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- Interdição de fronteira.Defesa de pontos sensíveisDefesa de pontos sensíveisA primeira missão das unidades era assegurar...
guerrilha procurou negá-Ia, ou, no mínimo, dificultá-Ia tanto quanto possível.A dificuldade das tropas regulares em garant...
Batida e LimpezaBatida e limpezaA limpeza de uma zona, realizada por meio de batida e cerco, tinha por finalidade expulsar...
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A EmboscadaA EmboscadaA emboscada é uma operação realizada de surpresa sobre elementos adversos emmovimento, para os aniqu...
Operações de Interdição de fronteiraOperações de interdição de fronteiraOs movimentos de libertação contaram com o apoio d...
Acções de interdição de fronteiraA interdição de fronteiras foi ainda conduzida por meios aéreos e navais quer em operaçõe...
possível para a infantaria e artilharia e instalar os 82 (morteiros) e os GRAD (Iançadores defoguetes).À nossa chegada, o ...
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Acções de guerrilha e contra-guerrilha

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Acções de guerrilha e contra-guerrilha

  1. 1. Acções de Guerrilha e Contra-GuerrilhaGuerrilha e contraguerrilhaACÇÕESO confronto armado entre Portugal e os movimentos de libertação de Angola, Guiné eMoçambique desenrolou-se no quadro que as doutrinas militares e políticas ocidentaisclassificam de actos violentos da «luta subversiva», nelas incluindo não apenas as suasacções militares típicas, mas também operações tácticas de grande envergadura emambiente de guerrilha.Embora de um lado se encontrasse um exército regular e do outro de guerrilheiros, naprática ambos os contendores acabaram por realizar o mesmo tipo de acções. Pode, noentanto, dizer-se que a actividade militar destes últimos tentou atingir os seus objectivosprincipalmente através da interdição de vias de comunicação, ataques a aquartelamentos eemboscadas. Utilizou com frequência e intensidade minas de todos os tipos, e asemboscadas foram principalmente dirigidas contra colunas de viaturas ou patrulhas apeadas.Para o final da guerra, levou a cabo ataques de maior envergadura, como foram os assaltoscoordenados às posições de Guidage e Guilege, uma no Norte e outra no Sul da Guiné.As acções militares da contraguerrilha efectuadas pelas forças portuguesas, embora seconsiderasse que podiam resumir-se a adoptar táctica semelhante à da guerrilha, foramsobretudo condicionadas pela maior ou menor capacidade de resistência dos militares aoterreno e ao clima. Por isso, as operações mais vulgares foram quase sempre de curtaduração, raramente excedendo os quatro dias e levadas a efeito por unidades de tipopelotão/grupo de combate de 30 homens ou, mais raramente, por uma companhia reduzida(três grupos de combate), que actuava dentro de uma área à sua responsabilidade, a zonade acção (ZA). Por norma, estas operações constavam de um plano de actividadeoperacional (PAO), e podiam ser dos seguintes tipos:- Defesa de pontos sensíveis;- Protecção de itinerários;- Patrulhamentos (nomadização);- Batida (com eventual apoio numa acção de cerco);- Limpeza de povoação;- Golpe de mão;- Emboscada;
  2. 2. - Interdição de fronteira.Defesa de pontos sensíveisDefesa de pontos sensíveisA primeira missão das unidades era assegurar a defesa de determinados pontos sensíveis:povoações, instalações de importância política, administrativa, económica e militar, pontes enós de comunicações.A força que recebia a missão de defender um ponto sensível devia estabelecer medidas desegurança, para evitar ser surpreendida e articular-se de modo a resistir a um ataque, asquais incluíam postos de sentinela ou de vigia, a medida mais vulgar; iluminação nocturna,dependente da potência dos geradores; obstáculos, redes de arame, campos de minas earmadilhas e um sistema de alarme.Estas medidas genéricas aplicavam-se, com adaptações, na defesa de uma povoação e depostos militares isolados.Os postos de sentinela estavam muitas vezes protegidos com sacos de terra e redes dearame, o que conferia alguma protecção quando conjugados com minas e armadilhas e comum sistema de alarme, mesmo improvisado com latas penduradas.A Guerra dos ItineráriosA guerra dos itineráriosAs acções de contraguerrilha exigem movimentos constantes às forças regulares paraexecutar operações, abastecer as unidades e as populações, assegurar a actividadeeconómica e exercer o poder efectivo.A utilização das vias de comunicação era, por isso, vital para essas forças e, sabendo-o, a
