Your SlideShare is downloading. ×
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Pão Alentejano: os seus usos no Lazer e no Turismo

481

Published on

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
481
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. 1. Introdução Para iniciar este trabalho será necessário termos uma compreensão extensiva de termosessenciais como Lazer, Tempo Livre, Recreação, Mobilidade, Turismo. O lazer evoluiu ao longo dos tempos, havendo hoje em dia uma percepção que o lazer éuma fuga ao quotidiano e à rotina, através da valorização do prazer e do bem-estar. Este é umdomínio que comporta diversas actividades desenvolvidas no tempo livre, ou tempo de nãotrabalho, com o objectivo de repousar, descansar ou por simples divertimento e de prazer.Estas actividades diversas têm um cariz muito pessoal e individual, sendo então que sãomotivadas pelo prazer e vontade própria de cada indivíduo, assentando nas práticas devalorização física e intelectual. Numa concepção holística, lazer é entendido como uma atitude ou estado de espírito eque pode acontecer em qualquer situação do quotidiano. A partir da Revolução Industrial iniciou-se também a transformação da sociedade econsequentemente do território, visto que são temas indissociáveis. Desde que o homem setornou sedentário o processo de humanização dos espaços foi visível em actividades como aagricultura, a pecuária e mais tarde na indústria, com utilização de tecnologias sempre emevolução. Factores sociais, económicos e culturais foram sendo alterados e consequentementeatitudes, motivações e pensamentos. Dando origem à sociedade actual onde vivemos, umasociedade de consumo e capitalista, a industrialização, foi fulcral para o que entendemos hojepor trabalho, direitos e liberdade. Novas atitudes face ao modo de viver, o desejo de fruição deócio e tempos livres começam a ser visíveis e cada vez mais reivindicados por grupos deindivíduos ou isoladamente, como pessoas e cidadãos integrados de uma sociedade. O tempo livre surge como uma conquista social proporcionando ao homem trabalhadora libertação de algumas obrigações sociais e em oposição ao tempo de trabalho, quefuncionava em séculos passados como meio de sobrevivência, mas em tempos actuais como omeio de atingir o bem-estar, representado de várias formas, sendo a recreação uma delas. Estaé considerada como um campo da actividade humana motivada pela necessidade dedivertimento e animação no contexto da vivência quotidiana. Qualquer actividade ligada aolazer e ao turismo pressupõe a não remuneração dessa mesma actividade. Turismo refere-se àsactividades que as pessoas realizam durante as suas deslocações para fora do seu ambientehabitual ou de residência, com uma permanência superior a 24 horas e inferior a um ano, porvários motivos, tais como lazer, saúde e negócios, por exemplo, sem fins lucrativos e queutilizam várias infra-estruturas, equipamentos e serviços, muitas vezes criados especificamentepara este e para o seu usufruto. Ao longo do trabalho tentarei explicitar a importância que o Turismo tem para asociedade civil de hoje em dia, tendo por base temas como identidade, cultura, alimentação eterritório. Sendo o turismo um tema multidisciplinar é impossível dissociá-lo de questõessociológicas, antropológicas, económicas, geográficas e culturais. Neste trabalho pretendofazer uma abordagem completa ao fenómeno que é o lazer e associá-lo ao turismo,especialmente Gastronómico, sem nunca descurar estes factores entendendo que sãoessenciais para a compreensão do lazer e do turismo, como fenómenos em ascendenteevolução, desenvolvimento e globalização. 1
  • 2. 2. Lazer, Turismo e Gastronomia: contexto histórico A sedentarização do Homem, há milhares de anos, fez com que este começasse a teruma relação mais profunda com o espaço e com o território. A humanização das paisagens,visível através da agricultura, fez com que o Homem se fixasse a um território, alterando a suaimagem. Esta apropriação do espaço levou a que a Natureza se tornasse mais humanizada econsequentemente aliada do Homem, dando-lhe o que ele precisava. A agricultura mostra queo espaço pode servir o homem como meio de subsistência, mas que através deste essa mesmarelação se complexifica. Questões como identidade, mobilidade, cultura, património e tradiçãosão inevitavelmente referenciadas por serem intrínsecas a esta ligação entre o Homem e oEspaço. Revivendo o passado podemos constatar que, desde que se tornou sedentário, oHomem apenas fazia deslocações com fins expansionistas, comerciais e religiosos devido aoselevados custos destas morosas e difíceis deslocações. A escassez de transportes e alongevidade das distâncias condicionadas pelas fracas redes viárias propiciaram a que asquantidades de viagens feitas por esta altura fossem diminutas. Também a nívelsocioeconómico, podemos depreender que apenas os comerciantes e os aristocratas tinhamacesso a estas viagens. É com o Renascimento que se inicia um processo de alteração. Esta foiuma época em que se pretendia romper com a “escuridão” vivida na Idade Média e é por estaaltura que se recuperam costumes, tradições e hábitos das Culturas da Antiguidade, comofestivais e feiras, dando-se ainda especial atenção às artes, criando-se teatros itinerantes eapelando-se ao mecenato para proteger artistas. As viagens pela altura dos Descobrimentos fizeram com que novos produtos surgissempara complementar a alimentação mediterrânica baseada em pão, azeite e vinho e modificou aideia de viagem, pois esta começou a ter um carácter pedagógico, isto é, motivada pelacuriosidade de conhecer novos povos, novas civilizações, novos lugares. Só mais tarde