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Resumo elaborado por Carlos Jorge Burke para o livro "ENSAIO SOBRE CONTRADIÇÃO. Civilização e Natureza: aquecimento global - síntese final? ...

Resumo elaborado por Carlos Jorge Burke para o livro "ENSAIO SOBRE CONTRADIÇÃO. Civilização e Natureza: aquecimento global - síntese final?
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    LYNN MARGULIS - O que é sexo? LYNN MARGULIS - O que é sexo? Document Transcript

    • MARGULIS, Lynn & SAGAN, Dorion. O que é Sexo? Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2002(b).Resumo por: Carlos Jorge Burke – www.cburke.com.brOBS: Se desejar, solicitar arquivo pelo blog.“O universo é uma fornalha de luz estelar, excessivamente banhado por ela e consumidopelo tempo. As coisas queimam, alteram-se, degradam-se e morrem. A vida que nossosancestrais identificavam em cada coisa móvel, fosse ela terrena ou celeste, écosmicamente rara. Mas é cósmica: no sentido mais fundamental, qualquer forma devida, aqui ou alhures, antiga ou moderna, só é concebível como um fenômeno de fluxoenergético, de troca material num cosmo banhado pela vasta energia das estrelas. Asestrelas – nosso Sol, no caso da vida na Terra – fornecem a energia para o trabalho davida. A operação fundamental desta é captar, armazenar e converter a luz das estrelasem energia utilizável. Na fotossíntese, os fótons são incorporados, construindo corpos ealimento; eles são a principal fonte energética dos dois prazeres mais elementares enaturais: o sexo e a alimentação.” P. 11“A vida senciente é atraída pelo sexo e pelos alimentos porque, amando e devorando, avida se conserva e se amplia. Nem todas as espécies, no entanto, precisam dasexualidade para se reproduzir. Em todas as que necessitam dela, o sexo é uma partecrucial do processo de transformação da energia pelo qual, deleitando-se, as espéciespreservam e aumentam sua complexidade neste cosmo impregnado de energia. Alémdisso, a inevitabilidade da morte era desconhecida dos primeiros corpos vivos.Originalmente eles eram imortais. A morte que tememos como fim de nossa existênciaindividual está, (...), intimamente relacionada com a evolução de organismos quereproduzem sexualmente, ocorrida há cerca de um bilhão de anos.” P. 11“O que é sexo? Ele nos confunde, não só por estar literalmente relacionado com amistura de dois seres distintamente diferentes, abrindo-nos uns para os outros damaneira mais profunda, mas também por tendermos a fazer extrapolações equivocadassobre a importância da sexualidade. Nossa existência biologicamente restrita de seresque se reproduzem sexualmente não significa, por exemplo, que exista apenas o sexocopulatório, baseado nos órgãos genitais, nem que o sexo esteja necessariamenterelacionado com a reprodução. Na verdade, a maioria dos comportamentos de quatrodos cinco reinos de seres vivos não precisa dele para se reproduzir.” P. 12“No nível mais elementar, o sexo é a recombinação genética. É a mistura ou a união degenes, isto é, de moléculas de DNA provenientes de mais de uma fonte. Quando umamolécula de DNA produz outra que lhe é idêntica, os biólogos falam em replicação.Entretanto, quando a matéria viva, como uma célula ou um corpo composto de células,produz outro ser vivo similar, os cientistas falam em reprodução.” P. 12“Os animais, com seus tecidos e órgãos complexos e com o envelhecimento inevitávelde seus corpos, evoluíram a partir de colônias de micróbios de reprodução sexuada,chamados protoctistas. Estes, por sua vez, desenvolveram-se a partir da intimidadeprofunda entre tipos de bactérias muito diferentes. As intimidades bacterianas quelevaram aos primeiros animais, passando pelos protoctistas, foram mais do que sexuais.Houve uma fusão de organismos muito diferentes. Eles começaram a compartilhar ummesmo corpo, não por alguns instantes, mas para sempre. Hoje em dia, no interior de
    • quase todas as células que compõem nossos tecidos, existem organelas celulares,chamadas mitocôndrias, que são herdadas apenas de nossas mães” p. 16“Segundo a maioria dos cosmólogos, físicos nucleares, astrônomos e cientistasespaciais, o universo começou numa singularidade – a explosão de tudo, a partir de umponto imensamente quente e infinitamente denso, surgido há aproximadamente 13,5bilhões de anos. Um segundo depois de ter se originado, a matéria do big bang havia seespalhado pela imensa distância de três anos-luz. Ainda era quente demais para queexistissem átomos. Decorridos três minutos da explosão, as partículas subatômicashaviam se acomodado numa temperatura “fria” de um bilhão de graus centígrados eatravessado uns 40 anos-luz. Quando os cientistas observam o chamado desvio espectralpara o vermelho – a mudança nos padrões luminosos e ondulatórios das estrelas -, elesconstatam que as galáxias atuais continuam a se afastar umas das outras a velocidadesimensas. O big bang continua. Em todas as direções do céu encontra-se uma radiaçãomicroondulatória de nível baixo. Essa chamada radiação de fundo é o “eco” distante daexplosão gigantesca que deu início a tudo. Alguns dos elementos mais pesados queacabariam abrindo caminho para a matéria viva, como o carbono, só se formaramposteriormente, assados, a partir de elementos mais leves, por uma verdadeira alquimia,nos fornos nucleares naturais de estrelas que, mais tarde, vieram a explodir. Somos osdescendentes de bombardeios e interações de partículas, de fusões pré-sexuais e de umaviolência sobre humana.” ´. 