  3. 3. guerrilha procurou negá-Ia, ou, no mínimo, dificultá-Ia tanto quanto possível.A dificuldade das tropas regulares em garantir o trânsito num dado itinerário resultava dafacilidade com que a guerrilha neles podia levar a efeito emboscadas e acções de flagelaçãoe da vulnerabilidade das colunas, nomeadamente quando os terrenos que percorriam eramcobertos por vegetação, muito ravinados e com mau piso.A melhoria da segurança na utilização dos itinerários conseguia-se através doestabelecimento de uma defesa fixa em alguns pontos vitais - pontes, vaus, desfiladeiros -da vigilância móvel realizada por patrulhas e, principalmente, pelas escoltas fornecidas àscolunas. Para estas escoltas, era conveniente dispor de viaturas blindadas, situação poucofrequente dada a sua escassez, que foi minimizada improvisando protecções contra o efeitodas minas, o que deu origem a que surgissem os «rebenta-minas».Para escoltar comboios e proteger caminhos-de-ferro, os princípios eram os mesmos,embora a sua execução fosse mais difícil, pois tratava-se de infra-estruturas complexas evulneráveis, que obrigavam a grande rigidez de movimentos.A escolta era, neste caso, constituída por um ou mais vagões blindados, ou devidamenteprotegidos, transportando uma subunidade com armas pesadas.PatrulhamentoPatrulhamentoPatrulhamentoO patrulhamento foi a mais comum de todas as operações realizadas pelas forçasportuguesas durante a guerra.Com essas acções procurava-se obter notícias sobre o inimigo, o terreno e a população ecriar instabilidade entre os guerrilheiros, obrigando-os a deslocar-se para outras zonas, alémde permitir manter o contacto com populações ainda não completamente organizadas pelosguerrilheiros e facilitar a acção psicossocial.Às operações de patrulhas apeadas, que duravam vários dias e se realizavam afastadas dosestacionamentos normais e sem informações sobre a localização ou os movimentos doinimigo, deu-se o nome de nomadização.Sendo uma operação em que o objectivo estava mal definido, caracterizada por grandeincerteza, muito cansativa e rotineira, era difícil às tropas manterem elevado grau deprontidão e de alerta. O cansaço após vários dias no mato, carregando pesos consideráveisde rações e água, e o desgaste psicológico provocaram desatenções causadoras de baixasporventura evitáveis noutras circunstâncias.
  4. 4. Batida e LimpezaBatida e limpezaA limpeza de uma zona, realizada por meio de batida e cerco, tinha por finalidade expulsar,aprisionar e aniquilar os guerrilheiros e destruir as suas instalações, meios de vida e decombate.Na batida, parte da força percorria uma zona à procura do contacto com os guerrilheiros,enquanto outra montava o cerco, impedindo que dela saíssem ou recebessem reforços. Sepossível, utilizavam-se forças especiais para as acções de batida e unidades tipo caçadorespara o cerco. A batida podia ser conjugada com assaltos a objectivos definidos, efectuadossempre que possível com a utilização de helicópteros, ou até, embora raramente, porlançamento de pára-quedas.O cerco, por sua vez, podia ser conjugado com emboscadas e com o patrulhamento apeadoou motorizado, neste caso com o recurso a unidades de reconhecimento, quando elasexistiam. Quer a batida quer o cerco podiam ser apoiados, ou a sua acção reforçada, peloemprego da artilharia ou pela aviação.As operações de limpeza de uma área constituíam, por vezes, acções tácticas deenvergadura, com o emprego de unidades de vários tipos, incluindo as unidades a cavalo,particularmente eficazes no Leste de Angola e, em regra, realizavam-se sazonalmente -quase sempre nas épocas secas.Caso particular deste tipo de operações era a limpeza de uma povoação, que se executavaquando se dispunha de informações que indicavam a presença de guerrilheiros em dadalocalidade, tendo por finalidade capturá-los ou aniquilá-los, apreender ou destruir o seumaterial e intimidar populações, de modo a evitar que estas apoiassem muito activamente aguerrilha ou reagissem contra as forças portuguesas.De modo geral, a operação consistia no estabelecimento de um cerco e de actuação nointerior da povoação, revestindo-se quase sempre de grande delicadeza pelo facto de sepoderem encontrar elementos da população misturados com combatentes. Não era fácildistinguir uns dos outros e, depois de desencadeada uma acção de fogo, era difícil manter ocontrolo da situação. A luta no interior da povoação apresentava também grandes riscospara os atacantes, que podiam ser surpreendidos, isolados e atacados a cada esquina. Asoperações de limpeza provocaram, por vezes, situações dramáticas, como as de Wyriamu.
