Cultura o amendoim na Guiné

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Cultura o amendoim na Guiné

  1. 1. ALGUMAS PALAVRAS INICIAIS STAS terão por fim justificar até certo ponto a razão deste E pequeno e modesto trabalho. . Quem trabalha na Guiné Portuguesa sabe que a sua cultura base é o amendoim. Como existe a vontade oficial de produzir mais, aparecem por toda aprovíncia entusiasmos febris em que muitas vezes se desperdiçam ener-gias que poderiam ser melhor aproveitadas, se tivessem sido bem orien-tadas. Como o nosso fim não é a crítica, mas sim apresentar algunselementos para melhor resolução do problema, é isso que pretendemosfazer. A cultura da Guiné Portuguesa é essencialmente indígena comalguns pequenos erros que se torne necessário corrigir. Desde a preparação do terreno à colheita temos algumas questões aapresentar, que conhecidas por aqueles que se interessam por estesproblemas, os podem ajudar na sua resolução, indicando-lhes o caminhopara a obtenção de melhores produtos e maiores quantidades, com omesmo trabalho. Actualmente com os problemas que se levantam pela necessidadeintensa que existe de protecção e conservação do solo, é primordial pro-curarmos intensificar a cultura com melhores sementes que nos dêemmaiores produções. Se continuarmos com o propósito de alargar as áreas
  2. 2. nós temos na nossa frente dificuldades cada vez maiores que seagravarão de ano para ano. Podemos colher um exemplo frisante no Senegal, em que vastasáreas tiveram de ser abandonadas, por avançarem rapidamente para aesterilização. Há que arrepiar caminho antes que seja tarde. I - Variedades de amendoim, em cultura na GuinéPortuguesa Pertencem todas as variedades da província à espécie Arachishipogoea. É esta espécie muito cultivada nas regiões tropicaisapresentando numerosas variedades. É uma planta de caules querompem na base, junto ao solo, mais ou menos compridos, podendo emboas condições cobrir um círculo de 1,5 de diâmetro, quando prostrada. As folhas são alternas com 2 pares de folíolos, apresentando estesuma relação comprimento/largura que pode ir de 1,5 a 2. As inflorescências são cachos, com os pedicelos inseridos na axiladas folhas; aparecem ao longo dos caules nas variedades prostradas e nabase dos mesmos, nas erectas. As flores são amarelas e com estrias avermelhadas na base doestandarte. Os frutos são vagens que apresentam nervuras longitudinais unidastransversalmente, formando rede. As sementes são separadas dentro das vagens por estrangulamentosque se vêm exteriormente. Elas são protegidas por um tegumento fino, que apresenta colora-ções diferentes, conforme a variedade. A amêndoa é constituída por dois cotilédones, cheios de matériagorda tendo numa das extremidades o embrião. A questão da classificação das espécies de amendoim, ainda apre-senta muitas dificuldades. Para se fazer ideia da mesma, podemos dizer que as 3 espécies dife-rentes Arachis hypogoea, A. nambyquarae e A. rasteiro, têm o mesmonúmero de cromossomas, 2 n=40. Portanto somos levados a concluir queestas 3 espécies têm uma origem comum. Se nos aparecem estas dificuldades nas espécies, nas variedadesmaiores elas são.
  3. 3. Na Guiné Portuguesa, podemos dizer que há fundamentalmenteduas variedades (tipos) de amendoim. Uma, mais comum, que apresenta normalmente duas sementes,cilíndrica, sem plano de simetria definido e sem estrangulamento muitopronunciado. Outra, apresentando normalmente três sementes, com plano desimetria definido com os estrangulamentos mais marcados, não sendocilíndrica e tendo na sua extremidade uma protuberância em forma decrista. As duas variedades são cultivadas, aparecendo a primeira no N. E.da província, sendo a mais própria para óleo; é mais produtiva e resistemenos ao excesso de chuvas. A segunda aparece mais entre os balantasque a cultivam, muitas vezes quase sem ser misturada; é menosprodutiva e resiste mais às chuvas. A primeira deve-se integrar possivelmente dentro da var. communisA. Chev. e a segunda dentro da var. stenocarpa A. Chev. Ambas são variedade de caule prostrado e com um ciclo vegetativo,variando de 130 a 150 dias. Além destas variedades por assim dizer indígenas, possui o PostoExperimental do Pessubé uma colecção de variedades vindas do jardimColonial de Lisboa. Aparecem-nos 3 variedades de caules erectos, Java, Spanish Bunche Gudyathurn. São idênticas; o seu ciclo vegetativo é bastante curto pois varia de90 a 110; frutificam muito bem, sofrendo porém com o excesso dechuvas. Quando semeadas cedo amadurecem ainda com elas e pela sua ten-dência para a germinação, tem que se ter um certo cuidado. Temos ainda entre outras as variedades de caules prostrados, Dar-es-SaIam, Mucumi, Xuxululo, Migongo e Armando, que sendo de ciclolongo, necessitam de ser semeadas no princípio das chuvas. Produzembem e são capazes de vir a fornecer óptimas sementes para confeitaria. As variedades indígenas, como já dissemos anteriormente, são deciclo longo variando este de 130 a 150 dias, conforme as regiões. Seis dias após a sua sementeira germina a planta, prolongando-se asua fase vegetativa até a floração. Esta inicia-se normalmente depois de30 dias. Dez dias após o aparecimento da mesma dá-se a entrada do
