcomníveis próximos de 5,5%. Esse número está na cabeça de todo mundo como a verdadeira meta deinflação hoje. O perigo de atrasar ainda mais a decisão de aumentar os juros é a meta de inflaçãosubir mais um pouco, para 6%.Qual o fator do relatório de inflação que o senhor considera mais preocupante e que poderáespantar os investidores?O fato de a expectativa de inflação ter subido quase um ponto percentual de um relatório para ooutro e o BC praticamente não mudar o tom. Pelo contrário, a autoridade monetária continuainsistindo que a inflação tende a passar logo, que são problemas que não vão ocorrer mais, comocâmbio, aumento forte de salários e de alimentos. O problema é que os pontos relevantes forampraticamente deixados de lado. Um indicador importante, como a difusão (total de produtos e
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 48 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuserviços com preços remarcados), que está em mais de 75%, foi praticamente relevado às traçasno documento.23. Brasil tem a 6ª maior economiaBrasil passa Reino Unido e é 6 maior economiaO Globo - 07/03/2012PIB atinge US$ 2,48 tri, acima dos US$ 2,26 tri dos britânicos. No 4 trimestre, crescimento do paísfica apenas em 28 lugarPaulo JustusApesar do fraco desempenho registrado em 2011, inferior ao de outros países emergentes, oBrasil ultrapassou o Reino Unido e pulou do sétimo para o sexto lugar entre as maiores economiasno mundo. Convertido em dólares, o PIB brasileiro chegou a US$ 2,48 trilhões no período, acimados US$ 2,26 trilhões alcançados pelo Reino Unido - que avançou apenas 0,8% no ano passado.O ranking, segundo o banco WestLB, continua sendo encabeçado pelos Estados Unidos, com US$15,32 trilhões, seguido pela China, com US$ 7,42 trilhões.- Estamos próximos da França, que ocupa a quinta posição e teve um PIB 12% maior que o Brasilno ano passado, com US$ 2,78 trilhões - disse o estrategista-chefe do banco, Luciano Rostagno,responsável pela conversão dos PIBs em dólares.Ele acredita que o país deve ultrapassar a França em 2015, estimativa semelhante à do FMI. Issoconsiderando que o Brasil cresça 3,5% este ano, 4,5% no ano que vem e 5% em 2014 e 2015.Em contrapartida, a variação do PIB francês precisa se manter entre 1,5% e 2,5% nos próximosanos.Resultado foi pior que o de outros emergentesA comparação não é tão positiva para o Brasil quando se examina, não o valor monetário, mas avariação do PIB. Por esse critério, o país ficou na rabeira do Bric (grupo que reúne Brasil, Rússia,Índia e China) e abaixo de outros emergentes. Numa amostra com 18 economias, os 2,7%registrados em 2011 colocam o Brasil em oitavo lugar, atrás de China (9,2%) e Índia e Peru(ambos com 6,9%), por exemplo. Mas o país bateu as principais economias europeias, queatravessam grave crise financeira, e os EUA (1,7%).Já na análise que leva em consideração o desempenho do quarto trimestre de 2011 frente aomesmo período do ano anterior, a alta de 1,4% do Brasil o coloca em 28 lugar entre as 46economias que já divulgaram o dado.- Nosso PIB teve alta de 2,7%, mas a inflação ficou no teto da meta, de 6,5%. Isso mostra que
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 49nossa capacidade de crescer não só está limitada, mas está se reduzindo - disse AlessandraRibeiro, analista da Tendências Consultoria.Segundo ela, o mau desempenho do Brasil em relação aos emergentes mostra que o país aindanão fez a lição de casa. Em 2011, afirmou, a economia brasileira foi, mais uma vez, puxada peloconsumo das famílias, enquanto o desempenho dos países asiáticos refletiu uma poupança maiore um nível mais elevado de investimento.Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, as economias asiáticas ainda sebeneficiam da proximidade com a China. No caso dos países do Leste da Europa, que tambémregistraram crescimento expressivo, o melhor desempenho se deve à baixa base de comparaçãodos anos anteriores.- Muitos desses países europeus que tiveram crescimento alto no ano passado sofreram bastantenos anos anteriores. A Letônia, por exemplo, que cresceu 5,8% no quarto trimestre, chegou a teruma queda de dois dígitos no PIB na época da crise - afirmou.Mesmo na América Latina, o país teve um desempenho aquém do de outras economias. Nestecaso, mais uma vez, a falta de investimento fez a diferença, diz Carlos Honorato, professor daFundação Instituto de Administração (FIA):- Peru e Colômbia crescem mais que o país porque fizeram as reformas do Estado e planejaram aatuação em setores específicos. Não conseguimos ter uma visão de longo prazo.Segundo levantamento da Austin Rating, o crescimento de 2,7% do PIB brasileiro em 2011 ficouabaixo da média de 3,8% dos 18 países que já divulgaram o dado. No quarto trimestre, a alta de1,4% também ficou abaixo da média de 2,5% de 46 países.24. Mesmo 6ª economia, Brasil continua pobre, dizeconomista da UnctadEspecialistas ouvidos pela BBC Brasil pedem cautela com previsão de que Brasil vai ultrapassarInglaterra e se tornar 6ª maior economia do mundo.Da BBCO Brasil continuará sendo um país pobre, mesmo com a previsão de que a sua economia vaiultrapassar a britânica como 6ª maior do mundo, segundo o economista Joerg Mayer, da divisãode globalização e desenvolvimento estratégico da Conferência das Nações Unidas para o Comércioe o Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês)."O país ganha um pouco de prestígio, mas, como a população brasileira é muito numerosa, arenda média é muito mais baixa", disse o economista à BBC Brasil. "Mesmo como sexta economiamundial, o Brasil continua pobre", afirmou.Agnès Bénassy-Quéré, diretora do Centro de Pesquisas Prospectivas e de InformaçõesInternacionais, em Paris, também relativiza as projeções divulgadas nesta semana. "É precisomuita precaução", disse a economista à BBC Brasil.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 50 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu"O Brasil apresenta um crescimento fulgurante, pois os cálculos são feitos em dólar, que tem sedesvalorizado nos últimos anos. Não é possível dizer que esses números são definitivos", afirmoua economista.Para Bénassy-Quéré, o excesso de valor do real é o fator principal para a economia brasileiraultrapassar a da Grã-Bretanha. "A moeda brasileira valorizou-se muito nos últimos anos, enquantoa libra esterlina sofreu uma forte desvalorização. Isso faz uma diferença enorme."Assim como o representante da Unctad, a economista francesa acredita que o cálculo maisrealista para mostrar a situação da economia brasileira atualmente deveria basear-se no PIB percapita."O PIB per capita do Brasil representa apenas 25% do americano", diz Bénassy-Quéré. "Nasprojeções que fizemos, em 2050 o PIB per capita brasileiro alcançará apenas 45% do nívelregistrado nos EUA."Maré altaApesar da dificuldades, ambos acreditam que o crescimento da economia ajudará a melhorar osíndices sociais brasileiros a longo prazo. "Na maré alta, todos os barcos sobem", afirma Bénassy-Quéré. Para ela, o momento é de investir em setores estratégicos para o desenvolvimento dasociedade brasileira."É preciso adotar medidas políticas que mudem dois pontos essenciais: a educação e apoupança", diz a economista."Se pegarmos o nível de educação no Brasil, vemos que ele é muito baixo, com menos de 10% dapopulação ativa com um diploma universitário. Isso situa o país muito abaixo de China, Índia eRússia, por exemplo."Sobre o risco de inflação devido ao forte crescimento da economia - destacado constantementepelo Banco Central na hora de aumentar as taxas de juros -, Mayer afirma que basta uma políticasalarial atrelada à produtividade."Se os salários aumentam junto com a produção e não por causa da demanda, é possívelcontrolar a inflação sem mexer nas taxas de juros", explica o economista.As projeções de que o Brasil deve ultrapassar a Grã-Bretanha como 6ª economia mundial foramfeitas pelo Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), com sede naGrã-Bretanha.A previsão, que já havia sido feita por outras entidades, só poderão ser confirmadas nos primeirosmeses de 2012, quando ambos os países divulgarão o resultado do crescimento de suaseconomias.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 5125. Desaceleração da economia foi maior do que aesperada, mas ajudou Banco Central a reduzir Selic08/06/2012Pedro PeduzziRepórter da Agência BrasilA desaceleração da economia brasileira no segundo semestre de 2011 – motivada por uma sériede medidas adotadas no período pelo governo para evitar o aumento da inflação – foi maior doque a esperada. Além disso, apesar de a inflação de serviços ainda seguir em níveis elevados, oconjunto de informações analisadas pelo Banco Central (BC) sugere tendência declinante dainflação acumulada em 12 meses, em direção à meta de inflação, que em 2012 tem como centro4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.Esses fatores, de acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) doBC, divulgada hoje (6), estão entre as justificativas da redução da taxa básica de juros, a Selic,para 8,5% ao ano, o nível mais baixo já registrado desde que a atual política monetária foiadotada, no início de 1999. A taxa básica de juros é responsável por remunerar os títulos públicosdepositados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).O Copom manteve a projeção de que não haverá reajuste nos preços da gasolina e do gás debotijão no acumulado de 2012. No caso das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, forammantidas as estimativas de reajuste de 1,5% e de 1,3%, respectivamente. Essas projeçõestambém levaram a autoridade monetária a considerar o cenário favorável para a redução da Selic.Segundo o comitê, o processo de redução dos juros foi favorecido, também, pelas mudanças naestrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito,bem como pela geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendênciadecrescente para a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Esses fatores,diz a ata, “contribuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores desolvência e de liquidez”.De acordo com a ata, o cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxade câmbio do dólar em R$ 2,05 e da taxa Selic em 9% ao ano. Nesse cenário, avalia o Copom, aprojeção para a inflação de 2012 diminuiu em relação ao percentual considerado na reunião deabril, e se encontra em torno do valor central de 4,5% para a meta fixada.No cenário de mercado, a projeção de inflação para 2012 também diminuiu e se encontra emtorno do valor central da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quemede a inflação oficial do país, ficou em 0,64% em abril, ante 0,21% em março e 0,45% emfevereiro. Em 12 meses, a inflação acumulada chega a 5,1% em abril, resultado inferior aos
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 52 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu5,24% registrados em março.O Copom avalia que a demanda doméstica tende a melhorar, especialmente o consumo dasfamílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da rendae a expansão moderada do crédito.Esse ambiente, diz a ata, tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demandadoméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas. Ocomitê, no entanto, pondera que iniciativas recentes reforçam um cenário de contenção dasdespesas do setor público. Em relação ao mercado de trabalho, o Copom avalia que, de acordocom os dados analisados, “embora o mercado de trabalho continue robusto, há sinais demoderação na margem”.O cenário internacional também tem contribuído para o controle dos preços no Brasil. Segundo oCopom, até o momento a fragilidade da economia global tem apresentado uma contribuição“desinflacionária” para o país.“Eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia,e que continuam elevados os riscos associados ao processo de desalavancagem – de bancos, defamílias e de governos – ora em curso nos principais blocos econômicos. Esses e outroselementos, portanto, compõem um ambiente econômico em que prevalece nível de incertezamuito acima do usual. Para o comitê, o cenário prospectivo para a inflação, desde sua últimareunião, manteve sinais favoráveis”, diz a ata.26. Inadimplência já pressiona taxasValor Econômico - 01/04/2013Empresas que precisaram usar crédito neste começo de ano perceberam que as taxas de juros dequase todas as linha ficaram mais caras. No caso de pessoas físicas, dependendo do banco, quementrasse no cheque especial ou financiasse um carro entre janeiro e março deste ano teria igualpercepção de preços mais altos.Os motivos: inadimplência resistente e juro futuro em alta.Levantamento feito pelo Valor aponta que, depois de caírem em 2012, as taxas de juros dasprincipais modalidades de crédito oferecidas pelos cinco maiores bancos do país se estabilizaramneste ano ou até sofreram uma leve alta. A taxa média mensal cobrada das empresas por Bancodo Brasil, Caixa, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander subiu até 0,5 ponto percentual do quartotrimestre de 2012 para o início deste ano. No caso de pessoas físicas, o movimento de alta se deuem Banco do Brasil e Santander.Daqui para a frente, de acordo com três executivos de bancos públicos e privados consultados, atendência é que os cortes de taxas vistos em 2012 não se repitam. Apenas linhas como créditoconsignado, imobiliário e empréstimos a grandes empresas ainda devem passar por reduções. Porserem modalidades que envolvem mais garantias, todos os bancos têm manifestado intenção de
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 53fazer mais negócios nelas, o que acirra a concorrência.A persistência da inadimplência e a perspectiva de elevação da taxa básica de juros da economiaestão entre os fatores mais citados pelos bancos para justificar a interrupção da trajetória dedeclínio. Segundo o diretor de um banco privado, as instituições reduziram as taxas em 2012acreditando que a inadimplência cairia de uma forma mais acentuada. Como isso não aconteceu,a queda dos juros comprimiu os ganhos dos bancos. Por isso, as recentes remarcações.A alta dos juros nos mercados futuros, impulsionada pela expectativa de elevação da Selic,também já é citada como capaz de encarecer o preço do dinheiro.Para a Caixa, o que pode permitir uma nova rodada de redução é o ganho de eficiência. "Àmedida que a gente tenha sucesso [em reduzir custos e ganhar eficiência], vamos transferir issopara os clientes", disse Márcio Percival, da Caixa.Uma melhor análise de risco também pode mexer nos custos. "O cadastro positivo, a serimplantado em agosto deste ano, será de fundamental importância para que os bancos possamdesenvolver uma leitura mais adequada e individualizada da qualidade de crédito", afirmou oSantander em nota. Itaú e Banco do Brasil afirmaram que revisam de forma permanente as taxasque cobram.27. Inflação é maior para quem ganha até 2,5 saláriosINFLAÇÃO DOS ALIMENTOS AFETA MAIS A BAIXA RENDAAutor(es): Fernanda NunesO Estado de S. Paulo - 01/04/2013Alta de alimentos impacta mais consumidor de baixa renda do que a média da população, informaFGVO Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC - C1), indicador que mede a inflação entre apopulação com renda até 2,5 salários mínimos calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foide 6,94% em fevereiro, superior ao da média dos brasileiros, de 6,04%. A alta foi puxada peladisparada de preços dos alimentos adquiridos por esses consumidores, que subiram mais do queos da média da população nos últimos 12 meses. Em fevereiro, a inflação dos alimentos foi de13,94% no IPC-C1, ante 12,29% da inflação geral, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor -Disponibilidade Interna (IPC - DI). A previsão é de que a desoneração de parte da cesta básica,adotada pelo governo em março, represente um alívio para esse consumidor de baixa renda. Adesaceleração, porém, deve ser lenta, de acordo com especialistas, e não ocorrerá em menor detrês meses.Em 12 meses, preços dos alimentos mais consumidos por quem ganha até 2,5 salários mínimossubiram mais que os da média da população