17“Ao longo do tempo, os ritmos naturais acionados por acontecimentos do mundoexterno evoluíram para relógios biológicos internos, à medida que os seres vivos foram-se tornando cada vez mais independentes do meio em que evoluíram. (...). O tema dainternalização pela matéria viva, do caráter cíclico de seu meio cósmico, com umavariação crescente, também se aplica ao ritmo do amor sexual, como uma permutaçãoda música primordial do universo.” P. 19“Uma vez que as ciências da complexidade interessam-se sobretudo pela criação demodelos de surgimento e da evolução da vida e da inteligência, os padrões de fluxoestudados pela termodinâmica merecem maior atenção. De fato, enquanto a visão quaseparanóica da origem da vida num programa de computador pode ser aceita, à guisa deentretenimento passageiro, nas páginas de um romance de ficção científica, a origem davida em estruturas termodinâmicas de fluxo é praticamente certa. Diversas observaçõese experimentos corroboram a idéia de que a energia pode fluir pela estrutura eorganizá-las para que se tornem mais complexas do que seu meio, (...). As estruturastermodinâmicas, sistemas tridimensionais que fazem as substâncias químicas e a energiagirarem por entre eles, mantendo sua complexidade ao longo do tempo, incluem maisdo que a vida. A vida é apenas um exemplo de uma classe mais ampla de estruturas defluxo energético-materiais que geram um caráter cíclico complexo.” p. 20“A Primeira Lei da Termodinâmica diz respeito à quantidade: num sistema fechado, aquantidade total de energia, sejam quais forem suas transformações, permaneceinalterada. A Segunda Lei da Termodinâmica diz respeito à qualidade: num sistemafechado, a energia de alta qualidade é inevitavelmente perdida pelo atrito, sob a formade calor. A percepção de Carnot de que havia um desgaste inevitável da qualidade daenergia foi a primeira a alertar a humanidade, a partir da ciência, para o fato de que ouniverso não é simétrico no que concerne ao tempo. Processos complexos, inclusive osda vida, têm tendências e direções. (...), a tendência evolutiva para a complexidade,
    • inclusive para o amor sexual humano, com sua história multimilenar, provavelmente sealicerça na assimetria temporal, baseada na termodinâmica.” P. 21“(...), Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850) mostrou que a pressão dos gasesaumentava (ou diminuía) 1/273 de seu valor inicial por cada grau centígrado deaumento (ou diminuição). Na teoria, portanto, a -273°C – isto é, a 0 graus Kelvin, ou o“zero absoluto” -, é previsível que cesse toda a ação molecular, à medida que os gasessão espremidos para o volume zero. Todavia, essa extrapolação, posteriormenteconsiderada parte da Terceira Lei da Termodinâmica, ainda não foi experimentalmenteconfirmada, em virtude das dificuldades técnicas intrínsecas de se chegar a umatemperatura tão baixa.” P. 22“Há duas grandes diferenças entre a termodinâmica clássica e a termodinâmica do não-equilíbrio. A primeira é que a termodinâmica clássica estuda estruturas de complexidadedecrescente – máquinas que perdem a capacidade de trabalho -, ao passo que atermodinâmica do não-equilíbrio estuda entidades, inclusive os seres vivos, queaumentam sua complexidade e adquirem capacidade de trabalho. A segunda diferença,essencialmente relacionada com a primeira, é que a termodinâmica clássica estudasistemas fechados e isolados, enquanto a do não-equilíbrio concentra-se nos sistemasabertos. Os sistemas fechados são vedados à entrada da matéria. Em contraste, a matériaflui pelos sistemas abertos. Num corpo vivo, para tomarmos um exemplo fundamental,a matéria penetra no sistema sob a forma de alimentos, bebidas e ar, e mais tarde, apósuma transformação, excretam-se resíduos. Como disse sobre os sistemas abertos oecologista Eugene Odum, da Universidade da Geórgia (falando da vida), “a matériacircula, a energia se dissipa”.” P. 24“Excetuada a entrada de meteoritos, o complexo sistema da vida na Terra – a biosfera –é fechado: os raios cósmicos e a radiação solar penetram no sistema, porém não amatéria em geral. Os organismos individuais, em contraste, são abertos ao fluxo deenergia e matéria. Aliás, as partes mais básicas da vida – comer, respirar, excretar,praticar sexo – atestam nossa condição de sistemas termodinâmicos abertos.Provavelmente, não é por coincidência que os prazeres mais naturais – como copular,gozar, espirrar, beber, comer, defecar, urinar, apanhar sol, transpirar, e até a música e avisão, como prazeres estéticos do som que penetra nos ouvidos, ou das ondas luminosasque dançam pelos buracos negros de nossa pupila, criando impressões visuais no fundoda retina – tendem a envolver orifícios e fluxos.” P. 24“A soma total da vida, que hoje extrai pouca matéria do espaço sideral, estáinalienavelmente aberta a um fluxo contínuo de energia solar. Seu processo básico écaptar os fótons de luz visível e ultravioleta, de baixa entropia e longos comprimentosde onda, e tornar a irradiá-los como radiação infravermelha, de comprimentos de ondamais curtos – em outras palavras, a vida converte luz em matéria viva e calor.Aprisionado, usando e, até certo ponto, reciclando a energia de alta qualidade dosfótons, proveniente do Sol, a vida vive e cresce, produzindo entropia e calor como seulixo cósmico. Ela se apropria desses fótons, tira-os de circulação por algum tempo, masdepois os devolve ao espaço sideral como calor. Se fosse um sistema isolado, ela seriamilagrosa. Mas não é; trata-se de um sistema aberto. O aumento de complexidadetrazido pela evolução é patrocinado pela radiação solar de baixa entropia. Até o sonhodo tigre adormecido, que digere uma gazela cujo corpo provém das gramíneas do pasto,é patrocinado pela energia sumamente ordeira do Sol. Longe de ser uma espécie de