  4. 4. ginóforo na terra; este está nas melhores condições para se desenvolver,aparecendo 15 dias depois a vagem diferenciada, sem que estejacompletamente desenvolvida. Quinze dias depois já nos aparecem algumas vagens completamentedesenvolvidas. Passados 40 dias -aparecem as primeiras vagens maduras.O período necessário portanto para o desenvolvimento completo das pri-meiras flores é, desde a sementeira, de 110 dias. Como porém a floraçãoinicial pouca importância tem e ela se estende com utilidade durantecerca de 40 dias, só teremos a planta completamente desenvolvida ao fimde cerca de 150 dias II - Zona de cultura A cultura da mancarra é já muito antiga na Guiné Portuguesa; éprovável que tenha sido introduzida pelos portugueses com outrasplantas de origem americana. Como produto de exportação só começou ater importância a partir do último quartel do século passado. A cultura extensiva iniciou-se na zona continental em volta do RioGrande de Buba. Devido às mais diversas razões, desde as lutas políticas até aodepauperamento dos solos e crise de oleaginosas, a cultura no fim doséculo passado começou a descer; alguns anos ela voltou-se a instalar aínovamente. Como já se tratava de solos cansados é provável queproduzissem menos nesta segunda tentativa. Devido portanto ao depauperamento dos solos a zona de culturacomeçou a estender-se para o norte à procura de melhores regiões. Actualmente a cultura situa-se principalmente nas zonas de Farim,Bafatá e Nova Lamego. Sob o ponto de vista climático a nova área pode-se considerar supe-rior à antiga. III - Condições de vegetação Encontra a mancarra na Guiné Portuguesa condições especiais paraa sua vegetação quanto a temperatura. Ao longo de todo o ano, devido àmesma pode-se efectuar a cultura, embora na época seca seja necessáriaa sua rega. Sendo a temperatura média de 26° na Província e não existindo emqualquer época amplitudes que possam comprometer a cultura, ela poreste factor climático poderá ser efectuada.
  5. 5. Já quanto a chuvas não tem a Guiné o mesmo comportamento,variando de Sul para Norte de 3.000 mms. a 1.300 mms., elas repartem-se ao longo dos meses de Junho a Novembro, vegetando a planta duranteessa época. Os meses de Agosto e Setembro com quedas diárias muitas vezesbrutais, tornam difícil a vida da planta, prejudicando a floração. O período de chuvas comporta o ciclo da planta, razão porque sedeve semear cedo para se aproveitarem bem as últimas quedas pluvio-métricas. Se semearmos tarde como acontece em grande parte da província oamendoim não atinge o seu desenvolvimento completo e há perda depeso e óleo. Acontece isto, está claro, para os amendoins indígenas; se nós intro-duzirmos porém variedades mais precoces podemos e devemos semeá-los mais tarde, mas numa altura em que se possa aproveitar as últimaschuvas úteis. Elas podem-se considerar as que caiem 20 dias após a formação damaioria das flores; o seu quantitativo deve atingir pelo menos 20 mmsem queda consecutiva para ter influência na produção. Em resumo, tem a Guiné Portuguesa condições especiais para a cul-tura da mancarra quanto a temperatura; quanto a chuvas, elas são exces-sivas, pois uma queda pluviométrica de 1.000 mms, bem repartida já émais do que o suficiente. Por outro lado, devido ao primeiro factor climático é possívelefectuar-se com êxito a cultura irrigada do amendoim durante o períodoseco, obtendo-se durante este melhores produções. É natural que se chegue com facilidade a produções de 2,5 a 3 tone-ladas por hectare, que tornariam a cultura remuneradora. Sabe-se ainda, voltando a analisar a questão do clima, que cada tipode amendoim tem a sua zona climática própria e que portanto é muitasvezes errado introduzir variedades que de antemão se sabe terem neces-sidades ecológicas diferentes. Por exemplo o ir buscar mancarra ao Rufisque para introduzir naGuiné Portuguesa é errado, pois os amendoins aí são de pericarpo poucoespesso e têm o ciclo menor, não suportando portanto as chuvasexcessivas e prolongadas; mas já será interessante introduzir, com asdevidas cautelas, amendoim do Baixo-Casamança, que são de ciclo
  6. 6. longo e possuem pericarpo espesso; isto para zonas com chuvas até1.500 mms, norte e nordeste da província. Mais para o sul necessário se torna procurarmos amendoins de con-feitaria, com pericarpo bastante espesso e de 4 a 5 sementes. Quanto ao solo exige o amendoim, para se desenvolver perfeitamente,terras francas ou francos arenosos, que dêem fácil penetração aos ginó-foros, quando estes se formem. À medida que a percentagem de argila aumenta (para cima de 10 %)podemos dizer que a produtividade do amendoim diminui. Contudo a capacidade do solo, razão principal da sua inaptidão para amancarra, pode também ser originada pela areia fina, limo ou matériaorgânica; quer dizer, dois solos diferentes, mas com a mesma capacidadepodem dar rendimentos diferentes, pois o seu grau de fertilidade édiferente. A presença de matéria orgânica em excesso, pode tornar-secontraindicada para a mancarra; em experiências efectuadas emMBambey no Senegal, demonstrou-se que havia um aumento de vagenschochas de cerca de 20 % quando isso acontecia; em solos com 3 % dematéria orgânica a produção pode ser normal. Segundo M. Fleury a mancarra cultivada em solos mais pesados, temuma menor percentagem de óleo. Ainda a humidade