R. n. champlin enciclopedia de bíblia teologia e filosofia - vol. 5

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  • 1. 1. Formu Antlpa fenício (semitico), 1000A.C. grego ocidental, 800 A.C. latino, 50 D.C. 1 r p2. Not MaDuscrltot GfeIOI do Noyo TelltameDto 7f3. Fonnu Modernas n ep fi PPpp PPpp PPpp Pp 4. H1Jtórfa 5. UIOI e 51mbolos P é a décima sexta letra do alfabeto português (ou a Nos sistemas de graduação, P síznífíca -pêssímo».décima quinta, se deixarmos de lado o K). Também é usado como abreviação de página; e, emHistoricamente, deriva-se da letra consonantal semiti- combinação com S, (ou seja, P.S.), significaca, pe, «boca», Tinha então o valor de ~p» e de ~f». pôs-escrito. Na teoria das múltiplas fontes informati-Embora a palavra pe significasse «bocas, as mais vas do Pentateuco, uma teoria denominada J. E. D.antigas representações dessa letra assemelhavam-se P.(S.) (vide), representa o código sacerdotal (emao nosso número ~7». Os gregos chamavam-na depi, e inglês, -príestly-). Em português isso é representadono grego ocidental parecia um número «7», em pelo S., -sacerdotal-. P é usado como simbolo doreverso, isto é: ~7». Porém, no grego posterior, Codex 024, descrito no artigo separado P. Verrecebeu outra perna e acabou tendo a forma pela qual também sobre ~2), também chamado ~apr) (oé conhecida hoje em dia no alfabeto grego e como Codex Porpkyrianus).simbolo matemático, ou seja, 11. Dai passou para olatim e, então, para muitas linguas modernas. Nogrego, combinava-se com o h (daiph) e com o s (daipsi, Y). Caligrafia de Darrell Steven Champlin
  • 2. Arte céltica - o boi, símbolo do evangelhode Lucas, Livro de Kells Reprodução Artística de Darrell Steven Champlin
  • 3. pP (CODIGO SACERDOTAL) hebraico de periodos posteriores. Essa é uma das alegadas múltiplas fontes O outro termo pode ser encontrado somente noinformativas do Pentateuco, A letra P, que a designa livro de lsaias, em conexão com a palavra forquilhacorrespon~ à p~avra mglesa priestly, «sacerdotal». (vide), pois ambos os implementos eram usados naNesta enciclopédia, ao aludir nos comentârios sobre agricultura. Essas pás para grãos eram feitas deessa fonte, usei a sigla P(S) . •P» representa sua madeira, o que as diferenciavam daquelas outrasdesignação em inglês e em alemão; e .5"- fala sobre usadas para fins cerimoniais. Com base no texto cksua designação em português. Isaias 28: 17, alguns estudiosos chegaram à conclusão ~ lJ,!e. no hebraico. ~via um verbo que teria o Os estudiosos datam essa alegada fonte informativa SIgnIficado de «varrer Junto com•• embora isso sejaem algum tempo após o exílio babilônico, ou seja, muito dificil de comprovar. Ambos os vocâbulos paraapós 535 A.Ç., fazendo da mesma uma compilação «pA,., provavelmente eram substantivos hebraicosbastante tardia, por parte de algum autor desconheci- primários, cujos únicos cognatos remotos acham-sedo, interessado na casta sacerdotal e suas funções. E: no árabe, no aramaico cristão e no côptico, Essade .se presumir que o sacerd6cio oficial da época palavra, -pâ», aparece em nossa versão portuguesa emdesignado elab0!Ou a~ práticas rituais dos judeus, Mat. 3:12 e Luc, 3: 17, como tradução do termo gregot~mando-as obrígatôrías para t~os os judeus; e. a ptúon que indica muito mais um eforçado»,fim de emprestar a ISSO uma maior força incluíram provavelmente correspondente ao termo hebraicoessas práticas no que, finalmente, veio a tomar-se o mizreh, que aparece em Isaías 30:24 e Jeremias 15:7,nosso Pentateuco. Quanto a maiores detalhes sobre mas que a nossa versão portuguesa traduz respectiva-essa teoria~ ve~ o artigo geral J.E.D.P.(S.). mente. por «forquilha» e por cpá». A p~vra gregapesnecess~o é dizer que essa questão tem suscitado ptúon também acha-se nos livros apócrifos gregos da!nten~ disputas, porquanto põe em dúvida tanto aintegridade do Pentateuco quanto a autoridade Septuaginta.mosaica. Usos Figurados: 1. O ato de usar a pá, que em português, chama-se «padejar-, é usado simbolica- mente na Biblia para indicar o ato de derrotar eP (MANUSCRITO) dispersar o inimigo (lsa. 41:16). 2. Padejar às portas de uma cidade indica derrotar e dispersar um inimigo Essa é a designação do manuscrito também que esteja às fronteiras do pais (ler. 15:7). 3. Tambémconhecido como 024, atualmente localizado em está em foco a obra julgadora de Cristo, que separaráWolfenbilttel, na Alemanha Ocidental. Data do os.bons dos maus (Mat. 3:12), ou a mesma operação,século VI D.C., e pertence ao tipo de texto bizantino. feita por Deus (Jer. 15:7; Isa. 30:24).4. Os medos e osContém os quatro evangelhos. persas foram executores de certos juizos terrenos de Deus (Jer. 41:2). 5. O simbolismo também é usadoP(2) (MANUSCRITO) para indicar a dispersão da nação de Israel, em face de seus pecados (Eze, 36:19). 6. Em um sentido geral, . Esse m~~scrito também é chamado p(apr), uma Deus é quem submete a seu crivo os atos de todos osSigla que indica que o mesmo contém o livro de Atos homens. a fim de testar a qualidade dos mesmos (Isa.as ~istolas paulinas e o Apocalipse. Mas também ê 30:28).des~ado P 025. Acha-se em Leningrado. na UniãoSOV1étic~. Seu titulo completo é Codex Porphyrianus.Os eruditos datam-no como pertencente ao século IX PAARAID.C. No hebraico. «boeejo». Nome de um dos poderosos Esse é um dos poucos manuscritos unciais (escritos guerreiros de Davi, e que foi juntamente com ele paracom letras maiúsculas do alfabeto grego) que contêm o exílio, quando esse ungido de Deus fugia de Sauloo livro de Apocalipse. O Apocalipse é um dos menos Ver 11 Sam. 23:25, onde ele é chamado de «arbita».confirmados livros do Novo Testamento, em manus- Em I c-e, 11:37, seu nome é grafado de maneira maiscritos antigos. Além do texto mencionado esse correta, isto é, Naarai. Ele viveu na época de Davi,~anuscrito contém um comentário de Butálio ~bre o cerca de 1000 A.C. Há quem pense que seu nome. nobvro d~ Atrn: e sobre ~ epis~olas paulinas. O grego em hebraico. significa «revelação de Yah» (formaque foi escnto é o /comé (Vide), com alguma misturade !anantes. 1.rata-se de um palimpsesto, ou seja, abreviada de Yahweh).havia algo escnto nele. originalmente, que então foiapagado para que recebesse o texto que agora nele seencontra. PAATE·MOABE No hebraico, «governador de Moabe». Esse foi oPÁ nome de uma proeminente famllia da tribo de Judâ, Nada menos de dois mil oitocentos e doze de seus Nas. pá~ do Antigo Testamento, duas palavras descendentes voltaram do cativeiro babilônico ehebratc~ diferentes sio traduzidas por .pA», a saber: passaram a residir em Jerusalém (ver Esd. 2:6; Nee. 1. Yalm, epás». Essa palavra, sempre no plural 7:11). Esse grupo retomou à Terra Prometida emocorre por nove v.ezes. Por exemplo: axo. 27:3; 38:2: companhia de Zorobabel. O trecho de Nee. 7:11 falaNúm. 4:14; I ReIS 7:40.45; Jer. 52:8. em dois mil oitocentos e doze descendentes de 2. Rachath, epA». Esse termo ocorre somente em Paate-Moabe, Outros duzentos e um descendentes deIsaias 30:24. Paate-Moabe voltaram à Palestina em companhia de. O primeiro. desses vocábulos refere-se a um Esdras (ver Esd. 8:4). VArios homens haviam-seimplemento cenmonial, empregado na remoção das casado. com mulheres estrangeiras durante o cativeiro.cinzas e dos restos dos holocaustos oferecidos nos e então foram forçados a divorciarem-se delas,altar,es do tabernáculo e do templo de Jerusalém. Na quando Israel renovou o seu pacto com Yahweh (verqualidade de. objetos de uso cerimonial, o termo Nee. 10:14). Hassube, que pertencia a esse clã éparece ter SIdo de ongem semita ocidental: hâ mencionado como um dos reconstrutores das mura-cognatos que se encontram no judeu-aramaico ~ no lhas de Jerusalém (Nee. 3:11). 1
  • 4. PACATIANA - PACIFICADORPACATIANA como um dos aspectos do fruto do Espirito, ou seja, uma qualidade espiritual que o Espirito cultiva no No hebraico, «pacifica». Esse era o nome de uma crente. Com base nesse ensino, aprendemos que aprovincia da Ásia Menor cuja capital era Laodicêia. A paciência autêntica é uma virtude espiritual, de que oprovfncia nunca é citada no Novo Testamento; mas homem espiritual é dotado. Sendo esse o caso, serásua capital o é (ver Col. 2:1; 4:13,15,16; Apo. 1:11). um produto de um crescente desenvolvimento Nos fins do século IH D.C., esse território foi espiritual, conforme é sugerido e ilustrado na segundadividido em vários segmentos, sete ao todo. Dois seção, acima.desses segmentos tomaram-se a Frigia Prima (a oeste) IV. Deu é o Pai da P~.e a Frigia Secunda (a leste). A primeira dessascontinuou também a ser chamada de Pacatiana. Deus nos tolera, tal como devemos tolerar ao pr6ximo. A paciência divina abrange todos os homens. Não fora isso. e todos pereceriamos (ver HPACI!NCIA Ped. 3:9; Sal. 86:15). A paciência de Deus é Esboço: reiteradamente ilustrada na história da nação de Israel (ver Êxo, 34:6; Núm. 14:18; Sal. 86:15; Jer. I. Definições 15:15). Isso aplica-se ao seu trato com os homens. em 11. Considerações Biblicas Gerais todas as coisas (ver Rom. 9:22). IH. Um dos Aspectos do Fruto do Espirito IV. Deus é o Pai da Paciência V. A Pad&aela de CrIsto V. A Paciência de Cristo Jesus Cristo deixou-nos o grande exemplo de VI. O Que nos Ensina a Paciência? paciência, visto que ele percorreu a sua carreira terrena com alegria e paciência (resistência) (ver Heb. I. Deflalçlell 12:1.2). Ele deixou um notável exemplo de paciência A paciência é aquela qualidade habitual de em sua vida terrena (ver Mat. 27:38-44; Mar.suportar os testes e as circunstâncias testadoras, sem 15:28-32; Luc. 23:35-39; Sal. 22:1 ss). Os crentesqueixume. Também é a tolerância diante das falhas deveriam seguir esse exemplo, mesmo nos casos emalheias; uma tranqüila espera por algum aconteci- que sofrem contradição e oposição da parte demento, que venha alterar as circunstâncias incômo- homens impios (ver Sal. 37:1.73; Pro. 3:31; 23:17;das. Trata-se da capacidade de esperar por mudan- 24:1: Jer. 12).ças. sem demonstrar ansiedade exagerada. VI. O Que NOI Eu...... PadiDcl.l Na Biblia vê-se certa variedade nessa virtude da Mudanças vitais podem ocorrer em nossas vidaspaciência. Assim, o trecho de Sal. 40:1 expõe a quando suportamos a disciplina do Senhor (ver Heb.paciência no sentido de esperar por alguma mudança. 12:5-13). Todas as coisas contribuem juntamente,O prôprio Senhor é paciente com os homens e os seus visando ao nosso bem (ver Rom. 8:28). Até mesmo ascaprichos (ver Núm. 14:18; Êxo, 34:6; Sal. 86:5; Jer, provações devem ser toleradas com alegria (Tia. 1:215:15). No Novo Testamento, a paciência usualmente ss). A paciência é companheira de outras virtudesenvolve as noções de longanimidade sob as provações, cristãs, como a bondade e a benignidade (Rom. 2:4).resistência, constância em face da oposição. O termo Está vinculada à fé e à esperança (Heb. 6:11.12), egrego upomoné, cujo sentido literal significa «resistên- também ao amor (I Cor. 13:4). Cumpre-nos continuarcia sob (algum peso)», usualmente envolve esses labutando com toda a paciência, tal como umsignificados. Ver Rom. 5:3,4; 15:4; H Cor. 6:4; Col. agricultor planta e espera com paciência, antes de 1:11. poder fazer, jubilosamente, a sua colheita (Tia. IL Coallderaçies BlbUcaa Gerais 5:7,8). 1. A paciência consiste da persistência neotesta-mentâria, em face dos obstáculos. Procura alcançaruma obra perfeita (ver Tia. 1:4), e assim conseguirá PAcmCADORfazer, se persistir. No presente ela já produz frutos Mat, 5:9: Bem-aventurados os pacificadores,(ver Luc. 8:15), ajudando-nos a percorrer o curso de porque eles serão chamados filhos de Deus.nossas vidas, tendo em mira o prêmio da vida eterna Os pacificadores. Não somente os dotados de(ver Heb. 12:1). natureza pacifica (Tia. 3:15), nem os que aceitam a 2. A paciência espera pela salvação de Deus (ver paz sem protesto ou que preferem a paz ao desacordo,Lam. 3:26), sendo necessária no tocante à obtenção nem os que têm paz na alma, com Deus, comode nossa herança (ver Heb. 6:12 e 10:36). explicou Agostinho, e nem os que amam a paz 3. Existe certo fortalecimento espiritual que nos (Grotius, Wetstein), mas aqueles que promoveminfunde paciência (ver Cal. 1:11). ativamente a paz e procuram estabelecer a harmonia 4. A paciência é um dos aspectos do fruto do entre inimigos. O sentimento aqui referido é mais nobre que o de Rom. 12:18, que diz: ..Se possivel,Espirito (ver Gál. 5:22); portanto, é cultivada por ele. quanto depender de vós, tende paz com todos os 5. Ela é obtida através do desenvolvimento homens».espiritual. Serão chamados filhos de Deus, Significa mais do 6. Uso dos meios de desenvolvimento espiritual: que reconhecimento. Está em foco a realidade de ser a. A oração (ver Efê, 6:18). alguém filho de Deus. (Ver Rom. 8:17,28-32; I João b. A meditação visando à iluminação (ver Efé. 3:2). O conceito implica em participação na herança 1:18). dos santos (Efê, 1:13,14), e, assim sendo, trata-se de c. O estudo (ver I Tim. 4:13). filhos adultos, como Cristo, revestidos da plenitude e d. A santificação (ver I Tes. 4:3). divindade de Cristo (Efé. 1:23; 11 Cor. 3:18; 11 Ped. e. O viver segundo a lei do amor ou das boas 1:4). obras (ver I João 5:7). Os rabinos também davam grande valor aos f. O uso dos dons espirituais (ver Efé. 4:8 e ss). pacificadores. Hilel, famoso rabino contemporâneo de Jesus, escreveu: «Sê dos disclpulos de Aarão. m. Um dOI ~ do Fmto do &plrlto amando a paz e seguindo a paz» (Aboth 1:2). Tais O trecho de Gâl, 5:22 encerra essa virtude cristã seriam os filhos de Deus. O V•T. emprega esse termo" 2
  • 5. PACIFICADOR - PACIFISMO «filhos de Deus», referindo-se aos anjos ou aos seres antigamente. As ,religiões e mitologias antigas divinos (J6. 38:7), e algumas vezes também a pessoas inevitavelmente faziam de seus deuses cabeças de piedosas, seres humanos que são objetos do amor forças armadas, e a capacidade militar sempre foi especial de Deus (Deut, 32:6). Aqueles que buscam a glorificada. No entanto, desde remota antiguidade os paz amando os seus inimigos agem segundo o pr6prio homens aguardam, com anelo, por uma era áurea de Deus, e por isso são filhos de Deus em sentido paz, pelo que o espírito do pacifismo tem conseguido verdadeiro. (Ver Mat. 5:44,45). A paz é uma das rebrilhar, mesmo em meio aos mitos. virtudes .cardeais da ética cristã. O exclusivismo dos c. Os hebreus estavam longe de ser pacifistas. Ajudeus era e ê bem conhecido, e jâ se tomara hist6ria da conquista da Terra Prometida éum relato proverbial antes dos dias de Jesus. O discípulo-e-au- de intensa beliger&.ncia. Os reis de Israel estavam têntico-do reino não é aquele que odeia, mas aquele constantemente em guerra. NIo obstante, os profetas que ama os seus inimigos. Isso faz do exclusivismo hebreus sonhavam com um perlodo futuro em que as uma impossibilidade na ética cristã, Jesus deu a sua espadas seriam transformadas em relhas de aradosvida a fim de trazer a paz universal no sentido mais (ver Isa. 2:4; Joe13: 10; Miq. 4:3). Naturalmente, para lato. possivel, tanto na terra como nos lugares que isso suceda, é mister pensar em uma grande celestiais. (Ver Efê. 2:14-16 e Col. 1:20). Agostinho intervenção divina na hist6ria da humanidade.Jouvou altamente à sua pr6pria genitora, Mônica, d. No seio da Igreja cristã. O serviço militar foi quando escreveu: «Ela mostrou ser uma pacificadora repelido por muitos cristãos antigos, até o começo do tal que, de ambos os lados ouvindo as coisas mais chamado Corpus Christianum, sob o imperador amargas...nunca deixou transparecer algo, para um Constantino. Dali por diante, os teólogos cristl.os ou para outra, senão aquilo que contribuísse para sua passaram a utilizar os critérios de Aristóteles quanto areconciliação. (Confissões ix.21). Haveria aplicação uma guerra justa, cristianizando a questão. Agosti- para algumas Mênícas hoje em dia na igreja. Suas nho e Tomás de Aquino foram os principais adversárias formam multidões. Lê-se acerca de intérpretes desses critérios. Richard Dobden que, ao ser-lhe mencionado que e. No tempo da Reforma Protestante. Os anabatis- talvez adquirisse tanta fama a ponto de ser sepultado tas eram protestantes. Indagavam eles: «Visto que na abadia de Westminster, replicou que esperava que seremos moldados à imagem de Cristo, como isso nunca lhe acontecesse, porque eMeu espirito não poderiamos combater ao inimigo com a espada1. descansaria em paz entre aqueles homens de guerra•.Ê uma tragédia que até mesmo muitos lideres cristãos f. Os tp4acru concordavam com os anabatistas, em sejam respeitados por serem homens contenciosos, e seu pacifismo. que os grandes guerreiros do mundo são feitos seus g. TratQdos em favor do pQCifismo foram heróis. produzidos por vários fil6s0fos, desde Désid&io Erasmo (1469-1537) até Emanuel Kant (1724-1804). h. O chamado Ruminismo (vide) produziu vários PACIFISMO pensadores que defenderam a posiçlo do pacifismo. A Esboço: obra de William Penn: .An Essay Towards the Present and Future Peace of Europe», foi um notâvel 1. O Termo e suas Definições escrito sobre o assunto. 2. Alguns Informes Históricos i. No século XIX, quando foram organizados 3. A Bíblia e o Pacifismo diversos movimentos em prol da paz, esse ideal 4. O Ideal e sua Praticabilidade atingiu muitos palses. Os anabatistas, os menonitas, 1. O T. . .o e Sua DeIbdçIeI os quacres, os batistas alemães ou dunkers, além de A raiz da palavra portuguesa «pacifismo. é o latim, outros grupos religiosos evangélicos, esposaram apacificus, «pertinente à paz», Essa palavra latina causa do pacifismo. Muitos jovens fugiam da Europa,combina o latimpax, .paz., e facere, efazer•. Em um a fim de escapar do serviço militar obrigat6rio,sentido geral, um pacifista é alguém que se opõe à emigrando principalmente para os Estados Unidos daviolência, em qualquer de suas manifestações, com o América e para o Canadá.intuito de resolver divergências, sejam elas pessoais, j. Os movimentos pacijistas continuaram no séculocoletivas, nacionais ou internacionais. Todavia, mais XX, chegando mesmo a aumentar mui~ em seurecentemente, esse vocábulo passou a indicar não número, especialmente na América do Norte e nasomente àqueles que não concordam com as guerras, Europa. Porém, ao mesmo tempo em que essasmas até mesmo com o serviço militar. Um arbítrio organizações floresciam e faziam uma propagandapacifico é o ideal dos pacifistas. vocifera, as forças militares do mundo iam-se No idioma inglês, o termo apareceu pela primeira preparando para as devastadoras conflagrações davez no Oxford English Dictionary, em 1905. K Primeira Grande Guerra e da Segunda Guerramaioria dos pacifistas não combate o uso de forças Mundial, respectivamente em 1914-1918 e 1939·1945.policiais na preservação da boa ordem, dentro de um Os lideres militares chegaram a denunciar os tratadospais qualquer; mas eles se opõem ao uso de meios unilaterais dos pacifistas como acordos ingênuos emilitares violentos na solução de disputas internacio- sem sentido real. Quando a Alemanha começou suanais. marcha de conquista, viu-se que a guerra era mm poderosa que o pacifismo, e muitos pacifistas tiveram 2. AJ,paa 1Df .... m.tórIeoI . de confessar a sua ingenuidade. a. Aristóteles acreditava que a guerra é ocasional- 1. A consciência religiosQ. Os movimentos pacifis-mente necessária, a fim de corrigir injustiças que, tas serviram ao menos para que muitas pessoasdoutra sorte, nunca seriam corrigidas. Talvez seja religiosas organizassem melhor seus pensamentosengenhoso pensar que homens inlquos, que nada sobre a questão, Na América do Norte, os objetaresfazem senão piorar cada vez mais, não podem ser conscientes não são tratados como criminosos,freados de outra maneira. Ver o artigo chamado podendo escapar ao serviço militar, embora possamCritérios de uma Guerra JustQ, ser empregados em situações mais paclficas, em apoio b. Os povos ""tigos eram guerreiros tribais. E às atividades militares. De fato, uma das alternativasdesde então não mudou muita coisa na guerra, exceto tem sido servir nas forças militares, mas nloque as armas se tornaram muito mais letais do que transportar armas. Durante a Segunda Guerra 3
  • 6. PACIFISMO - PACOMMundial, muitos pacifistas norte-americanos servi- autoridades civis.ram até mesmo em zonas de combate, dirigindoveiculos, servindo no corpo médico, mas sem brandir Alguns dos primeiros pais da Igreja, como Hipôlito,armas. E muitos desses pacifistas foram decorados Tertuliano e Lactâncio, eram pacifistas, parcialmentepor bravura. porque o serviço no antigo exército romano envolvia 3. A BlbUa e o PacUbmo ritos pagãos. Porém, Clemente de Alexandria estava convencido de que um soldado que se convertesse ao Se usarmos somente o Antigo Testamento, dificil- cristianismo tinha o direito de permanecer como tal.mente poderemos defender o pacifismo, a menos que Tenho traçado a história dessa questão no segundodestaquemos a esperança profética, em consonância ponto, acima. Basta dizer que a Biblia tem sidocom as predições proféticas acerca do milênio e do variegadamente interpretada. O trabalho de Agosti-estado eterno. De fato, pessoalmente perturba-me a nho e Tomás de Aquino sobre a questão de umamaneira como Deus é apresentado no Antigo guerra justa, teve o seu efeito. E é assim que a NovaTestamento, como o Senhor de Exércitos, encabeçan- Enciclopédia Cat6lica, vol. X, pág. 856, assevera: ..Odo forças selvagens que matam e mutilam povos pacifismo absoluto é irreconciliável com a doutrinainteiros. Os deuses daquele periodo quase Inevitável- católica tradicional... Lutero e Calvino reconhecerammente eram apresentados como dirigentes que a necessidade de guerrear, sob determinadas circuns-ordenavam não só a guerra, mas também o tâncias, e quase todos os grupos protestantes têmexterminio de populações inteiras, excetuando as retido esse ponto de vista. O reformador Zwinglio foimulheres, por razões óbvias. Um dos dez mandamen- morto durante uma batalha. Mas os anabatistas, ostos ordena: ..Nio matarás. (Êxo, 20:13). Mas esse waldenses e os quacres condenam qualquer forma demandamento nunca fez parar algum exército. atividade militar. Quando nos volvemos para o Novo Testamento, 4. O Ideal e Sua PnatlcabWàdeentão podemos achar textos de prova tanto em favor Não h6. que duvidar que matar é errado; também édo pacifismo quanto em favor do militarismo. Por um erro quando uma nação envia propositalmentecerto que o Sermiio da Montanha, proferido por suas forças armadas para matarem pessoas de outraJesus, conforme se vê em Mat. 5:29 e seu contexto, naçãol Também ninguém duvida que a guerra é umserve de base do pensamento pacifista. Além disso, dos mais profundos males que o homem já inventou.temos no Novo Testamento uma clara expressão da lei Ainda recentemente, li sobre uma experiência pertodo amor (vide), que condena a violência. Entretanto, da morte (ver o artigo a respeito), durante a qual umquando Comélio, o centurião romano, converteu-se homem entrou nos primeiros estágios da morte, e viuao cristianismo, ele não foi forçado a mudar de os rostos de todos aqueles que tinham sido mortos,profissão (ver Atos 10:47). Ademais, em Rom. 13:2 e quando ele havia sido um soldado que atuou noseu contexto, temos o ensino que nos manda obedecer Vietnã. A guerra constitui uma imoralidade, com asàs forças civis; e isso, naturalmente, envolve o serviço suas matanças, as suas mutilações, os seus rancores.militar. Um amigo meu, que serviu durante a guerra da Ver Rom. 13:1. Coréia, contou-me que os soldados são ensinados a Este versiculo tem sido usado em apoio ao serviço odiar, a fim de que possam desincumbir-se melhor de militar prestado por crentes. Naturalmente, não há sua missão de matar. Um dos dez mandamentos nenhuma relação direta com o que aqui é dito com oroibe que um homem mate a seus semelhantes; mas essa idéia surgida apenas recentemente na história da Israel não hesitava em matar em massa. Para mim, o igreja cristã. Não obstante, poder-se-ia dizer que este ideal é claro. Quem pode matar, se é que ama? O versículo dá mais apoio à idéia da militância, já que amor é um dos principais principios biblicos, sendo a quase todos os governos civis requerem o serviço essência mesma da espiritualidade (ver I João 4:7 ss). militar dos seus cidadãos. Por outra parte, a história demonstra que homens f: interessante observarmos que os crentes em geral, impios e seus exércitos em nada se deixam asravês da.histôria da igreja, não têm sido pacifistas. impressionar por esse ideal. Isso significa que a Não obstante, os pacifistas têm alguma razão em seu guerra toma-se uma necessidade, para prOteger uma respeito pela vida humana, que pode ultrapassar seu nação ou um povo. Assim, se o ideal é claro, é óbvia senso de dever para com as obrigações dos cidadãos a também a praticabilidade (e necessidade) histórica da seu governo. Certamente é errado matar. E certamen- guerra. Os pacifistas britânicos sempre tiveram muita te é um erro moral de proporções gigantescas um pais força. Mas, tanto na Primeira quanto na Segunda enviar homens para conquistar a outro. Não se pode Guerras Mundiais eles se deixaram convencer diante negar que a violência e a guerra são males próprios da da premente necessidade de guerrear, a fim de fazer humanidade. f: possível que a melhor solução para o frente a gigantescas forças malignas. Quanto a mim, crente, nessa conjuntura, seja que ele não se deve se tivesse de ser convocado ao serviço militar, eu recusar a servir no exército de seu pais, mas, no caso, tomaria o caminho intermediário: não me recusaria a de alguma guerra injusta, se recuse a pegar em armas. servir, contanto que não pegasse em armas. Para Poderia servir no corpo médico, como motorista de mim, isso constitui um ideal pessoal; mas, como é caminhão, ou fazendo qualquer outra coisa não óbvio, se todos os homens seguissem esse ideal, forças diretamente ligada à função precípua de liquidar o malignas de potências estrangeiras não poderiam ser inimigo. Caso esse outro serviço se torne impossível detidas. No tocante à questão, pois, que cada para ele, resta-lhe o outro único recurso de apelar individuo examine a sua própria consciência e ache a para a sua consciência, fazendo o que lhe parecer resposta mais apropriada para si mesmo, que os melhor; porquanto, esta passagem do décimo terceiro outros deveriam respeitar. O pacifismo é um ideal que capitulo da epistola aos Romanos não nos fornece será atingido durante o milênio (vide). No momento, qualquer orientação definida acerca dessa questão. porém, não é muito prático, em um mundo como o Não há tal orientação porque Paulo não estava nosso. (AM E H NTI, em Rom. 13:3, P) considerando a eventualidade das exceções, quando escreveu esta seção de sua epístola aos Romanos. Antes, opunha-se ele à iniqüidade, e não escrevendo PACOM alguma constituição que governasse todas as ações Esse termo é usado para designar o nono mês do dos crentes no tocante à sua atitude para com as ano, em lU Macabeus 6:38. Ver Calendário. 4
  • 7. PACOMIO - PACTOPACOMIO (SANTO) pacto abraâmico, quando os primitivos cristãos Pacômio foi o fundador do estilo de vida monástica. começaram a dizer que esse sinal não era necessário àNo Egito, ele fundou nove mosteiros, além de dois salvação (Atos 15). A Igreja cristã entrou em estadoconventos para mulheres. A ordem religiosa por ele de turbilhão por esse motivo, por um longo periodo defundada continuou existindo até o século XI D.C. A tempo, visto que a circuncisão era um grande montãofesta religiosa em sua memória é celebrada a 14 de de pedras; uma nobre coluna que assinalava o pactomaio. Ver o artigo Monasticismo. feito entre Deus e Abraão. Mas, se era o sinal desse pacto, não era o próprio pacto. E foi isso que Paulo e outros lideres cristãos logo compreenderam. PAcrO Ver os dois artigos: PIIetw e AlIança. Deus escolheu Israel, e impês acordos, acompa- Entre outras formas de linguagem antropomórfica nhados por certas bênçãos, sob a condição dos nas Escrituras, encontramos o termo pacto. A palavra acordos serem observados. Esses pactos foram é usada para designar a maneira de Deus tratar com o estabelecidos em periodos históricos críticos, isto é, homem e de entrar em alianças com ele; ou então com Noê, com Abraão, com Moisés e com Davi. Isso somente entre seres humanos. No primeiro caso, há posto, toda a teologia judaica estava envolvida no um uso antropomórfico; no segundo, um uso literal. conceito de pactos. Destarte, poderiamos afirmar que O termo hebraico envolvido é berith, que significa o Antigo Pacto é a súmula do relacionamento ..corte... Como o sentido de pacto deriva-se desse verbo diversificado de Deus com o povo de Israel. não é bem claro. Talvez deva-se ao costume de 4. Nos Profetas Posteriores. Escritores sagradoscompartilhar de alimentos, em uma refeição, por como Osêías, Jeremias, Ezequiel e Moisés, no livroocasião do estabelecimento de um pacto, nos dias de Deuteronêmio, fazem uso do conceito de pacto aantigos. Porém, também conjectura-se de que o termo fim de expressar algumas de suas principais idéias.hebraico envolvido esteja relacionado às idéias de Em Oséias 6:7; 8:1; Jeremias 11:1 SS, e 34:18, lemos «algemas.., de ..decidir», de «aquínhoar», mediante que Israel quebrou sua aliança com Deus. Disso diversas conjecturas etimológicas. Ou então ..cortar resultou um intenso sofrimento. um acordo.. era simplesmente uma expressão idiomá- S. No Novo Testamento. O vocábulo gregotica para ..estabelecer um acordo... diathéke é usado com os sentidos de pacto e O vocábulo diathéke, usado no Novo Testamento, é testamento. No grego helenista, era comum essa o termo grego que significa pacto ou testamento. Essa palavra ter o sentido de «testamento... O nono capituloé a palavra envolvida no titulo «Novo Testamento.., da epístola aos Hebreus retém a idéia de testamento. que alguns estudiosos prefeririam ver alterado para Um testamento, para que entre em vigor, requer aNovo Pacto. morte do testador (Heb. 9: 16). Porém, o conceito de 1. Na terminologia religiosa, temos os acordos pacto é o sentido mais freqüente vinculado à palavraformais estabelecidos entre Deus e o homem, dos grega diathéke. Todo o debate que se vê nos quais há diversos, no Antigo Testamento. Ver os comentários, em tomo dessa questão é uma perda de detalhes abaixo. A teologia cristã distingue entre o tempo, visto que ambos os lados estio com a razão,antigo e o novo pactos. O primeiro repousa sobre a lei até onde cada um deles vai. O oitavo capitulo demosaica, e o segundo sobre a graça divina, por meio Hebreus trata longamente da idéia neotestamentáriado sangue de Cristo. Paulo ensinava que o primeiro de pacto, afirmando enfaticamente que o antigo pactopacto foi ultrapassado pelo segundo. Segundo o foi substituído pelo novo (Heb, 8:13). A salvação daislamismo, a esses dois pactos, foi adicionado um alma é um dos resultados do novo pacto, conforme oterceiro, final, por meio da aliança estabelecida entre contexto dessa passagem mostra claramente.Deus e Maomé. 6. Considerações Teolôgicas, Devemos levar em 2. Na teologia, a palavra ..pacto- é usada para conta o livre-arbítrio humano e o amor de Deus. Hâdesignar alguma interpretação particular da doutrina pessoas necessitadas. Deus amou o mundo de talcristã. Ver o artigo sobre a Teologia do Pacto ou maneira que promoveu sua vontade misericordiosaTeologia Federal. Uma aplicação especial desse através de pactos. Deus dá tudo aos homens, evocábulo encontra-se no titulo pacto do meio espera-se que os homens dêem tudo a ele. Por suacaminho, que se refere a certa prática da Nova parte, Deus sempre se mostra leal, constante eInglaterra, mediante a qual crianças eram admitidas inwtável (Êxo, 34:6). Mas o homem mostra-seao batismo se tivessem pais simpáticos à Igreja, vacilante. Contudo, o sistema funciona no caso doembora não fossem membros qualificados. novo pacto, porque o Espírito de Deus atua a fim de 3. Inspiração por Fatores Sociais. Na primitiva garantir a transação. O pacto com Deus, no Antigo esociedade israelita, nômade ou seminômade, os no Novo Testamentos é retratado como um casamentopactos entre os homens e seus vizinhos eram (Osê. 2:22), devido à intimidade do relacionamentonecessários à sobrevivência. Assim, os vizinhos entre Israel ou a alma individual (conforme o caso), ecortavam acordos uns com os outros, usualmente Deus. O pacto com Deus é descrito como um acordoerigindo algum sinal visível do pacto estabelecido, inscrito no coração (Jer. 31; Eze. 36:37; Heb. 8:10).como uma coluna ou um monte de pedras, com o Diz esta última referência: ..Porque esta é a aliançaacompanhamento de votos e sacrifícios, além de uma que firmarei... Nas suas mentes imprimirei as minhasrefeiçlo da qual participavam aqueles que tinham fei- leis, também sobre os seus corações as inscreverei.....to o pacto. Visto que a segurança de que os homens E o resultado disso aparece logo adiante: .....e eu sereimais precisam é a da paz com Deus, as relações com o o seu Deus, e eles serão o meu povo». O novo pactoSer divino eram tidas como acordos ou pactos. Era opera com tão magníficos resultados porque Deusquestão séria alguém agir de modo contrário às atua, e o homem, nesse processo, vai sendoestipulações de um pacto humano, com a quebra de espiritualizado. Nisso é que consiste a nossa salvação.votos e o desprezo a colunas ou montões de pedras, O alvo final da salvação é a participação na imagemcom tudo que esses sinais externos representavam. de Cristo (11 Cor. 3:18), é a participação na própriaPortanto, em certo sentido, o pecado consiste em natureza divina (11 Ped. 1:4).romper o pacto com Deus, desprezando seus sinaisexternos. Consideremos os conflitos causados porcausa da circuncisão (que vide), que era o sinal do •••••• 5
  • 8. PACTO. TEOLOGIA DO - PACTOSPACIO, TEOLOGIA DO usado nas ofertas rituais, significava simbolicamente A chamada Teologia do Pacto ou Teologia Federal a perpetuidade e a fidelidade. Essa prâtíca parece tersurgiu nos fins do século XVI, aparentemente de sido comum entre os povos orientais, e não somenteforma independente, entre os reformados do oeste da em Israel.Alemanha, os puritanos ingleses e certos teólogosescoceses. Essa teologia retrata Deus como quemtrata com os homens por meio de dois pactos, um das PAcrO NOVO Ver Novo T.tameatoobras e outro da graça. Sob o primeiro deles, Deus Ver também Pacta., seçio VI. Noyo Pacto.teria oferecido a vida eterna aos homens, com base naobediência. Mas esse pacto foi quebrado por Adão, eDeus alterou o seu plano, estabelecendo o pacto da PAcroSgraça, sob o qual a salvação é dada mediante a graça Esboço:divina, através da fé. Essa doutrina recebeu impulso I. Definição e Caracterização Geralna Confissão de Westminster, tendo sido muitoapreciada entre certos calvinistas. Ver o artigo sobre o lI. Os Pactos EnumeradosCalvinismo. Na Confissão de Westminster, o pacto da IH. Os Pactos e Cristograça é visto em operação em três periodos latos: IV. Pacto Abraâmicoantes da lei, durante a vigência da lei, e durante o V. Pacto Davidicoministério do evangelho. O puritanismo da Nova VI. Novo PactoInglaterra enfatizava essa doutrina, encontrando I. DeflnlçIo e CaractedzaçIo GenI. Ver sobre PIIdo.aplicação para a mesma não somente no campo da féreligiosa, mas também em contextos sociais e D. Oa Pacto. Eaam......políticos. 1. O pacto edênico (ver Gên, 1:26-28). Esse pacto O pacto das obras passou por vários estágios de condicionava a vida do homem em seu estado de aplicação, dentro do contexto histórico do Antigo inocência. Testamento. Esses estágios foram com Adão, Noé, 2. O pacto adâmico (ver Gên. 3:14-19). Esse pacto Abraão e, finalmente, com o povo de Israel, quando condicionava a vida do homem após a queda, se tornou um pacto nacional. As partes envolvidas dando-lhe a promessa da redenção. eram Deus e Adão (bem como os seus descendentes). 3. O pacto noaico (ver Gên. 9:1 e ss). Esse pacto A promessa consistia na vida eterna; e a condição era estabeleceu o principio do governo humano. a obediência. O fracasso do pacto das obras exigiu o 4. O pacto abraâmico (ver Gên. 15:8). Esse pacto estabelecimento de um novo pacto (que vide). Por sua diz respeito à fundação física e espiritual de Israel, vez, o pacto da graça tem dois aspectos: hâ um impondo condições aos que quisessem pertencer ao aspecto relativo a Deus, pelo que poderia ser Israel espiritual. intitulado de pacto da redenção. Os participantes, 5. O pacto mosaico (ver Êxo, 19:25; 20:1-24:11 e pelo lado divino, são o Pai e o Filho. A condição foi a 24:12-31:18). A lei foi dada, supostamente como perfeita obediência do Filho, mediante o seu meio de vida, mas terminou por ser o motivo da morte sofrimento, levando sobre si as conseqüências do e da condenção, pecado humano. A promessa é a salvação de todos os 6. O pacto palestiniano (ver Deut. 28-30). Esse crentes, por meio da obra expiatória de Cristo. O prometeu a restauração de Israel no tempo devido. segundo aspecto diz respeito ao homem. Nesse caso, 7. O pacto davidico(ver H Sam. 7:8-17). Esse pacto os lados envolvidos são Deus e o homem. A promessa estabeleceu a perpetuidade da familia e do reino é a vida eterna. A condição é a fé em Jesus Cristo, davídico, cumprido em Cristo como Rei (ver Mat. 1:1; como a única obra requerida da parte do crente (João Luc. 1:31-33; Rom. 1:3). Isso inclui o reino milenar 6:29). (B CHA E) (ver H Sam. 7:8-17; Zac. 12:8; Luc. 1:31,33; Atos Esta teologia contrastada com Dispensacionalismo. 15:14-17; I Cor. 15:24), que tipifica o reino eterno de Ver o artigo sobre Dispensação, Dispensacionalismo, Cristo. 111, 1 e 2. 8. O novo pacto. Esse repousa sobre a obra sacrificial e sacerdotal de Cristo, tendo por fito Ver os artigos sobre TeoIoala Federal e Doia garantir a bênção eterna e a salvação para os homens.Do....... Metídon . . . Apesar dos homens não poderem produzir nada que esse pacto exíae, por si mesmos, a verdade é que ele está condicionado à fé e à outorga da alma nas mãosPAcro DE SAL de Cristo. O trecho de Heb. 10:19 - 12:3 é, essencialmente, uma descrição de como esse novo Era costume que aqueles que estabeleciam um pacto é melhor.acordo usarem de sal em uma refeição conjunta ou em Ê o pacto mosaico que está em foco no trecho dealgum ritual. Ver Núm. 18:19; 11 Crô. 13:5. Segundo Heb. 8:6, contrastado com o novo. Fazia exigênciasas evidências indicam, esse costume originou-se da impossíveis aos homens, transformando-os em escra-observação que o sal tem a capacidade de dar maior vos. Mas não era capaz de dar-lhes a força para vive-sabor aos alimentos e de preservá-los, o que pode rem à altura dessas exigências. Portanto. o pactosimbolizar aquilo que se deve esperar dos pactos baseado na lei estava condenado ao fracasso. No novofirmados, isto é. força, preservação. fidelidade. sem pacto foi dada a lei do Espiritode Deus que opera noqualquer mescla com decadência ou hipocrisia. A lei coração e em que as operações intimas do Espiritojudaica, em seu aspecto cerimonial, exigia o uso do sal garantem o cumprimento das -condíções. Dai vem oem todas as ofertas de manjares; e é possível que fosse sucesso desse novo pacto.usado sal em todos os demais tipos de oferendas. VerLev. 2:13. Apesar de que certas ofertas eram m. o. Pacto. e Cn.toconsumidas no altar dos holocaustos, a maioria das Cristo, sua substância (Isa. 42:6; 49:8).oferendas tinha uma porção que era entregue aos Cristo, seu mediador (Heb. 8:6; 9: 15; 12:24).sacerdotes, para ser consumida. E o sal fazia parte Cristo, seu mensageiro (Mal. 3:1).necessária da dieta. Disso proveio o fato que o sal, Estabelecido com: 6