    • moto perpétuo independente, que desafie as leis da física, a ordem da vida é umempréstimo ou um dispêndio de energia proveniente do Sol.” P. 29“O universo, poderíamos dizer, está “no cio”. Fora do equilíbrio pelo menos desde o bigbang, o cosmo permanece assim, a menos que seja de fato um sistema isolado, do tipoestudado pela termodinâmica clássica – caso em que se aproximará inevitavelmente daestase, ainda que nunca a atinja por completo. No prazer sexual, apercebemo-nos denosso pendor meio peculiar e contraditório para atingir e não atingir um fim,simultaneamente, para decompor um gradiente e, ao mesmo tempo, preservá-lo para umdeleite maior. O desejo de entregar e preservar, de acumular e gastar, reflete o dilema damatéria viva, na medida em que ela precisa de uma fonte de energia, mas desapareceráse esgotar completamente essa fonte.” P. 36“Com efeito, como os genes doados por uma bactéria podem ser recebidos por outraextremamente diferente – ou seja, como os genes atravessam as barreiras das “espécies”-, Sorin Sonea, bacteriologista da Universidade de Montreal, e seu colega MauricePanisser afirmam que as bactérias não devem ser classificadas como espécies distintas.Quando se define a espécie de maneira tradicional, como uma população de organismosque cruzam entre si para constituir uma prole viável, as bactérias não a qualificam. Elasnão precisam acasalar-se para reproduzir, nem tampouco ficam restritas, quandopraticam o sexo, a transmitir genes a organismos de sua própria espécie.” P. 43“A sexualidade bacteriana foi um atalho para a sobrevivência. Na evolução, a aquisiçãode um complexo genético previamente desenvolvido – chamado seme – pode contornara necessidade de esperar por mutações fortuitas. Ao propor sua teoria da evolução pelaseleção natural, Darwin não conhecia a fonte da variação. Hoje em dia, sabemos que aordem das bases químicas que compõem o DNA modifica-se ou sofre mutaçõesespontaneamente. Em geral, essas mudanças – como um erro ortográfico ou um errotipográfico num livro – são deletérias. Num organismo, podem ser danosas ou até fatais.Vez por outra, no entanto, há um acidente favorável, uma mudança que aumenta asprobabilidades de sobrevivência de um organismo.” P. 46“As mudanças e duplicações de pares de bases e os acréscimos de DNA extra sempretinham sido fonte de variação genética. Passaram então a existir outras fontes. Umadelas foi o sexo. Nos animais e plantas que se reproduzem sexualmente, contudo, osnovos genes adquiridos através do sexo se diluem quando o membro da espécie cruzacom um membro do sexo oposto, necessariamente misturando os genes para produzirum descendente diverso. As bactérias, porém, “reproduzem-se de verdade”. Em outraspalavras, por se reproduzirem sem a sexualidade, quando elas apanham e incorporamnovos genes (por definição, praticam sexo), esses genes sexualmente adquiridos sãotransmitidos a sua prole sem nenhuma mistura, quando elas se reproduzem.” P. 46“Os raros genes mutantes que facultavam novas e importantes formas de metabolismonão permaneceram raros por muito tempo, pois foram prontamente copiados ecompartilhados. Multiplicando-se com rapidez e transferindo genes exuberantemente, asbactérias conferiram novas aptidões tanto a seus vizinhos quanto a sua prole – umaespécie de transmissão cultural genética. Muito antes da “supervia da informação” emuito antes das telecomunicações humanas ou das redes de computadores, as bactériasformaram um eixo planetário de informações bioquímicas que foi inovador e
    • expansionista. Entregando-se ao sexo não-reprodutor, elas disseminaram genes úteis portodo o planeta.” P. 51“Alguns cientistas postulam que, antes da evolução da vida, a Terra era um “mundo doRNA”, feito de fragmentos genéticos que se recombinavam com desmazelo eproduziam proteínas, as quais acabaram por evoluir para formas bióticas. Se assim é, oRNA talvez tenha sido o precursor da vida – um sistema desleixado de informaçõesgenéticas, a caminho de ganhar vida.” P. 57“Depois do sexo bacteriano veio a hipersexualidade: as incorporações simbióticaspermanentes para formar um novo tipo de células – o tipo provido de núcleo. Nahipersexualidade, uma bactéria inteira penetra no corpo de outra bactéria inteira e osdois tipos passam a viver juntos para sempre. A reprodução dos parceiros hipersexuaislevou a novas unidades na evolução: as células nucleadas, comuns a todas as formas devida não-bacteriana, desde as amebas unicelulares até plantas e