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 54 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuO aumento dos preços dos alimentos ao longo dos últimos meses vem tirando o fôlego ecomprometendo a capacidade de compra de um grupo em especial: o consumidor de baixa renda.Para esse segmento, base da festejada “nova classe média”, a inflação pesa mais.O indicador que mede a variação de preços em 12 meses para as famílias com ganho mensal deaté 2,5 salários mínimos, em fevereiro, foi de 6,94%, nível superior ao da média dos brasileiros,que registrou 6,04%.A diferença da inflação por classe de renda ocorre, na verdade, desde julho do ano passado. AFundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-Ci,a chamada inflação dabaixa renda) e o índice de PreÇOS ao consumidor - Disponibilidade Interna(IPC-DI), vem registrando o deslocamento.Isso acontece porque os preços dos alimentos adquiridos pelos consumidores de rendimento maisbaixo dispararam. Para a população mais pobre, 30% do salário são destinados às compras desupermercado, enquanto para a média dos brasileiros os alimentos representam 20% dasdespesas. Em fevereiro, último indicador divulgado, a inflação dos alimentos variou 13,94% noIPC-Ci e 12,29% no IPC-DI.A inflação para a baixa renda• QuedaANDRÉ BRAZECONOMISTA “A tendência da inflação dos alimentos é desacelerar.A medida do governo de desoneração da cesta básica, cedo ou tarde, terá resultado. Mas essadesaceleração deve ser lenta.”passou a ser mais sentida neste início de ano, com o fim de alguns programas de incentivo aoconsumo, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bens duráveis.Mas o maior peso vem dos alimentos e a tendência, segundo o economista André Braz, doInstituto Brasileiro de Economia (Ibre)da FGV,é que a alta de preços desseS produtos perca ofôlego daquf pàra frente. Com isso, diz Braz* a baixa renda pode ter um alívio nos próximosmeses.Enquanto isso, a expectativa é que o governo mire suas ações exatamente no alívio do orçamentodesse grupo de consumidores, que vem puxando o aumento do consumo das famílias naeconomia. O professor da Faculdade de Economia e coordenador da Fipe Rafael Costa Limaacredita que as medidas devem ter como foco a inflação como um todo, porém, com atençãoespecial a setores que atendam à“nova classe média”.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 55Ainda assim, a avaliação do economista é que, com a renda do trabalho se mantendo em alta, oconsumo pela população de baixa renda continuará forte. “Não imagino que a inflação vai corroertanto o poder de com: pra dessa população”, afirmou.Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes, no entanto, avariação de preços para esse grupo de consumidores é preocupante.Idosos. Além dos pobres, a população idosa é outro grupo que também é mais punido com ainflação dos alimentos. O último dado disponível do IPC-3Í, que mede a inflação das famílias comindivíduos com mais de 60 anos, mostra que, em 2012, o indicador teve alta de 5,82%, enquantoo IPC-DI foi de 5,74%. A FGV apura a inflação dos mais idosos trimestralmente, portanto, osresultados deste ano ainda não são conhecidos.Braz, da FGV, diz que, na atual conjuntura os idosos sentem mais os efeitos da inflação porconsumirem mais alimentos in natura, que têm sido os vilões dos preços. O economista pondera,no entanto, que essa alta pode ser contrabalançada pelo fato de os mais idosos sentirem menosos efeitos do reajuste de transporte público, porque boa parte deles tem passe livre no ônibus. /COLABOROU M.C.28. BB e caixa derrubam juros para estimular a economiaCORRIDA PELOS JUROS BAIXOSAutor(es): Geralda Doca, Gabriela Valente,O Globo - 05/04/2012BB se antecipa à Caixa e anuncia cortes de até 78% em suas taxas. Expectativa é que bancosprivados sigam caminhoA concorrência começou no próprio governo. Quando soube que a Caixa Econômica Federallançaria no domingo seu pacote de redução dos juros com uma campanha publicitária no intervalodo "Fantástico", o Banco do Brasil (BB) se antecipou e anunciou corte de até 78% em suas taxasno início da tarde de ontem. Decidiu também divulgar o pacote, batizado de "Bompratodos", napróxima edição do programa dominical. A propaganda do BB só iria ao ar no dia 15. O movimentocoordenado para derrubar o custo do crédito foi uma determinação da presidente Dilma Rousseffpara impulsionar o crescimento do país, como antecipou O GLOBO em fevereiro.- O Banco do Brasil optou por ser pioneiro na redução dos juros - disse o vice-presidente deAtacado, Paulo Caffarelli, que aposta que o comportamento do banco terá impacto no mercado.Em comunicados divulgados ontem depois do anúncio dos cortes pelo BB, o Itaú Unibancoinformou que está analisando o cenário para decidir se irá ou não reduzir juros. Já o Bradesco
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 56 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuafirmou que "avalia a possibilidade de redução" de suas taxas, enquanto o Santander disse emnota que "vem reduzindo as taxas de juros de seus produtos, nos últimos meses".Segundo interlocutores do governo, os estudos apontam que a tacada nos juros vai reduzir osganhos dos dois bancos em mais de R$ 2,5 bilhões por ano. No BB, os juros do financiamento deveículos, por exemplo, caíram de no mínimo 1,24% ao mês para 0,99% ao mês. Quem recebesalário pelo banco terá juros de 3% ao mês no crédito rotativo do cartão. A taxa anterior chegavaa 13,62%.O BB também lançou linhas específicas para estimular o consumo. O juro médio será reduzido em45% na aquisição de eletroeletrônicos, materiais de construção, serviços de turismo,equipamentos de informática e outros bens e serviços.A Caixa só divulgará o pacote de medidas na segunda-feira mas, segundo fontes, os cortes serãoainda mais ousados. Quem recebe salário pelo banco - por exemplo, boa parte dos funcionáriospúblicos - poderá pagar juros de apenas 1,30% ao mês no cheque especial. No cartão de crédito,a taxa cairá de 12,86% para 5,98%.O alvo do BB são os 31 milhões de pessoas que recebem seus salários por outras instituições;17,8 milhões de aposentados que não têm relacionamento com o banco e ainda 50 milhões declientes da chamada nova classe média que tendem a consumir cada vez mais serviços bancários.A expectativa é atingir 69 milhões de pessoas. O BB aumentará em R$ 26,8 bilhões os limites decrédito para micro e pequenas empresas e em R$ 16,3 bilhões os limites para pessoas físicas.Para especialistas,taxas são insustentáveisApesar da determinação do Palácio do Planalto de usar os bancos públicos para forçar queda nosspreads (diferença entre o custo da captação e o valor cobrado do tomador final), dentro dopróprio governo há dúvidas de que as duas instituições terão fôlego para segurar empréstimos tãobaratos por muito tempo, caso haja uma corrida para eles. Há também preocupação com o risco.Para o economista Roberto Troster, as novas taxas para cheque especial e cartão sãoinsustentáveis a longo prazo. Ele lembrou que, em fevereiro, a taxa média anual do chequeespecial da Caixa estava em 140% ao ano e com a mudança, ficará em 15% (para quem recebepelo banco).Segundo Carlos Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, os acionistasdo BB vão começar a reclamar quando virem minguando o lucro do banco, que tem ficado nopatamar do setor privado. Caffarelli, do BB, nega que haverá recuo nos ganhos, já que conta comelevação da base de clientes.Para especialistas, os cortes podem levar a uma redução de juros em outros bancos, mas aindanão há espaço para um movimento de quedas acentuadas das taxas no país.- O ideal seria se baixasse os juros do crédito para todos os clientes, mas se for só para quem temsalário no banco é como se fosse consignado - diz Miguel Oliveira, economista da AssociaçãoNacional dos Executivos em Finanças (Anefac).Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, observa que os juros tendem a cair de qualquerforma, já que a Selic, que está em queda, deve fechar o ano em 9%. Basta a inadimplência, queera superior a 7% em fevereiro, ceder.Após o anúncio dos cortes, as ações do BB despencaram 5,91%, a maior queda do Ibovespa,
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 57índice de referência da Bolsa, que recuou 1,18%. Também afetaram as ações do setor bancáriocomo um todo, com quedas nas ações preferenciais (PN, sem voto) de Itaú Unibanco (3,08%) eBradesco PN (2,52%). As do Santander caíram 1,79%.29. OCDE indica que Brasil vai crescer abaixo da tendênciaOCDE prevê crescimento no mundo mas em ritmos diferentesRFIOs últimos dados dos indicadores avançados da Organização para a Cooperação e oDesenvolvimento Econômico (OCDE), publicados hoje e referentes a janeiro,confirmam que os países ricos caminham para a retomada do crescimento,especialmente a Alemanha. Já o crescimento do Brasil, que não faz parte da entidade,deve continuar ligeiramente abaixo da tendência.No quadro geral, o índice de indicadores da atividade econômica dos 34 países da OCDE subiupara 100,4 em janeiro, 0,1 ponto percentual acima do índice de dezembro. Dados acima de 100demonstram uma tendência superior à esperada anteriormente, portanto os dados indicamcrescimento econômico "firme", na análise da organização, baseada em Paris.O índice para o Brasil – que é analisado mesmo sem ser membro – permaneceu em 99,4 emjaneiro. A China e a Índia, por sua vez, registram um crescimento bem menos acelerado do queas previsões.Na zona do euro, a Alemanha apresentou a melhor performance, com avanço de 99,2 para 99,6pontos. França e Itália, segunda e terceira economias do bloco, a economia permanece estável,porém sem tendência de crescimento. Já o Reino Unido “se aproxima da sua tendência a longoprazo, mas num ritmo lento”, conforme a OCDE.A avaliação dos economistas é de que os números comprovam o fim do deterioramento dasituação, mas indicam que os europeus só devem registrar verdadeiro crescimento a partir de2014. Fora da zona do euro, os Estados Unidos e o Japão demonstraram a continuidade docrescimento.30. A crise europeia e o Pibinho do BrasilMercado vê Pibinho de 1,9% em 2012Autor(es): VICTOR MARTINS ROSANA HESSEL VERA BATISTACorreio Braziliense - 17/07/2012
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 58 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuEnquanto espanhóis saem às ruas e chamam de "assalto" o corte de benefícios pelo governo deRajoy, no Brasil analistas de mercado refazem as contas e reduzem de 2,01% para 1,9% aprevisão de crescimento do país. No dia a dia, brasileiros começam a sentir no bolso os efeitos dacrise global: medo de calote leva concessionárias a exigir entrada de 60% no financiamento deveículos.Pela 10ª semana seguida, analistas cortam projeção para o avanço do Produto Interno Bruto. Seconfirmado, será o pior resultado desde 2009. Apesar do fraco ritmo da atividade, inflaçãocontinuará corroendo o poder de compra das famíliasNotíciaGráficoO pessimismo está cada vez maior. Para desespero do governo, o mercado financeiro refez ascontas e cortou, pela 10ª semana seguida, a projeção de crescimento da economia para 2012, de2,01% para 1,9%. Foi a primeira vez que as previsões para 2012 ficaram abaixo de 2%. Mais doque nunca, segundo especialistas, está claro que o efeito da crise mundial será maior do que oestimado pelo Banco Central, que, até três meses atrás, acreditava que o impacto dasturbulências internacionais na economia brasileira seria de um quarto do observado em 2008.Será muito maior. E, pior: já compromete o ano de 2013. Tanto que as estimativas de avanço daatividade também recuaram, de 4,5% em agosto do ano passado para 4,1% ontem."Infelizmente, a realidade está falando mais alto. A falta de confiança dos consumidores e,sobretudo, dos empresários, está minando a economia brasileira. Teremos, em 2012, o piorresultado desde 2009, quando o Brasil afundou na recessão", admitiu um técnico da equipeeconômica. O BC constatou, porém, que nem tudo está perdido. Em maio último, a queda de0,02% na prévia do PIB calculado pela instituição só não foi maior graças à reação esboçada noCentro-Oeste e no Nordeste, regiões que cresceram, respectivamente, 1,2% e 0,3% no período.Essas economias estão sendo puxadas pelo aumento da massa salarial, pelo consumo de serviçose de bens duráveis e pela ligeira recuperação do agronegócio."A economia do Centro-Oeste está sendo impulsionada pelo setor agroindustrial, que predominaem Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul e em Goiás. A região ainda tem peso grande do setorpúblico por conta do Distrito Federal", explicou Júlio Myragaia, coordenador da Comissão dePolítica Econômica do Conselho Federal de Economia. Ele lembro ainda que Brasília, por ter 55%do seu PIB determinado pelo funcionalismo público, é menos afetada pela crise. "Quem estásofrendo mais com a desaceleração mundial é a indústria, e isso é uma coisa favorável para o DFe para o Centro-Oeste. O setor tem peso de apenas 2% no PIB da região", observou.ProblemasNewton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, endossou: "A alta dos preços dasoja e do milho deram sustentação à renda no interior do país". Na sua avaliação, a crise é maisvisível na indústria porque o setor está mais exposto ao comércio exterior. "Mas isso não querdizer que os problemas estão restritos às fábricas. Outros segmentos da economia começam a darsinais de fraqueza", disse. Nos cálculos dele, o PIB brasileiro, diante do quadro de desaceleração,deve terminar o ano com crescimento de 1,5%. Para Mauro Schneider, economista-chefe doBanco Banif, o avanço será de, no máximo, 1,7%.Pelos números do BC, a maior economia do Brasil, São Paulo, amargou, em maio, retração de0,66%, mês em que a indústria nacional — concentrada majoritariamente no estado — demitiu
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 591,7% dos funcionários e diminuiu a produção em 4,3% na comparação com igual período do anopassado. Apenas as fábricas paulistas encolheram 6,9% nessa mesma base de comparação. MinasGerais também sofreu os efeitos da crise e teve seu PIB dilapidado em 2,43% devido,principalmente, à menor produção de carros da Fiat e à diminuição do ritmo dos fornos daUsiminas.Apesar da fraca atividade do país e das perspectivas ruins, a inflação, mesmo em nível tolerável,se mantém resistente. Mauro Schneider explicou que o custo de vida no país é elevado por causada enorme quantidade de contratos corrigidos pela inflação passada. Em média, 30% do Índice dePreços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência pelo governo, vêm desses contratos,incluindo as tarifas públicas. "Outro problema é a redução da oferta. Enquanto a indústria seretrai, o consumo continua forte, mesmo que em bases menores que a observada recentemente",assinalou. Para 2012, o mercado estima um IPCA de 4,87%. Em 2013, a estimativa é de alta de5,50%.Essa resistência da inflação, num quadro de baixo crescimento, está ressuscitando entre osespecialistas o debate sobre a possibilidade de o Brasil enfrentar o que chamam de estagflação.Ou seja, a combinação de fraco avanço do PIB com elevados índices de preços. "Esse temor tendea aumentar nos próximos meses, principalmente devido à quebra na safra de soja e de milho dosEstados Unidos, que já está forçando a alta dos preços desses produtos, base da cadeiaalimentar", destacou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.Ele ressaltou que esse risco se potencializa quando o crescimento dos países emergentes perdefôlego, como agora. "Ainda vamos ouvir falar muito nessa palavra, estagflação. Os preços dascommodities agrícolas (produtos com cotação internacional) vinham caindo, mas, com a quebrada safra dos EUA, ocorreu uma inversão, o que é bastante preocupante, pois a economia global,principalmente a europeia, está à beira de uma recessão", completou Leal. "Os alimentos vão ficarmais caros, pois ninguém deixa de comer. Agora, a produção industrial continuará desacelerandose a crise na Europa perdurar."DesânimoCom a enxurrada de notícias ruins, o Brasil caiu da segunda para a oitava posição no rankingmundial de otimismo entre os empresários. Segundo a pesquisa International Report (IBR) 2012,da Consultoria Grant Thornton , 61% dos executivos brasileiros têm boas expectativas para ospróximos 12 meses contra os 86% registrados no primeiro trimestre do ano. Situação contráriaocorreu com o otimismo global, que subiu quatro pontos percentuais, de 19% para 23%.Segundo Fábio Luís de Souza, da Grant Thornton, com a continuidade da crise internacional, oempresariado brasileiro começa a sentir os efeitos dos cortes de investimentos e da fragilidade doconsumo, já que as famílias estão muito endividadas e o governo não consegue executar seusprojetos a contento. "As perspectivas não são mais animadoras, com a confirmação de umcrescimento modesto do PIB e as políticas de incentivo do governo focadas no consumo e não noinvestimento produtivo", afirmou.Na América Latina, o nível de otimismo caiu 20 pontos percentuais, de 73% para 53%. NaAmérica do Norte, subiu de 47% para 52%. E, no Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África doSul), manteve-se em 41%. Na Zona do Euro, melhorou dois pontos, mas continuou negativo (-2%). Espanha é o país com maior grau de pessimismo: -66%, seguida de Grécia (-58%), Holanda
