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Trabalho oliveiras completo

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  • 1. Instituto Superior de Ciências EducativasBAZAR OLIVEIRASMarcaLicenciatura em TurismoUC: História Sócio Económica do Turismo1.º Ano – 2.º SemestreDocentes:Dr. Nuno AbranjaDr.ª Ana MarquesDiscente:Carlos Alberto Ferreira Pereira de AbreuAluno N.º 40109 – TBJunho 2010
  • 2. 2INDICE1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------- 32. METODOLOGIA ----------------------------------------------------------------- 33. CORPO DO TRABALHO------------------------------------------------------- 63.1 Descrição da Marca ------------------------------------------------------- 64. ESTUDO----------------------------------------------------------------------------- 64.1 Entrevista ------------------------------------------------------------------- 64.2 Sondagem realizada a funcionários da Empresa ------------------- 125. CONCLUSÃO---------------------------------------------------------------------- 16REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ------------------------------------------- 18ANEXOS-------------------------------------------------------------------------------- 19I - Cartão de Visita ------------------------------------------------------------ 20II - Escritura -------------------------------------------------------------------- 21III - Insígnia--------------------------------------------------------------------- 29IV - Marca----------------------------------------------------------------------- 30V – Outros documentos de interesse --------------------------------------- 31
  • 3. 31. INTRODUÇÃOA Ilha da Madeira, não só é conhecida internacionalmente, pelas suas belezasnaturais.Entre o seu clima, os seus jardins, as suas variedades de plantas e flores, temos o“Bordado Madeira”, produto presente na ilha, desde o início do seu povoamento.Este produto é marca mais do que suficiente para projectar a Ilha além fronteiras,como promoção inequívoca da tão conhecida “Pérola do Atlântico”.Foi nesta perspectiva que resolvi escolher este tema, sabendo que, através da suamarca, o elo de ligação entre esta ilha e o resto do mundo, nunca deixará de existir.Falarei sobre o Bordado Madeira como mercadoria, tentando explicar um poucoda sua evolução ao longo dos tempos.Falarei também um pouco sobre a história da família Oliveiras e da importância damarca da empresa como símbolo de divulgação deste produto.Farei uma entrevista ao neto do criador da empresa, o Sócio Gerente, Sr. EmanuelEgídio de Sousa Oliveira, na tentativa de compreender as estratégias de venda e decrescimento da própria empresa.Farei ainda, uma pequena sondagem a alguns funcionários tentando com issorelacionar os seus conhecimentos no sentido de associarem a marca do produto à vendae o que acham sobre esta ocupação económica no que diz respeito à parte económica daRegião Autónoma da Madeira.Finalmente, farei uma pequena conclusão, juntando todos estes “pontos” nadivulgação do próprio destino Madeira2. METODOLOGIAA afirmação do “Bordado Madeira” como mercadoria, começa a tornar-seevidente, só a partir me meados do século XIX, com peso muito significativo em trocascomerciais. Diz-se que esta iniciativa teve início com Miss Phelps, descendente de unsnegociantes ingleses radicados na Ilha da Madeira desde o final do século XIX., abrindoassim, caminho para o mercado britânico tornando-se a sua dimensão num produtomercantil de grande procura e valorização, pelo mercado estrangeiro.Devido a estas mudanças tornaram claro garantir uma continuidade do processo defabrico e de circulação, nascendo as “casas de bordados” e com isso o produto foi tendo