do solo tem uma importância extraordinária naprodução da mesma; é por esta razão que os indígenas da GuinéPortuguesa armam em camalhão [lomba de terra que se faz para pararou reduzir a água] o solo, a fim de fugir ao excesso dela. Existem porém solos que se enxugam facilmente após uma chuvadaforte, podendo-se aí efectuar a cultura sem armação. A armação do terreno, como já indicamos em notas anteriores, levamuitas vezes a uma esterilização do solo mais rápida, pela inversão dehorizontes de perfil do solo, que provoca. IV - Processos culturais indígenas e sua análise A cultura do amendoim é praticada somente pelo indígena na GuinéPortuguesa; não nos chegou ao conhecimento qualquer tentativa de cul-tura por parte de elementos europeus. Essa cultura a ser praticada por estes elementos só em condições
  7. 7. especiais é que daria resultados capazes. a) Rotação de culturas Não deixa o indígena da Guiné de ter conhecimento mais ou menospreciso dos bons efeitos da rotação de culturas. 1) Entre fulas e mandingas é muito comum aparecer a rotação: 1. °ano – Sorgo 2.°ano – Amendoim 3. ° e 4.° ano - Pousio ou então, se as terras são mais ricas adoptam por vezes a rotação: 1.º e 2.° ano – Sorgo 3.° » - Amendoim 4.° » - Pousio Não encontramos entre estas raças uma rotação com o amendoim àcabeça. 2) Entre os brames da ilha de Bolama cita Teixeira da Mota aseguinte rotação: 1.º ano - Arroz de sequeiro 2.° » - Mancarra 3.° » - Milho preto 4.° » - Fundo 5.° » - Mancarra Pode levar depois de três anos de pousio natural outra vez mancarra.Se estiver mais de 3 anos, pode voltar a instalar-se novamente a rotação. De qualquer modo a rotação é excessivamente extensa e esgotante; oquinto ano de mancarra não deve ter muito interesse. 3) Entre os balantas de Nhacra muitas vezes é adoptada a rotaçãoseguinte: a) Se o terreno é muito rico. 1.º ano - Arroz de sequeiro (leste) 2º » - Mancarra 3º » - Fundo 4º » -Milho preto (com feijão) 5º » - Fundo 6º » - Milho preto
  8. 8. b) Se não é fértil. 1.º ano - Mancarra 2º » - Fundo 3º » -Milho preto (com feijão) 4º » - Fundo 5º » - Milho preto (com feijão) Vemos aqui um tipo de rotação mais equilibrada do que a dos man-canhas de Bolama. Normalmente estas culturas são efectuadas em volta da tabanca,nunca muito afastadas. Aparece o fundo no segundo ano, pois o seu ciclocurto permite a sua colheita no fim das chuvas, quando ainda não háarroz. A associação de milho preto com feijão, permite que retiradoaquele ainda fique o feijão no terreno, efectuando a sua protecção. Estesó será retirado por Janeiro, ficando a sua matéria orgânica a proteger osolo. À parte esta restituição, acompanhada de cinzas de toda a espéciede detritos, não efectua o balanta desta zona, qualquer outra operaçãomantendo a cultura de fundo e de milho preto, até esgotamento total dosolo. A mancarra não volta mais ao local sem um pousio prolongado. 4) Os papéis de Bissau usam muitas vezes a rotação 1.º ano - Arroz de sequeiro 2.° » - Mancarra 3.° » - Milho preto ou fundoe depois um pousio de 4 anos; portanto o ciclo completo é de 7 anos. A cultura fundamental é a mancarra, sendo as outras duas ali-mentares. 5) O mancanha da ilha de Bissau usa normalmente a dualidade: 1.0 ano·- Milho preto 2.º » - Mancarra Este ciclo repete-se até depauperação total do solo. 6) Entre manjacos aparece muitas vezes, quando cultivam a man- carra, a seguinte rotação: 1.º ano - Arroz de sequeiro 2.° » - Milho preto 3.° » - Mancarra Depois é abandonado o «lugar», até que o mato cresça novamente
  9. 9. 5 anos. A mancarra pode ir no 2º ano se por acaso o «lugar» não formuito rico. Pelo que ficou dito verifica-se que nas diversas tribos, mais oumenos existe a noção de rotação; embora algumas sejam desordenadas cmal observadas, outras têm a sua justificação. b ) Preparação do solo; lavouras Ê das mais simples, a preparação do terreno para a cultura entre os indígenas da Guiné Portuguesa. O primeiro passo dá-o abatendo o mato, quer utilizando o machete quer duma espécie de machado gentílico. As árvores de diâmetros maiores são sujeitas a um tratamento especial, efectuando o indígena no seu tronco um corte anelar de casca. Depois junto delas é amontoada lenha à qual é lançada o fogo; todo o mato abatido arde. Vemos portanto que na preparação do solo para a lavoura, usa o indígena da Guiné Portuguesa a técnica bantú. Algumas espécies que apresentam utilidade são respeitadas; sucede isso com a Acácia albida e com a Parkia biglobosa. A primeira é mesmo indicadora de terrenos próprios para amendoim e tem a particularidade de não possuir folhas durante a cultura; na época seca essas folhas aparecem ao mesmo tempo que a frutificação e o gado pega com avidez na vagem desta leguminosa. Da segunda aproveitam algumas raças as vagens para a alimentação. Conforme as tribos, assim usam os indígenas instrumentos manuaispara a lavoura dos solos. A armação do solo é sempre em camalhão, qualquer que seja a tribo. Antes, todos os restos orgânicos foram destruídos pelo fogo e ascinzas espalhadas pelo solo, constituindo o único adubo. Depois o solo é removido superalimente, de 5 a 10 cm., na zona dorego do camalhão, indo essa terra constituir o cimo do mesmo. Assim consegue o indígena tornar mais espessa a camada de solo. àdisposição da planta.