  5. 5. O golpe de mãoO golpe de mãoO golpe de mão é uma operação ofensiva realizada de surpresa contra uma força ouinstalação inimiga e consiste no deslocamento efectuado em segredo até às proximidades doobjectivo e no ataque fulminante para aniquilar forças lá instaladas, destruir as instalações,quartéis, depósitos de armas e acampamentos ou colher informações através de prisioneiros,documentos e equipamentos.Os golpes de mão eram decididos com base em informações obtidas através de prisioneiros,de fotografias aéreas ou por qualquer outro meio.As maiores probabilidades de sucesso do golpe de mão obtinham-se lançando forçasespeciais de helicóptero ou de pára-quedas nas proximidades do objectivo. Para além dogrupo de assalto, quando os efectivos eram suficientes, constituía-se também um grupo decerco, que assegurava a detenção e a cobertura, apoiava a recolha e servia de reserva.
  6. 6. A EmboscadaA EmboscadaA emboscada é uma operação realizada de surpresa sobre elementos adversos emmovimento, para os aniquilar ou impedir de atingir determinados pontos, colher informações,fazer prisioneiros, apreender armas e documentos, causar danos e criar a instabilidade.Consiste na instalação dissimulada de dispositivo adequado em local escolhido, que sedesigna por zona de morte, onde se detém e se ataca o inimigo.Manter o silêncio, a dissimulação, a camuflagem, a imobilidade, a atenção permanentedurante longas horas, por vezes dias, em condições climatéricas muito difíceis, com calor ouchuva, de dia ou de noite, sujeito à acção de insectos, com fome e sede, exigia grandedisciplina e espírito de sacrifício por parte dos combatentes que montavam uma emboscada.A sua realização frequente com resultados infrutíferos conduzia ao desleixo das tropas,tornando-as vulneráveis a golpes de mão e a contra-emboscadas.Habitualmente, as emboscadas eram montadas em locais de passagem obrigatória ouprovável, como desfiladeiros e passagens a vau de rios, ou junto a lavras e a fontes. Odispositivo do grupo de combate resumia-se a uma equipa de vigilância de dois homens,uma de detenção, com metralhadora ou lança-granadas, e um grupo de assalto.
  7. 7. Operações de Interdição de fronteiraOperações de interdição de fronteiraOs movimentos de libertação contaram com o apoio directo dos países limítrofes e as forçasmilitares portuguesas procuraram impedir que os meios e os reforços disponibilizadoschegassem às bases da guerrilha, no interior dos territórios.A primeira medida tomada pelos comandos militares portugueses foi colocar unidades juntoàs fronteiras com a missão de evitar as infiltrações de guerrilheiros e assim tentar isolá-losdo apoio exterior.Esta operação era particularmente difícil de executar com eficácia nas extensas fronteirassem obstáculos físicos nem separação de grupos étnicos do Leste de Angola, do Norte e doLeste da Guiné e até no Norte de Moçambique, onde o rio Rovuma não isola a «naçãomaconde», que se encontrava nas duas margens.A missão de interdição da fronteira era atribuída normalmente aos batalhões em quadrícula.No início da guerra foram instalados postos militares com a missão de vigiar as fronteiras,mas face à impossibilidade de estes postos com pequenos efectivos garantirem a suasegurança, passaram a ser guarnecidos por novas companhias ou foram abandonados.Uma solução que teve êxito na limitação das infiltrações de guerrilheiros vindos do exteriorfoi a realização de operações específicas para este efeito, conjugando emboscadas com aperseguição por pisteiros e terminando com assaltos de helicóptero realizados por forçasespeciais.Em Angola, com a disponibilidade de helicópteros SA330 (Puma), foi criada uma unidade decontra-infiltração designada primeiro por Centro Especial de Contra-Infiltração (CECI) edepois por Unidade Táctica de Contra-Infiltração, cuja missão era detectar e intersectar degrupos de guerrilheiros que se dirigiam para as suas centrais, quartéis ou bases, comreforços e reabastecimentos. Este método foi utilizado também em Moçambique (Tete),neste caso com a utilização de pisteiros rodesianos. A este tipo de operação chamava-sesalto de gafanhoto.Em Moçambique, na sequência da Operação Nó Górdio foi planeada a Operação Fronteira,com centro em Nangade, que previa a construção de uma estrada alcatroada ao longo do rioRovuma, com desmatagem das bermas, colocação de campos de minas, patruIhamentoconstante, electrificação de uma rede de protecção e instalação de meios de vigilância. EmAngola, também foi pensada e começou mesmo a ser estudada a chamada «barragem dafronteira norte», que não vingou perante os incomportáveis encargos e a duvidosa eficácia.