  • 4. 4uma evolução técnica no seu fabrico, regulamentando-se de acordo com as exigênciasdos novos clientes. Em simultâneo, esta actividade deixa de ser uma forma de lazer,tornando-se numa actividade de subsistência, num trabalho exercido a tempo inteiro.A partir de 1850, as casas de bordados começam a aparecer, “alimentando” ointeresse de muitos estrangeiros, dos quais podemos destacar os ingleses, alemães,norte-americanos e sírios, conduzindo por isso, o processo artesanal para um processomais industrializado.Devido à situação económica que se vivia na ilha, o bordado madeira aparececomo uma “tábua de salvação”, pois o trabalho na agricultura era de muito difícilsubsistência. Junto com as lides caseiras, as mulheres de então conseguiam organizar-see não deixaram de perder esta oportunidade económica para a sobrevivência dasfamílias.Como é do conhecimento geral, a travessia de duas guerras mundiais, na primeirametade do século XX, foi um período de muita dificuldade, travando a economiamundial, perdendo-se mercados, fechando-se casas, ainda mais com a agravante daconcorrência de bordados de outras regiões, nomeadamente a oriental. Apesar de todasestas dificuldades, a economia local foi-se mantendo até aos dias de hoje.Dentro das várias marcas existentes na Ilha da Madeira, encontrei aquela que,pessoalmente achei, ser uma das mais apropriadas para elaboração do meu trabalho. AEmpresa Oliveira Bordados, cujo início, embora na altura ainda não registado, data de1917, tornando-se numa referência a nível mundial. Como já tive oportunidade dereferir, o isolamento da ilha travava grandes lutas de sobrevivência. António GomesD’Oliveira, era um homem de visões (a nível de negócio), futuras.António Gomes D’Oliveira, nasceu em 1877, na Ilha da Madeira, natural de SãoMartinho. Era filho de Manuel Carlos D’Oliveira e da sua segunda mulher, MariaCarmelita Gomes D’Oliveira. António teve 31 irmãos, fruto de 3 casamentos de seu pai.Muito cedo, com os seus 17 anos e devido aos problemas económicos vividos na altura,emigrou para Demerara-Mahaica, na Guiana, colónia inglesa que faz fronteira com aVenezuela e que tinha problemas de mão de obra, devido à absolvição da escravaturanegra (esta colónia, recebe os primeiros emigrantes por volta de 1845, sendo o surtomuito grande de emigrantes europeus).António teve a felicidade de ter irmãos já residentes de Demerara, estabelecidoscom diversos negócios, destinando com isso o seu futuro, pois, muitos outros
  • 5. 5emigrantes na altura tinham um destino complicado, tornando-se no fundo em“escravos”.Mais tarde, com algum dinheiro acumulado regressa à sua Terra Natal e cria umaloja de artefactos com o nome BAZAR OLIVEIRAS, na Rua das Mercês, no centro docomércio do Funchal, na época considerado a entrada da Cidade do Funchal.Entretanto, conhece Leonor Conceição Gomes Loja, sua futura esposa. Os pais deLeonor foram sempre contra este casamento devido à idade que os separava. Mas contraa vontade de tudo e de todos, casam-se nascendo desta união 6 filhos, Jorge GomesD’Oliveira em 1913, Alzira Gomes D’Oliveira em 1915, Carmelita Gomes D’Oliveiraem 1917, Clara Gomes D’Oliveira em 1923, Mercês Gomes D’Oliveira em 1928 eSidónio Gomes D’Oliveira em 1931.Este Bazar manteve-se e António Oliveira resolveu dar os seus primeiros passosna elaboração dos seus próprios bordados.Mais tarde, em 1917, já casado, começa com uma actividade de bordados,artesanal, em sua residência num prédio rústico, situado na estrada de ligação da Levadade Santa Luzia com o Bom Sucesso. Sua mulher, Leonor Conceição Gomes D’Oliveira,tinha alguns dotes de costura, pois, era modista de blusas de ceda e camisas de noite,passando a orientar os acabamentos de bordados e entregando este tipo de trabalho abordadeiras, por si seleccionadas. Suas filhas, depois de crescidas, naturalmente comoutras colaboradoras começaram a controlar todo o processo de bordados produzidosem exclusivo para o BAZAR OLIVEIRAS.António Gomes, a 17 de Abril de 1934 faleceu, com 57 anos de idade. A gerênciado estabelecimento BAZAR OLIVEIRAS, passa a ser efectuada por seu filho maisvelho, Jorge Gomes D’Oliveira, com apenas 20 anos de idade e por sua mãe, Leonor daConceição Gomes D’Oliveira, na altura com os seus 45 anos. Esta entrada do filho,deve-se ao facto que nesse tempo uma mulher não era bem aceite à frente de negócios.A laboração dos bordados, começa a ter um aumento muito significativo,tornando-se cada vez mais necessário abrir um novo estabelecimento para produção debordados. Era um novo desafio, então Jorge Gomes D’Oliveira, junto com seu tio,irmão de seu pai, Alfredo Gomes D’Oliveira, resolvem dar continuidade a estaactividade, abrindo uma nova organização de Fábrica de Bordados, na Rua Direita.