  10. 10. Existem na Guiné Portuguesa, e conforme as raças, ferramentasdiversas para efectuar este trabalho. Assim o balanta, o manjaco, o mancanha e o papel utilizam o seutípico «arado», que consta de duas partes, o cabo que pode ter até 1,5 ms.de comprimento e a pá que se assemelha a uma pá de valar, terminandopor um ferro que a protege de rápido desgaste. O mancanha actualmente usa mais a enxada com cabo curto. O mandinga juntamente com o fula usam uma espécie de enxadagentílica; a enxada propriamente dita é a pá de valar do balanta umpouco mais estreita na extremidade; o cabo faz com a pá um ânguloagudo de 30° e tem um comprimento de cerca de 50 cm. Estes diversos trabalhos preparatórios necessitam de mais ou menosmão de obra conforme o estado primitivo dos mesmos. Normalmentecomo o indígena vive aqui em regime de aldeamentos, ajudam-se unsaos outros na execução dos mesmos. Porém a sua demora é função dograu de limpeza do solo. Nunca será demasiado contarmos com 30 a 35 jornais-homens paraa lavoura de um hectare de terreno. c) Sementeira É usual na Guiné Portuguesa a mancarra ser descascada parasementeira. O indígena, quando ela é de má qualidade, separa-a, efectuandoassim uma selecção grosseira. Esta não é porém completa, pois existesempre dificuldade em separar aquela que, embora em mau estado, não oaparenta. O fornecimento de sementes é aqui efectuado por intermédio dosceleiros administrativos; a mancarra é emprestada a título gratuito, sendoentregue na colheita. Os cuidados para a sua recepção são poucos emuitas vezes por falta de pessoal. nenhuris. Em parte pode-se atribuir o fraco resultado da campanha de 1951 àsmás sementes colhidas em 1950; a par disso, tiveram as chuvas exces-sivas um efeito notório. Actualmente a qualidade das sementes da província é má, sendonecessário procurar melhorá-la quer por escolha, quer por selecção. Asimples escolha já pode ter muita influência sobre a qualidade damancarra, Para proceder à sementeira o indígena efectua sobre o camalhão. enuma linha só, a marcação com o calcanhar dando passos curtos de cerca
  11. 11. de 30 cms. A distância entre as linhas de sementeira é de cerca de 80cms. Se a sementeira é efectuada nas primeiras chuvas (Junho) a plantadesenvolve-se e cobre completamente o terreno no final do ciclo; se porqualquer circunstância a sementeira se efectua tarde, haveria necessidadede apertar o compasso. Em ensaios efectuados no Pessubé obtiveram-se os melhores resul-tados para a sementeira nas primeiras chuvas com a mancarra indígena.A sementeira até fins de Julho embora produzisse razoàvelmente já tinhadiferenças altamente significativas em relação à primeira. Depois de finsde Julho não convem semear mais, pois os resultados não compensam,aparecendo uma percentagem enorme de vagens falhadas. Seria de ensaiar a introdução de variedades mais precoces afim desemeá-Ias no tarde. A sementeira é efectuada muitas vezes por mulheres, sendo. o des-casque feito por crianças. Para efectuar esta operação num hectare de terreno, o indígena gastaem média 10 dias. Cada covacho leva 2 ou 3 sementes, sendo issofunção de quantidade disponível, do ataque de animais, qualidade dassementes, etc. Existem na Guiné Portuguesa animais que destroiem as sementei-ras; é vulgar o ataque por cachorro-de-mango, macacos, etc.; a formigabranca também causa muitas vezes estragos. d) Amanhos culturais Os amanhos culturais, constituídos por mondas e sachas efectuadospelos indígenas, diferem de raça para raça, conforme eles são melhores oupiores cultivadores de mancarra. Assim os mancanhas, das melhores raças no cultivo deste produto,efectuam uma primeira monda e sacha ligeira durante o primeiro mês dociclo, não desfazendo então :o camalhão; seguidamente fazem uma sacha,destruindo aquele e amontoando as plantas. As outras raças procedem de igual modo, mas a limpeza do terreno éque não atinge a perfeição daqueles. O indígena na Guiné Portuguesa, normalmente só efectua duas sachase mondas por ciclo da planta; não quer isto dizer que elas sejam suficientes,pois muitas vezes justifica-se perfeitamente uma terceira monda. Uma
  12. 12. sacha então já vai destruir parte da produção, pelo que requere um certocuidado. As duas sachas podem absorver com facilidade 30 jornais. Se notarmos que a par dos trabalhos para a mancarra o indígena temque olhar pelas culturas alimentares que têm as mesmas necessidades emépocas idênticas, vemos que, por exemplo, para cultivar um hectare deterreno um homem válido tem que exercer durante as chuvas umaactividade grande. Quer dizer, supondo que um homem válido cultiva por ano umhectare de terreno e que adopta a distribuição 0,5 ha de mancarra 0,4 ha demilho cavalo e 0,1 de outros produtos alimentares (batata doce, inharnes, -mandioca, etc.), temos que a distribuição do seu trabalho será de tal ordemque lhe absorverá completamente o tempo disponível. De facto nós sabemos que para as variedades que tem, o indígenanecessita de lavrar e semear o mais cedo possível, coincidindo os outrosamanhos em época. A sua capacidade de produção na hipótese de 1 hectare em cultura está portanto coberto. . Para aumentarmos essa só utilizando variedades mais precoces, queproduzam só para os meses de Janeiro ou Fevereiro, como O algodão,permitindo a sementeira fora da época crítica. e) Colheita Embora não pareça, constitui esta operação um dos trabalhos quemais cuidados exige na cultura, o indígena colhe a mancarra, conforme as raças, ou muito cedo oudemasiadamente tarde,. onerando o produto. Estão no primeiro caso por exemplo os balantas da região deMansoa, que, não se tendo ainda formado completamente a semente já sededicam com afinco ao arranque da planta. A colheita nesta época, trazpara o indígena uma perda grande em peso, embora a operação sejasimplificada, pois os solos conservam-se ainda nesta época fáceis detrabalhar. Para o comprador traz, como resultado a compra de produtos maispobres em óleo e uma percentagem elevada de vagens chôchas. Por outro lado raças, como a mancanha, efectuam o arranque dema-siado tarde e o solo atinge tal dureza que se torna necessário efectuaruma operação especial, batendo-lhe nas zonas das linhas com um pau,