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 60 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu(-46%) e Japão (-41%). Segundo o estudo, entre os mais otimistas estão os empresários do Peru(96%), do Chile (90%) e do Canadá (70%).31. Economia: Em marcha lenta, Brasil perde posto de sextaeconomia mundialJosé Renato SalatielUOLGuido Mantega, ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, ocupou o mesmo cargo, bemcomo o de ministro do Planejamento no governo LulaEm um ano de crescimento em ritmo lento, o Brasil perdeu para o Reino Unido o sexto lugar noranking das maiores economias do mundo. O desaquecimento da economia brasileira é resultadoda crise internacional, que afetou os Estados Unidos e a União Europeia.Nas últimas décadas, a estabilidade econômica fez com que o Brasil fosse um dos países que maissubissem no ranking das maiores economias mundiais. Em meio à crise que atingiu as naçõeseuropeias, o país ultrapassou a Itália e se tornou a sétima maior economia em 2010. No final doano passado, superou o Reino Unido e assumiu a 6aposição do ranking, liderado por EstadosUnidos, China, Japão, Alemanha e França.Este ano, porém, a queda do PIB (Produto Interno Bruto) e a desvalorização do real perante odólar causaram a queda de colocação. Segundo a Economist Intelligence Unit (EIU), que elabora alista, somente em 2016 o Brasil poderá reassumir o posto ocupado pelos britânicos, em razão,principalmente, da taxa de câmbio.Isso acontece porque o levantamento é feito com base no PIB nominal – a soma de todas asriquezas de um país – convertido em dólar. O real tem hoje uma desvalorização aproximada de12% em relação ao dólar, enquanto a libra esterlina (moeda inglesa), atingiu uma valorização dequase 4%.A desaceleração da economia foi outro fator preponderante para o rebaixamento. Dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram, em novembro, um aumento de apenas0,6% da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período noano anterior.O fraco desempenho fez com que o mercado revisse as projeções iniciais de crescimento de 4,5%para somente 1,2% este ano, índice inferior ao de muitos países europeus em crise e abaixo damédia de 3,1% estimada para a América Latina.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 61Tal situação foi provocada pela recessão na Europa e desaceleração econômica nos EstadosUnidos e na China, cujos efeitos atingiram o setor de produção e os investimentos na indústriabrasileira.Nos países desenvolvidos, a crise gera desemprego, reduz o consumo e diminui o valor decommodities (produtos em estado bruto, como café e petróleo), o que gera impactos nasexportações brasileiras e na produção nacional. Os investimentos, por sua vez, também sãoreduzidos, pois esses países em dificuldades financeiras precisam redirecionar recursos para cobriros prejuízos nas contas domésticas.Para 2013, o Governo Federal e o Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)projetam um crescimento econômico de 4%, enquanto analistas do mercado financeiro, maiscautelosos, apontam 3,4%. Mas isso dependerá da melhoria na economia internacional.Zona do EuroAs expectativas para a economia mundial em 2013, no entanto, não são das melhores. A Europa eos Estados Unidos devem continuar em lenta recuperação de suas finanças, segundo analistas.Em 2012, a Zona do Euro, formada por 17 países que adotaram a moeda única, entrouoficialmente em recessão econômica. Este termo significa que houve uma retração na atividadeeconômica, com queda na produção, maiores taxas de desemprego e perda do poder aquisitivo daclasse média.Há um consenso de que uma economia entra em recessão após dois trimestres seguidos deredução no PIB. Foi o que aconteceu na Europa, que registrou no terceiro trimestre deste anouma queda de 0,1%, seguindo a tendência do segundo trimestre, que apresentou contração de0,2% na economia.A recessão na Zona do Euro foi causada pela crise das dívidas públicas. Os gastos públicos dospaíses europeus, que já eram altos antes da crise de 2008, tornaram-se insustentáveis quando osgovernos tiveram que “injetar” trilhões de dólares no mercado para evitar a falência dos bancos.Depois, para equilibrar as contas, tiveram que apelar para pacotes econômicos que incluíram ocorte de benefícios sociais e aumento de impostos. As indústrias tiveram que demitir, aumentandoo número de desempregados.Agora, se as contas não forem balanceadas, a dívida pública de metade dos 27 países quecompõem a União Europeia (UE) será o correspondente a 60% do PIB dessas nações em 2014,segundo um relatório divulgado recentemente por especialistas da Comissão Europeia.EmergentesJá nos Estados Unidos, que ainda sentem o efeito da crise, democratas e republicanos tentamchegar a um acordo para evitar o abismo fiscal no primeiro dia de 2013. Abismo fiscal é uma série
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 62 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreude medidas previstas, como cortes de gastos e de tributos, que, caso sejam efetivadas, podemlevar o país a um novo período de recessão.Nesse cenário global, os chamados emergentes, que ganharam destaque ao continuaremcrescendo em meio à crise de 2008, agora também passam por dificuldades. É o caso, além doBrasil, da China, que terá em 2012 o pior desempenho em três anos – aumento de 7,4% no PIB,a metade de três décadas atrás, mas ainda excepcional se comparado ao de outros países.Entender essas mudanças na economia mundial é importante porque elas influenciam movimentospolíticos que, por sua vez, geram transformações sociais.32. Brasil e UE tentam acelerar investimentosValor Econômico - 01/04/2013José Durão Barroso já informou a presidente Dilma sobre quem integrará o lado europeu dacomissãoA União Europeia (UE) e o Brasil estão acelerando a implementação de um comitê de ministrospara reduzir entraves e promover investimentos e competitividade nos dois lados. A iniciativa foiacertada na cúpula UE-Brasil, em fevereiro em Brasília, e não é por acaso que tem nívelministerial, conforme negociadores. Pelo menos no papel, o objetivo é tomar decisões concretas,em sintonia com empresários europeus e brasileiros.Algumas decisões para estimular negócios podem ocorrer ou ser sugeridas na cúpula que ocorreráneste ano em Bruxelas.O presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, enviou carta à presidente Dilma Rousseffinformando que os representantes europeus no grupo serão o vice-presidente da comissão ecomissário de Indústria, Antonio Tajani; o comissário de Comércio, Karel de Gucht; e a comissáriapara Ciência, Pesquisa e Inovação, Màire Geoghegan-Quinn. O Brasil está ultimando sua escolha.A UE tem pressa. Um estudo da Comissão Europeia concluiu que 90% do crescimento econômicoglobal deve ser gerado fora de seus 27 países membros, até 2015.A UE é o principal parceiro comercial do Brasil. É também o maior investidor no país com estoquede mais de € 180 bilhões, mais que todos os investimentos europeus somados na China, Índia eRússia. Por sua vez, o estoque de investimentos diretos brasileiros nos países da UE superam os €67 bilhões, transformando o Brasil no quinto maior investidor no bloco.Conforme os europeus, existe crescente interesse em estabelecer ou ampliar a presença no Brasil,inclusive por parcerias público-privadas. E há foco em crescente competitividade de empresasbrasileiras no mercado europeu.Enquanto os europeus reclamam de problemas burocráticos que causam protecionismo, o ladobrasileiro aponta questões de regras de concorrência não escritas ou sobre ajuda do Estado parainovação e tecnologia, que são complicadas e dificultam empresa brasileira instalada na UE a ter
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 63aceso aos programas.Estudo de três especialistas do Centre for European Policy Studies, Daniel Gross, Cinzia Alcidi eAlessandro Giovannini, examina o interesse estratégico da Europa e o potencial da economiabrasileira, e sugere que Brasília e Bruxelas busquem nova iniciativa econômica bilateral. Como oBrasil não pode negociar acordos comerciais clássicos sem o Mercosul, a ideia seria de brasileirose europeus aprofundarem outros temas, como facilitação de comércio e para investimentosdiretos brasileiros na Europa em crise.Para Luigi Gambardella, presidente da UEBrasil, entidade que procura reforçar os vínculosbilaterais, o Brasil tem também um interesse vital em aprofundar sua parceria econômica com aEuropa para não ficar isolado pelo lançamento da negociação UE-Estados Unidos e pelo avanço doAcordo Comercial Transpacífico (TPP) que reune EUA, Japão, Austrália, Chile, Malásia, NovaZelândia, Peru, Cingapura, Vietnã e outros. "Esses países estão entre os clientes brasileiros maisimportantes e o Brasil não pode correr o risco de ser bloqueado por essas novas grandesiniciativas bilaterais."33. O fim da era Lula na economiaAutor(es): Tony VolponValor Econômico - 03/05/2012Acabou a mais recente "época de ouro" da economia brasileira? Depois de dez anos dedesempenho surpreendente, há hoje muitas dúvidas sobre as perspectivas para os próximos anos.O governo certamente não concordaria com qualquer avaliação mais pessimista, mas o recentefrenesi de medidas mostra que os ocupantes de Brasília estão preocupados.A preocupação com o crescimento não é novidade. Desde agosto do ano passado o Banco Central(BC) tem proporcionado estímulo monetário; e a, na época, muita criticada decisão de iniciar umciclo de cortes de juros agora parece acertada.A estratégia adotada naquele momento foi bastante ortodoxa, enfatizando o afrouxamentomonetário com política fiscal austera. Mas, recentemente, temos assistido a uma quase avalanchede medidas pontuais, direcionadas aos dois setores que mais preocupam: indústria e o mercadode crédito. O governo parece finalmente entender que o Brasil enfrenta fatores estruturais edomésticos que impedem um crescimento mais vigoroso. Que esses se manifestarão e forampotencializadas durante uma severa crise internacional não deveria ser nenhuma surpresa:deficiências estruturais sempre ficam mais evidentes em momentos de piora conjuntural.Novo paradigma de crescimento tem que mudar a relação investimento, consumo e poupançaOs problemas da indústria têm sido explicados basicamente pela valorização contínua do realnesses últimos anos, mas essa é uma explicação parcial. Comparando os períodos pré e pós-crise,vemos que antes da crise, e apesar da forte valorização cambial, a indústria estava em franca
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 64 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreuexpansão e investindo pesadamente. Depois da crise a história é outra, com fraco desempenho,baixos investimentos e queda de produtividade. A razão para esse desempenho distinto seencontra não nos movimentos do dólar, mas sim em dois fatores do período pós-crise.Primeiro, enfrentando um mundo com baixo crescimento, as grandes potências industriais hojevarrem o globo procurando onde vender e acharam um mercado convidativo no Brasil. Isso naverdade não tem nada a ver com o mercado cambial, sendo um ajuste esperado nos competitivosmercados de bens internacionalmente transacionáveis.O segundo fator que tem debilitado a nossa indústria tem sido o aumento contínuo no custo damão de obra. De fato percebemos que o aumento do custo unitário de trabalho acelerou noperíodo pós-crise. Forçado a contratar em um mercado de trabalho apertado pela demanda dosetor de serviços e políticas salariais expansionistas, a indústria perdeu a corrida entre aumentode custos e produtividade. Mais do que uma "guerra cambial", o Brasil enfrenta e perde uma"guerra laboral".Encarando a fortíssima concorrência de um lado e o aumento da folha de pagamento do outro, aindústria vê suas perspectivas piorarem e, por instinto de sobrevivência, corta custos, incluindoinvestimentos. Isso coloca a indústria em um círculo vicioso e autodestrutivo dado o impacto queisso tem sobre sua produtividade.Igualmente preocupante é a dinâmica no mercado de crédito. Aqui o problema é claro: o aindaaltíssimo custo na ponta do tomador. Depois de cair por muito tempo, o custo do crédito aoconsumidor tem ficado relativamente estável desde 2009. É verdade que o sistema enfrenta oaumento da inadimplência nesse momento. Apesar das condições favoráveis do mercado detrabalho, o consumidor chegou ao limite prudente de endividamento. Empurrar mais crédito goelaabaixo da pessoa física não vai resolver nada.A questão da indústria e do mercado de crédito mostra que o que podemos chamar de "modeloLula" de crescimento chegou a sua exaustão. Esse modelo procurou acelerar e multiplicar osganhos de riqueza que começaram dez anos atrás com a forte alta de preço das nossasexportações devido ao crescimento espetacular da China. Os mecanismos foram privilegiar ganhossalariais e o aumento do crédito, assim expandindo a renda e o consumo. Por muitos anos omodelo teve sucesso exemplar, mas fica evidente que nos próximos anos os resultados não serãoos mesmos.Das medidas anunciadas até agora pelo governo algumas, como desoneração da folha, vão nadireção certa, e outras, de cunho protecionista, na direção errada. Mas o seu conjunto, e nissoincluímos a queda na taxa de juros e a alta do dólar pela atuação do BC, nos parece insuficientepara mudar a dinâmica estrutural negativa que enfrentamos. Elas podem somente se justificarcomo uma ponte para mudanças mais profundas, porque o que precisamos é efetivamente umnovo modelo.O que poderia ser um novo modelo? Acreditamos que qualquer novo paradigma de crescimentotem que mudar de forma significativa a relação investimento-consumo-poupança. Basicamentecontinuamos a investir e poupar pouco e consumir muito, e há sim uma escolha a ser feita nessarelação: nem todo o consumo "puxa" investimento e poupança.Para tal nossa política econômica tem que caminhar em duas direções novas. Primeiro temos queparar de querer sempre redobrar a aposta que mais consumo resolve tudo. Também temos que
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 65parar de confundir crédito com poupança. A falência do modelo atual reside essencialmente natriste verdade que uma ênfase exagerada em aumentar a demanda pode destruir a oferta. Menosconsumo e mais produtividade deve ser o novo mantra.Segundo, temos que identificar novas fontes de poupança doméstica. Está mais do que claro quea estrutura do nosso Estado de bem-estar social milita contra a formação de poupança doméstica.Devemos, politicamente, debater até que ponto vale a pena a troca entre crescimento esegurança social. Mas devemos também perceber que ainda existe dentro da economia umagente que poderia contribuir com mais poupança: o próprio Estado. Diminuído seu consumo eassim liberando recursos para investimentos públicos e privados, o Estado poderia dar fortecontribuição para levar a economia a um novo equilíbrio. Tal mudança pode, a nosso ver, ser feitasem comprometer os avanços sociais desses últimos anos. Basta nossos governantes teremvontade e visão política para tal.Tony Volpon é diretor do Nomura Securities International, Inc.34. Para Brasil crescer, Dilma acena com política proativaAutor(es): Por Assis Moreira | De HannoverValor Econômico - 07/03/2012O governo brasileiro terá "posição proativa" para ampliar cada vez mais a taxa de crescimento dopaís de forma sustentável, disse ontem a presidente Dilma Rousseff em conversa com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, em meio a novos indicadores de deterioração da economia global.Enquanto Dilma falava, empresários acompanhavam as notícias sobre o desempenho do ProdutoInterno Bruto (PIB) brasileiro, que cresceu apenas 2,7% em 2011, sobre o declínio de 0,3% doPIB da zona do euro no quarto trimestre de 2011, por causa de menos gastos das famílias,investimentos e exportações, além de redução da estimativa de crescimento da China para 7,5%neste ano.A presidente brasileira aproveitou a rápida entrevista à imprensa para voltar a culpar a crise nospaíses desenvolvidos pela diminuição da expansão econômica agora também nos emergentes."Manifestei à chanceler Merkel a preocupação do Brasil com a expansão monetária que vemocorrendo por parte dos países desenvolvidos, que provoca desvalorização das moedas, e que nósconsideramos bastante adverso para o comércio internacional do Brasil", afirmou Dilma, que nodia anterior ouvira Merkel por sua vez mencionar "protecionismo unilateral".Quando um jornalista alemão perguntou se Dilma tinha dado garantias de que não iria continuar oprotecionismo, a presidente abordou o aumento do IPI nos carros importados: "Eu queriaassegurar que diante da valorização das moedas de forma artificial, o Brasil tomará todas asmedidas que não firam as disposições da Organização Mundial do Comércio para evitar adesindustrialização da economia brasileira."