  • 6. 63. CORPO DO TRABALHO3.1 Descrição da MarcaAntes do registo da marca, o “Bazar Oliveiras” e conforme já feita anteriormente,já laborava em pleno, pensando-se que os registos eram feitos em nome individual(informação do Sr. Egídio Oliveira).Prova da existência do bazar, é precisamente um cartão pessoal, relacionado como “Bazar Oliveiras” datado de 20 de Dezembro de 1938 (anexo I).Com a crescente visão da parte de Jorge Gomes D’Oliveira, juntamente com suamãe, Leonor Conceição Gomes D’Oliveira, constituem a primeira escritura deSociedade, “António Gomes D’Oliveira, SUCRS.”, a 24 de Maio de 1941 (Anexo II).Os tempos que se seguiram foram de muita dificuldade a nível económico, devidoà II Guerra Mundial que decorria.Com o final da II Guerra, economicamente o mundo encontrava-se em grandesdificuldades.Sendo a Madeira, no fundo uma ilha isolada, mas local de passagem de muitosnavios com emigrantes para os Estados Unidos da América e sendo grande parte delesjudeus, António Gomes de Oliveira, com grande visão para os negócios, resolve registaruma insígnia, composta pela Cruz de Davide, símbolo Judaico e no centro asbordadeiras tradicionais, com isso aumentando os seus lucros de venda a Judeus. Em 15de Junho de 1953, regista a insígnia (Anexo III).Mais tarde e vendo que a sua estratégia tinha dado resultados, a 14 de Maio de1959 regista a marca que perdura até aos nossos dias (Anexo IV).4. ESTUDO4.1 EntrevistaGrande parte deste trabalho foi feito em estudo de campo, nomeadamente atravésda entrevista com o neto do Sr. António Gomes D’Oliveira e Leonor de ConceiçãoGomes D’Oliveira, o Sr. Emanuel Egídio de Sousa Oliveira, sócio gerente da Empresa,actualmente com 48 anos de idade, ao qual coloquei as seguintes questões:1.º Qual o objectivo da criação do bazar?2.º Qual foi a evolução ao longo dos anos?
  • 7. 73.º Qual o número de trabalhadores4.º Quais as estratégias usadas de crescimento?5.º Projectos futuros?6.º Opinião sobre a actividade?1.º A Ilha da madeira era isolada do mundo. A agricultura era um dos grandesmeios de subsistência, mas devido á orografia, comercialmente não era muito lucrativa.A emigração era a solução. O meu avô tem a felicidade de emigrar com o apoio dosseus irmãos mais velhos que já o tinham feito anteriormente, crescendo-lhe com isso,uma visão mais futurista. Quando regressa á Ilha, penso que já trazia o objectivo denegócio na sua mente. O bordado madeira já existia e era na altura muito cobiçado porgrandes famílias inglesas. Como ele devia primar pela boa qualidade, entendeu juntar o“produto final” (bordados) num local em que este antes de ser vendido passasse por um“processo de qualidade”, abrindo o bazar. Como meu avô tinha algum dinheiro,comprava e armazenava, para posteriormente revender os melhores bordados que sefaziam na altura.2.º Meu avô, era um homem de negócios e penso eu, com grandes ambições.Porque não juntar o útil ao agradável, ou seja, porque não criar uma fábrica demanufacturação, assim todo o produto até á venda seria de sua autoria. Foi precisamenteisto que ele fez. Tinha o Bazar e em sua casa, juntamente com sua mulher, contratoualgumas bordadeiras e fazia as suas criações. Foi uma grande evolução, porque ele abriuuma “fábrica”, tem local de armazenamento e neste local faz venda ao público em gerale a todos os visitantes que vinham à Madeira. Entretanto, o meu avô faleceu. Minhaavó, como mulher não era aceite na sociedade madeirense à frente de negócios, entãoconvida o seu filho mais velho (meu tio) para gerir os bordados. A procura começou ater um aumento significativo, então, Jorge Gomes D’Oliveira, pede ajuda a seu tioAlfredo Gomes D’Oliveira (estava a estudar no Seminário Diocesano e deixou osestudos). Ambos chegaram à conclusão que teriam de mudar para umas instalaçõesmaiores. Assim o fizeram e mudaram-se para a Rua Direita, com uma nova organizaçãode “Fábrica de Bordados”.Infelizmente, não encontro registos, como sociedade desta altura. Em 1941 é quese faz a primeira escritura de sociedade que se passou a chamar “António GomesD’Oliveira, SUCRS.), mudando novamente de instalações para a Av. Arriaga, n.º 11.