  • 9. PACTOS Abraão (Gên. 15:7-18; 17:2-14; Luc. 1:72-75; israelitas são, finalmente, julgados de maneira Atos 3:25; Gál. 3:16). definida e pública. Não precisamos mais do que Isaque (Gên. 17:19.21; 26:3,4). lembrar a Segunda Guerra Mundial, quando os Jacó (Gên. 28:13,14 com I Crô. 16:16,17). nazistas também perseguiram aos judeus, para ter Israel (Exo, 6:4; Atos 3:25). uma prova disso. Assim também acontecerá no Davi (11 Sam. 23:5; Sal. 89:3,4). futuro, conforme lemos nos trechos de Deut. 30:7;Renovado sob o evangelho (Jer, 31:31-33; Rom, Isa. 14:1,2; Joel 3:1-9; Miq. 5:7-9; Ageu 2:22; Zac. 11:27; Heb. 8:8-10,13). 14:1-3 e Mat. 15:40,45. As hordas que invadirão aCumprido em Cristo (Luc. 1:68-79). Palestina, provavelmente antes do fim do séculoConfirmado em Cristo (Gál. 3:17). atual, provocando assim a apocalíptica batalha deRatificado pelo sangue de Cristo (Heb. 9:11-14; Arrnagedom, aprenderão a veracidade dessa provisão 16:23) do pacto abraâmico. Israel será libertada por umaÊ um pacto de paz (Isa, 54:9,10; Eze. 34:25; 37:36). intervenção divina miraculosa, apesar de sabermosÊ inalterável (Sal. 89:34; Isa. 54: 10; 59:21; Gál. que essa nação será cercada por um adversário 3:17). impossível de ser derrotado de outro modo. Reco-Ê eterno (Sal. 111:9; Isa. 55:3; 61:8; Eze. 16:60-63; nhecendo então o caráter divino dessa estrondosa Heb. 13:20). vitória, Israel, como nação, voltar-se-á finalmenteTodos os santos estão interessados no mesmo (Sal. para Deus e seu Cristo, a saber, o Senhor Jesus, e 25:14; 89:29-37; Heb. 8:10). tornar-se-á uma nação verdadeiramente cristã.Os ímpios não se interessam pelo mesmo (Efé. 2:12). 7. «Na tua descendência serão abençoadas todas asBênçãos vinculadas ao mesmo (lsa. 56:4-7; Heb. nações da terra ... » Essa é a sétima e última provisão 8:10-12). do pacto abraâmico. Nessa provisão cumprir-se-á oDeus é fiel ao mesmo (Deu. 7:9; I Reis 8:23; Nee. 1:5; grande propósito evangélico de Deus, por intermédio Dan.9:4); de Cristo, o Filho de Abraão (ver Gál. 3:16 e JoãoDeus jamais se olvida do mesmo (Sal. 105:8; 111:5; 8:56-58). Esta sétima provisão revela-nos, mais Luc, 1:72). especificamente, o que se tencionou revelar no trechoLembremo-nos do mesmo (I Crô, 16:15). de Gên. 3:15, no tocante ao «descendente da mulher»,Cautela contra nos esquecermos do mesmo (Deu. que é Jesus Cristo. O Filho de Abraão seria o 4:23). Redentor da humanidade, e isso retrata a missão doPleiteio-o em minhas orações (Sal. 74:20; Jer. 14:21). Messias, em sua inteireza, incluindo até mesmo o seuPunição para quem o despreza (Heb. 10:29,30). segundo advento e todos os seus gigantescos efeitos. Essa bênção, que é prometida aos filhos de Abraão, IV. Pacto Abraâmlco não respeitará distinções de nacionalidade, mas O pacto abraâmico conta com sete porções distintas antes, terá um caráter universal, atingindo todos os(ver os trechos de Gên. 12:1-4; 13:14-17; 15:1-7 e verdadeiros regenerados. Os acontecimentos do dia de17:1-8): Pentecoste ilustraram o começo do cumprimento 1. Abraão tornar-se-ia uma grande nação: a. issose dessa promessa (ver Atos 2:5-11). O alvo final dessacumpriria em sua posteridade natural, «como o pó da bênção é a total transformação dos crentes segundo aterra» seria o seu número (ver Gên.13:16 e João 8:37), imagem moral e metafísica de Cristo e, mediante isso,e isso fala da nação literal de Israel. b. Teria a participação dos remidos na própria naturezacumprimento e está sendo cumprido na sua divina, que é o alvo real do destino da humanidadeposteridade espiritual. Nesse sentido, todos os salva, bem como o mais elevado conceito que sehomens regenerados são filhos de Abraão. O seu conhece entre os homens (ver Rom. 8:29; 11 Cor. 3: 18;número seria «como as estrelas do céu» (ver João 8:39; 11 Ped. 1:4; Efé. 1:23 e 4: 13).Rom. 4:16,17; 9:7,8; Gál. 3:6,7,29). Quanto a isso, V. Pacto DancUconão haveria qualquer distinção de raça. c. Também O Pacto Davldico, é referido em 11 Sam. 7:4-17teria cumprimento em Ismael, isto é, nas nações (vide). Suas previsões principais são as seguintes:árabes (ver Gên. 17:18-20). 1. Teria continuação uma casa davídica, isto é, 2. A bênção de Deus estaria sobre ele e os seus posteridade e família.descendentes: a. em sentido temporal ou material 2. Haveria um trono, isto é, autoridade real.(ver Gên. 13:14,15,17; 15:18; 24:34,35). b. Mais 3. Haveria um reino, isto é, uma esfera de governo.particularmente, em sentido espiritual, o que visa a 4. Esse governo e reino se estenderiam para sempre.vida eterna, conferida aos remidos (ver Gên, 15:6; 5. A obediência era exigida; e por causa daJoão 8:56; Gál. 3:13,14 e Rom. 4:1-5). desobediência, por parte dos descendentes de Davi, 3. A exaltação do próprio Abraão, porquanto sobreveio a punição divina, a linhagem real foi haveria de ser grande e famosafigura da história - e interrompida e aparentemente até se perdeu no isso lhe daria um grande nome. Naturalmente, mundo para sempre. Não obstante, a promessa é queAbraão é um dos nomes universais da história ela seria permanente, conforme vemos em 11 Sam. humana. 7: 15, devido às misericórdias de Deus. 4. Através dele seriam dadas diversificadas bênçãos 6. Salvação universal, dos judeus e dos gentios,para muitos (ver Gál. 3:13,14). pelo «Rei" (ver Rom. 15:12). 5. Um favor divino especial seria conferido àqueles 7. O rei legítimo foi coroado de espinhos eque fossem bondosos para com Abraão. Por crucificado; mas ainda haverá de reinar. Essa foiimplicação, provavelmente está em vista a nação de justamente a promessa e a afirmação de Pedro, naIsrael; e, por extensão, está em vista o grupo dos passagem de Atos 2:30. Esse pacto, confirmado porregenerados, que são filhos espirituais de Abraão (ver juramento de Deus, e renovado a Maria (ver Luc.Gên. 12:3). 1:26-38), pelo anjo Gabriel, é imutável (ver Sal. 6. O desfavor divino se voltaria contra todos 89:30-37). O Senhor Deus ainda entregará esse tronoque amaldiçoassem a Abraão, com as implicações ao Salvador ressurrecto (ver Luc. 1:31-33; Atosque aparecem no ponto 5, acima. A própria história 2:29-32 e 15: 14-17).~o m:undo confirma isso, porquanto tem acontecido, VI. Nolo Pacto - Ver o artigo separado sobre oinvariavelmente, que aqueles que maltratam aos Nolo Testamento. 7
  • 10. PADÁ (PADÁ-ARÁ) - PÃEs ASMOSPACfOS DE WESTPHALIA batismo de adultos, e não com o batismo de infantes. Ver We.ap. . . ., Pacto. de. Posteriormente, os infantes batizados eram represen- tados por um padrinho e uma madrinha, e não por testemunhas, que tinham o dever de declarar a dignidade do batizando. O pano de fundo histórico daPADÃ (PADÃ-ARÃ) questão parece ter raizes em costumes judaicos No hebraico, «planicie de Arã"" Essas palavras quanto ao batismo de convertidos ao judaísmo. Nesseapontam para a área da alta Mesopotâmia, em redor caso, as testemunhas deixavam-se ficar do lado dede Harã, rio acima da junção entre os rios Eufrates e fora do ambiente cercado por cortinas, onde o próprioHarbur (ver Gên. 25:20; 28:8; 31:18). As tribos batizando imergia-se na água. Eles citavam passagensconhecidas como os arameus (da área de Arã) foram da lei de Moisés, que afirmavam as obrigaçõesmencionadas, pela primeira vez, até onde vão os assumidas pelos convertidos por ocasião do batismo.registros históricos, pelo rei assirio Salmaneser I, em Tertuliano (Sobre o Batismo; Capo 18) fala-noscerca de 1300 A.C. Em seguida, essas tribos araméias sobre as testemunhas. Sua explicação (feita em cercaocuparam o território de Alepo até às margens do rio de 192 D.C.), não descreve quais eram os deveresEufrates, e até mesmo mais além, um fato que dessas testemunhas; mas pelo menos, com base nessapermaneceu até dentro da era cristã. circunstância, podemos supor que era uma prática Abraão residiu nessa região antes de migrar para o que já havia sido estabelecida por algum tempo, quesul, para a Palestina. Mais tarde, da Palestina enviou ele julgou não precisar de qualquer esclarecimento.um servo seu para buscar noiva para baque, seu filho, Na história da Igreja antiga, os próprios pais dadentre as jovens de Padã-Arã, onde tinham ficado criança atuavam como padrinhos; mas essa prática foialguns parentes seus. Mais tarde ainda, Jacó fugiu d4 proibida por ocasião do concilio de Mainz, em cercaPalestina para Padã-Arã, sentindo-se ameaçado de de 813 D.C. Dentro da comunidade anglicana, desdemorte por seu irmão gêmeo, Esaú, e permaneceu com 1661, um menino tem dois padrinhos e umaseu sogro, Labão, durante longo tempo, no minimo madrinha, ao passo que uma menina ganha duasvinte anos. Ver Gên. 25:20 quanto ao nome dado à madrinhas e um padrinho, embora isso possa incluirregião natal de Rebeca; e, em Gên. 28:2-7, Padã-Arã os próprios pais da criança. Na Igreja Católicaaparece como lugar onde residia Labão, Oséias Romana, os padrinhos são vistos como pessoas quechamou a área de «terra da Síria» (Osé. 12:12). O contraíram um intimo relacionamento espiritual umadistrito em foco é uma extensa planície, circundada com a outra, com o resultado que (pelo menos emde montanhas. alguns lugares) fica vedado o casamento entre os afilhados dos mesmos padrinhos. Membros de ordens religiosas não podem atuar como padrinhos, vistoPADEIRO Ver os artigos sobre Artes e oficios e Pão. que, algumas vezes, estes são solicitados a cuidar de questões seculares, em favor dos afilhados, o que não é permitido para pessoas que seguem ordensPADOM religiosas. No hebraico, «redenção», «livramento-, «resgate».Esse fala nome de um dos netinins (vide), os servos dotemplo, que formavam a classe mais baixa em Israel, PÃEs ASMOSexcetuando somente os escravos. Eles voltaram a fimde servir, uma vez mais, no templo reconstruido, H~ uma palavra hebraica e uma palavra grega queterminado o cativeiro babílênico. Padom era um precisamos levar em conta neste verbete, a saber:deles. Ver Esd, 2:44 e Nee, 7:47. Ele viveu por volta 1. Matstsah, «bolos sem fermento». Esse vocábulode 536 A.C. O nome Padom veio a designar um clã em ocorre por quarenta e duas vezes: Gên. 19:3; Exo,Israel. 12:8,15,17,18,20,39; 13:6,7; 23:15; 29:2,23; 34:18; Lev. 2:4,5; 6:16; 7:12; 8:2,26; 23:6; Núm. 6:15,17,19;PADRES NEGROS E IRMÃS NEGRAS 9:11; 28:17; Deu. 16:3,8,16; los. 5:11; Juí, 6:19-21; I Sam. 28:24; II Reis 23:9; I Crê, 23:29; II Crê, 8:13; São. chamados as~im os que seguem a regra de StO 30:13,21; 35:17; Esd. 6:22 e Eze. 45:21.Agostinho (ver o artigo), embora seu verdadeiro titulos~ja Cânones e Canonesas Regulares de St O Agos- 2. Ãzumos, «bolos sem fermento». Essa palavratinho, As congregações monásticas que seguem essa grega é utilizada por nove vezes no Novo Testamento:regra vieram à existência no fim do século XI D. C. O Mat. 26:17; Mar. 14:1,12; Luc. 22:1,7; Atos 12:3;termo ..negro» lhes foi dado como adjetivo devido à 20:6; I Cor. 5:7,8.cor de sua vestimenta. (E) , O pão asma, ou melhor, o bolo asma, é apenas a massa feita sem o emprego de fermento. Na preparação do pão caseiro, um pouco de massa P fermentada, do pão preparado anteriormente, era ADRINBO, MADRINHA misturado com a massa nova, para então ser levado ao Esses são os nomes do homem e da mulher que fomo. Mas o pão asma não levava essa mistura de represen~am a criança, por ocasião da cerimônia de massa já fermentada. O pão asma, pois, é associadoseu batismo, na Igreja Católica Romana. Eles aos elemen!o~ ingeridc;>s.durante a refeição da páscoa,c~mprometem-se em ser os guardiães espirituais da aquela festividade religiosa que comemorava o livra-cn.ança. Seu dever é instruirem ativamente a criança, menta do povo de Israel da servidão no Egito.cuidando para que ela cumpra seus votos por Somente pão sem fermento podia ser consumidoprocuração, tomados durante a cerimônia de batismo. durante os sete dias que se seguiam à festa da PáscoaEm algumas culturas, esse oficio inclui ajuda também (ver Êxo 12:15-20; 13:3-7).qu~~to a outras questões, não relacionadas à fé Alguns estudiosos pensam que a festa dos pãesreligiosa, de tal modo que os padrinhos tomam-se asmos (por sete dias), que se seguia à Páscoa,uma espécie de pais secundários. No caso de batismo originalmente havia sido uma festa ligada à colheitade adultos, as pessoas envolvidas não são padrinhos da cevada, que, posteriormente, teria sido transmu-mas testemunhas. De fato, foi assim que esse costum~ tada para a festa da Púcoa. Finalmente, a proibiçãocomeçou. Em outras palavras. tudo começou com o do uso de fermento ter-se-ia tomado mais escrúpulo- 8
  • 11. PÃES ASMOS - PAFOSsamente observada. Assim, um israelita que comesse de efa de flor de farinha, ou seja, a farinha de trigo dapão fermentado, durante aqueles dias, seria cortado, melhor qualidade. Usualmente, esse pão era servidoisto é, excluido do acampamento de Israel, aos hóspedes, mas, principalmente, aos reis (Gên. Quando consumiam pão sem fermento, os israelitas 18:6; I Reis 4:22). Os pies eram postos sobre a mesaestavam relembrando a precipitação com que haviam existente no Santo Lugar, um sobre o outro,abandonado o Egito, e tudo quanto de mal o mesmo formando duas pilhas de seis pães cada uma. Os pãesrepresentava, o que sucedeu por ocasião do êxodo, em ficavam expostos sobre essa mesa durante umameio a grandes prodígios divinos, desde algum tempo semana e, então, eram removidos e consumidos pelosantes, e ainda por muito tempo depois. Naquela sacerdotes, no recinto do santuário (Lev. 24:5~9).oportunidade, as mulheres hebréias não tinham tido Seria considerado um sacrilégio se alguém, que nãotempo para preparar a massa, esperando que a fosse sacerdote, comesse dos pães da proposição (Imesma fermentasse; antes, tinham levado a massa Sam, 21:2,3; Mat. 12:4), porquanto esses pies eramfermentada em separado, em suas sacolas, quando de considerados pies ..sagrados» (I Sam. 21:6). Os dozesua precipitada fuga do Egito. Mas, ao chegarem ao pães da proposição representavam as doze tribos dedeserto, enquanto viajavam em direção à Terra Israel (Lev. 24:8). Os sacerdotes coatitas estavamPrometida, foram cozendo pão com fermento. Isso é encarregados da confecção dos pães da proposição eo que fazem as mulheres beduinas no deserto, até os dos cuidados com os mesmos (I Crê, 9:32).nossos próprios dias. Ao comer o ..pão da amargura», Os ..bolos» dos pães da proposição significam,o povo de Israel relembrava a negra noite do Egito, e literalmente, na opinião de alguns estudiosos, ..bolosassim começava um periodo em que só se comia pães traspassados», porquanto eles eram perfurados,asmos, um periodo comemorativo de sete dias. provavelmente para permitir um cozimento mais fãci1 Simbologia dos Pães Asmas. Visto que o fermento e uniforme. Não hâ qualquer indicio de que os pies darepresenta o pecado (ver, por exemplo, I Cor. 5:8), o proposição eram cobertos por alguma peça de pano,pão sem fermento, naturalmente, representa a ou eram postos sobre alguma peça de pano. Os pratosausência do pecado, ou seja, a sinceridade do crente. usados em conexão com a mesa dos pies daEscreveu o apóstolo: ..Lançai fora o velho fermento, proposição podem ter s~do usados para ali serempara que sejais nova massa, como sois, de fato, sem postos os pães; as colhf:l CS eram usadas para parfermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, incenso sobre os pies; allo taças serviam para o vinhofoi imolado. Por isso celebremos a festa, não com o das libações. Os pires para o incenso permitiam quevelho fermento, nem com o fermento da maldade e da uma agradável fragrância permanecesse no Lugarmalícia e, sim, com os asmos da sinceridade e da Santo durante a semana inteira. O que restasse deverdade- (I Cor. 5:7,8). tudo, porém, era queimado sobre o altar de bronze, a cada sibado(Lev. 24:7-9), juntamente com o que não fosse comido dos pies da semana anterior. Os doze PÃES DA PROPOSIÇÃO pies da proposição representavam a unidade nacional (cf. I Reis 18:31,32; Eze. 37:16-22). No hebraicohâ duas expressões diferentes, lechem maareketh, ..pães do arranjo», e lechem panim, ..pães Quando o tabernâculo era transportado, durante as da presença ou do rosto». No grego, ártoi tês jornadas dos israelitas pelo deserto, a mesa dos pães prothéseos, ..pães da exposição». No hebraico, sob da proposição era levada, juntamente com seus uma forma ou outra, a expressão ocorre em Êxo. pratos, recipientes de incenso, as taças e as galhetas 25:30; 35:13; 39:36; Núm. 4:7; I Sam. 21:6; I Reis (Núm. 4:7). Incenso puro era posto sobre a mesa, 7:58; I Crê. 9:32; 23:29; 11 c-e. 4:19; 13:11 e Nee. provavelmente em taças de ouro, sobre os pães 10:33. No Novo Testamento, a expressão grega (1osefo, acima). aparece em Mat. 12:4; Mar. 2:26; Luc. 6:4 e, com Nos livros históricos do Antigo Testamento, a leve transposição na ordem das palavras, isto é, primeira menção aos pães da proposição diz respeito aprôthesis tõn árton, em Hebreus 9:2. Davi, em Nobe. Davi e seus homens satisfizeram a Ao falar sobre os pães da proposição, entretanto, as fome com o pão sagrado, visto estarem todos eles Escrituras utilizam-se de quatro descrições designati- cerimonialmente puros (I Sam. 21 :6). Todos os vas distintas, no Antigo Testamento: 1. «pães da evangelhos sinôptícos mencionam essa ocasião (Mat. proposição» (Êxo, 25:30); 2. «doze pães» (Lev. 12:4; Mar. 2:26; Luc. 6:4). No templo de Salomão, 24:5-7); 3...mesa da proposição» (Núm. 4:7); e 4 ...pão havia uma mesa especial, recoberta de ouro, ondecontinuo da proposição» (11 cra. 2:4). A primeira ficavam expostos os pães da proposição (I Reis 7:48).dessas designações fala sobre o ..pão da face» ou ..pão No templo restaurado houve uma taxa com vistas ao da presença». Hâ um paralelo na expressão assíría serviço da casa de Deus, incluindo o necessário paraakal panu, A segunda dessas designações refere-se ao os pães da proposição (Nee. 10:32). Quando Titopão como um memorial. A terceira, ao pão como uma destruiu o templo de Jerusalém, em 70 D.C., ele levouexposição permanente. E a quarta dessas expressões a mesa dos pães da proposição, juntamente comcomo um arranjo ou arrumação, ou seja, sobre a mesa outros despojos, para a cidade de Roma. Sua gravuraonde aqueles pães ficavam expostos. Essa variedade pode ser vista no Arco de Tito, em Roma, que retratade nomes, aplicada aos pães da proposição, indica a o cortejo triunfal em comemoração da vitória dosimportância que esses pães tinham, dentro do romanos sobre os judeus. Ver também sobre ocerimonial do tabernâculo e do templo de Jerusalém. Tabernáculo.Da mesma maneira que o azeite era importante paraque o candeeiro produzisse luz, e assim como o PAFOSincenso era elemento imprescindivel para o altar do Havia duas cidades com esse mesmo nome na parteincenso, assim também, esse terceiro m6vel, a mesa, sudoeste da ilha de Chipre. Os estudiosos, paratinha como elemento indispensável os doze pies da distingui-las, vieram a chamá-Ias de Velha Pafos eproposição, dentro do simbolismo da religião revelada Nova Pafos, A Velha Pafos, atualmente assinaladaaos hebreus. pela moderna cidade de Konklia, era um povoado Os pães da proposição eram doze e não levavam fenicio e santuário religioso de grande antiguidade,fermento em sua fórmula (o que é confirmado por situada ligeiramente para o interior da costaJosefo, Anti. 3:6,6). Cada pão era feito de um quinto marltima. - Ficava cerca de dezesseis quilê- 9
  • 12. PAFOS - PAGAOS, DESTINO DOSmetros a suleste da Nova Pafos. Essa cresceu como PAGÃOS, DESTINO DQSporto da Velha Pafos, depois que os romanos Esboço:anexaram ao seu império a ilha de Chipre, em 58A.C. I. DefiniçãoA Nova Paios tomou-se a sede do governo romano 11. Uma Questão de Justiçalocal, tendo sido reconstruída essencialmente atravésde fundos enviados pelo imperador, porquanto fora 111. Podemos Levar-nos por Demais a Sérioseveramente danificada por um terremoto, em IS IV. A Provisão da Descida de Cristo ao HadesA.C. Foi então chamada Augusta, em honra ao seu V. A Provisão do Mistério da Vontade de Deusbenfeitor, tendo sido adornada com muitas magnifi- VI. A Severidade do Julgamentocentes edificações do estilo romano. I. Deflalçlo Originalmente, sua fama devia-se principalmente De acordo com uma definição lata, um paglo éao fato de ter sido um centro da adoração a Afrodite qualquer individuo que não aceitou o evangelho de(Vênus). Afrodite era a deusa grega do amor, e a Cristo e nem se deixou transformar segundo a imagemadoração a ela era considerada questão séria no de Cristo (o que acontece com todos os regenerados),mundo antigo. A razão de Pafos ser o centro do culto mesmo que tal pessoa viva em um país civilizado ea Afrodite é que havia um mito associado ao nominalmente cristão, e mesmo que ela seja religiosa.nascimento dela, que a ligava a Pafos. Os gregos eram Mas, de acordo com uma definição mais estrita, osum povo de fértil imaginação. Contava-se, pois, que pagãos são aqueles que vivem em condiçõesAfrodite nascera da espuma do mar, tendo flutuado primitivas, que nunca tiveram oportunidade de ouvira té Chipre em uma concha, que terminou aportando o evangelho cristão, o que significa que nunca seperto de Pafos. O festival religioso mais importante da converteram e nem foram salvos. Em qualquer .dessesilha era a afrodisia, que durava três dias, durante a dois sentidos, os pagãos são a grande maioria dosprimavera. O arqueólogo De Cesnola descobriu o que seres humanos, tanto no passado quanto no presente.pensou ser o templo de Afrodite, em Nova Pafos. Em conseqüência de seu grande número, o destinoDispunha de um recinto de cerca de 210 m x 164 m. deles é uma questão séria para nós, merecendo aUm segundo grande abalo sísmico afetou o lugar em nossa consideração.cerca de 76 D.C.; houve ainda um terceiro, no séculoIV D.C., o que pôs fim ao lugar como povoação de D. Uma Qaestlo de JlUtlçaqualquer importância. A moderna aldeia de Baila Alguns teólogos (e também cristãos de todas asmarca o antigo lugar da Nova Pafos. denominações) pensam que o Senhor não faz injustiça F oi em Nova Pafos que Paulo conheceu o procônsul alguma aos pecadores quando permite que elesSérgio Paulo (ver Atos 13:6,7,12), em sua primeira pereçam em seus pecados. Esses pensam que não hâviagem missionária. Foi ali, igualmente, que teve um qualquer problema teológico se incontáveis milhõeschoque com o mágico Elimas (ver Atos 13:6-11). O de pessoas chegam a perecer e sofrer as agonias de umministério de Paulo envolveu a ilha inteira, e ele inferno eterno, simplesmente porque nunca ouviram ovisitou as várias sinagogas judaicas do lugar. A evangelho. Eles apelam para o primeiro capitulo daconversão do governador do lugar, Sérgio Paulo, epístola aos Romanos, como texto de prova de suanaturalmente foi um grande avanço na vitória da fé opinião. Tal atitude, entretanto, é uma afronta aocristã na ilha. Sérgio Paulo serviu como procônsul próprio caráter de Deus. Deveriamos lembrar que oromano entre 46 e 48 D.C. Uma inscrição com seu oposto da injustiça não é a justiça, e, sim, o amor.nome foi descoberta em Pafos. Isso equivale a dizer que a justiça de Deus nunca subsiste sem o acompanhamento do amor e da misericórdia. O primeiro capitulo da epístola aos Romanos fala sobre uma justiça nua; em outrasPAGÃO (PAGANISMO) palavras, fala sobre o que Deus poderia fazer, se ele Essa palavra pode ser um simples sinônimo de quisesse fazê-lo. O que ele poderia fazer seria deixarNações (vide). Porém, em um sentido mais restrito, o os pagãos perecerem, sem qualquer testemunho; etermo adquire reverberações religiosas e culturais ainda assim ele continuaria sendo justo. Porém, adepreciativas. Um dos usos da palavra é aquele que começar pelo terceiro capitulo de Romanos, Paulodeclara pagãos todos quantos não seguem as grandes mostra que a justiça de Deus, afinal de contas, não éfés monoteístas, o judaismo, o islamismo e o uma justiça nua, ainda que, como um argumentocristianismo. Por outro lado, os judeus podem lógico, possamos pensar a respeito dela como algoconsiderar pagãos aos seguidores de todas as outras separado da provisão de amor de Deus. Porém, oreligiões; e nisso serem secundados por islamitas e próprio evangelho é a negação de uma justiça nua dacristãos. parte de Deus. Portanto, declaro enfaticamente que Segundo o uso cristão primitivo, um «pagão.. era envolve uma questão moral e ética de vulto se osalguém envolvido na adoração idólatra. A raiz dessa pagãos chegarem a morrer sem qualquer testemunhopalavra é latina, pagus, «pais.., de onde se derivou a do evangelho. Além disso, constitui uma questãoidéia de algo cru e não-civilizado, em contraste com os moral importante se não houver para eles. umacitadinos sofisticados. Porém, modernamente, esse provisão adequada, visto que Deus amou ao mundovocábulo quase sempre tem reflexos religiosos. Os de tal maneira, e que Cristo morreu pelos pecados decristãos antigos usavam o termo latino paganus, todos os homens (João 3:16; I João 2:2).(interiorano), aludindo àqueles que se recusavam a Deus quer que todos os homens sejam salvos (Iconverter-se ao cristianismo, e permaneciam em suas Tim. 2:4). Um apóstolo afirmou que Deus amou areligiões idólatras, grega ou romana. Talvez o termo todos os homens; um outro disse que Cristo morreufosse usado a principio, pelos cristãos, em um sentido por todos os homens; ainda um outro asseverou quereligioso devido ao fato de que os habitantes das áreas Deus quer que todos os homens sejam salvos. Norurais durante muito tempo estiveram infensos à entanto, os homens resolvem que eles podemmensagem do evangelho, pelo que foram deixados no interpretar essas declarações enfáticas como se elas«paganismo.., ao passo que, nas cidades, o cristia- nada significassem. Em seguida, falam sobre umanismo obteve desde o começo fortes centros de justiça divina nua, que faz o evangelho fracassar emexpressão. muito, quanto aos seus propósitos, que faz o amor de 10
  • 13. PAGÃOS, DESTINO DOSDeus tornar-se ineficaz, e que leva o poder de Cristo a solução para isso. Conforme ensina Pedro, operder muito de sua potência de salvar. Não há algo evangelho foi pregado até mesmo àqueles que estão no de errado com um evangelho assim? Tal evangelho hades, a fim de que possam obter uma vida constitui más novas para os homens, e não boas abençoada no Espírito, o que envolve a própria vida novas. O Novo Testamento tem coisas melhores a divina (ver I Pedro 4:6). dizer do que isso, se ao menos estivermos dispostos a IV. A Prolialo da DescIda de CrIato ao lIadeI ouvi-lo. Sem o ministério de Cristo DO hacIeI, o evangelho Os homens dizem que Deus não está sob qualquer deixaria de atingir a fatia maior da humanidade. Ê obrigação de salvar àqueles que nunca ouviram o sabido que o evangelho sempre foi uma mensagem evangelho. Também dizem que Deus não tem muito localizada, desde a antiguidade até hoje. obrigação de providenciar para que todos os homens Milhões de criaturas humanas jamais terão oportuni- ouçam o evangelho. No entanto, o Novo Testamento dade de ouvi-la. Acresça-se a isso que as pessoas que existe por causa do fato de que Deus auto-obrigou-se a só conhecem a teologia da Igreja Católica Romana, e interessar-se pela salvação de todos os homens. Um das igrejas protestantes e evangélicas (as quais, no outro argumento falaz é aquele que nega o intuito Ocidente, originaram-se da Igreja Católica Romana, universal de Deus. Alguns pensam que está tudo certo pelo menos historicamen te falando) ficam surpreendi- se Deus tomou providências quanto à salvação de das quando descobrem c..ue as Igrejas Orientais (que alguns, mas não quanto à salvação das massas. vieram dos quatro grandes patriarcados de Jerusalém, Porém, isso contradiz as assertivas dos apóstolos, que Alexandria, Antioquia e Constantinopla, e que se mostram claramente o intuito e a provisão universais desenvolveram nas Igrejas Ortodoxas Orientais) de Deus. ensinam que há uma oportunidade bem maior para os Um outro argumento falaz é aquele que se refere a homens, com resultados muito mais amplos, do que uma punição inferior, como se isso solucionasse o se espera no mundo ocidental. Ofereço provas sobre problema. Os pagãos que nunca ouviram o evangelho, isso no artigo intitulado Descida de Cristo ao Hades: obviamente têm menos oportunidades; e, se têm Perspectiva Histórica e Citações Significativas. Esse menos oportunidades, continua esse argumento, artigo demonstra como a Igreja cristã histórica tem então é lógico que eles também receberão um encarado a missão de Cristo no hades, com muitas e julgamento menos severo. No entanto, esse tipo de úteis citações, que ilustram a teologia envolvida. raciocínio não concorda com todos os fatos do Paralelamente, há um artigo geral sobre a Descida de evangelho. Devemo-nos preocupar em reconhecer as Cristo ao Hades, Orígenes afirmava que ensinar que o verdadeiras dimensões da missão de Cristo, não juizo divino é apenas retributivo é aceitar uma aceitando qualquer idéia que importe em falha, por teologia inferior. O trecho de I Pedro 4:6 declara parte da missão de Cristo, mesmo que tal falha abertamente que os homens serão julgados a fim de signifique apenas que certos homens sofrerão menos poderem viver no Espírito, conforme Deus faz. Isso no inferno do que outros. importa em uma vida bendita, e será conseguida Esse evangelho é pequeno demais. O tipo de através do julgamento. A leitura dos dois artigos evangelho que segue as linhas do raciocinio acima é citados oferece a posição deste autor sobre a questão, pequeno demais para ser o verdadeiro evangelho do a qual conta com o apoio de largos segmentos da Novo Testamento. Esse evangelho truncado tem Igreja cristã histórica. Há um evangelho maior e mais sobrevivido bem na teologia cristã ocidental. No amplo do que muitas pessoas supõem, cujas mentes só entanto, sempre foi rejeitado pela Igreja oriental. conhecem a teologia chamada ocidental. Muitas heresias consistem em visões parciais da V. A Pu" do MbtérIo ela VODtade de De_ verdade, embora haja aquelas que consistem em A passagem de Efésios 1:9,10 mostra-nos que acréscimos feitos à revelação biblica. Ora, esse Deus, finalmente, fará todas as coisas girarem em raciocínio nos apresenta uma visão parcial da verdade torno de Cristo, formando uma unidade. Essa é a sua do evangelho. vontade, vontade essa que envolve, finalmente, o que m. Podem... LeVIIl-DQI por Dem8Is • SérIo ele realizará. Outrossim, essa vontade de Deus estava Muitos crentes supõem que se aÓll não atingirmos oculta em mistério, tendo sido revelada por Paulo naos perdidos, e dentro do periodo de vida em que eles epistola aos Efésios. Isso significa que aquilo queviverem na terra, então eles estão automaticamente Deus tenciona fazer com todos os homens não eracondenados, sem qualquer remédio. Porém, o conhecido nos tempos do Antigo Testamento; e nemevangelho real ensina-nos que Cristo fez provisão para mesmo no Novo Testamento, enquanto Paulo não oos perdidos no hades, onde eles estão sendo revelou. Mas vemos, para nossa imensa satisfação,castigados, tendo levado o evangelho até àquele lugar que a vontade de Deus abrange todos os homens, eespiritual. Ver o artigo sobre a Descida de Cristo ao que conseguirá realizar uma vasta e universalHades . A citação feita abaixo, pelo teólogo batista harmonia. Ver os artigos separados sobre a Restaura-A.H. Strong, ilustra como até mesmo homens ção e sobre o Mistério da Vontade de Deus. Afirmo,inteligentes podem levar-se por demais a sério: alicerçado sobre os ensinamentos de largos segmentos «A questão se os pagãos nunca serão salvos, se não da Igreja cristã histórica, de que há um ministério dolhes apresentarmos o evangelho, não é uma questão Lagos nos ciclos da eternidade, que ainda jaz notão séria quanto aquela outra, isto é, se nós mesmos futuro; e que também ali (já no ministério celestial deseremos salvos, se não lhes dermos o evangelho». Cristo) grandes coisas serão feitas em favor de todos Essa declaração de Strong é curiosa, para dizermos os homens.o mínimo. Os pagãos estão perdidos. Mas, poderia- Todavia, isso não fará todos os homens tornarem-semos nos perder, se não cumprirmos o nosso dever remidos, no sentido evangélico. Todavia, todos os quepara com os pagãos. Isso faz de nós importantes não forem salvos, serão restaurados. Os remidos serãodemais. Não é solução melhor pensarmos na triplice aqueles poucos que participarão da natureza divinamissão de Cristo: na terra, no hades e no céu? O que (ver II Ped. 1:4), por haverem sido regenerados; e ospoderiamos fazer, com nossos minúsculos e incons- restaurados serão os demais homens. Isso só poderátantes esforços, para evitar que milhões e milhões de redundar em bem para toda a espécie humana. Depessoas não morram sem ouvir o evangelho? O Novo fato, pode-se esperar uma tremenda glória. emTestamento, entretanto, assegura-nos que há uma resultado disso. porquanto será a realização do Cristo 11
  • 14. PAGÁOS, DESTINO DOS - PAIcósmico. Solicito do leitor que examine o artigo idioma que era usado pela dinastia sassânida, entre osintitulado Restauração, onde esse evangelho completo séculos 111 e VII D.C., ou seja, da época da derrubadaé apresentado. Também quero relembrar o leitor, a dos partas até à conquista islâmica. A escrita pahlaviesta altura, que a teologia ocidental tem truncado o era um alfabeto derivado de uma forma posterior doevangelho. Mas a Igreja oriental, demonstrando aramaico ou siriaco.possuir uma sabedoria superior, quanto a esse Esse idioma tomou-se o meio de comunicaçãoparticular, dispõe de uma visão mais completa e quando chegou ao poder a dinastia sassânida, sobsuperior daquilo que, finalmente, será realizado pela Ardashir I (cerca de 224 A.C.), uma dinastia quemissão de Cristo. continuou governando até que os islamitas conquista- Portanto, torna-se claro que a questão do destino ram a Pérsia (em 651 D.C.). Alguma literatura emfinal dos pagãos tem uma solução boa, e até mesmo pah1avi sobreviveu até hoje, quase toda tendo algo agloriosa, embora não se possa jamais comparar com a ver com os livros sacros do zoroastrismo (vide).glória dos remidos que, repetimos, disporão da Porções das obras chamadas Dadhastan i Meno-própria natureza divina. Ora, isso é exatamente o que ghkhrad, -Doutrína da Sabedoria Celeste.., e Ardajhpoderíamos esperar da parte do amor de Deus, pois Viraz-Namagh, -Visão de Ardagh Viraz.., contemDeus é amor. Isso é precisamente o que poderiamos ensinamentos de Zoroastro. A vida lendária deesperar do evangelho e da missão de Cristo. Ver o Ardashir I é relatada na obra Karnamak-i Ardashir-iartigo separado sobre os Gentios. Papakan, Além disso, a obra chamada Denkard aborda questões cosmológicas, além de lendas VI. A Seriedade do Ja1pmeato religiosas de variegados tipos. Shapur I (241-270 O Fator Tempo. Efé. 1:9,10 fazem bastante claro D.C.) encorajou a tradução das principais obras doque a restauração de todos os seres inteligentes, para zoroastrismo para o sânscrito e para o grego.ser realizada, necessitará de alguns ciclos (eras) daeternidade futura. Sendo-que o julgamento é um dos PAIinstrumentos que restaura (I Ped. 4:7), deve também No hebraico, ab, palavra que ocorre por cerca deentrar nestes ciclos. Acredito, portanto, que o seiscentas e oitenta vezes, desde Gên. 2:24 até Mal.julgamento ocupará um tempo bastante prolongado, 2:10. No grego, pater, que ocorre por cerca dedentro dos ciclos da eternidade. Cada alma será trezentas e sessenta Tezes, desde Mat, 2:22 até Apo,punida o bastante para efetuar sua restauração. 14:1.Todavia, o propósito do julgamento é operar o bemdos julgados, não meramente puni-los. A punição é Esboço:um elemento do julgamento, não sua totalidade. O I. Significadosfato de que o julgamento poderá durar um tempo 11. Referências Biblicas e Significadosprolongado na eternidade futura aumenta nosso 111. O Pai e a Familiaconceito sobre sua seriedade. Mas seria um erro nos I. SIgnIfIcad08rebaixar para uma teologia inferior declarando que o A palavra grega, patel, está relacionada à raiz quejulgamento não é restaurador, afirmando que é significa «nutridor» ou «protetor». Porém, no usomeramente punidor. Também, sendo que os restaura- comum, havia muitas aplicações do vocábulo, comodos perdem a redenção (participação na natureza ao pai de uma pessoa, ao chefe de um clã ou nação, aodivina, 11 Ped. 1:4), que é o destino verdadeiro do ser cabeça espiritual dos mesmos, ou a um liderhumano, a restauração em si é um julgamento, espiritual, ou a alguém que ajudava a outrem paraconsiderado comparativamente com a redenção dos conseguir um significativo avanço espiritual, como oredimidos. Neste sentido, o julgamento será eterno. originador de alguma organização, filosofia ouTodavia, não devemos rebaixar a obra magnífica do religião; e também era usado como titulo de honra eRestaurador que é também o Redentor. respeito, incluindo os nomes Pai, Filho e Espírito Ver o artigo sobre Restauração, Observações Santo, da triunidade divina, ou então, Deus como oPreliminares, especialmente pontos 3, 4 e 5. Pai dos seres humanos e de outros seres inteligentes. n. ~ Blbne.e ~PAGIEL Consideremos os onze pontos abaixo: No hebraico, «encontro com EI (Deus)», Esse era o 1. Pai, no sentido imediato (Gên. 19:31; 44:19); 2.nome de um filho de Ocrã. Pagiel foi chefe da tribo de um ancestral próximo ou remoto (I Reis 15: 11; 11 ReisAser, ao tempo do êxodo (ver Núm. 1:13; 2:27; 7:72; 14:3; NÚm. 18:2; Sal. 45:16); 3. o fundador de uma10:26). Ele viveu em cerca de 1440 A.C. Ajudou tribo ou nação (Gên. 10:21; 17:4,5); 4. o iniciador deMoisés a fazer o censo dos israelitas. alguma profissão ou arte (Gên. 4:20); 5. o iniciador de uma fé, ou o principal exemplo da mesma (Rom. 4: 1), como Abraão, o pai dos fiéis; 6. o criador (Já 38:28;PAGODE Deus é o criador dos homens e dos anjos, e também é A derivação dessa palavra é incerta. Talvez venha o Pai deles, segundo se vê em Isa. 63:16; Efê. 3:14,15;do sânscrito, but , «idolo.., e kadah, -case», ou e também é o criador das estrelas, o «pai das luzes»,bhagavati, «divino... A palavra portuguesa pagode conforme se lê em Tia. 1:17); 7. um benfeitor (Jáaponta para as torres ou templos religiosos do 29:16; Isa. 22:21); 8. o Messias, como o eternoextremo Oriente. Usualmente, os pagodes têm um benfeitor e cabeça da raça espiritual, o Pai eternoformato piramidal e são muito ornamentados. Ver o (Isa. 9:6); 9. algum grande mestre (I Sam. 10:12), ouartigo geral intitulado Templos. lider espiritual (11 Reis 2: 12; 5: 13); 10. um primeiro ministro, ou conselheiro-mor (Gên. 45:8); 11. um relacionamento intimo, que chegue a corromper, é o PÁBLAVI (PÃLAVI) pai de alguns (Jó 17:14). Originalmente, esse nome persa significava parto, m.O . . . . . F........ alguém que nascera na PArtia. A PArtia era um antigo Temos apresentado um artigo separado sobre o reino no que atualmente é o nordeste do Irã. Essa assunto, intitulado Família. Naquele artigo transpa- palavra foi aplicada pelos persas àquele dialeto de seu recem a posição, a autoridade e os deveres de um pai, 12