noséculo XVIII estas viagens começaram a ter como motivação a instrução e o prazer. Surge assimo Grand Tour que vai dar origem às bases do Turismo. Jovens à procura de conhecimento iniciam viagens por toda a Europa, sempreacompanhados por tutores na busca deste, passando por cidades importantes e centro domeio sociocultural, como Londres, Paris, Roma, Turim, Madrid. Assim se dava início ao GrandTour do século XVII e XVIII e aqui se formaram as bases para o turismo. O primeiro consistia na realização de extensas viagens, efectuadas por jovensabastados, pertencentes a elites e à aristocracia, tendo uma duração de dois a três anos. Osobjectivos destas viagens eram não só educar os jovens para os aspectos governativos ediplomáticos, mas também para terem contacto com outros países, outros povos, outrassociedades, demonstrando o carácter cultural para além do político. Como já foi referido, ocarácter penoso e extensivo destas viagens determinava que estas constituíssem um privilégiopara os mais abastados, sendo realizadas com a intenção de aumentar influencia e o estatutosocial dos indivíduos. As razões, consoante o último, eram variáveis, sendo elas educação,saúde, ciência e comércio. Com o número de viagens a aumentar, foi necessário adaptar e criar infra-estruturascapazes de satisfazer a procura. Desde utilizar alojamentos já existentes como hospedarias eestalagens à criação de hotéis que começaram a popularizar-se por esta altura. As estradastambém foram melhoradas devido á circulação cada vez mais frequente de malapostas e foramintroduzidos barcos a vapor nos principais percursos aquáticos. Foi também por esta altura que 2
  • 3. surgiram os pacotes turísticos que englobavam transporte e alojamento nos principais hotéis.A nível económico podemos referir as notas de câmbio introduzidas por banqueiros nos finaisdo século XVIII e que poderiam ser utilizadas em muitos centros Europeus. Esta evolução permitiu que outras classes pudessem ter acesso a estes privilégiosoutrora exclusivos das elites. O lucro proveniente das indústrias e da comercialização dosprodutos permitiu que a burguesia visse aumentada a sua influência e estatuto, podendo assimimitar o comportamento da elite. Podemos então referir que o território já começa a ser organizado para que possaexistir uma “cultura de viagens”, pois ainda não podemos falar de turismo, apesar de j| haverreferência a este em 1907. Analisando o parágrafo podemos então referir já alguns elementosessenciais para a prática turística que se começam a instituir e a alterar, sendo eles então osequipamentos (infra-estruturas turísticas, equipamentos comerciais e equipamentosrecreativos-desportivos) e as acessibilidades. O Grand Tour foi o despoletar para uma actividade em grande ascensão iniciando bases,criando serviços, alterando espaços e comportamentos a vários níveis. Este teve términoaquando a Revolução Francesa, em 1789. Foi a partir desta data que se iniciou a transformaçãodos Estados. Termos como Absolutismo e Autoritarismo vieram dar lugar a ideais como“Liberdade, Fraternidade, Igualdade” e podemos afirmar que apesar de ainda existiremdiscrepâncias acentuadas entre as classes a nível económico, social e cultural, é cada vez maisfrequente a possibilidade de classes médias e burguesia terem acesso ao mesmo tipo deactividades que as elites. Este mesmo tipo de comportamento por parte destas classes maisbaixas, imitação da aristocracia, levou a que se gerassem processo de segregação visívelatravés do abandono por parte da aristocracia que deixava de frequentar um destino turísticosempre que a burguesia a imitava, por exemplo, durante as colheitas as elites iam até à costa equando estas terminavam davam lugar às classes inferiores, mais tarde foram tendo interessepor outras actividades e por outros locais (espaços) (Quadro 1). É no século XIX, então, que se dá a Revolução Industrial e com esta o aparecimento detransportes de grande importância, como o barco e o comboio a vapor permitindo aosviajantes deslocações mais longas, por menos tempo e com menos custos. A concepção deviagem, espaço e tempo são revolucionadas com a maior capacidade de transporte, permitindoum cada vez maior número de turistas com possibilidades de viajar. Mas não foi só no campo tecnológico que a sua importância foi sentida. Os campossociais e económicos tiveram uma reviravolta e consequentemente um crescimento no Lazer. A criação de sindicatos por parte da classe operária veio fornecer novos direitos aotrabalhador e com esses direitos este pode aceder a diversos produtos e serviços a que antesnem passava no imaginário de qualquer indivíduo. Como afirma Paul Lafargue em o Direito | Preguiça “Na época, os trabalhadores dasoficinas ainda trabalhavam em média doze ou treze horas por dia e, às vezes, as jornadas detrabalho estendiam-se a quinze, dezasseis e até dezassete horas” e foi a redução dessas horas detrabalho e o acesso a férias (mais tarde pagas) que vieram ajudar numa revolução no camposocioeconómico e cultural. Através destas mudanças outras foram visíveis e importantes comoa entrada da mulher no mercado de trabalho e consequentemente a redução da famílianuclear, ou seja, a mulher ao iniciar uma “carreira” profissional tinha menos tempo para estarem casa a cuidar dos filhos e da casa, notando-se na diminuição do número de filhos por casal.A nível cultural e também económico é visível o aumento das taxas de alfabetização, sendo queos trabalhadores poderiam aprender a ler e a escrever. A profissionalização numa área e aescolarização permite a estes trabalhadores terem uma maior consciência social, política e 3