  13. 13. afim de depois ser facilitado o arranque por meio duma pequena sachola. Neste caso perde o indígena, pois além da colheita ser mais morosa,há perda de vagens e peso. O comerciante ganha, pois a mancarra é mais densa, sendo a parteexterna do pericarpo submetida a uma limpeza por acção da formigabranca. É urna. das operações que tem de ser mais controlada na Guiné sequizermos obter produtos de qualidade. O arranque e separação das vagens dos caules é das operações quemais pessoal consome. Após o arranque aguardam os indígenas o início da «campanha»para efectuar a separação das vagens. Com a falta de cuidado que os caracteriza acontece muitas vezes amancarra ser amontoada no solo, sofrendo estragos por acção das chuvastardias; a simples colocação do produto sobre estrados feitos com pausdo mato, pode evitar isso. Para que o controle sobre o arranque da mancarra seja eficaz deve-se saber, quando ela está madura; ora isso só acontece após o amareleci-mento dalgumas folhas e, quando observadas as vagens, a parte interiordo seu pericarpo está escura, tendendo para preto. v - Doenças e pragas . Aparecem com frequência na Guiné Portuguesa duas doenças noamendoim, embora pela sua extensão não constituam problema. A primeira é uma doença criptogâmica, que se nos afigura tratar-sedo Cercospora personata. Aparece normalmente após. o desenvolvimento pleno da planta, ata- cando as folhas c tomando o aspecto de máculas negras. Assementeiras efectuadas tarde sofrem, sendo bastante atacadas por ele. O tratamento, se económico, efectuar-se-la por meio da calda bor-dalesa. A outra é a «roseta» do amendoim. A planta é atacada com violência e a sua parte central fica reduzida,tomando as folhas uma coloração amarelada. Normalmente também não constitui problema, pois só aparece noscampos que por qualquer circunstância foram semeados tarde Por isso a densidade da sementeira tem importância, convindo neste
  14. 14. caso apertar O compasso. De qualquer modo convem evitar a repetição da cultura, no mesmo campo, pois como se .sabe trata-se "duma virose.· Aparece ainda por vezes, mas mais raramente uma doença cripto- gâmica que ataca inicialmente a raíz, causando a morte da planta. É curioso no seu ataque, pois aparece muito dispersa; talvez se trate dum fungo do género Corticium. , Como pragas de campo nunca nos foi possível observar alguma com importância. A mais importante praga de armazém que aparece na Guiné Portu- guesa é conhecida vulgarmente pelo nome de ebicho preto da mancarras. Trata-se dum coleoptero que possivelmente está dentro do género Pachy- moerus; parece tratar-se da especia P. caciae. São enormes os estragos causados por esta praga; em celeiros que não estejam suficientemente protegidos, pode atacar até 80 % das vagens no espaço de poucos meses. A luta contra a praga deverá ser conduzida da seguinte forma: 1.0 Usar armazém apropriado, isto é, com pavimento betonado e onde se possa efectuar desinfecção com facilidade.2. Não misturar colheitas de anos diferentes. 3.Efectuar a desinfecção dos armazéns antes de armazenar a colheita nova com emulsão de petróleo a 4 % em água e sabão. 4.0 Efectuar a protecção do produto com DDT ou gamexana. VI-Produção da Província-Comércio interno e externo do produto Se observarmos a exportação da Guiné nos últimos dez anos podemos verificar que o seu valor tem oscilado muito, sendo os valores dos últimos cinco anos, após o fim da grande guerra, mais harmónicos, talvez porque o produto tem sido mais procurado. Inclusivamente chegou-se a ultrapassar as 40.000 toneladas em 1949, o que já se pode considerar interessante. Constitui este produto a principal exportação da província, seguiu- do-se-lhe o coconote. O quantitativo anual das exportações nos últimos dez anos, foi: 1941 34.698 Toneladas 1942 19.326 :. 1943 35.298 »