animais providos debilhões dessas células. Alguns poderão protestar, dizendo que endossimbiose não ésexo. Do ponto de vista evolutivo, contudo, ela foi até melhor do que o sexo: essasbactérias incorporadas levaram não só às amebas, aos micetozoários e aos paramécios,como também, depois da evolução da sexualidade meiótica e de seus gêneros sexuais, atodos os organismos de maior porte, inclusive nós mesmos. Os animais que praticam acópula sexual e as orquídeas polinizadas por insetos são beneficiários dessaancestralidade hipersexual. Na verdade, os animais, plantas, fungos e protoctistas têm ahipersexualidade embutida em sua história evolutiva celular.” P. 61“Na linguagem comum, sexo costuma referir-se ao “atrito genital” dos mamíferos.Talvez por causa da concentração lingüística nessa simples palavra de quatro letras, osexo às vezes parece ser um processo único. Nada poderia estar mais longe da verdade.O sexo é múltiplo, complicado e confuso. Tem uma história imensa e profunda. Épossível distinguir pelo menos três tipos distintos de sistemas sexuais, todos os quaisevoluíram em organismos diferentes, em épocas e lugares distintos. O primeiro a sedesenvolver foi o tipo unidirecional de sexualidade bacteriana, que levou àsobrevivência de uma rede ecológica bacteriana global muito bem ajustada. Depois,uma forma sumamente específica de hipersexualidade simbiótica ajudou a formarnossos ancestrais nucleados, os protoctistas. Mais recentemente, nos ancestraisprotoctistas dos fungos, plantas e animais, desenvolveu-se a forma mais conhecida dosexo: o sexo meiótico e por fecundação, que envolve a fusão celular.” P. 63“Nós, animais, enfrentamos um imperativo: um ato de equilibração entre nossaexistência como corpos com dois conjuntos de cromossomos, que inevitavelmentemorrem, e gametas produzidos por esses corpos com um só conjunto de cromossomos,que têm a possibilidade de continuar a vida na geração seguinte.” P. 65“O nome do restabelecimento da diploidia nos é conhecido: fecundação. O nome dareversão periódica ao estado haplóide é mais técnico: meiose.A meiose (que não se deve confundir com um termo de som semelhante, a mitose) é umprocesso de divisão celular que leva de células com dois conjuntos de cromossomos(diplóides) a células com apenas um (haplóides). Por isso, a meiose é frequentementechamada de “divisão redutora”. Nos homens, ela produz espermatozóides providos deum só conjunto de cromossomos, a partir de células corporais diplóides chamadasespermatócitos. Nas mulheres, a meiose produz óvulos providos de um só conjunto de
    • cromossomos, a partir de células corporais diplóides chamadas oócitos. A mitose refere-se simplesmente a divisão celular igual.” P. 72“No começo da evolução das espécies sexuadas, as células sexuais que se fundiam eramos próprios corpos dos organismos unicelulares. Ainda hoje, é freqüente os gametas dossexos complementares serem indistinguíveis das células assexuadas do crescimento oudas células do sexo oposto. Os protoctistas, entre os quais os machos (ou outrosparceiros) têm a mesma aparência que as fêmeas (ou outros parceiros), identificam unsaos outros por pistas muito sutis. No começo, quando a célula era um único corpo, nãohavia órgãos genitais especializados nem propágulos natatórios. Os primeiros parceiroseram exatamente iguais. Com o tempo, e separadamente em muitas linhagens, célulasidênticas tornaram-se distintas e desiguais. Por fim, surgiu a anisogamia, sob a forma deespermatozóides pequenos e óvulos grandes. E, com o correr do tempo, desenvolveram-se tipos diferentes de corpos passíveis de acasalamento.” P. 77“Todos os protoctistas se reproduzem por mitose. Crescem perfeitamente bem sem osexo. Como nunca ocorre fecundação, não há diferenciação entre os sexos. Paraatravessar os tempos difíceis, outros se acasalam prontamente e formam propáguloshibernantes, com grandes perspectivas de futuro. No nível eucariótico da célula únicados protoctistas, as fusões sexuais figuram como um último recurso, uma medida deemergência que aumenta enormemente a probabilidade de sobrevivência do“indivíduo”. Usamos aspas aqui porque esse enquistamento, seguido pela fecundação,mostra a estranha interdependência desses dois fenômenos. Na pré-história dasexualidade, só os seres que formaram pares evoluíram.” P. 83“Chamamos de “metamorfose” a transformação da lagarta em borboleta, ao passo quedamos o nome de morte à mudança ocorrida quando duas borboletas adultas perecem,depois do acasalamento. Visto por uma perspectiva mais profunda, entretanto, nadamorre. Nada se perde da vida que se metamorfeseia em ovo-lagarta-borboleta. A“morte” da borboleta é uma fase natural, é o passo evolutivo seguinte numa forma deorganização celular cíclica, mediada pela sexualidade.” P. 86“Desde a época de Darwin, a evolução tem sido retratada como uma competição entreindivíduos. A seleção natural extirpa os indivíduos fracos e deixa que sobrevivamapenas os fortes. O neodarwinismo acadêmico, infelizmente, tem-se baseado numa idéiademasiadamente restritiva do indivíduo. (...).A agregação de estranhos e parentes em grupos permite novas e poderosas vantagensevolutivas. Evoluindo no tempo através de interações sociais e entre as espécies, surgem“indivíduos” em níveis