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 66 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuA chanceler alemã reiterou que as megaoperações de liquidez na Europa são para dar tempo paraa zona do euro fazer reformas e insistiu que o objetivo não é causar instabilidade e que esperadiscutir os desequilíbrios da economia mundial na reunião de cúpula do G-20 no México, emjunho.O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou que o decreto com o novo regimetributário do setor automotivo, concedendo prazo maior para montadoras estrangeiras instalaremfábricas no Brasil, está agora com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a expectativa é deque seja logo assinado. Pimentel confirmou que o decreto vai reduzir gradualmente o IPI para asmontadoras que se instalarem no país.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 672.NOÇÕES GERAIS DE ATUALIDADES DO SISTEMAFINANCEIRO NACIONAL – PROF. EDGAR ABREU.35. Bancos têm de oferecer serviços gratuitos; conheça estee outros direitosAiana FreitasFonte: Do UOL, em São Paulo – 28/03/2012Abrir conta no banco é algo cada vez mais corriqueiro na vida do consumidor brasileiro. Conhecero que pode ou não ser cobrado, porém, é fundamental neste início de relacionamento para que oconsumidor não acabe gastando mais do que o necessário com a conta."Muita gente acaba pagando por serviços que não usa, principalmente as pessoas mais humildes,que não têm acesso a informação", diz o advogado especializado em direito bancário AlexandreBerthe. "É preciso monitorar sempre o extrato da conta", sugere.Todos os consumidores têm, por exemplo, direito a uma quantidade mínima de serviços gratuitos,como determina o Banco Central. Entre eles estão o fornecimento de um cartão de débito, arealização de até quatro saques mensais e a retirada de dois extratos."Dependendo do uso que o consumidor faz da conta, esses serviços podem ser suficientes, e elenão precisa contratar um pacote de tarifas", diz a assessora técnica do Procon de São Paulo EdilaMoquedace.Conta-salário permite transferência sem cobrançaTrabalhadores contratados pelo regime da CLT e funcionários públicos também podem optar porter uma conta-salário. Essa conta é vantajosa para quem já tem conta em banco, mas precisaabrir outra numa instituição diferente só para receber o salário pago pela empresa. Se ele abriruma conta-salário, poderá transferir o valor recebido sem pagar nenhuma tarifa.A portabilidade de crédito é outro direito pouco exercido pelo consumidor, segundo osespecialistas. Ela prevê que quem tem algum tipo de financiamento com um banco (empréstimopessoal, financiamento de carro ou imóvel, por exemplo) possa transferir essa dívida para outrainstituição que ofereça melhores condições de juros e prazos, sem que precise pagar por estatransferência.Teste mostra que faltam informações em bancos
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 68 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuUm teste feito recentemente pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) comprovoucomo o início de relacionamento do cliente com o banco pode ser conturbado.Em dezembro de 2011, voluntários do instituto abriram contas em agências de seis bancos (Bancodo Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco e Santander) e avaliaram asinformações dadas aos novos clientes.Os bancos foram reprovados em vários quesitos. Nenhum deles informou, espontaneamente,sobre a existência dos serviços gratuitos aos consumidores e todos concederam cheque especialsem o cliente ter solicitado."O que parece é que os bancos não tomam o cuidado necessário para manter a base defuncionários informada sobre o que deve ser feito", diz o gerente de testes e pesquisas do Idec,Carlos Thadeu de Oliveira. "Não podemos dizer que eles agem de má-fé, mas o fato é queganham dinheiro com isso."Procurados pela reportagem, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC informaram queseus funcionários são orientados a dar as informações completas aos clientes. Os demais bancosnão enviaram resposta.Bancos lideram listas de reclamaçõesEm 2011, pela primeira vez em 12 anos, os bancos passaram as empresas de planos de saúdecomo o setor que mais teve reclamações no Idec. Também em 2011, o banco Bradesco ficou notopo da lista de queixas do Procon-SP, superando a Telefonica, que liderava a lista havia seisanos.Para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o aumento das queixas se deve "à elevação dabase de clientes das instituições financeiras, ao maior grau de exigência dos clientes e aocrescimento no consumo de produtos como cartões de crédito"36. Governo torna permanente instrumento de captação debancos menoresFonte: O Valor - Mônica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves | 26/07/2012BRASÍLIA - O Conselho Monetário Nacional (CMN) criou uma modalidade permanente deDepósitos a Prazo com Garantia Especial do Fundo Garantidor de Crédito (DPGE), além dediminuir os custos e dobrar o valor que pode ser emitido por meio desse instrumento.O DPGE é uma modalidade de depósito a prazo com garantia especial do FGC criada na crise de2009 para socorrer bancos de menor porte. Com medo de quebra desses bancos, muita gentecorreu para os bancos grandes, gerando problemas de liquidez nas instituições de menor porte.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 69Diante disso, o CMN criou, na época, o DPGE, que garante depósitos de até R$ 20 milhões pordepositante.Esse instrumento tinha data para acabar em dezembro de 2015, mas agora será permanente,segundo Maurício Moura, consultor da diretoria do Banco Central. Para isso, porém, suas regrasforam reformuladas. Somente essa nova modalidade, chamada de DPGE II, poderá ser emitida apartir de 2016.A medida vem em um momento que os bancos de menor porte estão com dificuldades paracaptar recursos no mercado, mas dessa vez por causa de fraudes que foram encontradas emalguns deles, como no Banco Cruzeiro do Sul, que está sob intervenção especial do BC.A resolução aprovada nesta quinta-feira pelo colegiado abre a possibilidade de que a instituiçãoemissora do DPGE faça alienação fiduciária de recebíveis em favor do Fundo Garantidor de Crédito(FGC). Essa nova modalidade é que é chamada de DPGE II. O título com a regras antigas (semalienação) é chamado de DPGE I.O Banco Central, que faz parte do conselho, explicou que a medida reduz o risco do FCG e, porisso, permite diminuir a contribuição das instituições financeiras ao fundo. O percentual cai de 1%para 0,3% ao ano sobre o volume desses depósitos, quando houver a alienação de recebíveis. OsDPGEs sem alienação continuarão sujeitos a contribuição de 1% ao ano.Inicialmente, a emissão da nova modalidade de DPGE (DPGE II) fica limitada a valor equivalenteao Patrimônio de Referência (PR) de Nível 1 da instituição emissora. Esse limite vigorará até 31 dedezembro de 2012, quando passará a subir 20% ao ano, até atingir valor equivalente a duasvezes o PR de Nível 1 em janeiro de 2017.O limite para captação de DPGE sem alienação fiduciária de recebíveis ao FGC (DPGE I)continuará sendo reduzido à razão de 20% ao ano, até a completa proibição de sua emissão, apartir de janeiro de 2016. Bancos que tiverem limite podem continuar emitindo DPGE I. Mas terãoque deixar de captar esses depósitos quando começarem a captar a nova modalidade.37. BC E FGC viram réus em ações contra o Cruzeiro do SulFonte: Isto é dinheiro Por Mariana Durão em 14/11/2012O suposto esquema de pirâmide financeira com fundos de investimento do Banco Cruzeiro do Sul,dos banqueiros Luís Felippe e Luís Octávio Índio da Costa, pode resvalar no Banco Central (BC) eno Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Pelo menos dois cotistas do FIP BCSul Verax 5 Platinumincluíram as instituições governamentais entre os réus de ações na Justiça Federal do Rio.Os processos contestam a negativa de pedidos de resgate de recursos aportados por eles nofundo durante a intervenção do BC no Cruzeiro do Sul, decretada em junho. Somados, os valores
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 70 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreudas causas chegam a quase R$ 5 milhões, o que inclui a devolução dos recursos, custosprocessuais e danos morais.De acordo com as ações, os cotistas pediram a baixa de suas aplicações poucos dias antes de oBC intervir no banco, em 4 de junho, após detectar um rombo calculado à época em R$ 1,3 bilhão(mais tarde avaliado em cerca de R$ 3 bilhões). Na prática, a transferência dos valores aosinvestidores foi vetada pelo FGC, que assumiu o banco durante o Regime de AdministraçãoEspecial Temporária (RAET). Por essa razão, a tese é de que BC e FGC são responsáveis pelanegativa aos resgates.Procurado, o Banco Central informou que "foi citado dos termos da ação judicial e, no prazo legal,que ainda não começou a fluir, apresentará em juízo suas manifestações técnicas e jurídicas".Ao lado do BC e do FGC, são réus das ações o Banco Cruzeiro do Sul, BCSul Verax ServiçosFinanceiros (administradora do fundo) e a Patrimonial Maragato. Foi em debêntures da Maragato,de propriedade dos próprios controladores do Cruzeiro do Sul, que foram aplicados os recursos dofundo de investimento em participações (FIP), como revelou o jornal Estado de S.Paulo em junho.No pedido, um dos cotistas diz que essa foi a primeira negativa de resgate desde que passou adepositar recursos no fundo, em 2006. A norma que regula os FIPs(fundos de investimentos emparticipações) não prevê resgate antes do vencimento do fundo, cujo prazo era 2015. Apesardisso, o BCSul Verax 5 Platinum tinha liquidez diária.O Banco Cruzeiro do Sul admite o fato em carta enviada em abril de 2011 à Comissão de ValoresMobiliários (CVM), em resposta a um investidor. As condições descritas para o FIP na carta sãoliquidez diária, não tributação de IOF, Imposto de Renda de 15% e média de rentabilidadepróxima a 110% do CDI."Por anos o produto teve liquidez diária, mas no RAET o saque foi negado. Como os Índio daCosta faziam para tornar um fundo fechado em um fundo com características de CDB não nosinteressa. Se os atos são recriminados por CVM e BC, que paguem e busquem recuperar osrecursos judicialmente", disse um cotista, que preferiu não se identificar.Os cotistas também contestam a alegação de que o Cruzeiro do Sul nunca teve ingerência sobre agestão e administração do FIP BCSul 5 Verax Platinum, feita em resposta ao pedido de tutelaantecipada de um dos processos. Eles citam um documento datado de outubro - quando o bancojá sob a gestão do FGC - a que a Agência Estado teve acesso. Nele, a Cruzeiro do Sul DTVM,subsidiária do banco, renuncia aos serviços de distribuição de cotas dos FIPs BCSul Verax 5Platinum e BCSul Verax Equity, prestados pela Verax Serviços Financeiros.A 16ª Vara Federal Cível negou o pedido de tutela antecipada em que o autor de uma das açõespedia o sequestro de bens do Cruzeiro do Sul no valor de suas cotas até o julgamento da ação.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 7138. Leonardo Gomes Pereira é nomeado presidente da CVMDecreto da presidente Dilma foi publicado no Diário Oficial da União. Vice-presidente executivoda Gol foi indicado pelo ministro MantegaFonte: G1 em 24/10/2012Leonardo Gomes Pereira foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para exercer o cargo depresidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O decreto foi publicado nesta quarta-feira(24), no “Diário Oficial da União”.O executivo assume a vaga de Maria Helena Santana para cumprir mandato até 14 de julho de2017.A data da cerimônia de posse do cargo, no entanto, ainda não foi definida pelo Ministério daFazenda – ao qual a autarquia está subordinada.Pereira vem de atuações no setor privado. Ele é vice-presidente executivo da Gol Linhas Aéreas econselheiro da Companhia Vale do Araguaia, onde já foi presidente. Também ocupou a diretoriade Planejamento Corporativo e de Relações com Investidores da Globopar e foi diretor executivofinanceiro da Net Serviços de Comunicação.Engenheiro de produção e economista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pelaUniversidade Candido Mendes, respectivamente, atuou no Citibank como vice-presidente e diretorda área de aviação para a América Latina, em Nova Iorque, tendo também trabalhado na Ásia ena América Latina em diferentes posições, incluindo a de Revisor Sênior de Risco de Negócios.Leonardo Pereira foi indicado para a presidência da CVM pelo ministro da Fazenda, GuidoMantega, em julho. Na semana passada, o Senado aprovou a indicação por 43 votos a favor, 3contra e 1 abstenção.39. BC cria fundo para garantir depósitos em cooperativasde créditoFonte: Terra Economia em 29/10/2012O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciou nesta segunda-feira a criação doFundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGC-Cop), que tem como objetivo garantirdepósitos nas cooperativas de crédito, além de poder atuar em um eventual suporte financeirodas instituições."O fundo será nacional, independente, e contará com participação de todas cooperativas decrédito que captam depósitos, além de bancos cooperativos", disse Tombini na abertura do IVFórum de Inclusão Financeira do Banco Central, em Porto Alegre.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 72 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuA medida foi anunciada como parte de ações do Banco Central para a inclusão financeira.Segundo Tombini, o volume de operações em cooperativas de crédito alcançou R$ 40 milhões emjunho deste ano, correspondendo a um aumento de 39% em relação a dezembro de 2010. Ofundo, segundo Tombini, poderá fortalecer e estimular as cooperativas de crédito.O que é Fundo Garantidor de Créditos (FGC)O FGC foi criado em 1995, com aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN), como entidadeprivada sem fins lucrativos para administrar mecanismos de proteção a titulares de investimentos.A cobertura estipulada pelo fundo para cada investidor no caso de quebra da instituição financeiraé de até R$ 70 mil. Todas as instituições financeiras, associações de poupança e empréstimo noPaís são obrigadas a aderir ao FGC. Apenas não estavam obrigadas à adesão as cooperativas decrédito e as seções de crédito dessas cooperativas. Segundo o FGC, as autorizações do BancoCentral para funcionamento de novas instituições financeiras estão condicionadas à adesão aofundo.40. Banco público ainda vai liderar crédito em 2013Fonte: Valor em 20/12/2012Os bancos públicos continuarão liderando a expansão do crédito em 2013, mas perderão fôlegoem relação a 2012, levando o conjunto de operações do sistema financeiro a um crescimentonominal mais moderado. A carteira de empréstimos e financiamentos dos bancos privadosregistrará aumento mais acentuado que o deste ano, porém, ainda mais fraco que a dasinstituições estatais. Com a desaceleração no setor financeiro público, medida em relação aoProduto Interno Bruto (PIB), a taxa real de expansão do crédito total cairá pela metade, saindo de4% para 2% do PIB.Esse é, em resumo, o cenário apontado pelas projeções divulgadas ontem pelo Banco Central(BC) para o crédito no Brasil. A autoridade monetária calcula que o crescimento nominal se situaráem torno de 14% em 2013, ante 16% esperados em 2012. O próximo ano, portanto, seria oterceiro ano seguido de desaceleração nesse critério, pois, após chegar a 21% em 2010, avelocidade de expansão do estoque de operações já tinha recuado em 2011, para 19%.No acumulado até novembro, as estatísticas mostraram elevação de 13,5% neste ano. A carteirado sistema fechou o mês em R$ 2,304 trilhões. Pelo nono mês consecutivo, o crédito no Brasilcresceu como proporção do PIB, de outubro para novembro, saindo de 52,2% para 52,6%.A projeção do Banco Central (BC) indica que essa relação avançará para 53% até o fim deste anoe para 55% até o encerramento de 2013. Em dezembro de 2011, era de 49%. O incremento real