  • 4. económica da sociedade, existindo assim uma nova atitude face ao seu modo de viver quemelhorou substancialmente a nível qualitativo e quantitativo e é por esta altura que começa ahaver um desejo de fruição de ócio e dos tempos livres, que surge como recompensa ao tempode trabalho. Este tempo livre a que nos referimos surge então perante a conquista social e atravésdos progressos técnicos e tecnológicos onde a máquina substitui e liberta o homem paraoutras actividades, nomeadamente de lazer. A possibilidade financeira que têm agora e aredução na quantidade de membros da família permite-lhes que se possam deslocar. O tempo livre associado ao tempo de trabalho, significa que é o tempo de não trabalhoreservado, em que a disponibilidade é influenciada pela classe social (apesar de tudo), ciclo devida, raça, género, saúde, rendimentos e conjuntura familiar, social e cultural. Aparece pelaprimeira vez a questão da “Liberdade Individual”, em que o próprio indivíduo decide o quefazer com o seu tempo, podendo este ser de ócio ou lazer, ocupando-se voluntariamente detarefas produtivas após satisfeitas as obrigações do trabalho, obrigações sociais enecessidades físicas. Foram estas mudanças na estruturação dos tempos sociais das sociedades que permitiuo aumento significativo dos tempos de lazer com a utilização de lugares como espaços de lazerde uma forma crescente e diversificada. Com um nível de vida cada vez melhor e tendo cada vez mais uma situação económicaestável, surgiu também a expansão do consumo de massas na forma do Wellfare State, como“uma espécie de terapia complementar aos direitos de trabalho que o movimento oper|rioconseguiu conquistar {s Classes dominantes” (Estanque, 1993). Com a emergência do modelode regulação fordista, deu-se início a uma era em que o capitalismo é governante e em que ocrescimento económico das sociedades, agora de consumo, se pretende a longo prazo. Mas foi muito antes desta altura que se iniciou um processo de delineação dasociedade. Todos estes processos de formação remontam à época pré-histórica. O aparecimento do pão como parte integrante da alimentação remonta a milhares deanos atrás. Vários historiadores fazem referência ao aparecimento deste há cerca de 6000anos, tal como Heinrich Eduard Jacob no seu livro Seis mil anos de pão - A civilização humanaatravés de seu principal alimento. Este autor faz a referência a que “nenhum outro produto,antes ou depois da sua descoberta, há seis mil anos, dominou o mundo antigo, material eespiritualmente, como o pão foi capaz de fazer”1. A alimentação dos nossos ancestrais fazia-se apartir dos grãos que estes encontravam nas suas caçadas. Grãos, estes, que aprovisionavamnas cavernas e nos abrigos. Com a humidade e enterrados estes grãos voltariam a germinar,dando origem aos cereais que conhecemos hoje como trigo, milho, arroz… Pode-se dizer que oHomem descobriu a agricultura por acaso e contra a sua vontade, mais tarde tornando-se esta,juntamente com a caça, as grandes fontes de alimento do Homem. Esta agricultura a que me refiro “forçou” a sedentarização do homem, tendo este agoraterra para cultivar, construindo abrigos mais resistentes, confortáveis e que satisfizessem assuas novas necessidades. Esta nova actividade vai revolucionar toda a evolução do Homem, doseu comportamento e das sociedades futuras, uma vez que introduz novos alimentos na dietadas populações, influencia o aperfeiçoamento dos utensílios, mudando a metalurgia e ascerâmicas, assim como as relações de trocas comerciais, dando início ao nascimento de uma1 Retirado de:http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=750132&sid=2041571771282317644884760&k5=FEBFF76&uid= 4
  • 5. civilização, principalmente com o surgimento da farinha, mudando toda a História do Homem... Desde que descobriu os cereais, a farinha e a agricultura, este tornou-se sedentário,aumentado a sua qualidade de vida e o seu conforto, não tendo que se deslocar pornecessidade, deslocando-se apenas esporadicamente do espaço que agora lhe “pertence”. Como já referi, foi com a Idade Média e Descobrimentos, as constantes conquistas eexpansões que o homem se começou a deslocar com maior frequência, ora por necessidade demelhorar as condições de vida, ora por questões territoriais, ora por questões comerciais. Entender o Turismo e Lazer nas suas concepções actuais implicam a compreensão daHistória e de fenómenos socioeconómicos e culturais que antecedem todo este processo PósIndustrial, mas não só. Entender termos como mobilidade, cultura e identidade sãoextremamente importantes, pois estes estão imbricados no Turismo e no Lazer de hoje: “OTurismo é um fenómeno de modernidade, criado pelas civilizações ocidentais ou ocidentalizadasna vivência da sua capacidade de mobilidade e que se integra no âmbito mais lato dos lazeres queesta civilização tem vindo a criar e a (re)criar” (Inácio, 2006). Estudiosos do tema têm vindo a afirmar que é através da Revolução Industrial iniciadaem meados do século XIX que os fenómenos começam a emergir, pois despoletou uma novaconjuntura nas sociedades. Mudanças foram sentidas a todos os níveis. Com a introdução de máquinas a vaporalterou-se a situação do trabalhador, disponibilizando-se assim mão-de-obra. A instalação deindústrias nos meios urbanos maiores e essencialmente litorais levou a que as populaçõesiniciassem um processo de deslocações para esses meios, do rural para as cidades. Este tipo demigração ainda está muito acoplado nas sociedades contemporâneas e advém daí a explicaçãopara o empobrecimento e abandono do meio rural. As condições destes operários não eram asmelhores, vivendo estes em condições precárias e com um nível de vida muito baixo. Sendo que era visível o aumento da