  • 15. PAI - PAIS APOSTúLICOSno que concerne aos seus familiares. Esses deveres são o cristianismo institucionalizado. Embora Painesociais, psicológicos e espirituais. Hâ três coisas que tenha sido acusado de ser um ateu, a sua posiçloum pai deve a seus filhos: exemplo, exemplo, teológica real era o delsmo (vide).exemplo. O pior erro que um pai pode cometer é Se muitos opunham-se a ele aJIUII1I8DlCDte. outros oconhecer os ensinos espirituais das Escrituras elogiavam efusi.amente. No tocute a questõesSagradas e deixar de transmiti-los a seus filhos. O polítícas, ele foi uma figura de proa DO despcrtamentoartigo sobre a Famllia expõe a história dessa unidade da oposiçio oorte-ammic:ua aos .......~ pois muitofundamental da sociedade humana, incluindo o papel encorajou l revoluçioque. resultou Da ~do pai, no seio da família, da nação norte-amenana. Seu livro. mtitulado O pai da família era o principal mestre de sua Criais, era lido por oficiais das fo1ças armadas,família e precisava levar a sério os seus deveres. Suas iDfundindo-1hes ~a,:e.m. Termiaada a pena dainstruções incluiam tanto alguma profissão como a independência. PaiIIe passou algum tempo naeducação religiosa (Deu. 4:9; 6:7; 31:13; Pro. 22:6; Europa. Então retoraou. __ EstadOs UIIidos daIsa. 28:9). Ele exercia poder absoluto sobre seusfamiliares e os disciplinava segundo essa autoridade(Pro. 13:24; 19:18; 22:15; 23:13). Através das _via América, e logo estava envolvido em novas coatrovér- sias. Seu livro, Tbe Ase o/ RM.fOII, pabo para ele muitos adversúi05. Duraate ..... anos, • meuautoridades constituídas, ele tinha o poder de em sua fazenda. DO estadO de Mofa Ior~. Ali faleceudeterminar a punição capital (Deu. 31:18). Um filho e ali foi sepultado, a 8 dejuhct de flI09.desobediente, por exemplo, arriscava-se a perder a Em 1819. pedal. seus ~ foram levados lprópria vida. O Talmude Babilônico oferece um Inglaterra por WiIIua. COMlett.A1i. eIltrotaDto,sumário dos deveres dos pais: circuncidar seus filhos; foi-lhe recusado o sepuJtameaJo, e seus OIIOS foramremi-los; ensinar-lhes a lei; encontrar esposa para espalhados pela ilha.eles; prover instruções quanto a alguma profissão ou PaiDe era amaate da Bberdade, e poucas coisas temnegócio; ser um guia geral e autoridade sobre os sido mais viaofosas, DOS &tracfos Uaidlos 4a Am6ricafilhos, mesmo depois de se casarem. . do Norte, do IJC esse ten*iIneNn e coo*çlo. Os deveres das mães, as instruções apostólicas para WasbingtoD, FrankIiB e ootru _ _ JIOIte.aeeri-a família toda, e outras questões dessa natureza, canas liderantcs pratan.m tributo a PeiDe.. dImdo aaparecem no artigo geral sobre a Famllia, seus esforços em prol da ~ ....,.,a1IIIeIica:aas e em favor da indepeDd&Dcia daqu*.paIS, do bemisf&lo norte; mas as . . . . . . . . ."Nl8talistu auaca oPAI, CASADO perdoaram. Esse era um titulo conferido . . . . . . . . que haviaentre os israelitas (Jos, 22: 14). Comparar com los. PAIS7:14,16-18. A palavra casa indica o lugar deresidência de uma família, vinculada à palavra Pai. A Ver ~ • . Ver t n * . I••,..... I ,..... ex •.combinação significa uma propriedade da famBia em dacIe).foco (Gên, 12:1,31; I Sam. 18:2). Porém, a expressãotambém pode indicar as pessoas que residem naquelacasa (Gên. 46:31; Êxo, 12:3), no sentido mais lato,incluindo os servos e os escravos, e nio os membrosimediatos da familia. A expressêo indica tamb&n asdivisões principais de cada uma das ooze tribos deIsrael (Núm. 3: 15,20), ou mesmo cada uma das tribosinteiras (Núm. 17:2). No Novo Testamento, a palavra -casa- pode indicarum lar (Atos 7:20), o templo de Ierusalém (1010 2:16),ou o céu (João 14:2). Nesta última referência,aprendemos que a casa do Pai tem muitas moradas.isto é, muitos lugares de residência. Isso posto, aexpressão alude à pluralidade dos céus e dos htgarescelestiais, uma doutrina comum judaica e que, semdúvida, refletia essas verdades. Comparar isso com aexpressão paulina, lugares celestiais (EM. 1:3), acercada qual examinar o NTl, nessa referitlcia. Vertambém Efé. 1:20; 2:6 e 3:10, onde O coueeito éreiterado.PAI-NOSSO Ver sobre 0nçI0 do s..-.PAINE, TBOMAS Suas datas foram 1737-1809. Ele foi um escritorínglês e depois norte-americano cpae expressou .6riospontos de vista radicais sobre questões poJIticas ereligiosas, que lhe causaram uma vida <:ercada decontrovérsias. Suas idéias foram expressas em suasobras (com títulos em inglês): CommOll s.-:.T1aeRights o/ Man e The Age o/ Rea.ro1l. Para o PAD ~cristianismo, a última dessas obras ~ a mais Temao ......, . . Y6dea _ aiI8:DI doimportante. Na verdade. essa obra repudia a BIbIia e final do " I D.C. + syvo, 13
  • 16. PAIS APOSTOLICOS - PAIXÃObem como aos seus escritos. Quase todos esses pais próprios evangelhos ou manipulando a tradição oral.foram gentios, talvez discípulos dos apóstolos, ou Barnabé lança mão do evangelho canônico deintimamente relacionados ao circulo apostólico. Seus Mateus, e Papias nos dá valiosas informações sobreescritos caracterizavam-se pela simplicidade literária, Mateus e Marcos. Quanto a idéias completas sobre osinceridade e convicção religiosa. Naturalmente, tais cãnon, ver o artigo sobre esse assunto.obras não fazem parte do Novo Testamento, mas 5. Teologia: Há alusão a várias doutrinas comunsrevelam grande interesse pelo Novo Testamento e suas ao Antigo e ao Novo Testamentos: Deus comodoutrinas, que aquelas personagens promoviam em criador, redentor e juiz. Conhecimento de Deusface das perseguições, heresias e cismas. através de Cristo, o qual é o Salvador e o Filho de O termo foi cunhado por J.B. Cotetier. que Deus. Expiação por meio do sangue (I Cle. 7:4). Umapublicou uma edição dos escritos dos pais. em Paris, antiga fórmula trinitariana em Clemente: « ••• comoem 1672; e aL.T. Ittig, que usou precisamente essa Deus vive, como Jesus Cristo vive, como o Espíritoexpressão, em sua ediçlo de Leipzig, desses escritos, Santo vive ... " (42:3). Inspiração de obras escritas peloem 1699. Espirito Santo (42:3; 63:2). Inácio também escreveu 1. Escritos dos pai& apost6licos: uma antiga fórmula trinitariana (Mag. 13:1), a. Epislolas de Clemente de Roma, a primeira mencionando o nascimento virginal de Cristo (Efé.escrita em Roma, em cerca de 95 D.C., e a segunda, 18:2; 19:1) e a ressurreição (Mag. 9:1). A teologia deum sermão, originado em Roma, em cerca de 140 Clemente, Inácio e Policarpo repousava sobre aD.C., ou em Alexandria, mas que não é considerada tradição apostólica; mas, nos escritos de Clemente,de autoria gcnuina de Clemente. sente-se forte tradição pagã clássica, sobretudo no b. Sete cartas de Inácio de Antioquia, escritas tocante a fórmulas éticas. As epistolas de Inácio e 11quando se encaminhava ao martirio em Roma, Clemente usam terminologia gnóstica, mesmo nãodurante o reinado-de Trajano (98-117 D.C.). São sendo obras gnósticas. O judaismo exerceu fortecartas dirigidas aos efésios, aos magnesianos, aos influência na epistola de Barnabé, no Didache e no tralianos, aos romanos, aos filadelfianos, aos esmir- Pastor de Hermas. A grande omissão que se nota nenses e a Policarpo. nessas obras é qualquer compreensão adequada ou a c. Carta de Policarpo aos fiJipenses (cerca de 135 expressão da doutrina da graça, de Paulo.D.C.). 6. No tocante à Igreja primitiva: Os apóstolos d, O Manirio de Policarpo (escrito em cerca de 160 estavam desaparecendo, e a autoridade repousavaD.C.). agora sobre os bispos e diáconos, cujos deveres são definidos no Novo Testamento. Temos nessas obras e. A Didache, ou Ensino dos Doze Apóstolos, obra vislumbres dos primórdios da organização eclesiásti- de autoria composta, a começar em cerca de 90 D.C., ca, que transcendem a formas conhecidas no Novo provavelmente escrita na Siria. Testamento. As Escrituras do Novo Testamento, em f. Epístola de Barnabé, de autoria desconhecida, de sua original forma canônica, são consideradas cerca de 130 D.C. autoritárias, juntamente com o Antigo Testamento. g. O Pastor de Hermas, de Roma, escrita em cerca Pouca atenção é dada aos estritos problemas sociais, de 150 D.C. embora selam ressaltados os deveres oessoais e éticos, h. Carta de Diogneto, de cerca de 129 D.C. dos individuos e igrejas locais. O Didache dá grande i. Citações de Papias, de Herápolis, cerca de 125 atenção a questões relativas à adoração, incluindo as D.C. ordenanças, algo não muito comum nos demais escritos dos pais da Igreja. (AM C GR Z) 2. Caracteristicas: São de aatiga data, geralmente ortodoxas, defendendo a fé cristã, a maioria endereçadaa cristlos. Abordam questões práticas, as PAIS DA IGREJA, ttICA DOS relações entre a Igreja e o estado, princípíos éticos Ver sobre Ética Patrlstica, gerais, as ordenanças da Igreja, com uma elevada concepçio da pessoa de C ~ além do tema comum escatológico. Foram obras escritas em grego, sem PAIXÃo, MúSICA DA exceção. Cânticos solenes narram a história da paixão de 3. Contribuição: Esses eseritos nos dão a primeira Cristo. Isso teve inicio no século VIII D.C. Ai pelo visão extrabíblica da Igreja primitiva, de seus lideres, século XII D.C., já se desenvolvera uma forma de organizaçio, fé e ensinamentos. Preenchem o hiato música para ser usada durante a missa. Várias dessas entre o Novo Testamento e a moral formal que se antigas melodias têm sido preservadas até os nossos desenvolveu na Igreja, algum tempo mais tarde. próprios dias. Na Alemanha, depois da Reforma Conferem-nos nossa primeira visão da formação do (vide), a música era separada da liturgia. Foi assim cânon do Novo Testamento. que essa música atingiu sua mais magnificente 4. Relação para com a Biblia e o cãnon expressão na Palxio de Sio Mateus, de Bach. neotestamentério: Quase certamente, quando citam o Composições musicais de vários tipos foram criadas Antigo Testamento, usam a Septuaginta. As citações para a Semana Santa, muitas delas partindo de peças incluem livros que nio fazem parte do cânon hebreu. e produções teatrais medievais que destacavam Mas o material assim citado é reputado Escritura. mistérios religiosos, retratando os sofrimentos de Quanto ao Novo Testamento" Clemente mostra que Cristo. Dai surgiram vários oratórios. Os mais ele reconhecia uma primitiva coletânea de livros que famosos oratórios são os de Shuta, Handel, Bach, haviam adquirido autoridade, a saber, as epistolas de Haydn e Beethoven. O Messias, de Handel, e o Monte Paulo, Hebreus, e provavelmente, o livro de Atos. das OUvelras, de Beethoven, são exemplos notáveis. Inácio conhecia e usava uma coletânea das epistolas de Paulo. Policarpo usava todas as treze epístolas paulinas, excetuando Filemom, e talvez, também, I Tessalonicenses e Tito. Ele aludia a epistola aos PAIXÃO, OFICIOS DA Efésios como Escritura (12:1). Vários dos pais da Esses oficios s10 comemorações da paixão de Cristo Igreja conheciam e usavam os evangelhos, mas nem nos Oficios Canônicos, que foram inicialmente sempre sabemos se eles estavam usando os desenvolvidos pelos padres passionistas (cerca de 1775 14
  • 17. PAIXÃO DE CRISTO - PALÁCIOD.C.), e que atualmente são largamente usados às Tobiades, têm sido encontrados pelos arqueólogos emsextas-feiras, durante o periodo da quaresma, ou em suas escavações. Herodes mandou construir umoutras ocasiões solenes. palácio na torre de Hananel, à qual reconstruiu com o nome de Torre de Antônia (vide). E também mandou construir um outro palácio, Que recebeu o nome dePAIXÃO DE CRISTO (SeIlUllUl da Pabio) Torre de Fasael, Esta pode ser vista até hoje, em suas ruínas, Iosefo descreve como Herodes apreciava viver A derivação do termo pahio, neste caso, é a na suntuosidade (Guerras 5:6,4). Herodes tambémpalavra latina pusle, de pati, «sofrer... Nada tem a ver tinha palácios em Maquero, Heródium e Jericô,com o moderno uso da palavra, sobretudo nalinguagem romântica. O termo aplica-se aos sofri- D. TIpoII de Pallacl. ..mentos especiais de Cristo antes e durante a suacrucificação. Inerente ao vocábulo há a idéia da 1. Residências Reais. As famílias reais e osexpiação assim obtida pelo Senhor. Essa palavra tem principais oficiais do governo ocupavam essestido seu sentido ampliado, para incluir os sofrimentos complexos. Naturalmente, eram bem fomidos comdos mártires, que participam assim nos sofrimentos servos. Ver 11 Crô. 8:11; 9:11; 11 Reis 7:9.de Cristo (ver Fil. 3:10; I Ped. 4:13). O Domingo da 2. Principais Edifícios Públicos. Nessa classe, osPaixão é o quinto domingo da quare81Da (vide); e a especialistas incluem o palácio de Acabe, em JezreelSemana da Paixão é aquela que antecede à Semana (ver I Reis 21:1); o palácio do rei assírio, em NiniveSanta. O periodo de duas semanas, desde o domingo (Naum 2:6); os palácios de vários governantesda paixão até às vésperas da páscoa, é chamado de babilônicos, na cidade de Babilônia (11 Reis 20: 18;«tempo pascal... Dan. 4:4); e o palácio dos governantes persas, em Na literatura. A Paixão de Cristo é a longa Susã (Esd. 4:14).quádrupla narrativa, dos evangelhos, que descreve os 3. Os Principais Edificios de Alguma Fortaleza oueventos da paixão de Cristo. Cidadela. Esses ficavam na maioria das capitais das nações: em Jerusalém (Isa. 32:14); em Samaria (Amós 3:10,11); em Damasco, como o de Ben-Hadade (Amós 1:4); em Tiro (lsa. 23:13); na Babilônia (lsa.PALÁCIO 25:2); em Edom (Isa, 34:13); em Gaza, Amom, Esboço: Bozra, Asdode e Egito (Amós 1:7,12; 3:9). I. Caracterização Geral A função de um palácio, como parte integrante de uma fortaleza, é salientada em trechos como 11. Tipos de Palácios I Crê, 29:1,19; Nee. 1:1; 2:8; Est. 1:2. Outras 111. Caracteristicas de Palácios de Vários Lugares escrituras falam sobre seus jardins, pátios, complexos IV. Usos Figurados de edifícios, decorações suntuosas, colunas, etc. Ver I. Caracterlzaçi.o Geral Esd. 7:7,8; Cano 8:9; Eze, 25:4; Dan. 9:45. As diversas palavras hebraicas traduzidas nas m. Caracterlltlcu de P...... ele ViarlOll Lapreslínguas modernas por «palácio» também podem ser 1. Em Israel. Supõe-se que o palácio-fortaleza detraduzidas de várias outras maneiras, como «cidade- Saul, em Gibeá, era uma construção bastantela .., «fortaleza.., «lugar alto.., «casa.., «templo-v.. Isso austera, um edificio de pedra, com o aspecto de umposto, esses vocábulos não transmitem; necessaria- quartel militar. O palácio de Davi em Hebrommente aquilo que entendemos por um ..palácio.., a provavelmente também era um lugar rústico. Mas osaber, uma augusta e luxuosa residência, com muitos palácio que ele construiu em Jerusalém, que eleaposentos, ou um lar particular de riqueza incomum. conquistou dos jebuseus e então embelezou, semMas, como é óbvio, essas idéias também podem fazer dúvida, já era um palácio suntuoso. Hirão, de Tiro,parte daqueles termos porquanto, na verdade, os enviou-lhe cedros, carpinteiros, artesãos e outrospovos antigos tinham palácios no sentido moderno da operários especializados para garantir o resultado (verpalavra. E o significado bíblico mais comum é alguma 11 Sam. 5:11). O palácio de Salomão caracterizava-seresidência suntuosa de algum rei ou importante figura por considerável grandiosidade, adornado compública. muitas pinturas, ouro e prata, uma sala grande que A arqueologia tem ilustrado amplamente a continha um trono de ouro, decorada com a melhorexistência e o esplendor de alguns desses palácios. E arte fenicia. Esse palácio foi chamado de casa daassim tem ficado provado que os palácios de Israel floresta do Llbano, porque suas colunas, estruturasdiferiam em bem pouco dos palácios dos povos do teto, etc., foram construidas com cedro provenien-circunvizinhos. Alguns palácios, na realidade, eram te do Libano (ver I Reis 7:2 S9). Dispunha de umafortalezas, como O palácio de Saul, em Gibeá. muralha circundante com três fileiras horizontais dePodemos pensar que o mesmo era parecido com o pedra, reforçadas por uma fileira de traves depalácio de Davi, que a arqueologia encontrou em madeira, como proteção contra abalos sismicos. OJerusalém (ver 11 Sam. 5:7-9). Salomão também tinha trecho de I Reis 7:9 informa-nos que foram usadaso seu próprio palácio, construido com a ajuda de pedras valiosas na construção. Onri e Acabeoperários estrangeiros especializados (ver I Reis construiram palácios quase equivalentes. Jeremias7: 1-12). Esse palácio era chamado de «casa da floresta aludiu a diversos segmentos desse palácio, como «casado Libano.., por causa das colunas de cedro que ali de invernos, ..átrio da guarda», etc. (ver Jer. 36:20,22;havia. Construido em tomo de um pátio central, tinha 37:21; 38:6). Esse complexo, porém, foi destruido porum espaçoso salão de espera, uma sala do trono Nabucodonosor. Demos outros detalhes a respeito na(ricamente decorada com ouro), apartamentos reais, primeira seção, acima, que ilustram o que acabamosum harém e aposentos para servos. Havia uma de dizer.entrada que dava para o pórtico sul do templo de 2. No Egito. Todos os Faraós do Egito (de trintaJerusalém. dinastias) tiveram seus luxuosos palácios. As escava- Uma outra importante estrutura desse tipo era o ções arqueológicas têm comprovado amplamente apalácio de Acabe e Jeroboão, na cidade de Samaria. natureza suntuosa daquelas edificações. Elas foramEsse palácio, juntamente com os palácios de vários retratadas em relevos tumulares e nas mais diversasgovernadores persas, em Laquis, e as residências dos obras de arte. O palácio de Meremptá, filho de 16
  • 18. PALÁCIO - PALAVRA DA VERDADERamsés 11 (cerca de 1230 A.C.). foi desenterrado. PALALEmbora tal paJAcio tivesse sido destruído em um No hebraico, «Deus julga... Esse era o nome de umincendio. so6rou o bastante para exibir as suas dos filhos de Uzai. Ele foi contado entre aqueles queriquezas. Contiaha pinturas afresco; paredes de retornaram do cativeiro babilônico e ajudaram natijolos; U*l4e madeira; uma sala do trono no fim de reconstrução das muralhas de Jerusalém (Nee. 3:25).um ,trio com colunata. Essa sala era sustentada por Sua época girou em tomo de 44S A.C.seis aiBaatescas colunas de pedra calcária branca,com cerca de 7.fiO IR de altura. As portas foramconfeccioaadas em bronze. Por igual modo. o palâcio PALANQUIMde Ameabou,pe 111, em Tabel. foi escavado. e objetos No hebraico. -.ppkyoa. Esse vocábulo, que s6 seali eDCOGtrados terminaram em exibiçlo em vários encontra em Cano 3:9, é de signíficação incerta.museus. Um outro DOtllel pa1Acio ~ o de Amenhotepe Parece referir-se a uma espécie de cadeira transportá-IV (1385 A.C.). Foi coastmido em Aquetaten. em velo A Mishnah (vide) opina que essa palavra indicaAmama. As famosas cartas de T«l el-.Ilmama (vide) um leito nupcial, ou mesmo um coche aberto, emforam achadas ali. O palicio de Atam era um dos ambos os casos, transportllveis. V árias traduções dãoediftcios que fazialll.paI"te de um complexo. Uma coche ou leito nupcial.dupla muralha àrcuncIava esse palâcio. A rainhaNefertite (esposa de Atam) tiaha o seu próprio Há especulações a respeito, que chegam a pensarpalkio. E tamb6m havialuIuous n:sidências de altos que esse artigo ilustra a pessoa de Cristo e seus oficios;oficiais do CO"ClIDO. aesse 1DeSIDO complexo. mas isso é exagerar o sentido do texto. Tal objeto foi construido em cedro do Líbano, e. sem dúvida, era 3. N. Maopot8mi4. Os assfrios e os babilônios altamente ornamentado.dispunhám de esptendidos palâcios. O pal6cio deSaqlo 11 (772 A.C.). como o de seu filho,SeaaqueRbe. fOllUll e&ca"ados, onde os arqueólogosencoDtranm evidhcias • _luxuosa decoração PALAVRA DA VERDADEardstica e de see mobilürio. O pal6cio de Ver João 17:17.N ~ (16culo VI A.C.), representou outro Qual é o papel da Palavra de Deus, neste trechotriuafo aI"CIKaI6Iico. O paI6do de Nm.acodonosor 11 biblico? Exatamente aquilo que já pudemos encontrarestava adonIado ~ ....esmekados. com no sexto e no oitavo versiculos deste mesmo capitulo,artisticas liaIIas ,aeom6tricu. Motivos decorativos a saber:favoritos, aesse pal6do. . . . . ~ touros e os dragões 1. Não se trata de uma referência às Escrituras doem alto--relevo, sobre tijolos coloridos. Um outro A. T., embora essas Escrituras contenham a «palavra»extraordiD6rio paI6.cio era o de Mari. que data de aqui mencionada, posto que de forma um tantocerca ele 1700 A.C. Trata-se de um tremendo imperfeita ou incompleta.complexo de c:oastnIç6es. cobrindo nada menos que 2. Por semelhante modo, não se trata de uma61 mil metros quadr. . . . Ali . . . . apartamentos referência às Escrituras do N. T.. as quais, quandoreais, ·editlcios administradvos e até lugares especiais Cristo proferiu tais palavras, ainda não existiam, epara os escribas tIabaJhan=m. Opa1ácio era adornado nem mesmo quando foi completado este quartocom lDUI1Üs anist:icameIlte trahaIhados. alguns dos evangelho, ainda não havia «cânon.. formal do N.T.,quais ai6 hoje peIIIIGaOCeID em condições relativa- apesar de que esse «cânon- já estava em seusmente boas. Esies ...... &u.stram todas as fases da primeiros estágios, nos evangelhos e em algumas dasvida da Poca. com ceaa de WcIa secular e J:eligiosa. epístolas paulinas.Tamb6m do pootc:ems esquecei os pal6cioS dos 3. Pelo contrário, a Palavra de Deus, neste caso, émonarcas persas. em PenépaIis,quase sempre aquela mensagem divina relativa a Jesus Cristo - aextrav. . . . . . Os pe4dosde StId. foram escavados. mensagem messiânica; a mensagem de que Cristo veio~do exceleotes aempIos da elevada cultura da da parte do Pai, a fim de realizar uma missão Neenrias seniu ela _ desses palácios, como especifica, que Cristo é o «Logos- eterno, o -Logos..copeiro real. Ver . ._ D_. 8:2. encarnado, o -Logos» pôs-encarnado (o que é 4. EIraCNtlI. ImeRsos &abiriaios foram -eACODtrados subentendido nas diversas afirmativas de Cristo deem CDOSSOS. peIe& . . . . . . . . . Nesses labirintos há que voltaria "para o PaÍ»). Trata-se, pois, da muitos apo61CIItC)L T" bTMf ·iIustram .a antiga mensagem cristã central. o «evangelho.., no dizer decultura mjaaoane, c::onferiBdcHao muitos espécimes da João GiH (in loc.), Trata-se da mensagem que essearte aatip. «evangelho» anuncia aos homens - Iesus é o Cristo, o Filho de Deus, e a fé em Cristo resulta na vida eterna IV. U-Ra ••• (ver João 20:30,31). Trata-se da mensagem mesma Os filhos dos J-t8IJ sIo·.~ com palácios, que o Senhor Jesus trouxe aos homens, a qual foiem Sal. 144:12. O . . . . . . . . é descrito como o profetizada e pintada incompletamente nas páginaspal6cio de Deu (s.a. 4S:lS). P_a "Vias profetas, os do A.T., concernente à pessoa de Cristo, posterior-paJcies ..................1 _ reais (ftr Am6s mente crrstalizada no N. T. Portanto. trata-se dal:S).CeI1Io biIlo~_ _ :& cmDO Cristo deixou os mensagem essencial do N. T. referente a Cristo,seus·~ w.a eHc tmIIlOO de embora isso tenha sido dito antes que os documentosmis6riu. Isso refere ao sepado capitulo do N.T. houvessem sido vazados em forma escrita.da . . . . . . . ~ • eacaraaçIo e ahunri1heçAo que iao.""; .... o Losos. E ai Â8pedo8 da VenIadetemos . . ft6:ao . . _ _ • co-. A. riquezas do 1. ~ a verdade de Deus, que se acha em Cristo. quecéu foram denamadM .~ a 1Iumaoidade, e os transforma as vidas humanas e opera tão grandeh08lllS ·lNnoH" beaeficiaCJI Nos ilOIIhos e glória.nu ~ ump:&l6cie pua_locar a riqueza 2. e a verdade que milita contra a incredulidade~ eatidade . - " , _ ~ de . . ser e de suas dos judeus, que negavam a autoridade do Messias,~ _ "I:1Ultl-t 0Blum& ade8a ou embora eles proclamassem todo o tempo terem apodo, . . fala .--e . . palSedo primitivo e verdade absoluta nos ritos, cerimônias e exteriorida-selvagem. des do A.T. 16
  • 19. PALAVRA - PALAVRA DE DEUS 3. Ela milita contra toda a incredulidade humana, N.T., ainda não havia sido completada. É impossivelJoão 3:17 e ss . que essa expressão se refira aos documentos Essa verdade, pois, pode tornar um homem santo, neotestamentários, em todo ou em parte. exceto quepode santificá-lo, pode separá-lo deste mundo; e essa «palavra de Cristo» posteriormente veio a serassim acontece não porque se trata de uma palavra escrita, tornando-se uma coleção concreta, tomando ameramente escrita e, sim. de uma mensagem viva. forma de nosso atual Novo Testamento. O apóstolosoprada na alma pela atuação do Espirito Santo, que dos gentios referia-se à sua mensagem, isto é, àa usa como instrumento, e que através dela instrui aos mensagem concernente ao Senhor Jesus Cristo.homens, transformando-os segundo a perfeita santi- O pregador que se transforma em um merodade de Deus. A Palavra de Deus escrita, em face do político, e prega doutrinas políticas, erra crassamen-fato de que descreve essa verdade de Cristo, pode te, pois ocupa-se com essas questões. em vez deservir de instrumento que expõe ante os homens qual anunciar ao Senhor Jesus Cristo. Além disso, ficaré a verdade de Deus; e por isso mesmo tem papel perenemente pregando «contra alguma coisa», comopreponderante na transformação da alma do crente. contra o modernismo ou o mundanismo, é ter uma(Ver o artigo separado sobre Santificação). mensagem unilateral, não sendo tal prédica o cumprimento da Grande Comissão, que menciona especificamente tanto o evangelismo como o ensino dePALAVRA DA VIDA todas as ordens do Senhor Jesus, para serem 1. A alusão não é às Escrituras do A.T., e, menos praticadas por seu povo, e tudo centralizado em tornoainda ao Novo Testamento, que ainda não recebera a da pessoa de Cristo. Já perdeu o seu chamamento e aforma de coletânea, pois muitos de seus livros ainda sua visão o pregador que não mais está «centralizadonão haviam sido registrados, quando Paulo escreveu em Jesus Cristo», em sua pregação, porquanto nãoessas palavras. mais percebe com clareza qual seja a sua responsabili- 2. Quase todas as expressões do N. T. que incluem o dade.vocábulo «palavra», são de cunho evangélico. Isto é,referem-se ao «evangelho», de diferentes maneiras. PALAVRA DE DEUS(Veja-se isso amplamente ilustrado em Efê. 6:17 noNTI, sob o titulo ",A Palavra de Deus»), Em Fil. 2:16 1. Essa expressão, algumas vezes. aponta para opois, Paulo se refere à mensagem de salvação que ele A.T., mas nunca para o Novo Testamento, porquantopregava. a formação do cânon neotestamentário, só teve lugar 3. Fil. 2: 16 pode ser comparado ao trecho de João após estar completo, como um documento escrito.6:68, que se refere a «palavras de vida eterna », 2. Usualmente, nas páginas do N.T., essa 4. Podemos notar como a palavra do evangelho, expressão indica «a mensagem oral do evangelho» (verque traz «vida» é vinculada à metáfora da luz (Fil. I Ped. 1:25). Isso também se patenteia em Rom.2:15). Assim também, em João 1:4, temos a «vida.. 10:17.espiritual, que se deriva da vida Ilsíca, através do 3. A palavra de Cristo, também, pode indicarprocesso da «iluminação» do Espírito. aquele corpo de doutrinas e de conceitos que 5. Aprendemos que as palavras de Cristo e o circundam a pessoa de Cristo, em seus ensinamentos,evangelho, produzem vida através da iluminação. em suas instruções, etc., que algumas vezes têm algo a ver com a moralidade e a conduta de nosso viver 6. Biologicamente, nada pode existir sem luz. Esse diário.é um fato cientifico. Espiritualmente, nenhuma vida 4. Examinar as seguintes expressões paralelas:poderia existir sem a i1uminadora palavra da vida.Esse é um fato espiritual. a. Palavra de promessa, em Rom. 9:9 7. Por essas mesmas razões é que Jesus é, b. Palavra de fé, em Rom. 10:8pessoalmente, intitulado «vida .. (ver João 14:6) e «luz» c. Palavra da verdade. em Efé. 1:13(ver João 1:9). d. Palavra de Cristo, em Col. 3:16 e. Palavra de justiça, em Heb. 5:13 8. A «vida» aqui referida é, naturalmente. a vida f. Palavra de profecia, em 11 Ped. 1:19eterna. (Ver o artigo sobre Vida Eterna). A vida g. Palavra da vida, em I João 1:1eterna é a salvação (ver o artigo). 5. A Palavra é vivificada pelo Espírito, tornando-se 9. Se é o evangelho que traz vida aos homens, quão assim uma força impulsionadora para o bem (verimportante é a sua propagação! (Ver Rom. 10:14). Heb. 4: 12). A maioria dos usos neotestamentários é de natureza evangelistica, tendo alguma referência ao evangelho pregado pelos apóstolos, à nova féPALAVRA DE CRISTO religiosa, a qual, posteriormente, assumiu forma Rom. 10: 17: Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela escrita no N. T. Algo como esse uso, provavelmente, épalavra de Cristo. o que está em pauta no presente texto. Esse vocábulo O sentido dessa citação de Paulo (Isa, 53), pois, é aponta para a espiritualidade, para sua criação eque está em foco a mensagem concernente a Cristo, o desenvolvimento.evangelho cristão. embora isso não signifique que o S mister esclarecer aqui que os «dois gumes» daA. T. tenha sido completamente eliminado, porque é Espada do Espirito não são a «lei» e o «evangelho»,claro que Paulo. com freqüência, citou esses porquanto tal interpretação é totalmente contrária àdocumentos do A.T., em apoio às suas afirmativas; e mensagem do N. T. Não obstante, a lei condena, e issoisso significa que, mui provavelmente, ele incluía, tem seu devido valor, para levar os homens a senessa expressão, a idéia da tradição messiânica e entregarem a Cristo.profética do A.T. como parte integrante da «palavra A idéia de que a Palavra de Deus é uma espada foide Cristo». Mais especificamente ainda, Paulo aludia tomada por empréstimo da interpretação rabínica.à mensagem do evangelho. que ele mesmo e outros Por exemplo, o comentário dos rabinos (a Midrash),cristãos primitivos pregavam, e não às Escrituras do diz com respeito ao trecho de Sal. 45:3: «Cinge aA. T., as quais também, e com toda a razão, poderiam espada no teu flanco, herói... » que: «Isso se refere aser chamadas de «palavra de Deus». Visto que, Moisés, que recebeu a Tora, que se assemelha a umaquando o apóstolo escreveu, a coletânea sagrada do espada». (Rabino Judâ, 150 D.C.). E acerca da 17
  • 20. PALAVRA DO SENHOR«espada de dois gumes», que figura em Sal. 149:6, o poder). Dessa forma, não somente as palavras, mascomentário rabínico diz: «Essa é a Tora, escrita e também as ações que elas representam, devem seroral». E a versão da Septuaginta traduz o trecho de levadas em consideração. Talvez essa idéia transpare-Isa. 11:4, que diz, «... ferirá a terra com a vara de sua ça claramente em um texto bíblico como Salmos a5:20.boca... », como «... com a espada de sua boca... » (Isso que diz: «Não é de paz que eles falam; pelo contrário,pode ser confrontado ainda com o trecho de 11 Tes. tramam enganos contra os pacificas da terra». A2:8). importância desse conceito da vinculação entre um pensamento e seu poder, ou ação, ficará mais clara àPALAVRA DO SENHOR medida que avançarmos na discussão sobre a Palavra de Deus. tanto no Antigo quanto no Novo Ver o artigo separado sobre Verbo. Testamentos. Por detrás do conceito de palavra, dentro da B. No GIelo. Os termos gregos l6gos e rêma foramexpressão «Palavra do Senhor», destaca-se umimportante vocábulo hebraico e dois vocábulos ambos usados pelos tradutores da Septuaginta, quando eles encontravam a palavra hebraica dabar,gregos, a sabe r, respectivamente, dabar, lógos e No entanto, no idioma grego. no decorrer dos séculos,rêma, que teremos de considerar um por um. A mbas esses vocábulos passaram por um desenvolvimentoas palavras gregas são usadas como tradução dedabar, na Septuaginta; e. além disso, essas palavras inteiramente independente e diferente um do outro.gregas são usadas como sinônimos virtuais nas Assim, 16gos passou por todo um leque depáginas do Novo Testamento. significações, indo desde "memória.., passando por «cômputo», «cálculo», "prestação de contas.., «consi- Esboço: deração.., «razão», «narrativa», «fala.., e daí até I. Os Vocábulos «palavra... Por sua vez. desde o principio, rêma teve o A. No Hebraico significado de «declaração». com todas as suas B. No Grego possíveis ramificações. Esse vocábulo indicava a 11. A Palavra no Antigo Testamento palavra como algo distinto de atos, ainda que. A. A Palavra e a Revelação paradoxalmente, preservasse em seu bojo um elemen- B. A Palavra e os Primeiros Profetas to ativo. até que os gramáticos chegaram a adotâ- lo C. A Palavra e a Profecia como o termo que significa verbo (a palavra ativa), em D. A Palavra e a Lei Mosaica distinção ao substantivo. No entanto, apesar de suas origens e histórias tão diversas, essas duas palavras E. A Palavra nos Salmos foram usadas, mais ou menos, como sinônimos, tanto III. A Palavra Dentro da Filosofia Grega na Septuaginta quanto no Novo Testamento. E a A. A Introdução proporção ou freqüência de uso também é interessan- B. Heráclito te. Rêma é usada, na Septuaginta, quase três vezes C. Os Filósofos Sofistas mais que lógos. Em proporções quase idênticas em D. Platão Juízes e Rute. Dai por diante, o termo 16gos começa a E. Arist6teles predominar. duas vezes mais usado que rêma entre Ê I Samuel e Cantares; e é quase oito vezes mais F. O Estoicismo comum, nos escritos proféticos, do que 16gos. E, G. O Helenismo então. quando chegamos ao Novo Testamento, 16gos 1. Os Mistérios preserva a sua superioridade numérica, onde aparece 2. O Hermeticismo na proporção de quatro para um, em relação a rêma H. Filo (cerca de trezentas vezes contra setenta vezes). I. Conclusão Entretanto, no tocante à significação precisa, na IV. A Palavra no Novo Testamento maioria dessas instâncias é muito difícil se fazer A. Uso Geral qualquer distinção entre essas duas palavras. 1. Neutro ll. A Palavra no AatJao Tatamento 2. A Palavra e a Realidade A. A Palavra e a Rele1açIo. No Antigo Testamento, 3. Negativo a palavra é o meio supremo por intermédio do qual o 4. Sentidos Específicos Criador toma conhecidos, diante de suas criaturas, tanto a sua própria pessoa quanto a sua vontade. B. Uso Especial Uma conseqüência disso é que a religião ensinada na 1. O Antigo Testamento Bíblia, mormente no Novo Testamento, é primaria- 2. A Palavra a Individuos mente uma religião para ser percebida com os 3. A Palavra de Jesus ouvidos, e não para ser apreciada com os olhos. Daí 4. A Palavra Sob a Forma do Evangelho provém a importância dos atos de ouvir e atender, nas S. Jesus Como a Palavra de Deus Escrituras Sagradas. Todavia, não devemos correr daí a. Apocalipse 19: 13 para pensar que a religião bíblica seja, intrinsecamen- b. I João 1:1 te, verbal ou abstrata. A Palavra divina, em distinção à mera palavra humana, é co-extensiva com aquilo c. João 1:1 as. que ela afirma ou representa. E dai segue-se. I. Oa Voclabul... logicamente, que o seu atributo mais importante é a A. No Hebnleo. A raiz dbr deu, no hebraico, tanto veracidade. "Agora, pois, ó Senhor Deus, tu mesmo éso substantivo quanto o verbo correspondente. A Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens prometidoetimologia é obscura, mas muitos hebraístas dizem a teu servo este bem» (11 Sam. 7:28). «Santifica-os naque, por detrás dessa raiz temos a idéia de «aquilo que verdade; a tua palavra é a verdade.. (João 17:17).está por detrás», Se essa opinião está com a razão, No sentido que acabamos de verificar, nessas duasentão devemos pensar no pano de fundo de alguma passagens citadas, uma do Antigo. e outra do Novoquestão, ou seja, o significado ou conteúdo concep- Testamento, a verdade não aparece como mera idéiatual. Desde o começo, parece que esse vocábulo abstrata, porquanto traz consigo o sentido dehebraico envolvia tanto um elemento noético (o fidelidade e de confiabilidade, Portanto, a lição quepensamento) quanto um elemento dinâmico (o isso nos ensina é que aquilo que ele diz é veraz. Se a 18