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 73esperado no próximo ano, portanto, é apenasmetade do que está muito perto de se confirmarem 2012.Além da perda de ritmo dos bancos públicos,contribui para a expectativa de tal desaceleraçãoreal o fato de que a economia brasileira deverácrescer mais no próximo ano do que neste e, comela, o denominador da relação crédito/PIB.O baixo crescimento real da economia este ano certamente ajudou a elevar o crédito comoproporção do PIB. O percentual aumentou apesar de a carteira do sistema vir apresentandoelevação nominal "moderada" ao longo dos últimos meses, adjetivo usado pelo presidente do BC,Alexandre Tombini, em discursos recentes.Em novembro, mês em que a expansão nominal foi de 1,5%, houve uma aceleração, mas muitodiscreta em relação a outubro (1,43%, no dado revisado). O ritmo tampouco foi muito maior queaquele observado em agosto e setembro, meses em que o saldo das operações de crédito noBrasil cresceu nominalmente 1,3%.Com crescimento muito acima da média do sistema, a carteira dos bancos públicos aumentou22,5% no acumulado do ano até novembro, levando o BC a revisar de 24% para 26% a expansãoprojetada para 2012 inteiro. Para 2013, a autoridade monetária aposta em moderação e projeta18%.Em 2012, a taxa de crescimento do estoque de crédito dos bancos públicos vem sendo expressivaprincipalmente por causa da ordem dada pelo governo federal para que Caixa Econômica Federale Banco do Brasil reduzissem taxas de juros e expandissem as operações.Os bancos privados, por outro lado, se mantiveram receosos em ampliar muito suas operaçõesdiante da resiliência da inadimplência dos tomadores de crédito (carteiras com recursos livres). OBC divulgou projeções separadas para instituições de controle nacional e estrangeiro. Somando osdois segmentos, as estimativas pressupõem que o estoque de crédito do sistema financeiroprivado vai se expandir apenas 8,2% em 2012, taxa que subiria para 10,6% em 2013.A aceleração será mais acentuada nos bancos de controle nacional, cujo ritmo de crescimentodeve se fortalecer de 7% para 10%. A taxa de expansão da carteira dos bancos privados decontrole estrangeiro deve passar de 11% para 12%, ainda na comparação deste com o próximoano.A inadimplência das operações de crédito com recursos livres (a amostra do BC pega quase tudonesse caso) até baixou em novembro, mas muito discretamente. A participação daquelas compagamentos em atraso há mais de 90 dias passou de 5,9% para 5,8% do conjunto de operaçõesconsideradas. A queda ocorreu somente no segmento de pessoas físicas, cuja inadimplência saiude 7,9% para 7,8%. A inadimplência das empresas ficou em 4,1%.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 74 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuAinda quanto ao passado recente, os números divulgados ontem pelo BC apontaram novaredução de taxas de juros e também de spread bancário, contrariando previsão implícita feita pelopresidente da autarquia, Alexandre Tombini, quando divulgou nota comentando o resultado doPIB do terceiro trimestre. Na ocasião, ele atribuiu a queda do nível de atividade do setor deintermediação financeira a "eventos que tendem a não se repetir", o que, segundo fontesgovernamentais, foi uma referência à expectativa de que o spread médio pararia de cair.41. BB tem lucro líquido recorde nominal de R$ 12,2 bilhõesem 2012Fonte: site BB 21/02/2013Crédito cresce 25% no ano e atinge participação de mercado histórica de 20,4%O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 12,2 bilhões em 2012, o que corresponde aretorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (RSPL) de 19,8%. O lucro líquido sem Previem 2012 foi de R$ 11,4 bilhões, aumento de 10,2% em relação a 2011, marca recorde.No quarto trimestre o lucro líquido foi de R$ 4,0 bilhões, alta de 45,5% em relação ao trimestreanterior com RSPL de 27,0%. Desconsiderando a Previ, o lucro líquido no período ficou em R$ 3,8bilhões.A remuneração aos acionistas no exercício somou R$ 4,9 bilhões, equivalente a 40% do lucrolíquido (payout), sendo R$ 3,3 bilhões na forma de juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 1,6bilhão em dividendos.BB mantém crescimento em ativos após atingir marca históricaO Banco do Brasil, primeiro banco brasileiro a atingir marca de R$ 1,0 trilhão em ativos, mantevesua trajetória de crescimento no ano, alcançando ao final de 2012 o valor de R$ 1,15 trilhão,evolução de 17,2% em relação a 2011 e de 4,2% em relação ao final do 3T12. A expansão dacarteira de crédito foi o principal fator para o crescimento durante o ano.Carteira de crédito atinge R$ 581 bilhõesA carteira de crédito ampliada, que inclui TVM Privados e garantias prestadas, atingiu R$ 581bilhões em dez/2012, crescimento de 9,1% em relação ao trimestre anterior e 24,9% em 12meses. Destaque para carteira PJ, com crescimento de 30,3% em 12 meses. O BB encerrou o anomais uma vez como líder em crédito no Sistema Financeiro Nacional, atingindo patamar históricode 20,4% de participação de mercado, contra 19,2% em dez/11.Inadimplência em quedaAo final de 2012 os índices de inadimplência do BB se mantiveram menores do que os observadosno SFN. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias ficou em 2,05% da carteira de
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 75crédito, abaixo dos 2,19% registrados em set/2012 e 2,16% em dez/2011. No mesmo período, oSFN registrou aumento no seu índice, de 3,60% em dez/2011 para 3,64% em dez/2012. Asoperações classificadas na faixa de risco AA-C representaram 94,5% do total da carteira ao finalde dez/2012, contra 92,4% observados no SFN. O nível de cobertura da carteira de crédito, quedemonstra a provisão existente sobre operações vencidas há mais de 90 dias, encerrou dezembroem 196,5%.Desembolso para investimento atinge R$ 42,8 bilhõesEm 2012, o BB consolidou sua posição como um dos mais importantes agentes financiadores docrédito para investimento no País. No ano, foram analisados grandes projetos em áreas comoEnergia, Petróleo, Infraestrutura Rodoviária e Setor Naval, onde R$ 47,5 bilhões já foramcontratados ou estão em fase de contratação.O desembolso de crédito para investimento atingiu no ano o montante de R$ 42,8 bilhões(crescimento de 27% em relação a 2011), com destaque para as linhas de repasse de recursos doBNDES, Pronaf, Investimento Agropecuário, FCO e PROGER. Nas linhas de repasse do BNDES,desde 2008 o BB é o agente financeiro líder no repasse global de recursos. Em 2012, o Banco doBrasil atingiu participação de mercado de 28,6%, com a realização de 572 mil operações.Destaca-se também a liderança absoluta do BB no cartão BNDES, com desembolso de R$ 6,9bilhões, equivalente a 72% do total da linha no BNDES.BOMPRATODOS incrementa negócios do Banco do BrasilNo ano de 2012 o Banco do Brasil estabeleceu uma nova forma de se relacionar com seusclientes. Ao lançar o BOMPRATODOS em abril, o BB iniciou um movimento que estimulou amudança de comportamento do consumidor ao tomar crédito de forma consciente com taxasmelhores, além de registrar incremento substancial no volume de negócios. O sucesso dasmedidas BOMPRATODOS tem permitido ao Banco do Brasil ampliar as melhorias nas condiçõesnegociais, proporcionando perenidade e sustentabilidade no relacionamento com seus clientes PFe PJ.Carteira de Crédito PF cresce 26% no anoA Carteira de Crédito PF Orgânica, que corresponde à carteira de crédito classificada do Banco doBrasil excluindo-se as operações provenientes do Banco Votorantim e de carteiras adquiridas,finalizou o ano com saldo de R$ 115,6 bilhões, crescimento de 7,1% no trimestre e de 25,9%sobre o mesmo período do ano anterior. Desse total, 74,1% estão concentrados nas linhas decrédito de menor risco (Crédito Consignado, CDC Salário, Financiamento de Veículos e CréditoImobiliário). Destaques para as carteiras de Financiamento de Veículos e de Crédito Consignado,com crescimentos nos últimos 12 meses de 134,9% e 20,4% respectivamente.Crédito imobiliário atinge R$ 12,9 bilhõesO crédito imobiliário (PF e PJ), segmento em que o BB começou a operar em 2008, finalizou o anocom saldo de R$ 12,9 bilhões, expansão de 68,5% em 12 meses. O volume contratado no 4º
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 76 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreutrimestre de 2012 atingiu R$ 3,1 bilhões, 89% a mais do que o observado no mesmo período de2011. O volume de negócios com pessoas físicas no trimestre chegou a R$ 1,9 bilhão e depessoas jurídicas a R$ 1,2 bilhão. A carteira PF se destaca mais uma vez, com crescimento de69,0% em um ano, finalizando 2012 com saldo de R$ 10,2 bilhões. Ao todo, foram contratadas12.144 operações no último trimestre, com crescimento de 59,1% sobre o trimestre anterior.O BB também superou a meta estabelecida do Programa Minha Casa Minha Vida para 2012,ultrapassando 114 mil unidades habitacionais contratadas nas faixas 1, 2 e 3. Os primeirosprojetos da faixa 1 (renda familiar mensal até R$ 1.600,00) foram iniciados em junho e o banco jáconta com 50.349 unidades habitacionais contratadas, em empreendimentos localizados em 17Estados brasileiros.Crédito PJ mantém crescimentoO BB registrou crescimento de 30,3% em 12 meses na carteira de crédito PJ, apresentando saldode R$ 273,8 bilhões ao final de 2012. Destaque para as operações de capital de giro, queapresentaram crescimento de 39,7% em 12 meses e de 17,3% em relação ao trimestre anterior,influenciado pelo grande volume de contratações de empresas do segmento corporate e largecorporate. As operações com MPE finalizaram o ano com crescimento de 30,7% em relação aomesmo período de 2011 e as Médias e Grandes empresas apresentaram alta de 30,1% em 2012.Carteira de Agronegócios alcança a marca de R$ 108 bilhõesO Banco do Brasil encerrou o ano alcançando a marca de R$ 108,0 bilhões em sua carteira deagronegócios, valor 20,8% maior do que o registrado em 2011 e 9,8% em relação ao trimestreanterior, proporcionando 62,5% de participação no Sistema Nacional de Crédito Rural. Destaquespara o Pronaf, que finalizou o ano com saldo de R$ 24,2 bilhões, crescimento de 20,7% em 12meses e o Pronamp, que apresentou crescimento de 66,1% em relação a dez/11. O ProgramaAgricultura de Baixo Carbono (ABC) já teve R$ 1,6 bilhão contratado na safra 2012/2013, o quecorresponde a cerca de 88% dos valores contratados no Sistema Nacional de Crédito Rural(SNCR).Mais um ano como líder no Comércio ExteriorO Banco do Brasil, principal parceiro do comércio exterior brasileiro, finalizou mais um ano comolíder no mercado de câmbio de exportação e importação. No câmbio de exportação o volumecontratado no 4T12 foi de US$ 13,3 bilhões, com participação de mercado de 26,2%. No câmbiode importação o volume contratado foi de US$ 13,2 bilhões, alta de 18% em relação ao mesmoperíodo do ano anterior e de 9,4% em relação ao trimestre anterior, finalizando o ano com 23,1%de participação de mercado. As operações de ACC/ACE encerraram o ano com participação demercado de 32,1%. O BB consolidou em 2012 sua liderança no ranking mensal dos repasses doBNDES Exim, com participação de 27,9% (R$ 1,8 bilhão).Captações Comerciais atingem R$ 516 bilhões
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 77O saldo de depósitos totais finalizou 2012 em R$ 472 bilhões, montante 6,7% superior aoregistrado em 2011. O BB, com sua base de mais de 58,5 milhões de clientes e 64.192 pontos deatendimento, manteve a liderança no Sistema Financeiro Nacional. O Banco registrou no anoR$ 516 bilhões em Captações Comerciais (que incluem Depósitos Totais, LCA, LCI e OperaçõesCompromissadas com Títulos Privados), apresentando evolução de 14,5% em relação a dez/2011.As captações em Letras de Crédito do Agronegócio finalizaram 2012 com saldo de R$ 34 bilhões,crescimento de 358,2% em 12 meses e 49,1% em relação ao último trimestre.Maior captação externa já realizadaEm jan/2013, o BB concluiu a maior captação já realizada pela instituição no mercado externo decapitais. Trata-se de emissão de dívida perpétua subordinada no montante de US$ 2,0 bilhões,nos mesmos moldes das transações realizadas no primeiro trimestre de 2012. Em 2012, o Bancodo Brasil recebeu três premiações internacionais pela realização de captações nestes moldes,sendo o "Deal of the Year" na modalidade de Financing Innovation, pela Latin Finance, "LatinAmerican Bond of the Year", pela IFR e FIG Capital Raising, pela The Banker.Líder em administração de recursos de terceirosLíder no ranking Anbima desde 1994, com participação de mercado de 20,0%, a BB DTVM atingiuo volume de R$ 444 bilhões em recursos administrados, crescimento de 6,8% em relação adezembro de 2011. Considerando os 50% dos recursos administrados pela Votorantim AssetManagement – VAM, o BB administra R$ 461 bilhões, equivalentes a 20,7% do mercado.Liderança em Mercado de CapitaisO Banco do Brasil obteve em 12 meses variação de 29,9% em suas receitas com Mercado deCapitais, proporcionando ao final de dez/2012 a liderança no Ranking Anbima em quantidade deoperações de Renda Fixa no Curto Prazo e de Renda Variável. No mesmo Ranking, o BB passoudo 9º lugar em dez/2011 em volume de operações de Renda Variável para o 3º lugar emdez/2012.Fundo Imobiliário tem demanda mais de 12 vezes superior à ofertaEncerrada em dez/2012, a oferta secundária do Fundo Imobiliário Progressivo II (constituído por64 imóveis utilizados pelo Banco do Brasil, entre agências e prédios administrativos, para locaçãoao próprio BB pelo prazo inicial de 10 anos), teve demanda superior a R$ 20 bilhões, finalizando oprocesso com captação de R$ 1,6 bilhão. Do total de 48.789 investidores, 95,0% eram pessoasfísicas.Faturamento com cartões de crédito mantém ritmo de crescimentoO faturamento com cartões de crédito cresceu 23,0% em 12 meses e 26,4% no 4º trimestre de2012 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com uma base ativa de 21 milhões decartões, a evolução do faturamento reflete o consumo impulsionado pelas datas comemorativas euma maior utilização dos cartões como instrumento de acesso às linhas tradicionais de crédito do
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 78 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuBanco. Destaca-se no 4º trimestre a intensa utilização dos cartões como meio de pagamentojunto ao segmento empresarial, que resultou em crescimento de 61,4% em relação ao mesmotrimestre de 2011.Rede Mais Banco do Brasil tem atuação recorde em 2012A Rede de Correspondentes Mais Banco do Brasil, que inclui o Banco Postal, propiciou em 2012 oacolhimento de mais de 2,3 milhões de propostas de abertura de conta-corrente, 556 mil adesõesao cartão de crédito e R$ 7,446 bilhões de desembolso em crédito, totalizando 1,5 milhão deoperações. Comparando com o ano de 2011, foi observado um incremento de 146% emdesembolso de crédito. Desse montante, o crédito consignado respondeu por 35% do total.Índice de Basileia fortalecidoO Banco do Brasil encerrou dezembro de 2012 com Patrimônio de Referência 34,1% superior aoobservado no mesmo período do ano anterior, atingindo R$ 107.925 milhões. O Índice de Basileiaencerrou o ano em 14,83%. Em janeiro de 2013, o BB realizou emissões de Letras FinanceirasSubordinadas no País totalizando R$ 5,2 bilhões e captação externa sob a forma de InstrumentoHíbrido de Capital e Dívida no montante de US$ 2,0 bilhões. Caso o total dessas emissões sejaautorizado pelo Banco Central a compor o capital do BB, haverá aumento de cerca de 128 bps noseu Índice de Basileia, tendo como base os números publicados em dezembro/2012.BB atualiza seu Plano de Sustentabilidade – Agenda 21A partir da consulta aos seus públicos de relacionamento - funcionários, clientes, acionistas,fornecedores, sociedade civil, especialistas e executivos do Banco – o BB atualizou, no final de2012, o seu Plano de Sustentabilidade, a Agenda 21 Empresarial, para o período 2013-2015. AAgenda 21 tem o intuito de aprimorar, constantemente, os negócios, práticas administrativas einvestimentos sociais da Organização, alinhando-os às melhores práticas mundiais e contribuindopara que a Empresa seja referência no tema. A listagem do BB no Índice Dow Jones deSustentabilidade da Bolsa de Nova Iorque (DJSI), e pela oitava vez consecutiva no Índice deSustentabilidade Empresarial BM&FBovespa (ISE), são reconhecimentos que evidenciam osavanços do BB nos últimos anos.ReconhecimentosNo quarto trimestre de 2012, o Banco do Brasil foi eleito o Banco que mais respeita o cliente, deacordo com pesquisa realizada pela Shopper experience, e publicada pela revista ConsumidorModerno. O BB também foi eleito a Instituição que mais agrada aos correntistas, na pesquisarealizada pela CVA Solutions e publicada pela revista Exame. Foi ainda 1º lugar na categoriaespecial Top Intangíveis Brasil, do Prêmio Intangíveis Brasil 2012, realizado pelo Grupo Padrão eDom Strategy Partners. O Banco também apareceu em 1º lugar no ranking América EconomiaIntelligence – Os 250 maiores Bancos da América Latina.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 79Em 2012, o BB continuou sendo a marca mais lembrada na categoria “Banco”, no prêmio FolhaTop of Mind, o que acontece consecutivamente desde a primeira edição do prêmio, em 1992. Foitambém o mais lembrado na categoria “Finanças” e, entre instituições financeiras, é o queaparece em primeiro quando o assunto é Copa do Mundo e Olimpíadas. A Instituição também sedestacou como 1º lugar na categoria Bancos no prêmio Marcas de Confiança 2012- RankingSeleções do Reader´s Digest, e 3º lugar no ranking geral.42. O papel dos bancos comunitários no programa federalCrescerFonte: Folha de São Paulo – Joaquim Melo em 05/03/2013Em 24 agosto de 2011, estive presente no Palácio do Planalto, quando a presidenta Dilma Rousseffez o lançamento do Crescer. O programa constituiu-se numa novidade sem precedentes nocontexto da intervenção pública no campo do microcrédito produtivo no Brasil. Isso porque ogoverno alterou o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), passando aosBancos Públicos (BB, Caixa, BNB e Basa) a tarefa de dar escala ao microcrédito enquanto umaestratégia de Inclusão Produtiva.O Crescer estabeleceu juros para o microcrédito em, no máximo, 8% a.a., e TAC de 1%. Foiestabelecida uma meta de 3,4 milhões de clientes, a ser cumprida pelos bancos até 2013, quandoserá feita uma avaliação do projeto.A Rede Brasileira de Bancos Comunitários, refletindo sobre o programa, redigiu uma carta eenviou ao Ministro da Fazenda. Transcrevo um trecho:"A competência e expertise dos bancos públicos são muito valiosas e necessárias para qualqueração mais contundente de transformação da realidade. Porém, para uma efetiva excelência noalcance das metas relativas ao Programa Crescer, consideramos de grande relevância a realizaçãode parcerias com o campo das Finanças Solidárias: os Bancos Comunitários de Desenvolvimento,os Fundos Solidários, as cooperativas de crédito, as Oscips de microcrédito e outras instituiçõesque são portadoras de reconhecido acúmulo de experiência (de mais de uma década) na operaçãodo microcrédito nas comunidades empobrecidas, sobretudo na região Norte e Nordeste do Brasil.Há uma diferença sensível no trato do microcrédito, conforme a ênfase no indivíduo ou noterritório. No primeiro caso, o risco de fragmentação e dispersão, além da capacidade de gerardesenvolvimento, não são garantidos. Já o segundo caso envolve o primeiro. Além disso, a ênfaseno território permite requalificar a própria prática do microcrédito, possibilitando organizar odesenvolvimento a partir da própria base comunitária.A experiência dos Bancos Comunitários tem nos revelado que o sucesso do microcrédito em umterritório empobrecido se dá pelo fato de ele ajudar as pessoas a encontrar formas coletivas deconsumo, comercialização e produção, a criarem redes locais de prossumatores, onde todos,