produtividade nas fábricas, começaram-se aorganizar sindicatos de trabalhadores para reivindicar alguns direitos e após muitas lutas essesmesmos foram conseguidos, pois os patrões perceberam que se os trabalhadores estivessescontentes o nível de produtividade aumentava, portanto, as horas de trabalho foramsubstancialmente sendo reduzidas, de 16 horas por dia para as 8 horas (que ainda hoje sepraticam), os salários foram aumentados e foram instituídas as férias (mais tarde pagas). Tudoisto levou a que o trabalhador se visse liberto do tempo de trabalho para ter mais tempo parafazer outras coisas e agora com uma capacidade económica diferente. A sua qualidade de vidamelhora, tal como a esperança média de vida das populações. Procede-se, também, a uma“educação” das populações, instituindo a obrigatoriedade e consequentemente diminuindo onível de analfabetização e por fim a entrada da mulher no mundo profissional e a consequenteredução da família nuclear foram elementos chave para a institucionalização do Lazer, onde oturismo se insere. A partir daqui a necessidade do homem de se sentir bem a nível físico epsíquico leva a que este pratique actividades que levem ao seu bem-estar e ao seu prazer e quecada vez mais se vem sentido. Segundo Santos e Gama (2008), “o lazer (...) directamente relacionado com odesenvolvimento da sociedade de consumo, tornou-se uma das referências da mercadorização dotempo e do espaço, através de formas de interacção socioeconómica lideradas tanto porprocessos de elitização como por processos de democratização, no acesso a bens e serviços quelhe estão associados”. 5
  • 6. 3. História e Usos do Pão Alentejano "Consta que tudo começou quando alguém no período primitivo esqueceu alguns grãos colhidos na chuva. Eles, humedecidos, incharam. Os homens mastigaram-nos e sentiram que pareciam uma pasta.Engoliram e ficaram saciados. Daí, partiram para a exploração dos grãos, observaram a germinação das sementes na terra e esperaram até dar o fruto. Então nasceu o seu domicílio.”2 Consta que o “nascimento” do homem omnívoro provém da zona da Abissínia (Etiópia), há muitos milhares de anos, onde se descobriu que era possível produzir cereais através da plantação, como referido acima. Já o trigo foi plantado pela primeira vez na Mesopotâmia há cerca de 8000 anos. Foi por esta altura que se deu uma mutação do grão, tornando as suas sementes grandes, não permitindo que estas se espalhassem com a acção do vento permitindo a fixação e o controle da plantação. O trigo é um cereal básico na alimentação de civilizações, especialmente as Mediterrânicas, onde as bases da alimentação se fundam em três pilares: pão, azeite e vinho. O trigo trata-se de uma planta da família das gramíneas, da qual existe uma grande variedade, sendo que se pode fazer uma colheita de trigo maduro em cada mês, tornando-se um dos elementos mais importantes na alimentação humana. Mas o pão, como actualmente o conhecemos, deve a sua importância à descoberta da moagem dos cereais e das suas técnicas e especialmente do fermento. Fermento é um composto de microorganismos como esporos de fungos de levedura (Saccharomyces cerevisiae3). Este fermento é um fermento biológico, descoberto por acaso no Egipto (aquando o esquecimento de massa de trigo em cima de uma mesa), que permite o crescimento da massa através da libertação de dióxido de carbono. Este tipo de fermentação é conhecido como massa velha, isto é, na cozedura do pão retira-se previamente um pouco de massa, deixando-a levedar naturalmente (4 a 8 horas) e juntando-a a fornada seguinte. Este processo é utilizado por exemplo no Pão Alentejano, fazendo com o que o seu sabor seja muito característico – ácido/avinagrado. Seguindo os passos institucionalizados pela Revolução Industrial, foram implementadas novas formas de moagem (substituição do animal por máquinas4), novas formas de fabrico/produção, com a instalação de fornos industriais de aço a substituir os antigos a lenha ou carvão, a substituição da levedura natural pelo fermento de padeiro que permite uma maior e mais rápida produção. Mas de facto este fermento industrial, que se encontra em qualquer superfície comercial, não consegue imitar sabores característicos. A própria consistência do Pão Alentejano não é fácil de imitar utilizando processos mais industriais. O Pão Alentejano tem uma crosta Rija/Estaladiça e o seu interior é mais compacto, de forma a durar mais tempo (alguns dias até). Muitos dos pães que encontramos no supermercado têm muito “ar” ou bolhas no seu interior e a crosta é fofa, durando muitas vezes meio dia se deixados ao ar (como 2 Retirado de: http://appul.sitesedv.com/fotos/Image/142/9ZKXsoBFhistoria_do_pao.pdf 3 http://pt.wikipedia.org/wiki/Saccharomyces_cerevisiae 4 Inicialmente os cereais eram moídos por moínhos de pedra manuais que passaram a ser movidos por animais, mais tarde surgiram os moinhos movidos a água, depois os de vento, depois movidos a vapor e em 1881 surgem os cilindros. 6