  • 8. 8A partir desta data, há várias alterações das escrituras e alguns acontecimentosrelevantes, tais como:Escritura de Constituição da Sociedade ANTONIO GOMES DE OLIVEIRASUCRS. 24 de Maio de 1941 (Lavrada na folha 37 do Livro 195-B ) Secretaria Notarialdo Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas - Rua 31 de Janeiro nº 54(hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal) - Constituição Sociedade: capital175.000$00 (Cento e Setenta e cinco mil escudos) Sócios Fundadores: LeonorConceição Gomes de Oliveira e Jorge Gomes de Oliveira sede: Avenida Arriaga nº 11,2º andar.2ª Localização da Fabrica de Bordados e 1ª sede da sociedade segundo Escriturada Constituição a 24 de Maio de 1941 na Avenida Arriaga nº11, 2 andar (actuaisinstalações da Direcção Regional de Turismo).Entrada do 3º sócio na firma por proposta do sócio Jorge Gomes de Oliveira o seuamigo, cunhado e empregado da secção de vendas Bazar Oliveiras da Rua dos Murçasnº 6, Alfredo Severiano Rocha registado na Acta nº 2 da firma no dia 5 de Março de1945.Escritura de Alteração 20 de Março de 1945 (Lavrada na folha 37 do Livro 201-B)Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas - Rua31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal) - Capital480,000$00 (Quatrocentos e oitenta mil escudos) Sócios: Leonor Conceição Gomes deOliveira, 215.646$46 escudos, Jorge Gomes de Oliveira 239.353$54 escudos e AlfredoSeveriano Rocha 25.000.00 escudos - sede : Avenida Arriaga nº 11, 2º andar.Escritura de Alteração 23 de Março de 1945 (Lavrada na folha 37 do Livro 204-B)Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas - Rua31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal) - Sócios:Leonor Conceição Gomes de Oliveira, Jorge Gomes de Oliveira e Alfredo SeverianoRocha - sede: Avenida Arriaga nº 11, 2º andar.Escritura de Alteração 20 de Novembro de 1947 (Lavrada na folha 83 do Livro 207-B)Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas - Rua31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal) - Sócios:Leonor Conceição Gomes de Oliveira, Jorge Gomes de Oliveira e Alfredo SeverianoRocha - sede: Avenida Arriaga nº 11, 2º andar.Registo na Acta nº 12 da firma de 29 de Janeiro 1952 do sócio Sidónio HumbertoGomes de Oliveira com 20 anos.
  • 9. 9Casamento do sócio Sidónio Humberto Gomes D´Oliveira com 23 anos no dia 6de Outubro de 1954 com Maria Dolores Marques de Sousa Oliveira com 22 anosRegisto 637 Conservatória do Registo Civil no Regime de Separação Absoluta de BensEscritura de Convenção Antenupcial de 16 de Outubro de 1954, Lº 101, Fls 82 a 83,Secretaria Notarial do Funchal 1º Cartório – Notário Licenciado Graciano FerreiraAlves.Testamentos a 3 de Dezembro de 1954 entre Sidónio Humberto Gomes deOliveira e Maria Dolores de Sousa Oliveira - Secretaria Notarial do Funchal Notáriolicenciado José A. Leite Monteiro Lº 8 fls 9 Lº 8 fls 10 como salvaguarda do patrimóniodo casal, visto ainda não terem filhos.Escritura de saída de sócio 26 de Janeiro de 1955 (Lavrada na folha 20 do Livro220-B ) Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas- Rua 31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal ) –Sócios: Leonor Conceição Gomes de Oliveira, Jorge Gomes de Oliveira, AlfredoSiveriano Rocha e Sidónio Humberto Gomes Oliveira (idade 23 anos) - sede: Rua dosMurças, 22.3ª Localização da Fabrica Oliveiras Bordados e actual sede Rua dos Murças nº 22,1º andar.Escritura de saída de sócio 5 de Março de 1955 ( Lavrada na folha 80 do Livro220-B ) Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas- Rua 31 de Janeiro nº 54 ( hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal ) - Sócios:Leonor Conceição Gomes de Oliveira, Jorge Gomes de Oliveira, Alfredo SiverianoRocha e Sidónio Humberto Gomes Oliveira - (saída da sócia: fundadora da sociedadeLeonor Conceição Gomes Oliveira no dia 15 de Fevereiro de 1955 ) sede: Rua dosMurças, 22.Escritura de Cessão e Aumento de Capital 27 de Abril de 1955 (Lavrada na folha4 do Livro 221-B) Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augustode Freitas - Rua 31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial) - CapitalSocial 3.000.000$00 (três milhões de escudos), Sócios: Jorge Gomes de Oliveira,2.100.000$00 (dois milhões e cem mil escudos), Alfredo Severiano Rocha, 450.000$00(quatrocentos e cinquenta mil escudos) e Sidónio Humberto Gomes Oliveira,450.000$00 (quatrocentos e cinquenta mil escudos) - sede : Rua dos Murças, 22.Falecimento do sócio Alfredo Severiano Rocha a 12 Dezembro de 1956.