cada vez mais abrangentes de complexidade e organização” P.87s“No conceito central da zoologia, o conceito de que os organismos transcendem a sipróprios ao viverem juntos – com membros da mesma espécie ou como estranhos semparentesco genético – foi desacreditado durante décadas. Na tentativa de seremcientíficos, os biólogos populacionais e, sobretudo, os zoólogos, trataram os organismoscomo se eles fossem partículas fisicamente isoladas. Nas formulações neodarwinistas,os organismos, ou até seus simples genes, são unidades indivisíveis, independentes eegoístas. Mas essa idéia dos genes e dos animais como átomos individuais é destrutiva.Os organismos são sistemas abertos e em crescimento, com muitas oportunidades de seligarem a outros desses sistemas, em caráter temporário ou permanente.” P. 89
    • “Na verdade, os organismos vivos individuais não são átomos, nem qualquer outro tipode partícula. Nem tampouco são coisas. Os seres vivos são processos delimitados eabertos, em termos termodinâmicos e da informação. Suas fronteiras estão sempremudando. Através das membranas, da pele e dos orifícios, elas entram em contato como meio circundante e uns com os outros. Transformando a energia e produzindoentropia, cada organismo individual se sustenta e, quando é sexuado de algum modo,funde-se. Quer se trate da sexualidade transgênica das bactérias, da hipersexualidadedos protoctistas ou do sexo fusional dos animais, plantas ou fungos, todos os seressexuados se sustentam e se fundem. Os organismos são indivíduos muito menosindependentes do que presumiu a moderna biologia neodarwinista. Com efeito, no nívelbacteriano e, mais tarde, no nível sexual eucariótico, a fusão foi diretamente responsávelpor grandes transições evolutivas.” P. 89“Quanto mais complexo o corpo e quanto maior o número e a diversidade das partesque o integram, mais rigorosa, ao que parece, é a exigência de “começar pelo começo”,realizando a fusão e desfazendo-a através da redução acarretada pela divisão meiótica.”P. 91“O ponto crucial de nossa crise existencial está em que, para nos regenerarmos porcompleto, temos que praticar o sexo e morrer como indivíduos conscientes. (...).O início da ordem cíclica preservada pela meiose consiste no acasalamento e na fusãocelular. O fim dessa ordem cíclica preservada pela meiose consiste no envelhecimento ena morte.” P. 91s“Nossa explicação de por que os indivíduos sexuados se dão ao trabalho de procurarparceiros de sexo complementar, apenas para diluir seus genes, é simples. Eles não têmalternativas. Para sobreviver ao frio do inverno ou à seca do verão, têm que praticar osexo. Se quiserem participar do processo de decomposição do gradiente solar, têm quese entregar à fusão sexual.” P. 97“A animalidade, em outras palavras, depende da trajetória: os animais dependem darepetição de determinados acontecimentos da história de seus ancestrais. Atualmente,nenhum tatu, nenhuma lagartixa e nenhum bebê nasce ou sobrevive sem passar pelosprocessos de meiose, formação do gênero sexual e fecundação. A estrada cíclica queconduz aos seres humanos modernos requer a travessia do trevo da sexualidade, pararetornar ao "ponto de partida" do par espermatozóide e óvulo. Com exceção de nossashemácias, que não tem núcleo e, portanto, não tem cromossomos, e de nossosespermatozóides ou óvulos, que tem apenas um conjunto, quase todas as outras célulasde nosso corpo tem pelo menos dois conjuntos cromossômicos. Todas as nossas célulascombinam a herança nuclear de nossas mães e nossos pais. Somos meióticos e sexuadosaté o âmago de nosso ser.” P. 98“A evolução da sexualidade foi como um pacto com o diabo. O sexo fusional,fecundação seguida pela meiose, permitiu que as seres vivos sobrevivessem aos ciclosdas estações. O sexo deixou que os animais desenvolvessem corpos multicelulares,intrincadamente complexos, a partir de ovos fertilizados. Mas o preço pelo êxtase queultrapassava a identidade - a sexualidade que impele a nos unirmos um com outro e aproduzirmos um novo ser para além de nos mesmos - foi alto. (O sexo, no nível celular,está ligado à morte há 700 milhões de anos, talvez. O corpo dos genitores tinha que
    • morrer. A evolução da sexualidade nos animais foi acompanhada pelo envelhecimento,até a morte de seus corpos. A morte no momento certo, a morte com data marcada, achamada morte programada, foi parte integrante do sexo fusional, desde seusprimórdios unicelulares. A ligação romântica do sexo com a morte, na arte, reflete averdadeira história evolutiva.” P. 101“O retorno indefective1 ao estado ancestral implica que o estado fusional só pode sertemporário. Nos seres humanos, o que cresce no estado fusional é nada menos do quenosso corpo, com seu cérebro capaz de compreender nossa morte futura e de nosdesafiar a buscar um sentido para nossa vida.” P. 103“A certa altura de sua carreira, Freud atribuiu toda a atividade psicológica a duasgrandes pulsões: Eros, a pulsão de vida, e Tânatos, a pulsão de morte. A ligação entre asexualidade e a morte também aparece na história bíblica de Eva, que cede a tentação dodemônio em forma de serpente, com isso provocando a expulsão do primeiro casal doJardim do Éden e, em função do pecado original, a queda da humanidade, levando-a desua