  • 7. por exemplo os “pães de bico” ou “paposecos”). Segundo reza a história, foi com a implementação do pão na alimentação que osEgípcios começaram a fazer três refeições por dia. Foram também este os defensores de que alongevidade e a saúde dependem dos “prazeres da mesa”. O pão tem também muito simbolismo religioso nas civilizações egípcias, gregas,romanas, judaicas e Cristãs como é verificável em várias celebrações e representações, comopor exemplo: “Tomai todos e comei! Eu sou o pão...” ou “Dai-nos, Senhor, o pão nosso de cadadia”. O Pão Alentejano tem sido uma “marca” em crescente desenvolvimento. A ConfrariaGastronómica do Alentejo pretende certificar este produto, havendo em curso umlevantamento da gastronomia típica da Região para enviar candidatura a Património Imaterialda UNESCO. A alimentação no Alentejo rege-se muito { base de “Sopas” ou Ensopados. Quase todosos pratos típicos são feitos de pão ou no mínimo acompanham-se com pão. Este tipo dealimentação surgiu na altura dos bárbaros, na Gália e Ibéria, em que a recessão económicaimpôs novos hábitos alimentares, como colocar fatias de pão no fundo das tigelas, regadas porcaldos de peixe, carne ou vegetais. Ao longo dos tempos as receitas foram mudando eadaptando-se à região. No Alentejo este tipo de alimentação predominou, sendo a base dagastronomia da Região. Em altura de ceifa, esta gastronomia era muito apetecida, pois erapesada e rica em hidratos de carbono, dando forças para o trabalho que se fazia nas horas decalor. Muitas receitas tornaram-se tão populares que hoje já são confeccionadas em qualquerparte do país, como a Carne de Porco à Alentejana ou as Açordas (Anexos – Receitas). A Gastronomia é vista hoje em dia, não como meio de subsistência nos países ditosdesenvolvidos, mas como parte da identidade, tradições e cultura de Regiões, Civilizações,Países, Nacionalidades, ou seja, parte integrante do Património Imaterial. Como já referi, ofacto do Pão Alentejano estar em vias de certificação, faz com que se torne um produtoexclusivo de uma Região, ganhando notoriedade, especificidade e tornando-se alvo de olharescuriosos por parte de turistas e especialistas. O facto de se tornar um produto certificado fazcom se torne especial, sendo motivo de atracção turística e de desejo por parte dos turistas.Desejo esse de conhecer, de provar, de cheirar de tocar por prazer. O Lazer associado ao Turismo é uma das melhores formas de divulgar produtos eregiões, dinamizando esses mesmos espaços. O Lazer de hoje pressupõe a disponibilidade, avontade e o desejo de ter, provar ou visitar algo. A Gastronomia e o desejo de aprofundarconhecimentos sobre a identidade tornam-se portanto alvo de consumo do indivíduo. OProduto Estratégico “Gastronomia e Vinhos” torna-se portanto um exemplo de Lazer na suamaior concepção. Como queremos ter uma experiência diferente em maior contacto com aidentidade de um local, torna esse mesmo local/espaço alvo de consumo e o Produto – Pão – asua forma final de obtermos esse Desejo. 7
  • 8. 4. Gastronomia e Vinhos como parte integrante da actividade turística Todas estas alterações a nível social, político, cultural e económico, resultantes daindustrialização, vieram dar lugar a uma nova perspectiva, a de Sociedade de Consumo. Estesnovos tempos sociais levaram a que o tempo de consumo esteja associado ao tempo livre, ouintegrado neste, pois através do trabalho perspectiva-se uma situação económica mais estáveldo indivíduo. Sendo o tempo livre dito como o tempo de não trabalho, ou seja, o temporestante após a actividade de obrigação social, este está ligado ao consumo. É através destesfactores que o indivíduo sente necessidade de consumir, para o seu bem-estar ou divertimento. Esta ligação Ócio/Consumo tem características ambíguas e duais, nas práticas e nacaracterização, sendo que existe uma impossibilidade de definir, de modo claro a natureza daspráticas em relação ao trabalho/ lazer em que o prazer/hedonismo se confunde com aobrigatoriedade/ remuneração (por exemplo, os jogadores de futebol que recebem salário porfazerem uma coisa que lhes dá prazer). Esta mesma ligação, Ócio/Consumo apresenta umadualidade de situação de trabalho e lazer na perspectiva do consumo. Podemos assim afirmar que o tempo livre e de lazer são considerados cada vez mais umTempo de Consumo, em que o lazer afirma-se de tal forma que se transformou num valor, paraos indivíduos. A evolução tecnológica, especialmente a evolução das comunicações, levou a que aspráticas de consumo se tornem cada vez maiores, mais específicas e especializadas, tendo umainfluência das estratégias dos meios de produção, tornando-se estas incorporadas e Induzidasnos modos de vida das sociedades modernas. O facto dos indivíduos se integrarem em sociedades através das relações sociais quemantêm, com ligações a classes, grupos profissionais e/ou culturais faz com que seestabeleçam Estilos e Modos de Vida numa perspectiva social e territorial, “o espaço é tambémvisto como um produto e, por isso, entendido como fazendo parte da oferta” (J. Urry, 1995). Para Joffre Dumazedier o lazer é encarado como positivo, sendo que este é uma dascaracterísticas emancipadoras dos homens nas sociedades modernas, “é do trabalho queresulta a sensação de tempo livre e a valorização deste tempo através das pr|ticas de lazer”. O lazer passou a ser encarado como uma das componentes do bem-estar, em que abusca da felicidade, através da dimensão lúdica é um dos propósitos. As formas de ocupaçãodo tempo dos indivíduos proporcionam o repouso físico e psíquico, prazer, conforto, alegria,isto é, um sentido de liberdade face ao trabalho e ao quotidiano desgastante, afastando-sedestes e aproximando-se da vertente do consumo, que é encarada como desenvolvimentodestas mesmas sociedades a vários níveis. A Gastronomia e Vinhos apresentam aqui um conjunto de ofertas desses mesmosatributos e ambições do individuo, estando cada vez mais integrada numa oferta desenvolvida,não só no resto da Europa, mas também em Portugal, onde espaços e produtos se revitalizampara poder satisfazer esta procura mais exigente. Estes Novos comportamentos levam a que fenómenos como a mobilidade estejam cadavez mais associados à prática do lazer e especialmente do turismo, onde encontramos umaforte conexão entre o território e os indivíduos, ou seja os recursos humanos. Esta, não nova, mas renovada concepção de mobilidade fez com que houvesse umanecessidade de (re)ordenamento do território. Aqui perspectivam-se novas áreas/espaçoscriadas especificamente para o lazer de uma forma mais pensada e organizada face ao novo 8