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 80 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreusimultaneamente, são produtores, consumidores, atores e atrizes de transformação social. (...)Assim, não seria salutar o governo federal se beneficiar desses mecanismos e formas de inovaçãosocial reveladas pela sociedade?"De 12 a 15 de março, estaremos realizando em Fortaleza o 3º Encontro Nacional da RedeBrasileira de Bancos Comunitários e os 15 anos de Banco Palmas, o primeiro banco comunitáriodo Brasil.Nessa data, já seremos 103 bancos comunitários em 19 Estados do Brasil e somaremos mais de100 mil operações de microcrédito. E o que é mais importante: tudo feito pela comunidade, comcontrole social, gerando várias oportunidades de negócios a partir da oxigenação das economiaslocais.Nesta data, restará ao Crescer apenas nove meses para alcançar os 3,4 milhões de operações. Esabemos que os bancos públicos estão bem longe disso. Vão ter que correr contra o tempo para"bater sua meta". E é aí que mora o perigo: essa oferta "sob pressão" de crédito para os maispobres pode levar a um endividamento sem precedentes para as classes populares. Esse seria opior dos mundos.Mas, como a esperança é a única que não morre, as finanças solidárias continuam provocando ogoverno federal para incluir as várias experiências nesse campo como operadoras do Crescer,dentro da lógica da Economia Solidária.O convite se estende aos bancos públicos para pensarmos formas de cooperação no alcance dasmetas do programa. Nessa perspectiva, dentro do 3º Encontro da Rede Brasileira de BancosComunitários, vamos ter uma mesa específica para diálogo com os bancos públicos, objetivandojuntarmos forças, embora com metodologias diferentes, para, dentre outras ações, ajudarmos aalavancar o Crescer.43. Ascensão e queda na BrasilprevHistórico de brigas e disputa pelo poder podem ter sido as causas da demissão de Ricardo Floresda Brasilprev.Fonte: isto é Dinheiro Por Fernando TEIXEIRA em 01/02/2013“Razões pessoais e familiares.” Essa foi a justificativa apresentada pelo executivo Ricardo Florespara explicar por que deixou, na segunda-feira 28 de janeiro, a presidência da BrasilPrev. Suapassagem pelo maior fundo de previdência aberta do País em captação líquida de recursos, comR$ 58,6 bilhões em ativos e 1,47 milhão de clientes, durou apenas cinco meses. Flores, que antespresidia a Previ, a fundação de previdência do Banco do Brasil, será substituído na Brasilprev porMiguel Cícero Terra Lima, também funcionário de carreira do banco estatal. Flores disse à
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 81DINHEIRO que “era o momento de buscar novos rumos, após mais de 34 anos de trabalhosprestados ao Banco do Brasil” (leia entrevista ao final da reportagem).Mas quem conhece os meandros de Brasília sabe que a queda de Flores foi o último capítulo deuma longa série de desentendimentos com o presidente do BB, Aldemir Bendine. Tambémfuncionário de carreira do BB e homem de confiança do ministro da Fazenda Guido Mantega,Bendine tem alinhado o banco com as orientações do Planalto. Ele comandou a ampliação dacarteira de empréstimos, compensando a retração dos bancos privados, além de ter setransformado, ao lado de Jorge Hereda, da Caixa, em ponta de lança do processo de redução dejuros. Já Flores teve seu nome envolvido no vazamento de informações que provocarammudanças na cúpula do BB em meados de 2012, provocando a demissão do vice-presidente degoverno da instituição, Ricardo Oliveira, ligado a Bendine.Embora Bendine tenha negado na época, as rusgas entre ele e Flores teriam surgido no fim de2010, quando este presidia a Previ, fundo de pensão com um patrimônio de R$ 151 bilhões emaior acionista da Vale. Nessa condição, Flores presidia também o conselho de administração damineradora, com a atribuição de escolher seu principal executivo. Fato ou versão, Bendine teriaambicionado suceder Roger Agnelli, que deixou a liderança da Vale em março de 2011. Versão oufato, Flores teria barrado Bendine, o que azedou as relações entre ambos e dificultou suapermanência na Previ. Flores nega. Sua permanência foi dificultada pelo histórico de conflitos epela troca de farpas com a cúpula do BB e sua repercussão na imprensa.“Ninguém quer ver o nome do seu plano de aposentadoria envolvido em escândalos nos jornais”,afirma uma fonte próxima da companhia. Ao que tudo indica, a vida do gaúcho Terra Lima serámais fácil. Ele conta com o apoio dos funcionários da instituição e da cúpula do governo. Em2011, ele foi indicado por Mantega para dirigir o Banco do Nordeste, mas não assumiu o cargodevido à oposição de parlamentares nordestinos. “Ele tem mais de 30 anos de BB, é carismático,conhece bem a Brasilprev e foi o presidente interino entre Sérgio Rosa e Ricardo Flores diz afonte. Procurados, os diretores do BB e da Brasilprev não deram entrevista.“Não tenho desavença com o presidente do BB”Ricardo Flores falou à DINHEIRO sobre sua saída da Brasilprev:DINHEIRO - Por que deixar a BrasilPrev?RICARDO FLORES - Tomei a decisão de deixar a Brasilprev por motivos pessoais e familiares,conforme comunicado interno e à imprensa. Após quase cinco meses à frente da Brasilprev, comos excelentes resultados fechados em 2012, entendi que era o momento de buscar novos rumos,pois tenho mais de 34 anos de trabalhos prestados ao Banco do Brasil.DINHEIRO - Há alguma relação entre a sua saída e as recentes desavenças com o presidente doBB, Aldemir Bendine?FLORES - Não há nenhuma relação, mesmo porque não tenho desavença com o presidente doBanco do Brasil.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 82 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuDINHEIRO - O sr. vetou o nome de Bendine para presidir a Vale quando estava no conselho damineradora?FLORES - A escolha do presidente da Vale ocorreu mediante consenso entre os sócios, cumprindorigorosamente as normas do Acordo de Acionistas, por intermédio da contratação de um headhunter internacional para conduzir esse processo. Não procede a versão de que houve veto.DINHEIRO - Em algum momento, o senhor se sentiu rejeitado pela cúpula da Brasilprev?FLORES - Nunca me senti rejeitado pela cúpula da Brasilprev ou de qualquer outra instituição. Nocaso da Brasilprev, fui extremamente bem recebido não só por sua cúpula, mas também pelosfuncionários e colaboradores da empresa. Inclusive, existem vários registros em atas de reuniõesquanto à minha boa condução dos trabalhos, bem como a satisfação dos sócios com a superaçãode metas e os resultados.DINHEIRO - O sr. foi acusado de divulgar um dossiê denunciando irregularidades no Banco Postal,Isso é verdade? Houve envolvimento de Allan Toledo, ex-vice-presidente de Atacado do BB?FLORES - A versão que envolve meu nome no assunto da compra do Banco Postal é totalmentefalsa e não encontra respaldo na verdade dos fatos. Não tive qualquer tipo de participação nesseepisódio. É importante registrar que, à época, eu nem sequer fazia parte da direção do Banco doBrasil. Não tenho nenhuma informação a respeito do sr. Allan Toledo sobre o citado caso.44. Banco do Brasil prevê instalação de escritório na RússiaFonte: Isto é DinheiroO principal objetivo do Banco do Brasil na Rússia é atender empresas brasileiras que operam nopaís.O vice-presidente de Negócios Internacionais do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli afirmouà Agência Brasil que a instituição pretende instalar um escritório em Moscou no primeiro trimestredeste ano.Na última quinta-feira (14), o Banco Central autorizou a abertura de uma unidade do banco naRússia. Segundo Caffarelli, as negociações para que a instituição comece a operar no país estãoadiantadas "se a coisa andar bem", futuramente será aberta uma agência, disse o executivo.O principal objetivo do Banco do Brasil na Rússia é atender empresas brasileiras que operam nopaís, entre elas Embraer, a joalheria H. Stern, a fábrica de carrocerias Marcopolo, a Tramontina eo frigorífico JBS. , dentre outros. Ele relaciona também clientes do BB que atuam na Rússia, comoo Centro de Negócios Apex-Brasil e a Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 8345. Juros mais baixos, lucros mais altosAs taxas de juro caíram para os menores níveis da história do País e, mesmo assim, os bancospúblicos ganharam dinheiro como nunca. Conheça o segredo de BB e Caixa.Fonte: isto é Dinheiro Por Cláudio GRADILONE em 22/02/2013Quando o preço baixa, a freguesia compra mais. Os balanços de 2012 do Banco do Brasil e daCaixa Econômica Federal, divulgados na semana passada, mostram que esse velho princípio dovarejo está mais atual do que nunca. Os dois bancos estatais divulgaram resultados recordes em2012, ano em que o governo induziu a queda das taxas de juros para os menores níveis dahistória do País – a Selic, juro básico da economia, caiu de 12% para 7,25%. Nesse ambiente, oBanco do Brasil lucrou R$ 12,2 bilhões, com crescimento de 0,7% no ano. Já a Caixa obteve umlucro recorde de R$ 6,07 bilhões, com avanço de 17% em relação a 2011“Os resultados de 2012 mostraram o acerto da nossa estratégia”, disse Jorge Hereda, presidenteda Caixa, na quarta-feira 20. “O Banco do Brasil lucrou vendendo mais produtos para maisclientes”, afirmou, no dia seguinte, Aldemir Bendine, presidente do BB. O que chamou a atençãonos dois casos foi o forte avanço na concessão de crédito. No BB, a carteira de empréstimoschegou a R$ 580 bilhões, um crescimento de 24,9% em relação a 2011. Já o avanço da Caixa foimais significativo. Os empréstimos aumentaram 42,8% e atingiram R$ 361 bilhões, sendo que acarteira imobiliária, a mais importante do banco, avançou 44% e, por pouco, não chegou a R$200 bilhões.Ambas instituições estabeleceram metas ambiciosas para 2013. Neste ano, a Caixa projeta umaexpansão de 35% na carteira de empréstimos, ao passo que os concorrentes privados de varejocalculam uma média de 15%. “Vamos chegar ao fim de 2013 anunciando um resultado tão bomquanto esse”, afirmou o presidente da Caixa. A meta de Bendine é ampliar a carteira do BB ematé 20%. “O banco iniciou um processo de ampliação da rede de agências e de contratação depessoal em 2011, e vamos colher mais frutos neste ano”, disse ele. A reação do mercado aosresultados foi positiva: as ações do Banco do Brasil avançaram 4,1% na quinta-feira 21, em umpregão onde as cotações de Itaú Unibanco e Bradesco recuaram.“O crescimento de 24,9% na carteira de crédito do BB foi bem superior aos 7% de média domercado, e o banco conseguiu isso melhorando as margens financeiras e melhorando a qualidadedos ativos”, avalia Mario Pierry, analista-chefe do Deutsche Bank. Karina Freitas, da corretoraConcórdia, também elogiou o desempenho. “O BB surpreendeu não só pelo bom crescimento dascarteiras, mas também pelo aumento sólido nas receitas provenientes de seguros e de prestaçãode serviços.” Tanto Bendine quanto Hereda atribuíram o bom desempenho à estratégia de seanteciparem ao ajuste do mercado financeiro aos juros menores. As carteiras de empréstimos deambos avançaram e a inadimplência recuou.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 84 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuSegundo Bendine, as taxas menores estimularam clientes endividados a trocar seusfinanciamentos por créditos mais baratos, o que facilitou o pagamento das parcelas. Para ele, omais surpreendente dos resultados de 2012 foi aativação da base de clientes. O BB possui 55 milhõesde correntistas, e é difícil trazer mais pessoas paraesse universo. No entanto, afirmou, a redução dosjuros e das tarifas e o maciço esforço publicitáriofizeram com que 12,8 milhões de pessoas ampliassemsua atuação com o banco. “Desse total, 9,5 milhõespassaram a usar pelo menos um produto, e 3,3milhões tomaram seu primeiro financiamento”, disse.Pierry, do Deutsche, notou que os resultados doBanco Votorantim, uma notória fonte de prejuízospara o BB, estão melhorando. Bendine quer mais. “OVotorantim não vai dar prejuízo em 2013”, disse eleao apresentar os resultados. Apesar de o BB terinjetado R$ 4,2 bilhões no Votorantim ao longo dosúltimos quatro anos para sanear a carteira definanciamentos automotivos do banco, Bendine afirmaque os resultados futuros serão positivos. Segundoele, o banco possui uma estrutura muito bem azeitadapara ampliar esses empréstimos, algo estratégico parao BB.Bendine não comentou as negociações para ampliar aparticipação acionária no Votorantim. Um dos trunfos do BB para 2013 são os financiamentosimobiliários, algo relativamente recente na história da instituição. Atualmente, a carteira dessesempréstimos é de R$ 12,9 bilhões. A meta para o fim de 2012 é mais do que dobrar essa cifra,atingindo R$ 27 bilhões. “Temos um objetivo interno de sermos o segundo maior banco emempréstimos imobiliários até o fim deste ano”, disse Bendine. Outro coringa para ampliar osnegócios é a expansão internacional. Além de transformar diversos escritórios na Europa e na Ásiaem agências, o BB está negociando a compra de instituições nos Estados Unidos, nos estados daFlórida e de Nova Jersey.Os ganhos do BTG PactualLucro do banco de investimentos cresce 70% em relação a 2011Os lucros não foram recordes apenas para os gigantes estatais de varejo. O banco deinvestimentos BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, anunciou um ganho de R$ 3,2 bilhões noano passado, alta de 69,4% em relação a 2011, apesar do prejuízo de R$ 603 milhões doPanAmericano, controlado pelo BTG em associação com a Caixa. A rentabilidade patrimonial do
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 85BTG foi de 28,7%. Segundo Nataniel Cezimbra, analista do BB Investimentos, esse número estábem acima da média de 16,4% registrada pelos bancos privados brasileiros.“O bom desempenho mostra a força do nosso modelo de negócios”, disse Esteves. O ritmo lentodo mercado de capitais reduziu as emissões de ações e o saneamento do PanAmericano afetou oresultado, o que foi compensado pelo crescimento de 60% na carteira de empréstimoscorporativos, que atingiu R$ 33,8 bilhões. Esteves avalia que o desempenho de 2013 serábeneficiado pelo aquecimento do mercado de capitais.46. Estudo revela que usuários de banco buscam simpatia eatendimentoFonte: Isto é Dinheiro – 27/02/2013Estudo realizado pelo Instituto Fractal de Análises de Mercado mapeou os fatores que oscorrentistas consideram na hora de escolher sua instituição bancária.Estudo realizado pelo Instituto Fractal de Análises de Mercado mapeou os fatores que oscorrentistas consideram na hora de escolher sua instituição bancária.Os resultados foram obtidos com base na análise das respostas de dois grupos de usuários: comrenda superior a R$ 4 mil mensais e outro com renda entre R$ 800 e R$ 4 mil ao mês.O primeiro perfil – com ganhos acima de R$ 4 mil e considerado de alta renda – destaca a solidezda instituição bancária como primeiro aspecto a ser verificado. Além disso, a pesquisa identificouneste público itens que geram “desconfianças” em relação ao banco são: fraudes, falência,roubos, além da falta de segurança nas transações.Já o segundo perfil - usuários com renda entre R$ 800 e R$ 4 mil mensais – preferem bancos queofereçam simpatia e atendimento mais próximo, pois se sente mais seguro quando recebe umaatenção maior. Trata-se de um sentimento de acolhimento e acompanhado de explicações sobre ouso dos produtos financeiros.47. Copom: Especialistas apontam que os juros poderão sermantidos até o fim do anoComo já era esperado pelos principais analistas do mercado, o Comitê de Política Monetária(Copom) do Banco Central (BC) decidiu pela manutenção da taxa Selic em 7,25% ao ano,resultado divulgado na noite desta quarta-feira (6/3).Fonte: Isto é Dinheiro - Por Luiz Gustavo PACETE em 07/03/2013