  • 10. 10Escritura de Alteração Cessão 15 de Julho de 1958 (Lavrada na folha 37 do Livro227-B) Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas- Rua 31 de Janeiro nº 54 (hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal) - CapitalSocial 3.000.000$00 (três milhões de escudos) Sócios: Jorge Gomes de Oliveira,2.100.000$00 (dois milhões e cem mil escudos) Maria Alzira Gomes Rocha 450.000$00(quatrocentos e cinquenta mil escudos) e Sidónio Humberto Gomes Oliveira450.000$00 (quatrocentos e cinquenta mil escudos) sede: Avenida Rua dos Murças 22Cessão da sócia - Maria Alzira Gomes D´Oliveira Rocha.Escritura de Alteração 7 de Outubro de 1958 (Lavrada na folha 10 do Livro 228-B) Secretaria Notarial do Funchal - Notário Bacharel Frederico Augusto de Freitas -Rua 31 de Janeiro nº 54 ( hoje 1º Cartório da Secretaria Notarial do Funchal ) - CapitalSocial 3.000.000$00 (três milhões de escudos) Sócios : Jorge Gomes de Oliveira,2.400.000$00 (dois milhões e quatrocentos mil escudos) e Sidónio Humberto GomesOliveira 600.000$00 (seiscentos mil escudos) sede: Rua dos Murças, 22.Falecimento num Sábado a 3 de Janeiro de 1959 com 69 anos a ex sócia eFundadora da Sociedade Leonor da Conceição Gomes Oliveira (saiu da sociedade 4anos antes do seu falecimento a 15 de Fevereiro de 1955 registado com escritura dealteração de 5 de Março de 1955).Escritura 12 de Abril de 1977 (Lavrada folha 43 verso do Livro 362- B) CartórioNotarial de Câmara de Lobos - Notário Dr. Manuel Figueira de Andrade - Aumento deCapital e alteração do Pacto Social – entrada de novos sócios José Rui JardimRodrigues e Ferdinando Gomes Gonçalves.Arrendamento a 29 de Março de 1979 do espaço comercial Rua dos Murças nº 34onde foi instalado o estabelecimento comercial Arte Ricamo.Escritura 12 de Maio de 1980 (Lavrada na folha 39 a folha 42 verso do Livro 385-B) Cartório Notarial de Câmara de Lobos - Notário Dr. Manuel Figueira de Andrade -Reforço de Capital.Nascido a 5 de Maio de 1913 faleceu a 27 de Abril de 1983 o ultimo sóciofundador da sociedade Jorge Gomes de Oliveira com 69 anos com a mesma idade desua mãe.Escritura de Alteração 26 de Maio de 1983 (Lavrada na folha 64 a folha 66 versodo Livro 415- A) Cartório Notarial de Câmara de Lobos - Notário Dr. Manuel Figueirade Andrade - Alteração do Pacto Social.