  8. 8. Acções de interdição de fronteiraA interdição de fronteiras foi ainda conduzida por meios aéreos e navais quer em operaçõesautónomas de vigilância e patrulhamento, quer conjugadas com operações de forçasterrestres, ou em seu apoio.Nos rios da Guiné e no rio Zaire, em Angola, a Marinha executou grande número de missõesde patrulhamento através de lanchas de fiscalização e de acções de fuzileiros em botes.A Força Aérea realizou igualmente, com frequência, operações de vigilância sobre as zonasfronteiriças, que permitiam observar o aparecimento de novos trilhos ou a utilização maisintensa de antigas pistas.Também acções especiais e irregulares foram efectuadas para interditar a passagem dasfronteiras por guerrilheiros ou para minimizar as suas consequências, as quais, realizadas«do lado de lá» dessas mesmas fronteiras, procuravam criar instabilidade e obterinformações.Acções de fronteira - ataque a BubaACÇÕES DE FRONTEIRAAtaque a BubaAdaptação dos planos de ataque do PAIGC ao quartel de Buba, na Guiné, em 10 de Outubrode1969, feita a partir de documentos do capitão cubano Pedro Peralta, que foi capturado porpára-quedistasna Operação Jove:«A partir do dia 2 de Outubro, um grupo de exploração fez o reconhecimento para obtertodos os dados do quartel e fazer um croquis com as áreas à volta, escolher a colocação
  9. 9. possível para a infantaria e artilharia e instalar os 82 (morteiros) e os GRAD (Iançadores defoguetes).À nossa chegada, o trabalho desse croquis estava mal, pois tinha sido feito de noite.Discutimos com Nino e ele ordenou nova exploração. Depois de ela ter sido feita, reunimo-nos para analisar a situação do quartel e a sua possível defesa. Os portugueses deviam ter400 e picos homens e, pela situação do aquartelamento, era a seguinte a sua forma dedefesa:pela parte da frente estavam as auto-metralhadoras, uma delas com a possibilidade decobrir o embarcadouro, que está a 50 metros do quartel. À retaguarda deviam ter um sectorpara bater todo o rio, no caso de tentativa nossa de o atravessar. Existiam ainda duas peçasde artilharia no lado do quartel que dá para a povoação.Depois de termos analisado todos os sectores de tiro, decidimos fazer o ataque principal comdois bigrupos reforçados com RPG-7 e metralhadora, na direcção da ponta do quartel, ondetermina a pista de aviação. Este seria o golpe principal.O secundário seria com o resto dos dois bigrupos, que entrariam por onde se encontra apovoação.O plano foi apresentado ao Nino e ele concordou, depois de ver o terreno. Discutimos comose devia avançar e ficou estabelecido como se segue:Os combatentes com RPG-7 em primeira linha, com apoio da metralhadora, varreriam todosos postos de resistência. A terminar este ataque, a infantaria, que se encontrava perto doquartel, avançaria com as AK em tiro a tiro. Este ataque jogaria com o tiro da artilharia.Como meios de comunicações, os responsáveis dos bigrupos teriam rádios "Boqui¬toqui"(walkie-talkie), que estavam bons e comunicavam na perfeição. Também se precisou a horaem que os bigrupos estariam em posição.»Fonte: http://www.guerracolonial.org/_________________AL. QUEIROZCPOR/RJ C. ART. tu78W C.N.O.R.Conselho Nacional dos Oficiais da Reserva do Brasil

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