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 86 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuPela terceira vez, o Copom decidiu por manter a taxa que segue com o menor patamar histórico.Para o economista e presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Manuel Enriquez Garcia, adecisão pode ser tomada porque “a inflação não está fora do controle e assim não há porquemexer na taxa Selic”.Antonio Madeira, economista da LCA Consultores explica à DINHEIRO que os principais fatoresque possibilitaram a manutenção da taxa são: o crescimento abaixo do potencial, ociosidadeimportante de recursos, o que ajuda a conter a inflação. “O discurso de Alexandre Tombini,presidente do Banco Central, tem sido mais conservadores nos últimos dias, o que possibilitoualgumas alterações no comunicado”.Para o economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, a manutenção dataxa mostra que o governo está aceitando uma inflação mais alta, desde que ela não supere oteto da meta. “Até o fim do ano os juros poderão ser mantidos. O baixo crescimento do PIB ajudaa manter a taxa”, afirma.Analistas apontam que a redução da taxa básica de juros tem sido uma das iniciativas importantese corajosas do governo para a retomada da competitividade da indústria nacional. Juntamentecom a desoneração da folha de pagamentos de aproximadamente 40 setores, mais acesso aocrédito, os estímulos tributários para alguns setores, MP dos Portos e a redução dos preços deEnergia Elétrica.O coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, ReginaldoGonçalves, acredita que existe uma premissa que a taxa Selic permaneça no patamar de 7,25%ao ano. “Acredita-se que esse item possa represar a inflação temporariamente. Entretanto,medidas de choque começam a ser necessárias, mesmo que isso represente aumento de juros e oinício de um processo de recessão: baixo consumo e perdas de postos de trabalho”, aponta.Para Gonçalves, o governo mantém a mesma receita de antigos presidentes, em especial com afalta de investimentos estruturais. “Tais práticas precisam mudar para acompanhar o cenáriointernacional. É preciso reduzir a patamares favoráveis a tributação. Ainda há muito espaço paraisso, para não sacrificar a empregabilidade e levar ao caos o País”, analisa.A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de abril.Projeções para o resto do ano:Levantamento realizado pela Agência Estado mostra a opinião de analistas para a manutenção dataxa durante o ano. 73 instituições financeiras foram consultadas: 36 têm a expectativa de estabilidade, em 7,25%, ao longo do ano; Outras 36 esperam que a taxa suba, encerrando o ano entre 7,50% e 9,00% Apenas uma instituição acredita que o Copom cortará o juro referencial em 0,25 pontoporcentual, para 7,00% ao ano, até o fim de 2013.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 8748. Caoa busca novo prazo para comprar o Banco BVAFonte: isto é Dinheiro - Clayton Netz e Cláudio Gradilone – 08/03/2013O prazo final para que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) encontre um comprador para o BancoBVA aproxima-se do fim. Sob intervenção do Banco Central (BC) desde 19 de outubro de 2012, oBVA poderá ser liquidado se não encontrar comprador. O candidato mais forte à compra é oempresário Carlos Alberto Oliveira Andrade. Caoa, como é conhecido, investiu R$ 500 milhões noBVA.A única saída para evitar a intervenção é reduzir o passivo a descoberto do BVA, de modo que osativos e o patrimônio líquido do banco sejam suficientes para pagar os compromissos dainstituição financeira. Pelas contas do banco Brasil Plural, que assessora Caoa, o passivo adescoberto do BVA pode ser de R$ 2,7 bilhões, acima dos R$ 1,5 bilhão estimados anteriormentepela empresa de auditoria PwC.Na ponta do lápis, é necessário que 95% dos credores concordem com uma redução de cerca de65% no que têm a receber. Segundo fontes que acompanham negociação, Caoa já teriaconseguido a adesão de 60% dos credores. Faltam outros investidores, principalmente sindicatose fundos de pensão, que ainda não concordaram em abrir mão de seus direitos.O prazo final para encontrar uma solução encerra-se nesta sexta-feira 8, mas Caoa está buscandoprorrogar o prazo até a próxima segunda-feira. Caso as partes não cheguem a um acordo, o BVApoderá ser o quinto banco de pequeno porte a ser liquidado nos últimos dois anos.49. Moody’s rebaixa notas de BNDES, BNDESPAR e CaixaEngajamento nas ‘políticas anticíclicas’ do governo enfraquece bancos, diz agência de classificaçãode risco.Fonte: O GLOBO – 20/03/2013RIO – A Moody’s rebaixou nesta quarta-feira as notas do BNDES, de sua subsidiária BNDESPAR eda Caixa, citando como motivo a participação das instituições nas “políticas anticíclicas” dogoverno brasileiro. A agência de classificação de risco diminuiu o rating de longo prazo do BNDES,do BNDESPAR e da Caixa de A3 para Baa2, ambos com perspectiva estável.A Moody’s lembra que o BNDES e a Caixa são de propriedade do governo e seu engajamento nasmedidas do governo para minimizar os efeitos da crise internacional tem resultado em um“significativo aumento” nos empréstimos.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 88 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu“Ao mesmo tempo, o governo tem exigido que BNDES e Caixa contribuam com um crescentemontante de dividendiso, enquanto repõe o capital do banco com injeções de capital não líquido.Esta prática tem resultado em níveis de capital relativamente baixos, que limitam a capacidadedos bancos de absorver perdas em situações de stress, enfraquecendo sua posição de crédito”.A estratégia de alto crescimento também introduz uma maior volatilidade para os balanços doBNDES e da Caixa, bem como de seus resultados, afirmou a Moody’s.A agência destaca ainda que o risco de crédito fundamental aumentou, como demonstra oaumento dos empréstimos do BNDES para seus dez maiores tomadores para o equivalente aquatro vezes seu capital em 2012, contra 3,4 vezes em 2010.A exposição da Caixa passou de 1,1 vez o capital em 2010 para 1,5 vez em 2012, de acordo comestimativas da Moody’s. Além disso, o portfolio de empréstimos da Caixa se expandiu cerca de40% nos últimos três anos, “desempenho que está bem acima da taxa de crescimento do sistema,e que expõe a qualidade de seus ativos à potencial deterioração, à medida que o banco miranovos tomadores de empréstimos e segmentos de mercado”, diz o comunicado da agência.50. A corrida pela CredicardOs maiores bancos do País se atropelam para comprar a principal processadora independente decartões de créditoFonte: Isto é Dinheiro Por Cláudio GRADILONE – 22/03/2013Nos últimos dias de fevereiro, o executivomexicano Manuel Medina-Mora, copresidente doCitigroup e responsável pelas atividades debanco de varejo do gigante americano, fez umadiscreta visita ao Brasil. Na agenda, além dainspeção regulamentar das tropas aquarteladasno edifício de granito rosado e vidros azuis daavenida Paulista, Medina-Mora reuniu-se comum interlocutor em especial, o banqueiroRoberto Setubal, CEO do Itaú Unibanco. Ambosdiscutiram a compra da Credicard, empresaadministradora de cartões de crédito controladapelo Citi e que está à venda desde o início desteano. O acesso às informações da Credicard, conhecido como data-room, foi aberto no início demarço.Se não houver atraso, os candidatos terão até os primeiros dias de abril para elaborar suaspropostas. O nome do novo proprietário deverá ser anunciado em meados do mês. Transações
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 89desse tipo são tratadas como segredo de Estado, daí nenhum dos sete entrevistados para estareportagem ter concordado em aparecer. No entanto, o quadro que emerge das conversas ébastante claro. Setubal desponta como o franco favorito. Mesmo assim, nada garante a vitória doItaú. O arquirrival Bradesco, também está participando do páreo, seguido de perto pelo Santandere pelo Banco do Brasil. O BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, chegou a fazer exercícios dealongamento, mas abandonou a corrida em seus primeiros metros.Esperam-se fortes emoções na que será a maior transação no mercado de cartões realizada nosúltimos dez anos, desde que o controle da Credicard, que era compartilhado por Citibank, Itaú eUnibanco, ficou apenas com o banco americano. O que está em jogo é a última grande emissorade cartões disponível no mercado, com 7 milhões de plásticos. A Abecs, entidade de classe querepresenta o setor, não tem números fechados para 2012. No entanto, uma estimativa informaldos profissionais avalia que os pagamentos com cartões no Brasil e no Exterior movimentaram R$470 bilhões no ano passado, um crescimento de 21% em relação a 2011. Os cartões de crédito daCredicard responderam por 4,5% dessas transações.Além da fatia relevante de mercado e da equipe azeitada, a Credicard conta com uma das marcasmais fortes no segmento. Não por acaso, o preço final de venda poderá superar R$ 2 bilhões – odobro do valor patrimonial da companhia. O negócio faz sentido para todos os participantes dacorrida. O líder é o Itaú Unibanco, cujos cartões movimentam 28% das transações. Essa cifra nãoconsidera os sete pontos percentuais de participação da Hipercard, adquirida pelo Unibanco em2003. A compra da Credicard colocaria o banco dirigido por Setubal na liderança isolada nomercado. Essa não é a única vantagem. A Credicard é uma administradora de cartões, mas nãopossui uma processadora de transações, que são realizadas por computadores instalados fora doBrasil.ara o Itaú, que conhece bem a empresa, é relativamente simples capturar esses negócios usandoos recursos de que já dispõe, principalmente a empresa de adquirência Redecard, cujo capital foifechado no início do ano. Há outro item, menos tangível, mas igualmente importante. Um dosfundadores da Credicard nos anos 1970, o Itaú não veria com bons olhos essa marca no portfóliodo arquirrival da Cidade de Deus. No caso do Bradesco, as vantagens de ganho de escala sãosemelhantes. A diferença é o peso da marca Credicard, cujas transações internacionais funcionamcomo um excelente complemento à bandeira nacional Elo, lançada pelo banco presidido por LuizCarlos Trabuco em parceria com o BB e com a Caixa Econômica Federal em março de 2011.A aquisição colocará o banco mais perto do Itaú na área de cartões, uma das principaisferramentas dos bancos para capturar clientes e garantir sua fidelidade. Os plásticos forneceminformações instantâneas sobre gastos e padrões de consumo, e permitem oferecer produtos eempréstimos sob medida, uma informação muito preciosa para qualquer instituição financeira. Umraciocínio semelhante vale para o Banco do Brasil. A diferença é a estratégia de atuação dobancão presidido por Aldemir Bendine. A compra do controle de uma empresa privada vai sujeitá-la imediatamente às restrições e amarras da administração pública, por isso a transação poderáser feita tanto pela Elo quanto pelo Banco Votorantim ou pela BV Financeira.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 90 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuO caso do Santander tem características especificas. Em condições normais de temperatura epressão, os espanhóis são quem tem mais a ganhar com a compra da Credicard. Além de duplicarsua fatia de mercado, o banco ganha uma marca tradicional no Brasil, algo que faz falta em suaestratégia. Outra vantagem é turbinar sua empresa de adquirência e processamento detransações GetNet. No entanto, mesmo que a subsidiária brasileira do Santander tenha caixa parapagar a fatura, ela terá de enfrentar, além da concorrência, a situação complicada dos bancos naEuropa, o que torna mais difícil para o presidente Marcial Portela convencer os acionistas adesembolsar dinheiro.E a situação do vendedor? No caso do Citi, a venda da Credicard representa uma desistênciadefinitiva da conquista de uma posição relevante no varejo brasileiro. A mais recente tentativa doCiti de ganhar musculatura foi iniciada em 2006 com um agressivo processo de abertura deagências. Esse processo foi interrompido com a crise dos financiamentos imobiliários nos EstadosUnidos e, a partir de agora, o Citi deverá concentrar-se apenas nas operações corporativas e nosclientes de alta renda. Para isso, o banco comandado por Helio Magalhães, que fez carreira naAmerican Express, manterá a bandeira Diners. Procurado, o Citi informou que não comentarumores de mercado. Da mesma forma, Santander, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e BancoVotorantim não concederam entrevista. Façam suas apostas, senhores.51. Oferta secundária da BB Seguridade pode captar até R$12,15 bilhõesFonte: O valor em 03/04/2013A oferta de ações da BB Seguridade, empresa de seguros, previdência e capitalização do Banco doBrasil, movimentará até R$ 12,15 bilhões, segundo anúncio da operação divulgado nesta quarta-
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 91feira. O preço dos papéis é estimado entre R$ 15 e R$ 18 na oferta pública que terá início no fimdeste mês, mas o valor final só deve ser conhecido no dia 23, após o período de coleta deintenções de compra de investidores no Brasil e no exterior.Se o Banco do Brasil conseguir ofertar aos investidores apenas o lote inicial de ações e o preço forfixado no piso de R$ 15, a transação ficará em R$ 7,5 bilhões. Se atingir o teto do intervalo, ouseja de R$ 18, e o banco conseguir vender mais ações por meio dos lotes suplementar e adicional,a oferta atingirá R$ 12,15 bilhões.Havia expectativa no mercado de que a oferta movimentaria algo em torno de R$ 10 bilhões eque a BB Seguridade seria avaliada em cerca de R$ 30 bilhões - valor acima das projeções iniciais.Pelas primeiras contas feitas por analistas, a BB Seguridade era comparada a outras duascompanhias de seguros já listadas na bolsa de valores: Porto Seguro e SulAmérica. Mas o fato dea BB Seguridade contar com uma subsidiária dedicada à corretagem dos seguros fez com quesubisse sua avaliação.A oferta pública será secundária, em que os atuais acionistas vendem participação na empresa eficam com os recursos captados. Não haverá parcela primária. A intenção do Banco do Brasil eravender uma fatia entre 25% e 30% da companhia.No dia 10 de abril tem início o período de reserva para investidores da oferta de varejo, quetermina em 22 de abril. O preço da ação será conhecido no dia 23, após o processo de intençãode compra de todos os investidores.Desconto para funcionáriosFuncionários do Banco do Brasil poderão comprar as ações da BB Seguridade com desconto.Quem adquirir os papéis à vista receberá um bônus de 12%. Também poderão usar para acompra licença prêmio, folgas e abonos. Se optarem pela compra em 12 parcelas sem juros, obônus cai para 8,475%, sendo que poderão comprar um mínimo de R$ 1 mil e um máximo de R$12 mil. O BB tem 114 mil funcionários.As ações da BB Seguridade serão negociadas na BM&FBovespa a partir do dia 25 e a liquidação daoferta ocorrerá no dia 29. A empresa fará parte do Novo Mercado de governança da bolsa.O BB Banco de Investimento será o coordenador líder da oferta, em conjunto com J.P. Morgan,Bradesco BBI, Itaú BBA, BTG Pactual, Citigroup, Votorantim e Brasil Plural.52. A partir de amanhã, bancos reduzem para R$ 1 mil valormínimo de TEDFonte: Agência Brasil em 21/03/2013