  • 21. PALAVRA DO SENHORreferência de alguma declaração divina ainda é primeiro dos profetas da nação de Israel, foi chamadofutura, então devemos pensar que certamente o que para seu ministério por Yahweh (cf. I Sam. 3:1 S3). E,Deus disse haverá de ter cumprimento. E isso, por sua quando ele expressou sua prontidlo para ouvir,vez, implica na força da palavra. Toda declaração foi-lhe dada uma mensagem, que deveria anunciar adivina envolve o poder de fazer com que aquilo que foi quem de direito. O processo foi exatamente o mesmo,dito se tome uma realidade. Exemplificando, de em I Sam. 15:10 SS, onde foi anunciada a palavra deacordo com aquela afirmativa de Jesus, os crentes são julgamento contra Saul. Ora, Saul foi rejeitado pelorealmente santificados mediante a Palavra de Deus. Senhor por haver rejeitado a sua palavra. Essa Acresça-se a isso que, no Antigo Testamento, lemos tradição profética, iniciada por Samuel, o queacerca de palavras vazias ou enganosas. Essas não também deu inicio às escolas de profetiU (vide), foicontam com a força do Espirito de Deus, ou, em continuada, de forma soberba por Natã, por Elias,outras palavras, não foram ditas por Deus. Mas, por Eliseu e por Micaias. Durante todo o período dequando Deus fala, a palavra falada intervém vida deles, a palavra do Senhor vinha aos profetas eativamente nas atividades humanas. Isso posto, a era por eles declarada. E, então, visto que tal palavraPalavra de Deus é histórica, não apenas no sentido de não era vazia, mas era impulsionada pelo poder deque registra os acontecimentos históricos, e, sim, Deus, cumpria-se infalivelmente, sob a forma denaquele sentido dinâmico que ela faz a história. Isso perdão, de salvação ou de juizo. Assim sendo, anos é ensinado desde o primeiro capítulo de Gênesis, verdadeira diferença entre um profeta e um falsoque mostra que a criação foi feita mediante a palavra profeta é que este último não tem qualquer palavraproferida por Deus. Lemos por repetidas vezes, que, realmente, proceda de Deus, mas antes, apenasnaquele capitulo: «Disse Deus.... E essa verdade do espirito imaginativo e inventivo do homem; e os também transparece em uma passagem como Isaias próprios acontecimentos se encarregam de demons-40:26, que alude à criação das coisas, destacando a trar a falsidade da profecia e, em conseqüência, docriação das estrelas: «Quem criou es~ coisas? profeta. A verdadeira palavra do Senhor acontece.Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas «Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre estebem contadas, as quais ele chama pelos seus lugar, e sobre os seus moradores, a saber, todas asnomes .... E a história inteira do povo de Israel, no palavras do livro que leu o rei de Judâ» (11 Reis 22: 16).Antigo Testamento, reforça esse conceito, com muitos A palavra proferida por Deus, sob a forma delances. E um importante ponto, nessa conexão, que profecia, não pode haver resistência eficaz. «Assim,não deveriamos esquecer, é que, por meio da pois, morreu (Acazias), segundo a palavra do Senhor,Septuaginta, a força do termo hebraico dabar é que Elias falara...• (11 Reis I: 17).refletida nos termos gregos 16gos e rêma, C. A Palana e a Proleela. Aquilo que pode ser percebido desde as primeiras profecias que se B. A Palana e ... ~ Profeta. Visto que, encontram no Antigo Testamento, pode ser visto, jâcomo jâ vimos, a revelação de Deus, verifica-se em sua expressão clássica, nos grandes profetasprimariamente, por meio de sua palavra falada, em escritores, de Osêias e Amós em diante. No caso deIsrael desenvolveu-se o oficio impar dos profetas, os alguns desses profetas, eles também se utilizaram daporta-vozes de Deus. Um profeta é alguém a quem é fórmula: «Palavra do Senhor, que foi dirigida a....dada a Palavra do Senhor, e então ele declara essa (Osê. 1:1). Essa fórmula, usada por diversos dospalavra, quase impulsivamente, como se não pudesse profetas escritores, serve de epitome da compreensãoretê-la consigo. «Quando pensei: Nio me lembrarei do que seja uma profecia. O que o profeta disse oudele e jâ não falarei no seu nome, então isso me foi no escreveu era precisamente aquilo que Deus lhe estavacoração como fogo ardente, encerrado nos meus dizendo, e, por seu intermédio, anunciando àsossos; já desfaleço de sofrer, e não posso mais. (ler. pessoas em geral. Um profeta, pois, era chamado por20:9). Assim, não mais podendo conter-se, Jeremias Deus para o seu trabalho profético (ver lsa. 6; ler. 1 eabriu a boca e prorrompeu em profecias, à medida Eze. 1).que a palavra do Senhor lhe vinha, pelo Espirito deDeus. A palavra do Senhor era calcada sobre o profeta, Muitos estudiosos têm afirmado, e com toda a como uma responsabilidade pessoal, de tal modo querazão, que a Palavra de Deus, por muitas vezes, é até podia ser chamada de «peso», embora a nossaconferida ao profeta em meio a manifestações versão portuguesa prefira traduzir isso por «senten-misticas, (Ver sobre Misticismo). Isso, sem dúvida, é ça»; ver Isa. 13:1; Eu. 12:10; Osê, 8:10; Naum 1:1;incontestável, pois, desde os primeiros profetas de que Hab. 1:1; Zac. 9:1; 12:1; Mal. 1:1, etc. Outratemos noticia, na Biblia, até os maiores luminares maneira de ensinar essa responsabilidade pessoal doentre eles, como Isaias, Jeremias e Ezequiel, eles profeta é quando o Senhor põe suas palavras na bocasempre aparecem como homens visionârios. Portanto, de um profeta. Ilustremos com o caso de Jeremias.há um aspecto plástico na profecia, que, com «Depois estendeu o Senhor a mio, tocou-me na boca,freqüência, faz imagens e sinais acompanharem as e me disse: Eis que ponho na tua boca as minhaspredições e declarações extâtícas, uma garantia extra palavras. (Jer, 1:9). E também: «Tu, pois, cinge osde que a palavra proferida certamente terâ o seu teus lombos, dispõe-te, e dize-lhes tudo quanto eu tecumprimento, conforme foi «visto•. Por outra parte, é mandar; não te espantes diante deles, para que eu nãodeveras significativo que, desde o começo, em todas te infunda espanto na sua presença. (Jer. 1:17).as revelações divinas o aspecto oral é o aspecto Noutras ocasiões. a palavra dita pelo Senhor epredominante. O âmago da profecia é o fato de que entregue ao profeta, aparece sob a forma de um roloDeus fala ao profeta e através dele. De fato, isso vinha que ele precisava comer, a fim de que, digerindo-a, aacontecendo desde os primeiros patriarcas de Israel, entendesse e transmitisse fielmente aos seus ouvintes.conforme se vê, por exemplo, em Gên. 22: 1 e 46:2. ti ••• abre a boca, e come o que eu te dou. Então vi, e eisMas Moisés é que pode ser devidamente considerado que certa mio se estendia para mim, e nela se achavao protótipo de todos os profetas que se sucederam. o rolo de um livro ... Ainda me disse: Filho do homem,«Vendo o Senhor que ele se voltava para ver, Deus, do come o que achares; come este rolo, vai e fala à casameio da sarça, o chamou, e disse: Moisés, Moisésl Ele de Israel. Então abri a boca, e ele me deu a comer orespondeu: - Eis-me aquíb (Sxo. :1:4). rolo. E me disse: Filho do homem, dá de comer ao teu Samuel, considerado o último dos juizes e o ventre, e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te 19
  • 22. PALAVRA DO SENHORdou. Eu o comi, e na boca me era doce como o mel- E o livro de Deuteronômio ainda expõe com mais(Eze, 2:9-3:3). Ora, tudo isso garantia que a palavra clareza esse ponto de vista. Esse livro, com todo o seude um profeta chamado por Deus fosse certeira, de tal conteúdo, começa com estas palavras: «São estas asmodo que, quando ela se cumpria, o povo tomasse palavras que Moisés falou a todo o Israel.;.» (Deu.conhecimento de que um profeta estivera entre eles. 1:1). Essas palavras ele havia recebido da parte de«Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são Deus e as transmitiu ao povo de Israel. h dentro dessecasa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles livro de Deuteronômio que Moisés se chama deum profeta- (Eze. 2:5). «profeta», ao dizer: «O Senhor teu Deus te suscitará Visto que a palavra não era do profeta, mas um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante- do Senhor, por isso mesmo ela era dotada de um a mim: a ele ouvirás» (18:15). Isso indica que aspoder irresistivel, o mesmo poder com que Deus criou palavras que ele transmitia ao povo, fazia-o como umo Universo, meramente por haver falado: «disse profeta, e essas palavras consistiam em uma revelaçãoDeus... ,. Por isso mesmo é que Deus diz que aquilo profética. A palavra estava ali mesmo, sem necessida-que ele proclamava, teria cumprimento, mesmo de de alguém rebuscá-la no mar ou em terra (ver Deu.porque ele via todas as coisas, do principio ao fim. 30:11 88). Em outras palavras, o que Moisés dizia era«Quem anunciou isto desde o principio, para que o um autêntica palavra profética, entregue e recebida.possamos saber, antecipadamente...,. (Isa. 41:26). Na Quando a lei mosaica é corretamente compreendida,maioria das vezes, por conseguinte, na intermediação então, não a aceitamos como mero código dedos profetas, a profecia assumia a forma de regulamentos externos. Pelo contrário, ela faz parte dapredição-de livramento, de bênção, de juizo, etc., Palavra de Deus, recebida e entregue como qualquerporquanto o Senhor é o Deus do tempo. Essa palavra outra revelação divina. Se, tecnicamente, a leiprofética, pois, confronta o homem com uma pertence aos sacerdotes e a predição aos profetas, issoadvertência solene, com uma promessa segura ou não forma uma antitese final. Afinal, o própriocom um mandamento incondicional, meramente por Jeremias, em cujo livro (18: 18) se encontram aquelasser a palavra dita por Deus, que assim age com base palavras, «... porquanto não há de faltar a lei aoem sua retidão, veracidade e graça. Em face disso, sacerdote, nem o conselho ao sábio, nem a palavra aoninguém pode se mostrar desatento para com uma profeta... ,., tanto era profeta quanto era sacerdotel Apalavra dita por Deus e ficar isento de culpa. Essa é a lei é Palavra de Deus, tanto quanto as profeciasconclusão clarissima do Novo Testamento: «... como biblicaslescaparemos nós, se negligenciarmos tão grande E. A Palalla DOS Salmos. Embora o saltério nadasalvação? a qual, tendo sido anunciada inicialmente nos apresente de novidade, no tocante à nossapelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a compreensão acerca da Palavra de Deus, contudo,ouviram; dando Deus testemunho juntamente com enfoca certas coisas. A poesia é uma das formaseles, por sinais, prodigios e vários milagres, e por mediante as quais Deus achou por bem nos revelar a distribuições do Espirito Santo, segundo a sua sua vontade. A relação entre os Salmos e a criaçãovontades (Heb. 1:3,4). «Se eu não viera, nem lhes (Sal. 33) e entre os Salmos e a lei mosaica(Sal. 119) é houvesse falado, pecado não teriam; mas agora não um ponto especialmente enfatizado. No Salmo 119, têm desculpa do seu pecado» (João 15:22). E há «palavra» é um termo significativamente empregado muitas declarações semelhantes a essas, no Antigo e como alternativa para «lei», «mandamentcs», no Novo Testamentos! «estatutos», «preceitos», etc. - Tal como se vê D. A PII1afla e a Lei MouIca. Alguns eruditos têm no livro de Deuteronômio, os Salmos salientam afeito a distinção entre a profecia e a lei. Para tanto qualidade profética intrinseca da lei. Ao assim fazer,eles gostam de basear-se em Jeremias 18:18, onde se talvez os Salmos nos forneçam a melhor descriçãolê: «... porquanto não há de faltar a lei ao sacerdote, isolada da «palavra», na Biblia inteira-uma descri-nem o conselho ao sábio, nem a palavra ao profeta...,. ção que pode ser aplicada não meramente à leiMas, à luz do ensino biblico, porém, isso é mais mosaica, como também às Sagradas Escrituras, emfantasioso do que real. Os profetas declaram a sua inteireza. Assim, a palavra de Deus prevalece novontade e a palavra de Deus à sua própria época; mas céu (Sal. 119:89). Ela também é luz que nos alumia ofazem isso dentro do contexto e à base da vontade e da caminho (vs. 105); proporciona vida (vs. 160);palavra de Deus para o seu povo de todos os séculos, podemos confiar nela totalmente (vs. 42); podemosisto é, a revelação da lei. Assim, se é verdade que a fazer nossa esperança depender dela (vs. 74); requerpalavra profética vem ao profeta e ao povo com de nós a obediência (vs. 57); deve ser entesourada nogrande potência e força de convicção, isso não é coração (vs. 11); é doce para o paladar espiritual dosmenos verdade no caso da lei. Afinal de contas, justos (vs. 103); e produz tanto deleite como quandoMoisés foi o primeiro e o maior de todos os profetas. A alguém encontra um rico despojo (vs. 162). A lingualei, dada por Deus a Moisés, e, através deste, a todo o dos justos haverá de falar de acordo com a Palavra depovo de Israel, é a palavra de Deus, tanto quanto a Deus (vs. 172). Acima de tudo. a Palavra de Deus é oprofecia. Na verdade, Deus utiliza-se de vârios alvo não somente da fé e da esperança, mas tambémmétodos para tomar conhecida a sua vontade: lei, do amor de todos os remidos. E justamente porque ahistória, poesia, profecia, evangelho-sem que al- lei de Deus é a Palavra de Deus que o salmista,guém tenha o direito de dizer que este ou aquele expressando-se de modo totalmente contrârio ao quemétodo é mais condizente com a revelação divina do faria o legalismo, pôde clamar: «Quanto amo a tuaque qualquer outro método igualmente usado por lei! B a minha meditação todo o dia- (Sal. 119:97)1Deus. Por semelhante modo, tanto as duas tábuas da m. A PlI1alla Dentro da PUOIOfIa G~alei (os dez mandamentos) quanto os preceitos e A. Introduçlo. B preciso reconhecer que, paralela-estatutos do resto do Pentateuco têm igual valor como mente ao desenvolvimento da doutrina biblica darevelação divina: «Veio, pois, Moisés e referiu ao povo Palavra de Deus, no Antigo Testamento, dentro datodas as palavras do Senhor e todos os estatutos; filosofia grega também estava havendo um desenvolvi-então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo mento do 16g08, posto que de natureza diversa. Issoo que falou o Senhor, faremos» (Exo. 24:3). Nossa sucedeu assim porque Cristo Jesus é «...a verdadeiraatitude deve ser idêntica à dos israelitas, nessa luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem»oportunidade. (João 1:9). Além disso, visto que o Novo Testamento 20
  • 23. PALAVRA DO SENHORfoi escrito tendo como pano de fundo o helenismo, é particular do ser ~umano. Todavia, no ~stoi~~monecessário que examinemos toda essa questão, posterior, o 16gos foi sendo crescentemente identífiea-embora de forma breve. Que significação a idéia da do com a natureza. Essa fusão da ordem racional e«palavra» foi adquirindo no mundo helenista? O dos poderes vitais criava um entendimento panteista.desenvolvimento do pensamento grego, quanto a isso, G. O BeIenIsJmtfoi-se desdobrando de acordo com duas linhas 1. Os Mistérios. O vocâbulo 16gos encontrou um usomestras. O 16gos é: 1. o poder noético de aquilatar as religioso especial, dentro das religiões misteriosascoisas, ou seja, o conteúdo racional sobre as orientais. O santo lôgos era considerado algumacoisas; 2. uma realidade metafisica que se vai revelação ou doutrina sagrada. Por meio do 16gos,expandindo gradualmente, até chegar ao conceito de pois, haveria a ligação com a deidade. Em algu~asum ser cosmológico, um representante da divindade. instâncias, o 16gos era o equivalente aos pr6pnos B. Heráclito. A principal contribuição de Heráclito mistérios, e um indivíduo que se iniciasse erafoi que ele via, no 16gos, a interconexão entre homem chamado de 16gos de Deus. O 16gos também indicavae homem, entre homem e Deus, e, finalmente, entre as orações como um caminho até Deus. O 16gostoda a existência e Deus. O 16gos tanto é a palavra também ensinaria o individuo tanto a orar quanto acomo a mensagem transmitida pela palavra, o seu adorar corretamente.conteúdo. No 16gos estão embutidas tanto a fala 2. O Hermeticismo, Uma significativa caracteristi-quanto a ação correspondente. O 16gos envolve a ca, quanto a esse ponto, é que o deus HerD?-~eterna ordem por detrás das coisas, como uma lei personificava o 16gos. Estava em foco uma persomfi-cósmica e eterna, e também a base da psique cação genuina e não uma encarnação. O principio porhumana. Em última análise, não está em foco alguma detrás de todas as coisas, portanto, era identificadopalavra proveniente de fora do homem e, sim, a com uma divindade popular. Hermes foi escolhidopalavra imanente no homem. No entanto, estranha- com base no fato de que ele era tido como omente, para Heráclito, o olho, e não a audição, seria o mensageiro dos deuses, o mediador, e tomavainstrumento principal de captação do IÓg03, por parte conhecida dos homens a vontade dos deuses. Tambémdo homem. havia um elemento racional, porquanto um conheci- mento secreto seria desvendado por Hermes. Hermes, C. O. fIl-of.. 80..... Entre os pensadores à raiz dessa idéia, personificava o principio maissofistas, a palaYU era concebida como algo mais amplo da vida. Todas essas idéias, inevitavelmente, intimamente associado à mente do homem. O lógos, aproximavam-se do panteísmo. A relação entre o para eles, era afaculdade racional que está por detrás lógos e Deus era tema de muitas especulações. Deus da fala e do pensamento. Como tal, seria indispensâ- seria o pai do 16gos; e o 16gos procedena de Dc:u~. vel para a vida politica e cultural de todos os povos. Uma outra linha de pensamento, entretanto, diziaAlém disso, também desempenharia um papel que o lógos é a imagem de Deus, ao passo que o importantissimo na pedagogia. No entanto, eles homem seria a imagem dol6gos. Porém, a despeito de afastaram-se da idéia do 16gos como um principio algumas similaridades verba!s, essas idéias estã~ bem dotado de proporções cósmicas, reduzindo-o a apenas pouco relacionadas à doutrina neotestamentária de uma faculdade humana. Jesus Cristo como o Verbo ou Palavra de Deus. D. Piado. Embora Platão seguisse as diretrizes do B. FlIo. Para esse pensador judeu (vide), a palavrapensamento dos fil6s0fos sofistas sobre o lôgos, não se 16gos era muito importante. Ele a usou de muitas mostrava defensor de um tão grande individualismo maneiras diferentes, de tal modo que é quase para a «palavra» quanto eles. Para ele, o 16gos seria impossivel falar de uma doutrina do 16gos, nos muito mais do que a faculdade racional individuali- escritos de Filo. A grande dificuldade que elezada. Antes, haveria um 16gos comum, alicerçado, em enfrentava, como sucedia a todos os demaisúltima análise, sobre a concordância que há entre as pensadores não-cristãos, era manter harmônícas entrepalavras e as coisas. O 16gos tanto derivar-se-ia das si as suas convicções judaicas e as idéias da filosofiacoisas quanto as interpretaria. Não seria meramente grega. Assim, os eruditos modernos estão divididos,uma opinião, um ponto de vista particular. Visto que sem saber se, para Filo, o 16gos era um conceitocombinaria o pensamento, a palavra e a coisa assim predominantemente grego ou predominantementeconcebida e expressa, seria mais amplo que a judaico. Até onde vai o 16gos divino, parece que asfaculdade individual da razão, sendo uma realidade raizes desse conceito são judaicas, mas que omaior do que essa faculdade. desenvolvimento do mesmo foi tremendamente E. ArhtóteI•. Arist6teles manifestou entender a influenciado pelo pensamento grego.dupla natureza do 16gos: seria palavra e compreensão, O 16gos de Deus, ou 16gos divino, não seria Opor um lado e, por outro lado, o resultado da palavra próprio Deus. Seria apenas uma das obras de Deus.e da compreensão. O individuo proferiria a palavra; Porém, também seria a imagem de Deus e o agente damas, em certo sentido, suas ações também seriam criação, o que já importa em uma contradição, poiscontroladas pela palavra. E, visto que o 16gos uma criatura não pode ser o criador. Filo identificavaconduziria à ação, a «palavra» poderia ser considera- o lógos com o cosmos noético. Mas serviria deda como a origem das virtudes peculiares ao ser intermediário entre o Deus transcendental e ohumano. homem. No 16gos estariam embutidos os 16goi, ou F. O E8tolcUmo. Os fil6sofos estóicos voltaram à seja, as idéias individuais. O próprio 16gos, entretan-idéia do 16gos como um princípio côsmíco, No 16gos, to, era mais do que um mero conceito. Filopois, expressar-se-ia a ordem racional do mundo, a personificava o 16gos. Ele dizia que o 16gos é filho derazão cósmica. Assim sendo, o 16gos poderia ser Deus. A herança judaica de Filo, entretanto,tomado diretamente como Deus, ou Zeus. O 16gos resguardou-o tanto de deificar o 16gos quanto deseria o germe (no grego, 16gos spermatikós), que se conceber um imanentismo total de Deus, o que jádesdobraria na forma de formas orgânicas ou seria equivalente ao panteísmo. De fato, o 16gos, parainorgânicas. E também seria o 16gos orthôs, a lei, que ele, parecia um elo conveniente entre o Deus criador etransmitiria conhecimento aos homens. Todas as o mundo que ele criou.coisas procederiam do 16g03, e retomariam ao 16g03. 1. CoDellDlo. Visto que o Novo TestamentoO 16g03 geral tomaria forma consciente no 16g03 apre.senta Jesus Cristo como o Verbo encarnado de 21
  • 24. PALAVRA DO SENHORDeus, sentimo-nos fortemente tentados a buscar Testamento, o termo 16gos pode também revestir-separalelos desse conceito biblico no mundo grego ou de sentidos particulares, derivados de sua significaçlohelenista, como se as idéias gregas fossem as fontes de básica. Assim sendo, dar um 16gos é prestar contas,onde Joio extraiu o seu entendimento acerca do 16gos ou a alguém, ou, mais comumente, nas páginas daou Verbo de Deus. Fazer tal coisa, entretanto, é Biblia, a Deus (Mat. 12:36; Rom. 14:12). Lógos éignorar as diferenças decisivas entre o pensamento vocábulo que também pode significar «base- ougrego e o pensamento biblico e neotestamentârio, «razão», conforme se vê, por exemplo, em Atos 10:29.Poderiamos sumariar essas diferenças quanto a Tema ou assunto, parecem ser os sentidos da palavraquatro pontos principais: 1. a compreensão grega lógos, em Atos 8:21. Do ponto de vista espiritual, osobre o 16gos é racional e intelectual; a compreensão conceito de prestação de contas é o mais importantebiblica é teológica; 2. o pensamento grego chegava a dentro dessa categoria.dividir o lógos único em muitos lógoij o Novo B. UIO &pedalTestamento, por sua parte, reconhece somente um 1. O Antigo Testamento. Em um grupo inteiro deLógos, o Mediador entre Deus e o homem, Jesus versiculos do Novo Testamento, o verbo légo, «dizer»,Cristo; 3. para os gregos, o 16gos deveria ser ou os substantivos 16gos/rêma, «palavra», referem-seconcebido inteiramente fora da consideração de ou à palavra de revelação do Antigo Testamento ou aotempo; mas Jesus Cristo, o Verbo eterno, assumiu pr6prio Antigo Testamento, na qualidade de Palavrasingularidade hist6rica quando se encarnou, ou seja, escrita de Deus. Um interessante ponto a observar,veio viver dentro do tempo; 4. para os gregos, o 16gos nessas referências bíblicas, é que, algumas vezes, atenderia para ser identificado com o mundo, de tal «palavra- é descrita como a de algum autor humano emaneira que o mundo seria o filho de Deus; mas o outras vezes, como a do Cristo preexistente e outrasLógos da Biblia é o Filho unigênito do Pai, um ser vezes, como a de Deus. Além disso, também seu uso édivino-humano distinto da criação, conhecido entre os indefinido, «foi ditos, ou expressão similar. E mesmohomens como Jesus de Nazarê. Á luz dessas quatro quando a ênfase recai sobre o orador ou escritordistinções fundamentais, aqueles paralelos 6bvios, humano, não resta dúvida nenhuma de que o mesmodos quais falamos acima, são reduzidos à ínsignífícân- é um porta-voz de Deus, de tal modo que embora ocia material. homem esteja falando, Deus é o originador real das IV. A Palama DO Novo Te8tameato palavras ditas, no Antigo Testamento. A «palavra», A. UIO GenJ. sem importar se alguma declaração isolada, se um 1. Neutro. Embora, no Novo Testamento, lógos/ livro inteiro, é palavra tanto do homem quanto derêma seja um importante vocábulo teolôgico, também Deus. O conceito que o Novo Testamento faz dopode ser usado em um sentido geral. Em algumas Antigo Testamento, como também o conceito que oinstâncias, o sentido geral pode ter uma significação Novo Testamento faz de si mesmo e de suateol6gica toda pr6pria; mas, em outros casos, essa mensagem, é a noção biblica fundamental da Palavrasignificação reveste-se de um caráter inteiramente do Senhor. Se a expressão «palavra do Senhor» (noneutro. Assim sendo, esse termo, no singular ou no grego,I6gos toü /curtou) nunca é empregada no Novoplural, pode denotar aquilo que já ocorreu, no Testamento, nessa conexão, para isso parece haverpassado (Mar. 7:29). O ato de falar também pode ser uma razão especial. Pois, no Novo Testamento, /cúriosdistinguido do ato de escrever uma carta (11 Cor. é um titulo do prôprio Jesus Cristo, pelo que10:10). Mas, é digno de nota que a palavra escrita expressões como «palavra do Senhor» ou «palavras dotambém transmite a palavra (vs. 11). Além disso, o Senhor- facilmente poderiam passar por expressõesvocábulo «palavra- pode indicar uma noticia ou um dominicais. E mesmo quando estio sendo feitasrumor" ou mesmo a narrativa contida em um livro citações do Antigo Testamento, essas expressões não(Atos 1:1). E nem mesmo é necessário que haja um são usadas como uma f6rmula introdut6ria, embora adiscurso inteligivel; pois as palavras podem ser palavra grega /cúrios, com um verbo, possa ser usadaproferidas em lingua extática, tanto quanto com o dentro das pr6prias passagens citadas, conforme seentendimento (I Cor. 14:19). Qualquer coisa que se vê, por exemplo, em Romanos 12: 19. A maneira geraldiga pode ser lógos ou rêma, como o Novo Testamento se refere ao Antigo 2. A Palavra e a Realidade. Um interessante uso do Testamento, como a Palavra de Deus, deixa claro,vocábulo lógos é aquele que indica uma palavra vazia, além de qualquer dúvida possivel que, tanto aem distinção à realidade ou a uma ação. Isso é algo mensagem do Antigo Testamento como também osteologicamente impossivel, quando a referência é à versiculos individuais são reputados como divinamen-palavra divina. Porém, a fala humana pode consistir te dados e divinamente autoritários. O quanto isso éapenas em fala, destituida de qualquer substância ou plenamente endossado pode ser visto com base no fatorealidade. A linguagem jactanciosa da sabedoria de que, em alguns poucos versiculos do Novohumana cabe dentro dessa categoria (ver 1 Corintios Testamento é dificil dizer se há ali uma referência à1-4). Por igual modo, a profissão de amor, sem as palavra do Antigo Testamento ou à mensagem do demonstrações correspondentes (ver 1 Joio 3: 18; cf. Novo Testamento (ef, Heb. 4:12 e Efé. 6:17).Tia. 2:14 ss). 2. A Palavra a Individues, No Novo Testamento, tal 3. No Mau Sentido. As palavras podem ser não como no Antigo Testamento, encontram-se exemplos somente vazias e sem poder, mas também maldosas. de pessoas a quem foi dada alguma palavra ou O trecho de Efésios 4:29 alude a uma linguagem mensagem da parte de Deus. Assim sendo, a rêma de «torpe"; I Tessalonicenses 2:5 menciona palavras de Deus veio a Simeão(ver Luc. 2:29). Outro tanto é dito «bajulação»: 11 Tim6teo 2:17 compara as palavras a respeito de Joio Batista (ver Luc. 3:2), Entretanto éditas pelos heréticos a uma excrescência maligna; 11 significativo que, embora os ap6stolos tivessem sido Pedro 2:3 fala sobre «palavras fictícías»; e Tiago 3:2 especificamente encarregados do ministério de prega- reconhece solenemente que quase todas as pessoas ção, essa f6rmula comum do Antigo Testamento não ofendem em suas palavras. Paulo, em I Corintios 1-4 aparece mais depois do evangelho de Joio. Conforme nada de bom tem a dizer sobre as palavras ditadas diz o pr6prio Novo Testamento, a lei e. os pr?fetas pela sabedoria humana, porquanto nelas não há nem vigoraram até Joio (Mat. 11:13). Se, dali por diante, verdade e nem poder. não lemos mais que a palavra de Deus veio a alguém, 4. Sentidos Especificos, Nas páginas do Novo isso não significa, naturalmente, que a palavra de 22
  • 25. PALAVRA no SENHORDeus foi retirada, e nem que toda a maneira da qualquer fórmula única de citação; mas, a despeito derevelação divina tenha sido drasticamente alterada. A toda a variedade, manifesta-se a mais plena confiançarazão é outra; é que agora a Palavra de Deus veio, em de que as afirmações citadas são autênticas, tendotoda a sua plenitude, na pessoa de Jesus Cristo. Falar, sido fielmente transmitidas (ver Luc, 1:1-4; Atosdesde entã.o, a uma palavra de Deus que tivesse vindo, 1:21,22). De fato, em algumas instâncias. até opor exemplo, para Paulo ou para Pedro, seria falar de aramaico original foi preservado (como em Mar. 5:41uma maneira inteiramente contrâria à mensagem do e 7:34), embora nos evangelhos escritos, originalmen-Novo Testamento. Agora, já foi proferida a palavra te, em grego, dirigidos, principalmente. a leitores dedefinitiva. Disso dá testemunho o trecho de Hebreus fala grega. Por conseguinte, quando alguma declara-1; 1,.2: «Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e ção do Senhor Jesus aparece em qualquer situação,de muitas maneiras. aos pais, pelos profetas, nestes ela tem toda a força e a autoridade de um clamorúltimos dias falou pelo Filho, a quem constituiu profético, como «Assim diz o Senhor».herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o A autoridade das declarações do Senhor Jesusuniverso». Todos os demais são comissionados para também foi sentida por seus ouvintes originais. Sepregarem a palavra de Deus, e quaisquer orientações alguns se sentiram ofendidos, e outros julgaram-noespeciais que precisam receber, lhes são dadas por louco, chegando até a tentar impedi-lo disto oumeio de uma visão, de um anjo, do Espirito Santo, ou, daquilo, a razão dessas atitudes é que ficaramentão, da parte do próprio Senhor Jesus. perturbados por sua palavra, que lhes parecia e mister salientar que a fórmula profética do ameaçadora (cf. Mat. 15:12; João 10:20). Mas, todosAntigo Testamento, Que se faz ausente em todo o os ouvintes de Jesus parecem ter reconhecido, comNovo Testamento, depois do evangelho de João, espanto, que ele falava com toda autoridade, e nãotambém aplica-se ao Senhor Jesus. Assim, embora como os escribas (Mat. 7:28). As palavras de Deusninguém tenha proferido a Palavra com tanta produziam sobre as pessoas o mesmo impacto que aautoridade, nunca lemos no Novo Testamento que a sua presença e pessoa. Por isso mesmo, Jesus dissepalavra veio a Ele, como, por exemplo, veio a Joio. que se envergonhar de suas palavras era envergonhar-Uma voz manifestou-se por ocasião de seu batismo, e se dele, e vice-versa (ver Mar. 8:38). As ~avrastambém por ocasião da transfiguração, mas essa voz proferidas por Jesus têm um poder din .co edirigiu-se ao povo, e não ao pr6prio Senhor Jesus. autoritário. Tal como a palavra do Antigo Testamen-Essa voz era uma confirmação e não uma comissão. to, elas são eficazes. Por meio da palavra de Jesus, osVisto que, sem a menor dúvida, Jesus é o Profeta enfermos eram curados, os pecadores arrependidossupremo, maior até mesmo do que Moisés, sô eram perdoados, os mortos eram ressuscitados. E,podemos chegar à conclusão de que essa f6rmula podemos acrescentar, eram e são. Pois, «passará oveterotestamentária foi evitada, no caso dele, de modo céu e a terra, porém as minhas palavras não passarãoproposital. A relação entre Jesus e Deus Pai, e (Mat. 24:35).também entre Jesus e a Palavra de Deus transcendetão completamente o que poderia ser dito sobre os A palavra de Deu raIIza aquilo que ela diz (cf.profetas que, falar sobre alguma palavra dada a Jesus Gên. 1:1.). Da mesma forma que a palavra doseria totalmente impr6prio. Conforme ver-se-á mais Antigo Testamento (ver Isa. 40:8), as palavras ditasadiante, o âmago da mensagem do Novo Testamento por Jesus são eternas e potentes. O ap6stolo João, àé que a Palavra de Deus veio com Jesus, e não a ele ou sua maneira, frisa a mesma verdade. No evangelho de . édi d I S id íd d D João, as palavras de Jesus são palavras de vida eternapor interm o e e. ua 1 entí a e com eus e com (ver Joio 6:68). Elas são -espírito e vida» (João 6:63).a revelação de Deus situa todo o conceito da Palavrade Deus debaixo de uma nova luz, inteiramente Têm a mesma autoridade que as palavras jáinédita e sem igual. «".0 Verbo era Deus... e o Verbo registradas nas Escrituras Sagradas (Joio 2:22 ese-fez carne, e habitou entre nôs, cheio de graça e de 5:47). Se os homens tiverem de ser salvos, terão deverdade, e vimos a sua glória, glória como do aceitar as palavras de Jesus (João 12:48), guardando-unigênito do Pai» (João 1:1,14). as (João 8:51) e permanecendo nelas (João 8:31). Além disso, essas palavras não eram apenas do 3. A Palavra de Jesus. Embora não se possa ler, no homem Jesus, porquanto ele estava escudado noNovo Testamento, que a palavra de Deus veio a Jesus, mandamento de Deus Pai, no tocante ao que eleconforme é dito sobre profetas e outros homens de deveria dizer e falar. «... e a palavra que estais ouvindoDeus, o Novo Testamento, com freqüência, refere-se à não é minha, mas do Pai que me enviou» (João 14:24).prédica ou às declarações de Jesus, chamando-as de Por isso mesmo, rejeitar a Jesus e às suas palavras«palavra de Deus». Assim, Jesus aparece como sujeita o homem à condenação. E será a palavrapregador da palavra (ver Mar. 2:2). Jesus mencionou proferida por Jesus, se tiver sido rejeitada, que julgaráaqueles que dão ouvidos à palavra de Deus e a põe em aos incrédulos, no julgamento final. «Quem me rejeitaprática (Luc, 8:21). Na parábola do semeador, a e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; asemente é a palavra (Mat. 13:18-23). Com muito própria palavra que tenho proferido, essa o julgará nomaior freqüência, o Novo Testamento registrou aquilo último dia» (João 12:48).quelesus disse, como ~ de,.. (cf. Mar.10:22). Nessa conexão, são usados os vocábulos 4. A Palavra sob a Forma do Evangelho. Os vocábulos gregos 16gos e rima não somente sãogregos 16gos erêma. E, quando chegamos ao livro de aplicados às palavras proferidas pelo Senhor Jesus.Atos e às epistolas, ocorrem fórmulas como «a palavra Esses vocábulos também podem denotar a mensagem(rêma) do Senhor» (Atos 11:16), «palavra (16gos) do inteira do evangelho, isto é, tudo quanto Jesus «disse-Senhor- (I Tes. 4:15), e «palavras do Senhor Jesus» e «fez». Nesse sentido, encontramos especialmente e(Atos 20:35). digno de atenção que quando Paulo três expressões, a saber: «01660& de Deus», «o!ógôs doapelou para certa declaração, proveniente do Senhor, Senhor» e «o 16gos». As expressões mais comunsem I Cor. 7:10, esse ap6stolo considerou que essa dentre essas três, são a primeira e a terceira. Mas, emdeclaração se revestia de autoridade conclusiva, e isso várias passagens do livro de Atos (como CII) Atos 6:4),em relação com sua própria opinião apostôlica, como o 16gos não é alguma declaração de Jesus. mas antes,alguém que também tinha o Espirito de Cristo. é a mensagem a respeito dele. E, se o Antigo A Igreja primitiva, como é óbvio, sentia-se em Testamento também pode ser mencionado nessaliberdade para citar essas afirmações, sem aderir a conexão, isso deve-se ao fato de que a palavra e as 23