  • 9. indivíduo, com preocupações a nível ambiental, o que antes não acontecia. Todos estesfactores já mencionados potenciam um crescimento económico, verificando-se um aumentoda riqueza a nível individual e até mesmo social e político (dos Estados) proporcionando, assim,uma forte mudança nas sociedades. O lazer é uma componente significativa do bem-estarsocial em que os cidadãos “podem” usufruir livre e conscientemente dos espaços emodalidades do lazer, pretendendo-se que este não seja um prolongamento da actividadelaboral, mas sim autónomo. O lazer associado à actividade turística e à gastronomia, mais especificamente, promovea mobilidade, o desenvolvimento e a melhoria ou manutenção da qualidade de vida, tendocomo contrapartidas a necessidade de lugares de acolhimento, que a actividade turísticaconsome vorazmente, excluindo certas regiões, especialmente as do interior e comcaracterísticas mais rurais, deteriorando o ambiente através de más práticas de ordenamentodo território, de utilização de espaços e em grande parte devido à sazonalidade de que muitasactividades turísticas sofrem. Sendo este um dos produtos estratégicos para Portugal achei necessário fazer umareferência ao produto Gastronomia e Vinhos, como fenómeno Turístico para o futuro, sendoentão que a nível de caracterização do mercado e do perfil do consumidor deste tipo deturismo podemos referir que são adultos entre os 35 anos e os 60 anos, com um elevado poderde compra, onde a maioria são do sexo masculino com um elevado nível sociocultural. Estes jápossuem algum conhecimento sobre gastronomia e vinhos das várias regiões para desejaremdescobrir novos vinhos e gastronomias ou aprofundarem conhecimentos sobre estes. Osalojamentos que utilizam são hotéis de 3 estrelas a 5 estrelas ou alojamentos rurais deluxo/charme, sendo que viajam durante todo o ano, mas preferindo a Primavera e o Outono. Tendo como objectivo o prazer e o aprofundamento sobre o(s) tema(s), participam emactividades como degustações; feiras, eventos e mostras gastronómicas; visitas a museus eexposições; provas de pratos e aprendizagem dos processos; passeios e compram váriosprodutos típicos. Muitos deles participam em actividades de Saúde e Bem-estar, como ida atermas, entre outros. A estadia normalmente prolonga-se entre três e sete dias e devido ao seu elevado custode permanência (entre 150€ e 450€) levando a que façam este tipo de viagens uma vez por ano,exceptuando os entusiastas que viajam até cinco vezes por ano (Quadro 2). O turismo deGastronomia e Vinhos apresenta-se assim como um produto estratégico para a divulgação dePortugal como destino turístico, mostrando todas as suas capacidades e potencialidades. No caso de Portugal, estas pessoas entre os 50 e os 60 anos foram pessoas que viveramainda a Revolução do 25 de Abril de 1974, época de fascismo em Portugal e em que o trabalhoera fulcral para se ser aceite em sociedade. Apenas pessoas mais abastadas e importantes anível político tinham direito a certo tipo de produtos e actividades, pois aqui foram aindatempos de censura e em que se tentava disfarçar o que “vinha de fora”. Agora, em temposliberais e democráticos, com uma estabilidade económica definida, a prática do lazer já é algoque podem alcançar. Os hábitos de informação são feitos através das novas tecnologias comoa internet demonstrando uma educação um pouco mais elevada também. Para que este produto estratégico possa realmente ser desenvolvido e daí ter retornoserá necessário fazer uma boa promoção do mesmo através de estratégias de marketing emerchandising, sem nunca descurar pontos essenciais para a sua expansão como a abundânciae variedade de vinhos e gastronomia regional; a diversidade de empresas com produtosassociados à gastronomia e vinhos; a produção organizada e adaptada à visita turística; aexistência de restaurantes e pontos de prova ou mostra de gastronomia portuguesa; Infra- 9
  • 10. estruturas, equipamentos e serviços turísticos dotados de mais ofertas complementares;sinalização turística adequada; oferta de alojamento variado e de qualidade; boasacessibilidades e facilidade de mobilidade; recursos humanos especializados. Abordando estes aspectos gostaria de dar o exemplo da Vila de Ourique, que se situa nodistrito de Beja. Esta pequena vila é apresentada como um dos possíveis locais para aconhecida Batalha de Ourique de 1139, onde D. Afonso Henriques ganharia o território dePortucalle aos Mouros. Fraca em Património Construído, exceptuando os Castros espalhadospelo concelho e algumas igrejas, a Câmara Municipal decidiu apostar em todo o seu potencialImaterial. Criou-se a Associação do Porco Preto Alentejano que em muito ajudou antigosagricultores a desenvolverem a actividade e a novos criadores a instalação nestes terrenos.Esta associação, em conjunto com a Câmara Municipal, tem vindo a desenvolver um projectopara a divulgação do Produto e a protecção do mesmo como Produto de Origem Protegida.Muito tem sido feito pois a concorrência Espanhola assim o obriga. Na ajuda à divulgação desteproduto foram realizadas em Março de 2011 as V Jornadas “Sabores do Porco Alentejano”,tendo como curiosidade (pessoal) a participação da população através da atribuição de rifaspara o sorteio de vários (cerca de 30) presuntos durante as festividades. Estas rifas sãoatribuídas na compra de um valor X nos estabelecimentos locais, ajudando de certa forma aeconomia local e a sustentabilidade do território. Sendo