  • 11. 11Escritura de 20 de Setembro de 1983 (Lavrada na folha 72 a folha 76 verso doLivro 404 - B) Cartório Notarial de Câmara de Lobos - Notário Dr. Manuel Figueira deAndrade - Transformação de sociedade Capital 40.000.000$00 (quarenta milhões deescudos) - António Gomes de Oliveira Sucrs., Lda.Escritura de compra de Trespasse 22 de Junho de 1990 (Lavrada na folha 38 afolha 39 verso do Livro 472-A) Cartório Notarial de Câmara de Lobos - Notário Dr.Manuel Figueira de Andrade - Fracção C localizada R/C na Rua dos Murças nº 2.Falecimento do sócio José Rui Jardim Rodrigues a 23 de Outubro 1997.Entrada da sócia viúva da sócia Maria Elisabete Martins Anjo Rodrigues.Falecimento da sócia Laura Jesus de Castro Oliveira a 23 de Fevereiro de 2003.Testamento da sócia Laura Jesus de Castro Oliveira que entrega a sua quota de60% da sociedade aos três sócios existentes passando a as quotas da sociedade a ter aseguinte proporção 00% Ferdinado Gomes Oliveira, 00% Sidónio Humberto Gomes deOliveira e 00% Maria Elisabete Martins Anjo Rodrigues.Falecimento do sócio Sidónio Humberto Gomes Oliveira com 74 anos a 17 deDezembro 2005.Entrada para a quota indivisa de Maria Dolores de Sousa oliveira Rodrigues,Emanuel Egídio de Sousa Oliveira, Carlos Alberto de Sousa Oliveira e Sidónio João deSousa Oliveira.Falecimento da sócia Maria Elisabete Martins Anjo Rodrigues em Fevereiro 2006.Entrada da sócia Carla Martins Anjo Rodrigues.(Os dados de alterações acima descritos, foram ditados pelo Sr. EmanuelOliveira).3.º Antes de 1941, não tenho a certeza, mas depois desta data começamos com 3trabalhadores evoluindo até aos 80. Presentemente e devido às conjunturas, só temos 28,dos quais trabalhadores na fábrica bem como nas lojas de venda ao público.4.º Foi precisamente, com o registo da insígnia e a marca a grande estratégia decrescimento.O símbolo judaico era a base desse crescimento. O meu tio, não era judeu, mas eraconhecido como “O Judeu”. Aproveitou toda essa situação para “fazer dinheiro” efazendo negócio com os judeus que passavam na Madeira a caminho dos EstadosUnidos da América. Como é do conhecimento geral, os judeus são muito unidos, então
  • 12. 12meu tio aproveitou-se dessa situação para fazer promoção. Há uma história engraçadaentre um judeu e meu tio. Esse homem passou por cá, sem nada, sem dinheiro. Entãopediu a meu tio que o ajudasse. Meu tio emprestou-lhe dinheiro. Esse homem foi paraÁfrica do Sul e mais tarde abriu uma loja que se tornou a nossa representante em Áfricado Sul (recentemente já não existe). Tenho pena de não ter documentos dessa altura,mas foi assim mesmo.Na estratégia de crescimento, incluo o crescimento deste negócio, em 1979 aabertura da loja ao público “Arte Ricamo” e em 1980, abrimos o 2.º Bazar Oliveiras naRua da Alfândega.5.º Neste momento, apenas tentamos manter tudo aquilo que temos. Os tempos sãodifíceis, como sabes, já reduzimos e em muito, pessoal, aliás já o tinha dito. Vamosesperar e ver a conjuntura a nível mundial o que nos traz de novo.6.º Duma vez por todas, é necessário preservar este património. São gerações egerações de madeirenses que estiveram e estão ligados a este sector.Cada vez é mais complicado devido a este tipo de trabalho ser feito à mão. Asconcorrências, os falsos bordados e todos os facilitismos que dai advêm, estão a “matar”esta grande arte. Em minha opinião, temos que adaptar as novas tecnologias a esta arte,senão acredito que mais cedo ou mais tarde, a actividade “morrerá”. A lei dos bordadostem que mudar. Está velha, vem de 1941, já se passou muito tempo. Temos que terautorização para pode-lo usar em outras actividades. Infelizmente o seu uso é muitorestrito e “preso” a leis antigas.Vamos ver o que o futuro nos reserva. Aguardamos calmamente o evoluir dasituação.4.2 Sondagem realizada a funcionários da EmpresaFoi realizada, aos possíveis funcionários da Empresa com o intuito de se saber seos mesmos conhecem, além da marca “Bazar Oliveiras” e a sua importância se oBordado Madeira é de importância para a economia da Região Autónoma da Madeira.Para o efeito, foram feitas, a 5 funcionários as seguintes perguntas:1.º Sabe qual a importância do “Bordado Madeira” na Economia Madeirense?