  • 26. PALESTINAtem exercido sobre a civilização. Em números do nível do mar. E o mar Morto, propriamente dito, éredondos, a Palestina tem 150 km de norte a sul, e uns bastante profundo; seu fundo fica a 396 m abaixo de70 km de largura, em média. Conforme é fácil de sua superfície, tornando esse o lugar mais baixo à facecalcular, a Palestina é bem menor que o estado do planeta. Na verdade, tudo isso faz parte da falhabrasileiro de São Paulo. Seu comprimento, de norte a geológica que percorre daí até o mar Vermelho e entrasul, tornou-se proverbial dentro da frase «de Dã a na parte oriental da África.Berseba.., lugares esses que assinalavam seus extremos 4. A Palestina Oriental. Temos aí um extenso platô,norte e sul, respectivamente. Foi durante os governos a maior parte do qual mantém-se a uma altitude dede Davi e Salomão que Israel atingiu suas maiores mais de 900 m. Essa área incluía localidades comoproporções territoriais. Então as suas fronteiras Basã, Gileade e Moabe. Está dividida por Quatro rios:estendiam-se até às margens do Eufrates e até às o Iarmuque, o Jaboque, o Amom e o Zerede. Os doisfronteiras com o Egito, embora isso incluísse povos primeiros são tributários do Jordão. Mas o Amom e otributários. Na época, a população não ultrapassaria Zerede deságuam diretamente no mar Morto. Ao sula casa dos dois milhões de habitantes, incluindo do mar Morto fica a Arabâ, rica em cobre, que sesomente os israelitas; e talvez chegasse aos três espraia até Eziom-Geber, no extremo norte do marmilhões, se fossem contados os povos tributários. Vermelho. A Palestina é dividida em duas partes iguais, de E1evaçiel de Alguns Picos e Locals Notáveis:norte a sul, por uma linha de colinas que, na verdade,consiste na continuação dos montes do Líbano, da Monte Hermom, 3050 m; monte Catarina, noSíria-Líbano. No seu extremo norte, essa cadeia Sinai, 2460 m; Jebel Mousa, no Sinai, 2145 m; Jebelmontanhosa tem alguns poucos picos que se et-Tyh, no Sinai, 1312 m; Jebel er-Ramah, 915 m;aproximam dos mil metros de altitude. Ao descer Hebrom, 824 m; monte das Oliveiras, 774para o sul, já no distrito da Galiléia, essa serra é m; Safete, 762 m; monte Gerizim, 732 m; Damasco,intercalada por várias planícies. Entre essas está a 667 m; monte Tabor, 533 m; passo de Zefate, 438 m;famosa planície de Esdrelom, ou Jezreel. Também há deserto de et-Tyh, 427 m; Nazaré, 2SO m; planície decolinas, mais baixas, mais ao sul, já dentro dos Esdrelom, 140 m; lago de Tiberíades, 26 m abaixo dodistritos da Judéia e da Iduméia. Em Jerusalém, a nível do mar; a Arabâ, em Cades, 28 m abaixo doaltitude é de cerca de 760 m, pois a cidade encontra-se nível do mar; o mar Morto, 375 m abaixo do nível doem um platô, no alto das colinas da região. Também mar; o fundo do mar Morto, 771 m abaixo do nível dohá colinas na área de Samaria, embora mais baixas, mar.com vales espaçosos. Da extremidade norte das m. Esboço de Informes mstórlcoscolinas de Samaria, segue um espigão na direção Para relatar tudo, teríamos de começar pelanoroeste, até à planície costeira de Sarom, com seu pré- história e entrar no relato bíblico inteiro.ponto culminante no monte Carmelo, cujo sopé é Portanto, damos aqui apenas um breve sumário, embanhado pelas águas do mar Mediterrâneo. A parte forma de esboço.oriental da Palestina consiste em um longo platô, quevai desde o monte Hermom, ao norte, até o monte Por razões geográficas. a terra da Palestina serviaHor, em Edom, ao sul. como caminho obrigatório para os povos que passavam do ocidente para o sul; e as forças militares, Quatro Areu Distinta em expansão, naturalmente escolhiam essa rota. 1. A Planlcie Maritima, Essa planície vai desde o Assim sendo, grande parte de sua história é umario Leontes, ao norte, a oito quilômetros ao norte de interminável crônica de invasões e conquistas. NoTiro, até o deserto para além de Gaza, ao sul. O entanto, foi em meio a essa situação sempre perigosamonte Carmelo, entretanto, interrompe esse vale. A que o propósito divino levou a Palestina a desempe-partir do Carmelo para o sul, até Jope, a região é nhar um papel tão crucial na história. Por muitas econhecida como planície de Sarom; e então como muitas vezes, os habitantes da Palestina, além doSefelá, desde Jope até o ribeiro de Gaza, na direção fluxo de fronteiras causado por conflitos intensos, têmsul. Mais ao sul ainda, fica a área conhecida como sido sujeitados às imposições de potências estrangei-planície da Filístia. ras, algumas distantes dos estreitos limites da região. 2. Cadeia Central. Conforme foi dito acima, as Como característica geral, podemos afirmar que omontanhas do Libano internam-se Palestina adentro; principio da cidade-estado conferiu alguma estabili-e nos distritos da Galiléia, da Samaria e da Judéia há dade à área.extensões mais baixas dessa cadeia. A Alta Galiléia 1. Antes da Idade do Bronze. Não se sabe muitadispõe de certo número de colinas, algumas das quais coisa sobre esses tempos, apesar das investigaçõesentre 600 e 900 m de altura, ou mesmo pouco mais, e arqueológicas. Contudo, desde os tempos neolíticosoutras chegando até os 1200 m de altitude. Abaixo houve ali povoados representando um período cru e dedamos as altitudes dos principais montes e colinas da baixa cultura. O décimo capitulo do livro de GênesisPalestina. A Baixa Galiléia forma um triângulo informa-nos que Canaã descendia de Cão; e esse é o malfeito, limitado pelo mar da Galiléia e pelo rio primeiro informe bíblico acerca da Palestina (ou terraJordão, até Bete-Seã, a leste, e pela planície de de Canaã). Canaã era filho de Sidom, o que nosEsdreíom, a sudeste. Colinas mais baixas são mostra que havia aí sangue fenício. A Tabela dasencontradas ali. O monte Tabor chega a 562 m, e o Nações mostra-nos como esses povos espalharam-se.monte Gilboa a 502 m de altitude. A planície de 2. Idade do Bronze Antiga (começando em 3000Esdrelom intercepta a região central. Ao sul dessa A.C.). Esse período foi marcado por sucessivasárea há muitos wadis (vide). O monte Gerizim chega invasões de povos semíticos, que ocuparam a regiãoaos 869 m de altura, onde ficava a cidade de Samaria. da Palestina. Em cerca de 1900 A.C. (mas outrosDe Bete! a Hebrom, na Judéia, a serra continua e pensam em data bem posterior), Abraão representa-chega à altura de 670 m. Betel está a uma altitude ria uma migração semítica para essa área. Tutmésmédia de 792 m; Belém, a 778 m; Hebrom, a 927 m. 111, do Egito (cerca de 1480, ou um pouco mais 3. O Vale do Rio Jordão. Na verdade, esse vale é tarde), veio a dominar a área. Esse domínio foiuma profunda e longa garganta. Desde a altitude de interrompido pelas invasões dos nômades habiru da 518 m, no monte Hermom, vai descendo rapidamente Mesopotâmia, como também pelos poderes dominan- na direção do mar Morto, que já fica a 375 m abaixo tes sucessivos dos amorreus, vindos do Libano, e dos 26
  • 27. PALESTINAhititas, da Anatólia. A XIX Dinastia egipcia terras do império macedônico, após a sua morte. Foi(1304-1181 A.C.), porém, reconquistou a Palestina. ele quem expulsou os persas da Palestina, a qual,Os filisteus, um dos «povos do mar» (do mar Egeu, depois, passou a ser governada pelos ptolomeus, dosem dúvida), tomaram conta das costas marítimas da Egito (até 198 A.C.), e, então, pelos selêucidas, daPalestina. Os arameus estabeleceram-se na Palestina, Mesopotâmia e do sul da Anatólia.vindos do deserto da Síria, que lhe fica ao norte. E o 9. A Revolta dos Macabew. Em 168 A.C., Judaspovo de Israel, ao libertar-se da servidão egípcia, fez Macabeu (ver o artigo intitulado Haamoneanos) e seusuma grande excursão na Palestina, tornando-se então irmãos revoltaram-se contra o poder dos selêucidas. o povo predominante. Os estudiosos datam .a Antioco IV Epifinio havia tentado helenizar oconquista israelita entre 1500 e 1225 A.C., o m&1S judaismo, e isso criou mais ~tação do q,!e. alguém tardar. seria capaz de controlar. A liberdade religiosa dos 3. O Período dos Juizes. Esse periodo tem sido judeus foi obtida, após muito derramamento de datado entre 1400 A.C. até 1150 A.C., o mais tardar. sangue, em 164 A.C. Mas e5$8 independência foiSe essa data posterior for aceita, isso jA nos leva à mantida apenas pelo espaço de setenta e nove anos. Idade do Ferro. Na época, os ganhos territoriais de 10. A Era Romana. As coisas desintegraram-se Israel foram alternadamente desafiados e confirma- perigosamente sob os 20vemantes macabeus, nados, enquanto os israelitas procuravam dominar os Judéia. E: que os macabeus haviam perdido a visiopovos por eles conquistados, mas que se rebelavam. A dos propósitos originais da revolução. E os romanosfé dos hebreus consolidou-se em tomo da adoração a intervieram para impor a sua ordem. Pompeu ocupouYahweh, embora com periodos de apostasia. Emergiu a Palestina, em 63 A.C., e esta tomou-se um dai uma notável fé monoteísta, que estava destinada a protetorado romano. exercer efeitos duradouros sobre a espiritualidade do 11. Herodes, o Grande. Ele era um rei vassalo mundo. nativo, responsável diante do senado romano pela sua 4. Os Reis de Israel. O período dos juizes cedeu administração. Foi em sua época que nasceu o Senhor lugar aos reis, a começar por Saul. A monarquia Jesus. E foi por causa de suas ameaças que a santa adquiriu maior impeto com Davi e atingiu seu ponto familia precisou descer ao Egito. Ele reinou sobre a culminante de glória com Salomão. A partir de então Judéia de 37 A.C. a 4 D.C. as datas podem ser fixadas com exatidão. A era áurea 12. Os Procuradores Romanos. Dificuldades ad- de Salomão fica entre 961 e 922 A.C. Nesse tempo, ministrativas logo tomaram necessário Roma gover- Israel atingiu o máximo de sua extensão territorial, e nar a Palestina mediante governadores ou procurado- Salomão desfrutou de um periodo pacifico e próspero, res. Isso significava que, doravante, Roma estaria que ele usou para impressionar os países em derredor. governando a região diretamente. Os judeus, entre- No entanto, após a sua morte, a unidade da nação tanto, ressentiam-se diante de qualquer forma de viu-se quebrada, e o norte e o sul tomaram-se paises governo estrangeiro, sobretudo diante de um governo distintos: Israel e Judâ. Os artigos sobre Israel e Judá direto. E a revolta, que se ocultava nos corações de expõem detalhes completos sobre essa questão e sobre todos os judeus, acabou vinda à tona. Os zelotes • história de ambas essas nações, até o final das (vide), desempenharam um papel liderante nisso. mesmas. O tempo dos reis cobre as Idades do Ferro I, 13. A Destruição do Ano 70 D.C. Finalmente, foi II e Hl, Depois disso, temos o periodo helenístico. mister que os romanos fizessem intervenção militar, a S. O Cativeiro Asslrio, A nação do norte, Israel fim de controlar a rebelião, Sob as ordens de Tito (que (cuja capital era Samaria), chegou ao seu fim quando mais tarde veio a tomar-se imperador de Roma), os os assírios, sob as ordens de Sargão 11, destruiram exércitos romanos invadiram Jerusalém, executaram praticamente tudo ali, levando os sobreviventes para a a milhares de judeus e arrasaram até o nivel do chão o Assiria. Isso ocorreu em cerca de 721 A.C. Esse foi o magnificente templo de Herodes. fim da história do reino do norte, Israel. A moderna 14. Destruição e Deportação. Os rebeldes judeus nação de Israel compõe-se, essencialmente de Judâ, conseguiram recuperar-se, e a rebelião ferveu de embora com vestigios de todas as outras tribos. novo. Dessa vez, o imperador reinante, Adriano, Senaqueribe, sucessor de Sargão, assaltou e reduziu precisou pôr fim definitivo à questão. Isso ocorreu em Judâ; mas aos babilônios coube terminar a tarefa. Ver 132 D.C. Então ele começou a esvaziar a Palestina de o artigo Cativeiro Assirio, judeus, dando inicio à Grande Dispersão, que se 6. O Cativeiro Babilônico. Nabucodonosor, rei da estendeu de 135 a 1920 D.C., quase dezoito séculos! A Babilônia, destruiu tudo quanto pôde em Judâ, e Jerusalém foi dado um nome pagão, Aelia Capitolina, deportou os sobreviventes para a Babilônia. Isso teve e tomou-se uma colônia romana. Aos judeus foi lugar em cerca de 587 A.C. Ver o artigo intitulado proibido de se aproximarem da cidade, exceto em Cativeiro Babilônico. suas peregrinações. Os centros judaicos de erudição e 7. O Retomo de Judá a Jerusalém. Um pequeno cultura foram transferidos para lugares como aremanescente voltou a Jerusalém, começando cerca de Galiléia, a Babilônia, a colônia norte-africana decinqüenta anos depois da deportação para a Cairuan e a Peninsula Ibérica.Babilônia. Isso sucedeu quando a Pérsia controlava a 15. Influência Bizantina-Cristã. Quando o impérioregião, pois os babilênios tinham sido derrotados romano metamorfoseou-se no império bizantino, edefinitivamente pelos persas. Ciro, o Grande, depois que Constantinopla tomou-se a sua novaconquistara e anexara ao seu império tanto a capital (cristã), em 330 D.C., automaticamente aBabilônia quanto a Palestina, ao seu jA gigantesco Palestina transformou-se em uma importante provin-império, em cerca de 539 A.C. Nos dias de Esdras e cia cristã-bizantina, uma espécie de posto avançadoNeemias, a cidade de Jerusalém foi reconstruida e a da Igreja Católica Oriental. Os patriarcados cristãosadoração a Yahweh foi renovada. Um novo templo que então dominavam o cristianismo organizado eram(mas bem mais modesto que o de Salomão) veio à Roma, Alexandria, Constantinopla, Antioquia eexistência, e o judaísmo conseguiu reequilibrar-se, Jerusalém. Somente Roma ficava na parte ocidentalapós ter sido quase extinto. do império; os outros quatro centros ficavam na 8. Alexandre. o Grande. e os Monarcas Selêucidas. porção desse império.Alexandre conquistou grande parte do mundo então 16. Assaltos Persas. Em 614 D.C., Ierusalém foiconhecido e deixou que seus generais governassem as saqueada pelos persas, e quase todos os habitantes da 27
  • 28. PALESTINAcidade foram deportados. Mas o imperador Heráclio estranha em tudo isso foi que os exércitos árabesencabeçou uma cruzada contra os persas e restaurou mostraram ser aliados denodados e eficazes dosna Palestina o dominío cristão, em 628 D.C. britânicos, nessas campanhas militares. Naturalmen- 17. Assaltos Islâmicos. A Palestina não conseguia te, eles pensavam que a Palestina ficaria nas mãosdescansar da guerra, e as invasões árabes (de mistura deles. Os ingleses passaram a exercer o controle sobrecom várias restaurações, mediante as diversas a Palestina mediante um mandato da Liga dascruzadas; vide) se processaram durante um longo Nações. E os conflitos árabe-judeus começaramperíodo, O califa Omar (Umar) I conseguiu tomar terminada a Primeira Grande Guerra. A divisão dasJerusalém, em 638 D.C., e a Palestina e a Siria terras palestinas entre árabes e judeus não deixouviram-se assim separadas por longos séculos do ninguém feliz, provocando a contenda.governo do império romano-bizantino. Foi edificada 22. Imigrações Judaicas. Os judeus começaram aprimeiramente a mesquita de el-Aksa, em Jerusalém; retomar a sua terra, em cumprimento de antigase, então, no século VII, no local onde estivera o profecias biblicas. Em 1935 (um ano extraordinário),famoso templo de Jerusalém, foi construldà a mais de sessenta mil judeus voltaram à Terramesquita de Ornar. Desde então, Jerusalém tem sido Prometida. E os árabes começaram a agitar-se, poisuma cidade sagrada para os judeus, para os cristãos epara os árabes. Conforme alguém já observou: viam o que estava sucedendo. Os judeus continuavam«Jemsalém é sagrada demais para seu próprio beml- chegando de várias partes do mundo. Entre 1939 e 1944, cem mil judeus chegaram à Palestina. 18. O Dominio Muçulmano. Esse dominio foirepresentado por diversas dinastias, entre os séculos 23. Segunda Guerra Mundial. Foi durante esseVII e XVI de nossa era. Várias cruzadas cristãs foram periodo que o povo de Israel sofreu sua prova maisefetuadas entre os séculos XI e XIII D.C., na tentativa excruciante, desde os dias do cativeiro babilônico,de recapturar Jerusalém. E o poder trocou de mãos especialmente na Europa, devido às perseguiçõespor várias vezes, entre cristãos e islamitas. nazistas, que ceifaram cerca de seis milhões de 19. Os Turcos Otomanos. Pelos fins do século XVI, judeua..na mais séria tentativa moderna de extermínio de uma raçal Terminada a Segunda Guerra Mundial,os turcos otomanos haviam conquistado todas as porém, passado o pesadelo, grandes massas de judeusterras possuídas pelos árabes, no Oriente Próximo e retomaram à Palestina. Os conflitos continuaram,Médio, incluindo a Palestina, que passaram a fazer entretanto, em tomo da problemática questão departe do enorme império otomano. Naturalmente, os como dividir as terras entre judeus e árabesturcos otomanos acabaram convertendo-se ao isla- palestinos. A influência norte-americana tem sidomismo, o que significa que surgiu um novo estado critica; mas a questão parece estar longe de serislâmico, composto por outra etnia. E quando os solucionada.turcos otomanos capturaram o Egito, em 1517, eles 24 A b 7: 7: .oi d Otambém obtiveram o controle sobre Jerusalém, bem . Estados ra e e Judeu maepen entes.como sobre as santas cidades islâmicas de Meca e mandato britânico chegou ao fim, e, a 14 de maio deMedina. Durante quatro séculos, a Palestina perma- 1948, as Nações Unidas aceitaram a declaração de independência do estado de Israel. Um grandeneceu sendo uma província de Importância apenas acontecimento havia tido lugar, mais do que muitosrelativa do império otomano. Napoleão tentou políticos seculares puderam perceber. Mas estou certoalterar essa situação, em 1799, mas não obteve êxitol de que o presidente norte-americano, Harry Truman, 20. Dos Fins do Século XIX à Primeira Grande um bom evangélico batista, sabia exatamente o queGuerra. Um movimento nacionalista árabe começou a estava sucedendo. Israel era novamente, uma naçãotomar forma nas províncias árabes do impêrio oficial, independente, e no seu próprio território daotomano, com extensões pela Síria-Líbano. Uma Palestina!força opositora foi o Movimento Sionista Mundial, A dJ.penIo, iniciada em 13S D.C., havia sidoencabeçado por judeus, cuja finalidade era par revertida. Os estudiosos da Bíblia, ao redor donovamente Israel na Palestina. mundo, saltaram de alegria e admiração. Lembro-me 21. Durante a Primeira Grande Guerra. Árabes e de como o pastor de minha igreja batista, bem comojudeus colaboraram com os aliados, com o propósito toda a irmandade, vibraram diante da notícia. E,de liberar a Palestina dos turcos. Em uma das durante algum tempo, a Igreja cristã foi varrida empeuquíssimas vezes que assim aconteceu na história, todas as direções por um zelo profético. Os clamoresárabes e judeus estiveram combatendo lado a lado. dos céticos, que diziam que os judeus haviamTerminada a guerra, as forças aliadas, Inglaterra e produzido um autocumprimento das profecias,França, foram as potências encarregadas de decidir o soavam ridículos. Os judeus praticamente não haviamque fazer com a Palestina e as áreas adjacentes. exercido controle sobre os poderes em entrechoque,Muitas promessas conflitantes foram feitas. Na que tornaram tudo aquilo possível, exceto que eles seporção costeira da Síria, a França sentiu-se na agitavam por detrás dos bastidores. E foi o exércitoliberdade de estabelecer um centro administrativo britânico quem armou o palco para essa vitória Ique, finalmente, haveria de determinar seu estado. À Entretanto, as atividades terroristas dos árabesGrã-Bretanha cabia exercer autoridade similar em palestinos nunca cessaram. Forças das Nações Unidasoutras âreas. Em novembro de 1917, um mês antes de foram enviadas ao local dos conflitos, tentandoJerusalém capitular diante do Gen. Edmund Allenby, controlar a situação, mas parece que coisa alguma sefoi publicada a Declaração de Balfour, em Londres. tem mostrado eficaz.Essa declaração prometia, da parte dos ingleses, «um 25. A Guerra dos Seis Dias. Tal como nos dias dalar nacional para o povo judeu.., na Palestina. Essa antiguidade, várias nações circunvizinhas aliaram-sedeclaração incluía uma vaga previsão de que os contra Israel. Mas, a 5 de junho de 1967, Israeldireitos de outros povos interessados seriam salva- atacou seus adversários: e em apenas seis dias foiguardados. A vitória sobre os turcos foi alcançada no capaz de esmagar as forças combinadas do Egito, daoutono de 1917, e foi assinado um armistício, a 30 de Jordânia e da Siria. Isso deu a Israel a oportunidadeoutubro de 1918. Houve ainda mais combates, mas, de tomar conta da parte antiga de Jerusalém, com afinalmente, o mês de setembro de 1918 viu o fim do área do templo, juntamente com outros. territórios,poder turco sobre a Palestina, ficando os ingleses aumentando substancialmente os territórios ocupadosencarregados de pôr o lugar em ordem. A parte por Israel na Palestina. Aqueles dias são inesquecíveis 28
  • 29. PALESTINApara este co-autor e tradutor, pois poucas semanas um minimo de vegetação. Há, contudo, arbustosantes recebera um poderoso derramamento do anãos, alho, junipeiro e alguma vegetação desérticaEspirito Santo, depois de ter passado um ano e meio típica, com muitos tipos de flores selvagens.vendendo literatura evangélica entre judeus da Quanto àfauna, há animais de porte médio, comocidade do Rio de Janeiro, Brasil! o gato do mato, o gato selvagem, a hiena listrada, o 26. Uma Previsão Profética. Finalmente, Israel lobo, o mangusto, o chacal e algumas espécies de haverá de triunfar em sua luta. Porém, dias raposas. Os animais de porte pequeno incluem o negríssimos estão à sua espera. A Terceira Guerra morcego, muitas espécies de pássaros, a pomba, o Mundial verá a Rússia e seus satélites invadirem corvo, a coruja, a avestruz, a cegonha, a garça, o Israel, somente para serem derrotados pelas forças ganso selvagem, a perdiz, a codorna e muitas outras. aliadas do Ocidente. QUando a sobrevivência de Israel Cerca de cem espécies de aves habitam na Palestina estiver muito ameaçada, Jesus será visto em forma corno residentes ou passam por ali, em suas corpórea entre as forças de Israel, e a maré virará ao arribações. Atualmente é raro o aparecimento de contrário. A intervenção divina terá lugar, e Israel espécies como o leopardo, o urso sírio e o crocodilo. proclamar-se-á uma nação cristã. Se eu entendo Os peixes ocorrem em grande variedade, nos rios e corretamente a profecia biblica, uma outra guerra no lago da Galiléia. Há cobras, quase todas elas mundial (a quarta), terá de ferir-se. A China será o não-venenosas; abundantes também são os cágados, o poder opositor, e os Estados Unidos da América e a camaleão, o lagarto, os escorpiões, etc. União Soviética novamente se aliarão. Nessa quarta V. A Ocupação Humana guerra o mundo será reduzido a cinzas, e então a Esta enciclopédia tem artigos sobre todos os nomes Fênix- Israel levantará a cabeça entre as nações. locativos da Bíblia, Há cerca de seiscentos e vinte e Seguir-se-á o milênio. Então Jerusalém tornar-se-á a dois desses locais, somente na parte ocidental do capital religiosa e politica do mundo. Uma nova e Jordão, o que nos dá uma idéia do enorme número de grande força religiosa emergirá no mundo, e um novo lugares mencionados nas Escrituras. Além dos nomes cristianismo produzirá, segundo creio, uma nova locativos mencionados na Biblia, há aqueles que têm revelação, com uma nova coletânea de livros sido fornecidos pela arqueologia, que incluem as listas sagrados, um novo Novo Testamento; e, então, os de Tutmés lII, Setos I, Ramsés 11 e Sesonque I. A homens poderio dizer novamente: ..Vi, pessoalmente, primeira enciclopédia cristã (a de Eusébio), chamada as grandiosas obras de Deus". Ver o artigo separado Onomasticon, como também aquela de Jerônimo, são intitulado, - Profecia: Tradição da e a Nossa valiosas fontes informativas sobre localidades. AEpoca, arqueologia tem feito uma grande contribuição IV. cOma, Flora e FaUDa quanto a essa questão, O Dr, Edward Robison A terra de Israel, embora tão minúscula, é bastante identificou cento e setenta e sete lugares (em cerca de diversificada, com as montanhas, vales e desertos. E o 1838); e o Fundo de Exploração da Palestina localizou resultado disso é que o clima também é muito quatrocentos e trinta e quatro lugares (em cerca de variável. O monte Hermom, com seus 3OSO m de 1865). E Conder ajuntou a isso mais cento e quarenta altitude, fica coberto de neve no cimo. Dali o terreno e sete nomes. desce sob a forma de urna garganta até 393 m abaixo Alguma forma de vida urbana já existia na do nivel do mar. Mas há também um quentissimo Palestina desde nada menos de cerca de 8000 A.C., deserto. Na região montanhosa, as temperaturas são conforme a arqueologia tem sido capaz de demonstrarmodificadas, e, de outubro a abril, ventos ocidentais até agora. O vale do Jordão vem sendo habitado desdecarregam chuvas torrenciais. Porém, ventos que a pré-história remota. Cerca de setenta lugares dalisopram do deserto trazem um calor tórrido (ver Jô datam de antes de SOOO A.C. A planicie costeira, ao1:19; Jer. 18:17). A grosso modo, podemos falar em sul do Carmelo, tem contado com povoações desdeduas estações a cada ano: o inverno, que é chuvoso e tempos pré-históricos. Porém, um pouco mais para oúmido (de novembro a abril); e o verão, que é quente e norte, no vale de Saram e na Alta Galiléia, antes haviasem chuvas (de maio a outubro). densas florestas, que limitavam bastante a ocupação A Palestina jaz à margem de um dos grandes humana. Entretanto, na Baixa Galiléia e na Samariadesertos do mundo, o qual se faz sentir por meio de as evidências dão conta de uma ocupação humanaventos secos e poeirentos. O deserto vai descendo na generalizada. A parte que fica ao sul de Jerusalém nãodireção do mar, e então há uma área úmida com cerca era uma área favorável, devido a condições climáticas.de cem quilômetros de largura. O vale do Jordão, com Na Transjordânia, a arqueologia tem desenterradosuas baixas altitudes, toma-se quase insuportável- grandes fortalezas, como as de Petra, Bozra e Tofé.mente quente durante os meses de verão; mas, Cidades importantes desenvolveram-se ao longo dasdurante o inverno, é delicioso, bastante parecido com rotas comerciais. Entre elas podemos citar Berseba,o sul do estado da Califórnia, nos Estados Unidos da Hebrom, Jerusalém, Betel, Siquém, Samaria, Megi-América, ou com outros lugares de clima semitropi- do, Bete-Seã e Hazor,cal. A porção leste da garganta do Jordão praticamen- VI. Suprtmento de Água e Agrkultarate desconhece chuva. Assim, o clima da Palestina é O Nilo faz o Egito ser o que é. Sem esse rio, aquelemais variegado do que qualquer outra área do mundo território seria desértico, um ermo por onde somentede dimensões similares. os nômades passariam. A água é fonte de vida. Flora e Fauna. Há três regiões florais distintas na Conforme já vimos, na Palestina há áreas onde asPalestina: 1. oeste (âfea do Mediterrâneo), um lugar chuvas são abundantes durante os meses de invernodotado de árvores, arbustos de folhagem perene, (ver ponto IV, primeiro parágrafo). Mas, no verão, asmuitas flores e prados. Amendoeiras, oliveiras, chuvas rareiam. E isso exigiu a criação de um sistemafigueiras, amoreiras e videiras medram nessa faixa. 2. de cisternas e de irrigação. Por isso mesmo, umafonteO vale do Jordão é subtropical, com muitas espécies de água sempre foi de capital importância nade árvores, palmeiras, sícõmoros, figueiras, carva- Palestina. A palavra hebraica ain, «fonte", aparecelhos, nozes, peras, álamos, salgueiros, acácias, em combinação com setenta nomes locativos naoliveiras bravas, mostarda, etc. Há muitas e Palestina. Bir, ..poço", é outra palavra hebraica quevariegadas espécies de flores. 3. O deserto (no sul). O aparece em combinação com cerca de sessenta nomesNeguebe e a área de Berseba têm poucas árvores e locativos. O Jordão é o único verdadeiro rio da 29
  • 30. PALESTINAPalestina; mas seus modestos tributários também são do mesmo fica a planície de Aser, que se estende poruma importante fonte de água potável. Há muitos quarenta quílômetros até à antiga Escada de Tiro.ribeiros alimentados pelas águas derretidas das neves; Nesse local, as colina; da Galiléia chegam até bemesses, naturalmente, produzem água por algum perto das costas marítimas. Para suleste fica o vale detempo, mas logo secam quando o clima muda, e então Jezreel e a planície de Esdrelom. Amplia-Se por cercano lugar dos mesmos nada mais resta senão wadis. Os de quarenta e oito quiômetros, para o interior, tendotrechos de I Reis 17:7; re 24:19; Joel1:20 e Sal. 126:4 apenas dezenove quilômetros de largura, em seureferem-se a essa situação. A invenção da argamassa trecho mais amplo. Una estrada importante passavapermitiu a instalação de cisternas. Oferecemos um por ali, ligando o Egito a Damasco, na Siria. Váriasartigo separado a respeito, que ilustra a importância cidades importantes achavam-se ao longo dessa rota,das cisternas nos países de clima seco. Em cerca de como Megído, Jezreel e Bete-Seã (ver Juí. 5: 7:1; I1300 A.C., já se usavam largamente as cisternas. As Sam. 31:12). Ao sul d.. monte Carmelo fica a planiciepessoas que vivem em áreas desérticas ou nas de Sarom. Cinco notnveis cidades filistéias existiamproximidades sabem a suprema importância da «água ali: Ecrorn, Asdode, Asquelom, Gate e Gaza. Maisarmazenada». Naturalmente, hoje em dia usam-se para leste ficava a Sefelâ, uma espécie de zonagrandes reservatórios. Mas o método humilde de tampão entre Israel e (IS filisteus. Nos tempos antigos,armazenar água, na antiga nação de Israel, era o uso as colinas da região eram densamente arborizadas,de cisternas. E esse foi um importante fator na rápida principalmente com sicêmoros (ver I Reis 10:27; 11colonização das terras altas da Judéia. Apesar das c-e, 1:15 e 9:27).cisternas praticamente em nada contribuiram para a A RealIo MontaDhi." Centnl. Essa região cobreirrigação, certamente facilitou a criação de gado, pelo cerca de trezentos e vinte quilômetros, desde o norteque também grande parte das riquezas da Palestina da Galiléia até o Sínai. Muitas formações montanho-girava em tomo de animais domesticados. Além das sas juntam-se para fornar uma espécie de baixa serracisternas, havia reservatórios primitivos, feitos con- montanhosa. Temos a. o coração geográfico de Israel.forme as indicações dadas em Cano 7:4. A necessidade A região montanhosa eleva-se a um pouco mais quede água chegou mesmo a ser uma lição moral, pois 900 m de altitude, em seu ponto mais elevado, emexiste tal coisa como a água espiritual, bem como as Hebrom. A oeste, o declive das colinas, na direção donecessidades espirituais da alma humana, que podem Mediterrâneo, é suave, A leste, a descida na direçãoressecar-se devido à sede espiritual (ver Deu. 8:7-10; do vale do Jordão é mais abrupta. As terras dessa área11:10-17; Jer. 2:13; 14:22). Assim, viver perto de não são muito férteis, e dependem de fontes e poços,águas vivas (ou correntes) constituía uma grande para irrigação; mas grande parte da região évantagem. E ter acesso às águas vivas espirituais é desértica. As colina 5 em tomo da Judéia (veraquilo de que precisa a alma sedenta (ver João 4:7 ss), SaI.12S:2) formam uma massa compacta, o que A agricultura depende de água de modo absoluto. facilitava a defesa n.ilitar da região. Ao norte deIsso posto, em qualquer região onde inexistem bons Jerusalém ficam as colinas do território de Efraim,sistemas de reservatórios de água, um bom regime bastião de defesa do .relno do norte, Israel. Trata-sepluvial (ou, pelo menos, neves que se derretam) é de uma espécie de planalto dissecado, com cumesessencial à vida das plantas, dos animais e dos seres isolados, como os mor .tes Gerizim e Ebal. Termina aohumanos. A população rural da Palestina central norte no monte Giíboa, onde acaba o coraçãoconsistia em pequenos proprietários de terras. A geográfico da Palestina. As colinas dessa área sãocevada era mais importante do que o trigo, na bastante modestas. Ali ficavam localizadas cidadesPalestina, porque podia ser cultivada com pouca como Gibeâ, Salêm, Siquêm e Sicar. Ao norte dachuva, o que já não sucede no caso do trigo. Além planície de Esdrelom espraia-se a Galiléia, divididadesse produto, muito importante era o cultivo da naturalmente em Baixa Galiléia (ao sul), e Altavideira e da oliveira. A videira medrava principalmen- Galiléia (ao norte). Ali as colinas elevam-se a nadate na área do Carmelo, enquanto que a oliveira era menos de 900 m de altitude, abrigando certo númeroplantada principalmente na Galiléia e no território de de bacias. Essa ârea é excelente para as lidesEfraim. A seca, porém, trazia o endividamento e a agrícolas. O monte Carmelo eleva-se ligeiramenteservidão, com seu labor servil e forçado (ver I Sam. mais de 600 m, mas está situado em uma região8:16; 22:7; 25:2). A vida pastoril era uma atividade circunvizinha de baixa altitude, já perto do mar. Porproeminente na Transiordânia e no Neguebe. Os isso mesmo, forma uma elevação impressionante,poços artificiais, e alguns poucos oásis permitiam apesar de não estar em grande altura. A serra douma agricultura muito limitada no deserto e em certas Carmelo tem apenas cerca de oito quilômetros deáreas desérticas. largura, embora chegue mesmo a interromper a planície costeira, dividindo-a em planície da Filistia e Vll. Reglies e Dlvlsies planicie de Sarom, separadas das terras costeiras 1. Realiea estreitas da Fenicia. E a serra do Carmelo também Até mesmo um pais pequeno, como é o caso da forma uma barreira entre a planicie de Sarom e aPalestina, se tiver uma natureza variegada (como é o planície de Esdrelom, ficando assim de través dacaso ali) pode ser dividido em regiões e sub-regiões, histórica rota comercial entre o Egito e a Mesopotâ-pelo que aquilo que aqui dizemos está sujeito a mia. Ver o artigo geral intitulado Estradas.revisões e objeções. Não obstante, na Palestina há A Garganta do Rio Jordão, Essa vale, que é umaalgumas regiões naturais óbvias, que podemos falha geológica natural, estende-se por cerca de cemmencionar. A seção X.l deste artigo apresenta um quilômetros, quase c ortando a Palestina ao meio. Aomapa ilustrativo dessas regiões. Falando em termos norte temos os lagos de Hulé e da Galiléia, combem genéricos, temos na Palestina as seguintes colinas laterais, notavelmente o monte Hermom (verregiões naturais: a. a planície costeira; b, a região Deu. 3:9), em cuja área o rio Jordão tem suasmontanhosa central; C. a garganta do rio Jordão; d. o cabeceiras. As águas desse rio cortaram rochasplatê da Transjordânia; e. o deserto. basálticas que em tempos imemoriais bloqueavam a A Planlcie Costeira. Essa planície estende-se por grande depressão que começa dai por diante. Umacerca de cento e noventa quilômetros, desde as garganta foi formada no caminho para o mar dafronteiras do Líbano até Gaz. O monte Carmelo Galiléia, que fica a 1:~3 m abaixo do nivel do mar. Nãointerrompe esse tipo de paisagem, no norte. Ao norte muito abaixo, em seu curso, o rio Iarmuque aumenta 30
  • 31. PALESTINA as águas do Jordão. Abaixo disso, o vale alarga-se, à esse deserto sul que causou essa associação de idéias. medida que o rio desce para o mar Morto. Entre o O povo de Israel nunca conseguiu manter um bom mar da Galiléia e o mar Morto, ficam a planície de controle sobre as terras ao sul de Berseba. Somente Bete-Hã e o vale do Jordão. O que sucede nesse vale é por breves períodos o Neguebe esteve sob o domínio que as colinas da região precipitam.se abruptamente de Israel. Edom tinha nessa região predomínio muito até àquilo que não é tanto um vale, mas um grande maior. As terras prometidas a Abraão estendiam-se buraco na superfície da terra. As margens do mar do rio Nilo ao rio Eufrates, envolvendo essa área Morto, a elevação é de 375 m abaixo do nível do mar; sulista; mas os israelitas nunca tomaram isso uma e o fundo desse mar fica a 771 m abaixo do nível do realidade palpável. mar, tomando-o o lugar de maior depressão à face do 2. Divides planeta. Isso posto, o grande buraco natural conta Aqui estudaremos como o povo de Israel dividiu o com duas grandes massas de água: o mar da Galiléia, território da Terra Prometida. uma divisão que nada ao norte, e o mar Morto, ao sul. E o largo vale da tinha a ver com regiões naturais, sobre as quais Arabá (que fica ao sul do mar Morto) resulta de uma acabamos de discutir. Três principais perlodos falha geológica disfarçada. Tudo isso faz parte de um históricos proveram divisões politicas da área do sistema ainda maior de falhas geológicas naturais, mundo: a. entre os tempos patriarcais e Moisés; b. a que atravessam o Oriente Próximo e penetra até certo invasão da Palestina, após a saida de Israel do Egito; ponto do continente africano. A Arabá estende-se por c. a Palestina na época de Jesus, sob o dominio cerca de cento e sessenta quilômetros até chegar ao romano. Temos ilustrado os dois primeiros itens (a. e golfo de Acaba, onde a área é pleno deserto. b.) no primeiro mapa apresentado abaixo, na seção O Platô da Transjordãnia. A leste do rio Jordão, décima. As palavras escritas em letras graúdas elevam-se colinas, formando uma cadeia que segue a representam os reinos que Israel encontrou quando direção norte-sul. Nesse lado, a paisagem é bastante invadiu a Palestina, no século XIII A.C. Os nomes em diferente do que no lado ocidental. Conforme têm letras menores (mas ainda grandes) indicam a dito alguns estudiosos, a paisagem é «muito outra». A localização das tribos de Israel, depois que o território história mostra-nos que os habitantes dessa área foi dividido entre elas. Em letras ainda de corpo oriental também eram bastante diferentes em sua menor, há alguns poucos nomes locativos, a fim de aparência e expressão. No começo da história de que o leitor possa localizar mais facilmente certos Israel, foi ocupada pelas duas tribos e meia do leste do detalhes. O território da Palestina, na época de Jesus, Jordão (ver Núm. 31:1-27). Para o norte, temos a quando Herodes era o rei vassalo que governava a Galiléia; para o sul, Moabe, que se estende até um Judéia, e dai até o ano 30 D.C., é ilustrado no pouco abaixo do mar Morto. Os montes formam um segundo mapa apresentado na décima seção deste estreito cinturão de colinas, bem irrigadas. Esse artigo. cinturão varia entre 65 e 80 quilômetros de largura, jazendo entre o deserto, na Gor (para oeste) e o VIU. Arqueologia da Palestina deserto da Arábia (para leste). Os picos mais elevados A despeito de suas minúsculas dimensões, o ficam a oeste, dando frente para o vale do Jordão. Em território da Palestina é aquele que mais intensamente Gileade, os montes e suas florestas eram quase tão tem sido vasculhado pelas explorações arqueológicas. proverbiais quanto os cedros do Líbano. Nessas O artigo chamado Arqueologia demonstra isso florestas era produzido o famoso bálsamo de Gileade. amplamente. Essa ciência moderna tem conseguido Pastos frutíferos tornaram-se a possessão das tribos confirmar a existência de mais de cinqüenta dos de Rúben e Gade (ver Núm. 32:1). Ao sul de Gileade antigos monarcas de Israel. Locais pré-históricos têm ficava Moabe. Ainda mais para o sul ficava Edom. O sido desenterrados (entre 4500 e 3000 A.C., ou seja, a que ali predomina é uma espécie de longa e estreita era calcolitica), Primitivas culturas palestinas, comofaixa de terras bem irrigadas, que formam uma aquela de Teleilat Ghassul, ao norte do mar Mortoespécie de tampão que separa o resto do território do (perto de Jerícô), têm sido regularmente elucidadas. temivel deserto, mais para oriente. Essa área sempre As casas de tijolos de barro eram humildes, emborarepresentou uma ameaça para o povo de Israel. Ali ricamente adornadas com pinturas murais e outros houve muitos conflitos e muitas trocas de terras. Na labores artisticos. Algumas surpreendentes pinturasépoca de Salomão, toda a região acabou sob o afresco têm sobrevivido até hoje, provenientes daquelecontrole rigido de Israel; mas essa situação não remoto periodo. A idade do Bronze (cerca de J<X)() aperdurou por longo tempo. 2000 A.C.) tem sido iluminada mediante descobertas O Deserto. As regiões adjacentes a Israel eram o de antiqüíssimos povoados cananeus, como os deLíbano, nas costas maritimas, a oeste da Síria, no Megido, Jericó e Ai. A idade do Bronze Média (cercaextremo norte do território de Israel. A oriente ficava de 2000 a 1500 A.C.), biblicamente considerada, teveo grande deserto da Arábia. Para oriente das início na Palestina com a chegada de Abraão na Terramontanhas do Líbano fica o oásis de Damasco, em Prometida. Na época, a região era densamentemeio a uma região essencialmente desértica, o que já arborizada, embora esparsamente habitada. Têmfica no canto nordeste da Palestina. Essa área servia sido descobertas muitas evidências arqueológicasde portão de entrada para forças invasoras. Para ilustrando a era dos patriarcas, que tendem porleste, além da Transjordinia, - o deserto é confirmar muitos detalhes do relato bíblico, acercamuito vasto, servindo de fronteira da Palestina, ao dos quais os céticos expressavam dúvidas. Umalongo de seu costado oriental. Essa área, que em eras notável característica desse período eram as cidadesremotas foi local de regular atividade vulcânica, é fortificadas, dotadas de altas muralhas, valados edesolada e selvática, com muitas cavernas e elevações construções gigantescas, cujo intuito era desencorajarestéreis. Servia de abrigo para os fora- da- lei e para os invasores. A idade do Bronze Moderna (1500 agrupos minoritários. - Alguns poucos corajosos 1200 A.C.), do ponto de vista bíblico é muitonômades trafegavam por ali. Ao sul da Palestina, importante porque foi nesse periodo que a Palestinahavia mais desertos. Esse deserto servia de limite da foi invadida pelos israelitas, vindos do Egito. A dataJudéia ao sul e a suleste. Tribos do deserto vagueavam mais recuada desse evento, calculada pelos estudio-por ali, e vez por outra atuavam com hostilidade, sos, é cerca de 1400 A.C., e, 1300 A.C. o mais tardar.invadindo Judá. No idioma hebraico, as palavras que É realmente admirável o quanto os arqueôlogos têmsignificam «sub e «crestado- vêm da mesma raiz; e foi podido recuperar dessa época, incluindo (quase 31