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 92 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuBrasília - A partir de amanhã (22), o valor mínimo para a realização de uma TransferênciaEletrônica Disponível (TED) cai de R$ 2 mil para R$ 1 mil, informou hoje (21) a FederaçãoBrasileira de Bancos (Febraban).De acordo com Febraban, os “clientes pessoas físicas e jurídicas terão acesso ampliado a um meioprático, ágil e seguro de realizar transferências de recursos entre bancos diferentes”.A TED faz com que o crédito entre na conta do destinatário no mesmo dia em que a transferênciaé solicitada. Em outras formas de movimentação financeira, como o Documento de Crédito (DOC),é preciso aguardar pelo menos um dia para a conclusão da operação.Segundo a Febraban, os bancos estabelecem um valor mínimo para esse tipo de transferênciapara evitar que a TED gere uma demanda em excesso e sobrecarregue os sistemas de pagamentoe de compensação das transações financeiras. De acordo com a federação, investimentos emtecnologia na rede de comunicações entre os bancos permitiram a redução sucessiva desseslimites nos últimos anos: de R$ 5 mil para R$ 3 mil em 2010, para R$ 2 mil em novembro de 2012e, agora, para R$ 1 mil.Para transferências interbancárias abaixo de R$ 1 mil, os clientes podem recorrer aos DOCs, quetêm valor limitado a R$ 5 mil por transação.A Febraban informou ainda que as tarifas cobradas para a realização de TED variam de bancopara banco, conforme a política comercial de cada um. Os preços das tarifas podem serconsultados no Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Financeiros da Febraban.53. BC lista 19 bancos estrangeiros na fila para entrar noBrasilFonte: Valor em 25/03/2013Existem 19 instituições estrangeiras interessadas em entrar no sistema financeiro do Brasil,afirmou ao Valor, Sidnei Correa Marques, diretor do Banco Central (BC) responsável pela área deautorização de novas empresas. A conta inclui os pedidos em análise e aqueles que ainda devemser protocolados, mas cujo interesse pelo mercado brasileiro já foi manifestado em conversas comdiretores do BC.Os interessados são de 15 países diferentes, entre eles Estados Unidos, Japão, Alemanha, Itália,Holanda e China. Em princípio, todos querem constituir subsidiárias em vez de entrar no paísadquirindo instituições existentes. Em dez casos, "na maioria de instituições sistemicamenteimportantes em nível global", a intenção é montar aqui um banco múltiplo ou comercial.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 93No atual cargo desde março de 2011, mas funcionário antigo da BC, Sidnei disse não lembrar deter visto lista tão grande de pretendentes nos últimos anos. "O número está acima da média",destacou o diretor sem revelar nomes nem qual seria a média.Como parâmetro de comparação, ele lembrou que de 2010 até agora, período em que nenhumpedido teria sido negado, o BC autorizou a criação de nove novas instituições de controleestrangeiro e obteve do Palácio do Planalto decreto abrindo caminho para a constituição de outrasquatro, o que dá um total de 13 em pouco mais de três anos.O diretor considera como já atendidos e, portanto, fora dos 19 apontados, esses quatro processoscuja autorização formal do BC é iminente porque já foram objeto de decreto da presidente DilmaRousseff reconhecendo o pleito como de interesse do governo brasileiro. Tal reconhecimento éexigido pela Constituição Federal, vem antes da autorização formal de funcionamento, mas só éconcedido depois que o BC, na condição de autoridade de supervisão bancária, se mostrafavorável ao pedido da instituição.Entre os 19 também não estão pedidos que logo de início o BC costuma rejeitar, antes mesmo daformalização. O diretor revela que a política, nesses casos, é convencer o interessado a sequerformalizar a intenção de ingresso no país. Com isso, embora já tenha acontecido, "é raríssimo" oBC reprovar algum pedido formal, disse ele.Questionado se a atual lista de pleiteantes não estaria "maior que a normal" por causa de algumademora na análise das demandas, Sidnei respondeu que não. O tempo da decisão do BC variamuito conforme o plano de negócios de cada um e, levando isso em consideração, tem sidonormal, assegurou."O sistema financeiro é estratégico em qualquer país. Os processos tomam o tempo necessáriopara que a decisão possa ser tomada em bases sólidas e seguras", disse ele, evitando falar sobreo caso do UBS. O banco suíço, que já esteve anteriormente no Brasil, esperou mais de dois anospara conseguir autorização do governo para voltar ao país - é um dos quatro casos já com decretofavorável.Marques acredita que o aumento do interesse dos estrangeiros em entrar no Brasil não temrelação com a crise internacional de liquidez que abalou bancos de diversas partes do mundo eque se desdobrou na desaceleração da economia mundial. "A crise já tem cinco anos e esseaumento de interesse é recente", disse.O diretor avalia que o fenômeno está mais ligado à melhora da visão sobre o Brasil do que à piorado cenário em países ricos. "O Brasil representa grande oportunidade de negócios para essasinstituições por vários fatores: mercado consumidor amplo e em crescimento; economia estável ecrescendo de forma sustentável; sistema financeiro sólido e aderente às melhores práticasinternacionais; economia aberta com comércio internacional diversificado; oportunidades deinvestimento em infraestrutura; fortalecimento do mercado de capitais; e instituiçõesdemocráticas e estáveis", entre outros.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 94 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuA maioria dos estrangeiros que quer constituir novos bancos está de olho na clientela de pessoasjurídicas principalmente. Muitos querem vir porque empresas clientes em outros países já vieramou pretendem investir aqui. A intenção dos estrangeiros não é só atuar em crédito. É tambématuar fortemente em operações de mercado de capitais, acrescentou o diretor.O BC leva em consideração, na sua análise,uma série de questões além do óbvio e emprincípio saudável aumento deconcorrência. Conforme Marques, osquesitos incluem entrada de novastecnologias; fomento ao comérciointernacional; acesso a investidoresexternos; visibilidade da economiabrasileira; ampliação de fontes definanciamento de longo prazo para o setorde infraestrutura; e maior integração doSFN ao sistema financeiro global. Tambémsão consideradas a avaliação feita pelosupervisor do país de origem sobre ainstituição interessada e a qualidade dessa supervisão bancária54. BB Leasing emitirá debêntureFonte: Valor em 28/03/2013A BB Leasing, do Banco do Brasil, registrou emissão de R$ 20 bilhões em debêntures. Os papéispossuem prazo de dez anos e rendimento equivalente a 100% da taxa do depósito interfinanceiro(DI).As emissões de debêntures de empresas de leasing são usadas como uma forma alternativa decaptação pelos bancos. Os papéis são usados como lastro em operações compromissadasrealizadas entre as instituições e os clientes, em condições semelhantes às de um CDB tradicional.As debêntures de leasing foram largamente usadas até 2008, quando o Banco Central passou aexigir o recolhimento do compulsório sobre as operações, assim como ocorre com o CDB. Oinstrumento, porém, voltou com força a partir de 2011 quando o estoque de emissões começou avencer. Esperava-se que as letras financeiras, criadas no ano anterior, substituíssem asdebêntures de leasing, mas o Banco Central vedou o uso da letra como lastro em operaçõescompromissadas. (VP)
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 9555. BB pode comprar banco na FlóridaFonte: Valor em 03/04/2013Entre as opções de crescer por meio de aquisições nos Estados Unidos, o Banco do Brasil analisa acompra do City National Bank of Florida, unidade americana do espanhol Bankia, que recebeu omaior socorro do governo na reestruturação bancária do país. Não há, entretanto, uma definiçãosobre o futuro das negociações.Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, apurou que o banco público brasileiro avalia compraro banco com sede em Miami. No entanto, essa aquisição não estaria sendo colocada comoprioritária pelo BB em relação às demais que pretende fazer para atingir o objetivo de ampliar suarede nos Estados Unidos."Está em análise assim como outras negociações. Não quer dizer que esse negócio vai sercolocado à frente dos demais", disse uma fonte a par do assunto.O diretor de atacado, negócios internacionais e private bank do BB, Paulo Rogério Caffarelli, jádisse publicamente que o BB tem interesse em ampliar as agências nos Estados Unidos, com focoem New Jersey e na Flórida.O banco brasileiro só tem três agências naquele país e pretende ampliar a rede para atender àdemanda de serviços dos brasileiros que moram nos Estados Unidos. Tal expansão pode ser tantovia crescimento orgânico como por meio da aquisição de outros bancos, sendo a última opção amais rápida.Além dos Estados Unidos, o BB também tem interesse em aumentar sua atuação em países daAmérica do Sul, com Chile, Peru e Colômbia.A venda do City National Bank of Florida foi anunciada pelo Bankia como parte do esforço dereestruturação. O Goldman Sachs, contratado para vender o banco, estaria pedindo algo entreUS$ 900 milhões e US$ 1 bilhão, mas fontes do mercado dizem que o valor pode baixar para acasa dos US$ 600 milhões. O National City tem US$ 4,8 bilhões em ativos e 26 agênciasO BB é o maior banco da América Latina em ativos e reúne cerca de US$ 15 bilhões nos EUA.56. BB negocia para ter 75% do capital total do BancoVotorantimFonte: Valor – 04/04/2013Sócio desde 2009 do Banco Votorantim, o Banco do Brasil (BB) fez oferta de R$ 2 bilhões à famíliaErmírio de Moraes para aumentar sua participação no capital do banco. Hoje, o BB detém 49,09%
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 96 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreudas ações ordinárias (com direito a voto) e 50% das ações preferenciais. Com a operação,manterá a fatia de ONs, mas passará a ter 100% das ações PN e 75% do capital total.O grupo Votorantim continuará com o controle do banco, uma vez que manterá 50,01% dasações ordinárias. O novo acordo de acionista, que está sendo negociado entre as partes, darámaior poder ao BB nas futuras decisões do Votorantim. As negociações estão bem avançadas.A expectativa é que o negócio seja concluído até o fim de maio. O BB anunciou ao mercado, nodia 21 de janeiro, o interesse em ampliar sua fatia no capital do banco Votorantim. Nasnegociações, dois bancos de investimento estrangeiros estão assessorando os sócios: oRothschild, pelo Banco do Brasil, e o J. P. Morgan, pelo Votorantim.Na nova configuração, os dois sócios devem manter o mesmo número de representantes quepossuem hoje no conselho de administração - três cada um.Não há intenção, também, de m mudar o atual presidente do banco, João Roberto GonçalvesTeixeira, que preside a instituição desde setembro de 2011. Ex-executivo do banco Santander,Teixeira foi indicado pelo BB para substituir Wilson Massao Kuzuhara. Sua gestão é bem avaliadapelos sócios.O Banco do Brasil não tem interesse em deter a maioria das ações ordinárias do Votorantimporque isso significaria estatizar o banco. A estatização dificultaria a gestão do banco, uma vezque o submeteria às regras de funcionamento de órgãos públicos.O modelo de associação é inspirado na Brasilprev, empresa privada de previdência complementarque o BB possui em sociedade com o americano Principal Financial Group. O BB possui 74,9% dototal das ações e o grupo americano, 25,1%.Desde que se tornou sócio do Votorantim, o BB tem atuado para melhorar a gestão do banco, queno ano passado teve prejuízo de R$ 1,988 bilhão. Para 2013, a expectativa é que ocorra novoprejuízo, embora bem menor que o de 2012. Os sócios fixaram como meta que, no últimotrimestre, o banco volte a gerar resultado positivo.Procurados, Banco do Brasil e Votorantim Finanças informaram que não iriam se pronunciar.57. Banco privado já vê cenário mais pessimista paracrédito em 2013Fonte: Valor Por Carolina Mandl e Felipe Marques | De São Paulo em 05/04/2012Encerrado o primeiro trimestre, os bancos privados já começam a prever que o crédito fechará2013 dentro do cenário mais pessimista que projetaram para o ano. Uma instituição financeira,inclusive, já avalia rever para baixo a projeção que deu a investidores, segundo o Valor apurou.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 97Entre os três maiores bancos privados - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander -, a avaliação é queos desembolsos de empréstimos ficaram aquém do imaginado de janeiro a março,comprometendo o desempenho do ano. Por isso agora já preveem que o crescimento do créditopode ficar distante da projeção de máxima divulgada ao mercado. A chance maior é que fique naparte inferior dos intervalos de expectativa informados.Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em março já mostrou uma ligeira revisãopara baixo na projeção dos analistas. Em janeiro, os bancos previam que o estoque de créditoteria uma evolução de 15,9% neste ano. Em março, nova sondagem mostrou que o ânimoarrefeceu para 15,6%.No início de 2013, os três bancos privados anunciaram que esperavam crescer um mínimo de11% (piso divulgado pelo Itaú) e um máximo de 17% (topo da expectativa do Bradesco). Bemmenos conservadores, os bancos públicos soltaram projeções de crescer mais. O Banco do Brasildisse que o estoque avançaria de 16% a 20%, enquanto a Caixa Econômica Federal indicou37,5% (ver tabela).Segundo o Valor apurou, executivos de bancos privados têm justificado o pessimismo com trêsmotivos. O primeiro é a dúvida sobre o que acontecerá com a atividade econômica. Quanto oProduto Interno Bruto (PIB) crescerá de fato? É essa resposta - que ainda segue indefinida - quedeterminará principalmente a demanda das empresas por empréstimos para financiar seusprojetos.Mas não é só isso. Se o PIB não reagir - e a inflação seguir em alta - ganha corpo um cenário emque o desemprego comece a reaparecer, com impacto não só na procura por crédito, comotambém na capacidade de pagamento das pessoas físicas."Se o crédito cresce menos, é mais uma questão de oferta restrita do que de demanda", avalia odiretor da Boa Vista Serviços, Fernando Cosenza. Para ele, ainda há um múltiplo do crédito sobreo crescimento da atividade econômica, condicionado à entrada de novos tomadores no sistema. ABoa Vista projeta que o saldo de operações deve avançar 14,5% em 2013, enquanto o PIB crescea 3%.O segundo fator é a inadimplência. Os calotes, assim como o endividamento das famílias, emboratenham melhorado nos últimos meses, seguem em níveis elevados. Considerando todos os tiposde crédito, o índice de inadimplência vem estável desde dezembro em 3,7%. Só algunssegmentos, como o de veículos para pessoas físicas, mostram melhora.O endividamento também melhorou, mas não o suficiente para aplacar a reticência de algunsbancos. Em janeiro, em média, 21,65% da renda líquida das famílias eram destinados a honrardívidas financeiras, ante 21,89% em dezembro, segundo o Banco Central (BC), com ajustesazonal. Um ano antes, esse percentual era de 22,97%, o maior da série histórica, que começaem janeiro de 2005. Os bancos têm ponderado que o número de pessoas tomando crédito no paísainda é limitado, o que faz com que o peso da dívida, na prática, seja maior que a média do BC.
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 98 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar AbreuO terceiro motivo do pessimismo tem relação com o afã dos bancos em controlar os calotes.Algumas instituições começam a sequestionar se não exageraram naseletividade de clientes. Um filtro maisrigoroso do que o necessário pode estarimpedindo a concessão de empréstimos.A calibragem entre a taxa deinadimplência "ideal" e o rigor na escolhade tomadores é algo que ainda está emfase de ajuste em algumas instituições.A diferença de ânimo dos bancos públicose privados em relação ao crédito traduz adisparidade de crescimento dos dois tipos de instituição. Enquanto o estoque de operações dosbancos públicos avançou 28,9% no acumulado em doze meses encerrados em fevereiro, osprivados de controle nacional avançaram 6,9%. Os estrangeiros avançaram 8,4%.O próprio BC espera para 2013 uma desaceleração no mercado de crédito quando projetouexpansão de 14% no começo do ano, abaixo inclusive do consenso do mercado. Em 2012, oestoque do sistema avançou 16,2%. Os três maiores bancos privados cresceram menos, 7,1%.Na contramão, a Caixa vê espaço para os empréstimos irem além e mantém a projeção de 37,5%de expansão da carteira. Em evento recente, Márcio Percival, vice-presidente de finanças dobanco, disse que a projeção de avanço de 15,6% da Febraban é "conservadora".Percival defende que a demanda de crédito corporativo, em especial na infraestrutura, será omotor do avanço do crédito no ano. "Já estamos sentindo demanda mais forte em capital de giro",disse na ocasião. Nos dois primeiros meses deste ano, na comparação com igual período de 2012,a carteira de crédito da Caixa avançou 43,1%.Se esse cenário se confirmar, 2013 pode repetir 2012 e mostrar um descompasso entre bancospúblicos e privados no que diz respeito ao crédito, com os primeiros crescendo a uma velocidademuito superior e ganhando mercado. O Banco do Brasil não quis se manifestar. Procurados pelareportagem para comentar suas expectativas oficialmente, Bradesco, Santander e Itaú Unibancoinformaram que não se pronunciariam.
    • Atualidades do Mercado Financeiro - Banco do BrasilProf. Cássio Albernaz Página 993.VÍDEOTECACLIQUE NOS VÍDEOS PARA ASSISTIR58. Redução taxas Bancodo BrasilFonte: BANCO DO BRASIL59. Depósitos emcaderneta de poupançasuperam retiradas em quaseR$ 6 bilhões em março de2013Fonte: G160. Taxa deinadimplência das famílias caipelo quinto mês seguidoFonte: G1
    • Atualidades do S.F.N Banco do Brasil 2013Página 100 Prof. Cássio Albernaz e Prof. Edgar Abreu61. Mercado acredita queos juros vão começar a subirem maioFonte: G162. Especialista comenta oresultado do PIB de 2012Fonte: G163. Brics fazem acordopara criar banco dos paísesemergentesFonte: UOL64. Um dos maioresbancos do Chipre seráliquidadoFonte: Estadão