  • 13. 132.º Acha que a manutenção da Marca “Bazar Oliveiras” tem influência da Ilha, noexterior?3.º Qual a sua opinião, sobre a manutenção da Empresa e a sua manutençãofutura?4.º Qual a contribuição dada por si na Missão de sucesso da Empresa?Maria Helena Campos Gomes Gonçalves, vendedora de loja, 45 anos de idade,admitida na Empresa a 1 de Janeiro de 1984.1.º É um factor prioritário. A nossa maior e mais forte riqueza, está no bordado.Além disso, emprega muita gente, ainda mais a nível rural, salvaguardando asubsistência de muitas famílias madeirenses.2.º A Marca garante a originalidade do produto e com isso é associada a Ilha daMadeira, através dessa Marca.Vêm cá, muitos turistas pela primeira vez e acompanham-se do cartão daEmpresa, esse cartão foi dado a eles, por outros que já tinham cá estado, como se podeconstatar, a Ilha é, além de outras razões, conhecida por esta Marca, no seu exterior.3.º O melhor está a ser feito, cada vez mais temos que criar novas soluções e nosadaptarmos a novas situações novas no mercado. Temos que fazer novos “sistemas” depublicidade com a intenção de chegar mais rápido ao nosso cliente. Temos que criarnovidades, com o bordado. O cliente, antes comprava o que havia, agora, é muito maisexigente. Temos que criar ao gosto dele.4.º Tudo o que está ao meu alcance. Quando tenho ideias, executo-as. Estousempre a pensar no cliente e naquilo que ele procura. As imagens dentro das lojas nãopodem ser estáticas, têm que mudar de vez em quando, eu tento sempre fazer isso, comisso tentando melhorar as próprias vendas.Virgílio Gomes de Freitas, vendedor de loja, 58 anos de idade, admitido naEmpresa a 1 de Junho de 1966. Este senhor tem a função de convidar clientes (turistas)que passam nas ruas.
  • 14. 141.º Pelos anos que eu tenho, posso dizer que esta laboração é uma das maisimportantes que existem na Ilha da Madeira. Se você ver, o que é que temos para dar,nosso? É o bordado e o vinho, mas o vinho gasta-se e o bordado fica para sempre.2.º Eu posso mesmo afirmar que isso é verdade. A minha vida, é estar na rua,tantos turistas passam por aqui, com saquinhos, com cartões, com fotografias queamigos tiraram para vir comprar bordados. Esta marca garante aos turistas que oproduto vendido é verdadeiro, não é como esses produtos “chineses” que andam por aí aser vendidos. Até tem turistas que vêm muitas vezes à Madeira e vêm sempre aquicomprar mais umas coisinhas.3.º Pelo que conheço dos meus patrões, o melhor está a ser feito. Sentimos umpouco a falta de clientes, mas quem não sente? O mundo está “louco”. Temos que terpaciência e não desesperar. Temos que esperar que dias melhores venham.4.º Eu já trabalho neste ramo, já lá vai 34 anos. Sempre dei o meu melhor e voucontinuar a dar. É o nosso “pãozinho” e gosto também de fazer o que faço. Nesta arte eno trabalho que eu faço, é preciso saber tratar e chamar os turistas. Por isso já estou hámuitos anos aqui. Vai haver tempos melhores. Eu sempre acreditei e acredito que ascoisas vão melhorar.Maria Manuela Teixeira da Silva Nunes, vendedora de loja, 53 anos de idade,admitida da Empresa a 2 de Janeiro de 1978.1.º Não é estar a defender o meu ganha-pão, mas esta arte é muito importante naeconomia desta ilha. O turista que vem à Ilha, procura sempre umas coisas paracomprar, os bordados são uma referência da Ilha. Além das pessoas que trabalham cá,muitas pessoas, de fora, famílias inteiras fazem bordado que depois é vendido cá. Nóstemos a fábrica e fazemos também bordado, mas também outras pessoas bordam paranós, os tempos tão difíceis e o patrão não pode contratar definitivamente mais gente.2.º Sem dúvida. A Marca veio para ficar. Eles (turistas) passam de palavra apalavra as coisas. Eu vejo isso, aqui na loja. Às vezes, ele até parece que já estiveram