  • 32. PALES-fiNA - PALEYcertamente) o altar de Josué (vide). Muitas cidades e 7. As peregrinaç 5es dos patriarcas, que buscavampovoados, mencionados em conexão com e~sa uma cidade melhor, falam acerca da nossa peregrina-invasão têm sido desenterrados pela arqueologia. ção terrestre, que kaverá de terminar quando formosAssim, ~bemos agora que Jericô foi edificada sobre o cidadãos do céu. Ver Heb, 11:16.mesmo local onde já tinham existido outras três 8. Os quarenta anos de vagueação pelo deserto,cidades. À quarta cidade foi aquela que ruiu diante de simbolizam aqueles que hesitam e que não entram naJosuê. Ai, Betel e Laquis foram conquistadas pelos posse imediata de seus direitos espirituais, ou queisraelitas; e estão entre os lugares escavados pela deixam de cumprir os seus elevados propósitos, porarqueologia moderna. As descobertas arqueolôgícas serem por demais preguiçosos ou temerosos.são por demais num~rosas para se~m aquI. meneio- X. MapalIhutraUvOII Ver a 1Iepk.nadas. Pedimos ao leitor que examine o artigo geral 1. As Divisões da Palestina Entre Abraão e Moisésintitulado Arqueologia. Todavia, podemos menci~naraqui localidades como Bete-Sei, Taanaque, Megido, As palavras em letras mais graúdas, neste mapa,Gezer, Bete-Semes, Samaria, Gibeá, Dibir, Hazor indicam os reinos que Israel encontrou ao entrar nae. naturalmente. Jerusalém, Terra Prometida. Aquelas um pouco menores indicam as localizações das tribos de Israel, ap6s a IX. U.... FtgaradoI conquista. Palavras em letras ainda menores indicam A Palestina arrebata e galvaniza a imaginação de alguns lugares importantes na Palestina. homens do mundo inteiro, apesar de ser tão pequena. (Esse mapa é adaptado da RSV, mapas 1 e 3).Judeus cristãos e árabes cultos sabem tanto acerca 2. As Divisões da Palestina nos Dias de Jesus dessa ~gião que ela é, praticamente, uma segunda pátria de todos eles, embora eles m~smos estejam Temos aqui a divisão que prevaleceu durante os dispersos pela face do planeta. Até os filhos pequenos tempos do reinadó de Herodes e posteriormente, até de famílias evangélicas sabem muita coisa sobre.a 3OD.C. Palestina, com sua história e monumentos. A Igreja (Esse mapa é adaptado da RSV, mapas 10 e 11). Católica Romana está começando a despertar para a 3. As RegilJes da Palestina necessidade de ensinar às massas populares, cada vez (Esse mapa é adaptado da NO, pâg. 924). menos satisfeitas com as informações parciais e Bibliografia. ALB AM ANET BA DAL I IB ID IOT dosadas que lhes são ministradas ~lo clero. Os NDUNYOZ islamitas são um povo que segue um livro sagrado, o Alcorão; e grande parte do mesmo está alicerçada sobre o Antigo e o Novo Testamentos. Eles mantêm PALEY ~ WILLIAM controle sobre a área onde os patriarcas hebreus foram sepultados. Portanto, é apenas natural que a O CLÁSSICO ARGUMENTO Palestina tenha adquirido certas significações simbó- DO RELÓGIO licas. William Paley (1743-1805) foi um filósofo moral e teólogo britânico. Sua maior contribuição foi realiza- 1. A conquista da Terra Santa, por parte de Israel, da na literatura ética. No seu tratado, Naturalveio a representar qualquer empreendimento nobre e Theology (1802), ele desenvolveu uma analogia deinspirador. Israel precisava pôr os pés sobre a Terra Deus com um fabricante de relógios, que se tomouPrometida, onde puseram os pés, a terra tomou-se famosa. Esta analogia apresento a seguir:deles. Ver Deu. 11:24,25. Ainda recentemente (na ••••••década de 1970), israelitas marcharam sobre os Ao atravessar um caminho, suponhamos que eu territórios ocupados, em um gesto simbólico, invocan- tropeçasse em uma pedra. E então que alguém medo Deus como testemunha, para que confirmasse os perguntasse como aquela pedra veio a aparecer ali.ganhos deles na Palestina. Essa conquista territorial Nesse caso, eu poderia responder que, a menos que eutambém pode simbolizar a obtenção da vida eterna, soubesse algo em contrário, deve ter sido posta alique segue à escravidão ao pecado. desde sempre, e não seria muito fácil mostrar o 2. De Dã a Berseba indicava a extensão da absurdo de minha resposta.Palestina conquistada, de norte a sul, pelo que MM~ lI1QHNIbamw que eu tivesse encontrado umtambém veio a representar a gama inteira de algumacoisa. Ver Juí, 20:1; I Sam. 3:20; 11 Sam. 3:10; I Reis reIóaIo no chão, e que alguém me indagasse como o4:25. relógio viera parar naquele lugar; nesse caso, dificilmente eu pensaria na resposta dada no Caso 3. A travessia do rio Jordão aponta para a transição anterior - que, a menos que eu obtivesse algumada morte fisica, que nos conduz a uma vida superior, prova em contrário, aquele relógio deveria ter estadocelestial. ali desde sempre. Todavia, por que razão a resposta 4. Sião é metáfora de qualquer grande centro de que serviria para o caso de uma pedra, não serviriaempreendimento espiritual. Os môrmons chamam a para o caso de um relógio? Por esta razão, e porcidade de Salt Lake de Sião, por ser o centro da nenhuma outra, a saber, que ao passarmos aatividade e da cultura deles. Sião também simboliza a inspecionar o relógio, perceberemos (o que nãohabitação de Deus, e, por extensão,. os céus que os poderia ser descoberto na pedra) que suas diversascr.e,ntes antecipam. Ver Sal. 76:2. partes foram feitas e reunidas para um determinado S. A dispersão (o exílio assírio, o exllio babilônico e propósito, como, por exemplo, que foram formadas ea grande dispersão judaica de 135 D.C.) representa os ajustadas de tal maneira para produzir movimento,recuos ocasionados pelo juizo divino. E o retorno de movimento esse regulado de tal maneira a marcar asJudá, representa os resultados do arrependimento e diversas horas do dia; que, se as diversas partes doda restauração. E uma outra maneira de expressar a relógio tivessem formatos diferentes daqueles que têm,idéia são os contra-ataques do reino, após alguma fossem de dimensões diferentes do que são, ougrande derrota. tivessem sido dispostas em outra posição, ou em outra 6. As instituições hebréias são emblemas dos oficios ordem qualquer, então, ou nenhum movimento seriae realizações de Cristo. Isso constitui a essência da registrado pela máquina, ou não haveria utilidademensagem da epistola aos Hebreus, no Novo para o relógio, segundo encontramos agora. Conside-Testamento. rando algumas de suas partes componentes mais 32
  • 33. PALEY, ARGVMENTO no RELÚOIOóbvias, bem como as suas respectivas funções, todas linguagem atribuir a qualquer lei o papel de causaas quais tendem para obter um único resultado: eficiente e operativa do que quer que seja. Toda leivemos uma caixa cilindrica que contém uma mala pressupõe um agente, pois é apenas o modo pelo qualelástica em espiral, que devido ao seu esforço de esse agente age; subentende poder, pois é a ordemexpandir-se, faz o mecanismo funcionar... Também segundo a qual esse poder atua. Sem esse agente, semobservamos que as rodas da engrenagem foram feitas esse poder, ambos os quais são distintos dela, a leide bronze, a fim de não se enferrujarem; e que as nada faz e nada é.molas são feitas de aço, pois nenhum outro metal é VIII. E finalmente, o nosso suposto observadortão elástico: e que na face superior do relógio foi também não poderia abandonar a sua conclusão, eposto um vidro, material empregado em nenhuma assim perder a confiança em sua verdade, se lhe fosseoutra porção do relógio, porquanto se tivesse sido dito que ele nada sabia sobre a questão. Pois aempregado em seu lugar qualquer substância que não verdade é que ele sabe bastante para o seu argumentofosse transparente, as horas não poderiam ser - ele conhece a utilidade do objeto - ele conhece averificadas a menos que se abrisse o mecanismo. Uma subserviência e a adaptação dos meios ao fimvez - . . . . . . . - esse mecanismo••• 8ea clua • colimado. Uma vez que sejam reconhecidos esseslDfe~ que reputam.os inevitável; aquele relógio pontos, a sua ignorância sobre os outros pontos, asdeve ter tido um fabrIcaDte; que deve ter havido, eJl1 suas possiveis dúvidas sobre os demais pontos, jamaisalgum tempo, num lugar ou noutro, um artífice ou poderão afetar a segurança de seu raciocínio. Aartifices que formaram o relógio com O intuito que consciência de que pouco sabe não requer que elenele encontramos; os quais compreenderam a desconfie daquilo que já sabe.maneira de fabricâ- o, tendo traçado o desígnio de seuemprego. Contlnuaçlo do Arp.mento I. Segundo entendo, essa conclusão de maneira Suponhamos, em seguida, que a pessoa quealguma ficaria debilitada se jamais tivéssemos visto encontrou o citado relógio, após algum tempo, viesseantes um relógio; se jamais tivéssemos conhecido um a descobrir que, em adição a todas as propriedadesartifice capaz de fabricar um desses aparelhos; e se que ele vinha observando até ali, o relógio possuísse afôssemos inteiramente incapazes de executar pessoal- inesperada propriedade de, no decurso de seusmente uma obra dessa envergadura... movimentos, vir a produzir um outro relógio 11. E nem, em segundo lugar, como compreen- semelhante a ele mesmo... qual seria o efeito dessado, seria invalidada a nossa conclusão, se algumas descoberta sobre a sua conclusão anterior?vezes o relógio funcionasse mal ou raramente se I. O primeiro efeito seria o de aumentar a suamostrasse exato na marcação das horas... pois não é admiração pelo invento, e também o de aumentar amister que um mecanismo seja perfeito a fim de ficar sua convicção sobre a grande habilidade dodemonstrado o desígnio com que foi feito: ainda inventor...menos necessário se torna isso quando a única 11. Ele refletiria que embora o relógio estivesse ali àpergunta é se foi feito com qualquer desígnio. sua frente - em certo sentido - o fabricante do IH. E nem, em terceiro lugar, seria necessârio dar relógio fosse ele mesmo, no decurso de seus própriosqualquer foro de incerteza ao argumento, ainda que movimentos, seria algo muito "diferente em sentido dodescobrissemos algumas poucas partes no relógio, caso em que, por exemplo, um carpinteiro é opara as quais não vissem os qual a sua utilidade dentro fabricante de uma cadeira; o autor de sua invenção, ado quadro geral; ou mesmo que houvesse algumas causa da relação entre suas partes componentes e opartes acerca das quais não pudéssemos atribuir seu emprego. No que diz respeito a isso, o primeiroqualquer utilidade... relógio não teria sido causa, de forma alguma, do segundo relógio, pelo menos não no sentido de que foi IV. E nem, em quarto lugar, qualquer individuo, o autor da constituição e da ordem, ou das partesem sua mente sã, haveria de pensar que o relógio, contidas no novo relógio, ou dessas mesmas partes,com seu complicado mecanismo, - poderia ser mediante a ajuda e a instrumentalidade daquilo queexplicado pela declaração de que deveria ser alguma foi produzido...combinação fortuita de materiais; e que qualquerou tro objeto que tivesse sido encontrado no lugar do IH. Embora não seja agora mais provável que orelógio, devesse ter contido alguma configuração relógio individual, que fora encontrado pelo nossointerna ou outra; e que essa configuração poderia ser suposto observador, tenha sido feito imediatamentea estrutura mais exibida, a saber, todas as partes pelas mãos de um artífice, todavia, essa alteração decomponentes do relógio, embora em uma estrutura forma alguma modifica a conclusão de que umdiferente. artifice foi originalmente empregado na produção de V. Nem, em quinto lugar, o inquiridor haveria de um relógio, tendo concentrado a sua atenção nesseobter mais satisfação, se lhe respondêssemos que mister. O argumento baseado no designio permanece assim inalterado. Os sinais de designio e de invençãoexistem nas coisas certo principio de ordem fortuitaque dispôs as partes componentes do relógio em sua não serão atribuidos agora de forma diferente do queforma e situação presentes. E isso porque jamais teria eram antes... Estamos agora indagando qual a causavisto um relógio fabricado por efeito desse principio dessa subserviência a um uso, aquela relação parade ordem; e nem mesmo poderia formar idéia do com uma finalidade, que jâ observamos no relógio àsentido desse principio de ordem, distinto da nossa frente. Nenhuma resposta será dada a essainteligência de um fabricante de relógios. pergunta com a réplica de que um relógio anterior o produziu. Pois não pode haver plano sem um VI. Em sexto lugar, ele ficaria surpreendido se planejador; nem invenção sem um inventor; nemouvisse dizer que o mecanismo do relógio não pode arranjo sem alguém capaz desse arranjo; nemservir de prova de simulacro, mas tão somente de subserviência e relação para com um propósito, semmotivo para induzir a mente a assim pensar. alguém que possa traçar esse propósito; nem meios VII. E não menos surpreso ficaria se fosse apropriados a uma finalidade, e execução nainformado de que o relógio que tinha nas mãos nada realização dessa finalidade, sem que essa finalidademais era senão o resultado das leis de natureza tenha sido contemplada, ou sem que os meios tenhammetálica, Porquanto trata-se de uma perversão da sido adaptados à mesma Arranjo, disposição de 33
  • 34. PALEY. ARGUMENTO DO RELOGIOpartes, subserviência dos meios a uma finalidade, de sua construção e de seus movimentos, é que deverelação de instrumentos para com um determinado ter tido um artifice como causa e autor de suauso - tudo subentende a presença de inteligência e de construção, o qual compreendeu seu mecanismo emente. Por conseguinte, ninguém pode acreditar traçou o desígnio de sua utilização. Essa conclusão éracionalmente, que um relógio insensível, inanimado, invencivel. Um «segundo» exame nos apresenta umado qual se originou o relógio à nossa frente, tenha sido nova descoberta. O relógio é encontrado, no decursoa causa apropriada do mecanismo que tanto de seus movimentos, a fim de produzir outro relógioadmiramos nele - como se verdadeiramente houvesse similar a ele mesmo; e não somente isso, masconstruído o instrumento, disposto em ordem as suas percebemos nele certo sistema ou organização,diversas partes, dado a cada uma o seu papel, separadamente calculado para obter esse propósito.determinado a ordem, ação e dependência mútua das Que efeito produziria essa descoberta, ou que efeitomesmas, e houvesse combinado os seus diversos deveria produzir sobre nossa inferência anterior? Quemovimentos, para obtenção de um único resultado... efeito teria, senão, além de tudo que já foi dito, IV. E nem se ganha coisa alguma levando a aumentar em muito a nossa admiração peladificuldade um passo mais adiante, isto é, supondo-se habilidade que foi empregada na construção de talque o relógio à nossa frente foi produzido por outro mecanismo?relógio, este por um outro ainda, e assim indefinida- Ou, em vez disso, todos esses fatos nos fariammente. Nosso retroceder, até esse ponto, não nos leva voltar para a conclusão oposta, a saber, que nenhumamais perto, em qualquer grau de satisfação, às arte ou habilidade de qualquer espécie foi envolvidaorigens do assunto. Pois a invenção, dessa maneira, na construção do relógio?.. Poderia esta últimacontinuaria sem explicação. Ainda haveríamos de conclusão ser mantida sem que se caísse no maior dosprocurar um inventor. Pois essa suposição nem supre absurdos? Não obstante, isso é o ateísmo.e nem dispensa uma men te planejadora. Se a Avallaçio do Argumento ele Pllley, à Base dodificuldade fosse diminuindo à medida que fôssemos Deslgnlo:retrocedendo e recuássemos indefinidamente havería- O argumento de Paley é criticado à base do fato de mos de exauri-Ia... Não há diferença alguma quanto que se alicerçou em um tipo de universo mecânico deao ponto em questão... entre uma série e outra; entre conformidade com a ciência do século XVII, o qualuma série que é finita, e uma série que é infinita. Uma ficou eliminado pelo conceito darwiniano do mundo,corrente, composta de um número infinito de elos não que postula um universo orgânico, em desenvolvimen-pode sustentar-se mais do que uma corrente feita de to crescente, e não em uma máquina estática, sujeitaum número finito de elos. às leis fixas da mecânica. A evolução darwiniana ... Aumentando-se o número de elos, por exemplo, explica o artífice do argumento de Paley em termos da de dez para cem, de cem para mil, etc., não nos seleção natural, procurando dessa maneira eliminar aproximaremos, em grau algum, da solução, e nem a função do Deus de Paley; contudo, o que a «seleção haverá a menor tendência para a autossustentação... natural» imaginada por Darwin não consegue fazer, e Isso se assemelha extraordinariamente com o caso que que ainda não foi explicada, é a adaptação da razão temos à frente. A máquina, que estamos inspecionan- humana à ordem cósmica. Porque a seleção natural se do, pela sua própria construção demonstra invenção e restringe a explicar a preservação da vida. Conforme desígnio. A invenção deve ter tido um inventor; o assevera William Sorley: «Se continuamos aferrados à plano deve ter tido um planejador; e isso sem teoria da evolução, e rejeitarmos a teologia ordinária, importar se a máquina se derivou imediatamente de contudo teremos de admitir que existe certa outra máquina, ou não. Essa circunstância não altera adaptação (que não pode ser explicada pela seleção o caso... Um inventor continua sendo necessário. natural) entre a nossa razão e a ordem cósmica real, Nenhuma tendência é percebida, nenhuma aproxi- um desígnio maior do que qualquer desígnio que, mação é feita da diminuição dessa necessidade. Paley jamais imaginou. E não é apenas quanto ao Continua a mesma coisa, em cada sucessão dessas intelecto somente, mas também quanto à moralidade máquinas; uma sucessão de dez, de cem ou de mil; tal do universo de valores intrínsecos, que devemoscomo sucede numa série, assim também sucede na asseverar a existência de certa adaptação entre aspróxima; uma série finita, tanto quanto uma série nossas mentes eOÍ ordem universal» infinita... Sem a menor diferença, invenção e desígnio Informação extraída de W. R. Sorley, Moral Values continuam inexplicados pela mera multiplicação dos and lhe Idea of God (Cambridge: Cambridge casos. University Press, segunda edição, 1921), pág. 326. A pelIWlta aio consiste de «como que o primeiro êrelógio velo à eDstêDcla? .. Supor que assim é ••••••equivale a supor que não faria diferença se tivéssemos Opinião do Autor desta Enciclopédiaencontrado uma pedra ou um relógio. Na natureza do Eu aprecio esta breve avaliação, mas não vai longe caso, as quhtões metafísicas dessa pergunta não têm o bastante. Paley pensava que havia uma diferença lugar; pois no relógio que estamos examinando entre apedra na qual tropeçara e o re!ógio, no q?e ?i z podemos ver invenção e desígnio; finalidade e respeito à nossa necessida~ de exphcar o. «desígnio» propósito; meios adaptados a um fim, e também das coisas. Mas - na reahdade, não ha diferença. A adaptação a esse propósito. E assim, a pergunta que pedra é tão maravilhosa quanto o relógio e possuída de se destaca irresistivelmente em nossos pensamentos é: um desígnio tão imenso, que Paley, em sua ép~ca. não «De onde se deriva essa invenção e desígnio? .. O que poderia ter imaginado sequer uma parte diminuta se busca é a mente que tencionou, a mão adaptadora, dele. Encontrar uma pedra exige uma explicação a inteligência por meio da qual essa mão foi acerca de um Artífice. Note também que o que orientada. Essa pergunta, essa exigência, não pode chamamos de coisa inanimada não pode ser pensado ser abalada pelo número crescente ou pela sucessão de como o produto de uma seleção natural. O seu substâncias ... É inútil, portanto, atribuir uma série desígnio não tem sido produzido por algum longo de tais causas, ou alegar que tal série possa ser levada processo de evolução, mas é real e demanda que de volta até o infinito... procuremos alguma razão suficiente para ele. A razão V. . .. A conclusão que é sugerida pelo primeiro nos leva de volta a Deus. o Grande Artífice. Então, exame feito no relógio, acerca de seu funcionamento, que negócio é este de solucionar, supostamente, o 34
  • 35. PALHA - PALHOCAS«problema do desígnio», pela mera produção das tijolos.palavras mágicas, seleção natural, mesmo no que diz Em Gênesis 24:32, a nossa versão portuguesa dizrespeito aos organismos vivos? Como, podemos «forragem », No entanto, no vs. 25 do mesmo capitulo,perguntar, - funciona - a seleção natural, que Rebeca respondeu a Eliezer: «Temos palha e muitointeligência está atrás dela? Pode ser que funcione por pasto... », onde a palavra «palha» é a mesma que ali éacaso? Leva mais fé para aceitar isto do que para traduzida por «forragem... Tal tradução reflete aaceitar o conceito de um Grande Artífice. No dúvida de alguns estudiosos, se estaria em foco a meramáximo, a expressão "seleção natural» pode implicar palha, ou forragem para os camelos. Para que serviriameramente em como funciona a Mente Divina, a palha para os camelos? Nossa versio portuguesa,em determinada parte da natureza. - Ê a seleção pois, não se mostra coerente consigo mesma, quanto anatural sem-mente? Que maravilhosas coisas a falta esse particular.de mente ativa tem produzido! Os homens pensantes Outro trecho duvidoso, quanto ao que estaria emreconhecerão que o conceito intitulado seleção foco, é o de Isaias 11:7, onde se lê: «... 0 leio comeránatural, nos leva ao Artífice, e não para longe Dele. palha como o bois. No entanto, sabe-se que o boi nãoLogicamente, sabemos que a seleção natural opera come palha. Por esse motivo, alguns estudiosos têmneste mundo, apesar de eventos caóticos e cataclísmi- preferido pensar que, nessa passagem de Isaías,cos produzirem mudanças imediatas, pulos para a deve-se pensar antes no «feno.., o que significa que ofrente e para trás. Ainda está aberto ao questiona- termo hebraico teben daria a entender tanto a «palha»mento sério, mesmo no terreno científico, se este quanto o «feno», apesar do fato de que muitas versõesconceito pode explicar a origem do homem, como nós traduzem por deno.. uma outra palavra hebraica, istoo conhecemos. Que a seleção natural opera no mundo é, chatsir, em Provérbios 27:25 e Isaias 15:6. Nossade outras maneiras, não nos resta dúvida. Mas para versão portuguesa s6 traduz essa palavra por «feno..pedir a mim que creia nela como «não pensante» é na primeira dessas duas referências.demais. Isto é tomar um passo para trás na explicaçãode um «porquê» do desígnio e não um passo em VIGa ~I 1. A palha ê algo pequeno e semdireção desta explicação. valor. Com base nessa circunstância, a palavra é usada para indicar aquilo que é doutrinário e espiritualmente destituído de valor, como o falso ensino (Jer. 23:28). 2. O malfeitor também pode serPALHA considerado como se fosse palha, porquanto será No hebraico, precisamos considerar tris palavras, e reduzido a nada (Sal. 1:4; Isa, 33:11; Mat. 3:12). 3.no grego, duasl Cristo é aquele que separa o trigo da palha, no sentido 1. Teben, "palha... Termo que ocorre por dezessete espiritual, pois ele é o supremo Juiz (Mat. 3:12; Luc.vezes, conforme se observa, por exemplo, em Gên, 3:17).4. O crente, quando for julgado quanto às suas24:25,32; Êxo, 5:7,10-13,16,18; 1ui. 19:19; 1 Reis obras, precisa enfrentar a possibilidade de suas obras4:28; 1641:27; Isa, 11:7; 65:25. serem consumidas como palha sem valor (I Cor. 3:12 2. Mathben, «palha». Esse vocábulo figura apenas ss). 5. A palha e partículas de poeira representam aspor uma vez, em Isaias 25:10, onde o profeta prediz nações que negligenciam os princípios espirituaisum futuro muito triste para os moabitas: «Moabe (Dan. 2:35). (G I ID)será trilhado no seu lugar, como se pisa a palha naágua da cova da esterqueira», Essa palavra hebraicapoderia ser traduzida, mais acertadamente, por«resíduos vegetais». PALBOÇAS t TENDAS 3. Qash. «palha». Outra palavra hebraica, que No hebraico, nldtoh, «palhoça», palavra usada poraparece por dezesseis vezes: ~xo. 5:12; 15:7; 1ó 13:25; trinta e uma vezes. Por exemplo: Gên. 33:17; Lev.41:28,29; Sal. 83:13; Isa. 5:24; 33:11; 40:24; 41:2; 23:42,43; Nee. 8:14-17; 10n. 4:5. Em nossa Bíblia47:14; Jer. 13:24; Joel 2:5; Oba. 18; Naum 1:10 e portuguesa a palavra é traduzida como "palhoça..,Mal. 4:1. «tenda.., «tendas de ramos .., etc. Indicava algum 4. Kalâme, «palha». Esse vocábulo grego ocorre abrigo tosco, feito de ramos de árvores e arbustosapenas por uma vez em todo o Novo Testamento, em 1 (Gên, 33:17), como proteção contra a chuva, a geadaCor. 3:12. e o calor. Nessas estruturas muito simples, os 5. Àchron , «palha seca». Termo grego usado israelitas celebravam a festa dos tabernáculos (quesomente em Mat. 3:12 e Luc. 3:17. vide) (Lev. 23:42,43). Em tais abrigos foi que Iacó habitou, em seu retorno às fronteiras da terra de A palha é o refugo do grão peneirado, as cascas, Canaã, em razão do que o lugar foi chamado Sucoteetc. No oriente, usualmente esse material é queimado (Gên. 33: 17), a forma plural daquela palavrapara impedir que o vento o sopre de volta ao grão hebraica. Quando da festa dos tabernáculos, oslimpo (Jó 21:18; Sal. 1:4; 35:5; Isa. 17:13; Sof. 2:2). israelitas usavam essas palhoças, mas não viveram emEm Isaías 5:24 temos uma palavra diferente, que, palhoças durante seus anos passados no deserto. Noliteralmente, significa «erva seca». Em Jer , 23:38 deserto eles viviam em tenda, que o hebraico chamatemos a palavra que significa «palha». E em Daniel de ohel. (Ver Gên, 4:20; Êxo. 16:16). Porém, ao2:35 temos a palavra aramaica que significa «palha». ocuparem a Terra Prometida, os israelitas começaram Na Palestina havia mais palha de cevada do que a construir edificações mais permanentes. Além disso,palha de trigo, porquanto a cevada era usada como na Palestina havia madeira em abundância para taisforragem de cavalos, de burros e do gado vacum, além construções, como também para a feitura dedo que a grande maioria do povo comum consumia palhoças, por ocasião da festa dos tabernáculos, aopão de cevada. Sem dúvida, também havia palha de passo que no deserto não havia madeira suficiente.espelta. Não há certeza entre os estudiosos, se a As palhoças foram usadas por Jac6 (Gên. 33:17),palha mencionada em gxodo 5:7-18 era palha de por Jonas (Jon, 4:5), pelos soldados, nos campos decevada, palha de espelta, ou apenas de ervas batalha (lI Sam. 11:11), pelos vigias que cuidavamselvagens, porque os filhos de Israel eram forçados a dos campos(1ó 27:18), nas quais eles se protegiam dasapanhar no campo o que pudessem, a fim de usarem intempéries, ou nas quais abrigavam seus animais.para reforçar a massa de barro usada no fabrico de Essas palhoças eram feitas de salgueiros, de oliveiras, 35
  • 36. PALIMPSESTO - PALTIde murteiras, de palmeiras e de árvores de ramos bem das formando bosques, embora também possam sercopados (Lev. 23:40; Nee. 8:15). (G HA [O S) vistos espécimes isolados. Heródoto referiu-se à palmeira como produtora de pão, mel e vinho; mas é provável que, no caso doPALIMPSESTO «vinho.., ele aludisse à aguardente araca. Com base nessa circunstância, ê possível que algumas referên- Essa palavra é transliteração do grego palimpses- cias veterotestamentârias a «vinho» sejam, natos, que vem de pâlin, «novamente.., e pseein, verdade, a essa bebida forte; e também o «mel.. nada«esfregar.., «apagar.., ou seja, «raspado novamente... tenha a ver com o mel de abelhas. Josefo tambémEsse é o nome que se dá a algum manuscrito escrito mencionou a existência de bosques de palmeiras.sobre um pergaminho que já havia sido usado para Esse bosques existiam na área do mar da Galiléia, nonele escrever-se alguma outra coisa. A escrita anterior vale do Jordão, perto de Jerusalém e no monte dasfoi removida, e um novo texto foi escrito sobre tal Oliveiras. Certo bosque de palmeiras, perto de Jericó,pergaminho. A razão do novo uso desse material de espraiava-se por cerca de onze quilômetros.escrita é que o mesmo era muito caro. Uma palmeira precisa de cerca de trinta anos para Vários manuscritos do Novo Testamento são amadurecer; mas, uma vez desenvolvida, ela épalimpsestos. Dentre esses destaca-se o Codex duradoura, sendo capaz de viver por duzentos anos.Ephraemi Rescriptus, atualmente em Paris, França. Essa espécie tem uma estranha forma de polinização.Quanto a informações detalhadas sobre esse manus- Algumas palmeiras produzem somente gametascrito, ver o artigo Manuscritos, Novo Testamento. masculinos, enquanto outras só produzem gametas111.5. Outros palimpsestos são antigos evangelhos femininos. Por isso, nos tempos antigos, os cultivado-traduzidos para o síríaco, encontrados no monte res cortavam inflorescências masculinas e pendura-Sinai, formando o papiro P(2), que também contém o vam-nas nas árvores femininas, a fim de garantir alivro de Atos, as epístolas paulinas e o Apocalipse. polinização. Referêncl811 BlbUcas. No Antigo Testamento há trinta e duas menções à palmeira, em suas três formasPALINGENESIA hebraicas: tamar, tomer e timmorah: Êxo, 15:27; Essa palavra, transliteração do grego, pâlin, Lev. 23:40; Núm. 33:9; Deut. 34:3: Jui. 1:16; 4:5; li«novamente.., e génesis, «nascimento.., significa «novo c-e, 3:5; 28:15; Nee. 8:15; Sal. 92:12; Cano 7:7,8;nascimento... Esse é um dos vários vocábulos usados 1001 1:12; ler. 10:5; I Reis 6:29,32,35; 7:36;para indicar a idéia da reencarnação (vide). 11 Crô. 3:5; Eze, 40:16,22,26,31,32,37; 41:18-20,Frouxamente usado, o termo pode significar qualquer 25,26. E no Novo Testamento, por duas vezes étipo de regeneração ou novo nascimento. A palavra empregada a palavra grega, phoiniks: João 12:13;equivale a regeneração, derivada do latim, regenera- Apo.7:9.re. No seu uso cientifico, essa palavra indica a As referências em I Reis aludem às decorações dotransformação ou metamorfose de certos insetos. tabernáculo, que empregavam a figura de palmeiras; em 11 Crô. 3:5 e 28:15 há menção a Jericó, a cidade -das palmeiras; em Sal. 92:12 a palmeira aparecePALLIUM como símbolo de inflorescência; em Cano 7:7,8 está Essa palavra é usada, sem transliteração, na em foco a beleza e frutificação da mulher, enquantolinguagem ritual da Igreja Católica Romana. Signifi- que o fruto da palmeira aparece como símbolo de seusca «capa». Está em foco uma espécie de faixa seios; nas referências do livro de Ezequiel temos asarredondada de lã branca, com pendentes, conferida visões desse profeta quanto ao futuro templo ideal,pelo papa aos arcebispos, como símbolo da jurisdição com enfeites sob o formato de palmeiras. Quanto aodeles. Novo Testamento, - o trecho de João 12:13 menciona palmas em conexão com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Esse evento é a inspiração do chamado Dia de Ramos, da Igreja Católica Romana PALMA DA MÃO (vide). Em Apo. 7:9, a palmeira é símbolo de vitória. Ver o artigo sobre Pesos e Medidas. A palmeira possui uma raiz profunda, em busca de água no subsolo; e assim ela resiste bem em lugares áridos. devido a esse detalhe que a palmeira serve de ÊPALMEIRA símbolo de prosperidade e vida, segundo se vê em Sal. 92:12. Por muitas vezes, seu nome era aplicado a No hebraico, tamar; no grego, phololb. Há muitas outras coisas, como Tamar, nome de uma mulher (liespécies de palmeiras. Nas Escrituras, quando se lê Sam. 13:1), ou nome de uma localidade (Eze. 27:19;sobre a palmeira, usualmente trata-se da tamareira, 48:28).cujo nome cientifico é Phoenix dactylifera, Essaespécie de palmeira pode chegar a mais de 24 m dealtura. Seu tronco termina em um leque de ramos quese assemelha a muitos braços em atitude de petição. PALMOPor isso, sua aparência é pitoresca. Sua seiva pode ser Ver sobre Pesos e Medidas.preparada como uma bebida forte, conhecida pelonome de araca, e seus frutos. as tâmaras, são muitonutritivos e de fácil digestão. Por esse motivo, essefruto tradicionalmente sempre foi muito procurado, PALTItendo-se tomado um importante item do comércio No hebraico, «Yahweh liberta... Esse foi o nome deinternacional. Nem mesmo as suas sementes perdem- duas personagens que figuram nas páginas do Antigose; pois, uma vez trituradas, são usadas como Testamento:forragem de animais, especialmente no caso dos 1. Um filho de Rafu. Palti foi um dos doze espiascamelos. As palmas são usadas para tetos, em cercas, enviados por Moisés a investigar o estado da terra decestos, esteiras e vários outros artigos de uso caseiro. Canaã. Ficou entendido que Moisés agiria emNa Palestina, as palmeiras geralmente são encontra- conformidade com o relatório deles. Palti representa- 36
  • 37. PALTIEI.. . - PAMPSIQUISMO va a tribo de Benjamim, e deu um relatório negativo, que «todas as coisas são cheias de deuses», deva ser secundado por nove outros (ver Núm. 13:9). compreendida poeticamente. Talvez ele tenha apenas 2. Palti, filho de Laís, um benjarnita, Esse foi o querido dizer <{ue a matéria é dotada de propriedades homem a quem Saul deu como esposo a M:ical, tais que é possível que o desenvolvimento de todas as mulher de Davi, quando este precisou fugir para coisas tenha partido de alguns poucos elementosescapar com vida, e de quem ela foi tirada, quando básicos, como a âgua, a terra, o fogo e o ar. TeriamosDavi obteve novamente o poder. Ver I Sam. 25:44; 11 então um hilozoismo mecânico. Porém, se umSam. 3: 15. Palti ficou desolado; Mical não voltou de princípio psiquico realmente opera na matéria, entãobom grado a Davi. Finalmente, Davi percebeu que o isso jã nos apresenta um hilozoismo pampsiquista. que tinha feito era um erro. Uma total alienação entre 2. Aristôteles, O mundo material responde a Deus;Davi e Mical parece ter sido o que, finalmente, se a todas as coisas são conferidos vida e movimento,instalou entre os dois. O trecho de 11 Sam. 3:15 exibe através do amoroso Impulsionador Primário. Issouma forma variante do nome, Paltiel. poderia envolver uma expressão poética que suben- tende processos mecânicos, embora tal afirmaçlo também possa ser entendida em termos de pampsi-PALTIEL quismo. Aristóteles talvez advogasse um hilozoismo mecânico. No hebraico, «livramento de El(Deus)>>, ou, então, 3. Giordano Bruno. Ele ensinava claramente oDe... Uberta. Esse apelativo ocasionalmente foi usado pampsiquismo. A unidade básica de todo o seucomo forma alternativa de Palti; mas também houve sistema é a mônada, que é dotada de sua própriaum príncipe da tribo de Issacar, com esse nome. Ele energia e forma de vida. As almas e os deuses seriamera filho de Azã Iver NÚm. 34:26). Ajudou a Eleazar e formas superiores de vida. Deus é a Grande Manada,Josuê na distribuição dos territórios da parte ocidental e tudo vive nele e para ele. Temos ai uma espécie dedo rio Jordão quando as dez tribos, em meio a muitas pantelsmo (vide).batalhas, apossaram-se daquela área. O tempo foicerca de 1440 A.C. 4. Campanella. Ele criou uma elaborada e graduada realidade, onde cada nível é concebido como participante das qualidades de conhecimento, poder e amor.PALTITA 5. Leibnitz. Ele desenvolveu uma monadologia No hebraico, «nascido em Bete-Pelete-, um lugar onde cada unidade tem a sua própria consciência,da parte sul do território de Iudá (Jos. 15:27). Essa é apetites e sentimentos. As manadas da matéria crassauma forma variante do nome Palti. Era o nome seriam sonolentas, embora isso não signifique quegentílico de Helez, chefe da Sétima divisão do exército elas estejam mortas.de Davi (ver 11 Sam. 23:26). Ele é chamado 6. Maupertius, Ele falava em termos de partículas,-pelonita-, em 11 Crô, 11:27; 27:10. Deve ter vivido de que se comporiam todas as coisas. E até asem tomo de 1000 A.C. menores dessas particulas teriam consciência, aversão e memória. 7. Goethe, Ele utilizou-se da monadologia dePALU Leibnitz a fim de emprestar uma base filos6fica à sua No hebraico, «distinguido». Esse foi o nome de um idéia de que todas as coisas são dinâmicas edos filhos de Rúben (Gên. 46:9; Exo. 6:14; Núm. esforçam-se por subir na escala do ser.26:5,8). Talvez o Pele te de Núm. 16:1 seja a mesma 8. Schelling, Ao tentar evitar o dualismo, elepessoa. O trecho de Núm. 26:5 mostra-nos que seus sugeriu que a natureza inteira está viva, ainda quedescendentes tornaram-se um clã em Israel, os certos elementos estejam «dementes», Mas todos ospalultas, elementos da natureza participariam da consciência. 9. Schopenhauer. Todas as coisas possuem vida e vontade irracional, pelo que dificilmente elas podemPAMPSIQUISMO ser inanimadas em qualquer sentido. Antes, todas as Essa palavra vem do grego ....., «tudo», e pluché, coisas teriam algum nivel de consciência.«alma». O vocábulo indica que todas as coisas são 10. Fechner. Falamos sobre matéria, e à naturezapossuidoras de alma, de algum elemento imaterial, chamamos de realidade externa. Mas, ainda segundousualmente incluindo a idéia de algum nivel de ele, todas as coisas teriam vida e alma.inteligência. Esse termo pode ser comparado à 11. Lotze, Ele ensinava uma monadologia quepalavra hilozoismo, «matéria viva», uma matéria que edifica a realidade a partir da base de um continuotem em si mesma princípios de vida. Alguns filósofos psiquico de almas.têm uma interpretação pampsiquista do hilozolsmo(vide), e não uma interpretação mecanística. Tales de 12. Kozlov; Ele desenvolveu um sistema deMileto afirmava que todas as coisas estio «cheias de pampsiquismo, chamando-o por esse nome.deuses», o que soa muito com o pampsiquismo. De 13. W. Wundt. Ao considerar a natureza básica daacordo com esse ponto de vista, não há tal coisa como realidade, chegamos mais perto da verdade sematéria inanimada, embora possa haver formas de aceitarmos a posição pampsiquista, e não depender-vidas ativas e altamente inteligentes; mas estaria vivo mos da idéia mecânica do universo.o próprio humilde átomo, ainda que dormente. E de 14. W.K. Clilford. Para ele, a natureza consiste emátomos é que todas as coisas se compõem. Alguns «ejeções», constituidas por «produtos do pensamento».estudiosos têm exposto essa idéia como necessária a 15. Charles Peirce, Os mistêríos da matéria sãoqualquer teoria da evolução. Se a matéria é viva, melhor explicados em termos do pampsiquismo doentão não é preciso qualquer grande salto de fé para que em termos mecânicos. A lei tem um carátercrer-se que a matéria viva poderia ter progredido até formador de hábitos que subentende em mente.formas elevadas de vida, com altas expressões de 16. William James, Em seu desejo de vincular ainteligência. consciência humana ao divino, ele sugeriu que o Idéias doi F1I.,..: pampsiquismo pode ser uma doutrina verdadeira. A 1. O Hilozoismo. Talvez a declaração de Tales de posição dele parece ter umpampsiquismo pluralista. 37