Ourique a Capital do Porco Alentejano,promoveu também a Realização do I Congresso Ibérico do Porco Alentejano. De facto, têm sido notáveis todos os esforços públicos e privados no sentido dedinamizarem a localidade e os produtos que lhes são característicos, tendo como exemplo acriação de um curso para “provadores” especializados em presunto de Porco Alentejano.Também aqui foi inaugurada há já alguns anos uma fábrica de enchidos de Porco Alentejano -Montaraz - que neste momento já vende para Hipermercados e grandes superfícies. O fácilacesso e a sua localização estratégica em muito têm ajudado para este processo, verificando-sejá a instalação de população mais jovem e o regresso de licenciados e profissionais às origens,devido à melhoria da qualidade de vida e à maior oferta de emprego. Mais projectos têm sidodesenvolvidos e o mais recente, ainda em fase de planeamento, é a construção de umcomplexo turístico – Quinta da Arrábida – de investimento privado na Barragem do Monte daRocha. Exemplos como estes são necessários para a divulgação de Produtos, de Regiões, nãosó a nível nacional, mas internacional também para que haja uma dinamização dos espaçosRurais e para que a visão de Portugal seja mais diversificada e integrada para além do produtomais que conhecido e reconhecido “Sol e Mar”. 10
  • 11. 5. Conclusão Em jeito de conclusão podemos afirmar que o turismo é um fenómeno de mobilidade,em constante desenvolvimento, efeito das mudanças socioeconómicas, políticas e culturais dassociedades contemporâneas e que se tem revelado um sector e actividade dinamizadores deespaços, especialmente os mais “distantes”, remotos e com menos atractividade para aspopulações. Estes territórios são a imagem do mundo rural actual, que sofre perturbações anível demográfico, geográfico e económico, tendo uma imagem característica de abandono.Sendo o Turismo um fenómeno com excelentes oportunidades de oferta e com um constanteremodelar de mercados, devido a toda a complexidade que é o ser humano, assistimos a umfenómeno que comporta todo um envolvente de práticas, que influencia directa eindirectamente a sociedade. O trabalho tem sido tema de abordagem como o meio de ter rendimentos, rendimentosesses que serão para poder consumir produtos e consequentemente lazer. Consumir, hoje emdia, é visto como lazer, divertimento e sociabilidade e que não se cinge apenas a adquirircoisas, mas a comprar, isso sim, uma identidade, que seja valorizada socialmente e que fazparte do nosso eu Narcisista. Mais que isso, gastar ou consumir é um DEVER, tornando-se assimo consumidor feliz uma necessidade e o lazer um dos consumos mais desejados. Actualmente o lazer associado ao consumo é uma “forma de expressão da flexibilidade,da diversidade, do efémero, do ecléctico e do simbólico” (Santos, 2009). Afirmamos, assim,convictamente que vivemos num mundo em que o individualismo e todas as suas formasinerentes governam. Os “EUS” são frequentes e a importância do indivíduo cada vez maisrelevante através da valorização do tempo livre e das actividades associadas ao lazer que estepode efectuar enquanto despende deste. Num momento de polivalência de práticas, oconsumo parece ser o elo e em que o indivíduo se apoia. Consumir hoje é uma prática comum eque leva o indivíduo a um estado superior de bem-estar. Esse consumo pode ser visível nacompra de um livro, de roupa, de um carro ou de viagens. O que o liga ao lazer é a questão dobem-estar físico, emocional ou espiritual a que está associado, sendo que a sensação deliberdade é a que se pretende, apesar de ser discutível se esta será voluntária ou induzida. OProduto Estratégico “Gastronomia e Vinhos” será um produto de consumo que irá crescer aolhos vistos e que se tornará importante nesta sociedade contemporânea, devido não só àlibertação do seu tempo de trabalho através da fruição de actividades de lazer, como do seudesejo individual e das suas escolhas, mas de certa forma através da sensação de pertença e daidentidade que inevitavelmente o Turismo introduz na apropriação dos espaços e naaculturação frequente. 11
  • 12. 6. Referências BibliográficasCadima Ribeiro, José e outros (2001) O Turismo no Espaço Rural: uma digressão pelo tema apretexto da situação e evolução do fenómeno em Portugal, Núcleo de Investigação em PolíticasEconómicas, Universidade do Minho, BragaCardoso, António Maria Ferreira (2002) Turismo, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável emáreas rurais, Observatório Medioambiental, Vol. 5, Instituto Politécnico de Viana do CasteloCravidão, Fernanda Delgado (1996) Mobilidade, Lazer e Território, Cadernos de Geografia, nº15,Coimbra.Inácio, Ana Isabel (2006) O Enoturismo: da tradição à inovação, uma forma de desenvolvimentorural, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, LisboaEstanque, Elísio (Setembro de 1993) Classe, Status e Lazer, Oficina do CES, nº37, Centro deEstudos Sociais, CoimbraMinistério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas Portugal Rural: Territórios eDinâmicasMendes, António Gama e Santos, Norberto Pinto dos (1999) Os Espaços- Tempos de lazer nasociedade de consumo contemporânea, Cadernos de Geografia, nº18, Coimbra.Santos, Norberto e Gama, António, coord. (2008) Lazer, Da libertação do tempo à conquista daspráticas, Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 15-16, pp. 209-245Turismo de Portugal, i.p. (2006) Plano Estratégico para o Turismo - 10 produtos estratégicospara o desenvolvimento do turismo em Portugal: Saúde e Bem-Estar, Lisboa 12