  15. 15. 1944 20.143 » 1945 36.394 » 1946 26.115 :. 1947 38.862 » 1948 39.195 » 1949 44.128 :. 1950 33.250 » Vendo o que foi dito anteriormente podemos fazer notar que doquinquénio 1941-45 ao de 1946-50 houve um aumento médio anual de7.000 toneladas de produto exportado. O ano de 1950 já apresentou um decréscimo grande em virtude dopreço e chuvas tardias; o de 1951 segundo parece, apresentará uma dife-rença maior, em virtude do excesso de chuvas, má qualidade desementes e preço. O comércio da mancarra tem aqui um aspecto curioso; a época devenda. do produto é conhecida com o nome de ecampanhas. Ela abre normalmente no princípio de. Dezembro, estando termi-nada em Fevereiro. Durante este período o produto é completamentetransaccionado, sendo o movimento comercial importante. O principal mercado consumidor é. a metrópole, sendo o preço doproduto controlado pelo governo central. Existem na províncias as chamadas casas exportadoras, quepossuiem grandes capitais para movimento. Estas casas, como precisariam duma grande organização para com-prarem o produto, lançam mão de intermediários os quais mediante umcontrato fazem a compra. A compra só pode ser efectuada nos chamados «centroscomerciais", sendo proibida a compra noutras condições; visa estamedida a protecção ao comércio estabelecido. O transporte do produto para os centros comerciais é feito pelosindígenas que ou trazem ebalaioss à cabeça ou então usam burros. O transporte animal é o mais usado na zona nordeste da província. Ocomerciante amontoa a mancarra nos chamados «cercos", aguardando aísaída para os portos de embarque. A mancarra que está para o interior onde não há rios, é transportadaem camião, para locais onde se possa efectuar o transporte fluvial. Daíela vem em «lanchas) para os armazéns nas zonas de embarque.
  16. 16. VII -Ideias sobre 8S possibilidades de desenvolvimento da produção na Guiné Portuguesa Até à data pouco se tem feito com verdadeiro sentido técnico, para se tentar aumentar a produção da Guiné Portuguesa em amendoim. As sementes distribuídas pelos celeiros administrativos não têm sido as melhores, ressentindo-se dessa falta de cuidado, as produções. A mistura de sementes é frequente, o cuidado com selecção, a mais simples, é nenhum; enfim tudo se tem conjugado para que, embora se semeiem maiores áreas, a produção não sofra o incremento corres- pondente. Embora a produção diminua devido à fraca qualidade das sementes, outros factores existem que muitas vezes contribuem para esse resultado. Assim as chuvas normalmente excessivas causam prejuízos grandes; por outro lado os solos não corrigidos e muitas vezes pouco férteis, também actuam no mesmo sentido. Em conclusão para a resolução deste problema três pontos funda- mentais se deve procurar atingir: a) Escolher o melhor meio para desenvolvimento da planta; b) Semear as melhores sementes; c) Procurar aumentar a capacidade de trabalho do indígena. Para atingir o ponto a) torna-se necessário: 1) O estudo climático da Guiné, afim de estabelecer as melhores zonas para a cultura. Já anteriormente dissemos que cada tipo de amendoim tem o seu clima ideal. Para o que nós conhecemos actualmente da climatologia da Guiné está justificado o avanço da cUltura para as zonas fronteiriças de N. E., pois aí chove menos. Já o mesmo não acontece quanto às variedades, pois devem ser deslocadas para aí as de ciclo mais curto e produtoras de óleo; as variedades de ciclo mais longo e pericarpo mais espesso, que são de confeitaria, têm o seu lugar marcado mais para o sul. 2) A indicação dos melhores tipos de solo para a cultura. O indígena que já efectua a cultura em rotina sabe normalmente procurar os melhores solos. De resto existem plantas que podem ter a função de indicadoras. Assim, a Acácia albida é característica de solos ligeiros e tem um papel muito importante na regeneração deles; a Cassia ocidentalis e a Cassia thora são também indicadoras. Solos em pousio cultivado com aquelas plantas, ao fim de um ano consideram-se suficien-
  17. 17. temente regenerados. Por outro lado a Guiera senegalensis é considerada indicador deterrenos cansados e o Combretum micranthum considera-se indicador deterrenos lateríticos, com couraça, ao mesmo tempo que a Imperatascylindrica. Quer dizer, existem no meio que estamos tratando, um certonúmero de plantas que só por si, são capazes de nos dar uma certaindicação, quanto à natureza e grau de fertilidade do solo. 3) A conservação e protecção do solo durante a rotação. Como jádissemos este problema é capital. Põe-se portanto a necessidade do estudo racional da rotação ou rota-ções necessárias olhando em primeiro lugar àquele factor. Já todos sabemos que aceleração e degradação dos solos nestasregiões, se deve em primeiro lugar ao estabelecimento de culturas deexportação, com carácter extensivo. Tudo isto preveio de um conhecimento errado do potencial de ferti-lidade destes solos e da sua evolução. Hoje que já se começa a ter algumasnoções sobre isso, procura-se arripiar caminho, tentando soluções. É do conhecimento geral o papel importante que tem o coberto vege-tai na protecção do solo; é ainda desse conhecimento a facilidade e rapidezcom que depauperam os mesmos nestas regiões. Torna-se portanto necessário, quando pensarmos na rotação para estazona, olhar ao pousio do solo e que este seja protegido. Já anteriormente citamos duas leguminosas comuns da Guiné C. oci-dental e C. tora que poderiam servir para isso; qualquer delas .produz umabela massa para enterramento. o Calopogonium mucunoides (?) servma também para o mesmofim; desenvolve-se com extrema rapidez e dá um coberto completo; o seudefeito maior é tornar-se uma -planta invasora. O pousio com coberto natural traria como resultado um prolonga-mento da rotação; normalmente só após um descanso de 4 anos é que oindígena considera o solo apto a novas culturas. Fazer entrar dentro dos hábitos indígenas o pousio cultivado, sena dosmaiores benefícios que se poderia obter. Com ele conseguiríamos proteger o solo e ao. mesmo tempo enn-quecê-lo, tornando-o mais equilibrado na sua fertilidade. Resolver-se-ia assim o problema de humus no solo que é fundamental.