imortalidade em estado de graça para a luxuria e o sexo terrenos.” P. 104 (errado)“Os organismos cuja reprodução é sexuada só existem como indivíduos distintos porum período limitado. A ligação sexo-morte não existe nas bactérias, nem tampouco nasamebas, nas euglenas e noutros protoctistas não-sexuados. Reproduzindo-se porfragmentação, esses protoctistas, em principio, são imortais.” P.104“Supridos de energia, alimento, água e espaço suficientes, todas as bactérias e muitosprotoctistas continuam imortais. Realizam o metabolismo e se multiplicam semlimitação. Duplicam seu DNA e outros componentes celulares e se dividem em duascelulas-filhas. Em sua simplicidade termodinâmica essencial, a vida se expande por umaânsia irrestrita de divisão celular.” P. 105“Quando a célula parental única gera duas células, ela não morre, mas se divide. Emcontraste, os "indivíduos" sexuados - o legado de corpos que crescem, amadurecem einevitavelmente morrem, que nos foi deixado pelos protoctistas (evoluíram em épocarelativamente recente, há menos de um bilhão de anos.” P. 105“As células retiradas de embriões são chamadas de células-tronco embrionárias (CTE).Essas células são retiradas de camundongos num estágio precoce. Nos camundongos,este ocorre quando o embrião ainda está na trompa, antes da implantação na parede doútero, e tem apenas cerca de 100 células. As CTE de camundongos, manipuladas paraimpedir sua diferenciação e a finalização do crescimento, multiplicam-seindefinidamente em cultura. As células criadas em cultura, quando acrescentadas a umsegundo blastocisto, são aceitas no embrião do camundongo. Multiplicam-se quandoinjetadas para fazer parte do cérebro ou da pele; não faz diferença a que parte do novoblastocisto sejam acrescentadas. A versatilidade dessas células jovens em cultura édesignada pelos biólogos como pluripotência. As células pluripotentes tem grandepotencial de crescimento, mas esse potencial se perde quando elas se especializam,transformando-se num tecido especifico. As células-tronco embrionárias sãopluripotentes. Tal como as celulas HeLa e os ovos fecundados, são imortais - desde quese impeçam sua diferenciação e seu desenvolvimento.” P. 114
    • “Uma das razões fornecidas para a vantagem da sexualidade é que o aumento davariação genética fornece genes de um genitor que, na diploidia, mascararão asmutações deletérias desse mesmo gene, vindo do outro genitor.” P. 114s“A evolução do corpo, iniciada pela sexualidade a cada geração, pôs fim a degradaçãocontinua da energia pelas células. Depôs nos lábios da vida primitiva o beijo da morte,ciclicamente recorrente e sexualmente mediada. O resultado foi a descontinuidade doscorpos multicelulares. O "beijo da morte", com sua sugestão implícita de uma ligaçãoentre a reprodução sexuada e a morte inevitável dos corpos sexuados, é uma metáforaapropriada para a evolução, há varias centenas de milhões de anos, de corposdescartáveis, que servem de veículos temporários para os gametas em que estãocontidos os genes e que, até então, tinham sido imortais.” P. 121“Charles Darwin, neto de Erasmus, apontou duas maneiras de a sexualidade acelerar aevolução, dando a ambas, em contraste com a seleção natural, o nome de "seleçãosexual". Ele observou que as fêmeas dos animais, em alguns casos, eramnumericamente escassas em relação ao número de machos com que poderiam acasalar.Charles Darwin descreveu tanto a competição entre os machos, que leva a machos maisfortes e mais aptos, quanto a escolha das fêmeas, na qual estas escolhem os machos comque irão cruzar. E Darwin observou que os animais que exercem escolhas podeminfluenciar os caracteres da geração seguinte.” P. 126“No período decorrido desde a época de Charles Darwin, uma outra forma de seleçãosexual - a competição dos espermatozóides - foi submetida ao escrutínio dospesquisadores científicos. Os vencedores da competição espermática não são os queconseguem afastar o corpo de outros machos através da luta, mas os que conseguemderrotar o esperma dos concorrentes por meios como a produção de um número maiorde espermatozóides, ou uma ejaculação maior. Uma estratégia comum, que evoluiuindependentemente em aranhas, insetos e mamíferos, é a formação de um sêmenextremamente pegajoso, que barra efetivamente a entrada do esperma de outrospretendentes. Alguns machos roedores chegam ate a sintetizar "tampões vaginais", quedepositam com o pênis. Nos animais, sendo especialmente notável em primatas sociaiscomo nós, a capacidade de variar a comportamento em busca de sensualidade, deperceber distinções sutis na forma, tamanho e cor dos corpos, e de enganar a nósmesmos e aos outros, incorporou-se no processo evolutivo.” P. 126“Nossa perspectiva é clara. A vida em si provém do desdobramento termodinâmico douniverso físico. O sexo meiótico (fusional) como fenômeno biológico que sedesenvolveu em protoctistas estressados. Nossos ancestrais animais, que emergiram deprotoctistas bizarros, não podiam desenvolver embriões nem adultos sem a penetraçãodo espermatozóide no óvulo. O sexo, em nós, não é dispensável: o desenvolvimento e areprodução de todos os componentes dos 38 filos de animais precisam da meiose e dafecundação.” P. 128“A percepção, o logro e a sensibilidade estética vem evoluindo nos animais durante osmais de 541 milhões de anos de sua existência na Terra. Não surpreende, portanto, queessas próprias aptidões tenham sido afiadas e influenciadas pela evolução animal.Apesar de nossa arrogância e nosso antropocentrismo, os resultados de muitosexperimentos e observações obrigam-nos a reconhecer que os processos do pensar e do