  • 38. PANAtTIO - PANENTEISMO 17. A.N. Whitehead. Ele fazia dos sentimentos uma de uma fonte, ou a fim de guardar comestíveis, etc.categoria universal, que todas as coisas possuiriam,pelo que também defendia certa forma de pampsi-quismo. PANELAS DE CARNE 18. Hartshome. Ele criou uma doutrina denominada No hebraico, m balar. A expressão inteira ocorresocietisma, de acordo com a qual em cada entidade do somente em lho. 16:3. Estão em foco ali as grandesuniverso há certo grau de consciência, o que nos panelas usadas para cozinhar carne. Essas panelasremete ao pampsiquismo. também podiam ser usadas para ferver água ou para lavagens.PANA2TIO DE RODES Antes do êxodo, os israelitas trabalhavam dura- mente no Egito; mas também tinham muitas coisas Suas datas foram 180-110 A.C. Ele foi um fllôsofo boas para comer, incluindo a carne preparada nessasgrego do periodo estóico médio. Nasceu na ilha de panelas. Presumimos que os judeus comiam carne deRodes. Educou-se em Pérgamo e Atenas, onde foi vários animais, domésticos ou caçados; e o peixediscipulo de Carnéades, e depois associado dele. Ele também era chamado «carne.., entre os judeus. Sejaensinou em Roma e obteve notoriedade e influência como for, uma vez no deserto, eles relembraram ano circulo de Cipião, o Moço. Apôs a morte deste, dieta abundante de carne, contrastando isso com aPanaétio voltou a Atenas e tomou-se cabeça da frugal alimentação que recebiam no deserto. Portan-escola estóica dali. Cícero muito ficou devendo a ele, to, a expressão «panelas de carne.. adquiriu o sentidoem termos de idéias e expressões I metafórico de desejar algum luxo ou condição Idéias: vinculado a um estado pecaminoso, ou, pelo menos, a 1. De modo geral, Panaétio foi um estóico do tipo um estado espiritual desvantajoso, como era conti-romano; mas acabou abandonando a cosmologia do nuarem eles escravizados no Egito. Portanto, aquelesistema e começou a ensinar ciclos repetidos de anelo, na verdade, era uma estupidez, era nãodestruição de todas as coisas. por meio do fogo. entender o que Deus estava fazendo com eles.Parece que essa foi uma das idéias de Carnéades que A arqueologia tem mostrado que as panelas dePanaétio acabou adotando. carne do Egito eram vasos de bronze coto três pernas. 2. Panaêtío, a exemplo da maioria dos estóicos O mais provável, entretanto, é que havia muitos tiposromanos abandonou a apatla dos gregos e, em seu e tamanhos de panelas. Esse utensilio também élugar, pôs a tranqüilidade mental, juntamente com a usado simbolicamente para indicar a cidade demaneira de pensar dos epicureus. Ele salientava quão Jerusalém (Eze. 11:3), e também representa a avarezaimportante é a obtenção da felicidade, pelo que (Miq. 3:3) e a vingança imediata (Sal. 58:9).ensinava certa forma de eudemonismo (vide). Dentro As «panelas» usadas no santuário de Israel eramdesse sistema, a tranqüilidade mental reveste-se de caldeirões fundos, feitos de bronze (ver Êxo, 38:3; Icapital importância. Nós, os crentes, também não nos Reis 7:45; 11 Reis 4:38-41; 25:14; 11 Crê, 4:11,16;devemos preocupar com aquelas coisas que estão fora 35:13). Também eram usados para abluções (Sal.de nosso controle, mas devemos fazer aquelas coisas 108:9) e seus formatos eram adaptados para tirarque estão dentro de nosso alcance, de uma maneira água das cisternas (lI Sam. 3:26).fiel, confiando na providência do Logos, que fazcorreta e justamente todas as coisas. 3. A razão humana, para Panaétio, participaria darazão divina do Logos, o que subentende a doutrina PANENTElSMOde um humanismo universal, visto que a natureza Ver o artigo geral sobre De.... 111.12. A raiz gregahumana transcende à natureza dos animais. O desse vocábulo é pan, «tudo.., e theôs, «deus ..,homem atua com base em dois tipos de razão: a significando, assim, "tudo estâ em Deus» ou «Deusteórica e a prática. Este último quase sempre é o tipo está em tudo... Tal palavra pode significar que tudomais útil, aquele tipo de razão que precisamos faz parte de Deus, ou que Deus está em todas asenfatizar. coisas, embora ele não seja todas as coisas. Isso posto, Escritos: Sobre o Dever: Sobre a Providência: Sobre deve-se fazer a diferença entre este termo e aqueleo Bom Ânimo: Sobre as Escolas Filosóficas. Mas, outro, panteísmo (vide). Todas as coisas estão dentrodessas obras dispomos apenas de fragmentos. do Ser de Deus, de acordo com o panenteísmo, embora Deus não consista na totalidade das coisas. O panenteismo afirma a auto-identidade de Deus comoPANAGUE,CONFEITOS independente das coisas particulares que existem. em O sentido dessa palavra, no hebraico, pannlll, é separado ou consideradas em sua totalidade. Assim,incerto. Aparece em Eze. 27: 17, que fala sobre o Deus pode existir necessariamente. embora todas ascomércio de Tiro e seus produtos. Nossa versão coisas existam de forma contingente. Esse conceitoportuguesa traduz esse termo por «confeitos... De fato, procura reconciliar os motivos legitímos do panteísmoquase todos os eruditos pensam estar em foco algum ordinârio (Deus é, simplesmente, de facto, atipo de bolo. Talvez fosse feito de algum cereal tipo totalidade eterna das coisas, e o pensamento externomilho. Bolos assim são atualmente chamados dhura, que as outras coisas em nenhum sentido fazem partena Palestina. A tradução siriaca verte a palavra de seu ser). O panenteismo admite que em Deus hâhebraica por «painço.., o Panicum miliaceum, algo independente dos particulares, mas tambémPresumivelmente, certas massas comestiveis eram assevera que esse algo é apenas a -essêncía- de Deus,feitas desse cereal. cuja natureza inteira também inclui os acidentes, cada um dos quais é a integração de todos os seres acidentais, em um dado estado do universo.PANELA Idéias dos FIlÓlOfos Sobre a QuestIo: . Tradução errada de uma palavra hebraica, kad, 1. Krause, Ele foi o primeiro a usar o termo para"Jarra de barro.., usada por dezoito vezes no Antigo indicar que o mundo é uma criação finita dentro doTestamento (por exemplo, I Reis 17: 12, 14, 16; 18:23). Ser infinito de Deus. O todo é um organismo divino,e que no Oriente Próximo era usada para tirar água onde co-existem o superior e o inferior. O panen- 38
  • 39. PANFtLIA - PANTAENOteísmo usualmente diz que o ser existe mediante razão». Hegel identificava o racional com o real, erelações orgânicas. fazia de tudo uma parte da Razão divina. Assim 2. Fechner, Ele foi tanto um pampsíquísta (ver sendo, o seu sistema era panlogistico. Outro tanto sesobre o Pampsiquismo} quanto um panenteista. Ele dá com o estoicismo, dentro do qual o Logos, a Razãocria que a totalidade da existência, incluindo a divina, é a base de todo o ser, e seu controle. Dechamada matéria inanimada, de alguma maneira tem acordo com esses sistemas, a lógica (a teoria dosensibilidade. Todas as coisas seriam componentes da pensamento) coincide com a ontologia (a teoria doexpressão mais elevada do ser. O Ser divino inclui ser).todos os demais seres como partes constituintes, talcomo as células de um organismo fazem parte desseorganismo, embora o ser seja maior que cada uma de PANO DE LINHOsuas células. No grego, ....dóa. «pano de linho». O termo grego 3. Whitehead. Para ele, a deidade seria bipolar, em aparece por cinco vezes: Mat. 27:59; Mar. 14:51,52;sentido tanto absoluto quanto relativo. O homem é 15:46 e Luc, 23:53. Com a exceção da referência emimortal, por causa desse relacionamento. Ele vive a Marcos 14:51,52, todas as outras menções desseimortalidade de Deus, posto que de maneira finita. vocábulo se referem à mortalha de linho na qual o 4. Hartshorne. O Ser divino é bipolar, tendo corpo morto de Jesus foi envolvido, ap6s haver sidoaspectos absolutos e relativos. E o todo forma uma retirado da cruz, no dia de sua crucificação. Nounião orgânica, da mesma maneira que um entanto, em Marcos 14:51,52 é mencionado oorganismo inclui a totalidade de suas células. surgimento de um jovem, coberto unicamente com 5. Iqbal, Ele foi um filósofo oriental que defendia a um lençol, no trajeto entre o local da detenção deposição panenteísta, embora sem empregar o Jesus, o jardim do Getsêmani, e a casa do sumovocábulo. sacerdote. Ao colocarem a mão sobre o jovem, ele fugiu, despido. Muitos estudiosos acham que isso é uma alusão velada e pitoresca a Marcos, autor do PANF1LIA segundo evangelho ou amanuense de Pedro. que seria Essa palavra deriva-se do grego, onde significa «der o verdadeiro autor desse evangelho. A noite do toda raça». Esse é o nome de um antigo pais ou julgamento de Jesus pode ter sido uma noite muito provincia da Ásia. Em tempos remotos, chamava-se quente, quando Marcos dormia. Ao despertar, talvezMo/Js6sia. Estava limitado a oeste pela Licia e parte por ouvir o ruido de uma pequena multidão que da Asia; ao norte pela Galácia; a leste pela Cillcia e prendera Jesus, e que passava, ele saiu à rua como parte da Capadócia; e ao sul pelo mar de Panfília, ou estava. Levado pela curiosidade, ou pelo senso de seja, uma porção do mar Mediterrâneo. Ver Ptolomeu confraternização, Marcos acompanhou Jesus durante L.S, capo S. Era parte do que hoje é o centro-sul da algum tempo, até que foi obrigado a fugir desnudo, Turquia, no mar costeiro. Evidências de natureza talvez por temer ser preso também. lingüística indicam que o pais contava com uma população etnicamente mista. A cidade principal, Atalêia, provavelmente foi um centro de operações doapóstolo Paulo. Essa cidade foi fundada por Átalo li, PANO DE SACOde Pérgamo, depois de 189 A.C., com a ajuda de Ver sobre Saeo (PIIIIO de Saco). colonos gregos. Mas também dispunha de outrascidades, como Aspendo, uma base naval dos persas; eSide, fundada por colonos e6lios; e também Perge, A Panfília passou do domínio persa para a órbita PANSOMATISMOgrega, sob o governo dos reis selêucidas. Naturalmen- Esse é o termo que se aplica à idéia de Kotarbinsld,te, com a expansão romana, passou para o controle de que toda entidade sensivel é um corpo. Eledos romanos. E a organização politica romana deu à advogava a doutrina que diz que todo objeto é umaPanfília uma área maior do que tivera anteriormente. coisa. ou fisica ou sensivel. A essa doutrina ele Nos dias do apóstolo Paulo, a Panfília não era chamou de reismo ontolágico, ou somatisma, tendoapenas uma provincia regular, porquanto o impera- rejeitado o termo «materialismo...dor Cláudio unira a Panfilia à Lícia, envolvendo,provavelmente, uma boa porção da Pisídia, nesseamálgama. Foi através da Panfilia que Paulo e PANTAENOBarnabé chegaram, pela primeira vez, à Asia Menor, Ver os artigos separados sobre Alexandria,tendo partido da ilha de Chipre. Ele e Barnabé Teologia de; Clemente de Alexandria e Origenes. Nãovelejaram rio Cestro acima, até Petga (ver Atos se sabe de suas datas exatas, embora saiba-se que ele13:13). O trecho de Atos 2:10 indica que havia muitos floresceu em tomo do ano 200 D.C. Ele foi um dosjudeus nessa província, sendo provável que eles principais mestres de Clemente de Alexandria, o qual,tivessem uma sinagoga em Perge, Os dois missionâ- por sua vez, foi professor de Origenes, e foi um dosrios cristãos, finalmente, deixaram essa área, através primeiros mestres da Escola Catequética Cristã, dede seu porto maritimo principal, Atalia. Anos mais Alexandria, no Egito. Eusébio informa-nos que ele feztarde, Paulo passou de navio ao largo das costas da uma viagem missionária à lndia, onde permaneceuCUida e da Panfilia (ver Atos 27:5). A igreja fundada durante algum tempo; porém. não possuímosem Perge é a única da região a ser mencionada nas qualquer detalhe sobre essa fase de sua vida. Apáginas do Novo Testamento, no século [ da era expressão «escola alexandrina» refere-se a qualquercristã. Porém, a bl8t6da ecledúdea revela-nos que, uma das tradições intelectuais associadas àquelano tempo das perseguições movidas por Diocleciano cidade, de origem pagã. judaica ou cristã. Pode-se(304 D.C.), havia ali nada menos de doze outras dizer que essa escola teve suas origens em cerca de 310congregações cristãs. A.C., quando Ptolomeu Soter fundou uma escola e uma biblioteca no lugar. Em 642 D.C., Alexandria foi capturada pelos islamitas, quando então, para todosPANLOGISMO os efeitos práticos. chegou ao fim a escola Essa é uma palavra grega que significa «tudo é alexandrina. A biblioteca dali (ver sobre Alexandria, 39
  • 40. PÂNTANOS - PANTEISMOBiblioteca de) tornou-se um gigantesco centro de a. O hilozolsmo (vide) pode ser interpretado comocoletâneas de livros. Ao ser, finalmente, incendiada, uma variação do panteísmo, contanto que façamos dacontinha setecentos mil volumes, um número declaração de Tales, «todas as coisas estão cheias defantãstico para o mundo antigo, um depósito de deuses», como algo mais do que uma declaraçãotesouros literários incalculáveis, quase tudo perdido poética. Essa forma tem sido denominada pantelsmonas chamas. hiJozolsta. À medida que se foi expandindo a escola b. Parmênides referia-se ao mundo como absoluto ealexandrina, foi incluindo eruditos pagãos, judeus e imutável, e se considerarmos divino a esse absoluto.cristãos. Filo foi representante dos judeus; os fil6sofos então teremos nessa idéia uma forma de panteísmo.neopitagoreanos e neoplatênícos representavam os Para ele as mudanças são ilusôrias, razão pela qualpagãos; e Pantaeno, Clemente e Origenes representa- sua forma de panteísmo é apodada de ocôsmica,vam os cristãos. Houve empréstimos de conceitos e c. Heráclito pensava que o fogo é a essência deadaptações de conceitos para servirem aos sistemas todas as coisas, e por isso considerava o fogo divino. Oparticulares de cada um. - Quanto às idéias dos fogo atuaria sobre todas as coisas, produzindocristãos alexandrinos, ver os artigos mencionados mudanças nas mesmas. Esse tipo de panteísmo temacima. sido chamado de pantelsmo imanentlstico, d. O estoicismo pensava que o Lagos é o fatorPÂNTANOS controlador de todas as coisas, e do Logos é que se No hebraico, gege. Esse termo hebraico, que s6 derivariam todos os seres. O Logos é Razão Divina. Oocorre em Eze. 47:11 e Isa. 30:14 (com a forma geb, mundo da razão (Logos) seria imanente nos homens.em ler. 14:3), indica água estagnada, repleta de vida Todas as coisas procedem do Logos; todas as coisasanimal e plantas aquáticas. Por causa do clima acabam retomando ao Logos, através de grandesgeralmente seco da Palestina, há bem poucos ciclos. O Logos seria o fogo universal, e uma grandepântanos naquela região do mundo. E os poucos conflagração assinalaria o fim de cada ciclo. Esse tipopântanos ali existentes podem ser achados em tomo de panteísmo tem sido apodado de panteísmo estôico,do mar Morto. O lugar citado na referência do livro e. O neoplatonismo usou o conceito das emanaçõesde Ezequiel fica no vale do Sal, nas proximidades do a fim de explicar como o Logos cria todas as outrasmar Morto. Ao predizer a mudança da sorte de Israel, coisas; contudo, no seu sentido mais estrito, não teriaaquele profeta declarou que tais pântanos seriam havido criação, mas, tão-somente, emanações. Adeixados como dep6sitos de sal, para serem matéria seria atenuada pelo Ser divino, não sendoescavados. algo separado e distinto dele. A essa idéia dá-se o Algumas traduções também traduzem as palavras nome de panteísmo emanacionista. Durante a Idadehebraicas bitstsak e tit por pântano. Mas é melhor Média, as formas est6ica e neoplatõníca de panteísmotraduzi-las por «lama», «lamaçal». Ver bitstsak em 16 ocasionalmente encontraram defensores. Erígena,8:11; e tit em 11 Sam. 22:43; 1641:30; Sal. 69:14; ler. Aver6is e o misticismo da cabala judaica (vide) são37:6; Miq. 7:10; Zac. 9:3 e 10:5. As referências do exemplos disso. Nicolau de Cusa (vide) e Giordanolivro de J6 provavelmente referem-se aos alagadiços Bruno (vide) deram ao panteísmo suas própriasdo Egito, ao longo do rio Nilo. distorções. Boehme parece ter seguido uma espécie de panteísmo ac6smico. Spinoza, com sua doutrina do aspecto dual, tinha um panteísmo monista. Hegel chamou seu tipo de panteísmo de panteísmoPANTElSMO acôsmico. Para ele, as mudanças eram apenas Esboço: aparentes, porquanto tudo faz parte do Grande 1. Definição Planejador. Porém, é melhor dizer-se que, em sua 2. O Panteísmo no Ocidente filosofia, o mundo não está perdido em Deus, mas os 3. O Panteísmo no Oriente dois conceitos coexistem formando uma indissolúvel unidade. Goethe misturava o panteísmo hilozoísta 4. O Panteísmo na Igreja Cristã com o panteísmo estôíco. O sistema de Hegel da 5. O Panteismo e a Êtica Razão Absoluta, que opera através das triades, é uma 1. Deflalçio forma de panteísmo. Ele mesclava elementos do Essa palavra vem do grego, pan, «tudo», + theós, panteísmo estôíco, com o panteísmo monista e com o«deus», dando a entender que «tudo é Deus». De panteísmo acôsmico, F .H. Bradley e Josiah Royce, emacordo com o panteísmo, Deus é o cabeça da seus tipos de idealismo, ensinaram um panteísmototalidade, e o mundo é o seu corpo. A forma absolutista, monista,adjetivada, «panteísta», foi cunhada pela primeira vez 3. O Pantelsmo DO Orientepor lohn Toland, em 1705. Por sua vez, Fay atacou a As Escrituras do hinduísmo (Vedas e Upanisha-filosofia de Toland, e usou a forma nominal, das) identificam o "eu» interior do homem com o«panteísmo». E, desde então o termo tem sido divino, e entendem que as coisas deste mundo sãocontinuamente usado. Naturalmente que há várias ilus6rias. Shankara chamava o mundo de sonho, eformas de panteísmo, discutidas neste artigo, mais encontrava a realidade somente em Brahman, peloabaixo. Também deve-se distinguir o paateísmo do que ensinava um panteísmo acôsmico. Ramanujapanentelsmo (vide). O panteísmo é uma espécie de afirmava um panteísmo emanatistico. O mundo seriamonismo, que identifica a mente e a matéria, e que o corpo de Brahman. O budismo, em seus váriospensa que a unidade é divina. E assim, o finito e o representantes, tem tomado diferentes posições, comoinfinito tomam-se uma e a mesma coisa, embora acabamos de descrever. Chih-i, no budismo chinês,diferentes expressões de uma mesma coisa. O considera a existência ordinária ilusôria, encontrandouniverso (toda a existência e todos os seres) passa a ser a única realidade na Mente Pura, o que significa queauto-existente, sem começo, embora sujeito a também defende um panteísmo acôsmico. O sufismomodificações. Como é 6bvio, também não terá fim. (um movimento dentro do islamismo) tambémConcebidos como um todo, todos os seres e toda a defende um tipo monistico de panteísmo.existência é Deus, de acordo com o panteísmo. 4. O Pantekmo Da Igreja Crlstl 2. O Paatelsmo no OcIdente A tendência dos místicos, do Oriente ou do 40
  • 41. PANTEtSMO - PÃOOcidente, cristãos ou não-cristãos, é o de usar quentes.expressões que pareçam panteistas, visto que uma das Devemos atribuir aos antigos egipcios a primaziaprincipais categorias do misticismo é aquela da no uso do fermento para o fabrico do pão. Osunidade de Deus. Porém, a maioria dos místicos não estudiosos têm especulado que o processo foitem a mesma paciência dos teólogos sistemáticos, e, descoberto por puro acaso, quando células deassim sendo, não requerem definições. Ver o artigo fermento silvestre cairam sobre a massa, antes destageral sobre o Misticismo. Seja como for, o ser levada ao fomo. Mais tarde, descobriu-se que umcristianismo tem um dualismo que separa Deus de sua pouco de massa podia ser usado como iniciador docriação, de forma radical, e usualmente defende a processo de fermentação, para a próxima massa a seridéia da criação dentro do tempo. O conceptualismo preparada; e, desse modo, pão feito com fermento erafala sobre a criação como um conceito da mente guardado para esse propósito. Algumas vezes, osdivina, realizado dentro do tempo, embora admitindo romanos usavam um fermento feito de suco de uvas ea eterna existência da mente divina. Origenes de trigo selvagem, que funcionava bem porque o sucoafirmava que a criação é um ato eterno de Deus, e isso de uvas continha fermento das cascas das uvas. Apode significar que ele não acreditava em um começo espuma que se forma na cerveja também é uma fonteno sentido absoluto do termo, mas antes, em uma de fermento, e os antigos celtas da Grã- Bretanhainterminável transição de uma forma de criação para usavam essa fonte no fabrico do pão. Lá pelo começooutra. Não obstante, não identificava o mundo com do século XVIII D.C., foi identificado o organismo doDeus, e nem chamava o mundo de divino, pelo que ele fermento, e assim começou a indústria de fermentosnão era panteista. Visto que, no cristianismo, Deus é artificiais. Ora, um dos subprodutos da cerveja é oconcebido como um Ser pessoa, não podendo ser ele fermento de que acabamos de falar, e os padeiros nãoconcebido como idêntico à sua criação, conceitos demoraram a utilizar-se do mesmo. Atualmente,panteistas são reputados manifestações do ateismo, quase sempre, uma dona-de-casa que queira fazer pãovisto que não nos fornecem um conceito de Deus caseiro pode esperar sucesso, agradando à suacorrespondente à idéia cristã do que Deus deve ser. família. Um desastre ocasional pode ser perdoado.Ver o artigo geral sobre Deus, seções III. Conceitos deDeus, e IV. O Conceito Biblieo de Deus. Tal como nos idiomas modernos, a palavra pão, S. O p_telamo e a &lca tanto no hebraico como no grego, significava mais do O cristianismo ortodoxo frisa, com hase na ética, a que esse artigo da alimentação. Assim, em Luc, 11:3,pessoa divina-humana. O pantelsmo salienta a por exemplo, a palavra parece indicar toda espécie derelação parte-tudo, e perde de vista a relação eu-tu de alimento, embora, em outros trechos bíblicos, estejamum Deus pessoal. Várias formas de panteismo podem em foco todos os artigos de padaria e pastelaria.enfatizar o livre-arbítrio humano ou o determinismo Todavia, também se deve pensar no próprio pão, feitodivino, mas não do mesmo modo como faz o de trigo, de cevada ou de centeio, embora, conforme ocristianismo, que concebe Deus como uma pessoa. conhecemos entre nós, o pão não era um artigoPalavras como amor, dever, bom, destino, assumem comum nos antigos países do Oriente. Usualmente, asignificados diferentes, no panteismo e no cristia- palavra significa pães mais em formato de bolo.nismo. A Biblia deixa de ser o principal manual sobre 1. Substâncias usadas no fabrico do pão. O melhora ética-para nada dizermos sobre o único manual da pão era feito de farinha de trigo (JuL 6:19; 11 Sam.ética. Doutrinas como a da missão remidora de Cristo 1:24; I Reis 4:22), bem amassada (Gên. 18:6; Lev.não são interpretadas, pelo panteísmo, segundo os 2: 1), ou então um pão mais popular era feito demoldes cristãos tradicionais, e a redenção tem muito cevada (Ju1. 7:13; João 6:9-13).mais a ver com os atos éticos dos homens, em sua 2. Modo de preparação do pão. O cereal eranatureza e em suas expressões. esfarinhado de vârios modos. Em seguida, a massa era amassada em gamelas de couro ou de madeira, quando a farinha era misturada com água e fermento. Permitia-se que a massa tufasse, por bastante tempo,PÃO talvez até por uma noite inteira (Mat. 13:33; Luc, No hebraico, leehem, palavra usada por mais de 13:21 e Osé. 7:6), pois o fermento antigo era umduzentas e trinta vezes no Antigo Testamento, pouco de massa j fermentada, e não era como os âtratando-se de pão comum, sem falar nos pães asmas, modernos fermentos químicos são, de ação rápida. Osetc. No grego temos ârtos, que aparece em quase cem pães asmos, todavia, não requeriam o uso detrechos diferentes, oitenta por cento ou mais nos fermento. Esses eram chamados «doçuras» (ver Gên.quatro evangelhos, desde Mat. 4:3,4 até Heb, 9:2. 18:6; 19:3; Êxo, 12:39 e I Sam. 28:24). Quando a massa já estava fermentada, então era levada ao No hebraico, lechem, que também significa. em forno, que podia ser público ou particular. Haviatermos gerais, «alimento» ou «sustento». Esse vocábulo padeiros profissionais desde a antiguidade (Osê, 7:4;aparece no Antigo Testamento por mais de duzentos e Jer. 37:21). Ver também o artigo sobre Forno. Umoitenta vezes, desde Gên. 3:19 até Mal. 1:7, sendo, tipo de fomo era uma escavação feita no meio de umportanto, uma palavra comumente usada ali. No dos aposentos principais de uma casa, talvez com 1,20Novo Testamento, ârtos, palavra grega que ocorre por m a 1,50 de profundidade e 0,90 m de lado. Esse tiponoventa e sete vezes, desde Mat. 4:3,4 (que cita Deu. de fomo era forrado com uma espécie de cimento, ou8:3) até Apo. 20:2. então com pedras. O fogo era aceso no fundo do Nem sempre o pão foi leve e fofo conforme o forno. Quando ficava suficientemente aquecido,conhecemos hoje em dia. De fato, foi somente a partir podia cozer grande variedade de alimentos. Durantedos últimos cem anos que os panificadores têm usado os dias frios de inverno, o mesmo fomo era usado pararegularmente, o fermento, para tufar o pão. Antes aquecer a casa. Um outro método consistia em umadisso, era preciso ter muitos anos de prática para que cavidade rasa, onde eram aquecidas algumas pedras,alguém fizesse um bom pão, além de uma pitada de no fogo ali feito. Uma vez quentes, as pedras eramboa sorte. Os padeiros misturavam cereais esmiga- removidas e a cavidade era limpa. A massa era postalhados com água, e então a massa era cozida sobre nessa cavidade aquecida, onde, por muitas vezes, erapedras quentes ou sobre fomos primitivos. Outras deixada a noite inteira, pois o processo era lento.vezes, a mistura era cozida ao ar livre. sobre cinzas Nesse processo, também podia ser usada a areia. 41
  • 42. PÁO - PÁO, o PARTIR DOTambém havia panelas especialmente feitas com essa era uma especie de agradecimento pelos cuidadosfinalidade, de barro, de ferro ou de ouros metais. providenciais de Deus, como devolução simbólica deEssas panelas eram postas sobre pequenas fogueiras. parte daquilo que fora provido pela bondade de Deus.De outras vezes, eram feitas fornalhas ou lareiras nas A mesa dos pães da proposição é um tipo de Cristocasas, as quais eram usadas para cozinhar toda como o Pão da Vida, aquele que sustenta os homens,espécie de alimentos, bem como para aquecer o meio espiritualmente falando (I Ped. 2:9 e Apo, 1:6). Esseambiente durante o inverno. Finalmente, havia o pão pão prefigura o grão de trigo (João 12:24),de cinzas. Era feita uma fogueira no chão. Quando o pulverizado no moinho dos sofrimentos (João 12:27) esolo estava bem quente, o pão era posto ali, e então sujeitado ao fogo do julgamento divino, em lugar doscoberto com cinzas e brasas. Esse método, porém, homens (João 12:32-33). b. O pão do céu, o maná,deixava a crosta do pão saturada de cinzas e era, literalmente falando, a provisão divina, simboli-partículas de madeira queimada. O pão precisava ser zando os cuidados de Deus pelos homens, em suavirado ao contrário, pois, do contrário, ficava cozido jornada durante a vida terrena, similar à subsistênciaapenas em um dos lados. O trecho de Osêias 7:8 diz de alguém no deserto. c. Além disso, Cristo é nossoque Efraim era "um pão que não foi virado», o que pão espiritual, descido do céu (João 6). Ver o artigosignifica que não era bem preparado-um lado separado sobre Jesus como o Pão da Vida. - Vercozido, e outro cru. Isso refere-se ao estado espiritual também sobre a Transubstanciação. d. O pão dode Efraim, onde sua espiritualidade era mesclada com agape, ou seja, a refeição memorial da Igreja, queidolatria. e corrupção. No Novo Testamento há uma comemora o sacrificio de Cristo (Mat. 26:26 e I Cor.expressão similar, que lhe corresponde: "... tendo 11:23 ss). e. O pão da aflição, que indica aforma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder» sobrevivência com base em ração escassa, em períodos(11 Tim. 3:5). Entretanto, um Targumjudaico sobre o de escassez (I Reis 22:27; Isa, 30:20). f. O pão datrecho de Oséias também sugere estar em pauta a tristeza ou do trabalho árduo (Sal. 127:2), que indicaidéia de juízo do cativeiro. Isso significaria que antes o sustento obtido através do trabalho exaustivo. g. Ode Efraim ter chegado à maturidade, povos pagãos pão de lágrimas, que indica a condição de tristonhahaviam-no tomado e comido, ou seja, levaram-no à lamentação (Sal. 80:5). h. O pão da iniqüidade, ou dodestruição. Historicamente, foi precisamente isso que engodo (Pro. 4:17; 20:17), que simboliza a extremaaconteceu, quando a Assíria levou o reino do norte iniqüidade do indivíduo - que vive como quepara o exílio, em 722 A.C. alimentando-se do pecado, e cujo sustento vem através da fraude e de práticas enganadoras e 3. Tipos de pão. a. Bolos chatos e finos, misturados desonestas. i. A Palavra de Deus é comparada ao pãocom azeite, o que corresponderia, mais ou menos às da vida diária, sendo a provisão para as necessidadesnossas "pizzas », b. Uma espécie de panqueca feita de espirituais do homem (Mat. 4:4). j. O lançar o própriotrigo e azeite, que era a forma usualmente usada nas pão sobre as águas (Ecl. 11: 1), provavelmenteofertas de manjares, também chamadas ofertas de refere-se ao costume dos egípcios de lançarem semen-cereais. c. Bolos de mel (Êxo, 16:31). d. Bolos de uvas tes sobre as águas rasas, das inundações do rio Nilo.ou de uvas passas (Osê. 3:1; Cano 2:5). e. Um tipo de Parecia ser uma insensatez, mas a semente germina-pão muito macio, tipo pudim (11 Sam. 13:6-9). f. va, e o resultado final era o pão. Isso simboliza aHavia também "massas falhadas», provavelmente nossa generosidade com outras pessoas, o que, peloaprendidas pelo povo de Israel no Egito, cujos menos para alguns, pode parecer uma tolice, poispadeiros eram famosos por sua arte (Keil, Arch., pode parecer uma dilapidação de recursos materiais.2:126). Com a passagem do tempo, entretanto, a semente 4. Um artigo da alimentação dos povos antigos. O assim lançada germina, havendo um abundantepão fazia parte da alimentação diária dos antigos retorno para esse tipo de ação. 1. O pão agradável,(I Reis 11:8). Sara apressou-se para preparar pão comido secretamente, refere-se a prazeres secretos epara os visitantes (Gên. 18:1-6). Aos trabalhadores, ilícitos (Pro. 9:17). m. Pão e água, alude às coisasnos campos, era dado pão como alimento (Rute 2:14). nec.essárias para o sustento do corpo físico, osNas campanhas militares, servia-se pão também aos alimentos básicos (Isa, 3:1; Mat. 6:11). n. O pão dossoldados (I Sam, 16:20). Os viajantes levavam pão homens, aludido em Eze. 24: 17, refere-se aospara a viagem (Gên. 21:14; 45:23; Juí. 19:19). Jesus alimentos comuns. (FRI I IB NTI PRI S)multiplicou pães e peixes para as multidões (Mat.14: 13-21); e chegou a reiterar o milagre (Mat.15:32-39). Era costumeiro o cabeça de uma famíliainiciar uma refeição tomando um pão, dando graças PÃO, O PARTIR DOao Senhor, partindo-o em pedaços e distribuindo-os No Novo Test8mento, a expressão aparece em Luc.entre os membros de sua família, algo que foi imitado 24:35; Atos 2:42; Mar. 8:6; 14:22; Mat. 14:19; I Cor.quando da Ceia do Senhor (Mat. 26:26). 10:16 e 11:24. Consideremos estes pontos: 5. Pão usado em ritos religiosos. Além dos 1. Está em foco, basicamente, o costume hebreu dosacrificios de animais, havia ofertas de cereais, sob a pai de uma família agradecer pelo pão, parti-lo eforma de pães ou bolos cozidos ao forno, em uma distribuir os fragmentos aos membros de sua família.panela ou em uma orelha (Lev. 2:4-10,14-16. Ver Esse costume r ~fletiu-se, pelo menos em parte, nostambém Lev. 24:5, quanto aos doze pães postos sobre ritos da Páscoa e da Ceia do Senhor. O Manual dasa mesa dos pães da proposição, no Lugar Santo, Ordens de Qumran arderia que o sacerdote estenda asreferidos em Êxo , 40:23 e Heb. 9:2). Pães eram as mãos sobre o pão e o vinho, em uma bênçãousados nas ofertas pacíficas (Lev, 7:12), nas ofertas comunitária, antes do início do banquete da Pãscoa.das primícias (Núm. 15:17-20). E, naturalmente, o O Didache tem algo semelhante, no contexto cristão.pão fazia parte das cerimônias da páscoa. Com base 2. Ao multiplicar os pães para os cinco mil homens,nessa festa, a Ceia do Senhor foi instituída, como Jesus partiu os pães e ordenou que os mesmos fossemsímbolo de seu corpo (Mat. 26:26; I Cor. 11:23,24). distribuidos (João 6:9). Nisso, ele apresentava-seVer os significados dessas ofertas no item abaixo, usos simbolicamente como a provisão espiritual dossimbólicos. homens, mediante o seu corpo partido. Essa refeição 6. Usos simbólicos. a. O uso religioso do pão, singela também serviu de antecipação do banqueteconforme descrito no ponto 5, acima, antes de tudo, messiânico, referido em João 6:53 ss. 42