  • 13. 7. Índice Geral1. Introdução.................................................................... pp. 12. Lazer, Turismo e Gastronomia: contexto histórico... pp. 2 - 53. História e Usos do Pão Alentejano…………………. pp. 6-74. Gastronomia e Vinhos como parte integrante da actividade turística………………………………………………. pp. 8-105. Conclusão……………………………………………. pp. 116. Referências Bibliográficas………………………….. pp. 127. Indíce Geral…………………………………………… pp. 138. Anexos……………………………………………….. pp. 14-18 8.1 Quadros…………………………………….. pp. 14-15 8.2 Receitas……………………………………... pp. 16-18 13
  • 14. 8. Anexos 8.1 Quadros Quadro 1: Períodos de Desenvolvimento do Turismo (Imitação e Segregação) Séc. Séc. XVIII Séc. XVIII/ Metade Fim Início XVII/ Início Séc. XIX Séc. XIX Séc. XX XVIII Séc. XIXProprietários Grand Termas Estâncias Mar Alpinismo/ Viagem ao(Aristocracia Tour Balneares Mediterraneo no Mar Mundoe pequena Inverno /Viagem Mediterraneonobreza) no Reno no VerãoBurguesia X Grand Tour/ Termas Estâncias Mar Alpinismo/ Viagem Balneares Mediterraneo Mar Educacional no Inverno Mediterrane /Viagem no o no Verão RenoPessoas de X X X Excursões de Estâncias Estânciasmenores comboio balneares Balneares/Recursos Termas Fonte: Cravidão, Fernanda Delgado (1996) 14
  • 15. Quadro 2: Perfil do Turista de Gastronomia e Vinhos Fonte: PENT – Gastronomia e Vinhos (2006) 15
  • 16. 8.2 Receitas5GASPACHO À ALENTEJANA (Verão)Ingredientes3 dentes de alhos½ colher de sopa de sal2 colheres de sopa de azeite4 colheres de sopa de vinagre½ pepino2 tomates bem maduros1 pimento verde1,5 L de água fria200 g de pão duroOrégãos q.b.Modo de preparação:Esmagam-se muito bem os dentes de alho num almofariz juntamente com o sal até se obter uma papa, que se colocano fundo de uma terrina.Rega-se com o azeite, o vinagre e junta-se os orégãos.Pela-se o tomate e reduz-se a puré, que se adiciona ao preparado anterior. Em seguida corta-se em quadradinhospequeninos, o pepino e o outro tomate, e o pimento em tiras fininhas. Introduzem-se na terrina, juntando-se de seguidaa água fria.Na altura de servir, junta-se o pão cortado em cubos pequenos e serve-se bem fresco.AÇORDA ALENTEJANAIngredientes1 molho de coentros (ou um molho pequeno de poejos ou uma mistura das duas ervas)2 a 4 dentes de alho1 colher de sopa de sal grosso4 colheres de sopa de azeite1,5 L de água a ferver400 g de pão caseiro (duro)4 ovosModo de preparação:Pisam-se num almofariz, reduzindo-os a papa, os coentros (ou os poejos) com os dentes de alho, e o sal grosso.Deita-se esta papa na terrina ou numa tigela. Rega-se com azeite e escalda-se com água a ferver, onde previamente seescalfaram os ovos (de onde se retiraram). Coloca-se este caldo sobre o pão cortado em fatias ou em cubos. Os ovossão colocados no prato ou sobre as sopas na terrina5 Todas as receitas e imagens retiradas de: http://receitas-culinaria.org/?wpfb_dl=3 (excepto última imagem) 16
  • 17. SOPA DE TOMATE (Sopas de Tomate)Ingredientes1 Kg de tomate maduro2 a 3 cebolas médias4 a 6 dentes de alho2 folhas de louro1 ramo de orégãos1 pimentão verdePoejos (facultativo)Peixe ou ovoSalPão duroModo de preparação:Pica-se o alho e corta-se a cebola às rodelas. Corta-se pimentão às tiras. Refoga-se tudo no azeite. Quando as cebolascomeçam a estar brandas, junta-se o tomate cortado em pedaços pequenos, o louro, os orégãos e os poejos. Tempera-se de sal.Depois de refogado, junta-se água. Quando levantar fervura, põe-se o peixe ou o ovo. Uma vez cozido, rectifica-se osal, deita-se o caldo sobre as fatias de pão numa terrina e vai para a mesa.O peixe ou o ovo escalfado é servido à parte.MIGAS COM CARNE DE PORCOIngredientes1 kg de carne de porco: lombo, costelas e toucinho entremeado3 dentes de alho3 colheres de massa de pimentão3 colheres de banha1 pão duroSalModo de preparação:Tempera-se a carne de porco de véspera, envolvendo-a em massa de pimentão. Fritam-se na banha os dentes de alhoe depois a carne até estar estaladiça. Põe-se a carne de lado e, no mesmo tacho, aproveitando a gordura, deita-se opão às fatias e cobre-se com água a ferver.Deixa-se aboberar durante alguns minutos.Volta ao lume, mexendo bem com uma colher para homogeneizar a mistura.Quando se soltam das paredes, as migas estão prontas.Junta-se um bocadinho de gordura para fritarem e ficarem bem tostadinhas.Servem-se imediatamente, com a carne frita à volta. 17
  • 18. ENSOPADO DE BORREGOIngredientes1 borreguinho com 7 ou 8 kg a que se tiram as pernas e as costeletas para outros pratos3 dentes de alho1 folha de louro1 dl de azeite2 colheres de banha de porco1 copo de vinho brancoSal e pimentas em grãoPão duroModo de preparação:Corta-se o borrego em bocados.Frita-se o alho picadinho com o louro nas gorduras.Junta-se a carne, tempera-se de sal e pimenta e frita-se até dourar a carne.Acrescenta-se o vinho branco, tapa-se e deixa-se cozinhar em lume brando. Quando começar a ficar seco vão-sejuntando pinguinhas de água quente, tendo o cuidado de ir mexendo para não pegar.À hora de ir para a mesa acrescenta-se a água a ferver necessária para molhar as sopas (o pão).Serve-se numa travessa funda sobre uma camadinha de fatias de pão duro muito finas.JANTAR DE GRÃOIngredientes1/2 kg de feijão ou grão100 g de toucinho1 chouriço pequeno250 g de carne de borrego1 osso de carne de porco com carne2 batatascebolatomatelourosalsalsaáguahortelãModo de Preparação:Juntam-se o grão, as carnes, a cebola, o tomate, salsa, sal, louro e a água numa panela de barro e vai ao lume(tradicionalmente de lenha). Em substituição fazer em panela de pressão.Quando estiver quase cozido juntam-se as batatas.Numa tigela partem-se fatias de pão fininhas, junta-se um pouco de hortelã e deita-se o caldo cozido.Numa travessa coloca-se o grão e as carnes e serve-se. Fonte: http://paladaresdaisa.blogspot.com/2010/10/jantar-de-grao-minha-moda.html 18

×