  18. 18. Está claro que se a par disto existisse a possibilidade de estrumações, seriao ideal. O ponto b será função de trabalho e verbas dos servíços oficiais. Todossabemos que até à data têm os serviços agrícolas da província lutado comdificuldades e ainda hoje não estão convenientemente instalados. A suafunção parece muitas vezes desconhecida ou pelo menos ignorada; nestascondições torna-se difícil trabalhar. Para que realmente se possa pensar convenientemente na obtenção demelhores sementes na Guiné, tornar-sé-ia necessário quanto a nós, instalar na melhor região de amendoim um posto agrícola dedicadoao seu melhoramento e selecção. Seria aí feito o estudo do seguinte: . 1) Rotação mais conveniente Ainda não está feito este estudo; poderíamos iniciar este trabalho,procurando quanto a nós: Fazer a pesquisa das plantas que com o amendoim deveriam cons-tituir a rotação cultural. Assim a inclusão no início da mesma, quando osterrenos possuam fertilidade para isso, do algodão, seria interessante,pois isto permitiria aumentar a capacidade de trabalho do indígena; estaseria realidade, pois a planta semeia-se e colhe-se mais tarde, ficando oseu ciclo portanto deslocado em relação ao normal na Guiné Portuguesa. Além do algodão poder-se-la introduzir plantas dos géneros Urena eHibiscus que, desde que a fertilidade seja suficiente, produzem bem. Na verdade as espécies Urena lobata e Hibiscus cannabinus, desen-volvem-se aqui com facilidade. Além <Ia escolha das plantas teríamos que ver~ficar a reacção dociclo cultural do pousio. Notar-se-ia o comportamento daquele, sendo protegido ou não eainda se essa protecção fosse natural ou cultivada. Além da inclusão de plantas de fibra, certas regiões necessitariamduma rotação com a cultura alimentar mais comum, pois conviria nãoesquecer estas, para não crear problemas -de alimentação. Ter-se-ia presente sempre, que ao ser estudado um determinado tipode rotação, ele deveria procurar quebrar a monocultura em que vive aprovíncia. Esta é uma das realidades mais chocantes que aparece no panoramaeconómico da Guiné. 2) Procura de tipos de amendoim e sua selecção Devia ainda esse Posto estabelecer uma colecção o mais completa
  19. 19. possível dos diferentes tipos de amendoim, ao mesmo tempo que traba- lharia a matéria prima local, tentando melhorá-Ia. Todas as variedades introduzidas deveriam ser controladas e elimi- nadas aquelas que não tivessem interesse. A selecção deveria ser geneológica, pois a planta é autogâmica. Far-se-ia a escolha dos melhores pés-mães, que seriam submetidos a estudo durante 2 ou 3 anos. Depois ir-se-ia durante 3 ou 4 anos para ensaios comparativos de linhas, sendo então eliminados os piores. Nos primeiros 2 ou 3 anos far-se-ia o estudo de caracteres que nos provassem a pureza dos pés-mães. . Nos últimos 3 ou 4 executar-sé-ia, a par de ensaios comparativos, . os mesmos estudos que anteriormente, acompanhados de observações quanto a resistência às doenças. Depois disto ir-se-ia para a reprodução no Posto, seguindo-se a mesma em talhões espalhados pela região de produção. Depois de observado o comportamento. na Província é que se iria para a reprodução em larga. escala. 3) Diversos problemas Deveriam ser efectuados ensaios no sentido de: 1) estudar os melhores Processos de lavoura 2) armação de terreno 3) compasso (tentando os mais densos) 4) desinfecção de sementes 5) adubações e correcções. 1) Quanto a lavouras as últimas pesquisas nestas regiões têm intro- duzido novos conhecimentos sobre o modo como deve ser preparada a terra para a sementeira. Deviam-se efectuar estudos em primeiro lugar para se ver o efeito do reviramento da leiva sobre a produção. Observando os solos da Guiné verifica-se que eles não têm normalmente grande profundidade e o seu reviramento pela aiveca traz como resultado levar Para a superfície, horizontes ainda não completamente desenvolvidos, em más condições portanto de fertilidade. As questões de estudo da profundidade da lavoura seriam também de atender. O conhecimento do material agrícola mais próprio, nas condições da província, seria de efectuar, tendo em vista as seguintes condições:a) Ser leve e resistente;