    • sentir não se limitam exclusivamente aos seres humanos. A percepção e a açãoestimulada pela percepção são propriedades da vida - até da vida bacteriana.Na verdade, toda a natureza viva é um fenômeno de interação e percepção.” P. 128“A seleção sexual leva os organismos a influenciar sua própria evolução. Darwin foiinabalável em sua insistência em que as fêmeas, até mesmo as fêmeas de insetos,aparentemente movidas por um instinto cego, podem ter um impacto dramático em seufuturo, ao optarem por acasalar tão-somente com certos machos. Para ele, era um "fatoespantoso que as fêmeas de muitos pássaros e alguns mamíferos... e... o que é aindamais espantoso... de répteis, peixes e insetos", exercessem uma "escolha feminina”.Apesar de originalmente depreciada, até mesmo pelos evolucionistas que endossavam aseleção natural, a seleção sexual de Darwin foi posteriormente confirmada.” P. 130s“As fêmeas que escolhem os machos fecundadores propagam seus próprios genes nosdescendentes masculinos. A escolha delas é restrita, pois a fêmea que não conseguirescolher um macho com um aparelho eficaz de implantação dos espermatozóidespoderá sair perdendo, a longo prazo, para a que o fizer. (...). Ao longo do tempoevolutivo e considerando a competição entre os machos, as características conducentes àalta fertilidade masculina tendem a substituir as que levam a baixa fertilidade. Asfêmeas, portanto, desenvolvem meios cada vez mais aguçados para identificar osmelhores procriadores dentre os machos. Reconhecendo um aparato masculino superiorde transmissão de espermatozóides, através de pistas visuais ou tácteis, os genesfemininos tendem a se propagar na população. O impulso para o desenvolvimento dossentidos estéticos que ligam a sexualidade ao restante do sistema nervoso ocorreu amedida que o prazer neurológico inspirou as fêmeas a cruzarem com machos excitantese férteis. A capacidade de orgasmo nas fêmeas reflete ligações neurológicasinconscientes, que proporcionam uma indicação do equipamento masculino deimplantação dos espermatozóides.” P. 135“Atentamos, como seria previsível, para uma variedade mutável de sinais sexuais. Osenchimentos na panturrilha, as cuecas nas antigas calças e calções masculinos, aminissaia, os óculos escuros da moda, as ombreiras, as perucas, o batom, os colares eanéis, todos mostram graus diferentes de funcionalidade, mas todos transmitem sinaissexuais. A moda acentua as antigas ligações entre a variação fisiológica e o sucessosexual. Nossas reações as diferenças percebidas entre os membros de nossa espécie quesão parceiros potenciais estão longe de ser arbitrarias: são respostas profundas a milhõesde anos de evolução.” P. 138“A sexualidade pode ser dividida em dois grandes tipos, cada um correspondendo a umadada "moral" pré-humana, ou esfera de decoro sociossexual baseada na espécie:chimpanzés e seres humanos de um lado, gorilas e orangotangos de outro. Esses doiscampos diferem enormemente; as diferenças se refletem nas dimensões relativas de seusórgãos genitais e seu corpo. O corpo dos chimpanzés machos e fêmeas, como o dosseres humanos, é quase do mesmo tamanho. Também como os seres humanos, oschimpanzés machos tem uma genitália relativamente grande – a rigor, têm testículosmaiores e produzem mais espermatozóides por ejaculação do que os homens. Uma dasinterpretações do significado da volumosa genitália masculina é que os seres humanosforam mais promíscuos no passado, quando nossos ancestrais se beneficiavam de umaparato superior de transmissão dos espermatozóides. Atualmente, contudo, pelos
    • padrões humanos, os chimpanzés são muito mais promíscuos. As fêmeas que estãoovulando, o que se evidencia pela pele vermelha e intumescida ao redor de sua vagina,copulam livremente e com frequência com muitos membros do grupo. Todos os machossabem quando uma fêmea está receptiva, por causa da mudança fisiológica conhecidacomo estro: sua genitália fica vermelha e inchada.Em contraste, nem a fêmea do orangotango nem a do gorila são promiscuas. Elas nãotendem a expor seus órgãos reprodutores à atenção de muitos parceiros potenciaisdurante os períodos de ovulação. A competição entre os gorilas envolve a agressãocorporal entre os machos. A armazenagem dos espermatozóides, em testículospendentes na bolsa escrotal, e sua transmissão pela ejaculação peniana intromissiva evigorosa, de importância fundamental para as pessoas e os chimpanzés, são menossignificativas na vida dos gorilas e orangotangos. Provavelmente, o fato de os homens eos chimpanzés machos, terem pênis mais longos, testículos maiores, e produzirem maisespermatozóides do que os gorilas ou orangotangos está diretamente relacionado comsua tendência a manter contatos sexuais mais numerosos.” P. 147s“Os gorilas gozam de um sistema reprodutivo de "harém", no qual um macho,geralmente mais velho e com alguns cabelos grisalhos - o de dorso prateado -, dominaos demais. Esse macho "alfa" dominante é quem escolhe as fêmeas. Ele exibe suagrande envergadura, estabelecendo a dominação sobre as fêmeas e os machosadolescentes. Seu minúsculo pênis ereto, de apenas cerca de 2,5 centímetros decomprimento, despeja uma quantidade relativamente pequena de espermatozóides. Emcontrapartida, os gorilas machos tendem a ser violentos. Os machos alfa dominantesimpedem que as fêmeas férteis cruzem com outros. Inversamente, nas espécies deprimatas em que há menos diferenciação de tamanho entre machos e fêmeas, menosagressão masculina e, portanto, menos possessividade sexual, a competição tende maisa aparecer não no nível de corpos machucados, mas no do órgao sexual penetrante e dosespermatozóides nadadores. Enquanto os chimpanzés machos não lutarem entre si, mascompartilharem as fêmeas no cio, os que despejarem mais perto do óvulo o maiornúmero possível de espermatozóides velozes serão os mais favorecidos. A grandedimensão corporal é uma vantagem entre os lutadores, mas entre os amantes o vantajosoe a genitália volumosa.” P. 148“O dimorfismo sexual é comum nos animais em geral. Nas pessoas, os traçossexualmente dimórficos incluem as diferenças no padrão de peso, altura e cabelos. Entrenossos ancestrais, sem dúvida existiram equivalentes humanos dos machos dominantesdos gorilas, de pelagem prateada no dorso. Ainda hoje, em relação às fêmeas, nossosmachos adultos exibem características dimórficas de dominação semelhantes às dessesgorilas de dorso prateado. Esses traços incluem o porte grande, a musculatura sólida,que é útil nos combates por ciúme, o padrão masculino de calvície, o cabelo grosso, ocabelo e/ou pele escuros, a voz grave, os modos ríspidos, barba, bigode, costeletas elistras padronizadas nos cabelos grisalhos.” P. 152“Algumas espécies de mamíferos exibem inversões sexuais impressionantes, que vãomuito além de nossa experiência humana. Basta aqui um exemplo: a "masculinização"da hiena. Das quatro espécies existentes de hienas, somente a hiena-pintada, de clitorisgigantesco, é passível de estudo cientifico, já que só ela esta fora da lista de espécies emextinção. A hiena-pintada ou gargalhante (Crocuta crocuta) é um mamífero agressivo,cujas fêmeas são impressionantemente "masculinas". Bandos totalmente femininosdessas criaturas, cujos dentes parecem navalhas, reduzem uma zebra a quatro patas em
    • um intervalo de 20 minutos. Suas fezes são brancas, pois elas mastigam e digerem osossos.Até a década de 1990, ninguém havia determinado com êxito o sexo dessas criaturas,em razão de que todas elas, machos e fêmeas, pareciam exibir pênis pendentes. Agora,os cientistas sabem que o "pênis feminino" é, na verdade, o clitóris aumentado, ao passoque o órgão masculino é menor e mais largo. As fêmeas, que são fecundadas pormachos menores e atarracados, de pênis muito longo, são inteiramente desprovidas devagina. Inversamente de outros mamíferos placentários, os filhotes, em geral gêmeos,tem que fazer meia-volta no canal de parturição para sair pelo c1itóris. Dolorosamente,o parto se dá ao longo da extensão da uretra, que passa pelo interior do c1itórisgigantesco.” P. 157“A infertilidade da maioria dos ratos-toupeira nus parece ter uma mediação hormonal.As rainhas dessas colonias - e não seus consortes masculinos - têm o mais alto nívelsanguíneo de testosterona entre todos os seus membros. (...).O comportamento da rainha, assim como seus níveis de testosterona, aparentementeinibem o desenvolvimento sexual de outros membros dessa "ditadura reprodutiva”.Efeitos similares da redução da testosterona foram observados em sociedades deprimatas, entre machos em combate. Depois de derrotar um macho dominante, as vezesos vencedores exibem níveis elevados de testosterona, enquanto os derrotados podemsofrer baixas significativas desse hormônio.” P. 166 “Certos feromônios, que a principio regulavam a atração e o comportamento nosprotoctistas, provavelmente se transformaram em hormônios reguladores docrescimento no interior do corpo de cada animal. A medida que as célulaspermaneceram juntas, depois da reprodução mitótica, transformando-se em organismos,as substâncias químicas que regulavam o comportamento entre membros de umapopulação dessas células transformaram-se nas substâncias químicas que regulam ocomportamento entre as células do corpo. Esse processo também pode funcionar nosentido inverso: a medida que os organismos se agregam, convertendo-se emsociedades, os hormônios de seu interior podem tornar a "vazar" para o meio social.A testosterona, por exemplo, o mesmo esteróide que faz os meninos criarem barba,engrossarem a voz e adquirirem pelos no corpo, ao amadurecerem fisicamente e setornarem homens, também funciona como um fator de atração - um feromônio - entreanimais maduros. Por exemplo, a lampreia macho, um vertebrado aquático semelhanteaos peixes, que tem dentes, mas não tem maxilares, pode atrair uma lampreia fêmea,liberando testosterona na ínfima dose de 29 picogramas por mililitro. 0 rato machojovem (Mus musculus), exposto a urina de machos adultos, que contém testosterona,amadurece e se converte num adulto de peso inferior, com órgãos reprodutores menores.As fêmeas da espécie, entretanto, não são afetadas.” P. 170