  • 15. 15cá, foi família, amigos e outras pessoas que disseram. Esta Marca deve ficar por muitose muitos mais anos.3.º Olhe, as coisas estão um pouco difíceis. Mas é preciso não baixar as mãos,temos que acreditar e continuar a trabalhar para que isto continue. A Empresa, com boavontade de todos, nunca acabará. As crises vêm e vão. É preciso saber dar respostas aclientes cada vez mais exigentes. Não é difícil, tem é que haver boa vontade de todos.4.º A minha missão aqui, é igual a todos os outros colegas. Temos que continuar adar o nosso melhor, trabalhar sério, que venceremos todas as dificuldades.Maria Elisabete Fernandes Correia de Sousa, vendedora de loja, 53 anos de idade,admitida da Empresa a 1 de Agosto de 1979.1.º Muito importante para a Madeira que vive do turismo. Muito mais importanteque o vinho. É uma indústria que emprega muita mão-de-obra como subsistênciafamiliar.2.º A Marca foi e continua a ser importantíssima. Os turistas trazem sacos com odesenho da marca, oferecidos por outros turistas e vêm cá comprar. O destino turístico éconhecido pelas suas marcas, eles associam esta marca à Ilha. Já se via isso, mas ficoumais evidente depois do aluvião de 20 de Fevereiro. Tive pessoas estrangeiras, quenunca tinham estado na Madeira, mas tinham cartões nossos, então ligavam para cá aperguntar se a loja estava boa, se não tinha acontecido nada e que queriam visitar a loja,com a intenção de comprar bordados. É engraçado.3.º Penso que estamos bem e temos fé no futuro. As minhas colegas dizem que souuma mulher de fé, mas eu não sou pessimista e acredito que as coisas vão melhorar.Como dizem, talvez dois anos para que se consiga recuperar e vendermos comovendíamos, estou esperançada na melhoria.4.º Dei e dou tudo. Neste momento, não penso em mais nada. Eu não falo bem aslínguas estrangeiras, mas as minhas colegas até são minhas testemunhas, eu dou sempre
  • 16. 16o meu melhor e vou continuar a dar para que o “Bazar Oliveiras” continue a ter a fama ea laborar sempre muito bem.Maria Alcinda Fernandes das Fontes, estampadeira, 49 anos de idade, admitida daEmpresa a 1 de Novembro de 1979.1.º Muito importante. O Bordado Madeira marca a diferença.2.º A essa pergunta, não sei responder.3.º Faz perguntas difíceis (ri). Devemos fazer trabalhos mais simples para se podervender. Para os trabalhos ricos, não está muito fácil.4.º Sim, muito. Tenho dado sempre o meu melhor, todos os dias. As coisas estãodifíceis, mas dou sempre o meu melhor, é bom para eles e é bom para nós. Se eles nãovendem, ficamos numa situação muito difícil (referia-se ao seu ordenado, o seusustento).5. CONCLUSÃONão tenhamos dúvidas que a criação duma marca num produto é de muitaimportância. Além de marcar uma região e um local, é um meio de promoção ideal parauma terra que se diz de turismo. Esta marca e tantas outras, deve ser preservada aolongo de muitos anos. Prova disso é que desde o funcionário mais culto ao maishumilde, embora por vezes não se saiba expressar muito bem, acha que a marca dumproduto é deveras muito importante e dá uma imagem fidedigna desse produto.Devido ás imitações do produto, as fiscalizações deverão existir com maisfrequência.O Conservadorismo deverá, embora com um certo controlo, ser ultrapassado, paraque os criadores dêem azo à sua imaginação e ainda mais o bordado seja conhecido.Penso que ainda estamos no bom caminho, continuando a dar importância a esteproduto como divulgação e como oferta regional a todos aqueles que nos visitam.
  • 17. 17Prova disso é a evolução que os “Bordados Oliveiras” sofreram. Está claro que, ostempos são difíceis, para esta e outras tantas artes existentes nesta nossa Ilha, continuama marcar a nossa diferença.Torna-se necessário não “baixar as mãos”, continuando a acreditar que a suapreservação dará os seus frutos, como em outros tempos mais prósperos, já o tinhadado.
  • 18. 18REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:AGUIAR, Armando de. O Mundo que os portugueses criaram (1951)Edição: Empresa Nacional de Publicidade de Lisboahttp://www.oliveirasbordados.com.pt/ acedido a 1 de Junho de 2010http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=819594 acedido a 8 de Junho de2010http://www.arquivo-madeira.org:81/bds/passaportespt/CListaPassaplist.asp?start=41acedido a 8 de Junho de 2010www.ceha-madeira.netbordadoBORDADO-livro.pdf acedido a 11 de Junho de 2010http://www.sir-madeira.org/WebRoot/Sir/Shops/sir-madeira/MediaGallery/bordado.pdfacedido a 11 de Junho de 2010http://www.arquivo-madeira.org/index.php acedido a 11 de Junho de 2010
  • 19. 19ANEXOS
  • 20. 20ANEXO I
  • 21. 21ANEXO II
  • 22. 22
  • 23. 23
  • 24. 24
  • 25. 25
  • 26. 26
  • 27. 27
  • 28. 28
  • 29. 29ANEXO III
  • 30. 30ANEXO IV
  • 31. 31ANEXO V

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