  20. 20. b) Ser eficaz e de fácil manejo; C)i Ser adaptada à tracção animal, notando-se que a força do gado desta zona é bastante menor que o da Europa. 2) O estudo do. processo de armação do terreno mais próprio para a cultura seria de efectuar. Deveríamos atender a que, embora o normal na Guiné seja o cama- Ihão, Pode muitas vezes ser substituído com vantagem por outras armações. É tudo uma questão de drenagem. 3) Seria ainda experimentada a variação de compasso, que tornasse possível o estudo do melhor. Deve-se procurar o compasso que proteja o terreno no fim de 2 meses de cultura. Os compassos mais densos são de aconselhar ; talvez o razoável esteja num quantitativo de 90.000 plantas por hectare, isto para a cultura indígena. Se a cultura for mecânica temos que estudar a abertura nas entre-linhas que deve dar à máquina possibilidades de trabalhar. Em resumo a tendência deveria ser para apertar o compasso indí- gena que nos dá um número baixo de plantas por hectare. 4) Em virtude da importância que tem em qualquer região do globo a desinfecção das sementes, seria de efectuar o seu estudo para- a Guiné. Em estudos efectuados na zona vizinha francesa, chegou-se :1 resul- tados muito importantes; de facto os aumentos verificados na produção pelo uso de fungicidas, foram aí até 20 %, o que é importantíssimo. Muitas vezes sementes, que por quaisquer circunstâncias sofreram choques, são eficazmente protegidas pelo uso dos mesmos. 5) Fala-se actualmente muito em correcções e adubações de solos, estando ainda mal conhecido o seu comportamento nas regiões tropicais. Pelas quedas brutais de água que aqui se verifica e pelo desconhecimento das reacções que provocam, o seu estudo ainda está pouco desenvolvido. Em todo o caso, em ensaios efectuados na Granja de Pessubé, veri- ficou-se em dois anos a influência significativa do cálcio e do fósforo, sob a forma de super fosfato, na produção de mancarra, A correcção do solo nesta província afigura-se-nos pois, muito impor- tante; pena é que as possibilidades sejam mínimas, pois a única fonte daquele são as conchas marinhas. O fósforo, embora aqui fàcilmente se insolubilize, pois existe ferro em abundância, ainda tem influência na produção. Para os outros elementos seria interessante continuar a verificar a
  21. 21. acção dos mesmos na produção, pois ela não se mostrou importante. Independentemente da acção dos elementos seria de estudar doses eépocas de aplicação dos mesmos. Ainda seria de efectuar a pesquisa de elementos que como omagnésio parecem ter importância, como factores de produção. Para uma ideia de como se deve efectuar a adubação da mancarra,podemos dizer que mil quilogramas do produto. retiram em média dosolo o seguinte: Azoto - 70 Kgs P20ij - 10 » K20 - 28 » Cao 18» MgO - 12 » Estes números são citados para o Senegal, Por S. Bouyer no seuestudo <Croissance et nutrition minérale de darachide». Embora estes resultados não sejam certos, pois as variaçoes sãosempre muito grandes, podemos contudo verificar a presença daqueleselementos. O magnésio que, como vemos apresenta um valor elevado, pareceter uma acção muito marcada na produção. Os .ingleses que na Gâmbia trabalham no departamento de nutrição,apresentaram este elemento como responsável das fracas produções aí .obtidas, pois os solos são normalmente deficientes neste. Ao valor elevado de azote não corresponde a necessidade domesmo elemento ser aplicado em tão grande quantidade, pois trata-se deuma leguminosa. O facto de não termos verificado a acção deste elemento e dopotássio sobre a produção nos ensaios aqui efectuados, pode ter a suarazão na queda pluviométrica execessiva ; a aplicação fraccionada seriade aconselhar. Em todo o caso lembramos sempre que qualquer aplicação deadubos nestas regiões tem grandes contras, pois o preço e as doseselevadas, devido a perdas por chuvas excessivas, tornam a aplicaçãoanti-económica. Para atingirmos o ponto c teríamos que, além de cumprir os pontosa e b, procurar ocupar o indígena completamente durante a sua épocaagrícola e ainda dilatá-la, se possível, pelo estabelecimento de regadionas zonas mais apropriadas durante a época seca. Para ocuparmos melhor a época de cultura, teríamos que arranjarprodutos cuja colheita se fizesse mais tarde (caso do algodão) e em que aépoca da sementeira estivesse deslocada em relação ao ciclo cultural dasplantas da Guiné Portuguesa, cuja sementeira se efectua normalmente noinício das chuvas. Seria ainda de fazer o estudo de máquinasagrícolas nas condições que referimos anteriormente.
  22. 22. Atém destes e de outros problemas a estudar, o Posto a instalar teria campos de reprodução que teriam uma capacidade de produção de 200 toneladas. Inicialmente e independentemente do seu estudo futuro, adotar-se-ia por exemplo a rotação cultural seguinte: 1.0 ano - algodão 2. o ano - amendoim 3.0 ano -leguminosa cultivada para enterrar.3) Apertar o compasso usual;4) Efectuar os granjeios oportunamente; 5)Fazer a colheita quando o produto está maduro, sendo proibido caso contrário. B) Para o futuro e com os mesmos fins, seria necessano efectuar o que se refere ao Posto Experimental de Amendoim. A. Castro

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