  • 43. PÃO DA VIDA, JESUS COMO 3. No trecho de Atos 2:42, o pão refere-se, particularidades:provavelmente, à Ceia do Senhor, efetuada com A 0rIeataçI0 ElpldtuaJ de Joio é MJ.tiea, e NIorelativa freqüência. Ou então, refere-se às refeições de s.aaaa-tal.comunhão, sem alusão formal à Ceia do Senhor. Ouentão pode ser que cada refeição, entre os crentes Dentre os quatro evangelhos, o de João é o maisprimitivos de Jerusalém, fosse tomada informalmen- místico e o menos sacramental; assim sendo, apesarte, nos lares, em comemoração da Ceia do Senhor. do evangelho de João ser o mais usado, provavelmente 4. As passagens de I Corintios 10:16 e 11:20ss. é o menos compreendido dos quatro. Notemos que noapontam para refeições comunitárias que incluiam a trecho de João 1:29-34, o lugar onde poderiamoscelebração da Ceia do Senhor. Posteriormente, essa esperar a história do batismo de Jesus, por Joãorefeição foi simplificada para o simples rito que Batista, não há qualquer menção ou descrição sobre oenvolve o pão e o vinho, com a descontinuação da batismo em água, conforme se lê nos demais três evangelhos. Obviamente, se trata da mesma cena, e érefeição por toda a comunidade. Ver os artigos sobre indubitável que devemos compreender ali que JesusPão da Vida, Jesus como o e Transubstanciação. (B I foi batizado por João Batista; porém, não há qualquerNTI) alusão à própria cena do batismo. No entanto, encontramos nesse trecho a menção especifica do batismo do Espírito Santo, em que Jesus aparecePÃO DA VIDA, JESUS COMO tanto como o Cordeiro de Deus quanto como o Filho «Eu IOU o pio da "da... » (Joio 6:35). de Deus. Nessa seção do evangelho de João, pois, o batismo é de natureza mística, e não-sacramental. «Quem comer a minha carne e beber o meu sanguetem a vida eterna... » (João 6:54). Ainda mais surpreendente que essa instância é a «...isto é o meu corpo...isto é o meu sangue... » daquela outra passagem onde poderíamos esperar(Mateus 26:26,28). uma descrição sobre a instituição da Ceia do Senhor ou eucaristia, a saber, João 13:1-20. Pois, apesar de «, •• 0 que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê ser evidente que essa passagem se refere à páscoa,em mim, jamais terá sede... » (João 6:35). sendo paralela aos trechos de Mat. 26:7-30; Mar. «Assim como o Pai, que vive, me enviou, e 14:17-26 e Luc. 22:14-39, contudo, nem ao menos háigualmente eu vivo pelo Pai; também quem de mim se alusão à instituição da Ceia do Senhor, ao passo quealimenta, por mim viverá» (João 6:57). lemos ali uma longa descrição da cerimônia do «Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, lavapês, que os demais evangelhos nem mencionam,também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo" e que poderíamos julgar comparativamente sem(João 5:26), importância, em relação à Ceia do Senhor. Não « •• • os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os obstante, nesse trecho do evangelho de João, nos éque a ouvirem, viverão" (João 5:25). ensinada uma verdade mistica, o que também era Em torno desses versículos gira o ensino de Jesus muito característico do autor do quarto evangelho; ecomo o Pão da Vida. Crentes sinceros têm atribuido por causa dessa verdade mística, essa passagemaos mesmos grande variedade de interpretações, e obviamente se revestia de grande importância para omuitissimas disputas se têm originado de tais seu autor sagrado.explicações. Parece que uma das dificuldades da Poderíamos asseverar, por conseguinte, que o autorinterpretação deriva-se do fato de que a mensagem do quarto evangelho nem ao menos registra oucentral que essas passagens procuram nos transmitir é descreve um evento tão importante como foi amuito mal compreendida pela igreja cristã, sendo instituição da Ceia do Senhor, ao passo que os outrosalgumas vezes totalmente desconhecida e, ocasional- três evangelistas lhe conferem um tão conspícuomente, até mesmo combatida. Por causa dessas lugar? Não, isso não seria verdade, pois o sextocondições, apesar de que certas porções da idéia capitulo do quarto evangelho encerra o registro sobrecorreta do que aqui é ensinado são retidas por uma ou essa instituição da Ceia; no entanto, foi escrito nãooutra denominação, com algumas variações, contudo, para descrever um sacramento e, sim, para servir dea própria idéia, em sua inteireza e majestade, é expressão acerca de uma elevada doutrina mística.percebida apenas em parte, obscuramente. Essa Devemos observar, por igual modo, que nesse sextoprofunda idéia do cristianismo, que «Jesus, como o capitulo do evangelho de João não hâ qualquerPão da Vida», oferece aos homens, está contida nas descrição acerca do modus operandi da cerimônia daEscrituras de forma dispersa. As alusões a esse Ceia do Senhor, porquanto isso não se revestia deconceito aparecem no evangelho de João; em alguns importância, aos olhos do autor sagrado; pelotrechos das epistolas paulinas, sobretudo no oitavo contrário, nos é exposto, com abundância decapitulo da epístola aos Romanos e no primeiro pormenores, o sentido espiritual retratado por essacapítulo da epístola aos Efésios; em 11 Coríntios 3:18 e cerimônia; e esse sentido espiritual uma profunda éem II Pedro 1:4. verdade mística. Na tentativa de descobrir e lançar luz sobre o O evangelho de João, portanto, aborda tanto oassunto, examinaremos os seguintes particulares: batismo como a Ceia do Senhor de maneira mística, e 1. A orientação espiritual de João é mística, e não- não sacramental.sacramental. M.... de EspN8llo de JoIe 2. O modo de expressão de João. A fim de ilustrar a natureza da pessoa de Cristo, 3. As interpretações centrais do sexto capítulo do bem como a sua relação para com o mundo, mais doevangelho de João: a interpretação simbólica, a que os outros evangelistas, o apóstolo João se utilizasacramental e a mística. de termos simbólicos. João quem chama o Senhor Ê 4. A Ceia do Senhor, em seu «simbolo» e na Jesus de «a Luz», «a, Ãgua», «o Pão», «o Pastor» e «a«verdade simbolizada». Porta». E embora o evangelho de João não lance mão 5. Indicações existentes no sexto capitulo do da expressão especifica, «Este é o meu corpo» (em queevangelho de João sobre a veracidade da interpretação Cristo se referiu ao pão da Ceia) contudo, no sexto«mística». capitulo do mesmo é óbvio que uma terminologia Passemos, pois, à exposição de cada uma dessas assim seria perfeitamente apropriada (ver João 43
  • 44. PÃO DA VIDA, JESUS COMO6:54,55). Todavia, esse pão (que simboliza o corpo) é «provação à fé», e não um artigo de fé, supormos que,declarado como algo que desceu do céu (ver João por algum meio misterioso, enquanto Jesus estava6:32,58), o que mostra que, antes de tudo, não está sentado entre seus discípulos, inteiro e vivo. elesem vista alguma alusão ao corpo fisico de Jesus; antes, tivessem participado de seu corpo e de seu sangue deele se refere a um tipo celestial de «pão», a um maneira literal.principio espiritual, a uma comunicação e participa- b. A Interpretaçio Sacramentalção mística na vida divina, o que, na realidade, é umconceito transcendental, e não uma idéia sacramen- I. Teoria da collSUbstaDcIaçio. Lutero não setal. sentia satisfeito com a interpretação protestante Por semelhante modo, quando falamos na «água», ordinária, a interpretação simbélica, pensando ele que as vigorosas palavras de Jesus, «Isto é o meudevemos ter em mente a infusão da vida espiritual, corpo... », exigem uma interpretação mais profunda erecebida mediante a fé, e não algum elemento completa do que isso. Lutero também não se satisfaziasacramental. Isso fica demonstrado pelo fato de que a com a explanação de Tomás de Aquino quegrande passagem joanina sobre a «água da vida» (o afirma que há alguma alteração substancial nos quarto capitulo do evangelho de João), que nos elementos do pão e do vinho, de tal modo que, emfornece maiores detalhes sobre a significação tencio- alguma maneira mística, mas perfeitamente real, o nada acerca dessa «água», é registrada em um trecho pão e o vinho tornam-se verdadeiramente, no corpo e totalmente separado do capítulo que versa sobre o no sangue de Cristo. Por essa razão é que Lutero criou batismo do Senhor Jesus. Ali a «água da vida» figura essa doutrina que veio a chamar-se de «consubstan- como a comunicação do Espírito Santo à alma ciação». humana (ver João 4:23,24), em que essa água «mana» como uma fonte eterna, uma ação continua e Essa doutrina preserva a presença de Cristo, «com» toda possessiva, e não uma ação momentânea, como e «em» os elementos, embora não requeira qualquer se verifica no caso de qualquer rito. Além disso, modificação real nos próprios elementos do pão e do deve-se notar que no trecho de João 7:39 o próprio vinho. Conforme o ponto de vista luterano, os autor sagrado interpreta o símbolo da água, ao dizer: elementos permanecem exatamente o que são, mero «... Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam pão e mero vinho, sem qualquer modificação ou de receber os que nele cressem... » Torna-se evidente, transferência de substância. Antes, através de algum portanto, que vocábulos como «pão», «água», «porta», processo místico, a «presença» do corpo e do sangue etc., são expressões que indicam elevadíssimas de Cristo é preservada, «em, em volta e sob» os verdades espirituais, misticas quanto à sua natureza, elementos não- modificados do pão e do vinho. Ora, e não sacramentais. Fica suposto com razão, neste isso cria um «dualismo», pois duas substâncias sexto capitulo do evangelho de João, segundo distintas são misturadas, embora não intrinsecamente acredito, que o «sangue» de Cristo, que é «...verda- misturadas. Essa explicação pretende nos levar a crer deira bebida... ,. (João 6:55), tem um sentido que há uma espécie de «amassar ambos as equivalente ao atribuido à «água», nos capítulos substâncias em uma única massa», mas que, ao quarto e sétimo do evangelho de João, e que mesmo tempo, ambas as substâncias continuam abordamos aqui a transmissão da vida divina, por distintas e independentes. Dentro da designação intermédio do Espírito Santo. «consubstanciação», pois, a primeira parte, «con» (scom-), significaria que a substância do corpo e do O modo de expressão do evangelho de João, sangue é unida à substância do pão e do vinho, portanto, é místico, e não-sacramental. embora não se deva pensar que tomaram aquelas o Interpretaçies Centr.. do Sexto Capitulo do lugar destas últimas. Evugelho de Joio Alguns estudiosos evangélicos têm rejeitado essa a. A IDterpretaçio 51mb6llca noção porque ela parece requerer a onipresença do A maioria dos intérpretes protestantes concorda corpo e do sangue de Cristo, o que, sem dúvida, é uma sobre o fato de que neste sexto capitulo do evangelho idéia monstruosa. No entanto, de acordo com de João, há uma alusão à eucaristia ou Ceia do conceitos teológicos e filosóficos mais refinados, que Senhor, apesar disso não ser explicitamente declara- empreguem a idéia dos «universais» de Platão, ou o do. Mas esses intérpretes (exceto os luteranos) elemento místico da descrição aristotélica sobre o que ordinariamente manuseiam essa passagem do mesmo é uma substância, não somos forçados a imaginar modo que o fazem com Mat, 26:26. Nesse caso, o qualquer corpo ou sangue literais, como se os mesmos «corpo» (aqui é o «pão») nada tem a ver com o corpo tivessem características de onipresença. A maioria dos literal de carne e ossos de Jesus, se estamos falando eruditos luteranos, entretanto, tem abandonado essa sobre o beneficio espiritual e a transmissão real que se explicação, porque não há como alguém demonstrar destacam neste capitulo; antes, esse «corpo» 011 «pão» tal coisa, sendo um conceito que necessita de pura fé é a infusão da vida espiritual, sendo meramente para que seja aceito. Outrossim, tal conceito está simbolizado pelo corpo literal de carne, que foi alicerçado sobre a especulação, e não sobre qualquer partido e alquebrado por nós. Similar é a explicação realidade implícita nas Escrituras. que se deve dar em relação ao «sangue». O sangue, n. Teoria da tr....ubstandaçlo. Essa é a que foi verdadeiramente derramado, é o símbolo do explicação fIIOIÔflea.teol6glca de Tomás de Aguino, Novo Pacto, bem como tudo quanto isso representa na que se tornou a maneira usual da Igreja Católica vida espiritual dos crentes. A expiação exige o Romana explicar o sentido da declaração de Cristo: sacrificio real do corpo, bem como o derramamento «Isto é o meu corpo... » Depende das descrições do sangue; mas isso foi um ato efetuado de uma vez filosóficas aristotélicas acerca de «substância», bem para sempre, que jamais pode ser repetido. E o como das explanações de Platão sobre o «universal». beneficio que isso produz para os homens - a vida Por causa disso, pessoas filosoficamente destreinadas eterna - é perpétuo, ainda que o próprio ato da não têm podido compreender muito exatamente o que expiação não tenha sido perpétuo. Notemos, além a «transubstanciação» procura dizer. É quase disso, que o Senhor Jesus proferiu as palavras «isto é o impossível ter a idéia certa do que essa doutrina meu corpo... » enquanto ainda vivia fisicamente; pelo significa, se primeiramente não Hvermos algum que também parece-nos lógico supor que ele falava entendimento sobre certos aspectos da metafisica de em termos simbólicos, porquanto se torna uma Platão e Aristóteles. Aqueles que estudam a história 44
  • 45. PÃO DA VIDA, JESUS COMO eclesiástica sabem que. a começar pelos pais gregos qualquer tipo de teste químico e cientifico, chegando da igreja Justino, Clemente e Orígenes de Alexandria. mesmo ao exame da estrutura atômica do pão e do e continuando com Agostinho e chegando até os vinho; e, após o rito, podemos sujeitar o pão e o vinho tempos de Tomás de Aquino (l2S0 D.C.). a teologia aos mesmos testes. E mesmo que os dois testes cristã vem sendo expressa pelo veiculo da filosofia produzam resultados exatamente idênticos, podemos platônica. Pelo tempo de Tomás de Aquino, e dizer que a «substância». aquele elemento místico, foi especialmente no caso dele, a ênfase se alterou para alterado, porquanto os testes cientificas podem modos aristotélicos de expressão. ao passo que os examinar meramente os «acidentes». Se imaginâsse- modos platônicos de expressão não foram totalmente mos testes cientificos ainda mais complexos e exatos. abandonados. Quando surgiram controvérsias acerca mesmo no número de milhares deles, e depois de tudo da abordagem filosófica da teologia, empregada por não descobrissemos qualquer diferença no pão e no Aquino, para dar solução à pendência, o papa Leão vinho, antes e depois do rito, .não precisariamos ficar XIII pronunciou-se em favor de Tomás de Aquino e a perturbados com isso. pois nos preocuparlamos sua filosofia se tornou a expressão oficial da doutrina meramente com a substância dos elementos, e não da igreja romanista. E foi desse contexto que se com os seus acidentes, e a ciência jamais poderá dizer desenvolveu a explicação sobre a eucaristia que tomou ou descrever qualquer coisa sobre a substância, mas o nome de «transubstanciação», somente sobre os acidentes dos elementos. Abaixo tem... lIIIIa tentatl...a de declarar, de forma A DebUIdade ..... Teoria pode . . DeeIMada breve. o que essa idéia ensina. Acredita~se que a Cemo Sepe: substância ou «essência» do pão e do vinho é 1. Alguns pensam que foi criada uma mera suplantada pela substância do corpo de Cristo. especulação filosófica, pois essa questão jamais Essa «substância». entretanto, nada tem a ver com os poderá ser examinada, - mas deve ser sempre «acidentes» do pão e do vinho. Os «acidentes» são aceita pela fé ou rejeitada pela fé. É possivel todas aquelas caracteristicas que, de um modo ou de que alguma forma de «substância» misteriosa outro, podem ser sentidas pelos cinco sentidos. ou tenha sido criada, mas nunca podemos estar certos de percepção dos sentidos. Assim, pois, tudo que há a que ela é mais do que imaginária. respeito do pão e do vinho que pode ser tocado. visto, pesado, testado quimicamente (pois os testes quimi- 2. A sua maior fraqueza, entretanto, até onde cos são apenas extensões complexas da percepção dos interessa a pessoas biblicamente treinadas. é que não sentidos), é chamado de «acidentes». Portanto, tudo existe qualquer explicação dessa natureza dada nas quanto podemos saber cientificamente, acerca desses Escrituras. e que. apesar dessa teoria ser engenhosa, elementos. são apenas os seus «acidentes». Por outro aristotélica, platônica e aqüiniana, a verdade é que lado, a «substância» desses elementos é aquilo que ela não é joanina, e nem evaRgélica. compõe o pão e o vinho reais, que dão apoio aos meros 3. Se os elementos do pão e do vinho têm sua acidentes. É nesse ponto que invocamos Aristóteles e substância alterada para a sabstância do corpo e do Platão para que nos ajudem a compreender o que é sangue de Cristo, então, segundo algumas pessoas «substância». De conformidade com a discussão pensam, e com razão. o pão e o vinho se tomam aristotélica sobre o que é substância, ele fala de uma objetos próprios de adoração; e isso é repugnante para espécie mística de elemento, que subjaz e dá apoio aos os crentes, porque seria uma forma disfarçada de acidentes. Não se trata de algum elemento que possa ..idolatria», ou. pelo menos, tenderia nessa direção. ser percebido. em qualquer sentido, pela percepção 4. Outros estudiosos saüentam que essa idéia não dos sentidos humanos, a despeito do que é tem qualquer base nos ensinos patrísticos (isto é, não perfeitamente real. se acham nos escritos dos primeiros pais da igreja e, Isso não é totalmente diferente da doutrina de John poderíamos acrescentar, nem em parte alguma dos Locke que fala sobre «41go que não sei o que é». Para escritos apostólicos), não passando de uma criação- ele, as coisas se compõem de «qualidades primárias». posterior. não sendo, portanto, obrigatória para a fé. coisas tais como peso, extensão no espaço. estrutura 111.. u... aItcrDatiYa para a ca_ ••••1açIe atômica, etc., e secundárias, tais como cor. odor. e a tra 1IIÇ:Ie e- que procura permanecer paladar, etc., que não são necessárias para a existên- dentro da categoria da iatapretaçlo sacramental, cia das coisas. ao passo que as qualidades primárias o porque, à semelbança de O1ltras teorias afirma que o são. Porém, além das qualidades primárias e corpo e o sanpe de Cristo do recebidos de algumasecundárias, existe aquela outra coisa, "algo que não forma real no ato da participação dos elementos,sei o que é», que também faz parte da substância das consiste da simples asserçio de que ..de algumacoisas. E por essa razão é que Aristóteles falava em maneira. DIo sabemos dizer COIBO» , a verdade é queuma espécie de coisa, «algo que não sei o que é». um isso reaimente acontece - o corpo e o sangue deelemento místico, que seria a «substância» das coisas. Cristo se fazem presentes DO pio e no vinho, quandoJá Platão se referia ao «universal», que é uma espécie do rito da Ceia do SeRhor. Os defensores dessade existência própria do outro mundo, separada e alternativa não teRtam explicar a questão comdistinta dos objetos fisicos, mas segundo a qual os qualquer esclarecimento. mas fazem da situaçãoobjetos fisicos são feitos e da qual eles parti- inteira um objeto da mais pura fé, sem a necessidadecipam. como uma espécie de realidade inferior. de quaisquer descrições teelógicas ou filosóficas. Conforme se vê, essa terceira posição procura Assim, pois. no rito da eucaristia. de conformidade preservar. à semelkança das duas primeiras. o sentidocom a teoria da «transubstanciação», nenhum dos literal das palavras de Cristo: Isto é o meu corpo ....acidentes dos objetos físicos se modifica, mas é a embora também afimte que nio existe qualquer«substância» que se altera. Esse elemento místico, que explicação satisfatória qoe se possa dar a respeito,não é percebido por qualquer sentido humano, mas dentro do nosso preseMe estado de conhecimento.que é a porção mais real de todos os objetos, é Ordinariamente, em paralelo com todas assubstituido pela «substância» do corpo e do sangue de interpretações csxrameaatais». fica suposto que aCristo, isto é, essa substância é «transferida. para o participação fiska deselemeatos do pio e do vinho. é,pão e o vinho. Dessa idéia. portanto, é que se deriva o ao mesmo tempo, o recebimento literal de Cristo e dastermo «transubstanciação». E assim, segundo essa bênçãos que ele proporciona, especialmente dateoria, antes que o rito tenha lugar, podemos realizar bênção da salvação, porquanto tal rito ê encarado 45
  • 46. PÃO DA VIDA, JESUS COMOcomo necessário para a salvação, se não é mesmo a possível, de tal maneira que se tornam participantesúnica coisa necessária para a salvação. da natureza divina, segundo também aprendemos em e.A~MIIdca passagens neotestamentárias como 11 Ped, 1:4; Rom. Essa interpretaçlo afirma que aquilo que Joio dizia 8:29 e Efé. 1:23. Sendo participantes da naturezanessa passagem não é que os beneficios se derivam da divina, os crentes participam da essência ouparticipação nos elementos. do pão e do vinho substância literal do ser de Jesus Cristo. Em outras(conforme assevera o ponto de vista sacramental) e, palavras, são feitos seres dotados da mesma naturezasim, se deriva da ..realida4te simbelizada» por esse que ele, superiores aos próprios anjos, «filhos derito. Essa realidade s ~ é tudo quanto Cristo Deus» autênticos, tal como Cristo Jesus é o Filho designifica pal"a a alma.. Oventadleiro pão e o verdadeiro Deus, filho por força da participação real na naturezavinho sio os beDetIcios fJIIC sobrevêm à alma dos divina, e não apenas de nome, ou por motivo dehomens.,; e Dão atpms e-.laleuecebidos pelo corpo, consideração.mediaate a. ~().~lO pão é o ..pão Segundo creio, isso é o que ensina o sexto capituloce~tiaf".1·~ pilo. cplIII~. do céu, o que é do evangelho de João. No entanto, cumpre-nosrelteJ&do,prilI. 5e1e ~ . . . sexto capitulo do prosseguir com a explicação.eva.ng:dho .Jol.(4ver~~33.41,42,50,51e 58). A eucaristia ou Ceia do Senhor é o «símbolo»: e essaE isso ss......a.queoplcloesl. tal é a transmissão da total transformação segundo a imagem de Cristo (avida proveaiest1: do cê»,~,JIJltUIto foi feito através conseqüente participação na vida divina e eterna) é ade CrisioellkS&aV~ npi~e ressurreição, bem realidade simbolizada. A Ceia do Senhor consiste nacomo ainNés do Milii~.atual de seu Espírito participação de um elemento fisico - o pão e o vinhoSanto, O qual tra~ os homens segundo a - pelo corpo físico. Simboliza a participação de umimagem. Cristo, ~ assim à glória, não elemento celestial e mistico por parte da alma, o queenvol.end&merallleAte·. 1iJaInação da eucaristia ou não ocorre apenas ocasional e temporariamente e,Ceia ~ SentIor, ·sem úBportaF quaisquer beneficios sim, continua e eternamente. O pão dos céus,que esse rito- po5S& eoaferir . . homens. O sangue de portanto, é a vida de Cristo no homem, mediante oCristo ê que satisfaz. tod8s os anelos espirituais, e que uma pessoa não somente viverá eternamente, masisso não pode sei" redu:z.idO aos estreitos limites 00 ato também possui a vida eterna, que é uma espécie desimbôsee da Ceia do Senh«. Trata-se. portanto, de vida - a vida de Deus, em Cristo - e não apenas auma transaçlo cetesti:a1. acima. além, separada, mas existência de duração eterna.simbolizada pelo rito da Ceia do Senhor. Os trechos de João 5:25,26 e 6:57 nos ensinam algo A eucaristia ou Ceia" Senhor, conforme é sobre essa «vida eterna». Essa vida é necessária enormalmente observada. se caracteriza pelas seguin- independente. Essas são as únicas passagens, em todotes particularidades: . o N.T., onde essa doutrina é ensinada diretamente. 1. Ela é sacrameatal (seu: .alor é recebido mediante Existem muitos níveis de vida, começando pelos .>a partíciJoçio Jl(). PJÓPIÍO animais unicelulares, os mais simples de todos. Dai vamos passando para formas mais complexas de vida, 2. Eba.f-·ocasioaat (:suapaiodrdpação ocorre em ummame. . ou;oUtroJ. como a dos insetos, a dos vertebrados, etc., até chegarmos ao homem. Ao chegarmos ao homem, 3. S. é ~aI ÚfOCli.:set repetida, e os seus encontramos uma forma de vida muito complexa, quebeneftcios.sóse tomadIt~".mediante repetição).a já encerra em si mesma tanto o elemento físico como o Por6~ ~.".s,~ pela eucaristia ou espiritual, pois, na realidade, o homem é um serCeia doSe&ior é·a. rHJI;rf••. cwpiritual que devemos espiritual, não muito inferior em estatura aos anjos,procUl"af ~ ~ ....... E suas particulari- embora, temporariamente, exista aprisionado em umdades. ~ c~ CDIIIIIf" da posição descrita corpo fisico. Subindo ainda mais na escala da criaçãoacima, sio: ... . inteligente, chegaremos a outros seres espirituais, de 1. Essa Ie t:~ ~ é infusão mistiea do estatura superior à do homem, seres que são purosEspíritó. de ne.s ea .... a personalidade doindividller, . . . . . ~; mlrill. de Cristo, recebidos espíritos e intelectos. Entre os próprios anjos existem vários níveis de existência, pois podemos subir aosmed~. a. fê. (ws Joie.6e35). Isso importa em arcanjos. Ora, todos esses seres são dotados de umacom~.fti:caÓlJoM~e. utilizarmos aqui ao «modalidade» qualquer de vida, e nisso as vidas«irreal... ..-s ames,. . . . . _kJio adjetWo ..mIsticaoo ~ • Wf:;IboS dar a entender alguma comunica-ção vetdadeiFa com O" SCIS divino, um comacto diferem, embora muitos desses seres sejam «imortais», e, por conseguinte, possuem vidas «intermináveis». E então, no pináculo mesmo da hierarquia da vida,autênticocmaDeus,. ·flUO ~.-*fiDiçã<> mais básica do eleva-se Deus.misticisllflf) (vide). ~ allJilesofia. 2. Essa realida.de é ~ - essa comunicação, Someate De.. é verdadeiramente Imortal. nocontacto e enchimemo- ~ com o Espirlto de sentido de que somente ele possui vida em si ...-mo,Deus não, ocosre ~ . atiatvés da eucaristia. mas derivada de si mesmo. Pois todos os demais seresantes, é UID.$ e ~ e.tinua, para todos os possuem uma vida «derivada» ou dependente. Porcrentes ven:Iadiekos. Peded*s. dizer mesmo que o conseguinte, somente Deus tem uma vida «indepen-crente ~bJa) está eavoIQdo.. em uma eucaristia dente». Outrossim, somente Deus possui a vidamísticae espirituaiCoattrn,do que o rito literal da «necessária», isto é, não fora a sua graça, nenhumaCeia do Senhor setve de siMlJelo vivido. Porém, aquilo outra vida poderia existir. Somente Deus «não podeque Deus faz DaS pessoas. e pelas pessoas. ele o faz deixar de existir». Todos os outros seres pertencem acontinuamente. e isso leva. 05 crentes à transformação uma categoria em que a sua não existência êsegundo a imagem moral e naetaftSica de Jesus Cristo. perfeitamente concebível para sempre. Assim, pois, esses versículos do evangelho de João, 3. Essa realidade 6 eterrNI - o resultado dessa citados acima, ensinam a doutrina da vida «necessá-comunicação constante coa o. ser divino, através do ria» e «independente» de Deus. Contudo, ensinam-nosEspirito S. .to·( ver Joio 1:38~39} é que os homens são uma doutrina ainda mais extraordinária. E essatÇlt.almente traDSformades segundo a imagem de doutrina é que Jesus Cristo, «na qualidade deCristo, tornando-se verdadcirámente participantes da homem», quando de sua encarnação, tendo-se então«substância» de Cristo, no sentido mais literal tornado o homem representativo, recebeu esse tipo de 46
  • 47. PÃO DA VIDA, JESUS COMOvida «necessária» e «independente». É verdade que ele observar certos particulares:já a possuía corno o Filho de Deus; mas, corno a. Além da mensagem geral expressa por este sextohomem, recebeu-a de Deus Pai. (O trecho de João capítulo do evangelho de João, considerado como um5:26 diz-nos expressamente que a Jesus Cristo foi todo, devemos voltar a atenção para os versículos«dada» essa modalidade de vida). 32,33,38,41,50,51 e 58, que falam acerca do «pão celeste». Não se trata do corpo físico de Cristo, e nem E os trechos de João 5:2S e 6:57 dizem-nos que de qualquer «substância» mística desse corpo, e, sim,Cristo tem o poder e a autoridade para conferir essa de tudo quanto Cristo significa para os remidos - eleforma de vida aos outros homens também. Para essa é o seu alimento espiritual. Quando o redimido éexata finalidade é que todo esse quarto evangelho foi assim alimentado, ele é transformado segundo oescrito - a outorga e o recebimento desse tipo de vida modelo da imagem do Filho, moral e metafisicamentedivina, vida essa que nem mesmo os anjos, por mais falando.elevados e majestáticos que eles sejam, jamaispossuirão. Por essa mesma razão é que a Biblia b. Devemos dar atenção especial ao versiculodeclara que os crentes se tornam a plenitude de cinqüenta e sete. O Filho de Deus recebeu essa vidaCristo, aquele que preenche a tudo em todos (ver Efé. necessária e independente da parte de Deus Pai. Ele a1: 23). Ora, isso jamais foi atribuido aos anjos, recebeu mediante a comunicação espiritual, e nãoconforme é aqui atribuído aos crentes. Os homens, através de qualquer sacramento de que tivessepor conseguinte, se tornam verdadeiramente «imor- participado, estando ainda em sua peregrinaçãotais», no mesmo sentido em que o próprio Deus é terrena. Exatamente da mesma maneira, os crentes,imortal, isto é, «não podem deixar de existir». Os por intermédio de Cristo, recebem a transmissãocrentes também recebem vida em si mesmos, são dessa mesma vida, por parte de Cristo, sem a interven-auto-existentes, tais como o são Deus e Deus Filho. ção de qualquer meio sacramental. - O versiculoOra, essa é a eucaristia celestial, através da qual tudo cinqüenta e sete deste sexto capitulo do evangelho dequanto Cristo é, em seu ser essencial, é transferido aos João, pois, compreendido corretamente, parece exigirremidos. E a eucaristia terrena, ou cerimônia da Ceia a interpretação mlstica para toda essa passagem.do Senhor, é tão -somente o sinal simbólico dessa c. O «modus operandi» dessa transmissão de vidaprofundissima realidade. A realidade espiritual é a aparece no versiculo trinta e cinco. Aqueles que «vêm»«realidade simbolizada», que precede, transcende e a Jesus participam do pão da vida, e nunca maisperdura infinitamente para além do mero símbolo. sentem fome espiritual. Aqueles que «crêem» partici- A kaDlab.tanclaçlo elpldtaal - Isso é que o pam da «bebida espiritual» que mitiga para sempre apresente texto nos ensina, ou pelo menos, podemos sua sede. A «vinda» a Jesus consiste na, entrega totallançar mão desse vocábulo a fim de expressar a da alma nos braços de Cristo. Ora, a Ceia do Senhormensagem do mesmo. Através dessa «transubstancia- simboliza essa verdade; e a participação em seusção espiritual», portanto, o ser de Cristo é insuflado elementos, de uma maneira correta, e com a atitudeno ser do homem, havendo então a modificação de certa, é então uma parte integrante dessa entrega;substância, vindo assim o homem a participar da mas a própria Ceia do Senhor não é essa entrega.natureza ou substância divina. Aquilo que é Outrossim, o beber da «água da vida.. (conforme anormalmente chamado de «transubstanciação», por- definição de João 7:38,39) é o ministério realizado notanto, se arrasta na direção dessa elevadissima idéia homem interior do crente por parte do Espírito Santo.bíblica, ainda que errônea e imperfeitamente. Ele como que emana continuamente no interior do crente individual, sempre transformando-o mais de E a Ceia do Senhor, visto que contém os emblemas acordo com Jesus Cristo. Portanto, trata-se de urnado corpo e do sangue de Cristo, de sua expiação fonte que borbota do interior, e o resultado final é arealizada em favor dos homens, que é verdadeiramen- «vida eterna», isto é, um tipo de vida, a vida divina, ete o instrumento que leva a essa modificação celestial, não apenas uma existência sem fim.serve de «sinal simbólico» de todo esse processo.Reduzir o ensino do sexto capitulo do evangelho de Ela ....... opIaIIo,isso é o que o sexto capitulo doJoão somente ao «sinal simbólico», ou supor que a evangelho de Joio plOCU& 1IOI1Iansm.itir, sendo umaconcretização da realidade simbolizada se verifica dentre três ou quatro das mais profundas passagensatravés da participação em urna mera ordenança ou espirituais de todo o N.T. E essas outras passagens,sacramento, e não misticamente - através de tudo igualmente profundas, nonnalmente abordam oquanto o Espírito Santo opera no homem interior, mesmo terna. (Ver o oitavo capitulo da epístola aoscorno o agente divino transformado - é compreender Romanos e o primeiro ,capitulo da epístola aospouquíssimo e equivocadamente desse texto tão Efésios), O primeiro capitulo. do evangelho de João éprofundo. igualmente profundo e iDdlIi_ . . . . de «luz»e dos «filhos de Oeus.., o mesnw assullto aqui ventilado; Indleaçla EsllteDteI DO Sexto c.pttalo do porém, aborda essa qu<aio do . . ponto de vista EY....eIho de Joao diferente, sob a forma de simboIos e ...~ões. Sobre a Veracidade da Interpretação Mística «... Seu divino podei IJOIS ..... 4ado tudo quanto é O sexto capítulo do evangelho de João, considerado necessário para a vida e apieUde. através do nossoem sua inteireza, fala acerca de tudo quanto Deus faz pleno conhecimento da4-eeqlle, mediante a suanos homens, pelos homens e com os homens, por glória e excelência, ftOli tOh:-.oupala si mesmo.intermédio de Jesus Cristo, que é a nutrição espiritual Através dessas é que ele ftOS ~ cIoadoas suastotal do homem, e o seu princípio de vida. Isso preciosas e gloriosas pr.-essu., afim de que, porultrapassa a qualquer coisa que possa ser ensinada meio delas, depois de ·teRIes • escapada dapela própria Ceia do Senhor, embora a eucaristia seja corrupção que está no muado, por causa de seus mausum vivido sinal simbólico de toda aquela concretiza" desejos, possais vir a ~ ea .....reza divina".ção divina. Fica salientada, por conseguinte, a (11 Ped. 1:3,4, COMonae a trachIçio inglesa deperfeita operação realizada pelo Espírito Santo, Williams, aqui vertida para o português).através da total existência da alma, até à sua completa O vocábulo grego aqui traduzido por «Qawreza.. é aglorificação. E, novamente, a Ceia do Senhor, por si mesma palavra regulat"8lleDte tr. .trida por «essên-somente, não pode significar tudo isso, embora cia», «substância» ou c$iIÇI"», ia4icattdo a aaturezasimbolize toda essa verdade. Cumpre-nos, todavia, essencial, em contraste .CCKl âs meras caracteristicas 47
  • 48. PÁO DA VIDA - PAPA. PAPADOadquiridas. A sua forma verbal é o termo grego universal. Esse vocábulo vem do latim bárbaro,ordinário que significa «gerar.. ou «produzir... Por papatia, com base na palavra latina papas, «pai».conseguinte, manuseamos aqui com a natureza Essa palavra também pode referir-se à sucessão dosessencial de alguma coisa, quando empregamos essa papas e à administração ou governo que eles exercempalavra. Não existe conceito espiritual mais elevado sobre a Igreja Católica Romana. Quando escrita comdo que esse, o qual fala sobre homens que passam a inicial maiúscula, essa palavra indica o sistemaparticipar da própria natureza divina, sendo esse o governamental católico romano (o governo por meiotema central em torno do qual gira a mensagem do dos papas).sexto capitulo do evangelho de João. João Scotus A hist6ria revela que tem havido um desenvolvi-Erigena (877 D.C.) percebeu o verdadeiro alcance menta gradual do oficio papal e de seus poderes,dessa doutrina e a ensinou, ainda que, infelizmente, começando pela própria invenção do conceito. Essenão muitos mestres evangélicos modernos tenham desenvolvimento gradual, porém, não parece coisatido o mesmo profundo discernimento. estranha para a Igreja Católica Romana, cuja teologia A participação na natureza divina pelos filhos será diz que a doutrina cristã evolui com a passagem dode modo finito, enquanto o Pai participa nesta tempo, e que o Novo Testamento representa apenasnatureza infinitamente. Durante toda a eternidade um estágio inicial dessa evolução. Por sua vez, osesta participação dos filhos será continuamente grupos protestantes e evangélicos relutam emaumentada, mas o finito nunca alcançará o reconhecer qualquer doutrina que não seja especifica-infinito. A glorificação será um processo eterno. mente ensinada e descrita nas pâginas do Novo Referências e Idéias Testamento. Naturalmente, essa idéia é um dogma, 1. Participação na divindade, II Ped. 1:4 não sendo algo requerido pelo próprio Novo 2. Participação na plenitude de Deus, Efé. 3:19 Testamento. 3. Participação na natureza e atributos de Cristo, Visto que a questão do papado nunca aparece noCal. 2:10 própt!0 daNovobTebstamenhi~o6~ mistetr lqóu~ ela seja exarmna so re ases st ncas e eo gtcas, como um desenvolvimento gradual que requereu séculosPÃODIÁRIO para chegar ao que é hoje. D. DeunvohlmeDto HIstórIco Esse é um dos elementos constitutivos da oração do 1. Começando pelo ap6stolo Pedro, que encabeça aPai Nosso. lista dos papas, de acordo com a Igreja Católica Romana, o papado teria começado nas distinções e naPÃO DO ALTAR autoridade maior desse apóstolo em relação aos demais apóstolos. Isso com base em Mat. 16:18 ss, Pão especialmente preparado para sei usado no uma passagem extremamente controvertida. TemosCeia do Senhor. ou sem fermento (no Ocidente e na preparado um artigo detalhado sobre o assunto,Igreja da Armema) oucomfenDento(noOriente). No intitulado Fundamento da Igreja, Pedro como. Veranglicanismo, o uso de pio sem fermento foi revivido também Fundamento da Igreja, Cristo como; eno século XIX. O termo «hóstia» é usado para indicar Chaves, o artigo inteiro, sobretudo a seção li, Asesse tipo de pão. (E) Chaves e Pedro. Os intérpretes protestantes e evangélicos insistem em que os trechos de Mat. 18: 18 e Joio 20:22,23 estendem a todos os apóstolos osPAPA, PAPADO mesmos privilégios que foram dados a Pedro, em Mat. 16:18,19. As chaves do reino (o privilégio de Esboço: abrir a entrada do reino de Deus-uma realidade I. Termos e Definições espiritual, e não alguma organização eclesiástica- 11. Desenvolvimento Hist6rico aos homens) foram outorgadas a todos os apóstolos, e 111. Opiniões Divergentes Sobre o Papado não somente a Pedro. Ver o artigo geral sobre Pedro IV. A Usta dos Papas (Ap6stolo) , que aborda todos os detalhes concernen- tes à sua pessoa, ao seu oficio e à sua possível posição I de bispo da igreja cristã de Roma. Ver também os • T. . . . e ~ artigos intitulados Sucessão Apostólica e Perdão de O termo ptqXl vem diretamente do latim. papas P, do lo .tI_Á~ l(derivado do grego, ptIpJNfIS)., .pailt. Esse vocábulo. em eca s pe s ~to os.seu uso mais antigo, .Rlferia-se a qualquer bispo Ped1o, Bispo de Roma? Papa? Essa questão deim~te ou notbel, camo Cipriano. que foi asSim Pedro ter sido bispo de Roma foi adequadamenteintitulado. Na Igreja orieIItá, era URl tiaJIo apticado ventilada no artigo Pedro (Ap6stolo), pelo que esseao bispo de Alexandria. A,PIIIawa srega, JNPPiU. a~ material não é aqui reiterado. Basta ser dito aqui quehoje é aplicada aos cpadftslt da I@reja Ortodoxa um apóstolo, sem importar onde tivesse residido, peloOriental. Mas optqKl, ~ . ~apecificamente, menos teria exercido a autoridade de bispo ou pastoro cabeça da Igreja Catlóliea·RomMIa. Ele ~tem Baquelama. ~ inútil tentar reduzir a autoridade deo titulo de Visirio de CriÃO.GU., «SUbstitlsto de Pedro. em Roma, a menos do que isso. E a tradiçãoCristolt; e, como tal, é ~ () chefe da Isreja de que ele passou seus últimos anos de vida em Romauniversal, aJcuém que ~ aasmi.os o poder de é muito sólida. na história e nos escritos dos pais daCristo, podendo exercê-lo-l:taee4a teara. Oatrotftulo Igreja. Mas, o ter sido ele bispo de Roma não é ado papa é Ponti/ex M«ri-ur. ce1adfe <:oDStnator de mesma -eoisa que ter sido ele o primeiro papa, nopontelt• A idéia desse *-lo é que ele é osrande sentido que a teologia católica romana dA a esseintermedi6rio entre ·Deus -e os homens,senoiRdo de tk:u10. A esmagadora maioria dos conceitos queuma espécie de ponte. A tradiçlo catlJIica llOmMIa faz envolvem o papado surgiu posteriormente, algumasdo papa o sucessor de Pedro e possuidor das Chaves vezes séculos mais tarde que os dias de Pedro, sem(vide). qualquer sanção biblica ou nos escritos. O PlIpQdo. Esse termoiDclicaoGflcio.adianidade e Pedro Nunca Foi Papa no Sentido de João Paulo 11.a jurisdiçio do papa, () bispo ele Roma, que teria o dogma cat6lico romano, a bem da verdade, não dizpoder sobre todos os bispos, em sua liderança que a significação do primado petrino manifestou-se 48